‘Inversão de valores’ reina no STF e mantém Fachin isolado
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- Atuação de Lucia na políticaPré-candidatura de Ronaldo Caiado · Geraldo Alckmin · Polarização política · Alianças eleitorais
- Clima interno no STFMinistros Alexandre de Moraes e Astófoli · Ministro Edson Fachin · Daniel Vorcaro · Código de conduta
- BolsonaroPrisão domiciliar · Condições de saúde de Bolsonaro · Eduardo Bolsonaro
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Viva a voz, com Vera Magalhães. Oi, Vera, boa noite, tudo bem?
Oi, Carol, boa noite para você, boa noite para os nossos ouvintes também, para quem nos assiste com imagens. Vera, começar falando sobre o clima no Supremo Tribunal Federal, porque nessa semana vieram à tona novas informações sobre voos dos ministros Alexandre de Moraes e de Astófoli em aeronaves de empresas ligadas ao Daniel Vorcário, ao Banco Master, um novo constrangimento que foi seguido de uma nova onda de pressão sobre o presidente da corte, o ministro Edson Fachin.
Exato, Carol. Em vez de se criar dentro do Supremo um ambiente para que os ministros saíssem de um certo silêncio que eles vêm mantendo e colocassem às claras todas as relações com o Daniel Vorcaro, com o Master, com os sócios do Vorcaro, como Fabiano Zettel e outras empresas do grupo, o que se viu foi uma reação contra...
presidente da corte, ministro Edson Fachin, que vem tentando implementar uma agenda moralizadora na qual está incluído o tal código de conduta, que até aqui não saiu do papel. Então, o que se viu foi uma nova onda de reclamações contra ele.
alegações de que ele expõe os ministros e os constrange em vez de blindá-los, como se fosse o papel do presidente do Supremo blindar os colegas e impedir que eles prestassem contas das suas condutas, enfim. Uma certa inversão de valores que está reinando no Supremo hoje e mantendo o presidente Luiz Edson Fachin.
numa espécie de cercadinho, numa espécie de cantinho ali, sendo que deviam ser outros que estivessem enquadrados e não ele. Então, eu até chamei isso na minha coluna do Globo de hoje de uma inversão de valores. Mas é o que a gente está assistindo, pelo fato de que os dois ministros mais implicados nessa história, que são o ministro Dias Toffoli e o Alexandre de Moraes,
serem muito bem relacionados, muito bem equistos dentro da corte, integrantes de um grupo que é um grupo majoritário, em termos de influência no Supremo, e isso dita também a sua capacidade de mobilização e de resistência a qualquer pressão para que sejam mais transparentes na sua conduta. Então, o que veio à tona essa semana foi que o ministro Alexandre de Moraes teria voado
cerca de oito vezes em aeronaves de empresas do Daniel Vorcaro. E o ministro de Astolfo, pelo menos uma vez, teria utilizado aeronaves dessas empresas para se deslocar, inclusive, para o resort Tayayá, que é um dos que estão no epicentro desse caso.
Então, os dois, o ministro Alexandre de Moraes soltou uma nota, o escritório da mulher dele, Viviane Barsi de Moraes, soltou outra, todas elas ali num tom de negativa, mas não uma negativa perimptória. E o ministro Dias Toffoli ainda não se manifestou oficialmente, mas o fato é que o clima interno está muito ruim.
E ruim mais para o lado do ministro Edson Fachin do que para o lado dos ministros que deveriam ter alguma explicação a prestar. O Vera, foi a semana também das desincompatibilizações e definições sobre estratégias eleitorais e alianças, começando com o anúncio da pré-candidatura do Ronaldo Caiado pelo PSD. O que muda no cenário?
Muito pouco por enquanto, Carol. Embora exista e a gente perceba que existe um certo clamor por uma alternativa a tal da polarização, quando se apresenta essa alternativa ela não empolga muita gente. Ainda mais no caso do Ronaldo Caiado, que vem a ser um político muito mais de direita do que de centro. Então ele é uma segunda candidatura de direito.
e não exatamente uma candidatura de terceira via, ou seja, uma candidatura de centro capaz de ser uma alternativa equidistante ao lulismo e ao bolsonarismo. Não é disso que se trata, ele é muito mais próximo do bolsonarismo que do lulismo, tanto é que ele apresenta como a sua principal proposta, a sua principal plataforma.
a anistia ao Jair Bolsonaro, aos demais condenados da trama golpista e do 8 de janeiro, caso seja eleito. Então ele é uma espécie de segunda via à candidatura do Flávio Bolsonaro e não uma terceira via geral.
Isso dificulta que haja realmente uma discussão de superação dessa polarização. E muita gente olha para ele como o candidato de direita que tem menos chances de vencer o Lula.
Isso favorece que as pessoas façam aquele voto de antecipação do segundo turno para o primeiro, já escolhendo Flávio Bolsonaro. Então, por enquanto, mudou muito pouco.
nas chances de cada um dos favoritos de chegar a um segundo turno. Vamos ver se com o andar da campanha ele consegue se mostrar ideologicamente mais consistente, mostrar que tem propostas mais coesas, alguma coisa em relação ao Flávio Bolsonaro. Mas para isso ele vai ter de fazer uma candidatura muito mais de ataque ao Flávio do que ao Lula, que não é...
o DNA do Ronaldo Caiado. O Ronaldo Caiado é um antilulista desde 89, quando os dois já disputaram a eleição. Então, é uma candidatura meio deslocada, que eu acho que tem pouca chance de mexer numa polarização que está bastante consolidada, como essa de Lula versus Bolsonaro, ou o clã Bolsonaro, nesse caso.
O presidente Lula também confirmou o Geraldo Alckmin como seu vice, acabou com aqueles rumores de que um outro partido podia ocupar essa posição. Foi uma escolha ou falta de outra opção? E o que isso dita em termos de alianças?
É, eu acho que é uma escolha do ponto de vista do coração. Eles realmente se dão bem, realmente traçaram uma parceria ali para eles, mas não deixa de ser uma falta de opção, Carol. Apesar do Geraldo Alckmin ter se mostrado um vice muito leal e ter constituído com o Lula uma parceria...
Nesses termos de lealdade, quando muita gente duvidava que isso fosse possível, pelo histórico de antagonismo dos dois, ainda assim prevalecia no entorno do presidente e no próprio PT uma ideia de que era melhor e de que era possível buscar um partido mais robusto, mais parrudo.
que o PSB, para ocupar essa vaga de vice. Então eles ameaçavam deixar uma aliança que foi bem sucedida, apesar de todas as probabilidades em contrário, para buscar uma outra, até mesmo mais arriscada, mas em nome de trazer um partido maior para a aliança. Isso não prosperou. Não prosperou porque o MDB, que era a escolha mais óbvia.
não está unido em torno da ideia de estar com o Lula em 2026, e também tem o ranço ali das candidaturas da Dilma em 10 e 14, e principalmente do impeachment em 2016. Aquela ideia de que o MDB se mostrou um parceiro não confiável ainda é muito prevalecente no PT.
Então a coisa não andou, com o PSD, que era uma outra possibilidade também, muito menos, e aí o que se olhou é que a aliança possível era com o PSB mesmo, e portanto não fazia muito sentido desalojar o Geraldo Alckmin dessa posição, sendo que deu certo. E aí o Lula usou a reunião ministerial para confirmar a aliança com o Alckmin, a dobradinha com ele.
e a presença dele na chapa, o que abriu uma vaga para o Senado em São Paulo, que está sendo discutida e poderá ser ocupada por um dos dois ministros do Lula que se desincompatibilizaram nessa semana, Marina Silva, que a gente até entrevistou aqui no Viva Voz ontem, e o Márcio França, que foi vice do Alckmin no governo.
e que é do mesmo partido que ele e que está se colocando aí como opção para essa chapa majoritária da aliança em São Paulo. O presidente fez uma reunião, né, para se despedir dos ministros que estavam saindo, tentar colocar um gás aí em quem está chegando. Tem tempo para fazer muita coisa até a eleição?
Ele parece mais confiante de que tem do que a gente olha e, de fato, avalia que haja tempo para isso. Carol, quando você olha para pesquisas que mostram uma má vontade bem grande e bem cristalizada do eleitor para com o governo, principalmente em relação à economia,
A gente vê que as medidas que estão ali em estudo e que estão sendo gestadas para esse período que vai daqui até o lançamento oficial das candidaturas, são medidas meio artificiais, meio pontuais e eu acho que insuficientes para mudar esse mau humor.
Essa ideia, vamos rever a taxa das blusinhas. Vai bastar lembrar que isso foi feito lá atrás, que foi bem discutido e que acabou o governo apoiando a ideia para ficar evidente que retirar isso agora, nessa altura do campeonato, é meramente eleitoreiro.
Da mesma maneira, as medidas em relação aos combustíveis, aos derivados de petróleo, como gás de cozinha, parecem desespero de quem está olhando para os números das pesquisas e vendo a desaprovação da população e em busca de qualquer coisa que funcione como um antídoto para isso, como Bolsonaro fez também em 2022.
Então, eu não acho que tenha um grande alcance, que tenha um grande potencial de mudança nessas medidas. Aquelas que eram mais possíveis de causar grandes alterações, que eram medidas estruturantes, de longo prazo, como a ideia da mudança da reforma do IR, o IR da pessoa física e tal.
Essas acabaram tendo um resultado aquém do que se esperava. Então, acho que não vão ser essas com muito menos alcance, muito menos poder de fogo, que vão fazer diferença e com muito menos tempo para serem testadas do que foram essas outras medidas de longo prazo. E no lado da oposição, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi para a prisão domiciliar? Já era de sair de uma prisão domiciliar?
com o tempo de 90 dias vai ser revista e logo começaram os problemas, teve aquela história do vídeo lá do Eduardo Bolsonaro. Será que essa condição de domiciliar está com os dias contados? E parece que ela está bastante ameaçada, Carol, porque Jair Bolsonaro e a família Bolsonaro só sabem viver em ambientes de atrito, só sabem viver em ambientes em que eles estão...
todo o tempo tensionando o chamado sistema. E não é diferente em relação a essa condenação, em relação ao cumprimento dessa pena. O Bolsonaro realmente tem uma condição médica e de saúde bem complexa. Ela se agravou em grande medida nesse período que ele teve na...
na prisão e aí houve uma confluência de fatores, os fatores gastrointestinais que ele já tem e outros de ordem respiratória que foram decorrentes deles.
E isso demorou para ser enfrentado e levou a um agravamento do quadro dele, que forçou praticamente o ministro Alexandre de Moraes a aceitar o pedido de domiciliar, a contragosto. Ele não queria fazer isso, negou várias vezes, mas na última vez que o Bolsonaro foi parar no hospital, não sobrou muita alternativa. E aí ele fez isso mediante uma série...
de condições, condições que já existem para domiciliares e outras adicionais decorrentes do fato de que o Jair Bolsonaro já infringiu várias vezes medidas cautelares que foram ditadas para ele. Então, logo nos primeiros dias que ele estava em casa, primeiro teve uma intercorrência ali de drones.
filmando a casa dele, filmando ele com os cachorros, e isso forçou o ministro a dar uma decisão de que não podia aquilo, de que não podia filmagem por drones, e logo em seguida, um dos seus filhos, o ex-ministro, o deputado Eduardo Bolsonaro.
que está ali nos Estados Unidos, numa situação meio de refugiado e sempre conspirando contra o Brasil, falou num evento da extrema-direita contra, de novo, o Supremo e, de novo, colocando o pai na situação de vítima e dizendo que ele teria acesso àqueles vídeos.
Então, isso também pode ditar uma revisão dessa domiciliar humanitária em caráter provisório. E o ministro Alexandre de Moraes, ao meu ver, só não fez isso essa semana, porque ele foi ali colhido por essa situação em que os voos dele nas aeronaves do Master estão de novo.
sob escrutínio, estão nas lentes da imprensa e da opinião pública. Então, ele está numa circunstância meio delicada do ponto de vista pessoal e não pode agir com a mão pesada que ele agiria em situações normais.
Se ele estivesse em situação normal de temperatura e pressão, acho que ele nem teria dado a domiciliar, mesmo com o agravamento da situação de saúde do Bolsonaro. Segundo, se tivesse dado e diante dessas violações, que são claramente violações, ele já teria revogado. Mas ele também não está na melhor das situações para ele.
para poder agir com a mão pesada que ele agiria normalmente. Então, tem ali meio um equilíbrio de forças ditado por circunstâncias exógenas aos dois casos, digamos assim. Então, a gente tem que esperar as próximas semanas para ver qual vai melhorar e qual vai piorar, para ver como esse balé vai se desenrolar. Vera, obrigada. Boa noite para você. Boa Páscoa. Até segunda.
Para vocês também, uma ótima Páscoa para os nossos ouvintes. Chocolate sem moderação. E até segunda-feira. Tchau, tchau.
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