VICE-PRESIDENTE DA GENERAL MOTORS - Fabio Rua
Esse é nosso quadro chamado Executive Talks, focado no Igor conversar com executivos fodas de grandes empresas pra que ele se torne um CEO melhor. Neste episódio, recebemos Fabio Rua, Vice-Presidente da General Motors, para falar sobre liderança, inovação, o futuro da indústria automotiva e os desafios de comandar uma das maiores montadoras do mundo.
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Corsa ou Celta? Dos carros que fizeram história, teve algum que te bateu especial?
O que marcou a minha juventude foi o Monza. Ele apertava um botãozinho e o porta-malas explodia. Mas eu tenho uma história com uma pessoa importante da política brasileira que...
E você, tem alguma história com algum carro da Chevrolet? A GM já tá no Brasil há mais de 100 anos e com certeza os carros da Chevrolet fizeram parte da vida de muita gente aqui no Brasil. Hoje eu vou conversar com o Fábio Rua, que é o vice-presidente da GM na América do Sul, e tem várias nuances sobre, inclusive, Como o carro elétrico se relaciona com os carros a combustão na estratégia dessa empresa? Qual é a relação da empresa com os carros a combustão mais icônicos?
Tudo isso tu vai descobrir hoje. E é claro, a trajetória do executivo, que se eu fosse você eu já pegava um caderninho para anotar. Eu fico pensando como que é a trajetória do cara que tem que liderar um monstro do tamanho da GM. Tu é o VP da General Motors, né? América do Sul. Aqui na América do Sul a GM opera o quê? Chevrolet, Cadillac?
Por enquanto Chevrolet e agora mais recente Cadillac, anunciou nesse ano.
Cadillac chega devagarzinho com os SUVs, não é?
3 SUVs.
Eu gosto um pouquinho de carro, tô começando a gostar mais, né? Eu tava te falando ali embaixo que eu também gosto da ideia dos carros elétricos, um pouco ao contrário dos meus novos amigos de carro. Eles gostam mais quando faz barulho, e barulho alto, né? Se parecer carro de Fórmula 1, eles gostam mais ainda, né? E tu, cara, tu chegou aqui no Equinox elétrico 4x4, né?
Essa não, essa é 4x2.
Essa é 4x2? Tá. Tu falou que chega a andar 600 km só com uma carga.
O Blazer EV chega a andar 600 km com uma carga. O Equinox anda uns 450, 470.
Tá, essas é aí que os elétricos vão começar a ficar mais sexys, é no andar mais, maior autonomia.
Autonomia é importante, mas o prazer de dirigir, a experiência da direção, eu diria que talvez até mais. É você dirigir um carro elétrico, esse torque instantâneo, a forma como ele faz curva, a desaceleração. Você tira o pé do acelerador e ele não só freia, mas ele regenera a bateria. Então tem tecnologia envolvida, um prazer de direção indescritível. Quem não conhece assim Recomendo, né? E a questão da autonomia ajuda muito, porque esse é um grande mito.
Ah, não, eu não tenho onde recarregar. Mas cada vez mais esses carros estão trazendo autonomias maiores, autonomias essas que vão fazer com que você vá menos ao posto de energia. E cada vez mais você vê infraestrutura sendo desenvolvida no Brasil. Vamos lembrar que 4 anos atrás não existia carro elétrico, né? Não existia infraestrutura. Então, de 4 anos para cá, 3 anos e meio, 4 anos para cá, a gente passa a ter um parque cada vez mais populoso de estações de Cara, é o que só tende a aumentar.
Ano que vem, mais tardar no seguinte, você vai entrar em qualquer posto de gasolina e vai ter uma bomba de abastecimento de carro elétrico. Isso é, isso não é BNDES, não é governo, não é nada, é modelo de negócio. Isso, as pessoas que exploram esse tipo de negócio vão ganhar dinheiro com isso.
Esse se acha, cara. Então aqui vamos expandindo um pouco mais esse pensamento, e aqui eu tô até extrapolando e E essa tem uma pergunta que tem a ver com geopolítica. Vamos ver, a gente tá vendo um mundo que ele tá tendo problemas com petróleo, né? É quando não é, quando ele não tá escasso, a gente, quando ele não tá escasso por uma razão, é por outra. Então a gente tá tendo agora, por exemplo, uma guerra, aí o Estreito de Hormuz abre e fecha, abre e fecha, sei lá.
Qual é o que que o mundo, qual a resposta do mundo? O mundo vai se adaptar, não fica esperando o petróleo. Então o mundo vai se eletrificar, A gente vê países como Japão abrindo usina de novo, como lá em Fukushima. Tiver Europa se movimentando, e países e lugares como, sei lá, a China ficando cada vez mais, indo cada vez mais para mobilidade elétrica, né? Nesse sentido, a GM surfa uma onda, ou ela precisa de mais esforço ainda para pegar essa onda do elétrico?
Primeiro, tem uma visão de negócio envolvida numa decisão como essa. Quando você fala de carro elétrico, você tá falando de um carro sim mais tecnológico, mas muito mais fácil de fazer. E no final da linha, daqui algum tempo, muito mais barato de fazer. Te dou números rápido, estimado: um carro a combustão tem o equivalente a 2.000 peças, 2.000 componentes. Vou chamar de componente que é o conjunto de peças, senão seria tipo 30.000, mas 2.000.
Um carro híbrido que é um carro a combustão e um carro com motor elétrico, ele tem o equivalente a 2.500 componentes. Um carro elétrico tem o equivalente a 200 componentes, é muito menos. Então, teoricamente, ao longo do tempo, conforme você vai desenvolvendo, né, a estrutura de fornecimento, quando você vai barateando os minerais críticos que são necessários para fabricação da bateria, você muda a química dos materiais, Você barateia o carro, você barateia o custo de produção, você barateia no final da linha, né, o custo de venda do produto.
Então tem essa questão obviamente econômica, independentemente de geopolítica. E outra, a geopolítica sim, ela obriga cada vez mais os países a se verticalizarem, não dependerem de recursos naturais de outros países. Os que podem fazer isso, como é o caso do Brasil, Brasil assim privilegiadíssimo. A gente tem petróleo, a gente tem biocombustível, a gente tem energia barata, energia renovável, Temos um mercado consumidor gigantesco, temos planta instalada, temos mão de obra, bons engenheiros no Brasil.
Então o Brasil nesse quesito tá no melhor dos mundos, né? A crise do petróleo, Estreito de Ormuz fechado, para o nosso setor, para indústria como um todo, afeta pouco.
É mesmo? Isso é isso. Mas assim, há quanto tempo você tá nessa posição? Há 4 anos, né? Faz mais de 4 anos que a GM olha para os elétricos com com intensidade. Porque assim, vocês também não podem deixar de lado o cara que gosta de dirigir um carro que faz barulho, né? E aqui a gente pode falar, pô, do Camaro amarelo, por exemplo, né? A gente pode falar, pô, aqui não tem no Brasil naturalmente, mas pô, um Corvette, aquilo ali é uma delícia de ouvir fazer um barulho.
É um V8, que é o oposto do que você tá dizendo aqui. Né? Como é que tu faz para não desagradar o cara que gosta do motor a combustão? No fim das contas, tu também quer vender carro a combustão.
E a gente tem carro de todas as tecnologias. Essa acho que é a beleza de trabalhar numa empresa global e centenária. Enquanto alguns dizem, ah, é uma empresa antiga, eu diria que é uma empresa que não para de se reinventar. E nesse processo de reinvenção, ela abraçou todas as tecnologias disponíveis. Quer carro diesel? Tem. Carro a gasolina? Tem. Flex? Tem. Híbrido de todas as tecnologias passa a ter, e elétrico. E daqui a pouco, se tiver hidrogênio, qualquer outra tecnologia, a gente abraça.
Você quer barulho vindo do motor? Tem Corvette, tem Camaro. Camaro saiu de linha, infelizmente, mas tem vários outros que vão poder te dar esse prazer. Agora, a Cadillac passa a ter novos carros a combustão no seu portfólio, e é por questões de política interna que o governo não está mais incentivando tanto os carros elétricos. Então o consumidor entende que o carro a combustão volta a ser uma opção, inclusive do ponto de vista financeiro, porque pela escala ele é mais barato.
Então assim, não teremos problemas. Se for preciosismo, ok, o raiz que gosta de carro com barulho vai ter carro barulho. Se for preciosismo, ele gosta só do barulho e não do sentimento da potência do motor, daqui a pouco a gente coloca uns alto-falantes no carro elétrico lá e faz o barulho que ele quiser.
Ó, como consumidor, não bota o barulho não, que é que a gente vai achar A gente fica assim, né?
Mas eu entendo, né, os puristas, e assim, com todo respeito, né, não tô— que valorizam, né, o ronco do motor, que é mais do que o barulho, né? E a explosão que esse motor faz quando você pisa no acelerador. Quando você pega o carro elétrico, você pisou no acelerador, ele não vai para trás e depois ele vai para frente. Ele é um foguetinho, ele vai para frente.
Tu gosta mais de dirigir o elétrico?
Eu acho que já ficou meio óbvio que sim, né? Eu adoro dirigir carro elétrico. Adoro, adoro. Eu sou fã mesmo da eletrificação e de tudo que vem com ela. Porque o carro elétrico, você vai reparar, você consegue diferenciar na rua pelo design. O design do carro elétrico é diferente.
E ele faz um barulho de nave espacial muitas vezes.
E é um barulho, inclusive, que é um barulho artificial, que é colocado para chamar atenção das pessoas que estão próximas. Caso contrário, não faria barulho nenhum. Você liga um celular carregado, bateria não faz barulho. Qualquer bateria não emite ruído, a não ser que você esteja colocando ela, né, num estresse de capacidade.
E aí tu tava falando sobre a, que assim, carros a combustão eles têm muito mais peças, porém quando você coloca em, para produzir em massa, eles acabam saindo mais barato.
Não é só isso, né, você tem uma indústria desenvolvida para montar carros a combustão. E a indústria do carro, eu diria que ela tem até uma cadeia praticamente infinita, né? O carro tem plástico, tem aço, tem borracha, tem software, tem hardware, tem uma série de componentes que, e aí no ponto de vista da motorização, são componentes que já estão desenvolvidos. Você já tem há anos, né, um século. A GM tá 101 anos no Brasil. Você tem pessoas que fazem isso.
Então, ao longo do tempo, você consegue baratear a produção, né, desse veículo. E o carro elétrico novo, a bateria mais cara, a bateria representa aí 40, 50, dependendo do carro, por cento do custo do carro. Mas ao longo do tempo, com escala, com novos fornecedores, com uma dinâmica, lógico, uma dinâmica de montagem, você vai ver esses carros barateando. Já tá vendo, né? Você vê hoje carros 100% elétricos acessíveis pau a pau com carros a combustão 1.0 turbo.
Isso tem a ver com incentivo, cara, porque onde eu quero chegar, eu quero chegar, o quanto tempo leva para a gente, para a gente ter uma indústria que ela, ela tão desenvolvida do carro elétrico quanto a gente tem hoje do carro a combustão? Que é que você falou, a gente, o carro a combustão, as peças já existem, já todo mundo já sabe fazer e tudo mais, é uma questão de como a gente monta isso aqui. O elétrico ainda tem tecnologia sendo desenvolvida, a bateria pode melhorar, né, no custo, na capacidade, etc. E tu acha que leva muito tempo para a gente ficar estável?
Cara, vamos pensar junto. Indústria automotiva, vai, vamos focar no Brasil. 1930 começou, 25, 30. Quanto tempo demorou para a gente ter um carro popular, um carro acessível? 60 anos, 50 anos, né? O carro popular que a gente conhecia assim, que teoricamente todo mundo poderia ter, década de 90, né? Então, né, 50 e poucos anos, 60 anos. O carro elétrico, ele mostrou que veio faz 4 anos, 3, 4 anos, e já tem carro elétrico acessível.
Então é muito mais rápido esses desenvolvimentos tecnológicos, não é? Indústria automotiva é a indústria como um todo. Ele vai nessas ondas de disrupção com aceleração e com maturidade muito rápida. Então o que a gente tem hoje, que a gente acha que é estado da arte, amanhã vai estar obsoleto. Você falou de bateria, você mencionou inclusive que sua mulher dirige um Bolt, que é um dos carros fabricados pela Chevrolet. Esse Bolt tem uma autonomia de 200 km, talvez?
Tem mais.
250? Nem lembro do Bolt, mas dá para andar legal. Beleza. O Bolt é de 2021, 22, né? Um Blazer EV 2026 tem autonomia de 600 km e tem carros com autonomia de 1000 km já. Então autonomia passa a não ser um problema. Daqui a pouco você vai regenerar totalmente a bateria do seu carro só tirando o pé do acelerador.
Isso aí é incrível mesmo. Isso o cara sente inclusive no bolso quando ele vai abastecer, né? Com certeza. Mas qual que é a parada que tu mais gosta no trabalho que você tem. Qual que é o principal desafio que tu tem numa marca que você vende vários? Já tu me contou brevemente aqui alguns lugares que tu passou, e esse tem a ver com— tu lida com, talvez de todos, me corrija se eu tiver errado, é o que lida com paixão mais diretamente, não é? De quem vai comprar o produto, o cara que—
de todos que eu já trabalhei? É porque, curiosamente, de todas as empresas que eu trabalhei Eu trabalhei com mineração na Vale, eu trabalhei com a indústria aeroespacial na Embraer, com energia na GE, com tecnologia na IBM, mas de todos, o que vai, que tem um produto para o consumidor direto é a GM. Então é o primeiro B2C que eu trabalho. E sim, tem paixão, tem muita paixão, tem história, tem saudosismo importante, tem memórias das mais variadas. E mas você me pergunta qual é o maior, uma etapa antes.
O que que te levou para GM? Foi, foi, sei lá, a tua carreira te levou para lá? Tu queria lidar com carro?
Foi sem querer, cara? Foi sem querer, como tudo na minha vida. É engraçado isso, né, cara? Assim, eu sou formado em relações internacionais, eu tenho mestrado, pós-graduações e tal, e eu sempre Procurei focar o meu desenvolvimento acadêmico nesse lado mais humano, política, história, sociologia. E comecei minha carreira na Câmara Americana, de repente fui trabalhar com mineração. O que que você entende de mineração? Nada.
Mas eu não sei nem o que que faz na Câmara Americana.
Um passo atrás, mas assim, ajuda a fomentar negócios entre empresas, né? Mas Ou seja, relação, pessoas, pessoa, tá, ok. E aí você vai e tudo é relacionamento, cara. Assim, depois, depois assim eu fui entender como é que os passos que eu dei na minha carreira me levaram para onde eu tô hoje. Relacionamento. Então, um belo dia me ligam, olha, não sei o quê, estamos precisando de um gerente para abrir a área de relações internacionais na Vale do Rio Doce.
Na época chamava Vale do Rio Doce a empresa. Não tem nada de mineração. Eu até brinquei na entrevista, eu falei, a única coisa que eu entendo de mineração é que eu lembro na escola, na aula de química, que tem lá tal da da tabela periódica e tem as colunas de minerais. E aprendi inclusive formulinha com música no cursinho. E aí fui. Aí saio de lá também por intermédio de amigo que me indica que Embraer, que que você entende? Nada, cara, não entendo nada de avião.
Fui e dei minha contribuição. Aí vou trabalhar com GE Energia, nada. Eu acho que essa, esse meu inconformismo, a minha abertura para aprender coisas novas, a minha curiosidade acabou me levando Eu lembro, eu tava na IBM há quase 10 anos, super bem, todo mundo conhecia, todo mundo me respeitava, tava tudo certo. Recebo um LinkedIn, uma mensagem do LinkedIn: olha, GM. Falei: não, eu já trabalhei, seria, né, eu já trabalhei em duas empresas americanas centenárias, icônicas, GE e IBM.
GM, uma terceira, não faz sentido. Aí voltei para casa, minha mulher falou: mas você ouviu a proposta? Você estudou a GM? Você sabe em que momento a GM está? E eu não sabia. Fui estudar, me encantei. A GM tava exatamente nesse, nessa mudança radical, inclusive tecnológica, do combustão integrando o elétrico. A China tava chegando, um desafio atrás do outro. Uma empresa consolidada assim, mas com uma que tinha que se transformar muito rapidamente.
E fui. O que que eu entendia de carro? Como tudo que um consumidor entende de carro, mas ponto de vista do negócio, nada.
E aí essa, que coisa. Então a principal, o que que era habilidade então que essas marcas, por exemplo, que a GM viu em você quando tava na IBM lá? Era ainda aquela primeira habilidade, a habilidade relacional, é em alguma medida ou em boa medida uma gestão de uma equipe? É isso que eles estão procurando?
Cara, engraçado, legal a pergunta. Eu sou um— eu abraço novas tecnologias muito rápido. Eu, desde a época do Twitter, desde a época do Orkut, desde a época, eu criava conta, eu me engajava, eu levava opiniões sobre temas dos mais variados, eu movimentava as minhas redes. E na IBM, uma empresa centenária, icônica, americana, Eles não tinham Twitter e eu bati na porta e falei, por que não criar um Twitter? E criamos um Twitter e começamos a movimentar a rede.
As pessoas começaram talvez a me ver como um executivo que gosta de cutucar o status quo. E eu—
nossa, que jeito elegante de dizer, né, que é rebelde.
Rebelde com causa, talvez. Um rebelde, né, que tá querendo que a empresa vá além, que a empresa olhe Porque você vai lembrar, cara, pouco tempo atrás assim, você sendo executivo de uma empresa, você ter uma conta na rede social e falar sobre qualquer assunto era proibido. Você não fala. Quem fala é o marketing, a comunicação, mensagem institucional engessada. Hoje é o contrário. As empresas têm que ter alma e essa alma tá espelhada nas redes sociais.
E a gente leva a alma para as redes sociais. Então você vê a forma como eu me posiciono nas redes sociais, eu falo muito de política nas redes sociais. Sem conotação partidária. Eu levo propostas, eu mostro, eu tento mostrar com benchmarks internacionais, né, o que que outros países estão fazendo, porque a gente não faz isso aqui. A gente então procura de uma maneira orgânica, humana e leve provocar discussões que pouco tempo atrás as empresas queriam evitar.
E quando você provoca com respeito, quando você inclui outras pessoas nesse debate, Você só se fortalece, não o contrário. Ah, vão criticar a empresa? Vão, que não falta é hater. Eu vejo, imagina, minha rede social pessoal, o que tem de nego, sabe, descendo a lenha. Mas tá tudo bem, não é contra mim, talvez seja contra a empresa ou contra o setor ou contra algum gatilho que ele viu lá e que ele pode usar a rede social como terapeuta.
E tá tudo certo, isso não vai me impedir de seguir falando. Porque eu sei o que eu tô defendendo, e a empresa gosta disso. A empresa cada vez mais quer empatia, quer contato, quer humanidade nas relações.
Eu diria que isso que está falando faz todo sentido, porque observando a internet, boa parte do meu trabalho é observar os movimentos da internet, né? Se me perguntassem qual que é a melhor maneira de fazer uma pessoa se conectar com algo, Eu diria que ia fazer essa pessoa se conectar com uma outra pessoa, né? Que as pessoas, elas, é muito mais difícil tu fazer uma pessoa amar ou se conectar para valer com uma marca, menos que aquela pessoa construa uma história.
Porque quando é com uma outra pessoa, essa pessoa eu consigo, eu consigo trazer uma história e ela, e ela.
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Tem alguma grande chance de se relacionar com a tua, e a gente se torna mais próximo, né?
Então, então eu, cara, desmistifica, né? Ah, o vice-presidente da General Motors. Eu sou gente como vocês, como qualquer um de nós. Eu pago conta, tenho boleto, tenho filho para criar, tenho problema de saúde. É exatamente a mesma coisa. Eu tô sentado numa cadeira diferente, mas assim, a conversa tem que ser fluida, tem que ser no mesmo nível, com respeito, inclusive procurando aprender com esses insights. Eu recebo insights de clientes provocando a GM a fazer mudanças.
E eu respondo esses insights. Não tem uma pergunta, tô até perigoso que eu vou falar aqui agora, mas não tem uma pergunta que eu não receba aleatória que eu não encaminhe, que eu não responda. Se eu não tenho a resposta, eu vou dar para quem tem, essa pessoa vai responder.
É, nossa, deve ser maneiro trabalhar lá na GM. Mas se liga, o porquê que a indústria, ou isso é só uma percepção minha, mas por que que a gente tá tendo cada vez menos sedã, cara?
Cara, isso é comportamento do consumidor, né? O sedã, vou talvez cometer aqui uma inscrição, pessoas vão, não vão gostar do que eu vou falar, mas o sedã eu acho que ele passa uma imagem de carro mais antigo, de carro de pessoas com um comportamento diferente do que as pessoas querem parecer. A pessoa quer parecer jovial, quer parecer cool, quer parecer que tá abraçando novidades, E o SUV traz isso. O SUV é o carro mais vendido no Brasil já alguns anos, de longe.
Os sedãs estão desabando. É comportamento do consumidor. A gente não pararia. A gente tem um sedã importante, inclusive, tá? Mas a gente não diminuiria talvez o volume, eu não aceleraria mais a adoção de outros padrões de carro se o consumidor não tivesse pedindo isso.
É sempre assim, no fim das contas, né? Para mim também, as pessoas, pô, Se existe vídeo curto e eu sei que as pessoas estão consumindo vídeo curto, vou eu realmente ficar só fazendo vídeo longo? Em alguma medida eu tenho que me adaptar, né? E eu, para mim é uma pena porque eu sou um desses caras que gosta do sedã e eu vejo menos sedãs. Tem muitos SUV, muitas opções inclusive de SUV. Uma porra, quando o Vectra sumiu eu fiquei triste, entendeu?
É, faz muito tempo isso, né? Um velho falando, mas pô, o Cruze é um puta carro, né? Falando de outras marcas, pô, eu tive um Fusion muito tempo até ele deixar de existir também, né? Então, mas eu vejo a maioria das pessoas preferirem de fato o SUV. E dentro, e tu diria que assim, tirando questões geopolíticas, só questões de escolha mesmo, Hábito de consumo, o elétrico, ele de fato vem virando uma opção para as pessoas ou ainda se compra o que se pode comprar?
Cada vez mais. Nos últimos meses você vê venda de carros eletrificados no Brasil chegando a 20% das vendas totais.
O que tu quer dizer com eletrificado?
Inclui híbridos, né? Elétricos, híbridos. Híbridos tem 3 tipos de híbrido, né? Você tem o híbrido leve, que é uma bateriazinha que você coloca no carro para dar partida, impulsionar o veículo, né, para que ele saia do lugar. Você tem o híbrido plug-in, que é o híbrido que você carrega na tomada. Você tem o híbrido de bateria, que você não precisa, que ele já é mais parrudão e que você também pode abastecer no posto, mas ele não é plug-in.
E tem o elétrico. Então são, vai, 4 tipos principais de veículos eletrificados. E isso tá vendendo cada vez mais, cada vez mais, cada vez mais, porque tem acessibilidade, você tem esses veículos. E aí também a gente vai entrar nesse assunto certamente. Antes que você pergunte, eu já antecipo, tem os chineses. Os chineses estão disruptando o mercado com carros mais baratos, com carros com tecnologia, design, com cada vez mais investimentos no país.
Então isso obriga as empresas que talvez antes estivessem navegando num mercado mais... Como é que eu vou chamar aqui sem ser deselegante? Um mercado mais acomodado, acelerarem as novidades. Isso assim, eu só posso inclusive, deixo registrado, que agradecer esse movimento que aconteceu, porque ajuda a gente a tomar melhores decisões, decisões mais rápidas, deixar as certezas de lado e garantir que a gente vá atender sim o interesse do consumidor.
Não só porque a gente quer atender o interesse do consumidor, mas porque a gente quer continuar relevante no país e no mundo. E portanto essas mudanças estão acontecendo cada vez mais rápido.
Fábio, eu sei que o teu posto é aqui na América Latina, mas me ajuda aqui com o seguinte: tem na GM também umas marcas de carro da China, não tem?
Tem duas.
Duas, não é?
Duas. Olha que interessante, a GM tem parceria com fábricas chinesas desde a década de 90. São duas grandes parcerias e lá a gente faz 5 marcas diferentes. 3 americanas: Cadillac, Chevrolet e Buick. E 2 chinesas: Baojun e Wuling. No ano passado, essas 5 juntas, 2025, a gente produziu quase 2 milhões de veículos na China. Caraca, mercado brasileiro, só para você ter uma ideia, comparação, o ano passado foi 2 milhões e 600 mil.
Essas Distribuir os carros nessas marcas, na verdade, várias outras montadoras também detêm várias marcas, né? Isso ajuda a segmentar melhor? Porque, por exemplo, Chevrolet, o maior mercado da Chevrolet é o Brasil?
Estados Unidos.
Estados Unidos, tá. Como é que, para que que serve no fim das contas segmentar dessa forma?
Cara, no final das contas, isso tem a ver com consolidação, que é fundamental para que a gente tenha escala, para que a gente tenha custos mais competitivos. Tem diferenciação por faixa de preço. Então eu quero uma marca mais acessível, uma marca mais premium, uma marca de luxo. A gente tem uma frase de um dos principais presidentes da história da GM, o nome dele é Alfred Sloan, que ele inclusive dá nome à escola de negócios do MIT, aquela escola de engenharia dos Estados Unidos.
E ele disse que o Grupo General Motors iria construir um carro para cada bolso e para cada propósito. E assim a gente seguiu. Então essas marcas todas, elas têm como objetivo trazer um carro para cada bolso e para cada propósito. E aí assim, propósito é: ah, eu sou fazendeiro, eu preciso de uma picape. Tem. Eu tenho, eu sou solteiro, eu quero um carrinho. Tem. Eu tenho família grande, quero um SUV. Tem. Então essa visão acho que ajudou a gente, porque nós não fomos, diferentemente de outras marcas, comprando outras marcas.
Nós criamos essas marcas, com exceção dessas chinesas que vieram no pacote da parceria. Outras não, comprar para consolidar, para deter o maior poder de compra. Então quanto mais eu compro, mais é a minha barganha na compra do aço, por exemplo, de pneu, e assim vai.
Entendi. E o que que tem então agora na tua cabeça assim, a visão de GM de América do Sul, elétricos em geral? Tu tá olhando então para as grandes metrópoles mais do que tudo?
Não é elétricos em geral, a gente cada vez mais vai ter híbridos. O Brasil tem a felicidade de ter todas essas fontes de combustível disponíveis e à disposição do Oiapoque ao Chuí. Então a gente começa agora com os híbridos, que são para a gente muito importantes. Os primeiros motores híbridos flex da GM no mundo serão produzidos no Brasil.
E por que que a gente tem essa, essa, por causa do, porque no Brasil é mais fácil etanol?
O etanol é assim, é um, primeiro, né, do ponto de vista agrícola, né, ele é abundante. E a abundância do etanol, né, em parceria com o desenvolvimento tecnológico, criou o etanol, que se aperfeiçoa a cada ano. Então, combustível bom, barato, dependendo da praça, isso é importante, não é em todo lugar do Brasil, mais econômico do que a gasolina. E os motores foram desenvolvidos, né, desde a década de 90 com escala. Hoje eu diria que 80, 90%, mais de 90% da frota de carros a combustão no Brasil são flex.
Foda, né?
Então assim, não podemos de forma alguma menosprezar o poder do etanol. E se você tem uma tecnologia híbrida que roda etanol também, você tem que aproveitar. E todo mundo tá aproveitando.
Para onde tu acha que vai, que vai a engenharia desses carros elétricos agora, cara? Onde tu diria que tá o próximo ponto de salto tecnológico? Porque assim, como o carro, dirigir um carro, a experiência ela muda, vai nos últimos, nas últimas décadas ela vai mudando suavemente. Tu ainda usa a mão para o volante, tu ainda usa o pé para os pedais, tu ainda usa em muitos casos a mão para trocar a marcha, é mais ou menos a mesma coisa, né?
Um carro elétrico é mais ou menos a mesma coisa, só que é o one pedalzinho ali naquele pedal que você descreveu, que ele freia também, né? Poucas coisas vão mudando nesse sentido. Aí a gente vai olhando para como os carros se movimentam. Então hoje a gente tem carros elétricos, eles não são novidade na história humana, né? O que é novidade é como a gente consegue fazer ele ser mais eficiente. Né? Ele ter essa autonomia insana que ele tá passando a ter, que em alguns casos tá chegando a 900 km, né?
O próximo ponto, o próximo salto tecnológico, tu acha que vem no custo da bateria? É na velocidade de produção? É na autonomia? Onde que tá, na tua opinião?
Cara, eu adoro essa conversa, e eu acho que é menos a propulsão, é menos o motor, é menos se é mais eficiente ou menos eficiente. Então Eu acho que esse desenvolvimento da engenharia tá consolidado e vai se aperfeiçoando ao longo do tempo, mas é isso mesmo, né? O grande salto tecnológico que esses carros começam a apresentar hoje em dia estão nos softwares embarcados, tá na inteligência artificial, tá na forma como o carro se comunica com o motorista e os ocupantes do veículo.
Então hoje a gente tem, né, muitos desses assistentes de voz Que vamos combinar, se fosse contratar um assistente de voz como esse para sua empresa, você nunca contrataria, porque eles precisam melhorar e muito.
Verdade.
Como estagiários, eles não, talvez não tragam o valor que você espera, mas isso tá evoluindo muito rápido. Os nossos carros, e aí sem merchan, mas com merchan, né, a gente acabou de atualizar o Gemini, que é aquela ferramenta de IA generativa do Google, na maioria desses carros. A experiência é outra. Você não encosta em botão, abre o vidro, liga o ar-condicionado, bota a música. E o mais interessante, eu faço muito isso, é uma troca com linguagem natural.
Olha, eu tô indo no Flow, me fala sobre o Igor, que pergunta que ele pode fazer para mim, sobre onde é que— qualquer pergunta que você faça, que você faz hoje para o Clodo, para o ChatGPT, para o Copilot, tá no carro. Então isso muda a experiência de direção e ela só tende a evoluir. Os carros têm cada vez mais câmeras, os carros são cada vez mais preditivos. Então, olha, daqui 100 km vai dar um problema na bateria, já vai para concessionária agora.
O seu pneu esquerdo, direito está— esquerdo, direito, esquerdo da frente, né? Ele está com uma calibragem que precisa de uma atenção, vai lá no posto. Então tudo isso já está acontecendo e só tende a aprimorar. Com a evolução da IA generativa, que vai revolucionar a forma como a gente vive dentro de um carro.
Basicamente, então, que tá me falando é as mudanças que o usuário, que o motorista vai— usuário, porque é justamente exatamente isso que eu quero dizer, porque me parece que a intenção é ir tornando a— não sei se a intenção, mas uma das possibilidades é ir tornando o fato de dirigir Secundário, secundário.
Então, isso que a gente não falou de carro autônomo. Exatamente. Carro autônomo, Igor, é uma realidade. Tem, obviamente, as empresas estão muito cautelosas, né, em colocar isso no mercado em escala, porque ainda tem inclusive dilemas éticos em relação ao carro autônomo e regulatórios. Então você tá, esse é o clássico, né, você tá, carro autônomo, tem uma velhinha, uma criança aqui, Não dá tempo, você vai ter que matar alguém. Qual a escolha? É a velhinha ou a criança? E não tem resposta para isso.
Tem sim, é a velhinha.
Tem muita gente que vai por esse lado, né? Ela já viveu mais, a criança tem uma vida toda pela frente, tem perspectivas, então tem que ser a velhinha.
Mas não tem resposta.
Não tem resposta. Assim, alguém vai botar isso na lei? Mata a velhinha?
Não.
Então tem dilemas éticos, tem questões de, vou dizer aqui, de calibragem tecnológica, mas a tecnologia está presente. Então eu já tive a oportunidade de andar num carro autônomo. Ele começa aflitivo, mas depois é só alegria.
É verdade. Eu também já tive uma experiência leve. O carro tava andando sozinho, mas o meu amigo tava sentado ali, entendeu?
É, e ok. E o que existe hoje de regulamentação é até níveis de automação que são diferentes. Eles dão essa autonomia, você não encosta no volante, mas você tem que ter um motorista lá. Então assim, com a evolução disso, a partir do momento que passarem dessa fase, olha, tira o volante, tá tudo certo. A experiência é outra. E é isso, experiência de dirigir vai ser vintage.
Que coisa, né? Eu fico pensando às vezes, viajando em como seria isso daí. Imagina você, é basicamente tu entra num apartamento de hotel que se move, né? Poderia ser no futuro. Tu entra num lugar que é só uma cabine que você convive com a tua família, e aquela cabine é um carro, e ela anda e te leva para praia, por exemplo, né? Eu fico pensando que tem uns cara que gostam de dirigir, e para esses cara haverá o carro, né? O que eu tô querendo dizer aqui é: vamos não encher o saco da família que quer ter uma versão do Suburban que anda sozinho, né?
Nossa, deve ser incrível. Mas lembra, isso é delicado também, porque num ambiente em que estão todos os carros com autonomia, né, e que estão sendo navegados por um computador, o imponderável raramente acontece. O problema é ter um carro autônomo com um monte de carro pilotado por ser humano. O ser humano vai jogar o carro e o autônomo não vai ter esse poder de resposta tão rápido, porque é imprevisível.
Pois é, né? Então temos um monte de questão para pensar.
Até outro ponto, é para você ter uma estrada ou uma via específica autorizada para esses níveis de autonomia que já são, que já rodam bastante na China, nos Estados Unidos, por exemplo, você tem que fazer um mapeamento georreferenciado. Você bota um satélite lá das estradas, das ruas e tal. Pensa no Brasil, os problemas de sinalização, faixa, buraco. É mais difícil, é caro e é mais difícil. Então você tem que melhorar infraestrutura para garantir que o autônomo funcione como deve funcionar.
Bom, aí a gente pode dizer também que felizmente, é claro que existe toda essa dificuldade aí para fazer funcionar com garantias um carro autônomo no Brasil, mas infelizmente não tem ninguém procurando isso aqui ainda, né?
Não em escala, não em escala. Mas assim, de novo, é um futuro impossível? Não, não é um futuro impossível. É um futuro provável? Completamente. É um futuro eminente?
Nem tanto. Entendi, entendi. E aí, tá bom, é para esse ano, o que que tu pode me falar de planos da GM e do Fábio para, sei lá, para até o final do ano, cara?
A gente lança Cadillac no Brasil oficialmente esse ano. Já tivemos Cadillac década de 50. No país sendo montada, mas não, mas não escala, não com operação própria. Então, operação própria da Cadillac, 3 veículos 100% elétricos, um SUV pequeno, um SUV médio, um SUV grande. E logo na chegada da Cadillac, a Cadillac estreou na Fórmula 1 esse ano com uma escuderia própria. E a gente faz isso porque é um processo que nos ajuda a acelerar inclusive desenvolvimentos tecnológicos para os carros de passeio.
Então a gente lança o Cadillac, esses 3 produtos que eu mencionei, e semanas depois estaremos em Interlagos celebrando a primeira, as primeiras voltas da Cadillac no Brasil.
Animal, cara! E como, qual que é, tu tem algum tipo de, tu gosta de Fórmula 1? Tu se envolve com a operação lá? Não, né? Ali já é uma outra história.
Vem de fora, né? Eu sou órfão do Senna, né, cara? Acho que você também. Nós. E durante muito tempo me afastei, mas agora com a volta da Cadillac, né, representando a minha empresa, eu voltei a me engajar de novo.
Deve ser gostoso ver uma Fórmula 1 torcendo para alguém que tu de fato faz parte do time, né? Deve ser interessante mesmo.
Vou sentir isso em breve, depois te conto.
Mas e tu pessoalmente assim, tem uma— qual que é o pedacinho do teu trabalho da GM lá de da tua posição que, putz, dá para melhorar? Assim, o que que dá? Porque sempre tem, irmão, né? Aqui é até clichê, irmão, mas aqui o nosso princípio, o que a gente está sempre tentando melhorar é como é que faz a informação chegar dessa galera para essa galera com clareza. Ou seja, um problema de comunicação.
Comunicação. A comunicação não adianta você ser técnico, você conhecer todas as operações matemáticas, que vão levar ao desenvolvimento de um produto se você não comunica o seu time com clareza. Tem uma frase de um cara que é— ele foi presidente da 3M, aquela empresa que faz o Post-it e várias outras coisas, e a frase dele é: hire good people and let them work alone. Contrate boas pessoas e deixe eles trabalharem em paz. Mais ou menos isso.
E cada vez mais eu acredito nisso. Empoderar, dar autonomia, deixar as pessoas— é tudo adulto, sabe? Pessoas que estão trabalhando numa empresa como a GM ou qualquer empresa multinacional passaram por um processo de seleção complicado. Então assim, se eles estão lá, se eles foram as melhores pessoas escolhidas no mercado, deixa a turma trabalhar. Mas alinha, mas comunica, mas tenta deixar as pessoas entenderem que elas fazem parte de um todo e que esse todo pertence a elas também.
Então essa aproximação entre times e uma comunicação clara. Eu acho que, acho não, eu procuro melhorar cada dia nessa forma de liderar.
É que tem uma galera que tá, acho que boa parte das pessoas que assistem esse conteúdo aqui, eles estão querendo ser o Fábio, entendeu? Não, tô falando sério.
Cuidado com o que vocês pedem.
É, mas veja, veja, é uma carreira, tu teve várias experiências que a gente falou, a gente falou 95% de GM aqui, Mas tudo que nem tu disse, tu falou, passou em IBM, passou em Vale, tu passou em vários lugares ali que constroem um profissional, vou chamar de completo. Que bom, pelo— eu tô entendendo aqui que se eu te chamasse para trabalhar aqui comigo, tu ia dar um jeito de descobrir qual é, né? Porque, porque— mas isso tem menos a ver com onde você trabalha e com como você opera como profissional, cara.
É isso, a curiosidade é importante, né? Eu sou um cara inconformado assim. Por que que isso é assim? Por que que não pode ser diferente? Por que que não pode melhorar? Quando você falou o que que você precisa melhorar, eu falei uma coisa, mas poderia ter falado 10 coisas. Claro que eu valorizo a minha trajetória, claro que eu sou grato por todas as minhas conquistas, mas eu não me dou por satisfeito. Eu acho que essa inquietação é que faz, o que fez com que eu abraçasse tantos desafios inesperados, né?
Assim, foi aleatório total, sabe? O rolê aleatório, o cara sai da mineração, vai para espacial, vai para tecnologia, hoje tá no automotivo. Abracei, fui e me dediquei e aprendi e estudei.
Então vamos brincar um pouquinho aqui agora rapidinho, Fábio.
Corsa ou Celta? Corsa. Corsa ou—
não, essa é fácil para o cara. Corsa ou Vectra? Vectra. Mas é que a gente vai acabar indo subindo mesmo, né? Desses carros históricos, dos carros que que fizeram história na Chevrolet, na GM? Teve algum que te marcou, que te bateu especial? Eu vou te falar o meu: Vectra. Tem um cara que trabalha comigo aqui hoje, que é o Bruninho. Ele é meu, a gente já se conhece há muito tempo. Ele morava na mesma vila que eu, era amigo do irmão mais velho dele, que é da mesma idade que eu.
Muito tempo. O pai dele um dia chegou na vila com um Vectra prateado Porra, daquele que o retrovisor vinha assim fazendo o desenho do carro, dos— e porra, moleque, um Vectra! Nossa, eu lembro apaixonado olhando aqui, Vectra me pega. Depois eu vi, eu depois eu vi ele sendo substituído pelo Cruze, mas o Vectra, sabe? Eu não sei se é porque eu sou velho, mas e tu, cara?
Monza. E eu explico por quê. Eu venho de uma família classe média e E o meu pai, um belo dia, chegou em casa com um Monza. E esse foi o carro da família. E eu lembro que eu queria que ele fosse me buscar nas festinhas com o Monza, porque o Monza, ele apertava um botãozinho. Não é que ele tinha o porta-malas automático, ele apertava um botãozinho e o porta-malas explodia.
Mas eu achava muito legal, de dentro do carro, pô, não tinha que botar a chave, né?
Direção hidráulica, era um negócio assim. Mas eu tenho uma história e eu não posso, né, descobrir o santo aqui, mas com uma pessoa importante da política brasileira que começou a conversar comigo, falou: tive um Chevette. E o Chevette foi um carro sensacional, mas ele era muito antigo e a gente chamava de Chevelho. Mas foi o que marcou a minha juventude. E eu falei: é, o que marcou a minha juventude foi um Monza. Aliás, você é da elite paulistana, você devia ser rico, não sei o quê.
Eu falei: não, meu caro, o problema é que o meu primeiro Monza era um Monza 89. Em 2000 foi quando eu dirigi o Monza. E para mim, ele— e esse foi esse carro que meu pai comprou 89, ele ficou na família até mais ou menos essa época. Quando eu fiz 18 anos, sou 20 anos, eu pude dirigir esse Monza. Nem tinha esse carro. Depois eu fui comprar meu primeiro carro, mas é o Monza.
Pô, Monza é um puta carro também. Fábio, muito obrigado pela moral, obrigado pelo papo. E cara, se tu pudesse dizer uma coisa para pro cara que tá tendo que tá olhando para tua carreira com admiração, se pudesse dar um, sei lá, uma dica, qualquer coisa para esse cara que quer trabalhar numa multinacional, que quer ter uma trajetória que nem a tua, que que tu diria para esse cara? Olha, tu já deu algumas dicas aqui, tá? Como, por exemplo, quando você falou da importância do relacionamento na carreira, né? E da construção de uma rede de contatos. Mas que mais?
Eu acho que eu usei esse termo, mas eu vou reforçar. Eu sou um eterno inconformado. Eu não vou aceitar que as coisas são do jeito que elas são só porque elas são assim. Eu vou sempre questionar e procurar formas de ver outros ângulos sobre o mesmo tema. E eu acho que isso impulsiona a gente a dar novas ideias, a criar novos produtos, a influenciar pessoas de uma maneira diferente, a trazer novos argumentos para uma conversa. Então, ser inconformado, questionar com respeito, com diplomacia.
O mundo corporativo exige essa etiqueta, né? Mas questionar sempre e propor soluções. Vou terminar com uma referência do Obama, que esses vídeos de Instagram, né? Obama diz assim: eu ao longo da minha carreira trabalhei com pessoas extremamente capacitadas e versadas no mais profundo detalhe para poder explicar por que que as coisas não davam certo, e aquilo me irritava profundamente. E eu trabalhei com elas, mas as pessoas que eu mais respeitei na minha carreira foram aquelas que faziam as coisas acontecer.
Independentemente da encrenca, deixa comigo. Então assim, por mais técnico especializado que você seja, se o problema exige a sua atenção, esquece os livros, pensa como você pessoa pode resolver um problema, resolve o problema, se comprometa com a solução e não com o problema.
Essa, essa é uma excelente direção, de excelente direcionamento. Eu diria, às vezes eu fico pensando qual que é a minha principal habilidade fora das câmeras. Nossa principal habilidade fora das câmeras é conseguir, sabe? Então chegam uns bagulho, meu irmão, que os cara mata no peito aqui e eu fico de bobeira. Nós matamos no peito aqui. E essa é uma habilidade importante mesmo. Obrigado, Fábio, pela moral. E vocês que assistiram, eu espero que vocês tenham anotado aí no teu caderninho aqui, porque sai um monte de ouro dessa conversa aqui, tá?
Ó, já se inscreve no canal, segue o Fábio, já deixa aqui no comentário fixado todas as redes sociais dele para você seguir lá e saber, entender mais, saber o que que tá acontecendo não só na carreira dele, mas também lá na GM. Vira membro aqui do canal, cara, custa menos de R$8 e a gente cria conteúdo para vocês aí exclusivo o tempo inteiro, tá? Fábio, mais uma vez obrigado pela moral.
Valeu, Igor, abraço, cara, obrigado.
É isso, boa sorte e vamos continuar nesse caminho aí de trazer uns carros mais legais para a galera curtir, porque curtir carro é legal para caramba ainda por cima, né? É um dos brinquedos mais legais, além disso é várias coisas, é uma ferramenta, mas é um brinquedo legal para caramba também.
Adoramos! E conte com cada vez mais novidade, vem muita coisa boa por aí.
E depois eu quero que tu deixa eu andar naquela, nessa tua Blazer aí que tu falou que é maneiro.
Posso te mandar real para você ficar 10 dias, para você dar um rolê?
Eu gostaria, mas eu vou fazer um vídeo.
É seu, que cor você quer?
Tu não vai ter vermelho.
Tem vermelho, tem vermelho.
Duvido que tu tenha vermelho. Great, now we're talking.
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