BRADESCO PROCESSA VORCARO + NOVA OPERAÇÃO CONTRA BANCO MASTER + VÍDEO DO PT É ALVO DE INVESTIGAÇÃO
Flow News #042
- Críticas ao STFGilmar Mendes · André Mendonça · Ricardo Lewandowski
- Evento Lide Nova Iorque 2022João Dória · LID
- Conexão com Políticos de Alto EscalãoCiro Nogueira · Hugo Mota
- Salários e defasagem dos magistrados
- Indicação Jorge Messias STF
Salve, salve, família! Não é assim que começa o programa? Está começando mais um episódio do Flow News. Você deve estar perguntando, mas quem fala isso é o Igor. Cadê o Igor? Cadê o Igor? Não está aí debaixo não, Tramontina?
Você é o Igor? Eu não, eu sou o Felipe Moura Brasil, muito prazer, salve, salve! É isso aí, hoje nós estamos aqui, vamos tocar, vamos tocar a festa, comentando os principais acontecimentos do dia, acontecimentos da semana, tudo aquilo que mexe com as pessoas, que provoca manchete nos jornais, nos veículos, de todo tipo aí nas plataformas, e eu queria começar, Felipe, falando uma coisinha que eu disse pra você agora há pouco, há duas semanas eu falei aqui, naquele evento.
que vai ocorrer em Nova York na semana que vem, semana do dia 12. Verdade. Dia 12 é segunda-feira. É um evento que vai reunir políticos, empresários, pessoal do agro e eu disse aqui que...
Uma turma grande estava indo para Nova York para participar de um debate e depois ia lá aproveitar, né? Porque, afinal de contas, ninguém é de ferro. E aproveitar uns dias lá em Nova York. Ah, tomou um chamado, foi? Tomou um chamado? Quero ouvir, hein? Quem me ligou foi o João Dória, que é o chairman do LID, o LID, a principal empresa que promove esses eventos aqui no Brasil e no exterior, né? E o João me ligou e falou, olha...
Não é bem assim. Não é bem assim. A turma vai pro evento do Lid, mas vai também pra outros eventos, que vai ser uma semana de Brasil e Nova York.
Então os políticos estarão lá, os empresários também, pessoal de muito negócio. Vai ter degustação com o uísque Macallon? Não falaram em degustação. Só para saber. Mas os bancões vão patrocinar tudo. Tem evento de veículos de comunicação do Brasil lá.
patrocinado por bancos daqui. Tem evento dos bancos, né? Então ele falou, olha, o LID, sim, o pessoal vai pro LID, mas não é só pro LID. E esse evento acontece há 15 anos, e agora tá tudo concentrado em uma semana. Aí eu falei pra ele, eu falei, João, meu problema não é a realização do evento, o problema é quem paga a viagem, a hospedagem, a comida.
Dos funcionários públicos, afinal de contas... E os eventuais cachês, hein? E os eventuais cachês, porque afinal de contas, né, governador, senador, deputado federal, é funcionário público, de certa forma. Quem paga é o erário, quem paga é o cidadão, né? E eu continuo perguntando isso. Então tá esclarecido aqui, eles vão pra um monte de eventos, tá? Mas a gente continua sem saber quem paga salário e se eles estão pedindo afastamento do trabalho, licença não remunerada pra estar em Nova York.
Quando você puxou aquele jornal com a propaganda desse evento, eu apontei que, olha, os ministros do STF não estão, pelo menos, nessa propaganda. Será que eles estarão lá? E se eles não estiverem, é um sinal de que todas as críticas têm efeitos.
que eles estão eventualmente numa fase de desgaste, preferindo se preservar para não turbinar todo esse efeito. Claro que é difícil acreditar nisso quando a gente está lidando com um centrão do STF composto por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, que sempre reiteram as suas condutas.
Mas quando a relatoria do Caso Master foi trocada do Dias Toffoli para o André Mendonça, o André Mendonça iria participar de um evento, lembra? E acabou cancelando porque não queria ficar tão desgastado quanto o Toffoli com toda aquela conexão com esse meio empresarial. E um dos problemas desses eventos...
é justamente essa promiscuidade com a cúpula do Poder Judiciário. Sendo que, em 2016, e eu mostrei isso lá no meu canal do YouTube, youtube.com.br, antes que eu esqueça do Merchan.
Eu mostrei que o Ricardo Lewandowski, quando era presidente do Conselho Nacional de Justiça, o CNJ, ele ajudou ali o grupo que ocupava o CNJ a alterar uma regra para expandir o conceito de magistério, que antes se referia a instituições de ensino, a sala de aula, a cursos efetivamente prestados, para incluir palestras patrocinadas por bancos privados e outras empresas. E ainda fez...
uma pergunta para o conselheiro relator. Você tirou aquela parte que obrigava os magistrados a revelar os seus cachês? Ah, tirei! E aí eles removeram a obrigação de você, magistrado, o CNJ regulamenta as questões da magistratura, de que o magistrado revelasse quanto ganhou de cachê pela participação num evento como esse, um evento de palestras, painel.
que muitas vezes são fachadas para esse papo próximo entre as pessoas da elite econômica e a casta do funcionalismo público, muita gente interessada em votos, decisões, etc. Então, desde então, por uma regra do CNJ, e os ministros de tribunais superiores, magistrados em geral, mas principalmente eles que participam desses eventos, não precisam revelar os seus cachês. Então, eles podem ganhar, a gente não sabe, cachês milionários.
de empresários ou banqueiros que tenham causas no Supremo Tribunal Federal. Eventualmente, pessoas que depois se revela, como no caso do Daniel Vorcário, estão incorrendo em crimes e, obviamente, elas sabem que estão incorrendo em crimes. Não estou dizendo que são todas, só para deixar claro. Estou dando exemplo do Daniel Vorcário. Mas, certamente, há, eventualmente, outros empresários encalacrados com a justiça, pelo menos ou...
E eles sabem que cometeram aqueles crimes e eles querem a proximidade e a boa vontade dos magistrados de tribunais superiores. Será que eles ganham 200 mil reais, 300, 500 mil, 1 milhão, 2 milhões?
dá para saber, porque você tem uma regra que faz com que eles não precisem mostrar. E um detalhe, para finalizar, é que os ministros do STF, e isso voltou a ser tema nessa semana com uma proposta nova do Flávio Dino, eles não se submetem às regras do CNJ Tramontina. Do Conselho Nacional de Justiça. Do Conselho Nacional de Justiça. Então, eles só querem o ONU, eles alteram lá para afrouxar, para eles se sentirem mais à vontade para dar palestra.
Mas, mesmo aquelas regrinhas que ficaram, não precisa revelar cachê, mas precisa revelar o local, o evento, a data, mesmo assim eles não colocam lá na agenda pública.
E eles dizem abertamente, como o Ricardo Lewandowski disse na época para uma reportagem logo depois dessa decisão de 2016, os ministros do STF não estão submetidos ao CNJ. Até voltei a esse assunto essa semana, só para fazer aqui a analogia com o que está acontecendo hoje, que o ministro Flávio Dino do STF apresentou propostas para penas mais duras para a corrupção de magistrados.
uma casta lá que se blinda contra a investigação. Aí ele vai alterar o texto da lei para penas mais duras, sendo que não adianta nada se a casta se blinda. Então é meio cortina de fumaça, né? E não, totalmente para mim, na minha análise, é cortina de fumaça. Isso é porque já existem os mecanismos para punir magistrados, só que eles não são aplicados, porque você tem todos esses mecanismos de blindagem.
E aí essas novas regras também não alcançariam os ministros do STF. Então é diversionismo, sabe? Nós não vamos aumentar, vamos endurecer, mas e os ministros do STF? Se eles não se submetem a essas regras, se eles se blindam, eles ficam sempre acima do bem e do mal. Mas eu acho que a gente, esse comportamento de se sentir no Olimpo, eu acho que vem de cima e vai descendo, né? E vai descendo até a parte lá de baixo.
Nos últimos dias nós tivemos as declarações de uma desembargadora do Pará.
que reclamou muito, porque dizia que eles não tinham mais condições de trabalhar. Eu não me lembro exatamente os termos que ela usou, mas uma coisa absurda em relação ao trabalhador brasileiro em geral, porque os jornais revelaram que ela, nos últimos três meses, recebeu R$ 91 mil de salário. E, ao longo do tempo, ela recebeu sempre numa faixa dessa. Já teve gente aí comparando com o trabalho escravo.
Ah, é isso. Falou-se também que... Um salário altíssimo desse, muito acima da média, do brasileiro médio. E tem muitos juízes reclamando disso. Você sabe que há muitos anos, há cerca de uns 20 anos, mais ou menos, eu fui convidado para participar de um debate promovido por uma das mais importantes entidades de magistrados do Brasil. Foi em Belo Horizonte. E eu tive a...
Alguns diriam coragem, outros diriam com atitude absolutamente impensada e maluca. Adoro. Adoro. Diante de uma plateia de 300 juízes desembargadores, eu falei em corrupção na justiça. Que beleza. Eu falei de desvio de dinheiro público. Eu quero vídeo.
Olha, deu uma confusão, parou o debate. Outros que estavam participando em outras salas correram para lá. O debate mudou de sala para uma sala maior. E ao final do debate, eu fui cercado por um grupo de juízes que participam daquela instituição, como é o nome correto? Juízes para a Democracia. Sim, sim. E eles estiveram comigo no palco porque ouviram alguma coisa que alguém queria decretar minha prisão.
em função daquilo que eu falei. Eu falei isso há 20 anos, cara. Que beleza. E hoje a gente vê essa discussão toda, juízes que cometem crimes e que vão para casa depois, condenados a ficarem em casa e receber salário integral. É a condenação que existe hoje. E a gente vê desembargadores reclamando que o salário de 91 mil reais vai levá-los à escravidão.
O que é uma coisa absolutamente inacreditável, né? É porque é dinheiro dos pagadores de impostos, né, Tramonti? Então, as pessoas passam toda essa dificuldade no Brasil, saem cedo para trabalhar, são sócias do Estado que levam uma fatia imensa, meses de trabalho.
E aí você vê essa casta do funcionalismo, que se blinda, inclusive, contra investigações, que exerce outros poderes e influência. Eventualmente, a gente vê notícias e investigações sobre tráfico de influência, sobre venda de sentença. E você tem um monte de gente reclamando que está recebendo pouco, quando a realidade do Brasil é outra.
E eles ficam encastelados. Agora, eu aposto que você falou tudo isso no evento, com toda a elegância, com toda a diplomacia. Deve ter sido uma grande cena, porque nada como quebrar o oficialismo, aquela expectativa de adulação e você falar algo sobre a realidade concreta. Eu falei um negócio assim, eu falei assim...
Vocês se consideram deuses? Vocês acham que vocês vivem no Olimpo? Vocês servem aos que estão lá na planície, lá embaixo? Rapaz, deu uma confusão. Teve gente que levantou no plenário e começou a gritar. Nada de mito.
Olha isso. Caramba, Tramontinho. Que grande momento. Um momento de rebeldia fantástico. Onde eu me meti. Onde eu me meti. E a nossa desembargadora reclamona, né? Disse que se continuar assim com esses cortes nos salários, eu não sei onde que estão os cortes, a justiça vai parar. Fala pro brasileiro comum que a justiça vai parar e ele começa a rir.
Mas quando? Quando ela andou? Pois é, a gente se sente lenta. Essa é a percepção pública. Agora, se a percepção pública está errada, não sei, eu levo muito em consideração a percepção pública.
Exatamente. O sistema de justiça só é rápido, já fazendo aqui um gancho sem querer me adiantar muito, Tramontina, quando é para blindar justamente a casta. Então hoje eu estava falando disso porque a Procuradoria-Geral da República arquivou uma ação apresentada pelo advogado Enio Viterbo.
Para investigar se Gilmar Mendes incorreu em homofobia, quando ele fez uma declaração numa entrevista sobre o Romeu Zema, questionando se seria ofensivo fazer um teatro de fantoches sobre a homossexualidade do Zema. Não tem nenhum indício de Zema ser homossexual. Isso é uma coisa tirada...
do nada do Gilmar Mendes para tentar, de alguma maneira, fazer esse tipo de retaliação, esse tipo de acusação, porque ele próprio estava colocando como uma coisa que pudesse ser ofensiva e questionou se seria ofensivo também associá-la...
chamá-lo de um teatro de fantoche que o vinculasse à ladroagem de dinheiro público, né? Se isso seria ofensivo também. Então, colocou meio que ali a homossexualidade, a ladroagem de dinheiro público na mesma camada. Uma declaração horrível, assim, do ponto de vista moral, do ponto de vista de adequação, do ponto de vista da atribuição de um ministro supremo que está batendo boca com o político porque fez uma sátira em rede social. Tudo errado.
Claro que, do ponto de vista penal, você pode ter uma discussão, fazendo perguntas, etc. Mas eu acho incrível, Trondina, é a velocidade que a PGR arquiva a ação quando é contra um membro da cúpula. Porque, até hoje, você tem um processo que partiu de uma representação do Dilmar Mendes na própria PGR contra o atual senador Sérgio Moro por uma piada no contexto de brincadeira de prisão de festa junina.
Você já tem há semanas o pedido de inclusão no Enquete das Fake News, feito pelo Gilmar Mendes, do próprio Romeu Zema. E você tem o pedido, a representação do Gilmar Mendes na própria PGR também, contra o senador Alessandro Vieira, pelo relatório final da CPI do crime organizado. E nada disso é arquivado rapidamente.
Quando é contra alguém que está incomodando um membro da casta, aí fica lá o processo lentamente pairando sobre a cabeça daquela pessoa para incomodar, deixá-lo ali com a faca metafórica no pescoço, etc. Agora, quando é um deles, é rapidinho o arquivo, para não deixar qualquer possibilidade de que haja uma interpretação de que a pessoa incorreu em algo grave.
são diferentes velocidades da justiça a depender do personagem aliás, a gente começou lembrando dessa viagem dos políticos o jornal Estado de São Paulo levantou uma lebre hoje sobre malas que chegam ao Brasil sem passar pelo raio-x dentro de vindas num avião de empresário de Betts malas e aí se descobriu também que car.. car.. car..
Hugo Mota e Ciro Nogueira estavam no avião. Exatamente. Eu faço questão de registrar o título, lê o título aí, Tramontinho, dessa matéria. Porque isso parece sátira. Mas é o Brasil, é notícia. Nem sequer tem um elemento cômico. PF apura.
PF apura contrabando em avião de empresário e descobre presença de Hugo Mota e Ciro Nogueira no voo. Não é maravilhoso isso? Polícia Federal está lá apurando um contrabando e tal. De repente, opa, o presidente da Câmara dos Deputados estava no mesmo avião. E o senador, que foi ministro do governo passado, estava lá no mesmo avião em que houve um contrabando envolvendo empresário. O Ciro Nogueira é especialista nessas viagens. Está presente nos escândalos. Está presente. Você vê que a revista Piauí...
Fez um reportagem sensacional identificando a presença dele numa longa viagem por mares maravilhosos. Iates. Junto com o Vorcaro, com o Iates. Exatamente. A família dele, a família Vorcaro. E aí as influenciadoras que estavam postando na rede social e tal acabaram involuntariamente entregando, porque aí ele aparecia no fundo. Quando elas estavam mostrando... ...
aqui nesse mar lindo, maravilhoso, nesse barco e tal, aí passa lá por trás o senador Ciro Nogueira, do vídeo de Instagram, dessas coisas. É porque a pessoa que faz esse tipo de coisa não basta fazer, ela tem que contar o que ela faz. Tem que contar, viver para contar. E aí algumas pessoas que estavam no barco...
a toda hora, oi, estou aqui, oi, não sei o quê, sem se preocupar com algumas coisas. E publica, publica, publica, até que uma pessoa que seria a filha de Ciro Nogueira, fala, oi, pai, não apareceu, pai, fica aí, não vem para cá, não. Aí, numa imagem seguinte, está ele lá no fundo. E, logicamente, a família negou a presença, mas a Piauí, que, aliás, é uma...
É uma valorosa publicação que investiga malfeitos de políticos e de empresários e de pessoas ligadas à justiça. Ela fez essa reportagem sensacional. E o Ciro Nogueira estava lá. O Ciro Nogueira é o zero e o vezeiro disso. Ele aproveita bem.
Ah, curtindo a vida, doidado, né? E você, Tramon, enquanto você viaja, você não faz umas postagens, não, da sua viagem? Não tem o lado blogueirinho de Carlos Tramon? O lado blogueirinho, rapaz. Eu vou no Animal Class. Você vai no Animal Class. Aquele que a gente fica encaixotado ali, quadrado a noite toda, velho. Em alguns lugares a poltrona nem se reclina porque ela tá quebrada e vai reclamar. O cara fala dessa e espera a próxima carroça.
Olha, deixa eu ler aqui muito rapidamente o comentário da Transparência Internacional Brasil, que acabou de ser feito no X, a respeito dessa história do contrabando em avião e com a presença de políticos. É, aspas, a farra de autoridades voando em aviões de empresários já é uma forma disseminada de corrupção no Brasil, mas se torna ainda mais grave pelas conexões frequentes desses empresários com o crime organizado.
não são quaisquer autoridades, são ministros do Supremo, senadores da República e até o presidente da Câmara dos Deputados. O Brasil optou pelo desmonte da luta contra a corrupção e agora vê as consequências no processo de captura do Estado. Fecho aspas.
Eu estou há uns 10 anos aí, mais até, denunciando o desmonte do combate à corrupção e agora é escândalo atrás de escândalo com todas as consequências que foram anunciadas. E ele falou aqui, a Transparência Internacional Brasil falou aqui das viagens de ministro do Supremo, eles apareceram aí nos jatinhos ligados ao Daniel Vorcar.
Cássio Nunes Marques, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Todos viajaram, uns mais que os outros, em aeronaves ligadas ao Daniel Vorcaro. Principalmente aquelas da Prime Aviation, ou Prime U, que emitiu notas aí também, dizendo que inclusive não podia revelar detalhes sobre seus clientes ou sócios e convidados. Ficou até uma dúvida se eles eram clientes, sócios, convidados.
Fato é que viagem de avião, como todo mundo, como todo brasileiro sabe, é caro. Então, quando um ministro do Supremo pega uma carona num jatinho de empresário, o que o empresário está fazendo é pagar, bancar uma viagem.
É como se entregasse na mão o dinheiro de uma passagem, mas mais do que isso, com toda a mordomia, já oferece direto a carona. E muitos desses empresários, obviamente, têm interesses na Suprema Corte, em votos, decisões, tudo que pode afetar o seu negócio no país.
Então, não é para se naturalizar a viagem em jatinho. Viagem em jatinho pode estar dissimulando outras coisas. De certa forma, o beneficiado pela viagem grátis é um devedor. Aquele empresário que está oferecendo para ele aquele...
Aliás, na publicação da Folha de São Paulo, tem uma foto do auditor da Receita falando ali à esquerda junto com a pessoa que comanda a cabine de raio-x e o piloto do avião à direita colocando as malas fora do controle do raio-x. Tem uma foto? Olha que maravilha.
Maravilha aí, ó. O auditor está ali do lado esquerdo e o piloto está passando a bagagem pela direita. Quer dizer, o que o Tramontinha está me mostrando aqui, acho que não dá para ver aqui na câmera. Será que dá? Você consegue, hein? Olha aqui, vamos colocar aqui. Será que dá para aumentar? Não, não dá, vai sumir. Mas é uma foto ali. À esquerda de pé, camisa escura. Conhece ali o Raio-X.
No meio tem o raio-x e à direita você tem uma pessoa de camisa branca, que é o comandante do avião, passando as bagagens por fora do controle do raio-x. É lindo isso. Pois é, quer dizer, malas que vieram nesse avião e que driblaram a alfândega, a inspeção, para ver se poderia ter algum tipo de conteúdo indevido.
E os políticos estavam lá, em meio a essas manobras, com essas pessoas interessadas em burlar as regras aduaneiras do país. É claro que eles já emitiram nota dizendo que seguiram todas as regras aduaneiras, da alfândega, etc., mas eles estavam junto com pessoas capazes de fazer isso. Quer dizer, o que tem nessa mala? Estou querendo saber o que tinha nessa mala.
É dinheiro? É droga? É o quê? Não estou acusando nada, só estou perguntando. Brinquedo para os netos. Acho que era só uma bola de futebol. Devia ser isso, mas não queria mostrar. O caso está no STF, sob relatoria de...
Alexandre de Moraes. Exatamente. E cada relatoria que um ministro do Centrão do STF pega, aumenta o seu poder de influência, o seu poder de barganha. Porque a gente tem visto o tempo todo a articulação entre ministros, principalmente desse Centrão do STF, com ligações com o Flávio Dino e o Cristiano Zanin também, com o Centrão Político do Congresso Nacional.
Então, o Davi Alcolumbre impede o avanço de investigações e processos de impeachment contra ministros do STF ou sobre ministros do STF. E os ministros do STF não avançam também em investigações sobre essa cúpula do Congresso Nacional. E essa aliança é bastante conveniente. Vocês já viram aí notícias, certamente, ou se não viram é só buscar no Google, de esquema de rachadinha que foi apontado aí no gabinete do Ogumota.
Vocês viram avançar a investigação de rachadinha sobre o Hugo Mota? Vocês viram avançar a investigação sobre o Jossildo Gomes, que foi o indicado da Via Columbre para a Ampreve, o fundo de previdência do Amapá, que fez um aporte de 400 milhões de reais no Banco Master? Não, essas coisas não avançam.
chega a começar um pouquinho, depois vai desaparecendo e tal. E a gente sempre suspeita de que há uma boa vontade de ambas as partes nessa República dos Campos. Na entrevista que concedeu a Renata Lopretti no Jornal da Globo na semana passada, o ministro Gilmar Mendes, em determinado momento, perguntado sobre esta série de animações e desenhinhos.
Fantoches Chamados Os Intocáveis São os fantoches preparados pela campanha do Isema Ele deu o título de Os Intocáveis E são conversas entre
simulariam ministros do STF. É muito engraçado, é muito bem feito, né? E aí o ministro Dilmar Mendes, perguntado sobre isso, ele falou assim, o Zema ficou administrando o Estado com base numa série de habeas corpus concedidos pelo Supremo. E aí depois ele vem com essa. Cara, é inacreditável uma declaração dessa, ou seja...
Se o Supremo concedeu alguma medida que favoreceu um político, o político é devedor do Supremo?
Exatamente, Tramontino. Quer dizer, foi um favor pessoal ou foi uma decisão que seguiu a Constituição? O Zema fez um vídeo basicamente perguntando isso nas palavras dele, porque se não, é o Estado sou eu. É a frase atribuída à Luz XIV do absolutismo monárquico que seria de Gilmar Mendes. Então ele falou isso, Tramontino, isso que é mais curioso, três vezes.
Ele falou em postagem, depois ele deu uma outra declaração e aí na entrevista na Globo ele deu mais uma, repetindo depois de ser criticado a cada uma das outras duas. Então ele está cobrando que o Romeu Zema seja omisso em relação às mais condutas dos ministros do STF porque o Estado de Minas Gerais fez um recurso para parcelamento de dívida com a União, em razão também da irresponsabilidade fiscal do governo anterior, do Fernando Pimentel, que é do PT.
E aí o Zema então tem que ficar calado porque conseguiu que o Estado de Minas Gerais tivesse a dívida parcelada. Eu chamo de República do Escampo por causa disso, aí ele vai e confirma. Olha, é mesmo. A expectativa do ministro da Corte Superior é que haja uma complacência, uma condescendência com as más condutas dele em razão das decisões que ele toma. Ele está escancarando aquilo que eu analiso há tantos anos.
E é muito grave isso. E é um dos motivos pelos quais os ministros do STF precisam ter o seu mandato reduzido. Eu estou falando ministro de uma maneira geral, porque esses poderiam ser empichados se avançassem as investigações. Mas no conceito teórico, sem fulanizar, o fato de os ministros passarem décadas no STF, alguns entram lá com 40 e poucos anos, ficam até 75, passam mais de 30 anos.
ajuda também, é claro que isso vem de uma flexibilidade moral, para dizer o mínimo, se não de uma falta de ética, mas esse tempo que eles passam ajuda a confundir a instituição, o Estado, etc., com o indivíduo. Então, eles incorrem nesse patrimonialismo, justamente essa indistinção entre aquilo que é público e aquilo que é privado, e nesse clientelismo.
que é justamente você oferecer algum tipo de serviço na esfera pública em troca de alguma coisa.
e, olha, qual é o regime democrático em que um ministro vai para a rede social, depois vai para a TV, para cobrar um político que fique caladinho, porque a corte já deu uma decisão favorável, num pedido que ele fez, como governador de Estado. Não tem, você não vê isso no Ceará Internacional. Na semana passada, o ministro Gilmar Mendes fez um pére para o veículo de comunicação.
Ele deu pelo menos aí uma meia dúzia de entrevistas a grandes veículos, fazendo a defesa veemente do Supremo Tribunal Federal, do seu papel na sociedade, e negando e rejeitando todas as críticas que são feitas a ele, feitas ao Supremo, inclusive as críticas...
feitas ao ministro Alexandre de Moraes por conta daquele contrato do escritório da mulher dele com o Banco Master e críticas feitas ao ministro Toffoli em função das relações de negócios dele com a família o resort e relações com o pessoal do Master
Então, no Supremo, parece que existe uma divisão. Existem os ministros que consideram que o Supremo tem, sim, que se manifestar, manifestar com firmeza, com dureza, enfrentar toda a opinião pública, que seja, ou a imprensa, essa imprensa, aliás, o Gilmar Mendes, várias vezes ele falava da imprensa, como se o motivo da entrevista fosse a imprensa e não o Supremo. E a imprensa não decide nada.
É o Supremo que decide, o Supremo que diz que vai para lá ou vai para cá, a imprensa não faz nada disso. Mas há outros ministros mais contidos no Supremo que acham que as coisas deveriam se acalmar, deixando a poeira baixar sozinha. Mas o ministro Gilmar, como decano da corte que é, ao conceder essas entrevistas e sair na pancadaria, ele faz com que a poeira se levante mais ainda.
É, e a posição dele é absurda. Primeiro que ele não responde nada tecnicamente, é mais discurso para tentar manchar a reputação daqueles que estão ousando criticar esses semideuses do Supremo Tribunal Federal. E, para além de tudo, já seria inadequado se ele fosse presidente do STF, mas nem presidente do STF ele é.
Então, além de ele sequestrar a relatoria, na expressão utilizada pelo senador Alessandro Vieira, que é quando ele faz aquela manobra para ressuscitar uma ação que ele próprio enterrou há três anos, que era da CPI da Covid para blindar o Toffoli contra a quebra de sigilo, aprovada na CPI do crime organizado da empresa Marit. Além de ele fazer, fui fazer um mega parênteses, já vou me perder, mas eu tenho que lembrar.
Além de sequestrar a relatoria, ele passa a ser o representante autoproclamado da instituição sem sequer ser o seu presidente. E faz isso na rede social, faz isso na imprensa. Por quê? Porque o Luiz Edson Fachin não tem a mesma prontidão, não tem a mesma vontade de passar pano para a sujeira dos ministros do Centrão do ST, para as más condutas.
Claro que tem várias categorias de análise, mas do ponto de vista moral, do ponto de vista ético, são mais conduzidos, sem sombra de dúvida, e deveriam resultar num avanço de investigações em outras esferas, pela Procuradoria-Geral da República, se ela não estivesse capturada, para usar a expressão aqui da transparência internacional, da captura do Estado.
por esse mesmo grupo, já que o seu comandante, Paulo Gone, é o ex-sócio do Gilmar Mendes, numa instituição de ensino, o IDP, e o adulou na primeira sabatina e na segunda. Eu estava mostrando isso hoje no meu programa e no meu canal. Então, é tudo errado. É um sistema disfuncional, onde uma autoridade muito poderosa, que tem uma caneta que pode perseguir e retaliar qualquer pessoa que a incomode,
ela vai a público para impor esse medo, para impor uma autocensura, para constranger as pessoas para que não ousem. Então, assim, eles querem continuar tendo essas mesmas condutas sem que ninguém reclame, e não aceitam e tentam combater. E nisso, do ponto de vista maligno, vamos dizer assim, eles fazem algo que falta ao Brasil do ponto de vista benigno.
que eles combatem na raiz qualquer tipo de avanço de investigação sobre eles. Na raiz mesmo, para tentar constranger o movimento mais inicial de todos. E no Brasil não se combate na raiz.
o mal do autoritarismo, da concentração de poder, da expansão das atribuições de um desses poderes. Eu estava lá em 2019 defendendo a CPI da Lava Toga, quando...
Eles estavam extrapolando, estavam apontando manobras na época da sabotagem, do combate à corrupção, mas muita gente de rabo preso não quer, muita gente prefere aliviar, passar pano, etc. E aí eles vão ficando cada vez mais poderosos e o resultado está aí, eles não deixam começar nada a respeito deles.
Nesses últimos dias, Felipe, o ex-governador Zema acabou tendo uma divulgação, um espaço bastante grande na mídia e uma penetração nas redes sociais em função das críticas que ele passou a fazer ao STF e também em função dessas...
dessas brincadeiras, desses fantoches que se apresentam numa série chamada Os Intocáveis e que provocam muito riso e muita reação junto à população em geral. E aí o ministro Alexandre de Moraes hoje...
Falou disso, porque os jornais lembram que o Zema, com a crítica firme e dura ao STF, vem crescendo. O público tem uma percepção melhor dele, pelo menos uma parte da população. E aí Alexandre de Moraes criticou dizendo o seguinte, que criticou os políticos que atacam o STF para obter projeção e conseguir votos.
Bom, só se critica o STF porque o STF dá margem para ser criticado. Adota decisões e posturas que permitem as pessoas discutirem isso. Porque se as posições fossem outras, talvez as pessoas não falassem. Não, não dá para criticar porque é por causa disso ou daquilo. Mas não é assim que acontece.
Exatamente. Tramontinho tem vários pontos a se analisar. O primeiro, assim como eu estava analisando no caso do Dilmar Mendes, é que por que o ministro do STF está comentando o que os políticos dizem em rede social no ano eleitoral? Não é função dele, não é atribuição dele no meio de um julgamento que não tem nada a ver com isso. É um caso de ação sobre injúria e calúnia que teria sido cometida por um parlamentar contra o outro.
Ele vai lá e faz o comentário sobre o que os políticos estão falando dos ministros do Supremo Tribunal Federal em rede social, nas entrevistas, etc. E faz uma análise eleitoral disso. O eleitor, ele tem toda a liberdade, todo o direito de fazer o seu juízo.
Sobre qual é o candidato que está com a agenda correta, que está fazendo críticas adequadas, se ele está sendo oportunista, se ele não está, se está sendo eleitoreiro, se não está, se está tratando de um problema grave do Brasil e está mostrando isso para o eleitor, que ele quer alterar determinadas causas desse problema, etc.
É o eleitor que faz esse juízo. E é absolutamente legítimo, as pessoas podem gostar ou não gostar de um político ou outro usando esse mecanismo, mas que o político, em ano eleitoral, como em qualquer outro, mas sim, em ano eleitoral também, ele faça críticas a ministros das cortes superiores. Isso tem a ver com o que ele pode fazer se ele for eleito para o cargo ao qual ele concorre.
Então, se ele entende, candidato a presidente da República, entende que ministros do STF estão atrapalhando a funcionalidade do sistema de justiça, estão favorecendo empresários amigos, estão retaliando políticos, jornalistas, cidadãos comuns, etc. Estão fazendo manobras fora da legislação, alterando jurisprudência conforme a conveniência. Ele tem de falar isso para a sociedade? É fundamental que o faça.
E não tem nada que ministro ficar palpitando a respeito disso, mas eles viraram os comentaristas gerais da República.
Então, assim, esse é o ponto. O Di Bernardo está falando sobre aquilo. Juiz, qualquer magistrado, que é o que acontece muitas vezes na primeira instância, na segunda instância, o sujeito age quando é provocado dentro do processo específico nos autos. Eles saem comentando tudo na hora que estão sendo filmados lá no julgamento. E aí tem outros pontos, Tramontina. Por exemplo, a questão da sátira.
embora o Moraes não tenha focado nisso, mas ele estava dando um recado ali para o Romeu Zema. A sátira vem da Roma Antiga, sabe? Eu fiz um vídeo também a respeito disso. E você tinha ali o Lucílio, Horácio, Pérsio e Juvenal. Era o quarteto ali do século II a.C. ao século II d.C., ainda na Roma Antiga, desenvolvendo...
esse método da sátira, que no começo vinha ali de mistura, de salada, tinha um conceito um pouco mais difuso e, aos poucos, foi se tornando esse conceito moderno de sátira, que inclui justamente esses elementos cômicos e que, muitas vezes, é um gênero utilizado para a vigilância do poder.
E eu resgatei também os votos de ministros do STF num julgamento sobre a lei das eleições de 2018, em que o Toffoli fala que o riso corrige os costumes e que o então decano, na época era o mais antigo, depois que saiu o Gilmarra que ficou. O Celso de Mello fez um discurso maravilhoso, que ele sempre foi defensor da liberdade de expressão.
sobre a legitimidade da sátira para vigiar o poder, para incomodar, inclusive, os governantes, as autoridades públicas, etc. E falou que, muitas vezes, a sátira desperta a cólera. E é exatamente o que está acontecendo agora. E isso é milenar. E eles querem acabar com uma tradição milenar, porque são eles os atingidos. E sendo que a sátira...
Ela, como o próprio Moraes, votou nesse julgamento de 2018, citando uma decisão da Corte Europeia de Direitos Humanos, a sátira é inerente a ela deformar um pouco a realidade. Isso está presente, está no voto do Moraes em 2018, aliás, aludindo a um caso de responsabilização posterior. Portanto, não de censura prévia, mas de responsabilização posterior à publicação.
em que houve um pedido lá na corte europeia e eles rejeitaram o pedido para defender a liberdade de fazer humor no gênero satírico. Então, a sátira pega algum elemento ali, um episódio do mundo real...
pega a sua essência, vai fazer uma crítica mas obviamente o balãozinho a fala do fantoche ou de qualquer personagem que está sendo retratado, porque não necessariamente a sátira é com teatro de fantoche, ela pode ser um texto pode ser uma crônica, pode ser uma animação pode ser um filme, pode ser um monte de coisa tem vários formatos de sátira mas obviamente o diálogo vai ser criativo, vai ter elementos ficcionais mas para reforçar alguma essência que se intenta retratar car.. car..
E é exatamente isso que o Teatro de Fantóxis fez. Você tem a essência que foi a manobra do Gilmar para blindar o Toffoli, eles estão falando no telefone a respeito disso. Aí no final tem uma graça, que o Gilmar vai passar o fim de semana no resort. Mas é óbvio que é uma graça, uma deformação cômica da realidade, justamente para mostrar que eles são amiguinhos e tal, e estão se protegendo. Não tem nenhuma notícia que mostra que o Gilmar ganhou um fim de semana no resort de Itaiaiá por causa da manobra.
Você reclamar disso é ridículo. É o Gilmar brigando com o fantoche. Aliás, se você pensar que a caricatura é também uma das formas mais comuns, como a charge, mais comum de crítica e de sátira, especialmente aos políticos e às autoridades, toda vez que você tem uma caricatura e uma charge, ela tem um desenho deformado.
Tem um balãozinho muitas vezes, outras vezes não tem nenhum balãozinho. É o próprio desenho que deforma o rosto de uma pessoa. Se a pessoa é meio queixona, faz um queixo desse tamanho. Se a pessoa é meio nariguda, faz um nariz desse tamanho. O que a gente tem visto de sátira com crítica pesadíssima ao Donald Trump...
É o mundo todo fazendo isso. Todos os dias são milhares de sátiras. Donald Trump. Eu assino uma newsletter que se chama O Sol, que é muito legal e que todo dia, entre outras coisas, do Donald Trump, ele põe uma imagem de um urso.
Só com a ponta da gravata vermelha para fora, ou seja, o urso já foi engolido, o presidente já foi engolido pelo urso, só sobrou a gravata para fora, e embaixo ele fala, faltam tantos dias. Essa semana se completou mil dias para o fim.
Do mandato de Donald Trump. Então ele vai fazendo uma contagem regressiva. Faltam tantos dias para o fim do mandato. Então, você realmente proibia a sátira. Eu não tinha visto os intocáveis.
Comecei a ver e gostei, eu fico na expectativa dos próximos. É ótimo, é divertido, é bem feito e vem preencher uma lacuna. Quem acompanha o meu trabalho sabe que eu falo há anos como falta, até porque as TVs foram se tornando politicamente corretas demais e evitando o humor justamente para não ferir suscetibilidades, etc. Eu venho falando há anos.
que falta sátira, acho que eu usava outra palavra, mas faltam esquetes cômicos para satirizar, para ironizar o poder. Olha quantos episódios. Sacanear, né? Pois é. Como existia o Cacete Planeta na TV, como existia a TV Pirata, como existiram tantos programas aí que satirizaram, mas eles...
foram sumindo e as autoridades foram concentrando mais poder. Agora, quando vem algum elemento, ah, não pode, ah, não pode. Quer dizer, pode mandar 35 milhões de reais um banqueiro com interesse no Supremo para o resort ligado ao magistrado.
Pode a esposa e dois filhos que atuam no mesmo escritório de um magistrado receber 80 milhões de reais de um contrato que tinha previsão de 130 milhões de reais com um empresário que também tem interesse lá no Supremo Tribunal Federal e que conversava com esse magistrado.
pelo WhatsApp. Pode o ministro ressuscitar uma ação enterrada há três anos para blindar o coleguinha. Podem os três, e mais o Cassio Nunes, viajar em jatinho ligado ao Daniel Vorcário. Mas bonequinho, aí não pode. Quer dizer, é assim, é a caricatura mesmo.
de autoridade autoritária. É como no Brasil se a gente já estivesse assistindo a sátira, porque eles estão cada vez mais caricados. Quanto mais uma autoridade tem a esconder, mais autoritária ela fica para manter isso sob sigilo.
Então, naturalmente, vai ficando mais caricato, vai dando na vista, até aqueles que eram ingênuos antes, acreditavam nas suas narrativas, peraí, de novo, de novo, de novo, em todos os casos, diferentes, com personagens diferentes, retaliando pessoas diferentes. Ah, então não era o problema daquela primeira pessoa ser retaliada. É o método dessas autoridades. É isso que as pessoas precisam se ligar.
No ano passado, do programa Tramonta News, dos estúdios Flow, do Flow News, eu recebi o Danilo Gentili e ele contou que talvez ele fosse um dos caras mais processados no Brasil. Ele tinha, àquela altura, acho que 86 processos rolando.
Pelos programas, pelos stand-up que ele faz em lugar fechado para um público que vai lá para rir das coisas que ele diz, público que paga, público que gosta e vai lá e se diverte. O público que vai assistir não o critica.
Mas as pessoas sobre as quais ele faz piada são as pessoas que não estão lá e que depois vão processá-la. É a mesma lógica. E são sempre autoridades. Sempre autoridades e sempre políticos. É a mesma lógica. É, tem um patrulhamento muito grande contra humorista. Claro que precisa analisar caso a caso e tal. Eventualmente...
Pode ter um caso de um humorista que fez uma acusação, mas geralmente não é isso. Geralmente é um humorista fazendo piada no seu show, exercendo a sua vigilância satírica, legítima, sobre a autoridade, fazendo a caricatura de determinados comportamentos, de determinados segmentos da população, como é feito em todo lugar do mundo há séculos. Isso é normal e aqui se problematiza, se tenta criminalizar tudo.
Então, assim, é um pessoal muito autoritário, não quer ser vigiado, não quer ser ironizado. Porque o que acontece? É a frase do Lima Barreto, grande escritor, há mais de 100 anos, numa crônica, eu já destaquei isso muitas vezes, ele falou, troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo.
Então, a troça, o xixe, o deboche, o sarcasmo, a ironia, a chacota, tudo isso tem esse poder de fazer cair pelo ridículo. Às vezes, a sátira e todos esses seus derivados ou variantes...
eles são mais temidos do que um processo, do que alguém muito forte ou qualquer outra coisa. A pessoa fica com medo de ser desmoralizada. Imagina essas pessoas que se colocam num pedestal, que estão acima do bem e do mal e tal, se elas caem pelo ridículo. Estão no Olimpo. Pois é, estão no Olimpo. Se a pessoa cai, é uma coisa metafórica, mas que tem efeitos práticos no mundo real. Ela cai pelo ridículo e aí acaba ficando abaixo daquela linha.
da qual ela estava acima do bem e do mal. Então, ela eventualmente, caindo pelo ridículo, ela fica mais suscetível a ser alvo de uma investigação, de um processo, porque mais gente vai aderir a isso, a esse avanço, em vez de temer. Porque quando ela fica ridicularizada, ela fica menos temida. E essas pessoas, que não são muito qualificadas e que têm mais condutas, elas buscam se impor pelo medo.
Então, se o temor que elas usam para manter o poder e exercer a sua ganância, ele é diminuído, ele é mitigado pelo humor, isso pode ter efeitos graves. Então, eles ficam absolutamente incomodados, desesperados.
Felipe, vamos falar um pouquinho, vamos continuar falando da autoridade, vamos falar de um acontecimento importante amanhã. Amanhã tem a sabatina marcada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Sabatina do atual advogado-geral da União, Jorge Messias. Mais um. Que foi indicado pelo presidente Lula para ser ministro do Supremo Tribunal Federal.
Então, os senadores vão sabatinar, a gente já sabe que as sabatinas, os senadores são despreparados para a chuva, não fazem lição de casa, não estudam, e vão lá, os do governo, puxa o saco do cara que é indicado pelo governo, os da oposição fazem umas perguntas ridículas, porque não se prepararam, não estudaram, não foram lá ralar para poder fazer uma boa sabatina.
Essa batida é importante porque você pode antecipadamente saber o que pensa aquele cara que quer ser ministro do Supremo. O que ele pensa sobre o aborto?
O que ele pensa sobre sátiras feitas, publicadas pela imprensa, sobre o comportamento deles? Ele também irá processar? Vai denunciar? Essa é a oportunidade que você tem, entre outras coisas, para saber numa sabatina. Mas, de maneira geral, a sabatina passa limpa e tal. E depois tem a votação. Aí está o problema que o governo...
Está esperneando para conseguir os 41 votos necessários. 41, né? Os 81 senadores. Depois da sabatina, a votação é em plenário, com condições de voto para os 81 senadores, e o governo precisa de 41 para aprovar Jorge Messias para ele ocupar um cargo de ministro do Supremo. Você acha que passa amanhã?