CO-FUNDADOR DA INSIDER - Yuri Gricheno
Esse é nosso quadro chamado Executive Talks, focado no Igor conversar com executivos fodas de grandes empresas pra que ele se torne um CEO melhor. Neste episódio, recebemos Yuri Gricheno, Co-Fundador da Insider, uma marca brasileira de roupas tecnológicas, conhecidas pelo conforto, durabilidade e praticidade para o dia a dia.
- Promoção InsiderMotivação criativa e lifestyle · Nome 'Insider' e significado · Desafio de reposicionamento da marca · Crescimento do mercado feminino
- Marca, Propósito e SustentabilidadeQuebra do modelo fast fashion · Durabilidade e baixa manutenção · Combinação de cores e praticidade · Roupa essencial vs. básica
- Desafios e Escala da InsiderContratação de golpistas · Gerenciamento de 230 funcionários · Percepção da marca na internet · Efeito orgânico e evangelizadores da marca
- Desenvolvimento de Produtos e MarcasExpansão para novas categorias · Melhoria contínua de produto · Time de Customer Insights · Avaliação no Reclame Aqui
- Mentalidade EmpreendedoraExperiência em consultoria · Comparação com tênis competitivo · Aprendizado com erros e perdas financeiras · Importância de testar novas estratégias
- Cultura de Startups no BrasilMissionários vs. Mercenários · Propósito da empresa · Processo seletivo e fit cultural · Equity e participação
- Modelo de negócio de startupsTomada de decisão e risco · Responsabilidade do executivo · Compromisso do empreendedor
- Plataformas digitais e marketingMudança de comportamento do consumidor online · Estratégias de entrega de conteúdo
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Com certeza tu já ouviu falar da Insider, né? Tá em tudo quanto é lugar na internet e é inclusive conhecida como a marca de roupa da internet. Bom, hoje eu vou conversar com Yuri, que é quem sonhou com isso, quem levou para o Shark Tank, quem fez crescer e quem tornou a Insider o que é hoje, inclusive liderando até este momento. Então já pega teu caderninho aí, anota, porque a gente vai conversar sobre um monte de coisa interessante sobre esse universo de startupero.
Tu lembra a última vez que tu entrou num, sei lá, num conteúdo sobre tênis e tu comprou um carregador de celular? Não teve essa vez. Teve lá na pandemia, tá ligado, que tava todo mundo, a galera ainda, porra, os cara que eram mais antigo aprendendo a lidar com comprar. A gente já sabia comprar pela internet, né, mas os cara aprendendo a comprar pela internet, né. É, com o passar do tempo, cara, eu nunca mais entrei numa parada para fazer uma coisa e o cara me seduziu a comprar outra coisa.
O que rola é, pô, legal, esse cara, esse cara apoia essa escola. Quando eu tiver procurando uma escola, eu vou considerar essa escola aqui porque esse cara que eu, que eu passo uma credibilidade, autoridade, mas eu vou comprar depois. Agora eu tô vendo o vídeo aqui, tá ligado? Agora, se a gente pega o cara Se o cara ele tava, por exemplo, ele tava só na rede social, ele tá muito mais propenso a comprar um troço do nada, né? Diferente dele entrou num vídeo para prestar atenção num troço, perfeito, exato, no assunto do vídeo.
E só esse, só essa mudancinha já faz toda a diferença em como entrega qualquer coisa, tá ligado?
Isso é uma parada, as estratégias que você tem que fazer como marqueteiro para conseguir utilizar esse novo canal, essa nova forma de comunicação.
A internet muda muito rápido. Fica muito difícil, fica muito mais difícil para os cabeça branca pegar essa porra, entendeu? Então o cara acha estranho, por exemplo, ele acha que, que nem a gente tava conversando antes aqui, conectando tudo, ele acha que fodeu se os bolsonaristas pegar no pé dele. Então ele não vai não anunciar aqui porque senão vai pegar no meu pé o caralho. Mas na verdade isso Faz pouca diferença. Quem tá fazendo barulho é uma pequena parte, tá ligado? É uma— a vasta maioria tá vendo aquilo.
Mas acho que tem uma diferença de startup e corporação nesse aspecto, porque corporação quem tá tomando a decisão e quem tá tomando risco é o executivo. E o executivo deve satisfação para o CEO, que o CEO deve satisfação para o conselho.
E todo mundo medo de perder o emprego.
É isso. Então tá todo mundo com o rabo preso. É, exatamente. Quando a empresa é de empreendedor, o empreendedor bate no peito e fala, cara, se acontecer alguma coisa vai ser comigo, eu tô ok entender o risco-retorno aqui. Mas o executivo não, executivo vai falar, cara, aqui pode dar muito certo e eu receber elogios e algum nível de bônus. Se der errado, eu perco meu emprego. Então, tipo, entendo, se der certo ele não captura todos os benefícios, mas se der errado ele vai, né, se lasca.
Mas isso não coloca a coisa toda num, assim, aqui a gente tá tendo, vamos conversar sobre isso. Eu sei que você tá num ponto um pouco diferente, porque você é o— você, além de ser o CEO da Insider, tu é o cara que sonhou com a Insider, né? Tu é, pô, caralho, suponho que é teu filho.
É isso, começou do zero.
Isso. Então é que nem o Flow é meu filho também, né? Então a gente olha para essas paradas aqui, tem pouca coisa para mim que é mais importante do que o bem do Flow, manja? Fazer essa parada aqui chegar no seu potencial máximo. Né, mas o importante que isso aqui é minhas filhas, minha mulher e uns amigos, né? E nem é tanta gente assim. Então, cara, é tudo que eu faço é para, é para que isso aqui funcione melhor, né? Nesse sentido, será que tem, será que dá para contratar alguém que tenha esse mesmo amor pelo, pelo, pela Insider, pelo teu filho, cara? Tu já encontrou alguém assim na tua vida?
Eu acho que o nível de, né, de commitment, de engajamento, putz, acho que tem um negócio que é equity, participação, nome no contrato social, que isso pesa muito, né? Então no final, se der uma merda aqui, quem vai preso é você, quem vai preso sou eu, quem vai ficar com dívida na pessoa física é a gente. Então acho que isso leva para um patamar totalmente diferente de de commitment, de compromisso. Mas do outro lado, a gente vê muita gente extremamente competente e comprometida assim. Então acho que—
como é que tu encontra um cara? Como é que tu encontra uma pessoa que tu confia? Vamos lá, é mesmo isso. Como é que tu encontra uma pessoa que tu confia a guarda do teu filho, né, da Insider? Isso quer dizer o quê? Um pedaço da empresa. Mas a gente não deveria sair entregando pedaço da empresa só para contratar uma pessoa que é cara, né? Eu já fiz isso e não tô nem dizendo assim eu me arrependo. O que eu tô dizendo é eu não levei em consideração alguns outros fatores que talvez devessem ser levados ao fazer isso, ceder um pedaço do teu sonho, né?
Como é que tu encontra alguém que tu confia, ou tu, ou não, ou tu A confiança vem depois.
Muito bom, ótimo ponto. Acho que assim, tem missionários e mercenários no mundo. Então acho que assim, é difícil encontrar os mercenários, os missionários, perdão.
Mercenário é mole.
É mole. Mas quando você encontra esses missionários, é a galera que vai proteger a empresa, vai colocar o interesse da empresa no primeiro lugar. E eu acho que isso é muito de um ter clareza o que que a empresa significa, né? Quais são, qual que é o propósito da empresa? Por que que essa empresa existe, né? Ela tá ali só para ganhar dinheiro, né? Você como empresário, empreendedor, Você tá querendo ganhar dinheiro ou você tem algum propósito maior, né?
Então eu acho que se você coloca esse propósito com muita clareza para o mundo e você comunica isso com clareza, as pessoas vão, missionárias, vão vir até você. Então acho que de alguma forma, quando a gente tá fazendo processo seletivo, acho que a importância é conseguir filtrar, entender quem tem essas motivações altruístas e quem tem as motivações egoístas. Então Acho que processo seletivo é igual um papo que a gente tá tendo aqui, que é um skill que você vai desenvolvendo ao longo do tempo.
Então acho que já fui muito ruim nisso, hoje eu considero que eu sou razoavelmente bom.
Então, ó, tu é o, vamos lá, Yuri, o Yuri da Insider, o cara já foi no Shark Tank defender Insider, não sei o quê. Cara, eu fico pensando como é que, primeiro de tudo, Por que diabos tu foi fazer roupa, tá? E a outra coisa é, eu quero que tu seja honesto nessa: qual que é o sonho que tem em vender roupa que não seja ficar rico?
Muito bom, incrível. Então vamos lá, para começar a empreender, a lógica não era criar o business bilionário do século, nada do tipo. Acho que a motivação no início era criar um business lifestyle que eu pudesse sair da minha vida corporativa, que eu não gostava, detestava. Então, sou um cara muito pouco corporativo, como você me conhece, e acho que minha motivação sempre foi criar. Eu sou uma pessoa criativa, eu gosto de pensar novo modelo de negócio, nova forma, novo produto, nova estratégia de marketing, comunicação, branding.
Isso que me deixa empolgado ali trabalhando no dia a dia. E a ideia da Insider foi uma ideia de tipo, cara, quero sair dessa rotina corporativa, quero ir para um negócio mais criativo, quero criar alguma coisa do zero.
Quero não ser obrigado a usar uma gravata.
Também.
Entendi.
E aí até o primeiro produto é a undershirt, que é um negócio de tipo a camiseta para usar por debaixo da camisa, que tipo faz com que o dia a dia de quem usa roupa social seja um pouquinho mais confortável.
Por isso que é Insider, porque era uma roupa que você usava por dentro? Por que que tu escolheu esse nome?
Perfeito. Insider é a roupa que você usa por dentro E quem que é o Insider? É a pessoa que detém conhecimento de um aspecto específico. Então você é um Insider do podcast, você tem conhecimento de como funciona, como captar, como fazer corte. Então você é um cara que detém conhecimento.
Quase ninguém pensa nisso mais. Falou Insider, o cara sabe que é camisa.
Perfeito. E aí esse é até um desafio nosso.
É verdade.
Porque uma coisa é vender a camiseta, outra coisa é vender a calça, que, putz, ninguém sabe, mas essa calça é da Insider e ela é hidrorrepelente, Tem uma galera que sabe, mas a camisa é muito mais famosa mesmo. Exato. Então essa daqui é a manga longa Insider, essa daqui é oversized Insider. Então a gente também tem esse desafio de a gente reposicionar para não só ser uma marca de camiseta, nem uma marca masculina. Hoje poucas pessoas sabem, mas o que vende mais na Insider não é nem o masculino, é o feminino.
Pela primeira vez a gente passou para caralho da Insider, justo. Então, pela primeira vez, tu disse que agora tem mais mulher comprando Insider que homem a partir desse ano, né?
Isso, essa virada aconteceu esse ano, depois de 9 anos. E é natural porque o mercado feminino é significativamente maior do que o masculino. Então era um movimento que já vinha acontecendo, mas que a virada de chave foi nesse ano. Então, até por conta de portfólio, posicionamento, então como marca a gente tem que conseguir se adaptando a esses novos cenários. E é onde a gente quer levar. Uma coisa é onde a marca vai organicamente, outra é onde a gente quer forçar ela para ir.
Ó, quando a gente olha, tô olhando para o Yuri, aí eu olho para você, eu tô vendo que você tá usando uma camisa preta por cima de uma outra camisa preta com uma calça. E eu, como eu sou ruim de cor, vou falar que é cinza. É justo, tá bom. E aí o meu ponto é o seguinte: tu tem algum tipo de ego ou vontade de fazer com que a tua marca ela seja conhecida por algum logotipo, que nem a Nike, por exemplo, tem a vírgula da Nike, né? Tu não precisa ver mais nada, só precisa ver a vírgula da Nike, tu sabe. Tu nem escreveu Insider na tua roupa. Isso é estratégico?
De alguma forma faz parte do DNA da marca. Então, o que que a gente quer construir? Acho que até respondendo a sua pergunta anterior, né, que é, porra, por que que a gente tá fazendo isso e por que que não é só por fim financeiro, né? Eu acho que a Insider ela tem um propósito de mudar a percepção das pessoas em relação à roupa. Então, como que a indústria da moda funciona, né? Então, se pegar os bastidores, é um monte de marca sem alma, enorme, grandes grupos conglomerados, etc., que fala assim: cara, a gente tem que estar por dentro de todas as tendências, o que sair no desfile de moda a gente tem que produzir, o que o famoso que tá na internet usou a gente tem que produzir na semana seguinte.
Isso criou o chamado fast fashion. Que é você pegar e trazer as tendências o mais rápido possível para a loja e assim você consegue aumentar suas vendas. Ah, você vai fazer isso com qualidade? Não, porque não tem tempo. Você vai fazer isso com refinamento, com escolher o tecido certo, com o material certo, entender aquela ocasião de uso? Não, é tacar para loja o mais rápido possível porque aquilo tem que estar na loja e tem que vender.
E isso faz com que a indústria toda vá para um caminho de trazer as roupas, né, de forma mais barata, seguindo essa determinada tendência e sem se preocupar com durabilidade, sem se preocupar se essa tendência é uma tendência duradoura e com isso você consegue ter essa mesma roupa por muito tempo. Então até para o mercado é interessante que as roupas fiquem obsoletas, né? Então acho que a gente vive num mundo de obsolescência programada, né?
Onde vários produtos que a gente consome são feitos para não durar. E aí a lógica toda da Insider é de quebrar com o modo que essa indústria funciona. Então, sei lá, essa camisa aqui, essa camiseta, eu tenho provavelmente há uns 4 anos.
Eu falo com frequência sobre isso, que é— outro dia eu tava falando com alguém aqui, cara, que é: eu não sei se essa daqui é a minha primeira ou última camisa da Insider. E assim, não é porque você tá aqui, entendeu? A gente já é parceiro há tanto tempo que assim, nem precisa, né? Família, né? Então assim, a verdade é que é isso. O que eu, por que que o meu armário é todo 50% Inside, 50% Flamengo? É muito mais do que porque a gente é parceiro, é porque é mais fácil.
Essa que é a verdade, entendeu? É mais fácil para mim. Eu pego qualquer camisa, eu pego qualquer roupa lá e eu tô meio pronto, entendeu? Isso para mim tem valor e facilita muito. Tem. E aí você vai pensar, mas o Igor anda igual, anda de bermuda e chinelo. Não necessariamente. O Yuri Anda de calça, tênis, caralho, vai lá, trabalha lá no meio dos cara lá de que anda de patinete, né? Anda de patinete inclusive e vai trabalhar e faz as parada, né?
Que é que a gente tava falando antes, é uma roupa que ela é feita para, assim, o que eu gosto dela é ela dura, ela dura, ela não vai encher meu saco.
Exato. E aí é baixa manutenção também, pô, será que tá amassada? Será que tá? Não, desamassa no corpo e tal, você não tem que se preocupar com muita coisa. Então acho que tem esse lado de de trazer essa praticidade e funcionalidade. E tem um negócio que ninguém, né, a princípio percebe, que é a combinação de cores. Então, principalmente na linha feminina, que tem mais variação de cores, um dos desafios para as mulheres é: putz, vou usar essa cor de blusa, será que combina com a minha saia?
Será que combina com o meu sapato? Então a gente faz sempre estudo de cores para que todas as cores do portfólio combinem entre si. Então isso também desonera essa carga mental cognitiva que você tem que ficar pensando: ai, será que tá combinando? Será que vão perceber que não é um conjunto, eu comprei separado? Então acho que é conseguir pegar de uma forma 360 e facilitar a vida das pessoas, seja por uma compra mais fácil, pela qualidade do produto, pela durabilidade, por esses aspectos de tecnologia de não amassar, não precisar passar, Trabalhava fazendo o quê antes, cara?
Antes da Insider, antes de empreender, fazia o quê?
Boa! Então assim, eu estudei relações internacionais, queria trabalhar com esse negócio de diplomacia e tal, vi que isso é um negócio muito mais burocrático do que de criar valor criativo, né? Então você vira quase que um burocrata ali. Eu falei, cara, não é para mim. Aí fui mais para um caminho de business, né? Business, eu trabalhei em consultoria, consultoria Falcone, consultoria de gestão. Então é melhoria contínua, redução de custos.
Então você pegava empresas, corporações, e aí você tinha que otimizar aquele negócio lá. E por serem empresas geralmente muito grandes, o nível de velocidade e burocracia, velocidade é baixa, burocracia é alta. Então aquilo acabava sendo um ambiente muito mais lento do que eu gostaria. E aí a lógica de empreender, putz, você tem velocidade máxima, você faz o que você quiser, você não deve satisfação para ninguém, você tem que executar muito rápido, você tem que tirar uma ideia do campo das ideias e levar para o mundo real o mais rápido possível, porque senão seu caixa acaba, né?
Você precisa estar gerando dinheiro o tempo todo e isso vira um jogo interessante. E aí na minha vida toda, acho que até casa com o passado, né? Eu joguei tênis desde os 11 anos de idade, competi desde os 12, E, putz, para mim isso era a coisa mais legal que existia, é competir e tá ali num universo onde eu tô o tempo inteiro tentando melhorar, tentando aprimorar o saque, o forehand, a direita, a técnica, o estratégico, a leitura de jogo. E aí acho que empreendedorismo é meio parecido com isso, né, cara?
Eu também acho, eu também acho, só que é um pouco mais arriscado também, porque faz uma merda só para tu ver. E daquela, e eu lembro A gente não precisa mencionar, mas eu lembro que quando a gente foi lá comemorar o Dia dos Pais, que a gente foi andar de kart, foi a primeira vez que eu andei de kart também, que tu me contou que tava, porra, cara, fiz uma merda, não sei o quê aconteceu, isso aconteceu aquilo, perdi dinheiro. E é foda porque, como, porra, pelo menos no meu caso, a maioria das coisas que eu aprendo aqui geralmente é perdendo dinheiro, cara.
Contigo lá também, 100% do tempo. Então acho que assim, é parte do negócio, né? Acho que leva algum tempinho, mas você entende que é a parte do negócio. Então você tem que ter uma margem que é boa o suficiente para aguentar desaforo, né? Então acho que, e acho que até do outro lado, a parte do marketing toda, né?
Então, pô, tu curte essa parte do marketing?
Eu gosto para caramba, né? Então até a primeira vez que a gente decidiu aqui patrocinar o Flow Podcast, a gente decidiu patrocinar um único episódio lá. A gente comprou ali faz um tempo, né?
Foi o quê, 19, 20?
Foi pré-pandemia, então foi talvez 18, 19, né? Faz muito tempo. E aí foi assim, cara, mal cabe no nosso budget agora, né? Pô, isso daí vai ser caro para caramba. Se der errado, vai ser um, né? Não tem retorno, não tem como voltar atrás. Mas a gente sempre entende que precisa reservar parte da verba do marketing para testar coisas novas. Pois é. E testando coisas novas, no pior dos casos, você vai torrar o dinheiro, mas isso tem que de alguma forma converter em aprendizado.
Então você vai transformando erros e cagadas em aprendizado. Então acho que muito de—
Tem umas que dói.
Exato. É conseguir entender como que você consegue converter dinheiro e falhas em aprendizado. E aí às vezes, né, você faz uma estratégia, uma, né, seja de marketing, seja de contratação, seja de estruturação de time, que no curto prazo vai dar errado, mas no longo prazo você como empreendedor você aprendeu muito sobre um determinado tema.
É bom, entendi então que a tua, o que tu tava fazendo antes ajudou, que você tava, o que você faz agora na Insider. Mas me diz qual que foi o ponto Não ponto de inflexão. Quero saber assim, cara, um momento que tu tava em casa e tu falou assim, caralho, mano, porra, deu certo.
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Isso aqui, hein? Eu não tô nem falando do primeiro dinheiro. Eu tô falando quando tu fala assim: esse aqui é meu, é aqui que eu vou trabalhar mesmo, pelo visto, entendeu? Porque assim, quando o Flow tava se formando, né? Pra mim foi no meio de 2020. Que foi quando o Flow, ele mais do que funcionou, ele começou a— eu comecei a não precisar mais pagar para ele existir, né? Aí eu, porra, legal, acho que esse aqui pode ser o meu, acho que pode ser, acho que funcionou. Mas demorou 2 anos, entendeu? E para tu, como é que foi?
Acho que financeiramente foi muito rápido essa virada de jogo, de o valor que a gente investiu ter sido já repagado. Porque o investimento foi muito baixo, né? No final das contas, foi eu e a Carol, a gente pegou nossas reservas que a gente tinha feito ao longo da vida, falou, vamos apostar 100% nesse projeto aqui, se der certo, maravilha, se der errado, a gente vai ter um estoque ali que vai ficar travado, a gente desconta isso, vende, sei lá, metade do preço, menos da metade do preço, e pelo menos a gente não toma tanto prejuízo e consegue depois retomar a vida fazendo, sei lá, qual outra coisa.
E também aprendeu alguma coisa, se desenvolveu, testou, botou um uma ideia no mundo. Então a ideia foi, né, de tomar esse risco inicial. Mas me perdi aqui na pergunta.
Bom, mas não tem problema, cara. E nesse sentido, qual que foi o— em que momento, qual que é a maior dificuldade lá no começo quando tu tá na Insider? O ponto era, era quando eu queria saber quando é que tu se ligou que esse é o teu emprego. Mas eu fico pensando também que, porra, deve ser uma merda ficar mandando. Você tá em São Paulo, tem que mandar camisa para todos os estados do Brasil, entendeu? E esse deve ser um pedacinho da coisa.
Deve ter tantas outras coisas, meu irmão, que caralho, Yuri, não era melhor tu, sei lá, ter feito um podcast?
Exato, com certeza. A gente fala que assim, a ideia de empreender é igual ter filhos, né? Pô, você tem duas filhas, né? Então, você tem algum retorno financeiro delas hoje?
Não.
Você dorme mais horas de sono porque você tem elas? Você dorme menos, inclusive, né? Você tem mais preocupações, você tem mais compromissos, mais restrições, mais gastos, mas você ama, né? É, exato, né? Então assim, se você parte de um ponto de vista mercenário, empreender no Brasil não vale a pena. Simples. A chance de dar errado é muito mais alta do que dá certo. Então você tem que fazer o negócio por amor, você tem que fazer o negócio porque você, tipo, por que que você empreende?
Não sei, porque eu tive vontade de, porque é o que eu queria fazer naquele momento.
E que provavelmente salvou, né, cara? Imagina tu tendo que fazer um troço que tu odeia, sonhando com o que poderia ter sido, né?
Perfeito. Então acho que assim, tem que ser algo intuitivo que vai acontecer. E acho que de alguma forma os empreendedores, eles têm que ser um pouco como fala, naíve, tem que ser um pouco, não sei, acho que você não tá preparado e você nem sabe o tanto de problema que você vai ter. Acho que eu não conseguia naquela época imaginar o tanto de treta que eu tenho hoje. É fiscal, tributário, é pessoas, é estrutura, é novos produtos, é gestão de estoque, gestão de capital.
Modelo fiscal, é um monte de tema que eu nunca vou ser bom em tudo, nunca vou ser expert em tudo. E aí com isso a empresa crescendo, você tem que criar uma organização, e organização é pessoas, processos, sistemas para resolver essa caralhada de problema. Então acho que no final das contas a gente tem que ser bom em resolver problema. Se a gente é bom em resolver problema de uma forma genérica, a gente vai acabando conseguindo preencher isso, né?
E aí muitas vezes vão, né, esses problemas vão se resolver com as pessoas certas em cada posição.
É, sim, encontrar as pessoas certas eu diria que é o segredo da parada, entendeu?
E eu acho que é uma das coisas mais subestimadas. Eu vejo muito pouco tempo que as lideranças das empresas gastam em recrutamento, em quebrando a cabeça, entendendo o fit, entendendo o cultural, Entendendo se é missionário ou se é mercenário.
Tu tem o tempo inteiro, tu tá entrevistando gente?
Toda semana eu entrevisto pelo menos umas 3, 4 pessoas assim. Então é quase todo dia. E eu acho que é algo que eu não vou deixar de fazer. Eu não vou terceirizar essa etapa porque é etapa imprescindível. O que acontece é que hoje chegam para mim só os candidatos nas últimas fases. Não nas primeiras etapas. Então eu vou fazer aquela validação final ali se a pessoa tá apta aí para um processo de debriefing. Então não sou nem eu que aprovo o candidato, eu e Yuri levo para o processo de debriefing.
Aí no processo de debriefing, um comitê, a gente vai ver se o comitê em conjunto encontra mais pontos de atenção, pontos cegos, né? Então acho que assim, é um processo muito estruturado feito para Reprovar candidatos. Então assim, a pessoa passar nesse processo, ela tem que conseguir passar por diversas etapas de aprovação. E além disso tem a parte de referência. Então a gente vai conversar com outras pessoas que trabalharam com a pessoa sendo entrevistada para ver se ela é tudo isso mesmo que ela fala que ela é.
Eu fico pensando o tanto de gente esquisita que passou perto de tu para tu ter um processo desse aí, meu irmão.
Não, com certeza. Não, já a gente tem placa, tem história, né? Tem história. Não, já teve gente golpista a nível de falar que estudou em tal universidade, que trabalhou em tal empresa. E assim, na época não tinha processo, a gente contratou a pessoa. Aí a gente foi ver no dia a dia que a pessoa mentia para caramba, assumia. Falou, que porra é essa? O que que tá rolando aqui? Aí vamos investigar, vamos entender. E aí foi ver empregadores anteriores, não, essa pessoa não trabalhou com a gente.
Ah, esse diploma aqui não existe. Meu Deus, cara, entendi. Então é importante fazer essas etapas aí de referência.
Então, golpistas, não se aproximem da Insider.
O Yuri tá agora, não tem mais jeito, né? No passado até podia rolar, hoje em dia não tem mais jeito não.
E teve alguma outra coisa assim esquisita que tu passou pela primeira vez na tua vida por conta da Insider, cara? Tipo essa de contratar um golpista, meu irmão. Isso é maluquice. Ó, eu tenho várias coisas que eu— é que assim, tem as óbvias, que é, cara, eu conversei com o presidente da República, né?
E tem as menos óbvias, que é mais de um presidente da República, é verdade.
É verdade, mas aí as menos óbvias é, cara, eu, puta, eu tava na casa do Ronaldo, entendeu, trocando uma ideia com ele na salinha que ele faz gameplay, entendeu?
Animal, porra, meu irmão.
Então tem coisas que aconteceram na minha vida que só por causa dessa porra aqui. Tu contratou um golpista, que mais?
Já tomei golpe também na empresa, né? Então, putz, esse tipo de coisa sempre vai acabar acontecendo. Golpe não tem como, ganhando escala. Então Acho que se pegar assim grandes empresas, tem uma estatística lá bizarra que acho que era uma das maiores empresas do mundo, parece que quase que todo dia uma pessoa do time morria, porque pô, se você tem 1 milhão de funcionários, inevitavelmente, putz, o número de mortes vai acabar sendo mais alto.
Então quando você vai ganhando escala, eventos que acontecem esporadicamente, eles quase começam a acontecer quase que diariamente. Então, né, acho que se preparar para essa escala é algo que muda um pouco, tem que virar uma chavinha no cérebro, porque senão você não consegue viver, porque é problema literalmente todo dia. E aí seu time embaixo também tem que filtrar você desses problemas importantes, senão tu fodeu, senão também tu não consegue fazer uma porra nenhuma.
Tu tem quantas pessoas que trabalham na Insider hoje?
Diretamente 230, indiretamente milhares.
Tá, 230 cabeças mais uma porrada de— como é que é para tu? Vamos lá, qual que você acha que é a percepção das pessoas da Insider, pessoas que consomem internet?
A gente fala que a gente tem várias empresas dentro da empresa, né? Porque eu acho que não tem uma percepção homogênea, porque muito também do que a gente construiu como marca Não foi só uma criação da Insider com uma única forma de se comunicar. A gente se adapta à comunicação de diversos grupos, né? Então a forma que você comunica Insider aqui no podcast vai ser totalmente diferente do Rodrigo Góes. Exato. E isso tem isso, a gente entende que isso tem a sua beleza e que tem a sua naturalidade aí.
Eu acho que os cara enxerga Insider como a marca de roupa da internet. Né, é ser a marca de roupa da internet é foda, não é, meu irmão? Eu acho muito foda tu ser, vamos lá, quando os cara da internet te reconhece como um deles, entendeu? Que nem quando os cara fala assim, porra, quando Galvão Bueno foi, veio criar conteúdo na internet, eu falava foda. Por quê? Porque é gente de credibilidade chegando para fazer um troço que mostra para todo mundo que a gente é sério, porra, que tem valor, a gente tá na internet, entendeu?
Não estamos na TV, mas não quer dizer que a gente não, que a gente é menor por causa disso, né? A gente tá na internet, a gente é sinistro também. Então eu acho maneiro, inclusive é por aí que eu gosto de ir, eu gosto de focar em ser da internet, manja? Porra, ver o que que acontece na internet. Não que eu desprezo o resto das coisas como Fast Channel ou outros lugares, né, TV tradicional e tal, mas ser da internet é legal.
Sabe?
É moderno, atual, total, tem a ver com o que tá acontecendo agora, é vanguarda. Então ser a marca de roupa da internet meio que te coloca no lugar de: e eu tenho que ficar meio moderno aqui o tempo inteiro, né?
Perfeito. Se você não tá usando Insider, você ficou para trás já, né?
Você tá, pô, você compra no shopping, tu, dono da Insider, que tem que ficar, tu tem que ficar convencendo o cara que tu é moderno para ele sentir isso que você tá falando. Né, que assim, eu, eu vejo os moleque usando Insider porque, pô, porque é cool, porque é da internet, entendeu? Aí tem uns coroa também, né?
Perfeito. Mas acho que isso é de alguma forma até intencional, né, construído. Então, com certeza, os canais que você trabalha vão falar sobre quem você é, e a gente quer arquitetar uma marca que é feita para o futuro e que as pessoas que estão usando Insider, elas vão olhar e falar, cara, eu me orgulho de usar isso. Então, olhando para a categoria de roupas básicas, essenciais, geralmente, né, as marcas do passado aqui, não vamos falar, citar nomes, né, elas acabam sendo marcas que as pessoas não amam.
As pessoas compravam porque precisavam, porque o preço era acessível, ou porque, putz, tô de cara com uma loja no shopping, ou tem tanta franquia por aí na rua, em qualquer lugar, que, putz, eventualmente eu vou acabar comprando ali. Mas você não compra o que você ama, você compra porque surgiu a oportunidade e a oportunidade estava na sua cara. Com a vinda da internet, as pessoas começando a ter hábitos de compra na internet, elas conseguem filtrar mais aquelas marcas que elas de fato são apaixonadas e que elas de fato enxergam valor.
Então, do nosso lado, a gente consegue tanto se comunicar com a galera com um pouco mais de proximidade, estando próximo dos criadores, estando próximo da forma de comunicar dessa galera, como também entregando o que essa galera precisa. Então assim, os diferenciais de produto não são tão longe do que a concorrência tem, né? Então a gente tem uma taxa de fidelização de cliente muito mais alta do que a média do mercado, porque a gente consegue trazer tecnologia, diferencial, funcionalidade para os produtos que no passado, putz, entregou ali o básico, o mínimo necessário, já tá bom o suficiente.
Então a gente fala que a gente não é básico, a gente é essencial. Essencial é aquilo que você não vive sem. O básico é aquele dispensável, que o básico todo mundo tem. O básico é aquele mínimo necessário para entregar.
Nem dá para tu meter essa que tu é básico, né? Com todo respeito, porque é, porque uma camisa básica custa R$70, R$80, né? A gente tá falando uma parada que vai durar um tempão, né? A gente tava falando mais cedo aqui, eu não sei se é a primeira ou a última que eu tenho. Então nem dá para eu pagar R$80 nessa camisa porque Não existe, não existe.
Financeiramente é impossível.
Então é básico, não, eu concordo contigo nesse ponto aí. E é interessante essa clareza, porque isso faz diferença na hora de tu falar o que que tu é, né, para quem vai comprar você, né. Mas é interessante isso que tu falou, que tem uma, muita gente compra de novo, né. Com esses dados, Yuri, sabendo mais ou menos quem compra de você, com que frequência e tudo mais, o que que tu tá pensando nesse sentido aí para esse ano?
Acho que do nosso lado é bem óbvio, né, o que a gente precisa de fazer como marca. Os clientes querem, né, mais produtos, eles querem, né, novas categorias, né. Então não só você ficar ali na mesma categoria, camiseta, mas é calça, é shorts, é diferentes cueca. Puts, maravilhoso, né?
Geral fala bem da cueca.
É isso, diferentes ocasiões de uso.
As primeiras versões, elas descosturavamzinho aqui no elástico, aí foi melhorando. Porra, mas essa Essas que tem agora são foda, meu irmão.
Não, e isso não aparece, mas a gente vai tendo iteração e melhoria de produto. Então alguma coisa que os clientes dão feedback, a gente leva isso. Tem um time interno hoje que é Customer Insights, é o nome bonito para dizer que é o cara que tá lá ouvindo o cara que comprou. E não só ouvindo literalmente, mas ouvindo através dos dados, né? Então pelo digital você tem um monte de avaliação de cliente, você tem feedback, você tem Até, sei lá, Reclame Aqui.
Hoje a Insider é a marca mais bem avaliada dentro do nosso segmento no Reclame Aqui. Aí você vai ouvindo esses clientes desses diversos pontos de contato e aí você consegue transformar isso em ação e transformar em melhoria de produto também. E aí nisso você consegue essa fidelização e conseguir ter o cliente muito mais atrelado à sua marca, comprando, né? Puts, eu não gosto da Insider pela camiseta, eu gosto da Insider pela camiseta, pela cueca, e eu confio, e eu tenho a marca tem credibilidade comigo.
Eu sei que qualquer coisa que eu comprar lá vai ser um preço justo, o tecido, material vai ser a melhor qualidade possível. E, cara, eu não quero nem pensar duas vezes em olhar para o lado, porque lá eu já resolvo a vida. Então acho que é isso que a gente quer criar, esse guarda-roupa onde as pessoas resolvem a vida, independente do que elas vão fazer. Underwear masculino, feminino, é casual, esportivo, feminino, né? Então acho que você consegue ali ter diferentes ocasiões de uso.
E a Insider vai entrando na rotina das pessoas. Quando a gente vai ver, tem os evangelizadores, né? Tem um monte de gente que propaga Insider mais até do que eu. Então, eu tipo tenho amigos, ou até a gente recebe dos clientes direto, a galera falando assim, cara, eu sou discípulo da Insider aqui. Eu, putz, já falei para minha mãe, para o meu tio, dou de presente. É Natal, Ano Novo, pessoa tá lá, né, disseminando a marca. Então assim, até seria impossível a gente patrocinar o número de creators, podcasts, conteúdos que a gente tem, se também não existisse esse efeito orgânico, né?
Porque se uma marca depende só de mídia paga, não tá fodida, não tem como ficar de pé, né? Se aquilo é uma promessa que não fica de pé e a pessoa compra uma vez e não volta mais, não tem nenhuma marca do mundo que consegue, né, bancar só na força bruta do marketing. Então a gente é muito conhecido pelo marketing, Mas quem compra e veste Insider, putz, fideliza pelo produto.
É, e é bom. Essa deve ser a parte mais fácil, né, que é depois que o cara comprou e ele vê. E eu não vou ficar aqui puxando teu saco não, vai se foder.
É bom, né?
Yuri, muito obrigado pela moral, obrigado pelo teu tempo, obrigado pelos insights do que acontece dentro da Insider.
Muito bom, valeu mesmo, valeu pelo papo, Igor. E para mim, pô, super prazer. O Igor é um cara ícone da internet. Obrigado, cara. E acho que assim, é muito legal, né, eu faço entrevistas e tal, e pô, é muito legal falar com o top 1% do que quer que seja. E às vezes até quando a gente tá entrevistando, a gente fala, pô, o que que essa pessoa fez, sei lá, melhor do mundo? Ela tem que ser melhor do mundo em alguma coisa. E pô, acho que aqui você é o melhor do mundo aí.
Muito obrigado pela parte que me toca, valeu mesmo. Ó, vocês que assistiram, família, você entendeu aqui qual que é a trajetória do Yuri, o que que a Insider tá fazendo. E um pouco também dos produtos da Insider, porque não tinha como, né? Tá, eu de Insider, que a gente tá, a gente é parceira há 5 anos, 6 anos, muito tempo, muito tempo. E bom, espero que você tenha anotado aí o que surgiu de importante aqui nessa conversa, tá bom?
E até a próxima. Segue aqui o Yuri, tá tudo aqui no comentário fixado para você não deixar de saber o que que tá acontecendo na vida desse cara aqui, tá bom? Mais uma vez, obrigado pela moral, e a gente se vê depois. Tchau!