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TROCA DE ACUSAÇÕES ENTRE MORAES E MENDONÇA EM SESSÃO DO STF

16 de setembro de 20261h34min
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Flow News #069

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Participantes neste episódio2
I

Igor 3K

HostComediante
F

Felipe Moura Brasil

Co-hostJornalista
Assuntos6
  • A sessão acalorada do STF e o pedido de vista de Flávio DinoSupremo Tribunal Federal·Flávio Dino·Pedido de vista·Cármen Lúcia
  • As mensagens de Gilmar Mendes e a pressão sobre Cássio Nunes MarquesGilmar Mendes·Cássio Nunes Marques·WhatsApp·Chantagem
  • A desigualdade perante a lei e a perseguição a jornalistas pelo STFLuiz Pablo·Alexandre de Moraes·Flávio Dino·Inquérito das fake news
  • A hipocrisia de Cármen Lúcia e a responsabilidade do STF na crise atualCármen Lúcia·Supremo Tribunal Federal·Lava Jato·Luiz Edson Fachin
  • A atuação de Alexandre de Moraes como investigador e julgador em seu próprio casoAlexandre de Moraes·Supremo Tribunal Federal·Acúmulo de funções·Investigação
  • A politização da justiça e a influência do ciclo eleitoral nos julgamentos do STFCiclo eleitoral·Lula·Alexandre de Moraes·Flávio Dino
Transcrição114 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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I3Igor 3K

Bem-vindos a mais um Flow News. Eu sou o Igor e hoje comigo remotamente Felipe Moura Brasil. E aí, Felipão?

FMFelipe Moura Brasil

Salve, salve, Igor! Sempre prazer falar com você, mesmo que virtualmente, e também com toda a sua audiência. Eu tô um pouquinho de eco ainda, se puder tirar para eu raciocinar melhor, que eu já tô Aí é bom você dizer, de trabalho insano.

I3Igor 3K

É, e um, exato, um dia de trabalho insano, porque hoje a gente viu uma sessão do STF muito curiosa, acalorada, e que não teve um, não teve um desfecho no fim das contas, né? Porque para finalizar o dia no pé de vista, a gente podia, vou pedir para o Felipe aqui no futuro explicar melhor o que que isso, quais são os efeitos dele pedir vista. Mas na prática a gente teve ali vários embates em vários momentos. A gente teve o Toffoli e o, dois que se declararam impedidos de julgar, né?

E outros apontando dedo, pedindo para não apontar dedo, outro falando que tinha mensagem, o outro falando que não tinha mensagem. Então foi um, foi um dia intenso, né? Teve inclusive a Cármen Lúcia pedindo, pedindo desculpa à população brasileira aí pelo, pelo que o STF causado, né, nos últimos dias aí, inclusive dizendo que tava muito, que tava se sentindo envergonhado e tal. Mas Felipe, é tu que acompanhou isso o dia inteirinho, cara.

Me conta o que que, se alguma coisa foi resolvida hoje, se algum, algum fato novo, o que que aconteceu hoje, te disse o quê?

FMFelipe Moura Brasil

Que o Brasil tá num buraco, já cavou ali entrada dentro do buraco, já tá muito debaixo da terra. Foram muitos, vamos dizer assim, andares que já foram cavados nas profundezas da ética na República do Escambo brasileira. É o avesso da ética, da moralidade pública, da coerência, é do espírito de homem público. Tudo que a gente viu dessa que é a pior composição da história do Supremo Tribunal Federal. Obviamente é uma hipocrisia da Cármen Lúcia todo esse drama, todo esse pedido de desculpa, que não é um pedido de desculpa por aquilo que o STF fez ao longo das últimas décadas que resultou nisso aí.

É um pedido de desculpa, vamos dizer assim, pela falta de polidez do que aconteceu hoje. Ah, os ministros estão acusando uns aos outros, estão trocando farpas, se ofendendo, essa gritaria, etc. Olha, a Cármen Lúcia também tem responsabilidade. A Carmelúcia, ela em momentos decisivos, ela ficou do lado desse pessoal para blindar o Lula na época da Lava Jato. Ela mudou o voto da suspeição do Sérgio Moro, que ela tinha dado contra a suspeição, seguindo ali Barroso, vários outros, né?

Porque foram 4 que votaram contra a suspeição. Que hoje o pessoal fala como se não tivesse tido discussão a respeito daquilo. E ela tinha votado contra a suspeição E depois ela mudou o voto sem que houvesse nenhum fato novo nos autos. Foi contestada inclusive pelo Luiz Edson Fachin naquela oportunidade, mas não tem fato novo, etc. Só pela pressão de Gilmar Mendes, da imprensa chapa branca, etc., ela acabou virando o voto. A mesma coisa quando o Aécio foi alvo de duas medidas cautelares da 1ª Turma e o plenário do STF tinha que decidir se jogava para o Senado para avalizar ou não.

Ficou 5 a 5 e ela, que era presidente da corte, desempatou para encaminhar para o Senado. E aí, obviamente, os senadores aliados do Aécio derrubaram aquelas medidas da primeira turma do Supremo. Então não dá para confiar muito que a Cármen Lúcia vai ser com certeza absoluta um voto pela abertura da investigação sobre o Moraes, mas ela é o voto de Minerva, ela é o voto de desempate, principalmente depois dessa declaração de impedimento do próprio Cássio Nunes Marques, que seria talvez, né, pelo menos era tido como um voto favorável à abertura da investigação, portanto acompanhando o relator André Mendonça, e no entanto foi muito pressionado, inclusive nos bastidores.

Tá vindo a público pela imprensa as mensagens que o Gilmar Mendes mandou no WhatsApp para o Cássio Nunes Marques. Então assim, é difícil até, Igor, e você sabe que a gente fala tudo com a devida vênia do supostamente, em tese, que afinal nós vivemos no Brasil. E nós estamos sujeitos à jurisdição dessas pessoas, com esse tipo de comportamento. Agora, o que eu devo pensar quando eu leio na imprensa do meu país que um ministro do STF mandou a seguinte mensagem pro outro: Assumam que estão ferrados e saiam dos processos.

Abram as contas. Não julguem, porra. Não respeito a quem não se dá respeito. Você tem de sair do TSE também. Essa mensagem do Gilmar Mendes para o Cássio Nunes Marques, que fala de máfia para os outros e age muito parecido, né? Então eu tenho que tomar cuidado com aquilo que eu falo, mas aqui você tem, para dizer o mínimo, indício de chantagem. É disso que se trata. A gente vê o Gilmar Mendes e outros ministros da ala pró-Moraes afetando assim horror, higieniza vazamentos seletivos.

Olha o que que aconteceu de ontem para hoje. Quem teve acesso a todo o conteúdo do celular do Vô Caro depois de requisição pelo método que eu batizei em fevereiro, mais de 6 meses atrás, de método das relatorias paralelas, que eles não são os relatores do caso master, é o André Mendonça. Mas aí o Cristiano Zanin, e logo depois Gilmar Mendes e o próprio Alexandre de Moraes, eles requisitaram acesso a todo o conteúdo do celular, que é algo que eles não fornecem.

E eu mostrei isso em vídeo, tá lá no meu canal, tá no meu X, etc., para as defesas, quando os alvos dos pedidos de investigação, das denúncias, inclusive era o caso de denúncia, que era o caso da trama golpista, solicitam acesso às mídias originais de forma integral. Eles não fornecem. Mas nesse caso, como é para defender o Moraes, eles quiseram o acesso à mídia inteira e não só aos elementos que constavam no encaminhamento que o André Mendonça fez ao plenário dos indícios de crime para que se decidisse pela abertura ou não da investigação sobre o Moraes.

Então, o que aconteceu? Volta ao meu ponto de ontem para hoje. Quando esses ministros tiveram acesso a todo o material, coincidentemente, Igor, coincidência, Grande coincidência da República. Pipocaram na imprensa informações sobre o Cássio Nunes Marques e o Luiz Fux, que não são da ala pró-Moraes, pelo menos originalmente. E aí o Fux também foi alvo de mensagem de WhatsApp do Gilmar e respondeu pra ele: Cuide de não me encher o saco.

O Fux não se curvou, talvez porque justamente não tenha um rabo preso, não tenha esqueletos no armário, como Nunes Marques. Possivelmente tenha, pelas informações aí que já apareceram de Elo, do filho dele, com firma de consultoria, mensagens do Vôrcaro, etc. O Fux peitou o Gilmar ao longo de todo o julgamento hoje. Esse foi um elemento que precisa ser ressaltado. Mendonça e Fux encararam o Gilmar, que é a figura mais poderosa da República.

As pessoas que não acompanham o A política barra o Poder Judiciário, na sua minúcia, diariamente, elas ficam com uma impressão falsa que vem de discurso político, de rede social e de carro de som, principalmente em razão desse embate de Moraes e bolsonarismo, que o Moraes é a figura mais poderosa da República. Não é. Moraes é comissão de frente. Moraes é soldado, vamos dizer assim. E como tem, vamos dizer assim, uma cognição muito mais baixa do que a do Gilmar, Ele se atrapalha todo e obviamente chegou a esse ponto de ser alvo de uma possibilidade de investigação, justamente porque não tem a mesma malícia, a mesma capacidade cognitiva de alguém mais sofisticado que age nas sombras.

Então o Fux e o Mendonça peitaram o Gilmar como há muito tempo não se via. Quem só fez isso, e fez durante um período muito curto e depois voltou a ser amiguinho do Gilmar, Mesmo que haja eventuais falsidades entre registrados, etc., mas voltou a ficar próximo e nunca mais teve aquele embate. Foi o Luiz Roberto Barroso que falou de bilis, ódio, de interesses que não eram da justiça, de como o Gilmar manipula a jurisdição, de como é leniente com as questões envolvendo crime, é de colarinho branco, tudo palavras do Barroso.

E fiquem claros, E fique claro isso. Então, só para contextualizar, perdão, nessa fase introdutória aqui da nossa conversa, o Nunes Marques se declarou impedido. Dias Toffoli, que já era para ter sido afastado há muito tempo do STF, mas tá aí de escanteio enquanto a sujeira se volta aí contra o Moraes, ele também se declarou impedido. Ele tem ligação financeira com o grupo do Voo Caro pelo Resort Itaiaiá. E aí, que que fica de um lado?

Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, além do próprio Moraes. E é uma coisa assim que só no STF mesmo para acontecer, né? Ele tava participando do julgamento sobre ele e defendendo a si próprio antes, vamos dizer assim, de uma decisão sobre abertura ou não de investigação, como se ele fosse advogado também. Ele já passou por todas as posições, né? Ele é investigador, julgador, é vítima, suspeito agora, e seu próprio defensor.

Algo incrível o acúmulo de funções do Moraes. Então você tem esses 3 mais o Moraes, e do outro lado tá tentando receber mais. Supostamente você tem o André Mendonça, aí não tem o Nunes Marques porque se declarou impedido. Então é o Mendonça, o Luiz Fux, e aí talvez o Edson Fachin. E talvez a Cármen Lúcia. E aí, se o Moraes não participar do julgamento sobre a abertura da investigação dele, que seria um absurdo ele participar, aí talvez, quem sabe, se não chover, você pode ter um 4 a 3 da ala a favor da investigação.

Mas repito, é complicado confiar que a Cármen Lúcia vai sustentar essa posição. Então o que que precisa acontecer é a pressão legítima da sociedade. Pressão simplesmente para que a lei seja cumprida, pressão para que haja a igualdade perante a lei. Que o cidadão comum, ainda mais um desses que foi alvo de inquéritos relatados pelo Moraes, ele não tem todos esses privilégios que o Moraes tem na hora que tá na berlinda. E só para concluir sobre o que ficou decidido no final, o Flávio Dino fez um pedido de vista Ele tem até 90 dias, em tese, para devolver esse processo.

Pode ser que fique só para depois da eleição, como é interesse do lulismo, do qual ele faz parte, porque o Lula tá se desgastando muito aí pelo alinhamento ao Moraes, com a sujeira do Moraes. E teve uma votação ali de uma questão de ordem que foi colocada pelo próprio Flávio Dino e tava num placar de 4 a 3 contra aquilo que a ala pró-Moraes defende. Ou seja, que houvesse um julgamento conjunto do caso do Moraes e do caso, entre aspas, que é um caso fabricado, sobre o André Mendonça.

Então a ala pró-Moraes queria que fosse julgado o caso do Moraes junto com o caso do André Mendonça, para tentar arrastar o Mendonça para lama e traçar ali uma falsa equivalência. Mas não conseguiram votos suficientes porque o Dino, como pediu vista, não vota. E aí ficou 4 a 3, porque nesse ponto, só nesse ponto por enquanto, a Cármen Lúcia ficou contra o julgamento conjunto. E agora você tem até uma incógnita, né, porque tava marcada a sessão sobre o caso do Mendonça para terça que vem, para o dia 23, né, me parece que é terça que vem, não, 23 é quarta, quarta que vem.

E ficou pedido de vista em relação ao caso do Morói. Então pode ser que o caso do Mendonça venha antes. Do caso do Moraes. Vai ter que ver aí as articulações de bastidores nos próximos dias.

I3Igor 3K

Julgar os dois juntos, é a intenção disso. É bom, uma acusação que foi, aconteceu muitas vezes durante essa sessão de hoje, foi a de que teriam, as coisas teriam acontecido por motivações políticas, que é o Gilmar tava falando que o Mendonça serve a um grupo político e brigaram muito sobre isso daí, cara. É esse ponto do, assim, primeiro, sim, é o tribunal é um tribunal inteiro político. Eu não sei porque que eles ainda ficam nessa de ficar tentando parecer que não, né?

A própria maneira como se forma esse tribunal, não tem como não formar um tribunal que é político mesmo. Agora, é, cara, essa é juntar os dois no mesmo, no mesmo, julgar os dois juntos, os dois casos, como tu disse aí, trazer um para lama do outro, é do interesse da galera do Alexandre de Moraes, mas na intenção de diminuir, descredibilizar o Mendonça, né? O que também é uma jogada política.

FMFelipe Moura Brasil

Claro, tudo que a ala pró-Moraes do STF fez hoje é uma jogada política. O direito, Igor, o direito já foi para o espaço há muito tempo. Chega a ser cômico, sabe? Porque eu atuo no X, nessa rede social onde você tem ali acesso a uma série de profissionais que estão emitindo os seus juízos sobre os fatos do mundo em tempo real. E no caso de julgamentos no Supremo Tribunal Federal, você tem um monte de advogados, procuradores, etc., que estão fazendo análise.

E chega a ser cômico que alguns advogados queiram fazer uma análise exclusivamente jurídica de um episódio como esse, onde os componentes políticos, os componentes tribais, eles são muito fortes. Eu, por exemplo, acho hilário que um desses advogados tenha escrito outro dia que o Zanin erra. Zanin erra ao requisitar à Polícia Federal todo o conteúdo do celular do Daniel Vorká. Erra, meu. Eu erro se eu esbarrar aqui numa garrafa d'água e a água cair na minha mesa.

Aí eu erro. Por que que eu erro? Porque eu vou ter um resultado diferente daquilo que eu queria. Eu não queria esbarrar na água, na garrafa d'água, e derrubar água na minha mesa. Pode molhar o computador, estragar o celular, etc. Inclusive, eu tenho que tapar aqui a garrafa. Mas o Cristiano Zanin, ele queria ter todo o acesso ao celular, porque a ala promorar quer tumultuar o processo. Eles estão blindando um dos seus. E ainda tem interesses políticos do próprio Lula, que é o padrinho do Cristiano Zanin, e o Zanin é advogado do Lula.

Então não dá para fazer uma análise exclusiva no campo jurídico. Olha aí a mensagem do Moura no WhatsApp para o Cássio Nunes Março: onde que isso existe no mundo do direito, de um magistrado mandar para o outro: saia, abra suas contas? Assumam que vocês estão ferrados, etc. O que que isso quer dizer, Igor? Assumam que vocês estão ferrados quer dizer o quê? Que se o Cássio Nunes Marques não fizer aquilo que a ala pró-morais quer, a ala pró-morais eventualmente vai agir na condição de magistrado, ou seja, de toga, para que ele seja investigado, eventualmente responsabilizado e punido, não em relação às provas existentes, que eu defendo que todos que estão metidos em sujeira tem que ser investigado, mas em razão de não fazer aquilo que eles querem?

Então, repito, do ponto de vista jurídico, olha, o direito já foi para o espaço. Então é preciso analisar quais são os métodos, quais são os expedientes utilizados. E eu tô fazendo isso há 20 anos. Então o que eu tava apontando 10 anos atrás é o mesmo conjunto de métodos que tá sendo usado hoje. É claro que existe alguma margem para discussões jurídicas em relação a determinadas medidas. No entanto, que não haja uma compreensão sobre uma certa margem de interpretação em situações que muitas vezes são inéditas e se impõem, e aí você tem que lidar com uma série de dispositivos legais que não são perfeitamente claros, Então, se você não entende que há uma certa margem, muitas vezes você tá agindo também politicamente.

E o que acontece no Brasil, pra gente ter uma visão holística, é o seguinte: aqueles que têm interesse em blindar a si próprios ou aliados, sejam políticos, sejam magistrados, sejam empresários mancomunados com o poder, eles cobram uma perfeição absoluta E boto uma aspas aí nessa perfeição, porque muitas vezes é, cobra que todo o agente, dessa vez é um magistrado, que é o André Mendonça, relator do caso, mas podia ser agente da Polícia Federal, podia ser um procurador, podia ser um juiz de primeira instância, etc.

Eles cobram que todas essas pessoas, no fundo, deem uma interpretação àquele conjunto de dispositivos que seja exatamente a interpretação conveniente ao grupo deles. Que é a casta do sistema. Porque se não for, aí eles vão para cima, eles vão exercer toda a pressão. Então, voltando aqui à minha análise, ao meu argumento, não se pode cobrar uma perfeição absoluta e conveniente para casta do sistema de todas as pessoas que se deparam com condutas graves de pessoas poderosas e não fazer qualquer tipo de cobrança moral republicana em relação às pessoas poderosas, e que uma interpretação diversa, mas muitas vezes legítima, dessas autoridades, ela sirva para que se varra toda a sujeira da corrupção, da lavagem de dinheiro, da obstrução de justiça, da advocacia administrativa, do tráfico de influência, do peculato, etc., tá debaixo do tapete.

Você entende? Se cobra perfeição do juiz do caso, do procurador, do agente, etc. Muitas vezes, repito, a perfeição conveniente é a casta do sistema. E em relação às pessoas que tiveram condutas eventualmente criminosas, aí, cara, aí você relativiza tudo e fala: não, não se pode. Que é a frase do Flávio Dino hoje: não se pode fazer, a corrupção não pode ser combatida de uma maneira corrupta, etc. Até anotei a frase, mas é sempre a mesma coisa.

Não se pode combater crime cometendo crime, não se pode combater cometer ilegalidade cometendo ilegalidade. É frase feita, é frase de efeito que eles utilizam.

I3Igor 3K

O último recurso é o moralismo.

FMFelipe Moura Brasil

É exatamente aí existe a condenação ao moralismo, como se a investigação de pessoas que incorreram em condutas contra as quais existe uma tipificação penal, quer dizer, ela seja simplesmente um moralismo idiota e não o cumprimento da lei que seria aplicada a qualquer outro cidadão. Repare que você tem esse duplo padrão. Quando atinge o sistema, eles agem de uma maneira, entende? Quando atinge desafetos, rivais, etc., eles agem de outra.

Então, se são atingidos, aí é uma postura garantista exponencialmente. Que o garantismo é uma teoria, mas é usada para que haja blindagem, né? No fundo, eles, eles se acobertam, vamos dizer assim, de algumas teorias acadêmicas, de determinadas posturas consideradas legítimas no mundo jurídico, mas falseando muitas vezes esses procedimentos para blindar aliados. Então são dois pesos, duas medidas, é o duplo padrão. E você tem todo esse cinismo que a gente viu ao longo da sessão de hoje, que é ficar acusando isso nos outros.

Ora, a gente cobriu aí ao longo desses últimos dias todas as articulações, a gente sabia perfeitamente como é que ia votar. E coincidentemente é a ala de amigos, de aliados do Moraes, daqueles que o Moraes blindou, inclusive uma caneta em que concentrava poder. Porque lá em 2019, aí eu volto para Carmen Lúcia, né? Ai, desculpa, porque então tá tendo muito bate-boca, etc. Ora, eles legitimaram o inquérito das fake news. Na relatoria do inquérito das fake news, o Moraes suspendeu a apuração da Receita Federal que atingia as então esposas do Toffoli e do Gilmar.

Qual é o cidadão brasileiro que, se cair na malha da Receita, se cair no pente fino, ele vai contar com a relatoria de um coleguinha para suspender a apuração e até suspender o auditor. Então não existe igualdade perante a lei. O Moraes blindou o Toffoli, blindou o Gilmar, agora o Gilmar blinda o Moraes. O Moraes blindou o Dino, aliás, fez mais, né? Ele fez a devassa na vida ali do jornalista do Maranhão Luiz Pablo, violou o sigilo da fonte jornalística dele com operação de busca e apreensão, apreendeu o celular, celular Teve extração de dados por parte dos agentes, por ordem do Moraes, porque esse jornalista tinha publicado uma informação incômoda para o Flávio Dino, de que a família dele tava usando um carro oficial de um tribunal de justiça local.

I3Igor 3K

Eu, Felipe, desculpa te interromper nessa daqui, porque isso é uma das coisas mais graves que aconteceu aí nesses últimos tempos, né? É importante, muito, é muito importante a gente pensar no seguinte. Olha só, um ministro do Supremo Tribunal Federal, ele ficou incomodado porque um jornalista publicou uma matéria sobre um outro ministro do Supremo Tribunal Federal. Daí parece, a sensação que fica, vê se tu concorda comigo, que é uma sensação que fica, Felipe, que se tu pegar no pé de algum cara do Supremo Tribunal Federal, tu ganha foro privilegiado na hora. É isso que acontece no Brasil?

FMFelipe Moura Brasil

É um ganho que é uma perda, né? É, você perde, vamos dizer assim, uma série de instâncias às quais você poderia recorrer se o processo continuasse, começasse na primeira instância. Mas obviamente, em muitos casos, o processo nem começaria, né, porque você não fez nada de errado.

I3Igor 3K

Exato.

FMFelipe Moura Brasil

O ministro do STF que considera errado porque o atingiu.

I3Igor 3K

Pois é. E bom, e aí a gente teve também ao longo de, a gente teve Bom, um monte de falar, falou-se de vários assuntos, tivemos vários embates, falou-se de—

FMFelipe Moura Brasil

mas eu pensei que você ia— só um detalhe sobre o caso do jornalista, que eu pensei que você ia continuar nesse caso.

I3Igor 3K

Era só para dizer justamente o quanto que é grave esse caso jornalista aí. Mas vai lá, continua, vai.

FMFelipe Moura Brasil

Isso, só um parênteses, não perde aí o seu raciocínio não, que é o seguinte, repare, esse jornalista publicou uma matéria com base em informação fornecida pela fonte, o que constitucionalmente legítimo. E a informação, ela não foi contestada. A família do Flávio Dino usou o carro oficial do Tribunal de Justiça local. Ele foi alvo de medidas cautelares, de busca e apreensão. Ele não fez nada, nada de errado no sentido de publicar a informação.

Você pode eventualmente contestar, mas bom, você aciona advogado, você pede direito a uma notinha, etc. Nunca um magistrado da Suprema Corte agindo sobre uma pessoa sem foro privilegiado, mandando devassa, etc. O Moraes, é só essa analogia que eu queria fazer, essa comparação, ele não foi alvo de medida cautelar alguma, alguma. Ele não foi alvo de busca e apreensão, ele não tá sob tornozeleira eletrônica, ele não teve que entregar o passaporte, ele não tá proibido de conversar com outros investigados, nada, nada.

E olha tudo que a gente viu hoje em defesa dele para que ele nem sequer seja investigado, né, para que ele não possa ser alvo de alguma coisa. O jornalista lá do Maranhão, Luiz Paulo, não teve direito a nada disso. Não teve Flávio Dino gritando, Gilmar Mendes gritando, não teve Cristiano Zanin requisitando mídia integral, nada. Ele simplesmente foi alvo de medida cautelar porque deu na telha do Alexandre de Moraes, no âmbito de um inquérito ilegal aberto há mais de 7 anos, que não tinha nada a ver com isso.

É, você tá entendendo a desigualdade perante a lei? Era só esse comentário, perdão.

I3Igor 3K

É, não, e ainda sobre isso, cara, é muito revoltante a sensação, porque assim, aqui parece que o recado que os ministros do STF estão mandando é o seguinte: é diferente mesmo, entendeu? É como assim tu vai? Tu não pode mexer com os cara do STF, entendeu? É, tu não pode mexer comigo, tu não manda me investigar. Tu não entendeu? Tu nada, nada que eu fizer em algum momento tá errado. Sabe por quê? Porque vai entrar e sair presidente, eu vou ficar aqui.

Vai entrar e sair senador, vou ficar aqui. E por aí vai. E os cara vão ficar, eles sabem disso, né? E é muito importante, no entanto, lembrar para os excelentíssimos ministros que são seres humanos também. E a princípio, já que eles estão ali para defender a Constituição, a princípio Né, é importante lembrá-los que eles que nos servem, né. Então tá, a lógica tá invertida na origem aqui, né. Ver o Gilmar Mendes falar que, ah não, não, isso aqui tá acontecendo porque tá num ciclo eleitoral, eu acho que devia ter, com todo, data máxima vênia, entendeu.

Mas algum tipo de pudor, vergonha mesmo de falar essas coisas, esses caras deviam ter.

?Voz D

Tá?

I3Igor 3K

Por exemplo, o ministro Alexandre de Moraes, ele até agora não nos explicou nada que tem a ver com o contrato que a esposa dele, a Viviane Barsi, Barsi, sei lá, e o escritório dela lá teria com esse contrato de 3, quase 3,7 milhões de reais por mês, que ele diz que não, que não fala sobre isso, que ele não tem nada a ver com isso. Mas me parece tudo indica, pelo que a gente viu, que foi editado por um perfil com o nome dele. Ruim de tudo, é no computador, pelo computador dele passou, ou sei lá, algo parecido, né?

Então a gente, eu não sei, cara, o sentimento que eu fico é como que esses cara, eles, como é que eles vêm, falam essas coisas em público, sabe? Como, como é impressionante o sei lá, as coisas que eu fico olhando Gilmar Mendes falar, ele é, ele, e eu fico impressionado, sabe, com isso aí, cara, com a educação em primeiro lugar, né, os data maxima venia lá que eles usam. Vossa Excelência, não aponta o dedo para mim não, ministro, por favor, com todo respeito.

Hoje não, porra. Mas então, mas é um, é um linguajar, pelo menos só faltou, bom, depois eu te falo o que que faltou eles falarem ali, mas você entende o que eu tô falando? A indignação aqui, cara, tem a ver com com a desfaçatez, para usar uma palavra que eles usaram hoje, é de quase todos, para não dizer todos ali, de falar com a cara mais lavada do mundo que eles estão falando ali, cara. É basicamente o que você, o que nós temos falado aqui, que é, pô, é um tentando dizer que é menos sujo que o outro, sabe?

É, se tá sujo, irmão, se cometeu crime, eu não quero saber, tem que pagar, pô. Ah não, que eu sou ministro do STF. Só é ministro do STF porque um cara te indicou, porque tu foi amigo. Não quer dizer nada além disso. Não quer dizer, não quer dizer que tu é melhor que ninguém, né? A princípio, eu pessoalmente, inclusive, eu prefiro Felipe Moura Brasil, tá? Se eu tiver que escolher um cara para ir na minha casa tomar uma cerveja comigo, escutar um samba, eu sou 10 vezes mais Felipe Moura Brasil.

Eu tivesse que escolher aqui, porque o Felipe Moura Brasil nunca me deu nenhum, não mandou mensagem para o Porcaro. Não tem, a princípio, não tem nem eu nem o Felipe temos o risco de aparecer nessas investigações. Sabe por quê? Porque a gente não mandou, não teve conluio, não teve nenhum tipo de desenrolo com essa parada aí, no que, no que tem a ver com esse tipo de, pô, R$3,7 milhões, irmão, e umas mensagens que de visualização única, o ministro do Supremo Tribunal Federal e um banqueiro que tá enrolado até o pescoço.

Não é no mínimo para investigar, não, seu juiz? Com todo respeito, não é no mínimo para dar uma olhada nisso aí, não, né? Era essa minha indignação, Felipe Moura Brasil. Eu acho que tu não tá lá não, né, na relação dos contatos do Boccaro. Eu vi, tem um videozinho que tá aqui embaixo aqui com rostinho do Gilmar Mendes, cara. E ele tá com a cara de incomodado. E como tem uma legenda no meu canal, eu suponho que foi você que separou, né?

FMFelipe Moura Brasil

Então, exatamente, eu separei para ilustrar alguns trechos. Mas é só pegar um pontinho do que você falou, que é sobre essa alegação de que o ciclo eleitoral está em curso e, portanto, esse não é o momento de tratar desses assuntos. Isso não tem nenhum elemento da investigação que seja relacionado à eleição. Óbvio que o Vô Caro, ele buscava comprar apoio nos três poderes e ele usava todos esses mecanismos aí de fazer contrato com escritório de advocacia de familiar de magistrado, de investir alegadamente num filme, de contratar supostos consultores jurídicos.

De promover evento, né, degustação de uísque, charuto, etc. Mas a questão é a seguinte: você não tem um elemento para relacionar a investigação sobre o Moraes com a eleição. Não tem uma prova que tenha a ver, que aponte uma conexão entre essas duas questões. Então isso é um velho expediente desse conjunto de métodos utilizados pelo sistema sistema quando um dos seus integrantes são atingidos. Quando o integrante é um político que tá prestes a candidatar, a se candidatar, já é ridículo esse expediente.

Quando o alvo é um magistrado, que em tese não tem nada a ver, embora eles façam articulações políticas, fica mais ridículo ainda. Então eu apontava isso quando os petistas, demais lulistas e a esquerda até midiática ficava falando ali da condenação do Lula em primeira instância no caso do triplex do Guarujá, ah, como uma ação política. Olha, essas pessoas não sabem, muitos jornalistas, ou entre aspas jornalistas, profissionais da comunicação, nunca gostam de informar.

O Lula foi condenado em primeira instância no caso do triplex a 15 meses da eleição, a 1 ano e 3 meses da eleição. Se você não pode condenar um político a 1 ano e 3 meses da eleição em primeira instância, distância, você não pode condenar nunca. E não existe nenhuma lei de que o político só pode ser condenado a uma determinada distância em número de meses de alguma eleição. Existe eleição no Brasil, Igor, de 2 em 2 anos. Você tem eleições municipais e você tem as eleições presidenciais, fora esses outros cargos que são disputados.

Nas eleições municipais se vota também para vereador, nas presidenciais muitas vezes Você vota aí para senador, para deputado, ou é ano pré-eleitoral, ou é ano pré-eleitoral. É nesse ponto que eu ia chegar, é essa a síntese. E assim, o Lula, ele foi condenado em julho de um ano pré-eleitoral, que ao mesmo tempo era um ano pós-eleitoral. Então, e olha, quando o sujeito é condenado em primeira instância É bom a gente refletir porque é uma visão mais holística para as pessoas entenderem que certas alegações, expedientes, mecanismos se repetem.

Isso não vem de hoje. Então, quando o sujeito é condenado em primeira instância, significa que o caso já foi investigado. Então você já teve nos meses antecedentes, quer dizer, é algo que vem ainda de antes.

I3Igor 3K

Então o cara ser julgado, condenado, meu irmão, tava olhando isso há mó tempão. É isso que tu tá dizendo, há muito tempo.

FMFelipe Moura Brasil

Exatamente, às vezes há anos, há anos. Então você tem uma investigação da Polícia Federal, você tem um indiciamento feito pela Polícia Federal. Aliás, o indiciamento foi em agosto de 2016. É muito bom cobrir essas coisas minuciosamente, que aí eu consigo lembrar, estabelecer até a cronologia aqui ao vivo. Em agosto de 2016, o Lula foi indiciado no caso do triplex. A eleição era em outubro de 2018, Igor. Ele foi indiciado pela Polícia Federal, que é a primeira etapa, vamos dizer assim, de avanço do processo, 2 anos e 2 meses antes da eleição.

Quer dizer, é ridícula a alegação eleitoral, sendo que isso veio da Polícia Federal, isso não veio do Sérgio Moro, entende? É a Polícia Federal, um conjunto de agentes que são servidores do Estado, que investigaram, etc. Aí você tem denúncia do Ministério Público, que vem um tempo depois. Aí você tem a avaliação do juiz de primeira instância, aí você tem a condenação, etc. Depois vai para segunda instância, e a segunda instância manteve a decisão, até aumentou a pena.

Depois vai para o Superior Tribunal de Justiça, que manteve a condenação. Só diminuiu um pouco a pena, fez o contrário da segunda instância. E mesmo assim ficou essa alegação que é usada até hoje pelo Lulim: foi para tirar o Lula da eleição, etc. Então agora se faz a mesma coisa: ah, não pode atrapalhar o ciclo eleitoral. O Flávio Dino, ele tava assim praticamente confessando isso, ele terminou a sessão de hoje falando, acusando o Fachin de fazer esse agendamento, quando a condução do processo de modo desastrado, a gente vai passar semanas aqui e já é uma certa ameaça, né?

Tipo, nós vamos enrolar porque a gente vai querer nulidade, vai tentar puxar qualquer tecnicalidade, etc. Então nós vamos passar semanas no meio de um ciclo eleitoral, etc. Eu vou pedir vista e tal. Quer dizer, é simplesmente para que o aliado não seja investigado. Então, só para fazer essa pontuação antes de você mostrar o vídeo, Diego.

I3Igor 3K

Não, antes da gente mostrar o vídeo, cara, é só uma ponderação aqui que é o seguinte, cara. Esses, cara, a gente, quando a gente tá falando do Alexandre de Moraes, quando a gente tá apontando que seria muito interessante que haja uma investigação para entender melhor o que tá acontecendo ali, a gente não tá dizendo que a gente não quer que investigue o Flávio Bolsonaro Dark Horse, tá bom? Então é só para pontuar aqui, porque eu não sei se hoje isso foi um, foi um tema assim muito gritante, talvez ele tenha sido um tema mais, menos vocal, mas ainda assim um tema importante, é lembrar que não é, de novo, não é, não é um apontar sujeira do Alexandre de Moraes não é tentar, pelo menos do nosso, no nosso trabalho, no que a gente tá fazendo aqui, a gente não tá tentando esconder para nenhum outro lugar ou com nenhum outro viés político que também precisa investigar o dinheiro que foi captado para o Dark Horse, que veio do Banco Master também, né?

Porque uma coisa não anula a outra. E se a gente tivesse pregando diferente, estaríamos sendo hipócritas, porque isso que a gente fala todo dia.

FMFelipe Moura Brasil

Né, exatamente. Até porque a sujeira do Moraes, ela ajuda o bolsonarismo eventualmente a escapar desse tipo de investigação. Então tem muita gente que sinaliza, vamos dizer assim, um interesse, obviamente, na análise histórica da atuação desse grupo político. A gente viu episódios assim como em 2019, Quando o Flávio era investigado por rachadinha e blindou Toffoli e Gilmar contra a CPI da Lava Toga, a gente vê uma intenção de um acordão.

Ah, Moraes tá sujo, e você tem aí investigação em curso sobre o Flávio Bolsonaro e o pai dele em prisão domiciliar. Qual é a solução costumeira no Brasil? É a solução da acomodação geral de interesse, do acordão. Então a gente blinda o Moraes e a gente alivia lá o Bolsonaro da prisão domiciliar e o Flávio da investigação. No caso Master. É preciso entender que essa hipótese ela é bastante verossímil, porque você tem um histórico dos dois lados de realizações nesse sentido.

Quando um lado fica muito sujo, um tenta se limpar na sujeira do outro, e eventualmente nesse aparente embate de facções há um grande acordo. Para que haja a impunidade geral. Foi assim que foi formada lá atrás a Frente Ampla pela Impunidade, como eu batizei, quando cada grupo político e até uma ala do Poder Judiciário foi sendo atingido gradativamente pela Lava Jato. Alguns defendiam a operação no começo, depois foram atingidos e voltaram contra ela.

Por exemplo, PSDB. E aí o Gilmar Mendes, que foi indicado no governo do Tucano, Fernando Henrique Cardoso, ele se voltou contra a Lava Jato, mas que atingiu também ali quase que ao mesmo tempo não só o Aécio, mas também Michel Temer e uma ala do Poder Judiciário ligada ao Gilmar. E depois o Flávio Bolsonaro foi alvo da Operação Furna da Onça, que foi um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro. E aí o bolsonarismo se aliou, e aí pronto, ficou todo mundo contra a Lava Jato.

E aí é o poder avassalador do sistema. Agora você tem ainda um período de, vamos dizer assim, divisão. Mas com lulismo eventualmente se reelegendo, ou com bolsonarismo se elegendo de novo depois desse intervalo, não é nada impossível que haja um acordão. O que a sociedade precisa fazer, e o jornalismo, etc., é continuar lançando luz para que não haja o acordão, para que a lei seja cumprida, para que as pessoas sejam investigadas quando elas incorrem em condutas antiéticas e eventualmente criminosas.

Então é isso, Igor. O cenário é muito ruim, né? O horizonte do Brasil é— mas ao mesmo tempo, cara, é bom que tudo tenha vindo à tona. É, tem esse lado bom.

I3Igor 3K

Alternativa era o BRB conseguir comprar o Master, né? Seria muito pior.

FMFelipe Moura Brasil

Isso, exatamente. Você, antes da gente começar, fez essa piadinha, cara. Se o BRB tivesse comprado o Master e limpado o rastro de sujeira, a gente não estaria aqui falando de tudo isso, né? Então assim, cara, por um pouquinho que alguém fez aqui, que alguém fez aqui, né? Jornalistas, procuradores, agentes da Polícia Federal, etc., quando cada um faz o seu papel, mesmo que haja todo um rolo compressor do sistema em sentido contrário, você consegue alguma coisa.

É, você bota sujeira no ventilador aí. E aí é que a sociedade precisa se posicionar, precisa se manifestar nas redes sociais, nas ruas, para que essa sujeira não possa ser acobertada por um tapete gigante. Senador Alessandro Vieira tá lá todo dia, olha, sujeira demais. Tapete, não tem tapete para cobrir tanta sujeira. Tô falando isso há um tempão, etc. Então esse é o momento que a gente vive. Eu confesso, Igor, que em 20 anos de jornalismo, e a maior parte dele com as redes sociais, das mensagens que mais, não digo deprimem, né, mas que dão assim um lamento, até uma tristeza, sabe?

É quando a pessoa fala assim: vai tudo acabar em pizza. E não é a análise de que existe essa tendência, eu tô separando. Uma coisa é você analisar que, olha, a tendência é que isso seja assim, como eu tô fazendo aqui, acomodação geral de interesse, se não houver justamente a atitude cívica, se não houver atitude midiática, se não houver atitude de algumas autoridades espalhadas em órgãos muitas vezes instrumentalizados. Mas muitas vezes por trás desse tipo de mensagem existe o derrotismo, existe a absoluta falta de confiança na sua atitude individual.

E mais do que confiança, porque confiança muitas vezes não se tem, você se sente impotente, mais do que isso é o senso de dever, é o senso de responsabilidade. Olha, é isso aqui tá acontecendo no meu país, A tendência é terminar em pizza. O que que eu posso fazer? Eu posso fazer a minha parte. Isso aqui não vai terminar em pizza sem que eu faça a minha parte. A minha parte vai ser feita e eu vou poder dizer para os meus filhos, para os meus netos, para minha família, para minha história, para minha consciência, de que eu fiz alguma coisa para que isso não terminasse assim.

Que a pior coisa é você ver um cenário muito complicado Fala assim, ah, não adianta nada fazer esforço nenhum, então não vou fazer nada. Ora, é exatamente essa postura que é desejada pelo sistema, que ele, como você bem colocou, mostra ali, a gente tá aqui é para impedir mesmo que a gente seja investigado. É bom que vocês saibam, o Toffoli votou contra a delação do Cabral que o citava. O Moraes agora quer votar sobre investigação a respeito dele.

O PGR tá citado no relatório policial, participou hoje do julgamento. Eles não estão nem aí, eles querem mostrar força. E aí, de quem se meter no caminho deles? Então é preciso que cada um assuma a sua responsabilidade e faça o seu papel, porque o sistema quer o derrotismo de todos os outros, quer que os outros It's Bill Simmons from the Bill Simmons Podcast.

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FMFelipe Moura Brasil

Nem se aventurem. Eles querem produzir o chamado chilling effect, que é o efeito dissuasivo, que ninguém ouse mexer com eles, que saiba que não adianta nada.

I3Igor 3K

E esse vídeo aí que você separou para gente, Felipe, é para a gente comentar o quê?

FMFelipe Moura Brasil

Olha, é um trecho do julgamento importante em que houve embate ali do Ministro Gilmar Mendes com o Ministro André Mendonça. Eu acho que é um momento bastante ilustrativo aí para ficar registrado, é do nível de agressividade, de hostilidade, de truculência da ala pró-morais do Supremo Tribunal Federal.

I3Igor 3K

Vamos ver.

?Voz F

Fui relator, fui vistor do caso do afastamento do Diretor da Polícia Federal. Caso colocado às 10 horas da manhã para julgamento, pedi vista às 10:01. Salvo engano, às 10:04, Ministro Cássio já tinha votado. Eram 22 páginas o fundamento. Às 10:06, Ministro Fux já tinha votado. Nenhum problema. Com a experiência de velho magistrado de tantos anos, eu sabia que algo ia acontecer, que isso não poderia ocorrer, que era por isso. Até porque qualquer cidadão que tem o mínimo de noção do que significa a Polícia Federal, que é um órgão armado submetido à hierarquia, não faria afastamento de um diretor-geral da polícia.

É como afastar o diretor, o presidente da NASA. Ou tirar o comandante do Exército. Não se faz. O sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa. Quando ele tiver a tentação, tem que pedir que Deus interceda e não faça, porque de fato submeter uma instituição que já vive todos os problemas que tem A esse tipo de vexame é de uma falta de noção, de uma gravidade que eu jamais vi. Mas vamos prosseguir, vamos prosseguir.

?Voz G

Então, com relação a isso, Vossa Excelência me permite uma parte?

?Voz F

Por favor.

?Voz G

Eu sou presidente da 2ª Turma. Primeiro, saudar Vossa Excelência, saudar Sua Excelência, nosso decano, saudar nossa decana, ministra Ministra Cármen Lúcia, salvar, saudar o Procurador-Geral da República e os demais integrantes da Corte. Senhor Presidente, a 2ª Turma percebeu uma série de desvios de finalidade na atuação do diretor-geral da Polícia Federal. Isso faz parte até de um trecho bastante expressivo da nossa manifestação.

Naquela oportunidade, então, verificou-se que nós temos a maior admiração pela Polícia Federal. Sou juiz há 50 anos. A Justiça Federal sempre trabalhou em prol do Poder Judiciário. O que não pode é a Polícia Federal trabalhar contra o Poder Judiciário, instrumentalizar pessoas para sustentarem posições contra o Poder Judiciário. Só essa remessa desse documento apócrifo já é um exemplo significativo desses desvios crimes praticados pela Polícia Federal.

E por isso, para entendermos, e Ministro Vilmar, se não me falha a memória, Vossa Excelência foi ao Planalto para dizer que eles eram responsáveis por isso, porque deixou a crise da Polícia Federal com o Supremo ocorrer. Nunca se imaginou a Polícia Federal peitar um ministro do Supremo Tribunal Federal, e era isso que tava acontecendo, sem prejuízo dela instrumentalizar posições para degradar a corte. Tudo começou ali. E nós entendíamos que nós devíamos tomar uma posição para estancar isso, como o Ministro Gilmar se expressou perante o Planalto.

Vossa Excelência disse isso: a culpa era de vocês, que deviam estancar essa crise da Polícia Federal contra o ministro. Vossa Excelência é ministro há mais de 20 anos, eu sou ministro há 16 anos, eu nunca vi a Polícia Federal peitar um ministro do Supremo Tribunal Federal. Nós entendemos que aquilo representava anomalia e ia contaminar todos os julgamentos com relação a fatos graves noticiados, e mais ainda criar ali uma agência própria que vai se dedicar à arapongagem contra ministro do Tribunal Federal.

Então, o que nós fizemos? Numa convicção própria, insindicável qualquer ministro, não há homem nesse mundo que vai se indicar à minha independência. Eu, como presidente da turma, a pedido do relator, eu pauteio o processo. E o que que ocorreu? Nós tínhamos na turma essa convicção.

?Voz E

E o que que ocorreu?

?Voz G

Quem proferiu o primeiro voto? Medeiros Gilmar, pedindo vista para estancar o julgamento. Se nós tínhamos esse objetivo, era evidentemente que nós deveríamos manter a coerência da nossa decisão. E foi isso que aconteceu, exatamente porque, relembrando a postura, Ministro Gilmar Mendes, que jamais aceitaria a Polícia Federal peitá-lo, e tanto não admitiu que eu já estava no tribunal Federal, quando Vossa Excelência atravessou aqui a avenida e foi lá pedir a demissão de um diretor da Polícia Federal. Vossa Excelência se recorda do diretor da Acerca? Não foi isso?

?Voz F

Pedir a quem?

?Voz G

Não foi lá, mas não foi.

FMFelipe Moura Brasil

E aqui se decidiu da forma de direito, Ministro Gilmar.

?Voz G

Mas espera um momento, deixa eu só concluir. Então não tem que amarrar ninguém para fazer isso, tem que ter responsabilidade judicial. Ninguém pode permitir que fique um órgão trabalhando Supremo Tribunal Federal, peitando o ministro do Supremo Tribunal Federal. Foi isso que aconteceu, foi essa preocupação que nós tivemos institucional. Paralela, institucional. Nós temos hoje uma PF paralela, uma PF paralela com monitoramento de ministros.

FMFelipe Moura Brasil

Não pense que você está salvo não, ministro.

?Voz G

Agora deixa eu destacar, porque isso é importante. A Polícia Federal tem o nosso maior respeito quando ela age dentro das suas funções. E ela auxilia o Poder Judiciário e não prejudica o Poder Judiciário.

?Voz F

Vou prosseguir agora.

FMFelipe Moura Brasil

Nossa, cara, é só um aperitivo, hein? Pois é, só para contextualizar para quem não acompanhou essa história, muito rapidamente, o André Mendonça, ele afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, quando por meio de uma decisão que era uma retaliação do Moraes contra o Mendonça veio a público o relatório apócrifo, ou seja, ele não era assinado por nenhum agente da Polícia Federal, por nenhum delegado da Polícia Federal, contendo ali fofocas e elucubrações sobre questões políticas do ministro André Mendonça.

Aí ele pegou aquele relatório, falou, isso aqui não pode acontecer, isso aqui é um absurdo e tal. E como havia ali um envolvimento aparente do diretor-geral da PF, ele o afastou, sendo o relator do caso master. E ele pediu ali para o presidente da turma, que é um dos colegiados do STF, são 11 ministros divididos em duas turmas de 5, o presidente fica fora. O presidente da turma é o Luiz Fux. Aí ele pediu para pautar, o Fux pautou imediatamente, porque como vocês viram, considerou aquele relatório absurdo de monitoramento, como diz o Mendonça, é de ministro do STF.

E aí ficaram 3 votos: Mendonça, Cássio Nunes Marques e Luiz Fux, formando maioria na turma. Pra manter a decisão do relator e o afastamento, portanto, do André Rodrigues. E o Gilmar pediu vista, ou seja, mais tempo pra analisar o processo, pra não deixar o processo acabar. Aí depois veio o Flávio Dino, deu uma decisão contrária pra reintegrar. Aí foi aquela guerra de decisões individuais, as chamadas monocráticas. O Flávio Dino deu uma decisão pra reintegrar o André Rodrigues, alegando que tinha investigações em curso.

E aí veio o Fachin, presidente do STF, suspendeu todas as decisões e pegou o caso pra ele. Então o Fux, ele lembra um episódio, e essa postura muito importante do Fux no julgamento de hoje envolvendo o próprio Gilmar. Isso é maravilhoso, né? Que Gilmar tá ali recriminando: não, tem que botar o Gema se você sentir a tentação de se voltar contra um diretor da PF. E o Fux fala: você fez isso, você lembra? Ele é o membro, lembro, é, era o ex-diretor da ABIN e da PF, Paulo Lacerda.

O Gilmar foi pedir ao Planalto. Isso não é atribuição de ministro do STF, e fazer articulação política pela demissão de alguém de um órgão, mas isso é bem característico do Gilmar Mendes. E ele falou assim: fui pedir a quem de direito. Como quem diz assim, cabe ao presidente demitir ou não o diretor-geral da PF, não cabe a ministro do STF ficar cobrando que faça isso. E o André Mendonça, no âmbito de uma, de um caso do qual ele é relator, Ele viu uma atuação registrada em documento considerada indevida e, vamos dizer assim, por precaução afastou o diretor-geral da PF, que não é uma medida tão gravosa.

Ele não impôs tornozeleira eletrônica, não mandou para cadeia, não. Afastou enquanto se apurasse o conteúdo, a fabricação e o vazamento daquele relatório. E aí o Gilmar tá dando aquele piti e o Fux vai lá e dá uma peitada dele, lembrando do caso do Paulo Lacerda e mostrando como é um absurdo que haja um órgão atuando contra o outro, né, com mobilização de servidor de Estado para fazer elucubração sobre comportamento e motivos ocultos de decisão de magistrado.

É óbvio que é um absurdo completo. Então Gilmar deu um pitima, tomou aí uma, como se diz nas redes sociais, uma invertida. E aí, Igor, depois disso, o que que aconteceu? O Alexandre, Alexandre de Moraes, o suspeito e autoadvogado, ele entrou na discussão para piorar ainda o bate-boca. Aí, se você roda quando você quiser, tá bom?

I3Igor 3K

Dá-lhe aí, Vitão.

?Voz E

Presidente, eu cumprimento Vossa Excelência, o Ministro Gilmar, Ministra Cármen, cumprimento Procurador-Geral da República. É, presidente, as falas agora demonstram, e depois eu também vou reiterar aqui o que eu pedi a Vossa Excelência dia 11 de setembro, A conexão dos dois feitos. Vossa Excelência, como disse o Ministro Flávio Dino, Vossa Excelência chamou à ordem os dois feitos, o de hoje e o do dia 23, é exatamente, e cito o que Vossa Excelência disse: a condução por essa presidência se justifica tanto por razões afetas à lógica instrumental do processo, artigo 76, inciso III do CPP, PET 16662, e a PET que Vossa Excelência estava chamando, 16704.

Palavras de Vossa Excelência: evidenciam relação de conexão e continência, anunciam risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual, precisamente que os artigos 79 e 82 do Código de Processo Penal se destinam a prevenir. As medidas determinadas em todos os feitos estão assentadas cada qual em bases fáticas e probatórias comuns, disse Vossa Excelência. E que parcialmente se sobrepõe. Não há como julgar hoje sem julgar terça, porque eu pergunto: quem tem medo da Polícia Federal, presidente?

Quem tem medo da Polícia Federal? Eu não estou perguntando a Vossa Excelência. Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada? E vamos trazer aqui, presidente, vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas que o Ministro André em reunião disse: isso é mentira, peçam isso. Então vamos chamar testemunhas, vamos chamar, vamos chamar.

FMFelipe Moura Brasil

Pode chamar quem quiser, não há como julgar hoje sem julgar terça-feira.

?Voz G

Chamou? Não, senhor.

?Voz E

Inclua o Ministro Alexandre, porque está a serviço de um grupo político. Político que quis dar um golpe nesse país. Ah, senhor presidente, é isso, presidente, não vou responder no meu momento de fala. Mas, presidente, mas, mas não tem nenhum documento apócrifo. Todos sabem o que é o relatório de inteligência. Os relatórios de inteligência estavam registrados lá. É só pegar o registro, quem fez, e vamos chamar aqui nesse Supremo Tribunal Federal, além de advogados que já se colocaram à disposição.

Então eu repito, presidente, Tudo o que foi feito, essa investigação fraudulenta contra mim já começou lá atrás. Não dá para julgar uma coisa sem outra.

FMFelipe Moura Brasil

Obrigado, presidente.

?Voz F

Só para lembrar, o ministro Fux lembrou bem o enfrentamento que tivemos em relação à Polícia Federal do Paulo Lacerda, em que chamamos atenção para escutas que estavam sendo feitas e que era indevido, e pedimos a quem de direito que se combatesse. Como também disse a Vossa Excelência, e estou defendendo, não deixe o tribunal virar um órgão de polícia, trazer delegados para cá. Isso é errado, sujeito passa a confundir as coisas.

Propus a Vossa Excelência que proibisse que assessores fossem, delegados fossem feitos assessores, porque nós sabemos para que serve esse tipo de prática.

?Voz G

Quem tem esses assessores? Delegados. Constava aqui da Folha, alguém, vamos dizer, infiltrou essa informação dizendo que haviam 2 delegados no meu gabinete. Isso ficou rodando, rodando, até que eu exigi uma nota do tribunal. E Vossa Excelência, eventualmente questionado, mencionou isso. Eu nunca tive delegado no meu gabinete. Eu nunca tive. Vossa Excelência teve?

?Voz F

Não.

?Voz G

Eu também não.

?Voz F

Eu não tô discutindo com você.

?Voz G

Quem tem? Que você está criticando.

?Voz F

O ministro André tem.

?Voz G

E quem mais? Quem mais?

?Voz E

Eu tenho. E há quanto tempo já coloquei à disposição imediatamente, presidente? Falei: Vossa Excelência quer agora resolver? O que Vossa Excelência me disse?

FMFelipe Moura Brasil

Eu estou aguardando o expediente.

?Voz E

Então, mas eu concordo em colocar à disposição imediatamente, se for essa ideia.

?Voz F

Vou voltar ao meu, a minha questão de ordem, lembrando que nós já tivemos em momentos outros grandes desafios.

FMFelipe Moura Brasil

Bom, isso aí era finalzinho para rede social. Peço até desculpa que tem alguns errinhos aí na legendagem, que eu fiz correndo, evidentemente, para tratar desses assuntos. Igor, posso fazer uma contextualização rápida? Mas eu quero, por favor, cara, eu tô chocado disso. A sua impressão? Quero ver o seu choque.

I3Igor 3K

Ah, que bom, cara, porque eu tô Cara, como que esses cara tem, como é que esses cara se portam desse jeito, mané? Como a gente tá falando do Supremo Tribunal Federal, meu irmão, de assim, cara, como é que a gente, como é que o, como é que eu vou confiar que os cara tão julgando as coisas para valer, cara? As coisas são feitas da melhor maneira possível, entendeu? Esses são os cara que representam o que é justiça no Brasil, cara.

Meu Deus do céu, cara, parece só turma de 5ª série, mané. Foi ele, não fui eu não, não fui eu não, tá mentindo. Vai lá, Felipe, vai lá, contextualiza aí, vai.

FMFelipe Moura Brasil

É, exatamente, acho importante ter essa indignação. Teve duas discussões aí, né? Primeiro aquela com Moraes e depois é o Gilmar e o Fux. Moraes é com Mendonça e o Gilmar com o Fux. O Moraes, assim como todos os seus aliados, ele tava defendendo que o julgamento seja feito em conjunto do caso Moraes e do caso, entre aspas, Mendonça, que é esse caso fabricado a partir desse relatório apócrifo. E ele tenta negar, ah, porque os relatórios de inteligência...

Mas por que vazou? E como ele tomou conhecimento desse relatório? Ele nunca esclareceu. Nem ele esclareceu isso e nem o Andrei Rodrigues, que é o diretor-geral da PF, em prestação de informações para o Fachin. Depois de demanda do presidente do STF. O Moraes, na sua decisão inicial de pedir investigação sobre o Mendonça, ele diz assim: assim que tomei diante de notícias da existência de um relatório de inteligência no sistema da PF.

Que notícia? Ele não diz no despacho. Em geral, numa decisão judicial que eu analiso há 20 anos no meu trabalho, é quando você tem a menção, uma reportagem de imprensa, você tem a nota de rodapé, aquele numerozinho, E lá embaixo na folha você tem o endereço. Agora nesse período de internet você tem endereço eletrônico, geralmente é de uma notícia. Não tinha. O Moraes é uma suspeita. Ele pode ter sido informado pelo próprio André Rodrigues, ele pode ter sido informado por alguém da Polícia Federal, não quis revelar isso.

Então esse relatório, se tava no sistema, nem era pra estar, porque é um relatório envolvendo especulações sobre ministros do STF, e muito menos tinha que ter vazado para um ministro do STF desafeto do outro, etc. Bom, então, voltando, o Moraes, ele quer o julgamento conjunto do caso Mendonça. O Moraes é esse magistrado que era interlocutor do banqueiro que contratou a sua esposa e que pedia para ele interferência na PF, na PGE, para travar a investigação.

E se se consultava se devia ou não fugir do país. É um caso gravíssimo, que obviamente precisa ser investigado. O do Mendonça é isso: é baseado num nada jurídico, que é um relatório assinado por ninguém, com nenhum fato objetivo, com nenhuma prova documental, e a ala pró-morais quer tentar traçar uma falsa equivalência pra julgar tudo, pra de repente alguém assim como a Cármen Lúcia falar assim: ah, eu acho que os dois têm que ser Ou se é para um, o outro também, ou qualquer coisa nesse sentido.

Bom, aí o Moraes fez uma acusação gravíssima contra o Mendonça, com base também em nada. Ele não traz uma evidência, ele não segue o procedimento natural. Ele de repente, de boca no plenário, fala que o Mendonça— acusa o Mendonça de ter exigido da PF que o incluísse em colaboração premiada, ou que exercesse pressão sobre o investigado para que o Moraes fosse delatado. Ele parece se referir a ele próprio quando fala em colega ali, colega de tribunal.

E aí o Mendonça fala: mentira! Teve até um momento que a legenda saiu errada ali, que o Moraes: posso chamar as testemunhas? Que ele diz ter testemunhas, advogados, policiais, etc. Quer dizer, fazendo fumaça política no meio de um julgamento que deveria ser baseado nos autos. E aí o Mendonça: pode chamar, eles vão mentir. Porque o Mendonça sabe aquilo que fez, aquilo que não fez, e tá lá dizendo que é mentira. Então, quer dizer, um bate-boca gravíssimo aí entre ministros do ST.

E aí esse outro momento em que, mais uma vez, pela segunda vez, o Fux dá a peitada no Gilmar. Então Gilmar tava reclamando lá atrás, é, de ministro que pede afastamento do determina afastamento de diretor da PF. O Fux foi lá e lembrou: ah, você pediu lá a demissão do diretor da PF. E agora o Gilmar tava criticando a presença de delegados como assessores no gabinete do Mendonça. E aí o Fux, ele fala duas coisas importantes. Uma, que plantaram na imprensa, e ele sinaliza que o Gilmar teria feito isso, né?

Porque ele fala assim: e o senhor, questionado, mencionou isso. Como se ele, Fux, tivesse delegados no seu gabinete. E o Fux fala: eu não tenho. O senhor tem? Não. E aí o Fux faz uma pergunta que chega a ser engraçada para quem acompanha ali as minúcias, né? Ele fala assim: mas o senhor tá criticando, e quem mais tem? Quem mais tem? Porque o Fux sabe que o Moraes também tem, e o Moraes é da ala do Gilmar. Então o Moraes tá criticando, o Gilmar tá criticando a existência de delegados no gabinete do André Mendonça.

Que é algo, enfim, que o Supremo acabou fazendo não só para um ministro. E aí o Gilmar não se dá conta de que também existe no gabinete do Moraes. E o Fux faz questão— não se dá conta, o Gilmar omite essa informação no plenário, para ser mais preciso. E aí vem o Fux e fala: quem tem?

?Voz E

Quem tem?

FMFelipe Moura Brasil

Aí o Moraes tem que ir no microfone e falar assim: eu tenho, mas eu já pedi e tal para presidência avaliar, porque agora eles estão atuando em conjunto para tentar vamos dizer assim, mudar algumas coisas para tentar afetar algum tipo de preocupação com a integridade no Supremo Tribunal Federal. Agora que o Moraes foi atingido, porque durante 7 anos ele era criticado por ter um núcleo dele da Polícia Federal no âmbito do inquérito das fake news.

Então quando eles são atingidos, aí começa a haver um monte de pedido de mudança, etc., porque a Os outros não podem fazer nem perto daquilo que eles fazem. E olha que o Mendonça não está fazendo o que o Moraes fez no âmbito do inquérito das fake news. Enfim, essa é a contextualização.

I3Igor 3K

E é só para a gente lembrar também que é muito curioso assim ver o Alexandre de Moraes falando tudo que ele tá falando num caso que tem que, que é ele que é o alvo, né, de certa medida. Então assim, é, ele tá se defendendo, né? Isso é, isso é um, isso é um, meu Deus, cara, é, eu não tenho outra reação que não seja um facepalm assim, cara, que, cara, como que pode um absurdo desse? E é isso, e valeu. E amanhã é ali de novo, e valeu.

Eu acho isso, eu acho isso impressionante. Mas tem aqui Um vídeo do Paulo Gouanier, cara, é isso.

FMFelipe Moura Brasil

É, tem mais um, só completar o que você falou, porque o Moraes agora tá nessa condição e toda jurisprudência xandônica, a jurisprudência do xandão, do Alexandre de Moraes, ela pode ser usada contra ele. Mas a verdade é que ela não precisa ser usada contra ele, é, basta aplicar a lei e obviamente tem que abrir uma investigação sobre um sujeito nessa posição. Um contrato familiar de R$131 milhões e que tava interagindo ali com o banqueiro numa conversa nada, nada republicana.

E o elemento que eu queria acrescentar é o seguinte: lá em 2019, quando foi aberto de ofício pelo Toffoli o inquérito das fake news, a então procuradora-geral da República, a Raquel Dodge, antecessora aí do Paulo Gonê, teve Augusto Aras no meio, mas enfim, ela antecedeu no cargo também, ela pediu para que fosse encerrado o inquérito das fake news, que ela considerou ilegal, como eu apontei na raiz. E os vídeos estão lá na minha rede social, me sigam no Instagram, tem lá compilado com os vídeos de 2019.

E no entanto, o Moraes como relator, o Toffoli, toda essa ala passaram por cima da PGR e mantiveram e referendaram o inquérito das fake news, mesmo com posição contrária da Procuradoria. E hoje o Moraes, numa situação diferente, porque nem sequer há inquérito aberto sobre ele, o que se avalia é justamente a possibilidade de abrir o inquérito, ele tava querendo enterrar alegando que não houve pedido da Procuradoria-Geral da República.

Foi o Mendonça que encaminhou ao plenário, de acordo com a previsão regimental, numa interpretação que pode ser até discutida se devia ou não, porque tem gente que defende que o Mendonça deveria abrir investigação, como faria com qualquer pessoa, e não encaminhar para o plenário para todo mundo deliberar se deve. Mas ministro do STF tem esse privilégio agora inédito, né? Então o Moraes querendo encerrar isso porque a PGR não pediu.

E, ah, se a gente abrir investigação, então depois vai ter que analisar denúncia sem participação da PGR? Nunca foi preocupação para eles em 7 anos e meio, só é agora. Então esse é o duplo padrão.

I3Igor 3K

E tá aí, né, o Gonê para falar com a gente agora também.

?Voz 1

E eu gostaria de deixar isso claro, é, na verdade, para evitar mal-entendidos, ser objetivos. Não existe nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Lorcado. O único encontro que eu tive com o senhor Vorkaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação intermediada por advogado foi brevíssima e banal. De fato, o resultado da IPJ aponta apenas mensagens sem nenhuma relevância jurídica. Antes e depois, a atuação do Ministério Federal em primeiro grau e no Supremo Tribunal Federal sempre foi pelo total esclarecimento dos fatos e pelo sucesso da persecução penal.

Quem analisa os fatos sem viés verá que o Ministério Público, no exercício do papel de titular da ação penal, foi preciso e foi correto. Agradecendo mais uma vez ao Ministro André Mendonça pela referência que me fez com relação à ausência de qualquer dúvida que Vossa Excelência tenha sobre a idoneidade do trabalho da Procuradoria-Geral da República. Eu agradeço a palavra.

FMFelipe Moura Brasil

Agradeço, presidente. Só para fazer então referência, Doutor Paulo, eu tento ser justo. Ninguém gostaria de estar aqui, estamos aqui por dever de ofício. E assim, a gente pode até avaliar se ela não deveria ter feito isso, talvez hoje conhecendo os fatos.

?Voz F

Impressionante, presidente, que uma pessoa da estrutura desta altura do Paulo Gonê sofra esse tipo de ilação. É, isto sim é leviandade. Isto sim é leviandade. O sujeito investido de um sentimento policialesco contra os conselheiros.

?Voz G

Agora eu que tô com a palavra, ele não tem direito a mais.

I3Igor 3K

Gilmar, peço a você.

?Voz F

É impressionante, é impressionante a desfaçatez desse sujeito.

FMFelipe Moura Brasil

A desfaçatez de Vossa Excelência.

?Voz G

Me respeite.

FMFelipe Moura Brasil

Ministro André, não tô chorando não.

?Voz D

Aqui não tem choro não, Ministro. Respeite, Ministro Fachin. Se Vossa Excelência, com todo respeito, não toma uma providência, eu vou pedir vista.

?Voz E

Não, eu vou, eu preciso só esclarecer, é impossível dessa maneira.

?Voz D

Nós não vamos, Ministro Fachin, por favor, o poder de polícia da sessão compete a Vossa Excelência.

FMFelipe Moura Brasil

É verdade, muito bem.

?Voz D

Nós estamos entendendo que degradam a imagem do tribunal. Precisão nesses termos.

?Voz G

Eu não fiz.

?Voz D

Um minutinho. Não, ministro, Vossa Excelência está assistindo isso a horas. A horas. Vossa Excelência está assistindo a isto a horas, que está transformando o Supremo nas próximas semanas, quiçá meses, neste debate. Se Vossa Excelência vai assistir a isto, eu não vou, porque eu sou funcionário público deste país e tenho respeito a ele. Então, presidente, eu faço mais uma vez um apelo.

FMFelipe Moura Brasil

Meti essa aí, né?

?Voz D

Condução de Vossa Excelência está conduzindo a que este debate que Vossa Excelência acabou de assistir se prorrogue por meses. Isso, meses. Na hora que eu tenho conduzido na medida do possível, e essa situação que tá posta deriva desta condução de Vossa Excelência.

FMFelipe Moura Brasil

É a conclusão de Vossa Excelência.

?Voz D

E eu estou informando a Vossa Excelência que Vossa Excelência está conduzindo o Supremo para ficar deste modo degradante do ponto de vista técnico, ético, por meses. É apenas, faço essa lembrança patriótica, Vossa Excelência, e fraterna.

FMFelipe Moura Brasil

É a conclusão de Vossa Excelência. Fez um pedido de vista, ministro? Não, eu queria só terminar antes dele avaliar.

?Voz D

Eu tô fazendo pedido de vista. Eu tenho que interromper esta situação porque nós temos uma questão de ordem, nós não temos condições de deliberar, o clima é daí para pior. A sociedade assistindo, diferente do rito que a lei manda. Presidente, com todo respeito, não me importa se haverá no meu Instagram ou no meu Facebook milhares de mensagens dizendo da impunidade, da corrupção. Eu tenho responsabilidade com esse país. E há 15 dias de uma eleição, o tribunal se expõe a isso.

E veja, sem ponto final, presidente. Acho que Vossa Excelência não se deu conta disso, porque Vossa Excelência, além marcar esta sessão desastrada, ainda marcou uma na próxima semana. E nas próximas semanas, Vossa Excelência está condenado a marcar dezenas de sessões iguais a esta.

?Voz G

E por que, Ministro?

?Voz D

Presidente, as mensagens do Ministro Fux, as mensagens do Ministro Cássio, as mensagens relativas ao Ministro André— nós vamos parar onde? Eu imaginava que Vossa Excelência tinha pensado nisso.

?Voz G

Isso está lá, tem mensagem, mensagem comigo não tem, não tem, não tem, não tem, alguém falando de mim comigo, nunca vi esse cidadão na minha vida, nunca tive relação com ele, não tem. Vossa Excelência, só se Vossa Excelência está se baseando nesses inquéritos que surgem do nada. Não tem, não tem.

?Voz D

Eu só posso esclarecer, Vossa Excelência terá que esclarecer isto no momento próprio. Infelizmente, a menção ao nome de Vossa Excelência, infelizmente. Aí nós vamos ficar semanas, nós vamos ficar semanas debatendo isso.

FMFelipe Moura Brasil

Então, Flávio, peço licença.

?Voz D

Consigne no meu pedido de vista.

?Voz F

Perdão?

?Voz D

Eu consigno o meu pedido de vista.

I3Igor 3K

Então, data máxima vênia, Vossa Excelência. O que Vossa Excelência almeja está deveras flácido.

FMFelipe Moura Brasil

Olha que momento, Felipe, cara, meu irmão.

I3Igor 3K

Eu não, eu, eu comenta aí, cara, porque, cara, olha, a sensação que eu tenho é um monte de criança brigando, tá, para começar. E de fato assim, respeite as crianças. É, eu vou ter que, eu vou ter que dar, eu vou ter que O Dino tem razão no ponto que o Fachin tá sendo meio mole ali, né? Nesse ponto ele tem razão mesmo. Eu acho que o Fachin, ele é o presidente da— eu sei que, eu sei que talvez essa relação de presidente da corte não seja uma, não seja, vai, isso não quer dizer, pode não querer dizer muita coisa entre eles, né?

Até pela maneira que o Dino fala ali, sem muito, Dino que inclusive acabou de chegar. Fala com, com Fachin. Mas, mas eu nesse sentido eu concordo um pouco. Eu acho que o Fachin tá sendo meio mole. O que que tu acha?

FMFelipe Moura Brasil

É, mas não no sentido que o Flávio Dino quer dar. Flávio Dino não tem razão nenhuma naquilo que ele tá falando. Ele só quer blindar o Alexandre de Moraes. Ele tá acusando o Fachin de uma condução desastrada no sentido de que Isso vai se prolongar, esse tipo de debate, ao longo das próximas semanas durante o ciclo eleitoral. E o Flávio Dino tá com medo de que o Lula perca a eleição pelo desgaste da contaminação, da sujeira do Alexandre de Moraes.

Então, o Fachin, de fato, ele é muito mais— ele poderia ser uma figura muito mais firme do que o Fachin na presidência do STF, talvez fosse melhor, mas alguma coisa ele fez, vamos dizer assim. Poderia ser pior que fosse outro na presidência do Supremo Tribunal Federal. Eu tenho várias críticas aí ao Fachin, considero ele fraco em diversos momentos. Pelo menos ele conseguiu irritar a ala pró-Moraes em alguns aspectos, embora tenha feito algumas concessões do outro lado.

Mas aí, voltando, tô ficando quase sem voz de tanta indignação que eu tive hoje para lidar com isso tudo. Mas o PGR, Paulo Gonê, é o ex-sócio do Gilmar Mendes, que o Gilmar emplacou na PGR por indicação do Lula, porque o Gilmar blindou o Lula na Lava Jato e praticamente cobrou isso publicamente, é que o Lula indicasse o ex-sócio dele, né? Ele falou, olha, se o presidente tá hoje livre, tá na presidência, é porque o Supremo enfrentou a Lava Jato, tá?

Naquela época ele fez campanha E tem até reportagens falando dos embates dele com os petistas e dizendo que ele falou que o Gonê poderia resistir às pressões por investigação sobre petistas, etc. É nesse nível a articulação política do Gilmar. Então o PGR, ele aproveitou, na verdade, porque não dava para mostrar muito tempo antes daquela fala, uma declaração ali do Mendonça, que fez uma comparação ali do caso do Paulo Gonê, que é citado nas mensagens do Vorkar, E aparece até em foto encaminhada, aparece ansioso para charutos e whisky Macallan.

E ele encontrou em Londres, ele participou da degustação bancada pelo Daniel Vocar. O Mendonça fez uma comparação dos casos ali do Gonê e do Moraes, etc. Aí o Gonê aproveitou para distorcer também a fala do Mendonça para tentar se limpar. Você agradece ao ministro porque tá mostrando que não tem qualquer indício de crime cometido por mim, etc. Aproveitou e fez todo um discurso político ali, aproveitando aquela brecha para constranger também o Mendonça.

Quando a palavra volta para o Mendonça, o Gonê disse que só encontrou o Vorkar uma vez, que foi justamente no clube do uísque, e nunca mais, etc. Aí quando volta a palavra para o Mendonça, o Mendonça ele não tava ofendendo o Gonê, ele não tava sendo hostil ao Gonê. Ele faz uma mínima reflexão assim, olha, até se pode fazer uma reflexão se devia ou não participar desse ou daquele evento, etc. Só de ele raciocinar nesse sentido de que agora, olhando os fatos em conjunto, talvez algumas autoridades possam refletir se deviam ou não.

E ele nem tava defendendo investigação sobre o Gonê, etc. O Gilmar interrompeu, se sentiu atingido porque o seu ex-sócio tava sendo colocado numa posição de alguém que poderia refletir sobre uma conduta que não valeria ter, não valeria a pena ter de novo. O Gilmar entra: como se ousa falar isso de uma pessoa com a estatura do Paulo Gonê? Você vê o problema de ter um magistrado do STF que emplaca o PGR, e ali os dois fazem uma dobradinha.

Defendendo um ao outro. É uma avacalhação o sistema de justiça brasileiro com essas pessoas que estão lá no poder hoje. E aí o Gilmar dá aquele piti e ataca o Mendonça. E aí começa aquela, aquela bateção de boca. E aí o que eu queria chamar atenção é que o Gilmar fala: pode chorar, E o Mendonça fala, não tô chorando não, que é uma linguagem bem Gilmar, pode chorar, perdeu, ou qualquer coisa assim, né, transformando o Supremo em briga de rua.

Aí vem o Flávio Dino, que foi ministro do governo Lula, chamava o Lula de Moisés. Eu ironizava que era o Moisés de Atibaia, né, onde tinha lá o sítio. Ele aproveita a gritaria para pedir vista, quer mais tempo analisar o processo, para quem sabe deixar tudo isso para depois da eleição, que é o que ele quer. E aí ele faz ali toda uma cena reclamando da condução do Fachin por agendar essas sessões longas no ciclo eleitoral. Depois disso, sabe o que que aconteceu?

Veio a Carmen Lúcia para encerrar todo esse episódio. Uma linguagem dramática. Aí veio a performance de Carminha, né, que é: olha, eu lamento isso tudo, eu peço desculpas. Sabe qual é o problema, Igor? Aqui não é um pedido de desculpas, por todas as condutas, inclusive dela, ao longo da última década, dos últimos 20 anos, mas da última década principalmente, que resultaram nesse quadro que a gente tá vendo hoje. Não é um pedido de desculpa pela falta de polidez, por esses bate-bocas que aconteceram hoje, não pela impunidade que foi avalizada por muitos deles, inclusive por ela, na época da Lava Jato.

A impunidade que vai dando àquelas pessoas que têm poder político ou de uma autoridade, outro poder, como é o caso de magistrado, uma sensação de onipotência. Porque, ora, se houve uma investigação anticorrupção e ela foi toda desmantelada depois de várias condenações, multas, provas, etc., por que não então ter relações promíscuas com empresários que têm interesse no poder? Então essas pessoas foram se sentindo muito à vontade para fazer fortuna familiar dessa maneira.

Então você tem uma série, tô citando um elemento, mas tem vários outros aí, como o próprio aval ao inquérito das fake news, que concentrou o poder de relatoria ao Moraes, e ele foi se sentindo onipotente a ponto de chegar a fazer tudo que fez, e que merece ser investigado por causa disso. Então ela faz um discurso que ainda fala em espetacularização, que houve uma espetacularização desse caso e desse julgamento. Olha, espetáculo quem deu foi o Vorkaro, com festa, prostituta, charuto, uísque, pagamento para consultoria, pagamento para escritório de familiar de magistrado, pagamento para filme.

Espetáculo foi o que fez o Daniel Vorkaro. Quando a sociedade se mobiliza para acompanhar uma das suas figuras mais poderosas ser alvo de uma sessão porque vai deliberar sobre sua investigação ou não, Isso é dever cívico. A sociedade tá mobilizada em relação a algo que importa muito, que é a instrumentalização do Poder Judiciário para benefício pessoal, seja da pessoa, seja de terceiro. Então é natural que a imprensa esteja mobilizada.

Esse é um caso gravíssimo de uma pessoa muito poderosa que decide muitos rumos para o país e para a liberdade mesmo de outros cidadãos. Então é natural que haja uma relevância do episódio que gera uma cobertura midiática ampla, não pode ser tratada como um espetáculo que, vamos dizer assim, é objeto de um aproveitamento, de um oportunismo, etc., e portanto tudo tem que ser varrido para debaixo do tapete. E era a alegação que sempre foi dada pelos alvos de investigação.

Seja na Lava Jato, seja em outras operações. Ah, espetacularização, são os mesmos expedientes. Você acusa que é tudo um espetáculo, você acusa que é ciclo eleitoral, sabe? Tudo se repete, Igor. E foi isso que aconteceu hoje, espetáculo deprimente.

I3Igor 3K

E Felipe, a gente tem, como eles mencionaram, como você também tava falando aí no começo, tal como saíram nas notícias aí, a gente tem para o dia 23 marcado uma outra sessão. O que torna tudo isso ainda um pouquinho mais curioso, porque vai, faria com que o Mendonça fosse avaliado antes do Moraes por conta do pedido de vista do Flávio Dino, correto? Então, nessa, nesse sentido, cara, o que que a gente, o que que tem para o horizonte como próximos passos desse, disso que tá acontecendo? Que eu não sei se eu chamo isso de um processo disso que tá acontecendo?

FMFelipe Moura Brasil

O Dino atropelou o Fachin, impediu o plenário de resolver essa crise antes da eleição. Agora, em tese, ele tem 90 dias para devolver o caso. Esse vai haver uma pressão para que ele devolva logo. O que fica é o voto de Minerva da Carmen Lúcia, a tendência de a Carmen Lúcia ser a responsável por decidir sobre a eventual abertura de investigação a respeito do Moraes. Porque, repito, tem Gilmar Zanin e Flávio Dino de um lado, 3. Você tem Mendonça, Fux e possivelmente o Fachin, 3.

Aí a Carmen Lúcia decide, porque Toffoli e Nunes Marques se declararam impedidos. É, agora essa crise se arrasta, e se fica para depois da eleição, a própria eleição pode influenciar no resultado. E esse é um dos problemas da politização da justiça, porque se o Lula for eleito, ele vai ter a perspectiva de nomear 3 ou 4 ministros do STF, de formar maioria, e pode eventualmente, com essa perspectiva, abafar essa investigação de alguma maneira, exercendo pressão sobre aqueles outros que vão decidir.

Ah, você vai ficar numa minoria daqui para frente, etc., você vai fazer média, enfim, tem uma série de variáveis aí que podem surgir. O Flávio eventualmente se elegendo pode também, poderia nomear 3 ou 4 ministros Eventualmente até 5, se o Moraes for afastado, etc. Mas também pode fazer um acordão para que o Moraes não seja alvo de uma medida gravosa, mas alivie ali o pai dele ou ele próprio de investigação, etc. Então só tô mostrando que o resultado da eleição pode influenciar nesse processo.

Então tudo deveria ser feito logo, evidentemente. Mas agora vai ser muita articulação política e armação de estratégia. Eles vão refletir, já devem estar fazendo isso, e qual é o melhor procedimento, qual é o melhor tempo para o Dino devolver o processo e o que fazer com o caso do Mendonça enquanto isso. Assim, vai dar muito pano para manga e para cobertura midiática ao longo dos próximos dias.

I3Igor 3K

Bom, então a gente vai voltar a falar disso aqui ao longo do Pelo menos na terça-feira que vem a gente vai ter mais, com certeza, mais assunto para falar sobre isso aí. Mas eu acho que sobre o que aconteceu hoje falamos tudo que queríamos, Felipe Moura Brasil.

FMFelipe Moura Brasil

Eu acho que falamos o básico daquilo que é realmente importante nesse momento. E é um, para fazer um apanhado geral, um comentário geral, É muito ruim que o Brasil esteja nessa situação. A perspectiva não é boa, seja o líder das pesquisas ganhando a eleição, seja o vice-líder das pesquisas ganhando a eleição, porque nenhum dos dois campos que estão na liderança zelam pela integridade no Supremo Tribunal Federal. Eles zelam para que o seu grupo político tenha uma maioria e não para, vamos dizer assim, tomar decisões alinhadas ideologicamente ou de acordo com aqueles princípios morais que são basilares para uma república, etc., mas para beneficiar o grupo e para eventualmente perseguir o outro.

Então a tendência é que ministros do STF sejam, se continue a escolher ministros do STF de baixa qualificação. E como o Senado também tá envolvido num grande escândalo de desvio de emenda parlamentar, também não é uma perspectiva boa, porque essas pessoas não querem se meter com o STF. E aí tendem a chancelar qualquer tipo de indicação de baixa qualificação, que é o que aconteceu nas últimas décadas, resultando nesse quadro. Era fundamental que a população brasileira entendesse nesse momento a necessidade de haver ética entre as suas lideranças.

Pessoas atingidas por escândalos, pessoas que faturaram direta ou indiretamente com empresários interessados no seu poder, na condição em que elas se encontram. Lula, Flávio Bolsonaro não são pessoas do mercado privado, são políticos que atuam na esfera pública. Lula é presidente, Flávio Bolsonaro é senador. Jax Wagner era líder do governo Lula até outro dia, foi atingido aí no Escândalo Master. É na condição de senador que o Flávio pediu dinheiro para o filme Dark Horse.

O interesse do Vulcano é em agradar um senador, é em agradar o membro de uma família que tem capital eleitoral e pode voltar ao poder. O Flávio sabe muito bem disso. Agora, ele tá fazendo marketing ao longo dessa campanha. Bora botar tudo aí no colo do Lula e tentar se limpar na sujeira do lulismo. É o que bolsonarismo Lulismo e alexandrismo fazem o tempo todo, um se limpando na sujeira do outro. O Lula agora, vamos ver o quanto que ele vai tentar se descolar do Moraes e o quanto que vai se mobilizar para que o Moraes seja blindado.

E vocês viram no vídeo que o Moraes em determinado momento acusou Mendonça de servir a um grupo político que tentou dar um golpe nesse país. Que que é isso? A posição do Moraes é indefensável. Ele não conseguiu explicar os fatos objetivos de uma maneira ética, clara, transparente. Então ele politiza a situação. Porque quando você aponta para o Mendonça como alguém do grupo que tentou dar um golpe, você tenta mobilizar a esquerda lulista para defender você, para acobertar a sua sujeira.

E é isso que tá acontecendo na República do Escambo. É isso que tá acontecendo em segmentos da sociedade que estão divididos em razão de lideranças populistas que atuam no nós contra eles. Se a sujeira é de um integrante desse grupo, ela tem que ser minimizada, relativizada— tô falando como essas pessoas pensam, não que eu defendo— e acobertada, porque esse grupo, em tese, elas acreditam, combate o outro lado, que na visão delas é muito mais sujo.

E aí a sujeira ela fica. O Brasil não vai se limpar dessa sujeira enquanto a população continuar escolhendo lideranças que não têm um histórico de firmeza ética, de fibra moral, e que escolhem magistrados à sua imagem e semelhança. É isso que a gente tá vendo no Brasil.

I3Igor 3K

Bom, Felipe, muito obrigado aí pela moral. Obrigado por estar presente aqui no programa mais uma vez. E bom, aproveita aí para falar para as pessoas aí como é que elas te encontram na internet.

FMFelipe Moura Brasil

Obrigado. Como vocês viram aí no vídeo, tem o meu canal youtube.com/felipemourabrasil. Já passa lá agora, olha, só botar aí no navegador ou então escrever na busca do YouTube Felipe Moura Brasil canal. Aí vai aparecer assim uma imagem da FMB TV, é como eu rebatizei o meu canal. Você clica em ver canal, aí já clica ali no botão inscrever-se para receber os conteúdos na timeline e acompanha diariamente meu programa Análise dos Fatos, que é feito lá no meu canal.

As íntegras ficam na aba Ao Vivo, os cortes na aba Vídeos. E para você ficar informado pelas redes sociais de tudo que eu tô fazendo, me segue lá no Instagram, @felipemourabrasil. Pode passar lá agora, já abre o aplicativo aí no celular. Vou repetir para quem tá abrindo: @felipemourabrasil. E no X, o antigo Twitter, é @fmourabrasil. Então, canal youtube.com/felipemourabrasil, me sigam. Muito obrigado, Igor. Pela oportunidade sempre. E tamo junto para batalhar por um Brasil melhor.

I3Igor 3K

É isso, importante, né? E assim, eu tenho um último recado aqui para você que tá assistindo a gente, que é da Hashtag. Que a Hashtag, cara, é a maior escola do mercado de trabalho da América Latina, e ela tá aqui com a gente no Flow News apoiando tudo isso que a gente tá, toda essa discussão, todo esse diálogo, e falar sobre esses assuntos que são importante, né? Bom, e a hashtag, cara, é o melhor lugar para você aí que tá pensando em, cara, como é que eu faço para— eu preciso ser promovido, para isso eu preciso de uma habilidade nova, ou quero mudar de ramo de atuação, ou quero desenvolver um hobby novo.

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