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Lula diz que 'taxa das blusinhas' foi aplicada por 'pressão do comércio brasileiro' na época

16 de abril de 20266min
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Carlos Alberto Sardenberg comenta o retorno da 'taxa das blusinhas' à pauta eleitoral. Vale lembrar que, anteriormente, o governo passou a aplicar o imposto sobre compras internacionais com valor de até US$ 50, equivalente a cerca de R$ 250. Antes, tais importações eram isentas de impostos. A medida foi criticada na época. Agora, próximo ao período eleitoral, o presidente Lula falou mal sobre a taxa e disse que o governo está estudando uma forma de atenuar seus efeitos. Ouça!

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Participantes neste episódio2
B

Bernardo Melo Franco

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

ComentaristaJornalista
Assuntos1
  • Taxa das blusinhasImposto sobre compras internacionais · Pressão do comércio brasileiro · Impacto eleitoral
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Linha Aberta, com Carlos Alberto Sardenberg.

Muito bom dia para você, Carlos Alberto Sardenberg. Milton, bom dia. Marcela. Bom dia. Tudo bem? Sardenberg, vamos de taxa das blusinhas, que parecia tudo resolvido, de repente entrou no assunto de novo à medida que aproxima o processo eleitoral.

Pois é, vocês, bom, só para, digamos, localizar a história, as taxas das blusinhas é o imposto que se aplicou, passou a aplicar, sobre as compras internacionais, as compras pelos sites internacionais.

de valor até 50 dólares, que na época eram mais ou menos uns 300 dólares, hoje seria equivalente a 250 reais. Essas compras nesses sites aí internacionais, essas compras, essas importações de até 50 dólares eram isentas de impostos. E basicamente eram usadas para roupas, daí o nome de taxa das blusias.

Eram roupas, vestidos, tênis, sapatos e tal, tudo coisa em geral que vinha da China, basicamente vinha da China, e a esse preço aí de no máximo 50 dólares. Até então, isso aí não se cobrava imposto. Aí, o que aconteceu? Aconteceu que o governo Lula e o ministro Haddad...

basicamente o ministro de verdade, resolveram taxar essa importação por dois motivos. Um que é a arrecadação. A arrecadação é arrecadar dinheiro. O governo está sempre procurando um imposto novo para arrecadar mais dinheiro. E, por outro lado, havia uma...

reclamação, uma pressão muito grande tanto da indústria têxtil, da indústria brasileira em geral, e do comércio varejista, que pagam impostos. Então, você tinha uma faixa do mercado varejista que não pagava imposto, que eram os produtos importados de até 50 dólares, não pagava imposto, e o produto local, o produto produzido e vendido aqui no Brasil, que era taxado, que pagava imposto.

A situação, obviamente, é desigual. Você tem uma competição desigual, já que, de um lado, tem um imposto pesado, as empresas brasileiras pagam impostos bastante elevados, e, de outro lado, você tinha um setor sem impostos. E até a gente discutiu isso na época. Se o governo dizia que era preciso equilibrar as condições, a gente dizia, bom, então é fácil, reduz o imposto.

das brasileiras, da produção local. Reduz o imposto da produção e do comércio locais. Mas não se fez isso, fez o contrário. Aumentou-se o imposto do produto importado. E foram dois aumentos que tornaram a compra bem difícil, porque teve aumento de ICMS.

que os governadores se impuseram e depois teve o aumento do imposto, teve a introdução do imposto de importação. O governo chegou a dizer, tentou se defender no começo, dizendo que o consumidor não ia pagar o imposto, que o imposto ia ser pago pelas empresas, mas é evidente que o imposto vai para o preço.

A empresa recolhe o imposto e esse imposto vai para o preço e o consumidor acaba pagando. Então, é verdade que esse tipo de comércio diminuiu, porque a atratividade de boa parte dos produtos desapareceu da medida em que se passou a cobrar imposto.

Agora, na época, a medida foi muito polêmica, porque muita gente, mas muita gente, estava fazendo essas compras online até 50 dólares. Então, era um mercado que estava crescendo e um mercado que atendia uma população de renda mais baixa, uma população classe B, classe C e D, segundo se entendia na época.

E que foi claramente prejudicada. E agora, chegando a época eleitoral, como você falou, a história volta. A ideia é que o Lula falou mal da taxa das blusias, disse que foi aplicada por uma pressão no comércio brasileiro e que o governo estava estudando uma forma de atenuar os efeitos dessa taxa das blusias. Não disse quando, não disse como.

mas levantou o assunto, quer dizer, como que tirando o corpo fora, e o que aconteceu em seguida foi que associações das empresas brasileiras, associações que representam a indústria e o comércio brasileiro, fizeram um manifesto defendendo exatamente a cobrança da taxa, ou, aí já é oficialmente, ou a eliminação dos impostos internos, fazer as duas coisas.

Enfim, período eleitoral é uma medida claramente que atende a população de classe C e D. E a gente fica em dúvida de chamar de medida popular ou populista, mas o fato é que há uma discussão dentro do governo para voltar a isentar essas importações, porque tem impacto eleitoral.

E, ao mesmo tempo, desequilibra o comércio, desequilibra a competição com os locais. A ver como vai ficar isso, Milton, isso está em suspenso ainda. Perfeito, muito obrigado, Sardenberg, bom dia. Até mais. Até mais, até logo mais, meio-dia.

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