AFONSO PADILHA - Flow #613
Papo cabeludo de dois ex-calvos.
- Morte de Mãe BernadeteA relação com a mãe e o amadurecimento precoce · O câncer da mãe e o tratamento · O show "A Melhor Mãe do Mundo" · O luto e a forma de lidar com a perda · A relação com os irmãos e as diferentes memórias da mãe · A mãe e as plantas · A mãe e o óleo de canabidiol · A mãe e os doramas coreanos
- Finitude e fragilidade humanaA queda de Igor 3K de patinete e a quebra do braço · A queda de Afonso Padilha de bicicleta na infância · A fragilidade dos idosos e a queda · O Tio Paulo e a tentativa de empréstimo com o corpo · O Tio Bira e suas imitações de gato · O Volkswagen, o doidinho do volante · O Oil Man de Curitiba · O Beto Carreto e a perda da empresa
- Crítica a Crenças Limitantes sobre DinheiroA mentalidade de pobre mesmo com dinheiro · O medo de gastar em coisas caras · A mania de levar comida de camarim para casa · A recusa em comer coisas consideradas 'de rico' · A economia de gasolina colocando o carro na banguela · A dificuldade em se desvincular de hábitos de pobre
- Neuromitos e Saúde MentalO conceito de 'doidinho do centro' · A busca por diagnóstico de TDAH e autismo · A ansiedade e a depressão como questões sempre existentes · A diferença entre a criação nos anos 90 e hoje · A relação entre apanhar e o desenvolvimento de talentos
- Cogumelos MágicosO documentário 'Os Fungos Fantásticos' · A compra e o medo de usar cogumelos alucinógenos · A sugestão de usar cogumelos na praia ou no mato · A comparação com o crack e a maconha
- Gripe e resfriadoA diferença entre a gripe masculina e feminina · A gripe do homem como algo místico e mais forte · A gripe do homem como potencializada pelo saco e pau
- Relacionamentos e NamoroO egoísmo como motivo para permanecer solteiro · A dificuldade em encaixar alguém na própria vida · O assédio recebido após a fama · A comparação com mendigo em buffet para descrever o aproveitamento da fama
- Jafar Jackson· CulturaO filme sobre Michael Jackson · A análise da dança de Michael Jackson sem música · A influência de James Brown e Prince em Michael Jackson · A representação da infância e disciplina no filme
- Questões de desigualdade e acesso alimentarA dificuldade em gastar em restaurantes caros · A mania de pegar comida de camarim · A compra de frango assado para levar para casa
- Ereções involuntárias e fisiologia masculinaTomar sol nos ovos para vitamina D · A sensação de recarregar a bateria · A comparação com o carregamento de controle remoto
- Transplante de cabeloA experiência de Afonso Padilha com transplante capilar · A consulta com um dermatologista 'picareta' · O uso de Minoxidil e Dutasterida · A comparação com o médico de Igor 3K
- Qualidade do SonoBarulho de chuva para dormir · Barulho de ventilador · Barulho de baleia · Barulho de aerosol (inalador)
- Humor e ComédiaA inspiração para piadas na vida cotidiana · A escrita de crônicas no Substack · A transformação de experiências em piadas
- A Importância da Disciplina e ConsagraçãoA disciplina rígida dos pais nos anos 90 · A comparação entre o Velho e o Novo Testamento da maternidade · Apanhar para não ser vagabundo e maconheiro
- Impacto da ausência paternaO pai que foi comprar cigarro e nunca mais voltou · A ausência do pai na vida dos filhos · A dificuldade em reconhecer o corpo da mãe
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Salve, salve, família! Bem-vindos a mais um Flow. Eu sou Igor e hoje eu vou conversar com Afonso Padilha, cara. Obrigado por vir aí, pô.
Obrigado você por me receber mesmo depois das falhas. Quase vem um Lorde Vinheteiro, ele tá no Mato Grosso pescando, é por isso que ele não veio.
Às vezes que tu não veio, a gente ligava para os cara que, porra, aí, ó, qualquer coisa, já tem uns cara que fala assim, ó, qualquer coisa me liga aí.
Aí ligava, ligava para o Petri. Mas eles falavam de maneira genérica, será? Porque tem isso, não, qualquer coisa me grita. Acontece alguma coisa, a pessoa grita e fala: "Puta, não vou poder." Como já é de costume a gente fazer isso, não é...
É por isso que vira e mexe tem os caras. Na verdade, o Vinheteiro acabou virando uma outra coisa, né? Ele acabou... É que ele tá com a voz fodida, daí ele tá tendo que dar um tempo. Mas o Petri, por exemplo, a gente já... É comum ligar para ele: "Poxa, chega aí, cara, vamos trocar uma ideia aqui.".
E flui, né?
E tem uma outra característica também nessas relações, que é, por exemplo, tu que pediu, tu que me falou, qual é, bora trocar uma ideia.
É isso mesmo.
Então o que isso quer dizer? Isso quer dizer que eu tenho uns amigos que também me pedem para vir aqui, tá ligado?
Sim, sim, sim.
E aí eu gosto de ficar.
Você tem a liberdade, né?
É, os cara tem a liberdade.
Tem liberdade, tem já, e flui, né? Você fala, mano, o que vamos falar? Não sei, mas eu sei que vai sair, né?
O melhor de tudo é o seguinte, eu É, eu sei que vai ser maneiro porque o cara geralmente quem faz é o cara meu amigo e porra, a gente já tá acostumado a fazer isso aqui, né? Então tu já, tu que tu tá afim de trocar uma ideia e para mim 50% do programa dá certo é o cara querer vir, tá ligado? Então o cara que porra, como você tá afim de vir aí, pô, vambora, pô, como não? Aí eu te ofereci uma cerveja, tu falou que não bebe, né, cara? Vai que muda, né?
Não sei se vai chegar algum momento que vai mudar, tipo de bebida às vezes eu fico assim, ó, Cara, eu não sei o que é ter uma ressaca. Eu não consigo, tipo, eu trabalho escrevendo, eu não sei como descreveria uma ressaca, porque eu não tenho ideia como é uma ressaca. Tu não tem curiosidade? Como você descreveria ressaca?
Cara, é tipo, você tem quantos anos?
37.
Tá bom, daqui a 5 anos vai para uma night, você não foi trabalhar, tá bom? Você saiu à noite com alguém para curtir um show e chegou em casa 3 horas da manhã, No outro dia tu acorda 10 horas da manhã, tu vai saber como é uma ressaca.
Ah não, pô, mas eu com 37 eu já consigo fazer isso aí. Você tá louco, eu fui no carnaval e aí eu fui, não, 2 horas eu vou embora, 2 horas eu vou embora. Quando vê, corta a cena, é 3:30, quase 4 da manhã, eu tinha voo às 10, 9:30. A hora que tocou o despertador, aí 7, eu fiquei assim, ó, não é possível. E eu fiquei podre de sexta, segunda que eu fui me recuperar. Você tá doido? Eu fiquei gripado esses dias porque eu fui dormir 2 horas.
Um pouquinho de dor de cabeça, vai.
É difícil ter dor de cabeça, mas eu já tô nessa fase de vai dormir, você já tá tipo vou dormir sabendo que amanhã eu vou acordar ruim. Puta que pariu, esse é o pior sentimento que tem, que é tipo hoje é quinta, se eu for dormir hoje pensando nossa, amanhã vou acordar ruim, e aí acorda, só que você não tem o que fazer porque vou acordar ruim amanhã, que eu vou fazer hoje?
Nada.
Se eu tomo um remédio, o remédio vai cair no corpo e falar: "Ué, não tem nada pra eu resolver ainda." E aí quando tiver acabando o turno do remédio, tá chegando o turno da gripe. Aí eu me fudi. Eu fiquei ruim, mano. Você pegou essa gripe já que tá passando?
Eu tive um dia que... Todo mundo aqui pegou?
Porque essa gripe é igual aquela santinha dos anos 90, que é de casa em casa, lembra? Com as Nossa Senhora. É isso, pega, pega, pega, pega, pega. Em setembro vai ser a mesma que você vai pegar. Você vai ver, você vai reconhecê-la. Porque ela fica rodando.
Já foi, é a minha vez.
E aí é um ruim escalado, né? 'Nossa, também não tô muito legal. Nossa, terceiro dia eu vou morrer, acabou.' Para mim foi meio isso mesmo.
Teve um dia que eu cheguei em casa e eu fui desligado. Eu cheguei em casa e eu não tive outra opção a não ser ir direto deitar e dormir embaixo de um monte de coberta.
E a gripe do homem, né, que é muito mais forte do que da mulher, né?
Elas não conseguem entender isso.
As mulheres não sabem. A mulher pega a gripe e vai trabalhar. Nós pega a gripe e vamos morrer. É testamento. O gripe do homem, você que tem saco e pau, você tá doido da cabeça. Saco e pau deixa a gripe mais potencializada, muito mais.
Assim, uma coisa até meio mística mesmo, né?
Até as mulheres trans que fizeram a transição tem uma gripe mais fraca porque tirou o saco e pau, que é o que pesa. Mas a gente tem uma medicina, isso aí para viralizar. Tem um, deve ter um estudo em algum lugar, na Tailândia deve ter sobre isso.
Lá na Tailândia é um bom lugar para ter esse tipo de estudo.
Fiquei, e você ficou tipo, eu fiquei 2 dias achando que eu ia morrer. E aí, achei que ia encontrar minha mãe mais cedo. Aí, na sexta, sétimo dia, eu tava assim, ó: caralho, tô melhor. Mas a fadiga ficou. Eu fui ficar bom mesmo quando eu tomei um detergente IP mesmo. Aí, um de coco, tomei o de coco, mano, de 8 em 8 horas. Se alguém tiver gripado, pode tomar, é bala, matou a gripe. E você, mas o detergente IP, caralho.
A gente tá vivendo gostoso na garrafinha.
Aquele cara que fez o vídeo, ele tava com tesão, tu viu, mano? Aquele, o que aquele maluco deve bater de punheta pensando em limpeza, para tia dar limpeza, porque ele tomou, ele mamou o detergente IP. Ele tomou com tanto gosto que eu fiquei assim, cara, deve ser gostoso. Ele tava jogando com tanta vontade na boca dele que eu falei, filha da puta, ainda bem que eu só tenho neutro aqui em casa. Porque, caralho, velho, ele dá uma mordidinha no lábio de quem tá mamando, o IP, né?
Bem gostoso.
Pois é, se arrepender todos os dias, né? Tem umas figuras que você fica pensando às vezes, tipo, quando você tá quieto, você fica assim, tipo esse cara do detergente. É um cara que volta e meia eu tô quietinho aí, eu falo, caralho, o cara tomou detergente, né, mano? Você sozinho, eu tô, sabe? Um que me pega muito, Padre do Balão. Tá. O padre do balão volta e meia assim, eu tô quieto, eu falo: "Caralho, o maluco tentou voar de balão, né, mano?" E os jovens...
E ele é um véio que vai ficar o resto da vida sendo lembrado. Que é isso, pra você ser lembrado você tem que fazer alguma coisa muito idiota. Ou você tem que ser muito foda numa coisa que você tá fazendo, ou muito idiota.
Porra, meu irmão, hoje tá muito mais fácil tu ser lembrado por uma coisa muito idiota.
Porque... Porque você tem canais pra divulgar seu idiotice.
É, meio que tu viraliza até sem querer hoje em dia, né, meu irmão? Então é uma coisa idiota, bem feita assim, bem divulgada.
É isso, tipo voar de balão, tomar um detergente. O cara que colou no retrovisor, no para-brisa lá do caminhão, tá entendendo? O resto da vida, pô. Esse cara, coitado. Eu tenho um pouco de dó dele, porque não importa quantos anos.
Mas tu não lembra da cara dele?
Não lembro da cara dele, mas você sabe, mas os amigos sabem que é ele, entendeu? Até hoje.
Quando que foi? Aquele ali, ó, que é o patriota do caminhão.
2022. Foi. Ah, nós estamos em 2026. Eu tenho certeza que qualquer lugar que esse cara chega, que conhece ele, fez: 'Ei, Ricardo, vem de caminhão?' É isso aí que os cara fala pra ele. 'Vem de quê? De caminhão, Ricardo?' 'Ó, tem um caminhão saindo daqui a pouco, hein, cola no para-brisa dele que eu acho que ele tá no seu caminho.' Cara, parecia um pernilongo de— você já viu B-movie? Que os bichos, os insetos, ele cola no para-brisa para ir para os lugares, tipo. É isso, então você tem que fazer alguma coisa muito idiota.
Pois é, né? É melhor evitar, né, esse tipo de coisa. Deixa eu pensar, se eu fico pensando em alguém, cara, acho que, sei lá, ultimamente eu tenho visto muita coisa de Michael Jackson. Tu viu o filme do Michael Jackson?
Eu vi o filme do Michael Jackson e realmente você sai querendo ver mais coisa. Eu cheguei em casa, fui ver os clipes.
Então eu fiquei nessa, outro dia eu fui mostrar aqui para o Jean, eu botei um vídeo, eu falei só 'Assiste esse vídeo.' Falei: 'Mais nada.' Aí eu só perguntei: 'Tu já viu isso?' Ele: 'Não.' 'Sabe do que se trata não, né?' 'Não.' Aí eu botei para tocar Remember the Time, que é uma música dele do— acho que é do Dangerous, ou do Invincible. É que a primeira vez que eu vi esse vídeo foi no Fantástico. Ele estreou no Fantástico, tá ligado?
Que nem o Black or White. Sim, eles estreavam no Fantástico. Aí é quase um curta, né? Aí daqui a pouco aparece o Michael Jackson rodando no meio de um rodamoinho.
Então eu cheguei em casa, eu fui ver aquele que ele fez a primeira vez, que ele fez um moonwalk, que foi no prêmio, não sei qual prêmio foi lá em Beligim, né? E aí é muito louco porque é que ele é tão foda que ele ultrapassa a barreira do cringe. Mas se você tirar a música do Michael Jackson, se você colocar só o Michael Jackson dançando sem música, Ele é o louquinho do centro.
Não é, discordo, discordo.
Coloca no múltiplo, ele é só um cara fazendo, tá entendendo? Ele é só um louquinho chutando o ar, você faz: caralho! Não deixa ele cantar, não coloca a música, coloca só ele dançando. Pegando no saco assim. Ah, isso deixa mais maluco ainda, é o louquinho que se é gritando. Juro, se você tá andando Aí você vê de longe: "Cara, o que tá acontecendo?" E aí só tem um cara: "Iu! Au!" Girando. E aí ele pega o chapéu e faz aqueles movimentos dele.
Aí joga o chapéu.
E joga o chapéu. E bate a roupa. Do nada, ele bate a roupa assim. E você vê de longe, você tá com a sua esposa, você vai na direção dele e faz: "Vamos atravessar, vamos atravessar." Você vai fazer isso, pô. Tira a música e o "iu! Au!" e os barulhos, você vê. É que ele é pica, não dá muito pra continuar.
Mas ele não tá também fazendo no meio da rua, né, pô?
Não, isso que eu tô falando, mas é... Se você ver, que nem naquele clipe, ele tá sozinho no palco. Eu coloquei sem som. É só um louquinho girando assim, ó. Andando pra trás. É o doidinho do centro, pô.
Mas tu não queria saber fazer, não? Tu sabe sambar miudinho que nem o Belo?
Eu não sei.
Então tu não tem inveja desses caras que sabem?
Não, eu não tô falando que eu não tenho inveja. Total inveja que eu tenho, principalmente do jeito que foi retratado no filme, que parece que ele só nasceu sabendo, né?
Tá maluco, cara. No filme mostra ele estudando o...
O Prince, James Brown, não, mas era um dos, não, não, mas tipo o pai dele fazendo eles ensaiar e todo mundo já cantando, não mostra qual foi o momento que deu a virada assim, parece que ele nasceu com esse dom, mas ele, mas ele é o diferente mesmo assim, tem uma porrada, tem um monte de Jackson, né, inclusive, inclusive você vê nos créditos do filme, né, que os produtores executivos tudo a família Jackson, né, por isso que não tem nada Muito polêmico, as surras são meio veladas.
O ator principal inclusive é o sobrinho dele, o Jafar Jackson, né? Sim, sim, sim. Mas ele estudou pra caralho, James Brown estudou pra caralho, aquele cara do... Já viu um filme das antigas que é O Pequeno Príncipe? Aí tem o livro do Pequeno Príncipe e no filme a cobra é representada por um cara Que é um cara que usa uma roupa preta assim, tipo uma roupa do Michael Jackson, tá ligado? Chapéu e faz uns movimentos igual do Michael Jackson, pega no saco assim, manda as paradinhas, as mesmas coisinhas que assim o Michael Jackson misturou com o James Brown e deu ele.
Então, mas no filme não fala isso. Não. Não, no filme não mostra, mostra tanto que as cenas é mais rápida dos ensaios ali, do pai batendo também. Qual que foi essa sensação dessa? Tipo de ver o que é bem velado, né, o jeito que bate, mas diz que o pai dele batia.
É, o pai dele, a gente sabe que o pai dele, quer dizer, segundo o pai dele, batia nele para caralho, né, neles, né, neles, é, para caralho, não deixava os moleques ser criança, né.
No filme isso é representado de forma bem sutil mesmo, né, tipo vai para um quarto, ele só tira a cinta e aí a nossa memória nostálgica de sua faz, já sei o que vai acontecer.
E o momento que o Michael tá sentado no sofá, ele olha para fora, vê as crianças brincando e o pai dele, vem ensaiar. É, mas a verdade é que se não fosse isso, não tinha Michael Jackson.
É muito louco, né? Tanto que até viralizou a piada do: se o pai do Neymar tivesse batido nele igual bateram no pai do Michael Jackson, batendo, nós tinha 17 copas. Que isso, tá ligado? Mas o problema é que o pai bateu e ele ficou coisa. Quantos da nossa geração não apanhou e não tem um talento? Tá entendendo?
Apoiou para caralho, mas não foi para ser engraçadinho.
Não foi para ser engraçado, pelo contrário, para parar de ser engraçado, tá entendendo? Aí ele, vamos então bater, que a gente faz a correlação: ele apanhou, logo ele ficou mais talentoso porque houve uma cobrança. Então se eu bater no meu filho, ele vai ter— não, você bate no teu filho, só vai virar um loucão mesmo assim, só vai beber e usar drogas. É, vai ter muito talento bebendo, usando drogas.
Não precisava bater, mas cobrar talvez o que ele fez, consertar Certeza foi pegar uma criancinha, né, que é o Michael Jackson. Acho que ele é famoso desde os 5 anos de idade, uma parada assim, né?
Os irmãos dele grande, ele pequeno, né, nos programas.
Pegaram, pegar um moleque e fazer ele treinar exaustivamente. Não, e ele, e eles, e aí a vida do moleque é independente do que ele fosse escolher, né?
Assim, não, não, ali no filme ele não deixa independente do que ele vai escolher, não existe margem para isso.
É isso que você vai fazer, não tem escolha. Tem escolha. E aí, mas aí agora a gente tem o Michael Jackson.
E aí, então, mas será que é herói ou é um filho da puta? Mas será que se aí a gente entra nisso no campo do nunca vamos saber que é, se ele bateu e cobrou e tal, virou talentoso para caralho, mas teve todos os problemas de cabeça que ele teve, de uso de remédio, etc. Se ele tivesse, não tivesse batido Será que mesmo assim ele seria talentoso e talvez hoje estaria vivo? Porque, tá entendendo? Aí você cai nesse lugar difícil, porque a nossa geração tem muito um discurso sobre bater ou não bater no filho.
Você tem mais conhecimento de causa porque você tem filhas. Mas é: "Não, eu apanhei, eu tô bem." Tem muito esse discurso. "Não, eu apanhei, tô bem." Não tá bem. Não tão bem. Não.
Não tem um millennial que tá bem, cara.
"Não, pô, tá tomando detergente. Como é que você tá bem, Ronaldo? Você tá pegando carona em para-brisa de caminhão, Ronaldo." "Eu apanhava todo dia, eu tô legal." Escutando barulho de chuva para dormir. Escutando barulho de chuva para dormir. Não, deixa que eu vou de balão, a gente se encontra lá. Aí, ó, não tá bem, porra.
Hoje eu vi uns cara vendendo um troço que o objetivo do troço é fazer barulho de chuva. O troço faz barulho de chuva. Como é que serve essa porra aí? É para fazer barulho de chuva. Cadê? Deixa eu ver. O cara pega, vira aqui assim, 6 horas de barulho de chuva.
Que aí não precisa colocar no YouTube, que é o pessoal que não quer gastar o 5G e nem esperar chover. Você tá louco, eu tenho uma raiva. Uma vez, eu sou solteiro há muito tempo, uma amiga falando em e aí dormiu lá, dormiu assim, né? Ela ficou para dormir. Aí virei para o meu lado, ela, eu virei para cá, ela virou, ela virou para lá. Eu falei, eu não vou fazer conchinha, horrível. Se é conchinha, eu sou conchinha menor. Do nada começou a— puta, muito melhor ser a conchinha menor.
Puta, é muito, é muito melhor. Eu não sei por que que nós homens chegou nesse de ser a conchinha maior. É horrível ser a conchinha maior para mulher.
É bom a conchinha maior para o homem, tem a ver. "Vou proteger aqui, não sei o quê." Proteger o quê?
Você tá babando na nuca dela, filho. A pessoa que entrar vai roubar os teus órgãos. Você não viu que me roubaram, não? Eu tava dormindo. Você acha que eu vou ficar 100% alerta? Não sou doido, não. Agora, ó a conchinha pra mulher. O homem fazendo a conchinha maior. O braço aqui, um pau duro, que em algum momento você vai ficar com o pau duro. Passando o pau duro nas costas. A mulher só queria dormir, você com o pau duro. Só que você não pode ficar com o pau duro.
Então você fica numa posição toda troncha. Horrível, braço dormente. Agora para nós, ó, nós sendo uma conchinha menor, o homem aqui, a mulher atrás, peito esfregando nas costas, a mão dela tá aqui. Se quiser dar um lau, já dá. É muito, eu sou totalmente a favor. Tô vendendo curso aí de macho beta, quem quiser comprar. Tô eu com a mina, amiga minha lá, do virei para o meu lado, ela virou para o meu lado, do nada começou um Tchá, tchá.
E eu: "Que diabo é isso?" Aí, meu primeiro pensamento de pobre foi: "Cara, minhas roupas no varal." Falei: "Começou a chover." Aí eu olhei e fiz: "Que isso?" Ela falou: "Só consigo dormir com barulho de chuva." Aí eu: "Tá." Aí dormiu.
O que tu não faz pra transar, hein, cara?
Mano, não, já tinha transado. O que você não faz pra só ser simpático? Aí ela dormiu com barulho de chuva e eu com vontade de mijar a noite toda. Eu acordei umas 3 vezes pra mijar, assim, ó. E vai desligar o celular, que é igual o pai dormir no sofá. Véio dormir no sofá, você vai desligar a TV. Ah, tá assistindo, tá assistindo, tá assistindo o quê, ô filho da puta? Véio no sofá, mano, você mexeu no controle, você vai lento, você pega o controle, você faz isso aqui, o véio fez.
Você abre o olho, mexendo nas coisas aí que eu tô vendo. Minha mãe era assim, minha mãe, caralho, mexe no controle para você ver. Então o barulho de chuva é doidinho, apanhou para caralho, tá escutando barulho de chuva. O Márcio coloca, o Marcinho, ele gosta de barulho de ventilador. E hoje tem de tudo, né, cara?
Ele tá falando que ele não liga um ventilador, ele coloca no YouTube ou não pede para Alexa um barulho de ventilador.
Ele gosta do barulho, mas não gosta do vento. É isso que eu tô falando, pô. É o louquinho do centro, só não olhar no olho. Vamos fazer junto, é nosso trabalho, nosso amigo, mas só não olha no olho dele, cara. Todos os tipos, tem barulho de baleia. Você já viu? Eu fui fazer show e aí uma mulher falou: eu escuto barulho de baleia. E aí é a mesma coisa, 12 horas da baleia fazendo barulho. Quer ver? Eu vou colocar aqui. Barulho de pombo, não. Barulho de aerosol.
Caralho, cara, como as pessoas dormem com isso, cara? Então, não faz sentido nenhum.
É ASMR. Só que ao invés de— tem esse aerosol que é o de inalador, que é esse aqui, é de uma cabeça do nebulizador. E tem um que é o—
que gosta de dormir com barulho de motor, cara.
Imagina você se apaixonando por uma pessoa, aí vocês vão ficando, nunca dormiram junto. Porque por algum motivo da vida, é o amor da minha vida, o amor da minha vida, o amor da minha vida.
Primeira noite, ela é casada, né?
É tipo isso, mas o amor da minha vida, primeiro dia que nós vamos dormir junto, filha da puta, só consegue dormir com barulho de aerosol. Você continua ou termina? Termina.
Olha só, só consegue dormir com barulho de aerosol, mas imagine, mas transa contigo todo dia.
Pior ainda, eu não quero transar todo dia, eu quero dormir sem, em silêncio. Transa comigo todo dia, pô. Acabei de falar que eu sei quando eu vou ficar gripado. Você acha que eu— tomar no cu, velho. Vou colocar o barulho de baleia. De baleia é muito doido porque é a baleia. Eu acho que eles pegaram barulho de baleia para dormir, que eu acho que eles pegaram o som da baleia. Um milhão de visualizações. Mil deus, que é o 7 horas de som de baleia.
Agora, onde a pessoa ouviu o barulho de baleia para querer ouvir um barulho de baleia para dormir? Isso é uma água, né? Parece um aquário.
Essa baleia tá meio preguiçosa. Às vezes, imagine você é uma baleia, porque algum momento eles tiveram que fazer essa captação de som. Aí você é uma baleia, você tá só batendo uma punhetinha, você tá batendo uma punhetinha de boa, do nada você faz: mano, tão me filmando? Uma noite de baleia, maluco, com gravador de kumbum, e o cara chegando mais perto fez: Respeita aí, cara! Os peixes falando: Roberto, tão filmando você ali, ó.
Essa porra de National Geographic. A baleia só batendo uma punhetinha de boa e os cara com um boom assim: é isso, não para, não para gritando.
Que merda, né, cara? Pois é, né?
Ainda bem que— Mas eu não, eu sou a pessoa que eu não gosto de som nenhum e gosto de tudo escuro. Escuridão. Se tiver, viajo muito, né, fico muito em hotel.
Mas é só na imaginação então? Tu não vê um videozinho no celular?
Do quê? Ah, você tá falando da punheta ainda? Eu tava falando de dormir, eu já tinha mudado de tema. Mas tá, não, não consigo imaginar. Sabe o que eu descobri? Eu tô fazendo teste para descobrir se eu sou louquinho, louquinho do centro.
Tá fazendo teste para ver qual é?
Qual é? Tá, tá. É qual caixa que vão me colocar, né? Aí ainda, você já fez?
Não, cara, não precisa, tá provado, obviamente. Olha, eu fico pensando que todo mundo, se tu olhar muito de perto assim, os cara tem um negocinho, né?
Não, mas eu acho que todo é o problema de jogar na conta de todo mundo. Se todo mundo é louco, ninguém é louco. Então, mas é que eu acho que todo mundo é porque o conceito de louco, a gente tá falando de transtornos para tentar descobrir, tipo TDAH, autismo, qual onde você tá.
Mas é que eu acho que eles são mais, muito mais comuns mesmo do que a gente, do que A gente pensa com toda certeza.
Eu tava falando hoje com o meu barbeiro. Com o meu barbeiro não, porque ele não é meu e eu fui poucas vezes ainda, a ponto de eu ter um relacionamento com ele. Meu barbeiro mesmo é o Thiessley, lá de Curitiba. Mas eu tenho um em São Paulo, porque eu ia todo mês pra Curitiba, mas agora não vou mais por motivo de força maior. Mas eu tenho um que atende o Thiago, eu peguei uma amizade com ele. Eu tive duas cenas muito engraçadas, que foi uma que ele tava cortando meu cabelo, aí eu sou míope, durante o dia eu uso óculos escuros de grau.
Aí eu tava com óculos escuro de grau, eu tirei, ele me deu o óculos e falou: "Caralho, eu também preciso de óculos, hein." Barbeiro, tá? Com a porra de uma navalha, o filho da puta. Fechando: "Não, também preciso de óculos." Eu falei: "Ah, o seu é pra quê? Pra perto ou pra longe?" Ele falou: " Pros dois." Falei: "É foda, né? Tem que falar." E eu com o cabelo todo torto, que o cara não quer admitir. E outro foi o do... Que a gente tava falando sobre transtornos, etc.
E ele falou: cara, eu tô com problema de ansiedade também. Ele falou para mim: minha mão treme do nada. Eu falei: e o maluco com a navalha me contando isso? Tomara que ele esteja bem hoje, tomara que hoje em casa tenha dado tudo certo. Eu comecei a tentar acalmar ele, né, fazer uns barulho de baleia para ver se ele acalma. Mas a gente tava falando sobre isso, que os louquinhos, esses transtornos TDAH, Autismo, etc. Foda falar, ó, louquinho que isso aí para me cancelar, dois toques.
Mas essas coisas, ansiedade, já tinha nos anos 90, sempre existiu. É que agora a gente tá diagnosticando, agora a gente tá se preocupando com isso daí. Antigamente era frescura, isso é frescura. Ó, meu primo tá com, o filho da tia lá tá com depressão, não consegue sair do quarto. Isso é preguiça, isso aí é falta de surra. As pessoas tinham essas maluquices, cara.
Quando eu era moleque, quando tinha, sei lá, 15 anos, eu achava que psicólogo, psiquiatra, Aí era tudo coisa de maluco, entendeu? Maluco, inclusive, o moleque que ficava lá embaixo lá, que era o doidinho do bairro lá, soltando pipa sem pipa.
É isso, eu gostava muito dessas pessoas. Na minha rua tinha dois doidinhos, que era o Volkswagen, que é um louquinho que ficava só com o volante, ele não tinha nenhuma outra parte do carro, ele tinha só o volante só. E aí ele ficava... e saía, ele virava, filho, ele ia virar... "Ok, eu vou virar aqui." Ele virava o volante, dava ré, pi, pi, pi. E era carro grande, porque ele dava ré, ele fazia barulho. Nós falava: "Ei, fala Volkswagen." E ele: "Mip, mip." Ele dava buzinadinha.
O doidinho do centro. A mãe falava: "Não é pra ficar falando com ele. Quer ficar igual o Volkswagen? Você quer ficar igual o Volkswagen, é? Não olha no olho dele, não olha no olho dele." Eu falei: "Mãe, ele é de boa." Uma vez nós estávamos voltando da escola, o Volkswagen passou, parou com o volante na mão, falou: "Quer carona?" "Quer carona, pô?" O que que você falou? Ah, nós falamos: "Não, vamos a pé, vamos a pé, Volkswagen." Ele falou: "Tá bom." Mano, ele arrancou de, assim, ó, com o volantão dele, e ele dava um impulso de quem tá, sabe quando o carro acelera?
Uma vez, um amigo meu era filha da puta, ele falou: "Vou Volkswagen." "Não troca de marcha não?" Ele falava: "Automático, automático." Isso aí, o doidinho. Eu gosto muito desses doidinhos. Você tem noção que o que que tem que dar errado na nossa vida?
O Oil Man era um doidinho.
Contou. É sério que você tinha dúvida? Para quem não tem ideia de quem é Oil Man, a gente que é de lá sabe. Ele era uma figura, uma personalidade de Curitiba, que é um cara que andava de sunga, e não era sunga boxe não, ele andava com as sunguinhas cavadas, parecia o Steven Seagal. E tem a imagem dele, não precisa nem descrever, nós estamos na podcast, dá para descrever isso. E ele andava besuntado de óleo, detalhe, bicicleta, né?
Mas ele não andava de bicicleta, ele só empurrava aquele filho da puta. Eu acho que ele não sabe andar. Ó a bundinha dele lá, é isso aí, ele só andava.
Essa cuequinha dele era foda mesmo.
E aí ele se besuntava de óleo em Curitiba, 2 graus, 3 graus, não importa o frio que tava. Eu já vi ele de sunga e cachecol, que eu achei muito Bom isso daí. Não é possível que você não achava, você tinha dúvida se ele era louco?
Aí deu certo, ele foi até no Danilo Gentili, pô.
Não, ele foi um monte de lugar, mano. Ele foi, eu acho que ele foi um dos que foi no Jô, é dos louquinhos que foi no Jô. E ele morreu, né?
Sabe que ele morreu? Então eu tava vendo que ele morreu inclusive ali, ó, no dia do aniversário de Curitiba.
De Curitiba ele morreu. Aí não foi nem enterrado nem cremado, jogaram ele na air fryer. Então ele era esse doidinho, entendeu? Ele era o doidinho. O outro tinha o Beto Carreto, o outro louco que era do meu bairro. Eu era do Jardim Cláudio, Pinhais, Jardim Cláudio. Tinha o Beto Carreto, que é um cara que ele tinha uma empresa de mudança, tá? E aí, tudo direitinho. Não, não, ele tinha mesmo. Ele é daqueles casos de, você já viu esses doidos que as pessoas falam?
Tá vendo aquele doido ali? Maior advogado que já teve em São Paulo. Ficou doido, entendeu? Esse é meu medo. Mas é, você tem que ser—
tem que acontecer para rolar.
Esse é meu medo, porque você não sabe. E aí você olha para o doidinho, faz: caralho, mano, podia, pode ser eu em algum momento. Se é você pegar uma curva errada, foi para o caralho, cara. Ó, o do Beto Carreto, que acontece, ele era casado, tinha tipo 3, 4 caminhão de fazer Mudança, caminhãozinho e tal. A mulher dele traiu ele pra caralho, descobriu. Aí ficou meio louco, começou a beber pra caralho, foi perdendo um caminhão, dois caminhões, três caminhões, quatro, perdeu tudo, a empresa, começou a morar na rua.
E aí ele virou doidinho, virou doidinho da rua. E ele ficava fazendo igual o Beto Carreiro, mas de chicote, só que sem chicote. E ele ficava fazendo assim um barulho de—
mas sempre uma tragédia, né, meu irmão?
É sempre uma coisa É sempre uma tragédia assim que destrói mesmo. É uma droga muito forte. Lembra do chá de fita? Isso aí. Que falava: Fulano tomou um chá de fita e nunca mais voltou.
Esse daí tem umas histórias que os cara nunca mais voltaram mesmo. Mas também, né, meu irmão? Tu não acha que o cara fez um chá de fita, tem que se fuder, não tem?
Não sei se tem que se fuder, porque eu acho que deve ser muito gostoso. E quantos realmente enrola a fita e não consegue voltar mais? Entendeu? É, quantos deve ter tomado? Muita gente tomou. E naquela pessoa, o ayahuasca, que as pessoas falam, às vezes o cara já tem um louquinho dentro dele, só tava esperando abrir, falar: vai, pode ir.
Mas é que assim, tem uma diferença essencial, que o chá de fita, a gente tá falando de pegar chumbo, pegar uns metais pesados que é tóxico, que o troço é alucinógeno. Não é troço, ele até acaba tendo efeito alucinógeno, Mas ele é um, ele é metal, ele é um troço, não é, não deu na natureza, tá ligado? Não é um cogumelo que também mata, inclusive me parece, né? Eu não sei, não conheço muito disso.
Eu acho que se passar, eu já, eu já vi um documentário já que tem que é muito bom, chama Os Fungos Fantásticos.
Cara, eu já, eu já, eu já coloquei na minha listinha para ver, mas não, para caralho, esse documentário.
E aí eu assisti É uma grande propaganda sobre psicodélicos. Quando terminou, falei: vou tomar uns cogumelos. E aí? Não uso nada de droga. Fui no Google, não sei, né, como é que funciona isso. Cogumelos alucinógenos. Aí apareceu, vende legal assim, você consegue comprar pelo Correios. Aí comprei.
Mas aí tu arregou?
Não, calma, também não é assim. Comprei, comprei, chegou em casa, e era cápsula ainda, não precisa nem comer. Na verdade, eu comprei Primeiro cápsula, depois eu comprei o desidratado, que é para comer. Aí chegou em casa, eu falei: vou comer isso daí, vou comer, vou escrever um livro, vou escrever alguma coisa. Eu queria ficar mais inteligente, criativo. Aí eu fiz, vou tomar. Aí eu comecei a entrar numa neura de: cara, mas sozinho em casa, sozinho é foda.
Vai ser, eu tomo, bate errado, eu no quinto andar, ah, sei voar, virei um Mario, vou comer um negócio aí, sai cantando. Não vou. Aí fui deixando, deixando, deixando. Venceu. Eu não sabia nem que vencia drogas. Sabia que drogas vence?
Olha, acho que especialmente as que são naturais, como cogumelo, estraga.
Mas esse era desidratado. Mas aí eu olhei e assim ficou um tempão. Aí um dia eu falei, vou tomar essa porra. Aí eu olhei, era sei lá setembro, aí tava venceu em maio. Aí eu falei, mano, eu não sei, eu não sei o cheiro, né? Porque se é uma coisa do dia a dia, a gente cheira, faz 'Não, tá com cheiro de que eu não vou morrer não.' E dá para, ó, aí você pede para alguém, né? Sempre pede para alguém, né? Que você não confia no seu olfato.
'Não, tá com cheiro de bom.' 'Vê se tá com cheiro de bom.' Aí se a pessoa fala 'não tá com cheiro de bom', você precisa de um terceiro, né, para desempatar. Você faz 'não, ó, eu não sei não.' 'Não, deixa, vê se tá com cheiro de bom.' A pessoa fala 'tá com cheiro de bom', você fala 'então vou arriscar porque é dois contra um'. Agora você fala 'não tá com cheiro de bom', você fala 'não, vou jogar fora'. Agora o cogumelo eu fiz, fiquei com medo, joguei fora.
Aí comprei o desidratado. Fiquei meio assim. Aí mandei mensagem para meus amigos drogados que usam drogas, que é o Tiago e mandei para o Rodrigo. Aí um falou: 'Ah, mano, melhor jeito de tomar cogumelo é praia. Vai para praia, toma um cogumelo, olha o mar, não sei o quê.' Aí o outro falou: 'Mano, meio do mato é legal, que você vai se conectar com a natureza.' Eu falei: 'Meu amigo, eu não quero.' Se eu fosse viajar, eu não quero viajar.
Eu comprei drogas para viajar sem sair de casa. Esse é a propaganda do cogumelo: viaje sem sair de casa. Aí eu falei: não, venceu também, não vou tomar, não vou viajar para tomar essa porra. Por isso que é bom crack. O crack, qualquer lugarzinho é lugar. Crack, qualquer lugar é lugar.
Mas se tu for perguntar para o Thiago, ele vai falar que ganja é qualquer lugar.
Lugar também, também. Mas a maconha eu já fumei, não me pega muito não. Ah, cara, eu acho que eu comi 7 manga, mas é porque eu gosto de manga. Droga, né? Não tem nada a ver.
Já experimentou comer um chocolatinho, por exemplo?
O quê? Comer a maconha? Não. Eu, sabe, eu herdei da minha mãe agora os olhinhos, né, da maconha. Minha mãe tava tomando óleo de canabidiol. Na verdade, ela começou com as dores, umas coisas, e aí ela tava tomando muito remédio. Aí eu falei, eu falei com o Thiago, Thiago falou: cara, fala para ela tomar óleo de canabidiol. Aí o Thiago conseguiu óleo de canabidiol para um pequenininho, ilegal, né, Dr. Thiago Ventura. Aí eu falei: mãe, toma.
Não, depois de velha, maconheira. Minha mãe tinha todos esses preconceitos. Ela falou: não vou tomar. Eu falei: mãe, é bom. Aí eu consegui, o Thiago mandou um áudio: tia, 3 gotinhas antes de dormir, debaixo da língua, 3 gotinhas, apaga, tá? Eu que fumo maconha, 3 já me apaga, então 3, tia, tá? Deixei com a minha mãe. 2 semanas depois, caralho, a maconha! Falei: mãe, tá funcionando? Ela falou: 11 me derruba. A velha tava tomando de no gargalo, filho.
Aí ela gostou muito, a ponto da gente procurar um médico para receitar de maneira legal. E aí ela conseguiu pela Anvisa. E aí, os últimos tempos agora, ela tava tomando ano Ano passado ela tomava 3 quando acordava para ficar um dia legal, 4, 5 antes do almoço e 5 antes de dormir. A véia tava, acabava o óleo dela, ela ficava assim: tem óleo, tem óleo aí. Ela ficava igual uma fissurada, ela jogava azeite embaixo da língua para tentar amenizar um pouco a fissura do óleo.
Agora ela foi cremada, né? Minha mãe morreu, foi cremada. Nós com medo de subir o cheiro, não sei se sobe o cheiro, sei lá, nós temperamos, ela ficou marinando 1 ano no óleo, dia No olho de canabidiol, do nada sumiu na fumaça, todo mundo assim: "Caralho, ela morreu mesmo, né?" Todo mundo rindo. É legal, é legal.
Cara, então, sobre isso, a gente tava conversando antes aqui.
Antes, a gente falou.
É, que porra, a gente tava falando um pouco mais sério, porque eu te perguntei, cara, tu, quando a gente, várias vezes que a gente conversou, tu me falava como me fez parecer ao longo da vida que boa parte do teu sucesso era para poder dar uma vida, uma velhice legal para tua mãe, né? Muito, muito.
Acho que de maneira até quase inconsciente em algum momento. Foi depois de maneira consciente quando o dinheiro começou a entrar e eu consegui canalizar, mas eu acho que o desejo da Vitória era para conseguir recompensar tudo que ela abriu mão, né? E ela não conseguiu ter porque o mundo é injusto mesmo. E aí Conseguiu nos 45 segundos.
Então, é, conseguiu aos 45 segundos. E aí rolou, porra, tem aquela história foda que tu conta lá dos móvel planejado lá, uma porrada de coisa que foi acontecendo por conta dessa relação que vocês tinham, né? Tipo, ir para Curitiba toda semana, todo mês.
Então, eu quando comecei a ganhar um dinheiro, isso é muito louco, que eu tenho pensado muito sobre isso. Quando eu comecei a trabalhar, eu comecei a trabalhar 14 para 15 anos. É, eu trabalhei, fiz um estágio de telemarketing, eu ganhava R$150, dava 100 para minha mãe, ficava com 50. Então eu sempre amadureci ali, pelo menos dentro de casa, de uma maneira muito rápida, porque minha mãe trabalhava sozinha. Então minha mãe foi, eu tive, eu e meu irmão mais velho em Curitiba, a gente veio para São Paulo quando tinha 45 dias, 50, ficamos aqui até os meus 6, 7 anos.
Aí meu pai foi embora, traiu ela, foi comprar cigarro, que é o clássico que eu sempre falo. A gente voltou para Curitiba, ela foi criando só 2 filhos, aí se ajuntou mais uma vez, né, que o pobre não casa, se ajunta. Se ajuntou com mais um tralha lá também, que teve meu irmão mais novo, e o cara também, porra louca, foi embora desses clássicos dos anos 90, bebia e violência e etc. Mas minha mãe não aceitava desaforo. Então um dia, sei lá, chegou bêbado, bateu nela, falou: não preciso de homem nenhum na minha vida para me atrapalhar.
Foi. E aí ela criou a gente sozinha. E aí eu não sei como isso aí, fazendo terapia mais aprofundada, a gente vai chegar nesse momento, que é eu percebi cedo que eu não podia atrapalhar. Porque imagine, se é uma pessoa sozinha que ganha R$400 criando 3 filhos, tendo que pagar conta, tudo, se eu der problema, é mais um problema para ela. Então eu ajudava assim, eu lembro de criança do meu irmão mais novo. Eu tenho irmão de 30 anos e um de 42.
Eu com 7, quando eu tinha, sei lá, 9, 10 anos, meu irmão mais novo tinha 2, 2, 3. Eu levar ele na creche, eu com 9 anos. Então minha mãe ia trabalhar 7 da manhã, eu pegava ele, levava ele na creche, ia para escola, tinha uma autorização para sair 10 minutos mais cedo para pegar meu irmão, levar ele para casa, fazer almoço para ele com 9, 10 anos assim, limpava a casa. E eu sempre tentei ajudar porque eu via que era muito difícil para ela essa Essa coisa.
Então isso foi meio ficando de alguma maneira inconsciente, entrando no meu subconsciente de: "Porra, eu preciso vencer pra conseguir de alguma forma agradecer ela." Então acho que todo o dinheiro que eu ganhei, tudo que eu tenho, foi meio que pra minha mãe, assim. Tanto que eu nunca gastei comigo. Agora que eu comprei um apartamento pra mim e só.
Mas como é que tá sendo lidar com isso, cara? Porque assim, eu já vi que tu já foi ao palco, já fez piada e tudo mais.
Eu fiz piada no velório.
Porque, bom, dessa eu não sabia.
É, não foi porque minha mãe morreu, morreu no sábado. A história, não sei se você conhece a história, minha mãe tava passando por um câncer. E aí eu sei um tanto, assim, que eu tava te falando aqui, ó, eu sei que ela tava com câncer, eu sei que a gente teve dois programas que eu vim aqui, lembra que foi anunciado que tu, porra, eu não vou dar rolar, minha mãe morreu. Mas é porque a gente não quer, porque quando você fala para outra pessoa parece que você tá transferindo e querendo dividir um fardo que talvez não é dela. Talvez é coisa da nossa cabeça também.
É tua parada de não querer atrapalhar, eu sei como é que é.
Eu também não gosto de atrapalhar os outros. Aí eu marquei, tanto que eu que pedi, eu falei, mano, tinha acabado de fazer o transplante capilar, e eu lembro que a gente brincava muito disso. E aí eu falei, porra, vamos fazer um programa que agora tá crescendo meu cabelo e tal. Aí você falou na hora, só a Dani já me chamou, gente boa pra caralho, marcou. Aí na semana que marcou, eu tinha, eu fiquei lá porque ela tava fazendo tratamento de quimioterapia.
Então toda vez que eu ia lá, eu ficava um pouquinho mais. Aí na outra vez remarcou, vamos de novo, vamos. Ela internou, aí eu chamei o Vinheteiro, as duas, aí internou. Aí eu lembro, foi até engraçado, será que eu tenho esse áudio seu? A gente, ah não, falei, a gente falou por telefone, eu mandei mensagem para você, porra, tá por aí? Isso era terça para quarta, o programa na quarta. Aí, e lá vem Posso falar com você no telefone?
Não ligo para ninguém, então odeio falar no telefone. Aí te liguei, o Igor já começou assim: Ih, olha lá, já vai, já vai o Miguel, qualquer desculpa agora. Você tava em algum lugar? Eu acho que você tava aqui, acabou de terminar o show.
Eu tava dentro do estúdio do Flow News.
E lá vem, com aquele jeito de carioca mais folgado de todos, bicho. E lá vem ele, não sei o quê. E eu sem querer pensar o quê, falei: não, não.
Eu também, quando acabou essa ligação, eu fiquei o tio do maior cuzão do planeta Terra, e seu sotaque potencializou.
Aí eu fiz: não, mano, não é. E eu tentando só não falar. Aí você: e aí, carioca pra caralho. Aí eu fiz: ah não, cara, que minha mãe tá— eu falei do jeito muito empaçã assim, de: não, minha mãe tá passando por um câncer aí, bicho, aí eu não vou conseguir. Aí ele parou na hora, ele ficou assim: Sabia não, cara. Perdeu o sotaque, velho, virou paulista. Meu, não sabia, pô, velho, foi mal aí. E aí eu fiz: não, não, tá tudo bem, eu não tô esperando mais ninguém, tá precisando de alguma coisa?
Não, não, fica em paz, fica em paz, fica em paz. Falou: desculpa aí, mano, tá demais. Não, não, não, não, não, não, não. Ele ficou todo sem graça, ligou na hora pro vinheteiro, pro Petri. Ai, caralho. E aí ela tava nesse tratamento contra câncer. Diga-se de passagem, ela venceu o câncer porque ela ficou 8 meses fazendo um tratamento de quimioterapia toda sexta-feira, que deixa a pessoa estrupiada, tá, o tratamento toda sexta-feira.
Então ela fazia sexta, sábado ela acordava de boa ainda, final de tarde tava ruim, domingo ruim, segunda para terça ela tava já: ah, não tô de boa. Aí sexta Outra porrada. E aí ela começou a fazer esse tratamento, fazer esse tratamento. Quando ela começou, até já pegando o gancho no show, eu falei: vou fazer um show em homenagem à minha mãe. Eu tinha umas piadas já dela, inéditas, né, que eu já tava fazendo, que ela tomou um golpe no WhatsApp.
Minha mãe sempre foi muito fonte de inspiração, que eu olhava e falava: cara, não tem como não falar sobre isso, que ainda está muito no meu cotidiano. Aí já tinha uns textos. A minha cabeça era: quando ela terminar o tratamento do câncer, tiver tudo certinho, vou fazer um show que vai chamar Musa Inspiradora, que é todas as piadas que eu fiz ao longo da vida. Ela me inspirou e agora tem mais essas piadas. E aí eu vou deixar ela em paz um pouco e não vou mais falar dela.
Aí ela fez o tratamento, venceu o câncer, mas teve uma complicação, não foi uma parada cardiorrespiratória, né, que aí é o bagulho do pulmão, água no pulmão, vai indo do nadão. Não, do nada, porque ela já fez os 8 meses de tratamento Ela tava fraca, né, cara? Aí terminou o tratamento, agora vamos preparar para o autotransplante, que o dela era na medula, só que era de sangue, só que não a leucemia, que a leucemia é transplante de terceiro.
Dela era autotransplante, tirar a medula dela, trataram e devolveram. Só que nesse tirar, zero imunidade. Quando devolve, fica igual um bebê. Então tava ela e minha tia Alice, que ficou com ela no quarto todos os dias e passou cuidando dela. Aliás, Beijo para minha tia, foi um anjo. Muito amizade delas, além de irmãs, ela tinha uma amizade muito forte, tanto ela quanto a tia Cidinha. Minha tia Alice ficou junto com ela lá. A gente podia visitar ela só domingo e quarta, e só duas pessoas, e uma por vez.
Todo aqueles bagulho de filme Contágio, assim, tava todo encapotado. Visitei ela domingo, meu irmão mais velho que morava do Cabo tava em Curitiba cuidando da casa e ficando com ela, e meu irmão mais novo tava em Portugal. A gente falou, não, ela terminando tratamento, você vem para a gente Fazer quarta, domingo eu fui visitar ela, não fui no show do 4 Amigos para sair de Macaé para ir lá para Curitiba. Visitei ela na quarta, só que ela já tava meio chapada no domingo, tá?
Uma semana, uma semana antes da Páscoa. E aí no outro domingo já tava programado para ir para lá na Páscoa, passar Páscoa com ela, almoçar, fazer show à noite e ficar a semana toda com ela. Quarta-feira meu irmão falou: ah, nem adianta vir porque ela tá muito chapada de morfina. Que ela já tava meio, sei lá, eu já tava acostumado a ver ela chapada por causa do negócio do canabidiol, mas ali ela tava muito mais chapada. Meu irmão falou: vem, vem já final de semana.
Falei: beleza. Sábado a gente ia estrear um show do 4 Amigos e Culpa do Cabral, Culpa dos Amigos chama, show legal para caralho, 3 sessões no Vibra, uma 2 da tarde, uma 6 da tarde, uma 10 da tarde, 4 mil pessoas cada sessão. Não, show gigante assim, para a gente ia ser um marco. Tô indo pro, tô indo almoçar, comer alguma coisa. Minha tia fala: sua mãe tá indo para UTI, mas tá tudo bem, é só para ficar mais sob observação a respiração dela, tá?
Temos a notícia boa que pegou a medula, então deu tudo certo. Falei: beleza, adianta eu ir? Minha tia falou: não adianta você vir porque você não vai conseguir entrar na UTI, você não pode entrar no quarto, quarto só domingo. Falei: então vou fazer o show e amanhã eu vou. Mantém tudo? Mantém. Mandei mensagem para o meu irmão: a mãe tá no UTI. Ele falou: tô sabendo. Falei: vê quantas pessoas tem no hospital, porque ela ficou 20 dias, minha mãe ficou internada.
Vê quantas pessoas que são dessa área que é totalmente isolada dela. Falei com a minha tia, minha tia falou: 20. Eu falei: então compra uns chocolates, compra caixa de bombom e compra um Kinder Ovo para cada uma, que amanhã a gente já leva chocolate. Beleza, a vida seguindo normal. Porque tanto que você até brincou quando eu falei de: não, só doação, só cancerzinho rapidinho, vai passar.
Não, é porque tu fez um post falando, dizendo que a tua mãe tinha vencido o câncer e tal, que tava precisando da E que precisava de, que tava fazendo, não era nem para ela, mas é que tava precisando.
É porque o dela era O negativo, era mais difícil de conseguir, mas ao mesmo tempo ela já, para essas pessoas que fazem cirurgia muito sensível, eles já tem uma bolsas separado. Só que aí quando eu fui lá, a mulher me reconheceu, a mulher do lado do Erasto Gettling, que foi um atendimento fantástico que eles fizeram para minha mãe lá. Aí a mulher fez, pô, tirar foto, tirar foto no negócio de sangue, fez 'Kara, você podia divulgar, né?' Eu falei: 'Com toda certeza eu posso divulgar.' E aí eu esperei o momento certo, que eu nunca tinha falado sobre minha mãe tá doente.
E aí usei o canhão que tem ali na rede social e divulguei, tanto que deu fila, o estoque subiu, foi legal para caralho. Assim, muita gente doando, muita gente doando, foi maneiro isso. E então no sábado falei para meus irmãos: 'Meu irmão, eu tinha que ir para o teatro a 1 e pouco, 1:15 o carro passou me pegar.' Aí eu comecei a conversar com uma amiga minha, médica até. Ó, minha mãe teve isso daqui, tudo bem? Ela falou tudo bem, é normal isso daí, vai para UTI, mas para observação.
Fui para o show, 2 horas começava. A gente subiu no palco, era eu, Thiago, Nando, Cambota, Rodrigo Marques, Márcio e o Di. Aí fizeram uma abertura bonita para caralho, que era ir acendendo as luzes e mostrava cada um. E aí todo mundo saía, o show começava. Então Afonso Padilha, Thiago Ventura, Saiu todo mundo, tô eu no camarim. Era Cambota, abria na sequência era o Márcio Donato, Nando e eu. Quando tava no Márcio, tocou meu celular, meu irmão.
Aí eu fiz: eita merda, para entrar no palco, tava para entrar no palco, tava no camarim anotando as piadas que eu ia fazer. Atendi, meu irmão falou: mano, não aguentou e tal, chorando para caralho. Desligou, começou a chorar. Você tá tudo bem? Tudo bem. Aí desliguei e fiquei meio em choque assim. "Lucozzi, e agora?" Comecei a chorar pra caralho. Já avisei: "Eu não anunciei." O que é preocupação também de show, né? A gente tá tão no automático de fazer show.
Falei: "Avisa pra não me chamar, tá? Avisa pra não me chamar." "Não, não, tá tudo bem, tudo bem." Aí veio os moleque, começou a me dar um apoio ali. E meu pensamento já era: "Puta, meu irmão tá em Portugal, tem que trazer ele. Minhas tias tão aqui." Então já fui falando com a produção, mesmo sabendo tudo que aconteceu.
Tem que ser prático, né?
Tem que ser prático. E aí já compraram uma passagem pra eu ir. Fui 5 e pouco da tarde, cheguei lá, já foi conhecer corpo. Então tudo um turbilhão de coisa acontecendo. E aí no dia seguinte teve o velório. Só que aí, como você, não sei se já perdeu alguém muito próximo.
Não, mas meu pai tá bem velhinho.
Tem gente que você fica em choque, tem gente que fica em choque, não consegue fazer nada. E tem gente que eu meio tentando, mano, vou fazer as coisas porque ela morreu, mas as coisas precisam acontecer. Para que as pessoas possam saber, etc. Junto com a minha produtora, a Ju, a gente foi organizando tudo, tanto que eu pousei em Curitiba, fui para casa, tomei um café, dei um abraço no meu irmão, já tinha bastante familiares lá.
Aí tem que reconhecer corpo, tem que ir no bagulho para liberar o IML, liberar para o funerário, não sei o quê. Quer que eu vou? Não, não, deixa que eu vou. Aí fui dirigindo, até aconteceu uma coisa engraçada, que quando eu parei no semáforo Saindo de casa, parei no semáforo, tinha um cara vendendo paçoca. Então eu saí para reconhecer o corpo da minha mãe, e aí um cara vendendo paçoca, com a caixinha de paçoca, ainda chorando, assimilando tudo, parou o carro.
Aí eu com o vidro aberto para bater um vento, o cara fez: "Cara, você é o Afonso? Afonso, não sei o quê." Me reconheceu. Aí fez: "Pô, e aí, tudo bem?" Eu falei: "Mano, não vou mentir, não tá muito bem não." Que a gente no automático fala tudo bem. Falei: "Tá muito bem não." Ele falou: porra, espero que melhore aí, seus próximos dias seja melhor. Tô aqui com os docinhos aqui. O cara começou a falar, aí eu fiz: quanto que é? Ele falou: tanto.
Eu falei: dá a caixa toda aqui. Aí fiz um Pix para ele. Então eu saí para reconhecer minha mãe, voltei com a caixa de paçoca. Aí meus tios fez: que que é essa caixa de paçoca? Eu falei: não, eles te dão para consolar. Toda vez que morre alguém, quando você reconhece, tem certeza que a pessoa, eles te dão uma caixa de paçoca. Então meus tios acham até agora que se morrer alguém, eles vão reconhecer Falar: "É ele mesmo." E vai ficar parado esperando a caixa de paçoca.
Agora tu explanou, né?
E agora toda vez... Tomara que eles não assistam o Flow. E toda vez que eu ver paçoca, eu vou lembrar da minha mãe morta. Agora também tem isso. Putz, estragou meu melhor doce. Filha da puta! Devia ter sido um doce ruim. Fui pra Curitiba resolver tudo. E aí o que aconteceu foi o da piada que a gente falou. Eu fiz piada no velório porque... Aconteceram algumas coisas engraçadas no velório, porque quanto mais sério o ambiente, mais a piada tá rondando o lugar, tá entendendo?
Ele tá a todo momento, tá acontecendo. Então tem uma coisa que eu não gosto muito de abraço, gosto, sou eu, sou meio estranho. Talvez lá no laudo, lá na frente, a gente descubra o porquê.
Quando tu chegou aqui, eu te dei um abraço.
Não, não, mas eu não gosto de abraço de gente desconhecida. E aí no velório, minha mãe conhecia muita gente. Então todo mundo me abraçava, e é uns abraços longos, né, de quando você, quando morre alguém, né, tipo, tá te consolando. Aquele momento que você já não tá mais querendo abraçar e a pessoa ainda tá colada em você igual um rapaz. Chega o momento que a pessoa tá tanto tempo te abraçando e parece que você tá consolando ela.
Aí me abraçando, e minha mãe sabia disso, então em algum lugar ela devia estar rindo pra caralho, de: ah, é, não gostava de Toma, vai, besta! Música, teve o bagulho da música, foi engraçado, que podia escolher a música. Eu queria escolher Boate Azul porque minha mãe gostava muito, mas ao mesmo tempo não ia dar para colocar Boate Azul, que é uma puta música de puteiro, tá? Eu falei, não, não dá para escolher. Quando reuniu que termina, galera achar que tava no Gato Preto, vamos ver quem que é a puta que morreu.
Nossa, puta velha no caixão, minha mãe deitada, peruca azul, toda maquiada. A hora que terminou, tocou Naquela Mesa, que é ótima música, e mais uma da igreja muito bonita que minha mãe gostava. Quando terminou, as pessoas ficam paradas, né? Já foi em velório, que aí terminou, faz o quê? Não, vai cada um para tua casa, né? Aí ela não vai fazer nada porque ela já tá morta. Só que ficou um silêncio.
Tu fez o quê?
Aí meus irmãos me cutucaram e falou: fala alguma coisa. Aí eu falei: é sério que vocês vão colocar eu? Aí eu fiz: gente, muito obrigado. Aí muita gente, muita gente feia. Como minha mãe conhecia gente feia. Meu Deus, bicho!
Qual é a faixa etária?
A faixa etária era de 29 a já morri, tô sendo carregado igual o Tio Paulo. Que tinha umas véia, caralho, que teve gente que parou do lado da véia que tava sentada achando que ela era o defunto. Tem umas pessoas parou, a véia se mexeu, fez: e o defunto tá se mexendo? Não, morto é o outro, filho. É que umas véia, véia, sabe que tosse Gritando, falando em véia, já volto para esse assunto. Só lembrei, eu fui fazer show em Lorena, 3 semanas depois que minha mãe morreu.
Veio uma véia, véia de uns todos os anos, assim, ó, véia, mano, ela foi cozinheira da Santa Ceia, a véia. Véia, véia, véia, véia. Aí levou uma flor para mim. Gostava muito da sua mãe pelas piadas que você contava, sei o carinho que você tinha. A véia, véia, olha para mim, faz: também perdi minha mãe. E eu falando: "Não, a sério?" Uma vontade de falar: "Se a sua mãe tivesse viva e a minha morreu, eu ia ficar puto com Deus." Que não é possível que não tenha uma fila, né?
Andando. Cheio de véio, cheio de gente feia. Muito amigo também feio. Muitos amigos meus foram. Fiquei muito legal como os amigos realmente... Muitos amigos foram pra Curitiba. Bruno Luiz, Denis, o Gui, os 4 amigos, os meninos todos foram. E aí todo mundo parado olhando, meu irmão cutucou, aí eu falei: "Obrigado por ter vindo." Minha mãe não queria ver o lório, porque minha mãe: "Não, quando eu morrer..." Porque ela já tava nesses papos de: "Quando eu morrer, não quero ver lório, não sei o quê." Mas daí tá morto, não tem voto, né?
Não dá pra escolher, tipo: "Ah, eu quero ser cremado e me joga em Fernando de Noronha." Não, foda-se, vou jogar você na Praia Grande, você não vai fazer nada, porque você tá morta, você tá só o pó. Aí eu, minha mãe deitadinha, falei: "Obrigado pela presença." Ela não queria ver o lório, mas eu tenho certeza que de onde ela tiver, ela vai ficar muito feliz de saber o tanto de gente que gostava dela, que muita gente, das 10 às 4, todo momento passando gente, todos falando com muito carinho da minha mãe, que ela era uma pessoa muito maneira assim.
E aí ela morreu no sábado de Aleluia, ela morreu no sábado, no domingo, véspera da Páscoa. E aí eu falei, aí todo mundo, obrigado, as pessoas meio chorando. Eu falei, ela morreu, para quem não sabe, ela morreu sexta, no sábado de Aleluia, se ela tivesse ido sexta-feira santa, domingo tinha uma Uma impressão que ela podia voltar. E aí eu fiz essa piada, a galera riu, mas era engraçado que as pessoas rindo, o jeito do cara fazendo piada.
Aí eu não sabia falar, fiz: taca fogo na véia, porque ela foi cremada. Então fiz umas piadas no velório.
E muita gente sai do velório para direto para ser cremado, é assim que funciona?
Já sai direto para ser cremado.
Aí beleza, aí tu, aí foi, aí pega, levou para cremar, tu fica esperando cremar, é isso?
Você pode Tipo, não é, ninguém fica assistindo. Tipo, não tem nos Estados Unidos, tem, eu acho que talvez aqui tenha também, esses lugares que é uma casinha com aquele espelho e você fica vendo o caixão. Mas eu acho um tanto quanto triste, né?
Eu também acho.
Você olhar a cena daquele caixão que você acabou de pagar.
Você não gosta nem de ver a loja.
Não, não, aquele caixão que você acabou de pagar R$4.500 pegando fogo. Mano, eu ia ficar muito chateado. R$4.500! Eu achei que ela ia sozinha, porra! "Ah, faz um painel de TV com o que sobrou do caixão." Mas não, eles levam e depois você vai buscar cinzas.
É, como é que é? Como é que é o potinho?
O potinho eu achei que era igual de filme, tanto que eu tava com medo de roubar. Meu pensamento era: "Mano, eu vou derrubar essa porra em algum lugar." Uma urna bonitona. Não, tem as urnas bonitonas também que você compra depois para transferir, só que eles mandam num pote de plástico sustentável. E com a tampa bem fechada, né, que daria para você cair, derrubar tua mãe, já morreu e continua caindo. Velho cai até depois de morto, né?
Só que aconteceu uma cena engraçada que eu cheguei lá para buscar e eu assim, ó, esse bagulho do luto. Dá quantos quilos? Não sei te dizer, mas eu acho que é tipo um, não chega a ser quilos, tá? Eu acho que é uns 800 gramas, só que é de, eles queimam as coroas de flores É tudo queimado. Coroa de flor, caixão, o defunto com as roupas, tudo que tiver. Então é um blend, ele não é uma mistura, não é pura, não é pura, tá misturado com muita coisa.
É isso aí, minha mãe é igual cocaína barata, tá com, tem douril, tem, tá ligado, essas coisas, tem sal de frutas no meio. Cheguei lá para buscar a urninha, falei, ó, preciso buscar minha mãe, né? Vim buscar minha mãe. 'É, não sei se fala assim, né, porque ela já tá só o pó.' A mulher falou: 'Tá.' Aí eles levam você para um— colocaram num quartinho mais bonitinho assim, tocando uma musiquinha. E aí a mulher falou: 'Se você quiser ficar um pouquinho aqui para tentar assimilar o que tá acontecendo.' E aí uma meia-luz, uma musiquinha tocando, e a urna da minha mãe assim, ó, parada.
E aí começou, mano, me deu um ataque de riso, me deu um ataque de riso. Eu não sei por quê. E eu comecei, por conta de toda cena meio brega, meio brega, e ela ia parar, daí pra mim já foi, né?
Já não tem mais nada. Eles preparam isso para aquelas pessoas que leva cachorro num carrinho de criança no shopping, porra.
Não, mas não, não, acho que é para todo mundo. Do bagulho de cremar é porque as pessoas são mais sensíveis. Eu também não sou parâmetro. Então ficou eu e minha mãe. Minha mãe não, o pó, né? Ficou só o pó da rabiola. Aí ficou nós dois, eu comecei a ter ataque de riso. E aí, só que eu não podia rir barulhento porque eu fiquei com, pô, ele tá rindo. E começou a me bater um negócio de, cara, se tiver câmera, eles estão me olhando rindo.
Tá achando que eu matei minha mãe.
E aí eu fiquei até conseguir parar de rir. E aí fui eu com a urninha assim, ó, não posso rir, não posso rir. Fui com a minha mãe, tenho foto, tenho foto eu com ela, prendi ela no cinto, aí fiz uma curva, a urna quase tombou. Falei, ô, velho, segura. Não sei o quê. Aí pegaram metade das cinzas, foi plantado. Eu tinha comprado uma chácara para minha mãe e aí plantou numa, num IP, vai ser um bagulho de IP, vai crescer ela para depois os cara mamar.
É para depois os cara, caralho, minha mãe vai virar detergente e um bolsonarista vai tomar, mano. Vamos cortar aquele pé lá agora, foda-se, vamos derrubar, vamos derrubar. Pelo menos alguém vai chupar ela depois de morta, né? E a outra metade meu irmão levou para jogar no mar em Arraial do Cabo. Meu irmão, ele é fotógrafo em barco em Arraial do Cabo. E aí, mas ele ainda não jogou.
Ela escolheu alguma dessas coisas aí?
Ela queria que fosse para Fernando de Noronha.
Ela queria mesmo?
Ela queria. Mas aí eu falei: "Ah, não vou para Fernando de Noronha." Eu nunca fui. Aí a minha primeira lembrança, já estragou a paçoca para mim.
Você quer estragar Fernando de Noronha?
Fernando de Noronha. Não, mas eu não levei porque era praia mesmo. Metade, ela: não, quero ser plantada. A cada hora ela vinha com a história. Minha mãe era muito tranquila a respeito da morte, né? Isso é muito, acho que ajuda no luto também, de quando você perde alguém, que ela era muito: morreu, tá tudo bem. Ela espiritualizada para caralho, então tá, lia muita coisa espírita. É a hora que ninguém morre de véspera, ninguém morre de véspera.
Então se for para morrer, tá tudo bem, tô calma. Isso ajuda, isso ajuda assim, é, a conduzir. E tá certa, realmente, sempre Sempre foi muito uma pessoa muito lúcida, minha mãe. E aí, domingo aconteceu, quinta-feira já tava fazendo show, já tava fazendo algumas piadas dela. E quando aconteceu e quando eu fiz o primeiro show, me deu um start de caralho, velho. Eu tinha essas piadas, tinha programação para fazer as piadas do Moza Inspiradora, mas eu vou fazer essa homenagem para minha mãe ainda, porque ela foi uma pessoa muito foda.
Eu tenho essas piadas E eu não quero morrer com elas, né? Assim como minha mãe morreu sem. Eu falei, vou fazer mato, as piadas igual com minha mãe. Aí falei, vou gravar. Quando que eu vou gravar? Porque ao mesmo tempo você tem esse tempo do luto, mas as coisas estão acontecendo. Para mim tava, eu tava vivendo, eu tô vivendo esse luto ainda. E eu falei, vou aproveitar esse luto e vou botar para fora em forma de piada e fazendo as pessoas rirem.
Que eu sei que muita gente também perde gente, vai, e é uma forma de lembrar. Aí comecei a fazer piada, piada, piada, juntei as piadas que eu tinha com as piadas que eu escrevi sobre a doença que ela tava passando, mais o negócio dela ter morrido, e juntei e virou um show de uma hora e meia. Tem aí, ó.
E mais uma porrada de terapia, né, cara?
O Jansão tá ali.
E mais um monte de terapia, né?
Pra colocar a capa do show, a melhor mãe do mundo. Aí era pra ser música inspiradora. Aí, só que quando eu comecei a fazer piada, piada, piada, é um show, uma hora e meia falando dela e contando histórias de uma mãe que não sabia muito o que tava fazendo, mas tava tentando criar os filhos, dando várias mancadas, mas ao mesmo tempo tentando. E aí, a melhor mãe do mundo, de uma maneira irônica, mas ao mesmo tempo é a melhor mãe do mundo que eu tive.
E foi muito foda assim. E aí ficou um showzão que foi gravado dia 10, Dia das Mães. A gente gravou porque meu irmão mais novo ainda tava aqui, meu irmão mais velho ia ir de Arraial do Cabo para lá. Convidei minhas tias, falei: vamos tentar transformar esse dia que vai ser o primeiro Dia das Mães. Aí, ó, a melhor mãe do mundo.
Ah, foi isso mesmo que eu vi.
É, vamos tentar transformar esse dia que é um dia triste, não tem como a gente fugir disso, num dia Vamo, vamo tentar descer. Ready to soundtrack your summer? With Red Bull Summer All Day Play, you choose a playlist that fits your summer vibe the best. Are you a festival fanatic? A deep-end DJ? A road dog? Or a trail mixer? Just add a song to your chosen playlist and put your summer on track. Red Bull Summer All Day Play. Red Bull gives you wings.
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Essa roupinha aí, tu tava com ela no velório também?
Essa daí eu tava não, no velório não tava não. No velório eu tava Tava normal.
Por que escolheu essa roupinha aí?
Eu escolhi porque minha mãe achava que eu ficava com cara de homem quando eu colocava essa roupa. É como se ela falasse: todos os outros dias você tem mó cara de bicha, mas quando você coloca essa roupa... E aí ficou legal também pro contexto da história. O fundo ali do negócio é das plantas, porque ela gostava muito de planta. Então amava, minha mãe amava planta.
Ela gostava de usar as plantas.
Usar as plantas até mesmo. A minha mãe já era aquela velha que tava andando, do nada você Já andou com velho? Você tá andando com velho, aí do nada você tá contando uma história, quando você— Cadê o velho? O velho tá num cantinho pegando uma planta. Desce, eu não tenho! O velho tá gritando.
Tá ouvindo, Mariana?
A Mariana já chegou na senda. Mariana, mulher, que ela fala assim, ó: uma vez ela foi passada por um vizinho. Minhas plantas aí!
Minha mãe A Mariana, cara, ela plantou um pé de chuchu que todo dia ela vai contar quanto chuchu tem no chuchu, porque tem chuchu para caralho. Ele vai trepando nas coisas.
Tanto que tem um negócio de, ah, merda, a pessoa dá muito, é dar mais que chuchu na seca, caralho.
Tem que dar muito assim, porra, porque dá chuchu para caralho mesmo.
E aí ela fica cuidando, contando para ver se alguém pegou algum.
E ela é a véia das plantas, É, irmão.
Mas é muito maneiro.
Não é véia não, ela é das plantas.
Não, ela é uma véia no corpo de uma jovem, mas que já gosta muito de planta.
Porra, meu irmão, não pode ver uma planta, meu irmão.
Mas eu quero ficar velho também, tipo um velho das plantas, uns velho que lava calçada muito cedo.
Pô, cara, mas será que vai ter isso?
Já viu velho que lava calçada na chuva? Eu acho que vai depender do seu estilo de vida. O meu, eu quero ter um quintal para lavar o quintal.
Mas tu não vai poder morar em São Paulo, porque aqui não tem mais.
Quero comprar uma bicicleta barra forte. "Putz, meu sonho é ser velho e ter uma bicicleta barra forte." Minha mãe já era essa velha. E aí eu fiz as plantas por causa dela, arrumar o bolo, 4 botão aberto, usar aquele samba canção que o ovo cai, você sentou, o ovo já... O ovo já... Como é que estamos aí? Ovo bronzeadão, porque toda sentada que você dá, você pega um sol no ovo. A melhor vitamina D que tem eu acho que é a do ovo, sabia?
Mas não tem uns cara que fica botando o ovo no sol agora, porra?
Que é da vitamina D, né?
Eu não sei pra quê, tio.
Ah, recarregar a pilha, o sol. Tipo esses controle da Samsung agora que você tem que deixar no sol.
Tu já mirou o cu pro sol?
O cu não, mas o ovo. Já pegou um sozinho? Você tá sozinho, coloca só o ovo.
Eu nunca experimentei não.
Mano, dá uma sensação de recarregar bateria assim, legal. Talvez o USB seja ali. A gente nunca soube assim, ó. Porque ele tá muito solto no saco, então ele deve ter alguma função. Não é possível que é só doer. Mas nós saímos da minha mãe por tomar sol no saco, né? É, não, bateu um milhão, show! Milhão de visualizações, melhor mãe do mundo, maneiro demais, pô!
Bom, você que ainda não assistiu, cara, vai ficar aqui no comentário fixado aqui para você encontrar com facilidade, tá bom?
Aí gravei, fui lá no Dia das Mães, só terminando a história, falei para os meus irmãos, vou gravar o show. Todos os meses eu ia para Curitiba, desde que eu comecei a fazer stand-up, rodar muito, muito com shows, eu percebi que eu teria uma agenda muito louca e isso poderia fazer minha mãe ficar muito sozinha lá, porque meu irmão mais novo tinha ido, meus dois irmãos foram embora, eu também. Então é, não vou, então vou trabalhar minha agenda para eu estar lá.
Então eu marcava show como desculpa só para estar junto com a minha mãe. E ela também não gostava de me ver sem trabalhar, então tipo todo momento que eu falava, ó, vou 'Vou ficar sem trabalhar para ficar com você aí.' 'Não, não, não, não, não, pode fazer.' Durante a doença dela, durante o câncer dela, eu falava: 'Mãe, eu vou aí ficar com você.' 'Mas não, não, não, não, não, se você ficar aqui eu vou ficar pior.' Então a minha ameaça, quando ela não tava comendo direito, alguma coisa, ela falou: 'Ó, que eu vou ficar aí com você.' E aí ela comia tudo, que eu devo ser uma pessoa insuportável, mas ao mesmo tempo eu entendi ela, porque ela Ela ficava feliz vendo os filhos dela fazer a coisa que gosta, vivendo, né, vivendo a vida, não tô atrapalhando a vida deles.
Mas aí eu arrumava show, não vim para fazer show, aí almoçava com ela, tomava café da tarde, fazia o show, no outro dia tomava café da manhã, almoçava, ficava mais um, dois dias, ia todos os meses. E o Dia das Mães em específico, porque todo Dia das Mães cai sempre no segundo domingo de maio, então para mim era fácil. Então ao invés de todo final do mês, em maio era o segundo domingo. Então desde sempre eu tinha essa tradição.
Quando ela morreu, eu fiz: puta, não tem mais por que ir para Curitiba. Mas aí eu fiz isso, eu olhei, fiz: vamos gravar nesse dia para significar. E vou dizer, foi legal para caralho, porque na hora do almoço peguei um frango. Não tem um açougue perto da casa dela que a gente pegava frango assado, então todo domingo eu chegava direto lá pegar enquanto ela fazia um arroz, um macarrão. Peguei, pegamos o frango, eu cheguei, fiz um arroz, minhas tias estavam lá, meu irmão lá.
Então a gente, ao invés de ser bad trip, triste. Foi todo mundo lembrando das histórias dela. Caralho, ela fazia isso, ela fazia aquilo. A gente lembrando das histórias, minha tia vendo foto, comendo frango. Então foi um dia muito legal e finalizou lembrando dela para caralho. E virou esse show que é assim, pode não ser o meu show mais engraçado nem o mais bem escrito dado ao tempo que eu levei para fazer, foi muito curto, mas foi o show que que foi mais entregue assim, mano.
Foi muito, muito doido. Eu não acredito em nada, né, dessas coisas de espírito, essas porra. Tenho medo de tudo, mas não acredito em nada. E aí eu, só que é muito louco que eu tava na coxia para entrar no palco. Paulo Torres abre meu show fazendo os minutos dele lá. Aí eu tava na coxia, planta para caralho aqui, né, porque era o cenário, umas plantas, eu sozinho no escuro. E eu comecei a olhar para as plantas, lembrar da minha mãe.
E aí eu não tinha, o dia todo foi tanto pega voo, faz a luz, dá uma atenção para tia, vamos lá ver o cenário, passa o som, olha como tá a câmera, vou para o hotel mexendo minhas piada, volta para o teatro, que eu não cheguei nenhum momento a pensar de maneira efetiva na minha mãe. E eu sou, eu sou muito, muito cético de tudo assim. E aí do nada eu tô lendo a coxinha, o Paulo falando, mas daquele meio, daquele jeito meio que você tá escutando só de, de reverse.
Sozinho, escuro, olhando só as plantas iluminadas. E aí bateu um negócio de, caralho, minha mãe, mano, é para minha mãe esse show. E aí, mas não me deu uma tristeza, foi um negócio de que legal, que legal eu ter tido essa mãe tão maneira a ponto de gerar tantas lembranças que se tornaram engraçadas. "e que me deu uma leveza tão grande que eu consiga fazer piadas lembrando dela assim." E aí fez. E eu senti alguma coisa que eu não sei dizer, tá?
Não sei explicar, não sei se é a gente já está... A cabeça já tava tão pensando nela de eu sentir que... Na hora que eu olhei as plantas, foi um momento muito... Pô, que legal, ela tava ali ou não.
Tô entendendo, tô entendendo.
E eu entrei no palco leve, mano. Entrei assim, ó: "Caralho, vou me divertir lembrando da minha mãe." Parecia que ela tava em algum lugar ali rindo. Caralho, arrepiei de falar, que ela tava meio, tá ligado? E aí eu fui fazendo as piadas como se ela ia me assistir, mas ela era muito, muito fechada. Ela não falava, meu filho, nossa, é muito engraçado, você é muito nada. E aí, mãe, divertiu? Divertir? Não, você me divirta, né? Você me divirta.
Só que ela gostava muito. Quando eu não postava vídeo, ela cobrava eu. Ih, não vai ter vídeo não? Ela foi, calma, tô dando uma descansada, né? Quero ver o vídeo seu, não sei o quê. E aí eu vi ela de alguma maneira ali nas duas sessões E acontecendo. E aí é isso, você vira uma chave de— eu não acredito em vida após a morte, em alma e não sei essas coisas, nada. Mas ao mesmo tempo eu passei a acreditar num sentido de a pessoa continua vivendo em nós.
Então a vida após a morte é a pessoa tá na planta, tá na história que eu conto dela, tá na— quando eu vejo minha tia, pelo menos isso é muito legal, isso é muito palpável.
Olha, de tudo que tu tá me contando, cara, eu acho que o que eu fico mais feliz em ouvir é que não deu nem tempo de virar uma bad trip, sabe qual é? Me parece que tu, pelo menos, soube lidar com a parada da maneira que— ah, legal. Assim, não é que não é, não é que não vai sentir saudade, não é que não vai sofrer, não vai chorar aqui e ali, mas, mas olha, não é, não é, não é necessariamente motivo de tristeza, fez um show foda, né? Isso mesmo, curtiram as histórias.
Foi uma grande celebração aquele dia. E ver as pessoas respondendo ao show também tá sendo muito legal, o feedback das pessoas. Que é quando você fala é muito legal, as pessoas já: ah, mas muito legal, sua mãe ter morrido? Não, muito legal o que a gente transformou desse, dessa Poderia ter sido só triste. E tá sendo triste. Minhas tias tão muito tristes ainda, meu irmão falou que chora sempre. Eu acho que cada pessoa bate nas pessoas de alguma maneira.
Em minha, eu tô tranquilo. Eu não sei se existe uma coisa, um lugar de— eu nunca briguei com a minha mãe, eu nunca tive discussão com a minha mãe. A gente sempre se entendeu bem, apesar de silêncios assim. A gente não era de falar, ela também não era de abraçar e tal, só que a gente se entendia muito bem. Então eu ajudava ela, ela sempre esteve ali para mim também, para os meus irmãos, apesar de toda a falta financeira, etc. Nunca briguei com ela, mas eu nunca tive uma adolescência rebelde, nunca fiquei bêbado, nunca tivemos uma discussão a ponto de: "Puta, não devia ter falado desse jeito com a minha mãe." Nunca.
E aí soma-se a conseguir dar uma condição Eu acho que isso ajuda no luto, de não ter nenhuma ponta solta com a minha mãe. O que que eu pude fazer?
O que que eu podia fazer?
Juro que quando ela morreu, algum tempo assim de minutos foi: caralho, será que eu podia ter feito? Eu devia ter feito mais, cara. Devia ter feito mais. Puta que pariu, devia ter ficado mais com ela, devia ter cancelado uns shows e teimado e ficado. Mas ao mesmo tempo é: mas aí não seria da vontade dela. E todos os momentos que eu pude estar, eu estive, e eu consegui realizações. Ela queria uma casa na praia, dei uma casa na praia para ela.
Foi a primeira coisa grande que eu comprei, que é uma casinha simples, mas que ela ia e amava, que ela gostava muito de praia. Carro, ela quer um carrinho, vamos comprar um carro. Compramos um carro automático bonitão. Então era uma véia com cara de pobre com um carrão, que era até meio estranho. Às vezes as pessoas até estranhavam.
Comprei a cara de pobre, cara.
Ah, meu irmão, é só olhar, é isso, pô. Não é possível que você olha para o espelho e você tem dúvidas de como que é uma cara de pobre. Tá doido? Sabe que é foda que não importa o quanto dinheiro a gente ganha, que hoje a gente, querendo ou não, a gente tá muito, muito bem financeiramente. Isso aqui nós não vamos perder, né?
Isso aqui, tu passa pagando luz também, não tem como comprar.
O quê? Eu saio desligando e é sócio, é sócio. Apagando luz, economizando. Pensamento, eu tenho muito pensamento de pobre ainda, mesmo tendo um dinheiro legal. Vou no restaurante, pede mais arroz. Arroz você come em casa, sabe?
Essa vozinha que fala, tu vai comer uma comida, aquilo tu não bota, bota pouco arroz.
Não, exatamente, fica assim, ó, a mentira que deu R$73 o tempo todo. Fez essa porra, deve estar errado esse prato, essa tara desse prato aí. Hotel não abre até hoje, meu irmão. Bebe água. Eu não pego coisas do frigobar. Pringles, eu posso estar com vontade, eu não consigo. Isso é uma coisa que eu não consigo. Tipo, tem coisas minhas de pobre que eu já consegui me desvincular.
Tipo o quê? Tu começou a gostar de umas coisas que ricos também gostam, né? Ou é se desvincular de coisas de pobre? Porque olha só, eu nunca tinha comido, sei lá, um pastel de queijo brie com damasco, por exemplo.
Porque você acha, "Isso é coisa de rico, coisa de besta." É coisa de fresco, né, mesmo. Coisa de fresco é uma coisa de besta, eu acho que encaixa mais do que de fresco. Que é mentira besta. É brie, pastel é pastel, porra. Botar queijo brie... Aí você comeu e você fala: "Mano, você é besta demais." É tipo isso.
Então, sim. E tem uma outra coisa que é parar de fazer umas coisas que também é de pobre, né? Tipo, tu tá dirigindo o carro lá no Rebouças, lá no Rio, do sul para zona norte, tu coloca na banguela para economizar gasolina.
É umas coisas que não, pô, eu vou te falar coisa mais de pobre, eu tenho muito problema com comida ainda, não chegamos a passar fome, mas a gente passou vontade, é diferente, né? Fome de vontade, fome você não ter o que você, não ter nada para comer, e a vontade é eu queria uma coisa específica, mas infelizmente a gente não tem condição para comprar isso. Então eu ainda tenho muito pegar coisa de camarim, eu pego, mas aí são minhas.
Só que teve uma história que o Dio, o Márcio até contou no show, que eu fui fazer show no Rio Grande do Sul. Em Caxias do Sul tem um restaurante muito bom que eles fazem galeto, uma galeteria, e aí eles têm uma sopinha que chama o capelete deles, que é bem ralinha, mas muito gostosa essa sopinha, e um galeto. Mandaram lá para o camarim, mano, mandaram muito assim. Eles acharam que era o show do Morgado, sei lá, eles acharam que era o show de alguém muito gordão, do gordão da X9 lá.
Aí, cara, é outra parada, da XJ. Aí, mas deve ter, ele é tão gordo que deve ter um X9 dentro dele, deve ter um dedo, deve ter tudo dentro. Muito frango, muito galeto gostoso para caralho, e sopinha e uma maionesezinha. E aí era show. Sexta eu fiz no Rio Grande do Sul ali, alguma cidade. Sábado Caxias, domingo eu voltava para fazer show aqui em Curitiba, aqui em São Paulo. E eu vou orar cedo. Aí eu fiz, mano, vamos levar essa porra desse frango.
Caralho, cara, isso é coisa de pobre mesmo. Tu fez uma marmita?
O quê? Eu levei de Caxias para São Paulo, mano. Ninguém tava entendendo nada. Um frangão assado, um capeletezinho. E a minha produtora, o JP, que era meu técnico de som na época, o Denison viajava comigo, e minha produtora Suliane. E aí, ó, aí eu tenho produtora, fez: você leva. Aí não era eu que era o pobre também, né, que eu sou pobre, mas eu tenho alguém que é mais pobre que eu. E eles me aloprando a viagem toda, mano. Você não vai lá, você é muito pobre, Afonso, você tem dinheiro, eu compro um frango para você, mano.
Mas me zoando, me zoando, me zoando, me zoando. Exatamente. A gente pousou, foi para casa, todo mundo comeu a porra do meu galeto, entendeu? Então um tem que sacrificar para que os outros saiam bem.
É verdade, é verdade.
Mas eu ainda tenho, ainda tenho, eu tenho reticência de muito caro. Ah, vou num restaurante que é muito, muito caro. Não, aí você tá me desrespeitando. Coisa idiota, tênis R$1.500, vai tomar no cu, não sou, tá doido, não vou pagar R$1.500.
Quanto que tu pagou para botar o cabelo, cara? Isso não é coisa idiota.
Não, fiz, o meu foi permuta, né? E ficou bom pra caralho. Rafael Gamalo, médico, gente boa pra caralho. A nossa permuta foi maneira de tipo, cara, vamos fazer É, ele usa minha imagem lá, não precisa toda hora ficar divulgando, que eu acho que às vezes é quase atrapalha, mas ao mesmo tempo foi natural. Eu tô com um texto de stand-up que tudo para mim acaba virando texto, que eu, minha vida é tanto isso. Eu não tenho filho, não tenho esposa, agora não tenho mãe, não tem nem agora para quem, pai menos ainda. Pai, mas não é presente.
Teu pai tava lá?
Meu pai, ele foi nos, ele foi no, minha mãe morreu no sábado, eu cheguei, ele tava lá com meu irmão. E aí ele tava lá, a gente ficou conversando um pouquinho. No domingo era o velório, falei: vai amanhã. Ele falou: puta, não vou conseguir. Foi comprar cigarro até no velório da minha mãe. Ele foi comprar cigarro, mas ele falou: não gosta de velório. A mãe dele tinha morrido, minha avó tinha morrido recente. Eu também consigo entender, eu não sou das pessoas que fica: fulano não foi no velório.
Não, eu entendo tranquilamente.
Pessoalmente eu evito velório, eu, eu, mas também tem gente que fala a frase idiota que é: eu gosto "Ah, é que eu não gosto de ver lóbulo." Ó, ufa, né? "Não, eu gosto, eu vou lá e eu fico com tesão e volto pra casa e lembro da pessoa." Não, porra, ninguém gosta. Mas tinha uns que tinha umas pessoas que eu já tive pessoas próximas que morreram e eu falei: "Ah, prefiro não me deslocar até aí pra ver o bagulho da imagem, a última imagem." Só que agora perdendo a mãe me desmotivou, né?
É, eu tive que reconhecer o corpo. Então é muito louco que a gente vê em filme, nunca tinha visto essa cena. E é igual, mulher levanta o pano e aí você olha e faz: "É realmente ela." "Não, deixa eu ver mais." "Será se é?" O cara começa a fazer assim, ó: "Levanta ela, coloca ela sentada, eu só conheço ela sentada." "Não sei se ela..." "Faz assim no queixo dela." A pessoa fazendo várias poses com o morto para ver se você reconhece.
"Deixa eu ver o olho." Não, mas eu não... E eu achei que ia ser muito pesado e não foi, mano. Eu reconheci, eu olhei e fiz. Sabe por quê? Não tem mais nada ali, né? É só, tá. Aí olhou, por isso que a mulher fez o empréstimo com o Tio Paulo, porque ela falou: o Tio Paulo não tá mais aqui, ele não vai ficar bravo se eu levar ele. Aí meteu ele igual morto-vivo e foi pro negócio. Esse é um que eu lembro sempre do Tio Paulo, é que eu tô assim, ó, às vezes eu tô quase pegando, perdeu essa oportunidade, quase peguei, quase pegando no sono.
Aí ficou assim: caralho, mulher tentou fazer empréstimo com o cara morto, velho. E ela, mano, ela não colocou um óculos escuro para disfarçar? Não, tá cansado desse aí, tá? Enfim, mas aí eu fiz o show todo lá.
O bicho chega, tava pendurado.
É, o velho assim, ele é tímido, ele é assim mesmo, ele é tímido. Esse ar-condicionado acaba com ele.
Tu prefere? Mas enfim, tá sentindo saudade do teu samuraizinho, do teu coquezinho, cara?
Não, porque eu já tinha cortado, né? Eu fiz o Rafael Gamalo, eu fiz 7 de janeiro, meu, faz 5 meses. Ele é do Rio de Janeiro, ele opera lá na Barra, mas ele veio fazer aqui. Ele ia fazer já mais alguns e aí pegou uma clínica parceira dele.
Nossa, eu tava falando com a minha mulher lá que como ficou muito menos feio, cara. Porque aquele coquezinho lá, aquilo era feio pra caralho, meu irmão.
Pois é, mas sabe que existe um pouquinho uma mística atrás dele ali? Porque quando eu cortei, assim... Pra transou menos. É, não sei se é correlação, mas funcionava assim, o coque ajudava.
Aí, Alberto, tá apostando no quê? Nos brinquinhos de cruz?
Não, brinquinho eu sempre tive, brinco foi pra godeira, né? Eu furei a orelha na época de que furava todo mundo da rua, começou a furar, colocava batata, passava gelo, batata e lau, lembra? E aí você aparecia no outro dia com a orelha desse tamanho. Não, tá de boa, tá de boa, tudo esflamado.
Também não sentiu espetear porrada não quando tu furou a orelha?
Eu furei a orelha e fiz luzes. Muito pagodeiro, muito pagodeiro. Tem uma, tem, deve ter foto minha em algum lugar aí. Tristeza. Mas é, aí eu fiz o transplante capilar, eu fiz 7 de janeiro. Meu médico, Rafael Gamalo, gente boa demais, ele foi no meu show um mês atrás, ele foi me assistir. E aí depois subiu no camarim, a hora que ele me viu, ele fez: caralho! E ele teve uma reação que você não quer do seu médico, é tipo: meu irmão, você não tava esperando que desse certo? Aí ele começou a mexer, fez: mano, Você é precoce.
É porque 5 meses tá errado mesmo, era para ficar cabeludasso é 1 ano, pô.
Não, ele falou: você é precoce. Foi a primeira vez que um homem me falou isso. Você é precoce. E aí todo mundo tá falando assim, ó. Aí eu tô agora naquela fase que você deve ter passado quando você fez, que é: mano, como é que eu vou usar o penteado? E eu tô achando maneiro, mas eu não vou deixar crescer, não. Vou usar meio baixinho. Não tem mais idade também para usar cork, essas coisas. Vou deixar crescer talvez um pouquinho mais, mas ainda não pode passar, né?
Pode passar máquina, ainda tem que passar uns minoxidil, tomar um minoxidil. Você toma os negócios?
Então, cara, eu tô voltando a fazer um tratamento porque eu não— quando eu fiz o procedimento, eu não tratei, não fiz porra nenhuma.
Aí eu acho que talvez isso ajuda. Eu fui bem cachias assim, mano, fui direitinho, tomei os remedinhos.
Aí vai lá tirar sangue, né?
É, cheio de 9 horas.
Aí bota o sangue na sentadinha.
Toma as vitaminas, ó, tomando as vitaminas, o Minoxidil e o Dudu Asterida. Eu lembro que esses dois eu já comecei a tomar antes, porque antes de fazer o transplante capilar eu queria ver se dava para manter sem. Aí eu fui no médico, num dermatologista, que eu devia ter desconfiado que ele era meio picareta, porque foi o Thiago que me indicou, mano. Pô, o Thiago mais careca de todos me indicou um dermatologista, aí vai eu. Tipo, o jefinho cego fala: 'Vou ter um oftalmo, mano, que é um gênio da área.' Fui lá no velho, um velhão, velhão, velhão, velhão, cabeludo.
Tô com raiva de velho cabeludo. Começou a olhar meu cabelo, mexeu pra caralho, mano, porque já era para ser careca. Nós estamos meio jovem, 35 anos. Na época eu tava com 35 anos, calvo, e o velho com 70 fazendo assim na minha cara, passando mão no cabelo. Sentei lá na cadeira, o velhão me olhando pra caralho. Aí fez: "Tá ficando calvo, né?" E eu falei: "Ó, temos um Sherlock Holmes aqui, ainda bem que eu vim, né?" Eu vim para você dar uma solução, não para falar: "Ô, Doutor Obviedade aí." Aí ele já conhecia de stand-up, então tinha, ele pegou uma intimidade ali.
Eu falei: "Faz o quê?" Ele falou: "Tem um transplante capilar." Eu falei: "Ainda não quero." Porque eu tinha muito medo, né, de fazer. Depois você faz, você vê que é caga, é burrice, porque não dói nada, né? Nada. Tem muito, muito medo de dor, sou muito fraco para dor.
Aí eu quebrei o braço.
Nossa, você caiu de bicicleta, foi, meu irmão?
Essa daqui foi uma das coisas mais ridículas que já aconteceu na minha vida.
O melhor que tem, as quedas ridículas mais idiotas.
Então eu tava, bom, primeiro que a última vez que eu quebrei alguma coisa eu devia ter 6 anos de idade, cara. Eu pensei que eu fosse viver o resto da minha vida sem acontecer, sem quebrar mais nada.
A não ser depois de velho, né, que velho cai do nada, né? Velho cai do nada, velho é impressionante, velho. E quarta não caía essa semana. E cai. Minha mãe me ligava toda hora: você tá fazendo parkour? Toda hora tem um roxo, um negócio. O velho parece que deram pouca flexão no velho, que o velho vai andando, acaba a pilha, ele cai. Então prepara você que tem os ossos fracos.
Calma, não tem os ossos fracos, foi a queda que foi forte. Olha que coisa absurda, cara. Eu tava em casa, devia ser umas 10:30 da noite, é, de um sábado. É 10 horas da noite, eram 10 horas da noite de um sábado, e eu preciso de uma peça aí que tá lá no Flow, vou lá buscar. Aí eu desci, na verdade eu fui lá, peguei minha mochila, porque eu avaliei, porra, eu vou de carro ou eu vou de patinete? Porra, vou de patinete.
10 horas da noite, para mim você já mereceu ter caído. E acho pouco ter sido um braço você ter quebrado, que uma pessoa com mais de 35, quase 40, 41 anos de patinete, você é um grandíssimo filho da puta, cara. Que raiva que eu tenho de gente, de adulto andando de patinete, aqueles faria-leimer com aquelas porra daqueles patinete que joga gravatinha dele para trás e vai, olha, eu tô salvando o mundo. Mundo. O meu pensamento intrusivo é: empurra ele, derruba, derruba ele!
É um pau no cu a menos no mundo. Mas tá, você teve dúvida entre carro e patinete. Sabe que nunca foi falado em voz alta essa frase? Mano, eu tô na dúvida se eu vou de carro ou de patinete.
Porra, ele era um carro legal, cara.
Exatamente, e o patinete? Aí eu: porra, Caralho, velho, você prefere uma Mercedes ou— mas era, parecia que tava participando do programa. Você aceita trocar uma ida para um lugar de Mercedes, patinete? Sim, cara, foi mais ou menos isso.
E aí, tá, e aí Eu coloquei, aí eu, porra, vou de patinete porque, porra, já tá tarde, vai ter ninguém na rua, vai ser legal, vento na cara, porra, tenho 41 anos, sou jovem.
Mano, liga o ventilador, filha da puta!
Aí peguei minha mochilinha, peguei uma mochilinha que ela é daquelas cascudas.
Eu sei, parece uma tartaruguinha. Isso, e ela parecia uma tartaruga de patinete.
E tu não sabe, a mochila passando O que que eu fiz?
Cara, eu acabei de ver uma tartaruga de patinete.
E daqui, daquela mochila, daquela que acende ainda com LED, tá ligado? Aí beleza, desci com a mochila porque eu ia buscar uma parada aqui. Peguei meu patinete, nem falei com ninguém, meu irmão, desci na surdina. Eu acho que eu nem falei com a Mariana nem nada, só desci.
Era que horas?
Desculpa, umas 10 horas da noite. Aí desci, pá, peguei meu patinete, abri o portão e fui, né? Tô descendo a rua e aí tem um ônibus, ele veio, veio o ônibus na minha frente para pegar, para entrar na faixa de ônibus na Iaia Mello. E aí ele parou no ponto de ônibus aqui assim, eu tava devagarzinho. E aí eu, pô, eu não vou, se ele parou, as pessoas vão embarcar ou desembarcar, então eu vou para a esquerda dele e vou ultrapassá-lo.
E era, tinha um sinal, um semáforo bem, bem ali no ponto de ônibus. Aí eu tô vindo devagarzinho, meu irmão, devagarzinho. Aí o sinal, o outro carro que tava ali no sinal fechado, ele deu uma freada meio brusca e eu me assustei. No que eu me assustei, eu dei um, eu dei um, eu— você já andou de bicicleta na sua vida? Já?
Então o freio da direita é sempre de trás, é isso, da bicicleta, direita é de trás e coisa, e moto e elétricos.
E aí eu, este patinete Eu fui, quando eu dei no freio, era da frente.
Você deu aqui, a bundinha fez assim e você caiu.
E eu fui, cataputei. E eu só ralei um pouquinho aqui, mas eu—
Só ralei um pouco?
O médico falou que eu provavelmente caí de um jeito específico que quebrou a cabeça do rádio. Eu tive que botar dois parafusos.
Meu Deus, velho!
Aí os cara tava fazendo figurinha aqui do patinete, figurinha com patinete. Sou mais louco que todos vocês.
Morri de patinete, velho. Nossa, deve ser uma vergonha. De capacete. Deve ser uma vergonha que chega no céu e morrer de patinete. Eu acho que não deixa nem você ficar. Eu acho que deve ter alguém lá de uma jurisdição de adulto de patinete não fica. Desculpa. É proibido entradas de quem morreu, de adultos que morreram de patinete. Não, é muito mongo, é muito mongo, pô.
Qual foi o acidente mais mongo que tu já sofreu, cara?
Eu tive, o meu foi de criança, de também tava na bicicleta, não ando de patinete, eu de bicicleta, de ao invés desse dona, ao invés de apertar o freio de trás, apertei da frente e fui catapultado e fui com a cara no chão, acordei chorando. Acordei, não, levantei chorando. Meus amigos: tá tudo bem, tá tudo bem. E uma pedra colada aqui na minha cabeça, bem na minha testa. Esse, e eu tenho uma cicatriz aqui que uma vez nós tava no parquinho, muito criança, minha mãe tava lá e eu fui querer me amostrar para minha mãe.
Fiz: ó, mãe, não sei o quê. A balança veio, deu com aqui naquela balança de madeira, deu aqui chorando. Eu lembro muito dessa cena. Com o copo aqui embaixo, sangue caindo pra caralho. E minha mãe: "Tá tudo bem, tá tudo bem." Porque os pais dos anos 90 não é igual o pai de agora, os pais e mães de agora que são preocupadíssimos. Era tipo: "Não, tá tudo bem, tá tudo bem." Qualquer coisa que acontecesse, você batia a cabeça, sangrando, um braço quebrado, ela: "Tá tudo bem, tá tudo bem, foi nada, foi nada, foi nada, foi nada, foi nada, foi nada." Sangrando a orelha: "Foi nada." E sempre tinha um adulto gritando: "Só não deixar dormir, lembra disso?" Não deixa dormir, não deixa dormir, não, só não deixa dormir.
Você com sono do caralho porque você acabou de bater a cabeça e teu cérebro tá desligando, você querendo dormir, a mãezinha: quer acordar morto? Você quer acordar morto, cara? Como é que a gente sobreviveu, né? Muito louco, né? Eu tava lembrando esses dias de eu acendendo cigarro para meus tios. Lembra de acender cigarro? Eu acendi a cigarro, buscar cigarro, comprar cigarro solto. Eu sempre Direto, tio dava um real, ó, compra lá 8 cigarros soltos pro tio e fica com 20 centavos.
Aí pegava os 20 centavos e comprava 2 pra nós, né? Só que eu lembro de acender, eu lembro de acender cigarro solto.
Como é que era?
Acende aqui, moleque. Acende pro tio lá o cigarro. Aí você ia no fogão, nós acendia no fogão, criança, e vinha com cigarro igual uma tocha olímpica assim, ó. Tá fumando não, tio dava um tapa assim na cabeça da gente. Tá fumando não. Tá fumando não, tio. Tio que pediu para você, hein? Ó, gente do tio! Lembra quando você apanhava e ficava, falava com a voz apertada? Ó, gente do tio, fica batendo na gente! Você que pediu para nós, não vou acender mais.
E o da espuminha da cerveja? Só espuminha da cerveja, só espuminha, só espuminha assim. Tá dando bebida para ele não, né, Bira? Tô nada! Você com bigodão assim, ó. Você, 5 da tarde, bêbado. Dá um cigarete.
Bira, Bira emblemático.
Meu tio Bira é o nosso tio mais bêbado que tem. Ele foi o primeiro de 10 irmãos que morreu. Ele é irmão da minha mãe. Minha mãe veio logo em segundo. A velha já na dianteira, tomou a dianteira. Meu tio Bira, quando ele tava muito bêbado, e ele sempre tava muito bêbado, ele ficava imitando um gato. E ele fazia assim com a perna. Eu amava o tio Bira, ele ficava fazendo um barulhinho assim e ele ficava cantando qualquer música que você puxasse.
Ele não precisava saber a música, ele virava um musical, um filme musical. Tio Bira, como é que você tá? Eu tô bem legal. Ele fazia assim, ó. Tá entendendo que ele tava muito próximo de virar o doidinho? Cara, então assim, total, ele só não virava porque minha mãe não deixava ele morar na rua e porque ele não bebia o suficiente para continuar na rua, entendeu? Tio Bira, tio Bira, grande tio Bira.
Virar o doidinho do centro é foda.
Não, mas eu conto umas histórias da minha mãe nesse show aí, muito dessas coisas dos anos 90, né, das criação, das particularidades que tinha, das particularidades da nossa, na verdade ela tem várias camadas, né. Porque tem a particularidade, a gente que foi criado nos anos 90, a gente que foi criado nos anos 90 por uma mãe mais pobre, né, foi uma gente da classe média baixíssima, e a mãe dos anos, a minha mãe dos anos 90. Então a pessoa se identifica com a mãe, se identifica com a classe, e na, na, na, e aí eu conto algumas histórias dela, porque quando ela morreu, eu e meus irmãos ficamos lembrando, né, de algumas histórias.
E aí foi uma das coisas que foi muito marcante foi: meu irmão mais velho tem 41, 41 anos de idade, meu irmão mais velho. Eu tenho 37, meu irmão mais novo tem 30. E eu e meu irmão mais velho ficava lembrando das histórias e meu irmão mais novo falava assim, ó: ah, não, não lembro dessa história ser assim. A gente contava outra história e meu irmão mais novo falava: não, não lembro de ser assim não essa história, não lembro de ser assim.
E aí a gente, eu cheguei à conclusão que eu e meu irmão mais velho tivemos uma mãe e meu irmão mais novo outra.
Mas eu também acho, é muito louco, né?
O teu irmão mais novo é quantos anos mais novo Ele é 7 anos mais novo que eu e 11 mais novo que o mais velho.
Entendi. É mais ou menos a mesma coisa. Eu tenho um irmão que é 12 anos mais novo que eu. E ele também— Quando tu tava falando que, pô, eu levava meu irmão na creche, eu, porra, eu que botava meu irmão a dormir. Eu também levava ele na escola. Então é mais ou menos a mesma coisa.
A mãe, na verdade, na época tinha mais— Quando ela tinha mais filho, ela colocava os outros filhos pra cuidar dos filhos. É isso. Tem uma relação quase paterna, né?
Cara, então isso é até esquisito, porque a sensação que eu tenho é que eu fiquei velho cedo.
É isso, eu também amadureci muito rápido. A psicóloga falou: "Você teve que amadurecer muito rápido por causa da condição." Eu falei: "Beleza, então agora é a hora de eu ficar muito louco e despirocar." Então, o problema é que aí a gente vira o doidinho do centro meio cedo demais também. É, esquema largado, né?
Eu sei que eu tenho que te liberar, que são 5 para 9, mas, ó, rapidinho. Sobre o lance de ir para o hospital. Fui para o hospital. Daí, fui parar no hospital porque um velho caiu de patinete. Todo mundo me gastando e o caralho, não sei o quê.
Mongo. E eu tava...
Tão puto quanto eu tava bem puto, porque eu também acho uma puta burrice.
Não, eu acho que as piores coisas é você fazer uma burrice. É, eu acho que os momentos você fica mais puto é tipo, porque eu acabei de falar que puto tem que se foder e eu fui burro, então tem que me foder mesmo, né?
Tem que me foder. Então beleza, aí tô lá, aí tô lá no hospital, né? Porra, os cara cuidando de mim, meu irmão, um salve para os cara do hospital, inclusive. Sensacional, os cara cuidando de mim bem.
Saúde, né? Plano de saúde.
É, só que qual que é a parada? Os cara tava cuidando muito bem de mim. Então eu respondi o meu nome, minha data de nascimento, meu peso e minha altura umas 15 vezes. E eu já tava irritado, que eu tava irritado comigo, eu tava irritado com eu perdi meu domingo, eu tava irritado, porra, no sábado de noite eu ia participar de um filme lá do Celso que eu ia dirigir uma McLaren. Entendeu? E aí eu, e aí eu, não, mas só que não, tava no hospital, tô com a porra de um acesso no meu braço, então eu tava puto pra caralho.
E pô, teve um que bateram na porta, abriram a porta, ligou a luz, perguntou meu nome, meu, minha data de nascimento, que já tinham perguntado um monte de vez, não, tava escrito na parede.
E sim, mas isso é um problema no hospital, eles têm que se conversar um pouquinho mais, acabaram de perguntar, tem 5 minutos que perguntaram.
E aí, para dizer que não era para atender o telefone porque chegavam os golpes pelo telefone, médico não liga para o quarto. Mas são 3 da manhã, eu não ia atender, tá ligado?
Se for o Drauzio Varella, eu não atendo. Se o Drauzio me ligar, eu não vou atender. Mas eu consigo entender agora que a gente falando em voz alta, por que que eles perguntam toda hora? Porque é nessas de não perguntar que o cara que tava com problema aí para operar o dedinho da perna direita, perdeu a perna esquerda, fez: "Puta, mas você não perguntou o nome dele?" Já tinham perguntado 8 vezes.
Mas aí, ó, se sou eu, se sou eu, quem sou eu para mudar o processo?
Não, se tem, se tem, se tem processo, você caiu de patinete, e eu caí de patinete, moral ainda para falar qualquer coisa assim, ó.
Mas se sou eu, eu ia chegar, eu ia olhar no painel, no quadro que tá escrito todas as informações, inclusive Né? E eu ia falar assim: eu, Rodrigues Coelho?
Sim.
26 de 4 de 85? Sim. Pesa tanto? Sim.
Mas eu acho que até para pegar uma intimidade também ali, já.
Como é que você tá?
Eles falam assim com você também? Como é que tá o bracinho? E aí, eu tô doendo de 0 a 10?
Puto para caralho, com dor no 8, se achando um burro do caralho, tudo errado. Eu respondo até de uma Então peço desculpa, inclusive, porque chegou uma hora já que vagabundo já batia na porta e eu já falei com ele.
E a mulher da limpeza, e a mulher da limpeza só queria tirar o lixo só, moço.
Isso é coisa de velho. Eu vi meu pai fazer essa porra, tá ligado?
Eu vejo várias coisas, eu vejo várias coisas da minha mãe. Eu acho que eu não sei a exata idade, mas chega um momento que você vai se transformando nos seus pais Eu me vejo, mano, é, mesmo tendo sido criado só pela minha mãe, eu me vejo fazendo coisa que meu pai faria. Tipo, quando eu tô de frente com um problema muito sério, eu falo: vou embora, né? Que é exatamente como meu pai faria. Vou, ó, vou comprar cigarro, eu que não vou resolver essa pica aqui não.
Mas da minha mãe é isso, sair desligando luz, volume alto, gritar. Você grita do nada? Eu dou uns gritos comigo mesmo. É inferno de diabo! Começa a gritar igualzinho minha mãe gritava. Minha mãe gritava muito assim, ó. Minha mãe gritava muito. E aí eu e meu irmão ficava assim: meu Deus, por que que ela grita tanto? Aí, voltando para história, até meu irmão mais novo falou assim, ó: não lembro da história. Então, por quê? Porque eu e meu irmão mais velho pegou a mãe do Velho Testamento, que é a que gritava, que batia.
E meu irmão mais novo pegou a mãe do Novo Testamento, abraça, beija. Tanto que meu irmão mais velho apanhou para caralho. Nós estamos falando de apanhar. Meu irmão mais velho apanhou pra caralho, porque minha mãe não queria que ele fosse vagabundo e maconheiro. Não adiantou, né? Virou vagabundo e maconheiro.
É o que mora na praia? É.
Sabe muito, porra. Aliás, ele é teu fã. Salve, Lincoln.
Salve, Lincoln, porra. Que é o que te deu o golpe da moto, né?
É ele mesmo, é esse mesmo. Simpaticíssimo. Não deixa, não passa o CPF. Não faz igual no médico, não passa o teu nome e o seu dato de nascimento, que amanhã ele aparece de CG. E meu irmão mais novo também, não é bom não confiar. O Jean lá em Portugal, um abraço, Jean. Aí meu irmão mais velho apanhou para caralho, apanhou para caralho. Veio eu, minha mãe falou: um, bati pouco neles no primeiro, vou bater o dobro. Aí eu apanhei o dobro pelo outro, não tinha nem saber o quê.
Veio meu irmão mais novo, minha mãe falou: aí bater não adianta. Nós não, mas pelo menos tenta. Às vezes faltou alguém para segurar, às vezes faltou alguém para segurar, tá ligado? Então foi muito maneiro assim, ó, lembrar das histórias com eles, tá ligado? E cada um conta uma história.
Que bom que vocês estão resolvidos com isso.
Mesmo contando a mesma história, cada um tem um ponto de vista, né? Então um via a mãe mais— meu irmão era mais amoroso, então ele tinha mais intimidade de fala com a minha mãe. Eu era mais um carinha ali. Meu irmão mais novo que tava lá falava com ela por telefone, falava sempre, etc. E é isso.
Mas é assim, cara, sei lá quem sou eu, mas eu digo, mas me parece que tu fez o que deu, foi maneiro o tempo que as coisas deram certo e vocês estavam juntos, né?
A gente, eu vi uma frase daquilo, a gente que sente saudade da pessoa que se foi sente saudade por ter sorte de uma pessoa tão maneira, né? De ter tido uma pessoa tão maneira. E isso foi muito foda assim. Minha mãe foi muito, muito legal conseguir realizar os sonhos dela, materiais, né, os materiais. O dinheiro me proporcionou isso, entendeu? Agora que eu fui comprar um apartamento para mim, aí na hora eu lembrei dela, né? Na hora eu lembrei dela no sentido de, porra, minha mãe, ela soube, né?
Eu contei para ela antes. Quando eu comprei, eu já contei. Quando eu tive o projeto, mostrei para ela. Mesmo na internada eu falava, e ó, azulejo que eu tava comprando para colocar lá. Só que ao mesmo tempo eu fui visitar a obra, e é nesses pequenos momentos que a gente vê o luto. Porque eu acho que ela quase— eu acho agora, vivendo hoje, completo 2 meses, que o luto é uma doença crônica, que não existe um remédio, não existe uma cura.
É lidar, né?
É lidar. E aí, se você saber dosar, tipo, a pessoa que tem diabetes, ela descaralha tudo, ela vai— a consequência vai ser muito maior. Agora, como O amor foi muito grande, então as doses de amor tá equilibrando essa doença crônica. Só que é uma doença que às vezes você lembra que você tem. Então eu fui no apartamento vendo, agora tá ficando pronto, que tá fazendo ele do zero. Meu pensamento foi: pô, minha mãe não vai estar aqui para a gente, para eu cozinhar para ela.
Gostava muito de cozinhar para ela, eu aprendi a cozinhar com ela, e ela gostava de comer minha comida, mas só do jeito que ela me ensinou a fazer. Então ela não gostava da minha comida, ela gostava da minha comida, gostava da comida dela feita por mim. Exatamente, ela enrolava também. Minha mãe era meio coach. E aí, daí que vem o nosso gênesis. E aí, quando eu tava lá, meu pensamento foi esse, de me bateu essa tristeza de, porra, minha mãe não vai estar aqui para ver a casa pronta.
E ao mesmo tempo eu fiz assim, ó, mas graças a ela eu tenho a possibilidade de ter conquistado isso e comprar essa casa. Então, de alguma maneira, ela tá aqui também. Entendeu? Então foi muito, tá sendo, eu tô conseguindo lidar de um jeito que a tristeza tá comigo, mas eu tô conseguindo conviver e viver.
Parece ser um jeito maduro de lidar com a parada, né? Porque sei lá, o outro jeito é o quê? É ficar triste pra caralho, parar de fazer as coisas.
Minha tia, eu falei com a minha tia, ela falou: ah, eu não gosto de ver algumas coisas porque eu lembro dela e eu fico triste. O meu irmão mais velho às vezes chora, meu irmão mais novo Ficou um tempo lá em Curitiba, e aí também deve ter chorado bastante, ainda, ainda chora. Mas são maneiras que as pessoas têm de viver de luto. E eu dou com o luto, e eu acho que tudo também depende da sua relação que você teve, entendeu? Então, meu irmão mais novo, eu não sei o que, qual era a relação tão próxima deles, né, que eles tinham, a ponto de, ok, eu tenho essas coisas para resolver com ela, ou não tenho nenhuma coisa.
Meu irmão mais velho, a mesma coisa. Cada um tem a sua particularidade, porque é como eu falei, cada um teve uma mãe, né? O negócio é, meu irmão Lincoln teve uma mãe, o Jean teve uma mãe, eu tive uma mãe. E a mãe que eu tive foi uma pessoa fantástica, que até mesmo depois dela ter morrido ela continua me ensinando coisas e fazendo viver mais leve. Então, foda. E só uma coisa muito, um detalhe muito, muito doido, né, que eu fiquei com o celular da minha mãe É, quando ela morre tem toda a burocracia, né?
E aí eu fiquei com o celular dela para resolver as partes bancárias e cancelar coisas. E aí, um detalhe, não dá para saber, que não dá para— já viu em filme que a pessoa desbloqueia o celular na cara da pessoa que tá morta? Não dá para fazer isso. Não tentei, né? Não tentei. Mas eu descobri na internet que ela tava— imagina minha mãe morta e eu tentando desbloquear, pegar um empréstimo igual o Tio Paulo. Falei: ah, É que ela tentou fazer in loco.
Será que online eu não consigo na Crefisa? Não, não sou doente nesse nível, né? Mas eu vi na internet, não era disso que eu ia falar, mas é porque eu sei assim de todos os velhos que é o Z, né? O velho que tem Moto G, é isso aqui, é o Z, não é Z? É o Z ou M ou W, que é o mais fácil deles. E aí eu consegui desbloquear, vendo algumas coisas no celular. Não apaguei o Instagram da minha mãe, ela não tem Instagram, era fechado. Mas não apaguei porque eu tô com o celular dela ainda.
Daqui uns 2 meses eu vou mandar mensagem para minhas tias: "Tô indo aí te buscar, hein, damn!" Vou mandar. Muito bom, né? Fazer isso. Tomara que elas não assistam também, para elas saberem. Alguém que ela tá devendo, que ela morreu, se ela devendo dinheiro para alguém, vou tentar descobrir isso. Daqui uns 4 meses: "Tô com o teu dinheiro aqui, vem buscar." Só que o que eu queria contar é como cada um tem uma mãe, como cada um se comporta com uma mãe.
É, minha mãe, ela gostava, minha mãe gostava muito de dorama, muito dos coreanos. E eu gosto muito de falar coreano, não que eu saiba falar, mas eu gosto de imitar. É igualzinho. E aí quando ela tava assistindo os dorama dela Ela ouvia os doramas falando em português dublado e eu ficava assim, baixinho. Os caras falavam fazendo: "Hello, what's up?" Então ela já não tava mais assistindo, ela já tava assim: "Hello, what's up?" E eu fazia para irritar ela.
Voltando para o Silvio, ela ficava irritada no começo e depois ela só achava engraçado. Você é idiota! Sabe quando a pessoa tá achando engraçado, que tá tão idiota aquilo Que você não fica mais irritado, você começa a falar: "Ah, um jeito, para de ser besta, para de ser besta." Ela fala: "Para de ser besta, Afonso." "Ei, para de ser besta." Dito isso, eu peguei o celular e aí eu fui ver as WhatsApp dela, né? Que eu tava lá, eu sou fofoqueiro, falei: "Deixa eu ver o que que ela..." Isso não é um erro não, cara? Eu não sei se é um erro, ela tá morta, não dá para reclamar. É antiético?
Não sei, mas tu achou alguma coisa que tu não queria achar?
Não achei, porque eu também não fui tão fundo, né? Não mexi nas fotos ainda, porque tá muito cedo para descobrir se ela tinha nudes. Mas eu, nas mensagens que eu fui, eu falei: vou ver o que ela falava com meus irmãos. Porque será se ela falava mal de mim? Porque ela falava mal dos meus irmãos para mim, então eu acho que ela vai lá. Aí não cheguei tanto. Só que aí o que me pegou foi quando eu vi a primeira mensagem do meu irmão mais velho.
Meu irmão mais velho sempre muito carinhoso, e ele tava em Curitiba. Ele falou: mãe, os gatos estão bem, as plantas tudo certo, pode deixar que eu tô cuidando da casa. Beijo, te amo mais que tudo, você vai sair dessa, você é muito forte, tal. Meu irmão mais velho. Meu irmão mais novo morando em Portugal e já fazia— ele veio começo do ano, passou o Ano Novo junto com a gente, Natal e Ano Novo, consegui, graças a Deus deu tudo certo, ele veio.
E aí ele tava mandando mensagem também: Mãezinha, tudo bem? Te amo, apesar da distância, pode contar comigo, a hora que você precisar eu vou para aí, te amo mais que tudo, obrigado por tudo. Sempre muito carinhoso. E aí eu fui ver, a minha última mensagem com a minha mãe era uma— era um áudio em coreano Eu tentando fazer ela dar risada. Dá! "I wanna die." Tá entendendo que a última vez que minha mãe escutou minha voz antes de morrer era eu: "One dog, come here." Que eu não sei, pode ser uma forma... Às vezes eu tô dizendo "eu te amo" em coreano.
É, e ela pode ter... Imagina que a última coisa que ela pensou sobre tu foi: "Olha só que babaca." "Ai, que besta.
Qual é, bestas, hein, Afonso? Qual é, bestas?" Legal. Legal, né? E aí é um— e aí é o jeito que eu consigo lembrar dela, sempre sorrindo. Minha mãe era foda, maneira, foda assim. Apesar da pobreza que ela teve, de momentos difíceis e pessoas ruins que entraram no caminho dela, ela ainda era feliz, mano. Era ainda, era feliz não, ela era feliz. Apesar de algumas coisas, não, ninguém conseguia abalar a felicidade dela. Então isso é, isso foi um jeito, isso eu consigo enxergar, e para mim é Eu acho que deixei leve assim, cara.
Então não sinto nem vontade de dizer meus pêsames, mesmo sabendo que não é nenhuma dor, mas é, mas é uma dor que é bem entendida.
É, eu só, sei lá, é, não é isso, a tristeza existe, a tristeza de saber que alguns momentos, tipo, ela não vai ver essa entrevista e não vai rir de algumas coisas, mas ao mesmo tempo ela conseguiu ver coisas, ela conseguiu viver coisa, ela conseguiu, ah, queria uma casa na praia, ela viveu isso em casa para ela. Viveu, viveu, mano, apesar de pouco. Acho que ela foi nova, né, 63, podia mais uns 17 para incomodar nós. Até uns 75, 80.
É onde eu miro, eu miro nos 80.
Isso me deixa um pouco sentido de, porra, podia ter vivido um pouco mais. Mas olhando para trás, ela viveu muito. Então ela saiu de casa aos 13, 14 anos, foi morar sozinha, foi para os baile, engravidou, teve filho, Então a vida dela teve muita coisa. Então ao mesmo tempo é morreu cedo, mas viveu muito. E as pessoas que viveram com ela viveram muito bem e feliz por ter uma pessoa igual ela.
Maneiro, maneiro, maneiro. Então um salve.
Obrigado. Ah, Melhor Mãe do Mundo no YouTube.
A gente vai deixar aqui no comentário fixado.
Assiste lá que tá um show muito legal e você vai se divertir lembrando a sua mãe, porque tem identificação, e vai conhecer um pouco como a minha mãe era. A Melhor Mãe do Mundo. E aí, se quiser me assistir, faz tempo que você não vai me assistir, né?
Faz um tempo que eu não vou te assistir.
Faz muito tempo que você não vai. A tua senhora gosta muito do meu stand-up, né? Eu faço toda quinta-feira no Marti House São Paulo e tô viajando pelo Brasil ainda fazendo shows, bastante shows. Amanhã eu tô em Foz do Iguaçu, Cascavel e São José dos Campos. Segunda eu volto, aí quinta já tem show.
Tem hoje, inclusive.
Agora, vou sair daqui, vou direto.
Bom, então pra gente matar aqui, vou só ler as mensagens que a galera mandou pra gente. A Jéssica Novaes mandou: Boa noite, Igor e Afonso, amei o show dos 4 amigos em Nova Friburgo. Eu acompanho seu trabalho desde a época do programa da Ana Hickman, adoro você, parabéns pelo seu trabalho.
Nova Friburgo é o lugar lá da Lingerie, né, que eles chamam de Suíça brasileira. Tinha um mendigo com pau de fora, não tem nada de Suíça, que não tem nada de Suíça.
O Igor e Afonso: Oi, Igor e Afonso, boa noite. Afonso, depois da partida da sua mãe pretende escrever um livro inspirado nela, igual você tem inspirado no seu pai? Bom, a gente falou bastante sobre— é que eles mandam essa mensagem aqui.
Não, não tem problema, pode ler, tá de boa, que tem umas aberturas, tem uns comediantes que abre, então nós também estamos em casa.
Tá bom, não, mas era basicamente isso.
Ele tá falando aqui, eu não, eu continuo escrevendo coisa ainda. Eu tenho agora, tenho um Substack, que é o novo blog, né, legal para caralho. Muita gente mesmo, muita gente escrevendo lá. E aí eu tô escrevendo 2, 3 crônicas por semana. Coloca lá Afonso Padilha, que você acha. Volta e meia tem alguma lembrança da minha mãe, eu escrevo alguma coisa, ou crônicas engraçadas, ou contos.
Pois é, né, tu tá ligado que daqui a uns 20 anos tu vai ser aquele comediante, imagina o Cortella, ou Pondé, ou Karnal, só que comediante. Só que burro. Eu acho que vai ser tu, não, porque tu é o cara. Com todo respeito aos outros amigos comediantes, tô falando que eles não são estudiosos, entendeu? Mas tu gosta de ler. Hoje é a primeira vez que tu chega aqui sem um livro.
É, mas eu vim lendo as colunas da Folha. Tem muita gente boa.
As coisas que tu vem falar comigo aqui é: tu viu o documentário de tal bagulho? Tu tá por dentro de tal parada?
Eu acho maneiro, mas eu acho que também um pouquinho dessa burrice faz a gente querer ser... Você sabe disso aí, você fica toda hora estudando coisa, falando: mano, correndo atrás do prejuízo, né?
Porque a gente é burro, né, mano?
Porque a burrice tá assim, ó. E nós estamos correndo para não ser burro. E a burrice é— caiu de patinete, a burrice fez: ah, eu tô aqui com você, filho, eu tô aqui com você.
Me pegou, me pegou. Ó, para finalizar, o Arthur mandou: Afonso, como você sente com a quantidade de assédio que você recebe das pessoas querendo ficar/dormir com você, já que antes da fama você já comentou que não tinha esse acesso?
Não, eu acho que não tem, não tem tanta gente assim. Eu acho que mais parece do que é. É, usufruir muito, tá? Nossa, quando eu tive ali uma exposição a ponto da graça ficou maior do que a feiura e as bucetas começaram a aparecer, nossa, eu tirei todo o atraso. Eu era tipo mendigo no buffet, meu irmão. Eu já, eu já, eu me diverti bastante. Hoje eu tô mais tranquilo, mais cansado, mas ainda estou solteiro há 11, 12 anos já. É, cara, tô solteiro.
Tu curte ser solteiro ou isso é uma circunstância da vida?
Gosto muito de ser solteiro e não entro no relacionamento também por um pouco de egoísmo, porque eu não— eu tenho meu jeitinho, minhas manias, minhas coisas, que eu ainda não quero encaixar ninguém. E tá tudo bem, tá tudo bem.
E tu vai lá descobrir ainda qual que é o tipo de neurodivergência que tu tem?
Não, eu tô fazendo os cursos lá, as provas, que é um monte de prova, né?
Só para saber qual é, qual é.
Espero não passar em todas, né?
A possibilidade. Afonso, obrigado, obrigado você.
Desculpa de novo por não ter vindo outras vezes. E vamos, e vamos, mano. Eu sou um desses que você precisar, me liga, tá bom?
Obrigado pela moral mesmo. E ó, vocês que estão assistindo aí, espero que vocês tenham curtido. E a gente vai deixar aqui no comentário fixado, cara, tanto as redes sociais do Afonso quanto o link direto para o show da mãe dele, quer dizer, que ele fez em homenagem à mãe dele, bem aqui embaixo, tá bom? Vai lá Eu tenho certeza que tu vai se divertir, tá bom? Obrigado pelo moral. Eu depois eu te mando um salve quando eu tiver um pouco melhor para ir te assistir também, tá bom? Fechou, valeu, gente. Um beijo, até a próxima, tchau!
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