Episódios de Política

'Problema no caso Vorcaro é a falta de limites nas relações'

04 de abril de 202624min
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Bruno Silva, comentarista de política da CBN, fala das últimas informações do caso Daniel Vorcaro. Ele destaca que as relações de proximidade não são um problema, porém é preciso entender que existem limites nas relações, especialmente nos papéis que cada um exercem.

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Participantes neste episódio2
B

Bruno Silva

HostCientista político
P

Pétria

Host
Assuntos3
  • Limitações de acordos e políticasRelações de amizade entre políticos · Daniel Vorcaro · Ministros do STF · Cássio Nunes Marques · Banco Master
  • EleiçõesMovimentação de partidos · Fundo Especial de Financiamento de Campanha · Desincompatibilização de ministros
  • Financiamento de CampanhasFundo partidário · Distribuição de recursos
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Revista CBN. Brasil.

Brasil, aqui no Revista CBN, Política na Análise de Bruno Silva, analista político. Ele que é comentarista da CBN. E quando ele não aparece aqui no Revista, os ouvintes vão lá nas redes sociais dele cobrar. Onde você estava esta semana? Queria ouvir a sua análise sobre o Banco Master? E é assim, Bruno, ouvinte do Revista CBN.

Não perdoa, sente falta e vem. A gente não pode nem ir viajar, não pode. Boa tarde, Bruno. Muito boa tarde, Petra. Muito boa tarde a todos os queridos ouvintes. Você sabe que é muito bom poder ter ouvintes assim, né? Carinhosamente aqui aproveitar para deixar um abraço grande. O Flávio me escreveu também. E meus alunos, viu, Petra? Meus alunos de Jaú, de Araraquara. Eu chego para dar aula para eles e eles falam...

eu tava lá te esperando, professor, cadê você? Então tem, lógico, e tantos outros ouvintes queridos aí das rádios, Campinas e Ribeirão, que diariamente eu converso aí com todo o público, então vou deixar um beijo grande aí a todos os queridos ouvintes e desse Brasil inteiro aqui na audiência, no seu programa que é maravilhoso. Todos os dias você tá na CBN Campinas e Ribeirão Preto.

Todos os dias, diariamente, viu, Petra? CBN Campinas, Ribeirão Preto. Campinas sempre participando do CBN Campinas. Ribeirão Preto participando tanto do Manhã CBN, quanto do Estúdio CBN nas tardes também, trazendo análise da política local e regional no estado de São Paulo. E aqui, com o tipo, comenta nacional.

Em Ribeirão, geralmente de manhã, por volta ali das 10h15, mais ou menos, a gente já entra. Em Campinas, por volta ali das 15h para as 11h, mais ou menos. E depois, à tarde, em Ribeirão, novamente, às 2h30, Petra. Às 14h30. Se eu soubesse que você também faz o Estúdio CBN à tarde, ontem eu teria te chamado para fazer o Estúdio CBN comigo. Ai, que tal hora não... Mas aí é conflitar.

É, é verdade, ontem sexta-feira, né? É que, na verdade, o que acontece, Pedro? Contar um segredo aqui para os seus ouvintes. Eu estou aqui também no litoral, hoje, dando uma descansadinha. Hoje eu estou em Ubatuba, especificamente, aproveitando um pouquinho o feriado, mas eu ainda falei para você, falei, mas não deixo de participar aqui e conversar com os queridos ouvintes do Revista.

Ele me falou mesmo, tá certíssimo, querido. Olha só, a gente abriu aqui hoje o Revista CBN, as nossas repórteres em Brasília, em Belo Horizonte, trouxeram para a gente os destaques. E eu quero abrir aqui com o que trouxe para mim a repórter Mariana Machado.

a respeito do ministro Cássio Nunes Marques, ministro do STF, que viajou de Brasília para Maceió, acompanhado da esposa, em novembro do ano passado, num avião particular.

um avião que foi custeado pela advogada Camila Everton Ramos, e essa advogada atua judicialmente para o Banco Master. A Mariana trouxe a informação para a gente, essa aeronave é ligada à empresa Prime U, que teve em seu quadro de sócios o Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele foi sócio até setembro de 25, mas a empresa ainda administra os bens de Vorcaro.

E a advogada que fez o convite custeou o avião, que é a advogada Camila Everton Ramos, ela é esposa do desembargador Newton Ramos.

do TRF1, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região. Ela, inclusive, defende o Banco Master em três processos judiciais que tramitam no STJ, o Superior Tribunal de Justiça, e confirmou ter arcado com os custos da viagem de Nunes Marques e da esposa para a festa de aniversário dela.

A informação que foi primeiramente publicada pelo Estadão e também confirmada pela TV Globo. Vamos para a análise, meu amigo? O que a gente pode dizer a respeito de todas essas relações aí intrincadas? É o poder que o tempo inteiro está esbarrando e Daniel Vorcaro ali amarrando? E é um dinheiro que está o tempo inteiro envolvido, uma coisa ou outra? Me explica melhor, me ajuda a entender melhor essa história.

Vamos lá, Petra. Eu acho que o primeiro ponto é assim, não tem nada de errado nas pessoas terem as suas relações de amizade e proximidade. Imagine, inclusive, que figuras como ministros, aqueles que são desembargadores, enfim, juízes, nos tribunais, sejam tribunais regionais, sejam os tribunais de Estado, outros tribunais superiores, né, a Superior Tribunal de Justiça, outros membros do Tribunal Superior Eleitoral, seja uma relação até que natural, você ter relacionamentos e até mesmo relações de amizade.

Com essas pessoas, entendo que é relativamente normal. Onde está o problema, na minha visão, Petra? Você, na condição de um ministro do Supremo Tribunal Federal, tem que ter, no mínimo...

No mínimo, um pouco de princípio republicano para poder entender, mesmo em um momento em que ninguém esteja no olho do furacão, vamos dizer assim, que certas relações de amizade precisam ter limites. Inclusive limites do ponto de vista, não pensando você como pessoa física comum, cidadão comum, porque isso você tem o seu direito, livre direito, é seu.

mas pensando no seu papel institucional. Ou seja, um personagem que pega carona, que vai de avião, como foi o caso do Toffoli e agora o caso do Nunes Marques, com banqueiros, com personagens como esse, tem que entender em algum momento, tem que ter clareza do seguinte, a depender do que acontecer no futuro, eu também estarei no olho do furacão. Porque nós não estamos falando de atores de personagens, que são personagens desimportantes, né, Petra?

Nós estamos falando de atores que são atores centrais, inclusive centrais para o próprio jogo da política como um todo. Porque agora o que a gente está vendo cada vez de modo mais explícito a cada novo episódio, vamos dizer assim, desse dramalhão todo, que parece dramalhão mexicano já chamado Master, é que a gente tem o dinheiro atraindo muitos dos personagens políticos de alguma forma.

Em troca do quê? Em troca de benefícios pessoais, em troca de pequenos gestos, que, veja, muitas das vezes nem deram a ilicitude. Mas o problema todo está na qualidade dessa relação que você nutre com esses personagens, na proximidade. E aí, depois, separar o joio do trigo pode ser muito complicado, pode ser muito complexo. Então, em um mundo ideal, vamos dizer assim, Petra, queridos ouvintes...

Em um mundo ideal, você mantém uma relativa equidistância de certos atores, pensando inclusive na sua posição institucional. Porque é que nem aquela história, uma coisa é o presidente, suponhamos que fosse o presidente da república, uma coisa é o presidente da república receber as pessoas, conversar, dialogar com os atores, estar na agenda, faz parte do jogo. Outra coisa é fazer churrasquinho no final de semana com aquele que pode ser um potencial corruptor.

com aquele que pode ser um potencial criminoso, algo nesse sentido. E cá entre nós, no caso de Daniel Vocalo, agora que a gente já tem o caso um pouco mais organizado às devidas peças desse grande quebra-cabeça, não é de hoje, né, Petra? Não é de hoje que essa história caminha, né? Vocalo já tem um histórico bem delicado, a questão envolvendo a própria autorização do Master no Banco Central é algo extremamente problemático. Coloque, inclusive, Campos Neto, que foi quem assinou isso tudo lá atrás, a possibilidade do...

o banco poder operar, ainda sob análise, ainda sob lupa. Então tem muitas histórias e muitos personagens que é aquela história.

Antes de surgir o problema, o ideal é que os atores mantenham uma relativa distância. Mas, no Brasil, parece que tem alguns que não se seguram sob hipótese alguma. Agora vai ter que aguentar, porque estará no olho do furacão. Muito embora, vou fazer um adendo aqui. Nessa última semana, nessas últimas duas semanas, que parece que a campanha eleitoral está mais na rua, parece que os atores agora começaram a definir de fato quem vão ser os jogadores, parece que a classe política está meio quietinha, viu, Petra, em relação a essa questão do Master.

Ninguém falando muita coisa. O Supremo Tribunal Federal já tinha cantado a bola em uma das últimas participações. Na última semana a gente não esteve aqui, né? Mas na semana anterior, há 15 dias atrás, eu já tinha cantado a bola de que entendia que o Alexandre de Moraes concederia a prisão domiciliar.

a Bolsonaro, como o fez na tentativa, inclusive, de arrefecer um pouco as críticas em relação aos membros do Supremo, que por parte daqueles mais apoiadores de Bolsonaro, do seu entorno, é muito intensa. Então, assim, parece que está todo mundo tentando colocar um relativo pano quente nessa história toda, viu, Petra? Perfeito. Você quer fazer mais alguma consideração a respeito do Banco Master e Vorkar ou a gente pode já falar sobre eleições 2026?

Quero só fazer uma última observação, e aí a gente vai para falar das eleições. Ô, Petri, eu penso o seguinte, essa história ainda vai dar muito o que falar, só que me parece que o ritmo e o desejo de que ela seja narrada, seja contada, a passos de formiga e sem vontade, como diria o grande Lula Santos...

é cada vez maior a essa altura do campeonato. Mas que tem ligações complexas, tem. Tem um fator que me deixa muito preocupado, que é a ligação principalmente do Zé, que é o cunhado lá do Vorcaro, porque tem ramificações, inclusive, com as questões de igrejas, que também é outro tema delicadíssimo no Brasil e que ninguém está colocando o dedo na ferida. E os atores envolvidos nisso tudo que passam.

não só pelo judiciário, só passam pelos três poderes, mas que até agora está com foco um pouco maior no judiciário, mas que tem ramificações. Então, a minha preocupação é só o seguinte, que isso fique para muito depois e que depois das eleições isso possa ser ainda mais dramático. Perfeito. E a gente vai acompanhar que ano?

Que ano, meus amigos, minhas amigas. Vamos lá. Bruno, o prazo para... É esse sábado o prazo, termina nesse sábado o prazo, para que partidos e federações partidárias que vão lançar candidatos em outubro tenham registro de seus estatutos no TSE, no Tribunal Superior Eleitoral.

E a movimentação também de partidos. A gente sabe que ao menos 17 ministros já deixaram cargo para concorrer às eleições. 18 ministérios tiveram troca de titular e 16 já estão sob novo comando. O que a gente pode falar sobre essa largada? É dada a largada, né, Bruno?

Agora oficialmente, porque na verdade foram vários prazos, viu, Petra? A gente teve o prazo da desincompatibilização, que é um pouco isso que você está falando, dos ministros que saíram, aqueles que estavam à frente de governos estaduais que queriam sair para disputar outro cargo, já tiveram que sair, e outros personagens públicos, então agora é esse prazo da desincompatibilização.

Já foi. Nós tivemos o prazo da janela partidária, que é aquele momento em que os parlamentares podem realizar a migração partidária sem perder os seus respectivos cargos, porque eu gosto sempre de lembrar também aos queridos ouvintes, em eleições proporcionais do sistema proporcional de lista aberta, que é aquele que elege deputados estaduais, federais e vereadores no Brasil, quando chega nesse período do ano, eles podem fazer essa migração sem perder o cargo, porque a interpretação da justiça é que se fizer. Ok.

uma mudança de partido em qualquer outro momento que não tem uma justificativa justa, vamos dizer assim, foi perseguido politicamente dentro do partido, ou foi criada uma nova sigla, algo nesse sentido, não é possível fazer a migração. Então, nós estamos vendo esse prazo encerrando agora. Dos dados que já foram até agora divulgados pela imprensa como um todo, é algo em torno de 37 deputados federais que fizeram essas migrações.

Os partidos mais beneficiados são aqueles que estão na centro-direita e à direita. O PL é um dos mais beneficiados.

Acredito até que por razões relativamente óbvias, é o partido que junto com o PT vai controlar nesse ano nas eleições o maior volume do chamado Fundo Especial de Financiamento de Campanha, além do fundo partidário. Então tem aí um fundo quase bilionário esses partidos, para poder financiar as suas respectivas campanhas e os seus candidatos. Então muitos se sentem atraídos e vêm para dentro do partido fazendo também esse cálculo.

E está encerrando, como você está dizendo, o prazo também para as novas filiações, que é quando os partidos organizam agora, de fato, as suas listas, para depois poderem passar pelo período das convenções, que é o meio do ano, e a campanha em agosto começa com força total. Até agora a gente ainda está dentro daquela lógica da chamada pré-campanha, viu, Petra? Ou seja, ninguém pode pedir voto explicitamente.

Mas a gente já sabe muito bem quem são os atores, quem vai disputar as eleições. Pesquisas de intenção de voto já começam a pulular os quatro cantos. E mais do que isso, eles começam a se movimentar, os atores políticos, para poder apresentar os seus respectivos nomes, os seus respectivos currículos e suas, vamos chamar assim, cartas de intenção. Então, acho que até aqui, nada muito diferente do que a gente já esperava, viu, Petra? Os partidos mais de centro...

e de direita fortalecidos nessa disputa, porque hoje são aqueles que são maioria no Congresso Nacional, são aqueles que controlam a maior parte das prefeituras também, esparramadas aí Brasil afora, Câmara de Vereadores, deputados estaduais. Então, há um sistema partidário, vamos dizer assim, dentro do Brasil, ou seja, a lógica da competição entre os partidos, que ela é relativamente organizada.

Ela não é o sambadoio, ela é organizada, a gente vê essas lideranças se movimentando e tentando fortalecer, obviamente, os seus quadros, pensando agora na disputa das eleições 2026. Então, acho que está fechando esses prazos, é interessante para a gente poder observar. E tem um outro prazo também, que eu gosto de chamar sempre a atenção, que vence agora 6 de maio, viu, Petri? Que é a regularização do título de eleitor. Então, atenção aos queridos ouvintes, né?

Quem não fez a regularização, fazer essa regularização do título de eleitor para poder votar legal nas eleições desse ano, poder estar com o título devidamente transferido, se for o caso de mudança de domicílio eleitoral, porque é só a nossa participação dentro da democracia que vai fazer a diferença. Eu costumo sempre dizer assim, democracia não se resume à participação eleitoral, obviamente que não, mas a participação eleitoral é um dos momentos mais mágicos, se não o mais importante em termos participativos.

Porque é quando a gente tem aquela máxima de cada cidadão um voto, né Petra? Muito importante. Bruno, você falou do fundo partidário, né? Eu queria te fazer uma pergunta ampla nesse sentido, uma pergunta didática, né? Por que alguns partidos recebem mais dinheiro do que outros? Como é que a justiça consegue aferir, medir e como é que esse dinheiro é repartido?

Legal, vamos lá. Primeiro, são duas modalidades de financiamento diferentes, viu, Petri? Até é muito interessante essa pergunta. A primeira é o fundo partidário. O fundo partidário é aquele recurso anual, distribuído em 12 parcelas. Então, pensa assim, a justiça olha lá, vê o recurso, 12 parcelas, divide essas 12 e vai pagando mês a mês para os partidos.

ela é distribuída da seguinte forma. O fundo hoje está mais ou menos na casa de um bilhão. Eu não vou saber precisar o valor exato, mas até tem uma curiosidade, viu, Petra? Sabe as pessoas que não vão votar nas eleições e depois pagam aquela multinha, acho que é 3,51, se não me falha a memória, hoje por turno? Aquele dinheiro das multinhas de quem não participou vai para o fundo, ou seja, vai para os partidos financeiros.

financiarem campanha e financiarem eleições. Então, mesmo aqueles que, ah, eu não vou participar, meu voto não faz diferença, eu não influencio nesse tudo, saiba você que é o seu dinheiro da multa, que também está financiando os candidatos, muitos deles que você não vai prestar atenção, vão vencer eleições e vai influenciar no dia a dia e na tua vida.

que vai aprovar as legislações que vão impactar sobre imposto, saúde, segurança, cultura e assim por diante. Então é importante a gente ter clareza. Esse fundo partidário, ele funciona assim, 95% dele é distribuído entre os partidos políticos de forma desigual, porque o critério é representação na Câmara dos Deputados. Representação na Câmara dos Deputados Federais. Então, se você é um partido que tem mais deputados federais, você tem uma fatia proporcionalmente maior de acesso a esse fundo partidário.

Se você tem menos deputados, você tem uma fatia menor. E 5% é distribuído de forma igualitária, Petra, mesmo para partidos que não têm representação alguma. Essa é uma questão do Brasil também que leva muito a debates. Ou seja, mesmo que um partido não lance candidatos, não tenha nada, seja um partido panfletário, vamos dizer assim, ou mais ideológico apenas, ele tem recurso desse fundo.

Fora o fundo, em anos eleitorais, aí nós temos o chamado Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que é o, pelo dado de FEFC, né? Esse fundo, ele está na casa dos 5 bilhões de reais, ele é pago em ano eleitoral, e aí os critérios de distribuição são um pouco mais complexos.

O principal é representação na Câmara dos Deputados Federal também, mas ele também envolve representação no Senado, ele também envolve desempenho do partido como um todo. Então, aí ele é distribuído de outra forma, mas via de regra, Petra, aqueles que têm maior quantidade de deputados federais são os que acabam tendo o maior volume desse fundo. Ou seja, e aí exatamente a resposta que eu precisava...

Pra trazer, pra amarrar essa análise de hoje, que eu queria deixar levantar a bola pra você, que é algo que você falou pra mim no começo do ano, né? Quando a gente falava de eleições e você falava, vamos olhar pra eleição da Câmara. Importantíssima. E a gente precisa cada vez mais olhar pra isso.

E a cultura política, não sei, brasileira principalmente, a gente vê líderes mundiais, mas vamos focar aqui no Brasil, muito focado na eleição para o executivo, dessas figuras que amalgamam poder. Mas ali na Câmara, essa votação é muito importante. Qual é a pensata que a gente traz para hoje a respeito disso e do cenário brasileiro hoje, Bruno?

Perfeito, Petra. Acho que é assim, você tem total razão. Olhar para o poder legislativo é cada vez mais importante. Eu sempre digo, o poder legislativo é o coração pulsante da democracia e especificamente a Câmara dos Deputados nos últimos anos, ela...

Se ela não aumentou, ela expandiu mais ainda sua capacidade de atuação política, sua capacidade de interferir diretamente em aspectos vitais do funcionamento do sistema político brasileiro, como, por exemplo, a alocação de recursos na forma das fatídicas emendas parlamentares, que nós estamos falando aqui dia sim dia também. Inclusive, o governo federal está enfrentando um desafio grande sobre isso, viu, Petra? Porque não chegou a executar nem 10% daquilo que está previsto em termos de emendas ainda.

para esse ano, executou muito pouco ainda e tem uma pressão muito grande dos parlamentares, porque como é ano eleitoral, todo mundo quer ver o dinheiro chegando nos seus respectivos distritos, estados, para poder depois, de alguma forma, tentar chamar atenção, clamar o crédito para essas obras, financiamentos públicos que chegam como essas emendas.

Além disso, o poder legislativo tem uma capacidade muito importante de decidir a respeito de políticas públicas centrais, quando vota, discute, debate, está presente em vários momentos importantes da vida política nacional, seja em votações expressivas, como a gente teve nos últimos anos, envolvendo, por exemplo, a reforma tributária, que a gente ainda está começando a sentir os efeitos dela e vai dar muito pano para manga ainda daqui para frente.

Seja em momentos que são momentos de dramas nacional, como a questão da corrupção e que afetou boa parte do parlamento, do Congresso como um todo. Então, acho que olhar para o poder legislativo é de extrema importância. Criar uma memória em relação ao voto é mais do que necessário, porque pouco tempo depois das eleições, a maior parte dos eleitores não faz a menor ideia de quem eles escolheram para deputados federais, deputados estaduais.

E ter clareza de que não é apenas o candidato. O nosso sistema gera um estímulo para que a gente vote em candidatos. Mas todo o desenho do sistema político, Petra, o desenho do parlamento, o desenho das eleições proporcionais, ele é centrado nos partidos. Então, mesmo que às vezes o seu candidato que você escolheu não venceu, olha para esse partido político, olha para os demais candidatos, olha para essas lideranças.

cobra essas lideranças, cria uma cultura de mandar mensagem mesmo, cobrar daquilo que você entende que é razoável para a sua região, para a sua cidade. Então, acho que fazer a democracia funcionar passa por esse nível de engajamento nosso. E por isso que é tão relevante e tão importante a eleição da Câmara.

Embora esse ano, viu, Petri, aí eu encerro o comentário, as eleições para o Senado, a gente tem que prestar muita atenção, que é um cargo que passa em segundo plano, mas as eleições para o Senado, elas têm despertado aí muitíssima atenção, principalmente da oposição em relação ao atual governo federal, porque eles entendem que ter maioria no Senado é meio caminho para impor dificuldades futuras em processos como nomeação de ministros do Supremo Tribunal Federal, análise de processos de impeachment.

votação de medidas que exigem uma maioria de forma mais tranquila e mais simples do que na Câmara dos Deputados. Então, acho que olhar para essas eleições legislativas nunca foi tão importante quanto nesse ano. Porque, no final das contas, a despeito de quem venha a vencer as eleições, é preciso formar maioria nesse Congresso para poder governar posteriormente. E esse processo de formação das maiorias com esse Congresso livre, leve e solto como ele está, é cada vez mais complicado, viu, Petri?

Bruno Silva, com a gente aqui no Revista CBN. Não largamos de Bruno nem quando ele vai viajar, vai descansar na Páscoa. Bruno, Brasil... Descansa na Páscoa. Ainda bem que não tá... Ainda bem que a gente tá só analisando, mas daqui a pouco volta a pegar fogo de novo. E, Bruno, bom, quero te desejar uma ótima Páscoa, né? Eu, inclusive, contei aqui pros ouvintes amanhã, a gente vai ter uma pensada super...

Interessante aqui, falando do significado, o simbólico dessa reunião que é cristã, mas acho que o simbolismo dela é muito transborda e fala muito do humano, que vocês tenham aí um momento de pausa, de silêncio, de reflexão, para a gente poder analisar com cada vez mais clareza esse Brasil que nos pede isso, né, Bruno? Com certeza.

E nos desafio o tempo todo, você tem a razão, viu, Petra? Obrigado, e é sempre uma satisfação conversar contigo, com os ouvintes, faço sempre questão aqui. Deixar um abraço grande para você, um beijo no coração de todos aí. Que seja um momento também, não só de nos amarmos mais, enfim, confraternizarmos mais, mas que seja um momento também que a gente pare para refletir sobre o quanto é importante a gente dar uma...

tranquilizada na vida, né, Petra? Estar mais próximo das pessoas que a gente gosta, tratar bem a todos. Acho que é um momento acima de tudo de comunhão e de reflexão profunda sobre as nossas atitudes também. E pra quem gosta do Bruno, portanto, ele tá todas as manhãs, interior de São Paulo, Ribeirão Preto e Campinas com análise política e também no estúdio CBN no interior de São Paulo também, ali por volta de 2h30, pra quem gosta, pra quem já...

Família do Revista CBN que segue os nossos colunistas aí Brasil afora. Bruno também está esbanjando inteligência para você falando de política em São Paulo. Quer proteger a experiência do seu adolescente online? No TikTok a segurança vem desde o início.

As contas de adolescentes já vêm com mais de 50 ferramentas de privacidade e proteção ativadas automaticamente. E com a sincronização familiar, os pais podem ajustar configurações de conteúdo e bem-estar digital com poucos cliques. Ambiente protegido para eles, mais tranquilidade para você. Saiba mais em segurança-tiktok.com.br

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