‘Banco nenhum vai sair renegociando dívida só na base do fio de bigode’, diz Bronzatto sobre falha no Desenrola 2.0
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Carol
Fernando
Vera
Tiago Bronzato
- Desenrola 2.0Falha na implementação · Fundo Garantidor de Operações · Burocracia
- Lula e Donald TrumpCombate ao crime organizado · Lavagem de dinheiro · Tráfico de armas · Cooperação internacional · Donald Trump e a NASA
- Crise com o Congresso e Jorge MessiasRelação com o Senado · Indicação ao STF · Jorge Messias · Avel Columbre · Ministério da Justiça
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O Viva Voz está de volta e está com a gente já na linha o Tiago Bronzato, diretor da sucursal do Globo em Brasília. Boa noite, Tiago. Boa noite, Vera, Carol, Fernando e boa noite aos ouvintes. Oi, Bronzato.
Por um exato, a gente falava aqui na abertura do programa da dificuldade de implementação nesse primeiro dia do Desenrola. Mas a gente está falando aqui da principal aposta do governo Lula para reverter a sua popularidade nesse finzinho, nessa reta final antes da eleição. O que aconteceu? Por que deu defeito? Olha só, Vera, o Desenrola 2.0, como o governo está chamando, já começou todo enrolado.
O governo anunciou ontem que, com toda a pompa, que o programa de renegociação da dívida começaria hoje para valer. E aí os bancos correram, lançaram páginas para facilitar o processo para os clientes. E os clientes também já estavam todos ali na expectativa, se preparando para limpar o nome sujo na praça.
Só que o sistema deu defeito e nenhum contrato foi fechado hoje. E o que aconteceu na prática? Segundo integrantes do governo, faltou publicar uma portaria para liberar o funcionamento do sistema do Fundo Garantidor de Operações, que oferece a garantia para o banco caso o beneficiário do programa resolva dar calote. E sem essa garantia funcionando, banco nenhum vai sair renegociando dívidas só na base do fio do bigode. Então, vamos lá.
E a portaria só foi publicada hoje à tarde depois de uma chiadeira dos bancos. E depois da publicação da portaria, tem mais uma etapa burocrática. Ainda precisa realizar uma assembleia para aprovar o uso desse fundo garantidor de operações, o que deve acontecer ainda hoje, segundo o governo. Mas o fato é, nenhum contrato foi fechado. Na prática, é como se o governo fosse um lojista que anunciou aquela mega promoção para essa terça-feira.
E na hora de vender o seu produto não conseguiu abrir a loja. E a dúvida que fica é, será que ninguém pensou em resolver essa burocracia antes de lançar um programa que é tão estratégico para retomar a popularidade do presidente? Ou será que o governo estava muito ocupado tentando dissipar tantas crises ao mesmo tempo? A fase é tão ruim no Planalto que até uma notícia que é positiva vira negativa de um dia para o outro, Vera.
Bronzato, falando agora do encontro do Lula com o Trump, como é que o presidente pretende usar essa reunião para melhorar a sua imagem depois dessa derrota histórica que sofreu no Congresso? Pois é, Carol, com a queda na popularidade e a imagem do presidente arranhada depois dessa derrota histórica, como você bem falou, o Lula precisa sair das cordas. E a aposta dele é transformar essa conversa com o presidente americano Donald Trump numa demonstração de força.
Em vez de parecer que o presidente conseguiu ali a proeza de ter um indicado ao STF rejeitado, Lula quer surgir agora como um chefe de Estado que discute com o presidente americano como combater o crime organizado, como combater a lavagem de dinheiro, o tráfico de armas e fazer uma mega cooperação internacional, né? Para ele voltar...
com essa imagem para o Brasil. E esse tema não foi escolhido por acaso. Segurança pública, a gente sabe, virou uma das grandes vulnerabilidades do governo. E o Lula passou boa parte do mandato sempre meio uma marca clara nessa área.
Vale lembrar, teve ministro trocado, plano anunciado que não saiu do papel, proposta em discussão, promessa não cumprida de recriar o Ministério da Segurança Pública. E isso foi gerando aquela percepção no eleitor de que as coisas não estão andando. Enquanto isso, a oposição vem ocupando esse terreno com mais voltura, mesmo que muitas vezes só na retórica.
E para tentar mudar esse cenário, o Lulek quer fechar ou ao menos encaminhar um acordo de cooperação com os Estados Unidos contra o crime organizado. A ideia do presidente é ampliar uma troca de informações com os Estados Unidos justamente para rastrear todo o fluxo financeiro, combater lavagem de dinheiro e até apertar o seco contra o tráfico de drogas e armas aqui no Brasil.
E Lula, ele naturalmente quer capitalizar essa imagem, essa imagem que ele precisa para a campanha, como alguém que está combatendo o crime organizado no Brasil. Mas, ao mesmo tempo, ele quer evitar que o Trump classifique esses grupos de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, porque isso abriria uma brecha para a atuação americana em território nacional. Então...
É uma pirueta diplomática complexa ali para o presidente, porque ao mesmo tempo que ele quer o apoio dos Estados Unidos para capitalizar politicamente esse combate às organizações criminosas, ele não quer receber a tutela americana. Ele quer uma cooperação, mas também não quer uma intervenção. E se o acordo avançar, ele de fato ganha uma munição para a campanha.
Mas se a conversa terminar sem nada concreto e apenas com uma foto, a oposição vai tripudiar e vai dizer que o Lula saiu da Casa Branca com a mala vazia. Por um sato de volta ao Brasil, o Lula vai precisar decidir duas questões importantes. Uma é a crise com o Congresso e outra é o futuro de Jorge Messias. O que está na mesa? Olha, Fernando, na volta dos Estados Unidos o Lula terá que desarmar duas bombas. A crise com o Senado e o destino do Jorge Messias.
O presidente tem dito a ministros mais próximos que o melhor agora é virar a página da derrota humilhante que ele sofreu ali no Senado. Ou seja, ele está ressentido, está irritado, tem um climão, mas sabe que não dá para governar os próximos mesmo vida ressentimento, principalmente alguém que busca a reeleição e busca aprovações de pautas importantes ali no Congresso. O Lula reconhece que a relação com o presidente do Senado, Avel Colombre, ficou esgaçada.
mas também sabe que depende dele para aprovar essas pautas importantes, ou pelo menos segurar pautas bombas que compliquem o governo dele. E por isso ele pediu a ministros e líderes governistas que tentem manter uma interlocução saudável com o presidente do Senado, virando a página e deixando os ressentimentos de lado.
Antes dessa derrota, Lula falava para as pessoas próximas que caso o nome do Messias fosse rejeitado, ele indicaria de novo, justamente para reafirmar a prerrogativa dele de poder escolher um ministro do Supremo. Só que depois desse chacoalhão de realidade que ele tomou, o presidente vem mudando o discurso. Ele percebeu que repetiu o nome do Messias.
pode virar uma segunda humilhação. Acho que nem o cara toparia, né, o Brunzato? Ele está bem agastado com essa história também.
Muito. E assim, ele sabe que a tendência, se ele continuar insistindo no Messias, ele vai ter uma nova humilhação, que não interessa para ele às vésperas das eleições. Então a tendência, pelo que ele tem dito a pessoas próximas, é ali manter como estratégia política esse discurso de vitimização de Messias, gerando, alimentando ainda mais aquele discurso.
do Congresso, inimigo do povo, porque isso já tem surtido alguns efeitos nas pesquisas internas do Palácio do Planalto, e começar a buscar outro nome, e alguém que tenha chance real de aprovação, ou que se for barrado, constranja mais o Senado do que o próprio governo.
Enquanto isso não é resolvido, o Lula também precisa decidir o que ele vai fazer com o Messias. Como você bem falou, Vera, o Messias quer sair dessa atmosfera de Brasília, quer viajar e tal, mas também tem aliados do governo que defendem a possibilidade de ele ser promovido ali na Esplanada, até para dar uma moral para ele, para empoderá-lo. Já chegaram a cogitar o Ministério da Justiça, porque aí resolveriam outro problema, que é substituir o ministro Elton Lima Silva, que também...
não está gerando muita satisfação ali no presidente e tal, mas não é uma equação fácil, né? Ainda mais porque o governo não tem mais crédito para ficar passando recibo de fragilidade política. Exatamente, é um ministério que já teve muita troca também. Tá certo, Tiago Bronsato com a gente todas as terças e quintas. Bem-vindo de volta das suas breves férias e até quinta-feira. Obrigado, Vera, até quinta-feira.
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