DONCESÃO - Flow #580
Doncesão está bolado.
- Trajetoria Pessoal TabataExperiência no Damassaclan · Desafios Pessoais e Profissionais · Retorno à Música · Relações com Outros Artistas
- Cenário underground de rap Brasil anos 2000Cenário do Rap Underground · Influência do Skate na Música · Relação entre Racionais e o Underground · Impacto do Rap na Sociedade · Desafios das Mulheres no Rap
- Análise do rap contemporâneoRivalidade entre Artistas · Impacto do Racismo no Rap · Representatividade no Rap
- Colaborações MusicaisProcesso Criativo de Músicas · Colaborações com Outros Artistas · Direção Artística e Produção
- Indústria MusicalRelação com Marcas e Patrocínios · Mudanças no Cenário Musical
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Já que a gente já tá conversando aqui mesmo, né? Já estamos na resenha. Te prometeu que ia fazer ao vivo, né, cara? Vamos ter que, né? Já estamos aí. Cara, mas maneiro te receber aí, cara. Já ouvi teu nome várias vezes aí, como um cara que tá aí faz um tempão, tu tá fazendo, trabalhando com a cena, tanto fazendo música, quanto habilitando pessoas a fazer música também, né?
18 anos, né, cara? 18 anos. Uma beleza, pô. Pelo visto tá tudo bem, tá com dente de ouro e tudo, porra. Parece que foi ontem. Parece que foi ontem mesmo? Porque assim, 18 anos atrás...
18 anos atrás, o que que tava acontecendo de rap, cara? No Brasil? Tinha alguma coisa? O que que era forte? 18 anos atrás, início dos anos 2000? O que que tava acontecendo ali no... Ah, muita coisa, muita coisa de expressão. É? Tava acontecendo. Existem, assim, eu percebo, e principalmente porque eu faço parte dessa cena mais underground, e tem essa escola mais racionais, mas originalmente 100% de quebrada, assim, não é? E muito forte também nas rádios.
nessas estações que tinham programas destinados a rap e também a galera fazendo esse circuito mais underground. Então tinha muita coisa acontecendo. Em que medida era diferente o circuito? Como é que era o som? Por que era diferente o som do underground do som do Racionais, por exemplo? Era a vibe? Porque o Racionais, como tu falou, originalmente, favela, não sei o quê. Também, acho que é mais essa energia assim. É total. E isso é originalmente de quebrada ali, né?
Ser uma pessoa que canta ali aquilo de verdade, então... Porque tu tá dizendo que no movimento underground poderia ter uma galera fazendo sem necessariamente ser de quebrada. Tinha, tinha algumas pessoas, a grande maioria das pessoas não eram necessárias. Tinha muita gente que é underground, que são ícones do underground, são caras que trilharam isso, que são caras que são originalmente de quebrada. São caras que...
Só que quiseram trilhar a musicalidade de uma maneira diferente. Então isso é até lá fora, assim, nas escolhas dos beats, nos temas, no como vai fazer. Então você acaba talvez se distanciando de uma rádio, por exemplo, como era o Espaço Rap, por exemplo. Era um ou outro grupo que trazia uma linguagem.
mais underground na criação, ali nos beats, no texto, que teria talvez um acesso num programa como o Espaço Rap ali na 105, tá ligado? Entendi, eram grupos, então tinham grupos dentro do underground, é isso? É, mas sempre tiveram pessoas que tiveram ali, sabe, tipo o Kamal, que é um cara que é ícone pra mim, e depois assim dele, um cara que fez muito essa transição, com certeza é o Emicida, que é um cara originalmente de quebrada e tal, e...
Mesmo trazendo texto muito rico ali. Não que os outros não sejam, não é isso? É um outro tipo de storytelling, eu quero dizer. Aham, eu entendo. Mas ali... Então... É um cara que fez esse crossover de um jeito foda. Então é um cara que rima com Mano Brown e rima com...
Os caras ali, os parceiros da Batalha do Santa Cruz, que são os caras ali mais do texto, da parada, que puxavam isso aí. Então ele é um cara que permeou mais isso. Mas eu vejo que naquela época existia muito isso. Então sempre é o Racionais, quem sempre teve ali, The Men's Crime, facção central, isso sempre teve. Mas ao mesmo tempo tinha essa galera que eu falei.
desde o quinto andar ali da época do Rio de Janeiro e tal, mas aqui tinha essa galera que fazia aqui também, que era Ascendência Misto, Elo da Corrente, Contra Fluxo, várias dessas pessoas, parte 1, que é... Eles tinham um coletivo ali, Rima Rara e tal, então eu cheguei por ali através do skate e tal, então eu cheguei meio que pra...
amando mesmo já a cultura, sabendo, ah, isso é rap, eu fui meio que indo ali, fui falando, putz, isso é da hora, vi a nas trilhas sonoras dos vídeos de skate, aí foi minha próxima... O skate foi importante demais, demais, demais na minha formação. Eu ia achar que o skate ia te levar pra um Charlie Brown.
Eu não vou falar, ah, não, nunca ouvi o Charlie Brown. Mano, ouvi muito o Charlie Brown. Gosto muito. Tinha muita coisa de rap ali que dava pra mentirar ali, tá ligado? Mas não era uma parada que, tipo, me marcou como tipo, eu falei assim, pô, eu gostei muito do trampo, das criações, do chorão. Acho gigante, eterno, foda pra caralho. Tem essa ligação com o skate. Mas acho que ali os ícones musicais pra mim ali, assim, acho que era uma outra galera, assim, tá ligado? Mas...
O skate é o quê? Porque tu era... Tu começa a andar de skate... Eu gostava de andar de skate e tinha uns amigos ali já do skate, um que fazia um som. Aí já fui ligando a musicalidade, porque o skate tinha muito essa cultura da videopart de skate. Você fazer um...
Um vídeo ali de apresentação. Seja uma marca, então ela divide ali pedacinhos do filme pra apresentar cada skatista e tudo mais. E aí cada um escolhe uma trilha sonora que tem mais a ver com você e tal. E aí imagina você é um moleque de 10, 11 anos. Aí você põe lá e você escuta um monte de rap de Nova York, de Los Angeles, um monte de bagulho. Acaba o vídeo, mano. Eu ia lá no final, ficava vendo o bagulho e anotava. Anotava nominho, nominho, nominho, nominho por nominho. Caralho. Aí chegava pra um amigo meu, Felipe.
Aí eu falava, Felipe, Felipe, queima um CD aí pra mim. Levava o CDzinho. Fala, meu irmão, queima o CD com essas músicas. Aí ele vinha com o CDzinho com as trilhas sonoras das músicas do skate. E eu ficava com esses nomes. Aí às vezes eu assistia o Yo! MTV, que era meia-noite e tal. Às vezes passava um clipe. Mano, essa é a música do... Essa é a música do bagulho que eu vi no vídeo. Essa é a cara do mano. Era assim que eu conhecia os caras, tá ligado?
Caralho, mano. Nossa, essa é a cara... É precário até, né? Essa é a cara desse mano que cantava nessa música que eu vi na trilha do skate. É o caralho, esse que é o cara, mano.
Aí depois, quando eu comecei a ver, tinha uma banca na Paulista, tinha uma ali no Largo do Pai Sador, que tinha umas revistas gringas. Circe, XXL, tinha as revistas gringas. Aí, ó lá, ficava folheando, vendo, vendo, vendo, vendo.
Aí depois quando conseguia lá e comprava uma, pai. Aí ficava decorando aquilo. Ah, esse é o fulano que eu li no bagulho, esse é o fulano. Aí quando conseguia um disco, lembro até hoje. Primeiro disco assim que eu tive, que eu peguei, tinha uma mecânica ali na Casa Verde ali. Aí meu pai foi arrumar o carro. Tinha uma cara, a Van Branca, velha. Daí a gente foi parar ali pra arrumar ela e o cara vendia uns CDzinhos de rap. Aí eu falei, ah, mas eu vou comprar um nacional. E comprei pela capa.
E vou comprar um gringo. Aí eu era do MC8, assim, bem gangsta, assim. E o outro era do Potencial 3. Aí eu ouvi, quando eu vi isso, assim, aí foi a imersão. Falei, caralho, mano, que bagulho louco, que mundo maluco, mano. E tu tinha quantos anos? Isso aí eu devia ter uns nove, mano. Caralho! Uns nove, dez anos, assim.
9, 10 anos. Daí quando eu vi, eu falei, é isso, isso é o mesmo que eu tinha te falado aqui antes, do Tartaruga Ninja, do Vanillais. E é isso aí, mano. É isso aí, é rap. Aí eu, quando eu tinha uns 11, 12 anos, eu mudei pra estudar numa escola que era em Santana, e a gente voltava às vezes de carona com uns amigos que moravam lá na Casa Verde também.
E a irmã do moleque sempre voltava a ouvir no Racionais. Aí, a primeira vez que eu ouvi isso, aí eu entrei no storytelling, aí você ia, mano, caralho, mano, história não tem fim. Pá, musicona de cinco minutos, aí você vai naquela história, você fica... Caralho, aí eu falei, mano, isso é foda demais. Rap é a música pra mim.
Tanto que a Maria... Virou na história que o cara tava contando na música. Pirei, pirei. Ali o cara, tu tava ouvindo um estilo musical que tu gostava em português. Isso aí, em português. Eu já tinha ouvido o Potencial 3, que era em português, mas era um bagulho mais bate-cabeça, paus. Já pirava. Gostava muito, só que quando eu ouvi, mano, Racionais pela primeira vez, aí eu falei caralho, mano.
Chegou o fim de semana todos. Aí eu falei, caralho, mano, o que é isso nessa batida? Aí você vai vendo a narrativa toda, né? Ele consegue colocar muitas sensações. E aí a hora que eu ouvi aquilo, eu falei, caralho, isso é bizarro, mano. Aí fui indo. Aí dali fui conhecendo. Aí foi... Mas tu procurou pra trabalhar com isso ou não? Pra trabalhar não, não. Só amei isso como amor, assim, da minha vida.
Paralelo também ao scale. Eu sempre fui um cara do hiperfoco, tá ligado? Então eu hiperfoquei no rap assim muito tempo. Daí fui destrinchando isso. É igual eu falei, eu lia no nome. Eu gostava de ver e quando acabava ali eu ficava vindo o nome. Quando eu escolhi uma TV que tinha o VHS, nossa, já era. Ficava esperando a hora que passasse qualquer coisa de rap. Aí ia numa banca de jornal, hip hop, rap escrito, eu já parava pra ver. Foi assim que eu conheci o Gêmeos.
Marconi, vários artistas plásticos foda, assim, que eu conheci, foi já sabendo, ah, isso é rap, isso é hip hop, então eu já sabia que eu gostava disso. Aí eu fui afiando, afiando isso desde oito, nove, dez anos, maioria das minhas memórias que eu tenho afetiva, Copa do Mundo de 94, já existia hip hop na minha vida, disco do Tenklen. Caralho, mané. Novinho eu já tinha isso, tá ligado? Eu ganhei o disco do Tenklen de um amigo que é um cara foda.
do metal, do glória, da banda glória, ele era meu vizinho, né? Aí ele me deu o disco do Tenklen, ele que me deu, falou, ó, você que gosta de rap, isso aqui é rap. Aí eu ouvi o disco do Tenklen, assim, os caras tudo com as máscaras assim na foto, pá. Os caras, vários caras, depois até vi uma entrevista interessante falando dessa capa, que é, os caras são vários MC, aí não ia dar pra juntar todo mundo, aí os caras botaram até umas pessoas que não eram do Tenklen com o bagulho e...
Tirou na foto pra estar ali, tá ligado? Mas daí quando eu vi isso, eu falei, caralho, isso já era no paralelo. Mesmo o jeito que eu gostava do Romário, eu já gostava do Method Man. Falava, caralho, esse cara é style, olha como que ele rima. Olha a parte, quando ele entra na rima, como que é. Ele deixa a impressão dele. Por que eu gosto de ver o Romário jogando? Porque, nossa, só ele faz isso. Por que eu gosto de ver o Method Man rimando? Puta, porque só ele faz isso, tá ligado? Daí eu já fui.
Caralho, tu era muito criança mesmo, porque eu lembro da Copa de 94 também, e eu era muito criança, e eu não tinha nenhuma... Mano, eu sou o cara das memórias, eu lembro do cheiro, porque eu assistia a Copa, tudo na casa da minha bisavó, minha avó e meu avô moravam em Santos, mas vinha todo mundo pra assistir lá na casa da minha avó, ali na Parada Inglesa. E aí, mano, eu lembro do churrasco, lembro de tudo, do meu avô vivo ainda, lembro de todas as sensações, assim. E aí tudo que me marcou muito eu lembro, tá ligado?
Tipo, lembro, eu tenho uma memória muito... Uma fotográfica, assim, muito foda, tá ligado? Então acho que por isso que eu tenho muito essa memória do rap. Eu gosto de estudar, lembrar, tá ligado? Ter esse respeito também, né? Tipo, se é uma parada que eu amo, que eu quero performar, fazer... Eu tenho que saber onde eu vou me posicionar na história. Não dá pra me enxergar e falar... Ah, eu vou fazer isso aqui, vai ser muito foda.
Não, irmão, mas já tem 50 pessoas que fizeram isso. Tem 100. Tem 100 que são muito gênios. Escuta... Não, não, eu sou mais foda. Então aí não dá, tá ligado?
Beleza, eu entendi como é que tu chega ali, o skate te leva...
Há um aprofundamento na cultura. Do lifestyle. Do lifestyle. É escutar o rap, andar de skate, essa roupa aqui é diferente. Encontrar os caras que também gostavam. Isso. A pessoa vê e fala, ah, esse cara é diferente de calça, olha o tênis que ele tá usando. Eu sempre reparei muito nisso. No lifestyle. Falei, ah, puta, foda, mano. Tá ligado? É assim, isso é da hora. Desejar por anos ter uma peça. Tá ligado? Ver um bagulho num vídeo e falar, caralho. Pô.
E o que que vocês estavam... E o que que tu tava ouvindo aí no... O que que tava tocando no Brasil de rap nessa época aí? Quando tu chega no meio da cultura que tu... Quando eu já tava meio que ali fazendo ou quando eu fui ouvir pela primeira vez essas coisas? Assim, quando tu... Demenoscrime, fogo na bomba. E daí como é que é? Fogo na bomba.
Disco do Racionais, o Sobrevivendo no Inferno. Ah, tinha, era... Pra mim era isso, mano. Era isso ali que eu lembro desse momento ali, tá ligado? Tipo, quando eu ouvi mesmo. Caraca, o que é isso? Eu fui descobrindo, vendo essas paradas. Foi isso aí. Consciência humana, The Men's Crime, Racionais. Aí foi indo, mano.
E como é que foi conhecer alguns desses caras depois, cara? Muito doido, mano. Uma mó honra, uma mó doideira. Mano, eu fiz um som, mano, olha que doideira. Taíde foi lançar um trampo novo, assim, isso eu tô falando há 10 anos atrás. Foi fazer um trampo novo depois de anos, assim, tal. E aí uma das músicas falava de estilo, pá, ligação de moda, sobre o estilo das pessoas e tal.
Só que nessa faixa, mano, tipo assim, imagina, quando você faz assim o bagulho e você ama mesmo, né? Aí você fala, pô, eu queria fazer uma música um dia se eu pudesse com essa pessoa. Pô, eu queria fazer uma música um dia se eu pudesse com essa pessoa. Aí o Taíde pegou e me mandou uma mensagem, falou, Cezão, eu peguei esse seu contato com o Pumpkiller, inclusive queria agradecer o Pump por esse momento foda da minha carreira. Aí ele, pô, indicou um cara, falou de estilo, pá, um cara dessa geração que tinha essa interação com moda, pá.
Eu queria chamar você pra fazer parte da música. Eu falei, caralho, Taíde, meu Deus, que honra, mano. Fiquei em choque. Falei, até acho que nem performei bem nessa música. Por favor, não vai ouvir, hein, galera.
Aí, tipo, eu peguei e falei assim, mano, aí o Taíde falou assim, e a música é com D2, Black Alien, Rincon Sapienza, N de Naldinho, que eu ouvi muito na minha vida, e o Rapadura. Eu falei, caralho, mano, vou rimar com todos esses caras de uma vez.
E aí fui lá viver essa experiência, foi foda. Sem contar outras resenhas que já pude ter com outros caramonstros e outros que foram virando monstros ao redor da vida, assim, né? No decorrer da vida aí. E a gente vai vendo também crescendo, virando monstro também. Pra mim é uma honra fazer parte, mesmo que minimamente, dessa história do rap nacional. Mas por que que tu achou que tu performou mal nessa daí especificamente? Ah, porque eu não gostei do meu verso. Achei ruim.
É isso que é performar mal, então? É, pra mim é performar mal. Não digo na entrega ali, pá. Até bizarro falar isso, né, mano? Ainda mais um cara que trabalha como eu trabalho, e ligado agora também tudo nessa coisa da melhor gravação, do tudo, da ficha técnica, da inscrição pra um festival, tudo. Mas eu sou um cara que eu fazendo, eu não sou um cara que eu ligo tanto...
Tipo, até os moleques que estão aqui, meus parceiros, o Círio, vi que a gente gravou uma música esses dias no disco do Círio. A gente ficou na resenha ali, tipo, 40 minutos, eu gravei em 5 minutos e fui embora. Tipo, mano, tá bom, é isso aí. Eu não gosto de também fazer caco e tal, tá ligado? Então, para mim, performar mal é a minha escrita. A entrega ali do bagulho, para mim, é tipo...
É a tela, sabe? Você tem ensaios dessa tela. Só que o que vai ficar naquele registro? Mano, aquela pintura ali, pum. Pra mim, eu gosto desse do momento, tá ligado? Não gosto de ficar, tipo, ah, muito... Põe, encaixa aqui, vai. Não, deixa eu ver essa guia. Ah, tu tá falando que fica pensando muito. Não, eu penso no texto. Eu gosto do texto, mano. Eu gosto do texto. Mas daí, na hora de entregar o bagulho lá na escrita, eu acho que eu não tenho muita paciência.
Eu não sou um cara que gosta. Eu sou ansioso ali, tá ligado? O importante é só... Eu curto mais a escrita.
Aí a hora da entrega ali eu gosto, tá ligado? Mas eu não fico preocupado. Aí meu timbre. Aí meu... Não, tá ligado. Mas não faz sentido isso. Porque, cara, você me falou logo de cara que o que te pegou no Racionais foi o cara te contando uma história. Então, acho que é isso aí. E tudo da vida acho que foi o storytelling. Mesmo que a pessoa fosse um diretor de filme, mesmo que fosse um cara...
Tirasse foto, vários bagulhos. Tipo assim, várias coisas da minha vida que eu gostava. Eu gostava nessa referência infantil. E depois de velho que eu fui ver. Puta, isso aqui quem fez foi o Spike Lee, mano.
caralho, que foda, mano. Puta, isso aqui foi, tá ligado? Puta, isso aqui foi um cara foda. Então, tipo, aí que eu lembrava e ia ver que eu já tinha isso no meu repertório, que já tinha me tocado numa memória que virou uma memória afetiva pra mim, mas eu não sabia quem que era. E era o storytelling que me levou, igual o do rap. Então eu falava, puto, esse jeito de contar essa memória aqui, olha, tipo, só esse take aqui da pessoa que...
Lavando a roupa, só um pedacinho da música e tal. Olha o drama aqui, olha o que a pessoa tá vivendo. Isso aí, aí fui afiando essas sensações. Puta, eu conseguia sentir uma sensação foda ouvindo Racionais. Por isso que é foda assim. Às vezes eu escuto umas músicas e falo, pô, legal, sei que é foda, mas não me tocou.
Cara, eu entendo totalmente o que você está falando. Tá ligado? Hoje, mas é maluco como isso também funciona de um jeito específico para cada um, né? Sim. Eu estava te falando antes de começar que quando eu começo a ouvir rap, porque tem um monte de jovem aqui em volta de mim, né? Sim. E o Jean é muito fã do Freud, tá ligado? É até interessante que a gente ficou amigo do Freud depois. Sim. E aí, hoje eu estava ouvindo no carro uma música que eu...
Eu gosto dela porque ela me leva pra passear, tá ligado? Eu consigo sentir coisas diferentes. É uma música dele, que é Fica Bem. Tem o Santzu também, tem o Xamã também, tem o Major RD também nessa música. E ela leva pra fazer um passeio. Eu tava pensando, por que eu gosto dessa música? É por causa disso. Ela me leva pra um rolezinho, entendeu? É meio que um cuidado que eu sinto pra caralho no estilo que eu mais ouvi na minha vida, que é o metal. Entendeu?
Metal gosta de me contar uma história. O álbum é sobre um livro do Tolkien. Entendeu? O palco é aquela parada. Isso. Eu gosto desse aspecto da coisa. Talvez se eu tivesse tido um encontro mais...
mais formal não é formal, não quero dizer formal sei lá, mais intenso com rap talvez eu tivesse gostado mais cedo que eu, que nem eu te falei eu tinha um amigo que uma vez tocou pra mim um disco do Racionais e depois a gente voltou a ouvir funk ou sei lá já tinha uma parada ali um bagulho que já me levava eu ouvia e já gostava da batida e já tudo
Mas tu tá me falando que tu... Bom, a gente tava falando de uma época que tu curtiu a história, não sei o quê, mas... E aí a gente pulou um pouquinho pra uma hora que tu já tá gravando com os caras. Quando é que tu escreveu a primeira vez, cara? A primeira vez foi em 2007. E por que que tu escreveu? Porque eu queria... Mano, olha que doideira isso, mano. Quando eu tava na época do pré-vestibular, assim, vestibular, esses bagulhos, eu achava que eu queria ser médico.
Aí eu fui fazer faculdade, vestibular pra faculdade de medicina. Arrumei umas particular lá, de federal, estadual, não arrumei nada. Falei assim, mano, então vou esperar mais um pouco e fazer mais um cursinho e ver o que eu arrumo pra entrar numa faculdade.
Aí fui lá e pensei, mano, não quero fazer isso, mano. Quero fazer faculdade de arquitetura. Botei isso na minha cabeça. Já tinha um ex-sogro na época que trabalhava com publicidade só de construtor e tal. Aí eu já falei, mano, já podia ser uma possibilidade de um trampo. Ele já sempre falava isso pra mim. Aí eu fui tentando. Só que nessa época de pré-vestibular, assim, e trampo, e nessa ansiedade e tal, aí eu fiquei pensando assim, eu comecei aquelas noias de jovem, né?
Mano, será que eu vou morrer? Primeiras bad. Cara, ali se eu morrer, mano. Aí como eu gostei muito dessa época do vestibular, dos textos, dos livros, tipo, tinha que ler, sei lá, o Luziadas, os bagulhos, eu falava, por que eu tô lendo o texto desse filho da puta aqui? Olha quantos anos atravessou o mundo. E eu tendo que ler isso pra responder isso pra poder ser alguém, pra entrar numa faculdade. Foi o bagulho, eternizou, mano.
E aí quando era algo rimado, eu falava, nossa, isso é muito rap. Eu gostava de tentar encaixar e tentar ir brisando nisso. Aí eu cheguei e falei assim... Ah, tu refletia essas porra aí? Sóbrio? Muito. Não, não, sóbrio não. Sóbrio não. Tá bom. Mas aí eu pensei assim, cara, talvez eu queira tentar fazer algum bagulho assim. Aí fui largando a arquitetura, trampei um tempo assim, mas daí eu falei, puta, não...
Agora, quando eu conseguir alguma coisa que me mostre que eu tenho que ir pra música, eu vou. Aí eu fiz um primeiro disco com um parceiro, ainda fazendo faculdade, tudo com o DJ Kaique. Uns amigos meus falavam assim, meu, você já gosta do freestyle, você já rima mó da hora assim quando tá com nós, mano. Você não tem mais rima escrito? Falei, não tenho nada. Ele falou, mano, eu vou te apresentar um cara.
e pega um beat. Eu e o meu irmão, a gente ficava tentando fazer isso. Pegava, quando era só beat dos vídeos de skate, a gente pegava ou filmava um bagulho, aí eu e meu irmão ficava arrumando jeito. Aí meu irmão arrumou lá o computador e falou, meu irmão, vamos tentar fazer nós. Não arrumamos nada. Aí um parceiro levou até o DJ Kaique. O DJ Kaique falou, mano, produziu o Nave. Vários gênios aqui que viraram gigantes da música. O Kaique já produziu os caras hoje.
Um monte de galera foda lá do sul do país. Aí falou assim, ó, eu produzo já uma galera, mano. Não vem do beat. Eu gosto de produzir uns caras bons. Escolhe aí umas batidas e grava. E escreve. Vem aqui gravar se ficar bom.
Eu gravo você. Daí eu falei, beleza. Fui pra casa, mano. Escrevi correndo pra... E voltei pra mostrar pra ele. Por que tu escreveu correndo? Porque eu já tava ansioso. Já queria fazer uma parada. Já tinha uns freestyles que eu fazia sempre. O mesmo pedaço. Daí eu falei assim, mano. Acho que eu tenho alguma coisa aqui. Aí eu na ansiedade, quando eu peguei o beat, eu quis mostrar serviço, tá ligado? Aí liguei pra ele. Não, mano.
O bagulho de rap não é assim, mano. É calmo. Daí eu falei, não. Eu quero ir aí, mano. Aí fui lá e foi da hora. Ele falou, beleza. Vamos fazer o disco.
Aí fizemos o disco e eu fiquei com esse bagulho assim. Tipo assim, porra, se eu morrer o bagulho vai atravessar, mano. Foda-se, quero fazer algum bagulho que fique. Pô, pra mim fazer uma obra que vai ser impactante aí no mundo da arquitetura vai demorar anos, mano. Talvez se eu fizer um disco, eu fiquei nessa loucura, tá ligado? É. Aí no final, tamo aí, ó.
no final tá aí mas em algum momento tu meio que fica um artista que também trabalha o backstage tu também produz tu começou a ter uma gravadora cara quais foram as etapas que te levaram pra gravadora tu ficou maior com a gravadora sim, minha imagem pessoal assim do que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que
como o Dom Cezão no cenário ganhou bem mais respeito, com certeza, pela construção e como foi também a história do selo e tudo mais. Não o final, mas como foi a construção da história. Mas acho que o que levou ali...
a chegar nesse momento, foi no momento que eu percebi que o rap tava precisando também de mais alguns pontos, assim, de estrutura. Porque, tipo assim, pô, o escritório do Racionais, um escritório que tá ali, a doutora Eliana ali, tá ali fazendo um monte de coisa, estudando pra um monte de lado ali, levando pra um profissionalismo, o Emicida profissionalizando, tem até uma rima do Emicida que, não vou lembrar agora, mas ele fala, tipo, eu não quero ter uma gangue, eu quero ter uma empresa, tá ligado?
Então eu pensava assim, caralho, eu tinha já um coletivo dos meus parceiros que estão até aqui juntos, a gente tinha um coletivo que era forte pra caramba, é forte até hoje. E eu falava assim, mano, da hora, mas a gente tem que profissionalizar, porque o Haikai já tinha um escritório deles profissional.
o Costa Gold já tinha um escritório profissional, eu tava trampando ali com a galera do Tropicillas, que era um escritório também foda, eu falei, mano, só que eu queria fazer uma parada que eu pudesse trazer essa energia que a gente traz, trazer uma galera, falei, puta, como que eu faço? Falei, mano, vou ter que fazer um bagulho meu, da Massaclan já é muita gente pra gente organizar. Os moleque que já tão grande, já tão muito grande, os outros moleque que precisam de uma atenção, eu não vou poder dar essa atenção, falei, mano, vou parar um pouco e vou dar o meu foco num bagulho meu que eu vou começar do zero.
Aí tinha alguns amigos que eram do Damassaclan que foram comigo. E aí a gente começou a ser ali do zero, tá ligado? Aí eu falei, mano, então eu vou precisar assumir um pouco isso. Tanto que eu fiquei mó tempão sem lançar disco, sem fazer feed, sem fazer nada. Será que ano? Puta, não lembro ao certo, mano. Mas acho que é uns 2016, 2015. Não, 2016 mesmo. Foi 2015, 2016. Foi isso mesmo. A série começou em dezembro de 2016. Faz um ano, faz 10 anos esse ano. Isso, ou seja, quase metade da tua carreira.
Quase metade da minha carreira. Foi ali 10 anos ali fazendo underground. É que assim, eu comecei nesse circuito assim também. Tipo, lançando, fazendo, tentando ali fazer os discos. Era um milagre, era o maior evento quando eu conseguia fazer um show no Sesc. Chegar lá, ter um catering, um bagulho, receber mil, dois mil reais pra cantar com o Mike Sem Fio. Era o caralho, era o sonho. Mike Sem Fio era importante? Pra caralho.
Era sonho cantar no bagulho ali, falar, caralho, pá, som, pá, sem nada zoado. O que mais que era um sonho, assim? Porque como é que eram os eventos? Era muito fudido? Precário pra caralho, vixe, precário. Aí o que mudou? É isso que eu ia falar, mudança disso pra mim foi quando a gente fez a música do Damassa Clã, que foi o Cypher. Aí eu lembro disso, mano, tava indo pro litoral norte ali, daí paramos ali no pastel ali.
de Bertioga, aí veio uma galera correndo assim pra tirar foto, isso nunca tinha acontecido, tá ligado? Cantava nos eventos de skate pra uns amigos, cantava no, ah, vai lançar uma loja e um bagulho de roupa, aí eu tava, ah, vai fazer um bagulho, e nesse circuito que eu tinha feito do Sesc, que era uma galera mais hip hop ali, pá, ficava mais cabeça, pá e tal, tinha um disco temático, Bem Vindo ao Circo, era um disco que eu fiz um...
atingiu uma outra galera mais underground assim, tá ligado? Aí quando eu me juntei com os moleques do Damassaclan, os moleques numa ascensão gigante, parando tudo aí lançaram essa música e eu tava fazendo parte dessa música, aí foi quando pegou o cenário nacional aí as pessoas, sem ser dessa minha bolha ali do skate, da moda do tal
Aí as pessoas do cenário viram, aí as páginas de rap postando, falaram, caralho, os caras é mó figura, as merdas que ele fala na música, pá. Aí eu sentia o bagulho. Aí os moleques estavam numa viagem, lembro que eles voltaram, me trombaram, a gente sempre se encontrava que a gente era, tinha o clã ali mesmo, que era uma parada que era de amizade ali mesmo, todo mundo. E os caras ainda eram amigos há mais tempo que eu. Alguns tinham estudado com o meu irmão, o meu pai, fui criando essa ligação.
Os moleques do High Kays viajavam muito, Costa Gold também. Quando eles voltaram, falaram, mano...
O bagulho é louco, mano. A música tá gigante, quando chega a sua parte, todo mundo berra. Aí o primeiro show deles que eu fui pra participar, o bagulho foi louco. Aí eu falei, caralho. Aí foi essa tensão, aí foi aumentando. E eu fui linkando sempre esses universos. Minha ligação com o universo de skate, os parceiros do skate sempre me chamavam pra escrever, fazer uma parte, uma música que era importante no universo do skate, era importante na carreira deles. Aí os caras iam me chamando, aí ia fazendo, aí eu fui construindo.
Esse universo também não só, tipo, vou fazer isso aqui do rap, eu vou fazer, eu quero... Mano, isso aqui é o meu universo, tá ligado? Eu fui ligando com os amigos da artes plásticas e... E era assim que tu conseguia encontrar uns caras também pra... Tu ficava olhando quem que era que tava mandando bem nas batalhas de rima? Como é que funciona? Eu ficava com esse radar. Quando eu falei, mano, vou fazer, preciso ver quem que são as pessoas que são fodas.
Preciso ver quem que são as pessoas que são... Deve ter uns caras que te procuram também. Até hoje. Muita gente fala, mas eu prefiro ir nesse olhar natural. Ir no natural. Agora eu não tô muito focado em procurar a galera, mas eu fico sempre nesse exercício. Então tudo que tá acontecendo ali na cena eu vejo. Quando tem um disco que eu acho que é um cara que...
Eu já vi que já foi foda num single, no bagulho. Eu paro, escuto o álbum inteiro. Vejo quem que tá aí no cenário. Falo, pô, tem muita coisa que eu vejo e piro. Falo, puta, isso aí é bom pra caralho. Isso aí é da hora, hein, mano? Tem uns bagulho que eu vejo e falo, puta, isso aí é da hora. Isso aí tem baixo, isso aí é hip hop. Mesmo que é uns moleque novinho. Agora tem uns outros bagulho que eu vejo e falo, é farofa.
Agora, quando é um bagulho que eu gosto, eu fico atento, vejo os nomes, falo, ah, se lançar um trampo, eu vou ver. Então, eu fico sempre vendo tudo. Mas sempre tem uma molecada nova ali que você tem que ficar de olho. Eu gosto de ver assim, mano. 2 mil ouvinte mensal, no máximo. Pra mim, já tá acontecendo. Quero uma galera que tá bem começando, tá ligado? Aham.
E aí, nesses caras tem coisa que... O que acontece? Isso significa, então, que você está meio por dentro das coisas que estão mais vanguarda, de certa forma. Um de tudo. Tem umas pessoas mais afiadas que é hoje. Eu já fui um dos caras aí, o AIR, sem maldade. Existe essa função dentro das gravadoras. É o AIR, o cara que faz o artístico repertório, que agiliza, traz os artistas, monta um disco, faz tudo.
Durante esse tempo aí que foi a ceia ali, eu fui um dos caras que foi o melhor aí, sem maldade. Botei muito artista, muito disco. Todo ano nós era a lista de top 3, no mínimo, nós tava com lá lançando artista, trazendo novidade, trazendo tendência. Puxei muito isso. Aí depois tiveram alguns problemas, tiveram que tirar o pé, mas sempre tava envolvido em alguma coisa ali, trampando.
E agora estamos aí, mas eu sempre fiquei afiando isso, vendo quem tinha alguma parada pra contar mais. No fim das contas, você é o nerdão que ficava anotando tudo. Mentalmente. Aquilo ali é... Eu sou o cara zero do computador, irmão. Sou 100% analógico. É? Até hoje? Não tenho um computador, não tenho um laptop, mano. Você é coisa de velha em Cezão. Eu sou, mano. Vou manter assim, mano. Esse é meu estilo.
Esse é meu estilo, esse é meu estilo, foi mal, irmão. O diretor, tomei bronca do diretor, foi mal diretor. É. É assim, coisa de velho, é assim, mano. Esse é meu estilo, mano. O pessoal me ajuda, meus amigos aqui, a Nath, o filho aqui, ó.
Não, eu tô falando porque isso significa que assim, então o teu amor pela cultura, pela música caralho, te colocou numa posição de inclusive sacar o que era bom. É, eu pensei assim e eu sempre gostei muito disso, mano, de ver como funcionava lá, como funcionava aqui.
Tipo assim, o Racionais MCs, a gente citou do Racionais, só pra dar um exemplo aqui. Eles têm o selo dele, que é o Cosa Nostra, eles tinham o selo. Eles lançaram muita coisa foda do Rap Nacional, eles possibilitaram muitos fonogramas, muitas músicas acontecerem, muitas coisas que foram fodas, eles trouxeram muita coisa, muito beat foda do Rap Nacional.
é feito pelos caras, feito pelo ali do zero. E eu via isso e falava, caralho, que foda. Pô, o Emicida tá fazendo o dele, ele tá conseguindo. Trouxe a Drica, trouxe o Rael, tá fazendo um bagulho com a cara. Falei, mano, eu preciso de uma parada que tenha uma cara também. Preciso de uma parada, porque eu via lá fora e falava, puta, isso era muito da hora. Via cada um tinha uma parada, tá ligado? Falava, puta, isso é louco. Olha como que os caras fazem da Rock Nation, da Rocafella na época, pô, Rocafella.
de UNE, tipo, olha como que os caras fazem, eu gostava disso, falava, isso já tem, ó, isso, o imprint é, eles deixam o imprint deles, putz, isso é da hora, seja em qualquer coisa, seja na joia, seja na música, seja no jeito de vestir-se, e eu ia ficando afiado a todos esses signos, ah, isso é da hora, mas por que que é da hora esse jeans? Então eu tinha um hiperfoque tão grande que eu ia, e daí eu via a marca do jeans, aí eu via quem fazia o jeans, ah, isso é da hora por isso, ah, então isso faz parte da cultura por isso.
Daí eu ia buscando essas ligações e fui fazendo um grande... Tá ligado? Uma pinha do... Seguindo o pontinho, tá ligado? Tu entendia por que a marca tal tava inserida naquele universo. Tanto no skate, tanto por que. Por que esse é o skatista que tá em tal marca? Por que esse cara faz parte...
desse selo, desse grupo, dessa gangue, por quê? O que é aí? Havia essas nuances, por que isso funcionou? Puta, isso não funcionou. Um dia se eu fizer o meu, eu preciso de um bagulho assim. Não precisa explicar, isso aqui é hip hop. Não, se olhou, você fala, isso aqui é hip hop pra caralho.
Aí quando eu fui a ceia, eu fui procurando isso, mano. O que eu achava que ia ser unânime. Bateu, olhou. Mesmo que não goste, fala, ah, não gosto por quê? Porque é muito rap. Perfeito. Tá ligado? Tipo, sem legenda. Pau. Tá ligado? E deu certo, né? Eu pensei que quero começar assim. Porra, deu, mano. Mas tu escolheu o nome ceia por quê, cara? Porque um dia tu ia fazer uma adis?
nunca começaria por isso, tivesse pensado que ia ser todo esse pesadelo não tinha nem começado será cara? porque não foi importante no fim das contas? importante demais eu sou um cara que eu tenho a maior honra de ter construído isso, eu nunca vou desonrar isso eu sou um cara orgulhoso demais e de tudo que todas essas pessoas que passaram por ali até as que não conseguiram construir uma carreira tão grandiosa então que elas tinham que elas tinham
mas principalmente das construídas, eu tenho um orgulho de ter feito parte disso. Porque são pessoas que viraram o ícone da parada. Que é isso que eu falei pra você, que eu amo desde lá de trás. Que eu sei quem é o cara que fez, que é o cara que produziu, que é o cara... Por que esse cara é respeitado na cultura? Tem pessoa que não é assim. É igual no futebol. O cara que é fanático do futebol, o cara sabe quando que o Zidane fez o Materazzi. Tá ligado? É isso. É essa analogia. Nossa, lá em 94 quando entrou o Rivaldo...
É isso, mano. Eu sou esse cara. Nossa, teve no VMA, MTV Video Music Award, que entrou o Notorious e ele tava com o óculos da Versace, não sei o quê. É isso, pra mim, esse é o meu amor, tá ligado? E qual que é o momento mais foda da história, na tua opinião, então? Do rap, mano? É, deve ser do rap, porque... Caralho, que difícil isso, mano. Tu acabou de citar um momento muito foda, né?
Puto, o momento mais importante da história do hip hop e da história, irmão. Não, calma aí, pô. Mas pra você também, entendeu? É, vamos tirar um pouco do peso, calma. Tá, pra mim então, irmão. É, que é pra os caras não ficarem, caralho, mas aí o César não citou tal momento. Calma, pô. Porque naquele momento ali tu tava muito apaixonado, sei lá. Pra mim, eu vou falar alguns, tá? Eu vou falar assim... A época do lançamento do álbum duplo do Racionais, do... Nada Como Um Dia Após Outro Dia.
Eu choro agora, rio depois de lá nada como um dia após outro dia. E isso foi um impacto muito foda. Eu lembro de esperar esse disco.
Eu lembro de esperar esse disco, tá ligado? Eu estudava ali perto do Tremembé e tinha um mercado lá, o Big, que vendia disco. Eu lembro de sair na escola e ia correndo. É hoje que saiu? Não, não. É hoje que saiu. Aí quando saiu era um disco duplo. Aí você olhava o encarte e era toda aquela coisa da cultura e o tênis e os caracolenses e o carro, não sei o que. Eu falava, caralho, o que é isso? Tem isso aqui no Brasil? Caralho, mano, esses malucos são muito foda. Puta que pariu.
Aí isso pra mim foi um marco muito foda na cultura, pra mim, porque sou um cara que hoje tenho 40 anos, tá ligado? Quando saiu isso, eu falei, caralho, que chocante, mano. E os caras com a arma na cintura, pá, todo mundo, falei, caralho, olha isso, eu via a música e tudo, tocando o Despertador, aí galo cantando e tudo, você fica ali dentro, aí troca o outro disco, eu lembro de sentir o cheiro do encarte, tá ligado?
Isso marcou muito pra mim, isso foi forte. Isso daí tu ouviu o CD na loja americana, sei lá? Era no Big, era o mercado que tinha ali. Aí ele tinha aquelas estações pra tu ficar ouvindo, é isso? Não, tinha que comprar e se vira. Tu comprou, é. Eu levava todo dia o esquimenzinho ali e... Não, não tem. Ah, voltava aquele vazio.
Aí quando foi, eu lembro de ouvir, tipo, ah, caralho. Voltei correndo pra escola e fiquei lá ouvindo, falei, caralho. E aí eu lembro da repercussão que teve e a entrevista deles pro Taíde do Yo Willis dentro do carro do Low Rider, padre, eu falei, caralho, o bagulho impactou, não foi só aqui em casa, não. O bagulho pegou filme. Aí lembro disso pra mim, né, na minha memória. Caralho. E aí fora, assim, mano, puta, teve muita coisa, mas eu acho que, tipo,
Quando morreu o Tupac, assim, tipo... O Tupac morreu, daí eu falei, caralho, mano. Tipo, quando eu vi esses bagulhos, assim, ah, caralho. Tipo, eu vi esses impactos, assim, foi foda o Big, assim, também. O Big, eu fui... Eu prefiro... É até polêmico isso, mas eu prefiro o Big, assim, rimando, do que o...
Tupac, só que quando foi entender essa perda assim, ver o documentário desse bagulho, eu fiquei tipo, caralho, mano. Ícone fudido, caralho, o cara morreu. Então acho que foi um momento que... Morreu no auge, né? E a cultura sente esse impacto gigante, um cara que tava ali...
Era Madonna, era televisão, filme, era uma mega estrela. Aí eu entendi isso, o tamanho do hip hop, o que é essa aura. O cara que era um cara... Entendi. É, ali da cultura hip hop legítimo, tá ligado? Filho de Black Panther, pai, o cara tá nos filmes, tá? Em todo esse bagulho, essa aura de rockstar mesmo, tá ligado? Falei, caralho, mano, que loucura, esse cara é gigante. Isso é gigante, rap é foda pra caralho.
Aí depois dele, quando eu vi o 50 Cent forgado pra caralho, falando pra daí eu falei, caralho, que louco isso, mano. Aí eu achei foda, aí me pegou também. Falei, esse cara é foda, mano. Tu gosta de um troço meio distante um do outro, né? Eu gosto. Puta, eu sou um cara, dentro dessa cultura, eu sou eclético. Entendi. Eu gosto, eu gosto de uns bagulhos assim, bem under e uns bagulhos bem pop também, mano.
O que chama atenção no underground hoje em dia, cara? A verdade. É? A fome. Quando você só tem aquilo pra se agarrar ou algum dos únicos pontos pra você segurar ali na escalada, ser isso que você tem. É isso aí que tá ali. Sempre foi assim? É a verdade, é o amor. O cara faz um monte de coisa. O cara tá lá, tá dando marreta pra entrar, marreta pra tá lá brigando pra pegar o mic e cantar cinco minutos.
Aí é o melhor momento da vida dele quando ele volta pra casa. E esse cara tem que ficar rico milionário, mano. Então, e esse cara, ele tem duas coisas. Ele tem, um, a chance de ficar rico milionário. Dois, ele tem a pretensão de ficar rico milionário. Porque o que você tá me falando é que o cara, ele quer pegar aquela porca de cinco minutos. Nem sobre isso. Tipo assim, tô falando, tem uns caras que tem ali. Daí, tipo assim, o que eu quero dizer na balança.
Lógico que o cara que estuda uma carreira, faz tudo, também merece, tá ali, tá fazendo o método dele. Mas eu digo, pra mim, eu acho que assim, puta, da hora essa jornada do herói aqui, sabe? Tipo, o cara passar ali por isso e ser esse o cara que vencer, tá ligado?
Mas esse cara, ele tem a pretensão... É isso que ele quer? Ele quer ficar rico? Ele quer cantar? A maioria tem esse sonho, mano, de viver da arte. De viver do que ama. Muito difícil de não ter que se submeter. De não ter que passar por um problema dentro de uma empresa. De poder viver do próprio sonho. Caralho, eu queria viver da poesia. Em vez de estar matando, de estar prendendo alguém. Ou estar operando um coração. Estar com uma vida na minha mão. Sei lá.
Às vezes eu queria viver sem esse peso, eu queria ter uma possibilidade de... E hoje em dia a molecada vê muito isso, caralho. O cara canta ali um rap, canta um funk. O cara tá indo nos lugares, tá ganhando os panos, tá comendo de graça, tá vivendo, mano. Olha como que é difícil pra nós. Hoje eu não consigo pedir um iFood. Aí o cara fala, olha como que o cara tá vivendo, que da hora. Eu não fui tocado por isso. Tipo, fui tocado por uma outra parada.
Mas eu também não julgo os moleque que enxergam isso também, tá ligado? Tipo, eu não posso virar. Eu conheço vários, mano, que querem fazer o bagulho pra virar.
E é difícil pra caralho, mano. Tem vários moleque, tá ligado? Vários moleque. Quantos moleque que a gente não tá vendo? Quantos moleque que eu trampo? Quantos moleque que eu tô... Que não vai poder chegar aqui no Flow e trocar uma ideia de hip hop com você numa plataforma desse tamanho. E pros caras iam ser tipo, mano, vou chegar aqui, eu vou falar, quero cantar uma música. Por quê? Porque os moleque precisam desse gap, desse momento ali pra eles acharem o momento deles, tá ligado? E às vezes o cara acha que vai ser nesse...
Comigo não foi assim, foi numa construçãozinha, foi cada pecinha. Aí hoje eu consigo pensar dentro do cenário o que eu quero tentar, o que eu quero impactar, onde eu vou atuar, como eu quero fazer isso. Entendi. E tu ficou bom em encontrar esse cara com essa vontade aí? É disso que a gente tá falando? Não, acho que é uma leitura de momento. Senti quando ele tá nesse momento e quando é uma pessoa que...
o que o mercado, como a gente está o que seria um encaixe da hora aqui, porque mano, assim, ninguém vai abrir uma porta pra você, ninguém vai abrir a janela, então você tem que ir ou na frestinha da janela ou passar pelo buraco da fechadura bem nali, então você tem que o que será que passa aqui, mano, agora, tá ligado? Como eu falei, a gente fazia parte de um coletivo bem organizado bagulho foda, mas majoritariamente formado por MCs produtores, pessoas brancas
Eu acho que o Jean tá doido pra te dar um esporro pra tu chegar mais perto. Foi mal, Jean, foi mal, foi mal. Vou ficar aqui aí, mano, tá ligado. Ou puxa ele, ó, Cezão. Pode se tu chegar lá pra trás pra caralho. Puxa ele. Ah, é? Ah, tu tá fugindo da câmera. O cara não quer aparecer. Entendi. Aquela ali, ó. Aquela ali, ó.
Mas acho que é essa leitura Desse momento Acho que isso ia ser louco nesse momento E a gente, como eu tava ali atuando E eu via as críticas, eu sempre fui um cara Que eu tipo assim, falava assim Se a pessoa tá parando pra falar algum bagulho Se for um bagulho que eu vejo que é imbecil, que não tem fundamento Mas quando eu vejo que é um bagulho que tem fundamento
Eu falo assim, pô, acaba que estamos replicando um... Tá sendo replicado o que já acontece na sociedade. Quem tem mais estrutura, tem mais grana, mesmo que a maioria dos moleques ali também que tava no coletivo, tava na correria, tão na correria até hoje, era um bagulho que a galera achava que tava uma facilidade. Pô, um monte de cara branco, os cara viaja o Brasil inteiro, os cara lança cypher, os cara lança música, os cara faz um bagulho. Aí eu pensei assim, mano, que...
Olha como que a galera tá. Um, dois anos atrás, nós éramos os caras mais foda do bagulho. Era o que tava mais acontecendo. Agora, não somos por quê? Puta, é verdade. Tem coisas que tem fundamento. É verdade. Estamos replicando o que a gente não quer que aconteça, ainda mais dentro do hip hop. Como eu faço pra me reverter isso? Como eu faço? Mano, eu queria ajudar a gente a dar um próximo passo, a gente trazer próximos ídolos, a gente trazer referências pra essa cultura.
que é tão rica, mas eu acho que aqui no Brasil a gente ainda consegue trazer mais, porque vencer no capitalismo é o quê? Você ganhar dinheiro. E na cultura hip hop também, quando a gente fala disso da mudança de vida, de você ter ali vencer através do capital, ainda também faz parte disso, mano. Ou é vencer pelo intelectual, você tá no seu capital intelectual ali, você é um cara que...
adquiriu muita coisa, uma riqueza de entendimento de tudo, isso aí também é vencer, tem vários caras que eu vejo que venceram ali, mas eu falo assim, mano, acho que pra galera entender isso aqui também tá faltando grana no rap, mano. Era uma época que faltava grana, a galera pode falar o que for, ainda não era o bagulho como tá hoje. Não tinha grana acontecendo, é difícil.
Porque ainda não tinha tocado de verdade no mainstream. Porque hoje a molecada, geração Z, por exemplo, o moleque só escuta essa porra. Só escuta essa porra. Mas eu acho que assim, não tinha... Tinha, mano. Tinha tocado já. Só que eu acho que as marcas não sabiam como.
E muita das pessoas também não queria e depois não sabia como se aproximar. Mas se você for ver desde o começo assim, por isso que eu cito o MC da Common Case foda, porque desde o começo ele soube fazer, pô, bagulho da Intel, ele tava lá, pô, rimando com o capacete, o bagulho, neurônio, pô, de um jeito foda a associação dele com a marca, tá ligado? Aí ele foi algumas coisas não, alguma coisa assim.
É isso aí, saber fazer isso. Eu falei, putz, isso é da hora, dá pra aproximar. Eu fui um cara que eu fui entendendo isso também, justamente por essa bagulha que eu falei do skate. Eu via, tipo, ah, por que a marca se interessa por esse cara?
Ah, porque ele tem uma personalidade tal. Então ele precisa ser assim. Aí quando eu fui procurando essas coisas, eu falava, meu, preciso de um bagulho. Aí eu fui afiando isso também. Esse lado de aproximar, fazer essa aproximação com o parceiro. No final, você fez faculdade de alguma coisa? Não. Fiz faculdade de arquitetura, mas parei. Parei no terceiro ano. Só comecei e não conclui, mas eu queria concluir, mano. Eu acompanho ainda como apaixonado, vejo os arquitetos que eu mais gosto. É mesmo?
Fico vendo as coisas, Paulo Mendes da Rocha Fico vendo as coisas Nossa, tu é esquisito, cara Ah, eu sou, mano, eu tenho uns hiperfoco doido na minha vida Tenho uns hiperfoco doido Eu gosto de arquitetura pra caralho, de arte Eu sou o cara, gosto das formas Gosto de eternizar um bagulho Vejo lá um bagulho e falo, caralho, que foda
Mas é mais maneiro ouvir um álbum ou ouvir um quadro? Ouvir um álbum. Depende. É? Gosto dos dois, mano. Gosto dos dois. Ver uma exposição é igual ver um álbum. Ouvir uma música é igual ver um quadro. Tu consegue ter... Não igual, mas pra fazer uma... Eu entendo. Entendi. Mas tu consegue fazer uma... Tu consegue ter o mesmo... Assim, você tá falando que você gosta de arte. É. Mas quando a gente fala de música, o rap você gosta mais ou na música é só rap mesmo?
Nossa, eu gosto de música boa, irmão. Mas o rap é o que move o meu coração mesmo. Porque eu falo, caralho. Mas eu gosto de música boa. Escuto música. Fala aí uma música boa que é inesperada, Dom Cezão curtir. Pô, o Alceu Valença não tava aí? Aham. Olha, tem até tatuada aqui. Caralho, é mesmo. Gosto de vários bagulhos, mano. Samba, gosto de muita coisa antiga.
Gosto de muita coisa que acaba virando sample de rap. Então, assim, tem muita coisa assim. Mas, mano, se for ver, tipo, sei lá, mano. Tenho filho, né, mano? Escuto muita coisa. Então, fica... Fica... Fica flutuando. É capaz de cantar até um Ana Castela aí. Total, né? Minha filha e meu filho, nossa, muito. Na época, principalmente de festa junina na escola aqui em São Paulo, o quê? Bagulho é só Ana Castela. Minha filhinha tem três, vai fazer quatro anos, inclusive. Beijo, nono, eu te amo. Dom, também te amo.
e eles mano eles piram mano, eles gostam de música demais ele tem muita influência, mas eu sou um cara que tem um gosto bem eclético
Mas tu é desses assim, meio... Nerd da música no sentido de ouvir LP, por exemplo? Eu escuto LP. Eu sou nerd nesse bagulho do rap. Mano, já tive. Hoje em dia eu não tô com uma foda. Tá mais suave. Mas já tive uma foda. Mas tenho pra ouvir e tal. Mas eu não sou... Eu tenho alguns poucos discos que eu também procurei assim, ó. Tipo...
É uma paixão. Eu gosto de ouvir ali no disco. E eu quero ter uns que vão ficar sempre que meus filhos vão poder ter. E eu pensei assim, não vou ficar também pegando um monte de disco velho. Vou pegar os velhos que são clássicos pra mim e vou pegar os que foram clássicos na minha época, pra meus filhos ter e falar, puta, na época que meu pai tinha...
15, 20, era isso aí que ele ouvia e eu tei isso ali no vinil, que eu sei que é a memória que vai ficar, porque no digital depois você perde e tal, eles vão ver ali na memória afetiva da casa deles, que tinha ali os discos eles vão pegar e vão tocar naquilo, às vezes tá numa playlist uma coisa, fica numa memória, num churrasco ali que passou, agora o disco ali fica
Então, eu sou um cara que eu gosto disso. Alguns discos foram clássicos pra mim. E os que eu ouvi na minha época. Então, assim, porra, eu tenho o vinil lá de disco do Kendrick, disco até do Future, de uns caras que eu gostava das músicas ali. Falei, mano, eu tenho o vinil aí que tem música dos caras e na época que eu gostava.
E é isso aí, tá ligado? Entendi. Pra eles pegarem e acharem ali na cápsula do tempo algum dia. Mais maneiro fazer música, ouvir música, ou, sei lá, tá por trás da música de uma forma geral. Fazer, com certeza, é mais gostoso. É um amor maior. Tipo assim, eu nunca fui um cara que eu fui empresário.
Eu fui investidor e fui um cara que fez direção artística. Direção artística eu amo fazer, tá? Junto com o artista, escolher repertório. Ah, vamos na capa, vamos chamar esse designer, vamos chamar esse fotógrafo, vamos pra esse caminho, vamos fazer... Isso eu amo fazer isso, cara, eu amo fazer isso. Tanto quanto entregar uma rima minha, fazer uma parada, tá ligado? Mas aí chega um artista já com um trabalho pronto e você refina ele? É assim que funciona a direção artística? Às vezes sim, às vezes faço do zero.
Tem trampo que eu só dou uma ajuda O que precisa pra possibilitar e tal Eu gosto de pegar assim, tá ligado? De fazer assim E os caras que te procuram ou tu que escolhe? Tem gente que me procura, tem gente que eu escolho Aí vai indo Tem umas coisas que fica nesse radarzinho Pode ser pessoa que vai virar Pode ser pessoa que não vai, mas que eu acho que é foda, tá ligado? Falo, puto, isso é foda Isso eu merecia ganhar um Álbum, uma visibilidade um pouco maior Pro cara, tá ligado?
acho que é por aí entendi tá bom vamos voltar lá no começo da ceia quando é que isso aí vira vira uma empresa mesmo vira teu trabalho, vira um negócio quando é que tu se ligou isso daqui é tem um caminho aqui profissional legal que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que você que
Quando viralizaram as primeiras músicas e quando a Adidas chegou. Desculpa aí, não sei se eu posso falar, Marco. Não, pode, pode falar. A Adidas chega e ela transforma, então, a... Dá uma chancela ali o que outras marcas menores de underground já haviam. Nossa força, o apoio a um artista ou outro. Mas uma marca de verdade.
com uma grana, com visibilidade, botando a gente em campanha, dando dinheiro pra fazer ação. Ação grande de marca em parque, em coisa, a gente tava lá. Então fez outras marcas, como marca de bebida, outras paradas, chega, pô, dá pra gente fazer um evento com eles, eles têm força. Aí foi indo, foi abrindo pra mercado. Entendi. Dinheiro mesmo.
Alguém precisou acreditar em algum momento pra destravar a parada, né? Não é que não... Foi uma pessoa. Foi uma pessoa. É? Foi sensacional. Uma pessoa lá dentro que eu sou muito grato, não preciso nem citar o nome dele, mas foi um cara que tinha uma leitura de momento muito foda, viu o impacto que a gente causava, o que a gente poderia causar, e apostou no momento que a gente tava ali no começo.
Não artisticamente, não nas carreiras, mas alguns artistas sim na carreira, mas ele acreditou nessa minha ideia, que já tava ali começando a trilhar pra esse lado de ter uma empresa e tudo mais. E aí foi num momento muito decisivo e ele chegou e isso ajudou. Outras marcas também deu essa chancela, tá ligado? Falar, porra, os caras... Dá pra gente ir por ali também. E aí abriu muita porta pra evento, pra tudo, tá ligado?
E é isso? Foi aí que tu conseguiu encontrar uns ídolos como, por exemplo, o Mano Brown? Ou tu já tinha encontrado antes? Foi. Mano, o Mano Brown, por exemplo, eu trombei algumas vezes. Eu tinha trombado... Eu trombei poucas vezes assim o Brown. Não foram muitas vezes. Mas a primeira vez que eu lembro de ver ele pessoalmente foi num estúdio que eu tava indo fazer um trampo com o Tropicillas. Tava o Diplo, o MC Bin Laden, um bagulho de Tropicillas. Pá, pá.
E aí no mesmo estúdio, tava rolando, os caras estavam ouvindo a mix, a master do Buggy Nipe.
E aí tinha um amigo deles, que é o falecido Black Blue, gostava muito dele, ele gostava muito de mim, meu parceiro falecido, que Deus o tenha, um cara muito foda no hip hop nacional, muito querido. E ele gostava muito de mim, o Big, que era um parceiro que trabalhava, fazia a segunda voz pro Racionais, era meu parceiro também, a gente já tinha uma ligação, fazia show, fazia música junto, tava ali tentando ajudar o Big numas paradas.
E aí eu fui pra trombar o Tropicillas e entrei na porta que era eles. Puts. Aí depois vimos ali com aquela coisa, opa, opa, dá licença. Aí depois lá no decorrer do estúdio da sessão a gente viu, trocou uma ideia, era parceiro do filho dele, aí trocou uma ideia a mais. Aí depois era sempre assim, através dessa amizade com o filho dele, até fazer esses trampos da ceia que tiveram uma relevância não só no rap, né, mano? Mas tipo, é foda eu estar falando com isso, né? Como um cara branco assim, mas...
Tipo, foram pessoas que ganharam esse lugar de ídolo na cultura preta também. Então o cara falou, porra, o cara fez um trampo, tá ligado? Da hora, o cara tem esse... Da hora. Tipo, aí me respeitou mais, acho, por esse lugar também. Tipo, o cara construiu um bagulho legal, seguro. Entendi. Seguro pra nós, tá ligado? Então acho que foi um ok ali nesse momento, porque... Pô, ele tá em um lugar seguro aí pros nossos, da hora. Tá fazendo um trampo da hora, ok, tá ligado?
Nunca foi através do Don Cezão rimando. Isso jamais, tá ligado? Entendi. Qual que foi a...
Qual foi a primeira parada da ceia que foi foda, assim, grandão que tu, que te marcou de alguma maneira? O Atletas do Ano, música Atletas do Ano. É? Atletas do Ano, o remix foi forte. E depois o primeiro álbum do Jong, assim, que foi o Heresia. Aí foi Chacoalhão Nacional, assim. Aí parou a internet, parou tudo. Aí eu falei, puta, o bagulho foi foda. Aí a gente foi... Tu esperava esses momentos? Esses momentos aí?
Ah, sonhava porque era aquele aquela coisa de menino, né? Caralho, vai ganhar um prêmio de música, vai fazer uma tour. Caralho, vou viajar pra fora. Sonhava, só isso via. Pô, queria ter uma camiseta, queria ter um corrente com o logo do meu bagulho. Queria ver uma camiseta, queria ver um ônibus de tour. Tinha esses sonhos. Daí foi dando check na listinha. Sonho simples, mas quando você ama o bagulho, você fala, pô, é a valorização do seu trampo, né? Tá existindo ali. Então, dei vários check nessa listinha assim, mas...
Meio que foi ali, mano. Quando começou ali a carreira do Djonga, foi um bagulho bem impactante. Aí eu falei, caralho, da hora, o bagulho tá acontecendo. Vai possibilitar agregar outras pessoas nesse quebra-cabeça, tá ligado? E possibilitou por um tempo? Pra caralho. Foi importantíssimo. Foi o arrimo dentro da ceia durante muito tempo. Tá ligado?
Eu sou um cara, mano, que eu não renego ninguém, nada, tá ligado? Durante muito tempo foi, tanto que foi difícil quando ele saiu também, justamente também pra equilibrar essa parte internamente.
Uma perna gigante que já não entra mais valor. Mesmo que o valor fosse mínimo, já era impactante, tá ligado? Entendi. É. E, bom, não vai ter como a gente não falar, meu irmão, da música que tu lança com o nome Doze Judas na minha ceia. Que é...
Vamos lá, vamos então contar como é a parte da história de como o Dom Cezão tá aqui conversando comigo, que foi o Vic manda um salve no Instagram lá, porra, a gente já... Os moleques já tinham ouvido a música, caralho! O maluco barbeiro, mano!
Faz um tempo que eu não faço a barba, tá vendo? Então faz um tempo que ele falou isso. O barbeiro falou assim, caralho, tu viu a música do Dom Cezão, mané? Caralho, 12 de dano, ameaça. E o barbeiro falando, eu, caralho, não vi não, mané. Não sei o quê. Aí eu vi aqui uns moleques falando, não sei o quê. Aí eu vi que mandou um salve. Aí eu fui falar com o moleque e tal. Eles, caralho, é, mas é que a música do cara lá, o maluco tá puto.
O maluco tá puto. Aí eu, bora ouvir aí. Aí bota pra tocar a música. Aí sim, realmente, o maluco tá puto.
Mas não sei muito direitinho do que ele tá falando, não. Sei que ele tá puto com os caras aí, entendeu? Mas, cara, tu tá puto mesmo. Ou ali tu tá só... Ali tu tá só pondo pra... Já passou? Já? Respirou? Já passou, respirei.
Posso falar sobre esse assunto tranquilamente agora. Mas assim, foi um momento muito difícil pra mim. O final da ceia. Foi um sonho pra mim muito grande, tá ligado? E aí quando terminou eu tive um impacto físico, mental. Foi forte pra mim pra caralho.
Tipo assim, não tô falando nem só do ego do ser humano. Olha lá o Cezão lá da ceia, pá, todos esses artistas, tudo isso. Todas as portas abertas. Você vai em todos os lugares de São Paulo, do Brasil, você não paga uma bebida, irmão. Você não paga um bagulho. É aquela vaidade, aquele bagulho. Além desse choque, é aquela coisa, caralho, construí muita coisa foda. E não... Isso não faz mais parte da minha vida. E aí o outro impacto, que é o mais forte ainda...
que assim, acho até justo, quando você tá num embate, a gente tá num duelo aqui. Bom, bom, bom, bom, bom. Aí a gente tem um embate nós dois. Acho justo, acabou o jogo. Se você não quiser olhar na minha cara, beleza, mano. Pra mim, de boa. Mas daí imagina nós é Corinthians e Palmeiras. Daí um dia a gente vai lá, o cara do Vasco vem cuspir na minha cara. Eu falo, puta que pariu, mano. Abraça ideia, abraça rola, irmão. Desculpa o palavreado.
Perfeito. Daí o foda é os agregados que foram nessa... Então isso foi triste pra mim, tá ligado? Então foi um luto ali, tipo, caralho, mano, eu chego nos lugares e é o Darth Vader branco, sabe? O Darth Vader branco, sabe? Ah, não, daí você afala, não, não fala com o cara, não, não sei o que. Isso foi foda também. Tu ficou tóxico. Fiquei tóxico, fiquei tóxico. Aí eu falei assim, caralho, mano, que situação merda que eu tô. E eu fui lá e engoli isso e fiquei, mano, me recolhi.
Me recolhi, falei, caralho, vou ficar aqui, não vou falar. Me recolhi, fiquei de boa. E aí esperei um tempo, tá ligado? Quando falei, falei merda, tá ligado? Quando fui falar, falei merda. Fiquei revoltado com os caras, os caras rindo da minha cara, falando bagulho, me senti desrespeitado. Aí falei, aí uma das artistas...
foi lá e falou também o bagulho dela, aí pra mim falar lá e fiz a merda de falar um bagulho lá, fiz merda, aí falei, mano, caralho, quando falei, fiz merda, vou ficar quieto. E aí fiquei quieto, mano, fiquei quieto, assumi o erro, do bagulho te xingar do L e tal, foi o momento que eu falei, puta, que merda que eu fiz, tô reforçando vários comportamentos que eu condeno, não é isso a minha atitude, provendo as minhas atitudes, tá ligado?
E aí eu falei assim, cara, eu preciso retornar. E eu fui, com a ajuda de alguns parceiros, voltando para o mercado da música. E eu fui vendo que num lugar, que era isso que eu tinha trilhado também. Porque para mim, mano, eu não separava a obra, a vida, nada, mano. É o que eu amava. Foi uma extensão, foi o meu sonho, foi o que a minha força me levou até lá. Quando eu parei para raciocinar até onde tinha ido...
os problemas tudo, eu falei assim, mano, parei aqui. Aí um cara que é muito importante na minha história, que eu conduzi, ela me chamou e falou assim, Cezão, vem trampar comigo. No momento que eu tava na minha depressão, assim, mal. Aí ele falou, chega aí, mano. Ele me ajudou, me deu um salário. Fico até emocionado de falar que eu sou muito grato por isso.
Eu tive a oportunidade de encontrá-lo algumas poucas vezes. A gente já trocou algumas palavras. Ele me puxou ali, tá ligado? Nesse momento. Ô, filho, tem um... Dá aquele lá pra mim depois. Então, aí eu... Aí o conde foi lá e me resgatou, mano. Me chamou pra trampar. Me deu um... Me deu um... Me deu um trampo, mano.
E um respeito que as pessoas não estavam tendo comigo mais, tá ligado?
Aí me levou nos lugares que eu vi. Porra, minha obra é foda, mano. Porque a galera me enxergava como um cara que tinha construído. Tipo, como esses cases de sucesso. Não, mas você fez isso. E eu comecei a... Sabe aquele cachorro que apanha? Eu falei, ah, mas é verdade. Não, mas esses cases foi você que fez. A ceia não é sua? Sim, sim. Não, não foi você que fez. Então, daí eu comecei a ver o lado dos empresários. Ele me levava nos lugares que eu falava, eu não tô apanhando, igual na classe artística, igual nos amigos próximos.
Falei, caralho, essas pessoas acham que eu sou um cara que fez algo decente. Caralho, da hora.
E aí foi através dessa volta com ele, aí foi me possibilitando contatos com outros empresários, outros bagulhos, aí eu falei, bom, aqui eu tenho um lugar pra trampar. Eu sei isso aí, pode ir. Pode, pode, pode. Tem um cinzeirinho aí, gente? Desculpa aí, mãe, medicinal aqui, tá? Aí eu... Aí, irmão, aí eu peguei e falei assim, cara, aqui dá pra existir, dá pra mim fazer outras coisas, deu a oportunidade de eu trampar com outro artista, largou um projeto foda na minha mão, montei uma equipe foda.
Falei, mano, posso fazer. Fomos indicados ao Grammy, ganhamos o Leão de Cânico, o projeto da Jovem MK, que eu tenho uma honra também, queria mandar um salve pro MK.
fizemos um trampo foda com ela, ganhou lá o Leão de Cane, ganhamos um bronze lá. E aí foi um projeto que foi foda. Eu já falei, puta, ainda sei fazer isso. Fui recuperando esse brilhinho. Só que chegou num ponto, irmão, que a gente fez o selo novo agora faz um ano. Queria agradecer também meu irmão, o Vitones, o Igor, que toparam aí também, mesmo com essas portas fechadas, se associar a mim pra gente fazer o selo. Inclusive essa peita aí que o Igor tá fazendo o favor pra nós de usar aí, ó.
Tá sendo esse parceiro, monstro, nós é do Thiaguinho, Rap Salva, primeiro single que a gente lançou na Somos, é um moleque com uma história foda pra caralho, e quem acreditou nisso, quem acreditou nisso comigo foram meus parceiros, o Igor e o Vitones, é isso aí, somos mais que música, é a nova ideia, é a parada aí que eu tô fazendo, e aí são pessoas que me foram falando, vamos voltando, só que eu também comecei a sentir muito dessas portas ainda, eu falei assim, cara, preciso voltar.
E como eu vou voltar pra viver? Porque eu não... Irmão, eu passei um período que eu não ouvia música. Caralho. Na minha casa. Minha mulher ouvia a música no carro e eu ficava puto, mano. Por quê? Por causa da depressão, mano. Depressão máxima. Depressão máxima, velho. É... Mas aí agora o... Depressão máxima. Daí eu falei assim, como voltarem? Eu fui procurando ajuda psicológica, ajuda...
médica, tomar remédio, exercício, mudar a cabeça, fui pesquisar tudo e voltar buscar fé em vários lugares e algum desses lugares que eu fui buscar minha fé era falado assim, você não vai ser a mesma pessoa porque você não é a mesma pessoa, não só na questão evolutiva, mas você não faz mais o que você amava, o que as pessoas faziam pra...
o que fez as pessoas te conhecerem, onde você começou a trilhar, e você não faz mais o que você amava fazer, e eu vi isso em dois, três lugares, daí eu falei assim, cara, se eu for voltar, eu tô tentando aqui com outros artistas, com o selo, tá indo da hora, tá acontecendo foda, mas eu senti a resistência de várias pessoas, aí mesmo com o meu sócio sendo um cara forte, tendo um trampo muito foda, um respeito muito foda, os dois, que chegava nessa barra, ah, mas tem o Cezão, talvez, daí eu falei assim, mano, eu preciso botar o dedo nessa ferida, contar o meu lado da história,
Pelo menos pra quando eu voltar, não ficar tipo assim, voltou, fez um trampo genial, mas... Ah, voltou, mas tá ligado? Então eu falei assim, mano, vou voltar botando o dedo nessa ferida, mesmo que tenha sido um período dolorido. Ah, pessoal, demorou tanto. Irmão, nesse período eu parei de andar, tive um problema na coluna, fiquei seis meses pra voltar a andar.
Imagina pra voltar a poder tocar nesse assunto até com questão judicial, pra mim não me fuder, não nada. Tipo, não era só chegar e falar. É o que eu falei, quando eu falei, eu tava muito a flor da pele, eu sou esse cara. Quando eu te amo, eu te amo, passa e fala em todos os lugares. Por isso que eu fiz questão de desbloquear as fotos.
Pra galera ler as legendas, ver, caralho, mano. O cara era visceral com eles, chorando, abraçado. Eu era esse cara. Vê se tem alguma foto deles comigo que eles podem desbloquear falando isso. Não tem. Já eram sinais ali também. Que eu já era muito mais, ah, vambora, todo mundo na minha casa. Eu amo até o fim, caralho.
Mas tu se sentia... O que tu acha desse período? Assim, foi importante. Muito, muito, mano. Pra mim, pra história do rap nacional. Foi da hora e pra minha vida, muito, mano. Alcancei várias coisas. Fiz várias coisas muito foda. Foi isso que eu falei. Fiquei num lá embaixo. Precisei de amigos ali mesmo pra ficar. Foram poucos que ficaram.
E vocês, assim, desculpa falar isso também, mas pelo que eu entendi da história, tu meio que fica de ladrão. Sim, a ceia fica como ladrão da parada. Só que assim, vou falar uma coisa pra você. Vou perguntar uma coisa pra você. Vai. Até citei o Kondzilla. Vou citar aqui também e falando com todo respeito aos caras. Vou até largar o baseado aqui. Quando a gente fala de música urbana, eu tô falando de música urbana.
A maioria das polêmicas que existiram foram grandes, assim, que eu vi, foram relacionadas a fonogramas gigantes do funk. Estourou muito mais do que o rap. E aí, muitas das pessoas falavam como o quê? Quero sair. Quero sair. Não posso sair. E a visão do artista é aquela destruição. Não tô falando quem tá certo e tá errado, tá? Tô falando o que a gente recebe de impacto. Não posso fazer um show.
Não posso gravar uma música, não posso fazer nada, não posso agir como artista mais porque estou preso nesse contrato. Isso era uma coisa. E eu sempre prezei por isso. Eu falei, cara, se eu quero fazer, como a gente falou aqui de capitalismo, de vencer, eu falei, eu tenho que fazer uma coisa que seja minimamente diferente dessa estrutura. Pô, eu sou um cara que eu tenho a minha visibilidade, as marcas estão vindo, o que eu preciso desses artistas? Uma taxa de manutenção, mano, sem maldade.
O que a gente tinha dentro da ceia, eu tô falando isso pra você, ninguém nunca praticou e todo mundo sabe, tem prova, tem planilha, tem tudo. A gente pegava 10%. 10%. 10% das obras. Quais obras? As obras cujas quais eu era o produtor fonográfico como ceia.
Pagava o Uber, pagava a casa, pagava a alimentação, pagava o lugar onde ficava. Ah, eu preciso ir pro Rio de Janeiro, eu preciso fazer... Tá aqui? Isso faz com que eu seja o quê? O produtor fonográfico dessas músicas. Se eu já sou o produtor fonográfico dessas músicas, pô, eles que fiquem com o royalty, eles que fiquem com a venda dos shows. Então eu tinha 10% disso, irmão. 10% disso.
Aí as pessoas podem sair disso na hora que quiser, porque nós não tínhamos contrato, irmão. Eu não tinha um contrato. Isso é o maior erro da minha vida. Eu entendo. Mas eu falo pra você que é um bagulho que eu achei que eu tava sendo hip hop pra caralho, que a galera ia me aceitar. Eu queria também estar nesse bagulho. Esse cara fez um bagulho foda pelo hip hop.
Eu também caí nessa cilada, tá ligado? Querer ser aceito, tá ligado? Aí eu falei, não, vou fazer um bagulho da hora. Porque também é o que eu acredito. Eu acredito nessa construção que só vai vencer pelo bagulho. Mas eu quero fazer um bagulho foda nessa cultura. Eu quero que os caras olhem e falem, ele fez um bagulho foda. E no final foi um tiro que saiu pela minha culatra. A primeira pessoa que saiu de lá foi o Jonga. O que ele pôde fazer?
Selo, lançar música, ir pra outra distribuição. O que prendia os caras? O que prendeu os caras a mim? Nem a lealdade, irmão.
Nem a lealdade prender os caras. Eu não tinha um contrato com nenhum desses filha da puta, mano. Nenhum, velho. Com nenhum. Com nenhuma. Vamos ali? Eu possibilitava vários bagulhos. Aí podia ter um contrato de distribuição, uma interveniência num contrato, porque era através da minha empresa que tava possibilitando abrir essas portas. Quero sair. Ainda sai falando mal, mano.
Quero que um, qualquer um deles, mostre um contrato que fale que eu lesei eles como empresário. E outra coisa, a ceia era minha. Era a minha vida. Eu era a cara do bagulho. Eu tinha a minha sócia. Não vou estar cuspindo aqui no prato que eu comi. É a mãe do meu filho, é uma pessoa que eu respeito. Tenho que respeitar. Não é uma convivência fácil pra mim. Mas ela é a mãe do meu filho. E a gente construiu uma história foda pra caralho dentro do rap. Eu não tô aqui pra cuspir no prato. Só que eu era o investidor.
durante muito tempo o único investidor, de todas essas carreiras, e eu era o cara que possibilitava chegar a essas marcas, porque eu tava lá também como blogueiro, o cara falando, eu que trazia as marcas de bebida, eu que trazia as agências de publicidade, não eram os artistas, ninguém tava nesse momento da carreira, ninguém tava, e mesmo assim eu fiquei com os 10%, que era a taxa pro bagulho acontecer, que eu já vivia como compositor, eu já vivia como Don Cezão, eu queria estar contando essa história, e aí todo mundo saiu e ainda saiu falando, irmão, eu conheço artista de funk,
E olha como essa história é doida. Eu conheço artista de funk que não pode fazer show porque tá com briga com empresário, não pode sair, não pode... Sai, faz o seu. Eu não prendi ninguém. Daí os caras saíam xingando e falavam, caralho, eu não fui esperto porque eu não tenho uma multa. Então o cara saiu, eu não posso ganhar um milhão, eu não posso ganhar nada. Ele só saiu com o show, com os royalties, com tudo. E aí, qual que é o meu?
Qual que é o meu problema? O que que eu fico? Fico como filha da puta ainda? Por quê? Aí tá uma questão delicada, que é o quê? Quando você cria uma música, irmão, pra música existir, ela precisa nascer. Quando a música nasce, ela tem dois tipos de registro. O registro da obra. E o registro do fonograma. A música, ela é um fonograma.
Fonograma é o registro daquele espaço de tempo, daquela criação daquela obra. A obra existe independente do fonograma.
foi criada, a propriedade intelectual está garantida. É aí que eles têm essa porcentagem. Só que o fonograma, vamos supor, você é o Steve Jobs, você tem sua empresa, você tem seus engenheiros. É criado o iPhone dentro da sua empresa. Quando o engenheiro sai da sua empresa, o iPhone é do engenheiro ou o iPhone é da sua empresa? É da empresa. Então foi criado o fonograma, música tal, álbum de fulano dentro da ceia. Foi possibilitado pela ceia, dentro da lei? A ceia pagou tudo isso aqui? Ceia pagou o fonograma da ceia. Lindo.
Quando a pessoa sai da Apple, ele vai levar o iPhone embora? Então, porque quando o cara sai da minha empresa, ele vai levar a porra do meu fonograma embora, sendo que eu paguei tudo e eu tinha só 10%. Eu tinha só 10%. Por quê? Aqui. Aí que começou as brigas. Você entendeu? Todo mundo sai. Beijo, tchau, vambora. Ah, mas os fonogramas são obra da ceia. A obra não, os fonogramas são...
Então, vamos conversar. Vamos negociar. E as pessoas não tiveram nenhuma humildade de sentar e negociar. Tinha que brigar, ligar, tentar falar. Porra, mas e a vida de vocês? Vamos conversar, caralho. Vamos conversar. E pra resolver esses bagulhos, vai ficar assim? E algumas coisas ficaram.
E outras coisas foram resolvidas, entendeu? Só que eu tive que desgastar, tive que fazer um monte de bagulho que tava assim, mano, o cara tô de bike, ou o cara me ajuda empurrando minha bike, depois o cara me ajuda com uma moto, depois o cara me ajuda com um bagulho aí sabe o que faz quando você tá lado a lado com o cara? Você empurra a bike dele. Aí o cara cai. E o cara fica descabelado. O cara que levantou vocês. Aí os caras foram até me fuder, irmão. Até o zero, mano. Até o zero.
advogado, tudo. E ainda a treta não é nem só essa. A minha sócia era a minha ex-esposa. Então o buraco é muito mais embaixo, tá ligado? É muita coisa, é muita coisa pessoal. Então assim, nas músicas deles, como eles se portavam falando de empresa, era como se a empresária fosse a minha ex-sócia. E quem falava, e quem tava nas letras, e quem respondia toda essa parte, era ela.
E quem trazia as pessoas, quem trazia os bagulhos era eu. Então, assim, na gestão tem todas as planilhas. Tem todas as planilhas. Tem um monte de pessoa que era meu amigo pessoal que estava no guarda-chuva da ceia. Estava nos mesmos contratos, estava na mesma foto, estava no mesmo camarote, estava como ceia em tudo. Mas não era meu o fonograma. Eram só meus amigos. Por quê? Porque eles que estavam fazendo. Eu que fiz minha capa, eu que fiz, irmão. Então registra o seu.
Ah, mano, estamos juntos aqui. Eu posso lançar pelo... Sai no YouTube, sai em todas as plataformas. Comecei, é lógico, mas você não foi um amigo seu que te deu a capa. O que eu paguei desse seu trampo? Entendi. Então é seu. E mesmo assim, vários desses se viraram as costas pra mim, sendo que não tinha nenhum... Nenhum... Nenhum... Nem faz sentido, né? Não, não tinha nenhum embate, porque nem os fonogramas deles eram meus. Entendeu? Ou da empresa, você entende?
Aí tipo, você fala, caralho, mano. Ah, eu vivi um pouco isso daí. Tá ligado? Então assim, mano, é um dominó injusto, tá ligado? Porque se for ver, o meu problema com todos eles é pessoal. Eu não tive problema empresarial. Tanto que eu não tenho processo, eu não tenho nada com ninguém. Eu amo eles, cara.
Aqui pra vocês. Não ama, né? Eu amo. Não, é sério. O sentimento mais próximo do amor é o ódio. É. Então, assim, eu tô demonstrando ali com uma sagacidade lírica quase que... Você tá brincando, mas assim, aquele cara falando assim, tipo, eu coloco de um jeito que dá pra ver que eu também tô respeitando, mano. Eu escuto diz, eu escuto rap, mano. Os caras sabem como que é. As diz dos caras, como que os caras descem a ladeira, o cara xinga, manda tomar no cu, fala que comeu a mulher.
mano, eu poderia descer a ladeira eles sabem, eles poderiam descer a ladeira se alguém tivesse como responder ou tivesse a coragem, eu fosse responder tá ligado? se os caras pegassem, ia descer a ladeira estou preparado pra descer a ladeira, mas nesse momento que eu estou voltando, eu quero voltar tocando nesse assunto, mas eu não quero ser deselegante com ninguém
Eu vou só falar sobre a verdade. Não fale mentira sobre mim que eu não falo verdade sobre você. É isso, mano. Já chego já no... Já abri no jogo dando cheque. Eu já abri o jogo no cheque. Gatilhado. Pra isso. Quem quiser jogar já sabe que tá no gatilho. Se quiser descer a ladeira, eu estudei tudo que o Kendrick fez. Estudei tudo que o Notorious fez. Estudei...
Essa linha específica, inclusive, é de Euphoria. Não é, do Kendrick Lamar? Total. É exatamente isso, você entendeu? É essa, já deixei no check ali. Vamos brincar aqui? Porque todo mundo fez uma rima. Teve esses problemas? Beleza, irmão, eles que se resolvam. Eu não tenho o mesmo problema com nenhum deles. Se todo mundo quiser sentar, conversar, trocar ideia, eu troco, mano. Vão ser meus amigos? Jamais.
Mas eu troco essa ideia. Eu sei que a gente tem construções importantes que podem ser feitas. Não vou fechar essa história pro Rap Nacional, não vou fechar pra mim. Não é isso que eu tô dizendo. Conversa, vamos sentar e falar sobre esses bagulhos. Vamos? Vamos, vamos. Não tem esse problema. Só que nesse momento eu precisava porque todos eles depois, com eu lá cachorro morto, todo mundo ia lá e soltava uma linha. E eu lá, não conseguia andar sem força pra responder triste.
Ah, tentando arrumar um bagulho vivendo, tentando viver, mudança de padrão de vida radical. Aí você é tipo, caralho, mano. Aí fiquei ali.
Fudido mesmo, na verdade ferida mesmo. Fudido, irmão. Aí quando eu voltei, eu falei, mano, eu vou voltar, aí lançar um disco aqui falando de outro bagulho, esse cara vai me tirar pra otário, vai me tirar pra cuzão, o cara que carregou sangue, suor e lágrima pra caralho pra contar essas histórias, mano, do rap, bagulho foda, um monte de marca ganhando em cima, um monte de gente vivendo, abraçando, querendo estar na foto pra parecer um pouquinho o rap, mano, e quem tava sangrando lá.
Falei, eu não vou deixar, mano, esse não vai ser o fim do Dom Cezão. Aí eu falei, vou pegar e vou mandar, mano, vou mandar.
Aí fiz uma música de 6 minutos e 20. A que foi lançada tem 4 e 44. Até puxei um pouquinho 4 e 44 pra ficar do mesmo do nome do disco do Jay-Z. Mas aí eu falei assim, mano, eu vou tirar algumas coisas que não são necessárias e vou guardar.
Quem sabe, talvez um dia eu lance. Mas era a expansão dos 12 Judas? Era a mesma coisa. Ou teria mais Judas na história? Não, tem pessoa ali que eu não citei, que tem na música, eu tirei e não tá citada nessa música. Eu falei, tá, tá ligado? E tem algumas outras coisas bem específicas sobre algumas pessoas que estão lá que eu tirei, que eu falei, puta, é um ataque desnecessário pro que eu quero que signifique esse EP todo, a construção que vem dentro do nome.
100 anos de perdão, porque é o ditado popular do ladrão que rouba ladrão, sendo acusado isso, botando a cara tapa, falando, tá ligado? O Jong-un lançou um disco clássico, é um disco que a gente teve, inclusive, nessa saída de, ah, isso é meu, isso não é meu, um disco dele, um dos últimos que eu trampei ali, efetivamente, que é o Ladrão.
fala disso, ele fala sobre muito isso, sobre ele como homem preto sendo acusado, toda essa situação dele e tal, e eu peguei e falei assim, mano, vou brincar se eu tô sendo acusado com os caras, né, tipo o ladrão que roubou, o ladrão do disco, o pai e tal, falei, mano, vou botar isso aí, vou provocar nisso, vou tirar o C.
Vou botar o cifrão e é 100 também com S, não tem perdão, tá ligado? Vou brincar com isso, eu quis vir nessa analogia e falei, mano, vou responder no rap, porque juridicamente eu não tenho problema com nenhum deles, mano. Nem quero ter, quero que eles sigam em paz, todos eles, mano. Só que daí eu falei assim, no rap, depois que eu tava lá fudido, todo mundo veio, lançou uma linha, falou um bagulho. Pô, no disco do Jonga tem uma música, ele com a Tachi com a 3, que começa o...
o Léo Gordo, que eu tinha o maior respeito pelo cara, que é a segurança do Jonga, parceiro lá pessoal, amigo de Miliana, da família dele, o cara começa falando, a César o que é de César, mas devolve o que é nosso. Eu falei, devolve o que é nosso o quê, mano? Tá ligado? Os caras começam assim. Aí a galera que eu juntei, inclusive é um bagulho que eu tô falando, eu não tô nem botando lenha na fogueira.
O Jonga sabe quantas vezes ele falou pra mim, puta, mas vai investir nas minas mesmo, é isso mesmo? Uma época que ninguém investia em mulher no rap, mano. Ninguém. Tinha um emicida que, não vou falar ninguém, mas carregava o piano lá colocando mina também. E carregando o piano, não. Não é um peso, não é nada, digo.
carregando o piano da construção. Tendo ali também uma mulher no casting, que era a Drica e tal. Eram poucos que tinha até hoje. Quantos selos de rap tem uma mulher no casting? As minas do rap estão voando. Tiveram que se estruturar praticamente todas sozinhas, irmão. Sozinhas. Sozinhas. Nem as próprias minas às vezes se ajudavam. Aí agora elas estão criando. Não sei, mano. É difícil. A sociedade é machista. É um retrato também, tá ligado? Mas entre elas também.
Ah, mano, hoje em dia tá mais... Tipo, pô, eu vi uma cena muito foda aqui, um show da Júlia Costa, que é uma MC que eu sou... Um cara que eu sou muito fã de tudo que ela tá construindo. Um vídeo dela no qual participam várias MCs, várias mulheres, umas meninas que ela traz o bonde, tem a Nanda Tsunami que é do bonde dela, que é uma das maiores hoje também.
Então, tipo, tá acontecendo isso, tá ligado? Mas ali naquela época não tinha. E quando eu comecei a investir na taxa de natriz, as pessoas falavam, mano, vai botar essas minas, vai fazer não sei o quê, puta, puta, mas não era DJ? Mas não era da moda? Mas não sei o quê. Não, mano, elas são fodas no texto, elas têm, elas vão e foi desde o zero, mano. Pode torcer o nariz, mano. Amei essas minas pra caralho, mano.
Fiz por amor, porque eu sabia. Eu li os textos dela, os bagulhos de ativismo, os posicionamentos dela. Falei, essas meninas são muito hip hop. Elas sabem, elas têm umas letras. Primeiro rap eu tava assim, no estúdio parecido com esse do Andrezinho do Strike, do pessoal do Strike. A gente gravou lá na Casa Verde.
Lugamos lá o estúdio, mandava buscar, mandava trazer, recebia todo mundo bem. Estavam ali os meninos do D-Caps que produziram com nós. D-Caps, Cezinha. Cezinha, inclusive, também virou as costas para mim. Esses caras tudo, estavam tudo lá nessa essência, nesse começo. Eu lembro de eu deitado no chão, assim, as minas gravando. Eu sentado no chão aqui, elas gravando. Isso eu tenho lentidamente na minha memória, eu tenho as fotos.
Vivemos lá as primeiras rimas. Pra daí, quando tá as pessoas lá nos maiores momentos... Eu queria agradecer quem que ajudou todo mundo aqui. Ajudou o quê, Maria? A maioria dessas pessoas chegou 5, 6 anos depois que vocês já estavam...
fazendo, tá ligado? Fica meio, tipo, tá ligado? Eu falei assim, pô, tá mó triste ver isso, mano. Tem pessoa que tem sangue frio, você deve ter passado bastante por isso. Eu vi muitas vezes a história sendo contada de um jeito que não foi bem assim. Eu vi umas histórias... É... N buildup N buildup
três versões diferentes da mesma história. Irmão, o que eu tô contando aqui é a visão do Cezão, lógico. O interlocutor aqui sou eu. Tô falando aqui com vocês sobre essa história. Só que é um bagulho que é assim, ó. Ceia. Como era o contrato com os artistas? Não existia. Qual que era a divisão? 10%. Isso eu não tenho o que negar. Falei aqui, contei até aqui sobre essas questões de fonograma. Tinha artista que o fonograma não era meu, mas tava na foto, tava com assessoria de imprensa, tava com a Adida, tava com tudo que tinha no guarda-chuva da ceia.
E ainda sai reclamando, tá ligado? Falei, mano, não vou tomar essa, eu vi hip hop a minha vida inteira, quero fazer um bagulho, mano. Juntei meus cacos e fiquei, mano. Com a Nath que tá aqui, com o Phil que tá aqui. Meus amigos que estavam lá desde aquela época. A Nath trabalha comigo desde a época da ceia. Phil tava lá, morava lá onde foi a casa, o nosso estúdio. Pessoas que ficaram ali. Eu sou um cara leal, mano.
E o que tinha pra ganhar pros caras que nem tinha nada a ver, algumas vezes, como tu citou, nem tinha muita... Porra, mano, os caras eram o ícone, mano. Você vai preferir ficar do lado do Cezão, playboy branco do bagulho que tá sendo falado que roubou o Jonga, Tasha, Trace, Kian, Febem, ou você vai ficar do lado do cara? Os caras tão nos maiores festivais. Era época, irmão, era só os caras. Se você olhava qualquer festival, era gigante ali.
Jonga é primeiro nome, Tasha e Trace na segunda linha. Era isso, mano. Kian, pá.
Palavra forte dos caras que é influenciando todo o rolê da moda, que é onde eu construí muito do meu bagulho também. Bagulho do Sport Life, Drill, Grime, esse bagulho, Febem, ele ali dominando todos esses bagulhos. Aí o pessoal, puta, vou fazer um bagulho de uma marca. O pessoal chamava e falava, puta, mano, vamos fazer aí com o Cezão. Aí chegava daí, puta, mano, mas se a gente for fazer com ele... Aí rolava esse bagulho e os caras estavam muito fortes.
Aí ficou, ou vai com ele ou vai com ele. Aí o pessoal tomou um lado, mano. Amigo, marca, tudo, mano. Tudo.
Não foi fácil. E pra mim foi injusto, tá ligado? Algumas coisas eu fiz. Pô, ter chegado, xingado, postado lá o bagulho, xingado a mina. Pô, peço perdão de novo aqui, Tasha. Não deveria ter feito isso, mano. É um bagulho que eu não me orgulho. Peço perdão pra você de novo.
Não é um bagulho que eu faço, tá ligado? Queria pedir perdão, então é pra todas as mulheres, até pra Nicole, inclusive, todos os absurdos que já falei, pra minha esposa, pra tudo, tá ligado? Tipo, a gente comete esses erros que a gente não pode cometer. É bom até falar desse assunto, que é um bagulho que acontece, olha como que tá aumentando.
o feminicídio, todas essas questões, eu não quero ser um cara que vou corroborar pra isso acontecer e aumentar, não é? Eu falei isso aí, foi uma atitude machista? Foi, foi, foi. Assumo. Foi um erro. Mas esse foi um erro fundamental pra tudo isso que todo mundo fez, todo mundo falou, porra, eu não passava uma conta na minha mão, irmão. Eu não tinha nem acesso à conta, não tinha nem acesso à porra do e-mail, mano.
As pessoas sabem como eu sou. Eu sentava lá pra criar, pra fazer, pra escrever música, mano. Daí depois sai esse bagulho. Por quê? Você também é a cara da empresa. Você tá sujeito. Na hora do bom também era foda, irmão. Me senti um dos caras mais foda que teve. E a galera respeitava. Tinha que bater continência que era nós que tava lá. Daí a hora que tá lá embaixo, você tem que segurar a pressão. Eu segurei, mano. Pensei em me matar várias vezes, irmão.
Até, desculpa, Orixai, tá falando isso. Porque a gente é abençoado. E quando a gente quer tirar essa bênção da gente, às vezes... É ruim. Mas eu pensei, mano, várias vezes, mano.
Aí tinha minha filha ali, acabado de nascer, eu falava, caralho. Irmão, eu fiz minha fisioterapia pensando todo dia, quando minha filha nascer eu tenho que subir a escada da minha casa. Não pensava nem na empresa, irmão, nem nada. As pessoas nem imaginam, minha filha tava pra nascer, todo mundo falando, falando esses bagulho de mim.
Caralho, tem que vender meus tênis pra pagar o parto da minha filha. Caralho. Mano, tava assim, mano. Tava assim, velho. Por isso que me emocionou quando eu falei do conjo. Eu tava assim, mano. Eu tô ligado. Vendendo meus bagulho pra pagar o parto da minha filha pra não descabelado. E tipo assim, vou deixar o nego chutar meu rabo na história? Não, mano.
Não vou, irmão. Se os caras quiserem, eu quero é mais. Quem me responder vai tomar quente na orelha 24 horas. Pode anotar. Lançou, eu largo a outra 24 horas, mano. 24 horas depois. Minha história com eles não é assim, mano. Comigo é assim. Eles sabem, eles me respeitam, mano. Tu acha que vem alguma de algum tipo de resposta? Tenho certeza que não. É foda subestimar. Linhazinha é uma ironia, é um bagulho, porque a cara deles mais é essa. Eles fizeram isso nos últimos 4, 5 anos. Ninguém chegou e botou um pá.
tá ligado? Se mandar, vai tomar quente, 24 horas, aí suba o flyer no dia, subiu, pau, amanhã, Dom Cezão, 24 horas. 24 horas. Agora... Eu acho que vocês vão combinar pra levantar todo mundo, tô brincando, tô brincando. Porra, seria da hora, porque eu fui o cara que levantou, né, mano? Eles que me destruíram, né? Tentaram me destruir. Eu só levantei eles, é foda. Isso eu posso olhar na bola do olho e falar, quando eu tentei destruir vocês?
Quando eu fiz um bagulho pra te atrasar. Isso eu posso falar. Agora eles, irmão, eu tenho uma lista, hein, mano. Tenho e-mail mandando pra marca, e-mail mandando pra página. Pra todos os bagulhos, mano. Os caras tentando me destruir. Tentando me destruir mesmo. Aí imagina os caras, tipo, pô...
Só olhar pra trás e ver quem que tava com vocês, mano, quando você estava na banguela, carregando caixa, ajudando, mandando dinheiro pra uma passagem. Não é desonra lembrar disso, mano. Eu sou um cara mó justo. Eu me emocionei aqui de falar dos amigos que me ajudaram, dos amigos que tão aqui comigo. Tá ligado, mano? Não é feio, tá ligado, mano? Você lembrar, você ter honra. Eu sei que é uma virtude pra poucos, mas ainda você desdenhar e fazer questão de fuder, puta, é foda, mano. É, é foda.
E aí, quanto tempo entre o fim da ceia e o nascimento da Somos? Uns três anos, dois, três anos.
Foi uns três anos. Nesses três anos, tu tava passando por esse, entre aspas, inferno astral, digerindo a porra toda? Inferno astral, um momento. Um inferno mesmo. Inferno. Problema atrás de problema. Até agradecer a minha companheira que ficou do meu lado. Meus familiares, meus amigos que estão aqui, poucos.
Que ficaram mesmo, foi um momento foda. Sabe quando você é o cara que a casa é cheia, é o Natal, é o aniversário, é o que fazia, era o último ia embora, sai do rolê, todo mundo pra minha casa, recebia, vambora. Ou isso aqui eu vou ter um contrato pra mim, eu podia ter pego pra mim, pô, botei todo mundo, mano. E era todo mundo mesmo, podia pegar tudo, pra tudo, em qualquer lugar que tinha. Era pra bebida, era pra tudo, era isso.
Todo mundo que tiver a mesma fome é a mesma sentença, a ideia da mesa é redonda.
Todo mundo não tem ponta. Todo mundo é forte. A força da corrente é equivalente ao elo mais fraco dela. Então se eu tiver um monte de elo fraco, se nós não chegar, não vencer no capital, fodeu. Então eu queria isso. Queria os caras bem, com autoestima, as roupas, os bagulhos. Vambora. Olha pra cima, mano. Não tá nos lugares, isso aí é foda. Tá ligado?
Era essa a construção. E fizemos, mano. Aí no final, todo mundo foda, mano, ícone do bagulho. Não é que deu certo um pouquinho? Foi um cara que teve uma polêmica. Ó, teve uma polêmica, é uns moleque merda do rap. Não, irmão. Não vai ter outra taxa de três, você tem várias minas gigantes. Mas naquele momento, naquele período, falando aquilo, passando por aquele mini buraco da fechadura, só elas. Só elas. Representando tudo que representa.
Filha de imigrante nigeriano. Mano, uma leitura muito foda do que o hip hop do que o hip hop.
precisava. De ONG a mesma coisa. Esse buraco na fechadura, ele existe em todos os momentos. Por exemplo, existe um buraco na fechadura neste momento. Lógico, alguns. Mas são poucos, dois ou três. Tá ligado? E tá acontecendo. São movimentações que estão acontecendo. E vai passar. E sempre tem alguém que se aproveita desses buracos na fechadura? Pra caralho, sempre tem.
Todo lugar tem. Quem não vive, ou quem faz uma boa leitura e talvez mereça ser, porque foi um bom jogador naquele momento e fez. Tá ligado? Tem várias pessoas que é empresário e que fazia festa de formatura, fazia bagulho, aí tem uma grana, ah, vou investir. Ah, já fazia um baile. Ah, mas você... Aí dá certo, tudo bem. Tudo bem, mano. Não precisa amar e viver e ter o acaso da vida de conseguir ter ganhado uma grana.
Não, mano, às vezes foi, tá ligado? Tem várias pessoas aí que não amam o bagulho e tem o estudo, o conhecimento do momento e peito, tá ligado? É, eu tô entendendo. Não vai ter outro flow também, né? Porque eu também passei num buraco na fechadura ali. Eu acho que assim, nessa geração não vai ter outro Djonga, outro BK. Tá ligado?
Existem várias minas porque é o momento que precisa. Nunca teve essa avalanche das minas. Mas os caras sempre tiveram. Aí tipo assim, pô, quem que chegou ali nesse altar do rap, ao lado desses gigantes? Dexter, Mano Brown. Quem que foram os caras que chegaram perto ali deles? O Don L? O BK?
O Jong, o Freud, quem que são os caras que chegaram ali, tá ligado? Agora as minas estão construindo isso e não é o lugar das minas. É isso aqui, irmão. É o mesmo, mano. É o mesmo. E tem caras que não abriram a porta nunca. Não tem um feat de uma mina na discografia. Sem ser um pedacinho de amor ou um...
Tipo, porque cadê o pedaço dela narrando o que tá acontecendo na história ali, a visão feminina? Às vezes a gente... São poucos. Como fã de rap e hip-hop, você...
Isso é um fenômeno aqui brasileiro? Por exemplo, se a gente for pra pensar no que acontece nos Estados Unidos, que é, se eu não me engano, o berço dessa cultura. Sim. Como é lá? Lá também sofre do mesmo mal? Ah, tipo assim, tem mulheres ali que movimentam o mercado forte, tem investimento, faz o bagulho acontecer. Pra mim que gosta de uma parada artística, por exemplo, a Dolce. É uma artista...
que ela vem puxando um bagulho bem artístico, é bem boom-bap, a apresentação dela é foda, e tem o balé, e tem tudo, tem essa preocupação. Lá, tipo assim, eu acho que é muito mais fácil ela performar isso do que o piano que as meninas têm que carregar aqui pra apresentar isso, tá ligado? É muito mais difícil, mano. E as meninas tão fazendo foda, irmão. Teve o último festival que eu fui do Senna, que até teve os problemas aí no último, mas antes desse...
O outro que eu tinha ido também, que tinha sido lá na Arena do Corinthians, que tinha sido da hora e tal, a performance das minas tava engolindo dos caras, irmão. Eu vi o show da Duquesa, eu vi o show da Júlia Costa, não lembro de qual. Mano, engole o dos caras. Engole, mano. Engole. Porque a performance se movimenta, tem uma preocupação com o visual, com tudo. Não só que o tá com a marca do momento. Tá ligado?
Tem que ter uma outra entrega. Então acho que artisticamente é uma peça mais completa e hoje em dia que é mais democrático, todo mundo tá vendo isso. E os bagulho que estão viralizando é o texto, é o bagulho que as minas falam, é essa narrativa, tem que ser ouvida. Basicamente, tu tá dizendo que elas, pra alcançarem um patamar parecido, elas precisam performar...
de uma forma mais cuidadosa, profissional. Pra caralho, irmão. Isso pra alcançar num bagulho parecido. Isso é muito mais injusto, muito. Já é difícil pra qualquer artista no cenário. Pra elas também. Existem agendas. Hoje, tipo, se a semana teve um evento lá de uma distribuidora que é sobre igualdade e tal. Um evento só pra mulheres e tal.
mulheres trans e tudo mais, então você vê que existe essas agendas, mas tipo assim, é pouco aí daí, quem que as pessoas mesmo que tá contratando quem que tá fazendo, trazendo, movimentando esse mercado, e agora tá impossível negar, impossível de virar as costas, porque elas que tão no mercado, elas que tão nas grandes propagandas, nos bagulhos, vai ter bagulho lá da Globo tá lá, você liga lá, tem a cara danada de tsunami lá na propaganda da Globo, aí tá a Ebony lá no plenário lá falando com o Lula, entendeu? Tá invadindo, mano.
Vadiro, e poucas pessoas, eu falo disso com orgulho, porque na época que eu coloquei no selo e trabalhei por essas carreiras, por esses sonhos ali, sonhando junto com elas, tanto com a Clara Lima, quanto com a Tachi 43, com a própria Nicole também, eram poucas pessoas que faziam isso no rap, é só a gente olhar hoje.
Só a gente olhar hoje. Quem são os escritórios? Quem são essas galeras que veio desse rolê do rap que teve uma ascensão? Irmão, quantos caras da minha geração foram maiores do que eu? Um monte. Eu falo um monte pra você. Quantos trouxeram as pessoas igual eu trouxe? Quantos, irmão? Quantos? Vários caras que eram ícone, era bem mais fácil trazer ícone do que eu, pô.
Era só seguir essa lógica. Pra mim é simples esse raciocínio. Eu sendo o Dom Cezão, ocupando o lugar que eu ocupava no cenário, eu falei, mano, dá pra mudar, dá pra contar um bagulho foda, dá pra deixar um imprint. Dá pra deixar. Não precisava ser tão dramático. Mas dá pra deixar um imprint, tá ligado?
Em que medida a Somos é uma coisa diferente da ceia? Primeira coisa, agora tu tem uns contratos. Sim, com certeza. Mas eu acho que nem é isso, cara. É mais um cuidado, assim... É uma extensão do meu sonho, de tudo, mas é um cuidado em vários setores também. E eu também não tô agora nesse momento de, mano, preciso botar um cast, montar um bagulho. Eu quero lançar, possibilitar trabalhos. O que eu quero fazer é isso, tá ligado?
algumas pessoas assim, a gente tem esse cuidado, esse falar mais pessoal, igual do Thiaguinho, que é um cara que tem uma história que é muito foda, além de fazer o disco dele, é um cara que eu gostaria que as pessoas dessem uma atenção, porque é um cara que tem uma história de vida muito foda, tá ligado? É um moleque que passa por uma série de questões físicas ali, decorrente de uma condição que ele tem física, mas que isso não impede ele de performar perfeitamente, tanto como produtor de beat, que?
Tanto como MC, como o cara que organiza, recebe os caras em casa pra gravar, é técnico. Faz tudo, mano. Faz tudo. A hora que eu vi isso, eu falei, mano, isso é hip hop pra caralho. Eu tava descrente do rap, não amava mais o bagulho. Falei, vou voltar um bagulho. Falei com a Nath, pai, mano, vamos montar uma equipe, quero voltar a fazer um bagulho. Tinha saído lá da Kondzilla, daí eu falei assim, cara, vou fazer um bagulho meu.
E como é que a gente faria? Eu falei, mano, preciso procurar histórias que eu acho que ia ser da hora que as pessoas ouvissem, tá ligado? Descrente do rap? Caralho, tu passou por um momento descrente do rap, cara? Não do rap, mas assim, eu atuando, eu não queria mais. Eu falei, mano, pra mim chega, tá ligado? Pra mim chega, tá ligado? Pra tu chega porque tu não gostou da experiência ou porque tu achou que tu não tinha mais nada pra contribuir?
Porque eu achei que eu não ia conseguir mais, tá ligado? Falei, mano, não quero, foi mó da hora, cheguei no topo, pensei isso, tá ligado? Cheguei no topo, mano, em todos os lugares abertos, viaja no mundo, fazendo... Mas ganhar um negócio cani, por exemplo, não reacende? Total, aí vai reacendendo. E até gravar uma música, tá junto ali com alguém, acho que eu posso fazer, acho que eu quero voltar a sentir esse bagulho.
Ganhar cani é importante no fim das contas pra uma parada rap, hip hop. Não, não tô falando... Assim, pra mim, pensando em... Como eu te falei, quando acabou esse lugar aqui do... Vamos supor, do tô jogando no campo. Aí eu saí daqui, daí eu fui lá onde os caras assistem do Camarote. Os caras, pô, foi muito legal a movimentação que você fez. Daí nesse lugar é importante. Tá. Tá ligado? Então é meio que por isso, tá ligado?
Eu valorizo porque também é uma chancela ali, tipo, porra, o cara fez ali um IR, uma direção artística ali, foi da hora, pra mim é legal. Tipo, quando você vai ali botar na mesa, jogou aonde? Meio que isso, tá ligado? Tipo, fala, porra. É, e é um prêmio respeitado, né? É um prêmio respeitado, né? É pra caralho, é uma honra de ter conseguido fazer isso e desdobrar vários. Eu quero fazer mais isso.
Só que agora eu também tava... Não, nessa volta mesmo. Eu fiz a Somos ali, o ano passado. Dificuldade pra caralho pra gente levantar o bagulho. E eu falei assim, mano, várias portas fechando por isso. Tipo, meio que... Ou é essa bagulha assim, o cara que lesou, ou é o tipo, o que é lesado, coitado. Tá aí chutado, olha. Caralho, tu tava... Entendi, tu tava numa posição ou fila da puta ou fudido. Fudido. Sem prestígio, sem nada.
Eu falei assim, não, bagulho, não é assim não, mano. É tudo que eu fiz, aí os caras que estão lá, eu carreguei esse piano que tá ali em cima, com eles. Não, não, não sou filha da puta, não. Uma coisa é nós não tá jogando mais com a mesma camisa, caralho. Mas daí por isso eu não ganhei a Copa do Mundo? Aham. Aham. Ganhei, pô. Isso que eu falo. Sabe que eu tenho cinco estrelas nessa peita. Fiz várias pessoas que foram lá e fizeram no mercado.
Quem que puxou a carreira do Djonga? Foi a taxa 3? Foi o Kian? Foi as outras pessoas de dentro? Não.
Não foi? Até entre eles não se ajudava, caralho. Quem foi puxando? Por que esses raios caíram todas as vezes no mesmo lugar? E não caíram em outras produtoras, em outros bagulhos? Quais os outros que fizeram? Podia ter um monte de case igual esse.
Quantos Djonga tem no cenário, caralho? Ah, Itachi 3. Também tem pouco. Ah, e o Kian, e o Febem, e o Projeto Brime. Cadê esses nas outras produtoras, caralho? Por que que não caiu nesse para-raio no mesmo lugar? Talvez os caras não tiveram a mesma sagacidade pra dimensionar esses projetos como eu tive. Então também, parabéns pra mim, caralho. Consegui botar esses bagulhos no holofote na hora. Pode ser outras pessoas que fizeram também, também, mas eu não vi. E eu fiz, mano. Isso é inegável. Isso é inegável.
As pessoas, ao invés de chegar e só falar, porra, da hora, deixa lá. Não. Daí quer fechar minhas portas que eu abri junto com vocês? Ou que eu abri pra vocês? Jamais vou desonrar uma pessoa que abriu a porta pra mim e vou chegar... Isso não é, não é, mano. Jamais. Jamais, mano. Agora vai fazer isso comigo e eu fiquei meio que tomando isso, mano, durante dois anos. Três. Caralho.
Chegava nos lugares, uma situação horrível. Cheguei a uma festa do Spotify uma vez, vários amigos, vários conhecidos, ninguém falando comigo, aí ficou aquele bagulho aberto. E eu e a jovem MK, assim, sozinha. Aí chegou o Rael.
E veio, ficou do meu lado, me cumprimentou, ficou do meu lado. O Crê Lula chegou, viu, eu e o Rael, ficou do nosso lado. Aí quebrou o gelo dos outros pagapau. É isso que eu te falo. E todo mundo do cenário que vinha, primeira vez cantar em São Paulo, na minha loja, vinha fazer não sei o quê, eu não guardo mágoa, mas você lembra. Puta, o cara cantou uma vez lá no bagulho. Primeira vez que o cara veio pra São Paulo, quem fez o show do cara, quem ajudou o cara. Beleza, eu tô aqui, eu tô invisível.
Cheguei e falei, tá tranquilo, não quero que ninguém venha falar comigo, mas pelo menos se eu for, você... Tá ligado? Aí beleza. Aí precisa dos outros caras pra vir e ver, não esquecer quem eu fui, pra os outros pagarem pau, chegar e falar, não, é verdade. E aí, e aí, tá. Cara...
Já entendi que se alguém lançar em alguma coisa 24 horas depois, vem uma resposta. Custom made. Costuradinho para cada um. Não vai mais ser... Entendi. Agora amplidão não. Agora é só para cada um.
Então, quando a gente teve uma última guerra de dis que foi interessante, que foi do Drake e do Kendrick, os fãs... Desceram a ladeira, os caras desceram a ladeira. Mas os fãs que ganharam, uma dessas dis aí ganhou o crime. Mas é que é um xadrez, irmão, que eu te falei, é jogado fora. Muita coisa fora. Muita coisa pessoal, muita coisa na rua, muita coisa no... Justiça. Eu tô de boa.
Tô suave. Mas muita coisa acontecendo. Às vezes o cara fazendo uma parada pra mim pode estar prejudicando ele em outra situação que ele esteja no momento que não seja comigo. É um xadrez do caralho, tô entendendo. E pra tu nesse momento tá funcionando o que... na intenção que tu...
de voltar, de voltar as pessoas percebem 18 anos lançando, lancei vários bagulhos participei de um dos maiores coletivos que teve no rap do Brasil que é o da Massaclan, tava ali, membro efetivo fazendo tudo, mano, pra galera respeitar e falar de uma linha minha, demorou 18 anos, irmão
E ainda foi dando essa bigodada nos outros, que eram meus irmãos, que era a pessoa que eu amava. Então, enquanto eu tava construindo, foda-se, irmão, pra todo mundo. Na hora que as pessoas acham que talvez eu queira destruir, mano, eu jamais faria um bagulho baixo pra destruir nenhum deles. Dependendo só da atitude da pessoa.
A pessoa deu uma... É o que eu falei. Enquanto tá aquelas fotos ali, mano, eu tô engatilhado. Tô no modo de guerra. Quem vim é isso. Mas eu também não vou ser um cara que vou desonrar. Porque eu também tenho a minha honra. Eu não vou chegar e vou fazer um bagulho que pode acabar com a vida de alguém. E eu posso. Eles sabem que eu posso. Que eu tenho como. Não falando de letra. Mas falar coisas que puta, mano.
Se essa porra ficar pública aqui pega mauzão. Muito? Pra todos? Pra todos, mano. Não tô falando de um específico, não. Jamais. Mas eu não faria isso, tá ligado? Só se alguém quisesse descer essa ladeira. E a gente brincava disso. Mas daí, Cezão, ó, agora vamos pra um lado um pouco mais filosófico, tá bom? É o seguinte. É...
Em boa medida, tu tava lá na ascensão desses caras. Isso significa que tu tava lá, muito provavelmente também, é... Quando acontece algum tipo de vacilo capaz de destruir a carreira de alguém. É... Tô conivente, é isso que você vai falar? Isso que eu vou falar. É o xadrez que tu tá falando? Pois é, né? Complicado pra tu também, né?
Mas tem algumas coisas assim que também, né? Fogem a mim também. Não sou a palavra final, não sou o cara que temem o não ou sim. Então às vezes tem cagada que aí cada cachorro que lembra é só cacete. Igual as minhas.
Tá ligado? Jamais eu apoiar e fazer um bagulho. Mas é isso, passa por isso também. É por isso que é assim, essa situação. Agora, o que eu fiz questão de falar aí na música são situações que são pessoais a mim. Muitas coisas eu deixei motivos por qual ou terminou as relações ou não, mas assim, as coisas que eu falei ali foram coisas que me pegaram que eu falei assim, caralho, né? Pode parecer pequena, tipo, às vezes alguém escuta e fala caralho, mas o cara tá falando aqui.
De um jogo do Paris Saint-Germain, de um bagulho que é um bagulho que eu não fiz por mim. Que é um bagulho que eu não fiz pelo meu pai, que deve estar me vendo aí, pai, te amo. Que eu não fiz por ele. Que eu não fiz pelos meus filhos, que eu não fiz pelo meu irmão, Dan, te amo. Que eu não fiz por eles. E eu fiz por outras pessoas. E aí o cara pega no mesmo dia, posta um bagulho, apaga, e aí tudo que eu contei é uma janela de sete dias.
Por isso que eu fiz questão de falar nisso. Que foi quando ele começou a demonstrar esse bagulho.
Eu fiz questão de falar isso pra falar assim, mano, eu poderia falar outras coisas, ele sabe, mas eu vou falar isso porque ele sabe onde ele, como amigo que a gente era, parceiro, se ligava pra falar de outras coisas. Irmão, comprei isso aqui, olha meu AP aqui, irmão. Olha isso aqui, irmão, também você tem seu filho, também você pai. Porra, tô aqui, o batizado do seu filho, tô lá.
Tava ali isso. Eu quis trazer isso. Por isso que eu falo que não é um bagulho de ódio. Tipo, irmão, lembra? Lembra disso? Lembra desse bagulho? Você tava ali fazendo um bagulho tão da hora pra sua família? Eu tava ali. Daí quando você volta pra fazer um passo tão importante seu, eu não posso ser convidado? Ou por que que eu não pude estar com você lá no Lollapalooza, que é quando eu canto? Ia ser mó foda pra mim, irmão. É como se eu tivesse pego o ninho e empurrado até Interlagos. Cheguei lá em Interlagos, todo mundo entrou, e eu fiquei lá fora na chuva.
Foi isso, mano. Aí eu falei, eu vou contar isso aqui, porque foi assim que eu me senti, mano. Me senti desse jeito. Deixa eu falar pros caras. Eu poderia falar outros episódios, outras coisas que eu vi, que eu vivi com eles, que foram sérias também. Mas eu falei, não, mano, deixa eu vir aqui e deixa eu falar. Aí no teste da atriz eu fiz questão de falar, eu tava lá, porque eu sei que isso dói às vezes essa memória de, ah, o cara trampou com a gente, o cara fez a direção artística, deu o nome pro nosso maior álbum, que é o Diretoria.
O cara que escolheu a fotógrafa, escolheu não, indicou para vocês a fotógrafa, o cara que fez toda essa parada, a Nath tá aqui e produziu, fez toda a produção desse bagulho, de foto, de tudo, tava aqui, né? Tava ali. Então, assim, citei isso pra falar quem tava lá 10 anos atrás.
Aí é uma música que o MC da Lança de Fit do Borges, ele cita esse disco e fala assim que chorou e tal. Pô, se essas minas não ficam ricas, a indústria é cega ou é racista e tal. É um bagulho que ele fala e eu parafraseei nessa música falando o que a indústria fez pra essas minas ficarem ricas? Dez anos atrás fingia que não existia. Eu não desligava, sonhava, insistia. Era isso, mano. Pouquíssimas pessoas davam atenção pras minas, especificamente também pra elas.
Aí eu falei assim, não, tô aqui, tô sonhando. Daí agora eu sou o filho da puta do bagulho.
É assim, todo mundo tem seu erro, todo mundo tem sua parcela de culpa, não existe um filha da puta, mano. Eu não sou o cuzão sozinho. Então eu só fiz essa história pra falar também, mano, vocês foram um cuzão comigo ainda de um jeito elegante, mano. Falando, olha essas coisas que eu fazia pra vocês e vocês ainda... Vocês têm certeza? É isso aí, mano. É um bagulho assim, não é um bagulho cheio de ódio no coração também. Podia ter feito, mano.
Várias dias do rap nacional, os caras fazem um bagulho, é elegante, não fala o nome de ninguém.
Não é homofóbico, não é transfóbico, não é machista. Vê aí se tem uma brecha aí, mano. Vê se eu dei uma falha aí no bagulho na rua. Vê se alguém tem algum bagulho aí pra falar. Tá ligado? É isso aí, mano.
Como é que tu... Uma diss é uma... Uma música atacando. Eu sei. É uma música atacando, mas ela precisa de um... Ela precisa de um cuidado extra. Não, acho que não. Tem certeza? Eles podem só vir lá e xingar. Os caras podem só vir lá e xingar. Não, pode ser. Mas assim, como você acabou de dizer, não foi isso que tu fez.
Não, porque eu fiz só um bagulho que eu pensei. Exatamente. Falei, como eu vou vir trilhando isso. Ao longo do que tu falou aí, eu entendi que tu, inclusive, estudou outras dizes. Não, a vida inteira, eu amo isso. Então, quando tem algum desdobramento da cultura que eu amo, eu tô lá. Eu tô lá. Posso chegar um dia depois, mas eu tô lá, porque eu só vivo isso, eu amo isso.
Aí eu vejo como é. O Kendrick é um cara que eu conheço desde o começo da TDI. Quando foi entrando os outros caras no selo e tal, o que foi desdobrando. Aí hoje ele tem a PJ Lang, o outro bagulho dele. Eu vejo tudo, tudo que o cara faz. O Drake, por mais que não seja um cara que eu acompanhe a discografia, eu sei pontos importantes, sei os bagulhos ali. Achei legal, vi tudo. Já tinha tomado outra do Puxati, o Puxati já tinha apavorado ele.
Aí eu vi, já tinha acompanhado tudo isso. Então eu fico vendo isso, tá ligado? Acho que pelo esporte ia ser foda.
tá ligado? Mas são muitas questões, às vezes, que impossibilitam. Não tô nem passando pra ninguém, não tô falando nada. E outros também, tô numa situação que também nem é bom responder, sabe? Então são vários bagulhos. Mas foi tranquilo, foi rápido escrever? Pra fazer? Não, tranquilo não. A versão final, vai, porque você falou que a versão original, ela tinha... Seis minutos. Seis minutos. Seis e pouco, seis e vinte de escrita. Aí ela fica no final 4h44.
Então, tu faz ali um... Pra ela ficar... Tu começar a escrever até ela ficar 4,44? Eu comecei a escrever ela no finalzinho de janeiro. Tá. Finalzinho de janeiro eu comecei a escrever ela.
E eu acabei ali no finalzinho de fevereiro. Pouco antes do meu aniversário. Pouco antes do 15 de fevereiro ali. Acabei ali pelo dia 13. Então, fiquei assim, uns 30 dias, digamos assim. Uns 20, 30 dias indo, botando. Sem forçar. Se viesse, eu ia um corridão. Senão, eu botava um pensamento e deixava. Aí organizava, ia trocando, ia botando. Não, acho que eu quero começar a história assim. Eu fiz muito isso. Eu escrevi ela no começo em um beat.
Aí depois o Cravinhos, que é o produtor, fui lá apresentar uma outra música, que é a Vai Passar, que é a última do beat. Ela era um beat do Paulinho e do Decaps, e aí perderam o arquivo. Aí eu fui lá no Cravinhos pra gente fazer com o Paulinho a outra. Aí eu mostrei pro Cravinhos essa, ele curtiu e falou, e as outras? Aí quando eu mostrei a Doze Judas, ele, caralho, quero produzir. Aí eu falei, qual que é o beat? Eu mostrei ele, vocês, é um, porra, acho que dava pra você vir num bagulho um pouco mais hip-hop, mais elegante, um bagulho mais...
carinha de que tá ouvindo na fita, mano, vamos botar uma textura mais pá, deixa eu fazer isso com você. Aí ele que levou o caminho pra essa textura que eu acho linda, assim, que combinou pra caralho com a parada, tá ligado? Acabou ficando melhor do que a tua ideia original. Muito, muito, todas. Eu levei a outra que era tipo num blusão, assim, pá, tá ligado? Ele falou, puta, mano, não vai ficar da hora, vai ficar meio cafona, mano, tá? Vamos fazer um outro bagulho, bumbé, vai pro seu bagulho.
Ninguém quer te ver cantando, irmão. Os caras querem ver você rimando. Daí vai, puta, é verdade. Aí fomos e foi, irmão. E aí tu recebe esses conselhos numa boa? Numa boa. Sou de boa. Sou um cara suave. Se a gente não tiver humildade pra aprender, a gente não vai evoluir. Ah, fodeu. Total. Aí você não dá um próximo passo. Precisa ter 40 anos pra sacar isso, Cezão?
Não, mano, eu sempre fui um cara que eu sempre fui observador. Eu sou um cara observador. Eu gosto de falar assim também quando eu tô com meus amigos, quando eu tô num assunto ali à vontade. Eu gosto de ser o cara que fala e tal. Mas eu sou um cara que observa bastante as atitudes das pessoas. Observa as coisas. Talvez por isso eu fique magoado. Ou talvez por isso eu fico feliz com o gesto. Às vezes a gente sempre só fala do lado ruim, né?
Mas também feliz com o gesto simples. Tipo assim, eu cheguei lá pra gravar uma música com o Ciro. Amigo meu de Mocoto. Sabia que era o Vic. Tô voltando nesse bate-bola. Falei, vou fazer com as pessoas que eu tenho esse carinho.
Esse cara meio de ninho ali, de lugar comum, assim, de... Comecei meio que aqui, tá ligado? Falei, mano, vou voltar, vou fazer uma música com os caras. Cheguei lá, um dia numa vivência do Ping Pong lá com eles, pá. Aí me convidou outro dia lá pra fazer a música do Ciro. Fui lá pra gente gravar. Aí nisso a gente teve a conversa do Flow, pá. Então, tipo, isso são gestos também que eu guardo pra sempre, tá ligado? Falei, ó, o Vic pegou só. Podia ter só falado, da hora, Cezão, que louco, pô. Tomara que dê certo lá.
Podia, e eu não ia achar ruim, tá ligado? Mas ele, não, só um minuto. Aí isso é um bagulho que eu falo, puta caralho, quantas pessoas fizeram isso pra mim? Poucas, mano, poucas, velho. Poucas. E eu não esqueço, tá ligado? Talvez por isso, essas pessoas que eu tão nessa música dos Judas, algumas delas já tiveram gestos assim comigo. E eu guardei pra sempre. Isso fez eu respeitar essa memória sempre, em qualquer lugar que eu ia. Jamais você ia ver falando, fulano?
Por mais que eu saiba que pode estar fudido, por mais que eu saiba que pode estar contando uma história merda no rap, eu jamais vou chegar e falar você é fudido pra caralho, não. Porque também a minha história que estava agregada ali se cair, não é bom pra mim. Tá ligado? Total. Faz todo sentido mesmo. Isso é tanto pro lado bom quanto pro lado ruim.
Tá ligado? Igual, você acha que hoje em dia as pessoas todas que tiveram essas carreiras maravilhosas, esse orgulho danado de ter construído tudo que construído com a Bad Boy ao longo dos anos são orgulhosos hoje? Vendo as coisas que o Puff Daddy fez, é tanto pro lado bom quanto pro lado ruim.
Associações, né, mano? Eu não tenho, graças a Deus, nenhuma dessas pessoas que faz eu, tipo, puta, desonrar. Acho da hora, mano. Construímos, mano. Construímos. Agora, no âmbito das linhas também, eu tomei várias linhas dos caras, fiz tudo. Falei, mano, se eu for responder, vou responder no rap, mano. Vambora. Não processa os outros, não, mano. Os amigos sabem. Tem problema comigo? Tá bom, vambora. Vamos falar. Na ao vivo eu falo, eu xingo, eu brigo, eu xingo, salgo na porrada.
brigo, se for pra falar que te amo, tamo junto também, mato ou morro, que eu puder, mano. Que eu puder, eu sou assim, visceral. Esse é o meu jeitinho. Então, paguei por isso também, tá ligado? Paguei por isso também. A maioria das atitudes que me afastaram também muito dessas pessoas foi esse jeito, tá ligado? Foi isso. Entendi. É tanto pro lado bom quanto às vezes quando vai se desentender, é assim, é pra sempre, né?
Será? Pra sempre eu espero que não, nem uma coisa nem outra. Até porque eu acho que tem algumas paradas. Eu acho que eu tô entendendo mais ou menos o que você tá dizendo aí. Tem um momento que tu falou que, cara, se é que trocar uma ideia, a gente troca uma ideia. Não precisa ser amigo. Mas troca uma ideia, pô. Vambora. É que eu entendo também que, puta, a gente já foi amigo, né? Mas o sentimento muda mesmo no sentido de...
Em várias situações da vida, até pessoas que você não briga. É ciclo, o ser humano é assim. Total. Tem pessoas que a gente se afasta. Mas acho que quando rola um afastamento assim é normal e tem o tempo, mas daí quando a pessoa faz muita coisa pra te agredir é foda. Não digo agredir fisicamente. É, eu sei, eu sei. Tipo, sabe? Você toma, toma, toma, você fica, caralho, mas por quê?
Eu era o cara que tava ali, caralho. Calma, mano. Precisa me destruir também, porra. É isso, tá ligado? O cara tava te ajudando, mas você tá aí, mano. É agora que você tá em cima, você tá me afogando mesmo? Caralho. Aí você vê isso. Agora é foda, né, mano? Porque com certeza, ninguém esperava. Ninguém esperava. Caralho, do nada o cara voltou e mandou uma essa falando de nós, caralho.
Mas assinou o divórcio ou não assinou? Não. Eu esqueci de falar para as pessoas de mandar mensagem. Alguém mandou mensagem? Mandaram. Mandaram? Vamos ouvir o que as pessoas têm para falar para o Dom Cezão também? Então dá-lhe aí, vai, Jean. Por favor. Lucas Dabese mandou uma mensagem pelo Pix.
Dom Cezão, me diz como é ser amigo do Ciro. O cara que lançou o corte do momento e só lança música pesada. Chega aí, Ciro. Abraço, vocês são foda. Chega aí, Ciro. Chega aí, Vick. Ah, não tem uma aqui também pro Vick. Chega aí, Ciro. Mano, o Ciro é um cara que, mano, dos primários... Com licença, aqui, sentar com a sua licença.
Aí, gente, isso aqui é legendário, certo? Legendário não da montanha, mas um ser humano, uma figura, uma figura legendária. Tá aqui o Ciro, meu parceiro. MC. Ciro, fala aí, fala aí, fala aí, Ciro. Família, boa tarde a todos. Já tá de noite, tá? Já tá de noite, aí tamo tomando um café da noite aqui no Flow, uma grande honra.
Mas respondendo a pergunta do Lucas, da Beis, inclusive a Beis é uma marca de seda, eu conheço o Lucas, mano. Que da hora. Muito bom. Essa cabela é o seguinte, família, eu usava quando era criança. E aí, há um tempo atrás...
Quando minha avó teve Alzheimer, eu fiquei muito triste. E aí eu... Igual o Cezão ficou... Bonde dos chorão, bonde dos chorão. Igual o Cezão ficou quando ele contou tudo. E aí eu reacendi esse corte de cabelo. E aí a galera achou, ficou muito louco. É o clássico do índio. E tem a ver que meu pai também é de São Vicente. Eu tenho uma descendência indígena. Então combina totalmente com minhas raízes. Originares, é isso aí.
Entendeu? Ó, o salve aí pro Ciro aí, ó. Mês que vem, quando vai sair nossa música aí, Ciro? Vai sair a nossa música mês que vem, Família. Mês que vem, ó. Cezão. Serial Poucos Quilos, meu disco novo, Tom Cezão. Ciro SPVIC. E produção da Naina e da Batisteia. Então vai pra cima, meu povo. Valeu, cara. Você é figura, mano. Dá ele na próxima aí, Júlio. Salve aí pra todos os parceiros do Damassa Clã aí. Todo mundo contou essa história da hora que a gente contou naquela época aí. Puxamos um bonde gigante no rap.
Quem que era os caras que estavam bombando Que as menininhas ficavam Raikais Raikais, Costa Gold Cacif Clandestino Vocês botaram uma música no Need for Speed Qual mesmo? Qual Need for Speed que foi? Os caras simplesmente Colocaram uma música no Need for Speed Aí, pô
Foi. Brabo. Vários recordes, vários bagulhos. Lotava as casas. Foi um movimento muito louco de ver, porque aconteceu ali, tudo ali meio que ali na Zona Norte, ali os moleques se juntando e o bagulho acontecendo. Grupo do Ciro ali também, rapaz do sindicato, Raikais. Aí fica agregando Costa Gold, família Amadá. E via, tipo, desde pouquinho como a gente foi igual no hora, assim, os moleques e eu, os caras. A gente foi casa por casa, mano.
Lembro quando o High Cars ia pros lugares, a gente comemorava. Lembra, Vicky? Pô, vai cantar na Clash a primeira vez. Caralho, mano, puta que pariu. Aí quando era outro parceiro, a gente ia todo mundo. Ia no outro, ia todo mundo. Ia no outro, ia todo mundo. Aí é assim, ia conquistando igual no War, mano. Territóriozinho, foi indo, foi indo, foi indo.
Então nós ia pros lugares. Ia nos lugares só pra cantar Sodom e Cezão, mas você não, que nós tínhamos cifras. Os caras pagavam pra mim lá e só Sodom e Cezão, mas você não. Valeu, galera. Embora eu pegava meu litro de vodka que ia curtir minha vida. Ganhava pra fazer isso, mano. Foi um momento muito louco, tá ligado? Dá massa clã, velho. Tu tinha quantos anos nessa época aí, Vicky? Acho que é 2016, né? Não, 2014.
20 e poucos anos 20 e pouquinhos anos, meu irmão Puta, não é que esses caras fizeram de merda e putaria, né? Ah, não sei É? Tá bom Já ter sido pior Tem mais aí, Jean? Então dá, ele vai O Verme Terrível mandou uma mensagem pelo Pix
Boa noite, tem um amigo aí que é mestre de ingratidão. Foi assim com o Flow e com o Dom Cezão, hahaha Cezão. Como foi o momento de saída do Damassaclan? Mano, não entendi, mas se foi ingratidão, eu não tive ingratidão pelos parceiros. Eu não tive, mano. Construímos vários bagulhos da hora e todos os lugares que eu saía...
Quando eu falava do Damassa Clã, eu falava porra, mano, é nós, meus parceiros, é isso aí, tamo junto, vamos ouvir. Não, ele tá falando de outra coisa. Quando ele pergunta do Damassa Clã, é só pra desbaratinar isso aqui. Ah, ele tá falando de outro cara que é mestre de ingratidão? Ah, eu sei de que ele tá falando. Outro cara. Eu sei de que ele tá falando. E aí ele pergunta do Damassa Clã só pra cara, olha. E o Damassa Clã?
Então, da Massaclan nunca teve ingratidão. Estou aí com meus parceiros que estão aí comigo, vários bagulhos. E estamos aí agora aproximando mais ainda novamente. Então, não tem coisa. Mas o que ele está falando de outra pessoa, eu senti que ele está falando, mas nem vale a pena mais dar essa moral. Aqui nós é quem cria. Cria os próprios nomes. Cria os próprios bagulhos. Aqui é tudo da própria caceta, da própria sacola. Aqui nós não mama. Aqui nós não mama. Calma aí.
É... Fudeu, esqueci o que você quer falar. Criadores, irmão. Isso eu posso mergulhar, o tamanho dessa cabeça aqui eu penso pra caralho. Tem o nome do selo que não era meu, fui eu que dei, caralho.
Eu posso falar, mano. Os caras vêm querer tirar da minha cara. O cara não é nem criador, caralho. Eu crio os nomes, os conceitos. Isso eu posso falar. Saiu da minha caceta, mano. Agora os outros ainda querem rir de mim, não criar nem os próprios bagulho. Então hoje tu é um cara que tu passou por um momento de se achar um merda. Aham, pra caralho. Tu me contou aqui. Às vezes eu acho. Entendia também. Tudo bem. Eu também me acho um merda. Mas assim, no mínimo...
A gente fez o que a gente faz. A gente tá fazendo o que a gente faz há um tempo tão extenso e com a relevância tão aflorada que, no mínimo, uma coisa ou outra a gente aprendeu. É isso aí. Vai nesses altos e baixos, tem que aprender. No mínimo, a gente aprendeu. Melhor parar por aqui. Dá play na próxima. Vou dar prazo.
Taroba mandou uma mensagem pelo Pix. Cezão, por que a música Alexis Texas saiu do YouTube? E tem algum bastidor pra conta sobre a Cypher The Defect? Um bastidor pra contar do Cypher e Alexis Texas, pode falar. Primeiro de tudo. Alexis Texas? Ai, caralho.
Os millennials, todos conhecem. Entendeu? Lex Texas é uma atriz pornô americana muito famosa e tal. E aí a gente estava nesse momento que a gente sempre o Vic aqui, o Ciro, nossos amigos da Massacrante, era muito... Curiosidade, o gemidão do zap é a Lex Texas. É a Lex Texas? Olha aí, uma figura, um ícone da cultura pop.
Aí eu pensei assim, mano, tipo, a gente tava nesse começo batida trap, esses bagulhos assim, tá ligado? Daí eu falei assim, mano, porra, vamos fazer um bagulho mais assim, pegar uns beats assim, vamos pegar um tema, eu falei, mano, vamos fazer uma música de putaria mesmo, igual os gringos, mano, eu escuto os gringos descem a ladeira, falam um monte de putaria, que que nós não vamos falar? Olha os fãs que eram amigos do...
Na época ali dos meninos do Stereo Dubs, de LX, Léo Grijó, até dá um salve pra eles. Aí eles me apresentaram o MC Tarapi lá do Rio. Vou passar um pouquinho de óleo. Eu falei, caralho, mano, os bagulhos... Mano, por que nós não tá falando isso nos rap, mano? Os caras parecem um bando de cara sério. Falei, mano, vamos fazer um bagulho mesmo pesado, mano. Aí tinha um parceiro, o Haru, o BR Wax, que é diretor, já fazia essa...
Essa arte mais pornô e tal, trabalhava com uma amiga Mari da Xplash, que tinha uma produtora só de pornô, assim...
um pouco mais cult e tal, assim, daí a gente falou, mano, tem uma música da putaria, vamos botar o nome de Alexis Texas, a gente faz um refrão, e eu vou vender essa ideia pra eles, pra ver se eles caem no clipe com nós, mano, eles toparam, fizeram uma produção pornô mesmo, nós fizemos um clipe pornozão, e a gente subiu no YouTube, foi a primeira música minha, acho assim, que viralizou, assim, e aí caiu, e a gente subiu no Xvideos, mano, e tem a tela até hoje, mano, quem quiser ver, olha lá, coloca lá.
É foda que esse cara... Vai ter que digitar dançazão no XB, vai ser. Vai ter que digitar dançazão no XB. É, porque se colocar Alexis Texas... Tá fudido. Vai caçar pra sempre, porra.
Aí tem esse check aí na minha lista. Nunca pensou que... Nunca, irmão. Você aí, ó. Nunca pensou que fosse meter Dom Cezão, Next Videos, né? Pra ouvir essa música só assim. Pra ouvir essa música, mano. Doideira, mano. Gostei. Gostei. Aí ele falou do bastidor do Cypher. Acho que não tem, mano. Acho que escrevi no mesmo dia, gravei.
E fomos em outro estúdio só pra gravar o vídeo. Fiz essa música aí no bagulho. Foi a música que viralizou, assim, deu mais amplitude ao meu nome, à minha imagem. Na época, as páginas de rap viralizaram muito. Foi o começo dos memes. Os primeiros memes do rap nacional foi o Sou Dom Cezão, Mas Você Não. Era uma rima de um MC Nova Yorkino que eu sou muito fã, Sean Price, ele é um cara do bullying rap. Ele tira os outros, pá. Eu ouvi muito isso, bootcamp, eu bem em Nova York. Os beats são um estilo esse do Doge Judas.
E ele zoava os caras. E tem uma música que ele fala, I'm Sean Price, but you're not. Daí eu rachava o bico quando ele falava isso. Eu falei, caralho, cara, é um arrogante. Que cuzão, mano. Que da hora. Aí eu fui fazer essa de zoeira no cypher. E o cypher dos gringos que eu via, era isso, falando que era foda. Cypherzinho, não era um bagulho mega estudado. Com uma crítica social. Era só você fazer pelos skills da rima ali. Aí eu fui lá e joguei essa.
Sou o Dom Cezão, mas você não. Como você se sente quando aperta a minha mão? Aí só a galera falando, ah, esse bagulho é muito ridículo, mas ao mesmo tempo...
É bom, tá ligado? E eu sempre fui o cara que eu gostava de deixar esse imprint. Se eu for falar, se eu tiver a oportunidade de largar meu nome, de falar um bagulho ali, eu vou falar, tá ligado? Pra deixar. Pra deixar um bagulho ali, tá ligado? Tem alguns caras que são bons de deixar essa marca aí, deixar ali um bagulho ali. Lembra do Pitbull? Todo mundo sabia quando ia ter uma música do Pitbull. Total, entra ali já característico, tá ligado? É o Mr. Worldwide, né? Tem mesmo essas paradas aí.
E, cara, pra fazer uma... Você falou o lance da Cypher aí. Cara, não precisa ser necessariamente um troço filosófico. Pode ser eu ali... A gente pega ali. Pega pra nós ali, Vitão, uma cerveja, por favor. Sem seu lance filosófico. Então, pode ser pelas habilidades, pelo esporte da rima. Cara, em que medida dá pra um cara estudar e ficar bom de rap versus o cara que...
O cara tem que viver aquela porra pra valer ou ele pode ser só um grande fã e olhar de longe? Estudar? Mano, dá. Termos técnicos, dá, irmão. Hoje em dia dá. Ainda mais com o IA, com tudo, mano. Se o cara for um cara nerd dos prompt, de saber o que ele coisalha, ele consegue minimamente entender, ver um bagulho, jogar, saber temas, fazer... Obrigado.
E uma pessoa que tem uma mínima noção de síntese do bagulho, o cara consegue, tá ligado? Tipo, escrever. Isso que eu quero dizer. Mesmo sem auxílio de A, se o cara tiver uma noção de síntese, quiser fazer... Eu tenho vários amigos que são compositores, que eu escrevo pra outro gênero também. Bom, eu quero beber, então brinda logo aí. Vamos embora, irmão. Obrigado, tá? Mais uma vez. Valeu, cara. Pra poder falar isso aí. Um momento importante pra minha carreira e ter um veículo, um espaço como esse.
É da hora pra caralho pra mim estar aqui. Obrigado também, Vic, por isso. Vamos pra cima aí.
Tu lida bem com essas ferramentas? Mas eu acho que tem que ser a verdade. Tem que ser a verdade. Tem que ser a verdade, tá ligado? Qualquer que seja. Qualquer que seja, isso que vai tornar visceral, que vai fazer aparecer. Mas uma verdade, essa verdade, ela precisa estar ancorada no presente? O que eu quero dizer? Eu sei, eu não gosto pessoalmente, eu acho... Eu sei, eu não gosto pessoalmente,
Eu sei que tem uma representatividade na ostentação. Eu sei que a ostentação pode ocupar um espaço importante de posicionamento, de sonho e tudo mais. Eu não curto. Eu entendo. É tipo Beatles. Eu entendo Beatles, mas eu não gosto. Eu acho chato. Sem julgamentos. Sim, sem julgamentos. O lance da... Eu já vi gente... Porque assim...
Um artista que faz uma música lá ostentando pra caralho lá, falando um monte de coisa que ele não tem de verdade. Alugou um carro ou qualquer coisa assim. Então, mas eu já ouvi o seguinte argumento. Isso daqui o cara tá falando do lugar que ele quer estar. Isso é legal. Por isso, sim. Mas eu digo assim, um outro exemplo. É que eu pensei uma coisa, e você usando esse exemplo da ostentação desse lugar...
se encaixa e eu concordo nisso do sonho acantar o que eu vou construir. Fake it till you make it. Daí tipo, beleza, até aí tranquilo. Só que o que eu acho assim, tipo, uns caras que falam que vai fumar baseado, e você sabe que os caras não fumam um verde pra não sei o que, você fala, mano...
Caralho, mano, o cara não fuma. Qualquer necessidade. Isso fica meio feio, tipo, meio que pra se enturmar. Aí eu acho isso meio zoado, tá ligado? Ah, pra mim passar aqui, aí eu falo isso. Aí isso eu acho zoado, tá ligado? Mesmo que encaixe na estética da coisa... Eu também acho zoado, tá? Eu tô só te provocando. Mesmo que encaixe, mano. Mesmo que encaixe. Eu não acho... Eu não acho da hora. A verdade é acima da estética. Eu acho que é isso que faz ser da hora, mano. Posso te dar um exemplo? Tem um moleque, mano.
Até dar um salve pra ele. Fábio Godem. Participou do disco do Matuê. Que doido do trap. Tem uma estética agressiva. Anda com a motosserra, com o machado. Mano, o bagulho é a verdade do cara, mano. Ele entra, dá uma gritaria. Tem gente mais erudita. Gente que estuda, vai ouvir aquilo. Vai achar um absurdo. Só que eu entendo essas nuances. Eu acho da hora. É a verdade do moleque. Ele entra lá, grita, fala os bagulhos dele. Eu falo, caralho, que louco, mano.
Que louco, eu acho foda. O que ele representa, o que é isso. Às vezes é mais legal do que um texto tal, que o cara tá fingindo que ele é o cara que faz isso, porque naquele... Não, mano. Tá ligado? Acho mais da hora essa expressão. Isso que é original, mano. É isso que é original. Mano, por que o Picasso era o Picasso? Por que o Monet era o Monet? Por quê, mano? Por que você consegue identificar só num traço?
Que é original. É isso, velho. É isso. Num azul. Se for original, é foda, mano. É foda. Pra mim, eu acho louco. E é da hora quando isso consegue furar essa bolha e acaba tendo uma tensão. Não precisa nem ser de nível mainstream, mas uma tensão de cenário. O cara consegue se colocar numa prateleira, tá ligado? Foi tão original que...
Existe isso aqui agora. Tem quem faça isso. Esse mainstream dentro do cenário hoje, ele é justo, na tua opinião? Ele representa, pelo menos, ele é uma colcha de retalho do underground ou do que está acontecendo na vanguarda do hip hop e do rap?
Acho que sim. Tem muita coisa que precisa de investimento pra poder chegar nesse nível de artistas que já estão. Vamos falar um pouquinho então, rapidamente, do Matuê. O Matuê é um cara que pra mim, ele... Tava aqui o Borges e a gente fez um rankzinho e aí eu falei que eu queria que o Matuê fosse maior. Ele riu. Pô, tu queria que o Matuê fosse maior? Eu sim, porque eu queria que os caras escutassem o Matuê lá na Alemanha. Tá ligado? Queria que os caras escutassem o Matuê lá na Rússia.
Tá legal? Lá nos Estados Unidos. Eu também queria. Ele me parece fazer um movimento... Cara, quem sou eu pra dizer que eu tô entendendo o que o Matheus tá fazendo? Mas eu nem gosto de tudo que ele faz, tá bom? Por exemplo, eu gostei do Máquina do Tempo. Depois não gostei de uma porrada de coisa. E gostei do... Puta, acho que é 333 ou não é? 333, que é o antes desse do Estranho. Que é o antes desse do Estranho. Que eu não curti muito, tá legal? Mas o 333...
Irmão, tem um surf rock no bagulho. Tá ligado? O cara toca no... Ele apresentou no Rock in Rio com banda. Tá ligado? Um bagulho doido, então, pra gente pensar. Eu, na minha posição...
como um cara que analisa o cenário. Olha que doido isso. Quanto tempo tem de diferença? Quanto tempo tem de distância entre o 333 e o estranho? Tem pouco, na verdade, né? No silêncio dá pra gente ver na internet, mas eu acho que é um ano. Se for um ano, é muito até. Você viu? Eu acho que é menos de um ano. A gente pode falar aqui o que gerou essa diferença. Qual o rock rock rock que a gente falou no ano passado? Sim, claro. Tá, então...
Não, não. Então, provavelmente, tem mais um pouquinho de um ano. Mas, mano, olha a prula... Independente do que você acha ou não de...
Nível técnico e tal. Mas olha o impacto que cada um desses álbuns causou do mesmo artista nesse pequeno espaço de tempo. Se a gente transferir isso pra arte, diversos tipos de arte aqui, eu citei pessoas da Artista Plástica. Imagina que em um ano o cara pintou todas essas telas. Mano, é quase um prime do cara. Mesmo que você não goste tanto de um outro, é o momento que o cara tá com a estrelinha do Mário brilhando.
Tá ligado? Então tem que respeitar. E tu acha que isso é o quê? Se dá o fato dele se isolar? Porque assim, ele não fala com mais ninguém. Não, muita coisa. Muita inteligência, muita estrutura, muita coisa do cenário. Muita coisa. Muita coisa. Saber o que deu certo, estudar o que deu certo, estudar o que deu errado, ser paciente. E também cair nesse gosto pessoal. E quando você pegou esse momento, você saber como equilibrar, mano.
É como montar esse xadrez. Porque quando você tá lá em cima, é muito fácil de você cair.
Muito fácil, é só como você saber e sedimentando certinho como ele foi fazendo, como ele fez. Está contando uma história gigante, tá ligado? Isso é muito da hora.
Então, várias pessoas que trabalham na equipe dele são pessoas queridas pra caralho por mim. Admiro pra caralho ele como artista. Achei ele um cara foda, mano. Gosto, gosto. Acho da hora o que cria. É diferente. São diferentes rap. Eu sou um cara que eu escuto lá no 1º de janeiro, parte 1, que sempre lança agora nos últimos dois anos. É um cara que é um gênio da nossa cultura. É um cara que é muito foda.
e ele lança todo dia primeiro de janeiro agora nos últimos anos ele tem lançado, então eu consigo escutar isso e pirar e falar, caralho, isso é muito rap aí vê o Engabaú cheio cantando pro Matuê e fala, caralho, isso é muito rap eu sou esse cara, que eu vejo esse pra mim não tem diferença, mano pra mim é isso, tá ligado? pra mim é isso, sei o que tá ali na expressão pode ser o disco do Matuê que eu não gostei e tal, mas tem muita coisa foda, só de ter chamado essa galera do underground, ter colocado o Fab tá ligado?
O Zlatan, que tá com um projeto foda pra caralho, impulsionou, deu uma vitrine pra ele lançar o próximo trampo. Isso é rap pra caralho, abriu várias portas. Mas também não é fruto da galera perturbando ele por ele não abrir porta nenhuma ao longo do tempo?
Mano, você acha que se você for um moleque de 30 e poucos anos, um milionário daquele jeito, no shape, voando, você vai... Pô, se você prestar atenção no que alguém tá falando, você tem que estar com autoestima muito baixa, mano. Uma coisa vai te afetar. Ah, não, eu vou botar isso que alguém tá falando? O cara é um matuê, mano. Ele precisa botar um disco pra agradar alguém? Lógico, é os fãs que sustentam o bagulho. Mas acho que ele fez porque ele quis, mano.
Ele tem esse mood. Imagina que o cara ensaiou um ano com uma banda. Eu tenho uns parceiros que são da banda dele. Ensaiou, fez tudo, fez tudo. Agora eu vou lançar um disco trap de novo, só eu e o Nox aqui...
caralho, mano porque ele quer, mano, não é porque os caras falaram, mano não é, fez o 333 no Rock in Rio fez um monte de show em um monte de lugar quis mudar, mano mudou o bagulho, os caras já falaram até que tem um disco de reggae que foi gravado no estúdio do Bob Marley tá ligado? Acho da hora, quando desdobra de um jeito foda, igual o Lennon faz igual o Orochi faz, igual o Hatch, igual vários gigantes que a gente pode citar
Acho muito da hora quando acontece isso. E os caras põem outras carreiras, outros moleque foda pra caralho ainda. Fala, olha que da hora, mano. Conseguiu trilhar o bagulho e ainda botou várias outras pessoas no mesmo caminho, mano. Hoje em dia no mundo que a gente fala isso, que só tem filha da puta, mano. Só a gente querendo atrasar. Você conseguir mudar minimamente uma perspectiva de vida, não mudar, mas ajudar essa pessoa no momento a ela mudar a perspectiva dela, é muito rico, mano. Eu enxergo, ainda tenho essa visão romântica de mundo.
Acho da hora. Pô, olha a pessoa fez, construiu, ajudou o outro. Caraca, que da hora, velho. E os caras... O rap, de uma maneira geral, conseguiu fazer isso nos últimos 10 anos. Conseguiu mudar várias vidas, mano. Vencer, como eu falei, vencer no capital. Tem mais aí, Vitor? Também.
Rika Monteiro mandou uma mensagem pelo Pix. Salve, Dom! Como você vê o crescimento da rivalidade racial no Rap BR, especialmente entre pretos e brancos, considerando que essa tensão vem do Zéu? Mas Brasil tem uma realidade histórica diferente?
Não, pelo amor de Deus. Primeiro que a gente tá falando, estamos falando de Brasil. População majoritariamente preta. Eu sou um cara que eu tenho essa leitura social de um cara branco, mas a minha família é praticamente uma família preta. Então eu sei o que é minimamente e o que significa isso na sociedade. Então jamais. O rap é um movimento preto. Eu acho que não existe essa rivalidade assim.
Porque é um lugar do povo preto, é um lugar ali de...
de proteção do povo preto, mas quando a gente fala de sociedade brasileira, quando a gente fala de mundo, o mundo é racista pra caralho, a gente sabe como que é, a gente sabe como que é. Isso, infelizmente, com essa polarização tudo, quem tende a perder, geralmente é o povo mais fraco, em quem a gente tem que... Eu acredito nessa visão, sabe? Eu acredito na vida, acima de tudo, em viver. Se tem alguém sofrendo, se o povo está sofrendo, se o povo está morrendo, se tem alguém que está sofrendo...
Vai virar as costas? Você como branco, o mínimo que você tem que fazer é prestar atenção e falar.
Então, trazendo isso um pouco pro rap, que é a nossa cultura, é o que a gente tava falando, debatendo aqui até agora, o rap é o espaço dos pretos, criação, vida, cultura, história, amor, tudo. Quando a gente chega como cara branco, a gente tem que chegar como respeito. Por isso que eu tive respeito pra fazer essa música, mano. Imagina eu, um cara branco, falando um monte de bagulho assim, pra um monte de gente que tá lutando, fazendo o corre acontecer pra viver.
Eu não quero acabar com a carreira dessas pessoas, jamais, mano. Eu lutei pra eles estarem onde eles estão.
tá ligado? Jamais, mano, eu acredito nisso sou um cara que eu sou filho de uma avó preta de um vô preto sei o que significa isso sei o amor tudo que eu aprendi com isso, tá ligado? então a minha visão ela tende a ser uma visão mas assim, eu sei que no Brasil hoje é absurdo às vezes com a ampli...
Com a amplitude de visão que a gente tem aqui das pessoas, todo esse desdobramento aqui do flow. Tem um monte de pessoa que pode estar achando um absurdo o que eu estou falando. Caralho, é o cara branco que o cara está falando, mas eu acho que é isso, mano. A gente tem que pensar... Eu sou sempre um cara que pensa assim, mano, tem alguém que está passando por um problema, tá? Está sério. O que está acontecendo? Estão pessoas que estão morrendo?
Porra, minimamente o que a gente pode fazer é prestar atenção, mudar. O que mudar pra fazer pra essas vidas parar de ser ceifada? O que fazer? O que dá pra gente fazer? Não tô falando mudar. Ah, vai lá, vamos fazer um selo de rap, um selo pá. Não, cada um faz o seu.
É só igual a gente tá falando, as mulheres tão morrendo todo dia, mano. Aí os caras ainda vão lá e falam assim, não, um bagulho que é foda, até, eu tô citando isso aqui só pra dar um exemplo, eu vi o bagulho lá do Brasa, lá do Brasil. Aí botaram a designer lá, mano, você acredita que, você acha mesmo que uma empresa daquele tamanho, a designer que tá apresentando a roupa foi quem que criou o slogan?
Uma empresa desse tamanho. Daí botaram a cara da mina, franjinha, tudo, estereotipando a mina. Tipo assim, daí você abre, o primeiro comentário que eu vi. Primeiro bagulho, eu vi mulher no futebol só podia dar... Entendeu? Já abre margem pra isso, mano. Então se a gente não tivesse esse diálogo de falar assim, mano, tipo assim, pelo menos pra conversar, vai normalizando uns absurdos que é foda. Aí depois acaba, mulher é foda. Mano, é foda por quê?
O trampo da mina foi perfeito, ele é designer, a camisa é bonita, mano. O bagulho é o slogan.
É o slogan. Você acha que foi ela que criou a LED Design, né? Quem criou o bagulho foi o publicitário lá, o cara do marketing que mandou a porra pra ela. Ela segurou a peteca apresentando como única brasileira no escritório. Não, você é brasileira? Fala lá. Ainda se fudeu, né? Se fudeu. Aí eu acho que é foda. Eu acho esses discursos. Prestar atenção. Vida das mulheres que estão sendo pretas. Povo preto. Tá morrendo toda hora.
É isso, é só você prestar atenção, mano. O que você, como uma pessoa branca, pode fazer pra isso não continuar acontecendo? Não é difícil, cara. É simples, mano. Só não matar e não ajudar a matar mais, caralho. É simples, não é difícil. Acho que também é muito... Minha visão política é justamente assim. Não é na horizontal, esquerda e direito. É na vertical. Quem tá em cima, quem tá embaixo. Por que as pessoas tão morrendo? Sem acesso, sem um monte de coisa.
É só isso, pô. Tinha que ser igual. Pra mim, é só isso. E acho que, falando de preto e branco, como foi a pergunta do amigo, resumindo, é...
É isso, tá ligado? Boa. Entendido.
É isso? Então, pô, Dom Cezão, muito obrigado pela moral. Obrigado vocês, mano. Obrigado pelo seu tempo. Obrigado pela conversa. Falamos. Espero que tenha sido legal pro pessoal que acompanhou, pro pessoal que... Pra mim, ajudou a entender bastante sobre o que é, como foi e o que é, na real, a cena. Tá ligado? Porque pelo visto, tu estudou pra caralho, ouviu pra caralho, tava presente em boa parte.
E pra mim foi enriquecedor. Cara, isso daqui é a tua câmera. Se tu quiser falar alguma coisa com a galera que tá aí com a gente.
Meu povo, queria agradecer primeiro aí todas as pessoas que ficaram ao meu lado aí ao longo dessa trajetória aí triste que eu falei. Eu podia estar aqui agradecendo só sobre a música, mas quero agradecer minha família, minha esposa, meus filhos, todo mundo que teve do meu lado, meus amigos que ajudaram eu a reconstruir esses passos aí novamente. Queria dizer pra vocês, o EP tá nas ruas, é um EP, não é só uma D, são três músicas. Esse ano eu faço 18 anos de carreira.
são 18 anos dedicado com muito amor a isso, então eu decidi retornar dessa forma também como MC, que é como eu comecei. Então estou lançando esse EP, final do mês de abril tem outro, esse ano vou lançar mais dois EPs, sem ser esse do 100 Anos de Perdão, mais um disco no final do ano, relançar meu vinil do Bem Vindo ao Circo. E agradecer aí todo mundo que deu essa força nessa música, porque querendo ou não, independente do tema, ela é uma arte, é uma criação.
Tô voltando, fazendo o que eu mais amei na minha vida. Queria agradecer aos parceiros que fazem esse sonho aí, também continuar, que é o Somos Mais Que Música. Tem muito artista, muita gente foda que coloca amor, coloca dedicação nisso. A gente lançou mini documentário sobre o Tiaguinho, sobre a história de vida dele. Uma visão, é um cara que vocês precisam conhecer a história. Tiaguinho.
É um artista foda, se vocês entrarem lá no meu perfil, no perfil da Somos Mais Que Música, vocês vão ver. Lançamos o disco daqui, Labi, do Yangtze, tem o Sexta, que é um moleque de Recife foda, que a gente vai lançar esse ano. Merece uma atenção, então são pequenas pérolas que a gente vai vendo.
e vai percebendo, e se Deus quiser, muitas pessoas vão sentir essa mesma coisa que eu sinto quando eu conheço a arte dessas pessoas. Então, você que acompanhou aqui, vocês que estão abertos ao diálogo, a conversar, obrigado, Flo, todo mundo que trampa aí, os parceiros aí, tudo que fizeram isso aí acontecer. Obrigado, Igor, mais uma vez pelo convite. É nós, meu povo, tamo junto, agora vamos beber, já era. Já lançou a música, já falou sobre esse bagulho, agora vamos viver.
Ó, vocês aí, ó, muito obrigado pela moral. Segue o Dom Sessão, a gente vai deixar tudo aqui no comentário fixado pra ficar facinho pra você que tá assistindo aqui no YouTube, tá bom? E vira membro também, cara, que a gente tá assistindo conteúdo exclusivo pros membros aí todo dia, cara. Custa menos de oito reais, não dá nem pra comprar uma seda, tá bom? Então, é... Muito obrigado pela moral e a gente se vê depois, tá bom? Beijo, tchau.