O QUE FAZ UM DEPUTADO ESTADUAL?
Flow News #066
- As principais atribuições de um deputado estadual e sua importância para a populaçãolegislar·representar a população·fiscalizar o Poder Executivo
- A destruição da educação pública no Estado de São Paulo pelo governo Tarcísio de FreitasRenato Feder·plataformas digitais·demissão de professores·Tarcísio de Freitas
- O processo de aprovação de leis e a influência do governador na Assembleia Legislativaprivatização da Sabesp·Tarcísio de Freitas·Assembleia Legislativa·Palácio dos Bandeirantes
- Críticas às emendas parlamentares e o desvio de função do Poder Legislativocorrupção·propina·orçamento secreto
- O papel da oposição na Assembleia Legislativa e a importância da mobilização popularobstrução·CPI da máfia da merenda escolar·Ministério Público
- A rotina de um deputado estadual e a atuação em diversas áreas além da educaçãoserviços públicos·educação pública·saúde pública·segurança pública
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Bem-vindos a mais um Flow News. Eu sou o Igor e hoje eu vou conversar com deputado estadual Carlos Gianazzi, porque a gente vai falar o que, sobre o que é ser e o que faz, já que estamos chegando nas eleições, um deputado estadual, né? Obrigado por vir aí, Carlos.
Como é que você tá? Agradeço, Igor, um prazer enorme. De se conhecer aqui pessoalmente e participar do seu programa.
Já estamos conversando um pouco aqui antes de começar, especialmente porque é durante esse programa a gente vai mesmo falar, bom, tá chegando as eleições e eu acho que o povo não sabe direito nem o que fazem cada função, cada, vamos lá, cada espaço, cada função mesmo que cada candidato tá buscando. Eu não sei se essa população conhece a função de cada um, o que que eles fazem para valer. E tu é um deputado estadual que tem experiência, vasta experiência política, né?
Então tu tava me contando aqui que tu tava lá na fundação do PT, né? Tu tava também falando sobre como foi o movimento para que agora tu participa do PSOL, da fundação PSOL também. E bom, deputado estadual várias vezes, tá no 5º mandato.
Já fui vereador duas vezes na capital e agora Tô no 5º mandato de deputado estadual aqui em São Paulo. Bom, mas era diretor de escola, professor da rede pública, rede municipal, rede estadual, professor universitário, expulso do PT, né?
Um monte de coisa, vasta experiência política no fim das contas. E aí, cara, bom, se você era vereador e tudo, primeira, primeiramente, tu era vereador e pula para deputado estadual, é porque as funções são diferentes. Para começar, não é um salário maior que tu tava procurando.
Não, não era, não era. Até porque ser vereador na cidade de São Paulo, que é a maior cidade da América Latina, é talvez mais interessante do ponto de vista de estrutura, né, do que ser deputado estadual. Então não era mais interessante ser deputado estadual.
Por que que tu escolheu mudar de função?
Não, porque daí eu fui, na verdade eu já vinha de uma experiência de enfrentamento em defesa da educação pública em São Paulo, na rede municipal, mas foi uma uma forma de ampliar o meu trabalho, porque eu trabalho muito com a rede pública de ensino, em defesa dos profissionais da educação, né, que é o meu foco central. É porque nós só vamos melhorar a educação pública melhorando as condições de trabalho e salariais e funcionais de quem trabalha com ela, que são os professores e todos os profissionais da educação.
Então era para ampliar esse trabalho que eu já vinha fazendo na cidade de São Paulo. Aí ampliando para rede estadual, para as universidades públicas, para USP, para UNESP, para Unicamp, para as ETECs, para as FATECs. Então, e os outros municípios também do estado de São Paulo. Então foi, nós ampliamos a luta, era para ampliar a luta em defesa da educação pública, da creche até a universidade, até a pós-graduação.
E qual que, então tá, qual que você diria que é a atribuição principal, mais básica de um deputado estadual?
É, não tem uma base, são 3 que eu quero colocar aqui para você. A primeira é legislar, logicamente, né? O deputado, ele tem a função de, o papel de apresentar projetos de lei, ele debate esses projetos de lei e ele aprova também os projetos que chegam do governo, do Ministério Público, do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas, da Defensoria Pública, e se houver algum projeto de iniciativa popular legislativamente. Então ele, a função legislativa, ela é fundamental, logicamente.
Mas não é só isso, todo mundo, ele só aprova leis, o deputado. Não, ele tem outras funções importantes. Eu destaco entre elas duas outras. A primeira é representar a população, ser a voz, levar as demandas sociais, as demandas do povo, as necessidades da população para o Poder Executivo. Por exemplo, tem que construir uma escola numa região que não tem escola pública, Então o deputado tem que levar essa demanda e pressionar o governo a construir escola, construir o posto de saúde, né?
Se há algum, precisa de segurança pública numa região, então o deputado pressiona o Poder Executivo. Então ele é voz, ele é representante. E a terceira função importantíssima é fiscalizar o Poder Executivo, né? Quando se tem caso de corrupção, pagamento de propina, se tem irregularidades, aí a função do deputado denunciar, cobrar. Ele tem que acionar o Ministério Ministério Público, ele tem que acionar o Tribunal de Contas, o Tribunal de Justiça, a Defensoria Pública, convocar o secretário para depor na Assembleia Legislativa, propor CPI para fazer investigação, acionar a Polícia Civil, a Polícia Federal.
Ele tem que ter essa função independentemente de ser ou não da base do governo. Ele tem que ser coerente, ele, porque o deputado ele é eleito pela população, não é eleito pelo governo. Ele tem que fiscalizar o governo. Se tem uma região que o hospital não tá funcionando, tem irregularidade, tem que fiscalizar, acionar o secretário da Saúde. Enfim, o poder de fiscalização, a função de fiscalizar é fundamental num mandato parlamentar. Se ele não fiscaliza, tem alguma coisa errada com ele, né?
Um deputado, então, um deputado estadual, ele, como é que ele compõe? Como é que os deputados estaduais compõem a estrutura de poder do Estado. Vamos lá, é um governador, ele propõe uma lei, e como é que ele não pode só fazê-la valer, não é?
Ele precisa aprovar. Por exemplo, vamos pegar um exemplo prático: a privatização da Sabesp, da água, que o governador Tarcísio aprovou, infelizmente, na Assembleia Legislativa. Eu votei com ele, mandou um projeto de lei para Assembleia Legislativa E ele conseguiu aprovar, né? Como que ele aprovou? Porque ele tem maioria na Assembleia Legislativa. Ele cooptou, de uma certa forma, os deputados. Ele tem os deputados da base, né, que são, compõem a base dele, os partidos ligados a ele.
Distribui cargos no governo, secretarias, né, emendas parlamentares a mais do que previsto em lei, que são as famosas as secretas, né, as famosas. Tem as impositivas, que são as de lei, que todo deputado tem direito, que eu sou totalmente contra. Acho que deputado nunca deveria apresentar emenda parlamentar, não é papel dele. Elas existem do ponto de vista legal. E tem aquelas que são voluntárias. Nas voluntárias cabe qualquer coisa.
Então os deputados da base do governo, muitas vezes não concordando com o projeto, eles votam a favor porque senão eles vão perder emendas, perdem os cargos na secretaria, são punidos pelo governo, né? Então ele apresentou o projeto e ele aprovou o projeto de lei. Aí, após aprovação do projeto, eu votei contra, quero registrar aqui, é lógico, jamais votaria a favor de uma privatização da Sabesp, da água, ainda mais numa crise climática que a gente tá vivendo, crise hídrica no Estado de São Paulo.
Enfim, o projeto é aprovado, aí ele tem que sancionar ou vetar o projeto. Ele pode vetar trechos do projeto, nós, os deputados, podem apresentar emendas ao projeto. Podemos alterar partes desse projeto, retirando artigos ou incluindo outros artigos. E ele, após aprovação, ele pode vetar o projeto inteiro, ele pode sancionar o projeto inteiro, ele pode vetar partes. Por exemplo, se eu conseguir aprovar uma emenda nesse projeto, mas ele não gostou, ele pode vetar só o meu artigo.
Então daí vira lei. Aí virou lei. A única forma de revogar, de anular essa lei, é através de uma ação na justiça, ou no Tribunal de Justiça ou no Supremo Tribunal Federal, de uma ação direta de inconstitucionalidade, entendeu? Então é assim que funciona a aprovação de uma lei, né, do governador.
Os deputados, no seu dia a dia, o que, como é a rotina de um deputado, cara? Ele acorda e faz o quê?
Olha, aí depende muito do do papel de cada um deles. Eu falo no meu caso, né, eu trabalho muito com os serviços públicos, né, com educação em primeiro lugar, que é a minha atuação maior, porque eu sou, eu sou, fui diretor de escola, professor da rede estadual, professor da rede municipal e professor universitário. Então o meu foco central é sempre a educação, mas acompanho a área da saúde, do SUS, da segurança pública, da assistência social.
Então o que eu faço Pela manhã, né, antes de ir para Assembleia Legislativa, Assembleia Legislativa começa a ter sessão às 14 horas. Então pela manhã normalmente eu visito escolas, hospitais públicos, delegacias de polícia, me reúno com a população, depois vou para Assembleia Legislativa, participo das sessões, pequeno expediente, grande expediente, nas votações quando elas existem, não é sempre que tem votação, das comissões, sobretudo da Comissão de Educação, da qual faço parte.
Existem as comissões paralelas ao plenário, né, elas não funcionam no mesmo horário. Então participo da Comissão de Educação, a qual sou membro titular já desde 2007, quando eu fui eleito no primeiro mandato, né? E depois, à noite, eu volto a ter outras atividades. Às vezes realizo audiências públicas na Assembleia Legislativa, às vezes realizo em outras regiões do estado, às vezes vou para o interior fazer reuniões com professores, com comunidades, com movimentos sociais.
Esse é o meu caso. Agora depende muito de cada, como que cada deputado atua, né?
Cada deputado Tudo isso tu falou na intenção de suprir aqueles pilares que você falou no começo, né?
Quando tu vai propor uma audiência pública em algum lugar, é para ouvir demanda, é para isso, para receber demanda e depois levar para o Estado ou propor um projeto de lei. Eu posso, por exemplo, olha, fiz uma reunião, audiência pública, e dessa audiência pública surge uma proposta de apresentar um projeto de lei, né, para um determinado fim. Então isso acontece, ou fazer um encaminhamento ao Ministério Público, uma denúncia. Eu ouço lá, ó, fizemos uma audiência pública outro dia, por exemplo, fiz uma audiência pública com servidores do Ministério Público Estadual, pessoas, não os promotores, procuradores, e eles estavam denunciando assédio moral, que dentro do Ministério Público tinha assédio moral.
E aí nós realizamos uma audiência pública e no final a proposta foi elaborar um projeto de lei proibindo o assédio moral nos serviços contra os servidores públicos do Estado de São Paulo. Então eu tenho um projeto lá tramitando por conta dessa audiência pública. Você ouve e propõe, né? Você é a voz da população, para isso que serve também uma audiência pública.
Esse, você tava falando antes aí sobre as emendas, sobre o dinheiro que tu fala que não deveria, não deveria ter na tua opinião.
Eu sou contra, né?
Mas existem, né?
Esse dinheiro, como é que como é que funciona?
Como é que um deputado estadual destina esses recursos?
Ele destina normalmente para as prefeituras 50% do valor dessas emendas. No Estado de São Paulo, por lei, tá na lei, né, cada deputado tem direito de destinar aproximadamente, eu acho que entre R$10 e R$11 milhões. Ele pode, mas obrigatoriamente 50% para área da saúde, para hospitais públicos, Santas Casas, hospitais regionais. Então ele destina, né, conforme a demanda de cada região. O restante ele pode destinar para ONGs, associações sem fins lucrativos, que tem um trabalho social, que sejam, que tenham CNPJ, que tem um cadastro no estado, que se, né.
Então ele pode destinar para projetos sociais, culturais e educacionais, o restante, né, 50% desse valor. Aí tem uma fiscalização em cima disso do Tribunal de Contas. A entidade que recebe, seja uma prefeitura, seja uma ONG, ela tem que prestar contas ao Estado, não é mais com Assembleia Legislativa, né? Assembleia Legislativa apenas, deputado apenas aponta no orçamento. Quando é aprovado o orçamento no final do ano, ele apresenta uma emenda destinando lá, sei lá, R$500 mil para Prefeitura de Apiaí, um dinheiro para saúde, para equipar o hospital lá em Apiaí ou em Ribeirão Preto.
Depois o resto é com a Secretaria da Saúde que vai, né, negociar, vai liberar a verba para prefeitura, e a prefeitura presta contas para Secretaria da Saúde. É assim que funciona.
Por que que tu acha que não deveria existir isso?
Porque não é função. Acho que, por exemplo, a Secretaria da Saúde ela tem que ter uma relação direta com as prefeituras, com os prefeitos, com os secretários municipais de educação, e ela que vai fazer o planejamento. Então, se um prefeito precisa de uma verba, ele pede direto para secretaria, não precisa de um despachante, um intermediário. O deputado vira despachante disso, não é papel dele. Como eu disse, ele tem que legislar, fiscalizar, ser a voz da população, não é?
Ele não tem que ficar destinando emendas. Então, e aí, aí vira, daí tudo pode acontecer, né? Por isso que tem muita corrupção, tem muita propina, superfaturamento dessas emendas lá na base, né? Então tem várias denúncias, né, da máfia das emendas. Então isso é um perigo também, além de ser um desvio da função do Poder Legislativo. Aí a gente, pela mídia, você tem várias denúncias em várias regiões do Brasil, ainda mais agora com o famoso orçamento secreto, né?
Que é inviável você ter R$60 bilhões do orçamento federal né, para os deputados usarem como emendas, porque daí não tem planejamento, nada, cada um vai, manda para onde quer, entendeu? Eu acho perigoso isso demais.
Acho perigoso é pouco, inclusive. Estava falando sobre, falando um pouco ainda sobre essa grana aí. Ô Carlos, mas aí se não tiver as emendas, como é que, como é que vai governar então?
Como é que o deputado não pode ficar dependendo de emenda parlamentar, né?
Ele tem governador, por exemplo, ou sei lá, o Executivo vai ter as rédeas dos deputados se não tem o dinheiro?
Primeiro que ele não deveria ter as rédeas. A gente tem que defender a independência e autonomia dos poderes, o Poder Legislativo, Poder Judiciário, poder executivo. Aqui em São Paulo, eu digo, quem falava isso, mas eu reproduzo muito, é o Plínio de Arruda Sampaio. Ele dizia que São Paulo, a democracia está manca porque aqui só tem um poder, aliás, dois, né, é que é o Executivo e o Judiciário, porque o Legislativo está cooptado.
E eu falo há muitos anos, desde 2007, que a Assembleia Legislativa ela é na verdade um puxadinho do Palácio dos Bandeirantes. Foi assim nos governos do PSDB, e é também no governo atual, do governo Tarcísio de Freitas, porque eles controlam, eles têm a maioria, né? Existe uma cooptação através de, sobretudo, da distribuição de secretarias, né? Então eles controlam a Assembleia Legislativa. Assembleia Legislativa não tem autonomia, ela é controlada, deu para ela um puxadinho Lá é uma, ela apenas homologa as decisões do Palácio dos Bandeirantes.
E assim, infelizmente, em vários lugares do Brasil é assim em relação a várias prefeituras, estados, né? Em nível do governo federal já não, porque ao contrário, no governo federal a oposição tem maioria. O governo Lula tem no máximo 130, no máximo isso, de deputados do governo, né? A maioria é ou do Centrão ou da extrema-direita. Junta com a extrema-direita tem mais 300, eles são maioria. Ao contrário, mas em geral, a regra geral, normalmente o Poder Executivo ele controla o Legislativo.
Isso é muito ruim porque daí não tem fiscalização, né? Não há como você controlar o Poder Executivo, daí não tem o uma harmonia, uma independência entre os poderes. Por isso que eu acho que tem que ter, a Assembleia tem que fiscalizar, não pode ser refém das vontades do governador. Duvido, por exemplo, a privatização da Sabesp que foi aprovada. E o outro projeto que foi aprovado gravíssimo, Igor, foi a redução do orçamento da educação.
O governador Tarcísio reduziu o orçamento de 30 para 25%. Ele retira por ano agora R$11 bilhões da escola pública estadual. Que já é uma escola, né, degradada, sucateada, uma escola— se você for aqui na região do Grajaú, Parelheiras, você vai ter escolas de lata ainda, tem mais de 10 escolas de lata. Grajaú, Capela do Socorro, Campo Limpo, na Zona Leste, né, o estado mais rico da federação, escolas sem quadras para as aulas de educação física, professores ganhando salários extremamente baixos, entendeu?
Aqui em São Paulo o governador nem paga corretamente o piso nacional do magistério, dando um vale-refeição para o professor de R$12. R$12 não consegue comprar nem uma coxinha. Antigamente falava o vale-coxinha, né, do governador. Não compra nem a coxinha mais, entendeu? Então ele reduziu. Eu me lembro quando esse projeto foi aprovado, muitos deputados da base do governo, que são governistas, nos bastidores, no café, Poxa, né, esse projeto é horrível, mas eu vou ter que votar nisso, eu vou me ferrar, eu vou me desgastar, mas eu não tenho, eu sou da base do governo, se eu não votar eu vou perder meus cargos, né?
E votou, muitos votaram a contragosto, mas porque eram da base do governo, eles sabiam que o projeto era ruim. E é, né? A educação do Estado de São Paulo, ela caiu agora do terceiro lugar para o décimo lugar na avaliação agora do MEC, um absurdo isso, tá caindo cada vez mais. Porque reduziu o orçamento da educação, só tem plataforma digital agora, não pode nem usar mais, o professor não consegue usar o livro, porque se ele não usar plataforma digital ele é punido pelo governo.
O governo, ele perde as aulas, ele perde na atribuição de aulas, a escola é punida.
Mas vamos dizer que a população, vamos dizer que a população esteja, esteja, se a população tiver curtindo, gostando do ou sei lá, aprovando o que tá rolando, é só votar junto com a situação, né?
Isso.
Se quiser o contrário, tem que votar na oposição, basicamente, porque aí consegue, por exemplo, conseguiria, os deputados estaduais conseguiriam travar as coisas que acontecem aqui, é que mandadas pelo governador, que não é o caso que é o que tá falando.
Exatamente.
Então, na prática, o governo, os deputados estaduais, eles deveriam servir como um contrapeso para o que vem do Executivo, nesse caso do governador, né? O problema, o Carlos, é que não ia sempre acontecer isso que acontece aqui, que tipo não ia sempre evoluir para onde estamos, porque querendo ou não somos seres humanos e as possibilidades estão aí, né, disponíveis. Então, havendo a chance de querer fazer andar para um lado, compra-se isso, como a gente vê acontecendo todo dia, né?
E aí a gente vai levantar aqui duas questões. A primeira, eu entendo que, eu entendo o aspecto de não ter, de parar de ter as emendas e a coisa se ajuda a coisa anda mais para função original, que é uma função de fiscalizar e tudo mais. Sim. Agora, por outro lado, esse dispositivo de, entre aspas, comprar o apoio faz com que as coisas saiam do lugar no fim das contas, né? Porque existe um mundo em que nada se faça porque o tempo inteiro se debate, não é?
Exatamente. Então, então tem que quebrar isso, você tem que romper com esse processo. E a população tem que saber como funciona isso. A partir do momento que ela tem clareza de como funciona, ela começa a ter mais consciência política e ela começa também cobrar os deputados, né? A pessoa que votou no deputado, ela tem que entender: calma aí, esse deputado votou a favor da redução da verba da educação? Não pode ser, meu filho estuda numa escola pública e eu votei nesse deputado, agora ele tá votando contra o meu filho, contra a educação pública.
Então é importante que a população tem acesso a essas informações. Mas aí tem um dado, você tem a blindagem também da imprensa comercial, essa grande imprensa, essa mídia que tem os seus interesses políticos, ideológicos e econômicos também. Então tem uma blindagem dos grandes meios de comunicação de massa, como a Folha, o Estadão, Rede Globo, né, todos, a Veja. Então esses, essa imprensa, ela faz uma blindagem em torno, no caso aqui do governo Tarcísio.
Então é difícil sair ali alguma coisa mais crítica. Então ela protege porque ela tem interesse, é a Faria Lima, é o mercado, os grandes grupos econômicos que são protegidos pelo governo através das isenções fiscais. Olha, o governo dá para os grandes grupos econômicos do Estado de São Paulo mais de R$80 bilhões em isenções fiscais, né? E não tem nada de volta, o povo não ganha nada com isso. Então essa blindagem vai tomando conta aqui da população.
Assembleia Legislativa não fiscaliza, o Tribunal de Contas também, né? Tem setores do Judiciário, setores do MP, né? Então o governo é protegido e a informação não chega à população. A gente depende de canais alternativos, você tem que buscar outros caminhos para conscientizar a população. Então dá a impressão que o povo tá apoiando esse tipo de política e não tá, porque a água ficou mais cara, Piorou os serviços da Sabesp, por exemplo.
Eu tô citando coisas que todo mundo conhece, né, exemplos. A educação tá piorando no Estado de São Paulo, a segurança pública tá piorando, mas tem uma propaganda o tempo todo mostrando que não.
E o Carlos, a gente tem 94 deputados aqui em São Paulo, né?
Isso, exatamente.
Tá, esses deputados, e assim Pergunta idiota: esses deputados, eles ficam em São Paulo, Carlos, ou eles vão lá para Brasília?
Não, eles—
o que acontece, você tava falando aí que é para as pessoas cobrarem os seus deputados. Eu não acho que elas lembram, prestam atenção, nem onde, não sabe nem onde estão, sabe? Então me diga, esses caras ficam em São Paulo?
Em tese, se o deputado estadual, ele legisla, ele tem que trabalhar no seu estado. Nós temos 645 municípios. Do Estado de São Paulo, uma população superior a 42 milhões de habitantes. Então nós temos que trabalhar para o Estado de São Paulo. É lógico que eventualmente você pode ter uma reunião no Ministério da Educação, Saúde, e participar de audiência pública. Eu vou às vezes para Brasília participar de audiência, levar demandas de São Paulo, né, participar de audiências públicas na Câmara Federal, no Senado, enfim.
Vou no Ministério da Educação levar demandas. Aí é a função também Agora, o trabalho essencial é no Estado de São Paulo. Você tem que acompanhar. E muita gente fala, ah, mas o deputado só atua numa região e a região é dele. Outro dia eu fui numa região e aí um deputado veio falar, é, você foi lá na minha região, invadiu a minha região. Eu falei, mas não tem reserva de mercado. Eu sou um deputado estadual, eu não sou deputado, eu sou da cidade de São Paulo, né, eu sou da capital, mas eu tenho que atuar nos 645 municípios.
Aliás, todos os deputados A outra fala, você tá entrando na minha área de segurança pública, você é da educação. Não, sou da educação, mas eu atuo na saúde pública, na segurança, na assistência, na cultura. Não tem reserva de mercado ou uma área que ele só pode atuar ali. Então o deputado tem que trabalhar no estado inteiro, né?
Então tecnicamente, se eu votei em um deputado para ele me representar em um assunto, por mais que aquele seja o forte dele, ele poderia me também me representar em vários outros.
Sim, nas outras áreas também ele tem que atuar. E enfim, ele é lógico que ele tem uma— se ele é um médico, atua na área da saúde, é importante ter gente defendendo o Sistema Único de Saúde. A saúde tá um horror no estado de São Paulo, então tem que ter gente focando ali na saúde. Mas não significa que ele só vai atuar na saúde, ele pode atuar também em outras áreas. Por isso que eu falo que não há reserva de mercado, né, monopólio de atuação de parlamentares.
Eu posso dar uma contribuição na segurança pública, eu atuo bastante nessa área, na área da saúde também, né? É lógico, meu foco é educação, porque eu entendo que a educação pública é o principal instrumento de desenvolvimento social, ambiental, pessoal, econômico, tecnológico. É uma grande alavanca, ela é fundamental. Então você tem que ter investimento nela, ela Quando você investe em educação pública, você tá investindo em todas as outras áreas. Todos os segmentos da sociedade ganham quando a educação pública melhora.
Carlos, por que que São Paulo tem esse número de deputados?
Porque é de acordo a Constituição, ela de acordo com o número de habitantes. Como São Paulo, São Paulo é o estado que tem o maior número de deputados porque nós temos como eu disse, mais de 42 milhões de habitantes. Então é proporcional ao número de habitantes.
E a gente, na tua opinião, tá, esse número tá adequado?
Não tá adequado porque é um estado muito, é um estado-país. O estado de São Paulo, se fosse um país, seria Argentina, seria o mesmo PIB, a mesma quase população que Argentina, que Chile. É um país muito, é um estado-país o estado de São Paulo. Então é um número razoável. Acho que o número tá tá equilibrado para São Paulo, né? São muitas regiões, são 645 municípios com várias disparidades. Você pega, por exemplo, o Vale do Ribeira, uma região mais pobre, mais abandonada pelo estado.
Tem as regiões mais ricas, as cidades mais potentes do ponto de vista econômico, Ribeirão Preto, tem Campinas, né? Tem essas cidades grandes que São José dos Campos, que tem indústria, tem universidade. Então você tem que ter representação em todo o estado de São Paulo. Acho que é um número razoável.
Bom, e assim, para só para a gente entender como é que funciona, vamos dizer, chegou o dia da eleição, cheguei na minha urna lá e eu vou apertar para não ser injusto com ninguém. Vamos dizer que existisse um candidato, tá? Não existe nenhum com esse número, vai dar um câncer, vai dar um voto nulo ali. Mas vamos dizer que existisse o candidato Igor 99, 999, certo, para deputado estadual, tá bom? Como se dá a eleição, a posse? Na verdade, como é que você ganha uma eleição para deputado estadual? É exatamente igual a eleição para presidente?
Não, é diferente, né? Porque tem, você tem que ter o partido que você tá representando, você disputa sempre por um partido. Não existe no Brasil candidatura avulsa. Então, primeiro que você tem que ser lançado pelo seu partido, a sua candidatura tem que estar homologada pelo TSE, seu partido, você tem que ter um partido. E aí, em São Paulo, por exemplo, tem um quociente eleitoral, um número mínimo de votação que você tem que atingir para eleger o primeiro, que tem que ser de aproximadamente 230 mil votos para você eleger o primeiro.
O partido precisa de 230 mil votos, não deputado necessariamente, né, na soma total dos votos. Vai votar o primeiro, depois vai tendo a soma. Então você tem que atingir, o seu partido tem que atingir isso para você ser eleito, né. Para presidente é diferente, aí tem que, não tem esse quociente eleitoral, é quem tem mais votos ganha, né. Completamente diferente. Exatamente. Para deputado você depende muito do partido político. Às vezes você tem um deputado que tem sei lá, 200 mil, 100 mil votos, mas ele não entra porque o partido dele é fraco, não conseguiu atingir esses 230 mil votos.
Então, 100 mil votos é voto para caramba, é voto, é bastante, elege normalmente em partidos medianos, porque daí você tem voto de legenda, tem voto de outros deputados, mesmo que não entram, eles ajudam a chegar no quociente eleitoral. Então, é o famoso deputado que morre na praia, ele tem um potencial, tem muitos votos, 150 mil votos, Mas o partido não teve voto, não teve candidatos também.
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Com força para ajudar, então ele não consegue votar, não consegue ser eleito por conta disso. Então o quociente é importante, o voto. Tem gente que vota só na legenda para ajudar os candidatos, enfim. Aí tem essa questão aí do quociente eleitoral.
Por isso que a gente vê então uns partidos correndo atrás e registrando uns candidatos mais famosos curiosos assim, às vezes até meio caricato, chama muita atenção.
Os Tiriricas da vida.
Isso, Tiririca é que, bom, o Tiririca ele tinha uma promessa e ele mentiu, cara. Mas enfim, então é por isso, porque então vamos lá, eu sou um partido e eu preciso, eu quero ter deputados, para isso eu preciso ter pelo menos 230 mil votos. Então o deputado, um cara para ser candidato a deputado estadual ele precisa cuidar inclusive de qual partido ele vai se filiar, pelo visto, né?
Exatamente, porque se é um partido fraco, um partido que não tem, não chega no quociente, ele mesmo que seja um candidato com uma boa votação, ele não vai conseguir ser eleito. É o que você fala, e tem partido que fala: vamos lançar um puxador de votos, alguém que puxe para legenda. Daí você lança às vezes um artista, um jogador de futebol, né, uma pessoa das redes sociais que tem influência, que tem lá 3 milhões de seguidores para essa pessoa puxar votos para legenda e puxar mais uns 2 ou 3, porque quanto mais votos essa pessoa tem, ela vai puxando mais candidaturas.
Aconteceu aqui com a Janaína Pascoal em 2018, ela teve mais de 2 milhões de votos para deputada estadual, foi um fenômeno de votação. Então ela puxou uns 20 deputados do, acho que era o PSL na época, nem era o PL, né? Ela puxou uma bancada inteira. Então tinha deputado entrando com 24, acho que 25 mil votos, tava entrando porque ela puxou todo mundo, ela foi aumentando, né, quociente eleitoral. Isso foi ali. É só que isso normalmente só acontece uma vez também, né, porque depois essa pessoa ela não consegue reproduzir isso.
Tanto é que com ela, no caso, ela depois hoje ela foi vereadora, acho que com menos de 50 mil votos. Então isso aconteceu com a doutora, aquela Vanir, lembra? Vanir do Enéas. Então ela teve 600 mil votos para deputada estadual, uma das maiores votações aqui da Lesma. Depois caiu lá, não conseguiu nem ser reeleita mais. Então são fenômenos passageiros, né?
Vamos dizer, vamos pensar numa, num mundo paralelo aqui, na seguinte hipótese: uma pessoa, um candidato, que é um candidato, ele tem um monte de candidato no partido dele que é o Partido X. No Partido X, somente esse candidato, no mundo hipotético, somente esse candidato conseguiu 2 milhões de votos. Ele puxa a gente que não tenha voto?
Não. Aí agora a legislação mudou um pouco. Então, por exemplo, a pessoa teve lá 1 milhão de votos, mas se os que forem da mesma chapa que ele não tiverem o mínimo, agora tem um mínimo, eu não me lembro qual que é o mínimo, mas por exemplo, para estadual, se ele não tiver pelo menos os 24 ou 25 mil votos, se ele tiver abaixo disso, ele não entra também, ele fica de fora. Então esse deputado é eleito sozinho com 1 milhão de votos, porque abaixo dele ninguém teve o mínimo percentual estipulado pela Justiça Eleitoral.
Antigamente não, com voto ele puxava todo mundo, com voto só ele puxava até esse ainda, entendeu? Teve aqui o caso É, teve um caso que eu acompanhei, eu era vereador na eleição mesmo, que eu fui vereador a primeira vez no ano 2000, a mesma Doutora Vania teve uma grande votação e ela puxou um vereador com 2000 votos. Ele foi eleito com 2000 votos porque ela puxou na chapa dela, entendeu? E com 2000 votos ninguém é eleito vereador da cidade de São Paulo, mas ele foi. Mas teve uma mudança na legislação numa dessas reformas eleitorais.
Entendi.
Então tem que ter um mínimo também, senão, né, faz sentido.
Eu também acho que tem que ter o mínimo, né, pelo amor de Deus.
Uma várzea total daí, aí não, né? Pensar, uma pessoa teve, sei lá, 300 votos, eleita deputada federal, né? Era assim. Agora não, agora tem um limite.
Você acha que a gente tá no modelo adequado para deputados? Para eles chegarem lá, esse quociente eleitoral, tudo isso, tu acha que é adequado?
É o que é possível. Acho que nesse momento histórico é possível. Acho que não sei, não é o modelo perfeito, mas eu acho que também teria que fazer uma reforma política, talvez pensar em outras alternativas. Mas nesse momento, né, tu também gosta da ideia de uma reforma política? Então tem que ter uma reforma política no Brasil, né, sobre o financiamento. Acho que tinha que diminuir o valor. Eu sou contra o financiamento privado de campanha, eu acho um absurdo as empresas influenciarem, mas eu acho que o fundo eleitoral tinha que diminuir bastante.
Eu acho que é muito, né? Hoje o que foi aprovado é muito, são bilhões de reais. Tinha que diminuir bastante, as campanhas tinham que ser bem simples. Enfim, eu acho que não há necessidade de tantos recursos como tem hoje com grandes recursos eleitorais. Eu acho desnecessário isso.
E vamos lá, é do ponto de vista—
putz, deixa para lá.
Eu ia te perguntar uma parada do ponto de vista ético e moral sobre os deputados, e é melhor a gente deixar para lá. Porque assim, a gente vê, a gente teria que entrar num, num, num, num, uns pontos aqui que aí a gente ia ter que que personalizar algumas coisas, é melhor não, né? Então, cara, vamos falar o seguinte, vamos falar de grana. Os deputados, cara, os deputados estaduais de São Paulo, eles têm, eles dá para dizer que eles fazem as obras?
Eu sei que não, mas dá para ter um ganho, um capital político a ser, sei lá, ser conseguido aí quando você destina uma verba e fala que tu fez a obra.
Não é? É uma distorção, na verdade, porque não foi o deputado que fez, né? Quem faz é o Executivo. Tem pessoas falam: o deputado, o vereador asfaltou a rua aqui. Não, vereador não asfaltou a rua. Ele pode ter pressionado a prefeitura, ele destinou uma emenda parlamentar, mas quem fez foi o Poder Executivo, e com o dinheiro do povo, entendeu? Não fez mais que obrigação, porque o dinheiro é do povo, desse orçamento, dessa emenda parlamentar.
O cara vai: eu dei lá R$500 mil para tal obra. Não deu nada. O dinheiro é da população, é dos nossos impostos, não é favor nenhum, é obrigação do poder público asfaltar uma rua, construir um hospital, construir uma escola pública, comprar ambulância. Então acho que eu não faço isso, entendeu? Ficar divulgando muito emendas. É lógico que como eu tenho emenda, eu faço, destino recursos para algumas áreas. Normalmente eu destino para cidades mais pobres que não têm recursos.
Mas eu sou contra ficar fazendo política em cima de emenda parlamentar. E quando eu vou numa cidade e as pessoas me pedem, até dou emenda, falo, olha, só que eu sou contra. Eu falo o que eu tô falando para você, haverá um dia em que vocês não vão precisar mais de um deputado, porque daí o secretário aqui municipal, cidadezinha pequena com 10 mil habitantes, 5 mil, ele vai direto lá na Secretaria da Saúde, no Ministério, e ele vai conversar com o setor e vai requisitar o recurso para construir.
Não precisa de um de um deputado, de um vereador para fazer isso, de um senador. Eu faço um trabalho de conscientização política para que eles não tenham mais a dependência, porque deve ser horrível. E é horrível ver os prefeitos, vereadores peregrinando nos corredores da Assembleia Legislativa e do Congresso Nacional atrás de emendas parlamentares, porque eles, eles, e eu entendo, porque senão eles não vão conseguir fazer obras porque não tem dinheiro.
O Estado não disponibiliza para eles o dinheiro, né? Então eles peregrinando atrás de emendas parlamentares. Deve ser muito ruim ter que entrar em cada gabinete: por favor, deputado, me dê uma emenda, né? E daí eles são, muitas vezes reclamam para mim: poxa, eu fui lá no gabinete, o deputado falou até que me daria emenda, mas eu teria que depois ajudá-lo, né? Daí tem aí mil denúncias que até o Ministério Público sempre investiga.
Então daí não é Eu acho que não é função, por isso que eu volto sempre na tecla: vamos acabar com emendas parlamentares.
Carlos, você tava me contando como funciona aqui em São Paulo, que o Executivo costuma ter a maioria e costuma fazer as coisas andarem de um jeito ou de outro. Mas você que é da oposição, o que que dá para um deputado estadual fazer, mesmo não tendo maioria na casa e tudo mais. Que tipo de trabalho tu consegue desempenhar mesmo assim?
Olha, primeiro, nas votações, nessas aí que eu te falei, privatização da Sabesp, redução do orçamento da educação, privatizações de parques estaduais, etc., e de projetos que vão prejudicar a população, a gente faz o primeiro trabalho é obstrução. A gente faz obstrução no plenário para que eles não sejam votados. Dificultando as votações. Então, do ponto de vista regimental, nós temos vários instrumentos. Eu faço isso, nós que somos poucos da oposição, nós dificultamos o máximo possível a aprovação desses projetos perversos que vão prejudicar, projetos antipopulares, né?
Então esse é um papel. O outro é mobilizando a população, usando os mandatos, a estrutura dos mandatos, organizando audiências públicas contra esses projetos, depois acionando também o poder público se eles forem aprovados, acionando o Ministério Público, acionando o Tribunal de Contas, acionando sobretudo o Tribunal de Justiça, ou às vezes ir direto para o Supremo Tribunal Federal para revogar essas leis frutos desses projetos que são aprovados.
Mas uma função importante que eu acho, que eu sempre trabalho, é organizar a população, formar opinião contrária, conscientizar a população, porque quando a população pressiona, aí muda mesmo o deputado da base do governo. Vou te contar um exemplo aqui. Você já ouviu falar da máfia da merenda escolar numa das gestões aqui do Estado de São Paulo, do Tucanato, né? O que aconteceu? Teve um escândalo, uma denúncia de que havia desvio do orçamento da merenda escolar envolvendo inclusive a Assembleia Legislativa, deputados da Lespe Aí eu apresentei um pedido de CPI para investigar o governo e a própria Assembleia Legislativa, e ninguém queria assinar, os deputados da base do governo.
Eu consegui várias assinaturas da oposição, só que a base do governo não queria assinar. Aí começou a ter uma grande movimentação, aí os alunos do ensino médio ocuparam o plenário da Assembleia Legislativa, ficaram lá uma semana, não tinha mais votação nem nada, e aquilo teve uma repercussão no estado inteiro. E houve uma opinião pública, imprensa pressionando os deputados. Começaram a me ligar para pedir, ó, eu quero assinar isso aí, não aguento mais, estão me pressionando.
E nós instalamos a CPI da máfia da merenda escolar no Estado de São Paulo. Mas não porque eu não ia conseguir nunca todas as assinaturas, eu só consegui porque teve pressão da sociedade, teve uma mobilização, opinião pública em cima. Aí os deputados, mesmo da base do governo, eles pensaram, puxa, eu não vou, eu sou me queimar com isso, eu vou me desgastar. Então eles assinavam. Teve deputado me ligando 1 hora da manhã: Genasi, por favor, eu quero, põe meu nome, eu quero assinar amanhã esse negócio aí, esse seu pedido, que eu tô sendo pressionado na minha cidade, na minha região, não aguento mais. Eles assinaram, nós instalamos a CPI da máfia da merenda escolar.
Ou seja, a gente, a gente elege os nossos representantes, mas isso não tira das nossas mãos algumas ações políticas ainda assim.
Exatamente. Então você, assim, a força da mobilização da população, da opinião pública e a imprensa, quando ela quer também, ela vai para cima. Aí sim, mesmo deputado sendo da base do governo, tendo secretaria, sendo mesmo ideologicamente muitas vezes afinado com o governo, ele começa a mudar de posição. Então isso tem um efeito importante. Por isso que eu sempre invisto na mobilização da população. Eu realizo muitas audiências públicas na Lesp para mobilizar, conscientizar e formar movimentos contrários a esses projetos, a esses, né, esses programas do governo que vão beneficiar, vão prejudicar a população.
Tu acha que o brasileiro vem ficando mais atento à política? Eu acho que a gente teve um pico ali, vai, 18, acho que durante Acho que a eleição do Bolsonaro marca um pico ali de algum tipo de revolta, algum tipo de atenção nesse sentido, que começa lá naquele movimento anti-Dilma, que começa com uma outra ideia que era contra os 2013. Isso, que não era só que era porque os cara aumentaram em 20 centavos, aí depois mudou, não é mais, né, só pelos 20 centavos.
É isso, aquilo culmina no impeachment da Dilma, aquilo vai andando e a gente tem, e a gente vai tendo uma uma população que não, eu não diria nem que com uma opinião política, mas com uma sensação de eles queriam algum tipo de mudança mirando, na minha opinião, em alguém que já fazia parte da coisa, sabe?
Você falou 2013, né? 2013 é um marco importante, e 2013 mostrou a insatisfação da população com as políticas públicas do Brasil. Era o momento de dar a virada, e ali era pela esquerda, era pelo setor progressista, Antagonista começou não só, começou logicamente aqui em São Paulo com o movimento do passe livre, né, contra o aumento da passagem de ônibus, do transporte público, começou ali. Mas depois esse movimento, no início dele, ele foi interessante porque ele defendia o quê?
Serviços públicos de qualidade, né, transporte público de qualidade, educação de qualidade, começou bem. Mas daí depois no processo o movimento foi capturado, aí sim, pela extrema-direita. Ele foi capturado aí. Todo mundo tentou capturar, mas eles ganharam, eles levaram depois lá na frente. No começo não, o embrião foi importante desse projeto, né? E ali poderia se dar a grande virada.
E aí o gigante foi dormir de novo, é, foi dormir de novo.
E depois voltou no impeachment da Dilma, né? Aí virou golpe, daí virou um outro interesse político Aí se voltou contra a própria população, porque daí veio o Temer, fez reforma trabalhista contra os trabalhadores, reforma do ensino médio contra a educação, teto de gastos contra o povo brasileiro. E depois veio o Maluf, não, veio o Bolsonaro. É que o Maluf era o Bolsonaro dos anos 70, anos 80, né? Agora ele, o personagem é outro, é o novo É o Bolsonaro.
Mas aí a gente parte de um povo, de uma galera que não ligava muito para política, a gente ia eleger um cara porque era bonitinho lá nos anos 90, a gente foi fazendo as paradas. E aí a gente tem a eleição do Lula lá em 2002, que aquilo ali já, nossa, eu lembro que a galera já, caramba, isso daqui já foi diferente. Mas ela tem esse pico e agora tá diminuindo de novo, na minha opinião. Tu acha que tu acompanha isso? Tu acha que a sociedade tá voltando a, em alguma medida, ficar, sei lá, dormente?
Na verdade, não.
Politicamente?
Nós temos o episódio aí do bolsonarismo, né? Nós achávamos que a extrema-direita estava liquidada, estava morta, né? Porque nós passamos pela ditadura militar, foram 21 anos de ditadura militar, foi até 85. Daí o Brasil foi redemocratizando-se, aos poucos, Nova República, Fernando Henrique, o Brasil foi, né, em tese se redemocratizando. Nós achávamos que aquele período da ditadura, das forças de extrema-direita, estavam superadas.
Um doce engano, eles estavam ali atentos e à espreita em volta. É lógico que com ajuda, de uma certa forma, e utilizando muito bem as redes sociais, que eles foram os primeiros, né, eles tiveram esse mérito. Então eles cresceram bastante, ocuparam espaço. A extrema-direita, a gente não pode ser ingênuo, ela tem, ela tem influência, ela tem poder popular, ela tem poder institucional, ela tem força política na mídia, em setores da mídia.
Então ela está aí à espreita para voltar e ocupar espaço, né? E às vezes ela pauta o discurso, pauta, né, o a política brasileira. Então, então nós tivemos um refluxo, mas depois nós avançamos de novo. A própria eleição do Lula em 2022 significou uma união desses movimentos todos, da esquerda, dos progressistas, da direita liberal, que tava o que restou dela, né? Porque a direita liberal ela desapareceu, foi tragada pela extrema-direita, pelo bolsonarismo.
Então o que sobrou dela se aliou a esse setor que eu diria quem defende o processo civilizatório do Brasil, né? A luta da—
foda que não tem muito a ver o que a gente tá com o ponto da nossa live. Mas não, não, não, é porque assim, eu gosto disso. E na real, você falou que a vitória do Lula ela mostra ali uma junção dessa galera, mas porra, é importante lembrar Ô Carlos, que assim, nessa eleição aí, um quarto não votou, e ela foi decidida por, se eu não me engano, 2 milhões de votos.
Foi pouco, uma merreca.
O que que isso quer dizer? Que não tem nada muito junto não.
Mas lembrando que a eleição, veja bem, houve uma sabotagem naquela eleição. A Polícia Federal, Polícia Rodoviária não deixando os ônibus chegarem nos locais de votação em regiões do Nordeste. Teve todo um movimento para tentar, né? Agora, é impressionante também, eu fiquei assustado, porque o governo Bolsonaro, Bolsonaro, né, que atravessou aquela pandemia, que foi responsável sim por uma boa parte das mortes, né, foi um governo desastroso em todas as áreas.
Tem uma hora aqui, nós avançamos, claro, até falar isso, tem o pessoal. Não, não é não, eu queria até falar que foi bem aqui, fez uma coisa boa.
Não tem como, vocês discordam então?
Não discordo não, se tivesse Eu já votei em vários projetos do PSDB, eu era oposição, mas esse daí não, que é um governo da barbárie, né, o governo das trevas. Então, e mesmo assim ele quase ganha eleição. Então é assustador. Por isso que eu falo que a extrema-direita não tá brincando, ela tem poder. E a gente que defende o processo civilizatório, a gente que não acredita que a Terra é plana, a gente que é contra cloroquina, a gente que não né, que nós somos contra essa política do pânico moral, a gente tem que, né, se preocupar bastante e organizar a população, conscientizar a população que ela não pode ser refém desse tipo de política, porque essa política é contra ela, só vai ser prejudicada no seu salário.
Eles são contra, por exemplo, o fim da escala 6 por 1, eles estão militando contra, eles são a favor de uma de uma jornada escravocrata 6 por 1. Eles são contra o povo brasileiro o tempo todo, só que eles enganam bem, eles enganam bem.
Olha, eu acho que tem aí, vem, eu sei que é o seu assunto para um outro dia, mas aí tem, é um caldo complexo, né, Carlos? Provavelmente tu vai concordar comigo que é um caldo complexo, porque vamos lá, e a gente, só para a gente, família, obrigado pela moral, vou falar do meu parceiro já já, mas só para finalizar esse ponto aqui. É, se a gente for parar para pensar que até a maneira como a religião é difundida nos lugares mais pobres, essa religião ela acaba vindo com uma opinião política, né?
Então eu acho que o jeito, o caldo é muito complexo. Eu acho que tem muitos fatores que vão definir por que que, por exemplo, ali Em Higienópolis a galera não tava votando em nenhum partido de esquerda, sabe? É um caldo complicado. Então, mas muito obrigado por vir aqui contar para a gente como é que funciona o trabalho de um deputado estadual. E eu queria falar, eu queria agradecer inclusive e falar dos parceiros que estão comigo hoje aqui, começando pela Insider, que é quem faz essa camisa que eu tô usando.
Porque, cara, primeiro de tudo, eu Acredito para caramba que, senão não estaria fazendo esse tipo de conteúdo, que é com informação, com educação, que a gente vai de fato mudar o destino de qualquer sociedade, né? E eu acho uma pena que a gente desperdiça tanto tempo em não propor uma educação de qualidade, uma educação de base, uma educação, uma educação de uma forma geral. De qualidade para população. E a gente sabe quais são os efeitos, a gente já viu vários exemplos no mundo, né?
Mas enfim, o ponto aqui é que eu acredito bastante na forma, que a forma de fazer isso andar é com diálogo, é pegar as ideias e pô-las à prova de forma honesta, de forma, vai, eu falo alguma coisa e você tá aqui disposto e aberto para entender o que eu tô falando e pôr as suas ideias de frente com as minhas para que a melhor ideia surja vitoriosa no fim das contas. Isso só é possível quando há o diálogo, porque se eu tô falando para você, Carlos, e você concorda comigo com tudo que eu falo, a gente não tem muito para onde evoluir, porque o pensamento acaba sem ser, sem ser, ele não é desafiado.
Exatamente. E olha, e nós dois concordamos com uma coisa: a importância da educação. Você defende educação, defende educação. Eu quero só aproveitar aqui um minutinho, dizer a você o seguinte, aproveitar aqui o seu programa, esse espaço que você abriu, e é um espaço que respeita a diversidade. Isso é importante do diálogo que você tá dizendo. Dizer o seguinte: a maior rede pública de ensino da América Latina é a nossa, é a Rede Estadual de Ensino.
Tem mais de 5.500 escolas, quase 4 milhões de alunos matriculados e quase 300 mil profissionais da educação. Essa rede estadual está sendo destruída pelo governo Tarcísio de Freitas, porque ele colocou na secretaria o Renato Feder, que é um empresário da educação, né, da área de tecnologia. Então ele está destruindo a educação, ele só coloca plataformas digitais, tem mais de 30 plataformas digitais. Hoje um professor não consegue mais dar aula usando o livro didático, Ele tem que usar as plataformas, tem avaliação de desempenho, que é uma verdadeira farsa, que tá expulsando os professores das escolas, adoecendo os professores.
Ele demitiu no início do ano, Igor, 40 mil professores foram demitidos na rede, fechando salas de ensino médio no período noturno, né? É um absurdo, precarizando toda a rede de ensino. Então há um caos na educação no Estado de São Paulo. Veja, a principal rede de ensino a mais, que tem o maior orçamento, Então todo o orçamento da educação parece que tá virado para beneficiar as empresas de tecnologia que vendem plataformas digitais para a rede estadual.
Então é importante que a população saiba disso. E os alunos não querem mais essas plataformas, nem os professores, porque elas retiram a autonomia pedagógica do professor. O professor vai dar aula, ele não pode usar um livro, não pode usar um texto, ele não pode mais preparar a aula, ele tem que usar os conteúdos digitais. E se ele não usar, e se ele não atingir as metas de tempo de utilização das plataformas, ele é punido. É como se a escola virasse uma empresa de telemarketing, tem que atingir metas.
Seu aluno vai aprender, dane-se. Se o professor vai ter autonomia, não importa. Importante é meta de utilização de plataformas para justificar a compra milionária. Teve plataforma que custou R$70 milhões para Secretaria da Educação. Então está em curso o grande projeto de destruição da rede estadual de ensino. Então não dá. Então por isso que nós temos que defender a educação aqui no Estado de São Paulo.
Bom, se você ouviu isso aqui que o Carlos acabou de falar, se você concorda ou se você discorda disso aqui, só dá para saber se você ouvi-lo falar, né? Só dá para você, só dá para você conhecer as ideias a partir do momento que elas são expostas no mundo. E a Insider, assim como eu, acredita nisso, acredita que é importante que a gente consiga conversar. E porque é assim que a gente vai fazer com que as coisas realmente mudem e te informar para votar melhor.
Porque no fim das contas é educação que vai fazer, que vai transformar isso aqui tudo, cara, querendo ou não, né? E bom, é isso. Um outro, ah, tem um presente para você aqui, ó, que a Insider mandou.
Obrigado.
Então, um outro parceiro que tá com a gente aqui é a Hashtag Treinamentos, cara. E a Hashtag Treinamentos é a maior escola de tecnologia do Brasil, cara. E o que que isso quer dizer? Que você aí que tá em casa procurando aí uma nova, um novo, sei lá, ser promovido, uma nova função ou um novo hobby também, cara, Hashtag Treinamentos tem aí o produto ideal para você. Eles já estão na internet há muito tempo ensinando de graça uma galera E tem também a plataforma deles com todos os cursos, inclusive numa mensalidade só, que a gente, por meio de uma parceria, vai te dar R$500 de desconto.
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E é isso, eu também queria agradecer aí a galera do Kawaii, que essa live aqui, os outros conteúdos que a gente vai fazer sobre política educacional, que tem a ver com debate e com as sabatinas, tudo também estarão disponíveis lá no Kawaii, tá bom? Carlos, muito obrigado pela moral, obrigado pelo tempo, foi um prazer enorme. Aperta minha mão aqui.
Valeu.
E bom, é você que assistiu aí, como é que, como é que as pessoas te encontram nas redes sociais?
É só colocar Carlos Gianazzi Oficial no YouTube, no Instagram, no Facebook, em todas as redes eu estou lá, Carlos Gianazzi.
Tá bom, pronto, tá bom, você me acha, tá bom. Ó, você que tá assistindo a gente aqui no YouTube, já deixar aqui no comentário fixado facinho para você encontrar, tá bom? E vira membro do Flow, aproveita, se inscreve aí E manda esse vídeo aqui para quem não entende nada do que que é ser um deputado estadual, para entender um pouco melhor, tá bom? Um beijo para vocês e a gente se vê depois, daqui a pouquinho, mais tarde, tá bom? Tchau.
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