ALCEU VALENÇA - Flow #579
Lenda viva da música brasileira.
- Carreira de Alceu ValençaFormação em Direito · Transição para a música · Influência da cultura nordestina
- Shows de stand-up e performancesSensação de tocar ao vivo · Interação com o público
- Turnê de ShowsTurnê 80 Gerações · Estrutura de shows no Brasil
- Produção musical e criatividadeProcesso criativo de Alceu · Composição de músicas
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Salve, salve família, bem-vindos a mais um Flow, eu sou o Igor e hoje eu tenho a honra de receber aqui ao seu Valença, cara, muito obrigado por vir aí, é o seu... Prazer meu. Cara, tu é uma lenda, estar assim perto de você é estranho, porque eu te falei que eu já tive a oportunidade de te ver tocar duas vezes ao vivo, mas tu faz parte da vida de uma porrada de gente aí há muito tempo e eu lembro muito de estar na casa dos meus tios e tal e tocando ao seu Valença direto, não tem muito pra onde fugir, né?
Como é que é pra tu, pra gente começar legal?
É, primeiro que tu já tá na carreira há muito tempo, né? É. Começou muito jovem. A gente tava conversando ali embaixo como as pessoas na tua casa já gostavam de arte, música, de uma forma geral, né? Isso faz sentido pro Alceu virar o Alceu. Mas, cara, tu começa a tua história de um jeito meio diferente. Tu virou... Tu se formou em Direito. Sim. Né? Formado em Direito. E aí, como é que acontece pra tu, na tua cabeça? É.
de sair de um cara formado em direito para se entregar completamente à música. Para isso acontecer, eu fico pensando que a construção aqui, até chegar à faculdade de direito, ela foi cercada de dúvidas, não foi não?
Claro, mas fica só, eu sou natural de São Bento. São Bento do Una é uma cidade que é situada no nordeste central de Pernambuco. São Bento do Una tem uma cultura que se chama Cultura do Sertão Profundo. A Cultura do Sertão Profundo é uma cultura onde você vai encontrar emboladores, cocos de embolar, você encontra sanfoneiros, você encontra repentistas, você encontra...
mais violeiros, cantadores e tal. Dentro da minha família, que não eram profissionais desse, tocavam por lazer. Tenho o meu avô, o meu avô Orestes Alves Valença, tenho o tio Lucilo, o filho dele.
que eles tocavam e faziam um personagem, uma coisa assim de brincadeira. Eram violeiros e escreviam cordéis, eles cantavam aquelas coisas daquela cultura. Fora isso, eu convivi muito com a cultura daquela região, porque eu vivi até sete anos em São Bento do UNA.
Então em São Bento do Una eu tinha violeiros cordelistas, coquistas de embolada, tudo na feira. E ainda tinha mais uma coisa que batia na minha cabeça. No alto-falante eu ouvia a voz de Luiz Gonzaga que tocava no alto-falante da cidade. E aí um dia um rapaz lá, chamado Luiz Jacinto, que ele trabalhava como carteiro em São Bento do Una, inventou de fazer uma Cueso Cueso Cueso
Um festival. E quando ele veio fazer esse festival, ele foi procurar no grupo escolar Rodolfo Monteiro Paiva. Nossa, tá bom de memória, hein, cara? Meu bizarro. E aí chega lá, só tem parente mesmo, somente todo mundo parente, sabe? Aí o cara foi lá, procurou Nilda, minha...
parente a minha e titia, titia Adelmilda, e perguntou se naquele, se no colégio tinha alguma criança que cantasse, titia falou que não conhecia ninguém, que cantasse, mas o filho do Anadelma, que sou eu, era capaz de cantar porque ele era meio maluquinho. Foi bem.
Aí eu entrei do festival, sabe? Aí eu fui lá... Sete anos, mais ou menos. Sete anos. E aí eu ouvi uma música que tocava no rádio. Era de Capiba, do mestre Capiba, que era um frevo. O frevo já não é do sertão, do agreste, não. É do litoral, né? Aí da cultura litorânea, pernambucana. Portanto, era um pouco estranha para você?
Não, porque eu ouvia no rádio. Tá. O Frevo, mesmo não sendo necessariamente lá do sertão profundo, vindo mais do litoral, ele chegava lá por ser uma cultura. Chegava lá através do rádio, lá tinha uma gravadora chamada Rosenblit. Foi a nossa salvação. Porque naquele momento só que se ouvia coisa de São Paulo e do Rio, né? Mas a Rosenblit, ela era uma gravadora e aí eles faziam divulgação dos artistas. Então...
Uma música do Mexcapiba. Pernambuco tem uma dança que nenhuma terra tem. Quando a gente cai na dança, não se lembra de ninguém. Será maracatu? Não mais podia ser. Será coco de roda? Não mais podia ser. É uma dança que vai, que vem. Remexe com a gente, é frevo meu bem. Pois bem, eu fui e cantei essa música. Bem, e aí... Não arrepia vocês, não? Só arrepia eu? Só para saber.
Não, né? Vocês é normal já, né? Tá bom, continue aí. Aí, o que aconteceu? Cantei. Tinha quatro anos de idade, nesse momento, não era sete, tinha quatro. E aí, eu canto e fiquei na coxia. A coxia é do lado do palco. E aí, veio, outras pessoas cantaram. E um garoto muito bom cantou Granada. Uma música espanhola. Conhece, Gramada?
O nome dele era Miguelito. E Miguelito cantou isso e ganhou. E Miguelito era mais velho que eu. E cantou muito bem. Eu perdi.
Mas eu adorei, sabe o quê? Eu adorei, foi o palco. Eu subi no palco, as luzes da ribalta, uma maravilha. E a plateia, na hora da premiação, chamaram o Miguelito. E aí eu não ia ser chamado Tio Geraldo, que era um poeta.
poeta sensacional, e tinha livros publicados, aí tinha o Geraldo estava lá na roxia, me empurrou para o palco sem ser chamado. Aí eu entrei e tropecei, caí e comecei a dar camalhota. Aí veio a plateia, veio abaixo.
Todo mundo se conhecia lá. Tudo bem. Adorei aquilo. Atrapalhou a premiação do Miguelito. Mas como eu te falei, tio Lucilo e tio Geraldo tocavam violão. Tio Lucilo e tio Rinaldo. E vovô tocavam violão. Mas vovô fazia versos de improviso, ele tocava viola, ele tocava violão por pauta. Ou seja, ele lia. Ele tocava um instrumento chamado Bombardino. Não sei o que é. Deixa eu...
o que é um bombardino, Vitão? Então, ele tocava o bombardino dele lá também. É um instrumento de sopro. Aí, poxa, mas tio Rinaldo tentou depois, eu era pequeno, mais velho que eu, meu tio, tentou uma carreira artística, deve ser aquilo ali. Tentou uma carreira artística e não conseguiu. Ir pra frente, não porque ele não tivesse talento, porque é muito difícil a carreira artística.
Nós estamos falando de que década, Alceu? Desculpa, a Cidade era criança. Quando eu era pequeno. Tá bom. Nessa época, como você disse, a maior parte das coisas que tocavam lá no Nordeste eram coisas que vinham do Sudeste. No rádio. No rádio. É. No rádio, eu estou falando no rádio. Na minha terra era na minha terra. Claro. Tá. Mas no rádio a cultura difundida, de certa forma, era de outro lugar. Só podia ser daqui. Entendi. E aí fica muito difícil para os artistas locais ali...
até se desenvolverem pra valer. Mas tinha a vitrola do meu avô, do que era parente do outro avô. Mas o meu avô, ele tocava bandolim.
uma coisa meio portuguesa, ibérica. Tinha o meu tio, o irmão dele, tio No, tocava violino e tinha No, tocava piano. Então aquela história, e aí muitos saraus na casa do tio Sebastião, que eu ouvia aquilo, o pessoal todo tocando, foi entrando a cultura do sertão profundo, foi entrando a cultura ibérica, também tocava uma coisa mais ou menos.
E tocava também, eles tocavam música de samba, de Noel, Rosa, etc. E eu ouvi aquilo. Aquilo fica no HD da memória. Sabe? Ficou nos HD da minha memória. E aí eu saí dali e fui para Garanhuns. Em Garanhuns, uma cidade serrana muito maravilhosa. Que, aliás, foi, somente era distrito dela em determinado momento. E de lá eu viajei para o Recife.
Garanhense era meio similar. Aí o Recife eu encontro, agora a cultura pernambucana estava presente no Recife, sobretudo na minha rua, porque a minha rua era onde passavam os blocos, vou dizer o tipo de bloco.
Maracatu. Passava lá, tocando na minha frente. É um bloco, um tipo de música que vem dos nossos povos africanos que vieram para cá. Tinha os nossos povos originários, também os caboclinhos, passavam com flecha tocando.
E tinha orquestras de corda, de metais, que tocavam o freio.
Aí tinha o frevo das orquestras. Fora essa história, aí tinha o frevo lírico, que aí eu ficava louco. As mulheres lindas, com aqueles vestidos. Vem de Portugal, sabe? Tem uma influência portuguesa. Dizem que o frevo...
de metais, ele vem da polca polonesa e o frêvulo lírico vem de Portugal. Isso é muito interessante, faz todo sentido, na verdade, do ponto de vista histórico, como é que esses caras vieram parar aqui no Brasil, especificamente no Nordeste.
tem a ver com perseguição religiosa, grupos vieram para cá e tal, da Polônia, da Europa, que são judeus que fugiram e tal. Interessante, não sabia que o frevo tinha essa origem. Então tem isso, né? E tem a coisa portuguesa muito presente. Além disso, evidentemente, eu ouvi o rádio, a voz do rádio. Eu já trazia também no som o sabiá.
Sabiá, quando eu vi a música do Luiz Gonzaga, eu fui apaixonado, porque eu conhecia o Sabiá, sabe o Luiz Gonzaga? Então, a minha... Eu canto às vezes, eu dou um sotaque lusitano ao Sabiá do Luiz Gonzaga.
A todo mundo eu dou para o seu.
perguntando por meu bem. Pois bem. Então, tinha coisa de Luiz Gonzaga, que estava lá, e ouvia no rádio coisas, ouvia Nélsico Gonçalves, que tocava, tocava samba. Não ficou muito em mim, não. Não marcou muito, não. Está ainda aqui no HD da memória. Mas as outras coisas ficaram muito mais presentes. As coisas que têm mais a ver com a cultura do Recife, que precisa estar na sua rua.
Tá ótimo, você conduz muito bem.
Então, estamos conduzindo da Rua dos Palmares. Aí, na Rua dos Palmares, meu pai, como eu estava falando, não queria me dar um violão, porque ele viu que o irmão dele, que era muito bom, talentoso, não tinha dado certo. Perfeito. Aí, ele não queria me dar um violão. O que teu pai queria que tu fosse? Ele queria que... Nesse era tão pequeno que eu era para estar estudando. Entendi. Estudei no Colégio Nóbrega e tal. E, então...
naquele momento não tinha violão, não tinha coisa nenhuma. Aí o que era que acontecia? Eu jogava basquete infantil, com 13 anos eu fui infantil, entrei no Náutico, aí fui tetracampeão de basquete, mas eu era muito pequeno. Mas eu percorri o Brasil, fui para muitos cantos, fui para o Paraná, fui para Ponta Grossa participar de um festival de um campeonato juvenil de basquetebol. E lá foi interessante.
porque eu estava caminhando, a gente não estava fazendo nada, porque chegamos atrasados. E aí passamos na frente de uma rádio, e aí tinha uma rádio, e aí disseram essa rádio, alguém lá, estava até tendo um programa, pode entrar, todo mundo pode entrar. E eu entrei alguém.
O cara que estava lá, como é o nome? O radialista? O radialista, né? Fazendo o programa. Tem alguém aí que cante? Os meninos que estavam comigo, que eram meus colegas. Vai ao seu. Eu fui lá e aí cantei na rádio. Mas a segunda vez que eu... Tu lembra o que tu cantou? Me lembro.
Uma música de Miltinho que passava do rádio e eu sabia imitá-lo, que era um cantor. Você, mulher, quem já sofreu, quem já viveu, não minta. Um triste adeus. Ai, nos olhos... Ele é paulista. Tu imitou Miltinho no rádio. E cantava samba. Miltinho, tá. Aí o povo aplaudiu. Aí eu adorei. O imitador adorou. Foi essa questão até aí.
Foi o que acontece. Depois vieram, eu em casa só tinha rádio, não tinha radiola. Mas apareciam, começaram os programas aqui no São Paulo, programa de televisão, que apareceram. Aí era o Chico Buarque, depois veio o Caetano, Gil. Isso aí eu já estava mais velho, uma coisa assim. Eles estavam começando.
E tu já estava na faculdade? Não. Não, ainda era garoto. É garoto. Aí o que acontece? Aí o... Como é o nome? Foi outros também, né? Programas que passavam. Ah, mas tinha Chacrinha. Disse que você está falando. Chacrinha. Passava também. Aí o que acontece? É...
Eu estava em casa, ainda estava em casa, e entrei na faculdade. Quando eu entro na faculdade, eu comecei a tocar um violãozinho, porque a minha mãe, antes um pouco de eu entrar na faculdade, me deu a Delma Paiva Valença, que é prima de meu pai.
Pera aí, Alceu. Calma aí. Estou entendendo. Eu estou entendendo o momento que está acontecendo na tua vida quando tu vai para a faculdade e ganha o violão na tua mãe. Da dona Delma. Mas é importante, eu gostaria de saber, na verdade, o que tu estava sentindo quando tu foi para a faculdade. Por que eu estou perguntando isso? Porque tu sabia que tu gostava mesmo era do palco.
Era, mas eu não tinha direito a estar no palco. Mas eu tinha o palco do basquete. Está entendendo? Talvez. Mas o que acontece? Aí chegou uma onda no Recife. Ora, quem dominava era a música anglófona. Era a música americana. Entendeu? Aí foi uma coisa absurda. E os meninos da minha rua todos tocavam violão. Os pais pagavam, evidentemente, o professor. Aí eles cantavam...
Rapaz. Aquilo longe da realidade, né? Era. E eu olhando aquilo o tempo todinho, aquela história. Eu não tocava isso aqui. A minha cabeça estava noutra. Mas aí, não sei o que aconteceu. Mamãe deve ter conversado com o papai. Eu comecei a estudar muito, a ler muito, li muito, sabe?
Agora, gostava de poesia. Por quê? Porque o meu tio, tio Lívio, uma vez eu fui na casa dele, e ele me levou na biblioteca dele e passou para mim, chegou e pegou um disco de João Vilarete. João Vilarete é um português que era ator e que declamava Fernando Pessoa, o maior poeta da língua portuguesa.
Aí ele botou na radiola dele, entendeu? E disse aqui, Fernando Pessoa. Está entendendo? Para mim, eu fiquei assim, adorei aquilo. E aí, já compraram, para comprar coisa para mim, eles compravam o livro. Aí eu já arranjei Fernando Pessoa, comecei a ler Fernando Pessoa. Fora Fernando Pessoa, eu lia Tio Geraldo. Incrível. Fora Tio Geraldo, tu não me puxas. Na minha rua, tinha um poeta incrível, Carlos Pena Filho.
inacreditavelmente bom. É o poeta das flores. Na tua rua? Na minha rua. Na tua rua, era abençoada. Era abençoada. Sabe o que tinha mais? O maior maestro de Pernambuco, que fazia frevo também. Nelson Ferreira morava na minha rua. Ele namora uma jornalista maravilhosa, morava na minha rua. Ao lado da minha casa, morava... Era...
Dona Maria Parísio, que era uma cantora lírica e que gostava de mim. E que eu a imitava brincando quando estava tomando banho. Aí eu cantava e ela ficava apaixonada por mim, que era pequeno. Virou uma titia minha. Entendi. E ela me levava para...
para os programas de rádio, certo? E eu ia lá e me botaram, me inscreveram, porque eu gostava muito também de história. E eu conhecia toda a história da invasão holandesa. Tudo, sabe? Eu lia, irmão. Por quê? Porque tu gostava de história. Porque eu faço o que eu gosto, irmão. Tá bom. Aí eu... História.
Aí lia, lia, lia, lia, até que um dia aparece um programa chamado O Doze é o Limite. O Doze é o Limite era um programa que tinha 12 dias, duas vezes, e que eles entrevistavam a pessoa, faziam as perguntas.
E aí, me escreveram e eu fui lá. E aí, puxa vida, primeira vez, segunda ganhei, terceira ganhei, quarta ganhei. E o prêmio era 12 mil, não sei o que era. Mas aí eu fui ganhando, papai falava, ele tinha medo de eu perder, sabe?
a biscoite logo agora, o prêmio, e não vá, desista, eu não, só vou até o fim, papai. Aí fui para o... Só faço o que eu quero, imagina o pai dele. Foi, aí não vou, aí fui, rapaz, eu cheguei a 12, eu ganhei 12 vezes 12, certo? Porra. Sabe o que aconteceu? Hã.
Na última pergunta de um dia, o Camada fez a pergunta errada, entendeu? E aí eu não sabia a história. Perguntei o que era. Ocuendo. Era um... Era um determinado momento que a Espanha estava sob o jugo de Portugal e aí vem essa figura que era espanhola. E que dentro, a minha era invasão holandesa em Pernambuco. Isso aí aconteceu pelo lado da Bahia. E aí eu perdi, rapaz.
Perdi e aí foi, eu me lembro voltando para casa a pé, atravessando a rua Cabugar, aí vou andando, andando com aquela tristeza, mas rapaz, quando eu passei na minha rua, aqueles tocavam violão, mas rapaz, deram uma vai em mim, rapaz, eu fiquei puto.
Pois bem, aí Dona Maria Parísio foi na coisa, eu não estava errado e eles mandaram me chamar para poder, fizeram minha culpa aí eu não voltei mais para lá, pois bem mas aí neste momento já que eu estava, acho que é por causa de agora eu inferi, porque eu gostava de pessoa, eu gostava de Drummond eu gostava do tio Geraldo, claro eu comecei a escrever poemas tal, aí meu pai, minha mãe me deram eu gostava do tio Geraldo
Uma mamãe, né? Te deu um violão. Era, um violão. Aí, poxa vida. Tu já tinha tocado o violão antes dos outros? Nunca, nunca, nunca. Caramba. Eu vi os meninos tocando. Tocando música americana, então. Tocavam errado. Às vezes eles saiam com aquele quadrado de música americana. Clássico.
É tudo a mesma coisa. É sempre um quadrado, é verdade. É um quadrado, mas eles erravam o quadrado. Aí o Zê, tá errado. Foi bem. Aí mamãe tem até um vídeo que ela diz. Aí ele só de olhar os outros, ele tocou. Foi bem, toquei violão. Não sei nada.
Não sei ler partitura, não sei coisa nenhuma. Foi bem. Aí entro na faculdade de Direito. Neste momento é que começam os festivais. Eu até errei naquela história anterior dos Caetano, Gil e Chico. Tá bom, aí quando tu entra na faculdade.
Foi mais ou menos quando eu entrei na faculdade. E aí começaram a surgir festivais universitários. Aí eu fiz com o tio Rinaldo uma música. Ele chegou lá em casa, veio de Brasília e estava com um choro chamado Escandango Sofredor. Aí ele disse, Alceu, eu soube que você está escrevendo os poemas, quer botar uma letra aqui? Eu disse, tio Rinaldo.
Ele falou, vá que você pode. Aí eu fiquei assim e fui escrevendo. Aí ele, terminei a música. Fiz na hora. Aí sabe o que ele falou pra mim? Olha, o seu, adorei a letra, mas acaba de fazer assim com o olhinho assim, ficou balançando, tá parecido com o Chico Chazier. Tá recebendo o Santé.
Porque tinha terminado. Foi bem. Botei esta música no festival e cantei com Verinha, uma Chacon Valença. Nós dois fomos para lá para poder cantar. E cantamos essa música juntos. Foi bem. Perdi o festival, evidente. Mas estava muito boa a música.
Aí, depois viram... Essas derrotas aí, elas pegavam em você de um jeito ruim ao seu? Você já me falou de algumas vezes que tu chegou quase lá e não rolou. Como é que isso pegava em você? Tu ficava bem? É, que eu também não sentia que era essa coisa. Não sabia, senhora. Gostava de fazer a música, não estava muito ligado.
Até que um dia eu comecei a fazer um estágio com Cláudio de Mello Valença, meu primo, advogado, lá no Recife. Eu já tinha feito... Porque eu fazia direito, será que eu quero, será que eu não quero? Aí eu entrei no jornalismo, aí eu fiz um estágio no Diário Pernambuco de lá, de lá do Recife, e comecei um estágio também na Bloque.
Na revista Blocair, disseram que iam me contratar. Estava bom. Mas, poxa vida, sabe o que aconteceu? Aí veio uma lei que, daí em diante, só poderia a pessoa trabalhar no jornal se tivesse uma carreira, um curso de jornalismo. E eu não tinha. Aí pronto, acabou de ser. Não pode ser mais jornalista. Clave me chama para o escritório dele e eu vou para lá.
E eu tinha vindo da Universidade de Harvard, daquele momento mesmo, que eu passei num curso muito pomposo. É? É. Sociologia e desenvolvimento da América Latina. Olha aí, ó. Foi bem. Mas o curso era muito fraco, meu Deus do céu. Por quê? Eles não entendiam muito de América Latina? Não era música, não, rapaz. É sociologia. Entendi. Tá, mas entende. Aí...
Eu digo sabe de uma coisa, rapaz, era muito chato. Tinha grandes, Rockefeller, entrevistas, etc. Era um saco. Era muito mais palestras, palestras. Aí eu pegava um violão e aí ia para a rua. Sabe? Na Universidade de Rafa. Como é que eles te recebiam lá com a tua música completamente diferente da música deles? Você está danado, sabido. Está conduzindo muito bem.
Aí o que aconteceu? Eu levava meu violão e ficava tocando as coisas. Por exemplo, até Dona Gonzaga eu cantei. Quando eu voltei do meu setão, meu irmão gadejando o ar com meu fôlei prateado e só de baixo 120 e botão preto. Tá.
E aí, até tem uma certa similitude com o blues, essa coisa. Você... Tá, tudo bem. Cantava isso e comecei a cantar minhas músicas. Comecei a compor. Aí comecei a compor cantando. Qual foi a primeira música que tu compôs?
Acalando para Isabela, eu acho. Não, primeiro foi o que tinha o Reinaldo, aquela que eu compus a letra. Aí depois dessa música, de fazer isso, eu começava a tocar as minhas músicas, falando até de lá dos Estados Unidos. Mas em português? Em português. Eu cantava... Como é que é?
E seu horário londrino, às seis horas, às seis horas o sol matina, nos sobrados de Olinda, no alto do Empire State, nas esquinas do village, nas águas de Três Maria, nessa pia que não lava, o segredo desse mágico...
Mágico, prático, magiprático, mágico, prático, pragmático. E seu horário londinho, tu tem seis horas. Ah, seis horas. Seu colarinho engonado. Eu, quando ia...
Usava, tinha que usar os palitosos. Imagina o seu Valencia de palitosinho. Seu chá das cinco em ponto, às seis horas. Na algebeira é marcado, às seis horas. Só lhe promove o futuro, às seis horas. E pronto. Aí cantava no meio da rua. E aí os hippies, porque estava na época da...
da Guerra do Vietnã, eles se paravam e ficavam me ouvindo tocar. Aí, indoidavam. Que interessante. A comunidade hippie ali meio que te abraça. Tu tocava onde? Na rua? Na rua. No jardim da Universidade de Havka, em Boston. Entendeu? Lá tem um espaço legal pra tocar mesmo. É.
tudo certo. Fui para Nova York e depois de Nova York eu fiz uma música também. E voltei. Quando eu voltei, eu vi que parece que gostava da minha música, mas também eu não sabia. E comecei a fazer música a partir daí. Mas tu chegou a trabalhar como advogado?
Foi aí que é. Pois bem, aí não podia mais ser jornalista, não ia fazer uma carreira artística. Aí ficava no escritório, batendo marca e fazendo poesia. Entendeu? Escrevia poesia na marca da Olivetti. E aí começavam a publicar realmente no Jornal do Comércio e Diário do Pernambuco. Muito. Caderno literário.
Aí o que acontece? Fiquei ali, rapaz. Alguma virou música depois? Foi aí que acontece. Mas aí não pude mais ser jornalista.
o Clávio Melo Valença me chama para o escritório. E aí, dentro desse escritório, o que acontece? O escritório tinha um cliente que era uma loja grande, com umas lojas muito grandes, de eletrodomésticos, de televisão. Tipo Casa de Bahia, tipo Média de Blas. É, exatamente.
Aí estava lá aquele negócio grande, mas aí você tinha algumas coisas, cobranças também, quem não pagava o escritório, mandaram uma cobrança para mim. Quando o camarada chegou, aí eu olhei para o cara assim, fiquei com pena dele, mas perguntei por que ele não pagou, ele falou que eu não tinha dinheiro, por que não tenho dinheiro, por que eu sou um cíclicari da prefeitura.
Mas por que o senhor comprou a televisão? Ele disse que eu era um televizinho, assistia na televisão e eu vi na TV que eu podia comprar uma televisão. E aí eu comprei. E por que não pagou? Porque eu não tenho dinheiro. Aí eu digo que é verdade. E o senhor foi induzido a comprar uma televisão. E era impossível para o senhor. Pode ir embora.
aí ele foi e tal, eu fiquei com medo dele e pô, dei um dinheirinho pra ele voltar pegar o ônibus dele e nunca mais eu fiz mas teve uma coisa boa aí porque a gente foi pra Campina Grande, você falou agora foi pra Campina Grande com o Cláudio ele foi fazer lá uma coisa meio maior, né, e aí na hora H ele entrou em uma loja e me deu um outro violão Certo
Aí o violão bonanado, eu toquei e aí fiz uma música, né? Compus uma música chamada Acalanto. Aí a música, minha amada só na tarde, veste rosa ou amarelo, uma rosa no cabelo e seu porte tão singelo. Fiz a música e aí botei o nome da música, não fala, Acalanto para Isabela, que era o nome da...
filha dele que ia nascer, não tinha nada a ver uma coisa com a outra, porque era uma canção de amor, não era uma canção de ninar. Mas eu botei o nome da menina como um presente pra ele, ele adorou. Foi bem.
Aí, a essa época, estava na TV Jornal do Comércio, estava um festival chamado Festival Internacional da Canção. Aí, tinha uma fase que vinha do Amazonas até Pernambuco. Está entendendo?
era pessoas que... Acho que até a Bahia, mas o Pernambuco. E aí, para as pessoas participarem. Quem ganhasse iria participar do concurso do festival que era no Rio de Janeiro. Bem, eu tirei primeiro lugar. Esse tu ganhou. Ganhei. Aí fui para o Rio de Janeiro. Tu ganhou tocando o quê? As tuas músicas? Minha música mesmo. Acalando para a Isabela. Aquela música que eu... Tá bom.
Para filha de Clávio. Perfeito. Tu ganhou esse concurso com a sua música. Não foi fazendo cover de ninguém. Não, nem foi cantando música dos outros, não. Era a minha música. Aí fui lá, cantei no Maracanãzinho. Foi maravilhoso estar ali. O que tu sentiu ali, cara? Porque essa deve ter sido a maior plateia até então. Foi, nunca tinha tido uma plateia dessa aí, não. Aí eu...
O que você sentiu, cara? Como é que foi pra tu... Isso é importante. Como é que foi pro Alceu Valencinha olhar aquela galera no Maracanã? Você estava no Maracanãzinho. Porque assim, você começa, com todo respeito, mas você começa lá no sertão profundo e você está, de repente, no Rio de Janeiro...
que era a cultura, entre aspas, a cultura dominante na rádio, e fazendo a tua música, tua música, lá no Maracanãzinho. Como é que tu sentiu nesse momento? Pô, deve ser uma coisa estaziante, não sei. Pra mim? É. Eu não achei nada. Fui lá e contei.
Eu toquei, não tenho medo de palco, não. É mesmo? É, claro, que eu cheguei no palco, perdi mais uma vez o festival. Eu já tinha perdido o de São Bento, né? Aquele. O de São Bento foi até mais interessante que o Festival Internacional da Canção, porque eu dei cambalhotas. Entendi, é. Entendeu? No outro, não, perdi, perdi. Merecidamente, deve ter sido, não sei quem fazia. Não tinha ninguém para te empurrar para dentro do palco, né? Não, não teve, não.
Aí pronto, fiz isso aqui. Daí em diante, eu volto para o Recife, já estava na faculdade, e de repente teve essas coisas todinhas que eu estou confundindo um pouco o tempo. Isso aí tem sido um pouco depois. Não sei. Mas tudo bem. Eu estava entre o jornalista
e o cantor, o compositor. Pois é, você estava numa fase que você estava escrevendo as poesias. Perfeitamente. Então agora eu era intelectual, rapaz. Era tido como intelectual. Então eu que era muito tímido para poder arranjar uma namorada, naquele momento, antes um pouquinho. Aí que eu comecei a ler, aí eu dizia que eu via cinema muito, gostava muito de cinema francês, italiano e tal.
lá no Velho Vague. E aí diziam que eu parecia com Jean-Paul Belmondo, o Calo francês. E aí eu olhava para as meninas assim, era a primeira coisa. Ia para o cinema quando passava o filme, olhava para ela e fazia... Era o gestual dele. Matriara cabeludo? Não, não era não. Mas eu tinha um cabelinho um pouquinho grande. Não era tão grande assim. Pois bem.
Aí o que aconteceu? Da agora em ante, terminei, pronto. Me formei e meu pai, todo mundo se formava lá em casa, ele dava uma festa incrível. Legal. Uma festa para a pessoa. Deu para a Décinha, o Dess Valença Filho, para esse pai para a Valença, meu irmão e para a Del, minha, né? Del Maria Valença. Aí... ...
Festa para todos eles. Aí, quando foi a minha festa, fazer a minha festa, eu digo, papai, quero não. Eu queria era o dinheiro que o senhor pagou. Né? Para o pessoal aí. Poxa vida. Aí, papai, deu o dinheiro. Aí, eu não falei nada e resolvi. Dinheiro rima com quem? É Rio de Janeiro.
Aí vem pro Rio de Janeiro. Ah! Tenho uma ideia. Uma coisa. Aqui em São Paulo. Pô, bem. Quando eu era no festival, ou lá em... Era da faculdade ainda. Eu botei uma música no Festival Universitário de São Paulo. E como foi? Mas não me deixaram cantar não, viu? Por quê?
Acharam que eu não tinha capacidade. E botaram uma mulher, Arlete e Ivete, uma dupla. E eu voltei, eu vim aqui em São Paulo. E ficou de fora no fim das contas. Foi, mas fiquei fora. Então pronto. Mas aí quando eu fui para o Rio, aí começa... Pegou o dinheiro da festa que teu pai ia dar para você, foi para o Rio de Janeiro tentar ser artista? Eu estava pensando, agora eu vou ser artista. Você acabou de se formar. Foi.
Um diploma. Ah, não quero, não. Você é artista. Pra que fazer? Se eu fosse pra advocacia, eu dar razão. Às vezes, a parte contrária que eu tava defendendo. Não dava. Que era o que eu ia fazer lá? Nada. Eu digo, foi pro Rio. Eu já tinha casado. Primeira esposa, fui pro Rio. E aí, pronto. Tava com um filho pequeno, mas fui pro Rio. E no Rio, minha mãe fazia... Mandava o dinheiro escondido.
E ali no Rio que tu vira o Alceu Valença para valer, do ponto de vista da música, é ali que tu explode para valer, no Rio. Eu encontrei no Sarau, quem? Geraldo Azevedo. Geraldo Azevedo cantava na televisão de Pernambuco. Existia um movimento de música lá, maravilhoso. Geraldo Azevedo, Marcelo, quem mais? Teca Calazan, que mora na França, foi embora, fez carreira lá.
E eu não cantava naquela época. Mas quando eu cheguei no sarau, na casa de Wilson Lira, um amigo da gente, Décinho, aí a gente foi pra lá. Quando chega lá, tem um sarau. Quem era que estava tocando? Geraldo Azevedo. Geraldo toca muito, rapaz. E aí eu toco meu violão também, do meu jeito. É diferente hoje, sabe? Aí quando chegou lá, em timidez, eu digo, rapaz, não vou tocar nada nessa... Fui...
me escondendo tal, tal, tal. Aí saí, né? Poxa, quando eu vi Geraldo saiu pra... Saiu da sala e aí eu peguei o violão e comecei a tocar. Geraldo, quando voltou, disse bicho, ele gostava de bicho. Você toca bem. Eu? Você toca bem. Olha, timidez aí. Foi ele que me tirou.
Aí ele marcou comigo no outro dia para ir na casa dele. A casa dele era na Glória, no Rio de Janeiro. Dista, eu olhei agora no Google, agora que eu tinha informado errado, era oito, não, são dez quilômetros. De manhã cedo, acordei cedo, porque às vezes eu fico insônio, aí acordei e saí a pé para a casa dele, que era na Glória, dez quilômetros. Andou um tanto.
E saí andando a pé, a pé, a pé. Cheguei lá, bati na porta, Geraldinho não atendeu, bati na porta, não atendei, aí ele atendeu. Mas depois ele falou que tinha feito uma música naquela noite, quase não tinha dormido. Quando ele botou...
E aí eu botei a letra. Entendi. Na hora eu fiz essa música. Eu cantei ela no Festival de Montreux. Todas as tuas músicas são assim, Alceu? Porque assim, pelo menos as histórias que você me contou até agora de como você compôs, foi tudo meio... É.
Rápido? É. Anunciação foi rápido? Absolutamente rápido. Não acredito. Foi. Top Cana foi feita em São Paulo rápida. A anunciação rápida.
Porra! É, Arcautio Geraldo rápida, Talismã rápida, parece que vem um, minha mulher chama Surto Criativo, tá? E eu não consigo fazer muito uma coisa, pensar, vou fazer agora uma música, podia ser, vamos dizer, Morena Paulistana, podia ser, não, mas eu fazer assim...
Eu não quero pensar, eu faço com emoção. Mas como é que tu sabe? Artistas... A música eu faço. A música eu faço. Agora, se eu quiser, eu faço. Eu não duvido. Mas tem gente que vai ficar preso no que está criando mais tempo do que devia porque quer que fique perfeito, fica pensando num arranjo A, num arranjo B, ou como seria se tivesse mais não sei o quê e tal. E como você faz rápido... É...
Tu diria que as tuas músicas acabam evoluindo com o tempo à medida que você vai tocando? Ou ela tem sempre a mesma sensação e sentimento original? Sentimento original total. É? É. Olha só, eu estava passando umas férias pela primeira vez em Serrambi, uma praia lá em Pernambuco.
praia incrível, a praia de Aluísio Malu, a praia, pessoal, muito gente boa lá, todo mundo. E aí, o que eu diria? Estava lá e comecei a compor. Eu comprei mais de 30 músicas, mas não veio letra. E veio uma, fiz duas, aliás. Das 30, fiz duas e mais nada. Aí, eu tenho até gravada, mas eu não sei procurar não. E ficar, parece que é tudo na hora. Então, peraí, peraí.
você está dizendo que você fez lá um monte de música, mas só vieram duas letras o que eu estou entendendo? eu estou entendendo que você é inspirado por algo e aí você faz a música e daí você faz a poesia que vem em cima, é assim que funciona geralmente? às vezes são as duas as duas coisas que vem tu está de bobeira e vem uma música é assim que funciona ou é o seu?
Se eu quiser agora eu faço, quer que eu faça? Pra mim isso é muito doido, isso é uma habilidade que eu tenho inveja. Fazer um soma. Não sei. Vem cá, mamigo, pode agora perguntar.
Palmas, sensacional, cara. Um shotzinho. Pois é, isso é uma habilidade que eu tenho uma inveja boa, que é o cara que consegue se comunicar por meio da música, que é uma das coisas, me parece, um dos jeitos mais poderosos de se comunicar com as pessoas. Porque a poesia, ela é incrível, ela é sensacional, mas ela precisa de um pouco mais... A digestão é mais difícil. Você tem que ler, você tem que entender a música.
Dá pra você se envolver com a música sem nem entender direito o que você está cantando só pela intenção. Não é? Tá certo isso, mano. Não é? Tá certo. Então eu fico olhando os caras que têm essa habilidade que você tem e eu fico, porra, isso é muito legal, cara. Quer dizer que você consegue... Por exemplo, você deve ter conquistado a tua esposa com a música. Foi com música.
Fui na casa dela, estou ok. Ela gostou. Mas deixa eu ver se foi. Ah, não. Mas ela me conhecia já. É bom, é. Você já era o Alceu Valente. Depois ela tentou cair fora, ficava pensando que eu era... Diziam que eu era meio doido e tal e coisa. Depois não, ela viu que eu não era doido. Eu sou doido só...
Um doido criativo. Pois é, o artista é meio doido criativo. Olha só, aqui tem um rapaz que era maravilhoso, músico incrível, Vicente Barreto. E ele, eu fiz música com o Vicente, tudo na hora.
Por exemplo, uma delas, para São Paulo, eu estava meio triste, sei lá, uma coisa assim, cheguei aqui e aí ele mostrou a música. Quando eu me vi perdido, meu peito gemedou, bateu, gemeu, ferido, sofrido, doído.
desenganou, chorei na beira do mais cruel precipício, olha pelo visto, eu ia me acabar, mas você ia passando, estendeu a sua mão, pelas ruas de São Paulo, você foi meu agasalho, naquele dia de cão. Tá, agora, inferi agora, que eu tinha visto, talvez, naquela época, um filme chamado Dia de Cão. Bye-bye.
Aí aqui temos, daqui também, pela Rua de São Paulo... Tudo faz parte do processo criativo. O ser humano ao seu valença é que é a fonte. Tudo que aconteceu ao longo da tua vida, pelo que eu estou entendendo, os saraus com a tua família, ter morado nessa rua específica lá no Recife, tudo isso é o que te...
habilita, de certa forma, a ter essa noção musical das coisas, de ver o cara trocando o quadradinho americano ali no violão, errado e sacar que está errado. Mas ali era fácil. Ali era fácil? É, quadrado. Fica mais fácil, né? Aí, outra daqui de São Paulo, é Cabelo no Pente. Andei pisando pelas ruas do passado. Porque eu tinha feito ...
na rua, aquela que eu trago, pela rua de São Paulo. Aí depois Vicente chega, eu andei pisando pela rua do passado, criando calo no meu pé, caminhador, pronto. Aí fiz aqui em São Paulo também. E fiz Tropicana também aqui em São Paulo. Como foi Tropicana? Eu estava num hotel hospedado, no hotel ali perto da Praça Roosevelt. Aí eu ia sair, era com o pessoal, para ir para um teatro.
marcado com a turma. Só que Vicente já tinha feito algumas músicas comigo. Ele chegou lá, eu tava descendo quase, né? Pra portaria, pra esperar o povo. Aí ele ligou, tô com uma música que eu fiz agora. Tais aonde, rapaz? Tô aqui embaixo. Eu digo, velho, não vai dar tempo não, o povo tá me esperando aí embaixo, vai ter. Tô indo pro teatro. Aí ele pegou, não sei se ele não viu, subiu. Quando ele subiu,
O pessoal não tinha chegado, ele tocou. Eu, na hora, fiz a música... Tropicana. Tropicana. Aí ele disse... Min, dessa letra. Eu digo, não. Ele disse, por quê? Eu digo, está parecido com... Está parecido com uma salada de fruta, rapaz. Aí ele disse, está boa. Eu digo, espera aí. Aí tinha o jarro. Botei no jarro lá de gole. Vem cá. Quando eu voltar, eu vou olhar se eu gostei. O que é o jarro?
Um jarro. Por que que tu colocou num jarro? Porque tava um jarro no hotel, dentro da mesa. Tava ali casualmente. A tua ideia era voltar e verificar se aquilo ali fazia sentido. Perfeito. Botei no jarro e aí quando eu olhei, adorei. Depois eu descobri tudo ter as HDs. Era lembranças. Eu até tenho quadro dele também, de um grande pintor pernambucano chamado Sérgio de Lettieri Lemos. Ele E
Sérgio de Lemos, ele assina. Então ele tem cada quadro, eu tenho vários dele. E eu, naquela época, estava fazendo muitos quadros com natureza morta, frutas, etc. Por isso, acho que bateu na minha cabeça. Cara, é impressionante isso. Não foi nenhuma morena paulistana, não. Podia ter até sido, mas não foi. Isso é impressionante, cara. Mudando um pouco de assunto, avançando um pouco no tempo, Alceu.
Eu te contei que o primeiro show que eu te vi tocar ao vivo foi no São João, lá de Campina Grande, do ano passado. São João, São João. Isso. E assim, que é um palco enorme, que é um puto evento enorme, tinha uma galeraça lá pra te ver tocar. Porque você, de certa forma, você é um ícone do São João, de certa forma. Não só do São João, mas era importante. Porra, o seu Vanessa vai tocar, a galera tava lá e tal.
Tu tava me contando ali embaixo que a gente, aqui no Brasil, a gente consegue montar uns espetáculos com uma estrutura diferenciada. Totalmente. Isso porque a gente tá... Isso é por conta daquela...
daquele sentimento ali, porque a gente está falando especificamente lá de Campina Grande, tanto Campina Grande quanto Caruaru, eles ficam disputando para ver qual é o maior São João. Então Campina Grande, de fato, que foi o que eu fui assistir, vai fazer de todo possível para ser enorme, um palco lindo, com LED, com uma coisa linda, tudo lindo. Essa estrutura que tem no Brasil para tu tocar, por exemplo,
Por que você diria que ela é melhor do que as que encontra pelo mundo? Porque você está pelo mundo. Porque eu já fiz cinco festivais. É bom também, mas é um número de gente muito grande. Eu já fiz festivais na Suíça, vários. Já fiz festivais na França, já fiz festivais nos Estados Unidos. Já fiz festivais em Portugal, ao Arli, vamos dizer assim. Mas, digamos, é bom.
Mas o daqui, os festivais, muito grande. Inclusive, o palco da nossa turnê aí, que a gente arma em tudo que é canto, é um absurdo do absurdo. Então, a gente tem isso no Brasil. Nisso aí, o Brasil é fogo.
Mas deixa eu explicar mais uma coisa. Vamos lá. Em tudo que é canto, tem uma coisa chamada economia criativa. Quando Nova York faz a economia criativa dele girar também, é quando ele está pensando em turista, quando faz The Summer Stage. Vamos dizer, quando são shows abertos ao público.
E aqui no Brasil, eu acho que a economia criativa salvou muitas cidades. Por exemplo, você tem cidades hoje que faz mais de um mês. São João, no dia de São João era uma vez, agora faz um mês. Por quê?
Quando ele faz um mês, aglutina a gente para caramba. Então, ganha o cara do Uber, ganha o cabra do táxi, ganha o cabra que vende pamonha, canjica, pipoca, ganha a indústria. Ganho eu que vou lá ver o...
participar da experiência. Você foi também. E ainda tem o hotel, tem o Airbnb, tem tudo. Então, o Brasil, essa saída, o que impulsiona muito a política, a coisa pública, a economia criativa no Brasil é incrível. Por que, inclusive? Porque o povo brasileiro adora entretenimento, adora música. A paixão do povo brasileiro é bem maior do que Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso Cueso C
Outros países. Estou entendendo. Então, por isso é que...
E tocar lá no Nordeste, é diferente tocar aqui em São Paulo? Depende, vamos dizer, tudo é diferente. Vamos dizer assim. Quando é São João, eu faço um repertório que me remete muito à minha primeira formação. Mas se eu cantar frevo, eu não vou cantar no Festival de Caruaru. Eu vou cantar frevo mais no Recife, no local de carnaval, na época de carnaval.
No meio do ano, se eu for cantar com a Orquestra Ouro Preto, que eu tenho uma relação muito forte, gravamos, fizemos turnê na Europa. Foi maravilhoso. Aliás, a gente vai fazer essa turnê que eu estou fazendo aqui, 80, também lá. Agora, quem quiser, vá pegando o nome. Irlanda?
Inglaterra, Londres, o que mais? Amsterdã, na Holanda, aí tem...
Berlim tem duas cidades na Suíça. Aí tem Oslo, tem Paris, outras. Portugal, Lisboa e Porto. Já fez isso muitas vezes? Já. Só que foi subindo cada vez mais, foi melhorando. E o que acontece? Eu vinha fazendo essas turnês, foi aumentando o público. A gente fez, inclusive. Foi até Yandê, a minha esposa, que...
que teve essa ideia de ir para lá e aí era... Ninguém acreditava muito nisso, não, porque levar uma orquestra de cordas para lá, né? Mas a turma que faz a produção, é complicado. Mas a gente fez e deu perfeito, sabe? E agora eu vou fazer.
Depois desse aqui, eu já estou com essas turnê que eu estou falando para poder fazer lá fora. A gente está... Sábado agora, você tem um show aqui em São Paulo, no Parque Vila Lobos, que a gente estava falando aqui antes, né? Que já é essa turnê. Vamos levar toda a estrutura. A gente tem umas projeções muito bonitas que foram feitas com carinho. Uma equipe muito grande trabalhando nisso, tudinho, sabe? E como eu sou meio doido... É, eu não vou de mudar.
Mas olha, eu tô... Aí o que aconteceu, eu já fiz. A gente já, antes de fazer o primeiro show, foi no Rio. Foi maravilhoso, mas a gente já tinha ensaiado, entendeu? Já tinha gravado um ensaio todinho, dentro de um local grande, todinho. E aí vai levar pra fora também. Porra de mal. Quando você vai fazer esses shows lá fora...
Europa parece, não sei. Mas assim, lá fora. Vai muito brasileiro, mas vai muito não brasileiro também. Não só conhecimento. Porque assim, Alceu Valença, já foi várias vezes, como você falou aí para a Europa. Enche de cara que não fala português para te ouvir. Tem, mas o Uber sabe dizer.
Morena tropicana, eu quero o teu sabor. Isso eles conseguem. Eles conseguem. Entendi. Mas está aumentando. Eu estou notando isso. Porque há muito tempo que eu vou. Está aumentando muito o público lá. Porra, que legal. De gringos, sabe? Então, você vai na Alemanha, tem os alemães lá. Entendeu? Também. Porra, que maneiro. Tem brasileiro também. Muito brasileiro. E é interessante a gente pensar como... O...
tu começar num lugar onde... Será que aconteceu? Fala, fala. Não, eu estava só refletindo que a cultura que você consumia no rádio, por exemplo, você conseguiu, na verdade, inverter a lógica. Também tem uma coisa também, não é? Eu acho que essa questão que você está falando das culturas, antigamente você só ouvia tudo.
no Brasil, cultura anglofona. Tudo, tudo, os cantores até mudavam o sotaque, parecia que tinha engolido uma... Aí, parecia que engoliu uma bola, tá entendendo? Agora não, tá entendendo? A bola era pra poder anglofonizar a sonoridade. Agora não, agora as coisas... Com a internet virou uma...
Uma doidice, né? Tu consegue espalhar pra bem mais longe. Mas você fez muito sucesso antes da internet. E, cara, eu tô entendendo que tu é muito artista, que tu faz o que tu quer, que as coisas vêm, de certa forma, naturalmente pra tu e tal. Mas uma coisa interessante sobre a tua trajetória é como você, de certa forma, nadou contra a maré.
especialmente numa época que estava... O que estava estourando? Estava estourando, porra, Rolling Stones. Estava estourando músicas anglófonas, né? Muito bom, Rolling Stones. Muito bom, muito bom. Vitor, muito bom, mas tem muita merda também, né? Puta que pariu. Meu Deus do céu. Tem coisa boa demais. Eu também acho, eu também acho. Mas o meu ponto é... Cara, tu nadou contra...
Tu tava ali defendendo o teu ponto, que é a tua música, o teu jeito de fazer uma cultura específica de uma região que, pô, desculpa, mas ela, especialmente nessa época, ela era menos lembrada, né? A cultura da rádio, como você tava falando, era outra. Então, tu manteve a música que você acredita, com a sonoridade que você acredita, com a tua formação musical e tudo mais, e deu certo, sabe? É, não é?
Tu não é, com todo respeito, um doidinho que ficou ali falando da tua música e nunca virou. A gente tá falando do Alceu Valença, que faz parte da história do Brasil, né? Então, essa parte pra mim é muito interessante, porque eu fico pensando se não precisa mesmo ser meio doidinho que nem você, com todo respeito, pra conseguir, porque não precisa de um certo desprendimento pra acreditar.
para ir tão profundamente perseguir o que você realmente acredita, não precisa? Olha só, eu passei por uma gravadora, ontem alguém me falou que trabalhava na gravadora, aí falou que o diretor de lá queria me obrigar a eu cantar outras músicas. Eu digo, não canto, de jeitinho.
Porque eu canto o que eu quero. Eu deixei direito, deixei tudo para poder fazer a minha música. E, sobretudo, essa coisa que eu tenho uma certa... Eu tenho uma paixão pelo Brasil. Por exemplo, eu faço samba também. Faço samba e as coisas acontecem de maneira natural. Pois bem, eu pensava que não tocava...
tinha certa timidez de tocar violão, sabe? Sabe por quê? Em determinado momento, tinha os guitarristas, não Paulo Rafael, esse é meu irmão e tal, que aí eu ia tocar, falava, deixa-se para lá, entendeu? Aí eu pensava, será que está ruim? Foi bem, fiz um disco de violão e ganhou o Grammy. Agora, eu sozinho de violão, chamando Senhora Estrada.
E ganhou o Grêmio, né? Ganhou o Grêmio. Mas eu não sabia nem que estava participando. A Iandê, minha mulher, que a gente estava no Rio Grande do Sul, na hora que eu ia subindo... Eu ia subindo o palco e ela falou, você ganhou o Grêmio. Eu nem me lembrava que estava concorrendo. Coisa de... Isso é interessante, né? Eu prefiro o palco que ela ganhou o Grêmio. E eu entendo isso, porque assim, tem...
Tem um outro jeito de olhar e trabalhar com a música, que é um jeito mais comercial. Eu estou entendendo que o teu jeito funciona, porque ele é autoral, mas tem um outro jeito de você trabalhar a música, que é correr atrás de umas certas...
fórmulas, né? Tem alguns jeitos de fazer a música pensando do ponto de vista comercial dela. Que é aquela música que tu vai desenhar pra ela tocar na rádio, tu vai desenhar pra ela virar nas redes sociais.
cara, pelo que você está me contando aqui, você vai por um caminho tão diferente e para mim isso tem muito valor, que é manter o pé firme no que você acredita. E a ideia de eu só vou tocar o que eu quero, eu não escuto isso como nenhum nível de arrogância. Eu escuto isso como, olha, eu estou defendendo quem eu sou e o que eu faço. Sabe uma música que queriam mandar para mim? Tem uma música chamada Coração Bobo.
Aí, um sujeito lá da... Miguel Propski. Era o diretor da ECA. Aí pediu para eu cantar Coração Besta. Aí eu digo, rapaz, não vou cantar. Porque o coração é bobo e não é besta. Tá certo, porra? Como é que tu vai me chamar para cantar um troço e tu é o nome da minha música, porra? Eu já sou bobo, mas besta eu não quero ser nada.
Mas e esse show agora? Essa tua turnê agora, o seu? 80 anos... Girações. 80 Girações. Cara, como é que tu... O que tem de especial nessa turnê que te coloca numa... Você vai de novo fazer uma turnê enorme...
tanto no Brasil quanto lá fora. Tu ainda se sente... O que você sente ainda quando você sobe no palco, cara? Porque isso é um puta trabalheiro. Perguntam sempre. Pode fazer você também, que é a mesma pergunta. Rapaz, tem umas perguntas que sempre é... Você ainda sente aquele frio na barriga? Eu imagino que sim. Acho que isso daí eu não preciso perguntar. Fala, pergunta para mim. Você ainda sente aquele frio na barriga? Não.
Oxe, eu quando eu entro no palco, aí é que eu acho que está ótimo. Para que eu vou ter sentido esfrio na barriga? Sinto nada. É que tu também é um ser humano diferente, né, cara? Eu... Eu, todo ser humano é diferente. É verdade, mas assim, eu, toda vez que eu vou fazer... Eu, antes de começar esse programa contigo aqui, eu sempre fico com friozinho na barriga. Especialmente nesse caso aqui, porque eu alceio Valença, tá bom? Você tem frio na barriga? Tenho, tenho. Como é, montar de ir para o banheiro, é?
Cara, é uma vontade de não fazer merda. Entendeu? Eu não confio tanto no meu trabalho quanto tu confia no teu, entendeu? Então, dá um friozinho na barriga. Porque, assim, eu não posso vir aqui e, porra, fazer um programa mais ou menos com o seu Valença, pô. Entendeu? Eu tenho que estar preparado. Eu tenho que saber o que eu quero saber. Não, o seu Valença é igual a todo mundo, rapaz. Será? É. Lógico que é.
Agora eu faço as minhas coisas do meu jeito. Também, né? Não tem nada de errado. É porque eu acredito na coisa que eu vou fazer. Sobretudo música. Bom, também você faz música com a naturalidade impressionante, né? Dá pra entender. Mas me fala sobre o que tu quer que as pessoas sintam nessa tua nova turnê aí, cara. Por que você tá fazendo ela? O que te motivou? Você podia só ficar em casa. Deixa eu... ...
Como é? Peraí. Tu podia só ficar em casa e tu decidiu fazer uma turnê no Army. Eu adoro. Se pudesse eu cantava. Eu digo assim, eu moro no Rio, mas eu gostaria de fazer um show só de violão, entendeu? Todos os dias.
Porque eu fico tocando em casa. Para Dedé e Lele, que trabalham lá em casa também. Aí eu ia para... Agora eu queria fazer na segunda também. Segunda, três, quarta, quinta e três, sabe? E domingo. Show. Estou entendendo. Estou entendendo. Para mim era bom. Para tu não é nenhum... Para tu não é... Palco é palco. Entendi.
O teu negócio é aquilo ali mesmo. Cara, mas é mais legal estar no palco do que escrever música, pelo visto. Mas quando tu escreve música, tu não tá... Duas coisas diferentes. Fazer música é fazer música. Palco é palco. Palco é energia, palco é alegria, palco é harmonia, palco é troca de energia. Entendeu o que eu digo? A palco é vitamina.
E fazer a música é o teu jeito de se comunicar? Fazer música é uma coisa que chega na cabeça da gente. Vem. Não sei fazer uma coisa mandada. De jeito nenhum. Se você mandar fazer um... Ah, eu não faço. Sabe? Aí quando vem, vem. Agora é...
A melodia até é mais fácil, porque a melodia hoje está num HD danado. A gente vai fazendo como eu fiz agora. O que não falta é referência. Vou fazer um frio. Me lembro que eu vou fazer um biquíni.
Fiz aqui e agora pronto Sensacional Até me perdi, mano Depois o bom é você mandar fazer Um arranjo, o tovinho faz pra você Pra você tocar Por que não? É mesmo aí, o Joe, tu que manja de música Vamos pegar isso aqui que ele acabou de fazer Eu mando pra tovinho que vai fazer um arranjo pra você Em dois minutos Metais e tudo
Alceu, tem alguma música tua que tu considera especial pela mensagem, pela razão que você a fez, pelo impacto que ela teve na sociedade? Por alguma razão, tem alguma música especial pra você? Pra mim, é a anunciação. Essa, pra mim, é a tua música. Pra mim, é a minha favorita. Mas eu, e você?
Mamãe, eu sigo os conselhos de mamãe. Qual filho você mais gosta? Todos perguntavam. Então, música é filho, é família. É sério? Ou tu tá falando isso pra ficar bonitinho? Eu falo na verdade. É mesmo? É.
hoje mesmo eu vivo você ama cada uma do jeito diferente como eu não via música e só venho ouvir agora por causa dos stream não via música, eu falei de radiola eu em casa nunca ouvi música aí me deu uma radiola até botou um alto-falante assim como uma coisa antiga e os discos eu tinha, tudo velho porque guardava aqueles discos aí eu fui, nunca ouvi aqui
Não tem a menor tesão em ver a coisa assim, sabe? Mas andando, aí bota o... Como é o nome? Um fonezinho. Um fonezinho no ouvido. É para matar o tempo. É bom para ouvir. Aí, como é que eu diria? Caminhando e ouvindo música. Hoje mesmo eu me lembrei de uma música minha chamada Maracajá. Linda.
A doce bailarina e seu vestido azul Que habita um velho sonho Que eu sonho acordado Seria Belineir, Labelideju Quem sabe o onjo torto Do poeta Carlos Anjo azul na noite Dançando no baqui do maracatu Sai por aí Anjo azul na noite Me leve pra beira do mar Ai, quero te namorar O que tu faz além de música, Alceu? Música? Ando Ando muito Música
Caminho, caminho, caminho, andar. Não bebo, não jogo nem fundo. Por que tu anda? Para poder pensar, para pôr os pensamentos em ordem? Porque eu gosto de rua. Entendi.
Mas tu disse que mora no Rio, né? Moro no Rio, moro em Lisboa, se for o caso. Tem cara lá. E Olinda, Olinda. Tu anda na rua, em qualquer lugar que você estiver. Ando. É, ando. No Rio é gostoso, na praia. Mas eu não vou nem na praia. Eu gosto de caminhar. Aliás, esse show, ele dá duas horas e quatro minutos. E aí, uma caminhada que eu fiz...
deu exatamente isso aqui, saí caminhando, quando eu voltei, ouvindo a playlist, quando eu voltei, puf, em casa, aí para não dizer que era mentira minha, cheguei, parei a não dizer que era minha mentira, ou brincando comigo, aí eu, puf, eu fotografei o portão de minha casa, está aqui, eu fotografei o portão da casa, não sei se eu consigo pegar aqui agora, só um momentinho de ver.
vai demorar muito porque tem muita coisa o que não falta é foto tá bom entendi, então tu gosta de caminhar
Andei pisando pelas ruas do passado. O quê? Caminhar. Que coisa. Igual a gente... Música, aí tu ouve... Tem muitas músicas para cidades também, né? Se você... Alô, Brasília. Adeus, Brasília. Vou morrer de saudade. Música para São Paulo. Cantei. Dídeo de Cão. Rio de Janeiro. É reflexo do dia que eu cheguei do Rio de Janeiro para tentar uma improvável carreira artística.
Sabe qual é? Era verão na cidade de São Sebastião, do meu Rio de Janeiro, fevereiro sim, se entregando por inteiro, seu azul, seu morro, maço, o amasso que é mês do desejo, mês suado, mês moreno, com seu charme, seu tempero, com sua ginga de bamba.
umbigos pernas pandeiro morena de copacabana e meu olhar estrangeiro toda cidade no cio ah meu rio de janeiro toda cidade no cio ah meu rio de janeiro
Legal demais, cara. Ó linda, tens a paz do mosteiro das Índias. Tá? Aí, ó linda, tens a paz dos mosteiros da Índia. Tu és linda, pra mim és ainda minha mulher.
Recife, tu fostes minha Por 15 anos a fio Cidade do Porto e Porto Alegre O pé da paixão provoca o poema O pé do poema é um parto
São poucas pegadas nas pedras do porto. E um poema torto persegue teus passos. Aí tem para Lisboa também. Caminhando pelas ruas de Lisboa. Eu revejo meu Recife do outro tempo. Aí vai para Salvador.
quase todas as cidades que eu passo ficaram na minha cabeça e de repente vem eu faço a música, saudade e como tu escolheu as músicas que vão para o teu praça, a tua nova turnê de duas horas e pouco ela teve uma coisa meio cinematográfica uma música entra na outra tem uma linha de tempo ela começa com uma música dos anos 70 depois ela é uma música de Luiz Gonzaga
aliás, foi até nessa época que ele fez, ele estava cantando. Depois dessa daí, aí 70... Aí tem uma música dos anos 80, aí pronto, outra de 80, aí depois vai assim, vai 90, tudo. E tu escolheu como essas músicas? Como é que eu escolho? Eu faço um repertório cinematográfico na minha cabeça. Tu pensa numa história que o show vai contar? Exatamente.
As pessoas podem não entender, mas elas estão, o inconsciente dela está entendendo.
perfeito, tem uma história sendo contada ali dentro de uma cronologia específica e se tu estiver prestando atenção tem hora, por exemplo que eu vou para uma praia eu vou para a praia de Itamaracá nessa praia de Itamaracá aí eu viajo, minha cabeça viaja com outra música que vai num navio pirata, aí eu vou para
O Carnaval de Olinda. Chego o Carnaval de Olinda, me vejo a cantar para uma multidão incrível da janela da minha varanda, da minha casa. Depois disso aqui, aí me lembro de uma música chamada Bicho Maluco Beleza, nome de um bloco que a gente faz aqui no Ibirapuera, no Recife, mas foi composta em Olinda. Aí vejo aquela multidão lá e eu cantando pra ela. Depois disso aqui, aí eu saio de palco.
A banda é apresentada. Aí depois eu volto. E aí eu começo a cantar músicas sobre natureza. Entendeu? Também, né? Eu gosto de... E duas horas e pouco de show é saudável pra tudo? Se tu consegue...
Tu consegue numa boa. Olha, não é obrigado eu fazer duas horas e tanto. Não, duas horas e quatro. Mas deu duas horas. Não estava com uma hora e quarenta e cinco, por aí, tal, tal, tal. Mas tem horas que eu pego e... A música, a banda toca comigo, a gente. Para onde eu vou, eu giro. Há quanto tempo tu está... Ah, tá, entendi. Para onde tu vai, tu gira. Não, se eu quiser, novamente, mais uma vez, eu faço. Entendi. Entendeu? Entendi, entendi, entendi, entendi. Cara, é...
Como é que é para tu? Os músicos que chegam para tocar junto contigo, eles já estão contigo há muito tempo? É uma banda específica? Tem muita gente que eu canto, cada qual tem seus trabalhos também, mas eu toco há muita gente, há muitos anos, 30 anos, 40 anos. Com pessoas diferentes. Mas outros mais novos também. Tem vários. Tá. É, eu fico... Agora tem músicos que eu faço com a orquestra do Preto também.
Entendi. É, cara... Você faz show só também de violão. A gente fez isso.
Tem algum que tu prefere? Algum jeito desse daí? Alguma configuração? Porque até agora eu entendi que teu lance é o palco. Tu gosta mais de ficar sozinho, ficar com uma orquestra, ficar com a banda? Qual que é o teu... Tudo diferente. Tudo diferente. Tu gosta de todos, pelo visto. Hein? Tu gosta de todos os jeitos. De tudo que é jeito. É totalmente diferente um do outro. O do violão é uma concentração ali, entendeu? Eu fico sozinho com o violão. O de uma banda...
uma coisa mais pesada com a orquestra Ouro Preto, é uma viagem de uma música clássica, né? A gente fez muito bonito esse disco. Cara, como é que... Me conta um pouco também. Tu tava me falando que quando tu não tá fazendo música você tá andando, né? Tu...
Se ouve muito, você ouve outros artistas para ter mais referência. Como é a tua relação com a música atual, Alceu? Tu escuta alguma coisa? Não. Só de pessoas que eu conheço são boas. Pessoas que eu conheço. Às vezes, estou uma rapaziada aí. Tem um grupo em Pernambuco que é muito bom. E a gente tem uma casa de cultura lá.
chamada Estação da Luz, inspirada numa música que eu fiz aqui no São Paulo quando eu passei pela Estação da Luz. Então lá tem Almério, tem Juliana Linhares, que é de Natal, que canta, tem...
Martins, tem Juba, Valença tem muita gente que está fazendo uma música muito, Ceseu foi lá também Valença, quem mais? E muita gente que está fazendo uma coisa verdadeira com muita alma e eu prefiro a alma ao marketing a alma
É, eu sinto que... Vai, quem sou eu pra julgar a música, né? Mas eu tô dizendo o que eu sinto. Eu sinto que tem muita música hoje que faz sucesso, que estoura nas redes sociais principalmente, que, em primeiro lugar, a sensação que eu tenho é que eu já ouvi antes, entendeu? São músicas que... Veja, uma música que fez sucesso 30 anos atrás, alguém faz uma versão meio brega-funk hoje e aí ela bomba de novo, entendeu? Então meio que eu já conheço. O cara não é original, entende o que eu tô dizendo? Entendi.
às vezes ela tem um formato que ela é desen... Você só conhece 10 segundos da música, porque é só aqueles 10 segundos que tem que funcionar mesmo, sabe? Então ninguém nem escuta aquilo no rádio, é só no TikTok mesmo, que é uma rede social, vídeo curto, né? Cara, por que no que tu escuta pouca música contemporânea? É porque tem pouca alma? Porque eu nunca tive... Nunca, como eu te falei, eu nunca tive uma...
Como é uma... Como é que a gente fala? Porque assim, você está... Eu nunca tive... Exposição a isso? Exposição a isso. Mas eu ficar ouvindo uma... O forte foi o negócio da radiola, que eu não via, sabe? Então eu ouvia o rádio, porque rádio era uma coisa que passava ligado. O rádio dava notícia, etc. E ficava na casa de mamãe.
e papai também, aquele rádio meio ligado. Aí eu ouvia quando passava, mas não parava pra ficar aí disputando, sabe? Menos, sabe? Dizia, meu irmão por acaso, ouve. Mas hoje, com o streaming e tudo mais, igual tu falou, é...
Eu tenho certeza que tu não escuta as músicas de hoje porque tu não gosta. Não, não é porque eu não gosto, não. É muito fácil. Hoje é só dar play em qualquer coisa que você quiser ouvir. Sim, mas olha só. Olha, o que está acontecendo. Eu acho que o cardápio é maior
Como diz Raul Checha, o meni é maior do que a vontade de comer. Rapaz, você tem. Música chinesa, tem. Você tem alemã, portuguesa, espanhola, brasileira, inglesa. Qualquer um. O cardápio é muito grande. Então, tem pessoas que vão nessa variedade. Eu, quando ouço, eu ouço mais.
Pessoas que eu gosto, que eu conheço pessoalmente, quase sempre é assim. Entendi. Entendi de caraca. Está entendendo? No final de contas, foi isso que aconteceu. O que é muito interessante, porque... Mas, na verdade, dá para entender que tem...
Boa parte de ouvir música para os artistas novos que eu conheço tem a ver com adquirir repertório, referências e tudo mais. E no teu caso, essa parte já está construída faz um tempo. Está na minha cabeça já. Eu estou entendendo. Os HD já estão...
preenchidos de certa forma não preenchido, mas com as referências que é o que você busca que você quer fazer na tua música que é o que tu quer tu se sente um cara que representa a cultura brasileira quando tu vai pra fora? absolutamente represento mesmo porque nisso aí eu sei que eu me represento, por quê? porque eu faço uma coisa original para eles, vamos lá se eu canto lá um samba
É brasileiro. Se eu canto lá um forró, um baião, brasileiro. Se eu canto uma ciranda, brasileiro. Se eu canto o frevo, é brasileiro. Se eu canto tudo que eu faço, é brasileiro. Agora, às vezes as pessoas confundiam, porque eu uso instrumento. Instrumento é uma coisa. Aí as pessoas dizem assim, faz rock and roll por causa da guitarra.
guitarra é um instrumento. Pode fazer um frevo. Pode fazer um frevo, pode fazer um samba, pode fazer um reggae, qualquer coisa. Não é nem americano, é da Jamaica. Então, dessa maneira. Eu faço música brasileira. Inclusive, eu tenho uma coisa que é engraçada, né? Hoje em dia está passando já. O meu avô que tocava, ele...
Quer dizer que uma vez ele estava fazendo um sarau, e aí eu cheguei lá perto deles, da turma velha, tocando, e eu tinha 4, 5 anos. Aí tinha um pandeiro assim, eu peguei, eles estavam tocando. Se ele estiver tocando aqui, aí eu peguei o pandeiro, não prestei atenção, eu peguei.
Aí ele disse, olha, tira esse menino daqui. Porque o filho de Desce não tem compássimo, quer dizer, não tem ritmo. Aquilo ficou na minha cabeça, velho. Sabe, se eu me lembrar disso, eu saio do ritmo. E não tive uma coisa com a música anglófona, que eles são diferentes. Até eu bato.
eu bato. Mas na hora de cantar uma coisa assim, eu não sei não, rapaz. Agora, dividir, eu sei dividir. Divido legal em música brasileira. Jacques Pandeiro, que era o rei do ritmo, falou ao seu, você tem queixada. O quê? Você faz assim, você divide bem. E fala depressa.
Minha referência... Eu viajei com ele pelo Brasil todo, com o Jackson, num programa chamado 6h30. Um projeto andou... Tudo pelo Brasil. E o Luiz Gonzaga, eu tive o prazer e uma honra de gravar com ele duas músicas maravilhosas. Como é que foi encontrar Luiz Gonzaga? Quando vocês se viram pela primeira vez, foi como? Eu?
Eu fui aqui... Tu ouvia o cara na rádio, lembra? Eu estava num hotel também perto da Praça Roosevelt e ouvimos uma sanfona tocando. Aí eu fui embaixo de quem é que está tocando. Aí ali em cima disse Luiz Gonzaga. Aí eu chuvou lá. Cheguei e bati na porta. Coincidência. Ele estava tocando sentado numa cadeira.
ele tocando, aí, Oi, eu sei, tudo bem? Quer ver, Inesita, a minha, meus amus, aí ficamos dessa maneira, e depois também, o encontrei, cantei no dia, o último show dele, eu fiz com várias pessoas, tá, e gravei duas músicas com ele,
Chamei ele, que é ele que me convidou. O senhor faz sua música para mim. Aí eu tinha fé. Digo, estou com um aqui que dá para a gente cantar. Essa notéria da sua é avião. Cantamos. Chama Plano Piloto. E cantei uma outra música com ele. Com o Jackson também foi uma sorte incrível.
A gente passou no outro festival da canção, com uma música minha chamada Papagaio do Futuro. Eu convidei Geraldo a cantar comigo, que a gente fazia uma dupla e tal. E fui convidar Jaco do Pandeiro. Aí fui na casa dele, em Bernardo de Aularia, lá na Penha do Rio de Janeiro. Cheguei lá, rapaz, eu com um cabelão. E eles não gostavam muito do cabelão, não, porque diziam que era o Jovem Guarda. Entendi, tá bom, tá.
É, e que era Beatles, e ele era todo muito... Tu ficava puto quando o cara falava isso pra tu? Porra, tá de Beatles aí, tu de cabelão, querendo... Não, mas não falavam muito pra mim, não. Sei lá. Aí, quando cheguei lá, o cara olhou pra mim assim, o irmão dele, aí, quer...
Eu digo, quero fazer uma... É porque eu queria falar com o Jacos. Cheguei lá na sala e estava fazendo as unhas, a mulher dele fazendo as unhas dele. Aí ele... Olha, que são a gente. Aí o seu e Geraldo. Tem uma música que eu quero lhe convidar para cantar uma música no Festival Internacional da Canção. Ele era também como eu. Só fazia o que ele queria. Aí ele dizia, qual é a música? Que tipo de música? Eu digo...
Minha, música minha. Mas que tipo de música? Aí eu disse, mostrei a música. Estou montado no futuro indicativo. Aí ele falou, Losa, chama fulano aqui que isso aqui não é cabelo de caba safado, não. Porque eu tava cabelo...
Aí a gente foi pra... Vamos fazer o Festival Internacional da Canção. E, rapaz, deu um problema no som. A gente lascou-se. Foi o segundo Festival Internacional da Canção. Onde que foi esse? Maracanazinho também. Tá. Foi. Esse deu um problema no som? No som. E ele já tinha dito.
Foi muito engraçado, porque antes chegou lá para passar o som, botaram o conjunto Borborema, botaram assim, ali onde está aquele, longe, 5 metros, 6, aí não dava para a gente ouvir. Aí ele falou, olha, vai atravessar, porque a gente não está ouvindo atrasado. E aqui, aí ele falou que o...
O som batia muito, tinha eco. Vai dar problema. Aí os camaradas disseram, mas a coisa é ver um material daí, de som, que está vindo num navio para cá, que é da...
Da Alemanha. Aí ele fez, rapaz, não vai dar certo não, porque não vai dar certo de jeito nenhum. Então, porque só se tivesse pro gado, aí eles ouviam de lá na mesma hora da gente, botavam numa rádio e ia dar tudo certo. Mas aqui não vai dar, rapaz. Aí disseram que eu, botar a turma da banda perto da gente, não botaram, a gente atravessou o som todo. Eles tocavam uma coisa, a gente tava cantando outra, meu Deus do céu.
Puta merda, isso deve ser uma das coisas mais tri-sportistas, né, cara? Foi. Tipo, errar porque a estrutura não ajuda. Ainda bem que quando a gente está falando de festivais de São João aqui no Brasil, isso não acontece, né? A gente tem uma estrutura completamente diferente. Muito bom, rapaz. Não, rapaz. Que bom, que bom. Não, porque o retorno é muito bom e agora tem aquelas coisas que você bota aqui no ouvido, meu Deus do céu, ouve tudo, você pode estar...
lá fora, ouvindo aqui no mesmo tempo. Pois é. E quando tu faz esses shows menores, mais intimistas ao seu, é a mesma coisa? Que nem eu te falei que a segunda vez que eu te vi tocar foi lá no Tiny Desk, que é dentro de um escritório, é um troço menor, né?
Então você vai ver o show agora. Quando é que passa esse programa? Esse vai sair hoje mesmo. É mesmo? Então você vai no Vila Lobo pra você ver outra coisa. Que é necessário. É outra coisa. Mas e pra você? Pra tu? O que você sente? Porque assim, quando a gente vai lá no show do Parque Vila Lobo, tem uma galerona. Nesse que eu tô falando, tinha uma galerinha. Era mais intimista mesmo, né? A sensação é diferente, não é? Pra você. Rapaz, não é quando eu tô cantando, eu tô cantando.
Até ensaiando com a banda, eu entro na viagem. Claro, quando tem um palco e tem público mais ainda. Eu queria ser que nem o Alceu, essa tranquilidade de fazer o que faz. Tranquilo para isso. Para outras coisas, sou agoniado, sou apeste. O que, por exemplo, tu gosta de pegar um avião? Não gosta. Não, não é uma pelota para isso. Pego, tranquilo. E o que te incomoda, então, na vida que tu não gosta? Tem alguma coisa?
Rapaz, eu gosto muito é de amigos. Porra, eu também amo. Então, quando eu estou num canto que não tem pessoas com quem conversar, eu acho chato pra caramba, sabe? É, também é bom. Eu adoro amizades. Eu gosto muito de conversar também. Ainda bem que isso virou meu trabalho. Meu trabalho virou conversar com os outros. Olha que maravilha. É muito bom. Eu vou fazer também um podcast também.
Vamos então, toda vez que tu vier em São Paulo, tu vem aqui, a gente conversa, tá tudo bem? Tá certo, então tá bom. Alceu, muito obrigado pela moral, obrigado pelo teu tempo, obrigado por vir aí. Eu estarei lá pra te assistir esse sábado às 8h no Parque Vila Lobos. Então se você estiver em Santa Catarina, Floripa, pode ir.
liga para a gente. Se for no Paraná, em Curitiba, você pode ir. Aí você pode ir também para Brasília, você deve estar morrendo de saudade de Brasília. Aí depois, se você vai de Brasília, você vai sair para onde? BH. Rio de Janeiro não vai agora, porque a gente já fez. Aí você pode ir para Salvador, você pode ir para Belém do Pará, você pode ir para o Ceará.
Fortaleza e outras... Recife também. Tem que ter, pô. Não vai para Recife. Eu vou. Tá bom? Tá bom. Então, mas agora eu vou inventar uma coisa que vai ser via internet, em que a gente vai... Foi a ideia minha. Vai transportar a gente para qualquer lugar do planeta em um segundo. Como?
Através da internet. Você sai. Vai ser uma nova coisa que eu estou bolando aí. Você está aqui. Recife. Já está no Recife.
Tomara que dê certo. Alceu, muito obrigado pelo teu tempo. Obrigado pela moral. Você que está assistindo a gente aí, a gente vai deixar aqui no comentário fixado as redes sociais do Alceu Valença e também com a maneira de você encontrar onde que vai ter show do Alceu para você poder ir lá assistir o show. Mas, rapaz, agora eu me esqueci que estava ao vivo, é? Não, calma, a gente está gravando, mas as pessoas vão assistir hoje ainda. Que dia é hoje, Vitão?
Então, dia 25. Hoje é dia 25 com o show. Seu dia 25 com o show. É 26, 27, 28. Né? É. Que é o teu show lá no Parque Vila Lobos, né? É. E aí você que tá assistindo a gente aqui e quiser ver o show do Alceu pelo Brasil, a gente vai deixar aqui o link pra você encontrar onde vai ter os shows. E daqui a pouco tem na Europa também, né? Tem. Você que estiver na Europa aí também, já segue aqui. Deixa a gente deixar o link pras redes sociais do Alceu que tem todas as informações lá, imagino.
Tem todas no Instagram e tudo mais. Ah, tem, tem, claro. Pois é. Então, Alceu, mais uma vez, muito obrigado. Isso aqui é a tua câmera, se quiser falar alguma coisa. Um abração para vocês, tá? Foi ótimo. Bate-papo maravilhoso, entendeu? E vocês aqui, também assistindo, a gente conversando, um abraço bem forte para vocês, tá? Teve até a música. Tchau, tchau. Abração! Tchau, abração!