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PF prende ex-presidente do BRB, 'personagem central' nas fraudes do Master

16 de abril de 20267min
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A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (16) o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A ação faz parte de uma nova etapa da Operação Compliance Zero. Bernardo Mello Franco analisa o desdobramento, e destaca que Costa "é um dos personagens centrais nas fraudes do Banco Master".

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Participantes neste episódio1
B

Bernardo Melo Franco

HostJornalista
Assuntos1
  • Prisão de Paulo Henrique CostaOperação Compliance Zero · Fraudes do Banco Master · Corrupção no BRB · Daniel Borcaro · Ibanez Rocha
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Conversa de Bastidor, com Bernardo Melo Franco. Bernardo?

Boa tarde, Sábia Inberte, boa tarde, Muniz, boa tarde, ouvintes da CBN. Boa tarde, Bernardo. Bernardo, houve um avanço importante na operação compliance com a fase de hoje, a prisão do ex-presidente do BRB e do advogado que está sendo apontado como operador, o advogado Daniel Monteiro, que aparece como operador principal daquelas tramas lá de...

Fundo para cá, fundo para lá, dinheiro que circula entre fundos de dono exclusivo e tal. Bom, enfim, a operação avançou, Bernardo. Pois é, Sardenberg, enquanto o Congresso, o Supremo, trocam provocações e até ameaças, a coisa está andando, na Polícia Federal a investigação está avançando e de fato chega hoje a um marco importante com a prisão do Paulo Henrique Costa.

Esse é um dos personagens centrais nas fraudes do Banco Máscoa. Ele era presidente do Banco de Brasília, o BRB, e ele está sendo agora acusado pela Polícia Federal, pela Procuradoria Geral da República, de ter embolsado uma grana pesada para facilitar os negócios do Daniel Borcaro com o Banco de Brasília.

Estava lendo aqui a decisão do ministro André Mendonça, e é uma decisão duríssima, na qual ele diz duas coisas. Primeiro, que o Paulo Henrique Costa colocou a presidência do BRB a serviço da manutenção da liquidez do Banco Master. Banco que já se sabia quebrado na época dessas transações. E depois, diz o ministro André Mendonça, que o Paulo Henrique Costa foi beneficiário direto de vantagem indevida.

e que, portanto, a imputação, a acusação a ele, não se limita a uma negligência administrativa, e sim a uma aliança, em tese, uma adesão consciente ao arranjo criminoso.

Trocando em miúdos, o que está sendo dito aqui na decisão do Supremo Tribunal Federal é que o ex-presidente do BRB recebeu propina em troca de facilitar os negócios do Daniel Borcara. E as investigações, Sathenberg e Muniz, colheram uma série de diálogos, diálogos que envolvem tanto o Paulo Henrique Costa quanto o Daniel Borcara.

que corroboram esse entendimento. Lá pelas tantas, o Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, diz que estava virando noites para resolver as questões colocadas pelo Daniel Vorcar. Em outro momento, o presidente, dono do Banco Master, orienta uma corretora imobiliária a atender os pedidos do presidente do BRB e diz o seguinte, eu preciso dele feliz.

Segundo essas investigações, a propina envolveu seis imóveis, seis apartamentos de alto luxo, sendo dois em Brasília e quatro em São Paulo. Um desses de São Paulo num prédio do Itaim, que é conhecido como o prédio mais caro do Brasil nesse momento. Então, é um relato de corrupção pesada envolvendo o presidente de um banco público. E vamos rememorar a história, como é que o BRB entra nesse caso do Master.

Primeiro, ele propõe comprar o Banco Master, que já estava encrencado. Enquanto essas catativas eram avaliadas pelo Banco Central, ele vai lá e enterra 12 bilhões de reais em carteiras fraudulentas do Daniel Vorcaro. Então, foram duas frentes de negócio, tentativas de compra do banco.

E a compra de carteiras fraudulentas, de empréstimos, de promessas, de pagamentos, de consignados, que, na verdade, depois a auditoria mostrou que eram papéis falsos, eram papéis vazios. O BRB estava comprando vento, em última medida, em última instância, com o dinheiro do contribuinte de Brasília.

Tá certo. E agora vai ter novas informações porque foram capturados os celulares dessas pessoas. E aí vai aparecer mais história. Inclusive tem aí uma história que o ex-presidente do Banco Regional de Brasília dizia que pelo celular dele ele não ia ser preso sozinho.

Pois é, Sartenberg, isso é uma coisa interessante de a gente conversar com ouvintes, porque tem uma expectativa muito grande e até justificada pelas delações premiadas, tanto do Daniel Borcaro...

quanto do Zé Tel, quanto agora do presidente do BRB. Mas, em muitos casos, o celular acaba falando mais do que o preso. Porque essas pessoas, e isso a gente viu recentemente lá na investigação da tentativa de golpe, esse pessoal cometia crime e guardava a prova no bolso, guardava a prova no telefone celular. Então, tanto o celular do Vorcaro quanto o celular do ex-presidente do BRB...

podem fornecer novas informações para a polícia. Tem uma série de perguntas que estão em aberto ainda sobre esse caso. Uma delas, talvez a principal, Sardenberg e Muniz, é saber qual que é a extensão do envolvimento ou do conhecimento do ex-governador de Brasília, Ibanez Rocha.

Porque, vamos lembrar, foi o Ibanez que nomeou o Paulo Henrique Costa como presidente do Banco de Brasília. Ele hoje soltou uma nota dizendo que a prisão corrobora a versão dele, mas isso que tem que dizer são as autoridades que estão à frente da investigação. Segundo ponto é se os padrinhos da nomeação do Paulo Henrique Costa também tiveram participação nisso.

Vamos lembrar que ele é um personagem que veio de carreira na Caixa Econômica Federal, mas que tinha uma forte ligação com o Centrão, especialmente com o PP e com o senador Ciro Nogueira. E por último, fica a dúvida, quais serão os próximos capítulos dessa investigação?

E se essas investigações vão chegar também a outros entes públicos, outros bancos, fundos de previdência, que mantiveram negócios convocados. A gente sabe que isso não foi apenas em Brasília que ocorreu, ocorreu aqui no Rio de Janeiro, ocorreu numa série de estados e municípios do Brasil, e, portanto, as cenas do próximo capítulo dessa investigação podem alcançar outros personagens aí da política. Obrigado, Bernardo. Até semana.