Episódios de Flow Podcast

PAULINHO DA COSTA + JOÃO MARCELLO BÔSCOLI - Flow #575

18 de março de 20261h57min
0:00 / 1:57:52

O percussionista brasileiro que gravou "Thriller" de Michael Jackson.

Assuntos15
  • Carreira transcontinental do Paulinho da CostaTrajetória de Irajá a estúdios internacionais · Discografia de 1000+ artistas · 6000-7000 faixas gravadas · 250-300 álbuns não creditados · Reconhecimento tardio · Precision rítmica vs improviso
  • Dinâmica de estúdios internacionaisTrabalho com Quincy Jones · Earth, Wind & Fire e Maurice White · Unlimited budgets · Ausência de ego entre artistas · Transformação pessoal ao tocar · Studio como placenta criativa
  • Trabalho com Michael JacksonEncontro em 1977/78 · Gravação de Thriller · Amizade pessoal · Confiança e segredo · Impacto global · Michael como ídolo irrepetível
  • Rejeição consciente da famaFoco na música, não celebridade · Recusa de vender direitos · Manutenção do sotaque brasileiro · Continua tocando para prazer · Humildade e anonimato · Trabalho por arte, não ego
  • Homenagem a Michael JacksonReinvenção do pop · Jackson 5 como fenômeno · Inovação em videoclipes · Criação do Super Bowl halftime show · Prisão sem saída pela fama · Influência permanente
  • Influência invisível em gêneros modernosMouth percussion no funk · Padrões em bateria eletrônica · K-pop como evolução do Michael · Legado técnico desconhecido · Reprodução de patterns sem saber
  • Documentário e reconhecimento tardioOscar Rodrigues Alves como diretor · 5 anos de convencimento · 11 anos de produção · Evento em Montreux Festival · Histórias reveladas · Lenda construída pelo silêncio
  • Filosofia MusicalManifestação divina através do artista · Transe e estado de flow · Improviso dentro de estrutura · Precisão no timing · Não-intencionalidade criativa · Sair do caminho da música
  • Técnicas de PercussãoDomínio desde infância · Divisões de mão · Maceta e chocalho · Transformação em showmanship · Evolução para múltiplos instrumentos · Dança dentro do instrumento
  • Earth, Wind & Fire e Maurice WhiteUnlimited budget em gravações · Transmissor de FM no estúdio · Gravações de 160 pessoas · Inovação produtiva · Influência em Michael Jackson · Abertura de portas
  • Transformação ao tocar vs conversandoTranse musical · Duas versões do Paulinho · Não-memória de gravações · Canal para música · Liberdade criativa · Manifestação divina
  • Esposa Arice e vida pessoalParceria de 53 anos · Administração de contratos · Descoberta de álbuns não creditados · Ordem no caos · Apoio fundamental na carreira · Filho Paulo Jorge no Disney
  • Indústria MusicalVinil vs CD vs streaming · Perda de informação digital · TikTok e músicas de 10 segundos · Créditos desaparecendo · Consumo vs apreciação · Ficha técnica perdida online
  • Educação musical desde IrajáAprendizado em Portela · Igreja da Penha com Jorge Sapecão · Influências: jazz, caribiana, samba · Nunca frequentou escola formal · Aprendizado por observação · Terreiro e atabaque
  • Johnny Walker partnershipMensagem 'Keep Walking' · Alinhamento com filosofia pessoal · Vídeo comercial de impacto · Walk of Fame em 13 de maio · Exportação cultural brasileira · Reconhecimento global
Transcrição223 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Esse é o Flow.

acreditando pra valer, seguindo o próprio coração e a própria ideia. Foi mais ou menos isso que tu fez ao longo da tua história, né Paulinho? Exatamente. Pois é, e é por isso que você se torna uma pessoa que é referência pra tanta gente, fazendo o que faz, e é por isso também que a Johnny Walker decidiu se juntar com você pra inclusive amplificar essa mensagem. Porque a tua história, ela tem um pouco a ver, ela tem bastante a ver com a própria mensagem

Walker, que é o Keep Walking. Por que o Keep Walking? Porque você sabe onde você quer chegar. Você foi trilhando o teu próprio caminho sem se encaixar em nenhuma forma. Sem deixar que te colocassem dentro de um container e dissessem pra você quem é o Paulinho. Você fez o Paulinho. É verdade? E isso tem tudo a ver com a Johnny Walker, que é quem tá fazendo com que esse papo aqui seja possível. Eu não sei se vocês sabem, mas o Paulinho,

ser sensacional do ponto de vista musical. Você vai entender isso ao longo do programa, mas ele é difícil, tá? Assim, ele não mora aqui. Teve que rolar todo um negocinho pro Paulinho estar aqui. E muito obrigado, cara, pela moral. Obrigado a vocês. Obrigado ao Johnny Walker. Obrigado a esse momento. Sensacional. Boa. Temos aqui Paulinho e João Marcelo Bosco. Obrigado por virem aí. E aí, Paulinho, como é que você tá? Maravilhoso.

Eu tô contente, muito satisfeito de estar aqui com você. Perfeito. Então nós vamos conversar. Eu quero entender

mais da tua história e tu tem uma... E parte do que a gente tá fazendo aqui, João, vamos começar assim. Se você tivesse que... Você me disse que pediu pro Gepetto resumir o currículo do Paulinho, né? E o Gepetto... Ó, meu irmão, só pagando 100 por mês. É, fugiu o Gepetto, é verdade. Então, assim, conta pra gente, pra quem tá ouvindo a gente aqui rapidinho, por que que o Paulinho é incrível na tua opinião? Vamos ver se tu consegue fazer assim poucas palavras. Não sei de explicar, cara. Mas assim, acho que

junta uma precisão rítmica fora do comum. Ele para, ouve a música e coloca exatamente o que a música pede. É muito ligado à estrutura, mas depois que ele coloca, se você tirar a música, desanda. E os produtores todos falam. Pode ser um cachixi, pode ser um calbel. E depois que ele faz isso, ele volta e grava alguns canais com o inesperado, o acaso, a coisa que te surpreende. É mágico. Entendi.

É difícil de explicar. E nunca demora, ele sempre ouve, para. Eu acho que o que eu tenho pesquisado é o músico que tem o maior currículo na história da gravação. Desde que o Thomas Edison fez o Cilindro até hoje, não tem. E o currículo dele são quase 1.010 artistas. E aí, recentemente, a Arice, que é companheira e administra tudo junto com ele, falou que descobriu 250 álbuns,

que ele não tá acreditado. É isso, 250, 300 álbuns, aí você coloca mais 3 mil faixas, então de 6 mil, quase 7 mil, é inacreditável. E ainda tem um negócio, ele, quando acabava de gravar, não deixavam ele ir embora, né? Sempre vinha uma mão assim, fica aí, Paulinho. Ele falou, poxa... É porque ele é gente boa ou porque os caras queriam pegar mais um pouquinho de Paulinho ali do ponto de vista profissional? É que ele dá sorte, cara, né?

Ele gravou com o Michael, o Michael explodiu, gravou com o Earth No Fire, o Earth No Fire explodiu,

o Madonna, Miles, é inacreditável. O mais legal é eu chegar para as pessoas que não conhecem e contar, ah, não é possível. Michael Jackson? Não, o Michael Jackson é o primeiro, né? E o Michael é que pediu para gravar com ele, né? Mentira, mentira isso aí, Paulinho. O Michael pediu para pedir contigo, para gravar contigo? É, o que o Michael falou, tive a oportunidade de conhecê-lo e tal, ele chegou e ele é muito tímido, eu também, que eu não sou muito de agredir as pessoas,

e invadir os espaços. E ele falou, gostaria que você participasse do Jackson's. Falei, muito obrigado, vamos lá. E daí foi uma amizade que até que ele partiu, na minha opinião, é um dos artistas que eu acho que todos nós sentimos falta. Sim, o Michael, as pessoas chamam ele do rei do pó por uma razão, porque ele,

era o rei do pop. O cara, ele editou como fazer muitas coisas, né? Clipes longos com uma história e tudo mais, né? Então ele era um cara diferenciado mesmo que transformou, assim, eu sinto, né? Vocês vão saber mais que eu. Mas a sensação é que o cara transformou a música no período dele ali. E até hoje a gente tem gente tentando ser o Michael Jackson. A gente tem o The Weeknd, que, porra, uma vibe meio Michael Jackson, quando ele aparece com aquele primeiro clipe dele girando e pegando fogo, não sei o que.

também, né? Tem o Justin Timberlake que tenta ser o Michaelzinho também. Gostei, foi preciso. O Michaelzinho. Não dá, né? Porque pra ser o Michael, tu precisa revolucionar algo. Você quer de trás pra frente? Tu tem que chegar na música e transformar a música, aí tu vai ser lembrado que nem o Michael. De uma gota de suor dele vem o K-pop, né? Sei o Michael, não tem K-pop. Exatamente.

Ele que inventou o anúncio do Super Bowl, o intervalo. Não tinha antes dele. E essa lista vai. O videoclipe. Paulinho, tem algum outro cara que trabalha com música na tua família? Teu pai, tua mãe, teu avô? Não. Eu tenho uns irmãos que fazem uns trabalhos deles que eu nunca me envolvi. Mas a minha mãe gostava muito de cantar. Não profissionalmente.

muito ritmo, uma pessoa maravilhosa assim. E meu pai tocava um pouquinho de acordeão, amador. E poucas as vezes que eu ouvi tocando. E na minha época de infância no Brasil, acordeão era muito forte. Os bailes aqui eram... Acordeão dominava mais do que o piano. Vocês lembram disso? Sim, Brasil. Desculpa, mas aí não vou lembrar. Eu tenho 41. Você é menino, né?

Você é menino comparado comigo, mas na sua idade assim, eu já estava na estrada. Ah, meu irmão, na minha idade tu já estava fazendo um monte de coisa há muito tempo. Mas aí que está. Quando eu fui prestar atenção em música, garoto, estava já rolando um funk, inspirado no funk americano, Steve B, não sei o quê. Já um charmezinho, já quando eu era garoto.

era o samba, um pagode. E aí depois, eu lembro de um moleque já com uns 14, 12, 13, 14 anos, um amigo meu chegando com a primeira vez que eu ouvi o rap na minha vida, que foi um disco do Racionais. E eu nunca tinha visto aquilo na minha vida. Entendeu? Então assim, nessa época aí que eu chego e eu começo, que eu me lembro das primeiras vezes que eu prestei atenção em música. Uma outra coisa também que eu preciso mencionar, que também veio e bateu bastante forte, foi Mamonas Assassinas.

Você é de que ano? Eu sou de 85. Ah, tá. Então você pegou... Então eu era bem criança, minha mãe não deixava eu ouvir, eu ouvia escondido. Melhor ainda, né? Mas eu lembro dos Mamãe Assassino estourando e sendo todo um fenômeno. Mas você estava num contexto musical completamente diferente. O que você estava ouvindo? Porque assim, eu quero entender, Paulinho, como é que tu chegou a desenvolver a habilidade que o João começou dizendo que você tem? Porque, pelo visto, é muito único, né?

te procurou ao longo do tempo, era diferenciado. Então tá, o que você estava ouvindo quando você era criança para querer se envolver com música? Olha, nessa época eu ouvia todo tipo de música do momento do jazz, tá, a música cubana, a música caribiana, tá, e ouvia rock and roll, porque eu era um, nessa época eu era um orelhão, né, que ele fica pegando, entendeu?

Só ouvindo. E eu acho que isso aí me ajudou muito a entender que você ouvindo, você aprende muito. Falar muito pouco e ouvir muito. Perfeito. Prestar atenção no que está acontecendo musicalmente. Prestar atenção no movimento. A música tem esse movimento. O comércio da música move o tempo todo. Uma hora é estilo, outra hora. Agora está acontecendo isso muito. Então eu prestava atenção.

E, por sorte, tive a oportunidade de trabalhar com vários tipos do pop. Por quê? Aí vem o que você está perguntando. Mas como? Quer dizer, que é difícil. De Irajá. Você era um moleque lá de Irajá, pô. Exato. Lá de Irajá, pô. E aí? A maneira que eu posso explicar a você é que foi uma bênção de Deus. Eu nunca planejei nada disso. O que está acontecendo agora e o que aconteceu naquele momento começou a cair. Começou a aparecer com a ajuda da minha esposa.

a ajuda de pessoas que estão me dando um apoio enorme. E dos músicos e das pessoas terem me acolhido assim, deram aquele calor, como se eu estivesse nos Estados Unidos, mas estou em Irajá. Impressionante, porque, Paulinho, você tem uma vibração maravilhosa, vamos fazer esse trabalho. Eu vi você tocando ali, o Dizzy Gillespie me viu fazendo um momento num show que eu nunca podia pensar,

com o Dizzy Leff pra prestar atenção no cara de Irajá, né? Aí ele, olha, amanhã eu tô fazendo um disco, você tem que arrumar um jeito que eu quero que você toque no meu disco. Isso é Dizzy Leff, Dizzy, tá brincando. O Quincy Jones, que já era outra, vem do mesmo instrumento, mas já está em outro nível, né, musical, que o Quincy já tá. Liga pra minha casa, Paulinho, eu já ouvia muito um disco que a minha esposa me deu, chama Gula Matari. Esse disco, o João aqui, ele podia até responder,

por mim, que esse disco é um disco assim, marcou muito na carreira do Quincy, e a minha esposa me deu aqui no Rio, gente jovenzinha e tal, ela me deu e eu ouvia muito. Quincy era o quê? Era um funk? Nessa época... Era jazz com um pouco de soul, né? Era um jazz que gosta de dinheiro, né? Tá, exato. Mas ele já começou a ver que o caminho é começar o jazz com um pouquinho do balanço ali, e tendo um balanço já dá pra que eu possa botar a nossa...

Quando é que tu aprendeu a falar inglês? Rapidinho. Rapidinho. Não aprendi. Eu ainda não sei falar inglês. Como é que o Quincy conversava contigo? Eles não deixam ele aprender. Eles pedem para ele não aprender. Sério? Não pediram? É. Eles acham. Porque eu não fui para a escola aprender inglês. Nunca fui para ver os... Claro. A maneira melhor que eu pensei e que me deram o conselho de aprender, vê a televisão. Mas aprenda o inglês.

Não perca o seu sotaque. Se você perder o sotaque do Brasil, do Paulinho, você não é mais o Paulinho. Se tu não for o Paulinho de Irajá, tu não é mais o Paulinho. Então tá bom, olha só. Voltando um pouquinho aqui. Tu lembra quando é que tu se tocou que tu tava tirando o som de um negócio e que tu, porra, sou bom nisso aqui. Isso é com você bem jovem, não é? Bem jovem. Bem jovem. Bem jovem, exato. O que você pegou pra tocar e tu, pô, isso aqui eu sei tocar. Olha, eu pandeiro.

pandeiro. Um pandeiro, eu comecei a achar que eu tinha possibilidade de tocar bem um pandeiro. Não é tocar pandeiro. Tocar bem um pandeiro é diferente. Você sabe, qualquer instrumento ou qualquer coisa que se faça, você tem que... Dá para você fazer ou dá para você fazer. Exatamente. Então, eu, que está no nosso documentário, quando eu achei que eu tinha possibilidade,

Bom, eu acho que agora o Paulinho tá... Não vou falar as palavras que eu gostaria de falar, porque... Paulinho tá foda. É, você fala por mim. Então, eu falei, pô, agora... Mas aí tem um negócio que aí vem, aí você tem que provar que realmente você pode entrar no tipo da turma do... Dos caras foda. Do cachorro grande. Porque eu tô lá no Tiwawa, lá embaixo. Aí eu digo... Quantos anos tu tinha? Pô, eu tô na média aí de uns 15, 16 anos.

Garotinho, cara. Garotinho. Mas isso aí é depois da Portela, né? Exato. Mas eu já estava achando que eu... Mesmo na Portela, pequenininho, eu estou achando, mas tem uma longa estrada. E você sabe que não é. Aí eu fui à igreja da Penha. Quer dizer, e eu fui lá e tal. E chegando lá, eu digo, bom, agora eu já posso chegar aí com a rapaziada e tal. Aí quando eu comecei a olhar, o negócio ali era outro negócio.

Os caras eram muito bons. É, é muito bom. E entre 20 tem 5 ali, que é tremendo. Uma coisa sensacional. Por que a música na igreja é sempre tão cuidadosa? Por exemplo, você vai ouvir uma música evangélica, ela tem uma... A melodia dela é muito... Parece que é onde os caras mais tomam cuidado. Vocês sentem isso também? Eu sinto. É o gaspo lá. Música de igreja.

aquele poder já do espírito, tudo ali. E o pessoal tocando e tinha um senhor do meu lado que se chamava Jorge Sapecão, que faleceu alto, forte. Eu, pequenininho, ali no meio, eu falei pra ele e ele falou, olha, você tem uma grande chance de chegar, mas você tem que, daqui a um ano, você volta aqui, vai pra lá e treina, vê e tal. E você pode vir aqui comigo.

Aí eu mantive, estudava, tocava, toquei tocando e tal. Aí já achei que, depois de muitos anos, eu tive coragem de voltar. Voltei lá e ele olhou e falou... Agora sim. Agora eu estou um pouco preocupado com você, porque você está bem perigoso. E daí, inclusive, foi as últimas palavras que eu ouvi, que depois eu não consegui mais entrar em contato com ele.

E eu gostaria que ele estivesse vivo para ver o meu progresso e tudo. Ele deve ter visto, né? Ele morreu por muito tempo. Ele faleceu, eu não consegui. Ele era lá de uma parte muito alta, Bangu, lá para cima. Ele vinha só nessas épocas, no Rio, para a Festa da Penha e tal. E daí eu comecei tocando com segurança, tocando com... Não quer dizer que eu me acho melhor,

na minha profissão, melhor no pandeiro no momento, mas eu tinha segurança, entendeu? Porque eu chegava nos lugares e aí é sério, vamos tocar, aí é sério. As divisões, porque tem várias divisões no pandeiro, se você não tem segurança, você vai tocar sem segurança, que é o tchum, tchum, tchum, tchum. Entendeu? E as divisões do pandeiro, você tem que ter todas as posições da mão, né? A maceta, isso aqui, essa parte da mão.

O chocalho, que você faz... Isso aqui é tudo parte da divisão. Aí você cria outras coisas, que é o chocalho, você bater na mão, o improviso, que é as batidas. Isso tudo aí entra... Aí entrava também que eu gostava muito de dançar. Então você desenvolve dança dentro do instrumento e os outros grandes pandeiristas têm essa facilidade. Entendi. Aí saiu a hora de...

você vai fazer grandes shows, aí você já não é só o pandeirista, você tem que virar um show, um showman. Então, na época, a rapaziada era, tem que jogar o pandeiro, passar pelas costas, fazer esse negócio. Eu não era grande nesse lance, mas eu tive que pegar um pouquinho disso para poder alcançar aquele nível necessário daquele momento. Pô, que merda, né? Tu tem que chamar atenção girupiando o troço em vez de só tocar. Mas aí... Tá bom, faz parte do show. Aí que vinha o negócio,

Muitos jogavam pelas costas, mas na hora de tocar, já foi. Mas aí eles estão te observando, você tem que voltar no tempo, convenções dentro do tempo. Coreografia que volta naquela hora, isso tudo me ajudou muito a prestar atenção. E daí eu comecei a prestar atenção que todo mundo aqui no Brasil, vários percussionistas bons, pessoas com muito talento, pessoas que têm uma...

profissão completamente diferente de ser um ritmista na época, que não era percussionista, não existia nessa época percussionista. Ritmista. Eu fui um que briguei aqui na Ordem dos Músicos, porque ritmista é ritmista, não queria nem registrar. Essa eu não sabia, estou sabendo agora. É ritmista, tem essa lá. E eu falava com eles, não, ser ritmista, porque quando você começa a desenvolver outros

de instrumento, você passa a ser parte de uma cor. Eu sei que esse nome pode ser percussão. Não é que eu criei esse nome, mas começou já o movimento. Mas o ritmista, por exemplo, normalmente aqui no Brasil, e você sabe, um toca pandeiro, outro toca tamborim. Cada um toca uns instrumentos. E eu tinha amigos muito... O cara que tocava o Agogô, tremendo, um cara maravilhoso,

no agogô, mas ele só tocava aquele agogô. Então, os grupos que eu participava, todos eles tinham a sua... Seu especialista no instrumento. E todo mundo queria o Paulino Pandeiro, porque eles achavam... Eu estou sempre tentando melhorar, mas eles... Não, você é o Paulino Pandeiro. Mas eu pensei na minha... Eu acho que seria bom, por educação e aprender a sonoridade dos instrumentos, eu vou começar a estudar os outros instrumentos. Não só

a meu favor, mas que eu possa dizer, olha, que você está tocando aí, não é, olha, toca essa frase que vai ajudar. Então eu comecei a prestar atenção, a gente está praticando outros instrumentos, entendeu? Eu sempre gostei muito do terreiro, eu não era que eu tinha, mas eu achava que o terreiro era bom para aprender o atabaque, os tambores, né? Então eu tinha, eu tocava, ia para aprender os tabaques, ia... Ah, aquele cara, ele também tocava os atabaques. Ótimo, né? Na verdade, o tabaque é aquele que a gente

batia com o pau, não tinha nem afinação. Os primeiros desfiles que eu fiz na Portela, o nosso instrumento era de papel. Porra, como é? Você é voltar no papel. Os surdos tinham assuntos que eram papel. Então, se afinava ele, esquentava e começava... E eu perdia a afinação, porque não tinha afinação nessa época, muita. Então, os instrumentos batiam nos atabaques, ele lembra? Você batia tipo da

África mesmo, tradicional. Afinação é você bater na madeira pra puxar o couro, né? Aí... Então tu treinava lá, inclusive. Treinava lá. Entendi. E tem uma... Aí a história... Pô, e daí que tu tá. Então aí tu ficou bom, ou tu foi aprendendo e conhecendo vários instrumentos, além do instrumento que você escolheu pra ser o teu principal, que era o pandeiro. Exatamente. E eu tô imaginando que foi isso que te deu todo o estofo pra você ficar bom em arranjo, por exemplo. Exatamente.

E aí, então, peraí, o João vai saber essa também, mas eu preciso saber. Quem foi? Quando é que o primeiro artista foda, não estou falando gringo não, artista brasileiro te viu tocar e falou, porra, vem comigo. E outra coisa, esses caras, pelo que eu estou entendendo, em geral, te viram tudo no começo. Exato. Os caras estavam no começo também. Exato, todo mundo. O Michael, porque assim, eu não vou poder interrompê-lo, ele nunca fala a coisa exatamente como é.

Eu tô sentindo que ele... Ah, não, eu... Não, não era bem isso. Eu era pequeno. Vou pegar o exemplo do Michael, né? Que ele conta de um jeito mais... O Michael bateu nas costas dele e se apresentou. Eu sou o Michael Jackson dos Jacksons. Você é o Paulinho? Sim. Você aceitaria gravar no disco dos Jacksons? Ele falou, cara, primeiro é claro que eu sei quem você é. Foi em 77, 78. Então ele chegou no Michael antes do Quincy. Só que ele nunca vai falar isso. Então eu só quero dizer que sim. Todo mundo aumenta, né?

O Paulinho é o único cara que eu conheço que diminui as coisas. Então, as suas próprias coisas. Então, só para deixar claro que dificilmente... Por exemplo, ele fala, eu estudava. Não, ele estudava até a mão dele sangrar. Horas e horas. Então, assim... É importante lembrar desse detalhe. Temos aqui duas pessoas ligadas ao filme. O Alan falou para mim, João, a gente saiu ontem, eu e o Oscar, e ele contou coisas. A gente falou, por que você não contou isso no filme? Então, assim, eu acho que esse lance de ser resolvido,

Eu acho que... De saber quem ele é. Pô, ele... As fotos que ele tem com o Michael, o Michael é que pediu pra tirar com ele. As fotos todas que todo mundo tem, dá uma olhada depois. É sempre... Sempre ele tá no centro e a pessoa tá assim, ó. Entendeu? Tipo o John Williams. É o cara que foi mais indicado ao Oscar em todos os tempos. Tubarão, Jurassic Park. Você vê os dois juntos, ele tá lá. Todo mundo feliz de estar com o Paulino.

Paulino, who is this guy? Vaneiro. Mike, então, quem foi o primeiro artista que te chamou?

pra trabalhar junto assim. Isso você tá referindo ao Brasil ou ao exterior? Cara, quando você era garoto... Quando eu era garoto. É, o primeiro de todos. Brasileiro, provavelmente, que te viu tocar. Muito bem. Olha, eu acho o seguinte. Nessa época, nesse momento aí da minha vida, eu não me baseava muito em artistas. Eu me baseava menos nos shows que eu ia fazer. No grupo que eu participava. Claro, tinha muitos artistas que...

Me viram, queriam que eu participasse do trabalho deles e eu admirava muito o trabalho dele. Por exemplo, a mãe dele, uma pessoa que eu acompanhava muito, Jair Rodrigues, com ela. A minha mãe é Elisa, o Jair trabalhava com a minha mãe. Elisa Regina, essas pessoas, Wilson Simonal. Eu via todas essas pessoas. O Jorge Ben, lá nos lugares onde eu trabalhava, eles frequentavam, de vez em quando eles vinham. Garoto... Tu já existia? Não, não.

Eu sou de 70. Mas eu já estava rodando. Mas eu nunca participei dos discos deles. Conheci o trabalho dele. A minha meta, Sérgio Mendes, já via falar. Inclusive, eu não quis me envolver com Sérgio Mendes antes porque eu achava que a música dele não era interessante para o movimento que eu queria. Aonde eu queria chegar. Queria chegar ao que eu sou hoje em dia. E o Sérgio Mendes já tinha atrapalhado.

Não, não é que ele ia me atrapalhar. Não era... Naquela época... Não era o caminho indicado para que eu chegasse aonde... Entendi. A melhor escolha naquele momento. Jair Rodrigues, eles já eram... Eu já prestava muito mais atenção devido ao swing, entendeu? O swing e tal. É mesmo uma vibe mais próxima. Mais próxima do meu caminho. Quer dizer, que é mais dança e aquele movimento. Jair Rodrigues com ela brincando, jogando.

jogando aquele... Então, aquilo ali é... Porque eu vim daqui do chão, da cozinha, da portela, da samba. Então, eu prestava muita atenção nisso. E o samba, não pode vir com aquele floreado que não me atingia. Você vê, o mundo é pequeno. Acabou que foi o veículo que eu vim aos Estados Unidos. Mas, eu aproveitei esse avião que está transportando, mas eu...

Vou continuar o meu caminho. João, tu não acha maneiro que ele fez uma escolha muito consciente nesse sentido? Porque eu perguntei, e onde é que você queria chegar? Aqui, onde eu estou hoje. E lá no começo, se eu for por aqui, não é bem isso. Não precisa ser diferente para pensar agora assim? Eu acho que sim. É muito difícil de explicar. Por exemplo, uma coisa que é tratada no documentário também,

tipo de problema na sua gravação e precisavam de algum tipo de concerto. Então, você estava gravando em fita analógica, você não tinha como manipular o som. O que está, está. Você pode cortar tudo e emendar, mas você não tinha como deslocar as coisas. Aí chamavam ele e, ó, Paulinho, isso aqui está meio desarmado, meio desconjuntado. Aí ele para, ouve e entra lá e coloca um lance que arruma tudo. É estranho, entendeu? Então, eu gosto de pensar, pelo que eu li, que um estudioso das poucas

pessoas que se debruçaram nesse assunto, me parece que não é ele. Me parece que é a música se manifestando através dele. Me parece que ele é um canal. Porque não faz sentido nenhum esse conjunto de... É um conjunto de aptidões contraditórias. É um cara completamente... Quase que... O computador é tão preciso quanto ele. Porque ele tem essa precisão anterior ao computador. Ao mesmo tempo, muito improviso, muita surpresa. É curioso. E o sorriso. Tem um produtor que

fala no documentário que o diretor está ali, Oscar Rodrigues Alves. Voltando à questão do Michael que eu falei, o Oscar ficou cinco anos tentando convencê-lo a fazer um documentário. Não, não precisa, está tudo bem. Por quê? Ah, porque o quê? Porra. Não, não é preguiça, não. Não, não, não, entendo que não é preguiça. Ele falou, consegui passar por tudo isso. Ninguém brigou comigo, está tudo certo. Tu curtiu, porque isso é um outro ponto, aquilo que o João está falando, faz sentido, que é, tu realmente passou por tudo isso,

E trabalhou com toda essa galera, faz o que faz, é reconhecido por quem entende de música profundamente. Todos os caras que eu... Eu fui falar com os caras também sobre o Paulinho, uns amigos que eu tenho aqui, do metal, do pagode, todo mundo sabe quem é o Paulinho. E é interessante isso, porque assim, você realmente passou, viveu isso tudo, fez coisas incríveis e tu não é o Faustão, tu não é o Luciano Huck,

Gustavo Lima, famosão, assim, entendeu? Tu é muito sinistro, mas tudo contido aqui, sabe? Exato. Tu gostou disso? Tu queria ser famoso? Não. Então tá resolvido. Por isso tu não quer fazer o que demorou pra fazer o documentário. Mudei recentemente. Eu falava sempre que... Enfim, eu falava o contrário. Agora a gente pode dizer que o Pelé é o Paulinho da Costa do futebol, né? Só que ele não precisa ser famoso, né? Exato. E é muito interessante, porque eu acho que essas pessoas todas... Imagina o Michael.

grava com ele o Thriller, aí volta cinco anos depois pra gravar. Claro, gravou no meio outros álbuns, mas ele deve pensar, essas pessoas todas, ele tá aqui comigo pela música, ele me trata como um músico, como um cantor, uma cantora, Whitney Houston. Então fica todo mundo ali fora, né? Nesse solo de... Como é que chama agora? Como é que chama isso? Como é que chama? Lobby, né? Networking, né? Networking e tal. E ele tá tratando as pessoas numa outra instância. Ele tá ali com a cantora,

ele está ali como baixista e fica todo mundo em casa. É muito interessante. Para fazer música. E o estúdio é legal porque o estúdio é um lugar que não tem luxo. O luxo é meio inimigo da criação. Esses estúdios todos que ele frequentou é como isso aqui. É lindo e tal, mas não tem luxo. Tem as coisas que precisam, não tem o excesso. E acho que ele deve tocar na pessoa que faz música mesmo, independentemente do nível de sucesso. Entendi. Uma coisa que eu queria explicar para você,

o seguinte, existe também um respeito e confiança nas pessoas que se envolvem nesses projetos de grande capacidade. Porque se você... O que acontece ali, fica ali. Tipo Las Vegas. O que acontece em Las Vegas, fica em Las Vegas. Você perdeu muito, ganhou muito, ninguém precisa saber. O que esse cara vai levar para o túmulo de história é brincadeira. E eu fico chateado porque toda vez que eu comento alguma coisa que ele comentou assim, que eu sei que é uma pequena

ele fica em silêncio. Eu falo, estou desagradando o Paulinho, mas eu não posso não falar disso. Sim, mas imagina, o cara combinou com o Michael Jackson que ninguém ia contar para ninguém. E ele não traiu ninguém, né? No lugar onde tem tanta fofoca, tanta mentira, né? As pessoas confiam nele. Existem pessoas que vivem da fofoca, vivem de querer mostrar o que realmente não é, musicalmente mostrar coisas que ele realmente não tem condições de fazer.

Hoje a gente vem conversando e eu acho que é sobre esse ramo aí. Se você está preparado para fazer certas coisas, faça. Agora, não diga que você pode fazer se você não está preparado para fazer isso. Mesma coisa se eu venho aqui ao seu programa e realmente eu não tenho capacidade de estar aqui, não tenho nada para apresentar. Quer dizer, não foi necessário para mim porque você foi na história o que está acontecendo. Mas existem pessoas assim que inventam coisas para mostrar.

Eu nunca me preocupei com isso. Eu sempre me preocupei de fazer um projeto hoje. Os artistas, que é a parte importante, o nome. Vamos dizer, Roberto Carlos. Trabalhei com o Roberto Carlos. Primeira vez onde? Nos Estados Unidos. Conheci muito o trabalho dele aqui. Uma pessoa muito reservada, como vocês sabem. Então, o que eu fiz? Fiz um trabalho com ele hoje aqui, lá nos Estados Unidos. Tornamos um grande amigo. É sempre assim, Paulo? Tu está parado e os caras vêm e te procuram? Exatamente.

Eu nunca fiz um cartão com o meu telefone. A minha esposa, que toma conta, por Deus, é uma pessoa que caiu... Está com ela há muito tempo? Somente 53 anos. Nem lembra o que é ser solteiro. Agora, o que acontece é o seguinte. As pessoas ligavam direto para ela. Pessoas assim...

Eles, por quê? Eu vou te explicar por quê. Quando, ou por sorte, ou por comportamento, ou por maneira de tocar, eu sempre achei que, eu acho até hoje, que eu não ofereço aos meus fãs o que eu gostaria de oferecer, musicalmente. Eu acho que eu estou sempre aprendendo. O Oscar, que toca a percussão, gosta. Ele, que é um baterista, que eu vim a descobrir que ele toca de uma maneira, porque fizemos uma brincadeira junto aí.

que ele tocava um pouco, mas não sabia que ele tem nesse nível. Só que eu adoro. Ele sabe mais da minha... Se eu for embora deixar ele explicar a você tudo, ele sabe mais do que eu... Eu nem lembro coisas que ele sabe. Ele é enciclopédia. Perto de tudo, ele é o carisma de uma toalha, né? É. Calma, também não se diminua tanto. Não, é verdade. Imagina esse homem. O produtor fala, eu não posso ver o Paulinho gravando. Porque se eu olhar ele gravando, depois quando eu ouvir o disco em casa, eu não vou ter aquela imagem. Eu não vou conseguir mais ouvir. Entendido. É magnético.

Então, o que acontece é assim, eu vou para os Estados Unidos, o primeiro disco que eu gravei, disco assim, número um na parada de sucesso. Número um internacional. Todo Europa. Miracles. Miracles. Olha que interessante. Sai o Smokey Robinson. My Girl. Sai dos Miracles. Viram, tipo, sei lá, né? Acabaram. E aí não rola. Não rola.

Não rola, não rola. Aí eles gravam Love Machine. I'm just a love machine. E ele vai, grava e boom. Então, peraí, peraí. Então, não rola, não rola. A banda não tinha solução. Não rola. É como o Michael. Quando o Michael chamou ele pra gravar, o presidente da CBS, o Dick Asher, falou pra ele, você quer o Quincy Jones? Beleza. Eu acho que ele é muito de jazzista, mas se não der certo, você tá fora. O Dick Asher era um cara que amava o Earth, não Fire Maurice White. Aquele álbum que você entrou,

veio aquela 160 pessoas gravando, foi quando esse cara, esse cara é um cara que trabalhava na parte legal, era advogado da CBS, né? E ele foi promovido a presidente, ligou pro Maurice White, falou, Maurice, cara, eu sou presidente agora, senta o pau. Aí você vê o álbum que ele participou primeiro, tuba, tubular bells, sessões e mais sessões de metais e tal. Isso era incomum, antes não tinha. Antes tinha pouco. Acho que o Earth não,

O Fire, fora os Beatles, né? Só que os Beatles não conseguiam gastar muito, porque eram os quatro, alguma coisa. O Maurício é... Acho que é o cara que foi o primeiro artista a ter... Não tem budget. Muito antes do Michael. Eles chamavam lá Unlimited Budget. O gasto que você gastar é necessário. E naquela época, um grupo de pretos, um grupo do funk que tem... É difícil, difícil. Nem sonhavam em chegar a esse mundo. É importante lembrar, né?

Foi o Earth No Fire que trouxe o David Copperfield para o lance de ter mágica, para valer e tal. O Michael veio com essa ideia a partir do Maurice. O Maurice tinha tanto... Olha o lance do cara. Ele tinha um estúdio. No estúdio dele, ele botou um transmissor de FM para ele ouvir no Rolls Royce dele o som que as pessoas iam ouvir nos seus rádios. Então, ele botou um transmissor de FM que via do estúdio para a garagem dele, no estúdio, para ele ouvir. Aí ele tinha um... Lembra o Rolls Royce Corniche?

E ele colocou um som da Radio Shack lá, que é a média do público americano. Então ele tinha o som do Rolls Royce, que é o som que as pessoas... Agora esse aqui é o som da América. Então ele ouvia a transmissão. É tipo hoje, né? Joga na web e vamos ver como é que está suando. Então é tipo o mais alto padrão, né? E nesse momento ele conhece o Paulinho, né? Enfim, o resto... Eu considero ele assim, um dos... Que deixou uma história, né? Que abriu portas para muita gente, inclusive.

minha carreira, sou agradecido e para chegar você tem que ver os momentos do documento, tem coisas ali que o Oscar conseguiu colocar com muita dificuldade que você sabe como é que é o negócio, mas sensacionais que eu fiquei assim de muito contente em ver e como eu voltando ao primeiro disco, o que acontece é o seguinte, eu tenho amigos músicos nos Estados Unidos natos americanos, eles nunca

Tocaram num disco que se chama Hit. Nunca tiveram Hit. Chega eu lá de Irajá, toco um. É internacionalmente número um. Isso aí deve ter alguém... O que aconteceu aí, cara? Tu chegou lá, o que estava faltando na música do cara? Tu lembra? O que estava faltando? Qual foi a pimenta? Irajá, Irajá. Eu chego lá. E outra coisa, eu estou tocando ao vivo.

falando no palco, tocando, ele falou, olha, nós precisamos disso aí nessa música. Foi assim mesmo que aconteceu. É verdade. Nós estamos precisando. Você tem que gravar essa música adiante. Pô, maravilha e tal. Mas eu tinha contrato de exclusividade. Tive que, a minha esposa, falar lá com... Não podia tocar com ninguém, porque eles tinham... Já sabiam que se eu começasse a... Ia embora. Aí não ia ficar naquele movimento. Então, mas tudo certo.

Eu fiz o disco com eles, fui para o estúdio, cheguei lá, levei meu instrumento, minhas conguinhas na época, que é uma base básica para eles. Só que essas congas, que é um instrumento cubano e tal, eu não posso tocar essas congas com o sentimento cubano, mas posso colocar um pouquinho do nosso Brasil, nossa pimentinha nossa, com a parte popular deles, que é o Y&B deles, que tem o nosso negócio.

Mas não vou tocar o sambão, mas o samba está ali. Não é tão longe assim. Não está muito longe, entendeu? Mas não posso ir para Cuba. Se eu vou a Cuba, aí não vai funcionar. Então, fui para esse lado aí, que é, né? E você ouve na música, você escuta lá. E foi que eles me disseram, Paulo, isso aí deu o negócio que aí o povo ia nesse embalo.

dançando nesse balo. Que eles dançam. Que é o nosso. Aí aquela estourou. Estourou. E quando estourou? O que que tu sentiu? Quando estoura... Pô, eu não podia acreditar que tá acontecendo isso. Só que... Morando lá em Irajá, né? É. Entendeu? Não, não. Ele tava no Los Angeles. Eu já estava lá. Ah, já estava lá. Já estava lá. Com ele. Ele foi em 72. Em Chicago. Eu tocando em Chicago, que é a terra do Maurice White. Onde... Terra do Quincy Jones. Quincy Jones, todo mundo. E isso aconteceu.

tocando num teatro lá. Eles me viram em Chicago. Resumindo, o que aconteceu, quando você toca uma música de sucesso nos Estados Unidos, os produtores, companhias, todo mundo quer aquela turma que estava nesse disco. Você está entendendo? Então, o telefone, a minha esposa, Paulinho, blá, blá, blá. Daí, só foi assim. Aí vira bola de neve. Um conhece o outro que conhece o outro.

Michael Jackson. Exato. Chegando a coincidência. Chegando. E outra coisa, depois que aí entra o que o João falou aí, que eu nunca tinha percebido isso, entra que os caras acham em você aquele cara que dá sorte, aquele cara que traz... Mas quando eu cheguei lá, essas pessoas me viram no palco e no minuto tornando os amigos. O Oscar conheceu um deles, que faleceu agora. Os caras, entendeu? Nós fizemos uma amizade, fizemos vários projetos depois disso, eu ajudando ele, eles me ajudaram.

Eu fiz o meu disco, ele vem, uma das músicas do meu disco, ele é envolvido, foi sucesso na Inglaterra. Então, a mão lava a outra. Entendi. E você tem que entender. E ele já, todo mundo adora, adorava na época, eu cheguei lá, porque o meu inglês desse tamanhinho. Mas o som é desse tamanho. É, fala de outro jeito. Mas acontece que eu nunca deixei eles perceber que eu não estava entendendo o que eles estavam falando.

Como é que faz isso? O cara pede, não, coloca mais intensidade. Não precisa falar pelo visto. Mas você sente no olhar da pessoa, você entrou ali, já viu o seu movimento, já sinto a sua vida, já sei onde está o seu... Você viu que já peguei a carona ali naquela palavra? Porque eu já fui na sua. E a música é isso aí. Então era aquilo aí, eu sorrindo com eles, abraçando, não estou entendendo nada. Um deles dizia, Paulinho, acho que você não está me entendendo.

você é um cara que deixa a gente tão à vontade que parece que você está entendendo. Eu digo, não, tudo certo. Tudo bem. Tudo bem. A minha palavra com ele é o tempo. Tudo bem. Tudo bem. Então, como é que... O Oscar fez essa pergunta no documentário para ele. Como é que você conseguiu passar por todos esses estúdios sem fumar ou sem se indispor com ninguém? Como é que é o segredo, Paulinho? Tudo bem. É só dizer. Eu estou bem. Eu estou bem. Porque a pior coisa do mundo é você querer dar uma lição

nos caras que têm os defeitos deles lá, que não me incomodem em nada. Por que eu vou dar uma lição? Cara, você não deve fazer isso. Não. Não. Agora, se o cara pisou no teu pé, é outra coisa. Se ele pisou no meu pé, vai ficar sério, porque eu era elétrico, eu pulo bem, jogava capoeira na época, toco um birimbau. Mas não tem... Não é necessário. Isso aí quando tu tinha 30 e assim, agora com 70 e pouco, agora mais não. Agora já...

Agora ninguém vai pisar no teu pé, porque agora tem o Paulinho, né, porra? Então agora eu tenho meus protetores. Eu já deixo pra ele resolver esse cara. Então é isso aí. Eu acho que... Então virou essa bola de neve a maioria dos discos que eu participei com essa gente. E qual foi o disco mais chocante pra você? Qual foi o seu trabalho, na tua opinião, que é mais memorável?

sentido assim, caraca, isso daqui, porra, aqui, esse é diferente. Tem algum? É porque tu fez tanta coisa. João tava falando antes de começar. Por exemplo, Star Wars ou Michael Jackson? Pois é. Steve Wonder ou South Park? É muito difícil, né? Difícil, né? É muito difícil. É uma resposta difícil. Eu diria que ele tem duas grandes famílias. A família do Quincy Jones e a família do Maurice White. Ray Parker, né? Os caras que ele gosta mais.

Porque nós tornamos uma família em vários lugares. E os trabalhos, o Quincy, ele considera

Tem coisas que eu não quero entregar porque você vai ver no documentário. Então, pessoas assim que o carinho é imenso e o respeito. Por exemplo, eu não me considerava para eles um músico que chega ali para ganhar o que deve ganhar. Eu me considerava uma pessoa ali que vai ajudar o projeto dele. Eu me considerava um artista como eles para fazer que aquela música

Tenha o meu coração que vai ajudar o trabalho deles e vai me ajudar. E, por sorte, só aconteceu. Vários, né? A maioria. Pô, essa sorte é foda, né? Vários, a maioria. Mó sorte. Eu perguntei pra ele no sábado. Não, mas isso eu conheço duas pessoas que têm, assim... Essa sorte. É, e eles acreditam a sorte mesmo. É engraçado. Quer ver uma coisa? Eu não tenho uma memória de ter ouvido isso antes. Aquele lance do funk, do...

Primeira vez que eu ouvi isso registrado é no álbum do Quincy Jones, de 81. Ele faz um solo, Mouth Percussion, no I Know Corrida. Aí tem uma hora que para, tem um break lá, e ele fica... É igual, é a mesma intenção do funk. Só que foi muitos anos antes. Eu tenho certeza, intimamente, para fora eu não garanto nada. Agora aqui dentro eu falo, com certeza, é igual. É a mesma divisão. É isso aí mesmo.

que vem do candomblé, né? Vem do candomblé, da batida, né? Então, hoje em dia, o que aconteceu, depois que nós fizemos isso no disco do Conce Jones, teve pessoas que começaram a imitar e virou profissão deles, fazer mouse percussion, entendeu? Então, isso aí me deu uma alegria muito grande. Eu abriu uma porta de trabalho para outras pessoas. Os caras iam ganhar de mouse percussion, aí vinham os caras...

O jeito deles lá não era o nosso, porque eles não têm o nosso candomblé, que não têm a nossa... Mas ótimo. Estou abrindo a porta para eles. Então eles seguem isso. Interessante, né? Muito interessante. Cara, dá para ensinar o que tu sabe, Paulinho? Vamos lá. Imagina que tu tem... Chega aqui um discípulo afim, que já entende de música, tá? E ele queria, porra, ser o Paulinho II, porque a gente sabe que todos nós somos finitos, né? Exato. A gente queria continuar.

esse Paulinho, né? Tu sente que dá pra ensinar ou não dá? Porque tem coisa que é difícil. Os caras me perguntam como é que tu conversa com todo mundo. Eu só converso com todo mundo. A melhor escola de música é a placenta. E tá aí. Ou é ou não é. Isso que o João tá falando é sério. Você não pode acreditar os convites que eu tenho em escolas e universidades que eles querem que eu

vai ensinar. Porque esse segredo, pessoas que ligam para mim aqui, tem vários músicos, percussionistas lá, que o trabalho dele é ficar ensinado. Porque ele não tem trabalho, então ele dedica a ensinar. Eu acho que a pessoa, para ensinar, eu acho que eu não... Eu posso, tocando, eles ouvindo, eles podem capturar um pouquinho do Paulinho ali. Eu não sou um bom professor. Eu acho que eu não tenho... Porque ensinar é outra profissão. É outra profissão.

Certeza, mas imagina um cara que fica colado contigo. Vamos dizer teu neto. Tem um neto que fica colado contigo o dia inteiro e ele ouve você tocar. Mas ter a dupla hélice não vale, né? Ter a dupla hélice dele já ajuda. Já ajuda, exatamente. Então vamos dizer, aí ele tá lá te ouvindo e tu tá falando, escolhi fazer assim porque senti isso. E o moleque que já tem a dupla hélice ali, pode ser que ele... O meu ponto é, tem umas habilidades que a gente queria que fosse pra sempre, né?

meio Michael Jackson existisse pra sempre. Exato, entendeu? Mas existe. Mas existe, vai existir. Essa mágica que é encapsular o tempo, que a gravação ajudou. E eu concordo, tem um produtor que fala no... Concordo assim, é das coisas que eu mais concordei na minha vida e penso nisso todo dia. Ele falou, tocar ao vivo é um desperdício, porque terminou, terminou, tem que gravar. Então o que eu acho bacana é que o Paulinho gravou com mais de mil artistas, né? Seis mil e poucas

com mais 300, sei lá, 10 mil faixas, que é o que eu sempre falei e eu tenho certeza que é isso aí, um dia chegar lá. Cara, é só ouvir aquilo ali. Agora o buraco é bem mais embaixo, sabe por quê? Porque desde o momento que as pessoas começaram a pegar uma bateria eletrônica e programar, quando você programa uma percussão numa bateria eletrônica em 83, 84, 85, você tem dois caminhos, fazer de um jeito estranho e tentar fazer o que o Paulinho fazia. Programar a bateria eletrônica durante muitos anos,

era fazer o que o Paulinho fazia. É o titu. Aí, titu. Completando as coisas. Vai criando um... Entendi. Então, a influência dele é assim, é tipo assim, você perguntar pra um cara que toca guitarra hoje, vamos supor que ele não conheça o Jimi Hendrix. Ele nem precisa conhecer, ele tá passando pelo Jimi Hendrix sem querer, né? É claro que eu não quero, né? O Paulinho... O Jimi Hendrix tem um monte de discussão, que é o guitarrista favorito de um e do outro, né? Percussonista é uma coisa um pouco mais... Entendi. Resolvida, né?

Então, pô, eu não sei. Eu acho que eu estou entendendo. Tá bom. Sacou? E o interessante também é que se eu sentasse, se você me perguntasse assim, Paulinho, naquele disco você tocou aquela figura, e acontece o tempo todo, se dá para você me explicar o que você tocou ali? Eu digo, olha, aquele foi aquele momento. Eu nem me recordo o que eu toquei ali. Eu tenho que ouvir. Isso passou muito no nosso documentário. Agora,

O Oscar fala que as pessoas sabem mais do que eles chamam as batidas que você tem, que é o pattern, que eles falam pattern. Eles conhecem, mas eles me dizem, não, mas é você que está tocando. Eu digo, não, sou eu mesmo. Não é, porque eu sei, porque eu conheço. O Oscar é assim, a madrinha do meu filho é assim. A maioria das pessoas, eu ouvi esse disco, você está tocando, eu digo, acho que não.

E o cara, ele vai lá e faz o que tem que fazer lá do melhor jeito que ele consegue. Por que ele não lembra? É um transe. Isso não é interessante? Eu falei, a música tomando conta dele e se manifestando. Sinceramente, é verdade. Por exemplo, se eu vou fazer certos trabalhos que estão escritos, então, claro, aí botou a partitura, eu vou ler ali. Mas eu não gosto de me programar, porque quando você se programa, é completamente diferente. Esse programa aqui que nós estamos conversando, você bota o...

Aí nós estamos... Aí vira uma entrevista, vira um tosse mais quadrado. Não é isso aqui, nós estamos aqui soltos. Isso é jazz, né? É o jazz. Eu acho uma maravilha, porque a música tem que ser assim. Você sentiu, você já levanta, dança e tal, vai no embalo. A liberdade criativa que você... Então, às vezes, o que o João está falando, eu vou tocar um negócio, mas ali naqueles...

quatro compasso, oito compasso, acontecem coisas ali que Deus me deu ali. Mas eu vou procurar estar no tempo. O tempo é importantíssimo. Eu não posso criar fora do tempo. Entendeu? Entendi. Quer dizer, o tempo do seu programa, você tem um tempo, né? Então você não vai ficar, em vez de ficar uma hora, quatro horas, aí não pode. Não, tem hora que eu vou sentir um momento aqui que já fizemos o que a gente tinha que fazer e é isso. A gente foi muito além, aí fica chato, aí perde o propósito. Por exemplo,

documentário, eu assisti vários documentários para ver, tem uns documentários de gente importantíssima que não tem limite de dinheiro, eu vi 10 segundos e não dá para ver mais. Isso é gente assim, porque é chato. Eu entendo, eu entendo perfeitamente. O cara está falando 20 minutos da vida dele, o que ele tomou, o que ele tomou banho. Quantos minutos você vai ouvir o cara falando que ele tomou banho? Pelo amor de Deus. Então, agora, eu vi coisas, filmes que até hoje,

É maravilhoso. E eu espero que você sinta isso no nosso... Se não gostar, fala pra gente mais. Tá bom, tá bom. Ó, não gostei não, é pra deixar. Vou com certeza te mandar mensagem. Não gostei, é bom que a gente também vê o que não fazer da próxima vez, né? Mas, João, tu também consegue reconhecer o padrão de Paulinho? Porque, assim, isso que ele tá falando é interessante no sentido de... Eu entendi... A gente já entendeu aqui, a gente já sabia, na verdade, como é que o cara é diferente, que as coisas acontecem,

acontecer e tal. Mas elas acontecem como tem que acontecer? Aparentemente dentro de uma assinatura do Paulinho. Uma assinatura que os caras escutam e sabem, o cara que manja. Tu também consegue identificar esses padrões? Eu acho que sim, porque a descrição que tu me deu do Paulinho no começo é de alguém que consegue. Tanto eu acho que foi quase no mesmo tempo, porque o Oscar Rodrigues Alves ele tem poucos meses mais velho que eu. Ele tem a sorte de ser

de 69, né? Eu sou de 70. Somos crianças que crescemos ouvindo, né? Ele tocava percussão, eu gostava de bateria, ele também tocava bateria e tal, eu também gostava de percussão, mas a gente não se conhecia ainda, mas aquele pescador de fone, sabe? Que fica ouvindo. O que eu acho estranho é que, assim, é reconhecível, mas nunca é repetitivo. Ele tem estilo, ou seja, tem repetições de padrão. Você não tem estilo sem repetições de padrão. Mas, ao mesmo tempo,

quantidade muito grande de instrumentos diferentes que ele tem. Ele grava alguma coisa com essa lata aqui e ele fala, beleza, nunca mais eu vou usar essa lata. Vou deixar lá guardada. Eu não sei o que é, mas não sei por isso que eu falo. É difícil explicar. Por exemplo, o que todo mundo faria hoje? Deu certo essa lata? Eu quero 700 latas, eu quero essa lata de todas as cores, todos os tamanhos e tal. Ele faz ao contrário. Esse marketing da escassez,

acho que ele que ensinou pro Steve Jobs, né? De ficar sempre... E é incrível, cara, por exemplo, o Oscar ficou cinco anos pra convencê-lo. Aí ele aceitou, depois que o Quincy passou por um susto lá de saúde e tal, ele resolveu. Aí o Oscar chegou na Suíça, lá no Festival de Montreux, que tava todo mundo, que eles chamam da lista A, né? Herbie Hancock no piano, o Quincy, todo mundo, a lista toda. E aí ele falou, pô, ele convidou o Oscar pra ter lá, o Oscar falou, vou levar a câmera, né?

e não deu outra. O portal se abriu. Aí ele olhou para todo mundo ali e veja, são super estrelas que não são muitas vezes conhecidas do grande público, mas assim, é o cara que mais gravou. No mundo da música, o cara é sinistro. Isso que é legal, né? Você é famoso, mas não é conhecido. É famoso nas pessoas que te conhecem. Extremamente respeitados pelos ídolos da massa. Exatamente, exatamente. Como disse uma vez o poeta, eu quero ser conhecido

conhece, né? Não tinha de ser reconhecido por quem não me conhece. Bom, os caras abriu a câmera, já veio o assistente de um dos artistas que estavam com o Quincy Jones, já encostou, aí o Paulinho foi lá e falou, acabou. Nunca mais ninguém falou nada. Você sabe, isso é importante porque normalmente, não é que eu falando isso pra processo ou nada, como músico você tem que impor o respeito. Então,

As pessoas, quando... Certos músicos não têm o respeito. Eles não dão o valor realmente da pessoa. Então, as pessoas tomam atitudes erradas naquele momento. Eu tive várias vezes, nesse momento com o Oscar, eu tive que ir lá e dizer, olha, isso aqui é outro negócio. Se está aqui, se a pessoa está aqui, porque ele tem que estar aqui, e é por mim. Então, não fala nada, porque eu já ajudei você em outras coisas, que você... Entendeu?

ficar quietinho, então parou ali. Mas você tem que fazer essas coisas para que as pessoas entendam que nós somos todos iguais. Nós estamos de passagem. Você tem 20 milhões, eu tenho um, mas eu sou a mesma pessoa. Tudo certo. Vamos se abraçar aqui. Todos nós estamos ajudando. Eu estou aqui dando um poder para você. Então ele tem que ter a liberdade de se sentir aqui. Não é um trujão que está vindo aqui.

E naquele momento ali tinha a pessoa, Hart Hampton, o cara famosíssimo da música. Você quer ver o Thriller of the Wall? O Thriller of the Wall. Gente assim. O cara que entra lá desse jeito e a primeira pessoa que ele vem abraçar é o Paulinho. Não quer saber de Quincy Jones, não quer saber de ninguém. Vou contar um detalhezinho pra você rapidinho. Nessa Suíça, nesse mesmo lance, o Quincy Jones, fizeram uma mesa separada pra ele. A pessoa da equipe, que é o Quincy Jones, é a estrela, certo? Eu entrei,

Sentei numa mesinha, eu, minha esposa e uma amiga, nossa, que já subiu, na outra mesa ali, tranquilo. O Quincy Jones entra com um senhor que escreve livros nos Estados Unidos. Ele olha assim, a mesa dele está lá, ele vai e senta do meu lado. Aí sim. Quer coisa melhor que aconteceu de que isso? Quer dizer, a pessoa que estava tentando aparecer, uma pessoa estranha, que não vivia no nosso ambiente, não sabe a história que nós temos,

do nosso lado e não saiu mais dali. Porque ele sente uma confiança e está do meu lado que ele sabe que ali tem... Uma parceria antiga também. Uma parceria antiga que vem já... Isso. Que vem dos sucessos dele, que é da família dele, apesar de não ser da família, mas é mais do que a família. Tu fez força para não ser famoso? Eu não... Ou tu não fez força para ser famoso daí? É, eu não fiz força para ser famoso. Eu fiz força para ajudar a nossa terra, mostrar o nosso...

poder rítmico, mostrar o carinho que nós temos pela música, levar coisas que outras pessoas já estão fazendo, mas não conseguiram atingir esse momento que eu estou tendo a oportunidade, então vou tentar. Mas a fama de ser nunca me preocupou. Pelo contrário, agora eu estou recebendo coisas aqui, receber palavras, descobrir que a Elis Regina falou para

filho, que eu era o melhor do mundo. Eu nunca podia imaginar uma coisa dessa. Como é que o Paulinho está lá lutando, trabalhando, vai saber que ali, a Regina falou, o filho tornasse o meu fã, o Oscar um grande, no trabalho dele aqui, um grande diretor artístico, que é meu fã, que sabe mais dos detalhes que eu faço do que eu. E está acontecendo aqui, eu entro no hotel onde estou agora,

tocando à noite. Eu entro lá, para tudo, eles vêm me abraçar. Pô, então isso pra mim já... Meu Deus do céu. Tá realizado. Mas são todas as noites. Lembra do mundo de Truman? Parece que tá todo mundo tentando deixar o Paulinho feliz sem precisar do tempo, mas não é combinado, né? Não, não sei. Eu não conheço essas pessoas. Eu fico até assim... Pô, aí vem, o outro abraça, o outro chora, telefona. Tô chorando aqui que tô vendo o documentário. O outro... A minha família, a família da minha esposa, já vi três vezes,

posso acreditar. É uma maravilha. Agora, é bom para a gente que tem um sucesso e tudo, mas a minha carreira anteriormente... E se eu tiver um sucesso grande, eu não vou mudar nada. Se eu quiser que eu varra o seu estúdio, eu estou aqui. Eu não vou mudar nada. Eu só acho que vai melhorar para outras pessoas. Isso que você quer, o Paulinho da Costa que continua, eu acho que isso vai ajudar. Vai ajudar porque as pessoas vão lembrar.

Sabe o que também eu acho esse negócio da sorte? Não é por estar na presença, mas assim, só tinha uma pessoa no mundo que poderia dirigir esse documentário. Porque o Paulinho é o Paulinho há muitos anos. Ele está na terra do cinema e do documentário. Tudo bem que ele não tirava foto, acho que isso foi ajudando a criar... Lembra daquele herói? Eu era moleque, mas o fantasma. Ele tinha um filho, aí ele mudava e as pessoas achavam que ele era eterno.

o espírito que anda uma coisa misteriosa foi criando essa lenda porque não tem imagem do Paulinho então tudo bem, por lá ele sempre dificultou mas é a terra disso ou das terras disso aí é um cara do Brasil é um cara do Brasil que ficou anos ele ficou acho que 10 anos pensando em fazer ficou 5 convencendo ele e ficou 11 anos fazendo então é o fruto de uma paixão e de uma tenacidade

Eu não vou usar obsessão porque tem um traço que eu não enxergo na alma do Oscar, né? E na relação, sobretudo, do Oscar com o Paulinho. Eu acho que todo mundo que já ouviu a música dele, quando chega nele, tem a idade que tinha quando ouviu a música a primeira vez. Então, eu acho que quando a gente fica perto dele, a gente sente que a gente tem 10, 11 anos, né? Eu já fico procurando o meu Alberto VO5 pra deixar meu cabelo jerry curl assim, né? E minha jaquetinha vermelha. E ele, assim, a coisa é muito bonita.

que eu queria dizer, porque eu devo isso a mim mesmo, do passado. Ele nunca traiu o Michael. Todo mundo traiu o Michael. O que é? Trair, é mentir, é inventar, é chutar o cara quando ele tá caído e ver o que aconteceu com o Michael pra gente. O Michael, cara, pra começar, não sei, não existe um paralelo. Você ser uma criança de 10, 11 anos e ver o Michael chegar, e não tem paralelo em nada. É um cara que já tinha explodido. Lembrar que depois dos Beatles, o Jackson 5, foi a banda, assim, primeiro,

Primeiro single, número um, número um, número um, número um. Nunca tinha tido isso antes. Eles eram garotos pretos em 69, 70 e tinham cereal, desenho animado. Numa América, se hoje é complicado, imagina em 70. Incrível, né? Aí, de repente, aconteceu tudo o que aconteceu. O dia que a gente ouviu aquelas coisas todas, era como saber que a minha avó está sendo espancada por seis pessoas. E eu não posso fazer nada. Aí você vai vendo todo mundo, todo mundo. E eu falei, caramba, o Paulinho... Nem coisa boa, nem coisa ruim.

a ele. Então, é interessante saber que o Michael morreu com amigos muito estranhos, né? Mas eu acho que ele sabia que... Poderia haver outro, mas o que eu tenho certeza é que nunca traiu, que nunca... Falou uma coisa, uma... Sabe, cara? Quem é que tá meia-noite, sábado, na casa de um amigo, três e... E aí? Mas e aí o Michael? Nada, nunca. Ele não tem esse desejo. O que é pior, ele não deixa a gente sentir esse desejo. Você não tem vontade de perguntar nada,

que você não quer deixar ele chateado. Mas tem uma historinha fofa que eu posso contar, da Blockbuster. Vai te incomodar? Pode, pode. Ele tá lá na Blockbuster e de repente escuta, Paulinho, Paulinho, Paulinho. Aí ele olhou assim, tá o Michael lá, vou resumir, tá o Michael assim, com aquele chapéu aqui. Escondido. Black Michael, Black Michael. Aí tá lá e tal, mas já era o Michael, thriller e tal. Aí chegou, em resumo, a moça não queria aceitar o cartão de crédito do Michael, porque embora fosse a Blockbuster,

ter um lugar de aluguel, se você quisesse comprar, eles vendiam, mas era tipo 10 vezes o preço. Então, sei lá, 20 mil dólares de DVDs, a mulher falou, não, eu não vou aceitar, o senhor está de máscara, de óculos, com aquele chapéu Buckethead lá. Cara, eu não vou, eu vou ser mandado embora, eu vou dizer, eu tomei um chapéu de 20 mil dólares de um cara que disse que era o Michael Jackson. Aí ela chegou, ele falou, senhora, é o Michael Jackson? Não, desculpa, não é e tal. Ele falou, Paulinho. Ele falou, tá bom, ele passou,

cartão, depois o Michael deposita. Tu pagou os filmes do Michael? Não, mas é o negócio... Não, mas ele pagou depois pra ele. Tá bom? Imagina, imagina. Tu chega pra jantar com o Michael Jackson e, puta, meu cartão tá passando, tu vai lá e passa. Não, o pior, você tira o Michael Jackson de uma roubada. Você sabe o que acontece? O Michael Jackson, naquele momento, não podia sair na casa dele. A fora da casa dele tinha, todos os dias,

uma quantidade de 50 garotas. Isso é todos os dias na porta da casa dele, que é perto de onde eu vivo. Era ensino, né? Ensino, ensino. Entende? Então, ele não pode sair de casa, não pode ir ao banco, que o banco entrava no banco para... Onde ele passava? Eu tive bons momentos, momentos assim, de ver isso com o Pelé, ver isso com o Casclei, que é uma armada ali, né?

ver essas pessoas que têm esse poder grande. O que eu sentia nisso? Poxa, fazer parte desse trabalho dele, isso é sensacional. E ver o sucesso dele e tudo, mas é uma pessoa que estava preso, porque você não pode... Não pode no shopping, não pode no cinema. Não, lugar nenhum. Tem que ter o cinema dentro da casa dele. Foi a primeira pessoa única fechar a Disney para ele conseguir. Exato. Você foi a Disney com ele? Não, eu não fui na Disney com ele,

Estava gravando, né? Estava gravando, assistindo o Capitão Neil, o que fizeram, né? Daquele filme dele lá. Muito bom e tal. Eu acho que, para que você... Espero que você esteja contente do que eu estou te falando. Isso é puramente verdade. Eu nunca tive o egoísmo de que eu tenho que ser o Paulinho da Costa melhor do mundo, não. Pelo contrário. Eu sinto que o que aconteceu, o que está acontecendo, eu sou muito agradecido. Agradecido de você.

dedicar um momento aqui com a gente. Tá maluco o cara. Entendi, tá bom. Mas é verdade, não é média. Se fosse média, eu ia chutar ele aqui, entendeu? Mas não é, ele é assim. Isso que é legal, ainda existe isso. E posso falar mais uma coisa sensacional? Por exemplo, eu nunca podia imaginar, na minha vida, que a Johnny Walker ia interessar por nosso trabalho. E uma coisa que aconteceu assim, maravilhosa, eu só tenho a falar pra ele, o Felipe, se ele ouviu isso, eu queria agradecer.

atenção dele, é uma pessoa maravilhosa. Um cara que eu conheci por causa do João, o que aconteceu, que eu não estava nem a par, quando eu tive a oportunidade de conhecê-lo. Uma pessoa maravilhosa. Eu conheci, nós demos um abraço que a gente não soltava um do outro. Parecia que eu conhecia ele há 20 anos, como eu conheci vocês hoje. Eu entrei ali e já estava uma vibração, mas o Felipe, eu toquei uma parte, eu fiz assim, ele estava cantando a parte na frente. Entendeu?

O tratamento que eles deram para a gente, que eles estão dando aqui, o dia do opening lá, que eles deram para a gente lá, do head carpet, que a gente chama lá, no tapete vermelho, lá nos Estados Unidos eu vejo gente de muito alto nível que eu nunca vi nada igual. Eu falei para eles. Que bom. A atenção das meninas é aquela que está ali, já vamos botar ela na mala, levar ela com a gente. Então é o seguinte, isso aí,

Como eu vou explicar? Vou dizer... Isso é uma maravilha. Ah, olha. Faz sentido na minha cabeça essa parceria. Porque o que tu fez ao longo da tua vida me parece ter sido keep walking. É isso aí. Mas eles estão me falando isso. Eu não podia. E teve um momento que ele moonwalking depois... Rola um moonwalking, né? E vai ter umas surpresinhas que vão acontecer. Que foi feita. Eles vieram lá, né? Fazer umas certas filmagens.

você vai gostar muito. Eu não quero falar de respeito que você vai gostar muito. Mas o que eu estou muito agradecido é em ter pessoas como o Alan, o Oscar, ele e ter vocês agora com a gente, porque você vai entender o porquê desse reconhecimento. Eu estou agradecido. Eu estou muito contente em saber que nós vamos ajudar muitos músicos, muitas pessoas que não tinham esperança, que têm esperança.

Porque você pode conseguir, desde que você leve a sério e... Keep walking. Keep walking. Quando uma marca como o Johnny Walker usa o alcance que tem para jogar luz num cara como o Paulinho e trazer essa conversa, a gente está provocando mesmo essa reflexão e pensar em como isso tudo se forma. Então, aproveita aí. Johnny Walker, keep walking, apreciem com moderação e não compartilhe com menores de 18 anos. O cara vai ter uma estrela na calçada da fama. É o primeiro brasileiro. Tem a Carmen Miranda,

que é uma brasileira nascida em Portugal, eles fazem essa diferença lá. E é ele. É surreal, né, cara? Aqui, aqui, só assim. Paulinho, se liga. Lembra aquele filme, alguém lá em cima gosta de mim? Su, tu já... Bom, essa vai pra vocês duas, na real. Cara, a música... Dá pra dizer que a música hoje, ela... Como é que eu vou dizer isso? Sem ser um babaca também, vamos lá. A sensação que eu tenho... Posso te ajudar a ser babaca, posso ser babaca. Tá bom, tá bom, vamos lá. Eu tenho 41, como eu disse, né?

E quando eu tinha 15, a música tinha um outro jeito de escutar, pelo menos. Pra começar, não era tão fácil quanto hoje. Eu tinha que ter um irmão mais velho que comprava os álbuns de metal e me emprestava pra eu poder ouvir uma banda, um Blind Guardian alemão. Não era põe aí na internet e pronto. É, lançar o álbum triplo no digital não vale. Você não tem que pagar por isso. É, é. Então eu lembro o primeiro álbum... Não é verdade? É verdade.

vai ser um duplo, tem certeza, vai custar o dobro, o pessoal não vai comprar. Dá umas canções de graça mais na frente. Bonus track. Eu olhava o bonus track e falava isso aqui é safadeza. Ele só escreveu o bonus track. Na época que você pagava individualmente, sim. O ponto é justamente esse. A música, não só o consumo,

mas eu sinto que até a intenção da música mudou ao longo do tempo. O que eu quero dizer? Hoje, a gente tem um jeito, por exemplo, de um artista surgir muito específico, que é pelo TikTok. Então, existem artistas que fazem músicas... Eu não estou fazendo valor, não. Mas, assim, existem artistas que fazem músicas para viralizar numa rede social com vídeo curto. Então, tem 10 segundos e aí tu bota aquela música no aplicativo de música,

carro, e quando passa daqueles 10 segundos, tu não quer mais ouvir. Então tu só volta e escuta de novo os 10 segundos e... Você entende? São músicas de 10 segundos, de certa forma. É uma gaiola, né? Isso. Então, junto com isso, tem várias outras maneiras novas de fazer música ao longo da tua carreira. Quando tu começou, só tinha o pandeiro. Depois começou a ter o pandeiro no computador. Começou a botar o som do pandeiro no computador.

Antes disso, uma bateria eletrônica. Então, as coisas, as tecnologias vêm mudando o jeito.

E hoje, além de mudar o jeito, ainda mudou como. Mudou o método pelo qual você ouve a música. Além de porquê, além das ferramentas. Então, cara, de quando tu começou? Isso ele não vai te responder, não. Não, eu sei. Mas assim, vamos lá. Sabe por quê? Porque ele vai ter que quebrar muito prato pra responder isso. O Paulinho não quebra prato. Entendi. É, mas tudo bem. Ele pode dar... O Paulinho, quando chegou a bateria eletrônica, o que você falou? Compra eletrônico aí. Exato. O que ele falou?

sentindo, na minha opinião... Ô, Paulinho, quase 80 anos, tu que manda, meu irmão. Não, não, não, não sei. Mas não é que eu tenha que mandar para criar um lado político aqui nesse negócio. Não, eu falei para ele, é a verdade, olha, a eletrônica veio, eu acho que ajudou muito, facilitou muito as pessoas, mas não me derrubou, a mim não me derrubou, pelo contrário, eu gosto de tocar com ela, porque a eletrônica precisa do

Paulinho da Costa, entendeu? E eu também, ela me dá uma base, talvez eu não faria, porque é muito mecânica. Então, tendo aquela base mecânica, eu vou ajudar aquela base mecânica, eu vou tirar ela daquela. É onde as pessoas, até hoje, que eu já falei, olha, eu não quero fazer certas coisas, que agora eu tenho que o Brasil, o pessoal não entende. Não, porque, como é que eu vou fazer? Porque eles já acostumaram que eu ia lá e resolvia. É uma maravilha,

lá, jogo a nossa pimentinha brasileira, faço e muda, entendeu? E é por isso que eu continuo essa, entendeu? E eu acho que isso aí é uma coisa assim que é difícil explicar, que pra muitos músicos foi um horror. Primeiro que eles venderam o som deles. As fábricas, faziam sempre as fábricas. Tentaram comprar o meu som muito, muito dinheiro. Dinheirinho legal.

Mas acontece que você se vendeu a história. Como é que eu vou vender a história? Vender essas mãos aqui que Deus abençoou? Que eu nem sei como eu cheguei lá? Então eu falei para eles, muito obrigado. Muito obrigado. E hoje está acontecendo a mesma coisa. Você vê essa nova geração de cantoras, Olivia Dean, Leivei. Elas não usam, por exemplo, o afinador mecânico. Porque elas querem deixar traços humanos.

fez nos anos 80. Chegou a bateria eletrônica, era muito legal. Tinha pouca gente que tinha manha de programar, sejamos sinceros. Ela também não te dava muitas nuances de dinâmica. E o Paulinha lá colocava o molho dele. E é curioso, porque ele está certo até hoje, nesse sentido. Dessa dimensão humana, desse traço humano. Agora está na moda, todo mundo. Atendimento humano, todo dia. Isso aqui foi feito por um humano. Cada vez mais robô.

Mas é sempre assim, né? Quem inventou campanha de proteger a natureza não era quem não atacava, era quem atacava a natureza. Nessa mesa, você deu uma explicação pra gente. O que eu falei? Adorei isso aqui. Eu não tô sabendo que essa mesa tem essa história que você contou pra gente. É, lá do Mato Grosso do Sul. Mas, pô, é lindo, né? Aí você já, não, mas aí, pá, é madeira. Então já tem um outro negócio aqui. Por exemplo, agora, no momento, no momento,

Eu tive vários trabalhos rapidinho que eu tive que fazer para amigos, que eu falei, olha, eu estou indo embora. Não, você não pode ir sem fazer isso. Eu entendi, porque eles me disseram, olha, Paulo, é o negócio seguinte, nós fizemos isso aqui com a eletrônica, eu queria que você viesse aqui botar algo, mas vamos jogar isso, não, vamos jogar isso tudo fora, você vai fazer tudo o que eu pensei que não consegui.

Isso aconteceu antes de outras coisas. Eu fui lá. É uma pessoa amiga, uma pessoa que me ajudou muito. Como é que eu vou dizer? Eu vou pegar um avião, vou para o Brasil e não vou fazer. Fui lá. Não sou eu essa pessoa. Não, não é ele. Ele está aqui no Brasil. Isso é verdade, mas eu não posso citar nomes, porque isso aqui entra a gente. Estou muito contente de ter feito. A gente vai saber no futuro o que você fez? Vai saber. Quando eu sair, você vai saber.

pessoas falando e tal. Eu vi lá um... Pô, Paulinho, vem pra cá. Eu tô na Rússia. Mas eu já tô aposentado. Vem pra cá. Eu mando o avião aí. Não precisa trazer nada. Já sei suas medidas. Não vai pegar a mala. Não vai fazer nada. Eric, obrigado. Não dá. É o Eric Clapton, né? É verdade. O pior é que não é mentira, né, cara? Agora... É surreal, cara. Mas acontece que eu fui lá... Não, mas não é... E não é prazer, entendeu? Mas acontece que...

É, porque ele realmente... Se me dá um prazer enorme o cara tirar tudo que ele fez, jogou a máquina,

Fui lá, perdeu tempo, eu fui lá, toquei a metade do que ele tinha na máquina dele. Pra te contar uma rápida, uma dessas pessoas ficou tão contente que ele falou pra mim, olha, eu não tenho dinheiro pra pagar pra você, mas o que eu vou fazer é o seguinte, aonde você quer ir de férias? Isso já um pouco anteriormente. Eu falei, pô, férias? Quando é que a gente... Falei pra minha esposa, né? Falei pra ela, escolhe aí pra você, que eu não... Ela falou, ó, vamos pro Tahiri, ok?

é verdade. Estou falando para você, isso é uma coisa que ninguém sabe. O Oscar sabe que eu já contei isso para ele. Aí ele ligou para ele e falou, olha, Paulinho, eu resolvi ele quer ir no Tahrir. Ele falou, ok, vocês vão para o Tahrir. Só que vem passagem de primeira classe. O iate que nós fomos tem 250 pessoas para servir você e só tem 200 tripulantes. Então tem mais pessoas para servir você do que, né? Então 24 horas de serviço,

uma, a cozinha toda portuguesa, por sorte minha, virou meus amigos e me abraçando quando eu cheguei nesse bar. É só tu chegar com pandeiro, né, Paulinho? Não, não precisei tocar pandeiro, não. Mas você vê que essa pessoa tá tão agradecida que ele oferece uma viagem pra gente. Mas não mandar uma viagem, não. Avião, avião, passagem, tudo. E tá me agradecendo porque eu fiz por ele. E eu acho que eu fiz pro meu coração pra ele. Entendeu?

Pagarão, mas fala uma viagem. Miserável, né? Porque existe esse lado que é bom, vocês sabem. Existe ainda a amizade que o dinheiro não representa nada. Que bom que existe isso. E bom que ainda existe. Agora, nós estamos passando esse momento de guerra, morrendo. Você precisa voltar, Paulinho. Você precisa voltar a gravar para reestabelecer o equilíbrio magnético. Foi tu parar e começar as guerras. Mas o que me dá um...

Uma alegria da... Que eu lembro, na época da guerra, com o Fred Astaire, com a dança, salvou muito. O pessoal, o Bob Hope, que vivia na área onde eu vivo, era dono de toda aquela área, ele ia com shows dele, fazendo... A música sempre vai aliviar esses momentos. É verdade. Vai aliviar esses momentos. E é isso que a gente precisa. A pessoa aí matando, roubando.

Tentar desse jeito. Não adianta batendo. Eu acho que o nosso país, a gente poder trazer um pouquinho de alegria e eles olharem o nosso documentário, ver o que está acontecendo aí. Essa atenção maravilhosa que o John Walker dá para esse mundo de gente que está trabalhando, que dá emprego para essa gente. Esse movimento que nós estamos fazendo, quantas pessoas estão trabalhando ali? É isso que eu acho que é o necessário.

bater, brigar e dar. Vamos esquecer isso. Pelo amor de Deus. Entendeu? Isso que eu posso falar pra você. Como é que é o teu jeito favorito de escutar música, cara? Tu escuta música LP ainda? CD? Digital? Olha, eu escuto LP. É? Eu tinha uma quantidade enorme dos discos. Todos os discos que eu participava, eles mandavam pro presidente. Eu comprava, fazia questão de comprar. Ele tem que mudar de casa, ele falou. Tá mudando de casa por causa disso. É, a minha esposa, um dia chegou pra mim e falou assim,

muito, como eu ouvi os CDs, vamos fazer o seguinte, não tem um espaço, vamos, ok, chamei uma livraria que coleciona discos, dei todos os meus discos pra eles, de presente. Então, aí... Ainda bem que a gente não se conhecia, senão ia tomar como uma ofensa. Todos os discos vieram com o caminhão e levaram tudo. Eu falei pra você estar contente agora, agora, aí tudo se diz e tal. Eu, realmente, eu ouço rádio, eu gosto de ouvir o rádio, entendeu?

de ouvir rádio, o que está acontecendo. Então, eu vou do jazz a pop, musica e tal. Então, aí vem a hora que volta o disco. Eu comprei tudo. Não comprei de lá, não fui ter uma amiga na loja lá que ela compra todos os discos. Eu vou lá, pego as caixas, pago a eles. Comecei a comprar toda a coleção outra vez. Tem discos e a minha esposa tem todos os marcados.

tem uns livros com os detalhes. Mas antes de voltar lá pra comprar, tu pediu a tua esposa, né? Não, pedi. Não, mas ela ia. Tem o Paulinho. Tem o ser acima. Não tem? Que é a esposa dele. Nesse caso, sim. E não é aquele estereótipo da esposa, da piada. É realmente isso. Sem ela não teria ele. Eu entendo. Quando pega fogo num grande estúdio nos Estados Unidos, os contratos se perdem, a família da Costa,

especificamente a Arice, é uma das pessoas que são procuradas. Tem uma cópia do contrato que pegou fogo. E vocês não digitalizaram, não? Dá tão esporra ainda. Tá certo, é isso. Quincy Jonas, quando ligou lá em casa, não falou. Falou só Quincy. Dá pra reconhecer com aquela voz e tal. É incrível. Entendi. Mas é isso aí. Entendi. Pô, cara, muito maneiro. Como ele não conta nada... Então vai, me ajuda aí, João. Não, eu também queria saber.

Não é pra perguntar pra ele. Tá bom, então a gente tava falando... A gente tá a um grau de distância do Michael. Eu fui fã a vida inteira e desde criança. A questão aqui é que tu sabe que não adianta cavar muito. Dá pra pegar? Não, você aborrecer o Paulinho da Costa deve dar umas quatro gerações de azar. Tá bom, tá bom. Imagina. Mas pela carinha dele aí deve ser difícil aborrecer também. Não, não me aborrece não. Só que eu faço o seguinte.

O que eu falo é o seguinte. Quando eu não gosto das coisas, eu não respondo e não vou...

E deixa rodar. E lá nós temos um termo que diz next question. E é isso aí. Perfeito. A gente estava falando do jeito que tu escuta a música hoje em dia. Exatamente. Aí você falou que comprou de volta todos os discos e tal. E a gente está falando de muito álbum. Muito. Mas são muitos álbuns. Realmente milhares. Mas acontece o seguinte. Por que eu comprei? Por precisar de certos materiais lá que nós

entregamos porque lá tem todas esses discos tem todas as especificações e muitos dos CDs, outras coisas novas, o digital some tudo o CD já perdeu um monte de informações do vinil e o digital na internet desapareceu aqui é uma pergunta de leigo eu entendo que vamos lá, thriller LP do thriller aí tem o CD do thriller

e tem thriller no Spotify, no Deezer, sei lá onde. Ficha técnica vai para o espaço. É isso? Mas e quando tu escuta o thriller num LP, tu não está usando uma tecnologia para ouvir que meio que adiciona ruído, por exemplo? Ah, sim, isso sem dúvida. Mas a matriz original é a mesma. Então, o que está gravado antes de ir para a fábrica em vinil, tem um master pronto que você prepara para vinil ou prepara para CD.

É, mas a gente se refere mesmo às informações, né? Às informações. Ah, tá. Entendeu? O museu da pessoa. Entendi. Quem tocou essa percussão aqui? Tá bom. Quem tocou essa percussão? Com certeza se perde. Perde? É. Também ninguém está mais preocupado com nada. Não, não é problema. É que perde. Eu sei quem produziu o primeiro disco do Angra, de 1994. Então, mas por quê? Porque você não estava derretendo o seu cérebro nessa nicotina digital.

Você tem toda a razão. Você tem toda a razão. Eu entendi. Nunca te ouvi. É que depois a gente quebra esses pratos,

Mas o que acontece é isso aí, as informações que somem. Detalhes que foram mal feitos que você vai ter que tomar providência para... Você lembra que na primeira prensagem do Thriller aparecia que o solo do Billy Dean era do Dean Parks e é do David Williams. Então essas coisas também que vão ficando perdidas. Ficam perdidas e depois... E o problema é financeiro também, porque como é que ele vai receber o Conexo se não está lá o nome dele? Você imagina para administrar o Conexo? Esse é o grande segredo.

Como vocês estavam dizendo antes aqui, a tua esposa encontrou vários álbuns que tu não estava acreditado. Olha, até hoje, até hoje, não tem um dia que eu descubro que parece uma faixa que tu não acredita. Eu estou trabalhando e que houve um erro da secretária, a menina que brigou com o marido e esqueceu de poder ali. Então, isso é bom para a gente. E eu tenho, por sorte minha, mais uma vez a sorte minha, eu tenho uma esposa aqui, uma esposa.

Costa, entendeu? Porque ela é séria. Eu entendo. Ainda bem que vocês se encontraram mesmo, porque o caos precisa da ordem, né? É, entendeu? Porque eu tenho... Você é caótico? Não, é sério. Não, mas não é um pouco caótico? Sim, porque ele tá em transe tocando. Isso! O que o cara não... Ele não lembra. É a Paula Dionísio, né? Ele não... Ele não... As coisas são, né? Porque quando tu falou assim, o Paulinho, a sensação é que ele é a manifestação da música, eu entendi. A música é se manifestando. Isso, sim. Esse aqui é o canal.

Que é o que eles falam direto no documentário. Tem um cara que não é muito conhecido hoje em dia, mas ele vendeu mais álbuns do que os Beatles no ano do auge dos Beatles nos Estados Unidos. Herb Alpert e Tijuana Brass. Tudo instrumental. O cara toca trompete, faz música para adulto, instrumental. Não é o melhor trompetista do mundo. Não fica bravo comigo. Mas sempre manjou muito. Se até o Paulinho falou, então você imagina como o cara...

É, mas é um galã, tem um topete bonitão e tal. Explodiu, montou estúdio, selo e tal. Exato. Então, assim, sei lá, de coisas que você não imagina, né? O Polícia, a Janet Jackson, o Quincy Jones, gente muito diferente gravou lá. E ele falou assim, pô, o Paulinho tem um contato direto com a fonte. O Quincy fala assim, eu sei escrever, mas não é daí que vem o divino. Você precisa montar uma estrutura e deixar Deus ser Paulinho.

Então, assim, eu falei, caramba, cara. Então, assim, as pessoas que eu mais respeito, as pessoas mais especiais da história da música, assim, ou muitas das, inclusive o John Williams, né? Que tem mais indicações ao Oscar do que o Walt Disney. E que, se eu me lembro, nem a assinatura do Walt Disney é do Walt Disney. O John Williams fez tudo, né? É a mesma coisa, assim, é esse tipo de relação. É dessas pessoas que ele tem a admiração máxima.

Entendido. Então, assim, é de gente que conhece muito, gente que para tudo. E eu acho estranho,

uma coisa que tem passado despercebido, talvez quando chegar aos Estados Unidos as pessoas notem. O Bill Weathers é uma entidade nos Estados Unidos, no auge, né? Lovely Day, Ain't No Sunshine, Putz, né? Just the Two of Us. Enfim, ele parou de cantar e ninguém nunca soube porquê. E ele foi indicado ao Hall da Fama e ele foi homenageado, ele e o Steve Wonder assim, o Steve Wonder aqui cantando e ele ali, ele em nenhum momento,

Ele foi para o microfone, ele ficava aqui sorrindo e tal. Bom, os caras foram filmar, chamaram o Bill Withers, o Bill Withers foi, milagre. O Bill Withers cantou. É tipo um milagre, você fala isso para um americano, ele fala, não, não é possível, até assistia, não é possível. Então, por que ele não cantou antes? Aí lá ele fala, eu sinto dor na coluna desde 58. Eu estou aqui agora, eu não estou sentindo dor. O Lalo Schifrin, que é o cara que fez muitas coisas, mas Missão Impossível, ele não tocava piano faz algum tempo, estava com Parkinson.

começou a tocar. Então tem alguma coisa, assim, que é difícil de explicar, mas esse estado de espírito que as pessoas ficam ao lado dele. Eu falei, cara, eu entendo as pessoas agora conhecendo o Paulo, porque se eu pudesse gravar e ter o Paulinho no estúdio, eu queria ter o Paulinho dentro do estúdio o tempo inteiro, entendeu? Porque tudo dá certo. No documentário, o que faltava na minha vida, eu presenciei, o Oscar estava lá, ele viu também.

O Paulinho estava tocando, fazendo o Don't Stop Till Get Enough. E aí ele esbarrou,

cotovelo numa garrafa e a garrafa caiu no chão, esparramou a água e tal, mas tudo certo, né? Aí eu fiquei pensando, eu fui lá dentro e o Oscar sabe porque ele viu isso. A gente pegou e viu a queda. Bom, a gente abriu, abriu, abriu, colocou exatamente, ele caiu no chão exatamente no tempo. Não tá nem um pouquinho pra trás, nem um pouquinho pra frente. É um acidente. Mas ele também parece que é um acidente, né, cara? Isso não vai acontecer de novo nunca mais, cara. Nunca mais, esquece. E se você me permite,

Você falou a respeito da música que você ouvia quando você tinha 15 anos. Eu acho que a gente tem que lembrar que quando a gente escuta música nesse período da vida, é o tipo de música que você vai ouvir o resto da vida, trocando em miúdos. Quando você começa a sair com seus amigos e amigas e começa a ter as suas primeiras experiências íntimas, aquela música que você está escutando ali, ela reverbera para o resto da vida. E são variações dela que você acaba gostando.

do ponto de vista cerebral e tal, do nosso desenvolvimento, fica mais difícil você se ligar a algumas coisas. Por isso que a gente sempre acha que a música do nosso tempo era melhor. Mas a música também, ela não vem... Claro que a gente tem uns caras que estão preocupados com outra coisa e não necessariamente ganhar dinheiro e ficar famoso. Fazer música. Mas a música hoje, eu sinto... Eu não quero colocar ninguém, mas eu sinto o seguinte... Ele tem problema com isso.

Não, não. Eu sei que não. Mas, pô, por exemplo, K-pop. Legal a existência do K-pop, mas não é meio uma fórmula? A vibe... Sempre teve, né? É, sim, sempre teve. Exatamente isso que eu tô dizendo. Sempre teve uma matemática, de certa forma, um jeito, ainda que isso seja ligado com a época e tal, mas sempre teve boy band. Sim, sim, sim. Elas vêm e vão, daqui a pouco surge de novo. É gostoso demais, né? Então, eu não tô de novo, não tô fazendo...

nos dias de valor, mas o ponto é, a sensação que eu tenho é que tem, hoje especialmente, a gente tem bastante coisa muito parecida, ou que eu já ouvi antes, então tem um monte de música que pra geração nova aí pode parecer novidade, porque eles não estavam ouvindo música nos anos 80, mas eu já ouvi aquilo ali, é igualzinho alguém dos anos 80, só que agora é um brega funk, entendeu? E aí toca lá e a moça vira de corte, dá uma rebolada e

e o TikTok. Entendeu? Então, se você quiser, Paulo, entra na dança também. Mas, João, a música tá mais pobre hoje? Eu acho que a música é uma reportagem do seu tempo. Ela não vem, ela não dá em árvores ou vende pra um OVNI e chega aqui. Ela nasce nas pessoas que estão vivendo isso. Então, a gente tem exatamente a tradução da nossa época. Por exemplo, vamos sair um pouco do Michael, né? Outra pessoa que ele gravou, que foi o Prince, né? Purple Rain,

álbum do filme, né? Quando você ouviu O Príncipe, você falava assim, pô, isso aqui é meio sly, isso aqui tem um pouco do Hendrix, tá na cara, tem um pouco disso, daquilo, mas ele acrescentava algo próprio, né? Acho que eu fui ver o termo, né? Que eu gosto de etimologia, autor de Algérie, acrescentar algo, né? E aí eu diria que hoje me parece que um momento específico, mas a gente tá saindo disso, né? Parece um bando de gente que assalta a dispensa, mas não repõe, entendeu? Então a gente tá,

Estamos saindo disso, né? Eu acho que sim. A história é pendular, é pendular. Não, a década de 30 é a década da desaceleração. Ou vai acabar antes, né? Mas enfim, me parece que sim, porque é pendular, né? Você não vai... Ou vai acabar antes. Não, vai acabar... Quem imaginou, né, Paulinho, que a gente ia ver a possibilidade do fim do mundo, mas não é uma espiral que tende a linha reta. O Paulinho, provavelmente, né, cara? Ele não estava ouvindo aí num filme muito sinistro, de Guerra nas Estrelas.

Footloose, Jurassic Park. Dos filmes que tu... A cor púrpura, ele tá lá, né? Ele atua na cor púrpura, né? É inacreditável, né? Paulinho ator? Me jogaram lá como africano, lá eu tô lá, tocando lá um negócio lá. Fazer música pra filme, fazer coisas pra filme, pra tu é a mesma coisa, cara? Não, a maneira que eu toco não muda, né? Não tem...

vou fazer, mas você tem que obedecer umas regras que é necessária para aquele momento. É um pouco menos livre, dá para dizer? Não, tem liberdade porque para você mostrar o seu valor, você tem que ter uma liberdade. Mas dentro da matemática do projeto, você tem que seguir certas linhas, certas linhas de comportamento, certa maneira que você toca. Então, você tem que seguir aquele.

parte não tão precisa, são rígidas, porque eles só me chamam quando eles querem alegria. Entendeu? Que aí, tudo que eu tô ouvindo aqui tá me fazendo entender melhor o que tu falou no começo. Que é, tem lá a música. Chama o Paulinho. O Paulinho coloca um troço que não tinha. E aí, agora que tem, ao tirar aquela música não existe mais. É, desanda tudo, cara. É tipo que tá tudo, mas faltou o sal. Aí você tira o sal, parece que... Agora,

Só um detalhe, quando o Paulinho começou, não se chamava o público de consumidor, se chamava de plateia de audiência. E eu só queria lembrar, eu sei que não quero causar nenhum problema com ninguém, eu entendo que as coisas se impõem, a vida se impõe, mas consumir vem de consumere, que é esgotar, destruir e aniquilar. Consumir cultura não existe. Consumir música, cultura é cuidar.

que chamassem música de conteúdo, que eu entendo que se chame numa reunião, que eu entendo que se chame quando você está analisando um plano. Agora, você fazer música, você fala que você faz conteúdo e você tem consumidores. Cara, que tristeza, né? Triste, né? Consumidor. Em que momento você usa o termo consumidor que seja positivo? Igor, eu fui lá ao seu programa e aquilo me consumiu. Você vai ficar chateado, né? Nossa relação está me consumindo. Por que vocês estão me chamando a pessoa de consumidor?

consumidor de música. Entendeu? Eu acho estranho. Quando ele começou, não era assim. E é o seguinte, ninguém faz um hit. Você escreve a música que você gosta. Porque se você chegar no estúdio que você está e perguntar para cinco pessoas, ou três, ou dois filhos, cada um vai achar uma coisa, provavelmente. Então você faz o que você acredita e manda. Quem faz o hit não é o hitmaker, é a plateia. Não existe hitmaker. Porque ele trabalhou com um dos maiores, o David Foster,

O cara, pra cada sucesso, ele faz assim, pra cada música que ele apresenta pro disco, ele já compôs 30. Sem AI, claro, né? Porque senão não tem o esforço, não tem o trajeto até chegar lá. E uma coisa que o mestre dele falou que é bonito é que não dá pra engarrafar um relâmpago. Você, a hora que quiser, você abre o relâmpago. Hoje tá todo mundo achando que você consegue engarrafar. Você tem que ficar lá e uma hora surge, né? Então, assim, quem faz o hit é a plateia, não é o produtor, ou o compositor, ou a cantora, a produtora,

a compositora. E eu acho que eles sabem disso. E até o Michael falou, você tem que sair do caminho da música. Sair do caminho da música. Para de atrapalhar a música. Eu não sei se ele lê o Jung, mas é exatamente o que o Jung fala. A música se manifesta através do artista. Ele fala, a música acontece, é uma coisa que vem. É diferente. O que a gente tem hoje é produto da época que a gente vive. E cara, em 15 segundos, fora olhar e encontrar o amor da sua vida,

como a Arice encontrou, não em 15, mas em um segundo ela olhou e falou, esse é ele. Ela viu o Paulinho com um pandeiro, não teve jeito. Mas com música, você ouviu os discos que você sabe, porque você conviveu com os discos. Ela não me viu exatamente naquele momento tocando pandeiro, mas existe assim. Você passa, todos nós passamos por isso, não é? Eu não. Não? Não, não passa. O amor à primeira vista é bater o olho e se apaixonar, quem nunca? E o Vicente no coração diz e tal, e vai ter,

empecilhos e tudo mais, você passa por cima disso tudo. E eu acho que o que eu posso oferecer para você vir aqui é... Tudo que eu falei aqui é sincero. No meu coração, eu não tenho nenhum arrependimento de seguir o caminho que eu segui. Eu acho que o caminho que nós seguimos, a minha esposa, a minha família, deu o caminho certo para a gente, porque nós estamos aqui ainda.

Hoje acordamos aquela mesma alegria e isso passa para meus netos, passa para toda a família. Meu filho é envolvido no negócio que ele trabalha com o Disney. Ele é um dos caras muito importantes dentro do Disney. Maneiro. Isso deixa a gente com muita alegria, porque ele ajuda muita gente lá.

atrás, e eu fui contente de saber que essas pessoas já tinham, quando eu ouvia o nome dele, que ele é Paulo também, pensava que não sabia que era meu filho, tinha uma dúvida, mas peraí, você, Paulinho, não, é meu pai, então isso aí, saber que você... Entendeu? Então, e... Tipo a espada do He-Man. Eu espero que ele não seja percussionista ou ritmista. Não, não é. Imagina, o filho do Ronaldo vai

joga bola. Não, não é, não. E o Pelé foi jogar no gordo. E jogava bem, hein? Tudo bem, mas não é o Pelé, nunca vai ser. O Paulo Jorge aprendeu piano, eu tenho um piano em casa, para os meus amigos que vêm, que gostam, está lá, tem um 7'4, um tamanho que é 7'4, é concerto já, né? Está um som maravilhoso. Está lá em casa, eu não sou pianista, não toco piano, mas a rapaziada chega lá, tem um piano bom para eles. Os caras vão no piano, o Paulinho já agarra logo o paneiro. Já pego logo.

Você ainda toca para o prazer? Poxa, agora eu tocaria para o prazer. Perfeito. Então, estou aqui. Estou brincando. Não, é que eu acho isso muito importante. Olha, eu vou te dizer um negócio. Você não pode acreditar. Como eu estou conversando com você aqui, se eu tiver que tocar, eu acho que eu sou outra pessoa. Você acha, não, Oscar? Eu acho que eu sou outra pessoa, porque eu não sei, eu me transformo.

explicar a você. Ele me pediu agora, lá nos Los Angeles, eu estou aqui, estou preocupado com outras coisas que estão acontecendo. Ele me pediu, Paulinho, faz esse negócio, que ele sabe da história e tal. E eu já fui. Naquele momento, eu já estou me transformando. Eu já começo a criar o que ele está me pedindo, mas o que eu posso acrescentar aqui para dar aquele Paulinho da Costa que já está... Que é o que todo mundo quer, de verdade.

chega e ele diz, mais um, aí chega lá e ele, aí todo mundo começa, porque eu já me transformei, eu já não sei onde eu estou. Não é verdade? É bom demais. Talvez se eu tivesse escrito aquilo, eu não me transformaria tão lá, porque está ali, aí eu já vou, aqui eu já estou, mas não é isso, ali é a história, o que ele quer que eu faça como diretor,

mas eu não posso ficar um mecânico. Quer dizer, aí tem que ter aquele jogo de cintura nosso lá da sua jogada, esse jogo de cintura que você tem na sua rádio aí. Como é que vai fabricar isso? Nesse programa, desculpe, não é rádio, no seu programa, né? Quer dizer, você não dá para fabricar. Você fala uma palavra do outro lado, mas é parte sua. Eu não falaria porque eu não tenho essa facilidade. Mas deixa comigo que eu falo.

Eu acho. Tipo o zagueiro, né? Se bater nele lá, a gente bate isso aqui, né? Então fica tranquilo aí. Romário. João, Paulinho, muito obrigado pela moral. Obrigado pelo tempo de vocês. Foi sensacional conversar com vocês e entender um pouco mais. Hoje é a verdade que eu entendi muito mais da história do Paulinho do que como foi ser filho da Elis, que deve ter sido também muito interessante. É, divertido. Divertido.

como é trabalhar com o que você trabalha hoje, tendo a vida que você teve. Não podia ser outra coisa, né, João? Podia. Ou dava. Eu nunca pensei em outra possibilidade, né? Então tá bom. Então tá feliz também. Mas eu também não trabalho. Eu trabalho no campo de atuação da minha família, mas eu não canto, né? Perfeito, mas... Então é mais fácil, né? Eu fico nos bastidores. Eu também acho que é mais fácil. O que eu pude ver, acho que eu me identifico muito com o Paulinho, é que assim, o melhor lugar do mundo é o estúdio de gravação. É uma placenta.

que você faz o que você quiser. A pessoa, às vezes, nem é tão legal, mas quando ela entra no estúdio para registrar a sua música, ela fica numa outra vibração. Então, eu gostaria de ficar até o meu último dia no estúdio. É o lugar mais legal que tem, não é, Paulo? É muito bom. Especialmente quando você consegue que você entre no estúdio assim e vira uma família assim que você não sabe como está acontecendo aquela família ali. É uma mágica.

É uma mágica, é um negócio sensacional. Dá para dizer que quando vocês estão no estúdio para fazer música, é que quem está no estúdio para fazer música, ali o ego some, não some? O Paulo falou uma coisa que eu nunca mais vou esquecer, vou falar isso para os meus filhos quando precisar. Eu sempre perguntei para ele sobre a dinâmica das gravações, porque é muita gente, muita gente diferente. Muita estrela. É, muita, muita. E aí ele falou, pô João,

No estúdio, a única coisa que atrapalha é gente insegura. A partir daí, ele expressa do jeito dele, sempre com muita delicadeza. Então, eu achei isso mágico. Me parece que quem já coloca o ego no estúdio é porque já está com alguma insegurança. Me parece. Eu não sou psicólogo. Mas todo mundo resolvido, gente resolvida. Exato, exato. Ajuda muito.

Nós sempre juntávamos, olha, nós viemos aqui para fazer a música e fazer com que essa música tenha sucesso. Se o cachorro mordeu a sua perna, a sua esposa jogou você fora da cama, eu não quero saber. Não interessa para a gente isso, vamos pensar nesse, vamos aqui. E acabou. Chega ali, olha, acho que eu vou fazer um bombo aqui. Aqui está escrito uma puxada para cá, o bombo com baixo, mas de repente faz o que você sente.

Você jogou bola? Eu sou ruim, mas eu gosto. Sabe essa sensação que você tem, sobretudo no começo da vida, de chegar... Hoje é o dia de jogar bola com os meus amigos, enfim. Isso a gente sente um pouco... Hoje é o dia que o Paulinho vai estar no estúdio. Não, o dia que o Paulinho vai estar no estúdio é o dia que o Brasil foi hepta, né? Ou hexa, enfim. Eu digo todos os dias, cara. Isso que é interessante. E o que eu acho mais legal, o que o Paulo faz, é que ele transforma coisas,

que são absolutamente comuns, ele vai lá e faz muito pouca coisa e fica extraordinário. É mágico. E é difícil a gente pegar tudo isso, encapsular em um programinha de uma hora e o quê? Uma hora e quarenta? Uma hora e quarenta e contar toda a história do Paulinho, né? Então você que está assistindo aí, cara, o que você podia fazer agora é ir lá ouvir um dos milhares de álbuns que Paulinho produziu. Posso dar uma sugestão? Fora assistir ao documentário,

que, de novo, é um milagre que tem acontecido. É divertidíssimo pegar lá o paulinhodacosta.com e você começar a fazer o scroll do currículo dele. Você entra lá, artista. Aí eu fico lá assim, ó. Aí... Eu tô no ar ainda. É sério, cara. Aí tem no filme, no cinema. E até coisas que a gente ouve, né? Bom, aqui não tem problema de falar de marca. Não, nenhum problema. Não, mas acho que tem problema de falar de marca. Grandes assinaturas do mundo aí. Tá bom.

que ele participou também tocando, fazendo jingle. Luther Vandross, que agora o pessoal está conhecendo através de Kendrick Lamar, ganhou o Luther, grande amigo dele. Quando gravava jingle, ligava para ele e ele está lá também. Ou seja, entrar no paulinhodacosta.com e ver a discografia dele, eu acho muito difícil que não tenha alguém lá que você não seja fã. Porque tem de bom jovem ao Miles Davis. É um negócio assim,

Taruga Ninja até South Park e Jurassic Park. É interessante ver que a gente tem um grau de ligação com isso por causa do Paulo. Paulinho, tu inclusive fez um vídeo legal, um filme com a Johnny Walker. A Johnny Walker deu esse prazer de ir lá ver a história com essa equipe nossa, com o Oscar. Foi um dia de trabalho maravilhoso. Mas eu quero ver esse vídeo. Tu trouxe para nós aí? Está aí para vocês. Veio especial para vocês.

Você com certeza conhece essa música, mas não conhece um dos músicos por trás dela e do álbum mais vendido de todos os tempos. Vamos nessa! Este é o Paulinho da Costa, o percussionista com mais vitórias no maior prêmio da música mundial. Presente em mais de 6 mil canções, incluindo algumas das mais famosas da história. O músico que mudou o ritmo do mundo, mas ainda é desconhecido no Brasil. Você já curtiu suas músicas?

Passos. Sensacional, cara. Como é que foi pra tu chegar lá assim, todo estiloso, pra tocar um negocinho, depois de tomar aqui? Não, você não... Tem uma história enorme, tem uma figurinista, teve o Johnny Walker, as pessoas foram daqui lá, Alan, Oscar, pra escolher essa roupa aí e muitas ideias, o João Marcelo da camisa, ele deu, mas foi sensacional. Eu achei que ficou muito elegante, né? De coisa elegante.

Sou fã do Paulinho desde os 6 anos e me ensino que a elegância é de alma. E dá essa elegância do Johnny Walker. As cores. Você gostou das cores? Gostei, cara. Parabéns. Maneiro. Que maneiro que isso está acontecendo. Porque eu também acho que as pessoas precisam entender o que é Paulinho. Muito obrigado. Paulo, obrigado por vir aí. De verdade. Obrigado pela moral. E vou me convidar para quando eu estiver lá na tua área, vou lá conhecer teus discos. Se Deus quiser.

Seja bem-vindo. Se tiver oportunidade, vim lá. A estrela vai ser colocada na estrela. Porra, que legal. 13 de maio. 13 de maio é uma data séria. E você está convidado. Se você não tiver, nós vamos fazer questão. Que você tenha um convite. Para vocês terem aqui. Vai vir um convitezinho para vocês. E vai vir umas... Não vai. O convite é ele que vai arrumar. Você tem que arrumar a passagem. Não, não.

Tudo certo. De repente, até lá, já tem até... Aparece até um avião especial. Quem sabe? Calma. Se eu acerto a loteria, lá tem uma loteria que está 400 milhões de dólares. Eu joguei. Se eu acerto essa, eu venho te pegar aqui no meu aviãozinho. Tá bom. Perfeito. Tá combinado, então. Tá combinado. Aí eu aceito. Aí eu aceito. Cara, parabéns pela tua história, por tudo que tu construiu. Você também é foda. É porque tu está do lado do Paulinho. Não. Que isso, cara. Definitivamente, eu tenho um metro.

eu sei que não, mas eu agradeço o seu carinho. Valeu. Estou sempre à sua disposição. Valeu. Obrigado, Paulo. Obrigado, gente, pela moral. Vocês que assistiram aí, espero que vocês tenham curtido o episódio. Como eu disse, vai lá conhecer mais sobre o Paulinho, assiste o documentário. Cara, você vai se surpreender, porque a gente só deu uma pequena arranhadinha no topo. São mil e dez artistas. Não falamos, por exemplo, de Daft Punk.

Isso que está anotado aqui. De Madonna. Madonna. Não, Madonna quando explodiu, né? Quase.

Quase estrela, quase estrela, aí gravou com ele e explodiu. Miles Davis. Porque é isso que o Paulinho faz, ele explode, usa o Kingmaker. Exatamente, só que ele, não, não, fica você fazendo sucesso, porque eu tenho mais o que fazer, né? Então você precisa conhecer o Paulinho, o trabalho dele, para você entender, especialmente se você gosta de música, para você entender que, pela conversa que a gente teve aqui, eu espero que você já tenha percebido que muita coisa, o Paulinho estava lá, enquanto elas estavam acontecendo, e querendo ou não, acaba servindo de influência.

pra muita coisa que veio depois. E de referência pra mostrar, ele é uma amostra do tamanho que o Brasil poderia ter sido e ainda pode ser. Sensacional. Acho que mesmo, mesmo. Ele sozinho. Você vê, a Coreia conseguiu transformar o K-pop num fenômeno mundial. O Brasil foi descoberto no mundo pela bossa nova e até hoje, até hoje não tem uma política, não é um projeto de estado a música brasileira como foi o K-pop. A gente não tá muito preocupado em exportar nossa cultura, né? Não, não dá. Mas o Paulinho,

mostra. É legal um dia, daqui a 100 anos, falar, olha, teria sido possível, porque uma pessoa sozinha, embora seja um ser humano iluminado, mostrou que é possível, né? Tocando percussão, sem querer aparecer e acabar com uma estrela da calçada da fama. O que é muito sinistro. Cara, é inacreditável. Parabéns. Muito obrigado. Valeu. Boa. Segue os caras. A gente vai deixar tudo no comentário fixado pra vocês encontrarem com facilidade, tá bom? E de novo, vai lá assistir o documentário, tá bom? Obrigado aí.

Obrigado. E a gente se vê depois. Até a próxima. Tchau.

Anunciantes1

Johnny Walker

Whisky (vários tipos)
external