NETANYAHU DESCUMPRE ACORDO DE PAZ
Flow News #052
- Julgamentos STFDaniel Vorcaro · Henrique Vorcaro · Felipe Vorcaro · Banco Master · André Mendonça · Gilmar Mendes · Cássio Nunes Marques · Delação premiada
- Viagem de Carlos TramontinaCanadá · Toronto · Quebec · Hóquei sobre gelo · Futebol · Segurança pública no Canadá
- PGR pede condenação de Eduardo BolsonaroEduardo Bolsonaro · Supremo Tribunal Federal (STF) · Alexandre de Moraes · Cristiano Zanin · Carmen Lúcia · Flávio Dino · Cássio Nunes Marques · Coação no curso do processo
Felipe Moura Brasil:Study and play come together on a Windows 11 PC. And for a limited time, college students get the best of both worlds. Get the Unreal College Deal. Everything you need to study and play with select Windows 11 PCs. Eligible students get a year of Microsoft 365 Premium and a year of Xbox Game Pass Ultimate with a custom color Xbox wireless controller. Learn more at windows.com/studentoffer. While supplies last. Ends June 30th. Terms at aka.ms/collegepc. Salve, salve! Agora sim, eu sou jornalista Felipe Moura Brasil. Sejam todos bem-vindos a mais um episódio do Flow News aqui no canal do YouTube do Flow Podcast. Aqui comigo na bancada, ele está de volta de uma viagem internacional, Carlos Tramontina. Salve, salve!
Carlos Tramontina:E aí, salve, salve! Tudo bem, gente? Que é 15 dias fora, né?
Felipe Moura Brasil:Todo mundo quer saber onde estava Carlos Tramontina.
Carlos Tramontina:Eu publiquei umas coisas aí, blogueirinha, sabe?
Felipe Moura Brasil:Blogueirou, fez blogueiragem.
Carlos Tramontina:É, tô aqui, tô ali, tô ali, só pra mostrar pra algumas pessoas. Quem sabe uma grande companhia de turismo me contrate pra ser um produtor de conteúdo turístico internacional. Que beleza!
Felipe Moura Brasil:Eu acho que é ótimo.
Carlos Tramontina:Gostei da ideia, Dica, hein?
Felipe Moura Brasil:Fica aí a dica para a Xuxa e Nadu.
Carlos Tramontina:Aí eu achei o máximo fazer uma viagem com a produção para fazer gravações. Eu fico vendo os caras que fazem isso, tem uns caras que fazem bem para Xuxu. Assisti a muitos antes de ir para o Canadá nessa viagem.
Felipe Moura Brasil:Você tira aquelas fotos dando saltinho assim na porta do museu e tal.
Carlos Tramontina:Não faço fotos sentado no chão.
Felipe Moura Brasil:Desde o álbum do Orkut.
Carlos Tramontina:Nem abraçando, nem beijando a minha mulher para dizer para ela no dia dos namorados "eu te amo", essa cascata toda, sabe? A cascata pública. Cata pública que não se repete dentro de casa, sabe?
Felipe Moura Brasil:Essa moleça acontece muito, muito. A gente conhece os caras, muita fachada aí.
Carlos Tramontina:Deixa eu te contar uma coisa, cara.
Felipe Moura Brasil:Eu conversei lá no Canadá, Canadá, Canadá, estive no Canadá perto da Copa do Mundo.
Carlos Tramontina:Eu estive em Toronto na semana anterior ao primeiro jogo em Toronto. Sim, é com a presença do Canadá, né? Com a participação do time do Canadá.
Felipe Moura Brasil:Exatamente, foi em Toronto, jogo do Canadá.
Carlos Tramontina:E aí eu, Toronto vai ter ao jogos. Depois, a outra cidade canadense com jogos é Vancouver, lá no outro lado, no extremo oeste, né? E eu conversei com Paulo Mancha. Paulo Mancha é jornalista brasileiro, mora em Toronto, e ele é comentarista, foi da ESPN, hoje está no Sport TV. Ele é comentarista da NFL, no campeonato americano, campeonato de futebol americano, né? E o Paulo, o Paulo é também um agente de turismo legalizado, é um guia de turismo legalizado especializado e especialista na região de Niagara. E teve um dia que eu tava andando em Toronto e na frente de um hotel tinha um tremendo de um carro preto, né? Aí eu me aproximei e olhei aquele carro e tal. Aí chegou o bell door, o cara que atende os clientes que chegam, os hóspedes que chegam ali, né? E comecei a conversar com o cara. Eu falei: cara, eu tô vendo que aqui em Toronto não tem placa sobre Copa do Mundo, tem um outro anúncio. Eu vi uma praça com um material preparado pela A FIFA, uns mini-campos de futebol montados ali na praça, com jovenzinhos correndo atrás da bola. Ele falou assim: "Parece que você não gosta de futebol." Eu falei: "Futebol? Nosso negócio é o hóquei, cara. Que futebol? Futebol que nada." E aí, eu conversando com o Paulo, eu descobri o seguinte: em termos de audiência nas transmissões, o hóquei sobre gelo é disparado o assunto ou esporte que chama atenção do canadense. Depois vem o futebol americano, depois vem o beisebol, depois vem o futebol americano, depois vem o basquete. E o futebol, o soccer, esse futebol que nós jogamos aqui, ele é o 5º ou 6º na audiência, mas perde muito longe dos primeiros. Mas um paradoxo: ele é o esporte mais praticado do país. Olha, porque ele é o mais simples, mais fácil. Você joga uma bola de qualquer jeito, de papel, não precisa nem do gol, não precisa de baliza, bota dois chinelos, tá bom. Então tem essa contradição. Agora, mesmo assim, no Canadá eles estavam muito reticentes em relação à venda de ingressos, porque custa lá algo em torno de 2 mil dólares canadenses o ingresso, que dá 8 mil reais. E mesmo canadense com poder aquisitivo bem maior que o brasileiro não gosta dessa brincadeira de gastar tanto dinheiro para ver um jogo de futebol do Canadá e com os times... O primeiro jogo foi Canadá contra Bósnia.
Felipe Moura Brasil:1x1 Canadá e Bósnia e o outro jogo do grupo foi Suíça e Catar, 1x1 também. Esse grupo, que é o grupo B, ele está inteiramente empatado. Todo mundo com 1 ponto, 1 gol feito, 1 gol sofrido. Vamos ver as próximas partidas. O Canadá vai enfrentar Catar e Suíça.
Carlos Tramontina:Então eu fiquei lá e então tem mais uma outra coisa, né? Celular lá, todo mundo usa celular, carrega celular de qualquer jeito, enfia no bolso aqui, tudo para fora, anda, atravessa a rua com celular.
Felipe Moura Brasil:Tem segurança pública? Estranhíssimo isso para gente.
Carlos Tramontina:Não existe insegurança. Quando você fala aqui no Brasil se rouba celular, o cara fala assim: roubar celular? Roubar para quê? Como roubar celular? Não passa pela cabeça dos caras, né? Nenhuma das coisas mais fabulosas. Estranho esse mundo. Eu tava em Quebec, Quebec.
Felipe Moura Brasil:As pessoas usam celular na rua, que coisa esquisita.
Carlos Tramontina:Dentro do carro atravessam a rua falando ao celular, carregam no bolso de trás e ninguém tem medo de perder o celular. E a última coisa, bolso de trás realmente é uma coisa de outro mundo. Eu tava em Quebec essa semana e aí teve o jogo do Brasil, eu fui a um bar perto do hotel onde eu estava hospedado e tinha uma montanha, os brasileiros se reuniram lá Combinaram, nós tínhamos jogo. E aí, rapaz, tava um sol, uma coisa surpreendente, né? Tava um sol de 25 graus, todo mundo de camiseta, bermuda, short, chinelo. Não dava nem para comprar cerveja porque a fila era gigantesca. Começa o jogo, o tempo virou, entrou um vento frio, de repente tava 14 graus no meio do primeiro tempo e todo mundo tremendo, tremendo. E aquele jogo horroroso da seleção brasileira, aí 1 a 0 para o Marrocos. Foi uma experiência. Eu também vazei, ó, fui pro meu hotel no intervalo do jogo, fui pro hotel, não dá pra ficar. Fugiu. Então eu fugi, então eu caí fora, caí fora e deixa pra lá, vai. Aí me falaram assim: você quer andar aqui em Quebec, a 1 da manhã você pode sair do hotel e passear pra onde você quiser, não te vai acontecer nada. Eu falei: como assim? Pode ir pra rua a qualquer hora.
Felipe Moura Brasil:1 da manhã pode sair à rua?
Carlos Tramontina:Pois é, aí você fica olhando e fala assim: não, mas aí a gente pergunta: mas como é isso? Como assim que eu vou pra rua e nada me acontece? É, ponto. Lá, ponto.
Felipe Moura Brasil:Que país esquisito, Tramontina. Melhor você voltar para cá.
Carlos Tramontina:Muito estranho, muito estranho, muito estranho.
Felipe Moura Brasil:Muito bem, depois de toda essa resenha de viagem de Carlos Tramontina, a gente fala aqui o que vai acontecer nesse programa.
Carlos Tramontina:Deixa eu te interromper de novo.
Felipe Moura Brasil:Fica à vontade, pode me interromper sempre.
Carlos Tramontina:Enquanto eu estive fora, Alexandre de Moraes explicou o contrato do escritório Basti de Moraes.
Felipe Moura Brasil:Não!
Carlos Tramontina:E outra coisa, Flávio Bolsonaro explicou como foram gastos os 60 milhões que ele recebeu, divulgaram, para financiar o filme?
Felipe Moura Brasil:Não! Mais alguma pergunta?
Carlos Tramontina:Não, eu só queria checar isso porque ficou pendurado.
Felipe Moura Brasil:Ainda se rouba celular no Brasil? Sim! Ninguém anda com o celular no bolso de trás?
Carlos Tramontina:Nada a ver.
Felipe Moura Brasil:Muito bem, olha, Eduardo Bolsonaro foi condenado pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal agora à tarde, agora há pouco. E houve outro julgamento também sobre a manutenção das prisões preventivas do pai e do primo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o Henrique Vorcaro e o Felipe Vorcaro. E teve tretas entre Gilmar Mendes e André Mendonça. A gente vai mostrar alguns trechinhos para vocês que já estão repercutindo nas redes sociais. Teve a reação do Eduardo também. Então teve um julgamento na primeira turma, que foi o Eduardo Bolsonaro, outro na segunda turma, que foi o da família Vorcaro. Tem também a situação internacional aí de guerra entre Estados Unidos e Irã, o rascunho do memorando de entendimento entre os dois países, a situação do primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu em meio a esses acertos. Tem também a questão do que eu aprendi com Carlos Tramontina, o rope jump, mas uma tragédia, algo terrível que aconteceu e deu uma baita repercussão aí nas redes sociais, e o Tramontina vai comentar alguns aspectos desse incidente e outros casos. Que que você quer falar mais hoje, Tramontina?
Carlos Tramontina:Tá bom, cardápio tá bom.
Felipe Moura Brasil:Tem muito assunto interessante, rico, triste, tragicômico, tem de tudo na pauta do Flow News de hoje. Então vamos começar pelas tretas entre o André Mendonça e o Gilmar Mendes, que eu tô com vontade de mostrar os vídeos que eles estão repercutindo agora nas redes sociais. Daqui a pouco a gente fala do caso do Eduardo. Mas eu separei 3 trechinhos do voto, na verdade, na verdade, da defesa que o André Mendonça fez do voto dele, que ele é o relator e tinha ordenado a prisão do Henrique Vorcar e do Felipe Vorcar, pai e primo respectivamente do Daniel Vorcar. E aí o Gilmar Mendes, que é o decano da corte, ele tinha pedido vista. Então, só para explicar para quem não acompanhou, André Mendonça votou pela manutenção da prisão preventiva, Luiz Fux acompanhou esse voto, formando 2 a 0 pela manutenção questão das prisões. Gilmar Mendes pediu mais tempo para analisar o processo, que no jargão do Poder Judiciário é pedir vista. Aí devolveu o processo e pautou o julgamento. Portanto, ele foi realizado hoje. E aí o Gilmar começou a associar as decisões que o próprio Mendonça tá tomando com a Lava Jato, na verdade com a imagem que o Gilmar Mendes projeta sobre a Lava Jato. E tentou desmerecer tudo, chamando de messianismo persecutório, usando todos aqueles jargões que ele utilizava para desmoralizar a Força-Tarefa Anticorrupção. Só que tem o André Mendonça ali, o autor das decisões, para bater boca com Gilmar Mendes. Então vamos ver a primeira contestação que o André Mendonça fez em relação às alegações do Gilmar. Sobre prender para arrancar delação premiada. Pode soltar.
Carlos Tramontina:E minha única pretensão aqui é aplicar a lei. Vossa Excelência tem razão, não se prende para delação. Seria abjeto fazer isso, e eu não me presto a trabalhos abjetos. Se prende se está praticando crime, se está obstruindo a justiça, se está tentando ocultar provas, se há uma continuidade delitiva. Para isso se prende.
Felipe Moura Brasil:Para isso se prende. Então, André Mendonça dizendo: olha, eu prendi de acordo com a lei, né? Você tem o crime ou você tem a investigação avançando e motivos ali é que são os pré-requisitos da prisão preventiva para prender essas pessoas. Então você tem ligação ali dos familiares do Vorcaro com um grupo que tava intimidando pessoas que pudessem revelar informações comprometedoras a respeito do dono do Master. Esses familiares também tinham vínculo com as operações financeiras fraudulentas aí do Daniel Vorcaro, de acordo com o relatório da Polícia Federal. E o Mendonça viu ali os motivos que estão apontados na sua decisão, com todos os argumentos. O Gilmar veio tentar melar tudo aquilo, ele defendeu o relaxamento da prisão, ou seja, é que fosse convertida preventiva em prisão domiciliar, e tomou essa resposta do Mendonça dizendo: eu também concordo que prender para arrancar a delação e tal, mas não é o caso aqui. Eu prendi com esses argumentos que são previstos em lei. E aí depois eu vou mostrar os 3 vídeos, são bem curtinhos, aí depois a gente comenta aqui. Só contextualizando, o André Mendonça relatou algo que já tinha sido noticiado na imprensa pelos jornalistas aí de bastidor do Poder Judiciário, que agora tá confirmado de viva voz pelo Mendonça, de que veio um advogado fazer uma proposta ali para ele de uma delação seletiva. E é justamente aquilo que a gente critica. A gente quer, você não quer, Tramontina, que o Daniel Borcário entregue tudo que sabe a respeito de todos os seus comparsas. Mas delação seletiva? E olha a cara de pau, sujeito aí propor para um ministro da mais alta corte do país uma delação seletiva. E olha só o que que o Mendonça relatou sobre esse episódio. Pode soltar.
Carlos Tramontina:Chegou uma proposta por um advogado, perderam o pudor, ministro Gilmar. Queremos fazer uma delação seletiva. Falaram na minha cara isso. Eu disse: não faço questão de delação, agora delação seletiva comigo não.
Felipe Moura Brasil:Delação seletiva comigo não. Aí o André Mendonça afetando essa firmeza. Vamos ver se ele vai ter ao longo de todo esse processo. E aí o último vídeo curtinho também. É o André Mendonça dizendo, e isso é, isso é de certa forma novo, pelo menos desde os tempos em que o Barroso enfrentava o Gilmar. Depois acabaram dando abraço e tal, etc. Quando Barroso assumiu a presidência da corte, eu até criticava o excesso de corporativismo, toda essa aliança contra o bolsonarismo. Bom, uma coisa você julgar de acordo com aquilo que é previsão legal, outra coisa é aquele corporativismo desses ministros do STF. Mas teve um momento E o Barroso criticava as articulações políticas de Gilmar Mendes. E agora o Mendonça, sem citar o nome do Gilmar, falou que ele tá vendo o pessoal do sistema operando, querendo aliviar a barra desse pessoal, e ele tá assistindo aos movimentos. Olha só esse trecho, pode soltar.
Carlos Tramontina:A defesa até apresentou a primeira proposta de delação Eu não quis acessar, ministro Gilmar, entendeu? Até porque há uma perspectiva, parece que certos setores atuam para criar um vício. Tudo o que querem é criar um vício. Há um sistema articulado para isso. Eu não sou cego, eu estou acompanhando, estou assistindo os movimentos.
Felipe Moura Brasil:Eu não sou cego, eu tô acompanhando, tô assistindo aos movimentos. Tem todo um sistema que atua para criar, vis, para criar, vamos dizer assim, para plantar a nulidade processual. E eu, nas minhas análises ao longo dos últimos meses, Tramontina, tava apontando que Gilmar Mendes é uma dessas pessoas que atuam ali para trazer uma alegação que possa ser utilizada lá na frente, em caso de necessidade, para anular tudo. Para varrer a sujeira para debaixo do tapete, para fazer o que já aconteceu com numerosos escândalos aqui no Brasil. Então tem esse elemento. Por que que eu quis fazer essa pauta, Tramontina, antes da condenação do Eduardo? Porque você chegou perguntando: vem cá, o Alexandre de Moraes já explicou o contrato da esposa dele. E aí você vê o Mendonça relatando que tem gente propondo a fazer uma delação seletiva aqui e tal, as coisas estranhas.
Carlos Tramontina:Tá falando umas coisas estranhas para mim. Será que é delação seletiva?
Felipe Moura Brasil:Não é aquela que deixa de entregar elementos comprometedores sobre autoridades tão poderosas quanto, talvez, quem sabe, supostamente, sempre data venia, Alexandre de Moraes? Quer dizer, essa é, é isso que acontece nas sombras da República Tramontina. É muito grave, na minha avaliação, o Estado em termos de ética, de moralidade desse país. É como disse o Mendonça, se perdeu completamente o pudor, se é que um dia essas pessoas tiveram.
Carlos Tramontina:Eu acho, de certa forma, que é até surpreendente essa posição do Mendonça, né? Porque quando o Mendonça foi indicado, por ser, nas palavras do então indicador Jair Messias, o padrinho, que ele era, como é que é, terrivelmente evangélico, dando a entender ou sugerindo que, como eu também sou evangélico e tantos amigos nossos são evangélicos, ele estará junto conosco.
Felipe Moura Brasil:Eu também, você diz o Mendonça?
Carlos Tramontina:O Mendonça, ele falando do Mendonça, como ele, Mendonça, evangélico, terrivelmente, e nós lutamos tanto tempo para ter um evangélico, ele estará entre nós, e eu fico imaginando, né, a história de novo se repete, né, aquela história da proximidade e das ligações entre quem indica e quem é indicado. Enfim, o terrivelmente evangélico tem surpreendido Positivamente em alguns momentos, né, porque ele rejeitou, rejeitou pseudo delações negociadas pelo Volcar, onde Volcar não acrescentava nada às investigações e aquilo que os celulares, os 8 celulares do Volcar já revelaram. E ele tem enfrentado, este não é o primeiro embate que ele tem com Gilmar Mendes, ele tem enfrentado Gilmar Mendes, tem tido de vez em quando surge alguma coisa de bate-boca nos bastidores do cafezinho antes deles entrarem lá, né?
Felipe Moura Brasil:Parece que o clima tá ruim, parece que tem dois grupinhos, né?
Carlos Tramontina:Exatamente. Então foi uma, foi surpreendente a clareza com que ele fez essas afirmações. Aquilo que se pode ler ou intuir pelas declarações, imaginando o conteúdo dessas declarações, de uma forma muito educada e sem citar o decano da corte, né, que gosta de ser chamado de decano da corte.
Felipe Moura Brasil:É o mais antigo, desde a saída do Celso de Mello, quando Celso de aposentou, foi durante anos o decano da corte. Só para contextualizar, depois do voto do Gilmar pelo relaxamento, portanto, para que Henrique e Felipe Borcaro fossem para prisão domiciliar, veio essa contestação aí do André Mendonça, mas veio também o voto do Cássio Nunes Marques, que tá bastante sob pressão. Não sei o quanto que vai aguentar mais hoje diante de tantos elementos comprometedores sobre a família Borcaro, ainda que de modo não tão convincente independente quanto André Mendonça acabou votando para acompanhar o relator, que é o André Mendonça. Formou 3 a 1 na turma pela manutenção das prisões preventivas. Gilmar foi voto vencido, perdeu a discussão e tava sem nessa turma com essa formação. E com Dias Toffoli se declarando impedido, desde que veio à tona todas as suas relações com o grupo do Vorkar pelo resort Tayayá, tá sem o amparo de Flávio Dino, de Alexandre de Moraes, que muitas vezes ficam ali sustentando, endossando, apoiando todas as suas alegações, porque fazem parte dessa outra patota. Então hoje o Gilmar perdeu e ainda tomou esses reacts aí, essas reações do André Mendonça. E qual é a perspectiva do Daniel Vorkar? Me parece que a intenção dele era enrolar sobre a proposta de delação premiada, como ele fez, para ver se voltando esse julgamento a andar, com a volta da vista do Gilmar Mendes, os familiares dele pudessem ser aliviados. E aí a defesa dele entrasse com agravo, fosse julgado o caso dele, porque ainda tem um recurso, parece, pendente, e ele pudesse ir para prisão domiciliar. E aí se livraria da necessidade de fazer uma colaboração premiada, porque muitos recorrem à delação para conseguir algum tipo de benefício. Então, na prisão domiciliar, talvez não precisasse tanto de benefício, ficasse lá à espera do sistema terminar de aliviá-lo. Aí já seria um alívio, vamos dizer assim, inicial, ou à espera de uma mudança de governo, de alguém que possa aliviar. Ser suspeita de alguém, Tramontina, vai ser difícil. Tem que pensar muito, mensagem, áudio, que visitou o avô, tem que pensar muito para descobrir isso, que pediu dinheiro para um filme, você acha que de repente, talvez, com essa figura no poder— nem precisa dizer assim se essa figura vai ou não ajudar, mas se você fosse o Vôr-Caro, você tivesse botado lá R$61 milhões no filme da família, você não ia ter uma esperança de que essa família—
Carlos Tramontina:claro, apesar de que, sabe, eu sou o Vôr-Caro, eu em hipótese alguma coloquei R$60 milhões para cobrar de alguém depois uma ajuda. Não, não faço isso. Foi apenas uma contribuição com a cultura brasileira, a minha, né, seriam 134 milhões, foram apenas 60, 61, né.
Felipe Moura Brasil:Agora, diante dessa, ele foi preso porque o Banco Master foi liquidado e tal, senão talvez chegasse aos 134, como no caso do Gilberto Costa.
Carlos Tramontina:Com essa decisão de hoje da manutenção das duas prisões e com a rejeição da segunda tentativa do work de, nessa negociação de uma delação premiada, cresce a possibilidade dele ser mandado para Papuda.
Felipe Moura Brasil:Exatamente.
Carlos Tramontina:Não mais porque ele foi levado para um superintendência, melhor ainda que preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A expectativa de que aqui, mais próximo da Polícia Federal, Pensando melhor, terá melhores condições para fazer uma delação que realmente tenha peso e que o livre e que o permita ir para casa mais cedo, ter uma pena menor, acertar a devolução de uma parte do dinheiro. Agora, se nada disso se confirma, e depois destas manifestações duras do André Mendonça, e com a outra decisão de manutenção da prisão do pai e do primo, do cunhado.
Felipe Moura Brasil:Essa mesma decisão, esse mesmo julgamento, manutenção da prisão preventiva do pai e do primo. Isso, Henrique Felipe Borcard.
Carlos Tramontina:Eu acho que a princípio fica, crescem as possibilidades. Ele fala assim, bom, agora amigão, fechou a porta, você já teve tua chance, né? Mesmo porque se ele tentar uma terceira delação e ela também não for aceita, não será mais aceita nenhuma tentativa de delação. Não haveria uma quarta. Ou seja, nós não vamos ficar brincando aqui, né? Então a possibilidade dele ir para Papuda numa outra condição fica muito maior a partir de agora.
Felipe Moura Brasil:Exato. Ele tava na superintendência da PF porque parece que isso facilita o encontro com os advogados para elaborar ali a proposta de colaboração premiada. Não havendo essa necessidade, ele vai para presídio, para uma ala do sistema penitenciário, ainda pior para ele, né? Essa que é a realidade. E a gente torce como cidadão brasileiro para que toda a sujeira venha à tona, seja pelo avanço da investigação policial, ou seja, da Polícia Federal, seja com a contribuição de algum membro desse grupo por meio da colaboração premiada. O que não dá é para aceitar o sujeito bilionário que quer entregar só uma parte do dinheiro para sair de tudo. Beneficiado e ainda muito rico, ainda bilionário. Então a polícia achava que ele tinha 60 bilhões para entregar, ele tava querendo entregar 40 bilhões. Vamos ficar com uma margem de 20 bilhões, coisa pouca assim, só um trocadinho e tal. Depois, não querer entregar todo mundo que ele patrocinou, que com evidentemente expectativas de algum tipo de contrapartida. Ele tava usando a proposta de colaboração premiada praticamente como um caminho de defesa, fazendo alegações ali de que não teve nada demais, não teve contrapartida nenhuma, não, tá, eu até queria, uma boa vontade, mas não quer dizer que teve, né. Então assim, se não tem nada para entregar, volta lá para prisão e um abraço, cara, deixa aqui que a investigação policial vai aumentar. Mas só para contextualizar o último elemento dessa treta, Quando Gilmar decidiu pautar esse julgamento, quer dizer, que ele devolveu o processo e o julgamento ficou para hoje, o André Mendonça foi lá e deu um despacho retirando o sigilo dos relatórios da Polícia Federal. E aí veio à tona um monte de elemento comprometedor, não só sobre esses familiares, mas sobre Ciro Nogueira, senador aliado do Flávio Bolsonaro, que o Flávio tinha como potencial vice na chapa da família, fosse qual fosse. Que é um senador do PP do Piauí, conterrâneo do Cássio Nunes Marques. Aliás, um dos motivos pelos quais o Nunes Marques estava sob pressão, porque o Ciro Nogueira foi quem apadrinhou, vamos dizer assim, a indicação, não tendo sido o padrinho que indicou, que foi o então presidente Jair Bolsonaro. Mas o Ciro Nogueira há anos, havia anos, né, que ele já indicava o Cássio Nunes Marques, que ele chamava de nosso Cássio, conterrâneo dele no Piauí, para um tribunal superior. Acabou ganhando esse bilhete premiado de emplacar no STF. Então, Ciro Nogueira tá comprometido no escândalo master E o Cássio Nunes Marques tá lá pressionado, porque todo mundo sabe que ele foi apadrinhado pelo Ciro Nogueira. Se ele votar para aliviar e tá, tá votando para aliviar porque tá ajudando. Então tem que ficar de olho para que as autoridades sejam constrangidas, no bom sentido democrático, pacífico, a fazer o certo. Mas eu ia dizendo, o relatório revelou vários repasses para o Ciro Nogueira. Então assim, vocês entrarem aí nas homes dos principais jornais, tem um monte de notícias sobre o Ciro Nogueira, porque tem repasse mensal, tem sem o nome das empresas. 10 milhões de movimentação é de uma empresa que declarou menos de 1 milhão de movimentação. O Ciro Nogueira já foi blindado 5 vezes pelo Supremo Tribunal Federal em relação com empreiteiras, relação com JIF, relação com testemunha, escândalo da Lava Jato, outros escândalos e tal. Agora, olha, chega, né? Tá na hora de o Ciro Nogueira cair. E até o Vorkar nessas propostas já tava pelo menos incrementando a parte do Ciro, dizendo que não, não foi pagamento por amizade, que foi propina, pelo menos de acordo com o que foi vazado. Foi o máximo que ele chegou, mas isso todo mundo já tinha descoberto.
Carlos Tramontina:Ele pagou hotéis caríssimos, o Vorkar pagou para o Ciro Nogueira hotéis caríssimos, milhões e milhões de dólares, pagou viagens caríssimas, viagens em jatinhos, pagou estada em estação de esqui nas estações mais caras do mundo.
Felipe Moura Brasil:Dinheiro vivo, R$350 mil.
Carlos Tramontina:Emprestou mansão para ele morar, né? Ele já poderia pedir união estável.
Felipe Moura Brasil:É isso aí, cara.
Carlos Tramontina:O outro pagava tudo para ele pela amizade.
Felipe Moura Brasil:Muita amizade, né?
Carlos Tramontina:Só amizade. Aliás, sempre que nós estamos falando aqui em relação a essas pessoas, sempre esses acontecimentos envolvem amizade ou prestação de serviços de consultoria, que é a palavra mágica.
Felipe Moura Brasil:É a palavra mágica, serve para tudo.
Carlos Tramontina:Serve para tudo. Você contrata uma consultoria, paga milhões de reais para essa consultoria fazer um determinado trabalho, e coincidentemente essa consultoria está ligada a um político, alguma autoridade.
Felipe Moura Brasil:Cadê os nossos milhões aqui do Flow, Tramontina?
Carlos Tramontina:Cadê?
Felipe Moura Brasil:Nós estamos cobrando, é por isso que o Igor sumiu, porque nós estamos cobrando o Igor, e aí ele deu A manchete agora nos principais jornais é: Vôrcaro pagou ao menos R$6 milhões, R$6 milhões em mesada para Ciro Nogueira, de acordo com a Polícia Federal. Investigadores apontam indícios de lavagem de dinheiro em operações de empresa de parlamentar. Também tem outro caso interessante, que é a irmã do sicário. Vocês lembram do sicário, que era aquele espécie de jagunço do Daniel Vôrcaro, que se enforcou com a camisa, né? A gente falou muito disso a respeito aqui. Tramontina fez até Uns experimentos com a própria camisa, pelo amor de Deus, cuidado. E a irmã dele ameaçou acabar com a família do Vorkar. Tem uma mensagem assim, ela tem informações para acabar com a família inteira, em recados ao pai do ex-banqueiro, que é o Henrique Vorkar, um dos alvos aí desse julgamento que a gente mostrou, André Mendonça participando, etc. Então o pai do Vorkar também tava comprando silêncio da irmã do sicário, que sabia dos podres, das intimidações, e ameaçava trazer aquilo a público. E o Gilmar tá querendo que ele vá para casa. Não, é tudo um messianismo persecutório dessas pessoas.
Carlos Tramontina:E essa irmã do sicário ameaçou, disse o seguinte: enquanto eles continuam vivendo no bem bom, seguindo, tocando a vida como milionários que são, nós estamos passando dificuldades e temos muita coisa para pagar. Eu, minha mãe, estamos sofrendo, estamos uma situação muito, muito difícil. E se nós contarmos o que sabemos, nós destruiremos a família Volcaro inteira, né? Esse foi, essas foram mensagens trocadas e foram divulgadas agora. Então aí teria havido alguma reunião de alguém do grupo do Volcaro, e aí tá tentando segurar essa onda para que não vaze nenhum novo tipo de informação vinda aí de familiares do sicário, que era a pessoa que fazia o serviço sujo, né, que foi pega por meio de mensagens trocadas entre eles, entre o Boccario e o sicário. Como é que era o nome do sicário? Que eu não lembro agora.
Felipe Moura Brasil:É Luiz Felipe.
Carlos Tramontina:E que tem mais isso pendurado, né, a família, a outra família que sabe de tudo, ou que diz que sabe de tudo e que poderia vir a público contar coisas da família Vaccaro.
Felipe Moura Brasil:É Luiz Felipe Mourão, é isso mesmo, Luiz Felipe Mourão, esse Felipe com PH, I, LL, I, no final, não é igual o meu Felipe, não, não venha sujar o nome, mas o Felipe Vaccaro, primo do Daniel, suja o meu nome. Muito bem, vamos falar da condenação de Eduardo Bolsonaro? Condenação de Eduardo Bolsonaro, teve mais essa hoje. Votação feita na primeira turma do Supremo Tribunal Federal. Esse julgamento que a gente acabou de ver foi na segunda turma, e o do Eduardo Bolsonaro na primeira turma do STF, com o relator Ministro Alexandre de Moraes, que teve o seu voto pela condenação acompanhado pelos ministros, na ordem porque eu assisti ao julgamento, Cristiano Zanin, Carmen Lúcia e Flávio Dino. Formou-se o placar por unanimidade, 4 a 0, pela condenação do Eduardo Bolsonaro. Interromperam o julgamento, depois voltaram para discutir a dosimetria, e ele foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão, fora uma multa aí de algumas centenas de milhares de reais. Ele já reagiu na rede social. Produção, tem aí a imagem que eu mandei no nosso grupo, se puder? Aí, ó, o Eduardo botou uma foto com esparadrapo na boca: 'Querem me calar', como se estivesse sendo amordaçado aí. E vamos botar o print aí da primeira parte da notinha que ele publicou. Nota à imprensa: tomo conhecimento mais uma vez pela imprensa de que supostamente o STF teria formado maioria para me condenar. Não é supostamente não, e não é só maioria. E a maioria foi quando deu o terceiro voto, a ministra Carmen Lúcia, mas chegou Flávio Dino, deu o quarto. Então toda turma já votou, já que o Luiz Fux era dessa turma, saiu, e ficaram 4 em vez de Então o STF formou maioria para condenar por algum crime que desconheço, diz o Eduardo. Reitero, até hoje não fui citado na forma da lei. Sigo aguardando notificação regular por carta rogatória em local certo e sabido. Esse mesmo instrumento foi expedido a outro acusado no processo, mas a mim nunca foi cumprido. Se o meio existe, a própria corte o reconhece, por que não a mim? Fecha aspas. Só um detalhe, deixa na tela, Osmarson. Os ministros rebateram essa alegação, tá? Pode fazer, concordar, só tô registrando aqui, depois eu vou explicar o que que eles alegaram. Continua Eduardo: e certo e sabido não é força de expressão, resíduo nos Estados Unidos, endereço que a imprensa brasileira fez questão de localizar, filmar e estampar, mandando repórteres até minha porta. Para mandar jornalistas sabem onde estou, para cumprir o devido processo legal alegam não saber. Fecho aspas. Só um parêntese, essa declaração de Eduardo nem faz muito sentido, né? É uma coisa é o Judiciário, outra coisa é a imprensa. O Judiciário no momento, não é para defender ou atacar, que é só uma questão de fato. O Poder Judiciário pode em determinado momento não conseguir localizar o Eduardo Bolsonaro, e um repórter investigativo nos Estados Unidos contratado por um veículo de comunicação pode fazer uma investigação e conseguir localizá-lo, certo? Não são, não é a mesma coisa o repórter e o colegiado do Poder Judiciário. Bom, aspas: tomo ciência dos fatos pelos jornais, e conhecer a acusação por reportagem não substitui a citação prevista em lei e nos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário. Moraes pode não gostar, mas não pode escolher quando segui-los. Mais uma vez, é vítima e juiz do mesmo caso. E é por isso que o Brasil passa vergonha internacional de forma recorrente, como até mesmo a mídia tradicional hoje já aponta com frequência. Qualquer sentença sem respeito ao devido processo legal é nula, e depois de tantas derrotas internacionais, até Moraes sabe disso. Por isso, o real objetivo deste julgamento sem pé nem cabeça é apenas um: tirar meu nome das eleições. Tenho confiança na restauração da democracia brasileira com a vitória de Flávio Bolsonaro. Aí não, que permitirá que as centenas de exilados possam enfim retornar à sua pátria. Eduardo Bolsonaro, deputado federal em exílio.
Carlos Tramontina:Olha só, a retórica, a democracia depende de Flávio Bolsonaro. Aí não entendi. Enfim, pois é, só fazer um parênteses. Quando ele lembrou que jornalistas descobriram onde ele mora, ele se esqueceu de dizer que um jornalista bateu a porta da casa dele com uma câmera ligada A mulher dele atendeu, o jornalista fez perguntas, ela bateu a porta e ele imediatamente, o Eduardo Bolsonaro, chamou a polícia e falou que jornalistas estavam violando a privacidade dele. Ou seja, tudo está torcido, né? Torcido, distorcido, e mais uma vez tentando criar uma situação que não era existente. Jornalista tem o direito de bater a porta de qualquer cidadão, desde que seja de maneira educada. 'Senhor Felipe, o senhor mora aqui? Estão falando aí na vizinhança que o senhor tá deixando a mangueira aqui de molhar as plantas aberta e tá gastando água.' Isso é permitido no Brasil e nos Estados Unidos. Então eles esqueceram de dizer essa parte. Jornalistas descobriram onde eu vinha e eu tomei uma atitude que não foi nem um pouco democrática e foi mentirosa, porque eu disse às autoridades que estavam tentando invadir minha casa e destruir minha privacidade. E isso chegou até às altas esferas do governo americano.
Felipe Moura Brasil:E depois o jornalista perguntar para polícia e não tinha nenhum caso ali contra o jornalista por qualquer tipo de violação cometida, porque depois se divulgou a imagem do questionamento. Simplesmente bateu a porta, a esposa atendeu, disse que não ia falar, foi embora. Sim, o que é absolutamente permitido, não viola qualquer legislação. Outro ponto aqui é que o Eduardo fala que mais uma vez o Moraes é vítima e julgador do processo e tal. E o Moraes rebateu esse argumento dizendo o seguinte: a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República, que tava representada pelo vice-procurador nesse julgamento, foi de coação no curso do processo. Já vou falar mais a respeito desse dispositivo legal. Não foi por ameaça a um indivíduo específico. Então, no caso de coação no curso do processo, e todos os ministros falaram a respeito disso, a vítima uma, não é um julgador específico, é a administração da justiça. Então ele tá tentando coagir a justiça do país, aqueles que são responsáveis por ela, mas não é o crime específico contra o indivíduo específico, é uma previsão legal de graves ameaças contra a administração da justiça. E você tem uma farta jurisprudência no Supremo Tribunal Federal a respeito desse entendimento. E o Moraes explicou isso para justamente separar, mostrando que ele não é vítima no caso de uma denúncia de coação no curso do processo.
Carlos Tramontina:Agora, Felipe, e no caso das afirmações do Eduardo Bolsonaro de que ele teria, ele tinha, na visão dele, ele deveria ter sido citado pessoalmente, porque todo mundo conhece o endereço dele, sabe onde ele mora, onde ele vive.
Felipe Moura Brasil:É, um repórter acabou descobrindo isso, mas não é uma informação que todo mundo tinha e nem que todo mundo tenha. Algumas pessoas nesse momento podem já ter, mas mesmo assim não é uma informação que o próprio Eduardo tornou pública. Quer dizer, toda essa nota, em primeiro lugar, antes de responder a sua pergunta, é assim: o Eduardo Bolsonaro brincando de pique-pega com o Supremo Tribunal Federal. Quer dizer, ele ele não publica qual é o seu endereço, não informa a justiça, ciente evidentemente de que tava sendo investigado, de que havia depois uma denúncia, de que depois houve a aceitação da denúncia, abertura da ação, é o procedimento é do julgamento, etc. Ele não quis revelar o seu endereço e tá dizendo o STF não descobriu, portanto não fui notificado, e aí não vale. Quer dizer, ele vai, ele vai E o Moraes citou na hora da argumentação, olha, nem começamos a fazer juízo, tá? É só os fatos. É que o próprio Eduardo Bolsonaro, numa das suas manifestações nas redes sociais, em vídeo, etc., usou até a palavra evadir, que ele próprio estava se evadindo, quer dizer, mostrando que ele tava confessando essa tentativa de escapar da justiça do país, que tava com um processo contra ele. Ele nem sequer rebate ali os elementos específicos, tentando dizer que não conhece. E ele faz ali um tipo de alegação que é conhecer por reportagens, não é conhecer e tal. Por quê? Porque o Moraes, no julgamento, assim como outros ministros apontaram, endossando a argumentação do relator, apontou, reproduziu os vídeos do Eduardo Bolsonaro nas redes sociais. Se quem quiser ver o julgamento, a TV Justiça, é só botar no YouTube TV Justiça ao vivo, pegar o vídeo da transmissão ao vivo de hoje, tem julgamento, tá? Só tô descrevendo aquilo que aconteceu. Então ele mostrou os vídeos do Eduardo Bolsonaro, com o Eduardo Bolsonaro. Qual é o ponto que eu tava fazendo?
Carlos Tramontina:O que ele fez, que são as alegações do Supremo, qual foi o tipo de ação que ele promoveu nos Estados Unidos contra o Brasil.
Felipe Moura Brasil:É, não, mas que o Moraes tava mostrando que o Eduardo Bolsonaro mesmo confessou alguma coisa, que eu perdi aqui o fio da Foi a questão de Cebadi, mas teve uma outra questão. E agora, olha, eu fui indicar o pessoal entrar no YouTube e acabei perdendo aqui o fio da meada. Mas então eu vou responder a sua pergunta e depois eu lembro.
Carlos Tramontina:Isso, como é que o STF rebateu aquela afirmação de que ele teria que ser citado, assinado um documento lá presencialmente?
Felipe Moura Brasil:É que tem um mecanismo que é a citação por edital, etc., que é o que o Supremo Tribunal fez, que é algo mais indireto. Direto, não é aquela notificação ali em domicílio, etc. Assim, eu tava argumentando, argumentando, não, tava descrevendo que o Moraes mostrou os vídeos do Eduardo Bolsonaro em que o Eduardo Bolsonaro manifesta conhecimento sobre o teor da acusação contra ele. E o Moraes falou: olha como ele tinha conhecimento, ele tá dizendo isso, isso, isso. E até ironizou o Eduardo Bolsonaro dizendo que ele tinha conhecimento de qual era mas que ele não tinha muito conhecimento sobre o direito penal brasileiro. Ele tava distorcendo alguns conceitos, pelo menos dentro do raciocínio do Moraes. Felizmente consegui aqui rever o ponto. Então, Eduardo, nessa manifestação, ele tenta dizer: não, só por reportagem não quer dizer que eu tive acesso a todo teor, a todo detalhe. Mas aí entra na questão da notificação. Então, o Supremo fez por edital, e aí O Supremo, os ministros argumentaram que, olha, quando você não tem o paradeiro da pessoa, você sabe que ela tá num país. E isso pode acontecer tanto nos Estados Unidos como no caso do Eduardo Bolsonaro, mas também no Brasil. Fazer um território continental, às vezes a justiça não consegue localizar, não sabe exatamente o endereço específico e faz esse outro tipo de citação, notificação, sei lá, é como é que se chama no jargão judicial. Isso foi feito já em um monte de casos. A Carmen Lúcia falou também também bastante a respeito disso. E aí veio um argumento que eu considerei ainda mais interessante, Tramontina, que o Cristiano Zanin falou assim: olha, a citação do próprio Eduardo Bolsonaro já foi feita por edital em outros casos, inclusive pelo ministro Cássio Nunes Marques, que foi indicado pelo pai do Eduardo, pelo Jair Bolsonaro. Ou seja, ou seja, é, o Eduardo quando citado pelo Cássio Nunes Marques dessa maneira, não reclamou, mas agora reclama porque, enfim, é um caso que pode render a condenação para ele. Então não seria uma novidade, de acordo com a alegação dos ministros do Supremo. Cada um é com seus conhecimentos jurídicos, pode falar a respeito disso. Estou simplesmente descrevendo o que que aconteceu.
Carlos Tramontina:E aí, Felipe, e nos últimos anos a justiça desenvolveu esse sistema de citação usando os meios eletrônicos e o fato de que as diferentes plataformas, mídias e formatos permitem que a pessoa seja informada sobre aquilo que está acontecendo sobre ela, porque senão os que têm mais condições, que têm bons advogados e mais informações, fogem indefinidamente e não são julgados porque não são citados. Recentemente a justiça adotou a mesma posição em relação ao apresentador Ratinho, porque há 2 anos oficiais de justiça tentavam citá-lo presencialmente, entregar a ele intimações por processos que são movidos contra ele por falas em programas, e não conseguem nos seus endereços, no SBT e lugar nenhum. E aí a justiça desenvolveu esses formatos de fazer com que as pessoas sejam citadas, ainda que não presencialmente.
Felipe Moura Brasil:Exatamente, o Moraes falou exatamente isso, com toda aquele vocabulário que ele usa nesses casos, sempre repetindo crime, criminoso e tal, etc. Mas ele tava dizendo: ah, o sujeito faz isso, aí tem a sua continuidade delitiva, não sei o quê, não pode ser processado, porque é como, enfim, querendo dizer que isso é um absurdo, que a justiça não pode esperar eternamente para localizar especificamente alguém que se evade, alguém que tá fazendo isso deliberadamente, de propósito, para É justamente não poder ser processado. É, Morais até falou: e não pode ser processado. Então, dizendo: claro que pode, se for feito dessa maneira, como tem sido, etc. Bom, aí a gente tem que passar para o caso do que que tá escrito na lei sobre coação do curso do processo. Produção, dá para jogar na tela isso que eu tô aqui com aberto no computador? Que é aqui um trecho justamente da legislação, aqui no site Juiz Brasil. Que é justamente o artigo que resultou na condenação do Eduardo Bolsonaro. Artigo 344 do Código Penal: coação no curso do processo, aspas, usar de violência ou grave ameaça com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio contra autoridade, parte ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo ou em juízo arbitral. Pena: reclusão de 1 a 4 anos e multa, além da pena correspondente à violência. E depois você tem um parágrafo único que não se aplica ao caso. Então, fecha aspas aí. Pode botar de novo na tela, produção, só para frisar um elemento específico aqui do artigo 344. Não, aí tá a nota do Eduardo Bolsonaro. Aí, obrigado. Usar de violência ou grave ameaça. Então, o que que foi o caso específico? Foi considerado grave ameaça uma série de manifestações públicas do Eduardo Bolsonaro em vídeos, entrevistas, redes sociais, etc., tentando constranger, intimidar, incutir temor nos ministros que julgariam o seu pai Jair Bolsonaro no caso da trama golpista e do 8 de 1. Então, grave ameaça é o valeu com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio. É o interesse alheio que valeu, que contou contra o Eduardo Bolsonaro, que é o interesse do pai dele, do Jair Bolsonaro. Então é o Eduardo coagindo as autoridades no curso do processo relativo ao pai dele, Jair Bolsonaro, para que não fosse condenado, para que as autoridades ficassem com medo de todas as retaliações e de todas as consequências das articulações dele, da influência dele sobre o governo americano, de tudo que que tava querendo que fosse imposto aqui contra as autoridades brasileiras ou contra o Brasil, como no caso das sobretaxas, as autoridades no caso da Lei Magnitsky, e que tava celebrando inclusive quando acontecia. Então tudo isso foi apontado durante o julgamento. E aí, qual é o meu ponto em termos de análise do mérito para a Montina? Olha essa definição aí do artigo 44: é usar de grave ameaça para favorecer interesse Então assim, que o Eduardo Bolsonaro tava tentando favorecer o interesse do pai dele, é óbvio. A questão é mais aí da configuração de grave ameaça. Quando ele age daquela maneira histriônica, daquela maneira beligerante, daquela maneira intimidatória— e isso foi a atitude do Eduardo Bolsonaro, a gente pode discutir o enquadramento penal, mas na descrição da linguagem, Eduardo tava tentando intimidar visivelmente as autoridades. Ele fez, ele gravou um vídeo até chamando os agentes da Polícia Federal que ousassem cumprir ordens do Alexandre de Moraes de cachorrinho. Cachorrinho da Polícia Federal, você vai fazer isso e tal? Vou mexer aqui, vou mexer aqui nos Estados Unidos e tal, cuidado. A partir dali eu falei, cara, tá aloprando demais, né? Isso vai acabar se voltando contra ele. Então é a questão da configuração. E aí todos os ministros falaram: olha, isso aqui configura ameaça, é porque é uma ameaça mais genérica à administração da justiça, a soberania judiciária, né, como falou a própria Carmen Lúcia, a independência judicial. E o último ponto para explicar o que aconteceu é que no caso da coação no curso do processo, como vocês estão vendo aí na definição, Não é preciso que o ministro julgador, qualquer autoridade competente, tenha se sentido coagida no sentido de mudar a sua atitude na hora do julgamento. Basta que a pessoa tenha incorrido na grave ameaça. Mesmo que o julgador não tenha se deixado intimidar, como foi o caso, já que eles condenaram Jair Bolsonaro a uma pena muito alta, o crime fica configurado. Se os julgadores entenderem como tal, certo? Então não adianta dizer assim, ah, mas eles nem mudaram nada, mas ninguém ficou com medo, ah, mas quem ficaria com medo? Não, porque a análise é a conduta, configura isso ou não. Então as pessoas podem fazer um juízo diferente, fala, não, não configura grave ameaça, etc. Mas que o Eduardo, última frase, que o Eduardo deu margem para essa interpretação Disso aí eu não tenho a menor dúvida.
Carlos Tramontina:É a mesma história de outro dia, uma pessoa me falou assim: 'Pô, mas o 8 de janeiro é tentativa de golpe, não houve golpe.' Mas não precisa ter o golpe para que esteja configurado o crime.
Felipe Moura Brasil:Exatamente, da tentativa.
Carlos Tramontina:Você pode discutir se configurou a tentativa, mas que o golpe de Estado é o crime, ponto, capitulado em Constituição, né? Propor uma intervenção militar é crime, independentemente dela ter havido ou não. Agora, Sobre Eduardo, eu sempre fiquei muito surpreso em ver o tom adotado por ele desde o começo, porque a gente parte do pouco daquilo que a gente acompanha ao longo da vida com o noticiário. E este noticiário envolve questões locais, estaduais, federais e internacionais. E a gente vê diferentes comportamentos e diferentes métodos. O formato adotado pelos Bolsonaro sempre foi de confronto. De chegar no limite máximo, né? Eu ficava olhando aquilo, falava: mas escuta, isso aí vai dar rolo. Falar desse jeito e propor desse jeito vai dar rolo. E quando teve a primeira, o primeiro noticiário das tarifas, ele veio a público alegre e feliz dizendo que realmente ele tinha conseguido estimular o governo americano a baixar tarifas no Brasil, sem pensar que aquilo prejudicaria os brasileiros. E prejudicaria a ele e a família, que são políticos.
Felipe Moura Brasil:É até um pouco pior, né? Talvez no momento não pensado, mas depois, e os ministros exibiram os vídeos, tem declarações, porque são, são dois réus na verdade, né? Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. E aí eles mostraram declarações, e nós já tínhamos mostrado, comentado em redes sociais, de eles dizendo que se é para queimar a floresta inteira, né, que se queima a floresta inteira, Se é preciso ter esse sacrifício, no caso das tarifas, na luta pelas liberdades, foi ressaltado várias vezes pelos ministros no julgamento de hoje. Então, que aquilo tá valendo. Então, só para dizer que você falou assim sem pensar, que na verdade é por um momento, pode até não ter, mas depois pensou e falou: não, é isso mesmo, é isso mesmo, tem. Se for para lutar pela liberdade da família Bolsonaro ou dos brasileiros, que eles aí chamam tudo como os brasileiros, Então tá valendo o tarifácio prejudicar toda a economia, a indústria, os empresários e, portanto, as pessoas que têm emprego, etc.
Carlos Tramontina:Yeah, e foi uma bobagem tão grande que vários governadores vieram a público apoiar o tarifácio e, em seguida, perceberam que estavam dando um tiro no pé, né? Como apoiar o tarifácio foi um tiro no pé a todos aqueles que ficaram felizes no primeiro momento e depois tiveram que voltar atrás porque o outro lado da história, o governo Foi lá mostrar, escuta, isso aí é contra o Brasil, isso aí vai prejudicar os brasileiros.
Felipe Moura Brasil:De Freitas teve que mostrar.
Carlos Tramontina:Pois é, pois é. E agora, isso tudo vem dentro também de um pacote. Eu me lembro de algo que nunca me sai da cabeça, na reunião do presidente Bolsonaro com os diplomatas no Palácio do Planalto para falar mal do sistema eleitoral brasileiro. Eu nunca vi um presidente da república ou um ministro de Estado falar mal do próprio governo, falar mal do próprio país para representantes diplomáticos de N países, né? Se a gente for para lógica absoluta, é o sistema que elegeu Jair Bolsonaro deputado durante 28 anos e que elegeu toda a família Bolsonaro, né? Quando então compete de novo com o Flávio Bolsonaro pelo mesmo sistema, pois é, Flávio Bolsonaro vai competir pelo mesmo sistema, mas já naquele momento já houve este choque pela adoção de um comportamento que logo de cara pareceu muito estranho. Como é que um presidente da República reúne embaixadores no Palácio do Planalto para colocar em dúvida o sistema eleitoral às vésperas? Faltava um ano para eleição, algo assim, não me lembro exatamente. Às vésperas de uma eleição presidencial, como é que é isso? E deu, e vai dar rolo, e deu Deu, deu.
Felipe Moura Brasil:É para dizer preventivamente que seria vítima de fraude, etc., com base em um monte de teorias conspiratórias. E são mesmo, tá? Depois vieram todos os relatórios, inclusive sobre aquelas alegações, como elas eram várias plantadas. Você tem a troca de mensagens do Mauro Cid quando uma pessoa fala que achou legal ali uma publicação na internet e tal, e ele fala fazendo assim: isso foi o nosso pessoal, kkkk. Quer dizer, fazendo de boba a massa de manobra bolsonarista que tava acreditando naquelas alegações. É legítimo, e eu defendi durante anos, mais transparência ao processo eleitoral. O TSE teve várias gestões ali e não davam tanta transparência. E aí, depois de muita discussão a respeito disso, se criou certas, certa abertura durante o processo para checagem, etc. Se viu aquilo que era um tanto obscuro. Mas é diferente de todas as alegações, de todas as acusações mentirosas muitas vezes que eram feitas por essa família, que sempre se elegeu com base no sistema eletrônico, mas que tava com medo de perder aquela eleição porque tava desgastado. Então, em vez de governar melhor para tentar vencer, tava criando todas essas narrativas preventivas para uma eventual derrota. E aí essa alopragem foi crescendo muito e gerando todo esse circo que tá aí. Voltando para o caso do Eduardo, ainda tem, a meu ver, todo o histórico político de estupidez bolsonarista. E eu falo isso porque eu tô falando há 7 anos sobre cada episódio, então me permito algumas sínteses. Quem acompanha o meu trabalho sabe, em 2019 houve a possibilidade da CPI da Lava Toga e a família Bolsonaro sabotou a CPI da Lava Toga. Era o terceiro requerimento os escopos dos primeiros eram maiores e tal. Depois eles foram afunilando para investigar alguns elementos específicos. Um deles era abertura do inquérito das fake news, e foi o primeiro monstrengo jurídico, supostamente jurídico, relatado pelo Alexandre de Moraes. Foi quando ele concentrou poder. E o Toffoli que abriu, e tinha matéria sobre a mesada da esposa do Toffoli para ele, tinha uma série de suspeitas a respeito da conduta do Toffoli, esse que agora foi atingido pelo escândalo faz já naquela época, 7 anos atrás. E o Flávio, investigado por rachadinha, fez pressão nos parlamentares para retirar assinatura porque queria decisões favoráveis do Toffoli, como teve, e queria decisão, voto favorável do Gilmar Mendes, como teve. Então sabotou a CPI da Lava Toga. Quem fez campanha na rede social, tem postagem, já publiquei print na minha rede há muito tempo, Eduardo Bolsonaro contra CPI da Lava Toga, e poderia poderia neutralizar, combater na raiz a escalada autoritária do STF. Eu tava em rádio falando que o momento era aquele, era via constitucional correta. Aí não faz o seu trabalho como parlamentar pelo meio constitucional legítimo, aí deixa crescer o monstro. Aí depois fica batendo de frente com esse ministro do Supremo, com o poder concentrado, o inquérito atinge o bolsonarismo, que aí começa a ligar. Quando é um absurdo que pode atingir qualquer um, aí não importa muito. Quando atinge o bolsonarismo, aí começa a reação. Eu já fiz essa cronologia, quem tem massa de manobra que não sabe. Então o inquérito foi aberto em março de 2019, se eu não me engano, ali março, abril. O bolsonarismo só foi ser atingido em meados do ano seguinte, mais de um ano depois. Deles nesse primeiro ano. Não era preocupação deles, não era o foco deles. Jair Bolsonaro, quando foi questionado, ah, teve uma censura aí, a matéria sobre o codinome do Toffoli na Odebrecht, mas já, já caiu e tal, agora vamos tocar o barco. Ele defendeu o André Mendonça, era o AGU, Advogado-Geral da União, que defendeu o inquérito, abertura do inquérito pelo Toffoli. O Augusto Aras era o Procurador-Geral da República, que só queria participar também, mas não contestou de uma maneira incisiva. Então só se preocuparam quando foram atingidos, quando o problema era um problema de violação da tradição e de autoritarismo que poderia ser utilizado contra qualquer brasileiro. Aí não interessava. Então assim, em vez de ir pelo caminho normal, não foram. Aí quando foram atingidos, batem de frente dessa maneira estúpida, em vez pelo menos retomar o prumo e começar a lutar pelas vias parlamentares em busca de articulação, de consenso, é de apelo da sociedade para conter a escalada autoritária. Não, vai para os Estados Unidos articular com outro governo, faz vídeo na rede social e tentando intimidar a autoridade, etc. E aí é a mesma coisa de trama golpista do 8 de 1, que você Tenta pela via inconstitucional ou por uma via que fica ali no limiar, né, porque cada um pode discutir algum indivíduo ou caso específico, e isso só fortalece o sistema que você diz querer combater. Então, mas eles vão esticando a corda, dobrando a aposta para tentar ganhar no embate. E aí tem muita gente que se deixou polarizar, que se deixou ficar com essa mentalidade binária é uma área, só para concluir, Tramontino, que olha um julgamento como esse, a pessoa já tem toda uma predisposição, não tá analisando o fato, ela tem uma predisposição, ela odeia o Moraes. E obviamente existem— This episode is brought to you by Google Chrome. You think you know a browser, but Gemini in Chrome, that's new. It can help you with practically anything on the web, like restoring a vintage motorcycle from a 50-page restoration blog, or finally break down that long article pad open for weeks.
Carlos Tramontina:Gemini in Chrome is here for it, ready to make anything online make sense. There's no place like Chrome. Check responses set up required compatibility and availability varies. 18+.
Felipe Moura Brasil:A lei e qual é a conduta. E a pessoa tá tendo, seja qual for a pessoa que tivesse tendo essa conduta, bom, ela deu margem. No mínimo eu posso cravar aqui, sem sombra de dúvida, é que a pessoa com essas manifestações em vídeo, que a gente não tem um compilado histórico aqui, mas já vou mostrar até a cronologia que foi feita no julgamento, ela deu margem para interpretação de que tava incorrendo em grave ameaça para, é, com o fim de favorecer o interesse ele foi condenado por coação no curso do processo. Bota aí na tela, produção, a cronologia feita pelo Alexandre de Moraes. E que tá aí, vocês podem dar zoom depois se quiserem, mas é o seguinte: em azul você tem cada etapa, Tramontina, do julgamento do Jair Bolsonaro, o avanço da tramitação do processo, etc. Em vermelho você tem as manifestações do Eduardo e foram objeto desse julgamento da condenação por coação no curso do E aí tem lá primeiro uma informação sobre articulação dele com autoridades americanas para gerar pressão no ministro relator. Aí depois você tem ali no canal de YouTube do porta-voz do Eduardo, o Eduardo já fazendo ameaças a ministros na avaliação dos ministros, no sentido de que sofreriam retaliações do governo norte-americano, etc. E aí vai listando todas essas manifestações. Então assim, uma coisa é você criticar, como nós fazemos diariamente no Brasil, votos, decisões, condutas, articulações políticas de ministros do STF. Outra coisa é você tentar constranger os julgadores diante dessas insinuações, para dizer o mínimo, de que eles serão retaliados numa decisão que envolve a sua articulação e a sua influência. Aí você pode até discutir, ah, mas é indireto, é o presidente Trump que tá decidindo, não é o Eduardo e tal. Mas que dá margem para o enquadramento naquela regra que é bem geral, ela nem sequer fala assim, ah, mas se for uma outra pessoa que tiver tomando a medida, não fala, tá configurado grave ameaça.
Carlos Tramontina:Essa.
Felipe Moura Brasil:Então tá, e o Eduardo vai em várias, em vários desses vídeos, relacionou os casos, relacionou o processo do pai a essas articulações.
Carlos Tramontina:É, e uma condenação a 4 anos e 2 meses, primeiro ele fica inelegível com base na lei da ficha limpa, depois ele tem direito ainda recurso, que serão, ele só pode entrar com embargos de declaração, mas é junto ao próprio Supremo, e não vai dar em nada porque a própria turma do Supremo, por unanimidade, votou pela condenação dele, né? E se ele entra com embargos de declaração, ele ganha algum tempo.
Felipe Moura Brasil:Ele vai entrar, já anunciou que vai entrar, e vai entrar.
Carlos Tramontina:Aí ele ganha mais tempo, o Supremo ainda tem que julgar os embargos de declaração, né? E aí tem que ser promulgada a sentença. Promulgada a sentença, ele fica inelegível por 8 anos. E a condenação dele, como a condenação foi a 4 anos e 2 meses, é uma condenação que ele pode cumprir regime semiaberto. Ou seja, se ele voltar para o Brasil, ele é preso. Se ele voltar para o Brasil, ele é preso.
Felipe Moura Brasil:Pois é, a ineligibilidade, foi muito bom você lembrar, né, que ela é decorrente aí dessa condenação. E o que deve acontecer, Tramontina, no final disso tudo, já que o Eduardo tá nos Estados Unidos e pretende ficar lá, é o governo brasileiro, as autoridades brasileiras pedirem extradição dele ao governo americano. E aí, como governo americano atual de Donald Trump é alinhado ali à família Bolsonaro e tal, é bem possível que essa extradição seja rejeitada. Julgada num caso similar. Mas olha, repare que não é igual ao caso da Carla Zambelli, ex-deputada federal bolsonarista, cuja extradição foi negada agora nesses últimos dias pela justiça italiana, porque a justiça italiana alegou que o Moraes estava sendo parcial no processo. Só que você tem uma diferença, eu tava explicando aqui, né, que a coação no curso do processo, a vítima o indivíduo, é a justiça, etc. No caso da Zambelli, você tem uma invasão do sistema eletrônico e uma tentativa de você efetuar ali um mandado de prisão contra o Alexandre de Moraes. Então o Moraes é vítima de alguma coisa ali, mesmo que indireta. Você pode alegar também, e as autoridades brasileiras provavelmente vão alegar, que na verdade não é vítima, etc. Etc., mas tem ali a figura dele como uma vítima mais direta no caso da invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça. E aí a justiça italiana decidiu que ele não podia assumir as duas funções. Mas não duvido que, sendo ou não o caso, o governo americano coloque lá qualquer alegação e tal para negar a extradição do Eduardo Bolsonaro nesse caso. E aí ele fica lá, só que ele fica, Tramontina, é a análise política posterior ao caso do julgamento, cada vez mais dependente do Donald Trump, bajulando Donald Trump, adulando todo dia na rede social, etc., como muitos fizeram. Aliás, como Benjamin Netanyahu fez, e tá numa encruzilhada agora, que tem corrida eleitoral lá em Israel. E eventualmente, com o desgaste do Trump, embora ele esteja querendo sair da guerra lá para reduzir o preço, não aumentar o preço dos combustíveis, não perder eleição eleição de novembro, de legislativa, né, que aquela de meio de mandato presidencial, e eventualmente conseguir ser reeleito numa futura eleição presidencial. Mas ele pode perder em algum momento, pode trocar o governo e não dar toda essa guarida para o Eduardo Bolsonaro. Então assim, ainda que o governo americano o blinde, isso é muito certo no máximo durante 2 anos, em caso evidentemente o Donald Trump não ser reeleito, ele vai depender sempre de alguém para segurar lá nos Estados Unidos.
Carlos Tramontina:É, sem dúvida alguma. Então fica agora esta, vai ficar a discussão, né, porque ele vai fazer, vai manter esse discurso de censura e de restrição e de perseguição, que é de certa forma é o mesmo discurso que ele vem adotando desde que foi para os Estados Unidos, Mas que nesse momento não tem mais, não há mais condição de mudar em relação a esta condenação. E a justiça brasileira pode pedir a inclusão do nome dele, nem tem porra, né? O que em termos morais, sem fazer trocadilho, se bem que essas questões de ética e moral não são muito levadas em consideração por uma série de pessoas, pessoas que são muito conhecidas, né? Você ter o seu nome na Interpol não é realmente algo agradável, né? Como sendo alguém procurado pela justiça brasileira.
Felipe Moura Brasil:Exatamente, é tudo muito ruim e muito, muito burro, né? Porque você pode ter críticas legítimas ao julgamento, mas você ter esse tipo de atitude É contraproducente. É claro que assim, o empenho bolsonarista é por esticar a corda, é all in. Que assim, se a gente pensar lá atrás, na raiz, e você voltou a reunião com embaixador do Jair Bolsonaro, tudo isso só tá acontecendo independentemente do juízo, tá? E eu critiquei uma série de etapas durante o processo envolvendo Jair Jair Bolsonaro foi julgado no Supremo Tribunal Federal, são pessoas sem foro privilegiado, e uma série de outros elementos ali. O que não tira, né, que a gente não pode ser binário, né. Então você tem sujeiras, você tem condutas que são graves, seja do Jair Bolsonaro, seja de membros do seu governo, seja da sua base de apoiadores, etc. E você tem uma série de condutas que assim, muitas críticas dos ministros do STF. Essas questões não são excludentes, você não precisa escolher um time, escolher um lado. Isso é uma coisa, é uma burrice enxergar a realidade sobre esse prisma de duelo tribal, de qual, para qual sujeira vou passar pano, né? Como se a sujeira de um lado fosse sabonete para o outro.
Carlos Tramontina:Não é.
Felipe Moura Brasil:Então, repito, se a gente voltar lá atrás, Jair Bolsonaro, a despeito dos problemas dos ministros do STF. Ele não deveria ter ficado atacando urna eletrônica, etc., o tempo todo. Ele não deveria ter instigado os seus apoiadores a pedir para as Forças Armadas que dessem um melhor destino ao país depois da eleição. Tem um vídeo, tá, eu resgatei esse vídeo, Jair Bolsonaro ali na primeira vez que ele quebrou o silêncio depois da derrota, falando para os seus apoiadores na frente do Palácio dizendo que quem decide o destino das Forças Armadas são vocês. Não são os apoiadores do Bolsonaro que decidem o destino das Forças Armadas e a Constituição do Brasil. Então você faz com que as pessoas tenham outras condutas, exercendo a sua liderança, etc., e podem ser prejudiciais a elas, como acabaram sendo. Tramontina, tem gente que tá preso. Bolsonaro tá em casa, ele tá em prisão domiciliar. Mas tem gente que tá na prisão mesmo, gente que seguiu todas essas alegações, todas essas, todos esses estímulos, etc. Então assim, se tivesse contido o pai lá atrás, se o pai tivesse se contido, tivesse buscado fazer um governo melhor, tivesse aceitado uma derrota, tivesse criticado que fosse, ainda que considerasse prejudicado, etc., mas pelos caminhos corretos, não teria todo esse efeito dominó. Então agora a família Bolsonaro, eu chego ao ponto para nós, para passar para você, que é o seguinte: Jair Bolsonaro preso em casa, Eduardo Bolsonaro condenado a 4 anos e 2 meses de prisão, e lá nos Estados Unidos na aba da saia do Donald Trump. O Flávio Bolsonaro, Tramontina, ele ainda que chegue à presidência da República, olha só como ele com o pai em prisão domiciliar e o irmão condenado. Esse sujeito realmente vai combater o sistema ou ele vai tentar negociar com o sistema? Porque quando Jair Bolsonaro chegou ao governo com a família pendurada por investigação de rachadinha, o que houve foi uma grande articulação com o sistema. Ó, ajudo vocês aqui, vocês me ajudam ali e tal, etc. Ele dizia, agora também chega, chegaria numa posição de fragilidade, né? Porque a família tem o lado mais beligerante do Eduardo, combater tudo isso aí e tal, que é mentira, né? Do Gilmar não costumava falar, até foi impedido pelo pai. Mas do Moraes, né, o embate é mais com o Moraes. E você tem o Flávio, que é aquele político tradicional do centrão, não tem falar com todo mundo, agora vai falar com a imprensa, agora não quer cometer os erros do pai, etc. Antes não tinha erro nenhum, mas agora diz que tem. Então, como é que você vê esse cenário?
Carlos Tramontina:Não podemos esquecer que Eduardo Bolsonaro foi quem disse em Foz do Iguaçu: um cabo e dois soldados, um jipe, um cabo e dois soldados, a gente fecha o STF. Não foi Eduardo que disse? Foi Eduardo que disse, né? Então, desde sempre teve um método método, um método, o método adotado foi o método do confronto e o método desta, esse tipo de declaração. E é incrível como hoje tudo que a gente fala fica gravado, fica registrado e pode ser usado a qualquer momento, né? Então o próprio Eduardo é quem deu ao Alexandre de Moraes todos os instrumentos para o Alexandre fazer deu consistência a todo documento que o Alexandre de Moraes leu hoje e votou pela condenação dele, e depois foi seguido pelos outros ministros.
Felipe Moura Brasil:E repare que a estratégia da família, mas principalmente do Eduardo, é você esticar a corda para você posar de perseguido. Quer dizer, ainda que você seja condenado, é: olha aí, olha aí, então condenando, tão perseguindo a gente. Só a postagem, ele diz expressamente Só com a vitória do Flávio Bolsonaro é que se pode mudar isso tudo. Quer dizer, é como se ele esticasse a corda e fosse condenado até para aumentar o capital eleitoral do irmão, entende? Porque é no embate que eles conseguem algum tipo de engajamento. E isso é muito ruim porque o debate público do país fica girando em torno dessas pessoas e não das propostas para melhorar o país, e discussão é do histórico de realizações de pessoas eventualmente qualificadas para implementar as políticas públicas necessárias para a população brasileira. É simplesmente: olha, nós enfrentamos eles e eles retaliaram a gente, e agora a gente precisa do apoio de vocês para salvar essas pessoas. E a discussão fica sendo sobre essas pessoas, e o país cheio de problemas, gente pobre, gente sem saneamento, sem ensino de qualidade, sem serviço de saúde de qualidade, Ah, é sem segurança pública, mas eles não estão falando a respeito disso. É só apontar ali para o outro lado, fez isso, outro lado fez isso e tal, e não consegue nem explicar os seus próprios escândalos, como o caso do filme que você aponta.
Carlos Tramontina:Não tem, não tem nenhuma proposta de governo, nem de um lado nem de outro, não tem nenhuma fala sobre esses problemas que são gravíssimos e que estão aí provocando danos e prejuízos brutais à população brasileira há tanto tempo, né? E o que a gente vê é essa disputa que é puramente ideológica. Tragédica, o que é absolutamente lamentável, né?
Felipe Moura Brasil:Pois é. Então esse foi o episódio aí que a gente só tá comentando porque a condenação saiu hoje e agora há pouco. Então é um fato objetivo aqui e a primeira turma do STF condenou o Eduardo Bolsonaro. E agora vamos falar um pouquinho para arejar antes da gente voltar aí para política e para política internacional. Quero ouvir você, Tramontina, sobre o caso chave dessa moça que foi arremessada no rope jump. É isso, rope jump, que não é bungee jump, é diferente. O Tramontina vai explicar essa diferença. Mas ninguém checou ali que ela não tava amarrada na corda e ela morreu. E agora é até um embrólio jurídico, né, sobre como essas pessoas vão ser responsabilizadas por isso e tal. Tem discussões aí, esse sujeito vai fazer algo, mas aí negligencia, e qual é o tipo de enquadramento. Mas enfim, vamos tratar do episódio em si e quais são os esclarecimentos que você tem, Tramontino.
Carlos Tramontina:É um crime de uma gravidade, de uma brutalidade, e que revela, eu acho que uma piores faces do Brasil. Existe uma ponte chamada Ponte do Esqueleto, exatamente porque ela tá abandonada há 30 anos. É uma ponte que é de responsabilidade do governo federal, é uma ponte que pertence à União, né, onde seria construído o trilho, os trilhos da antiga Rede Ferroviária Federal. A ponte tá lá abandonada e as pessoas que gostam de esporte radical começaram a usar a ponte para fazer saltos, né. A ponte está entre as cidades de— tô com ela aqui— Limeira e Cordeirópolis, no estado de São Paulo. Entre as duas cidades, mas na área do município de Limeira. E todo mundo sabe que a ponte tá lá e que é usada para isso. Você chega em Limeira e fala assim: "Como é que eu faço para chegar na ponte do esqueleto?" Todo mundo diz para você: "Você faz aqui, pega aqui, vai para lá e vai para lá." Há 30 anos ela está abandonada e as pessoas usam para esporte radical. E são práticas esportivas, muitas delas condenadas ou proibidas. Mas condenadas ou proibidas pelo senso comum, porque autoridade nenhuma fez nada até hoje. Nenhuma. Então o que aconteceu é que a Maria Eduarda, de 21 anos, foi fazer o tal de rope jump. O bungee jump é aquele mais conhecido, que já apareceu tantas vezes na televisão. O cara salta de uma ponte, de um penhasco, de um alto de um prédio, e ele está preso no tornozelo por uma corda elástica. Então ele salta e quando chega lá no limite, o corpo dele faz tum, tum, porque a corda é elástica. Até parar, ponto. No rope jump não existe a elasticidade, ou a elasticidade é baixa no cabo. Então a pessoa salta e lá embaixo ela vai fazer o movimento de pêndulo. Ela toma um choque a hora que estica a corda, aí ela faz isso, ela vai e ela vem, e ela vai e ela vem. Ocorre que a empresa e as pessoas que promoviam esse tipo de salto Salto não é uma empresa legalizada, ela não existe legalmente. Esse é o ponto 1. Segundo, a pessoa que saltava lá, e muita gente saltou de lá pagando R$150 para o salto, para essas pessoas dessa empresa, essas pessoas eram amarradas simplesmente numa corda. Depois, não existe uma metodologia, uma legislação que trate desse tipo de prática esportiva normativa, porque isso levaria a exigir: "Olha, você tem que ter tal tipo de equipamento, você tem que usar certo tipo de cabo, você tem que usar um certo equipamento de segurança." A pessoa era presa pela cintura e aqui pelo peitoral, os outros pegavam a pessoa aqui, é o caso da Maria Eduarda, tem as fotos, que a pessoa foi jogada lá do alto e os caras responsáveis esqueceram de amarrar Então ela foi assassinada. Sem querer? Claro, a princípio sem querer, porque as pessoas não queriam matar a Maria Eduarda, queriam promover a prática esportiva dela. Só que não cumpriram o mínimo, do mínimo, do mínimo, amarrar a corda no pé da moça. É inacreditável isso. Agora vamos às responsabilidades. A ponte é de responsabilidade da União, ok? O que que a União fez para impedir que as pessoas usassem de forma perigosa aquilo? Nada. Nunca. Nada. O que que as prefeituras fizeram? Nada, ao longo de todos esses anos. E nos últimos dias, o prefeito da cidade de Limeira veio a público dizer que ele ia processar a União porque a União não poderia ter permitido que aquilo acontecesse. Ocorre que até a entrada da ponte, o terreno é da prefeitura. Prefeitura? E no mínimo a prefeitura tinha que ter botado um impedimento lá, ou placas gigantescas dizendo que isso aqui é proibido entrar nessa ponte para qualquer motivo, é proibido andar nessa ponte, é proibido praticar esporte, botava tapume. Ah, mas e se as pessoas entrarem lá por baixo, subirem por corda? Bom, aí é outra história, mas a prefeitura nunca fez nada. E a polícia fez alguma coisa? Nada, nunca. Nunca. E o Ministério Público, que gosta de aparecer na televisão, que gosta de divulgar, de denunciar coisas que muitas vezes depois não se confirmaram. Estamos denunciando fulano, não sei o quê. Nunca fez nada, nunca. Aliás, agora o Ministério Público Federal foi quem está lutando para que os 3 presos que estavam lá na hora, que fizeram o lançamento da moça, continuem presos. Dizem que ao todo eram 6 pessoas da empresa, 3 estavam lá, esses foram presos em flagrante, né, e a prisão é preventiva, por tempo indeterminado, né. São 3 pessoas, eu não vou inocentar nenhum deles não, mas estão também atordoados porque não eram especialistas nisso, nunca foram treinados nisso, ganhavam sei lá quanto para amarrar uma corda na perna de uma pessoa que queria praticar aquele tipo de coisa. Então ninguém fez nada, nada. E agora todo mundo, todas as autoridades posam de inocentes. Não, a prefeitura diz: é do governo federal. Mas o terreno até a entrada da ponte é da prefeitura, é da prefeitura. Ministério Público nunca fez nada, polícia nunca fez nada. Aqui em São Paulo existe o viaduto Doutor Arnaldo, Avenida Doutor Arnaldo, que é muito importante, e as pessoas vão à noite lá para fazer rapel. Rapel, você sabe, se amarra um cabo e você desce escorregando pelo cabo, né? A prefeitura proibiu isso e é proibido, e avisado que é proibido. E de vez em quando há alguma blitz lá e pegam pessoas lá fazendo isso, e elas têm uma punição que eu não sei exatamente qual é, mas existe uma proibição da prefeitura. No caso lá da Ponte do Esqueleto em em Limeira, não existe nada. Todo mundo ficou um esperando o outro, cara. Isso é um crime inaceitável. Teve um amigo meu, é um radical contra as mazelas do Brasil, falou: isso aqui é o Brasil puro, tem que botar sal, botar sal nesse país para nunca mais nascer nada. Eu não penso assim, nada disso. Esse meu amigo que pensa isso, mas cara, Como é que pode uma coisa dessa?
Felipe Moura Brasil:É muito revoltante, né? Desde o primeiro momento que eu vi a notícia, muita gente passou por isso. Acredito que aconteceu isso, né? Como que essas pessoas podem ter agido assim? Como não havia todo um sistema, um mecanismo de revisão dobrado, triplicado, como existe na aviação? E muitas vezes é utilizado como exemplo, embora haja problemas de vez em quando também, mas é tudo que envolve a vida humana, que pode ser despedaçada num simples arremesso. Tem que ter toda uma revisão de segurança, todo um procedimento protocolar a ser seguido. Como é que várias pessoas ao mesmo tempo podem ter tão desatentas. E muito, muito, não só sobre o país, mas sobre a nossa época, né, sobre uma época de desatenção. É claro que não dá para a gente coletivizar, generalizar, etc., mas assim, que sirva de alerta, né, porque onde que essas pessoas estavam com a cabeça? E um sempre contando com o outro, né? Não, alguém já deve ter feito isso, alguém já deve ter feito isso e tal. Então eu vou arremessar, cara, todas as pessoas envolvidas no arremesso de uma pessoa, ela, elas têm que estar cientes de que tudo já foi feito para garantir a sua segurança.
Carlos Tramontina:E um adicional lamentável nessa história toda é que muitas pessoas que fizeram esse salto naquele lugar antes estão repostando os seus saltos, porque elas, as pessoas saltavam com uma câmera amarrada no pulso para filmar o próprio salto, que você pagava uma taxa para saltar e mais uma taxa para gravar. Então as pessoas que já fizeram o salto estão repostando o seu salto nas redes sociais e a visualização enorme. Ou seja, é um processo de regressão civilizatória, rapaz. É regressão civilizatória isso. A gente é uma, um caso bárbaro e as outras pessoas ficam falando disso. Olha, eu saltei, não tive problema nenhum. Pô, vamos esquecer essa história que você saltou, cara. Tenha vergonha de ter saltado isso, porque poderia ter acontecido com você, eu poderia ter acontecido com os outros. Eu não sei onde é que isso vai parar. Eu só lamento, e só lamento profundamente, que todos os que deveriam fazer não fizeram. Isso quer dizer que vai sobrar de novo para os magrinhos, os magrinhos.
Felipe Moura Brasil:Geralmente é a tendência no Brasil. Aliás, a sua descrição do episódio mostrando os vários níveis de responsabilidade me fez lembrar, Tramontina, episódio que eu nunca esqueci, que eu cobri News. E foi o colapso da ponte Juscelino Kubitschek. Ali tá lembrando aqui exatamente a ligação, né, entre os municípios de Estreito, no Maranhão, e a Guianópolis, no Tocantins. Ela desabou matando 14 pessoas e deixando 3 desaparecidas. Se eu não me engano, 8 veículos despencaram, estavam em cima da ponte, passando. É como nós passamos por pontes quando viajamos, pegamos uma estrada errada. Deram azar de estar no lugar errado na hora errada e desabaram e morreram com choque. E os corpos depois foram procurados no rio que passava embaixo, etc.
Carlos Tramontina:Uma coisa horrível.
Felipe Moura Brasil:E aí depois surgiram vídeos dos dias anteriores de gente gravando até e mostrando as péssimas condições da ponte. E aí tava lá numa rodovia federal que misturava Tinha todas essas responsabilidades também, né, federal, estadual, etc. E na época eu falo: e os parlamentares todo ano estão discutindo o quê? Emenda para mandar para quem? Para prefeitura do pai, do primo, que vai contratar a empresa do outro primo, do irmão, do aliado, para fazer alguma obra para gerar caixa para família ou para gerar algum dividendo eleitoral que ele possa utilizar para campanha manhã e ser reeleito. Mas ninguém tava preocupado com uma ponte que tem que ter todo um trabalho de manutenção sempre, e para cujos problemas as pessoas locais já estavam apontando. Então a gente vigia as autoridades que têm poder e a gente aponta os escândalos de corrupção, a gente aponta o patrimonialismo, o fisiologismo, essa ganância não só porque o dinheiro público muitas vezes é desviado, é o dinheiro dos pagadores de impostos que trabalham e tal, mas porque eventuais consequências às vezes são fatais, são gravíssimas, são perdas de vidas humanas em decorrência dessa absoluta indiferença às questões realmente estruturais do país.
Carlos Tramontina:Só para fechar agora, a Secretaria de Patrimônio da reunião, já fez uma primeira reunião com os prefeitos, e aí tem outros municípios próximos ali envolvidos. E agora se discute a desmonte da ponte, agora a do Hop Jump, do Hop Jump, se discute o desmonte da ponte.
Felipe Moura Brasil:Isso você falou de um outro caso, depois do desastre vem um monte de suposta solução, né? No país é sempre assim. Muito bem, falamos então a respeito desse episódio. Quer entrar um pouquinho na pauta internacional, você que andou viajando o mundo, Tramontina?
Carlos Tramontina:Eu viajei para um país muito civilizado, rapaz.
Felipe Moura Brasil:A gente não tem um babado local?
Carlos Tramontina:Várias camisetas eu vi em lojas assim, eu continuo a ver camiseta escrito: eu não estou à venda, o Canadá não está à venda. E você se lembra que o presidente dos Estados Unidos falou que compraria o Canadá, né? Aí o primeiro-ministro falou: o Canadá não está à venda. Falou ali ao do lado dele, né? E depois eles iniciaram um embate muito grande e os canadenses cortaram radicalmente a ida turística para os Estados Unidos. E as empresas operadoras de turismo nos Estados Unidos hoje sofrem muito porque o canadense, firme e forte, não vou para os Estados Unidos, não vou, né? E a gente vê em muitos mercados hoje, você vê, já tem mais de ano Briga, né? Primeiro por tarifas, depois primeiro por uma questão de vou comprar esse país, depois por tarifas. E muitos mercados você vê lá: este produto é canadense, esse, esses vegetais, essas frutas, essas verduras e esses legumes são plantados, são produzidos aqui no Canadá. Isso tudo tem a ver com essa diferença e com disputa que foi iniciada a partir das decisões do presidente dos Estados Unidos.
Felipe Moura Brasil:Pois é, mas antes de falar da pauta internacional, tava vendo aqui que tem um babado do qual você tá sabendo, que é do presidente da CBF. Eu tô sabendo, cara, eu tô lendo sobre isso, que é inacreditável.
Carlos Tramontina:Já não bastava ter o Neymar que não joga, o Neymar que é que é um sonho. O ex-jogador quer um sonho.
Felipe Moura Brasil:Pois é, tá se recuperando ainda, não vai voltar contra o Haiti não.
Carlos Tramontina:Ontem ele fez mais um exame de imagem que a CBF não divulgou o resultado, só disse que ele estava melhor. E hoje diz a CBF que ele correu em volta do campo. O cara que vai no salvar já está treinando, treinou, correu em volta do campo. O prazo que a CBF deu de 2 ou 3 semanas para panturrilha do gênio se recuperar é de 2 a 3 semanas, que vai vencer exatamente na véspera do jogo contra o Haiti.
Felipe Moura Brasil:Só que ele não tem, está fora de forma, se ele tá tentando recuperar, é isso aí, treinando, não é tão simples e tão rápido assim não.
Carlos Tramontina:Então não bastava isso, que era grande dúvida futebolística, Neymar Joga? Neymar, quando joga? Será que Neymar joga? Agora vem o babado do presidente da CBF saindo. Como a gente vai falar desse assunto? Cuidado, cuidado.
Felipe Moura Brasil:Não, a gente pode falar do que foi falado. Isso foi falado pelo Léo Dias, né, que ele estaria com a esposa num país e com a amante no outro país. Durante a Copa do Mundo e já houve uma reação aí da CBF que você acompanhou. Eu vi que foi postada uma foto dele com a suposta amante nas redes sociais e gerou um monte de comentário a respeito disso. A CBF se posicionou, Tramontina?
Carlos Tramontina:A CBF se posicionou dizendo o seguinte: a CBF é uma empresa muito séria, todo mundo sabe, né, história da CBF é essa, é uma empresa muito séria e que cuida do futebol brasileiro com muita atenção. E qualquer viagem não prevista nas questões futebolísticas relativas à Copa do Mundo, quaisquer viagens são custeadas particularmente pelas pessoas que fazem essas viagens. Ou seja, se porventura alguém levou alguém mais, porque tá falando que outras pessoas, outras famílias, outras moças convidadas em viagens, né? Se alguém fez isso, está fazendo por conta própria, não tem nada a ver com a CBF. E a CBF se coloca à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Felipe Moura Brasil:Tá dando o que falar.
Carlos Tramontina:Até os valores pagos em hotéis caríssimos em Nova York, jantar, nome dos restaurantes onde houve jantares. E essa situação de que um dia viajou com uma pessoa, no outro dia estava com outra pessoa, pessoa. E aí no outro dia, na outra viagem, estava com outra pessoa.
Felipe Moura Brasil:Bom, cada um faz aí o que bem entende da sua vida privada. A questão são as relações com uma entidade que tá por trás aí da Seleção Brasileira nesse momento de Copa do Mundo. Aí você tem as questões relativas a dinheiro, claro de quem é, etc., se tem algum envolvimento da CBF. Então vamos aguardar maiores esclarecimentos. Estamos olhando só pelo exotismo, pelo exotismo desse episódio, porque isso é absolutamente particular.
Carlos Tramontina:Cada um que cuide do seu nariz, né?
Felipe Moura Brasil:Pois é, cada um que cuide do seu nariz. Mas tudo isso repercute nesse país interessado nos babados. Agora É, em relação à pauta internacional, porque foi o título aí, a produção colocou antes evidentemente de esses julgamentos que tomaram a nossa pauta hoje acontecerem. Você tem aí esse rascunho do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã. O Donald Trump tá buscando uma maneira de sair dessa guerra, é, para tentar recuperar um pouco do capital eleitoral que ele perdeu nos Estados Unidos, até pelo aumento preço dos combustíveis. E aí, com o anúncio do entendimento, o preço já começa a baixar. E a questão para o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu é: como é que vai ficar Israel? Porque o Donald Trump tá mais preocupado, evidentemente, com os interesses dele em primeiro lugar, talvez dos Estados Unidos um pouco, mas o Irã patrocina esses grupos terroristas que atacam Israel, o Hamas e a Jihad Islâmica. Pela Faixa de Gaza, ali no sul do território israelense, o Hezbollah pelo Líbano, ali no norte do território israelense, e os Houthis pelo Iêmen, ali abaixo da Arábia Saudita, mas com mísseis, foguetes ali disparados em longa distância também atingindo o território israelense. E há uma demanda do Irã para que Israel recue no avanço que fez em inglês, é no Líbano. É bom lembrar que, ao contrário do que acontece na Faixa de Gaza, onde o Hamas é governo há muitos anos, principalmente ali a partir de 2007, quando assumiu, no Líbano o Hezbollah não é governo, né? Existe o governo do Líbano e existem alguns atritos lá internamente, mas há esse avanço de Israel diante dos ataques de Hezbollah, o que é discutido, até onde deveria ir, etc. Etc. Fato é que o Netanyahu ficou muito associado ao Donald Trump, bajulou muito o Trump, propôs— aliás, eu considero esse o episódio assim mais melancólico, né? Quando Netanyahu, quando levanta num jantar diante do Trump e abre ali o envelope para mostrar que ele propôs o nome do Donald Trump para o Prêmio Nobel da Paz, né? O Trump, aliás, já que a gente tava falando de CBF, ele recebeu lá o Prêmio da Paz da FIFA. Do Infantino, que também está sendo muito criticado, presidente da FIFA, por ser muito complacente com Donald Trump em razão da realização da Copa nos Estados Unidos, assim como foi com Putin, com a Rússia, no Catar, né, que também está envolvido aí uma série de outros problemas do seu regime. Bom, o Netanyahu fez toda essa, toda essa complacência aí com Donald Trump, toda essa adulação, toda essa bajulação, toda essa puxação de saco fala aqui no português bem claro. E acabou sendo muito criticado pela oposição dentro de Israel por essa atitude, por tornar tudo, o país, muito dependente das decisões do presidente dos Estados Unidos. E eventualmente Israel vai ter que lidar com novos ataques se o Irã não cumprir a sua palavra, ou se o Irã continuar patrocinando esses grupos que eventualmente possam não aparecer no próprio memorando de entendimento dos Estados Unidos. Mas fato é que depois daqueles ataques iniciais que eliminaram ali o Ayatollah Ali Khamenei e outros membros do regime, não se conseguiu derrubar o regime iraniano e se tornou muito desgastante e muito caro manter toda essa guerra. Então Donald Trump procura um caminho de saída tentando afetar uma vitória que no fundo ele não teve. Então esse é o resumo do cenário nesse momento.
Carlos Tramontina:Você fez uma avaliação mais próxima, já aí, próxima aí da situação do Netanyahu. A gente tem que lembrar que uma guerra que levou a 7.500 mortes, custou 100 bilhões de dólares para os Estados Unidos, e que pretendia sem dúvida alguma derrubar o Zahir Talal do poder, não conseguiu, e que pretendia acabar com o programa nuclear nuclear do Irã, que também não foi alcançado.
Felipe Moura Brasil:Exatamente.
Carlos Tramontina:Agora, é, tem uma coisa que a gente precisa voltar um pouquinho, que é o seguinte: havia um acordo feito entre os Estados Unidos e o Irã. Esse acordo foi negociado durante um ano e meio por Barack Obama, né, foi assinado por Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha. Em 2015 começou a negociação, em 2018 ele foi do outro lado. Então ele liberava bilhões de dólares para os iranianos, mas eles tinham poucos compromissos para acabar com o programa nuclear. Não, não abandonava a produção de mísseis, patrocínio do Hezbollah e dos Houthis, mas aliviava sanções, né?
Felipe Moura Brasil:Não era feita tanta inspeção assim.
Carlos Tramontina:Trump, a inspeção era um pouco mais rigorosa do que vai ser agora no novo acordo.
Felipe Moura Brasil:Então essa que é a grande discussão do momento, né? Foi bom você trazer, só para contextualizar, é se o Donald Trump vai conseguir fechar um acordo melhor ou pior do que o do Barack Obama, que ele criticava e que ele acabou rasgando.
Carlos Tramontina:Ele rasgou, era um programa que tinha—
Felipe Moura Brasil:mas eu criticava também, achava ruim.
Carlos Tramontina:Então tinha 18 páginas aquele, o de agora tem uma página E ficou para negociar nos próximos 60 dias uma série de questões, né? O Trump saiu do acordo, ele retomou sanções, ele suspendeu as inspeções, e o resultado é que Teerã acelerou o programa nuclear. Hoje tem 440 kg de urânio enriquecido a 60%, que é perto do nível necessário para ter armas nucleares. Então agora o novo acordo acordo diz que o destino do urânio vai ser negociado em 60 dias e que parte dos 24 bilhões de dólares do Irã estão retidos, bloqueados nos bancos americanos, serão liberados. E não está contido neste acordo, pelo menos dentro do que se soube, do que se foi anunciado, não está contido no acordo atual acabar com o programa de mísseis e encerrar o apoio às milícias. Ou seja, aí voltamos a Netanyahu.
Felipe Moura Brasil:Exatamente. É muito grave para Israel que não seja incluído nesse acordo que os grupos terroristas patrocinados pelo Irã tenham que deixar de atacar Israel. Quer dizer, se ficar liberado, Israel vai ter que reagir também, vai reagir sem os Estados Unidos. Isso vai acabar envolvendo o Irã na guerra. De repente vai voltar tudo. E aí vamos ver qual vai ser o próximo capítulo dessa novela. E paralelamente, há uma corrida eleitoral em Israel. O Benjamin Netanyahu tá muito tempo no poder, ele acaba inclusive contaminando um pouco a própria causa israelense com a sujeira individual que é apontada nas suas condutas. Ele tem, ele é alvo de 3 processos internos que vão sendo arrastados em razão da guerra. Então vaza-se aí informação de que o Donald Trump reclama com Netanyahu sobre o avanço no Líbano, etc., porque o Trump tá interessado em fechar acordo com o Irã. Aí quando Netanyahu avança no Líbano com Israel e tal, o Irã fala assim: "Ó, tá avançando lá e não dá para fechar acordo nenhum e tal." E aí prejudica. E aí que o Trump teria falado para Netanyahu: "Ó, eu que tô ajudando a te salvar aí e tal." Quer dizer, como se a enrolação das guerras etc. Aliviando a barra do Netanyahu em relação ao julgamento individual dele. Então ele acaba contaminando um pouco essa causa. A oposição tá explorando essa relação de dependência dele é com os Estados Unidos criticamente, dizendo que Israel tem que ter a sua autonomia, etc. Você tem lá o Yair Lapid e o Naftali Bennett, que são políticos israelenses que formaram uma chapa juntos é contra o Netanyahu. Você tem o Eisenkot, que é o ex-chefe lá das forças de defesa de Israel, que também é um opositor. E vamos ver se o desgaste do Netanyahu faz com que ele perca o poder em Israel e assumam outras pessoas. Mas essa novela aí dificilmente vai acabar tão cedo. É o enriquecimento de urânio, até uma determinada medida ele serve para energia e tal. O problema é que o Irã, ele usa esse pretexto de que não O Irã nunca assumiu, nunca disse: 'Não, estamos construindo bomba nuclear, etc.' Ele diz que tá enriquecendo urânio só para as necessidades do país. O problema é que você, se você relaxa, eles vão avançando nesse enriquecimento e vão construindo a sua bomba nuclear. Hoje o Trump disse que não, Irã nunca vai ter bomba nuclear, se tiver vai ser um inferno para eles, etc. Faz esse tipo de ameaça, mas Israel tá mais ali com um rabinho entre as pernas, precisando sair dessa confusão.
Carlos Tramontina:E saindo dessa confusão vão surgir negócios, né? Tem que reconstruir, tem que reconstruir o país, reconstruir o Irã, você tem que reconstruir a Faixa de Gaza, você tem que reconstruir muita coisa. E muitos negócios surgirão, sem dúvida alguma, né? Financiamento, liberação de dinheiro, né? Então Olha, uma pessoa escreveu o seguinte, ó: Messi marcou um golaço. O Messi sempre cuidou da saúde. O Messi não passa a noite jogando pôquer, não vai assistir os torneios de King League e não tá mais preocupado em fazer, em fazer redes sociais e ganhar bilhões ao invés de ser um profissional de alto nível. Não que ele não tenha bilhões e não que ele não tenha direito de ter, mas ele é profissional, né?
Felipe Moura Brasil:Quer falar alguma coisa para a gente encerrar da Copa do Mundo?
Carlos Tramontina:Além disso, tomara que o Neymar faça eu queimar língua.
Felipe Moura Brasil:Pronto. Olha, tomara que o Ancelotti consiga organizar o time sem depender do Neymar. É isso que eu espero. E para isso eu zelo, inclusive dando os meus comentários, fazendo as minhas análises que eu fiz de todas as Copas mundo. Quem quiser acompanhar, tá lá nos meus stories. Me siga lá, Felipe Moura Brasil, no Instagram. E não só nos stories, mas eu vou acumulando todos os stories no meu destaque Copa 2026. Tem lá eu fazendo embaixadinha, inclusive, e comentando vários jogos, reproduzindo ali gols, fazendo análises com imagens, pintando de vermelho, de qualidade discutível, de boa qualidade, altíssima qualidade. Pode me desafiar à vontade que eu faço quantas você quiser. Ainda passa a perna por cima da bola, para um lado, para o outro, para os dois lados, bota na nuca, no peito, embaixadinha para um lado, joga para cá. Tá lá nos meus stories para quem quiser acompanhar.
Carlos Tramontina:Você é jogador de futebol ali nas praias do Rio de Janeiro?
Felipe Moura Brasil:Sou carioca raiz, carioca de verdade. Aí eu senti firmeza, hein?
Carlos Tramontina:É verdade, eu senti firmeza.
Felipe Moura Brasil:Eu vim reforçar o time do Flow nessa área também. Muito bem, seleção brasileira com vários problemas aí, eu já aponto há 24 anos que Ainda tem problema de dar falta do camisa 10, do cérebro do time, aquela mente criativa no meio-campo. Não houve substitutos para os nossos grandes criadores. E apresentou no jogo de estreia também problemas de saída de bola. E aí a situação fica bastante grave. Então vamos ver aí se o Ancelotti vai tentar arrumar o time que ele começou, se vai fazer algumas trocas.
Carlos Tramontina:Se ele é uma brincadeira que falaram hoje do muito lindo, que alguém chegou pro Rivellino e falou: Rivellino, o que que você achou do time? Aí o Rivellino falou assim: Ah, achei ruim, só assisti 15 minutos e larguei. Aí o cara perguntou assim: Se fosse aquele time de 70 contra esse time de hoje, qual seria o resultado? Ele falou: Ah, 1x0, no máximo 2x1, só isso.
Felipe Moura Brasil:Essa piada é boa.
Carlos Tramontina:É, já Pelé não joga mais, nós estamos com mais de 80 anos de idade, né?
Felipe Moura Brasil:É só isso, como ele falando de hoje mesmo velho ganharia desse time atual. É, Rivelino é uma grande figura. E aliás, a maneira como ele fala do Pelé, eu acho extraordinária. Humildade do Rivelino, admiração que ele tem. Bom, o Brasil precisa voltar a ter gente inteligente, criativa também no futebol. E eu acho que muitas vezes a decadência intelectual, cultural, ela vai afetando a cognição de todo mundo, e isso repercute também nos Então eu defendia e se trouxesse treinador inteligente da Europa, e tomara que o Ancelotti consiga acertar esse time. Mas sempre falei que era muito pouco tempo para isso vingar nessa Copa do Mundo. Se conseguir, vai ser quase que um milagre, mas a gente torce por ele e tenta mostrar ali caminhos, né? Olha só, ele fez 12 jogos, tá errando o passe, tá recebendo de costas, Tá errando domínio, vamos tomar cuidado aí na marcação. É uma rotina. O Brahim diz que a camisa 10 é a mente criativa, o cérebro que o Brasil não tem. Não pode deixar livre, deixaram livre, chegaram atrasados. O outro disparou no meio da zaga entre Marquinhos e Gabriel Magalhães, que estavam atrasados também no lance. Vini Jr. teve que chamar responsabilidade. E o Vini Jr. chamou a responsabilidade. Repare para a Argentina é que a única figura indiscutível no momento, claro que pode ter uma outra pessoa que seja crítica, mas depois do gol também fica mais difícil, no meio-campo e no ataque é o Vini Jr. Você não tem nem 2 nem 3 jogadores assim que, ah, esses são indiscutíveis. Não, é todo meio-campo e o ataque parceiro do Vini Jr., ou se fizer um esquema com 3 atacantes, 2, não tem uma definição escalação. Cada brasileiro tem uma escalação. E eu acho que o Ancelotti tá pensando seriamente aí em alternativas. Tem toda uma campanha pelo Hendrik, não sei se ele vai colocar o Hendrik, talvez coloque, ou pelo menos no segundo tempo. O Mateus Cunha entrou melhorzinho do que os outros jogadores estavam jogando. O Felipe, o Bruno Guimarães, ele tinha ficado acima da média, não jogou tanto contra Israel, mas eu acho que a tendência é poder ser mantido de alguma maneira. E você tem o Rafinha que errou várias vezes, o Luiz Henrique entrou depois, é um cara mais, mais ousado, etc., mas também não conseguiu levar o time ao gol. Então tem várias alternativas aí, formações a serem trabalhadas, sendo que eu considero que o Fabinho entrou muito melhor do que o Casemiro, ajudou na saída de bola, na cobertura. O Danilo entrou muito melhor do que o Ibanez na lateral direita, feita. Então vamos ver como é que vai ficar essa formação aí do meio-campo para o ataque. Certamente você tem a sua escalação aí, pessoal tá comentando no chat.
Carlos Tramontina:Mas é isso, Tramontina, aqui começa com esse comentário do nosso comentarista especializado também em futebol, Felipe Moura Brasil. O programa desta semana, diga.
Felipe Moura Brasil:Exatamente. Não, e você já deu um spoiler aí que a Argentina tá ganhando de 1 a 0. Eu tinha olhado aqui e tava 1 a 0 para Argélia. Eu não sei se teve gol porque eu não tô vendo, e aí o VAR anulou. Eu sei que em determinado momento aqui no Google tava 1 a 0 Argélia, mas agora tá 1 a 0 Argentina. Então é, muita gente tá vendo esse jogo, mas teve gente que acompanhou a gente mesmo com o Lionel Messi jogando. Então muito obrigado a todos vocês que ficaram até agora, e a gente vai desligar aqui e vai assistir um pouquinho do jogo da Argentina também. Sexta-feira tem Brasil e Haiti de noite. E aí, o seu palpite, você acha que dessa vez a seleção vai golear ou não? Muito obrigado, Tramontino, prazer revê-lo.
Carlos Tramontina:Valeu, Felipe, um abração, foi um prazer participar.
Felipe Moura Brasil:Um abraço a todos vocês e um grande abraço ao nosso Igor Coelho, seja onde ele estiver, sabe, seus projetos secretos, sabe-se lá, viajante, grande aventureiro. Vamos ver o que que ele vai trazer para gente, mas a gente vai dando conta do recado por aqui. Um grande abraço e até a próxima, toda terça-feira às 20 horas aqui no canal do Flow Podcast. Os cortes ficam aí nos Cortes do Flow. Tchau! Your next chapter in healthcare starts at Carrington College's School of Nursing in Portland. Join us for our open house on Tuesday, January 13th, from 4 to 7 PM. You'll tour our campus, see live demos, meet instructors and learn about our Associate Degree in Nursing program that prepares you to become a registered nurse. Take the first step toward your nursing career. Save your spot now at Carrington.edu/events. For information on program outcomes, visit Carrington.edu/SEI.