ROBINSON FARINAZZO - Flow #624
Sobrevivente do bombardeio no Irã
- Morte de Majid KhademiReação popular e unificação · Donald Trump e a NASA · Ayatollah Khomeini
- Bombardeio da escola em MinabeBombardeio em Escola Primaria · HIMARS · Morte de crianças
- História do Irã e o OcidenteGolpe de Estado de 1953 · Tensão EUA-Irã · Polícia política SAVAK · Orgulho nacional
- Conflito Irã-EUAReação iraniana paulatina · Destruição de bases americanas · Petróleo do Irã · Estreito de Ormuz
- Antissemitismo e conflito Israel-PalestinaAtaque do Hamas a Israel · Criação do Hamas por Israel · Solução de dois estados · Benjamin Netanyahu e seus processos · Jerusalem Terra Santa
- Democracia e polarizaçãoSequestro da democracia · Lobby e poder financeiro · Democracia grega antiga · Falsa ilusão de liberdade
- Guerra do Vietnã· InternacionalBoris Johnson · John Ternus · Padrão ouro e petrodólar · Custo para o PIB americano
- Ataque Embaixada AmericanaEstação da CIA · Centro de espionagem · Tomada da embaixada em 1979 · Máquina de destruir metal
- Desindustrialização dos EUAPerda de empregos · Detroit · Ronald Reagan · Fechamento de estaleiros
- Mudanças de cidadãs americanasTerrorismo de Estado · My Lai · Alcorão e Hadiths · Nogon-ri
- Armas NuclearesBomba atômica tática · Coreia do Norte · Kim Jong-un
Salve, salve, família! Bem-vindos a mais um Flow. Eu sou o Igor. Hoje eu vou conversar com Robinson Farinazzo mais uma vez. Obrigado por vir aí de novo, cara. Valeu pela moral. Boa, valeu pela moral. E assim, tu tem, tu deve ter, eu tenho certeza que você tem aí várias histórias fresquinhas sobre essa guerra, várias informações do andamento da guerra in loco, inclusive, porque tu tava lá. Né, lá tava lá no Irã. E primeiro de tudo, cara, quanto tempo tu ficou lá?
Fiquei 15 dias. Só que não são histórias frescas, que tava 50 graus lá, cara. História quente para caralho, tava muito quente assim. Você descer do ônibus com a garrafa de água na mão, a garrafa esquentava na tua mão, cara.
Difícil de viver mesmo, cara.
Eu não sei como é que essas pessoas vivem naquele calor. O pessoal com o chador, né, os sheiks com a roupa abotoada, eles estão acostumados com aquilo, é a vida deles, tão acostumados. O enterro do caminhoneiro tava muito quente. Eu pensava, porque o pessoal falou, o Irã é quente, né? Mas assim, eu sou de Catanduva, perto de São José do Rio Preto, que é quente para caralho, quente para cacete. Trabalhei em Bangu, na Marinha, que é quente para caralho.
O Irã é mais quente que tudo isso, cara. E os caras normal, malandro. Assim, o que mudava Eles tinham muito voluntário ajudando as pessoas por causa do calor, para não desmaiar. E o bombeiro lá em cima jogando água nas pessoas lá embaixo, que a água na verdade evaporava antes de chegar no chão. E uns caras com aquelas bombinhas da turma da dengue, uns caras com aquelas bombinhas jogando água nas pessoas. Só você passava, o cara jogava em você.
É engraçado, você passava, o cara jogava, você andava 10 metros, já tinha evaporado.
Já tava seco de novo.
Muito quente, cara, mas um povo maravilhoso tratou a gente. Quando você fala que é brasileiro, então, pelo amor de Deus, eles não sabem o que fazer com você, principalmente os mais jovens.
Você tava lá, quem tava contigo? Era uma expedição de quê?
Olha só, vamos lá, foram vários jornalistas, produtores de conteúdo do mundo inteiro que foram convidados pelo governo para fazer a cobertura do funeral. Eu mandei um vídeo, não sei se tá aí. Nós fomos os primeiros ocidentais a entrar na câmara ardente do Camaleão, onde tava o caixão dele, e das pessoas que morreram com ele. Assim, então tinha eu do Brasil, tinha eu, o Joaquim de Carvalho do 247, que é um cara que vale a pena se entrevistar, ele que fez aquele documentário da facada lá, a Laura Caprilloni da TVT, o Tom Altman, filho do Breno, que você conhece.
Aí tinha o pessoal da Argentina, Colômbia, Equador, Venezuela, Espanha, Itália, País Basco, que não se julga Espanha. Tinha muita gente, cara. Nesse nosso grupo, eu sei que teve outros grupos também que estavam com outros acompanhantes.
Esse cara, quando foi esse funeral?
Foi acho que do dia 3 ao dia 6, eu não lembro agora de cabeça. Durou vários dias porque passou por várias cidades.
Interessante. Mas assim, eu estava falando hoje com o Raul, é um cara que trabalha aqui com a gente, que é muçulmano, e ele estava dizendo que estranho, porque em geral tem que enterrar em 48 horas por causa da religião, não sei o quê. Não nesse caso, né? Nesse caso fez toda uma passeio pelo país, foi isso?
O corpo foi um momento, não foi só pelo país, foi para o Iraque também, né? Porque tem uma comunidade xiita enorme em Karbala e Najaf, no Iraque. Mas você tem que olhar uma coisa, né, Igor? O Khamenei, ele não era apenas um líder religioso, ele era uma liderança política também. Então o enterro dele teve o mesmo simbolismo que o enterro do Khomeini em 89. Eu, a minha visão que eu tenho assim, depois de ter passado esse tempo no Irã, é que foi um erro enorme matar ele, cara, porque uniu a população.
Você quer ver? Ó, vou te contar um negócio. Você via 3 tipos de bandeira na rua, nos vídeos que eu mandei tem. Então tinha a bandeira do Irã, que é aquela branca.
À medida que tu quiser ir soltando os vídeos aí, fica à vontade, ele vai falando, solta os vídeos, tá bom?
Vê se eu mandei o vídeo do enterro. Se eu não mandei, eu mando agora, tá? É assim, você via a bandeira branca, vermelha e verde do Irã, que é a bandeira nacional deles, a bandeira preta do luto normal, mas a bandeira que você mais via era a bandeira vermelha da vingança. E assim, cartaz com morte a Trump, morte a Netanyahu. Ó, esse daí, ó, é numa mesquita em Qom, a cidade sagrada de Qom, né, é a Mesquita de Fátima aí. E ali são os mártires, né, o pessoal que inclusive ele no centro, você vê o Nasrallah ali, né, todos os generais que morreram, morreram ali, o Qasem Soleimani II ali, o pessoal que morreu nos ataques americanos.
E é engraçado porque nessa mesquita, é quem tá ali atrás filmando, é o Jefferson, esse cara é uma figura, gente boa para caralho. Esse lugar é lindo, a arquitetura deles é uma coisa que você não mesquita. E nessa mesquita tá enterrado o Ari Larijani. E o túmulo, eu filmei o túmulo do Larijani, é objeto de peregrinação. Então todas as pessoas, cara, quando você mata alguém na religião xiita, que você mata ela, mas essa pessoa tava a serviço da humanidade, esse cara vira um mártir e vira um ídolo, cara.
Por exemplo, uma coisa que o sheik tava me explicando, né, Eles, o xiita, ele tem muito esse negócio da caridade. Acho que o sunita também, mas que eu vi mais foi o xiita. Então tinha um pedreiro, ele tava trabalhando na construção de casas para pobres e caiu um tijolo na cabeça dele, morreu. Esse cara é mártir, entendi, porque ele tava trabalhando em função da humanidade. E assim, Igor, quando você entra no Irã, você— opa, chegou o café!
Obrigado, viu, gente, obrigado. Vocês vão para o céu, viu? Quando você entra no Irã, você começa a entender muita coisa, o porquê de certas coisas, né? Então, para eles é uma missão, a religião para eles é uma missão civilizatória, velho.
Mas isso pode ser um problema também, não pode?
Pode, e foi, né? Na verdade, porque, por exemplo, o porquê que o xiita ele é diferente do sunita, quando eles massacram o Irmão Hussein em Karbala, O martírio, ele assume assim uma, uma, um simbolismo muito forte para eles, sabe? O cara, ele preferiu morrer do que abdicar das convicções dele.
Entendi.
Mas não é uma religião como o Ocidente prega, de ódio, de guerra, não, cara. Eles são muito caridosos, muito cuidado com as crianças, tá, com os velhos. É assim, com os mais necessitados. Por exemplo, eu vou te contar, eu fui num centro cultural xiita em Teerã. A hora que a gente sentiu uma porrada de gente no gramado, uma porrada cortando salsicha, preparando arroz. Falei, o que que é isso aí? Não, esses caras é o seguinte, eles obtiveram uma graça, uma graça qualquer, e o que que a gente recomenda?
Olha, você teve a tua graça, trabalha Ajude os pobres. Então as pessoas vêm voluntariamente preparar comida para os peregrinos que não têm dinheiro para pagar as refeições, para ficar aí, porque o enterro durou 4 dias. Então você vê, por exemplo, essas pessoas trabalhando para alimentar os peregrinos, gente distribuindo água, refresco, molhando as pessoas nas ruas. E no cemitério de Teherã, que é enorme, acho que um dos maiores cemitérios do mundo, ou perto do cemitério, o governo destinou uma área muito grande, cheia de barracas ali, pro pessoal que não tem condições de pagar um hotel, etc.
Entendi. Movimentando tudo pra dar condições de todo mundo que quiser prestar homenagem pro Camenei conseguir, porque isso também aumenta a coesão da população e me parece ser importante pro governo que isso aconteça.
Igor, mas é um negócio que você não acredita. A gente foi numa recepção do Ministério das Relações Exteriores, teve uma noite que a gente foi numa recepção, E aí eu tava com o nosso guia, um sheik, né, o Ruhollah. E eu quero até mandar um abraço para ele aí. E ele fala um português excelente. E ele, eu falei, porque eu vi os trajes, uns trajes bonitos. Falei, da onde é aquele ali? O mesmo nome do Ayatollah Khomeini, né? Ruhollah Khomeini.
E eu falei, da onde é? Ele, Curdistão. O outro, não sei o quê, Baluquistão. Então assim, cara, era um negócio, porque o Irã não é um país só persa, né? Tem persas, azeris, baluques, árabes, judeus, curdos, armênios. Você tem de tudo. O pai do Khamenei era azeri, ele não era totalmente persa. Então assim, cara, é um choque cultural muito grande.
Antes dessa guerra, como é que essas etnias elas se elas tinham suas questões, né? A guerra, a morte do Khamenei, a gente, você tava dizendo que esse foi um dos principais erros do Trump, porque ela no fim serve para, entre outros, porque serviu, tornou o Khamenei num mártir e serviu para unificar em alguma medida essas diferenças que estavam tendo no Irã, não é? Contra um inimigo externo, que talvez seja a melhor coisa mesmo para unir uma população, né?
Um inimigo externo. Então, como você disse, as bandeiras da vingança, que é a bandeira vermelha. Então, puta erro do Trump nesse sentido, matar o Khamenei.
E outros, né?
Tá para morrer também o velho, né, cara?
86 anos, cara. Não, mas o problema não foi só esse, foi a escola de Minab também. Porque, Igor, qual era o plano nosso? Era depois do enterro ir para Minab, que é uma cidade no sul do Irã, perto do Golfo Pérsico ali, que foi bombardeada, que morreram 168 crianças. Então a gente sentou com o Sheikh e falou, a gente quer ir para lá. E já tava tudo pronto, a gente tava indo para o sul, nós chegamos até Shiraz. Só que nessa brincadeira o Trump atacou, a gente precisou voltar.
Mas essa história de Shiraz uniu o país também, que foram 168 crianças. Não tinha— olha, eu tive numa cidade que foi bombardeada lá, Merde, tem as imagens aí, E eu olhei lá depois, eu fui olhar no mapa, tal, não tem nenhuma guarnição militar ali perto. Foi um bombardeiro feito com mísseis PRSM lançados por plataforma HIMARS a partir do Catar para matar civis, cara, porque não tem nenhuma guarnição militar ali. E outro, o míssil era um míssil, é um Precision Strike Missile, míssil de ataque de precisão. Quer dizer, você sabia onde o míssil ia cair.
Isso elimina a chance do cara ter errado em alguma medida. Esse vídeo aqui é o quê?
É, isso é uma escola É uma quadra esportiva, tá? Você vai ver os caixões, o estrago que um HIMARS faz, tá?
Esse míssil é usado para quê?
É para concentração de tropa, para destruir tropa. É usado na Ucrânia, foi usado na Ucrânia, eles estão usando contra a Rússia direto aí. Só que aí eu te pergunto, aí os caixões simbólicos, né? Eu te pergunto, o que que essa quadra de basquete, de futebol, tinha a ver com a guerra, cara? 21 pessoas, 150 feridos.
Qual é a explicação? Assim, vamos deixar de lado aqui, vamos, vamos, não somos mais seres humanos e vamos deixar de lado isso aqui. E existe alguma coisa que é algum efeito, algum objetivo que os Estados Unidos poderiam estar buscando, inclusive que seja matar crianças?
É o mesmo objetivo de Hiroshima e Nagasaki, My Lai, Nogon-ri na Coreia, Abu Ghraib, Minabe. É o mesmo objetivo, é terror. É o que eles fazem, terror. Bombardeia a embaixada chinesa em Belgrado em 1999, terror. Estados Unidos sempre fez isso daí, ele sempre fez. Todas as guerras, isso é o terror. Existe o massacre na Coreia que até hoje é um problema entre a Coreia do Sul e Estados Unidos, chama Nogon-ri. Que tinha 300 refugiados, estavam chegando num túnel ali para fugir das tropas norte-coreanas, e a Força Aérea recebeu ordem de bombardear, mataram mais de 300 pessoas.
My Lai, no Iraque, no Vietnã, foi outro escândalo. Haditha, no Iraque. Você tem vários, é modus operandi das Forças Armadas americanas atirar em civis, é modus operandi. Por isso que eu sou contra Sou contra influências dos Estados Unidos aqui no Brasil. Eu sou contra influência militar deles.
Influência militar deles, tipo eles ensinarem a gente como proceder, você tá dizendo?
Camarada, Escola das Américas, o pessoal que torturava a partir de 64, quem é que ensinou isso daí? É modo operandi dele, o Igor, é modus operandi deles. Milaev foi um negócio horrível Tem uns meninos aqui no Brasil, esqueci o nome, eu sou louco para entrevistar esses caras. Aí se você quiser um dia, se quiser, pode fazer um negócio com eles aí, se você achar interessante. Eles são especialistas em Guerra do Vietnã. Eu disse a pergunta, eu esqueci o nome, eu vou achar e mando para tua produção aí.
Milai foi o seguinte, era uma aldeia, uma aldeia perto do norte, os caras entraram lá e começaram a matar todo mundo, mataram mais de 500 pessoas. A matança só parou, bebê, velho, mulher jogaram numa vala. A matança parou porque um piloto americano ele civil, ele pousou o helicóptero dele entre a tropa e o que sobrou da aldeia. Aí o metralhador foi lá, engatilhou a M60, falou: se vocês se aproximarem, eu vou atirar em vocês. Só que o que aconteceu é o seguinte: na época o Exército censurou, e um cabo, ele tinha feito as fotos.
Quando ele fez as fotos, o sargento tomou a máquina dele depois, apreendeu a máquina. Só que ele tinha feito outras fotos com a máquina particular dele, escondeu. Ele voltou para os Estados Unidos, procurou o Seymour Hersh, que depois ganhou o Prêmio Pulitzer, e contou a história. A história veio a público e ninguém foi punido. Mais de 500 pessoas, bebê, velho, mulher, criança. Esse é o exército que leva a democracia por aí.
Bom, é o exército que tava lá bombardeando inclusive lugares que você passou, né?
Sim, não, a gente foi ver lá, né? Que já tinha sido bombardeada, que é essa que eu mostrei. Depois tem umas cenas da rua, um caminhão queimado, vale a pena.
Deixa eu te perguntar uma coisa, o Israel tem alguma coisa a ver com isso ou não? Não, não, isso é Estados Unidos puro.
Eles bombardeiam, essa daí é nas ruas em La Merda, esse caminhão foi atingido, tem até cena dele sendo atingido, mas eu não coloquei aqui. Aí você vai ver no chão, no chão os buracos, isso é tudo HIMARS, cara. Isso provavelmente foi um ou dois mísseis que fizeram esse estrago todo. Você vai ver os buracos da— ó, olha os buracos do chão.
Nossa, se pegar em alguém, despedaça na hora.
Aí você vai ver a casa. Eu pedi para ele colocar a mão. Isso é o Zacarias. Eu falei, ó, coloca a mão para o pessoal ver o tamanho do buraco. Mas é buraco na rua inteira, é na rua inteira, por toda a rua. Ali é a casa. As bombas, as submunições, elas entraram por toda a casa. Por toda a casa.
O que que chama de submunição?
Submunição é o seguinte: você tem a bomba, quando você lança ela tem várias mini granadas ali dentro que explodem.
Entendi.
Então é uma gera mais 300, mais 600. Olha aí, ó, o estrago.
Meu Deus, cara, isso daí, isso daí já tava assim há quanto tempo antes de tu chegar?
Ah, esse bombardeio tem uns 2 meses. A cidade tem 30 mil habitantes, cara. O que que tinha aí? Não tinha nada. A quadra fica ali para o outro lado. Depois a gente foi naquela quadra que eu te mostrei, fica aí do outro lado. Depois a gente foi para lá.
Entendi. O tempo inteiro que tu ficou lá no Irã, tu tava com essa galera? Sim, tava visitando esses lugares da guerra mesmo.
Na verdade, a gente não ia visitar isso aí, a gente foi para ver o enterro, só que a gente insistiu que a gente queria ver a guerra. O que aconteceu. Então aí o pessoal, não, tudo bem, vamos. Só que no meio do caminho aconteceu esse bombardeio, aí a gente precisou voltar. Mas aí deu para ver bem, ó, a quantidade de—
nossa, cara, tudo tá maluco. É, e tu tava falando aqui antes da gente começar também que os caras hoje bombardearam mais um, tem um outro navio que foi bombardeado hoje, né?
É, esse é provavelmente é o Irã. São navios que estavam passando ali fora da da área que eles delimitaram, que a Marinha americana disse que ia escoltar, eles meteram mecha ali.
Então, nesse sentido, assim, quem é que tá, como é que tá essa guerra? Porque assim, a gente tem, eu tenho ouvido falar menos dela, né?
Você vai ouvir falar mais a partir dessa semana, pode ter certeza.
Então me conta, então assim, de cara, as suas impressões de quem teve lá, de quem tá de muito perto disso aqui. Quais são as respostas que o Irã consegue dar que são, que tem realmente, que machucam de verdade Estados Unidos. Porque tudo que os Estados Unidos está fazendo tá machucando o Irã, não tá?
Sim, mas o Irã também tá devolvendo, né? O Igor, seguinte, do que é dos dias que eu tive lá até hoje, a coisa mudou. Eu até conversei com vários, falei, vem cá, por que vocês não reagem? Por que que vocês não reagem, né? E mas a gente nota que a reação do Irã é paulatina. Primeiro porque eles não acreditam em morte de civis. Eles não acreditam, eles não gostam disso. Segundo, que o Irã ele não acredita em morticínio em escala industrial.
Eles têm disso, por isso que eles não fazem bomba atômica, não fizeram até hoje. Agora a reação deles veio, né? Eles estão arrasando as bases americanas. Porque qual foi a técnica deles? Eu achei até no começo eu discordei, mas depois eu falei, puta, que técnica inteligente! Eles foram destruindo radares, Centro de comunicação, postos de comando, aeronaves raras, né? Agora eles estão destruindo helicópteros, estão destruindo, continuam os alojamentos de tropa, estão plotando os hotéis que os americanos estão então bombardeando ali.
Então devagarzinho, o que eles estão fazendo, eles começaram bombardeando as franjas do Golfo Kuwait, Bahrein, logo no comecinho pegou até mal, não foi? É, os vizinhos, o que que eles fizeram? Bombardearam os vizinhos para eles pressionarem os Estados Unidos. Aí eles pressionaram, teve aquele acordo e tal. Só que agora eles estenderam isso aí para Jordânia. Então eles estão empurrando o americano cada vez mais para oeste. Tanto que teve esse fim de semana, teve um estresse muito grande entre Estados Unidos e Israel por causa de de pista de pouso, né?
Porque eles falaram, pô, a gente precisa colocar os aviões aí porque é seguro, né, que tem defesa aérea e tal. Aí, pô, mas você vai ferrar com meu tráfego aéreo aqui, né? Israel tá atirando um pouco fora. Então deu um estresse aí. Aí acho que a solução que eles acharam foi levar os aviões para as bases aéreas de Israel. Mas tá disso aí, o que o Irã tá fazendo é varrer a estrutura americana de leste para oeste, no sentido dos Estados Unidos ficar espremido ali em Israel.
E os Estados Unidos não consegue, é, tropa lá dentro do Irã?
Não, não dá. A única vez que eles tentaram, perderam 8 aviões, né? Foi perto de Isfahan ali. A gente até queria ir lá nessa pista, mas o cara falou, já limparam tudo, tal, não vai ter nada para vocês verem. Eu falei, puta, eu queria local histórico lá, mas falei, tudo bem. E a gente caiu enchendo o saco, né? Não, vamos para Miná, vamos para o Golfo, tal. E os sheiks ficaram loucos com a gente, pô, esse bote de brasileiro babaca aí, que quer? Mas é legal.
Tá mandando salve para o Arrurola aí, ele que é mágico desapareça.
Ele é gente boa para caralho, cara. O dia que ele vier no Brasil, você quiser, eu falo para você entrevistar. Ele é muito bacana, cara. Eles têm, o Igor, o iraniano é o seguinte, eles têm uma paciência com ocidental que você não tem ideia. Você não tem ideia da paciência que eles têm. Porque, por exemplo, no último dia você não pode ir para Pérsia e não trazer um tapete persa, você concorda? Então todo mundo, a gente quer comprar tapete.
Aí ele foi lá E ele ia nas lojas com a gente, negociava com os caras e não sei o quê. E para, puta, eles têm um carinho, uma paciência com a gente que é, porra, foda, cara, foda.
Bom, esse cara aí eu esperaria que ele fosse te tratar bem mesmo, né? Ele tava com uma galera lá que é jornalista, é teu trabalho ver ele te mostrar a parte bonita.
O lado profissional existe, mas você nota que a paciência é autêntica. Eu não teria essa paciência que eles tiveram com a gente. Eles tinham muita paciência.
Tô entendendo que tu encheu muito o saco dele.
Pô, pra caralho, cara, pra caralho. Porque você quer ver uma coisa, Igor? Toda viagem que eu faço, eu quero ver aspectos militares, que é minha profissão, cara. Eu faço isso há 45 anos, é o que eu gosto de ver. Eu quero ver avião, quero ver tanque de guerra, essa porra toda. Aí, não, leva a gente no museu tal. Aí levou a gente na embaixada americana, que que foi tomada pelos— mas é uma coisa de louco aquela embaixada.
Por quê?
Porque é o seguinte, cara, você chega, a embaixada é enorme, tá? Enorme. Você chega à conclusão que o embaixador era hóspede ali, porque a embaixada era uma estação da CIA, da CIA, e o embaixador era o que menos mandava nessa porra. Porque eles tinham, você vai lá, tinha uma sala de criptografia, depois da sala de decriptografia, entre as duas salas, você não sabia quem é que tava manipulando a mensagem, só tinha uma fresta entre as duas salas pro cara passar.
Aí, sala, eu tinha uma sala seguinte, parece, você lembra daquele seriado Agente 86? Então tinha uma das antigas mesmo, você também não tá tão novinho não, vai, malandro. Aí, olha só, a sala é o seguinte, é naquele filme Argo, essa sala parece Argo, aquele filme, a sala parece. Eu vi esse filme, era um vidro, uma parede de plástico, plexiglás, não sei, o vidro, não sei. Então você, toda transparente, você fazia as reuniões ali porque você não tinha como colocar uma escuta lá, porque é toda transparente.
Essa sala existe, eu fui ver, ela existe. E aí aquelas máquinas de destruir papel, né, até aí normal, você concorda? Um centro de espionagem tem que ter uma máquina de destruir papel. Só que eles tinham uma máquina de destruir metal dentro da embaixada, uma máquina enorme. Não sei se era elétrica, destruir o quê? Tudo que você pode pensar, arma, computador, entendi, entendi, entendi.
Tudo que eles quiserem dar fim, quer dar fim num HD, os cara põe nessa porra já.
Naquela época nem tinha HD, 79 que eles tomaram embaixada. Mas o que eu entendi, Igor, foi o seguinte: que embaixada inteira, ele era um centro de espionagem que não atendia só o Irã, devia atender Irã, todas as repúblicas do sul da União Soviética, Cazaquistão, Turquemenistão, Uzbequistão, Kirguistão, essa porra toda. Mas talvez Arábia Saudita, Iraque, Síria, etc., porque naquela época Israel não tinha o protagonismo que tem hoje.
Então esse papel era do Irã. O papel que Israel tem hoje até 79 foi do Irã. E assim, a embaixada foi no jardim, tinha um domo de comunicação por satélite. Isso em 79. Quase 50 anos.
Foda, pô.
Não, eu assim, eu fiquei bobo de ver. Eu não deu para ver tudo, né? Mas foi assim um dos lugares que eu sempre quis conhecer, essa embaixada. História, eu era garoto quando aconteceu essa invasão, mas eu fiquei bobo de ver o tamanho da estação de espionagem.
Mas eles deixaram, tá preservado, é um museu, tá?
Não, porque vamos lá, vamos lá, o que que aconteceu quando os estudantes invadem embaixada? Os americanos ficaram segurando a coisa algumas horas para ter tempo de destruir o material. Só que não conseguiram destruir tudo. Aí os caras entraram, fizeram os reféns, né? Que que o iraniano fez? Eles são foda, pegaram a molecada da escola, pegaram todas aquelas tirinhas de papel que tava picotado, aí virou a tarefa da escola hoje vai ser o seguinte: achar, montar esse quebra-cabeça.
E a molecada montou. Então você vê as fitas decriptografadas lá com as mensagens, etc. Então assim, aquilo os americanos não conseguiram destruir tudo em algumas horas, então ficou tudo lá. Você vê o gabinete do embaixador, você vê as máquinas de telex, as máquinas de escrever, máquina de criptografia, comunicação satelital, essa porra toda, cara. Era uma estação da CIA enorme. Maneiro para quem gosta de filme de espionagem, cara.
Eu juro para você, foi um dos locais assim mais— eu tinha esse sonho minha vida inteira, né? Mas foi um dos locais assim mais fantásticos que eu já vi, porque é uma cápsula do tempo, né?
Agora, olha só, para quem tá ouvindo a gente aqui talvez não saiba de uma coisa importantíssima que tu falou agora aqui, que é até determinado momento o papel que Israel desempenha hoje em relação aos Estados Unidos no Oriente Médio era o papel que era desempenhado pelo Irã, pelo Irã sob o xá, o Reza Pahlavi, que é, que é, que tem um descendente que tá filho dele que é a cara dele, que é aqui, que eu, que de vez em quando fala que vai voltar para liderar o povo, né?
Boa sorte para ele, espera sentado.
E aí, e aí, com outras conversas com outros caras, eles me falaram que esse cara ele não é muito bem quisto lá, né?
Não, a galera não gosta muito dele lá não, porque o Xá não era o cara bonzinho que o pessoal prega, né? Porque, Igor, vamos lá, qual é a medida a medida de progresso que o ocidental— ah, naquela época as mulheres do Irã podiam usar minissaia. Pô, vá para o caralho, cara, vá para o cacete! E o resto da vida, como é que era? Aqui você pode usar, só não pode sair 10 horas de casa à noite, né, porque hoje você é assaltado. Então assim, a polícia do xá— e tem um lugar que eu queria visitar em Teerã que não deu tempo de ir, isso eu— que é o Museu da SAVAK.
Quem quiser depois procure na internet. Savak Museum. Que que é a Savak? Savak era a polícia política do Xá, treinada pelo Mossad, pela CIA. Os caras arrepiavam, malandro, os caras arrepiavam, matavam mesmo. O Xá tinha um regime extremamente repressivo, extremamente repressivo. Então o pessoal fala, naquela época a mulherada podia usar minissaia no Irã. Sim, meu camarada, e você podia morrer na rua também se você falasse qualquer bobagem que alguém achava que Né, então é muito complicado as coisas.
E outras, tem que olhar que o negócio que o iraniano nunca perdoou americano é que o xá é reentronado em 1953 através de um golpe de estado patrocinado pelos Estados Unidos e Reino Unido, né. Isso é o Igor, porque o iraniano ele é o seguinte, eles são muito bons, te trata bem para caralho, é uma verdade, mas eles são muito orgulhosos da nacionalidade, do país deles. Então quando você vai para Persépolis, que tem 2.500 anos, você vê que os caras têm orgulho de ter tido Ciro como imperador.
É o Ciro da Pérsia, não é o Ciro Gomes, que inclusive é meu amigo. Não é ele, é o Ciro. Que já no outro dia eu já vi, eu tava falando do Ciro, do Ciro da Pérsia, o pessoal já começou a meter a lenha. Eu falei, pô, cara, não tem nada a ver, eu tô falando do Ciro da Pérsia. Inclusive o Ciro Gomes, posso falar bem dele porque era meu amigo, porra. Mas o lance é que é o seguinte, eles têm um orgulho muito grande da história deles, né?
E é uma puta de uma história longa também, né, meu irmão? A gente tá falando da civilização antiquíssima.
Não, passou tudo por ali. Passou Gengis Khan, passou Tamerlão, passou Alexandre, passou todo mundo que você pode pensar, cara, passou por ali. Então eles não chegaram no planeta— o Irã, na verdade, ele foi a primeira superpotência, né, a Pérsia. A primeira superpotência foi a Pérsia. Então assim, eles são muito ciosos disso aí e eles não abrem mão. E quando teve essa intervenção americana, bicho, porra, em 53, os caras ficaram putos.
E aí, bom, as coisas foram se desenrolando. A gente se encontra hoje num momento que é uma guerra aberta entre Irã e Estados Unidos. E Irã que já odeia os caras há muito tempo. Né? Então vamos lá, para colocar, para ficar bem claro, o que que, o que que os Estados Unidos esperam ganhar dessa guerra que o Trump falou que já tinha terminado, ele já tinha vencido e tudo mais? Lembra que ele falou?
Falou 49, 39 vezes, segundo o Washington Post. Ele quer o petróleo do Irã, né? Uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Ele quer o petróleo, isso tá na cara que é isso que ele quer.
Mas é o que é isso que o Trump tá fazendo lá É, tá tendo um impacto que é, tá estranho o petróleo, porque o Estreito de Ormuz abre e fecha, abre e fecha, abre e fecha, fica fechado um tempão, abre um pouquinho, fecha. Aí de vez em quando tem uns bombardeios, ou seja, tá ruim a circulação daquele petróleo ali, correto? E a gente tem visto outras, quem precisaria demais desse petróleo, se organizando em alguma medida para resolver algum pedaço do problema, pelo menos, né?
Então eu li em algum lugar que o Japão já tá pondo para operar umas usinas de novo, né? Tem umas termoelétricas sendo ligadas, tem um monte de carro elétrico tomando mercados em alguns lugares. Então o que eu quero dizer é que assim, tá tendo uma— a galera tá se adaptando em alguma medida a um mundo com um petróleo mais difícil, mais escasso.
Sim, essa é a tendência.
O que é Muito interessante se a gente levar em consideração que o objetivo do Trump não era esse, era que ele queria mais petróleo e no fim ele tá conseguindo fazer com que as pessoas em alguma medida, sabe, se esquivem da necessidade suprema do petróleo, né?
É, mas não vai dar para substituir tudo porque o petróleo não é só energia, né, Igor? Olha quanta coisa que você tem aqui que é feita de petróleo.
Com certeza. Se você mover a roupa que a gente tá usando, é Mas não é interessante que haja uma, algum, alguma atenção a outros tipos de energia também, já que tá tendo uma puta crise? Porque todo mundo achou que ia quebrar. Lembra que quando falou-se em fechar o Estreito de Ormuz, nossa, era o apocalipse generalizado. E é interessante que a galera foi se adaptando e a gente tá se virando de uma forma geral aqui no mundo com menos petróleo, né? E o Trump nessa daí É, mas você tem que olhar uma coisa, né?
Isso que você falou procede, mas muitos países estão apelando, tinham reservas, né? Então apelando para as reservas, né?
Como é que tá a China?
A China tem muita reserva, muita. Eles compram muita coisa da Rússia, né? Eles compram muita coisa da Rússia ali, mas eles têm muita reserva, se prepararam. Os chineses é o seguinte, você foi?
Não, ainda não fui à China.
Você vai ver, eles são muito, eles se preveem muito para as coisas aí. Mas eu acho que o choque do petróleo ainda não veio, porque o pessoal tá queimando as reservas, o mercado não tá acreditando muito não. Mas uma hora pode vir, né, cara? A Europa, o americano tá sentindo, galão acho que tá $4, né? A Europa, você vê, a Inglaterra trocou de primeiro-ministro hoje de novo. Não tem solução para isso aí, cara. Você sabe que, ô Igor, você é empresário, então o cara competente, você sabe que custo mata.
Se você não controlar custo, você se ferra. Você sabe disso. Por mais que a tua receita seja alta, se o custo começar a subir muito, você sabe que você vai ser engolido. E é o que tá acontecendo com o Ocidente. No que você falou, tem razão, o pessoal tá procurando outras saídas mesmo. Eu não sei se no curto prazo vai dar para resolver não.
Até porque a gente é profundamente dependente ainda, né? Um sistema muito dependente do— tô falando até do ponto de vista energético. É claro que tu falou aí que existem várias outras aplicações, tinta, vindo petróleo, tudo tem remédio que depende do petróleo.
Então assim, é muito difícil.
E tu acha que essa guerra tem um, tem uma, vai, tem um momento que ninguém, que alguém não aguenta mais sustentar essa guerra?
É, pode ser. O Irã aposta com o tempo, né? Porque as eleições americanas estão aí, né? Porque eu vou te falar uma coisa, a crise do Irã atravessou acho que 12 mandatos de presidente. A crise tem 48 anos. Atravessou acho que 12 mandatos de presidentes americanos. Será que esse cara acha que ele é o único esperto entre essa turma toda? Ó, cara, ninguém fez, aí eu vou fazer. E não tá dando certo, não tá dando certo. A guerra dura 5 meses já, não tá dando certo.
Olha, hoje mesmo eu tava assim, porque acho que você sabe a minha rotina, é o dia inteiro trabalhando nisso aí, o dia inteiro. Aqui eu tô de folga praticamente. Bom, é que eu não tô vendo relatório, mas assim, mandaram metade do esquadrão de F-15 mais 9 jatos F-35. Então você chega à conclusão do seguinte: ou os caras estão reforçando a ofensiva, estão repondo perdas. Nenhum dos dois casos é muito bom, porque qual é a dúvida? Você tem jato para usar para as operações?
Tem. Mas você tem foguetes? Mísseis, porque o problema todo é esse aí, você não pode. O Irã tem uma defesa aérea muito boa. Esse ataque que eu te mostrei de Lamed veio do Catar, cara, veio do Catar, e era bateria móvel, não era jato, porque aviões, os russos perderam 49 aviões nessa guerra, entendeu?
Quem fornece essa tecnologia para o Irã?
China e Rússia. E deles também, eles têm engenheiros muito bons. Não subestime os engenheiros iranianos, tá? Eu fui visitar um centro de nanotecnologia deles, eles são fodas, cara.
Eu não tenho nenhuma pretensão de subestimá-los não. Na verdade, eu sei que eles são orgulhosos dos engenheiros deles.
É, você quer ver um negócio interessante? Nós fomos visitar, porque eu sempre tive curiosidade de saber como é que era isso, né? Nós fomos visitar a primeira casa, nós visitamos a casa do Ayatollah Khomeini, não confundir com o Kamenê, em Teerã, e visitamos a casa dele em Qom, né? E a casa dele em Kona, uma casa muito antiga, e ali tinha um sistema de ar-condicionado medieval que eu sempre quis saber como é que era. E pô, eles fizeram o ar-condicionado quase 2000 anos atrás, que eles tinham um sistema de ar-condicionado deles, que a casa ficava refrescada.
Que era um calor horrível, cara, horrível, que a casa, o jeito que eu fiquei meio traumatizado com calor.
Pelo visto eu fui, eu tava, eu faço algum, eu faço uma pequena ideia Porque em 2022, na Copa do Catar, eu tava lá e porra, calor do caralho. E tem ar-condicionado na rua lá em Doha, então é um calor do caralho mesmo.
É mesmo a latitude, cara. Então você sabe do que eu tô falando, cara.
Uma coisa que me chamou atenção lá é que eles usam o fuso horário de Meca, e Meca fica bem longe de Doha. Então meio-dia era tipo 4 horas da tarde, sabe qual era? Porque eles estavam usando o fuso horário do lugar errado.
É, você desloca, né? Aquilo que era para ser um, que era para estar uma determinada temperatura naquela hora, tá outra, né? Não sabia disso não, que eles usavam os horários de Meca.
Tu fica, tem umas TV que tu coloca lá no canal lá, é o dia inteiro os cara rezando em um lugar específico lá que é sagrado, que eu não vou tentar chutar o nome aqui, é a Kaaba. É, não sei. E aí, é, mas também foi uma experiência bem maneira. Eu vi um tigre Eu vi um, eu fui na casa de um cara que tinha dois tigres, tinha um falcão, umas parada do Catar mesmo assim. Porque como eu fui na época da Copa do Mundo, a maioria das pessoas que estavam no Catar não eram pessoas do Catar, eram pessoas de outros lugares.
Então pegava um Uber, era quase sempre indiano, entendeu? Todas as babás eram, sei lá, filipinas, entendeu?
As coisas eram, é bem do Golfo isso aí. Eles são assim, no Dubai também eu vi isso aí, muita Catar.
E Catar mesmo eram poucos, e eles estavam, os ricos é o chefe, e eles estavam, eles era o social, é, nos Emirados também.
Mas é que, tá, Igor, o que você viu pode estar desaparecendo, viu? Porque Dubai mesmo tá numa situação difícil para caramba. Por quê? Ah, quem é que vai fazer turismo em Dubai hoje, cara?
Ah, sim, é verdade.
Quem é que vai fazer tudo? Só se você, só eu, só o Robinho pode, né? Porque eu vou lá trabalhar. Mas você vê, porra, é míssil comendo, o pau comendo direto, cara. E outra, Dubai era um centro financeiro. Quem é que vai botar dinheiro ali? Então assim, é um, eles estão em xeque, né?
Esse país árabe estão em xeque e tem que resolver logo porque tem uma Copa do Mundo. Se bem que tem uma outra antes, né? Mas os caras já estão falando em Copa do Mundo para lá também. Mas, cara, essa guerra não deve durar mais esse tempo todo, vai? Tu acha que ela dura tanto que o da Rússia e Ucrânia? Não sei, não sei também.
O Irã não vai ceder, isso eu te falo. Eles não vão ceder.
Se tu fosse, vamos dizer que tu é agora, é tu que manda no Irã, e tu tem, e tu tem, vamos dizer que é o Orr da vida real, tu que manda no Irã, tu estaria fazendo exatamente a mesma coisa que eles estão fazendo?
Não, ia fazer uma bomba atômica, aliás, umas 10. Eu falei para eles, por que que vocês não fazem uma bomba atômica? Porque na verdade o xiita não acredita em morticínio em escala industrial, eles não, eles, para eles é pecado isso daí.
Mas Então é 100% mentira de todo mundo que os cara tava fazendo uma bomba atômica?
É 100% mentira que eles estavam fazendo a bomba atômica.
Até porque eles estão falando que eles estão fazendo uma bomba atômica.
Não, eles nunca falaram. Eles falaram, os americanos, ah, o Bibi conta essa história, o Detran conta a história deles. Porque é o seguinte, se você quer destruir uma pessoa, primeira coisa que tem que fazer é demonizar ela. É demonizar ela. Os Estados Unidos, na verdade, o que eles falam do mundo diz mais a respeito deles do que de outro. Qual foi o único país que usou bomba atômica até agora? Foi eles. Foram eles, é uma verdade, né?
Eles falam, ah, democracia, tá, mas pô, que democracia é essa que você bombardeia crianças, cara? Uma cidade de 30 mil habitantes, você jogar míssil HIMARS ali, que democracia é essa? A gente tem que começar a questionar isso aí, nós temos que questionar isso. Fala, vem cá, tudo bem, então a democracia é o Deus, né, que pelo qual você pode fazer sacrifícios humanos, é isso? Então você produz Vietnãs da vida, os Afeganistão da vida, massacre de hadita no Iraque, a Bulgária, vale, tá valendo porque a democracia não é assim, cara.
As coisas não são dessa forma. Essa gente não tá fazendo mal para ninguém, é uma verdade, é uma verdade. Eu tava tendo uma discussão com americano, não, porque vocês, os índios brasileiros, falou, meu país nunca usou tropa federal para massacrar índio, o teu fez. Eu falei, vamos devagar, porque eu conheço a história do teu país.
Por que que tu acha que eles agem assim em relação ao mundo, cara? Esse momento específico quer dizer alguma coisa? Porque, ó, a gente tá vivendo um momento específico da história que se questiona a hegemonia americana, que o dólar tá, vive um momento estranho, as coisas estão estranhas, né? Não é, eles estavam acostumados a uma hegemonia muito mais clara, eu diria, né? Então esse momento específico com esse líder específico, os Estados Unidos estão vivendo um declínio?
Tem muita gente dizendo que eles estão esperneando porque tá muito ruim ali. A única coisa que sobra para eles é o petrodólar.
Olha, Igor, eu acho o seguinte: todo império se torna esclerosado com o passar do tempo, e é normal isso, porque senão a humanidade não evoluiria. A gente estaria sendo dominado pelos gregos ou pelos romanos até hoje. Todo império se torna esclerosado pelo próprio tamanho, ele cai pelo peso. Então, por exemplo, hoje você tem 47 milhões de pessoas nos Estados Unidos em situação de insegurança alimentar. Não sou eu que tô falando, você pode abrir internet aí, você que tá me assistindo pode abrir internet, vocês vão achar.
Você tem aí 1 ou 2 milhões de americanos que vão todos os anos para o México fazer tratamento dentário. Se você machucar um dedo lá nos Estados Unidos, você vai à falência, e por aí vai. Por quê? Porque gastaram muito em guerra. O Franklin Delano Roosevelt, ele entrega uma América riquíssima, cara, riquíssima mesmo. Aí eles, as sucessivas gerações, foram dilapidando esse patrimônio, e hoje tá esse negócio que você vê aí, né? Vai cair de uma vez?
Não. Eu não vou ver o fim. Talvez você não veja, mas os seus filhos vão ver um Estados Unidos muito diferente, cara, porque tá entrando numa situação que não tem por onde correr, não tem mais por onde correr.
Tu acha que ele tá dizendo isso por conta da situação geopolítica ou por conta dos problemas internos mesmo? Porque eles têm, eles têm uma dívida interna insana, 39 trilhões, tem alguns problemas internos também, né? Tem uma, uma classe média empobrecendo cada vez mais, vivendo no cartão de crédito. Pois é. Que é uma galera que é inclusive onde a galera que vota, não é?
Porque pôs o Trump lá. Mas é aí que tá, cara, é assim, qual eu acho que é o grande problema dos Estados Unidos? É, foi a desindustrialização. Eu acho que esse é o principal problema, porque o que que eles pensaram? Bom, olha só, nós vamos fazer o seguinte, a gente vai pegar, fechar a indústria aqui porque é muito caro, vamos levar para China. E depois a gente faz a China vender o produto barato, né? E o chinês, ele vai enriquecendo aos poucos, ele vai se tornar democrático.
Aí foi uma série de enganos, porque o Partido Comunista Chinês tinha um plano estratégico, coisa que o americano não tinha. Segundo também, que a China nunca foi uma democracia, nunca ligaram para isso, nem liga, ele nem sabe o que que é, não se importa com isso. O chinês quer enriquecer, meu amigo, quer fazer o negócio dele, quer ficar bem. Esse é que é o fato. Tá nem aí. Ah, o governo é o mandarim, é o PCC. Pô, quer que se dane, cara. Tô ganhando meu dinheiro, tô. Então tá tudo certo.
Tem um cara, é uma sociedade mais de 5 mil anos.
É, mas eu não tô criticando não, tô dizendo como é que é.
Porque perfeito, mas eu também, o que eu tô dizendo é que assim, é uma sociedade que já viveu muitas experiências, né? Muitas experiências.
Olha, você quer ver um negócio? Tem um cara que ele já teve aqui uma vez Você conhece ele, que é o Rubem González. O Rubem fala uma coisa que é uma grande verdade, Igor, é uma das maiores verdades que eu vi na vida: a única liberdade que existe é liberdade econômica. Porque se você tem dinheiro, você não quer saber quem é o governo. É uma verdade, você não tá nem aí. Você entra no lugar: quanto é que você quer? Tá bom, tá, dá o cheque aqui, eu passo cartão.
Beleza, foda-se. Essa é a verdade, e é o que o chinês pensa. Ele não tá nem aí, porque para eles o Partido Comunista é mais uma dinastia, como foi os Han, os Xi, essa coisa toda aí. Então assim, o americano achava, só para voltar, né, eles achavam, não, nós vamos mandar as indústrias para lá, e não olharam o seguinte, você mandou, e aí? E o cara que tava empregado? Você vai em Detroit hoje, você não acredita. Você viu o que era Detroit nos anos 50?
O que que é hoje, cara? A pobreza que tem ali, pô. Era a cidade das indústrias, os carros, acabou, virou tudo cinturão de, eles chamam de cinturão da ferrugem. Isso foi empobrecendo o país, cara. A própria indústria bélica tá sentindo isso. Eles não conseguem entregar a quantidade de mísseis que o Pentágono precisa porque a indústria hoje é pequenininha, porque eles fizeram o trabalho de se desindustrializar. Sim. E um dos grandes responsáveis por isso é o Ronald Reagan, cara.
O Reagan fechou os estaleiros americanos. Ele chegou, olha só, estaleiros estão consumindo muito dinheiro do contribuinte, é muito incentivo que a gente dá. Vamos cortar, cortou, estaleiro fechou. Quem é que fabrica navio hoje? China, Coreia do Sul, Japão. Estados Unidos não faz mais. Agora a Marinha americana tá querendo que mude a lei porque ela precisa comprar navio da Coreia do Sul, ela não consegue fazer mais nos Estados Unidos.
Que merda, hein, situação.
Olha, você quer uma coisa? Eu vi um documentário outro dia, então foi o seguinte: o Trump, ele pressionou a Coreia do Sul para fabricar navio nos Estados Unidos. Aí os cara, tá bom, Então nós vamos, nós vamos fazer, vamos investir, comprar uns estaleiros lá. Aí mandaram 300 engenheiros sul-coreanos para treinar o operário americano, porque não é assim estaleiro, você não pega o peão na rua, vem cá, você tem que ensinar o cara como é que ele faz uma solda, né, os processos, leitura de uma blueprint ali, uma série de coisas.
Aí foram 300 engenheiros para lá. Né, os cara tão lá trabalhando, o ICE foi lá, eles estão irregular, prendeu todo mundo.
Sacanagem! Não, isso aí, isso é meme, né?
Não, não é meme não, te manda reportagem, porra. Eu falo assim, pessoal, eu não minto, cara, a gente pesquisa essa porra. Mas vai vendo, a história não acaba aí.
Como assim não acaba aí?
Não, não acaba aí, porque aí eles, o programa acho que foi o 60 Minutes, não lembro qual foi o programa, então foram entrevistar uma mulher Ela era babá e agora ela tá trabalhando no estaleiro, a solda lá, a mulher é campeã mesmo. Aí o cara perguntou assim para ela, vem cá, mas não é meio desconfortável para você? Você era babysitter e agora está trabalhando no estaleiro, por que você aceitou esse emprego? Ela falou, porque eles pagam plano de saúde. Foda, né, cara?
Sinistro, né?
Foda, né? A mulher largar de criar e cuidar de criança para ir soldar navio, porque é um trabalho pesado, sujo, perigoso, que você pode pensar.
Mas tem plano de saúde.
Mas tem plano de saúde. Então assim, essa é a América hoje, cara. Que aí o cara vai lá, o brasileiro vai lá para Miami, que é uma coisa à parte, e ele, ah, tá tudo maravilhoso. Só que você viu uma parte dos Estados Unidos. A mesma coisa o cara aqui em São Paulo. Outro dia eu tava num programa de TV, os cara, não, porque São Paulo isso, São Paulo aquilo. Falou, essa São Paulo que você conhece aqui da Avenida Paulista é uma. Vai para parada de Taipas ali, a pegada é outra, tá? Falei, São Paulo é São Paulo, né?
Então, desses presidentes dos Estados Unidos aí, dos últimos, cara, quem que é o teu favorito ao contrário? É o Trump? O Trump para tu é o maior fazedor de merda das últimas, das últimas duas décadas aí dos Estados Unidos?
Não, ele é o maior, mas ele não é o único, né? Eu acho que os Estados Unidos foi estraçalhado por 3 presidentes, é só o quarto. Primeiro foi o Lyndon Johnson, que é um cara que eu admiro. Pô, eu tenho biblioteca enorme sobre o Johnson lá em casa. Tem um filme, cara, assiste. Sabe aquele cara do Breaking Bad, o Bryan Cranston? Ele faz, ele encarna o Lyndon Johnson. O filme chama-se Até o Fim. Até o Fim é com Bryan Cranston. E é assim que o Johnson, ele tinha uma mania, ele despachava cagando.
Ele tinha mania disso, despachava cagando. É, ele sentava na privada, aí os assessores iam lá e ele na privada, ele despachando.
Esse presidente não é interessante porque assim, ele não é muito famoso, né?
Não, porque ele foi ofuscado porque ele sucedeu o Kennedy, né? O Kennedy morre, ele era o vice, ele assume, e ele foi o primeiro. Mas ele é um cara fascinante, cara.
Mas me conta por que que ele destruiu os Estados Unidos, que ele jogou o americano na Guerra Vietnã, cara.
Foi a Guerra do Vietnã que acabou no petrodólar depois, porque eles se dividiram. O Nixon acaba com o padrão ouro em 71, o dólar começa a perder credibilidade, eles vão para o petrodólar. O Johnson deu a primeira afundada.
Por que que ele entrou nessa pira de Vietnã, cara?
Ele não entrou. O pai do desastre Vietnã, ninguém gosta de falar porque ele morreu, é o John Kennedy, ele é o pai. O Eisenhower passa para ele— aí eu quero, tá, vou te passar. Obrigado, viu, muita gentileza da sua parte. O Eisenhower passa para ele o Vietnã com 900 conselheiros, o Kennedy aumenta para 16 mil. Aí o Johnson herdou a bomba, o Kennedy morre. Olha como é que a vida é irônica, Igor. A vida é muito irônica, por isso que eu falo, pessoal, toma cuidado com tudo, a vida é muito irônica.
No dia, acho que 1º de novembro de 63, não sei se foi o 1º ou dia 3, é, o Kennedy ele recebeu da CIA um pedido para autorizar a morte do ditador sul-vietnamita, né, o Nho Dinh Diem. E ele autorizou. Aí mataram o cara num golpe de estado 3 semanas depois dele. Você vê como é que a vida é irônica. Então aí, aí vamos lá, aí ele passa, o Johnson senta, não queria ser o pai de uma derrota, aí começou a aumentar de 16 mil, foi para meio milhão de soldados.
Puta que pariu, né, meu irmão?
É o que vai acabar acontecendo no Irã se o Trump não tomar cuidado.
Tu acha que corre algum risco do Trump estourar, tomar uma medida mais drástica ali no Irã?
Bomba atômica. Eu acho porque eles não têm muito tático, é qualquer coisa, mas aí já é o fim do mundo também, né, velho? Aí já é o fim do mundo. Diz que ele tentou, tem gente que disse que ele sustenta que ele tentou e que o chefe de Estado-Maior segurou ele, o General Dan Kennedy segurou ele. Eu não sei se é verdade.
Um salve para o general. Ô Robson, essas bombas atômicas, elas têm diferentes yields, é, elas têm diferentes vamos chamar de grandezas, né? Potências, diferentes potências, né? Qual que é, qual que é a mais, entre aspas, a mais suave?
Cara, eu não sei, eu não tô muito por dentro disso não, mas se você usar uma bomba nuclear tática, se tem um batalhão ali de 600 ou 1000 homens, mata todo mundo, cara, que você pega uma área grande, né?
Uma bomba nuclear tática ainda é uma bomba nuclear.
Ele pode usar, porque na verdade Qual é o problema dos Estados Unidos hoje? Ele é muito grande, cara. Você não vai conseguir dobrar ele com aviação. E não tem muito míssil mais nos Estados Unidos aí. Eles estão com problema sério por essa desindustrialização que eu te falei. Então eu tenho medo que um cara destemperado que nem ele, que é uma pessoa sem— porque, Igor, sabe qual é uma das coisas mais importantes dessa vida, cara, que as pessoas não veem na hora de votar? Você tem que botar no poder gente com maturidade, cara.
Papo reto.
Ele não tem maturidade para ser um governante. Não tem nem maturidade, nem estatura de estadista, nada disso. Eu acho que o último presidente americano com uma postura de estadista foi Jimmy Carter, e o resto dali para frente foi só ladeira abaixo. Você tem que ter— o que que eu acho que é um líder político? Eu acho que é um cara com muito pouca vaidade, com bastante caridade, cara. Você tem que ter gostado das pessoas. Agora, você vai mergulhar teu país numa guerra que 12 presidentes evitaram e você vai entrar lá Num país de 90 milhões de habitantes, o país do tamanho do nosso Amazonas, não tem solução militar para isso.
Que é, inclusive, esse presidente que você tá falando, que é o Trump, ele tava buscando, é bom lembrar, o Nobel da Paz. Lembra? Lembra que ele ficou puto com a Corina? Não era Corina?
Maria Corina Machado. Ele é vaidoso, né? Ele é uma pessoa com profundos problemas psicológicos, né, camarada? Porque sabe o que acontece, Dico? A pessoa que tá bem com ela mesma, tá resolvida, não quer o mal dos outros, cara. Se você tá bem resolvido na vida, você quer que se dane, sabe? Hoje mesmo eu saí de tarde, eu tinha que resolver uns problemas na cidade, aí parei no McDonald's para tomar um sorvete. Aí você tá de bem com a vida, cara.
Você para, toma um sorvete, senta, fica olhando as crianças brincar, bate um papo com o guarda, você tá de bem com a vida, quer que se dane o resto, não tem o que entrar na cabeça. Agora, eu acho que a pessoa que nem ele, que vai mexer com o país que tava quieto, Irã nunca foi um problema dos Estados Unidos, ele não é uma pessoa equilibrada, né? Ele tem históricos aí de agressão, de, de, de, de de estupro, de uma série de coisas. Histórico do Trump é horroroso, cara.
É incorreto dizer, Robinson, que a gente tá vivendo um desdobramento do ataque do Hamas a Israel?
Eu acho que sim. É, eu acho que isso daí desequilibrou, porque na verdade, Igor, é que tá, né? Você colocou essa tua pergunta, é muito boa, porque eu acho que o Hamas ele pegou todo mundo de calças na mão. Você sabe que o Hamas e o Irã não se picavam, né?
Olha, a informação que eu tinha era que o Irã financiava o Hamas.
O grande financiador do Hamas é o Catar, tá? Inclusive, o Hamas e o Irã andaram se batendo na Síria e na Bósnia, tá? Eles não se bicavam não. O Hamas é muito mais. O Hamas é cria do Netanyahu, todo mundo sabe isso aí, né? Tá fartamente documentado. Quem quiser procurar algumas vezes, ela tá no Washington Post, New York Times, procurar lá, Hamas, Creation Israel, foi um movimento criado para enfraquecer a Fatah, que depois, como sempre, se volta contra o criador, né? A criatura, papai.
Agora, toda hora isso acontece, né, cara?
Faz parte da vida, você sabe disso. Então, é assim, eles não se bicavam com o Irã. Eu acho que desequilibrou todo mundo, na verdade, né?
Entendi. E aí, quando essa— porque assim, por que que eu tô te falando isso? Porque A gente teve o ataque do Hamas a Israel, aí a gente, aí Israel começa a apertar Palestina, e aí começa a ter todas as respostas. E aí tem um ataque do, acho que Israel que ataca o Irã primeiro, não é? Sim, Israel ataca o Irã primeiro, daí o Irã, pô, responde com algumas coisas e tal. E agora a gente tá vivendo, no fundo, o desdobramento de algo dessas coisas que aconteceram lá. E Israel agora um pouco mais para fora dessa guerra, não é?
Israel quer ser tirar dente com pescoço do Trump, né? E eu acho uma coisa inteligente, eu acho. Mas sabe o que acontece? Eu acho que também tem o seguinte, né? Analisando a coisa de maneira— olha, pessoal, deixa eu só colocar uma coisa aqui para vocês. Eu tive recentemente, acho um povo fantástico, mas tenho grandes amigos judeus e não sou aquela pessoa que acha que Israel tem que ser varrido do mapa. Eu acho que 9 milhões de israelenses têm direito a uma terra, uma vida normal, fazer supermercado, criar os filhos, etc.
Acho que Israel cometeu grandes crimes aí, mas não exclui o fato que eu acho que Israel tem que existir, tá? Eu acho que tem que ter uma solução negociada de dois estados. É bom posicionar isso aqui, a pessoa falar, o cara é um propagandista anti isso, anti aquilo. Porra nenhuma, eu sou pró-humanidade.
Eu gosto da solução dos dois estados, mas a gente sabe que essa é uma solução muito complicada. Você sabe muito mais que eu, né?
Eu não vou viver para ver isso, mas deixa eu te falar, eu acho que o Netanyahu ele queria uma remodelação do Oriente Médio, é a impressão que eu tenho.
O quê, uma grande Israel?
Não, não, não, é uma convivência de Israel, porque esses países do Golfo são todos alinhados com Israel, tá? Não tenha dúvida disso. Arábia Saudita, Emirados, Israel jogam junto. É uma coisa só. Eu acho que ele queria uma remodelação e o único empecilho é o Irã, né?
Entendi.
O único empecilho é o Irã. E assim, Igor, eu não entendia certas coisas, né? Mas depois que eu tive no Irã, eu comecei a perceber o seguinte: por que que o Irã briga com Israel? Porque na visão xiita, o que acontece com os palestinos é uma grande injustiça, né? Então eles querem reparar, isso não tem jeito.
Tem alguma coisa a ver também com Jerusalém?
É a cidade sagrada para todo mundo, né? Al-Quds, uma cidade sagrada para todo mundo.
Aquilo ali, aquilo ali por si só já é uma grande questão de disputa seríssima, né, meu irmão?
Trocou de mão 43 vezes.
Se o cara fosse amiguinho, dava problema, e os caras se odiando dá muito mais, né, cara? É, mas tu acha que Israel poderia ser em outro lugar? Aqui só entretendo uma viagem, porque a gente sabe que quando foram procurar um terreno para Israel, pensou-se em vários lugares.
Uganda, acho que até a Amazônia, se não me engano. Uganda, acho que Madagascar. Ah, cara, eu não sei te dizer, Igor, mas eu assim, olhando, é o que eu falo, olhando pelo lado de humanidade, você não pode pegar que nem algum, tem gente que quer jogar 9 milhões de israelenses no mar. Não é assim que a vida, agora toma pedrado dos dois lados, tá? Agora eu vou tomar uma. Foda-se, cara, foda-se.
Mas tem a ver com menos pessoas morrendo, né?
É exatamente. Eu acho o seguinte, as coisas saíram do controle. Você colocou bem, depois do Hamas eu acho que as coisas saíram do controle. Mas o Netanyahu, ele acabou com soft power de Israel, né, camarada?
Mas agora ele, como é que tá a situação dele, cara, no que tem a ver com Bom, ele entra numa guerra. Quando ele entrou na guerra, ele tava numa situação política complicadíssima, né, para ser impeachment, nem assim, nem sei se é assim que eles chamam lá. E eu tinha a impressão que ele sustentava essa guerra porque uma guerra é um jeito de se manter no poder.
Sim, né? Ele, o Zelensky, enquanto tiver guerra, eles ficam ali, vão ficar ali, né?
Mas Israel tá Pelo menos a impressão que eu tenho, pouco a pouco.
Eu acho que ele é esperto, né? Ele é esperto. Eu acho que ele percebeu, bom, deixa o Trump fazer o serviço porque não vai dar.
Mas você que teve lá, que estava lá no Irã, como é que eles enxergam as ações, a posição de Israel nessa guerra? É secundário? É primário? Eles odeiam mais Israel ou os Estados Unidos?
Não, mais Estados Unidos. Eu acho que eles separam Israel do Netanyahu. Acho que ele sabe que Israel é uma coisa, Netanyahu é outra. Inclusive, a gente foi visitar uma, uma sinagoga em Teerã, cara. Tem uma sinagoga lá e os caras são iranianos, judeus iranianos, e trataram a gente muito bem. E tem um bom relacionamento com todo mundo, governo apoia a sinagoga. Mas eu acho que eles enxergam a coisa de uma outra forma, né? Eles separam o judaísmo do sionismo, né?
Eu acho que eles têm uma visão assim muito O Igor, o xiísmo, ele não é uma religião de ódio, tá? Eu não percebi ódio neles, eu percebi uma indignação muito grande, principalmente por causa dessas crianças de Minabe e da netinha do Kamenê. Porque tem um filme, nós somos os primeiros ocidentais a entrar na câmara ardente do Kamenê. E assim, Kamenê tinha 86 anos, não tinha mais muito que viver, mas quando você vê o caixãozinho da neta dele Aquele ali doeu, cara. Tem o vídeo aí, inclusive.
Como é que é o nome? É a câmara ardente. A câmara ardente é onde fica o corpo.
Isso. Tavam as 5 pessoas que morreram, né? Ele, a netinha e mais 3 familiares. Ali pesa, cara. Ali foi pesado. Ali foi pesado. Ali todo mundo, eu senti que todo mundo saiu cabisbaixo ali. Deixa eu ver se Aqui eu mando para ele, pera aí.
Não, ele deve estar procurando ali, ele deve estar procurando.
Acho que tem ali, pera aí, quer ver? É um segundo, tá fácil aqui.
Mas deve ser uma coisa horrorosa mesmo tá nessa situação, ficar lá. A própria energia do lugar deve ser uma merda da porra, né, cara?
Não, mas você quer ver um negócio? Era um clima assim de muito de muita comoção. Pronto, mandei para você, tá, Bruno?
Todo mundo, todo mundo emocionadaço.
Sim, uma certa saudade deles, porque na verdade, o Bruno, o Igor, o que que eu penso do Camilo? É minha visão. Ele era um líder ultrapassado para a realidade do mundo de hoje. Ele não era um cara com a visão estratégica correta. Talvez o Moktaba tenha mais a visão estratégica, porque, por exemplo, você não pode pegar um país que nem o Irã, com todas as as ameaças e não ter bomba atômica. Ele era contra bomba atômica, contra assim de botar no papel, não vai ter bomba atômica.
Ele era o cara que era contra, ele botou no papel, ele emitiu uma fátua, não pode ter bomba atômica. E os Estados Unidos vai e mata esse cara. Olha a burrice do Trump, olha a burrice do Trump.
Nesse caso aí, matar esse cara foi uma puta burrice de fato. Primeiro que ele já tava coroa, segundo que pelo fato dele já tá coroa Com certeza ele já tinha formado...
Eu tô ali atrás, tá vendo? Esse padre é colombiano, esse cara é legal pra caralho.
É um padre colombiano segurando um livro do Renato Russo.
Não, o livro é do... Olha lá, eu tô ali atrás. O livro é do Camenei, chama-se A Cela 14. Eu tenho esse livro em casa. E assim, isso foi pesado, cara, porque você vê ali aquele caixãozinho pequenininho, é a neta dele. E aí tem aquela frase, acho que é do Hemingway, né? Os menores caixões são os mais pesados, né?
Que coisa horrível, né?
Não, foi um negócio, aí ele foi foda, cara. Esse momento foi, todo mundo saiu daí, esse prédio, esse monumento chama-se Mussala, é um tipo de uma, como se fosse uma mesquita que os muçulmanos vão na sexta-feira, né? Mas isso, juro, cara, a hora que a gente viu o caixãozinho, porque a criança tem nada a ver com a história, né, cara?
É. E aí, qual que era, qual que era a solenidade para participar disso aí? Tu tinha que estar com uma roupa específica?
Não, não teve nada disso. Eles têm os rituais deles. Por exemplo, tinha uma vertente de mulheres lá que elas passam terra no xador, aquele, aquele traje preto, né? Que o pessoal confunde com burca. Iraniano não usa burca, não usa.
Bom, eu não sei qual a diferença.
A burca cobre o corpo inteiro, inclusive acho que só fica os olhos. O xador não, ele é preto, você fica o rosto. E tem o hijab, que é o véu, tá? Aí você fala, é obrigado? Não, porque o que a gente mais viu no centro de Teerã é mulher sem véu, é o que a gente mais viu. Inclusive casal de Rico, é uma coisa interessante, o trânsito iraniano, se tu acha que São Paulo é uma merda e Rio de Janeiro também, eu morei no Rio muitos anos, adoro aquela cidade, o trânsito iraniano era uma loucura.
Eu falava pro Ruhola, a gente ia atravessar a rua, então ele fazia o seguinte, ele pegava na mão todo mundo, fazia o trânsito parar e a gente atravessava. Mas vinha aquele ônibus a 100 por hora e daí o cara para, não tinha faixa, pica, cara. Tá maluco. Não, e não é só isso, e todo mundo falando no celular, todo mundo, o cara de moto, de caminhão, de ônibus, de passeio, falando no celular. E capacete, irmão, ninguém usa, tá? Ninguém usa. Tá maluco, tá maluco.
Tu dirigiu lá não, né?
Não, não, eu não dirijo faz anos já. Eu tenho carteira, eu tinha carteira até pouco tempo atrás porque meu pai era vivo. Eu não tenho carro. Toda vez que eu ia visitar ele, alugava um carro para levar ele para passear, né? Levava ele para jantar e tal. Depois que meu pai morreu, eu nem sei se eu vou renovar minha carteira. Eu não sei mais dirigir. Ainda mais esse carro elétrico agora, essas coisas modernas aí. E mas era uma loucura, o trânsito é uma loucura, cara.
Mas é sério, não tinha semáforo. Você via aquela rodovia de 8 faixas e eu falo, puta, eu falei para ele, o rolo é sempre com emoção, né? O trânsito aqui é sempre com emoção, né? Não tem um dia. Eu falei, olha, cara, se vocês fizerem guerra como vocês dirigem, Estados Unidos tá fodido.
Entendi. Quantas cidades tu conheceu lá? Tu foi a umas 6 cidades, 6, 7 cidades que tava Mas tinha alguma que tava destruída?
Não, não, os bombardeios foram pontuais, porque na verdade hoje em dia, cara, você quer acertar um prédio, você acerta aquele prédio.
Por isso que eu te falei, o cara acertou aquela escola lá querendo, foi querendo.
Não adianta dizer, ah não, erramos. Não, cara, você não errou. Foi inclusive porque o míssil era um míssil do HIMARS de última geração, PRSM, né? Inclusive eu trouxe um pedaço, esqueci de trazer aqui para te mostrar, cara. Porra, esqueci em casa, caralho. Vou te mandar foto.
Eu sei que tu anda com uns pedaços de míssil.
É, mas é, os cara até me deram lá. É porque isso acontece, Igor, essas coisas têm um simbolismo muito grande para o civil, porque para mim isso é o dia inteiro, mas quando você mostra, o cara começa a perceber, né?
Começa aquilo que você mostrou na filmagem que você fez lá do tamanho do buraco no chão, aquilo ajuda a aterrissar muita coisa, pelo menos na minha cabeça, sabe? É de como do funcionamento. Aquela outra imagem que é uma que tem a parede toda pintada.
Quer ver? Olha só, vai vendo. Você consegue colocar o áudio desse aí?
Isso é uma padaria?
É, é uma padaria. Continuamente para vocês verem aí que não teve edição. Foi de Pato Donald aí o resultado, porque agora foi. Olha aí, quer ver? Eu tô me afastando da padaria, quer ver? Era Vai vendo, olha aí, ó.
Aí agora, olha aí, puta que o pariu, meu irmão!
Foi difícil bombardear os escombros do prédio, cara. Isso aí, esse aí já era, é o produto que a gente vê aí da agressão a esse.
E as pessoas na rua ali, cara, elas vão vivendo na medida do possível normalmente?
Tipo, mais normal que aqui, as pessoas vão para escola? Mais normal que aqui.
Que coisa!
Você vai, eu mandei vídeo aí, a gente foi passear numa ponte à noite em Isfahan e normal, cara. As pessoas saem. Se o cara acha que vai amedrontar essa gente, ó, tu falou de uma bomba atômica.
Se tu fosse o líder supremo do Irã e tu tivesse os recursos do Irã, Tu ia trabalhar para ter uma bomba atômica. Vamos dizer que você conseguisse ter essa bomba atômica assim no teu tempo de vida, você ainda é o líder, tá? Tua história, essa porra, onde, cara?
Tem tanto deserto aí para eles fazerem. Hoje em dia você não precisa mais explodir a bomba, você faz o teste com supercomputador, né?
Você calcula todas as, você simula a explosão no computador, nem precisa mais testar, não precisa mais.
Tanto que os testes nucleares acabaram, né?
E tu acha que se eles tivessem essa bomba aí realmente faria com que os Estados Unidos parassem de atacar?
Eu acho que sim. Você vê que ninguém fala da Coreia do Norte, né? Ninguém fala. Eles têm bomba, eles detonaram. Você viu o Trump apertando a mão do Kim Jong-un? Ele apertando a mão. Ninguém respeita quem não tem bomba, cara.
América do Norte não tá— Porque o meu raciocínio parte sempre, eu não quero ser injusto, e se eu tivesse sendo injusto me ajuda, porque é Parte do princípio que o Hamas ataque Israel e aí estamos vendo 2026 com os Estados Unidos bombardeando Irã, tá bom? A Coreia do Norte, cara, não fizeram nada, estão ali sendo cuzão dentro de casa, entendeu? E eu não quero defender Israel, mas quando tem uma galera que invade o teu território lá, bota para foder, os caras são ligados em alguma medida com com aquele país e tudo mais, cria essa situação de merda, né?
Ô Igor, mas aí acho que a gente tem que separar as duas coisas.
É, eu não quero ser injusto.
Não, não, não tô, eu não tenho esse problema, cara. O que eu falo pra vocês, eu não, eu falo sempre, se eu começar a militar, eu deixo de ser analista militar.
Não, mas é porque isso tu vai falando aí, se eu tiver enganado, eu vou entendendo que merda que eu tô falando, entendeu?
Cara, eu acho que Israel tá de gaiato numa coisa que é dos Estados Unidos. Os Estados Unidos querem petróleo. Israel quer uma reformulação do Oriente Médio deixando o Irã atenuado. Eu acho que são duas coisas diferentes.
E os Estados Unidos embarcou nessa, aproveitou em certa medida uma crise no Oriente Médio para entrar e para tentar destruir.
O Netanyahu enganou o Trump, né, na minha opinião. Eles mostraram dados errados do Irã e ele foi, ele foi nessa porra. Ele é meio burrão. Ele foi nessa porra. Tanto que agora você vê que o Netanyahu tá tirando o time fora, né? Ele deve ter visto, e os próprios generais israelenses falaram, pô, cara, não dá mais, vamos deixar essa porra para lá, que é melhor essa coisa quieta lá. A gente tá menos ruim com o Irã existindo que tentando destruir ele.
Não vamos conseguir, ainda vamos se ferrar junto. Eu acho que tem gente em Israel que já percebeu isso. Então assim, eu não sei se a relação entre o Trump e o Netanyahu tá tão boa, né? Eu não sei, eu não tenho condições de dizer isso para você. Mas eu acho que o problema israelense é um, problema americano é outro, né?
Dá para os Estados Unidos saírem dessa guerra? O Trump, tu vê em algum momento o Trump falando, ih, mané, fiz merda?
Não, ele já percebeu. Eu acho que ele percebeu que fez merda, mas ele é um cara que não tem stop loss, né, cara? Eu acho que ele, como ele faliu várias vezes, alguém foi lá e socorreu ele, ele deve achar que isso daí, que ele tem, acontece em escala nacional também. É, mas eu acho muito difícil. Olha, Igor, a impressão que eu tenho do Irã é o seguinte: é muito difícil o Irã ganhar uma guerra dos Estados Unidos, mas também é muito difícil eles perderem.
Tem gente que não vai entender o que eu falei. Por quê? Porque é um país muito grande. Como é que você vai dominar aquilo, cara? Ah, eu vou, mas eu mato o líder. Mataram já, e aí? Qual é a outra? Aí vou bombardear. Bombardearam, e aí? Se rendeu? Não, camarada. É hora de você chegar e pensar, será que não vale a pena um acordo aí, uma acomodação? Porque não vai dar.
O que que acordo você acha que os Estados Unidos estaria disposto a fazer com o Irã?
Eu não sei, porque eles não vão desistir do projeto tomar o petróleo. Eles querem tomar, mas na verdade teve esse golpe em 53 que eu te falei aí. E eles são muito ressabiados com isso. Eu acho que o que o Trump poderia fazer é descongelar os bens do Irã, que tem lá, acho que tem mais de 300 bilhões. Ele descongela e tudo certo. Só que ele sabe que se você descongelar esse dinheiro, o Irã vai se armar mais. Então assim, ele começou um problema que ele não consegue resolver.
Até dia 28 de fevereiro, o Stadium estava aberto, cara. Que merda, tava aberto. Tem uma frase na aviação que eu gosto muito, Que bom piloto é um cara que jamais entraria numa situação que só um bom piloto pode sair, entendeu? Então ele não é um bom presidente, Igor, ele não é. A gente tem que olhar as coisas assim, é um cara que toma essas decisões. Você imagina ter um cara desse de chefe ou de sócio, um louco desse aí que toma essas decisões?
Pô, ele falou 39 vezes que eles ganharam a guerra, todo mundo sabe que eles não ganharam, cara.
Tamo vendo aí, né?
Todo mundo sabe, né? Então é assim, o duro dessa história toda que acho que a gente vive no mundo tão insano que tem gente que vê esse cara como estadista, né?
Tem, tem mesmo, o que é realmente impressionante.
Essa já deve ter recebido umas figuras aqui que vem dessa forma.
Ah, cara, vou te falar que tem diminuído. Olha, tem uns, tem pessoas até, ô Robson, que eu esperava que fossem ser mais estadunidenses, está no estado, vai, tem, você entendeu, né? Americanistas.
É, usa cuequinha do Navy SEAL, pessoal.
Mas é bom para caralho. Por mais, mais, é, os cara fica difícil defender o Trump, tá difícil, tá difícil para os, o que é interessante porque a gente vê uns cara fazer merda no Brasil e os cara continua defendendo. Tanto para um lado quanto para o outro. Agora o Trump, a galera tá com menos tesão para defender as merda dele, eu sinto, sabe? Tá meio difícil de defender mesmo porque tá parecendo burrice em alguns momentos.
Nós temos 200 anos de bons relacionamentos com os Estados Unidos, cara. Os Estados Unidos foi o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil, sempre teve um relacionamento excelente com o nosso, e ele tá destruindo tudo. Quer dizer, o homem é um elefante numa cristaleira, cara. O Igor, acho que você não deve procurar um problema onde não existe. Sabe, tá, tem um negócio que tá funcionando, deixa quieto, cara, deixa quieto, não mexe.
Tava bem, era um relacionamento, ele tinha superávit com o Brasil, exportava mais Brasil do que— e agora o que acontece? Esse superávit vai diminuir porque o Brasil vai acabar indo para China, é um fato.
É, a gente vai se acomodar, a gente não vai morrer de fome.
A economia é isso, você tem um fornecedor que tá te escorchando, você fala, vou mudar esse fornecedor. E cara, não dá mais.
Mas em relação ao mundo, o mundo também tá cada vez mais desconfiado dos Estados Unidos, né? Eles têm, eles têm, você que é o cara da guerra, vamos lá, Estados Unidos, eles têm uma vantagem de território pelo menos, que é o fato de estar, de ser na América. Então a gente tem, tem os oceanos, né? Então do ponto de vista é difícil para caralho invadir os Estados Unidos. Territorialmente, né?
Difícil para caralho.
Teria que, sei lá, o jeito mais fácil era invadir nós, né?
Aquilo se quebrar, vai quebrar por dentro. De fora para dentro ele não quebra, tem que ser de dentro para fora. País que nem o Brasil, Estados Unidos, Rússia, China, você quebra de dentro para fora. De fora para dentro você não quebra.
O que que tu quer dizer com isso? Eles mesmo que vão fazer a merda, que já começaram o processo da merda que vai destruí-los lá na frente.
Mas porque você tá destruindo a classe média nos Estados Unidos, né? Se você pegar, olha, eu fiz, eu uso sempre esse dado em palestras. Você pega a relação do CEO das empresas, relação salarial entre o CEO e o chão de fábrica, era 1 nos anos 70. Vai ver como é que ela tá hoje, é uma concentração de renda brutal aí, Porque o Trump fala, nós vamos gastar 1,5 trilhões de dólares com defesa. Mas o que que isso muda na vida do americano?
O que que isso muda? Isso vai ser sangrado da assistência social, você vai piorar a educação, você vai piorar a saúde, você vai piorar a segurança pública, você vai piorar tudo, cara.
É o Trump que quer essa guerra ou é os cara que ganham dinheiro com a guerra fazendo lobby?
Eu acho que Os dois, né? Ele, porque na verdade você tem, você tem dois Estados Unidos ali. A elite americana ela tá fracionada, né? Então você tem que é a elite financeira que pôs o Biden, ela tá mais ligada à parte democrata, e aquela elite mais ligada ao capital industrial, que foi o dinheiro, a turma que perdeu dinheiro com neoliberalismo, etc. E essa turma que tá apoiando mais o Trump, essa turma que vê possibilidade de bons negócios ali no do Golfo, né?
Se não fizer bons negócios com o petróleo, pelo menos vai fazer bons negócios com a guerra, né? Então é sempre o dinheiro, dinheiro para caralho, né, meu irmão?
Foi por conta da, vai, a Segunda Guerra que fez os Estados Unidos ascenderem a posição.
Mas é que tá, você tinha um presidente nos Estados Unidos que era o Franklin Roosevelt, que ele tinha uma visão estratégica, visão de futuro, cara. Tanto que é no governo dele que é criado a ONU, né, a Carta das Nações. Ele ficou do lado certo da Segunda Guerra Mundial, ele olhou para o andar de baixo, ajudou muita gente. O Trump não tem essa, ele nunca vai ser um Franklin Delano Roosevelt da vida, ele tá muito longe disso. Ele precisaria evoluir muito espiritualmente para chegar a ser um FDR na vida.
E você vê, né, ó, o chinês, ele tem uma frase que eu acho maravilhosa, que nenhuma fortuna atravessa mais que 3 gerações. E é verdade. Então você vê, o Franklin Roosevelt morre em 45, deixa os Estados Unidos ricos. Aí você vê o Lyndon Johnson já começa a depauperar essa fortuna. E a gente tem esse quadro hoje que tá aí, cara. Você tem crise de doença de Chagas no sul dos Estados Unidos, teve uma recente crise de doença de Chagas.
O barbeiro, bicho, né?
Pô, cara, então assim, porque decisões erradas, gastaram com guerra. Ou igual a guerra, ela tem um problema, ela Isso eu sei assim desde que eu entrei para as Forças Armadas. Ela é concentradora de renda. Sim, ela é concentradora. Você vai jogar todo o dinheiro onde? Defesa, indústria de armamento, empreiteiras, etc. Você vai sangrar o cara lá da base. Ó, você vê, você pega esses seriados de TV, eu adoro seriados antigos, né? Baretas, SWAT, essa porra, que foram todos feitos na mesma época.
Época, uma época de grande violência nos Estados Unidos, com os anos 70. Mas por quê? Porque já é reflexo do empobrecimento pós-Guerra do Vietnã. Aquilo empobreceu muito.
Isso foi tão— pelo que eu tô entendendo aqui, a Guerra do Vietnã foi o ponto inicial da grande merda dos Estados Unidos. Foi, porque na guerra em 1967, você, como é que os americanos vêm Desculpa, eu te perguntasse depois.
Em 1967, 9,6% do PIB americano ia para guerra, para defesa. 9,6% do PIB, que ninguém aguenta isso, cara. Ninguém aguenta isso daí. Você vai empobrecer a sociedade.
Mas como que os americanos, assim, eles engolem essa? Eles sabem que o Vietnã foi a origem de todas as suas mazelas? Porque assim, Eu sei que os americanos estudam nas escolas, por exemplo, eles estudam a história dos Estados Unidos. O que eles estudam sobre o mundo são coisas que tangenciam a história dos Estados Unidos. Então, por isso que eles se enxergam como o centro do mundo, etc. Eu estou falando do excepcionalismo americano.
E isso tem um lado bom e um lado ruim. O lado bom é um forte capital social. Eles se enxergam como uma nação. Você consegue, um americano, goste disso ou não, ele consegue te dizer o que que faz dele americano, que seja um imperialista filha da puta, mas eles sabem o que que faz dele um americano, né? E é interessante ver essa relação porque eu fiquei um pequeno período da Copa do Mundo lá e é interessante vê-los percebendo que existem coisas no mundo que não são americanas e que o mundo inteiro se interessa, entende?
Para eles, só as coisas americanas é que as pessoas se interessam. Ué, Copa do Mundo, as pessoas gostam de Copa do Mundo? Eu não sei nem o que que é isso, sabe? Para eles é meio chocante isso. É tudo isso para dizer que eles estão, essa mentalidade deles é construída, né? E tem então um aspecto na, até na educação, na forma como a sociedade é criada que dá para eles uma sensação de polícia do mundo ou de centro do mundo, de certa forma.
E é por isso que eu tô te perguntando como é que, se eles têm alguma ideia do fracasso que foi o Vietnã, é porque com essa visão tão orgulhosa de si, qual será a história que eles contam para si mesmos sobre o Vietnã?
Eu acho que não se fala muito disso, né? Como na Alemanha não se fala do nazismo, né? No Japão também não se fala dos crimes de guerra, né? Mas assim, o Igor, é, as pessoas não percebem, é porque a coisa não é de uma vez, isso não vai acabar de uma vez. Teve a lambança do Vietnã, o Nixon sai do padrão ouro, eles entram no padrão petrodólar, deu uma levantada, etc. Só que é repetir o erro. Aí vem Guerra do Golfo, Guerra do Iraque.
A Guerra do Iraque, do Afeganistão, custou, não se sabe o custo, calcula-se entre 4 e 8 trilhões de dólares, não se sabe o custo. Custo. Não se sabe o custo, é uma verdade. Tem um seriado na Netflix chamado, muito bom, é, como é que é, Ponto de Virada, na Netflix, fala da guerra do Afeganistão. Foram entre 4 e 8 trilhões de dólares.
E o desfecho é em alguma medida favorável para os Estados Unidos?
Você viu como eles saíram de lá, cara, saíram correndo. Não, o que é pior, né, o general que comandou a retirada é o Scott McKenzie. Ele deu uma entrevista essa semana, como é que, olha só, eu não vi essa entrevista, como foi? Não, ele fala o seguinte: ele comandou o desastre, né, que foi um desastre a retirada americana. Acharam o resto de gente no trem de pouso do avião quando pousou no Catar, né, ficando desse aí, porque o nego sai pendurando no avião.
E agora ele quer invasão do Irã. Eu falo: puta que pariu, errar é humano, persistir no erro é americano. O cara é um idiota completo. Então assim, é o Scott McKenzie. Eu acho, eu vejo dessa forma: foram dilapidando o patrimônio em guerras, guerras inúteis. E aí foi acabando, cara, que essa época o dinheiro acaba, velho, o dinheiro acaba.
Quem que é o— eles que são a ponta da tecnologia militar nos Estados Unidos?
Eu acho que hoje já não, porque na verdade o que que mudou a tecnologia militar? Pessoal acha que é o drone. Não, não é, cara. A grande sacada é o microchip. Isso que mudou tudo foi isso, é o semicondutor. Isso que mudou tudo.
Eles são foda no chip, não são os americanos?
São. Esse que é meu negócio. O problema é que você— o problema é que eles são fodas, uns chips bons para caralho. Só que eles têm que vender, né? Olha o que que a Rússia tá fazendo. Eles pegam esses chips, essas placas da NVIDIA, essas fodidas mesmo, as mais fodas da NVIDIA, e eles botam naqueles drones Shahed do Irã. Então o que acontece? O drone decola. O iraniano, ele fez o drone com motor de motocicleta. O russo comprou o ProFlow.
Eu posso melhorar isso aqui. Aí colocou o motor a jato, depois colocou um terminal de Starlink. Agora, agora eles colocam essas placas da NVIDIA. Só que assim, que que o drone faz quando ele tá chegando no território inimigo? Ele corta a comunicação satelital e o cérebro dele começa a ler o terreno, ler o terreno. Então ele compara com as informações de mapa e ele mesmo vai se guiando. Então não adianta você jamear ele equipamentos, que ele é independente, ele sabe o que ele quer, você não vai conseguir jamear ele.
E aí se ele vê, por exemplo, ele vê um veículo na estrada, que esses processadores são foda, ele vê lá, ele olha, aquilo é um Volkswagen, não é um tanque de guerra, deixa quieto. Aí daqui a pouco ele vê, opa, aquilo ali é um veículo de tração de artilharia, ele vai para cima. Então eles compram essas placas através de terceiros aí e usam para isso.
É um equipamento que é muito difícil de tu contra-atacar, né? Porque como tu só com bala, né? Só dando tiro, só destruindo ele fisicamente, né?
Aquilo na final vem para cima de você a 300 km/h com 40 kg de explosivo, não tem nem muito o que fazer, né?
Mas essa é a principal arma de guerra hoje em dia?
Não, não é que você tem armamento, porque na verdade o pessoal tinha medo, né, do uso da IA na guerra, mas estão usando IA, velho. Então, porque aí é IA que vai determinar se aquele veículo, com certeza, se é um Volkswagen ou se é um tanque de guerra, e ela vai para cima. Eles estão usando isso, os caras usaram, falou: vem cá, essa placa dá para fazer isso aí.
Caralho, estamos quase vivendo no Black Mirror, meu irmão.
Não, gente, você lembra aquele filme Exterminador do Futuro? Então é, a gente tá indo para esse futuro distópico aí, né, cara.
Calma, mas é daqui a um tempão, se Deus quiser.
Já tá aí, Igor, já estão usando a inteligência artificial, ela já chegou no combate. Porque qual era o problema que eles tinham? O ucraniano, eles têm um sistema de guerra eletrônica muito bom, muito bom, cara. Guerra eletrônica, você só sabe o quê? O dia que você passar por isso. Eu tava uma vez em Moscou e nós saímos para almoçar num restaurante soviético que tem lá. Na hora que a gente saiu do metrô Eu fui ligar para um amigo meu para pegar o endereço, aí não conseguia falar, pô, não conseguia, não dava sinal de nada.
Tentei pegar um táxi, o taxista também que era da Tadique, não conhece a cidade, sem GPS você não vai porra nenhuma. Aí, puta, a gente não teve outro jeito, né? A gente conseguiu achar o restaurante, almoçamos, então precisamos voltar para o hotel de metrô. Aí que a gente descobriu, teve um ataque de drone em Moscou, eles têm um sistema de guerra eletrônico foda. Aí acionar a guerra eletrônica para desviar os drones. Só que esses drones novos aí com esses chips, mesmo que você acionar a guerra eletrônica, ele continua buscando o alvo, cara, porque ele é independente.
Então esse é o nível, esse é perigoso para cacete. É assim, nós vamos chegar num tempo que, porque na época que eu entrei, que isso é difícil explicar para o militar, Quando eu entrei nas Forças Armadas, o que que era um soldado? Era aquele cara forte, nem forte, nem tanto, mas mais resistente, que devia correr, atirar, etc. Que que é o soldado hoje?
Essa galera que fica no computador, cara.
Esse cara que é bom, esse cara que vai matar, esse cara é o nerd. Desculpa, né, vocês não são nerd não, tá?
Quem diria, hein, Vitão, aquele teu tirinho de guerra de merda lá em Curitiba, hein?
Mas é esse Esse cara aí, Igor, esse cara que, porra, salve para os amigos do Tiro de Guerra lá de Curitiba. Mas esse cara, esse hoje em dia, aquele garoto que sabe operar, um, pô, esse cara aí tem um puta de um valor, cara. Todo mundo tá dando valor para esses caras. Esse é o soldado. Então assim, tem gente que não tá entendendo que a guerra mudou. Outro dia eu vi um cara falando assim para mim, eu coloquei esse argumento, né, aí um oficial falou, não, porque você pode convencer esse argumento um cara que não tem experiência, molecada nova, aí que sou puta velha, você não vai convencer.
Eu falei, mas meu amigo, o problema de você e eu é que a gente tá mais próximo ou de uma cadeira de rodas, ou de um asilo, ou de um Alzheimer, ou de uma tumba, porque o mundo é deles, o mundo é dessa galera. Eu gosto de vir aqui que eu sei que você fala para um público jovem, porque a gente tem que entregar o mundo para essas pessoas, porque eu já já eu vou embora, cara, eu tô pela compulsória já. Então a gente tem que deixar um mundo bom para essa turma aí, bichão.
E é o mundo deles, é a verdade, tem tem gente que não tá entendendo, não tá entendendo.
O padrão de recrutamento das Forças Armadas precisa mudar, a nossa visão de guerra precisa mudar, a nossa, o nosso próprio, assim, é a nossa filosofia de compra de armamentos precisa mudar. O Irã não tem força aérea, cara.
Ué, mas tu acha que o Brasil, tu acha que a gente presta pouca atenção à nossa própria defesa? Porque assim, no nosso entorno, a gente, entre aspas, a gente goza de uma certa uma segurança aqui, e até um pouco semelhante à que a gente tava comentando dos Estados Unidos lá, que a gente tem uns oceanos aqui. É claro que a gente tem países vizinhos, mas a gente é meio amigo de todo mundo, a gente não tem grandes problemas com ninguém aqui.
A gente devia, na tua opinião, tá prestando atenção também nessa, nessas tecnologias de guerra?
Claro. A grande fragilidade do Brasil, todas as guerras que o Brasil se meteu até hoje começaram na água, você sabe disso, né? Até a Guerra do Paraguai, que apresaram aquele navio Marquês de Olinda, acho que foi no Rio Paraná, não lembro bem agora. Mas todas as guerras do Brasil começaram na água. Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, invasões francesas, todas as guerras do Brasil começaram na água. Então a gente tinha que olhar um pouquinho mais para o mar, né, velho?
A gente tinha que olhar um pouquinho mais. E a gente, eu acho que a gente não olha, porque você vê o caso do Irã, a Marinha Americana não consegue chegar perto, né, porque eles têm drones e mísseis ali. Então acho que a gente tem que olhar assim, a gente tem que ser realista, o mundo mudou e ele não vai voltar a ser o que era. A pasta não vai voltar para o tubo, verdade, sabe?
O gênio não vai voltar para lâmpada, não vai, tá solto aí.
E eu acho que a gente tem que olhar isso não como um problema, mas como um desafio futuro. Porque é o que eu falo sempre, a gente tem que tomar decisões pensando nessa galera, porque quem vem aí, cara, a gente, pô, o nosso, o nosso papel social eu acho que já foi cumprido. E a gente tem que pensar no futuro, nessa turma, o que que a gente vai passar para esse pessoal, né? E são desafios enormes, a questão de aposentadoria também, como é que vai ser isso daí.
Então como é que tu acha que a gente tá Tu acha que a gente tá num bom caminho nesse sentido de prestar atenção nessas novas tecnologias? Porque, por exemplo, a gente tava pensando, a gente tava, eu não sei em que pé que tá, mas tava se discutindo uma legislação do que tem a ver com inteligência artificial. E uma das coisas que tava se debatendo era se a gente poderia trabalhar com inteligência artificial em coisas que poderiam ser armamento.
Por exemplo, drones, né? Se a gente limita e diz que não, a gente vai ficando cada vez mais para trás, porque outras nações, o faraó, e a gente inclusive que perderia espaço com a Embraer, que é uma puta empresa foda nesse sentido, né? Então aqui entra inclusive em conflito, é, sei lá, cara, razões éticas ou econômicas, tudo isso entra num balaio complicado. Na tua opinião, a gente tá no, a gente tá num caminho bom no que tem a ver com se manter atualizado com essas tecnologias, inclusive de inteligência artificial, no que tem a ver com armamento?
Tu falou que a gente não presta muito, deveria prestar mais atenção no mar, né? Mas, mas, e em outros sentidos?
A gente não tem planejamento estratégico, vamos ser sinceros, né? É verdade, porque o problema da inteligência artificial artificial é o seguinte, qual é o problema? É que quem desenha ela estabelece os parâmetros. Então se eu tiver uma inteligência artificial que diz que o Igor é mau, toda pesquisa que for feita vai dizer que você é mau. É verdade, esse é um fato. Então a gente teria que ter uma inteligência artificial própria, porque essa inteligência artificial vai mudar a cabeça dessa molecada.
Eu falo porque eu faço muita pesquisa, às vezes eu monto um roteiro para um vídeo, uma coisa, ela me manda, eu mudo todo o relatório. Eu falei, isso aqui não é verdade, esse aqui não é outro, também não é assim, não é assim, não é assado. Eu não, eu não filtro, cara. Então acho que esse é um problema. A gente precisaria ter um problema, um programa próprio de inteligência artificial. Você quer ver outra coisa que esse país estão partindo?
O Irã não usa o Waze, cara. Eles têm o programa de satélites próprio deles. A China não usa YouTube e Instagram, eles têm os sistemas deles ali voltado para a realidade dele. A Rússia, a mesma coisa. Porque o que que eles perceberam? Esses programas vão fazer a cabeça dos nossos jovens e vão criar uma disrupção aqui dentro, vão criar uma bagunça que a gente não quer. A gente tem uma sociedade harmônica e a gente não pensa nisso no Brasil, né, cara?
Não. E a gente não só não pensa, como chama isso de liberdade. E eu não tô aqui para dizer que que tá certo, que tá errado. Mas o fato é, a gente chama isso, essa aceitação a influências externas, de liberdade, né? No fim das contas, isso adiciona, na minha opinião humilde e ignorante, que isso adiciona em alguma medida para miscigenação que o Brasil já é. A gente já é um coletivo de experiências, né?
E é até uma vantagem a gente ser assim, a gente se aceita, né? A gente é uma coisa bacana do brasileiro. Ele se acidentou, mas o problema que eu vejo não é esse aí. Quando se fala em liberdade aqui no Ocidente, é, camarada, vamos lá, quem tem liberdade? Eu volto àquela frase do Rubem González: a liberdade é liberdade econômica. Camarada, quem tem liberdade no Brasil é quem pode pagar um plano de saúde, quem mora no condomínio fechado, tem acesso a uma boa educação.
E a gente teve, senão a gente não estaria aqui agora. Essa aqui é uma verdade. Bem ou mal, a gente é uma elite, embora não se assuma, mas é uma verdade. Você fala para milhões de pessoas. Agora, e a média? Será que o cara lá na base tem liberdade? Ele tá brigando por liberdade que nem sabe. Verdade, ele não sabe qual é essa liberdade. A democracia brasileira para 20% da população, meu amigo. A gente tem uma democracia do padrão da Grécia Antiga, é o padrão da Grécia Antiga. 20% ali manda e o resto é escravo.
É um fato. O cara acha que ele tem liberdade, ele não tem. A liberdade dele é votar Vai votar ali no fulano e vai eleger o Beltrano sem ele saber e acabou. Se ele morar numa área do CV, ele não vai visitar o parente do terceiro comando, tá tudo certo. Então é muito questionável a liberdade que a gente tem aqui, é questionar, é altamente questionável, meu camarada. Porque você quer ver uma coisa? Você vai eleger um Congresso novo que não vai mudar muito a tua vida, porque em boa parte do tempo o Congresso legisla contra as pessoas.
É verdade, o Congresso legisla contra as pessoas, esse é um fato. Você vê, você pega, vamos pegar os Estados Unidos, a democracia americana. Olha só, cara, o Congresso não para a guerra do Trump. Qual o interesse dessa guerra para o americano médio que tá pagando mais caro pela gasolina na bomba? Então assim, é muito falacioso essa democracia que nós temos. Eu não digo que ela deva acabar, não. Mas ela precisa de reformas. Enquanto essas reformas não acontecerem, as pessoas vão viver cada vez pior.
Então deixa eu te provocar numa coisinha, ó. Lá na China, ele, o Partido Comunista, ele já tá no poder há muito tempo e não existe um horizonte onde ele saia do poder, porque os próximos governantes, só se ele pisar muito na bola, isso, né, que não parece ser o caso. Né? Então não tem ninguém falando de revolução na China nesse momento.
Se tiver, né, bom, não é uma democracia no nosso, assim, na nossa concepção não.
Por que que eu tô dizendo isso? Exato, é na nossa concepção não. No fim das contas, eles votam nos cara que são mais ou menos já pré-determinados.
O Partido Comunista não é o único, hein? Eles têm uns partidos lá, estão 7 partidos no total, 6 ou 7.
O meu ponto, vê se eu tô maluco, o meu ponto é o seguinte: os chineses sabem exatamente quem estará no poder daqui a 50 anos. Vai ser mais ou menos a mesma galera, vai ser os descendentes, vai ser mais ou menos o mesmo grupo de ideias. Sendo assim, eu posso colher os frutos políticos ou qualquer coisa, se é que existe esse tipo de pensamento, daqui a 50 anos? Porque sou eu ou a minha galera que estará no poder daqui a 50 Não é verdade isso em democracias, vou chamar de mais voláteis, são as ocidentais, como sei lá, nos Estados Unidos lá aconteceu uma coisa esquisita que era, porra, o Trump não se reelegeu da primeira vez, o que era uma coisa absolutamente incomum.
O previsto é um presidente entra, ele se reelege, e aí então ele sai. Que nem aqui no Brasil, a gente é uma democracia que já passou 2 impeachment, né, e começamos outro dia. Então, como é que a gente conseguiria— isso é uma provocaçãozinha mais política do que lógica— que é o seguinte: como é que a gente conseguiria, por exemplo, fazer um plano sério de educação para educar para valer o povo, para o povo ser capaz de, porra, sei lá, até na mais básica das coisas, votar com mais consciência, ou coisas que realmente façam sentido, que funcionarão, porque a gente já viu experiências em vários lugares aqui, mas a gente não faz porque ela não gera frutos políticos imediatos.
Lugares que não são, entre aspas, democracias, aqui eu tô falando da China, conseguem fazer esse planejamento. Aqui no Brasil não dá, porque a gente tá o tempo inteiro brigando para ver quem ganha, para ver quem é a Miss da vez, né? E aí, cara, era melhor que a gente tivesse só um lado mesmo?
O Igor, bem simples isso que você perguntou. Tem uma resposta que não deve dar uma frase. Não há nada errado com a nossa democracia. O único problema é que ela foi sequestrada pelo poder financeiro.
Esse é o único problema. Então a gente tem uma, então a gente de certa forma a gente tem então uma ditadura do poder financeiro.
E o pessoal não percebe, você tem a falsa ilusão de que você vai eleger um deputado que você vai eleger um presidente que os poderes dele são limitados. O cara, quando senta naquela cadeira lá no Planalto, ele divide poder com STF, com Congresso, com imprensa, com ONG, com os militares, com Banco Central, com Faria Lima, e por aí vai. Ele divide poder com essa galera, ele não tá sozinho. O partido na China tem uma pequena diferença.
Você lembra daquele cara, o Jack Ma, né, do Alibaba? E aquele cara é um gênio, cara. Você sabe que ele sumiu uma época, né? Porque ele tentou se aventurar em política. Olha, nós visitamos, eu e o— você já entrevistou a galera do Três Irmãos? Não. Traz esse pessoal aqui, você vai gostar, é só umas figuras. A gente foi numa— o Rodrigão é o seguinte, tudo quanto é canto ele queria filmar. Falei, esse cara tem uma energia para 3 horas da manhã ele fazendo vídeo lá na China.
Aí nós entramos numa igreja, fomos ver uma igreja. É o seguinte, cara, eu vou falar, não tem liberdade religiosa na China? Tem. A igreja tá aberta, nós entramos lá, conversamos com o pessoal, etc. Você só não pode pregar política na igreja, é o que você não pode. Agora, você quer professar tua fé, não tem problema. Eu vi templo budista, eu vi sinagoga, eu vi igreja católica, tem tudo quanto é tipo. Porque o que eles não querem é o seguinte: olha, cara, a política deixa com a gente, a gente faz a política dentro do partido.
Porque o que que eles viram ao longo dos anos? Os padres ferraram com a vida do chinês, cara. O nego usou a religião para dividir o país, é É um fato. Eles aprenderam com isso, falou: a gente não quer mais isso aqui. Eu vi esses dias um milionário chinês falando uma coisa que é verdade. Aqui na China você não pode mudar de partido, mas o partido pode mudar a política dele. No Ocidente você pode mudar do partido, mas a política nunca muda.
Ó, o Biden, qual era a política dele? Vamos lá, vamos pegar antes do Biden, Obama, e antes do Obama, Bush pai, Bush filho, guerra do Afeganistão, guerra do Iraque. Iraque. Vem Obama, guerra do Afeganistão, guerra do Iraque. Aí entra Biden, guerra da Ucrânia. Entra Trump, guerra do Irã. Que que o povo americano, quer dizer, o que que mudou? O que que mudou? Não mudou nada. A Sandy lá de Oklahoma, que não tinha dinheiro para pagar o tratamento de câncer dela, vai continuar sem dinheiro, porque o dinheiro dela foi para o Iraque, foi para o Irã, para essas guerras aí.
Então eu te pergunto, cara, que democracia é essa, né? Porque ela foi sequestrada por interesse. O americano, se você for ver, ele tá mais, é mais explícito o sequestro, o sequestro do erário americano do que aqui, cara. Ô Igor, é, os escândalos financeiros do Pentágono, escândalo de roubalheira, você não tem noção, cara. Eu trabalho com isso daí direto, eu vejo isso daí 24 horas por dia. Eu, quanto esses caras roubam, cara, é impressionante quanto eles roubam mesmo.
Eles têm uma coisa lá chamado porta giratória. Que que é porta giratória? O cara é oficial das Forças Armadas, ele já sai para ir para o emprego na defesa, na indústria bélica, porque ele tem os contatos, ele conhece tudo, ele chega lá e vai facilitar as vendas. É a porta giratória deles.
E é uma indústria de que você falou, que a guerra lá no Afeganistão, os cara tão estimando muitos trilhões de dólares, sim, que é um dinheiro que ele apenas na economia do país, daquela sociedade, ele é um dinheiro que não é que ele evapora, mas ele concentra numa elite que é quem faz, quem, quem vende o armamento, né?
Ó, vou te contar uma história. Tem um documentário do Michael Moore, ele, esse cara é um filho da puta, que ele fez dois documentários com o mesmo nome. Você, com ele, não sei se é o 9/11, 11/9, eu não sei. Você acha aí, você vai ver. É um que ele fala da guerra do Iraque. Ele mostra quem da guerra do Iraque, o Michael Moore. Aí ele tem uma cena lá que é interessante. O cara conta o seguinte: ele era sargento de um batalhão de suprimentos dos Estados Unidos e ele fazia uma rota no Iraque para levar combustível.
Ele trabalhava para o exército. Aí ele falou: olha, eu ganhava tipo $3.000 por mês. Aí um colega meu que era sargento também saiu, foi trabalhar para uma empreiteira, fazer a mesma rota, ganhava 6 vezes mais. Então quantas empreiteiras estão ganhando, cara, total, isso aí? Quanto que elas estão ganhando? Então, corrupção assim, não tem nada de errado com a democracia se você tiver do lado certo. Se você tiver do lado certo, que tá ganhando dinheiro, que tá bem ali, teu dinheiro tá aplicado a 15% ao ano ali, Pô, cara, aí tu vai amar, é a melhor democracia do mundo.
E eu até entendo, eu falei outro dia para um amigo meu, eu falei, cara, eu entendo o cara que tá nessa ponta, ele defender que as coisas têm que continuar como estão. Falei, eu não entendo você que tá fodido não querer mudança, eu não entendo. Ele eu entendo, ele tá mais, é certo mesmo, cara, o cara tá se dando bem, cara, tem que ser conservador mesmo, tá com uma grana, tá com lancha, tá comendo gente, tá com carrão, tá aí, porra, ele tem mais.
Fala, foda-se, vai ficar assim, tá tudo certo. Falei, eu entendo ele, eu entendo é você, cara, tá fodido aí, entendeu? E é o papo reto, mas é essa a verdade. Você que tá me assistindo aí, meu camarada, eu falo sempre o seguinte: se você tá bem, você tem 10 milhões do banco, tá aplicado ali, você tá tirando um pau e meio aí já descontado imposto por ano de juros, meu amigo, reza para nunca mudar porra nenhuma. Agora, se você tá fodido na vida, meu amigo, você tem que pedir por mudanças. É um fato, porque é o único direito que você tem na vida, é votar, mais nada.
E ó, você tava falando que na China lá tem liberdade religiosa, estava falando como no Irã você viu lá também umas sinagogas, e que tu também mencionou que padres encheram o saco da sociedade chinesa lá. Cara, qual que tu acha que é o papel da religião nessas sociedades? Por exemplo, na formação, não na formação, mas na maneira dessas sociedades se enxergarem. Eu tô falando especificamente de um troço que eu tava lendo outro dia, de como teria sido um projeto que o Brasil ou América Latina fosse bastante evangélicos, porque eles têm algumas questões que têm a ver com protestantismo, tem a ver com individualismo, tem a ver com uma formação de cultura mais, vou chamar de, à direita, tá?
Porque, por exemplo, quando a gente vai nas favelas, lá no Jacarezinho, onde eu ia, onde eu ia direto, onde eu morava, é muito um monte de, um monte de igrejinha. Minha mãe inclusive é numa Nova Vida do Jacarezinho, entendeu?
E essas pessoas, essa porra aí, conheço tudo já.
Então essas pessoas, elas são essencialmente de direita. Não é curioso isso? Que assim, essas pessoas, elas são essencialmente de direita por conta de algum— e aqui eu tô te perguntando o que que tu acha— é por conta de alguma, de um jeito de pensar que oriundo de uma religião, sabe, a salvação é individual e tudo mais, a teologia da prosperidade, um jeito de pensar a religião forma essa cultura. E tu, eu tô viajando, ou isso faz, tem um impacto profundo, por exemplo, em hoje a gente ter um montão de pobre de direita, por exemplo.
Não que seja essencialmente errado, mas é É comum entrar numa igreja e perguntar se os caras são direita ou esquerda, o cara falar mais à direita. Eu vejo com muito mais frequência.
Não, mas que a direita comunica melhor as necessidades do povão, né? Isso não tem a menor dúvida. Opa, eu não tenho dúvida disso. Eu acho que a direita entendeu bem, assim, as necessidades das pessoas, o que o povo quer efetivamente. Eu costumo dizer o seguinte: problema do Brasil, problema político do Brasil, que você tem uma uma esquerda sem povo, uma direita sem escrúpulos, tá, e um povo sem direitos. Aí, meu amigo, não tem, porque o problema da esquerda é, eu tava vendo o seguinte, por exemplo, ontem no meu bairro, pô, pessoal torcendo contra Argentina direto, tal.
E você tem que entender que se a galera tá pensando assim é porque isso é o povo, cara. Povo não vai Igor, povo não vai mudar. O chinês não mudou nada com o comunismo. Mete isso na tua cabeça. O chinês não mudou porra nenhuma com o comunismo. Ele, para eles, o Xi é mais um imperador lá que tá lá enquanto ele tá ganhando a vida dele. Olha, eu, nós paramos na Praça da Paz Celestial, 16 graus abaixo de zero, que a gente desceu do ônibus, encostou um cara com uma motocicleta, aquele frio do caralho.
O cara, aí ele abre, tinha tudo Eu comprei um gorrinho do exército chinês, tinha tudo. Você acha que esse cara tá ligando? É desse jeito, um frio do caralho. Você acha que esse cara tá ligando para comunismo?
Acho que não, acho que não. Acho que tem uns cara larga dinheiro para caralho, não tô nem aí para comunismo. Eu acho que só um nome no fim das contas.
Eles não estão, é sério, cara, eles não estão. Olha, tem uma mulher que eu passei na barraca dela, eu tive que comprar um cachecol para mim Depois eu perdi, não sei quem que levou aquela porra, porque ela me encheu tanto o saco que eu falei, eu tenho que vender, comprar esse negócio para ir embora daqui, porque senão eu tô ferrado. Mas eles não estão nem aí. O que eu quero colocar, voltando à vaca fria, vai, vamos falando de Brasil.
Povo não muda, cara. Aí eu vi uma galera criticando, não, porque um povo alienado e tal. Foda-se, cara, esse negócio é cultural do brasileiro sacanear o argentino, faz parte da da nossa, do nosso, dessa maneira de viver, de enxergar o mundo.
Brasileiro e adulto torce para Argentina, um tapa de costas de mão assim, ó. Mas é brasileiro adulto, torce para Argentina, tapa de costas. Ah, o Messi, pau no cu do Messi, entendeu? Messi argentino, não pode torcer para o Messi, acabou, porra. Não, mas não é nada contra, não é tudo contra, pau no cu do argentino.
É isso, não é que você tem algo contra Argentina, é que é nosso, é aquela guerra do brasileiro. Aquela piaça em dente, você sabe disso, tu é carioca, né, malandro? Eu fiquei quase 3 décadas naquele teu estado, eu conheço bem a turma. Então conhece filha da puta, mas eu acho que hoje eu sou muito mais carioca do que catanduvense, que eu fiquei, porra, décadas lá. Então assim, cara, é, não vai mudar isso daí. Eu vi a gente criticando, eu falei, por isso que vocês perdem eleição, cara.
Vocês têm que entender o povão, vocês têm que chegar na alma das pessoas. Então eu acho que o problema é exatamente esse. É, não é que o cara é de direita, é que a direita entendeu melhor ele, né? Você vê, o Lula ele comunica bem com evangélico, mas uma boa parte da esquerda não faz isso. E precisa, precisa resgatar, precisa resgatar o evangélico, precisa resgatar o chão de fábrica, precisa resgatar os militares. Eu acho que a esquerda ela tem que ter uma linguagem mais povão.
Eu acho assim que eu sou um cara de centro para centro-esquerda, eu acredito em trabalhismo, eu Eu acredito em sindicato, eu acredito em nacional-desenvolvimentismo, tá? Eu acredito nessas coisas todas, mas eu acho que o erro da esquerda brasileira, o grande erro, foi querer copiar o Partido Democrata americano. Importaram pautas aqui, aí o pessoal começou a se passar.
Verdade total isso aí, cara. Várias pautas os cara importaram.
E aí isso fudeu tudo, cara. Fudeu tudo.
Fudeu mesmo, mesmo, porque perde a identidade, perde a conexão, perde a conexão, perde Eu sei que é, todo mundo cita, mas porra, aquele discurso do mano Brown lá, puxa, cara, porra, meu irmão, você tem que voltar para base.
Que é verdade, ele tá certo mesmo, né, caralho, ele tá certo. Olha, cara, esse negócio, essa palavra que você falou, conexão, é uma das coisas mais importantes que existe. Eu vou te dizer, por exemplo, meu público lá no Arte da Guerra, que é um pessoal sensacional, eles são maravilhosos, cara, é uma verdade. Eu devo muito essas pessoas, eu adoro eles e sabem disso. Brigo, tem dia que eu dou, pô, rego hoje mesmo, eu Pô, deu vontade de esganar esse cara.
Mas é um carinho que eles têm com a gente que é maravilhoso. Então assim, no Natal eu faço live, no Ano Novo, por quê? Porque eu sei que tem gente que 8 horas da noite só tem aquele canal, ele não tem mais nada, ele tá sozinho no mundo, às vezes ele e um gato. Então eu entro, desejo bom Natal, falo como é que tá a situação no Oriente Médio, na Ucrânia e tal. Um excelente Natal para você, a gente tá sempre Porque eu não posso perder essa conexão, cara, que é a coisa mais importante da vida.
E eu acho que foi isso que a esquerda perdeu com essa base, perdeu essa conexão.
Aí é, eu também acho, eu acho que é. Mas aí também, já que a gente entrou nessa, é uma coisa que a galera acusa bastante a esquerda e o Lula, é que ele não criou ou não deu espaço para que surgisse em alguma medida um um outro Lula. Com certeza não dá para você fabricar esse cara, ele surgiria naturalmente, mas dá para tu dar uma esmagada mesmo nesses caras aí quando ele surge. Por outro lado, aí eu vejo hoje uma dinâmica lá do outro lado entre os Bolsonaros, que eu vejo, por exemplo, o Bolsonaro ele elege o Flávio para ser o seu representante nas eleições.
Que talvez não fosse o melhor nome, política, não politicamente, mas tecnicamente falando. Porém, o risco de abrir mão de um capital político era grande demais ao apostar no nome fora da família, né? Então vamos lá, por exemplo, exemplo apenas, por exemplo, vamos dizer que o Bolsonaro ele indique o Tarcísio. O Tarcísio, vamos dizer que ele faça um bom trabalho, cadê o capital político da família Bolsonaro migra todo para o Tarcísio.
Isso é um problema, né, para quem tem, para quem gosta de poder e tudo mais, isso é um problema. E aí eu fico vendo, pô, o Lula sabendo que isso poderia acontecer, sabendo inclusive que ele é um político experiente, eu entendo não formar uma nova ou deixar surgir uma nova liderança política, porque no fim das contas o cara vai levar o teu capital político embora, tu vai ficar fodido.
Mas você sabe de uma coisa? Eu vou te falar um negócio. Sabe que eu fui candidato, né?
Foi candidato a quê?
Eu fui deputado estadual e depois a vereador. Eu tive 18 mil votos.
Caralho, meu irmão! É até que é bastante pelo PSDT.
Não, pelo PDT.
PDT.
Não tinha dinheiro, não tinha nada. Até que foi legal. Só que eu não vou mais me candidatar a nada. Já falei, pessoal, tal. Por dois fatores. Primeiro fator é o seguinte, é, você sabe que eu tive envolvido aí durante muito tempo na luta pela Vibraz. Graças a Deus a empresa voltou aí, tá andando sozinha agora. E daí ia ter gente que ia dizer, ah, mas ele se candidatou, ele fez isso pela Vibraz só para se candidatar. Então quem for usar esse argumento aí pode tirar o cavalo de baixo do chão, que não vou ser candidato a mais a porra nenhuma, tá?
Vai tomar no teu cu aí, porque Isso aí não tem nada a ver comigo. Eu fiz porque eu achava que era o certo a fazer.
E deu certo, inclusive, né?
Graças a Deus. Mas muito mais graças aos heróis, são sindicatos. Você entrevistou os caras do sindicato?
Não.
Você tem que entrevistar essa turma, cara. Pessoal bom para caralho. Vou te passar o contato depois para tua equipe aí. Você vê o dia que você quiser, fala com eles, que vale a pena. Essa é uma coisa. Então, para não dizer, ah, ele ajudou a Vibraz que queria ser candidato. Picas, picas, cara. Para mim, tanto faz. Até porque eu não sei pedir voto para ninguém. Eu falo, você quer votar em mim, vota. Você não quer votar, problema É, mas a outra coisa é o seguinte, tá fodido.
Sabe o que acontece, Igor? Eu acho que o problema da política é que sobra vaidade e falta caridade.
Com certeza, sabe?
Tem um cara que eu gosto muito dele, admiro muito, que ele me ajudou muito nessa luta da Vibraz, que é o Boulos. E a gente se encontrou aqui em São Paulo para justamente para deslilhar as bases dessa campanha. Eu falei para ele uma vez, falei, Boulos, Qualquer projeto político que não tenha como base a compaixão, ele vai fracassar. Então nunca esqueça disso, cara. A base é a compaixão pelas pessoas. Então é uma das coisas que me levou a afastar da política, exatamente isso.
Eu vejo muita vaidade ali, não vai ter caridade mesmo, né? Não tem. Ele é um cara, é um cara, acho que valia a pena o Lula investir nele. É um cara carismático. Mas não sei, a gente não sabe o que é o dia de amanhã.
Acho que era dele que eu tava falando, inclusive, quando eu sinto que poderia ter rolado um pouco mais de espaço.
Eu também, até porque é um cara novo que vale. Mas sei lá, é muito cedo ainda para a gente dizer.
Eu acho que é complicadíssimo. E esses cara tão jogando um jogo que às vezes nem ele e nem eles mesmos entendem. Essa que é a verdade.
É, mas é o que eu te falei, Igor, não adianta nada. Você pode pôr quem você quiser lá, o cara não vai ter liberdade para fazer as reformas que ele quer, ele não vai. Não é assim, não é assim. O poder desses lobbies é muito grande, cara, é muito grande. Então é o que eu falo, a gente tem— olha, você quer ver um negócio? Na China o juro é barato, não tem influência dos bancos, o governo incentiva. Olha quanto eles estão produzindo de riqueza.
Você não consegue produzir riqueza aqui, você sabe disso, é empresário, cara, você sabe quanto custa empreender no Brasil.
É sinistro.
Então é muito, tudo muito difícil, né?
É muito caro aqui também.
É, exatamente. Mas por isso que eu te falo que é uma democracia que é para uma minoria, é uma minoria. Aí você vê o Judiciário defendendo os pendulicalhos deles aí, uma boa parte do Congresso é formado por gente da área jurídica, e não vai, não vai mudar. A gente tem o mesmo quadro da Revolução, da França pré-revolucionária, o primeiro estado segundo estádio é a Patuléia. Se você não tá na Patuléia, sorte tua. Se você tá, meu amigo, tá fodido.
É uma puta briga mesmo, né?
É uma coisa assim de ilusão, né? É ilusão. Você vai votar no fulano, não vai mudar nada, cara. Não vai mudar a tua vida. Se você não tem saneamento básico na tua rua, você vai continuar sem ter. Eu acho engraçado, às vezes entra uns caralhão maluco, você sabe, isso não é tão triste, Robson.
Isso.
Não, você não pode pensar assim, cara. Você tem que ter esperança.
Eu sei, mas eu quero ter, mas é que tu acabou de falar um troço que me deixa fodido, que é verdade, mano.
Você não sabe, você é agente da mudança. Você tá dando voz para as pessoas que nem eu, que são disruptivas, para falar para milhares de pessoas. Isso vai mudar uma hora. Amém. Vai, vai. Nós não vamos estar aqui, mas muda, cara. Eu penso muito nisso, né? Eu te falei, né, quando a gente tava em off aqui, que eu penso pensa muito nisso, na partida, na morte, essas coisas todas. Então eu acho que a gente tem que deixar alguma coisa boa para as pessoas, que você não é, não vai ficar para você, mas vai ficar para eles.
Eu acho que é isso que vale a pena. Eu acho que isso aqui é o que justifica uma vida, né? Que você olhar para trás e fala, pô, valeu a pena, cara. As pessoas estão vivendo bem.
Não é, não é 3 coberturas, 2 jatos e uns 5 helicópteros.
Para que que o cara quer tudo isso, né, cara?
Mas você colocar 2 Uma Lamborghini.
É, fosse bom, mas eu já nem sei mais dirigir, cara. Eu, se eu tivesse um carro desse, precisava contratar alguém para dirigir essa caralho. É, né? Ou dá certo. Às vezes, você quer ver um negócio? Às vezes, uma vez eu vi uma frase do Amir Klink que eu achei maravilhosa. Ele falou, olha, às vezes você tá num bar, você vê um cara sentado sozinho tomando uma cerveja, você pensa, pô, coitado. Mas às vezes você pode estar diante da pessoa mais feliz do mundo.
Eu saí para andar hoje, que eu te falei, eu saí para andar, tava um sol maravilhoso, cara, maravilhoso. Eu falei, puta que pariu, que dia bonito, cara, como a vida é bacana, né?
E são essas coisas que precisa de porra nenhuma, cara.
Eu chego em casa, eu vou brincar com meu cachorro, ele faz uma farra do caralho lá. Agora mesmo tô escrevendo um negócio, tomei um refrigerante, aí guardei a garrafinha porque eu sei que ele vai fazer uma bagunça com essa garrafa a hora que eu chegar em casa. Essa porra, cara, é essa porra que eu acho que é o que faz a vida valer a pena, né? E nego fica acumulando tanta coisa, bicho, tanta babacada, babacada mesmo. Não precisa de muito para ser feliz. Isso, cara.
Porra, não, cara, isso é muito verdade mesmo. Mas é difícil tu falar isso para um cara que tá lutando para jantar, né? O cara que tá lutando para comprar o almoço de amanhã, ele não consegue entender. Porque eu tô te falando, porque essa é minha experiência, que é, não dá para entender. Tu vai falar para o cara que dinheiro não é tudo, não é dinheiro o objetivo, o cara não consegue compreender essa porra.
As necessidades desse cara são outras. Mas por isso que a gente tem que tentar melhorar a vida dele, porque igual que nós estamos falando aqui, vai ser compreendido uma faixa da sociedade. O cara que tá ralando no ônibus, no metrô, das 6 horas da tarde lá para Zona Leste, que você não consegue entrar, é um fato, você não consegue entrar no metrô, a realidade dele é outra. Eu falo que eu ando muito de metrô aqui em São Paulo. Quando você, eu falo assim, do Brás para lá, a realidade é outra, meu cara, meu camarada.
Do Brás para lá, a realidade é outra. Esse é o fato. Você vai passar tiradeira, coisa completamente diferente. É outro Brasil, é outra São Paulo. E eu olho muito para essas porras aí, eu olho muito para isso. Tô sempre na Lapa, tô sempre, porra, em lugar de povão, cara. Então a gente sabe como é que a coisa funciona. Agora, nós temos assim, eu vejo como uma certa obrigação tentar melhorar a vida desse cara, que ele não tem condição de dele mesmo fazer a mudança. Não tem. O que você falou, ele tá sufocado.
Sou focado. Bom, tem mensagem para a gente aí, Vitão? Antes das mensagens, então, deixa eu falar para vocês aqui do nosso parceiro de hoje, que é o Felipe Midi Hidromel, cara. E eu vou te dar de presente aqui, Robson.
Opa, ganhei alguma coisa finalmente!
Porra, meu irmão, isso daqui, ó, fazendo podcast, nunca ganhei nada. Aí, ó, pronto, ganhou aqui, obrigado, um kitzinho. E isso aí tu vai se amarrar, porque isso daí é o que eu tô— ó, você que tá assistindo a gente aqui, ó, se liga. Tu que vai dar um presente aí para o teu pai no Dia dos Pais, cara, para de dar um troço, não vai dar cueca, né? Garrafa, meu irmão. Ó, quer ver um troço diferentão? Hidromel. Porque é uma bebida que você, primeiro que tu vai entrar lá em philipemidi.com.br, tu vai ver que todas elas lá são premiadas internacionalmente, tá?
Várias, a maioria com medalha de ouro inclusive, tá? Segundo, é estiloso demais, né, meu irmão? Chega um presentinho desse daí, fica até com pena de abrir a caixa. Mas você vai gostar quando você experimentar. E ainda por cima é fugir do óbvio, cara. E ó, se você usar o cupom FLOW10, tu vai ganhar 10% de desconto na tua compra, sendo que para esse Dia dos Pais já tem lá no site kits com até 30% de desconto. Então não perde essa oportunidade aí, cara, de se preparar e já comprar o presente aí para quem, sei lá, pode ser para o Dia dos Pais, pode ser para você mesmo, pode ser para a próxima festa que for fazer na tua casa.
Mas entra lá, philipemid.com.br, usa o cupom FLOW10 que tu vai ver que vai melhorar ainda mais, além do kit que já, dos kits que já tem lá com até 30% de desconto, tá bom? Lembrando que proibido para menores de 18 anos, se for beber não dirija e beba com responsabilidade. Deixa eu ver aqui, tu mandou para mim? Deixa eu ver aqui no Instagram. Não, mentira, no WhatsApp.
Vamos mandar o Super Chat para o Flo aí, gente, vamos mandar, vamos ajudar aí. Se inscrever no canal, mandar o super sticker, super chat aí.
Ó, o Renan mandou aqui, ó: comando Estados Unidos, China e Europa, todos classificam a borracha como recurso estratégico. O que eles sabem que nós não? Curiosidade: Rio Preto, São Paulo, tem 30% da produção nacional. Forte abraço a todos. É bom, ele tá falando da borracha aqui. A borracha inclusive foi importante para nossa entrada na Segunda Guerra Mundial também, não foi?
Não, continua até hoje, né? Borracha é extremamente estratégica, porque você pode até fabricar borracha sintética, mas tem problema de custo, uma série de coisas aí. Mas é, o chinês ele presta muita atenção nisso, porque ela tá em tudo quanto é canto, a borracha, né?
Toda, toda a questão com terras raras tem a ver com chip, com ímã, não é?
Sim.
Em alguma medida a borracha também entra numa classificação de escassez no mundo?
Eu acho que é, porque ela é fundamental na indústria automobilística, né, indústria de pneumáticos também, uma série de coisas, né. É uma coisa estratégica. Agora é o seguinte, Igor, o que que o chinês fez, né? Eles dominam as cadeias, né? Porque, por exemplo, se você for ver bem mesmo, a China não é detentora assim de grandes, enormes depósitos de terras raras. Que que ela domina? É o refino. É verdade, o refino. Eles aprenderam a dominar assim o básico.
O que que ninguém quer fazer? Vamos fazer, não tem problema, a gente faz aqui. Chega uma hora que nem compensa fazer, eles estão fazendo, é muito mais barato. É uma hora o pessoal não sabe mais como faz.
E aí acabam, e aí os chineses acabam dominando essas fatias de mercado porque ninguém quer fazer, eles fazem.
Mas eles sempre fizeram isso, cara. Se você for olhar bem mesmo, eu falo sempre, em 1820 o PIB chinês era 7 vezes o PIB da Inglaterra e 20 vezes o PIB dos Estados Unidos. A louça, a louça da nobreza britânica vinha toda da China. Sempre foi assim. A China só tá voltando a ser o que ela era, né? Então é por isso que eu falo para vocês, o pessoal quer achar, o Partido Comunista mudou a China uma vez. Foi engraçado isso, acho que foi o Kissinger.
Ele, o Kissinger, fez mais de 50 viagens para China. Aquele cara era genial. A esquerda odeia o Kissinger, ele era um filho da puta, concordo, tá, concordo, mas era um filho da puta genial. A gente tem que reconhecer quem é o filho da puta genial, cara. Você tem que reconhecer. Às vezes o cara, ele é um grande filho da puta, eu não tenho dúvida disso. Bombardeou o Camboja, apoiou o golpe de estado ali, mas ele era genial. É um, você tem o que aprender com ele, diferente do filho da puta medíocre.
Mediocre, mas assim, do bonzinho medíocre. Mas assim, ele uma vez ele falou uma coisa que é verdade, que o Mao quase no fim da vida, né, Mao morreu em 76, e ele conversou assim, né, camarada Mao, o senhor, o senhor mudou completamente a China. Olha como o Mao era um homem inteligente, extremamente inteligente. Ele falou, não, isso é ilusão sua, eu mudei Pequim e as 10 milhas ao redor. O resto eu não consegui mudar nada. Olha como esse cara tinha visão.
Ele entendeu que o chinês não mudou porra nenhuma, porra nenhuma. É a mesma China. O Partido Comunista, ele só acertou mais ou menos, ele alinhou ali, mas é o mesmo chinês, cara. Quer ganhar dinheiro, quer fazer comércio, quer abrir rota comercial.
É só, ele só conseguiu com a revolução melhores condições para fazer o que ele já queria fazer, né?
Exatamente. Você quer ver como é que o Mauro é inteligente? Você vê, né? É engraçado. É por isso que eu falei, a visão que a gente tem de mundo. Agora há pouco eu tava elogiando a inteligência do Kissinger, agora tô falando mal. A gente sabe procurar a genialidade do cara. O Mauro, ele percebeu o seguinte: que o tráfico de drogas não era apenas um problema de saúde pública e de violência, era um problema político. O que que ele percebeu?
Falou, se continuar assim, eles vão acabar com a nossa revolução. Aí, o que que eles fizeram? Eles criaram um sistema de vigilância, que a China tava toda tomada pelo ópio. Então, por exemplo, tinha velhinha lá, ela via, tem uma boca de ópio, que ela ligava a polícia, a polícia lá desbaratava a boca. Aí chegava para os caras, alguns eles fuzilaram, mas uma boa parte foi para tratamento. E eles, acho que quando ocorre a revolução Acho que tinha 700 mil viciados na China ou uma coisa assim, um negócio enorme, número enorme. 30 anos, 20 anos depois, ficou uma coisa residual, porque ele percebeu que o tráfico de drogas era um problema político, coisa que a gente não percebeu ainda no Ocidente, que é um problema político.
É verdade, é verdade. E tava fodendo, mas lá era projeto mesmo de guerra, não era projeto dos britânicos para acabar E aqui também é, tá?
Não se engane não, tá?
Por que que a gente copia só umas paradas que são— por exemplo, a gente sabe exatamente por que que a maconha é proibida aqui no Brasil ou a gente só copiou dos cara e pronto?
Eu acho que a gente só copiou.
Eu também acho que a gente só copiou.
Porque na verdade, Igor, o problema que eu vejo é o seguinte, né? Por exemplo, o que se alega é que a maconha é porta para drogas mais pesadas. Mas há uma teoria nos Estados Unidos, e eu não duvido porque tem fortes evidências, tem um filme muito, muito pesado sobre isso aí, de um jornalista que foi assassinado. Há uma teoria que a CIA, ela espalhou o crack nos bairros negros de Los Angeles, etc., para enfraquecer o movimento de direitos civis.
Há quem diga isso, eu não duvido que seja verdade não, porque o crack O crack arrebentou com as cidades americanas, né?
É, crack arrebenta onde quer que passa, né, meu irmão?
Agora eles têm outras drogas mais, tem lá o fentanil, os cara tão— Você assistiu aquele filme do Michael Keaton, Dopesick?
Não.
Porra, assiste, cara. Dopesick.
O McLovin mandou para nós aqui, ó. Farinazo falou do cara que via live no Natal só com gato, e ele literalmente me descreveu em 2024 quando tava morando em Montevidéu só com meu gato. Obrigado, comandante!
Beijão para você aí, cara. Beijo! Eu espero que agora, além do gato, tem aí alguém para ser seu cobertor de orelhas aí. E esse Natal vamos estar com vocês aí. Se eu tiver vivo, a gente tá por aí.
Ah, acho que, acho que mais uns 6 mesinhos tu dura, né?
Tomara, né?
Não vem te buscar, o Mossad não vem te buscar.
Ah, é, ó, cara, se o Mossad tiver que se preocupar com um cara merda que nem eu, puta que pariu, ele tá fodido, cara, tá fodido. Eu vi, entrou um cara, o Mossad vai te— eu falei, caralho, o Mossad tem mal o que fazer não, cara.
Eu também acho, né? Essas paradas de merda. Bom, o Farinazzo, obrigado pela moral, obrigado por vir aí hoje, cara, obrigado pelo teu tempo.
Eu acho acho que o papo rola muito legal aqui.
Eu espero contar contigo mais vezes.
É só chamar. Eu acho que agora, a primeira vez que eu vim aqui, tu tava com o pé atrás, né?
Não sei se era pé atrás não, cara. Olha, o que que eu sentia, para ser sincero, era a mesma coisa que eu sinto em geral com as primeiras vezes, que é o seguinte: será que esse cara vai responder com sim ou então não? Esses são os mais difíceis para mim, e não é o caso. Então tá suave.
É tranquilo. Assim, eu penso assim, eu gosto de ajudar as pessoas, é que eu tento fazer mesmo a missão do canal. Você vê esse menino, achei bacana para caramba o que ele falou. A gente tenta ajudar, é que às vezes o pessoal não entende que é um mundo tão complexo que às vezes aquilo que você faz para ajudar o cara, ele acha que você tá prejudicando ele.
Não é isso aí, perfeito.
Não é isso.
E é verdade. E se a gente conseguisse olhar para para as coisas da vida com um pouco menos de ego, de egoísmo, eu vou dizer, as coisas seriam— vou dar um exemplo. Por exemplo, vamos dizer que eu acho que você fez uma— você foi lá no teu canal e falou uma parada, eu acho que é para me foder. Aí eu, quando eu vou falar contigo, na real tu falou aquela parada por causa de uma outra circunstância da tua vida. E eu, pela minha, entre aspas, síndrome de protagonista, acho que é para mim. E não é muitas vezes.
Mas você vê que eu não falo de ninguém, né? Eu não sei se você— eu fiz 10 mil vídeos até hoje, cara, nunca me meto na vida. Eu falo assim, os cara chega lá porque o fulano falou de você. Falou, você se entende com fulano? Vai lá você, acerta com ele, casa com ele, pede ele encantar, leva bombom para ele, só vai lá dar uma porrada nele. Mas não me meta nessa porra não, velho.
Leva um tapete persa para ele.
É, vai, eu compro um tapete persa no Brás aí, leva lá para ele. Ele.
O Fainanço, obrigado pela moral, espero contar contigo mais vezes aí, valeu. E bom, essa daqui é a tua câmera para você falar com a galera que tá assistindo a gente aí, ó.
Olha só, gente, eu vou pedir duas coisas para vocês: se inscrevam no canal Arte da Guerra, se inscreva, comente, vai lá para falar tuas bobagens, você pôr chapéu de alumínio, cedo ou tarde você vai ser gongado. Comprei um gongo chinês lá que de vez em quando—
é mesmo? Caralho, isso é sensacional! Aquele gongo é muito legal, chapéu de alumínio.
E se eu não gongar, tem gente que vai embora. Não, eu não, se não teve gongo hoje, eu vou embora dessa live, tá uma merda. Então eu gongo para agradar o pessoal. E assim, eu faço as segundas, quartas e sextas, eu faço às 18 horas lá de Brasília, eu faço um programa na Rádio Sputnik, tá, chamado Casus Belli, né. O meu partner lá é o Pedro Lima, quero mandar um abraço para ele, para toda a equipe da Sputnik. É um programa onde a gente analisa toda a situação geopolítica do planeta.
Então você que mora no Rio de Janeiro, você pode se sintonizar, 80.5, tá, na Rádio Metropolitana, 18 horas, horário de Brasília, segundas, quartas e sextas. Ou senão no, no, na radiosputnik.net. Eu vou deixar depois os links aí para vocês, tá? Hoje, sem falsa modéstia, o melhor programa de geopolítica da rádio brasileira. E obrigado pela oportunidade, Igor. Você conta sempre com a gente aí. Pessoal, eu penso o seguinte, gente, eu só faço meu trabalho de comunicador porque a gente tenta melhorar o país.
Não falo mal de ninguém, não me meto na vida de ninguém, faço o meu trabalho ali, não gera, não cria intriga, eu tento ajudar o Brasil. Se não deu certo, paciência, mas a intenção foi a melhor possível.
Amém, valeu, Farinazo, obrigado pela moral. Ó, vocês aí, vocês que assistiram a gente até agora aí, muito obrigado pela moral. Segue o Farinazo, a gente vai colocar aqui no comentário comentário fixado para você chegar lá facinho, com clique só, se você tiver assistindo aqui no YouTube, tá bom? Aproveita e entra aqui na descrição que você vai ver lá o Discord para você sugerir novos convidados, novos temas também, e vira membro que custa menos de R$8, cara.
A gente cria conteúdo para vocês aí o tempo inteiro, tá bom? Muito obrigado pela moral e a gente se vê depois. Farinazo, mais uma vez obrigado, você é foda! É nós, valeu, beijo, tchau!
Felipe Midi Hidromel
Hidromel