BRUNO BOCK + MIGUEL LOKIA - Flow #628
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Salve, salve, família! Bem-vindos a mais um Flow. Eu sou o Igor e hoje a gente vai falar de filminho de heróizinho. É isso, Miguel?
É de bonequinho, né?
De bonequinho.
Oficialmente a gente chama filme de bonequinho.
Filminho de bonequinho, filminho de aranhazinha. Fala aí, ô, Bock, tu gosta desse papinho também, né?
Cara, eu gosto mais do papo do que dos filmes. Tudo bem, estamos aí para isso.
Gosta de detonar as paradas, é isso?
Não, cara, não sou de detonar, mas você pode ver que por muitos anos o Pipocando se manteve assim sem comentar muito esse universo, quase como se a gente escolhesse um outro público, ficar um pouco paralelo por falta de identificação.
Ah, é? Entendi. Bom, então a gente vai— o Miguel, antes da gente começar aqui, ele me perguntou se eu, qual foi, se eu curto esse filme de super-herói, né? E eu tava tentando lembrar aqui qual era o último filme de super-herói que eu tinha assistido e E porra, eu acho que foi algum do Homem-Aranha, que eu sei que saiu um novo, eu sei que tu já assistiu, eu sei que tu curtiu. Nesse não foi, no entanto, o último filme que— curiosamente, o último filme que eu vi foi Backrooms.
Quase que eu falei Backdoors. Backrooms, que é completamente fora do meu universo.
Mas você tá fugindo da história, você gosta ou não gosta de filme de herói?
Cara, eu já gostei muito mais. Eu não tenho nada contra filme de herói, É, mas eu não fico esperando loucamente um filme de herói, não coloco na minha agenda o lançamento de nenhum filme de herói, de nenhum filme de uma forma geral, tá ligado? Nossa, eu fui ficando chato depois que eu fui ficando velho. Será que eu sempre fui chato?
Não, mas eu acho, cara, a gente vai evoluindo no sentido de você não vai ouvir as mesmas músicas que você ouvia quando você era criança, é muito difícil, né? Então filme também, você vai trocando o tipo de filme que você assiste, eu tenho essa impressão. Às vezes eu vou no filme, vejo que o filme é legal pra caramba, até foi bem no Rotten, mas eu falo, putz, não é pra mim, cara.
Não é pra mim.
Ontem, por exemplo, eu fui ver o novo Homem-Aranha, que estreia hoje inclusive, e cara, eu senti isso, cara. Achei um filme assim, um filmão, pô, quem sou eu pra criticar essa obra toda montada, bonita, maravilhosa? Mas não é pra mim. Uma coisa que eu percebo, cara, assim, pô, apareceu o tiozão falando aqui, mas olha que interessante, cara. Os filmes do Homem-Aranha, eles são muito interessantes porque eles refletem uma parada que é o público, cara.
Então assim, se faz filme pensando no demográfico primeiro, o público que vai atingir, e aí depois no tema que se vai falar. Então é muito louco porque, por exemplo, no De Volta para Casa, De Volta para Casa, aquele do Holland, o público que é você, chutando assim, o público maior que é uns 10 anos a menos que eu, assim, a molecada, um pouco mais, tava indo para o mundo do trabalho, para o universo dos adultos. E aí o Roland também tava arrumando um estágio na empresa do Stark, que tinha muito essa coisa.
Quando você vai ver o trailer, as primeiras palavras, tudo, todos os diálogos, tá ligado, semioticamente estão falando de uma parada assim de o medo de enfrentar o mundo dos adultos, tá ligado. E aí tudo aquilo é uma grande analogia a essa coisa mais básica. Nesse, por exemplo, a molecada já arrumou um trampo Tipo, pensa só, você, né, quando você falou que você tem, Loki?
35.
35, de 30 a 35, que há 10 anos atrás você tinha 20, 7 anos atrás. Agora você já tá num trampo, você, a maioria da galera dessa idade, digamos assim, do mundo, porque o cinema precisa agradar todo mundo, já arrumou um trampo, o trampo já tá rolando, você já tem um chefe que, ou seja, tipo, que acredita em você, as coisas estão dando certo, mas você sofre de burnout, de solidão. Então pega toda essa parada que é o zeitgeist, não só do tempo, mas da audiência, do demográfico que a gente quer atingir, que essa galera que tá crescendo com a gente.
Agora todo mundo tem esse problema. E o problema foda ainda que a galera encontra nessa crise dos 30, 35, que eu passei agora, que acabei de passar, você vai perdendo o que você é, tá ligado? Tipo, você vai deixando de ser o que, porra, aqueles seus amigos de infância que estudaram com você, de repente não encontram mais você, não te reconhecem mais, tá ligado? Tipo, então é muito louco. Chega o momento da sua vida, aí você vai dar play no, porra, no próprio trailer, você vai ver que as primeiras palavras lá é tipo quase uma chefe falando assim, cara, você é muito foda, mas não perde quem você é.
E, caralho, que filosofada! Não, você acha que é filosofia?
É porque para mim é tão óbvio assim que quando tem, por exemplo, ele falando com uma mulher, e essa mulher que é, sei lá, a chefe de polícia, por exemplo, como é que eu vejo isso? Eu vejo um jovem falando com uma mulher mais velha que manja, que tipo, ela é praticamente a chefe no universo mais simbólico, porque ele tá lutando contra o crime, ela apoia ele. Então você já tá no lugar onde as coisas estão rolando. Ele tem uma home office dele, tá ligado? Fala sobre isolamento, fala sobre ter um ChatGPT, ele tem um ChatGPT próprio.
Mas sabe o quê? Eu vou comentar aqui. Em se tratando do Homem-Aranha, isso aí fez muito sentido pensar no demográfico, porque o Homem-Aranha surgiu e se tornou um fenômeno nos anos 60 justamente por fazer algo que os outros heróis não faziam tanto, que é se conectar com a audiência que lia. Ele foi o primeiro herói, herói titular assim, né, que era novo, que era um garoto. Porque assim, já existia antes, o Shazam era um garoto, mas virava um adulto quando era herói.
E as outras crianças eram tudo sidekick, né, Robin, essas paradas. O Homem-Aranha era um garoto, mas ele tava ali como protagonista da história. Isso chamou atenção, tanto que foi um sucesso absurdo, não sei o quê. O Stan Lee tem um monte de história disso, porque Stan Lee um contador de história, que a molecada se reconhecia com ele. Exato. Então faz total sentido nos filmes eles tentarem fazer isso também, se conectar com a garotada, porque isso faz parte do espírito do Homem-Aranha.
É que eu não vi esse filme, esse, eu ainda não vi esse último filme aí, mas eu vi que ele tem também, ele tentou deixar a galera que também leu os quadrinhos, acompanhou Homem-Aranha nos quadrinhos também feliz, porque pelo menos no trailer tem várias cenas de que eram capa, né, das revistas e tal. Eles conseguiram trazer isso legal para o filme assim?
Pô, é muito doido, sabe o quê? Eu assisti o filme ontem e cada— quanto mais eu penso no filme, mais eu gosto dele. Isso é um ótimo sinal, né?
Total.
Você tava comentando aí sobre esse lance das referências aos quadrinhos e tudo mais. O filme tem, tem bastante. Talvez seja o filme que assim, de primeira, eu mais reparei referência a quadrinho. Não só as capas que apareceram no trailer, mas tem momentos ali também, referência também aos filmes anteriores. Tem algumas cenas ali que você pensa, pô, e até o jogo de PS4 e PS5, pô, os gamers vão assistir o filme e vão fazer o Leonardo DiCaprio, sabe?
Para caramba, para caramba. E o melhor disso tudo é que todas essas referências estão presentes lá, mas a história ainda é coesa. Porque esse é um problema dos filmes, né, blockbusters. E a gente pode até puxar para filme de herói especificamente. Os caras meio que...
Não é a mesma coisa? Ou não tem a pretensão de ser a mesma coisa?
Sim, total. É porque assim, nem todo blockbuster é de super-herói.
Tudo bem, mas todos os super-heróis pretendem ser blockbuster, ou não?
A maioria.
A maioria desse movimento, sim, né? Eu posso citar exemplos.
Claro, é, sempre vai ter um que não.
E aí parece que a galera tinha uma limitação, né? Ou fazer a referência ou contava uma história. Esse filme conseguiu fazer os dois, foi um filme bem bem feito.
Mas eu não gosto quando o filme começa a contar de histórias que rolaram dentro da franquia e começa a aparecer cena dos outros filmes. Eu acho meio fraco isso, sabe? Eu sei que precisa.
É um pouco didático, né?
É meio didático, tipo previews long lost, tem que mostrar um pouco, tá ligado?
É quase um filler de Naruto.
É, então total. Mas é meio chato, eu acho meio chato ver isso assim, fala nossa.
Mas tudo bem, até porque esse filme faz um pouquinho isso, né?
Porque é uma construção ver filme de herói também, cara. Se você, né, dentro do universo você entra no meio, é, porra, assim, o filme tem que ser muito sagaz para ir. E rola isso, né?
É um filme longo, rapaz.
Eu acho que a duração é 2 horas e 40, algo assim. Nossa, é um filme longo, mas assistindo eu pelo menos não senti.
É, eu, porque o que acontece é isso, você tá dizendo aí que tem uns flashbacks A gente está o quê? Nesse, desse Homem-Aranha, esse é o 4º filme?
Isso, o conto rola.
Isso, desse Homem-Aranha é o 4º, esse é o 3º Homem-Aranha, né? A parte boa é que quando toda vez troca de Homem-Aranha começa de novo, né? Então, então são, tem, mas ainda assim esse é o 4º filme, né? Então o cara que vai ver esse filme, imagina o cara não viu nenhum, nem o 2, nem o 3, e vai ver esse filme aí com a filha dele, né? Imagina a filha dele que já viu os outros 3 ter que alguém aí tem que apresentar de novo quem que é uma galera que já tava, que foi apresentado no primeiro, foi apresentado no segundo.
É, o filme já faz isso um pouquinho, fazendo esses, esses, exato, né?
Então dá para entender, né?
Com certeza é uma continuação, mas ainda assim é um filme que se sustenta por conta própria, né? E sabe o quê? Eu tenho uma opinião particular assim, que eu acho que no fundo, no fundo, as pessoas não se importam tanto com isso de Tem que ver tudo. Se é um filme bom e veio coisa antes, assiste, sabe? Ah, vou ver Velozes e Furiosos 10. Vê, pô, não precisa ter visto os outros não.
Mas é muito difícil o cara que é fã, que vai lá no cinema, assiste e não sabe dos anteriores, não viu. Não é verdade?
Certamente.
Ah, eu caí lá de paraquedas, é difícil.
É tipo, são duas experiências diferentes, né? O filme tem que se sustentar por conta própria. Tanta gente, teve muita gente que foi assistir só Vingadores: Ultimato, por exemplo. Ou Guerra Infinita e tal. Não tinha visto a parada toda antes e curtiu, se interessou. Aí depois foi maratonar, sei lá o quê.
Mas você não vai entender metade das piadas, né?
Então não dá para maratonar, não.
É isso, né? É outro tipo de experiência. Se você assistiu tudo, você vai ter uma experiência mais completa, mas isso não impede a pessoa que não acompanhou.
Mas não dá, né? Para tu ter assistido tudo, tu ficou sem viver um tempo, porque a gente tá falando inclusive de série, não é? Tem a série da Wanda, tem a série do Loki, tem a série do Capitão América, não tem? Muita coisa.
É do Capitão América, e depois teve da Mulher-Hulk, teve do Cavaleiro da Lua, teve do—
não teve uma inovação, irmão.
Teve o Universo Expandido.
É, tem da Echo. Conhece a Echo?
Não faço ideia. Eu sei quem é porque por causa do joguinho de carta.
Precisa nem lembrar, brother. Série horrorosa, horrorosa. Melhor esquecer mesmo. Beijo, Disney. Manda Pix, hein.
Aí tem o Demolidor, né?
Demolidor é bacana.
O Justiceiro.
Demolidor.
Mas sabe o quê? A Marvel já sacou que a galera não acompanhou tudo. Inclusive nesse novo filme Vingadores: Doomsday, estão bem seletivos assim o que vão aproveitar, porque eles já estão considerando que a galera que parou de acompanhar em Ultimato, então vai considerar que a galera não pegou esse gap. E na real, na real, essas séries do Disney+ foram que ferraram a Marvel pós-Ultimato, né? Porque o Disney+ tinha essa demanda de conteúdo, aí pô, quais são nossas maiores franquias?
Marvel, Star Wars. Aí traz, faz série, pá pá, o chicote. E aí eles tiveram que lançar coisa. No caso da Marvel, imagina um estúdio de cinema acostumado a lançar uns 3 filmes só por ano. Só é forte, né? Mas enfim, acostumado a lançar 3 filmes por ano e de repente tinha que intercalar esses filmes com série. 3 filmes, 2 séries por ano. Os caras ficaram perdidos. Kevin Feige, inclusive, que é o cabeção lá, quem manda em tudo, ele mais recentemente ele já deu entrevista admitindo isso, que ele ficou muito espalhado, ele não conseguia comandar nada, deixou as séries na mão de pessoas que eram novatas assim, não tinham tanta experiência.
E aí por isso a qualidade variou muito, e por isso também que as produções pós-Ultimato não tinham tanta conexão, que o Kevin Feige não tinha tempo de estar lá falando: aí, bota uma paradinha aí porque a gente vai fazer tal coisa lá. Não tinha tempo. Então simplesmente solta, faz, E foi indo. Aí eles perceberam que foi caindo e caindo, caindo a audiência, o alcance e tal. E agora estão todo um processo de se reestruturar internamente, né?
Os filmes estão demorando mais tempo para serem feitos, tanto que entre Vingadores: Doomsday e Vingadores: Guerras Secretas, que são os próximos, não vai ter nenhum filme. Então é um ano sem filme da Marvel, que é uma parada que não acontece desde a pandemia, eu acho.
Entendi. É, esses filmes da Marvel aí, eles inclusive fuderam o rolê com esse papo de cena pós-crédito, né? Hoje tu vai ver um filme, tu vai ficar esperando uma cena pós-crédito, qualquer que seja o filme, né? Não precisa ser um filme de herói.
E tinha, e tem, né? Ontem tinha ainda uma cena pós-crédito.
É, no Homem-Aranha tem também ainda.
Nos filmes da Marvel, acho que a galera pode ficar tranquilinha que vai ter. Sempre tem. E sempre é uma parada que é maneiro tu ficar até o final, porque sempre tem uma paradinha para o... Nossa, que legal! Eu lembro de um quando os caras acharam o martelo do Thor no meio do deserto.
Ah, é? Pode crer.
Caralho, mano!
Tipo, é uma piada que virou uma linguagem. Era uma piada, né?
Tipo... Dos Vingadores, que tem aquela cena pós-créditos, é deles tentando levantar o martelo do Thor, não é?
Isso aí é em Era de Ultron, é a festinha que rola. A pós-créditos de Vingadores 1 é o Thanos. É verdade que ele aparece, dá tipo uma piscadela, né, um sorrisinho para câmera, inclusive com outro ator e tal. Não tava tão, não tava tão planejado assim, porque esse é o segredo da Marvel, inclusive, que as pessoas que acompanharam ali na era de Ultimato falam: nossa, Marvel planejou tudo mesmo, hein, tava tudo certo lá do início, eles pensaram nisso.
Nada que pensarem tudo desde o início, eles são ótimos em improvisar. Eles soltam as paradas, deixam lá as pistas e vão fazendo retcon, né? Vão amarrando as coisas. Por exemplo, vocês devem lembrar, você não sei, mas no primeiro filme do Capitão América tem um cubo lá, não é? O Cubo Cósmico. No filme do Capitão América era só isso, só o Cubo Cósmico.
Depois ele vira uma, uma Pedra do Infinito, a Joia do Espaço.
Exatamente. Ou seja, é a Marvel pensando, pô, o que que a gente pode transformar numa joia e tal. É isso, é muito o que a Marvel sempre fez muito bem nos quadrinhos também, né, que tem muito disso aí, mas nos filmes também. E eu acho que é isso que eles vão começar a fazer agora com um monte de coisa que lançaram, aos pouquinhos, né. Imagino vai ter muita coisa que vão deixar de lado e tal na fase 4, 5.
E por que que você acha que teve essa mudança no público? Porque assim, eu sinto, cara, que há uns anos atrás putz, a gente perdeu assim muita audiência por não falar de filme de herói. E depois, ao contrário, muita gente começou a não gostar de filme de herói, começou um movimento de não, isso aqui não é legal, isso aqui não tá legal, tá uma merda. E aí hoje a gente já tem uma, uma, eu acho que uma crítica muito maior do que não sobre filmes de herói do que tinha antigamente, que o pessoal era, nossa, viciado.
O que que vocês acham que aconteceu? O pessoal cresceu ou a fórmula desgastou, tipo Que todo mundo já vai meio, ah, tá bom, vai, me provem, ou eu tô falando besteira. Que vocês são muito, você é muito fã, né? Não sei se você sentiu isso no seu canal também.
Não, faz sentido sim.
Você é muito fã, né?
Pô, acompanho muito, cara.
Tem algum filme, alguma série desse universo que tu não viu? Deve ter, né?
Pô, cara, eu acho que não.
É sério, cara?
Eu acho que eu vi tudo.
Puta que pariu então, hein, cara?
Vi tudo.
Bom, então tu é desses que tem a experiência diferenciada quando tu vai assistir o filme do Homem-Aranha É porque tu vai sacar todas as paradinhas.
E é importante que meio que esse é teu trabalho aí, faz um vídeo, me ajuda. É isso aí, se a memória me ajudar, é isso aí, cara.
Mas tá ficando difícil porque quando que é o, de quando é o primeiro Homem de Ferro?
2008.
2008. 2008 é ali que dá para, dá para dizer que é ali que começa esse universo dos filmes da Marvel.
Sim, exatamente. Inclusive eu Deixa eu te perguntar uma parada.
Aqui, ó, veio Homem de Ferro. Próximo filme de super-herói, Homem de Ferro 2, não é?
Antes tem O Incrível Hulk.
Teve o Hulk antes?
Inclusive, é isso que me deixa confuso, porque eu não lembro se O Incrível Hulk saiu antes do Homem de Ferro, se foi depois. É o do Edward Norton.
Tá bom, tá bom. É antes do— é depois do primeiro filme do Homem de Ferro?
Sim, é o mesmo ano, é 2008.
Tá.
Aí 2010 é o Homem de Ferro 2. E aí 2011, por ser até as datas essa porra, né? Aí 2011, se eu não me engano, é Thor, ou então o primeiro Vingador, que é o Capitão América 1.
É legal. O 3 a galera não gostou, né? 3 a galera, 3 é extremamente, aproveitaram mal o Mandarim.
É o Mandarim, né?
Mas o ponto aqui é o seguinte mesmo, 2008 O primeiro é outra geração já. E aí é, e o interessante é que, é que se acontece desse jeito que você tá falando aí, os caras são bons para caralho de improvisar mesmo, né?
Pode crer.
2008 deu bom. E aí o, agora aquela linha do tempo daquele Hulk é descontinuada, não é?
Não, não é não. É porque assim, antes desse Hulk do Edward Norton, pô, tem a parada que você perguntou, não esqueci não.
Não, tudo bem.
Da parada do— não, não, não, caga tanto.
Nossa, meu irmão, desculpa, Rodrigo.
Não, não, não, não, não, não, agora dá. Faz parte do assunto, inclusive, que tem esse Hulk do Edward Norton, que ele já foi produzido pelo Kevin Feige, a galera da Marvel. Antes teve um do Eric Bana, acho que é Eric Bana, que o Hulk—
eu até gosto do Hulk pulando para lá e para cá.
Isso, no deserto e tal. Aquele lá não faz parte, é outra parada.
Mas ainda era até outra linguagem, aquele era mais, ele tentava ser mais quadrinho, mais coloridão, tinha umas cenas que viravam meio quadrinho, lembra?
Tinha uns quadros, exatamente. É, inclusive eu só fui me dar conta reassistindo o filme, que antes eu pensava, pô, nada a ver esse negócio, o cara dividindo a tela quando não precisa. Aí eu, velho, reassistindo, pensei, nossa, é um quadrinho, cara! Maluco tá fazendo um quadrinho aí. Mas enfim, aí quando fizeram esse filme com o Edward Norton, ele já passou a integrar. Só que teve tanta treta com o Edward Norton nos bastidores que quando o filme foi lançado, nas entrevistas assim, já tava meio que decidido que o Edward Norton não ia continuar.
Tem até uma entrevista icônica do Edward Norton falando, ó, perguntaram se alguém fosse te substituir como Hulk, quem seria? Aí falou, pô, eu gosto muito do Mark Ruffalo. Porque, pô, já tinha meio que tudo arrumado ali, vai ser o Mark Ruffalo depois. E aí, enfim, o Hulk do Mark Ruffalo que aparece em Vingadores e até hoje, em teoria, é o mesmo que enfrentou Abominação lá no filme do— Exato. Tanto é que aquele abominável apareceu no Abominável, a Mulher-Hulk.
É Abominação? Não, você sabe muito mais que eu. Abominável então.
É Abomination.
Tá bom.
Mas tá, e aí ele apareceu na série da Mulher-Hulk. E cara, o mesmo personagem lá, exato, o mesmo personagem. E o cientista lá, o Mr. Blue, que aparece também no filme do Incrível Hulk, é o vilão com cabeça estranha que apareceu no filme do Capitão América mais recentemente. Então a Marvel improvisando as paradas, né? Mas é isso aí, é o mesmo universo, mudou de ator, mas é a mesma parada.
Agora é do Morro que vai.
Não, é que a parada que você perguntou foi a respeito da recepção das pessoas, né?
O que que mudou exatamente?
Eu tenho memória de tipo sempre haver a galera que não gosta de filme de super-herói, né? Mesmo lá no início da Marvel tinha galera de tipo, ah, tem a fórmula Marvel, não gosto disso, não é filme de verdade e tal. Sempre rolou. O que eu interpreto é que quando chegou nos mega eventos Guerra Infinita e Ultimato, pegou geral, né? Aí laçou até a tia que não via nada. E aí essa galera passou a consumir filme de super-herói. E aí aconteceu o pior, né?
Que depois de Ultimato veio a pior fase da Marvel. E aí essa galera que foi cativada em Ultimato, essa galera ficou desiludida com que veio depois. E aí acho que gerou esse movimento aí das pessoas odiando filme de super-herói. Ah, encheu e tal. Mas assim, para falar a verdade, esse papo de filme de herói já deu, já cansou, não é bilheteria, né?
Não representa nada na bilheteria, né?
É, talvez mais recentemente tenha representado, tá? Mas assim, é que esse papo já é bem antigo. Sabe, no segundo Homem de Ferro mesmo teve esse papo da fórmula Marvel, porque no segundo Homem de Ferro foi mais ou menos o mesmo esquema. No final tinha um vilão que era meio que um reflexo do herói, e aí ele enfrentava. As pessoas já identificaram isso nos filmes. Então é meio que a mesma coisa que já acontecia antes, apesar do contexto ser diferente, e talvez a escala tenha aumentado também por conta da—
eu acho que também tem uma questão do público, da galera ficar mais velha, depois ter filho também. Eu acho que tem um interesse da molecada mais nova, porque a molecada nunca perde o interesse por esse tipo de cinema, quem é mais novo. Eu acho que tipo mudando a geração, mas sempre tem isso. Mas eu digo isso porque a estreia de ontem tá batendo recordes, né? Parece que vai ser a maior estreia aí dos últimos tempos de filme de herói.
Então é muito louco pensar que por mais que o pessoal torça o nariz para as fórmulas, ainda o jeito de levar todo mundo para o cinema é trazendo essas figuras. E tem muito herói para desenterrar ainda dos Tem, cara, eu fico impressionado, cara. Quanto herói não tem, cara?
Putsgrila, cara. Mas olha, vale um parênteses aqui que Homem-Aranha é o fora da curva, né? É o fora da curva, é igual o Batman, né? Então assim, não dá para medir. Exato, é, não dá para medir como tá o clima de super-heróis só por filmes desses personagens.
Mas realmente, tá. E aí os cara também, bom, teve um momento que era muito legal mesmo Tu ir ver um filme do Homem de Ferro e tem o Capitão América, tem... E aí aparece o Homem-Aranha, que não era para ser o Homem-Aranha.
Que não era junto à Sony, né?
Caralho, Homem-Aranha. Quando vier o Wolverine no bagulho, vai ser muito legal também. Então, o ponto é: foi muito legal quando foi na primeira, na segunda, na terceira, aí na quarta já vi, entendeu? Na quarta até legal, já entendi que qualquer filme que eu for ver de qualquer herói vai aparecer um outro herói, entendi. Então, o desafio agora é fazer essa parada ou mudar mais um pouquinho, que nem no primeiro momento que apareceu um cara novo, caralho, é foda, vai ser foda quando aparecer o Wolverine.
Com os Vingadores.
Mas esse filme do Homem-Aranha, que é o que lançou agora, ele é parecido com os outros 3?
Não, não é não.
Entendi.
Eu acho que não é, porque assim, os filmes do nome desse, desculpa, Um Novo Dia, Um Novo Dia, Homem-Aranha: Um Novo Dia, sempre essa historinha de dia.
É, antes era a casa, antes era a casa, volta para casa, volta para o lar.
É uma parada assim, é verdade. Talvez essa seja a nova trilogia dia, né? O próximo seja sei lá o quê dia, e aí provavelmente, mas eu acho que esse filme se difere muito, primeiro porque é outro diretor, e também porque o Tom Holland tem mais voz no personagem agora. Ele não é, não tá no mesmo nível que ele tava quando começou no personagem. E eu acho que dá para somar nisso tudo também a situação da Marvel, o contexto deles terem visto que produziram muita coisa mais ou menos e que não deu certo, e que eles têm que se focar na qualidade agora.
Produzir menos com mais qualidade.
Exatamente. O Bob Iger falou isso, que é o cabeção da Disney, né? E o Kevin Feige fica repetindo isso agora também. Esse é o foco. Eu acho que se eles seguirem essa pegada do Homem-Aranha recente, esse filme recente, vai dar muito certo, porque é um filmaço por conta própria, mas não tem vergonha de fazer parte de um universo compartilhado. Inclusive é um filme que tem muita coisa mesmo, muito personagem, muito vilão, muito—
Posso te fazer uma pergunta que pode parecer meio idiota sobre esse filme? Claro, vamos falar. Puto, o Boc perguntando isso, velho. O Homem-Aranha não morre não, pode acontecer tudo com ele. Ele é tipo Deadpool.
Caraca, spoiler, mano!
Ah, não é um spoiler?
Não, não, não é.
São discussões. Existe alguma coisa? Porque me pareceu tipo assim, eu adoro ver o Wolverine brigar com o Deadpool porque parece dois bonecos de pano, mas não é assim não, não é assim não.
Ele não tem esse fator de cura, não tem.
Mas o que que ele tem de especial que ele pode tomar umas porra um monte de coisa, nada. Ele, ele e o Cariani é a mesma coisa?
Não, não, não é, tá?
Só para saber, não queria saber.
Homem-Aranha não toma nada para ficar forte. Brincadeira, brincadeira. Cariani, nem te conheço. Beijo, hein? Beijo. É brincadeira, é brincadeira. Pô, nem conheço o cara.
Mas esse filme, ele é mais, ele é mais, ele tá mais resistente assim do que os outros?
Ah, total, total.
Faz parte da A gente não vou dar spoiler, tá?
Entendi, beleza.
Porque faz parte da, um pouco da jornada de amadurecimento do personagem também, né? A forma como demonstram os poderes dele nesse filme. Sim, sim, é interessante, é diferente, é muito, pô, ver, filmástica.
Eu quero assistir, filmástica.
Mas o que o Homem-Aranha tem, só concluindo, ele é forte, resistente e inteligente. É basicamente isso. Ele até tem um fator de cura assim, mas não é mega avançado. Sabe? É tipo assim, a gente se recupera em uma semana, o cara se recupera em 2 dias. Uma coisa assim, é uma parada mais—
já ajuda bastante, né?
Porra, bastante.
O cara parou de usar óculos, é, é, porra, bastante, né? Caralho, ajuda bastante coisa. É um filme tão bom quanto Backrooms, cara? Tu falou para mim que tu, que tu, quando tu vai assistir o filme, tu faz ideia do que era do universo de Backrooms, universo expandido de Backrooms. Creepypasta, né? Isso é interessante, um filme, cara, uma creepypasta que ficou popular o suficiente para um cara, para alguém fazer, para um estúdio fazer um filme, né?
Eu não sei em que medida esse filme foi, funcionou ou não, mas ele vem na esteira do Fred, né, do Five Nights at Freddy's.
É verdade, o filme do Tetris também foi uma piada que virou filme.
É que o Five Nights at Freddy's é um jogo, era um joguinho, eu lembro. Então eu sei que você sabe o que que é, mas o ponto é Ele é quase uma creepypasta, o Five Nights at Freddy's, né? Um joguinho, o cara lançou e a garotada achou maneiro, e aí foi saindo um monte, e aí foi se inventando uma história. Mas no começo, né, era um joguinho de terror. E o ponto é, você viu esse filme? Sim, né? Dá para dizer que é um bom filme? Eu vi também, eu vi com as minhas filhas, mas como eu não entendo porra nenhuma, eu acho, eu achei Queria ter ficado em casa, era melhor ter visto o filme do Pelé.
Pô, eu gostei para caramba, particularmente, né? Só um parêntese, outra creepypasta que também ganhou filme foi o Slenderman, não é?
Teve filme dele?
Filme? Não, não vi. É porque não foi esse lance todo, né? Mas sabe o quê? Esse lance do Backrooms, eu já tinha sido impactado pela creepypasta, né, o mito online Mas por essa, o Bock, ah, eu já vi umas imagens sinistras.
Então aproveitar aqui, o legal vai aproveitar para a gente, vai explicar para a gente.
Eu acho que a ideia assim é um pouco vaga, e isso que torna interessante, mas é como se fosse assim um bug na realidade, sabe? Num jogo, principalmente antigo assim de PC, que às vezes você entra no gráfico, fica preso, atravessa e cai para o infinito. É como se fosse isso na vida real. Não é? Você percebe um glitch na realidade, atravessa por um glitch. Tanto que muito das creepypastas era meio assim, a pessoa tava dirigindo uma câmera de segurança.
Acredito que isso até faz parte do YouTube, que eu chego lá, que a pessoa tá dirigindo um carro, aí o carro some no meio da rua. O quê? Caiu num, eu acho que no clipping, que eles chamam, uma parada assim, que a pessoa caiu numa espécie de backrooms, sabe, na sala de espera, na sala de trabalho da realidade, vamos dizer assim, né. E aí eu acho que essa questão de ser vago que torna tão interessante como creepypasta, porque cada pessoa pode desenvolver uma teoria do que que é, se é um bug na realidade, se a gente vive na Matrix, não sei o quê.
Entretanto, não é só creepypasta, tanto é que o diretor do filme, ele já era conhecido por conta desse lance de Backrooms, porque ele fez uma série no YouTube dele que viralizou e popularizou a certa medida também essa creepypasta. E na série ele começou a desenvolver essa mitologia da empresa lá que cuida das paradas e tudo mais. Então são vários episódios assim que lançou no YouTube, e o filme é uma espécie de Não sei se dá para dizer continuação, mas faz parte do universo que ele desenvolveu no YouTube.
De uma simples creepypasta, ele desenvolveu uma espécie de universo ali, ainda com muitos mistérios, mas a tal empresa mesmo que tá no filme e tudo mais, um pouco da estética de alguns lugares. E aí isso foi transferido para o filme. Inclusive tem todo um papo aí porque ele é muito novo. Eu acho que ele tem 20 anos, não sei, mas é muito novo. E aí a galera, muita gente duvidou, ah, não foi ele que dirigiu o filme, teve outra pessoa e tal.
Então teve uma polêmica assim, e o filme deu super certo para um filme de baixo orçamento. O cara tá planejando sequência aí, meio Sete Além, né?
Sete Além, tu manja de Sete Além?
Manjo, manjo.
Que diabo? É claro que você manja. Que diabo é Sete Além?
Pô, tô lá direto. Sete Além é um lugar que, segundo o criador, o cara que primeiro falou dessa Creepypasta. Ele um dia pegou um busão que tava indo para casa, ou era um busão diferente, nem percebeu. E aí cutucaram ele e falou, cara, você tem certeza que você tá indo para esse mesmo lugar? Sim, sim. Para onde vai esse ônibus? Ah, para Sete Além. E ele, não, não, não é aqui, mandou parar, desceu, e nunca mais ouviram falar desse lugar.
Então ele não foi, ele chegou— não, ele não chegou aí para Sete Além, pegou o ônibus que vai, e as pessoas nesse ônibus já pareciam ser desse lugar. A gente fala que ele pegou um ônibus para Santarém e ele tava bêbado. Tem várias teorias, mas é, nasceu dessa história. E várias pessoas na internet: não, cara, eu já tive um apagão em algum momento. É normal, né, cara, essa história de apagão.
Como assim?
Pô, tem doenças, tem pessoas que sofrem de epilepsia ou qualquer coisa que você— a pessoa às vezes tem um apagão e aí ela volta, tipo uma reiniciação do cérebro assim, sabe? Um apagão. Ninguém que teve um apagão?
Toda vez, acho que todo dia de manhã só. Só dormindo?
É. Tá bom, mas eu acho que é assim que vai para Sete Além. Tem uma coisa interessante, cara, eu queria fazer aqui um abraço para o Daniel Lopes aqui, que é assim, ó.
Esse vai manjar de Sete Além. Salve, Daniel Lopes.
Quando você falou, cara, de que o backdoor é um lugar, uma sala de auxílio da realidade, Tu viu o filme?
Não, tá bom, tá bom.
Como se fosse, tá?
Pô, se eu não vou ver filme de herói, imagina Back Dogs.
Mas tudo bem, qual o seu tipo de filme, cara?
Meu tipo de filme? Putz, eu sou muito chato, cara.
Mas é nada, sou sim.
Ah, posso falar?
Não, você gosta daquele natureza selvagem que o cara lá—
não, vou te falar o meu tipo de filme de herói que eu pirei, cara. Eu sou assim fã, é o Coringa.
Primeiro.
Eu sou pirado, cara, realmente. Assim, toda vez que eu assisto eu falo, mano, caramba, cara, o que que tem nesse filme de incrível? Porque eu acho que tipo ele tem uma profundidade falando de pessoa, de sentimentos, de tipo que eu assim, eu fico vendo e fico, falo, caralho, é muito lindo, é uma parada foda, tá ligado?
E o segundo?
Aí não, não curti, não, não curti. Eu nem lembro porque eu não curti, me lembrei qualquer coisa.
Eu nem fui ver porque disseram que era musical.
Ah, o musical!
Me falaram que é musical, não fui. Não gosto de musical.
É, não, não tem nada a ver.
É um filme de super-herói musical, não vou ver.
Não, não gostei.
Mas você gosta de Rei Leão?
Não tem nada a ver, cara. Eu só vou ver Rei Leão quando é as minhas filhas que estão vendo.
Não é da sua época? Não tem nenhuma animação da Disney assim que é atenção, cara.
Então, ó, vai, o que eu assisti e puta, é foda, porque assim, Aladim, vai, tá bom, gosto de Aladim. É um musical, é um musical. Aladim, Aladim, eu gosto de Aladim.
Quebramos a regra.
Mas Frozen, por exemplo, já vi Frozen um monte de vezes, mas eu vejo porque minhas filhas gostam de Frozen, gostavam, né? Ou sei lá, teve uma época que as duas andavam fantasiadas, uma de Elsa, outra de Anna, entendeu? Tinha muito o que fazer, então eu tinha que assistir. Mas não é muito minha praia não. Falou que é musical, falou que é musical, eu não vou, não me chama.
É, também não gosto não. Não, esse, nossa, eu não, 2 eu odiei.
Tu gosta de musical, cara?
Não, não é muito a minha praia.
Ah não, hater também não.
Hater, eu tô esperando o CEO aí dos musicais me mandar um Pix, que aí eu passo a defender.
E se saiu um filme do Homem-Aranha musical aí, tu vai ver com certeza.
Aí eu vou, mas eu vou ser fã.
Nesse ano, por exemplo, acho que foi esse ano, né? Você curtiu Avatar? Nossa, no final do ano passado.
Qual Avatar? O último, James Cameron. Água, muita água, né?
Vamos lá, você viu o último é não sei o quê de água aí, de fogo e cinzas. Esse filme é muito ruim, esse é um dos piores filmes que eu já vi. E olha que eu vi O Motoqueiro Fantasma 2. Vocês já viram O Motoqueiro Fantasma 2?
Acaba o Avatar, esse novo não acaba.
É verdade, irmão, olha só. Antes da metade do filme, antes da metade do filme, os caras já tinha sido capturado pelo menos uma vez, fugido, né? Porque no filme eles já, eles são capturados e fogem 2, 3 vezes, né? Antes da metade do filme, o moleque que não conseguia respirar o bagulho consegue respirar o bagulho no milagre do caralho. Então assim, esse filme tem tanta coisa enfiada no mesmo lugar, tipo, tem 3 arcos do herói no mesmo filme, entendeu, cara?
Não dá, é tipo, caralho, meu irmão, é o TikTok dos filmes, entendeu? Não dá, não consigo. É, só tem coisa explodindo e cérebro derretendo nesse filme, entendeu, cara?
Sem mencionar que várias coisas são reprises do que já tinha acontecido no anterior, né, moleque?
O vilão do primeiro filme volta, aí, aí ele começa vilão, de repente ele, por alguma razão, ele resolve ajudar. Ah, é o filho do cara, resolve ajudar os cara do que ele é inimigo. Aí quando acontece o negócio, ele sai de fininho, volta a ser inimigo Aí ele ganha do cara numa luta, ele não merece viver e se mata. Pô, não dá não, mano.
Mas a gente é enganado várias vezes, no sentido de o outro Avatar que veio com a tecnologia 3D também foi um negócio que fizeram puta hype. E tanto a tecnologia não é tão foda assim que nem que não deu certo.
Todos os bonecos desse filme do Avatar novo aí parece que é um filtro do Snapchat lá, mané, gráfico de Play 2, Play 3.
Mas aí já tá melhor do que eles falando.
Parece assim, ah, como é, como é que é? Tu olha para, olha, se eu tô olhando para o Boc, coloca um filtro de gatinho azul, é o Boc Avatar, pô. Estica assim, sem, estica, estica assim, sem na diagonal, só pega e estica assim na vertical, entendeu?
No Photoshop cai naquele negócio do Vale da Estranheza, né? Eu não gosto de ver aqueles bonecos azul falando, não vou gostar, entendeu?
Pô, eu gosto, eu sou fã.
Não é, tá falando Avatar, aquele filtro de boneco esquisito?
Sim, mas é porque eu acho que parece Parece que é porque é tosco mesmo, também é tosco mesmo, tosco feio. Eu acho tosco mesmo, a gente tem que acabar.
Inclusive, eu acho, cara, devia acabar, tinha que estar acabado já.
Qual que é o Avatar esse aí? Queimem os bebês. Qual que é esse Avatar?
É o 3, né?
É, esse foi o terceiro. Chega, inclusive o James Gunn, acho que o James Gunn, olha, James Cameron falou que esse terceiro filme era para ser parte do segundo, mas aí decidiu dividir.
Meu Deus do céu, talvez um bebê maravilhoso.
Porra, acho que esse terceiro tinha que ser É, eu concordo que é muito medíocre, tanto esse terceiro, todos os filmes são meio medíocres, mas é impressionante como eles conseguem gastar tanto dinheiro num filme meia-boca, né, cara?
Nossa, coisa explode, né? Tipo, o filme é 100% efeito visual, né?
Total. E, cara, posso falar, em Hollywood também tá numa crise de efeito visual, precisa, cara, investir muito assim. Você olha, você olha filmes mais antigos, eles alguns parece que tem efeitos visuais melhores, ou seja, tipo Muita coisa não me convence hoje nos filmes.
Não é tu que é invejoso não, cara?
Você acha, cara? Eu olho, eu não sei, eu tenho impressão que os efeitos visuais eles iam tendo uma crescente de qualidade até que teve o momento da crise de Hollywood, desse pessoal de pós, e nunca mais voltou meio que a ser a mesma coisa assim. Só grandes filmes. Beleza, o que a gente foi ver ontem, maravilhoso, efeitos visuais incríveis. Mas cara, eu acho que é sofrido. Eu acho que a IA vai ajudar isso. Por quê? Porque é muito caro fazer, cara. É muito, muito, muito caro. A equipe é muito grande.
Tu lembra dos, tu lembra do lá em 2002, 2003 ali quando saiu o segundo e o terceiro filme de Matrix, que eu não lembro exatamente quando foram, mas foi por ali no início dos anos 2000, das lutas, como era as lutinhas?
Era tudo muito foda.
Então tu vai, a gente vai ver hoje, não é mais, então se tu for ver hoje tu vai ver que parece uns bonecos de massinha, né?
Estranho.
Blade 2. Blade 2 é bom de ver isso. No Blade 2 tem uma luta quando os vampiros invadem a base dele. Blade também é da Marvel, né? Podia vir um filme novo do Blade aí. Blade é legal, pô.
Pô, essa aí é maldição da Marvel, porque em 2019 anunciaram um filme novo do Blade, uma rechalarra e tudo. Até hoje não saiu, não conseguiram acertar nos bastidores lá roteiro, diretor, nada. Então o filme tá tipo cancelado, encalhado, engavetado, sabe lá onde é que tá esse filme.
Eu lembro que a galera gostou, 1 e o 2 a galera curtiu muitão, o 3 não gostaram muito.
Muito.
O 3, o vilão era o Drácula, era o, como é o nome do cara? Tu manja, cara?
O 2 não foi dirigido pelo, por aquele cara de terror, o Guillermo del Toro? Foi o 2 ou 3? Teve um que foi, que é meio num lugar fechado, o filme é num lugar fechado.
O 2, ah, não sei, cara, não sei.
Eu não sei, eu não sei se tem Não sei, aí já faz muito tempo.
Aí tu quer me foder, não tem a menor chance de lembrar disso daí.
Já faz muito tempo. Mas sabe o quê? Eu acho que um pouco dessa crise de efeitos visuais vem também um pouco da alta— não sei se seria o termo certo falar, mas da alta quantidade de oferta. Tem muitos estúdios de efeitos visuais, e é meio contra-intuitivo, mas os grandes estúdios de cinema decidiram terceirizar. Não fazem mais internamente, não tem um estúdio com quem eles trabalham sempre. Aí eles meio que precarizou o mercado, né, que eles vão no mais barato, algo assim, quem tá mais acessível.
E aí faz mudança o tempo todo. E aí você pega um estúdio novo, o cara não tem os paranauês de como animar tal roupa do personagem, tem que pegar o modelo tudo de novo, não sabe, não tem a conexão mais com isso. Inclusive a Marvel fez, ou a Disney como um todo, Foi a Disney como um todo, demitiu um monte de gente de departamento visual, assim, o pessoal que desenvolveu o storyboard dos filmes da Marvel foram mandados embora. Vão trabalhar com eles ainda, mas de forma terceirizada.
Então eu acho que isso, por mais contra-intuitivo que pareça, mas a maior quantidade de profissionais e de empresas fez com que piorasse a qualidade das coisas.
Acontece isso no mercado, né, de No sentido, vai precarizando o trabalho, começa a ter muita gente que faz o que era algo que só a Industrial Line Medic fazia. E aí começa a ter uma coisa de essa concorrência desleal, assim, né, um fazendo preço mais barato que o outro. Imagino que aconteça isso.
E aí a IA vai piorar isso aí ou vai ajudar?
Ela vai ajudar, cara. Nos efeitos ela vai, ela tem como ajudar, cara. Pode ser que ela piore em outros quesitos, realmente, né. Tem que ter, sou a favor da regulamentação. Mas nos efeitos especiais é muito legal. E assim, não é como as pessoas imaginam, que o cara vai usar o ChatGPT em vez de usar um programa de efeitos, mas a IA já está entrando em todos os programas de efeitos. Então, né, todo já tá sendo feito com IA. E é muito louco falar que, por exemplo, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo só conseguiu ser feito com 5 pessoas porque foi usado o Runway.
Foi o primeiro projeto de cinema a usar o Runway, né, ser feito com generativo Pô, não sabia. Ninguém fala sobre isso. Então quando eu assisti o filme, foi assim, antes de lançarem o Runaway, né, primeiro jogaram na mão dos cineastas e depois lançaram. Então a gente olhava aquilo, parecia mágica. Falar, como é que 5 pessoas fizeram aquilo, cara? Como é que fizeram esse filme em 5 pessoas? Inteligência artificial, os efeitos com inteligência ajudaram muito. E hoje olhando, você fala, nossa, cara, claro, tá ligado? Que loucura.
Mas esse momento do cinema, o cinema é dependente para caralho desses filmes de super-herói, cara? Lembra que a gente mencionou Avatar, né? E o primeiro filme do Avatar, que eu lembro que falava-se na época que era como se fosse um ressurgimento do cinema, porque tinha o lance do 3D, motivo para ir para o cinema, né? Porque as pessoas estavam começando, as pessoas assistem muita coisa em casa, né?
DVD, né? Talvez isso.
Então na época, e aí assim, os filmes, o Avatar, e depois essa febre dos filmes de super-herói, e tudo mais. Isso aí deu uma— o cinema dá uma respirada. E eu não acho que o cinema vai embora, né, isso que eu tô dizendo. Mas é, como tá esse momento do cinema? Ele vai muito bem? Obrigado, cara.
Quer falar?
Manda ver, depois eu cumprimento.
Você— eu vou tentar ser breve para você complementar também. O cinema vive várias crises, é engraçado, né? Toda vez que eu converso com o pessoal que vive do cinema, sempre fala que o cinema tá numa crise, tá numa dificuldade. Mas durante o ano a gente comemora muitas, muitas grandes estreias, mesmo estando em dificuldade. E o cinema, na minha opinião, que trabalho com esse ecossistema, não é só a sala de cinema. A gente pode falar sobre a sala de cinema está acabando, está mudando, está diminuindo, mas o cinema é todo um ecossistema de cultura pop que também envolve, na minha opinião, não cinema como meio, mas como a arte, assistir em casa cinema e assistir no celular cinema.
Então assim, o cinema nunca esteve tão popular Mas as salas de cinema estão o tempo inteiro lutando com concorrentes. E o home cinema, que a gente assistir cinema em casa e tem se tornado cada vez mais barato, tem um super telas e cinema em casa, é um concorrente, cara. A crise é um concorrente, porque as pessoas também vão no cinema por uma diversão mais do que por assistir o filme. Eu sou muito disso, né? Eu quero comer a pipoca, quero fazer— nossa, se você não comer um balde de pipoca, você não encheu o saco de comer pipoca não. Não, velho, não, não, a doce não. Mas fala aqui o que você acha, Caio.
Não, pô, concordo. Tô brincando nessa aí, sabe?
Tipo assim, faz 20 anos que o cinema tá morrendo desde que entrou o digital, sabe? Assim, quando falam que, sei lá, morrendo é forte, né?
Morrendo é para chamar clique, tá sempre se transformando, digamos assim, né?
Eu concordo que principalmente no período de ápice ali, né, o ultimato, vamos dizer assim, o cinema se tornou uma parte fundamental do sucesso das salas de cinema, né. Mas não é todo cinema, de forma alguma. O que eu acho, justamente seguindo essa sua lógica das pessoas assistirem filme em streaming, sabe, você não precisa pagar para ir no cinema, você espera sair e assiste em casa. Isso é muito comum com vários filmes. Eu mesmo faço isso com vários filmes, todo mundo faz.
Eu acho que o cinema E aí tu fica sem todos os serviços de novo.
Exato, que é um problema, né?
Ou seja, aquele lance da grana não é a motivação no caso do Miguel, porque ele acaba gastando.
Mas ele não conta porque quem trabalha com cultura pop tem que assinar a porra toda.
Eu sei, eu sei, ele não conta. É verdade.
Mas a parte financeira que eu falei faz muita diferença.
E tem os seus pulos, né?
Esperando em casa.
Tem os seus pulos que as pessoas podem dar aí também.
E as pessoas dão muito pulo.
Pulo, isso influencia, são longuinhos, né? Mas eu acho que o cinema, esse pulo ainda são longuinhos, não é stream. Mas eu acho que a galera, pô, tá falando, ah tá, que eu acho que a pessoa gosta assim em casa, espera chegar em casa para assistir. Acho que o exibidor ele vai se apegar mais e mais justamente no que você tava falando da experiência. Então Eu acredito que os filmes que vão fazer as pessoas saírem de casa, pagar pipoca, que é cara no cinema e tal, é o grande evento, sabe?
É quase como você ir num show. Acho que é essa parada que o cinema vai virar, sabe? Não é, ah, vou ver qual o lançamento da semana. Não é assim que as pessoas pensam num show que ela quer curtir, né? As pessoas se programam às vezes, pô, vai sair tal coisa. Eu acho que o cinema vai migrar um pouco para isso, para as pessoas escolherem ir no cinema porque sabem que lá vão ter uma experiência única, que não é só assistir um filme que você pode fazer em casa, né, cara?
E é caro, né? Se você pensar assim, pensa no orçamento familiar padrão, quanto custa levar sua família no cinema, uma família no cinema? Puta, cara, tem que se planejar, é caro, né? Não é mais como era antigamente, que era barato para a gente. Eu, pelo menos eu tinha carteirinha, a gente dava um jeito de ser barato o cinema. O cinema é um rolê caro. E aí você pensa também que assinar streaming também, quando você começa a colocar tudo na conta, às vezes você vai ter que escolher.
E no cinema que você poderia toda semana, você vai uma vez por mês, vai só nos lançamentos que você queria por ano. Sem contar que várias cidades do Brasil o cinema não é perto, não é viável ir para o cinema, né? A gente fala isso perto das grandes capitais. Então, pô, a gente vai chegar a falar, eu acho, né, aqui dos puristas como Nolan, por exemplo, que faz um filme feito para assistir em cinema. E aí eu acho que a gente já quase que num produto novo.
Porque quando a gente fala de cinema, cara, tem os filmes Netflix que são feitos com— eu até, eu olho assim, até acho engraçado, cara, com aquela mesma fotografia, tudo lavado, tudo não sei o quê. Aquilo aqui é tipo, é assim, ó, tem que sair toda hora. E talvez nem foi feito para ver no cinema, talvez não, nem foi feito para ver no cinema. E tem filme que foi feito para ver no cinema, não é modo de dizer, foi feito para ver no cinema.
Tem que ver numa tela Também, né?
Porra, lindo no cinema, com certeza.
Mas esse, tô falando sério, é um espetáculo.
Sim, vai vir em casa, tipo ouvir funk no carro, tá ligado? Todo respeito, né?
É ruim? Depende de quando você ser o som.
Porque assim, se você gosta muito de ouvir funk, tudo bem. Você gosta muito de Velozes e Furiosos, tudo bem. Mas um cara normal que nem eu, se eu entro num carro, não é funk. Funk é na festa. Festa, fã que é, sei lá, foi num rolê, entendeu? Aí ali é maneiro, entendeu? É que nem Velozes e Furiosos. Para mim, eu topo até ir assistir o Velozes e Furiosos no cinema, minhas filhas e tal, que nem eu fui ver o Avatar, entendeu? Mas em casa ou sei lá, você vê, são uns espetáculos, né? É um espetáculo. Mas desculpa te interromper.
Christopher Nolan é tipo um nome, né, que se tornou um nome sinônimo de tem que ver no cinema.
Isso. E eu acho que agora com essa câmera, porque agora foi assim, foi interessante essa escolha dele, de pegar e fazer um filme, na minha opinião, inteiro em IMAX, né? Que para quem não sabe, é o formato— acho que todo mundo sabe, né? O formato grande do cinema. O cinema é analógico.
Nem todo mundo sabe que precisa de todo um equipamento, um jeito de fazer diferente.
Total, cara.
Eles disseram que você ia dizer agora, né?
Isso. O Nolan, esse foi o primeiro filme que eles fizeram inteiro, que o Nolan fez inteiro em IMAX. Até agora era assim uma hora em IMAX, o que dava para fazer IMAX, mas não diálogo, diálogo, tudo em IMAX.
Calma aí, você tá falando então que os filmes que a gente assistia no IMAX, eles não eram, não estavam sendo feitos para o IMAX?
Por exemplo, no Interstellar, se eu não me engano, é uma hora só de IMAX, que o resto é normal, película normal, ou em digital de 8K, de formato grande. Porque pela dificuldade, né? Por que que você vai gravar o diálogo do ator em IMAX, sabe assim? Não vai fazer diferença.
Tu sabe qual que é a dificuldade?
A dificuldade, sei, sei. Nesse caso é uma câmera muito grande que faz um bagulho muito grande. Quando a gente tá falando de IMAX, a gente fala de 2, 3 minutos, tem tipo muitos metros. O filme tem 1,5 km, ou seja, o rolo do filme ele é do tamanho dessa mesa. E é filme, filme assim, ó, dessa lapa assim, bem grandão, né? Que que isso faz diferença?
Uma filmão, hein, Bock?
Caralho, é grande, né? Mas aí, ó, o que acontece quando você vai gravar desse jeito? O motor do filme, do que rola o filme em alta velocidade, é muito barulhento. Isso é engraçado porque já acontecia no cinema. No cinema antigamente, no próprio cinema mudo, era muito barulhenta as câmeras, tanto que eles inventaram o blimp, que é uma caixa que coloca em volta da câmera para segurar o som. Essa era a caixa que torturavam as crianças no cinema, que falam que tipo as crianças eram pequenininhas e colocavam no cinema E elas não queriam toalhas, enfiavam nessas caixas sentada num gelo.
Essa inovação é do Nolan, não é?
O blimp em câmera de cinema, porque elas eram muito barulhentas antigamente, não dava para captar o áudio junto. Já é uma coisa que tinham inventado no cinema muitos anos. O que o Nolan fez, ele blimpou essa, essa de novo, essa câmera IMAX com uma caixa muito grande de novo, né, de para não sair o barulho. Mesmo assim o barulho ainda sai, né? E aí ele resolveu fazer o Odisseia na gravação dele. É, eu interpreto assim, tá ligado, que ele traz o negócio para o mundo real num nível, tá?
Porque vários diretores puristas falam isso, cara. Você nunca vai ter, tô falando do purismo, no digital a experiência da impressão física na película. Aquilo é uma experiência física e isso traz uma credibilidade para quem assiste de que, cara, aquilo lá é o que tá lá, é físico a parada, tá ligado? Então é muito louco. Sabe o que eu tô dizendo, cara?
Dá para perceber. Você viu A Odisseia?
Ainda não.
Mas tem cenas, tem muitas cenas que são num lugar meio deserto com a Penélope. Acho que é Penélope, não, Calíope, que é bem claro. Então você vai reparar que o claro dá umas piscadinhas assim, dá umas osciladas de cor. Isso aí é o filme, no filme, né? É o filme passando.
Interessante.
Mas aí o cara, o que que ele faz aí quando você vai gravar um diálogo? É muito difícil. Então ele colocou um espelho, ele inventou um jeito, ele levou para montanha. Ou seja, assim, os caras têm muita grana, né? Então é para eles, eles podem ficar inventando coisas incríveis. Puta, que que a gente vai fazer agora para dar um passo além? Vamos criar então um jeito de gravar um filme inteiro em IMAX. E talvez esse seja um jeito de continuar atraindo as pessoas para o cinema.
Deixa eu explicar, é muito louco isso. Quando você grava o filme em IMAX, que é nessa película desse tamanho, depois ele tem que ser revelado, tá ligado? Então existe só um estúdio hoje em Los Angeles que pega, que ainda tá aberto, que ainda tem essa profissão do cara, que qual que é o processo? Eles pegam esse rolo de 1,5 km, digitalizam, digitalizam num nível assim foda, tanto que trouxeram uma mulher para fazer isso, que ela é tipo assim a única que sobrou que ainda faz esse tipo de trampo.
E aí ela, eles editam isso digital, fazem edição, depois passam para ela, e aí dentro de uma máquina muito foda eles vão fazer analogicamente o corte, como antigamente se fazia por exemplo, numa moviola. O pessoal sabe o que é isso?
Acho que não.
Antigamente a edição, como é que ela era feita no cinema antes dos softwares de edição? Pô, você pegava, colocava, era uma mesa assim. Há pouco agora eu fui conhecer uma moviola em São Paulo, faz um mês, cara. Eu fui na BKS, nos estúdios BKS. Um beijo aí pra galera, pra Dani. E eles têm duas moviolas, cara, do vô dela, do pai dela, que o cara coloca o filme, o filme é projetado aqui na frente, mano. É o Final Cut, cara. Quem já mexeu no Final Cut vai falar, meu Deus, é o Final Cut, velho.
E aí você vai passando o filme, vai vendo aqui na tela, tá? E aí você corta com um blade, com uma gilete igual o Final Cut Blade, e você junta com uma outra coisa que esquenta e junta o acetato. E aí você vai editando o filme, cara. É uma loucura isso, tá ligado?
Maneiro, né?
Pô, surreal, maneiro demais. Só que fazer isso com um rolo gigantesco é uma super máquina que faz isso. E aí é muito louco porque hoje em dia, então, se edita provavelmente no Final Cut, alguma coisa assim digital, Aí dá para essa pessoa, que hoje em dia só existe praticamente ela em Los Angeles, que vai pegar e copiar exatamente a edição agora para o filme. Aí beleza, temos então um filme de IMAX de 1,5 km. Como é que você vai mandar isso para os cinemas?
Existem 40 cinemas no mundo que conseguem transmitir o IMAX analógico, só 40, que você vai mandar lá um rolo de 1,5 km. E para enviar esse rolo, cara, existe um sistema de segurança que pesa um rolo de 1,5 km. Puta, do tamanho dessa mesa, essa tonela, mano, deve ser pesado para caralho, perigoso de pegar fogo, é uma merda total, né? E aí, para você movimentar isso, isso diz um pouco sobre a história de hoje, como a gente tem, como a gente guarda os arquivos.
Não sei se vocês manjam, hoje, por exemplo, o cara vai lançar um filme como esse que a gente viu, Homem-Aranha, existe um cuidado com o arquivo final do filme que é enviado para todos os cinemas do mundo, que é tipo assim, cara, como é que eu posso dizer, de banco assim. Porque se vaza um negócio desse, alguém mete o Tom Holland lá e vaza o arquivo, acaba com o projeto bilionário que é o filme. E isso já vem do cinema analógico, onde você tinha que mandar os rolos quase num caixa-forte, num carro-forte.
Porque se alguém rouba um rolo desse, vaza um filme dele. No caso do IMAX, eu acho que não dá para vazar, né, para alguém assistir. Mas tudo bem.
Então também dá para roubar um rolo desse, dá para destruir, né, para botar correndo com a geladeira do cinema, né.
Negócio do tamanho de uma geladeira.
Vai chamar quem, né, para fazer? Mas aí que acontece, é muito louco isso, porque no final das contas, entre 270 kg e 300 kg um rolo de filme do IMAX. Eu falei 1 km, passando facilmente de 17 km de extensão, meu irmão. 17 km, Oppenheimer nem é tão pesado assim.
É, Oppenheimer chegou a 272 kg com 17,7 km. Agora rola ali, ó, que tem ali sobre Odisseia. Não, ali é só no mostrador.
Exigiram maiores, nossa, 640 kg.
Meu Deus do céu, 640 km de rolo de filme para Odisseia e aproximadamente 285 kg.
Meu Deus do céu.
E aí é muito louco porque o que você vai assistir é uma versão digital no final das contas. Então não é louco isso, que tem todo um trabalho do diretor para ser tudo analógico e no final a gente vai assistir Faz diferença até quando a gente vai assistir no digital ter sido gravado analógico? Pelo visto faz, tá ligado?
Eu sinto uma diferença, dá para perceber.
Você não fica puto de ter que ver no digital não?
Não, pera aí, o que que você percebe? O que que você fala? O que que você percebe?
Eu percebo uma oscilação na imagem.
Você percebe que ela é analógica?
É isso.
Mas você não percebe que ela foi convertida? Não dá para perceber que ela foi convertida, porque para a gente assistir aqui nos cinemas é digital. Sim, não é, não tem um projetor IMAX, porque antigamente era isso. Película IMAX, na época do analógico, projetor IMAX, projetor IMAX, uma tecnologia velhona, velhona, porque é o, é o, é o, como é que chama, o negativo maior, não é uma grande, entendeu, tecnologia no sentido de, né.
Mas sabe uma coisa irada disso tudo que o Nolan tá fazendo? Ele tá gravando esse filme para a eternidade, porque assim, você pega um filme qualquer que gravou no digital Se daqui, vamos supor, 20 anos tem a tecnologia 20K, sei lá, que a pessoa pode ver até o horizonte, blá blá blá, a pessoa para converter um filme digital, sei lá, daqui a um tempo vai ter que usar IA. Enfim, é todo um processo aí, é quase que reconstruir.
Não, vamos conversar depois que tem a IA, tá?
Você falou uma coisa importante, é quase reconstruir, seria quase reconstruir o filme. Agora, com o negativo Exato, você revela no tamanho que você quiser.
Mas você imagina você ampliar o IMAX?
É verdade, tu consegue total ampliar.
Daria para ampliar o IMAX para ele ter mais resolução ainda se ele é gravado em analógico, ou seja, num sistema de ampliação você poderia teoricamente ampliar ele.
Maneiro, né?
Mas assim, você assistiu no IMAX, né?
Não, não, assisti num cinema normal. Ah não, só tem 4 IMAX em São Paulo, cara.
Você jura, velho? Não, o pessoal dá ofendido no resto do Brasil, né? Só tem 4 IMAX em São Paulo, meu. A gente perdeu a noção. Pô, tem 4?
É pouquíssimo, é super seletivo esse negócio.
Como assim tem 4, velho?
Tanto que é até um meme, né, a galera vendo no celular.
São tipo 40 e pouco só que exibe filme IMAX.
Pô, e 4 digitais são em São Paulo? Ou seja, tem bastante aqui em São Paulo, né?
Assim, achei que a sua surpresa era de que era pouco.
Não, eu achei que tipo assim, você falou que não viu porque eram poucos. Não, 4 é assim, são poucos pela quantidade de cinema que tem em São Paulo, realmente.
Mas também tu vai ver um filme no IMAX, tu vai querer pegar aqueles que tu fica deitadão.
Não tem, velho.
Mas existem esses cinemas, entendeu?
Tem garçom e tudo.
É porque o IMAX, ó, posso estar muito enganado, mas todos os IMAX que eu conheço são salas que cabem 300 pessoas, tá ligado? E eu me incomodo um pouco de assistir um filme numa cadeira meio de busão.
Eu brinco que tipo eu fico assim.
Aí eu vou ficando assim, eu tô assistindo filme depois de puta canola do caramba, porque eu tô acostumado a assistir em casa, né? Então também vai cobrando mais o cinema, né?
E ficar 3 horas vendo um filme é tranquilo para vocês no cinema?
Pô, depende do filme, né? Se o filme for um porre—
Qual o último filme foi um porre? Avatar: Fogo e Cinza.
Pô, para falar a verdade, eu senti um pouco cansaço, mas A Odisseia ainda nem para sentir, pelo menos eu não senti. O filme Nossa, filmação maneiro, maneiro.
Eu tô vendo uns intelectual falando que, ah, não é bem o que o Homero escreveu e tal. Tem uma galera que tá falando exatamente, mas por outro lado, esses intelectuais falam também, mas assiste porque é um bom filme assim, aquele só não é o cara que o Homero escreveu, é um outro personagem. We don't need the jingle twice.
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Fine. No one deals more deals than Priceline. Please stop.
Priceline.
Touché. Priceline. Priceline.
E tem aquela parada também, a Odisseia, o que Homero escreveu já é uma adaptação, pô.
Ele cantou, né, na verdade.
E não foi só Homero, um monte de gente cantou, era uma história oral, pô. A Ilíada, Odisseia eram histórias orais que o povo contava. O Homero, ele só foi o cara que escreveu. Mas inclusive tem até algumas vertentes aí que o povo diz que Homero pode ter sido mais de uma pessoa.
Mas, cara, é a história mais antiga do cara que foi pra zona e demorou pra voltar pra casa, tá ligado?
10 anos para voltar para casa. Esse aí se perdeu legal, cara, porque olha a mentirada que ele teve que contar quando ele chegou em casa, meu irmão. Imagina ele chegando em Itacaçoladão assim, tá ligado, barbudo, fodido. Caralho, 10 anos, meu irmão!
Irmão, qual foi? Eu tô te esperando. Você foi fumar um cigarro e sumiu, velho.
Poseidon me fodeu. Vou te contar.
Não, senta que eu vou te contar.
Pô, tu não acredita, mano.
Mas aonde você vai ficar 10 anos com várias ninfas Tá ligado? É um bordel que nunca acaba, velho. E aí, tipo, tem muito sobre isso também, né? Eu acho, você, 7 anos, todo mundo quer viver 7 anos com as ninfas no bordel, não sei o quê lá. Mas dentro de você, você tem que voltar para sua casa, você tem seu lugar. É uma, é, né, uma parada bacana. Eu acho essa história, tipo, mexe com a gente. Todo mundo já foi para o bordel.
Tu ficaria no bordel eternamente?
Ficaria 7 anos no bordel imortal.
Pegando a rainha do bordel.
Não, não, eu acho que é imortal. Todo dia a gente tem que estar decidindo sobre essas questões, cara.
Sobre ser imortal e ficar pegando a rainha do bordel.
É, cara, será que hoje eu quero viver tipo uma no lugar que não tem nada a ver com você? Quantas vezes você já recebeu um convite para fazer parte de algum rolê que era muito tentador? Era, mano, era 5 ninfas e a Calypso lá. E aí você pensou, puta, mano, mas não tem nada a ver com o meu rolê, cara, tá ligado?
Nossa, mano, pensei até numa metáfora moderna, que é você diariamente pensando: pô, vou me entregar aos prazeres imediatos, isso, a procrastinação, ou vou fazer o que eu tenho que fazer?
E pensar que há 3 mil anos já tinha essa questão, sei lá quantos mil anos tem essa história, né? É muito humano pensar isso, né? Tipo, e aí é muito louco pensar essa diferença. Então quando a gente tem—
aí, desculpa, e aí vai, exatamente, a gente tá falando dessa história aí que você tá Ai, não vi o filme, mas vou ver. O relato comum dos caras que assistiram, que eu ouço, porque eu, caralho, esse cara que eu considero inteligente, é, pô, aquele ali é outro personagem. A essência do bagulho tá meio diferente, entende? Então, numa história antiga para cacete, um personagem que tem toda uma razão para não aceitar O cara que conquistou Tróias, ele tá diferente.
O nome dessa mudança é Christopher Nolan.
Isso, o nome da mudança é Christopher Nolan.
A parada do final do Nolan, todo final de filme ele tornar as coisas didáticas e dar um ar empolgante assim.
Escolher a estética muitas vezes em detrimento de muitas outras coisas.
Tu viu isso?
Esse filme inclusive ele faz uma parada que é adaptar o Odisseu para ética moderna. Talvez seja isso que a galera não curte, né?
Quer dizer, que os caras mais intelectuais, que, né, a galera que manja da história, porque assim, tinha que ter atualizado mais assim.
É um bordel chamado Calipso, dá para ver já, tá ligado?
Mas eu tô até, é isso mesmo, na Odisseia originalmente, o Odisseu escolhe ficar lá. Pô, a gente dominou aqui, aí vai aproveitar essa mulher aí. E também, pô, eles passam por lugares, saqueiam os lugares, e o filme nem mostra isso, sabe? Eles chegam no lugar, tá pegando fogo assim, e só, pô, por que que vocês não receberam a gente, cara? O filme assim não diz o que aconteceu ali. Eles saquearam a parada, botaram fogo, sabe? Sequestraram as mulheres, pegaram escravo.
Aí não, eu tô exagerando, mas Mas fizeram, pintaram 7 no lugar. Mas o filme não mostra, fala não é assim. O cara passou 7 anos lá pegando a, como é que é o nome da mulher? Não, a atriz, esqueci também, é a Claire da Marvel. Eu também não sei, conheço os atores dos personagens que eles interpretaram na Marvel, mas Charlize Theron, Charlize Theron, cara.
O cara malandro passou 7 anos com as Charlize Theron, eles não tiveram tempo nem de construir uma casa porque ela era uma pessoa que tinha muito, muito carnal.
É sério, exato. E o filme toma cuidado de não mostrar.
Ninfomaníaca. Isso, né, cara?
É muito louco, tá tudo conectado, tá tudo conectado. Não, você acha, é um gênio, porra, absoluto cinema. Não, você acha na etimologia das palavras, você acha muito dessa história, né? É muito louco isso, impressionante.
Mas tu tava todo no meio de um ponto aí, cara. Não tava não? Foda-se, acabou.
Era isso. Nolan tem esses negócios. Aliás, vocês sabiam que o Nolan tem um irmão que foi acusado de assassino internacional? Caralho! É, não sabia dessa história não? Não, não, cara.
É, ele foi só acusado ou ele é um assassino internacional?
Então, o que que aconteceu? Eu tô com essa história na cabeça porque eu gravei um vídeo curto sobre isso aí, mas enfim. Assim, aconteceu uma parada, acho que foi em Porto Rico, ou um país assim em desenvolvimento, e que um cara, um contador, tava devendo 7 bilhões, uma parada assim, 7 milhões, e contrataram um assassino para pegar esse cara, né? E aí o FBI investigando isso foi parar no Matthew Nolan, que é o irmão mais velho do Christopher Nolan.
O cara foi preso, acho que foi nos Estados Unidos, disso aí. E inclusive na prisão ele tentou fugir fazendo uma corda, sabe aquelas cordas de amarrar o lençol cinematográfico?
Total, do Caribe cinematográfico, cara.
Aí tem uma reviravolta ainda, porque o codinome que ele teria usado individuado como assassino era no seu Matthew sei lá o quê, McCall Oppenheimer.
Olha, sério, causando na do irmão, sério.
Que louco. É, mas ele não, não extraditaram ele dos Estados Unidos. Um juiz falou que não tem, não tem prova, mas mesmo assim ele foi sentenciado. Não, ele tá solto, tá? Ele, mas mesmo assim ele foi sentenciado na época por conta de fraude e e por ter tentado fugir desse jeito bizarro aí. Mas é surreal, porque quando fala da família do Nolan, as pessoas só lembram do irmão mais novo, eu acho, que é o Jonathan Nolan, que é roteirista, que trabalha com ele em todo o projeto, né?
Exato, roteirista pica de Hollywood, esse irmão dele, e do próprio Nolan. Aí não se fala desse irmão mais velho. A família mantém um segredo assim bizarro, surreal.
Que louco isso!
Isso eu me lembro, é A história do Hassun, pensei que te lembrava tua história também.
Não, porque o Hassun, o pai dele era da máfia, era mafioso, ele só descobriu depois, caraca, depois de mais velho, que o pai dele é mafioso. É muito louco, né? Mega mafioso. E a inteligência artificial, você tava falando para mim, mano, que ela ajudou muito o seu processo de trabalho, mas talvez você tenha uma outra opinião quanto ao uso no cinema. Qual que é a sua relação com ela?
Cara, porque assim, as pessoas, existe uma resistência, um medo e uma crítica muito forte à inteligência artificial. E eu concordo e eu entendo, mas eu acho que é importante. Não sou especialista em nada de jeito nenhum, tá? Sou uma pessoa comum aí que acessou o ChatGPT, é isso. Mas na minha percepção é importante fazer uma separação aqui do que que as pessoas não gostam. Porque assim, do ponto de vista da tecnologia, pô, um negócio incrível, pô.
Imagina, é um aparato que tem acesso, que pode ter acesso, né, a todo um conhecimento. Você pode colocar lá todo o conhecimento da humanidade e aquela parada vai dar uma reinterpretação àquilo ou vai organizar aquilo de determinada maneira que seja conveniente. Isso é quase magia, cara.
É o sonho da ficção científica, né?
Exato. É incrível, cara. É impressionante. Agora, tem um outro lado, que é o lado corporativo, que é o lado político. Quanto de desemprego isso pode causar? Como é que a sociedade vai lidar com isso? É como ficam os artistas que tiveram suas artes usadas por essas grandes empresas para treinar essas coisas. Tudo isso é muito questionável, sabe? E precisa Nós, eu acho, como sociedade, precisamos entender essa tecnologia como algo maravilhoso e muito perigoso também, que precisa ser direcionado num caminho que vai ajudar todo mundo.
Eu concordo para caralho. E eu acho que a gente vai passar por uma fase que os cara vão fazer merda. Como assim? Em algumas áreas a gente já tá passando. Por exemplo, a Amazon demitiu uma caralhada de gente para colocar, para substituir por inteligência artificial em diversas áreas. Viu que deu merda, voltou a galera. O que que isso ensina? Que vai, eu acho que a gente vai passar no cinema também e em vários lugares uma fase que os cara vão fazer merda ao lidar com a ferramenta.
Então, por exemplo, a merda, a merda que fizeram de mandar pessoas-chave embora para, na esperança de conseguir substituí-las por inteligência artificial, claramente deu merda. Eu assim, tem histórias de vacilos aí que a que a IA fez que causaram grandes problemas, né? Sistema fora do ar um tempão, por exemplo. Então eu acho que assim como já teve, o que que causou aquela greve dos roteiristas lá, que os cara pararam de fazer os roteiros das séries?
Eu lembro que a parte que me pegou foi a terceira temporada de Sobrenatural teve só 18 episódios, tá ligado? Faz um tempão, faz tempo, hein? Mas os cara recentemente também entraram em outra por conta de inteligência artificial, né, os roteiristas, né. Então eu acho que tem a ver, porque assim, as coisas vão acabar se encaixando. O roteirista ele vai, sei lá, parar de brigar com inteligência artificial não porque ela faz o roteiro para ele, mas é porque ela pode servir de, ela pode, ela é uma fonte infinita de do conhecimento que a gente tem escrito.
Então o cara, imagina usar uma ferramenta dessa para estudar ou para ter novas referências ou sei lá. Eu acho isso muito louco, sabe? A possibilidade de eu conseguir... Antes eu precisava mandar um salve no amigo meu que manja muito de tecnologia se eu quisesse uma informação sobre alguma coisa. Hoje eu posso, se eu quiser um contato, um calor humano, eu posso fazer isso, mas se eu quiser também no meio da madrugada, 3 horas da manhã, um troço que é 80% de confiável, eu posso trocar ideia com o ChatGPT. Às vezes até mais, né?
Eu acho. E, cara, e tem uma coisa também, cara, a inteligência artificial tem evoluído muito. O que o ChatGPT era há 6 meses atrás não é o que ele é agora. Então assim, o que dava para fazer, por exemplo, com a inteligência artificial, que você não conseguia montar um roteiro, agora, cara, ele é o tipo assim o assistente do número 1 do roteirista. Porque eu acho que existiu um fetiche no começo da inteligência artificial que ela não vai substituir tudo.
E eu lembro de ir nas empresas, vai escrever por você, e nas empresas, e todo mundo queria cortar cortar custos. A SXSW falou do Google ser empresa que vai rodar com um funcionário, tipo, é meio um sonho assim, tá ligado? Mas eu acho que a realidade não é isso. A gente, eu percebo uma curva, tava falando com você, você vai automatizando os processos dentro da sua empresa, do seu workflow. Então você vai deixando isso aqui automático, você vai alimentando a inteligência artificial, você vai conectando sua agenda, até o momento que começa a fazer tudo errado, que começa a marcar coisa errada, que começa o a inteligência artificial botar informação que não tava originalmente, você já não sabe mais.
E eu, na minha empresa de inteligência artificial, eu passo por isso. Às vezes chega um roteiro do cliente e aí o diretor de pós coloca no ChatGPT, aí o editor coloca no chat. Eu falo, cara, ninguém vai ler o roteiro, todo mundo vai colocar no chat, tipo, para conversar com o chat. Então é muito louco isso, o quanto dentro do, né, do trabalho você pode substituir pela inteligência artificial e o quanto não pode. Não tem como ela substituir agora totalmente o nosso trabalho, agora, né?
Mas como assistente ela funciona de um jeito surreal, é o perfeito Spider-Man ali. Eu tenho tido conversas com meu chat, cara, porra, hoje em dia em níveis profundos que eu não tinha 6 meses atrás, que ele não tinha essa capacidade, ele era meio limitado, cara. Agora tá começando a ficar sinistro assim, realmente é quase como você querer fazer um roteiro sem pesquisar no Google. Puta, tem que unir as informações, né, com inteligência artificial.
Como é que foi para você? Porque para mim eu comecei a fazer listas que eram impossíveis. Então você pode perguntar para o chat assim, cara, me une aí 10 personagens do cinema que usam botas, sei lá, entendeu? Coisas que você nunca pensaria, tá ligado?
Para mim, eu vou só cortar aqui porque é, para mim ajuda pouquinho, sabia, no trabalho que eu faço, porque é isso daqui precisa de uma camada humana muito específica específica, que a inteligência artificial tende a me atrapalhar. Como assim? Não é, se eu souber usar legal não atrapalha não, mas tem um ponto específico de preparo que se eu passo, eu erro ele. Sei lá, se eu chego aqui sabendo demais, eu não me conecto direito, entendeu?
Vira um, com todo respeito a quem faz, mas vira uma entrevistaça mesmo, entendeu? Vira uma Marília Gabriela. Né, mesmo que bem feito, vira uma entrevista para caralho, entendeu? É descobrir junto contigo algumas coisas, mas eu preciso saber o que que eu catuco para eu descobrir também, entendeu? Então tem um ponto específico para mim, porque eu também tô fazendo isso aqui há um tempão, cuido para ser melhor toda vez e o caralho, né?
Mas se não é assim, eu gosto de pensar na inteligência artificial como algo que vai me ajudar. Se de 100% ela me ajuda com R$90, tá ligado? É bastante, exatamente, é para caralho, é para caralho.
Mas por exemplo, você pode no seu carro, você vem vindo para cá trocando ideia com o ChatGPT, é maluquice, né?
E assim que no meu caso ajuda, mas ela já me atrapalhou porque eu não sabia o que eu tava fazendo, entendeu?
Precisa um certo espaço para o improviso, né?
No meu caso sim, pode crer.
Para o meu dia a dia também tem um pouco isso porque eu faço muito, eu faço vídeo diário, né? Então todo dia um roteiro. Então se eu fosse passar pelo ChatGPT toda vez, seria um inferno. Realmente é muito mais rápido, pô, compilo umas coisas ali, improvisa o resto. Até escrevendo, porque eu escrevo também ficção, legal. E até escrevendo, pô, eu sei que tem a galera aí da Amazon que lançou uns livros escritos por IA assim, mas na minha percepção é impossível você escrever uma ficção com IA, cara, porque fica um negócio É até meio tosco, eu acho, falar isso, mas sem alma, fica vazio assim.
E eu acho que o uso de IA fica muito evidente, o limite, quando tem a ver com algo artístico, né? Porque precisa da questão humana, do improviso, da percepção. E eu acho que é especificamente puxando para o meu lado aqui da escrita ficcional, tem um quê muito seu ali. Você tá arrancando um pedaço seu, botando na página, sua voz, né? Exato. Tem poucas coisas que são tão puras coisas assim, expressão artística, né? Mas a pesquisa, e justamente aí entra nessas partes aí.
Por exemplo, eu lembro de um exemplo, tem um exemplo muito claro que é, teve um determinado momento que eu parei de escrever uma história, um conto lá, que o personagem ia fazer alguma coisa num carro forte. Eu não fazia ideia como é que era dentro de um carro forte, como é que eu ia encontrar essa informação. O Google não ia dar, onde é que ia ter? Mas conversando com o IA eu posso ter essa informação, sabe? Mesmo que ele mande aquele aviso, olha, isso aqui é crime e tal, mas dá aquela—
Cara, mas ele tá tão inteligente que, por exemplo, você tá criando uma obra e aí você vai conversar com o chat, ele sabe exatamente quem são os personagens, ele tá num nível de personalização e profundidade fodido, cara.
Fodido. É, mas assim, usar— Você acha que usar inteligência artificial no teu trabalho lá trabalhar vai fazendo, vai deixando você mais preguiçoso?
Pô, para mim, na minha experiência particularmente, não, não, não. Pelo contrário, a percepção que eu tenho é que o trabalho aumentou porque aumentaram os horizontes, sabe?
Exato.
Não sabia que tinha tanta coisa que podia fazer, tantos caminhos que podia seguir, tanta coisa que você podia fazer sozinho agora.
É verdade, eu brinco, né? Agora eu tô fazendo o trabalho de 5, então eu tô fazendo o trabalho mais difícil que eu já fiz usando a IA. Tipo, não ficou mais fácil para mim, porque agora a gente inventa de fazer coisas que a gente não faria antes. Então, para você ter uma ideia, tô fazendo um projeto que são 9 telões. E aí, cara, eu ia ter precisado assim de alguém com muita experiência para me ajudar a fazer telão, por mais que eu já tenha feito muito, para você somar todos os pixels, montar tudo.
Então eu peguei, chat, tô fazendo isso, isso, isso, vamos lá, abrir o After aqui. Vamos lá, Bruno, abre isso aqui, faz não sei o quê lá, clica lá. Foi me guiando, cara, de um jeito assim único que eu achei. Falei, cara, eu sou capaz de qualquer coisa, cara, com esse cara do meu lado, cara.
Sabe um comparativo interessante? O Tony Stark com o Jarvis, né, a inteligência artificial dele.
Total.
Tony Stark era o Tony Stark, ele era o herói, ele fazia as paradas, mas se ele precisava de ajuda para construir alguma coisa, ele usava Falava com o Jarvis dentro, sendo o Homem de Ferro dentro da armadura, né?
O Jarvis é um, eu diria que o Jarvis é o Homem de Ferro também, porra. Agora ele virou o Visão, né? Mas é quando ele, quando no terceiro filme, né, ele que comanda todas as armaduras, né?
No terceiro filme, é, no terceiro filme tem isso aí, sim.
Não é, não é esse, essa entidade que comanda Eu acho que é o Jardim que comanda as armaduras. Mas, ó, voltando aqui um pouquinho, um pouquinho, tu falou que escreve para vocês. Os livros escritos pré-2022 não tinham a possibilidade de ter uma LLM de assistência. Isso amplia, isso aumenta o valor dos livros lançados até 2022, a gente vai lembrar dos livros lançados antes das LLMs um dia? Será, na opinião de vocês? Porque assim, hoje em dia todo risco, todo livro que sai corre o risco de ter tido pelo menos uma revisão por uma LLM, né?
Eu acho que quando você lê o livro, esse que é o problema, né? E aí a LLM conseguir produzir um livro que engane as pessoas Eu acho que esse é o problema. Vamos dizer que tenham livros escritos por LLM e isso interessa de algum jeito para as pessoas, para elas aprenderem, terem mais contato com alguma coisa, com tema, tudo bem. Mas, cara, é o que você falou, a literatura ela é tão, ela é tão a voz, ela é tão o pensamento de uma pessoa, o que vai, eu acho que cria outro tipo de literatura.
Como, mas é que tu não, acho que tu não entendeu. Ó, vamos lá, eu sou um filho da puta e eu quero só lançar um livro.
Por isso que eu disse, você enganar as pessoas.
Isso, eu quero enganar as pessoas. Então assim, eu vou usar uma posição qualquer de, sei lá, sei lá, tem um perfil no Instagram, tá bom? E vou lançar um livro. E esse livro, se dá para eu construir um livro— hoje não dá, né? Hoje tá muito fácil, é muito fácil ver um texto quando ele é de inteligência artificial, muito fácil hoje em dia, né? Mas não tô falando do cara que vai necessariamente lançar um livro totalmente de IA. Eu tô falando que é, nós não dá para, se você quiser, você delega parte do teu trabalho criativo para IA, né?
E nada me garante além da sua palavra que tu não usou no teu livro, tá entendendo? Então livros pré-2022 é a única garantia que nós temos que ninguém usou inteligência artificial em nenhum nível para produzir os livros, entendeu? Sim. Depois de 2022, 22 ainda era bem difícil, né, porque era bem merda. 24, tá. Mas de um tempo para cá, meu irmão, já era. E daqui para frente já era. Todos os livros eu vou ter que confiar na tua palavra, né?
Mas eu acho que tem uma coisa de pesquisa também, de assim, você quer inventar um mundo que não existe, cara. Antigamente ia precisar de pesquisa em níveis de que talvez as pessoas não alcançassem.
Será que isso é a origem? Será que tem como sair uma mídia? Mídia não, mas sei lá, não, mas não história em quadrinhos, mas uma— imagina que uma existe agora, uma Marvel Comics que veio de coisas de inteligência artificial, e o primeiro super-herói é o Tum Tum Tum Tum Tum, e faz a história na hora, né?
O final que você quiser. E ela voltar ao cinema, que era um final triste. Mas sabe o quê, esse lance da— eu acho que a gente pode usar o livro, a literatura, como uma metáfora para tudo o resto, né? Porque a gente poderia falar isso do cinema também, não é, cara? Que garante que não usou IA no roteiro, usou para filmar, para fazer o efeito, blá blá blá. Na música também, né, que é uma grande questão inclusive. Mas eu, interessante, Vale refletir, eu acho também.
Lógico, tem essa questão da palavra, né, do autor. Eu acho que isso é importante, a pessoa que tá por trás, né? Porque eu acho que as pessoas vão desenvolver uma certa desconfiança ou entender, pô, isso aqui foi feito por IA, por quê? Porque não tem uma pessoa por trás. Agora, tem uma pessoa por trás, aquela pessoa se envolveu no processo, blá blá blá. E aí Aí, botando isso aí de lado, eu acho que tem uma questão também do olhar a tecnologia em si, porque talvez o mesmo pudesse ser dito do Google.
Isso, porque depois que o Google saiu, as pessoas tiveram acesso a mais conhecimento, e isso significa que a pesquisa deles foi facilitada e os livros não valem o mesmo. De novo, livro como metáfora, podemos estar falando de qualquer coisa. E para antes, pô, tem a máquina de escrever, tem um computador, sabe? Homero escreveu essa porra onde que ele escreveu esse negócio? Na tábua de argila? Não, foi em outra coisa. Onde é que ele escreveu?
Não sei que diabo, sei lá, na pele.
Mas então não tinha papel.
E aí, quando inventou o papel, mas desvaloriza. Aí você pensa como uma ferramenta, né? Não como alguma coisa que substitua, que é o que a galera tá pirando. Isso, porque como uma ferramenta você usar ela, né, aí, como uma ferramenta. Eu vejo, por exemplo, que ela amplia. A gente já consegue perceber, algumas pessoas, o que é feito com IA que é ruim, o que é bom. Então, um exemplo: tem coisa que eu produzo com IA hoje em dia que fica com cara de ChatGPT, e aí eu evito.
Putz, aquilo não. Então assim, não é, pô, mas o cara vai lá e vai dar um prompt, vai sair, vai ficar com cara de ChatGPT. E aí hoje tudo que tem cara de ChatGPT já é meio ruim. Então eu acho que tem essa remodelação dos padrões, do que a gente acha bom, do que a gente acha ruim, do que que ela faz rápido a gente já começa a não gostar muito. Então a gente mesmo cria novos padrões.
Tu entrou no iFood e tu tá com fome, entrou no aplicativo, entrou no 99, entrou no Pizza Hut, a puta que te pariu, aí beleza, beleza, tá com fome. Aí tu vai e olha aqui, esse sanduba aqui entrega mais rápido. E aí tu entra na página lá da loja que tem os sanduba Sanduba e tu bate o olho, tu vê que é foto de IA, tu compra?
Eu não me importo se o sanduíche chegar e for parecido com a foto. Eu nem compro, sabe por quê? Não, porque já não tem.
Por que que tu tirou a foto da porra do teu sanduba?
Mas tu tá fazendo sanduba com iodo, filho. Já não existe uma lei que faz com que as embalagens tenham que ser igual, ou seja, as fotos já são zoadas. Você já come foto do sanduíche, tá ligado?
Você vai no Mac, o Big Mac é igual a foto?
É muito diferente.
De jeito nenhum, cara. De jeito nenhum.
4 palavras que não dá para ficar falando o tempo inteiro: tu vai no Mac. Eu como pouco hambúrguer, na verdade, entendeu? Mas eu acho, por exemplo, tem o ponto é o seguinte: tem usos da inteligência artificial que são esquisitos. Uma que outro dia eu descobri aqui que os moleque pegaram aqui é o uso dos caras, não usa Lifem, né? Lifem não, é travessão. E a IA escreve travessão para caralho, a ponto dos caras colocar assim: coloca travessão no texto.
E várias outras, tem umas estruturas que a IA usa o tempo inteiro que cagueta logo de cara. Muita coisa que é comparação, que é anglicismo, que o cara quando eles traduzem fica tosco. Por exemplo, não é Isso não é uma experiência, é uma mudança de perspectiva, tá ligado? Então não é, é, tá ligado? Tem estruturinhas que tu saca lá o que é IA e o jeito de escrever. Pô, tu construiu, tá construindo um aplicativo com IA, porra, ele fica cringe porque ele escreve uns placeholder de texto que fica, tá ligado?
Isso é um detalhezinho, tá ligado? Mas são, tem várias coisas que entregam que é de IA. É assim também na, ainda é assim demais na produção de vídeo, porque teve, a gente passou pela fase das fotos de 6 dedos, depois a gente passou pela fase dos vídeos que tudo vira um foguete, né? Lembra disso? Todos os vídeos sempre tem um foguete, né? E um pavão. E agora a gente tá em que etapa da vídeo em IA?
Cara, é possível se produzir sim, sem ficar assim perfeito, só que é um trabalho profissional. É a mesma coisa como outra ferramenta. Você quer produzir algo profissional, tu quer fazer inteligência artificial de um jeito que não pareça que é, dá um puta trabalho.
E tu topa ver isso no cinema?
Eu acho que a partir do momento— isso já vai acontecer, tá, galera? Eu acho que é impossível não acontecer. Isso vai salvar muitas vezes o cinema e o cinema independente. Quando você pega um roteiro decupado do que você tem que gravar, do que o diretor tem que gravar. Eu tenho que gravar aqui o seu diálogo com ele, aí depois eu tenho um close dele pegando uma espada, depois eu tenho um sapato dele dando a pegada. Tudo isso não vai mais precisar ser gravado.
Então quando o diretor olhar, ele vai falar: tá, eu vou gravar o diálogo, isso aqui aí, esse close aí. Não necessariamente ela vai substituir o ator. As pessoas também estão achando que a gente vai ser o tempo inteiro enganado aí, e não vai. O objetivo é que melhore a produção, eu acredito, né? Ninguém quer usar inteligência artificial para ficar pior. Então quando você tem esse trabalho, por exemplo, hoje você pode pegar um ator atuando e trocar, trocar a roupa dele, trocar o— isso já traz um dinamismo para o cinema independente, principalmente aonde não tem dinheiro para nada, aonde todas as possibilidades, ideias são cortadas pelo orçamento.
A gente começa, pô, a gente tem tanto para fazer o filme, isso aqui não dá, isso aqui não dá, esquece essa ideia, isso aqui não. Agora é diferente, agora dá para olhar e, pô, isso aqui insert não vai, essa cena que a gente tinha que ir pro Rio de Janeiro gravar. E aí sim, você tem um negócio que não vai— a parte com alma não vai perder, realmente. Você pega um diálogo que você chora, que é emoção, por que que a gente vai substituir aquilo por IA do dia pra noite?
Mas talvez a gente aconteça o big stage. Você grava em um estúdio, que é um estúdio grandão, cinza, as pessoas estão de pijama, de roupas normais, e depois você vai trocar na pós. A roupa que você quiser, você vai colocar aonde você quiser, você vai ter o controle total. Mas o que precisa ser humano é humano. Então eu acho que é esse complemento que vai trazer um cinema melhor. Quando eu falei do Runaway, é que trabalhou com o filme tudo em todo lugar ao mesmo tempo, puta, ninguém achou aquilo uma merda.
Ah, que merda, não vou assistir esse filme. Porra, um filme custou baratíssimo, independente. E é muito louco, no Hollywood mesmo, os estúdios de Hollywood estão com problema, com crise. Não só os estúdios que gravam, mas os estúdios físicos, os Então eles estão tentando como reinventar isso. Talvez agora o big stage, esse novo jeito de se gravar, seja um jeito de ter mais produção. De então agora, em vez de ter duas produções, porque elas são muito caras e elas podem dar prejuízo, não, a gente pode arriscar um pouco mais porque os efeitos não vão ser tão mais caros.
Então eu acho que a galera tem que abrir a cabeça do que que é um negócio feito em casa. E as plataformas vendem, né, o Seedance, tudo. Não é muito fácil, você entra aqui, bota 3 imagens, o negócio isso sai, cara, sai um videozinho de 10 segundos, cara. Mas você quiser fazer qualquer coisa profissional com consistência, não vai conseguir fazer.
Consistência é a palavra.
Exatamente. Você vai mudar uma coisa, vai ter outra, vai tudo ferrar. Mas agora, como eu tô te falando, tô fazendo vários telões, um show de telão, cara. Isso, imagina, inteligência artificial, ela é um, ela entra como efeito. Antigamente a gente não ia fazer, não tô roubando o trabalho de ninguém, a gente não ia fazer, não era possível. Não pelo tempo e nem porque você não conseguiria. Como é que você vai conseguir uma imagem 8K?
Como é que você vai conseguir? Esses vídeos eram muito caros de se produzir. Então mudou muita coisa dentro da produção audiovisual e a galera ainda não caiu a ficha de todo mundo, né? Não rolou. Então eu acho que antes de uma grande cagada com a IA, isso vai ter, pode ser uma grande cagada, vai ter um grande filme produzido com técnicas de IA todo misturado que vai ser porrada. Vai ter um Nolan da vida, mas no caso Nolan não, mas Scorsese, que já tá em parceria com Flux, que é uma das plataformas LLMs, estudando.
Ou seja, ele vai lançar uma pedrada, cara, alguém assim. E aí a gente vai abrir nossa cabeça, tá ligado?
Eu tenho um contraponto aqui. Você disse que esses processos eram muito caros, e se eram muito caros é porque tinha alguém que ganhava muito dinheiro fazendo isso aí, e era uma parada exclusiva, né? O que que vai acontecer com essas pessoas, sabe? Esses profissionais.
Não necessariamente era muita gente ganhando muito dinheiro, É um processo que ele é um processo de quase de uma construção civil. São muitos pedreiros, muita gente fazendo pequenos processos, né? Não tô dizendo que, claro, que esses empregos não são importantes, mas eu acho que com a inteligência— não, não, não, eu disse que não é assim, não são pessoas que estão super ganhando super bem. Pô, o trabalho tá precarizado dos efeitos especiais, tudo, né?
Estão sendo feitas coisas, sempre foi, né, na Índia, em outros lugares. O que eu acho é que esses artistas junto com a inteligência artificial vão produzir coisas inimagináveis que vão dar trabalho para caramba e vão precisar empregar gente para caramba. Eu não tô empregando menos gente na produtora, eu sou uma produtora que não existiria sem a inteligência artificial. Então eu tô falando isso muitas vezes com essa experiência, né, não imaginando, pensando, caramba, cara, já tá acontecendo isso, eu já tô fazendo coisas que eu não faria, que não seriam possíveis.
Eu não tô roubando emprego, eu tô criando mercado. Então isso é possível, é real, sabe?
Talvez haja vários filmes aí que já usaram, então não sabe. E aí a gente não sabe, eles também não divulgam porque é um tema bem sensível.
Mas nos Estados Unidos é bem complexo isso, sindicalizado, né? Eu não sei se vocês sabem dessas regras. Por exemplo, vai se produzir para Netflix, você só pode usar IA como ajuda de pesquisa. Tem assim várias etapas para tentar dar uma segurada.
Com efeito visual também tem, né?
Eu sei que tem, por exemplo, uma porcentagem de profissionais, de processos que tem que ser feito com IA. Então tem um cliente gringo que eu trabalho, um streaming, que a gente faz as animações IA e ele dubla tudo depois analogicamente. Ele não quer dublar IA porque ele não quer tomar, ele não quer transformar todo o processo em IA. E é muito legal porque fica muito diferente você pegar isso, a gente já fez, você pegar a voz do dublador, passar numa numa IA e mexer, transformar a voz em uma outra coisa do que você tentar dar a sensação no prompt.
Dá muito mais trabalho. E é muito louco isso. Na hora da gente orçar, eu fui orçar quanto era para fazer dublagem em IA e dublagem com pessoas. Cara, tá tão precarizado esse mercado de dublagem, a dublagem tá tão barata que era mais barato fazer com dublador do que com IA. Chegamos naquele ponto que às vezes quando você vai contratar IA você tem que ver se não é mais barato fazer com profissional. Um exemplo, eu assino o Clode, aí eu fico lá me ferrando para fazer um site, tomando uma, aí eu gastei no final do mês 3 pau com o Clode. É 3 pau, o cara também fazia o site, entendeu?
Sei lá, e não te dava trabalho, e não me dava trabalho, né?
Então assim, tem isso também, cara, de tipo, não estou procurando a IA para diminuir o meu trabalho, ela é um assistente para a gente fazer coisas mais da hora. E quando eu vim aqui a primeira vez falar de IA, a gente já tinha essa impressão de que a gente não ia trabalhar menos. Ah, você ia ficar lá sem fazer nada? Não, você inventar coisa Mais foda. E aí, e a gente ia gastar esse tempo que ia sobrar fazendo coisas mais incríveis.
Então é isso. Agora eu tô inventando de fazer uma animação em casa, meu, trabalho para caramba. Antes eu nem pensava em fazer uma animação. Então tô inventando coisa para minha cabeça.
Maneiro, maneiro.
Você mencionou essa parada aí do de fazer por IA ser mais caro, e talvez isso seja uma tendência. O que que vocês acham? Porque é caro esse, essa tecnologia. Cai, só que não vem para gente.
Eu acho que vai ficar, eu acho que para onde, assim, foge um pouco do que a gente tá conversando, mas eu acho que as IAs, o grande, os grandes saltos que a gente vai ver que realmente vão mudar, vão mexer o ponteiro, não é uma parada muito mais sinistra, muito mais potente, porque esse teto tá chegando. Tipo, é o ChatGPT 3 por 4, é insana a diferença, tá ligado? Do 4 por 5 é legal, entendeu? É outro patamar, outro, entendeu? Aí onde que mora a grande diferença aqui é no contexto e no barateamento dos tokens.
É isso que vai ter uma porrada de data center, vai ter toda uma discussão se vai foder o meio ambiente, não sei o quê, mas é isso que vai fazer os tokens ficarem mais baratos. Por que que o Cloud, portanto, é caro? Porque é caro o token. Token é caro, entendeu? Então é caro. E é aí que vai... Só dá para popularizar assim, tornando isso mais barato. E eu acho que é aí, se eu fosse os caras, eu estava focando nisso. Me parece ser, porque eles estão tentando colocar data center para cacete.
E estão popularizando. Essa é uma tecnologia que está sendo financiada, assim como foi a revolução da internet, no sentido de não fecha conta. E eu acho que isso que você fala é muito assim, cara, me dá até medo no caso da minha empresa, porque é isso. Hoje eu gasto, vou te dar um exemplo, vai, vou falar um exemplo técnico. Eu gasto 5, 6 pau de inteligência artificial na minha empresa, cara, é um funcionário. 5, 6 pau um funcionário, legal, tá ligado?
E a partir do momento que a gente pensa que isso tá sendo financiado, que na verdade isso custa muito mais caro para eu gerar uma imagem que custe, e estão falando que estão financiando assim 80%. Então se isso for custar 5 vezes mais ou 10 vezes mais, a gente tá falando R$50 mil, não inviabilizou inviabilizou tudo. Então hoje é inviável essa revolução, ela é inviável. Por isso que falam da bolha. Mas um desenvolvimento de tecnologia é esperado para a gente fazer, de repente, que o custo disso diminua.
E a China tem projetos também open source que a gente pode imaginar que talvez a gente vai ter localmente. O que a gente— esse eu acho que é uma solução, né? O que a gente hoje tem na nuvem, a gente vai futuramente conseguir talvez com placas de vídeo.
E então, localmente, que eu tava conversando outro dia aqui, que eu acho que segunda, é segunda, com o Guanabara, que é o seguinte: esses, a gente tá falando da tecnologia Transformer, que é o T do ChatGPT, né, que é uma tecnologia que usa os núcleos CUDA, que é das placas de vídeo da NVIDIA, né, porque esse é o jeito mais rápido que ela, que o Transformer funciona. Não precisa ser o Transformer, tá, pode ser uma outra tecnologia que a gente pode inventar que vai ser que pode ser muito mais barato, por exemplo, no manejo de informação que entra e informação que sai.
Basicamente isso que é token.
Tipo uma tartaruga ninja.
Uma tartaruga ninja, tá com fome toda hora, pode se esperar, homem.
Mas tem até os computadores quânticos, ou seja, que estão vindo. Eu não sei exatamente como eles vão se conectar, mas eu acredito que as empresas que hoje financiam isso e estão nessa bolha, elas imaginam que é exponencial. Aquilo que você falou, não acredito mais que é exponencial. Era um sonho nosso lá, vai, que o negócio ia ser exponencial. Mas você vê o ChatGPT 2, eles não são mais tão inteligentes. Mas eu acredito que ainda possa ser exponencial.
Eu acho que tem alguns lugares para ele ser exponencial. Pode ser exponencial numa mudança de tecnologia. Vamos dizer, a gente instalou 10 data centers e isso dá para o uso mundial do ChatGPT, só que é caro, é não sei o quê, tudo inteligências artificiais. Posso estar falando uma grande merda, né? Vai pesquisar, é melhor. E aí amanhã a gente lança uma outra tecnologia que não é a Transformer, que é uma outra, que dentro, que usando esses 10 data centers, a gente aumentou a eficiência porque ela é, ela funciona de outra forma e portanto tem o dobro de eficiência.
E pronto, já deixamos 2 vezes mais barato as coisas através da nossa tecnologia.
Então, pô, não sei se vocês já ouviram falar de um paradoxo que agora eu esqueci o nome, mas tem a ver com a produção. Quanto mais você produz algo, a tendência é pensar que vai baratear porque vai ficar mais fácil, mas o uso daquela coisa aumenta. Isso aconteceu com a eletricidade, por exemplo. Desenvolveu a tecnologia da eletricidade, pô, vai ficar mais seguro acender a lâmpada e não sei o quê. Que que aconteceu? Começou a se desenvolver um monte de coisa que usa eletricidade. Então assim, o uso ele não barateou, ele aumentou da tecnologia, né?
Não sei se, como é, a ponto de, então, a ponto de, eu lembro numa época na minha casa era assim, meu irmão, ó, no começo do mês a gente tem que pagar o aluguel, tem que pagar a conta de luz e a conta de água, né? Isso tem que pagar. Não tem que pagar a conta de luz, de conta de TV por assinatura. Isso é luxo. Não tem que pagar internet. Isso é luxo, tá ligado? Eu vivi essa porra. Hoje não tem como. As pessoas—
tira minha luz, mas não tira minha internet.
Eu acho que a gente vai chegar numa etapa que é: não tira minha inteligência.
Cara, você—
porque vai, vai.
Não, não, fala, fala, fala, fala. Não é isso. Não, ele falou uma coisa muito foda aqui, assim: a energia elétrica a gente permitiu e aceitou, por exemplo, as usinas hidrelétricas, que são interferências muito grandes no meio ambiente. Mas tipo, é óbvio que a gente precisa das usinas, das termoelétricas, óbvio que a gente precisa de energia, né? Ninguém discute. Como vai ser óbvio que a gente precisa da inteligência artificial, talvez.
E hoje fala-se sobre o custo dos data centers, mas tipo, é, vamos ter que remanejar isso e não temos como viver sem isso, né?
Bom, para solucionar isso aqui, os cientistas, assim, as pessoas Eletricidade, pessoal, vão usar e vão usar mais de jeitos que você nem tá prevendo, né? Tipo, imagina o cara que tava ligando uma lâmpada imaginar que a gente já tá agora fazendo programa na internet.
Pois é, então é exatamente coisa que a gente nem imagina.
Então coisas serão feitas com isso. Imagina, então assim, saibam que ou vocês dão um jeito nessa porra ou fodeu, porque vai, e as gerações que virão já vão nascer com essa porra. Tipo, os cara, eu não consigo, a minha filha não consegue imaginar a vida sem internet, cara. A filha da minha filha não conseguirá imaginar a realidade sem Apple. Imagino eu nesse aqui, a gente tá também, né, futurologia máxima.
Mas é muito revolucionário porque agora a gente tá criando a mente, depois a gente vai para os robôs, que é o que já vai começar essa tecnologia. E quando as tecnologias dos robôs chegarem, aí o emprego do Igor tá ameaçado, porque aí vai ter um robô apresentando um podcast.
Assustador, né? Aí será que a gente chega num cenário de ficção científica mesmo, cara?
Eu acho que é impossível não chegar. Chega num nível que eu acho que os autores de ficção científica, eles briefaram os cientistas. Porque, cara, a gente tava conversando sobre os livros de ficção, né? Cara, eu lendo Arthur C. Clarke, que era um cientista muito fera, e ele era um cientista tão fera que ele criou uma teoria, né, que uma teoria dos satélites, coisa assim, que recebe o nome dele. Ou seja, ele era um cara muito foda.
E ele imagina um futuro muito parecido com que a gente vive, com que a gente reimaginou no cinema e tudo mais. Então é muito louco isso, pensar que essa história de inteligência artificial, da gente ser comandado pelas máquinas, isso foi pensado em 1940. Eles já estavam assim, os seres extraterrestres, como eles iam se relacionar com tudo isso.
Então assim, tinha que meter um ET aí na história.
Né, cara? É muito louco, porque não, então não, porque esses autores também se preocupavam muito com vida extraterrestre, algo que depois caiu para ufologia. Hoje eu olho a ufologia, eu penso, cara, é tudo releitura da ficção científica assim. Parece que a gente esqueceu dos grandes autores e estamos reinventando de um jeito tosco.
Inclusive, eu acho que quando a robótica tiver avançada, vai ser uma crise ainda maior do que a gente tá tendo agora, por conta do emprego. É porque eu escutei muita gente falando que quais são os empregos mais seguros é o emprego manual, né? Você vai ser encanador, vai ser não sei o quê, que a IA não pode fazer. E quando tiver um robô para fazer isso?
E não tá longe, cara, de você ter um robô em casa. E aí tem um robô em casa, é só um exemplo, né? Mas tem um robô na colheita, tem um robô no mercado. E aí quando todo o processo, longe sim, cara, Não tá, cara.
Sim, cara, a gente não consegue nem ficar em pé, porra.
Tudo bem, mas não consegue ficar até ficar em pé e fazer tudo há 10 anos. Tudo bem, 5 anos, 10 anos. O que eu quero dizer, 10 anos acho que tá até exagerando. Então, mas o que eu quero dizer é que assim, primeira coisa que vai dar merda, as novas gerações vão se formar na escola e não vão ter onde trabalhar e não vão ter motivação para se formar. Eu acho que a gente vai passar por essa crise. A gente velho se vira, você pega e acha, consegue fazer coisa.
Agora, mano, a molecada, cara, Tá numa situação, tomara que chegue nisso, de verdade. Você vai fazer agora o quê, Tadinho? O que você vai estudar? Comunicação aí?
Porque se tudo correr bem, né, foda que assim, eu sonho com, eu sonho com um mundo que para ele acontecer talvez a gente ia precisar que a média do ser humano fosse Madre Teresa de Calcutá ou algum outro assim muito considerado do bem, entendeu? Porque vamos lá, imagina um mundo que todos os trabalhos são— você consegue fazer o que você quiser, porque— e todos eles são intelectuais, porque todo trabalho braçal já era. E nesse mundo, esse trabalho de base que é de repetição, que é o plantar, né?
Que isso aqui também talvez seja bom com tecnologia, talvez seja possível coisas que são de repetição, apertar uns parafusos, produzir umas TV, fazer essas paradas. Isso dá para, isso faz rodar a economia no mundo, sei lá, tirada do meu cu total. E a gente vai que a gente consegue aí uma renda básica para todo mundo, né? E todos os trabalhos são só intelectuais daqui a 150 Seria legal.
E o propósito das pessoas é o quê?
Por que a gente precisa de 150 anos? Porque a gente precisa de umas guerras, a gente precisa se matar, a gente precisa— porque precisa do ser humano médio, maduro e ter exame de cálculo.
Mas eu acho que a gente vai ter que enfrentar esse dilema rápido. Elon Musk fala que os empregos vão acabar, ele mesmo falou agora pouco tempo que os empregos acabam.
Então aí vai ter um monte de problema, né? Uma porra, a gente vai perder emprego. Imagina lá na Europa, os cara já lá na França, os cara já faz protesto qualquer coisa. Imagina, né? Então vai ter, vai ter umas coisas pegando fogo, vai ter uns problemas, eu acho.
O problema é que se o Elon Musk prometeu, não vai acontecer. Aí é complicado. Mas sabe o que eu acho muito?
Não, ou pelo menos vai acontecer numa— ele, se ele acertou uma data, é 3 vezes depois, multiplica por 3.
Pode crer. Mas eu acho muito escroto a galera que fala Pô, não pode acabar com o emprego porque o emprego dá sentido à vida das pessoas. É mó caô isso aí, né? Que isso, as pessoas tiram sentido da vida do emprego? Não existe família, não existe hobby?
É, bem-vindo ao São Paulo.
É bizarro porque tem essa galera, né, que falou: temos que ver uma crise existencial porque as pessoas não vão trabalhar. O quê?
Mas, cara, isso tem base, tem base.
Tem países no na Europa lá, que tem o IDH muito alto, né, pessoas que não têm muitos problemas na vida, esses lugares aí as pessoas suicidam para caralho, né.
Mas aí não tem o amor, o carinho, abraço de mãe.
É possível, é possível.
Não tem a Bahia?
É possível, é possível. E tem também, tem uma, tem a questão, eu até acho que tem muita gente que só vê na vida, vê no sentido da vida o trabalho, né, porque no fim, caralho, No fim das contas, todo mundo aqui só se entretendo enquanto não morre, né, cara?
Mas é muito louco que do mesmo jeito que a gente olha hoje e fala, como é que os homens se escravizavam? Talvez o nosso neto fala, pai, como é que todo mundo trabalhava das 9 às 6 e não cuidava da família? E se a gente não ia na praia, e quem cuidava do filho? Você tinha que contratar outra pessoa para cuidar do filho. E quem fazia comida? Tipo, a gente abre mão de coisas fundamentais. Eu tava conversando com alguém esses dias, eu falei, cara, eu queria me aposentar para fazer esporte, arte e ler. Não é da hora? Tanta coisa para ler.
Assim, a gente não vai dar tempo porque a gente tá só trabalhando diretão.
É, a gente perdeu essa conexão.
No caso, eu sou um puta privilegiado.
É o meu trabalho.
Meu trabalho é trocar ideia com os cara. É quase, não é ler um livro todo dia, mas assim, é muito esclarecedor conversar com a galera que eu converso aqui o tempo inteiro, entendeu?
Mas ó, muita gente como você, imagina, que trabalha não pela necessidade básica de se alimentar, tem um propósito muito acima só da grana. Senão você já poderia estar em algum lugar com a sua família, talvez ganhando um pouquinho ali, um rendimento. O que eu quero dizer é que muita gente fala isso, tá bom, então a gente não vai precisar trabalhar e vai ferrar a economia, ninguém vai trabalhar, um monte de vagabundo. Mas muita gente, quando eu acredito, né, quando a gente tá mais encontrado, com propósito mais alinhado, você não trabalha só por grana.
Você acorda e vai fazer alguma coisa coisa por um ímpeto, alguma coisa que você acredita. Isso não vai mudar, porque eu não trabalho só pela grana. Mas o que pode acontecer é que você não vai precisar trabalhar para pagar a comida. Então imagina o mercado ser grátis, porra, ia ajudar demais, cara.
Tipo assim, a pessoa pode curtir ser arquiteto, mas ela não curte cumprir prazo de cliente, ouvir cliente chato. Então seja arquiteto para curtir acabar o cliente, cara.
É.
E no seu caso, por exemplo, assim, eu acho que até dados os contextos, né, acho que a gente pode se colocar nesse local privilegiado que a gente trabalha sendo nosso patrão e tal. E eu apostaria que tipo os funcionários daqui do Flow, galera que tem horário para chegar, horário para sair, não tem o mesmo prazer assim para curtir para caramba, não tem o mesmo. Ninguém precisa admitir, lógico, Lógico, mas eu julgo que isso aconteça, né?
Porque para mim, explica melhor, o mesmo prazer no quê que eu, que você, talvez porque nunca teve a experiência?
Mas eu acho, talvez, sabe o que é a obrigação? Porque o Igor, imagina, tem uma puta obrigação, tem maluco, tem obrigação, mas veio de uma decisão também, né?
Mas tem a ver com ele, né? Todo mundo decidiu, mas tem a ver com você. O Igor Igorzeia. Entendeu? Tem a ver com a naturalidade do que ele é. Ele faria isso, é que ele fala. Nem todo mundo eu acho que faria isso naturalmente, porque cada pessoa tem— quando você se desabrocha, tem algo te esperando. É muito louco falar sobre isso, porque talvez a inteligência artificial tenha alguma maturidade para humanidade que é mais do que a gente tá imaginando, no sentido de as pessoas terem que se descobrir além do trabalho, de se desabrochar enquanto indivíduos.
O que que o Bruno faz naturalmente? Bruneia, o Igor Igoria. É sério, então nem todo mundo queria estar no seu lugar, porque isso tem muito a ver com você de gostar de conversar, talvez, né? É porque senão a gente, assim, vamos falar de uma parte ruim da inteligência artificial, né? Eu acho que as pessoas vão ficar mais individualistas, você precisando menos de equipe para fazer as coisas. Ah, meu, eu tenho um projeto, você tem um projeto, você tem um projeto, e a gente cada vez menos vai vai precisar interagir esses projetos.
E eu vejo que isso traz um pouco de, tá bom, então todo mundo que trabalha na sua empresa, cada um vai poder ter seu projeto, ninguém mais vai precisar trabalhar para o projeto do outro. Isso é muito interessante porque hoje você tem seu projeto, eu tenho o meu, e eu tenho 10 que trabalham para o meu projeto. Então se você não tem alguma coisa, um objetivo na vida, você vai trabalhar para o do outro, entre aspas, o que não é exatamente isso.
Mas com a inteligência artificial dá possibilidade de cada um ter o seu projeto, e também você não precisa de gente para trabalhar, Em alguma medida, eu, vamos lá, quando eu tava dando aula, eu me sentia realizado pelo fato de fazer parte de uma coisa que era dar aula, tá ligado? Claro que falando bem a verdade, era muito, era muito, com certeza muito importante a porra do salário no final do mês, tá ligado? Não era à toa que eu pegava o máximo possível de turma, que eu substituí todo mundo.
Eu gostava do que eu tava fazendo, sim. Meu problema era lidar com os pais dos alunos, entendeu? Porque era tudo meio os cara com dinheiro, é chato, né? Mas era gostoso ver no próximo semestre uma puta fila dos cara na secretaria procurando a minha turma, entendeu? Então eu me realizava nessa parada também, né? Isso daqui me realiza também, com certeza, né? Tem várias vezes que termina, Puta, voltei para o mundo real, puta merda, entendeu?
Não que o mundo real seja uma merda, mas é que aqui, nossa, a gente tá aqui, a gente pode viajar e ficar falando de porra do que a gente tá falando, né?
É legal isso que você falou, né? Como se apesar do atrito existe uma recompensa, né? Tipo a jornada do herói. O herói não teria o crescimento dele, a transformação dele, se ele não passasse por toda turbulência. E isso faz um pouco parte da vida, talvez do trabalho e tudo mais. E o que vai ser do ser humano quando isso for perdido, quando toda experiência humana for customizada para ele e não haver o atrito social?
Cara, eu acho que isso é uma consequência ruim, e eu vejo que a gente tá vivendo isso, isolamento, por exemplo, menos atrito social. A pessoa não quer receber uma mensagem de WhatsApp, eu sofro disso, você não quer ouvir. Você quer ler. Então começa que você não quer ver, depois você não quer falar no telefone, depois você não quer ouvir a voz. Daqui a pouco vai ser assim, cara, pede para sua inteligência artificial falar com a minha, né?
E a gente não vai ter mais o relacionamento. Isso me incomoda porque eu me relaciono hoje com menos gente, cara, do que eu me relacionava antigamente.
E eu me sinto— isso não é um produto em si, vocês não acham? A própria autenticidade, a humanidade, entre aspas, aqui, o fato de ter da garantia de algo ser humano. Aquilo ali é humano, aquilo ali é feito por pessoas. Eu entendi o que você falou, é que o, vamos dizer entre aspas, meu trabalho tá em risco porque eu poderia ter em algum momento um robô aqui fazendo um trabalho que tem perfeita, é que nem eu, é a minha técnica igual, é que nem eu, fala que nem eu e caralho, é possível, né? Mas ser humano É só dali que sai o inesperado, não é?
Quando você quer o inesperado, posso dar um exemplo. Existe aquela software que você sobe uma informação e ele cria um podcast. Você já viu, né? Já deve ter visto que tá inundando o TikTok.
Já viu?
É um software ali que você sobe um tema, alguma coisa, ele cria um podcast de duas pessoas conversando sobre aquilo. Já viu? Super assustador, porque é interessante, né? E no TikTok agora ele tem também um jeito que você sobe um tema e ele vai explicar o tema para você. É mais ou menos isso.
Acho que o GPT também faz isso.
Serve para uma coisa específica, serve para eu estudar.
Isso, quando eu quero estudar não me importa se é o Igor ou se é inteligência artificial. Quando eu quero me entreter, eu quero o fator humano. Eu digo isso porque em nenhum momento isso vai substituir o podcast. Eu também acho, tá ligado? Mas existe a função de às vezes eu quero saber uma informação e aí tanto faz quem tá me— porque assim, O Pipocando nunca perdeu para o Wikipedia, mesmo tendo a mesma informação.
Ah, boa!
A mesma, você pode achar a mesma.
E eu acho que tem dois pontos nisso aí. Tem problema tá se delongando? Que assim, o primeiro, ficar se delongando nesse papo dela, cara. Vamos falar de, o Bocca, vamos falar de cinema, de Homem-Aranha.
A gente falou 80%, já cumpriu a cota, tá?
Não, o primeiro ponto é que eu acho que é em relação à experiência. Bem como ele falou, né, o Pipocando ganhou da Wikipédia, que é meio que isso, né, é ver o que as pessoas fizeram e saber que é uma pessoa igual você que passou por aquilo, sabe, a experiência humana. Então esse é um ponto que a IA nunca vai superar, porque é o lance da identificação, a empatia que você vai ter ter com aquele produto para além do produto. Pessoa se visse aqui o Flow feito com IA, não ia ser a mesma coisa, porque a pessoa saberia que não correria o risco de, sei lá, ouvir uma fofoca, uma treta com Igor envolvido, porque aí não existe, velho, não tem vida, sabe?
Não ia ir num evento e trombar com Igor, por exemplo, esse tipo de coisa. Então o fato de existir gera essa identificação. E um outro ponto é que eu não sei particularmente se eu concordo com essa questão do, pô, IA não pode gerar o novo porque só teve acesso ao antigo. Eu não sei se eu concordo tanto, porque assim, óbvio, seres humanos vão poder criar coisas que a IA não cria, porque nós temos as nossas experiências que a IA não tem, né?
Nós vivemos, nós acordamos, a gente sabe o que é e trabalhar com sono ou ter dor de cabeça, e pode compreender o conceito da dor de cabeça, mas nunca sentiu. Mas no termo de novo assim, eu acho que aí é possível de criar algo novo sim, pela própria concepção do que é criatividade. Porque do ponto de vista de criar qualquer coisa, a história, objeto, sei lá, sempre é a fusão de coisas que já existiram, né? Você pega um conceito, mistura com outro, pega aspectos de um junto com o outro, misturou ali, pá, tem um negócio novo. Então sempre é a mistura. E aí pode fazer esse tipo de mistura, sabe?
Eu crio arte com IA dessa maneira. É interessante você falar, porque algumas, alguns aplicativos LLMs, como por exemplo Midjourney, como Flux, eles trabalham fazendo misturas aleatórias. Você coloca quanto você quer de cada imagem, você faz misturas como se fosse um caldeirão para ter um resultado artístico que tem a ver com os, com o jeito que você coloca. Ou seja, o ser humano ele é tão inventivo que eu acho que a gente vai dar um jeito de fazer arte com essa IA, sabe?
De a gente não vai ficar na mão dela. É claro que existe uma tentação de eu falar, Igor, por que que a gente não bota uma IA conversando aqui? Mas isso ia ganhar alguma coisa, sabe? Assim, não, eu acho que não, sabe? A gente quer ver o outro se ferrar um pouco também, né? Tem isso E o que acontece hoje em dia, no fenômeno hoje da gente tá sozinho, vocês já perceberam isso? A gente fica muito isolado, não sei vocês, mas hoje em dia esse fenômeno social, porque nosso cérebro sente que a interação que a gente tem assistindo filme é real.
Filme não, vídeo. Então eu assisto Flow 2 horas, o meu cérebro acha que aquilo é uma interação social e eu não sinto vontade de sair de casa. Então eu acho que no momento que a gente tá todo mundo isolado, você quer um pouco de real ali. Você quer pessoa. Aí não vai substituir isso, esse relacionamento que já tá emulado. Ou seja, por que que a gente assiste tanto podcast? É um falso relacionamento, cara. Isso eu acho que é o perigoso.
O seu cérebro fica com dopamina e tudo achando, e você fala: não, eu tô me relacionando, eu não tô isolado, eu não tô sozinho, eu me sinto totalmente conectado. E eu tô lá um mês sem sair de casa.
É o que chamam de relação parasocial, né? Que ainda cria essa, que inclusive, pô, eu encontrando o Igor aqui, pô, fiz carinho no rosto dele, caramba, porque eu conheço o Igor de ouvir tanto, né?
Quando você fez carinho, eu saí daqui, vocês fizeram carinho? Não, pô, no elevador, no elevador eu tava junto.
Caraca, que momento ele fez carinho?
Será que ele fez?
Ah não, teve a gente subindo no elevador, ele quer apertar O cara fez um carinho, foi de brincadeira, foi de brincadeira.
E sabe que na arte tem até precedente para isso, porque quando a fotografia foi inventada, você sabe, perdeu totalmente o propósito de pinturas fotorrealistas. E aí surgiu o expressionismo, que mudou totalmente a concepção do que era arte na época.
Quem sabe? E tem uma questão da tecnologia para fazer o troço andar, né? Não é evoluir, é andar.
Né?
Aí tem gente que vai dizer, eu preferia o fotorrealista.
Mas é muito louco porque também existiu uma briga porque queriam colocar as fotos, as fotografias, sob a lei de direito autoral. E o pessoal falava, não, qualquer um pode com uma câmera lá e tirar, como que a foto vai ser de um fotógrafo? E aí, se tipo você tem direito sobre a reprodução dessa foto, então isso foi uma coisa nova, foi a partir então de uma máquina que a gente criou, a gente teve que rever isso, porque a pintura é muito passando pelo olhar da pessoa.
Agora, a máquina não era óbvio, e hoje é óbvio, né, que você não leva uma máquina para um lugar e você é o Sebastião Salgado, tipo, pô, precisa do olhar, né. Então na IA também vai ficar claro isso para as pessoas, cara, eu acredito, tá ligado.
Eu também acho que vai ficar, mas é uma puta ferramenta foda, né, puta ferramenta foda. Você acha que vão ter, a gente vai em algum momento vir para o cinema assistir um filme totalmente feito por Eu, cara, eu não sei cinema, eu não sei, eu acho que não.
Chutaria dizer não.
Tu iria? Tu sai de casa ver um filme todo de IA só pelo meme de ver um filme de que, caralho, esse filme aqui é um filme todo feito por IA? Nem pelo meme tu vai ver?
Mas todo precisa ser todo? Todo? Não, mas em que momento que entra o ser humano? Você botou, o cara botou um prompt e foi dormir?
Não, calma, o cara assim, existe um, vamos dizer, o cara escreveu, você, o Miguel escreveu um livro, tá bom? E aí agora ele quer fazer um filme desse livro, e aí, porra, ele não quer contratar uns atores porque ele não conhece, não tem o casting perfeito. Ele quer o casting perfeito e ele só consegue o casting perfeito com IA.
Os personagens seriam feitos em pós-produção, como tudo, jogou o livro lá e faz o filme.
Não, é diferente isso que você tá falando, porque esse é o fetiche: jogou o livro e faz o filme. Isso também eu acho que vai acontecer num processo mais parecido com o aplicativo Showrunner. Manja?
Não, não conheço.
O Showrunner é aquele aplicativo que juntou todos os episódios de South Park, e aí você vai lá, pede um episódio de South Park, ele te dá um episódio. Então acho que a automatização total vem na via de personalizar o conteúdo para você num nível muito foda. Então daqui a pouco você vai colocar você, sua mãe, o filme vai ser do seu jeito, e aí você vai aceitar que é de ar, porque aquele negócio é tão extraordinário né? Agora, na experiência coletiva do cinema, você assistir um filme que foi feito todo em big stage, que é essa nova tecnologia, por que não?
Que é um novo estúdio, por que não? Porque a gente quer os atores, né? A gente preza isso. Do mesmo jeito que eu acho que devia existir essa discussão quando a gente viu o primeiro Toy Story, alguém pensava, mano do céu, vocês tiveram um filme inteiro feito com esses bonecos toscos? É sério, né?
É, até nesse caso, na animação, ruim de tudo tem que ter um ator para dublar, né? Ruim de tudo tem que ter um ator para dublar. Mas eu, mas é que mesmo assim, na animação, o nível de envolvimento humano é completamente total. O Woody, ele expressa emoções que um cara cuidou de ele expressar, né? Aqui a gente tá falando de um troço que assim, tudo bem que a gente não vai saber quando for possível um filme inteiro com inteligência artificial, a gente não vai saber que se vai ser estranho como é hoje.
Que hoje, se tu, a consistência entre uma cena e outra, por exemplo, é um problema, né? São só clipes curtos e tal. Mas não sei se eu sairia de casa sem, assim, puta, eu queria ver um. Na real, acho que eu iria muito, iria muito.
É que o Bloco falou que isso é fetiche, né?
Mas assim, o filho da puta do Miguel fez um filme foda. Então, se ele tá, vamos ver se esse filme que ele tá falando que é foda, que ele fez sozinho, da história dele, que que ele teve, por meio da ferramenta, ele teve a capacidade de dirigir, de fazer do jeitinho que tava na cabeça dele, eu iria assistir, eu acho.
Nunca faria isso, hein, gente. Isso aqui é tudo hipotético.
Por que não?
Pô, cara, porque a colaboração é importante para o processo artístico, principalmente um processo quanto mais gente vai atingir. Porque quando eu comecei a escrever o livro, eu pensei que o primeiro livro, né, eu pensei, cara, é só eu. É meu, é particular. Mas não é. Entre o editor, o editor vai dar um pitaco, aí tem os leitores alfa que vão abrir sua cabeça para outras percepções. Então mesmo o livro, que é muito particular, muito íntimo ali, é uma obra coletiva de certa forma, né?
O que eu me pego pensando sobre, ah, é que pode chegar o ponto da pessoa fazer assim: protagonista do filme é você, e põe a sua cara num Não é?
E o final, ele tava sugerindo isso, isso, isso.
E aí no final, a história do filme é elaborada de acordo com as suas experiências e o que você gosta.
E mais louco assim, no sentido de, eu acho que isso vai ser em pouco tempo, tá? Porque assim, os modelos hoje de linguagem, eles são meio cru, né? É para a gente fazer algo com isso, né? A grande revolução vai ser o que a gente vai fazer com os modelos de linguagem. Então vamos dizer que a gente foi assistir Homem-Aranha, aí a gente vai chegar em casa, vai ter na Netflix uma espécie do filme do Homem-Aranha, e você vai dar o prompt, e aí a gente vai ficar brincando de fazer cenas e de compartilhar, né?
Por exemplo, olha só, olha só o meu Homem-Aranha como é que ele é. Eu digo isso, cara, porque eu tô pagando. Eu não sei se vocês estão passando por essa, por isso, né? Se vocês também vivem nessa bolha da IA assim, que as pessoas estão começando a mexer no Suno, naquela tecnologia que faz música. Vocês conhecem alguém que já começou a mexer nessa tecnologia, já ouviu falar. E aí o cara chega, pô, eu tenho muita gente, tá bom, muitos amigos.
E o Vassão, que é produtor musical meu brother, falou, mano, eu passo por isso também, cara. Muita gente chega, mano, olha o que eu fiz, velho, que foda, dá play no fundo, mano, é música indiana, cara, tocada com salsa, velho, que da hora. Aí você ouve, você fala, não, mano, eu acho legal música indiana tocada com rock. Então o da hora agora, cara, é outra coisa até, não é mais você ouvir uma música e falar, pô, que legal, e a gente curtiu uma música junto.
Muito. O genial é eu fazer uma música tão legal que só eu gosto. Tanto que, pô, eu fui lá, eu fiz lá uma, uma, um jazz que era só tuba fazendo o baixo, e aí um Moog anos 70. Eu adoro aquilo, mas só eu adoro essa porcaria, entendeu? E aí deixa, fica refinado quase como uma comida. Você mostra para o outro, o outro não vai ficar empolgado. É uma experiência frustrante. Nossa, cara, olha que legal essa música que eu fiz no Suno, cara, que legal!
O que que o outro vai fazer? Porra, vai entrar no Suno quando chegar em casa para fazer a dele, entendeu? A experiência é isso que eu falei. A experiência não é você assistir o filme do Sam Raimi, vai ser você ir lá no banco de dados e fazer o seu. E aí quando você quiser mostrar para o seu amigo, ele não vai querer ver o seu filme com a sua ex-namorada de vilã. Não, esse filme é só seu, entendeu?
Mas olha que interessante, isso pode criar oportunidade de outro tipo de experiência. Quer compartilhar a sua experiência criando a experiência.
Já tá rolando, né? Você já pega e já faz um trailer falso. Vamos falar sobre isso, Loki? O que que é fazer um trailer falso, que é um negócio que tava farmando view para caramba, velho?
E é legal para caralho. Tu vai falar mal?
Não, é porque o YouTube pagou te monetizar porque você não acha o trailer verdadeiro, velho.
Puta, é mesmo. E aqueles, puta, mas e aquele cinema, aqueles teatro japonês também feito com IA? Já viu?
Mentira, que é o Goku lutando com Ryu. Já viu?
Caraca, pô, não vi essa maior pira do caralho.
Eu caí naquilo um tempo, né? Tipo, olha como o teatro já, pô, como o teatro chinês tá tecnológico, caralho, velho.
Tem uns que é muito louco, mano, tudo mentira.
Mas eu digo de um trailer. Então vamos lá, agora vai sair o filme, como hoje estreia Homem-Aranha, aí eu vou procurar o trailer do Homem-Aranha e eu tô perdido entre vários falsos e muito parecidos. Aí é uma merda, cara. E eu já várias vezes me caiu nisso, eu lá no Pipocando editando Aí eu vou baixar um trailer e aí o editor, alguém olha para mim e fala, Boca, isso aí é o fãs de IA. Eu, nossa, velho, realmente, cara, eu viajei.
O YouTube eu acho que percebeu esse problema e eles criaram o desincentivo para isso, né, que eu acho que não monetiza mais vídeo que é total de IA assim.
Mas eu acho que também eles cortam da busca, é, porque também quando você vai procurar hoje eles não estão mais perdidos no meio de— porque qual que era a intenção do cara? Era fingir que era um trailer, porque o trailer tem 4 milhões de visualizações milhões em 3 dias. Total picaretagem. E o YouTube também tá tomando alguns cuidados, né? Então ele não baniu totalmente a monetização por coisas que você usa a IA para te auxiliar, mas aí a galera tá fazendo gambiarra.
Então vou te contar, né, gambiarra, mas assim, o YouTube sempre foi gambiarra. Não sei se vocês lembram, a gente ganhava dinheiro no começo na gambiarra, é tipo assim, primeiro que ninguém fazia por dinheiro, depois era uma gambiarra lá que uma máquina, alguém pagava, não era, não era sério, tá ligado? Tipo Então hoje é meio assim também, a galera tá inventando jeitos de ganhar dinheiro em casa. Eu acho isso super justo. Então, por exemplo, o cara vai no Suno, cria uma playlist de música, sobe ela e tá com 4 milhões de visualizações monetizando.
Como que ele consegue monetizar uma playlist criada em Suno, né? Tem que ter um trabalho humano envolvido, tem que ter bastante trabalho humano. Então na descrição você tem que escrever tudo que acontece.
Atenção, curso aí se você quer faturar sei lá quantos dígitos.
É real isso, é real. Pode procurar uma coisa que eu adoro, é jazz iraniano. É uma playlist, tem várias playlists de jazz iraniano. Não é jazz iraniano, não são artistas de jazz iraniano. Alguém foi lá e programou um tipo de jazz com escalas orientais e iranianas, ou coisas que lembram lá o Irã. Isso é super gostoso de ouvir. Então o cara fez o quê? Ele cria 12 músicas, cada uma com um nome. Ele fala que ele levou essa música para o Lorde, que eles masterizaram manualmente.
Eu acho que não é verdade, tá ligado? Mas tem toda essa história que você tem que contar para o YouTube de onde foi usada a IA, e eles conseguem monetizar essas playlists. Estão sendo muito monetizáveis, porque você, olha só que louco, você vai ouvir, vamos dizer, um artista de jazz iraniano, vai ser um cara, tô chutando aqui, vai, gente, dos anos 50, uma gravação de uma gravadora iraniana, vai ser ruim a gravação. A partir do momento que você coloca esse prompt na IA, você tá ouvindo uma coisa numa qualidade que você nunca ouviu.
Então é gostosa a experiência. Eu já me peguei vai ouvindo playlists de A. Então esse é um jeito de ganhar dinheiro, cara, que o pessoal tá à frente.
Sabe qual que é o que me pega? Tem uns joguinhos antigos que eu gosto e tem uns que tem umas trilhas sonoras que são icônicas e os cara pega e faz um cover e aí é black music, uns cara cantando, não sei o quê, e é a música, só que agora tem uma letra e é tocado e é muito foda, entendeu? E tu fica assim, caralho, aí, ah, mano, Que viagem, que da hora, entendeu?
E você acha que isso tem esse fenômeno? Por exemplo, quando você me mostrar isso, eu vou achar uma merda? Só você gosta disso?
Não, eu acho que nesse caso que eu tô falando aqui, acho que não, porque não é tão específico aqui. Eu consigo te mostrar e tu vai ouvir sem saber que é áudio de um jogo, entendeu? Mas eu acho que eu concordo contigo com o fato de que vai ter gente que vai fazer a sua própria parada e que se foda, e o cara vai ouvir o troço que ele gosta e valeu. É, mas não sei se ainda, não acho que é muito popular a ideia de se consumir música 100% feita por IA, ainda que haja gente muito grande usando. Drake usou numa diss para o Kendrick.
E ainda, e ainda que haja muita gente consumindo sem saber, porque essas playlists no YouTube tem milhares de visualizações. E eu demorei para sacar, velho, porque é muito boa. Se você coloca lá rock agressivo, tem tudo assim, tá infectado disso, tá? Mas é bom você ouvir, é bom, cara. Eu acho que esse é o limite também, né? Ah, vai ter filme de A e vai conquistar a galera, é bom para caramba. Se for bom para caramba, vai mexer com a cabeça da galera, né?
Tem uns que são bom para caralho mesmo, tem uns que são impressionantes, cara.
Aí no contraponto também vai o questionamento: o quanto teve uma pessoa por trás dessa playlist que tornou ela boa o quanto é automatizado assim. Mas olha, prejudicando alguém, ou isso é a expressão artística de alguém?
No Suno, no caso, saiu agora um vazamento de informação provando que eles pegaram música de artistas para fazer o banco de dados deles. Foi copiado mesmo assim. Então existe essa questão, né? É isso que você tava falando também, né, de quando você vai produzir, de você saber se também ou não, também, porque Tô falando mais da obra em si, né, né, da playlist que você falou.
Mas isso que você levantou também é importante, né, essa questão do plágio, da pirataria. Quando é uma grande empresa fazendo pirataria, tá ok. É, eu acho assim, as geradoras de imagem e tal, os geradores de texto, tudo, tudo piratearam muito conteúdo, pegaram todo o conteúdo da humanidade que tá na internet, usaram para treinar.
Acho que tem que pegar mesmo.
O que que tu acha, cara? Eu acho que poderia se pegar isso, se for assim, é o único jeito da gente dar um passo para essa nova tecnologia. Legal, qual que é a contrapartida? Eu acho que a gente ainda não viu a contrapartida. A partir do momento que agora começou, né, as empresas de— acho que a Anthropic comprou então uma briga onde ela vai fazer pesquisa de doenças que a gente não tá preocupado ainda, as doenças que a gente não tem grana ou não se interessou.
Então assim, daqui a pouco a gente aumenta a expectativa do ser humano de vida A gente começa a trabalhar menos, aí a gente vai ver, porra, tá bom, rapaz, acho que era legal a gente poder, os cara do estúdio, os cara do estúdio Ghibli devia ficar com as artes dele, tá ligado? Tipo, foda-se, a gente que sabe, ele levou câncer.
Se chegar, legal, fiz aqui uma fotinha minha no estilo Estúdio Ghibli, mas um, todo mundo sabe quem é, perde valor para caralho.
Essa história foi palhaçada, velho.
E dois, alguém vai deixar de ver um filme do Estúdio Ghibli por causa de uma foto que tá no estilo Estúdio Ghibli? Acho que não. Mas eu entendo pra caralho o alvoroço na época. Agora a gente tá o quê, 2 anos, 1 ano e meio pra frente dessa porra que eu tô falando, né? 1 ano e meio pra frente é inteligência artificial, porra, muda todas as discussões.
Alguém fez uma animação estilo Ghibli? Alguém sequer fez um curta-metragem? Não fizeram, cara, porque precisa de muito tempo e talento. Eu tenho feito animação que é 1 mês produzindo, ou seja, não é assim, tá ligado, tão tranquilo. Mas a gente tava na fase onde a gente achou que era exponencial. Ou seja, o próprio senhor Ghibli pensou, fudeu, fudeu, em 6 meses os caras vão estar fazendo filme com o Estúdio Ghibli. Não vai, não vai.
É assim, mesmo que faça o filme, não vai ser do senhor Ghibli.
Vai fazer agora um lançamento por ano com a IA. E a gente vai ter brincadeira, vai ter uma nova mídia que a gente fala que é brincadeira, tipo isso, você poder entrar no site do Estúdio Ghibli lá no stream do Estúdio e criar o seu. Porra, isso é um jeito deles ganharem dinheiro também. Você não acha que o Spotify poderia— você entrar no Spotify e você ter uma caixa de prompt? Você tá ouvindo a música da Anitta, você pede: agora eu queria ouvir versão pagode.
Acabou, cara, a pirataria. Eles estão te dando a ferramenta para brincar, dividir, o cara. Porque hoje o pessoal tem medo que as imagens vão abalar o cinema, mas a gente não pode deixar de perceber, cara, que é uma paródia de cinema, é uma paródia, cara. Não tá ameaçando quando você vê atuação de um personagem, né? Tá ameaçando você ter um close da latinha. Então assim, tem isso também. Quanto isso ameaça realmente o cinema, cara?
Sabe, se quando a gente, por exemplo, tinha o vídeo, o vídeo, né, que era uma coisa mais tosca, ele não ameaçava o cinema. Criou-se uma outra linguagem. Então vamos dizer, cria uma outra linguagem. Você vai fazer seus curtas, vai ter talvez um filme, filmes de IA, mas isso vai ameaçar o cinema? E isso triplicar a produção cinematográfica não vai ser positivo? Se então todo mundo puder produzir, se a gente tiver filmes nacionais na sala de cinema, sei lá, cara.
Cinema hoje é um modelo meio— no Brasil é falido, tirando Estados Unidos, né, poucos lugares, Hong Kong, o Bollywood. Mas assim, a gente não tem uma indústria cinematográfica. A gente, eu falo isso, a gente não tem nada a perder, cara, que a gente vai perder para caramba. Hoje só faz cinema no Brasil Brasil quem tem muito dinheiro ou tem muito acesso ou tem muitos contatos.
Não é à toa que não tem universo cinematográfico de super-herói do Brasil, porque tem um ET de Varginha.
É universo cinematográfico, poderiam fazer o grande, se fosse lá, os cara faria um filme do ET de Varginha. Você acha que se não fosse material de filme, os cara já não tinha feito filme em Hollywood?
Já, com certeza.
E existe É, já te falei isso, né, cara? Existe uma história de que já me procuraram algumas vezes para fazer filme. Ah, vamos fazer um curta, vamos fazer não sei o que lá. E aí falamos com um cara do Rio e ele mandou uma mensagem, eu tenho gravado, que é falando assim: Boque, assim, na minha área eu fui pesquisar isso, tá ligado? Essa história que acontece em volta do— é uma lenda que rola em volta de quem quer fazer filme sobre Varginha, né?
Porque dizem que uma equipe queria fazer um vídeo sobre Varginha, o carro deles foi parado no trânsito e foi todo mundo preso por porte de droga, sendo que eles eram da igreja, era uma coisa assim. Então todo mundo que se mete a querer fazer um filme de Varginha vira drogado, acontece alguma coisa, vira drogado, o filme não dá certo. Então existe uma mística que ninguém quer fazer um filme de Varginha, senão acho que já teria sido feito.
E por isso que não foi feito.
Eu já tenho uma solução: não faz o filme sobre Varginha, faz sobre a maldição de Varginha.
Não, faz o filme, não fala sobre o que que é, pô, vai fazendo filme, pronto. E aí no final tu fala que fiz o filme de Varginha, já era.
Mudou o nome, né?
Igual do Bozo e do Bingo.
Não é o filme de Vargião, o filme de Chiqui Chiqui.
Isso, não vai ter mais esse calor, resolvido.
Mas sabe o que é um pouco desse debate aí de compartilhar a renda da IA? Que é um pouco sobre isso que você tava falando, né? Pegar a música da Anitta e a Anitta ganha com prompt da música da Anitta, e todo mundo que brincar com a música dela, velho, vai ganhar. Ela vai ganhar. Então esse papo de compartilhar a da IA. Isso já tá rolando com o Google, né? Porque o Google tem lá agora, quando você pesquisa, aparece a resposta. A gente até acessou aqui agora há pouco, né?
Uma resposta gerada por IA a partir dos resultados. E isso tá fazendo o quê? O tráfico, tráfico, tráfego, tráfego, tráfego, o tráfego eu não sei, mas o tráfego dos sites, é, pois é, tá caindo. E toda a parceria que existia, o o contrato não verbal que existia entre todo mundo que postava um site, aceitava indexar o Google, esse contrato não tá sendo mais cumprido. Inclusive, eu sou contra essa parada aí que as empresas fizeram de ter pego o conteúdo de todo mundo.
Eu acho que não devia. Tudo bem evoluir a tecnologia da humanidade, vai ser ótimo, mas acho que não devia pegar conteúdo que é protegido. O que deveria fazer, pô, tem tanto conteúdo que é gratuito aí, pega E aí vai, faz um case: olha o que a gente fez com conteúdo gratuito, agora a gente precisa de mais conteúdo, conteúdo atualizado, quem topa? Aí o pessoal vai assinando.
Mas é louco, né? Porque como é uma tecnologia militar, praticamente é uma guerra entre as potências. Então acabaram, acho que nessa guerra, roubando todos os livros da Amazon, descobriram. Então você vai lá, pesquisa todos os livros da Amazon, filmes que também estavam todos protegidos, ou Filmes não, né, artes, fotos, tudo protegido. Tanto que às vezes você pede uma coisa para IA e sai com uma assinatura de artista. Você já viu?
É assim mesmo, lá no início, treinado com esse material. Então o negócio meio esquisito mesmo, meio bizarro.
E essa é a prova, né, ética, todos esses fatores que constroem nossa sociedade só servem para nós, aqueles seres mortais. Chegou no alto escalão, não tem ética, não tem nada. O pessoal rouba, mata, xinga, chuta.
É, mas rede social já é assim, né? Toda questão, toda questão que envolve a rede social de vigilância, o filme do Zuckerberg, assim, a gente sempre luta pela regulamentação, né, para internet ser regulamentada, não ser terra de ninguém. Mas o que que realmente a gente conseguiu nos últimos 10 anos? O que eu quero dizer é que a gente, meu, a internet é um monstrão que também tem várias questões éticas muito complexas, e a gente conseguiu levar isso não mitigando.
O que que eu quero dizer? Que a gente aprende a conviver. Hoje todo mundo sabe que é um golpe, hoje todo mundo, tipo, a ferramenta é usada tanto para o bem quanto para o mal, e a gente consegue conviver com isso, sabe? Então eu acho que a inteligência artificial vai acontecer isso também, cara.
E aí a gente fica feliz ou puto, cara? Eu fico feliz para caralho. Eu, na verdade, eu acho que é uma puta ferramenta para a gente usar hoje em 2026. A gente tá aqui falando para caralho de futuro, mas em 2026 é bom demais, assim, habilita tanta coisa sensacional que é transformador. Essa é a parada. E vamos torcer, né, cara? Não é nem torcer, é vamos ficar olhando. Porque o que que você pode fazer, Miguel, sobre a disputa da OpenAI com DeepSeek?
Posso chorar?
Você pode chorar, torcer, pode torcer. A gente pode orar, a gente até pode fazer um barulhinho, a gente até pode fazer um barulhinho. Mas é que fechar os olhos para o que tá vindo e não tem jeito Aí estamos perdendo tempo, não tem muito o que fazer. Tipo, o cara do Uber ficar— o cara do táxi ficar puto com o Uber, beleza, irmão, ficou puto e desficou.
Reconhecer a nossa pequenez também, no sentido de tipo, tá, cara, o que a gente tem para fazer contra, ou não é nem contra, mas contra o avanço de uma tecnologia que talvez seja maior que a Revolução Industrial, que vai mudar a humanidade como a gente conhece? Escorre pelas nossas mãos assim, né, tentar fazer qualquer coisa sobre isso. Não tô dizendo que a gente não tem que ter olhar crítico, que é muito importante, cara, todo mundo lá brigar, mas a gente tem que também saber que, cara, isso vai avançar organizado, mané, como grupo, vai.
Qual que é o grupo de criadores de conteúdo que tu faz parte? Não tem, né? Porque não tem grupo de criadores de conteúdo.
Como assim um grupo?
Uma galera que se junta e troca uma ideia sobre as questões que são sérias, tá ligado? Então vamos lá, PL 8889. Com quem tu trocou ideia sobre essa porra? Teus brother ali no máximo. Mas e aí, quem que— o cara que tu votou ficou sabendo dessa porra?
Pera aí, Igor, você tá aqui advogando para que seja criado um sindicato dos criadores de conteúdo?
Eu acho legal. Se você pensa— não, mas se você pensar Hollywood, o que tá segurando Hollywood são sindicatos, cara. É uma organização mínima entre as pessoas para ter um pouco disso, cara. Mas eu acho que a gente aqui é tão, é tão independente, os estúdios, todo mundo, cara, que a gente só se beneficia de uma tecnologia democrática dessa, cara. Vai ter muito mais gente trabalhando, eu acho, do que ficando sem trabalho. Eu apostaria que vai ter mais gente com trabalho do que sem.
Menos que um sindicato, mais uma associação, um grupo de trocar ideia.
É porque realmente a palavra sindicato carrega um peso aí.
O ponto era, o ponto é, família, olha só, os cara tão fazendo umas parada lá, não falaram comigo, não falaram contigo, não falaram com ele. E mais, é, tu nem sabe qual é o impacto dessa porra na tua vida, porque, cara, é 99% dos vídeos que são upados no YouTube não chegam a 100 views, né? Isso é um número estranho quando a gente olha que tem uma porrada de canal com view para caralho, mas 99% dos vídeos são no YouTube não tem 100 views.
E essa galera significa o quê? Que tem gente para caralho postando. E os cara que estão lá falando em regulamentar as paradas, quem tá do lado deles ajudando a criar essa regulamentação não é os cara da internet, é no máximo um cara que não representa a gente, tá ligado?
É o contrário, a força contrária que quer ir normalmente.
Quem tá lá é a força contrária que tá que tá lá advogando para eu e você aí que cria conteúdo na internet inclusive pague uma taxa para financiar o cinema brasileiro, tá ligado? Que se a gente fizer uma, se a gente pegar e inverter essa lógica, é o seguinte: é eu ir ao cinema assistir um filme do Wagner Moura e no meu bilhete eu paguei uma taxa para financiar YouTuber. Faz sentido? Faria mais sentido, faria mais sentido para mim, faria mais sentido no fim das contas.
Porque ali ela é assim, tá chocado. Então, então, e assim, eu acho que o mais grave no que a gente faz é que é como ele, como isso que a gente faz aqui nasce como oba-oba. Como que eu quero dizer? Lá em 2010, fazer vídeo na internet não era uma profissão, era deixa eu ver aqui qual é. Lá em 2009, tá ligado? Vou ver aí, legal. Eu vi, eu vi o David Jones fazendo e eu achava legal. Eu falo, pô, legal, mas eu tenho que pagar pagar meu aluguel, porque não era uma carreira.
E aí, e aí as coisas elas foram, tá? Então foi todo mundo se desenvolvendo e de uma forma totalmente desorganizada, precária, que é meio oba-oba. E tem muita gente que vive na parada meio oba-oba. Como é isso? É o cara que ele vai criar o conteúdo ali, ele se profissionalizou em alguma medida, como ele vive do AdSense da parada, mas é isso, tá ligado? Parou no vou viver de AdSense. Ele não trabalha, é diferente de um hobby que o cara tem um emprego e o caralho, não sei o quê, e ele faz uns vídeos.
Não, quando o cara, ele deu certo em alguma medida aqui, ele largou o que ele tava fazendo e foi. E esse cara ficou aqui e esse cara não sabe como é que funciona o mercado, ele não sabe como é que funciona porra nenhuma, ele não sabe, ele não entende por que que, caralho, eu faço vídeo aqui, caralho, sei lá, todo mês eu faço 3 vídeos que pega 500 mil views e ninguém vem para me fazer de parceiro ou só pego migalha? Sim, porque não é assim que funciona.
Não é só fazer view, tá ligado? Tu tem que ir lá falar com o cara, meu irmão. Tem que ter construído alguma coisa, pelo menos uma rede de contato. Então tem um monte de coisa que dava para a gente se ajudar como classe, tá ligado?
Total.
Mas eu não estou nem propondo de falar o que eu acho, ou que eu quero ser o presidente ou algum tipo de representante disso. Estou dizendo que gostaria que houvesse algum tipo de iniciativa da galera, pelo menos tipo, olha, a minha experiência, irmão, eu estou jogando jogo grande faz um tempo. Deixa eu trocar ideia contigo aqui sobre como funciona.
Até para se proteger.
Até para se proteger, tá ligado?
A gente não tem isso. O mercado vai se desfazendo se a gente não se proteger.
E é o que acontece...
Desculpa, tem um monte de... Área cinza nesse mercado de, entre aspas, content creator ou creator economy, que vagabundo explora e fica e fode o mercado. Isso que é um exemplo rápido. Vagabundo se fudeu recentemente nessa daí, o MC Rian e o cara do, não necessariamente, mas o cara do Choquei, Rafael. Qual foi a parada ali? Não tá lavando dinheiro do PCC, que teria alguma coisa a ver com os cara lá do funk, lá, lá, lá. O ponto aqui é, pô, como que ele se fodeu?
Ele recebia dinheiro para fazer publi sem falar que era publi. Porra, cara, você entende o tamanho do problema que é uma publi que tu não falou que é publi? Ó, eu pauto, eu consigo pautar um almoço de domingo na casa das pessoas comprando notícia sem falar que eu comprei a notícia numa página de fofoca, pô, tá ligado? Isso é um puta de um problema que tá ficar aí. Quem tá falando disso? Total, vai ficar aí, tá ligado?
E isso é ruim não só para pessoa que tá consumindo como para o criador também, porque os, principalmente os pequenos criadores, eles ficam vulneráveis a serem explorados por marcas, né? Exato. Porque não vou falar desse caso aí que eu não sei especificamente, mas por exemplo, um pequeno criador hipotético, que caso não faz caso nenhum, cara, é totalmente hipotético. Beleza. Realmente, de coração, pode chegar uma empresa e falar, ó, eu te dou um produtinho, você faz isso, sabe?
Pode falar, eu te pago X, quando na verdade vale 10X aquilo que ele tá fazendo, né?
Isso acontece muito com os cara inexperiente total, isso que você tá falando, né? O cara que, pô, tem um caso de um cara que ficou grande para caralho, que no comecinho, hoje em dia ele veio aqui, a gente trocou uma ideia, ele tinha feito uma publi foda com a marca que eu falei assim, ó, olha isso. Eu falei assim, aí, pô, maneiro essa publi que tu fez com os cara assim, assim assado, hein, mané. Pô, foi maneiro para tu? Pô, foi maneiro para caralho, não sei o quê.
Pô, tô acostumado a trabalhar lá no meu negócio lá, porra, assim assim. É, foi, sei lá, o meu mês inteiro. Eu, é? Os cara te pediram desconto? Não. Então tu cobrou barato, pô. A primeira, o cara perguntou quanto é, tu falou quanto era, e o cara, vamos fazer? É porque tu cobrou barato. Tá ligado? Ninguém falou isso para ele. A gente se encontrou várias vezes depois, e aí depois, recentemente, quando nos encontramos de novo, ele lembrou essa parada.
Cara, aquela parada que tu me falou realmente foi caralho, é mesmo, eu tô, não tô entendendo isso aqui, eu preciso de alguém que me ajude aqui para entender isso aqui, porque é novo, irmão. Quem que se aposentou de velho fazendo isso aqui?
E cara, vai aumentar a demanda. Se você pensar que a gente então vai diminuir de lucro, quantidade de trabalho, a gente vai ficar mais em rede social. O trabalho, o futuro do trabalho é produção de conteúdo para muita gente, cara. Muita gente vai virar produtor de conteúdo, vai ganhar dinheiro com rede social.
E não tem ninguém, e não tem ninguém educando esses cara, ninguém. Sim, todo mundo indo no desespero, tá ligado? E eu acho que ia ser legal se tivesse uma escola super, não, pagamento em 90 dias representa muito isso em 90 dias, cara, ou 120.
O cliente paga em 4 meses, cara, o influenciador, cara, que muitas vezes é o cara que precisa do dinheiro, cara, que não tem caixa, não tem empresa.
É um montão de questão.
Falar uma parada polêmica aqui que tem a ver com as palavras sujas aí que muita gente não gosta, né, sindicato, não sei o quê, que é o fato de que é muito difícil localizar todos os criadores de conteúdo. Então talvez país, a única, ou uma das poucas formas de conseguir isso seria através de lei, né? Passar uma espécie de código, um SENAI, sei lá, não é? Que é obrigatório usar para esse tipo de coisa. Aí a empresa vai precisar pagar através de determinado meio por lei, e o criador de conteúdo para prestar esse serviço também precisa usar esse meio.
E aí esse meio é a forma de localizar essas pessoas. E trazer essas pessoas todas para um—
Mas é quase um vídeo—
Não, 20% de produção de conteúdo, né?
Mas é quase 20% da população brasileira que tá virando influenciador, ou seja, é um negócio tão louco. Nossa. É, cara, que assim, eu vejo já, por exemplo, que tá dando uma ferrada no mercado. Você pega um cliente que escolhe uma plataforma, tá super na moda isso, uma plataforma que ele então contrata mil 1000 GCs para fazer a campanha, 1000 influenciadores para fazer uma campanha, cara. E aí, claro, esse aplicativo vai gerenciar os 1000 briefings, as 1000 entregas, os 1000. E como é que vai ser essa entrega?
Eu vou fazer essa porra, vou dar um jeito, vou planejar, vou fazer essa porra.
Olha aí, eu acho legal, caracas, hein?
Vai dar um puta trabalho do caralho, não sei se eu vou ter tempo.
Instituto Brasileiro da Influência.
Não, vou dar um nome direito, né?
E ó, e Instituto Igor de Informação.
Flow pode ser, Igor não. Olha, tem mensagem para gente, Vitão? Puta, eu tô sem meu celular, cara, eu vou precisar da sua ajuda hoje, tá? E aí, antes da gente, no entanto, falar aqui do, ver as mensagens de vocês, eu queria falar dos parceiros de hoje, começando aqui com a Fluency, cara. Que qual que é a parada da Fluency? Primeiro que a Fluency é a maior escola, maior escola escola de idiomas online da América Latina, tá? Segundo, que eles têm uma proposta aqui que é muito interessante para te ajudar realmente falar, se comunicar em inglês, no caso, que é fazer de fato você falar.
Então lá na Fluency, cara, tu vai, tu não vai ficar focado todo tempo em estudar regras, estudar gramática, é ficar marcando exercício de ABC. O foco é falar. Então desde o começo na Fluency você começa falando pelo menos 2 horas de aula de conversação por semana. Só que a gente fez uma parceria, cara, que você, se usar o cupom FLOW, tem um QR code aí, tem o link aqui na descrição. Se você usar o cupom FLOW, você vai ganhar o dobro de conversação lá na Fluency.
Isso faz toda a diferença, porque eu dei aula de inglês um tempo e eu vou te falar que o que faz uma pessoa realmente destravar é precisar do inglês. E o que é precisar do falar inglês, é se colocar numa situação que você fala, você precisa entender e precisa se comunicar, precisa falar também nessa língua. Então, se você tá aí precisando, tem aqui o QR code, o link aí na descrição. Vai lá, vai mudar tua vida, tá, cara? Um dos melhores jeitos de você conseguir um, sei lá, uma promoção, um novo emprego, trabalhar fora, viajar, muita coisa destrava quando você fala inglês, tá bom?
Vai lá na Fluency. E tem também aqui o nosso outro parceiro, que é o BTG, cara. E eu queria falar para vocês aqui da Copa BTG Trader. Tu manja a Copa do Mundo, né? Manja a Copa BTG Trader? Você aí que tá em casa provavelmente não sabe do que eu tô falando. É o seguinte, bom, BTG é um dos bancos aí que dá para você confiar, e eles estão lançando uma, é a segunda edição da Copa Trader, que é basicamente pessoas que com experiência ou não participam de uma competição de trading com dinheiro fictício, que você quer para ver quem entende mais da coisa.
E no fim tem um prêmio de R$1 milhão para quem conseguir, para quem se destacar, né, para quem for melhor que os outros ali. Porque aqui tem estudo, tem dado, tem tudo isso. É para saber um pouco mais, cara, tem o QR code aqui, tem o link na descrição. A beleza disso é o último campeão não era do mercado financeiro, pelo contrário, tinha nada a ver com a parada. Ele entrou, ele estudou, ele se dedicou e conseguiu vencer. Você aí quiser saber um pouco mais, tô te prometendo que tu vai ganhar, mas quiser entender mais sobre como funciona isso, como funciona essa competição, tem o QR code e o link aí na descrição, tá bom? Tu que vai dar o play então, então duvido.
O Felix mandou uma mensagem pelo Pix. Eu até entendo vocês falando das IAs e tal, mas TBM não pode aparecer mais pessoas que talvez não tiveram oportunidades e têm histórias, etc., para produzir algo bom?
Eu acho que sim. Eu acho que, eu acho que na real isso não invalida nada que a gente falou aqui. Isso é uma IA falando um texto. E aí, bom, mas o ponto é, eu acho, ele na verdade ele falar a favor dela. E o ponto é justamente esse: eu acho que sim, habilita pessoas com ideias incríveis que não tem capacidade, que não tem a possibilidade, não tem dinheiro, não tem um monte de coisa, recurso ou um conhecimento técnico específico que impede de vir aquela, daquela ideia vir ao mundo.
Aí a IA pode ajudar em tudo isso, com certeza, né? Que é diferente de explorar, por exemplo, pegar o livro do Senhor dos Anéis, colocar na inteligência artificial e falar: faz um filme novo para mim aqui, um roteiro de um filme novo para mim. Também é uma coisa completamente diferente da outra.
Total, cara. O que que eu ia falar?
Esqueci agora.
Mentira então.
Eu só sei que aí a possibilidade, que aí a possibilitando mais pessoas fazerem coisas também, e eu não tô falando isso de uma forma negativa para as pessoas, mas assim, vai sair muita coisa ruim também. Também, também vai demais.
Exatamente, como o YouTube foi também, como a gente tá falando, o YouTube democratizou botatizou.
Mas nossa, quanta coisa ruim é produzida, a vasta maioria, a infinita quase maioria dos vídeos.
É, meu irmão, eu tenho feito uma experiência muito legal, cara, que é pegar, por exemplo, um software, como eu te falei, que você não manja, algo que você não manja, e usar inteligência artificial como um professor em tempo real e conversando com ela. E tá muito legal. Então na educação vai ter uma revolução, cara, próxima. Existe até agora escolas todas em IA, né? Vai ter uma questão aí envolvendo educação também, cara, uma revolução Isso é animal, isso é animal.
Vai para a próxima aí, vai. É isso. Então, cara, muito obrigado pela moral, Miguel.
Muito obrigado, valeu você.
Ó, essa daqui é a tua câmera, se tu quiser falar com— tem gente que vai só ouvir a gente. Como é que esse cara te encontra na internet?
Opa, pode me procurar, me procurar em @miguelokia, é @miguelokia, e você encontra em qualquer lugar aí no YouTube, no Instagram. No TikTok. Só não vai encontrar em site adulto, mas no resto não encontra. Que pena, eu tive que deletar todo mundo passado. Mas seria um prazer ter a companhia de vocês conversando sobre filme, sobre super-heróis, sobre universo aí de cinema e tudo mais, que a gente adora. E é isso aí, obrigado.
Falar que o Miguel, que a gente brincava no Pipocando, quando a gente tava de saco cheio, não aguentava mais, a gente falava, meu, eu vou meter o Lóquia, que era: eu vou chamar o Lóquia para me substituir, porque eu acreditava que era possível. A gente tinha essa brincadeira.
Essa é a tua, Boc.
Pessoal, se você quiser aprender sobre IA, cursodoboc.com.br, IA no audiovisual, eu pego na sua mão. É isso que eu posso hoje divulgar lá.
Ele, ué, porque tu não tava fazendo mais porra nenhuma? Tá no Instagram?
Porque, cara, não adianta, o pessoal já me conhece, o Brasil inteiro já me ama, entendeu? Então eu gostaria agora que as pessoas entrassem assim no meu curso.
Boa, boa, boa, brasileiro já, meu amor. Bom, obrigado pela moral vocês dois aí, sensacional. Falamos de filme, falamos de arte, falamos de coisa. Vocês que assistiram aí, segue os caras. Vou deixar aqui no comentário fixado o link para você chegar aos dois aqui com um clique só, facinho. Aqui na descrição tem o Discord para você sugerir novos convidados, novos temas também. Vira membro do Flow, cara, custa menos de R$8 e a gente cria conteúdo para vocês aí o tempo inteiro, só conteúdo foda, tá?
A gente faz para valer. E se tu, pô, se tu não é inscrito no canal, tu— 2026 e o cara não é inscrito.
Brincadeira.
Inscreve aí, cara. Manda lá no grupo da família lá, manda no grupo da igreja, manda no grupo dos amigos lá, fica falando mal do filme da Marvel, manda no grupo dos cara lá que fica jogando joguinho lá em vez de ver o filme da Marvel, manda onde você quiser. Beijo para vocês, valeu, galera, até a próxima, tchau!