O QUE FAZ UMA DEPUTADA FEDERAL?
Flow News #068
- A fiscalização de desvios de recursos públicos como papel do deputado federalBanco Master·Dark Horse·Prefeitura de São Paulo·Mário Frias·Bia Kicis·Carlos Zambelli·Flávio Dino
- A influência do Congresso Nacional sobre o presidente da República através do orçamento secretoOrçamento secreto·Emenda parlamentar·Governo Bolsonaro·Governo Lula·Flávio Dino
- O papel do deputado federal na legislação, representação e fiscalizaçãoLegislar·Representar·Fiscalizar·Deputado estadual·Vereador
- A importância do voto para deputado federal e a necessidade de reforma políticaReforma política·Reforma administrativa·Fundo eleitoral·Corrupção
- A lentidão da justiça e a impunidade em casos de crimes eleitorais e ataques onlinePablo Marçal·Crime eleitoral·Deepfake pornográfica·Renan Santos·Machismo
- O projeto Pé de Meia e o impacto positivo na educação e economia do BrasilPé de Meia·Ensino médio·ENEM·Evasão escolar·Insper·Simone Tebet·Governo Lula
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Salve, salve, família! Bem-vindos a mais um Flow News. Eu sou o Igor e hoje eu vou conversar com a Tabata Amaral para ela ajudar a gente a entender um pouco mais sobre o que faz um deputado federal e outras coisinhas também, né? Tudo bom, Tabata?
Combinado. Oi, Igor, um prazer estar aqui. Obrigada pelo convite, pessoal. Obrigada, tô bem animada para essa conversa.
Pois é, tem um monte de coisa para a gente falar, não só sobre o papel do deputado federal, Mas também sobre Brasil de uma forma geral, né? Especialmente porque o papel de um deputado federal deveria idealmente influenciar, especialmente quando a gente vive um cenário político como que a gente tá vivendo agora, com, sei lá, com esse pequeno escândalo do Banco Master, né? Que você tem envolvida diretamente.
Aí você tá de palhaçada com a minha cara, né?
Ué, tu não denunciou?
Ó, veja, aparentemente, Igor, eu olho para os meus colegas hoje, eu falo: só eu não tinha um contato desse filho da puta? Só eu nunca salvei o número dele? Aí vem o Igor e fala: porque você tá envolvida.
Porque tu foi lá, porque eu fiz a denúncia. Não espera molhar o bico, mas fez a denúncia.
Não, fala, fala, vai lá.
Eu ia dizer que tu fez isso no papel de deputada federal.
Total. Eu vou te contar de onde começou, porque a minha denúncia foi especificamente sobre o Dark Horse. Você sabe que, enfim, fui candidata a prefeita aqui em São Paulo e hoje não tem uma fiscalização do que o Nunes faz, deixa de fazer, Tarcísio, etc. Eu sou de São Paulo, moro em São Paulo, então eu tô sempre fiscalizando tudo. E as pessoas sabem disso, que eu tenho coragem e que se vier alguém que eu conheço, foda-se, você tem coisa errada, eu vou para cima.
Foi assim que começou a chegar para mim uma denúncia que muita gente não prestou atenção, que era o quê? Prefeitura de São Paulo fez um contrato de mais de R$100 milhões como empresa queria fornecer o Wi-Fi na cidade. Contrato super estranho, não teve competição. A gente foi ver, milhares de pontos de Wi-Fi nunca foram entregues. Recebi essa denúncia, as pessoas me mandam as informações. Fiz a denúncia aqui em São Paulo, a coisa não andou.
As pessoas continuaram me procurando. Eu recebi uma segunda denúncia que era, é um conglomerado de CNPJs, é um pouco complexo. Tinha um CNPJ que deveria fazer o Wi-Fi, não fez. E aí começaram a me mostrar que um outro CNPJ ligado à mesma pessoa, Karina Gama, tinha trabalhado na campanha do deputado Mário Frias fazendo marketing e depois recebeu emenda parlamentar, que é recurso público, indicado por esse Mário Frias. Fiz outra denúncia, a coisa não andou.
Aí veio uma terceira denúncia que era que Mário Frias, Bia Kicis, Carlos Zambelli, etc., tinham destinado recurso público para financiar o filme do Bolsonaro que tava sendo feito por essa mesma pessoa. E aí eu falei, não, não tem condições, a coisa não tá andando aqui em São Paulo. Como envolveu emenda parlamentar e deputado federal, eu fiz a denúncia no STF, foi parar com Flávio Dino. E aí o negócio começou a mexer aqui em São Paulo, a polícia começou a responder.
Resultado, faz poucos dias, 49 mandados de busca e apreensão. E aí esse conglomerado fazia campanha do deputado, recebia recurso público, assinou o contrato de Wi-Fi. E aí quando vem atravessado por isso tudo Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro para o Vercaro para financiar o filme do Dark Horse do Bolsonaro. Então foi aí que veio o meu envolvimento com esse escândalo todo, só para deixar claro.
Mas aí tu tava desempenhando, vamos lá, parte do que você disse foi: eu preciso fiscalizar o que tá acontecendo porque sou de São Paulo, não sei o quê, não sei o quê. E essa fiscalização foi se desenvolvendo até tu chegar no que, no que no fim mostrou-se um escândalo gigantesco. Significa que parte do teu trabalho é ficar de olho no que exato, mas como, em que medida isso difere de um deputado estadual, por exemplo?
Então, a gente, pela Constituição, tem 3 papéis para um parlamentar, seja vereador, deputado federal, estadual: legislar, fazer lei, que é o que o povo mais conhece; representar, que é uma coisa mais ampla, que é por que que os deputados federais trabalham em Brasília, mas moram em São Paulo. Pelo menos esse é o certo, porque para representar você tem que estar vivendo naquele território. E o terceiro é fiscalizar. E aí, que que a lei traz em relação a isso?
O deputado federal fiscaliza o Executivo, o deputado estadual fiscaliza o governador, o vereador fiscaliza o prefeito. Então boa parte das denúncias que eu levo adiante, inclusive de desvio de emenda parlamentar, que foi esse caso do Mário Frias, é do governo federal. Só que por muitas razões nossos vereadores e deputados estaduais aqui de São Paulo não têm fiscalizado muito Nunes e o Tarcísio. A nossa Assembleia Legislativa geralmente diz amém para as coisas que o Tarcísio quer fazer, vide a forma como vendeu a Sabesp.
E aí quando eu, tipo, isso é puxadinho. Nada me impede legalmente, mas meu foco deveria estar todo em Brasília. Mas como as pessoas sabem que eu levo a fiscalização adiante, tem muita coisa do Tarcísio e do Nunes que acabam chegando em mim também.
Entendi. E na dinâmica de poder, Tabata, vamos lá. A gente tem visto, as pessoas não entendem muito bem como funcionam os poderes de uma forma geral. E aí uma pessoa vai dizer, não vai saber, por exemplo, o que que precisa para isso é só um exemplo, tá? Um impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal. As pessoas não vão saber por que que o Lula ou o presidente da vez consegue ou não consegue fazer as coisas em relação a, sei lá, a Câmara, né?
Como é que um deputado federal, onde é que ele se situa nessa dinâmica de poder? Vocês, vocês, em que medida, como é que funciona esse, esse peso e contrapeso.
Perfeito. Vamos separar as duas coisas porque são bem diferentes. Quem que pode impeachmentar, não sei nem se essa palavra, mas um ministro do STF? É só o Senado. Tanto que você vê que muitos candidatos ao Senado se posicionam sobre isso: se eleito for, ou se eleita for, vou votar a favor do impeachment ou não vou. Não é uma pauta dos deputados federais porque não compete a gente. Mas eu sou uma liderança pública, então eu me sinto na obrigação de me posicionar.
Tanto que tem uma série de posicionamentos meus, entrevista, rede social, que eu falo: se há indício de crime, tem que haver investigação. E aí disse isso em relação a Toffoli, Alexandre de Moraes, André Mendonça e todos que infelizmente surgiram. Só que disse isso inclusive em relação a parlamentares, Ciro Nogueira, Jax Wagner, porque infelizmente não ficou restrito a um partido. Só que essas minhas falas, elas são falas de uma liderança pública, elas têm pouco efeito legal porque não cabe a mim investigar essas pessoas, mas eu acho que eu fui eleita para representar as pessoas e eu preciso fazer parte desse coro de eu não tô punindo ninguém de antemão.
O processo judicial tá aí para pessoa se defender, mas o povo brasileiro quer respostas e merece respostas. Então, só para explicar o papel exato em relação ao poder do Congresso hoje, na minha visão, o Congresso manda mais do que o presidente da República em muita coisa. E a chave para a gente entender isso se chama orçamento secreto, emenda parlamentar.
Para descomplicar para quem tá nos acompanhando, porque é complicado, os cara não faz ideia, não sabe nem quanto dinheiro é.
Vamos assim, bem passo a passo. Comprei essa linda jaqueta, paguei imposto. Eu acho linda, espero que vocês achem também. Recebi o meu salário, eu pago imposto. Uma parte desses impostos vão para o governo federal, uma parte para o estado, outra para o município. Do que vai para o governo federal, uma parte o deputado federal e o senador diz tem que ser usado assim. E é bem específico, é vá para esse hospital. Vou falar de projetos que eu apoio para zerar a fila de reconstrução mamária para mulher que perdeu a mama porque teve um câncer.
Vá para esse projeto que dá oportunidade de esporte para quem tá na periferia. Eu só trabalho com projetos, eu trabalho com edital. É uma super responsabilidade indicar recurso público. Só que desde a época do governo Bolsonaro, o que aconteceu? Governo fraco, não conseguia dialogar, construir maioria no Congresso. O governo foi abrindo mão de cada vez mais orçamento para o Congresso. Então, antes, os parlamentares diziam: eu gostaria que fosse para esse hospital.
A lei foi mudando tanto que o Congresso capturou R$50 bilhões de recurso do nosso dinheiro, é impositivo, o Executivo é obrigado a mandar para aquilo que o deputado falou. E aí entra uma safadeza da qual eu nunca fiz parte, nunca farei, que é o orçamento secreto. Que é o quê? O deputado indica para o prefeito, para o hospital do amigo dele, e ele não quer aparecer. Gente, eu quando indico recurso para o Hospital das Clínicas, eu quero aparecer porque são causas extraordinárias.
Então, se o deputado não quer que o nome dele apareça, que ele que mandou o recurso, coisa boa não é. E aí, infelizmente, o que acontece?
Qual que é a lógica oficial? Qual que é a desculpa oficial para ser secreto?
Não tem desculpa nenhuma. Assim, tem o Flávio Dino investiga muito isso, e eu sou autora de uma das denúncias que foi para ele de dizer Essa porra é inconstitucional, gente! Como assim vai destinar recurso público sem transparência? E aí veio o governo Lula, tentou dar uma resolvida nisso, não resolveu, para ser muito sincera. Ainda existe orçamento secreto, e é isso que o Flávio Dino tá lá investigando.
O que que teve com, assim, com todo respeito, e o que que teve é por parte do— porque assim, eu lembro do Lula falando na campanha que ia acabar com orçamento secreto, não sei o quê, mas não acabou, né?
Que que teve? Foram aprovadas regras para mudar isso. Então, por exemplo, esse recurso aqui, não vou entrar nos detalhes do nome da linha orçamentária, mas esse recurso aqui tem que dizer quem é o deputado que indicou, tem que passar pela comissão, tem que ser um projeto que o governo apoia, uma política pública estruturada. Só que aí os deputados foram criando puxadinhos. Então, por exemplo, agora não tem, na teoria, né, um orçamento que não tem nome, que não tem assinatura.
Só que são líderes de vários partidos que assinam todos aqueles orçamentos e ninguém sabe qual foi o deputado que mandou. E aí, qual que é o problema? Esse orçamento secreto, gente séria como eu e muitos outros que estão lá nunca indicaram um centavo. Eu não quero colocar meu nome, não colocar meu nome, né? Eu não quero participar de uma coisa como essa. Só que muitos estão participando e estão destinando milhões, centenas de milhões de reais.
Tem deputado que indicou R$500 milhões em um ano ou mais até. E aí, gente, por que que eles são tão interessados em indicar esse recurso? Aí aí entra lambança, porque esse discurso, quando chega no hospital, na prefeitura do amigo, é desviado. E aí o deputado recebe a mala com dinheiro, aquele hospital, aquela prefeitura vai contratar gente para fazer campanha para o deputado. Eu vou jogar bem a real, eu nunca fui para uma eleição, é minha terceira disputa para deputada federal, com tanto dinheiro sujo rodando na campanha dos adversários.
Vocês estão vendo esses wind banners espalhados pelo estado todo? Isso custa caríssimo. Os nossos queridos wind banners, a gente banca com um pouquinho de recurso público, porque o nosso partido é menor e tem muita gente incrível, etc., com muita doação. Eu passo o dia pedindo pro povo doar dinheiro pra minha campanha. E a gente coloca um dia numa avenida, tira, coloca outro dia na outra. Guerrilha, assim. Campanha eleitoral é muito cara.
Esse povo que vocês estão vendo, que colocaram wind banner pela Marginal toda, pela 23 toda, que sequer tira às 10 da noite, que é a regra, Esse dinheiro, muito, uma boa parte veio do crime organizado, veio de desvio de emenda parlamentar. Então assim, as campanhas estão muito caras e ficou muito difícil competir.
Se tu, vamos dizer que você não fosse a Tabata e tivesse interesse em, nesse, nas emendas secretas, como é o processo? O que que tu teria que fazer?
Veja, eu fico tentando descobrir porque dessas reuniões eu nunca, não, eu não participo. O povo sabe que eu denuncio. Então vou ser muito sincera, eu não sei o estado da arte como é feito hoje, porque eles vão se adaptando. Mas o que eu consegui apurar, bastidores, ouvindo mesmo, é o clube do bolinha lá geralmente é homem, pessoal do Centrão se junta, decide, vai ser centenas de milhões. Não sei se vocês viram aquele papelzinho que encontraram na churrasqueira do Ciro Nogueira, que a Polícia Federal encontrou.
Era um papelzinho que tinha o nome de vários políticos e uns numerozinhos do lado. Eu não tenho como afirmar o que era, Mas eu imagino, porque eu já vi esse papeizinho circulando, que é o quê? Junta o clube do bolinha e diz, ó, 100 milhões para você, 200 milhões para você, 300 milhões para você. A gente não vai expor aqui, vai votar isso na comissão, que foi a alteração que fez para tentar acabar com orçamento secreto. Todo mundo assina, ninguém se responsabiliza.
E aí os líderes de todos os partidos estão assinando, porque assim não dá para saber que foi para aquele hospital, porque aquele deputado daquele partido, daquele estado, mandou. E aí Prova é que o orçamento secreto continua existindo, que se descobriu recentemente que o Eduardo Cunha, e que também de acordo com denúncia, Eduardo Cunha não é mais deputado, tá, tá tentando ser, mas só para deixar bem claro que ele não é deputado, porque não tem essa transparência.
O Eduardo Cunha tava dizendo como que as emendas seriam destinadas. O Valdemar da Costa Neto, como presidente do PL, de acordo com as denúncias também, tava dizendo para onde iria o recurso público. Isso é contra a lei.
Os caras simplesmente, lembrando, essas pessoas não têm mandato. Não tem mandato. Elas não deveriam.
Se isso se confirmar, isso é completamente ilegal. A única forma legal de destinar emenda é, ó, eu recebo, como eu trabalho com edital, eu recebi um projeto do Hospital São Paulo, do Hospital das Clínicas, para zerar essa fila. Eu submeto o projeto, é uma burocracia do cão para aprovar o projeto, às vezes leva um ano do jeito correto. E aí o recurso chega e eu vou lá fiscalizar para ver se chegou. Esses caras não. É tipo assim, ó, fulaninho, não vou dizer o nome porque não tem como provar, ainda tá investigando, mas o ex-deputado ou presidente X diz: manda R$200 milhões aqui para essa cidade, para essa prefeitura, para esse hospital, porque eu vou me acertar com eles e eu vou desviar uma parte.
E esse cenário, cara, é que a gente já conversou outras vezes e tu tá sempre esperançosa que as coisas vão mudar, vai chegar gente nova, não sei o quê, não sei o quê. Mas esse é um cenário que é difícil de lutar contra, não é? Dá para dizer que uma composição melhor do Congresso é o primeiro passo para melhorar isso?
Com toda certeza. Se hoje o Congresso domina uma parcela tão grande do orçamento, e assim, não tem nenhuma reforma estruturante que vai passar se o Congresso não quiser. Aprovamos reformas econômicas importantes, reforma da Previdência, reforma tributária. Agora, cadê a reforma política? Cadê a reforma de Estado? Cadê uma reforma administrativa para acabar com privilégio da elite e fortalecer a base do serviço público? Não tem esse tipo de reforma sem um Congresso.
E hoje, como o Congresso domina o dinheiro do povo sem precisar construir maioria, aprovar o governo, acabou a governabilidade. Porque antigamente, como é que construía? Certo ou errado, moralmente falando, era assim, que era o presidencialismo de coalizão, para quem estudou o assunto. O governo dizia: se vocês votarem a favor dessa reforma, eu vou levar recurso para o município de vocês. Vocês me tragam os projetos que eu vou levar.
Você pode até questionar, mas é um modelo muito melhor do que o de hoje. Porque o governo dizia: eu tenho um programa, é saúde bucal na escola X, vou levar para os municípios que os deputados que me apoiarem indicarem. Tinha programa, tinha lastro pelo menos. Hoje em dia não, é dinheiro que é desviado pura e simplesmente. Então Primeiro, eu acho o Congresso mais importante para muita coisa do que o presidente da República. Ninguém tá nem aí, Igor.
É assim, só quer saber de quem é o candidato a presidente. São 6 votos esse ano: presidente, governador, senadora 1, senadora 2, deputado estadual, deputado federal. O voto de deputado, o povo decide na hora quando não vende, pega ali o santinho. E aí a Folha mostrou alguns meses, passa acho que é tipo 3 semanas, metade não lembra em quem votou para deputado. Então é o voto mais importante, senão um dos mais. É o voto que as pessoas menos cuidam.
O Congresso, se o presidente é ruim, o Congresso segura. Se o presidente é bom, Congresso segura também. Então assim, manda demais. E aí você perguntar, tá, Bata, que reforma que o Brasil precisa? Várias: reforma educacional, reforma administrativa, reforma política. Nenhuma delas vai acontecer se a gente não fizer uma reforma e acabar de fato com as emendas do jeito que estão hoje.
Mas essa reforma, ela precisa de vontade política da da classe política, é sim. E portanto ela precisa, não vai rolar com o corpo que tá lá, porque se fosse rolar, que eles estão se beneficiando, a maioria, se fosse rolar com o corpo que tá lá, já teria rolado, né? Você tá propondo que é importante que haja um, vamos lá, quando as pessoas vão votar, elas vão votar, elas votam para o presidente no Brasil, as pessoas vão lembrar de votar primariamente no presidente, né?
O que está propondo é votar alinhado, pelo menos quando você for votar no teu presidente, você vota alinhado com o que você tá com o presidente para o deputado.
Sim, mas isso não é suficiente. Eu acho que é mais importante votar em gente séria, honesta, independente do que é isso. E aí tá bom, tá, eu quero saber como que— eu sou aqui de São Paulo e eu quero entender se eu posso confiar naquela pessoa que eu quero votar. Eu faço algumas provocações. Tem pautas que eu acho que elas separam o joio do trigo, independente de esquerda ou direita. Para mim, esquerda, direita deveria ser sobre a gente concordar ou discordar em política econômica, política educacional, política social, não corrupção.
Tivemos lá uma votação para aumentar o número de deputados. Eu acho que vale ver quem votou contra. Eu votei contra, a maioria votou a favor. Tivemos lá uma votação para aumentar o salário dos deputados, eu votei contra. Teve uma parte gigantesca que votou a favor. Houve lá uma votação para impedir que parlamentar fosse investigado na prática. Eu votei contra, a maioria votou a favor. Inúmeras votações para aumentar o fundo eleitoral.
Eu não sou contra financiamento público, mas desse tamanho, sem regra, sem transparência, eu sou contra. Eu sempre votei contra. Então assim, ai, Tabata, preguiça. Preguiça e a gente vai viver nesse país que não anda para frente. Então eu acho que olhar para o histórico da pessoa Tá, Bata, eu sou de esquerda, vote alguém de esquerda. Eu sou de centro, vote alguém de centro. Sou de direita, vote alguém de direita. Mas não abra mão do teu compromisso com combate à corrupção.
Tá bom, tá, Bata, me sinto sem opção. Cara, são 513 deputados, tem mais de 1000 candidatos aqui. Pesquise, confira, sabe? E aí eu vejo dois problemas. Um, como essa— enfim, eu ia falar bandidos, mas porque como essas pessoas que passaram 4 anos roubando estão com muito dinheiro para fazer campanha, É o wind banner deles que vocês vão ver na rua, não é o meu. É o post impulsionado deles que vocês vão ver na rede social, não é o meu.
A não ser que você dê muita sorte. Então eles estão vindo com muita força, eles vão se reeleger. E os votos que sobram vão para os deputados TikTok, deputados que as pessoas acham engraçado votar porque elas são celebridades, porque elas são engraçadas, porque elas viralizam. E aí a gente dá 1 milhão de votos para um deputado, 500 mil votos para um deputado, e a pessoa fica lá 4 anos sem fiscalizar, votando contra as pessoas, sem aprovar um projeto relevante. Aí eu sinto também que a gente não tem o direito de reclamar depois, sabe?
Meio que tem uma galera que tá vendo nessa oportunidade um emprego, né? É um jeito de, sei lá, agora eu vou ficar aqui 4 anos só com salário garantido. Um bom salário, que os caras inclusive, eles mesmos votam para aumentar o próprio salário.
Exato. E aí, gente, acho que enfim, por que que eu ainda sou esperançosa? Eu não sou, Poliana.
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E a vida não me deixa ser poliana. Semana passada tentando colocar fogo no meu comitê. Começamos por aí. Você sabe o nível de agressão que eu recebo na rede social no dia a dia. É muito difícil fazer política do jeito sério, é muito difícil, é muito desgastante. Mas também não quero ser uma coitadinha, tá? Porque eu aproveitei projetos foda. E eu com 32 anos de idade poder dizer: tem absorvente na farmácia popular gratuito, tem o pé de meia, tem o Pix pensão, tem a licença-paternidade.
Eu acho que poucas pessoas com a minha idade são tão realizadas e tem um trabalho tão maneiro como eu tenho. Mas o ponto é Tem muita gente que tá buscando esse cargo para ficar confortável e aparecer e ter um salário fixo por 4 anos e não entende a grande oportunidade que é. Só que tem muita gente que tá fazendo do limão uma limonada, que tá tirando leite de pedra e que tá fazendo acontecer. Então, como eu vejo que um pequeno grupo consegue fazer com que alguns bandidos vão para cadeia, um pequeno grupo consegue aprovar leis muito importantes, Eu vejo que tem como, tem como.
Assim, é impossível ter a trajetória e falar assim, não, não tem como. Aí eu teria ido embora já. Só que tem que trazer mais gente. E aí vem um pouco do momento que eu tô, que é, eu odeio essa ideia de salvador da pátria. A gente só se lasca com essa. O brasileiro tá sempre escolhendo quem, desde a época do Collor e de antes, tá? É porque desde o Collor aí eu acompanho. Mas assim, quem que é o salvador da pátria da vez? Eu faço uma aposta diferente.
Eu acho que o Brasil precisa de um partido sério, de um projeto de país. Beleza, Tabata, você fez o quê? Eu apoio um super deputado estadual que é o Abda Henrique, rapaz negro de periferia, foi bolsista a vida toda, tá numa prefeitura que o ex-prefeito é, que é o Ney de Embu das Artes. Já ouviu falar? O ex-prefeito foi preso com uma metralhadora na mão tentando roubar um carro-forte. A candidata a deputado federal hoje, esse é o Brasil, infelizmente.
E ele tá lá numa cidade com muito domínio do PCC e o cara é o único vereador de oposição, tem foco na educação. É assim que eu me mantenho. Eu apoio o Abidã, eu convidei a Simone Tebet, eu fiz o primeiro convite para ela vir para o PSB ser nossa candidata ao Senado, trouxe Marina Elo, Marina Bragante. É assim que eu, para eu não desistir, sabe, de virar e falar: tem gente séria e a gente tem que estar mais junto e a gente tem que avançar.
E muitas vezes eu filio pessoas que competem comigo na urna, mas que me permite virar e falar: se você votar no meu partido, você não tá votando em bandido. Você não tá votando em A para eleger um Kinder Ovo que é do crime organizado, que rouba, que não tem preparo. Então eu já falei demais, mas talvez leve uma vida toda. Se eu puder contribuir para o Brasil ter um partido forte de centro-esquerda com projeto de país no PSB, eu acho que vai ser uma boa contribuição.
Uma pergunta meio que não tem nada a ver com isso, mas tem um pouco, que é: como é que tu— eu vejo que faz parte da campanha, ou fez parte da campanha do do Lula, o Pé de Meia, que é um projeto teu, né? Como é que tu— eu queria te perguntar isso desde a primeira vez que eu vi os cara capitalizando nisso. É tudo bem? Tá tudo bem? Deixa capitalizar?
Ué, eu vou fazer o quê? Eu vou bater neles assim? Gente, primeiro eu acho um reconhecimento e depois a provocação. Eu apresentei, eu escrevi o pé de meia entre 2020 e 2021, no auge da pandemia. Ainda era governo Bolsonaro. A primeira votação do pé de meia ainda era governo Bolsonaro. E só Deus sabe o tanto que eu assim quebrei a cabeça. É porque eu aproveitei a urgência no governo Bolsonaro. Agora, é importante eu reconhecer que quando a Simone começou a defender também publicamente, quando o Lula foi eleito, é claro que meu projeto ganhou mais força.
E não é à toa que tem 5 milhões de jovens que já receberam hoje. E os dados são lindos, tá? Quer criticar, fala de dado. Aumentou a média no ENEM? Você vê, a gente saiu de quem fazia o ENEM, né, terminou o ensino médio, era um pouco mais de 50%, hoje é mais de 90%. Muita gente que não consideraria fazer o vestibular tá fazendo e a média aumentou. Caiu drasticamente a evasão escolar. E o Insper, que é uma super escola de negócios, e vários economistas publicaram um estudo mostrando que para cada R$1 que a gente coloca no pé de meia, o Brasil recebe 15 de volta.
Sabe por quê? Eu já falei isso várias vezes aqui no Flow, porque terminar o ensino médio aumenta a expectativa de vida em 4 anos, reduz a chance de você cometer um crime. Isso é o tanto que vale a pena investir na educação. Então digo isso para dizer que se não fosse o governo Lula, talvez o projeto não teria realmente sido aprovado com a rapidez que foi. Eu não teria desistido. Aprovado eventualmente ele teria, e não teria a força que tem.
Só que a máquina de comunicação do governo é gigantesca e é um projeto muito exitoso. Então todo mundo quer ser pai e mãe do pé de meia. E aí eu aqui com a minha rede social fico dizendo: beleza, defendam o pé de meia, mas quem criou fui eu. Faz parte do jogo, vou fazer o quê? Eu acabei de aprovar o Pix Pensão, que vai fazer com que as mães que não estão recebendo a pensão alimentícia, vai ser um desconto automático que o Banco Central vai fazer da conta do pai que tá devendo para conta da mãe.
Porque tem muito pai que tá preferindo ser preso do que ser responsável como pai. E aí muita gente começou a dizer que o Pix Pensão é do governo, que sendo que eu escrevi assim, na verdade eu recebi de uma servidora do Banco Central, Luísa Rodrigues, mulher incrível, super inteligente. A gente travou essa batalha, sou autora, aprovamos. Mas aí também eu vou ficar brigando por paternidade e maternidade de projeto? Quem me acompanha sabe que foi eu que criei, tá tudo bem.
Mas eu fico brava também, tanto que eu falo, né? Se perguntar, eu falo, ó, quem criou fui eu. Mas é do jogo, é da vida.
É bom, saiba que tem algumas coisas que acabam ficando, as pessoas reconhecem por algumas coisas, como por exemplo autora de uns processos que impediram Pablo Marçal inclusive de ser candidato a morar esse ano.
Total. E aí vale dizer, tá, para os fanzinhos do Marçal que vive atormentando minha vida e mexendo a paciência: Marçal cometeu crime eleitoral, simples assim. Tá, bota aqui crime eleitoral, veja o processo. Foram anos de julgamento, alguns ainda estão transcorrendo. Crimes eleitorais do tipo fazer um campeonato de corte e oferecer dinheiro vivo para quem apoiasse ele. Isso chama caixa 2, gente, não é a Tabata que tá dizendo. Então Eu tinha muitas denúncias em relação ao Pablo Marçal e elas não tinham a ver com ideologia.
Eu tinha grandes discordâncias ideológicas, mas crime a gente denuncia. E esses processos foram transcorrendo, ele ficou inelegível. Ele tentou ser candidato à presidência da República procurando sabe-se Deus o quê, porque ele sabia que ele não ia conseguir ser. E aí eu entrei com mais um processo dizendo: esse cara tá inelegível, ele não pode ser candidato, ele tá querendo tumultuar. E aí veio a decisão, a resposta a essa ação que eu fiz.
E ele não é mais candidato. E aí as pessoas ficam bravinhas comigo. Só que assim, tem regra, sabe? Tem regra, tem que seguir.
Tu acha que as regras, elas estão, elas precisam de algum tipo de revisão, Tabata? Existem novos campos de batalha, eu vou chamar, como a internet, né? E eu sei que as regras, elas estão, elas abrangem em alguma medida a internet. Mas de forma meio postiça, vou dizer, né? Porque quando elas foram pensadas ainda não existia tudo que o Flow, por exemplo, né? Então o que que tu pensa? É que essas regras para mudar é complicadíssimo, né?
Eu acho que sim, as regras têm que ser atualizadas. Eu vou dar um exemplo de uma decisão que eu acho que é muito equivocada. O Tribunal Eleitoral Superior decidiu que páginas de candidatos não podem ser— quem não segue o candidato não pode ver o conteúdo, mesmo que o conteúdo seja incrível. E aí se você entrar agora na rede social e digitar Tabata Amaral SP, você não vai achar a minha página. E eu me chamo Tabata, tem pouquíssimas figuras públicas que se chamam Tabata, não aparece.
Se você digitar Lula, não aparece. Sei lá, Flávio Bolsonaro, nunca tentei digitar, mas não deve aparecer também. Essa eu acho que é uma regra ruim, eu acho que é uma regra que criminaliza a política. Porque veja, eu não desviei emenda parlamentar, eu não trabalho com Caixa 2, nunca recebi um centavo do crime organizado. Eu dependo que as pessoas vejam meu conteúdo na rede social E meu conteúdo não tá chegando. Agora a bandidagem tá comprando voto e fazendo tudo.
Então essa é uma regra que eu acho que ela não condiz com os tempos atuais. Agora eu respeito a regra. Veio a regra do Tribunal Eleitoral, eu declarei todas as minhas páginas, me lasquei, mas é a regra, eu vou seguir. Agora o que mais me preocupa é a justiça não ter celeridade. Em época de rede social, a decisão tem que vir rápido. Eu vou te trazer um exemplo que você conhece, mas que eu acho que escancara. Na campanha pela Prefeitura de São Paulo, o Marçal deu uma entrevista dizendo que meu pai se matou por minha culpa.
Ele inventou uma mentira nojenta, você sabe disso, dizendo que eu viajei para os Estados Unidos, eu nunca tinha pisado nos Estados Unidos, que eu abandonei meu pai e que meu pai cometeu suicídio por isso. Isso foi de uma safadeza com todo mundo que já perdeu alguém por conta de um transtorno mental, assim, de uma irresponsabilidade com o assunto. E esse vídeo viralizou, milhões, milhões de brasileiros viram isso, e a imprensa desmentiu ele, e eu desmenti ele.
Só que o meu vídeo não teve 1% do alcance que ele teve. Eu trago exemplo para vocês porque se passaram 2 anos e o Pablo Marçal não foi condenado pelo que ele falou. Não foi condenado. Todo assim, os votos que eu perdi por conta dessa mentira, o tanto de gente que descobriu que eu existia por conta dessa mentira, esse dano nunca vai ser desfeito. Mas passar 2 anos e o cara não ser condenado é dizer: fale a merda que for que você vai ficar impune.
Outro exemplo: eu tive que lidar com muita deepfake pornográfica que fizeram com meu rosto. Só que 2 anos atrás, Igor, ainda era tosco a IA. Era uma grande agressão, é muito humilhante você ver um vídeo pornográfico com IA feito com seu rosto. E até hoje o Twitter se recusou a derrubar os vídeos, e até hoje ninguém foi punido. Ninguém tem o direito de pegar um rosto de uma mulher e humilhar ela dessa forma e tentar descredibilizar ela.
Se fizerem um vídeo hoje, vai ser muito mais difícil ver que é mentira. Então tem regra que eu acho que é estúpida, tem regra que tá desatualizada, mas o que mais me preocupa é quão devagar é a justiça. E notem, até assim trazendo um outro assunto polêmico, eu tô há 8 anos ouvindo merda do Renan Santos. Ele não tinha a minha, o meu nome da boca dele. Quem quiser, veja os vídeos que eu publiquei, porque eu estou há 8 anos ouvindo todo tipo de merda daqueles caras que não tem o que fazer porque se incomodam com a minha presença.
Eu nunca processei o Renan Santos, nunca. O que eu tô falando de Marçal, o que eu tô falando de vídeo pornográfico, é crime, tá muito claro, não é questão de opinião. Nunca processei o Renan. Fiz um vídeo, eu me dei ao trabalho de comprar aquela porcaria daquele livro amarelo, que é o plano de governo dele, para mostrar para as pessoas o que o Renan Santos defendia, porque ele defende acabar com o voto universal e acabar com o voto das mulheres.
Seria um voto por família. Eu fiz um vídeo mostrando isso com livro, com prova, com como sempre eu faço. Que que o Renan Santos fez? Tá me processando. É só para a gente ver como são dois pesos e duas medidas, né? Quando eu processo alguém, não é porque a pessoa me chamou de chata, feia ou psicopata, ou todos os nomes que ele usa para falar de mim. É porque a pessoa disse que ia me matar, disse que ia me estuprar. Mas ele não.
Ele se diz a favor da liberdade de expressão, e quando eu mostro para as pessoas o que tá no plano de governo dele, que é extremamente radical, ele me processa. E aí talvez a justiça seja mais rápida em responder. Eu espero que eu ganhe esse processo, porque eu não fiz nada de errado, mas eu acho que vão responder mais rápido a isso do que responderam aos casos de 2 anos atrás.
E isso se dá, tu acha, por conta de quê?
Eu acho que tem várias coisas. Mas tem uma coisa que é do machismo mesmo, e muita gente não quer que eu fale isso porque acha que machismo não existe, que é mimimi, que é frescura. E só para deixar claro, assim, eu não tenho medo de ninguém, não baixo cabeça de ninguém, não uso o fato de ser mulher para nada. Eu quero ser conhecida pelos projetos que eu entrego, pelas denúncias que eu faço, pela independência que eu mantenho de conseguir seguir o caminho e não ter cegueira para um lado nem para o outro.
Agora, eu não vejo meus colegas homens recebendo os comentários que eu recebo sobre a minha aparência, a minha vida pessoal e o meu casamento. Eu não vejo meus colegas homens recebendo o tipo de agressão, inclusive de ameaça de agressão sexual, que eu recebo. Eu não vejo meus colegas homens tendo que lidar com coisas que eu lido, do tipo tá numa agenda e um cara mentidão machão dizer que vai me dar uma voadora e meus amigos terem que segurar ele.
Isso aconteceu em Ribeirão Preto. Então assim, são coisas que eu digo para dizer: vou baixar a cabeça, vou me vitimizar? De jeito nenhum, porque é isso que eles querem. Mas desculpa, gente, vocês podem gostar ou não, não é a mesma coisa para homem e mulher. Mulher tem que ser muito melhor para sobreviver, mulher tem que ser muito mais cascadura para ficar, e qualquer discordância mínima que tem em relação a gente, a reação é muito, muito violenta.
Nunca é sobre nossas ideias, sempre é sobre o corpo, sempre é sobre a vida pessoal. O tanto de vídeo que o Renan e o MBL gravou sobre o meu casamento! Aquele Pavanato gravou um vídeo falando do meu vestido de noiva e do meu marido, e ele foi super zoado. Ele falou, você tá com inveja do quê? É da Tabata? É do vestido dela? Do casamento dela? Do marido dela? Por que que um vereador de São Paulo grava um vídeo falando do meu casamento, do meu vestido de noiva?
Das minhas, das minhas. Só que é isso, as pessoas vão muito para o pessoal com mulher, muito tempo todo.
Mudando um pouco de assunto, olhando para as eleições que estão chegando, a gente tava conversando um pouco antes aqui de começar sobre mais sobre o cenário para os presidentes, né? E a gente tá vendo um cenário que eu concordo contigo, que eu acho que é o último, é o último ciclo que a gente vai ver essa o bolsonarismo contra o petismo, né? Espero, cara. Mas esse, esse é uma, essa é uma eleição que a gente tem, que ela é curiosa em vários pontos.
Mas ela, eu não vou nem falar dos escândalos, mas ela falando só dos candidatos, a gente tem, a gente tem um candidato muito forte de situação inclusive, que é o Lula, mais a esquerda, e o resto todos que tem algum destaque, né, que aparece nas pesquisas, tá mais para direita, né? Isso é um sintoma de alguma coisa, Tabata? Eu acho que isso é o Lula travando as possibilidades mais à esquerda, porque da mesma forma que eu acho que o Bolsonaro fez uma escolha ao escolher o Flávio como seu representante, né, nas eleições, quando na minha opinião e na de vários outros analistas talvez fosse melhor que o Tarcísio fosse o candidato.
A escolha aqui é uma, é uma escolha de manutenção de capital político, né, da família Bolsonaro. Que vai que Tarcísio faz um, é eleito, faz um bom trabalho, né. E o Lula, ele não me, isso aqui é total suposição, mas não me parece ter tido ao longo do tempo a vontade. Eu sei que um líder não faz um líder, eles surgem, mas dá para você dar uma esmagada neles, né, à medida que eles forem. Porque, porra, durante todo esse tempo, será que nunca teve alguém, alguém capaz de carregar uma bandeira parecida?
Mas eu acho que é por isso que a gente não tem um outro candidato forte mais à esquerda, porque foram esmagados.
Eu posso dar uma resposta conjuntural e aí depois uma mais de contexto, que aí na de contexto eu tendo a concordar mais do que na conjuntural. O mundo tá virando à direita.
E se isso já passou essa fase?
Não, porque agora os UOL que estão perdendo a força, a gente olha América Latina e o mundo. E se essa frase fosse só isso, o mundo tá virando à direita, o mundo vai ser mais liberal, o mundo vai prezar mais pelo desenvolvimento econômico, etc. Eu até poderia discordar dos caminhos, mas eu não teria a preocupação que eu tenho, porque não é que o mundo tá virando à direita na pauta econômica. O mundo tá virando à direita de uma forma radicalizada, tanto que essa nova direita que Flávio Bolsonaro e Renan Santos, de uma forma muito bizonha, tentam representar, os dois no mesmo bolo.
São radicais do mesmo jeito e tem pouco apreço por quem pensa diferente, do mesmo jeito, e atacam mulheres. Renan mais, mas atacam mulheres também. Você vê que esses projetos não são projetos econômicos, não são projetos de simplificar a economia, talvez de reduzir tributos, de abrir mercados, mercados, perdão. São projetos em torno de temas culturais. Que muitas vezes atacam a liberdade das mulheres, das pessoas LGBT, e por aí vai.
Então não é que o mundo tá fazendo uma virada à direita do ponto de vista econômico, que poderia até gerar mais competição de ideias. O mundo tá fazendo uma virada mais autoritária, mais radical, e essa me preocupa porque eu nasci mulher, porque eu nasci pobre, porque a gente lutou muito para poder ter voz, estudar, ter oportunidade. Então acho que esse é um ponto. Então, nesse contexto de uma radicalizada à extrema-direita, naturalmente não acho— tem mais gente, mas eu não vejo nenhum espaço no Brasil de hoje para duas candidaturas de esquerda.
Entendi.
Não tem espaço, não tem voto. Esse é o momento conjuntural. E eu acho que essa é a leitura inclusive do meu partido. O PSB não concorda em tudo com o PT. A gente tem uma visão econômica mais de centro. A gente tem uma pegada de segurança muito mais forte do que o PT. Você pega o Espírito Santo, é governado pelo PSB, tem um dos melhores resultados de segurança pública do Brasil e também educação. O que o Eduardo Campos, que era o nosso candidato a presidente da República, uma pegada fortíssima de gestão e segurança e educação.
Então o PSB é um partido mais de centro mesmo. Só que a leitura que a gente faz é: não tem espaço para uma candidatura de centro-esquerda. E não tem espaço para outra candidatura que não a do Lula para derrotar esse radicalismo que a gente tá vendo. Isso de agora, tá bom, entendi que agora 2026. Agora, se a gente olha para os últimos anos, sim, os partidos de forma geral não se renovaram. PSDB se acabou, se acabou porque não se renovou.
O PT, não posso dizer isso. O PT é o partido mais forte que a gente tem no Brasil hoje, junto com o PL. Agora, o PT também tem muita dificuldade de apresentar quadros novos. Essa é uma coisa que o PSOL, que tem uma visão bem mais à esquerda, faz, porque o PT não faz. Então os quadros novos geralmente estão surgindo no PSOL. Agora, esse é um problema do PT, esse é um problema do PSOL, que eu no máximo posso observar de longe. O que a gente tá tentando fazer no PSB é escrever uma história diferente, criar uma alternativa.
Você pega a eleição do João a prefeito lá em Recife, a minha campanha aqui em São Paulo, O João foi eleito o maior, assim, o mais jovem, maior avaliação dos prefeitos de capital, maior reeleição da história de Recife. Mas ele fez isso em boa parte sem o apoio do PT, porque para alguns setores da esquerda o João é uma ameaça. Eu aqui em São Paulo não tive nenhum apoio do PT, e se você olhava para pesquisa, eu tinha chances reais de vencer todo mundo no segundo turno.
A gente sabia pelas pesquisas que o Boulos provavelmente perderia de todo mundo no segundo turno, mas a esquerda, uma parte dela fez uma escolha de não vou abrir mão, até porque eu não quero competição, ao invés de pensar como é que a gente coloca um projeto diferente em São Paulo. Então tudo isso para dizer, com muito respeito aos demais partidos, porque esse diálogo acontece sempre, e o PSB hoje apoia o PT, mas que eu vejo nos próximos anos o PSB trilhando o seu próprio caminho.
E quadros para isso a gente tem, de um Alckmin a uma Simone Tebet, a essa turma mais jovem, eu, João Abidã, Caio França. Tem uma turma chegando.
E aí, só para a gente, já estamos chegando no final, mas tu falou, tá dizendo que o teu partido é um partido de centro-esquerda. Isso pode confundir quem tá ouvindo a gente. E ela, ela é do Centrão. Qual que é a grande diferença aí, Tabata?
O nosso projeto de país não está em torno de um projeto de poder dinheirista. Eu acho que essa é a grande diferença. Ao votar em alguém do PSB, somos diferentes, e isso é normal em qualquer partido, qualquer grupo de seres humanos. Mas você pode esperar um compromisso com o social, um olhar para segurança pública, que é o que faz a gente se diferenciar na esquerda, uma visão econômica de responsabilidade fiscal mais de centro.
Ao votar em alguém do Centrão, Kinder Ovo. O que aquela pessoa pensa para o social, para economia? Não sabemos, mas a gente sabe que aquela figura provavelmente vai apoiar o poder de plantão, seja ele no Executivo, seja ele no Congresso. O poder de plantão hoje não está mais no Executivo, o poder hoje está no Congresso. Por isso que esse centrão nem apoia mais o Executivo. Essa é a verdade. Mas apoia o Congresso, pelo menos a liderança do Congresso, os mais poderosos lá.
É bom, tá, muito obrigado pela moral. A gente, a gente ainda vai gravar mais uma outra coisinha, mas para essa live aqui é isso. E eu vou também falar para vocês aqui que estão assistindo dos nossos parceiros de hoje, cara, começando pela Insider, que é quem faz essa camisa que eu tô usando. E o papo é o seguinte, cara, você já me ouviu falar de Insider um monte de vezes aí como produto é excelente, faz isso, faz aquilo. Mas hoje a conversa é a seguinte, cara, é isso aqui que tá acontecendo hoje, é, nós consideramos, nós do Flow e a Insider, muito importante.
E o que que a gente tá fazendo hoje? A gente tá promovendo as ideias, a gente tá, eu tô conversando com a Tabata, que tem uma visão de mundo, e a gente vai trazer não só essa visão, mas outras visões também para compor um conteúdo que pretende te educar em como funcionar melhor e navegar melhor esse mundo da política, tá? Especialmente que estão chegando as eleições aí, e a Insider junto com o Flow apoia demais a existência desse tipo de conversa.
Então obrigado, Insider, pela moral, porque a gente precisa de uns parceiros para fazer isso aqui acontecer, né? Bom, outro parceiro que tá com a gente aqui é Hashtag Treinamentos, cara, que é a maior escola de tecnologia do Brasil, cara. E eu não tô falando para você aqui de um cursinho de IA ou de um cursinho que, sei lá, qualquer coisinha aí. Eu tô falando de algo que realmente tem o potencial de te ajudar, porque a hashtag tá ensinando pessoas na internet há muito tempo.
Se você entrar aí no canal do YouTube e procurar hashtag, você vai ver que eles têm um canal com bastante conteúdo gratuito há muito tempo. E tem também, cara, é a chave para você ser promovido ou para você encontrar um novo um novo ramo de trabalho ou até desenvolver um hobby, porque lá você pode aprender Power BI, inteligência artificial, como usar para valer inteligência artificial, Excel, e por aí vai. Tudo que tem a ver com mercado de trabalho você vai encontrar lá.
E outra, juntando no pacote que tem todos os cursos da hashtag treinamentos, a gente fez uma parceria que vai te dar R$500 de desconto. Entra lá, tem aqui o QR code, usa o cupom FLOW que você vai ganhar R$500 de desconto na assinatura anual de todos os cursos da hashtag, tá? Não perde tempo não, vai lá investir em você mesmo. E para finalizar essa live aqui, todos os conteúdos que têm a ver com educação política e com política em geral estarão disponíveis também lá no Kawaii, tá?
Então se você gosta de assistir em vídeo curto, você vai estar, vai estar disponível para você lá também, tá bom? Então obrigado todo mundo aí que tá com a gente. Tá, tá, mais uma vez obrigado pela moral, obrigado pelo teu tempo. Bom, e essa aqui, se quiser pedir para as pessoas te seguirem, essa é tua câmera.
Perfeito, gente, não vamos desanimar não, tá? Essa história de que ninguém presta, que não vale a pena, é muito conveniente para tal turma do Centrão que a gente tava conversando. Convido vocês a conhecerem meus projetos: pé de meia, Pix pensão, distribuição gratuita de absorventes. Na rede social é Tabata Amaral SP. E meu número para urna, o voto para deputado federal é o primeiro, é 4040. Muito obrigada, tamo junto e até a próxima!
Valeu, Tabata! Vocês aí, muito obrigado. Deixa aqui no comentário fixado as redes da Tabata. E fica esperto que mais tarde tem outro flow, tá bom? Beijo, tchau!
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