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EDITOR-CHEFE DA CITADEL EDITORA - Marcial Conte

01 de setembro de 20261h3min
0:00 / 1:03:07

Esse é nosso quadro chamado Executive Talks, focado no Igor conversar com executivos fodas de grandes empresas pra que ele se torne um CEO melhor. Neste episódio, recebemos Marcial Conte, Editor-Chefe Da Citadel Editora, uma editora brasileira de livros focada em obras de autoajuda, desenvolvimento pessoal, negócios, filosofia e expansão da consciência.

Participantes neste episódio2
I

Igor 3K

HostComediante
M

Marcial Conte

ConvidadoEditor-Chefe
Assuntos6
  • A falência da rede de farmácias e o endividamento de 14 milhõesrede de farmácias·insolvência·Serasa
  • A descoberta do livro Mais Esperto Que o Diabo e a decisão de publicá-loOutwitting the Devil·Napoleon Hill·Fundação Napoleon Hill·Dom Green
  • A fundação da Citadel Editora e a estratégia de vendas do primeiro livrotradução·Saraiva·militância digital
  • A parceria com Clóvis de Barros Filho e a publicação de seus livrosClóvis de Barros Filho·Devaneios Sobre a Atualidade do Capital·Ilíada e Odisseia
  • A experiência de Marcial Conte nos Estados Unidos e o retorno ao Brasilfísica quântica·high school·bolsa integral·Fabiana
  • O significado do nome Citadel e do pinguim no logo da editorapinguim imperador·resiliência·Marco Aurélio·inner citadel·estoicismo
Transcrição157 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Hoje tu vai ouvir a história de um cara que foi salvo pelo diabo, mas calma que é um diabo alegórico. Provavelmente tu já ouviu falar nesse livro Mais Esperto Que o Diabo, best-seller aí por vários anos. Hoje tu vai entender como é que o Marcial fez para sair de uma empresa que devia vários milhões de reais e começar uma editora que tá entre as maiores do Brasil hoje em dia. Então presta bastante atenção porque esse cara é mentorado pelo Clóvis de Barros, então vai ser intenso. Tu era dono de uma rede de farmácia?

MCMarcial Conte

Eu era dono de uma rede de farmácia, tinha 23 farmácias, 22 laboratórios, era grande. Eu fiz um monte de merda, um monte de merda, decisão merda, enfim, tomei muito risco e praticamente fiquei insolvente, praticamente quebrei. Aí eu chego na garagem lutando, lutando, aí chegou um dia que eu falei, cara, fodeu, né? Aí cheguei num sábado, cheguei, encostei, olhei pra frente, deixa eu te falar uma coisa, Quebrei. Mas assim, não é quebrei, eu quebrei quebrado, esfacelado.

Falei, sabe aquele cara que tá lá na rua? Aquele cara tá melhor que eu, porque eu tô com 14 milhões de Serasa. Ele me disse, eu não só quebrei, não é que eu tô sem dinheiro, é que eu tô devendo 14 milhões. Eu falei, mas é o seguinte, agora eu vou refazer. A minha resposta pra ele foi: Tá, tudo bem. Vambora.

?Voz A

Tu tinha, vamos lá, em algum momento tu teve uma rede de farmácia, laboratório, laboratório de manipulação, tá? Tudo, entendi. E tu tinha quantos anos nessa época?

MCMarcial Conte

Eu tinha 27.

?Voz A

E como é que tu foi parar nesse mundo?

MCMarcial Conte

Porque meu pai montou farmácia, meu pai era bioquímico, entendi. Meu pai era bioquímico, montou a primeira farmácia, montou 7 farmácias com os irmãos, deu briga, dividiu as farmácias, eu fiquei com 3 farmácias, avião pegando fogo, e aí eu fiz o negócio crescer pra cacete. De 2000, eu assumi em 2000, 2008 eu tinha multiplicado, tipo, o faturamento tinha multiplicado por 50.

?Voz A

Bom, o que que tu fez de diferente?

MCMarcial Conte

Eu cresci, trabalhei para caralho, fiz tudo diferente, cresci para cacete. Aí eu montei.

?Voz A

O que que tu fez diferente?

MCMarcial Conte

Trabalhei, usei estratégia, usei estratégia para botar laboratório de manipulação.

?Voz A

E tu ficava olhando o mercado?

MCMarcial Conte

E mercado, olhei, olhei as farmácias, olhei o que que faltava, olhei as farmácias de manipulação, vi que não eram profissionais. Eu profissionalizei a manipulação, eu contratei 23 farmacêuticas, eu Eu fiz uma porrada de coisa. Eu tinha ISO 9001, cara, ISO 9001, e eu bombava venda, bicho. Eu era a maior rede de farmácia de Porto Alegre, do centro de Porto Alegre. Tinha 14 lojas no centro de Porto Alegre. Pô, vendia muito, tinha muito vendedor, muito gerente, muita— e pô, eu sempre adorei meu pessoal, cara.

Eu sempre gostei de pessoas, meu negócio sempre foi pessoas. Essa é minha A minha habilidade nunca foi com número, sempre foi com histórias, com livros e pessoas. Então, tipo assim, eu sempre fui... O primeiro livro que eu li na vida, eu tinha 10 anos de idade, eu pedi pro meu pai um livro que se chama, que até vou lançar porque já tá em domínio público, Albert Einstein, Como Vejo o Mundo. Eu era nerd, eu sempre fui nerd. Então eu sempre fui nota 10 na escola porque eu sempre adorei estudar, ler.

Então assim, chegava abril, maio, eu já tinha acabado o livro de matemática do ano. Eu sempre fui nerd, eu sempre gostei de ler, e eu queria ser físico quântico, eu queria estudar física quântica, queria ser físico nuclear, e eu queria ir para os Estados Unidos estudar física nuclear. Tanto que eu fui para os Estados Unidos. Então, com 17 anos, eu fui, comecei, eu comecei a namorar a Fabiana, a minha esposa, a minha inspiração de vida, é tudo para mim.

?Voz A

E também, como tu era um nerd, era melhor tu ficar estacionado mesmo Ah, porra, bem melhor, né, cara?

MCMarcial Conte

Fui de nerd. Nerd é foda, cara. Fala nerd, gente. Arrumei a menina mais bonita da escola, tinha que segurar, senhor. Nerd é foda. E aí, pô, aí eu fui. Aí eu, tudo certo pra ir pros Estados Unidos, consegui convencer meu pai. Meu pai não queria me dar. Tinha um tio meu que era dono da Pluma, ônibus Pluma, que era grande na época. E o tio gostava muito de mim. Eu falei, pô, mas pai, pai, se tu não dá, eu vou pedir pro tio. E aí foi, não sei o quê.

Aí o pai, tá, vou deixar ir. Então Eu queria estudar nos Estados Unidos. Então eu comecei a estudar inglês com 10 anos, eu comecei a ler com 10 anos, com 11, 12 anos eu já lia em inglês. Então eu sempre fui nerd, sempre fui de ler. Na minha biblioteca pessoal tem uns 1.500 livros. Então eu sempre li, a vida inteira li muito, eu sempre amei livro. E aí eu comecei a namorar a Fabiana no dia 30 de maio de 92, em agosto eu viajei para os Estados Unidos.

Aí fui fazer o high school lá, me formei nos Estados Unidos, E aí eu voltei, e aí voltei por causa da Fabiana, porque lá eu ganhei, eu ganhei 3 propostas. Porque lá é assim, né, como é que funciona nos Estados Unidos, high school? Chega no final do ano, que acontece lá em abril, porque o final do ano deles lá é maio, chega em abril, eles colocam tendas. Eu não sei como é que é hoje, mas há 34 anos atrás era assim, colocam tendas na escola, lá no ginásio, Aí você tem várias tendas.

Aí na época tinha tenda da Xerox, que era uma empresa gigante, tinha tenda da Kodak, tinha tenda da Unilever, que eu acho que era a Gessilever ou algo do tipo o nome, e tinha tenda do Exército Americano. E aí o que que eles fazem? Eles vão para os rankings. Como é que funciona lá a aula? Lá você que troca de sala, né? É tipo, o professor fica na aula de economia. Então eu fazia economia, eu fazia governo, eu fazia várias todas as aulas.

E ciências, que eu sempre amei ciência, eu fazia, logicamente eu fazia ciência. Então eu era o primeiro de ciências da escola, da minha turma. Eu era o primeiro de governo, não era o primeiro de economia, porque eu sempre fui nerd. Então assim, eu ia para as cabeças.

?Voz A

Então tu ia conseguir uma vaga numa faculdade?

MCMarcial Conte

Houve. E aí que aconteceu, eu fui para, fui chamado Lá em abril fui chamado pro ginásio, lá pro gym, lá pro ginásio. E aí, primeiro cara que eu falei, era um cara grandão, era um major do exército, cara, um cara gigante. Olhou pra mim e falou assim, você é o primeiro de ciências. Por quê? Eu falei, eu quero estudar física, eu quero ser... Aí ele falou, pô, nós queremos você. Você vem pra cá, você fica aqui, você vai estudar uma faculdade, você ganha cidadania americana, papapá.

E eu só pensando assim, a Fabiana tá lá. Porra nenhuma, não quero ficar aqui merda nenhuma, quero ir embora pra casa. Quero ir embora, minha namorada tá lá, cara. É igual você disse, nerd, né? Mas eu nunca mais vou arrumar uma mulher bonita que nem aquela, pô. Tô fodido. Aí, porra, aí Xerox, porra, você é o primeiro de economia, porra, nossa interação por você, papapá. Eu recebi umas 3 propostas. E além disso, os primeiros 5 ganham bolsa.

Então eu ganhei uma bolsa integral, porque eu fiquei, na verdade, a escola teve uma sacanagenzinha lá, eu tirei A em francês e os caras me deram B+, porque senão eu ia ficar em primeiro na escola, eu acabei ficando em segundo na escola toda. E aí os caras me deram uma bolsa integral pra estudar na Universidade Mística, que isso era em Caucásica, e aí eu simplesmente não contei nada pra ninguém, E só pensava na minha namorada. E eu fui embora pro Brasil, larguei tudo e vim, e graças a Deus eu fiz isso, né?

?Voz A

É, é. Bom, a tua vida com certeza tomou um rumo completamente diferente do que tava desenhado, né?

MCMarcial Conte

Completamente diferente, completamente diferente.

?Voz A

Porque aí tu veio, tu veio, aí tu foi lidar com farmácia, que aparentemente— Bom, então eu tô entendendo como é que inclusive tu fez a farmácia bombar, tu era um puta nerd, entende pra caralho.

MCMarcial Conte

Nerd. Aquilo que eu não sei eu vou estudar. Eu sou um autodidata, eu vou nos livros, eu vou pesquisar, eu vou furungar. E eu tenho uma outra, tem uma outra coisa comigo, eu sou um pé no saco. Não tem como dizer não, não tem como dizer não para mim, entendeu, cara? Eu sou imparável. Eu vou te contar a história da Saraiva, você vai entender por quê. Pé no saco, bicho, eu sou imparável. Eu não levo para o lado pessoal, entendeu? Quando eu quero alguma coisa, eu coloco na cabeça e falei, meu, não tem nada nem ninguém que vai tirar da minha cabeça.

Não sei, eu sempre fui assim. Tinha uma irmã na escola, eu estudei em escola de freira, eu adorava as freiras, como adoro até hoje, eu adoro as freiras. Tinha uma freira lá que era maravilhosa, ela dava aula de biologia, eu amava ela. Ela tinha uns moluscos lá, eu ia lá olhar os moluscos dela, eu sempre era nerd. E aí eu tentava, eu ia por outros caminhos, na verdade o que eu queria é que elas liberassem a gente para jogar bola num local onde não podia jogar bola.

Eu era o presidente do conselho de alunos e eu ia nas irmãs e tal. Daqui a pouco Uma das irmãs sacou, né, ela falou, ô, Marcial, a gente já sacou, você não tá aqui pra ver molusco porra nenhuma, você quer jogar futebol. Aí ela olhou e falou assim, Marcial, você é perigoso, porque você é capaz de convencer qualquer um de qualquer coisa. Eu falei, não, mano, não é assim, porra, não é assim. Mas é que você é insistente, você vai batendo em cima. Talvez tenha sido assim que eu tenha conseguido uma namorada linda, entendeu?

?Voz A

Enchendo o saco dela.

MCMarcial Conte

Aí tá até hoje comigo, entendeu? Acho que é pra não encher o saco dela.

?Voz A

A pessoa entendi, tá bom. E aí tu me contou que tu quebrou a tua rede de farmácia, teu laboratório.

MCMarcial Conte

Praticamente, né? Não chegou a quebrar nas vias de fato, mas praticamente fiquei insolvente. Cara, situação difícil, bicho. É avião pegando fogo. É do tipo assim, comitê de crise, você tá aqui, tá todo mundo aqui, tá os gerentes aqui. Eu sempre amei meus gerentes, meus funcionários. A coisa mais importante pra mim sempre foram meus funcionários, sempre. Eu amo pessoas, eu gosto de pessoas, eu curto pessoas. E porra, cara, aquilo tava me deixando judiando, porque tinha que às vezes atrasar salário e tal.

Assim, teve vários momentos muito, muito estranhos. Teve uma vez, cara, que eu quase saí preso do banco. Por quê? Porque eu sempre, época de folha, eu contava minha vida pela folha de pagamento. Então, cara, folha era um estresse, bicho. Por quê? Porque eu tinha que pagar meu pessoal. E tinha bloqueio entrando, tinha oficial de justiça vindo, tinha de tudo, tinha de tudo. E cara, eu falei assim, cara, cada dia que chegava dia 4, dia 5, era horror.

Aí eu acertei com o superintendente do banco, tinha uma reserva de cartão, ele ia liberar parte da reserva, tava tudo certo, um determinado banco lá no sul. Chegou no dia e tal, tal, tal, chegou de manhã, eu cheguei pra financeira e falei, nossa, Marcelo, tudo certo, tudo lindo, mas tá faltando R$200 mil pra folha. Falei, como? Não, tá lá o dia. Não, não, não liberou. Como não liberou? Eu vou lá no banco. Fui no banco. E o gerente não...

Acho que ele não gostava muito de mim. Tinha trocado o gerente. Acho que ele não me curtia muito. É, né, porque depois... Aí ele: Não, pô, não vou liberar. Eu falei: Cara, eu já acertei com o superintendente, tal, tá aqui, vai ser assim, o que vai entrar de garantia é isso, vai sobrar garantia pra isso. Não, só com autorização dele. Eu pego o telefone, isso já era quase 3 da tarde, a folha tinha que rodar até 3:30, que é a hora que rodava a folha.

E pá, ligo pro cara, nada. Desligado, desligado, desligado, desligado. Falei, cara, e agora? E agora? E aí o cara começou, não, você vai ter que sair que eu vou fechar a agência. Não, você não vai fechar a agência, eu preciso pagar meus funcionários, enquanto eu não puder pagar meus funcionários, eu não saio daqui. Não, você vai sair porque não sei o quê, você tem que sair daqui porque eu vou ter que fechar a agência. Falei, você não tá entendendo.

Deixa eu te explicar. Você tá falando com um cara que já teve tudo e tá numa situação dificílima, mas assim, dificílima financeira. Eu já perdi, meu, não tem mais ego, meu ego já foi pro espaço, irmão, já acabou. Quando você tá numa situação difícil, você tem um outro eu que entra e que toma o seu lugar. Você perde o pudor, você perde o medo, porque você tem medo até que você tem algo a perder. Quando você não tem mais nada a perder, irmão, você quer Você vai em busca de um objetivo, você tem um propósito.

E meu propósito era pagar meu pessoal. Eu vou pagar o meu povo. E o dinheiro tá aí. E esse cartão é nosso. Essa reserva é nossa. Não, eu não posso liberar a reserva porque tem não sei o quê. Foi. E aí, rapaz, bateu às 3 da tarde. Se você não sair, eu chamo a Brigada Militar. Eu falei, pode chamar o Exército. Pode me levar preso daqui. Mas eu não saio daqui. Aí, 3:05 e tal, conseguiu, o cara retornou. Dou o telefone para o cara, o superintendente fala com ele, ele a contragosto liberou.

Então assim, eu tenho inúmeras histórias nesse nível assim. Eu contava, eu contava os dias pela folha de pagamento, bicho, que era o que me fazia sofrer, entendeu? Era o que me fazia sofrer, porque era muito difícil, era muito difícil. Ficou um tempão assim. Tem uma outra história, tem uma outra história muito legal. Legal.

?Voz A

Hoje dá pra tu rir, né?

MCMarcial Conte

Mas eu suponho que no dia... Porra, é difícil, bicho. Do tipo assim, então vamos lá, comitê de crise. Daqui a pouco, porra, ó, Seu Marcel, tô com uma informação aqui, o sindicato... Porque tinha uns atrasinhos de folha, atrasava alguns dias, ia pagando por setor, ia pagando, com farinha dando, porque tem que pagar aluguel, tem que pagar luz, é muita coisa. E a empresa em dificuldade, bicho. É um avião pegando fogo. Às vezes o cara diz assim, ah, não entendo como é que o empresário tal não pagou a luz da loja.

Cara, não é que ele não pagou a luz, ele tinha outras coisas que estavam estourando aqui, ele precisava de produto, e aí ferrou. Aí chega lá a informação, sindicato vai fazer uma reunião hoje, tão marcando um parelaço, tão marcando greve. Falei, pô, aí é o final, né? E eu não podia deixar estourar. Aí eu falei, todo comitê de crise, não sei o quê, advogado aqui e ali. Eu falei, já sei, eu vou lá no sindicato. Não, como assim? Os cara que tem na sua cabeça!

Eu falei, é pra lá que eu vou. É pra lá que eu vou. Mas você vai lá? Vou no sindicato, vou lá falar com eles, vou acertar com eles, os caras vão ser razoáveis, vão entender, vão entender, eu não sou um cara desonesto, eu não sou um cara vigarista. Então, empresário com dificuldade, dificuldade de caixa, ferrou, pegou a crise, pegou a crise de 2008, os bancos tiraram minhas linhas de crédito, eu tô sem caixa, mas eu sou o mesmo cara Que ganhou as linhas.

Quer dizer, não mudou, mudou foi a situação. Não, vai fulano junto. Eu vou sozinho. Acho que nunca tinha acontecido isso, eu fui pro olho do furacão. Imagina os cara querendo pegar.

?Voz A

Os cara deve ter ficado até meio confuso.

MCMarcial Conte

Não, eu cheguei lá, deu uma confusão, porque os cara começaram a correr. Ô, o cara tá aí, o cara das farmácias. Como o cara tá aqui? O cara tá aí. Os cara, pô, no mínimo esse cara tá vindo aqui pra Sei lá, né? Aí eu fiquei lá esperando, daqui a pouco eu entro numa sala assim, 5 caras, os caras ficavam me olhando assim, né, cara? E eu de terninho, eu só puxo o terno, os caras pensaram, pô, agora vai nos matar, né? Agora vai matar, vai tirar uma espingarda, vai.

Eu só tiro aqui, puxo a camisa pra cima, dou uma volta, eu vim em paz, desarmado e de alma aberta pra pedir ajuda pra vocês. E realmente, cara, os caras me ajudaram. A gente fez um programa, fez um plano, eram 2, 3 rescisões por semana, e foi indo, foi indo, foi indo, fui pagando, pagando, ajustando. E assim foi, cara. E assim tem milhares de histórias.

?Voz A

E é nesse momento que tu começa a lidar com editora?

MCMarcial Conte

Não, não, não, não. Aí foi um longo período, aí foi um longo período. Aí parte da empresa foi vendida, parte da empresa, alguns Algumas lojas foram fechadas, foram vendidas, pessoas assumiram. E aí foi, aí tava tudo certo para as coisas andando e tal. Eu fiz uma viagem para fora, sempre tive ligação. Eu tenho uma mãe, uma irmã americanas, tenho ligação com elas até hoje. E aí numa viagem eu peguei um livro, que eu sempre li muito.

Eu sou cliente da Amazon desde 2000, americana. Eu sempre comprei, sempre trazia malas e malas de livros. E aí cheguei num livro, cheguei num livro, Outwitting the Devil. Aí eu olhei assim, Napoleão Hill, pô, Napoleão Hill sobre o diabo? O que que tem a ver Napoleão Hill com o diabo?

?Voz A

Esse livro, inclusive, pelo que eu li, esse do Mais Perto que o Diabo, ele ficou guardado, o manuscrito dele, um tempo, né? Pô, obrigado, cara!

MCMarcial Conte

Esse eu vou autografar pra você.

?Voz A

Muito obrigado, muito obrigado.

MCMarcial Conte

E eu peguei um livro em inglês, Outwitting the Devil, peguei o livro e falei, cara, esse livro é demais, parece bacana esse livro, pô, Napoleon Hill. Eu sei que ele tinha escrito Quem Pensa Enriquece, tinha escrito O Manuscrito Original, tinha escrito Atitude Mental Positiva, pô, mas esse livro eu nunca vi. O que Napoleon Hill tem a ver com diabo? Cara, que estranho isso. Comprei o livro, cara, eu comecei a ler ali em hora, li de um dia para o outro.

Cara, esse livro é um tapa na cara! Preciso levar esse livro pro meu tio, preciso levar esse livro pros meus amigos, esse livro vai ajudar um monte de gente que tá passando por dificuldade! Pô, esse livro é um tapa na cara, bicho! Aqui ele conta, ele faz através da própria alegoria do diabo, ele utiliza dizendo o seguinte: cara, eu vou te ensinar como é que o diabo faz pra te alienar, como é que o diabo faz pra sabotar tua vida.

E aí, porra, o que que eu faço? Pego o livro e, cara, agora eu vou chegar no Brasil, vou comprar uns 20 livros, vou dar de presente para os meus amigos, cara, todos que estão em dificuldade. Pô, tá aqui, cara, lê esse livro, porra, esse livro é demais, esse livro é do caralho, tem que ler. Volto para o Brasil, sei lá, uma semana depois, 10 dias depois, volto, chego na Saraiva, falecida Saraiva, chego lá, esse livro aqui, tal, tal, eu não sei como é que é a tradução, mas em inglês é assim, dá uma olhadinha, vê se tem alguma coisa parecida com isso.

Ah, esse livro não tem. Eu falei, tá, mas não tem porque não tem ou não tem porque não tem? Não tem porque nunca teve ou tá em falta.

?Voz A

Alguém nunca fizeram aqui, nunca vendeu aqui, ou não tem porque compraram tudo?

MCMarcial Conte

Não, nunca teve. Fui na Cultura também, falecido da Cultura. E aí? Não, nunca teve. Pô, que estranho. Aí comecei a pesquisar, a internet não é que nem hoje, né? Isso era 2013, 13 para 14.

?Voz A

Tu sabe quando ele foi originalmente?

MCMarcial Conte

2011. Tá, 2011 ele foi lançado e ele foi escrito em 1938. Isso, com o tempo guardado, 73 anos guardado. Aí fui pesquisar na internet, cara, nada. Pega o livro original, vou no email. Aí o Thiago Negro me pergunta lá no nosso primeiro podcast, Thiago Negro, eu sou mais esperto que o diabo. O primeiro, o PrimoCast, é mais esperto que o diabo. Aí pega lá, o bro, Foi um pitch? Que pitch nada, cara. Eu cheguei e disse assim, bem clichê: dear sir, madam, onde posso encontrar o livro em português? 3 dias depois volta um email de uma tal de Anídia Sturdill: olha, o livro nunca foi vendido os direitos pro Brasil, papapá, mas o senhor Dom Green, CEO mundial da Fundação Napoleon Hill, quer falar com você.

Ué? Comigo, cara? Eu tô aqui meio... Um pobre rapaz latino-americano meio quebrado, o que o cara quer comigo, cara?

?Voz A

Tu mandou perguntando só se já tinha o livro no Brasil.

MCMarcial Conte

Só isso. Onde eu podia achar o livro em português? Foi isso. Veio, não tem, ele quer falar com você. Vai comigo, cara. Marquei o Skypezinho, Skype, peguei meu iPadzinho, entro aqui, era uma terça, quarta de tarde. Entra aquele senhorzinho, cara simpática, cara de americano, cheirando a rico, cheirando a milionário, cheirando a dólar, camisa quadriculadinha. Falei, cara, esse velho deve ser rico pra cacete. E ele é. Aí olha pra mim, eu olho pra ele, eu sorrio pra ele, ele olha pra gente assim, you look so familiar to me, né?

O teu rosto me parece familiar, você parece familiar. Aí eu falei, olha, morençãozinho. Não, não, mas parece familiar, tem alguma coisa diferente aí, né? O teu sorriso parece sorriso do Clement Stone. Eu falo, não sei quem é Clement Stone. Ah, Clement Stone foi o cara que doou 400 milhões de dólares e que ajudou a fundação. E que uma hora e meia conversando com ele, fala, situação difícil, papapá, papapá. Até que ele olha, não sei como, não sei por quê, alguma coisa aqui e aqui me disse que você tem que levar isso para o Brasil.

Falei, não, já levei. Não, não, não, não. Levar a tradução, você tem que traduzir isso para o Brasil. Eu falei, por que que o senhor tá dizendo isso? Aí ele falou, não sei, alguma coisa me diz. Aqui vem a mão, aqui vem a mão divina.

?Voz A

Tu acredita em Deus?

MCMarcial Conte

Não, eu não é que eu acredito em Deus, eu vivo, eu vivo isso. Você vai perguntar qual é a minha religião? Não tem religião, eu sou um espiritualista, eu sou um espírita, mas eu assim, eu me dou com todas as religiões. Eu tenho muitos evangélicos e eu os respeito a todos, eu amo todos eles, e eu acho que todas as religiões têm muito a ensinar e têm muito a viver. E eu vivo Deus, pra mim a experiência com Deus é a mesma coisa que a experiência com você, minha fé é inabalável, minha fé em Deus é inabalável.

Até porque o cara que passa pelo que eu passei, se não tiver fé em Deus, se mata, irmão. É uma coisa horrorosa você passar por uma situação difícil, é uma coisa horrorosa, porque quando tá tudo bem, vem um monte de gente te abraçar, te beijar e tal. Não, quando começa a faltar grana, você vira É rápido. Você um dia tem 10 pessoas pra almoçar, no dia seguinte você não tem ninguém. É muito rápido.

?Voz A

Bom... Num dia tu tem um mês inteiro marcado só com gente foda, no outro caiu tudo.

MCMarcial Conte

E é rápido.

?Voz A

Não é 12 horas que caiu tudo.

MCMarcial Conte

Eu acho muito legal isso, porque hoje eu entendo que tanto sucesso quanto fracasso são impostores. Sucesso e fracasso são impostores. O que você tem que ser é leal consigo mesmo e tem que ter um propósito. Então sirva o seu propósito. Sem ter que agradar ninguém. Eu não quero agradar ninguém, eu sirvo o meu propósito. Então eu sirvo aquilo que eu acho que é o correto, aquilo que eu acho que é o certo.

?Voz A

Eu gosto de pensar assim, aquilo que tá dentro das minhas convicções, né?

MCMarcial Conte

A gente sempre, a gente sempre tem aquela coisa, eu orando para que a força das minhas convicções se mantenha sempre forte junto comigo.

?Voz A

Então o que aconteceu foi, bom, aí tu viu, aí o cara falou para você que tu tinha que trazer esse livro para o Brasil.

MCMarcial Conte

Foi, foi, foi. Acabei trazendo pro Brasil.

?Voz A

Mas calma aí, não é assim, foi, foi, foi, acabei trazendo pro Brasil. Eu suponho que o que que tu conhecia desse mercado?

MCMarcial Conte

Zero.

?Voz A

Então não foi bem assim, deve ter dado um puta trabalho.

MCMarcial Conte

Foi assim, vamos lá, eu comecei a conversar com pessoas, pedi pra ele, tá, me dá 2, 3 dias aí. Aí ele, tá bom, dá uma semana. Tá bom. Comecei a conversar com as pessoas, foi quase que unânime, você é louco, você é doente, o que você quer, um negócio desse? Você não tem ideia, você não tem ideia do que tá fazendo, você já tá cheio de rolo, cheio de problema, cheio de processo, cheio de coisa pra cima de você, você quer mais uma sarna pra se coçar?

Aí meu coração, meu coração diz assim, Tem que fazer, eu tenho que fazer. Isso é uma mensagem, cara, eu tenho que fazer, isso era mais forte que eu, muito mais forte que eu. E aí eu falei, sabe uma coisa? Liguei pra ele e falei, eu posso traduzir? Isso pode ser revendido pra uma editora? Pode, desde que pague a fundação.

?Voz A

Então tá bom, então ó... Então tu disse pro cara sozinho, a um, que tu ia trazer sem saber que porra é que tu tava fazendo.

MCMarcial Conte

Traz pra cá que eu vou traduzir isso.

?Voz A

Então foi meio do nada mesmo.

MCMarcial Conte

Foi do nada! Nada, nada, do nada. Na verdade, foi da minha intuição, mas gritou. Das poucas vezes que gritou, mas gritou de um jeito, Igor, gritou forte assim, do tipo sem dúvida, nenhuma dúvida. Sabe quando não tem dúvida? Cara, eu tenho que tomar esse caminho, mas se der tudo errado eu vou estar feliz igual, porque eu sei que eu tenho que tomar esse caminho. É isso. Aí Trouxe, eu comecei a tradução. Aí tem uma particularidade interessante, eu comecei a tradução e tal, tal, tal.

?Voz A

Você traduziu?

MCMarcial Conte

Eu traduzi, tá aqui, M. Conti Jr., Marcel Conti Jr. Eu comecei a tradução dele, cara, olha só, eu traduzi esse negócio, cara, sem nunca ter traduzido nada. E aí mais uma crítica, aí começou um monte de crítica, você vai traduzir, você não traduz nada, eu vou ser o primeiro, tem que ter o primeiro. Aí, pô, comecei a tradução, eu tô ali, cara, eu sou um débil mental pra teclado.

?Voz A

Deve ter dado um puta trabalho.

MCMarcial Conte

Não, não, eu sou ruim.

?Voz A

Daí aperta as teclas erradas, tem que dar backspace.

MCMarcial Conte

A Fabiana viu eu fazendo aquilo e falou, sai pra lá, sai pra lá, vem daqui, digita pra mim que eu vou te ajudar. Aí eu fico de pé, fico de pé, Eu caminhava com o livro original, as marcações, dava a frase, daqui a pouco ela dizia assim: a frase tá ruim, refaz. E assim foi, a gente foi fazendo durante 7 meses, é uma eternidade para traduzir. Ficou pronto, mandei fazer uma pequena revisão, comecei a mandar para as editoras, zero resposta, não tinha resposta.

E todos que deram resposta disseram não. Aí eu falei: sabe uma coisa? Eu vou Eu vou a São Paulo. A gente é de Porto Alegre, eu vou pra São Paulo. Eu fiz 20 bonecões assim, comecei nas editoras pra largar o livro, pra ver se alguém se interessava. Aí eu tive 3 propostas: uma razoável, uma ruim e uma muito merda. E aí foi, foi, foi.

?Voz A

De editoras?

MCMarcial Conte

De editoras. Aí numa editora, eu cheguei numa sexta-feira, era sexta-feira, eu tinha chegado aqui quarta-feira, comendo pão de queijo e correndo, né, cara? E dificuldade, dificuldade total. Vai, vai, vai. Chego lá, uma sexta-feira, o cara olha pra mim e falou, eu quero, me interessa, vou fazer. Eu falei, pô, top, top, tá tudo certo. Eu falei, tudo certo. Eu falei, tá, mas quantos você vai imprimir? Aí ele falou, 3 mil. Esse cara até já morreu. 3 mil.

Eu falei, 3 mil não, muito pouco. Não, como pouco? Falei, não, é muito pouco. Tá, mas deixa eu entender, o que você entende do mercado editorial? Nada. O que você sabe sobre livro? Nada. Então como é que você vai dizer não sei? Aí minha intuição, daqui a pouco, ah, mas você tá maluco, você é maluco.

?Voz A

Vamos abrir um parênteses aqui. Hoje, imagina você pra você.

MCMarcial Conte

Bom, aí que acontece.

?Voz A

Puta, isso é uma briga boa, hein?

MCMarcial Conte

Briga boa. Eu não faria também, nunca, nunca!

?Voz A

Mas você é tão chato que tu ia te convencer a fazer.

MCMarcial Conte

Ah, eu ia me convencer, eu ia me convencer, cara. Eu ia dizer, cara, vê livre desse cara logo. Aí, porra, aí, cara, aí ele olhou pra mim, ele tinha uns correntões assim, tá, uns correntões. Aí eu falei, tá, mas quanto você quer que eu faça? Aí eu falei, 20 mil. Quando eu falei 20 mil, esse cara se jogou pra trás, deu uma risada satânica, eu até fiquei com medo. Eu falei, cê é louco? Ele falou, pode ser, mas eu tô vendo as livrarias, tô vendo que os EVs que vendem são os que têm pilha, então tem que ter pilha.

Não, mas não sei o quê, não sei o quê. Aí na hora assim, Igor, meu ouvido não fecha. Não fecha. Gritou. Intuição? Ouvido, ouvi, eu ouvi. Não fecha. Eu falei, caramba, que loucura é isso? Aí ele, tá, deixa eu ver. Eu falei, porra, mais uma merda que eu vou fazer, né, cara? Eu sou um colecionador de merda, eu tô fazendo merda em cima de merda, ano após ano. E dando bosta e bosta, né? Mas tudo bem, vou fazer mais uma, vou ouvir a intuição.

Falei, tá, deixa eu pensar. Isso era uma sexta-feira, preciso correr para o aeroporto e tal. Corri para Congonhas, tinha um voo às 6 da tarde. A hora que eu sentei no avião, eu sentei e ouvi assim, a partir de agora os ventos vão soprar a teu favor. Busca investidor, busca gente, busca recurso. E vai fazer isso acontecer e vai espalhar essa mensagem. Foi isso que eu ouvi. Eu ouvi isso. Eu falei, cara, como é que eu não pensei nisso antes?

Aí começou a cair um monte de ficha assim. Cara, eu leio desde os 10 anos de idade, eu conheço porrada, eu sempre li sobre desenvolvimento pessoal, sobre mentalidade, né, sobre mindset, sobre business, eu li a vida inteira! Então, Pô, como é que eu não pensei nisso antes? Tá aí o caminho! Aí no outro dia, era um sábado, eu acordei, fui na Saraiva, papapá, bom, reuni as pessoas, reuni os investidores, cara, 23.830 exemplares. Uma loucura.

Quantos clientes eu tinha pra vender? Nenhum. Zero! Zero! Os caras disseram, Marcel, a coisa mais legal que eu ouvi de um cara do mercado editorial, um distribuidor, foi assim, Marcel, vou te contar uma coisa aqui, você não dava mal, tá? Quando o cara diz assim é porque ele quer, já sabe, é pra você se foder.

?Voz A

É tipo, com todo respeito.

MCMarcial Conte

Com todo respeito, mas você é uma idiota, entendeu? Então tipo assim, Marcelo, vou te contar uma coisa, você sabe como é que editor se mata? Você que agora tá entrando. Eu falei, não, nem sei se eu quero saber. Não, mas eu vou te contar, o editor se joga da pilha de livro. Tem uma pilha de livro que não consegue vender. Aí eu falei, não, cara, mas não é assim não. Aí falei com o meu pessoal, falei, gente, eu tô saindo e eu vou vender livro, eu vou sair pra vender livro, eu vou vender livro, eu vou fazer, vou acontecer.

Uma mala, uma mochila, e eu fui percorrer o Brasil pra cadastrar o livro. Aí começa uma nova saga. Aí vem uma outra saga, vem um outro, comendo pão de queijo e correndo livraria. Eu tinha que cadastrar na Saraiva.

?Voz A

Cadastrar um livro é pôr lá pra vender, porque tu já tinha 23 mil livros.

MCMarcial Conte

Tinha que vender. Tinha que vender, cara, tinha que pagar conta, tinha que vender, tinha que prestar conta para os investidores, tinha que fazer as coisas acontecerem, cara. O que aconteceu? Vou na Saraiva, não sou atendido. Volta, não sei o quê, tá aqui o telefone. Achei um tal de cara, sem citar nomes, achei o cara, esse cara, consegui o telefone da mesa dele. Todos os dias às 4:30 meu celular bipava para eu ligar para mesa dele.

Até o dia que ele falou, tá, vem aqui. Aí fui lá. Henrique Schallmann, 270. Subo na Saraiva. Pô, achei, pô, agora tô grandão, né, cara, vou pra uma salinha de reunião e tal. O cara me leva pra uma cozinha pequenininha assim, fico em frente à geladeirinha assim. Eu falei, pô, você não vai levar pra uma sala de reunião? Ele olha pra mim e fala assim, não, não, cara, você ainda não tem, né, tipo cacife pra ir pra uma sala de reunião.

Eu falei, não, cara, deixa eu te explicar. Não tem mais ego não, eu já quebrei, já fui esfacelado, já fui... Eu só quero que você bote o livro, cadastre o livro. Não, porque não dá, porque não dá, porque não dá, não dá, porque é uma editora de um livro só, não dá, não dá. Eu falei, tá aí, como é que eu faço? Não, não dá, não dá, não dá. E eu? Eu falei, cara, deixa eu te explicar uma coisa, você não tá entendendo, você não tá entendendo.

Vou explicar quem eu sou. Eu sou o cara que você vai estar batizando a sua filhada, eu vou estar do lado do padre. Cadastro livre. Você vai pra sua lua de mel, eu vou tá na porta do motel, cara. Cadastro livre. Você vai tá— aí ele olhou assim, pô, você é um pé no saco, meu senhor. Eu sou pior que isso, eu sou imparável. Mas eu não sou chato não. Se você cadastrar, eu vou ser queridão com você. Mas se você não cadastrar, bicho, você não entendeu.

Eu vou chegar no Jorginho Saraiva, eu vou chegar onde tiver que chegar, eu vou acampar aqui na frente, eu vou me acorrentar, eu vou fazer greve de fome, eu vou O senhor não tá entendendo, não tem não, não tem não, é assim. Aí ele, tá, tem um jeito. Aí falou, agora vamos ver livro desse cara, tem que vir pedido das lojas. Eu falei, é isso? Logo mais a gente se fala. Aí ele falou, esse cara vai embora, vai sumir, esse maluco, maluco.

Percorri toda Saraiva, São Paulo e Rio. Que que eu entrava? Entrava na Saraiva, dava, era gerente, subgerente, vendedor especial. Eu dava livro pra todo mundo, tinha livro pra caralho, eu carregava livro na mala, dava livro pra todo mundo e dizia assim, falei assim, cara, seguinte, ó, me deixa fazer uma mini palestra dentro da loja para falar sobre o diabo. E aí, com essa mini palestra, eu vou só pedir para as pessoas mandarem um email.

Pô, Marcelo, não dá. Eu ficava amigo dos caras, mas não dava. Vai vir o supervisor, cara. Se vier o supervisor, eu saio correndo, eu vou embora. Tá, tá bom, rápido, você tem 20 minutos. Aí eu chegava lá, Igor, fulano, ciclano, Fabiana, quer ouvir eu falar sobre o diabo? No final eu dou um livro de presente. Ó, qual é a pegadinha? Não tem pegadinha. No final eu conto. Ah, mas tem pegadinha? Não tem pegadinha, vai ganhar um livro.

Vou ganhar? Vou. Aí reunia 3, 4, 5 pessoas, falava sobre o diabo, no final dava o livro e dizia, ó, negócio é o seguinte, agora você manda um email pra tatatá@saraiva, manda email pra ele, pede que você quer que tenha o livro aqui.

?Voz A

O cara fazendo militância digital antes da militância digital.

MCMarcial Conte

Dentro da Saraiva pra ele poder cadastrar. Passou um mês, cadastrou. Aí me ligou um cara que ficou muito meu amigo depois, um comprador da Saraiva, Aí botava, nós vamos botar livro então, Marcelo. Falei, caramba, cadastrei uma editora de livro só, cadastrei. Cadastrou, veio um fax, fax, né, um fax. Entrou o fax, pá, cadastrou, lindo. Falei, tá, vamos botar 5 mil livros? Não, não, é 1.500. Volto para Henrique Schalma, negócio é o seguinte, fulano, tá tudo certo, só botar 1.500, só o seguinte, Você vai se ver livre de mim, mas com uma situação: você bota os 1.500, tem que estar nas lojas.

Se em 60 dias estando nas lojas— vou passar em cada loja para olhar, eu vou passar— se tiver bem exposto nas lojas e não vender, eu nunca mais volto aqui, não vem nem para cobrar. Em 12 dias acabou tudo. E aí começa a história, e aí o livro começa, e aí o livro começa, e aí vai. Aí eu vou pra lá e tem mais muitas histórias, mas essa é uma das principais. Aí o livro começou, aí começa a pegar atração, aí o Thiago Negro se apaixonou pelo livro, aí o Joel se apaixonou pelo livro, e aí foi, e aí começou, e aí, cara, o livro foi, e aí acabou.

?Voz A

Mas aí tu ficou sendo editora de um livro só um tempo?

MCMarcial Conte

Não, eu já fui pros Estados Unidos de volta, e aí—

?Voz A

Quando virou, tu entendeu?

MCMarcial Conte

Os investidores deram ok, buscamos mais livros, buscamos mais títulos, E aí, cara, e aí começou toda uma—

?Voz A

O nome já era Citadell? Já era Citadell.

MCMarcial Conte

Por que que o nome é Citadell?

?Voz A

Não faço ideia. Por que que são uns pinguins?

MCMarcial Conte

O pinguim, o pinguim, o pinguim é uma história muito legal. É que eu tenho a parte, a parte, tem a parte que é a parte, a parte que tu conta e a parte que tu não conta. Isso. Você quer qual?

?Voz A

Eu quero a que tu conta, depois tu me conta a que não conta.

MCMarcial Conte

Tá bom. Bom, primeiro é o seguinte: o pinguim é um animal muito fiel e muito resiliente. O pinguim, ele caminha, o pinguim imperador, ele caminha 120 km para ficar junto da esposa dele, e ele é fiel para poder fazer a cópula, para poder fazer os filhos. Então, o pinguim para mim é um exemplo de resiliência. A minha vida é uma vida de resiliência total, é uma vida estatisticamente improvável, existe uma improbabilidade na minha vida.

Então, a improbabilidade, ou seja, a probabilidade de dar tudo errado é muito maior do que dar tudo certo. Mas isso aí, aí vem o poder da fé, vem o poder da garra, vem o poder da vontade e aquilo que eu chamo, que os índios chamam de intento inflexível. Intento inflexível. Então assim, o que que é um intento inflexível? Ele é muito além de um desejo, ele é muito, muito além de um desejo ardente. Ele é um propósito que você não abre mão e não negocia de jeito nenhum.

Você morre por ele. Algo assim, cara, ou é isso ou nada. Então a minha vida sempre foi assim. E cidadão, porque cidadão? Pelo imperador romano Marco Aurélio. Marco Aurélio tinha um termo, e ele cunhou isso no próprio corpo, eles usavam isso, os estoicos usavam isso, Sêneca, Marco Aurélio, Epicteto, que é, ele tinha um termo que era inner citadel. O que que é inner citadel? É a fortaleza interior. Então não importa o que aconteça, não importa o que que as pessoas estejam falando do Marcial, do Igor, do fulano, do Beltrano, não importa o que aconteça, você tem a sua fortaleza guarnecida.

Então pode chover, pode cair, pode as pessoas te criticar, pode fazer o que quiserem, você sabe quem você é, você sabe qual é o teu propósito e você tá consistente com os teus propósitos. Então você tá de pé, você não precisa explicar para ninguém, você sabe, você tá consistente com as suas ideias, com as suas convicções, e a sua fortaleza tá guarnecida. Pode vir, pode vir trovoada, pode vir porrada, pode vir míssil, sua fortaleza tá ali, sua fortaleza interior.

Que é o que importa. Muitas vezes as pessoas tentam guarnecer a fortaleza exterior, ou seja, o exterior. Ah, o exterior tem que— não, cara, eu sou a favor de ter o interior. Se o interior tá guarnecido, o exterior vai acabar acompanhando.

?Voz A

Isso aqui fala bastante disso que você tá falando também.

MCMarcial Conte

Fala muito, fala muito, fala muito. Na verdade, fala também aqui muito importante uma coisa muito legal. Napoleão conta as próprias subidas e descidas dele, as quebras dele, quando ele quebrou, quando ele foi, os momentos difíceis que ele passou e os momentos livros e que ele também teve dificuldade para fazer o primeiro livro dele, que foi em 1923. Acabou, ele fez em 1923, acabou sendo lançado em 1928, onde ele foi para um hotel ruim para mandar, para lançar um livro, né?

Teve difícil, cara, e é difícil, cara. E se você perguntar para mim assim, Marcelo, como é que é hoje? Você consegue dar atenção para todo mundo que manda? Hoje já não dá mais. Imagina que a Citadel recebe centenas São centenas por semana de gente querendo publicar livro.

?Voz A

Nossa, isso é muito. Ouve todas as histórias do mundo, né?

MCMarcial Conte

A gente acaba ouvindo as histórias e aí acaba tendo que— não tem, não tem, tem limitações, né? Até porque o mercado tem limitações. Mensalmente são lançados 2.500 novos livros no Brasil por mês. Assim, mensalmente 2.500 novos livros. Então imagina que— e aí para você ter espaço para você conseguir fazer um bom trabalho de marketing, Porque a Citadel faz isso, a gente não quer ter o maior catálogo, a gente quer ter um catálogo certeiro, a gente lógico que não acerta tudo, mas a gente tem um catálogo bem certeiro onde os livros acabam se tornando grandes best-sellers. Hoje a gente tem um número grande de best-sellers.

?Voz A

Nesse catálogo certeiro que tu tem, tem o Clóvis, não é?

MCMarcial Conte

Porra, tem o Clóvis. O Clóvis, a história é muito legal, você vai adorar. Foi o meu terceiro autor. Claro, porque eu sempre fui apaixonado pelo Clóvis, como sou até hoje.

?Voz A

E como tu é muito chato, tu—

MCMarcial Conte

No Clóvis não precisou, porque eu fui assim, ó.

?Voz A

Não precisou? E se tivesse precisado?

MCMarcial Conte

Hoje o Clóvis, eu e o Clóvis falamos hoje todos os dias. Maneiro. Você sabe, a gente é amigo, eu trouxe ele aqui já 3 vezes, a gente fala todos os dias. Hoje assim, eu posso dizer que é um dos meus melhores amigos, a gente é amigo hoje pessoal. E assim, invejável. Assim, o Clóvis é um amigo, imagina que eu tenho um amigo, meu melhor amigo, digamos assim, é o Clóvis e eu posso discutir coisas com ele quando eu tenho dúvidas também.

Eu digo, pô, professor, me dá uma luz aqui. Aí, pô, é o Clóvis. Então assim, é um privilégio, né? É um tremendo privilégio. E o Clóvis é assim, eu cheguei pro pessoal e falei, marquem uma reunião com o Clóvis.

?Voz A

Do nada?

MCMarcial Conte

Do nada, do nada. Aí falei pra Pamela, nós temos que falar com o Clóvis e tal.

?Voz A

Já tava bem financeiramente?

MCMarcial Conte

Não, não, não, que nada. A editora era um Editora era mínima, tinha 3 livros, 4 livros, tinha nada, mínima, mínima, tava começando. E aí foi, a Pamela marcou com o Clóvis café da manhã, ele ia dar uma palestra num banco lá no sul. Marca um café da manhã com ele. Marcou. Aí o Clóvis, sempre sendo o Clóvis, Clóvis sempre humilde, sempre querido, sempre. Clóvis senta na mesa, começamos a conversar. Aí chegou o ponto de eu fazer o pitch, né, professor?

Eu sou seu fã. Pô, que legal e tal, aquele jeito dele, né? Mas sou um grande fã, eu sou apaixonado pelo senhor. E assim, nossa, assim, essa editora é muito pequenininha. Mas assim, professor, não é que ela é pequenininha, ela é ínfima. Não, não, professor, deixa eu te explicar, é minúscula. É pequena, é muito pequena. Aí ele olha, arria os óculos. Mas é tão pequena assim? Eu falei, professor, é muito pequena, é muito pequena. Mas assim, a gente tem muita vontade de ter você aqui com a gente.

Qualquer livro que você quiser, do jeito que você quiser, da maneira que você quiser. Eu queria muito publicar você, eu queria muito poder trabalhar o seu livro, mas a gente tem um catálogo muito pequeno, a gente é pequeno, mas A gente vai crescer, a gente vai crescer. Ele olhou assim, mas é pequena mesmo? Eu falei, puta, fudeu, né? Aí eu falei, muito, professor. Ele falou, então eu quero.

?Voz A

Foi até fácil então, né?

MCMarcial Conte

Foi o Clóvis, né? O Clóvis sendo o Clóvis, toda aquela generosidade dele, ele é assim. O Clóvis, aquilo que ele fala aqui é o que ele é, cara. O Clóvis vive aquilo, ele é daquele jeito mesmo, é exatamente daquele jeito. O Clóvis, eu tenho que ter um problema quando eu digo pra ele, você quer ver? A mochila que tá lá em cima, eu chego na casa dele e olho assim, porra, professor, que mochila do caralho! No outro dia, ele vai tomar café comigo, não, professor, é a mochila que você trouxe pra você da Itália!

É sua. Não dá pra elogiar um casaco dele, ele me dá. Ele tira do corpo e me dá. Esse é o Clóvis. Esse é o Clóvis, ele é assim. E ele olhou, é pequeno mesmo, então eu quero. E aí, a partir daí, eu passei a ser o editor do Clóvis, onde a gente edita todos os livros.

?Voz A

Mas o primeiro, qual foi o primeiro?

MCMarcial Conte

O primeiro foi Mais Esperto Que o Diabo.

?Voz A

Não, não, do Clóvis.

MCMarcial Conte

O primeiro livro do Clóvis é uma história muito— o primeiro livro do Clóvis foi um livro chamado Devaneios Sobre a Atualidade do Capital. E ali foi um livro totalmente, totalmente diferente dos outros. Tanto que depois o professor mudou Toda a linha dele hoje, você pode ver que hoje os livros estão bestsellers. Ele lançou agora, nós lançamos o Ilíada e Odisseia, eu até vi, tava lá na frente, tá aqui ele, ó, aqui ele, ó, o Ilíada e Odisseia.

?Voz A

Tem lá em casa também esse.

MCMarcial Conte

O Ilíada e Odisseia, cara, o Ilíada e Odisseia tá bombando, é top 100 na Amazon, contado por ele, daquele jeito dele, do jeito Clóvis de ser, cara, espetacular, espetacular demais. Aí, deixou uma aqui autografada, tá autografado por ele, cara. Então assim, é muito legal isso, Igor, é muito legal isso. Aliás, eu quero fazer o seu livro, eu quero ter essa—

?Voz A

Será que esse é o momento?

MCMarcial Conte

Não, pô, claro que é o momento, sempre é o momento, cara, sempre é o momento. O momento é esse, o momento é agora, o momento é agora. Tem que contar, cara, contar o que é de bom, contar o que é de ruim, contar as lições. Bicho, a vida é isso, a vida são as lições. Eu não tenho vergonha de nada do que eu passei, eu tô de cabeça erguida sempre, cara. O que eu errei eu peço perdão, o que eu acertei eu digo nós acertamos, porque a vida é isso, cara.

Triste de quem nunca passou por dificuldade, porque daí o cara fica muito arrogante, fica muito se achando. Eu não tenho arrogância nenhuma, bicho. Pra mim é tudo estatística, é estatística. Tem coisa que tem grande probabilidade de dar certo, tem coisa que eu acho assim, pô, isso aqui vai ser puta sucesso, foi uma merda. Tem coisa que tu acha assim, isso vai ser uma merda e vai ser um puta sucesso. Cara, depende muito. Só que você fica mais flexível para vida.

Esse é o grande negócio. Então hoje eu tenho assim 11 bilionários autores, falo com eles por vídeo. Eu falo por vídeo com o Jorge Gerdau, falo com uma porrada de autores, autores americanos. Os caras não estão nem acostumados com isso, assim, meu jeito de ser assim. Então os caras vão lá meio duro assim, e eu vou e vai, vem para cá, vem, vamos bater foto, vamos fazer isso, vem cá, vamos conversar, chama aqui. Então, sabe, essa coisa assim de você amar o que faz.

Que nem você, cara, você faz isso aqui de chinelo, perto dos caras. Pô, e olha o sucesso que você tem, cara. Mas ninguém olha o outro lado também, ninguém olha como é que você chegou aqui, você não olha a luta que você é para se manter aqui. É luta, é uma luta diária, a luta diária. E para mim também é. Esse é o bonito da história. O problema é quando chega na capa da revista. Pode ver o seguinte, tem um cara Tem um americano assim: não compre ações quando o cara chegou na capa da revista, porque daí já tá indo, já foi.

É que o cara já tá tentando manter aquilo que ele já fez de certo. Então assim, entendeu? Quando tá na capa da revista, cuida, fica de olho, fica esperto. Porque então assim, cara, é uma luta diária, é uma luta diária. Mas quando tem amor, quando tem essa paixão, quando tem essa vontade, que nem você, cara, você transpira. Ah, por que que o Flow fez sucesso? Porque nem você sabe explicar. Se você for explicar, você vai ter um...

?Voz A

Eu vou falar umas paradas mais técnicas, com certeza, vou falar algumas coisas que eu imagino, é.

MCMarcial Conte

E você acha que ninguém, não teve outros que fizeram coisas talvez técnicas iguais a você, ou até melhores, e não deu certo?

?Voz A

Eu acho que faltava pra eles a querência. Querer muito.

MCMarcial Conte

Ai! Querência. Gostei dessa aí, hein? Vou usar.

?Voz A

Querência é uma das coisas mais importantes.

MCMarcial Conte

É o intento inflexível. É do tipo, cara, eu não vou desistir, eu não vou desistir.

?Voz A

Eu sei que tem uns cara que não vai me ganhar só porque eu sei que eu quero mais que eles, entendeu?

MCMarcial Conte

É lógico, cara. Você quer mais, você vai fazer. E vai vir a dificuldade e você vai passar por ela e vai fazer acontecer igual. E, ah, mas não deu desse jeito, vai desse. Não deu desse, vai desse. Meu, você vai fazer o que tiver que fazer. Agora, a gente tá vencido quando para. Porque qual é a única coisa que o cara não pode fazer quando tá caminhando pelo inferno?

?Voz A

Só não pode parar.

MCMarcial Conte

Meu, tá no inferno, vai caminhar, você vai achar a saída, né? Às vezes a pessoa que tá nos ouvindo, tá nos escutando, acha assim: ah, agora é tudo lindo, tudo maravilhoso, pô, legal, Marcelo, editor dos 11 bilionários, editor dos cara mais top. Os maiores influencers, cara, a luta que foi pra chegar até aqui e a luta que é pra manter, o que você tem que aprender, o que você tem que abrir mão, é muita coisa que tem que abrir mão, como você.

Quantidade de coisa que você teve que abrir mão ou tem que abrir mão ainda pra tá aqui.

?Voz A

Ah, sim, eu acho que eu entendo, é, ficar grande dá trabalho, né?

MCMarcial Conte

Dá muito trabalho. Até porque você vai para vitrine. E aí, assim, você pode falar aqui, eu posso falar aqui as coisas mais racionais e mais de bom senso que existem, metade vai achar de bom senso e metade vai discordar de mim. Vai acontecer igual, igual. Você pode falar coisa de bom senso, você pode falar a maior loucura aqui, metade vai concordar e metade vai achar. Cara, então assim, não se preocupe com isso. Aja de acordo com aquilo que a sua fortaleza interior, a sua cidadela interior, tá dizendo que você tem que fazer, de acordo com o seu propósito. O problema é não ter propósito, é aí que o diabo ataca.

?Voz A

Então assim, na hora de fazer, na hora de fazer a tradução, isso aqui, isso que você falou, se traduz talvez no seguinte, ó: hoje eu tava, eu tava, eu peguei um Uber, né, para você pegar um Uber para, bom, aí eu tava trocando ideia com um cara E ele falou que ele tava fazendo Uber, tava num carro maneiro e tal. Perguntei do carro, aí foi evoluindo o papo e ele falou que tava no Uber fazendo uma grana porque tava com filho recente, não sei o quê.

E ele é técnico em enfermagem. E ele tava me contando um pouco ali e eu tava ouvindo e eu tava entendendo que, putz, o cara ele tava talvez resolvendo um problema, sabe? Tipo, pondo um band-aid. Manja, vou de Uber aqui, vou, porra, agora eu tô com, agora, mas o que eu tentei dizer para ele foi, cara, o teto aí tá baixo, talvez fosse maneiro, tu gosta de saúde, tu querer ser médico, porque tudo, se tu não, se tu não quiser, se tu não, se tu não pensar que é possível, entendeu?

Isso aí, aí, meu irmão, aí morreu, porque aí, aí o que que acontece, o cara ele vai ter, não é, não é nenhuma vida horrível que eu tô dizendo, que eu tô dizendo é O cara vai ser técnico em enfermagem e Uber, e isso tem um teto. Então ele não consegue, por exemplo, se mudar pro Brooklyn.

MCMarcial Conte

Não significa que seja ruim, você tem que ver se tá de acordo com o que ele quer.

?Voz A

Exatamente.

MCMarcial Conte

Porque daqui a pouco ele quer mais, mas ele não consegue enxergar. E aí eu tô trabalhando numa ideia junto com o Dom Green, que hoje é meu mentor pessoal, falo com ele toda semana, e aí justamente sobre isso. Napoleon Hill fala, o que você falou aqui é o que Napoleon Hill fala em todo o trabalho dele. Tudo começa no desejo. Ele chama de burning desire, que é um desejo ardente. Eu chamo de intento inflexível. É o desejo.

?Voz A

Eu chamo de querência.

MCMarcial Conte

Querência. Você chama de querência. Legal pra caramba, tá aí, ó. Isso pode ser o título do livro. Querência. É do caralho, hein? Que puta título, hein, Igor?

?Voz A

Querência.

MCMarcial Conte

Querência. Eu gostei. Tem que nascer aqui daí e evoluir isso. Querência, cara. Porque se não tiver querência, não tem nada. Você vai ficar onde tá, porque se você não consegue vislumbrar que você pode ter um futuro diferente— porque eu tava no meio da dificuldade, eu tava no meio do rolo, né, cheio de problema, cheio de oficial de justiça na minha volta, cheio de rolo. E eu disse assim: eu nasci para ter sucesso. Isso aqui é uma— isso que é um passo.

Isso aqui, na verdade, a vida A vida é um filme, o que eu tô enxergando é só uma foto. Então vem muita gente que vem com pena e tal, e eu dizia, gente, ó, por favor, não tenham pena de mim, eu tenho saúde e vou tocar a vida para frente, faz parte. O que você tá enxergando é uma foto, a vida é um filme. Isso aqui vai virar o jogo, o jogo vai andar, é uma sequência de fotos, você só tá enxergando uma foto. Então às vezes a pessoa só enxerga uma foto.

Por isso que a pessoa tá numa dificuldade, não consegue enxergar, não consegue vislumbrar. Cara, pensa o seguinte: tudo é possível. E eu sou testemunha disso, cara. Tudo é possível. Você vai, sabe aquela coisa, o cara entrou num tubo, um tubo, e aí você tá assim, pô, o cara sumiu, o cara foi engolido pela onda, daqui a pouco o cara sai do tubo. Cara, é possível, é possível. Só que você tem que querer. Aí vem a querência. Se você não tiver querência, não tiver o intento inflexível, Você não vai chegar.

Então você tem que— aí os caras dizem, pô, mas você gosta da teoria aquela da atração, a lei da atração, teoria da atração? Só que o seguinte, a lei da atração na verdade é uma forma de você criar sinapses e dizer para o seu cérebro o seguinte, cara, existe uma outra possibilidade e eu quero que você me ajude. Você imagina, se o Cláudio te ajuda, se o ChatGPT te ajuda, imagina a tua mente. Que criou tudo isso. A nossa mente pode muito mais.

Então você joga o problema para ela, ela vai ter. Ela é muito, ela é muito, ela é milhões de vezes superior a uma inteligência artificial, porque ela é inteligência divina. Você tem a chispa divina dentro de você, então você tem o poder para transformar. Agora, você tem um preço a pagar. Você vai ter que comer pão de queijo, você vai ter que rolar com mala, com mochila, entendeu? Eu ferrei minhas costas. O ano passado tive que operar a coluna.

Eu andava com 20 kg em livro nas costas e andei durante 10 anos com 20 kg de livro nas costas, dando livro para um, dando livro para outro, vindo aqui, vindo ali, né? Não vi aqui quantas vezes que o professor lá, pô, Igor, olha aqui isso aqui, olha esse livro. Quer dizer, eu fiz isso com milhares de pessoas. Por quê? Porque é nesse trabalho que é feito, que as pessoas não acreditam no trabalho de formiguinha. Elas esquecem que uma corrida de de 60 km começa num passo, e é assim que começa.

?Voz A

E tem uma outra coisa sobre isso que a gente tá falando, sobre a querência inclusive, que é que na verdade tem a ver primeiro com o passo anterior, que é saber que é possível. Às vezes a gente fala assim: nossa, olha como eu fui sortudo nesse troço aqui. Às vezes quando a gente compra um carro, se você comprar, você comprou hoje um sei lá, um Kwid. É que o Kwid é muito comum, mas se você comprar um carro, você vai começar a ver esse carro repetidas vezes.

Por quê? Porque agora ele faz parte do seu universo. Isso aqui vai parecer que todo mundo tem o mesmo carro que você. Aí me parece que a vida, ela tem as suas possibilidades. E a vida tá aqui, a vida é, a vida é, e ela tem as possibilidades. Eu só enxergo os padrões ou as oportunidades quando eu sei o que, para onde eu tô olhando, ou o que eu devia estar procurando. Né? Então eu só sei que algo é possível, eu só sei, eu só consigo encontrar o caminho para uma parada que eu quero a partir do momento que eu quero, né?

MCMarcial Conte

Me parece exatamente, exatamente isso aqui.

?Voz A

Então não adianta ficar parado esperando porque nada vai chegar, porque nada chega nunca. Não é que as coisas chegam, é você que se colocou na posição de estar pronto para aquilo e tudo mais, né?

MCMarcial Conte

E é assim, e muitas vezes a gente fala e parece que tá sempre chovendo no molhado, aquela coisa tipo assim, pô, mas por quê? Porque É importante as pessoas saberem disso. Esse negócio da resiliência não é uma teoria, isso é prática, é você realmente colocar na cabeça, você saber que é possível, você faz um plano e vai em frente. Normalmente, porque assim, o mapa nunca é o território, não pode esquecer disso, o mapa não é o território, mas você tem que ter um mapa pra ter uma ideia pra onde vai.

Lá no território você vai ter que desviar do buraco, lá no território talvez você vai cair no buraco, você vai ter que sair do buraco.

?Voz A

E não é que o plano deu errado, é que o plano não era perfeito desde o do começo.

MCMarcial Conte

Porque nunca foi, nunca será. Mas por quê? Não sei. Porque não é.

?Voz A

Porque essa é a vida.

MCMarcial Conte

Porque essa é a vida. Ah, mas por que que é assim? Não faço ideia. Não tem ideia, né? Aí eu tô—

?Voz A

não, mané, como esse buraco aqui não dá para passar ali. Claro que dá, irmão. Pula, pô, passa pelo lado, se vira, pô. Só que tu tá vendo, tá caindo buraco só, não vai direto para o buraco, né?

MCMarcial Conte

E aí você usa a experiência, sabe? Que acho que é por isso que os livros são tão importantes, que as pessoas usam a experiência do outro Usa a experiência do outro para você ficar, eu não vou cometer o mesmo erro, eu vou usar, eu vou emular, eu vou, eu vou buscar o que o cara fez de errado e não vou fazer. Eu tava indo para o podcast com Joel, 30 minutos antes eu tô lá em Alphaville. Aí eu tava com uma dúvida na cabeça, que eu sempre tive essa dúvida, e eu tava tentando buscar a resposta. Existe uma linha muito tênue entre resiliência e estupidez. Concorda comigo?

?Voz A

Concordo, concordo, concordo pra cacete.

MCMarcial Conte

É tênue, né? Porque uma coisa assim, cara, até que ponto eu tô sendo resiliente ou tô sendo estúpido?

?Voz A

Então, e deixa eu só adicionar uma coisinha, porque eu concordo na verdade pra cacete. Porque eu já quis muito coisas na minha vida na hora errada, então eu estava sendo estúpido, entendeu? Graças a Deus algumas eu consegui, E me fuderam, sabe qual é? Então é normal. Então eu fui resiliente, só que não, eu fui estúpido.

MCMarcial Conte

E eu muito mais do que resiliente, muito mais estúpido que resiliente, certo? Vou fazer 23 mil livros, é uma estupidez. Só que deu certo, mas a chance de dar errado era gigante. Então assim, aí eu tô com aquilo na cabeça, pô, quantas vezes tu ouviu no teu ouvido que era para fazer isso na tua vida? Cara, porra, antes disso, cara, eu tinha certeza que era isso.

?Voz A

Então, então nesses casos talvez vale a pena uma maluquice.

MCMarcial Conte

Não, tem que ser, tem que ser. Aí eu, 30, 40 minutos antes, eu ligo pra quem?

?Voz A

Mas antes vai no psiquiatra, que talvez tu seja só esquizofrênico, né?

MCMarcial Conte

É possível, é possível. Ligo pra quem? Pro Clóvis. Ah, professor, eu tô com uma dúvida aqui, eu vou entrar no podcast com o Joel e eu quero falar sobre isso, me dá uma luz aqui, me ajuda. Melhor destrinchar a ideia. Manda, Marcel, manda! Professor, há uma linha muito tênue entre resiliência e estupidez, certo? Discorre sobre isso, professor, fala comigo sobre isso. Cara, ele deu uma aula, bicho. Ele deu uma aula rápida e me abriu assim.

Marcel, vamos lá. Primeira coisa, você tem que ter um propósito, e esse propósito Tem que ter valor pra você. O que significa valor? Algo que você vai morrer por aquilo. Então se você tem um propósito, aquilo tem um valor, assim, aquilo é o valor da sua vida, você tem valor pra aquilo. Aí ele deu o exemplo: como eu explicar. Eu explicar é o maior valor da minha vida, eu sou Clóvis o Explicador. Então, isso tem valor pra você? Você é marcial ou editor?

Editar para você não é sua vida? É minha vida, eu amo isso. Eu adoro fazer livro de todo mundo, eu adoro. Eu tenho tarimba para fazer o livro, eu tenho tarimba para dar título, eu tenho tarimba para ter ideia, eu sei onde tem que botar as ideias. Então, isso tem valor? Tem. Então você vai lá, se tem valor para você. Então, se isso tem valor para você, embora possa ser uma estupidez, Aguenta o tranco, porque tem valor. Então o valor todo não está na linha tênue entre resiliência e estupidez.

É assim: se aquilo que você se propôs a fazer é de um valor inestimável, inegociável para você, meu amigo, aguenta o tranco, passa por estúpido, passa pelo que tiver que passar e vai até conseguir. Mas Qual é o limite da estupidez? Aí o jovem pergunta, né, Marcelo, qual é o limite da estupidez? Falei, cara, eu não tenho a porra da ideia. Eu sei o seguinte, pra mim o limite da estupidez é até conseguir. E foi o que eu fiz a vida inteira com a minha vida.

Eu não sei o limite da estupidez. E tô pouco me lixando se os caras vão me chamar de estúpido. Eu tô pouco me lixando se os caras vão me chamar de idiota. Tô nem aí. Isso é opinião do cara. É opinião dele. E pode ser que eu seja mesmo. Então, assim, Cara, eu vou até conseguir o que eu quero. Essa para mim é a linha, essa para mim. Qual o limite da estupidez? É conseguir o que eu quero. Eu vou até conseguir, eu vou até chegar, passando por todas as etapas que tem que passar.

Então, lógico que você vai ter que fazer muitas vezes desvio na rota, né? Quando diz, como diz lá Marco Aurélio, lá um dos grandes estoicos, que eu amo os estoicos, É assim, tem momentos em que o obstáculo é o caminho. Quando o obstáculo se torna o caminho, ele é o caminho. Então, meu amigo, obstáculo é o caminho, vai, vai pelo obstáculo, vai embora, ele é o caminho. Ah, mas não tem outro obstáculo? Se tornou o caminho, então ele é o caminho, então vai.

Gostei. Não é assim? Quando o obstáculo é o caminho, meu amigo, vai em frente, porra. Não esmorece.

?Voz A

Marcial, cara, essa, essa gostei de entender melhor como acontece a coisa toda. E muito interessante ver que tu se torna então um executivo com que é bem mais, que tem uma história mais, vou chamar de humana. Humana seria um desrespeito com os outros caras, mas ela é uma história mais intensa, vai. Então uma história mais de uma de ir muito ao fundo e depois tá numa posição muito legal, que eu, você me contou antes da gente começar, que a Citadel tá entre as 10 maiores editoras do Brasil hoje, que quando foi procurar o Clóvis era tão minúsculo que ele quis, né?

MCMarcial Conte

E ele quis.

?Voz A

Então muito foda, obrigado pela moral, cara, obrigado por vir aqui me contar isso tudo.

MCMarcial Conte

E você, a hora que você quiser, você vai ser publicado pela Citadel com maior alegria, e eu vou trabalhar no seu livro. Então a gente, querência. Eu adorei esse título, Querência. É do caralho, cara, é do caralho.

?Voz A

Vou precisar de ajuda então. E eu espero que tu também não tenha assim um prazo muito apertado.

MCMarcial Conte

Não, a gente vai fazendo com calma, tá bom?

?Voz A

Então vocês que assistiram aqui, eu espero que vocês tenham anotado aí o que a gente conversou aqui. Espero que tenha valido para você em alguma medida, com certeza sim. E segue o Marcial, a gente vai deixar tudo aqui no comentário fixado. Tanto sobre a Citadel, que é a editora, quanto sobre o Marcial CPF, tá bom? Então muito obrigado pela moral e a gente se vê depois, tá bom? Tchau!

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