Pesquisa Datafolha: 'Lula está sendo o alvo do desgaste do próprio governo'
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Sérgio Merck
Leonardo Barreto
- Pesquisas DatafolhaEmpate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro · Candidaturas de Ronaldo Caiado e Romeu Zema · Desgaste do governo Lula · Estratégias de campanha de Flávio Bolsonaro · Importância da escolha de vices
Quer proteger a experiência do seu adolescente online? No TikTok, a segurança vem desde o início. As contas de adolescentes já vêm com mais de 50 ferramentas de privacidade e proteção ativadas automaticamente. E com a sincronização familiar, os pais podem ajustar configurações de conteúdo e bem-estar digital com poucos cliques. Ambiente protegido para eles, mais tranquilidade para você. Saiba mais em segurança-tiktok.com.br
A gente fala agora um pouco mais sobre a pesquisa de intenção de voto do Instituto Datafolha, divulgada nesse sábado. É a primeira pesquisa depois da janela partidária, depois do prazo de desincompatibilização. Portanto, a gente já começa a ter algumas definições importantes dos partidos, indicando os rumos dos candidatos.
E essa pesquisa indica, entre outras coisas, que o presidente Lula do PT e Flávio Bolsonaro do PL estão tecnicamente empatados num eventual segundo turno. A diferença é que o filho do ex-presidente Bolsonaro aparece pela primeira vez numericamente à frente do petista. Ainda é um empate técnico, mas numericamente Flávio tem 46% contra Lula com 45%.
É um levantamento que ouviu pouco mais de 2 mil eleitores. E no primeiro turno, só para reforçar aqui alguns dos dados para a gente poder aprofundar essa conversa, no primeiro turno, Lula teria 39%, Flávio Bolsonaro teria 35%, Ronaldo Caiado teria 5%, Romeu Zema 4%, Renan Santos...
2% Aldo Rebelo e Cabo Daciolo, 1% cada, 10% dos eleitores indicando o voto branco ou nulo e 4% dizendo que ainda não sabem em quem votar. Bom, para analisar esses números, eu converso agora com Leonardo Barreto, cientista político e sócio da consultoria Think Policy. Barreto, boa noite, obrigado pela sua participação aqui na CBN.
Obrigado pelo convite, Muniz. Barreto, como é que você lê os números gerais dessa pesquisa? Claro que a grande notícia aí fica para esse empate técnico com Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula. O que chama atenção quando a gente vê os gráficos, pelo menos o que me chamou atenção...
É a trajetória de alta de Flávio, não necessariamente o fato de ele ter superado ou não o Lula, essa minúcia da margem de erro, mas ele está em trajetória de alta, enquanto o Lula está em trajetória de queda entre as pesquisas de dezembro e março. Mas a campanha ainda não começou, né, Barreto? O que esses números aí que a gente está falando agora indicam sobre cada uma dessas duas principais candidaturas na sua visão? Olha, Muniz, essa campanha de reeleição, ela funciona um pouco.
como a gente chama na ciência política, de recall. Ou seja, a gente está fazendo uma avaliação do governo e dizendo se ele merece continuar ou não e se ele deve ser substituído por alguém. Então, de certa maneira, se a gente olha os dados, a gente pensa assim, poxa, mas o que o Flávio tem feito, o senador Flávio Bolsonaro tem feito, para poder ganhar tanto terreno? Você vai ter dificuldade de achar essa resposta, porque...
A campanha, como você disse, não funcionou, não começou. O senador tem aparecido muito pouco, ele não está em nenhum palanque importante, não está à frente de nenhuma CPI que ocupa o espaço da mídia. Então, isso nos leva à conclusão de que o presidente Lula está sendo alvo do desgaste do próprio governo. Então, é uma avaliação negativa do governo.
que está refletindo, então, nas pessoas buscarem, dizem, não, ok, quando a eleição chegar, eu vou votar numa opção que não seja o governo, que não seja Lula. E aí, nesse caso, o Flávio Bolsonaro, ele tem aquilo que o pessoal do mercado chama de benchmark, o sobrenome. E o sobrenome hoje é sinônimo de oposição, e isso leva as pessoas a fazerem essa associação. E aí o Flávio teve essa...
Essa ascensão meteórica de janeiro para cá teve um crescimento muito importante, consolidou a direita na eleição de uma maneira que os atores mais carimbados não esperavam. Inclusive, o mais carimbado deles é Gilberto Kassab e hoje o restante da direita, que quer disputar esse espaço, está correndo e partindo lá de trás para tentar.
conseguir disputar esse espaço na direita contra o presidente Lula. Mas aí, Barreto, então me diz uma coisa. Pegando esse fio da meada que você trouxe, você falou o que Flávio Bolsonaro tem feito para ter um desempenho tão bom. E aí você falou, se a gente for procurar, tem feito muito pouco.
ele tem evitado, inclusive, aparecer de forma muito ostensiva. Ronaldo Caiado, eu diria, que tem tentado cavar essas aparições mais do que Flávio, inclusive. Você também falou que, por enquanto, a gente tem uma avaliação negativa do governo. Dá para a gente avaliar, então, também, talvez...
pelo outro lado, pelo oposto disso que você está trazendo, o fato de que, eu posso analisar aqui, o fato de que Flávio Bolsonaro estar se movimentando pouco pode ser reflexo de um receio dele e da campanha dele, de um certo telhado de vidro, ou seja, com o início da campanha...
com o governo, a candidatura de Lula, tentando fustigar Flávio Bolsonaro, eventualmente colá-lo à avaliação negativa que Jair Bolsonaro tem também em boa parte da sociedade. Isso, ou seja, o início da campanha pode representar mais dificuldades para ele do que o momento atual. Jogar parado agora é uma estratégia exatamente pelo receio de aparecer muito e passar a ser criticado, ou você não vê dessa forma.
Sim, eu vejo dessa forma. Acho que o Flávio hoje se beneficia de uma estratégia de jogar parado, de jogar escondido. Aliás, os principais problemas da candidatura dele surgem exatamente quando ele aparece por causa do irmão, do Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, quando ele fala alguma coisa, quando ele aparece num congresso conservador.
lá nos Estados Unidos, quando fala mal da ONU eletrônica. Na verdade, o Flávio Bolsonaro tem um desafio de dizer que ele é um Bolsonaro, vamos dizer assim, 2.0, sem aqueles problemas que causaram a rejeição do pai.
E aí o grande problema dele vai ser passar credibilidade com isso. E aí como é que ele tem credibilidade? Como é que vai ganhar credibilidade? Ele vai ter que se comprometer com agendas, vai ter que ter pessoas moderadas do lado dele. Ele vai ter que construir uma imagem pública para dizer não, eu não sou meu pai. É claro que eu tenho ali meus compromissos, eu tenho a minha raiz, mas eu não sou meu pai.
E do lado do governo, do lado do presidente, você tem questões ligadas à economia, você tem questões ligadas ao funcionamento do governo, mas você também tem questões de desgaste de um presidente que está nas manchetes desde 1989. Então, o que o pessoal olha e diz assim, poxa, o que o Lula pode trazer de novo?
O que ele pode trazer de sonho, de novidade, de horizonte? Sendo que esse governo, durante todo o período dele, ele criou uma espécie de retropia, uma utopia de retrovisor. Dizendo assim, o melhor que você pode ter é o que você já teve. E nós vamos resgatar isso, etc.
E isso acabar sendo um pouco cansativo. Acho que tem uma fadiga também relacionada ao presidente. Por isso que os dois primeiros colocados também são os dois primeiros colocados na rejeição. E aí essa acaba sendo uma eleição de voto, mas ela também é uma eleição de veto. O Lula vai ter muitos eleitores que vão votar nele porque não querem o Flávio Bolsonaro.
E o Flávio Bolsonaro, sem sombra de dúvida, eu arriscaria que talvez mais da metade dos votos dele são de pessoas que, na verdade, não querem uma recondução do presidente Lula. Então, e aí nesse aspecto, acho que é importante a gente colocar o Ronaldo Caiado, que é a grande novidade desta pesquisa, pelo fato de que ele ainda não tinha sido oficializado pelo PSD como candidato do partido. Lembrando que na pesquisa anterior, o PSD ainda estava em dúvida entre aquela lista tríplice, digamos assim, de candidatos.
Caiado, Ratinho Júnior e também o Leite, o governador do Rio Grande do Sul. Agora teve a definição, portanto, do partido de que sim, é Ronaldo Caiado. Caiado aparece com 5% no primeiro turno, ainda um índice bastante inexpressivo, mas ele viu a porcentagem dele aumentar no eventual segundo turno. Contra Lula...
ele foi de 36 para 42. Ele diminuiu a diferença com relação a Lula, contra Lula, em 8 pontos percentuais. Como que você vê essa movimentação? Por si só, é uma boa notícia para Caiado ou ainda é uma movimentação muito pequena? E aí, juntando com isso tudo que a gente vinha falando, Barreto, que a gente está comparando muito Lula e Flávio Bolsonaro, você vê espaço nessa eleição?
que vai ser uma eleição também de veto, como você mencionou, para que um candidato como o Caiado ganhe algum tipo de espaço, ou, ao que tudo indica, deve ser, sim, quase um plebiscito, um duelo entre Flávio e Lula mesmo? Hoje ele está caracterizado como um duelo. Agora, quais são as chances do Caiado? Primeiro, ele é o principal interessado que a campanha comece logo, para ele poder se mostrar.
e dizer que as pessoas que não querem votar no Lula e no PT têm uma outra opção além de Flávio Bolsonaro. Ele vai, isso é muito interessante, o principal adversário do Ronaldo Caiado hoje é o Flávio Bolsonaro, porque é contra ele que ele vai disputar ali um lugar no segundo turno.
Agora, qual é o dilema do Ronaldo Caiado? Aliás, deixa eu só acrescentar mais um dado. No início do ano, olhando todos os eleitores não petistas ou não nulistas, vamos dizer assim, 42%, mais ou menos metade, dizia que não, eu vou votar no Flávio.
a outra metade dizia, não, eu estou aberto a escutar outras opções, outras possibilidades. Então, o que eu quero dizer é assim, existe demanda para outros candidatos, tá? Essa pesquisa, esse avanço do Flávio, ele não pode camuflar, não deve camuflar, a realidade de que há uma demanda para aqui.
para escutar outras propostas e outras candidaturas. Agora, qual que é o problema do Caiado? Vamos lá. O principal problema dele é a estrutura, né? Porque o PSD, o seu partido, ele vai lançar esse candidato a presidente, mas o seu presidente, Gilberto Kassab, ele já disse...
que os diretórios estaduais estão livres para apoiar quem eles preferirem no campo local. Isso porque a prioridade do Kassab é eleger bancada, não é eleger presidente.
Então, vai acontecer o seguinte, em muitos aeroportos de estados importantes do Brasil, o Caiado não vai ter quem busque ele no aeroporto. São Paulo vai ser um exemplo, porque a gente vai ter por aqui, ao que tudo indica, Haddad como candidato de Lula e Tarcísio, aparentemente mais associado a Flávio Bolsonaro. E o candidato até do Kassab em São Paulo. O PSD deve ir de Tarcísio.
Então esse é um problema. O PSD disse assim para o Caiado, não, é aquele rapaz que diz para a menina, não, eu vou namorar com você, vou ser fiel, menos às terças, quintas e sábados. E isso é um problema para o Caiado, isso é um problema. E o segundo problema é o seguinte, largar tão bem como o Flávio está largando vai servir para atrair parceiros.
porque na política todo mundo quer apostar no cavalo vencedor. Então, por exemplo, esse é um retrato interessante. Se você pega a lista dos governadores em exercício hoje, o Lula não tem nenhum governador em exercício que apoie ele na região centro-oeste, sudeste e sul.
ele só tem apoio de governadores em exercício na região Nordeste e um estado da região Norte, que é o Pará. Todos os outros governadores em exercício tendem ao Flávio, com exceção de dois ou três que estão indefinidos.
Quer dizer, estão indefinidos, não. Rio Grande do Sul deve ser o Caiado, Paraná Caiado, Goiás Caiado. Então, hoje, o Flávio reúne uma quantidade de recursos muito importante e ele vai disputar ali os mesmos aliados com o Flávio. O Caiado vai disputar os mesmos aliados com o Flávio, que são aqueles aliados antispetistas.
E aí vai ser uma disputa dura, porque o Flávio hoje está numa condição de favoritismo muito importante.
Eu também acho que um ponto para a gente poder conversar aqui, Barreto, é o seguinte, como que você entende a importância da escolha dos vices daqui para frente nesse tabuleiro? Ou seja, se a gente for ficar de olho nas próximas pesquisas, esses números também podem vir a ser influenciados com base nisso? E aí só recapitulando para os nossos ouvintes, né? A gente tem Lula já tendo dito recentemente que Geraldo Alckmin continua como candidato a vice na chapa dele.
Agora para a reeleição, Flávio Bolsonaro ainda está isso indefinido, se fala que uma vice dos sonhos para ele seria Tereza Cristina, senadora, uma representante do agro, e também tem ali algumas outras costuras, por exemplo, Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, é tido como um dos potenciais nomes para essa chapa, e Ronaldo Caiado também ainda com alguma indefinição para esse posto. A escolha dos vices para esses candidatos...
É apenas uma escolha de costura partidária, de costura eleitoral? Ou você entende que ela pode também ajudar a mexer um pouquinho nesses números numa disputa tão apertada como essa? Essa é uma decisão muito importante. Ela foi, por exemplo, decisiva para o Lula em 2022. O Geraldo Alckmin fez toda a diferença, deu todo um verniz de moderação para o presidente Lula.
Isso foi significativo. Houve até uma conversa um pouco maluca, sem pé nem cabeça, de substituir Geraldo Hockme, o que geraria um prejuízo enorme para o presidente Lula, porque ele perderia um cara importantíssimo em São Paulo, que é o principal colégio do país, importantíssimo junto ao eleitorado católico e aos eleitores moderados. Então, assim, foi uma conversa de quem queria sabotar a candidatura do Lula, mas, no final das contas...
o Geraldo Alckmin vai ser mantido. Era a decisão mais acertada. Agora, no caso do Flávio, ele é o que tem mais a ganhar agora. Por quê? Quer dizer, desde que faça a escolha certa. Ele tem, pelo menos, duas escolhas muito interessantes. A primeira escolha, como você adiantou, é o Romil Zema, que seria muito importante para...
conquistar Minas Gerais. E Minas Gerais hoje é uma balança muito significativa segundo o principal colégio eleitoral do país. E ali, qualquer ponto a mais que você conquista faz muita diferença. Então, o Romeu Zema seria uma escolha com impacto regional. No caso da senadora Tereza Cristina, você teria um...
uma mensagem de gestão, de moderação, e ela é mulher. Numa eleição, Muniz, que não tem nenhuma mulher, pela primeira vez em muito tempo. É verdade. Então, seria muito interessante, seria representativo, fora que a Tereza Cristina é uma garantia de um governo muito racional. Ela é reconhecida em Brasília, no Congresso Nacional, como muito...
muito eficaz, muito inteligente, muito habilidosa. Aí existem outras opções, mas essas são as duas mais significativas e que trariam impactos muito positivos. O que o Flávio não pode fazer, provavelmente agora, é conseguir um radical, conseguir alguém do próprio campo.
para colocar a vício. Isso que seria um erro. E no caso do Caiado, hoje ele enfrenta essa dificuldade. Para ele também seria muito interessante, de repente, ter o Zema do lado dele, mostrando uma união da direita não-bolsonarista para concorrer nessa eleição, ou então buscar um outro moderado, talvez um ex-PSDB.
para disputar aqui aquela direita de centro, ou então uma centro-esquerda mesmo. Ele falou assim, o Eduardo Leite vai me ajudar a governar, talvez possa buscar um nome da centro-esquerda para mostrar ali um governo de união nacional. Então, sim, essa decisão vai ser importantíssima porque ela vai definir o perfil que vai lutar por esse eleitor de centro, esse eleitor moderado, que vai ser tão importante.
para o resultado final desse processo.
Como é que você vê, Barreto, quando a gente olha a pesquisa com os nomes que vão se consolidando nesse pleito agora, a gente tem o Lula representando a esquerda e uma infinidade de outros candidatos representando a direita ou a extrema-direita, os mais variados, os diferentes posicionamentos que se pode ter do centro para a direita. O que isso diz para a gente sobre aquele movimento, aquela estratégia que foi vitoriosa para a Lula de formar uma aliança ampla?
o quanto que essa aliança acabou se desgastando de lá para cá e isso pode estar sendo mostrado nessa composição de candidaturas que eu estou te falando, ou se você entende que essa pulverização da direita também é um reflexo da sociedade brasileira. Como é que você está entendendo esse movimento de um candidato à esquerda e tantos outros no outro espectro? Então tá, vamos lá. Primeiro, o Lula domina a esquerda.
ele é, no jargão aqui, aquele líder mangueira, a mangueira árvore, que não deixa crescer nada embaixo. E ele não... O Lula sempre teve tanta convicção de que ele seria o candidato, que ele em nenhum momento preparou alguém que pudesse ser o seu sucessor. E aí quando o pessoal começa a falar do Haddad...
ele vai e lança o Camilo. Não porque o Camilo está nos sonhos dele, mas porque o nome do Camilo anula o Haddad. Para quem conhece o Lula, essa é uma estratégia típica. Então, o presidente Lula não pensou em plano B. Se ele tiver que pensar, se isso acontecer lá na frente...
vai acontecer meio que de supetão e de improviso. Ele não preparou o plano B. Isso está pronto. Para alguém que tinha prometido em 1922 que não seria candidato à reeleição, essa é uma coisa que ele vai ter que dizer. Eu não queria, mas o fato é que ele não preparou. E aí tem essa questão também dos moderados. O presidente Lula fez um governo bem à esquerda.
especialmente nesses dois últimos anos, onde em reformas ministeriais ele lotou o ministério palaciano, o núcleo de petistas, o ministro de saúde, o ministro da casa civil, a ministra das relações institucionais e por último Guilherme Boulos, que hoje é um dos principais conselheiros do presidente Lula.
Então, assim, ele vai dizer, olha, eu prometi que eu ia fazer um governo de centro, mas não deu, mas agora eu vou. Então, e aquela história, e não apenas pelo perfil das pessoas que cercaram ele, mas também pelo discurso, né? Ele está evocando o tempo todo o discurso de guerra de classe.
Então, o Congresso uma hora é inimigo do povo, aí depois não sei quem é inimigo do povo, e não sei quem é inimigo do povo, e agora é seis por um, e quem não quiser é inimigo do povo. Então, ele não fez. Tanto é que os observadores que olhavam e diziam assim, o presidente Lula realmente está pensando na reeleição? Ou ele está pensando num legado? Porque ele virou realmente esse governo à esquerda. Agora, vamos lá. O Flávio consegue.
posar de moderado. Depende das escolhas para vice, como a gente colocou. Eu acho que a entrada do Caiado ajuda nesse sentido, porque o Caiado é direita, a pauta dele é segurança pública, que é uma pauta de direita, e ele vai bater pesado no presidente Lula. Então ele vai permitir, inclusive, ao Flávio que...
que se apresente ali como moderado. Até se os ataques do Caiado forem muito focados e muito direcionados no Lula, o Flávio pode até se abster de atacar muito e pode parecer mais moderado. Mas isso vai depender da composição e da estratégia. A gente vai ter o Renan Santos, que é uma...
uma incógnita, como é que isso vai repercutir, um candidato da geração Z, um antissistema, mas a gente tem que ver como é que isso vai funcionar. O Romeu Zema, se entrar, ele vai ter o desafio de se nacionalizar, que é o mesmo desafio do Caiado, diga-se de passagem. E, por último, se Augusto Cury entrar, aí a gente vai ter uma coisa muito interessante, que é uma direita coach.
que a gente ainda não viu. Ele tem muitos livros sobre Jesus, a população é muito religiosa. Então, é uma coisa interessante. O que eu acho, Muniz, é o seguinte, o eleitorado que não é petista, que não é nulista, ele está aberto, viu?
Eu não sei se a ponto da gente ter aí um fura-fila, uma terceira via, capaz de surpreender essa polarização, superar essa polarização. Mas que vai haver, e aí só para terminar, o fato de ter muitos candidatos à direita...
É um indicador de que o eleitor mediano, aquele que é a medida de onde está a maioria, ele está mais deslocado para a direita. A gente tem visto muitas pesquisas mostrando o seguinte, que o presidente Lula ainda lidera entre os eleitores independentes, mas mesmo assim ele está empatado com o Flávio Bolsonaro. Ou seja, houve um deslocamento do eleitorado para a direita.
E aí, para o presidente Lula vencer essa eleição, ele vai ter que fazer talvez uma ida para o centro muito mais forte. E aí eu vou dar só um exemplo disso. No dia em que o governo lançou, sancionou a lei anti-facções criminosas, o presidente Lula disse assim, agora o filho do cara que está na cadeia vai chorar, agora a mulher do cara que está na cadeia vai sofrer.
Para quem conhece a história do PT, de que ele foi responsável por boa parte dos direitos humanos, das políticas de direitos humanos ligadas à população carcerária, aquilo ali era uma coisa que assustava muito.
mas mostra como o presidente Lula já identificou essa tensão dentro da sua campanha, que é pelo menos um pouquinho de eleitor conservador ele vai ter que ter do lado dele para ele vencer essa eleição. Sim, exatamente. Agora, Barreto, para a gente fechar aqui a conversa, a gente já falou aqui que vai ser uma disputa que é algo que tudo indica muito apertada, claro que muita coisa ainda pode acontecer e tal, já tem aí um índice de conhecimento sobre quem são os...
pelo menos os dois principais candidatos, isso gera uma rejeição entre eles. Quem é, você diria, pelo que as pesquisas indicam, o eleitor que está em disputa? Se o presidente Lula já tem, teoricamente, a esquerda e boa parte dos eleitores de centro?
E Flávio Bolsonaro está arrebatando aí os eleitores de direita. Quem é o eleitor? Qual é o perfil do eleitor que pode ser o pêndulo dessa disputa e colocar a eleição mais nas mãos de Flávio ou de Lula? Quem é que vai estar mais na mira das campanhas daqui para frente? Olha, o eleitor seria aquele eleitor tucano, né? Um eleitor centro-esquerda, centro-direita seria um...
um cara do tipo Armínio Fraga, que declarou que gostaria de votar no Eduardo Leite. É um eleitor urbano, é um eleitor de classe média alta, que acha que o governo vai para o mau caminho, mas que...
tem receio de discursos de exaltação do período militar, de ataques às instituições, de instabilidade exagerada. Eu acho que esse é o eleitor que o Lula mira. Embora, se você for pegar as medidas que o governo faz, vai ser uma medida muito voltada para o eleitor.
que vai estar ali até ganhando 5 mil reais, aquele pessoal que ele esperava que tivesse reagido com a isenção do imposto de renda, mas que também é o pessoal que está mais sentindo o problema da dificuldade de comprar as coisas, do poder de compra diminuído. Então, o presidente Lula vai liberar FGTS para o pessoal pagar dívidas.
vai liberar linha de financiamento para motorismo de aplicativo, ele vai atacar esse pessoal. Por quê? Porque é o pessoal que ele identifica que é suscetível a alguma política pública que o governo possa colocar. Então, assim...
de uma forma muito simples. Você tem ali um eleitor meio tucano, um eleitor meio Simone Tebet, como aconteceu em 2022, mas você tem o governo muito focado em pegar aquele eleitor que ganha até cinco salários mínimos, até cinco mil reais, seis, sete mil reais, que é um eleitor que está meio estrangulado.
por juros, por dificuldade de comprar as coisas, por preço de alimentos, que vai continuar pressionando o mercado até as eleições em função do choque de combustíveis que a gente teve em razão da guerra. Então vai ser esse eleitor para onde o presidente vai tentar mirar.
Não à toa o governo corre para tentar viabilizar um pacote para tirar as dívidas, para diminuir a quantidade de endividados no nosso país. Certamente vai ser um dos motes da campanha desse ano, porque está se mostrando um problema também muito importante.
nesse semestre agora. Bom, conversei com Leonardo Barreto, cientista político e sócio da consultoria Think Policy sobre os números da pesquisa do Instituto Datafolha, pesquisa divulgada nesse sábado, mas ainda vai ter muita campanha pela frente, a gente volta a se falar aqui na CBN, Leonardo Barreto. Obrigado, viu? Boa noite pra você. Isso, o jogo tá só começando. Obrigado, Muniz. Boa noite. Boa noite. Valeu.
TikTok
Ferramentas de privacidade e proteção