QUAL O PLANO DE FLÁVIO BOLSONARO NOS EUA
Flow News #054
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- Estratégias de Flávio BolsonaroTarifaço · Lei Magnitsky · Alexandre de Moraes · Eduardo Bolsonaro · Donald Trump
- Momentos marcantes no futebolCristiano Ronaldo · Kylian Mbappé · Harry Kane · Ronaldo Fenômeno · Ronaldinho Gaúcho · Zico
- Oportunismo político e a figura de Jones ManuelVoto apaixonado · Voto de protesto · Crítica a políticos · Lulismo · Bolsonarismo
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Salve, salve, família! Bem-vindos a mais um Flow News. Eu sou Igor e aqui comigo Felipe Moura Brasil.
Salve, salve, Igor! Platéia qualificadíssima do Flow, tamo junto!
É isso. Bom, hoje a gente tem aqui para falar, é uma das coisas que a gente tem para falar, é da Copa do Mundo, né, cara? Não dá para a gente não falar do Brasil sendo eliminado para gigantesca Noruega, né? Eu sabia assim, eu esperava um gol do Haaland porque o Haaland é muito sinistro. Agora, porra, que esse baile que a gente tomou, vamos comentar já já.
Vamos comentar também quantas horas você quiser, eu posso comentar e irritar muita gente.
Temos Tarifaço, tem Flávio nos Estados Unidos, tem algumas outras coisas para a gente falar aqui. E você que tá assistindo aí, quiser participar da conversa, cara, Manda tua mensagem aí pelo Live Pix, que tá bem aqui o QR code, ó. Tem aqui também na descrição. Manda tua mensagem aí, entra aqui na conversa, que hoje tá só eu e o Felipe. Tamo meio sozinho, tá sentindo falta aqui do calor humano do Tramonto. Então manda o teu calor humano digital aí, né?
Então, bom, Felipe, vamos começar falando. O que que tu quer começar falando? Vamos começar falando de Flávio Bolsonaro, depois a gente desembesta falar de Copa do Mundo.
Beleza, pode ser. Primeiro dever, depois o prazer.
É, né? Vamos por aí, vamos por aí. Então a gente teve o Flávio Bolsonaro indo para os Estados Unidos na intenção de trocar uma ideia lá com os americanos, porque esse não é um bom momento para um tarifaço, né? Porque aparentemente há um bom momento para um tarifaço, mas não é esse. Esse não é um bom momento para o tarifaço. E bom, outras coisas também, né?
Gostei da sua ironia.
E aí ele também tá mudando, tá falando de Pix, né? Tá levando uma pauta de, pô, não, para de saco do Pix e tudo mais e tal. Bom, é isso aqui, é o que a gente tem, é o que a gente tem divulgado, né, sobre o que, do que das intenções de Flávio Bolsonaro. A gente sabe se ele de fato vai conseguir essa reunião tão importante para que a gente não tenha, para que a gente não sofra os efeitos do tarifação agora. Depois pode ser, agora não.
Olha, acho que a principal intenção dele é lavar o discurso anterior de toda a família dele, do irmão principalmente, do porta-voz do irmão que tá sempre lá junto com ele nos Estados Unidos, porque eles celebraram o tarifácio. Isso é algo documentado, né? Já até mostrei aqui no programa o print. Foi no dia do anúncio do tarifácio, no começo de julho de 2025, Eduardo Bolsonaro postou uma foto do Trump agradecendo ao Trump, parabenizando o Trump E defendendo que o próximo passo fosse a Lei Magnitsky, principalmente contra o Alexandre de Moraes, que é o único ministro do STF que é mais criticado pelo bolsonarismo, né?
Com os outros, eles fazem os embargos auriculares, aquelas conversas no pé do ouvido, né, como Dias Toffoli, Gilmar Mendes. Até mensagem daí Bolsonaro mandando o Eduardo não criticar o Gilmar. Esqueça qualquer crítica ao Gilmar. Bom, então Fui fazer o parênteses para zombar, tem que voltar agora para onde eu tava, né? A intenção do Flávio Bolsonaro é justamente lavar o discurso. Era nesse ponto que eu tava. Então, eles celebraram o discurso com Eduardo fazendo a postagem e o Flávio compartilhando aquela postagem, repetindo aquele mesmo tom, né, celebratório e de pedido da Lei Magnitsky, que acabou vindo no final daquele mês, dia 30 de julho, ou seja, semanas depois.
Então hoje tem gente nas redes sociais que tenta falsificar a ideologia, mas aquela postagem foi feita no dia do anúncio da tarifa, né, da sobretaxa ali para o Brasil. Então me parece que ele tá fazendo um discurso muito mais para o público interno aqui brasileiro do que para os Estados Unidos, onde ninguém tem nenhum interesse naquilo que o Flávio Bolsonaro quer alegar, quer argumentar. Imagina se isso é matéria de jornal nos Estados Unidos, se é interesse do povo americano, um senador da República no Brasil que é pré-candidato à presidência falando sobre de taxas envolvendo a relação de Estados Unidos e Brasil.
Ele foi para audiência para tentar conter o desgaste que a família sofreu pela celebração do tarifácio, que foi seguida por diversos vídeos do Eduardo e do Paulo Figueiredo, seu porta-voz, dizendo que se precisasse queimar a floresta inteira, foi a expressão, que queimasse, que defendendo o sacrifício, saberia que haveria sofrimento. E falando que nós apoiamos essa medida, etc. Estados Unidos tem os interesses próprios, principalmente os interesses do Donald Trump.
Então já havia articulação nesse sentido, estudo, que é um estudo, vamos dizer assim, que não é exatamente técnico, né? É muitas vezes a busca de alguma legitimidade para um discurso político. É porque eles erraram no começo, e o Lula explora isso até hoje, falando sobre desequilíbrio da balança comercial favorável ao Brasil, mas na verdade é favorável aos Estados Unidos. Fizeram toda uma salada misturando componentes econômicos, políticos, para tentar justificar sobretaxe.
E você tem de fato alguns elementos de veracidade naquele discurso. Por exemplo, a tarifa sobre— a tarifa brasileira sobre o etanol americano, ela é alta, ela tá em 18% contra 2,5% dos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro. Aí hoje O ministro do governo Lula do Desenvolvimento e Comércio, tem aquele ministério com nome gigantesco, Indústria e Comércio, ele falou que, olha, isso não tá em negociação, baixar a tarifa do etanol americano, porque existe uma sobretaxa americana para o açúcar brasileiro.
E então, quer dizer, dando a entender de que se é para baixar a tarifa brasileira, então tem que baixar sobre etanol americano, tem que baixar a tarifa americana sobre açúcar brasileiro e tal. Que, ok, nesse ponto é razoável. É não só uma afetação política de firmeza na hora da negociação, mas uma firmeza necessária para negociação, até para não aceitar nenhum tipo de viralatismo também. Exatamente, que é aquilo em que a família Bolsonaro incorreu, principalmente o Flávio, na cartinha que ele mandou para os Estados Unidos dias atrás, ao fornecer possibilidades de negociação, já numa cartinha prévia a uma negociação oficial.
Então, ah, podemos reduzir a tarifa sobre etanol americano, podemos isso. E aí ele levanta a bola para o Lula cortar, dizendo que é um discurso entreguista, é que ele que tá defendendo a soberania, etc., que obviamente a gente pode contestar do ponto de vista histórico do PT, de defender a soberania só no discurso quando interessa, mas se alia a ditaduras, por exemplo, de esquerda, dá dinheiro do BNDES, não liga para o crime organizado, não conseguiu combater o crime organizado, facções criminosas armadas cresceram, dominaram territórios no Brasil, impede o direito de ir e vir, não existe democracia em nacos do território brasileiro, nacos cada vez maiores.
Mas o Flávio Bolsonaro levantou a bola para o Lula cortar. E principalmente, você já fez a ironia quando ele disse: não tarifa agora não, tarifa só depois da eleição. Na prática, porque ele falou 180 dias, 180 dias depois da eleição. E aí tarifa não tem momento bom. Não é para o senador da República chegar para o governo americano e fala: não, tarifa agora não, tarifa depois. Não, é para ele chegar e falar assim: não tarifa nunca, não tem nenhum motivo para tarifar.
Isso é defender os interesses do país. Mas não, ele fez um discurso de que, olha, a sua medida tá favorecendo a campanha do governo, e aí tá dizendo que tá defendendo soberania, e isso ganhou adesão na opinião pública, etc. Então não faz isso não, porque senão você vai prejudicar a minha eleição. E eu tô aqui para negociar com você, e eu te ofereço isso, aquilo e tal. E essa cartinha pegou muito mal. Até os aliados, teve várias matérias a respeito disso, do Flávio Bolsonaro, falaram nos bastidores que ele deu uma cartada para o Lula, que de fato deu.
Aí ele foi lá hoje, meio que reforçou isso, teve cuidado com esse negócio do adiamento, mas no fundo o discurso é praticamente o mesmo. Ele disse que tá prejudicando né, prejudicando a campanha dele, mas tá ajudando o governo Lula nesse momento de campanha eleitoral e tal. Então assim, ele tá falando para os Estados Unidos de um jeito que interessa a ele na corrida eleitoral brasileira. Aí se você for ver o discurso da Coca-Cola, da Tesla, de várias empresas que pediram para acabar a sobretaxa, você vai ver que o discurso é assim, olha, essa sobretaxa inclusive faz mal aí para vocês nos Estados Unidos, porque gera um prejuízo para nós.
Quer dizer, faz um discurso pragmático mostrando para o Donald Trump, isso aqui não é bom para você, que é um discurso muito mais, tende a ser muito mais eficiente, né? Embora depois, se a coisa for reduzida, o Flávio vai sair dizendo que foi por causa dele, porque ele participou da audiência pública. E eles fazem essa articulação política para ver se casa, né? A presença do Flávio na audiência, aí o governo americano muda, e aí ele pode vender aqui no Brasil sem o governo americano negar que foi por causa dele.
Quer dizer, tem muita exploração política eleitoral, mas é, vamos dizer assim, só para resumir, essa contenção, planeja isso, é uma contenção do desgaste em relação às trapalhadas anteriores.
Cara, isso é, eu fico vendo isso daí que você acabou de dizer, que como o Flávio em alguns momentos ele levanta a bola pro seu oponente cortar, né?
Toda família, né?
Então, é o que eu fico pensando, é a eleição, o capital político da família Bolsonaro foi adquirido num momento de muito, de instabilidade do ponto de vista de a galera tinham muito clara na cabeça a ideia, uma ideia antipetista lá em 2018, né? Então o capital político da da família Bolsonaro é adquirido nesse contexto, né? Então as pessoas não estavam votando num político extremamente hábil ou que fosse, sei lá, ele chegou com uma ideia nova.
Não era isso, era um sentimento antipetista e tinha um cara falando que era antissistêmico e tinha que acabar com o PT mesmo, que não sei o quê. E ele angariou esse sentimento, né?
E aí já havia tudo lá na base, ele surfou.
E aí criou-se uma aura de mito, né, um pouquinho antes que culmina na eleição ali. E essa aura de mito traiu. O que é um mito? Mito não erra, né? Então eu fico pensando, no fim das contas, quanto tempo vai durar as pessoas achando que é xadrez 4D, quando na verdade são eventos que são no fim atrapalhadas, infelizmente ou felizmente, tá ligado? Porque é, por exemplo, tu planejar uma ação que, pô, vou lá, vou falar umas paradas, e vai que, vai que rola de diminuir a taxação, e eu vou e falo que é minha, isso é meio puta merda, meu irmão.
Isso dá para chamar de estratégia, sabe? Por exemplo, só por exemplo, que tem outras coisas também, né, que a gente vê e fica, caralho, como é que o cara Como é que os cara dão mole desse, cara?
Mas nesse caso, o maior erro foi lá atrás, né? Agora ele tá tentando por um caminho também bastante sinuoso e cínico, né? Geralmente é cínico, porque ele não chega e fala assim: nós erramos lá atrás, nós não deveríamos ter feito essa postagem, nós pedimos desculpa e tal, não sei o quê. O bolsonarismo, ele sempre tenta, ele ataca todo mundo que aponta o erro, aí passa um tempo lá na frente, tenta consertar aquele erro que nós apontamos, mas sem reconhecer que fez, né?
É tipo o Flávio nessa eleição querendo fazer um movimento mais ao centro, afetar uma moderação, etc., tudo que o bolsonarismo deixou de fazer quando tava no poder, né? Jair Bolsonaro voltou a governar para bolha depois de surfar no movimento que furava bolhas, tanto que milhões de pessoas foram para as ruas.
É verdade.
É, então nesse caso teve esse erro lá atrás. Agora, o Xadrez 4D, a gente tava falando disso na semana passada inclusive, porque para citar exemplos, né, do que você bem resumiu, a Michele Bolsonaro grava lá 2 vídeos, 27 minutos, criticando o Flávio, dizendo que ele tratou ela como idiota, não valorizou, que a humilhou, e que tá apoiando um candidato de esquerda no Ceará, o Ciro Gomes, que tanto atacou a família Bolsonaro, etc.
Aí a turma do Xadrez 4D fala: não, isso é uma estratégia, Michele tá fazendo Isso, porque depois eles vão mostrar uma aliança e ela vai ser vice dele, não sei o quê. Cara, entre isso e aquilo ali, que eventualmente pode até acontecer no futuro, depois de várias negociações de bastidor, não te dou isso, te dou aquilo, existe um desgaste enorme que já não tem sobre si um, que a família Bolsonaro não controla. Aí vai o porta-voz do Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e fala que mulher vota muito mal e tal, não sei o quê.
E o Bolsonaro, a família Bolsonaro já tem problema de crescer no eleitorado feminino, já tem um desgaste no eleitorado feminino em razão de um histórico de declarações lidas muitas vezes como machista, como misógina, etc., independentemente do juízo que cada um faça. Mas é a percepção que existe nesse segmento do eleitorado. E aí o porta-voz vai lá e fala, aí vem a turma do Xadrez 4D e fala: não, ele falou isso justamente para o Flávio desautorizá-lo, e aí ele ganhar adesão no eleitorado feminino.
Cara, isso é xadrez, é metralhadora no pé, né, disfarçada de xadrez 4D. Como é que você calcula que tudo isso vai gerar uma onda sobre a qual você vai ter total controle, entende? Aí você vai fazer desse limão uma limonada. Você pode sempre tentar fazer do limão uma limonada, isso faz parte da política, da arte do possível e tal. Você tem um elemento de desgaste, aí você usa de alguma maneira. Bom, isso aí é o marketing, é o desempenho, mas não é assim, cara.
Então assim, ele tá no momento de desgaste, as pesquisas estão mostrando ele em queda. Não, mas é o xadrez 4D, você está caindo para depois subir, cara. Você pode até subir, mas você vai precisar trabalhar em dobro se você tá caindo agora. Isso não é algo proposital. Vou gerar uma queda nas pesquisas porque depois eu vou vir com uma cartada incrível, fascinante. Então assim, o nível de topeira, né, para acreditar nesse tipo de coisa é um nível muito alto.
Mas eu não superestimo o pessoal, não. Tem segmentos que têm esse nível muito baixo de cognição, que tem sido um assunto recorrente aí pelo trabalho nos últimos dias, seja no universo do futebol, que a gente vai chegar no final do programa, seja no universo da política, porque as pessoas têm um discurso apaixonado E qualquer elemento que confronte aquela identidade, como você tava falando no programa passado, gera uma reação tresloucada.
Então, se você tá considerando que eles estão fazendo alguma coisa burra, a pessoa se sente super ofendida, né? Sendo que você tá mostrando, olha, isso aí não funciona nem para vocês, né? Então assim, que tipo de amigo essas pessoas têm? Que tipo de amigo essas pessoas querem? Aquele que Né, você tá pulando no precipício, o cara fala, vai, vai fundo, cara. Ou aquele que você fala, pô, tá pulando, você vai cair, você vai morrer, amigo. Então não faz isso não, né?
Tem uma, porque eu acho que aí a gente acaba caindo num cenário que a gente tem um jogo, entre aspas, aqui é desigual, porque a gente tem uns políticos que, não tô falando aqui de que eles são Por exemplo, não tô falando que o PT é moral, que o PT é ético, mas que eles têm um controle desse jogo mais apurado, eles me parecem ter. Como assim? A própria maneira como eles se portam e falam com— não tô dizendo que não tem escândalo, mas assim, quando tem escândalo, eles se portam como político e se portam, sabe? Dentro, eles manjam do jogo, eles sabem como enrolar a galera. Tá entendendo?
São profissionais da manipulação.
Isso, eles são, eles sabem enrolar você, tá? Eles sabem fazer você acreditar que na real os outros que são ladrão também. Mas não é verdade isso para nossa dita direita. Esses caras, eles são muito mais, e a palavra que você usa é aloprado, e eu gosto, eles são muito mais aloprados, né?
Sabe que esse é um termo que veio de um escândalo petista. Então assim, o petismo já teve muitos aloprados ao longo dessas últimas Inclusive, eu acabei de falar uma grande merda, me ajuda aí. Não, você tá falando uma verdade nesse momento. Isso é verdade, é que o PT também teve um primeiro mandato, também foi chegando no poder, e aí foi se refestelando no poder e tal. Os tentáculos foram se espalhando, aí veio esse desejo de desviar dinheiro para investir nas próprias campanhas do partido.
Daqui a pouco tava desviando dinheiro para botar no próprio bolso. Que é sempre bom lembrar o caso de Santander aqui, interior de São Paulo, que foi o microcosmo, né, o ensaio do Mensalão em escala nacional. E aqui, como até as pessoas em torno do Celso Daniel, prefeito que acabou assassinado, elas relatam, ele era um petista favorável ao desvio de recursos para o projeto de poder. Então assim, ok, fazer um esqueminha ali e tal para ter dinheiro na campanha, usar, chegar ao poder, ficar lá, E tá ok, mas ele não era favorável a se botar dinheiro no bolso.
Então era uma imoralidade até determinado grau. A partir daí não, a partir daí é o código de ética desse petismo imoral, né? Então você tinha alas, até você ter a ala do Dirceu, de toda essa turma, pelo menos de acordo com aquilo que foi apontado nas investigações, que tava levando propina no no caso do Petrolão, principalmente, né? Mas já tinha o esquema de compra de apoio parlamentar, que era o Mensalão. Mas então assim, eles foram elaborando um know-how até para lidar com os escândalos, de tanto escândalo em que eles se meteram, que eles protagonizaram.
Mas houve o escândalo dos aloprados. Até confundo, que é tanto escândalo na escola, na história do PT. Mas se eu não me engano, foi de dossiê contra Ruth Cardoso, né? Teve dossiê contra José Serra. Às vezes eu tenho que voltar a ler as coisas antigas, pois é, é para identificar cada um. Mas quem tá aloprando, mas quem tá aloprando desde 2019 principalmente, é claro que você tem as alopradas do Jair Bolsonaro deputado federal e tal muito tempo, mas depois de surfar numa onda que era legítima né, que é combate à corrupção, combate à crise econômica, combate a esse identitarismo radical, busca por atender a determinadas demandas majoritárias na sociedade, determinadas posições que não tinham representatividade política.
Mas a partir de 2019, muita loprada, né, a ponto de ser um presidente que não conseguiu se reeleger, Jair Bolsonaro, mesmo tendo a máquina pública na mão. E a máquina pública faz milagre, como Lula tá tentando fazer aí em ano eleitoral, R$520 milhões de propaganda R$35, R$34 bilhões de emenda parlamentar agora liberado antes aí das eleições para conseguir apoio de políticos em palanques por todo o país. A EBAC, que é conglomerado de mídia estatal, tá apagando os rastros da própria instrumentalização política ideológica da TV Lula, né, que a TV Brasil, da Agência Brasil e tal, esses programas de entrevista que os ativistas que defenderam Lula contra a Lava Jato ganharam e tal.
Só entrevista militante de esquerda o tempo todo, né? Então estão apagando algumas coisas que é para o TSE, que agora vai ser comandado pelo André Mendonça, pelo Cássio Nunes Marques e pelo André Mendonça, que são indicados do Bolsonaro, não tomarem alguma medida que possa prejudicar a campanha do Lula. Então tem todo um oportunismo eleitoral do Lula, que aliás foi o que o governo Lula apontou no Flávio Bolsonaro indo lá para audiência nos Estados Unidos, oportunismo eleitoral.
Então assim, voltando à tese central aqui da que a gente tá falando, o lulismo já teve seus aloprados, mas tem um tratamento mais profissional agora. E volta e meia alopra. Então assim, o Jax Wagner, ele sabe o tom em que ele tem que falar quando a Polícia Federal descobre coisas bastante suspeitas dele, tipo 13 relógios, mais de R$500 mil em casa, um apartamento para filha comprado por um empresário com o qual o governo dele na Bahia tinha negócio e tal.
Ele dá uma loprada, dizer: não, eu falei que eu ia pagar depois, não sei o quê. Mas ele sabe manter a serenidade para falar as maiores barbaridades e para atacar os investigadores, que é a velha tática petista e de todos os políticos aí de vários pontos do espectro ideológico quando são pegos, né? Então, ah, isso aí é espetacularização. Ah, não tinha que ter foto com o dinheiro e os relógios da Polícia Federal. Tem um certo, tem um know-how Aí, concordando com você, que já tá mais cristalizado.
Agora, o bolsonarismo é essa loprada. Até porque é uma característica muito emblemática do bolsonarismo essa afetação de valentia, é a afetação de firmeza. Não é a firmeza, não é a valentia, é afetação. É você tentar ganhar com essa esse símbolo de virilidade, de masculinidade, de não sei o quê, que não é o exercício da masculinidade nesse sentido, né, da fibra, da firmeza que eles querem dar. É afetação. Você toda hora tem que se mostrar o valentão contra alguém, entendeu?
E é isso mesmo. E se alguém contestar aquilo que você disse, você dobra a posse, você triplica e tal. Chega uma hora que você vai causando um estrago com esse tipo de postura, né, que não é nada inteligente. Então eles vão aloprando, que é o que eles fizeram no caso do tarifação, que é o que fizeram na pandemia, que é o que fizeram com essas declarações sobre mulheres, é o que fizeram uma série de pessoas.
E por aí vai, né, por aí vai. A gente tem uma lista, se quiser a gente fica aqui bastante tempo falando disso. Mas então, para a gente mudar um pouco de assunto, Felipão, vamos Porra, acabou o sonho do Brasil, hein, cara. Puta merda, hein, cara. Eu tava por aí, as pessoas me perguntavam nos lugares, tipo, cara, porra, e aí, vamos, onde é que a seleção brasileira vai? Eu, pô, vai ser a Hexa, meu irmão. Como é que tu é torcedor e não tá acreditando no Hexa?
Que não sei o quê e tal. É, fomos eliminados para gigantesca Noruega. O que que tu achou desse jogo aí?
Para a gente começar, não é surpresa nenhuma para quem acompanha futebol. Eu tô querendo reunir inclusive os meus artigos dos últimos 16 anos sobre a decadência artigos do futebol brasileiro, tem vários. Tava relendo hoje inclusive aqueles lá, principalmente 2010, 2011. Eu escrevi, teve uma hora que o Barcelona, acho que foi o momento que o Barcelona ganhou a Champions, eu escrevi um artigo, o Brasil à Luz do Barcelona. Aí teve também quando o Barcelona, é, aí o Barcelona foi para a final do Mundial contra o Santos do Neymar, ganhou de 4 a 0, foi uma aula de futebol.
E aí eu escrevi um artigo também usando até uma analogia com palmadas e tal, como se o Barcelona fosse os adultos o Santos, aquele time dos meninos da Vila Belmiro e tal, e tomaram umas palmadas ali bastante merecidas nesse sentido, sem violência, né, de analogia. E fui destrinchando as causas disso ao longo de vários episódios, inclusive a derrota do meu Flamengo na Copa do Mundo de Clubes agora mais recentemente, e principalmente no 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa de 2014.
Tem um artigo meu quando eu tava, era colunista da Veja, que foi Não Galvão Respondendo uma frase do Galvão, é essa: esse jogo não tem que ser esquecido, tem que ser lembrado, tem que ser compreendido, porque é como chegamos até ali, né? E o que precisamos fazer para tirar o país dali. Então já tem toda uma análise até da formação de base, por exemplo, que o Brasil não forma jogadores completos, né? Você tem toda uma cultura nas divisões de base que precisa ser alterada. Então você, como assim?
O que que tu quer dizer com isso?
O que quer dizer que E você vê hoje na seleção brasileira que faltam jogadores mais completos. Então o jogador vai sendo adaptado na posição, mas não por um fator predominante que ele tenha uma característica, mas dentro de uma formação de jogador completo. É como se ele já fosse sendo formado mutilado. O cara vai ser formado para ser lateral direito, o cara vai ser formado para ser zagueiro, o cara vai ser formado para ser volante, para ser meia, para ser ponta.
Ele não vai ser formado para ser jogador de futebol. Ele tem que dominar aqueles fundamentos, ele tem que ter a cognição desenvolvida para entender, por exemplo, de cobertura. Então, no futebol, para quem joga bola e sabe, quando você tá defendendo, a vantagem de quem vem de frente, o cara vem de frente com a bola, se ele for driblar você, se ele for passar por você, você tem que virar e tal. Por isso que muitas vezes a gente já marca de lado, né, no futebol, que é para você tá preparado para correr para trás.
Mas um jogador que é muito preciso, que é muito habilidoso, que é muito rápido, ele bota, como Ronaldo era, tinha uma dificuldade imensa dos zagueiros acompanharem o Ronaldo. Então você marca ele e se você tiver que dar o bote, etc., ele precisa ter um outro atrás. Eventualmente o cara tá num outro jogador, mas ele vai sair para, ele vai fechar um pouco aquele espaço para ter uma cobertura. E esse tipo de noção não é muito desenvolvido nas categorias de base no futebol.
E quando a gente vê aquele time do Barcelona do tic-tac, quando a gente vê o Chelsea mais recente, recentemente, quando a gente vê algumas seleções que ganharam os títulos mundiais recentemente, você vê o time inteiro atacando, time inteiro defendendo, são jogadores que dominam o domínio de bola, eles erram muito poucos passes, sabe? E na seleção brasileira você tem muitas deficiências há muitas Copas do Mundo, né? Então o Brasil ganhou 2002 e depois, cadê o cérebro criativo do meio-campo depois do Rivaldo, E olha que eu até tinha algumas críticas ao Ribeiro, mas eu sempre reconheci que era um cérebro criativo no meio-campo, cara que chuta bem, o cara que sabe lançar e tal, um cara que vem de uma tradição de Gerson, de Rivelino, etc.
Por mais que você possa ter preferências, mas você tem aquela figura ali. Nessa seleção não tem. Você tem o Bruno Guimarães, que ajudou bastante nos primeiros jogos, perdeu o pênalti agora, mas que tem uma certa criatividade, às vezes dá uma enfiada, às vezes dá um lançamento, e que já é um cara que tá nessa formação do futebol europeu de ser mais completo, sabe marcar, sabe voltar, sabe preencher o espaço. Mas não é aquele craque cérebro que desequilibra, que vai ter aquela inventividade na hora de furar uma retranca maravilhosa, principalmente quando ela é bem formada como as melhores seleções.
Então o Brasil nas últimas Copas, o que acontece? Brasil ganha das seleções ruins, chega numa seleção grande, tem muita dificuldade. De furar uma retranca, porque também não faz triangulação, a movimentação no ataque.
Então é isso, é grande também, né?
Não, não, a Noruega cresceu, ela não tem uma zaga boa, zaga da Noruega é ruim, tanto que fez 2 pênaltis na seleção brasileira. Só que o Haaland é um atacante excepcional, atacante excelente, é um cara muito preciso, você não pode dar meio espaço para ele. E isso, cara, isso vem desde pelada, né, como a gente chama no Rio, né, no futebol em São Paulo chama de racha, né. Futebol amador, é que muita gente não entende, cara, que para o jogador bom você não pode dar meio espaço.
Você tem que estar grudado nele, grudado entre ele e o gol, mas sentindo, né? Você tem que estar grudado no corpo dele de alguma maneira para você sentir para onde ele tá indo.
O segundo gol do Haaland, ele recebe a bola parado, olha parado, ajeita parado e chuta, e ninguém chega.
E se você ver, se você vir ali aqueles vídeos que estão até circulando nas redes sociais com esses trechos e tal, ele meio que se faz de morto ali. Ele vai andando fingindo que não tá muito atento a jogar, e tal. De repente, cara, aliás, tô falando dos dois, né, nos dois, mas principalmente no primeiro, né, que foi o gol de cabeça. De repente ele dá um pique, cara. E o que que acontece? Gabriel Magalhães não tava marcando em cima dele, não tava grudado nele.
A bola alta na área, quem joga futebol sabe, ela é difícil se ela vier perfeita, cara. Porque às vezes você tá marcando o cara grudado nele, um gol atrás de você, E você vai subir com o cara mesmo grudado nele, mesmo atrapalhando ele. Mas se vem um cruzamento que vem na parte da cabeça do cara, você às vezes não consegue alcançar no salto. Então tem duas coisas, anterior e posterior, que é uma: não tem que, não pode deixar cruzar, principalmente quando o time adversário tem um cara alto e muito preciso na finalização.
Então Seleção Brasileira deixou cruzar, deu espaço. O Hendrik, se você vir o vídeo, ele voltou para ajudar na marcação, mas aí foi dar um de perna esquerda na lateral direita. Aí o cara botou para frente e já conseguiu um espaço. Aí o Danilo ficou longe do cara, foi meio que recuando, que aconteceu em vários momentos da seleção brasileira. E recuando isso, cara, desde o gol do Marrocos, o empate de 1 a 1 na estreia, que deixaram o Brahim Dias, que é um cérebro do time do Marrocos, que ali vai enfrentar a França.
Olha onde chegou o Marrocos, é o cérebro, não pode ter espaço. Tinha 4 brasileiros olhando com a maior tranquilidade, tá? Roubaram a bola, né? O Paquetá errou um domínio e tal. O cara tocou para o meio, para o Brahim, mas já tem que ter gente no Brahim Dias. Aí o cara já tem a visão de jogo lá na frente, meteu para o Saibari no meio da zaga brasileira, Marquinhos e Gabriel Magalhães, que também não estavam acompanhando, estavam distantes.
E ele chutou na saída do goleiro, cara, preciso, cara, artilheiro aí, fez vários gols na Copa do Mundo.
Os caras são mal treinados na seleção brasileira ou são Aí não, então, cara, é porque você é vacilo de jogador, cara.
E tem o fator personalidade, né? Tem aquele medo na hora de enfrentar um mata-mata contra adversários bons, né? Mas contra um eventual atacante muito bom, é o medo de marcar muitas vezes paralisa um jogador e dá brecha para o adversário. Mas voltando só para concluir, Você tem o momento anterior, que é você evitar o cruzamento, e você tem um momento posterior, que é contar com o goleiro. Então, se você não evitou o cruzamento, né, você deu espaço para o cara cruzar, você não pulou junto com o cara, você já diminuiu a possibilidade de você cortar e tal, e o cara ainda é um bom cabeceador que tira do goleiro, e o goleiro não fez nenhum milagre naquele momento, ou não fez uma boa defesa, bom, você tem os 3 erros, né?
Quer dizer, o último Às vezes você consegue aliviar e tal, goleiro não é tão culpado às vezes, né? E a seleção brasileira, cara, não parece não ter entendido que estava num mata-mata e não podia ter esse erro. Num desses gols, é, isso também foi objeto de análise aí, o Ederson tinha acabado de entrar e você vai preencher aquele espaço de volante que faz a proteção de zaga. Ele entrou, cara, Pô, meio do segundo tempo ali, né, quando começaram as substituições e tal.
Aí ele foi falar com o pessoal na lateral esquerda, talvez para passar orientação do Ancelotti e tal. E a Noruega com a bola indo lá para a ponta esquerda para fazer a jogada. Aí daqui a pouco é isso, acho que foi, acho que foi no lance do cabeceio, né. Então o Endrick dá o bote, o Danilo fica distante, o Ederson tá distraído. Atrasado, Casemiro não vem para fechar o cruzamento. Enfim, é muito parecida a jogada dos 2 gols, porque as duas vieram da ponta esquerda e na segunda deixaram o Haaland chutar.
Cara, o negócio incrível, cara, porque assim, uma coisa é o mérito do jogador, você tá marcando, tá tudo certo e o cara consegue driblar, o cara consegue achar um espaço. Mas o problema é quando você não tá lá. Isso, pô, não dá para admitir em Copa do Mundo, cara, você desligar isso, né?
É o Haaland, cara.
É, então justamente pelo fato do cara ser muito bom, cara, pelo menos você tem que estar nele, pelo menos tem que ter cobertura. Pô, se o cara fizer um milagre, como às vezes o Haaland faz, como às vezes o Messi faz, né, e outros, o Harry Kane, são caras muito rápidos, muito precisos.
Faz mais milagre não, cara?
Não, não faz. Nem mais acerta pênalti, bola parada. Mas ele tem, e aí a gente começa a ser atacado, né? Deixa eu até beber uma água. Tem uma legião de apoiadores e tal que não entendeu que é um ex-jogador em atividade.
Eu sou assexual, cara, mas eu concordo contigo.
É porque a bola parada, só para não perder esse comentário, Bola parada, várias pessoas que têm um talento, que desenvolveram e tal, não sei o quê, eles mantêm mesmo depois de aposentado. Se você botar para bater falta hoje o Marcelinho Carioca e todo esse time da seleção brasileira, garanto para você, cara, que o Marcelinho Carioca é melhor batedor de falta hoje, aposentado, acima do peso, do que provavelmente 100% dessa seleção brasileira.
Se você botar o Zico, o Zico é de 1953, o Zico tá com 73 anos. Se for aquela falta na entrada da área, mesmo com joelho arrebentado que ele tem, ele provavelmente vai botar mais bola no ângulo do que toda essa seleção brasileira, como muitas vezes fez aí em vídeo publicado nas redes sociais. Outro dia ele tava contando até de quando ele foi treinador na Turquia, que o goleiro do time falou: é verdade que você fazia gol de falta?
Não sei o quê. Bate aí. Aí ele aqueceu um pouquinho e falou: não, agora tá bom, vamos fazer então o desafio. Aí bateu 10, 6 no ângulo e outras que nem o goleiro pegou. O cara é aposentado já, cara. Hoje tava circulando vídeo no Instagram do que ele fez na seleção de máster, enfim. Mas assim, bola parada, o cara mantém. Mas não quer dizer que o cara tá no nível para jogar contra jogadores que estão no seu auge, como o Haaland. Então assim, não quer dizer que o Neymar não tem talento, não quer dizer que o Neymar não seja bom, não quer dizer que ele não seja acima da média do campeonato de Várzea, que é o campeonato campeonato brasileiro.
Pode até ser, sabe, mas ele entrou, tava 0 a 0, cara. Depois teve até uma postagem no Instagram da Folha de São Paulo, cara, que deve ter sido por uma Neymar mania, que o estagiário ou alguém lá postou logo depois do jogo alguma coisa sobre Neymar, tinha uma foto ali. Aí você fazia o carrossel, na segunda imagem tava assim Neymar No entanto, entrou quando a Noruega já estava vencendo de 2 a 0 e não conseguiu ajudar. Não, Neymar entrou quando tava 0 a 0.
Neymar entrou aos 22 minutos do segundo tempo. Se ele é um cara tão perigoso assim, bom, a Noruega vai recuar para fazer, para marcá-lo, para ter cobertura, vai ficar com medo de sair para o ataque. Ele vai agredir, no sentido não de violência, o time. Não foi isso que aconteceu. Ele errou passe, entende? A Noruega foi mais para cima do Brasil ainda. Não quer dizer que é por causa do Neymar. Já relatei aqui todos os erros do sistema defensivo, da falta de composição.
Mas o que que também acontece no futebol brasileiro que se perde muitas vezes de vista? Você precisa ter posse de bola e você tem que tomar cuidado para você não dar a bola para o adversário no campo de ataque de uma maneira, não vou dizer displicente, mas irresponsável, é inconsequente, entende? Quando você devolve a posse de bola no jogo difícil, cara, está 0 a 0, seleção não tá, não tá pressionando a saída de bola da Noruega, seleção toda recuada, e você parte para o ataque, você tenta uma enfiada que precisava tentar naquele momento e tal, e erra, cara.
Eles vêm para cima, e era o que tava acontecendo. Então não tinha pressão na saída de bola. Às vezes o Vini Júnior ia, às vezes o Casemiro saía lá de trás e tal, e no máximo um jogador e meio. Para pressionar a saída de bola da Noruega.
Mas isso é porque a gente tem uma seleção, a gente tá numa, vamos lá, quando a gente olha para 2002, quando a gente olha para 2006, os jogadores que a gente tinha era muita gente muito talentosa junta, né?
Hoje a gente tem, a gente não tá, a gente tem 4 também, é verdade, muita coisa que se fala também.
Mas aí a gente, a gente tem um cenário diferente hoje. A gente não tem superestrelas como a gente tinha. Pô, a gente tinha Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, tudo mesmo.
Tem uma, né? Tem o Vini Júnior, eu considero sim jogador muito acima da média.
Sim, sim, sim. Não é que não tem ninguém, mas não é, não é, não é a mesma. Tu não sente a mesma firmeza, né? A mesma que a das eleições de 2006 não tenha ganhado. Mas assim, sem dúvida Isso é porque a gente tem, a gente tá, os caras são menos dedicados? É o que que tá acontecendo? Os outros caras, todo mundo ficou bom e a gente parou no tempo? O que aconteceu ao longo desses anos aí? Tu que estudou isso daí profundamente, cara.
Eu tenho uma análise que é daquela palavra que você adora que eu uso nesse programa, que chama cognição. Cara, quando um país ele entra numa decadência intelectual, cultural e tal, tudo mais se rebaixa, inclusive o esporte. Cognição é justamente a capacidade de você compreender as coisas, você perceber as coisas. Você sem cognição você não consegue estabelecer relação de causa e efeito. Então assim, eu jogo bola, joguei sempre bola, joguei com profissionais, jogo até hoje com profissionais, com ex-jogadores, etc., com pessoal bom que era do beach soccer, do futebol, que eu não sei o quê.
Mas muitas vezes eu vejo que determinadas pessoas na pelada e tal, aí não entende por que ganharam, não entende por que perderam, não entendem. E eu acho que quando eu vejo, cara, o colunismo esportivo, tem exceções, tem exceções de pessoas que eu gosto, mas assim, cara, é como ver o colunismo político, sabe? Isso não estão tratando do ponto do problema, cara. Antes do jogo da Noruega, eu fiz uma lista dos 10 problemas do sistema defensivo brasileiro.
Eu acredito que 9 das coisas que eu apontei foram erros da seleção no jogo com a Noruega. O único erro foi o número 4 da minha lista de 10, foi chegar atrás, que eu tava recomendando, é não chegar atrasado fazendo pênalti. Então a seleção brasileira não fez pênalti. Quem fez isso foi a seleção da Noruega, que também tem a zaga mais ou menos, né? O resto tudo, cara, foi mais ou menos isso que eu resumi aqui na jogada por jogada, dá espaço.
Tudo, cara, eles incorreram. São problemas frequentes do futebol brasileiro. E o que a gente vê pelo desempenho dos jogadores é que eles não entendem, eles não entendem de marcação, eles não entendem de cobertura, eles não, eles não sabem direito certos, certas malícias ali do futebol. Então eu defendi a partir de 2010, já são 16 anos, que o Brasil trouxesse um técnico estrangeiro. Não técnico estrangeiro qualquer, um técnico estrangeiro qualificado que já tivesse melhorar desempenho e tal.
Quem fez isso e se deu muito bem foi o Flamengo quando trouxe o Jorge Jesus, que tem uma cognição muito maior do que a da maioria dos técnicos brasileiros. Para não dizer todo, pode ter aí exceção, etc., mas eu não sinto a pessoa identificar o problema, falar: não, eu sei que tá com esse problema, eu vou corrigir esse problema no próximo jogo. Vai, corrige esse problema. Eu vejo o Ancelotti fazendo isso, pode errar. E assim, Copa do Mundo, cara, o cara pegou a seleção, teve 8 jogos antes.
O que eu falava antes da Copa do Mundo é o seguinte, cara, o Celotti não vai mudar a mentalidade do futebol brasileiro para essa Copa. Precisa ter um trabalho de longo prazo e corre o risco dele perder, aí vai ser atacado e tal. Não sei, eu tenho várias divergências, tem críticas e tal. Ainda assim, com as divergências, com as críticas, eu acho que ele tem que ficar. Eu não vejo outra pessoa que vai assumir e vai melhorar isso.
Acho que tem que dar um voto de confiança para o cara fazer um trabalho longo, aí lá na frente É, com esse tempo deve ficar, tem contrato até 2030, né? Se não tiver uma mega pressão para ele sair e tal. Existe a pressão e existe a invejinha do técnico brasileiro em relação ao técnico estrangeiro. Mas o Brasil, quando não tá indo bem em alguma coisa, precisa olhar quem é que tá fazendo certo, precisa trazer certo, precisa repensar.
Então assim, eu falei muito nas últimas épocas, eu sou fã do cinema argentino, Fora da literatura argentina, que faz parte da minha formação, Jorge Luis Borges, maior escritor argentino, autor do conto Aleph, que muitas vezes eu cito. Mas o cinema argentino, cara, ele dá de lavada assim na média do cinema brasileiro. Tem um outro filme bom, mas assim, é impressionante a consistência do cinema argentino e como tem roteiros criativos e não ideologizados, sabe?
Essa coisa de que você tem que ter um roteiro que passe por uma grande causa, etc. Cara, eles têm histórias maravilhosas, saborosas, divertidas, interessantes sobre figuras humanas, sobre o comportamento humano, sobre uma pessoa, uma família, uma situação, um episódio. Às vezes tem um pano de fundo de uma época, tem algum acontecimento por trás, mas cara, é perspectiva humana, vai a fundo no personagem, na psicologia dele. Tem aquele elemento singular da Argentina que o meu diretor de cinema favorito, Juan José Campanella, ele coloca, ele mesmo já falou isso, né, que é você colocar aquele ingrediente local, mas para falar de valores universais.
Então, por exemplo, para mim, a melhor sequência da história do cinema, da história do cinema, claro que eu tô falando de uma maneira meio apaixonada, mas é, mas Até hoje você pode, eu posso lembrar aqui de uma sequência do Poderoso Chefão que eu acho demais e tal, mas cara, no máximo ela vai ser igual, nunca vai ser maior do que a sequência de O Segredo dos Seus Olhos, que é o filme que acabou ganhando Oscar, mas já é o quarto de uma sequência do Campanégia.
E eu tava apontando lá desde o primeiro, é O Mesmo Amor, A Mesma Chuva, aí depois O Filho da Noiva, todos com Ricardo Darim, né? Né, maior ator argentino aí dessa geração. Aí depois o Luna de Avejaneira, que aqui no Brasil virou Clube da Lua, não confundir com Clube da Luta. Clube da Luta é aquele Brad Pitt e Edward Norton, né? É Clube da Lua, é um filme que eu adoro, é que fala sobre clubes, inclusive no momento de crise econômica na Argentina.
E aí veio o quarto, O Segredo dos Seus Olhos. O Filho da Noiva foi o segundo dessa leva, ele chegou a ser indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O quarto é que ganhou, O Segredo dos Seus E aí tem um momento, cara, que eles estão investigando um assassino. É o personagem do Ricardo Darín, ficou muito impactado com um crime cometido e passou 25 anos investigando aquele crime. E um ajudante dele, um amigo dele na repartição lá no órgão em que eles trabalham, é um cara que bebe, é um cara muito engraçado, que é o ator Guillermo Francella, que é um dos maiores atores argentinos também.
Brilhante. Ele é apaixonado por futebol, torcedor de um desses times de futebol. E eles estão procurando o assassino e tal, e eles percebem que ele escrevia cartas para uma mulher, e toda carta tinha uma analogia com futebol, que o cara era torcedor, se eu não me engano, do Racing, de algum desses times argentinos. Talvez o pessoal no chat se lembre. É, e aí ele citava que a mulher fazia alguma coisa, alguma coisa lembrava o passe de não sei quem na década tal, o outro que não sei o quê.
Ele fazia toda declaração de amor assim com analogias futebolísticas com o time da sua paixão. Aí o cara identifica isso e fala, cara, o homem muda. Eu adoro, eu fico até emocionado. Ele mostra que o cara era torcedor daquele time por meio das cartas que eles encontram, porque eles não tinham maneira de encontrar o cara. Não tinha. A única pista que eles tinham era que o cara era apaixonado por aquele time. E aí ele chega à seguinte conclusão, né?
O ajudante dele fala para ele: você não entendeu, as pessoas podem mudar o rosto, podem mudar de profissão, pode mudar isso, daquilo, mas elas não mudam as suas paixões. Aí corta, vem uma câmera aérea assim que entra no estádio, num jogo do campeonato argentino lá, sei lá, River contra Racing, alguma coisa assim, não sei o quê, e vai focando até encontrar os dois na arquibancada procurando o assassino na torcida do time, que era a única pista.
Os caras sabiam mais ou menos como era a fisionomia, mas a única pista que eles tinham, cara, é torcedor. Vamos em todos os jogos então agora desse time, cara. Essa sequência absolutamente brilhante. Todo esse parênteses, momento cultural, e ela continua mais divertida do que— é para dizer que assim, o cinema argentino já superava na minha visão, o cinema brasileiro. Agora, o Brasil tem que aprender também com futebol argentino, cara, sabe?
Veio Messi, veio toda uma geração aí também que colabora com o futebol dele, não fica isolado em campo, é com a qual o Brasil precisa entender. Então, quando eu vejo o exemplo da Argentina, até reforça a minha tese, porque culturalmente a Argentina é muito forte, sabe? Isso vem da literatura, isso vem da das artes do entretenimento. E isso acaba aparecendo no futebol. Eu sinto que os jogadores, eles têm essa conexão, essa cognição, como eu sinto no time da França.
É um time inteligente, sabe? Você vê inteligência, cara. Eu morei em Madrid, eu estudei 6 meses em Madrid na época dos Galácticos do Real Madrid. Eu ia para o Santiago Bernabéu para ver o time do Real Madrid, que era Ronaldo. Depois tive oportunidade, andei no carro do Ronaldo para ir jogar bola com ele, né? Ele acabou não jogando, mas foi técnico do meu time. Isso é uma longa história que eu escrevi numa crônica uma vez. Mas eu ia ver Ronaldo, Roberto Carlos, Raul, Figo, Zidane, Beckham, sabe?
Esse era o time que eu via do Real Madrid, cara. Você sim pode ter um problema ou outro, pode não ter ganho tantos títulos quanto era esperado, cara, mas a inteligência do Zidane, do Beckham, era um negócio assim que você fala, pô, são homens feitos, entende, que não são frouxos. Que são obstinados, super profissionais, que buscam a precisão. Então Zidane é assim, eu sou flamengo, cresci vendo o Zico jogar. Que que é um ponto que as pessoas não entendem, né?
Porque tem em mente, sei lá, fulanos mais mágicos, né? Maradona ou Ronaldinho Gaúcho e tal. Às vezes não entende o futebol do Zico, às vezes não entende o futebol do Zidane. Que que é o futebol do Zico e do Zidane? É que no domínio já tira 2, 3. Basta um. É o futebol minimalista, entende? Altamente objetivo. Vem a bola torta. Eu falei que tava vendo um vídeo do time de Máster, era um vídeo, um passe do Rivelino, é um lançamento primoroso, negócio absurdo, a lateral esquerda, uma ponta direita, e o Zico mata a bola.
Bola morre literalmente ali, pronta para ele levar para frente. Então o Zico fazia isso, cara. Eu via no Santiago Bernabéu Zidane fazendo isso, cara. E a gente vê essa Seleção Brasileira com dificuldade de dominar a bola, entendeu?
Aquele gol que o Hendrick perde é uma—
pois é, eu vou chegar aí só para terminar. Eu chegava cedo no Bernabéu para ver o aquecimento, cara. Aí era o Beckham de um lado do campo e o Roberto Carlos do outro, né? Aí o Roberto Carlos, cara, ele dava lá o chute de um lado para o outro, o Beckham dava um passo, dois passos, matava a bola. Bola. Aí o Beckham, o Roberto Carlos fica parado, cara. A bola do Beckham cai no pé assim do Roberto Carlos no aquecimento. A gente faz isso em pelada e tal, tem pelada boa, pelada ruim, se joga só sai, campo menor, mas é aquele campo de grama e tal, cara.
O Beckham, sem brincadeira, cara, no aquecimento não errava, cara. É uma precisão de lançamento, cara, um negócio assim que o cara treina, treina, treina. Como o Zico treinava falta, cara. Qual é o segredo, Zico? É o Oscar Schmidt, morreu outro dia, botaram as declarações dele e tal. Ele fala: não tem mão 80, tem mão treinada. Depois do treino, o que que ele fazia? Ele só ia embora quando acertava 20 arremessos seguidos. O Zico treinava 60, 70, 80 faltas depois do treino, cara.
Qual jogador hoje que gosta de ficar depois do treino buscando maior precisão em alguma coisa? Então assim, esse exemplo, cara, é de profissionais melhores, mais obstinados e tal, é que o Brasil precisa resgatar. E aí fica essa paixão pelo sujeito mais fanfarrão, pelo sujeito que afeta a valentia, ou pelo sujeito trombador que pelo menos tem raça. Essa cultura, né? Eu já escrevi um texto para dizer que às vezes te tira a lição errada.
Eu tô me aprofundando demais, né? Mas Copa de 89, futebol arte, mas tinha problemas aquela seleção e acabou perdendo em razão desses problemas. Aí fala: não, não pode ser futebol arte, tem que ser trombador. Aí começa a ter o trombador e a arte. Não, você tem que formar o jogador completo. Não é essa divisão do trombador e da arte. É tipo, tipo na política que eu tava falando outro dia, que ou você tem o cara frouxo ou você tem o delinquente.
Cadê a pessoa que tem fibra, firmeza, serenidade, frieza, entendeu? Mas o Brasil fica nesses dois extremos em tudo, cara. E você precisa, então assim, são questões de cognição, cara, de mentalidade. Se você não conserta o pensamento, cara, ação correspondente ela não vai ser certa.
Verdade.
Então assim, tem uma série de elementos aí que eu apontei nesse resumão. Obrigado por me deixar falar.
O que que tu acha? Porque tá bom, então vamos entrar numa outra aqui também.
Eu acho que vale a pena só comentar rapidamente o lance do Henrique.
Então tá bom, comenta então, só para acabar.
Então vai, porque assim, houve oportunidade nesse ponto. Pipocou, é, cara, ele errou, né? Aí se é por medo ou se é por imprecisão, tem um, pode ter um grau de cada coisa aí. Agora, agora o Hendrik tem 19 anos, é essa coisa, né? Mas houve um mega lobby pelo Hendrik como se ele fosse resolver tudo. Não resolveu, cara, não resolveu. Como Neymar também não resolveu tudo em todas essas Copas e tal, apesar de todas as nuances que tem esse debate.
Mas o Ancelotti, Brasil tava recuado, botou o Endrick para dar profundidade, né, porque o Brasil não tava conseguindo chegar com uma criação em triangulação, em tabelinha. Então vamos botar o cara de velocidade, tentar enfiar no contra-ataque. Aconteceu isso, cara. Você pode dizer, ah, o Ancelotti errou nisso, nisso, né. Bom, pessoal tá todo pedindo o Endrick, né. O Endrick deu a profundidade, o Vini Júnior com seu talento, com a sua precisão, deu uma enfiada perfeita, uma trivelinha né, a maneira certa de você pegar a bola para ela passar no meio dos zagueiros e ainda ter um viés ali de pegar o ponto futuro do Endrick.
Ela chegou nele, mas ele é canhoto e era uma bola para você matar de direita, ou você chuta, mas era uma bola que dava para dominar, era para dominar de direita, o cara podia chutar de esquerda depois. Ele entorta todo o corpo para dominar de esquerda, dá mais um toque na bola para dominar de novo que é o que o Zico não precisava fazer, é o que o Zidane não precisava fazer. Aí começa a perder o ângulo, goleiro da Noruega é muito bom, já tá em cima dele, o cara perde o gol.
É uma oportunidade que não pode perder no mata-mata. Como assim, né? O ideal é que não perca pênalti. Claro que o Messi perdeu pênalti hoje, só que depois ele resolveu o jogo, né? Ajudou pelo menos a resolver o jogo, assim como ele tinha perdido contra a Áustria. Perdeu 2 pênaltis nessa Copa do Mundo, já perdeu 4 em Copas do Mundo. Mas depois tinha feito 2 gols, né? Então assim, perder pênalti acontece, é ruim. Bruno Guimarães bateu mal, bateu da pior maneira.
Ele bateu a meia altura de lado. Eu não gosto, cara, que jogador brasileiro, principalmente o time que eu torço, seleção que eu torço, o Flamengo e tal, o cara bata de lado no campo oposto, cara. Pênalti, cara, você bate chapa, né? O destro bate nesse canto aqui, ou ele bate aquele chute mais de pé forte no outro canto. Mas esse de ladinho é só quando você tem certeza absoluta que você deslocou o goleiro. E ele ficou naquele, sabe, vou escolher o canto ou vou esperar o goleiro cair?
Vou escolher. Aí sai de lado fraco, a meia altura entre o meio do gol e a ponta, cara. É a batida perfeita para o goleiro pegar, né?
A decisão de Bruno Guimarães para jogar o pênalti Foi uma, foi uma boa? Tu tomaria essa decisão também? Bruno Guimarães vai bater o pênalti.
O que, o que motivou aquela decisão, que foi alegado por todos, né, Lancelotti, Pini Júnior, etc., é que a base foi estatística. Eu não peguei as estatísticas para conferir depois. O pessoal pegou, ah não, bateu 3 pênaltis só e tal. Mas enfim, eles fizeram uma, um parâmetro Qual vai ser o parâmetro para escolher o batedor? Vai ser quem mais converteu pênalti nessas X ocasiões e tal, etc. Bruno Guimarães é quem mais tinha convertido.
É um critério legítimo? Eu considero um critério legítimo. Tem um outro critério, que é a estrela do time bate.
Eu gosto do critério, eu gosto, tô mais para esse, especialmente no calor do jogo.
Pois é, então Mas assim, eu considero esses dois critérios legítimos, perfeitos. Eles são legítimos, a gente pode discutir, acho uma discussão perfeitamente válida. Até porque você tem até a questão, né, que não deveria pesar tanto, mas assim, o cara é estrela, todo mundo gosta dele. Se ele perdeu o pênalti, não vai ser tão grave, você bota o outro, aí gera toda essa confusão e tal, porque não é o cara que fez o gol para resolver.
Mas assim, o Bruno Guimarães, não fosse ele, o Brasil Brasil tinha caído antes da Noruega, né? Ele teve uma participação muito importante na fase de grupos, no jogo contra o Japão, ele deu toques inclusive para gols importantes, mas perdeu o pênalti. Então assim, o critério eu considero legítimo, cara. Se ele acertou mais do que o Vini Júnior, ele bater, ok, podemos discutir, mas estamos discutindo a posteriori, né?
É verdade.
Talvez antes as pessoas, se você perguntasse antes qual critério você acha melhor, as pessoas iam ter uma opinião.
Agora que é É que nem a gente falar o Endrick pipocou, Ancelotti errou, não sei o quê.
A verdade é que se o Endrick fizesse o gol, Ancelotti acertava. Lógico, o técnico, cara, ele faz uma substituição, mas ele precisa que o jogador acerte, cara. Ele pode fazer a substituição e com aquela substituição o jogador ficar na cara do gol, a oportunidade ser criada do jeito inclusive que ele pensou. E eu acho assim que a oportunidade foi do jeito que ele pensou: vou dar profundidade, vão enfiar a bola, o Hendrik vai chegar fazendo gol. Ele perdeu, cara.
Aí, então assim, nesse ponto eu duvido que tava pensando isso aí no dia, cara. No dia tava burro, burro, aposto, não tava não.
Não, para colocar o Hendrik naquela situação eu não tava gritando burro. Eu confesso para você, né, mas aí os Neymarzete vão me atacar. Que eu não colocaria o Neymar no 0 a 0, entende? Para mim, a participação do Neymar no jogo com a Escócia, quando o Brasil tá ganhando de 3 a 0, aí é justificável. Levou para Copa, o cara tem que ganhar ritmo de jogo, Brasil já tá ganhando de 3 a 0, você bota o cara, tá recuperando de lesão. E é bom lembrar, é esse Neymar que eu tô falando, né?
Não tô falando do Neymar idealizado do passado, tô falando de um Neymar que já não era, não lesionado, o Neymar do passado. E que passou por uma lesão, está voltando dela. Esse Neymar eu não colocaria com 0 a 0, entende? E os fatos, repito, em toda essa cadeia de erros, de deficiências e tal, mas você tem um fato objetivo: Neymar entrou com 0 a 0, jogo acabou 2 a 1. Ah, mas ele fez o gol do pênalti, bola parada, ele bate bem pênalti, ele bate bem Mas exemplo, eu vou botar o cara no jogo para bater pênalti, escanteio, e durante o jogo o cara vai errar e tal, não sei o quê.
Então assim, o Haaland fez 2 gols quando Neymar estava em campo. Ele fez um gol de pênalti, que é um pênalti que ele não sofreu, numa jogada que não foi ele que criou, entendeu? Então assim, essa substituição eu não faria, repito. Mas mesmo discordando do Ancelotti, eu entendo que ele tenha colocado Neymar. E eu entendo também, aí é para os neymaretes não ficarem tão chateados, que você tem uma safra limitada. Então assim, de fato, quem ele tem ali no banco para o ataque?
Igor Thiago, que não sabia nem cabecear no primeiro jogo, sabe? Os outros também não renderam muito e tal. Você tem o cara ali, ah, tem uma tradição, de repente mete medo e tal. Tem uma justificativa para botar o Neymar. Mas num jogo duro, um jogo é que o Brasil não tinha sofrido gol ainda, eu não colocaria. E aí ele colocou o Ederson. Aí eu considero totalmente equivocado assim você botar o cara ali. E acho que o Ancelotti talvez não tenha entendido, né, levando em consideração tudo que eu falei sobre a cognição, que jogador brasileiro, principalmente quando você tá no mata-mata e você vai botar um cara no segundo tempo, você tem que chacoalhar ele ali no banco de Tem que falar assim: olha aqui, cara, você tá entrando mata-mata de Copa do Mundo, cara, você não ouse se distrair um segundo.
Você vai entrar, cara, você vai direto grudar nesse cara aqui, você vai tapar esse buraco aqui. Quando aquele jogador for para cima do nosso lateral, você já vai ficar numa posição de cobertura e tal. Cara, atenção, radar ligado. Vai chegar aí aos 45, não tem migué, não deixa o time cochilar e tal. Mas não fica, vai orientar os companheiros não, cara, se preocupa com Porque no minuto que você entra em campo, o cara pode fazer o gol, cara.
Jogador brasileiro nessa situação, você tem que chacoalhar o cara, cara. E mas eu acho que o Ancelotti ainda parte do pressuposto que eles têm uma compreensão maior, que eles não têm, eles não têm.
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Pouco tempo de ele treinando o time, fica até difícil de identificar possíveis falta de atenção, qualquer coisa assim.
E é muito cruel, né, o mata-mata de Copa do Mundo, porque é um jogo, cara. Você faz uma substituição, cria oportunidade, perde o gol e e tal, ou aquela substituição não rendeu bem e tal, perdeu, acabou.
Teria chamado o Neymar para começar?
Não, não teria chamado.
Mas não é por uma—
não, não, eu entendo, eu entendo, diante da safra limitada, que seja defensável. Eu não considero indefensável levar o Neymar, não considero. Você perguntar o que eu faria, eu não levaria. Por quê? Por uma questão de critério. O cara tá machucado, Você não tinha assim a previsão absolutamente precisa de que ele ia se recuperar. Se recuperou, conseguiu jogar e tal. Ele vinha jogando de uma maneira avassaladoramente maravilhosa, desequilibrando?
Não vinha. Então não era o mesmo Neymar lá de trás, era esse jogador aí que pode ser criticado como ex-jogador em atividade, melhor do que vários que estão em atividade, mas que já não é aquele. E assim, eu considero um erro do Ancelotti, claro que em razão também de todo um lobby de político. O cara tem um contrato renovado para 2030, ele sabe que se ele não levar o Neymar, ele vai ser achincalhado se o Brasil perder porque ele não levou o Neymar.
E eu acho que isso pesou para ele botar o Neymar inclusive naquela partida. Cara, vai que eu tomo um gol aí da Holanda, vai ser desclassificado, vão dizer que eu não botei o Neymar.
Mas eu diria pressão é sem dúvida.
Depois já é, tem toda essa pressão e ele se curvou a essa pressão, o que eu considero lamentável. Eu entendo, eu entendo que ele tenha julgado diante do quadro necessário, mas qual é o ponto? Ele deixou de levar o João Pedro, cara. Se ele, se ele levasse o João Pedro no lugar do Igor Thiago, eu até acharia mais defensável ainda levar o Neymar, né? Neymar no lugar do Igor Entendi. Mas o Neymar no lugar do João Pedro, cara, é para mim é um troço assim, é indefensável olhando dessa perspectiva.
Não é indefensável levar o Neymar, mas o Neymar no lugar do João Pedro, cara, que tá muito bem. O João Pedro desequilibrou a Copa do Mundo de clubes, cara. Eu vi, e aí eu reconheço que eu implico uns torcedores dos outros clubes, mas eu sou Flamengo e eu vi o jogo do Flamengo com Chelsea na Copa do Mundo, 3 a 1 Flamengo. Flamengo começou perdendo de 1 a 0 num erro do Wesley, que foi esse lateral direito que a Seleção Brasileira acabou perdendo porque foi lesionado e foi cortado.
Fez falta e tal, né, porque ele ataca também e tal. Mas o Wesley errou um domínio de bola no meio-campo, os cara pegaram a bola, fizeram o gol, porque tem Harry Kane. É o Chelsea, vacilou, tomou. Não pode vacilar. E o Flamengo, cara, é o Harry Kane, não, perdão, me fugiu agora o nome do jogador do Chelsea, né? O Harry Kane do Bayern de Munique. Ele que é jogador britânico, né, que tá na Inglaterra na Copa do Mundo, mas que joga no Bayern de Munique da Alemanha, que ganhou do Flamengo de 4 a 2 depois e eliminou o Flamengo da Copa do Mundo de Clubes.
Ali eu esqueci agora quem foi o jogador que roubou a bola e acabou levando até o gol, fez o gol, cara. O Wesley perdeu, efeito dominó. Mas o Flamengo virou 3 a 1, cara. E quem não tava jogando no Chelsea? O João Pedro, que não tinha chegado Aí ele entrou na Copa do Mundo de Clubes, que o Chelsea mudou, e ele ajudou o Chelsea a ser campeão. Foi campeão. Flamengo ganhou do time campeão, mas ganhou do time campeão, eu reconheço, faltando João Pedro.
Ele ajudou a desequilibrar e faltou muito essa outra figura. O Matheus Cunha jogou bem a Copa do Mundo para esse padrão dessa seleção. Ele inclusive foi quem sofreu o pênalti primeiro que foi perdido pelo Bruno Guimarães. Ele conseguiu chegar antes, o cara da Noruega chegou atrasado, né, tocou nele, caiu, pênalti. Mas depois ele desapareceu da partida. O Gabriel Martinelli, que decidiu contra o Japão entrando depois, sumiu do jogo, ele não criou nada.
Ele foi às vezes cobrir lá o Douglas Santos na lateral esquerda, que volta e meia deixava um buraco, mas que é competente e tal, não sei o quê. Mas é isso, cara, todo jogador, mesmo bom, mesmo, sabe, ele tem deficiências, entende? Você não tem uma seleção assim que é a mais, que é de jogadores realmente caros.
Esses jogadores são, mas esses jogadores também, eles têm, me parece, é que entendo muito menos de futebol que você, mas esses jogadores que são tidos como estrelas e tal, ou fora da curva, eles têm Eles têm características diferentes, inclusive, ó. A gente tava conversando isso outro dia. O Messi, ele é muito sinistro, ele tem uma característica específica que o diferencia do Cristiano Ronaldo, que também é diferente do Mbappé, que é diferente do Neymar, é que estão, que todos jogaram mais ou menos na mesma época, né, jogaram, né, se enfrentaram em algum momento ali.
Bom, Messi e o Neymar, que tem, por exemplo, um Eles têm, o Messi, ele é, ele é gênio no sentido de ele, ele tem essa cognição que você tá falando muito apurada, muito diferente, é muito diferente, é a própria leitura do jogo. Que eu acho, cara, eu acho que eu, vamos lá, aí o Cristiano Ronaldo, o Cristiano Ronaldo é um outro tipo de atleta, não é que ele não tem essa cognição, mas é que ele, ele trabalha tanto para ser o melhor atleta que ele consegue, que ele, que ele, sei lá, ele alcança patamares que um, que se ele não se dedicasse tanto não alcançaria, né?
É assim que eu sinto o Cristiano Ronaldo. O Neymar, sei lá, cara, o Neymar eu vejo ele com uma, com uma, ele tem um jeito de, ele é imprevisível.
Ele, eu tô falando Neymar Barcelona versus PSG lá de trás, É isso, né, mano?
Ele era, meu irmão, quando ele falava que era ele, era ele. Porra, ele fazia uns troços, não conseguia, caralho, que bagulho que tá acontecendo aqui? Que aí, se tu for aí, aí meu ponto é, vários esses jogadores assim são incríveis. A gente for falar de Ronaldo também, característica diferente aqui, eles não são necessariamente iguais, eles são incríveis cada um do seu jeito, né? Aí a gente trazendo para 2026 essa Copa de agora.
Jogando nessa Copa, a gente tem 4 desses jogadores que a gente vai, que sim, do ponto da cabeça aqui, a gente tem o Mbappé, a gente tem o Messi, a gente tem o Cristiano Ronaldo, a gente tem o Neymar também, né? Desses, a gente poderia dizer que estão aposentados 3, né? O Messi joga na MLS.
Pois é, cara, mas você vê a diferença de, é mais do que profissionalismo, né, é da busca pela excelência. O que que aconteceu com o Messi quando o cara vai para os Estados Unidos? Assim como quando um cara volta para o futebol brasileiro, como Neymar voltou, como vários outros que passaram na Europa enquanto eram competitivos, depois já tá em declínio, volta para ver se brilha mais aposentadão no Brasil e para ver se curte também, né, o resto do Brasil, a parte boa do entretenimento, etc.
O Messi, todo mundo esperava que ele fosse declinar porque ele tava indo para uma liga menor, né, para uma liga americana que é de um nível de qualidade menor. Mas ele não se deixou mediuquizar. E isso é algo que os brasileiros em geral precisam aprender, que às vezes você tá jogando, né, no futebol especificamente, você tá jogando contra pessoas que não são tão boas Mas que você precisa manter o ritmo e você precisa jogar como se você estivesse jogando com pessoas muito boas.
Então essa postura que eu falei, às vezes de dar meio espaço e tal, essa é a postura de pelada, cara. Eu jogo a pelada no nível bom, às vezes vem, começa a jogar o meu futebol um garoto adolescente que às vezes é bom, né, mas o cara tá começando a jogar com os adultos, né, sabe? Pelada de clube, às vezes mistura todo mundo, tem várias idades e tal, não sei o quê, cara. Primeira orientação que eu dou para o adolescente que bota no meu time e tal, não sei o quê, para ele não prejudicar, essa sabe qual é?
É a seguinte, eu falo assim, cara, você tá acostumado a jogar com a garotada, você tá jogando aqui no nível muito melhor do que o seu. Então o que que acontece com a garotada? Ninguém marca perto do cara. Por quê? Porque você tem certeza de que você estando a 2 metros do cara, o cara que tá lá ele não vai lançar de uma maneira muito precisa. E esse aqui que vai receber a bola, que você tá marcando de longe, ele não vai dominar de uma maneira muito precisa e ele dificilmente vai fazer o gol.
E se tudo acontecer milagrosamente da mesma maneira, é, ele der o passe, o cara acertar o domínio, vai dar tempo de chegar, se for o caso. É assim que a garotada pensa. Tem garoto que não tem um chip da marcação, né? E eu falo assim, cara, nessa pelada aqui se você der 1 metro de distância, se você der 2 metros de distância, o cara lá ele vai acertar o lançamento, esse aqui vai dominar e vai fazer o gol. Então você tem que grudar no cara, sabe? E isso se perdeu. Por que que a gente tava falando disso?
Eu fui contar a história de como eles são diferentes, que o Messi foi a coisa do cara.
Exatamente, o Messi não se deixou mediatizar. Então ele tá jogando com pessoas que são piores do que ele, claro, mas isso também na Europa, né? Muito mesmo sendo bom, são piores do que Mas o futebol do nível mais baixo do que a Champions League. Mas o cara, ele continua jogando como se ele tiver— ele tem na cabeça dele que ele não pode perder a excelência, que ele tem que usar aquele, não só o treinamento, mas o próprio jogo para se preparar para jogar contra times melhores.
Então ele tem que driblar de uma maneira que o melhor marcador não pegaria. Não é driblar de uma maneira que você dribla criança. Então a gente tem quem joga bola, tem a puxadinha que você dá uma caneta que qualquer criança cai. Eu vou, volto mesmo, vou brincar com criança, vou brincar com adolescente, daquela puxadinha, um toquezinho, você puxa a bola, o cara abre a perna porque ele acha que você vai puxar para cá, e antes você dá um tapinha e tal, e dá a caneta e tal, não sei o quê.
Não, o cara dribla de uma maneira séria, o cara conserva aquela qualidade de superar o adversário, né? Então isso é muito admirável, entendeu? O cara com 39 anos, que já é uma carreira longeva, claro que hoje em dia é diferente de antigamente porque o preparo físico dura, sabe? Mas ele não se deixou mediatrizar. E eu acho que ele tem mais talento do que o Cristiano Ronaldo. Também acho. O Cristiano Ronaldo é um atacante mais específico, ele é mais duro, né?
Tanto que tem apelido de robô e tal. Mas o Cristiano Ronaldo pula mais alto, corre mais rápido, é muito atleta, buscou a precisão. Então é aquele domínio rápido, chute rápido, chuta bem e tal, mas um atacante muito bom. O Haaland domina rápido, chuta rápido, vai para cabecear. É o Harry Kane, cara, muito perigoso. Mas o Messi é aquele cara que vem mais de trás, né? Ele cria a situação, ele dá assistência, ele encontra o espaço, né?
É curioso você ver o Messi jogar sem bola.
Você vê o Messi jogando sem a bola, ele tá olhando tudo, ele tá andando, né? Seleção também joga para ele ali, tem gente para marcar por ele e tal, mas acaba até aqui funcionou. Vamos ver assim se contra uma França funciona e tal.
É, esse 3 a 2 contra o Egito aí foi sofridíssimo, né, cara?
Não foi muito sofrido. E teve esses, eu tava comentando no meu story, quem entrar lá agora no meu Instagram, Felipe Moura Brasil, vai ver que a Argentina deu uma de Brasil, deixou espaço para cruzar e deixou cabecear. Aí depois o Egito deu uma de Brasil e a gente deixou espaço para cruzar, deixou para cabecear. É Copa do Mundo, cara, não pode ter isso. Então houve vários erros ali da Argentina no começo do jogo, cara. Mas, cara, a falta de covardia, a serenidade para você sair de uma situação adversa, isso é coisa de quem tem a mente no lugar, cara, de quem tem cognição e de quem tem amor àquilo que tá fazendo.
Sabe que tem lá milhões de argentinos que estão querendo desesperadamente aquela vitória, cara. Futebol, cara, que você tem que ir até o final, você tem que aproveitar até o último segundo, cara, e que você não sabe a hora que o juiz vai apitar. Enquanto ele não apitar, cara, você tem que fazer o máximo para criar a possibilidade. Os apoiadores do Neymar estão lá me atacando na rede social, que eu critiquei uma postura do Neymar.
É qualquer postura, não é responsabilizar Neymar pela derrota do Brasil, é isso. Eu fiz um vídeo de 12 Resumindo isso que eu tô falando aqui mais longamente sobre todas as deficiências que já vem de 20 anos e tal do futebol brasileiro e da própria cultura brasileira, que aí que já vem mais de trás, né? Mas eu acho que em determinado momento afeta o futebol. Mas o que que eu falei? Que aos 90 minutos ou nos acréscimos, né, que foi quando teve pênalti, foi bater o pênalti, toda aquela lenga-lenga até bater o pênalti e tal, não sei o quê.
Dizem, né, que foi o goleiro que começou a provocação e tal. Não importa se foi ele que começou, se foi o goleiro que tá, o goleiro provocou. Qual é o intuito do goleiro ao provocar o Neymar? O goleiro tá brincando na Copa do Mundo? Então, 90 minutos, tá 2 a 0 para Noruega, o goleiro tá provocando o Neymar porque ele sabe que provocar e tal vai passar o tempo. É por isso que ele tá provocando, é para passar o tempo. O Neymar, ele nem acha de verdade o que ele falou, né?
Ele só falou qualquer coisa e tal. Às vezes é um cara mais zoeiro, não sei o quê e tal. Mas, mas a catimba já tava presente no jogo da Noruega, tanto que ali na ponta direita eles ficaram prendendo a bola, como se prende quando você tá com vantagem no placar. Cara, não é o momento de você pensar em você, num desaforo pessoal, num duelo pessoal, cara. É o momento de você se concentrar para fazer o pênalti e tal, e correr, botar a bola no campo, cara.
E se tiver mais meio segundo, você tem que zelar pelo meio segundo. Você não sabe quando o juiz vai terminar. Sim, tá nos acréscimos, a tendência era que o juiz terminasse, mas chegou até uma possibilidade de ataque para o Brasil. E o que eu critico não é por, ah, isso aqui foi a causa da derrota, né? Às vezes as pessoas não, ela tem a reação apaixonada, ela não entende o ponto de debate. O ponto de debate é a postura. Essa é a postura correta?
Essa é a postura admirável? Essa é a postura que o Mbappé teve? Essa é a postura que o Messi teve? Não é. Eu peguei o lance, tava, aí você mostra o Mbappé Mbappé, quando a França tava perdendo de 2 a 0 para Argentina e ele fez o gol de pênalti. Que que ele fez, cara? Bateu o pênalti, correu mais rápido do que o goleiro para o fundo da rede para pegar a bola e saiu correndo para o meio-campo para pegar a bola. Tá discutindo, tá batendo boca com ninguém. Aí vem o apoiador dele, mas o goleiro provocou o Mbappé?
Cara, mas que diferença isso faz?
Não é disso, não é esse o ponto. O ponto é que mesmo sendo provocado a prioridade não é responder a provocação, a prioridade é agilizar o processo para bola voltar a jogo, você ter a possibilidade de empatar. Uma curiosidade, isso é o senso de responsabilidade com a equipe e com a nação, é o espírito de equipe e o senso de responsabilidade com a nação.
A curiosidade é que o goleiro norueguês fala português, então ele tava xingando em português o Neymar.
É assim, ok, provocação faz parte do jogo e tal, mas tem um momento que você tem que ter a prioridade. Então é a postura, você tem que apontar até culturalmente para expressar essas coisas de qual é a conduta certa. Conduta certa é você, quando o time tá perdendo, você focar na virada. Aí eu peguei hoje o trecho do gol da Argentina, tava perdendo de 2 a 0 para o Egito, fez o primeiro gol. Que que aconteceu, cara? 3 jogadores da Argentina foram para o gol, um pegou a bola e eles saíram correndo desesperadamente para voltar para no campo, cara.
Nenhum foi bater boca com ninguém, nenhum foi provocar ninguém. Ah, mas não foi provocado. Não interessa quem te provoque nesse momento. Quem te provoca tá justamente querendo te desconcentrar, querendo fazer você perder tempo, querendo fazer você esquecer a prioridade, que é você buscar outro gol para o seu time empatar. E eles correram desesperadamente, botaram a bola em jogo. Claro, não tava 90 minutos, mas aí vem esse outro comentário de apoiador do Neymar.
Já tinha acabado o jogo. Aí parece o que eu falei aqui, né, da CPI da Lava Toga, né, que os bolsonaristas falam assim: ah, não ia dar em nada. Ah, se não ia dar em nada, melhor não fazer então. Então vamos antecipadamente, né, deixar de fazer as coisas, porque a gente acha que não ia dar em nada.
Nossa Senhora, uma das coisas mais escrotas que tem.
Pois é, cara. Então assim, é um pano que se passa para uma conduta. Não é a conduta que fez o Brasil perder e tal, não sei o quê. Mas você precisa apontar no ambiente cultural o que que é a conduta adolescente, a conduta moleque, a conduta de, a conduta narcisista, egocêntrica. Isso não quer dizer que eu quero mal do sujeito, tá apontando isso, é que simplesmente, olha, o que se faz nesse momento? Nesse momento você prioriza a sua seleção, você prioriza a pressa.
Então, placar adverso impõe a pressa. Do time. E não foi a prioridade dele. A prioridade dele foi não levar desaforo para casa, foi responder ao goleiro.
Comparar Neymar de 2026 com de 22, cara, lá em 22 ele teve um desempenho diferente dessa Copa agora. Ele de fato, eu tô contigo no, não sei se era para levar o Neymar, porém tendo levar por conta da situação, encheção de saco lá em 22. Era diferente, não era?
Não era, era Neymar, era para ser levado, foi levado, e teve alguns momentos de atuação importante.
Pois é.
E aí é assim, né, jogador atua em alguns momentos, às vezes no jogo desaparece e tal, não sei o quê.
Mas também fomos eliminados por uma outra seleção de gigantes.
E assim, e eu também não tiro alguma responsabilidade do Neymar. Eu sei que o resto do time é fraco. Eu tô apontando isso sempre, mas a idealização que você faz em torno do Neymar acaba— e aí, e aí não é mais um problema dele, tá? São duas críticas, né? Uma é uma limitação do que ele pode oferecer e outra é uma idealização exacerbada que acaba pressionando o time a jogar em função dele não no sentido de um time que tem soluções, mas que eventualmente, se tiver que priorizar, vai priorizar um passe para ele.
Não é assim, vamos jogar para ele, ele vai resolver, cara. Isso não existe num futebol bem armado, com uma retranca bem armada, com jogadores bons e tal, como são várias seleções da Europa. Não dá para você dar a bola para o cara e pronto, todo mundo desaparece. Então, às vezes que o Brasil fez, eu tava lá na Copa, eu não sei se foi a Copa passada, mas teve uma Copa que eu falei assim, cara, o Brasil precisa O cara que precisa sair da ponta precisa passar para o meio para levar a marcação.
O outro que tá vindo do meio, ele precisa ir para o lugar dele na ponta para fazer a triangulação e tal. E aí tocar essa bola, Neymar enfia para o outro que passa, o overlapping e tal. Isso é básico do futebol, você aprende na escolinha, né, cara? Recebe na ponta direita, o outro faz o overlap para cruzar a bola, cara. Se você não tem isso, é como Vini Júnior no Brasil e Noruega, ele ficou isolado lá na ponta esquerda. Eu acho até que ele escolheu às vezes a jogada errada.
Mas assim, ele tava isolado. Eu acho que ele às vezes ele precisava reconstruir, justamente, pô, tô isolado e tal, não vou arriscar enfrentar 3 noruegueses. Então eu acho que em algumas Copas passadas se depositava no Neymar numa esperança de que ele fosse driblar 3, cara. Eventualmente numa jogada rápida você vem de frente, aquilo que eu falei, o cara não faz a cobertura no timing certo, você aproveita para driblar, o cara não vem na primeira, você consegue driblar o segundo, você consegue fazer o gol e tal, ele conseguiu achar um espaço ali, fez um gol contra a Croácia e tal.
Ok, mas você não pode ter uma dependência do cara resolver sozinho contra 2, 3, 4 jogadores. Eu acho que toda uma cultura acabou pressionando o Brasil para aquilo. Eu acho aquilo ruim, entende?
Mas tu não sentiu que nessa Copa assim, esse Brasil precisa construir o tema?
Aliás, o Cafu deu entrevista outro dia falando que, já que você falou da seleção 2002 e tal, cara, se o Ronaldinho Gaúcho tava marcado, tinha o Ronaldo. Se o Ronaldo tava marcado, tinha o Rivaldo que decidia. Se ele estava marcado, tinha o zagueiro que ia para área cabecear. Se nada disso funcionava, tinha o Roberto Carlos que fazia o gol de falta. E é verdade, tinha. Então assim, uma seleção precisa criar soluções, precisa ter outras soluções.
Eu acho que durante muito tempo é uma confluência de fatores, não é o fator único, né? Safras ruins, técnicos que não souberam criar e tal, mas muito vamos dar para o Neymar para ele decidir e tal. E ele não vai. Ele era um, era um excelente jogador, mas um jogador que precisava de companhia, de assistência. Um jogador que na minha visão tá abaixo do Messi, mas mesmo o Messi precisa do resto do time, como precisou hoje. Ele cruzou a bola, tá, mas o cara deu um cabeceio perfeito.
Ele cruzou uma bola que teve bate-rebate, depois ele chegou para bater, tá, mas os argentinos disputaram cada uma daquelas deu um passe para o meio e tal, sobrou para ele. Assim, você tem opção. E o Brasil, aí é o ponto de análise cultural, não é politização do futebol, isso é uma outra coisa, posso falar depois, é de análise cultural. Ele tem uma tendência, principalmente nessa contemporaneidade de uns anos para cá, de querer o salvador da pátria.
É a pessoa que vai resolver tudo sozinha. É como assim, eu faço análise política há 20 anos, né, no meu trabalho, e às vezes vem um comentário, como hoje veio no meu canal lá no YouTube, tá, mas você tá criticando os candidatos e tal e não tá dizendo em quem que eu voto. E assim, você fala, cara, você faz análise para mostrar para as pessoas o que tá acontecendo, para ela não ser manipulada, para não sei o quê e tal, e tem gente que só quer saber assim em que que eu voto.
Sabe, uma coisa muito pobre. Sim, até porque, cara, mesmo que o político seja ruim, o importante é a sociedade estar consciente, vigiar o político e tal. Mesmo que não tenha opção ideal perfeita, é você não se deixar manipular, não se deixar abduzir, não virar esse apaixonado, idiotizado, fanatizado que vai passar pano para qualquer coisa que o seu ídolo fizer. E se alguém falar uma verdade incômoda, uma crítica para uma postura específica, nem sequer responsabilizando já vem assim: você é criminoso, você é desumano, você é isso.
Isso é uma coisa maluca, cara. Mas repito, essa falta de cognição, ela contribui para idolatria, que contribui para esse sentimento de que nós precisamos de um salvador da pátria que vai resolver tudo para gente. Cara, não vai. O futebol, como várias outras coisas na vida, e como várias outras coisas na vida, isso é uma construção uma construção que depende do esforço individual de várias pessoas. Exige, exige um esforço cognitivo de alguém, alguma ideia, um treinador e tal, para conjugar aquelas pessoas e tal, para desempenhar funções táticas diferentes.
Então são vários esforços no longo período e tal, como as relações, como uma relação amorosa, ela tem que ser uma construção e tal. Você tem os esforços individuais, você tem os concurso conjugal propriamente dito. E, mas assim, a gente tá desenvolvendo uma cultura no Brasil em que tudo vai se resolver da noite para o dia com algum lance genial do ídolo maravilhoso, enquanto você tem outros países, para encerrar, para concluir, estão fazendo trabalho de formiguinha, sabe?
E aí depois de anos rende frutos. E o Brasil, depois de anos, o que rende fruto é o trabalho é o trabalho equivocado, é essa decadência cognitiva que vai afetando tudo.
Ó, para a gente ir chegando mais para o final aqui, Felipão, tem umas mensagens para nós aqui que, bom, eu vou dar play em algumas aqui, mas a gente não—
Galho mandou uma mensagem pelo Pix: Renan Santos é a única opção. Renan, porque é o único de direita de verdade.
Aqui a gente não tá correndo risco, inclusive, de ter uma galera fazendo, cometendo exatamente esse mesmo erro que você acabou de descrever, sempre tem o risco, inclusive mirando no Renan, não tem uma galera, porra, como essa mensagem aqui: Renan Santos é a única opção. Entendo que tem muita gente, é, a única ressalva aqui é vamos não Vamos, vamos aprender com que a gente já viu acontecer. A gente já viu um movimento que elegeu alguém.
Não tô dizendo que é o caso agora, né? Até porque o Renan precisaria de uma transformação muito profunda no cenário político agora. Mas que endeusar um político nem não me parece ser a melhor opção, né?
Não, nunca é endeusar um candidato a um cargo público, né? Acho que as pessoas assim que, vamos dizer, merecem ser endeusadas é algo que acontece com a— é natural com a trajetória de realizações e um comportamento que é condizente com aquilo, né? E que no fundo, quando você expressa dessa maneira que ela é endeusada, é uma maneira elogiosa e meio poética, meio hiperbólica, para ser mais preciso. É que tem um pouco de exagero, de você manifestar admiração por aquela pessoa, né?
E para isso precisa ter uma trajetória, precisa demonstrar uma série de qualidades ao longo do tempo e em situações diferentes, em esferas de poder diferentes. Então não se deve. Claro que é natural que as pessoas prefiram um candidato, é natural que em ano de corrida eleitoral as pessoas façam campanha para um candidato, que elas militem a favor e tal. Tem gente de todos os tipos. Certamente tem gente que escolhe um candidato, mas que tem uma certa prudência, que vai eventualmente vigiar e tal.
E tem aquela que tá apaixonada, que depois vai querer passar pano, que foi o que aconteceu. Tinha muita gente antipetista, tava todo mundo ali dessa, desse campo criticando as mentiras, a hipocrisia, financiamento de ditaduras, escândalo de corrupção, crise econômica, o identitarismo radical e tal, etc. Etc. Muitos estavam fazendo aquilo por princípios, tipo, isso é ruim e vou criticar sempre, seja de quem venha. Outros estavam fazendo porque queriam o cargo, queria ganhar dinheiro também, eventualmente até no escândalo de corrupção também, outras coisas.
E isso se vê, quem é que tá em qual lugar, com o tempo, com a mudança de cenário. Muitas vezes o caráter se reconhece na mudança de cenário, né? Quando o tabuleiro se mexe, e aí você vê se aquela pessoa mantém os Não a adesão a um grupo político incondicionalmente. Então assim, o que é diferente do Renan Santos, esse é um fato objetivo, né, uma descrição objetiva, é que ele critica o lulismo e o bolsonarismo. E eu considero que era para ter alguém assim em todos os pontos do espectro ideológico.
Era para ter um cara na esquerda que critica o lulismo e bolsonarismo, centro e tal, eventualmente até centro-esquerda, centro-direita, Era para ter várias pessoas, já que é um regime multipartidário brasileiro, 35 partidos. E aí você tem um puxa-saco de cada lado, né? Você tem os dois polos, os seus puxa-sacos, e pronto, acabou. Tem um candidato com uma identidade mais próxima. O Caiado tá tentando construir uma identidade de experiência, etc.
O Zema tenta construir de gestão, não sei o quê. Mas ficaram muito próximos do bolsonarismo. Então o Renan Santos conseguiu essa identidade de um cara de direita crítico do lulismo, do bolsonarismo. Agora, isso não é, né, que é isso que quando a gente fala isso muita gente não entende, né, e às vezes de má vontade, má-fé, é que isso não é ele inteiro, não é tudo que deve ser levado em consideração. Então você tem que avaliar a conduta, o temperamento, como se comporta em determinadas situações.
As controvérsias, o modo de tratar, a experiência administrativa ou não. Então tudo isso tem um monte de elementos. Você criticar dois grupos políticos é um dos elementos de avaliação. Agora tem gente que não aguenta mais Lula e Bolsonaro, tá disposta a votar em quem critica os dois lados. Tem gente que eu conheço um monte que fala assim, cara, eu vou ver quem estiver melhor entre Caiado, Zema e Renan, ou outros Joaquim Barbosa, Augusto Cury, até Aécio, talvez a pessoa que é anti-Lula, anti-Bolsonaro.
Quem tiver melhor, vou votar nesse aí que tem mais chance, que for o terceiro lugar. Quem tiver em terceiro lugar na pesquisa até o último dia e tal, vou votar. Cara, eu ouço isso toda semana, para dizer o mínimo, para não dizer todo dia. É um monte de gente. Então o cara não tá nem aí se o cara tá mais próximo, tá aí que não Entendi.
Eu gosto mais da ideia do cara que no primeiro turno, a gente já conversou isso, mas o cara que no primeiro turno vota em alguém que tá mais próximo de representá-lo, né? Independente de votar, vou votar no Lula porque eu não quero que o Bolsonaro ganhe, ou vou votar no Bolsonaro que eu não quero que o Lula ganhe. Não, não, eu vou votar no Zezinho porque o Zezinho acredita nas paradas parecidas comigo. E aí no segundo turno, aí eu voto com critério que eu quiser, né?
Que seja, vou votar no A para o B não ganhar, mas é o segundo turno, só tem duas opções mesmo. Então eu posso um voto de ódio no segundo turno, até faz sentido.
Agora no primeiro turno eu posso anular também, né? Cada um tem direito, tem suas liberdades, apesar de toda patrulha. Tô pregando que se vote no Lula, no Flávio, se anule, ou se vote qualquer outro candidato que vá para o segundo turno. Mas é, cada um tem a sua opção e tal. Se o cara rejeita, se o cara entende que essas pessoas não merecem o voto, o cara não vota. E é absolutamente legítimo, ao contrário de toda patrulha que vai dizer que não, se você não votava, você tava favorecendo o adversário e tal, não sei o quê.
Tem gente que não quer fazer essa escolha de quem roubou menos, de quem não quer, e aí não vota.
Mas o que que eu tenho que fazer aqui contra a minha vontade um movimento para ajudar você no teu movimento, né? Eu não. Eu acho que você é meio escroto, ou que aquele ali é meio escroto, que aquele lá é meio escroto também, que aquele ali também. Então eu vou anular.
Ué, por que não? Isso é legítimo e cada um vota do jeito que quiser. A gente não, a gente tá só falando uma obviedade, a gente não tem como impor voto nenhum, né? E faz o trabalho analítico e cada um considera correto. Agora, o que é preciso entender, que eu expliquei no programa passado e viralizou nas redes, é que muita gente não que você não precisa votar no segundo colocado para que o primeiro não ganhe. Você pode votar em qualquer um no primeiro turno que não seja aquele que você não quer que ganhe, é para, enfim, para que ele não ganhe.
Aí depois vai o primeiro e o segundo colocados, segundo turno, aí você decide se você quer um deles ou se você quer ficar em casa, se você quer votar no outro.
Bom, tem aqui uma mensagem do Bernardo.
O que eu acho pior não é votar num candidato que que eu já critiquei ao longo de anos, etc., é, é o voto apaixonado, é o voto de idólatra, é o voto da pessoa que porque vota ela acha que ela tem que passar 4 anos defendendo aquela pessoa. Eu acho muito mais grave. Você critica? Bom, eu critico, obviamente, eu vigio, na verdade, né? Em primeiro lugar, vigiar para saber o que estão fazendo, informar para a população que eles estão fazendo.
Aí você vai fazer análise e tal, não sei o quê. Eventualmente você vai criticar uma coisa que você considera imoral. Tem nada a ver com gosto, com ódio, apesar de toda militância querer distorcer. Você fala isso porque você não gosta dele, tá? Igual seja Neymar, seja Flávio, seja sempre a mesma coisa, né? É porque você não gosta, porque você tem ódio. Não, eu repudio a mentira, eu repudio a hipocrisia, eu repudio a molecagem no momento errado, eu repudio— são algumas coisas que fazem parte do meu conjunto de princípios.
A pessoa incorreu nisso, seja ela quem for, eu vou apontar. Então as pessoas que têm poder durante muito tempo, os grupos que polarizam, que tem muito capital eleitoral, obviamente eles vão estar no foco, como a cúpula do Judiciário, como a cúpula do Congresso Nacional, as pessoas que têm mais poder para ditar os rumos do país. Obviamente elas vão estar muito mais no foco do que qualquer candidato que tem de 2 a 5%, 7% no máximo, é, de índice de pesquisa.
Então, por que que eu tava falando isso? Já me perdi. Mas enfim, eu tava falando porque, porque eu considero muito pior do que votar em algum candidato que eventualmente eu critico, é a pessoa que vai puxar o saco desse candidato para sempre, durante, para sempre, vai fazer vista grossa quando ele incorrer em sujeira, quando ele for hipócrita, quando ele mudar sua régua. Quando ele proteger um aliado corrupto, quando ele desmantelar uma força-tarefa anticorrupção para blindar a família.
Isso eu considero brigar com a realidade, repugnante, né, do ponto de vista moral.
Mas é isso, as pessoas brigam com a realidade porque elas criam identidade, tudo aquilo que a gente já falou bastante, e elas acham que tem que defender aquela identidade até o fim, cara. Não, cara, você pode ser uma pessoa, um que vai querer saber o que tá acontecendo, saber o que tá de podre, vai zelar e vai zelar para que seja um país melhor. Porque da mesma forma, né, que você precisa zelar para o futebol melhorar do país, em vez de você cultivar aquilo que faz o futebol ser ruim ou que faz a seleção perder oportunidades, cara, você tem que zelar para que os políticos melhorem, Ou no mínimo que eles sejam constrangidos pela força da sua ação, da atuação cívica, da atuação da sociedade, a fazer o certo, mesmo que contra a vontade.
Como muitas vezes aconteceu no Brasil, que aprovaram uma coisa no Congresso Nacional porque a sociedade pressionou, uma coisa boa. Às vezes pressiona fazer ruim, fazer coisa ruim, como aconteceu no Mensalão. Ricardo Lewandowski foi flagrado, uma repórter da Folha de São Paulo UOL dizendo que a tendência era amaciar para o José Dirceu, mas a imprensa deixou o Supremo com a faca no pescoço. Não é sentido de violência, no sentido da pressão legítima democrática por meio da apresentação dos fatos, do reconhecimento da gravidade dos crimes que precisavam de responsabilização e punição.
Então você tinha uma tendência de bastidor para amaciar e não conseguiram fazer o errado porque foram constrangidos pela sociedade sociedade e pela sua representação midiática a fazer o certo. Que saudade que dá de um momento assim. Isso é um momento sublime em que a sociedade se une para constranger as pessoas a fazer o certo. Imagina se a sociedade se unisse para constranger os jogadores a se dedicarem mais, a treinar falta como o Zico treinava depois do treino, jogador a treinar sexta, né?
Saudade que dá como Oscar treinava, sabe? Então precisa disso. Se você ficar adulando, mimando político, jogador de futebol e tal o tempo todo, e formar uma parede que você proíbe blindar, e quem blindar vai ser lixado virtualmente, vai ser xingado de tudo quanto é nome, cara, você vai criar essas pessoas que se acham num pedestal, entendeu? E que não trazem os resultados dos quais se espera. Mas aí sempre se cria uma explicação para aliviar aquela pessoa sagrada.
Aquela pessoa sagrada é como Jair Bolsonaro, ele perde para o PT, mas a culpa é do isentão. A culpa é do isentão que apontou que o Bolsonaro tava ajudando a fortalecer o PT.
O STF, cala a boca, deixa o cara cometer crime quieto, pô.
É isso, rachadinha todo mundo faz, aquelas coisas, tem. Então aí não dá, né? Ó, tem uma que foi muito bom esse papo, hein? Tem uma aqui do Bernardo que é, vamos ver como é que tu vai sair, Felipe. Episódio histórico de Flow News. Bernardo mandou uma mensagem pelo Pix. Responde na lata: Zema ou Renan Santos? Zema prometeu privatizar a Petrobras, já gostava dele e agora ele ganhou o meu voto. Acha que o Renan seria melhor? Esse não é meu trabalho de ficar fazendo, orientando para as pessoas quem é melhor do que Beltrano.
Total, é, vou primeiro mostrar o que que eles fazem em cada Cada um vai fazer o seu juízo.
Uma pergunta, porra, pô, tão por cima assim que eu diria até que foi plantada, né? Bom, e a outra que do Éder tatuou aqui, tem um cara simplesmente mandou o número de celular dele aqui e eu não, eu não vou tocar o número de celular dos outros, tá bom? Então, Felipe, muito obrigado pela moral.
Sensacional, Igor Coelho.
Obrigado pelo bate-papo aqui. A gente falou, porra, primeira vez que a gente conversa por tanto tempo assim de futebol.
É maravilhoso, cara. Eu sou comentarista de futebol muito antes de ser comentarista de política. As pessoas, cara, no Brasil também tem essa coisa que é muito louca, né, que eu acho que também tem uma questão de cognição. As pessoas não entendem que a partir do momento que você tem uma habilidade, por exemplo, habilidade de jornalista, e que o jornalista precisa desenvolver articulação verbal, é a capacidade de expressar a realidade, etc., e isso como é que é a palavra?
Isso autoriza, não é autoriza, isso credencia. Exatamente a palavra que eu tava procurando. Muito obrigado, você tá com vocabulário incrível, meu irmão. Aqui é repertório e repertório, né? Então isso credencia você a falar sobre assuntos que você conhece, que você estudou, que você, né? Então o jornalista, ele se forma em jornalismo, às vezes tem jornalista que conhece economia, tem jornalista que conhece polícia, jornalista se aprofunda no esporte, Não tem, tem várias áreas em que o jornalista pode atuar, desde que ele tem um conhecimento prático, teórico, a respeito daquelas áreas. E às vezes o que acontece, isso em todas as profissões, você tem isso, né?
Professor que é bom de dar aula, ele consegue ensinar qualquer coisa que ele domina, não necessariamente.
Exato, ele tem habilidade de ensinar. A partir do momento que ele dominar, que ele entender, ele vai conseguir ensinar, né? Então às vezes as pessoas confundem que o emprego que você tem é aquilo que é a sua fonte de renda, que é falar sobre determinado assunto, né, uma capacidade que você tem. E fica essa coisa que é o culto do especialista, cara. O culto do especialista, ele já é, já tem uma tradição bibliográfica de repúdio a isso, que no Brasil remete a Lima Barreto há mais de 100 anos.
O Lima Barreto já ironizava o culto do diploma, o culto do— porque não é eu ter me formado na faculdade de jornalista, é eu ser jornalista pelas habilidades que eu adquiri, por tudo que eu desenvolvi e tal, não sei o quê. Então Lima Barreto tem obras sobre isso, Os Burundangas, né? Enfim, já falei muito a respeito, já escrevi muito, já citei artigos, etc. Dostoiévski, cara, escritor russo, cara, tem uma carta dele à Mademoiselle não sei quem que tava querendo justamente fazer medicina, e ele falava, olha, antes de fazer medicina, vai para o país tal, não sei o quê, fazer um estudo de cultura geral e tal.
Porque o que tá acontecendo aqui é muita gente se especializando numa coisa muito específica, e aí a visão se afunila, entende? E a gente vê isso, a gente vê isso no mercado financeiro. Quando eu dou palestra, quando eu falo para o mercado financeiro, fala, olha, tem um problema no mercado financeiro que as pessoas acharem que tudo gira em torno da economia. É, pessoal acha que a economia ela, ela é movimentada pelos seus próprios elementos internos sempre.
Não, se você elege pessoas de mau caráter, se você elege uma pessoa sem ética, você elege um grupo político que tem uma flexibilidade moral imensa, que deixa todo mundo roubar e tal, não sei o quê, que que acontece? Pessoas vão roubar no poder, aí vai ter um mega escândalo de corrupção, aí vai vir à tona um negócio, aí vai ter a blindagem, vai ter não sei o quê, o Brasil vai ficar nesse e tal, completamente fora do controle do mercado financeiro.
Isso aí, aí a economia começa a ter uma série de consequências daquilo, que no fundo é a falta de ética, no fundo alguma falta de competência específica e tal. E aquilo não vem da ideia econômica. Minha ideia é desestatizar, tá? Se você vai desestatizar, você precisa pelo menos ter ética para não querer usar o cabidão de emprego que as estatais têm, não querer roubar nas estatais, que é muito fácil no Brasil, é você ter a fibra para enfrentar todo um centrão que dominou as estatais.
Você tem que ter essas características, senão é só discurso, cara, é só lábia. E por que eu tava falando isso? Tava falando do Dostoiévski orientando uma moça mais jovem a adquirir cultura geral antes de se especializar na medicina, porque senão você perde cognição, você acaba não enxergando todo. E na realidade, Igor, no mundo real, as coisas não estão segmentadas e compartimentadas como em disciplinas acadêmicas. Isso é uma coisa maluca, cara.
Não existe assim, ó, esse é o mercado financeiro, esse é o resto do mundo, cara. As coisas estão sobrepostas. Não existe assim o futebol como uma coisa específica. O futebol depende o quê? Da mentalidade, realidade do que as pessoas interpretam, né, de qual é o pensamento que a pessoa tem para produzir aquela ação específica, sabe, de todo um conjunto que tem a ver com a cultura do país, que tem a ver. Então assim, é preciso pensar em tudo, e quanto mais conhecimento você adquire, quanto mais ferramentas, etc., isso vai te habilitando, né, além de credenciar essa palavra, né.
A falar dos assuntos que você entende, que você viveu. Então é normal isso para muita gente. E às vezes, cara, são justamente pessoas de fora de determinada área específica que falam coisas que não tem aqueles vícios e jargões e termos técnicos que são usados pelo grupo que tá naquela área específica e que acabam prejudicando o desenvolvimento daquela área específica. Então eu falei de uma maneira muito abstrata, mas eu vou sintetizar, cara.
No mundo do comentário esportivo, repito, tem exceções, tem pessoas que têm sites que são realmente correspondentes com a realidade. Mas o que tem de ex-jogador também tem ex-jogador, que é preciso. Eu cresci ouvindo alguns, Inclusive.
Mas o que tem de jargão que não significa nada, eu ouço aquelas pessoas, aquelas entrevistas de final de jogo dos caras, os 3 pontos e vamos para o próximo jogo.
E parece reunião do mercado corporativo em que o sujeito quer mostrar que ele entende de jargão técnico, cara. Isso é das coisas mais sacais que eu enfrentei no mercado da comunicação. Exatamente, cara. No final do dia, né, aqui em São Paulo se fala muito, é traduzido em e tal.
Pois é, sabe o que que eu mais odeio? O endereçar. Eu vou endereçar esse problema.
Deixa de ser burro, cara. As verticais do veículo, não sei o quê, um monte, né? Ai, cara, perdi. Eu posso fazer esses parênteses? Não, eu não posso deixar de fazer a conclusão. Os cara do que estão, que são comentaristas esportivos e tal, cara, quantidade de termos que não significam nada. Cara, ou que pelo menos sozinhos, é claro que se você botar numa frase, então, por exemplo, volume de jogo, eu tenho certa alergia, cara. Volume de jogo, agora medem volume de jogo, tempo, volume de jogo, intensidade, muita intensidade na transição, muito volume de jogo, muito não sei o quê, cara.
Vamos buscar a precisão do que tá falando, porque às vezes o que acontece, comentarista ao vivo, o narrador passa a palavra para ele, ele precisa falar alguma coisa. E às vezes o cara não tem um insight naquele momento, então solta aqui o volume de jogo, solta, toma o volume de jogo, a intensidade e tal, não sei o quê. Cara, o que tem de gente enganando, sério, cara, é muita, muita gente. E fora as relações íntimas, né?
Falta os cara falar a verdade, né?
Às vezes falta falar a verdade inconveniente, às vezes tá com medo de desagradar, que é a mesma coisa que acontece na análise política. Então eu falei aqui e repito, eu não tenho nenhum compromisso em agradar o meu público, eu tenho compromisso de falar o que que tá acontecendo. Mas assim como acontece no colunismo político, no colunismo esportivo, nossa, tem um medo de fazer uma crítica específica ao Neymar. Agora tem, mas às vezes é pelo motivo errado.
Aí você tem militante de esquerda que é colunista esportivo, que todo mundo sabe que é militante de esquerda, que de opinião e tal, e tá criticando o Neymar porque tá associando com bolsonarismo. E não é, não percebe, só enfraquece a própria crítica, né? Exato, cara, é uma coisa horrorosa. É como se demonizava o Trump chamando de Hitler, pelo amor de Deus, né? Aí você, você escolhe, tem elementos para você fazer uma crítica legítima.
Então você tem que expressá-la de uma maneira corresponder à realidade. Você fala, é isso mesmo. Inclusive vídeo aqui que mostra, e tem a diferença. Olha como esse se comportou, olha como esse tá se comportando, cara. Tem coisas que são inegáveis. A pessoa pode se incomodar, ela pode se incomodar de você apontar aquilo, mas é inegável que houve aquele comportamento. Ela pode relativizar, mas é inegável que— porque você tá descrevendo o fato objetivo da maneira mais precisa.
E é isso que precisa ser buscado. E eu acho, para amarrar tudo que a gente falou hoje, hoje, quando eu falo de cognição e tal, tô falando disso. Quando a cultura ambiente, quando a expressão da realidade ela não vem, quando tá todo mundo repetindo jargão, você não tá corrigindo falhas, você não tá sabendo o caminho de aprimoramento. E isso repercute na derrota quando é um esporte. Está todo mundo naquele esporte não tratando da realidade, cara, o efeito— se tem uma coisa uma coisa verdadeira para se ter em mente é que o efeito acontece.
Você pode escamotear a causa, você pode fingir que não vai acontecer, mas o efeito vem. O efeito sempre vem, o efeito indesejado das suas ações. Então muita gente mascara, e às vezes você cria uma linguagem comum que não diz nada, entendeu? E você não consegue evoluir naquele esporte específico, naquela área, como a política, como a economia. Porque ninguém tá falando aquilo que precisa ser dito, cara. Então eu acho que um dos problemas do futebol brasileiro também é esse, também é esse.
O que se diz muito sobre futebol no Brasil são coisas atrasadas, são coisas pasteurizadas, sabe? E precisa vir um cara com mais cognição. Eu acho que o Ancelotti é um deles. Acho que ele comete erros, acho que ele não entendeu algumas coisas ainda, mas agora vai entender, entende? A derrota explica. Ele vai conseguir pescar algumas coisas que não tinha pescado antes, mas já acho acima da média. E acho que o Jorge Jesus contribuiu para o Flamengo e outros podem contribuir.
Precisa olhar futebol argentino, precisa olhar futebol europeu, mas precisa da linguagem, cara. E isso é ferramenta cultural. Você não adquire linguagem só vendo futebol, você adquire linguagem desenvolvendo o domínio do idioma com a literatura e tal. Então assim, quando as obras mais densas, elas vão ficando afastadas no tempo, ninguém mais lê. Quando um país entra numa decadência intelectual cultural, a expressão da realidade ela vai se deteriorando, e isso vai prejudicando o país em diversas áreas.
Tem muita gente que é intuitiva, existe, mas se você tem o ambiente cultural muito contaminado por essa leitura enviesada dos fatos, das relações de causa e efeito, até o talento intuitivo intuitivo, ele vai sendo contaminado. O jogador que podia intuitivamente encontrar o espaço certo, fazer o treinamento da maneira certa e tal, ele é, ele é engessado. Eu vi na minha carreira inteira isso acontecer no jornalismo, na área do mercado da comunicação.
São sempre pessoas querendo engessar você, engessar você, camisa de força. Pô, aí eu não vou descrever a realidade, né? Ah, não pode porque, né, essa autoridade é amiga do Ah, não pode falar isso porque senão a gente vai perder essa parcela da audiência. Ah, não pode escrever assim porque senão você vai parecer que você tá defendendo fulano, que é mal visto por não sei o quê e tal. Você não pode escrever a realidade, a gente só pode sofrer os efeitos, né?
É o país não ter saneamento básico, não ter serviço público de qualidade, perder a Copa do Mundo e tal, né? Então assim, lição geral de hoje: você ter fibra, precisa aturar as coisas que são inconvenientes. Só se cresce assim, com verdade inconveniente, com auto-humilhação, com fechando. Pronto, parei de falar. Obrigado, Igor, foi demais, cara. Valeu, vou guardar esse episódio com muito carinho no coração, vou mandar para os amigos.
Ó, então, gente, muito obrigado pela moral, obrigado por terem assistido a gente até aqui, tá bom? Felipe, como as pessoas te encontram no teu canal aí na internet?
As pessoas me encontram no meu canal do YouTube, youtube.com/felipemourabrasil. Lá eu faço um programa diário, análise dos Mas me sigam no Instagram, Felipe Moura Brasil. Quem quiser mandar mensagem lá pelo chat, mesmo sem eu tá seguindo, eu acabo dando um jeito de ver. Claro que às vezes acontece um episódio assim que traz muitos xingamentos dos adoradores de alguém, né? Aí fica aquele monte de mensagem xingando assim das pessoas que eu sigo.
Mas é claro que a imensa maioria sempre são pessoas muito legais que estão contribuindo, que gostam do trabalho, mas sempre aquela minoria barulhenta, né? E aí às vezes eu posso pular algum, mas eu tento ver tudo, eu tento responder, não consigo responder tudo, mas me sigam lá, Felipe Moura Brasil no Instagram, e no antigo Twitter, no X, é @fmourabrasil. Obrigado pela audiência, tamo junto.
Vai ficar aqui na descrição para você que tá no YouTube aí chegar lá com um clique só, tá bom? Segue a gente também, ó, já se inscreve aqui no canal e entra aqui no Discord que tá na seleção para você sugerir novos temas aí, novos convidados também, tá bom? É virar membro do canal, que custa merreca, meu irmão, custa R$8, não dá para se fazer nada com isso além de virar membro aqui do Flow, que a gente cria conteúdo exclusivo para vocês aí o tempo inteiro, tá bom?
Só um detalhe, a França não tem só Mbappé, tem Dembélé, tem Olise, tem— é complicado. Não, mas eu vou torcer para o Marrocos. Eu simpatizei com a tabelinha Abraim Dias e Saibari.
Eu gosto da ideia do Marrocos, mas por não ter, sei lá, eu essa Copa eu tô torcendo para Inglaterra, porque eu não quero que, eu não quero que a França seja triste.
Pois é, também não quero, eu não quero que as coisas aconteçam contra a França.
Isso, e contra a gente jogando, uma certa admiração, evidentemente, com certeza. Então obrigado aí pela moral e até mais. Um beijo para vocês, valeu, tchau!