Minas Gerais será o principal campo de batalha entre Lula e Flávio, avalia cientista político
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Galvão
Murilo Medeiros
- Minas Gerais como campo de batalha eleitoralAvaliação negativa do governo Lula em MG · Eleitorado mineiro como espelho nacional · Votos brancos e nulos em MG · Minas Gerais
- Pesquisa eleitoralAvaliação do governo federal · Disputa regionalizada · Lula · Flávio Bolsonaro
- Altos índices de rejeição e terceira viaDisputa de rejeição entre Lula e Bolsonaro · Dificuldade da terceira via · Desconhecimento de candidatos alternativos · Ronaldo Caiado · Romeu Zema
- Formação de alianças regionais e palanquesImportância dos palanques estaduais · Diversidade regional e partidária · Confusão eleitoral para o eleitor · São Paulo · Minas Gerais · Rio de Janeiro · Fernando Haddad · Ratinho Júnior · Eduardo Paes · Ronaldo Caiado · PSD · PSB
- Engajamento pelo ódio e polarizaçãoVoto por aversão ao outro candidato · Continuidade da polarização de 2022 · Nível de radicalidade menor
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para a gente falar sobre eleições. A gente vai voltar a falar sobre uma pesquisa que foi divulgada nesta quarta-feira, da Quest. Uma pesquisa feita em dez estados, representando aí 75% do eleitorado brasileiro. A gente vai destacar aqui a disputa no segundo turno entre os candidatos até agora.
melhor colocados, o presidente Lula e o candidato Flávio Bolsonaro. A gente vai conversar aqui no CBN Madrugada com o Murilo Medeiros, que é cientista político da Universidade de Brasília. Murilo, muito bom dia, é um prazer tê-lo conosco aqui na CBN. Bom dia, Galvão, um prazer enorme participar do programa.
Prazer é nosso. Estou dando uma olhada aqui nos números e dá para perceber que o cenário muda completamente de acordo com o estado que a gente olha. O Flávio Bolsonaro, por exemplo, no segundo turno, ele vence com folga. No Rio Grande do Sul, ele tem 26 pontos de vantagem no segundo turno sobre o Lula. No Paraná, tem 20 pontos. Em Goiás, 13 pontos. Em São Paulo, vence com 12 pontos de diferença.
E no Rio de Janeiro, 13 pontos de diferença a favor do Flávio Bolsonaro. E o presidente Lula também vence disparado em alguns estados. Bahia, 33 pontos percentuais a mais. Pernambuco, 34. E Ceará, 28 de diferença a favor de Lula. O que explica essa diferença tão grande do ponto de vista geográfico em relação aos candidatos?
São diferenças regionais muito emblemáticas e revelam as forças políticas muito bem distribuídas pelas regiões. Essa nova rodada da pesquisa Quest, nesses grandes dez colégios eleitorais, revelam que a eleição presidencial de 2026 está, neste momento, muito ancorada na avaliação do governo federal.
Onde o governo Lula é aprovado, Lula lidera. E onde o governo é rejeitado, a oposição aparece competitiva ou na frente. Existe uma correlação, portanto, entre a aprovação administrativa do governo e também a intenção de voto. Nos quatro estados onde a aprovação do governo supera a desaprovação, Pernambuco, Bahia, Ceará e Pará,
são exatamente aqueles em que Lula mantém vantagem mais sólida. Já Flávio Bolsonaro lidera em todos os estados ali do centro-sul do país. É uma repetição, Galvão, do que vimos em eleições passadas, com Lula muito sólido na região Nordeste e também em parcelas do Norte e a oposição, o campo mais conservador, com maior capilaridade.
política na região sudeste, centro-oeste e sul do país. E essa fotografia dessa pesquisa, que revela esse quadro diverso regionalmente, também consolida o Flávio Bolsonaro como herdeiro do bolsonarismo. Seu desempenho está muito próximo da votação obtida por Jair Bolsonaro em 2022. Em alguns estados ele até supera.
Então, isso sugere que o eleitor conservador continua altamente fidelizado ao campo político bolsonarista, independente da presença direta do ex-presidente na disputa. É uma repetição do quadro do que vimos em 2022.
A gente sempre escuta que Minas Gerais é um estado-chave. Nas últimas eleições, quem ganha em Minas Gerais ganha a eleição, pensando ali no estado como um todo. E a gente olha por essa pesquisa aqui, que realmente é um estado em que os dois estão numa posição bastante parecida. O Flávio Bolsonaro tem 36% e o Lula tem 39%. Então, o Lula vencendo por três pontos percentuais.
em Minas Gerais, um estado em que o presidente Lula estava tentando colocar um palanque forte com o Rodrigo Pacheco, pelo menos na última semana. As informações que correm é que o Pacheco não irá ser candidato a governador. Como é que você está vendo essa eleição em Minas Gerais, que se você concorda que realmente é um estado-chave para este momento também? Minas Gerais merece atenção especial. O estado talvez...
seja hoje o principal campo de batalha da política brasileira. E chama atenção nessa pesquisa a avaliação negativa do governo Lula quando é medido a aprovação e a desaprovação. São dez pontos negativos. A taxa de desaprovação é maior. Por mais que Lula libere as intenções de voto, há uma desaprovação em relação ao seu governo junto ao eleitorado mineiro.
E o eleitorado mineiro é muito simbólico porque, além de ser o segundo maior colégio eleitoral do país, desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos venceram em Minas Gerais. O Estado funciona como um espelho do humor nacional. E a pesquisa Quest mostra um cenário extremamente aberto no Estado. Lula lidera numericamente no segundo turno.
mas dentro da margem de erro e diante de um índice muito elevado de votos brancos, nulos e indecisos. Minas Gerais, dos 10 estados pesquisados, é aquele que tem o maior número de brancos e nulos. 20% do eleitorado mineiro indicam votar branco, nulo ou simplesmente não votar. É um número muito alto, é o maior número de todos os estados pesquisados pela Quest.
E isso significa que existe um eleitorado ainda desmobilizado, pouco entusiasmado com a eleição e com os nomes apresentados e suscetível à movimentação da campanha eleitoral. Nem mesmo o Romeu Zema, o ex-governador, lidera no seu estado natal. Assim como a S. Neves não venceu...
na eleição em 2014. Então é um Estado muito volátil, é o swing state brasileiro. E quem vencer em Minas terá enorme vantagem estratégica na corrida presidencial. Vai ser um Estado-chave para definir a eleição presidencial.
A gente está conversando aqui no CBN Madrugada com o Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília. Murilo, estou dando uma olhada aqui agora nos índices de rejeição, que são muito altos, tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro. O Lula tem índices de rejeição ainda na casa dos 30 e alguma coisa no Nordeste, Ceará, Bahia, Pernambuco, Pernambuco 34, Bahia 38, Ceará 39.
E aí o resto tudo de 50% e 60% para cima, chegando a rejeição de 68% no Paraná. E o Flávio Bolsonaro, a menor rejeição dele é de 42% no Rio Grande do Sul. E aí o resto é tudo também próximo de 50%, 60%, chegando ali a 63% na Bahia e Pernambuco.
O que explica esse altíssimo índice de rejeição nos dois candidatos que se mostram como favoritos neste momento, de acordo com as pesquisas, e se esse cenário abre espaço para uma candidatura alternativa de Caiado, de Zema? O que você acha? São os dois candidatos mais conhecidos, Lula e Flávio Bolsonaro, mas automaticamente também os mais rejeitados.
Vamos presenciar um campo, uma disputa de rejeição diante dessa disputa ainda muito polarizada. Essa pesquisa reflete muito a cristalização da polarização nacional. E, como consequência, números muito elevados de rejeição de ambos, tanto de Lula como de Flávio Bolsonaro.
E é uma disputa que parece caminhar novamente para um embate direto entre esses dois polos. E com pouco espaço para uma terceira via nacional. Porque os nomes apresentados até aqui, da terceira via, ficam espremidos pelo voto útil. O eleitor, ao fim e ao cabo, prefere botar no nome que vai vencer. Ou naquele nome que tem chances reais de vencer.
E como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e os demais nomes apresentados até aqui ainda não superaram os dois dígitos, a população ainda não enxerga nesses nomes uma alternativa real de vencer a eleição presidencial. Isso mostra até aqui que as candidaturas alternativas ainda têm uma enorme dificuldade para romper essa lógica plebiscitária, digamos assim.
entre o lulismo e o bolsonarismo. E um ponto a ser chamado a atenção, Galvão, é o enorme contingente ainda do eleitor que ainda desconhece esses nomes alternativos. Por exemplo, em Pernambuco, Romeu Zema é desconhecido por 74% do eleitorado. 72% do eleitorado da Bahia não conhece Romeu Zema. Em São Paulo, 56%. Já Ronaldo Caiado, no Ceará,
é desconhecido por 73% do eleitorado local, em Pernambuco por 63% e no Rio de Janeiro por 59%. Ou seja, talvez com a campanha iniciar para valer, esses candidatos possam ter um crescimento junto a esses estados onde eles ainda são pouco conhecidos. Por isso, ainda temos uma eleição muito aberta e diante dessa rejeição...
tanto de Lula e de Flávio Bolsonaro, elevadas, então podemos ter reviravoltas em alguns estados, ou pelo menos a margem atual hoje demonstrada na pesquisa pode ser alterada.
Certo. Murilo, para a gente fechar o nosso papo aqui, a gente é claro aqui no CBER Madrugada, já tem falado muito sobre eleições, eu tenho lembrado um estudo que foi feito por pesquisadores, cientistas políticos da USP e da UFSCar, da Universidade Federal de São Carlos, já há alguns anos, depois das últimas eleições, e eles identificaram lá o que chamaram de engajamento pelo ódio. Os dados mostram que praticamente metade se tornaram que se tornaram que se tornaram.
na última eleição dos eleitores de Lula e Bolsonaro, votaram no determinado candidato, não porque acreditavam no plano de governo, porque confiavam, porque apoiavam, mas porque não queriam o outro. Então, muita gente votou no Lula porque não queria continuidade de Bolsonaro, muita gente votou em Bolsonaro porque não queria o retorno do PT.
Você acha que a gente corre o risco de caminhar realmente para esse engajamento pelo ódio nessas próximas eleições também? Olha, é um caminho muito plausível, já que a pesquisa espelha muito uma continuidade do que presenciamos em 2022. Um país dividido regionalmente, polarizado ideologicamente.
e com vantagem muito apertada entre os dois polos, agora entre governo e oposição. Então, não é um ciclo que demonstra ruptura do que vimos até aqui, mas uma continuação da disputa da última eleição presidencial, porém com nível de radicalidade menor. Vamos presenciar embates muito duros.
porém com um nível de radicalidade menor. E nesse ambiente de eleições muito apertado, as alianças regionais fazem muita diferença. Já que a pesquisa Quest trouxe à tona a fotografia da eleição regional, ter palanques robustos em estados decisivos vai ser fundamental.
para a definição do resultado eleitoral. Não à toa, Lula escalou Fernando Haddad para disputar em São Paulo, para manter uma certa competitividade no Estado, apesar de ser muito difícil de Lula vencer no Estado de São Paulo. Até agora ele não conseguiu montar um palanque robusto em Minas Gerais. E Flávio Bolsonaro, nas últimas semanas, passou...
internamente a tratar de alianças estaduais como forma de capilarizar seu nome nos palanques. Então, quem construir maioria consistente nesses grandes colégios eleitorais, especialmente São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, que sozinhos representam mais de 60 milhões de eleitores, 40% do eleitorado nacional, então quem conseguir construir palanques robustos nesses estados...
terá caminho mais facilitado.
para chegar ao Palácio do Planalto. E não é uma tarefa fácil, né, Murilo Medeiros? Porque, e o ouvinte fica meio perdido, né? Eu tenho dado um exemplo aqui que eu acho muito interessante. Bom, todo mundo sabe que o PSD de Gilberto Cassabia, está lá no centrão, vai para a direita, para a esquerda, de acordo com as conveniências do momento. Está no centro porque é o lugar mais próximo da esquerda e da direita. Agora, nessa eleição, por exemplo, pensando nessa história da formação de palanques, né? Estava olhando para o Rio de Janeiro.
Bom, o Rio de Janeiro tem lá o Eduardo Paes, que é candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, candidato forte, é prefeito. Ele é do PSD. Aí o eleitor pensa, bom, ele é do PSD, então ele vai apoiar o Caiado. Não, ele já disse que vai apoiar o presidente Lula, que é do PT. Então aí fica difícil a gente entender, imagino que difícil também para os próprios políticos montarem esses palanques.
Exatamente. O nosso quadro regional é muito diverso. E como temos partidos pouco poesos ideologicamente e com uma diversidade ampla em termos regionais, há uma certa confusão e o desafio para a montagem desses palanques fica ainda mais elevado. Como você bem mencionou, no Rio de Janeiro, Eduardo Paz, do PSD, apoia Lula.
Outro exemplo, Paraná, o governador Ratinho Júnior, que também é do PSD, declarou apoio a Ronaldo Caiado. Mas até agora ele não conseguiu transferir votos para a candidatura de Ronaldo Caiado. Pelo contrário, quem lidera com ampla folga no Estado é Flávio Bolsonaro. No Paraná, a vantagem de Flávio supera a maior de todos dos 10 estados pesquisados até aqui.
Assim como vamos ver em Pernambuco, Bahia, outros exemplos, Minas Gerais também, o governador é do PSB, Matheus Simões, tem de apoiar Romeu Zema, sendo que o PSB vai ter um candidato presidencial, que é o Ronaldo Caiado. Então há uma certa confusão, como você bem mencionou.
E para o eleitor compreender essa dinâmica é realmente um desafio. Mas no saldo como um todo dos 10 estados analisados, a oposição aparece ligeiramente à frente, comparado com 2022. E a eleição como um todo, como deve ser muito apertada, continua profundamente aberta em diversos estados.
Muito bem. Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília. Murilo, mais uma vez, muito obrigado pela gentileza com a CBN. Um bom dia e até uma próxima oportunidade. Bom dia, Galvão. A todos que nos acompanharam, foi um prazer participar.
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que, de fato, somos gigante. Chega de se ver, pequenininho. Bora botar o Brasil no telão.
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Dili
EX5 EMIMagalu