‘O relatório final da CPI do Crime Organizado virou um verdadeiro acerto de contas’, afirma Thiago Bronzatto
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- Crime OrganizadoIndiciamento de ministros · Tensão no Congresso · Alessandro Vieira · Supremo Tribunal Federal · Escândalo do Banco Master
- Demandas por CPI própriaInsegurança pública · Facções e milícias · Lavagem de dinheiro
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Estamos de volta com o Viva Voz, são 6 horas e 47 minutos e já está conosco o diretor da sucursal do Globo em Brasília, Thiago Bronsato, nosso colunista. Boa noite, Thiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Carol. Boa noite, Debre. Boa noite aos ouvintes. Oi, Bronsato.
Brunzato, hoje foi dia de uma forte tensão opondo, de um lado, a CPI do crime organizado, de outro, ministros do Supremo, com direito a pito também do presidente do Senado contra a CPI. O que explica essa briga generalizada que a gente viu hoje?
Olha, Vera, o relatório final da CPI do Crime Organizado virou um verdadeiro acerto de contas entre senadores da oposição e uma ala do Supremo Tribunal Federal. Isso porque o senador Alessandro Vieira, que é o relator da comissão, apresentou uma proposta inédita no Congresso. Ou seja, ele pediu o indiciamento dos ministros de Jastofle, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. E sobrou até para o Procurador-Geral da República, Paulo Gonê.
todos eles acabaram sendo acusados de praticar o crime de responsabilidade, ou seja, de atentarem contra a Constituição. Na visão de Vieira, os ministros beneficiaram os investigados da CPI porque eles proferiram decisões que restringiram os depoimentos e quebras de sigilos ao longo dos trabalhos da comissão. E além disso, segundo o senador,
Borás e Toffoli atuam no Supremo em conflito de interesse, porque eles mantêm laços comerciais com envolvidos no escândalo do Banco Master. E o que isso tem a ver com o crime organizado? Nada, porque na prática o Alessandro Vieira...
Ele transformou esse relatório final da CPI do Crime Organizado em duas coisas ao mesmo tempo. Um espetáculo para as redes sociais, que pode até render dividendos eleitorais para a oposição, e uma revanche contra o Supremo, porque o Supremo vinha impondo derrotas à comissão. E para o STF ficou claro que toda essa pirotecnia política não vai sair de graça.
Hoje, o decano do Supremo, Jumar Mendes, disse que o relatório da CPI é um erro histórico e indicou que a Procuradoria-Geral da República deveria investigar eventuais abusos de autoridade. Já o ministro Flávio Dino, que também gosta de dar umas bofetadas na oposição, também decidiu lavar.
A roupa surge em público e ele disse que a CPI deveria ter focado em milicianos, traficantes, garampeiros ilegais, facções armadas, que, aliás, nem constam da lista dos pedidos de iniciamento do senador Alessandro Vieira.
Em resumo, o Alessandro Vieira sabia que a CPI seguiria um roteiro clássico das comissões que acabam em pizza, porque não seria prorrogado, não teria oportunidade de aprofundar mais as investigações. E aí ele resolveu cair atirando, só que acabou atirando no próprio pé, ao mostrar falta de compreensão sobre o papel de uma CPI. E, Bronzato, o Planalto estava rifando o STF, mas aí decidiu atuar para blindar os ministros nessa CPI?
Pois é, era aquele jogo duplo aqui de Brasília. O Planalto vinha ensaiando ali uma distância calculada do Supremo, porque o Supremo acabou virando radioativo depois desse escândalo do Banco Master. Mas a presepada da oposição na CPI do crime organizado acabou gerando um fato raro no momento aqui em Brasília. Ou seja, aglutinando...
no mesmo barco, o governo, o centrão e os próprios ministros do STF para tentar enterrar esse polêmico relatório do senador Alessandro Vieira. E aí rolou aquele tapetão clássico no Congresso. Foi feito ali um acordo às vésperas do início da votação do relatório na CPI e os partidos de centrão e o governo manobraram para mudar a composição da CPI.
Aí saíram de cena o senador Sérgio Moro e Marcos Duval, que defendem abertamente a pauta anti-STF, e entraram em campo Beto Faro e a Tereza Leitão, que são do PT. E também, como diz o ministro Flávio Dino, eles são o STF Futebol Clube. Não são a favor do relatório do Alessandro Vieira, que pediu o indiciamento dos ministros supremos.
Essa movimentação chama muita atenção porque nos últimos dias o Lula vinha sinalizando um desconforto público com o desgaste do STF no escândalo Master. Ele até chegou a dizer numa entrevista na semana passada que conversou com Moraes e aconselhou o ministro a se declarar impedido no caso do Banco Master.
E o Lula, assim, com essa declaração, acabou rifando o STF em praça pública, porque ele percebeu também que a proximidade dele com alguns ministros do STF estava custando muito caro nas pesquisas eleitorais. Agora, na prática, o que o Lula está fazendo, ele está batendo no STF na frente da plateia, mas nos bastidores ele está evitando romper totalmente com os ministros, porque ele sabe...
que não pode romper com o tribunal, que continua sendo uma peça central do jogo de poder em Brasília. O Bronzato, e o que a gente pode dizer que é algum resultado efetivo desse trabalho da CPI do crime organizado?
Olha, Carol, a CPI foi instaurada no embalo daquela mega operação no Rio de Janeiro que matou mais 120 pessoas no ano passado. E a ideia era atuar contra as facções, milícias, garimpos ilegais e até combater lavagem de dinheiro. E havia uma alta expectativa em relação aos trabalhos dessa CPI, porque ninguém aguenta mais a insegurança pública que assola o país.
Mas dizem que a expectativa é como paçoca, né? Do nada ela esfarela de uma vez. E foi isso que aconteceu com o relatório final da CPI. Não sobrou peça sobre peça, né? Porque o senador Alessandro Vieira até tentou se justificar ali no documento que ele apresentou.
dizendo que teve orçamento e prazo apertados para investigar o crime organizado, mas ele não explicou por que não se dedicou a apurar a infiltração das facções no poder público, não explicou por que não se dedicou a investigar o avanço da milícia no Rio de Janeiro, ou mesmo aprofundar ali as opurações sobre o controle da região amazônica pelo garimpo legal e por traficantes.
Além disso, o documento também não apresenta provas contundentes, nem tem sequer ali uma análise mais detalhada das movimentações financeiras do crime organizado. O relatório gasta mais linhas batendo no STF do que batendo em lideranças do PCC ou mesmo do Comando Vermelho. E na prática, o Alessandro Vieira transformou a CPI do crime organizado no seu antigo sonho de ter uma CPI da Lava Toga, que no passado não foi adiante porque foi rechaçada.
pelo também presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Mesmo algumas propostas que constam do relatório do senador não são totalmente novas. Ele acabou reciclando algumas medidas que já foram debatidas pelo Congresso e ele mesmo diz que sugere resgatar ideias que foram rejeitadas na tramitação daquele projeto de lei antifacção. Ele até tenta, num dado momento, abrir uma frente de discussão sobre atividade de inteligência, mas não apresenta nenhum instrumento novo. Na prática...
É um compilado do Google que vai ter pouco efeito prático. É isso. Tiago Bronsato conosco às terças e quintas. Obrigada por hoje, Tiago. Obrigado, uma boa noite. Boa noite. Valeu, Bronsato. Boa noite.
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