‘O que a gente vai ver nas próximas semanas é uma guerra de narrativas’
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Nadedja
Bruno Silva
- Bolsonaristas e Banco MasterFlávio Bolsonaro · Daniel Vorcaro · Banco Master · Conversas reveladas · Financiamento de filme · Fraude bilionária · Origem dos recursos · INSS
- Guerra de NarrativasEstratégia de Flávio Bolsonaro · Militância radical · Oposição · Poder Judiciário · Críticas ao governo
- Pesquisa eleitoral Datafolha - cenário presidencialDatafolha · Lula · Flávio Bolsonaro · Segundo turno · Intenções de voto
- CPI Caso MasterCPI · Caso Master · Interesse nacional · Interesse político · Corporativismo político
- Terceira viaZema · Caiado · Bolsonarismo · Aldo Rebelo · Joaquim Barbosa · Combate à corrupção
- Eduardo Braga· PoliticaCiro Nogueira · Governança · Congresso Nacional
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho. Que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais. Em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
A Semana Política Bruno Silva, comentarista de política da CBN. Tudo bem? Boa tarde.
Olá, muito boa tarde, Nadédia. Muito boa tarde a todos os queridos ouvintes aqui do Estúdio CBN, do Revista CBN, aliás. Estou acostumado a entrar diariamente no Estúdio CBN, que chega no sábado. Muito bom. Ó, não deixa de ser curioso, Bruno, que num momento como esse...
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro esteja recebendo uma boa notícia do ponto de vista eleitoral, porque a gente acabou de trazer aqui a pesquisa da Tafolha, que mostra que, num cenário de segundo turno, ele empata com o presidente Lula, com 45% das intenções de voto. Claro, porque não captou o impacto desse escândalo da proximidade e pedido de recursos para a cinemiografia do pai, por Flávio Bolsonaro, para o banqueiro Daniel Vorcaro,
Do Banco Master. Por enquanto, Bruno, ele continua... A gente deu agora há pouco a declaração dele, dizendo que saiu fortalecido, tratando o episódio como pressão política, como crise, mas eu estou muito curiosa para ver o impacto nas próximas pesquisas. Essa semana a gente teve duas que não capturaram esse momento e até falava agora há pouco com o Tiago Bronzato, o diretor da sucursal de Brasília do Globo. Se eu pudesse, eu encomendaria uma pesquisa agora.
Para poder tentar entender melhor qual foi o tamanho do impacto, né, Nadedja? Não tenha dúvida. A pesquisa ainda certamente não captou, né? Não dá para saber ainda ou medir exatamente como que isso vai se refletir nessas intenções de voto. Tem um ponto também que acho que é importante destacar das pesquisas como um todo, né, Nadedja? Tem muita gente que ainda também está...
esperando para escolher esses candidatos, está acompanhando os movimentos. Eu penso que as pesquisas são de suma importância para a gente poder compreender um pouco desse termômetro também da opinião pública e aí compartilho da mesma visão que você. Acho que as futuras que vierem agora talvez deem conta de captar um pouco mais como isso impactou diretamente.
na imagem do Flávio Bolsonaro. Mas tem um outro ponto que eu acho que é interessante dessa história toda, Naded, que, como você estava noticiando há pouco, parece que o Flávio está começando a mudar a sua estratégia, pelo menos agora, diante dessa crise que está instalada.
e vem num modo que é um modo mais parecido, talvez, com o seu pai. Ele vinha tentando se colocar como um Bolsonaro, vamos dizer assim, um pouco diferente, talvez um pouco mais maleável, conversando até mesmo com a imprensa, com os meios de comunicação.
Coisa que o seu pai dificilmente fazia, né? Dava de ombro, falava lá só no cantinho dele, né? Esbravejava contra as instituições, contra todos, se dizia ser injustiçado. O Flávio agora parece que está mudando o tom, né? Está nessa forma mais agressiva, a fim de poder tentar, a meu juízo, trazer a militância, que é a militância mais radical do Bolsonaro, para poder fazer uma defesa dele.
nas redes sociais, porque certamente ele está sendo muito desgastado, inclusive pela oposição e por parte daqueles que estão olhando para essa história toda e estão fazendo a pergunta mais óbvia do mundo, que é a seguinte. Mesmo que venha de uma origem de uma banqueira, mas quem que dá milhões e milhões de reais gratuitamente na forma de um patrocínio sem nada em troca? Tem que ser de uma ingenuidade significativa para imaginar um processo como esse. Nós estamos falando de milhões de reais para o financiamento.
desse filme. Ah, mas é porque é um bom negócio, daria um baita de um retorno, algo nesse sentido. Mas ainda assim não está claro para onde foi esse dinheiro, não está claro completamente qual é a origem inclusive desse recurso. O que está claro que nós sabemos que está em investigação é o fato de que o Master...
fez uma mega de uma fraude bilionária no sistema financeiro brasileiro. Inclusive, a gente precisa entender a origem exata desse recurso, desse dinheiro, porque nós sabemos que, ao contrário daquilo que o Flávio tentou já num primeiro momento transmitir ao público, não tem dinheiro público, é dinheiro privado de alguém financiando. Mentira, porque o que está mostrando é que o Master...
inclusive participava de várias fraudes, inclusive aquelas associadas ao INSS. Então é dinheiro que veio de pessoas e que de alguma forma foi ali, vamos dizer assim, foi transmitido, enfim, foi repassado e que precisa explicar justamente melhor para as pessoas como isso funciona.
vários problemas nessa história, viu, Nadedja, que vão vir à tona e talvez possa impactar diretamente aquele eleitor, aquele que estava olhando para o Flávio Bolsonaro, talvez ainda com dúvida, ou não gosta muito do atual presidente, está olhando as outras possibilidades, tem Caiado, tem Zema, o jogo está sendo jogado, a campanha ainda não está na rua, diretamente, embora todo mundo esteja fazendo ela no sentido de mostrar a sua imagem, participando de eventos, se aproximando das pessoas, tentando...
criar as narrativas. Mas o que a gente vai ver a partir de agora, nas próximas semanas, é uma guerra de narrativas. Porque o que o Flávio vai tentar fazer? Vai tentar desviar o foco o máximo possível e tentar mobilizar todos os seus apoiadores o máximo possível para tentar...
insistir no que eles iam fazendo até então, que era associar o caso Master mais aos governos do PT e mais a outras instituições, como é o caso do Poder Judiciário. Então, as críticas que ele vai fazer ao Poder Judiciário, se já vinham intensas, a ideia é que agora venha com mais força ainda. As críticas ao governo, se já eram intensas, prepare-se para uma avalanche enxurrada do que vai vir pelas redes sociais. Por quê?
usando a velha estratégia, para não ficar acoado, eu saio, vamos dizer assim, publicamente fazendo apontamentos a fim de poder tentar aliviar a situação para o meu lado. E vai ser complicado, vai ser complicado, porque a gente precisa entender a ligação desse pai do Vocar mais profundamente.
Precisa compreender se tem essa questão da ligação do jogo do bicho, do que está sendo dito agora que tinha essas vinculações também. Precisa entender melhor a origem desse dinheiro, porque é uma coisa grave, não é um fato menor. Ele lá no começo, ele mesmo, Flávio Bolsonaro, vivia dizendo que não, essa crise é uma crise do PT, não tenho ligação nenhuma. E não é isso que a gente está vendo que está...
O que está acontecendo? A pessoa liga, fala, meu irmão, em todo linguajar extremamente informal, de proximidade, de amizade, de jantar em casa. Complicado, né? No mínimo, bons amigos e muitas proximidades havia. Embora a gente saiba que no caso de Vaucaro, infelizmente, é duro de reconhecer. Mas tem muita gente da classe política que está no bolso dele, ou melhor, que ele encheu o bolso de dinheiro dessas pessoas, né, Nadege?
É verdade, Bruno. Eu quero até reforçar aqui dois pontos que você colocou, porque eu acho que são realmente fundamentais no sentido de a gente colocar a bola no chão, né? Porque quando tem o impacto inicial da notícia, depois vai se tentando dar uma virada ali na narrativa. Então, duas coisas que eu vi.
Você não pode dizer que um negócio privado, ah, é dinheiro privado para um negócio privado, não tem nenhuma irregularidade depois de passar meses. Falando justamente do problema da origem dos recursos do Master e da fortuna do banqueiro Daniel Vorcaro. A origem é uma série de problemas, inclusive, como você citou, também envolvendo dinheiro público, fundo de previdência, fraude no INSS, uma série de coisas.
E a outra é que você não pode tentar colar o escândalo no seu adversário ideológico, mas quando é com você não tem problema. E depois que é com você ainda assim falar, não, mas tem que fazer CPI, tem que ver se não foi quem levou para encontrar o presidente. É uma contradição em termos.
É uma contradição, mas faz parte de um modus operandi, vamos chamar assim, que não é nada diferente do que a gente já assistiu em outros momentos na política do Brasil, Anadede. Essa que é a verdade. É que, infelizmente, muitos têm a memória curta a respeito desse processo. Mas essa briga de controle de narrativas e tentar sair na dianteira...
para poder construir a sua versão dos fatos, isso já tinha me chamado a atenção logo no dia que aconteceu. Porque o que o Flávio já fez logo no dia? Ele já se preocupou e deu entrevista, deu entrevista inclusive para a Globo News, deu entrevista para outros órgãos de imprensa, para tentar sair adiante, construir a sua narrativa, tentar manter ativa a militância a fim de sair em sua defesa. E acho que tem tentado e tem obtido certo êxito nesse sentido, porque tem muita gente.
aguerrida pelas redes sociais, fazendo a defesa dele, intensificando a questão do antipetismo, que é fortíssima também na sociedade brasileira, a lógica da rejeição. Mas a gente não sabe ainda como isso vai impactar exatamente nas preferências, porque agora vai ser um dia após o outro, Nadege. Essa que é a grande realidade. Porque a depender de como a polícia continuar essas investigações, a depender de quais ligações vão ser mostradas posteriormente.
Dependendo do que esse dinheiro acabou ou não acabou beneficiando diretamente o Eduardo Bolsonaro. Ele, Flávio, já começa a dar versões contraditórias. Então é aquela velha história de você desconversar para criar tantas possibilidades e tirar as pessoas de olhar para o verdadeiro foco.
e qual que é o verdadeiro foco dessa questão toda e que merece explicação. Entender a origem desse dinheiro, compreender de onde ele veio, porque não estamos falando de uma quantia insignificante, nós estamos falando de uma quantia muito significativa e que acredito que nem do ponto de vista do cinema nacional mesmo se tenha um investimento desse volume em produções cinematográficas, que são as produções cinematográficas.
campeãs, enfim, que são reconhecidas pela crítica e etc, que a gente não sabe nem como é que é a questão do filme. Então ele vai tentar trazer isso de maneira positiva. Tem um ponto que já é muito positivo de alguma maneira, meu juízo. Todo mundo agora quer entender que filme é esse e vai querer assistir esse filme de alguma maneira, né? Seja pra criticar, seja pra elogiar, enfim, pra apoiar algo nesse sentido, a coisa já ganhou uma notoriedade muito maior, talvez, até do que eles estavam imaginando.
Controle de narrativa, principalmente em tempos onde as pessoas olham muito mais para a tela do celular o dia inteiro e ficam ali esperando, é algo que não dá para ser desconsiderado, que é preciso entender esse impacto também, viu, Nadege? E um ponto importante quando a gente fala de crise política, né, Bruno? É ver, acho que fica todo mundo um pouco em suspensão para ver o quanto aquilo vai colar e em quem, né? Porque tem muita coisa que é muito grave no momento que é divulgado e depois...
Fica meio esquecido. Mas esse caso, pelo menos nos últimos dias, a característica dele está cheio de camadas. É uma história meio... É fusca de circo. Não para de sair palhaço ali de dentro. Todo dia tem uma notícia nova. Uma loucura nova. E isso me faz imaginar que isso também vai influenciar na opinião.
pública, né, Bruno? Porque muitas vezes acontece, né? Tem um fato divulgado muito grande, mas aí sai a pesquisa, não pegou tanto assim. Mas nesse caso, todo dia tá saindo uma coisa diferente. Primeiro é o Eduardo, aí o dinheiro não foi pro filme, o dinheiro foi pro filme, aí a produtora diz que não foi, aí o Flávio diz que foi e não para de sair fatos, né?
E você tenta entender quem está por trás também dessa produtora, se alguém se beneficiou, porque por trás de um CNPJ tem CPFs também operando essa história todo o tempo todo. Então acho que assim, tem muitos fases. Denúncia de más condições no set, né? 134 milhões de reais para produzir um filme que tem um sanduíche, um suco para a pessoa que está trabalhando ali na produção.
Então, tem muita coisa que vai ter que ser explicada e que certamente pode escalar. Assim como tem outras tantas suspeitas até agora, até esse momento, né, Nadedja, que aí só o tempo vai dizer e esse apetite investigativo das instituições de controle, da própria Polícia Federal de investigação.
que a gente vai tentar entender para onde vai caminhar. Porque, certamente, se tem algo que já ficou mais do que claro a essa altura do campeonato, é que o Vorcaro possuía uma quantidade de ligações políticas tão significativa que ela passa por diferentes atores, passa, inclusive, por diferentes alas e pontos do espectro político brasileiro.
Tem atores envolvidos ali de alguma maneira de todos os poderes ou quem não estava diretamente envolvido conhece o Vocar ou já ouviu falar ou já manteve algum contato. Então acho que tem muita coisa que ainda vai acontecer nessa história toda, mas aí a gente vai ter que caminhar um dia de cada vez para ir entendendo exatamente o impacto.
O que dá para a gente entender até aqui e que para mim é importante a gente observar a partir de então é justamente essa disputa em torno do controle da narrativa e a meu juízo uma radicalização que virá agora dessa construção dessa pré-candidatura do Flávio nos próximos dias, nas próximas semanas, tentando tirar dele qualquer responsabilidade e imputar em outros qualquer tipo de problema que possa existir, seja no presidente, seja no atual presidente.
No PT, no Judiciário, enfim, todos aqueles que são os adversários políticos. Então volta mais uma vez aquela lógica da guerra das narrativas. Fale bem, fale mal, fale de mim, porque eu estarei em destaque, em evidência. O Flávio não faz o estilo, pelo menos, e Bolsonaro nunca fez o estilo de ficar quieto, acuado, esperando a poeira abaixar. O ex-presidente só está em silêncio por uma força e determinação de questão.
de justiça, senão certamente também estaria aí aos quatro cantos tentando mobilizar todo esse grupo digital, vamos dizer assim, os apoiadores, os correligionários, a fim de manter a história e tentar levar adiante o controle da narrativa, viu, Nelédia? Como é que você está vendo, Bruno, a reação, acho que mais do que do presidente Lula, do PT, da pré-campanha e da base aliada?
Eu acho que eles estão, na verdade, muito cautelosos, porque há uma preocupação também de pano de fundo do que isso pode vir a escalar. Por exemplo, essa semana...
Um dos temas que já veio ganhando muito destaque é vamos ou não vamos abrir uma CPI do caso Master. Óbvio que pensando, Nadeja, do ponto de vista do interesse nacional e daquilo que deveria ser esclarecido em termos de toda essa fraude, de tudo isso que está envolvendo, esses mecanismos de corrupção, eventualmente até esses tráficos de influência. Vimos na última semana...
A questão do Ciro Nogueira, que também não pode sair do radar, porque é um político de extrema expertise, importante, controlando um partido significativo na lógica política brasileira, na governabilidade, no Congresso, enfim. Então, eu penso que assim...
A julgar pelo interesse nacional, o ideal é que se tivesse, de fato, uma investigação. Agora, a julgar pelo interesse dos políticos, uma CPI a uma altura dessa do campeonato, certamente não é um bom negócio para ninguém. Por mais que, veja, por mais que do ponto de vista do discurso oficial, de quando perguntados ou de quando em estados ali a dar uma resposta, os atores venham a dizer, como o próprio Flávio disse, não, não.
Eu apoio uma CPI do caso massa, eu acho que tem que esclarecer, tem que adiante, porque eu não tenho nada a ver com essa história. Mas uma coisa é falar, outra coisa são as ações concretas no âmbito do parlamento para poder efetivamente ter um apetite investigativo. Em ano de eleição...
Nós não podemos tapar o sol com a peneira e sermos ingênuos, Anadede, queridos ouvintes. Ninguém vai querer levar adiante uma CPI, que é aquela história. Você sabe onde ela começa e pelas razões pelas quais levou a sua abertura. Mas você jamais vai saber onde ela vai dar e nem como ela vai acabar terminando. Se termina em pizza ou não. E, de novo, a julgar e considerando a quantidade de relações políticas que o Vocar tem, no limite, me parece que diferentes setores da classe política vão pensar de modo muito mais corporativista.
do que necessariamente no interesse político nacional de jogar luz aos fatos, viu, Nandédia? É, publicamente fica muito bonito para todo mundo apoiar a CPI, e aí na prática a teoria é outra. Mas queria saber também, Bruno, o que você enxerga de potencial a respeito desse episódio para os candidatos, ia falar da terceira via, acho que mais a segunda via da direita, né?
É, na verdade são muitas candidaturas ali que se a gente parar para pensar, pelo menos até o momento, porque de novo, a gente vai ter que aguardar um pouco quais são os próximos movimentos para tentar entender, porque se amanhã cedo ou na segunda-feira vem uma nova fase da operação da polícia, outros fatos vêm à tona, certamente vão acabar gerando toda uma...
uma movimentação, uma mudança da percepção dos atores. Mas as candidaturas, como é o caso de Zema, de Caiado, pelo menos até aqui, elas têm operado muito mais como candidaturas, quase que satélites, em torno da lógica do bolsonarismo, até pela proximidade, né, Nadeja?
dos atores políticos em relação ao ex-presidente, os tipos de pautas que são defendidas, os grupos dos quais têm se aproximado, segmentos. Por exemplo, se aproxima de segmentos evangélicos que você sabe que têm uma simpatia maior pelos valores, pelos princípios, pelas candidaturas que estão sendo postas dentro desse campo. Setores que são setores estratégicos, como o agronegócio, por exemplo. Então, essas outras candidaturas, elas não têm uma musculatura própria, uma força própria. Vou dar um exemplo.
saindo aos quatro cantos, que o Aldo Rebelo, por exemplo, da democracia cristã, já não vai ser o candidato, já começam agora a soltar no ar a informação de que talvez a democracia cristã está preparando ou vendo a possibilidade de Joaquim Barbosa entrar nessa discussão toda. E por que tentar resgatar Joaquim Barbosa? Porque em um determinado momento da história do país, ele foi uma figura que era identificada como alguém que estava punindo em tese.
corruptos por conta de toda a atuação política que ele fez ali, toda também a questão midiática no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Então, entendendo que é uma campanha que vai colocar, pelo menos até aqui, dois políticos, duas figuras, como é o caso de Lula e como é o caso de Flávio, que tem históricos políticos complicados do ponto de vista ou dos escândalos que estiveram envolvidos, ou de como respingou neles esses escândalos, talvez possa achar uma...
alternativa para tentar apresentar essa terceira via, ou alguém que venha com esse discurso de novo do combate à corrupção, ou algo nesse sentido. Então, está todo mundo jogando o jogo ao mesmo tempo. Mas até o momento, e com base no que a gente tem na Dédia, não há, pelo menos, uma força, uma musculatura maior.
dessas candidaturas em torno da lógica do bolsonarismo para poder angariar votos ou apoio. O Zema, logo quando estourou a crise toda, já veio a público, meio que tentando fazer uma fritura, porque é aquela história, na política se tem algo que não existe, é um negócio chamado vácuo. Então não há espaço vazio, alguém vai lá e rapidamente tenta ocupar, mas cai naquilo que a gente está comentando até agora, está conversando com os nossos queridos ouvintes, tem a ver com a construção de narrativas.
E tentar tomar a dianteira dos fatos antes que os próprios fatos venham a atropelar os atores políticos. E até essa é a minha última pergunta para você, Bruno. A diferença de como estão tratando esse episódio os dois ex-governadores. O Zema com essa postura que você apontou. O Ronaldo Caiado já agindo de uma outra forma foi até elogiado pelo Flávio Bolsonaro. Que diz que ele tratou de uma maneira mais equilibrada.
É, porque na verdade o que acontece, o Caiado, ele entende o espaço que ele está jogando esse jogo e me parece, viu, Nadedia, de novo, na política não tem vácuo. Então, obviamente, vamos supor uma hipótese, né? Uma hipótese, a gente trabalha com hipóteses. Então, uma hipótese que o Flávio desidrate a tal ponto, ou que o escândalo escale, etc.
O Caiado sabe que para poder ocupar um território político, que é o território do próprio bolsonarismo mais raiz, vamos chamar assim, ou daqueles que são os apoiadores mais fervorosos, porque há também distintos núcleos, né? Não dá para colocar tudo no mesmo pacote e dizer, olha, aqui é a direita, aqui é a esquerda. Certas simplificações...
É o que tem muitas das vezes nos levado a um erro analítico, um olhar um pouco distorcido da realidade política. Então o que acontece? O próprio Caiado sabe que se eventualmente isso desidrata ou escala de alguma maneira, ele vai precisar dar a mão para o ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo.
Ele vai precisar desse apoio político para poder conquistar esse eleitorado. Então ele não é ingênuo quanto a isso. Acho que a estratégia do Zema é diferente, porque o Zema tem tentado vender o passe político mais caro e ele observou que em algumas das pesquisas, como foi o caso da Quest, ele teve uma melhora, ele teve um aumento nas suas intenções.
Em virtude justamente do quê? Da radicalização e da crítica que havia feito de maneira intensa, como eu trabalhei aqui com os ouvintes o assunto, no Revista CBN, das críticas deles em relação ao ministro Gilmar Mendes e todo aquele episódio que colocou os dois em rota de colisão algumas semanas atrás.
Ele está tentando ocupar esse espaço também, mas muito mais, a meu juízo, na lógica de tentar, vamos dizer assim, ocupar uma posição de destaque ou se colocar como uma referência ou tentar vir por essa chave de intolerância contínua à questão da corrupção. É aquela história.
todos os atores políticos, os presidentes de partidos, aqueles que estão por trás organizando essas candidaturas e colocando essas pré-candidaturas no radar, eles estão tentando entender qual é o momento e como esse momento vai exigir resposta por parte de todos e onde você consegue tentar.
atingir esse eleitor, porque um ponto é nítido. A gente vive no Brasil, simplificando aqui, a despeito das questões numéricas, mas tentando simplificar, a gente vive uma política de terço no Brasil. Hoje você tem um terço que é um núcleo muito duro que apoia Lula, o PT, enfim, o Lulizo, você tem um terço que está ali na lógica do bolsonarismo e um terço que está...
aqui, tentando avaliar e entender o que ele quer menos. E, às vezes, nem é o que ele deseja, mas é o que ele não deseja ver representado ou quem ele gosta menos ou quem ele rejeita veementemente. E aí, a depender da flutuação política, isso tem um resultado direto nas intenções futuras de voto. Bruno Silva, comentarista de política da CBN, obrigado pela conversa, pela análise aqui, mais uma vez, no quente dos acontecimentos. Bruno, contamos sempre com você. Até a próxima.
Eu que agradeço, querida. Um grande abraço a você, um abraço forte a todos os ouvintes, excelente sábado, bom final de semana, até. Bom fim de semana, um abraço. Em um mundo cheio de respostas, escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha. Fazemos perguntas que movem negócios com dados e inteligência aplicada.
Banco Master
Magalu