Episódios de Política

'Governo deve correr para evitar derrota desastrosa na indicação de Messias'

09 de abril de 202641min
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A sabatina do indicado por Lula à vaga no STF foi marcada para 29 de abril. No dia seguinte, o Congresso analisa o veto presidencial ao PL da Dosimetria. Vera Magalhães conta que o governo já admite derrota no veto, mas tenta evitar novo revés na sabatina de Jorge Messias - o que exporia fragilidade 'muito grande' na articulação.

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Participantes neste episódio5
V

Vera Magalhães

HostJornalista
A

Ana Carolina Tomé

ComentaristaJornalista
D

Débora Vera

ComentaristaJornalista
L

Larissa Lopes

ReporterJornalista
S

Samanta Klein

ComentaristaJornalista
Assuntos3
  • Indicação Jorge Messias ao STFSabatina no Senado · Articulação política do governo · Veto ao PL da Dosimetria · Apoio de senadores · Pressão sobre o governo
  • Banco MasterPagamentos a políticos · Delação premiada de Daniel Vorcar · Investigação da Polícia Federal
  • PEC da Escala 6x1Proposta de lei e PEC · Impacto nas jornadas de trabalho · Tensão política no Congresso
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Viva a voz, com Vera Magalhães.

Vera Magalhães, muito boa noite, tudo bem? Tudo bem, boa noite, Débora. Boa noite, Carol, todos os ouvintes, também quem nos assiste. Oi, Vera, boa noite. É isso, ó, aí a indicação de Messias, a vaga no STF foi destravada lá no Senado. Já tem data pra Sabatina na CCJ. Samanta Klein traz mais informações ao vivo de Brasília. Oi, Samanta.

Oi, Débora Vera, Carol, de fato destravada depois de uma ampla negociação, articulação durante esta semana. Portanto, a data prevista para sabatina é dia 29 de abril.

E, claro, essa indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, vai ser avaliada pela Comissão de Constituição e Justiça, CCJ do Senado, e deve seguir no mesmo dia para o plenário. O senador Weverton Rocha será o relator da matéria, ele disse que já vai ler o seu relatório na semana que vem, dia...

15, só confirmando é de quarta-feira que vem, então na sessão da CCJ, e numa coletiva com jornalistas, ele disse que acredita na confirmação do nome do atual advogado-geral da União para a cadeira que está vaga no Supremo.

Obviamente, eu já quero adiantar, e já tinha dito isso antes, ele preenche todos os requisitos, tá? É notório saber jurídico, ele tem a reputação ilibada e é advogado-geral da União, é uma pessoa jovem que tem uma carreira brilhante. Então, de já eu adianto que irei apresentar o relatório a favor da sua aprovação.

Bom, nesse momento, a avaliação de líderes no Congresso é de aprovação. Claro que ainda tem uma longa semana, alguns dias, para que Messias percorra novamente os gabinetes. Lembrando aí que aliados dele dizem, então, que...

Além dos votos da base do governo, Messias conta com apoio do PSD, do PSB, do MDB, assim como o senador Ciro Nogueira, que é presidente do PP de Siu ontem, que vai apoiar o atual AGU. No início de abril de...

Alguns dias atrás, Valdemar Costa Neto também elogiou Messias, disse que é um bom nome. Claro que ele não vota, mas tem uma influência. E há ainda uma possibilidade de Messias ganhar muitos votos entre os evangélicos.

Messias ainda esteve, faz alguns dias, na Assembleia Legislativa de São Paulo, num evento de condecoração ao ministro André Mendonça. Nessa oportunidade estavam ainda Tarcísio de Freitas, também o prefeito de São Paulo, o que traz aí, segundo pessoas próximas, também um certo simbolismo. E numa nota, Messias disse que com otimismo e serenidade... E em alguma capacidade...

recebe esse calendário estipulado pelo Senado Federal. Ele agradeceu ao Columbre e também ao senador Otto Alencar, que é o presidente da CCJ, e disse ainda, até a data da sabatina, permanecerei buscando diálogo franco e aberto com todos os 81 senadores.

E num aceno à oposição, a Columbre também convocou a sessão conjunta do Congresso para analisar o veto ao projeto que pode diminuir as penas de dois crimes dos condenados pelos atos do 8 de janeiro. Ou seja, teve aquele veto do presidente ao pé e da dosimetria e agora a análise vai ser um dia depois da sabatina, no dia 30.

Alguns líderes estão vendo como um tumalada cá para aprovar Messias em troca da derrubada do veto, mas fato é que foi, então, agendada essa sessão do Congresso, que era muito aguardada pela oposição. E a eventual derrubada do veto possibilita a redução da punição aplicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, assim como aos demais réus do núcleo crucial da trama golpista. Com vocês.

Obrigada, Samanta, pelas informações. Tem relação mesmo, Vera, ao destravamento da sabatina de Jorge Messias com a análise dos vetos? Vai ser na sequência, né? É, as duas coisas vão ser lidas em conjunto, Débora. Hoje mesmo, na primeira edição do Viva Voz, no Jornal da CBN Brasil, eu falei a respeito disso com o Sardenberg e o Guilherme Muniz, porque não havia...

naquela ocasião nenhuma das duas definições, mas estava um burburinho de que o Davi Alcolumbre estava prestes a marcar a análise dos vetos do Lula e desse veto em particular do projeto da dosimetria, e essa é uma derrota considerada certa.

para o governo. Se viesse antes da votação do Messias, colocaria uma pressão grande sobre esse tema. Agora, elas vão acontecer, as votações, em dias subsequentes, mas primeiro...

vai ser analisada a indicação do advogado-geral da União para o Supremo Tribunal Federal. Então, pode sim ter havido uma conversa que tenha levado a que o Alcolumbre retirasse qualquer objeção à votação do Messias.

liberasse para a pauta, mas aí sem a garantia dos votos, e aí na sequência avisado que nesse assunto ele não ia poder segurar e que nesse o governo vai sofrer uma derrota. Portanto, aí teria uma no cravo e uma na ferradura.

O governo garantiria algo que é importante para ele, que é a escolha de um indicado do presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal, mas no dia seguinte sabendo que será derrotado na análise desse veto de um projeto que é importante para a oposição, simbólico para o bolsonarismo.

porque deve reduzir a pena do Jair Bolsonaro, dos outros todos condenados pela trama golpista e também daqueles condenados por terem praticado a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.

Agora resta ao governo correr nessas semanas que restam até a votação para garantir a aprovação do Jorge Messias e evitar que haja qualquer surpresa. As últimas indicações para o STF têm passado por placares modestos. A do Flávio Dino não foi um placar muito elástico. A do próprio André Mendonça também não foi.

E agora foi a vez em que houve uma contrariedade maior por parte do presidente do Senado, explicitada. Explicitou que preferia um outro nome. Então é preciso que o governo articule bem para evitar que haja uma derrota, o que seria ali desastroso no ano eleitoral. Colocaria uma dose a mais de pressão sobre o Palácio e mostraria uma fragilidade muito grande.

do governo na sua articulação com o Congresso. Agora, isso não quer dizer que o Messias vai ter vida fácil nessa sabatina também, né, Vera? Porque ele deve ser muito questionado pela relação com o próprio Lula, a atuação na AGU, a trajetória dele, não deve ser uma sabatina também, um passeio. É, né? Não vai ser. Tem tudo isso, tem a dúvida sobre o notório saber jurídico.

do Messias, especialmente em temas de direito constitucional. Vai ter provavelmente toda uma discussão sobre essa questão das emendas parlamentares, questões que são sensíveis ali ao Parlamento e que deverão ser tratadas. Ele vai ser instado a fazer alguns acenos à oposição.

em questões, por exemplo, regulamentação das redes sociais, temas que sempre passam pelo Supremo e que são sensíveis à direita. Então, não vai ser um passeio e não é previsível o que vai acontecer, porque o Jorge Messias, diferentemente, por exemplo, do Flávio Dino, que era alguém que sempre dava entrevistas, sempre estava falando.

Você sabia já o que ele pensava sobre vários assuntos, né? Porque era alguém muito eloquente, além de tudo era um político, então estava sempre na mídia, tinha uma carreira longa ali, também no mundo jurídico, porque foi juiz, juiz federal de carreira, antes de voltar para a política. O Messias é alguém mais reservado.

menos louquas, fala pouco, mesmo nas sustentações que faz no Supremo, não prima por sustentações longas e com muita verve. Então, a gente vai ter de saber meio na hora da Sabatina o que ele pensa.

de determinados assuntos e que tipo de aceno ele vai conseguir fazer para os políticos. Então, como ele vai conduzir isso? Nos bastidores ele tem atuado para tentar aparar qualquer aresta, reverter qualquer má vontade com o seu nome. Foi ontem num jantar numa casa lá em Brasília.

no qual estavam previsentes vários senadores. Ele foi escoltado pelo presidente da CCJ, num sinal de que ele tem o apoio do senador Otto Alencaro, que é importante para ele nessa primeira fase que ele vai ter que vencer. E lá apareceu também o ministro Cristiano Zanin.

que é um aliado, está tentando ser seu aliado na nomeação, mas o Davi Alcolumbre não foi. E esses senadores da oposição que a Samanta trouxe agora, admitem votar a favor, também não estavam presentes.

Então ainda tem muita costura para ser feita. E já em relação aos vetos, essa é uma derrota dada como certa. Não tem o que fazer.

Só para a gente fechar, o Globo publicou uma apuração aí nos bastidores estimando que o Messias ainda não atingiu os 14 votos necessários na CCJ, que ele teria um potencial de cerca de 48 votos no plenário, margem considerada suficiente, mas que está sujeita a oscilações. E a resistência está concentrada em um grupo de cerca de 15 senadores mais alinhados à oposição, que devem resistir a aprovar o nome do Messias.

Gente, vamos falar de escala 6 por 1, porque é um outro tema que está quicando aí e está confuso, né? Porque primeiro o presidente da Câmara, Hugo Mota, disse que o governo tinha desistido de mandar um projeto de lei que ia tramitar realmente a PEC. Aí o presidente Lula disse que vai mandar o projeto de lei. E agora o Hugo Mota disse que vai seguir a PEC. Ana Carolina Tomé, projeto de lei, PEC, a galera não está se entendendo, né?

É isso, Carol. O presidente da Câmara, Hugo Mota, disse que ainda não foi procurado por Lula sobre o envio do projeto do governo para o fim da escala 6x1. O presidente da República chegou a dizer que enviaria ainda nesta semana com regime de urgência constitucional, mas Mota afirmou que já definiu que o tema será analisado por meio da PEC.

O governo tem feito pressão para acelerar o rito e garantir a aprovação da proposta antes das eleições. Em entrevista ao jornal da CBN hoje, Mota deixou claro que rejeita a ideia. Não, eu não conversei com o presidente Lula sobre a questão da tramitação. Nós estamos aqui atendendo um apelo da própria bancada do Partido dos Trabalhadores, que nos pediu ao longo de todo o ano 2025.

Por exemplo, que nós destravássemos a tramitação da famosa PEC 6x1, nós destravamos essa tramitação e será por emenda à Constituição que nós vamos tratar da redução da jornada do trabalho.

A expectativa do presidente da Câmara é aprovar a PEC na CCJ na próxima semana e depois da comissão especial levá-la ao plenário em maio. Mota destacou que a mudança para 40 horas de trabalho por semana deve ser equilibrada, representando uma melhor qualidade de vida aos trabalhadores, sem causar uma diminuição da produção ou impacto negativo no resultado das empresas e setores importantes.

Moda também negou que a PEC dos SUAS, aprovada em primeiro turno nesta quarta-feira pela Câmara, acarrete em prejuízos fiscais ou engessamento ao governo. O presidente disse que não é correto e até injusto do ponto de vista político atribuir o problema fiscal do país à proposta.

Ele diz que o Congresso sempre teve essa preocupação fiscal e funciona como âncora. PEC do Sul aspira o peso da assistência social, exigindo reserva de 1% dos orçamentos federal, estaduais e municipais. A estimativa é de R$ 36 bilhões em quatro anos. Já sobre a votação do projeto que regulamenta o trabalho por aplicativo, Mota quer levar ao plenário na próxima semana.

Ele falou que o Brasil pode apresentar ao mundo a primeira inovação de direitos aos trabalhadores por aplicativos sem representar aumento de preço do serviço. Volto com você. Obrigada, Ana. Tem uma disputa por protagonismo também nessa discussão de escala 6x1, né, Vera?

É, mas uma falta ali de tato do governo nessa relação, né? Porque fica essa demora em mandar. Ontem o ministro Guilherme Boulos fez um post dizendo que o presidente Lula tinha confirmado que enviaria o propósito.

A proposta, mas aí fala assim, cada parlamentar terá 45 dias para decidir se votará com os trabalhadores brasileiros ou com os privilegiados. Agora a onça vai beber água. Então, você antes de enviar um projeto para o Congresso, já adota um tom super bélico em relação àqueles que terão de votar.

a matéria, não faz sentido algum fazer isso, esse tipo de disputa via redes sociais com o parlamento, você sendo um ministro de Estado. E não é a única a única

causa ali, um único projeto em que tem essa oposição. A questão da discussão também sobre direitos trabalhistas para motoristas de aplicativos, etc., também está sendo tratada com essa super ideologização num ano eleitoral já tensionado, em que o governo não tem maioria no Congresso. Então, eu acho que falta tato, falta...

estratégia e falta articulação também nesse projeto da escala 6x1. Com isso, o Hugo Mota ficou irritado e insistiu que vai botar para votar a PEC e não o projeto do governo. Então, de novo, o governo compra possibilidades de sofrer derrotas.

até em temas em que ele está alinhado com o presidente da Câmara, como é esse do fim da escala de trabalho. Então, não precisava tensionar, não precisava desafiar os deputados, porque já existe um consenso sendo construído com a ajuda do Centrão, com a ajuda do presidente da Câmara, você não precisa ser divisivo onde você tem uma chance de somar. Então, acho que falta aí muito traquejo para o governo nas tratativas com o Congresso.

Vera, queria pedir para você ajudar a gente, aqui também os ouvintes, a entender até sobre esses trâmites legislativos, porque PEC é um tipo de instrumento, projeto de lei é um outro tipo. Só que a PEC dá mais garantia, segurança, né?

as garantias e fica muito mais difícil de se reverter, porque é uma mudança na Constituição. Só que, por outro lado, a PEC também é mais difícil de aprovar, porque exige três quintos, né? Quórum de três quintos em dois turnos, na Câmara e no Senado. Isso também, essa diferença dos instrumentos, também tem impacto nessa discussão?

Muita diferença, muito mais difícil, serão necessários 308 votos na Câmara e 49 no Senado, portanto, muito mais que um projeto de lei. Também pode demorar mais, porque quando um projeto vem com urgência constitucional, ele não precisa de discussão nas comissões, ele vai meio que direto.

Mas aí entra essa questão do protagonismo. E como o presidente da Câmara, Hugo Motta, escolheu esse tema para representar a sua gestão à frente da Câmara, ele não quer dar de lambuja, dar de bandeja para o governo surfar em cima dele. Tem muita gente, muito especialista, que questiona você colocar uma coisa muito específica, como a escala de trabalho, como você vai organizar a escala de trabalho dentro da Constituição. E aí

Nenhum país do mundo trata dessa maneira. Então, também tem uma estranheza com a escolha de uma PEC para tratar de um tema que, em muitos países, é uma questão de acordo entre trabalhadores e empregadores. Então, também existe um questionamento técnico quanto a você colocar a proibição de se fazer 6x1 dentro da Constituição. Mas, ainda assim...

A despeito disso tudo, o Hugo Mota tem sido muito taxativo, no sentido de que é esse o projeto que ele vai colocar para votar. Então, se imagina que ele também deva estar articulando para obter esses 308 votos, que é bem mais difícil do que precisa um projeto de lei, que é a maioria simples. Vamos aqui para o nosso próximo tema, Larissa Lopes, em Brasília. Tem aqui detalhes dos repasses feitos pelo Banco Master. Oi, Larissa.

Larissa? Larissa Lopes, acho que a gente perdeu a conexão com a Larissa. Enfim, a Larissa... Retomamos aqui o contato com Larissa Lopes.

Oi, Larissa, boa noite. Oi, Débora, boa noite para vocês e para todos. Pois é, Débora, é isso mesmo. O Banco Master declarou 65 milhões de reais em pagamentos de serviços a escritórios de advocacia e empresas ligadas a vários políticos, como, por exemplo, o ex-presidente Michel Temer e os ministros dos governos Lula e José Bolsonaro, como Henrique Meirelles, Guizu Mântega, Ricardo Lewandowski e Fábio Van Garten.

A informação foi sendo o documento enviado pela Receita Federal, a CPI do crime organizado. O Master, Débora de Deni Alvorcada, também gastou cerca de 60 milhões de reais com autoridades, incluindo ministros, senadores, membros da PGR e até do CAD, em eventos luxuosos, tanto aqui no Brasil como também em Londres, Nova Iorque e Lisboa.

Além disso, Débora, a gente lembra também, o que já vem até sendo investigado, que o Banco Master também pagou 80 milhões de reais ao escritório de advocacia de Viviane Barsi de Moraes, que é esposa do ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, e esses pagamentos foram entre 2024 e 2025. Somente no ano passado foram 40 milhões.

Em reais, de acordo com o levantamento feito pelo Globo, o escritório de Viviane Barthi recebeu dez vezes mais que outras bancas de advocacia para defender o Master só no ano passado. De acordo com a reportagem ainda, Débora, o Master contratou serviços de 61 escritórios.

em 2025, sob custo total de R$ 265 milhões. E o maior montante foi então repassado só no ano passado ao escritório Barsi de Moraes, no mesmo ano, então, R$ 40 milhões, mas somando 2024 e 2025 foram R$ 80 milhões para atuar em ações do Banco Master. Débora.

Muito obrigada pelas informações, Larissa Lopes. 61 empresas de advocacia. Vai precisar de advogado assim lá longe, gente. Tanto advogado. E todos muito bem remunerados, né? Uma dinheirama gasta com escritórios de advocacia. R$ 265 milhões. O escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes sendo o mais bem pago deles.

80 milhões no total, 60 milhões só em um ano. Ela está questionando esses dados, esses números, mas são os números que aparecem, que foram apresentados à Receita Federal. E também os pagamentos a eventos com políticos e a consultorias.

de políticos, de ex-ministros, do ex-presidente, do escritório do ex-presidente Michel Temer. Então, os valores envolvidos em tudo que diz respeito a Daniel Vorcaro são sempre casas muito gritantes, um valor sempre na base das dezenas ou centenas de milhões de reais, o que mostra o quanto que esse...

esse banco estavam agindo absolutamente alavancados, com métodos absolutamente inusuais, heterodoxos, e deu no que deu. Maior escândalo financeiro da história recente do país.

que vai gerar provavelmente uma delação premiada cheia de revelações dessas traficâncias políticas e institucionais que ele fazia, porque é disso que se trata. Quando você desova uma quantidade de milhões...

tamanha em meios muito influentes o que você está querendo é conseguir lastro para blindar suas atividades e era isso que ele fazia fazendo essa derrama de dinheiro que ele estava promovendo

Gente, é muito dinheiro e foi aumentando, né? Porque o Globo, por exemplo, fez o levantamento, eram 55 milhões gastos com escritórios de advocacia em 2022, aí quando chega em 2025, 265 milhões. É muita grana. Dinheiro que poderia estar sendo empregado na atividade fim do banco, né? Que era oferecer CDBs e outros investimentos e fundos de pensão, etc.

aos seus clientes que foram lesados e que depois isso teve que ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito. Então a gente vê um desvio total de finalidade e de propósito nesse banco. Nosso ouvinte agora fica com o noticiário local e já já tem mais Viva Voz. Nós vamos falar sobre a votação no STF do mandato tampão no Rio de Janeiro, julgamento que foi adiado por causa de um pedido de vista.

Viva a voz de volta, Samanta Klein, Brasília, traz mais detalhes sobre a votação no STF do mandato tampão no Rio e Samanta.

Oi, Débora. Olha, a gente está com aquele placar, então, o placar do julgamento em 4 a 1 para que o pleito suplementar seja feito a partir do voto dos deputados estaduais, ou seja, de forma indireta. Os ministros André Mendonça, Cássio Nunes Marques e Carmen Lúcia acompanharam o entendimento do relator Luiz Fux.

E, portanto, seguiram o voto pelas eleições indiretas para esse mandato tampão. O ministro Flávio Dino ainda pediu vista, ele sustentou, então, sob justificativa de que é necessário ter o acórdão do julgamento do TSE pela inelegibilidade de Cláudio Castro e que isso vai elucidar.

Alguns pontos que estavam em debate na corte também garantiu que assim que houver o acórdão ele vai entregar esse pedido de vista. Já a ministra Carmen Lúcia afirmou que o acórdão deve ser publicado nos próximos dias.

E durante a sessão ainda, o ministro Gilmar Mendes afirmou que numa conversa com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ouviu o relato de que 32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebiam uma mesada do jogo do bicho. E aí, rebatendo essa fala, o ministro Luiz Fux defendeu o Estado, afirmou...

que os escândalos não estão concentrados no Rio e ainda citou o caso Master. Ele disse que o Rio de Janeiro tem bons políticos e se eles tiverem que ir para o inferno, vão acompanhados de altas autoridades. Com vocês.

Obrigada, Samanta. Ô, Vera, esse pedido de vista manteve, talvez tenha até aumentado a incerteza política no Rio. E dá pra gente ter uma ideia de como os demais ministros devem votar? Eu sei que você é boa nisso.

Na segunda-feira com o Sardenberg eu falei que a maior probabilidade era que ganhasse a ideia de uma eleição indireta e que já estava sendo gestada nos bastidores uma outra alternativa que era a de que, então, em razão dos acontecimentos políticos que levaram à cassação do governador Cláudio Castro,

a prisão do presidente da LERJ, Rodrigo Bacelar, e o risco desse mesmo grupo assumir o poder de novo, então que uma solução intermediária seria manter o presidente do Tribunal de Justiça como governador interino até as eleições de outubro.

E isso estava sendo articulado, mas eu acredito que não houve tempo para fazer a articulação completa e por isso o pedido de vista do ministro Flávio Dino. Mas além desse desabafo do ministro Fux em relação aos políticos do Rio e essa defesa, que eu acho que até nem cabe.

da política fluminense, porque ele não é um político, ele é um ministro do Supremo Tribunal Federal, não cabe a ele, por mais carioca que seja, fazer nenhuma defesa da honra da política fluminense, mas houve também uma manifestação de desconforto da ministra Carmen Lúcia.

que entende que esse julgamento está passando por cima do TSE, que é o tribunal presidido por ela. Então, ela não deixou de manifestar sua contrariedade com isso, antecipou ali o voto dela, o voto do ministro Cássio, que também é do TSE. Então, não está simples construir uma alternativa à realização de uma assembleia.

de uma, desculpa, eleição pela Assembleia, uma eleição pela Alerj. Então, é por isso que vem esse pedido de vista para tentar, também nos bastidores, costurar alguma alternativa para essa situação do Rio, que é bem complicada.

De certa forma, vamos fazer um desagravo a ministra Carmem Lúcia e o TSE, esperando pelo menos a publicação do acórdão. Foi isso o argumento do ministro Flavio Dino para pedir vista, porque é o que ela fala, sequer o acórdão do TSE saiu e a gente já está analisando um recurso aqui no Supremo, de certa forma...

Coloque em xeque a posição do TSE, deslegitima, né? Foi a palavra que ela usou. Acho que é isso, né, Vera? Tá todo mundo tentando ganhar tempo pra costurar uma solução, né? Com esse pedido de vista, porque é um embrólio difícil de resolver, viu?

Muito difícil, realmente, a sequência de acontecimentos lá no Rio é muito delicada, é muito complicada. Essa infiltração pelo crime organizado é uma realidade e aí é verdade o que o ministro...

Fux diz que não é uma exclusividade do Rio de Janeiro, mas lá os episódios são mais perturbadores. Você tem o ex-presidente do Poder Legislativo como alguém que era informante de uma facção criminosa. Você teve uma vereadora, a vereadora Marielle, assassinada, ao que tudo indica, a mando de grupos políticos com ligações com o crime organizado. Então...

Tem muitos episódios. A cassação de um governador por favorecimento, abuso de poder econômico e poder político durante a eleição. Então, são muitos episódios. Isso requer atenção das instituições, porque existe o risco de que uma vez...

fora de controle, essa situação da infiltração da política pelo crime organizado, você caminhe para um estado de anomia, em que realmente as instituições deixam de ser efetivas e deixam de ter o controle dos processos, dos poderes, etc. Já já não se tem o controle de muitos territórios.

Mas se você perder também o controle das instituições, aí é um passo a mais na infiltração do crime dentro do tecido público, do tecido social e político.

Nosso ouvinte fica agora com notícias locais. Já, já, viva a voz de volta com o Tiago Bronzato, diretor da sucursal do jornal Globo em Brasília, que vai falar sobre essa dinheirama toda paga pelo Master, a escritório de advocacia e outras... As conexões políticas de Vorkaro sobre isso.

6 horas, 47 minutos, Viva Voz de volta e já tá com a gente na linha o Tiago Bronsato, diretor da sucursal de Brasília do Jornal Globo. Boa noite, Bronsato. Boa noite, Vera. Boa noite, Debra. Boa noite, Carol. Boa noite aos ouvintes. Oi, Bronsato. Boa noite. Boa noite.

Brunzato, a gente estava falando agora há pouco da extensão da lista de escritórios, empresas, políticos que receberam recursos do Banco Master ou de Daniel Vorcaro. Essa lista é de declarações feitas à própria Receita Federal. O que ela mostra sobre o grau de relacionamento que ele tinha?

com diversos grupos aí do poder em Brasília. Pois é, Vera, antes de ser preso pela Polícia Federal, o Daniel Volcar, o dono do Master, costumava reconhecer a importância da rede de contatos políticos que ele nutria aqui em Brasília. Ele dizia para as pessoas próximas que ele havia feito fortes, amigos na capital federal, e que no Brasil não tem como andar se não tiver uma rede de proteção.

Esse pensamento do Volcaro se refletia nesses pagamentos que eram realizados ao longo dos últimos anos. O Master, segundo os dados da Receita Federal, pagou 65 milhões de reais para diversos consultores e também advogados. E a estratégia do Volcaro envolvia montar uma espécie de frente...

É monetário. Desde o ano, esse presidente recebeu 10 milhões. A gente está com problema. Tiago, acho que a gente está com um probleminha na sua conexão. Agora sim, Tiago, diga lá. Agora sim, entrei aqui na internet de escada, né? É, agora estamos na internet de escada, diga lá. O que eu estava dizendo é que a estratégia do Vocar envolvia montar uma espécie de...

frente ampla remunerada, né? Porque na folha de pagamentos do Master aparecem desde o ex-presidente Michel Temer, que recebeu 10 milhões de reais declarados pelo Banco em 2025, até o ex-secretário do governo Bolsonaro, Fábio Vangar, que recebeu quase 4 milhões de reais. E também o ex-ministro do governo Lula, Ricardo Lewandowski, que levou quase 6 milhões de reais, né?

Todos eles afirmam que os serviços foram legais e compatíveis com as atividades jurídicas e de consultoria. Mas o mais curioso é que a folha de pagamentos do Master cresceu 27 vezes enquanto a crise do branco se agravava em Brasília.

Esse avanço pressivo desses pagamentos acabou coincidindo com a estratégia do Volcárido se aproximar de figuras centrais do poder político. Era como se ele, por meio dessas consultorias, estivesse também contratando um colete à prova de balas em Brasília. O Temer, por exemplo, que é um advogado constitucionalista...

foi contratado para mediar a tentativa da venda do mártir para investidores estrangeiros, um serviço que, em geral, é prestado por bancos de investimentos ou advogados especialistas em fusões e aquisições. O Van Garten, que é advogado, mas não costuma exercer a profissão, disse em nota que integrava defesa jurídica advocária. Mas ele também reconhece que não tinha procuração no processo. Isso chama atenção.

E o ex-ministro da Fazenda, o Guido Mantega, não só ajudou o Master a entender o cenário de Brasília, como também facilitou o acesso de Volcaro ao gabinete do presidente Lula. Essas contratações têm sido analisadas com luto pela Polícia Federal, que também está se investigando se Volcaro fez pagamentos não declarados à receita e se movimentou recursos no exterior.

especialmente em Dubai. Ao que tudo indica, há um longo caminho pela frente que os investigadores vão ter que percorrer para encontrar o caminho do dinheiro. Agora, Brousato, por que os dados da Receita lançam ainda mais dúvidas sobre os serviços que foram prestados pelo escritório da Mulher de Moraes?

Pois é, Débora. Os dados da Receita revelam que o Master contratou 61 escritórios de advocacia no ano passado ao custo total de R$ 265 milhões. No topo da lista de maiores pagamentos feitos pelo banco está o escritório da divulgada Viviane Bates, mulher do ministro Alexandre de Moraes.

A Viviane recebeu dez vezes mais que outros advogados contratados para defender o Master no ano passado. Só para ter uma noção do que isso significa na prática, a média dos honorários recebidos pelos escritórios contratados pelo Master é de quase 4 milhões de reais. Enquanto a mulher de Moraes recebeu 40 milhões de reais somente em 2025.

Vale lembrar que o contrato dela previa um pagamento de R$ 129 milhões em três anos, conforme revelou a colunista Malu Gaspar. A mulher de Moraes diz que prestou serviços regulares para o banco, que produziu pareceres e fez uma série de reuniões.

Mas a dúvida que fica é que tipo de serviço jurídico justificaria um pagamento dessa magnitude, ainda mais num banco em crise, cercado de articulações políticas e tentando desesperadamente sobreviver. Qual foi o critério utilizado por Volcar para pagar 10 milhões de reais para o Temer e 129 milhões de reais para a mulher de Moraes? A expectativa é que essas questões sejam esclarecidas na tão aguardada delação de Volcar.

Por falar nessa delação, Bronzato, quando é que ele deve finalizar essa proposta? O que a gente pode esperar dela? Olha, Carol, a expectativa dos investigadores é que até o final de abril o votar apresente a primeira versão nos capítulos da sua delação. Esse em prazo, na verdade, interessa os dois lados. O votar porque ele quer acelerar a negociação para tentar sair da prisão logo. E a Polícia Federal porque é um inquérito prorrogado pelo ministro André Mendonça.

vai até 18 de maio. Então, os dois lados querem ali correr para cumprir esses prazos, né? Mas não é uma delação simples. A gente sabe que tem uma série de implicações ali, de histórias complexas que terão que ser.

analisadas. E logo depois do votar e entregar os anexos, tem todo um procedimento, né? A Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República que participam nas negociações de acordo vão analisar as provas pra saber se elas corroboram os fatos.

e também se há algum tipo de omissão, que a investigação revelou e o votado está tentando esconder. Se estiver tudo ok, então o banqueiro começa a prestar o depoimento em vídeo. E aí depois, esse material é submetido à avaliação do ministro André Mendonça, que já avisou a pessoas próximas que não pretende validar automaticamente o acordo, especialmente se o vocair estiver mentindo.

Esse processo todo deve extrapolar o todo mês de maio, o que levará a Polícia Federal a pedir a prorrogação da investigação. E algumas pessoas ali que acompanham as negociações estão fazendo algumas estimativas de que essa delação, ao final, deve chegar pronta até agosto, mais ou menos. Ou seja, às vésperas das eleições, que deve aumentar ainda mais.

Aí os nervos a flor da pele, né? No mundo político. E um dos principais mistérios é quem deve ser delatado por votar, né? O banqueiro ainda não finalizou os capítulos da sua delação, porque os advogados estão examinando o material apreendido pela Polícia Federal.

Mas pessoas próximas do banqueiro têm garantido que ele não tem nenhum pecado a confessar sobre a sua relação com o ministro do Supremo e com o senador Cisne Nogueira. E que tudo que consta ao longo das investigações sobre esses personagens é apenas pura relação de amizade. Por outro lado, o votário tem demonstrado maior interesse em contar...

sobre os seus contatos no Banco Central, no BRD, que é o Banco de Brasília, no governo do Distrito Federal e também sobre os fundos de Estado que investiram no Master. Só resta saber se o cara vai convencer os investigadores de que estão contando tudo o que sabem.

Pois é, essa proximidade com as eleições e essa seletividade que ele vai demonstrando que pretende adotar devem ser ali assuntos para tensionar ainda mais essa delação. Obrigada, Tiago. Obrigado, uma boa noite. Valeu, Tiago, boa noite.

Muito bem, a gente se despede do Tiago e também do Viva Voz de hoje. Amanhã tem mais, né, Vera? Amanhã tem mais, a gente faz aquele resumo, eu que mais aparecer. Uma semaninha aí bem agitada essa, com trabalhos presenciais nos três poderes em Brasília. E toda essa movimentação que a gente tem trazido aí pra vocês. Até amanhã, meninas. Beijo, Vera. Até amanhã. Beijo, Vera.

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