ROSSANDRO KLINJEY - Flow #598
Aprenda a lidar com suas emoções.
- Identidade em relacionamentosO obstáculo amoroso e a sabotagem por entes queridos · A importância de criar critérios para as relações · O prazer em ajudar os outros a elevar o nível de consciência · A necessidade de perdão para a maturidade e o casamento · A influência da intuição feminina e a escuta da esposa
- Consciencia HumanaConsciência como algo que transcende o biológico · A influência da genética e do ambiente na personalidade · Experiências de Quase Morte (EQM) e o efeito placebo · A consciência como cura e escolha pela vida · A relação entre consciência, espiritualidade e materialidade
- Autoconhecimento e Relações ConscientesSubvalorização e supervalorização das pessoas · O impacto de traumas e crenças limitantes · A diferença entre o indivíduo leve e o pesado · A profecia autorrealizável e o sucesso arruinado · A importância do processo em detrimento do resultado
- A vida moderna e a busca por sentidoA ilusão da vida ordinária e a extraordinariedade do cotidiano · O impacto da internet e das redes sociais na comparação e solidão · A tempestade perfeita para o caos: complexidade histórica e imaturidade geracional · Aborto afetivo e a terceirização da educação · A velocidade das transformações e a necessidade de curadoria da vida
- Autoconsciência, autocompaixão e crescimento pessoalA dificuldade de parar de correr atrás do próprio rabo · A confusão entre identidade e metas · A autocrítica destrutiva e o 'Igor do mal' · A aceitação radical e o paradoxo da mudança · A importância da compaixão consigo mesmo no processo de crescimento
- A pressa da geração atual e a busca por sentidoA falsa sensação de que tudo é instantâneo · A necessidade de pausas e a importância do tempo no processo · O sucesso como não perder quem se ama no caminho · A diferença entre o que se quer e o que se precisa · A importância de conversas difíceis para salvar relacionamentos
- Formação e ética profissional em psicologiaA importância da formação acadêmica consistente · O perigo de cursos de curta duração para terapeutas · Escuta flutuante e manejo de transferência/contratransferência · O impacto do atendimento terapêutico no profissional
- O papel da escrita e da arte na elevação da consciênciaA escrita como ferramenta de autoconhecimento e contribuição
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Porque a verdade é que tu chegou cedão e a gente já tá trocando ideia há um tempão. Era pra ter gravado antes, não era cara? Eu acho que não, porque todas as coisas que a gente não queria que fosse pras câmeras, a gente já começou. Já começou, pronto. Então agora a gente pode falar só das coisas que, sei lá, que são engrandecedoras de uma forma geral. Ou não, também, se a gente não quiser. Deixa fluir. Mas, ó, você quiser participar do programa aí, quiser mandar uma mensagem pra gente, o Jean vai pegar aí as cinco melhores do LivePix, né, Jean?
Do LivePix, e aí eu vou ler hoje as mensagens, ela vai mandar pra mim e eu vou ler, tá bom? Se quiser, fica à vontade, tá aí o QR Code, o link aqui na descrição. E eu queria também agradecer a galera do G4, que é quem tá patrocinando o episódio de hoje, de quem eu falarei já já. Rosandro, um pouquinho antes da gente começar, eu tava falando do tempo que você tava no consultório, e que tu atendia muita gente, muita gente de muitos...
muitas vivências, muitas jornadas diferentes, e iam trocar uma ideia contigo sobre a vida deles. Sim, sim. Bem parecido com o que acontece comigo aqui. Eu também troco ideia com muita gente, várias vivências e tal. E uma das coisas mais legais da vida pra mim, outro dia eu tava conversando com um cara e ele falou nossa, tô realmente interessado, né? Eu gosto de entender que...
o ângulo das pessoas sobre a vida. Tipo, o que que... Por que que tu faz o que que tu faz? O que que te trouxe até aqui? Sabe? Quais foram as escolhas que doeram? O que que tu tava sentindo quando deu certo ou quando deu errado?
ou eu gosto dessas conversas, e aí eu vou e converso com um monte de gente, não precisa estar aqui no programa, não. Sim. Mas, cara, e tu? Qual é a coisa mais fascinante que tem, tendo tido acesso a muita gente diferente, qual que é a coisa mais fascinante no ser humano, na tua opinião? Ou na vida?
primeiro é um prazer estar aqui muito grande, admiro muito o seu trabalho essa coisa de você justamente a gente percebe que você está interessado que a pessoa está sentada aqui com você, a gente percebe que você está aqui eu estou mesmo é, porque tem gente que é mais business, você está de alma você está de alma aqui, eu acho que tem toda a sua cara, todo o ambiente é a sua cara o seu jeito, eu acho que a gente está precisando no mundo que todo mundo quer ser cópia ser original, você quer ser revolucionário então parabéns por isso
Então, nesse sentido, revolucionamos e continuamos a revolucionar. É exatamente isso que eu acho muito legal nas pessoas. É ao mesmo tempo a coisa mais extraordinária e mais lamentável. O que? O mais extraordinário é que as pessoas são extraordinárias. O mais lamentável é que elas não sabem disso.
Entendi. Por muitos motivos, traumas, angústias, comparações e tudo que vai junto nesse pacote de mundo doido que a gente vive hoje, as pessoas, elas não conseguem enxergar quem elas são. Ou elas se subvalorizam muito, que muita gente faz, ou se sobrevalorizam de forma exagerada e quase narcisca, que é o que algumas pessoas fazem. E o que é pior? O que é pior? Eu acho que é o narcisista, porque o narcisista, ele ferra com as pessoas.
ele não vai medir esforço pra chegar lá e vai destruir muita gente no caminho vai mentir pra caramba, vai vender mentira a pessoa que tem baixa estima, ela vai ferrar com ela, o narcisista vai ferrar com os demais entendi mas aí quando eu vejo, eu penso assim esse movimento o potencial que a alma humana tem e por eventos que acontecem na sua vida que você vai deixando de acreditar em você talvez quando você chega no consultório de um terapeuta a tua peça
você possa chegar e de repente pensar assim, você que conversa com tantos especialistas, e eu até hoje também faço isso, imagina assim, porra, Sandro, sei lá, eu tenho tantas capacidades, eu sei tantas coisas, eu conheço fulano, cara, que é meu vizinho, cara, ele não sabe 10% do que eu sei, ele está fluindo de um jeito, cara. Eu falo, você está num carrão assim, sabe? 10 mil cilindradas.
Mas está cheio de peso. O cara está num fusca. Mas está leve, cara. Ele vai chegar na tua frente.
Ele tá leve porque, assim, ele tá preocupado com a opinião dos outros, ele é feliz com o que ele tem, ele sabe o que ele quer fazer. Você chegou aqui com um monte de dor, você chegou com dores que você nem sabe nomear, porque muitas vezes o indivíduo ouviu durante a infância, você não vai dar pra nada, seu porra. Imagina aquele paizão lá do interior que veio, chegou aqui, abriu a mala no TET, chegou em São Paulo e foi trabalhar na Constituição Civil, esse cara tem... E aí
ele não tem inteligência emocional pra chegar no finalinho de peão de obra, reunir cinco filhos. Meu amor, como foi seu dia na escola? Não tem, não dá pra esperar isso. Moleque, imbecil, você não vai dar pra nada, seu porra. Vai ouvindo isso e aquilo vai criando como se fosse uma crença.
autorealizável. A ponto de que... Entendi. Você imagina, por exemplo, um... Só vira aquilo porque eu acredito nisso. Então, assim, hoje eu acredito que eu vou ser um merda no futuro, daí vira um merda. Vira um merda. E se eu der certo, isso é um dos casos clínicos de Freud famoso, que é o homem é arruinado pelo próprio sucesso. Imagina, eu dei certo. Não, mas meu pai me disse que eu não ia dar pra nada. Aí eu entro num colapso e destruo minha vida. Quantas celebridades você conhece que morreu de overdose?
Porque elas tinham que dar pra nada. E elas tinham que cumprir essa profecia. Esse não conhecimento de si mesmo, eu acho que é a coisa mais cara que custa a nossa vida. O sucesso. O sucesso entendido não só como visibilidade grande. O sucesso como ser humano que veio pra vida e conseguiu...
Bancar a própria vida. Suportar a existência, que é dura, não é fácil, é difícil. Aqui, para você chegar aqui, tem toda uma história. As pessoas costumam olhar para o resultado final. Elas gostam muito do resultado, mas pouca gente quer saber o processo.
Eu digo que o invejoso quer resultado, mas não quer processo. O cubiçoso quer processo. Ele pergunta, e aí, Igor, como é que faz o flor? O cubiçoso quer processo. Ele vai lá e eu vou tentar. Entendeu? Beleza, está valendo. Tem espaço para todo mundo. Mas é isso. Ou seja, o ser humano tem uma potência incrível, mas pouca gente conhece essa potência porque, por muitos motivos, eles foram soterrados por camadas de dor.
que precisam primeiro ter consciência, diagnosticar isso, e diagnosticar não é suficiente, porque o diagnóstico é o início da cura, mas eu tenho que confrontar essas dores. E aí quando se faz isso, aí eu tenho a alegria de ter atendido por quase 20 anos, eu digo que eu tive a honra de ouvir pessoas que foram no meu consultório trazer suas dores, se desnudar e se reconstruir diante de mim. Eu digo que elas foram se reconstruir, não com o meu auxílio.
Porque ao final da sessão, eu abri a porta e ela tinha que viver a vida dela. Eu não ia ser um personal psicólogo para enfrentar um marido tóxico, entende? Não, ela tinha que fazer isso. Eu estava ali sendo um instrumento. Como eu te falei, eu acho que meu objetivo é, tudo que eu faço, é trabalhar a elevação do nível de consciência das pessoas sobre elas mesmas e sobre o coletivo para que a gente mude o mundo.
Eu gosto dessa ideia. Eu acho que ela é bem alinhada com o que eu tô tentando fazer também. Sobre essa última coisa que tu falou, cara. Como é pra você... Como você fez... Pra não... Pra as coisas só te... Pra peneirar as conversas que você teve com os teus pacientes. É paciente que chama? Sim. Tá. É que...
poderiam deixar em você um peso psicológico ou poderiam deixar em uma pessoa menos preparada um peso. Porque você deve ter escutado coisas malucas nesses 20 anos aí. Então, como que é? Precisa de muita maturidade para conseguir peneirar só o que é valioso nessas experiências para moldar quem você é?
Primeiro que a gente tem que lembrar que uma formação real acadêmica, ela é profunda e consistente. E você é treinado academicamente, num curso de psicologia, para que você possa atender, para que você possa entender o que é a transferência, a contatransferência, que é um conceito psicanalítico de Freud, não vou entrar aqui em detalhes.
Como você manejar essas emoções em você, no paciente, reconhecer isso. Então é um curso, você tem atendimento, termina o seu processo clínica escola, você começa a atender depois de cinco anos de curso, todos os dias. Você começa a atender. Aí você contrata, você paga um professor ou um terapeuta muito capaz para continuar ali mentorando, não sobre sua própria terapia, mas para que você leve seus casos mais complexos.
E aí eu quero aproveitar aqui e fazer uma coisa que eu acho que vai muita gente ficar muito puta comigo. Mas em nome das muitas pessoas que eu já vi serão destruídas por isso. E agora eu tenho gente que faz cursos de seis meses e abre um consultório. Eu lembro que um amigo meu, eu não posso nem mais se categorizar de amigo porque ele não se sente mais assim hoje depois que eu disse pra ele no dia.
Ele tem pós-doutorado na área de engenharia, fez um curso desde seis meses de formação de terapeuta. Chegou no meu consultório, na época, falando, como você tem uma agenda lotada, se você não tiver cliente, você encaminha para mim. Aí eu fiz, você fez psicologia, eu fiz um curso de psicanálise de seis anos, que é um curso de psicanálise, são seis anos, né?
Não, eu fiz um curso de seis meses. Então, cara, eu não vou encaminhar pacientes para você. Por quê? Se eu fizesse um curso de engenharia de final de semana, seis meses, e construísse uma ponte, você passaria por cima?
Ele pegou os cartões e foi embora e nunca mais nós nos falamos. Então, primeiro, nós fomos treinados, treinados para realmente, tecnicamente, estar naquele lugar. Para ter um escuta flutuante. O que é o que você faz aqui? O que é escuta flutuante? Imagine que você começar a conversar comigo no consultório, aí tem uma nobe psiquiatria com quase 700 transtornos, e eu falei, não, é oligofrenia, não é esquizofrenia.
Não, é psicótico. Não, eu não posso te escutar, deixar vir. Porque as coisas vão... Não é na tua primeira fala que eu vou fechar um diagnóstico. É um processo. Dito isto, não significa dizer que não teve dia que eu cheguei em casa pancadão. Do tipo assim, como é que essa pessoa está suportando isso, cara? Como é que essa pessoa suporta a vida dela?
E o que isso te ensinou, cara? Isso te fez um profissional melhor? Muito. Isso te faz um, sei lá, um marido melhor? Me faz, me faz. Eu digo que cada paciente que eu atendia me gerava um marido melhor. Vou contar um caso aqui que eu nunca contei assim publicamente. Eu lembro que eu comecei a atender alguns casos de mulheres que estavam traindo os maridos, né? E me chamava a atenção porque por mais que eu seja um...
um terapeuta, eu sou um homem. Então, a minha mentalidade é uma mentalidade masculina. E eu queria entender, para além da teoria, o que eu estava fazendo com certas pacientes traírem. Porque o universo masculino é muito previsível. É porque a outra é mais bonita, é mais gostosa, é mais novinha. Enfim, não tem muito segredo. É previsível. É meio tesão. É tesão, meio previsível. E aí, eu tinha uma paciente que era mais, digamos assim, mais desenrolada na fala e era mais aberta.
Você poderia me ajudar? Porque, a partir de você, eu vou poder entender melhor as outras pacientes.
O que te faz trair? O que te faz trair no casamento? Aí ela ficou assim. Então, já que você tá traindo, eu posso fazer perguntas a partir da perspectiva masculina pra eu saber que você tá traindo? Aí ela, pode. É, tá. O teu amante é mais bonito que o teu marido. Ah, meu marido é um gato, cara. Meus amigos, se brincar, dá em cima. Meu amante é um carinha... Dá pra passar. Aí eu...
Marido gato, amante mais ou menos. Fui botando minha listinha ali, né? Aí eu fiz, então, teu amante, ele é um cara muito bom de cama. E teu marido não. Ah, se tem uma coisa no meu casamento que é boa, é a cama.
Meu amante, cara, não, é... Tem a ejaculação precoce. Aí, poxa, marido gato, bom de cama. Aí, amante... Mais ou menos. Mais ou menos ainda da conta do recado, né? Aí eu fiz... Não, ele tem grana, teu amante tem grana e proporciona uma vida que teu... Não, meu marido é rico. Meu amante é um professorzinho universitário, que era eu, na época, e eu, pô, acabou com o meu ego, mas tô aqui pra atender. Vamos lá. Aí, marido rico, bom de cama, gato, né, tal. Aí eu fiz...
apelei. É maior do teu amante? Aí ela, não. Inclusive, meu marido tem um apelido de tripé. Aí eu disse, calma. Eu fiquei com inveja do cara. É rico, bonito, bom de câmbio, é um tripé. Mas era corno. Mas era corno. Não queria ser corno, porra. Não. Mas aí eu queria fechar o diagnóstico, né? Eu fiz. Então me diz, qual é a questão central? Ela disse assim, Rossandro, o meu amante me escuta e me enxerga.
Meu amante percebe que eu cortei o cabelo. Ele pergunta se minha mãe tá bem. Meu marido me diz, vem com as coisas da tua família, não, que é da tua família. Meu amante, ele pergunta o que eu acho das coisas. Meu marido, se eu fizer um comentário, tu não entende disso, cala tua boca. Fechou aqui. Cheguei em casa.
sentei, se perejando em chegar. Na época... Como é que tá a família? Na época eu tava pra ter o Brexit. A Inglaterra sai, não sai da União Europeia. Aí eu sentei. Mô, e aí? Como é que foi o dia e tal? Mô, o que é que você acha do Brexit? Aí ela, né? Eu acho que, sei lá, eu acho que a Inglaterra cometeu um grande erro. Eu também acho, amor. Acho que a Inglaterra vai se arrepender amargamente e tal. Aí depois de me olhar, por que você tá me perguntando isso? Mô, amor, qualquer assunto que você quiser trocar, falar...
pode falar comigo. Seja de Brexit, ela me conta essa história, porque aí eu fui e contei. Sem dar detalhes daquela pessoa. Ou seja, dito isso, de forma meio que tragicômica, é que os pacientes nos ensinam. Eu acho que o terapeuta é uma pessoa que tem um privilégio
de ver vidas em vários níveis de superação e de dor, de transformação, desabrocharem, cara. E era de uma beleza que eu também me emocionava muito, de ver pessoas que eu imaginava, como essa pessoa vai sair desse lugar, e ao longo do processo elas desenvolverem recursos e conseguirem sair, né? A ponto de algumas pessoas que eu atendi hoje serem pessoas extraordinárias. Sensacional. E aí outra coisa que eu aprendi no consultório.
É que a gente vive, especialmente depois do mundo da internet, desse mundo em que as pessoas criam um persona para poder vender na internet, que as pessoas têm a ideia de que a vida de uma pessoa comum, você estava me falando da sua lembrança de 15 anos, como você, apesar de estar numa vida difícil, tem coisas legais na cabeça sobre isso, é porque a vida das pessoas, a vida comum, as pessoas acham que é uma vida ordinária.
Entendi. E o que tem de ordinário, você que está aqui de repente no trânsito nos escutando, está voltando de um dia ferrado no trabalho? Você está na marginal aí, ou aqui, ou em qualquer outra cidade desse país, voltando para o trânsito, está esperando chegar em casa e tem uma criancinha que vai dizer, papai, mamãe...
O que tem de ordinário nisso? Isso é extraordinário. A vida das pessoas é extraordinária. Elas não terem consciência disso é uma tragédia. Entendi. Bom, sobre consciência, então, vamos dar uma viajada aqui. Se a gente for olhar do ponto de vista físico das coisas...
o nosso cérebro dá um choque, dá uns choquinhos, que aí a gente diria de uma maneira muito rasa que é daí que emerge a consciência. A gente não sabe direito como, a gente não sabe quantificar, a gente não sabe, sei lá, direito, diferença entre um e outro. Aí tem toda a discussão do teu trabalho acerca lidar com essa coisa meio...
Sei lá, meio... A consciência, não sei, ela não é igual um dedo, né? Que eu consigo ver a consciência, né? E aí, tá legal. Tu acha que a consciência é isso mesmo? É um troço que tem alguma outra coisa acontecendo, Rossandro? Eu tenho sido levado a acreditar cada vez mais tem uma outra coisa acontecendo. Eu fui...
ensinado que tinha... Bom, minha mãe é evangélica, né? Ela ficou evangélica, eu devia ter uns... Sei lá, uns 8, 10 anos. Ela ficou evangélica, ficou muito evangélica. E aí tinha aquele lance de ir pra igreja toda hora. Eu ia meio obrigado e... Eu era uma criança, eu queria mesmo era brincar, né? E... Mas... E depois eu fui, putz, olhando o mundo de um jeito mais... cínico, talvez. Entendeu?
Mas aí agora eu tô voltando. Tu falou um troço antes da gente começar aqui. Cara, eu respeito muito. O meu corpo fala, cara. Ele falou pra eu não fazer essa parada aqui. E eu não fiz, entendeu? Eu vi, porra.
Que interessante isso aqui. É consciência. É um respeito a uma coisa que é difícil de dar um nome, pelo menos para mim. Sim. Como é que você enxerga essa coisa? Talvez a consciência. Porque não é isso que torna a gente único, no fim das contas? É sim. Vamos imaginar aqui. Eu tenho um... Se chegar a CT aqui, agora não tá? Como é que é um ser humano? Chegar aqui. Primeiro ser humano diferente de um cachorro. Por quê? Porque...
O cachorro tem um corpo físico, o ser humano também tem. Mas a memória do cachorro é curta. O ser humano tem uma memória maior. Então, o ser humano é um ser biológico, é um ser biológico que está num tempo histórico. Ok. Mas ele está num tempo histórico dentro de uma cultura. No Brasil, no Sudeste, no Nordeste. Ele está dentro de uma cultura e está dentro de um padrão familiar. Classe média, classe alta, com mais ou menos acesso à leitura. Ele é menino, menino, ou tem outra orientação sexual qualquer que seja.
aí você vai chegando para aquilo que te torna único Igor, Rossandro e aí você tem aquilo que é único do ser humano, e a consciência hoje se a gente for aqui para muitos estudos vai perceber que a gente ou esbarra num
num radicalismo biológico de que a vida é só física, é só ligações sinápticas e acabou, e depois você deixa de existir. Ou você tem uma noção de que algo transcende isso aqui. E eu não vou aqui dizer se se transcender, para não polemizar e não ficar aqui numa discussão, que vai deixar muita gente chateada. Se se polemizar, se se transcender é uma história que vem antes, ou apenas que é uma história que continua depois. Não importa.
Mas é algo que transcende a essa matéria. Então você pega os casos clássicos, é o que torna o ser humano único.
Aí você vai para a psicologia e aí você vai começar a ter problemas. Porque, por exemplo, não, assim, ah, eu tenho dois filhos gêmeos univitelinos, eles são geneticamente idênticos. Por que a personalidade é tão diferente? Já entra o questionamento. Mas eu poderia dizer para você, sabe por quê, Igor? Porque quando um teve febre...
o outro foi para a escola. E naquele dia que o Ki foi para a escola e o Ki ficou teve febre, o meu marido chegou bêbado e bateu em mim. E aí criou um trauma e aí mudou a personalidade do outro. E os chipófagos, que eram aquelas crianças que nasciam coladas uma a outra, compartilhando um órgão, que não poderiam ser separadas, viviam todos os dias as mesmas experiências e eram completamente diferentes.
Hoje, muitos estudos mostram que 49% da personalidade é explicada por questões genéticas, históricas, culturais, e 51% é variável indefinida. Se essa variável é de pré-existência, não vou aqui entrar nessa discussão, é só para as pessoas pensarem. O que a gente hoje analisa sobre os estudos de EQM...
E eu até tenho um amigo para lhe indicar para trazer aqui, se você já não trouxe, é o que é o Alexander, que ele é um dos maiores estudiosos no mundo, tem pós-doutorado na área e trabalha com os americanos nessa área, que são as experiências de quase morte, nível de consciência de experiência de quase morte. A pessoa que... Ah, cara, eu vi o médico fazendo a cirurgia, ele falou tal coisa. Eles chegam a fazer o seguinte, eles colocam em UTIs desenhos no teto, num espaço que você não tem como pôr a cabeça.
Coloca o desenho lá. Aí você acorda. Ah, doutor, eu saí do corpo e vi a cirurgia. Você viu um desenho, viu? Tem um desenho assim, assim, assim, assim.
que é uma prova científica de que, de fato, eu coloquei uma coisa inacessível para o sujeito. E a gente vai vivendo essas experiências. Eu lembro de um amigo meu que contou algo muito interessante. Aí vai para o efeito placebo, por exemplo. Que ele, Roçando, eu quero que estou bugado porque, você sabe, eu sou muito racional e a gente fez científico junto, porque eu sou da época de científico, ensino médio. Ele passou para medicina e eu passei para psicologia.
Ele ficou tentando fazer residência aqui em São Paulo e tal. Lembro quando ele me contou essa história. E aí, Roçando, eu...
Tinha uma paciente, que era uma paciente minha de menos de 30 anos de idade, com seis filhos, atendido o PSF de uma cidadezinha do interior, de seis mil habitantes. E quando eu fui fazer exame de colo de útero, ela estava com câncer muito avassalador. Eu era recém-formado, tinha ido para esse PSF, enquanto passava na residência em São Paulo.
Fiquei muito chocado, com dúvida no diagnóstico. Pedi para chamar meu amigo do outro PSF. Ela esperou, ele veio, ele olhou para mim e disse, é isso mesmo. Mas ele também recém-formado ficou com medo de dizer para o paciente o diagnóstico. Pedimos para ela voltar no outro dia. Levamos o nosso preceptor de clínica e ele disse, é isso. E seu dever como médico é comunicar à sua paciente que ela vai morrer e começar os cuidados paliativos.
E aí, no outro dia, Roçando, eu chego lá, a mulher olhou para mim, que era uma mulher simples, mas era uma mulher altiva, e disse, doutor, eu não sou burra. Eu sou uma mulher simples, mas eu não sou burra. Eu não sei o que o senhor viu, que ele deixou com tão espanto, mas eu fiz no seu rosto. Vi que o senhor duvidou do que viu e chamou o seu amigo, e depois ainda me pediu um dia para dar o diagnóstico, deve ter perguntado a algum professor seu. Mas antes de você dizer o que eu tenho, escute minha história.
Aí ele, tá bom. O senhor sabia que eu tenho seis filhos? Sei, eu atendo eles aqui no PSF. Mas o senhor sabia que meu marido fugiu com uma mulher? Não, eu não sabia. Seu marido fugiu, fugiu. Então, eu estou só com esses seis meninos. E eu não sei o que o senhor sabe. Eu sou órfão. Então, meus filhos não têm avó, avô, tio e tia. E agora não tem pai. Então, doutor, é o seguinte. Eu não sei o que o senhor viu, mas pode passar o remédio que cura. Porque eu não tenho o direito de morrer.
Aí ele prescreveu. Eu disse, tu prescreveu o que, cara? Analgésicos. Porque quando ela estava sintomática, quando viesse, eu estava meio que... E fui covarde. Eu deveria ter dito à minha paciente que ela ia morrer, mas eu tinha acabado de receber a notícia no outro dia, que eu tinha passado na residência. Ele disse, cara, eu vou para São Paulo e o outro médico que pega esse abacaxi me acovardei.
por que você está me contando essas histórias? porque passou seis anos eu fiz minha residência, fiz outra residência, voltei pra cá e resolvi nesse município pra visitar, pra agradecer o pessoal e quando eu cheguei lá eu vi a mulher e logo pensei que eu estava vendo espírito
Estava assombrando ele. Meu Deus do céu, a mulher veio cobrar porque eu não dei o diagnóstico. Depois eu vi que uma vizinha tocou nela. A vizinha morreu também, eu estou vendo as duas. E ela veio na minha direção e vi que ela estava viva. Ela, doutor, o senhor veio por aqui há quanto tempo? E eu perguntei, você está vendo? Estou ótimo, doutor. Depois daquele seu remédio, eu fiquei muito boa. Aí ele fez, eu posso lhe examinar?
Pode. Você não pode ir no PSF à tarde? Eu vou pedir ao médico que está lá explicar. Não, pode. Ele contou a história. Eu quero ver essa mulher. O que aconteceu? Sou santo. Quando eu abri o colo do útero dela, parecia que ela nunca tinha tido um único filho de tão limpo que era. E eu perguntei, como a senhora tomou remédio? Na verdade, eu não comprei, doutor, porque eu não tinha dinheiro. E o que você fez? Eu disse que o senhor passou para tomar seis da manhã e seis da noite durante o mês, para começar. Então, picotei a receita em 60 pedaços e todo dia eu rezar uma ave maria.
De manhã eu tomava um, uma ave maria, eu tomava outro, depois eu parei o tratamento. E tô boa. Que doideira, né? Consciência. O que é a consciência? Como é que eu vou explicar isso? Aí vai pra indústria farmacêutica.
O clássico. Vai testar o medicamento, bota um grupo aqui de 500 pessoas pra tomar o falso, 500 pessoas pra tomar o verdadeiro. O grupo que toma o falso não sabe o que é falso, o grupo que toma o verdadeiro não toma o verdadeiro pra evitar o viés, né? Em média, mais de 30% das pessoas que tomam remédio falso se curam. O que é a consciência? É a consciência que me cura de um câncer em estado terminal porque o meu dever de amar seis é maior do que o meu medo de morrer ou do ódio do marido que fugiu e me deixou nesse barraco.
Eu escolhi a vida. Ou me sentir inferior, menor, ou ficar com tanto ódio de uma pessoa que é tóxica na relação comigo que desenvolva um câncer do ódio que eu tenho de você. Que é a consciência. É uma discussão em aberta. É algo que talvez seja como pedir para o...
o Windows explicável Gates, o iPhone explicar o Steve Jobs. Eu acho que a criatura nunca explica o criador. Ele é grande, essa supra-consciência que nos deu uma consciência que a gente mal conhece e que quando a gente maneja, a gente entende o que significa se tiver desfé do tamanho de um grão de mostarda, ou seja, o nível de consciência de que você vai operar milagres na sua vida e na dos outros. E essa consciência...
Você estava dizendo que uma das grandes tristezas é ver que as pessoas não se conhecem. Com as palavras, não tem consciência da própria potência ou das coisas que eles são possíveis de fazer. Então, é possível expandir essa consciência.
Então, é possível a gente sair, seria possível a gente expandir a consciência a ponto de enxergar as coisas não só sobre nós, mas de um ponto de vista diferente.
várias coisas. O que eu tô propondo aqui? Os caras, por exemplo, que usa a arruásca, os caras que usa sei lá, cogumelo. Uma coisa interessante é que eu já conversei com mais de uma pessoa.
E as experiências são semelhantes, mas não do ponto de vista de, pô, esse é o efeito da droga, mas do que essas pessoas vieram me falar do que aconteceu com elas depois, do que, como elas passaram a se entender melhor ou entender alguma outra coisa que não fazia muito sentido. O que que tu acha do...
de substâncias que amplificam, amplificariam a consciência. Aqui a gente vai entrar num campo de discussão religiosa que em respeito a isso, porque há uma religião por trás do uso dessas substâncias. Eu diria o seguinte, quanto mais a sua espiritualidade depender do material, mais ela é sua.
mais ela é madura nesse sentido. Como assim? Tipo assim, e com muito respeito eu tô falando isso aqui. Tipo, é...
Eu posso pedir para você fazer alguma coisa para mim, mas eu acredito muito no DDD, Discagem Direta com Deus. No DDD. Então, assim, eu não duvido que o uso de uma substância dessa eleve sua consciência. Ela cria uma abertura neuroquímica e você consiga visualizar certas coisas. Mas vamos imaginar, nem todo mundo vai usar, nem todo mundo tem coragem, nem todo mundo vai virar do daime. Vamos imaginar. E como é que eu garanto que as outras pessoas elevem a consciência delas?
Meditação faz isso. Yoga faz isso. Prece faz isso. Oração faz isso. Fizeram testes neurológicos com monges beneditinos, freiras de várias religiões. Um estado de oração profunda e meditação que elevaram em alto nível o estado de consciência.
Só que eu preciso da disciplina de fazer isso. Eu sempre acho o seguinte, que quanto mais eu puder fazer esse processo em mim mesmo...
mas eu fico menos necessitado de algo externo. Não estou achando nem dizendo que quem precisa desse algo externo, porque a materialização da fé acontece de várias formas. Eu posso dizer que tem uma fé que não tem materialidade nenhuma, que eu não faço nenhum ritual. No entanto, eu estou lá pregando que você tem que ser rico para Deus mostrar que você lhe abençoa. E isso é o quê? É o supra-sum do material. É mesmo.
Não é? Eu estou dizendo, não, aqui ninguém usa nada, ninguém acende uma vela, mas eu estou pregando que você tem que ser uma pessoa bem sucedida, senão você não é filho de Deus. Isso é o que é? É a inversão do o filho do homem não tem uma pedra para encostar a cabeça.
Então a gente... A consciência, ela começa desde coisa mais simples, porque o que você está falando aqui é uma coisa já de um nível muito grande de elevação de consciência. Vamos para a fase 1. Vamos. A maior parte das pessoas vivem no consciência de sono. Comer, dormir, transar.
Diariamente acordam com essas pretensões. Isso é, na minha, assim, não sei, mas me parece que a vasta maioria das pessoas está nesse ciclo aí. E elas não têm nem tempo, não sei se não têm tempo, nem se elas sabem que tem umas outras coisas para se preocupar, mas vai lá. É maior parte da caverna de Platão ali, vem nas sombras achando que é a realidade. Pouca gente sai da caverna. Pouca gente que sai tem coragem de voltar para dizer que aquilo é uma caverna.
Ou então volta para vender um curso de como sair da caverna ainda estando na caverna. Desculpa, eu não resisti à piada. Estava aqui a bola, eu não permiti que ela não criasse da quicada. Então, no fundo, no fundo, o nervo de consciência inicial é...
Eu preciso entender que isso faz parte de mim, comer, dormir e sexo. Mas eu não sou só isso. Eu sou um ser que transcende isso. Então essa experiência não pode ser colocada como menor ou insignificante, mas não central na minha vida. E eu vou elevando o nível de consciência. Se você pegar a pirâmide de necessidade de Maslow, que tem várias leituras sobre ela, mas vamos pegar aqui. Primeiro necessidades básicas, fisiológicas, sono, sexo e alimentação. Pouca gente tem isso no mundo, na verdade.
Tem gente que hoje não vai ter o que comer. É verdade. Não tem onde dormir. Mas é uma preocupação. É a única coisa que esse cara está pensando. Isso aqui é o próximo prato. Ok. Ele está nesse universo. Aí você vai para um outro nível, que é... Eu já tenho tudo isso garantido. Eu quero status. Eu quero amor. Eu quero mostrar para o que vim. Pouca gente chega naquele quinto nível, que é autorealização. Que é um ponto em que, quando você chega lá em cima da pirâmide, você...
Nesse ponto mesmo de autorealização, que é um nível de extrema consciência, o seu grande desejo passa a ser voltar para baixo para subir o resto. É engraçado isso, né? Que interessante. Você passa a vida querendo ser o melhor de todos. O fodão da galera era assim, eu quero me destacar. Chega aqui, se você realmente passar desse ponto, porque qual é o risco? Quando chega no nível de status, muita gente se prende. Porque Maya, como diz os hindus sobre o mundo material, que é a grande ilusão da matéria,
Ela é muito massa de lhe enganar. Então você, ah, consegui essa caneta, mas agora eu quero um Mont Blanc.
Mas eu quero aquela Mont Blanc assinada por fulano que foi só 60 canetas. Não, mas eu quero a que Churchill usou no fim da Segunda Guerra. Aí vai aloprando e fica no material. Agora eu quero um jatinho com torneiras folheadas. Aí fica. Muita gente fica aqui nesse universo. Agora eu quero a próxima mansão. E não tem paz de espírito. Porque fica só dobrando a pocha na ilusão. Quem pula e vai para esse quinto nível de consciência é como se quebrasse a Matrix.
Quinto nível de consciência. Autoaceitação. Autorealização. Autorealização. Chega aqui e faz. Cara, o prazer da existência é ajudar.
O que vem um pouquinho antes da autorealização? Vem essa necessidade de você passar por fase em que você mostra para o que veio, o status. O status seria esse... Primeiro tem o amor, autorealização, segurança... Entendi, entendi. Chegou aqui, cara, nesse ponto, aí você vai entender quando Santo Agostinho dizia assim, se o homem soubesse como é bom ser bom, seria bom por egoísmo. Eu também acho.
Bom, você chegou... Uma boa fala. Você chegou no topo. Aqui no Brasil você é o nome, um dos grandes nomes, se não o maior nome. Aí eu tá. E você sabe o quanto você caminhou pra chegar até aqui. Eu sei o quanto eu caminhei pra estar sentado aqui com você. Você sabe que... Eu sempre digo que quando a gente tá querendo crescer, a gente tem alguns obstáculos. Um monte, né? É, eu vou criar alguns aqui só pra gente pensar. Vamos. Existe um obstáculo que eu chamo de... Eu sei.
O obstáculo amoroso. Pouca gente dá conta desse obstáculo. É alguém que te ama e diz assim, Igor, não vai inventar esse negócio de podcast não, cara. Cara, isso dá errado. Às vezes é uma pessoa que você ama, que ama você, e ela não faz isso porque quer te sabotar. Ela porque tem medo que você sofra, que der errado, ou porque ela tentou e não conseguiu e acha que vai acontecer com você. Quer queira, quer não, ela está te sabotando.
Você, poxa, minha mãe, cara, como é que eu não vou considerar o que ela está dizendo?
Tem a galera que você tá crescendo e diz, ei cara, quem tu acha que tu é? Tu é daqui do rolê, baixa a bola que eu é daqui. É a galera que tá com inveja. E tem a galera que tá aqui onde você quer chegar.
Dessa galera que tá aqui, quando você quer chegar, pouca gente, cara, diz assim, Igor, vem por aqui, cara. Tem que ser meio burro pra fazer isso. É, vem por aqui, eu vou te dar umas dicas de como chegar mais rápido. A maior parte faz, cara, ficar aí no teu rolê, que aqui não cabe mais não, tu não tem espaço pra tu aqui não. E tem você.
Você está aqui. Uma força te empurrando, duas te puxando. E você aqui. Ou eu fico, porque eu fico aqui com raiva, querendo provar para esse povo, só que eu com medo dessa história aqui que as pessoas estão me colocando e eu dentro de mim, eu tenho que ter um nível de consciência. Cara, eu vou tentar, cara. Pode ter errado com minha mãe, com meu pai, mas se isso der certo comigo. É, pode ser que não dê errado, não dê nada, mas eu aprendi alguma coisa.
E você vai, você vai, você vai. Quando você chega aqui, você começa a conhecer várias pessoas. E a gente que conhece muita gente, a gente tem que criar critérios. Quem vale a pena eu tomar um café depois do flow acabar? Quem vale a pena você...
oferecer aquela mão que você estava... Mão estendida. Mão estendida. Mas isso aprende com a experiência, né? Às vezes você oferece a mão para alguém que te sacaneia. Às vezes? É, às vezes. As matérias de Calcutá tem uma poesia muito linda. Você tem razão. A maioria das pessoas não é assim. Não é. A vasta maioria das pessoas não é assim mesmo. Você tem razão.
Elas não ajudam, se viram. Mas tem quem te estende a mão. Por exemplo, esse é um cara aqui, cara, que ele faz isso. Cortela. Esse cara aqui. Essa daqui também, a Lúcia Helena. Lúcia. Cara, são pessoas que, ó, sabe? Então, assim, essas pessoas, elas ensinam você isso. E você começa a entender o seguinte, que o grande prazer é em ajudar as pessoas a elevar o nível de consciência delas. É fazer subi-las também. O prazer não é chegar no topo.
O prazer é fazer chegar no topo. Por isso que Jesus dizia, eu não vim para ser servido, eu vim para servir. As pessoas não entendem isso. É incrível, né? Elas não entendem o prazer que dá em construir algo bom no outro. Possa ser que a pessoa não te agradeça. A Mata Teresa tem uma poesia que ela fala mais ou menos assim. Às vezes você perdoa alguém que nunca vai te perdoar. Às vezes você levanta alguém que assim que puder vai te derrubar.
Ela vai alencando um monte de coisas que você faz benéfica e o outro nem sempre devolve da mesma moeda. Ela insiste dizendo, mas continue. E dá a senha que para ela e para muitos de nós é a senha que diz o porquê que a gente vai continuar. Continue, porque isso nunca foi entre vocês e os homens. Isso sempre foi e sempre será entre você e Deus. Ou seja...
Algo você aprendeu quando você foi para a escola dominical. Algo você aprende quando vai para a evangelização espírita infantil, quando vai para o catecismo católico. Você aprende. Aquilo fica. Aquilo é plantado no seu coração.
A sua mãe rezando para você dar certo. As orações dela. Não importa se você compartilha ou não da crença dela. Ou você hoje tem uma compreensão diferente da mesma perspectiva dela. Mas aquilo foi plantado em você em algum momento. A consciência da gente é uma consciência que é espiritual. É uma consciência emocional, psicológica. E ela é...
É uma condição sem a qual eu não consigo alcançar esse sucesso pleno. Porque para mim sucesso pleno não é ter uma vida financeira boa não, sabe? É ser alguém que as pessoas queiram estar perto. E que as pessoas quando você sai falem legal de você e não o contrário. E que as pessoas queiram que você volte, que elas queiram a sua companhia. Porque você acrescenta. E você não acrescenta porque você faz network barato.
Eu sempre digo com meus amigos que eu acredito muito pouco no network, mas eu acredito muito no soul work, na conexão de alma. Porque assim, eu não quero sentar com você só porque vai rolar um negócio. Pode até rolar, pode ter afinidade e a coisa vai acontecer, mas é porque vale a pena. Tem gente que a gente admira e que a gente pensa assim, poxa, eu queria só conversar com essa pessoa, nada precisa acontecer, mas ela é tão incrível que vale a pena conversar com essa pessoa.
Eu quero tomar um café com ela. E já tem gente que a gente faz, pô, eu tenho que tomar um café com esse FDP.
Vou te falar que tem várias pessoas que realmente queria, tomaria um café com eles, ou uma cerveja, ou um vinho. Tranquilamente, não precisa de câmera. No entanto, isso é uma parada interessante. Às vezes, sei lá, eu vejo alguém e eu quero conversar. A primeira coisa que os caras acham que eu vou fazer é chamar eles pro flow. E às vezes, não. Dá pra, sei lá. Às vezes, eu sei que ou imagino que é complicado. Pô, pensa.
Tu é o Ronaldinho Gaúcho. A menos que haja umas rédeas muito claras do que vai ser dito e tal, tudo que tu falar vai pro mundo inteiro. Mas não tu é a Xuxa. É, cara. E assim, o Zeca Pagodinho, porque tem gente, isso é uma outra coisa, tem gente que até trocaria uma ideia, mas ele não queria ter umas câmeras. Exato, com certeza. Tem gente que te receberia pra trocar uma ideia.
Mas sem câmera. E tem um monte de gente que eu... A maioria dos caras que vem no Flow, eu toparia trocar uma ideia sem câmera. Sim, sim. Sem sacanagem. E vou te falar que às vezes a possibilidade de ser melhor é muito maior. É. Quer queira, quer não. Quando liga, a gente começa a se preocupar no que pode ser dito e como isso vai impactar.
as pessoas. É, porque querendo ou não, o que a gente tá fazendo aqui, a gente tem a intenção mesmo de ter impacto em como as pessoas pensam. Exato. Então, se a gente tem essa intenção, a gente não pode reclamar se teve. Exato, é. É isso. E aí, a consciência, cara, ela é ampla, sabe? Ela vai assim, a gente nunca vai fechar isso. Agora, certamente pra mim, a gente não termina com o corpo. E a consciência não é neurológica. Ah, não. A neurociência explica que o amor é uma química, tal.
Ah, bom, ok, beleza. Que quando eu tô apaixonado, o cérebro começa a reagir de tal jeito. E por que que reage por Mari e não por Joana? Em meio a 8 bilhões de pessoas. Me poupa, né, cara? Fica querendo reduzir tudo a... Eu acho que é...
desencantar o que é encantado. O mundo tem um encantamento muito natural nele. Tem mesmo. Mas viver em 2026, tu acha que é mais fascinante do que viver em 2000, por exemplo? Porque agora eu falar 2000 já é velho. Bug do milênio. Eu, assim, eu tava... Bom, é...
Porque assim, a gente tá vivendo num mundo hoje que a gente tá muito mais perto, mas a sensação é que a gente tá meio mais sozinho. Então é um mundo que pra mim...
Eu e você, nós nascemos num mundo que não tinha a globalização. Pra tu escolher uma música do Michael Jackson, tu tinha que esperar chegar aqui a música do Michael Jackson. Não era que nem o Justin Bieber, que foi o último álbum dele. Ele anunciou que ia sair no dia anterior, de uma vez só. Isso é o dia que me falou. Ele pegou um dia, ele não falou nada, até que um dia ele falou em tudo quanto foi lugar ao mesmo tempo.
e aí no dia seguinte tava todo mundo ouvindo a música isso não era possível as coisas estão mais próximas mas a gente tá mais sozinho eu vejo porque eu era moleque, eu brincava na rua eu tinha os meus amiguinhos todo dia de pique esconde na rua as minhas filhas tem os amigos delas mas é uma dentro de um quarto do quarto dela e a outra dentro do quarto da outra
que ainda essa maldade eu fiz, dá um quarto pra cada um. E com os amigos, mas de um jeito estranho pra mim. Como é que tu enxerga essa dinâmica? Cara, de fato, assim, é abrir outra janela aqui agora, outro pop-up, né? Que é o mundo atual.
Eu estou, inclusive, aqui em São Paulo, participando da BET, que é a maior filha de educação da América Latina, que acontece uma vez por ano, que reúne todas as grandes players de educação no mundo, do Brasil, e vem de editores de escola. Eu tenho uma empresa de educação chamada Educa... Trabalha Educação Socioemocional. E eu estava falando hoje para as pessoas que a gente está num mundo complexo em que sentido. Veja, no passado, as crianças tinham pouca capacidade de dizer o que sentiam.
O que você tem, meu filho? A pessoa só não dizia. Mas os pais tinham uma imensa capacidade de traduzir.
Você mentiu. Olhe pra mim. Por que você demorou mais no quarto? Ele não comeu tudo hoje. Os pais estavam nos vendo. E nós nos sentíamos vistos. Sim, minha mãe sabia pela minha cara se eu tava doente. Ah, exato. Eu sei que tá doente, teu olho tá caído. Eu nem sei o que isso quer dizer. Mas é, olho embaixo, né? Você vê assim. A vitalidade. Ou seja, ela tava te lendo.
parece o salmo que Davi dizia, eu sei que tu me ensondas mesmo quando faltam palavras, conheço o meu pensamento. Os pais faziam isso. Hoje, as crianças conseguem dizer o que sentem, mas os pais não conseguem traduzir o sentimento delas porque eles estão presos no celular sem ver os próprios filhos. Isso é um movimento.
surge, no meio de tudo isso, uma coisa chamada Orkut, depois Instagram, Facebook e tal, mundo da comparação extrema. Uma vez era a minha prima, agora é a blogueirinha da cidade do lado e é num nível absurdo. Ao mesmo tempo, se alguém mais me criticar, não é só minha amiga do colégio, é todo mundo lacrando com um comentário embaixo de um post que eu fiz na internet e eu não tenho ego pra dar conta disso. Como adulto, a gente sofre com uma criança muito mais. Então, nós temos hoje o que eu chamo de tempestade perfeita pro caos.
Porque nós temos um tempo histórico muito mais complexo e uma geração muito menos capaz de enfrentar. É por isso, Igor, que quando eu terminei meu curso, a gente tratava suicídio infantil juvenil como exceção clínica.
você talvez atenda um ou dois casos ao longo da tua carreira. E hoje é feijão com arroz de consultório. Porque está faltando adulto na sala. Eu até digo que pais que têm filhos, mas não os educam, porque têm preguiça, porque... Aí minhas coisas, enfim, ou porque estão sequestrados também pelo mundo digital, externalizados com baixo nível de consciência, cometem aborto afetivo.
deixa o filho nascer, mas não educa. Quem não educa, comete um aborto afetivo. E acha terceirizar pra escola, terceirizar, entregar, e não é escola, tem que dar conta, e você terceiriza tudo. E crianças que são pobres, crianças ricas, que estão sempre sendo entregues a alguém, porque os pais tem mais como se fosse mais um objeto da coleção de luxo que eles têm. O carro, a casa, e eu tenho filho!
Dá trabalho pra caramba, esgota pra caramba. Você tem que estar lá, você aprende todo dia. Não é fácil a jornada. Tem dia que você está cansado. Não critica que um dia liga uma TV porque você tem que tomar banho. Mas fazer isso o tempo inteiro é uma responsabilidade. Então, em 2026, eu digo a você que, no meu caso, que eu tenho TDAH, eu agradeço a Deus que eu nasci na época de sessão da tarde.
Porque eu comi o TDAH, Netflix, Amazon Prime, Apple TV, Globoplay. Eu não ia dar pra gente não, cara. Cara, eu tinha que esperar Barras no Baile uma semana pra ver Brandon e Brandon em Beverly Hills. Eu tinha que esperar sete dias. A gente pula a introdução do episódio, cara.
E essa velocidade, ela não diz respeito ao nosso ritmo. Tanto que está tendo um movimento contrário a esse agora. É verdade. De fazer com mais leveza, de desconexão. Jovens voltando para o celularzinho de lanterninha, que é só para ligar. Porque o prejuízo que isso causou é recente, mas é avassalador. Porque internet, smartphone e aplicativos de rede social é um segundo da história humana. Mas cara, que segundo que já fez um caos.
Que inclusive, na nossa discussão sobre consciência, diminui o nível de consciência porque eu estou tão preso e externalizado a essas dependências que eu não consigo ter tempo para pensar sobre mim. Porque para ter nível de consciência eu tenho que pensar sobre quem eu sou. É aí que começa, não é? A primeira coisinha que dispara o resto é tu pensar sobre você mesmo, né? Nossa, mas isso aí dói também, hein? Dói. Por que dói? Não é complicado? Por que dói? Por que será que dói?
Porra, eu acho que no meu caso, no meu caso, quando... Imagina que eu tinha que... Eu vivia... Eu sou um millennial. Eu sou um millennial meio lá do, sei lá, do Rocha, lá no Rio de Janeiro, né? Então, o que é que eu tinha que ter na minha vida? Eu tinha que ter uma família, uma casa e um carro. Era isso que eu tinha que ter na minha vida, né? Todo mundo tem que ter isso aí. Então, o que a gente queria? A gente queria um melhor carro? A gente queria um carro legal. Não era um melhor carro, era um carro legal.
Era uma casa legal Não era a melhor casa Era... Quando eu alcancei essa parada Fudeu Porque eu fiquei perdido Eu não sabia mais E agora? E eu já tava na internet E a internet é uma parada que Quem que se aposentou?
Tu conta nessa mão aqui uns caras que pararam, entendeu? Então, em geral, a coisa está sendo construída ainda. Então, eu estava num lugar que eu estava solto.
Eu tinha conseguido... A casa não era minha, mas eu tinha segurança que eu ia conseguir pagar o aluguel. Eu tinha segurança que as minhas filhas estavam bem cuidadas, não sei o que. Isso é meu carro, minha esposa, tudo certo. E fudeu, cara. Quando eu... Muda quando eu começo a parar pra pensar no que eu tô fazendo aqui.
Além de correr atrás do próprio rabo. Entendeu? Porque quando a gente fala de baixo nível de consciência, me parece que as pessoas não conseguem parar de correr atrás do próprio rabo. É um problema muito fundamental de falta. Falta coisa aqui. As pessoas não sabem se vai ter almoço. Então, a única coisa que ela consegue pensar é se vai conseguir comer ou pagar o aluguel.
Ou pagar a fatura do cartão de crédito. Sim, sim, sim. Porque assim, não é só comer. É, vai... Tem várias fomes. Isso, várias fomes. Várias fomes. Então, quando tu só consegue parar de... Tu só consegue começar a pensar o que que tu tá fazendo aqui, foi assim pra mim, tá? Quando eu parei de ter que correr atrás do meu rabo.
que eu consegui, que eu lembro que foi uma época esquisita pra mim, que eu tava solto sem saber o que fazer. Eu chorava no banho, entendeu? O meme de chorar no banho. Eu chorava no banho. Foi quando minha esposa me convenceu a falar com o psicólogo a primeira vez, entendeu? Eu não sabia o que tava acontecendo, entendeu? Eu não tava acostumado com isso. Minha parada era...
Porra, meu irmão, eu tenho que pagar, porra, parcela do carro, do aluguel, não sei o quê, e pagar os dinheiros que ficou faltando do mês passado. Quem sou eu depois que eu consigo, né? É, foi mais ou menos isso. Você estava confundindo sua identidade com a meta.
Eu vou te falar que está todo mundo confundindo a identidade com a meta. É, com certeza. É verdade. E aí quando a meta é batida, você obviamente cria uma outra meta para continuar com a identidade que você tem. Isso não quer dizer que você não vai parar de crescer, porque às vezes a vida coloca você numa condição que o crescimento começa a vir normal. Ele vem, porque você fez um movimento que você nem busca mais. As coisas chegam até você.
Nem todo mundo consegue isso, obviamente, mas tem quem consiga. Mesmo assim você pode estar em crise.
Eu lembro que no auge da Covid, eu tive Covid, e aí eu fiquei em casa, eu tive que cancelar até as palestras online, eu estava sem condição de me fazer, porque eu estava tomando medicamento, tinha que ir para o hospital, eu estava assim, completamente sintomático, mas os exames eram quase como se eu estivesse morrendo. E minha esposa estava acabada, mas os exames normais, era bem engraçado. Entendi. E aí eu esqueci de desmarcar a CBN.
E aí Peter ligou. Falei assim, não sei bem, aí eu fui e entrei. Não falei que estava doente, aí eu fui e entrei. E eu, terminou. Ai, estou me sentindo melhor agora. Aí eu fiz, como assim? Você só se sente melhor sem entregar uma coisa para o mundo?
Você só é Rossandro quando você entrega um conteúdo. Eu refleti. Assim que acabou. Por que eu só me senti? Eu estava fodido agora e agora eu estou... Só porque eu entrei e falei alguma coisa legal para as pessoas. Não, e eu? O que está comigo agora? E esse silêncio, esse deserto, o que quer dizer para mim? O difícil da autoconsciência é que as pessoas, elas quando vão fazer isso, elas primeiro ou não têm uma capacidade de fazer isso, e aí buscar ajuda é importante, ou quando elas fazem, fazem para se destruir.
Porra, é fácil pra cacete. Isso é fácil. Isso é fácil. Por que a gente é assim, cara? Cara, essa autocrítica destrutiva, que são essas vozes que vêm diante de nós, né? Que vêm de avô, bisavô, tataravô e vêm. Eram modelos que eles viviam. Era assim que eles estimulavam. Vai lá, você tem que fazer, acabou. Deixa de chorar. Imbecil, não sei o que lá. Você não tem que dizer isso pro seu filho, mas também tem que dizer, não, meu amorzinho, faça isso se você quiser. Não. Ah, que tem um equilíbrio.
Tomar consciência de si passa a ser um evento prazeroso quando você faz com compaixão. Quando você faz assim, faz... Caraca, velho, de novo tu fez isso?
Ok. A gente tem a meta de não fazer. Dessa vez você demorou 15 dias pra fazer essa merda. Então tá bom. Você tá conseguindo demorar o espaço em que você comete esse equívoco. Mas o compromisso é zerar isso aqui. Beleza? Não se pune. Vamos pra próxima.
Tipo, filho meu cometeu alguma coisa errada. Eu vou lá e... Ó, isso aqui foi errado. Eu não gostei. Vamos ficar ali no cantinho do silêncio refletindo? Bora. Não, do que vai lá. Fica assim. Terminou. Terminou. Vamos brincar com papai? Ou seja, eu te amo. Eu vou continuar te amando. Assim que você estava ali só para adquirir consciência, volta que eu não vou olhar para você com hostilidade. A gente tem que fazer isso com a gente.
a gente tem que olhar, pô, vamos ali pro canto de reflexão, sem se punir, sem se destruir. E o interessante é que pra isso eu tenho que passar por um outro plano, que é o que o Carl Rogers, um grande psicólogo americano que criou uma das escolas da psicologia, centrada no cliente, chamada, né? Ele se chamava de cliente, não de paciente. Ele diz uma coisa sobre a aceitação de si mesmo. Ele chama de aceitação radical. Diz assim, o paradoxo da autoaceitação é que só quando você se aceita que você muda.
Porque é o seguinte, enquanto eu não me aceito, eu gasto tanta energia para me punir porque eu não sou o que eu queria que eu não tenho energia para ser quem eu desejo. Vou repetir. Eu gasto tanta energia para me punir por eu não ser quem eu queria que eu não consigo ser a pessoa que eu desejo. Quando eu paro de me punir por não ser quem eu queria, vai sobrar energia para eu apenas me avaliar como um personagem que olha a si mesmo distante.
Igor, não ficou legal aqui. Ele tá próximo, mas vai melhorar, né, irmão? Beleza, agora vamos pra casa que tá tudo bem. É isso. Você não nasceu perfeito e é um processo.
E aquela vozinha que fica te falando, que a gente chegou a mencionar ela aqui em algum momento, assim, em Ampassan. Aquela vozinha, fila da puta. O diabinho. O você do mal. O Jean, que tá comigo há mais tempo de todos aí, ele deve ter ouvido muitas vezes já eu falando do Igor do mal. Tá ligado? Igor do mal. Que é ele me falando o tempo inteiro todas as paradas.
Sobre todos os aspectos, coisas negativas, né? O tempo inteiro. Ele tá me julgando o tempo inteiro. Estaria, estava, né? Eu fiz um acordo com ele. Isso. A gente tá de bem agora. Porque a gente entendeu que...
só dá pra gente carregar essa carcaça aqui junto. Entendeu? É o mesmo Igor. Então, no fim, a gente é a média. Então, a gente... De vez em quando, um fala mais alto que o outro, mas sabendo que um tem... Cara, mas você é muito doido de estar falando isso agora, porque tem um tempo que eu não troca essa ideia. E é muito claro pra mim os momentos que eu estava dando ouvido pro Igor do mal, entendeu? Uhum.
E como isso tornou a minha vida mais difícil. Não é que eu parei de fazer o que eu tinha que fazer, mas a minha vida era muito mais difícil, sabe? Que nem, ó, eu tava te falando que eu não sou palestrante, mas eu vou a uns eventos, eu faço um monte de painel, e eu fiz umas palestras, fiz duas palestras, né? Na primeira, eu já, antes de 5 mil notícias de entrar, eu tava eu questionando a validade do meu ponto.
Sabe qual é? Então, cinco minutos antes de entrar, eu tava questionando a validade do que eu ia defender por 20 minutos no TEDx Fortaleza. Entendeu? Não é qualquer palco. Então, assim, isso pra mim, cara, é um alerta muito claro de que, porra, eu tô ainda muito conectado com o cuidado que eu tomo pra fazer as coisas da melhor maneira possível. Se isso tivesse acontecido,
Três anos atrás, quatro anos atrás, eu provavelmente tinha surtado ali. Só que dali você estava um pouco mais tranquilo. Porque assim, eu já escutei esse papo de mim mesmo várias vezes, entendeu? Então hoje ele entra como uma crítica construtiva e não como uma parada que vai moldar o que eu vou fazer. Tá entendendo? Entendo. Você começou a tomar consciência de que esse Igor do Mal é você.
E quando esse ser crítico que chega ele não é ignorado mas ele é convidado pra um papo ele vai dizer pra você o seguinte é porque eu quero que tu faça o melhor, cara. Se você acha que eu sou só um penteio na tua vida, você não entendeu minha parada. Mas se eu entendo aqui, ok eu não vou te ignorar. Não, eu sou foda, vai dar certo, eu sou Igor, eu sou do flow eu crio essa porra, não importa o que eu falar aqui, vão aplaudir. Aí vai pro narcisismo.
Não, você não tem validade. Quem é você? Você não fez oratória. Você não fez letras. Você sabe? Qualquer coisa, né? Você não pode falar. Cadê seu título? Nesse caso, eu fiz letras. Não, eu sei. Eu fiz de propósito. Eu sei que você fala inglês pra caramba, né? Eu fiz de propósito. Eu sei. Então, assim, imagina. Eu não posso falar, não sei o quê. Cara, e aí, o que acontece? Você para. Então, quando você se apaziga, você faz. Ok, eu tô aqui invalidando o meu ponto, mas vou fazer.
O que que definiu você naquele momento? Foi que apesar desse ser crítico, você foi. Mas você falou o seguinte, só que antes era pesado, porque eu tinha que lutar tanto contra ele, que eu gastava muita energia para depois fluir ali na palestra. Eu, no começo, cara, eu tinha um sentimento de síndrome do impostor muito grande, que eu acho que você também tinha. Por quê? Você veio, você nasceu no Sudeste, Rio de Janeiro, beleza. Nasci no Nordeste, na Parabénia Campina Grande.
Mas você veio de uma periferia, vida fodida. E eu também. A gente chega aqui, começa a acontecer, mas eu não sou o cara de classe média de São Paulo que fez intercâmbio em Orlando. Entendeu? Não tenho nem repertório para lidar com essa porra. Como é que eu estou sentado nessa mesa? Aí vem um sentimento terrível de cima do impostor. Era tão terrível para mim que eu era capaz de, no meio da palestra, estar me criticando, me detonando, me detestando, já dizendo que merda que eu estou falando e tal, tal, tal. Mas eu continuava a palestra.
Ninguém sabia o inferno que eu estava vivendo. Eu ia até o fim, o pessoal aplaudia de pé e eu, que merda que foi. Depois de um tempo, você vai se apaziguando e você vai se tornando amigo de si.
E aí quando você começa a tornar amigo, você vai agir com compaixão. E a compaixão traz uma leveza. E quando traz a leveza, você começa a se divertir no bom sentido. Não é irresponsável. Se divertir com o processo. Eu lembro que eu estava em Curitiba. E eu fui dar um exemplo de uma experiência com um submarino soviético nas fossas abissais do Oceano Pacífico. E no meio da palestra, nas fossas nasais do Oceano Pacífico.
E todo mundo riu. E o meu eu anterior ia ficar puto, ia ficar com cara feia, terminar a palestra, muito irritado com a plateia. O meu eu atual, mais leve, mais apaziguado, como todos os meus roçandros,
Parou e fez, gente, sabe o que eu pensei agora? O que? A quantidade de sorine para desentupir as fossas abissais do Oceano Pacífico. Se eles tivessem com gestão. Então, no Rio eu continuei. Ou seja, é humano. Então, quando o Rossandro que critica hoje chega, ele não é um inimigo que quer me destruir mais. Agora, porque eu digo, eu não vou te cancelar, cara, então vem cá, porque nós temos a mesma carcaça. Você faz parte de mim. Jung vai trabalhar um conceito que amplia essa percepção que é a sombra.
Todos nós temos um lado que a gente vende para o mundo e tem um lado que a gente nega para o mundo. E ele vai dizer o seguinte, que aos 50 anos, não para todo mundo, porque tem gente que acha que maturidade vem com o tempo, e não, desculpa, maturidade é uma escolha, tem gente que vai morrer infantilizado. É verdade, porém...
A maturidade é necessariamente ligada ao envelhecimento, ao passar do tempo? Ela faz parte. Dá para um cara ser maduro aos 25? Mas você não conhece pessoas de 25 anos que é muito mais madura do que pessoas de 60? Conheço, mas isso não quer dizer que as de 25 são maduras. E nem que as de 60. E, portanto, as de 60...
Também não. É porque a imaturidade é uma escolha. É claro que com 25 anos eu tenho muito menos experiência vivencial do que 60. É isso meu ponto. Mas tem gente que passa 60 anos vivendo a mesma experiência sem ter novas e não cresce. É verdade também. E às vezes um cara de 25, ele resolveu ter muitas experiências. Mas é claro que aquele cara dos 25 aos 60 será muito mais foda ainda. Perfeito. Entendeu? Perfeito.
Dito isto, ele vai dizer que aos 50 anos, para as pessoas que vão desenvolvendo-se, elas vão chegar a um estado de individuação. Que é quando você olha para a sombra e diz, cara, você faz parte de mim. 50 anos? 50 anos. É por isso que é engraçado, porque eu vejo que a sociedade, ela canta a juventude, mas é a época que muita gente é infeliz.
Porque você está se comparando, você está se medindo, você está numa regra, você está se questionando, e se eu não conseguir, parará. Pouca gente... Ah, cara, eu vou só fluir aqui na minha adolescência. Essa atual é toda noiada, é estética, é dinheiro, é visibilidade, é não sei o quê. Mas, Sandro, só fluir? Mas só fluir, onde é que está, então, o que a gente foi ensinado a vida inteira, que era que a gente tinha que...
controlar, estar à frente, saber exatamente o que vai acontecer. No passado, os nossos pais, eles nos deixavam ser crianças. Eles iam nos ensinando lentamente a um dia dar conta da própria vida.
Hoje o pessoal quer que os filhos tenham PhD na pré-escola. Querem que o filho dê alegria e seja um investimento válido no ensino médio. Eles não tem tempo de ser só um adolescente. Que um dia vai ser um homem e uma mulher que vai bancar a própria vida.
Por que isso está acontecendo? A gente tem pessoas que são destruídas muito antes. Eu lembro de uma pessoa que chegou pra mim e falou, meu marido tal, porque minha filha faz cumom, inglês, alemão, xadrez, balé, não sei o que, escola, tal. Ela tá cortando, tá puxando o cabelo, não sei o que, meu marido não cede. Ele é... Eu sei.
puta de um profissional, não vou dizer assim por questões éticas pra identificar. Não, manda ele vir aqui conversar comigo. Ah, ele acha que é psicologia e bosta é a mesma coisa. Não, então eu vou dizer uma coisa que amanhã ele vai bater no postório cedinho.
Que é, quando a sua filha tiver 16 anos, ela vai encontrar um cara bem sem futuro no ensino médio, vai transar com ele, vai descobrir prazer na vida. E ela vai deixar tudo e vai fugir com esse cara. Vai ser um cara ferrado, fodido, sabe? Tóxico. Mas ela vai finalmente ter prazer na vida. E todo o investimento dele vai por água abaixo. Porque eu vi aqui várias vezes isso acontecer.
Ela tem a vida inteira para ser uma pós-edutora em Harvard. Mas não é com 14 anos que isso vai acontecer. Ela precisa de boneca, de um dorama. Ela precisa disso. Quem estava no consultório sete da manhã, eu abri.
Aí sim, funciona. Porra, olha o argumento, né? Né, cara? Porque, veja só, os nossos pais nos permitiam ser crianças. Eu brincava. Eles escolhiam por nós. Depois foram nos entregando a escolha. Hoje em dia a pessoa quer... É investimento, filho, é investimento. Até tem escola que trabalha network. Porque ela tá lá com 16 anos pensando em network. Beleza, eu posso pagar a mensalidade. Tudo bem, tô criticando, mas... Será que é só isso? As pessoas hoje, elas conseguem...
passar um vestibular de medicina, sei lá, ou de engenharia, ou no ITA, e não suporta o fim do namoro e querem atentar contra a própria vida, cara. Ou seja, é um hiperdimensionamento da consciência intelectual e pouca dimensão da consciência emocional. A gente vai aprender a lidar com isso, cara, porque, assim, é isso que acontece. Me parece que essas mudanças estão vindo num ritmo meio rápido, ou vieram, né?
num ritmo assim meio rápido de uma evolução muito rápida que não sei se deu tempo da gente digerir legal ou se dará tempo da gente digerir até a próxima transformação né a gente tá vivendo num ritmo diferente que meus pais seus pais viveram
Então, tu acha que... Como é que você é pessimista ou otimista com aprender a lidar com as circunstâncias de hoje? É sempre bom a gente analisar as coisas historicamente falando. A gente tem uma mania de supervalorizar nosso tempo histórico. Talvez no futuro as pessoas olhem para esse passado aqui da gente e seja uma nota no Wikipedia. E a gente está aqui achando que o mundo está acabando.
A gente dá... É muito mais louco do que... Eu acredito, historicamente, que a humanidade é muito capaz de se reinventar e aprender com os próprios erros. Você veja, a gente, quando finalmente manejou mais apropriadamente a energia nuclear, explodiram o time Nagasaki.
E logo depois, criou-se protocolos de combate a isso. E até hoje, nunca mais a gente não teve uma guerra nuclear. Até porque tem a destruição mútua assegurada. Se alguém detonar, todo mundo vai junto. Mas aí a gente está controlando. E essa energia nuclear que matou centenas de milhares de pessoas em Hiroshima e Nagasaki, anualmente salva milhões de vidas, que vai desde a radiografia que você faz e prevê que você está com uma doença, à radioterapia que mata o tumor cancerígeno.
Ou seja, a gente aprendeu. Para mim, o que a gente está vendo hoje com redes sociais, internet e IA, é meio uma bomba nuclear. Está muita gente morrendo, literalmente morrendo, por causa disso. Mas em algum momento, nossa capacidade de correção histórica e social, por instinto de sobrevivência, vai operar. E a gente vai corrigir e transformar isso em algo muito mais útil do que nefasto.
O que pra gente é mais... Por isso eu sou esperançoso nesse sentido. Analisando historicamente. Se fosse só hoje, eu dizia, corre e vê que isso se salva. Analisando do ponto de vista de essa velocidade que está, vamos imaginar o seguinte. Existe uma coisa que a gente chama de platô de adaptação. Tipo assim, você vem aqui e tem uma mudança. Uma mudança de um paradigma científico, uma descoberta, alguma coisa. Criou aquele novo, aí você tem uma subida íngreme, a sociedade querendo criar o novo, aí criou a máquina de vapor.
Aí há décadas, máquina a vapor, platô de adaptação, certo? Energia elétrica, platô de adaptação. O que foi acontecendo é que esse batente em que o novo vinho e eu tinha que ir adaptar foi diminuindo.
foi diminuindo. E hoje não tem batente. É uma ladeira subindo com a velocidade enlouquecida. E você, hoje em dia, se você entrar pra acompanhar a IA, você surta de acompanhar as IAs que se inventam todo dia. Chega um momento e você fala, cara, eu não vou nem preocupar mais. Não vou mais nem salvar esse post. Salve esse post aqui de como você usar o chat. O meu Instagram é sacanagem do tanto de coisa que eu salvo. Você já foi em alguma coisa que salvou?
Não, cara. Nem eu. Eu ódio da porra, porque eu tô ódio de mim. Porque eu não salvo mesmo. Eu salvo? Mas eu não vejo. Sabe o que eu faço agora? Cara, eu não vou salvar não, sabe? Porque eu nunca fui ver de novo. Porque inclusive o que eu salvar agora, amanhã o cara vai dizer, não faça o que eu falei ontem, porque mudou. É verdade. Então o que eu preciso? O que não mudou? O que não mudou? O ser humano que estava numa biga na Roma Antiga, ou num drone hoje, é o mesmo.
Ele tem necessidade de amor, de pertencimento, de afeto, de sentido. A gente pode mudar o que nos cerca, mas não quem somos por dentro. Isso vai continuar existindo.
E esses seres humanos podem estar enganados, achando que dominar a IA ou as tecnologias vai tirar o vazio, ou vai eximi-los de uma tarefa de se desenvolver, de ganhar consciência, de mostrar para o que vieram, de contribuir com a humanidade. Então, quando a gente olha para esse momento...
O que eu sinto é, o nível de distração aumentou gigantemente. Só comparar, por exemplo, a gente que tinha que esperar a música com a fita cassete, apertando o recplay até passar danada a música, lembrar o início da música para não perder e rezar para o locutor dizer, você está ouvindo no meio da música. E tem uma fita cassete que a gente dava muito valor e hoje tem um monte de playlist que a gente nunca escutou a última música que a gente botou nessa playlist. Pior.
A gente vai num show, em vez de curtir a porra do show, tu filma a porra do show inteiro e não vê depois. Eu não filmo, eu curto. Agora eu faço isso, cara. Cara, isso tem que ser vista. Eu tenho que viver. Eu fui ver Marisa Monte, eu choro, né? Vendo aquela mulher cantar.
Pronto, eu quero só ver esse sorriso no palco, essa luz que chega quando ela entra. Eu quero curtir isso aqui, tanto que eu não faço stories. Muita gente pergunta, por que você não faz stories? É uma estratégia de saúde mental. Então, eu respondo isso também, os caras ficam putos. Aí eu tento fazer uns mais suaves. Mas é isso. Mas você veja, essa velocidade de transformação...
Essa coisa de que eu não dou conta de tudo isso implica dizer que eu tenho que fazer algumas escolhas, que eu chamo de curadoria da vida. Quando no auge da pandemia, um dia eu cheguei em casa e tive todos os sapatos lá de fora, eu pensei, será que só são os sapatos que tem que ficar fora da minha casa? Eu acho que tem um monte de gente que eu não quero mais que venha na minha casa.
Caralho. Salto lógico bravo. Foi. Porque a gente deixa os sapatos fora porque eles trazem contaminação. É verdade. E quantas pessoas não são contagiosas, no nosso sentido? Porque tem pessoas que são boas, bons contágios. Tem pessoas que não são. Tem pessoas que você não pode romper, porque elas fazem parte de um ciclo íntimo que você tem que tolerar, porque família é como TV por assinatura. Tem um monte de canal que você não gosta, mas faz parte do pacote. Não é?
Mas tem pessoas que você realmente tem o direito de dizer, cara, não cabe mais. E aí eu fui e extrapolei. Não é só quantas pessoas não cabem mais na minha casa. É quantas pessoas ou situações ou coisas não cabem mais na minha casa íntima interna. Quantas notícias só me trazem sentimento ruim. Quantas pessoas que eu sigo apenas me trazem coisas ruins. Então eu tenho que ter a capacidade de fazer uma curadoria, uma seleção do que é importante. Porque eu já quando dou conta de tudo.
eu tenho que selecionar o que é importante para mim, o que eu vou dar conta e o que significa para mim. Se alguém fazer a expulsão de Picasso, ele vai pegar os 40 melhores quadros e vai andar pelo mundo. Quais os meus 40 melhores quadros, as minhas melhores fotografias? Aí isso vai para pessoas, aí isso vai para... Então eu comecei a pensar, então tá, eu chego em São Paulo e não faço stories. Por quê? Porque muita gente... Vamos almoçar, vamos almoçar, vamos almoçar.
Eu quero só chegar em São Paulo. Eu quero... Igor, tá livre hoje, vamos tomar um café, cara? Vamos... Vamos...
Explodir aquele papo que ninguém tá filmando? Que é ser o dono da escolha, né? Dono da escolha. Sabe, aí você vai fazendo com mais leveza, aí você vai encontrando mais leveza, e aí é engraçado porque a vida vai te levando pras pessoas assim. E eu brinco muito com meus amigos, né? Que eu digo, gente, pra mudar o mundo, nós não precisamos de muita gente elevando nível de consciência. Porque as mudanças históricas não aconteceram porque a massa acordou, mas porque o núcleo de pessoas acordou e influenciou a massa pra um outro lugar.
Assim aconteceu com todas as evoluções de passado, a francesa, o surgimento da democracia, do que a gente conhece. Então é, quais pessoas eu posso impactar para fazer isso acontecer? Aí eu sempre brinco, é o seguinte, se o crime é organizado, só tem uma solução. Organizemos o bem.
É, organizamos o bem. Para que a gente possa estar unidos em prol do processo que eu chamo de elevação de consciência. Porque eu sei que muita gente que está ouvindo esse episódio vai dizer, cara, isso me tocou, essa frase me tocou, isso me ajudou, eu quero ouvir isso. E é isso que a gente está aqui querendo fazer. A gente quer que, de fato, alguém que esteja agora assistindo ao vivo ou que vá assistir esse episódio depois de uma madrugada angustiada e, pô, bateu o episódio lá.
Que ela saia dessa angústia, que ela tenha esperança, que ela perceba que ela tem um trabalho que ela tem que realizar dentro dela, intransferível de ganhar consciência. Que ela tem que sair desse lugar. Que ela não pode terceirizar nem ao líder espiritual dela. Porque ele pode usar isso contra ela.
Bom, você que anda bastante com a Lúcia Helena, eu lembro que tem uma coisa que ela me falou e aí eu fico repetindo pros outros. Que na verdade quem falou foi o Platão. Que é o lance de, pô, tu não consegue dar... Uma mulher não consegue dar a luz sem estar grávida. A mãe de Platão disse pra ele, né?
E isso é uma parada que é... Que isso, de certa forma, me clareou um pouco no que eu tava querendo fazer. Porque teve um ponto, teve um momento, cara, que eu ficava assim... Porra, eu tô falando essa porra e o cara não tá entendendo, cara. Não tava grave, né, cara. Caralho, maluco, que porra é? Não, não é possível. Não, já falei, pô. Já falei. Vou falar de novo, não sei o que. Aí que tu vai entender, que é a porra.
O cara nem tá pronto pra ouvir o que tu tá falando, cara. O cara, ele tá correndo atrás do rabo, porra. Tá nesse nível de consciência. A gente tem que olhar e respeitar e dizer assim, cara, um dia eu tava aí. Não posso ficar só chutando esse cachorro morto, não. No dia que ele estiver acordado, eu tenho que sinalizar, ó. No dia que você estiver acordado, eu tô aqui. Eu lembro que uma vez eu tava no consultório, chegou uma mulher, umas 5 da tarde, numa sexta-feira.
E aí, quando o paciente chega a primeira vez, você faz duas perguntas clássicas. Que dor te trouxe até aqui? E quem te indicou? Porque pode ser um outro profissional de saúde com quem você tem que conversar. Ela falou, quem me indicou foi meu filho. Quem é seu filho? Foi um aluno seu na universidade há 10 anos atrás. Então, quando a senhora apresentou esse síntoma, ele falou, vai para o professor Rossandro. Não, é porque você foi professor dele, ele era alcoólatra.
E teve uma aula sua que, depois dessa aula, ele disse, depois dessa aula de hoje, eu nunca mais bebo. E nunca mais bebeu.
Eu lembro que eu olhei pra ele e fiz assim, pergunte a ele o que eu disse. Porque eu não sei o que eu falei. E aí ela saiu, e eu fiquei pensando, né? Poxa, o que isso significa? Porque eu sempre gosto de refletir. Porque como é que eu posso levar isso que eu vivi aqui, que me tocou tanto pras pessoas? E eu pensei, cara, não foi o que eu disse apenas. Foi o que eu disse e em que ponto ele estava quando eu disse o que eu disse.
Eu lembrei da parábola do semeador que saiu a semear. Que do ponto de vista agrícola é sem sentido. Porque qualquer pessoa, até eu e você que não tem uma roça, sabe que não se joga sementes em pedras. Que não se joga sementes em espinhos. Nem numa terra fofa como na praia do Copacabana. E só 25% das sementes foram jogadas numa terra fértil.
E talvez, e claro, a gente sabe que todos os textos, não é diferente com a Bíblia, tem muitos níveis de leitura. Eu pensei, então não é sobre a terra, é sobre a semente. A semente do conhecimento é emorredora. Mesmo o cachorro louco que está correndo atrás do rabo, eu vou insistir em falar com ele.
Ele vai ficar, mas ele tá ali. Um dia quando ele parar, ele vai lembrar o que eu falei. Então aquele aluno que tava lá na turma do fundão e que continuou bebendo, eu continuei falando.
Um dia, aquele terreno pedregoso, ele vai sofrer. As pedras vão ser trituradas pela vida e pelas escolhas infelizes que a pessoa fez. E nesse dia ele vai chorar. As pedras que vão virar pó, vão virar terra. E o choro vai umidificar esse solo. E a semente que você e eu lançou, e todos lançamos uns aos outros, vai estar lá esperando germinar.
Então, mesmo pro cachorro louco, a gente tá falando. A gente tá falando porque mesmo a pessoa que tá na academia malhando uma hora dessa, vai ouvir ah, eu queria um episódio sobre como ganhar dinheiro e tal. Ela vai ouvir em algum momento, quando a dor chegar, ela pô, agora eu entendo o que aquele cara falou naquele dia. Igual quando a nossa mãe e o nosso pai diz coisas que a gente só entende quando se torna pai e mãe. É verdade.
Porque não é só a dor que o poeta cearense falou, né? Que é... Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais. Belchior disse isso. Mas e se também não for sua dor? Minha alegria é perceber que hoje eu entendo o que faziam os nossos pais.
E aí eu saio desse lugar. Vou adquirir nível de consciência. Só que o que eu percebo hoje, que é uma outra dificuldade do nível de consciência pra isso, pra ficar nesse cachorro louco, é a pressa que as pessoas têm de resultados. Elas não querem esperar o tempo. Tem coisa que acontece rápido? Acontece, mas não é pra todo mundo. Vê se você tá falando do que eu tô pensando aqui. Teve algumas coisas na minha vida que eu tô pensando aqui.
Que eu queria muito, muito. E eu corri atrás delas com tudo que eu tinha. E rolou, e eu consegui. Mas, sabe, não teve o efeito esperado, não aconteceu do jeito que eu estava imaginando. No fim, cheguei a pensar que uma coisa ou outra não era bem aquilo que eu queria. Agora, teve umas outras coisas que... É...
foram de uma forma mais não é descontrolada nem desregulada é de uma forma mais relaxada é que eu não queria usar a palavra foram mais no flow as coisas foram mais suaves eu queria mas eu vou estar pronto pra quando
quando vier, entendeu? Eu não vou com tanta vontade ou tanta força atrás disso daí, eu vou deixar rolar e eu vou estar pronto. Essas foram as melhores coisas, cara. E eu podia dar um exemplo fácil aqui do carro que eu tô dirigindo agora, que é um carro que eu tô namorando dele há um ano.
E aí outro dia apareceu um amigo falando que estava com um carro desse aí, não sei o quê, que me vendeu com desconto, fiquei felizão. Pô, dá pra falar melhor de como foi a construção da minha relação com a minha esposa, por exemplo, entendeu? Que o grande segredo, no fim das contas, tem alguns, né? Mas eu acho que o maior de todos é, cara, a gente não estava tentando encher o saco um do outro.
Já é um grande benefício. O que isso quer dizer, cara? Isso quer dizer que a gente sabe o espaço um do outro, entendeu? E a falta do controle nessa equação de eu controlar uma outra pessoa pela sensação de que é minha, entendeu? Ou de deixar ser controlado também, sabe? Porque às vezes tu é controlado porque tu deixou, né? Deixar ser controlado também. Então, é... Essa... Essa...
Essas coisas claras e a maneira como elas foram acontecendo são as melhores coisas que vieram para mim no fim das contas. E aí eu digo hoje que as coisas acontecem na hora certa. Entendeu? Porque me parece que é. É isso que eu estou te falando. Coisas que eu quis tanto e eu corri tanto atrás e eu tive na hora errada.
Foi isso, eu tive na hora errada. Eu entendo perfeitamente o que você está falando. Eu acho que quando a gente quer ver o alentar o tempo das coisas, que a gente não respeita o tempo do plantio e colhe antes do tempo, a gente não tem maturidade nem para absorver, sabia? Uma vez eu contei... Isso parece papo de doidão, mas a verdade é que assim, é que tu está correndo atrás do rabo. Naquela época você não consegue ver a grandeza do lado.
Quando eu sou casado com o Janine já há um tempão, a gente casou em 2008, e eu falei para ela assim, eu não te merecia antes.
Se você aparecesse na minha vida antes, eu não ia te enxergar com a grandeza que você tem. Eu precisei me ferrar muito em outras relações pra poder, quando você chegar, dimensionar o tamanho que você tem.
E eu acho que a vida é muito nisso, em vários aspectos. Para quem está se vendo, para quem está se enxergando, para quem conversa consigo, inclusive com o Igor, que é do Sacana, que agora começa a virar um parceiro. Esse processo faz com que a gente veja e a gente entenda que certas coisas que a gente tentou antecipar não deu certo. E outras coisas depois vieram no flow, aconteceram.
Mas há uma geração hoje que tem uma pressa muito grande porque as coisas se tornaram fáceis e criam uma sensação falsa de que tudo é do mesmo jeito. De que do jeito que o person delivery, a comida chega...
o meu lugar numa empresa vai acontecer de eu entrar agora e aí você se ou há seis meses. Ou vou criar um canal, vou criar um podcast e empolgar dinheiro daqui a duas semanas. Exato. Chegou uma pessoa, me encontrou no evento, olha, eu sou muito sua fã, sou psicóloga também, eu queria muito ser como você e tal. Você tem algumas empresas, eu me encaixaria muito em tal empresa e tal. Posso me dar teu currículo? Ah, me dê seu currículo, claro, gostei do papo dela, encaminhei para um dos sócios, eles analisaram. E ela tinha um perfil bom e foi contratada e era muito boa. Boa mesmo.
Menos de 26 anos de idade e tal. E aí, oito meses depois, pedi demissão. Aí eu fiquei, poxa, eu lembrei dela. Por que ela pediu acontecer alguma coisa? Não, ela pediu pra sair. Eu quero conversar com ela. Eu quero entender. Ela queria me acompanhar, queria ser uma psicóloga, ter rede social, influenciar pessoas. Olha o que aconteceu. Eu perguntei, o que aconteceu? Ela, não, eu estou há oito meses trabalhando sem parar, cara. É cansativo. Eu preciso de um sabático.
Eu sei com meus pais, eles me entenderam. Vou ficar na casa de praia deles, três meses. Depois eu repenso a vida. Eu disse, você me falou que você veio pra cá. Porque você queria olhar a minha trajetória. Porque você queria fazer a mesma coisa. Não foi? Foi. Então eu vou só te dar um último conselho. Eu vou recitar uma música pra você. Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui. Eu percorri milhas e milhas. E antes de dormir, eu não cochilei.
Eu estou com 54 anos e eu sei o que é a palavra sabática, mas eu nunca tirei um sabático. Eu também. E você com 26 anos está fazendo um sabático depois de 8 meses. Acredite. Não é assim que você vai chegar onde você deseja. Então essa pressa de uma geração é uma pessoa boa, capaz, mas sabe que pausas podem ser dadas a qualquer momento. Tem momento na vida que não se dá pausa. Quando eu comecei a viajar,
muito fazendo palestra, eu fiquei conhecido em 2017 por causa de alguns vídeos que viralizaram tal, tal. Eu cheguei pra minha esposa e falei, mo, é o seguinte, passou um cavalo selado eu tenho que montar mas isso vai gerar um custo pra nós enquanto casal
Eu vou lá e a gente vai, a cada mês, conversando. Quanto é o teu limite, você fala. Ela, beleza. E realmente foi difícil. Viajar, sair, ela chorava e era triste. Eu ia para o aeroporto triste. Pô, será que é isso mesmo? E se meu casamento acabar, eu amo tanto ela. A gente foi ali negociando, conversando. E aí começou. Eu, antes da pandemia, viajava 22 dias por mês.
Puta que pariu. Eu fazia, às vezes, três palestras no dia. Em São Paulo você consegue fazer, né? Tem dia, tem dia, tem dia, até hoje tem dia que eu tomo café em Recife, almoço em Brasília e janto aqui. Que eu moro aqui também. E aí, cara, teve um dia que ela ligou pra mim.
Meu amor, você pediu pra eu lhe avisar quando tivesse chegado no limite. Primeira coisa que vem na sua cabeça é eu lhe ver um chifre. Aí eu dependi, não, mas eu sei quem ela é. Ela me mandaria embora primeiro. Tá, e o que aconteceu? Eu tô me acostumando a ficar só.
Eu tô me acostumando à sua ausência. E eu acho que isso é muito perigoso pro nosso casamento. Aí ela fez, o que é que você acha? Disse que eu preciso desligar o telefone. Por quê? Porque eu vou chorar pra caralho aqui nesse hotel. E foi o que eu fiz. E eu não tenho nada pra te dizer agora, porque não é falando que eu vou resolver, é fazendo. Então me permite, eu preciso chorar. Aí eu desligo o telefone.
Aí abri minha agenda. Aí olhei assim, cara, vou ter que desmarcar um monte de coisa aqui, porque esse equipamento é importante. E aí você descobre que sucesso não é sobre onde você quer chegar, é quem você não quer perder no caminho. Verdade, faz todo sentido. E eu não queria perder ela nesse caminho. Aí eu parei de manhã, liguei o pessoal de palestra, gente, cancela aqui. Nós já pagaram, paga a multa. Você é louco, vai queimar seu filme. Ó.
Se eu continuar viajando no ritmo que eu tô viajando, eu vou acabar meu casamento. Se eu acabar meu casamento, que é uma mulher que eu amo, que é incrível, eu vou me deprimir. E a agenda toda cai. O que é que vocês querem? Que eu caia parte da agenda ou toda a agenda? Então, parte da agenda. Então, desmarca essas palestras. E, ó, nada mais final de semana. Nem pague três vezes o cachê. Eu tenho que limitar. Eu quero estar em casa.
E assim foi feito. Então, assim, a gente vai pontuando, mas você não deixa de ralar, não deixa de ter dificuldade, não deixa de você estar...
Sempre junto ali, perguntando onde é que tá te incomodando. E também pensar, agora eu quero apostar no teu sonho. Agora é a tua hora. E sim, um casamento feliz passa por não ser um porre pro outro. E ter conversas difíceis. Porra, cara. Sim. Conversas difíceis salvam relacionamentos. Essa que é a verdade. Conversa difícil é o cartão amarelo, meu amigo. Quando você não tem, só vai em vermelho. É verdade. É verdade.
E... Dá pra dizer que tem um... O meu casamento mudou muito depois que a gente teve uma conversa muito específica que a gente nunca tinha tido... A gente já morava lá em Curitiba e tal. E fez toda a diferença mesmo de entender...
De deixar algumas coisas pra trás. Sabe? Eu acho que foi o mais importante no fim das contas. Nesse papo. Cara, não tem como mudar. A gente ficou junto tanto tempo. Que não tem como a gente não se machucar. Me parece. Então, eu estou com a Mariana desde 2004. Faz muito tempo. Então, é... Não tem como não fazer umas merda a ela. Fazer umas paradas que eu... Por mais que eu não fale e que eu aja de um jeito diferente dela.
Tem umas paradas que, certo ou errado, me pega. Certo ou errado, pega ela, as paradas que eu faço também. Ou pegou ao longo da nossa história. E parar pra dizer que, porra, parar pra deixar isso pra trás.
Foi muito importante, cara. Uma das coisas mais importantes que a gente já fez junto, eu acho. Esse cara trabalha comigo aqui hoje, hein? Eu acredito. E você sabe que é tão interessante isso, assim, uma coisa que quando você aprende a escutar a sua esposa, a sua vida muda. Porque a mulher tem capacidade de chegar a conclusões que a lógica masculina não chega.
A intuição feminina é muito mais refinada do que a nossa, porque ela é estimulada desde cedo. A nossa é tolhida. E Janine, quando eu comecei a namorar com ela, a gente namorou seis anos e meio. Eu tentei casar antes, mas eu não tinha grana. Porque meus avós tinham Alzheimer, eu tinha que bancar um monte de cuidador pros meus avós. Depois minha mãe foi ter lúpus e fibrosa pulmonar. Era quase um UTI. E eu tinha duas lares, e eu trabalhei muito pra poder manter os três. Aí eu casei. E ela esperou. Só que quando eu fui de casamento, ela...
Eu fui muito tranquilo, eu pensei, vou pedir em casamento, a gente tá há seis anos e me namorando. Não cogitei que eu escutaria um não. E eu escutei. Por que eu achei que não? Porque eu casaria comigo. Não sou nenhum janequine, mas eu sou um cara legal, trabalhador, honesto e tal. Mas por que não você vai casar comigo? Porque você não gosta do seu pai, você tem muita mágoa do seu pai.
Pô, mas meu pai separou, bati na minha mãe, era alcoólatra, não pagou pensão, a gente passou necessidade. Ele disse, Rosandro, como é que você quer casar se você não sabe perdoar? Você sabe quantas vezes eu vou te machucar? Quantas vezes você vai me machucar?
Então se você não sabe perdoar, você não tá pronto pra um casamento. O que é que um homem apaixonado faz, Igor? Ligou pro teu pai. Ele já tinha falecido. Puta merda. Eu tive que fazer um percurso. Meus pais casaram muito jovens, mais jovens mesmo. Ela tinha 16, ele tinha 17. Nossa!
casou, engravidou do meu irmão, seis anos depois eu nasci, depois meu pai se separou, tenho mais dois irmãos, e eles fizeram o que eles podiam com o que eles tinham. Hoje meu pai é um ser humano muito apaziguado dentro de mim, que eu amo, e eu sei o que ele fez, o esforço que ele fez para ser quem ele foi. Foi o possível e foi o suficiente para eu estar aqui hoje sentado. E aí eu tinha que buscar esse homem que eu não conhecia, porque quando meus pais se separaram eu tinha seis anos de idade. E quem eu conhecia? Eu só conhecia o ex-marido da minha mãe.
A versão dela de uma mulher que apanhava. E que era dolorida e tudo bem. Eu entendo a versão dela. Mas eu não conhecia quem era ele. Então eu fui conhecê-lo. E no primeiro momento foi terrível. Porque eu descobri que eu era igual a ele. A personalidade igual. Todo mundo achava gente boa. Tal, tal. E eu me senti mal. Porque eu era a cópia do inimigo.
até que eu entendi, mas eu tinha que ser igual a quem, se não a ele, né? E nisso a relação com a minha mãe, minha namorada desandou, porque minha namorada, minha mãe ficou com muita raiva de Janine, porque ela me fez perdoar o inimigo.
E no dia do casamento tem a foto do meu pai casando com minha mãe atrás de mim. 16 e 17 anos eles. Minha mãe levou essa foto pra casa, cara. Ele ficou no quarto. Um ano conversando com ele. Miserável. Infeliz. Por que tu fizesse aquilo? Aí um ano depois ela, meu filho, pode levar a foto. Eu tô em paz. Eu perdoei. Esse perdão chegou a mim também. Um ano depois ela se foi.
Mas ela foi sem isso. Ela foi só com os resquícios de tudo isso no corpo dela. Porque a doença autoimune é o atacar a si mesmo. Ela foi com essa leveza de alma, que foi importante para ela.
E aí, essa mulher me fez perdoar e me fez ser um marido capaz de viver um relacionamento. Acho que quando a gente entende que quem está perto da gente é também o responsável por sucesso, nada do que eu conquiste não tem a assinatura de muita gente. No fim das contas, a gente descobre que no fim do dia nós somos resultado de muitos amores. É. Tem uma assinatura de muita gente aqui nessa mesa, não só a sua.
em cada palavra que eu faço, em cada livro que eu escrevo, tem a assinatura de muita gente. Desde as pessoas que eu amo e que estão perto de mim, as pessoas que trabalham comigo, aos pacientes que eu escutei, as pessoas que eu converso nos aeroportos da vida, que desabafam, que contam histórias até hoje. É esse nível de consciência que a gente vai adquirindo e a gente vai olhando e pensando, cara, isso é um privilégio, no fundo, no fundo.
Usar o espaço público que não nos pertence, porque a qualquer momento, se o YouTube quiser derrubar amanhã tudo...
no entanto a gente está tendo um senso de responsabilidade sobre a audiência, sobre o que a gente entrega para as pessoas, mas isso só é verdade se você estiver fazendo isso em casa
Porque eu acho que no fundo, no fundo, a internet tem uma coisa que é meio engraçada. Você pode mentir muito, mas você pode também ser muito desmascarado. Porque você não consegue sustentar a máscara há muito tempo. Então chega um tempo que vai perceber que o que é realmente coerência, e aquilo vai transparecer no teu cotidiano, que no fundo é como se eu estivesse trazendo para aqui o Igor que você é em casa.
A pessoa que você é. Então, quando eu cheguei aqui a primeira vez, eu cheguei aqui 4h30, por causa do Transição Paulo, eu tive medo de ir atrasar, então eu cheguei, a gente ficou batendo um papo. Eu apenas pude conferir, por minhas inferências, das muitas vezes que eu te vi falando no podcast, que você é o que você é aí sentado.
Muitas pessoas me perguntam, como é Igor? Como é ele? Como é Cortella? Como é a Lúcia? Como é o Alok? Perguntam. E eu tenho o prazer de dizer das pessoas, é mais incrível do que você imagina, do que você vê. E as que não são, eu mudei assunto. É uma boa estratégia, né, cara? Porra, é mesmo, né? Rapaz, tá quente São Paulo hoje, né, cara? Como é, Fulano? Tu viu o trânsito, velho? É um bom jeito, é um bom jeito de lidar. Bom, tem mensagem pra gente aí, Jean?
Eu vou pegar aqui, mas enquanto eu vou pegando aqui, deixa eu falar pra vocês aqui do parceiro de hoje que tá patrocinando esse episódio, que é o G4, cara. O G4 tá fazendo uma série de vídeos pra tentar fazer você conhecer um pouco mais sobre a verdade de alguns heróis do Brasil que não se fala muito sobre eles, tá? Não se fala muito sobre alguns empresários como o Barão de Mauá.
que fizeram coisas impressionantes pelo Brasil, mas a gente, na verdade, não sabe muito sobre o que está acontecendo. Então, eu estou fazendo uma série de vídeos, que inclusive o primeiro foi sobre o Barão de Mauá, sobre os heróis do Brasil, para fazer você entender alguns aspectos sobre quem realmente carrega o piano no Brasil, que são os empresários, cara. E o G4, inclusive, é um grupo, na verdade, é um lugar para você ser um empresário melhor, mais capacitado.
talvez com um nível de consciência mais elevado, porque você vai aprender com gente que está fazendo a coisa ou que já fez alguma coisa de verdade. Então, se você quiser conhecer um pouco mais, quiser ver essa série sobre os heróis do Brasil, que eu recomendo, tem o QR Code aí, tem o link na descrição. Vai lá que eu aposto que você vai se amarrar, tá bom? Deixa eu ver aqui as mensagens. Você mandou onde, Jean? Mandou no WhatsApp mesmo. Tá bom.
Dá-lhe aí, vai, vai, vai.
Salve, salve família. Cara, primeiro que esse podcast para mim é a realização de um sonho. Rossandro, faz tempo que eu quero ver você aqui no Flow. E Igor, você também é uma baita inspiração para mim. Quem sabe um dia eu não chegue aí nessa cadeira. Rossandro, qual é a dica que você poderia dar para uma pessoa que não é terapeuta de formação, mas que acaba fazendo um trabalho terapêutico? Eu trabalho com mentorias para cantores. Então, às vezes, eu preciso intervir em coisas que estão além da técnica.
sim, obrigado pelo carinho aí, espero que você esteja aqui um dia a gente conta a história junto, né, eu acho que sim acho que você tá desejando isso, a gente tá mas você mandou seu whatsapp pro universo e Deus usou azul, já tá azul espero que ele tá digitando e às vezes demora mas, continuo insistindo
toda pessoa que trabalha com atendimento ao público, ele termina tendo que ser um terapeuta por exemplo, o fisioterapeuta ele escuta o paciente enquanto está atendendo, só quem não escuta é o dentista, porque o cara está de boca aberta mas o resto, escuta fala
O que indica que você pode, por exemplo, ler coisas, aprender com pessoas para poder aprimorar seu escuto e aquela sua entrega. Mas você não pode querer ser um terapeuta ou um psicólogo sem ser. Tem hora que você entende que a sua maior contribuição não é continuar conversando com alguém de uma complexidade que você não dá conta, mas indicar que essa pessoa busque alguém que faça isso para você.
Até porque é como se você saísse do seu business. O seu business é cuidar dos cantores. Então, e voz e tal, essa demanda toda. Então, chega um ponto que você... Agora, não, mas eu tô me identificando. Eu acho que eu posso... Então, se forma, cara. Faça uma formação consistente, legal, séria. Porque as pessoas merecem o nosso melhor. Merecem a nossa sinceridade. E escutar pessoas é muito sério.
Você pode destruir vidas muito rapidamente com um olhar que é muito mal direcionado numa sessão de terapia dentro de uma fragilidade muito grande de um paciente. Mas eu fico feliz que você tenha essa consciência, que esteja ajudando aí, que você esteja aqui nessa audiência com a gente. Obrigado por ter torcido para eu estar aqui. A Gabi mandou aqui, Rosandro, como faço para conscientemente melhorar minha inteligência emocional?
Sinto que estou preso nas mesmas situações até melhorar nisso, mas está complicado.
A primeira questão é que tipo de recursos você buscou para mudar o seu status de nível de consciência? Porque às vezes a gente fica insistindo em buscar as mesmas coisas. Outra coisa, quando você se analisa para melhorar a sua consciência, o que as pessoas fazem na média? Não estou dizendo que é o caso dela, mas que muita gente faz. Elas fazem autoanálise no dia do Réveillon.
Elas param e pensam, como foi 2026? Cara, tu não lembra o que tu comeu semana passada. A autoanálise tem que ser diária e sem tortura. E pode ser, não tem que ser agora, a hora eu vou parar, fazer uma autoanálise. Não pode ser na hora que você tá tomando um banho. Pode ser na hora que você tá caminhando.
em que você para e pensa, como é que foi meu dia? Por que que quando eu cheguei no trabalho, tal pessoa falou tal coisa, eu me senti mal? Que gatilho é esse? Que sempre que alguém fala tal coisa, eu me sinto imediatamente mal. Quais são as minhas tríades? O que é que eu pensei, o que é que eu senti, qual foi o comportamento que eu tive?
Se você fizer isso todos os dias, você vai ganhando um nível de conhecimento sobre... Você, cara, que aprendeu inglês, você sabe qual o segredo de aprender o idioma. Não é estudar três horas e passar uma semana antes de estudar. É todo dia estudar um pouquinho de idioma. O idioma de você mesmo é a mesma regra.
todo dia faça pelo menos uma liçãozinha de casa sobre você. Por que eu fiquei estressado naquele momento? Aí você vai se conhecendo. E esse conhecimento vai te dando informações que você vai manejando. E claro, agora eu quero ampliar isso, ou talvez eu não esteja tendo capacidade porque eu estou tão sofrido num momento de tanta dor que eu não consigo fazer isso. Vou procurar uma pessoa que vai me ajudar. Que vai me escutar e uma escuta profissional, capaz de me levar a um nível de consciência. E pra mim, investir em si estar em si.
E em saúde mental, cara, eu acho que a coisa mais invejável do mundo hoje não é grana não, é saúde mental. Eu concordo. Eu também acho. Nossa, quando eu lembro, parte da minha jornada, parece até que eu sou uma puta velha, que eu realmente sou, né? Um cara que... Pois é, ele já vai pra academia brasileira de letras. Nossa, foder. Assim, eu vou te falar que o meu tempo com psicólogo...
fez muita diferença em eu saber lidar. Foi, cara, muito importante para eu começar a entender melhor a lidar comigo mesmo. O que eu quero dizer com isso? Que o cara lá estava me ajudando, ele estava me falando as paradas e me desafiando e me fazendo olhar por outros cantos, não sei o quê, que foi me fazendo eu que foi me fazendo.
desenvolver um jeito diferente de olhar pras coisas, sabe? O que no fim das contas me deu, gerou um ferramental que me ajuda a pensar no no eu, a pensar no que porra que eu vim fazer aqui, tá ligado? Isso não ficou em você? Não tem como não ficar, né? Mas é porque eu tava lá também. Eu tava lá, você buscou.
eu tava disposto. Porque, ó, eu dei aula de inglês. Eu sei que um moleque só aprende inglês se ele quiser. Se ele for pra aula, não é garantia dele aprender inglês. Né? Estar exposto ajuda. Mas não é, eu preciso querer. Né? Então eu quis. E por isso, é, porque não adianta tu só ir no psicólogo, né? É. Muita gente vai e não consegue resultado nenhum. Vai porque foi empurrado, vai porque vai, mas não quer. Não quer. Quando a pessoa chegava pra mim e fazia assim, Igor. Olha, eu já fui em dez psicólogos.
Era tipo assim, ele estava querendo eu acreditar que meus 10 colegas anteriores eram incompetentes ou colegas. Na verdade, não. Era assim, eu sei que você está fugindo de você. Você está aqui e você quer me convencer disso. Então, realmente, é estar lá e ter consciência. É chegar e, pô, eu vou ter que bancar isso aqui e crescer. Então, quando a gente faz esse processo e essa intenção, você aprendeu coisas durante o seu processo terapêutico que mesmo que você não esteja ainda fazendo ele... Então, vamos lá.
lhe entregou tipo com ferramentas emocionais que fazem com que você, vivendo uma outra situação nova atual, você possa buscar essas ferramentas e usá-las. E pode ser que um dia você sinta necessidade de novas ferramentas e busque novas ferramentas. Mas veja que elas chegaram no teu repertório de resposta para a vida. E ficaram lá.
E esses livros aí, cara, em que medida isso daí também são ferramentas? Cara, escrever é uma coisa incrível, né? Minha mãe era jornalista. Minha mãe, aos 26 anos de idade, ela apresentava um programa de TV, um de rádio. Ela fazia o editorial do jornal, a opinião, e era secretária do superintendente dos diários associados na minha cidade. Trabalhava um pouco ela, né? Com 26 anos.
então eu fui exposto a esse universo e quando chegou, minha mãe usava primeiro aquelas Olivettes chegando as IBMs de esfera quando chegou o computador, ela já não se adaptou a gente comprou um XT Califórnia com DOS e quem entendeu isso, é uma pessoa velha e aí a gente comprou esse XT Califórnia com DOS ela pegava os artigos escrevia a mão e o digitava e aí
E quando eu fiz o primeiro livro, uma pessoa perguntou, como você aprendeu a escrever? Aí eu, cara, velho, eu nunca tinha pensado nisso. E eu lembrei do Sr. Niag ensinando Daniel Sam. Pinta em série, ele achando que não estava aprendendo a lutar, mas estava. Minha mãe estava me ensinando a escrever. E tem muito dela na minha escrita.
E as pessoas leem e dizem assim, é como se eu estivesse escutando, porque eu procuro ser muito humano aí nessa escrita. E surgiu de duas provocações. Primeiro foi da minha esposa.
disse assim, meu amor, toda vez que eu termino a palestra as pessoas querem levar algo seu. Como elas não podem te levar, porque você é meu, seria bom você escrever algum livro. Porque elas podiam levar algo seu. Mas eu não escrevi livro nenhum. Até que um dia eu estava com um amigo meu, a gente estava sentado conversando, chegou outro amigo, você deve escrever um livro, tem tanto conteúdo massa. Por que tu não escreve? Eu nem consegui articular, o meu amigo falou, preguiça. Ele só pode ser preguiçoso. Aí eu...
É, velho. É isso mesmo, né, velho? É preguiça, né? Não tem outra palavra. Porque, de fato, conteúdo, histórias, eu tenho. Então, pô, tu me irritou, velho. Mas obrigado. Cheguei em casa e comecei a escrever os livros, né? E aí foi uma experiência gostosa. É uma coisa complexa pra quem tem TDAH, porque tem que ter um foco danado. O que compensa meu TDAH? Eu tenho um nível de disciplina muito alto. Então, eu não deixo de fazer um compromisso.
É disciplina. Agora, pra escrever um livro, você tem que sentar e tem que desconectar tudo e escrever. O mais recente que eu escrevi foi esse aqui com a Lúcia, né? Esse aqui foi o penúltimo com Cortella. A gente até concorreu ao Prêmio Jabuti. Legal. Mas eu escrevi um livro novo agora que vai chegar que é sobre relacionamentos tóxicos. E eu vou te dizer, eu nunca sofri tanto pra escrever um livro.
Por causa da pesquisa, por causa dos lugares que tu teve que visitar? Eu tive que visitar vários lugares em minha memória, da minha própria infância, da relação dos meus pais, do que minha mãe passou. De os 26 anos, ela resolveu parar de suportar um relacionamento em que ela apanhava e pedir divórcio em 77, no meio do interior da Paraíba, ser expulsa de casa, perder tudo e tentar se matar.
Como Ana Karenina, que depois de toda a traição de toda a sociedade russa, ela se joga no trem. Mas que bom que ela foi salva e depois continuou. Revisitar todos esses lugares e todas as dores dos meus pacientes me trouxe muita dor. Mexeu muito comigo, mas ao mesmo tempo eu percebi a importância de falar do tema.
espero que isso contribua com muita gente pra mim é aprofundar o que a gente tá falando aqui no livro você tem condições de aprofundar de chegar em lugares você tem você constrói sua própria percepção a partir do que você tá lendo e aquilo vai impactando você em um modo muito particular entendi e é fácil, moleza pra comprar esses livros aqui, não é? é
Tem a Livraria da Alma, Alma Talks, que você conhece, que é um projeto lindo, que o Eduardo, eu e a Lúcia e outras pessoas fazemos parte. Tem a Livraria da Alma, que você pode comprar na internet de modo geral, mas a Livraria da Alma é uma livraria que tem esse objetivo de...
A Alma Talks tem o objetivo também de elevação de consciência nas palestras, nos encontros a gente faz isso aqui fora do Brasil, a gente tem feito isso você pode encontrar, inclusive esses aqui eu pedi para o Eduardo, o Eduardo está com a Lúcia nos Estados Unidos fazendo a série de palestras lá que eu vou fazer em setembro, eu disse Eduardo, está faltando um livro da Lúcia, manda para mim ele mandou, mandou mais três
Boa. Bom, a gente vai deixar aqui, gente, no comentário fixado, na verdade, na descrição, um jeito fácil de você comprar esses livros aqui. E, Rossandro, muito obrigado pela moral, cara. Obrigado por vir aí. Obrigado. Eu sei que tu é um cara muito ocupado, mas eu espero que a gente tenha outra oportunidade. Vai ser sempre uma alegria. Convidou, tô aqui. Pode ter certeza.
Você não sabe o que eu estou caminhando para sentar até aqui. Muito bom trocar essa ideia contigo, cara. Bom, essa daqui é a tua câmera, se tu quiser falar mais alguma coisa aí. Cara, eu desejo para vocês que alguma dessas coisas que a gente falou aqui, às vezes com pretensão e intenção sim, às vezes sem intenção, mas que ela te toque, que ela faça, talvez você ao final desse episódio olhar para você e pensar. E talvez seja muito maior do que eu penso.
Talvez eu seja capaz de sentar ali. Talvez eu seja capaz de fazer um flow também. E você é. Deixa que essas vozes que te acusam. Ficar no passado. Esteja aqui presente. E faça sua história. Seus capítulos iniciais podem ter sido feitos por outras pessoas. E pode ter sido bastante doloroso. Mas...
Em algum momento você tem que pegar a caneta, cara, e começar a escrever tua própria história. E para de dar desculpa, de culpar os outros, Mercúrio Retrógrado, tudo. E faz tua própria trajetória. Para que você possa dizer que começou difícil, mas você assumiu a caneta e construiu a tua história. E vem contar aqui. A gente quer escutar. É boa.
Valeu, Rossandro. Muito obrigado aí. Vocês aí que assistiram, muito obrigado pela moral também. Espero que vocês tenham curtido o episódio aí. Deixa aqui nos comentários o que vocês acharam. E vira membro do Flow, cara. Custa menos de R$8,00. Não dá nem para comprar uma seda. Tá bom, tem que arrumar uma diferente. O que mais? O que mais? É isso.
Ah, vai começar agora. O Vitor vai mandar vocês aí pro Exército Vitor, que só vai começar agora. Então já fica esperto aí. Vai ser com o João Vitor Xavier, né? Que é o CEO lá. Ele tá agora mandando na CNN. Então fica aí que tem um monte de coisa interessante pra tu aprender também. Valeu? Um beijo, obrigado e até a próxima. Tchau.