‘Pesquisa acaba não pegando movimento importante da semana, mas traz leituras interessantes’, avalia jornalista
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Thiago Bronzatto
Tiago Bronzato
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Tiago Bronsato, diretor da sucursal de Brasília do Jornal Globo, está na linha aqui com a gente. Tiago, uma boa tarde, obrigada por nos atender nesse sábado. E uma divulgação de pesquisa que, mais uma vez, como aconteceu na última semana com a Quest, acaba que já saiu um pouco envelhecida, né?
Boa tarde, Nader. É verdade. Essa pesquisa acaba não pegando um movimento importante que aconteceu essa semana, que foi o escândalo envolvendo a campanha do Flávio relacionada com o Banco Master, mas ela traz algumas leituras interessantes. Toda eleição tem aquele momento em que os candidatos pisam no gramado para reconhecer onde eles vão jogar e eles fazem um reconhecimento ali, uma espécie de aquecimento.
Só que dessa vez, quando o Flávio estava aquecendo, o jogo começou com o escândalo master dando uma chacoalhada na campanha do filho do 01. Na quarta-feira passada, o site do Intercept Brasil revelou que o Flávio pediu dinheiro para o banqueiro Daniel Volcaro para financiar um filme sobre a vida do ex-presidente.
E a Polícia Federal vai apurar se esses recursos pedidos pelo Flávio foram utilizados para bancar a vida do ex-deputado Eduardo Bolsonaro no Texas, nos Estados Unidos. A nova pesquisa da Tafolha não abrange esse cenário que é importantíssimo para o rumo das eleições.
Ela foi divulgada nesse sábado, mas foi realizada na terça e na quarta dessa semana, antes, portanto, do escândalo envolvendo a campanha do Flávio. E o que ela traz ali de alguns sinais? A gente viu que no primeiro turno o Lula aparece à frente do Flávio, com 38%, enquanto o filho do ex-presidente está com 35%, e há uma vantagem pequena dentro de um cenário de empate técnico.
Segue na frente, mas ele não tem muita gordura para queimar. O Flávio continua competitivo, ele vinha nessa trajetória ascendendo nas pesquisas. Mas agora, com o escândalo do Banco Master batendo a porta da campanha, ele terá de testar se ele mantém esse patamar consolidado, mesmo depois da revelação dos diálogos dele com o banqueiro Daniel Vorcário.
Em eleição apertada, como essa e como a de 2022, a gente sabe que três pontos podem parecer pouca coisa. Mas quando o candidato está pendurado numa crise, na dédia, cada ponto vira ali uma disputa intensa.
Tiago, minha vontade é eu mesmo encomendar outra pesquisa para agora, porque a curiosidade é muito grande de ver esse impacto imediato da bomba que saiu sobre a pré-campanha do PL à presidência. E tem uma questão ali do timing, porque eu acho que as pessoas podem ir sentindo coisas diferentes com o passar dos dias, até porque parece que todo dia está saindo uma notícia diferente sobre esse caso.
Exatamente. E tem um efeito importante na ideia desses campos que pode atingir o eleitor independente. Esse é um dado mais sensível para o presidente Lula. Entre os eleitores que não se identificam nem como bolsonaristas e nem como lulistas ou petistas, o Flávio aparece numericamente à frente, segundo o Datafolha, 38% a 32%.
Em abril, Lula estava melhor nesse grupo, então ele deu uma decaída. E isso, obviamente, acende o sinal de alerta no Palácio do Planalto, porque eleição polarizada como essa se decide ali em pequenos detalhes. Então não dá para vacilar nesse grupo de eleitores independentes, porque é um eleitor que não veste camisa, que não vai para a carreata.
e que também não acorda pensando se vai votar em Lula ou Bolsonaro. Mas ele pode, sim, definir o jogo numa margem tão estreita. Só que ainda não mediu qual o impacto do escândalo master nesse grupo de eleitores. Acho que isso tende a ficar mais claro na próxima pesquisa do Datafolha. É importante também frisar que essa nova pesquisa...
no Datafolha, consolida alguns recados importantes. Primeiro, o Flávio empatou com o Lula no segundo turno, que era uma trajetória que já vinha se consolidando nas últimas pesquisas, mas esse empate veio antes.
do escândalo. Então, ele ainda precisa se explicar e ver se esse empate vai sustentar mesmo após o escândalo. O que fica a dúvida agora é se o senador chegou no topo da competitividade dele ou se ele ainda tem margem para crescer mesmo após ser chacoalhado pelo caso Márcio durante a sua campanha.
Um ponto que me chamou a atenção, Tiago, é que o presidente Lula abriu vantagem também sobre outros dois candidatos do espectro da direita, que são os ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Eu imagino, claro, todas as pré-campanhas vão estar acompanhando esses movimentos muito de perto, porque interessa a todas, mas acho que faz sentido imaginar que as pré-campanhas desses dois candidatos possam ter uma expectativa de, possivelmente...
herdar alguns votos caso haja realmente esse movimento de eleitores desiludido com o filho do ex-presidente, não? Pois é, na verdade, a terceira via, como a gente tem visto aí nas pesquisas, ela segue no acostamento. Zemo e Caiado aparecem no Datafolha com 3% no primeiro turno, no cenário principal. Já o Ciro Gomes, ele chega a 5%, mas disse que não pretende concorrer ao Palácio do Planalto.
Ou seja, essa terceira via ainda não se mostrou viável. Por isso, até o presidente Lula tem conseguido se distanciar e abrir vantagem em relação a ela. Nessa semana, ocorreu um momento interessante que o Zema e o Caiado, que eram apontados como linha auxiliares da campanha do Flávio, até por serem identificados com esses eleitores de direita,
começaram a se despregar um pouco em relação ao Flávio. O próprio Zema fez uma ruptura política, foi para as redes tão logo o escândalo do Márcio veio à tona e começou a marcar um ponto de distanciamento em relação ao Flávio, tentando um movimento de descolar e sair dessa bolha bolsonarista. Esse movimento político é interessante, não foi captado ainda pelo Datafolha.
mas vai dar um recado importante na próxima pesquisa, se foi um movimento estratégico que funcionou para converter bolsonaristas para a terceira via ou se não. E também se o discurso do Caiado, que vem adotando ali um tom mais moderado e de distanciamento em relação ao Flávio e ao Lula, tem surtido efeito. Até agora, o que a gente tem visto é que a terceira via ainda continua no acostamento.
É verdade. Bom, seguiremos acompanhando. Não deixa de ser curioso que Flávio Bolsonaro esteja recebendo uma boa notícia do ponto de vista eleitoral no meio desse turbilhão de coisas, justamente porque é uma pesquisa que não capturou esse momento. Então, a gente aguarda para ver quais vão ser as reações dos agentes envolvidos.
Por ora, agradeço demais pela sua análise, pelo seu tempo aqui com a gente, Tiago Bronzato, diretor da Socorçal de Brasília, do jornal O Globo. Obrigadíssima, Tiago. Um bom fim de semana. Obrigado, né, Bebe? Um bom final de semana. Até mais. Até. Tem podcast que te inspira a conhecer lugares novos, a ir mais longe. É como o Dili EX5 EMI. Conheça o super híbrido Plugin com até 1.300 km de autonomia combinada, com conforto de primeira classe.
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