Episódios de Flow Podcast

INGRID GUIMARÃES + MÔNICA MARTELLI - Flow #639

24 de agosto de 20262h1min
0:00 / 2:01:25

Aquela amizade tão forte que virou filme

Participantes neste episódio3
I

Igor 3K

HostComediante
I

Ingrid Guimarães

ConvidadoAtriz
M

Mônica Martelli

ConvidadoAtriz
Assuntos9
  • Trajetória ProfissionalDesafios da comediante mulher·Protagonismo feminino·Machismo na TV·Os Homens São de Marte·Lei Rouanet
  • Feminismo e ConscientizaçãoAbuso naturalizado·Consciência de gênero·Feminicídio·Empatia e diversidade·Me Too
  • O Filme 'Felizes Para Sempre?'Amizade no cinema·Relações amorosas·Menopausa e ressignificação·Protagonismo feminino·Humor e emoção
  • Amizade e CarreiraAmizade Ingrid e Mônica·Trabalho em conjunto·Chico Total·Bicho O Quê?·Por Amor
  • Cinema Brasileiro e ResistênciaLei de cota de telas·Streaming vs Cinema·Experiência coletiva·Público jovem (Geração Z)·De Pernas pro Ar
  • Maternidade e FilhasAdolescência e pré-adolescência·Rede de apoio feminina·Furo de orelha em bebês·Desenvolvimento infantil·Independência financeira feminina
  • Viagem para IbizaDuas Ibizas (festa vs família)·Perrengues de viagem·Machismo em serviços·Dinâmica da dupla·Citroën
  • Humor e IdentificaçãoPoder do humor·Catarse coletiva·Identificação do público·Piada boa·Riso espontâneo
  • Teatro e Criação ArtísticaImportância do teatro·Processo criativo·Monólogo·Ator criador·Ainda Dá Tempo
Transcrição641 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
I3Igor 3K

Salve, salve, família! Bem-vindos a mais um Flow. Eu sou o Igor e hoje eu vou conversar com a Ingrid Guimarães e com a Mônica Martelli, que já são amigas há tanto tempo. Vamos contar umas historinhas aqui pra gente, certo? Tudo bom, gente? Obrigado por vir aí.

MMMônica Martelli

Tudo bem, que prazer estar aqui.

I3Igor 3K

É estranho começar de um jeito como se a gente tivesse começando a conversar agora, sendo que a gente já tava conversando há maior tempão antes.

IGIngrid Guimarães

É verdade, a gente já tava conversando no nível que uma hora a gente achou que tava gravando.

MMMônica Martelli

Eu falei, tá gravando, gente? Eu já preocupada com os assuntos aqui.

I3Igor 3K

Pode ficar tranquilo.

IGIngrid Guimarães

Gente, já contou a vida toda para ele aqui, já?

I3Igor 3K

Não contaram, porque me parece que vocês são mesmo um poço sem fim, além de histórias juntas e de histórias separadas também, né?

IGIngrid Guimarães

Inclusive, a gente tá começando a falar bem pouco para poder fingir para você que a gente vai te deixar falar.

I3Igor 3K

Não, já percebi também que vai ter um momento que eu vou ter que ter uma orelha para cada um.

IGIngrid Guimarães

Só deixar, só largar.

I3Igor 3K

Mas vocês estão amigas há muito tempo, várias histórias aí. A última que eu vi foi de uma vez que vocês foram para Ibiza e tem aquele lance da chave do carro chegando no aeroporto, que até agora eu não sei se o cara do hotel foi levar a chave para o aeroporto ou não. Mas o ponto é, fazendo um filme juntas depois de tanto tempo já vivendo juntas, as duas vivendo nesse mercado de novela, de teatro, de cinema, de arte. E curiosamente, só agora fazendo um filme juntas. É porque vocês não se suportam?

MMMônica Martelli

Não, a gente sempre se amou tanto que eu acho que a gente ficava preocupada de trabalhar juntas e dar algum problema. Mas na verdade, acho que não, né?

IGIngrid Guimarães

Mas a gente, a gente, a gente, eu sei, a vida mesmo, Ingrid. Foi, mas assim, para mim, amizade com a Mônica é maior do que qualquer coisa de trabalho. Se puder, eu amei trabalhar com ela, tá? Aliás, ela tá no top 10 das pessoas que eu mais amei trabalhar. Mas se hoje vier alguém falar assim, escolhe, você prefere ser amiga ou trabalhar? Você tem que ser amiga, com certeza.

MMMônica Martelli

Mas é porque a gente foi muito feliz nesse trabalho, no antes, na preparação do roteiro junto com a Suzana Garcia, diretora, no durante e no depois, no pós, gravando os off do filme. Mas eu acho que foi uma coisa mesmo que a vida foi levando, porque nós nos conhecemos. Você sabe como a gente se conheceu?

I3Igor 3K

Não.

MMMônica Martelli

Aí, tá vendo? É a história mais fofa. A gente falou assim, já contamos muito essa história, muito linda. A gente fez o teste para o Chico Total, o programa do Chico Anísio.

I3Igor 3K

Isso eu sei.

MMMônica Martelli

Uma galera fez o teste, né? A Elisa Perecê tava junto.

I3Igor 3K

Eu sei que o teu nome é desse jeito que o Chico mandou.

MMMônica Martelli

Sim, meu nome era Mônica Garcia, quer dizer, é identidade Mônica Garcia era ótimo, é Mônica Garcia, entendeu? Então a gente fez o programa do teste e passamos e fomos na salinha para poder fechar o contrato. E a gente nunca mais, a gente nem se viu no dia do teste. Acho que você fez teste outro horário, enfim, sei lá, a gente nunca se viu. Aí eu cheguei na salinha, Ingrid estava sentada no sofazinho para poder entrar.

I3Igor 3K

Pondo isso no tempo, Chico Total é o quê?

MMMônica Martelli

1996.

IGIngrid Guimarães

Nossa! Sua menopausa tá melhor que a minha.

MMMônica Martelli

Não, amor, é que eu tenho uma memória assim, eu tenho.

IGIngrid Guimarães

Você tem? Você também tem. Não, de Deus, eu não tenho memória de ano não.

I3Igor 3K

Aí, quando é que saiu o primeiro de Pernas pro Ar?

IGIngrid Guimarães

Aí, ó, mentira. Eu só sei porque a minha filha— eu fiz Pernas pro Ar com a minha filha amamentando, 2009, 2010. Só porque eu tava amamentando.

I3Igor 3K

E o último?

MMMônica Martelli

Mas tem esses marcos aí.

I3Igor 3K

Eu acho que é 17.

IGIngrid Guimarães

17, o último é 17.

MMMônica Martelli

O meu também, minha vida é 17. Mas a gente tem esses marcos, 1996.

IGIngrid Guimarães

Nossa, você tá ótima, hein?

MMMônica Martelli

Aí a gente tava... Aí eu cheguei na sala, a Ingrid sentada no sofá. Sentei do lado dela. Ela pegou... Olha só como a nossa amizade começou já com a sororidade. Com uma ajudando a outra. Ela pegou a agendinha dela, coisa mais fofa. Pegou e botou assim: Vão te oferecer R$800. Não aceita, pede R$900. Como se fosse assim... Aí eu, na hora, fiz assim, ó... Obrigada, porque era uma salinha pequenininha com a secretária na frente.

IGIngrid Guimarães

E até hoje é assim, amor, paga mais para uma do que para outra.

MMMônica Martelli

Para você ver, dá confusão até hoje. Aí, ainda bem que a gente é sócia em tudo. Aí, aí a gente, aí Ingrid foi chamada, ela saiu de lá, ó. Aí eu fui, entrei e fiz, pedi também a mesma coisa.

I3Igor 3K

Ofereceram R$800?

MMMônica Martelli

Com certeza, R$800.

IGIngrid Guimarães

Era tudo igual, tudo igual, os comediantes tudo. O Chucanis tava renovando o programa, foram 400 comediantes 400 que fizeram teste, 400, e passaram 15. A gente tava se sentindo ganhando Oscar. Nós éramos os 15 escolhidos.

MMMônica Martelli

Ele era o apoio do Chico Totó, que foi o que ele falou.

IGIngrid Guimarães

Gênio do humor do Brasil, né?

I3Igor 3K

Vocês estavam fazendo o quê antes?

IGIngrid Guimarães

Ralando, amor.

I3Igor 3K

Mas o quê?

MMMônica Martelli

Fazendo o quê?

I3Igor 3K

Teatro.

IGIngrid Guimarães

Eu fiz Confissões de Adolescente, que foi uma peça que fez muito sucesso.

MMMônica Martelli

A Ingrid fez o sucesso 100 anos antes. Eu tava no bicho ainda.

I3Igor 3K

Tu era árvore do teatro.

IGIngrid Guimarães

Eu era tartaruga.

MMMônica Martelli

Só que me chamaram para fazer uma cobra. Como eu sou alta, eu falei, você fazer uma cobra lânguida, gata para caralho, vou me jogar naquele mato ali, eu vou bombar de cobra. Porque olha só, Igor, ator é o seguinte, tava falando para ele, tá todo o seguinte, bastou ter um olhinho de fora que o ator tá tentando se forçar, fazendo o olho lá, tenta fazer a coisa.

IGIngrid Guimarães

E a Angélica tinha um programa chamado Bicho O Quê? E Angélica fofa, mal sabe ela, e ela sabe disso, é quantidade de emprego que ela dá para gente. Então, como cada semana dando um bicho diferente, que que eles chamavam? Os palhacinhos fazer os bichos, entendeu? Então a gente, a Mônica, e aí essa semana não sei o quê, só cobra isso aqui. E a Mônica sempre conta essa história, que a história dela é maravilhosa. Em outra eu virei pra ela e falei assim, você fica tirando onda falando que você sofreu de tartaruga.

Ela não sabia. Eu falei, sabe qual foi o bicho que eu fui? Ela, qual? Eu falei, formiga. Só que formiga nunca é uma, formiga é 10. Era uma das 10. Eu não era uma tartaruga, eu era, tava no grupinho. E mais, tinha uma formiga chefe que eu não fui escolhida.

MMMônica Martelli

Aí sabe o que eu falei para ela? Sabe o que eu falei para ela? Sorte sua, porque quem quer que apareça de abdômen de formiga? Eu tive que aparecer de tartaruga.

IGIngrid Guimarães

Tem toda razão.

MMMônica Martelli

Você desce tartarugas, amor, e eu tava de dia atrás de uma casca de uma tartaruga. Ela reclamando que não era rainha, a rainha abelha, sabe?

IGIngrid Guimarães

A rainha, a formiga rainha. Eu falei, cara, eu não fui rainha abelha.

MMMônica Martelli

Ainda bem que você não foi rainha formiga, Ingrid. Eu que tava lá de tartaruga, evidente.

I3Igor 3K

Mas tá bom, né? Mas é que tu queria Mas era pra tu ser uma cobra, não era?

MMMônica Martelli

Era. Aí quando eu cheguei lá no camarim do videoquê da Angélica, eu cheguei lá, não tinha roupa da cobra. Aí eu deitei no sofá e falei pro meu amigo, o Marcelo, que tava de pinguim. Aí eu falei, cara, Marcelo, me dei bem, eu vou ganhar um cachê e não vou precisar pagar o mico e ficar aqui de cobra. Aí deitei. Aí entrou a figurinista e falou assim, quem é a tartaruga? Aí eu falei... Não, não, desculpa. A figurinista falou assim, quem é a cobra?

Eu falei assim, oi, sou eu. A cobra caiu, você agora tartaruga. Aí veio um casco de tartaruga. Aí o Marcelo conta que ele estava no camarim, um camarim tinha uma luz que entrava na janela, na luz da porta do camarim do Projac. De repente o camarim ficou escuro, era o casco da tartaruga chegando.

IGIngrid Guimarães

É muito triste, cara. Olha, eu vou te falar uma coisa, às vezes eu entro no Twitter, sério, e vem assim E se você tiver se sentindo mal, achando que sua vida não vai dar certo, pensa em Ingrid e Mônica, porque além de tudo isso tem a célebre história que todo mundo conhece, que nós duas fizemos a novela Por Amor. Ela de secretária que só falava Dona Branca na linha C, e eu de empregada. A senhora aceita um adoçante? A senhora aceita o café, açúcar ou adoçante?

Então quando a gente chegou nesse lugar de protagonismo, as pessoas usam da gente, a gente é motivacional. As pessoas botam foto nossa e fala assim: olha, elas chegaram, você também pode. Porque assim, a gente saiu, amor, do negócio.

MMMônica Martelli

Porque a comediante é maravilhoso. Eu acho maravilhoso. Hoje em dia, quando eu olho para trás, é porque o que acontece é o seguinte: nessa época de formiga e tartaruga, a gente sofre, entendeu? Então, se eu pudesse olhar hoje para trás e falar: cara, é isso aí, olha que legal essa trajetória. Só que na época é muita angústia, porque o mundo cobra da gente ser bem-sucedido com 30 anos, entendeu? Quando a gente não tá com 30 anos já casado, a mulher então tem que estar casada com filho, e já pensando em comprar uma casa, e já bem na carreira, e vendo os amigos indo, você fala, cara, eu tô ficando para trás.

Então começa uma angústia, começa assim uma ansiedade, e você não tá cumprindo uma biografia que o mundo falou para você que é certa.

IGIngrid Guimarães

E tem uma coisa também, e tem uma coisa também bem interessante, que na nossa época a gente começou a ser comediante, a gente sempre foi comediante, a gente começou, a gente nasce comediante. As comediantes não tinham, mulheres não tinham protagonismo. Quem era protagonista dos programas de humor era o Jô Soares, tinha um programa, Chico Anísio tinha um programa, Dedé de Monção, Zacarias tinha programa, não tinha mulher protagonizando programa.

Então, por exemplo, hoje essa geração nova que tem a Tata Werneck, Dani Calabresa, elas têm grandes papéis de novela porque hoje a comediante virou protagonista. Na nossa época não existia isso. Para eu fazer de pernas para o ar assim, eu era a terceira opção. Não existiu comediante ser protagonista. Até os filmes de comédia eram protagonizados por atrizes de novela da Globo. Então a gente era a coadjuvante mesmo. É uma questão, imagina, a gente já vive no país muito machista, patriarcal, né?

A comediante, então, a gente era, nunca vou me esquecer disso, a gente era, tinha um camarim das bonitas, que era as mulheres de biquíni, tinha umas mulheres que entravam, lembra disso, de biquíni, e o camarim das comediantes. O diretor, que é meu amigo, outro dia me contou que eles tratavam assim, ó, aonde você vai, no camarim das bonitas ou das feias? Eles dividiam. E a outra, pobre coitada das outras mulheres que eram bonitas, também não era vantagem não, que eram mulheres mudas objetificadas.

Então assim, a gente, nós fomos uma geração que a gente veio com o pé na porta, graças a Dercy Gonçalves, que um dia falou muito palavrão pra gente estar aqui onde a gente tá. Mas a gente foi ali, ó.

MMMônica Martelli

E eu passei uma situação muito difícil que eu não me encaixava em nada.

I3Igor 3K

Como assim? Em que época?

MMMônica Martelli

Nessa época eu não me encaixava em nenhum camarim, eu não me encaixava em nada, eu não me encaixava em papel nenhum, eu não me encaixava porque não tinha cara de comediante, mas era comediante, não podia ser mocinha. É, também não era o perfil de mocinha. Eu acho que foi por isso que numa hora eu fui escrever Os Homens São de Marte, porque eu não me encaixava em nada de nada.

I3Igor 3K

Mas o que que tu tava sentindo nessa época aí? Porque assim, tu já tava— esse aqui a gente deu um salto no tempo, né?

MMMônica Martelli

Nem continuei a história que a gente se conheceu, mas enfim. Mas depois a gente conta do carro, que foi fofo.

I3Igor 3K

Vai. Isso tudo pra gente falar do filme.

MMMônica Martelli

Calma que a gente tem tempo. Tá, tá.

I3Igor 3K

Nessa época que tu foi escrever a peça Os Homens São de Marte, pra lá que eu vou. Sim, que foi isso que te bombou.

MMMônica Martelli

O antes e o depois da minha vida.

I3Igor 3K

Pois é, né?

MMMônica Martelli

Foi.

I3Igor 3K

Eu tava te falando quando chegou que eu vi cartaz pra caralho da tua cara.

MMMônica Martelli

É bizarro, mudou a minha vida. É, uma época sem rede social, Taígo. A gente filipetava na rua.

I3Igor 3K

Eu não sabia que tu panfletava na rua, mas que eu vi cartaz pra cacete com a tua cara, eu vi.

IGIngrid Guimarães

Nossa, já filipetamos muito em shopping. Muito, muito, muito. Nossa Senhora, Norte Shopping, olha ali, ó. Nossa, muito.

MMMônica Martelli

Muito, muito.

I3Igor 3K

E aí tu foi, mas quando tu foi fazer isso daí, tu já tava fazendo umas paradinhas na TV, já tinha passado essa fase aí, não é? E tu foi, só que ainda não tinha— eu li que tu disse em algum lugar que faltava alguma coisa, que deve ser isso que você tá falando, não me encaixava em lugar nenhum.

MMMônica Martelli

É assim, olha só, eu sou de uma geração em que você necessariamente tinha que ser um ator da Globo para você se manter.

IGIngrid Guimarães

Fazer novela, né?

MMMônica Martelli

É, fazer novela para você se manter, para você ter reconhecimento profissional e para você ter retorno financeiro para você se sustentar. Então qual era a nossa vida? Fazer videobook, mandar para o produtor de elenco e fazer teste. Mandar fitinha, né? E outra coisa, a fitinha antigamente que a gente fazia do videobook nosso não era você pegar o celular, que agora a gente faz em casa. Você tinha que pegar um amigo seu duro que nem você, ir para tua casa com a camerazinha, você fazer uma cena, ou pegar um pedacinho de alguma coisa que você tem feito, ou um pedacinho de uma peça que eu fazia ponta, e montar aquilo ali, levar para o diretor, se ele quisesse ver, levar para o produtor de elenco.

Eu não tinha acesso a diretor nenhum, levar para o produtor de elenco, rezar para ele não pegar, ainda botar aquela fita, gravar uma sessão da tarde em cima, entendeu? E te ver e lembrar de você para chamar para fazer um teste. Eu tinha acesso ao produtor de elenco, eu fazia teste, mas eu nunca passava. Eu era aquela quase que. Então sabe quando alguém te liga e fala, mano, você tá editada? Eu era editada. Editada é que 100 fazem teste, 5 ficam editadas e 1 passa. Eu era editada. Eu nunca achei, eu nunca era.

IGIngrid Guimarães

Eu também nunca era também.

MMMônica Martelli

Eu nunca era. E aí eu continuava ali, ó, nessa insistência que eu sempre falo, que é diferente de persistir. Que insistir é você tentar um resultado e você tá vendo que aquele caminho não tá dando certo. Porque você persistir é você querer chegar naquele outro lugar, mas você fala, eu quero aquilo ali, mas por aqui não vai, eu vou por aqui, deixa eu tentar outros lugares, né? Então eu tentava sempre o mesmo caminho. Qual é aquele caminho?

É botar minha vida na mão do outro, é deixar que você escolha ela, eu quero ela, é deixar que o diretor me valide, um produtor de elenco me valide. E aí que eu, que tem a história famosa do caixote, né, que eu tenho uma mãe muito feminista, muito de esquerda, muito, né, minha mãe foi vereadora, 2 mandatos em Macaé, ela se elegeu numa época que não tinha mulher na política, com 35 anos de idade, fazia sessões na Câmara com o pinico na bancada para poder reivindicar o banheiro feminino no plenário.

Essa mãe me vendo triste, me vendo seguir um único caminho, que é o caminho que falava para a gente que era o certo, tentar ser atriz da Globo.

IGIngrid Guimarães

A gente não tinha muitas opções, a gente olhava para o lado e não via. Por exemplo, muita gente se espelhou na gente, né? Ela fez a peça dela, eu fiz a minha com a Lolo. As pessoas falam, a gente não tinha em quem se espelhar. Tinha uma geração que era Fernanda Torres, né, que veio antes da gente, Marisa Horti, que tinha um grupo delas. A gente não tinha um grupo. Mônica veio de Macaé, eu vim de Goiânia, né? Então assim, eu nunca me esqueci quando o Guel Arraes, que era o cara que fazia a melhor comédia da época na televisão, eu fui lá pedir trabalho para ele.

Tinha feito TV Pirata, TV Pirata foi revolucionário. Quando eu vi TV Pirata, você lembra de TV Pirata? Eu olhei e falei assim, meu Deus, aí a mulher faz papel de homem, faz papel de tudo. A mulher não é só feia e gostosa. Aí quando eu vi TV Pirata, nós, a gente ficava vendo a fita gravada assim, alguém tá botando a mulher no outro lugar, a mulher comediante. Eu fui lá, Guel, me arruma um trabalho, cara, vou fazer da turma. Ele falou, Ingrid, essas pessoas que eu tô trabalhando aqui, ele fez comédia da vida privada, elas são uma turma, são meninas que se encontraram na praia.

E era Débora Bloch e Fernanda Torres, era uma galera que tinha crescido junto ali na praia do Rio de Janeiro. Porque tem isso, a gente que não veio do Rio de Janeiro, da cidade grande, a gente chega aqui no Rio sem turma. Você não tem para quem ligar, você não tem uma amiga com amiga que te leva para um teste, você vai na guerrilha. Ele falou, faça a sua turma, escolha a sua turma. E aí é o que a gente vai fazendo, né? Eu me juntei com o Alô Louco, fazia a minha turma.

E agora estamos juntos com a Mônica. Aí a gente foi... Então assim, nessas horas, você... O comediante, é só você olhar o Porta dos Fundos, os grandes grupos de comédia do mundo, é sempre muito em grupo, né?

I3Igor 3K

Verdade.

IGIngrid Guimarães

Muitas vezes os movimentos de comédia são pessoas que se juntam. E tem muito homem se juntando a vida toda. Se você for olhar Monty Python, Gordo e Magro, é tudo homem se juntando. E aí a gente começou, por que que a gente não faz esse movimento nós? Eu me juntei com a Lulô, né, fazer esse, que também foi um grande fenômeno. Já fiz filme com a Tatá e agora eu e a Mônica, que foi, começou uma coisa tão de verdade. A gente não programou nada e a gente tá vendo a potência do que é isso que a gente tá fazendo, tá acontecendo.

E porque esse filme é uma parte só do que tá acontecendo com a gente. A gente faz campanha publicitária juntas, a gente quer fazer peça juntas, as pessoas querem a gente até para levar grupo de mulheres na menopausa na Índia.

MMMônica Martelli

Amor, a gente tá sendo chamada, mesmo com a nossa amizade, com a nossa afinidade e com a nossa cumplicidade que é tão forte que a gente tem, a gente não poderia imaginar esse match todo que poderia não dar no trabalho, né?

I3Igor 3K

Então é verdade, é fácil na real, especialmente sendo— e assim, desculpa, tá? Mas é que eu já conheci um monte de gente foda, e gente foda é meio maluco, né?

MMMônica Martelli

E aí junta, é louco, é, junta as loucuras e pode administrar. Mas eu e Ingrid, a gente tem uma coisa muito boa, que a gente tem a mesma loucura, né?

I3Igor 3K

A gente dá do mesmo andar de enfermaria.

IGIngrid Guimarães

Eu sempre falo, eu falo o quê? A gente dá do mesmo andar de enfermaria.

MMMônica Martelli

Então dá certo, é o mesmo remédio. Eu e a Mônica, né?

IGIngrid Guimarães

Meu remédio é ótimo.

MMMônica Martelli

É o mesmo tarô, o mesmo pai de santo, o mesmo tudo. É verdade.

IGIngrid Guimarães

Eu acho que a Mônica nem andar, porque eu brinco que cada comediante é um andar, né, da enfermaria. E a Mônica nem andar, é a cama ao lado.

MMMônica Martelli

É cama ao lado, a gente já dividiu mesmo rivotril uma vez. A gente se entende muito, sabe? Então é essa conexão assim, e foi uma surpresa assim pra gente, porque a gente sempre preservou tanto isso na amizade, né? E agora no trabalho a gente tá sendo feliz fazendo, porque a gente vai filmar, durante as filmagens, a gente tinha uma situação, tem uma história muito engraçada que Suzana conta. Que é a diretora, que é minha irmã, que a gente não para de falar, a gente não para de falar um minuto.

IGIngrid Guimarães

Já percebeu, né?

MMMônica Martelli

A gente tava fazendo uma noturna, uma noturna, e aí 4 horas da manhã, amor, 4 horas da manhã, e a gente tava lá falando, falando, falando, falando. Daí Suzana falou, ok, então tudo pronto, câmera para ação. Aí a Suzana virou e falou o seguinte, Gente, não vou cortar, deixa eu ver até onde elas vão. Aí, ok, meninas, vamos lá, concentra. O nome Concentra é o nome da nossa empresa, que foi o que a gente mais ouviu durante o ano. Concentra, meninas, concentra!

IGIngrid Guimarães

Gostei.

MMMônica Martelli

Aí, meninas, concentra, ação!

IGIngrid Guimarães

Continuou, ela continuou. E a equipe assim, ó, acorde da gente.

MMMônica Martelli

Aí lá na frente, para mim, fala, Mônica, eu tô achando que tá na hora da gente começar a se concentrar. Já tava 2 horas, tava 2 horas, pessoal olhando. Eu vi ele, pera, falei assim, amor, total, concentrar total. 2 horas, a equipe inteira no set rindo. Então, e esse é muito retrato da gente, sabe? Da gente, porque a gente se diverte uma com a outra. Que Suzana fala, a gente se diverte uma com a outra. A gente quando tá junta parece um parque de diversão, parece que tudo em volta Mas foi assim a vida toda, tá?

IGIngrid Guimarães

A gente achou umas fotos outro dia que a Mônica, o marido, o primeiro marido, primeiro não, único marido dela, o pai da filha.

MMMônica Martelli

A gente gravou a primeira vez, não pira não, amor, vai eliminar o marido da Mônica.

IGIngrid Guimarães

Ah, você foi casado por livre, gente, é verdade. O segundo, o segundo marido da Mônica volta, corta.

MMMônica Martelli

Primeiro que é pai da filha.

IGIngrid Guimarães

Vamos lá, o pai da filha da Mônica. Como acontece, o pai da filha da Mônica. É amigo do meu marido até hoje.

MMMônica Martelli

Primeira vez que eu vi na minha vida, você abriu a porta lá de casa, eu era casada com o Lívio.

IGIngrid Guimarães

Exatamente, é verdade. E a minha filha é a melhor amiga da filha dela, porque a gente fala que a gente transou no mesmo dia, tá? Até isso Deus mandou.

MMMônica Martelli

Nossa filha nasceu na mesma semana, a filha dela nasceu dia 2 de setembro, a dela dia 9. Transou no mesmo dia, muito maneiro, é muito legal.

IGIngrid Guimarães

Isso é tipo, gente, se alguém combinar não dá certo, você combinar com amiga tua, então a filha pega, dá certo. E aí eu contei isso tudo porque, olha a menopausa aqui, por que que eu contei isso, Mônica? Ah, lembrei, que aí a gente engravidou juntas e a gente fez, e a gente fazia viagem junto todo dia. O Renê, meu marido, começou a me lembrar de uma viagem que a gente fez para Mauá grávida, começou a contar que você tava com fome.

Eu falei, gente, eu não lembrava de nada disso. Uma parte da nossa vida que a gente nem lembra mais direito, quando a gente tava grávida junto, viajando juntas. E nós viajamos para Noronha. Eu, ela e os maridos. A gente foi pegar foto antiga para o filme.

I3Igor 3K

Gravidaça, Ingrid?

IGIngrid Guimarães

Não, mas gravidaça para Noronha, tava grávida. Noronha não, tá falando mais para Mauá. Tá eu, você, gravidaça. Noronha foram só curtir, só curtir nós quatro, não tínhamos filho. E aí nós vamos pegar umas fotos antigas de Noronha. As fotos é o povo, é só assim, é os maridos na frente e a gente já tá assim, ó, é assim, é sempre assim.

MMMônica Martelli

A gente não acha que a gente foi um golfinho, brigados assim.

I3Igor 3K

Amigos.

MMMônica Martelli

Olha só, gente, eu não vi um golfinho.

IGIngrid Guimarães

E não vamos olhar para o golfinho nenhuma hora.

MMMônica Martelli

A gente não olhou, a gente ficou assim, ó, falando, falando, falando. É uma coisa louca.

IGIngrid Guimarães

O meu marido, ele fez para mim de aniversário uma revista, caras da época, que era eu e você na cara, dizendo: elas não param de falar. O golfinho passava lá atrás, a gente falando. Então a gente é assim a vida inteira. E os maridos já se acostumaram. As nossas filhas, elas às vezes querem conversar com a gente. A gente viaja muito nós quatro, né?

I3Igor 3K

Mas vocês não são muito sem noção para elas conversarem?

IGIngrid Guimarães

Somos super sem noção. A gente é aleatória total. E elas ficam assim, elas ficam falou assim, ó, ô Mônica, mãe, mãe. A gente continua, mãe, mãe, mãe. Aí a Júlia, filha dela, ô Mônica, falou para filha, a gente tem que chamar elas pelo nome para eles olharem. Aí a Júlia, Mônica Martelli!

MMMônica Martelli

Aí, oi, minha filha, fala, gente, que que é isso? O que que tá acontecendo?

IGIngrid Guimarães

A Mônica, que é desesperada, olha, eu olho junto. Aí agora elas falaram assim, elas já estão mais velhas, elas desenvolveram uma técnica que elas falam coisas horrorosas para a gente olhar. Aí ela assim, não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. Eu cheirei cocaína.

MMMônica Martelli

A gente, quê? Porque o nome também não tá dando mais certo.

IGIngrid Guimarães

Então essa tamanho, aí elas, mano, vocês são muito. Então mãe, eu posso não sei aonde? Juro, elas estão mandando agora coisas trágicas pra gente olhar. Então assim, eu tô contando isso pra dizer o seguinte, é um negócio que não é de agora, é uma modus operandi. A gente em Caraíva, a gente já pegava um carro, depois a gente pegava um barquinho, a gente pegava dois ônibus, dormia no negócio. A nossa viagem durava 10 horas quando eu não tinha grana pra pagar avião.

Era assim a vida inteira. A gente ficava solteira na mesma época. É muito doido que a vida deu pra gente. Todo mundo casou e sobrou nós. Todo mundo teve filho e sobrou nós. A gente sempre foi as últimas a tudo.

MMMônica Martelli

Então até nós vamos pra lugares, a gente é a última a sair. Todo mundo vai embora e fala, hein, esse cara é doido da cachoeira.

IGIngrid Guimarães

Eu fiquei solteira junto com ela várias vezes. Era sempre bom porque ela é alta, ela chegava na festa e vinha aqui se a festa tava boa, se não tava.

MMMônica Martelli

A gente me ferrando, né? Porque alta chega e ninguém chega. Aí a Mônica falava, amor, eu acho que a minha carreira Eu faço monólogo porque eu sou alta. Depois eu falo sobre isso.

IGIngrid Guimarães

E aí a Mônica—

MMMônica Martelli

não tem homem, amor, para contracenar, desculpa.

IGIngrid Guimarães

E eu e a Mônica, a gente nunca pegou, isso é verdade, a gente nunca disputou e nem ficou a fim de nenhum homem igual. Já reparou?

MMMônica Martelli

Nunca.

IGIngrid Guimarães

Não é uma coisa assim, eu tô a fim. Não, ela ficava com a fim de um cara e eu de outro, que era completa. Isso é muito bom para uma amizade, você gostar do mesmo tipo de homem.

MMMônica Martelli

É, não, maravilhoso. Mas olha só, só um minutinho, só porque você me fez uma pergunta e falando o dia da virada e eu interrompi, é só para terminar essa, essa, essa, essa, essa historinha do que que virou nos Homens São de Macho na época. Então eu tava triste, sem conseguir trabalhar e fazendo pontas que a gente fazia e ganhava cachê. Aí a minha mãe, que eu tava falando dela, dessa mulher, que é muito, ela é muito Ela é muito importante na minha formação, né, enquanto mulher, enquanto tudo.

Virou pra mim e falou, Moni, o que você tá esperando da vida? Que alguém tenha olhos pra você? Não faz isso não, meu amor. Faz o seguinte, pega um caixote, vai pra praça. Porque ela é política, ela conhece caixote e praça. Sobe em cima e fala seu texto pro mundo. Mostra pro mundo quem você é. Foi aí que eu virei a minha percepção pro mundo. Caramba, eu tô aqui fazendo fita esperando que o Guel Arraes do momento me escale.

IGIngrid Guimarães

Mande a gente procurar nosso ator.

I3Igor 3K

A vida tá na mão dele, que merda, né?

MMMônica Martelli

Entendeu? É que nem você fez para Curitiba e montou, fez seu caixote, você subiu em cima do seu caixote. É isso. Ali caiu minha ficha. Falei, caramba, é isso. Foi aí que eu escrevi Os Homens São de Marte. E meu caixote foi o Teatro Cândido Mendes em Ipanema. E hoje eu estreiei Os Homens São de Marte.

IGIngrid Guimarães

E hoje eu vejo vocês que são mais da geração de internet, fico vendo o Whindersson da vida, que quando você vai conversar com ele, você fala assim, o cara fez um vídeo lá no Piauí. Você fala assim, quem dera se na nossa época a gente tivesse essa chance de mostrar os comediantes hoje. Eles já nasceram num muito mais à nossa frente nesse sentido. Se você ouvir a história do Tom— eu fiz um programa chamado Viver do Riso, que era sobre a história da comédia brasileira, entrevistei 90 comediantes.

E vocês veem a história, por exemplo, do Tom Cavalcanti? Ele saía lá do Ceará para levar fitinha para o Chico Anísio, de ônibus, 4 dias.

MMMônica Martelli

A gente não sabia, o cara ficava na porta do Projac esperando o Sherman chegar para conseguir entregar uma fita. É outro realmente—

IGIngrid Guimarães

então assim, hoje ter mais chances, né? Você tem mais chance. Ao mesmo tempo, eu acho que isso que a Mônica passou e que eu também passei de ter que fazer a nossa história formou ser humanos de uma certa maneira que a gente aguenta qualquer coisa, a gente tá preparado para qualquer coisa, sabe?

I3Igor 3K

Eu entendo. E aí, sobre isso vocês estão falando agora, é na época de vocês que era muito difícil, tinha um outro filtro que era o que vocês sobreviveram. Né, que era o filtro de conseguir apresentar o que vocês têm para o mundo. Hoje esse filtro não existe. Hoje esse filtro, eu posso colocar qualquer coisa no mundo e alguém vai ver. O outro, tem um outro filtro agora, que é como tem muita gente, só a nata tem a chance. Isso meio que continua igual, não é?

IGIngrid Guimarães

Por outro lado, sim, você tem razão.

I3Igor 3K

Filtro era outro, filtro era você precisava querer para caralho, muito mesmo, para conseguir virar. Porque eu não duvido que existiam outras, e eu vou falar mulheres mesmo, outras comediantes como vocês que até tentaram em alguma medida e acabaram largando. Por quê? Porque existia esse filtro, que era um filtro até filha da puta, tá? É mais um filtro que para você ultrapassar tu precisa ir lá e, porra, sair de Goiânia com teu pai te apoiando para tentar ser um—

IGIngrid Guimarães

sempre penso nisso, sabia?

MMMônica Martelli

Eu penso, essas oportunidades, eu acho que a gente tá partindo de um lugar privilegiado.

I3Igor 3K

E aí hoje, hoje, ou não hoje, mas até a nova configuração permite o surgimento do Justin Bieber, que é um canadense, um cara que tava fazendo vídeo na internet de cover. E acho que foi o cara que encontrou, foi o Usher que encontrou ele e fez dele o Justin Bieber. Porque, mas assim, ele usou, ele não mandou uma fita para o cara, ele pôs na internet, criou-se algo. Tem no Brasil o exemplo do Jão também, né, que é mais ou menos a mesma coisa.

Então, Luiza Sonza também. O ponto é, hoje, hoje eu acho que tem mais espaço para as pessoas se mostrarem, mas o filtro hoje é mais da qualidade do que da persistência, talvez, né? Então, com certeza, o que vocês viveram, isso a minha tirei do nada, me parece que vocês formaram-se seres humanos que tem uma, que sabem lidar com mais coisa do que a próxima geração. Porque a próxima geração não, não terá passado pelo, em alguma, mas terá passado por outras coisas, um outro filtro, né?

MMMônica Martelli

Porque assim, eu acho que não dá para avaliar o que que é bom, o que que é ruim, o que que tá certo, o que que tá errado. São momentos diferentes, gerações diferentes. A gente vai vivendo e cada um vai vivendo o seu tempo, a sua realidade. Então eu sinto hoje que realmente é a persistência que nossa geração tem, eu não vejo na geração nova. Eu vejo outras coisas. A facilidade que a internet trouxe vai levar dificuldades para essa geração, vai.

E as dificuldades que a gente teve nos trouxe uma facilidade de a gente é mais cascuda, né? Vira mais cascuda. Em compensação, eles têm acesso a muita informação. Se souber filtrar, se souber saber a origem que veio, se você souber, se você tem mais oportunidade de aprender muita coisa. Gente, a gente hoje faz cursos online maravilhosos, a gente tem acesso a muita gente importante, muita gente interessante, muita gente boa. Isso é uma facilidade dessa geração.

I3Igor 3K

Ainda tem inteligência artificial, uma porrada de ferramenta, né?

MMMônica Martelli

Tem muita ferramenta. Por exemplo, eu um dia desses, a Júlia fazendo exercício, eu falei, meu amor, na época da mamãe era Barça, tá? A gente tinha que pegar e ler. Eu juro, foi, mãe, eu acho que ia morrer. Não ia morrer não, quando tinha uma Barça, quando tinha uma Barça, porque não, na casa do amigo, exatamente, porque passava aquele cara na frente da nossa casa, batia, vendia a Barça, a gente comprava. A mãe comprava em prestação de 12 vezes, pagava durante o ano, a gente tinha aquela Barça.

Então eu acho que a gente tem que, eu acho que a gente tem que viver sempre o nosso tempo atual, entendendo que a gente tá vivendo, lidando com as questões atuais. Tentando trazer o que tem de bom da nossa geração para poder passar para nossos filhos, para passar para quem tá nos seguindo, para quem a gente afeta a vida das pessoas, mas receber o que tá vindo de novo agora, que tem muita coisa boa também.

IGIngrid Guimarães

Porque administrar também esse tanto de informação não é fácil. A gente que tem filhas meninas, né, e também é muita informação, a gente não sabe até que ponto que elas vão administrar aquilo como certo ou errado, né. O teatro, a gente, nós somos 10 anos da minha vida, Mônica também, eu só vivi de grana de teatro. Comprei meu apartamento fazendo teatro. O teatro ele te dá. Eu forço a minha filha praticamente, eu falo: não falta o teatro.

Ela fala: mãe, porque o teatro ele é bom para tudo. O teatro é bom para você aprender a conviver em grupo, você saber a hora que o outro vai dizer, a hora que o outro vai falar, e você respeitar o sentimento do outro. Essa geração que eu sinto que fica muito em casa, em internet, ela tem pouco convívio coletivo. Eu tenho mais dificuldade com convívio coletivo. Tanto é a quantidade de síndrome que tem aí, que a gente já viveu, que a gente nem sabia.

A gente vivia tudo isso na época, mas não tinha nome do que a gente sentia. A gente aprendia a lidar com aquilo na raça, entendeu? Então eu sinto que tem assim às vezes uma falta de saber lidar em grupo, porque é isso. Eu fui dupla toda minha vida, eu posso dizer que eu, 15 anos com a Heloísa Pellicer, fiz filme. Viver em grupo é em sociedade é muito difícil.

MMMônica Martelli

Isso que a Ingrid tá falando do teatro.

IGIngrid Guimarães

Só que eu tô acostumada porque eu vivi no teatro minha vida inteira. O teatro tem um exercício que chama se situa. Sabe como é que é? Todos os atores sentam e você vai dizer para o outro o que que tá te incomodando. Você vai situar o coleguinha. Isso aí já cria um caráter do grupo, entendeu?

I3Igor 3K

Então, pausa. Qual foi o se situa mais escroto que tu já tomou, Ingrid?

IGIngrid Guimarães

Deixa eu pensar aqui.

I3Igor 3K

Tu já deu um se situa escroto nos outros?

IGIngrid Guimarães

Já vários.

I3Igor 3K

Então fala para mim um escroto.

IGIngrid Guimarães

Não vou falar do outro, né, porque aí eu vou ter que entregar o outro colega, né?

I3Igor 3K

Não tem como falar de colega.

IGIngrid Guimarães

Deixa eu pensar aqui.

MMMônica Martelli

Eu não lembro do se situa que eu dei. Agora essa coisa do teatro que a gente tá falando, que eu tava pensando, ele é muito bom do teatro, é que o teatro tem uma coisa artesanal, tá? O teatro te obriga a você repetir, repetir, a você persistir. Teve um dia que minha filha tava, minha filha faz teatro também, ela tava em casa ensaiando uma cena para escola. Aí eu falei, Ju, você quer passar para mim? Vamos lá. Ela passou uma vez, eu falei assim, não, não, vamos fazer de novo. Ela, de novo? Eu comecei a rir.

IGIngrid Guimarães

Eu falei, ah, Ju, querida, a gente passa 94, amor.

MMMônica Martelli

A gente fica 3 meses ensaiando uma peça, depois de ter 1 ano escrevendo, para lá, 3 meses saindo uma peça. Diariamente, 5 horas por dia, um monólogo 4 horas, porque a gente sozinha— agora você vai fazer, você vai ensaiar monólogo, você vai ver. Monólogo a gente ensaia menos porque você cansa.

IGIngrid Guimarães

Nunca fiz, vou fazer pela primeira vez. Tô 6 anos longe do teatro. Mônica, que é escolada, fica assim: é normal, hein, Ingrid? Eu tô passando mal.

I3Igor 3K

Abandonou o teatro pelo cinema.

IGIngrid Guimarães

Pior que foi um pouquinho mesmo.

MMMônica Martelli

Foi, foi, o tema pegou a Ingrid.

IGIngrid Guimarães

O cinema me pegou 6 anos. Eu faço um filme por ano. E eu hoje produzo, escrevo. E eu tô voltando, parece que eu tô voltando para minha casa, porque aonde eu fui criada. A minha primeira peça, eu tinha 16 anos, Confissões de Adolescente. Eu vou fazer meu primeiro monólogo e eu tô, eu pergunto tudo para ela, eu ligo para ela. Mas me conta como é. Eu falo tudo, ela é minha professora.

MMMônica Martelli

Claro que é menor. Vocês saem uma peça com 8 atores, você sai durante 8 horas, você espera entrar sua cena. Monólogo não, é só você.

IGIngrid Guimarães

Você sabe que eu comecei agora a olhar os ensaios, eu falei, então são 3 vezes 8 horas por dia. Aí o diretor falou, amor, é só você, você vai enjoar de você mesma. Não é assim não, você não aguenta.

MMMônica Martelli

Inclusive, deixa eu falar uma coisa rápida.

IGIngrid Guimarães

FAAP, tô desesperado, com medo de ninguém ir, porque eu sou igual adolescente até hoje, eu acho que ninguém vai a nada meu. Dia 2 de janeiro eu estreio. Posso fazer propaganda? Por favor, pelo amor de Deus. Dia 2 de janeiro estreia minha peça no Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro. A primeira vez que eu tô falando disso, eu tô até nervosa, meu coração tá até aqui, ó. E depois eu vou para São Paulo, vim para São Paulo para FAAP, depois eu vou viajar o Brasil.

Chama Ainda Dá Tempo, uma peça sobre envelhecer no bom sentido, no bom e no, né, no humor e no amor. Vocês vão, gente, para minha volta para o teatro.

MMMônica Martelli

Aproveitando Eu vou estrear minha terceira.

IGIngrid Guimarães

Vocês vão, gente? Eu tô 6 anos sem pisar no palco.

MMMônica Martelli

E hoje foi uma coisa engraçada, eu vou te contar. Aqui no ar, eu vou estrear minha peça em abril, minha peça nova, a terceira peça, né?

IGIngrid Guimarães

É Marte. Amor, mas já fez Chulata de Monroi, não deu bom?

MMMônica Martelli

Não, amor, peraí, só um minutinho. É Marte, algum Marte, tchau Marte, né? Saindo de Marte, que os homens são de Marte para a hora que eu vou. Cheguei em Marte, minha vida em Marte agora, saindo de Marte.

I3Igor 3K

Foi maneira a estadia em Marte?

MMMônica Martelli

Complexa. Como deve ser, como tudo na vida é. Nada é fácil, a gente tem que se relacionar, é difícil, mas é isso, a gente aprende, evolui se relacionando. Então os relacionamentos estão aí para a gente viver e são maravilhosos.

I3Igor 3K

De Marte tá indo para Vênus?

MMMônica Martelli

Não, é para Terra mesmo, ou para Plutão, tá bom? Porque na Terra não tem solução. Tá aí o título da peça. Gente, sai do Gilmar, tá indo para Plutão, que na Terra não tem solução.

IGIngrid Guimarães

Até rima, pega percentual.

MMMônica Martelli

Olha só, eu ia para um teatro em São Paulo, o mesmo que o seu, FAP. É, mas aí eu não vou mais, que eu vou para outro. Sabe o que ele falou hoje para mim? Mônica, a gente tava sonhando com a Ingrid passando o bastão para você.

IGIngrid Guimarães

Ah, por que que você não vai?

MMMônica Martelli

Ah, porque aí acabou que vai ter os outros teatros. Depois eu te conto, Papiano.

IGIngrid Guimarães

Lembrei o CC Tu agora. Ai, voltei para sul. Nossa, eu tô muito, muito orgulhosa que eu voltei para sul.

MMMônica Martelli

Eu também tô muito.

IGIngrid Guimarães

A gente tá muito bem para nós, para nossa É uma que não foi, você citou, me deram, você citou, porque isso assim, levando, indo por muito que a Mônica falou de tentar se adaptar a um lugar, a gente nunca teve cara de bocinha, né? Então eu sempre fazia o amigo engraçada, muita amiga meio piranha que eles botava a gente num lugar, não é só da engraçada não, né? Amiga meio galinha da outra amiga. E aí eu me lembro que eu fui falar com o diretor do Você Decide, lembra do Você Decide, que ele dava muita Ele dava, a gente tava, pegava muito emprego no Você Decide.

Eu cheguei lá para falar com ele, eu tava em pé e eu tava de barriga de fora porque eu era sempre muito magrinha e eu andava meio hippiezinho no Rio de Janeiro, adorava andar de barriga de fora. Aí cheguei lá no diretor na Globo, sem noção também, né? E toda, como se tivesse indo para praia, para coisa, conversar com o diretor. Com noção total, eles eram que sem noção, eles é que não respeitavam a tua óbvio. Boa. Ele virou para mim e falou assim, deixa eu te falar, Ingrid, Você tem um tipo muito exótico, então assim, dificilmente eu vou poder te botar aqui de protagonista, mas a sua barriga é linda.

Você acredita que eu fiquei durante— depois, sabe aquela coisa que você só se toca depois de anos, quando começou todo esse movimento Me Too, de olhar, que a gente perceber que a gente tava sendo de uma certa maneira abusada sem perceber? Porque o abuso nem sempre é algo como só um estupro, né? Existem vários tipos de abuso. Eu fiquei indo para teste e indo para todos os lugares de barriga de fora, até em lugar que tava frio, porque eu achava que aquela barriga é que ia poder me botar em algum lugar.

E aí eu me lembro que nesse dia eu me situei de que eu também ia ter que ir por um outro caminho, porque aquele caminho padrão eu nunca ia, ia, eu nunca ia seguir. Porque sempre aqueles, a maioria eram homens, tinha um olhar para mim de que não, você não pode ser a protagonista porque você não é a menina linda da novela. Esse foi um se situa que eu falei, cara, não vou nem tentar mais.

MMMônica Martelli

Pegando o gancho que a Ingrid está falando agora e voltando para o nosso gancho das gerações, essa geração de agora tem total consciência dos abusos.

IGIngrid Guimarães

Ah, é verdade.

MMMônica Martelli

Total consciência do papel da mulher.

IGIngrid Guimarães

É verdade.

MMMônica Martelli

Nós passávamos pelos abusos, era naturalizado. A gente nem percebia, mas era normal, era fazia parte do dia a dia.

I3Igor 3K

Escolheu ser atriz, tu já esperava que o cara ia te falar babaquice naquela época.

MMMônica Martelli

Você ouvia babaquice o tempo inteiro? O tempo inteiro. Eu lembro que eu ia para o ponto de ônibus para ir para escola com moletom amarrado na cintura, porque eu sabia que ao mexer de casa até o ponto de ônibus é natural você amarrar o moletom na cintura. Você chegava para gravar e a Simônica Martelli, ela pegava na barriga.

IGIngrid Guimarães

Aí a gente fazia assim, a gente ficava achando meio legal quase, porque a pessoa tava dando atenção para a gente.

MMMônica Martelli

Aí te virar e falava: oi, vem cá, tem o café aonde? Era normal. Hoje em dia se faz isso, não existe. Então é uma vantagem das novas gerações.

IGIngrid Guimarães

Então o que que interessa? Elas sabem muito sobre esse assunto, muito, muito.

MMMônica Martelli

Então elas estão maravilhosas. Então essa geração que tem tanta informação e que todo o movimento feminista, né, essa segunda onda que veio e que tá conscientizando tantas mulheres, é uma tomada de consciência que não tem volta. É claro que todo esse movimento, né, que tentam, né, enfim, retroceder esse movimento, mas faz parte do movimento, faz parte do movimento a gente caminhar e eles tentarem retroceder, porque ninguém quer perder privilégio, ninguém quer perder espaço em nada na vida.

I3Igor 3K

Mas tem várias coisas sobre, veja, é um cara observando, tem algumas coisas, algumas conquistas que me parecem que foram muito bem-sucedidas, especialmente isso que vocês estão falando agora. Não existe pensar que um cara numa produtora vai tocar numa menina, já soa um absurdo assim, né?

IGIngrid Guimarães

E falar do corpo dela, mas a questão é falar do corpo, ele falar do corpo dela não só, né? Mas eu quero só entender o que que você acha que não é.

I3Igor 3K

Não, não, eu acho, eu acho é que o que eu ia dizer é, ao longo do tempo, é, falar de feminismo acabou virando uma pauta até política, quase que meio que se tu falar de feminismo em algumas rodas tu é identificado automaticamente como petista, por exemplo, né? O que não deveria ser verdade, porque isso é uma pauta de seres humanos, tá ligado? Como a gente faz, tu não quer, tu não quer roubar a minha casa ou propor uma sociedade das Amazonas como era lá em Temíscera, né?

Tu tá tentando propor que o cara não seja um babaca quando você vai vai procurar um emprego, claro, tá propondo uma parada que é mais ganhar igual a eles lá, mesmo cara. E assim, ao longo do tempo, e aqui me corrija se eu tiver errado, eu vi uma galera esticar a corda demais. E isso aconteceu com todas as militâncias, tá, que no fim a percepção era, na minha opinião, enfraquecimento do movimento. Por quê? Porque tu acabou levando para um lado tão intenso que tu tá batendo nos troço que nem é verdade na realidade, é um troço que tá só na internet, não sei o quê.

Como por exemplo, e não tô falando, isso não é até um tema do feminismo, mas por exemplo, pronome neutro. Pronome neutro, ele não tem um impacto real na vida das pessoas no dia a dia. Antes disso, a gente tem que debater se o cara vai continuar batendo no gay na rua só porque ele é gay, ou sei lá, né?

IGIngrid Guimarães

Antes de debater, matando trans, né, que é o país que mais mata no mundo.

I3Igor 3K

Então o meu ponto inteiro é: a gente passou por um período em que todas as militâncias esticaram demais a corda e não foi para um lugar legal. E a gente voltou para uma estabilidade que talvez seja o que tu tá chamando de segunda onda do feminismo.

MMMônica Martelli

A segunda onda do feminismo veio porque teve toda aquela primeira onda do feminismo, né, Simone de Beauvoir, lá no começo, tá bom, no começo, em que as feministas eram taxadas como mulheres feias, mulheres mal-amadas, mulheres, né? Então, e essa segunda onda do feminismo veio com essa tomada de consenso do Me Too, que a Ingrid falou, veio toda essa tomada do feminismo. Só quando a gente fala que, quando você fala que esticou a corda, todo movimento ele tem que ser radical para ele se instalar, perfeito, para ele se impor.

E eu não tô dizendo que não, então quando lá atrás a mulher não queria se raspar, ela precisava mostrar para o mundo que o que foi dito para ela que são os valores de uma mulher mulher não era isso que ela queria na vida. Eu não quero ser só uma esposa, uma mulher doce e delicada, que é o que a mulher tem que ser, tem que casar, ter filho, ser doce e delicada. Então elas queriam mostrar para o mundo que elas poderiam ser outras coisas.

Então todo movimento, quando vem, ele estica a corda assim, é necessário, porque desigualdade é tão grande, os abusos são tão grandes que a gente precisa em alguns momentos ser radical para a gente ser ouvida. E outra coisa, E mesmo assim, olha o número de feminicídios que a gente tem. E mesmo assim, o que que a gente chama de bem-sucedido?

IGIngrid Guimarães

O que que é bem-sucedido?

MMMônica Martelli

Sim, hoje a gente entende o que que é abuso, hoje a gente entende o que que pode, o que que não pode. Nossas filhas sabem: meu corpo, minhas regras. Sabe que não é não. Mas a quantidade de abuso que ainda todas as meninas passam— a gente que é mãe de menina é diferente que é mãe de menino. Eu vejo pelas mães da escola, tem coisas, a gente até É, são de coisas pequenas e coisas grandes. Até você combinando o Réveillon dos filhos, você vê a diferença da preocupação que tem de mãe de menino, mãe de menina.

Porque ainda, e é super difícil para a gente criar meninas, porque ao mesmo tempo que a gente tem que criar elas progressistas no sentido de entender dos direitos delas, a gente tem que falar do perigo que é.

I3Igor 3K

É verdade, entendeu?

MMMônica Martelli

Mas essa é uma super difícil, você quer pai de menina, você vai ver, é super difícil.

IGIngrid Guimarães

E o feminismo de uma certa maneira ele informa. Sim, porque eu me lembro de estar fazendo uma campanha sobre abuso e falar assim: meu Deus, existe abuso patrimonial? Eu não sabia o que que era abuso patrimonial, né? Ah, então existe um abuso que não é pegar, que é só gritar, que é só bater na mesa? E eu já sofri isso. Então assim, as pautas feministas elas informam. Então, por exemplo, outro dia eu vi uma menina nos Estados Unidos, novinha, uma menina conservadora falando contra o voto feminino.

Então ela dizia: eu sou, não sou, eu sou contra o feminismo e o feminino. Por que que eu sou contra? Porque eu acho que a família tem que estar pensando no mesmo voto. Um casal não pode morar junto se ele não pode se amar, se eles não pensarem igual politicamente. Isso num casamento não funciona. Então acho que os dois têm que chegar à conclusão de um voto só. Era o discurso da menina.

I3Igor 3K

Um ser humano formado, adulto, falando isso?

IGIngrid Guimarães

Era adulto, uma mulher, uma menina conservadora, uma influencer que tá cheia de influencer de mulher conservadora. O que eu acho muito doido, porque eu não tô falando sobre política não, eu tô falando que a base dessa dessas influências conservadoras é falar mal de coisas conquistadas pelas mulheres. Você quer ser conservadora, tá ótimo, mas o seu conservadorismo está em diminuir a mulher? Porque o voto feminino foi algo duramente conquistado.

E aí alguém perguntou para essa menina: mas se você, seu marido pensou diferente, vale? Olha como é a cabeça. Vale o você por aquela pessoa diferente? Tem que valer o voto da família. Ela era a favor de um voto por família. E se você olhar essa menina americana, É muito seguidor. Então às vezes eu fico vendo umas meninas, umas mulheres influencers mais conservadoras, que o foco delas é falar mal das mulheres. É a roupa da mulher, é a virilha da Xuxa, é o— é assim, assim, você pode defender os valores conservadores, cada um defende o que quiser.

O que eu acho só é que você não deve diminuir algo que foi duramente conquistado, porque na verdade Na verdade, na saída, o homem e a mulher, a gente é a tartaruga, né? Vocês já saíram na frente historicamente. Então existe já uma defasagem. Você pensar que há tão pouco tempo a gente não votava, a gente conseguiu conquistar esse voto, e agora tem meninas novinhas que eu falo, a pessoa não entende história, a pessoa não vê historicamente como isso foi importante, né?

Então assim, às vezes eu acho que eu falo que o feminismo informa porque através do feminismo, eu que me considero uma mulher informada e criada por uma mulher muito forte, comecei a ter acesso a dados históricos, a coisas que você fala assim, meu Deus, que dureza a gente chegar até aqui onde a gente chegou. Em vez de questionar, vamos tentar equalizar, né?

MMMônica Martelli

Mas eu acho que essas mulheres, elas, primeiro que elas, elas são submissas e reféns a esse modelo machista patriarcal. Então elas não querem mudar nada, porque mudar Impõe separação, impõe você estudar, impõe você olhar o mundo de uma forma diferente. Elas não querem mudar, né? Inclusive, até, né, a gente, como a gente tem que, a gente tá num ano tão importante que a gente tem que olhar, né, as mulheres candidatas, mulheres, né?

Como tem mulher candidata legal, como tem mulheres que são boas candidatas, e como tem candidatas que não representam as mulheres. Mulheres, né? Então não é porque você é mulher que são boas candidatas. A gente tem que estar muito ligado quais são as pautas que essas mulheres, que essas mulheres defendem, porque tem candidatos que defendem pautas como a Ingrid falou, são pautas conservadoras que não lutam por nós, né? Não estão na frente do que nós mulheres precisamos, né?

IGIngrid Guimarães

Então é, se a gente for entrar nessa discussão aí, eu vou, eu vou voltar para o fim.

MMMônica Martelli

Voltar para o filme.

I3Igor 3K

Então eu diria que a gente, eu acho que a gente tá numa situação de merda, porque se a gente for, a gente votar em A, provavelmente não vai resolver o nosso verdadeiro problema, que é de educação. Porque tudo isso que a gente tá falando aqui é educação, é quase um band-aid para escondendo ou ignorando um problema muito lá embaixo. Que veja, a gente tá falando aqui da conscientização, as mulheres não estão realizados. E assim, você, você, a gente tá aqui falando desse assunto aqui, é pouco importante assim, me parece, porque talvez tu conversar, trocar ideia com teu marido, ele vai pensar parecido comigo, que pode estar errado, tá?

Que é, a gente tava legal esse assunto aqui, mas porra, eu tenho que pagar a porra do aluguel, mané. Eu não tenho tempo para pensar nisso, entendeu? Eu não tenho tempo para, puta, o meu, aquilo que você falou, que é, puta, legal isso daqui, mas caralho, pera aí, eu já vivi até aqui sem estudar, né? Né? Então é melhor meio que continuar assim, porque como eu vou me virar sozinha? Então o problema é anterior, né? A gente precisa ter, a gente precisa ter um lugar que proporcione às pessoas a possibilidade de ter uma vida digna, pensar na vida.

Porque a gente, eu não tava, pegou aquilo que eu falei para você, eu não tava pensando na vida, eu tava pensando em pagar minhas contas, eu tava pensando em, porra, minhas filhas tem que estudar, eu tava pensando em, caralho, como é que eu faço para não ser mandado embora? É isso que eu tava Eu não tava pensando em o que que eu vim fazer aqui. Nossa, será que um sistema político— eu não tava pensando nisso.

IGIngrid Guimarães

Claro, claro.

I3Igor 3K

Então é anterior, claro, claro.

MMMônica Martelli

Mas é a base que é educação.

IGIngrid Guimarães

Mas eu tenho certeza que você não estando pensando nisso, você quer que a sua filha— você tem meninas também— tenha, por exemplo, uma liberdade financeira, para que ela não dependa de nenhum homem ou qualquer parceiro, para que ela não seja— ela seja dona da própria história dela. Isso é feminismo também.

I3Igor 3K

Eu também acho.

IGIngrid Guimarães

Feminismo, tá?

MMMônica Martelli

Não que eu tô dizendo assim, óbvio que é, Eu tô falando que eu tenho marido, base do feminismo, que as Bondevoy já falava: a única possibilidade da mulher ser livre é sendo independente financeiramente. Amor, no mundo capitalista, quem dá a última palavra é quem paga as contas.

IGIngrid Guimarães

É, não, que eu tô falando isso porque eu concordo perfeitamente. Eu tenho um marido que tem uma história parecida com a tua, que veio do subúrbio, que precisava contar dinheiro para chegar só para ver a praia. E eu te— e é completamente outra realidade. Eu sempre falo, eu vim de uma realidade de privilégio, Sair do Rio de Janeiro, de Goiânia para cá, com o pai me bancando. Isso muda tudo.

MMMônica Martelli

A verdade é que isso muda tudo.

IGIngrid Guimarães

E como eu tenho um marido que veio de um lugar muito diferente do meu, e a história dele, eu olho e falo, cara, como a história dele, como foi mais difícil para ele do que para mim. Mas eu vejo meu marido se reeducar em pequenas coisas por causa do feminismo. E quando eu falo do feminismo, que é uma pena que a palavra feminismo tenha se tornado tão pejorativa, porque o feminismo ele tá nas pequenas coisas do dia a dia. Então às vezes ele vai querer julgar a minha filha por alguma coisa que ele tenha medo de que aconteça com ela, né?

Ele vai por um moralismo que a minha própria filha fala: mas pai, pensa uma coisa. Aí eu falo, ele fala: cara, eu sinto que ele tá se reeducando. É porque assim, é tanta absurda. A história do feminicídio é um negócio que tá assim, a cada mulher que morre eu passo mal. Eu assim, eu, para mim, acaba comigo.

MMMônica Martelli

Porque o feminicídio é a mulher que é morta por ser mulher.

IGIngrid Guimarães

Mulher. É uma coisa muito assim, a cada, assim, a gente, nossa, na nossa profissão a gente convive muito com uma diversidade. Então aquele cabeleireiro que vai lá, que é um cara gay, que é um cara trans, uma mulher trans, homem trans, se você começa a ouvir história dessas pessoas, você fala, caramba, piorou muito a vida deles, sabe? Eles estão muito mais sendo perseguidos. Assim, você conviver com a diversidade te faz ser mais empático.

Essa é a minha, a minha questão com conservadorismo. Acho conservadorismo exagerado é uma falta de empatia. Porque se você conviver com o diferente, você vai entender que a galera tá sofrendo com isso no dia a dia. Esse dia a dia aí que você tá falando, ele também não tá conseguindo andar na rua, ele tá apanhando. A menina, a amiguinha dela foi abusada. A gente tá com medo toda hora de ir para uma— hoje a gente já tem medo de ir para uma resenha, porque você ouviu dizer que a resenha, a menina foi estuprada.

Então assim, era o dia a dia também. Então cada menina que morre, cada mulher que é estuprada, cada Cada amigo trans que apanha, sabe, você fala assim, caramba, cara, não é possível que a gente tá vivendo isso em 2026. Isso também é uma espécie de feminismo, né? É você? Claro, isso tudo tá dentro do feminismo que a gente fala.

MMMônica Martelli

Não é político, é porque fica muito tempo que a vida é política, tudo é político.

I3Igor 3K

Mas eu sei que deveria ser sequestrado por uma malta.

MMMônica Martelli

Não, não deveria você ser sequestrado pela disputa partidária. É, política é uma outra coisa, é que a gente faz uma vida, não tem nada a ver com disputa partidária. Você entendeu? Convivo com pessoas muito diferentes de mim, de classes sociais diferentes da minha, e a discussão política sempre foi uma coisa saudável, sempre foi. A vida inteira existiu direita e esquerda, isso aí tá tudo certo, sempre teve. É, a questão é que hoje é normal falar de política, né?

É que hoje tá vindo um extremismo que tá trazendo conceitos que são assustadores, que é fora, que excluem tudo que a gente acredita, que é inclusão, que é os direitos humanos. É essa nossa preocupação, né, gente?

IGIngrid Guimarães

Eu sou de Goiânia, né? Então eu cresci numa família tradicional de direita. Tô dando um exemplo, tá? Eu a vida inteira, a minha mãe foi tucana, minha mãe tinha o broxinho. Então assim, eu me lembro de estar na mesa com os meus pais, com meus tios, falando de política. Imagina, eu era cara pintada, né, fazer teatro. Eu era uma menina mais progressista por causa do meio que eu vivia. Eu queria ser a menina do teatro, digo. Então assim, o que eu era era diferente do que a minha família goiana tradicional era.

E era uma discussão super saudável na mesa. Eu não me lembro disso ser uma— eu não me lembro. Eu tô falando porque eu vim de uma família realmente que pensava diferente de mim. Não era uma briga, nunca foi uma briga, era sempre uma coisa até quase divertida.

MMMônica Martelli

É porque a gente confunde briga com discussão, né? Eu venho de uma família muito de esquerda, a Ingrid conhece, lá em casa é muita militância, uma formação muito de esquerda, né? Minha mãe se elegeu vereadora muito nova e sempre teve discussão. A minha casa era um lugar de discussões políticas, uma discussão, uma discussão política, discussão você se convence de qualquer coisa. É papo bom, porque é muito embasada, muito culta.

Então são discussões, mas só quem discute é quem tem projeto, né? Só quem discute é quem tem sonho, é quem tem desejo, é quem pensa coletivamente, é quem pensa o Brasil. Minha mãe vem de uma época que a política era paixão, é diferente. Então é isso que a Ingrid falou, é você poder sentar tucanos com esquerdas e ter essa discussão. A gente antigamente odiava tucano, hoje em dia a gente fala tudo bem. Ai, que saudade, amor dos tucanos, que saudade!

IGIngrid Guimarães

Minha mãe apaixonada pelo Fernando Henrique, eu contava para ele que na rua eu falava, eu falava, Fernando Henrique, minha mãe te ama. Era uma coisa tão assim, é normal.

MMMônica Martelli

Não, não, hoje em dia a gente fala, hoje em dia a gente fala de forma maravilhosa, mas que antes era era hoje adversários, mas era adversários com nível, sabe? É uma pena, era adversários com projeto de Brasil, gente.

IGIngrid Guimarães

É uma pena, né? Porque no fundo a gente tem um país maravilhoso que não tem nenhum lugar do mundo com pessoas, brasileiros maravilhosos, depender de uma potência, né? Nem do partido que você é, você é um brasileiro, a essência brasileira é maravilhosa. Vai para qualquer lugar do mundo, você fala Brasil, a pessoa: Brasil, não é? E aí você fala assim, a gente, por exemplo, trabalha com humor, nós somos atrizes populares, a gente quer atingir o maior número de pessoas possível nos nossos filmes.

Então assim, essa disputa partidária é ruim pra cultura também, porque aí o cara deixa de te ver porque você não pensa igual a ele, o que é uma grande bobagem.

MMMônica Martelli

Mas sabe o que é, Ingrid? A gente... É uma pena, né?

I3Igor 3K

Muito.

IGIngrid Guimarães

É uma pena, cara. Eu fico tão triste com isso, porque eu falo assim... Porque aí entrou na cultura, entrou na política.

MMMônica Martelli

Mas eu acho que o humor, o humor ele tem uma coisa muito maravilhosa da forma como a gente trabalha, trabalha que tudo que a gente passa, que a gente vive, que a gente escreve, que a gente faz, chega em todas as pessoas, né?

IGIngrid Guimarães

Então assim, o filme é para direita, o filme é para esquerda, o filme é para centrão, o filme é para todo mundo.

MMMônica Martelli

Fala de sentimento humano, fala de angústia, fala de alegria, fala de tristeza, fala de medo, fala de medo de ficar sozinha, fala de medo de separar, fala de medo de se envolver de novo.

IGIngrid Guimarães

Você tem que ir com a tua mulher.

MMMônica Martelli

A minha personagem A minha personagem, ela tem muito medo.

I3Igor 3K

Oi!

MMMônica Martelli

A minha personagem tem muito medo de se envolver de novo, né? Então ela é defendida para o amor. Então é nesse lugar que a gente se encontra. A personagem da Ingrid já vive um casamento já completamente falido, que não é— quer dizer, nossas personagens se encontram muito no filme na questão da amizade. Amizade da Júlia e da Clara, que são nossas personagens, que os nomes delas são homenageando nossas filhas, que é Júlia e Clara.

As nossas personagens na amizade se encontram nessa cumplicidade, nessa intimidade, nessa alegria que tem uma com a outra. No amor, nós somos diferentes, nossas personagens. A minha personagem é muito defendida do amor, eu sou o contrário, eu mergulho e me fodo sempre, mas tá tudo certo, eu tô ali me mergulhando, entendeu?

I3Igor 3K

Eu tô sempre tentando aprender porra nenhuma, amor.

MMMônica Martelli

Eu aprendo, mas eu continuo errando, mas tô Eu tô acertada já um tempo, tá? Eu tô namorando um tempo. E a personagem da Ingrid, e tá no casamento já completamente acabado e com medo de separar. A Ingrid tem um casamento de 20 anos com puta de um parceiro, que tem várias crises, como ela fala. Mas é que essa mulher empreendedora que é hoje tem esse parceiro do lado a vida inteira.

IGIngrid Guimarães

A gente fala de dois tipos de, assim, e por exemplo, no filme é um casamento que já acabou e eles não têm coragem de admitir que acabou. E eu sempre tenho que falar, a gente fala muito uma coisa legal, eu, Mônica e Suzana, que a Suzana também é a diretora, que ela é muito criadora junto com a gente, nós somos sócias nós três. A gente não bota o homem no filme porque já é um filme que fala muito mulher, a gente não bota o homem como um vilão, que isso é outra coisa que dramaturgicamente a gente tem que parar de fazer, sabe?

Assim, ai, o homem babaca. Claro que tem um monte de homem tóxico, tem um monte de homem que trai, mas tem um monte de mulher também assim, tá às vezes.

MMMônica Martelli

A gente faz terapia muito tempo, a gente já aprendeu na terapia que, amor, os dois estão remando o barquinho juntinho, amor.

IGIngrid Guimarães

É, não é culpa do homem.

MMMônica Martelli

Na merda junto, na merda junto. Não vai botar ali, não tem vilão nessa história.

IGIngrid Guimarães

Eu fiz questão de botar no filme, por exemplo, o marido que é maneiro. O marido é mó legal, cara, né?

MMMônica Martelli

Mas é isso que é legal, isso que é legal. Por que que separaram? Porque a vida é assim, acabou. Você veio de um lugar, ela veio de outro, você tem que se encontrar para poder entender o que que um realizou do outro.

IGIngrid Guimarães

Porque até o cinema de comédia, ele sempre tinha uma coisa meio estereotipada, né? Era o homem que traía a mulher, e a mulher ficava ali sofrendo, a mulher esperava o homem. Até Até a gente também com nossa dramaturgia do filme Dela Sozinha, Meu Sozinho, a gente tá mudando um pouco essa história. Quando eu botei, eu não, mas quando eu fiz De Pernas para o Ar, que eu botava a mulher de família gozando na frente de um Brasil inteiro, que foi o fenômeno que foi, todo mundo, meu Deus, uma gente faz sucesso!

Por quê? Porque era mulher dentro falando que uma mulher, que tem mulher que não consegue gozar. Então é importante falar, é médico, é o médico, o nome do meu vibrador era Rabbit.

MMMônica Martelli

Olha só, e é importante falar uma coisa que é Você vê que tá tudo linkado uma coisa com a outra, né? O que a Ingrid tá falando agora é que há séculos os homens é que escreve os roteiros, há séculos que os homens escrevem sobre as nossas vidas, sobre pelo olhar e pelo desejo deles. Mas agora a gente tá escrevendo, a gente tá escrevendo e produzindo.

IGIngrid Guimarães

E agora a gente quer virar uma produtora.

MMMônica Martelli

Tudo tem a ver também com o movimento, tudo tem a ver.

IGIngrid Guimarães

Então isso também é feminismo, é você botar Ah, uma mulher, eu, meus 3 últimos filmes foram dirigidos por mulheres, inclusive a Suzana Garcia. Já fiz 3 filmes com ela, daqui a pouco eu passo a irmã.

MMMônica Martelli

Já passou?

IGIngrid Guimarães

Já passei, fiz mais filme com a irmã dela do que eu, do que ela. É, o olhar da mulher, por exemplo, uma cena de sexo é diferente na hora de filmar, tem uma outra sensibilidade. A gente para e não tem diretores homens maravilhosos, mas só você ver agora, é diferente.

MMMônica Martelli

Olha, quando as mulheres escreveu sobre perspectiva feminina.

IGIngrid Guimarães

E aí você, ao mesmo tempo, a gente não quer excluir o homem, e pelo contrário, o nosso filme, a gente quer chamar eles para tudo, por exemplo, nossos convidados para tudo, nossos filmes, movimentos, para tudo. Venham com a gente, venham com a gente. E a gente é mó legal, olha só, a gente fez teste do nosso filme, nós não, a Paris Filmes, que é a nossa distribuidora, que é nossos parceiros de toda uma vida, de todos os nossos filmes, a gente, o cinema é A gente, para a gente lembrar aqui, falar da potência que é esse podcast, o cinema brasileiro ainda vive de resistência, né?

A lei da cota de telas é uma lei que garante que no filme, num desses cinemas grandes, Cinemark, que tem 8 cinemas, pelo menos metade vai passar filme brasileiro. Porque se não existisse a lei de cota de telas, para quem não entende o que é isso, ela preserva que pelo menos 20% dos cinemas do Brasil passem filmes brasileiros, né? Então a gente foi protegido, a gente criou esse público brasileiro no cinema do Brasil por causa dessa lei, porque você tem acesso a filme brasileiro.

Então a gente tá aqui, eu e a Mônica, entre o Homem-Aranha, o Diabo Veste Prada, o Toy Story, os Bichos Que Voam.

MMMônica Martelli

Então a gente tem sempre Homem-Aranha agarrado na gente, sempre tem mulher, nunca tá soltinho assim, ó.

IGIngrid Guimarães

Nunca, para a gente, você tá entendendo? Você soubesse o que que foi essa data para a gente conseguir sem ter um bicho voando na nossa cabeça, um Robocop explodindo, um Oasis, não, como é o nome, para a gente poder ter sala de cinema. É incrível, é uma questão bem prática, é sala de cinema.

I3Igor 3K

Tô entendendo.

MMMônica Martelli

Olha só, tem, vamos colocar assim, então tem mil salas de cinema no Brasil. Se a gente estreia junto, no mesmo dia com Homem-Aranha, como é que faz?

IGIngrid Guimarães

Vai 800 salas estrearem.

MMMônica Martelli

Você que é dono de sala de cinema, como é que vai distribuir suas salas de cinema? Você tem 4 salas de cinema, você vai botar o quê?

IGIngrid Guimarães

Você vai botar o gringo que explode.

MMMônica Martelli

O Lula e o Sonic 2 ou Homem-Aranha? Ou você vai primeiro testar Homem-Aranha, você tá entendendo?

I3Igor 3K

Eu, se eu sou dono de uma sala de cinema, técnico, pensando em fazer aquilo ali dar mais dinheiro, eu quero que você se foda.

IGIngrid Guimarães

Então é isso, você falou a cabeça do dono do cinema.

MMMônica Martelli

Exatamente, é isso.

IGIngrid Guimarães

Entendeu?

I3Igor 3K

Então assim, Homem-Aranha provavelmente vai dar muito mais dinheiro.

IGIngrid Guimarães

Eu já, eu já tive, eu tive uma história na minha vida que virou interessante, porque pode não ser tão verdade assim.

I3Igor 3K

Porque, por exemplo, eu não sei, eu não conheço os números de todos os filmes de vocês, mas eu sei que De Pernas para o Ar foi bem.

IGIngrid Guimarães

Olha só, De Pernas para o Ar, Minha Vida e Marte, Minha Mãe, Primeiro, acho que tu acha que custou 5 milhões e rendeu. Olha só, o De Pernas para o Ar 1, 2 e 3, 1, 2, foi sucesso absoluto. E a gente ganhou de vários gringos. Gringos, eles também.

MMMônica Martelli

É, o teu foi um dos filmes do ano 2015, né? Foi de 2017.

IGIngrid Guimarães

A gente adorava ganhar dos gringos, né? Falava, e a gente deu mais do que o tal do gringo, porque eles têm 3 vezes mais o dinheiro da gente, inclusive de mídia. No De Pernas para o Ar 3, eu fui lançada na segunda semana quando eu fiz 1 milhão e 800 junto com Vingadores, 100 milhões no mundo. Foi o maior fenômeno do mundo, foi Os Vingadores. Então você entrava assim, eram 8 salas de Vingadores e 1 de Pernas para o Ar. Não tem como.

Você pode ser o melhor filme, pode juntar todas as comédias do Brasil, você não tem. Pode juntar Wagner Moura, eu, a Mônica, não tem forma.

MMMônica Martelli

É importante a gente falar hoje aqui como é importante ir na primeira semana, ir na primeira semana do nosso filme. A primeira semana que conta.

I3Igor 3K

Então eu não entendo nada desse mercado.

MMMônica Martelli

Vamos lá.

I3Igor 3K

Tá bom, eu concordo que colocar o teu filme, qualquer que seja, é para disputar, inclusive de qualquer país, para disputar com os Vingadores é complicado, né? Que nem nos games, o cara lançar um jogo em novembro vai se foder porque vai lançar o GTA 6, né? Então não faça isso, a menos que não esteja jeito, que não tenha jeito. E aí a gente, eu queria só aqui propor o seguinte, É, eu entendo, não tô dizendo que não é importante as cotas das salas de cinema, não é isso que eu tô dizendo.

O que eu tô dizendo é, a gente tá de fato formando o hábito, porque a gente vê vários países, vai, historicamente, Estados Unidos, obviamente, o Japão com os animes, a Coreia do Sul com BTS, com os animes deles lá, que eles chamam de outra coisa, com os doramas, e a gente vê o mundo fazendo virar o soft power. Oliver, né? Então como é que é isso? É basicamente a cultura do país sendo produtizada e exportada, né? E aqui no Brasil a gente tem, sei lá, a gente tem uma Lei Rouanet que a galera odeia.

Veja, o sentimento é comum, o sentimento de, pô, Lei Rouanet, isso é coisa de safado, de vagabundo. Não tô dizendo que é verdade, tô dizendo que isso é um sentimento comum. A gente vê investimento em cultura como um desperdício de dinheiro, brasileiro, eu tô falando como sociedade, tá? Existe uma boa parte da sociedade que vê o investimento em cultura como um desperdício. Eu tenho uma opinião diferente. Eu acho que dava para a gente ser, inclusive, ser um país mais rico se a gente investisse mais na nossa própria cultura, né?

Claro. Mas então eu entendo, eu entendo que existe uma tímida vontade de fazer alguma coisa nesse sentido, com uma cota em sala de cinema para filmes brasileiros. Só que isso só vai virar de verdade, que nem as cotas raciais ou cotas de faculdade, só vão virar de verdade quando a gente resolver um outro problema, que é até que a gente tava falando de educação, né, é anterior. A gente tá criando hábito para valer com essas cotas aí.

MMMônica Martelli

A cultura, ela ajuda na educação de um país, porque o que tá retratado ali, você é, é o tesouro do país, são os costumes, é o que aquela mulher tá pensando naquele momento, É o que ela tá fazendo, é onde ela tá indo, o que ela tá comendo. O que que é cultura? O que que é cultura? Quando você vai para um país, você fala: eu quero conhecer a cultura desse país.

IGIngrid Guimarães

O que que é?

MMMônica Martelli

Eu quero ouvir a música daquele país, eu quero comer a comida daquele país, usar hábitos.

IGIngrid Guimarães

O que que aquelas pessoas pensam?

MMMônica Martelli

Qual o cinema que essa pessoa quer ir? Qual o teatro? A gente sempre chega no lugar e fala: o que que deve estar passando no teatro aqui? Vamos entender a cultura desse país. Então a cultura, ela educa, a cultura ela forma um país, né? Então assim, em questão do cinema, claro que existiu, existiu. A gente tá vivendo um momento diferente pós-pandemia, não só para pandemia.

IGIngrid Guimarães

Rapidinho, desculpa te interromper, mas que a gente ainda tá concorrendo com streaming.

MMMônica Martelli

É verdade, não é isso que eu tô falando.

IGIngrid Guimarães

É isso que eu tô falando, além de tudo, pós-pandemia é isso.

MMMônica Martelli

Então a pós-pandemia, o streaming tomou conta, porque na pandemia, quando você tava mal em casa, o que que você recorreu? Música, série, cultura. O que que salvou todo mundo na pandemia foi a cultura, foi o que a gente faz. Os Homens São de Marte que eu fiz no GNT, as 4 temporadas, na época da pandemia, o que eu recebia: tá me salvando, eu não paro de ver. E Parará Ingrid, mesma coisa com os filmes dela. Então é nesses momentos que a gente entende o valor da cultura, o valor que a arte tem na vida das pessoas.

Então veio a pandemia, então o hábito do mundo mudou foi começar a ver filme em casa. Só que a gente tá trazendo de volta a população para o cinema.

IGIngrid Guimarães

Por quê?

MMMônica Martelli

Porque o cinema é uma experiência. O cinema virou o lugar onde você não fica no celular. Porque você, quando ouve, vê um filme em casa, você faz assim rapidinho, ó, e volta. O cinema virou um lugar que a gente só sai do cinema, fala assim, cara, eu relaxei. Claro, você não olhou no celular. E eu vou explicar, você desligou o celular, você comprou uma pipoca, você ficou numa aquela que te obrigou a ficar ali, ó, naquela história.

Você mergulhou naquela história. Gente, hoje você mergulhar numa história de uma hora e meia é um bálsamo.

IGIngrid Guimarães

Bota uma caneta, entendeu? Criança concentra mais. Eu vou explicar para você o que que é o cinema popular, tá? É para você fazer sucesso no Brasil de cinema, você tem que atingir o subúrbio, você tem que atingir aonde você nasceu. A Zona Sul não faz sucesso? Faz assim, a gente bomba na Zona Sul, mas ela não é o suficiente. Gente. O Brasil não é o Jardim, a Barra, o Leblon. O Brasil é o subúrbio, é o Brasil, né? Isso é. Se você não chega em Madureira, que a gente fala, você não fez sucesso.

Você chegar ao sucesso que a gente já fez, Madureira tem que ver. O que que acontece? Você sabe da onde você veio. Você é assim, a pessoa, muitas vezes essas famílias, elas têm um dinheiro para assistir um filme, elas não têm um dia para assistir um filme todo final de semana. Então ela tem que ser— a gente faz filmes familiares, eu penso nisso cada filme que eu faço. Eu penso assim, o pai vai gostar de ir com a mãe, que vai gostar de ir com os filhos.

Então eles vão lá, pegam o carro, vão no shopping. O cinema é caro, tem a pipoca que é cara, tem a pasta de alimentação que é caro. Então é um programa caro assim para uma família de classe média baixa, né? Então é um grande programa. Então assim, eu hoje as pessoas têm essa coisa de sair para ver os super-heróis, que eu entendo, é uma experiência única ver na tela. Não tô julgando, acho que ir para o cinema já é uma experiência.

Eu e a Tata fizemos Uma Irmã e Eu, dirigido pela Suzana. Foi o primeiro filme que fez sucesso pós-pandemia brasileiro. Quando eu criei esse filme com a Tata Werneck e a Suzana, eu pensei, eu quero fazer um filme que fale sobre o Brasil profundo. Eu fiz um filme, nós fizemos um filme inteiro em Goiás, na minha cidade. A gente falava sobre o mundo de irmãos, o mundo sertanejo, o mundo da família raiz, que é de um lugar que eu vim também.

O filme fez 2 milhões e 300 pós-pandemia, que era considerado um número pós-pandemia. Hoje em dia, se fosse, a gente ficaria meio sem exemplo. Então assim, eu me lembro que eu me emocionei muito das pessoas falando assim: que experiência maravilhosa voltar! Eu voltei por causa de vocês. A gente tem que trazer para as pessoas voltarem a era experiência. Porque a experiência do streaming é maravilhosa. Eu fiquei 4 anos contratada de streaming, espetacular que esse dinheiro exista, mas é uma experiência individual, né?

Minha filha vê no quarto dela, agora meu marido vê o futebol no quarto dele, e eu vejo meu filme. Quando eu olho, cadê a experiência de junto, gente?

I3Igor 3K

Eu fico até aliviado de ouvir que na tua casa rola também.

MMMônica Martelli

Não, não, na casa de todo mundo, gente. Eu tava ontem no quarto, minha filha ainda, minha filha, minha filha.

IGIngrid Guimarães

E tá acontecendo uma coisa muito linda. Sabe quem tá salvando o cinema? A geração Z. Minha filha vai mais ao cinema que eu. Eles estão gostando.

I3Igor 3K

A filha que tem me levado no cinema.

MMMônica Martelli

É, tá vendo?

IGIngrid Guimarães

E para isso a gente tem que apresentar para essa geração filmes que falam na nossa língua. Eu lembro quando eu fiz Falar Sério, Mãe, era um monte de mãe e filha assistindo juntas. Eram várias gerações indo ao cinema juntas. Então assim, isso é muito— a formação de plateia é mais do que a Lei Ronin. Inclusive, só para deixar claro aqui, a Lei Ronin não agracia cinema nacional, tá? Que rola assim desinformação.

I3Igor 3K

As pessoas não sabem nem o que que é. Elas acham que é o Lula pega e dá dinheiro.

IGIngrid Guimarães

Não é nada disso.

MMMônica Martelli

Mas eu acho que até a gente, olha só, eu já vi Jô Soares já estando explicando. Não tem essa noção.

IGIngrid Guimarães

É só para falar, porque ele falou dali, virou uma guerra. Mas é só para explicar, porque às vezes a gente informa um negócio que a pessoa não sabe. Ir ao cinema, mesmo assistindo filme gringo, que quer que seja, é muito bom. A gente tem que voltar para essa experiência de você pegar tua amiga e falar, vamos fazer?

MMMônica Martelli

Eu comprei o ingresso para ver um filme amanhã. Eu entrei lá para comprar o ingresso, é uma experiência.

IGIngrid Guimarães

No nosso filme, sabe o que tá acontecendo no nosso filme? As mulheres estão combinando de juntas e já vendo look para juntas, amor.

MMMônica Martelli

As mulheres querem juntas no filme.

IGIngrid Guimarães

Então eu combinei com a minha empresa.

MMMônica Martelli

Fala assim da força feminina, que é que nós mulheres sofremos isso a vida inteira, dessa rivalidade feminina que foi construída socialmente, né? É uma construção.

I3Igor 3K

Pelo que eu tô entendendo, não Não vai ter chance. Bom, não vai ter chance é foda, porque sempre tem. Mas assim, é, não tem um homem tão babaca. O marido não é o rei dos babacas.

IGIngrid Guimarães

O cara falar, olha, esse filme de feminista, você vai ficar afim do meu marido? Você vai ficar afim do meu marido?

MMMônica Martelli

Olha só, o marido da personagem dela é um fofo. Gente, a gente tá fazendo hoje histórias que retrata o mundo de hoje. Por isso é que a cultura, por isso que a arte é tão importante, porque retrata nossos tempos atuais, retrata que a gente tá vivendo. A gente já entendeu que não tem mais o vilão, a gente entendeu que a gente entra nas relações com muita expectativa. De você entrou com expectativa enorme, ela também entrou. Agora vocês chegam na DR. Que que é DR? DR é cada um tentando convencer o outro.

IGIngrid Guimarães

A mulher dele tá assim, ó.

MMMônica Martelli

Eu já tô falando para mulher dele, porque que que é DR? É cada um tentando convencer o outro só a própria fantasia. Então a gente já entendeu um pouco sobre isso. Ó, ele pensando, caraca, é isso mesmo!

I3Igor 3K

Não, mas em geral eu amo.

MMMônica Martelli

Foi maravilhoso, que ele é muito verdadeiro, ele tem a reação na hora real, entendeu? É maravilhoso. E é isso, entendeu? Então a gente vai ver ali, ok, duas mulheres já estão no ressignificar a vida. Quantas mulheres? E olha só, a gente tá vivendo hoje até 90, né? Então a mulher mulher, ela entrar, a expectativa de vida feminina era até 65. A mulher entrava na menopausa aos 50. O que que significava? Era final de vida, não era nem falar desse assunto, né?

Que não é nem assunto que a gente aprofunda muito no filme, mas a gente nessa idade, a gente era, nós mulheres principalmente, a gente via como final de vida. Hoje uma mulher de 50, quando pensa, peraí, eu vou viver até os 40, entendi. De hoje, será que eu quero esse marido os próximos 40? Será que eu quero essa profissão para os próximos 40? Será que eu quero esse emprego nos próximos 40? A gente tá ressignificando as vidas. Então é inspirador ver uma mulher hoje, que é essa mulher de 50 de hoje, do tempo de hoje, pensando em ressignificar a vida.

IGIngrid Guimarães

É legal ver medo de falar, não dá mais tempo.

MMMônica Martelli

É legal ver essas mulheres se encontrando e viajando e amando estar só nós mulheres, sem estar feliz só no amor romântico. Porque a nossa geração vem de um lugar em que a felicidade é só do encontro amoroso. Então quando a gente viaja, e a gente viaja mesmo na nossa vida, a gente se diverte muito.

IGIngrid Guimarães

É igual quando a gente tá com os maridos e namorados, e a gente se diverte com os maridos e namorados também.

I3Igor 3K

Falar nisso, falar nisso, é aquilo que eu tava, que eu falei lá no comecinho lá da viagem para Ibiza. Só para entender, tava vocês duas e a Carol, Carol não, a Clara e a Júlia, né? É, Carol é minha. Por que que vocês foram para Ibiza? Não era óbvio que vocês iam tomar gongada das adolescentes?

IGIngrid Guimarães

Porque é o seguinte, a gente, a Mônica foi morar em São Paulo e as nossas filhas se afastaram um pouco porque elas são grudadas. Elas faziam balé, furavam orelha, da mesma sala da escola. Aí rolou, aí a gente ficou com medo porque a gente sabe quando passa adolescência, aí você cria sua turma, delas se afastarem. E a gente falou, não, vamos dar um jeito jeito delas não se afastarem. Vamos fazer uma viagem? A gente fez essa viagem.

A gente queria ir para uma praia, porque criança, adolescente, pré-adolescente, eles são chatocas, entendeu?

MMMônica Martelli

Não, pré-adolescente é o seguinte, a gente, vocês é 11, 13, é uma fase seguinte: só pode postar foto de costas, no máximo assim, ó, ó. Teve uma semana que eu falei, Ingrid, essa semana eu só posso postar foto de recém-nascida.

IGIngrid Guimarães

É, a gente não pode postar depois que vai melhorando um pouquinho. E aí assim, vai o quê? Para o museu reclama. Reclama. Você vai sentar no restaurante, reclama. A gente falou assim, vamos para um lugar de praia que a gente bota elas em praia, faz movimento com pré-adolescente.

I3Igor 3K

Aí tu escolheu Ibiza, cara.

IGIngrid Guimarães

A gente nem sei porque que foi Ibiza. Alguém falou que as praias eram lindas e são mesmo maravilhosas.

MMMônica Martelli

A primeira viagem que a gente foi, foi para Ibiza.

IGIngrid Guimarães

A gente falou, vamos para várias praias.

MMMônica Martelli

O negócio foi muito sério porque a gente ficou no hotel muito, a praia muito afastada daqui.

I3Igor 3K

Vamos fazer spring break em Ibiza, caralho. Vocês foram para um lugar de doideira, mas não quis pôr.

MMMônica Martelli

Não, mas tem duas Ibizas.

IGIngrid Guimarães

Não, então aí a mulherada ainda, né?

MMMônica Martelli

Mas é por isso, a mulherada, essa Ibiza que o povo dorme 10 da manhã porque tá virado da festa e fica o dia inteiro na tumba, e tem Ibiza das famílias. É muito grande, todos os caras que eu conversei me falaram sobre isso. É porque a mulherada chupa Ibiza era a galera deitada assim de 3 fumando vape já.

IGIngrid Guimarães

E a gente já ficou arrasada, a gente falou, meu Deus!

MMMônica Martelli

No avião, falei, Jesus, Mônica, tá todo mundo fumando vape dentro do avião, galera tatuada, jogada, tipo você assim, ó, jogadinha já no cantinho assim, ó, ó, e as nossas filhas assim, mano, mãe, olha lá, a gente não é, vocês fumarem vape, gente, aí olha só, é outra Ibiza, a gente vai para uma outra Ibiza, a gente viajou, tá?

IGIngrid Guimarães

Mas a mulher da agência falou assim para mim, isso que a Mônica falou, são duas Ibiza.

MMMônica Martelli

Vou botar vocês, existe uma Ibiza Família, eu vou botar vocês numa Ibiza Família.

IGIngrid Guimarães

Só que a tal da Ibiza Família, ela tem muito longe, era 40 minutos de uma praia.

MMMônica Martelli

Porque Ibiza é o seguinte, tem o centro, entendeu?

I3Igor 3K

Ou seja, não tem duas Ibizas.

MMMônica Martelli

Não, não, não tem.

IGIngrid Guimarães

Mas para chegar na Ibiza da lojinha de maquiagem que elas queriam ir era 45 minutos.

MMMônica Martelli

Tudo lá 40 minutos, 40 minutos, 40 minutos para dirigir, porque tudo longe, uma praia da outra é longe, tudo longe.

I3Igor 3K

Que era? Nem lembra, amor?

MMMônica Martelli

Não sei nem o carro meu que eu tenho agora. Eu tenho um carro há 6 anos, eu não sei a marca.

I3Igor 3K

Não era?

MMMônica Martelli

É a pergunta mais difícil que eu já vi.

I3Igor 3K

Mas era um carro grande, legal, cabia todo mundo.

IGIngrid Guimarães

A história é assim, ó, a gente aluga carro, nós alugamos carro. E aí você faz assim, você entra para alugar numa dessas agências de aluguel, bota assim SUV, né?

MMMônica Martelli

Não, tem categoria, tem categoria.

IGIngrid Guimarães

Aí eu aluguei, tá? Aí eu aluguei, aí eu aluguei a categoria. Eu que aluguei, eu falei, Mônica, eu aluguei.

MMMônica Martelli

É que é inexistente, ela vai lá, ela acha que ela sabe.

IGIngrid Guimarães

Eu acho que eu sei. Eu peguei, falei, botei SUV, velho, botei categoria SUV. Por quê? Porque Mônica vem com 5 malas, eu venho com 3, cada adolescente vem com uma, e a gente viaja com muita roupa, a gente gosta do negócio. E aí a gente—

I3Igor 3K

mulher não sempre viaja com roupa demais, muito além?

IGIngrid Guimarães

Sim, muito além. A mulher normal, eu e você, é acima da cinta.

MMMônica Martelli

Não, mas a gente agora mudou, a gente agora tá viajando com 4 coisas de cada. A última viagem eu mudei muito, mas olha só, mas deixa eu acabar. Uma mala só necessaire, tá?

IGIngrid Guimarães

Tá.

MMMônica Martelli

É porque eu levo necessaire para— eu levo remédio de doença que eu já tive, do que eu tô tendo agora, que eu possa ter.

I3Igor 3K

Entendi.

MMMônica Martelli

Então eu vou toda coberta.

IGIngrid Guimarães

E aí ela vai toda coberta e eu ligo para ela antes de viajar Aí eu falo, Mônica, você tá levando quantas malas? Eu já tô me acabando em uma, que é um caixote que cabe você, tá? Aí eu ligo, ela vai assim, 2 caixotes. Eu, 2 caixotes?

MMMônica Martelli

Caixotes só de remédio.

IGIngrid Guimarães

Aí eu vou lá e pego mais uma mala, porque eu também não posso ficar para trás, entendeu? Ela vai com aquelas roupas lindas dela, eu tenho que ir porque eu vou tirar foto junto com ela. Então eu já vou correndo atrás dela. E Júlia, Mônica, ela, Júlia, 1:30. Eu falei, claro, Júlia, 1:30. Aí aquela, já pega mais uma por causa de Júlia. Não, é uma coisa de Aí ela, a gente vai, aí o carro tem que caber todas essas malas. Aí eu, que sou a pessoa que tento ser a mais, porque a nossa dinâmica é eu tento ser organizada, dá ruim, aí ela vai, pega para ela, dá ruim, aí a gente vai trocando.

E aí ela sempre dirigiu, desde esse dia que a gente se conheceu lá, que a gente nem acabou de contar, mas a gente não acabou de contar, é porque nossa história começou no carro e a gente tem nossa história inteira de carro. E desde os 23 anos ficou estabelecido que Mônica uma excelente motorista, e ela realmente é. Então é excelente. Você é boa de bicicleta, você é boa de patinete, você é boa de carro.

MMMônica Martelli

Diz, eu sou porque eu fui criada em Macaé de infância, mandei distrato o dia inteiro. Então calma, não é bem Macaé não, mas é.

IGIngrid Guimarães

Deixa eu acabar.

MMMônica Martelli

Eu sou boa motorista perto de você, depende da referência, amor.

IGIngrid Guimarães

Se for colocar o motorista profissional, eu Eu confio em você diante do Ayrton Senna, se fosse vivo.

MMMônica Martelli

Deixa eu acabar. Eu fico bom, motorista, perto dela.

IGIngrid Guimarães

Não, mas ela é excelente.

MMMônica Martelli

Você vê como olhar de confiança influencia.

IGIngrid Guimarães

Ela é ligada e ele é desligado em tudo, mas na hora ela— eu confio muito.

MMMônica Martelli

A minha filha fica aqui perante o desligamento dela.

IGIngrid Guimarães

Aí, tão preocupada com isso agora. Ela é excelente, ela se perde com conficção. Ela é excelente. E aí eu sou Pessoa que sempre é copiloto. Eu sou péssima copiloto. Ela fala, e ela nem briga, ela é tão fofa que ela fala assim, Ingrid, você me deixou perder. Aí, sabe o que eu faço? Eu boto o Waze aqui, ó, e ela não confia no meu Waze, ela bota o Waze dela mesma. Então tem o meu e o dela, escolhendo o meu e o dela assim, ó. A gente já errou de país, isso aí tá no filme inclusive, já errou de país já.

MMMônica Martelli

Não, não, o filme tá no filme.

IGIngrid Guimarães

A gente, a gente, aí deixa eu contar. Aí chegamos lá, peguei o carro SUV, aí chegamos lá SUV, aí eu falei assim, aí a Mônica entrou que a Mônica sempre fala inglês melhor que eu. E ela vai falar: e aí, tu tinha comigo qual é o carro? É um Citroën. Aí eu falei: Citroën? Citroën? Aí a Mônica falou: Ingrid, e aí, vamos no Citroën? Olha, mudou a categoria de vocês, mudou.

MMMônica Martelli

Porque não, não, não, não foi isso não. Calma aí só um minutinho, amor.

IGIngrid Guimarães

Pera aí, ela vai ficar doida.

MMMônica Martelli

É o seguinte, a gente, ela alugou um carro numa categoria. Essa categoria tem vários carros, é uma categoria, tem Citroën, tem Volvo, tem não sei o quê, vários carros.

IGIngrid Guimarães

E eu peguei uma marca, peguei uma marca, eu não sabia que podia ter outra.

MMMônica Martelli

Ela viu a categoria e na cabeça dela ficou um nome só, que era Citroën. Não, não era Citroën, era outro, era outro. Aí quando chegou lá, o cara falou, ok, a categoria, tá, ok, temos aqui o Citroën.

IGIngrid Guimarães

A Ingrid na hora falou, Citroën?

MMMônica Martelli

Aí eu virei na hora, mas com convicção. Aí eu ofereci, aí eu em português falei, Ingrid, aí eu virei para o cara na hora e falei, não, Citroën não aceitamos Citroën, porque eu começo a Aí eu aproveito a situação, começa a ficar calor.

IGIngrid Guimarães

Não, porque a gente já se achou, a gente já se achou enganada.

MMMônica Martelli

Eu aproveito as situações até para educar as filhas. Aí eu virei na hora para as meninas, você sabe o que tá acontecendo aqui? A gente está sendo passada para trás porque são mulheres viajando sozinha. Aí eu já tivesse o macho aqui, não trocariam a gente de carro, aí botava a gente no Citroën.

IGIngrid Guimarães

E as meninas assim, mano, começou a militância.

MMMônica Martelli

Aí eu virei para o cara e falei o seguinte, olha só, não queremos Citroën. Aí veio um cara, já entrei numa que a gente era mulher sozinha e o cara tava querendo passar a gente para trás.

IGIngrid Guimarães

Aí veio um cara atrás tranquilo.

MMMônica Martelli

Aí antes ele virou, o cara falou assim, vocês não querem? Porque é o nosso melhor carro.

IGIngrid Guimarães

Aí o cara de cara lá atrás falou, eu quero, eu quero! Aí é quando ele fala o Citroën.

MMMônica Martelli

Aí eu já desconfiei porque eu já conheço a loucura.

IGIngrid Guimarães

Aí eu, Ingrid, o homem tá querendo esse carro aqui.

MMMônica Martelli

Não, só mentira. Aí o cara na minha frente assim, por que que Citroën não é bom? Por que você não quer Citroën?

IGIngrid Guimarães

O que que é isso?

MMMônica Martelli

Não, não, não, não, ali, porque a gente aceitou Citroën. Por que que você não quer Citroën? Aí ela, porque quando eu tinha 20 anos, um primo meu me falou que não era legal. Ai, você foi mal.

IGIngrid Guimarães

Quando eu tinha 20 anos, eu comprei o Citroën.

MMMônica Martelli

Aí eu virei para o cara na hora e falou: não, nós queremos Citroën. Na hora eu vi que era loucura, entendeu? E falei: Will want Citroën.

IGIngrid Guimarães

E a gente só will want Citroën porque uma outra pessoa começou a querer muito. Eu disse: ué, se o homem tá querendo, o homem entende mais que a gente.

MMMônica Martelli

Não, mas o homem, na hora que quis, eu desconfiei dele. Eu falei: ué, por que que tá todo mundo querendo Citroën? E a gente falou: para você aceitar Citroën.

IGIngrid Guimarães

O carro Citroën. Vai ter que chamar a gente fazer uma campanha agora. O carro da Citroën era um espetáculo.

MMMônica Martelli

A gente colocou tudo na mala desse carro.

IGIngrid Guimarães

Ingrid, você conhece? Tô eu, não, um primo meu que me disse que era assim.

MMMônica Martelli

Que que houve? Ah, primo, tinha 30 anos atrás, ele teve o Citroën que deu um problema. Aí eu, você tá de sacanagem comigo? Eu fiz um discurso, só que eu falei para o cara, nós não aceitamos. Nós não aceitamos mulheres viajando sozinhas assim, amor. Militante.

IGIngrid Guimarães

Olha só, Mônica, é o seguinte: se você ousar falar uma coisa sobre esse copo, ela tiver uma teoria sobre esse copo, ela vai militar sobre esse copo. Você vai ficar envergonhada falando coisa do copo. E aí, o que que acontece com ela? Como ela é filha de militante, ela milita, e ela sempre tem muita informação boa, e eu sou muito influenciada pela militância dela. Só que eu sou um pouquinho mais lenta, né? Eu tô mais lenta. Então ela vai me influenciando, a gente vai influenciando as garotas.

As garotas já, quando a gente começa a falar alto, elas falam: ih, começou a militância, mano, mano, vai vir elas, mano, vai vir ela, tá militando, tá militando, mano. E tudo isso vem no filme, tá, gente? Só para você saber, essas histórias todas de adolescente, que a gente fala muito da mulher, mas no filme também tem sobre mãe de adolescente.

I3Igor 3K

Ser mãe é uma outra característica característica.

IGIngrid Guimarães

Nossa, muito, poxa! Semana é quase metade da tua vida, quase 80% da tua vida. E aí vai, sai do carro, dá tudo certo, apaixonada pelo Citroën. Vamos andar de barco com as 4, vamos ter que entreter essas garotas, porque você sabe como é que é pré-adolescente. Você entretém meio dia, já tá tudo. E aí, gostaram?

MMMônica Martelli

E agora fazer tudo monossilábico, ela não mexe o rosto.

IGIngrid Guimarães

Você já fez o passeio de barco? Você já comprou Agora vamos para onde? Elas ficam assim, ó, com a gente, ó. E agora é bom, tá?

MMMônica Martelli

Mas amando, a gente veio, elas amaram, elas falam, mas a gente se diverte com a gente, aí filme a gente o tempo inteiro.

IGIngrid Guimarães

Não, foi por causa delas. Esse filme existiu por causa delas, porque elas começaram a filmar nós duas para se divertir entre elas. Um dia a gente botou na internet, começou a viralizar tudo, tudo, tudo. Mônica começou, Ingrid, aquilo ali vamos filmar. De repente começou a viralizar tanto que a gente chegava das viagens Isso até hoje, né? Quando a gente chega no aeroporto, começa a pegar a mala, ah não, vocês voltaram, acabou a nossa série!

MMMônica Martelli

Porque eles acompanham a gente, acompanham a gente, é muito legal.

IGIngrid Guimarães

E nessa mesma viagem, nessa mesma viagem que foi a primeira, depois que Mônica fez tudo isso, ela tem toda razão, nós fomos passear de barco, nós quatro, em Ibiza.

MMMônica Martelli

A gente alugou um barquinho, alugamos uma banqueira, que é uma praia do lado que tem aquele mar azul piscina, que para a gente é muito diferente, aquele mar transparente.

IGIngrid Guimarães

A gente ficou Alice muito empolgada.

MMMônica Martelli

E a gente alugou um barquinho, que nós 4 e o marinheiro que leva o barquinho. E nesse, nesse contrato do barco é, você tem direito a 4 praias, tá? Chegou na segunda praia em alto mar, marinheiro vira e fala o seguinte: não temos gasolina para ir para as outras 2 praias, tá? Olha só, aí mais uma vez fica na minha cabeça, mulher sozinha aqui. Não temos, mas gente, mas isso é uma realidade, tá? Conversa com mulher que viaja sozinha, vê o que que as mulheres passam.

A gente passa muito isso entrando no restaurante, só mulher sabe disso. Chega no restaurante, chega uma mesa do lado com homem, a mesa ali vai ser atendida primeiro. É impressionante. E eu mostro para as meninas o tempo todo, porque educação é no momento, no ato. Você tem que mostrar, tá vendo aquela ali? Só tem mulher aqui. Só vocês ficarem ligadas como o mundo funciona. Aí em alto mar o cara vira fala, não tem gasolina para ir para as duas praias, vocês têm que se divertir aqui e voltar.

IGIngrid Guimarães

E voltar, a gente mó grana.

MMMônica Martelli

E ali eu já saquei o seguinte, estamos em alto mar refém de um macho branco. E eu na minha cabeça eu falei, meu Deus do céu, não dá para brigar com esse cara aqui, porque são 4 mulheres, 2 mães com 2 meninas em alto mar. Com o cara, gente, piloto de avião e marinheiro, eles que mandam, amor.

IGIngrid Guimarães

Você tá na mão dos caras, não faz isso.

MMMônica Martelli

Sabe brigar com capitão? Tu não vai com marinheiro. Aí tá, aí a gente ali, ó, aí tô mergulhando, aí eu sem querer passar o ódio para elas para poder não acabar com o dia delas. E eu, que legal, vamos pular, meninas! Essa aqui são as melhores praias.

IGIngrid Guimarães

A Mônica tem uma teoria que está no filme também, que é assim: quando dá merda, finge para as meninas que tá tudo bem, que a gente influencia muito. Então deixa ela ser um dia maravilhoso, porque senão a gente pega uma roubada, a gente assim, tá ótimo, não tá, Mônica?

MMMônica Martelli

Depois a gente toca real, mas deixa ela se divertir daqui, tá em alto mar mesmo. Se a gente começar a ficar mal aqui, vai influenciar. E eu fiquei com medo do cara, realmente, gente. Você tá em alto mar viajando, pode ser um maluco, amor, entendeu? Você vê a fragilidade da mulher nessa história.

I3Igor 3K

Se tem um cara ali e esse amigo tá armado, foda-se também, né, amor?

IGIngrid Guimarães

Você tem um marido ali, o cara não fala do jeito que ele falou, né?

I3Igor 3K

Você tentando fazer parada.

MMMônica Martelli

Mas aí, mas sem querer invalidar a tua posição, mas você tem um homem, você tem um homem com uma voz grossa ali, é porque eu sinto muita diferença viajando com meu namorado.

I3Igor 3K

Então eu devolvo metade do teu dinheiro, tá entendendo?

MMMônica Martelli

Olha só, o cara não ia parar na segunda praia, amor, simplesmente o cara ia falar: não, não, eu comprei com a gasolina, essa gasolina dá. O cara sabe número de gasolina, não sei nem a marca do carro que eu uso.

IGIngrid Guimarães

Não, e é um jeito de falar, é um jeito de falar, é um respeito que o homem não tem.

MMMônica Martelli

Eu sinto isso viajando pelos teatros, quando tem produtor homem, produtor mulher. Você chega no teatro, só tem homem no teatro. Produtora mulher, chega um cara, opa, irmão! Quando eu viajava com o pai da Júlia, que era meu produtor, é diferente. Aí, aí, só terminando a história, que é engraçado, que é muito engraçado. Aí eu fiquei, todo mundo mergulhando, mergulhando, a gente todo mundo feliz lá. Voltamos, o cara mal-humorado com a gente, o cara não fazendo o que tinha que fazer do serviço dele, que é que é servir um biscoito, que é ajudar a gente no sapato.

Por exemplo, quando ele chegou no cais, o barco parou muito afastado, os sapatos lá, ele não pegou o sapato. Tem coisas que estão longe, a gente precisa do cara.

IGIngrid Guimarães

A gente pode tomar um banho daqui para a gente? Tá salgada. Ele: tem aqui banho? Tem. Ligando o banho assim: toma logo, eu preciso ir embora.

MMMônica Martelli

Tem um chuveirinho, precisa tirar água de sal.

IGIngrid Guimarães

A gente já paga Não tinha grana nenhuma.

MMMônica Martelli

E eu sacando tudo. Aí chegamos lá, descemos do barco, pá, cara, pulou afastada, a gente já no perigo de pular aquele cais. Eu já ajudando as meninas, eu com a perna maior, fica, vem aqui, gente, pelo amor de Deus. Aí chegamos no cais, eu reuni e falei assim, gente, vocês entenderam o que aconteceu hoje? Aí todo mundo, é o quê? Fomos reféns de um macho branco em alto mar.

IGIngrid Guimarães

Aí lá, meu Deus, começou. Aí não, não, não, não, a Ingrid disse, Ela fala, é, você passa o que ele fez? Porque ela não parou na outra praia.

MMMônica Martelli

Vocês não perceberam? Ele desceu a gente na segunda praia, ele não foi na terceira onde a praia que a gente ia comer, ele não foi na quarta praia, ele não fez isso, ele não fez isso, várias coisas que ele deveria fazer que todo mundo faz. Aí isso, a gente foi caminhando pelo cais, caminhando pelo cais.

IGIngrid Guimarães

Não, não, pera aí, aí você falando, a gente caminha pelo cais. Não, calma, você foi, falou para ele, um absurdo. Ela enfrentou o homem inglês, o homem respondeu ela, tipo, vai embora. Vocês bateram uma boquinha, a gente saiu, eu e a Mônica olhando, andando, tchau, indo embora. Eu, tudo que a Mônica militou foi, foi borbulhando dentro de mim. Essa é a nossa dinâmica da dupla. Eu olhei para trás, depois de horas andando, ele fez um sinal para mim, tipo um sinal meio— eu peguei, olhei para trás, já tinha passado um tempão. Eu comecei, é moleque, e roda filho da puta, moleque!

MMMônica Martelli

O homem lá em São Paulo, lá em Brasília, muito tempo que ela foi tomando ódio, porque ela vai tomando ódio aos poucos.

IGIngrid Guimarães

O áudio foi retroativo. Quando chegou lá na frente, ela virou do nada e falou: moleque, filho da puta! Já tinha passado, já tinha passado tudo, cara. As meninas, tipo, mano, mano, Aí é claro que depois elas, a gente fica, a gente vai rindo. Os 45 minutos até o hotel, a gente vai passando surto, a gente vai rindo de lá até aqui. Porque aí tudo isso vai virando as histórias, né?

MMMônica Martelli

O filme vai virando as histórias e vai virando. E tudo isso é o legal, que elas convivem com isso tudo, eles convivem com isso tudo junto com leveza. Eu acho que é isso um pouco a nossa marca, sabe? Que a gente, a gente fala de nossos dramas, a gente fala das nossas amores, a gente fala dos perrengues, a gente fala tudo isso que a mulher passa, poderia ser pesado, a gente fala e faz com leveza.

IGIngrid Guimarães

Mãe de adolescente, tudo, tudo. A gente que eu te falei que a gente fez, que a Paris Filmes, que é a nossa distribuidora, fez um teste do nosso filme. E a gente botou um teste, tinha mulheres, que é óbvio que é o nosso público que ama loucamente, homens héteros, homens gays, mulheres gays. A gente foi, fez um público super, e os homens adoraram. Eu fiquei tão feliz.

I3Igor 3K

Como é feito um teste desse, Ingrid?

MMMônica Martelli

Eles fizeram vários testes, eles fecham salas e pegam pessoas de todas as classes sociais, todas as idades, gêneros, tudo, convidam, convidam.

IGIngrid Guimarães

E depois fazer um teste, as pessoas respondem um questionário.

MMMônica Martelli

É muito legal, muito legal.

IGIngrid Guimarães

Por exemplo, De Pernas para o Ar, ele chamava Sex Delícia, dá um exemplo para você, que era o nome de uma loja. E aí quando o público falou, eu não gosto desse nome, esse nome pode— aí a gente mudou para De Pernas para Trás. Às vezes você dá tempo de mudar alguma coisa diante daquilo, tem um termômetro.

MMMônica Martelli

E o nosso termômetro tem sido sempre assim, nos nossos filmes, nos maiores assim, nos filmes com expectativa de bilheteria, filmes que eles estão apostando tanto o distribuidor quanto os exibidores, os donos de cinema.

IGIngrid Guimarães

E aí a gente ficou muito feliz falar isso, porque é isso, né? Os homens, porque a amizade ela também é masculino. O homem também vai lembrar de um amigo dele, né? Desse sentimento, desse sentimento, sentimento da paternidade com o adolescente. Todo mundo vai se identificar. Você vê adolescente ali e as nossas adolescentes, vou falar não, surpresa.

MMMônica Martelli

O filme tá muito legal, gente, tá, tá muito bom.

I3Igor 3K

Contar muito do filme não, que às vezes, mas assim, Lá no começo, quando a gente tava conversando sobre o fato de quando, sobre quando vocês se conheceram, o fato de serem amigas há muito tempo e tal, e estarem fazendo um filme agora, esse filme vem agora meio que na hora certa, dá para dizer? Será que se vocês tivessem feito antes teria essas circunstâncias que tem agora?

MMMônica Martelli

Acho que não. Eu sempre falo isso para eles, eu sempre, eu sempre senti que uma hora a gente ia se encontrar no trabalho. Trabalho. Eu sempre fiz minhas coisas, a gente fez as coisas dela, construímos carreiras, fomos vivendo, e eu sempre soube que uma hora a gente ia se encontrar. Tanto que tem uma coisa super bonita que quando a gente chegou em Portugal para filmar, a gente começou filmando em Lisboa, a gente chegou uma semana antes para poder se adaptar, se ambientar.

IGIngrid Guimarães

Aí na semana antes para curtir, pô, para tomar um bom vinho de 20 euros, comer um bacalhau, de mim, amor?

MMMônica Martelli

Aí a gente foi lá passear, eu, Ingrid e Suzana, a gente passeando no lugar lindo, e fuso horário também para toda a equipe entrar no fuso horário, porque as diárias são longas, né? E aí eu lembro que a Ingrid, a gente tava no lugar lindo olhando, a Ingrid olhou assim, Suzana, a gente não vai ensaiar? Aí Suzana olhou para nós duas e falou assim, vocês estão há 30 anos ensaiando.

I3Igor 3K

Olha aí, então assim, é tipo Momento, é um filme, eu acho que é um filme certo, porque é certo.

MMMônica Martelli

E eu acho que é muito raro ver na ficção uma amizade com tanta potência, tão de verdade, com tanta leveza ao mesmo tempo. E na ficção é essa, tem essa amizade nossa na ficção assim. Uau, sabe?

IGIngrid Guimarães

Eles falam, quem viu os testes fala que as mulheres saíram abraçadas, se emocionando, porque tem uma coisa assim, eu que já fiz muitos filmes, esse é o filme mais especial nesse sentido que eu já fiz. Normalmente eu faço um personagem, aí fico lá, eu faço leitura, eu sou super CDF. Esse não, esse eu fui eu e ela foi ela, porque eu acho que ninguém escreveria essa química no papel que já existe. Então ele tem uma coisa que é um pouco reality no sentido das histórias e da nossa química, mas tem uma dramaturgia.

MMMônica Martelli

Não, não, imagina, tem um roteiro construído. É que nem com Minha Vida e Marte, que eu sempre falo, que as pessoas falam que você e Paulo Gustavo precisava, senão não. Amor, cada palavra ali é pensada, é pensada. Mas a gente, quando fazia uma cena, a gente, quando fazia uma cena, a gente, quando fazia uma diária, chegava no hotel, Suzana falava: vamos embora ver a cena de amanhã, porque sempre pode melhorar. Então tudo pensado.

É claro que o que a gente tá falando é que essa cumplicidade, essa troca que a gente tem, isso tá em cena. Isso você não tem como inventar, é uma coisa que uma olha para outra, é um bate-bola.

IGIngrid Guimarães

E muitas vezes ela deixava a câmera ligada, ela deixava a câmera com a câmera ligada para a gente continuar falando, improvisando, entendeu?

MMMônica Martelli

Muita coisa foi, tem ataque de riso de verdade, preciosidades ali que são de improviso no final, assim.

IGIngrid Guimarães

Tem ataque de riso de verdade, tem ataque de choro de verdade, que ela não cortou a câmera. Tem coisas que ela deixou a gente falando, a gente não saber que tava gravando e foi para o filme. Então assim, é uma mistura de realidade com dramaturgia muito louca.

MMMônica Martelli

E isso que a gente tava falando de levar a gente para dramaturgia é muito difícil você se fazer no cinema. É quase, é muito raro.

I3Igor 3K

Como assim? Você fazer um personagem que é você?

MMMônica Martelli

Você fazer um personagem muito próximo de você. É muito mais fácil você compor um personagem. É muito difícil você levar o seu melhor para, sabe assim, o seu melhor, o seu, que você já é você aí. É muito difícil. Senão todo mundo que tem carisma na mesa levaria e faria um filme, entendeu? É muito difícil.

IGIngrid Guimarães

Sabe o que ela fazia, tia? Sabe o que ela fazia, Tia Ora? A gente se perdia da gente mesma. Ela pegava uma cena na internet da gente mesma sendo a gente e falava assim: vocês não são isso não, vocês são isso aqui, ó. E a gente tinha que ver a gente mesma para lembrar como a gente é para fazer aquilo, porque quando liga a câmera você já dá uma— e aqui a gente é a gente, mas a gente é a gente dando uma entrevista, né? Totalmente você o tempo inteiro.

E aí Ela, a gente tinha que relembrar quem a gente era o tempo inteiro. Tanto é que tem muitas cenas que você vai ver que são muito naturais, que são meio que foi na hora, primeiro take.

I3Igor 3K

Entendi.

IGIngrid Guimarães

Aquelas, aquela que você fala assim, que é aquele improviso, entendeu? Tem muito improviso que você vê.

MMMônica Martelli

Tem coisa de improviso que ela deixava, que eram muito boas, que é isso. E só, e só existia esse improviso porque existia essa amizade.

I3Igor 3K

Entendo.

MMMônica Martelli

Porque se é com atores normais contratados, tem outras coisas, mas não tem esse improviso.

I3Igor 3K

Ó, você falou um negócio, vocês falaram uma parada interessante interessante que tem a ver com se fosse só o carisma, não sei o quê, o cara lá fazia. Tem, no entanto, uns atores, e eu não tô falando mal de ninguém, tá, mas tem uns cara que geralmente eles estão fazendo, eles podem até tá tentando fazer outra coisa, mas eles são eles mesmos. Quer ver um exemplo?

IGIngrid Guimarães

Pedro Cardoso, gênio, e faz ele aí.

MMMônica Martelli

Pois é, Cláudia Gimenez, uma gênia, o tempo inteiro você queria ver ela.

I3Igor 3K

Pois é, são bons exemplos.

MMMônica Martelli

Então você quer, você, porque você quer ver Pedro Cardoso sendo Pedro Cardoso, sendo ele, Charlie Chaplin, gente, Charlie Chaplin, Charlie Chaplin. Então você queria ver aquela genialidade. Então é, o Paulo Gustavo era essa pessoa.

I3Igor 3K

Paulo Gustavo, na opinião de vocês, isso é mais libertador ou menos? Porque assim, eu fico pensando, eu não sou ator, né, nunca estudei nada disso. Então eu fico pensando que se eu fosse fazer qualquer coisa nesse sentido, fazer uma coisa que é bem próxima da minha vida do que eu já faço, ou do que eu vivi, ou que lida pelo menos com os problemas do mesmo jeito que eu já lido mesmo, é muito mais fácil para mim, né? Porque eu não estudei porra nenhuma, não sei, suponho, suponho, né?

Então eu fico pensando, o Paulo Gustavo, por exemplo, que ele, porque ele era muito mais, as coisas que bombavam eram as paradas bem próximas da realidade dele, dele mesmo. Isso é mais libertador ou é mais uma gaiola, na opinião de vocês?

IGIngrid Guimarães

Depende de quem você for na vida real. Porque o Paulo Gustavo, por exemplo, se ele sentar aqui na mesa sem gravar, era tão engraçado, era tão genial, que era melhor que ligar a câmera, já tá genial. Tem gente, eu conheço muitos atores maravilhosos que na vida real são tímidos, não gostam de aparecer. Então depende, assim, o artista ele é um ser único, entendeu? Eu amei fazer isso com a Mônica, mas eu eu também amo fazer uma novela que eu fiz, que eu fiz de 1820, que era uma portuguesa.

MMMônica Martelli

São duas coisas diferentes, entendeu? Assim, nem todo mundo tem essa capacidade de ser genial na vida, de ter essa genialidade no palco ou no cinema, levando o seu melhor, talvez até tornando a própria vida interessante. É para poucos isso. Isso aí é para quem consegue, entendeu?

IGIngrid Guimarães

Conhece na vida que você fala assim, cara, aquela pessoa é uma figura.

MMMônica Martelli

E a outra coisa, isso aí é a outra coisa, é você falar sobre o seu tempo. Isso aí o Woody Allen fala sobre a vida dele, Shakespeare falava sobre a vida dele, eu falo sobre a minha vida, aí a gente sabe, fala da vida dela. Isso aí a gente fala sobre a nossa vila. Se você falar a questão só da sua mulher com você, com tuas filhas, você vai atingir o mundo, entendeu?

IGIngrid Guimarães

Então você faça da sua aldeia, né, o seu mundo.

MMMônica Martelli

É o seu mundo. E na verdade aí são duas coisas diferentes, entendeu? Não precisa falar sobre você, tá tudo certo. Você tá falando sobre sentimentos universais, né?

IGIngrid Guimarães

E tem uma coisa diferente também que eu queria, só para você entender. Existe uma diferença muito grande de um cara que é só ator e pega o texto e decora e vai, e tem pessoas que são criadoras. Então eu e Mônica e Suzana, nós somos atrizes criadoras. Então a gente escreve, a gente produz, a gente faz. Você faz o quê? Você usa do teu material, meu marido fala, não vou virar cena. Com certeza. Inclusive, meu namorado agora, ele já falou, não, a minha filha, mãe, eu vou te contar minha história, mas não é para virar cena. Por quê? Porque eu escrevo, a Mônica escreve.

MMMônica Martelli

Pera aí, gente, os homens são demais. Teve uma vez, tava no meio da peça, entrou um ser humano assim, ó, era um dos caras. Amor, o meu namorado, ele já falou, eu vou, tô indo na terceira peça, você me conheceu no palco. Você tá para jogo, qualquer um que você vai lá para jogo, amor.

IGIngrid Guimarães

Qualquer um. Ao mesmo tempo, você tem que explicar. Eu tô com meu marido fazendo lavagem cerebral há 2 meses. O marido do filme não é você, porque também ao mesmo tempo isso confunde. Porque às vezes eu pego uma característica engraçada dele para botar numa frase, mas o marido do filme não é ele. Não, não é. Então assim, mas é difícil É diferente. É complicado. Já falava isso, existe uma síndrome que ele falava, que todo mundo nos livros, quando leu o livro, esqueci o nome da síndrome, acha que a pessoa é ela, sabia?

Existe essa síndrome, a pessoa que lê acha: sou eu, entendeu? Todo mundo acha que você é um pouquinho. Como a gente fala muito a nossa vida real, nós temos que explicar para cada namorado, para cada filho, para cada amiga.

MMMônica Martelli

Eu falo mesmo, eu falo mesmo.

I3Igor 3K

Eu falo: não é tu, porra!

MMMônica Martelli

Eu falo porque eu vi, eu vivo as situações com esse olhar crítico aqui, é Eu sinto que eu vivencio tudo e tem um outro ser humano que tá olhando e já analisando.

IGIngrid Guimarães

Esse pódio aqui acha que pode virar cena. Pois é, olha aí, já pensou?

I3Igor 3K

Olha aí, vocês nunca brigaram?

IGIngrid Guimarães

Já, várias vezes.

I3Igor 3K

De ficar sem se falar?

IGIngrid Guimarães

Não, sem se falar não.

I3Igor 3K

Então não brigaram?

MMMônica Martelli

Não, brigamos, brigamos. Já discutimos, já ficamos afastadas muito rápido. A gente é, a gente se entende logo.

IGIngrid Guimarães

A gente, uma época a gente ficou afastada por uma história que teve, que a gente ficou meio, e ela tava morando em São Paulo, porque tem isso também, né? Morando em São Paulo, no Rio, a gente não via muito. Mas essa época, essa única época a gente ficou meio afastada, a gente nunca deixou de se falar, né, Mônica?

MMMônica Martelli

Nunca, nunca.

IGIngrid Guimarães

Até porque a gente nunca quis que as nossas filhas, né, se separassem. Então a gente sempre manteve amizade. Eu sempre e sempre assim falava, imagina imagina, mesmo que a gente não tava muito próxima, Clara liga, eu falava direto, Clara, liga para Júlia. Você ligou para Júlia? Eu fazia questão que a Clara falasse mais com a Júlia do que eu falasse com a Mônica. E as poucas vezes, aliás, uma vez só que a gente ficou bem afastada, para mim, e acho que para Mônica também, era como se eu tivesse separada de um marido.

MMMônica Martelli

Para mim também.

IGIngrid Guimarães

Meu marido, essa época a gente se afastou, o meu marido ele Ele falava assim, eu quero ver se um dia eu separar de você, você vai ficar assim. Ele ficou com ciúmes do meu sofrimento de estar afastada da Mônica. Ele falava para mim, ele falava, eu quero ver se você vai sofrer por mim. E a família inteira sofria junto, todo mundo, as mães. Nossa, eu tinha o melhor amigo.

MMMônica Martelli

É porque assim, a amizade, a gente se apaixona pelos amigos, né? Só que não tem sexo, mas a gente se apaixona. Inglesa, eu quando conheci a Inglesa naquela salinha que ela falou não pede, não pede, ali a gente se olhou e se apaixonou.

IGIngrid Guimarães

E a gente fala muito no telefone. E quando a Mônica mudou para São Paulo, eu, amor, tem certeza? Eu fiquei arrasada. Ela era minha vizinha, a minha filha foi criada, ela é minha vizinha, minha filha ela tinha um Play melhor que o meu, minha filha foi criada no Play dela, a gente dividia festa infantil, a gente pagava que era caro A mesma festa, a mesma festa, meia-meia.

MMMônica Martelli

E o Rita é aquela coisa, tá fazendo o quê? Quer almoçar agora? Tu desce aí. Rita é essa coisa, né, amor? A gente, eu gosto, ligo para alguém assim, a pessoa fala, tô indo, tem que marcar 3 dias.

IGIngrid Guimarães

Mônica, convence Júlia a ser Piratas do Caribe. Não, como é que era aquela que a gente fez? É, tem a festa, tem que ser de Harry Potter. Convence a Júlia, que era para poder dividir o custo da festa, eram os mesmos amigos. A gente trabalhando, a A Mônica, eu posso dizer isso, eu tenho certeza, a Mônica me ajudou a criar minha filha. Porque a gente, quando nossas filhas eram pequenas, a gente tava no auge. E eu fazendo muito cinema, gravando fora.

Aonde você— Mônica, eu vou viajar essa semana, pode ir para tua casa? Aí a gente tinha babá, as babás ficavam amigas. Às vezes eu não tinha babá, ela tinha babá, a babá dela criou a minha filha.

MMMônica Martelli

É uma rede de apoio, né?

IGIngrid Guimarães

Uma rede de apoio. Nós somos muito a rede de apoio uma da outra, né, Mônica?

MMMônica Martelli

E aí eu deixava de fazer Agora a gente troca. Ingrid me liga e fala, Mônica, Clara quer voltar da festa 2, já tá ali liberando 2 horas da manhã. Eu falei, amor, liberei 2. O quê?

IGIngrid Guimarães

Você liberou 2? Então vou liberar aqui também, vou liberar aqui também, entendeu?

MMMônica Martelli

Então a gente vai se ajudando desde a fralda da maternidade que a gente comprou, uma feira de maternidade que a gente foi juntas para comprar fralda de pano lá no Rio Centro, uma feira de maternidade. Foi muito engraçado que a gente chegou lá, as duas barrigudas, a Ingrid cheia de sacolinha na mão, falou, Mônica, não tem fila preferencial? Preferencial. Falei, amor, todo mundo aqui é preferencial, só tem grávida, amor.

IGIngrid Guimarães

Amor, alguém um dia falou para mim, e eu convenci ela, que ela, eu converso lá também, disse que tinha uma fralda de pano que o bebê tem que ter. Gente, que bebê tem que ter nada?

MMMônica Martelli

Ele tem que ter o que a gente não sabia que tinha fralda de pano.

IGIngrid Guimarães

Aí tem que ter crame, vou falar porque não existe mais. Será que existe? Eu fiz propaganda. É crame, tem que ter fralda de pano, tem que ter. Aí a Mônica, tem que ter. Mônica não questionou não, nós fomos lá. A mão, as duas desse tamanho, aquela feira lotada de gente. Chegamos lá, a mulher: tem a fralda de pano? Tem, tem só, sei lá, 5.

MMMônica Martelli

Aí eu: não vai dar 5, hein?

IGIngrid Guimarães

Não vai dar. A Mônica exagerada, ela precisa de 10 fraldas, ela come muito, compra tudo dela, é muito, ela é pessoa grande, né? Ela é grande, ela é intensa. E aí quando ela falou que não vai dar, eu falei: não vai dar, moço? A gente tem que achar uma fralda de pano.

MMMônica Martelli

Aí ele Ingrid se pilha na hora. E essa dinâmica da gente, que uma pilha a outra, inclusive a primeira cena do filme, porque tudo no roteiro tá—

IGIngrid Guimarães

peraí, deixou acabar onde acaba a fralda, não interrompe não. Aí eu virei e falei assim, moço, tem mais fralda? Ele falou assim, tem, tem, acabou, caramba, acabou, não vai ter mais na vida, acabou, mas todo o estoque tá na casa da minha mãe na Taquara. Corta, para.

MMMônica Martelli

Ingrid grávida ainda, que tava fazendo novela.

IGIngrid Guimarães

Eu tava fazendo, eu falei, amor, não tô fazendo novela, todo projeto que é perto da tua caramba, corta! Eu indo por um caminho que eu nunca tinha ido na vida para uma casinha. Toque, toque, toque! A mãezinha do cara abrindo, quase que fralda.

I3Igor 3K

Puta que pariu! Imagina, bate na porta alguém, tu abre a porta, tem mãe para caralho, puxar um mãe.

IGIngrid Guimarães

Eu com Bebeliz acabando de gravar essas fraldas, ficar na nossa casa até adolescência, né, amor?

MMMônica Martelli

Nossa Senhora, tinha fralda que não acabava mais, foi para fábrica, que não tinha mais a fábrica, faliu. A gente comprou todo o estoque que sobrou da fábrica, porque falaram para a gente que tinha que ter essa fralda.

I3Igor 3K

Não sei se eu ouvi falar dessa fralda aí.

MMMônica Martelli

Tu manja?

IGIngrid Guimarães

Nada demais, coisa que você pode fazer com pano de negócio. Aí a Mônica Ingrid: você usa essa fralda? Falei: cara, Mônica, uso muito não.

I3Igor 3K

É melhor descartável, né? Dá menos trabalho.

IGIngrid Guimarães

Óbvio, eu não sei quem tem para botar aqui, eu não sei.

MMMônica Martelli

Não sei, falaram, a gente foi para lá, não sabia o que era coeiro. O Igor disse, o que que é coeiro? Calma, vamos descobrir tudo, vamos descobrir tudo agora, entendeu?

IGIngrid Guimarães

Ela ligava assim, tem que ter uma mala de bebê que o homem pode carregar também, que não fica só para mulher. Amor, total, o homem tem que carregar também. Então pega uma mala de bebê que bota tudo, que não é só para a gente carregar, para ele também carregar. Total. Aí eu, total. Aí fomos lá para comprar uma mala de bebê que fosse meio de hobby. Olha, eu vou te dizer, olha, muitas pilhas entraram.

MMMônica Martelli

Então a gente, a gente se gente se ajuda.

I3Igor 3K

Porque eu tô pensando aqui, tá bom, tu falou da mala, eu fiquei, caralho, a mala da Carol era, ela era meio roxa, meio assim de bebê, não, tipo, era, se eu tivesse carregando aquela mala ali, todo mundo, a primeira coisa que ia pensar, esse maluco é pai, tá ligado?

IGIngrid Guimarães

Eu não sei se eu fiquei muito preocupado com qual bolsa que era. É uma bobagem isso.

MMMônica Martelli

Alguém é o seguinte, mas olha só, mas eu acho que faz parte também do barato do bebê nascer, você preparar esse chovalzinho e ver a malinha da maternidade, não Delícia, gente. E uma das coisas que eu mais amei fazer foi a Maria na maternidade. Eu arrumei aquela malinha. Eu fui mãe aos 41 anos, eu engravidei com 40. Então aquilo ali eu sabia que era o único momento que eu vivenciar aquilo ali. Então eu arrumei, desarrumei aquela malinha um milhão de vezes. Tudo era curtido, tudo eu curti, cada detalhe.

IGIngrid Guimarães

Não, e aí era muito engraçado porque essa parte a gente um dia pode fazer um filme disso, porque aí a gente teve no mesmo dia. Eu consegui visitar ela com 9 meses, ela ela não conseguiu me visitar porque ela tava com 5 meses de bebê.

MMMônica Martelli

E aí a gente tem um videozinho, você conseguiu me visitar com 1 dia de nascida, amor, que 9 meses do nada.

IGIngrid Guimarães

9, você tava com 5 dias de bebê.

MMMônica Martelli

É, é, ela foi na maternidade, a gente tinha acabado de ver, e ela tava, e ela pariu 5 dias depois.

IGIngrid Guimarães

E você não pôde na minha que estava com 5 dias de bebê, isso que eu quis dizer. E aí a gente foi, elas furaram a orelha juntas, a gente tem o videozinho dessa, uma orelha junto, a gente fazia tudo junto.

I3Igor 3K

E aí vocês deixaram ela furar a orelha bebê Deixamos.

IGIngrid Guimarães

Alguém falou que tinha, que depois ia ser pior.

I3Igor 3K

Acredito, porque a sociedade patriarcal conseguiu meter essa e vocês foram lá, engoliram.

IGIngrid Guimarães

A gente foi, a gente foi influenciada pela sociedade patriarcal. E detalhe, militou bem agora.

MMMônica Martelli

Minha filha depois já voltou, tirou o brinco, o furo fechou.

I3Igor 3K

Então assim, no nosso caso, a primeira, a mais velha, furou criança, e a mais nova furou quando quis, não foi?

MMMônica Martelli

Mais ou menos. Aí depois a Júlia foi Ela comprou quando quis também.

IGIngrid Guimarães

E aí a gente botou na mesma escola e botamos na mesma, ela tipo um lugarzinho que incentivava as crianças para começar a engatinhar e ter o estímulo. Aí nós duas vamos lá e começamos a ver as duas, que gracinha. Aí a Clara começou a engatinhar e a Júlia não engatinhava. Aí vira um drama, a gente pode, porque uma engatinhou, outra não engatinhou. Aí a Mônica, meu Deus, Mônica intensa.

MMMônica Martelli

Eu lembro, meu Deus, gente, meu Deus, a minha não engatinhou, não tá engatinhando, tá engatinhando. Tá engatinhando.

IGIngrid Guimarães

Meu Deus do céu, Júlia não engatinha, isso que é o problema, hein, gente.

I3Igor 3K

Aí, ó, meu Deus, pega lá o teste do pezinho, pega lá.

IGIngrid Guimarães

Aí eu, meu Deus, gente, o que que vocês acham da Júlia? Aí tudo virou, de repente a Júlia engatinhou, né?

MMMônica Martelli

Ela não engatinhou para valer, ela andou direto. É uma coisa louca, a gente foi na aula de natação, sabe aquela que vocês querem, aquela, aquela colchão coloca em cima da piscina? A criança tinha que subir, o bebezinho engatinhar e cair do outro lado. A mãe pegava, a Júlia ficava em cima do colchão, ia rolando. Eu falei, minha filha, minha filha só rola, minha filha só rola, minha filha não engatinha. No final engatinhou um pouquinho, já começou a andar, entendeu?

IGIngrid Guimarães

Mas aí ela vai bastão para mim. Quando eu vejo, eu tô ligando para 9 mães, seu bebê não engatinha? Mônica também não engatinha, eu tô preocupado com a Júlia. A gente vai pegando tudo. Aí de repente alguém falou para Mônica, o psiquiatra. Mônica, você já viu criança que não deixar de andar porque não gateou? Tem nada de mais.

MMMônica Martelli

A gente, quando é mãe, a gente fica preocupado com várias coisas, né?

I3Igor 3K

Eu imagino.

MMMônica Martelli

A gente é uma, tira a fralda primeiro, minha filha tá fazendo cocô na fralda ainda.

IGIngrid Guimarães

Eu falei, calma, amor, você compara a maternidade a uma integração assim?

MMMônica Martelli

Mas a gente tem uma coisa muito engraçada até hoje com as filhas, que é muito engraçado. A gente uma vez tava no museu e aí vendo uma obra de Napoleão, aí a Clara falando, mãe, isso aqui, não sei o quê, de Napoleão, Napoleão, não sei o quê, não sei o quê. Aí a Ingrid falou assim, Mônica, legal essa escola, né?

IGIngrid Guimarães

A escola da minha filha, legal a escola da minha filha, sabia?

MMMônica Martelli

Olha só como a Clara tá sabendo de Napoleão. Aí eu na hora, Júlia, você tá sabendo de Napoleão?

IGIngrid Guimarães

Já te desespero.

I3Igor 3K

Aí eu falo, bom e ruim então, né, vocês terem tão próxima.

MMMônica Martelli

Coitada da sua menina, porque uma vai ajudando a outra. Amor, calma, sabe de Napoleão? Aí agora Agora a Júlia foi fazer um curso de teatro, tava em Nova York pela primeira vez sozinha, um acampamento. Aí ela mandou um vídeo para Mônica, para mim, andando na rua, 16 anos, primeira vez. Mãe, eu tô andando sozinha na rua, eu nunca me senti tão livre na minha vida. Mãe, eu descobri uma coisa. Foi até emocionante, né? Eu descobri uma coisa, mãe, eu amo minha própria companhia.

IGIngrid Guimarães

Aí ela mostrou para mim, aí eu na hora eu falei, caralho, Aí ela mostrou para mim, eu fiz assim, ó: Mônica, a Júlia descobriu o cerne. Porque a Júlia é como se fosse minha filha também, né? Eu conheço, para mim é emocionante igual. Eu falei: a Júlia, Mônica, descobriu o cerne da vida. A gente não é emocionada. Passou um segundo, eu: será que minha filha sabe ficar sozinha, gente? Aí vocês achando que minha filha não consigo?

MMMônica Martelli

Não, ela falou assim: Mônica, eu tô bem preocupada com a Clara, ela tá muito em grupo, ela não fica sozinha. Minha filha não tá ficando sozinha, eu acho que ela não tá gostando da própria cara. A própria companhia, gente, é muito engraçado.

IGIngrid Guimarães

Aí eu falei assim, ó, aí uma companhia, e sabe, tô cheia de mina lá em casa toda hora, cheia de amiga. Aí ela, olha o nível da loucura da gente, você entendeu o cerne dessa dupla. Aí ela parou, fez assim, ó, tô achando que a Júlia tá sozinha demais, sabia?

MMMônica Martelli

Eu tô achando que a Júlia tá sozinha demais.

I3Igor 3K

Vocês conversam isso serinho?

IGIngrid Guimarães

Seríssimo. O Rafa Chalob tava com a gente nesse momento. Vocês são doidinha então, doida. Ele olhou para a gente, fez assim, isso aqui é genial.

MMMônica Martelli

A gente que não sabe, na hora eu falei, será que a Júlia tá sozinha? Tá gostando demais da própria companhia.

IGIngrid Guimarães

O Rafa Chalobelli caiu na escada, ele falou, pelo amor de Deus, você é muito engraçada. E para a gente é o nosso natural. Quem convive com a gente muito tempo fala assim, gente, até que enfim.

I3Igor 3K

Eu sempre falei, era só ter ligado a câmera a vida inteira, a gente ia ficar rica, precisava fazer nem Então hoje com IRL, de fato, abre um canal lá, sei lá, no YouTube, na Twitch, na Kik, sei lá onde, faz um ao vivo e pronto, deixa vivendo vocês duas.

IGIngrid Guimarães

É, para que filmar, gente? Isso é um trampo.

MMMônica Martelli

Não, porque nossa, roteiro ali ralado, batalhado, cinema é cinema, é cinema, mas é cinema especial.

IGIngrid Guimarães

Cinema é muito bom, gente. Cinema. E eu vou falar mais uma última experiência sobre o cinema, que é o seguinte: eu lancei filme no streaming no ano passado, foi super legal, o Perrengue Fashion. Aí você lança no dia do streaming, aparece, é super legal. Tem uma coisa legal do streaming também, que o mundo inteiro vê. Você ligar para tua amiga que mora nos Estados Unidos, vai ver teu filme, é muito legal. Mas a experiência de um cinema de comédia, de ver um filme de comédia coletivamente, não é maravilhoso?

MMMônica Martelli

Porque todo mundo rindo junto, sabe? Catarse coletiva, entendeu?

IGIngrid Guimarães

Sabe o que que eu faço em todos os meus filmes? A gente vai fazer isso no nosso. Eu pego um tema bem popular. Quanto mais popular, mais legal, mais as pessoas se permitem rir. Claro que você vai numa sala com aquelas 6 cadeiras, aí todo mundo—

MMMônica Martelli

você vai numa sala cheia, todo, porque uma risada puxa a outra. No teatro de trágica comédia a gente vê isso, aí você fica puxando a outra.

IGIngrid Guimarães

Então é, eu espero entrar, vou escondida, espero, aí fico vendo de longe, que a pessoa vê que você tá lá, já é diferente. E antes de acabar a gente sai.

MMMônica Martelli

Eu amo, a gente assiste junto com a plateia, a gente é muito legal.

IGIngrid Guimarães

E aí é o seguinte, sem a plateia saber, sem a plateia saber, a gente vê.

MMMônica Martelli

Porque tem uma coisa que a gente acha engraçado, a gente vê as risadas, onde a gente é gostoso de ver, porque é o riso coletivo.

IGIngrid Guimarães

E às vezes um lugar que o outro fala, os amigos, é muito experiência, que não funciona, que a gente acha que não era tão engraçado, as pessoas morrem de rir. A outra que a gente achava que era o mais engraçado. A gente fica vendo, que a gente fica testando. E aí, amor, é experiência coletiva da risada, é um orgasmo.

MMMônica Martelli

É muito diferenciado, é muito bom.

I3Igor 3K

A diferença, tá em casa, vocês, que o objetivo é fazer as pessoas rirem mesmo, né? Deve ser sublime vê-las rindo no fim das contas, ainda mais todo mundo junto.

IGIngrid Guimarães

Nada deprime mais a gente que você criar uma coisa engraçada e não rir.

MMMônica Martelli

E aí a gente cria engraçado, faz tudo muito a sério, porque esse é o barato do humor, né? Tudo muito a sério e chega de uma forma engraçada, né? Eu acho que o poder do humor tá aí, né? Você atinge muita gente.

IGIngrid Guimarães

Em nossos filmes tem muita emoção, a gente gosta de falar também de um lado emocionado assim. Todos os meus filmes, os da Mônica também, tem esse lado da emoção mesmo. Muita gente falou, gente, a gente, tô dando spoiler, mas assim, gente, eu fui rir, acabei chorando também, porque é, não, não, você se emociona com certeza, luta. Você vai, depois de tudo você vai, né?

MMMônica Martelli

Então, pelo amor de Deus, você vai com certeza.

I3Igor 3K

Vocês vão, ela que manda no fim das contas.

IGIngrid Guimarães

Você não vai levar ele para assistir?

MMMônica Martelli

Claro, não leva.

I3Igor 3K

Se eu tiver chato no dia, ainda bem que é só às vezes que eu sou chato, né?

MMMônica Martelli

Maravilhoso. Mas é bom que é bem resolvido, amor. Tá chato no seu dia, eu vou. Vai, óbvio.

IGIngrid Guimarães

Olha aí a outra função, né? Você também tem dia que você não quer sair só com suas amigas, é um ótimo programa também.

I3Igor 3K

É bom, gente. Parabéns pelo que vocês estão fazendo aí, parabéns pela história de vocês, pela— nossa, foi bem gostoso conversar com vocês aqui hoje. E vocês de fato falam para caralho, viu, Ingrid?

MMMônica Martelli

Caraca, a gente falou muito.

I3Igor 3K

Tô brincando.

IGIngrid Guimarães

A gente vai ver e falar, Mônica, a gente tá se interrompendo.

MMMônica Martelli

Gente, você interrompeu muito.

IGIngrid Guimarães

Não, não, já influenciou agora.

MMMônica Martelli

A gente se interrompeu muito porque essa é uma coisa, eu que fiz saia justa 9 anos ali, era um exercício de deixar o outro falar, que a gente se interrompe. Mas eu acho que essa sujeira também faz parte. Eu gosto também, você não fica, você não fica, fala, olha, fica muito durinho, né?

I3Igor 3K

Eu vou te falar o meu ponto de vista sobre isso. Eu gosto muito mais desses programas assim, porque o outro jeito ele tem uma cara de entrevista.

MMMônica Martelli

É isso, eu não tô aqui para entrevistar vocês. Aqui não é entrevista, aqui é um bate-papo.

I3Igor 3K

É entrevistar vocês, eu preciso, é muito mais guiado, né? Eu tenho, eu estudei 10 perguntas para tu e 10 perguntas para você e vamos embora. Não, aqui eu sei quem vocês são, né? Eu sei lá, já vi teu filme, eu já vi o teu, eu já vi tua cara um milhão de vezes. Nos panfletos pelo Rio, né? Então é outra, eu não sei, por mais que pareça, mas eu não sei o tanto a fundo assim. Então me conta aí um pouco, a gente tá conversando.

MMMônica Martelli

E a gente veio para cá nessa vibe mesmo, já sabendo o que que é essa ideia do programa. Exatamente.

IGIngrid Guimarães

Eu achei legal porque você ficou trazendo questionamentos importantes, eu acho, de coisas que a gente falou. Do que as pessoas pensam das coisas que a gente fala, entendeu?

I3Igor 3K

É porque, de novo, eu acho que do outro lado isso é muito bom.

IGIngrid Guimarães

Isso é uma verdadeira conversa.

I3Igor 3K

Porque eu sou um cara que tem um programa já um tempão que eu sei como é que é meu público, que é majoritariamente feito por caras. E eu tô aqui trocando uma ideia com duas mulheres.

IGIngrid Guimarães

Cara, vocês vão ver nosso filme, vocês vão adorar. Nossa, vocês são muito bem-vindos no nosso cinema. E outra coisa, tiver começando a sair com uma gatinha, leva, vai fazer moral na hora e faz moral. Elas gostam da gente, né? Quiser fazer moral com a mulher, tiver fazendo merda em casa, leva.

MMMônica Martelli

Sabe por quê que os homens gostam muito também? Porque ali às vezes eles veem coisas que atravessam nossas vidas, realidades da mulher, que ele fala: caramba, não tinha percebido isso. E é um toque assim, uma coisa legal para eles, sabe?

IGIngrid Guimarães

Tem sexo, né? A piada engraçada, o homem, o gay, a mulher, qualquer gênero gosta, né? A piada boa é piada boa. Chico Anísio falava isso: qual a piada boa? Piada engraçada.

MMMônica Martelli

História boa, você encaixa.

IGIngrid Guimarães

Piada engraçada é piada boa.

MMMônica Martelli

É história boa, você encaixa.

IGIngrid Guimarães

Acabou. Caramba, a gente mesmo, a gente mesmo que se vê morreu de rir de UFO. A gente riu da gente mesmo, que é difícil rir da gente mesmo, né? É, eu rio muito com aqui. A gente ri muito entre nós, mas assim, na câmera você tá olhando para o pescoço, você tá olhando para o sol, a gente se critica muito, né, se olhando, né?

MMMônica Martelli

Antes de começar, tava aqui perguntando se tá bonito, cabelo tá bom, não sei o quê.

IGIngrid Guimarães

Já tô bolada aqui, ó, cabelo Já foi, eu já vi.

MMMônica Martelli

Não, tá linda, tá linda. Mas a gente se cuida, não sei, a gente já tá aqui de olho, né?

I3Igor 3K

Eu tô vendo a Mônica, toda hora arruma o cabelo, mas esconde a orelha.

MMMônica Martelli

Eu não, não, porque a gente fica assim, ó, ela põe o cabelo para trás. Eu conheço ela, no meio deve estar assim, sabe que eu ponho para frente? Faz assim rapidinho, ó. Porque eu faço assim, ó, aí no meio eu falo, sabe que eu te digo, ó, ó.

IGIngrid Guimarães

E a gente fica assim, ó, e fala assim, Mônica, esses cortes, porque ainda mais você que bomba esse podcast aqui, porque eu vejo gosto de muito corte assim. Bom, Mônica, esse corte fica bombando anos, tá? É, amor, tem corte meu de 3 anos atrás de podcast que eu não tava com o cabelo que eu queria. Pensa bem na roupa, pensa bem tudo.

MMMônica Martelli

É verdade, é verdade, deu tudo certo.

I3Igor 3K

Muito obrigado pela presença de vocês. Antes da gente terminar, ô Ingrid, essa daqui é a tua câmera. Tem gente que tá só ouvindo a gente, então sei lá como as pessoas te encontram na internet ou o que que tá deixando um recado para quem não tá vendo a gente.

IGIngrid Guimarães

Olha, para quem não tá vendo, primeiro obrigada por chegar até aqui esse fim com essa loucura que foi essa conversa. E você pode me seguir no Instagram, @ingridguimarães. O nosso filme estreia dia 3 de setembro e a minha peça de teatro, Voltando para o Teatro, uma comédia hilária, ainda dá tempo, estreia dia 2 de janeiro. Quem tiver passando férias no Rio de Janeiro, vai lá me ver.

I3Igor 3K

Boa! E você, Mônica, essa daqui?

MMMônica Martelli

Então, estamos juntas aqui, eu e Ingrid. Para você que não tá vendo a gente, eu tô de rosa, ela tá de amarelo.

IGIngrid Guimarães

Entendeu?

I3Igor 3K

Caralho, meu irmão, é que eu sou ruim com cor. Pera aí, amor, entendi.

MMMônica Martelli

É rosa, de rosa chambinho.

I3Igor 3K

Desculpa, é que eu sou ruim com cor, eu sou ruim com cor.

MMMônica Martelli

É rosa, rosa e amarelo. Então estamos aqui falando no nosso filme Felizes. E meu Instagram, @monicamartelli. A partir do dia 3 de setembro estamos em todos os cinemas do Brasil.

IGIngrid Guimarães

Primeira semana, hein, gente?

MMMônica Martelli

Primeira semana é muito importante, gente. Vocês verem a gente, muito, muito importante.

I3Igor 3K

Importante. Então vamos todos ver esse filme aí na primeira semana, né? Então já coloca na agenda, já fica esperto. O link vai estar aqui na descrição para você que tiver assistindo perto do lançamento. Já vai, a gente vai deixar o link aqui na descrição para ficar fácil para vocês.

IGIngrid Guimarães

Minha melhor amiga, minha melhor amiga. É feriado, olha que programa bom para o feriado, melhor coisa para fazer, né? Então marca a gente quando vocês forem assistir o filme, faz um storyzinho, marca a gente, vai com amigas, fortalece a amizade feminina.

MMMônica Martelli

Vocês vão sair de lá querendo ser mais amigas uma da outra.

I3Igor 3K

Maneiro! E segue ela, a gente vai deixar tudo aqui no comentário fixado. Se você tiver assistindo no YouTube, tá facinho para você, é só você clicar aqui no comentário fixado, já tem já o perfil das duas, tá bom? Então obrigado mais uma vez.

MMMônica Martelli

Obrigada a você por receber a gente, vocês são maravilhosas, adorei! A gente tava na expectativa de fazer esse programa.

IGIngrid Guimarães

Muito podcast. O seu a gente não tinha vindo ainda.

I3Igor 3K

Tá resolvido esse problema, tá resolvido. Obrigado vocês que assistiram e a gente se vê depois, tá bom? Beijo, tchau!