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GEOPOLÍTICA COM VICTOR DEL VECCHIO E ANDRE MARTIN - Flow #600

12 de maio de 20262h35min
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Como a geopolítica influencia a sua vida.

CANAL DELES: https://www.youtube.com/@victordelvecchio

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INSIDER

O Igor usa Insider há tanto tempo que a Tech T-Shirt já virou uniforme. Se você ainda não comprou, aproveita e usa o cupom FLOW pra ter logo a sua!

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Assuntos6
  • Política de TrumpImprevisibilidade como estratégia · Teoria do cachorro louco · Dobrar a aposta e janela de oportunidades · Impacto no soft power americano · Construção de imagem vs. conquistas reais · Tentativa de golpe de Estado e falta de responsabilização
  • Monitoramento de informações e análise geopolíticaEvitar fanatismo e torcedor fanático · Análise crítica de fontes · Viés em notícias e análises · Guerra informacional e narrativa · Importância da mídia tradicional e diversidade de fontes
  • Armas NuclearesRisco de guerra nuclear e Armagedom · Armas nucleares táticas (NUCs) · Desnuclearização e o paradoxo da dissuasão nuclear · A necessidade de um governo mundial vs. equilíbrio de potências · Instabilidade do sistema unipolar e a busca por bipolaridade
  • Atuação de Lucia na políticaFenômeno de políticos vindos da mídia e entretenimento · Jânio Quadros e a bizarrice política no Brasil · A busca por um 'salvador' em tempos de crise · Política como negócio sério e a necessidade de jogo de cintura · Sentimento anti-sistema e a ascensão de outsiders
  • Comparacao Guerras HistoricasCrise de Suez (1956) · Crise dos Mísseis em Cuba (1962) · Tensão EUA-URSS com foguetes na Alemanha Ocidental (1983) · O papel de Eisenhower e Khrushchev
  • Guerra na UcrâniaErro de cálculo de Putin sobre a facilidade da invasão · Comprometimento da ordem internacional pós-Segunda Guerra · Objetivos de Putin: Ucrânia fora da OTAN · Estratégia da OTAN: drones e foguetes potentes
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Tá bom, salve a sua família Bem-vindos a mais um Flores, eu sou o Igor E hoje eu vou conversar com o Vitor Del Vecchio É assim que fala? Isso mesmo, certíssimo Alguma coisa parecida com isso, né cara? Não, foi preciso, eu diria

Como a gente estava dizendo antes, o cara é mestre em Direito Internacional. E aqui do lado dele, o tio dele, André Martim, que é professor... Cara, só dando aula, o cara tem quase 50 anos. Isso mesmo, comecei em 78. Puta merda, cara. Dando aula de quê? Geografia.

Professor de Geografia, desde 78. Bom, e aí a primeira vez que eu vi vocês e que eu parei e fiquei vendo, vocês estavam sentados, acho que eu estava bem casual num sofá, eu estava num banquinho, ou os dois num banquinho, e aí tu perguntou uma parada assim, de alpolítica, e ele deu ali, eu fiquei, caralho, o coroa, maneiro, maneiro, maneiro. Aí eu fui entendendo que era assim, é onde tiver e der para rolar um papo, vamos embora. Então eu já vi jogando...

Futebol de botão, né? Comendo pizza. Comendo pizza e por aí vai. Na real, a gente só passou a gravar, porque essa nossa resenha sempre existiu, né? Então, pô, meu tio me conhece desde que eu nasci. No primeiro dia de vida, ele foi lá levar meu macacãozinho do Corinthians. E, pô, a gente sempre cresceu. As pizzas de domingo é sempre geopolítica, tentar entender o mundo, se Brasil também.

E aí uma hora eu falei, pô, o mundão tá muito doido, deixa eu tentar gravar alguma coisa. Foi no Natal do ano passado, né, tio? Foi, começou lá. E aí, pô, eu vi que a internet gostou, falei, vamos ajudar aí a trazer luz pra essas discussões. Eu acho maneiro, eu acho interessante, é toda a vibe, eu acho interessante.

Bom, a gente vai conversar aqui um monte sobre geopolítica, obviamente, e sobre outras coisas, sobre o que vier. E se você quiser participar, cara, tem aqui o QR Code do LivePix, fica à vontade, manda aí as mensagens. O Gênero vai escolher as cinco melhores e vai mandar para mim, e eu vou ler aqui no final do programa, tá bom?

Acho que é isso. E eu queria mandar um salve também para os parceiros de hoje, que é a Insider e a Felipe Meade. Bom, da Insider eu vou falar de uma vez, cara, porque isso aqui é importante. Tu aí que já ouviu falar de Insider um monte de vezes e fica pensando, pô, não sei se eu devo, cara. Será que eu...

tento, não sei o que. Cara, sim, você deveria tentar, tá bom? Spoiler, você vai amar. Mas, cara, a Tech T-Shirt, por exemplo, é o melhor lugar, talvez, pra você aí experimentar a qualidade das peças da Insider, tá bom? E tá rolando o cupom FLOW, que te dá 15% de desconto na primeira compra. Então, cliente novo, que é você, que nunca experimentou, tem essa vantagem de ter um cupom com um pouco mais de desconto.

pra você experimentar a Insider aí, dá pra você começar pela Tech T-Shirt, que eu aposto que você vai se amarrar, tá bom? Bom, então entra lá em insiderstore.com.br, ou então o link que tá aqui na descrição, e usa o cupom FLOW pra você experimentar a tua Insider aí pela primeira vez, eu vou te falar que, porra, foi assim que eu me apaixonei, tá bom? Dali eu fui pra cueca, dali eu fui pra... Bom, agora a maior parte das minhas roupas é Insider, né? Isso que é verdade.

Então, tenta você também, tá bom? E aí a gente tava falando aqui um pouquinho antes de começar, cara. Bom, na verdade a gente tava falando de como você gosta de futebol de botão. Isso, adoro. E como tu joga futebol de botão desde os seis anos de idade. Faz tempo. E aí a gente foi conversando, chegamos aqui como é que o André Martins se informa, né? Já que é um cara que não tem um celular, né? Então senta no computador, dá uma olhada. Mas antes de tudo, cara...

Quais são as habilidades que você, André, que você também, Vitor, acredita que um cara deveria ter para ele, não sei, não se tornar um expert, mas prestar atenção e se informar com qualidade do ponto de vista...

da geopolítica. Que cuidado eu tenho que ter? Porque, ó, quando eu vou ver lá coisas sobre... Lá no começo do problema de Israel com a Palestina, aconteceu uma bomba em um hospital.

que até hoje eu não sei quem explodiu o hospital. Não seja relevante para a gente ter uma opinião sobre o conflito, mas até hoje eu não sei quem explodiu aquele hospital. Por quê? Porque eu leio uma fonte, diz uma coisa, eu leio outra fonte, diz outra coisa, então me parece obscuro. Até o ato de tentar me informar. Então, que habilidade a gente tem que desenvolver nesse sentido? É, muito boa pergunta. Eu diria que a primeira coisa é evitar o torcedor fanático.

de qualquer um dos lados. E se tu tiver a fim de saber a verdade, né? E aí, complementando, lembro, já que até começamos falando de futebol, meu pai falava pra mim, paixão sim, fanatismo não.

Eu sou torcedor apaixonado pelo Kunit. É fanático, não. Se foi gol roubado, foi roubado. É verdade. Eu também sou assim. Vamos mudar a história. Então, no caso, por exemplo, de Geopolítica Guerra, que tem muita informação...

trocada e furada, como é que a gente tem que fazer? Primeiro evitar um pouco isso. Então, muita torcida. Eu fico sempre com o pé atrás quando a notícia é muito bombástica demais também.

E para ser franco, vai para ir direto ao ponto. Por exemplo, nesse episódio agora que envolve Estados Unidos e Irã, quem é que eu estou pegando? Eu estou pegando os analistas americanos que já trabalharam para os Estados Unidos, mas que agora estão em uma posição crítica.

ao governo, e portanto não é um pessoal anti-americano, você não vai poder falar que eles são anti-americanos, eles são patriota americano, mas que estão com uma visão crítica. Então é esse pessoal que eu tenho mais procurado ler, para me informar, porque eu acho que eles ali, primeiro, eles trabalharam no Estado americano, então eles têm fontes na CIA, nos marines, então eles têm fontes, e não vão falar besteira, porque eles têm reputação.

E é interessante isso que tu falou, que eles têm uma posição crítica ao governo, então dá uma... Mas isso também é um viés, então é importante saber disso. Então acho que a primeira coisa aqui é saber que fonte que é. E não...

vi aí, num jornal. Saber de onde vem parece ser determinante no fim das contas. Porque, veja, até pra formar opinião sobre aquilo. Se você sabe que o cara trabalhou pro Estado americano, ele, portanto, deve ser patriota, não sei o quê. Agora, ele tem uma visão crítica ao Estado americano e você tem essa informação porque você é você, talvez. Não sei se é tão claro. Não sei se o cara escreve isso na bio dele do Instagram. Acho que é mais sobre você analisar ali e entender. E aí,

Eu adicionaria um ponto aqui, Igor, que hoje, inclusive as guerras, elas se dão não só no campo de batalha ali, trocando tiro, atilharia, etc., mas também no campo informacional. Então você dominar uma narrativa, você fazer com que a sua versão da história se sobressaia ali, é uma forma de você também ganhar terreno nessa disputa.

Então, assim, eu acho que, pô, talvez se eu puder dar uma dica para o nosso ouvinte que tem essa preocupação em não consumir conteúdos que deixem ele muito enviesado para um lado ou para o outro, é, assim, se mantenha curioso e desconfiado, né? Analise diversas fontes, entenda que...

analistas, jornais, eles sempre vão ter um viés, né? A gente disse que o jornalismo, ele tenta ser neutro e tal, ele procura, tem que ser neutro, mas, no fim das contas, acaba tendo um direcionamento ali, né? E eu acho que, ainda mais hoje, em era de, ao menos em que a gente vive essa democratização da produção de conteúdo, em que cada um pega, qualquer um pega seu celular e bota a sua opinião na internet, também tem muita coisa que, pô, ou é enviesada demais, ou não dialoga com a realidade.

então eu acho que assim não dialoga com a realidade é foda, famoso é mentira tá mentindo pra cacete

o advogado calma aí, pô o jurídico me recomendou de falar dessa forma mas é isso, né, cara senão, porra, você eu acho que, pô, a mídia tradicional ainda tem um papel importante nisso aí, sabe da gente não fugir muito mas eu acho que às vezes a mídia pode deixar de ser tão crítica quanto ela poderia então por isso que também você beber de diversas fontes assim

isso que ele falou é muito bom porque também eu vejo o outro lado então por exemplo tem um site trumpista, eu leio também eu leio o pentágono oficial do pentágono eu leio também, entendeu? então ele tem razão tem que ver as duas coisas e aí você balanceia

Só uma curiosidade, várias vezes eu já sofri tentativas de cancelamento, alguém chega para mim e fala, pô, o que é isso? Você segue o Bolsonaro, o Lula, não sei o quê? De que lado você está falando? Irmão, eu estou absorvendo informação de todos os lados. É parte do meu trampo coletar isso. E eu tenho que seguir gente de diversos espectros políticos que eu nem concordo, às vezes, mas que eu estou ali aprendendo com aquela pessoa.

Afinal, como é que tu vai saber o que o outro cara tá pensando? Porra, a gente tá falando de se informar. Não estamos falando de se... Nem nesse caso, de se educar. Exato. Inclusive, a educação, ela é com certeza...

interpretar o que está escrito é uma habilidade que, no fim das contas, é construída. Vamos lá, se eu não faço ideia do que está rolando no mundo de forma nenhuma, é porque eu não estava olhando e eu começo do nada, eu ler uma notícia.

E ler essa mesma notícia com, nem que seja uns cinco aninhos, prestando atenção no que está acontecendo, é outra história. Claro. Então o repertório, no fim das contas, é importante também. Mas eu acho que a ideia de que não se deixa levar pela... Acho que a desconfiança é muito importante. Porque no fim das contas, todo mundo tem viés.

E é muito confortável você ler coisas que só confirmam aquilo que você já acha e já pensa sobre o mundo, né? E é por isso que a galera também às vezes se afunda nesses buracos de informação, de acreditar numa coisa que só faz sentido no universo dela, né? Pega essa galera que acredita em terra plana aí. Porra, até você tirar um maluco dessa daí já era. É batalha perdida.

Verdade, verdade. A dúvida hiperbólica que eles falavam. Duvidar sempre, até você chegar numa conclusão mesmo. Mas o que é a conclusão? É o esclarecimento. Você está esclarecido. Você viu os dois lados, você tem uma interpretação, você acha que aquela que é mais viável de ser verdadeira, aí você está esclarecido. Eu acho que é o grande problema nosso na hora de votar, por exemplo. Será que a gente está esclarecido? Não.

Mas também os amigos não ajudam, né? Tipo, os caras não falam muito claramente o que eles querem, o que eles pretendem. É verdade, é verdade. Sempre cria confusão, né? É sempre, ah, não, só não vota no outro. Promessas fáceis, né? É, é. Mas tá bom, então já que tu é... A gente tá falando aqui de olhar...

as coisas de um lado, de outro, pra ter uma ideia, usar o próprio repertório pra tentar chegar ao esclarecimento? Vou fazer uma pergunta difícil. Vocês acham que o Trump tem um plano ou ele é que nem um cachorro louco? Ele vai só...

Correndo, abraçando as oportunidades. Muito boa pergunta. Eu acho que um pouco as duas coisas. Porque fazer o louco é uma teoria. Inclusive, ele puxou isso daí do Israel, que faz o cachorro louco. Qual é a teoria do cachorro louco?

é perigoso demais para você chegar muito perto. Entendeu? Então, ele faz um pouco esse papel. Inclusive, essa coisa de mudar muito de opinião, deixar todo mundo confuso, até certo ponto tem um plano aí. Porque você deixa todo mundo meio apreensivo e aí você vai levando...

Mas, na verdade, na minha opinião, isso também esconde a falta de um plano estratégico mais de longo prazo mesmo, entende? Porque ele vai ganhando tempo. Ele vai ganhando tempo. Essa aqui me parece que é a jogada dele. Então, ele dobra a aposta. Tem até um nome isso daí, né?

que é a janela de oportunidades. Quando você recebe um contravapor, o que você faz? Você aceita? Não, você dobra a aposta. Você fala, não, não, mas eu... É que nem truco, né? Jogo de truco, você dobra a aposta e vai levando.

Então é um pouco isso, ele teria, que nem agora, ele vai levando. Então ele fala assim, ah, não, cessar fogo. Só que no meio de cessar fogo tem fogo. Então, né, ele vai levando, né. É um pouco assim. Então eu acho que mistura um pouco. Dá pra confiar no que ele fala, cara? Ele fala A no Twitter e talvez valha pelas, sei lá, pelas próximas 24 horas, vai. Né?

Olha, eu entendo que o Trump usa a imprevisibilidade enquanto estratégia. É isso, né? E o problema é justamente isso que meu tio trouxe. Isso pode fazer sentido e até, pô, em alguns casos, por exemplo, no tarifaço lá, que ele chegava, pô, batia na mesa, tacava a tarifa lá no alto pra depois negociar uma posição mais confortável pros Estados Unidos. Ele fez isso alguma vez no primeiro mandato? Alguma coisa parecida? Nesse grau, eu acho que não.

Mas eu lembro que ele já, assim, ele, né, não é... Não tinha um grande compromisso com a verdade. Então, mas agora é essa meteção de louco do tarifácio.

funcionar, não abriu as portas pra outra admitação de louco, é isso que eu quero dizer, entendeu? Porque veja, ele no primeiro mandato, não tô dizendo que era suave, mas era mais suave. Sim, com certeza. Então, nesse agora, ele logo de cara lança essa tarifácia, pega todo mundo de calça riada, meio que ele vê que ele manda mesmo em alguma medida, em boa medida, né? E cola.

Porra, então eu vou fazer um resort na Palestina. Sei lá, vamos ver se cola essa porra. Agora ele deu um cavalo de pó. Porque até então eles estavam meio na linha de não, vamos manter a globalização, a gente tem uma disputa com a China, mas vamos levando e tal. Agora que ele ganhou esse mandato, ele se sentiu fortalecido, aí ele deu um cavalo de pó. Ou seja, ele inverteu tudo. É protecionismo.

Nós estamos parecendo a época do mercantilismo. Tanto é que esse navio é pirata, eu vou pegar, porque ele não está autorizado. Quem autoriza? Você que autoriza? Eu acho. Parece a época de Tordesilhas.

Eu não sei se você concorda comigo, tio, mas eu acho assim que também ele usou o primeiro mandato como um teste para ver o quanto ele podia esticar a corda. E aí, vamos lembrar que o Trump tentou um golpe de Estado, né? E ele não foi responsabilizado juridicamente por isso. O cara não foi preso, pouca gente respondeu na justiça pelos atos lá no Capitólio e tal. Então, eu acho que assim, isso foi um grande teste e agora ele...

Se elegeu, falou, pô, a galera gostava daquele projeto, eu vou dobrar a aposta. E é isso, essa loucura que a gente está. Mas aí acho que vem outra treta. Alianças geopolíticas, mercados, eles se fundam muito em previsibilidade.

Confiança. Confiança, né? Você não quer fazer negócio com um cara que amanhã vai meter o louco e botar uma tarifa gigantesca. Você não quer confiar seus segredos militares e sua própria defesa num cara que começa a falar que vai mudar de lado no dia seguinte, né? Então, assim, eu acho que essa estratégia dele está ruindo, né? E eu acho que isso está, inclusive, contribuindo para toda uma mudança.

de ordem mundial, que é outra resenha que a gente pode entrar daqui a pouco, mas que é isso, o Trump mexeu no grau de confiança dos mercados e das alianças militares do mundo de um jeito que elas não vão simplesmente voltar. Então ele mandou mal, até agora ele tá mandando mal. Olha, eu acho que sim. Eu acho que o saldo é negativo pra ele.

Eu concordo, porque uma coisa que os americanos sempre tiveram, que dizem até em inglês, é o soft power, o famoso soft power. Poder brando, poder cultural, diplomático, ideológico. Comer os McDonald's usando calça jeans, ouvindo música no iPhone, ouvindo Rolling Stones, sei lá. Liberdade, liberdade. Todo sonho americano que a gente sonha. Inclusive, eu estou com o cabelo comprido desde o distoque.

Tá certo? Pô, desde quando foi isso? Faz tempo. Desde 69, né? Porra. Até o pessoal pega no meu pé. Eu tava vindo do Woodstock e não chegou ainda, né? E eu continuo ouvindo as músicas de Woodstock, que, desculpe, acho que eram melhores. Mas tudo bem.

Isso é outra história. Mas, enfim, esse soft power americano, ele derreteu com o Trump. Que é só esse papo de ódio, paulada, aquela coisa de... Ele não queria o Nobel da Paz, cara? Pois é. Como, né? Tu acha que ele ficou muito puto que a Corina ganhou e... Ficou. É, então foda-se, agora eu vou estourar essa porra. Ficou, tanto é que ele nem ligou pro... Ele jogou fora o negócio, ele não ligou. Agora não quero mais. Que nem aquela criança que deu brinquedo, depois que... Agora não quero mais, não brinco.

Ele ficou marado com isso, sem dúvida. Mas essa era a missão dele, porra. Agora ele tá fazendo o contrário. Eu não tenho umas fotos dele antigona com a pomba branca? Meu caralho. Ele falando de paz no mundo, não sei o quê. Sim, sim. Cara, mas o Trump é especialista em querer parecer as coisas. Até parecer um empresário de sucesso ele conseguiu. Sendo que você pega isso tudo a fundo da biografia dele. O cara, tipo assim, ele é um Apple Baby, um filho de um cara rico pra caramba.

Só que ele não teve um grande sucesso profissional. Eu diria que o que ele realmente fez muito bem é construir uma imagem dele. De um puta de um gestor, de um empresário foda, de um cara que... Influencer, a gente tem influência. Pois é.

Só que assim, você estuda mais a fundo quais foram as grandes conquistas comerciais que ele fez. Cara, ele não é um puta de um gestor. Ele é um cara que já nasceu com muita grana, continuou ali mantendo o patrimônio da família e conquistou, sobretudo, influência. Mas não um grande ganho de capital decorrente da puta gestão que ele faz, não.

É isso, o cara é bom em falar que ele é bom. E ele continua usando isso até hoje. Que invejoso. Muito invejoso, né, André? Porra, eu queria ser o Trump, velho. Eu já vou começar a fazer um bronzeamento aqui pra ver se eu começo a chegar perto dele. Mas eu acho que ele pegou, foi por causa do bordão. You were fired.

você tá demitido foi isso aí que o pessoal gostou é isso aí que o pessoal gosta porque mostra o cara poderoso e tal, uns davam risada outros ficavam meio assim mas ele mostrava poder então eu acho que isso gerou um pouco essa imagem de que ele sabe o que ele tá fazendo mas não sei se é verdade então, o que vocês acham? bom bom

Os Estados Unidos não têm muito a cultura de eleger uns caras muito fora da curva, que nem o Donald Trump, né? Rolou... O que está acontecendo no mundo que está aparecendo uns caras assim que nem o Zelensky, que também não era da parada, né? Ele era comediante. Isso. Então...

Isso não é novidade? Ou é novidade? Eu acho que isso está esquisito. O Reg7, por exemplo, também era da televisão. Secretário de Guerra do Trump. Ou seja, está vindo um pessoal. O Berlusconi já começou com isso na Itália. Está vindo um pessoal que é animador de programa e que está entrando na política de cabeça muito estranha.

Olha, se você for ler o que era nos anos 30, começa o fenômeno do fascismo, sabe como? Pode pegar até o próprio Mussolini. A chamada bizarrice política. O cara era bizarro. O Hitler era bizarro, entendeu? Aqueles discursos histriônicos. O Mussolini era... Ah, é? Aquilo era bizarro? Era bizarro. O Mussolini esfregava gelo no peito para mostrar que era fulidão, não sei o quê e tal.

Entende? Então, o bizarro. E eu aqui, quando eu era criança, eu também vi o bizarro. Era o Jânio Quadros. O Jânio Quadros fingia que desmaiava de fome no começo, que não tinha comido de manhã. Aí tirava um sanduíche de mortadela do bolso.

foi daí que surgiu os mortadelas eu acho que foi, exatamente então era isso mesmo, que era a turma do Jânio entendeu? então essa bizarrice eu também não sabia não o Jânio tinha essa daí ele jogava talco num paletó pra fingir que era caspa

Caralho, queria parecer fudido Fudido, exatamente Tipo um cara do povão É, tipo o político que vai tomar Vai comer pastel e beber Café no copo de vidro Hoje em dia, no copo americano Cara, mas é que hoje meio que tem pra todo mundo Tem também o político que apareceu fodão Entendeu? O bem sucedido Eu não preciso da política, mas cá estou eu Entendeu? Mas porra, meu irmão

Vai tomar no seu cu, né? E o papo do que já é rico não precisa roubar. Calma aí, pô. Calma aí. O que é rico, né? Pra começar. O que é rico? Exato. Mas vamos lá. E você sabe, eu acho, né? Não sei se você concorda comigo, tio, mas... Assim, eu acho que o mundo, ele tá passando por transformações que estão mexendo muito com um bem-estar que algumas regiões até então tinham. E com isso, você começa a ter...

a necessidade de encontrar um salvador. Então, a política tradicional, ela caiu num lugar que as pessoas acham que ela não consegue mais responder aos problemas que o mundo tem. Então, você precisa de um cara de fora que é o salvador, sabe? Aí, você pega esses famosos outsiders. Então, o cara é um bom gestor. Não, o cara é um famoso comediante, sabe? Porra.

É isso, né? E aí as pessoas esquecem que política é um negócio sério pra cacete. Que política é o maior potencial de transformar a sociedade pra melhor e pra pior. Então se a gente começa a botar qualquer Zé Ruela lá achando que ele vai chegar e mexer, que é só falta de vontade, cara, não é falta de vontade. Você tem que ter jogo de quadril, você tem que entender como é que as coisas funcionam pra costurar alianças, fazer projetos que beneficiem a sociedade, né? E isso não é simples, né?

Por isso que o voto ficou mais difícil. Então tem que estudar um pouquinho mais. Fazer diferente. Porque o pessoal... Ah, mas os políticos são tudo igual. Você acha que são tudo igual? Estuda um pouquinho melhor. Mas é justamente esse sentimento que abre porta para um cara falar que eu sou antissistema. Antissistema. E aí ele... Que é o caso do Trump. Que a gente estava falando aqui no começo. Eu lembro quando ele disse que ia ser candidato.

Da primeira vez, eu chegando de bike na casa de um amigo meu, apertando o elevador, subindo aqui assim. Aí ele abriu a porta e disse assim, caralho, mano. Tu viu que o Trump vai ser candidato? Aí eu, fodeu, mano. Eu acho que ele vai ganhar. Aí ele, vai ganhar nada não, mano. Aí eu, vai ganhar, mano. E ganhou, mano.

Ganhou. Pois é. E aquela história, aquela lenda de que ele teria recebido a notícia de que ele ganhou? De cabeça baixa, assim, quando, pô, tu ganhou, tu ganhou. Ele, cara, é isso então? Eu sou um enviado de Deus, só pode ser isso. E aí você pegou uma coisa perigosa. Porque tem um grupo, o grupo dele, inclusive o Reg7 principalmente, que eles são desse grupo meio fundamentalista.

que acha que o mundo está acabando em armagedom nuclear, eles acreditam mesmo nisso, e defendem mundo da Bíblia, de profecia. É o chamado messianismo político. O Trump eu acho que não é tão sincero, mas o reggae set é fanático. E tem um grupo com ele que está nessa e é muito perigoso. Que doideira. Porque eles, inclusive, oficialato embaixo, eu já li isso, do Pentágono.

O Pentágono preocupado, que tem muito oficial na linha de frente, achando que a guerra vai terminar como guerra nuclear e que não tem jeito e que nós estamos chegando nisso mesmo, é o Armagedon, é o juízo final. E o que tu acha? Tu acha que não deve ser, né?

Esperamos que não, né? Tu acha que... Vamos lá. Tem um monte de coisa importante em jogo ali, né? Então a gente tem o controle do Estreito de Hormuz, a gente tem o controle maior ou menor da região em si, né? Então quem tá olhando pra aquela região ali vai...

Maior. Então, mas vamos dizer que Estados Unidos e China, pelo menos, que são os grandes antagonistas nesse momento da história da humanidade, estão de olho no que está acontecendo ali. Estados Unidos de forma direta e a China, não sei, com certeza de forma indireta. Então, uma guerra nuclear ali, não sei se interessa a alguém, no fim das contas.

A guerra nuclear não interessa a ninguém. Ela existe para justamente impedir a guerra. É maluco. É uma coisa maluca. Porque aí você sabe o que eu tenho, eu posso retaliar, então evita-se. Até agora funcionou. Mas é perigoso, porque eu diria que só vamos resolver isso quando todas as potências abrirem mão da arma nuclear.

É difícil, mas não é impossível. Mas quando todas as potências abrirem a mão da arma nuclear, fodeu porque vai ter guerra pra caralho. Ah, não, aí não, né? Também não, né? Eu só não te ataco porque tu tem uma bomba. Agora que tu não tem uma bomba... Por isso que não vai ser tão simples, né? Mas a gente tem que caminhar num sentido de pacificação do mundo, né? Porque, veja...

qual é o drama? Bom, então, para poder ter assento no Conselho de Segurança, tem que ter a bomba atômica, ao contrário. Então, todo mundo vai se armar com bomba atômica? É aí que nós vamos se sentir seguro? É a mesma coisa que andar na rua. Todo mundo armado, a gente se sente seguro? Não, né? Então, não tem que fazer o contrário. Uma sociedade é o contrário, desarmada, que vive numa boa... Dá para pensar desse jeito. Eu acho que o único jeito da gente se unir para valer, meu irmão, é se vier uma... Falando assim, para valer?

é se vier uma ameaça alienígena. Tirando isso, meu irmão... Tem que achar o inimigo em comum. Tirando isso, meu irmão, é sempre um achando que é melhor que o outro. É assim a história da humanidade. Isso é difícil, mas aí teve duas fórmulas até agora. Uma que pensa assim, um governo mundial. Já teve, por exemplo, quando se fez a catequese aqui, o Papa dominava o mundo, então era o governo mundial.

através do Papa. Depois que caiu o Papa, como árbitro das questões internacionais, que foi na Guerra dos Trinta Anos. O que aconteceu, tio? Foi o seguinte, o que aconteceu? Você tinha o domínio de Portugal e Espanha abençoados pelo Papa. Os dois reinos cristãos dividindo o mundo entre si.

Mas outros chegaram e não tinha para eles. O primeiro foi o rei da França, que era cristão também, e perguntou, mas cadê? Eu quero saber se tem um atestado aí. O testamento de Adão. Está dizendo no testamento de Adão que ficou só Portugal e Espanha, dono do mundo?

tirou um sarro do Papa, começou conflito ali. Pois bem, então começou França, Países Baixos, Holanda e Inglaterra, desafiar o monopólio de Portugal e Espanha. Começou daí. E no meio disso, a Holanda também protestante, Portugal e Espanha católico, também guerra religiosa, começou na Alemanha, protestantismo e tal, pegou fogo. Ou seja, teve a guerra dos 30 anos.

que misturou religião com questão das potências. Então, isso dividiu o mundo de novo. E aí, o que nós tivemos de lá para cá é justamente a segunda ideia, que é, já que não é possível o governo mundial, então tem que ter um equilíbrio de potências.

Uma equilibra a outra, com medo da outra. Então, por exemplo, se você tem cinco potências, não precisa estar todas com arma nuclear, mas se você tem cinco grandes potências, digamos, é sempre o risco de ficar 3 a 2, né? Tá certo? Então, 3 a 2 se equilibram. Se ficar 4 a 1, desequilibra. Por isso que o sistema, o pessoal de RI, de relações internacionais, sempre fala que o sistema bipolar é mais estável.

Então, depois da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética e os Estados Unidos. Mas depois que caiu a União Soviética, ficou instável. De fato, quando você fica sem um sistema bipolar, a possibilidade de guerra é maior. E é foda, porque quando a gente fala que estava estável, a gente está falando de Guerra Fria.

Pois é, né? Estava operando um múltiplo, não pacífico. Eu aposto que eu não estava vivo nessa época, mas estava a galera, suponho, com o cu na mão de rolar uma guerra para valer. Sim, teve várias vezes. Eu vivi todas elas. Eu vivi em 1962.

que foi com o negócio de Cuba. Crise dos Mises. Me conta, me conta, me conta. Ah, então. Então, vou começar do começo para ser cronológico. Tá bom. 1956. 1956. 1956 tem uma situação parecida com agora.

Vezes que André quase viu o mundo acabar em guerra. Vamos lá. É verdade. Era pequeno, mas porque, como o Brasil acabou mandando tropas para o Egito, a história foi a seguinte. Em 1956, o Nasser sobe no poder no Egito e ele nacionaliza o canal de Suez.

Na época, o canal de Suez era de uma firma franco-britânica. Ingleses e franceses, os franceses tinham feito o canal, os ingleses dominavam o Egito, ficou uma firma franco-britânica. Ele entrou com aquela papo nacionalista, anos 60, 50 e 60, aquele papo nacionalizou. O que aconteceu? Israel, França e Inglaterra invadiram o Egito.

para tomar de novo o canal, porque eles não queriam pagar o pedágio para o Egito. O que aconteceu? A União Soviética ficou do lado do Egito. Aí começou quase a Guerra Mundial. Pouca gente sabe disso, mas a União Soviética, na época, ameaçou jogar bomba atômica em Londres e Paris. Meu Deus.

E o presidente Eisenhower, na época, pegou uma maneira dos Estados Unidos, presidente americano, que tinha sido herói da Segunda Guerra Mundial, o general Eisenhower, ele foi muito inteligente. Ele falou, não, espera aí, aqui está ficando uma coisa muito grande, vamos fazer diferente. Ele ficou, para a perplexidade de todos, ele ficou do lado da União Soviética e do Egito contra Israel, França e Inglaterra.

e mandou tirar as tropas da paz e tal. E olhem só o que ele conseguiu. Ele conseguiu evitar que os árabes virassem comunistas, porque ele temia isso, que se a guerra aumentasse. Preservou Israel. Israel se manteve, não foi para a guerra, se manteve. França e Inglaterra ficaram em putos, porque perderam a colônia. Mas ele conseguiu estabilizar anos de paz.

A segunda vez que quase teve guerra mundial foi em 1962. 62 por causa dos foguetes russos em Cuba, que foi o seguinte. Na época, o Khrushchev e o Almirante, eles estavam no Mar Negro e eles estavam olhando o Mar Negro e aí o Almirante falou, ó, daqui a gente pode mandar...

disfarçado um navio com foguetes para pôr em Cuba. Mas por que ele estava fazendo isso? Porque os americanos tinham acabado de colocar foguetes na Turquia.

ameaçam a Turquia, a vizinha da Rússia. Então, esses foguetes americanos na Turquia ameaçaram a Rússia. Aí eles pensaram, o que a gente pode fazer? Fizeram um plano bem elaborado, que foi disfarçado com caminhões para Cuba, e eles só perceberam depois que estavam os foguetes já apontados para os Estados Unidos também. Então, quase tem guerra mundial. Ficou aquela, não, vai... Vou tirar, não sei... Mas aí...

chegou-se a um acordo. Os soviéticos retiraram os foguetes, os cubanos não gostaram. Tem até, na época, um versinho que falava Nikita, Nikita, lo que se da no se quita.

O Nikita Khrushchev. Então, para pegar o Castellano, quer dizer, você está dando e está tirando. E aí, o que aconteceu? Eles se acertaram. Não vamos ameaçar os Estados Unidos, tiramos os foguetes, mas também vocês não vão invadir mais Cuba, porque eles tinham invadido em 1961. Então, deixe o regime comunista cubano lá, quietinho, e nós tiramos os foguetes. Então, foi resolvido também.

Uma outra vez foi em 83. Tá. Em 83, foi o Reagan que pôs os foguetes de médio alcance na Alemanha Ocidental.

para atingir a Rússia, quase que da zebra. E por que diabo ele fez isso? Tu lembra do contexto? Lembro, claro. Foi porque os russos justamente estavam fazendo um gasoduto para a Alemanha. O mesmo motivo da guerra da Ucrânia hoje. Olha só como a história se repete. O mesmo motivo da guerra da Ucrânia. Era justamente um gasoduto que estava vindo da Sibéria para a Alemanha ocidental. Os americanos iam perder o seu cliente.

e aproximar a Alemanha e a União Soviética, eles não queriam, então eles jogaram os foguetes para criar atrito com a União Soviética, ficou quase entreguerra de novo. Diga-se de passagem, foi aí que nasceu o movimento ambientalista.

O movimento ambientalista nasceu para desnuclearizar, porque a coisa que poluía é bomba atômica. Você quer coisa que mais polui do que bomba atômica? Certo? Então, começou aí o movimento. Era para desnuclearizar pela paz e pela defesa do meio ambiente. E aí desanuviou de novo. Entrou Gorbachev, conseguimos anos de extensão.

E agora voltou. Mas tu sente a mesma vibe? Tu acha que hoje não tem, eu suponho, a mesma tensão que tinha na Guerra Fria, por exemplo. Não estamos falando da situação de acho que vai acabar o mundo, estamos? Olha, eu acho que... Desculpe eu falar isso. Acho que hoje está pior. É nada. Sabe por quê? Porra, eu sou ignorante demais, então. Não, não. Olha, vamos parar pra pensar junto. Vamos lá.

É que antes era uma discussão que tinha um componente ideológico.

Agora não. Agora é meio cada um por si. Você falou. Está meio a guerra de interesses. Por espaço, por poder. Está piora um pouco agora. Falta ideologia, falta utopia. Estão brigando por alguma ideia superior que vai trazer benefício para a humanidade? Controle, poder. Isso meio materializado no dinheiro. Então eu acho que fica mais perigoso. E tio, você concorda que hoje a gente vive a Guerra Fria 2.0?

Não gosto dessa expressão. Vou dizer por quê. Quando dou aula, eu falo o seguinte. Olha, o que era a Guerra Fria, afinal de contas? Vamos pensar bem. Tem várias definições para a Guerra Fria. Uma delas era o quê? Corrida armamentista. Então, corrida armamentista. Cada um fazendo mais bomba, mais bomba, mais bomba. Bom, essa aí, de fato, foi o Gorbatchev que conseguiu interromper.

A corrida armamentista foi interrompida, inclusive diminuíram os arsenais. O interesse foi do lado russo, do lado soviético? Sim, porque a União Soviética não podia aguentar a concorrência em termos de bens de consumo do Ocidente.

Então, gastando tudo o que eles gastavam em armas para ter equilíbrio armamentista e sem ter a riqueza do Ocidente, o que acontecia? A população soviética tinha um nível de consumo baixo. Então, ele precisava melhorar a economia e como fazer isso se não tendo um pouco mais de paz? Então, ele trouxe o negócio do fim da Guerra Fria, fim da corrida armamentista. Então, a corrida armamentista, sim. Agora, espera um pouquinho.

Tem um outro componente que esses militares até são bastante enfáticos em dizer. O seguinte, espera um pouco. Uma coisa é a corrida armamentística, mas outra coisa é a bipolaridade nuclear.

A bipolaridade nuclear, que significa dizer que Estados Unidos e Rússia podem destruir o mundo, não apenas um ou outro, mas o mundo, isso aí começou já nos anos 50 para 60, continua até hoje, não parou. Então, se for por aí, a Guerra Fria não acabou. Outra coisa.

Se é pelo lado da geopolítica, não tem como, porque aí é Estados Unidos, poder marítimo, Rússia, poder continental, poder terrestre. A China, na verdade, entra em terceiro lugar.

que é um país anfíbio, tem uma parte continental, uma parte ilugada ao mar, então ela tem que se dividir, isso complica um poder, percebe? Se você é poder marítimo, se aplica na marinha, que é a Inglaterra. Se você é poder terreno, se aplica em poder, em exército, é a Rússia, certo? Agora, se você é anfíbio, nós somos anfíbios também.

Fica um pouco mais duvidoso. Então, a China está um pouquinho mais abaixo, entende? Então, eu acho assim, acho que esse conceito, ele falha, porque ele nem diz que, do ponto de vista do espaço e do ponto de vista militar, Rússia e Estados Unidos estão, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, no mesmo nível.

E ele coloca a China no lance do dinheiro, do PIB. Aí é verdade. Aí o PIB da Rússia não cara o PIB da China. Mas eu acho que é uma leitura muito só econômica. E falar, não, 2.0. Mas espera aí, acabou mesmo? A 1.0 acabou? Ou não? Porque o erro disso é a gente perder a Rússia. Mas quem está dando trabalho mesmo é a Rússia.

Pois é. E assim, ainda está longe de terminar, na tua opinião, esse conflito lá na Ucrânia também? Ele tem perdido um pouco de holofote, né? Eu não sei se ele tem perdido na intensidade. Pelo que eu tenho visto, é uma guerra que se tornou... tem muito drone, né? É uma guerra muito diferente do que a gente está acostumado a ver. É... sei lá, pequenas tropas de... não sei nem se dá pra chamar de tropa, né? Pequenos grupamentos, né?

Por conta do lance dos drones E... mas...

O Putin vai parar em que momento, cara? Na tua opinião, o que precisa acontecer para o Putin parar, cara? Ele precisa... E outra, ele não é foda no terrestre? O que está segurando a onda ali, então? Então, vamos lá, que aí tem umas coisas bem complicadas, né? Porque já teve várias fases, a guerra já são quatro anos, né? Então, a primeira coisa que eu diria é o seguinte. Foi um erro achar que quando ele entrou na Ucrânia...

Ah, ele está achando que vai ser fácil. Aqui venderam muito essa ideia, né? Não, mentira. Quando ele fez esse passo de entrar na Ucrânia, ele sabia que ele estava criando uma encrenca muito grande, que ele estava justamente comprometendo a ordem internacional que saiu da Segunda Guerra. Ele sabia disso. E ele sabia que para criar uma outra ordem mundial...

posterior, vai demorar muito tempo. Então, o que ele queria da Ucrânia, praticamente? Bom, vocês não podem entrar na OTAN, vocês não podem ser um corredor para agredir a Rússia. É isso que vocês não podem ser. E o que a Europa e a OTAN fizeram? Exatamente isso.

Bom, como é que está hoje? Hoje a coisa está complicada porque a estratégia da OTAN é justamente armar com drones cada vez mais potentes e com foguetes cada vez mais poderosos para atingir a Rússia. Porque o Putin tinha prometido que a Rússia não ia entrar na guerra. Tanto é que ele nem chama de guerra.

Operação militar especial. Operação militar ali no vizinho. Por quê? Porque se ele declara a guerra, tem vários componentes aí. Se ele declara, tem que mobilizar a população. A coisa muda de patamar. Então, por isso que não é guerra ainda. Agora, a Europa está fazendo o quê? Está provocando. Está jogando bomba dentro da Rússia. Petróleo, portos e tal.

Esperando o quê? Esperando uma reação mais dura da Rússia. E aí justificar uma outra reação. Então está perigoso, sim, porque tanto no Oriente Médio quanto ali na Ucrânia, tem gente que está provocando o uso de arma nuclear. Mas o pior de tudo...

pequenas armas nucleares. Armas que eles acham que... Armas nuclear táticas. Táticas, que eles chamam. NUCs, né? Eles falam, não, só uma bombinha pequenininha, vai. Só para experimentar. Que coisa. É. Eu acho que é aí que a coisa enlouqueceu. Porque até pouco tempo atrás, até o Obama...

A ideia era, bom, não vamos usar arma nuclear de jeito nenhum, porque aí pode... Agora já estamos aceitando a pequenininha. Isso. Tem gente no Pentágono aceitando isso e querendo provar, ver se dá certo isso.

Tem uma coisa que uma vez você trouxe, uma perspectiva sobre a guerra que eu não tinha parado para pensar. Mas assim, o Putin teve um ganho demográfico, ou seja, ele conquistou terras que... Ele incorporou essa população à população russa, ele teve um ganho de território.

ele teve um fortalecimento, né? Por mais que ele tenha sofrido muito, a Rússia é o país mais sancionado da história, cara, ele está até agora bancando essa guerra e eu ouso dizer que o Putin é o cara mais poderoso do mundo hoje, sabe? E tem uma parada que você falou, que foi o grande checkmate do Putin. Qual que é o grande checkmate do Putin, tio? Ah, então, olha, isso aí foi o seguinte, aí a geografia, desculpe, só a geografia para explicar, como é que foi...

a saída do Assad na Síria. Acho que, não sei se o pessoal lembra disso. Teve um golpe contra o Assad. Ele estava segurando a guerra civil com o apoio da Rússia. Aí, de repente, ele teve que sair e foi para Moscou, se refugiar em Moscou. O que aconteceu? Israel pelo sul, apoiando grupos contra ele.

os curdos também vindo do outro lado e os turcos vieram pelo norte e apoiaram também outros grupos que acabou tomando o poder que eram grupos fundamentalistas tá certo? muçulmanos e aí no dia anterior eles eram chamados de terroristas e depois subiu o poder os Estados Unidos segurou e eles estão até hoje o cara até botou um terno isso, mudou e tal já estava

Quando o pessoal falou, não, muita gente falou, e olha só, derrota para o Putin, ele traiu o Assad e deixou a Síria e os palestinos na mão. Não. Errado. Porque, veja bem.

O que aconteceu? Na medida que ficou um vácuo na Síria de poder, que Israel avançou e a Turquia avançou, o que acontece? Israel tromba com a Turquia. Ou seja, a Turquia muda de lado, porque a Turquia estava ao norte.

apoiando a Ucrânia contra a Rússia. Ela se vê obrigada a vir para o sul para segurar Israel, que está se expandindo no Líbano. Ela está trombando. Cheque mate por quê? Porque agora os Estados Unidos têm que escolher. Quem é meu maior amigo? A OTAN?

A Turquia é do OTAN ou Israel? Shaquemate do Putin no Trump. E agora, ô Vitor, essa tem a ver contigo também. Isso tudo que está acontecendo do ponto de vista do direito internacional, dá para a gente considerar que alguém respeita o direito internacional, cara? Será que tu estudou para porra nenhuma?

Pois é, Igor. Essa é uma coisa complexa, porque assim, pelo menos enquanto eu estou vivo, eu nunca vi uma crise do direito internacional tão grande quanto essa. As instituições, a ONU sobretudo. Então, peraí, tu está vivo há muito mais tempo. Tu já viu uma crise tipo essa? Não, igual essa não. Então você tem, olha aí, dobramos a credibilidade do que você falou. É, o AMC está tudo em crise. A própria ONU está em crise.

É uma crise financeira, a ONU não tem grana nem para se manter. É uma crise de legitimidade, é uma crise de funcionalidade. Ela não consegue operar porque os mecanismos que ela tem para impedir guerras, para acabar com a fome no mundo e tal, eles não estão dando conta do tamanho dos desafios.

Isso é muito perigoso, não só porque as consequências óbvias, mas também porque isso aí dá lenha no discurso de que então a ONU e o direito internacional não servem para nada. Que é um raciocínio parecido que, porra, já que tem lei de trânsito, mas tem gente que fura o farol vermelho, então vão abolir as leis de trânsito. Não é assim, sabe? Está ruim com a ONU, vai ficar muito pior sem ela.

Eu acredito, e acho que o tio tem uma opinião parecida, que a ONU não tem que ser extinta, ela tem que ser reformada para funcionar melhor. Ela só não funciona melhor justamente porque ela depende dos países para funcionar. Então, a gente tem um modelo de funcionamento da ONU, que foi construído ali no pós-segunda guerra mundial.

respeitando aquele equilíbrio de forças daquela época. E hoje o mundo mudou. A gente tem atores, inclusive como o Brasil, como a Índia, que têm uma relevância no cenário internacional, ao mesmo tempo que você pega os cinco membros do Conselho de Segurança, que é o pessoal que pode vetar resoluções para acabar com guerras e até autorizar o uso da força, envio de tropas para outros países, a guerra...

autorizada, digamos assim, isso é uma arquitetura que é a China, Rússia, Estados Unidos, França e Inglaterra decidindo esse futuro do mundo com poder de veto. Se um deles não quer, que é o que tem acontecido agora, por exemplo, um monte de vezes tentaram aprovar cessar fogo em Gaza. Os Estados Unidos sempre vetando. É isso, a gente tem um modelo de...

governança global que não dá conta dos desafios que a gente tem hoje e dá novos equilíbrios de poder que a gente tem. Então assim, eu espero que meu diploma ainda tenha sentido porque a gente precisa recuperar a importância do direito internacional. Mas tu acha que, vamos lá, a ONU é uma instituição que tem o quê? Tem quantos anos?

Foi fundada em 44. 47. E antes disso, o que existia de órgão internacional parecido? Teve a Liga das Nações, que foi da Primeira Guerra. Foi tentativa. E aí justamente, quando começou a brigar dentro do Conselho,

Porque foi a mesma coisa, tinha o Conselho de Segurança e depois a Assembleia. Mas dentro do Conselho, quando as potências começam a se pegar, aí dá errado. O Japão invadiu a China, por exemplo, nos anos 30. Então é aí que a guerra se torna mundial e a solução é pela guerra. Só que agora não dá, esse é o maior desafio da humanidade. Por isso que agora está perigoso, porque agora não dá para resolver.

o problema do equilíbrio do poder mundial... Por meio da guerra. Não dá. Perfeitamente. Entendi o que você está falando, que eu estava pensando aqui. Bom, tá. Então, da primeira versão para a segunda, no meio teve uma guerra. Isso. A gente não pode ter uma guerra na segunda versão para a terceira. A gente já fez os horrores da segunda guerra, né? A sociedade aprendeu um pouco. E eu ouvi um cara esses dias falar que, assim, a gente hoje vive num mundo que as pessoas já estão esquecendo os horrores da segunda guerra.

Então é por isso que elas estão propensas a resolver as coisas na guerra. Nenhum de nós aqui viveu isso aí, de você ter todas as famílias de um país terem alguém que foi para a guerra, que morreu na guerra, terem que ter recomeçado sua vida, saber de casas que foram bombardeadas. Isso é uma coisa que não faz parte da nossa realidade. E parece que é isso, a gente esqueceu o que a guerra significa. Os russos, não.

O desfile mostra isso, porque toda a família russa perdeu gente. Então, eles fazem um desfile também, além do desfile militar, eles fazem um desfile com retratos dos parentes mortos. É uma coisa muito pungente lá na Rússia. Então, eles têm essa memória, porque eles perderam 25 milhões de habitantes na Segunda Guerra Mundial, então lá eles conservam essa memória. Por isso que eles fazem o desfile todo ano.

Inclusive o pessoal fica falando, ah, nesse ano eu acho que o Putin foi inteligente.

tinha a ameaça do Zelensky que queria jogar a drone no desfile, né? Ameaçou. Aí eles resolveram não fazer um desfile muito grande, né? E não usaram muito material bélico, não quiseram. Mas as pessoas também têm que entender o seguinte, é um recado para que também a paz venha logo, porque ele também está querendo a paz.

O Putin anunciou, inclusive, no desfile, de que a paz está breve, está próxima a chegar. Por quê? Porque precisamos entender o jeito do russo guerrear. O russo é diferente do ocidente. O ocidente quer matar a liderança rápido. Blitzkrieg. Começou com os alemães e os americanos também gostam disso. Israel faz a mesma coisa, choque e pavor.

A gente deixa a população civil em pânico e tal. Eles fazem diferente. Eles podem ver que eles têm evitado atingir a população civil ucraniana. Na visão dos russos, os ucranianos são russos.

Então, não pode destruir muito aquilo, matar muito a população civil. Mas o que eles têm que fazer? Eles têm que ir minando o exército. Então, por isso que vai pouco a pouco, pouco a pouco, pouco a pouco. Por quê? Porque chega uma hora...

que eles não aguentam mais. Digamos assim, é aquele boxer que gosta de bater no fígado e não na cara, entende? Mais ou menos mal comparando. E aí quando ele abriu a guarda e parece que está nesse momento, os exércitos ucranianos não estão mais aguentando a parada.

E a Rússia está preparando um avanço final, parece que agora para o próximo verão deles lá. Tu diria que então, desde o começo, o Putin já sabia que ia ser uma guerra longa. Estava todo mundo esperando que fosse uma guerra de seis meses, um ano, e não o Putin sabia que seria uma parada.

Ele sabia, porque ele sabia que era justamente mudar a ordem mundial. Ele sabia que exatamente esses cinco que o Vitor lembrou já não são mais os cinco. E principalmente, podem ver que quem está mais furioso é o Reino Unido. O Reino Unido está perdendo importância e é quem mais incentiva os ucranianos a lutarem contra a Rússia. Mais do que os Estados Unidos.

porque eles estão vendo que estão perdendo influência. Então, eles querem manter a influência na Europa, estar aliado aos Estados Unidos, mas ao mesmo tempo...

mais radical que os Estados Unidos contra os russos. Então, eles estão tentando isso. Agora, eu vejo França e Inglaterra estão declinantes. E, desculpe, Brasil e Índia estão ascendentes. Brasil está ascendente? Sim, Brasil está ascendente. Em que sentido? Tem uma coisa que o pessoal da geopolítica gosta muito. Eu faço até o desafio para quem quiser dar uma olhada nisso.

É o seguinte, do ponto de vista objetivo do poder, você tem que ter espaço, população, recursos, senão não dá. Então, critérios, mais de 3 milhões de quilômetros quadrados, mais de 100 milhões de habitantes e mais de 1 trilhão de PIB, de 1 trilhão de dólares de PIB. Quem é que tem isso?

Eu já falo. Estados Unidos, China, Rússia, Brasil e Índia. Só esses cinco. Só esses cinco. Então, do ponto de vista meramente objetivo, é isso. Então, os outros todos são menos. Mas dessa lista aí nós estamos em quinto. Então, mas só que aí nós estamos mais embaixo. Por quê? Porque a gente não desenvolveu força militar.

A gente não é uma potência militar. Todos eles são inclusive potências nucleares. Isso, então esse é um ponto. Por isso que eu sou a favor, inclusive, dessa proposta de desnuclearização total.

Ou todo mundo tem ou ninguém tem. Porque do jeito que tá... Ah, melhor ninguém tem, né? Senão vou ter que investir e fazer. Puta que barulho, né? Muito melhor pra todo mundo. Mas, tio, você acha que o Brasil tem que ter armas nucleares?

Então, eu acho, veja bem, essa é uma questão sempre controversa, né? Porque o pessoal, muita gente fala, pô, mas se a gente não tiver, eles vêm aí pra cima, tipo com o Irã, se a Coreia do Norte mostrou que tem e ele segura. Bom, eu acho que não é bem assim. O Brasil é muito grande, né? É um país gigante e ele não tem ameaça, não tem inimigo. É só olhar os vizinhos, tanto do lado e do lado da África, todos os nossos amigos aqui, os latinos, todos os irmãos. Então...

Vamos esquecer. Aliás, acho que isso é um pouco, contraditoriamente, um pouco ruim para o brasileiro. Porque não tendo inimigo, ele também não se prepara. Entende? Ele acha que todo mundo gosta da gente. Também não é bem assim.

quem é que não gosta da gente? olha, quem é que não gosta da gente? eu diria que justamente as potências mais antigas, colonialistas que estão vendo o Brasil se erguer como grande potência não gosta da gente, já começo a dar o nome não tenho papas na língua não França e Inglaterra

são os primeiros a olhar a gente com inveja, porque eles estão decaindo e eles ainda têm território colonial, tem ainda a Guiana Francesa aí, tem Malvinas ali embaixo. A maior chão inteira da França é com o Brasil. Tem as ilhas aí, Tristão da Cunha, ou seja, então, espera um pouco, eles ainda têm uma herança colonial que não é bem-vinda para mim, entende? Então, acho que essas duas potências são inimigos do Brasil.

E os Estados Unidos, obviamente, não querem deixar o Brasil crescer e brilhar, porque eles sabem, aliás, esse me parece ser o ponto principal, eles sabem que o país que mais ameaça os Estados Unidos ideologicamente, culturalmente, esportivamente, exatamente no soft power, no poder branco, é o Brasil.

E agora está tendo a onda aí, está todo mundo curtindo ser brasileiro. É, Brasil Core, né? É, Brasil Core, é isso daí. Então, é nossa hora, chegou a nossa vez. Eu acho que é isso aí. Eles estão também em decadência cultural e é a hora do Brasil se levantar.

E tu acha que dá pra gente fazer isso de uma forma estratégica? Porque se a gente for parar pra olhar... E eu queria saber o que tu pensa também, Vitor. Se a gente for parar pra olhar a qualidade dos nossos políticos, a gente tem... Eu não vejo, não identifico, pelo menos não com clareza, um plano de Estado. Uma parada que não é pensada em voto. É um troço pra dar fruto...

daqui um tempo, entendeu? É um troço mais fundamental. Como é que nós vamos fazer, então, para tirar proveito disso se a gente não se organiza, a gente não tem um plano? A gente está até agora batendo cabeça pra caralho.

É verdade, é verdade. Por isso que eu me esforço em tentar passar o quê? A consciência geopolítica, a consciência do espaço. O brasileiro precisa saber, porque pode reparar uma coisa, quando você está meio cabisbaixo, que a classe política brasileira, o Brasil não vai para frente, não sei o quê.

Eu falo para os meus alunos, eu falo assim, você está com autoestima baixa? Olhe o mapa. A hora que você olha o mapa mundo, meu, você vê o Brasilzão ali, esplendoroso. É o país mais lindo do mundo. Grande, gigante. Espera aí. Isso aqui não é qualquer coisa, não. Vamos devagar.

falta um pouco de vontade e de consciência. Eu acho que, em primeiro lugar, a consciência. A gente não tem essa consciência de que é grande e que é importante. A gente ainda é muito acanhado. É a mentalidade colonial ainda. O capital social brasileiro é, porra.

finalmente a gente tá tomando esse espaço, né? Acho que as redes aí, porra, tem alçado a gente nesse espaço. É verdade, é verdade. Assim, eu vejo alguns caminhos, né? Pra gente usufruir desse lugar, né? Eu acho que passa muito pela questão energética, né? Então, assim, porra, a gente tá vivendo uma éra em que cada vez mais a gente consome energia.

Tem até um fenômeno curioso que é a sobreposição da demanda energética. Então é curioso porque ao mesmo tempo que aumenta muito a capacidade de produção energética de fontes renováveis, você não tem uma queda drástica no consumo de petróleo porque a demanda geral está crescendo. Então você continua consumindo as fontes combustíveis fósseis.

a todo vapor e aumentando as fontes renováveis. E aí que eu acho que o Brasil tem um papel crucial. A gente pode fornecer até 25% de toda a energia que o mundo precisa para fazer a transição energética para o fim dos combustíveis fósseis. Hoje, uma das outras crises que a gente está vivendo é a emergência climática. Essa é uma treta que cada vez mais vai ser pior. E o Brasil desponta enquanto uma potência nisso. Você está falando de aquecimento global? Porra, exatamente.

Ele caiu no buraco dos terraplanistas. A terra obviamente é plana. Já foi na praia? É verdade. Acaba ali o mar. Essa é foda. Se a terra fosse plana... Vê se eu sou burro. Muito burro. E aí tu já volta no teu raciocínio. Se a terra fosse plana mesmo, seria possível, tecnicamente, com um telescópio muito pica, eu ver a Torre Eiffel, será? Ou o...

o Everest daqui de São Paulo? Pô, teoricamente sim, né? Num dia não muito nublado. Teoricamente sim, né? Teoricamente sim. Tá bom, pode voltar para o teu argumento. E eu acho que assim, passa muito por isso, né? E aí, pô, acho que trazendo um pouco a conversa para disputas no campo dos conflitos armados. O Brasil, a gente tem uma qualidade que a nossa diplomacia é muito boa, né? A gente tem...

Inclusive o Itamaraty, o nosso Ministério das Relações Exteriores, eles têm um projeto de Estado, que é uma coisa que... Eles têm uma excelente fama. Exato. Corresponde? Corresponde. E que é um dos governos que mantém.

e o Itamaraty é foda. E a gente tem um jogo de cintura, que é isso que o tio tava falando, que o Brasil é esse país que a gente não tem grandes tretas mundo afora. Então a gente é um país que consegue chamar todo mundo pra sentar na mesa e construir consenso. E é justamente isso que a gente faz em órgãos como a ONU, que faz, por exemplo, teve a COP30 agora em Belém, esses espaços que a gente precisa chegar e falar, rapaziada, é o seguinte...

vai dar merda, a crise climática está cada vez pior, a gente é parte muito interessada nisso, porque as regiões tropicais estão mais suscetíveis a esses eventos climáticos extremos, então a gente precisa fazer pactos para superar isso, então parar de produzir combustível fóssil, cuidar de adaptação climática, etc. E o Brasil também com esse caráter pacifista de desacelerar.

os grandes conflitos do mundo. A gente tentou fazer isso recentemente, inclusive com a Ucrânia, só que depois também não deu muito certo, porque daí o Lula às vezes faz uma declaração de improviso que tira ele dessa jogada. A mesma coisa com Israel e Palestina, mas assim, eu acho que o nosso grande potencial é um país pacifista, visto como pacifista e com um povo gente boa no mundo inteiro e com uma puta chance de ser protagonista na transição energética, que é um puta de um ativo para o mundo atual.

Sim, concordo. E você acha que a gente está... Porque, realmente, a gente tem, de vez em quando, umas falas dos nossos presidentes. O Bolsonaro também tinha umas falas que pegavam numa coisa ou outra. Mas agora, no caso do Lula, tem umas que pegam bastante mal também. Mas deixa eu voltar para o ponto da transição energética.

Cara, a gente de fato tem aqui energia verde, renovável, bastante mesmo. Mas você acha que os outros caras se importam tanto assim com a...

com os problemas que nós teremos mais do que os outros, por exemplo? Você acha que a Inglaterra liga de fato? Você acha que os Estados Unidos liga de fato? E que tudo isso que vocês falaram aqui abriu uma porrada de questão. Você estava falando do lance do Brasil. Você acha que os Estados Unidos querem ver o Brasil grande? Não, eles olham para a gente como quintal. Isso dava para a gente trocar uma ideia longa. Mas é... A resposta está na nossa cara, Igor.

Cara, olha o estreito de hormus, olha o caos que o mundo virou recentemente por causa da produção de petróleo e da gente ser tão dependente. E a China já se ligou nisso, tanto que eles estão preocupadíssimos em fazer a transição energética o quanto antes.

Os chineses lideram hoje a produção de energias renováveis, de tecnologia para isso, porque eles sabem que, dependendo de um recurso como o petróleo, que você arruma uma guerra no Oriente Médio, bagunça todos os preços e impacta até no alimento que você vai comprar na gôndola do supermercado, é uma loucura.

E curiosamente, você ter um mundo que depende menos do petróleo também é uma forma de você construir um mundo mais pacífico. Afinal, diversos países conseguem produzir energia a partir de fontes renováveis, cada vez mais com novas tecnologias, inclusive. O solar está melhorando para até regiões que têm menor incidência solar darem um retorno interessante nisso. Então, eu acredito sim que... ...

Pós-guerra Irã e Israel e Estados Unidos, o mundo deu um clique ali e a gente nunca mais vai ver o petróleo com essa mesma forma. E é só você já começar a ver as ruas aqui. Cara, aqui em São Paulo mesmo, quanto você não vê cada dia mais carro elétrico, sabe? É uma coisa que está batendo no bolso também das pessoas e está sendo economicamente vantajoso.

Eu queria lembrar que a primeira guerra mundial foi por causa do petróleo. A Alemanha estava indo para o Iraque. A segunda também foi por causa do petróleo. A Alemanha não tinha petróleo, precisava de orientamento, não conseguiu. Foi para a União Soviética para pegar no Azerbaijão. E essa terceira tem agora o petróleo de novo. Ou seja, o petróleo realmente é muito instável e muito perigoso. Não é uma mercadoria simples. Mas ele dá uma vantagem muito grande para quem tem o controle dele.

Então, já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já estava já

Então, por isso, eu diria o seguinte, o que tem acontecido, e por isso esse clima de guerra, que é o seguinte, os Estados Unidos apostam ainda no petróleo. Ainda tem petróleo pra mais 50 anos. Não é importante pra caralho porque o petróleo ainda por cima, assim, o petróleo ser importante pro mundo é especialmente importante pros Estados Unidos, porque qual que é a moeda que os caras negociam o petróleo? Exatamente.

Dólar. Então, petróleo e dólar estão juntos. Você tem toda a razão. Então, para eles ainda... Aliás, um pouco essa guerra contra ele não é isso. Continuar com o modelo petróleo. O papo de transição energética não é tão honesto. No caso dos Estados Unidos, não parece fazer um sentido econômico. Já que esse é geralmente o ângulo que você espera de um americano.

A parte boa é essa, que assim, tu consegue imaginar por onde que os caras estão pensando, né? Isso aí também. É. Mas aí, vocês mencionaram aqui rapidamente, é que a gente tá falando de energia, o lance dos carros elétricos, né? Mas aí a gente tá falando do carro elétrico hoje como uma salvação, meu irmão. Mas e daqui a 20 anos essas baterias aí, Vitor? Pois é, acho que essa é... Essa porra não vai morder a nossa bunda, não vai, hein?

Essa é uma questão também, porque não só para o lixo que gera, mas também para você obter os minerais para a transição energética, você tem um grande impacto ambiental da mineração e tudo mais. Aí eu acho que o Brasil entra de novo como um país estratégico nessa transição, afinal a gente é um país com grandes reservas de terras raras.

Isso já tá na mira. O que dá pra fazer com terra rara? Tu sabe? Porque toda hora o vagabundo fala terra rara, terra rara, terra rara. Aí pô, dá pra fazer o quê? Dá pra fazer imã. Dá pra fazer... Bateria, né? Tudo isso... Cilular, é feito com terra rara.

Tem a área que está falando lá do tal do grafeno, que o Bolsonaro falava que a Gabuna tirava sarro. Está aí a porra do grafeno. Tem para tudo. Outras coisas também. Sim, sim. São minerais que são fundamentais para essa indústria que está explodindo agora. E realmente, eu acho que a gente tem desafios que é ver o que a gente vai fazer com o descarte disso tudo. Então, pô, turbina eólica hoje é um problema, porque você não tem como...

descomissionar, né? Como desmontar, turbina, reciclar, parada toda. Então, você tem cemitérios desse negócio, é uma paz gigantesca, assim. Cara, ficar lá tomando sol e chuva, né? Painel solar também ainda não tem um sistema eficiente de reciclagem, por exemplo, mas a tendência é que isso também vai evoluindo, né? A gente tá tendo uma aceleração muito grande nessas tecnologias e, assim, acho que também a gente tem que botar na balança, né? Pô, então não vamos investir em um...

E nuclear também. Precisamos pôr a nuclear aí. Isso é uma coisa curiosa. Vai aumentar o consumo de energia e a nuclear não vai entrar. Vai entrar. Está se produzindo muita usina nuclear nova no mundo todo. A gente tem umas, né? Então, quem não sai do lugar. Mas temos. Mas é muito pouco ainda. Eu sou a favor de pequenas usinas.

Porque você sabe que tem a questão tecnológica, eu não sou especialista, mas eu sei que você pode fazer pequenas usinas sem o risco de enriquecimento a 90% que daria a bomba atômica. Então, pequenas usinas, né? Porque você sabe que o problema é que essas nossas aqui, com um acordo com a Alemanha, ela era desenhada para a gente poder fazer a bomba atômica.

Tem esse dado também. E ao passo que se você quiser resolver de verdade a questão ambiental, veja só o enrosco. Se nós queremos resolver a questão ambiental, então tem que mudar o padrão energético, ok? Ok. Menos hidrocarbonetos queimando, ok.

Mas aí, qual é das fontes de energia disponíveis? Qual aquela que tem mais potencial para substituir? É o urânio. Mas o urânio não pode porque aí é proliferação nuclear. Então, na verdade...

O que está barrando a solução, tanto da questão energética quanto da questão ambiental, é a questão da segurança. Então, por isso que eu falo, não, não é duas coisas, energia, homem, ambiente, segurança, não, é as três ao mesmo tempo. É um tripé, segurança, ambiente e energia. Tem que resolver os três de uma vez, eu quero ver como é que faz.

E tem muita gente muito séria do meio climático que defende que a gente não vai fazer a transição energética se a gente não investir em energia nuclear. Então, eu acho que assim, pô, no estágio que a gente tá, irmão, a gente tem que resolver a crise climática, sabe? Depois a gente começa a equalizar ali quais vão ser as fontes que a gente vai ter definitivamente, sabe? A verdade é que qualquer coisa que a gente fizer vai dar merda.

Essa que é verdade. Exato. E aí, porra... A menor merda possível. O momento que a gente tá agora foi a gente resolvendo um problema no passado, porra. A gente não chegou no momento que a gente tá agora porque a gente quer foder com a parada. O objetivo era foder o bagulho. Não. Não era.

A gente tava resolvendo um monte de problemas. E assim, a gente resolveu um montão de problemas. Eu tô aqui falando com vocês porque teve revolução industrial em algum momento. E a gente não teve uma guerra nuclear, né? O plástico, os todos, né? Tudo que veio junto, né? E assim, cara, a gente não teve uma guerra nuclear entre as grandes potências. Então dá pra dizer que o tratado de proliferação não nuclear, de não proliferação nuclear, de alguma forma ele funcionou. Teve um dissidente aqui e ali, né?

É, sim, mas assim, e também tem países que não aderiram, enfim, não é que ele é perfeito, mas o fato da gente não ter extinto a humanidade numa terceira guerra mundial, ainda, já é um fator que indica que, bom...

com muitas, a duras penas e com grandes dificuldades, mas o sistema de alguma forma ele tá cumprindo um papel ali que, por exemplo, a Liga das Nações que é o que veio antes da ONU não deu conta, né, tanto é que explodiu aí a Segunda Guerra Mundial ela deu errado, né, então é isso, eu volto a dizer aqui que a gente tem que investir nesses espaços em que todo mundo senta e fala ó, a gente não pode continuar querendo se matar aqui e não pensar nos problemas coletivos, senão senão senão

a gente vai conseguir se matar. Mas o advogado, os caras não estão nem aí. A métrica do... A lógica de hoje não é a lógica de ficar mais poderoso e mais rico. Isso não combina com...

sentar e trocar ideia, já que eu quero ser mais rico e mais poderoso. Vamos lá. Seria o Putin, nesse sentido, o MVP de hoje? Most valuable player. O Putin é o homem a ser parado hoje, no sentido de, porra...

quer mais poder, ficar mais poderoso. Ele é o cara que inicia a porra toda, ele é o cara que dá checkmate nos outros. Ele é o jogador hoje em dia? Tu diria isso, André? Eu diria que ele é o grande jogador na estratégia do poder mundial hoje, sim. Ele é o grande cara, mas aí é o paradoxo. Porque, ao mesmo tempo, a gente precisa dele para garantir a paz mundial. É aí que está o lance, porque é ele que equilibra o jogo. Então, ele está meio que no fio da navalha.

Porque ele deu um passo que ele sabia que era perigoso e tal. E o que eu acho é que eles talvez não saibam como isso termina. Esse é que é o problema. Porque o que ele queria? Ele queria, vamos mexer nessa ordem mundial do jeito que está. Não está legal, porque estão querendo escantear a Rússia. Nós que estamos querendo fazer parte do jogo. Estamos aí. Então está provando que estão aí. Bom, mas e depois? O que vem?

Ele não tem a diplomacia... Nós estávamos falando de diplomacia. Contudo que a diplomacia russa é antiga e tal, respeitada, mas não tem o mesmo jogo de cintura que nós. Eles têm uma enorme dificuldade de falar com o Ocidente. Ó, deixa eu abrir um parênteses rápido aqui. O Putin, na opinião de vocês, ele...

Ele está defendendo os interesses da Rússia. O que ele faz é ego. É o quê? Ele é um estadista mesmo, no sentido real? Ah, ele é um estadista... Na minha opinião, sim. Porque, veja, ele pegou a Rússia muito mal. Eles estavam com a economia em frangalhos. Guerra na Tietênia.

Então, o orgulho nacional lá embaixo. Eles tinham perdido a União Soviética. Ou seja, o pessoal estava mal. O pessoal bebendo. Vodka, bom, já se bebia bem. Mas a sociedade de porre.

Então, ele pegou numa situação muito dramática e ele consertou aquilo lá. Qual foi a primeira coisa que ele fez? Vamos lembrar. A primeira coisa que ele fez foi pôr os oligarcas, os ricaços, sob controle do Estado. Tudo bem, vocês vão ganhar dinheiro, mas quem manda é o Estado.

Essa foi a primeira coisa que ele fez, controlar internamente o país. A partir daí, ele começou... Ganhou a guerra contra a Tietchan, ou seja, começou a estabilizar o país. Depois teve aquela coisa... Foi suave a parte interna, André? Tipo, pôr os oligarcas no lugar que ele queria.

Foi tranquilo? Foi sangrento? Não, não. Não foi tão tranquilo. Ele teve que prender uns. Jogar uns na janela. Porque de vez em quando cai uns aviões, cai uns caras na janela. Não acontece? Uns acidentes? Tem, tem. A Rússia é estranha. Então tem isso aí. Agora ele conseguiu se impor e certamente ele está fazendo o que o povo russo quer. Tanto é que agora mesmo essa política mais recente da Europa já estava no fico. Então já estava no fico.

Então já estava no fico. Então já estava no fico. Então já estava no fico. Então já estava no fico. Então já estava no fico. Então já estava no fico. Então já estava no fico. Então já estava no fico. Então já estava no fico. Então já estava no fico.

Apoiar os Zelensky para jogar drone lá dentro da Rússia é para tentar desgastar ele na população russa. E, de fato, está tendo um certo resultado essa política. Mas vejam só, ele caiu de 75% de apoio para 72%.

Ainda é muita coisa. Sem dúvida, acho que ele é mais apoio. No meio de uma guerra. No meio de uma guerra. Ou a propaganda é muito foda mesmo, ou ele consegue segurar as pontas lá sinistramente. Porque manter uma guerra por todo esse tempo, existe um esforço econômico. Se tu tá pondo dinheiro pra fazer uma munição, tu não tá pondo, teoricamente, tu não tá pondo dinheiro em outra coisa. E aí como se resolve esse problema? E ainda se mantém 75%.

Fora sanção, né? Fora sanção. Os russos não conseguem viajar para o mapa de lugar, tiveram ativo congelado em alguns países. Não tem mais McDonald's. E assim, mas acho que você trouxe um ponto aqui também, que é essa tentativa da Ucrânia de dar uma fadiga da guerra no povo russo. Eu acho que isso também ajuda a gente a entender que a guerra cansa as pessoas, ela cansa a opinião pública.

Então você pega o Trump, ele está tendo maus momentos agora, porque é isso, ele foi eleito dizendo que ele ia acabar, parar de gastar dinheiro do pagador de imposto americano ali para botar essa grana que está indo para a guerra para dentro do país, para melhorar a condição de vida do cidadão dos Estados Unidos. E aí, porra, agora ele vai lá gastar uma...

puta grana no Irã, sabe, deixar o mundo mais instável, isso aí já tá refletindo, então, assim, eu acho, eu não sei se eu tô sendo aqui um esperançoso meio inocente demais, mas eu tendo a crer...

que essa fadiga da guerra que a opinião pública vai tomando, ela também é uma forma de você pressionar governantes para que eles parem de fazer guerra. Claro, não é em todos os casos que isso funciona, mas acho que nos Estados Unidos, isso que é hoje o maior fator de desestabilização mundial, isso tem um peso muito importante.

Mesmo que pela razão errada tu vai parar de fazer guerra, né? Exato. Mesmo que seja porque eu quero ser eleito, porra. Não é porque tá explodindo criança lá em Gaza, é porque tá mais caro comprar carne no mercado, sabe? Por uma forma ou outra, mas é isso, né? Acho que é você entender qual é o mecanismo e apostar nele, né?

Mas enfim, eu acho que... Todas essas decisões, tudo isso que a gente está falando aqui é a gente resolvendo empurrando pra baixo de um tapete e a gente fez isso essa é a história da humanidade a gente resolve os problemas de um jeito mal resolvido e ele estoura lá na frente e a gente resolve mal resolvido de novo que ele estoura mais lá na frente e é assim que a gente vai empurrando e esquecendo o passado, né? Esquecendo a história.

É, porque eu empurrei para debaixo do tapete e cobri. E sim, que nem você falou, da segunda vez que o mundo quase acabou, que você viu, era algo parecido com o que está rolando agora. É, foi em 1956 lá que eu vi, eu assisti aquilo lá. E o que era? Era exatamente isso. Era um funil que precisava passar aos petroleiros, muito parecido. E eu acho que, por exemplo, isso é verdade.

O pessoal está reclamando que história e geografia estão saindo do currículo nos Estados Unidos. O pessoal está ignorante de história e geografia, da própria história deles. Acho que eles já não tinham geografia. Já estava muito degradado isso. E você percebe que a própria elite americana hoje não está preparada.

esse pessoal que está sendo contratado, eles estão sendo contratados muito de empresas, não é pessoal da diplomacia americana de carreira. E eles esquecem a história. Por exemplo, se alguém falasse para o Trump, Trump...

Pô, pega o que o Eisenhower fez. Eu acho que ele gostaria, entendeu? Porque ele fala, pô, é verdade. Então já teve isso. Todo mundo sai ganhando. Uma das poucas vezes, pelo que você estava dizendo aí, nessa vez todo mundo saiu ganhando. Todo mundo saiu ganhando. Pô, posso fazer igual, entendeu? Ele, pô, seria bem visto dentro dos próprios Estados Unidos. Ele ainda era general. Os milicos vão gostar porque ele está brigando com os milicos, né? Ele está nervoso com os militares americanos e tal.

está pondo a culpa neles, ele não vai querer admitir que ele fez errado essa guerra no Irã. E essa pira que ele falou por um...

Falou durante um tempo que alguém não tem. Acabou a guerra. Ganha a guerra. Acabou a guerra porque eu ganhei a guerra. Agora vai lá vocês aí. Resolver o estrangeiro. Eu já ganhei a guerra. Agora vai lá e toma essa porra aí. Os caras estão moribundos. Ele não meteu essa? Ele faz isso. Mas isso também tem um jogo que eu li que faz sentido. Porque é o seguinte. Isso também é aquela coisa do louco ou não.

Porque ele faz isso, ele apresenta sempre que está entrando em acordo. Agora já está tudo... Para quê? Para baixar o preço do petróleo. Está entendendo? E aí, quando... É no fim de semana. Pode reparar que o anúncio de que está tudo em paz é no fim de semana. Aí o pessoal pega e faz o jogo na bolsa. Aí quando chega na segunda-feira, os iranianos falam não, não é nada disso. Aí, pum, sobe de novo.

Tem mais essa aí. Sim, cara. E o Trump já é acusado de fazer, de soltar decisões políticas como forma de especular e favorecer as próprias camaradas dele. Mas isso ainda é muito claro. É muito claro. Todo mundo sabe. Ou assim, se é sem querer, porra, ele é meio azarado de toda vez, né? Não, eu falei ele já é acusado porque o pessoal do jurídico manda no ponto aqui, mas porra, pra mim tá na cara que é isso, né? Caralho, porra.

e é assim, eu acho que é contar com uma certa impunidade também, que é algo que ele fez do primeiro mandato, né? O cara manipula essas coisas, esses mercados aí e isso é maluco, tá? A influência do presidente dos Estados Unidos do POTUS né? Twitter do cara o cara gerencia ou influencia preço do petróleo no Twitter, meu irmão o cara tweeta um bagulho Pronto, pum

Porra, que nem o Elon Musk fazia com Dogecoin, por exemplo, né? Ou com o próprio Bitcoin. Falava alguma maluquice lá mexendo nos ponteiros do troço. Que mundo estranho é esse, ô? Tá muito estranho, tá muito estranho. Olha, eu ainda sou da velha geração.

Eu não tô muito ambientado nesse mundo, né? Eu ainda sou meio analógico. Tá bem que tem o Vitão aí pra te... Ainda é que ele me ajuda pra me atualizar, porque, de fato, olha, bons tempos do vinil, sabe? Máquina de escrever, tava bom. Tava um pouco mais longe da gente morrer por meio de guerra, né, cara? Pelo menos a gente sabia mais ou menos onde tava pisando. Agora tá muito instável tudo. Ô tio, desculpa. Dá-lhe, dá-lhe. Deixa eu aproveitar e te perguntar uma parada de futuro.

você acha que a gente vai ver e se sim, em quanto tempo que a gente vai ver a China superar os Estados Unidos?

Boa pergunta. Bom, do ponto de vista do tamanho do PIB interno, com paridade de poder de compra, o mercado interno chinês já é maior do que o mercado americano. Então isso já está complicado. Calma aí, agora tu vai traduzir isso para o imbecil entender. O que isso quer dizer? Que um trabalhador médio chinês com o salário dele... ...

de trabalhador médio, ele compra mais que o trabalhador médio americano. Isso, isso, isso. Agora, se você vai direto para fazer, por causa que o dólar é muito valorizado, porque é moeda internacional, aí os americanos ganham porque eles têm um mercado financeiro. Tá bom. Então eles ficam maiores. Mas o chinês médio, ele entra no mercado e se ele entrar no mercado e gastar todo o salário dele de uma vez no mercado, ele vai voltar para casa com mais coisa que o trabalhador médio americano. Isso, e de fato, se você...

Você chega na China, está todo mundo saindo do shopping center cheio de sacola. Todo mundo quem? Porque todo mundo é gente pra caralho lá na China. Desculpe. Bem perguntado. É um país de um bilhão e meio, né? Mas segundo os cálculos que eu li, são 450 milhões na classe média. Porra, é uma puta classe média legal, né?

Uma das grandes conquistas da China foi ter tirado essa galera da pobreza e botado na classe média. Ainda tem 800 milhões de pobres. Não, mas quantos que eram, né, meu irmão? Era muito mais. Era quase a população toda no nível bem baixo. E assim, acho que a China tem uma parada que... Mas o que é pobre? O que é pobre também? O pobre é o análogo ao nosso pobre?

Boa pergunta também. Boa pergunta, porque isso também é medido em ganho diário. A gente é pobre ou a gente é miserável? Porque como é que... Você estava falando do poder de compra do trabalhador médio, né? Pô, colocar o brasileiro nessa conta é até sacanagem.

Pois é, e acho que tem uma parada assim que o Estado chinês, talvez até pelas características do socialismo chinês, ele consegue, ele fornece coisas que aqui deixa mais a cargo do indivíduo se virar. Então assim, cara, pelo que eu ouço...

política de moradia na China, política de acesso, tipo, porra, educação, saúde, ela é muito melhor organizada e capilarizada, ou seja, ela chega em muito mais gente do que se a gente comparar aqui no Ocidente, em que você deixou, sobretudo aqui no Brasil, no continente americano todo, que você deixou isso muito mais a cargo do indivíduo se virar, né? Ele tem que, é o livre mercado que o cara trabalha e paga por essas coisas, né?

Ainda que no Brasil a gente tenha a política habitacional, tem o SUS, que é importante para cacete e tal, mas é isso, a China tem um modelo disso que é muito mais avançado. A diferença principal é o aluguel do Estado. A propriedade da habitação é do Estado. Você paga um aluguel para o Estado. Ora, é muito menos do que você pagar para uma empresa privada, que tem a administração privada, tem o proprietário privado. E você produz isso em grande escala.

Então a produção de habitação em grande escala é só com aluguel subsidiado pelo Estado. E é por isso que a gente vê... Bom, não dá para acertar o tempo inteiro. E aí a gente viu notícias, eu vi notícias pelo menos de cidades fantasma na China, que eram cidades que haviam sido construídas pelo Estado, só que erraram no cálculo e ninguém foi morar lá naquela porra. Isso, tem isso. E também tem corrupção lá também.

Vamos falar de corrupção interessante, eu não sei quanto que tu manja disso, mas só para eu entender aqui. A gente está dizendo que a maioria das moradias chinesas são de propriedade do Estado. É isso que a gente está dizendo. É isso aí. O que não quer dizer que não existe a propriedade privada de morro. Você pode comprar.

A propriedade para a família, você vai guardando. Mas para resolver o problema habitacional é aluguel do Estado. Entendi. E aí a corrupção na China é algo que... Vamos lá, o chinês.

Eu lembro um tempo atrás que tinha uns caras pegando no pé dos chineses e eles ficavam putos falando que feriam o orgulho chinês. Um chinês... Tu perguntar pro Xi Jinping se tem corrupção na China, ele vai dizer que sim? Acho difícil. Mas ele até afastou um cara recentemente. Mas como eles lidam com isso na prática?

Bom, tem aquela famosa história de que se você roubou e você é parte do estabilismo do Estado, fuzilamento. E a famosa história de que a família ainda paga a bala em que a pessoa foi fuzilada. Então, lá também tem isso também.

A gente tem notícia de alguém fuzilado nos últimos tempos? Mas teve sim, não vou lembrar. Tá bom, mas teve? Sim, tem. E assim, acho que a China, assim como aqui acontece, a influência é exercida, não é uma coisa absolutamente meritocrática.

em que as relações de bastidores de poder ali não operam, inclusive, num grau que às vezes é indevido. Então, eu ouvi falar de corrupção, e inclusive que muitas coisas do Estado, é o que a gente tem aqui, você conhece alguém no Estado que faz a coisa funcionar para você melhor, a burocracia de Estado anda para quem tem amigo lá.

E você começa, inclusive, a ter com essas novas classes que vão ascendendo na China, grupos de pessoas com muita grana que vivem uma vida muito diferente da que os pais deles viveram e usufruem desses contatos para poder viver à margem da lei, viver com a própria lei deles.

Quem me contou isso foi um professor que morou um tempo lá, um cara britânico que, tipo, falou, cara, existe uma elite chinesa que hoje é como se fosse os nossos coronéis, assim, sabe? Interessante, interessante. Também é um outro lugar que é muito difícil, pelo menos pra mim, de ter informação clara do que exatamente rola, né? Não sei da onde que vem essa ineficiência. Pode ser minha também. Não botaria na sua conta, não, viu? Muito difícil a gente saber das coisas que vêm de lá. Difícil.

Tá. Mas aí tu tocou... Já que a gente tava falando de corrupção, não tem como a gente não voltar aqui pro nosso queridíssimo Brasil, né, meu irmão? Ô, professor, o que tem pra tu me falar? Como é que os teus anos de experiência, olhando o que acontece no mundo, dando aula e o caralho, tem pra dizer sobre Banco Master e Daniel Vorcaro, meu irmão? Porra. Cara, esse é um escândalo, ele... É...

Antes dele a gente teve a Lava Jato. Em primeiro lugar, tu acha que ele é da mesma magnitude de uma Lava Jato? Vocês acham? Eu acho que é maior, né? Porque, inclusive, ali na Lava Jato tinha muita coisa que não era verdade. E esse aqui do Master, se você está puxando, você está vendo que não. As pessoas realmente estão envolvidas, a coisa é grande mesmo, é muito maior.

Então, eu acho que agora é uma coisa mais séria e mais verdadeira. Então, está mais perigoso. Porque se você puxa todo o fio, vai pegar o quê? Faria Lima. E aí, turma do mercado já fica... Enquanto fica pegando só político, está bom. Agora, começar a pegar turma do mercado é complicado. Então, aí aqui, vamos lá. Aqui...

Eu tenho o seguinte medo. Quando teve a Lava Jato, que a gente começou, a gente vivia um tempão. Porra, mané, eu não aguento mais político me roubando, cara. Toda hora os caras estão me roubando. E aí quando os caras são pegos, os caras são soltos. Não acontece porra nenhuma. Porra, tem vagabundo. Porra, pegaram um cara com 50 milhões de reais na mala, dentro da casa do cara. E em dinheiro. Que porra é essa, meu irmão? O outro compra uma casa com dinheiro vivo.

Entendeu? Uns bagulhos que tu vai ficando que porra é essa, que doideira. Aí chega um cara falando não, isso aqui é eu sou antissistema, meu irmão. Eu sou diferente, vou fazer aqui as coisas diferentes. Porra. E aí não é bem assim que acontece, né? Mas eu tô dizendo tudo isso daqui, cara, pra dizer que eu esqueci qual era o ponto inicial. Como que a gente resolve a corrupção no Brasil também, né?

Isso é difícil, é difícil. Porque o que acontece? Os caras lá do... Esse bagulho do Banco Master, ele é um troço que ele pega todo mundo, cara. Ele não tem... Ele não tem um... Só um espectro político. Tipo, não dá pra você... É, ele pega todo mundo. Então tem lá o... Tem o juiz.

Não é qualquer juiz. É um puta de um juiz, tá? Ah, lembrei. E aí, a gente... Eu tenho medo. Na época da Lava Jato, uma galera começou a ter o sentimento de ter que se fuder todo mundo. E eu não ligo, meu irmão, qual é o jeito que o cara vai se fuder. É que eu sempre achei que esse cara fosse ladrão, entendeu?

Toda vez ele esfregou na minha cara, esparada, e se deu bem, e agora ele vai se fuder se Deus quiser. E aí esse sentimento leva pra uma... Todo mundo é meio Batman, né? Ou eu queria que os caras fossem Batman, então o Moro surfa nessa. O cara é eleito depois e tudo mais, né?

com, porra, esse cara é o Batman, esse cara bota pra fuder e eu não quero nem saber se tava dentro da regra ou se não tá, eu só quero ver se os caras se fuder. E esse sentimento, a gente teve empresas enormes no Brasil sofrendo pra caralho. E assim, não tô falando que os caras não tem que se fuder, não tem que devolver dinheiro, mas daí ia tu destruir toda a reputação da empresa por causa de um cara, enfim, tem um monte de problema nisso, né? Mas era esse sentimento do...

Não aguento mais esses caras me roubando. Que levou, talvez, a tudo isso aí ser aceito em boa medida pela sociedade. Agora, a gente está tendo um escândalo muito sinistro dentro de uma condição política muito intensa. Então, a gente está tendo agora um ministro, o Alexandre de Moraes, envolvido.

Até agora eu não sei por que a esposa dele tinha um contrato daquele com o Banco Master, de um cara que toda vez que tu fala dele é um ataque à democracia, que não tem muito como se defender, porque não é mais um ponto de vista viés político. Então não é sobre o cara, se ele julgou o Bolsonaro de forma honesta ou não. Eu não consigo mais... Não estamos falando de uma opinião política do Alexandre de Mora, estamos falando de uma parada de...

Por que que tá todo mundo falando que tu tá pegando dinheiro aí, mano? E tu não quer me falar qual é? E tu não quer me explicar qual é? Tá todo mundo falando que tu tá pegando dinheiro pra caralho aí. Dinheiro não tem partido político, né? E será que a gente vai começar a ter a mesma... É que nesse caso não tem empresa a ser destruída, né? Mas essa sensação de justiceiro pode, de certa forma, atrapalhar a coisa? Isso tudo num contexto... ...

eu tô falando pra caralho. Isso tudo num contexto que a gente sabe que o STF não quer que ande, os políticos não querem que ande, a Faria Lima não quer que ande, no máximo a Polícia Federal, eu e vocês aqui querem que ande. Uma parte da Polícia Federal. Então, a gente tem um escândalo que promete que caso seja levado a cabo, a gente tem aqui uma oportunidade de fazer uma... de jogar a luz numa puta de uma sujeira que vem de muito tempo, né?

que pode nos livrar de votar errado de novo, por exemplo. Mas também, dependendo da intensidade que a gente vai, isso pode ter algumas... Pensa no que a gente falou desde o começo. A gente resolve uns problemas e depois a gente lida com o problema que a gente criou. Então corre o risco de acontecer de novo. Com tudo isso que eu falei.

Dá-lhe aí vocês agora. Banco Master. Vamos lá, vamos lá. Eu acho que está difícil, mas a gente tem que ser justamente aquilo que a gente começou a falar. Para aí chegar no ponto, para chegar na verdade, na quintessência da verdade. Tudo isso que você falou é verdadeiro, mas veja bem, vamos raspando e vamos chegando aonde.

Olha, isso está ligado às bets. Essa é a que é a jogada. Como é que está hoje? Boa parte, são mais de 150 bilhões de reais que estão indo para as bets, que são estrangeiras, fora do Brasil. Isso aí é lavagem de dinheiro.

pesada, saindo da evasão de divisa e vamos lá, onde que o pessoal está pegando o Bolsa Família e jogando nas bets está pegando o Loas e jogando nas bets já que tu está falando de bet, eu vou perguntar logo é na opinião de vocês aí, é proibindo que resolve ou é regulando direito? não, tem que regular direito, proibir é aquela coisa besta que vai dar sempre ilegalidade, então temos que regularizar isso

fiscalizar, como tem que se fiscalizar o jogo do bicho também, não tem que se proibir que é besteira e não só o jogo do bicho a maconha também papo reto professor de geografia da USP com esse cabelinho

Porque isso tudo é uma grande besteira. Já tentamos do jeito que estamos tentando. Não funciona, não funciona. Só piora as coisas. Então, você veja só. Foi feita uma legislação, por isso que, inclusive, pegaram agora o Ciro Nogueira, foi o responsável por levar isso no Congresso. Para quê? Para justamente permitir que se tirasse o dinheiro do salário social que o governo dá, do Bolsa Família, para você jogar nas bets. É complicado isso daí. Então, você está tirando...

do aposentado, do cara que está ferrado para puxar dinheiro para o banco dele. Então, essa é a origem de tudo. Então, vamos lá. Sabe quem está saindo em colo até agora? Paulo Guedes.

O Paulo Guedes foi responsável por essa maquinação. Cadê o Paulo Guedes? Ninguém fala dele, você percebe? Então, eu acho que também está tendo muito isso, porque é difícil você chegar nas pessoas que realmente foram responsáveis por esse jeito de se puxar o dinheiro do pobre, porque é isso que está acontecendo.

Então, peraí. A gente começa falando de Banco Master e estamos falando de Bet. Qual que é a ligação? O Banco Master é o início do... Se a gente for puxando o fio, a gente vai encontrando tudo isso daí?

Isso, isso, porque vai canalizar para eles esse dinheiro que o cara está jogando nas apostas. Então, isso vai para ele. E outra coisa também, esses juros escorxantes também. Então, isso puxa dinheiro para quem? Para o setor bancário. Então, veja, tem um pessoal que está escondido, mas que está levando muito dinheiro, que está sendo o grande beneficiário. Estourou com o Vorkaro porque ele exagerou.

Mas esse mecanismo é maior. Tem essa coisa das betes que pega dinheiro e leva para fora. Tem a coisa dos juros muito altos que puxa dinheiro. E me desculpe, também tem muito pastor picareta que puxa dinheiro. Também não é para desenvolver a fé e o espírito, não. É para ganhar dinheiro também.

Então tem tudo isso prejudicando o poder aquisitivo do brasileiro e ele não está percebendo. Então aí é mais fácil pôr o Alexandre de Moraes como culpado, entende? Não, que ele não seja um grande com todo respeito. Como é que eu ia me perder? Eu ia me passando aqui. Já ia me passando aqui. Não, que não está esquisito essa história meio mal contada. Gilmar Mendes, esquisito meio mal contada. Não dá para a gente... E aqui a gente vai...

Vamos lá. Então me fala. Você ia falar alguma coisa sobre isso? Vai. Não, eu ia só trazer uma reflexão aqui, né? Eu não tenho solução pra acabar com a corrupção do Brasil. Acho que isso é um problema tão enraizado na nossa sociedade que... É humano o problema. É só nosso. É muito tempo de educação e etc. Mas assim...

Eu acho que a tecnologia pode ser uma grande aliada nisso. Ao mesmo tempo que a tecnologia deixa o mano ali com a palma da mão dele apostando grana de madrugada compulsivamente, drenando todo o salário que ele ganha de trabalho suado, benefício de governo, a tecnologia também permite que a gente rastreie dinheiro.

permite a gente automatizar e despessoalizar alguns processos de governo que precisam ser impessoais. Então, eu acho que, se tudo der certo, num futuro não tão distante, a gente vai ter...

menos espaço pra corrupção acontecer em alguns lugares em que hoje ela ocorre justamente porque você vai rastrear mais a grana e aí a gente entra naquela parada do Pix né, de que agora antes teve um puto alvoroço nisso aí porque estavam querendo rastrear aí o governo voltou atrás, aí estourou aquela máfia das fintechs da Faria Lime e agora sim a gente tem o maior controle sobre isso, eu acho que

Esse exemplo serve para vários outros processos da sociedade, governo, burocracia estatal, que a gente vai acabar resolvendo de uma forma mais direta com tecnologia, com inteligência artificial. Isso tende a ajudar, mas acho que a gente ainda tem um longo caminho e eu acho que o caminho vai pela educação, vai para a gente reforçar a importância da política.

A política não é um espaço para forasteiro que chega aí e impõe sua vontade, é só uma questão de fazer. Não, ela é um espaço para você construir a coisa, tem que saber fazer política. Política é sério para cacete. Então a gente tem que ter gente boa, qualificada, ocupando esses espaços. E a partir do momento que o brasileiro perde a fé na política...

A gente entrega isso pra quem quer fazer o pior possível dela. E por que a gente tá nessa condição, então? Por que a gente tem uma classe política esquisitona? Por que a gente não tem os caras que nem tem na Dinamarca? Vou chutar. Porque a gente é uma sociedade jovem. Porque a gente ainda não se desvencilhou de coisas mais básicas do que isso. A gente ainda tem problema com saneamento básico, por exemplo. E tem gente pra caralho. Muito diferente uma das outras, inclusive.

Então, tudo isso vai tornando tudo o que a gente vai fazendo cada vez mais difícil. As pessoas são representadas de uma forma... O critério é estranho, né? Então, a gente tem coisas, a gente tem...

distorções, como, por exemplo, o número de representantes, o jeito que a gente escolhe ou que a gente definiu o número de deputados é estranho, ele não faz muito sentido quando você pega pra ver legal, você vai colocar os estados do norte na conta, por exemplo. Então, tem... As nossas regras, elas são... Elas foram pensadas...

Para outros tempos. Vocês concordam? Será que está na hora de a gente pensar num outro conjunto de regras? Por quê? O nosso conjunto de regras vive sendo reemendado. Porque ele tem tanta regra que abre para tanta interpretação. A gente tem pegue para caralho o tempo inteiro. O que vocês pensam sobre isso?

É, de fato, é difícil, mas o que falta? Falta exatamente a ideia de projeto nacional, eu acho. Você começou falando da questão das elites. Acho que nossas elites estão cansadas, estão antiquadas. Elas ainda olham o Brasil como um fazendão. É só agro, é só exportação de commodities. Espera, o mundo está muito mais complicado. Então, como é que a gente vai fazer? Eu acho que está em marcha uma mudança das elites brasileiras. Tá.

Teu próprio programa ajuda, porque isso que a gente está fazendo é preparar a juventude para vir assumir isso aqui. Então tem que ser uma juventude mais esclarecida. Eu vejo muita gente se esforçando para estudar. Eu sou professor, então eu vejo como o brasileiro rala para estudar.

quer melhorar de vida, se esforça, é transporte difícil, tudo é difícil, mas a turma está... O que tem faltado? É uma questão ideológica. A gente entrou muito no barulho de que tinha que privatizar tudo, que privatizando era melhor, porque justamente no Estado tem corrupção. Mas espera um pouquinho.

Mas a corrupção vem de quem corrompe. E quem corrompe? O pessoal do mercado que corrompe. Então não é essa relação. Nós temos que ter um Estado democrático, transparente, em que você vota e você fiscaliza em quem você votou. Então por isso que o eleitor também é culpado. Porque também... Bom, mas você está fiscalizando o seu deputado?

Os meus eu levo a sério, entendeu? Tem os caras que levam 50 mil reais pra votar no cara, pô. Então, aí fica ruim, porque, veja, ou então eu voto em qualquer um porque eu acho graça, ou o cara é da televisão e tal. Pô, mas não é assim. Você tem que olhar o passado da pessoa, o que ele votou. Porque tá muito ruim por quê? Porque a classe dominante já era dominante economicamente, agora também politicamente. O que os caras fazem? Uma legislação...

Eles pegaram um dinheirão para os próprios deputados, pegaram uma parte grande do orçamento, para que? Para eles se reelegerem. Então, o pessoal também tem que despertar.

Falar, opa, peraí, você cara tá me enganando. Vamos ser mais esperto na hora de votar. Eu acho que também tem isso. Uma última coisa que interessa pra esses caras é que a gente seja educado. Exatamente. Eles preferem, inclusive, que o pessoal não ligue pra política. Ah, eu não ligo mais pra estudar aí. Não, prefere que você vote no Tiririca. Vota no Tiririca, porra. O Tiririca é de um partido de centrão. E quando entra o Tiririca é um caralhado de voto, entra um caralhado de deputado do centrão. É tudo que eles querem.

que é emenda. É verdade. O pessoal não percebe que se você não gosta da política, a política gosta de você. A política gosta que você não goste de política. Nossa classe política, pelo menos. Você falou de buscar o passado dessas pessoas. Tem uma pesquisa muito boa, se não me engano, na revista Piauí.

que mostra como que uma boa parte das elites políticas do país hoje são descendentes das elites escravocratas, as elites coloniais do Brasil. Então, são famílias que... Na hora, são dinastias que estão no poder há gerações.

que vem perpetuando isso, só mudou o sistema, né? Antes é uma galera que se fundava em ter grandes propriedades de terra, ser próximo da coroa portuguesa, de ter muitos escravos, escravizados, e aí agora são pessoas que estão legitimamente ali pelo voto popular, né?

Então eu acho que a gente não pode em nenhum momento tentar entender o Brasil sem pensar que a gente foi um país que é uma colônia de exploração, que a gente teve 350 anos de escravidão e que isso deixa uma marca profundíssima no país até hoje. Inclusive na forma como a gente enxerga os lugares de merecimento de poder das classes mais baixas. E aí entra o viés racial também, mas é isso. A gente é um país fundado na hiperexploração do trabalho.

A gente tem 526 anos de existência, né? Dos quais 325 desde a chegada dos portugueses, né? Porque tem a história pré-cológica. Mas sim, tem, tem. Com grandes cidades na Amazônia, né? A gente, porra, teve um genocídio de 10 milhões de indígenas. Tinha mais indígena no Brasil antes dos portugueses chegarem do que agora, né? Muito mais. Então, assim, pra gente entender também a...

Por que que, porra, hoje você pega a população indígena, são pessoas que também têm uma menor inserção em grandes espaços de tomada de decisão, em classes sociais mais elevadas. Porque essa galera sempre foi jogada pras margens, né? Quando não, genocidada. Então, é um processo muito profundo e que a gente tem que sempre ter em vista pra entender o Brasil de tamanhas desigualdades que é. O Brasil nasceu pra ser explorado. Não vamos esquecer isso.

Quando os portugueses chegaram aqui, eles viram que isso aqui era um maná. Pô, isso aqui... Aliás, até no século XVIII eles chamavam o Brasil de nossa vaquinha leiteira.

Era a nossa vaquinha ali inteiro, o Brasil. A vontade de dar uma tapa de costa de mão nesse fila da puta, porque hoje, chega lá, os caras te tratam mal, fila da puta. E precisam da gente pra caramba. E precisam da nossa mão de obra. Isso que é o problema, a condição colonial. Isso é explorado. Aí depois a gente superou com a independência, mas veio a Inglaterra, que era a potência dominante. E agora são os Estados Unidos. Então, a gente tem que se libertar. E tem gente também da esquerda que acha bom, então agora é a China. Não.

Não tem que ter patrão nenhum. Não é essa a questão. A gente tem que ser autônomo. Como é que a gente chega nesse... Tem algum lugar, na tua opinião, na geopolítica nos próximos anos, nas próximas décadas, para um Brasil protagonista? Não só eu acho, como eu tenho certeza que o Brasil será o grande protagonista. Porque se não for, nós vamos nos dar muito mal.

Depende do Brasil, pode reparar, porque veja, dos grandes líderes mundiais hoje, a gente falou do Putin, você pega o Trump, você pega o Xi Jinping, pega o Modi na Índia, Macron, o inglês está meio apagado.

Olha, podem gostar ou não gostar do Lula, mas o Lula é um grande líder mundial. É inegável isso daí. Por que ele é um grande líder mundial? Porque o Brasil é um grande país que está sendo chamado para o primeiro plano da história mundial agora.

Porque se não for agora, vai ser muito difícil. Porque justamente... Se fosse Bolsonaro no poder agora, seria ele? Olha, o Bolsonaro, a gente tem que admitir, ele foi bem também nesse setor. Vamos lembrar, ele foi para a Rússia, foi para os Estados Unidos. Ele não deixou a peteca cair no plano internacional. Eu tenho que dar a mão à palmatória.

Mas o Lula tem aquela peixa de ser o cara que o Obama falou e tudo mais. Verdade, verdade. O que o Trump falou também, perfeito. É, inclusive, quando se encontraram agora. É porque justamente o Lula, que tem muito mais cancha na política externa do que o Bolsonaro, ele transita muito mais, essa que é verdade. Ele vai para qualquer lugar do mundo, os caras jogam o tapete vermelho para ele.

Vamos reconhecer, tanto é que o Trump é agora mesmo. E o Lula é simpático. Ele vai lá, bate nas costas, não sei o quê, nem falar muita coisa com coisa, mas no final saiu bem. Saiu bem, está tudo bem, entende? Por que isso? Porque não é só, poderia ser outro presidente. Agora, é claro que se você consegue entender o que é o papel do Brasil agora...

Você vai fazer uma política pacificadora no mundo, mostrando que o Brasil é um país que ajuda todo mundo a se encontrar. Então, eu vejo que o Brasil tem muita chance de ser um protagonista para o futuro, sim. É só perder um pouco do famoso complexo de vira-lata.

A gente é muito acanhado. Achar que a gente... Mas existe o risco, por acaso, na opinião... Tu que é o cara do direito internacional aí. Existe algum risco. Vamos lá. Vamos dizer que... Não estou falando amanhã, tá bom? Mas a gente viu os Estados Unidos sacando Maduro e foda-se. O maluco levou embora.

Viu que deu bom, não aconteceu nada, basicamente passou batido, ninguém fala mais disso. Imagina um Brasil acreditando mais em si mesmo, resolvendo seus problemas...

resolvendo o seu parte, pelo menos, ou apaziguando parte dos ânimos internos, porque no fim, isso aqui é importante no fim das contas, é que talvez a gente esteja indo, talvez a gente esteja preparado pra ter o debate que a gente tá no momento de ter, quer dizer, bom, vocês entenderam.

A gente não corre risco de vir um americano e sacar alguma coisa também, não, meu irmão. O que acontece? Por que eu tô falando isso? Porque o Brasil tá no continente americano e eu conversando com várias pessoas aqui, a gente já falou, eu já entendi que uma das principais coisas legais que os Estados Unidos tem é o oceano dos dois lados. E os caras que estão aqui, ninguém ameaça eles, porra.

Os caras que estão aqui. Parece um cara que é esquisito. O Trump acordou meio puto.

O cara ferminha a dancinha. Ele ferminha a dancinha. Não vai buscar ele. Manda buscar, mano. O Brasil está... Aqui eu vou te provocar. No quintal dos Estados Unidos. Como é que a gente pode ousar, André? Botar a cabecinha a vavorra. Então, boa. Mas aí tem que usar justamente o que nós temos de bom, que é a nossa velha e boa diplomacia.

Veja só, o Brasil tem uma vantagem que nenhum outro país tem. Por isso que eu falo. O outro presidente, talvez, pudesse não ter percebido isso. Não sei se o de agora vai perceber. Veja bem, o Brasil é o único país do mundo que, ao mesmo tempo, está nos BRICS e está na OEA. Organização dos Estados Americanos. Ou seja, nós estamos tanto do lado dos americanos, como você falou, no quintal deles, que é a OEA, quanto a gente está nos BRICS.

que é a Rússia e a China que domina, a gente sabe. Então, como é que a gente faz? Você percebe? Então, acho que a gente tem que explorar isso. Nós somos exatamente a única potência do mundo que tem esse jogo de cintura. Vamos tentar aproveitar isso com inteligência.

para ir construindo um caminho de maior confiança entre as potências e, aos poucos, o Brasil vai entrando com a agenda dele. Sabe qual é a agenda dele, na minha opinião? Sabe qual é a agenda dele? A agenda do Brasil eu resumo numa única frase, que é o seguinte. Veja bem, no Norte nós temos lá o seguinte, os Estados Unidos e a Europa. O que eles fazem? É mercados livres.

E corpos livres também. Cada um se veste como quer, pinta o cabelo, faz a operação plástica, muda de sexo. Problema de cada um, tá certo? Na Eurásia é exatamente o contrário. A economia é controlada e as pessoas também são controladas. Tá certo? Bom, e nós aqui embaixo, como é que no sul, como é que nós temos que fazer? Ora, simples, corpos livres, mercados controlados.

Essa que é a nossa identidade aqui do Sul. Entende? Porque o Brasil é conservador, mais ou menos, de costume, mais ou menos. Não é bem assim. Porque carnaval sai todo mundo pelado, isso aqui é uma zona. Todo mundo transando com todo mundo. Vamos falar a verdade, né? Essa que é a verdade. Essa que é a verdade. Pode ser hipócrita para fora dizer que não, tudo certinho. Mas não é bem assim o Brasil, né? Então vamos combinar que... Então vamos lá.

tanto é que internacionalmente, nossa forma qualquer, não é isso? Sim. Então, espera um pouco, não é bem assim. Então, corpos livres, cada um faz o que quer com o seu corpo, é doido do seu corpo, certo? Isso é responsabilidade individual. E os mercados? Não, os mercados não, o mercado tem que ser um pouco controlado, essa que é a questão. Porque se for ao contrário, se os mercados for descontrolados e você quiser controlar os corpos, aí nós estamos no nazismo.

Caralho! Tá bom. Isso que tu falou de corpos livres e mercado controlado, isso não é exatamente... Isso é uma parada que os caras mais à esquerda estão falando há um tempão do caralho, né? Não exatamente assim, eu acho. É? É, porque não tem tanta clareza. Talvez... Um cara mais à direita no Brasil ia olhar o que tu tá falando e ia falar, é óbvio.

Tem maior cara de esquerdista? É claro que ele ia falar isso. Entendeu? É entendido como um discurso de esquerda. Isso que tu acabou de dizer. Por quê? Porque aí então ele precisa saber o que ele está falando. Porque se ele quer dizer que é patriota também, então ele também tem que controlar os mercados. Não é isso? Porque o mercado mundial pode destruir a nossa pátria. Como aliás é o que está acontecendo. Aí vem aquele e fala, não, vamos vender todas as terras raras para o estrangeiro. Não é bem assim. Não é verdade.

Então, peraí, é patriota até onde, hein? Vestir a camisa da seleção e vender o Brasil pro estrangeiro, que patriota que é esse? Então vamos devagar quando, tá certo? Mesmo porque todo mundo é mais ou menos um pouquinho pra cá, um pouquinho pra lá. Vamos olhar pra verdade, tá certo? Não, calma. Você tem razão, é só na Dimitri. É só na Dimitri. O que eu já vi. Nem direito eu sou Brasil. O que eu já vi.

O que eu já vi e que eu conheço de bolsonarista maconheiro é de tu ficar com ele. Não faz sentido. Não, não. Não, sou maconheiro, mas não pode liberar, não.

sou maconheiro, mas não quero que tu fale sobre isso caralho, é esquisito então não é nem sobre a maconha que é só um exemplo tu parou de pensar na merda que tu tá falando tá ligado? a hipocrisia que é, então tu pode o resto do mundo é estúpido ninguém pode, só tu que pode também não pode, também não posso então não tem um criminoso aí tu fica, pô, caralho esse aqui é o problema acho que a gente tem que ser uma sociedade menos hipócrita

Da mesma forma, o cara que é a favor ou contra a legalização das armas. Às vezes o cara está só repetindo o que ele ouviu alguém falar. Ou ele está só repetindo o que faz parte da cartilha. Entende? Ele até acha o contrário. Entendeu?

Eu deixo dizer que eu votei a favor de você ter arma em casa. Eu votei a favor. Isso lá em... Lá atrás, 93. 93. Eu votei a favor. Eu votei a favor e quem me convenceu foi um oficial do exército. É? É. Ele falou, escuta, você poria na porta da tua casa uma placa, esta casa não tem arma?

Mas e hoje, tio? Não, eu continuo achando. O que é diferente de todo mundo sair sem ter um monte de bala e um monte de arma em casa? É outra coisa. Com certeza. É completamente diferente. Claro, quem não quiser que não vai ter. Acho que a maioria não deve ter mesmo. Agora, se uma pessoa quer, tem alguma profissão que envolva risco e tudo mais e quer defender sua casa, tem o direito de ter sua arma em casa registrada.

Porque se você fizer o contrário, não, vai ser proibido. Pô, aí virou outra vez. Vira mercado clandestino, aí o pessoal vai ter arma clandestina. Então é preferível você manter a legislação com controle, a entrada de arma, quantas balas também, essa coisa que o Bolsonaro fez, pelo amor de Deus. Liberou geral e isso acabou drenando arma para o crime organizado. Aí você quer combater o crime organizado, mas você está liberando as armas para o crime organizado.

Muito doido isso. Então, espera um pouco. Uma coisa, uma coisa, outra coisa, outra coisa. Não proibir que a pessoa tenha o direito de ter a sua arma. Isso é uma coisa. Agora, todo mundo armado não, porque justamente todo mundo armado na rua é bang, bang.

Imagina ficar puto com o cara porque o filho da puta parou na rotatória, entendeu? Imagina o filho da puta que parou na rotatória e o idiota que... O cara parou na rotatória e o idiota andou na rotatória. Ou o idiota que tá vindo e espera que o cara vai parar na rotatória.

Estão sendo específicos mesmo, entendeu? Você, paulista, que não sabe andar na porra da rotatória. Imagina, é um acidente como esse numa rotatória, né? O cara ia chegar e dar um tiro no outro. Aliás, não é o que acontece toda hora. Pode nem acertar o outro, pode acertar o cara que está passando lá atrás, né? Cara, então, a gente faz umas merdas sem pensar.

Que é melhor às vezes não estar com a arma mesmo na rua. Claro que não. Eu penso assim. O melhor é não ter arma e não usar nunca. Agora, eu tô contigo. Entrar um filada puta aqui dentro do meu negócio. E aí, como é que é? O cara tá armado. Eu vou ficar com... Como é que é? O Vitor não gosta dessa ideia. Não, ela é perigosa. Tem que ser bem regulamentado isso aí. Não, claro que sim. Claro que sim. Tem que dar um jeito de não chegar a arma no...

nos malarcos. Lógico. É claro que a gente tá falando de, assim, de situações limite, né? É porque muito do argumento do cara, não tô falando que esse ar universal não seria bobo a esse ponto, mas eu já escutei alguns argumentos falando, ah, cara, mas o ideal era que ninguém tivesse arma, mas a realidade se impõe, meu irmão. Vagabundo tem arma, vagabundo entra na casa do outro. Tem situação, tipo assim, pô, própria situação no campo.

Eu acho que ela é muito diferente da situação na cidade. Você está a uma hora de aparecer uma polícia na sua casa lá e você vive isolado, está você e sua família. Cara, acho que é uma situação muito diferente você estar aqui na cidade e ter um acesso mais rápido à força de segurança, etc. É verdade. Mas ter uma arma na tua casa é tipo o país que tem uma bomba atômica. Não é? É, exatamente parecido. Eu quero ter uma arma para não ter que usar.

exatamente, então eu acho que aí a pessoa, se você for proibido de ter, vai ficar pior, então eu acho isso, fui convencido por esse oficial do exército você põe na porta da tua casa uma das coisas mais lindas que tem na vida vê se você concorda comigo e tu também Vitor

É a capacidade de mudar de ideia. Essa é uma das coisas mais incríveis do ser humano. Não é maluco? O que diferencia você de um cachorro? É a capacidade de pensar sobre o que tu pensou. De pensar sobre o que tu sentiu. Essa é a grande diferença de tu com um macaco, com um cachorro. Que tu consegue raciocinar sobre o que tu sentiu. E depois raciocinar sobre o que tu raciocinou sobre o que tu sentiu. Não é trivial, meu irmão. A gente é o único capaz de fazer essa porra. E não usamos.

porra calma aí porra então se eu sou capaz de raciocinar sobre o que eu raciocino eu deveria ser capaz de mudar de ideia mas você sabe uma coisa que está acontecendo é que a gente não está tendo tempo para isso

É. Eu acho. Mas tu tá, tu nem tá na internet, porra. Por isso mesmo, porque eu ainda tento preservar meu tempo livre, ler, estudar, né? Eu sou estudante ainda. Você não trabalha seis por um? Não trabalho seis por um, tenho essa vantagem como professor universitário, então eu ainda tô naquelas, mas quer que eu te diga?

A massa de e-mails diários que eu recebo, que eu tenho que responder, já é uma coisa muito cansativa. E eu vejo a moçada há muito menos tempo ainda.

Então está tudo muito acelerado, muito rápido e a reflexão... E a gente está só pegando as coisas meio já prontas, né? Puta que pariu. Tudo resposta rápida, pronta já. E para ter o tal de esclarecimento precisa pensar. Porra, mas aí é foda. Porque assim, que tipo de ser humano... Que tipo de...

Eu, que estou aqui tentando fazer com que as pessoas desenvolvam o pensamento crítico. Isso que você está falando para mim aí me diria o seguinte, do ponto de vista como é que eu faço para dar certo, como é que eu faço para alcançar o meu objetivo. Eu vou, então, implantar o jeito que eu penso o máximo possível usando a mídia que eu tenho. Aí eu teria um impacto em como as coisas aconteceriam. Vamos dizer assim, hipoteticamente. Só que, porra, quem disse que eu estou certo?

E se, tentando resolver um problema, eu crio outro maior ainda? Cara, mas você chama uma pluralidade de gente aqui que eu acho que permite com que a sua audiência tenha contato com diferentes pontos de vista. E eu acho que isso é saudável pra cacete. Eu também acho, mas é... Bom, é tudo muito complexo, cara. Porque tudo nasce da vontade de quem tá do outro lado, no fim das contas. É os caras que têm que querer, no fim das contas. Eu não...

Sei lá, parte do meu papel é estar aqui com vocês e a gente conversar sobre essas paradas que são interessantes. E felizmente tem muita gente que se interessa sobre... Não sobre esse assunto necessariamente, mas sobre entender melhor como as coisas funcionam, no fim das contas. E ainda bem que o mundo funciona em parte. E que tem esses espaços aqui, né? É, eu também gosto. Bom, eu pessoalmente gosto.

Eu estou falando, eu acho que é aí que nós vamos criar uma nova geração, com uma nova mentalidade e vai ser a nova elite do Brasil, uma elite mais arejada. Eu confio na juventude, eu acredito. Tu já foi juventude, né? Já fui, já fui. Nós éramos tão otimistas.

Tudo esquisito, tudo fazendo uns troços, todo mundo dizendo que vocês já tudo dá errado. É, mas os jovens estão mais conservadores, hein, tio? Vocês viram essa pesquisa que saiu recentemente? Cara, as populações é até um... Eu vi a chamada assim, era idade nova, voto velho, assim.

Acho que é reflexo, inclusive, desses movimentos. Tipo, pô, a Red Pill, o conservadorismo, ele tem ganhado um espaço... A Red Pill é uma das coisas mais absurdas, né, cara? Os caras começam lá no tal do Migtal, que a gente olhava e falava... Você não botava a fé que ia ser uma forma. Aí pegaram o Matrix, mano.

Os caras foram lá e sacanearam Matrix, cara. Puta que pariu, cara. Porque a pílula vermelha, se não me engano, é a pílula de acordar. É, exato. Então eles estão propondo que você vai acordar. Do sistema de dominação que as mulheres estão dominando os homens. Pô, mas tem que ser muito cabaço, né? Isso é coisa de virgem. É coisa de virgem. Não, e literalmente, né? Porque Incel, né? Que é o celibatário... Involuntário.

Porra, mas caralho, tu saiu de casa, filho da puta? Corpos livres. Corpos livres, por isso que tem que ser o contrário. Não pode ser isso aí. Então, a turma da bronca, mas veja só, na minha geração, as meninas começaram a transar antes do casamento. Antes não podia. Então caiu o tabu da virgindade, caiu.

Nós fomos também uma geração muito mais tolerante com os gays também, com as lésbicas. Cada um faz o que quer. Se quiser cortar o cabelo comprido... Cortar o cabelo comprido é muito doido. Ficar com o cabelo comprido, tudo bem. Se quer cortar o cabelo, tudo bem. Cada um que faz o que quer, se veste como quer. Paz e amor, pô. Não está furado isso aí ainda não, né?

É, mas porra, infelizmente, as gerações andam e a gente vai mudando, a gente vai esquecendo, a gente vai... O impacto de como a gente faz as coisas vai moldando o próximo e é sempre impossível de prever. Essa que é a verdade. É verdade. E uma geração quer ser diferente da outra, né? Quer?

Até sem querer vai ser, porque... Não sei lá. Veja, só o fato de eu não querer repetir com as minhas filhas o que os meus pais fizeram comigo, o que eu julgo que foi ruim, entendeu? Não necessariamente foi ruim. Não necessariamente. Assim, eu vou falar um absurdo agora, tá? Eu fui ver o filme do Michael Jackson ontem com a minha filha, né? E, pô, todo mundo puto com o Joseph Jackson, com o Joe Jackson, o pai do Jackson 5.

Se não fosse a maneira como ele fez as paradas, a gente ia não ter Michael Jackson hoje. Não ia ter Michael Jackson hoje. Porque o Michael Jackson não ia ser obcecado com a perfeição como ele era. Pô, talvez a gente não tivesse ONU se não fosse a Segunda Guerra Mundial. É verdade. Então é uma merda pensar isso. É verdade. É uma merda pensar nisso. Mas... A gente avança nas contradições. Não tem jeito. Pois é. Isso é interessante. A gente avança nas contradições.

A humanidade não tem muito rumo, não. Ela vai apanhando e vai aprendendo. A gente espera sempre que a gente aprenda. E espera sobreviver também, né? Espera, claro. Número um. Tem mensagem pra gente aí, Vitão? Tem? Então, bom, antes da gente postar uma mensagem, só pra falar pra vocês aqui, é uma mensagem do Felipe Midi, cara.

que é quem faz essa bebida aqui que eu tô mostrando pra vocês, que é um hidromel, cara. O que é um hidromel? O hidromel é como se fosse um vinho, só que em vez de usar uva no processo de fermentação, usa o mel e dá origem a essa bebida aqui. No caso, o Felipe Midi, quase todos os sabores deles, acho que...

Um que ainda não participou do concurso internacional e quando participar vai ser premiado, foram premiados em concursos internacionais com medalha de ouro, vários e algumas medalhas de prato também. Significa que de fato é um produto brabo, do bom, meu irmão. Pra tu tomar aí, tá pensando que é pra tu tomar...

Numa lareira, lendo um livro com monóculo e fumando charuto? Não necessariamente. Dá para você colocar um gelo, fazer um drink para você servir na tua festa aí. Então experimenta, cara. philipemid.com.br e entra lá no cupom FLOW10 para ganhar 10% de desconto, que matematicamente quer dizer que se tu comprar 100 garrafas... Ganhar um. Não, 10%. 10 reais de graça. É geografia, não é? É matemática. Errei num zero aí.

Então, meu irmão, nunca fale. Entra lá. www.filimid.com.br Usa o cupom FLOW10 Ganhar teu desconto. É importante pra comprar e pra consumir bebida alcoólica. Você precisa ser maior de 18 anos. Se beber, não dirige. Tá bom? Tem as mensagens aqui pra mim? É isso? Tu já mandou pra mim? Como é que vai ser? Eu que vou ler. Eu que não vou. Tu já mandou, Jean? Já. Tá bom. Vou pegar aqui.

E aí, fomos cancelados? Claro que sim, cara. Ninguém gosta de você, cara. Tá maluco, porra? Vim pra isso. É isso. Então vamos lá. O que tu acha de Israel, cara? Porra. Tenho duras críticas, hein?

Tem mais uma hora de programa aqui? Cara, acho que como o próprio tio André disse, Israel e a questão palestina é um dos maiores desafios da humanidade agora. O que o Trump, no começo, estava falando em Nobel da Paz, porque ele resolveria isso rapidinho. Lembra? Lembra, André? Sim, claro.

Resolveu nada, cara. Israel é isso. Tem um lunático à frente, um cara que... Netanyahu, que enfrenta uma série de processos internos. Assim que ele sair do poder, ele corre o risco de ser julgado e preso. E ele quer evitar isso a qualquer custo. E ele faz isso...

fazendo guerra. Isso é uma possibilidade. Você falou, o único jeito de unir a humanidade é ter uma invasão alienígena. Isso em escala menor. Exato. Ele arrumou um inimigo fora pra unir as atenções. De certa forma, segurar a onda ali dentro. Exato. Mas ele ainda enfrenta problemas, não só de ordem política, mas de... Isso eu não fui lá ver. Então me ajuda que você já está falando merda.

Mas a própria população, por conta dessa guerra, aí está começando a pegar no pé dele, porque tem um grupo que nunca é escolhido para ser enviado. Os ultra-ortodoxos. Isso. Isso está gerando um problema ali dentro também de sentimento em relação a ele. Então ele consegue perder capital político mesmo com a guerra.

Cara, mas assim, acho que comparar com o que estava antes dos ataques de 27 de outubro do Hamas, Israel estava, cara, fervilhando, tinha uma grande parte da população na rua pedindo a queda do Netanyahu, e aí teve os ataques e isso conseguiu tirar da agenda. Tu curte uma terra plana? Tu acha que esse ataque do Hamas a Israel, o Netanyahu estava ligado?

Porque é esquisito. Não é Israel, meu irmão. Ele tá esperando. Os caras têm o domo de não sei o que lá. É, moçada e tudo. Pois é, a porra toda. Assim, eu acho que é muito... Tem a banhismo aqui, família. Calma aí. A gente tem que se manter cético e entender que os serviços de inteligência, eles operam...

num nível muito sofisticado, que a gente não tem conhecimento, que eles são serviços secretos. Assim, eu tendo a nunca tirar das considerações nenhuma teoria da conspiração, pelo contrário, acho que a gente tem que manter elas ali perto, porque muitas vezes elas se confirmam.

Então, cara, eu, assim, não sei, né? Acho que seria a gente ir muito longe de dizer que ele causou isso, mas, assim, eu sei que ele tende a ser responsabilizado pela falta de... por não ter previsto que esse ataque ia acontecer, né? Que, de fato, é muito curioso observar isso. Como é que, porra, o Hamas conseguiu ter tamanha estrago?

Sendo que Israel é um país que tem um serviço de inteligência até um avançado, os sistemas de defesa até um avançado. É claro que todo mundo erra, mas me parece uma sequência improvável. Não dá para afirmar, mas é isso. De certa forma, e não estou afirmando, mas se tu olhar assim, anos depois...

O momento oportuno, inclusive. Oportuníssimo, né? Ele quase caindo e aí tudo isso acontece, né? Então, assim, é isso. Nos bastidores acontece muita coisa que a gente não tem acesso. E o que vocês acham do argumento? Eu sei que é a pergunta do amigo aqui. Mas o que vocês acham do argumento que Israel estava, ele está se defendendo de uma ameaça atômica do Irã?

Então, eu acho que isso daí é uma retórica. Na verdade, isso para manter aceso sempre esse clima de guerra. Esse é o grande problema, eu acho, de Israel. Israel foi fundado, mas não para ser isso que ele se tornou. Acho que isso é um problema para os judeus do mundo todo. Israel era para ser um lugar em que o judeu ia ficar em paz, não era isso?

E não foi o que aconteceu. Então, eu acho que teve um sério problema na condução de não ter permitido o Estado palestino. Aí o pessoal fala de Israel que, ah, mas fomos palestinos que não quiseram. O fato é que criou-se uma situação muito complicada porque Israel briga com todos os vizinhos e não para.

Então, o... Cachorro louco. É, aquela ideia. Foi o Ariel Sharon que falou isso. E daí vinha de lá de trás. Então, é uma coisa que complica muito. E por isso que eu lembro o Trump. Falei com essa coisa do Eisenhower. Por quê? Porque...

Seja como for, Israel agora está lá. Está certo? Como é que vai ser daqui para frente? Como é que vai ser daqui para frente? Percebe? Vai continuar guerreando com todo mundo lá, com todo mundo muçulmano? Não vai parar isso? Então, eu diria que hoje o dilema, na verdade, está com o Trump. Porque o Trump tem que resolver entre três coisas.

Uma, vai invadir mesmo o Irã com tropas terrestres para mudar o regime iraniano? Esqueça. O custo para isso é altíssimo. Todo mundo que é militar, que conhece guerra, sabe que para fazer isso, sabe quantos soldados os Estados Unidos teriam que enviar para o Irã para poder submeter o regime iraniano? No mínimo um milhão de homens. Impossível. Então, isso é besteira.

A segunda hipótese, a que eu acho mais provável, fazer bombardeio aéreo, que é o que eles gostam de fazer. Ah, está vendo? Atingimos aqui. Aí sai cantando vitória outra vez. Isso é complicado porque o Irã tem bala na agulha para responder violentamente. Então, não é uma boa resposta. E a terceira, que era a mais certa, é ele brigar com o Netanyahu e falar. Netanyahu, para. Eu vou fazer que nem o Eisenhower, deu o exemplo.

Pode parar, fica aí onde você está, volta, sai do Líbano, sai do sul do Líbano, vamos acalmar as coisas, tá certo? Tem que ter um jeito de reconstruir Gaza, vocês ficarem aí, porque senão Israel vai se comprometer pro próprio futuro de Israel. Esse aqui é o negócio. O próximo adversário não é a Turquia. A Turquia não é o Irã.

É muito mais poderoso que o Irã. Se já o Irã está dando esse problema, então eu tenho a impressão que o Netanyahu se esbalhou, porque ele levou a coisa para um ponto que está muito difícil de recuar. E, na verdade, depende muito mais agora do Trump.

Porque por ele, Netanyahu, como o Vitor falou, ele vai continuando, porque ele está se equilibrando. Vai chicar essa corda até. Ele vai continuando. Agora, não dá, porque... Olha o morticínio lá no sul do Líbano. Não é brincadeira, está certo? Então, quando a gente fala, a gente está falando contra Israel? Não, a gente está falando contra essa política de Israel. Está certo? Que é uma política desumana, não pode. Então, tem que ter uma parada. Mas o único que pode fazer ele parar, porque...

É quem fornece dinheiro, arma. É o Trump. E o Trump está nesse dilema. Meu medo é que ele escolha a fórmula mais comum, que é jogar bomba. Entende? Entendi. Mas o que ele deveria fazer para ter a paz de uma vez era segurar o Netanyahu e tentar um acordo ali, já do jeito que está. Porque os países do Golfo também já estão bem machucados.

Tudo meio de saco cheio, atrapalhando essa guerra aí. Para tu ir para a China, essa guerra está atrapalhando, por exemplo. E ao longo prazo, isso vai dar problema de fertilizante, problema de fertilizante dá lá na frente problema de safra. Então é muita coisa que está em jogo. Não pode, tem que parar logo isso aí.

O Tiago mandou aqui, boa noite. Espero que todos tenham aproveitado a companhia do professor André. Aula de altíssimo nível. Relembrando os dias de REM e Geog, política, geografia política. E lembrando também que pouquíssima gente sabe disso.

regionalização do espaço mundial é a disciplina que eu dou, geografia política e isso daí eles pegam no meu pé que acho que é um bordão que eu falo muitas vezes isso daí. Esses caras ficam pegando no pé, os caras me zoam que todo episódio eu falo que eu tenho 41 anos.

antigamente os caras falavam que todo episódio eu falava que eu tenho duas filhas antigamente os caras falavam que todo episódio eu falava que eu dava aula de inglês então os caras ficavam pegando no pé a gente tem uns bordão a gente precisa de uma exângora até pra ajustar pra ajudar a

fazer você compreender uma ideia. Então, quando eu falo que eu tenho 40 anos, não é à toa, serve de... Enganho, né? É, para eu poder falar de alguma coisa. É para isso. Fala, professor, eu tenho 35 e estou insatisfeito com a área de programação e adoro geopolítica. Como faço ou onde estudo para poder ir para essa área? Ou já estou muito tiozão para fazer isso?

Tá, irmão, tiozão. 35 anos? Já deve ter filho, caralho, entendeu? Fica aí fazendo o que tá fazendo aí, senão tá fodido. Tô brincando. Quando eu fui parar na internet, já tinha duas filhas. Então a vida é maluca. Sei lá. Mas vai lá, fala aí. Não, olha, geografia, relações internacionais, direito internacional. Você tem muitas entradas pra poder desenvolver isso aí. E tem cursos também de especialização também. Não precisa ser um curso de graduação inteiro, né?

E aí precisa ver o que ele pretende fazer. Mas, sim, o campo da geopolítica é imenso e dá para estudar. Tem várias escolas. Isso é um bom momento, meu irmão. É um bom momento. A gente precisa de gente boa engajada nisso aí. É um bom momento. E a geografia está aí para ajudar.

O William mandou aqui, ó. Seria uma boa opção o Brasil investir forte na produção de etanol como forma de diminuir a dependência do petróleo? Como isso poderia afetar em questão econômica e nessa relação na geopolítica mundial? Caralho, os caras botam umas pontuações na hora errada aqui. É difícil de ler. Atrapalha o locutor aí. Ah, mas eu acho que ele tem toda a razão. É.

Ah, sim. E olha, vamos lembrar. Mas isso aqui não é meio que chovendo, uma olhada? A gente está falando dessa porra aqui há um tempão. É verdade. E vamos lembrar, foi o presidente Geisel que descobriu isso daí, porque teve a crise do petróleo de 73, 74, certo? E aí ele chamou um grupo, isso é estadista, ele chamou um grupo para resolver o problema, porque o Brasil gastava muito importando, nós não tínhamos petróleo aqui.

Sabe o que saiu daí? Saiu, olha só, saiu etanol, saiu a perfuração de águas profundas, saiu pré-sal e saiu enriquecimento de urânio, que o Brasil é a tecnologia mais desenvolvida de enriquecimento de urânio. O pellet brasileiro sai barato. O Brasil sabe fazer bem enriquecimento de urânio. Devíamos ter mais. Então, veja só, saiu essas três coisas, porque nós, aquela coisa que você tinha falado.

Estávamos com a corda no pescoço, aí tinha que se virar. A gente é bom de se virar. E nos viramos bem. Então sou a favor de aumentar álcool na gasolina, está certo. Nós temos condição plena de fazer isso. E a gente já teve um movimento importante agora em fornecer biodiesel.

foi numa feira industrial de Hanover o Lula foi lá e eles botaram pra rodar num motor que é diesel normal de caminhão o biodiesel brasileiro e até querosene de avião também, com base na cana também tá saindo, ou seja, o Brasil motor flex flu, invenção nossa, ou seja, o brasileiro não é bobo não

Caro pra caralho gasolina, ainda mais se tu for carioca, tá fudido. Um real mais caro que qualquer outro lugar. Tirando um Fernando de Noronha, que caro pra caralho também. Vamos lá. Calvex. Mandou aqui, ó. Não é desonesto comparar um país que é uma democracia, onde dados sociais são divulgados pela mídia livre, com liberdade ampla de investigação de informação contra um país...

imprensa livre como a China? Caralho, essa é foda. Que não tem imprensa livre. Ah, tem um S, é que solto. É assim. Um país sem imprensa livre como a China. Aí depende do tipo de comparação. Ele está comparando outras coisas. Não está comparando nesse nível que ele está querendo dizer. Se tem liberdade de imprensa ou não tem liberdade de imprensa. Aliás, também no ocidente é discutível a tal liberdade de imprensa.

Com certeza, porra. Aqui no Brasil a gente tem casos do nosso querido ministro Alexandre de Moraes e seu inquérito das fake news. Então tudo que se acha que ele acredita que não deveria existir de alguma forma ele enfia no inquérito das fake news. O que é muito estranho. Ah, cara, não vou entrar nessa hoje não.

É complicado. Mas então, tem isso daí. Então, precisa ver melhor. Mas acho que a gente fez a crítica aqui aos dados chineses. Acho que, claro, não é pegar sem filtro e confiar cegamente, mas acho que existem dados que a gente consegue...

entender que inclusive eles têm... A gente consegue ter tipo uma... Accountability, como chama isso? Uma checagem. Checagem, né? Você consegue entender que eles são dados confiáveis com parâmetros internacionais e comparando até com outras instituições que produzem dados sobre a China, né? Então...

Eu, claro, não é confiar cegamente, mas é entender que algumas coisas você consegue botar em comparação. É, eu acho que é muito mais sobre ter uma ideia.

para você poder ter uma opinião depois. É aquilo que a gente estava falando. Se eu chegar agora e olho uma foto das coisas, eu vou ter uma opinião de um jeito. Se eu tenho cinco anos de só olhar, às vezes nem estudar, cinco anos de estar envolvido naquele assunto, quando você vê uma foto de alguma coisa, tem uma outra interpretação. Então eu concordo contigo. Vamos lá. Ele está falando aqui sobre dados de mídia livre, liberdade de investigação, de informação, em um país que não tem isso.

Para começar tudo, isso nem é uma demanda do povo chinês para valer, tá ligado? Então, o povo chinês tem outra forma de enxergar a realidade.

que é diferente da nossa ocidental. Então ele está preocupado com outras coisas lá, sabe? Eu vi uma vez um vídeo de um... É um perfil de um cara que falar sobre China, ele é bastante crítico, mas também assim, ele traz às vezes uns contrapontos, assim. E eu vi uma vez que ele entrevistou uma pessoa, ele falou, cara, para mim, a liberdade que eu preciso é saber que eu vou conseguir comer todo dia. É saber que eu vou ter onde dormir, é saber que se eu adoecer eu tenho onde ir. Antes disso, foda-se tudo. Exato, né?

Claro, né? Acho que também tem uma questão que assim, pô, você... A gente, quando pensa em direitos humanos, a gente fala que eles são indivisíveis, interdependentes, e esqueci o outro I, que é basicamente assim. Você não pode pegar aí... Justificar a ausência de um pra você privilegiar outro, sabe? Então, falar, pô, vamos tirar a liberdade política pra você dar o que comer pra população. Porque senão, às vezes, com isso você começa a justificar ditaduras dizendo que você tá botando comida na mesa do povo.

Mas ao mesmo tempo, a gente entende que naquele sistema que se configurou, existem outras prioridades para a população. E acho que é isso, é reconhecer problemas que existem na China, mas também entender o que está dando certo lá. E talvez disso tirar o que o Brasil pode aprender dessa experiência, sabe? Perfeito.

Uma coisa é inegável, né? Eles têm sido o motor da economia mundial há décadas, né? Isso não dá para negar. Copiando o que a gente estava fazendo mesmo. Inclusive... Nós somos merda mesmo, né? Deixamos o cara passar na frente. Inclusive, aprendi com o pessoal da engenharia, que justamente trem, eles agora são campeão mundial de trem rápido. Com quem que eles aprenderam a fazer trem? Com nós.

Foi a Politécnica nossa que eles vieram para cá aprender por causa do metrô. A gente, na época, nos anos 70, estava fazendo o metrô. Feito tudo aqui no Brasil, tecnologia brasileira, engenharia brasileira. E foram os brasileiros que ensinaram os chinês a fazer trem. Agora a gente tem que importar deles. Alguma coisa a gente fez errado. A globalização fudeu nós? Fudeu, porque nós abrimos...

na globalização, aquilo foi um grande erro do Fernando Henrique, abrir tudo. Mas suava como um puta ser. Sim, parecia que, olha, tá vendo? Agora a gente abre tudo, vai vir a modernização e a gente vai ficar competitivo. Não.

Não é assim, você tem que proteger os seus setores estratégicos. Mercados controlados. Não tem, mercados controlados. Abrir tudo foi uma besteira, privatizar tudo foi uma besteira. Nós tivemos um desemprego gigante. Mas como lutar contra essa onda mundial imparável? Porque vamos lembrar que os Estados Unidos ganhou a Guerra Fria, foi uma onda de um soft power.

Meio hard aí, né? Brutal, assim, os Estados Unidos... Foi, foi, mas olha só, a gente teve... Posso estar falando merda, hein, André? Não, não, você está falando certo. E veja, a entrada do neoliberalismo, por que foi possível? O neoliberalismo, na verdade, é dos anos 30. Não era uma ideologia dos anos 90. Ela estava lá dos anos 30, guardadinha. Porque naquela época não funcionou.

Naquela época estava saindo da Segunda Guerra. E o que funcionou? Funcionou o comunismo, que era o Estado financiando tudo, e o keynesianismo, que era nós aqui. O Estado planejava financiar uma parte e a outra parte era empresa privada. Foi as duas. As duas ficaram com déficit e com dívida. As duas. Então aí o neolibreiro vem falar, está vendo? Vamos tentar eu. Então agora vende tudo para pagar as dívidas, entendeu?

Esse que foi o lance. Então, você tem toda a razão. Foi um momento neoliberal que era difícil segurar. Mas vamos olhar a realidade histórica? Nem China e nem Índia entraram nessa.

Nem China, nem Índia. Porque a Índia é capitalista, mas manteve os planos quinquenais. Desculpa a ignorância, mas como é eleito o líder da Índia? Presidencialismo. De quanto tempo? É a maior eleição do mundo, né? Tem também, tem reeleição também. Tem também. Tem, e assim, a Índia, ela está... É vista como um país em declínio democrático. Então...

O Modi, ele tem feito reformas e tomado medidas que, segundo quem estuda a Índia mais a fundo, entende que ele tá minando oposição, que ele tá até assim, se utilizando de fake news pra ir se perpetuando no poder e criar um sistema ali que ele nunca vai ser tirado. Eu lembro uma história, cara. Por que tu dá hora esse cara, meu irmão?

Sai daí, maluco. Porra, caralho, deu o tempo. Por que os caras não jogam a porra do jogo seguindo a porra da regra, maluco? Cara, eu lembro um dado uma vez que eu vi que durante as últimas eleições o governo distribuiu papo de 400 milhões de telefones celulares pra população.

com a roupagem, que isso é um programa para dar inclusão digital na galera e tal, só que aí era um celular que chegava a propaganda do governo. Era um santinho do mundo. Então, porra, aí é foda, né? E assim, você... Não só a Índia passa por declínio democrático, né?

Brasil já teve nesse momento, a gente tem melhorado essas posições, os Estados Unidos agora estão em declínio democrático. Então, assim, eu acho que existe uma crise da democracia liberal, que é esse sistema que está posto na maioria dos países do Ocidente, pelo menos.

que a democracia liberal não está dando conta de responder às tretas sociais, aos anseios da sociedade desse mundo em transformação e as pessoas estão começando a achar que o autoritaísmo é um caminho para resolver isso. Sendo que é justamente no regime autoritário que você não pode fazer nada se o cara estiver fudendo com a sua vida em termos econômicos, em termos sociais. O cara é burro, os caras estão olhando para o troço assim, enquanto está fudendo o meu inimigo, eu estou junto.

O cara não consegue entender que essa porra vai voltar, porque sempre volta. Você que é professor, tem um momento... Não sempre volta? Sim, é um bumerangue a coisa. A coisa é um bumerangue, porra. É um bumerangue. E olha, isso já o grande... O Ralford Mackinder, que é o grande geopolítico, o maior do mundo, na minha opinião, em 1900, ele escreveu exatamente isso. Ele falou, olha, a partir de agora...

acabou aquela época em que você podia ainda encontrar um espaço vazio e tal. Agora o mundo está fechado. O que acontecer aqui vai reverberar ali. Então, se a União Soviética caiu aqui agora, os Estados Unidos lá na frente vão também sofrer, entendeu? Isso é verdade.

Cada vez mais. Cada vez mais, para tudo entreligado. Então, isso não é... Em que medida isso tem a ver com a globalização? Tem bastante a ver com a globalização. Sim, sim. Então, isso não seria, portanto, um fenômeno que aconteceria de qualquer forma? A gente ia tentar isso em algum momento de qualquer forma?

Olha, eu acho que um pouco sim, porque a tendência de você, por exemplo, ir melhorando as tecnologias e tudo mais, pode ver o que é. Você procura melhorar o quê? Primeiro de tudo, o transporte. Mais veloz, né? Andar a cavalo e tal, né?

Então, cada vez mais velocidade e quanto mais velocidade, maior o espaço que você controla também. Verdade. Então, essas duas coisas estão muito juntas. Por isso estamos no espaço hoje. Então, já superamos até o planeta, a Terra ficou pequena já. Então, isso me parece que é um pouco inevitável. Por isso que as grandes questões, as grandes colisões históricas é quando você tem que redividir o espaço.

porque ele já está ocupado. O único jeito de reajar é redividindo. E agora nós estamos numa hora de redividir de novo. Sim, está rolando agora. Interessante. Bom, Vitor, André, muito obrigado pela moral. Obrigado pelo tempo de vocês. Obrigado demais. Se você quiser falar alguma coisa.

Bom, a gente tá nesse desafio de tentar entender melhor esse mundão doido. E meu tio não tem rede social, mas eu tenho e tô levando ele pra minha. Então, quem quiser conhecer mais o nosso trabalho, segue lá. Vitor com C. Victor Del Vecchio. E é isso, né? Pô, puta oportunidade de estar aqui.

Hoje eu tava explicando pro meu tio o que é o flow, então acho muito da hora esse espaço aqui. Falei, tio, é um podcast foda. Gostei muito, muito simpático. E eu gostei de estar aqui. Eu gosto muito quando eu troco ideia com os caras que eles não se fazem a menor ideia de quem que eu sou. Eu acho muito maneiro. Nem sabia. Flamenguista, porque sabe. Você vai ver que os alunos, a USP tá em greve, né? Mas quando voltar as aulas, os alunos vão falar, pô, o professor foi no flow, vai ser moral isso aí. Com certeza, vou ganhar moral com eles.

Bom, essa daqui é a tua câmera, se tu quiser falar alguma coisa. Só falo isso, pessoal. Procurem estudar, conhecer a geografia, essa bela ciência, porque ela ajuda muito a entender o mundo e a geopolítica é a ciência do momento. Amém. Então, muito obrigado a vocês, vocês que nos assistiram também. Muito obrigado pela moral.

Espero que vocês tenham curtido, cara. Comenta aqui pra eu saber se vocês gostaram ou não, tá bom? Especialmente se tu ficou até aqui. Comenta, gostei. Ou então, não gostei. E dá o like. E o que mais? E se inscreve. E manda no grupo da família. Manda no grupo do Bolsonaro. Manda no grupo do Lula. Manda no grupo do Pablo Marçal. Manda no grupo do Boulos. Do Xandão. Do Xandão. Manda no grupo dos defensores do Xandão. Manda no grupo dos assobiadores, dos imitadores de carros, imitadores de motocicleta. Manda onde você... Não, lá vai dar merda. Não manda não.

desculpa, não manda, não manda, não manda. Não manda, tá? Mas vira membro do Flow, porra. Custa menos de R$8,00 e você tem acesso a conteúdo exclusivo aqui diretão. R$8,00 nem para comprar uma seda, não é não, André? Não, tá mais caro. Pois é. Então, família, um beijo para vocês. Muito obrigado pela moral e a gente se vê depois, tá bom? Tchau. Valeu.

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