Episódios de Política

‘A tendência é que o Supremo tente encontrar uma saída para não deixar o RJ num limbo político’, afirma Thiago Bronzatto

07 de abril de 20269min
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Em meio a instabilidade no Governo do Estado do Rio de Janeiro, Bronzatto analisa as expectativas para a decisão do STF que determinará se o Rio de Janeiro realizará eleições diretas ou indiretas para governador. O desfecho da eleição pode impactar a campanha de Flávio Bolsonaro. Ouça.

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Participantes neste episódio2
T

Tiago Bronzato

HostDiretor da sucursal do jornal O Globo em Brasília
V

Vera Magalhães

HostJornalista
Assuntos1
  • Eleições Rio de JaneiroDecisão do STF · Renúncia de Cláudio Castro · Eleições diretas ou indiretas · Procuradoria Geral da República · Campanha de Flávio Bolsonaro
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Já está conosco na linha o Tiago Bronsato, diretor da sucursal do Globo em Brasília. Boa noite, Tiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Débora. Boa noite, Carol. E boa noite aos ouvintes. Oi, Bronsato. Tudo bem? Bronsato, antes da gente falar de assuntos menos importantes, teve arco-íris aí em Brasília hoje ou não?

Olha, o céu aqui ultimamente só anda meio fechado, nuvem para tudo quanto é lado, tempestade, muita confusão, viu? Sem arco-íris por aí. Não tem muito arco-íris por aqui. Ah tá, porque hoje São Paulo foi um show de arco-íris para tudo quanto é lado, pelo menos quebrou um pouquinho a tensão com a guerra lá no Irã e com outros assuntos.

Ah, manda um pouco para cá. A Brasília está precisando um pouco dessas cores. Vamos fazer uma remessa de arco-íris de energia, como diria a Xuxa. E de preferência ali no Supremo, né? Precisando um pouquinho mais. Falando de temas menos coloridos e mais terrenos, a gente tem amanhã o julgamento do Supremo sobre as eleições do Rio. Ele foi avocado para o plenário físico.

depois de começar no plenário virtual, e os votos que já foram dados não são garantidos, não se sabe se vão ser mantidos. Qual deve ser o futuro da eleição do Rio para esse mandato tampão nesse julgamento de amanhã?

É isso mesmo, Vera. A tendência é que o Supremo tente encontrar uma saída para não deixar o Rio de Janeiro num limbo político que pode gravar ainda mais o cenário de insegurança vivida pelo Estado. Há 15 dias o Rio está sendo governado de forma interina pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, que assumiu o Estado após a renúncia de Cláudio Castro, que abriu mão do cargo para evitar a cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral.

O natural seria o vice de Castro, Thiago Pompulha, assumir o governo, mas ele deixou o cargo para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado. E aí começa a confusão, porque o próximo, na linha sucessória, seria o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, o ex-deputado Rodrigo Bacelar. Mas Bacelar, que é investigado por suspeita de vazar uma operação policial contra o Comando Vermelho,

Foi cassado. E aí a Assembleia Legislativa do Rio elegeu o deputado Douglas Ruas, aliado de Castro e Bacelar, para a presidência da casa. Só que o Tribunal de Justiça chamou o VAR e anulou essa votação. E aí o Estado ficou sob a gestão de desembargador.

Parece uma novela toda racombolesca, né? E é essa novela que o STF vai ter que desenrolar amanhã e decidir o futuro do estado do Rio de Janeiro, né? Porque o Supremo vai colocar em votação amanhã se o Rio precisa promover eleições diretas, ou seja, com os eleitores indo às urnas para escolher o seu candidato, ou se está valendo a eleição indireta e que integrantes da Assembleia Legislativa escolhe quem deve assumir o governo do Rio.

Hoje, há uma ala de ministros do Supremo que tenta costurar um acordo a favor da eleição direta. E esse grupo é composto principalmente pelos ministros Alexandre de Moraes, Dilma Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, que é o relator do processo no Supremo. O Zanin tem dado sinais de que ele deve defender um voto que, se organizar direitinho, dá para realizar eleição direta no Rio até julho desse ano.

E depois ocorrem normalmente as eleições gerais em outubro. Mas essa visão divide um pouco ali opiniões do Supremo. E alguns ministros, como a própria presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carmen Lúcia,

acho que não daria tempo de realizar uma eleição em julho. E que, além de tudo, seria muito custoso para a Justiça Eleitoral realizar duas eleições seguidas no Rio de Janeiro. Então, para buscar um consenso, o Zanin deve deixar uma porta aberta em seu voto para compor uma saída em que todos concordam em realizar uma única eleição direta em outubro deste ano.

preservando o calendário eleitoral. O próprio presidente do Supremo, vale lembrar Edson Fachin, já sinalizou publicamente também que deve buscar um consenso.

durante o julgamento de amanhã. Afinal, o Supremo sabe que o que está em jogo é a segurança jurídica e a estabilidade do Estado. Não é pouca coisa, né? Agora vamos combinar, né, Bronzato, que organização não é o forte das instituições no Rio de Janeiro. O PGR se manifestou hoje a favor da eleição direta. Por quê?

Olha, porque a Procuradoria Geral da República, ela não quis transformar a renúncia do ex-governador do Rio, Cláudio Castro, num case de sucesso para políticos enrolados. Pensa só, um político prestes a ser banido das urnas, faz uma manobra para se levar da punição e ainda emplaca o seu sucessor para comandar o caixa do Estado.

Então a PGR olhou para essa pirueta política e disse que não iria colar. E aí ela decidiu se manifestar contra essa posição e defender a eleição direta para o governo do Rio. O parecer da PGR acaba de alguma forma também fortalecendo essa ala do Supremo.

que vem olhando com desconfiança para esse roteiro político que tem sido montado no Rio e também acaba dando mais força para o Cristiano Zanin amanhã ao defender a eleição direta no julgamento que deve ocorrer nessa quarta-feira.

E a Procuradoria também sabe que, no fundo, não está só se discutindo o modelo da eleição no Rio, está se discutindo também que tipo de recado a Justiça quer mandar sobre renúncias estratégicas e como pode evitar também que, no futuro, algumas espertezas políticas virem jurisprudência. O Bronzato, e como é que o desfecho dessa eleição aqui no Rio pode afetar a campanha do Flávio?

Carol, pode afetar muito, porque quem senta na cadeira de governador num ano eleitoral, ele não é só o cargo, é de uma vitrine política, nomeação, obra e a possibilidade de transformar a máquina pública num poderoso cargo eleitoral. E de olho nisso, o grupo do Cláudio Castro, com o apoio do Flávio Bolsonaro,

tenta a todo custo emplacar Douglas Rua no comando do Estado. Douglas Rua, vale lembrar, é um deputado estadual de primeiro mandato e foi servidor concursado da Polícia Civil do Rio. Em fevereiro, ele já até havia sido anunciado como pré-candidato ao governo do Estado pelo PL para enfrentar o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, cujo grupo político tem tentado barrar a eleição de ruas ali por meio de uma ação no STF.

E o grupo do Castro e do Flávio...

tem tentado então de alguma forma se apropriar do governo, porque sabe que se tiver o Estado nas mãos, já entra com uma vantagem na campanha eleitoral, porque uma coisa é você pedir voto com santinho e discurso, a outra bem diferente é pedir voto com orçamento, obra, agenda oficial e colocando a máquina para trabalhar a seu favor. Então não é só palanque, o Flávio, o Cláudio Castro e também o Douglas Rua sabem que ter o controle do Estado e o Flávio Castro.

é muito estratégico para essa campanha política. Do outro lado, porém, você tem o grupo do prefeito do Rio, o Eduardo Paes, que quer evitar esse movimento. E o Paes já anunciou que vai disputar o governo do Estado e o seu campo político tem trabalhado fortemente nos bastidores para evitar que esse grupo bolsonarista transforme toda essa confusão sucessória no Rio em um bônus de campanha. Por isso que o julgamento no STF é tão decisivo.

Então amanhã estaremos de olho no STF, na quinta-feira, a depender do resultado, talvez a gente volte a falar disso com o Tiago Brunzato, diretor da sucursal do Globo em Brasília. Obrigada por hoje, Tiago. Obrigado, uma boa noite. Valeu, Tiago, boa noite. Boa noite.

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