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Lula tem de estar 'muito brifado para escapar das armadilhas' em reunião com Trump

06 de maio de 202643min
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O presidente Lula embarcou no início da tarde desta quarta-feira (6) para os Estados Unidos, onde se reunirá com o presidente Donald Trump na Casa Branca. A chegada está prevista para a noite, e o encontro ocorre nesta quinta-feira (7), segundo a Casa Branca. Vera Magalhães fala sobre as expectativas para a reunião entre os líderes.

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Participantes neste episódio1
V

Vera Magalhães

HostJornalista
Assuntos5
  • Encontro Lula e TrumpEncontro Lula e Trump · Lula · Donald Trump e a NASA · Casa Branca · Segurança e cooperação contra organizações criminosas · PCC · Comando Vermelho · Transformação de organizações em terroristas · Tarifas e acordos bilaterais · Aço e alumínio · Guerra no Irã · PIX · Negociação de terras raras e minerais críticos
  • Pesquisa eleitoralPesquisa Eleitoral 2026 · Lula · Flávio Bolsonaro · Ronaldo Caiado · Romeu Zema · Genial Quest · Minas Gerais · São Paulo · Nordeste · Rio Grande do Sul · Paraná · Goiás
  • Relações entre Governo e CongressoRelações entre Governo e Congresso · Lula · Investigações sobre Davi Alcolumbre · José Múcio Monteiro · José Guimarães · Supremo Tribunal Federal · Flávio Bolsonaro · Rogério Marinho
  • Política Nacional de Minerais CríticosPolítica Nacional de Minerais Críticos · Arnaldo Jardim · Câmara dos Deputados · Conselho Nacional de Política Mineral · AMIG · Minerais Críticos · Terras Raras
  • Comércio Internacional e TarifasComércio Internacional e Tarifas · Donald Trump e a NASA · Brasil · Estados Unidos · China · Agronegócio brasileiro
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Viva a voz com Vera Magalhães.

Vera Magalhães, muito boa noite. Oi, Nadedja, boa noite para você. Bem-vinda aqui ao Ponto Final, barra Viva Voz. Vamos juntas até as sete horas. Vamos juntas. Já começando por um assunto que a expectativa é muito grande, né, Vera? O encontro, mais um, entre o presidente Lula e o presidente americano Donald Trump. Falamos ainda há pouco um pouquinho sobre a comitiva que Lula está levando para os Estados Unidos. São muitos os assuntos a serem discutidos.

entre os dois e a Samanta Klein está acompanhando, está apurando aí o que deve sair desse encontro, né, Samanta? Oi, Nadeia de Aivera, boa noite para vocês. Olha, de fato...

O presidente Lula, portanto, está em voo agora, deve chegar por volta das 9 horas da noite em Washington e tem essa agenda, este encontro previsto já para as 11 horas da manhã, isso no horário de Washington, ou seja, meio-dia aqui de Brasília. A previsão é de encontro, então, que não deve ser no Salão Oval, pois é uma reunião menos informal, às 11 horas e 15 minutos.

Depois haverá o que se chama de press spray, que é algo como o quebra-queixo, que a gente chama aqui no Brasil, que é previsto uma fala rápida do presidente Lula e do presidente Donald Trump a respeito deste encontro. Depois tem o almoço agendado e o presidente Lula na Embaixada Brasileira de Washington deve conceder, então, uma coletiva de imprensa. Aí teremos também transmissão.

E vamos acompanhar aqui na CBN, obviamente. Essa pauta aí, muito esperada desde março, era a previsão inicial, ficou para maio, por conta de uma série de intercorrências, em especial pelos Estados Unidos, que está muito mais preocupado com a guerra no Irã, mas finalmente acontece. Inclusive, segundo uma informação do jornal O Globo, na última sexta-feira...

o presidente Lula recebeu uma ligação de Donald Trump e eles conversaram cerca de 40 minutos numa conversa que, segundo os interlocutores, foi amistosa. Ou seja, a diplomacia brasileira teve todo um cuidado na divulgação dessa viagem ao longo desta semana, mas já previa que seria uma boa conversa. É claro que tudo a gente vai confirmar amanhã.

O que é a prioridade do Brasil? Até pelas pessoas que foram junto, como o ministro da Justiça, Wellington César Dias, e também o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A prioridade é falar sobre segurança em cooperação para combater organizações criminosas e também evitar aquela proposta dos americanos.

de transformar organizações como o PCC, por exemplo, o Comando Vermelho, em organizações terroristas. Esse tipo de classificação abriria margem para intervenção no nosso país. E claro que a questão das tarifas e acordos bilaterais também são fundamentais. Lembrando que o aço e o alumínio seguem com tarifas sobre taxas de 25% e 50%, assim como já acontece.

com outros países em relação às exportações para os Estados Unidos. Com vocês.

Samanta, você falou aí numa série de campos minados que existem na possibilidade dessa agenda do Lula com o Trump. E eu estou vendo que você está aí no Salão Verde da Câmara. Quem nos acompanha por imagem vê que a Samanta também está em vídeo com a gente. E a gente viu que na semana passada o presidente sofreu uma derrota na casa ao lado, no tapete azul do Senado. Antes da viagem, Lula conseguiu começar a negociar uma reaproximação com o Davi Alcolumbre?

através de interlocutores importantes. Ontem pela manhã, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, foi até a residência oficial de Davi Alcolumbre, da presidência do Senado.

e aí conversou com ele. O que interlocutores dizem? Que o objetivo foi apaziguar os ânimos. E vale lembrar que Múcio tem um amplo trânsito aqui no Congresso Nacional, nas duas casas, por todo o histórico dele. Então, foi a primeira tentativa do governo fazer essa necessária reaproximação.

Hoje também o ministro José Guimarães das Relações Institucionais também se reuniu com Davi Alcolumbre, eles também conversaram e aí vem essa tentativa de trazer uma aproximação também com o presidente Lula e Davi Alcolumbre. É claro que isso, se ocorrer essa reunião, será apenas na semana que vem, mas fato é que o governo está trabalhando nisso.

Não tem ainda uma definição sobre enviar ou não um outro nome para ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal, mas o governo está entendendo que manter um atrito, um conflito com o Senado ou com o Congresso como geral só traz prejuízos, em especial nessa reta final do governo.

Perfeito. Obrigada, Samanta Klein, pelas informações ao vivo de Brasília. Vera, vocês já têm falado muito aqui sobre a dimensão do fato que causou essa ruptura, um fato histórico, uma coisa que chega a pegar no orgulho dos envolvidos. Realmente foi um caso muito sério, então, se for possível uma reaproximação, deve ser assim, devagar, devagarinho. Devagar, devagarinho. O Lula provavelmente vai querer...

Se essa reaproximação acontecer, se certificar de que existe ambiente para mandar um outro nome para o Supremo Tribunal Federal, ele não quer terminar o mandato abrindo mão da sua prerrogativa de indicar um nome, porque aí fica uma dúvida.

a respeito de quem vai vencer a eleição, e isso é complicado, porque se ele perder a eleição, ele perde também a chance de indicar. Então, o principal objetivo dessa reaproximação é tentar desinterditar esse meio de campo, evitar que o Alcolumbre cele um acordo de tal natureza com a oposição.

de que não adianta mandar nenhum nome que eu não vou analisar até a eleição, porque é isso que Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho gostariam que ele fizesse. Então, toda a tentativa vai ser de mostrar ao presidente do Senado que ele não pode agir dessa maneira, que isso seria muito truculento, seria negar ao presidente da República uma coisa que a Constituição assegura a ele, que é indicar integrantes do Supremo Tribunal Federal. A...

O longo período de tempo sem um ministro e os prejuízos que isso causa também, a análise de processos, etc., vai ser um outro argumento para ser colocado na mesa nessa tentativa de reaproximação. Qual é a dificuldade? Qual seria este nome?

E aí teria de ser um nome que passasse pelo crivo do Senado, que passasse pelo crivo também do senador Davi Alcolumbre. Isso embute uma capitulação por parte do Lula? Em parte, sim, mas isso se deve ao fato de que ele, de fato, não tem maioria para bancar, para peitar e para trucar em cima do Senado nesse momento.

Bom, por enquanto, o Lula e boa parte do primeiro escalão com foco total nesse encontro que é crucial com o presidente americano, Donald Trump, com muitas questões em torno e com um histórico bom, apesar do histórico ruim anterior, mas o histórico mais recente é bom, embora eu sempre fique imaginando que tudo é possível com Donald Trump, que é muito imprevisível, Vera.

Exatamente o que eu penso na dédia. Hoje mais cedo gravei um vídeo que vai ao ar daqui a pouco nas redes sociais do Globo em que eu falei a mesma coisa, que tem um bom prognóstico, mas a chance de azedar em algum momento sempre existe, dado esse alto grau de imprevisibilidade. E pelo fato de que existem, no meio da cesta de assuntos que vão ser tratados, temas muito espinhosos. A gente até vai tentar descascar alguns deles mais tarde com o Bruno Carazzo.

Mas o fato é que tem que ser, de fato, muito bem preparada pela diplomacia essa viagem. O Lula tem de estar muito brifado para escapar das armadilhas, para evitar esse assunto da equiparação de facções criminosas com grupos terroristas e também a questão do PIX.

Se surgir essa questão do PIX, é outra em que o governo não quer transigir em nenhuma medida. Da mesma maneira, a negociação de terras raras e minerais críticos. Então, são muitos os temas com potencial de problema e vai depender muito do grau de profissionalismo da preparação da viagem.

o sucesso ou o insucesso. Tem a química, sempre tem os memes e tal, mas mais do que química, é uma questão de o presidente estar devidamente, tecnicamente, brifado para essa viagem. Inclusive, quando dá certo a relação entre os dois, é muito bom para os dois, né, Vera? Que parecem mais hábeis, mais moderados, porque conseguem ali entrar em acordo, apesar de serem figuras políticas radicalmente diferentes. Exatamente. Gente, o Trump está no...

Problema de imagem grave lá nos Estados Unidos também. Não está podendo entrar em novos contenciosos. É a mais baixa avaliação de um presidente da República em muito tempo. A do Lula não está melhor. E o melhor momento da avaliação do Lula nesse período de baixa...

foi justamente quando ele reafirmou a soberania brasileira diante das ameaças do Trump. Então, essa pauta tem aí para ele um conhecido potencial de navegação, mas depende desse alinhamento dos astros. Vamos ver como a coisa vai fluir amanhã. E tem a questão, como você citou, dos minerais críticos. Tem votação a respeito disso acontecendo?

Aliás, tudo indicava que seria ontem, agora tudo indica que vai ser hoje. E a Larissa Lopes está lá acompanhando para ver se vai ser mesmo. Boa noite.

Oi, Nadege. Olha, aparentemente vai ter votação sim, viu? Inclusive, neste momento, o relator Arnaldo Jardim, ele leu o parecer agora sobre essa proposta no plenário da Câmara dos Deputados. Agora há pouco, então, o Gumota abriu a sessão e já deu início à análise dessa proposta que prevê, então, criar essa política nacional dos minerais críticos.

E dá poder ao governo até de vetar ali e analisar os projetos sobre a extração e também exportação dos minerais estratégicos que são usados, por exemplo, em produtos tecnológicos, smartphones, também material para veículos elétricos.

Há duas semanas, Adélia, no dia 22 de abril, essa votação aconteceria, só que justamente por conta que o relator não contemplava ali a criação de uma estatal, que seria a Terra Brás, acabou ele tendo que fazer outro relatório junto ao governo e ele então criou um comitê que daria mais poderes ao governo, mas que não seria...

essa estatal, não haveria essa criação de estatal. Isso, por outro lado, na BED, incomodou o setor das mineradoras, inclusive a votação, novamente, seria ontem, mas diante do lobby, da pressão, acabou vindo para hoje e a tendência é que, ao invés de um comitê, se faça um conselho, uma comissão especial no âmbito do Conselho.

do Conselho de Minerais, do Conselho Nacional de Política Mineral, para, sim, então, agradar o governo, mas também o setor das mineradoras. Na dédia.

Obrigada, Larissa Lopes. Que timing, né, Vera? Porque tem se tocado justamente muito nesse assunto, você bem falou. Donald Trump tem total interesse em isso e o entendimento de que no Brasil isso ainda é muito pouco explorado, então o potencial é muito grande. Pois é, e para o governo é um outro desafio, porque a gente sabe que esse tipo de projeto envolve lobbies muito poderosos, as mineradoras estão muito em cima.

do projeto, tentando colocar ali salvaguardas para elas, para o setor privado, para os investidores, e tirar poder do governo. Como é uma área nova da mineração com muito potencial estratégico e de agregar ganho tecnológico para o país, etc., o governo também tem interesse. Então, vai ter um duelo aí.

por protagonismo e por emplacar as suas medidas, as suas pautas dentro dessa lei geral da mineração. O governo, como a gente sabe, também não tem maioria na Câmara, assim como não tem no Senado. Então, a chance de levar várias bolas nas costas e de colocarem muitos jabutis na proposta, ela existe.

Então, cabe às lideranças do governo prestarem atenção e serem atuantes para evitar essas bolas nas costas. O que eu conversei com gente no Palácio é que se passarem algumas das agendas do setor privado, o governo pode vetar. Mas aí a gente cai naquele embate de sempre. O Lula veta, o Congresso derruba o veto.

É muito importante esse projeto. Projeta, inclusive, o nosso futuro em relação a várias superpotências como um posicionamento para fornecimento desses minerais sem ser só um exportador de commodities, mas tendo a possibilidade de agregar alguma tecnologia. E a gente fala, claro, do interesse do governo também...

do legislativo e os interesses internacionais e tem os interesses econômicos do setor mesmo, do setor produtivo. A Larissa Lopes, inclusive, que está com a gente ainda, tem informações a respeito do que pensam as mineradoras, o posicionamento das mineradoras sobre esse projeto, né, Larissa? Isso, Nadeja. Temos o posicionamento da AMIG, que é a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores.

que diz que esse PL dos minerais críticos ignora municípios mineradores e ameaça repetir os erros históricos da mineração brasileira. A associação manifesta profunda preocupação com o que chamou de forma precipitada e politicamente oportunista com que vem sendo conduzida a tramitação desse projeto de lei e a pensados que institui a política nacional de mineração.

apresentado pelo relator Arnaldo Jardim, ignora os municípios mineradores, justamente os entes que convivem diariamente com os impactos sociais, econômicos, ambientais e territoriais da mineração. E também diz que, mais uma vez, os verdadeiros afetados foram excluídos do debate sobre uma atividade que altera profundamente seus territórios, sua dinâmica econômica e capacidade de planejamento. Na Bédia.

Muito obrigada, Larissa Lopes. Segue acompanhando aí a expectativa dessa votação em Brasília. Agora são seis horas e vinte minutos e tudo isso acontece, para a gente não perder de vista, em ano eleitoral. E um destaque também do noticiário hoje é um recorte da pesquisa Genial Quest com intenções de voto para presidente em dez estados. A gente tem essas informações agora também em Brasília com a Ana Carolina Tomé. Boa noite.

Boa noite, Naded. Um recorte da pesquisa Genial Quest, divulgado hoje, revela vantagem do presidente Lula sobre Flávio Bolsonaro em quatro estados do país, enquanto o filho do ex-presidente vence o petista em outros cinco estados em um eventual segundo turno entre os dois.

Há ainda um empate entre Lula e Flávio em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, com o petista numericamente à frente com 39% das intenções de voto contra 36% do senador do PL.

O levantamento mostra que nos cenários envolvendo o presidente Lula e Flávio Bolsonaro, o filho do ex-presidente aparece com vantagem no Rio Grande do Sul, 57 a 31, Paraná, 50 a 30, em Goiás, 47 a 34, São Paulo, 47 a 35 e Rio de Janeiro, 45 a 32.

sendo a maior vantagem no Rio Grande do Sul, onde Flávio tem 26 pontos de frente. Já o petista mostra força no Nordeste, vencendo na Bahia 55 a 22, Pernambuco 57 a 23 e Ceará 56 a 28. A maior vantagem na dédia é em Pernambuco, com 34 pontos acima do adversário.

Já no Pará, Lula tem sete pontos de vantagem sobre Flávio, 43 a 36. Foram testados ainda cenários entre Lula e Ronaldo Caiado e Romeu Zema. O petista perde para Caiado em Goiás e empata em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, mas vence em todos os outros estados. Na simulação de segundo turno contra o Zema, há empate em Minas, São Paulo, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul e vitória do Lula no Pará.

Rio e nos estados do Nordeste. O levantamento trouxe ainda dados sobre a avaliação do governo Lula. O petista tem maior índice de aprovação, 61%, entre os eleitores de Pernambuco e a maior desaprovação, de 60%, entre os do Paraná.

A pesquisa mostra ainda que, na média dos 10 estados, Lula é desaprovado por 52% dos eleitores e aprovado por 43%. Em apenas 4 dos 10 estados, a aprovação de Lula supera a desaprovação.

Bahia, Ceará e Pará. Nos demais, a desaprovação é maior que a aprovação. A Quest ouviu 11.646 pessoas. Entre os dias 21 e 28 de abril, a margem de erro das pesquisas é de 2 pontos percentuais em São Paulo e 3 pontos percentuais nos outros estados. O nível de confiabilidade é de 95% na dédia.

Obrigada, Ana, pelas suas informações. Na TED, a gente vai hoje, ainda nessa edição do Viva Voz, entrevistar o Felipe Nunes, da Quest, a respeito do que esse recorte nos mostra. Mas, assim, de pronto, já dá para fazer um alerta, né? Fica um alerta ali para o Lula, por conta dessa questão da aprovação muito baixa, a rejeição superando a aprovação na maior parte desses estados.

que são alguns dos mais populosos e com maior número de eleitores do país. E isso requer cuidado, porque as coisas são muito ligadas em eleição. Quem tem uma rejeição baixa, por óbvio, tem mais dificuldade de confirmar o mandato quando é incumbente. Então, o governo vai tentar...

fazer tudo para melhorar a sua aprovação até o início formal da campanha, em agosto, para ir largar em condições melhores. A gente vai poder falar com o Felipe mais especificamente sobre quadros que são essenciais para qualquer eleição, como os de São Paulo e de Minas Gerais, que são estados-chave para esse pleito. A gente faz agora um breve intervalo. Você fica com o noticiário da sua cidade, da sua região. O Viva Voz volta depois do repórter CCBN.

Viva Voz está de volta às 18h32 e hoje a gente fez uma leve inversão aqui na pauta e vamos falar mais cedo, receber mais cedo o nosso colunista Bruno Caraza, todas as quartas-feiras conosco. E aí, Bruno, tudo bem? Boa tarde. É, noite já. Boa noite.

Boa noite, Vera. Boa noite, Renadeja. E boa noite para todos vocês que estão acompanhando. Boa noite, Bruno. Hoje está tudo diferentão aqui. Bruno, nosso assunto é justamente a visita do presidente Lula a Washington. A gente já tratou em reportagem.

Mais cedo, mas queríamos ouvir você. Por quê? A gente sabe que esse encontro vai testar se a tal química entre os dois continua valendo, mas ele tem temas muito importantes colocados sobre a mesa. Um deles passa pelo comércio internacional. Como é que ficaram as relações entre Brasil e Estados Unidos depois das reviravoltas em relação ao tarifácio? E o que ainda tem para ser negociado nesse capítulo?

Pois é, Vera, é uma reunião que tem um cunho político, geopolítico, diplomático, mas também tem um cunho econômico muito relevante. Do ponto de vista comercial, o Trump abalou as relações entre os países quando ele...

adotou o tarifácio, coisa de um ano atrás, em abril do ano passado, e por incrível que pareça, do ponto de vista das relações entre Brasil e Estados Unidos, acabou sendo um tiro no pé, porque o tarifácio...

ele afetou tanto a quantidade de mercadorias que a gente vende para os Estados Unidos, quanto afetou também a quantidade de mercadorias que os Estados Unidos vendem aqui para o Brasil. Então, essa medida acabou encolhendo as trocas comerciais entre Brasil e Brasil.

compara com o primeiro trimestre do ano passado, que foi antes do tarifaço, as trocas entre Brasil e Estados Unidos caíram 15% nesse período. E aí houve uma queda tanto de exportações quanto de importações. E vários dos produtos brasileiros foram prejudicados nas vendas do Brasil para os Estados Unidos. Principalmente as vendas de produtos do agronegócio brasileiro, que é muito relevante para a economia aqui no Brasil.

Então, destravar essa agenda é muito importante para diversos setores da economia brasileira. E por incrível que pareça, essa medida do tarifácio do Trump acabou jogando o Brasil mais próximo do principal rival dos Estados Unidos, que é justamente a China. Enquanto as exportações do Brasil para os Estados Unidos, por exemplo, caíram 19%.

trimestre do ano passado, nossas vendas para a China subiram mais de 21%. Então, enquanto o Trump fecha o mercado para o Brasil, o Brasil acaba direcionando os produtos para a China, o que vai contra essa agenda de aproximação entre Trump e Lula.

E, Bruno, os Estados Unidos também comem investigação aberta contra o Brasil, que trata de vários assuntos. Tem o Pix, tem as redes sociais. O que tem em jogo nessa frente das negociações?

Então, é uma pauta que aparentemente tem a ver com essa questão de redes sociais, com liberdade de expressão, mas na verdade a gente está falando de negócios. Tanto na relação de regulação das redes sociais, que é um assunto que permeia discussões tanto no Congresso quanto...

Estados Unidos abriram contra práticas supostamente desleais do Brasil em relação à economia brasileira e um dos argumentos é o PIX. No caso do PIX, as empresas de cartão de crédito americanas, em associação com a Meta, tinham um interesse muito grande de lançar um sistema de pagamentos digital no Brasil, estavam se preparando para isso, mas o Banco Central acabou sendo mais rápido na arquitetura do Brasil.

Então, esse mercado que poderia ser ganho por essa associação de empresas financeiras americanas e a meta, acabou sendo capturado pelo PIX e é um processo irreversível. Nessa questão das relações de meios de pagamento, vale aquela máxima do the winner takes it all, aquele que chega primeiro ganha o mercado todo, que foi o que aconteceu com o PIX.

O PIC se popularizou no Brasil, a população brasileira usa o PIC massivamente e aí é muito difícil que isso seja revertido por uma decisão do Trump. Então é mais uma medida que o Trump vem tomando aí nessa área da investigação, mas que tem pouco potencial de se reverter aí em medidas concretas que abalem o funcionamento do PIC.

E para a gente fechar, Bruno, eu queria te ouvir sobre um outro assunto que vai estar na mesa, que é a negociação sobre terras raras e minerais críticos, que coincidentemente está também na pauta do Congresso. Quais são os interesses em jogo aí e qual a conveniência de se discutir isso nesse momento? Não tem conveniência nenhuma nesse caso, não é, Vera? Na verdade, é um interesse muito grande que o Trump tem, essas terras raras.

Eles se tornaram fundamentais para a indústria da...

E a China acabou saindo na frente, ela acabou assegurando para si as principais reservas desses minerais estratégicos no mundo todo, desenvolvendo uma capacidade de refino e de aplicação muito grande.

nesse processo. O Brasil tem reservas muito grandes de muitos desses minerais, das terras raras e outros minerais críticos, e os Estados Unidos estão de olho nessas reservas e isso acaba sendo um trunfo que o Brasil tem e que o Trump e que o Lula certamente vai levar para essa negociação com o Trump amanhã. Resta saber se a gente vai saber aproveitar essa oportunidade.

Brasil para os próximos anos. Certo. Sua citação ao ABBA não passou despercebida pelos ouvintes aqui, viu, Bruno Caraz? É uma máxima que vale para a economia também. É isso. Tá certo. Até quarta que vem. Obrigada por hoje, Bruno. Tchau, tchau, gente. Um abraço. Até.

É isso, 6h40, a gente faz mais uma pausa e volta já já com o Felipe Nunes, da Quest, para destrinchar os números da rodada que mediu a intenção de voto para presidente em 10 estados.

Ponto final, CDN. 6h46, Viva Voz está de volta e como eu tinha anunciado, está com a gente na linha, o Felipe Nunes, cientista político, diretor da Quest, que vai nos ajudar a destrinchar esse recorte que o Instituto divulgou hoje com as intenções de voto para presidente em 10 estados. Boa noite, Felipe. Boa noite, Vera. Tudo bem? Prazer falar com você. Obrigado pelo convite.

Obrigada. Felipe, eu vou começar por Minas, seu estado, porque eu achei que existe um certo paradoxo mineiro detectado pela pesquisa, que é o fato de que o Lula tem a rejeição superando a aprovação no estado, que é chave, a gente sabe, para a eleição, mas ele ainda leva uma vantagem, pelo menos numérica, embora esteja...

numa situação de empate técnico com Flávio Bolsonaro, quando o assunto é intenção de voto. O que está acontecendo em Minas? O que a pesquisa nos mostra nesse momento para esse estado pêndulo do Brasil?

Estamos começando bem. Começar por Minas é sempre bom, Vera. O principal insight que acho que a pesquisa da Quest traz hoje é que a aprovação do governo explica boa parte do desempenho eleitoral que o Lula tem nos estados. Se a gente faz uma comparação, o Lula vai bem e tem boa vantagem no Nordeste e no Pará.

Enquanto que o Flávio, no Brasil inteiro, reproduz a força da direita no sul, São Paulo, Rio e ali em Goiás, que é o estado do centro-oeste. Mas a aprovação não explica tudo. Como você muito bem disse, nesse estado pêndulo nacional, o Lula tem um saldo negativo de aprovação, mas aparece competitivo contra Flávio. Por que a palavra competitivo? Por que eu escolhi essa palavra para explicar esse cenário? Porque se a gente compara a eleição de 2022... Foi isso.

onde a gente teve basicamente um 50-50 em Minas Gerais, Minas que reproduziu ali a dinâmica nacional, agora o Lula está 4 pontos percentuais na frente do Flávio em Minas.

Essa vantagem, claro, é empate técnico, porque a gente está falando de uma pesquisa com margem de erro de três pontos, mas do ponto de vista numérico é como se a gente tivesse uma oscilação de vento, nacionalmente o Flávio numericamente à frente do Lula, mas em Minas acontece o contrário.

Tem dois aspectos ali, Vera, que são relevantes para ajudar a entender esse quadro, até para a gente pensar depois como isso vai evoluir. O primeiro deles é que, em Minas, o Lula tem 40% de potencial de voto, enquanto tem 57% de rejeição. Essa é a realidade do Lula em Minas.

O Flávio tem a mesma rejeição, 57 pontos, mas tem um potencial de votos que é menor. Enquanto o Lula tem 40, o Flávio tem 35. Ou seja, os mineiros rejeitam Lula e Flávio no mesmo patamar.

mas dão um potencial de voto maior a Lula do que a Flávio. Por quê? Porque Lula é praticamente conhecido por todo mundo e Flávio ainda tem 10% que não conseguem opinar sobre ele. Isso está diminuindo o potencial de voto dele no Estado. Vamos ver como é que os mineiros independentes, que não estão necessariamente ligados na polarização, vão avaliar o desempenho do Flávio daqui para frente.

E rapidinho, só complementando sobre Minas, Romeu Zema não é o suficiente ser de Minas, ser o ex-governador de Minas, para romper essa polarização por lá, como acontece, por exemplo, no estado de Goiás. É, Nadege, esse é um boa noite, prazer falar com você. Esse é outro dado interessante em Minas, quer dizer, a gente conseguir olhar o comportamento dos mineiros.

presidencial nos permite, por exemplo, perceber que o Zema tem 11% das intenções de voto no primeiro turno, o que não o gabarita para ir para o segundo turno, mesmo na opinião dos mineiros. É diferente do Caiado, que tem uma vantagem, ele ganha de Lula e de Flávio no seu estado. A gente sabe que ganhar em casa geralmente é uma estratégia importante para poder depois ganhar fora de casa. Tem essa diferença.

A que eu atribuo isso? Os mineiros estão, aos poucos, avaliando o governo Zema, esse governo que acabou, ele abriu mão do mandato para ser candidato a presidente, mas a avaliação dele ao longo desses últimos dois anos foi diminuindo. Ele teve desgastes nesse fim de ciclo.

Esse fim de ciclo acabou não sendo, digamos, de lua de mel entre Zema e o eleitorado mineiro. Então ele, digamos, saiu ali com algum arranhão, com algum desgaste. Vamos ver se ele recupera isso ao longo da campanha eleitoral.

De Minas para São Paulo, café com leite. A gente sabe o grande mantra dessa eleição que para o Lula perder por pouco em São Paulo será fundamental para garantir uma vitória no plano nacional. Isso funcionou em 2022.

Mas agora a gente vê uma distância um pouco maior entre Flávio Bolsonaro, que está na frente aqui no Estado, em relação ao Lula, do que o Jair Bolsonaro teve em relação ao Lula em 2022. A gente está falando de um aumento da distância em quatro pontos percentuais. Isso caracteriza um quadro pior necessariamente em São Paulo ou você acredita isso ao fato de que a campanha ainda não começou, Filipe?

Então, Vera, esse é o segundo ponto importante, quer dizer, hoje, na pesquisa como um todo, a vantagem que o Lula ganha em Minas, ele perde em São Paulo. Basicamente, a gente está falando quase de percentuais que numericamente se empatam, se isolam. É bom lembrar para o nosso ouvinte que em 2018, o Bolsonaro saiu de São Paulo contra o Haddad.

Uma distância de 68 a 32 pontos. Nós estamos falando de uma distância enorme. Lá naquela eleição de 2018, o Lula se recupera, melhora o desempenho do PT em 2022. O Haddad, que tinha tido 32, viu o Lula ter 45 no segundo turno em São Paulo. E agora a pesquisa Quest mostra que ele está no patamar de 43. É muito próximo, Vera.

numericamente, do que a gente tem em 22, pensando do ponto de vista estatístico, está na margem de erro, mas...

O viés, nesse momento, é um viés de alta. Por quê? Porque o Bolsonaro já era conhecido, já era testado em 2022 e ficou ali no patamar de 55. Seu filho, Flávio, que acabou de ser apresentado, começa a disputa numericamente melhor que ele, com 57 pontos. Lembrando que em São Paulo, a rejeição do Flávio é de 53 pontos.

enquanto a rejeição do Lula em São Paulo é de 63 pontos. Então, tem espaço ainda, claro, me parece, para uma mudança desfavorável a Lula em São Paulo e isso pode ser decisivo, já que é o maior colégio eleitoral do país. E do Nordeste, acho que a gente pode dizer que veio o resultado esperado, né, Felipe?

O Nordeste tem três cenários, Bahia, Ceará e Pernambuco. É curioso porque no Ceará o Lula está pior do que esteve em 22 e do que esteve em 2018.

Em Pernambuco acontece o contrário, o Lula aparece melhor agora do que apareceu em Pernambuco, do que apareceu em 22, ou seja, o estado de Pernambuco compensa o resultado do Ceará. E na Bahia, o que a gente está vendo é uma mudança muito marginal. O PT que teve 73% em 18, 72% em 22 e na pesquisa Quest de abril de 26 tem 71 pontos.

De novo, tudo margem de erro, o Lula garantindo, mantendo essa enorme vantagem nesses três estados, Bahia, Pernambuco e Ceará, que são os grandes colégios eleitorais do Nordeste, apontando que...

Lula, se acontecer algo, piora um pouquinho, mas nada significativo o que traz de novo o foco para a análise de como São Paulo, Minas e Rio vão desempenhar o processo político, a disputa política desse ano.

Saindo do Nordeste e indo para o Sul, a situação do presidente é bem mais delicada e isso replica resultados já de 18 e 22. Apesar do PT ter governado esses estados, Ceará, Paraná e Rio Grande do Sul, aliás, só o Rio Grande do Sul de estado. Mas já teve candidatos importantes no Sul no passado, mas agora há muito tempo, muito mal.

O que explica essa rejeição enorme na região sul e ali é desistir ou tem o que fazer para o PT? O bom de eleição, né, Vera, é que nunca existe essa ideia do desistir, né? A eleição é sempre disputada, não tem eleição que é vencida de véspera, né?

Então, é claro que o presidente e o Partido dos Trabalhadores terão que estudar, avaliar, entender o que está acontecendo no sul do Brasil. É bom dizer que a região hoje cuja rejeição ao PT é maior no país, então, claro que tem ali uma dificuldade.

Mas é curioso, Vera, porque no Paraná, um estado muito conservador, o resultado de 22 na eleição, no segundo turno, Lula Flávio, é praticamente o mesmo que a Quest observou agora. O Lula com 38 e o Bolsonaro com 62. Agora, a grande surpresa para mim, eu preciso confessar, é o que aconteceu no Rio Grande do Sul. Pois é.

44% foi o desempenho do PT lá em 2022 e agora a gente capturando apenas 35%. Com isso, o Flávio Bolsonaro tendo 9 pontos a mais do que o seu pai teve na eleição de 22. Chamo atenção, Vera...

para uma questão que para mim aqui ajuda a explicar este cenário, que é a altíssima rejeição que o Lula passou a ter no Rio Grande do Sul, rejeição que é a terceira maior do Brasil. No Paraná, o Lula tem 68 de rejeição, Goiás...

e no Rio Grande do Sul, 63%. Ou seja, existe ali uma rejeição que está se consolidando e, de fato, distanciando, piorando até os prognósticos eleitorais de Lula, pelo menos nesse momento, lá na ponta sul do Brasil.

E a gente falou de Goiás, ao falar de Minas, essa comparação, dá para aprofundar rapidamente nisso também, Felipe? Porque a gente vê a diferença, no caso de Goiás, é um governador muito mais bem avaliado, que é pré-candidato à presidência, que é o Ronaldo Caiado, e lá sim isso mostrou um impacto e um potencial de fazer diferença mesmo no restante do cenário nacional.

É, Nader, não tenho dúvida que se tem um candidato que hoje disputa para quebrar a polarização e que sai de casa realmente ungido pelo seu eleitorado é Ronaldo Caiado. Ronaldo Caiado que é o governador de todos os estados que a gente avalia na Quest mais bem aprovado, 84% de aprovação.

E tem ali na agenda da segurança pública e da educação, fala-se pouco da educação, mas os números dele de avaliação de educação também são positivos, assim como são obviamente da segurança, sai de lá com algo que não acontecia há muito tempo. O ouvinte vai se lembrar, Ciro Gomes já conseguiu vencer uma eleição presidencial no Ceará na disputa, se eu não me engano, de primeiro turno em 2002.

Acho que foi em 2002. E a gente está vendo o Caiado ganhar o primeiro turno em Goiás. O problema é que nem Goiás, nem o Ceará...

são grandes o suficiente para servirem aí de grande alavancagem. Mas é óbvio que, do ponto de vista simbólico, isso significa sair de casa com a tropa organizada, com um bom discurso para vender para fora do Estado e tentar, no caso de Caiado, quebrar essa polarização nacional, que também nos Estados parece muito forte e que na disputa regional reforça a tese.

Nordeste, vermelho. Sul, azul. E Minas Gerais, ali, São Paulo, sendo os estados que vão fazer a diferença nesse processo eleitoral.

É isso, Felipe Nunes, cientista político, diretor da Quest, desenhando aqui os números para a gente no Viva Voz. Felipe, já fica o convite para você voltar em outras ocasiões, porque é sempre muito bom te ouvir com o seu didatismo. Obrigada. Semana que vem, Vera, temos pesquisa Genial Quest Nacional, e aí vamos ver os efeitos de tudo que está acontecendo. Amanhã tem reunião com o Trump, tem toda a discussão do Desenrola.

Vamos ver o que acontece nesse próximo capítulo. Semana que vem, voltarei com o maior prazer para conversar com vocês. Obrigado, Vera. Já está convidado, então. É um prazer estar com vocês. Obrigada, querido. Um abraço. Obrigada.

E por hoje é isso, então, Vera Magalhães. Nossa, quantos assuntos no dia de hoje. Só na ideia de casada. Aqui a gente tira férias, mas quando volta, já volta no fervo, minha filha. Muito obrigada, Vera Magalhães, por hoje e até amanhã. Obrigada a você. Boa última hora aí do ponto final e até amanhã.

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