JOE + JÚLIA - Flow #621
Irmãos gringos e baianos
- Experiências de vida e superaçãoInseguranças financeiras na infância · Medo e adrenalina em situações de perigo · A sexualidade e descobertas pessoais · A influência da mídia e redes sociais · A busca por um parceiro ideal
- Pauta Identitaria e CulturalChoque cultural entre Brasil e Inglaterra · A fase de adaptação ao retornar · A influência do ambiente social na percepção · O conceito de 'sprezzatura' na cultura inglesa
- Expressões Idiomáticas e GíriasDiferenças de sotaque no Rio de Janeiro · O sotaque 'MLE' (Modern London English) · A adoção de gírias e sotaques por status · Dificuldades com a gramática portuguesa
- Situações de Risco e Tomada de DecisãoAssaltos e tiroteios no Brasil · O medo de frequentar certos lugares · A reação em situações de perigo extremo
- O papel do humor e da brincadeiraPiadas sobre o Holocausto · O humor autodepreciativo inglês · O humor 'esculhamba' e 'sneaky' · A história da 'mijina' na piscina
- Influenciadores DigitaisO curso de inglês britânico · A viralização e o sucesso online · OnlyFans e a exposição pessoal · A diferença entre blogueiros e YouTubers
- Trajetória profissional e acadêmicaEstudo de Antropologia e Literatura · O valor do networking e contatos · A importância da pronúncia no inglês · O mercado de trabalho e a IA · O papel da internet e redes sociais
- Futebol e jogadores famososTorcida pelo Flamengo e Palmeiras · A influência de Zico no futebol japonês · Ídolos britânicos como David Attenborough · Ayrton Senna e sua popularidade no Japão
Salve, salve, família! Bem-vindos a mais um Flow. Eu sou o Igor. Hoje eu vou conversar com, bom, com o Joe. E aí, Joe, tudo bom?
E aí, Igor, tudo bem?
Eu tô bom. E tem a Júlia ali também.
Ah, essa daí, quem não entendeu também tá de sacanagem, né, meu irmão?
Bom, então vocês são gringos e baianos ao mesmo tempo, né? Então os cara fala inglês Londrino, né, de diferentes classes sociais, né, mais ou menos assim.
É uma leve diferença de burguesia.
Isso. E baianês também, cara, um baianês cristalino inclusive. Parabéns pelo baianês de vocês, vocês são bons nisso daí mesmo, né. O que, o que, bom, como é que eu descobri vocês? Eu descobri com o Jô sacaneando o pai de vocês. Né? Eu descobri vendo um vídeo antigão de tu dando pro teu pai comer umas paradas. Ele tava comendo as paradinhas dele de inglês.
Biscoito, é... Marmite. Tava comendo Marmite, que é um...
Isso, eu não sei o que que é isso.
É uma comida muito tipicamente britânica e o bordão dessa comida, da marca mesmo, é ou você odeia ou você ama. Porque é muito ruim mesmo.
Mas é o resíduo de cerveja.
É, é stouts.
Porque tem toda a creca que faz no processo de... Produzir cerveja é isso.
Mas você gosta, né?
Gosto.
Eu não gosto não, mas aí eu dei cuscuz e farofa de ovo para ele, que obviamente é bem melhor.
É, então não que o teu pai não conheça em boa medida, eu suponho, a cultura brasileira, porque afinal de contas ele é casado com a mãe de vocês, que é baiana, né? Até onde me consta, né? Pois é. Mas qual que vocês diriam, vocês que também conhecem bem as duas culturas profundamente, é qual que vocês diriam que principal choque? Porque o choque da língua, esse vocês não têm, né? Porque vocês foram educados nas duas línguas, né?
Então vocês, de novo, falam muito bem, cristalino, as duas. Então essa não é uma barreira que existe, né? O que que é?
Ah, eu tenho várias.
Eu acho que um dos maiores é o comportamento assim a forma de agir. Por exemplo, quando meu pai conheceu minha mãe, minha mãe pegou no braço do meu pai. Aí meu pai achou que ela queria comer ele já, mas não queria.
Só de encostar no braço?
Só é a forma brasileira, né, baiana e tal. E eu acho que tem essa. Minha mãe fala direto que tipo ela sofreu muito quando ela se mudou para Londres, com assim, ela falava alto, falava muito perto da cara dos outros, e o povo realmente gosta do seu espaço. E demora mais pra você virar amigo íntimo de uma pessoa. Tem uma barreira assim construída entre você e qualquer pessoa que você não conhece. Não é normal você puxar papo com alguém na rua.
Até eu, que eu acho certo, eu acho legal, mas se alguém falar comigo na Inglaterra na rua, eu estranho. Eu acho que ele quer meu mal, alguma coisa assim.
Realmente, verdade.
Mas é algo que eu gosto, porque é do lado baiano, só que não é algo normal.
Mas vamos lá, o inglês médio, ele é tipo Mr. Bean?
Eu acho meu pai bem parecido.
Gente, meu pai é muito louco. Ele botava aranha dentro de pão pra comer, só pro choque, pro valor de choque.
Comia as irmãs mais velhas, ele ia assim.
Calma aí, o que é?
Não é algo que ele fazia com costume, né, mas é uma história dele que ele conta, é que ele pegou uma aranha, botou no pão e comeu. Meu pai, ele faz—
tu falou se ele comia as irmãs mais velhas?
Não, isso não é na Inglaterra não, outros países por aí. Mas meu pai é um cara que ele sempre é— como é que Bianca fala? O pai engajar? Ah, ele inventa para engajar, ele inventa para engajar. Meu pai, ele sempre inventou para engajar. Poxa, meu pai já esquiou pelado. Ele é um, ele é uma pessoa, deve ser uma figuraça mesmo. Ele é uma pessoa estranha assim, ele já falou Assim, merdas aonde em momento que não pode. Eu não sei se eu posso falar.
Ok, wait, wait. Sobre... Foi embora? Não. Porra, agora foi difícil falar, Diogo.
Ah, sim.
Eu não lembro exatamente a história, mas é, tá, pode falar.
Tipo, meu pai é judeu, né? Ele não pratica, mas ele é. Assim, de descendência. Aí a gente tava numa conferência na nossa casa com um monte de sobrevivente do Holocausto. Aí meu pai vai e mete piadas do Holocausto, tá ligado? Mas não é, mas obviamente nada contra, né?
Ele é, eu entendi, eu entendi. Eu conheço, eu já fui num rolê com os cara também para visitar campos de concentração, grupos assim com jornalistas e tal, e os cara fazia piada também que eu ficava, qual é, mané?
Aí o cara, eu acho uma forma de lidar.
Então eles falam que é uma forma de lidar, é uma forma de lidar, mas tô entendendo. Mas esquiar pelado Puta que pariu! Vocês pegaram alguma parte dessa maluquice dele?
Nós somos, estamos vivendo de blogueiragem, que é a maior invenção para engajar.
Eu acho que ele virar blogueiro no Brasil com 76 anos é assim, é o ápice de tudo que ele sempre quis fazer.
Como é que você fala attention seeking em português?
Que você tá sempre querendo buscar uma atençãozinha, chamar atenção, mas não é com maldade, não é pontinha de atenção. É, somos todos pontinho, mas ele não é carente, ele não é carente, ele só gosta de ver a reação das pessoas.
Ele curte então?
Curte bastante.
Mas você perguntou se todo inglês, ou se todos os ingleses são como tipo Mr. Bean. Eu acho que realmente isso é uma diferença cultural. Os ingleses valorizam ser um pouco esquisito, porque é uma coisa assim, eles gostam do único.
Acho que ela é de lá também.
De quem?
Green Lady. Todas as paradas dela é verde, até na casa ela tem o cabelo verde, ela é esquisita.
No Instagram você tá falando?
É, acho que sim que eu via.
É isso, você não vê. A nossa cultura aqui no Brasil é muito mais monocultural, todo mundo se veste. Você vê os Enzo lá de Salvador, preto, preto, mesmo sapato. O inglês, eles usam a roupa mais louca.
É, eu tô no meu modo brasileiro, Enzo britânico, eu acho, um dos modos, porque tem várias, tem várias subculturas por lá. Eu acho que aqui é mais realmente Entendi.
Mas assim, outra coisa, quanto mais dinheiro que você tem na Inglaterra, quanto mais doido o seu jeito de se vestir. Porque se você não tem muito dinheiro, você não tem esse privilégio de ser doido, você vai ser demitido.
É mais com você mais conformista, realmente. Tá, tá, super.
Então tu consegue dizer se um cara tem grana lá na Inglaterra, que é se ele tá se vestindo de um jeito esquisito? Isso é um dos indicativos, por exemplo.
Às vezes você vê um cara na rua que você tem certeza que é mendigo, mas na verdade tem dinheiro pra porra. Aquele cara que anda por Hampstead, ele tipo, ele anda com uma cestinha de compra, assim, ele é muito velho, tipo uns 300 anos de idade aí, tudo fodido, mas tem muito dinheiro, a gente conhece ele, sabe? Meu pai é igual, basicamente.
Gente, meu pai não anda de terno, sorry, newsflash. Ele, todas as roupas ele tem buraco.
Ele anda de terno, sim.
É, sim, também anda de terno, mas é no dia de trabalho, né?
Acabou a porra do meu Instagram todo agora, né? Ninguém liga, cara.
Eu acho que o que, assim, de fato, que nem eu falei, o teu pai é um personagem muito curioso. Então tu vê, com certeza a roupinha dele compõe, tá ligado? Mas assim, as pessoas não, eu não acho que as pessoas esperam encontrar ele no supermercado com aquela roupa.
Será? Não, assim, quando ele volta do trabalho, ele trabalha interno, não é?
Então, teu pai trabalha ainda? Com todo respeito, teu pai tem quantos anos?
78, 79 agora.
Puta que pariu, meu irmão!
Mas eu acho que ele gosta e eu acho que é o que mantém ele jovem até hoje, não só a cabeça dele também. Mas é, eu espero que ele não pare de trabalhar realmente, porque eu acho que faz bem para ele.
Mas realmente tem essa coisa, quanto mais dinheiro a pessoa tem, mais você pode ver do jeito da roupa, geralmente É roupa de brechó, roupa vintage.
Eu acho que talvez o estilo entre as meninas ricas da faculdade de Júlia, da minha também, as inglesas, não as europeias, de roupa de segunda mão, brechó, e se vestir mal, andrógino também, uma coisa mais andrógina.
O nosso silhueto na Inglaterra, uma coisa quadrada. A gente no Brasil é mais apertadinho, a roupa mais feminina.
Então existe um conformismo, sim. Entre as classes, só que é diferente, os estilos são diferentes, mas ainda existe, né?
E teu pai, advogado, é, mas assim, lá nos teus vídeos lá você fala que vocês tiveram a educação muito foda, que foi caro. Dá para então ganhar um dinheiro maneiro sendo advogado?
Dá, mas eu acho que não foi o dinheiro, porque ele é criminalista na Inglaterra, o que menos, um dos que menos ganha, eu acho, o criminalista. Então assim, a gente, ele tem casas também, ele tem uma casa em nossa casa que é dividida no meio, outro lado é alugado, e tem outra casa no bairro que é bem caro também. Casa do, são herdados dos pais, e eu acho que veio disso, veio mais disso. É difícil, e o direito, a advocacia foi mais um assim um extra, entendi, para segurar a onda, para viver.
Exato, porque desde que a gente nasceu ele nunca trabalhou Full time, tipo, é muito porque ele já era velho quando nasceu, né?
E aí vocês são, você é a primeira filha?
Não, eu tenho mais duas irmãs mais velhas que moram sozinhas.
Aí ele teve filhos na idade normal também, antes.
Nossa, gente, nosso pai é muito velho.
Mas meu pai é atrasado também, ele saiu de casa, a gente tá debochando ele, mas ele saiu de casa com acho que foi 36, 100 e poucos anos.
Não, mas meu pai realmente é prova que você pode começar sua vida um pouco mais tarde e ter uma vida bacana.
Eu sou mais do jeito, tudo é mais Ele nunca sentiu pressão para sair de casa assim, para fazer nada assim. Ele sai de casa tarde, só quando ele casou e teve filhas, e ele foi feliz assim. E voltou morar com os pais depois, quando eram mais velhos, e que eu acho que é mais normal no Brasil. Mas na Inglaterra tem uma pressão muito grande para você sair de casa logo que você se formar. Você vai para faculdade, já mora fora, depois quando volta você fica uns meses e depois sai.
Menos hoje em dia, eu acho, porque não tem tanto em casa, ninguém consegue fazer isso. Mas em que etapa da vida então vamos Vamos lá, tá bom.
Vocês estão respeitando qual o modo de vida, o britânico ou o brasileiro?
Porque assim, brasileiro, bem brasileiro, aonde dá para ficar de graça a gente fica.
Eu já há muitos anos, e para mim não vale a pena mais fazer isso, gente.
Se tem casa de graça com nossos pais, nossos pais são de boa.
Então tem isso, mas acho que também pode dar uma desmotivada você morando em um lugar que você não precisa pagar aluguel, porque você precisando pagar lugar, você tem que correr atrás. Mas é muito estresse, gente, não quero mais não. Já voltei.
Eu acho que se meus pais fossem chatos, eu acho que eu queria sair.
A gente se dá muito bem com os nossos pais, até demais, que a gente não quer sair de casa.
Realmente, parece tipo uma união mesmo, tipo de amigos, nós quatro e os cachorros também. Minha mãe vai, tem que falar deles também. Mas é isso, eu não vejo, eu acho que só quando eu me casar, talvez.
Aí também tu vai querer, né, Jota?
Entendi, a vibe é vou sair dali quando eu quiser, né, cara? Eu até saí meio tarde também, na real, eu saí meio tarde também de casa. No meu caso eu não tinha mesmo condição, aí quando deu eu saí, entendi, deu, eu ralei, mas foi meio tarde também.
Mas aí vocês, vamos lá, mas no Brasil, desculpa, a expectativa tem uma expectativa hoje em dia ou é de boas a galera ainda morar com a família? Que eu não sei hoje em dia como é mais assim essa estrutura.
Eu acho que é a galera não pira muito do cara, ninguém enche muito o saco para tu sair da tua casa. Assim, vamos lá, como era a minha relação em relação das pessoas que viviam na mesma camada que eu, era: não tem problema, não tem problema tu morar na casa dos teus pais se tu ajuda, entendeu? Então, se tu trabalha, não sei o quê, nunca, nunca foi um problema. Então eu não, os cara põe para fora, os cara pega no pé dos maluco que fica só sugando diretão, entendeu? Então, mas não sei se isso é uma pressão muito grande aqui ou se não, entendeu?
Acho que não, eu gosto disso, uma das coisas que eu mais gosto no Brasil.
Mas vocês terminaram faculdade?
Sim, sim, eu tranquei no último ano e aí foi aí que eu comecei a gravar vídeo. Não tava fazendo nada com minha vida, então pensei, ah, vou gravar. Mas aí eu voltei no ano seguinte, voltei, terminei, estudei antropologia. Então assim, era só para ter mesmo, porque ia estar rodando Uber agora, mas a internet salvou.
Não, mas na Inglaterra, gente, na Inglaterra você pode fazer degrees que são um pouco aleatórios, faculdades que são um pouco aleatórias, ainda conseguir ganhar bem.
É muito mais sobre a faculdade que você estudou Quer um biscoito? Pô, quero!
Vocês chamam de biscoito? Chamam de quê?
Biscoito. Só que eu tenho alergia a nozes, gente, vou me cagar toda se eu como.
Tá bom.
Traquinas, não tem nozes não, eu acho.
Sim, eu fui para uma festa recentemente na Inglaterra e todo mundo tá trabalhando com IA, todo mundo é DeepMind, Google. Então você pode fazer uma coisa meio aleatória e faz treinamento.
O quê? Eles estudaram o quê?
Grande variação assim, tem variedade, tem francês que eu fiz, tem psicologia, tinha economia, tinha matemática. Acho que você nem estuda, não é muito comum uma galera estudar matemática na faculdade. Talvez engenharia, medicina e direito. Todos os meus amigos em Salvador são médicos, 80%.
O Brasil, o país que mais forma advogado do mundo.
É, sabia? Médico, advogado, odonto, ou muito odonto. Em Salvador é muito isso. Acho que em São Paulo, acho que em Salvador os ricos estuda direito e medicina. Aqui, quando fui para uma festa, acho que foi na Vila JK, Me falaram que era tudo, todo mundo estudava administração ou business, acho que é a mesma coisa, ou finanças, ou tipo alguma coisa para trabalhar com a empresa do pai.
Sim, tu fez antropologia? Tu fez o quê?
Literatura, francês, mas com muito foco em literatura francesa. Comecei com russo, troquei para alemão, troquei para política.
O quê?
Trocou muito porque eu tenho Eu tenho indecisão crônica. Isso é... realmente, eu troquei demais, demorei demais pra me formar.
Tá de boa, deu certo no final. É, mas é muito mais sobre quem indica lá, quem indica e o nível da sua faculdade. A gente estudou em faculdades boas.
E também o jeito que você entrevista. Essa é uma coisa que as nossas escolas particulares ensinaram a gente, entrevistar bem. Eu nunca fui pra uma entrevista de trabalho que eu não consegui, porque as nossas escolas ensinam a gente a falar direito.
É sobre ser gente boa e não ser pau no cu. Quem quer trabalhar com pau no cu, né?
E tem uma certa confiança, eu acho.
Não sabe fazer nada porque estudou na tecnologia.
Tem que te ensinar a não ser um pau no cu, porque senão tu é um pau no cu.
Pois é, genético.
Entendi.
Genético, tem que ensinar.
E assim, o diferencial das escolas fodas é que ela é foda em te ensinar a não ser um pau no cu, entendi.
Na verdade, muitas escolas particulares produzem muita gente pau no cu. Todos os nossos políticos foram para essas escolas. Eton, Harrow, extremamente cara, gente, R$60 mil por ano. E eles são os maiores pauzudos.
Tem um preconceito com quem estuda em colégio particular, e porque é só 4% da população, então é muita pouca gente, né? Então assim, eu evitava quando eu jogava bola, eu não falava, eu falava que eu tinha bolsa para ser diferente, né? Não, eu estudo lá, mas eu tenho bolsa de matemática, que era minha pior matéria.
E você escondia seu sotaque um pouquinho, né? Não, Tem gente que faz isso.
Então, pera aí, sobre isso, sobre isso, isso para mim foi curioso. Ele disse que o teu inglês é levemente diferente porque você tava convivendo com uma galera, entre aspas, de uma casta muito sinistra.
Pois é, eu acho que esse é o grande diferencial entre a minha escola e a escola de Joel. Não é o fato que minha escola foi 20 mil libras e a escola de Joe foi 15 mil libras. Foi o fato que minha escola foi em um bairro extremamente nobre, o mais nobre de Londres, que é South Kensington.
O dinheiro era só um detalhe.
É, não, Joe falou essa coisa de 15 mil, 20 mil para ser conciso, que ele não quer explicar. É, pois é. E a escola de Joe foi num bairro mais residencial. Então sim, a galera tem dinheiro, mas são médicos, advogados, era inglês.
Novo rico, e o de Júlia era tipo princesa do Catar, princesa da Grécia, tataravô era dono de escravo.
É assim, colonizou algum país, tá ganhando dinheiro, tá vivendo desse dinheiro até agora. Então são dinastias, tinha muito dinheiro internacional, mas também tinha uma porcentagem menor que era aristocracia inglesa, tipo Camilla Queen, Camilla a rainha atual. Então tem um certo jeito de falar quando você tá, tem essa descendência aristocrata.
É pouca diferença no sotaque, eu acho que o dela é só um pouco mais assim Eu entendo, eu entendo, mas calma, vamos lá.
Isso aqui é muito interessante, vamos lá. Essas pessoas que são de dinastias, que são— quando tu sabe, quando é que tu sacou que tu tava no meio desses cara?
Rápido, é no primeiro dia. Eu falei, gente, alguém tem um dinheiro para almoço? Eu tô sem dinheiro. Eu tava querendo assim uns 3 libras para comprar um sanduíche. A mina me deu 30 libras, que é o equivalente de R$210. Uma mina de 12 anos na época. A galera trazia via bolsa de Chanel, de Goyard. Aliás, não, desculpa, a primeira vez que eu percebi foi quando eu fui para casa de interior da minha melhor amiga, que é, que era russa.
Casa, mas era a casa de interior dela, gente, era um castelo de 800 anos, era desse nível, era sinistro o nível de dinheiro.
Oligarca russo, era oligarca mesmo.
E tem, eu não tenho coisa não, meu Deus, tá, você é muito detalhes, mas assim, é muito Família de dinastias mesmo, então, do mundo.
Pessoas que, tipo, eu andava no centro de Londres, em um bairro que é bem centro. E é um café? Não, tô de boa, obrigado.
Talvez. Aliás, tem chá.
Eu não quero tomar chá, verdade.
Qualquer um pode.
Isso aí, performática, performática. Ela não toma chá não.
Quando o chá saiu da minha boca, eu sabia que eu ia fazer isso. Quando eu tava andando no corredor assim, eu andava e as meninas apontavam: ah, essa é a princesa da Grécia. Foi rápido que eu conheci.
E aí, tá bom, aí tu descobriu, tu não é a princesa de lugar nenhum. Não, sou bem princesinha do seu pai. Exatamente, né? Tá bom. E como é estar no meio dela? Como essas pessoas reagem com outras pessoas que não são necessariamente filhos oligarcas russos?
Então eu era minoria, mas assim, existia pessoas como eu que eram classe média alta, mas não desse nível. Eu acho que a galera fica— eu lembro que a galera ficava chocada que não tinha nenhum item de Chanel ou de Goyard. Era realmente uma coisa meio estranha que não tinha nada designer. Mas eu sentia orgulho disso, que era uma coisa diferente. Eu acho que na minha escola o status realmente era ligado com a quantidade de dinheiro que você tinha.
E minha visão do mundo ficou um pouco distorcida, porque acabei pensando que eu talvez não tinha tanto dinheiro. A gente na verdade falou disso ontem.
A gente tem o mesmo, a gente tem o mesmo, tinha o mesmo complexo, um pouquinho de insegurança, não complexo, mas uma leve insegurança. Não fazia muito efeito na minha vida, mas era o que eu percebia, que tipo eu era o pobre dos ricos, né? Eu tinha meus amigos que eram os, os realmente meus amigos eram quem tinha bolsa no colégio e O povo falava muito de dinheiro, era muita ostentação mesmo, de carro, de roupa, de viagem. E a gente, nosso pai, uma vez ele achou pão no lixo mofado e trouxe para dentro de casa para comer, porque ele é do jeito dele.
E aí também eu me lembro, eu perguntava para minha mãe, a gente é rico? Ela falava que a gente era confortável. Aí para mim isso era pobre. Aí eu não sabia, a gente tinha essa leve insegurança. Então às vezes eu me lembro, tinha um pouco de insegurança para trazer alguém para minha casa, que hoje em dia eu amo minha casa, uma casa grande para Londres, só que não era no mesmo padrão que a casa de todo mundo, né, que era tipo piso branco de mármore, ou em um certo bairro, é, num certo bairro, todo mundo com o mesmo carro. Eu, nosso pai tem um Vauxhall Corsa de 2013, a janela é assim.
Ele curte o carro, que eu sei, ele já viu, né?
O importante para ele é de um lugar para o outro, e é só isso mesmo. Para ele, já, ele falava quando a gente era criança que ele queria comprar um carrinho de leite. Não sei como fala isso em português, aqueles carrinhos que transporta leite. Não sei se eu sei.
O carro do leite aqui no Brasil é outra coisa.
É, pois é. Eufemístico aí, é. Lailer. Mas é, ele que, ele tipo, ele reclamava de gente que tinha carro grande e falava, qual a necessidade disso?
Ah, sim, isso é uma grande diferença entre culturas mais internacionais, tipo árabe, russo, italiano, francês e o inglês. O inglês, até tendo dinheiro, não gosta de ostentar o dinheiro. Você não concorda com isso?
No meu colégio ostentavam quem tinha dinheiro, mas eu acho que é isso. Então a gente tinha essa insegurança, mas hoje em dia, quando a gente saiu do colégio, lá para o final do colégio, a gente começou a perceber, na verdade, porque, né, a gente tinha amigos no Brasil também que realmente eram pobres assim, pobres mesmo, e dava, mas era uma pobreza que não dava para comparar, porque era muito diferente da nossa situação.
Então a gente não se comparava com eles, a gente se comparava com a gente, que era mais ou menos a gente, só que muito mais.
Também não tinha noção das dificuldades da vida no geral, a gente não tinha muita noção. E aí a gente foi percebendo que na verdade, porra, a gente tava no melhor patamar aí. A gente não tem dinheiro para caralho, tá confortável aí, nossa família é unida, nossos pais estão juntos, e que a maioria—
situação, que lugar esquisito para se estar. Eu acho que eu tô entendendo. Vamos lá, vamos ver se eu entendi. Quando vocês estavam no Brasil, vocês eram, eram— eu entendo, é Salvador?
Salvador?
Não conheço Salvador, mas eu faço uma ideia, já fui alguns lugares lá, mas algumas vezes. Então eu sei que dá para, dá para ter uma diferença muito gritante entre classes em Salvador. E dentro dessa, essas diferenças aí, vocês estavam bem, quase no topo, vamos dizer, né? Quase no topo. Mas quando a gente transporta isso para Londres, a diferença fica muito maior para o outro extremo. Tinha gente, vocês lidavam com pessoas que eram muito mais ricas.
Então você fica numa posição que tu não sabe se tu, onde é que tu, caralho, eu sou pobre, eu sou rico, especialmente sendo um Um jovem que você, você tendo, você tem 24, tem 26, fizeram, estamos falando uma época que eles tinham, sei lá, jovens adultos ou não, adolescentes. Então eu consigo entender que é uma posição que é, mãe, tenho dinheiro, estamos confortáveis. Caralho, que diabos quer dizer, mano?
E também, tipo, minha mãe não, sempre o que eu comprava era a versão mais barata daquela coisa.
Minha mãe, quando saiu PlayStation 3, tu tinha um?
Não, eu fui comprar um Xbox 360 É quando o PlayStation, quando o Xbox One saiu.
Por quê?
Porque tu não se interessava?
Não, eu me interessava muito, só que todo o dinheiro ia estar indo pra escola.
Eu não gostava de pedir assim, e eu acho que muitas vezes quando eu pedia, eu não gostava de pedir.
A gente precisa de um pequeno violino aqui, viu, tocando no lado.
A vida era muito difícil, mas e assim, tudo era sempre de segunda mão.
Como você lidava com as coisas assim? Tu tinha Tu tinha umas vontadezinha? Tu, ah, pai, queria ter um iPhone.
Não tinha assim. No sétimo ano, quando ela entrou pro colégio, ela recebeu um Android e ela queria um BlackBerry, sabe? O BlackBerry. E ela chorou, chorou porque ela não tinha. Você sofria muito com essas conversas?
Eu tinha mais que jogo, porque jogo não tinha não.
Eu era de boa.
Eu acho que outra coisa também era Instagram. As minhas do meu ano usava muito Instagram, então a comparação tava bem aí. Então assim, É, eu era mais insegura, muito mais que Joel.
Eu era feliz com meu Xbox 360 de merda, mas assim, era sempre— eu não— nossa vida sempre foi muito boa, muito boa. Eu só tô falando que essa comparação entre meus amigos era porque eles sempre recebiam tudo assim de primeira mão, a coisa mais nova, lançamento mais novo, e eu demorava mais para receber. E eu pensava, será que meus pais estão apertados? Ou será que meus pais só seguram mais o dinheiro. E aí minha mãe falava que, ó, esse povo aqui gasta dinheiro, você vai ver, daqui alguns anos vão estar tudo quebrado.
Eu sabia que acontecia isso aqui em Cuiabá.
E aconteceu com vários amigos que tipo venderam a casa, foram morar num lugar menor, então—
Ou prisão até.
Eu acho que meus pais só—
Tem alguns na prisão.
Tem muito, verdade.
Os dois.
Tem muito, tinha muita responsabilidade financeira.
Sim.
Entendi.
E o meu equivalente era tipo, o Joe era a questão do Xbox ou do carro, pra mim era viagens. Tipo, tem lugares específicos que a galera desse nível vai, tipo Eggstad, St. Moritz e Courchevel para esquiar. Tem esses lugares específicos para esquiar. A gente não esquiava, a gente era bem clássico.
A gente ia para o Brasil, que era melhor ainda, e eu só queria ir para o Brasil mesmo.
Mas eu tinha insegurança sobre isso no Instagram. A gente foi, isso é muito vergonhoso, você vai, gente, você vai na Itália.
E a gente foi para o norte da ilha Como é que ela vai entregar o ouro, porra?
Não, mas esse é ouro mesmo.
A gente foi para Sardenha, para o norte da ilha.
Não, a gente foi para o sul da Sardenha. Só que aquela parte legal da Sardenha que todo mundo tirava foto do Instagram com aquela água bem azul, essa época de 2014 que todo mundo ligava muito para água azul de Instagram.
Só você, Dili, não lembra dessa época.
Eu e as minhas amigas doidas da escola. Eu queria ir para a parte norte. Eu vou ser cancelada, né, gente? Eu vou aparecer no app do Leblon, aquela conta do Instagram. Mas eu queria ir para a parte norte da ilha porque a água era mais azul para tirar tirar foto no Instagram para mostrar para as amigas.
Eu tinha, eu surtava com isso.
2014, você era uma criança.
Mas eu acho que andar com gente muito rica realmente subconscientemente me adoeceu um pouquinho.
Adoeceu, não adoeceu, não sei, mas o bagulho que você falou lá no começo, que é muda a tua percepção de mundo, ela fica meio perdida mesmo. Eu entendo, porque imagina eu explicar para minha filha que eu dormi no chão Uns 10 anos que eu não tinha cama. Tipo, a minha filha que tem um quarto, que tem a cama, que fica, que tem computador dela. Não, eu fui ter isso aí depois, eu fui comprar videogame depois de velho. Aí hoje eu tenho uns videogame velho que eu queria ter na época e não tive, tá ligado?
Mas eu entendo que é difícil de explicar mesmo, e eu entendo que para minha filha é difícil de entender mesmo, sim, né? Porque é Mas experiência, a tua mãe deve ter tido dificuldade. Assim, você falou que tua mãe não era exatamente rica.
Sim, não, acho que a mãe dela era funcionária pública.
Então explicar, ela com certeza em algum momento mandou vocês apagarem a luz e tentou explicar por quê, tá ligado? E vocês cagaram porque não fazia sentido, né?
É, meu, na verdade, meu pai que sempre teve dinheiro é o mais filho da puta com essa questão. Minha mãe, luz, água, TV, meu pai é Assim, não, ele é casquinha. É, ele, o estereótipo de judeu talvez seja verdade. Mas é, ele é muito casquinho.
Tecnicamente vocês não são não, a menos que a mãe de vocês seja.
Não passa pela mãe, né?
Tecnicamente não são.
Então é isso, eu tiro o que eu disse. Mas é, meu pai é, minha mãe ela era um, entendi.
Mas eu achei que fosse vir dela um pouco mais esse lance de segurar a onda. Então teu pai que é o chatão, Guinhas?
Mas ele cobrava menos de educação, minha mãe cobrava muito mais de estudar. E eu acho que ela sentia talvez um pouco de tristeza que a gente não aproveitava tanto das oportunidades de trabalho, de estágio, de escola, tanto quanto a gente deveria ter feito. Eu acho, eu sinto esse peso. Eu não senti esse peso, mas eu sinto.
Ela já falou que tá muito orgulhosa de você.
Ok, uau.
Ó, é, no mínimo, a tua Você fez alguns, você deve ter uns amigos do tempo de escola que você tava nessa, com essa galera.
Então a maioria não, mas alguns.
Então, mas o fato de, vamos lá, um dia você vai estar fazendo alguma posição de trabalhando uma parada aí que passa por esses caras que estão em posição de poder em algum momento. Então eu acredito que, que estar nesses lugares aí vai construir uma relação, ou estudar nesses lugares aí ajuda com mais do que só a educação, sabe?
É o contato, é as pessoas estão perto, né?
O network, sim. Meu primeiro trabalho foi mais ou menos através de uma pessoa da faculdade, na verdade, que também era esse meio de pessoa com muita influência, que facilita bastante.
Mas ao mesmo tempo eu não sei se vale os 20 mil libras por ano. Eu não vou pagar particular para os meus filhos, ainda mais que eu ganho em real. Então eu acho que é improvável, né?
Colocando, dá para colocar nas escolas muito foda aqui no Brasil que não custa, sei lá, R$120 mil por mês.
E tem colégio público na Inglaterra, é bom. Muito bom. A minha questão foi que a gente, eu estudei no colégio público no fundamental, só que eu tinha muita dificuldade em estudar, em concentrar. Eu era, eu pensava que eu tinha algum, alguma coisa errado e que meus pais estavam escondendo de mim, que era só, que eu era o único que não sabia, que eu tinha muita dificuldade no colégio.
Mas será que tu fez alguma, alguma?
Nunca fiz, mas eu acho que eu Eu talvez tenha um— é, todo mundo fala que tem TDAH, mas eu acho que talvez tenha aí um grauzinho, eu não sei. Mas eu tinha muita dificuldade. Aí minha mãe achou bom me colocar no colégio particular porque, tipo, eu ia receber muita mais atenção dos professores. Era minha sala, minha aula de matemática tinha 5 alunos só e no público é 30. E aí realmente fez uma grande diferença pra mim, me transformou como estudante.
Tipo, eu assim, eu era péssimo, péssimo. E aí Chegou um momento que eu assim, a chave virou, comecei a estudar muito, fui para uma faculdade muito boa, que era algo que eu nunca tipo ia nem imaginar que ia acontecer comigo. E eu acho que foi devido esse colégio que eu fui, que realmente foi muito bom assim o ensino. E eu era muito feliz também, acho que ajuda. Os professores muito atentos também, eles eram pagos melhores, então eles tinham muita, muita mais paciência e queriam o seu bem mesmo.
Sabe? Eu não sentia isso no público fundamental que eu fui. Mas tem público que é bom, que você tem que fazer prova para entrar, que são seletivos. Eu não ia conseguir entrar num desses aí. Júlia, acho que ia conseguir, que Júlia sempre foi boa no colégio.
Então, qual que foi a lógica? Tu fica puto dela ter estudado na escola mais cara?
Minha era só de menina, gente.
É porque era só de menina. Na verdade, é meu particular, foi o único que eu consegui entrar, porque tudo você faz prova para entrar. Então eu fui nesse, tinha outros que eram mais caros, aí eu fui nesse. Júlia, não sei porque ela foi para esse outro.
Porque foi indicação de amiga de família que fez, que foi para uma faculdade muito boa.
Só foi por acaso, foi por acaso. O povo acha que tem preferência, se tivesse, o meu seria mais caro, porque eu acho que eu era o filho preferido dos pais, né?
É o mais novo, né?
É. Não, você é o preferido da nossa mãe, acho que foi por causa disso.
Eu era o mais fácil.
Yeah, possibly. Mas eu acho que pra mim não valeu a pena a nossa escola, não.
Acho que eu trazia menos problema. Hoje em dia talvez trago mais. Bom, hoje tu é...
Zé, cê tá indo muito bem, que isso? Cê tá muito bem-sucedido, eu não entendi essa.
É, ia falar uma coisa que não pode.
Essa coisa que eu falei do humor inglês alto... Como é que fala que cê disse?
Autodepreciativo.
Autodepreciativo, a gente é muito autodepreciativo.
Mas vamo lá, aí tu estudou um bagulho, tu estudou antropologia, tu estudou literatura francesa e agora tu tá aí fazendo vídeo zoando teu pai na internet.
Internet. É cultura, né? Tô falando sobre cultura e antropologia.
Que que tu acha disso? Tu que estudou a tua faculdade de porra de nerd para caralho.
Não, eu acho que super combina com personalidade de Joe, super.
É, sempre fui um antropólogo.
Eu acho, eu não consigo imaginar Joe em escritório, seria uma miséria.
Antropólogo, aí dá para aplicar ideias da antropologia na internet.
Eu acho que eu não, eu aprendi Pouca coisa no meu curso de antropologia.
Você não ia para as aulas?
Ia lá, raramente eu ia da época.
Você tava no Brasil o tempo todo?
É porque eu trabalhava num bar também na época da faculdade, e a gente também recebe dinheiro emprestado do governo para se sustentar. Quem mora, quem paga aluguel para morar perto da faculdade. Só que eu morava em casa, então usava esse dinheiro todo para ir para o Brasil. E aí eu ia muito para o Brasil. Acho que foi aí aonde eu comecei a ficar mais baiano ainda também, mais que eu. Mas é, eu não aprendi muito, eu acho, no final.
Vinha sozinho?
Vinha sozinho, vinha sozinho. A gente sempre veio em família, mas aí minha família começou a vir menos.
Mas aí a tua família, suponho que vocês têm uma casa lá, tem uma casa lá em Salvador.
Isso, sim, sim.
Então você vinha ficar na tua casa?
Sim, exato. E é isso, eu vinha.
E tu não tinha toda essa paixão pelo Brasil, não?
Não, não, assim, eu sempre amava, eu prefiro o Brasil do que a Inglaterra, muito mais. Eu sempre gostava muito mais, só que minhas amigas tinha casa no interior da França. Gente, eu vou aproveitar, né, vagabundar na França e na Itália. Eu queria vagabundar nos dois, mas assim, tinha essa opção, vou aproveitar um voo barato para França e uma casa de graça.
Eu tinha muito mais amigos no Brasil, então para mim era bem melhor.
Eu entendo, mas eu entendo os dois, na verdade. Eu tô sentando para caralho com a amiga de um Filha de um cara russo com grana para caralho, deve ter. É foda que assim, foda tu indo para passar férias na casa, numa casa no interior da França desses cara, e vai lá o 007 matar a família dele.
Já aconteceu, já aconteceu.
É isso que eu ia falar.
Você falou assim, já aconteceu?
Não, assim, tem, dá para falar, porque eu não vou falar muito detalhe porque não quero proteger um pouquinho a identidade do pessoal, mas tinha nos dois lados do espectro financeiro tem disfunção. Pai morto nesse lado de pobreza, pai morto nesse lado de riqueza. Eu tinha pais, ou tinha pais na minha escola que eram oponentes políticos de ditador.
Então a mãe assassinada e o pai na prisão, o pai preso porque tava, o pai preso e a mãe foi morta porque tava tentando liberar o pai. E aí ela tá vindo contra o governo.
Entendi, entendi.
É, então eu era muito— mas as férias, mas as casas na França era legal.
Então é, não era das russas, eram de outra família, que o pai também foi para prisão.
Mas eu também tinha amigo que o pai foi para prisão também, fraude, fraude de um nível.
Eu também tinha fraude lá. É por isso, essa é uma coisa que a nossa escola ensinou: não bote pessoas muito ricas em um pedestal. Tem disfunção, gente, quando tem esse nível de dinheiro. Por isso que eu tenho amigos que botam certos bilionários, que geralmente são meus amigos homens, que botam esses caras muito ricos em um pedestal. Gente, esses caras são loucos, nem falam com os filhos. Minha escola me ensinou isso: não idolatra riqueza tanto assim.
Da tua época lá, tem alguma, tem alguém que tu lembra que tu, caralho, que essa pessoa hoje em dia é famosa?
No colégio de Júlia tem muitas pessoas famosas. Acho que no meu colégio só eu.
Olha aí, você conhece a atriz Anya Taylor-Joy? Sim, ela tava lá na minha época. Ela tinha essa qualidade de estrela até na época, todo mundo conhecia ela, todo mundo falava da beleza, da magreza, da luminosidade dela.
Ela tinha essa qualidade naquela época também, mas não na minha época.
Tinha muitas pessoas famosas, mas não da minha época, só tinha ela. Mas assim, ela era mais velha, todo mundo assim olhava para ela como, uau, essa menina é uma deusa. E realmente, e ela trabalhou com meu cunhado anos depois em um filme.
Meu cunhado é roteirista de filme, ele fez Bugânia agora, adaptou, né, porque acho que já era um livro.
Que maneiro!
Mas acho que só foi A Princesa da Grécia também, mas ela sempre era, não era famosa, só que é reconhecida na nossa cidade.
Essas pessoas, elas são as picuinhas, as briguinhas, elas são, elas são parecidas com as pessoas normais? Os caras, eles são, eles são uns babacas? Tem uns babacas, tem uns cara legal que nem um mundo normal? É assim que é?
Tem vários babacas e tem uns cara maneiro também. Super, mas você tá perguntando se é tipo de briga?
Não é porque assim, as pessoas, eu faço ideia do que que são as coisas que movem as emoções de umas pessoas normais, do cara que é brasileiro, que tá vivendo aqui, não sei o quê. O cara fica puto porque, sei lá, ele gosta dela e ele também, não sei o quê. Aqui o cara, o outro, o cara que é o mais foda da escola é o cara que chega na motoquinha, entendeu? Tem umas nuances que são, sabe, mais próximas do mundo real de quem tá ouvindo a gente, tá?
Lá eu fico pensando, imagina, você tá na escola que tem esses seres aí, a princesa da Grécia, caralho, eu preciso da Grécia, tá ali que tipo de problema ela arruma na escola, tá ligado? Ela, sei lá, conversa demais, ela é escrota com as pessoas, tá entendendo?
Assim, são, tinha muita escrotice na minha escola porque era um ambiente muito competitivo. Só, eu não sei você, Jona, sua escola, mas minha escola era só de meninas, hipercompetitivo, não somente com notas, mas com aparência física. A gente falava mal do outro. Se ela tava, se ela tava usando uma bolsa designer, ela, a gente falava mal dela. Se ela não tava usando, a gente falava mal dela. A gente falava muito mal do outro e acabava tava indo assim por trás, as coisas como qualquer mundo, mas assim era sobre, era muito competitivo. E eu ainda estou louca e recuperando disso até agora.
Mudou quando chegou na faculdade?
Eu tava muito gorda na faculdade, então acho que eu, eu senti mais, eu senti talvez more self-conscious, insegura. Porque não mais encaixava nesse mundo. A faculdade foi a mesma coisa para mim. Muita gente com muito dinheiro que tem esse padrão de beleza.
Do nada, antes da faculdade, eu fiquei alta, loira, magra.
Sim, esse é o padrão, magreza extrema.
Você não achava que se encaixava?
Eu não encaixava, né? Porque por algum motivo eu fiquei gordaça antes da faculdade e eu não encaixava mais. Então amplificou essa sensação de insegurança.
Como que você ia encaixar com aquele tamanho?
Pois é, Diário. Brincadeira. Mas não tinha tanta briga assim boba.
No meu colégio os meninos eram tudo muito unido.
Era só menino no teu?
Não, tinha menino e menina, mas os meninos eram muito unidos. Tinha uns 2 ou 3 meninos que tipo não sofria bullying, mas assim sofria, bora. Hoje em dia eu olho para trás e vejo que era bullying, mas assim a gente gostava deles, eles gostavam da gente, só que assim eles eram mais pirraçado que os outros. Mas mesmo assim era brother. Mas as meninas, assim, eu acho que todo mês o grupo das meninas mudavam, assim, davam uma misturada quem era amiga de quem. Todo mês mudava.
Mas você acha que isso é específico à escola particular? Porque eu acho que para mim foi porque tinha muita riqueza, mas acho que isso não é relacionado.
Não, não sei, eu acho que não era nada a ver com riqueza não.
Para mim era riqueza, eu acho.
Era só muito, sei lá. Eram amizades muito superficiais, dos meninos era mais concretas, tá ligado?
Mas mesmo assim, a gente tava conversando antes aqui, os cara, as pessoas aqui no Brasil são muito mais calor humano, né? Então os amigos aqui no Brasil também agem de forma diferente, eu imagino, né? Mas tu não teve oportunidade de estudar aqui no Brasil? Tu foi para escola aqui?
Sim, eu fui. Eu ia falar isso agora. Eu estudei, eu fiz o 9º ano no Brasil, e eu percebi várias diferenças também. Tipo assim, na Inglaterra, você não— sobre o calor humano, você não pode tocar no seu professor, nem seu professor em você. Ele arrisca perder o trabalho dele. Assim, eles são bem cuidadosos mesmo com essas coisas de contato físico, de assédio. E no Brasil, assim, era totalmente normal um professor seguir o aluno no Instagram e resenhar fora do colégio também.
E tinha um professor que eu acho que era pedófilo mesmo, e assim, ele flertava com as meninas mesmo. E isso, elas tinham 13, 14 anos, então, mas era normalizado, tipo, ninguém falava nada sobre aquilo naquela época. Talvez hoje em dia talvez seria um pouco diferente, era 2015, não sei, mas ele nunca foi denunciado e era normalizado. E É isso, o povo se pegava no colégio.
E os cara não se pega no colégio lá não?
Não, na minha ninguém tava se pegando, ninguém tava pegando ninguém. Na minha escola era só menina. Não, mas ninguém se pegava.
Mas eles ficavam duvidando das lésbicas do colégio.
Não, mas o quê? Na sua?
Não sei.
Não, ninguém pegava ninguém. A gente tava tão desnutrida que ninguém tinha tempo para ficar com alguém, ninguém tinha energia, ninguém comia para—
tinha que estar magra.
Você não come, você não tem libido. Literalmente ninguém ficava com— acho que tava com 2 meninas.
Não tinha menino, nosso rolava Uma pegação, mas não dentro do colégio, era completamente proibido assim, nunca rolava assim.
E no Brasil assim, eu cheguei, eu cheguei lá, a vida foi meio merda na real, essa escola aí toda desfeita, uma merda bem caprichada, sabe? Uma merda com toques de ouro.
Eu cheguei no Brasil com 13 anos para estudar no 9º ano, eu era para estar do 8º, mas foi no 9º porque o meu amigo era do 9º, aí eu falei, eu posso deixar no 9º aí, aí me botaram. E eu era bem menor, eu não tinha experiência de nada ainda assim, eu era cabaço. E assim, as meninas—
How do you say cabaço?
Cabaço, a virgin, little virgin, little virgin shit.
A neb, maybe?
Tem várias formas de falar.
Mas cabaço é o mais satisfatório. Eu amo cabaço, acontece na minha lista de vocabulário.
E aí eu era pequenininho, bonitinho, loirinho. Aí tinha umas meninas interessadas, mas eram bem mais novas. E tipo, tentava me armar, mas eu não sabia lidar. Eu não sabia, tipo, me armaram com a mina aí. Aí eu cheguei nela assim, aí acabou a conversa e não deu em nada.
Credo!
E nunca, nunca rolava. Eu depois eu ia para casa e tipo ficava arrependido, tipo, porra, era para eu ter falado com ela melhor. E quase que rolou meu primeiro beijo, mas eu falei para os meus amigos que eu já tinha beijado 7 meninas.
E eu tô nesse nível ainda porque não desenvolvi essa manha na escola.
Mas aí eu cheguei aí Aprendi muito no Brasil, aprendi muito no Brasil. Voltei, voltei o fodão do colégio, né? Porque todo mundo era cabaça ainda e eu voltei com experiência. E aí, mas não funcionava porque na Inglaterra só tinha experiência, mas não usei muita experiência, né? Era estranho. Se você ver as fotos minhas com 16, 17 anos, era uma mistura de Neymar com Ellen DeGeneres. Abre aquela apresentadora lésbica. Então era uma coisa de— é, demorei para conseguir usar isso.
Era Ellen DeGeneres com cabelinho de Neymar.
É cabelinho de Neymar.
Você cortava o cabelo do mesmo jeito, né?
Pintava cores iguais. Aquela época.
Não gosta mais de Neymar?
Eu gosto assim, eu, tipo assim, em termos de futebol, o cara era foda, né? Só que acho que não atingiu seu potencial máximo.
Ah não, mas também nessa Copa que ele ia atingir, né?
Você é investido em futebol? Você liga?
Mais ou menos assim. Eu sou flamenguista, eu já fui muito mais flamenguista, muito mais ligado no futebol, mas sei lá, alguns interesses foram esfriando porque outros interesses foram surgindo. Então futebol, e como Flamengo tá meio Flamengo hoje em dia, tu manja de futebol? Não, mas tá legal.
Mas ó, mas ó, todo mundo é torcida do Flamengo.
Flamengo e Palmeiras são os principais times das Américas. Então não foi sempre assim. A gente, a gente já brigou para não cair no Campeonato Brasileiro muitas vezes, muitos anos seguidos, né? Mas de um tempo para cá tá meio assim, toda hora a gente tá na final da Libertadores, entendeu? Então, então eu fui, eu acabei dando uma esfriada nisso daí, tá? Eu sinto que não precisa mais de um, de tanto fervor, sabe?
Saturou talvez um pouquinho.
Não é tão legal torcer para quem é foda.
Bom, Eu só, é tipo Manchester City ganhar Premier League todo ano, entendeu?
O Arsenal a gente ganhou depois de, tipo, época que a galera torcia para o Barcelona, não tinha o Ronaldinho Gaúcho, entendeu?
Foda-se um pouco a graça, tem que ter um pouco de desafio.
É verdade, interessante isso.
Vai se foder, o cara tá me zoando que eu tô comparando o Flamengo com Barça do Ronaldinho Gaúcho.
Eu queria ter esse problema, viu? Acho que nunca ganha nada.
A gente é aço. Não, acho que também depois de 20 anos pela primeira vez.
Eu só fui à Inglaterra uma vez na minha vida e eu fiquei 3 dias. Eu não dá para dizer porque eu fui numa condição extremamente incomum, tava ensolarado em Manchester.
Em Manchester você foi para alguma?
Eu fui para o jogo do City contra o United, do United contra o City, entendeu? E tava ensolaradação e todo mundo falou, cara, isso aqui não é experiência normal.
Manchester é pior ainda que Londres.
Os vídeos é tipo céu azulzão e os cara falando, isso aqui é foda, desculpa, isso não é normal.
É realmente.
Então, e fiquei pouco tempo, fiquei poucos dias lá, mas foi uma merda.
Caro, foi caro, é muito caro. Aí eu ganho em real, né? Então eu não tenho uma vida lá assim.
Tio, você ganha bem em real? Não entendi.
Não, mas Aí você vai gastar lá. Eu uma vez eu saí, eu gastei— uma vez não, né, mas assim, o normal você vai gastar R$200 com cerveja só para você. Então eu não bebo em Londres, eu bebo em casa.
Quando tu vai beber, quando tu vai sair e tu vai beber uma paradinha num bar lá em Londres, quanto é que custa uma cerveja? E como é que toma essa cerveja lá?
Vê, tu compra o copo, tu compra garrafa, comprar o pint, que a medida que acho que é 600 ml.
Tá, que é tipo uma garrafa aqui, tomar uma garrafa inteira basicamente, tá?
Dependendo do bairro, é mais entre 7 e 9 libras. Então caro para caralho, é quase R$70, entre isso e R$70. Entendi. Então é difícil para brasileiro viajar lá, que realmente é, mas até para os ingleses tá caro, tá tudo caro.
Com que frequência vocês vão para lá? Vocês estavam lá recentemente, não estavam?
Sim, 3 semanas atrás.
É, eu fico lá, acho que não tem uma rotina fixa ainda, mas tipo metade e metade, eu acho.
Seus pais moram lá?
Sim. E assim, por mim, eu gosto hoje em dia, eu gosto de ir lá. Na infância eu odiava, realmente. Na adolescência também, minha vontade era voltar. Hoje em dia eu gosto, eu gosto porque agora que eu sou um adulto eu consigo usufruir da liberdade, da segurança. É, isso é um paradoxo, né? Viajar é barato, de ter tudo, de tudo funcionar. Direitinho. E na infância não era isso, a infância é só diversão, e não tinha diversão, né? E aí eu, por mim, acho que se meus pais morassem aqui eu ia muito menos para lá.
Mas como meus pais moram lá, meu pai é velho, meus cachorros estão velhos, né? Minha mãe não é velha, mas mesmo assim bate aquela saudade. Eu quero aproveitar o máximo que eu posso com eles. Então é isso.
É interessante que você disse a nossa infância aqui, tive muita liberdade porque classe média, você tem condomínio. Lá, a infância, na infância você não tem tanta liberdade assim.
Você fala, ô mãe, fala com a mãe de fulano para eu ir para casa dele, e você arranja isso aí. Aí sua mãe te leva de carro, te deixa lá na casa dele, depois te busca. E no Brasil, aí saía de casa, saía da nossa casa, a gente via onde tava as bicicletas, e aí entrava na casa da pessoa que tinha as bicicletas na frente da casa. E assim, era totalmente na rua. Nossa mãe deixava a gente sair e fazer o que queria. O clima era bom, a gente tinha muita família também.
E em Londres a gente não tinha família, era eu, minha mãe, meu pai, minha irmã. E aqui era avó, tios, primos.
Então os seus irmãos mais velhos, eles moram nos Estados Unidos, vocês disseram?
Sim, são americanos.
Só que agora ela se mudou para Inglaterra. Eles são americanos, ingleses, mas as mães, a mãe delas são americanas, fala com sotaque americano.
Caralho, teu pai colonizou as Américas, teu pai tá colonizando Entendi. É, mas é, tá, tá, tá.
Pior que fudeu, que eu fui entrar nessa daí e me perdi no que que eu tava falando, qual que era o ponto.
As elas moram nos Estados Unidos, as nossas irmãs.
Que, que entendi, que provavelmente é, vocês se falam muito?
Sim, é mais uma relação hoje em dia, é mais uma relação de irmão, mas é tipo meio que entre irmão e tios, tias.
Eu imagino que eles devem ser substancialmente mais velhos.
Não tem essa intimidade de brigar como tem filhas também, filhos.
Então assim É, né? Eles não têm tanto tempo para papo com a gente, mas a gente se encontra com eles uma vez por ano, normalmente no verão, faz uma viagem aí. Mas uma se mudou agora para Londres porque o marido é— ela já quer muito, já queria muito tempo, mas o marido é esse roteirista de filme. E aí parece que a indústria de Hollywood tá morrendo, saindo dos Estados Unidos, indo para Europa. Tipo, muitas gravações estão acontecendo agora na Inglaterra, na Escócia. Pela Europa. Então tá sendo o melhor para ele.
Vocês diriam que existe duas Júlias, dois Joes, o brasileiro e o gringo? Vocês, o comportamento é necessariamente diferente?
Assim, eu tenho uma fase de adaptação entre os dois. Quando eu venho para cá, eu vou para lá. Quando eu vou para lá, a fase de adaptação é o nível de intimidade que eu tenho com pessoas que eu não conheço muito bem. Minha vontade realmente, isso aqui, ia lá, essa é uma pessoa atencioso, carinhoso, que conversa assim como se já conhecesse há muito tempo, que a gente tá fazendo agora com qualquer pessoa. Só que não dá, existe uma barreira assim que não é só só falar que ela vai se quebrar.
O povo realmente é resistente. Por isso que o inglês gosta tanto de beber, que eu acho que cai quando começa a beber. Então toda situação social gira em torno de bebida. Se não tem bebida, acho que o inglês é mais dependente do que o brasileiro nesse tipo, não alcoólatra, mas assim dependente no sentido de para socializar.
Se tu sabe, se tu convida alguém para, ou se rola uma festa à noite, sabe, todo mundo vai beber.
É, com certeza.
Pub é a praia do inglês, né, onde o povo vai, se encontra, faz qualquer coisa no pub. E no Brasil eu acho que a diferença é assim: eu tinha muita mais dificuldade, hoje em dia eu já me acostumei, mas se você tá aqui com seus amigos, eu só conheço você, eu preciso cumprimentar todo mundo. Antigamente eu tinha muita dificuldade de fazer isso, de cumprimentar quem eu não conhecia.
E os cumprimentos em si, os ingleses dão beijinho no rosto?
É isso, não tem uma coisa fixa na Inglaterra. O francês tem dois, O italiano também tem dois, mas na Inglaterra não tem. Então por isso que a gente é tão— eu realmente acho que é por isso que o inglês é tão esquisito, porque não tem uma regra fixa pra gente. A gente não sabe se dá um abraço, dá uma mão, é tipo uma dança assim, você não sabe se você vai lá beijar ou dar um abraço.
Às vezes só dá um assim de longe.
É muito isso.
E aí às vezes eu faço isso aqui no Brasil.
Não, se essa pessoa toma a iniciativa de fazer um hi, pra mim já tá bom que eu já entendi. Que para mim realmente a dificuldade é como eu cumprimento, entendeu?
Americano também é isso.
Eu não quero às vezes parecer mal educado, mas é isso. Isso às vezes dificulta os cumprimentos aqui no Brasil. Se eu faço isso, se eu faço isso, eu abraço, eu dou um beijo. Muitas vezes eu só dou a mão mesmo, que é a coisa mais fácil. E foda-se, eles vão pensar, ele é só inglês. É isso, eu tenho essa desculpa.
Mas aí eu uso essa coisa muito de ser inglesa quando eu tô sendo meio esquisita. Ah, é porque eu sou inglesa toda hora, velho.
Também sair de festa, né? Às vezes não sei se eu cumprimento todo mundo, se eu só saio, só falar com o aniversariante.
Porque você tá falando aqui no Brasil?
Aqui no Brasil. Na Inglaterra eu só saio, eu sumo sem problema, eu posso sair. E aqui não, aqui você tem que dar uma— eu não sei.
Eu gosto de só sair também, eu sou partidário do vamos só embora.
É o Irish goodbye, o tchau irlandês, né? Mas Acho, para mim, meus gostos mudam. É estranho como minha cabeça muda totalmente. Quando eu tô na Inglaterra, minha roupa é uma coisa que vai me deixar mais andrógina. Aqui, imediatamente, eu só comecei a achar a bunda grande bonita recentemente, quando eu vi uma mulher lá em Itacaré com uma bundona incrível. Realmente muda seu senso de que é bonito, porque os nossos desejos são iméticos.
A gente acha o que é bonito que o outro acha bonito. Então eu andando com mais brasileiro adquiri esses gostos de beleza.
Eu sempre gostei de bunda grande, independente da nacionalidade.
Eu acho que em termos de comportamento—
Salve minha namorada Luísa, tem um rabetão, tem uma bunda linda. Hi Luísa, te amo Luísa!
Tá assistindo agora? Tá. Véi, eu amo conversar com ele. Tá bom, mas o que que eu ia dizer?
O que que tu sente quando tu vê uma bunda bonita?
O que que eu acho? O que que eu vejo?
O que que tu sente?
Eu me lembro, você é uma mulher fértil.
Entendi.
Quando eu assistia Pânico, eu comecei, era um gringuinho ainda, descobri o Pânico no YouTube, velho. Eu senti uma coisa tão estranha que eu não sabia. Isso era o que que eu tô sentindo aqui? Era Pânico na Praia. Aí hoje em dia eu vejo que era a vontade de bater punheta. Mas naquela época eu sentia uma vontade estranha saindo de mim. O que que eu faço com essa?
O que que é isso?
O que que eu tô tô sentindo.
É tudo, é o Brasil gerando esses.
O Brasil me sexualizou.
Eu entendi, entendi.
Mas realmente foi isso. Eu acho que para mim tem muito.
Por isso que Júlia é sexuada.
Praticamente sou, né?
Ela consegue achar uma bunda bonita, mas só isso, né? Mas gosta de peito, na verdade, né?
E eu gosto de homens com cabeças que são proporcional ao resto do corpo também. Eu percebi corpo, eu gosto de homens com cabeça proporcional ao resto do corpo e bunda proporcional ao resto do corpo, que mostra que o cara é chato, sabe?
Que sabe aquelas pessoas que fala tipo, ai, esse cara se esforça muito para gostar de mulher. Júlia é isso com homem, ela se esforça muito para gostar de homem.
É porque eu não sei, é um padrão assim, eu tô confusa na verdade. Entendi, minha sexualidade é C de confusa. Ok, vamos descobrindo. C e Confusa descobrindo.
Tá bom, honesto, né?
Foi a culpa do colégio, talvez em parte.
É, talvez em parte.
Mas acho que mulheres também demoram para se conhecer porque tem mais vergonha de falar sobre isso com mulheres. Você fala de bater punheta como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
É verdade.
Eu falando isso, vocês iam ficar chocados eu falando isso agora.
Olha, com certeza chamaria atenção, sendo sincero.
Você achar, meu Deus do céu, só queria bater uma ciririca. Super, mas assim, meus amigos estão falando de bater punheta desde os 10 anos de idade e a gente tava se segurando falar disso entre as meninas.
Ninguém falava, nem vai falar, viu? Não vou falar não, só com as lobas.
O quê? Não entendi essa referência.
As lobas, teus amigos não chega, não chega em tu para colocar para tu, qual é, bota tua irmã na minha fita. É que ela que não quer pegar ninguém no fim das contas.
Eu já aviso que ela não quer ninguém, então não vale a pena. Eu já aviso assim, já teve uns que estavam interessados, falei, ó, vem, não vai dar certo, desista.
Você nem deixa?
Não, mas eu já sei que não vai dar certo. Eu sei o tipo dela, o que ela gosta ou não. Cabeça proporcional. Não é mais que isso. Ela quer uma pessoa altamente madura, gente boa, calmo, confiante sem ser arrogante, uma pessoa que tipo se conhece e a gente boa e tem uma personalidade de All in Holland. Ela gosta de pessoas leves, pessoas leves, leves.
Eu sou superficial também, que eu gosto de aparência física. Tô falando que eu só gosto de personalidade legal, mas eu gosto de pessoa bonita.
Eu acho que é alguém como meu pai, mas é porque ele é isso, ele é calmo, ele é tranquilo, confiante, sabe quem ele é, tem a cabeça proporcional. E não se leva a sério. E é inteligente.
Outra coisa eu ia dizer sobre o comportamento que muda, e você perguntou no começo da diferença cultural entre os dois, eu acho que a maior tem duas coisas. O primeiro é em termos, aliás, eu vou falar essa até porque não sei se é certo falar, mas talvez a questão de ambição. O brasileiro é muito de boas falando sobre ambição, ele se valoriza muito. Você vê muito isso no Brasil de ter a foto de você mesmo como capa do celular. Você não tem isso na Inglaterra, seria a coisa pior do mundo você fazer isso.
O inglês nunca fala de ambição, não gosta de falar que ele está se esforçando para alguma coisa, nunca.
É muito— eu tinha vários amigos que tipo estudava para prova muito, se matava, mas na época quando tirava 10, ah, nem estudei. É muito essa coisa de não mostrar que você está tentando e tudo cai na sua mão assim. E Eu acho que o brasileiro é muito mais sobre, porra, favela venceu, vamos ralar, vamos dar essa, que é como americano.
Mas o inglês, essa despreocupação calculada, tem um termo para isso, sprezzatura, que foi criado em 1528 pelo cara que tava tentando ensinar cortesãos a adquirir coisas do rei. Então você tem que ser um cara que toca piano bem, mas você não pode mostrar que você se esforçou muito para isso. Você tem que se vestir de uma maneira que não foi muito calculada, mas ainda se apresentar como bonito. É uma coisa assim, você tem que arrasar, você tem que ser competente, mas você não pode mostrar que você está se esforçando.
Você não pode mostrar como a salsicha está sendo feita, que é uma expressão em inglês, you can't show how the sausage is made.
Quando eu comecei a gravar vídeo, eu criei uma conta diferente, pessoal, para quando eu conhecia gente nova, porque eu tinha vergonha dos meus vídeos que tinha pouca visualização, porque é vergonhoso tentar, né? E aí eu me lembro, o povo zoava quando descobria que, ué, isso aqui, ainda mais porque não entendia. Então para eles era tudo ruim. E aí eu me lembro, uma menina me gastou, velho. Eu falei para ela, é bom, você vai ver que vai viralizar. 2 dias depois viralizou, tipo, aí mudou minha vida, minha vida mudou completamente. Mas tinha essa gastação assim, você grava vídeo, né?
Que maluco! Eles gostam de sucesso e gostam de competência, só que eles não querem É só o processo. Eles não gostam do processo, eles querem você lá já no topo da montanha, não querem ver você subindo.
Eu acho que talvez a diferença, não sei como foi você, eu não sei se a galera aqui, a galera que pode ser menos vocal, mas isso é uma característica de você, um pouquinho de invejinha, né? Porque assim, tentar alguma coisa, outra certeza, com certeza eu ouvi para caralho que isso aqui não ia dar certo, com certeza. Mas não vem necessária, eu acho que vem de um lugar de, às vezes vem de alguém tentando te proteger, nem sempre, mas é que eu não sei, cara, os cara não, qualquer coisa que é fora da curva precisa de um salto de fé, né?
Então criar conteúdo para internet foi, ainda é até uma parada que precisa de um, é um pouco um salto de fé.
É, né?
Não é.
Então imagina isso, ó. Eu comecei a fazer coisa para internet em 2014, entendeu? Então antes do Flow já tinha umas paradas. Então é, e eu dava aula de inglês, eu tava lá na cultura inglesa lá ensinando as paradas. E era, e eu também não falava muito disso aí não, entendeu?
Porque você escondia ou você só não falava?
Mas eu não, mas não, mas era meio, era meio meme fazer vídeo para internet, entendeu?
E na Inglaterra ainda é, tipo, o TikTok do Brasil é também. Quem faz Instagram não é levado a sério, não, não.
No Brasil, qual que é a população da Inglaterra?
Acho que é 58 milhões.
Então aqui a gente tem muito mais gente, dá para você ter uma, não sei se dá para ter uma, bom, suponho que com muito mais gente tu consegue alcançar muito mais pessoas. E essa, essa possibilidade já torna essa profissão muito mais relevante em lugares que dá para ter muito mais seguidores, né? Por exemplo, o Vozinha lá, que é o goleiro de Cabo Verde. A população de Cabo Verde é meio milhão de pessoas, o cara tem 20 e tantos milhões de seguidores, entendeu?
Então é, quando ele for fazer algum tipo de publi, é para Cabo Verde ou é para o Brasil? Brasil, né? Então aqui no Brasil é muito mais, faz muito mais sentido pensar nisso como uma profissão.
Tem muita gente famosa aqui, eu acho que também É isso, eu acho que YouTuber na Inglaterra é mais respeitado, mas quem é blogueiro não é, ainda não é.
E eu acho que isso também é porque os cara gosta do KSI lá, né?
Gosta dele desde criança. Mas eu acho que o brasileiro, acho não, com certeza é muito mais fofoqueiro, quer muito mais saber da vida dos outros. Então o Instagram é meio, é um meio disso, né, de saber da vida dos outros e viver através da vida dos outros, viver a vida de Virgínia assistindo o story dela. E como também tem muita desigualdade, é uma forma de você viver sua riqueza aí também, você querer virar blogueiro para também transformar sua vida.
Aspiração, temos muito essa cultura de aspiração, talvez de escapar um pouquinho da sua situação.
E na Inglaterra simplesmente não existe nenhum blogueiro lá que eu saiba, grande pelo menos, que tem esse conteúdo de postar o dia inteiro nos stories. Não existe, ninguém para para ver isso.
Que coisa!
Se for um jogador de futebol, talvez assim, uma celebridade muito grande, acho que o povo pararia.
Mas quem é o cara mais famoso para o inglês?
Para tipo em qualquer área?
É David Attenborough, o cara mais respeitado assim, mais admirado, é um cara chamado David Attenborough, que ele é documentarista de natureza. Desde ele tem 100 anos agora.
Vocês são super esquisito, meu irmão.
Mas esse cara é pica, velho. Ele é muito foda.
Ninguém duvida que ele é pica, mas olha o que ele faz, irmão. É, com todo respeito, vocês são chatão, mané. Com todo respeito, irmão.
Não, mas vocês devem ter uma figura assim no Brasil que é um cara assim mais velho, que é respeitado assim. Eu achei que vocês fossem citar um cara da música, mano.
Ele é tipo aquele cara que morreu recentemente? Ah, tem uns, velho. Tá bom, se fosse um cara da música.
Mas é que vocês dois citaram o mesmo cara assim de bate-pronto, tá ligado? Então esse cara ele deve ser—
Assim, quando ele morrer vai ser mais mais triste do que a rainha, o rei, qualquer pessoa assim. O povo tem medo desse dia chegar. O cara é muito foda, ele é ativista, ele começou assim, ele começou quando não tinha TV ainda, ele fazia rádio, depois foi para TV. E assim, foi a primeira pessoa a documentar o mundo natural. Ele tem uma voz muito bonita assim, ele é típico inglês, ele é muito carismático e faz até hoje uns documentários muito Ficou mundialmente famoso, não sei se você conhece, mas assim, ele narrou.
Fora isso, sei lá, Harry Styles. É, os Beatles, a galera dos Beatles, porque ele é patrimônio realmente. Essas pessoas são patrimônio, mas quem é mais amado hoje em dia, fora os lendas, não sei quem britânico o povo ama muito hoje em dia sem ser alguém do passado. É, mas ele não é tão admirado, eu acho.
Talvez não pela geração do nosso pai, mas assim, ele é tão assim, o povo não admira ninguém.
Teu pai também curte esse cara aí?
Sim, curte, curte. Não, ele não é, eu acho que meu pai é um, é ele, que peculiar. Meu pai não venera celebridade, ele não idolatra ninguém, tipo, ele não venera ninguém realmente.
Ele queria ser assim.
Meu pai escuta, acho que a música favorita do meu pai é música senegalês. Em inglês. Eu nem sei o nome, mas é uma música do Senegal, tipo uma banda do Senegal.
Ele meio que transcende essas coisas culturais, que o pai não fala em português, né? Não, caralho. A gente tinha que marcar um dia de vir vocês três aqui.
Com certeza. Mas assim, se fosse em português, ele estaria lá no lado meu, tipo, balbando assim, sei lá.
Não, mas assim, ele tá dormindo. Se a gente fizer um esquentinha que nem a gente fez aqui antes de começar esse programa, sim, é da gente falando inglês, legal. Porque é a única que eu nunca, nunca fiz um episódio que tinha um monte de gente, de pessoas da Inglaterra falando inglês específico de vocês assim, entendeu? Então para mim pode ser um desafio, mas se a gente fizer uns quentinha, eu me viro.
Você quer falar agora um pouco de inglês?
Não quero.
Mas meu pai é uma pessoa muito única, velho. Eu, eu acho que eu não idolatro ninguém fora meu pai. Eu sei que ele tem uns defeitos dele, mas realmente é uma, eu tenho uma admiração muito grande. Para mim, ele é o modelo de como deve ser um homem. Sim, ele é, ele é mente aberta, ele não tem preconceito, ele é tranquilo, ele não tem raiva. Nunca vi ele com raiva nem com ódio, só quando a gente atrasa para jantar com ele, ou é tipo atrasou, tá ligado?
Qual que é a hora do chá?
5, tá? Entre 4 e 5, não é tão fixo, mas é esse tempo.
É de tarde, final da tarde, 4:20, hora de quê?
Fumar maconha, é o chá, é outro tipo de chá.
Entendi então qual que é a do teu pai que tu curte para caralho. Mas tua mãe não fica com ciúme não de ouvir isso daí?
Não, minha mãe admira igual, eu acho. É, minha mãe realmente, ela é o histórico dos homens que ela se relacionava quando era no Brasil, e o pai que ela tinha também, que não era um pai presente. Eu acho que assim, ela o objetivo dela foi achar um homem presente, presente. Acho que era a coisa mais importante, era ter presença, tá aí como marido, como pai. E ela acertou muito assim, ela tem noção disso. Acho que ela é muito feliz com ele, ele também é muito feliz com ela.
Ele, acho que meu pai, meu pai já viveu tantas vidas diferentes, né? É, por exemplo, por exemplo, sei lá, viajando adolescente em Londres, Depois, época de hippie viajando numa van pela Europa, não fumando maconha, os amigos, ele não fumava.
Entendi.
Aí casou com americano, David, tá?
Um salve para o tio David.
Aí casou com americana, teve filhas com americanas, ia, passou tempo lá no Texas.
Aí conhece a história de como ele conheceu tua mãe? Sim, mas conhece mesmo?
Assim, foi essa coisa do braço. A minha mãe, ela fez Direito aqui na UFBA e aí fez mestrado em Londres, na UCL, que é onde eu me formei também. E aí ela tinha um amigo em comum com meu pai. Essa amiga, né, fez a ponte. Aí minha mãe ia ficar na casa do meu pai de graça, só que ia cuidar da mãe idosa dele. Só que aí meu pai, assim, ele pensou duas vezes. A mulher muito nova, ela tem 22 anos, talvez ela queira ficar todo dia cuidando dela.
Então ele achou outra pessoa. Mesmo assim, meu pai foi, minha mãe foi para Londres, achou outro homem. E aí passou um tempo e a mulher que ficou na casa do meu pai saía todos os dias assim. Então meu pai falou, não dá mais. E aí esse homem que aonde minha mãe tava ficando, por coincidência, conhecia meu pai. E aí eles acabaram se conhecendo de qualquer forma. E aí Minha mãe tocou no braço dele, no braço dele, pensou: hoje é meu dia.
E aí foi, né? Meu pai tinha um pé para trás no começo, que ela era muito mais nova, ele já tinha se divorciado, tinha os pais idosos, ele não queria passar por aquele processo de novo de ter filhos, de criar filhos. Aí minha mãe fingiu que não queria ter filhos também, mas algum momento convenceu. E aí eu acho que que aquela época, meu pai disse que foi uma das épocas mais difíceis da vida dele. Foi o divórcio, foi cuidando dos pais idosos já próximos da morte, e que logo depois assim deu uma das melhores fases.
Acho que ele disse que a melhor fase da vida dele foi com a gente. Não sei se ele fala isso com todas as famílias dele, mas é isso, deu bom para ele, para minha mãe.
Todas as famílias dele é sacanagem.
Mas é isso. E a primeira esposa ele também conheceu através desse homem. Então ele tem uma piada que ele fala que esse, ele encontra as esposas dele com esse amigo.
Toda vez que ele precisar de uma esposa é só ele ligar para esse cara aí.
Mas ele morreu, graças a Deus, então não tem mais. Não, graças a Deus não, né? Mas assim, não vai ter mais famílias.
Mas interessante, tu quer dizer que teu pai, ó, Eu não sei se eu sairia aí por aí dizendo que, pô, meu, o Mr. Bean, meu pai lembra o Mr. Bean. Por quê? Porque a gente acha o Mr. Bean meio filha da puta, mano.
Filho da puta ou só filho da puta mesmo?
Meio arrombado, ele faz umas coisas de arrombado. Por exemplo, vou te descrever uma situação que o Mr. Bean faz que eu faço, caralho, que filha da puta, que arrombado! Ó, Ele chegou para ser atendido no médico e aí tem um cara todo fodido aqui assim, a senha do Mr. Bean é 90, tá no 10, e a senha do cara aqui é 11, tá ligado? Ele tá todo fodido aqui, o cara, e o cara não consegue nem falar para reclamar de nada. O Mr. Bean vai lá, pega a senha do cara, coloca a senha dele e entra no próximo. Isso é coisa de arrombado.
Meu pai tem isso, eu acho. Ele é sacana, ele é muito esculhamba, velho. Sneaky.
Vai, ele botou, lembra aquela história que ele fingiu que a mulher ia para prisão? Ele botou uma carta no carro dizendo, você estacionou no lugar errado. Ele fingiu que foi uma carta do governo, era piadinha.
E aí tinha uma amiga dele que morava, alugava um quarto lá em casa e assim por meses ele escrevia cartas para ela fingindo que eu acho que era, what's that really annoying woman?
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Ele mandou umas cartas para ela, acho que fingindo que era do governo, por meses assim, falando que ela ia para prisão, alguma coisa assim. Aí era uma piada para também as filhas dele, é da risada e tal, mas não era nada tão pesado assim, mas assim, esculhambava, tá ligado?
São amigos ainda, só que tem essa coisa do Mr. Bean ser escroto.
O meu pai tem um pouco dessa escrutidão, nada tão, é, não, talvez não tão que nem Mr.
Bean, Qual que é, qual que é o, qual que é o brasileiro? Qual que é o fish and chips brasileiro?
Pichichinga e aipim, é literalmente equivalente.
Isso é o equivalente físico, é um peixe com batata, né?
Mas eu tô falando o equivalente cultural, depende do lugar.
Mas assim, é porque tipo assim, é o Salvador, carne de sol e batata frita, mas não é, não é porque é o É staple, é cara do Brasil. Não, mas não é porque o povo come muito isso. E na Inglaterra o povo não come tanto fish and chips que nem eles falam de fish and chips, tá? Não é algo que você come no dia a dia. Eu acho que seria em Salvador, seria tipo um acarajé que talvez você come no final de semana, na sexta-feira.
Tipo, aqui a gente vai no— ah, tem um sábado, tem uma feira ali, eu vou ali buscar um pastel.
Sim, é o fish and chips, o pastel. Assim, você não come todo dia, mas às vezes bate a vontade. Ah, vou comer um crocante. Tem umas lojas, acho que tem menos lojas de fish and chips hoje em dia.
Mas tem rede tipo de fast food de fish and chips?
Não, talvez tenha, mas nada famoso. É tipo, vai ter uma comida de uma lojinha, tipo uma lanchonete, só que só para fish and chips. E aí, é, eu tô vendo menos hoje em dia.
Eu acho que você já comeu?
Não, não como peixe.
Mas é bom, viu? É bom. Eu gosto, mas não é tão comido assim.
Eu gosto, eu amo.
Eu acho equivalente em Salvador seria uma acarajé, talvez no Brasil inteiro seria uma coxinha ou um pão de queijo. Entendi.
É, eu tô com fome, gente.
Uma feijoada não, porque é uma feijoada, a gente come bastante, né?
Mas aqui a gente também não tem muita coisa que pareça com o hábito que vocês têm de tomar chá, né?
Tem mesmo?
Você tem, né? Aqui, ó, é um café, é um cafezinho, lachinha.
A gente não tem um momento religioso de parar e tomar um chá.
É tipo assim, eu acho que a gente não para no dia a dia para tomar, porque até que não, o povo hoje em dia tomar muito café, eu acho. Mas assim, vai chamar, em vez de chamar alguém para tomar uma feijoada em casa, almoçar, a gente chama para tomar um chá. A gente não é muito de refeição, na verdade, essa coisa que eu mais sinto falta do Brasil, mas ficar beliscando, botar uns presuntos mas usar aqueles presentes chique, tá ligado?
Não chama o cara para jantar na sua casa assim, chama, mas eles não capricham tanto quanto o Brasil. Realmente essa coisa que mais falta do Brasil é a nossa, nossas habilidades culinárias. Na Inglaterra eu acho que 60% da nossa dieta é comida ultraprocessada, aqui é 20%. Realmente quando a galera aqui tenta ser fitness, fazer essas receitas de merda de cottage cheese, porque, velho, a culinária brasileira É tão naturalmente saudável. Tem mocinho, feijão, arroz, proteína.
Feijão e arroz.
O que que tu falou antes?
Por que você disse?
Falei porra. Não, aí não.
Mas é um patrimônio brasileiro, eu acho, a culinária daqui. Lá a galera não liga muito para comer direito.
É, eu como muito melhor, comia melhor que antes, mas hoje em dia não. Porque a gente é preguiçoso hoje em dia no Brasil. A gente fica muito tempo sozinho, aplicativo, é muito aplicativo. Eu também tenho que andar para o mercado. Eu tenho um pouco, eu tenho um pouco de insegurança.
Tu é burguês, porra, não fode, moleque!
É porque em Londres eu posso andar para o mercado qualquer hora, qualquer hora, sem medo nenhum. E aqui no Brasil eu sinto um pouco de insegurança. Então acho que isso acaba me travando um pouco para ir no mercado e fazer minhas compras.
É, toda vez que você vai para o mercado realmente aqui você tem que calcular, será que vou arriscar?
Eu tenho uns amigos que já foram assaltados bem na rua onde você vai para lá ir para o mercado. Então tem um certo medinho na hora de ir.
Tu já com essa carinha de gringo aí, né? Puta que pariu!
Mas a gente nunca teve perrengue assim no Brasil, só um tiroteio em Itacaré, mas fora isso nada. É, nada demais, nada demais de assalto assim direto.
Mas a gente presenciou um tiroteio lá no Réveillon Não era para falar Itacaré, porque aí vai trazer— nunca acontece em Itacaré, foi alguma coisa que aconteceu uma vez e nunca. Mas a gente tava lá e desceu a polícia. Entendi, deu merda, deu merda.
Aí Joe vai, literalmente foi com desenho, tiro, tiro, tiro, olhei para direita, ficou uma fumaça, subiu, tipo desenho.
Joe se picou, velho. Era eu, minha irmã, meu primo, minha amiga. Minha amiga é brasileira roots assim, já viveu bastante. Ela levantou, viu qual era o melhor caminho para ir e foi andando.
Julia, eu lentamente me saí, mas assim, eu tava em pânico também. Olhei para direita, Joe, velho, literalmente seu sapato voou para cima.
Meu primo foi pelo mato brasileiro, mas ele é brasileiro cabaço, ele entrou pelo mato e ralou todo assim, ele escalou uma porra, uma cerca, se cortou todo. Eu, velho, eu assim, eu vi a polícia lá, eu vi a polícia andando assim Eu pensei, por que que a polícia tá nesse paredão? Que era um paredão na praia. Aí assim, deu nem tempo para processar direito e saiu o primeiro tiro. Aí nesse primeiro tiro eu deixei tudo e eu não lembro, foi assim tanta adrenalina que eu não lembro.
Eu só lembro que eu levantei e saí correndo. Uma menina virou assim para ver as amigas, eu pá, bati com ela, nós dois caímos no chão. Eu só levantei, peguei minhas coisas, continuei. Teve um assim, um monte de tipo coco e de de assim mato, sei lá. Eu saio correndo, cai em cima, só levantei, continuei. Aí eu saí, finalmente eu saí da praia, aí eu tô lá na rua.
Isso por causa de um tiro?
Não, aí começou muito, aí foi, teve bomba, teve tipo rajadão mesmo. Mas o primeiro tiro já me despertou. É, eu já, eu pensando, pô, eu não sei onde tá minha família, se minha irmã morreu, não sei, só vou saber depois. Eu vou sair correndo, que se foda a Juliana! Meus pensamentos de não, vou proteger todo mundo que tá comigo, assim, sumiram. Eu não pensei, eu só fui adrenalina pura. E aí eu pensei, finalmente, tudo que a minha mãe sempre avisou para eu não fazer no Brasil, eu fiz e deu merda.
Eu internalizei realmente o medo que ela teve naquele momento.
Eu comecei a pensar, é por isso que existe lugares que você deve frequentar e não. Porque para mim era, nunca nada aconteceu comigo, então foda-se, eu vou para um paredão mesmo, é de boa. E aí eu saí correndo pela rua assim, descalço, sem camisa. Aí o povo, ó, o gringo baiano! E aí foi quando isso foi? 2000 e final de 2024 para 2025. E aí deu certo no final, né?
Mas acho que todo mundo tem uma história.
Como tu se salvou dessa daí?
Correndo, só isso mesmo. Teve sorte que a bala não foi na minha direção, porque realmente eu acho que ninguém se fodeu não.
Não, nessa situação, ninguém que tava lá.
Foi assim, até aliás, eu vou falar que a noite tava meio ruim, então deu uma adrenalina meio legal, sabe?
Foi uma energia assim, mas eu não gostei não.
Não foi.
Hoje em dia eu gosto que tem a história, mas no momento eu chorei.
Foi, você chorou?
Foi muito assim, eu pensei que minha irmã tinha morrido, alguém tinha. Eu pensei que meu primo, já que ele era cabaça, tinha morrido. Eu pensei, vai ser meu Véi, você é muito cativo. Minha amiga sabia que tava de boa porque ela é, ela é assim, bairro dobrada, raiz, ela já viveu tudo. Mas meu primo, pensei, ah, meu primo perdeu o cabaço com—
não, deixa eu ligar.
Pedro, te amo.
Aí nem sabia que era o Pedro, filha da puta.
Agora não reconhece, sabe?
Então quem conhece, sabe, né?
Pois é.
E aí, Pedrão, seu virgem?
Oh my Lord, não, gente, colecionador de Star Wars.
É o quê? Colecionador de Star Wars. Ele ia pagar pau para esse quarto aqui, viu?
Ele ia amar.
Só tá faltando boneco de Star Wars.
É, aqui eu tenho pouco, não faz muito a minha cabeça não. Gosto da mitologia, mas não faz muito.
Eu gosto, eu gosto, eu gosto.
Star Trek tem, é coisa, não, também não, coisa de maioria ali é coisa de Cavaleiro do Zodíaco. Tem um Tyler, The Creator.
Alguma significância?
Cara, esse aqui, ó, esse daqui é um tênis que tem uns autógrafos dos caras que a gente admira. Do Xamã, tem do Freud, tem do Djonga, tem do Rafa Moreira. E esse aqui também para colocar o nosso girassóis.
Muito foda!
São os caras mais pica do rap brasileiro.
É que eu só tô conhecendo mais celebridades hoje que eu tô passando mais tempo no Brasil. Eu cheguei agora e nos memes brasileiros me atualizando. Então conheço Daniela, não, assim, começou 2 anos atrás, conheci Daniela Mercury, Ivete Sangalo, os básicos. Não, Ivete já conhecia, Daniela não conhecia. Aí depois foi mais assim, agora é Matuê Veiga que eu tô conhecendo. E agora são os memes, tipo, eu vou usar uma bota, uma blusa amarrada aqui na frente. Mas é famoso, você conhece esse meme? Tá vendo?
Isso eu não conheço.
É, não é o meme assim, aquele morre, diabo, tá ligado? Ah, esse eu não conheço.
Não, mas é que esse é um clássico de quando tinha pouco vídeo na internet.
Mas já conhece essa coisa?
Eu assistia nessa época, mas você só veio agora nos TikToks.
Eu tô conhecendo Romário, esse, e o outro é aquela coisa da Júlia do concerto. Meu nome é Júlia.
Caralho, tô completamente por fora disso aí. Quem me atualiza nisso são a Carol e Luiza, minhas filhas, que me atualiza. Elas têm 13 e 11 e elas vêm, elas, eu descubro uns memes por meio delas. Mas quer dizer, coisas de jovem. Hoje confesso, tá, nos primeiros 15 minutos eu, que legal, agora eu vou entender como é que é um geração Z. Vamos lá, vamos ver esses cara falando.
Porra, mas é pior que elas são gênio alfa, né?
Elas são, mas é que assim tu falando umas paradas de como tu tá lidando com a vida assim, o caralho, olha ali onde eu tô.
Então é isso, eu sou tipo uma pessoa de 40 anos, porque 30, 40 anos, porque não passei minha adolescência aqui.
Então tô atualizando agora, é uma nova Baiana.
Você falou das pessoas aí, você já entrevistou alguém que você ficou assim deslumbrado?
Cara, eu acho que sim, sim, sim. Eu acho que a vez que eu travei para valer Assim, eu fui com Zico, sabe? Todo mundo deve saber quem é o Zico. Zico, ele é o, sabe, o Flamengo?
Falei do Flamengo, sou flamenguista da Seleção Brasileira, lenda.
O Zico é o, pega o Flamengo, a essência do Flamengo, e transforma em uma pessoa, é o Zico, entendeu? Então o Zico é o Flamengo personificado. Todo flamenguista conhece. Nem cito o Zico como ídolo mais porque é hors concours, entendeu? O Zico é o Flamengo, quase o Flamengo, entendeu? Ou quase coisa assim.
David Beckham.
Zico, meu irmão. O cara foi ensinar japonês jogar bola, entendeu? Tem estátua dele no Japão. O cara é sinistro.
Ele que tipo, o Japão é bom hoje em dia por causa dele, basicamente.
Em boa medida, o Japão se interessou por futebol pra caralho porque o Zico foi pra lá, fez carreira e tudo mais. Eles também gostam muito do Ayrton Senna lá no Japão.
Sim, pô, é massa.
Esse cara deu uma travada, esse cara deu uma travada.
Você deu uma travada? Então eu ia te perguntar isso. Quando você tem muito nervosismo no seu corpo, como é que você lida? Como é que você canaliza esse nervosismo para o outro?
Fuma um cigarro e toma um café.
E se você não tem um cigarro com você no momento?
Eu sempre tenho cigarro.
Você já performou em palco essa coisa assim?
Já. Isso aí não me incomoda. Não te incomoda?
Ah, tá bom. E por que não palco? Porque isso não te incomoda? Porque é tanta gente que nem dá para ver. Mas então você falando um de vez em quando dá.
O que pega, o que pega nas pessoas em geral é quando eu respeito muito aquele cara ali, entendeu?
E você quer que ele respeita você também, né?
Não, eu não. Para mim, o meu ângulo é como eu faço para não desrespeitar esse cara, tá? Como assim? Ó, eu vou falar de um cara, talvez você não saiba quem é, que é o Boni. O Boni, ele inventou o jeito brasileiro de fazer televisão. Tá? Ele é o arquiteto por trás, ele foi o arquiteto por trás da TV Globo, que é a principal do Brasil, né? Por muito tempo, tá? Então ele foi o chefão dessa porra por muito tempo. Então eu tenho, eu respeito esse cara para caralho.
Eu acho um desleixo eu chegar para conversar com esse cara sem saber o mínimo, né? Então é esse tipo de conversa que me pega, que me deixa mais Mas entendeu, pera aí, eu não posso dar mole, eu não posso vacilar com candidato à presidência da República. Sim, você tem que fazer suas pesquisas, entendeu?
E você se preocupa em perguntar uma coisa que pessoas já perguntaram antes, ou você não liga muito para isso não?
Em geral, meu interesse é acabar indo para o outro lado. E eu tenho um tipo de, vou dizer, chamar de abertura, um tipo de abertura com os cara. Espera-se algo de mim que é, que me beneficia, que tem a ver com meu jeito de se, por exemplo, espera-se que eu tenha uma conversa com Flávio Bolsonaro, por exemplo, mais próxima de uma pessoa normal, mais distante de um jornalista da, sei lá, Jornal Nacional, tá entendendo? Então é, a gente vai trocar uma ideia aqui, vou falar uns palavrão, entendeu?
É um outro, outro jeito. E eu não tô em geral na intenção de destruir ninguém. Eu quero, o que eu quero é entender a merda que tu fez, o porquê que tomou essa decisão, O que que tu acha disso? E o caralho, entendeu? Eu não tô— a vibe é diferente. Então os caras se entregam mais, no fim das contas. Então acaba tendo, acabam saindo informações assim até de forma mais clara, porque tem um ambiente mais humano.
Sim, muito mais tempo. Mas é isso que eu ia falar, esses caras que você respeita muito, que estão lá em cima, você— eu acho que ajuda um pouco você ter uma coisa mais informal, que o cara também provavelmente tá um pouco inseguro de estar lá, de conversar em frente de câmeras. Então provavelmente realmente ajuda essa informalidade. Você não precisa ser tão, você não precisa pagar pau para ele assim.
Eu imagino que sim. Mas, ó, quer ver um outro cara? O outro cara que travou foram acho que duas vezes, né? O outro, né, que travou, mas que é um choque, tá? Durante o programa tu não percebe isso, mas porque quando eu vi eu choquei, tá? Na segunda vez foi quando eu realizei que tava de fato acontecendo, que ia acontecer, eu choquei também. Foi com Adriano Imperador, que também é o meu ídolo do É mesmo.
Não, desculpa, mas eu tô entendendo a reação de Joe. Uau!
Ele me deu essa chuteira aqui e você chorou? Não, é que eu não choro, né?
Nunca? É tão bom chorar, gente. Eu choro 3 vezes na semana, é tão gostoso. É catarse, você precisa. É, mas outra pergunta, desculpa, velho, você precisa voltar, é realmente muito bom. Mas eu perguntar, voltar a chorar Eu ia perguntar mais outra coisa sobre o seu estilo de entrevistar. Nos momentos de pausa que você assim— ele falou uma coisa interessante, mas eu meio que viajei no final. Eu não sei qual seria. Então, né, sim, tudo bem.
Mas assim, não é que você trava de nervosismo, mas você ficou meio entediado e também não sabe o que mais falar. Como é que você lida com isso? E até os caras que estão assistindo isso que não são entrevistadores, na vida social deles todo mundo tem esse problema de pausa.
Com 15 minutos de programa, com 1 hora ou com 1 hora e Não, no finalzinho você só terminar o negócio, né?
Mas no começo você fazer o quê?
Então não acontece no começo porque eu não chamo quem não me interessa, entendeu? Por isso que eu falei para vocês, fica suave aí. Ah, não tenho nada para falar. Fica suave, tem um monte de coisa que eu quero saber sobre vocês, entendeu? Fica em paz. Então só acaba em 15 minutos se eu errei no convite, entendeu? Pelo menos no ponto, não do ponto de vista de view, ou qualquer coisa, mas do ponto de vista de, porra, de no fim eu nem queria conversar contigo. Mas isso é tão incomum, cara, eu nem lembro o último, entendeu?
Que bom. Você acha que na vida social isso é bem comum para todo mundo? O quê? Tipo, ai, eu tenho que— é porque essa diferença, você escolhe as pessoas que você vai conversar, mas na vida real de vez em quando você acaba conversando com a pessoa que você não tá muito interessado.
Eu gosto de conversar, no fim. Eu sei que é clichê. Ah não, caralho, claro que tu ia falar isso, Igor, mas é Ah, por que que tu consegue conversar com todo mundo? Hoje eu tô conversando com o Jô e com a Júlia. Ontem eu tava conversando com o Ronaldo Caiado, que é um pré-candidato à presidência da República, entendeu? E amanhã tem o Dileiro, o Psyllium e o repórter Tourette. Então é como, como, cara, eu vou nos lugares assim, o que eu faço é conversar com as pessoas.
E não é, vamos lá, claro que nem sempre eu tô a fim de conversar, tá? Porque senão as pessoas vão ver isso, vão achar que é só chegar perto de mim e falar que eu tô sempre a fim de falar. Não é isso, mas é que que eu, quando alguma coisa, quando algo me chama atenção, eu não tenho nenhum problema de trocar ideia contigo. Por exemplo, se eu tô num lugar, eu tô vendo um segurança, aquele segurança ele tá, ele é curioso, sei lá, ele tá olhando para as coisas, eu chego do lado dele e troco uma ideia.
Qual foi, irmão? Não sei o quê, troco uma ideia, entendeu? Eu tô dentro do, ó, eu lembro, tem uma que eu cito com frequência, que é, eu lembro de uma muito claramente, que eu tava dentro do ônibus indo trabalhar, e aí tinha um, tá todo mundo em pé, e aí um cara que tava na minha frente levantou e saiu e vagou aquela, aquele assento ali. Do lado dele tinha sentado um cara camisa do Flamengo. Eu sentei e a gente começou a conversar de Flamengo e fomos conversando. Então não é conversar, é eu converso.
Falando de conversa, que eu tô ouvindo seu sotaque agora, que é realmente carioca. Você tem sotaques, variedades de sotaques de classe no Rio de Janeiro? Ou assim, você teria qual sotaque? Você teria um sotaque de burguês, como a gente tem um sotaque burguês em inglês?
Olha, eu acho que o sotaque muda pouco. Talvez o conjunto de, talvez o léxico mude, entendeu? Então o cara lá da Zona Sul, que é a parte rica, ele vai usar um conjunto diferente de palavras, tá? É que a gente às vezes tira um sarro, às vezes não, às vezes tem. É que assim, já faz muito tempo que eu saí do Rio, eu saí de lá em 2016, então o meu vocabulário de gírias, por exemplo, ele é mais, ele tá parado no tempo de certa forma.
E eu gosto disso, eu desprezo um pouco o carioca que fala mano, porque isso é coisa de paulista, sempre foi, entendeu?
Baiano tá fazendo isso aqui também, também. Baiano fala mano agora, mas é de paulista.
Então, mas ó, mas tem uns que eu acho maneiro, por por exemplo, é lá ele é maneiro. Eu acho muito foda quando nesse caso era um troço que ele até de difícil entendimento. Eu lembro a primeira vez que eu ouvi que eu não entendi nada. Com o que que você quer dizer lá ele?
Tipo, tipo daí também não entendia essa muito no começo.
Então é, a gente fala um pouco diferente, mas não é no sotaque que tu pega, eu acho.
Realmente não tem, não tem uma coisa mais assim.
Tudo bem, talvez, eu não sei, cara.
Eu acho que é comparando alguém da Zona Norte com alguém da Zona Isso, em sábado não existe diferença ainda.
Ó, vamos lá, o cara da Zona Norte, eu acho que tem, aí eu vou chutar, tá bom? Eu acho que tem a ver com o ritmo da vida. Então é o cara que tá, o cara que não tá na Zona Sul, o cara no Rio Zona Sul ali é o cara old money em geral, tá bom? É um herdeiro, é uma parada assim, é um cara, cara que entendeu, onde mora a esquerda caviar, que os cara fala, não sei o quê, é ali no Leblon. E Botafogo também, Botafogo um pouco menos porque a praia de Botafogo é meio Então, Marlon, entendeu?
Os cara ali, esses caras têm um ritmo um pouco diferente. Então eles podem, pode ser que alguém poderia dizer que eles falam um pouco mais cantado, entendeu? Alguém poderia dizer isso. E que o cara lá de Madureira, ele tá falando mais rápido, ele quer resolver logo o problema, entendeu? Tem a ver no fim das contas com, suponho, com poder aquisitivo, né?
E você tem essa questão do, essa coisa do cara, do adolescente, por exemplo, da Zona Sul falando como um cara da Zona Norte para se aparecer um certo jeito.
Tem essa coisa de adotar um playboyzinho, querer falar que nem alguém de Madureira, né?
Tem para caralho.
Eu tô perguntando isso porque não tem isso no sábado.
Tem sábado, tem sábado, tem para caralho.
É foda porque nós estamos 10 anos depois que eu saí do Rio, tá?
Mas você deve lembrar de uns adolescentes, seus amigos, assim, da minha geração.
Eu não sei como tá agora, então eu gosto que eu tô falando Você é de onde do Rio? Eu sou da Zona Norte, eu sou do— morei a vida inteira num bairro chamado Rocha, aí morei também no Jacaré e morei por último no Caxambi.
Porque eu pensei que seu sotaque era da Zona Sul quando eu ouvi seu sotaque. Não, mas assim, mais ou menos, porque muito da nossa cultura é do Rio, então tem, mas eu pensei que se vê na TV de Rio de Janeiro é os cara da Zona Sul mesmo, entendeu?
Eu acho que em Londres tem muito e tem Tipo assim, no meu colégio tinha uma fase entre 15 e 17 anos aonde todo mundo começou a falar que nem rapper em inglês. Começou a escutar, começou a escutar rap, começou a fumar maconha e adquiriu gírias e até o sotaque é da, assim, é um sotaque chamado MLE, que é Modern London English, é inglês de Londres que é o inglês Cockney, que é o, assim, o sotaque do povão, sotaque da zona leste de Londres, que sempre foi mais pobre e negligenciado.
É esse sotaque misturado com jamaicano. Então quem é da classe trabalhadora hoje em dia fala com esse sotaque.
Interessante.
Quem é da nossa classe costuma falar diferente, né? A gente fala com sotaque, pronuncia todas as vogais. É tipo alguém que é da classe trabalhadora vai falar em vez de water. Júlia, a gente tem uma leve diferença nessa pronúncia. Júlia fala water e eu falo, eu falo water, tipo é um pouco menos, um pouco mais leve, ou não, é o melhor, é o melhor, é o Fala o quê em inglês?
O quê?
O quê? Ela fala what, eu falo what. Aí eu não falo T, mas meu ainda é de burguês, só que é um nível um pouco abaixo.
Mas é leve, leve. Mas eu ia falar agora da galera que fala como a gente, Received Pronunciation, mas que força esse sotaque de MLE. E eu ia fazer um vídeo sobre isso, que é um termo linguístico que se chama Covert Prestige, que é tipo você esconde seu prestígio, seu valor na hierarquia Adotando esse sotaque de Amali. Mas eu queria saber se tinha em outras cidades do Brasil, tipo no Rio de Janeiro, que você tem mais ou menos, né?
Tem, porque tem uns cara que, porra, quer parecer malandro, essa coisa, né? Tem um moleque que quer curtir o baile de favela, quer se enturmar, entendeu?
Masculino, isso.
Tem um moleque que quer se enturmar, que quer parecer o brabo. Tem um moleque que vê o glamour do, sei lá, numa certa bandidagem, qualquer coisa assim, entendeu?
Sim, em Londres eu acho que é, mas é muito mais, é muito comum nos colégios particulares de Londres, não só os particulares, mas quem é de classe média alta. Em Salvador não percebo, em Salvador realmente tem dois sotaques, tem o sotaque, né, do Alphaville, da classe média alta, tem sotaque da favela. Assim, o sotaque da favela é tipo porra, man, porra, man, porra, rapaz.
Aí favela é um pouco mais Tem um nome, mas aí você não vai acertar.
Mas assim, tem umas pronúncias diferentes. E a gíria é um pouco mais expressivo, um pouco mais expressivo.
As gírias são diferentes, mas eles adotam as gírias também.
Mas todo mundo acaba falando as mesmas gírias, eu acho. Todo mundo acaba falando a mesma coisa em Salvador. Sim, tipo, não há. E eu acho que eu não percebo essa questão, tipo, dos playboys querer parecer que são bandidos Eu percebo mais que eles querem parecer mesmo que são ricos.
E assim, mas no Rio parece que tem isso.
Eu acho que eles querem ver mais, eles preferem ter mais essa separação mesmo.
Tipo, eles querem mostrar o prestígio e nossos amigos querem de vez em quando esconder o prestígio, pensar, não, não sou tão rico assim. Mas é especificamente com homens, mulheres não têm.
Aqui tem, aqui essa parada é curiosa porque tem aqui, de certa, em alguma medida, tu ter sucesso isso é feio. Então é, a galera costuma bater nessas coisas, falar, mas isso é por causa daquilo, isso é por causa daquilo outro. Então é, tem muita gente, tem uma galera que, ah não, pô, mas não é bem assim, não sei o quê e tal, entendeu? Assim, não sou rico, não tem dinheiro. Então aqui você tá falando, é assim, não é, não é. Por outro lado, tem ostentar, é bem, é que o Brasil é tão grande grande, que todo mundo gosta de, tem gosto para porra toda, entendeu?
Ainda mais com a internet, que a gente consegue ver as opiniões mais exacerbadas do que nunca em 2026. Então acaba tendo o cara que tem 215 milhões de pessoas, tem, acaba tendo a porra toda. É difícil fazer generalizações, especialmente porque isso que você tá falando, é como é, imagina, você tá falando, pô, o carioca da Zona Norte ele fala diferente do carioca da Zona Sul, em alguma medida sim. Agora imagina o cara de Recife comparado com o cara de Florianópolis, sabe?
Então são muitas diferenças, entendeu? Esses cara fala diferente pra caralho, eles agem diferente, pensam diferente, tem opiniões políticas completamente diferentes, entendeu? Então o Brasil é complicado nesse sentido, né? Muito, é muito de tudo, é muito, entendeu? Não é tanto quanto China e Índia, mas ainda é muito, né?
Muita diversidade. Eu acho muito diferente minhas amizades com meus amigos que não são de Salvador E até dentro de Salvador já é diferente, dentro da Bahia é muito diferente. Então, com certeza, com certeza.
Então tu fica muito mais tempo lá, né, na Europa?
Eu passei muito mais tempo na Inglaterra. Eu realmente acho que agora não entende quanto eu sou inglesa. Eu só estou passando mais tempo no Brasil nos últimos 2 anos, desde que viralizou. Mas agora é mais metade e metade, porque o trabalho— a gente tem um curso de inglês que facilita a gente estando nos Como assim?
A gente desenvolveu um curso de inglês, já faz 2 anos que a gente começou e lançou.
Então, tipo, é ensinar para aprender a falar que nem quem?
Pronúncia em inglês britânico, o nosso sotaque, ou do meu pai. É um assim, falar com as vogais certinhas.
E não é que tem, não tem essa coisa de falar errado, mas se você quer, tem 2 cursos. Tem um que mostra assim como diminuir os erros que realmente tem Pode, você pode errar em pronúncia, mas tem um que também é desenvolver um sotaque britânico, Received Pronunciation.
A gente percebeu muita vontade dos nossos seguidores para falar com o inglês britânico, então, né, a gente ofereceu isso.
Mas assim, a gente dá a pronúncia brasileira e a gente explica com os movimentos da boca como adquirir sotaque britânico.
Entendi.
Então talvez um cara que Talvez um cara que tá tentando refinar o próprio inglês também.
Eu acho que é um curso que se você é iniciante vai te dar um empurro assim para você começar a desenvolver seu inglês. Se você é intermediário, você vai puxar várias coisinhas assim que talvez você não sabia. A gente conheceu uma mulher que tipo ela já fala inglês, já mora na Inglaterra há muitos anos, mas ela aprendeu muitas coisas novas novas, porque não são coisas tradicionais, são coisas muito assim que a gente sabe da nossa vida mesmo, que a gente percebeu assim nas diferenças entre inglês e português.
E enfim, é, isso é interessante mesmo porque tem vários desafios que um falante de português tem ao tentar aprender inglês, que não tem no português.
Mas é, não é para você ficar fluente com o curso esse agora, vai lançar outros no futuro, mas assim é para dar uma aprimorada ou para dar assim um começo no seu inglês. E mas é muito foco realmente em pronúncia mesmo. Então alguém que já fala, mas fala tudo errado e não quer passar por preconceito que passa na Inglaterra, realmente, tipo, você pode, tipo, foda-se como eu falo, eu falo do meu jeito, tudo bem. Mas assim, realmente existe um certo preconceito com a forma que você fala quando você for para uma entrevista de trabalho e tudo isso, que é bom dar uma, se você quiser, né, sua vontade, dá uma melhorada na sua pronúncia e se sentir mais confiante.
Você se sentir mais confiante, você fica mais à vontade praticar. A nossa mãe, a gente, ela fala em consultar aqui quase perfeito britânico sendo brasileira, porque ela focava muito na pronúncia. Ela não sentia vergonha porque ela sabia que ela tava pronunciando tudo certo e ela foi praticando.
Acho que é a confiança mesmo que o curso, com certeza, é a confiança e a necessidade, eu diria, né? E aí eu vou fazer o meu jabá também, que é a Fluency, cara, que assim, maneiro o curso deles, mas ó, tu quer conversação educação 2 horas por semana desde o começo. Por que que eu tô falando isso? Imagina que você vai mesmo para uma situação que você precisa de uma entrevista de emprego, qualquer coisa, é porque aí, ah não, pô, eu me viro no inglês, eu entendo o que as pessoas falam.
E na hora de falar, tu trava. Não, travar, travar é uma falha horrorosa, né? E lá na Fluency, cara, você vai trabalhar exatamente isso, porque o foco deles é fazer você falar, tá? É fazer você ser entendido, é fazer com que você sinta a confiança de conseguir se comunicar, entender, né? Comprove. E assim, dá para dizer que tem uns professores ali bem interessantes para você, é, para fazer esse acompanhamento contigo. E bom, como eu te disse, o foco deles é diferente, é fazer você falar inglês, tá bom?
Então, se você tá cansado aí de só se virar, dá uma olhada na Fluency. Tem link aqui na descrição, tem o QR code também. Baixa aí o aplicativo, faz lá tua inscrição, que eu tenho certeza que tu vai se amarrar. Pode ser que tem potencial de mudar tua vida. No caso de vocês, vocês já falam inglês e português desde sempre, é, e eu fico pensando se teve dificuldade nessas, nessas, nesses fonemas que são específicos de cada língua. Talvez não, porque vocês foram educados desde sempre nos dois.
Eu já tive Eu já falei umas coisas erradas em inglês porque eu falava que nem minha— eu às vezes falava que nem minha mãe certas palavras. Eu não lembro o que que era. Eu falava love em vez de love. Enfim, eu aprendi a ler com 8 anos, foi muito tarde isso aí, 8 anos. Eu fiquei nessa mistura entre português e inglês e me atrasou, eu acho, um pouquinho. Português, né, com certeza teve muita dificuldade com—
não muita dificuldade, mas não tinha vez que a gente vinha para cá para passar férias e Jô, você esquecia de falar português.
Eu esquecia quando a gente tava na Inglaterra, eu esquecia. Eu vinha para cá e já ia voltando. Mas sim, a gente nunca fez curso de português, nem aula.
Só eu tenho dificuldade com os plurais, não sei se é mães ou mãos ou moças.
Porque tem muita— a gramática é muito mais complexa, é mais complexa, tem muitos tensos diferentes.
E porra, não tem tenso, não é isso. Assim, tem gênero em português que não tem em inglês, conjugação muito doida.
Sei lá, eu tenho que pensar às vezes antes de falar o gênero, tipo, eu Tipo, eu falava o time da Bahia, mas é time do Bahia. Aí tinha que pensar do, é porque é o clube, e clube é masculino, né?
Nesse caso é porque convencionou-se que é o Bahia, tá ligado? Que nem o Curitiba. O Curitiba é o clube, sim, né? Então tem um, convencionou-se. Aí dá para dizer, tu consegue inventar qualquer desculpa para isso daí, tá ligado? A verdade verdade é que é uma convenção, a gente decidiu que era assim, tá ligado? Mas tu consegue defender, ah, é porque o clube— pode ser, pode não ser. A verdade é que a gente convencionou que é assim.
E isso é complicado no português, eu entendo. Pô, 3 conjugações diferentes: -ar, -er, -ir. Então você, por exemplo, que eu tava confundindo vir com ver, tá ligado? Ver é um verbo de segunda conjugação, vir é um verbo de terceira conjugação. Isso faz com que eles sejam o eu, tu, ele, nós, vós, eles seja diferente. Entre si. E ainda tem os irregulares, e ainda tem os que são aportuguesados. Esse na verdade são fáceis porque são sempre de primeira conjugação irregulares. Então português é complicado, com certeza.
Eu também tô um pouco perdida porque não lembro o verbo original qual foi. Vir, vir, vir. Significa come, to come.
Esse é outro.
Sabe que em Portugal eles falam tu avias? É, eu tô gozando.
Será que é por causa disso? Será que é por causa da confusão de origem, porque os cara falavam em inglês, era por causa da confusão.
Calma, calma, duvido.
Tua via, gente, tua via.
Eles falam tua via, tua via.
Eu ia broxar, os cara português falando tua via. Aonde?
Meu Deus, você tem esse nível de baixaria geralmente nos podcasts?
Olha, é amanhã Ah, meu Deus!
Ai, meu Deus do céu, vai ser maluquice de fato. Mas é, pediu um cara jovem.
A gente fala de cultura, velho, a gente fala de antropologia.
Realmente somos vários registros de bater punheta e 1528.
A gente tem todos os registros aqui.
Bom, os caras mandaram pergunta para gente aí, é. Vamos ver o que que será que esses caras querem saber de vocês.
Ah é? Será?
Não sei, pode ser que ninguém ligue também. Vamos lá, ó, o Caim do Mel mandou aqui, deve ser teu amigo, que ele mandou: Joe, conta a história da piscina aí, kkkkk, saudade, mano. Conta a história da piscina.
Que história disso? Da mijina, acho que é da mijina.
O que que é isso?
A piscina deve ser da mijina.
Então deve ser da mijina com esse nome.
Não sei, acho que é só, aí tem uma hidromassagem lá em Londres inflável. E quando fazia festa lá, a gente acabava mijando, né, lá, todo mundo bêbado. E aí ficava todo mundo fodido de bêbado, meu amigo Luiz assim na mijina, fodido.
Caralho, por que que vocês mijavam dentro da piscina?
Assim, eu, eu sou foda-se, eu tomo banho de banheira, né, eu tomava mais. E assim, eu mijava na banheira, eu não tenho muito senso de, assim, eu sou muito foda-se para higiene, assim, às vezes eu tomo banho, parar de pegar de pessoa, cara. Eu tomo banho, é, pois é, eu tomo banho e me limpo, essas coisas.
Mas tem coisa que eu sou foda assim, tipo, eu vou mijar e ficar dentro.
Foda-se o que que isso vai mudar na minha— eu, porque eu sou filho do meu pai, entendi.
Teu pai mija e fica dentro.
É meu pai, não é coisa. E aí eu comecei mijando, aí todo mundo, todo mundo brasileiro reclamava, porra, para de mijar, porra. Aí eu, foda-se. Aí chegou um momento que eu levantei assim, nem embaixo da água, eu comecei a mijar dentro da água. E aí todo mundo já foda-se, bêbado, todo mundo ficou lá na mijina. A gente chamava da mijina. Que nojo! Zero meninas, era só salsicha, festa de salsicha na mijina. É, acho que é isso. Salve, Caio! Cadê Caio?
Hi, Caio!
Tamo junto, cabeção!
O Caio, a cabeça dele não é proporcional com o corpo, não tem a mesma chance.
Mas ele é grande também, é bonito, ele é grande. Cabeça grande, é bonito, gente boa, mineiro.
Aí o detalhe da cabeça tem que ser proporcional ao corpo, é muito difícil.
É porque mostra que o cara desenvolveu certo no útero, sabe? Assim, um sinal de saúde para mim.
Anyways, ela é chata, ela é lésbica, filha do pai dela, né?
Eu não sei se eu sou lésbica, eu acho que eu não gosto nenhum dos dois, na verdade. Não, eu gosto de mulheres em posição de autoridade e homens extremamente bonitos, ok?
A não ser muito homem bonito e não tem muita mulher em posição de autoridade.
Que que é mulher?
Anyways, e tu gosta de quê?
Da minha namorada.
Ah, bem, joga e joga, né, meu irmão? Se tu der mole nessa daí, tá fodido, porra. O Abre Top Joe Sabe, meus amigos, filho da puta, velho. Quando volta para Londres para tomarmos um banho de mijina? Meu Deus, de novo abraços do seu macho. Nossa, cara, porque realmente, entendeu?
Acho que é muito peculiar. Ele tomava banho de mijinha também, meu amigo. Eu, na verdade, eu salvei ele porque ele veio para Londres ilegal, ficou lá trabalhando ilegalmente. E aí meu pai adotou ele para ter papéis. E aí por isso que ele é legal hoje em dia.
Tá falando sério? Não, né?
Não, meu pai não adotou, mas ele foi adotado por outro homem porque ele não tem pai. Aí tipo, ele podia ser adotado, é por isso que ele tem papel. Hoje ele trabalha na construção, se fodendo, mas ganha bem, viu? Ganha bem. Ele morava em Eunápolis, Bahia. Ele odeia que eu falo que ele é de Naples. Ele fala, fala que eu sou de Porto Seguro, tudo a mesma merda. Brincadeira.
Agora, André, tá se arrependido agora de ter mandado essa mensagem.
Ah, deve, deve ter se arrependido.
O Gleverson, ah, eu não conheço.
Salve, salve, família! Joe e Júlia, vocês têm planos de fazer collab com influencers brasileiros de Londres, como Hi Guys e a Cleaner Gata? Manda um salve aqui Eu fui para Bournemouth, para o meu irmão Street.
Eu não conheço eles, mas seria aberto a isso.
Ele fazia conteúdo de delivery, aquele entregador que muito, a maioria dos meus amigos brasileiros tudo faz entrega lá em Londres, faz entrega, agora faz construção, porque foi ficando, foi ficando mais, ganhando mais corpo, foi para construção. Exato. E a entrega é porque dá para você alugar a conta dos gringos, e aí mesmo ilegal eles conseguem trabalho. Aí, aí o esquema é esse, entrega. E aí esse High Guys, eu acho que ele fazia também, né?
Acho que ele foi deportado, não sei, não dá mais. Acho que ele faz OnlyFans agora. Ô porra, sim! A outra eu não conheço, mas esse High Guys aí já conversei com ele.
Curte OnlyFans?
Eu já pensei em fazer, mas assim, já pensei, eu já pensei, porra, ia ficar muito rico. Mas eu nunca, eu nunca iria fazer. Não, é porque tem uma história que não—
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Não, é porque eu não posso. Eu posso, mas todo mundo sabe a história.
Todo mundo sabe a história.
Houve— Não, cadê Luísa? Ô Luísa, me desculpa.
Tá bom, porque é só pular essa.
É só porque é contexto. Tá bom, amor, tá bom. Mas eu te amo. Minha chibata tava usando no Twitter.
Vocês já sabem disso, né?
Não sei se todo mundo sabe, mas viralizou muito na época.
Todo mundo sabe, infelizmente.
É mesmo? Às vezes eu saio na rua, o povo gritava: ô gringo da rola!
Tu é o gringo da rola?
Tem gente que fala para mim: eu vi o pinto do seu irmão.
É bem normal. E aí é isso. Aí na época chamou muita atenção, viralizou muito. Aí eu pensei, ah, porra, se eu abrisse um OnlyFans aqui, cobrava também para ver meu pinto, ia dar certo.
Coitada da nossa mãe assistindo isso.
Mas é, ó, amor, eu não tô querendo divulgar meu pau não, é só porque a história da minha vida, né, velho?
A gente devia também falar desculpa para mamãe, eu acho.
Minha mãe já sabe, minha mãe sofreu muito com isso aí.
Falar o quê?
Desculpa para minha mãe.
Ah, tua mãe sofreu com teu pau no Twitter?
Ela tá sofrendo com essas divulgações toda a gente falando aqui.
É tudo que a gente fala que é baixaria, minha mãe acho que ela tipo morre um pouco mais conservadora assim do que nosso pai.
Como é o nome da tua mãe?
Ana Teresa.
Salve, tia Ana!
Tá suave, também amo e admiro muito.
Eu não falei, mas bom.
Joe e Júlia. É, muito obrigado por virem aí, porra. Obrigado pela moral, obrigado por trocar essa ideia comigo.
Foi um prazer.
Joe, essa aqui é a tua câmera. Fala alguma coisa. Como é que as pessoas te acham na internet?
Vá no Instagram, Gringo Baiano. Não é o O no final, é um zero. A gente tem curso de inglês, tem 4 horas de conversação por dia. Fluência só tem 2. Mentira, não tem nada de conversação. Só vídeo gravado mesmo, e vídeos bons, vídeos muito bons. Tá no link da minha bio no Instagram. Daqui a pouco saem uns vídeos aí no Instagram, obviamente todo dia, né? Senão eu morro de fome. E aí vai ter no YouTube algum dia aí, quem sabe OnlyFans. Mentira.
E Júlia, meu Instagram é julia.madagascar. Eu deveria talvez trocar esse nome porque não tem nada a ver com nada, mas por que que é ponto Madagascar? Porque antigamente era Glória Madagascar do Madagascar, o filme, aquela hipopótamo quando eu era meio gorda. Aí eu botei esse nome no Instagram, Mas todo mundo tava me chamando de Glória na rua assim, oi Glória, eu te conheço no Instagram. Gente, eu não sou Glória, eu sou Júlia. Então eu troquei para Júlia.
Mas acho que deve ser eu de peruca, né? O que que você acha? E o meu gringo baiano eu ganhei no podcast também. O meu cara falou, não, não pode ser Johnny.
Só que você é gringo baiano para sempre agora, você não pode sair disso. Eu de peruca é muito broxante, não sei.
É feio mesmo, parece tipo uma doença. Parece. Eu tô com eu de peruca tomando antibiótico para tratar.
Você quer saber. Então, @juliapontomadagascara.
Você pirou um monte de coisa na fila de falar aqui, mas eu vou só dizer assim, cara, é, faz pouca diferença na minha opinião o arroba que você usa. Ele só precisa ser fácil de achar. É, o nome que você vai se chamar é o que vai pegar no fim das contas. É, até pode ser, porque o que acontece, tem muita gente que eu sigo que eu sei o nome, mas não sei qual que é o arroba.
Por exemplo, seria difícil você pesquisar, né? É, é. É facilidade mesmo.
Eu acho que gringo baiano é um bom, inclusive.
Por isso que Virgínia é bomba tanto, que é fácil.
É um nome, né? Veja, não é claro que tem vários outros fatores, tá? Mas é um nome fácil de achar, talvez seja, sei lá, uma das coisinhas fáceis de prestar atenção. Então julha.madagascana é muito ruim não, só é longo, deve encher o saco para digitar, sabe qual é? Sim, toda vez tudo que tu vai pensar é sempre como é que tu cria menos fricção para o cara.
Eu sempre penso isso agora depois do curso. Isso é tudo na minha mente, é isso, facilidade.
Bom, obrigado pela falta você falar, né?
Não, eu falei mais ou menos. julia.madagascar, eu amo o Brasil, o Brasil me deu tudo na minha vida de bom. Gente, o Brasil é foda, viu? E thank you, Igor, você é um entrevistador massa. And love you, Joey, and love you, mommy and daddy. Eu te amo, mamãe. I love you, daddy. Miss you a lot.
Que fofinho!
Saboia! Caio, André, Lucas Nunes. Favela venceu!
Oh my God, burguesinho venceu, na verdade!
E a Luiza, meu amor, não esquece.
Bom, obrigado você que assistiu aí, muito obrigado pela moral. Segue os caras, a gente vai colocar aqui no comentário fixado para vocês encontrarem com facilidade, tá bom? E vamos virar membro do Flow, cara, custa menos de R$8 e não dá nem para você comprar um Tá? Então vira lá que a gente faz conteúdo para vocês o tempo inteiro, cara. Vira membro do povo. Aqui na descrição tem o Discord para você sugerir novos convidados, novas pautas também.
E quem mais? É isso. Dá o like aí, se inscreve. Um beijo para você, a gente se vê depois.
Beijos, tchau!