Episódios de Política

Datafolha: dados de intenção de voto, como de aprovação, são preocupantes para Lula

13 de abril de 202611min
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Maria Cristina Fernandes analisa os números da última pesquisa Datafolha. Os dados apresentam um empate técnico entre o presidente Lula, que tentará reeleição, e o pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro. Além disso, dados preocupantes para o atual governo são os de intenção de voto. No caso da aprovação, Lula está com 29%. Último presidente a se eleger com menor taxa de aprovação foi Dilma Rousseff, em 2024, com 39%.

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Participantes neste episódio2
M

Maria Cristina Fernandes

HostEspecialista
F

Fernando

Co-hostJornalista
Assuntos2
  • Pesquisas DatafolhaIntenção de voto · Aprovação de Lula · Comparação com Dilma Rousseff · Rejeição de Lula · Candidatura de Flávio Bolsonaro
  • Atuação de Lucia na políticaSentimento de direito · Status social · Endividamento do eleitor
Transcrição27 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Tudo é política com Maria Cristina Fernandes. Maria Cristina Fernandes, boa tarde.

Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde. Boa tarde, ouvinte. Bom, mais uma rodada da pesquisa Datafolha neste fim de semana. Mostra no segundo turno os candidatos todos meio empatados. A abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro. Seis meses do primeiro turno da eleição presidencial. Maria Cristina.

Sim, empate técnico de todos os candidatos que estão liderando, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, com este detalhe que é a vantagem numérica do Flávio Bolsonaro pela primeira vez no cenário de segundo turno. 46% Flávio Bolsonaro e 45% Lula.

É um empate técnico, mas deve ser registrado que essa vantagem na América ainda não havia aparecido. Essa coisa da gente ficar batendo o número, eu acho muito corrida de cavalo, é ruim de analisar pesquisa assim, mas tem uns dados que são preocupantes, que não são esses exatamente de intenção de voto. Tati, Fernando, quais são? Aprovação. O ótimo e bom do presidente.

está em 29%. O presidente que se elegeu com a menor taxa de aprovação, a menor taxa de ótimo e bom, foi Dilma Rousseff em 2014. E ela tinha 39%. Lula hoje tem 29%. E...

E o outro dado é comparar Lula com Lula. A esta altura da campanha, desde 2002, Lula nunca esteve tão pouco competitivo em relação às outras campanhas em que ele participou. Em 2002, sim, mas em 2002 tinha uma diferença importante para o Lula. Em 2002, a essa altura...

Em abril ele estava bem atrás do então candidato e ex-ministro da Saúde, José Serra. Só que lá ele desafiava. E agora ele é o incubente, ou seja, ele disputa no cargo. E hoje o incubente tem...

Se tem a máquina ao seu lado e a seu favor, também tem essa força de um eleitor sempre insatisfeito, que nunca está satisfeito com o que tem, quer mais, acha que o ganho de renda, o ganho de benefícios, o ganho de programas, meio que seu direito, ele quer mais, ele quer mudar de padrão de vida. Tudo isso cai no colo de quem está governando.

do incubente. Então, na condição de incubente, o Lula leva essa desvantagem. Ele tem essa missão de reverter o que está se mostrando, o que passou a ser uma desvantagem, tendo que responder por essa demanda contínua, por melhorias. Ele enfrenta aí um problema que é de rejeição, que é alta.

A despeito do Flávio Bolsonaro ser filho do ex-presidente, e Lula, que hoje a maioria da população acha que ele deve sim continuar preso, ele está com a rejeição menor do que a do presidente. 46 Flávio Bolsonaro, 48 Lula. Aí pode-se argumentar e é um argumento bastante plausível.

A campanha para a desconstrução de Flávio Bolsonaro não começou, é verdade. E vamos combinar que há uma grande quilometragem a ser percorrida nessa desconstrução, desde o histórico dele como parlamentar da Assembleia Legislativa do Rio até o seu mandato de senador. Há muitos pontos questionáveis sobre o papel que ele desempenhou no governo do pai.

sobre a sua inexperiência administrativa, nunca geriu nada, a não ser as lojas, as franquias daquela casa de chocolate, do qual ele é um franqueado, e nunca teve experiência administrativa. Isso é verdade e isso vai ser exaustivamente explorado. A gente não deve ter a menor dúvida.

isso vai ser explorado por uma campanha que tem um candidato cuja rejeição é alta então quando você faz uma campanha negativa há sempre o risco de quando essa campanha é feita por um candidato que é rejeitado isso também trazer rejeição para o candidato a não ser que seja uma exploração que não diga seu nome que não seja identificada a campanha que faz que não seja identificada ao Lula Chega

Mas é uma dificuldade. A gente não vê, Tati Fernando, conversando com a turma do governo, por onde é que se vai buscar uma saída. Você vai dizer, não, a jornada.

Cinco por dois, né? Vai ser, tá aí prometida pra ser votada, né? Esta semana. Isso aí vai trazer, porque isso aí vai mudar a vida. Você vai poder usufruir. E eu me pergunto se isso não vai entrar no mesmo rol de... Isso é meu direito. Que outras aquisições do governo Lula entraram? Hum.

A recuperação da política de salário mínimo. A isenção do imposto de renda. Sim. Até cinco mil reais. A recomposição do farmácia popular. A recomposição do calendário vacinal. O pé de meia.

São várias políticas públicas que ou foram inovadas, o pé de meia é uma dessas, o Minha Casa de Minha Vida que foi retomado, ele havia sido descontinuado, algumas políticas públicas foram retomadas, outras foram instituídas, algumas políticas de renda foram incrementadas.

como a isenção do imposto de renda, e isso, digamos, foi incorporado como nada mais é do que meu direito. Por que a 5 por 2 vai ser diferente? A jornada de você ter dois dias de folga ao invés de um. Por que será diferente?

Nossa, eu tenho uma curiosidade anterior que é de onde vem esse sentimento, né? De que esse é o meu direito. A gente, numa época em que a gente confunde tanto direito com privilégio, né? Que a gente chama direitos, direitos básicos, direitos humanos. A gente chama de privilégio. O que o eleitor está entendendo como direito é completamente desconectado do trabalho do governo. É interessante isso, Maria Cristina? É interessante, é interessante.

Até que ponto isso está associado a um comportamento muito exibido em rede social, de você poder demonstrar que você adquiriu um outro padrão. É. Você sabe que... Fala, fala. Nada daquilo que te melhora a vida, mas não muda o seu patrão de vida, é considerado...

aquisição, melhoria de vida efetiva. Eu estava ouvindo hoje pela manhã o assunto com a Natu Zaneri e o Felipe Nunes, da Quest, falando sobre pesquisas qualitativas que nos ajudam a entender mais do que os números, a interpretação desses números, como é que se chegou lá, né? Então eles falam sobre... Sim, essas pesquisas com grupos, né?

Isso, na sala do espelho e tal. Muito interessante pra, primeiro, a gente entender como isso é feito. E segundo, entender os resultados que saem dali. E ele dizia justamente isso, assim, o eleitor, ele tá buscando status.

ele quer status e ele acha que boa parte dos resultados que o governo vem apresentando, ele diz, por exemplo, se você olha para os índices econômicos, o desemprego está em queda, a inflação está dentro da meta, o crescimento do PIB está indo, não há nada que se diga, nossa, há uma crise econômica, mas isso não é percebido pelo eleitor, na medida em que um, ele está endividado, e por que ele está endividado? Porque não é isso que ele está buscando, ele está buscando status.

Eu não sei, talvez seja um novo jeito de olhar para a nossa sociedade e seus desejos, não? Ele quer enriquecer do dia para a noite, né? Daí a popularidade das betras. E os endividamentos decorrentes das apostas também, né? Isso, o endividamento decorrente. Isso é o que o faria mudar de patamar, de padrão, de status de um dia para a noite. É, é. Então isso talvez seja... É...

sintoma dessa sociedade das BETs e das redes em que você precisa ter essa mudança para poder exibir. Você não quer exibir para o resto da vida.

Ou ser parado ali no mesmo lugar. É. Vai ser uma ótima eleição pra acompanhar desse ponto de vista, né? A gente conta com você aqui todos os dias. Tá bom. Tentemos, né? Sim, e conseguimos. Com muito êxito, viu, Maria Cristina? Maria Cristina Fernandes conosco todos os dias aqui em Tudo É Política. Nos ajudando a entender a política que tá em todo lugar. Sobretudo no ano de eleição. Obrigada, Maria Cristina. Um beijo pra você. Até amanhã.

Eu que agradeço, Tati Fernanda. Até amanhã. Boitados, ouvinte. Obrigado, até amanhã.