RICARDO MARCÍLIO - Flow #565
A terceira guerra mundial começou?
- Capacidade Militar IraAtaque aéreo · Operação Fúria Épica · Operação Rugido do Leão · Objetivos estratégicos · Alvos nucleares atacados · Envolvimento de Israel
- Geopolítica China-EUAControle de petróleo · Influência no Oriente Médio · Sanções econômicas · Investimentos chineses · Competição por recursos
- Direito InternacionalCarta da ONU · Ataque preventivo vs preemptivo · Violação da soberania · Direito de autoproteção · Precedentes internacionais
- Conflitos RegionaisReações de países do Golfo · Fechamento de espaço aéreo · Ataques a bases militares · Ataques a infraestrutura civil · Posicionamento de aliados
- Estreito de Hormuz e RecursosControle de petróleo · Rotas alternativas · Impacto no comércio global · Preço do frete · Inflação global
- Crise de Legitimidade da ONUPoder de veto permanente · Conselho de Segurança ineficaz · Representatividade reduzida · Paralisia institucional · Reformas necessárias
- Programa Nuclear IrãEnriquecimento de urânio acima de 60% · Centros de pesquisa · Capacidade militar · Acordos internacionais · Inspções da ONU
- Conflito Irã-EUAEtnias persas, curdas, baluches, árabes · Separatismo regional · Possível guerra civil · Azeres e integração territorial · Falta de unidade nacional
- Financiamento de Grupos ArmadosHamas · Hezbollah · Houthis · Jihad Islâmica · Redes regionais de terror
- Conflito Rússia-UcrâniaNegociações trilaterais · Região de Donetsk · Zona desmilitarizada · Garantias de segurança · Recursos estratégicos
- Negociações EUA-IrãRodadas em Genebra · Exigências americanas · Renúncia a mísseis · Soberania nuclear · Desconfiança mútua
- Crise Econômica no IrãInflação oficial de 50% · Desvalorização da moeda rial · Crise hídrica em Teerã · Desemprego e pobreza · Manifestações populares
- Politica IraPolícia da moral · Prisões arbitrárias · Morte de manifestantes · Ausência de liberdades civis · Controle de informação
- Conselho de Paz do TrumpAlternativa à ONU · Estrutura autoritária · Participação restrita · Controle americano · Futuro da Faixa de Gaza
- Comparação com Conflitos AnterioresInvasão do Iraque · Intervenção na Líbia · Guerra do Afeganistão · Geopolítica · Lições aprendidas
Essa é a flow.
salve pros patrocinadores de hoje, que é a Insider, a ACD e a hashtag treinamentos de quem falarei já já, tá bom? E se você quiser mandar uma pergunta pra gente, tem uma dúvida aí ou tá pensando, sei lá, algum ponto de vista que tu quer validar, manda aí pra gente que a gente ouve aqui e no final do programa a gente comenta, tá? E, sei lá, só pensa um pouquinho porque o Vitão vai escolher as cinco melhores, tá bom? Essa que é a verdade.
E aí, Ricardo, eu tava falando contigo aqui antes da gente começar que eu tava meio
fora do que estava rolando nessa guerra específica, porque foi uma semana pesada semana passada e esse fim de semana eu fui jogar Tartaruga Ninja no Magic e fui na casa de um amigo lá em Cotia. Então só para ir na casa de um amigo lá em Cotia eu já perdi o dia. Então estou meio por fora. E tu me explicou que essa é séria, essa é para valer. Tem um problema rolando que tem o potencial de gerar uma nova guerra no Golfo.
Então é séria a coisa agora. Está tendo problema político nos Estados Unidos, inclusive. Então tá, vamos lá. Começando do começo, isso vem... Por que que rolou? Não estava tendo lá uma trégua? Já tinha tido uma prévia dessa guerra e os caras já tinham combinado que não ia mais ter? O Trump, inclusive, se vangloriando. Isso aí durou 12 dias. Fala comigo que eu sou brabo, eu resolvo as guerras.
Estranho, né? Então, acho que tem algumas coisas aqui pra gente ver. Primeiro que, assim, já mostra uma certa ineficiência que foi o ataque que ele fez. A Guerra dos Doze Dias, ela foi feita pelos Estados Unidos com um objetivo muito claro, que era atrasar, ou pelo menos danificar, o programa nuclear. Israel eliminou uma série de cientistas, a gente teve Fordow, Natanz, Sfahan, todos os centros nucleares que foram atacados, os bombardeiros B-52 e tal. O Trump, naquela época, falou,
eu consegui destruir, eu obliterei o programa nuclear iraniano. O Irã, na época, falou que sim, ele tinha sido impactado, mas que destruir era muita coisa. E, aparentemente, o Irã estava correto nessa. Porque, se foi necessário fazer um ataque, por menos de um ano depois, de ter destruído o programa nuclear, é porque ele não foi, de fato, completamente destruído. Por exemplo, existe o Irã Enriquecido, que o Irã tem bastante para fazer possíveis armas nucleares. E a gente não sabe onde ele está localizado,
O Irã tem desenvolvido uma série de mísseis que, segundo os Estados Unidos, teriam capacidade até mesmo de atingir os Estados Unidos num futuro próximo. Acho eu que isso foi muito mais uma tática do Trump para justificar o seu ataque do que qualquer outra coisa. E o Trump colocou que o objetivo dessa guerra é tirar o regime dos ayatollahs. Ele falou hoje que não tem negociação com esse tipo de gente. Usou essa expressão mesmo. Falou que o objetivo é atrasar ou obliterar o programa nuclear iraniano.
ele quer dizer com esse tipo de gente? Ah, ele já... Ele tem um certo preconceito com persas, árabes. Ele, nas declarações, por exemplo, que ele dá em relação à Somália, pode ver, ele fala que são pessoas fedidas, sujas, então claramente tem um Q racista aí, no mínimo, né? Mas ele não tá falando do cara que é um líder autoritário, né? Porque ele lida com líderes autoritários. Com certeza. Então já mostra meio uma falta de... É o Trump, né?
Depende muito de quem tá falando, né? Ele não vai fazer críticas, por exemplo, em relação ao Bin Salman, que é o príncipe saudita, que é tão autoritário quanto, por exemplo, o Ayatollah Kamenei. Era, né? Exatamente. Que já deixando muito claro, não estou defendendo, acho que o Ali Kamenei não é um líder legítimo, porque ele oprime a população, existe um país que tem uma polícia da moral e dos bons costumes pra perseguir quem usa um véu de maneira errada, prende a menina e ela aparece morta dois dias depois,
alegando que ela sofreu um ataque cardíaco, sendo que ela nunca teve histórico e era super nova, entende? Na verdade, qualquer país que começa a misturar religião com política caminha para coisas erradas. Então o Irã é um país autoritário. O Irã estava atravessando uma baita crise econômica também. É que o Irã sempre vai alegar que a culpa é das sanções. Ah não, a sanção praticada pelos Estados Unidos me impede de desenvolver.
O ano passado, por exemplo, a gente teve uma inflação oficial no Irã de 50%. O Riyad, que é a moeda deles,
o rial, aliás, que é a moeda deles, desvalorou 50% em um ano. Em algumas coisas, como medicamentos, alimentos, a desvalorização chegava a quase 70%. É a mesma moeda do Qatar? Lá no Qatar, acho que é rial também. É o rial? É. No Irã, é. Não sei. Talvez seja. E também Terã, que é a capital, atravessa uma crise hídrica muito grande também. Tanto que o Pesachian, que é o presidente, ele até falava de uma possibilidade de fazer uma evacuação na cidade. Então, foi uma confluência de fatores
uma instabilidade e uma série de protestos. A população iraniana começou a protestar contra o regime iraniano e o regime iraniano, como sempre, respondeu de maneira extremamente agressiva. Aí os números são muito dúbios. Se você pega, por exemplo, os números oficiais do Irã, a Tasnim, que é a agência do Irã, mas que é quase um braço de comunicação da guarda revolucionária. Eles falam que ocorreram algumas mortes, alguns incidentes, mas não passa de 1.500. Existem mídias que falam que chegou a 40, 50 mil mortes.
Não sei quanto foi, mas com certeza houve pressão contra os manifestantes. E aí o que o Trump percebeu? Que ele não tinha conseguido acabar com o programa nuclear iraniano, então era uma oportunidade. Ele tentou negociar e o Iran não abria mão de alguns princípios, porque negociações aconteceram. Tanto que na semana passada foi a terceira rodada de negociações que aconteceu em Genebra. Só que os Estados Unidos, na minha visão, eles estavam criando coisas muito além.
E o Irã tem direito de ter programa nuclear. O Irã, ele é signatário do TNP, que é o tratado de não proliferação. Ele pode desenvolver desde que tenha fiscalização da ONU. E o Irã falou, não, beleza, eu aceito ter fiscalização da ONU e tinha aceitado, inclusive, mandar a urana enriquecida acima de 60% embora. Só que os americanos não queriam isso. O que os Estados Unidos querem, eles falam que eles querem formar uma espécie de convênio nuclear no Oriente Médio. Então, todo país do Oriente Médio que não for seu aliado e quiser ter acesso,
a tecnologia nuclear, mesmo que seja para fins medicinais, fins de energia, tinha que ter autorização dos Estados Unidos. É a mimão da soberania. O Irã não vai querer fazer. E os Estados Unidos também exigiam que o Irã abrisse mão dos seus mísseis, alegando que tem muitos mísseis que podem atingir bases americanas, que podem atingir bases na Europa. O Irã, que é um país que tem rivalidades com Israel, que tem rivalidades com a Arábia Saudita, vai ter que abrir mão da sua tecnologia nuclear para fins pacíficos e dos seus mísseis? Aí não dá.
Então o Tim falou, como não avança a negociação de um lado nem do outro, ele falou que a solução seria atacar e trocar o regime iraniano. E foi o que ele fez. E aí se a gente for pensar, se a gente for pirar um pouco aqui do ponto de vista da teoria da conspiração, eu já ouvi, por exemplo, um monte de vezes o argumento de que os Estados Unidos estariam financiando as manifestações no Irã.
o Irã e a Venezuela, é que eles lidam com o petróleo também. E os dois são grandes vendedores da China também. Pois é. Então, essa negociação aí me parece... Sabe quando você está pedindo um troço para um cara que você sabe que ele não vai aceitar só para eu poder te dar um socão? Não, parece mesmo. Então, assim, é tudo... Espera aí, o Trump, isso aqui está desenhado, isso é um teatro, de certa forma, porque o Trump queria estar ali, não tem jeito.
o Trump ou qualquer, ou alguém, né? Ou consórcio Estados Unidos e Israel, né? Algum por uma razão, outro por outra, talvez, mas tem algumas coisas aí semelhantes, por exemplo, de Venezuela e o Irã, inclusive do ponto de vista do que eles têm de riqueza, né? É, assim, talvez... Ou eu tô maluco? Não, é, não acho que tá maluco. Realmente ele tem interesse de tirar o governo iraniano, mas eu acho que o momento talvez não fosse agora pro governo americano. Por quê?
o Trump vem passando por uma queda da sua popularidade. Muito por conta das questões econômicas. A dívida americana está subindo, a inflação, por mais que esteja reduzindo, mas não de maneira tão acelerada para reduzir a taxa de juros. Ele está comprando briga com o Fed e com o Banco Central. E, claro que uma guerra contra o Irã é uma possibilidade dos Estados Unidos ter que dispor de mais armamentos, mais gastos militares e aumentar o seu endividamento.
dos Estados Unidos, por mais uma atitude imperialista do Trump, foi feita uma pesquisa, algum órgão dos Estados Unidos, que dava conta que só 27% da população americana apoiava uma intervenção dos Estados Unidos no Irã. O resto considerava que era uma guerra que não tinha muito sentido para os Estados Unidos. Então, pode ir à inflação, é possibilidade de aumento dos gastos, instabilidade política, porque pensa assim, o Ali Khamenei, ele morreu, beleza. Outros líderes da guarda revolucionária também morreram.
quer dizer que o regime acabou? Nem de longe. O Ali Khamenei já tinha 86 anos. Ele já estava sob um cerco militar. Todas as fontes iranianas alegam que ele já tinha toda uma cadeia de comando definida. Se eu morrer, vai ser sucessor. Existe um conselho de especialistas que já vai indicar um novo Ayatollah para comandar o país. Então, como que os Estados Unidos vão conseguir derrubar esse regime? Ou se os ataques que acontecerem tirem completamente a capacidade militar do Irã conseguir responder, eu duvido muito que isso aconteça,
Ou se ele fizer uma intervenção por terra. Só que fazer uma invasão por terra contra o Irã é problema. Por quê? Porque o Irã é um país que é quatro vezes maior que o Iraque. Olha a dificuldade que os americanos tiveram no Iraque. O Irã é um país que é muito mais poderoso do que o Iraque era em 2003 e do que o Afeganistão era, por exemplo, em 2001. O Irã tem uma série de aliados regionais, grupos, vários deles terroristas, inclusive, o Hezbollah, o Hamas e tal, que poderiam atuar em coordenação também com o Irã. E a própria geografia iraniana,
é bem difícil. O sítio geográfico, assim, é um relevo muito montanhoso, é uma região muito árida. Então, dificilmente os Estados Unidos teriam a capacidade pra fazer uma mobilização por terra pra conseguir superar em curto prazo o Irã. Mas lá do outro lado do mundo e tal, né? Eles até tem porta-aviões, tem bases militares ali. Mas os caras que estão em volta ali não estão dispostos também a dar ajuda e segurar onda, que é isso que você tá falando, né?
Antes da guerra, eles realmente não estavam dispostos. Você via pronunciamentos. A Jordânia falou que não ia ser do espaço aéreo, o Catar não ia ser do espaço
aéreo, a Arábia Saudita não ia ceder bases e tal. A questão é que como o Irã... Olha a complicação, né? Como os Estados Unidos atacou o Irã? E o Irã falou, bom, não consigo responder os Estados Unidos. Então vou responder o mais próximo aqui. Lançou uma série de mísseis contra Israel, contra Tel Aviv e tal, e começou a atacar os países do Oriente Médio que tinham bases americanas. Atacou o Qatar, atacou os Emirados Árabes, atacou a Arábia Saudita. Não só as bases militares. Atacou pontos de civis também,
Atacou hotéis, atacou, por exemplo, consulados. Hoje, talvez um grande erro estratégico do Irã é que o Irã alega não confirmou esse ataque. Ele alega que pode ter sido um ataque de bandeira falsa. A gente teve um ataque hoje que atacou a maior refinaria da Arábia Saudita. E mexer com o petróleo dos sauditas é querer comprar guerra, claro, com a Arábia Saudita. Então, hoje, vários países do Oriente Médio, seis países do Golfo que foram atacados, eles fizeram uma carta, uma resolução falando para o Irã.
que eles entendem os ataques que o Irã quer fazer em retaliação aos Estados Unidos, mas que ele está atacando civis e posições infraestruturais que são importantes para os países do Oriente Médio. E que se esses ataques continuarem, os países árabes vão se mobilizar para trazer uma resposta contra o Irã. E aí os europeus também já começam a se manifestar. Por exemplo, o Reino Unido, que falou que não ia ser de base. O que ele hoje anunciou, Trump, pode usar as bases do Reino Unido para fazer os ataques que você quiser.
fez um pronunciamento hoje super emblemático. O Barro, que é o primeiro-ministro lá da França, ele anunciou que a França, primeiro, não vai ficar mais fornecendo informações de quantas ogivas nucleares eles têm, porque ele percebeu que essa guerra entre Irã e Estados Unidos é uma guerra que tende a se espalhar para outros lugares do planeta. E a França precisa ter suas próprias defesas. Então a França falou que vai aumentar o número de arsenal nuclear, que vai fazer um guarda-chuva nuclear sobre a Europa.
E não vai fornecer informação para a ONU, Estados Unidos, Rússia, nem nenhum país.
E a França está disposta a cooperar com os países árabes, caso os países árabes resolvam fazer uma retaliação com o Irã. O MERS, da Alemanha, vai ter uma reunião também com o Trump, ou um telefonema, amanhã, na terça-feira, para muito possivelmente anunciar também que a Alemanha está disposta a coordenar, junto com os Estados Unidos, a tirada do regime iraniano. Então é uma guerra que vai ganhando proporções cada vez maiores.
apoiando os Estados Unidos? Porque o Irã saiu atacando todo mundo? Eu acho que é pela natureza do regime iraniano, né? Por isso. Exato. Todo mundo reconhece que o regime é meio... não devia estar ali. Exatamente. É o regime autoritário. Só que ninguém queria dar o primeiro passo. Exatamente. Por quê? Porque isso desrespeita a carta da ONU. A gente pode até conversar depois sobre a falta de legitimidade que a ONU tem, mas seguindo os... tanto que o Trump falou sobre isso.
Ele falou assim, olha, o Keir Starmer, ele não queria fornecer a base pra mim porque ele ainda
pensando em algum tipo de legitimidade. Ele achava que poderia ser ilegítimo esse movimento. E claro que é, você não pode atacar o líder de um outro país, a não ser que haja uma resolução do Conselho de Segurança ou que aquele país tenha te atacado. Então, feriu a Carta da ONU. Claro que a Rússia também fere, né? Não tô falando de novo, né? Não tô defendendo o regime iraniano. Mas feriu a Carta da ONU. Com essa atuação dos Estados Unidos, os outros países, bom, já que agora já foi, a gente vai apoiar pra representar os nossos interesses.
o segundo ou terceiro maior reserva de gás natural que tem no mundo, é uma das maiores reservas de petróleo e, como falei, controla o Estreito de Hormuz, que faz toda aquela comunicação. Além disso, o Irã é a cabeça do povo, a cabeça pensante dos tentáculos que atuam contra os interesses do Ocidente e do Oriente Médio. A Jihad Islâmica, o Hamas, o Hezbollah. Então, com certeza, a queda do regime iraniano é super estratégico para o Ocidente. Entendi. E enfraquece diretamente esses grupos, porque
eles seriam financiados pelo Irã. O Hamas, por exemplo, seria financiado pelo Irã. O Hamas, o Hezbollah. O Hezbollah, Israel já anunciou também que é para evacuar algumas posições de Beirute porque eles vão atacar. Israel alega que é para danificar o Hezbollah. Falam, não é confirmado, mas que o líder do Hezbollah também já teria sido morto pela ofensiva que Israel fez. Tem os UTIs, por exemplo, no Iêmen. Os UTIs anunciaram também que apoio ao Irã,
fechando o Estreito de Bab al-Mandeb, que é um estreito também super importante que conecta o Mar Vermelho ao Canal de Suez. Só para ter uma noção, se o Mar Vermelho está fechado porque o Estreito de Bab al-Mandeb não pode ter nenhum tipo de comercialização, para você fazer um comércio partindo da Europa com a Índia, por exemplo, teria que fazer todo o contorno pelo continente africano. Igual era. Igual era, exatamente. Cabo das Tormentas e tal, né? Cabo das Tormentas, né? Da época lá da África do Sul.
aumenta o tempo do frete, aumenta os custos logísticos. Então, por isso que o preço do petróleo dispara, há um risco de inflação. Os outros países do Golf, eles não queriam se envolver nesse conflito, porque causa uma desestabilização que gera impactos econômicos. Mas o Irã foi lá e tacou bomba nos caras. É, na verdade, o quem atacou primeiro foi Israel e Estados Unidos, né? Tudo bem, mas aí o Irã foi lá e tacou bomba nos caras.
Ah, e respondeu nos países. Exatamente, né? E respondeu nos países. Entendi, que merda, né, cara? Tá, e aí,
E aí você estava me falando que estava vindo para cá e os caras fecharam o Estreito de Hormuz. Para entender legal, quando fecha o Estreito de Hormuz, a gente começa a ter uma rota maior para escoar esse petróleo parecido com o que você estava falando. Na verdade, muitas vezes nem rota tem. Porque se você analisar o mapa, o Golfo Pérsico é um mar fechado. Então ali está a exploração do Kuwait, a exploração do Iraque. Existem alguns países que conseguem dispor pelo outro lado. Conseguem pelo Mar Vermelho, mas que também está fechado.
Ou conseguem ter gasodutos, oleodutos que vão escolar em direção à Europa. Mas pela própria composição geográfica, se você tem um petróleo marítimo sendo explorado, ou vai pelo Estreito de Hormuz ou fica enclausurado ali. Ali você tem cerca de um quinto de toda a negociação de petróleo do mundo. Entendi. Por que eu acho que o Irã não vai manter isso por muito tempo? Porque aí começa a desagradar não só Estados Unidos e os aliados americanos, mas agrada principalmente a China.
só do Irã, mas de todos os países que escondam o petróleo do Estreito Jormuz. E se tem uma coisa que o Irã não pode perder, é apoio de poucos países que estão dispostos a cooperar com os iranianos. Sim, especialmente se for a China, né? Entendi. E, cara, olhando pra esse conflito que estourou esses dias, eu sei que é difícil de prever, mas tu acha que isso ainda vai longe, cara? Tu acha que tá só começando? Depende muito dos próximos passos, em relação quais vão ser as demonstrações
novo governo iraniano. Se o novo governo iraniano demonstrar que ele está disposto a negociar com os Estados Unidos, abrir mão dos seus mísseis, por enquanto não é isso que eles estão falando. Por exemplo, a gente tem algumas informações dúvidas rolando. O Trump ontem, ele muda todo dia que ele fala, ontem ele falou que lideranças iranianas ligaram pra ele, só que ele falou que não estava disposto a negociar. Porque não, a gente negociou, mas vocês não respeitavam os acordos e tal.
Hoje, pessoas do Irã alegaram que eles jamais vão negociar com Israel e com os Estados Unidos.
Estados Unidos, porque duas vezes eles estavam no meio de um processo de negociação e os Estados Unidos atacaram o Irã no meio de uma negociação acontecendo. Então, que não dá para confiar nos Estados Unidos. Aparentemente, esse governo, o presidente, o Novo Ayatollah, eles não vão estar muito dispostos a coordenar com os Estados Unidos, não. E aí o Trump se pronunciou. Ele falou que a ideia dele é que sejam ataques de quatro a cinco semanas. Foi o que a inteligência americana definiu como meta inicial.
um pouco mais, um pouco menos, depende dos objetivos serem atingidos. Ou seja, desmantelar todos os mísseis, fim do programa nuclear e troca do governo, principalmente se o governo não cooperar com os Estados Unidos. E aí o que deve rolar para a população, o regime anterior, era o Príncipe, não sei o quê, né? Era o Chárez Apaleve, né? Isso, esse cara, ele tem algum tipo de apoio popular? Assim, é difícil a gente saber porque, novamente, a informação é muito controlada, né?
Quando a gente pega o regime do Irã, até 1979, que era controlado pelo Shah Reza Palev, era um regime extremamente autoritário e totalmente influenciado pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido. Era o autoritário que os caras gostam. Exatamente, o autoritário do lado deles. Tanto que, por exemplo, o Irã teve um período de uma relativa democracia. Era uma monarquia, tinha o Shah, mas o Shah tinha poderes limitados, porque tinha um parlamento, mais ou menos como é o Reino Unido, por exemplo. Tinha um parlamento que era muito mais autônomo.
figura, na década de 50, é chamado de Mossadegh, que era um cara ultranacionalista. Então, plataformas dele. Não, a gente tem que nacionalizar o petróleo iraniano, a gente tem que fazer com que as reservas do Irã fiquem pra gente, a gente tem que retomar o nosso nacionalismo. Aí o Ocidente, principalmente o Reino Unido e os Estados Unidos, que viram seus negócios ameaçados, incentivaram com que o Shah Reza Palevi desse um golpe, tirasse o Mossadegh do poder, e aí sim o Shah tomasse o poder e fosse chefe de Estado e também chefe de governo.
Ou seja, se existia um autoritarismo dos chás, um autoritarismo do Irã, antes de 79, a culpa é também dos Estados Unidos, a culpa é também do Reino Unido. Quando a gente pega, por exemplo, algumas práticas que eram feitas, perseguição contra líderes religiosos, tinha uma polícia secreta chamada de Savak, que ficava perseguindo opositores políticos. Então não é que era uma bela democracia de 79 e virou uma ditadura depois. Era uma ditadura e virou uma talvez até pior do que era anteriormente.
79 está morto, já morreu. Ele morreu em 80, inclusive, decorrente de um câncer e tal. Mas ele teve um filho, que é o Príncipe Herdeiro, que está no Egito. Ele posta nas redes sociais, ele já se reuniu com Benjamin Netanyahu, já se reuniu com lideranças americanas, falando que ele é o verdadeiro sucessor, porque foi um golpe que o pai dele sofreu, ele que deveria guiar o país. A questão é que muita gente tem medo que ele retome o que era a ditadura do Irã antes da Revolução Iraniana. Mas a galera sente que ele tem algum tipo de legitimidade?
É difícil saber. É difícil saber, né? Porque pode ser só um doidinho, vai? Com todo respeito. Não é o que eu quero dizer, tá? É uma comparação meio nada a ver. Mas imagina, a gente tem uma família real no Brasil, né? Mas o cara, entendeu? Ele falar que ele é o cara que devia estar lá, a galera vai ser legal. Não tem legitimidade, né? Participar aí das eleições, entendeu? Exato. E eu entendi que lá é difícil saber se é a mesma relação. A gente pode ver Terã, que é a cidade mais cosmopolita, com certeza.
Nas últimas manifestações de estudantes e tal, realmente, quando a população colocava a bandeira com o símbolo do leão, até resgatando o símbolo do Irã antes de 79, tinham pichações lá. Pô, o chá reza para leve, porque o príncipe perdeiro também chama reza para leve, né? Então, ah, o chá reza para leve, tem que voltar ao poder. E ele, quando dá pronunciamentos, ele deixa muito claro que a ideia dele não é ser um ditador, que ele quer promover a democracia.
Se é verdade ou não, não sabemos. Como ele se auto-se intitula como príncipe perdeiro, dá a ideia que seria uma monarquia.
A questão, e ele até colocou isso de maneira correta, foi na França que ele deu essa entrevista, falou assim, queriam fazer um pulo do gato ali com ele, uma pegadinha, falou assim, pô, mas se você se intitula como chá e tal, como que você vai ser um país, como vai ser um país democrático se há uma monarquia? Ele falou, olha, monarquia e república não definem se vai ser uma democracia ou se vai ser uma ditadura. É verdade. Vide, por exemplo, o Bashar al-Assad era uma república na Síria e o cara era um ditadorzaço. Perfeito. O Reino Unido é uma monarquia e é uma democracia.
ele volte para o Irã, ele faça uma espécie de plebiscito, uma consulta popular, para saber o que a população quer. Se é um regime de uma monarquia constitucional, com parlamento, primeiro-ministro, tudo tal, ou se vai ser uma república. E aí talvez ele se colocaria na figura de um presidente, concorreria ao processo eleitoral. Só que aí abre um novo problema. É muito difícil você pensar, os americanos já tentaram fazer isso várias vezes, que você vai tirar um governo que está há 47 anos, que tem todas as instituições culturais, por exemplo,
os protestos vão acontecer. Que movimento de oposição que tem no Irã? É protesto muito mais orgânico. É difícil você pensar que sem uma oposição formada, sem uma mídia de oposição, sem partidos de oposição, você vai conseguir... E com muita repressão. E com muita repressão. Há possíveis manifestações que você vai conseguir formar um governo. Por isso que eu falo, é difícil pensar que o Irã vai ter uma troca de governo legítima, sem formar guerra civil, sem uma ocupação militar americana. E se os Estados Unidos quiserem ocupar o Irã,
vão ter um problema maior do que foi o Afeganistão e maior do que foi o Iraque, com toda certeza. Porque o Irã é maior. É maior, é muito mais complexo, mais poderoso. É, outra grandeza, né? São 90 milhões de pessoas, ele é quatro vezes maior que o território do Iraque, geograficamente ele é mais difícil que o território... O Iraque é sensacional do ponto de vista natural. Tem bastante rios, é uma região ali bem mais planinha, tudo tal.
Tem também um processo, né? Tem algumas montanhas, mas o Irã, a dificuldade geográfica é muito maior.
mais complexo. E o Irã também não é um país uniforme. Muita gente pensa que o Irã é persa. Os persas são maioria no Irã, mas tem Hebreu. Terã, por exemplo, exceto Israel, claro, é o país do Oriente Médio, é a cidade do Oriente Médio que mais tem Hebreu. Terã. Você tem, por exemplo, árabes, tem os curdos, tem os baluches, que são separatistas ali na fronteira do Paquistão. Então tem vários grupos. E esses caras se identificam como iranianos?
Essa é a questão. A gente derruba o governo que representa o país, com todos os problemas. Se derruba o governo, não tem ninguém que unifique, que represente. Qual que é a ideia? É que cada um dos grupos vai querer levar a sua própria vantagem. É difícil saber se, depois de 47 anos de um governo de uma revolução iraniana, essas várias etnias não iam querer cada um dominar o seu próprio território. Foi o que aconteceu, por exemplo, na Líbia. O Amar Kadhaf era um baita ditador.
com a OTAN, bombardearam, tiraram o Kadhafi. Qual foi a consequência na Líbia? Uma guerra civil. E a Líbia, que com todos os problemas, o Kadhafi era um ditador, mas era um dos maiores IDHs do continente africano, hoje é um dos piores países do continente. O Iraque é a mesma coisa, o Saddam Hussein era um baita ditador. Mas, querendo ou não, ele impedia uma guerra até mesmo religiosa entre a maioria chiita contra os sunitas. O Saddam Hussein sai do poder, os chiitas, a maioria, começam a oprimir os sunitas e surgem vários grupos radicais, inclusive o Estado Islâmico.
O Estado Islâmico é uma consequência direta da intervenção americana no Iraque. No Irã, com esse monte de grupo, esse país multifacetado, a possibilidade de ter ou uma guerra civil ou a fragmentação territorial é muito grande. É difícil saber se o Shah, Reza, Palévio e o Príncipe Herdeiro vai ter legitimidade para ele conseguir unificar o país. Eu, particularmente, duvido muito. É, especialmente porque com esses grupos aí que você está falando, brigando entre si, porque agora é uma oportunidade, de certa forma.
Se eu sou um líder desses grupos aí, eu estou vendo isso como uma oportunidade de... Pô, agora vai ser do meu jeito. Exato, não tem aquele... Não deve ser por eleições, né? Tinha aquele cara, o Kamenei, que impedia a gente de ter uma autodeterminação maior. Agora está meio que um vácuo de poder. O Príncipe Herdeiro não tem tanta legitimidade. É o momento aqui da gente tentar se formar, se consolidar como um país. Por outro lado, o Kamenei deixou a tal da linha de sucessão lá que você estava comentando.
resta agora a gente saber se o líder que vem, ou o líder que tá, é forte o suficiente pra impedir, segurar a onda dessa guerra civil também. Porque me parece, assim, não sou você, não sou estudioso, mas tudo caminha pra uma guerra civil mesmo. Vai depender se... Porque é propício, né? É como se, assim, cortamos aqui a cabeça do regime, que era quem segurava a onda de todos esses grupos, se isso é do tamanho que eu tô imaginando aqui.
Coisa meio... Segurava a onda, mas é tenso. É tenso a relação entre eles, não é? Esses grupos. É, entre alguns grupos mais, outros menos. Os baluxes, por exemplo, não suportam os persas. Existem alguns problemas também entre a comunidade kurda, que quer um pouco mais de autodeterminação em relação aos persas. Então, tem problemas. Se lá no Iraque, os xiitas, que eram, ao verem a oportunidade de oprimir os outros, oprimiram aqui, quer dizer, lá no Iraque,
Irã, não me parece muito difícil de rolar também, só que tem mais times. Tem mais times e são times mais populosos que podem sofrer mais influências externas. Um grupo bem importante, por exemplo, são os Azeres. Existe muita gente do Azerbaijão que mora, por exemplo, no Irã e talvez quisesse ter uma integração territorial, uma fragmentação para conectar com o Azerbaijão. Então pode ter também essa possibilidade de fragmentação, com certeza. E do ponto de vista da... Porque assim, dominar o Irã, você domina recursos
naturais muito valiosos. Além do Estreito de Hormuz, que é um poder político bem grande. E ferra com a China, principalmente. Ferra muito com a China. Pelo ponto de vista de infraestrutura também. A China tem muitos negócios no Irã. Além do petróleo que compra, além do Estreito de Hormuz, o Irã também faz parte do Roland Belt, recebendo altíssimos investimentos de rodovias, ferrovias, portos. De uma hora pra outra, você tirar o Irã, essa negociação com a
isso com certeza vai comprometer bastante os chineses. A questão que se coloca é, e até uma pergunta que é válida, então a China não vai intervir na guerra? A Rússia não vai intervir na guerra? Muito possivelmente não. Por quê? Porque eles não têm acordos de defesa mútua com Irã. Por exemplo, ano passado, Rússia e Irã, eles assinaram um acordo de cooperação militar. Tanto que o Irã fornece os drones Shahed, os drones kamikazes para a Rússia na guerra e tal, e a Rússia também compartilha. O sistema de defesa do Irã, o S-300, o S-400,
russo. Só que no acordo que foi assinado, não tinha nenhum dispositivo que obrigava a Rússia a apoiar o Irã em caso de guerra ou o Irã a apoiar os russos. Não teve nenhum persa, nenhum iraniano indo lá combater na Rússia em favor da Ucrânia. O único dispositivo que tem é que caso um país entre em guerra, a Rússia não pode apoiar quem está atacando o Irã. Mas já não ia. Mas já não ia mesmo. Concordo com você. E a China pior ainda, porque a China nenhum tipo de acordo tem. Nem acordo como os russos têm.
de cooperação técnica, compartilhamento de equipamentos. É que a gente acaba naturalizando porque a gente tem muito o que os Estados Unidos fazem em relação aos outros países. Opa, não gosto daquele governo? Pô, tá indo contra um governo aqui? Deixa eu ameaçar esse país, vou falar que eu vou tirar. A China geralmente não se envolve em guerra de terceiros. E não porque a China é boazinha, mas porque faz parte da postura política dos chineses.
Tanto que a China, mesmo tendo todos os problemas do mar da China Meridional, que desrespeita a zona econômica das Filipinas,
que quer tomar o mar do Vietnã, todos os problemas, a China não é a boazinha da história. Mas a China está se vendendo como a que respeita a carta da ONU, que respeita os princípios da ONU. É verdade. A China, ela fala assim... A OMC, por aí vai. A China, que é um país socialista, reclamando que... Na OMC, uma instituição multilateral que os Estados Unidos não estão cumprindo as ordens do comércio internacional. Então, a China busca mostrar que ela está cooperando mais com o direito internacional. E, de fato,
Como eu falei, o que o Israel e os Estados Unidos colocaram para fazer o ataque é o que eles chamaram de ataque preventivo. Então eu vou atacar o Irã, já que eles estão desenvolvendo mísseis e que eles estão desenvolvendo programa nuclear. Não existe isso na carta da ONU. Você não pode fazer um ataque preventivo. Até porque entra num conceito muito abstrato. Eu posso achar que o país está fazendo e por isso eu justifico uma agressão.
Assim como os Estados Unidos já fizeram contra o Iraque. A justificativa foi, não, não. Saddam Hussein está produzindo armas de destruição em massa.
pra impedir que eles desenvolvam. Quando chegaram lá, não tinha nada, né? O que existe é o que a gente chama de não ataque preventivo, mas ataque preemptivo. O que é isso? Se você ver que o Irã tá com mísseis apontados em direção ao seu território, aí poderia ser justificado um ataque. Não era o caso. O Irã não tinha mísseis apontados pra Israel ou uma arma nuclear ali pronta pra ser utilizado pra ataque. Ou seja, feriu a carta da ONU.
Eu concordo que seria muito inocente pensar desse jeito também. Ah, então já que está ferindo a carta da ONU,
o Irã apoiar o Hezbollah, o Irã apoia o Hamas, o Irã apoia os UTIs. Porque o Irã nunca atacou Israel, é verdade. Quer dizer, na Guerra dos Doze dias sim, né? Mas antes disso. Mas o Irã, ele financia o Hamas, que ataca Israel. Indiretamente. O Irã financia o Hezbollah, mas a carta da ONU não responde a isso. Então, se você for seguir estritamente a carta da ONU, não poderia ter feito ataque, entende? Mas eu entendo também as limitações e as dificuldades. E o que que tu acha, assim, se tu tivesse que... Aqui é o Ricardinho, tá bom?
o profissional. Tá, beleza. O que o Trump tá pensando, cara? Porque assim, ele tá fazendo uma aposta, inclusive que é perigoso pra ele dentro de casa. Que nem a gente tava conversando antes de começar aqui, que você falou um pouquinho também. Que é, tem lá a galera maga, maga mesmo, que não tá entendendo. Não era America First? Por que que tu tá indo se meter nessa parada aí? E algum cálculo o Trump tá fazendo, né? Por isso que eu vou naquela...
Porra, petróleo é gás? Que porra que é? Será que é realmente o troço, o cara tá preocupado com bomba atômica pra valer? Porque, pô, quando o cara vai negociar, ele pede uns troços que ele sabe que o cara não vai dar, né? Então, não sei, não me parece muito afim de conversar também, no sentido de eu quero isso aqui, que eu sei que tu não vai dar. E o cara no meio do, pô, não quero, toma a bomba. Então, o que o Trump quer, hein, Ricardo?
Não é o professor, não. É só um... Vamos viajar um pouco. Eu pessoalmente. O que eu acho? Eu acho que os Estados Unidos têm interesse de tirar o regime dos ayatollahs. Não acho que ele queria fazer isso agora por todos os impactos políticos que isso traria para a sua eleição agora, o mid-term elections, que ele pode perder o controle porque a tendência é que os democratas vençam pelo menos na Câmara. Só que o momento era muito oportuno e talvez ele não pudesse deixar a oportunidade passar agora. Porque é agora que a população está reclamando.
abusos do governo, da inflação alta, da crise hídrica que se estabelece. Mas o que ele quer? Tirar o governo dos Ayatollahs para fazer com que o Irã fique um regime aliado, ele ganhe petróleo e impeça que a China avance no Oriente Médio. Tem cheiro disso, né? Com certeza. Isso não é nem teoria da conspiração. Os americanos colocaram isso no documento estratégico que eles divulgam ali, que o Trump divulgou. O nosso principal inimigo é a China. Tanto que eles falaram que eles vão usar até
força militar contra os países da América que não aceitarem se relacionar mais com os Estados Unidos em detrimento dos chineses. Os Estados Unidos divulgaram um relatório ridículo, tá? Mas um relatório do Congresso americano foi na sexta-feira, quinta-feira, faz poucos dias aí identificando bases militares secretas chinesas que estão espalhadas na América e colocaram que o Brasil tem duas bases militares secretas chinesas ali em Tucano na Bahia e uma outra na Paraíba, que realmente
tem bases ali, mas que são bases científicas. E que todo mundo sabe que a China, de fato, financia. Existem programas de... É que são termos complexos de astrologia lá. Mas de estudo, da matéria escura, não sei o que. Astronomia. É, de astrologia. Os caras vão te bater. De astronomia, é. Sim, eu entendo. Mas não soa meio teoria da conspiração que tem uma base militar secreta, duas, no Brasil? Então, assim, talvez os chineses tenham interesse, realmente,
aumentar a sua expansão, ter maior coordenação com o Brasil. Mas base militar secreta que todo mundo sabe que tem. Uma base militar secreta é que todo mundo sabe que opera ali em Tucano e que opera, por exemplo, na região de Aguiar, que é a cidadezinha lá da Paraíba. Não é muito secreto isso. Então parece muito mais uma justificativa dos americanos de falar, ó, se a gente atuar contra o Brasil é porque existem bases militares secretas aqui.
Então, parem com as suas parcerias. Eles fizeram isso com o Panamá. Eles obrigaram o Panamá a tirar duas empresas de Hong Kong
Kong, alegando que as empresas de Hong Kong estavam fazendo espionagem, oferecendo informações secretas, e o Panamá foi obrigado a ceder. A Argentina está prestes a também atirar a base que eles têm chinesa, ali mais ao sul da Patagônia, também a pedido dos Estados Unidos. Então, os americanos, eles fazem uma série de expansões, e eu não acho que está errado, os países da América Latina têm que se relacionar com os Estados Unidos.
A questão é que, geralmente, a China oferece o quê? Contratos, financiamento, road and belt, vou desenvolver
porto. Os Estados Unidos falam o quê? Ou você faz do meu jeito ou eu faço uma intervenção militar. Aí eu sou mais a China, né? A China parece mais razoável. E não porque a China é boazinha. Repito, a China tem sim os seus interesses. Só que pelo menos eu tô ganhando um pouquinho também, né? Não tem ninguém me impondo. É uma parceria mais justa, né? Por exemplo, o... A China vai ganhar mais. Mais um pouquinho. Porque os Estados Unidos, nesse caso, ganha tudo, né?
Exato. Ou você faz do meu jeito ou pelo menos a China te dá a possibilidade de aceitar ou não. Claro que pra você conseguir sobreviver
o país precisa dos investimentos chineses. A China tem uma baita capacidade de aporte de capital, mas pelo menos não ameaça militar. Pois é, esse que é o problema, na minha opinião. Que assim, pô, o Trump, fala a verdade pelo menos aí, cara. Porque assim, base militar, vamos pensar, por que a China ia botar duas bases militar secretas no Brasil? Pra quê? Pra quê? Pra jogar bomba nos Estados Unidos? Pra quê? A China, meu irmão, nem vai trocar de governo daqui a 50 anos.
Eles já estão ligados, o que eles querem estar fazendo? Eles querem estar mijando
cabeça pra baixo em 50 anos, entendeu? E eles vão trabalhar pra isso. Então, ele não quer jogar uma bomba em você, cara. Ele quer mediar de cabeça pra baixo, né? Eu acho que nesse sentido, eu acho que a China... Por quê? Uma base no Brasil pra jogar? Pra quê? Ela é muito mais pragmática do que os Estados Unidos. Os caras, eles pensam nos objetivos que eles têm, tem os planos quinquenais. Pô, se é uma região que é estratégica pra eles, eles vão fazer de tudo, oferecendo dinheiro, investimentos, infraestrutura.
E se não rolar agora, vai rolar daqui a 10 anos, porque eles estão ligados que eles são eles de novo daqui a 50 anos, pô.
Então, assim, pelo menos eu imagino isso, tá? Que a coisa lá funciona do jeito tão diferente que é difícil de conceber mesmo. Que é, cara, eu acho difícil que o cara esteja botando uma base militar aqui no Brasil. Tô falando que o chinês é bonzinho, igual você disse. Tô falando que o chinês é bonzinho. Ele vai ganhar dinheiro pra cacete com isso daqui. Só que não é estourar uma bomba nos Estados Unidos, pô. Ele tá nem aí pros Estados Unidos, ele quer ganhar dinheiro. Ele quer fazer outra coisa.
não é bomba. Se tu for implicar com o chinês porque ele tá trazendo soft power, aí tudo bem. Agora, que o chinês tá botando uma base militar com o James Bond chinês pra... Não, não tá. Duvido. Pode ser que esteja e eu esteja maluco, entendeu? Mas a verdade é que nada indica, nada me parece que tá indo por aí. Me parece que a China quer ficar mais influente, quer ficar mais rica. E não é estourando os outros. Não me parece ser.
E uma região que é super estratégica. Isso não quer dizer que eles são bonzinhos, porque o
dominar os outros por meio de... Ainda é dominar os outros. Com certeza. Então... Assim, a América Latina, ela sempre foi chamada, o Pitrexet, que é o secretário de defesa, falou de novo, que é o quintal dos Estados Unidos. E, estrategicamente, sempre foi. Quando a gente tem hoje, por exemplo, o que a China está fazendo no estado da Bahia, pô, os caras estão fazendo a ponte lá em Itaparica-Salvador, que é a maior ponte em suspense da América Latina.
Os caras estão fazendo, por exemplo, a BYD, a sede da BYD, para ser não só uma reprodutora de tecnologia,
mas para ser um centro logístico de desenvolvimento de tecnologia de motores elétricos para toda a América Latina. O Brasil, ele produz muita energia, geração, mas o Brasil tem um gargalo muito grande na transmissão de energia. Os chineses anunciaram aporte na casa também de 30 bilhões para desenvolver sistema de fiação e transmissão de energia. Dólares? Acho que é na casa de reais. Tá bom. Já tá bom já, né? Para fazer o sistema de transmissão de energia.
Eles estão desenvolvendo, estão comprando uma série também, parceria junto com a Embrapa,
de tecnologias agrícolas no sul da Bahia. Não porque eles são bonzinhos, mas porque interessa para eles economicamente. Eles vão ganhar muito dinheiro. Daqui a um tempo essa tecnologia está com eles e por aí vai. Algum jeito eles vão ganhar. A gente sabe disso. Só que não é os Estados Unidos. Não mete que eles estão mirando uma bomba para vocês. Base militar? Não. Fala outra coisa. E eu até acho que o que eles estão fazendo é para que no futuro eles também possam ter maior poder de barganha. Porque, por exemplo,
ele é muito dolarizado ainda, é difícil a China conseguir aplicar sanções, conseguir colocar algum país contra a parede, porque existem outras alternativas. Mas o Brasil mesmo, o Brasil, se a gente pegar quase um terço das nossas exportações, é para a China. Querendo ou não, a China já tem uma certa soberania sobre o Brasil. Imagina que a China decide, por exemplo, que a nossa soja tem muito pesticida, então não vamos mais comprar a soja brasileira.
Isso traz um baita impacto na nossa balança comercial. Então, quando a China vai fazendo esses investimentos, querendo ou não, ela vai ganhando ali comércio,
pra chegar em determinado momento, talvez ela comece a se comportar como um país imperialista também. Mas pelo menos não é sobre ameaça militar. E o Brasil pode ter a opção de diversificar parceiros. E o Brasil, querendo ou não, vem tentando fazer isso. O Brasil, por exemplo, recentemente em viagem à Índia, conseguiu fechar uma série de parcerias econômicas. A gente agora finalmente está finalizando o acordo Mercosul-UE, que por enquanto, provisoriamente, já até começou a valer. É importante pra diversificar mercados. Os franceses estão putos.
Muito, muito, extremamente. Os franceses vivem puto. Eles são muito protecionistas. Os caras têm uma agricultura que sustenta a Europa e eles sabem que os nossos produtos são muito mais competitivos que os produtos franceses. Então eles querem colocar um monte de condicionantes. Eles querem colocar uma cláusula no Acordo Mercosul Europeia que fala que se o mercado francês estiver perdendo muito mercado para os produtos do Mercosul, mesmo que o Mercosul respeite as regras sanitárias, as regras ambientais, eles podem colocar limites de importação
Aí não é acordo comercial. Aí é preferência só para os franceses. Então ainda está nesse embrólio porque alguns países, a Polônia, só os países agrícolas, a Hungria, a Polônia, a França, a Irlanda, são países que estão resistindo um pouco mais por conta do setor primário. Mas os países como Espanha, Alemanha, País Baixos, que vem uma baita oportunidade numa economia europeia que está totalmente estagnada de colocar os seus produtos, querendo ou não, o Mercosul tem quase 300 milhões de pessoas. É uma oportunidade também.
Bem legal para os europeus. Então o francês chorou, vai acabar rolando mesmo. Eles estavam tentando convencer a Itália. A Georgia Meloni até atrasou um pouco a votação. Aí a Georgia Meloni foi lá, ouviu os agricultores, colocou algumas condições também, não pode estar o pesticida, enfim. A Itália foi favorável. Aí a Itália sendo favorável, dificilmente a França vai conseguir impedir o acordo do Mercosul europeu. Voltando um pouco lá para a guerra que está rolando, o que o Netanyahu está falando? Que há chance dos iranianos.
que é a chance que eles vão ter em gerações de conseguir tirar o governo autoritário do Ali Khamenei e de todo o regime iraniano. O ponto importante é que Israel, esse ano, passa por um processo eleitoral. Um processo eleitoral que vai renovar o parlamento, consequentemente vai renovar também o cargo de primeiro-ministro. O Netanyahu está envolvido em três escândalos de corrupção. No único período, um pouco mais breve, de paz que você teve entre Israel e Faixigaza, que estava no momento de negociação, a Suprema Corte de Israel começou a exigir,
que o Benjamin Netanyahu fosse lá, pelo menos uma vez por semana, prestar os depoimentos para esclarecer alguns casos. Independente se ele é culpado ou não, porque até concluir a justiça não tem como saber, mancha a imagem. Pô, toda semana, vai lá, o primeiro-ministro está lá prestando depoimento, aí a mídia fala, ó, escândalo de corrupção e tal. Quando você tem um inimigo comum, ainda mais o Irã, que com certeza é o inimigo mais poderoso, você cria um sentimento de coesão nacional. Então, para o Benjamin Netanyahu, se Israel for atacado, claro que não,
política. É muito bom que tem uma guerra contra o Irã, porque você cria um sentimento de união nacional contra o inimigo que mais incomoda a gente que são os iranianos. Então, o momento de pensar em política, de trocar de primeiro... Não. Eu sou o cara aqui que consegui invadir a faixa de gás, eu sou o cara que conseguiu fazer ataques contra o Irã, nosso inimigo em comum, que estou atacando o Hezbollah. Politicamente é sensacional para o Benjamin Netanyahu.
E até por isso que os americanos estão criticando, porque é muito bom para Israel. Para os Estados Unidos, talvez não tanto.
pelos impactos econômicos que até uma possível ocupação militar dos Estados Unidos pode causar no Irã. Então, Benjamin Netanyahu está vendo com ótimos olhos. Os Estados Unidos chamou essa operação de Operação Fúria Épica. Israel chamou de Operação Rugido do Leão, que é em relação ao símbolo que a bandeira do Irã tinha antes de 79. E também, os dois países, tanto Israel quanto os Estados Unidos, falaram que enquanto os objetivos não forem atingidos, a operação militar não acaba na região.
Então ainda tem mais algumas coisas para acontecer nesse problema. E aí uma outra coisa que a gente estava falando era sobre o papel da ONU nesses conflitos que iniciam e continuam e a ONU tem pouca... Ela interfere pouco. Não porque ela não queria interferir, muitas vezes porque ninguém liga para a ONU, na verdade.
ela é muito mais um... Me parece um lugar pra galera se encontrar, tomar um uísque e trocar uma ideia. Porque no fim do dia lá, se o cara quiser estourar os outros, ele vai estourar e acabou. Claro, dependendo do teu tamanho. Se for dos Estados Unidos, legal. Se for Rússia também. China a gente ainda não viu, mas provavelmente sim também. Brasil já não sei. Mas não é, mas a ONU, ela tá... Será que a gente tá caminhando pro momento que a gente ia precisar rever a própria ideia da ONU?
Talvez essa aqui era uma pergunta para o Ricardinho, não sei. Não, eu acho que... Até vou pedir a opinião do Iguinho também, então daqui a pouco, hein? Eu acho que já passou desse momento. A ONU não tem mais legitimidade. A ONU, concordo com você, a ONU, quando ela foi criada em 45, ela não foi uma ONU criada para ser um órgão deliberativo que tomasse ações, até porque é muito difícil pensar quem vai ser o presidente. Pô, você vai ter um parlamento que vai ser de acordo com o tamanho da população?
Então, Índia e China vão mandar no mundo, entende? O Sudeste Asiático vai mandar no mundo.
Mas, da maneira como está organizado hoje, nem o Conselho de Segurança, que é o único que tem caráter deliberativo, representa alguma coisa. Por quê? Primeiro porque tem a questão do poder de veto e mesmo se o país, ou se o Conselho de Segurança da ONU, aprova uma resolução contra determinado país, vamos imaginar, a gente aprovou uma resolução contra os Estados Unidos, sei lá, os Estados Unidos se absteve em uma votação contra ele mesmo e aprovou.
Ele não vetou. Ele não vetou, tá bom. Exatamente. O Estado Unido não vetou a parada contra ele mesmo. Contra ele mesmo. E aí? Quem vai lá invadiu os Estados Unidos?
Quem vai adotar sanções contra os Estados Unidos? Se eu sou os Estados Unidos, eu ia me abster mesmo. Quero ver, né? Quero ver se vocês têm coragem. Cheguei, cheguei, cheguei. Entende, então falta legitimidade. E acho que a ONU também, como ela foi criada em 45, os desafios eram diferentes. A época da assinatura da carta da ONU foram só cerca de 50 países. Hoje tem 193 estados que participam das assembleias, das reuniões. Por exemplo, tem uma pergunta pro Guilherme também, né? A gente tem, ó, a Venezuela, claramente, o Nicolas Maduro,
é um ditador. Tá oprimindo a população, tá atuando contra os direitos humanos. O que a ONU pode fazer se ele não atacou nenhum país e se existem países que vetam uma intervenção da ONU contra a Venezuela? Então tem que aceitar que a ditadura continue ali? Ou o caso do Irã também. O Ali Khamenei era um ditador, que financiava grupos como o Hamas, como o Hezbollah, como os UTIs. Mas o Irã não atacou nenhum país e não houve aprovação do Conselho de Segurança Permanente da ONU.
Então o Ali Khamenei continua lá pra sempre, mesmo que ele oprima a população? É, cara, pra gente resolver
esse problema do jeito mais, pra gente conseguir sistematizar ou criar algum tipo de processo pra resolver esse problema aí todos os países do mundo teriam que abrir mão da sua própria soberania então pra gente resolver algo e pra isso o ser humano médio tem que ser Madre Teresa de Calcutá, porque se o ser humano médio continuar sendo o mesmo que é hoje, é um filho da puta então ele o filho da puta no sentido de
eu vou tentar, eu sempre vou tentar puxar sardinha pro meu lado. Eu não tô muito preocupado com o bem comum. Tô preocupado com defender o meu. Sabe por quê? Porque o Ricardinho também tá, porque o Vitinho também tá, porque o Dequim também tá. Tô todo mundo preocupado em defender só o seu. E nesse contexto, todo mundo é, entre aspas, um filho da puta e é difícil tu resolver um problema como esse. Porque, de fato, é. Realmente, tá lá o Maduro lá, mas se a gente combina aqui entre quem somos nós pra combinar aqui e a gente vai lá, invade e
resolve um bagulho que a gente sabe que devia, mas não é o que a gente foi criado para fazer. Então é muito complicado. Me parece que para resolver isso daí, todo mundo ia ter que abrir mão da sua soberania em alguma medida e confiar em umas deliberações de seres humanos, que, portanto, eu espero que sejam todos madres Tereza de Calcutá. Então não vai rolar. E que vão pensar de acordo com os princípios, não de acordo com seus interesses.
Exatamente. E aí não vai rolar. E aí, como não vai rolar, o que a gente faz agora?
Acho que a gente tem o que é possível ter. Que é uns caras pra trocar uma ideia e tentar segurar a onda dos outros. Dos caras muito poderosos. Tem um monte de merda. O Conselho de Segurança precisava ser revisto. Mas quem vai rever? Os caras do Conselho de Segurança? Então já tá. Agora é tentar fazer... A gente precisa de um Osvaldo Aranha muito sinistro lá que vai tocar o bumbo.
E esse cara tinha que ser próximo da Mário Tereza de Calcutá. Porque é o máximo que dá pra ter, eu acho. Um bom conselheiro, sabe? Eu acho. Porque do jeito que tá posto, quem manda, manda. E não vai mudar. E o cara vai abrir mão do poder de veto dele no Conselho de Segurança? Nunca. Aí, ó, desfaz o Conselho de Segurança. Nunca vai ter isso, né? Então, vamos ter que lidar com o melhor que a gente tem. Porque a gente já fez a merda. Agora tem que lidar com ela.
Que merda. A gente criou o troço sem pensar 50 anos pra frente. Então, mas vamos pensar que, ó, imaginar que no mundo ideal, China, Estados Unidos, Rússia, aceitem. Não, beleza. Essa carta da ONU representa a realidade do pós-segunda guerra, não representa a realidade atual. Perfeito. Vamos sentar do zero e escrever uma nova carta da ONU que responda os anseios do mundo atual. Então vai ter representante de país africano, hoje é o continente mais conflituoso, não tem um representante pra lidar com as questões locais. Beleza.
vamos agora lidar com intervenções contra outros países. Como que a gente faria uma carta da ONU que resolveria a questão iraniana? Que resolveria que o Ayatollah Kamenei, oprimindo a população, não pode estar lá? Entende a dificuldade disso? A gente vai ter que definir exatamente... A gente vai ter que definir o que é o ser um ditador. Então, ser um ditador que deve ser tirado do poder é o quê? É quando você não tem um processo eleitoral?
A China, por exemplo, tem um processo eleitoral diferente, mas a população gosta e considera que é uma democracia. E que, aliás, talvez seja até mais democrático
Mas se o Trump achar que não é e usar esse argumento ali, né? Atrapalha.
região do Xinjiang. Ou é a China por conta do conflito em Taiwan. Olha o problema que a gente vai se meter. É irresolvível, né? A Rússia passa. A Rússia tem processo eleitoral. O Putin passa por processo eleitoral. Então é uma democracia? Entende? Aí começa a entrar, por exemplo, nas diferenças culturais. A gente vai considerar que a cultura correta a ser seguida como modelo é o modelo de democracia liberal ocidental, com uma cultura baseada em valores judaico-cristãos, e o islamismo, e o modelo de vida islâmico, que não é similar ao modelo
modelo de vida e países que foram formados de maneiras diferentes. Como eu falei, por exemplo, o Saddam Hussein, querendo ou não, ele conseguia dar um jeito no Iraque. O Omar Gaddafi, querendo ou não, conseguia dar um jeito na Líbia. Houve uma intervenção, uma tentativa do Ocidente de colocar o modelo de governo mais próximo do modelo ocidental. Olha o que a Líbia virou. É muito difícil você imprimir o modelo de pensamento de uma democracia liberal ocidental num país que não tem essa formação cultural, não faz parte dos princípios democracia, parlamento, banco central e coisa que valha. Então,
É difícil você conseguir fazer uma carta da ONU, mesmo que a gente comece do zero, que consiga responder os anseios atuais. Acho que o único... Então tá. Como a gente não vai rapidamente virar Madre Tereza de Calcutá, aí a próxima coisa que faria a gente trabalhar junto, Ricardinho, é uma invasão helenígena. Tô falando sério. Porque assim, uma invasão helenígena que a gente identificasse que a gente tem chance de ganhar, de se defender, aí a gente se organizava como espécie.
O Trump falou que vai liberar uns documentos aí, você viu? É, mas a gente precisa achar que dá pra ganhar, entendeu? Porque se a gente tá vendo que a gente vai ser só esmagado, a gente vai continuar, foda-se, entendeu? Cada um vai pensar no seu também, né? Cada um vai pensar no seu também. Se a gente identificar que a gente consegue segurar a onda, aí eu acho que tem a chance da gente se unir, entendeu? Só assim, mané, porque se não...
É exatamente isso que tu falou, cara. O cara que é um coroa chinês, o japonês, ou chinês também, esse coroa aí, meu irmão,
completamente diferente do coroa brasileiro. Então ele viveu um contexto diferente. Para a gente que está enfiado nesse contexto, e muitas vezes a gente só conhece esse contexto aqui, é difícil entender que existe um modo de vida completamente diferente. Existe um modo de vida que o sexo não é tabu. Existe um modo de vida que o sexo é muito tabu. Então existem diferentes formas de enxergar tudo.
pensar mais ou menos igual é possível. Então tem que ter um... Lá na ONU, eu acho que tinha que ser a política máxima. Entendeu? Os melhores estadistas de cada país tinham que estar na ONU. Entendeu? Então tinha que ter um monte de Osvaldo Aranha lá. Entendi. E aí talvez a gente conseguisse um conversar com o outro, segurar uma onda. Sabe? Cara influente, cara respeitado. Entendeu? Estadista, brabo. E aí no caso do Ali Kamenei, ó, não precisa trocar o governo, mas se você começar
imprimir tanto assim a população, a gente para de comercializar com você determinados produtos. Então meio que vai aparando um pouco as pontas, assim. Mas, sei lá, também não dá, entendeu? Aqui a gente está sonhando com... O mundo ideal, né? Com estadistas, sei lá, 193 estadistas pica a fim de trocar ideia e resolver para valer o problema. Porque falta dinheiro para resolver o problema da África. Não é dinheiro. Não é dinheiro, é outra coisa, né? Então, esses caras, né? O cara afim de resolver. Porque o que acontece?
Hoje, o cara da África, a chance dele ter vindo... Ele veio de uma... Isso aqui é viagem, tá? É o Iguinho. Ele veio de uma realidade de escassez tão sinistra que ele, quando está numa posição lá, é isso que ele enxerga. E aí ele vai querer se dar bem. A gente vê isso no Brasil, porra. A gente vê os caras que a gente vota, chega lá, o cara vira corrupto. Porque o cara, possivelmente, ou ele era um filho da puta desde sempre, ou as coisas se apresentam diferentes para as pessoas. Então, se eu sou...
Se eu só conheço a escassez, quando eu chego na abundância, eu posso lidar com isso de um jeito que eu quero pra mim, que é o que geralmente acontece, ou eu quero espalhar, que é o que raramente acontece. Entendeu? E a gente precisa ter muito dos caras do quero espalhar pra resolver os problemas que a gente realmente tem. Porque a gente fica falando de... Ah, no fim é dinheiro, mano. No fim é controle. No fim é ter o pinto maior. Entendeu? No fim é isso.
o pior lado do ser humano direto o tempo inteiro. Tanto o Kamenei, que tá sendo um babaca lá, ele podia não ser o babaca, mané. País rico pra cacete, cara. Gás natural pra cacete, cara. Dá pra fazer o troço direito, mas o cara escolheu ser um babaca. Então aí fica difícil. Se esse é o ser humano, se o líder do país é esse babaca, imagina, né? Se o cara conseguiu assumir a posição de um ayatolá do país. O cara é um babaca? Porra, então é que a gente tá perdido. Então vamos precisar de uns...
lá, num ET. Vem ET, pra gente ver se a gente se une. Sei lá. Mas aí a gente foi pra o quê? Cosmopolítica? Mas aqui, esse conflito novo, ele... Como é que tava o andamento do conflito Israel e Hamas? Ele tava meio apagado, né? É, o que teve assim, é que eles conseguiram estabelecer um cessar-fogo e o Trump, ele formou o que ele chama de Conselho de Paz. O que, aliás, mais uma vez mostra o quanto a ONU se mostra ineficiente.
Porque o próprio Trump falou que a ideia é que o Conselho de Paz cuide agora da questão na faixa de Gaza com Israel, mas que no futuro o Conselho de Paz seja uma espécie de alternativa ao Conselho de Segurança da ONU. O Trump está nessa, ele quer outra ONU. Quer outra ONU. E inclusive com os países que ele convidou, ele fala que para o país fazer parte ele tem que pagar um bilhão de dólares. E tem uns malucos pagando, não tem? Aqui na América Latina, imagina, ofereceu para o Milley e ele vai.
já aceitou, faz parte do Conselho da Paz. O Brasil foi convidado, o Brasil não aceitou fazer parte, a gente ouviu, mas por essa coisa de querer ser um substituto da ONU e por algumas prerrogativas, por exemplo, o Trump, ele tem o poder de expulsar qualquer país que ele quiser. O Trump. O Trump. Entendi. Quando o país for se pronunciar, o pronunciamento tem que estar noência dos Estados Unidos. Os Estados Unidos tem que ler exatamente qual vai ser o pronunciamento que o país vai fazer.
para saber qual vai ser o pronunciamento que ele pode fazer. Então, óbvio que não é um órgão representativo diplomático, né? Mas esse Conselho de Paz foi colocado para guiar o futuro da Faixa Gaza. O que o Israel e os Estados Unidos estão fazendo, né? Eles criaram um conselho com algumas seguras. O Stephen Koff, o Trump faz parte do conselho. Aliás, uma das coisas que foram mais emblemáticas foi a participação do Tony Blair, que era o ex-primeiro-ministro britânico. O cabelo assim, né? Esse mesmo. Porque o Tony Blair...
O Tony Blair que no começo ele achava que a pandemia... Daqui a pouco isso aí sai na água aí, cara. Isso aí é não sei o que de rebanho. E aí... Não sei se foi ele. Não sei. E aí quando veio... E aí quando deu merda... Ele... Não, meu irmão. Compra aí a vacina. Eu acho que foi ele. Vale a pena dar uma olhada aí. Porque foi louvável até. Sabe? O cara começou falando merda quando ele... Rapaz, não é bem assim não. Mudou de opinião pelo menos.
Voltou atrás. O Tony Blair, ele foi o responsável por toda a cooperação. Toda a ideia que tinha uma arma de destruição.
em massa no Iraque, ela não partiu só da CIA, ela partiu do MI6 também, do Reino Unido, com o Tony Blair no comando. Então o Tony Blair, que fez aquelas acusações e essa atitude no Iraque, vai ser o responsável por um novo processo de uma paz na faixa de Gaza. É no mínimo assim, meio emblemático, né? É maneiro, né? Divertido. O mundo, ele entrega pra nós umas historinhas, né? Que é interessante. E o que existe hoje é uma proposta, uma proposta feita, principalmente
pelo genro do Trump e pelo Steve Itkoff de como que vai ser o futuro da Faixa de Gaza. Aquela ideia, eu lembro que a gente até conversou isso da outra vez, que o Trump tinha feito um vídeo com inteligência artificial de como que seria a Faixa de Gaza. Ele colocou os arranha-céus, colocou Elon Musk tomando umas biritas lá, tudo tal, né? Mas não foge muito não. Ele identificou todos os preços do mercado imobiliário, inclusive um dos caras que está guiando o processo, esqueci o nome dele, mas é um dos grandes chefões
do mercado imobiliário americano, porque a ideia é fazer com que Gaza, você tenha toda uma reconstrução do território de Gaza, mas muito possivelmente com fins turísticos e de exploração econômica. A dúvida que fica é que muito possivelmente aquilo vai ser caro. Especulação imobiliária, aumento do preço, a população palestina vai ter acesso àquelas áreas? Aliás, a população palestina quer que aquilo se transforme exatamente num centro turístico?
Querendo ou não, ali é a região antiga palestina. É um território que é considerado
sagrado para a religião islâmica. E o que menos existe é a população palestina sendo ouvida para saber quais vão ser as políticas públicas que vão ser implementadas. Então é um plano que está sendo otorgado pelos Estados Unidos, com anuência também de Israel, mas que não representa, claro, os interesses palestinos. O Trump fala que não, fique tranquilo que os palestinos que quiserem ficar vão poder ficar na Faixa Gaza, mas pensou que muito possivelmente não nesse centro turístico que vai ser criado. Talvez em alguns espaços destinados para os palestinos que quiserem ficar
naquelas posições. Israel tem a figura de um ministro das finanças, o Ismotriti, que é o mais polêmico dos ministros. Então, claro que isso não é o Benjamin Netanyahu falando, mas, querendo ou não, é um ministro que ele colocou lá. É que nem, sei lá, não é o Lula falando, mas é o Haddad. É a figura do governo falando. Colocando que a ideia dele é, de fato, fazer o que foi feito na Cisjordânia, a construção dos assentamentos, também fazer na Faixa Gaza, alegando que toda a região histórica da Palestina deveria pertencer a Israel.
Ou seja, está reconstruindo. Mas talvez não exatamente voltado para o povo palestino que ali estava. Pelo menos isso está no volume baixo. Não tem ninguém falando muito mais disso. Quando teve a primeira reunião do Conselho de Paz, que teve aquela foto emblemática, até comentou um pouquinho, teve apresentação. E você pega, realmente parece que a Faixa de Gaza virá um centro futurístico. Parece que é uma Riviera realmente do Oriente Médio. A questão é para quem? Vai ser para a população palestina,
terreno, mas realmente agora com a guerra do Irã, Israel envolvido com outros problemas. E aqui tinha umas outras questões também que a galera acostumava, na época quando estoura essa guerra aí, que a galera acusava Israel de estar invadindo o território também lá pelo Nordeste, não é? Da Síria. Fez isso, né? Quando teve a queda do Bashar al-Assad, a gente teve a ascensão do Al-Julani, que é um líder que era de uma dissidência da Al-Qaeda.
Ele prometia ser mais moderado e realmente está sendo, pelo menos de acordo com os interesses ocidentais. Só que Israel tinha muito medo que o Al Jolani não era um líder confiável, que ele ia fazer parte da frente ao Lusra, como fez no passado. Então Israel, alegando uma questão de segurança nacional, invadiu um pouco mais da região das colinas do Golã. Dominou um pouco mais daquele território. E Israel também tem um grupo na Síria que ele é muito aliado, que são os Drusos. Então Israel está sempre de olho para saber se há perseguição,
Perseguiu os drusos. Pra saber se há perseguição contra os drusos. Então invadia um pouco mais o território da Síria. E tá sempre monitorando a situação principalmente do grupo dos drusos. Que representa os interesses de Israel na Síria. Entendi. Então as coisas lá elas só tão mesmo no volume baixo. Elas continuam rolando. Continua acontecendo. E agora possivelmente vai ficar no volume mais alto na questão do Líbano. Porque Israel já fez ataques contra Beirute. Vai fazer mais ataques visando destruir e eliminar o Hezbollah. Caramba.
Terceira Guerra Mundial. Se a gente for pensar agora um pouquinho lá na Rússia e Ucrânia, cara, a gente não vai... Essa não acaba não, cara? Essa não está chegando nos seus finalmente, cara? Como é que está a fadiga ucraniana, por exemplo? Porque os caras, eles são... devem estar, né? E os russos também, né? Os dois países estão... Os russos, pelo menos, eles têm uma engrenagem, uma máquina, um motor muito maior, né? A Rússia, ela está sendo... A Ucrânia, ela está sendo... Ela está pequenininha, né?
Ela está ali dependendo dos outros e está pedindo, pelo amor de Deus. Existe uma falta de convergência da União Europeia, por exemplo. Existem países como a Eslováquia e a Hungria que ficam barrando a ajuda da Ucrânia. A tendência é que com uma estagnação da União Europeia, uma direita mais nacionalista, mais eurocética, que vê que o dinheiro do contribuinte, sei lá, alemão, tem que ficar na Alemanha e não ser enviado para a Ucrânia.
Hoje o partido, por exemplo, mais popular da Alemanha é a AfD, a alternativa para a Alemanha da Alice Weidel. Esse é o mais popular já? Mais popular.
Muito possivelmente não conseguiria formar o cargo de primeiro-ministro, porque existe o que eles chamam de cordão sanitário. Ou seja, outros partidos não vão se alinhar. Mas já passou a CDU, que é o do Friedrich Merz, que está na segunda colocação. De maneira isolada, a FD já tem mais popularidade que o CDU e que o SPD, então, que é a centro-esquerda, nem se fala. Uma FD coisa de jovem, não é? Não sei. Eu acho que começou, talvez, dos jovens insatisfeitos com a vida política, mas vai ganhando ressonância por conta de uma estagnação econômica,
de imigrantes. É sempre isso, né? Sempre isso. Ao longo da história é isso aí que acontece, né? Exatamente. Que esse tipo de pensamento acende, né? Pois é. Tá, então eu tô entendendo. E tem mais alguém, cara, se envolvendo também nessa frente com a Ucrânia ou deixando de se envolver de forma mais deliberada? O que eu quero dizer? O meu ponto é, porra, quanto tempo você acha que a Ucrânia resiste ainda? Os acordos, as reuniões, eles estão acontecendo. Tá acontecendo reunião.
trilateral entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia. Não com representantes de alto escalão, mas representantes mais intermediários da cena política de cada um dos países. E assim, grande parte dos acordos, o próprio Estados Unidos coloca, eles já foram resolvidos. Então, por exemplo, a usina de Zaporizia, que é a maior usina nuclear do continente europeu, muito possivelmente vai ficar dividido metade para a Rússia, metade para a Ucrânia e talvez os americanos também tenham parte da energia. Os advogados sempre tem que levar... Sempre, leva uma partezinha, né?
Exatamente. A questão, por exemplo, de garantias de segurança. Muito possivelmente a Rússia vai aceitar que os Estados Unidos coloquem algum tipo de garantia ou que os europeus, com monitoramento dos Estados Unidos, depende de onde for, também coloque. Aparentemente a Rússia abre mão desse ponto. Que é aquela chegadinha da OTAN que eles não queriam inicialmente. Mas possivelmente vai ter uma zona desmilitarizada para ter uma espécie de garantia para os dois lados. E aí garantias de segurança.
entrada da Ucrânia para a União Europeia, a Rússia também não se opõe, se opõe a entrada para a OTAN. Aí sim. Mas o grande ponto que a diferença está na questão de Donetsk. Porque Donetsk, a Rússia não abre mão. A Rússia, inclusive, aparentemente está disposta a abrir mão de Kherson e de uma parte de Zaporizhia, devolver para a Ucrânia, se a Ucrânia ceder Donbass como um todo. E, inclusive, o território de Donetsk, que é muito mais estratégico para eles. E é uma região que realmente tem grande parte de pessoas que falam russo,
culturalmente é mais próximo da Rússia do que os outros territórios. E isso Zelensky não abre mão. Se a gente for analisar... Ele não abre mão porque um presidente não deveria abrir mão ou ele não abre mão porque a Ucrânia depende para valer disso daí? Acho que são as duas coisas. Simbolicamente, abrir mão para a Rússia desmoraliza completamente a Ucrânia. Você está fazendo um acordo que está cedendo parte do território. Isso não deveria, com certeza, acontecer.
E Donetsk é uma região muito estratégica. Eu sei por quê, mas para a Ucrânia também?
Para a Rússia, ela é estratégica em outra escala, porque a Rússia é muito maior. Então, é muito mais importante para a Rússia do que para a Ucrânia, me parece. Uma análise burra, assim, olhando. A Ucrânia é pequenininha, a Rússia é gigantesca. Isso aqui serve para a Skoparatsky, é maneiro demais. E a Ucrânia usa, mas a Rússia usa 20 vezes mais. Na questão, por exemplo, de escoar produtos, nem precisaria de Donetsk. Porque dá para fazer por Lugansk, conectar até o Mar Negro. Donetsk é muito mais uma questão cultural.
muito industrializada. Talvez uma das regiões mais ricas, junto com o Kharkiv da Ucrânia. Entendi. É uma região que tem bastante minérios, tem bastante carvão, por exemplo. Entendi. Aí vai deixar a Ucrânia mais pobre mesmo. Exatamente. Entendi. Então isso parte também da questão do controle de recursos naturais. O Zelensky não abre mão de Donetsk. Se a Rússia for pelo caminho da guerra, os russos realmente estão avançando. A conta que o Zelensky fez é que, com o ritmo que a Rússia avança, que é muito lento,
precisaria de pelo menos mais um ano de guerra e com o ritmo de morte de soldados russos, pelo menos mais um milhão de soldados russos morrendo no campo de batalha. A Rússia não dispõe de tudo. Dispõe, dispõe. Mas aí vai ser obrigado a convocar reservistas, aí gera insatisfação porque são jovens. Uma coisa é você chamar o cara que é voluntário. Ah, tô pagando aqui um soldo e tal, vai lá lutar, já é ruim, mas beleza. Outra coisa é fazer uma mobilização.
São coisas diferentes. Então isso pode gerar insatisfações, problemas. Claro que sim.
apostando que o Putin não vai entrar nessa. É, mas a questão é que eu acho que o Putin vai entrar nessa. O Putin ceder agora não é... Veja, da mesma forma que eu estava entendendo que essa região era muito mais importante para a Rússia do que para a Ucrânia, o Putin ceder é muito mais emblemático que os elétricos perder do ponto de vista, sei lá, global, não é? Com certeza. E acho que assim, para a gente entender a diferença de escala, claro que são situações
diferentes. Mas qual que é a imagem que os Estados Unidos vendem? A gente tinha um inimigo que é a Venezuela, eu em uma operação capturei o cara e levei pros Estados Unidos. A gente inimigo que é a Ucrania. Eu ataquei, matei o Ali Kamenei. Você, Rússia, é vizinho da Ucrânia, se vende com uma potência militar quase tão poderosa quanto a gente, tá quatro anos em guerra e não conseguiu nem chegar perto de Kiev. Quando tentou avançar ali, claro que uma ocupação terrestre é diferente de um ataque aéreo, né?
Mas quando tentou avançar por Kiev, houve uma resistência dos ucranianos e vocês perderam pra um
que não dispõe de armas nucleares, que não faz parte da OTAN. Entende? Então, com certeza para a Rússia, se ela não conseguisse atingir os objetivos, isso poderia ferir o Putin politicamente falando. Porque ele vende para a população russa que existe uma guerra do Ocidente que está sendo travada contra a Rússia. A guerra não é a Ucrânia e a Rússia. A guerra é a OTAN contra a Rússia. Então, uma derrota sem o Putin atingir os objetivos é uma derrota da Rússia para o Ocidente como um todo. Isso compromete ele.
Ele mesmo que meteu essa narrativa, né? Sim, sim, por narrativa dele mesmo. Isso compromete ele frente às lideranças militares do país, frente aos oligarcas, aos grandes empresários, frente à população. A população russa, principalmente aquela 40 anos ou mais, que tem realmente uma postura mais conservadora, e que vê o que foi a Rússia na década de 80 e na década de 90, com Gorbachev e com Boris Yeltsin, que era crise econômica, moratória, hiperinflação,
Rússia nos anos 2000, esse cara vê o Putin como um herói. Ele é o fã número um do Putin. Esse cara, por exemplo, durante a década de 90, a Chechênia, que era uma região islâmica separatista, conseguiu pegar em armas e se separar da Rússia. Uma regiãozinha islâmica. Ganhou do exército que era vir comparado com o exército americano. Entende? O Putin, assim, quando ele assume o poder, a primeira coisa que ele faz é reconquistar a Chechênia, reconquistar o orgulho nacional. Nos anos 2000, explode o preço das commodities, gás e petróleo valem mais,
ele ganha dinheiro, ele consegue promover políticas públicas, vai reduzindo a desigualdade, vai promovendo o crescimento econômico, começa a se aliar com alguns empresários nacionais, controla os meios de comunicação, controla os transportes, consegue colocar a maioria no parlamento e vai consolidando ali o seu poder enquanto grande líder russo. E no fim de semana ele pendura o Maca 47 nos peitos nus enquanto ele... Vai caçar urso.
Não, ele tá no dorso do urso. É verdade. Mas assim, esse cara é um herói mesmo pra...
russo, eu ia amar o Putin, provavelmente. Sim. E aí imagina o Putin, ele vai lá e não consegue um objetivo que ele deixou desde o começo, que era o objetivo claro, que era libertar Dombás. Ele colocava isso. O objetivo nem era conquistar Zaporizia, Lugan. Também era pelas questões econômicas. Mas culturalmente, simbolicamente falando, o que ele queria era libertar o povo russo que estava sendo oprimido, que existiam movimentos neonazistas, que os elenks concordavam, que estavam perseguindo os russos. Se ele não conseguiu os objetivos nesse momento, claro que isso pesa muito.
Até internamente falando de movimentos políticos. Faz sentido. E aí, para a gente ir finalizando, o Brasil olha isso de que perspectiva? Como é que a gente se insere nesse conflito? A gente se insere nesse conflito? A gente deveria, caso a gente não... Minha visão. O Brasil age certo de um lado e errado do outro. Em que sentido? O Irã, como eu falei, oprime de maneira muito violenta as manifestações. O Itamaraty, quando solta a nota,
tímida, entendeu? Poxa, a gente fica triste e tal. Não condena de verdade o Ali Kamenei que tá oprimindo a sua própria população. No caso do ataque que Israel fez, Estados Unidos contra o Irã, o Celso Amorim, nosso assessor especial, Itamaraty, eles se posicionaram contra o ataque, alegando que fere a carta da ONU. Eu concordo com o posicionamento do Brasil de condenar o ataque, porque fere a carta da ONU, porque faz parte do histórico brasileiro, independente de governo, Estado mesmo. A gente é um país que tenta respeitar os organismos multilaterais e o Brasil
até que é crescer geopoliticamente, baseado nesses organismos. Esse é o nosso único caminho. Porque assim, pra gente crescer, pra gente ter uma boa relação com os outros caras, a gente é série B, pô. Então a gente tem que respeitar as paradas, jogar nas regras, né? Então é natural que a gente vá por aí, porque senão a gente não é respeitado. Nós não podemos meter a bronca da China, dos Estados Unidos, da Rússia. Não tem essa capacidade, né? O Brasil, por exemplo, ele faz parte de um grupo chamado de G4 ONU,
que são quatro países que defendem a reforma do Conselho de Segurança e a inserção deles no Conselho de Segurança, que é Alemanha, Japão, Índia e Brasil. Então o Brasil sempre busca pela OMC, pela ONU, tal. Então o Brasil, pelo ideal de diplomacia, condena o ataque que os Estados Unidos fez, porque feriu o direito internacional. Mas o pano que o Brasil passa para algumas atitudes autoritárias do Ali Khamenei, para algumas atitudes autoritárias da Venezuela, para mim, mostra o Itamaraty que está se politizando quando não deveria ser.
politizar. Poxa, condena as duas coisas, entendeu? Condena o abuso contra os direitos humanos e condena não ter respeitado a Carta da ONU. Então, acho que o Brasil peca nesse sentido, de passar muito pano para países que não deveriam ser passados por interesses. O Iria hoje faz parte dos BRICS, faz parte dessa aliança mais oriental, que o Brasil, diplomaticamente e geopoliticamente, está querendo se aproximar mais. Eu acho um erro isso. Entendi. Politizado demais os nossos
Exato. Mesmo que não... Cara, tu vai negar até a morte. Não, não é politizado, mas eu tô vendo que é. Óbvio que é. Quando, por exemplo, o Hamas, ele fazia ataques contra Israel e feria civis, deveria ter algum tipo de posicionamento. Em críticas, pô, são civis israelenses que estão morrendo em um ataque, em um atentado do Hamas. Se Israel fazia o ataque contra a faixa de Gaza, nota, condenação, críticas públicas. Eu acho que realmente merece, mas merece a crítica dos dois lados.
E aí, claro, que o Brasil vai ser visto como o país mais enviesado. Perfeito. Bom, tem mensagem pra gente, Vitão? Então, antes do fim aqui, cara, deixa eu falar pra vocês dos parceiros de hoje, cara. Começando pela Insider, que é quem faz essa camisa que eu tô usando e aquela ali que o Ricardo tá usando também, cara. Não é essa daí também? Exatamente, essa aqui é a camisa da Insider, ó. De botãozinho, né? Essa é a camisa aqui, ó, bonitinha.
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