SIMONE TEBET - Flow News #074
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- A candidatura de Simone Tebet ao Senado e o cenário político atualdesistência de Ricardo Salles·importância de se apresentar ao eleitor·história de vida na política
- A trajetória política de Simone Tebet e a representatividade femininaorigem conservadora e timidez·primeiras vezes na política·luta por voz e ser ouvida·denúncia do orçamento secreto
- Corrupção e a necessidade de moralizar a política brasileiracorrupção como câncer·escândalo do Vorcaro e cartões Black·reforma política e judiciária·paridade de gênero no STF
- A regulamentação das bets e seus impactos sociais e econômicosoposição a jogos de azar·problema de saúde pública·endividamento da população·medida provisória e futuro
- A experiência de Simone Tebet como ministra e sua preparação para o Senadoexperiência em todas as esferas·recusa de cargos por princípios·negociação de políticas públicas·oportunidades para São Paulo
- A importância da soberania e do processamento de riquezas naturais no Brasilminerais críticos e terras raras·indústria da transformação·evitar a exportação in natura·marco regulatório e data centers
Salve, salve, família! Bem-vindos a mais um Flow News. Eu sou o Igor e eu vou conversar hoje com a Simone Tebet. Obrigado por vir aí, Simone. A gente já tava conversando antes aqui, até esquisito parecer que a gente vai começar agora, né?
É verdade. Vou até colocar aqui no silencioso, porque senão daqui a pouco vou jogar no chão aqui.
Bom, e da última vez que a gente conversou, você tava candidata à presidência, né? Aí, uma das primeiras coisas que você falou quando eu cheguei aqui foi, pô, o tempo passa. E é mesmo. Então você passou boa parte desse período ministra, né? E agora você tá candidata ao Senado, né? Vamos conversar sobre as particularidades disso, o que que mudou de lá pra cá, quais são, o que que dá pra fazer de diferente como uma senadora, por que que tu é uma melhor opção do que os outros.
E, mas antes deixa eu falar do parceiro, de um parceiro que tá com a gente hoje aqui, que é a Insider, que é quem faz essa camisa aqui que eu tô usando. Tá vendo? Bonitona, que ela falou, pô, quase não te vejo de branco. Tem branco na Insider também, cara. E sabe o que que é legal? A Insider é a nossa parceira aqui já faz um tempão e ela tá junto com a gente nessa nossa missão de falar e mostrar para as pessoas assim como pensar na hora de votar, né?
Não com eu, olha, olha que é assim que se pensa. Não, olha aqui diferentes formas de pensar, olha aqui diferentes jeitos de olhar um problema. E a Insider Insider, que é a patrocinadora oficial do diálogo e da conversa inteligente, tá com a gente nessa aqui também. E mandaram um presente para você, Simone. Isso daqui é uma peça da Insider que eu tenho certeza que tu vai se amarrar. E você que tá assistindo aí, cara, que já conhece a Insider, sabe que eles estão com a gente aqui há um tempão.
E eles de fato estão com a gente nessa de falar de política, de falar de educação política. E muito obrigado, Insider. Ó, fica bem. Essa é uma das que eu uso bastante.
Eu não vou fazer propaganda, mas todo mundo já Mas eu já, eu tenho uma, viu? Então agora essa aqui é a segunda. Muito obrigada.
Então é isso, Simone. Bom, vamos começar falando então de que o cenário da disputa ao Senado acaba de mudar, né? A gente acabou de ter uma desistência do Ricardo Salles. Essa desistência em alguma medida muda o plano? Muda o que você tava pensando? Facilita? Dificulta? O que que você pensa dessa para começar.
Vamos lá, Igor. Primeiro, eu gostaria muito de agradecer a oportunidade de poder estar aqui conversar com São Paulo e com o Brasil, né? Porque eu sei que a sua influência é para o Brasil e além-mar, né? Nesse momento tão especial, eu viria inclusive com Sales. É importante lembrar que seria uma espécie de debate, debate sabatino, onde a gente poderia falar, né, como pessoas diferentes também podem muitas vezes ter encontro e convergência, né?
Lamentavelmente, Sales se rendeu ao Centrão depois de tudo tudo que fez e que falou, né, e tudo que representa. Então é muito triste o momento que nós estamos vivendo da política brasileira. Eu não saberia dizer se isso ajuda ou atrapalha. Eu acho que quem tem projeto político, quem tem história, quem tem trabalho, quem tem ideias, quem acredita estar do lado certo da história, não tem que se preocupar com os adversários. Tem que se preocupar em se apresentar ao eleitor como a melhor opção.
E é isso, isso para mim basta. Eu aprendi na minha vida, Igor, eu assim as pessoas já me ouviram falar isso, diferente de você que é carioca, então nasceu numa grande metrópole e tudo mais, teve acesso tão fácil à cultura, tudo. Eu nasci num momento muito difícil da história brasileira, eu sou bem mais velha que você, nasci no período de ditadura, na década de 70, no interior do interior do Brasil, numa família muito tradicional e conservadora, assim, conservadora no sentido assim, né, qual é o papel da mulher, o que ela representa, embora tenha tido sempre muita liberdade dentro da minha casa, com responsabilidade, mas liberdade.
E sempre fui muito tímida, né? E a vida me trouxe, a gente pode depois ao longo da conversa aqui falar sobre isso, a esse lugar e a esse momento. E me trazer nesse lugar, né, de um lugar da política onde as mulheres são tão poucas, são violentadas politicamente toda hora, me traz também, por ter sido o que eu fui tantas vezes, né, a minha história aí, eu fui quantas vezes eu tive primeiras vezes na minha vida, me traz um senso de responsabilidade muito grande e muito pesado.
É um fardo difícil de carregar, né? É oração todos os dias para aguentar as porradas da vida mesmo, as dificuldades, as violências que a gente recebe. Mas faço isso com muito amor ao meu país, assim, com muita verdade dentro de mim, com muita coragem, tendo coragem de dizer errei, peço desculpa, e levantando com a mesma rapidez com que caí, e vamos em frente. Acho que é por isso que eu sou candidata, é pelo meu país, é pelas minhas filhas e as filhas e filhos de todos os brasileiros.
A gente, da outra vez, a gente falou um pouco sobre isso, mas me relembra aqui como é que tu chega na política? Porque, vai, você acabou de dizer, você veio de uma família que era conservadora, que com coisas como, por exemplo, o papel da mulher, né? A gente tá falando de assim, eu sei como eu faço uma ideia, porque vi meus avós, tem lá os irmãos da minha mãe, né? Vi como faço uma ideia. Mas como você é que sai, que nasce nessa realidade no interior, minha mãe também é do interior, então eu faço uma ideia, chega na política como uma mulher, sei lá, que admirada, sabe?
Porque as pessoas não é, não era bem, olhando para as experiências que eu tenho perto, não é, sei lá, não é esperado, sabe?
Eu acho que nem eu esperava, quer dizer, em que momento a vida me trouxe até aqui? Eu sempre me pergunto porque eu nunca fui induzida a ser candidata a alguma coisa. O ser político na minha casa era meu pai. Aos 5 anos de idade, meu pai vira prefeito da cidade que eu nasci, muito pequena. E ali começam os meus conflitos. Eu venho de um berço privilegiado, né? Eu nunca precisei, eu nunca tive necessidades básicas e simples, sempre tive uma casa própria, enfim, nunca passei necessidade.
E um dia meu pai, eu tinha, devia ter 6 ou 7 anos de idade, meu pai me chama para inaugurar uma obra. Eu não sabia o que que era, muito distante, muito escuro. Chega lá, tem um um poste de madeira e faz uma contagem regressiva, e da escuridão se faz a luz. E ali eu vejo crianças, eu estudava em escola pública na cidade, nem havia acho que escola particular. Se havia, eu não estudava. E eu vi crianças ali da minha idade, crianças ali de outras salas de aula.
Eu falava, como assim? Eu estudo com energia, eles estudam à luz de vela. Eu tenho geladeira, eu tenho, sei lá, um pote de gelatina da Noni dentro da minha geladeira, e eles não. E aquilo foi, aquilo foi bugando a minha cabeça assim, né? E a minha mãe muito religiosa, minha mãe é daquela que ajoelha e faz as orações e pede o milagre a Deus. E meu pai sempre um ser assim: quem tem política é para servir, minha filha, nada mais do que isso.
Só que ao mesmo tempo eu venho de neta, eu sou neta de libaneses, de uma, de um estado conservador, de uma família conservadora. Então, pulando toda a história, ao mesmo tempo meu pai falou assim: minhas filhas têm os mesmos direitos que os meus filhos, você vai estudar. Fui fazer faculdade na sua terra, né? Naquela época que não tinha celular, que a gente falava com pai e mãe no no máximo uma vez por semana, porque tinha que marcar a hora para ligar.
Olha, vou te ligar 8 horas da noite numa quarta-feira, né? E ali eu descobri um outro mundo também, né? O Rio de Janeiro é o Rio de Janeiro, como é São Paulo, cabeças mais abertas. E quando eu voltei, eu fui, eu era muito estudiosa, sempre fui uma das melhores alunas. Eu recebi o título de, né, certificado de melhor aluno da sala e tal. E eu fui dar aula de direito público, como é que se administra um estado, um país. Durante 12 anos eu dei aula nas universidades para pessoas mais velhas.
Eu entrei muito cedo, aos 16 anos, na faculdade, vestibular. Depois me formei muito cedo, fiz pós-graduação, e de 21 para 22 anos eu tava na sala de aula dando aula para o 5º ano do direito, né, sobre direito público. E os alunos mais velhos, servidores públicos, falavam para o meu pai: ela tem que ser política, ela tem que ser política. E eu resisti 4 anos. Eu adorava política, política tá na minha veia, mas eu achava que política era uma— eu era aquela que tinha que impulsionar outros, porque eu não fui criada para Acer, vitrine, né?
E aí eu falei, tá bom. Depois de 4 anos de tanta insistência, meu pai me insistiu, falei, eu vou tentar, mas se não der certo eu vou parar. E aí eu virei deputada estadual, fui a primeira mulher prefeita da minha cidade, reeleita prefeita, primeira vice-governadora, e virei senadora da República. Tive algumas primeiras vezes dentro do Senado Federal, depois fui candidata à presidência da República e ministra de Estado. E dentro do Senado eu acho que ali houve a verdadeira transformação da minha Porque eu falo assim, isso é uma coisa que acho que as meninas que estão nos acompanhando, as mulheres, e serve também para os jovens que estão nos acompanhando, graças a muitas mulheres antes de nós, eu nasci tendo voz, mas eu não nasci sendo ouvida.
E há uma grande diferença entre ter voz e ser ouvida. Eu tinha voz, mas não era ouvida na política, né? A minha voz saía, mas não chegava nos ouvidos de quem manda. Eles não levavam em conta. Então isso fez muita diferença. Isso só foi virar na minha vida depois de 20 anos de mandato. Eu elejo, me elejo senadora, fico ali, de repente vejo o escândalo do orçamento secreto, das emendas parlamentares. Eu falei, eu vou ser candidata à presidência do Senado para perder, porque eu sabia que ia perder.
Imagina se eu ia ganhar com orçamento secreto sendo distribuído do lado de lá. E eu tive 21 votos e eu fui a primeira mulher candidata à presidência do Senado da história, de 200 anos da história do Senado, denunciar orçamento secreto. Falei, mas vai ficar registrado que alguém teve a coragem de denunciar.
Será que esse, o orçamento secreto, é um dos principais problemas hoje do Brasil? Eu, ó, vamos lá, claro que ele é um grandíssimo problema que a gente tem, mas a gente tá enfiado na maior crise da história, né? Então, como é que, onde é que, onde é que tu se posiciona? Vamos lá, caso eleito senadora, tu vai ter que lidar com a seguinte situação: vai ter uns cara falando em impeachment ministro, vai ter uns cara falando que como o Dino pediu vista, provavelmente só depois da eleição que vai ter lá, ou seja, que é para com o fim do impeachment do ministro.
Tu vai ter que lidar com que mais ou menos a mesma coisa, Banco Master. Vocês vão ter que lidar com um monte de coisa além das coisas que já tinham que ser arrumadas no Brasil, como o orçamento secreto. Isso não precisava de um escândalo para a gente saber porque tem que mexer no orçamento secreto. Como tu tá dizendo, lá atrás tu candidatou à presidência do Senado porque tu viu que o orçamento secreto é um problema. E aqui a gente concorda demais, vai ser um mandato complicado, né? Pelo menos o começo dele é um mandato complexo.
Igor, não para mim, sabe por quê? Acho que essa é talvez a diferença. Eu não tenho rabo preso, não tenho chefe, eu não bato continência para ninguém, eu sou uma pessoa de centro. Sou capaz de dialogar com todos e tenho uma ficha ilibada. Então ninguém vai conseguir me chantagear em relação a nada. Eu vou fazer aquilo que eu preciso fazer pelo meu país, pelas minhas Marias e pelas Marias, João, José de todo o Brasil. Eu não tenho outra razão de fazer política, né, a não ser poder servir o país no momento que o Brasil mais precisa.
Eu denunciei o orçamento secreto e depois, quando eu fui líder da bancada feminina, a primeira mulher líder da bancada feminina, que não existia na época, a gente criou e e tudo mais, veio a CPI da COVID. E eu descobri o escândalo de corrupção de compra de vacina antecipada de um governo negacionista que não queria colocar vacina no braço do povo brasileiro, e ao mesmo tempo se aproveitou. Eu não tô falando do presidente, mas da estrutura e do ministro do Ministério da Saúde para tentar comprar uma vacina que ninguém conhecia, da Índia, com pagamento antecipado, a ser depositado em paraíso fiscal numa triangulação, superfaturamento de 9 vezes o valor dessa vacina.
E eu denunciei. Por que que eu denunciei? Porque não tinha ninguém para falar que não faça isso, senão eu vou falar do deu podre aqui. Então acho que você falou um dos grandes problemas, você tá correto. Corrupção é corrupção, é um câncer que mata o futuro do Brasil e ele não tem lado. Não dá para falar assim porque é meu malvado favorito, então essa pessoa que é impoluta, é honesto o que ele faz, eu vou tampar o olho. Não, corrupção é corrupção.
Tem dentro da esquerda, tem dentro da direita, tem dentro do centro. Atingiu, olha o Vorcaro, assim, o Vorcaro comprou a República Brasileira. Ele é aquela história do porco, quando cai na lama sai espirrando lama, para não dizer outra coisa, para tudo quanto é lugar. Ele precisava se blindar. Então ele foi mais esperto que todos os políticos, que os políticos não entenderam o que ele tava fazendo. Ele fez um cala-boca, ele fez um cala-boca pagando Rolex, pagando viagens, pagando, colocando gente em jatinho, fazendo contratos milionários dentro do Supremo, fora do Supremo, E aí, que que ele fez?
Ele se blindou. Tem uma coisa que pouca gente fala da imprensa, que fui uma das primeiras a ver que saiu na imprensa. E isso é um problema que tá relacionado à sua pergunta. É tanto escândalo, tanto escândalo, que a gente perde o fio da meada. Você fala assim, como é que isso tudo começou? Também não sei, tá? Então vou ter que buscar lá, vou ter que pedir um Google aqui para tentar entender. Mas tem uma coisa que me incomoda: ele distribuiu cartão, 400 cartões de crédito black de valor ilimitado para as maiores lideranças da República.
Ele disse para o Ciro Nogueira, isso pode falar porque tá no jornal, fora outros, né? Você tem aqui até R$500 mil para gastar por mês. Você gostaria disso, né? Desde que o dinheiro fosse honesto, você não gostaria? Caísse do céu assim, falar: é presente para você, R$500 mil por mês para gastar. Que ele tava comprando uma liderança, um presidente de partido, alguém que foi chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Se ele fez isso com ele, ele fez isso dentro do Supremo.
Ele fez isso com presidente de partido, ele fez isso com deputados, com senadores. Só que agora nós estamos às vésperas de uma eleição, que é a eleição mais importante da história das nossas vidas. Se eu tenho 400, eu vou ser conservadora. Desses 400 cartões, se 200 foram distribuídos para deputados e senadores que estão lá indo para reeleição, e se essas pessoas com toda essa estrutura ganham, eu tenho pelo menos 200 pessoas que vão estar lá para blindar, Vô Caro, para blindar o banqueiro bandido preso, para blindar todo o esquema.
É um poder, sabe assim, blindando o outro. Vai ser ou seria, né, o maior acordão da história do Brasil. E aí, com agravante, eu já tenho um pouco de vivência, eu já tô na minha sétima eleição. Com 15 anos você não era nascido, agora você pode falar que não era, porque isso foi em 1984 para 85. É, foi 85, eu levantei um cartãozinho, uma cartolina, ninguém sabe o que que é cartolina mais, acho que não existe mais, mas dizendo assim: eu quero votar para presidente da República.
Eu jamais imaginei que aquela jovem tímida estaria hoje tendo que defender não só a democracia, tendo que defender a nossa soberania, o combate à corrupção, esses desmandos. Então, para resumir de forma objetiva, Igor, eu não tenho rabo preso, eu não tenho chefe, eu tenho independência, eu tô pronta para fazer pelo meu país o que precisa ser feito. Uma reforma política já significa reforma do Judiciário, 12 anos de mandato para ministro, idade mínima de pelo menos 50 anos, porque você tem competência e coragem para fazer o que precisa ser feito.
E aí vem o pulo do gato, que eu não posso abrir mão, o Brasil não pode abrir mão, gente. Olha esse escândalo: homem, homem, homem, homem e mais homem. A única ministra do Supremo Tribunal Federal tá longe desse lamaçal. Quando a gente fala de líderes, você pode até achar uma mulher ou outra, pode ser que surja, mas é exceção da exceção. Não porque nós somos melhores, melhores. Não é isso, é que nós sabemos, quando a gente vem para vida pública, a gente vem vocacionada para servir, porque a gente sabe o quanto é difícil chegar aqui, a gente sabe o que a gente passa.
Quando a gente vem, a gente vem pelos outros, a gente não vem só por nós. Isso faz toda a diferença. Eu convivo com homens e mulheres, eu não sou feminista, que a mulher é boa para tudo, homem não serve. Muito pelo contrário, eu acho que é uma complementação maravilhosa, homens e mulheres juntos, é assim que Deus fez. Agora, quando a gente fala de política, eu posso falar que há uma grande diferença. Quando a mulher entra na política, política.
De novo, eu não tô generalizando. Nós temos homens maravilhosos na política, honestos, íntegros, vocacionados. Não é disso, eu tô dizendo como regra, né? Então, dentro desse aspecto da reforma do Judiciário, tem que ter um artigo primeiro. Se não tiver, eu virar senadora vai ser o meu primeiro artigo, a primeira emenda que eu vou apresentar: paridade de homens e mulheres no Supremo Tribunal o próximo presidente da República tem que ser o seguinte, as próximas indicações tem que ser uma mulher, um homem, uma mulher, um homem para ministro do Supremo Tribunal Federal, até nós termos paridade.
Hoje são 11 ministros, só uma mulher. A gente precisa pelo menos 5 mulheres e 6 homens alternados.
É, eu concordo. Eu acho que, ó, desculpa te interromper, por favor. Eu tava pensando, acabei rindo aqui. Eu pensei no seguinte, alguém poderia dizer, mas porque assim, existem algumas ocasiões que colocar, fazer esse tipo de cota pode atrapalhar ou diminuir a qualidade do trabalho ou diminuir a qualidade do serviço de uma forma geral. Posso dar um exemplo aqui rápido, idiota. Numa cidade pequena, é você dizer que tem que ter 20% do Uber de mulheres, você pode diminuir a quantidade geral de Uber, né?
Então pode ser um problema. E aí, mas aí eu fiquei pensando, bom, alguém poderia usar esse argumento para dizer, bom, e se indicar, bom, agora tenho que indicar uma mulher, não tem jeito, pô, mas tem um cara que é muito melhor. Aí eu vou Bom, desculpa aí a quedinha, mas já voltamos. Eu tava dizendo que eu acredito que tem espaço para mulheres no STF lá, de sobra inclusive. E eu ia argumentar que, pô, a gente tem o TOEFL, então a gente tem bastante espaço para subir aqui em qualidade.
Com todo respeito ao ministro, essa é a minha opinião, entendeu? E era só isso. E eu concordo contigo, eu acho que Inclusive era o que eu ia te perguntar a seguir, que é, você tava falando de mudanças que você tava propondo para como se chega, como chega um ministro ao Supremo Tribunal Federal.
E na pior das hipóteses, né, o cara não conseguiria, né, comprar nenhuma mulher com orgias, né.
Faz pelo menos nesse sentido assim, obviamente de cara já faz essa diferença. Mas aí a gente tem o cenário que está posto, Simone, O cenário que está posto, ele será defendido com unhas e dentes por quem está, não é? Tipo, a gente viu aquele, o que tava acontecendo, aquela reunião que eles fizeram recentemente lá no STF, falando que era a intenção ver se a gente ia pôr para investigar o Alexandre de Moraes. Acabou virando vamos investigar o André Mendonça junto, sim ou não?
E no fim das contas, o Dino pede vista e as coisas muito assim, a chance é de 100%, né? A gente vê a decisão, a volta da vista dele quando passarem as eleições. Então eu vou achar que, independente de, vamos dizer, que o Alexandre de Moraes esteja no lado A e o André Mendonça esteja do lado B, a gente não dá para ignorar e fingir que não é um tribunal que é político, gostemos disso ou não. Né? Mas tem uma outra coisa que é: ninguém nunca foi, nunca ninguém, nunca abriram alguma coisa contra, de um impeachment contra um ministro do STF.
E acontecendo isso, poderá voltar a acontecer isso. Não ter acontecido até hoje é uma blindagem por si só, e eles lutarão para que isso aconteça, né? O que que tu tem para me dizer sobre isso como uma candidata ao Senado, que é quem lida com isso?
Igor, eu posso assegurar que eu não ganhei o cartão de crédito Black de Vorcaro. Consequentemente, eu não tenho rabo preso, como eu disse. Não tem nada que alguém possa fazer que possa me chantagear para eu deixar de fazer aquilo que eu preciso fazer pelo meu país. E a gente precisa moralizar a política, sob pena das pessoas não acreditarem mais na política. E não há outra forma da gente acabar com a miséria, diminuir a pobreza, fazer o dever de casa que nós temos que fazer em nome da nossa juventude, porque é uma fala de oportunidades fechando no Brasil.
A gente fala, pode falar disso daqui a pouco, né, se a gente não passar esse país a limpo. Agora, pau que dá em Chico tem que dar em Francisco. O que significa? Eu não posso só pegar Alexandre de Moraes. Se houver indícios graves, e há, ao que tudo indica, eu ainda não sou senadora, não sei se serei, se houver indícios graves em relação a Toffoli, Alexandre de Moraes, a qualquer um dos ministros, e houver por parte da presidência do Congresso Nacional, que tem que haver, né, uma um dever de garantir transparência para a sociedade brasileira e abrir o processo de impeachment, eu faço questão de estar na comissão processante.
Ninguém tá acima da lei. Abuso de poder é abuso de poder, vindo de mim, vindo de você, vindo de um ministro supremo, de um presidente da República. Se é possível empichar um presidente da República, é possível empichar um ministro de Estado. O que eu não posso é ter de novo o meu malvado favorito, porque este aqui é do meu lado. Eu é uma cegueira cognitiva. Então, ah, então imagina, imagina, isso aqui é fake news, né? E eu falo assim, eu falo como alguém que vive isso todos os dias e me incomoda muito o que acontece.
Assim, eu tive a coragem em 2022 de ser candidata à presidência da República porque eu entendia que essa polarização estava fazendo mal ao Brasil. Não deu certo, não me cobrem. Agora você não, agora eu tenho convicção que eu tô do lado certo da história porque o que está em jogo é muito maior do que todos nós. O que está jogo são retrocessos civilizatórios, que está em jogo é ameaça da democracia como nós queremos, que a nossa liberdade, liberdade de você falar o que você falou de um ministro e não ter a polícia aqui te levando embora para um cárcere privado.
Eu não sei se você tem pais vivos e eles desesperados para saber onde você está. Nós vivemos a nossa geração isso. Eu não quero mais isso para o meu país. É disso. Embora a democracia agora, né, ela é ameaçada de outras formas, ela é ameaçada em nome da nossa— o que tá em jogo é a nossa soberania, são as nossas riquezas, são os nossos valores Mas é a pauta que eu defendi a vida inteira enquanto mulher. De ontem para hoje eu vi algo assim, vou aqui dizer com muita tranquilidade, porque eu acabei de apresentar uma denúncia-crime contra Eduardo Bolsonaro, onde eu tive a liberdade de dizer.
Você começou me perguntando em relação a Sales, o que significa a saída do Sales no processo. Eu não sei o que significa eleitoralmente falando, eu só sei o que significou a atitude dele. Ele que a vida inteira bateu no Centrão e de forma muito pesada se alia ao Centrão no processo. E quando eu digo isso, eu recebo de alguém que é réu do Supremo Tribunal Federal lá, não tá nem morando no Brasil, né, querendo vender as nossas riquezas, nem a nossa soberania, por uma bandeira que não é verde e amarela, que é Eduardo Bolsonaro, dizendo que eu me prostituí.
Então veja, é contra esse tipo. E não é uma agressão a mim, é uma agressão às mulheres que fazem política, é a forma que eles têm de falar assim: vocês, mulheres, fiquem na sua insignificância, não venham fazer para política não, porque aqui vai ser tiro, porrada e bomba, né? Aí eu pergunto: quem é a prostituta e quem é o prostituto? Eu não participei de orgias como hoje saiu aí denúncia de supostas orgias do 01 candidato à presidência da República, e eu que sou a prostituta?
Então esse tipo é contra esse tipo de situação. E não é por mim, não é pela minha vida, é pela vida das mulheres. É a menor cidade de São Paulo tem candidatas querendo ser vereadoras. Borata é o quê, mil habitantes? Eu preciso que ela tenha coragem de ser candidata se ela quiser entrar na vida pública. Ela não pode se sentir ameaçada com esse tipo de violência verbal, que é crime, que nós, quando eu fui senadora, nós tipificamos como crime.
Eu tenho muito orgulho de ter sido a primeira mulher presidente da Comissão de Combate à Violência Contra a Mulher do Congresso internacional, porque os índices de feminicídio, por toda a violência. E ali a gente bateu muito nessa questão da violência política. Por que que o Brasil tá na posição de 140, 138 dos países em relação à representatividade feminina? Você sabia disso?
Não, é bem, bem ruim, né?
Nós não temos nem 200, vamos colocar, do universo de 100, acho que foi avaliado 180, 190 países, nós estamos na posição de 138 em representatividade. Nós não temos 20% de mulheres na política brasileira. A Bolívia, um país desse tamanhinho, muito mais pobre, 50%, por conta desse tipo de situação. É a nossa população que é 50/50, mas as mulheres são maioria na população brasileira, e hoje são maioria nos bancos das universidades também.
Então dá para falar que, ah, porque a mulher não estuda, porque a mulher não tem competência, não é nada disso, né?
Posso chutar aqui uma coisa? Será que a mulher se interessa, Simone?
Ela se interessa, mas ela tem medo. Eu converso com as mulheres. Antes de estabelecer que a mulher tinha direito a ter 30% de vagas para disputar, não é 30% de cadeiras, é pelo menos 30% de candidatas, que é o mínimo, né? É paridade para poder disputar. Você vai perder, perdeu. A gente, eu lutei muito com isso. Eu vi, ninguém me contou. Eu fazia parte dos movimentos do partido. A gente entregava pacotinho de santinho, ainda hoje tem santinho, né?
Pacotinho de santinho, brindes assim que permitia camisetas. As mulheres saíam felizes da vida com cotas de gasolina. Nossa, eu poder pôr gasolina no meu carro, poder pedir voto. Mas eu via os cheques polpudos para os homens. Então você não tinha paridade de armas. As mulheres, elas eram chamadas para cota só para constar, mas elas não tinham oportunidade de disputar. E de lá para cá, as mulheres perceberam isso. Então elas falaram assim: isso não é para mim, eu vou— como é que eu vou depois enfrentar, proteger a minha família, as ameaças?
Porque ameaça contra a mulher, ela, ela ameaça que a gente recebe em relação à nossa família, não é relação só a nós. Então é muito difícil a gente hoje estimular estimular mulheres para entrar na vida pública nesse ambiente onde há a violência verbal. Isso é muito grave. A violência verbal, ela é o primeiro passo para violência letal. Isso acontece na violência doméstica, isso acontece na violência política. Não é à toa que os homens covardes de extrema-direita, né, atacam jornalistas mulheres e não atacam jornalistas homens, atacam mulheres que fazem política com outras palavras que não utilizam em relação homens.
Então, mas nós estamos aqui para persistir, nós estamos aqui para resistir. Essa é minha obrigação, né? Porque, de novo, volta a sua primeira pergunta, né? Eu não imaginei que uma menina do interior, do interior, tímida, que não tinha medo de microfone— nunca fui líder de turma, nunca fui oradora de turma— e de repente parei aqui. Aí eu falo assim, como que eu parei aqui se eu não queria nem começar na vida pública? Eu queria fazer política de bastidor, né?
De repente virei a primeira mulher e falei, não, eu tenho que ir. E a vivência de ter sido prefeita, Igor, me deu um choque de realidade. Eu falo isso assim com muita humildade, assim, não falo envergonhada não, porque era a vida que eu tinha, né? Eu tinha uma vida privilegiada, mas eu tinha o contato com a miséria, com a pobreza, sempre tive. Mas saber que eu era responsável para mudar essa realidade me deu um choque de realidade muito grande.
Era assim, era mulher com filhos desesperada batendo na minha porta final de semana dizendo assim, pelo amor de Deus, me dá um lugar para morar, porque eu morava no barraco, meu marido incendiou o barraco, recebo violência doméstica e eu não sei para onde ir. Eu estava às vésperas de entregar casas populares, eu falava: o que que eu vou fazer se eu não posso furar fila? Aí fala: bom, eu vou tentar convencer um casal que não tem filhos, eu pago um aluguel social para eles, fala que 6 meses vocês entram na casa, mas pelo amor de Deus, deixa eu colocar essa família com filhos.
Isso muda a vida de qualquer pessoa, ninguém sai insensível é terrível, né? Ninguém consegue ficar insensível a esse tipo de dor, né? Então ter sido prefeita mudou radicalmente a forma que eu faço política hoje no Brasil.
E Simone, você acha que— bom, você tava falando, eu quero voltar nisso aí também, mas só para eu não esquecer, porque foi ficando para trás. Algumas vezes você disse que você é de centro e várias vezes tu criticou o centrão. Talvez seja— me diz aqui qual que é a diferença O que é isso?
Porque é talvez importante deixar claro, porque nem talvez, às vezes, as pessoas confundem mesmo, né? Ser de centro é conseguir dialogar com a esquerda e com a direita tendo posicionamentos equilibrados. Significa não pensar como pensa a esquerda 100%, nem pensar como pensa a direita 100%. Na economia, é verdade, eu sou um pouco mais centro-direita porque eu sou um pouco mais liberal na economia, mas eu tenho a pauta de direitos humanos, a pauta de direitos sociais muito forte dentro de mim, num país tão desigual.
Então eu tenho, e a parte como humanista mesmo, até que sou por ser cristã, né, por vir de um berço muito, muito religioso, eu tenho essa pata muito forte. Então nesse aspecto eu me aproximo um pouco da esquerda, mas eu sou uma pessoa de centro porque eu nasci dentro do MDB, daquele MDB de Mário Covas, de Franco Montoro, de Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, que lutaram por democracia. Ser de centro para mim é defender a democracia e os valores acima de tudo.
No meio desse processo que aconteceu ao longo dos anos, quando os quando os partidos de centro se apequenaram, e vale um pouco isso para o PSDB, um partido um pouco mais centro-direita, vale para o MDB. Quando eles ficaram pequenos, quando eles foram morrendo, minguando, nós começamos a ter o presidencialismo de coalizão. Então, como o presidente da República se elege e não faz maioria no Congresso, ele precisa compor dentro de um limite.
É natural, isso acontece no mundo. Se você não compõe, você cai. Você compõe dentro de regras, você não vai se compor para corromper. E aí que você faz uma grande coligação com ministérios. Governar com os diferentes é muito saudável, né? O presidente Lula é de esquerda, mas o governo dele não é de esquerda. Isso eu posso atestar porque eu fiquei 4 anos lá.
Então isso é interessante também, porque ele é— as pessoas não conseguem entender nem isso, porque isso é claro, na verdade.
É claro. Então o que acontece? O grande problema, o grande problema é que os maus políticos assumem as presidências de partidos, assumem as lideranças, comandam os partidos considerados aqueles que estão com o governo, ai governo, estou junto. E aí viram o centrão que coage, que manda, que vota, que derruba veto, que fala não adianta você mandar não, presidente. Eu vou contar uma coisa sobre as bets.
É boa.
Eu sou radicalmente contra jogo de azar, peço desculpas para quem pensa diferente. Eu fui responsável por enterrar um projeto de cassinos que Ciro Nogueira e família Bolsonaro Rio de Janeiro queria em 2018 na CCJ, que queria colocar cassinos nos litorais aqui e tudo mais. Eu acho até que era para, na minha cabeça, tá, e assumo que eu digo, era como tinha acabado o financiamento privado de campanha, era uma forma de conseguir grandes, Singapura, etc., vir para cá e conseguir recurso para os fundos.
E nós conseguimos enterrar esse projeto em 2018 para 19. Enfim, as bets são são legalizadas no Brasil. E durante 4 anos do governo Bolsonaro não se regulamenta e vem as bets ilegais, toda essa sorte de situação. Assume presidente Lula e eu participei em 2024 de uma de várias reuniões que devem ter tido, mas uma eu participei. Então eu sou prova viva do que até tem vídeo já do presidente nesse sentido, que o grande embate do governo era o seguinte: olha, nós estamos chegando numa situação que a gente tá vendo o problema de saúde pública, não era nada perto do que tá hoje, em 2 anos mudou muito fortemente.
Mas nós estamos num problema de economia mesmo, é economia que tá saindo dinheiro da economia, as pessoas estão se viciando. Nós temos um problema de bets ilegais que nem impostos não pagam, além de tudo ficam bilionários e não paga. E a grande, grande dilema naquele momento é: nós vamos acabar ou não com as bets? E a gente faz uma sondagem informal e vê que no Congresso Nacional os lobbies já estavam tão fortes, né, que não conseguiríamos derrubar as bets no Congresso Nacional.
Então metade do governo queria acabar, presidente Lula deles. Eu vi isso, ninguém me contou, eu tava numa dessas reuniões, eu estava, e eu dizia: vamos acabar com isso. E muitos dizendo o seguinte: a gente vai mandar o projeto, vai ser derrubado, e nem imposto eles vão conseguir, nós vamos conseguir cobrar dessa turma. E aí falou, o presidente falou assim: olha, tudo bem, a gente manda a regulamentação, mas se isso não der certo, pela minha vontade, a gente acaba com as bets.
Isso tá matando a economia, tá matando as famílias brasileiras. E a gente, desde aquela época, a gente tinha um problemão em relação com as bets. Isso tudo para dizer o seguinte: você tem uma quantidade de gente do Centrão compromissada recebendo, recebe em forma de uma série de benefícios, e você tem lobbies. São os lobbies, às vezes tem lobbies que são legítimos, né, mas tem lobbies que são absolutamente ilegítimos. Assim, fiz esse parênteses porque eu acho que é importante.
Muita gente tá falando assim, ah, é uma medida eleitoreira, é uma medida demagoga. Antes tá do que nunca. Dava para esperar 6 meses. Eu vou contar uma coisa muito rápida. Hoje, agora eles vão ficar sabendo, eu fugi da segurança lá que eu tenho que andar por enquanto como candidata, né? E nem eles sabem disso, vai ficar sabendo agora, né? E eu fui ao salão. Falei, imagina se eu vou lá no Igor sem fazer a unha, sem fazer o cabelo.
Então eu corri, peguei, peguei um táxi e eu parei na porta do prédio e veio um rapaz que vende, como fala, pano de prato, e me conhece e tal. Ele falou assim, Olha, eu— e ele sempre me encontra. Dessa vez, por conta da situação da bet, eu falei assim: olha, eu quero dizer para você que eu era viciado em jogo e perdi tudo. Hoje eu tô na rua vendendo pano de prato, né? E eu senti que ele se sentiu seguro por conta da proibição das bets.
Ele chegou a falar assim: eu espero realmente que não seja só de 120 dias, porque é uma medida provisória. Ele falou lei, né, e tal, que, ou seja, que o Congresso aprove. Entrei no Uber, entrei no Uber e tava ligado no carro. Isso aconteceu comigo, tava ligado a questão da regulamentação, da questão das bets. Era o anúncio na rádio, é, tá aí, né, tá nas redes sociais o assunto. E eu falei para o rapaz, né, Felipe, esse assunto é sério, né, é muito sério, né, antes tarde do que nunca e tal.
Não quis polemizar, tava de óculos escuro, cabelo preso. Às vezes eu coloco um boné e tudo mais, e as pessoas às vezes não me reconhecem e e tudo mais, né? E ele virou, falou assim: é, eu era viciado em jogo de carta, o que me salvou foi minha família e tal. Aí ele comentou que ele tentou fazer um joguinho, ele viu que na segunda ele perdeu, ele falou: não posso ir por esse caminho. Mas ele também havia experimentado, não sei se tigrinho, o quê.
Eu desço e vou para o salão, eu tô lá fazendo o cabelo, comento, falei: gente, que ela já me conhece e tal, aí já, claro. Aí eu falei: olha, pode ser coincidência, mas acho que a coisa as estatísticas estão erradas. Eu acho que metade da população brasileira de alguma forma já tava jogando. Uma vez é você experimentar e tal, todo mundo deve já ter jogado. Eu nunca joguei porque eu não gosto de jogo, por outras razões, né? E aí eu comentei isso com ela, eu falei, ó, duas pessoas, apenas duas que eu encontrei hoje falou.
Então ela falou, então vou falar da terceira. Aí eu assustei, ela falou, meu marido era, meu ex-marido era viciado em jogo. Pode ser coincidência, Igor, pode. Mas para você ver como o assunto é sério, é um assunto de saúde pública, né?
Certeza. Eu acho que, eu acho, olha, eu acho que foi uma medida eleitoreira. Eu acho que foi um acerto também, sabe? Eu acho que podia ter sido feito ano passado, eu acho que podia ter sido feito no início do ano, eu acho que podia ter sido levantado uma bandeira mais forte. E portanto eu acho que foi sim uma medida eleitoreira, até porque MP, aí quem vai ter que lidar com isso é depois das eleições, é o jogo, eu entendo. E mas não é para tu não precisar defender o Lula para mim não.
Mas é do ponto de vista de isso é um problema para o Brasil, é. Mas tem, eu, cara, o meu não tem nenhum interesse em defender as bets, é nenhum mesmo. Mas causou de fato um puta impacto, foi um meteoro. Falou-se disso apenas isso durante um tempo. Eu vi uns memes falando, bom, agora não é mais a Maria Bethânia, agora é a Maria da Espanha. Não é mais o Beto Carreiro, é o Carreiro. A Bet tá proibida. Então, além de tudo, ainda virou um meme.
Então tem uma, eu vi uns cara, eu vi o cara que, eu vi uma galera que influencer, que fazendo, falando, comentando, né, falando que, falando uns troço que eu ficava até, caraca, parece que esse cara não tá no Brasil, malandro. Porque é outra realidade, é tipo, putz, agora isso não me atrapalhou na minha vida. Aqui nós estamos falando de um troço que é muito sinistro. Ao longo do tempo, e eu vou fazer mea culpa aqui também, ao longo do tempo eu fiz propaganda de, eu fiz propaganda de, sei lá, Esporte da Sorte, da Blaze, da KTO.
E assim, foram uns momentos da minha vida que eu confesso para tu que eu não tinha muita escolha não, mas isso não é desculpa, tá? Tinha muita coisa não. Eu sempre defendi, no entanto, em minha defesa, a ideia da propaganda, porra, mais honesta possível. Então quando a gente ia negociar com os cara, eu cheguei a não fechar contratos ou a sair de contrato que me obrigava a contar mentira. Por exemplo, eu tenho que jogar com dinheiro falso e ganhar.
Cara, isso é um absurdo. Isso é, isso é, além de, em primeiro lugar, eu tô mentindo para minha audiência, né? Então é Pode procurar. Eu sempre falava que era, cara, é isso daqui não é um jeito de você ganhar dinheiro. Isso daqui é como se fosse eu no que fui jogar um pinball, botei um, botei 50 centavos aqui e vou ganhar, ganhei 5 minutos de distração aqui, né? Então não é, não é para pegar o dinheiro do pão, não é para pegar o dinheiro do aluguel, não é pegar o dinheiro do mercado, é para pegar o dinheiro do cinema que tu não foi foi, sabe?
Não foi no cinema. Puta, esse dinheiro aqui eu ia no cinema, sei lá, vou gastar R$5, R$10 na parada aqui. E mesmo assim, é, eu, meu ponto é, eu ficava a parte, a maior parte do tempo dizendo para as pessoas aquilo não era um jeito de ganhar dinheiro, né? De novo, não tô dizendo que eu tô certo, eu tô dizendo que, pô, eu tava tentando lidar com uma coisa, porque é importante dizer mais uma vez, é, para mim era a questão, era importante, vida ou morte. Sabe, para essas coisas continuarem acontecendo.
Mas, Igor, eu também não quero te defender, mas assim, acho que também ninguém imaginava que essa questão fosse sair absolutamente do controle de todo mundo, inclusive pela falta de regulamentação de 4 anos que Bolsonaro tinha obrigação de regulamentar e não regulamentou. Então, ao não regulamentar, nós tivemos bets ilegais. Ao não regulamentar, a gente deixou crianças e jovens expostos. Ao não regulamentar, a gente permitiu odds, não só as propagandas, mais ódios, direcionamento.
Então assim, chegou num ponto onde 40% das nossas mulheres, segundo dados, já jogaram ou jogam, e 12% estão buscando, pelo amor de Deus, auxílio no Ministério da Saúde. Pessoas, é muito forte assim. A decisão do presidente Lula foi depois de ter com ele, contou já essa história, né, de estar falando sobre esse assunto, passarem dois jovens ali, ter serviço terceirizados. Ele chamou os dois meninos, dois meninos tiveram coragem de falar que um tava devendo R$40 mil, outro não sei quanto.
E ele fez uma rodada com 8 mulheres e viu de uma mãe com retrato, falou assim: e meu filho avisou. E eu perdi meu filho, porque o meu filho não teve condições de sair e por vergonha tirou a própria vida. Então chegou um momento em que não dava para esperar. E a medida provisória, ela vai valer até o momento em que os próximos parlamentares assumirem a cadeira e terem que ter a coragem de tomar essa decisão a favor das famílias brasileiras e da economia.
E aí a gente atrela uma outra coisa, Igor. Nós estamos no o melhor momento da economia da história do Brasil recente. Mas a percepção das pessoas não é essa, não, porque nós estamos com o maior índice de emprego da história do Brasil, a maior massa salarial. Isso são números, são números dados. Até os mais radicais economistas contra nós vai dizer hoje, saiu hoje, o mês de agosto foi o maior índice de emprego do mês de agosto da série histórica, a maior massa salarial, o salário mínimo sempre crescendo acima da inflação, a inflação mesmo dos alimentos, desses esses 4 anos comparado a 4 anos de Bolsonaro é infinitamente menor.
Nós tivemos uma inflação de 50 e poucos por cento em 4 anos e estamos tendo uma inflação de que pode ser que chegue a 16% até o final do ano, mais ou menos isso. Mas o que, o que justifica a população estar absolutamente endividada? Duas coisas: juros altíssimos, ninguém discute, isso é um outro problema sério, culpa de uma série de situações, e aqui todo mundo fazer um meia-culpa, aqui. A gente pode até falar sobre isso. E a questão, e são 3 até: juros altíssimos, um Banco Central que não fez o dever de casa permitindo que fintechs começassem a distribuir cartão de crédito para todo mundo, gente que não tinha direito ao crédito, condições de pagar.
E ele falava assim: não, você tá desempregado, você tem emprego mas ganha um salário, toma aqui um cartão de crédito limite de R$5.000. Ora, o cara ganha um salário, o cara ganha R$10.000. Como é que ele vai pegar um limite de R$5.000? É claro que um cartão desse na mão, ele tá desesperado que ele precisa comprar um remédio, ele precisa, que ele começa a se endividar pagando 30% de juros ao mês. Então ele começou a se endividar.
E o terceiro tá comprovado, exatamente por conta dos juros altos, para sair dessa, do cartão de crédito, que o Banco Central deveria fiscalizar fintechs, não poder ficar dando uma coisa. Ele dá para você, você falou, ah, já tive uma dificuldade, mas hoje você tem uma condição confortável, você pode ir no banco falar, eu quero um cartão de crédito que eu posso precisar. Outra coisa, dá para quem tá desempregado, um quem é aposentado, quem não precisa, o Banco Central não fiscalizar, você tem aí o quê?
É um estímulo. Opa, vou pagar a conta jogando, vou tentar jogar. Então acho que é uma situação que demorou, mas chegou.
E acho que é importante. Não dá para a gente, não dá para a gente realmente não lembrar que eu vi umas pesquisas de mercados, por exemplo, supermercado atacadista falando que, cara, a galera parou de fazer a compra do MEI da galera, deu uma diminuída boa. E isso é fácil de associar, porque assim, põe no tempo, não sei o quê, tu vê onde é que tá, onde é que, onde é que isso realmente tá mexendo, tu consegue fazer uma associação às bets de fato, né?
O que justifica todo mundo estando empregado, ganhando acima da média de salário. Então é uma mistura, não é só bet, a gente sabe, é bet, são juros altos, são cartão de crédito sendo colocados, disponibilizados, né? E no cenário, no cenário desse, assim, que lamentavelmente no país polarizado, Igor, aí todo mundo, né, começa a questionar medidas que muitas vezes são importantes serem feitas, né?
Tu é ministra do Planejamento. Fui. O que que, o que que esse tempo no ministério te influenciou para tu ser uma melhor senadora, na tua opinião? Vamos lá, porque tu tava me contando de experiência que tu teve como prefeita, experiência que tu teve com teu pai prefeito, como senadora 8 anos. E aí tu deve ter feito, visto, organizado, planejado, sei lá, coisas de um jeito diferente como ministro, ministra. Como isso, como, em que medida isso te uma pessoa mais capacitada para ser uma senadora melhor?
Igor, acho que é um conjunto, não é só o fato de ser ministro. Eu entendi a sua pergunta. Eu acho que hoje eu posso dizer que eu tenho experiência de ter ocupado cargos em todas as esferas, de prefeita a parlamentar e a executivo nacional, né? Eu acho que são 3 coisas: experiência, caráter e coragem. Porque se é uma coisa que a política não fez, foi me corromper. A política não teve a capacidade de me corromper e não vai ser agora que vai fazer, ou depois de 25 anos.
Existem, e são, mas elas são descaradas, elas são descaradas, elas são descaradas, elas são primeiro as sondagens. E acho que a melhor forma que se tem, é claro que você não consegue filtrar todo mundo, você não sabe quem entra no seu gabinete, você não sabe com quem que você tá tirando a foto. Eu nunca condeno ninguém porque tirou uma foto com alguém, né?
Eu também não.
A questão é histórico. Você, você hoje é uma pessoa pública, Igor, então as pessoas te reconhecem na rua. Então você tira uma foto, você vai negar uma foto com alguém? Não, não é isso, é histórico, né? É o histórico que depõe contra a pessoa. Então você filtra o máximo possível, mas de repente você não sabe, você vai lá e atende alguém. Então eu já tive N situações, né? Começam sondando, você corta de cara e fala: vamos parar a conversa por aqui, não leve adiante, né?
E dentro e fora da política. Eu vou contar um episódio porque, até por conta do Eduardo Bolsonaro, voltando nessa história que ele falou, né, praticamente me chamou de essa disputa falando que eu havia me prostituído por cargo. Quando acabou a eleição, todo mundo sabe que foi 2022, a eleição foi decidida na vírgula, foram 900 mil votos de um lado para cá e 900 para o outro, daria os 1 milhão e 800. Então acabou a eleição, a primeira pessoa que me convidou, me chamou para conversar oferecendo ministério foi pai dele.
Pai dele, através de um ministro, uma ministra, não vou citar nome, falou o seguinte: olha, a Simone é do agronegócio. Então ela vem, nasceu na região Centro-Oeste, ela entende do agronegócio, fala que eu vou dar se ela me apoiar. Eu fiquei em terceiro lugar, eu fui, eu tive 5, quase 5 milhões de votos. A maior proporcionalmente dos votos foi Estado de São Paulo. Por isso que eu falo com toda tranquilidade, que eu tenho muita tranquilidade de me apresentar como candidata ao Senado Federal por São Paulo, porque eu já fui votada.
São Paulo me abraçou em 2022 proporcionalmente disparadamente. Eu tive 9% dos votos da capital aqui em São Paulo numa eleição absolutamente polarizada no primeiro Mas voltando, e disse, olha, tá aqui, nós temos um Ministério da Agricultura e da Pecuária, o mapa. E eu disse, não, não tô à venda, não é, não tô por isso, né? Eu já sei para que lado eu vou estar, eu vou estar do lado certo da história. Não porque eu penso igual, eu penso muito diferente ao presidente Lula, e ele sabe disso e tem todo o meu respeito por isso.
Porque mesmo sabendo que eu sou liberal na economia, qual ministério que ele me deu? Ele não deu Ministério Social, ele me deu Ministério da Economia, ele me deu Ministério do né? E por isso que eu digo que o presidente é de esquerda, o governo dele nunca foi de esquerda. Ele tem gente de esquerda, de centro, não tem da extrema, e até centro-direita na economia, como eu. Depois eu disse não. No outro dia ele mandou um outro ministro me oferecer, porque eu sou professora, é minha verdadeira vocação, adoro sala de aula, assim, sei da minha missão com a juventude, né?
Acho que esse é o grande desafio que nós temos com o Brasil, preparar nossas crianças, nossos jovens para o futuro, que poderá ser brilhante ou não a depender das que nós fizemos agora. E ele me ofereceu o seguinte: olha, o MEC, Ministério da Educação, na verdade lá era Ministério da Educação, não tinha Cultura, Ministério da Educação de porteira fechada. E eu disse: não, eu não tô aqui por isso. Você sabe o que que eu negociei com o presidente Lula para apoiá-lo?
Falei: presidente, eu quero algumas políticas públicas. O primeiro, eu quero o pé de meia, quero poupança jovem, eu quero jovens que não saiam, não tem evasão escolar do ensino médio, porque eu quero esse jovem estudando, ganhando melhores salários que os seus pais. Eles precisam estudar no ensino médio, eles não podem sair da escola. Eu quero igualdade de salários entre homens e mulheres. E o projeto foi aprovado no Congresso.
Mulher e homem na mesma profissão, com o mesmo tempo de serviço, tem que ganhar o mesmo salário. Então foram políticas públicas, né, que a gente apresentou. Então isso tudo para contar que eu me sinto, sim, eu me sinto preparada. Não é nem só pela minha experiência, não. Eu me sinto preparada pela coragem que eu tenho de enfrentar os desafios, que eu sei que não serão pequenos para São Paulo. E porque São Paulo, porque São Paulo é locomotiva do Brasil.
Se São Paulo— essa é a frase que todo mundo fala, e é verdade— é o estado que mais produz, que mais gera emprego, que mais gera renda, que mais arrecada, que mais tem universidades, que mais tem potencial na área de tecnologia e inovação, que mais tem capacidade de entrega. São Paulo tem uma capacidade de entrega para sua gente, para os paulistas, para os brasileiros, extraordinária. Existe uma janela de oportunidade que a gente não pode perder.
O Brasil tá envelhecendo, é taxa de natalidade. Você é um ponto fora da curva tendo duas filhas. Eu também. Eu não, porque sou outra geração. A sua geração e a geração, sei lá, dos 30 anos não quer nem ter filhos. Só que nós não fizemos o dever de casa ainda. Nós estamos envelhecendo antes de ficarmos ricos enquanto país. Nós temos uma janela de oportunidade de 12 anos mais ou menos, que a janela que 2040 nós seremos um país de mais idosos política de jovens.
E nós temos hoje, eu diria que assim, um novo pré-sal na nossa mão, que são os minerais críticos e as terras raras. Nós temos a segunda maior reserva do mundo, que é o que vai no chip. Eu não sei o que que vai aqui nessa, mas vai também nesse equipamento, sei lá, nisso aqui também, né, nisso aqui no nosso celular, enfim, né, em tudo que a gente tá aqui. Se a gente tem isso, a gente tem a oportunidade, sobre, com as regras, trazer a indústria, o capital estrangeiro chinês, americano, europeu, não interessa, sem preconceito, traz esse investimento, mas fazer a indústria da transformação aqui.
E isso nós temos que tomar muito cuidado. É por isso que a gente fala em soberania. Soberania diz o seguinte: as riquezas são nossas, né? Nós é que temos que tomar conta delas, e nós que nós temos. Isso pode garantir riqueza para os nossos investidores. O que que os outros, alguns países estão de olho é nessa riqueza. Então entregar essa riqueza de mão beijada para outro país significa deixar um rastro de miséria, a mesma miséria do Brasil que foi colônia.
Isso não é discurso de esquerda, isso é história. Quem gosta de história vai lá e olha onde tá o ouro, diamante, os minérios do Brasil: nas igrejas da Europa. Era um momento de colônia. Que que aconteceu? Vou falar mal do meu setor, do negócio. Que aconteceu? Outro crime que nós cometemos. Nós mandamos o— vamos falar o café ali da região norte de São Paulo, né? Ou mesmo a indústria calçadística. Eu talvez seja o único, mais ou menos o único ponto fora da curva da região de Franca.
Os nossos produtos aqui, a cana, a carne, a soja, o milho, como é que ele vai para fora? In natura, sem processamento. Ele custa quanto o quilo? A tonelada do café que vai, X. Aí ele vai café para Europa, países que não tem um pé de café. Ele mói, põe numa embalagem bem bonitinha, coloca Made in Germany, etc., e a gente toma o café 10 vezes mais caro brasileiro. A gente não processa. Qual é o crime disso? Além de estarmos inflacionando tudo, né, a balança comercial, o dólar sobe e tudo mais, e vem inflação, a gente não tá gerando emprego, valor agregado.
Imagina a gente poder fazer isso com as terras raras. Mas há quem sindicatos, né, do lado de lá, que falam: não, se ganhar eleição, manda os Estados Unidos vir aqui, vamos dizer, escrever a carta, o que que querem.
Mas qual que é o caminho, Simone? Porque, com todo respeito, eu tô escutando, esse, isso é uma coisa que a gente, que eu discutia com os professores na escola, e olha aqui, né?
Não faz tanto tempo, vai, não acaba comigo não, né?
Eu tava no segundo semestre de 2001, eu tava com, eu tava no primeiro ano de ensino médio. Então assim, a gente tava discutindo essas coisas lá na escola, ou seja, um papo antigo, né? Como eu vou acreditar que agora tem a chance de ser diferente?
O Congresso Nacional tá com um pouquinho de juízo. Eu não vi como que tá o texto agora, talvez precisa ser melhorado, mas nós acabamos de aprovar o marco regulatório. Eu não sei como é que tá, tô em campanha. O marco regulatório da— já passou o Redata também, que é outra coisa que com sustentabilidade acho que é uma coisa boa. Os nossos dados, né, todo mundo fala de iCloud e tudo, os nossos dados ficam lá em outro país, sabe lá quem tá usando, ficando rico à custa dessas informações.
Então sabe dos nossos gostos, sabe melhor do que você qual é a sua cor preferida, qual o seu time de futebol, sabe mais do que você, porque sabe de você, da sua esposa e dos seus filhos, né? Você só sabe às vezes de você, né?
E olha lá.
Então é da mesma forma do Redata, que eu acho que é uma oportunidade a gente ter data centers aqui, e vamos ter. Barueri é um caso típico aí. Você tem aí o Centro Tecnológico de Campinas, a região administrativa e metropolitana de Campinas, que é uma referência para o Brasil todo. Mesmo São José dos Campos, que a gente tem ali ITA, a gente tem todo um Embraer, tem, né, a gente tem orgulho de ter mesmo essas, são referências no mundo, né, mas são referências para o Brasil.
A gente, o Congresso avançou um pouquinho na regulamentação dessa questão de terras raras. Uma parte provavelmente pode Natura, né, os minerais é natural. Mas a outra parte é o seguinte: quer vir, vai minerar aqui com a tecnologia de vocês, a gente aproveita a tecnologia de vocês e vamos compartilhar essa riqueza.
Que é só o que a gente quer mesmo, né? Quero aprender a lidar com a minha própria riqueza. Porque aquilo que você falou, a gente, tudo que a gente faz, que a gente fez ao longo do tempo, claro, existem melhorias. A gente pode, tem que lembrar da Embrapa, por exemplo, que adiciona muita tecnologia também ao nosso é, mas a gente fez ao longo do tempo, a gente basicamente entregou o produto na sua forma mais básica e comprou ele processado.
E assim continuamos fazendo, né? Então é toda, qualquer iniciativa que a gente puder, muitos desses bondes a gente já perdeu, mas é, pô, nesse das terras raras aí pode realmente ser uma janela, né?
Exato. E eu acho que isso linka com a minha aflição, eu acho que aflição de muita gente Gente, né? Essa eleição é muito triste. Eu acompanho eleição há muito tempo, mesmo antes de começar a vida pública, que a eleição onde as pessoas, não sem razão, estão mais desanimadas, mais desalentadas, né? Eleição das rejeições, não é reeleição do amor do coração, com parte da parcela do eleitorado brasileiro. Mas isso linka com, acho que, algo tão grave quanto isso, né?
Enquanto a gente fica falando da defesa daquilo que obvio, da defesa de seguir. Então não podemos ter retrocessos. Nós temos um dever de casa imenso para fazer. Olha que tristeza, né? Eu tô tendo que falar de violência política contra a mulher, de defesa dos direitos, como São Paulo, ao mesmo tempo que nos dá orgulho, nos dá a vergonha de ser um estado que andou para trás no feminicídio. Enquanto o Brasil inteiro caiu o feminicídio, São Paulo aumentou 10%, feminicídio em São Paulo.
O que é mais grave, não cumpre a lei, cortou pela metade os recursos da Secretaria da Mulher, Igor, e é obrigação legal ter delegacias da mulher abertas 24 horas por dia, 7 dias na semana, que o momento que a mulher é mais violentada ou morta é à noite, nos finais de semana, e por incrível que pareça, depois dos jogos de futebol. E é o momento que a mulher precisa de ajuda, ela chega lá, ela tem uma delegacia fechada. Então é, ao mesmo tempo que a gente tem que olhar para frente, olhar para o futuro, construir, que a janela de oportunidade está fechando, a gente tá falando direitos civilizatórios retrocedendo no tempo.
A banalização do mal me preocupa muito. Esse termo não é meu, esse termo foi usado para tentar entender, né, o que foi, né, o fascismo, o nazismo, né, pós-Hitler. Mas é isso, é você normalizar aquilo que não é normal. Não é normal normal roubar, não é normal você cometer crimes contra a honra, não é normal você agredir uma mulher, você agredir um pet, né? Você fazer brincadeiras que são criminosas nas redes sociais. É de quem vai maltratar mais um animal?
E, ah, mas imagina, isso não é normal você trazer a religião para política. O Estado brasileiro é laico. A gente não, a gente, a gente a gente não, a gente não, no estado da diversidade, não, no país da diversidade como do Brasil, eu respeito a religiosidade, a fé ou a não-fé do outro. É o mínimo que eu acho, é o mínimo, né? Então é muito triste essa inversão de valores e essa normalização dos retrocessos civilizatórios.
Assim. Deixa eu voltar aqui no assunto rapidinho só para eu saber o que que tu sentiu, ou se tu ficou surpresa. Quando estoura o escândalo do Banco Master e do Vorcaro, até vou dizer, até antes dos seus desenvolvimentos com envolvimentos mais claros dos figurões, foi uma surpresa, ou vocês já sabiam que tinha alguma coisa conflita com o Banco Master, com esse cara. Ele era famoso em Brasília, né?
Para mim foi uma surpresa, porque como ele começou muito no governo passado, ele começou envolvido com o INSS no governo passado. Quando nós tomamos conhecimento, nós tomamos, no meu caso, nós tomamos conhecimento diante de alguma coisa que tava muito errada envolvendo a fiscalização da política monetária no Brasil, Central. Então a minha surpresa foi como é que isso aconteceu nas barbas do Banco Central no governo passado. E não acho que houve má-fé do presidente do Banco Central do governo passado, mas essa, essa miopia, essa cegueira.
E aí depois a gente descobriu que dois diretores do Banco Central do governo passado parece que tem suspeitas gravíssimas de envolvimento. A gente começou a entender A surpresa foi a capacidade que ele teve de contaminar todo mundo. Isso foi surpresa para mim. Eu fiquei assim, não é possível, né? E de novo, né, é sempre homem, homem, homem. E porque ele teve a capacidade de pegar, comprar quem ele precisava comprar. De novo, quando não foi com dinheiro, foi com orgia, né?
Foi com Rolex, foi com viagens, foi com, foi com dando migalhas e depois assediando, falar, agora você tá no meu bolso, meu filho, agora você é negócio aqui é comigo. E aí foi crescendo e as migalhas foram se transformando em contratos milionários com ministros do Supremo Tribunal Federal, suspeitas disso que precisam ser investigadas. Para mim, eu fui pega de calças curtas assim dentro do processo.
É, eu, porque assim, a gente já tinha, eu já tinha escutado falar, eu conversei com Haddad inclusive. Tu apoia o Haddad aqui em São Paulo?
Sim, é nosso candidato a governador. Para mim, o melhor ministro da Educação que o Brasil já teve. Eu sou professora. Eu era prefeita quando ele criou o Piso Nacional da Educação. Os professores não tinham nenhum piso básico para chamar de seu, né? E absolutamente desvalorizados. E você não muda a educação no país sem valorizar os professores. Ele foi um dos pais do ProUni, né? A oportunidade dos pobres estarem nas universidades e hoje terem uma bela profissão.
Eu fui, eu me formei em Letras pelo ProUni.
Que beleza!
É um programa extraordinário E assim, Simone, antes disso tudo, antes desses escândalos explodirem desse jeito, a gente tava falando muito de segurança pública. No final do ano passado, o assunto era aquela ação que teve no Rio de Janeiro, como lidar com as facções. Aí começou-se a falar de vamos tratar como organização terrorista, não vamos tratar como organização. Isso aqui é entreguismo, isso aqui não Não é? E como é que tu— isso é uma coisa que tá no teu radar também?
Como é que tu tá olhando para esse tema de segurança pública? Porque assim, o escândalo do Banco Master, na tua opinião, tem alguma coisa a ver com esse assunto?
Ainda não, embora haja suspeita de que possa ter envolvimento do PCC também no esquema e dentro desse conjunto todo de corrupção. Mas eu diria que está no mesmo nível de urgência e de risco para a democracia brasileira. Hoje, lamentavelmente, a gente não fala mais de resolver o problema de moradia, de saúde pública, de resolver o problema da qualidade de ensino. Só no estado de São Paulo são 200 mil crianças sem creches. A gente não consegue trazer essa pauta para o debate estadual como candidatos, porque tem duas coisas que estão acima disso pela gravidade, porque são guarda-chuva.
Sem depender disso, a gente corrupção tem o resto.
Uma é corrupção que mata, mata o futuro, e tá na entranha da República. E o outro, tão grave quanto a corrupção que compra tudo, é o crime organizado chegando nos poderes da República. Você é do Rio, então acho que você vai entender o que eu tô falando, né? Nós corremos um risco hoje gravíssimo de termos um estado onde dominado pelo crime organizado e pela milícia. Eu não tô falando do estado de São Paulo, tô falando do brasileiro.
Hoje eu já tenho crime organizado que ele elege vereadores, deputados, senadores, prefeitos. Eles estão, não precisa muito, eu não sou eu, é só abrir o jornal. O PCC está sendo denunciado por estar dentro de linhas de transporte coletivo do município de São Paulo. Sei, não tô dizendo que A ou B esteja envolvido, tô dizendo que tem políticos envolvidos nesses esquemas. E ele, e nós estamos falando de milícia no Rio Janeiro, tô mentindo que a milícia no Rio de Janeiro entrou no Palácio da Guanabara nos últimos anos?
Quanto, qual é o ex-governador que não está preso ou não está sendo processado ou não está com tornozeleira no estado do Rio de Janeiro dos últimos, o quê, 4, 5, 6, 7?
São 5, é uma galera.
Agora, nós não podemos deixar a milícia, que é igual, é outra forma de crime organizado, tão nociva quanto, chegar no Palácio do Planalto. Nós não podemos deixar que isso aconteça, que nós estamos falando de crime organizado que toca terror, que as mulheres vivem com medo. Elas estão com medo dentro de casa, elas estão com medo no transporte coletivo, elas estão com medo pelo filho que não chega em casa. Ela não dorme enquanto o filho que foi para uma balada, foi se divertir com toda liberdade que tem, porque é o momento, com responsabilidade, tá, gente, mas é o momento de aproveitar a vida.
Aproveitem a vida com responsabilidade, o que vai passar e passa rápido. Agora lembrem disso, ah, se a mãe mandar uma mensagem, mãe, tá tudo bem, tá? Porque o coração de mãe não sossega, não dorme. Mas enfim, ela tá com medo do filho chegar vivo dentro de casa por conta de tudo isso. E aí só tem um jeito de você combater: com a integração das polícias e uma consertação federal. Nós tentamos aprovar a PEC da Segurança Pública e fomos muito mal interpretados.
Ah, vem eleição, não pode, não sei o quê. Se a gente não fizer uma integração, Forças Armadas na fronteira. Polícia Federal, Polícia Estadual, civil e militar, Ministério Público e Receita Federal sufocando o crime, porque eles sabem, seguindo o dinheiro, onde é que tá o lastro. Quem coloca a arma na mão do pequenininho? Quem coloca a arma no pequenininho são os chefões.
Então, esse com colarinho branco, a gravata, né?
E a PEC da facção, ou PL da facção, que é uma lei, né, realmente puniu o de baixo, mas o andar de cima precisa, tá faltando.
Simone, muito obrigado por vir aí, obrigado pelo teu tempo. É bom, essa é a tua câmera. Se você quiser falar para as pessoas, que inclusive tá escrito aí no teu peito o teu número, mas tem uma galera que só ouve a gente. O que que tu diria para eles?
Bom, eu me apresento com muita humildade, mas com muita coragem para ser senadora por São Paulo. Tenho experiência, tenho de origem. Sei do momento em que nós estamos vivendo, acredito que nós temos um Brasil para reconstruir juntos. E é por isso que eu me apresento no combate à corrupção, doe a quem doer, na regionalização da saúde. É impossível nós não falarmos disso também, né, que cada cidadão tenha direito a ter dentro, perto da sua casa, um hospital Santa Casa ou filantrópico para resolver os problemas de doenças graves, sejam as doenças raras, sejam as doenças consideradas de alta complexidade, de média complexidade.
E perto, Simone, desculpa te interromper, perto significa o seguinte, né?
Você tem a consulta na Santa Casa a 20 km, até 30 km, às vezes dentro, mas na hora de fazer um tratamento de radioterapia, de quimioterapia, ou uma cirurgia eletiva, abrir o tórax e fazer uma cirurgia, ou uma doença rara, você às vezes tem que andar 150, 200 km toda semana ou todo mês. Então a gente tem condições de, basta cortar 50% das emendas parlamentares parlamentares, tá, que não tem nenhum tipo de transparência. Eu denunciei essas emendas, orçamento secreto, são R$67 bilhões.
E aqui um parênteses, que eu fui ministra do Orçamento, sabe quanto que sobra do orçamento brasileiro, de tudo que você paga, nós pagamos de impostos, para um presidente da República poder fazer uma ponte, poder fazer uma obra pública, construir casas para população? Fora as despesas que são obrigatórias, algo em torno de R$1.200 bi, tá? R$67 bi é tirado desse valor para ir em forma de emendas parlamentares, que os parlamentares distribuem a seu bel prazer.
Tem regras, mas não tem transparência. E esse dinheiro, que às vezes sai R$1 milhão de lá para pagar um show no aniversário de uma cidade, ele vai sendo deixando no bolso dos atravessadores uma parte aí. É corrupção o nome disso, que chega lá pela metade de R$500 mil. Então, voltando, se a gente a gente cortar só metade, tá, das emendas parlamentares, que a outra metade ela é obrigatoriamente, ela tem que ir para saúde, é uma lei.
Por isso que nem tô mexendo com a outra metade, outra metade já tem que ir para saúde. E colocarmos essa metade distribuída proporcionalmente pelo tamanho da cidade, pelo tamanho de habitantes da cidade, com obrigação em forma que a gente chama de ESPM, que não precisa explicar o que é isso, mas chama ESPM. A gente vai ter o dinheiro chegando na prefeitura para mais saúde, sendo fiscalizado por você, pelo promotor, pelo jornalista, pela sociedade civil.
Verdade, né? Então, mas de novo, agradecer muito, Igor. Eu me apresento como candidata ao Senado, né, no compromisso de, com muita verdade, com muita coragem, com a experiência que tenho, defender as pautas realmente relevantes para o Brasil. Eu sou Simone Tebes, candidata ao Senado, meu número é 400.
Obrigado, Simone, pela tua presença mais uma vez. E vamos ver se a gente provavelmente conversaremos no futuro, né?
Espero, independente de qualquer coisa, poder continuar aqui falando do Brasil que nós queremos. E eu deixo talvez essa pergunta, e seja a pergunta mais importante que a gente tem que fazer para nós mesmos, para nossas consciências, né? Não é um Brasil que eu quero só para mim, né? O Brasil que eu quero para todos. Que Brasil eu quero para os próximos 4, 8, 12 anos? Eu acredito que todos têm a mesma resposta: um Brasil de paz, um Brasil honesto, um Brasil justo, um Brasil humano, né?
Um Brasil onde qualquer um pode ser, possa ser cidadão, porque ninguém é feliz vendo a infelicidade Bom, obrigado, Simone.
Obrigado também para os parceiros de hoje, que que eu falei da Insider mais cedo. E eu queria agradecer também a hashtag, cara, que é a maior escola de tecnologia do Brasil, tá bom? E eu não tô falando aqui de mais um cursinho de IA ou alguma coisa que você vai, sei lá, que você não vai usar. Eu tô falando da hashtag Treinamentos, que já tá na internet. Você pode procurar aí no YouTube, inclusive, já tá ensinando as pessoas sobre o mercado de trabalho e capacitando pessoas para que elas consigam, sei lá, ser promovidas, conseguir um emprego diferente ou desenvolver um hobby há bastante tempo.
E lá na hashtag treinamentos eles tomam cuidado de trazer sempre as principais, as tecnologias que estão acontecendo, as mudanças que estão acontecendo para dentro dos conteúdos deles. Então você vai encontrar lá curso de IA, de N8N, de Excel, de Power BI. E eu não tô falando de, ah, como é que eu mando uma mensagem para o ChatGPT e ele me devolve uma receita receita de bolo. Eu tô falando de você realmente automatizar o teu trabalho, de você realmente é usar as ferramentas novas para transformar o teu dia a dia ou para desenvolver um hobby também, tá bom?
E ó, o conjunto completo de curso da hashtag, cara, é na nossa parceria, tá saindo com R$500 de desconto se você usar o cupom FLOW, tá? Então se eu fosse você, eu ficava esperto, porque a melhor, o melhor investimento que dá para fazer é em você mesmo, né? Então É, dá uma olhada aí nessa oportunidade de dar uma, sei lá, uma acelerada na tua educação e na tua carreira também aqui nesse QR code aqui da hashtag, tá bom? E eu queria também agradecer o Kwai, cara, que é um aplicativo de vídeos curtos que tá com a gente em todos esses conteúdos que a gente tá criando sobre eleição, sobre política, sobre, cara, o que que eu faço quando chegar a hora de voltar, de votar, cara.
O Kwai tá com a gente, você consegue acompanhar isso, conteúdo todos aqui e lá no Kawaii também, tá? Muito obrigado, Simone. Mais uma vez, muito obrigado, e a gente se vê depois, tá bom? Beijo, tchau!
Hashtag Treinamentos
Cursos de IA para o trabalhoInsider
CamisaKTO
Aplicativo de vídeos curtos