Episódios de Política

'Datafolha mostra estagnação de Lula', analisa cientista político

11 de abril de 202625min
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A sondagem mostra que Lula (PT), perdeu vantagem em uma disputa no segundo turno. Pela primeira vez, Lula foi ultrapassado numericamente por Flávio Bolsonaro, do PL, que atingiu 46% ante 45% do petista.

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Participantes neste episódio2
P

Pétria

Host
B

Bruno Silva

ComentaristaCientista político
Assuntos3
  • Contexto político de LulaDesafios de Lula · Rejeição de Lula · Polarização política · Impacto da economia
  • Pesquisas DatafolhaEmpate técnico · Candidatos de direita · Intenção de voto
  • EleiçõesCandidatura de Flávio Bolsonaro · Candidatura de Ronaldo Caiado · Candidatura de Romeu Zema
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Pesquisa Datafolha, saindo quente para a gente analisar aqui no Revista CBN de hoje. Ele já está a postos comigo, Bruno Silva, analista de política, comentarista da CBN também. Bruno, boa tarde. Olá, muito boa tarde, Pétria. Muito boa tarde a todos os queridos ouvintes. Sempre uma alegria conversar aqui no Revista CBN contigo e essa audiência qualificadíssima.

E com informação quente para a gente, quero muito repercutir com você os números dessa pesquisa Datafolha que acabou de sair. Presidente Lula perdendo vantagem no segundo turno, completamente empatado com seus adversários.

na aferição sobre o que seria, nessa pesquisa, na aferição dessa pesquisa de segundo turno, me fala mais como é que a gente pode analisar. Só para dar aqui, repetir para o nosso ouvinte os números, em segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente, com 45% e 46%. Vamos lá, Bruno, quero te ouvir.

Vamos lá, eu acho que o primeiro ponto que a gente tem que considerar é o seguinte, ô Petra, da mesma forma que eles já vinham ali empatando tecnicamente em outros cenários, agora nesse do Datafolha mostra inclusive o Flávio com 1% a mais, mas é o que você disse, considerando a margem de erro da pesquisa, eles estão tecnicamente...

empatados como um todo. Mas tem um ponto interessante nessa história toda, que mostra, de alguma forma, a estagnação de Lula. E acho que é isso que chama bastante a atenção nesse cenário a essa altura do campeonato. Petra, não é de hoje que o atual presidente vem tentando emplacar uma série de medidas do governo para poder atingir dois objetivos, não só ganhar mais simpatia por setores do eleitorado e, consequentemente...

essa simpatia, esse bom juízo que as pessoas podem vir a fazer da sua figura política, isso vira a se reverter em intenções de voto. Acho que esse é o grande objetivo de todo e qualquer político. O Lula está perseguindo isso de forma muito intensa nessas últimas...

semanas como um todo. E o segundo ponto, Petra, que na minha avaliação é o mais difícil, conseguir diminuir a rejeição. E aí a gente tem, tanto no caso de Flávio Bolsonaro, quanto no caso de Lula, rejeições muito consolidadas, ou seja, rejeições que beiram ali próximo à casa dos 50% do eleitorado, o que mostra mais uma vez aquilo que nós já sabemos em termos de política nacional, que é uma divisão muito forte, muito clara na sociedade brasileira.

em polos opostos ali no que diz respeito às preferências eleitorais e políticas. O Lula tem um desafio ainda mais porque o que acontece? Além da sua popularidade andar muito em baixa, Petra, ele vem apostando de uma certa forma de fazer política e de ganhar, consequentemente, apoiadores, que é uma forma que ela não tem, vamos dizer assim, surtido talvez o efeito que muitos daqueles que estão por trás na construção nesse momento da sua pré-campanha imaginam que possa vir a ter. Então, exemplo.

O presidente vem participando de uma série de inaugurações no que diz respeito em várias indústrias automotivas, fez uma peregrinação muito grande nelas, vem lançando diversas políticas, que são políticas inclusive de impacto social, para poder de alguma forma criar palanques simpatizantes.

mas isso não tem se revertido necessariamente em apoio. Pelo contrário, nas últimas semanas, se a gente fizer uma análise mais pormenorizada, Lula tem sentido os efeitos, que são as mazelas, os efeitos ruins, vamos dizer assim, do caso envolvendo as questões do Banco Master, que até agora tem impactado diretamente, principalmente, figuras relacionadas ao poder judiciário e tudo que está dentro desse universo jurídico, escritórios de advocacia.

Mas, ao mesmo tempo, ele também vem enfrentando uma dificuldade, que é conseguir gerar uma sensação mais positiva na população de que, economicamente, ele possui a chave para o sucesso, ele conseguiria dar conta de melhorar a vida da população brasileira. Por mais que indicadores econômicos objetivamente mostrem várias áreas melhorias,

A gente sabe que economia, assim como segurança, vai muito da percepção, vai muito da sensação das pessoas. E a sensação que se tem é de que as coisas estão cada vez mais caras, a sensação que se tem é que é difícil cada vez mais consumir, essa percepção de que parece que o país não avança, não caminha por parte de muitos.

continua sendo um relativo senso comum em vários setores da sociedade. Então o governo tem uma dificuldade grande, Petra, de conseguir frenar um pouco mais essa rejeição e em conseguir, consequentemente, atingir outros eleitores capazes de poder olhar para Lula e ver uma opção viável. E aí só um último adendo antes de passar para você. Essa semana me chamou até a atenção quando ele pegou e disse basicamente o seguinte. Ele falou, ah, nós vamos ver como vai ficar esse processo mais na frente da minha...

da minha candidatura, se eu realmente serei candidato, depois ao longo da entrevista que ele deu, ele falou que ia ser, enfim. Mas isso abriu também nessa semana nas redes sociais, viu, Petra, queridos ouvintes, uma verdadeira caixa de Pandora, inclusive com algumas teorias já aí, um tanto quanto estapafúrdias a essa altura do campeonato, mas que são teorias, até aquelas que dão conta de dizer que o Lula, no final das contas, vai desistir da campanha.

Uau! Eu quero... Bom, tem muita pergunta para te fazer aí. Pesquisa é uma fotografia, né? E está muito... A gente sabe como muda. Então, eu queria que você comentasse um pouco disso, falasse um pouco de pesquisas, né? E para esse ano que esses números tendem a revelar...

que vão ser eleições muito acirradas, porque não é só em relação a Flávio Bolsonaro, esse, vamos dizer assim, empate técnico. São números muito próximos, tanto de Ronaldo Caiado quanto de Romeu Zema. Os números que são divulgados nessa pesquisa. Vamos lá, o presidente com o Caiado, 45 versus 42, e Zema também. São esses números que saíram.

que essa pesquisa, ela fotografa nesse momento, Bruno? Porque a gente sabe que isso pode mudar, vai começar a campanha, a gente vai ver qual vai ser o jogo de cada candidato. Trouxemos agora há pouco, isso eu quero comentar também na sequência com você, a Larissa Lopes falando sobre medidas de Lula para aumentar, para tentar alavancar a sua popularidade, a gente vai falar sobre isso também. Mas vamos lá, o que é esse recorte dessa pesquisa que sai agora?

nesse empate em relação a Lula e todos os demais adversários nesse momento? Mostra, na verdade, uma sociedade que vem dividida, não é de hoje, né, Petra? Mostra uma sociedade que vem dividida de forma intensa desde 2018, na realidade, para ficar só nesse momento, nesse período mais recente, vamos dizer assim, onde nós tivemos essa ascensão do que se convencionou chamar bolsonarismo, com a força do ex-presidente Jair Bolsonaro.

vencendo as eleições e tudo mais. Então, a pesquisa mostra, num primeiro momento, aquilo que a gente já sabe em termos de sociedade. Infelizmente, estamos divididos, estamos polarizados, e uma polarização que não se traduz só do ponto de vista das intenções, das eleições, mas ela se traduz também do ponto de vista sobre certas leituras e interpretações de modelo de sociedade a partir de pautas de costumes específicas.

E isso eu queria perguntar, porque se a gente for olhar para esses candidatos, é um candidato de esquerda versus três de direita. A gente pode considerar os três candidatos de direita versus um de esquerda, tá certo falar isso?

corretíssima a sua leitura e voa para além disso, viu, Petra? A gente está falando, na verdade, de grupos políticos distintos, onde os candidatos estão tentando disputar, vou usar até uma palavra comum aqui, a paternidade disso tudo. Essa é que é a grande verdade, né? Ainda mais diante de eleições tão personalistas como nós vamos ter mais uma vez esse ano. Porque a questão toda é assim. Ah, mas o Flávio está na frente, a candidatura vai sustentar, não vai, o Caiado está mais ou menos dentro do mesmo grupo.

Para mim, a leitura tem que ser feita de uma forma diferente. A questão é assim.

Qual desses personagens vai ter melhores condições de chegar em termos competitivos para poder disputar lá na frente as preferências desse segmento eleitoral, que boa parte dele rejeita Lula?

Nesse sentido, é plebiscitário. O antipetismo dentro da sociedade brasileira não é de hoje. Você não precisa achar que temos alguma novidade aqui. Nós não temos muita novidade nesse sentido. Nós temos um antipetismo muito forte que vem sendo canalizado através de personagens ao longo desse tempo que conseguem, de alguma forma, galvanizar esse apoio e construir os seus nomes como opções relativamente viáveis. A questão de Flávio Bolsonaro, Petra, e aí eu acho que a pesquisa também dá conta de mostrar que...

Ele cresceu, oscilou, cresceu um pouco mais, mas é mais Jair Bolsonaro e menos Flávio Bolsonaro em si. Ninguém começa do dia para a noite e aparece ali diretamente como candidato. Tanto é que a pesquisa, quando não é estimulada, o próprio Datafolha vê que ainda tem percentuais de pessoas apontando Jair Bolsonaro como...

a opção do seu voto, ou seja, aqueles que votaram Bolsonaro. Isso é muito parecido, Petra, lá atrás, do que aconteceu quando a Dilma foi candidata. Quando a Dilma foi candidata lá atrás, em 2010, a primeira vez, muitos falaram assim, vou votar em quem? Vou votar na mulher do Lula, vou votar no que o Lula vai falar que é para votar.

É a Dilma, alguns falavam em Vilma na época. Por quê? Porque tem a ver com a força política que o personagem acabou tendo lá atrás. E, no caso, a força política que Bolsonaro acabou angariando apoio desde as eleições de 2018. Então, assim, se Bolsonaro estivesse em condições de disputar, penso que esses percentuais de votos seriam...

relativamente muito próximos, não teria muita diferença, porque é uma eleição, pelo menos até aqui em termos de cenário, Petra, que se mostra plebiscitária, que é se você vai votar de alguma forma a favor dessas propostas que estão aí dentro da lógica do atual governo ou se você rejeita e não deseja esse governo. Aí é onde estão as disputas a meu juízo que fazem mais sentido, Petra.

As disputas estão dentro dos respectivos grupos, especificamente dentro daqueles que estão mais na direita, para poder entender se a opção mais viável e mais competitiva será realmente Flávio. Bom, mas a essa altura do campeonato, pensar se é Flávio mesmo, não está óbvio para todos que é Flávio? Está mais ou menos.

O Caiado vem fazendo um movimento e num primeiro instante, eu até entendi aqui no meu olhar, que o PSD estava fazendo uma opção relativamente equivocada em optar por Caiado ao invés de Eduardo Leite. Então eu até entendi que era uma opção relativamente estranha, porque Eduardo Leite poderia se mostrar como uma figura mais moderada, como uma suposta terceira via ou algo nesse sentido. Ao passo em que Caiado representaria...

de alguma forma, a própria lógica do bolsonarismo, porque esteve intimamente conectado com esse movimento. Tanto que se preocupou, num primeiro momento, quando anunciou a pré-candidatura, em falar, por exemplo, sobre um eventual perdão em relação a Bolsonaro, algo nesse sentido, que é para sinalizar para esse grupo político como um todo quais são as suas intenções.

E aí o que tem me chamado a atenção, Petra, queridos ouvintes, o que tem me chamado a atenção é que Caiado, nas últimas semanas, veio fazendo um movimento muito intenso, principalmente frente aos evangélicos, o que mostra que há possibilidades de negociação, ou há possibilidades, até mesmo eventualmente rachas, dentro desse grupo político, pensando na consolidação dessa campanha. O que me leva a crer que, das duas, uma...

Ou o PT e todos aqueles que estão em torno da conselho da candidatura de Lula estão esperando um pouco mais para poder saber se o presidente avança nessas pesquisas no sentido de diminuir rejeição, se ele se consolida dentro de nichos que são nichos difíceis hoje, para depois começar os ataques em relação a Flávio Bolsonaro.

ou se eles estão pura e simplesmente guardando para um outro momento, quando a campanha estiver principalmente na rua, para poder vir, vamos dizer assim, como diz o popular, com toda a artilharia. Porque argumentos para tentar desconstruir a candidatura do Flávio existem aos montes, né, Petra? São vários escândalos, são várias situações suspeitas, tem muita coisa, tem muita arma nessa história toda que ainda vai vir a ser utilizada do ponto de vista da campanha que ainda não foi. E aí o que me chama a atenção?

Quando a gente olha de novo para as rejeições, a gente volta nelas. A rejeição de Flávio para alguém que é estreante e que ainda nem está na campanha de fato, está na pré-campanha, ela é altíssima. Ela é tão alta quanto a rejeição de Lula. Talvez Caiado, talvez outros segmentos estejam apostando que dá para desidratar Flávio e ocupar esse espaço ao longo do processo da campanha. E eu gosto muito de uma pergunta que traz aqui a nossa ouvinte Maria Macedo. Ela fala assim, eu queria muito saber do Bruno Silva, comentarista político.

Qual seria o projeto? Porque quando você tem uma pesquisa dessa, aferindo como a intenção de voto se mostra nesse recorte, e embasado em quê? Porque a Maria fala assim, qual seria o projeto de Flávio Bolsonaro para melhorar a vida, para a política do país, em relação, por exemplo, comparando Lula, que hoje está no governo?

E eu queria muito falar sobre isso, pegar o gancho no que a Maria traz, porque qual é o projeto de governo de todos eles, né? Tirando o presidente Lula que está no poder e está.

está no governo e está mostrando aí o seu trabalho e qual é o seu projeto. Inclusive, eu quero, daqui a pouco, voltar no que trouxe a Larissa Lopes para tentar alavancar a sua popularidade, a popularidade de Lula. Mas, quando vem esse recorte de pesquisa, é mais personalista? É mais o gosto, a empatia do... Eu ia falar do ouvinte, mas do eleitor? Ou é baseado em projeto de governo, projeto de país? Como é que é isso, Bruno?

Não, é uma dimensão pura e simplesmente do que está em evidência no momento e dos nomes que vêm se apresentando, é aquilo que você ouve falar. Ô, Petra, a gente tem que considerar o seguinte, até antes de responder a sua pergunta e a querida ouvinte que está interagindo com a gente. Eu penso sempre assim, a política, infelizmente, como outras áreas da vida, e aqui até uma análise mais sociológica, vamos dizer assim, do fenômeno, do que apenas da questão da intenção.

A gente precisa considerar que boa parte das pessoas não estão nem aí com a política, infelizmente. Essa é a grande verdade. A gente precisa considerar isso. Nós não podemos tapar o sol com a peneira. Dizer assim, não, está todo mundo engajado, está todo mundo bem informado, está todo mundo ciente, está todo mundo entendendo o que está acontecendo. O ouvinte aqui, perfil da CBN, do Revista CBN, é um ouvinte engajado, bem informado, que está antenado. Mas não é a realidade do Brasil, infelizmente.

gostaríamos que fosse, mas não é a realidade do Brasil. Então tem muita gente que vai na lógica do oba-oba, do que ouviu falar, do que lembra, do que é a intenção, ou porque em algum motivo gosta de um, não gosta do outro. Projeto político efetivamente, ô Petra, são poucos aqueles que estão preocupados em até mesmo obter desses candidatos um projeto.

Por isso que quando eu falo que é plebiscitário, muitas das vezes, a ideia é não quero o outro lado porque acho que o outro lado é incompetente, porque acho que o outro lado não tem nada a acrescentar, ou porque eu não gosto mesmo, e aí tanto faz. Isso é um problema em termos de Brasil. A política vem sendo tratada cada vez mais numa dimensão de entretenimento.

para gerar engajamento e consequentemente eventuais opções. Vide, por exemplo, que o Flávio, o que ele tem feito? E nesse sentido ele tem sido uma lógica do morde-assopra. Ele vem utilizando as redes sociais através de dancinhas, de vídeos de TikTok, para poder gerar engajamento repetindo uma velha estratégia.

que foi a estratégia que lá atrás o seu próprio pai utilizou para poder sagrar esse vencedor, que era utilizar massissamente das redes sociais, se aproximando de distintos nichos dentro dessas redes sociais, a fim de tentar garantir simpatia. Então, não há um projeto político sendo debatido. Nem sei se Flávio e o grupo têm efetivamente um projeto, assim como nem sei se o próprio governo tem um projeto que não seja defender aquilo que já fez e que cai entre nós mesmo quando venceu as eleições lá atrás, que foram as eleições.

de 2022, o grande projeto ele girava em torno também do quê? De tirar o Bolsonaro do poder e de, obviamente, tentar voltar a uma certa lógica de normalidade às relações políticas que haviam sido rompidas no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

de uma série de devaneios e de maluquices e sandices que foram feitas e de uma condição desastrosa de vários aspectos da pandemia. Então foi um grupo que acabou o apoiando, que fez Lula chegar ao poder, que era um grupo também muito heterogêneo e muito fragmentado. A prova disso está no que a gente está vivenciando dia após dia. O governo tem uma dificuldade gigantesca em estabelecer base política. O governo tem uma dificuldade gigantesca em conseguir aprovar uma agenda de país. E nos temas...

que conseguiu avançar, são os poucos temas que conseguiu consenso dentro do Congresso. A despeito disso, são as pautas sociais, que são pautas que sempre vão ter simpatia do Congresso minimamente, ainda mais considerando o perfil fisiológico, como tem o Congresso que gosta de devolver serviço, ou que parlamentar em sã consciência, por exemplo, vai ir contra uma medida que é uma medida de apoio popular.

Então, acho que esse é o ponto central. O projeto de país, um desenho de país, um desenho de políticas públicas mais universalistas, com metas claras, com alvos a serem atingidos a médio e curto prazo, com debate qualificado dentro da educação, dentro do tema da saúde, da infraestrutura, dos gargalos, mesmo do que a gente está sofrendo agora com a questão dos combustíveis, que é o fato de que nós estamos vendo o quanto é delicado depender tanto ainda assim...

de uma matriz energética, que aí agora começa a se discutir, ah, o Brasil deveria ter investido mais em ferrovia, que nem o Lula disse esses dias atrás. É, deveria, mas lá atrás também, quanto tempo, quantos não estiveram à frente do governo e fizeram muito pouco ou quase nada para poder reverter essa situação. Então, acho que um projeto estruturante de nação, de país, dificilmente nós vamos ver nas eleições de 2026, o Petri.

dificilmente nós vamos ver. Eu quero fazer uma última pergunta, um exercício, que a gente sempre gosta de fazer esse exercício, principalmente aqui no quadro, você acerta muitos desses exercícios, falando para a gente do que deve acontecer não só nos próximos dias, mas quais são os cenários que podem mudar

essa fotografia de empate técnico em segundo turno do presidente Lula em relação a todos os seus adversários nessa pesquisa agora. O Zemo Acaiado e o Flávio Bolsonaro. Inclusive aqui o Arthur, ele fala assim, como é que ficam, por exemplo, e tem a ver com o que você falava, né?

De ser mesmo, de bater ali o martelo na candidatura do Flávio. Como é que ficam as denúncias intensas de corrupção contra Flávio Bolsonaro? Questão das rachadinhas que foram provadas, né? Como é que fica todo esse peso ético e de corrupção que foi levantado na época do governo Bolsonaro? Bom, a minha pergunta é, o que pode mudar...

porque muito deve mudar ao longo dos próximos meses. O que pode mudar essa fotografia? E a gente vai lembrar disso nas nossas próximas conversas, quando a gente lembrar dessa pesquisa Datafolha que foi divulgada nesse sábado, Bruno.

Olha, eu acho que agora, num período muito curto, muito pouco ou quase nada tende a mudar, viu, Petra? Nesse sentido, a não ser que haja algum tipo de desdobramento mais efetivo, e eu tenho insistido sempre muito nisso, associado à questão do Banco Master, que possa vir a respingar nesses atores de forma mais intensa, uma novidade muito grande que aí poderia contribuir com o desgaste. Agora, fora isso, essa questão da corrupção, por exemplo, do Flávio Bolsonaro, de rachadinhas, de escândalo, a questão lá da loja de chocolate...

Enfim, tudo isso é amplamente conhecido pelas pessoas. E mesmo assim, não desgasta. Por quê? O que está movimentando não é essa pauta da, vamos chamar assim, essa pauta da corrupção ou algo nesse sentido. Porque muitos dos eleitores estão olhando para o jogo e dizendo assim, ah, tá bom, seis por meia dúzia, corrupto por corrupto, toda essa galera é. Então prevalece um senso comum, vamos dizer assim, uma desqualificação que fala, isso não pode ser um fator determinante.

Porque um roubou um pouco mais, outro roubou um pouco menos. E aí vai ficar nessa discussão, porque historicamente isso aí acabou acontecendo. Lula teve lá atrás, por mais que não tenha se provado por A mais B, mas tinha ligações envolvendo, no caso, o Petrolão. Boa parte do governo esteve junto, tanto é que esteve preso. Flávio, agora a mesma coisa. Então, não é esse o tema que vai mobilizar as pessoas. A meu juízo, o que vai mobilizar as pessoas para 2026?

Ô, Petro, que até agora é o que tem mobilizado. São os assuntos secundários. É a pauta de costumes.

É a picuinha envolvendo discussões do tipo ideologia de gênero, que hora ou outra chega e bate na porta. É a discussão envolvendo, por exemplo, quem falou o quê de tal pastor, de tal igreja, de tal segmento religioso. Então são esses os...

os itens que a gente está chamando aqui nesse pacote, nessa cesta de pauta de costumes, que têm mobilizado as preferências das pessoas em um e outro. Agora, um ponto interessante da gente observar, respondendo também a uma das suas perguntas, do que a gente vai ver nas próximas semanas. Eu acho que uma das coisas que o governo vai ter que lidar nas próximas semanas, na verdade já começou a lidar desde ontem, é a questão de construir a imagem do Lula como alguém que está apto a disputar as eleições com força.

E quando eu digo com força, tem sido divulgado fotos dele fazendo exercício, ele ora outra também nas inaugurações, no que tem feito, dá umas corridinhas, faz coisa do tipo. Por quê? Porque ele vem sendo muito questionado se ele tem condições, inclusive físicas e mentais, de estar no pleito, pelo fato de já ter uma idade um pouco mais...

avançada. E parte do que eu falava das teorias da conspiração ou teorias do tipo que vem sendo veiculadas nas redes sociais, uma delas que, a meu juízo, pelo menos com o que a gente tem de base de informação até aqui, é estapafúrdia de que Lula poderia vir a desistir nos próximos meses e por isso teriam deixado no banco de reservas um ministro como Camilo Santana, que não vai disputar eleições.

Mas poderia ser um nome que é o nome que toparia, por exemplo, disputar eleições, considerando que a probabilidade de perder seria muito grande e aí retiraria Lula do jogo político. Por que eu digo que é uma tese estapafúrgica até aqui? Porque pelo menos do ponto de vista público, do que vem sendo divulgado, do que vem sendo feito, das movimentações dos atores...

Não tem nada que prove sobre isso. Pelo contrário, o Lula sempre se colocou mais candidato do que nunca, o que me leva a crer que pode ser, inclusive, munição da oposição para tentar gerar um desgaste ainda maior do atual presidente.

Bruno Silva, com análise política aqui no Revista CBN. Nosso comentarista da CBN no interior de São Paulo. Sempre faz suas aparições aqui no Revista CBN incríveis. Inclusive, já identificado por muitos ouvintes. Cadê o Bruno? Cadê o Bruno? Quero análise do Bruno. Legal. E num dia importante para a gente trazer essa repercussão aqui de informação que acaba de ser divulgada.

uma parte, devem sair novos números aí de datafolha, mas a gente já analisando aqui para você os primeiros números de datafolha neste sábado. Querido, bom trabalho para você. Muito obrigada. Inclusive aqui eu tenho inúmeros, inúmeros ouvintes mandando mensagem aqui como... Enfim...

Muitos estão falando aqui, uns falam, o Bruno é petista, o outro fala, o Bruno está a favor do Flávio. É isso que é bom, né, Bruno? Todo mundo aqui achando que está, no fundo, a gente está fazendo aqui a análise, que isso é muito importante, dos números, das tendências, e é isso que o Bruno traz aqui para a gente. Muito obrigada por mais uma conversa aqui no Revista, Bruno.

Eu que agradeço, querido. E só um último adendo, antes de ir embora. Um beijo grande pra galera, um abraço grande. É isso, gente. A ideia nossa aqui é analisar, comentar os números. Não existe torcida, porque no final das contas é o futuro do país que está em jogo e todo mundo quer, certamente, algo melhor. Agora, só um último comentário, Petra.

Na direita, nessa próxima semana, nós vamos ter que observar também como vai ficar essa questão do caiado e se ele vai avançar mais sobre outros setores evangélicos e principalmente sobre os setores do agronegócio, porque tem muitos setores descontentes da forma como o Flávio vem lidando e talvez aí tenha brechas também, por isso que é interessante observar esse comportamento.

Bruno Silva com a gente aqui no Revista CBN, com análise inteligente, imparcial, trazendo para você aqui vários pontos sobre o mesmo assunto. Obrigada, Bruno. Boa semana para você. Obrigado, querida. Um abraço forte. Até.

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