FLÁVIO BOLSONARO PODE GANHAR DE LULA
Flow News #056
- Emendas Parlamentares e Orçamento SecretoOrçamento secreto · Emendas de relator · Emendas de comissão · Valdemar da Costa Neto · Eduardo Cunha · Flávio Dino · STF
- O Papel do Centrão na Política BrasileiraFalta de transparência · Falta de rastreabilidade · Covardia e conivência · Apatia política
- Críticas BolsonaristasHistórico de escândalos · Blindagem política · Relativização da corrupção · Cláudio Castro
- Sistema Eleitoral BrasileiroPesquisa eleitoral · Lula · Jair Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Romeu Zema
- Lideranca PoliticaCaciques partidários · Poder de indicação de verbas · PL · MDB
- Copa do Mundo e FutebolSemifinal da Copa do Mundo · Seleção Espanhola · Seleção Francesa · Seleção Argentina · Seleção Inglesa · Inteligência tática no futebol
- Segurança pública e uso de celularSegurança em Nova York · Uso de celular em público · Medo de assalto
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Salve, salve, família! Bem-vindos a mais um Flow News. Eu sou Igor e hoje eu tô aqui no estúdio sozinho, mas tem à distância o meu amigo Felipe Moura Brasil. Tudo bom, Felipe? Como é que você tá aí, cara?
Salve, salve, Igor! Audiência qualificada do Flow News, tamo junto! Estou aqui em Manhattan, diretamente de Nova York, nos Estados Unidos. Não vim para assistir aos jogos da Copa do Mundo nos estádios, vim por outras razões, última janela e antes da nossa intensa cobertura eleitoral. Mas é bom estar aqui no centro cultural e financeiro do mundo sabendo tudo que tá acontecendo.
É, e a gente vai falar de dinheiro inclusive mesmo aqui, só que de outras fontes, Felipão. É bom para adicionar aqui na nossa conversa, no nosso papo, a gente tem a deputada Adriana Ventura do Novo. É para falar de roubalheira, né? E tem umas coisas muito interessantes acontecendo nesse momento. Por exemplo, é que o Flávio Dino, que é um ministro do Supremo Tribunal Federal, bloqueou muitos milhões mesmo de reais de dois caras, do Valdemar da Costa Neto e do Eduardo Cunha.
E aí caiu todo mundo. Bom, então calma aí que a gente também caiu. Tamo ao vivo ainda. Voltando aqui, família. Desculpa aí, a gente, sei lá o que aconteceu, deu algum caos na internet aqui, mas agora estamos todos de volta de novo, né? E a gente tava falando de roubalheira no fim das contas, e que a E que a Adriana agora vai chegar aqui para conversar com a gente, adicionar nesse papo. Mas eu acho que cortou antes de eu dar, dizer quem é Adriana.
Adriana é deputada do Novo aqui por São Paulo e ela tá bem por dentro desse caso aí que a gente tá vendo agora, que bom, ele culmina, pelo menos que a gente tem até o momento de fato, é o Dino bloqueando uma grana, muitos milhões, do tanto do Eduardo Cunha quanto do Valdemar da Costa Neto, né? Então ela tava me falando antes aqui que ela gosta desse tipo de assunto, né, Adriana? Boa noite, como é que você tá?
Boa noite, um prazer estar aqui. Salve, salve! Vou imitar vocês dois. Salve, salve! É muito bom tá batendo esse papo aqui sobre esse assunto tão relevante. E assim, eu adoro falar desse assunto, e há anos e anos, desde que eu entrei aqui, eu falo desse assunto, dessa pouca vergonha, dessa roubalheira, falta de transparência.
Mas essa agora, ela é curiosa, inclusive na forma, né? A gente tá falando de pessoas que estão, estariam indicando essas emendas, e elas não deveriam nem tá indicando as emendas. A gente tá nem falando no para onde estão indo. A gente tá falando de um passo anterior, que é quem deveria, quem está indicando, quem está direcionando essa grana, não é? Não é isso que é o que chama mais atenção nesse caso?
É isso. E a grande questão aqui é que sempre o assunto foi quem indica, sempre o assunto foi a origem, desde o começo desse dito esse orçamento secreto que a maioria insiste em dizer que não existe, né? Porque o dinheiro às vezes sempre chega em algum lugar, mas o ponto não é esse. O ponto é a origem, né? Quem indica? Por que foi para tal lugar? E para onde foi? Quem indicou? Essa é uma pergunta que a gente nunca soube responder aqui dentro.
Depois de todo, de todo, foi, tem todo o processo desde 2020 que começou com A dita emenda de relator, depois passou para emenda de comissão, e agora hoje o que a gente tem é um buraco e um ponto de interrogação onde bilhões de reais, bilhões de reais de emendas que são carimbadas pela comissão e por deputados que não sabem o que estão votando. Isto é fato e não é de hoje. E muitas vezes isso também foi cancelado pelo Supremo Tribunal Federal.
Na aprovação da lei complementar, porque a partir do momento que lideranças partidárias sem nome, sem corpo, aparece na aprovação liderança do Progressista, né, 50 milhões, liderança do Avante, X milhões, liderança, tem um monte de liderança. E quando a gente vai ver, tem deputado cassado, como é o caso do deputado Eduardo Cunha, tem Valdemar da Costa Neto, que é dono de partido, E normalizaram tudo isso. Então a gente percebe que nós temos muitos problemas.
E quando a gente vê também a decisão do ministro Flávio Dino, também jogando a bola um pouco para lá, né, ele eu acho que tem que pegar não só esses dois, que no caso não são deputados, um é dono de partido, outro é deputado cassado, mas é muito próximo ao presidente da Câmara, deputado Hugo Motta. A gente percebe que há um viés grave. Primeiro, o que eu questiono é que estão assim colocando, açoitando assessores, né? Todo assessor recebe ordem de alguém.
Eu não tô vendo quem deu a ordem e quem determinou. Então estão crucificando os assessores, que eu acho que eles têm que responder, eles têm muito o que esclarecer, mas tem peixe muito mais graúdo que deu a ordem para eles. E a segunda coisa que eu também questiono é por que que o ministro Flávio Dino Não pega os aliados, né? Porque todos os partidos fazem isso. E assim, modéstia à parte, se eu não me engano, além do Novo, eu imagino que o PSOL também não participe disso.
Agora, todos os outros partidos, gente, me desculpa, então todos participam, querendo ou não, dessa lista e chancelam o que seus líderes fazem. Todas as vezes que é votado na Comissão de Saúde, eu tô numa comissão que tem R$5 bilhões de emenda. Que é indicada dessa forma. Então tem dia que a gente aprova R$500 milhões de indicação, ninguém sabe para onde. Publica uma lista assim, né? No dia anterior é publicada uma lista, ou às vezes no mesmo dia, algumas horas antes, uma tabela enorme, mas você não sabe.
E ali tá o nome de um deputado A, R$10 milhões, você não sabe porque foi para aquela cidade, qual foi o critério, quem definiu. Então a gente percebe que o problema é o sistema. A gente tá falando de um sistema que, na minha visão, ou é covarde, ou é conivente, ou é corrupto.
Bom, e aí a gente tá falando isso, é, se bobear, né, tudo junto.
Eu acho importante deixar claro para o público que emenda parlamentar é um mecanismo parlamentar para liberação de dinheiro público. Dinheiro público é dinheiro dos pagadores de impostos. As pessoas estão trabalhando no Brasil, acordando cedo, dormindo tarde, pegando ônibus lotado, eventualmente são assaltadas no caminho, estão suando a camisa para pagar as contas no fim do mês, para fazer compra no supermercado. E tem uma dinheirama que é utilizada pelo Congresso Nacional, pelos parlamentares, quer dizer, os senadores e os deputados federais, que não tem transparência, não tem rastreabilidade.
Então eles vão metendo a mão nesse dinheiro, vão mandando pros municípios dos prefeitos de integrantes do partido ou de parentes. Então o pai é prefeito de determinada cidade, aí se manda aquele dinheiro porque se quer manter o clã dominante naquela cidade. Eventualmente com aquele dinheiro vai se contratar uma empresa que vai fazer uma obra de pavimentação de rua e cada etapa desse processo na prefeitura, na empresa do amigo, do parente, do primo, vai caindo dinheiro.
A gente já viu vários escândalos de corrupção, várias investigações, muitas vezes não trazem responsabilização, condenação, prisão durante muito tempo. Mesmo quando há condenação, às vezes o sujeito não vai preso. Mas a gente sabe como é que funciona esse mecanismo. Eu tô apontando há muitos anos no meu trabalho. A deputada federal Adriana Ventura, sou testemunha, aponta isso há muito tempo. Eu entrevistei ela anos atrás e queria até chegar a esse ponto, e me lembro muito bem de ela apontando como as comissões no Congresso Nacional estavam sendo usadas como laranjas.
Ela usou essa expressão forte, que é uma expressão utilizada pra esses testes de ferro, que tem o nome ali emprestado pra um esquema criminoso. É uma etapa de acobertamento do escoamento da grana por corruptos, por lavadores de dinheiro. Então, as comissões do Congresso Nacional, elas são feitas pra debater os problemas do país em determinada área. Então você tem a Comissão de Saúde, Comissão de Relações Exteriores, Comissão de Educação, um monte de comissão pela qual tem passado muito dinheiro e não é encaminhado para um determinado município em razão de necessidades emergenciais, como saneamento básico ou alguma necessidade hospitalar, etc., mas se finge, e a deputada pode explicar isso melhor, que houve um debate para ver aquela deliberação, para se direcionar um dinheiro, e não houve.
Quer dizer, é um cacique partidário que às vezes não tem nem mandato, como é o caso do Valdemar Costa Neto, que tá escolhendo para onde vai aquele dinheiro por uma conveniência eleitoral. Inclusive saiu a matéria no jornal O Globo, eu tava analisando outro dia, sobre mais de 90 milhões desses 119 milhões atribuídos à indicação do Valdemar Costa Neto E foram enviados para municípios onde o PL tem o prefeito, ou onde o atual prefeito, que é de outro partido, apoia o candidato do PL para a sucessão, e que foram enviados logo às vésperas do término do prazo anterior à eleição.
Então assim, o intuito é muito claro de reeleger o partido naquele município ou de fazer o sucessor. Então não é pelo interesse público, é exclusivamente pelo interesse paroquial, pelo interesse partidário ou pelo interesse, vamos dizer assim, escuso. Quer dizer que vai parar no bolso de alguém. Então, Adriana, eu já aproveito para te fazer a primeira pergunta, porque quando eu fui ver o que que o Valdemar Costa Neto, entre as várias alegações assombrosas que ele tava dando para tentar se explicar, e eu concordo plenamente com você, Flávio Dino tá mirando um lado e precisa mirar todos os lados, agir por princípio, não como líder do governo Lula no Supremo Tribunal Federal.
Isso não quer dizer que não mais a sujeira no lado do Valdemar Costa Neto. Mas eu fui ver a declaração do Valdemar e ele falou assim, eu acho muito engraçadas essas alegações hoje, que elas são meio confessionais, né? Abro aspas: os deputados sempre me cederam verba, e como nós temos uma bancada grande, nós temos muitas comissões. Essas comissões, por exemplo, Comissão da Saúde é nossa, do Turismo é nossa, Relações Exteriores é nossa, todas as comissões tem recursos de emendas.
Então eu sugiro, o pessoal vem pedir para mim, eu sugiro que eles deem para tal município, tal município, tal município. Fecho aspas. Então eu vou parar por aí, deputada, para perguntar para a senhora como é que funciona isso de comissão servir para escoamento de verba por sugestão, entre aspas, mas a gente sabe que é ele que manda no partido, é ele que manda para onde vai a verba do Tiririca, por exemplo. E um dinheiro pelo qual os brasileiros trabalharam muito.
Quer dizer, como é que você explica melhor para a população leiga como que isso tá funcionando?
Ah, Felipe, primeiro eu vou separar, né? Eu acho que é importante separar, porque o que você falou da questão de ser dinheiro de todo brasileiro, do contribuinte, pagador de imposto que rala. Então isso tem que ser direcionado para políticas públicas que cheguem de volta no cidadão que tá financiando isso, né, através de saúde, segurança, educação. Dito isso, a emenda de comissão, que deveria ser uma emenda mais nobre de todas na minha visão, porque até para o leigo, para o nosso ouvinte aqui entender, se você tem uma emenda individual onde o parlamentar pode escolher para onde manda, que o valor é bem alto na minha visão, R$40 milhões por ano, Se você tem uma emenda de bancada que algumas têm alguns critérios, outras agem como se fosse tudo individual e divide onde os parlamentares escolhem, a emenda de comissão era a emenda mais pura e que deveria ser a mais qualificada.
Porque se ela tá vinculada a uma comissão temática, então eu sou membro titular da Comissão de Saúde, a Comissão de Saúde deveria debater quais são as prioridades do país na saúde, quais são os vazios assistenciais, quais são as prioridades do SUS, né? Não temos dinheiro para tudo, onde vamos colocar? Para isso deveria servir as emendas de comissão da saúde, os R$5 bilhões. Mas na verdade, o fato— e aí a gente abre parênteses para colocar os líderes partidários, no caso Valdemar da Costa Neto e os outros— a gente está falando de um recurso que está camuflado.
A emenda de comissão que poderia ser a única, na minha visão, com sentido na Câmara, uma vez que a gente está falando de dinheiro do cidadão brasileiro brasileiro, ela foi completamente deturpada e destruída. E ali as destinações não tem nada de política pública, não tem nada de critério técnico. Ah, tem um vazio, vou colocar ali. Ali na verdade é verba liberada para compra de apoio, conveniência de parlamentar, e de uma maneira que não é nada debatida.
Eu assim, na Comissão de Saúde, se vocês pegarem Todas as 11 votações dessas emendas, meu voto tá lá registrado contra, porque é um absurdo. Ninguém objetivamente— chega uma lista pronta que é para colocar, dá toque de caixa. Agora, chegando especificamente nos líderes partidários, que eu acho que isso é muito importante falar, os líderes partidários hoje mandam no mandato parlamentar de muitos parlamentares. Isso me envergonha muito.
Porque eu percebo que hoje, pelo fato do líder partidário, do cacique, do dono do partido, no caso, o Valdemar, né, ele tem muito dinheiro na mão, tem 1 bilhão para fazer campanha, tem não sei quantos bilhões de emendas, por aí vai. Eles vão distribuir esses recursos de acordo com conveniência. Então não é que todo deputado do PL, no caso a gente estava falando do Valdemar, ganha igual quantidade de emenda. Eu mapeei muito as emendas e era muito comum você ter no mesmo partido parlamentares que são do mesmo partido, do mesmo estado, um receber 30, o outro não receber nada.
Você tinha deputados de cidade de IDH muito baixo que não recebiam nada. Então assim, não tem nenhuma lógica a não ser critério político, muitas vezes compra de apoio, tô falando de voto, né, combinar que vai votar sim. Essas listas são divulgadas de uma maneira que eu faço uma compilação e eu não consigo entender nenhuma lógica, porque o per capita tanto de parlamentar do mesmo partido são completamente irregulares, como critério de partido.
No critério, no estudo que a Transparência Brasil fez, por exemplo, a gente via o Partido Progressistas, né, que é do Ciro Nogueira, tem um per capita muito mais alto que os outros partidos. Você vê estados como Piauí, estados geralmente que estão, como Alagoas no caso, vinculados aos presidentes das casas, como o Amapá, que são muito mais beneficiados. Então a gente está falando aqui de uma coisa gravíssima, que é: não faz sentido um eleito pela população servir, ter como senhor o líder partidário, cacique, e não a população e quem o elegeu.
Eu acho que a gente começa aí. E tanto recurso público para tanto cacique partidário, para tanto líder partidário, faz com que muitos parlamentares ou sejam covardes, ou sejam coniventes, ou sejam corruptos, porque nada justifica passar pano num absurdo desse, né? Tanto o senhor Valdemar da Costa Neto, como o senhor Eduardo Cunha, como vários outros aqui que indicam emendas parlamentares, nada justifica isso, a título de nada.
Não são eleitos, não têm mandato eletivo. E assim, um parlamentar que se presta a esse papel Eu acho que deveria perder o mandato.
É, eu concordo. Também acho muito assim que sirva de que um dia a gente tenha, a gente desperte para o fato que a gente precisa votar muito melhor, né? Eu realmente sonho com esse dia aí. Mas ó, tem um parte do que o Felipe falou ali, que o Valdemar falou algumas coisas que soaram até meio confessionais. Ele disse, por exemplo, abre aspas, lógico Coisa mais natural do mundo, é função do presidente. Se o presidente não faz isso, pode ir embora.
Nós conhecemos o Brasil inteiro, sabemos quem precisa e quem não precisa, né? Parece o Homelander falando. E aí, é, a ideia aqui é, então, todo, todos os líderes de partido estão cometendo, estão fazendo a mesma coisa? É isso que você tá falando? Você tá meio que dizendo que lá no PT é a mesma coisa e por aí a mesma coisa? Adriana, como é que funciona então? É meio assim, todo mundo faz mesmo, cara?
Olha, a gente tá— eu não posso nem ser leviana de falar que todos os líderes fazem isso, né? No Novo a gente não recebe emenda de Eu não, assim como eu imagino que o PSOL também não, até porque eu pergunto bastante às vezes para o Chico, hoje mesmo eu perguntei para o líder do PSOL, mas assim, sendo muito prática, é um jogo que faz. Tem alguns líderes, eu não vou citar nomes aqui até por uma questão ética, mas eu conheço 2 ou 3 partidos que adotam regras democráticas e pegam o valor destinado ao partido e distribui igualmente entre os parlamentares, todos sabem quanto é, tem líder inclusive que manda para os suplentes, Tem algumas regras.
Agora, tudo começa, eu acho que a questão toda, o grande problema é a origem, né? Porque a grande pergunta, eu, por exemplo, eu posso discordar do mecanismo, tá? Eu posso falar, não, tá tudo errado, eu não concordo. Mas foi aprovada uma lei que permitiu que fizesse isso, certo? Então foi chancelado. Eu lembro que eu até entramos com uma, com uma DI no Supremo Tribunal Federal quando a Emílio, relator, virou emenda de comissão, caiu com o Ministro Alexandre de Moraes, né, denunciando.
Falou, olha, emenda de relator, orçamento secreto, agora virou emenda de comissão, né? E continua a mesma coisa.
Essa aí não é aquele, aquilo que o Lula tinha dito, que ia, que não ia mais ter orçamento secreto? Ele não falou? Ele falou 4 anos atrás que não ia mais ter orçamento secreto.
Mas pois é, e tem muito, até porque o PT recebe Até o PT, a base recebe. Basta pegar as listas das comissões e olhar, porque tem parlamentares, mas é aí que eu quero chegar, né? Quando caiu ali, né, com o ministro tudo, ele sentou e depois declarou perda de objeto. Ele não quis colocar a mão no nada, não tomou atitude. Quando denunciou para o Dino o que tava acontecendo, né, em 2024, a mesma coisa, num outro, uma outra DI que a gente era mico escure, a resposta foi que a mico escure não tinha poder para denunciar aquilo, coisa do tipo.
Então todo mundo desimiu de assumir responsabilidade. Aí foi aprovada a lei complementar que autorizou. Agora, o meu grande ponto aqui, eu acho que essa é a grande questão: os parlamentares, a partir do momento que falar, tudo bem, né? Se me oferecerem 10 milhões para eu montar para minha base, eu posso ser um parlamentar correto, vou construir um hospital que é legítimo, que tá faltando ali, Independente da Adriana Ventura gostar ou não gostar, isso não é ilegal.
Ah, eu posso não concordar, mas não é ilegal. Mas a grande questão que a gente está discutindo aqui é outra coisa. Se você pega a tal das indicações que são aprovadas e carimbadas pela comissão, elas não são discutidas na comissão, elas são carimbadas em votações de 10 segundos, tá? E não tem votos contrários, com raras exceções. O problema é quando vem: ah, quem indicou, Maria, quem indicou foi o João, quem indicou ali, tá ali o nome do parlamentar e o valor.
O problema é quando vem liderança do Progressistas, R$100 milhões, liderança do Republicanos, R$80 milhões. Você não sabe o que que tá dentro desses R$80 milhões, você não sabe se esse dinheiro vai para Eduardo Cunha, você não sabe se esse dinheiro vai para o Zé Maria, você não sabe se vai para o padrinho de casamento de alguém, não sabe para onde vai. Então eu acho que a grande questão aqui, né, é o que está embaixo do que vem chancelado como liderança.
Quem tem esse controle, isso não é complicado. Eu acho que esse que é o grande ponto.
Adriana, eu tenho uma pergunta que obviamente ela é complicada, mas é que eu tenho a velha teoria por conhecer os bastidores da política, de que muito do poder que um político tem é por saber do podre dos outros, pelo menos nessa política suja brasileira. Quando eu penso no Eduardo Cunha, eu fico refletindo: por que que ele tem poder? Porque o Valdemar Costa Neto, ele é dono do PL, certo? O Eduardo Cunha é um quadro histórico do MDB que foi condenado, foi investigado na época da Lava Jato, teve envolvido em diversos escândalos, em diversas polêmicas, controvérsias.
Aí voltou agora falando de futebol, falando de religião, é ligado à rádio local. Ele vai tentando construir a sua popularidade, resgatar a sua popularidade com determinados segmentos da sociedade que talvez não sejam tão antenados na política, querendo gerar uma identificação futebolística com segmento, uma identificação religiosa com outro, para ver se vai voltando aos poucos. Então assim, eu pergunto para a senhora, a senhora sabe a que se deve esse poder do Eduardo Cunha?
Porque aparentemente ele está fora. Tudo bem, ele tem uma filha dentro e ele tem as suas conexões no MDB, mas como é que ele ainda é padrinho de emenda? Quer dizer, como é que os parlamentares se submetem a isso? A que a senhora atribui?
Então, eu acho que a gente aqui é uma pergunta que eu me faço muito, né? Porque a gente percebe que a gente não tem líderes fortes, pessoas que fiquem realmente indignadas e que consigam galgar. Porque quando eu falei ali que para aceitar isso ou é covarde ou é conivente ou é corrupto, eu tô falando exatamente disso, né? Porque nada justifica, na minha visão, esse modus operandi, essas questões. Porque a gente sabe que isso sempre houve num presidencialismo de colisão, de parlamentares iam lá no ministério, pleiteavam verba, Tinha uma negociação ali, mas a coisa escalou de uma maneira que hoje normalizaram indicações que são feitas sei lá por quem, a título sei lá o quê.
Então a gente não tá falando de um mandato parlamentar, né? A gente tá falando— e os parlamentares que normalizam ou tentam justificar isso, eu acho isso muito mais grave do que tudo. Eu acho que não entenderam qual é o significado de ser um parlamentar, de representar pessoas, porque isso não atende na minha visão, o interesse público e nem o bem comum e o cidadão brasileiro ali na ponta. E basta ver o caos que se torna isso.
No momento que você não sabe explicar ou você não pode dar transparência a 100 milhões de uma votação, a 200 milhões de uma votação, que precisa esconder sobre o manto de liderança, né? Eu lembro que quando foi aprovada a lei complementar Eu fiquei em plenário discutindo com o senador Eduardo Gomes, é um senador, eu peguei e falei, mas escuta, por que liderança? O líder vai ser laranja dos outros e dos poucos? Eu lembro que isso gerou um debate, mas assim, enquanto não tiver essa transparência na origem, a gente continua com esse balcão de negócio, com essa compra de apoio.
Então eu atribuo isso, você perguntou, a tua pergunta específica, Felipe, por que ele continua com tanto poder? É que eu acho que as pessoas ou estão muito confortáveis, Estão ganhando emenda, ou realmente não têm coragem para enfrentar esse sistema, né? Ou estão ganhando dinheiro com isso. Eu não consigo identificar, mas são poucos os indignados. Hoje eu estava falando, eu estava esperando no plenário hoje que mais parlamentares subissem à tribuna indignados com essa situação, uma vergonha, né?
Com várias outras. E eu vi um parlamentar da esquerda subir, eu subi, mas você espera a reação. E a gente vê uma apatia que só vem de covardia, conivência, corrupção, ou sei lá mais o quê. Tá faltando é o outro C, né? Coragem.
É, e Adriana, você tava falando aí como esses caras aí não representam, né? Que é uma, que é de fato uma vergonha o cara que ele usa o mandato dele para ficar rico, ou é um emprego, é algum jeito de, sei lá, cara, entendeu? Não é uma É totalmente desviado da função, no fim das contas, né? A gente, a gente, para caminhar na— só que, sei lá, assim, um sonho, vai, é para a gente caminhar para uma sociedade que consiga votar com consciência, não necessariamente de uma forma— eu não sei, cara, é difícil, é difícil eu conversar com alguém que lembra, por exemplo, quem que ele votou para deputado ou para senador.
Ou para vereador, né? Em geral, as pessoas não— que é justamente onde mora o problema em questão aqui, não é? Então, para a gente conseguir ter um cenário que a gente faz essas escolhas melhor, a gente precisa de vontade política, no fim das contas. Que a gente vai falar de educação, um monte de coisa, né? Vontade política não vai rolar, né? Não vamos ter, né?
Olha, Igor, eu vou uma coisa, eu sou uma indignada esperançosa, tá bom? Eu sou uma otimista, acho que pureza, senão não estaria aqui. Mas eu acho que algumas coisas não são tão complicadas de mudar. E eu costumo falar, professora de empreendedorismo, de gestão, eu falo: quem senta na cadeira e tem o poder da caneta dá o tom, né? Eu não vejo o presidente Hugo Motta dando tom nesse direcionamento, assim como eu não vejo o senador Davi Alcolumbre dando tom.
Então, quando você, quem senta na cadeira, não dá esse tom— que que eu tô falando desse tom? Colocar os parâmetros claros de seguir Constituição, de seguir regimento. Então, a minha grande esperança é que no próximo ano— tô falando agora da questão de pauta, da questão de normas internas das casas, que eu acho super relevante.
Essa, já estão fazendo campanha para ser reeleito, né? Os cara já estão se movimentando há um tempo. Nossa, é difícil quebrar isso aí, sair desse ciclo.
Não, então eu acho que o pior de tudo é que assim, tanto senador Davi Alcolumbre como deputado Hugo Mota, eles não tiveram assim, eles foram eleitos e tiveram votos, né? É tudo na base da promessa disso, disso, disso, do cargo. E aí o meu grande ponto aqui é que se senta alguém razoável ali com alguns princípios, e nós tínhamos candidatos qualificados. Agora a pergunta é por que 400 votaram nesse? Então eu acho que a grande questão é alguém que conduza isso de uma maneira tranquila.
Não adianta chegar lá querendo, né, arrepiar tudo, e que os parlamentares realmente voltem, caiam em si, porque não dá para chancelar e carimbar tanto absurdo que acontece aqui. Eu fico assim, votar bem depende de muitas coisas. Agora, os parlamentares que estão aqui, boa parte são bons parlamentares, mas eles estão sendo fracos, na minha visão, covardes de não enfrentar algo que tá corrompendo tudo. Hoje, um parlamentar depende desse cacique partidário para ter dinheiro para fazer campanha.
A situação é exatamente esta. Então você fala, por que que o pessoal não vai lá e fica indignado? Né? Por que que o pessoal vai lá e vota PEC da blindagem ou sei lá mais o quê? Tem partido que tem tabelinha Excel aqui que votou cada votação que vai contra orientação do partido, perde percentual de fundo eleitoral. Então olha o nível que chegamos. Então, e essa mesma pessoa, esse cacique partidário, esse líder e tudo mais, não é só emenda parlamentar que indica, ele tem uma quantidade enorme de cargos em tudo que é governo, Aqui dentro da Câmara, né?
Até as paredes sabem a quantidade de funcionário fantasma que tem aqui, que é do líder tal, que é do cacique tal. Então realmente a gente precisa ter um banho de ética, de moral aqui, porque dá vergonha as pessoas deixarem de se indignar. Eu acho que é isso que me deixa mais nada.
Que bom, né? Não se pode perder a capacidade de indignação. Só queria comentar o seguinte: havia os esquemas de corrupção, Mensalão, o Petrolão, que foram esquemas com mecanismos diferentes, mas que buscavam também a compra de apoio parlamentar para perpetuação de um projeto de poder, no caso, projeto de poder do PT. E o Valdemar Costa Neto, ele recebia propina no caso do Mensalão, quer dizer, um esquema para comprar apoio parlamentar, e ele era um parlamentar alguém envolvido com um partido que tava recebendo propina.
E o relator do julgamento do Mensalão, que era o ministro do STF Joaquim Barbosa, hoje aposentado, ele disse que o Valdemar profissionalizou o recebimento de propina. Valdemar foi condenado à prisão, ele foi preso, ele ficou na cadeia junto com o petista José Dirceu, e ambos saíram por indulto de Natal concedido pela presidente Dilma Rousseff. Com autorização do Supremo Tribunal Federal, porque tem lá uma previsão legal para esse tipo de indulto.
Nenhum cumpriu a pena completa. Eduardo Cunha, condenado na Lava Jato, também não cumpriu toda a pena que tinha que cumprir. Houve todo esse desmantelamento da Força-Tarefa Anticorrupção, anulação de provas de condenação. O Cunha se beneficiou de diversas manobras que foram feitas pelo Supremo Tribunal Federal. Eu acho curioso também que agora um ministro do STF fique apontando os esquemas do Valdemar, os esquemas do Eduardo Cunha, que o próprio STF ajudou a aliviar.
Quer dizer, você não tem responsabilização, não tem punição, não tem como se livrar no sentido da administração pública de pessoas que incorrem nesse tipo de ato. E aí elas vão e aparecem de novo nesse noticiário policial barra político. As emendas, para dar aqui um contexto histórico, elas foram uma forma de institucionalização da corrupção da maneira como elas estão sendo tratadas. É claro que havia, vamos dizer assim, um mecanismo de emendas com alguma transparência, com alguma rastreabilidade, mas isso foi inchando, inchando, inchando, depois sendo distorcido, depois se tornando sigiloso, até resultar no orçamento secreto, e agora no orçamento secreto maquiado, duplamente maquiado, como vai sendo feito a cada momento que se descobre alguma coisa.
Se cria um subterfúgio para manter tudo como estava. Então tudo que a gente tá vendo é uma institucionalização da corrupção, com algumas pessoas extrapolando até nisso. E aí vem o ministro Flávio Dino apontar isso aqui, aí já é demais, né? Aí não dá.
Aí não é.
E aí, pois é, e aí vem a deputada Adriana Ventura e fala: olha, só tinha eu e o Chico Alencar do PSOL lá no Congresso Nacional hoje, botando a boca no trombone contra tudo isso. Partido Novo, que é um partido à direita, o PSOL, que é um partido à esquerda, várias vezes estão juntos no combate aos privilégios. Então tem aí uma agenda comum, mesmo com uma série de divergências ideológicas, em relação a políticas públicas, em relação a diversas áreas, como a gente sabe.
Mas tem um alinhamento em diversos momentos. Momentos esses, e aí eu preciso apontar até como analista, em que petistas e bolsonaristas têm uma posição igual, similar, conivente, omissa. Então tudo aquilo que se refere à blindagem, tudo aquilo que se refere a turbinar fundo eleitoral, fundo partidário, e agora o esquema de emendas, é como se fosse um fundo eleitoral extra. Tudo isso passa batido aí pela agenda bolsonarista. Não tem bolsonarista lá discursando tão firmemente como a deputada, como o deputado do Novo, do PSOL.
Então o Brasil fica entre lulismo e esse Valdemarismo, porque Valdemar é dono do PL, é o partido da família Bolsonaro. Tá lá na rede social dizendo uma coisa, no carro de som, engajando a massa. No entanto, é bastante complacente com tudo isso que aí está. E aí eu pergunto para deputada: Como é que fica o Partido Novo nessa tentativa de construção de uma direita diferente do PT, ao mesmo tempo que em alguns momentos alinhada ao bolsonarismo em relação a determinadas atitudes do STF, ou para combater o PT precisamos unir forças, etc.?
Mas você tá aqui, Adriana, falando criticamente a respeito do dono do partido, a família Bolsonaro. Como fica essa relação? Quais são as tensões? E nesse momento de corrida eleitoral em que o Novo tem um candidato, o Romeu Zema, como que você tá enxergando esse cenário e se posicionando com toda, vamos dizer assim, a habilidade que talvez seja necessária na política para lidar com uma situação como essa?
Pois é, eu acho que a política realmente tá cheia desses Principalmente porque ninguém é obrigado a estar alinhado em tudo, né? Tem boa parte de políticas econômicas, tem uma agenda que é muito assim, que é muito alinhada. Você peça assim, Novo IPL em agenda econômica, algumas pautas, a gente é muito alinhado. Quando realmente entram nessas pautas que você disse, né, onde a gente tem as velhas práticas, um fisiologismo, Que advém de partidos que começam com esse toma lá da cá, a gente realmente descola porque não dá para passar a mão.
Às vezes é difícil, até porque você sabe, todo mundo sabe, o Novo é um partido pequeno, a gente apanha muito dos dois lados. A gente tem principalmente, eu brinco que o Novo tem 30 tons de laranja, né? Então você pega os deputados dos—
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Watch now. Su, a gente sabe que a base eleitoral é uma base mais bolsonarista. Eles estão muito mais próximos de PL. E de algumas coisas, mas nesses quesitos de combate à corrupção, de fisiologismo, turbinar, eu acho que a gente se diferencia bastante, né? Agora, política, essa habilidade, eu não sei se a gente tem tanto. A gente, eu gostaria que o eleitor percebesse essa diferença. O que eu vejo é que muitas vezes, Felipe, o eleitor não consegue diferenciar.
O que que é pauta que cada um acha que quer? Porque o céu pode ser, a parede pode ser branca ou pode ser azul, ok, é opinião. Agora, corrupção sempre vai ser corrupção, princípio sempre vai ser princípio, né? Roubalheira é roubalheira, corrupção é corrupção. Então eu acho que tem blindagem, é blindagem, proteger bandido é proteger bandido. Então eu acho que tem uma diferença que é grande, é muito nítida. Eu acho que o eleitor precisa Precisa ficar atento.
E narrativa tem para tudo que é gosto aqui, né? Eu acho que essa ação política, essa cidadania, é uma coisa que brasileiro precisa fazer. Sou abordada e fala assim, ah, igual ao PL. Não, porque você é bolsonarista. Falei, cara, ainda nunca me acompanhou na vida para falar um negócio desse. Então a gente percebe que as pessoas compram narrativa sem no mínimo checar. Agora, acompanhar o deputado que votou Olhar o que que a pessoa fez antes de votar de novo, eu acho que é o mínimo que todo brasileiro devia fazer, né?
Mas é uma linha muito tênue. O Zema é o meu candidato, é o candidato à presidência que eu defendo. E tem uma questão em política que eu aprendi no Game of Thrones, que eu vou até dar risada aqui um pouco com vocês, né? Que tem uma hora que dois inimigos ou pessoas não tão alinhadas ou tão iguais se unem em nome de inimigo maior, né? Então eu acho que tem uma questão a ser debatida no segundo turno, que é lá no segundo turno. Agora, o primeiro turno, eu acho que a gente tem que ser muito convicto do que tá votando, do que a gente defende e no que a gente se diferencia.
Boa. E Adriana, só para a gente fechar aqui, é para eu entender melhor o que esse caso específico aí do Valdemar e do que o Dino bloqueou os bens deles, é, isso vem por conta de uma investigação da Polícia Federal, correto? E essa investigação, essa investigação da Polícia Federal, o que motivou o início da investigação?
Olha, então assim, só o que que existe nesse contexto todo. Inicialmente, essa questão das emendas que começaram do orçamento secreto começou lá no STF com a ministra Rosa Weber. Né, que declarou esse orçamento secreto inconstitucional. Depois, essas emendas de relator, orçamento secreto 1, se transformou no orçamento secreto 2 em 2023, que foi a ação que eu falei que a gente entrou no STF denunciando, que virou emenda de comissão, mesmo mecanismo.
E quando o Ministro Dino entrou, quando ele virou ministro do STF do Lula, ele assumiu alguns processos e virou pai dessa de novo dessa questão das emendas de comissão, né, do orçamento secreto. Algumas medidas, na minha visão, acho que foram saudáveis para o Brasil, né. A motivação foi errada, porque o ministro do STF, na minha, o Flávio Dino não tem isenção necessária para ser o ministro do STF, ainda que algumas medidas dele, na minha visão, tenham feito bem para o Brasil, exigir transparência tal.
Mas na hora de punir, perseguir, É nítido que ele persegue perseguição de um lado só, que foi o que já foi comentado. Então ele continuou fazendo essas audiências. Tem muitas entidades da organização da sociedade civil que trabalham nessa questão. Então você tem Transparência Brasil, Transparência Internacional, Instituto Não Aceito Corrupção, Transparência Partidária. Tem várias entidades da sociedade civil que fazem um trabalho muito bonito, contas abertas, do Gil Castelo Branco.
Eles fazem um trabalho muito bonito para rastrear o dinheiro do cidadão brasileiro. E o Dino continuou nessa atuada e começou a investigar, o que eu acho muito saudável, né? Daí a Polícia Federal tem investigações de desvio de recurso, de desvio de emenda. Então acho que a questão, enquanto a gente tá pensando no Brasil, tá pensando no cidadão e tá usando a mesma régua para todo mundo, eu acho que tá muito correto. Fazer tudo isso, tem que investigar mesmo, tem que combater corrupção mesmo.
Não pode ser, não é admissível quem não tem mandato parlamentar ficar indicando emenda, nem cacique partidário, nem dono de partido. Isso é uma pouca vergonha. É assim, eu acho isso inadmissível. Não interessa o pretexto, não interessa qual o líder. Mas isso também, como não tem cabimento presidente das casas terem cota para indicar para padrinhos políticos, tô falando especificamente do Eduardo Cunha aqui, Não tem cabimento, seja que título for, né?
E mas o Flávio Dino entrou nessa e tá agora usando o cargo. A gente sabe, ele é um ministro ativista. Eu já falei para ele isso numa audiência da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Ele é completamente ativista e infelizmente não é a causa, né? É a bandeira que ele defende.
Bom, é Ô Adriana, muito obrigado aí pela tua presença, obrigado pelo, pelo teu, pelos teus insights, pelas informações e pelo teu tempo também, tá? Valeu mesmo.
Olha, eu agradeço super, muito obrigada, viu, pelo Papo Direto. Obrigada, Felipe, obrigada, Igor, prazer participar aqui com vocês. Podem me chamar, principalmente para esses assuntos que ninguém quer vir falar, me chama que eu tô sempre à disposição, tá bom?
Beleza, muito obrigado, viu?
Salve, salve, gente!
Obrigada, valeu, valeu, valeu, obrigado!
Boa noite, bom trabalho, deputado!
É, meu amigo, é, Igor, Brasil, os cara tão roubando e tão roubando é de montão, tá? Os cara não tem mais vergonha não, cara, os cara não tem mais vergonha não. Não é brincadeira, realmente chama atenção.
Que surpresa, né? Eu tô sendo irônico, obviamente, Igor, porque eu passei anos ao longo de todas essas investigações aí, desde lá de trás ainda na esteira de Mensalão, mas depois petrolão. Aí veio Lava Jato, aí houve todo desmantelamento do combate à corrupção. Teve duas etapas ali que eu já descrevi essa cronologia aqui no Flow, mas teve um momento em que os investigadores chegaram na Petrobras. Aí primeiro atingiram o PP, o partido do Arthur Lira, do Ciro Nogueira.
Aí depois veio uma outra diretoria que era mais ligada ao PT. E aí depois se atingiu o PSDB, depois se atingiu Michel Temer. Quando chegou no Alto Tucanato, no Temer e numa ala do Poder Judiciário, quase tudo ao mesmo tempo, ali por volta de 2017. Gilmar Mendes, lá no Supremo Tribunal Federal, que antes apontava o modelo de governança corrupta petista, cleptocracia descoberta, revelada pela Lava Jato, se voltou contra a operação.
E anos depois, final de 2018, quando veio a lista do COAF, a movimentação bancária típica dos assessores da Alerj, Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, numa colaboração com uma operação que chamava Furna da Onça, que era um desdobramento da Lava Jato no Rio. Quer dizer, quando essa operação atingiu o Flávio Bolsonaro, aí o bolsonarismo também se voltou contra a Lava Jato. E aí você teve todo mundo, portanto, contra a Lava Jato.
Isso que a deputada tá descrevendo, que muitas vezes só fica o Novo e o PSOL ali e tal. Bom, o lulismo, o velho Tucanato, o Centrão, o bolsonarismo, uma parte do Poder Judiciário, obviamente, todos se voltaram em determinado momento contra a Força-Tarefa. E nesse caso, claro, o PSOL ficou do lado do Lula também contra a Força-Tarefa. Então houve o aniquilamento do combate à corrupção. E eu apontei, olha, obviamente os esquemas criminosos, eles serão recriados, serão transformados, eles continuarão funcionando, podem ter novos modelos, mas esses mesmos personagens, esses mesmos protagonistas, eles vão aparecer em novos escândalos, O Estado tá sendo distribuído para essas pessoas que têm um histórico de condutas imorais, etc.
Vai aparecer escândalo nas estatais, vai aparecer escândalo de emenda. A gente tava apontando desde a raiz o abuso na distribuição de emendas parlamentares. Você tem individual, você tem a de bancada, e apareceu essa de relator, que já era uma distorção completa. As de comissão começaram a ser distorcidas, como a deputada descreveu. Então você tem 4 tipos de emendas, 2 originais, vamos dizer assim, ela já tinha alguns escândalozinhos, né?
As outras tiveram os seus escândalos, mas ninguém quer mudar. Ela tá descrevendo isso. Você tem o presidente da Câmara, Hugo Motta, presidente do Senado, Davi Alcolumbre, eles ficam defendendo os parlamentares, como saíram em defesa do Jacques Wagner, que também foi alvo de busca e apreensão num outro caso, né, envolvendo o ex-sócio Daniel Vorcaro, no caso Master. Então você sempre tem um corporativismo que não é só, vamos dizer assim, a defesa dos pares porque eles são meus coleguinhas de profissão, é a defesa do mecanismo.
O mecanismo, ele já é desvirtuado por si só. Quer dizer, nem precisa aparecer esse caso do sujeito sem mandato parlamentar, como é o Valdemar, como é o Eduardo Cunha, para que a utilização das emendas seja vista como escandalosa. Já é há muito tempo. Quer dizer, agora você tem novas cerejas do bolo desse desvirtuamento da utilização de recursos públicos, dinheiro dos pagadores de impostos brasileiros. Mas quando você tem o rebaixamento ético da sociedade também, né, porque aqui não se tem pano para vários segmentos da população.
É claro que não é o povo inteiro do Brasil, mas você tem um rebaixamento ético de uma parte significativa da sociedade. Isso se espelha na política, e obviamente a política ela turbina esse rebaixamento ético. Aí você tem toda uma casta de uma geração de políticos. Na verdade, a gente já tá aí nas novas gerações, né? Eduardo Cunha era o presidente da Câmara lá atrás, Hugo Motta agora já é o discípulo do discípulo, né? Passou por Arthur Lira e tal.
Então você tem várias gerações de um rebaixamento ético, moral muito grande. Então essas pessoas estão defendendo a obscuridade. Elas estão defendendo que a distribuição de recursos seja feita de uma maneira que a sociedade não possa vigiar. Quando eles falam, ah, tá tudo no Portal da Transparência, mentira, não tem todas as informações lá, senão Flávio Dino não tava dando esse tipo de decisão. Então não se pode perder a capacidade de se indignar em relação a isso.
E a gente vê a corrida eleitoral, você tem duas lideranças, lulismo e bolsonarismo, que são complacentes com tudo isso há anos. Então você pensa, como é que o país vai sair disso? Então, claro que não é uma questão só eleitoral, porque muitas vezes as pessoas tentam reduzir tudo a uma questão de voto. Não é, é a postura da sociedade, é como é preciso resgatar a ética, como é preciso resgatar a vigilância. Sobre quem quer que seja, seja eleito Lula, seja eleito Flávio, Caiado, Renan, Zema, Augusto Cunha, Joaquim Barbosa, quem quer que seja.
É preciso ter vigilância, é preciso ter cobrança dos órgãos de fiscalização e controle, é preciso impedir na raiz as indicações políticas desqualificadas, é preciso impedir que pessoas autoritárias comandem esses órgãos, que camaradas do integrante de um tribunal superior seja o responsável pela denúncia dos próprios integrantes em caso de cometimento de crimes. E aí eles acabam não denunciando porque são aliados. Então são uma série, é uma série de elementos que eu aponto na raiz há muitos anos, que algumas outras poucas pessoas apontam na raiz e resultam em tudo isso aí.
Mas o Brasil tá com uma sociedade anestesiada em relação à corrupção, em relação a falta de ética. As pessoas estão discutindo aí quem é o menos ladrão e estão defendendo, estão defendendo quem rouba não tanto quanto aqueles que tiveram maior oportunidade do fundo. Mas isso eles não dizem, né? E quando defende quem rouba menos, tá defendendo alguém que não teve ainda tanto tempo no poder quanto aquela pessoa que tá dizendo que roubou mais.
Então você vê, é uma discussão completamente desvirtuada do ponto de vista moral, do ponto de vista ético, e sem essa base, fica muito difícil você ter o resto, você ter um país funcional, um sistema funcional, que a saúde funcione, que o sistema de ensino funcione, que a segurança pública exista. Olha, Igor, eu tô em Nova York, né? Se alguém entrou aqui no programa no meio e não entendeu porque que eu tô aqui participando virtualmente, eu tô em Manhattan.
Primeira coisa que me impressionou em Manhattan, Igor, é que eu posso utilizar o celular na rua. Cara, isso é um negócio incrível pra gente que mora em São Paulo, pra gente que veio do Rio de Janeiro, né? Eu posso falar que eu tenho essas duas semelhanças com você. Olha, hoje em dia você ficar tranquilo de mexer no celular na Rússia, não precisar ficar com radar mega ligado, ou você não usar, olha, é uma diferença imensa, cara.
E a gente anda até ali a Times Square, que é um lugar com gente do mundo inteiro, lotado, um tanto caótico, etc. Cara, tá todo mundo no celular.
Não compra cachorro-quente lá porque os cara vão te enrolar. Eles me enrolaram, paguei R$10, não, um cachorro-quente.
Não compra. Tem enrolão para todo lado, cara. E aliás, tem um cheiro de maconha aqui em Nova York que, olha, impressionante. Parece Estúdio Flow a céu aberto aqui em Nova York. Mas é Cara, o celular— sabia que ele ia dar engasgalhada, eu não aguento. Eu adoro fazer o Igor rir nesse programa. Mas você ter essa sensação de segurança numa cidade, cara, que é muito movimentada, que é muito frequentada, que tem gente do mundo inteiro, e você olha para a sua cidade, você fala, cara, que loucura, porque o celular foi feito para você mexer com a mobilidade.
Ele é feio, ele é o telefone móvel, né, como a gente chamava lá na raiz. É aquele para você circular com ele, para você resolver uma situação de onde quer que você esteja. E você não pode fazer isso, cara. E quando você olha lá para o Congresso Nacional, as pessoas estão tratando de resolver esse problema? Não. Você tem uma exceção ou outra, cara, de parlamentar que tá querendo uma medida para endurecer o combate à criminalidade, etc.
Você tem muito discurso de palanque, de carro de som, de rede social, mas de gente que no fundo protege criminoso de colarinho branco, gente que no fundo protege os mecanismos que são utilizados para lavagem de dinheiro de gente corrupta, de gente que ocupa a máquina pública, administração pública. Então o sujeito às vezes ele fala contra a facção criminosa: ah, essa facção criminosa tem que ser classificada como terrorista, é um absurdo que a população viva sob o jugo dessas pessoas, e tá lá desmantelando o combate à lavagem de dinheiro.
Porque se deixar os órgãos atuarem, como o COAF, vai pegar lavagem de dinheiro do político também. E aí o cara da facção criminosa, ele é beneficiado pela blindagem política do criminoso de colarinho branco, do corrupto. Então assim, fica aqui a minha indignação, porque eu acho esse caso das emendas muito ilustrativo. Eles perceberam que uma casta, vamos dizer assim, percebeu que os esquemas do Mensalão, do Petrolão, eles eram esquemas sofisticados e tal, mas que acabaram sendo descobertos, acabaram gerando algum tipo de desgaste, dor de cabeça, com processo, mesmo que no final tenha resultado na impunidade.
Então, como fazer para abocanhar uma verba pública sem ter todos esses problemas? Vamos tirar direto do orçamento. Vamos meter a mão no orçamento, é a mão no cofre, é pra onde vai o dinheiro do contribuinte. E aí estão fazendo isso de uma maneira muito mais direta, muito mais ostensiva, há bastante tempo. Mas é claro que com todas essas tecnicalidades, porque imagina, orçamento público, você tá falando de bilhões, de trilhão. Então você tem uma série de letras, como é que chamava as emendas de relator?
Eu já até me esqueci agora a nomenclatura, RP não sei o quê, tem um número e tal. É um negócio muito técnico. Você imagina uma planilha de Excel altamente sofisticada. É muito fácil você embutir ali um dinheiro que vai para um lugar tal, você não deixa o registro. Aí o padrinho não precisa botar o nome. Aí quando se cobra e tal, você fala, ah, mas não precisava cobrar, não precisava dizer o nome antes, então vamos mudar a regra e tal, não sei o quê.
Quer dizer, eles vão levando a grana na base do se colar, colou. Se alguém fala, peraí, tá demais, então vamos conversar. Porque se mandar responsabilizar todo mundo, vai preso muita gente. Aí começa essa reunião, reunião da cúpula do Congresso com a cúpula do STF, para ver como é que vai ficar a situação da emenda. Aí parece que cada um tem os seus interesses. Os ministros também têm interesse em aprovar determinadas regras no Congresso Nacional.
Você tem os salários aí é do Poder Judiciário, e vai virando essa república do escambo que eu descrevo. Enfim, só para fazer um resumão aqui e contextualizar tudo que a gente conversou com o Adriano.
E Felipe, também ainda sobre esse assunto aí, cara, é o fato, olha, eu fico olhando como um brasileiro normal esse caso, e que eu descobri assim vendo na mídia e tudo mais, e eu fico pensando assim, cara, aí o Valdemar vem agora na maior cara lavada dizer, pô, é, mas isso aí, caramba, qual que é o líder partidário que não faz isso. Cara que não faz isso aí pode ir embora. E eu fico pensando, pô, esse cara não sabia que a gente tava até agora procurando quem é o cara que indica essa grana aí?
Por que que ele não falou, sou eu, pô? Óbvio que sou eu, cara, eu sou líder partidário, todo mundo faz isso. E agora ele age como se assim precisou de uma investigação na Polícia Federal. Sou o cara lá, sei lá, o Dino lá, ó, bloqueia aí cento e tantos milhões do cara. O cara vai, mas isso é normal, uai. E sabe, isso, isso me comunica uma coisa também, sabe? Eu fico, cara, por que que, por que que é assim, cara, né? Pelo amor de Deus, cara.
Essa é uma situação que é muito chocante em vários níveis, assim, na possibilidade dela acontecer, isso já é chocante. Isso que você acabou de descrever, que é, ó, cara, aí, ó, mensalão da cadeia, hein, ó. Dá 3 dias de cadeia, mas eu não quero ficar 3 dias na cadeia não. Vamos passar um esquema aqui que a gente legaliza o nosso negocinho.
Isso, isso.
Meu Deus, cara, cara!
E olha os valores, né, Igor? R$119 milhões, cara. A propina do Mensalão, a propina do Mensalão, sempre relembro e vou relembrar para quem chegou agora, era R$30 mil. R$30 mil era para você comprar um parlamentar, para ele votar nos projetos de interesse do governo, para beneficiar politicamente o então presidente da República, ele mesmo. Então, R$30 mil. Aí houve uma reclamação em determinado momento, tentaram subir ali para R$50, R$60 mil, não passava disso.
Hoje o cara tem um poder só nessas 21 emendas que foram apontadas na decisão do Flávio Dino, que é, vamos dizer assim, um subconjunto de indicar R$119 milhões. Quem é que viu a cor desse dinheiro, sabe? É dinheiro que vai por, nas palavras do Valdemar, você vê a entrevista do Valdemar, engraçado ele falando, a gente ri para não chorar, porque a linguagem é patrimonialista, a linguagem não difere aquilo que é público e aquilo que é privado.
Então ele fala município do PL, Que município que é de partido? Município não é de partido nenhum. Ele deveria ter vergonha de falar isso na TV. Município do— é o município que tem um prefeito que temporariamente está ocupando aquele cargo na prefeitura, que é de determinado partido. O município não é do partido. Vai ter eleição, vai ser disputado por vários partidos, vai trocar o ocupante da prefeitura. E ainda assim Ainda assim, o município é da população brasileira, da população que mora naquele município, nasceu naquele município.
Enfim, a gente pode discutir aqui do ponto de vista cultural, né, a quem pertence um naco do território nacional, mas a linguagem ela já é absolutamente imprópria. Então você vai fazendo essas sínteses verbais, isso fica no próprio modo de pensar da pessoa e obviamente se reflete no modo de agir. É assim que o Valdemar pensa, que aquele município é dele. E ele manda o dinheiro público que qualquer integrante do partido dele, porque ele manda nos integrantes do partido dele, tem o município que é do partido dele, ele é o dono da lojinha, então ele é o dono do município, sabe?
E esse dinheiro vai caindo por aí sem ter um uso emergencial. Às vezes tá pagando show, né? E obviamente numa cidade que tem uma série de outros problemas que precisavam resolver com maior emergência.
O cara pagou R$280 no showzinho, num show de 90 minutos de uma dupla sertaneja no município de 5.500 habitantes.
Pois é, cara, artista aí, cara, artista eventualmente que já tem dinheiro, que pode dar show, pode coletar aí a verba de bilheteria, verba do ingresso e tal, e tá recebendo dinheiro público de emenda parlamentar. Uma cidade que certamente tem vários outros problemas. Aliás, Caraguatatuba, em São Paulo, tinha lá num documento oficial que o dinheiro que foi enviado para lá tinha sido enviado pelo Valdemar Costa Neto. Só tava escrito errado, Valdemar com W em vez de V.
E aí é exatamente isso que o Flávio Dino tá apontando na decisão, né, que foi o Valdemar o padrinho das emendas. Então, na cidade de destino Tava se dizendo, olha, quem enviou esse dinheiro era o Valdemar. Talvez até porque localmente é interessante para ele politicamente mostrar que ele que conseguiu aquele dinheiro. Só que não pode, não é ele que indica, é um senador, é um deputado federal. Então contradiz com a própria legislação referente a esse mecanismo utilizado na Câmara dos Deputados.
Então assim, tudo errado, né? Mas esse é o Brasil atual. Agora, Igor, só uma coisa, eu não quero fechar esse programa sem falar da semifinal da Copa do Mundo, tá?
Não podemos fazer isso, pô, tá maluco? Agora a gente vai ter uma final. Ó, eu vou, eu vou, eu gostaria que fosse uma final Espanha e Inglaterra, né? Porque aí qualquer um dos dois que ganhar fica longe do penta, né? Argentina não, Argentina se ganhar se aproxima demais perigosamente.
Todo mundo secando a Argentina de Lionel Messi. A gente está fazendo esse programa aqui na terça, né? O jogo é amanhã, quarta, Argentina e Inglaterra, para ver quem vai para a final com a Espanha, que ganhou de 2 a 0 da França no domingo, sendo que no sábado, pelo que eu tenho aqui na cabeça, é a disputa de terceiro lugar. Que já tem a França aí para disputar com o perdedor dessa partida entre Inglaterra e Argentina. Agora olha só, Igor, eu fiz vários comentários aqui, vocês fizeram vários cortes no canal aí, corte do flow, né?
Em um deles botaram lá que Felipe Moro Brasil fez a melhor análise da seleção brasileira, da eliminação da seleção brasileira, viralizou aí. Gostei muito, obrigado aí, produção. Tá com mais de 400 mil. Obviamente tem gente irritada aí que defende esse ou aquele jogador. Mas olha só, aliás, quem quiser ver alguns comentários que eu fiz dando print na imagem do jogo, fazendo setinha, descrevendo espaços e tal, de várias partidas da Copa do Mundo, tem em dois destaques do meu Instagram: Copa 2026 e dois Copa, porque aí não cabe em um só.
Então é só ver lá. Tudo que eu falei da Copa do Mundo até hoje, e principalmente nesse vídeo que ficou uma síntese sobre a seleção brasileira, Tudo que eu critiquei, vamos dizer assim, no desempenho de diversas seleções, e principalmente da seleção brasileira, claro que é o nosso foco, a Espanha fez de modo exemplar, corretamente. Então assim, cara, a Espanha hoje deu uma aula de futebol para a França, para o Brasil e para o resto do mundo.
Por que que eu tô dizendo isso? Porque futebol Não é só, cara, do que ele fez hoje, vou chegar nele, mas futebol não é só meio-campo para o ataque, ter jogadores habilidosos, precisos e que fazem triangulação. Isso já é coisa para caramba. Isso a França tem. A França tem o Lise, Dembélé, e às vezes eu até confundo esses nomes, e o Mbappé. E os três são excelentes jogadores, são muito precisos no passe, são muito rápidos. No começo do jogo, a França atraiu um pouco a Espanha, aí roubava a bola e acelerava.
E aí tinha essa triangulação. Mas o que a Espanha fez de diferente de todas as seleções, e principalmente da seleção brasileira? A Espanha sabe jogar fechada atrás. Ela sabe marcar o jogador grudado, principalmente quando ele tá mais perto da entrada da área ou dentro da área, ou É, ou não, é com a cobertura de outro jogador que às vezes tá lá para justamente evitar que o cara que vem de frente, que leva vantagem sobre o zagueiro depois de passar do primeiro marcador, consiga levar a bola em direção ao gol.
Então você tem um cara na cobertura. Cara, teve um lance, e depois eu vou tentar pegar e botar no meu Instagram, que foi assim por volta de 50 minutos, quer dizer, no começo do segundo tempo, Que a França veio pela ponta esquerda, cara, eles não conseguiram penetrar porque na frente dos atacantes franceses tinha um jogador, dois jogadores e tal. Aí o cara toca para trás, aí o jogador que tá atrás do zagueiro espanhol ele já vai fazer a cobertura no outro, aí já ficam dois, três, os caras estão ali muito compactos atrás.
Aí a França toca mais para o meio, aí já vai todo mundo junto fechando tudo. Cara, não dá espaço para esses jogadores. É difícil, é, mas a Espanha mostrou que não é impossível. E quando não havia cobertura numa jogada de muita velocidade, de precisão, eventualmente no contra-ataque, sabe quem fazia a cobertura, Igor Coelho? O goleiro da Espanha. E atuação sensacional! Olha o que esse cara fez hoje, é uma aula de futebol. E isso certamente teve orientação do técnico.
Acho que ele não precisa saculejar tanto os jogadores, porque me parece que esses jogadores realmente são inteligentes, que eles entendem da tática do futebol. Mas o goleiro, cara, a França mete a bola por cima lá para o Mbappé correr atrás do zagueiro na velocidade. O goleiro tá ligado, cara. Ele sai da área e vai lá cabecear a bola. Isso aconteceu umas 3 vezes, cara, em que o goleiro fez a cobertura. Negócio assim impressionante.
E o Cucurella, que você falou, que é o lateral esquerdo da Espanha, teve um lance ali no final do jogo que ele festejou como se fosse um gol, porque a bola acabou sobrando dentro da área para o Mbappé de frente. Para esses jogadores você não pode dar meio espaço, e a Espanha não deu. O Cucurella tava grudado nele. Da maneira como eu falei, se vocês virem lá o meu corte, tá falando jogador brasileiro não fica grudado, tem que saber para onde o Haaland tá indo, lembra?
Deixou espaço e tal, o cara dá um pique, arranca e faz o gol. Cara, o Cucurella tava grudado no Mbappé, atrapalhando ele, sabe, com o corpo dele, até um chega para lá, e quando o Mbappé chuta, ele trava e a bola vai para o lado, não vai no gol. E aí ele comemora, os cara vem cumprimentar ele e tal. Quer dizer, a bola passa por um, passa por outro, cara, quando Quando os caras vão conseguindo avançar, eles superam o marcador, superam o terceiro, sempre tinha mais um.
Igor, aí eu falo de uma questão de mentalidade no Brasil, de uma questão cultural, e que foi novamente percebida por mim aí nesses comentários na Copa do Mundo. Cara, eu fiz isso, como eu tava falando lá no Instagram, a respeito de vários jogos. Cara, não pode dar esse espaço, não podia dar esse espaço. Olha só como meteu a bola, olha como esse marcador tava distante, olha como o cara da cobertura tava na posição errada. Cara, várias pessoas chegam pra mim e comentam sabe o quê?
Elas falam assim: Felipe, desse jeito que você fala, parece que sempre a culpa é do marcador, é da defesa e tal, que nunca é mérito do atacante. Cara, no Brasil, cara, eu percebo muitas vezes que a busca pela excelência ela é mal vista, sabe? Ela incomoda. Então você apontar o que que tá errado é algo que incomoda, porque existe uma vontade— não tô dizendo que é assim toda a população, lógico que não, mas é que existe isso no ambiente cultural— existe uma vontade de você se acomodar à ideia de que não tinha outro jeito, não tinha como fazer, não adianta, se você se esforçar tanto também não vai valer a pena.
Não, Mbappé é bom demais e tal, ele realmente teve o mérito, ele puxou para o lado, chutou, cara, quando ele faz isso não dá. Dá, lógico que dá. É justamente por o jogador ter um mérito imenso, e ele tem, assim como outros jogadores que mostraram isso nessa Copa do Mundo em várias seleções, o Haaland na Noruega, Harry Kane na Inglaterra, o próprio Yamal na Espanha, que você tem que, vamos dizer assim, se superar para marcar melhor.
Você tem que se superar para fazer a cobertura melhor. Você tem que se superar como treinador para montar um esquema tático melhor, você tem que tirar o espaço do cara bom. E, cara, eu falo até com uma certa empolgação, porque é muito ruim quando a gente fica criticando, criticando, criticando e não vê alguém dar o exemplo. E aí as pessoas, elas falam assim, ah, não tem ninguém que faz isso. Tem, a Espanha fez hoje isso. E não é porque Mbappé jogou mal, não é porque o Lise jogou mal, não é porque Dembélé jogou mal, não.
É porque o sistema defensivo da Espanha foi muito bom e também no ataque, aproveitou as oportunidades. Teve uma sorte, teve, mas teve uma falha também. É o Digne, se eu não me engano, né, que é um cara do lado esquerdo da zaga francesa, que ele de uma maneira temerária, de uma maneira estúpida, ele foi virar para dar um chute na área numa bola que não seria uma bola arriscada, e ele acabou chutando o jogador da Espanha. Um pênalti controverso logo no começo do jogo.
Mas que realmente ele chutou o cara. É porque resvalou um pouco no braço, mas o braço tava colado no corpo do jogador espanhol. Então assim, ele acabou atingindo o jogador. Não deveria. Quando você tá ali de costas, você não deve virar esticando a perna para o lado. Você protege a bola e você tenta carregá-la ali para linha de fundo. Você chuta para linha de fundo, você chuta para lateral, mas você tentar chutar para frente virando o corpo sem saber quem vem atrás é uma irresponsabilidade.
E acabou Que a Espanha aproveitou esse momento, fez o gol de pênalti. E depois, cara, se você vir, só para concluir esse comentário, o segundo gol da Espanha, que foi o gol do Porro, dois jogadores franceses, inclusive, se eu não me engano, é o próprio Digne, um deles, eles não acompanham o cara na tabela. Então o cara tá ali na meia-direita, vamos dizer assim, da intermediária, ele dá uma bola para alguém na na cabeça, na meia-lua, e o cara devolve de primeira, um passe muito rápido.
Essa tabela, essa triangulação que eu cobrava da seleção brasileira. Quando o Porro dispara para receber, ele toca a bola e dispara para receber, nenhum dos dois jogadores franceses acompanham e não tinha cobertura. E o que que me parece? Que a França ficou um pouquinho no pedestal. Ela tava atropelando os adversários e ela não se preparou defensivamente para uma situação de jogo. Para uma rival tão forte como se mostrou a Espanha.
A Espanha não estava sendo muito convincente no começo da Copa do Mundo, mas ela não estava perdendo. Empatou com Cabo Verde 0 a 0 e tal, mas o sistema defensivo estava lá sempre. Não estava tendo aquele encanto, vamos dizer assim, do meio para frente, mas tem o potencial, tem o Yamal, tem a tabela com o Porro. E a França não acompanhou, não fez a cobertura e já estava um pouco mais aberta, precisando sair para o jogo para recuperar no placar.
Acabou tomando o segundo, ficou impossível. Então assim, olha, parabéns. E fora o Rodri, né? O Rodri no meio-campo espanhol comandando o jogo sem precisar aparecer mais do que os outros, mas buscando a bola, distribuindo. Então assim, vários jogadores inteligentes. Hoje foi uma vitória da inteligência e isso precisa ser valorizado. O Brasil precisa aprender a valorizar a inteligência, a cognição da qual eu tava falando aqui. Futebol não é só o drible de alguém que vai resolver, o salvador da pátria que vai driblar 3 enfileirados.
A Espanha mostrou que não dá nem quando você tem 3 salvadores da pátria, como a seleção francesa. Se você montar e todo mundo se empenhar, todo mundo tiver o radar ligado 100% do jogo, não tem migué, não tem uma bola, cara, que eles não foram. Yamal, que é ponta direita, ele tava marcando o Mbappé na lateral direita e fez 2 faltas no Mbappé. A maioria das jogadas do sistema defensivo foi desarme, foi marcação, foi tirar a bola e tal.
Algumas vezes teve falta, mas mesmo assim é o último recurso. E a mal tava lá na lateral direita marcando o Mbappé, cara. Então isso é seriedade, é profissionalismo. Então hoje foi um exemplo. Não sei como vai ser na final, a gente vai estar aqui para analisar, mas parabéns para equipe espanhola. Brasil se espelha, aprende que futebol não é só o cara driblador que vai resolver tudo. Tem que ter inteligência tática, compactação. É isso, obrigado.
E tá bom.
E tu acha que tu olha assim, vamos lá, tu não é desses cara que torce para Argentina não, né, cara?
Oi?
Tu não é desses aí que torce para Argentina não, né?
Eu não, cara, eu seco Argentina, seco pela zoeira da rivalidade, né? Não é que eu não gosto de ver o Messi jogar e outros jogadores ali da seleção argentina. Ela não é perfeita, ela tem falhas, Eu acho que a Inglaterra pode explorar bem e pode fazer como a Espanha fez com a França. Mas a seleção argentina, ela tem mais pontos frágeis ali.
E até que esse é um jogo muito interessante porque a gente fala muito da nossa rivalidade com a Argentina, mas a Argentina tem uma rivalidade fortíssima com a Inglaterra também, né? Inclusive tem aquela, aquela teoria da conspiração que o goleiro inglês teria sido envenenado lá no México, né, cara? É um monte de— então é um jogo com um pouco mais de— com alguns outros, com os elementos assim que temperam a coisa e deixa um pouco mais interessante, né?
E, cara, eu sou nesse jogo aí, eu sou Inglaterra demais, meu irmão. Mas também vou te falar que se for Vasco e Argentina, eu sou Vasco, entendeu?
Nossa, torcer para o Vasco aí é complicado. Para contra Argentina, eu torço para o diabo, entendeu?
Eu torço para o diabo dominar a terra. Mentira, salve, amém, desculpa.
É, mas não, Argentina não tem como.
Eu admito, você, aquilo que você falou, eu falo, eu falo baixinho, de fato o Messi é sensacional. O cara, ele joga até sem a bola de um jeito diferente, o cara é sinistro. A Argentina, ela, ela, os dois últimos jogos dela, eles mostraram assim uma vontade interessante também. Mas eu falo isso baixinho porque na verdade eu vou secá-los até a morte.
E a Inglaterra, além do Harry Kane, que é muito perigoso perto do gol, perto da área, dentro da área, Tem o Bellingham, né? Às vezes eu confundo aí as pronúncias e tal, que foi até que teve uma divergência com o técnico, né? Que o técnico, ele obviamente valorizou a vitória sobre a Noruega, mas ele ainda tava insatisfeito com o desempenho do time, acha que o time pode melhorar e tal. E tá certo. Só que o Bellingham foi lá e falou que talvez o técnico não saiba como é jogar nessas condições.
Me parece que tava se referindo ao calor aqui nos Estados Unidos. Eu tô em Nova York, né? Nesses últimos dias amenizou um pouquinho, mesmo assim tá muito quente. É como um verão carioca. E nesses jogos, para um jogador inglês, cara, é muito quente, muito quente para jogar bola. Eu corri, pedalei aí, fiz exercício. Realmente é um calorão para jogar nessa intensidade de Copa do Mundo. Não é simples não, mas é isso, tem que se superar.
Mas voltando, a Inglaterra tem inteligência, tem cognição, tem um meio-campo e um ataque bastante perigoso. Assim como a Argentina pode ter problemas ali no sistema defensivo. Portanto, tomara que seja 4 a 4 e vença a Inglaterra nos pênaltis. Eu gosto de ver, se for assim, vai ser um senhor jogo. Quando não é com meu time, isso, quando não é com meu time, eu torço para ter um monte de gol, para prorrogação, para acontecer um monte de polêmicas e tal. Quero comer a pipoca.
Não sendo meu time que vem o entretenimento mesmo, né? Porque a gente Futebol, a gente acaba sofrendo muito mais do que a gente gostaria, no fim das contas. Mas, ó, para a gente, é para a gente ir se encaminhando para o final aí, Felipe.
É, tem uma, saiu uma pesquisa, Bolsonaro, Lula, carta, pesquisa, tem o que você quiser falar.
Então, é, então, é Lula, Bolsonaro, pesquisa. Vamos nessa aqui porque saiu uma pesquisa aqui que tá dizendo, é, calma aí, deixa eu ler aqui para a gente também não falar besteira. É o levantamento Futura Apex divulgado na terça-feira, dia 14 de julho de 2026, portanto hoje, mostra que o presidente Lula e o senador Flávio estão tecnicamente empatados em um eventual segundo turno da disputa presidencial. Então aqui a gente é, a gente tem um monte de discussão para a gente ter aqui, tipo, olha, qual que é a amostragem dessa pesquisa?
Porque É muito discrepante da outra, não sei o quê. Mas o ponto central é aquilo que a gente vem falar, ponto que você, que a gente tem falado aqui ao longo do tempo, que é, pô, cara, a gente vai mesmo então votar no Lula e no Bolsonaro mesmo, né? Então é, vai ser isso mesmo.
Olha, eu não tô falando nada disso, tô analisando aí o que que tá acontecendo, mas a sensação é que a gente vai mesmo. O Flávio, ele tem o objetivo de resistir, né? É basicamente esse o objetivo dele ao longo do primeiro turno, porque ele tem um monte de esqueleto no armário, ele tem esse comportamento infantilóide, né, do sujeito que não ganhou autonomia, que precisa ler a carta do papai. Pai, manda todo mundo me apoiar, pai, né?
Parece que ele tá fazendo isso quando ele lê a cartinha. Olha aqui, meu pai, O ex-presidente Jair Bolsonaro escreveu e eu sou o porta-voz dele, viu, viu, viu, meu pai que tá falando, hein? Parece a criancinha dona da bola, dona do campo, e alguém reclamou, foi lá chamar o papai pra resolver o problema, né? Vai ser assim? Quer dizer, você tem situações aí de tensão diplomática com outros países, peraí, deixa eu ver o que meu pai acha.
Pai, fala com ele aqui que eu não tô sendo convincente. Você tem as mensagens, o áudio, as visitas pro Daniel Forcaro, Os escândalos de rachadinha, agora esses vídeos da Michele Bolsonaro. As operações policiais no Rio de Janeiro estão botando na cadeia a turma do Flávio, aliado do Flávio, candidato do Flávio para o Senado, para os quais ele fez vídeo. Cara, o Cláudio Castro foi governador do Rio, era candidato bolsonarista ao Senado Federal, teve que abrir mão, que não foi abrir mão, ele foi saído, vamos dizer assim, da corrida eleitoral porque ele tá na iminência de ser preso.
Num país normal já tava preso há muito tempo, né, porque ele tem vários escândalos. Agora você teve o caso do Canelas, que era o outro candidato do Flávio. Tem vídeo do Flávio defendendo a candidatura do cara, e o cara tá envolvido aí, de acordo com as investigações, num esquema de lavagem de dinheiro, impostos de combustíveis, etc. É uma turma barra pesada do Rio de Janeiro, que é a turma do Flávio Bolsonaro, pelo menos na arena política.
Mas são as conexões dele, era a turma inclusive que atuava na blindagem junta. O Cláudio Castro foi um desses que atuou na blindagem, no desmantelamento, no equivalente ao desmantelamento da Lava Jato na esfera federal. Você teve o desmantelamento do GAEC, do Grupo de Combate à Corrupção do Ministério Público do Rio de Janeiro, tudo nessa dobradinha da família Bolsonaro com Cláudio Castro, que manteve inclusive o PGJ, procurador-geral de justiça ali, o cabeça do Ministério Público no Rio de Janeiro, o Luciano Matos.
Mesmo a primeira colocada tendo sido uma mulher, porque o Luciano Matos já tava ali fazendo aquilo que a classe política dominante queria, que era dar limites ali para os investigadores que tinham feito um trabalho minucioso na questão das investigações de rachadinha, etc. Então, você tem uma série de fontes de desgaste, voltando ao ponto, para o Flávio Bolsonaro. E essas fontes podem até aumentar, né? Porque se diz aí agora, abertamente, na imprensa, que ainda tem um vídeo que gerou anos atrás uma crise no casamento do Flávio, que iria aparecer.
Então fica sempre assim uma ideia de uma suruba potencial que pode vir à tona, de algum vídeo pornô que poderia vir à tona. Eu tô simplesmente descrevendo aquilo que tá sendo dito na imprensa, tá sendo dito pelos aliados, que já tem até uma estratégia inclusive para reagir à divulgação, a revelação desse vídeo, que não é aquele da noite das astronautas mencionado pelo Antônio Garotinho, inclusive entrevista para gente aqui ligado ao Daniel Vorcar.
É um outro, não quer dizer, uma pessoa assim, né, com todo esse histórico E quer posar do defensor da família, né, do combate à corrupção, ao crime organizado. Ele tem um monte de fontes de desgaste. Mas como o pai dele foi presidente da República durante muito tempo, tem a máquina de propaganda muito forte, tem muito militante que quer voltar a ter a boquinha que perdeu e faz propaganda aí o tempo todo, todo mundo relativizando a corrupção, como fez o deputado estadual bolsonarista Lucas Bovi numa entrevista.
Dizendo que se não for o corruptinho, vai ser o corruptão. Se não for o corrupto de direita, vai ser o corrupto de esquerda. Pelo menos é corrupto, mas é cristão. Essas frases, olha que ponto chegou. Não, sujeito tem alguma coisa de corrupção ali, mas tem um trabalho bem feito. Só faltou dizer qual é o trabalho bem feito no caso do Flávio Bolsonaro. Quer dizer, como senador, as suas realizações, além do desmantelamento, do combate à corrupção, do combate à lavagem de dinheiro, de votos contra, que depois ele disse que se confundiu, etc.
Então assim, é simplesmente alguém que diz, eu não sou o Lula, precisamos tirar o Lula. E esse é um ponto, Igor, sem querer me estender muito, mas que muita gente tem dificuldade de distinguir no Brasil, né? Uma coisa é você combater aquela pessoa e aquele partido para botar a pessoa que você quer ser o aliado, ou você ou o seu partido e tal, no lugar da outra. Outra coisa é a postura, vamos dizer assim, ética, moral, de quem vê aquele partido como ruim porque aquele partido é feito de pessoas que incorrem em mentira, em hipocrisia, em esquemas de corrupção, em financiamento de coisas erradas, de autoritarismo, etc.
Então o quê? Você combate aquelas coisas erradas. Não é simplesmente um combate a que aquelas pessoas fiquem no poder. É também, né, as pessoas que enxergam isso e que têm essa, são pessoas dessa outra categoria, elas não ficam satisfeitas apenas com você retirar do poder determinada pessoa, determinado partido que tem um histórico dessas práticas. Ela quer o quê? Ela quer retirar essas práticas. Do Poder Executivo, no caso da administração pública.
Então você tem essa outra esfera de pessoas. O bolsonarismo, assim como era o tucanismo, é composto de pessoas que disputam cargos. Elas querem retirar aquelas pessoas dos cargos, elas usam a sujeira daquelas pessoas para convencer o restante de que elas precisam ser substituídas por Essas pessoas que são os integrantes do bolsonarismo. No entanto, quando a gente olha para o histórico bolsonarista, o histórico do Flávio, dos amigos do Flávio, aliados do Flávio, dos candidatos do Flávio, tem um monte de pontos em comum com o histórico petista.
Então é isso que precisa ser enxergado. E é por isso que a situação é ruim, como você descreveu. A gente tá caminhando para isso. Pois é, é ruim que seja assim. Agora, independentemente da pessoa que esteja lá, tem mais sujeira no histórico, menos e tal, etc., a população precisa aprender a vigiar essas pessoas, a se desprender dessa propaganda política. Cada hora que eu recebo no chat: nós precisamos nos unir para derrotar fulano, para derrotar partido.
Cara, eu sou jornalista, faço jornalismo. O que eu exponho, vamos dizer assim, no meu trabalho É mentira, é o escândalo de corrupção, é a criminalidade, é a hipocrisia, é dois pesos, duas medidas, é isso, é aquilo e tal, não sei o quê. São, de certa forma, né, do ponto de vista assim como analista crítico, como alguém que dá opinião, eu combato a mentira, eu combato tudo isso. As pessoas incorrem nessas mesmas práticas, eu vou combater essas práticas, seja de qual lado for, que os meus princípios não se alternam, não Eles não são, vamos dizer assim, mais utilizáveis em relação ao lado do que em relação ao outro.
Se você passar pano, se você acobertar a sujeira de um lado em nome do combate ao outro, esse lado, como o episódio do Valdemar demonstra, foi tratado no programa de hoje, ele vai incorrer em mais e mais sujeira. Então as pessoas querem acobertar toda a sujeira em nome do combate ao outro lado, e elas não percebem que elas estão alimentando um monstro que vai sair desse tipo de cobertura, aqui no pior sentido do termo, né, para não equivaler àquela que eu tava defendendo no futebol.
Enfim, dito tudo isso, voltando só para o ponto da análise eleitoral, Flávio busca resistir para chegar no segundo turno. E mesmo sob uma série de críticas merecidas, legítimas, eventualmente pode ter alguma que eventualmente um cidadão eleitor e tal faça, que não seja legítimo, etc. No entanto, ele é objeto de todas essas críticas, e muitas delas ele fez por merecer. Mas para chegar no segundo turno, e algumas dessas pessoas que votaram no primeiro em outros candidatos escolham votar nele, e sejam algumas em número suficiente, sabendo que várias não vão votar, várias vão anular, várias vão votar branco, etc., eventualmente vão votar até no Mas ele precisa de algumas em número suficiente para desempatar, para vencer o Lula.
Então assim, ele luta pela resistência a todos esses escândalos que ele sabe que ele tava envolvido. Então assim, é um cenário obviamente tenebroso da política brasileira nesse momento, mas como ele trava o crescimento de uma outra alternativa E ao mesmo tempo ele arrisca a oposição a perder no segundo. Não é que ele não tem a chance de ganhar, sempre apontei isso aqui, tem chance de ganhar porque o outro lado é muito sujo. Então pode ser que ele consiga fazer do limão uma limonada, mas é uma figura que arrisca a oposição porque tem uma dificuldade nessa projeção de segundo turno, enfrentamento ao PT.
Felipe, é, cara, a gente vai terminar por aqui. Muito obrigado aí pela tua participação estando tão longe, cara, estando aí em Nova York. Espero que esteja curtindo o que quer que tu esteja fazendo aí, tá bom? Cuidado para não ser enrolado no Times Square, cara.
Exatamente. Não, eu falo isso, cara, que a gente pode olhar o celular, mas eu olho sempre atento, sempre com muito cuidado. Tomara que ele continue aqui ao longo de toda essa viagem. Muito obrigado, Igor, produção, audiência do Santo Flow. É um prazer falar com vocês. E me sigam lá no Instagram, já falei, Felipe Moura Brasil, no X é F Moura Brasil, e no meu canal do YouTube. Hoje eu não consegui fazer o programa porque a semifinal atropelou o horário, mas eu tento fazer todo dia.
Nessa semana, com viagem, Copa do Mundo, pode ficar aí menor, mas na segunda-feira que vem já começa de vez aí a cobertura eleitoral pós-Copa do Mundo, com muitas muitas frentes de trabalho. E eu estarei aí cobrindo toda a política brasileira, cultura, os esportes também, de maneira assídua, diariamente. Muito obrigado, Igor. Grande abraço para você.
Valeu. E você que assistiu a gente, muito obrigado pela moral também. Não esquece de se inscrever aqui. Segue o Felipe, tá aqui no comentário fixado, todas as redes sociais dele, tá bom? E segue a gente também, por que não? Já se inscreve aqui no canal. E tem aqui embaixo também na descrição o teu Discord para você sugerir novos convidados, novos temas também. Vira membro do canal, custa menos de R$8, cara, e a gente cria conteúdo exclusivo para vocês aí o tempo inteiro, tá bom? Mas é isso mesmo, um beijo e até a próxima.
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