PAULO MUZY + GUILHERME MUZY + PAULO DE TARSO MUZY - Flow #630
Muzy 1 [ortopedista], Muzy 2 [dermatologista] e Muzy 3 [doutor em física]
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Salve, salve, família! Bem-vindos a mais um Flow. Eu sou Igor e hoje eu vou conversar com os Muse, né? Aqui do meu lado tem o Paulinho, que eu descobri. E aí, Paulinho, tudo bom, cara?
Tudo bem, Igor. Como tá você?
Eu tô bom demais.
Saudade de você, mano.
Melhor agora. Tem ali o Gui.
E aí, quem é isso, cara?
Uai, tô te cumprimentando.
Tudo bem, cara?
Eu tô bem, e você?
Eu tô bom demais. Tem aqui Doutor Paulo de Tarso Muse também, que é a pessoa é mais respeitável, venerável dessa mesa aqui, né? Tudo bom, seu Paulo?
Tudo bem, muito obrigado.
Gostei que ele chegou aqui no estilo chapeuzinho. Vocês talvez não estejam vendo, mas o cara tá com chapeuzinho style demais ali. E bom, por que esse episódio? Porque o Paulinho me perguntou algumas vezes, pô, o que que a gente vai falar aí, mano? Não sei o quê. Eu, cara, eu fiquei toda vez que eu conversei contigo, eu falei, porra, já conheço você, conheço teu irmão, conheço teu pai, já todos já vieram aqui, só que não juntos.
E eu sempre quando eu pensava em vocês como família, eu pensava assim, caralho, esses cara conversando sobre qualquer coisa deve ser muito interessante, porque os cara são foda na área deles, né? E um deles é foda em física, né? E os outros dois são médicos, né? Por exemplo, a gente pode ter vários pontos de vista aqui, por exemplo, me zoando ou me falando coisas sobre a minha fratura, né, que eu tive recentemente, aí tem um mês e meio, 2 meses, e Então é, para mim isso é muito interessante por si só.
E o fato da gente poder, da última vez que estávamos, que tava você e o teu, porque tava o Paulinho e o Paulão, a gente já foi por um lugar tão maneiro que por que não?
Vamos.
Então acho que essa é a ideia. E porra, de fato, ó, Caíque quebrou o braço, cara, quebrou o braço tem um mês e meio. Cabeça do rádio, tu acertou antes de eu falar.
Mas como você caiu?
Então, cara, eu tava num patinete, eu tava num patinete vergonhoso. Então aí eu descobri, me falaram que é bom. No caso do meu patinete, o freio de trás era o da esquerda e o da direita era o da frente. Todos os patinetes, você aluga um patinete, você anda de bicicleta na sua vida, é o contrário. Então eu tomei um susto numa, tava vazia a rua, mas eu tomei um susto com um carro parando no sinal. Eu dei no freio que era o da frente, capotei, caí, quebrou a cabeça do rádio.
Da direita era o freio da frente?
Era.
Aí você—
mas é assim, motocicleta é assim.
Não, pô, da direita é o de trás, pô.
Em bicicleta é. Na moto é isso.
Se contar isso daí, você fica sentindo ruim. Pô, eu andei de bicicleta a vida inteira, cara. Se alugar um jet na rua aí, tu vai ver, o da direita é o de trás.
Cara, eu vou— eu preciso—
eu preciso andar para saber.
Caralho, levantando moto, tudo uma questão agora.
Não, moto, a mão da esquerda é embreagem, a mão da direita é o freio da frente e o pé é o freio de trás, porque é o que você menos usa. Né? E a razão é que na moto, aí meu pai pode falar de física melhor que a gente, né? A suspensão ela é utilizada para frear, parte da força dissipa na borracha do chão, parte da força— o carro também é assim, né? Principalmente carro de corrida, porque a gente controla a inclinação dele para pegar mais grip para curva.
Mas o freio da frente na moto ele também controla por conta da da suspensão. Tanto que se você diminui o curso da suspensão, ela trava mais fácil a roda, né?
Nesse caso era só um patinete. E aí, o que aconteceu? Travou feião e eu fui catapultado, né?
Encontrou o chão.
E aí foi, esse foi o tombo mais ridículo da minha vida mesmo, porque quebrou o meu braço. Eu não tava nem a 10 por hora, foi muito ridículo. Sabe qual é? Aí fui para casa ainda, achei que não tinha quebrado, porque tava só doendo, achei que era da queda, mas aí eu não consegui dormir e aí fui para o hospital, sofri para caralho.
É bem dor de fratura mesmo, dor de fratura é assim, enquanto você tá no afã do momento ela é suportável, quando chega a noite, quando a noite chega, aí você não consegue relaxar.
É a hora que a filha chora e a mãe não vê.
Mas felizmente só colocou 2 parafusinhos de merda. E não teve que colocar prótese nem nada.
Então é isso que eu ia te perguntar, né, se remontou a cabeça do rádio, porque a gente consegue remontar, né, é um quebra-cabeça muito legal. A diferença do Lego é que sangra e tem o tempo da anestesia. Então pensa assim, você tem um Lego, vai resolver, ele não mexe direito, né, tem isso também, passar o fio errado, porque o Lego não é para ficar quietinho.
O Lego vem com manual, né, manual a gente não, é, a gente não tinha manual.
E aí toda vez é diferente, eu imagino, né? Pelo menos levemente diferente, né?
Então é diferente o suficiente para não existir uma regra absoluta, né? O que você sabe é o que você tem de fazer. A escolha do médico, a competência do médico é como ele vai fazer isso, né? Porque no final toda radiografia é bonita, né? Agora o que você tem que fazer é entregar a mobilidade para paciente.
Entendi, entendi. Bom, no meu caso, cara, eu vou te falar que eu tô bem melhor do que—
flexiona e estende.
Esse ainda dói um pouco aí, ó.
Não, mas você tá estendendo bem.
Ainda tá meio fraco.
Flexiona o outro, deixa eu ver. Você tem, então, ó, tem uma diferença de flexão. Presta atenção, flexiona os dois.
Tem mesmo, tem, tem ainda.
Isso pode ser, você chegou a ficar de tipo Fiquei quanto tempo? 2 semanas?
É, por aí.
Em geral a gente deixa 2 semanas porque cotovelo fica totalmente esse tempo.
Não, eu tirava. É, às vezes eu tirava.
Malandro, malandro.
Aí depois você pergunta por que que deu.
Mas não deu ruim, não, tá ótimo, tá incrível, tá ótimo.
Você tá pegando, segura o videogame?
Sim, eu dirijo, pô. Funciona tudo normal, funciona tudo. Tá meio fraco ainda, entende?
Legal, você tem que forçar essa flexão até chegar na flexão nativa, porque senão você fica com um déficit de flexão.
Eu tô para voltar lá no médico que fez a cirurgia, eu tenho que levar um exame para ele lá do raio-X e começar a fisioterapia, que eu ainda não comecei. Tem um mês e meio, já era para eu ter começado a fisioterapia?
Já.
Vocês são mentirosos, hein, cara.
Por quê?
Claro que não era, pô. Cara, físio de cotovelo você começa duas semanas já.
Sério?
Assim, mobilização funcionando assim, né, que funcionando é uma coisa, né, é a lei dos 80/20, né? Para conseguir 80% do resultado em 20% do tempo você consegue. Agora aqueles 20% que faz a diferença, que é lavar atrás da cabeça, escovar o dente, usar o secador, né, Igão?
Entendi. Então em geral ele funciona, entendeu? Mas com certeza o outro ele funcionava melhor. Até porque vários desses movimentos aqui eu sinto, ele dói, né? Tipo, até aqui ele só, eu só sinto ele travando aqui. É estranho, diferente de antes. Mas é daqui mais assim forçar e dói, entendeu?
Então nada de jiu-jitsu para você?
Não, por enquanto não. Inclusive o cara falou lá uns 6 meses para eu poder puxar um peso, cara. Tu treina, Seu Paulo?
Eu faço exercício de manhã. É, faço.
O que que é um exercício? É um funcionalzinho?
É meia hora de de bicicleta. E quando eu tô lá em Angatuba, eu vou na academia. Eu quero falar outra coisa. Então vai. Antes de falar qualquer coisa, eu quero te agradecer penhoradamente a oportunidade que você me dá de encontrar meus dois filhos juntos comigo e mediados por você. Legal. Você não imagina que alegria, que satisfação. Primeiro porque isso é raríssimo, segundo porque é uma oportunidade assim de de estar com pessoas agradáveis e com ambiente que eu já estive aqui com você.
Eu sei não só da sua competência, mas da forma como você recebe as pessoas, deixa a gente à vontade. E valeu, muito obrigado, viu? Muito obrigado.
Legal, legal. Bom, mas é raro então se se encontrarem assim?
Não é raro, porque a vida é corrida.
Pois é, mas tu tá trabalhando muito ainda, cara.
Eu até o ano passado eu tinha reduzido demais minhas atividades, né? Mas esse ano intensificou muito, eu tô trabalhando muito, eu acho que até é um pouco demais.
E o que que vocês acham disso?
Eu acho ótimo.
É, eu também, eu dou a maior força.
É, sabe por quê, Igor? Porque a gente tava discutindo isso na— eu participo da Câmara Técnica de Medicina Esportiva do do Conselho Federal de Medicina. E a gente vai fazer um fórum em outubro agora, se não me engano vai ser dia 16. E uma das coisas que a gente tava discutindo é que a medicina esportiva raramente falou alguma coisa como entidade, como instituição, sobre os extremos criança e terceira idade. E eu acho que esse é um momento muito fortuito para falar as coisas, porque primeiro As crianças amadureceram muito, né?
Quando você entregou informação, quando você entregou acesso à informação mediada por internet, a criança já não é tão criança e ela quer fazer atividades de adulto, inclusive atividade física, inclusive musculação, inclusive corrida, né? Fora do âmbito de competição, né? Quando a gente tem competições, por exemplo, ginástica olímpica, né, nado sincronizado, a gente tem um início muito precoce. Tá falando de criança que treina com 4, 5 anos.
Agora tá aparecendo nas crianças que normalmente nessa fase elas têm atividades lúdicas, né, a brincadeira da escolinha, coisas do gênero. Então faz sentido a gente falar nisso. E terceira idade, que a gente tá indo para quarta idade, então a gente não fala mais terceira idade porque tem uma quarta idade aí que a gente tá falando 70+. Eu sei lá, eu tenho essa memória com mais propriedade, talvez, porque eu acho que eu sou, tirando meu pai, o mais velho da mesa.
Mas eu com 47, eu lembro quando eu tinha 17, quando eu via um homem de 30 anos, ou era um senhor, uma mulher de 30 anos era uma senhora.
Mas é mesmo, né?
Agora hoje você vê, eu tenho 37 anos, isso aqui é inacreditável, cara. Parece que tem 20, né? Eu tenho 47, quase 50, e eu faço minhas atividades como se eu tivesse meus 20 também, meus 30, né? E essa população, né, não dá mais para você chamar de idoso, um idoso comum. Daqui a pouco a gente vai ter que rever a questão de, né, 65 anos de ter lugar preferencial, porque assim, vai ser— eu espero ver uma população extremamente saudável e assim, eles cedendo lugar não para jovem, obviamente, mas para o que vai ser o idoso, idoso 90 anos, né?
E nessa geração que a gente tá agora é a primeira geração que a gente vai ver com muita frequência centenário, né?
Além disso, no negócio que você comentou dele fazer as atividades dele, uma coisa que eu e o Paulinho a gente sempre viu foi o nosso pai ativo, entendeu? Então, por exemplo, eu lembro de estar sentado na defesa de doutorado do meu pai assistindo ele falar Lembro dele brigando comigo na matemática, falando, ele não pode fazer os cálculos de cabeça, tem que escrever tudo. Dando várias porradas assim por conta disso. Então vê-lo, por exemplo, falar para mim, falou assim, ah não, tô contente porque eu consegui.
O que que foi que o senhor falou? Foi equação do Dirac que o senhor mexeu de novo? Não, a última que o senhor resolveu.
É interessante que a gente, depois de uma certa idade, a gente que teve um trabalho pesado, sério, que você refletiu sobre as coisas, né? Depois de uma certa idade, quando você olha isso, essa questão da maturidade intelectual é um negócio muito importante. Talvez você não tenha energia para enfrentar problemas novos assim, mas você enxerga muitas alternativas, muitas coisas que a gente quando é jovem passa rapidamente naquilo ali, não é?
Nossa experiência, lúcido, nessa idade e muito lustro. Por exemplo, eu, a gente tem mania de medir algumas coisas, né? Eu costumava trabalhar por hora, eu fazia assim 5 páginas de conta de cálculo. Quando eu tô calculando 5 páginas de cálculo, né, eu tô fazendo 7 páginas de cálculo hoje. Eu não esperava isso.
E a galera contando token no cloud, no GPT.
Eu não esperava, eu não esperava. Leitura, por exemplo, por exemplo, eu lia uma média de, por hora, 8 páginas, 7 páginas de leitura, né?
E não é uma leitura que você tá lendo gibi, né?
Para quando você tava lendo, era, eu tô lendo 10, 12 páginas por hora.
Que que o senhor leu agora, a última coisa?
Que que eu, fora o livro que você tá escrevendo, literatura, eu não tenho lido mais há anos.
Eu não fico lendo tese.
Não, eu leio artigos, leio livros, leio artigos científicos, leio livro, e tenho me dedicado aí nos últimos 5 anos a uma área que surgiu depois para mim, que é a área da computação, né, teoria da computação. E essas coisas me motivaram muito nos últimos anos.
É, mais especificamente, conta, pai, a cibernética, né, que o senhor tem.
É, eu acho que Hoje em dia, eu disse isso da última vez que eu tive aqui com você, né? Informação tá por tudo. Informação, a gente imagina que informação é: eu sei que o teu nome é Igor. Isso não é informação, isso é um dado. Informação é outra coisa. Informação é uma grandeza que a gente mede, não é? Basicamente ela mede o número de alternativas que eu tenho quando eu recebo uma mensagem. Informação é isso. Por isso que ela, a informação, passa nesse fio, porque o que passa nesse fio são impulsos elétricos contados em um número de impulsos que eu preciso para registrar o nome Igor.
Paulo, Guilherme, talvez eu precise de outro número de alternativas de informação, alternativas de símbolos para fazer essa transferência. Isso é que faz uma coisa ser diferente da outra, e eu conseguir ou não conseguir passar nesse fio. Então informação é isso. Para o físico, o que interessa da informação é isso, não é o conteúdo. Se Guilherme tiver a mesma quantidade de alternativas simbólicas que tem Guilherme, Guilherme e Guilherme é a mesma coisa, né?
Então informação é um cálculo de combinação, um cálculo combinatório com o número de símbolos que você precisa para fazer alguma coisa. E isso, então, a informação é uma coisa física, como massa, como É uma grandeza. E os físicos só se atentaram para isso há aproximadamente 100 anos. É recente essa, essa visão da física como uma teoria da informação.
Entendi. E aí é isso que tá—
isso hoje é muito moderno porque isso tá em tudo, não é? Isso tem tudo que a gente tá fazendo, é isso.
E a tua atenção tá voltada para essa área nesse momento?
Para essa área. E é um tema árduo, um tema trabalhoso, e eu não imaginava que fosse olhar essas coisas, né, que já é uma disciplina centenária. Mas isso é 100 anos, é mais ou menos recente em física.
Mas o pai, quem te ensinou isso aí? Como que ensinou para o senhor?
Não sei quem me ensinou.
Foi o senhor, pai. Você senta lá e estuda. Ah, sim, é o que o senhor faz. Corta isso daí.
Já é meu moleque inspirante, tá ligado?
Não, mas não é que é muito massa, entendeu? Você vê isso provocador, não é provocador, é porque é um dos exemplos que você sempre deixou para gente. Você tinha lá um problema, uma coisa, ele sentou assim, ah, que tema interessante, né, cibernética e tal, vou sentar e estudar aqui e virar uma autoridade nesse tema num domingo pacato qualquer, entendeu?
Não, isso eu acho que isso faz o seguinte, né, do jeito que O Paulinho, por exemplo, faz exercício com gosto e faz exercício. Eu reconheço isso porque eu gosto de fazer exercício. Eu gosto, por exemplo, de pegar peso. Eu tenho força para pegar peso. Uma coisa que eu gosto é pegar um peso. Eu imagino você que pega peso tecnicamente, como é que isso deve ser para você uma coisa satisfatória. Dá gosto pegar essa mesa aqui e levantar ela do chão.
Da mesma forma, eu penso que a gente tem que usar a cabeça com coisas importantes, que você exercite, não é? Existem coisas, por exemplo, por exemplo, estudar sânscrito. Para que que serve estudar sânscrito? Não serve para nada, serve para nada. Só que serve para diferenciar a gente de um de um gorila, porque um gorila não estuda sânscrito. Então talvez seja legal estudar sânscrito para você usar a tua cabeça de uma forma, testar a tua racionalidade.
Eu gosto desse pensamento também. Eu tenho me divertido, vou chamar, até que dá uma parada, tá roubando minha brisa esse troço, que é inteligência artificial. Então eu construo uns troços e eu tô aprendendo um monte de coisa com a inteligência artificial como ferramenta. Então, nossa, eu construo uma porra, estou construindo uma porrada de coisa, faz uns trocinhos, ela me fica mandando, tem uns agentes lá que me ajudam ao longo do dia para fazer algumas coisas.
Tem uns computadores lá em casa dedicados para esse tipo de tarefa e é uma tecnologia que eu achei que ia ser para mim que nem o celular é para o meu pai, entendeu? Meu pai não sabe lidar com celular. Entendeu? Ele não entende o celular, sabe? Explicar para ele, ele não entende. Complicado. Eu achei que fosse ser uma tecnologia perdida para mim e não é. Precisou só de vontade de querer aprender a parada, que puta merda, tá sendo uma jornada interessante que eu preciso dar uma segurada.
Se eu te falar que tem mais coisa para você estudar, que a inteligência artificial real mesmo é exatamente a relação que seu pai tem com celular. A gente tava no evento da Adapta esse final de semana e tava conversando com os dois Philips, que são meus amigos lá, e o Max, que é o desenvolvedor, o CEO de tudo. E o que a gente tava conversando para elaborar o que são skills, né, as habilidades e os assistentes? A primeira coisa que você tem que entender é que a inteligência artificial ela não entende as coisas como você.
Então qual o maior erro das pessoas? O primeiro maior erro é usar como se fosse uma coisa superficial, que é uma subutilização, né? E o segundo erro é achar que a inteligência artificial ela enxerga as coisas como a gente enxerga. Vou te dar um exemplo: você entregar uma planilha de Excel para inteligência artificial, ela tem que gastar energia para decifrar aquela planilha de Excel, porque a planilha de Excel ela não é uma informação que meu pai falou, né, que é feita para inteligência artificial.
Ela é uma informação feita por humano. O computador, ele entende, entre aspas, com inteligência artificial uma forma muito mais raw, muito mais crua do dado. Então, quando você começa a entender que a inteligência artificial, ela pega dados que são dados crus e ela formata esses dados, você começa a entender que quando você começa a direcionar demais a inteligência artificial, você tá perdendo o que é a função da inteligência artificial.
Eu vou te dar um exemplo. Eu peguei uma planilha que eu tenho minha, que tem 15 anos, de avaliação física e exame. Se eu pegasse essa planilha e fizesse assim: faça para mim as correlações existentes entre TSH e desenvolvimento de massa muscular, porque eu tenho uma suspeita que existe uma correlação positiva, ela ia artificialmente induzida pela, pelo meu comando, criar essa correlação, essa, ou criar essa correlação. Agora, quando eu entrego a planilha e fala, você tem uma planilha de 15 anos de avaliação física com exames de sangue meus, descubra quais são as correlações fracas e fortes, ou me entregue as correlações fracas e fortes entre meus exames de sangue e a minha planilha.
Cara, o que a IA me entregou é uma viagem. E ela avaliou coisas que, por exemplo, a nossa compreensão ela tem muita dificuldade de notar. Ela conseguiu estabelecer padrões entre as variações dos meus exames de sangue, e era as variações da minha, da minha forma física, que elas têm dados assim de 1 mês, 2 meses de antecedência. Então ela me falava coisas que mudavam, por exemplo, 1 mês antes, que eu nunca ia prestar atenção, e que faziam interferência no meu físico, que em 15 anos eles se repetiram.
Ele é bom para encontrar um padrão, no final das contas, né?
Qual é a chance de você conseguir encontrar um padrão de longuíssima duração? É muito difícil.
Oi, Igor! E falando nisso aí, você teve com o professor Nicolelis, não teve? E aí, velho, quando você contou para ele dos seus agentes, e aí, cara?
Ele acha legal, no fim das contas. O que ele é da hora, ele só não acha que que eu até concordo com ele. Ele só não acha que elas vão roubar, tipo, o ser humano, tomar consciência e dominar o ser humano, tipo Skynet. É porque assim, e aí tem várias coisas que vão indicando a gente nessa direção. Primeiro, se você pegar aí, for um hard user hoje do bagulho mesmo, construir coisa e o caralho, tu vai descobrir que ela é meio burra.
Se tu não falar do jeito que o Muzi acabou de descrever, ela vai inclusive te acariciar o ego, entendeu? Ela vai entendendo isso, você vai entendendo que para aquilo ali criar consciência, bicho vai longe. Então não é bem assim. E aí a gente vai, e aí tem uns, por exemplo, aí tá tendo uma corrida de inteligência artificial basicamente aí Ocidente com Oriente, que é China e Estados Unidos ali, né? Então tem OpenAI, Anthropic, Gemini com Google lá, não sei o quê, contra Kimi, Alibaba, isso, DeepSeek.
Nessa corrida interessa para os cara ficar colocando ou fazendo marketing de um modelo meia bomba? Não, interessa mostrar o mais foda que eles têm, né? Então eu ainda por cima acho que a gente já tá usando mais foda que eles têm, tá ligado? Foi um papo que a gente teve aqui, foi até o Guanabara que falou, e eu concordo. Por quê? Porque faz sentido comercial, porque essa porra não se sustenta, é porque é caro, porque é caro e a gente paga só uma fração, porque é alavancado, porque é um monte de coisa.
Então assim, eu acho que se a gente tá usando o melhor que os cara tem, porra, tá longe pra cacete de um Skynet. Eu não acho que essa tecnologia nem permite isso, sabe? E é mais ou menos o que o Nicolelis fala, pra te responder. Ele falou que essa tecnologia não permite isso. E aí eu acho que eu tô com ele.
E aquilo que o Paulinho falou, ele pegou um dado basicamente dele e falou, ó, encontra aqui correlações pra mim. Trabalhar dado é uma coisa que a gente faz bastante. Eu, como pesquisador clínico, uma das coisas que eu mais me divirto é aquilo. Me dá uma tabela lá com algumas coisas, vamos calcular o intervalo de confiança. Aí eu ligo pro meu pai e falo, pai, da onde que vem essa constante? Eu quero calcular essa constante. Meu filho, não, mas não fica pensando nisso.
Não, pai, mas eu quero saber da onde vem isso daqui tudo. Aí tem, você perguntou do que a gente conversa outro dia, foi isso daí. Eu encafifei com, cara, uma letra numa equação olhando a respeito de dados. Aí eu fui perguntar para quem? Para ele. Falei assim, ó, preciso resolver esse problema. O que que ele fez? Ele sentou, abriu o livro de estatística, ele estudou o tema, e aí ele me deu uma aula sobre isso daí, assim, melhor do que qualquer aula que eu poderia ter.
E é exatamente o que o Paulinho falou. Claro que adiantou, eu falei para o senhor que tinha adiantado. E quando eu descobri, e quando eu cheguei no ponto sozinho e descobri, eu liguei para o senhor.
Eu às vezes acho que eu tô falando sozinho.
Não tá, porque eu tô lá prestando atenção falando assim, eu não vou interromper. Não, mas é isso que o Paulinho falou e que o professor Nicolelis fala também. Ela não criou aquela correlação. Paulinho só mostra e fala, encontra um padrão aqui que eu não tô conseguindo ver em 15 anos de dado. Acho que esse é um ponto que é muito foda. É aquilo que você falou, a Skynet falou assim, ó, vamos erradicar todo mundo porque o negócio aqui tá ruim. Foi a ideia brilhante que ela teve.
Pois é. Então, e aí, para o bicho nem pensar direito, cara, para tu fazer ele pensar, tem que ficar caro.
O que é pensar? É o que é pensar.
Existem uns argumentos na direção dessa pergunta, que quer pensar na direção disso que você falou, dela ter consciência ou não, que são os argumentos tratados no campo da matemática como conjecturas, não é? Tem um tema muito interessante, eu vou citar só como tema e depois vocês podem procurar aí, que é uma conjectura iniciada pelo Alan Turing, que foi o cara que inventou a verdadeira genialidade atrás dessa coisa toda, é um americano, Claude Shannon, nos anos 40, nos Estados Unidos, e o Alan Turing na Inglaterra.
E ambos não estavam nas universidades, não é? O Shannon era um sujeito pago pela Bell Labs para pensar.
Pago para pensar, vai estar com o Johnny.
Uma indústria, a maior indústria de comunicações da época, laboratório, a Bell Labs, não é? Bell Labs era o nome fantasia, ela era a empresa de telefone dos Estados Unidos e ela tinha problemas de telefonia, de conexões de rede, problemas de como ligar redes, problemas gravíssimos, e ela pagava pessoas para o sujeito pensar e não dá resposta de nada. Você vai pensar, se alguém der certo, tudo bem, já pagou todo o trabalho. E duas pessoas deram muito certo: o Claude Shannon e o Benoît Mandelbrot, que foi o cara que foi buscar junto também na biologia as ideias dos fractais, que é outro tema. O Mandelbrot eu conheci, o Claude Chanon, não. Ainda bem, eu te conheci.
Obrigado por estar aqui junto com teu irmão, entendeu? Mas porque tu consegue levantar essas porra, né?
E mas o que que o—
me fala um pouco sobre esse cara que tu conheceu então, pô.
Não, mas é história.
Tem uma pergunta muito boa nisso daí. Pai, quantos Prêmios Nobel o senhor conheceu?
A semana passada, por exemplo, eu tive a semana passada.
Com quantos estavam aqui, pai? 3?
Estavam 3 aqui.
E a Doutora Marilda?
E a professora Marilda Sotomaior, que é uma alma abençoada do—
É da teoria da mulher namoradeira?
Da teoria dos jogos, né?
A medalha Fields.
Ela não recebeu o Fields? Ela não ganhou a medalha Fields.
Mas tu tava falando do computador, Zé?
Mas o que eu tava querendo é o negócio do Turing, né? A conjectura é a seguinte, essa conjectura foi depois desenvolvida por um filósofo americano, esse eu conheci, o Hilary Putnam. E eu conheci porque minha esposa precisava fazer um trabalho, uma coisa, a Heloísa, mãe do Guilherme. E a Heloísa tinha localizado as coisas do Hilary Putnam e nós resolvemos escrever para ele. Escrevendo para ele, ele não só respondeu, mas tornou-se um missivista e acabamos correspondendo.
Ele faleceu agora uns 4 anos atrás, com 90 e tantos. E o Putnam estendeu depois a conjectura do Turing. E a conjectura é a seguinte: suponha que você tenha o que é pensar. O que é pensar? A conjectura do Turing é essa: o que é pensar? Então suponha que você tenha duas máquinas, ou uma máquina e um ser humano, ou um ser humano e uma máquina, mas você tenha dois entes. Você tenha dois entes que estabelecem um diálogo. A tentativa de estabelecer o que é pensar é: o ser que pensa é aquele ente do diálogo que consegue pensar que o outro consegue descobrir que o outro é uma máquina. Isso é pensar.
Isso daí não é um pouco o teste de Turing?
É o teste de Turing. Esse teste foi desenvolvido depois com outras conjecturas, não dá para entrar em detalhe aqui, mas é um tema muito interessante como os matemáticos e os lógicos abordam essas questões que vocês colocam, que são questões da maior gravidade. É, mas o cara simplifica aquilo numa conjectura e trabalha em cima daquele modelo estruturado muito simples. Isso é uma coisa que vocês médicos, por exemplo, não é difícil para vocês fazerem, porque você vai consertar o braço de uma pessoa, cada braço é um braço.
Não dá para você fazer um modelo simplificado do braço, não. Você tem que complicar o braço.
E outra, você tem variação anatômica. Ninguém tem veia passando no mesmo lugar, nervo passando no mesmo lugar, tamanho de segmento, relação entre segmento.
Pode ter quebrado, pode ter um calo, pode ter uma outra coisa ali no meio. Você pega, tem a tatuagem, pois se tivesse o corte em cima da tatuagem você ia falar o quê? Na tatuagem não, que é uma coisa que a gente pensa, pô. Às vezes o Paulinho ele muda o lugar onde ele vai fazer.
Claro que sim, ele é mó legal, óbvio. Muda o acesso cirúrgico dependendo da tatuagem do paciente.
É porque ele tem tatuagem, ele pensa nisso, né?
Tem um paciente que eu e o Zé operou que ele tinha um um bicho tatuado no braço, né? Ele falou, putz, e agora, Zé? Onde que nós vamos fazer aquela tatuagem daqui? Aí o Zé falou, já sei, vamos fazer no olho do bicho. Aí a gente fez no olho do bicho e ficou mais agressivo assim a tatuagem. Aí o paciente acordou, quando ele viu um tempo depois, ele falou, doutor, ficou muito legal a minha tatuagem!
Até curte. Eu tive uma outra, uma coisa diferente assim, que foi quando a gente tava na É caro, mas eu tive uma diferente que era quando eu era aluno. A gente tava num plantão assim, aquelas coisas assim, mano, 3 horas da manhã, o cidadão tinha se acidentado, precisava ir para uma cirurgia de abrir a barriga ao vivo e a cores ali, porque senão precisa. Só que aí quando foram de SPI, é o quê?
Como é que o amigo sofre um acidente e precisa passar por uma cirurgia que tem que abrir a barriga? Que que eles, que que, como é que caiu de moto, né?
Teve trauma ali abdominal, tava com abdômen instável, com sinal de sangramento, essa coisa errada toda, tinha que explorar Provavelmente tem uma hemorragia interna. Exatamente, o abdômen agudo tem que abrir. Acontece que ele tinha uma tatuagem do Cramunhão na barriga assim, aí ninguém queria cortar. Eu não vou cortar isso daí, corta você interno. Que eu vou cortar o quê, velho? Vou cortar nada assim. Aí foi uma discussão assim de uns 15 minutos para decidir quem que ia passar a faca no meio do Beuzebula.
Quem que você acha que é o mais moderno?
Exato, eu vou olhar, vou falar assim, não, tá tudo certo aqui. Que ele perdoa, se for o caso, sabe que é para o bem. Salvou o cara, tá vivasso, ficou bem, deu tudo certo.
Você compreende? Vocês têm experiências com coisas que vocês têm que complicar o processo porque vocês enfrentam processos mais complicados.
Tô entendendo.
O matemático, lógico, físico, principalmente nós trabalhamos com modelos muito simples, nós procuramos simplificar a coisa no nível mais estruturado, né, em que você tenha o mínimo de variáveis absolutamente necessárias para você poder tratar daquilo de modo controlado, não é? Então os argumentos todos que você trouxe são muito interessantes no sentido da gente, a conjectura do Turing e as discussões depois do Putnam, elas tentam responder o que você tá perguntando, e é coisa de um filósofo para fazer isso.
Então, e aí é o teste de Turing hoje. Vamos lá, pensar é descobrir que um outro ser não é uma máquina. Eu acho que agora—
Descobrir que ele é uma máquina.
Isso, descobrir que ele é uma máquina. Eu acho que hoje, cara, a gente precisa— Eu acho que outras pessoas levantarão essa discussão, porque talvez a gente precise repensar o que é pensar. Porque não dá, eu não acho que não dá para dizer que o ChatGPT não pensa em alguma medida, tá ligado?
Não dá para dizer, ele pensa em alguma medida.
Até o processo que ele pensa assim, a gente não sabe exatamente, eu não sei exatamente como é que funciona, mas é, por exemplo, eu sei que se a gente colocar ele para pensar com mais esforço, isso quer dizer que ele vai ficar mais tempo fazendo perguntas para ele mesmo sobre o que ele acabou de produzir. Então, isso não é um pouco um processo complexo de pensar? Que é quando a gente para para pensar num problema para resolvê-lo e você é capaz de fazer uma pergunta que é: será que eu tô certo ou será que eu tô errado?
A partir disso vem tantas outras perguntas que o pensar da inteligência artificial me parece ser um problema.
Seja, talvez nós não pensemos a maior parte do tempo. Verdade, isso é verdade. Será que é muito mais razoável supor, é para usar um termo que os advogados gostam, não é? Com uma dúvida razoável, o estudo, o exame do, da conjectura de Turing que o Putin faz, e o Putin Eu vi ele dizer isso, não é, em conferência, ele dizer isso. É, com uma dúvida razoável, eu posso supor que a maior parte das vezes eu não estou pensando. Por exemplo, pensar é articular essa frase?
Não é. Talvez isso seja uma coisa mecânica, assim como você fazer força Como você me ensinou a fazer força, fazer força, concentrar numa coisa, seja um tipo especial de força que tem um resultado anátomo, sei lá, metabólico diferente. A maior parte do tempo eu não tô fazendo força, você não tá pensando e fazendo, não tá sendo isso, tu não tá prestando atenção na postura. Hoje eu sei, mas eu queria dizer duas coisas aqui porque vocês falam tanta coisa que é muita história.
Primeiro, você vê aquilo que o Guilherme falou, é por isso que é para a gente é legal vir aqui. E eu preciso dizer essas coisas porque vocês me chamaram aqui como pai, né? E me deu todo esse status que eu nem sempre tenho com relação a vocês dois.
Absurdo!
Não, não tem. Vamos pegar leve, mas nem sempre tem. Mas por exemplo, eu descobri, foi aqui na tua presença nessa mesa que eu descobri o Guilherme achar que foi interessante eu ensinar para ele um negócio. Como que eu achava que tinha caído no vazio?
Ah, você achava que eu tava perguntando assim porque eu tava entediado?
Você me perguntou e eu achei que você pegou aquilo e não precisou usar daquilo. Então isso tem um valor para gente, Igor, que é uma coisa imensa.
Se você falar a segunda coisa, tem um quiproquó. Ele também não entrega o devido valor pra gente. Eu lembro uma vez eu tava voltando pra minha casa, eu morava na Zona Norte, eu tava chegando em casa, ele me liga no telefone bravo, bravo. E meu pai bravo, ele é uma das coisas mais assim, ele xinga, ele não xinga, ele fala assim, ele fala algumas palavras que a gente sabe que ele tá, primeiro é pera lá, Essa é a primeira. E ele fala, mas, ô, e fala um nome, né?
Que nem uma vez quando o Guilherme era bem pequenininho, ele deu um pito no Guilherme, o Guilherme saiu correndo, foi mijar no tapete perto dele. E aí, cara, Guilherme é foda. E aí, meu pai olhou, olhou o Guilherme mijando no tapete dele, e meu pai, mas, ô, ô, Heloísa! Olha esse menino aqui, o que que ele tá fazendo? E o Guilherme olhou para ele assim, continuou fazendo o que ele tava fazendo. Mas então a gente sabe, quando ele fala mais ô, ele tá puto, e quando ele fala pera lá, ele tá bem puto.
E aí ele me ligou assim, e ele ligou, deixa, mas ô Paulinho! Eu falei, já tava bravo, que ele nunca chama Paulinho de Paulinho.
É de quê?
Meu filho. É meu filho, meu filho.
Porque o pai dele chamava, falava, meu filho, tal.
Então quando ele fazia as diabruras dele, ele conta a história que o seu Eugênio chamava ele, mas meu filho, o que você fez? Então ele faz a mesma coisa com a gente.
A outra coisa que ele faz também, ele troca meu nome. Então pra mim ele fala Paulinho Guilherme, e pro Paulinho ele fala Guilherme Paulinho.
Que ele faz por querer.
Por querer. Claro. Mas ele faz por querer, mas faz parecer como se tivesse sido apenas um lapso de memória aqui, porque eu sou idoso.
Mas aí eu tava no carro, aí ele falou assim, Mas, ô Paulinho, pera lá.
Nossa, veio os dois logo de cara.
Eu tô aqui.
E eu falei assim, cara, já vai vir. Eu tô aqui. Eu não lembro se era uma reunião que o senhor tava de marketing, não sei o quê. Me falaram que você é um case. Como assim? O que que você tá pensando da sua vida, você sendo um case? Eu falei assim, eu não sei de reunião, eu não sei de marketing, eu não sei de case, não sei de nada. Você só me explica o que você tá brigando comigo. Eu continuei escutando a Engenheiro Caetano Álvares inteiro até chegar na porta da minha casa.
Cara, foi 30 minutos de bronca até eu chegar na minha, na porta da minha casa, porque era um case. E aí eu cheguei em casa, eu olhei para minha mulher, falei assim: amor, você não sabe, eu sou um case, eu sou um case.
Isso, meu pai é um puta problema.
Aí ela riu, eu falei assim: você sabe o que é um case? Eu falei: não, não sei.
O cara ficou te dando esporro meia hora e tu nem perguntou o que que era um case?
Eu não consegui descobrir. Eu não me lembro disso.
Sinceramente.
Claro que não, né?
Aí é conveniente.
Não me lembro disso, não me lembro.
Necessariamente.
Faz ideia do que que tava rolando nessa reunião?
Não me lembro.
Você não lembra nem onde você tava?
Isso não existiu para mim, não existiu para mim.
Tava começando a subir essa coisa de internet, eu já tomei uma bronca no zero.
O cara não queria que ele fosse um case, né? Mas agora a gente descobriu que é uma coisa boa, né, Seu Paulo?
É um bom case, não tem problema nenhum com Por exemplo, você que me, que me pela primeira vez me chamou atenção para essa coisa da inteligência artificial, né?
Em que momento? Logo no começo?
Não, agora ultimamente. Eu fui um utilizador muito recente da inteligência artificial e a minha mulher usa muito e usa intensivamente, sabe usar e faz as coisas.
Usam para questionar as coisas médicas que eu e ele falamos.
Não, não uso para isso, jamais. Não, você tá inventando coisa na presença de uma pessoa que eu não tenho como argumentar, mas jamais eu faria isso.
Eles assim, chat, meu filho falou isso, você acha que ele sabe do que ele tá falando?
Eu jamais faria uma coisa dessa. Porra, Paulinho Guilherme, você Jamais faria.
Você entendeu quando ele tá bravo? Eu já falo, tá que pariu! Ele não, ele, mas veja bem, olha só que consistência e circunstância.
Não faria isso jamais. Se você me der um comprimido, eu tomo, não pergunto nem.
É isso, isso eu posso confirmar. Não, veneno jamais mesmo.
Então, mas pode ser mesmo, ele toma uns remédios que vocês mandam, numa boa.
Não, ele toma direitinho, ele toma tudo direitinho.
Ele não é filho que vira teu pai.
Depois de velho, cara, é isso, é problemático. Isso é o caminho natural da vida, né? Porque a melhor coisa— eu uma vez, depois que eu estive aqui com você, eu fiz uma reflexão que eu até ia conversar com você uma hora, que depois não conversei, não tive uma oportunidade, não conversei. Que eu achava o seguinte, que a gente podia dividir os pais entre aqueles que foram melhores que os seus pais e aquele que tem filhos melhores do que dele, né?
E que a função da gente é ter filhos melhores que a gente, para o mundo ir para frente, né? E eu tenho uma satisfação muito grande de, primeiro lugar, de ser muito aquém de meu pai. Eu acho que meu pai tinha um nível de ser humano, de capacidade, de inteleção, de visão das coisas muito superior ao que eu tenho. Ele não usava inteligência artificial, não conheceu computador, nada disso. Mas como ser humano, foi um cara muito mais, que desenvolveu muito mais o espírito humano do que eu.
E eu tenho profundas diferenças com ele. Ele era um homem que tinha uma visão religiosa, é um sujeito que tinha uma determinada visão política das coisas, muito diferente da minha, né? Mas o jeito que desenvolveu isso ao seu limite de forma muito competente. E tenho a satisfação de ter filhos também que desenvolveram isso ao seu limite de forma muito competente, né?
Que bom, né? Que bom que esse é o objetivo de todo pai mesmo.
Que bom, é isso, é porque o mundo vai para frente.
Vamos ver se o Paulinho consegue também conseguir isso.
É muito difícil, é muito difícil.
Eu tenho uma cirurgia marcada, né?
Tu tem pouco tempo para isso, já que tu precisa cuidar tão bem da tua própria pele, né? Faz assim.
E da galera, né, toda.
Assim, assim.
Eu tô fazendo.
Como é que é?
Ele não consegue.
É que eu já sou treinado para não fazer ruga, né? Não pode ter ruga. Uai, na minha área de atuação não pode, né?
Tu precisa.
Pois é, acho que conheça a ética, né?
Conheça.
Seu cara é dermatocar, tem que ter.
Eles olham, fala assim, ô, e sempre foi isso. Quantos anos você tem? Fala, quantos anos você acha que eu tenho? Daí vai lá, eles param assim, fazem a conta que você fez. Mesma coisa, você fez a conta do Cavaleiro do Zodíaco. Tem gente fazendo, você fez 6 anos de medicina, 3 anos de residência, mais um de pós, não sei o quê. Você deve ter isso daí mesmo, sem tudo, mas eu falaria uns 25 assim. Então aí vai.
É bom, né? É bom para ajudar a arrumar uns clientes, eu imagino, né? Ter um derramado da pele boa.
Ah, tem que ser, né? São aquelas coisas assim, é que nem o Paulinho, por exemplo, lá no começo. Nossa, sofreu assim altos bullies, assim, porque ortopedista deve ser burrão, não sei o quê. Ah, prescreve bola, não sei o quê. O Paulinho, por exemplo, na época que eu tava na faculdade, ele tinha um medo mortal de que eu fosse sofrer bullying por ser irmão dele.
Você lembra?
Eu tinha preocupação, ele tinha uma preocupação assim preocupação de, na época, quando eu falei que eu tava rodando na ortopedia, ele me ligava assim dia sim dia não, falou assim, e aí, foi tudo bem? Tudo? Eu, é, tô me divertindo aqui. Não sei quem veio falar comigo, veio me ensinar como é que eu meço uma haste dentro de um osso, veio me fazer planejamento cirúrgico, essas coisaradas todas. Aí só que depois eu fui entender que ele tava real preocupado, real preocupado.
Qual que é o meme disso da ortopedia?
Placa, pino e parafuso, velho.
Fala, porque tem um monte de piada com ortopedista, fala do ortopedista ser forte. Tinha quando eu tava no começo da faculdade, segundo, terceiro ano, tinha professor que falava para mim da clínica, por exemplo, falava para mim assim, ah, nem vou perder tempo com você, você vai ser ortopedista. É nesse nível. Aí ele vira, quando eu passei, a gente, cara, tinha uma matéria na na faculdade, na escola. Bom, qualquer faculdade de medicina, imagina, né?
Mas na Escola Paulista você passava em biomol, biologia molecular, no segundo ano. E, cara, de 120 pessoas, 100 ficavam de primeira época, tomava pau. Aí eu lembro que eu tinha passado em biomol, aí a professora olhou para mim assim e falou assim: Você passou? Eu falei, por quê, professora? Porque eu achei que você ia ser ortopedista, que você era mó burrão. Aí eu olhei, falei, pô, professora, se eu manjar disso aí, eu cresço mais ainda.
Aí ela olhou, falou, é pior que é. Aí eu saí andando e falei, meu, deixei ela com a coisa quente.
Mas o quê?
Piada? Nossa, o tempo todo.
Bom, ser grande já era coisa de, tipo, os cara olhava o, lá, a música do Gabriel Pensador, que zoa, né, cara, que é os playboy, filho de papai, que é grandão, não sei o quê. Esse cara, a gente, eu lembro que eu moleque olhar para o cara, o cara é burro, o cara tem pau pequeno, várias coisas, vários memes que tinha dos cara grandão, né?
Imagina na faculdade de medicina, você entra na faculdade de medicina e tem um amigo meu que na época ele tava no 5º ano e ele virou meu amigo, né? Mas ele falou assim, eu tinha raiva de você, cara, eu fiquei 5 anos treinando para entrar um calouro filha da mãe, dobro do meu tamanho, 3 vezes meu tamanho. Porra, tanto que tinha trote aquela época, né? Que que os cara fizeram? Rasgaram minha roupa inteira, me levaram semipelado, pintado de verde.
Foi, cara, foi a loja de— tem essa foto, é verdade. Tem, os cara gastaram uma tinta guache da livraria para me pintar de verde inteirinho e para tomar dinheiro naquela esquina da Avenida Brasil com a Henrique Schallmann, que tem um McDonald's, né? E aí, tanto que, cara, eu ganhei na época em meia hora, deu para comprar não sei quantos sanduíches, porque ninguém queria dar uma moedinha para o maluco pintado de verde. Tiveram umas meninas que eu achei, elas travaram assim, elas olharam, que coisa esquisita, cara, um Hulk meio pelado, careca, com moicano.
Aonde é isso? E eu lembro até hoje, elas estavam no uninho, só que parou, o sinal fechou. Aí eu peguei assim, aí a menina olhou para frente, só dá aquela freada assim, o uninho foi distraicionando quase que deu uma porrada gigante. Eu nem quis pedir dinheiro para elas, né? Eu fui pedir para outra pessoa. Mas pior que assim, meu, era, eu passei uma semana, sempre causa com esse papo de ficar sem camisa, não é, Doutor Paulo Muzi?
Toda hora tu causa uma polêmica, né, cara? Eu ficava puto de chegar para treinar lá no CT da Max lá, uma foto do Muzi todo bonitão, cara, assim erótico, tá ligado? A única foto que era, a única foto que era assim mais que era posadona. Os outros caras tava tudo, o Muzi não, Muzi era um médico bonito, tá ligado? Sem camisa, sempre sem camisa, era um estetoscópio e sem camisa.
Não, olha a treta, gente, cara, isso deu tanta treta na época, pô, entendeu? O quê?
Eu imagino os cara do conselho deve ficar puto, né?
O tempo inteiro tinha, teve um médico naquela época que inclusive ele falou para um sujeito que acontece, né, os caras falam. Mas ele falou para um médico que era um dos coordenadores da faculdade, né, ele falou que eu tinha sido expulso da faculdade de ortopedia, da residência de ortopedia. E ele contava essas, esse cara, e é muito esquisito, né, como que a vida anda, né. É aquela pessoa que se protege de ética para ser antiético, tá.
Tomou 40 processos de assédio sexual, ficou pendurado aí um tempão, aí tá lá respondendo. Então assim, é aquela história, mas era o que o pessoal se preocupava na época. Então porra, ninguém enche o saco de quem não tem ruga, né?
Não, as pessoas pedem conselho, quer fazer igual, como que faz, o que que é o segredo aí, toma uns negócio, né? Fala assim, não, só protetor solar. Lembra que a gente conversou do protetor solar? Esse daí também deu altos problemas, né? É que assim, ó, pessoal, protetor solar previne câncer, tá? Se falarem o contrário, esquece, não é. Mas aí sempre dá briga na internet. Tem a galera que mostra para o sol assim e tal, fala que precisa energizar ali.
O Toba, você já viu esse cara? Bota a costura no sol.
Porque ninguém nunca viu queimadura ali de sol.
Tu já viu a queimadura de sol do brioco?
Brioco?
Mentira.
Sabe quem é brioco?
Pai.
Anos. Queimadura de sol?
Ele sabe o que eu penso, é incrível.
Uma queimadura de sol não Anel de couro, seu Paulo?
Chapa da prega mestra.
É na prega mestra, seu cabra.
Caralho, moleque, o cara fez isso, como é que ele queimou o cu, cara? Desse jeito.
Só que aí sempre quando alguém tem que me explicar uma história dessa, assim, a pessoa fica meio encabulada. Eu imagino, é que nem as histórias de pronto-socorro de acidentes engraçados, assim, o cara ficar sentado na parada o tempo inteiro.
Tu chegou a pegar o tempo inteiro?
É, sempre é uma história assim, porque é uma coisa que gera um tabu, entendeu? Aí a gente precisa explicar para as pessoas assim, ó, a gente não tá interessado na história, mas alguns detalhes que a gente pergunta é porque tem complicação. Por exemplo, eu lembro uma vez que um professor meu de gastroenterologia, que é o Dr. Steinwurz, ele tava explicando assim, ó, se for uma garrafa, gente, vocês têm que pensar um pouco. Não é sair que nem um brutamontes assim, achar que você vai pegar, enfiar uma coisa lá.
Se você quebra aquilo lá dentro Aquilo vira, meu, uma cirurgia de emergência. Então ele explicava, por exemplo, ó, quando a garrafa tá lá pode fazer vácuo. Então se você tentar tracionar, sabe, dá um prolapso, um negócio assim diferente. Então esses detalhes assim que a gente, que a gente pergunta da história não é porque a pessoa é sádica, porque a gente tá achando que é engraçado, alguma coisa, é porque literalmente tem algumas coisas na história que fazem completa diferença.
Quanto tempo tá lá, como é que foi, o que que aconteceu? A gente tem que chamar a polícia e falar que você foi assim violentado? Entendi, entendeu?
Não, e é o que o médico, o alvo da profissão médica, né, o que que o paciente busca, né? Ele não busca, ele busca confiança, né? Então eu lembro, eu tava passando no ambulatório de urgência médica, né, e a gente tinha uns professores que eram muito ligeiros, né? Tinha Constantino, Meier, e eles falavam isso, né, de você investir no que quer, investe no que é a sua conexão com o paciente. E eu lembro até hoje, eu fui tratar esse sujeito que tava com uma amigdalite, né, e aí eu conversei com ele, tirei a história, assim, assado assim, assado, pipapá, e o cara ficou confiando em mim.
Aí ele levantou para ir embora, aí ele parou assim E você sabe quando a pessoa para porque ela quer perguntar alguma coisa que ela não teve coragem de perguntar. Aí ele virou e falou assim, doutor. Eu falei, oi. Tem um amigo meu. Aí eu já virei e falei assim, põe seu amigo para fora aí, vamos ver o que aconteceu. E cara, que você sabe que o cara tava com gonorreia assim, quer dizer, eu falei, porra. Eu fico imaginando a situação da pessoa que tá no sistema de saúde público não é um lugar todo assim, nunca foi um lugar todo, né, acolhedor.
É a saúde pública do Brasil. SUS daquela época era o SUS de hoje, não sei, talvez até, não sei se melhor ou pior. Eu fico tentando pensar como é que tá hoje, mas é uma pessoa que não tem alternativa, sabe, Igor? Então a coisa mais importante para você desenvolver com paciente é o relacionamento. Para ele falar 100% do que aconteceu para você conseguir trabalhar. Porque o que interessa é o que aconteceu, interessa a linha do tempo, como é que foi o desencadeamento disso, e interessa às vezes o detalhe que começa a aparecer assim na consulta.
Isso é uma das coisas que, por exemplo, inteligência artificial ajuda bastante. Por que que ajuda bastante? Que antigamente a gente ficava meio escrevendo que nem maluco e ficava aquele texto que era a ordem do discurso do paciente. Então a gente tinha que depois passar limpo aquilo e colocar aquilo numa ordem cronológica, uma coisa inteligível. Ou então você guardava tudo na memória e saía escrevendo. Mas depois você atende 10, 15, 17, 20 pacientes, cara, a chance de você misturar alguma coisa é muito grande.
Então, para segurança do paciente, você tem o trabalho duplo, você vai anotando aquilo lá. Com inteligência artificial, o que que acontece? Você pode ligar o gravador de voz Ele grava todo o discurso, você coloca aquilo no modelo, no modelo, e ele organiza para você a história inteira. Eu tenho 6 assistentes de inteligência artificial, 2 deles são dedicados para ajustar o que é a história do paciente. Cara, o meu prontuário, que as histórias estão organizadas pelo meu assistente da Adapta, é a coisa mais linda do mundo. Você entende tudo que tá acontecendo.
Maneiro.
E é uma preocupação porque assim, na medicina esportiva é característica o paciente ele passar em outro médico, outro médico do esporte, porque às vezes ele quer uma resposta diferente, né? A gente tá falando com coisas que demandam motivação, demandam propósito, disciplina. E às vezes o sujeito fala assim, ai, cara, tem que ter alguma coisa diferente. Dá uns 5 minutos nele, ele quer passar em outro médico. Tá, o prontuário é seu, tá aqui.
O cara vai saber exatamente como que esse paciente chegou o que que ele fez e o que que é a expectativa e quais são os próximos passos. E vai conseguir ler a letra do médico, e também é verdade, e que evita muita coisa, né? Evita, evita muito, muito desentendimento, né? Porque não é todo paciente que vai agir com lisura com você. Teve uma época que eu atendi um, eu atendi um dentista e ele saiu de um outro médico e falou: o diabo do médico!
Eu falei, cara, tá estranha essa história. E de repente o cara sumiu. Depois de uns 6, 8 meses, o cara volta. Ele tinha ido em outro médico e tinha falado, e aí ele falou o diabo desse médico. Eu falei, cara, esse cara deve ter ido para, aliás, tinha ido no médico que ele tava, ele deve ter ido no médico que ele tava, deve ter falado o diabo de mim também. E eu tô preocupado porque ele falou de um jeito como se eu tivesse falado alguma coisa.
Ah, mas terminou a consulta, peguei o telefone, liguei para o cara, sabia que era o cara, tinha um amigo em comum. Falou, passa o telefone do fulano. Fulano, tudo bem? É o Muzi. Oh, precisava falar com você. Eu falei, tô te ligando que eu atendi o paciente tal, tal, tal, ele tava sendo atendido por você, veio para mim, agora ele voltou para mim e ele me falou isso, isso, isso de você. Eu tenho certeza que ele falou isso, isso de mim para você, é ou não é?
Puta, é verdade, tava puto com você. Eu falei, ah, então, então foi bom a gente esclarecer. Tem nada disso, tô seguindo aqui isso, isso, isso, entendi o que tá acontecendo. Eu quero saber o que você quer que eu faça. Você quer que eu mande ele de volta para você ou você quer que eu continue cuidando? Porque isso também, cara, tem uma quebra da relação médico-paciente.
Isso não é muito comum, eu imagino, né? Mas os médicos, vocês conversam para cacete entre si, médicos, colegas?
Sim, o tempo todo. Mas antes de eu te contar o que que a gente conversa, tem um ponto crucial nisso daí que o Paulinho falou, que é assim, a hora do fato curioso da noite. Assim, você viu que o Paulinho falou uma coisa muito da hora, que é assim, ah, a gente tem que estabelecer uma relação com paciente, estabelecer uma conexão. Essa era uma preocupação que o Dr. Paulo sempre teve com a gente, porque ele falava assim: eu não posso ensinar nada para vocês, mas cultura vocês vão ter, vocês vão saber falar com as pessoas.
Então é aquela coisa assim, às vezes eu estabeleço relação com os meus pacientes porque eles jogam videogame, às vezes a gente vai discutir porque foi alguma coisa em viagem do mesmo local que eu fui, que meu pai me mostrou, e que eu discuto com o paciente. Às vezes é alguma coisa de ópera que teve. Então essa capacidade que a gente tem assim, essa preocupação, eu acho que é uma coisa muito minha e dele, que a gente fala que isso daí é dito nas faculdades de medicina, mas que eu vejo tanto na minha pessoa médica quanto no meu irmão, que é fruto de um dos experimentos dele, né?
Porque tem vários, mas esse daí do experimento de meus filhos precisam ter certo nível de cultura e eu vou ensinar essas coisas assim, desde, por exemplo, assim, ah, história básica do que que aconteceu na época da ditadura, porque ele viveu, porque apareceu, para você poder ver assim o lado dele da história. Até, por exemplo, assim, Wagner escreveu várias óperas, algumas são muito longas, outras são extremamente longas. Você tem que conhecer essa daqui, você tem que ver Verdi, por exemplo, você tem que conhecer algumas coisas, você tem que entender de línguas.
Então ele foi construindo, mas era um porre ou era legal? Não, era sempre legal, mas é que às vezes aquilo, né, quando você tá menor e quer jogar videogame Às vezes você fica ouvindo assim, falando, tá, eu nunca fiz isso de forma assim, vamos dizer, é hora disso. Ah não, era no jardim, entendeu?
Vamos à ópera.
Isso é que é maquiavélico do negócio.
Você ia entrando, ver tal coisa. Eu acho que isso é fazer de vocês pessoas humanas, não é por causa de ópera, que ópera é legal, ópera é uma coisa exclusiva, não é pensando desse lado não. Sabe? Eu acho que, por exemplo, você tem que entender como é que se faz uma horta, você tem que entender que não são coisas exclusivas, que não é exclusividade que me move, né? Porque fala em ópera, parece que é uma coisa, né, de poucos. Só é diferente, né?
Mas horta é uma coisa que todo mundo come. Eu acho que é legal saber, né? Sei lá, um cavalo. Eu acho que são coisas que vocês, vocês têm que ser pessoas humanas, né?
Eu gosto da ideia das experiências, né? No fim das contas, que é mais que a gente tá, né, que a gente não sabe direito o que a gente tá fazendo aqui. Então vamos ter umas experiências legais, né? Saltar de paraquedas, por exemplo.
Isso é coisa de morrer, isso eu não faço.
Porra toda de porra da porra!
Mas eu não pulo de paraquedas de jeito nenhum. Aí os cara que salta de paraquedas fica puto. É, não pula de paraquedas! Ah, não pulo de paraquedas.
Não, mas aquele carro lá na corrida lá chega a quanto mesmo?
Ah, uns 250, 260.
Suavinho, né? Suavinho.
Mas tem freio, né? O paraquedas não tem freio, né?
Tem sim, o próprio paraquedas.
É, mas e se solta o paraquedas?
E se o teu freio não funciona?
Eu viro o carro de um cavalo de pau e saio acelerando.
Cai!
Ah, irmão.
Não, eu morro.
Vira drift. Cara, na pior das hipóteses, vira a direção e acelera. O paraquedas não dá para você acelerar ao contrário, né?
Paulinho caiu um tombo de uma égua, por exemplo, que podia ter acontecido pior, né? Que podia muito ter acontecido pior.
Eu tava no 4º ano da faculdade, acho que não, Paulinho, menos ano. Não, eu tava no 4º ano, foi 2002, eu tava no 4º ano da faculdade. Aí o que que aconteceu? A gente teve uma Não, não, foi depois. Eu saí um domingo de manhã para ver onde tava o gado, selei a égua e desci com ela. E a Ilíada era grande, então ela me aguentava. E ela já tinha empinado comigo o dia anterior. Eu tenho esse vídeo, acho que até hoje, da Ilíada empinando comigo, né?
Porque o que aconteceu, meu pai pegou e comprou essa égua, que era uma égua de rodeio, que tava acostumada a fazer arte em rodeio, acrobacia. Só que no sítio a gente usava para trabalhar, né, para tirar o gado daqui, bota o gado ali, né, que é lida mesmo, né. Ninguém tava ali para brincar, a gente tinha que fazer o sítio dar certo, né. E aí eu fui ver se o gado tinha mudado, o gado de pasto, fui ver se o gado tava no pasto certo, peguei, selei a Ilheda e desci com ela.
Cara, do nada, eu acho que ela tava com raiva de mim porque eu era pesado, ela desceu correndo e era uma uma descida que tinha umas pedras, né? E ela viu que eu não ia sair das costas dela, então ela parou e empinou. No que ela empinou, ela começou a andar para trás, só que eu sou pesado, ela desequilibrou e caiu para trás em cima de mim.
Chama bolear, bolhou.
Então ela caiu aqui assim, plaf, né? Uma égua de quanto pesava ele?
Uns 500 kg, 550 kg.
Então imagina meia tonelada caindo, um leg press caindo Um leg press pesado caindo no meio de você. Aí, cara, eu fiquei deitado ali, né? E aí a primeira coisa que eu fiz foi tentar levantar. Eu senti um cloque-cloque. Eu falei, puta, fodeu! Se eu tiver quebrado a bacia, eu vou sangrar mais ou menos 1,5 litro por minuto. Eu vou viver uns 5 minutos, né? E eu fiquei deitado ali. Eu tentei fazer o exame em mim mesmo, né? Tipo de livro aberto e livro fechado.
Mas eu não consegui. E nisso o Guilherme tava descendo de cavalo, ele me viu branco daquele jeito esquisito, ele já subiu para buscar meu pai. Eu tava no meio do pasto, meio de pedra.
Não chegou a descer? Eu desci. Sim, você tava junto com ele, mas fui eu que desci para pegar o cachorro. Vocês demoraram, eu desci e encontrei o Guilherme pálido, a coisa, e o Paulinho deitado me pedindo para cutucar a perna dele para ver se você sentia as pernas. Eu me lembro só disso.
E aí é porque foi um choque, uma cena muito difícil para nós três. O Guilherme que assistiu tudo, eu que tava ali fazendo as contas do minuto, e meu pai que falou, puta, meu filho ferrou.
Aí fizeram o quê? Jogaram dentro do carro e foram?
Não, meu pai foi buscar, meu pai foi buscar um vizinho. Eu fiquei onde eu tava, falei, cara, quanto menos mexer, melhor.
Aí ele foi buscar um vizinho nosso, né, o Otacílio, porque a gente tava no lugar que não tinha como descer ali com o carro, entendeu? Aí a gente teve que buscar o Paulinho com trator, colocou o Paulinho para cima, levamos, aí levamos o Paulinho para o hospital, deitado na carreta do trator, para ele poder ir deitado.
E aí uma hora de caminho, não é, não é uma coisa rápida, né, o caminho teve que dar a volta. Tudo levou mais de uma hora.
E aí que eu entendi, assim, acho que foi mais uma coisa que me empurrou para ortopedia, assim, me fez notar o quanto é, o quanto é importante cuidar de médico competente, né, quando você tá numa situação de alta gravidade. A gente chegou no hospital da cidade mais próxima, que acho que faz sentido a gente ter a cortesia de não falar E o médico que tava lá na frente, né, atendendo, né, ele já chegou e falou assim: ah, você quer tomar um remédio?
Eu falei: não, eu quero que você me diagnostique. Caiu uma égua aqui, eu posso ter tido uma fratura na minha bacia, eu não tô conseguindo levantar e andar, eu tô morrendo de dor. Mas se eu tomar um remédio, você não faz exame físico? Ah, então eu vou pedir uma radiografia. Cheguei na coisa da radiografia, aí eu tava com uma calça da faculdade assim Aí o rapaz radiografia, um senhor já, eu perguntei para ele, ah, você vai fazer em let-outlet, né, a radiografia, né?
Porque eu tava querendo saber o que tá acontecendo, né? Em let é uma incidência de 30 graus de inclinação que pega a bacia para você ver o arco dela por dentro, e outlet de fora. E aí ele pegou, só tipo mexeu um pouquinho, um pulo, mexeu um pouquinho, um pulo. Aí ele virou para mim e falou assim, ah, você vai aprender que quando você se forma fica tudo, é tudo diferente. Aí eu já girei, né? Foi, agora lascou. Aí ele me devolveu na sala de urgência.
O cara pegou, olhou a radiografia, olhou a radiografia, olhou a radiografia. E aí ele falou, não, tá tudo bem, vou te dar um Profenid e te mando para casa. Eu olhei para o meu pai, falei, pai, não tá bem, eu não consegui mover. Aí ele, na época ele tinha um Honda Fit, rebateu o banco, botou atrás, e eu liguei para o Zé. Zé Carlos Garcia, né? O Zé na época acho que era R3 ou R4, uma coisa assim. Falei, Zé, aconteceu um acidente, o cavalo dele falou vem para cá agora, tô indo para o Hospital São Paulo.
E aí, cara, quando você leva para tua casa de medicina, né, do jeito que meu pai parou, acho que tava tudo meus amigos lá na frente do pronto-socorro, uma função de gente lá esperando. E aí que é o cara foda, né? O Zé catou a radiografia que, meu, de qualquer jeito né, foi feito de qualquer jeito, pegou, era noite já, ele olhou na luz da lâmpada da rua assim, você fraturou L3, você fraturou o processo transverso de L1, L2, L3, tá tudo bem, não tem nada na tua coluna.
Aí eu já fui, o processo transverso na vértebra, você tem, você tem a vértebra aqui, né, imagina que isso é a vértebra e você tem processo processos transversos, são partes ósseas que são feitas para ancorar os músculos que vão ancorar os ossos nos ossos, tá? Então você tem processos transversos, né? Eu fraturei 3 processos transversos. Isso quer dizer que toda vez que eu mexia minha perna, como o íleo psoas ele é um músculo que tá no fêmur e ele tá todo ancorado nos processos transversos, se eu fizesse o mínimo movimento com a minha perna, né, esses ossos eles pegavam e ficavam atritando onde eles quebraram, e por isso que fazia E a dor é de ver uma constelação. Foi 2002, foi 2002, eu tava no quarto ano da faculdade.
Então, basicamente, é uns pedacinho do osso feito para grudar, para colar o músculo, para não sei o quê.
E aí toda vez que eu mexia a perna, o mínimo movimento tracionava esse músculo iliopsoas. E aí esses fragmentos eles mexiam, que não tem como você apoiar aquilo, não tem como você imobilizar, né? Você fratura um braço, você põe um gesso. Como é que você põe um gesso na lombar. Você tem até um colete, né, um colete de putz que você pode colocar, mas ele não pega aquilo lá, não tem como falar. Então vai ser dor e sofrimento de qualquer jeito.
E aí eu morava já do lado do hospital, meu pai me levou para casa dele e eu tava lá todo lascado. E aí na segunda-feira de manhã eu fui ligar na pró-reitoria, né, Doutora Helena Nader. Doutora Helena, Aqui é o Paulo Muse. Oi, Paulinha, tudo bem? Eu falei, tudo bem, a senhora? Tudo bem. Falei, professora, eu fraturei L1, L2, L3, processo, tô na casa do meu pai que eu tô com muita dor, né? E eu tô no, eu tô no estágio, eu lembro até hoje, de, ai, como é que era?
Emergências, Medicina de Urgência era o nome, o nome correto. Eu tava no estágio Medicina de Urgência. E medicina de urgência, quem cuidava era um professor da clínica médica. E aí ela virou para mim e falou assim, não, não, filho, tudo bem, pode ficar. Ano que vem você faz de novo, quarto ano, tá tudo certo. O quê? Eu botei uns analgésicos para dentro e fui de bengalinha, cara. Eu ia de bengala, cara, mó ridículo, cara. Todo mundo ia de bengalinha para faculdade.
Aí deu uma semana, eu vi que a dor não ia passar de jeito nenhum, que eu ia continuar indo na aula. Eu falei, você quer saber, se eu tenho que ir de bengala para ela, eu vou de bengala treinar. Aí eu só treinava tronco, né, não dava para treinar perna, né. Então eu treinava, fazia tudo que era de parte de cima. Mas quase, pô, eu fiquei com dor, cara, um ano e meio.
Esse, nesse acidente que caiu uma égua de meia tonelada em cima de você e tu quebrou umas coisinhas, mas vamos combinar que poderia ter sido muito mais grave. O que segurou essa onda? Foi só sorte ou tu era forte? O que aconteceu?
Eu tinha um físico mais elaborado, eu era um cara musculoso, eu era forte e eu acho que isso segurou a onda daquilo.
Você não tem aquela história do Pacho que caiu de um balão, meu irmão, e segundo ele, ele falou, caralho, sorte que eu sou forte, que não sei o quê.
O Pacho, eu tava, era aniversário do meu pai, a gente tava na praia, você lembra disso? E aí a gente recebeu a notícia, eu peguei o helicóptero para subir para atender o Pacho. A gente resolveu a transferência dele de avião para São Paulo, aí não ia dar para chegar porque era feriado, né, 25 de janeiro, e aí não ia conseguir chegar de jeito nenhum. Eu peguei o helicóptero, a gente foi para lá para operar ele. Ele tinha fraturado o fêmur, tinha fraturado o externo e tinha fraturado costela.
E qual que foi o maior problema do Pacho, né, cara? O cara caiu de um balão de, sei lá, 30 metros de altura. É um, é um, é uma tragédia. E fraturar o fêmur, Igor, é um negócio terrível, cara. É um negócio assim sem precedente. E eu fico imaginando a sensação do Pacho, cara. Você fraturar o externo, que é o osso do peito, aqui assim, só fica apoiado o teu pulmão e teu coração nele. Apenas, apenas isso. Não, e eu acho que a maior dor dele é porque a Ju, a mulher dele, tava com ele e ela fraturou a, ela fraturou a tíbia, né, o osso da canela.
Tanto que do jeito que a gente chegou no hospital, aí chegou eu, o Zé, o Basílio, que é um amigo nosso, e mais um médico que agora não lembro o nome, mas que era assistente do Zé. E a gente foi em cima da cirurgia, ninguém conseguia de distracionar a perna do Pacho para conseguir passar haste. Então eu saí da cirurgia da Ju, fui para cirurgia do Pacho, troquei toda a parte de paramentação para ajudar a puxar a perna do Pacho para conseguir passar haste, porque o músculo dele era tão grande, tão forte, que como quebrou o osso aqui assim, ele encurtou e fez isso.
E para trazer para o lugar, entendi, 4 médicos para puxar: eu, o Basílio, o Zé, E esse assistente do Zé. Aí quando conseguiu arrumar isso, aí depois eu fui lá. Não, com certeza pagado, né? E aí quando conseguiu arrumar isso, aí eu fui lá, troquei toda uma paramentação e fui terminar a cirurgia da Ju.
Puta que pariu, meu!
Aí da Ju foi uma haste na tíbia que foi bem tranquilo comparado ao Páscoa, não tem nem comparação.
É, então é verdade o Gui falou, né? Esses cara é tudo placa e parafuso, foda-se. Desse, né?
E aí agora, aí então tá bom, então vou te dar, vou te dar o ponto. Não, mas é legal falar isso porque, por exemplo, o Pacho, ele só sobreviveu, tá aqui para contar a história, porque quando ele voltou no retorno com José, o José olhou para a cara dele e o Pacho tava meio ruim, tava com falta de ar. E assim, é clássico de fratura de arcos costais e fêmur, né, de múltiplos ossos. Embolia, cara. O pastor tinha feito uma embolia, tinha entrado gordura e, meu, ele tava fazendo um tapando o pulmão.
Aí o Zé percebeu na hora, quando ele foi perfurado, a gordura do osso ela entra na circulação, tá? E ela não é sangue, então ela entope vaso, ela provoca coagulação, né? Porque tem a tríade de Virchow, né? Se você muda a parede do vaso, se você muda a circulação sanguínea, se você muda a composição do sangue, você faz um coágulo.
Coágulo.
Então, onde essa gordura foi, ela podia gerar esse coágulo e entupir tudo. E aí vai uma reação em cadeia que, cara, imagina que o pulmão, por exemplo, ele vira uma gelatina de sangue. O Zé percebeu que o Pacho tava ruim na hora. Não, internar UTI agora.
Salvou o Pacho.
E isso, se ele não fosse um médico excepcional, com certeza podia ter deixado passar. Ah, tá com falta de ar? Ah, é porque fraturou o externo, tá cansado, tá desconfortável, né? Tá parado faz um tempo.
Que isso daí é uma das coisas que ele ensinou para gente, que a gente faz, a gente aprende a fazer isso daí na faculdade de medicina, mas conforme o tempo vai passando você acaba ficando acostumado e você esquece. Então uma coisa que a gente faz é, quando eu ou Paulinho a gente faz um diagnóstico ou pensa, a primeira coisa que a gente faz é tentar desprovar aquele diagnóstico.
Tanto que a minha primeira linha de programação nas minhas inteligências artificiais é Você é um avalista daquilo que é o meu raciocínio. Sua obrigação, em primeiro lugar, é contestar com argumentos contundentes qualquer ideia que eu trouxer para você.
Com certeza, é interessante, né?
Porque senão ele concorda com você.
Eu tive a sorte na minha formação de ter convivido com grandes brasileiros e grandes estrangeiros também, com gente muito interessante, né, que tinha uma formação E tive a sorte de ter convivido no Brasil e ter sido aluno durante 20 anos e depois assistente, trabalhado com ele, o professor Mário Schoenberg. O Schoenberg foi o fundador da física teórica brasileira, foi deputado na Constituinte Estadual, uma figura, um humanista.
E o Schoenberg fazia um exercício conosco nos anos 70, não é, que era o seguinte, não é, nós sentávamos para discutir um problema. E ele depois, então, lá pelas tantas, depois de conversar e discutir, agora defenda o contrário, defenda a posição que você, mas defenda com esse, com essa argumentação que você tá fazendo, não é? Com esse mesmo ânimo. Porque na verdade, em ciência não existem posições, existem discussões boas. Mas a posição é o que menos interessa, não é?
A posição existe para ser derrotada pelo argumento, pelo fato. Então isso é, então, e argumentos não são fatos, e argumentos não são fatos, são argumentos.
Isso quer dizer o seguinte: se você tá discutindo com uma pessoa, se ela não é capaz de utilizar os argumentos para falar o contra, quer dizer que ela não raciocinou o suficiente sobre o assunto.
Com certeza.
Então não é discussão, eu tô defendendo o time de futebol. É, então se a pessoa— o que eu acho que é, eu acho que isso é uma das coisas que diferencia muito as pessoas.
Eu gosto de simplificar isso no seguinte: se você, se a gente não é, se a gente não for capaz de fazer, a lógica é, cara, a primeira pergunta que tu faz: produzi uma ideia, pensei numa coisa, eu tive um insight, olhei uma coisa e cheguei a uma conclusão. A primeira coisa que tu faz Depois disso é: será que eu tô errado? Será que eu tô certo? Essa primeira pergunta desencadeia tanta coisa, que é de certa forma uma simplificação disso que vocês estão dizendo, que é: pô, eu posso estar errado no fim das contas.
Porque se eu chego para uma discussão com a certeza que eu tô certo, eu nem entro numa de— eu nem aceito o que tu tá falando, pelo menos hoje em dia. As pessoas hoje conversam muito mais para responder do que para entender.
É bom para falar de si, porque assim, se você tá falando uma merda que não são—
estamos debatendo aqui, vamos dizer que eu seja petista e tu seja bolsonarista, por exemplo, tá? Por exemplo. E aí eu não vou, eu vou para um debate contigo, a chance de eu nem ouvir o que tu tá falando, só esperar tu acabar só para falar o que eu tenho para dizer, é enorme.
Mas isso daí é o que Mas acontece. E não precisa puxar política hoje. Por que que muitas vezes é chato você assistir podcast? É por coisas que o pai falou. Primeira coisa, às vezes a pessoa tá lá para falar de si. E a segunda coisa, que eu acho que deve ser muito difícil para você no dia a dia aqui, é quando alguém só tá esperando a vez de falar.
Aí isso é horrível mesmo. Isso é das piores coisas. Esse é o pior convidado que tem. Ó, quer ver o convidado ruim? Convidado ruim é aquele que não queria estar queria estar aqui. Esse é o— e aí o que não queria estar aqui, quais são aí, o que que vem disso? O cara ele fica monossilábico, tipo, pô, fez uma turnê na Europa? Pô, fala aí mais não. É, fiz. Qual o país foda que tu foi?
Europa.
É assim, o outro que é estranho também, e esse eu entendo um pouco mais, é o cara que ele às vezes ele ficou nervoso, às vezes ele não sabia o que era, mas disseram para ele que era importante. E por aí vai, que o cara ensaiou um bagulho e ele veio declamar o que ele ensaiou. Então é, o cara tá com que nem, que nem, ó, você tava me contando a história do quando você se machucou lá com a égua. E aí, pô, se eu, porra, mas esse osso assim assado, não sei o quê, o cara ele, ah não, mas a história é essa, é essa, é essa, foda-se, entendeu?
Às vezes o interessante tá no meio, não tá no final da história do cara. Às vezes, às vezes, ó, hoje eu tava conversando com um cara aqui, a gente foi Eu não sei se era maneiro falar sobre o que era, mas se não tivesse tido o input de, caralho, isso aconteceu nessa época, peraí, me conta um pouco sobre isso daqui. A conversa teria sido tão mais pobre, tá ligado? Que o legal era outra coisa, que o cara, para ele, às vezes é foda-se, porque ele viveu aquilo, mas para nós é, porra, isso aqui é...
Que nem o cara aqui que conheceu porrada de Nobel, para ele é foda-se, para nós é caralho. Fala um pouquinho mais aí sobre isso.
Por exemplo, você lembrou uma coisa interessante, né? Você tava falando lá, existem coisas no teu programa e na forma de você entrevistar que ficam, por exemplo, da primeira vez que eu estive aqui, né? Que você vai criando uma tecidura, uma tecelagem entre vários argumentos para tentar dar uma ordem, uma organização naquilo, né? Por exemplo, você lembrou essa coisa aí do que que é pensar, não é? Eu acho que a gente tá fazendo um exercício aqui sobre isso, não é?
Será que a gente pensa no mais das vezes, ou será que a gente junta coisas que a inteligência artificial, sem pensar, pode fazer muito bem?
Ah, eu acho que tem boa parte do tempo a gente tá fazendo umas coisas que a gente tá meio, a gente acostumou mesmo. Então eu tô, eu já aconteceu muitas vezes, eu aposto com vocês também, de eu sair de casa para ir para uma reunião lá no Itaim Bibi e no fim eu tava vindo para o Flow. Saí de casa, não prestei atenção e vim para o Flow. Caralho, tô no Flow. Aí nesse não tô pensando. Quando eu tô pensando para valer, em geral eu tô em silêncio quando eu tô sozinho.
Aqui no Flow assim, eu tenho, acho que pensamos aqui, mas tô sozinho, não tô conversando com ninguém ou sei lá. Eu medito, entre aspas, quando eu tô em silêncio, sozinho, tomando um banho no meu computador e tal. Várias coisas surgem ali e é meio, e dói um pouco, que é às vezes 2 horas da manhã, mano. Putz, eu precisava tirar isso da minha cabeça. Como é que eu faço para tirar isso da minha cabeça, tá ligado? Eu vou mandar um salve em alguém porque amanhã provavelmente eu vou esquecer dessa porra, não sei o quê.
Veja que pensar não é lembrar. Não é pensar, não é lembrar. Uma diferença muito grande entre pensar e lembrar, não é? Eu sou muito ruim em lembrar, eu sou razoável em pensar. Um princípio importante na computação e que é fundamental na computação quântica, que é onde você gasta energia para computar algo. Sempre se imaginou que se gastava energia para você registrar alguma coisa. E um cidadão, eu agora vou perder a origem dele, ficou muitos anos nos Estados Unidos, eu acho que ele é norte-americano, mas não quero garantir.
Rolf Landauer. O Landauer formulou um princípio muito interessante que vai na linha dessa preocupação sua, que é o princípio de Landauer, que diz basicamente o seguinte: onde você gasta energia é para você apagar algo e escrever por sobre. Você gasta energia, o poeta poderia dizer isso, para fazer do passado o passado. Você não gasta energia para registrar, você gasta energia em computação. E aí levaria, precisava de uma folha de papel e montar um experimento para isso.
Mas é muito legal, não é, você examinar o princípio do Landau. E depois eu te mando a referência, né, porque tem tudo a ver com isso que você tá dizendo. Nós estamos aqui escrevendo por sobre de alguma coisa. Pensar talvez tenha a ver com o princípio de Landauer, com você fazer do passado o passado, você de fato apagar algo e escrever em cima, porque a memória é finita. A memória não é, não é infinita. A memória de uma máquina não é infinita, a memória é finita.
Então você gasta energia quando você vai apagar e escrever por sobre. Então pensar talvez esteja relacionado a desse processo nosso, esse processo mental.
Tem estudo disso, né? O byte do cérebro humano, ele chama engrama, né? E quando a gente separa as coisas, como que você aprende uma coisa nova, né? Você não aprende uma coisa nova, você esquece uma antiga. E o grande, raramente, muito quando você, memória finita, tudo bem, mas quando você, por exemplo, Pensa na medicina, né, que as coisas evoluem. Imagina que a cada 23 dias você tem o dobro de conhecimento disponível, tá? Então evolui.
Você fazia uma coisa, eu tratava uma coisa de um jeito 10 anos atrás, hoje eu trato de outro. Agora imagina que eu dou aula, a primeira palestra que eu dei foi em 2008, tem quase 20 anos que eu sou palestrante ou que eu dou aulas, tá? Sem contar residência, sem contar a faculdade, né? Mas eu tenho no meu computador, né, a minha primeira pasta, eu separo por ano, né? O primeiro ano que eu comecei a palestrar e dar aula, na época ainda de creatina, para você ter uma ideia, 2008, cara, tem quase 20 anos, velho.
E assim, muita coisa ela progrediu e muita coisa mudou também. Então vamos voltar para neurociência, né? Como que funciona? A gente tem esse engrama, que essa unidade de conhecimento computador, né, como se fosse o byte do computador. Então você não simplesmente coloca uma coisa por cima, você gasta uma energia gigante para apagar o que tá por baixo para depois colocar isso. Vamos falar de aplicações práticas, né. Aí a gente tem que citar um cara, chama Charles Duhigg, né.
Por que que esse cara é importante? Porque é um cara que fala de hábito. E quando ele fala de hábito, o que que ele fala? Ele fala que você não, você não apaga hábitos, você cria novos. E por que que é tão difícil você criar o hábito, por exemplo, de não fumar, de não consumir álcool, de não consumir açúcar, de fazer exercício? Porque você tem que conviver com o hábito de consumir álcool, de fumar, de não fazer exercício, de você chegar na sua casa e ligar a TV, em vez de chegar na sua casa, trocar de roupa e ir para academia.
E que aí o segredo, e uma das coisas que ele ensina, é que você não, você não negocia hábito. Você cria um método de você conseguir dar um bypass nele. Então, o que que ele mostra? O que que a gente— foi até o tema da palestra de BH de domingo, né? Mas o que que é um experimento interessante? Ele fala: a pessoa chega para você e fala assim, olha, eu quero começar, eu quero emagrecer, e eu vou correr para ajudar a emagrecer. Então não adianta você pegar e simplesmente no dia seguinte correr.
Levantou, eu vou sair correndo. Você não vai conseguir, você vai falhar. E por que que você vai falhar? Porque ou você é muito bom em fazer uma coisa que é atrasar a gratificação, ou você vai enfrentar o que é todo esse desconforto de acordar mais cedo, se colocar no exercício, passar pelo estresse do cansaço físico, e depois adicionar isso no seu dia, que você vai desistir. Então o que que ele fala? Ele ensina que você tem que criar gratificações pequenas.
Então o que você vai fazer? Primeiro, você vai comprar um tênis que você goste, mas de corrida. Segundo, você vai deixar esse tênis num lugar que quando você acorda de manhã vai ser a primeira coisa que você vai ver. Por quê? Porque você vai ter a gratificação de usar o tênis que você gosta, mas que você tá tendo aquela dica de falar, porra, meu tênis tá aqui, lembrei da corrida, acho que eu vou correr. E aí você vai mudar o seu ambiente.
Em vez de você correr sozinho, você vai correr com um grupo de corrida. Por quê? Porque naquele ambiente você vai criar uma sensação de pertencimento, você vai criar uma sensação de que aquilo faz sentido, e você vai ver outros exemplos de pessoas fazendo aquilo por outras razões. E no final, o motor é o quê? É o tênis que você gosta, o grupo que você pertence. E quando você for ver, vai ter passado 6 meses, 1 ano, e aí você vai ter conseguido correr.
E por um acaso, você vai ter conseguido melhorar o teu peso. Talvez não emagrecer tudo que você gostaria, ou ganhar massa muscular, ou correr o quanto você correria, mas o seu físico mudou. E o que que é importante mais dessa questão? Do Dan Higge é que isso funciona para todas as coisas que você, que você tem. Então, por exemplo, ah, eu quero estudar, cara, para de sentar num banquinho ruim que você fica desconfortável, na mesa da cozinha que não é para isso, lugar barulhento escutando música, e arruma um lugar que você, pô, tem uma cadeira que você fica confortável, É uma mesa que tá na sua altura.
Compra uma caneta para você estudar, que você gosta da caneta, que você acha bonito, que você tem prazer. Pega um papel, cara, organizado, um caderno bacana. Não vai escrever naquele papel que sobrou, ah, é rascunho, dane-se. Não, cara, o seu processo de aquisição de conhecimento, ele tem que ter uma caneta de acordo, tem que ter um caderno de acordo, você tem que estar sentado numa cadeira de acordo, tem que estar uma mesa de acordo.
Você já imaginou? Você vai jantar num restaurante ultra chique, aí o cabra te põe para sentar no chão. Não, não, senta no chão que a comida é a mesma.
Não, né?
Não.
Imagina a tua namorada, tua esposa te esperando para jantar. Pô, meu marido, você chega lá suado, xexelento, com areia no meio dos dedos, bafo, sem escovar os dentes, cabelo despenteado. É você. É, mas não é. Então tudo que a gente vai fazer, principalmente quando você quer colocar um novo hábito na sua vida, a ideia é você ter formas de gratificação mínimas que vão te dando pistas para onde você vai andar, como se fossem breadcrumbs.
Então, putz, eu vou correr, então eu quero tênis, eu quero o ambiente, eu vou fazer isso.
E aí você forma um hábito novo, não é a ideia de o velho hábito.
E isso é uma coisa importante, forma um hábito novo sabendo que o velho hábito existe. Existe, sabendo que você pode voltar à situação anterior de chegar na sua casa, sentar no sofá e, sei lá, tomar 3 cervejas, 5 cervejas, 10 cervejas, que você pode chegar naquele lugar que você sentava quando você fumava e procurar um cigarro, que você pode chegar em determinado lugar, falar, putz, não, hoje eu vou no bar e por mais que eu não esteja bebendo, hoje eu vou beber um pouquinho.
Não, porque o cara que bebe um pouquinho bebe um pocão. O hábito sempre vai existir, Igor. O melhor jeito de você não ter, ou de você abandonar um hábito, é você nunca criá-lo. Porque se você nunca criá-lo, esse hábito não vai existir. Então, se você não aprendeu a beber, cara, não faça isso. Eu falo isso porque no interior era muito comum falar: fulano tá aprendendo a beber. Puta, não ensina, cara, porque em algum momento ele vai ter que esquecer.
Ah, eu vou ensinar fulano a fumar. Cara, não faz isso, porque em algum momento Ele vai precisar parar. Agora, se você começou e você quer deixar, a ideia é justamente respondendo esse processo e obedecendo esse processo, que é o processo nosso de aprendizado. Não tem um desaprendizado, você não esquece tanto assim, principalmente hábito. Hábito fica, né? Por quê? Porque você gasta uma energia imensurável para você conseguir apagar aquele negócio.
Charles Duhigg, tá anotado aqui, tá anotado aqui. E assim, a gente, a gente nessa linha de o que é pensar ou como, como que funciona, como a gente, como funciona os processos do nosso cérebro, vamos levantar uma aqui para o doutor em física. A gente já chegou em alguma, o que que, o que que os acadêmicos consideram ser a consciência?
Pô, velho, se a gente soubesse essa, a gente não Não tava aqui, né?
Aí não sei, eu não sei, por exemplo, ó, acho que essa é uma questão quase metafísica, né?
Então aí é total, acho que a gente vai para uma área mais metafísica.
Eu teria dificuldade.
É quântica?
Eu teria dificuldade.
É quântica mesmo, é energia, energia, né?
Pois é, né? Para um físico esse papo de quântico deve ser um porre do caralho, porque tudo é Coaching quântico, água quântica.
Picaretagem da grossa, né? Picaretagem da grossa. E outro dia a gente tava lá em casa, nem para falar de uma coisa dessa. Eu acho que você não deve emporcalhar a tua mesa bonita aqui com esse tipo de papo de coaching quântico. É, tem um nome essa coisa, né?
Charlatanismo.
Charlatanismo.
Picaretagem por anelismo.
E lá em casa tem, chegou por último agora, uma galinha, né?
De verdade?
Não, uma galinha que não é quântica, mas uma galinha. Tem uma galinha lá em casa, filó. Então tem uma galinha, tem uma gata que é a Juju, tem o Pastel que é um cachorro, um Jack Russell, tem a Caju.
Quantos Jack Russell você tem agora?
2. Que é a Caju. Aí a Caju tem também é um Jack Russell. E aí tava lá outro dia conversando, tava as minhas filhas lá, a gente tava tava conversando se a galinha sabe que tá viva, sabe qual é? Tipo, será que essa galinha é— por que que a galinha— o que disparou, se eu não me engano, foi a galinha caga dentro da própria comida. A galinha não consegue controlar o próprio brioco e apenas caga. Ela cocô, come e caga. É isso que faz, cocô, come e caga. E aí a gente entrou nessa.
E aí eu vi essa uma discussão uma vez com dois zoólogos. Professor, um grande amigo nosso, grande zoólogo brasileiro da área de répteis e, como é que é, sapos, esses bichos, herpetologia, né? Ele é um herpetólogo, professor Miguel Trefo, e um outro cidadão que é um grande zoólogo da área de pássaros. E eles discutiam justamente essa Essa questão, né, a capacidade desse animal de você medir algumas reações do pássaro cantar, dessa coisa que parece que nesse sentido eles têm uma percepção que o animal não tem uma medida de tempo futuro, né?
Nós temos uma medida muito boa de tempo passado e como ser humano a gente pode imaginar, eu vou sair daqui, eu vou para minha casa, não sei o quê. O animal não tem essa percepção de tempo futuro.
Quem criou o conceito de tempo? De onde veio o conceito de tempo? Porque tempo é uma grandeza, não é?
Tempo é uma grandeza, mas e aí tem uma grandeza basicamente que você mede uma passagem, não é? E uma permanência das coisas, não é? Eu ponho isso aqui, isso aqui vai estar aqui, amanhã eu volto, está aqui ainda, não é? Ou não, a gente chama isso em física de um parâmetro, é um parâmetro que eu posso organizar o mundo tempo a partir daquele parâmetro, o movimento. Galileu faz o conceito de velocidade a partir desse parâmetro e de medir a posição de algo em relação a um parâmetro. Essa é a visão clássica do tempo, não é?
Da galinha filósofa, ela pensa se ela sabe que ela tá viva.
A gente entrou interessante, porque é bom, um cachorro, eu entrei numa brisa que é a seguinte, cara, eles acham que existe uma ordem, vai, de capacidade intelectual começando nos peixes, né, pois vai para as aves, eu acho que são mais burros que os répteis, não sei, que os anfíbios, e os mamíferos, né.
É que aí é meio foda, né, cara, você tem uns negócios aí que você complica.
Não, total, porque veja, eu não sou físico, eu não estudei nada disso, a gente tava estava viajando sobre será que esses bichos sabem que estão vivos, sabe qual é? Será que eles conseguem contemplar o fato de eles terem, tá tendo uma experiência de estar vivo? Então eu não acho que a galinha tem.
Psicologia behaviorista de animais, ela tenta medir perspectiva de tempo. Parece que macacos, por exemplo, tem alguma coisa assim. Eles fazem experimentos com isso, né? Mas isso não é coisa de físico, não. Tem gente especialista medindo essas coisas, né?
A gente coloca a nossa ótica em cima do animal. Então assim, o animal tem uma mensuração de passagem de tempo, não é, por exemplo, como se a gente conseguisse entender mesmo o fato de que a percepção deles a respeito de uma passagem de tempo é totalmente diferente da nossa. A gente sempre tenta construir o nosso modelo para colocar e querer adaptar. Então assim, a galinha tá viva, a galinha sabe que tá viva, mas a galinha passo tempo.
Ah, meu cachorro sente a minha falta quando eu passo o dia fora. Todas essas coisas a gente vai, vai construindo. Eu acho que isso daí é um problema, né? Você sempre, como humano, você quer pegar o seu modelo e criar. A gente vê isso o tempo inteiro nas nossas doenças. A pira que a gente tem é estudar uma doença, por exemplo. Só que eu preciso de um modelo. Ah, o meu modelo é, por exemplo, eu vou desenvolver esse modelo, vou pegar um modelo que eu repliquei aquilo, mas nunca é exatamente igual a você, por exemplo, ter um modelo completo que seria o ser humano, porque você não vai conseguir estudar porque você não tem como mudar coisas ali naquele paciente naquele momento sem que seja, por exemplo, um tratamento, entendeu?
Então acho que essa é uma das questões assim que é interessante assim você pegar e parar para pensar nisso. Mas é o que meu pai comentou, já você sempre vai fazer os experimentos para tentar adequar para nossa realidade no final das contas.
É assim com tudo, né? Tudo a gente, tudo a gente só consegue compreender dentro daquilo que a gente consegue compreender mesmo. Eu fico pensando, por exemplo, vira e mexe entra-se numa pira aqui se Deus existe, né? E eu acho que, porra, é, mas vocês discutem isso, aquilo, de vez em quando, coisas que tangenciam, mas no fim me parece algo que foda-se um pouco. Não, veja, não me entenda mal, é Faz pouco, tem pouco impacto real na nossa vida, me parece. Porque se existe, a gente não compreende, a gente não vê, não faz nada.
É o físico que melhor compreendeu a mecânica quântica, o Wolfgang Pauli. Pauli, não lembro do Paulinho, aquele Paulinho da vitamina C que ganhou 2 Nobel, um Nobel de Química e um Nobel de Paz.
Não, não.
Pauli da...
Falando do Pauli, cara. Que descobriu determinados comportamentos do elétron e do fóton, o Wolfgang Pauli.
2s2, esse Pauli, esse Pauli, esse aí dos orbitais, essa coisa.
O Pauli, num determinado momento nos anos 30, em que se discutiam muitas consequências da mecânica quântica e da relatividade, e que tangenciavam a metafísica, o Paulo dizia: olha, existem questões sobre as quais você não sabe que você não diz nada, né? E é melhor não tratar dessas questões porque só vai gastar tempo. Não é nenhuma questão de opinião, isso não tem impacto nenhum. É isso que você tá falando aí, né? Isso não tem impacto nenhum sobre a, né?
Então você olha o método científico, Carl Sagan, por exemplo, discute muito isso no livro dele, O Mundo Assombrado por Demônios. Quando eu, como cientista, eu quero demonstrar um experimento, eu tenho que ter alguma coisa que eu consiga mensurar, certo? E para você, por exemplo, do ponto de vista de argumentação, eu não posso demonstrar um procedimento ou demonstrar um experimento no qual eu te mostro que algo não existe. Então, por exemplo, se eu te falar assim, Igão, aqui do meu lado tem não só o meu pai, mas tem um dragão. Ah, mas eu não tô vendo, né, porque o dragão é invisível.
Tá, mas eu tô sentindo cheiro.
Ah, você tá sentindo cheiro? Não, você não tá sentindo cheiro, ele não solta cheiro.
Por que ele não taca fogo aqui em tudo?
Porque ele não quer, ele é um dragão amigo, né, cara.
Então você vê, a gente tá preso aqui dentro.
Porque ele gosta de ficar no flow, ele fica aqui, ó, cativo vendo todas as suas entrevistas incessantemente. Ele é seu fã.
Por que não você encostar nele?
Porque, cara, ele é assim feito de ar, você entendeu?
Aí é foda, é tipo discutir com alguém que tem uma crença muito sólida em uma religião, por exemplo.
Por exemplo, ou que tem uma crença muito forte numa fake news, você entende que esse é o âmago da questão. Você não consegue gerar um experimento no qual ou te mostre que algo não existe. Então você que tem que demonstrar ali, ó, isso daqui de fato acontece. É por isso que quando a gente mostra num estudo, a nossa primeira ideia é assim, eu pensei, ah, vamos lá, vou fazer um processo bem esdrúxulo. Então assim, ah, comer laranja faz crescer cabelo.
Então a nossa principal ideia no estudo é o quê? É que a minha hipótese tá errada e eu vou fazer no estudo demonstrando que ela tá errada. E eu acho que essa é uma, assim, uma delicadeza e uma finesse do raciocínio que é muito interessante. Você mostra que a sua hipótese ela é ao contrário do que você pensou e você vai provar ela errada. Então você demonstra que aquele fato de fato acontece. Diferente, por exemplo, quando você perguntou aqui, ah, mas tem o pessoal discutindo.
E aí vai cair sempre naquela coisa, ah, mas prova então que não é. Não tem como a pessoa te provar que não é, porque a pessoa não consegue provar que é, entendeu? Esse é o grande argumento.
Entendi.
Puxado.
Não é, porra, isso daí, se todo mundo parasse para pensar e entender que isso daí é uma da, vem daí muitos problemas que a gente tem que lidar hoje em dia na sociedade, né?
E é por isso que é tão assim sedutor você escutar, porque vem de uma forma que entra numa lacuna de conhecimento que a pessoa tem, que explica tudo, que faz faz sentido, que parece que é, cara, extremamente assim sedutora quando você pensa assim, nossa, mas é verdade, por que que eu não tinha pensado nisso?
Aquele vídeo no YouTube que tu viu, que te deu, que tu ouve, nossa, é verdade, mas tu não ouviu todos os pontos de vista sobre aquilo ali, né?
Exatamente.
E a outra coisa que a gente, ou pelo menos mais um, que às vezes tu escuta mais um, ele já abre a janela que precisa.
Exato.
Tão falando me faz pensar nesse negócio que você Você citou, Paulinho lembrou agora há pouco, né, essa coisa da fake news, não é? É uma discussão contemporânea hoje, de onde vem essa fake news, se você regulamenta o teu trabalho, né? Eu, da última vez que a gente teve aqui, a gente discutiu um pouco essa coisa do teu trabalho Essas respostas suas foram muito interessantes, não é? De como é que você vê o trabalho do jornalismo ou dessa divulgação que você faz, desse intercâmbio de algo.
Aí você teria que regulamentar o caráter das pessoas, ia virar um julgamento moral. Pega, por exemplo, hoje, quando a internet ela saiu, a gente abriu a era da informação. Quando a rede social saiu, a gente inaugurou a era da desinformação. E existe uma fascinação humana que é pelo, pelo esdrúxulo, pelo estapafúrdio, né? Por que que ninguém para para ajudar uma pessoa pedindo dinheiro para conseguir comer? Agora, por que que todo mundo para para ver um acidente de carro na beira da estrada?
Por que que ninguém para para ver uma notícia boa? Mas todo mundo replica notícia ruim. E de certa forma, as pessoas, elas entenderam isso, elas usam a rede social de uma forma que é muito, muito restrita e muito mesquinha, né? Então hoje você tem um problema, né? Qual que é o mercado da rede social? Não é informação, é atenção. Como que a pessoa busca atenção? Ela busca atenção falando sobre o que que é um cubo mágico? Não, ela busca atenção falando por que que o fulano tá errado quando ele fala o que é o cubo mágico e faz um react depois.
Então quando você olha isso, e as pessoas não têm a malícia ainda de ver que a maioria das vezes que alguém quando faz um react, né, negativo, ela tá querendo atenção, não tá querendo te dar informação.
Informação.
Porque o que que seria a via normal, principalmente de uma pessoa que é bem informada, que é bem formada, que é uma pessoa de índole, que é uma pessoa de caráter? Ela ia oferecer informação. Quando ela opta para falar que fulano tá errado, na verdade o que ela tá fazendo é buscando atenção, não querendo informar. Ah, mas tem o react do bem. Tem. Quando você vê uma pessoa e você faz alguma coisa que fala essa pessoa tá fazendo isso.
Não que ela tá errada, até porque, principalmente quando a gente fala em medicina, né, você tem diversas situações. Você senta numa junta médica para tomar uma decisão.
Não existe um charlatão. Por que que precisa ser regulada a medicina? Porque tem um charlatão.
A profissão médica, tudo bem. Agora, a informação É muito difícil porque as pessoas, elas aprenderam a andar na linha fina, na linha tênue daquilo que é legal.
Então é muito difícil, mas aí nós temos um problema interessante. É, essa discussão aconteceu a primeira vez quando os gregos discutiram se você deveria colocar em textos aquilo que se ensinava oralmente. A história textual Ela surge com os gregos que resolveram colocar o Platão, por exemplo, que escrevia a coisa. O pessoal antes dele batia papo, não é? A discussão que se deu lá atrás, isso tá num diálogo, não é? É uma discussão muito semelhante a essa que ocorre atualmente sobre se você regula ou não esse processo de comunicação da informação.
Porque uma coisa é eu fazer afirmação: a Terra é plana. Isso, quando eu faço essa afirmação, isso é apenas uma bobagem. Dizer que a Terra é plana é uma bobagem. Basta você pegar qualquer criança, montar num avião, você vai ver que a Terra não é plana. Ou basta você perguntar para o Eratóstenes lá, para o grego de 2.500 anos atrás, que ele calculava o raio da Terra Então, desde o Eratóstenes, nós sabemos que a Terra não é plana.
Tudo bem. O problema está na repercussão do predicado lógico: a Terra é plana, nessa encrenca aqui. E isto aqui tem capacidade de amplificar aquilo, ligar isto da Terra ser plana com alguma outra bobagem, influenciar a decisão de pessoas. E pessoas podem tomar decisões em cima de uma, do charlatanismo da Terra ser plana. E a Terra não é absolutamente plana.
A gente pode lembrar, por exemplo, de um caso recente, né, tá tendo campanha de vacinação para, contra o sarampo, realmente, que era uma doença que estava erradicada no país. Sarampo.
Então esse problema do, uma coisa é a opinião das pessoas. Com relação à opinião, eu Eu concordo com você, absolutamente eu concordo com você. Não temos como a pessoa que achar que a Terra é plana, ele acha em privado que a Terra seja plana. Agora, ele não pode influenciar, ele não pode, porque existe algo aqui que é uma sociedade, não é?
Eu entendo o senhor, mas eu acredito que é diferente você proibir de responsabilizar. Eu acredito que responsabilidade tem que existir, você tem que ter responsabilidade.
Mas é esse o ponto que o pai tá falando, é responsabilizar, não proibir, entendeu? A gente concorda, a gente concorda no negócio, é só que os termos são diferentes.
Por outro lado, vamos lá, deixa eu jogar mais um pouquinho de combustível. É o seguinte, eu acho que a gente— bom, primeiro, o Brasil é uma sociedade jovem, se a gente for comparar com várias outras sociedades, por exemplo, se comparar com cidades europeias, Brasil é uma sociedade de 520 anos, né? Uma parada assim, né? É uma sociedade jovem. A gente for comparar com os chineses, por exemplo, é sacanagem, né? Os cara tão aí há muito, muito, muito, muito, muito. Eles têm outra percepção de como a coisa funciona, né?
Tá.
A gente, como uma sociedade mais antigas, passaram por diversos traumas e aprenderam muitas lições que a gente enxergaria no dia de hoje como coisas que são assim, não devíamos ter feito isso. Por exemplo, Revolução Industrial, tinha criança trabalhando lá, turno de adulto e o caralho, não sei se era realmente tão necessário, mas rolou. A sociedade inglesa pagou esse preço em algum determinado momento para chegar em algumas conclusões, tá?
Ao longo do tempo, todas essas sociedades foram vivendo coisas, chegando a conclusões e aplicando para elas mesmas, né? No nosso caso aqui no Brasil, me parece que a gente tenta pegar várias soluções que funcionaram em outros lugares, dentro das circunstâncias desses lugares. Por exemplo, uma lei que vai reger a internet brasileira deveria lidar com a realidade brasileira para valer. Não só, não, não, os caras são, eles têm o prazer de dizer que é inspirada na lei europeia, e a lei europeia não necessariamente vale para a realidade brasileira.
E tem um outro, uma outra coisa, né, meu, que é o que é a gasolina real da coisa. É várias experiências, não adianta eu chegar, eu subir num palco, numa palestra, e eu falar para os cara, ó, Eu vivi isso, isso, isso, fiz isso, isso aqui, esse foi o resultado disso, disso, disso. Eu fiz isso, me fodi aqui. Se eu tivesse feito isso, poderia ter me fodido. Isso, possivelmente, não sei lá. E aí eu iria numa vibe de, eu, e as pessoas vão pegar o que eu disse, provavelmente cagar.
E eu acho que está certo mesmo, porque tem coisa que só aprende com a experiência, me parece, tá? Que que eu quero levar isso para um extremo, que é Por exemplo, vamos começar. Como é que eu levo para um extremo sem causar muito? Mas vamos lá, sem causar muito.
Extremo é de causar.
Então vamos lá, vamos dizer que a gente agora, que agora, cara, no fim das contas, eu acho que as pessoas têm que se foder um tanto para aprender para que uma sociedade como um todo consiga escolher as coisas com mais clareza. Agora eu consigo dar um exemplo, vamos lá. Não tô dizendo que eu sou a favor de bet, é o contrário, tá? Ninguém gosta de— as bets causam uns problemas que são, que é dado, né?
O endividamento da população brasileira.
Pois é, a bet é um bom exemplo.
Agora, a gente proibir a bet vai fazer com que as pessoas parem de jogar para valer? Eu não acho, porque eu acho que esse gênio já saiu da lâmpada. Eu acho que é uma pessoa, os cara vão dar um jeito de jogar, os cara dão um jeito. A gente fez algumas leis meio tímidas para dar segurada e a galera não poderia, por exemplo, usar o Bolsa Família, mas o cara dá um jeito. Então é, eu não, eu acho que proibir é o pior. Qual que é o melhor jeito?
É educar. Só que aí a gente vai entrar aqui numa discussão velha, que é educar não é do interesse dos cara. Que quando você educa, as pessoas de fato tomam melhores decisões sobre bet, sobre alimentação, sobre wellness e sobre política.
Exato. Então, um historiador chama Ian Neves, ele fala bastante a respeito disso. Eu acho que uma das coisas como comunicador que ele mostra é justamente isso, a gente discutir a história para entender o ponto que a gente chegou. E sempre aquela máxima que a gente fala, a gente estuda a nossa história para que certas as coisas não se repitam.
Então aí o meu ponto acaba sendo meio cruel, que é: não acho que a gente deveria proibir bet agora, dado que já há, tá bom?
Por que que você proíbe que eu chego aqui, pega essa mesa que eu acho bonita e leva embora? Isso é proibido nesta sociedade. Eu não posso carregar tua mesa.
Por que que é proibido e a bet não é proibida?
Por que que é proibido, por exemplo, eu chegar aqui e tirar minha roupa? Não Você sabe, existem limites. A sociedade supõe isto. É a única forma de nós termos aquilo que o Rawls chama um véu da ignorância. O que que é o véu da ignorância do John Rawls? É uma determinada situação na sociedade que você diz: olha, vamos esquecer daqui para trás, vamos fazer do passado o passado, e vamos nos acertar num compromisso social de de viver, que eu não vou carregar sua mesa, eu não vou arrancar a roupa.
Mas aí eu me sinto confortável para te trazer uma, um argumento de alguém que me apresentou, foi o senhor, que é o James Heckman. James Heckman é um Nobel e ele escreveu um trabalho chamado Hard Evidence on Soft Skills. E qual a importância disso? Que ele discute uma coisa chamada consciousness. Consciousness não tem uma tradução literal para português, mas seria alguma coisa como nível de consciência ou conscienciosidade, tá?
E o que que ele mostra? Ele mostra que isso é uma linha ascendente ao longo do tempo. Então o ser humano, ele, conforme ele amadurece, ele ganha mais consciência, que é a noção de ser, estar, existir e agir. Então quando você observa o trabalho dele, que que ele mostra, por exemplo, que que aos 40 anos você tem 12 vezes mais consciência do que você tem aos 20, que aos 60 você tem 8 vezes mais consciência do que aos 40, e que aos 80 você tem de 3 a 4 vezes mais consciência do que aos 60.
Então a gente não perde a nossa sanidade quando a gente envelhece, pelo contrário, a gente fica mais consciente. Especula-se, né, que isso seja também uma forma de proteção para a gente entender a nossa própria finitude. Eu preciso compreender isso. Então quanto mais consciência eu tenho, mais eu compreendo. Mas tudo bem. Então quando você fala assim, ah, a gente tem que se foder, a gente tem que se lascar com determinada coisa, talvez o que você queira dizer na verdade é que deva existe um processo de amadurecimento que retire o véu da ignorância, mas que ele seja cuidadoso o suficiente para que você amadureça sem cicatriz, Igor.
Porque quando você ganha uma cicatriz, quando você se machuca no processo, a experiência é outra. Aí você não lembra que você cresceu, você lembra que você apanhou, e aí você não repete.
Nesse caso das bets, mas não é assim que que sociedade se formou ao longo das gerações.
Mas será que a gente não tem que lutar uma porrada de guerra?
E aí, por que que a sociedade chinesa aceita, sei lá, uma característica específica ou funciona de um jeito específico? Por conta de, sei lá, toda uma conjectura. Mas é assim, veja, isso aqui eu tô viajando, tá? Não sei, não tenho certeza.
No caso das bets, tem um complicador, porque você tá falando de uma doença, entendeu? Então, basicamente, para mim, para o meu irmão, você tá falando o seguinte: é, Gui, quando o cara chega, por exemplo, com câncer da pele, eu tenho que falar para ele assim: você tá vendo? Você não usou protetor solar, por isso que você tá com essa merda desse negócio.
Eu tô dizendo, mas eu tô dizendo, é, você vai conseguir, você vai conseguir impedir esse cara de ter câncer?
Aquele eu vou, eu vou tratar ele naquele momento para que o problema não se torne pior.
Aí eu tô contigo.
Mas aí eu vou tratar o cara da Betty que tá fodido, vamos tratar o cara da Betty.
Então, mas porque é uma doença, porque é uma doença.
Exato, a gente não, a gente tá olhando, não sei se a gente tá olhando as coisas da melhor maneira. E isso eu falo para várias outras coisas, mas vamos, maconheiro, tá ligado? Os cara trata como de um jeito e poderia, a gente tratou desse jeito aqui, tem, vamos conceder que tem, que dá para tratar da forma criminal, tá bom? Só que a gente tentou e não funcionou legal, viu?
Isso daí é que nem a gente sempre fala, né? Como se política de encarceramento de massa tivesse resolvido alguma coisa.
Então aí vamos tentar outro jeito. É isso que eu tô, é isso que eu proponho, na real.
Então, mas o objetivo não é ser pedagógico, o objetivo é você proteger a sociedade. Você tem um cara que estupra, que mata, que rouba, que sequestra, você não quer ensinar ele, você quer proteger a sociedade.
Concordo.
Mas aí é essa ideia.
Agora, de algum modo, vai ser preciso você proibir o estupro, vai ser preciso proibir a sociedade, né?
Mas não é interessante que eu não vejo como não fazer isso.
Ah, sim, isso tem, eu não vejo como não fazer.
E senão nós voltamos a um estado de natureza. E aí vamos chegar ao cúmulo do que é o pensamento alemão que criou o nazismo. Bom, então vamos deixar a sociedade viver um estado de natureza para ela aprender. Aprender o quê? Ela aprender a se autodestruir?
Não.
Ou nós temos uma visão E isso eu acho que é uma separação nítida entre o humanismo e o estado de natureza. Você tem gente sim que acredita que a sociedade vai evoluir a partir do estado de natureza. Basta você ligar a televisão na madrugada e você vai ver gente horrenda vendendo o céu e a terra, tomando dinheiro das pessoas. E prometendo um monte de asneira e achando que é o estado de natureza, porque a pessoa vive o estado de natureza e tem uma determinada crença, e tudo bem.
Eu, como homem de ciência e como pai, e porque parece que o negócio aqui era pai no começo, eu tenho obrigação de dizer para o Paulinho: não monte naquela égua que pode ser uma tragédia. Eu não tenho que deixar meu filho correr o risco de estar de natureza. Então isso não é fácil.
Quem?
O senhor ensinou a gente a montar, falou: não é para se incomodar com o cavalo.
Mas ensinei a você a olhar antes de tudo a orelha do cavalo para ver para onde ele tá olhando.
E também tem uma outra coisa que ele me falava, ele falava assim: Guilherme, meu filho, não esquece que o de baixo também que o de cima também é burro. Aí eu ficava assim, falando.
Aí meu pai é um doce.
Então vocês compreendem? Agora eu acho que isso é uma separação que nós temos que levar muito a sério. Ou nós temos algum nível de humanismo, seja esse humanismo criado por uma crença, por alguma coisa, ou por um entendimento, que é o meu caso, entendimento a ciência, o entendimento de vocês, das pessoas, ou nós vamos cair no estado de natureza.
Agora, essa discussão é terrível, é terrível. E assim, o que é difícil é a gente desenhar onde a linha daquilo que vai ser proibido.
É difícil, é difícil.
Agora, o meu ponto de vista, na verdade, ele é um ponto de vista positivista, porque eu acredito que as coisas elas caminham para um amadurecimento. Exceto quando tenta se impedir. E aí a gente entra no argumento do Igor: se você deixar a população ela ganhar conhecimento, ela ganhar esse amadurecimento, você perdeu o seu curral eleitoral, por exemplo, né? E é fato. E eu acho que esse é o grande problema que a gente tem hoje quando a gente começa a olhar o que é atitude de governantes, de políticos, porque o que a gente percebe é que a gente nunca tinha percebido isso antes.
Quando a gente, sei lá, vamos falar 40 anos atrás, né, 40 anos atrás, Arena, MDB, né, era outra situação, né. A gente tinha outra classe de pessoas, estavam tentando fazer alguma coisa, né, de uma forma diferente. E política, por exemplo, mudou demais. Quando se percebeu que o poder era interessante, começou a se lutar pelo poder. Talvez o poder tenha sido sempre alvo de uma luta e de uma disputa. Agora, hoje isso tá muito mais claro, e eu acho que a população tem percebido.
Se por um lado a rede social ela trouxe essa disrupção entre aquilo que é irreal e daquilo que é real, por outro lado ela também comunicou pessoas para falar: escuta aqui, você tá vendo isso daqui? Ou fulano, você viu isso daqui?
E num determinado momento, eu concordo com tudo que você que você tá falando aí e com que o Igor tá dizendo aí. Num determinado momento, ela ofereceu uma experimentação para as pessoas, né? E é bom que as pessoas experimentem até um limite essas alternativas, porque essas alternativas estavam escondidas na sociedade. Sim, hoje elas estão às claras. É, e é bom o cara poder ter informação ou capacidade de discutir entre as alternativas, entre as possibilidades.
Eu gosto da ideia nesse sentido.
Eu acho que nós estamos andando, estamos andando para frente.
Cada vez mais para as bets. O que eu tô propondo para bet, ou sei lá, não é que eu quero que as pessoas possam falar qualquer absurdo na internet, não é isso que eu tô propondo.
Vocês não podem falar que a Terra é plana. Então isso tem que ser proibido desde o Eratóstenes.
Infelizmente ele pode falar, sabe?
Não dá para falar em termos de ciência.
Nossa, deve ficar tão chocado se tu vivesse no YouTube.
Pois é, mas sabe por que isso é?
Eles também falam que física quântica é misticismo.
É outra coisa que, se eu entendo dessa tal física quântica, eu não, não é que eu não posso permitir, eu não posso ficar quieto. Isso, quando eu vejo um charlatão, assim como se um sujeito fizer um charlatanismo médico, você não pode permitir ele fazer isso na rede.
Esse é o meu ponto.
Porque, Paulinho, aonde que nós vamos parar?
Mas esse é o meu ponto. Lá no Conselho Federal de Medicina, o que que é o meu esforço? É fazer o médico bom falar. Porque não adianta você correr atrás do sujeito que tá desinformando, não adianta você correr atrás do sujeito que tá utilizando, sei lá, o que é a crença da pessoa vulnerável para vender coisa que ele não precisa. Não adianta isso. Quem faz é a polícia.
Agora você falou uma coisa que é certo.
Não adianta policiar. Então o que adianta é assim, o que ficou muito claro para mim hoje é que a gente tem um problema de equilíbrio de forças. Então aquela história, não basta. Aliás, o mal ele não precisa, ele não precisa do bom, se ele virar mal, para o mal prevalecer. Ele só precisa do bom ficar quieto. Então, o que que a gente tinha que ter? A gente tinha que ter médicos de uma forma— quando a gente fala da medicina, por exemplo, de coisas que são antiéticas e que são imorais, né?
O que você precisa? Você não tem que ficar caçando ninguém, você tem que pegar um monte de gente E botar essa gente para falar o que é.
Então agora você falou uma coisa que eu acho isso muito aproveitável. Você como comunicador, me desculpe perguntar, mas eu gosto de perguntar, você como comunicador, você abriria o teu microfone para alguém dizer que a Terra é plana ou que mecânica quântica? Como é que você vê isso?
Primeiro que eu, para eu chamar um cara aqui, ele precisa chamar minha atenção de alguma forma, né? Tá, vamos dizer que ele chamou minha atenção porque ele tá falando que a Terra é plana, e já aconteceu antes, tá? Sim, mas a vibe é meio chacota, é meio pegar no pé, é meio uma pera aí. A vibe é uma conversa, é quase como o que eu acredito. E vamos dizer que a gente tá, eu estou tendo uma conversa com um cara desse e ele fala para mim que a Terra é plana, minha primeira reação é achar que ele tá de sacanagem.
Você acha que ele vem para zoar mesmo assim? Aquela coisa assim, não, não pode ser que você acha mesmo isso.
Aconteceu uma vez que eu achei, era o Super Xandão, tá? E não tô falando isso para diminuir o canal, é o que o Super Xandão, ele é um streamer, ele fazia streamer, é isso mais ou menos que a gente tá fazendo, só que no caso dele ele fazia de LOL na época.
Ele era, ele joga videogame na internet para as outras as pessoas verem.
Isso funciona para caralho. LoL é um jogo, é um jogo que jogam 5 contra 5, então tem sempre 10 pessoas jogando para gerar o hate nas pessoas.
É uma cópia assim mais fácil de Dota. Dota é um mod de Warcraft 3, velho como eu já. Você jogou Warcraft 3 comigo, lembra? Era um mod de Dota, é uma modificação do Warcraft 3 que foi criado pelos jogadores E aí você pegava os personagens e saía batendo um ponto.
Era um jogo mais simples que o LoL, e o LoL foi muito popular, muito popular, muito popular. E aí o Super Xandão, ele falava na live dele lá da Terra Plana, eu achava que era sacanagem. Então para mim era graça, era gracinha, entendeu?
Não, né?
Quando ele chegou, a gente foi trocar ideia, ele tava muito bombado mesmo, muito bombado, tava funcionando muito, Super Xandão. E ele é forte, tá ligado? Ele era o último herói da Terra. E aí esse cara entrou nessa de Terra plana e eu achei que era brincadeira. Não era. E aí pouco tempo depois, o Sacani, que é um cientista, mandou no Twitter lá, porra, caralho, o cara tá falando que a Terra é plana, não sei o quê. E aí a gente trocou uma ideia com um cientista para falar, cara, não é bem assim, a Terra não é plana, pelo amor de Deus. Então é o meu ponto de vista.
Pelo amor de Deus, o único argumento. É o único argumento.
Conheço as pessoas de falar absurdo, porque eu, como eu não acho que eu sou um monstro, eu acho que dá para a gente, para eu me colocar como contraponto muitas vezes das coisas que são ditas aqui, não necessariamente colocando a faca no pescoço do cara.
Então, fazendo, sabe o que que você tá fazendo? O que o Putin não descreve com argumento do do Turing.
Caraca, hein, que elogios! Aí sim, hein?
Não, não, sabe o que é constatação? Não tá certo, entendeu? Você está simulando. Simular significa você está computando aquela, aquelas informações. Você tá simulando para ver se aquele cara é uma máquina ou não, para ver se aquele cara é um idiota ou não.
Políticos em geral Em geral sim, vou te falar.
É isso que você tá falando, um político em geral sim.
Mas e aí não precisa falar quem, mas já teve alguém que na sua frente falou, putz, esse cara é um jumento? Muitos.
Você falou assim, né, ferrou, né, velho, que que eu fiz?
Mas aí tem acontecido pouco. A última vez que eu errei não faz tanto tempo assim, mas já fazia muito tempo antes, entendeu?
E mas tem uns cara que você acha que mudou no Igão lá do começo, cara, Você fez o episódio 1 do Flow para agora, assim, o que que você desenvolveu? Paulinho falou, por exemplo, de consciousness, que a gente vai evoluindo ao longo do tempo e mudando. O que que foi o seu consciousness?
Eu acho que eu desenvolvi um monte de coisa. Por exemplo, eu acho que eu tenho um bom grau de confiança, eu consigo saber se você tá mentindo, por exemplo. Com um bom grau eu consigo, eu consigo fazer, sabendo a tua idade, olhando para tua cara, sabendo a tua idade, e basicamente a tua idade. E se você me der 5 minutinhos para conversar, para eu saber, ter uma historinha de onde tu vem, o caralho, eu consigo assumir várias coisas sobre você e 80% das vezes eu tô certo.
Os cara já viram acontecendo ao vivo um cara parado aqui assim falando, pô, tu gosta de tal coisa, né? Tu fez tal coisa assim, né? Tu curte essa parada assim, né? Tal conteúdo te interessa, né? Porque eu que eu já vi muitos exemplares de seres humanos, basicamente, em vários lugares diferentes, de várias posições de poder, níveis de posições de poder. Então eu já comecei, sabe, esses, esse, e eu gosto de observar. Então eu vou num show, por exemplo, show, show assim, show, vou no show do Sorriso Maroto, tá bom, que é um dos melhores shows feitos por artistas brasileiros.
Depois eu já Sensacional. Eu acho que o do Sorriso Maroto, ele tem um— eu amo, muito sinistro, eu gosto muito. Eu nem sou do cara do pagode, tá ligado? Mas o show dos cara é muito, é outra parada. Eu vou no show do Sorriso Maroto, do Belo, do Pericão, de quem for, música eletrônica menos, mas é, eu fico observando o que que o cara preparou para aquele show. Eu não, tu não vai me ver dançar, tu vai me ver vidrado no entender, cara, olha como ele passa informação para aquele cara.
Olha, aquele vídeo tá passando nesse momento, ele não é à toa, né? Eu observo, eu vou num lugar, uma vez eu fui no lançamento da série do Galvão Bueno, foi legal para caralho, porra, da gente foda, não sei o quê. Mas pô, fiquei um tempão dessa noite trocando ideia com segurança, porque ele tem uma perspectiva completamente diferente daquilo que tá acontecendo do que os outros caras que estão ali para curtir, tá ligado? Isso me fascina. Eu acho que a coisa mais legal do ser humano é a experiência que ele teve.
Isso chama flâneur. É um flâneur.
Você não pode arrumar um gato.
Então eu acho que olhar, ver as pessoas em operação, além de me dar um monte de informação sobre elas, me dá um monte de material para eu pensar. Eu penso, o mais legal é, caralho, por que o cara escolheu isso, fazer isso?
O que que decidiu?
O que que formou essa decisão?
Existe, vamos pegar uma coisa, a Terra é plana é muito muito óbvio, muito ético, né? Mas alguém que defendesse o estupro, por exemplo, esse cara, nós estamos tratando de algo proibido, tá?
É muito difícil um cara desse vir aqui porque primeiro que ele, primeira coisa que, primeiro impulso que temos é prendê-lo, né? Então é, vamos dizer que esse cara pagou todos os, foi Foi preso, caralho, não sei o quê. Ainda assim não me desperta o interesse necessário para eu trazê-lo aqui, porque a minha conta sempre é: o que eu posso fazer aqui no caminho de fazer as pessoas pensarem um pouco melhor? Como eu aumento a qualidade do pensamento das pessoas?
Então vamos pegar uma coisa numa faixa, por exemplo, hoje existe a sociedade chegou num ponto com relação à questão racial, né? Eu não sei se esse é o termo correto, aí é difícil a gente usar os termos corretos, não é? Mas, ou a relação dos gêneros, não é?
Que existe uma série de assuntos que você não pode falar, gente, que defende muito bate de um jeito e do outro defende do outro. Isso cria uma tensão.
É, aquilo cria uma tensão. Como é que, e aí, como é que lida? É uma, olha, eu, eu acho um economista que vai falar, por exemplo, sobre aspectos positivos da escravidão. Eu já vi argumentos desse tipo, que a humanidade se encontrava no momento que era legal você ter um, aquele sistema se justificava.
Nossa, até imagino que tenha sido.
Hoje, veja, isso hoje não é uma questão econômica, essa é uma questão, sim, até que jornal que ela trabalha, cara.
Eu acho, putz, eu, essas pessoas, cara, um cara que é, um cara que pensa assim, ele só pode ser burro, ele, ou desonesto. Ou ele é burro ou ele é desonesto, ou uma coisa.
Aí é um paradoxo, porque todo desonesto é burro. Veja assim, porque você tá pensando aí, aí você entra no conflito falando assim: não, mas o cara ele consegue enganar isso, enganar isso. Não confunda inteligência com esperteza. É aquela velha história: você engana muita gente pouco tempo, engana pouca gente muito tempo, mas não engana todo mundo o tempo todo.
E o cara que percebeu que um absurdo X, um absurdo X é um absurdo, tá bom? O cara descobriu que X é um absurdo, dá bom falar de X mesmo sendo X um absurdo. Ele nem acha X, mas ele viu que ele ganha dinheiro quando ele fala X, mas ele não acha. Eu vejo isso com frequência, tá? Eu vejo o cara que não acredita no que ele tá falando e ele fala assim mesmo, tá bom? Nem precisa um puta absurdo. Mas não é muito comum, mas é comum um cara que tá falando uma parada que ele não acredita.
É mais comum em políticos, tá? É mais comum por isso, na minha, do meu ponto de vista. Então esses caras que é, nesses caras, esses caras eu fico puto porque eu sei que ele não acredita no que ele tá falando e ele tá falando só para falar, ele tá falando só para causar.
Ou porque ele tem uma agenda toda que ele vai construir uma questão com tudo aquilo, né?
Ele falar X produz para ele votos, por exemplo, produz para ele alguma coisa, mas nem acredita em X.
Mas a inteligência desse cara tá condicionada não ao que ele fala, a se ele conhece quem tá ouvindo.
É verdade, às vezes esses caras são bons vendedores, né?
E aí a capacidade dele entender quem tá ouvindo, o módulo todo o discurso dele. O que acontece é que, como você tem muita informação jogada, inequivocamente, em algum momento, informação que ele falou para um tipo de plateia chega: ó, você viu que fulano falou isso?
Ô, louco!
Nossa! Então existem políticos que falam certas coisas, por exemplo, que dada a plateia, não adianta você mostrar para a pessoa: ah, olha só, a pessoa vai concordar. Exato, porque não é um problema de opinião, é um problema de ideologia. É clássico que eles ficam fazendo, ah, fulano, olha, que que você acha de tal frase? Ah, eu acho isso, isso, isso, tá? Mas foi fulano que falou. Ah, então ele teve uma razão para isso, foi uma coisa assim, parará, parará. Isso quem determina não é a pergunta, a pergunta é a plateia.
Perfeito.
Quem que tá ouvindo, porque ele sabe muito bem que se ele for, por exemplo, para um trabalhador da CLT, ele vai usar determinados argumentos. Se ele for para um empresário, ele vai usar outros argumentos. Se ele for para um mega empresário, ele vai usar outros argumentos. E aquela história, o que existem são fatos e argumentos, que não são sinônimos. Aonde que a coisa ela é misturada? Aonde que a misinformation, onde a desinformação acontece?
Acontece quando as pessoas tratam argumentos como fatos e fatos como argumentos.
Perfeito.
E tem gente que sabe fazer isso muito habilmente, mas quem faz isso aleatoriamente, que chega e tem uma opinião, eu acho que é uma pessoa burra. Por quê? Porque ela confunde autoridade com fama. E a gente tem muito isso na internet. A fama, ela pode te render um nome que apareceu no primeiro momento, mas ela não se sustenta. É só olhar a história, Igor. Eu tô na internet desde 2005. O meu canal do YouTube foi o canal, eu tinha um dos maiores canais do YouTube em 2007, 2008.
Eu tinha 550 mil seguidores, cara, em 2007, 2008. É maluquice, é maluquice. Só que aí o que que aconteceu? Eu tive uma situação que fica para outro episódio, mas eu tive que apagar meu canal. Eu fui reconstruir ele de novo em 2016 e hoje a gente tem 1 milhão e 400 mil seguidores. Quer dizer, a base, né, não cresceu o que ela poderia porque foi interrompido durante 10 anos praticamente e voltou, mas sempre consistência. E observei, gente, entrar entrar e sair.
E observei, gente, aliás, subir e cair. E todo mundo sobe durante o período, cai durante o período, volta durante o período. Agora tem gente que some. E o que que acontece com essas pessoas que somem? São as pessoas que elas contaram aquilo daquele momento porque o objetivo era fama.
Agora, Paulinho, pergunta, senhor, a pessoa some, mas Mas o tema da pessoa, aquilo que fez daquela pessoa aquela pessoa, aquilo continua mesmo que seja em outra pessoa?
Essa pergunta é essencial, ela é sensacional. A resposta que eu observei é que sim, né? Essa— só que o que que acontece? Muda o discurso. Por quê? Porque a pessoa que surgiu com aquela mesma retórica, ela percebeu que o público mudou. Vamos pegar, por exemplo, uma coisa que é, entre aspas, novas: peptídeos. Você ouviu falar de peptídeo já?
Já vi os nomes só.
Você imagina que uma coisa que assim é reservada para emagrecimento, desenvolvimento muscular, performance, estética, né, chega no senhor que não tem um interesse estabelecido sobre isso. Mas peptídeo, pai, existe desde a década 1970. Tem alguns peptídeos, por exemplo, aquele GHKCU. GHKCU, ele existe desde 1973, e na época ele foi aprovado para fazer sérum e para fazer creme. O que que o pessoal fez agora em 2026? Inventou de injetar.
Pô, a mesma coisa você injetar creme Monange. Parabéns, vai lá, vai ser, vai ser uma ótima ideia.
E vocês ficariam assim perplexos o quanto de gente tem fazendo isso daí, que é na linha do que o Paulinho falou, uma coisa que eu trago assim para nossa prática diária. Você acha que eu preciso ter lábia para falar para um paciente como é que usa um tratamento, para fazer o paciente tomar uma decisão a respeito da medicina ou do que ele precisa fazer de tratamento? Você acha que eu e o Paulinho, a gente senta, por exemplo, aqui e fala assim, ó, eu sei melhor do que você porque estudei muito fazer.
Não, a gente tá fazendo exatamente aquilo que o Paulinho comentou. A gente conversa, a gente demonstra assim o que são os fatos. Ele pode perguntar e falar assim: ah, mas e se eu injetar o GHKO, eu não vou ficar com a pele? Olha, por que que desde 1973 isso daqui não evoluiu dessa forma e ninguém foi, por exemplo, buscar uma evidência sólida e robusta a respeito disso daí?
Ou mais simples que isso: por que que a Pfizer, por exemplo, não fez? Por que que a Lilly não fez? Meu irmão, peptídeo mais bem-sucedido da história chama tirzepatida.
Exatamente.
Eu tomo esse remédio.
Não toma, pai.
Não, que toma, pai? Você não toma nada disso?
Não, não é um remédio parecido. Não, você não toma nada disso, né? Ah, essa mesma.
Ah, não, não tomo, amor.
Então, o que o Paulinho falou é uma linha interessante. Por exemplo, quando o Paulinho começou com as coisas do que ele faz assim, obesidade é porque era preguiçoso, porque você não acorda 5 horas da manhã e tem um plano de negócios, porque você só come. Hoje você já vê que, por exemplo, as pessoas começaram a entender: obesidade é uma doença, a gente tem um tratamento, a gente tem um caminho para seguir. Hoje é inadmissível alguém virar para você e falar assim: aquele cara lá é gordo porque, cara, que ele não tá acordando 5 horas da manhã para correr triatlon.
Ele falou, meu irmão, Qual que é? Agora, mais que isso, quando eu tava na faculdade de medicina, por exemplo, o que que se falava das doenças metabólicas? Que não adiantava mexer em estilo de vida, que tinha que mexer com droga mesmo, é remédio, remédio, remédio, remédio. Hoje vai para qualquer tipo de congresso que fale de doença metabólica, nutrologia, medicina esportiva, endocrinologia, e fala contra estilo de vida, na hora os cara fala não.
Tem que mudar estilo de vida. MEV tem que mudar. É mudança de estilo de vida. A droga é um facilitador para você fazer mudança de estilo de vida. Hoje a gente trata doença crônico-degenerativa como devia ser, né? Diabetes, hipertensão. Você acha que alguém chega, você acha que alguém chega e fala— é verdade, você acha que alguém chega e fala assim: olha só, você precisa de um pouco mais de disciplina para sua pressão não subir hoje.
É, meu irmão, segura firme aí que não vai subir o seu açúcar no sangue não.
Que conversa idiota é essa? É a mesma coisa que você fala para um cara que tem obesidade, para ele falta disciplina, para ele falta propósito.
E você não precisou proibir ninguém de falar, não, para você fazer isso.
Mas a gente teve que construir isso, pai.
Construiu esse processo no sentido de dando voz aos bons, aos competentes, de alguma forma.
Pai, eu faço o possível assim, eu tenho que partir do pressuposto que o problema também pode estar comigo. Tá? Então eu me sinto muito incapaz de julgar quem é bom, quem não é. Eu acho que existem pessoas que elas trazem fatos que são, que são críticos, né? Então, por exemplo, quando você pega uma pessoa que ela tem experiência de tratar milhares de pessoas, né, ou que ela já estudou centenas, talvez milhares de artigos mostrando que o desfecho, quando você faz uma mesma coisa, o desfecho é sempre o mesmo, Quer dizer que o que tá errado é o método, o método de, ou essa forma de lidar, por exemplo, com obesidade, que é o que a gente tá falando, como se fosse uma responsabilidade da pessoa que tem obesidade, tá errada, tá errado.
Então, mas você não proibiu, que é para usar o seu argumento anterior lá atrás, você não proibiu ninguém que falasse que a Terra é plana desse jeito aí. Sim, não quer falar isso é equivalente a dizer que a Terra é plana.
O que eu falei é que eu fiz live todo dia e falei tudo de uma vez.
O argumento correto é isso que eu chamo essa melhoria da humanidade. Você tem que de alguma forma apostar nisso.
Eu aposto, eu gosto desse sentido. Tem uma, mas eu tinha uma visão, cara, que era um pouquinho mais até romântico, eu diria, que eu achava que a gente conseguia, que eu, que a gente ia conseguir fazer com que as pessoas— vamos lá, eu vou chamar aqui, por exemplo, eu vou chamar o cara que defende A, o cara que defende B, em programas separados, com tempo para todo mundo falar o que tiver que falar. E a gente vai, e aí as pessoas que estão assistindo aqui vão chegar a uma conclusão, sei lá, vão colocar as ideias delas, a própria, elas vão estar, né, se colocando na frente de um cara que tá falando o oposto do que elas pensam.
Cara, o resultado é, não é assim que funciona. O resultado é, o cara até tá de frente com um cara que fala o oposto que ele pensa, mas ele tá aqui só para bater, ele não tá aqui para entender nada ou validar que a visão de mundo daquele cara ali é válida. Então, aí eu tô mais naquela, né, cara? Eu não consigo dar a luz, não eu não consigo ajudar uma mulher que não tá grávida a dar à luz. Então eu preciso que as pessoas primeiro se empreendam da vontade, e aí eu estarei aqui fazendo.
Na verdade, não precisa nem— eu posso estar até parado. Se olhar o que o Flow fez ao longo do tempo, vai ver que o objetivo era fazer todo mundo pensar melhor. Melhor, você nem precisa— não sei se é melhor, acho que é melhor, acho que é um pensamento mais Olha como essa ideia que existe, ó, e vem de um cara respeitável. Olha como essa ideia que existe, ela é construída em cima de uma vivência e de uma observação da realidade sólida, né? O cara não só tirou isso do cu e tá falando, né?
Isso é o que você falou, é um ponto interessante, porque assim, eu como médico dermatologista, eu trato um monte de doença muito louca que destrói a vida dos pacientes. Pacientes. Uma das brigas hoje que eu tenho, por exemplo, para ajudar mais pacientes é o seguinte: tem uma doença que chama alopecia areata, ou alopécia areata. Cai todo seu cabelo, cai sua sobrancelha, cai seus cílios. Assim, a gente precisa fazer as fontes pagadoras assim.
Então, por exemplo, o plano de saúde, ele tem que entender que isso é uma doença. Então olha isso, a doença já existe há milhares de anos, eu tenho um monte de evidência evidência científica, mas eles viram para a gente falar assim: mas isso é doença mesmo? Mas é só cabelo. E aí a gente tem que mostrar: é uma doença autoimune, as pessoas sofrem por conta disso, eu tenho tratamento que pode revolucionar a vida desse paciente.
Inclusive tem tratamento autoimune, pode ter outra doença autoimune.
E aquilo, se às vezes uma coisa que para você parece que é só uma coisa estética, para esse paciente que tem, a gente vê a diferença entre, por exemplo, O cara tá depressivo pensando em, por exemplo, não estar mais aqui, e quando você começa o tratamento, vê o cabelo crescendo de novo, muda completamente a pessoa. É nessa linha, exatamente o que você falou. Só que olha a narrativa inteira que eu tenho que construir. Eu tô partindo do seguinte, coisa, eu tenho tratamento, eu tenho um monte de coisa para fazer, mas eu preciso mostrar para as pessoas lá atrás, cara, isso daqui é uma doença mesmo.
Então é esse o ponto, é louvável isso daí que você fez. E eu entendo essa sua luta justamente porque é a minha diariamente, mostrar assim que uma doença, cara, é de fato uma doença que tem um impacto. E a gente vai indo por esses caminhos assim. Qual que você acha que foi sua maior dificuldade para trazer essa questão do pensamento?
Na real, eu vou te falar que eu desisti de— porque a ideia inicial era uma de, porra, nossa, que eu vou ajudar as pessoas vão que assistirem o Flow, elas vão ser capazes de, porra, de sei lá, e se desenvolvendo do ponto de vista intelectual. A gente tá falando dos assuntos aqui, uma porra faz, olha esse assunto que a gente tá tendo aqui, a gente é uma curadoria cuidadosa para fazer umas parada legal para as pessoas pensarem, caralho, olha, não tá funcionando, elas não pensam.
Então tá, então o que que elas querem? Elas querem entretenimento, né? Então tá, então entretenimento haverá, mas eu vou enfiar no meio Uma mensagem, uma coisa legal, entendeu? A gente vai dando aqui, sei lá, os breadcrumbs para o cara. Quem sabe um dia ele fala, caralho, é mesmo, eu não tinha pensado por esse lado. Que mais que eu não pensei por esse lado, tá ligado? Que é só isso. Quando o cara faz a primeira pergunta, que é, será que eu tô errado?
Aí fodeu, desbloqueia tudo. Aí ele engravida, e aí eu tô lá, vou estar lá fazer o parto.
A questão é que você precisa de uma ousadia para fazer isso. Isso, que é desafiar a pessoa a sair do lugar de conforto que ela tem, porque isso gera pertencimento. Então, o que que a gente brinca, né, e fala aqui, que a pessoa ela se vê sozinha com problema, primeira coisa que ela procura é abrigo, a segunda é comida, a terceira é companhia. E na verdade, quando você oferece para pessoa a possibilidade dela atingir um novo entendimento, ao mesmo tempo você pode estar oferecendo para ela um misfit.
Você pode estar oferecendo um: olha, mas você nunca mais vai se encaixar nessa, na sua, no seu intervalo de conforto da maneira que você encaixou. E as pessoas buscam isso de certa forma. Quanta gente não acaba dizendo, negando percepções próprias, raciocínios próprios, valores próprios só para pertencer num grupo.
Mas com certeza é isso que você construiu ao longo do tempo, de dar os espaços para diferentes opiniões, para guardadas as devidas proporções, para falarem. Eu acho que é uma coisa assim fundamental, que da mesma forma como você falou assim, você falou assim, Gui, não, você fala de umas doenças, fala de umas coisas. Eu lembro, por exemplo, seu episódio com o Jones Manuel. Pô, cara, é assim, as perguntas que você fez, as eloquências que você colocou os pontos que ele explicou assim trouxeram, cara, uma mudança de visão.
Tenho certeza para muita gente que tava olhando, falou assim, pô, nunca tinha parado para pensar desse jeito.
Tá a fim de parar para pensar.
Mas o cara que vem aqui ver o Igor, ele, ele tá já nessa pegada, né, cara?
Tem bastante gente que sim, sim, tem bastante gente que sim, mas não é a maioria. E é um erro entrar numa, acreditar na ilusão que que é um objetivo alcançável, na minha opinião.
Mas pelo menos você ajuda pessoas a organizar, curtir a jornada. É isso, é importante.
Eu não acho que eu não vou, mas você gosta do que você faz? Eu acho, eu gosto, eu gosto do que eu faço.
Eu gosto do que eu faço, sou apaixonado. Pai, gosto. Pronto, é aquilo, né, cara? Você tava falando, a maioria das pessoas que você trouxe aqui, você sempre trouxe pessoas assim que gostam gostar do que faz.
Eu entendo que você tá falando de gostar do que faz, e eu também não vejo uma— o nome é teleologia, né? Uma finalidade exclusiva, única e direta, e isto vai gerar aquilo, um determinismo absoluto assim que não, eu vou fazer isto porque eu vou fazer um mundo melhor. Não, não é isto. Eu vou fazer isto que eu vou fazer isto, eu vou fazer um bom flow. Isso, a minha capacidade é fazer um bom flow. Eu não tenho capacidade de engravidar as pessoas lá do negócio.
Isso é um, é em segunda ordem que isso acontece, ou em terceira ordem. Mas a capacidade sua, e aonde você pode pôr o seu esforço, é fazer um bom trabalho nessa mesa.
Você viu que a gente tem que fazer, né? Essa mesa é foda, essa mesa é demais. Você vai ter que dar para ele.
Essa mesa é coisa louca.
A gente tentou fazer uma mesa dessa no sítio, cara, pesava tanto, cara. Aí o meu pai virou para mim, que isso foi sacanagem, né? Vai lá, Paulinho, põe ela em cima do— põe ela em cima, faz um toco. Aí eu peguei, eu falei, cara, Vou fazer 3 tocos, porque 4 vai ficar pensa, né? 3 não vai. Mas era tão pesado, tão pesado. E aí ele começou, e ele começava a puxar: ué, você não é forte?
Você não é forte?
Mas tá lá, a mesa tá onde você pôs lá.
Ninguém nunca conseguiu tirar, porque eu consegui pôr a porra da mesa no lugar e mexeu na mesa.
Mas a gente também tem os nossos momentos assim de tirar um sarro do meu pai. Então eu vou deixar o Paulinho contar essa história que é engraçada. Conta quando a gente tava assistindo You e aí eu e você tivemos uma brilhante ideia de ligar para o pai de noite por conta do porão.
Assistindo o quê, cara? A gente tava Carnaval, meu, o Guilherme tava em casa.
E o Guilherme, assim, para quem não tem esse contexto, é um grande arrombado, tá? O cara comprou um monte de patinho, espalhou, por exemplo, no consultório do Muse, né?
300 patos, cara.
300, 200 patos.
Provavelmente tem pato até hoje. E ele deixou um patinho assim, né? E aí ele— eu sempre chego, se o meu computador tá com a tela fechada, o Guilherme passou lá na sala.
E aí tava assim, também uma vez que eu imprimi um QR code para ele de um gorila fazendo assim.
É sofisticado. Aí eu achei lá, meu, a cartinha que tava assim. Oi, nós somos Eu Me Perdi da Minha Mãe e Conto com Você para Ajudar Eu e Meus 199 Irmãos Achar a Nossa Mãe. Cara, o Guilherme, ele quebrou o forro de onde tá meus diploma para enfiar um pato lá dentro, cara, e o pato tá inalcançável. Então muito provavelmente daqui 200 anos, quando o cara, sei lá, aquilo for de outra pessoa, o cara quebrar aquilo e quiser reformar, caralho, velho, tem um de 200 anos aqui, mano.
Eles vão falar assim, o Paulo Musi fazia umas coisas ocultistas com pato, não sei o quê, cara. Que negócio é esse?
Só tinha meu irmão babaca.
É, não, eu vou estar tipo na minha cadeira de rodas lá assim, tipo, era carnaval, eu e o Guilherme, a gente tava assistindo TV, Roberto tava junto, só que o Roberto tava vendo outras coisas. A gente tá assistindo um filme e o filme tinha um porão, e aí a gente começou a falar, eu com ele Cara, já pensou que legal a gente ter um porão? Puta, ia ser massa, a gente podia fazer isso no porão. Aí eu não sei quem foi e eu não vou assumir essa treta sozinho, mas eu admito que fomos nós dois.
Cara, já pensou que legal se tivesse um porão lá no sítio? Aí um dos dois levantou e falou assim, cara, vamos pedir para fazer um porão para o pai. Aí um dos dois falou assim, não, velho, ele não vai querer fazer. Não, mas vamos pedir para atormentar ele. Era 11 e pouco da noite, a gente ligou, a Roberta só levantou, olhou assim: vocês não estão ligando para o seu pai fazer isso? A gente tá assim.
Calma aí, faz um parênteses. Pai, o que que você pensou quando você recebeu uma ligação?
Vocês têm endoidado de uma vez.
Não, quando você viu que teve uma ligação, alguma coisa séria.
Claro que era sério, alguma coisa séria, né?
Muito sério.
Aí o Paulinho vai terminar de contar o que que ele falou para gente.
Pai, a gente quer fazer um porão na fazenda. Mas Paulinho, meu filho, não, pai, escuta bem, a casa já tá de pé, não tem como fazer, vai dar um trabalho. Não, pai, a gente cava, a gente cava e vai por baixo. Ele: não, mas Paulinho, isso é para ver como eu levo a sério.
Isso vai dar infiltração, não tem como, tem que levar em consideração lençol freático assim. Não, pai, mas dá jeito, é só impermeabilizar assim.
Foi, ó, puta que pariu, perturbando o cara.
E tô achando que era sério, porque se tu desse mole virava sério, virava sério.
E sabe que eu ainda penso em fazer um porão por causa disso que vocês me anucularam.
A ideia é interessante, é muito boa. A gente teve ideia, o Guilherme ligou uma vez para ele falando que tinha comprado um fogão industrial. Mas onde eu vou pôr isso, menino? Uai, aí põe aí, é uma fazenda, não falta lugar.
Eu relembrei, falei assim, qualquer coisa a gente põe no porão também.
E teve um dia que eu liguei para ele, falei assim, pai, comprei um caminhão, posso deixar? Paulinho, você sabe quanto é difícil fazer uma garagem para um caminhão, meu filho?
Você vê como eu levo a sério meus filhos.
Um dia eu vou chegar com um caminhão na garagem, eu vou buzinar, eu vou buscar.
É possível.
Tem que levar ele para dar um rolê lá na Porsche Cup, cara.
Eu quase— então a gente tá programando isso, né? Mas eu não sei se ele— o senhor andaria comigo no meu carro?
Claro, com você eu ando.
Pronto, ó, 4 a 6 de setembro, deixa marcado esse final de semana. A gente vai correr Interlagos, eu vou levar você para dar uma volta comigo.
Então, olha que maneiro!
E vou com satisfação.
Ele já sabe até que ele tá em São Paulo.
Esses cara tem a vida regrada, né?
Meu pai, né?
Não, porque hoje eu marquei, eu hoje eu marquei um compromisso de fábrica em São Paulo. Eu marquei um compromisso em São Paulo nessa data, José. Eu vou ter que estar aqui. Mas você sabe que essa história da fake news e dessas questões todas que a gente tá discutindo, existe uma área de ópera, da ópera O Barbeiro de Sevilha, que é uma história de um sujeito que precisa fazer uma calúnia Ele é um professor de música e ele precisa fazer uma calúnia para impedir que uma aluna dele seja cortejada por um cidadão que tem lá.
E ele tem que fazer uma calúnia contra o cidadão. No fundo, ele tem que inventar uma fake news, tem que inventar uma mentira. O cantor que canta isso é um baixo, não é? O Dom Bártolo, que é o personagem. Vocês viram a ópera, vocês lembram lá? E ele E é legal falar de ópera no teu programa porque é um belíssimo programa cultural.
Todo mundo já ouviu também, essa aí tem no Pica-Pau, né?
E nessa área, o Dom Bártolo canta o que que é uma calúnia, como é que a gente faz uma calúnia. E é muito bonito porque ele diz, olha, uma calúnia, la calúnia é um venticello, é um ventinho que vai ronzando, vai ronzando, que incomincia levemente, lentamente, sutilmente, né? E ele vai arronzando, vai arronzando e se transforma num terremoto, um temporal. É que falar é rebombar. Esse é o princípio do negócio da música. E o que que, o que que ele ensina?
Que como é que você faz uma calúnia? Não adianta eu fazer uma calúnia: o Paulo está com uma camisa preta. Não adianta ser uma verdade, ou não adianta ser algo que eu possa medir e ver que ele está de camisa preta. Tem que ser algo também, não adianta eu falar ele está de camisa branca, porque eu posso ir lá e medir que ele tá de camisa preta. Tem que ser algo que eu não possa medir, tem que ser uma fake news. E o Dom Bartolo ensina como é que se constrói uma fake news.
Isso eu tô falando 1800 e É 1860, 1870, mais ou menos, né? E a literatura já tinha produzido esse problema da fake news. E como é que a gente lida com isso, né?
Não é? É. E hoje, hoje o problema da fake news é justamente que ela— bom, são duas coisas que eu acho. Eu acho que primeiro a gente tá meio calejado. Eu acho que o auge das fake news já passou. Eu acho que assim, a inteligência artificial, rosto dos outros, voz dos outros, não sei o quê, a gente sabe que é possível e isso já é uma vantagem. Quando a gente tava lá atrás, quando fake news foi algo que estourou, assim, tô falando na era das redes sociais, tá?
Então 16, 17, 18, 20 e pouco, né? Nessa época as coisas eram muito mais... Tu acreditava, tu caía muito mais fácil.
Que a Terra é plana.
Sim, sim.
Que a Terra é plana.
Hoje você acha que é tipo...
É típico porque a pessoa simplória não vai saber medir se a Terra é plana ou não.
Mas é que hoje a gente já... Por exemplo, hoje estamos vivendo um ano de eleição. Está se falando de que nas eleições provavelmente vai ter umas paradas de fake news de não sei o quê, que quando teve lá o papo, um monte de papo de fake news muito lá atrás, inclusive de, sei lá, mamadeira de piroca, por exemplo, era uma primeira vez, a pessoa não sabia lidar com essa porra, entendeu? Era, tá vindo uma informação de alguém que eu confio, que parece real, ela é formatada de um jeito que é formatada a notícia real, e eu, caralho, eu acho que é real. Hoje, em 2026, a gente já faz ideia do que que é Você vai duvidar, né?
Você vai duvidar bastante a respeito do que tem, né? Claro que vai ter gente que vai acreditar direto, mas também vai ter gente que vai duvidar.
Mas eu acho que o impacto será muito mais brando.
Isso que você tá falando é muito importante. Isso que você tá falando é muito— eu não vi ninguém falar isso aí.
E tem a ver que isso é a tua experiência de comunicador.
Exatamente.
Isso que você tá falando aí, que as pessoas estão mais calejadas.
Isso daí é uma coisa que você sente, acho que ao longo do tempo.
E assim, e é meu dia a dia é ver isso aí, né, ficar olhando isso daí, hábito de consumo, etc., etc. E tem a ver com que eu disse anteriormente, que é, puta, será que os cara não tem que passar pela experiência e aprender, tá ligado? Agora eu realmente acho, tipo, a minha mãe já nunca, já não fica mais me mandando coisinha de fake news, entendeu? Minha sogra também não. Então eu sinto que as paradas já estão, ah tá, isso aqui não é. E ah não, primeira coisa, tá ligado?
Ou será que não é igual?
Então isso, a dica que era, era, porra, um troço que parece absurdo demais geralmente é. Tu acha que, já que em geral esses fake news acabam vindo do campo político, tu acha que o Lula ia propor uma mamadeira de piroca, por exemplo? Não é um pouco muito absurdo isso? Então para para pensar um pouquinho e ver legal aqui. E por outro lado, mesma coisa, tu acha realmente que o Bolsonaro falou que se tomar vacina vira jacaré? Eu, se tu pegar e for olhar o que ele falou, até ver que o contexto, ele não tava dizendo que o cara tomou vira jacaré, que não sei o que acontece, tá ligado?
Bate nele, mas bate por uma razão quente, né? Essa não é uma razão válida. Então é nesse sentido, eu entendi o que você falou.
Desde quando existe o conceito da navalha de Ockham?
1000?
1600?
Guilherme de Ockham, 1300.
E faz tempo, hein?
Então, Guilherme de Ockham, e aí Occam's Razor, né? O princípio do Occam's Razor é o quê? Se você tem múltiplas explicações para um fato, tende a mais simples ser a verdadeira, né? Então a gente brinca, eu brincava com meus alunos da da nossa, da época do Interligas ainda, né? Então você tá em Brasília, você escuta pocotó, pocotó, pocotó, pocotó. Ah, é uma zebra. Pode ser uma zebra? Pode, cara, pode. A zebra faz pocotó. Mas o quanto é difícil ver uma zebra nadando da África até aqui e chegar em Brasília, velho?
Ou ter fugido do zoológico, por aí vai, né? Né?
E tem também a navalha de Hanlon, que é um outro, uma outra, uma outra teoria, que é: não atribua malícia àquilo que pode ser pura estupidez. Então muitas vezes as pessoas fazem mal às outras não é por malícia, aí eu vou fazer, não, é por uma idiotice, é porque a pessoa é estúpida.
É que nem o povo que acredita na disparatização, entendeu? Fala assim: você tem diabetes é porque você tem verme dentro da barriga. Assim, você fala assim, velho, Não é possível, mas tem gente que não acredita.
Albendazol tratando diabetes.
Albendazol, exatamente.
Mas isso que tu falou, cara, porra, se eu queria tanto que a gente prestasse mais atenção nessas coisas, que se a gente fizesse, a gente prestasse mais atenção nessas coisas. Por exemplo, o cara que entra nessa daí dessa última navalha que tu falou, que eu não lembro o nome do cara, que ele vai achar que, por exemplo, alguém me fodeu. Foi muitas vezes esse cara tava apenas vivendo e eu tava ali, sou um colateral. A ideia de que tudo que acontece ao meu redor de ruim, por exemplo, foi pensado, me faz um egocêntrico do caralho.
Claro, o mundo gira em torno de protagonista do caralho, que tipo achar que eu sou pé frio já me faz um egocêntrico do caralho. Tipo, o universo tá prestando atenção se eu fui está no estádio, porra.
Tem outras coisas para prestar atenção.
Então eu acho que é, se você vestiu a camisa certa e foi por isso que a seleção perdeu, pelo amor de Deus, né?
Mas você vê como é fácil esse argumento apresentar para ancorar qualquer crença que a pessoa quiser. Então a gente vê isso o tempo todo. Paciente às vezes te conta uma coisa, fala assim, não, eu tenho certeza que essa doença começou porque, cara, naquele dia ali eu tive um episódio muito estressante. Pô, pode ter sido um desatilhe uma coisa que contribuiu, pode, mas não é exatamente aquela causa. A gente tende a marcar isso daí justamente porque lidar só com abstrato, que a gente lida, por exemplo, se eu vou discutir com as minhas residentes, fala assim, ó, por que que essa doença acontece?
O que que tá inflamado aqui? Como que muda isso daqui? Que célula que tá? É uma coisa que vai sendo abstrata. Agora, se eu falo assim, ah, porque estresse, né? Ou então assim, ah, porque comeu alguma coisa ruim e causou isso daí, dá uma sensação de segurança porque você não tá lidando mais com abstrato. É exatamente esse o ponto que você falou.
Só que é um comportamento estimulado.
Por quê?
Porque uma pessoa que pensa assim é altamente manipulável.
Perfeito.
Então quando você vê esses estilos de discurso, esses estilos de convencimento que apela pelo vitimismo, que apela pelo excesso de bajulação, que o que que ele tá querendo, né? Ele tá querendo te manipular, né? Ou então você é o pobre, o coitadinho que Vamos socorrer, vamos ajudar. Ou você, puta, você é tão foda, já que você é tão foda, faz isso para mim. Nossa, você é maravilhoso, não sei o quê, trabalha para mim aqui. Ou então, nossa, coitadinho de você, nós vamos te ajudar, mas primeiro faz isso daqui para mim.
Então, cara, é o interesse. E aí tem gente que lida muito bem com isso. E aí a gente cai de novo, né? Tem gente que sabe identificar muito bem a plateia que ele tá falando.
E os caras que são bons para cacete nisso aí. É bom, tem mensagem para a gente aí, Vitão? Antes das mensagens, no entanto, que eu imagino que o Doutor Paulo tá a fim de dormir já, né? Essa hora eu estaria fazendo conta.
Essa, bom, não tô ótimo.
Ó, os parceiros de hoje, tá? É começando aqui pelo BTG, cara, e a mensagem para você é o seguinte: você já ouviu falar na Copa BTG Trader 2026? Na Copa BTG Trader de uma forma geral, essa é a segunda edição. E a Copa BTG Trader é basicamente para você, não é para as pessoas que são do, só para as pessoas que são do mercado financeiro, mas é uma jornada, é uma competição para você entender mais sobre esse mundo. Você sabe o que que é trading, eu imagino?
Não, né?
Pois é, é você comprar e vender ativos bem rapidamente, geralmente em operações mais rápidas, mais curtas, né? O objetivo da Copa Trader não é, não é, sei lá, te fazer um trader. É o contrário, é te educar até lá enquanto você tá numa competição que tem formato de Copa. Então assim, tem fases, tem ranking, tem até uma grande final, e o grande prêmio, cara, é de R$1 milhão, tá? Então o último ganhador, ele era caneta-luz, que ele fazia a maior parte das operações pelo celular, inclusive.
O que quer dizer que dá para você aprender enquanto você tá participando da competição, que eu vou chutar aqui que é o principal objetivo, tá? Tem aqui o QR code, o link aí na descrição para tu conhecer um pouco mais sobre a Copa BTG Trader 2026, para tu se inscrever, faz lá tua inscrição logo, porque, né, por que não correr o risco de ganhar R$1 milhão e aprender uma uma coisa interessante sobre o mercado financeiro, que é o trade, tá bom?
E é o BTG que tá falando, tá? Não é, não é o Zezinho ali que tá fazendo aquela, naquela história de, pô, quem é que tá falando? Eu tendo a confiar numas instituições assim mais sérias, de renome, é isso aí, que tem coisa para perder.
Mas qual que foi assim a fake news, ou talvez além da urbana, mais assim intensa que você fala assim, putz, que a gente tem nisso daqui hoje, não acredito mais.
Anarcocapitalismo.
Você era o Enzo Gabriel, anarcocapitalista.
Sabe, anarcocapitalista é uma ideia de estar zero, tá zero. Então a gente faz contratos entre nós aqui para resolver nossos problemas. Então a justiça seria um ente privado que a gente contrata para arbitrar nossas coisas. Eu até acho que funcionaria se o ser humano médio fosse Madre Teresa cooptar, entendeu? Não é o caso.
Eu acho que a gente ia tentar salvar ela. Ela não é um bom exemplo, não.
Não é um bom exemplo, não.
Ela não é um bom exemplo, velho.
Ela é lindo.
É, não, ela assim passa.
Então, mas eu usava Gandhi, cara.
Gandhi não é um bom exemplo também, não, cara. Gandhi também pegava pesado.
Os caras, se o médio da humanidade fosse ninguém é cuzão, tava.
Ninguém fosse arrombado, ninguém é cuzão, dava.
Mas a gente precisa chegar na parte do ninguém é cuzão para muitas coisas que seria legal darem certo. E aí não era mais, aí não era mais humanidade, não era mais um problema.
É verdade, aí não era mais um problema.
Nossa, pai, tá foda hoje, tem tanto cuzão.
Acho que eles se reproduzem, infelizmente.
Um cuzão conhece outro cuzão, nasce meio por meio. E depois ele cresce e vira um cuzação, cara.
Não é o caso lá do BTG. Então vai lá, entra lá, Copa BTG Trader 2026, para você entender melhor sobre como funciona isso aqui. O QR code, link na descrição, porque senão os cara fica, pô, cara, deixou. Não, tem a Fluency também, que é um outro parceiro nosso. Lá na Fluency tu vai aprender a falar inglês, tá? Eu não tô falando de aprender regra, eu não tô falando de fazer exercício, tô falando de marcar ABC. Não, tô falando de você chegar num lugar e usar o inglês para valer, tá?
Eu sei que muita gente vai falar, mas eu entendo legal o que que o cara tá falando. Não, tá legal, mas aí tu entende para cacete, morre de fome igual. Não porque eu aponto, tá? Mas aí, porra, né? Quer destravar para valer? O único jeito de você falar, fazer isso— e eu já fui professor de inglês por um bom tempo— é usando, é falando, é se colocando numa situação que você realmente vai precisar daquilo. E lá na Fluency, desde o começo se você tem 2 horas de conversação por semana desde o começo.
E ó, a dica de hoje é: se tu usar o cupom FLOW, tu vai ganhar o dobro de conversação, tá? Então, ó, QR code aqui, link na descrição para tu finalmente desbloquear e falar inglês para valer, para tu viajar, para tu ser promovido, para tu ir fazer outra coisa da tua vida. Quer chegar nessa etapa? QR code aqui, link na descrição. E ó, usa o cupom FLOW Porque o dobro de conversação vai fazer diferença, tô te avisando. E um outro parceiro que a gente tem aqui é a Liv Up, cara.
E a Liv Up, pô, que me ajuda. Quando você chegou aqui e falou, pô, tá mais magro, né, cara? Um dos segredos com certeza é me alimentar melhor. A gente falou ao longo da conversa aqui sobre hábito, e é, e eu vi o que você falou em ação na minha vida. Como assim? Todo dia eu posso escolher um hambúrguer para almoçar, pode, ou eu posso escolher uma refeição para valer para almoçar, né? Todo dia eu sei lá, eu posso comer polvo, pizza.
É pizza boa, não com polvo.
Nossa, cara, tô com fome.
Você não come pizza não, pô? Se você quiser assim para comer, você até pode comer pizza, mas você sabe, Marquinhos, não todo dia, né?
Não todo dia.
Tu quer ter uma variedade?
Vocês estão Tô falando de comida, só lembrei que eu tô com fome, cara.
Tem que variar as paradas todo dia.
Mas olha, eu não tô nem falando do ponto, só do ponto de vista fitness, tá? Porque inclusive na Liv Up lá tem várias marmitas gourmet para tu saborear.
E tem alguma aí, cara?
Pior que tem, tem ali embaixo. Eu pego para você. Tem, tem sim, pior que tem mesmo.
Mas é da gourmet?
É, eu acho que aqui eu tenho é da performance, que é comida para cacete.
Da hora!
Eu aceito fácil, até porque é mesmo, né? A gente podia voltar a comer no programa, né, cara?
Podia voltar a comer no programa, podia voltar a comer no seu pai, que é um físico respeitável.
Ah, mas ele come bem, ele come bem, cara, manda uns prataço. Meu pai, ele curte um, ele curte um rango de avião, umas coisas assim. Ele é um sommelier de comida.
Então tu vai ficar feliz.
Essa é uma história boa. Posso falar do—
agora já começou.
Teve uma vez que a minha mãe falou assim, seu pai tá com uma mancha esquisita nas costas. E a gente olha e fala assim, que isso, né? Não vai ser nada. Aí eu fui olhar, era um câncer da pele. É isso aí, o homem olhos claros, pele clara, tomou sol muito tempo na vida, então tinha lá um câncer da pele. Aí eu e meu irmão lá, vamos operar o pai, vamos operar o pai, vamos operar o pai, vamos operar o pai. O que que você faz? Vamos operar o pai.
Meu pai de câncer com meu irmão.
Beleza. Aí a gente operou assim. Eis que eu aviso todo mundo. Quando eu cheguei no hospital da manhã, eu saí do meu pai de casa 4 horas da manhã para interná-lo, tá, tudo para começar a cirurgia tranquilamente, tipo lá pelas 6. Ok, tudo certinho. Aí eu fui avisar. Quando eu terminei tudo, deixei ele lá descansando, eu fui avisar a enfermagem, a equipe da hotelaria, tudo. Eu falei assim: ele está de alta, não deem mole. Por quê?
Porque quando ele já terminou tudo, ele desconversou tudo que eu falei, convenceu a menina da hotelaria de que ele ia para o quarto.
Por quê?
Porque ele queria almoçar no hotel. No hotel não, no hospital. E aí eu recebo a ligação da nutricionista: Doutor Guilherme, tudo bem? Seu paciente— o que paciente? Meu paciente? Paciente? Que paciente? Não, o Paulo. Eu falei assim: não, ele tá de alta. Não, Doutor Guilherme, ele tá no quarto. Eu posso levar a dieta dele? Eu falei: pode, pode sim, filha. Leva duas, por favor, porque ele vai, vai falar que tá com fome, tá bom?
Por puro fetiche, comida de hospital é um fetiche.
Mas uma vez eu perguntei para ele, pai, por que que o senhor gosta tanto de comer de hospital, comida de avião? Ele falou assim, porque vem tudo arrumadinho, organizadinho, bonitinho. Olha a cara dele, olha a cara dele, alegria dele.
Imagina ele lidando com problemas não computáveis. Ele nem lida, ele nem olha para isso, né? Não computável, ele não quer saber. Airbnb, não é? Exatamente.
Mas uma diversão minha na pandemia era comer de marmita na estrada viajando, porque é uma delícia você parar no lugar e ter uma marmita. É uma coisa—
então imagina, é liberdade, é liberdade, é uma coisa que viaja.
Gostei disso, gostei disso. Então tu vai adorar, tu vai adorar a Liv Up, cara.
Porque, ó, eu vou até colar: vegetariana, massa, dia a dia. Aí tem lanche, tem coxinha feita com batata-doce, tem um monte de coisa sensacional lá na Liv Up. E, ó, como eu disse, não é só opção fitness, tem coisa para você curtir também, saborear, né? Tudo com comida. O diferencial, no fim das contas, é comida de verdade. As coisas têm gosto de comida, é É comida, manja? Não é.
E eles entregam em casa?
Sim, eles entregam em casa. Sabe como? Tu entra lá no site da Liv Up ou no aplicativo da Liv Up, correto, Bruno? E aí, se tu usar o cupom FLOWPDC, tu ganha 15% de desconto na tua primeira compra, meu irmão. Então, se eu fosse tu, entra. E como é que os cara faz? Eles entra lá, compra logo a comida do mês e pronto, põe no congelador e já era. Cupom FLOW, tá errado. Então é Full PDC. Então é, tenta Full e tenta Full PDC, tá bom? Deixa eu ver as mensagens aí, Vitão. Tu mandou para mim? Deixa eu ver aqui.
Tem mensagens?
Tem, os cara manda mensagem aqui para perguntar coisa para você.
É aquele negócio lá do ao vivo, né? Que nem quando eu te falei a primeira vez, é ao vivo.
Então a gente tá ao vivo, viu? Tá ao vivo. Tu passou pó na cara?
Não, a minha pele é assim mesmo.
Então faz assim. O Tico Tico no Fubá. Boa noite, doutores. Caso Pacho e caso Balestrin, qual você acha pior na questão dor e gravidade? Balestrin foi o COVID, é disso que ele tá falando.
Balestrin teve um COVID grave e, cara, ele— a gente deu entrevista, a gente gravou depois e ele falava desse jeito, cara, eu peguei o ticket Eu ia com a Dona Morte, mas eu voltava para trás. Ele fala isso, ele falou que assim, eu tive oportunidade de acompanhar ambos, né? E eu não sei classificar para você qual que era o sofrimento maior, de verdade, né?
Mas algum dos dois tu olhou e falou assim, caralho, vai morrer, hein, porra!
Pergunta merda, né?
Puta, desculpa.
Vezes, cara. O Paty, quando a gente, quando o Zé diagnosticou a TEP dele, ele foi para UTI, cara. Falei, puta, fodeu. Porque é uma coisa que você reza para não acontecer, mas que você tem que ficar de olho aberto. E assim, existe um viés, né, que é você tá torcendo para uma coisa não acontecer. Então quando você vê os primeiros sinais daquilo, você falou, não, não pode ser. Não, você tem que lidar. Não pode ser, então vai ser isso. Então precisa, tromboembolismo pulmonar.
Foi depois do que ele caiu do balão, depois da cirurgia, depois de tudo, ele ainda quase morreu da tromboembolia pulmonar.
Então o que acontece é que você tem que ter muito culhão, que você vai ter que justificar isso. E você tem que falar para o paciente sem causar alarde, de uma forma que ele compreenda que é uma coisa tratável, mas que tem que ser, tem que ser muito A gente explica porque sempre complicação, por exemplo, de procedimento estético, ou então uma complicação de uma doença, é um desfecho que pode acontecer. Sim.
Só que uma coisa que a gente acaba treinando assim, que você aprende ao longo do tempo a fazer, é aquilo que o Paulinho falou: você não transforma em alarde. E a gente tem que transmitir mesmo desfecho, a possibilidade de uma coisa ruim acontecer, de uma forma falar assim, ó, se tiver a gente tanca. Eu sei o que fazer. Isso daqui pode acontecer, pode acontecer dessa forma, desse jeito, mas tudo é tratável.
Na maioria das vezes, até para pessoa ela ter noção de que um quadro médico é um quadro grave, não é uma, sabe, não tô falando uma coisa que pode dar uma coceirinha no pé dali 2 anos. Não pode. Isso é potencialmente ameaçador a sua vida, né? Mas é da habilidade médica do sujeito passar essa mensagem de uma forma que o doente ele se sinta acolhido e que se sinta positivo em relação ao enfrentar da doença. Porque também, se você dá uma na cabeça dele de qualquer jeito, a gente chama de chutar a boca do paciente.
Você chuta a boca do paciente, cara, isso influi até a forma que ele encara a doença. Se ele achar que aquilo é uma coisa incurável, ele já se sente incurável e acabou. A gente perde.
Muitas vezes eu tive paciente que chegou para mim falando assim, não, eu vim aqui, mas eu só queria ouvir mais uma opinião, porque eu passei a vida inteira ouvindo que não tinha mais o que fazer. Como não tem mais o que fazer? Tem tanta coisa para a gente fazer ainda.
E como é que foi? Foi fácil dizer para o teu pai que tinha câncer na pele?
Ah, foi. Ele já tava esperando, né? Eu falei, pai, é câncer, a gente vai ter que operar, tá bom? Ele, vai operar, mas é você que vai fazer? É, sou eu, pode ficar descansado. Que maravilha isso!
Ele ficou uma experiência magnífica.
Conta para as pessoas agora, conta para as pessoas o que que o senhor fez quando eu me formei.
O que que eu fiz?
Da mão, do corte.
Aí eu peguei um facão de cana e cortei o dedo para ele fazer suturar.
Tu é maluco, cara?
Ele queria ver se valeu a pena.
Foi uma coisa magnífica, tá?
Magnífica.
Filhos, como é que não?
É uma experiência amorosa, uma experiência fabulosa.
Ele tá bem, tá? Tá tudo certo.
É que é um nome horrível, mas é. E o Paulinho olhando, cuidando, abrindo o campo. Guilherme ali, aí aplica injeção, não sei o quê.
Turismo ecológico, turismo ecológico.
Para mim foi uma coisa única.
E ele falava para os enfermeiros, tá vendo esses dois aí? É meu filho, os dois.
Que que ele queria que ele respondesse? Tipo, parabéns? Ah, que legal, um parece o Edward, o outro é um bombado. Muito bom, parabéns para o senhor.
Era um dos meus apelidos na faculdade.
Que família normal, foda, né?
Você tava esperando? Cara, fez todo sentido, né?
Qual o apelido?
Edward.
É um vampiro que brilha do sol. Ele não é um vampiro de novela, de romance adolescente. É um vampiro que se apaixona por uma adolescente, né? E ele parece muito esse ator, que pode ser chamado hoje, dá para falar, não, porra, é o Batman.
É o Batman, é verdade, cara. Ele passou a última última década tentando se redimir assim pelo papel de Edward, né, cara? Mandou bemzação, cara.
Mandou bem, mandou bem, mandou bemzação. Me surpreendeu, tá?
Tá vindo nessa coisa que eles estão lembrando aí. Eu vivi uma experiência, acho que há 2 anos atrás. Eu não andava bem, tava me aposentando, não tava legal as coisas assim, tava vivendo— não sei, tô falando demais aqui?
Não, não, eu tava arrumando o meu microfone.
E eu tenho medo, que eu não sei como é que é o negócio aqui. E a minha neta, a Maria Clara— a Maria Eduarda é a minha neta mais velha, que vai comigo à ópera, é outro padrão, né? Mas a Maria Clara me chamou porque tinha umas dificuldades em física e matemática, tava começando a estudar essas coisas, e eu passei durante durante uns 8 meses, eu acho que foi isso aqui, dando aulas para ela. E foi uma experiência assim de acolhimento intelectual, uma coisa única.
Aquilo me deu um sentido assim, e eu comecei a escrever um livro achando, na minha, na minha visão, que eu tava escrevendo para ela, porque eu queria escrever um livro de assuntos difíceis para um jovem, para uma pessoa que não necessariamente não tivesse ferramentas matemáticas, nada disso. Então me dispus a explicar as coisas, agora falando sempre a verdade, não usando nenhuma analogia, não usando nenhum argumento: olha, vou te mostrar isso aqui porque isto é como se fosse assim.
Não, não é como se fosse. Você vai aprender aprender o certo, né? E o certo e o up to date, você vai aprender como é que é hoje. Também não seguia nenhuma ordem histórica. Foi uma experiência assim magnífica. Eu já tô na página 210, né? E depois deixei de dar aula para ela, por uma fatalidade ali, não continuei dando a aula. E ela teve outros interesses, e eu tive que mudar o meu público, porque o meu público não era mais, não é?
Agora, esse processo intelectual, para uma pessoa, por exemplo, como eu, que você chamou a gente aqui por causa de pai e filho, e eu não sou uma pessoa que tem uma noção muito assim simples de família, não é? Não tenho família, para mim não é bem assim a coisa. Eu, todo mundo fala família e acha que todo mundo entende o que é família. Família, né? Família para mim é um negócio muito legal, mas tem que ter um lado intelectual, intelectivo pelo menos funcionando.
Eu tenho que me comunicar intelectualmente com Paulinho, com Guilherme, porque é o melhor que eu posso dar para eles. As coisas materiais são obrigações de fazer quando a gente pode, né? Mas intelectualmente é o melhor que eu posso dar a eles. E a capacidade de você pegar e orientar sua neta, e intelectualmente você se sintonizar com a pessoa, foi para mim uma experiência assim magnífica, não é maneiro?
É, eu vou chegar lá.
Isso é o meu sentido, por exemplo, que você chamou a gente aqui para uma conversa de família assim. Esse é o meu sentido de família, não é? Porque Amor é uma palavra que pode significar uma coisa para um, uma coisa para outro, não é? Família, por exemplo, pode ter sentidos diferentes, não é? Sim, às vezes as pessoas estão ali, mas se odeiam, não é? Então não era o caso de gostar de nada, mas era o caso de estabelecer um vínculo, um vínculo de algo que ela não teria com ninguém.
E evidentemente não teve, não é com ninguém senão comigo, porque eu que podia passar aquilo para ela. Essas experiências são— então você perguntou como é que eu me relaciono com meus filhos, porque nós estamos perto da época do Dia dos Pais, dessa coisa. É por isso que eu valorizei a nossa vinda aqui, porque você propiciou um momento da gente refletir sobre isso, sobre esses vínculos da melhor coisa que a gente pode deixar.
É verdade.
Eu acho que é essa minha visão aí desse, dentro desse, do que a gente fez aqui hoje. É, foi assim.
Ó, o Davi, ou David, mandou aqui, ó: Muse, Muse e Muse, me desculpe, mas tô com uma ideia para o Igor aqui. Eu nunca te pedi nada, faz um piloto de Tourette News meia hora dos cara falando as notícias do dia. Valeu, cara. O usuário, por que não? Porque não tô diminuindo a tua ideia não, é só que pô, não dá para a gente comentar muito aqui porque senão os outros cara fica voando. O usuário aleatório mandou: que óculos estiloso é esse que o Muzi tá usando?
Ah, esse óculos eu ganhei do meu mestre de jiu-jitsu, Bruno Gobato. É uma marca chamada PX e ela é um, na verdade ele não é óculos coloridos, ele é um filtro, né? Ele filtra a luz azul. Então o que ele faz, ele diminui 95% da luz azul e ele dá muito mais conforto visual. A gente tá com luz forte aqui assim, e a ideia assim, se a gente for entrar na fisiologia, né, teoricamente luz azul muito forte você sensibiliza determinados relógios biológicos, especificamente o núcleo supraquiasmático, que é um, a gente chama de zeitgebers, né?
É do alemão, relógio biológico, é um negócio dentro do cérebro. E aí ele faz você ficar despertado, então ele piora sua liberação de melatonina, ele, você vai bagunçar o sono.
É tipo ele deixar a galinha dormindo, deixar a galinha num ambiente com a luz acesa.
Exatamente.
Então teoricamente você diminui níveis de estresse, você consegue dormir melhor à noite porque você tá mais relaxado, você baixa a linha.
Então É, você tem galinha.
Experimenta para você ver.
É, nossa, aqui realmente, olha para a luz branca para você ver, realmente é muito mais confortável, né? Mas com o tempo tu acostuma em ver tudo com esse filtro do Breaking Bad, cara, você acostuma.
Quer saber um negócio mais da sua pele? Sabia que a sua pele consegue enxergar a luz azul também? Foda, né, velho? Pele é muito foda. Não, eu tô falando de verdade, você acha que é de mentira?
É muito doido que eu tô vendo ali, eu não tô vendo azul. Não tem azul no fluido, não tem azul no fluido, é isso aí mesmo.
Mas a gente tem esse mesmo tipo de receptor ali na pele e a gente sabe que a luz azul, que faz parte da luz visível que vem principalmente do sol, a sua pele ela recebe essa luz e essa luz pode estimular a pele a produzir melanina.
Isso é bom ou ruim?
É, isso daí pode ser uma coisa que assim é muito boa quando você parar para pensar evolutivamente, nos protegemos do sol. Mas para mulher que tem melasma, por exemplo, ela fica muito puta, né, com isso. Isso, que é mais uma coisa que ela tem que se proteger, por exemplo, ou para quem tem melasma, né? No caso, melasma é uma doença de pele que pigmenta aqui assim essa região, e ela é uma doença que é vascular do começo, só que começa a ter essa deposição da melanina aqui, e isso daí acaba sendo um pouco incômodo para a maioria dos pacientes.
Uma grande maioria são mulheres, então a gente acha que tem um fator hormonal relacionado, mas existem homens também. E a gente foi descobrindo assim várias coisas. É o calor, por exemplo, que piora. É a questão da luz azul direto na pele vindo do sol.
A pior coisa que pode acontecer com a pele de um ser humano é o câncer?
Acho que é uma boa pergunta. Depende. Aí eu acho que é uma questão assim do que que é ruim para você, entendeu? Se você, você, Igão, trabalha com imagem, certo? Eu tenho pacientes que trabalham com a imagem das mais diferentes de diferentes formas. Uma lesão, por exemplo, permanente no rosto, que seja uma cicatriz, é motivo, por exemplo, de extrema angústia para os pacientes. Tem paciente que, por exemplo, vai ter um câncer, vai falar: mas você sabe tratar? Não sabe?
Sei.
Ah, então tá tudo bem. Mas enquanto isso, uma paciente fala assim: ah, o meu sonho era não ter essas lesões de acne porque eu queria conseguir gravar o meu conteúdo na internet sem usar filtro, por exemplo. Então são os dois pesos, duas medidas, entende?
Tô entendendo, tô entendendo. Mas tá bom, tirando a subjetividade, beleza, do ponto de vista assim, tá?
Então isso é uma coisa legal na dermatologia. Quem define a gravidade da doença para mim é o paciente. Aquilo impacta na sua vida, não importa se você tem psoríase, hideradenite, alopecia, acne, rosácea, o que for. É sempre uma coisa subjetiva. Agora, pensando assim, em termos de aquilo vai progredir, te causar algum mal e pode te matar, o câncer tá dentro das grandes oportunidades. Assim, a gente tem tipos de câncer, mas é sempre uma palavra pesada, né?
Uma coisa que a gente quer tratar e é um desfecho que acontece no paciente que a gente não gostaria. Mas a pele, a dermato, ela tem assim 3.500 doenças e a gente tem outras assim que são igualmente do mal, né? Mas é uma das piores ali, uma das piores.
O, a Maria, Maria tá, mandou Maria tal, Maria tá, Maria Tha, Maria tá, eu tô chutando aqui. Maria tá, Paulo vai fazer barata voo de boné na Porsche?
Que que é isso?
Qual dos Paulo?
Deve ser você, cara.
Você fala de Porsche, cara, eu aprendi, eu aprendi barata voo esse final de semana porque A gente tava lá na Adapta, a gente distribuiu 400 bonés da equipe, mas não é boné vagabundo, aquele boné maneiro mesmo, bem feito e tal, boné do bom, cara. E barata voa, Thaís falou que, que a minha sócia lá da agência que cuida da nossa carreira lá, ela falou que ela tava a fim de fazer barata voa na Porsche porque a gente tem mais 4.500 bonés para distribuir na próxima etapa.
Então quer dizer, quem tiver sentado na arquibancada M de Interlagos Galápagos provavelmente vai ganhar um bonezinho do nosso time. É muito boa.
Bom, gente, muito obrigado pela presença de vocês, foi um prazer trocar essa ideia. É, ah, mas o que que a gente vai falar, irmão? A gente vai falar só, entendeu? A ideia de que um médico só pode falar de medicina, um doutor em física só pode falar de física, eu gosto tanto quando a gente faz umas suposições mais humanas.
É o que o vampiro pode falar do sol, né?
Eu gosto quando a gente se coloca no lugar que, puta, tu não é— a gente não precisa o tempo inteiro tá só falando o que a gente sabe. E isso faz das coisas mais chatas.
E mostrar um pouco da nossa humanidade. A gente tem dúvidas, a gente tem medos, a gente tem anseios também.
Então aí tem um cara, um médico dermatologista, tem um médico do esporte, ortopedista, tem aqui um doutor em física falando que acontece parece ser da mesma família e um cara que a gente tá conversando. E essa é a beleza, eu, que eu, na minha opinião. Espero que vocês tenham curtido aí também. Paulinho, aquela lá é tua câmera, se tu quiser falar com as pessoas alguma coisa aí, fica à vontade, essa é tua hora.
Quero agradecer o carinho de vocês e que por mais que a gente se conheça via digital, para mim é uma satisfação imensa e cada vez maior quando a gente se encontra pessoalmente. E que 4, 6 de setembro, 21 a 22 de novembro, depois 27 a 28 de novembro tem Port Cup. Eu gostaria muito de receber vocês lá no box para apertar a mão de vocês, dar um abraço, agradecer o carinho de todos, porque faz muita diferença para gente. Não é a quantidade de like que a gente tem, mas é a quantidade de aperto de mão, abraço e felicitação que conta.
Cara que fala para tu assim: não para não, mano, continua, porra. É esse cara, né?
É esse cara.
Vai lá, irmão, continua lá, mano.
Faz isso, faz diferença.
E essa aqui é a tua, cara.
Como disseram, obrigado por vocês terem ficado aqui com a gente. Acho que obrigado, Igão, pela oportunidade de estar aqui com meu irmão, meu pai. É uma coisa que eu realmente não imaginava que fosse acontecer. Quando o Jean comentou, eu falei assim: ah, deve ser trote, né? Mas assim, foi uma coisa que eu pensei, falei, cara, quem que vai poder falar que foi com o pai no flow, entendeu?
É verdade.
Quem que pode falar que o pai foi duas vezes? E para vocês que nos assistiram aqui, que estão vendo assim, a minha mais assim carinhosa mensagem é o seguinte: se você conhece alguém que tem alguma doença dermatológica, fala para essa pessoa que as coisas têm tratamento. Não vai ser ficar tomando sol, não vai ser você tomar vitamina, não vai ser você cair na fake news, mas é você procurar um médico dermatologista que seja sabe, interessado em tratar essa doença.
E você não precisa encontrar, por exemplo, médico logo de cara que vai fazer isso. Cada paciente tem uma jornada. O importante é que você tenha uma conexão para depositar sua confiança, para que a gente possa cuidar de você adequadamente. E obrigado de novo todo mundo que tá aqui, porque vocês me deram muita Coca-Cola. Fiquei muito feliz, foi 1 litro nessas 3 horas.
Então muito, muito obrigado, Doutor Paulo. Essa daqui eu tô querendo falar com alguém aí.
Isso que é só Eu quero agradecer demais a você. Como eu disse no começo, meus filhos me surpreendem a cada dia, a cada conversa, a cada oportunidade. Eu encontro pessoas íntegras e pessoas que estimar, gostar, é muito fácil, né? Isso faz parte do natural. Mas, mas é essa integridade humana desses meninos, desses senhores, não é, que já não são tão criança, me fascina. E você proporcionou isso para mim, eu te agradeço. Mas foi o maior presente de longe que eu poderia ter nessa época dos pais, foi oportunidade de estar aqui com Paulinho, com Guilherme e com você intermediando, fazendo essa conversa fluir.
Porque se nós tivéssemos sozinhos, talvez nós nós conversássemos de coisas banais e nada. Não, quando que nós ficamos 4 horas conversando?
Calma que a gente não ficou, a gente foi 3 horas e pouco, 3 horas e tanto conversando e falando de coisa.
Então essa tua capacidade é isso que eu louvo. Muito obrigado, valeu.
Ó, vocês que assistiram aí, muito obrigado pela moral, tá bom? A gente vai deixar aqui no comentário fixado todas as redes sociais de todo mundo aqui para você encontrar com facilidade. Segue lá o Doutor Paulo também, tem 5 mil seguidores lá, não posta muito, mas tem lá o Instagram dele, tem 5 mil e poucos.
Paulo de Tarso Musa, é verdade. Deixa eu ver isso aqui. Papai, o senhor tá saidinho, meu pai.
Ah, papai, vou deixar tudo aqui no comentário fixado. Apreciado para vocês. Segue a gente, segue o Flow também, dá o like aí, cara, se inscreve no canal, velho.
Ele tem 5.206 seguidores, o pai é famoso, você não sabia?
Entra aí no Discord para você sugerir novos temas, novos episódios também, novos convidados. Virar membro do Flow, meu irmão, é baratinho. A gente faz conteúdo para vocês o tempo inteiro, tá bom?
Vai lá, maluco!
É isso, segue lá o Paulo, ele tem 5.206 seguidores.
Que orgulho!
É, ele e o chapeuzinho dele. Valeu, um beijo para vocês, até a próxima, tchau!
BTG Pactual
Copa BTG Trader 2026