Episódios de Flow Podcast

KIKO LOUREIRO + RAFAEL BITTENCOURT + EDU FALASCHI + ALIRIO NETTO - Flow #595

29 de abril de 20262h28min
0:00 / 2:28:13

Angra Reunion.

Participantes neste episódio5
I

Igor 3K

HostComediante
A

Alírio Netto

ConvidadoCantor
E

Edu Falaschi

ConvidadoCantor
K

Kiko Loureiro

ConvidadoGuitarrista
R

Rafael Bittencourt

ConvidadoGuitarrista
Assuntos5
  • Reunião Casabes-CaiadoBangers Open Air · Emoções dos fãs · História do Angra · Impacto do heavy metal
  • Heavy metal como estilo inclusivoBandas brasileiras novas · Desafios do mercado musical · Influência da música no Brasil
  • Histórias de PacientesCuidados com a voz · Preparação para shows · Impacto do estilo de vida
  • Mudanca para EuropaViver em Madrid · Diferenças culturais
  • Tecnologia na Produção MusicalMicrotonalismo na música · Experimentação musical
Transcrição223 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

This is the floor. Double.

Salve, salve família, bem-vindos a mais um Flow, eu sou o Igor e hoje, meu irmão, hoje, bom, vou falar rapidamente, aí a gente vai se apresentando ao longo do caminho aqui. Tem o Kiko Loureiro, tem o Edu Falaschi, tem o Alírio Neto e tem o Rafael Bittencourt aqui, que eu amo demais, meu irmão, já cheguei aqui emocionado hoje, muito obrigado por existirem, viu, pra começar. Nossa, que introdução profunda. Tá demais, hein? Que introdução. Porra, eu fico emocionado perto de você. Que introdução sem beijo.

Calma. Olha o horário. Get it, bro. Calma aí, calma aí, calma aí. Bom, se você quiser participar, quiser mandar uma mensagem ou perguntar alguma coisa diretamente pra eles aqui, fica à vontade. Você pode mandar tua mensagem pelo LivePix, tem o QR Code aqui, o link aqui na descrição e a gente vai ouvir aqui no final do programa, tá bom? Eu queria também agradecer ao parceiro de hoje, que é o Felipe Meade, de quem falarei já já. E, cara, ontem, ontem, teve um puta show, né, cara? Porra, tão felizes.

muito para de ser mentiroso Rafa tu é o dependendo, tu pode ser o capiroto quem que é que tava no show no domingo, era o capiroto? todas as camadas de mim estavam lá com certeza essa barbichinha dele é muito de capiroto ela é gostosa você precisa ver no pescoço, eu faço assim não, tô fora não é muito minha praia não foi demais uma conquista do estilo o heavy metal o heavy metal

brasileiro de participar de um festival do Bangers, que o Rafael tá até usando a camiseta aí, Bangers Open Air, que teve a ideia de juntar, fazer todo esse evento e nos colocar de headliner ali, que é uma posição...

Uma posição única, né? Porque os festivais geralmente maiores sempre vai ter uma banda gringa, né? Fechando, assim. Arrisco dizer que foi o primeiro festival desse porte com uma banda nacional fechando. Provavelmente. Talvez ever, assim, no mundo. Tipo... Tivemos o... E o que isso quer dizer pra vocês? Por que agora? Porque é...

Agora vocês estão num momento diferentasso de quando, por exemplo, quando o Edu gravou com vocês, né? Então é um momento completamente diferente, né, meu irmão? Assim, eu não sei, porque como eu não tô no lugar de vocês, eu não sei como é que vocês medem o auge do Angra, tá? Mas eu diria que hoje vocês estão pegando num lugar meio os caras que nem eu, entendeu? Que a gente tá amando ver essa porra acontecer, pra começar, tá?

E em segundo lugar, cara, é os caras que estão também em outro momento de vida. Sim, sim. Então deve ser, deve ser, eu não sei, porque vocês me contaram antes aqui que, pô, tinha uns caras chorando na plateia, né? Sim. Vendo as coisas, isso acontecer. Sim, sim, sim. E quem tava chorando é um cara que lembra, eu imagino. E esse cara que lembra é um cara adulto, entendeu? Ele não fica chorando por aí. Eu não fico chorando por aí, entendeu? Então deve ser muito forte essa porra, meu irmão.

Pessoas que acompanharam, mas não tiveram oportunidade de ver ao vivo, né? Foram ver em foto, em vídeo e tal, e agora estão vendo de verdade ali, a gente relemando as músicas ali, tocando tudo, né? Então tem esses dois tipos de fã, né? Que viveu aquele momento, foi no show lá no começo lá, 2001, 2002, né? Começo dos anos 2000.

25 anos atrás, né? 20, 25 anos atrás. E a galera que foi ouvir a gente depois, né? Foi ouvir o Angra, o estilo mesmo, depois disso e não pôde ver, né? Então agora tem a oportunidade de ver ao vivo, né? Carinhoso. Mas é pra mim mesmo, bicho. Eu lembro lá que eu abri o show de vocês lá em, sei lá, 2000, 2002, né? 2004, sei lá. E, meu, foi emocionante ver vocês juntos. Foi incrível, cara. Foi demais, cara.

E como é que foi pra tudo? Não, foi irado. Cara, o legal é que a gente viu que... Tinha... Que nem o Kiko falou. Tinha gente que começou a ouvir o Rebirth, né? O Hunger pelo Rebirth. O cara tinha 15 anos. Hoje o cara tem 40. O cara tá com filho. E a gente viu várias pessoas que levaram os filhos, né? E então, pro cara... Também tem aquela coisa, né? Que você sabe, né? Eu até falei da outra vez.

muita gente que, pô, na época eu tinha 15 anos com os pais ali, que o pai levava, hoje o pai já não tá mais lá, e o cara lembra. Sim, irmão. Pô, meu irmão tava comigo no show, meu irmão faleceu, e essa música era a música do meu irmão. E o cara tava ali ontem lembrando do irmão, entendeu? Tocou a música, o cara, então teve muito isso, né? Então, cara, é um...

É um negócio que transcende o... Só escutar música, né? É uma parada que é a vida do cara, né? O metal tem isso, né? É o poder da música, né? De uma forma geral, né? Porque isso aí também a gente... Tá aí o Paul McCartney que não nos deixa mentir, né? Ele sempre vai tocar as músicas dos Beatles lá e vai... Gerações, lembrando. Mas o heavy metal tem essa coisa... É que é menos de modinha da música da rádio, que a pessoa ouve ali e gosta, mas não sabe nem direito quem tá cantando e tal, né?

E o fã de heavy metal acompanha a banda, sabe quem são os músicos, sabe o nome dos álbuns, quer saber, acompanha a obra mais completa. Passa pros filhos, né? E passa, tá? Uma coisa mais, um pouco mais tipo futebol, né? De certa forma, assim, né? De passar pro filho, de saber quem é o nome dos jogadores. É importante isso, entendeu? Nossa, eu tô me amarrando nessa fase da minha filha, cara. Ela tá, ela tem ouvido várias paradas que eu não esperava, de uma forma...

Um pouco natural, assim, veja, quando a gente tá no carro, 80% do tempo é elas que escolhem o que a gente tá ouvindo e o caralho, né? Tem uma boa parte, quando eu tô sozinho, boa parte do tempo eu tô ouvindo rádio, né? E tem uma outra parcela que a gente tá junto que eu escuto as músicas que eu gosto, né? E aí elas vão conhecendo também o que eu gosto, caralho. Outro dia minha filha me mandou, outro dia não.

Acho que foi no último Dia dos Pais, que ela me mandou o cartãozinho do Dia dos Pais. Foi, pô, valeu, pai, você é muito legal, não sei o quê. Muito obrigado por me ajudar a ter um bom gosto musical. Olha o caralho, legal. E qual que é o seu bom gosto? Conta pra gente o seu bom gosto musical. Cara, é mais ou menos umas paradas meio de quando eu tinha 16 anos mesmo, entendeu? Vai, a minha... Eu, jovem adulto, defini o que eu ia ouvir meio que pra sempre.

Não é que eu não escuto nada que é novo. Eu escuto porque tem uns caras jovens perto de mim. Eles vão me mostrando as paradas. E minha playlist vai tendo uns Justin Bieber, entendeu? Vai tendo, sei lá, um funk, um automotivo, entendeu? Lá de Goiás. Então vai tendo as paradas assim. Mas em geral, cara, a gente tá ouvindo lá...

um Kendrick Lamar um Drake, a próxima música começa um porra, um Shadowhunter o cara toma choque, entendeu? porra, de repente alguém tá tocando tira esse negócio, né? tem guitarra? que instrumento é esse? que instrumento é esse?

Pois é. E aí tem lá no show de vocês uma galera que tá ali e é meio que um... Não é que não, tem uma galera nova, mas é que é um movimento meio contrário com o jeito mainstream de fazer música hoje. Não sei se estou conseguindo me explicar direito. Mas antes da gente entrar nessa, deixa eu voltar na anterior, que a gente vai... Bom, que era o lance do Angra ser o headliner do Bangers, né? Que tu falou, pô...

Primeira vez ever numa banda nacional. Mas o Wangra é mesmo considerado nacional? Porque não seria. Porque canta inglês. É. Tem música em português também. Tem?

Não, mas o ponto é isso, por exemplo, dificulta e facilita pra gente. Nosso primeiro contato, nosso primeiro contrato primeira grande oportunidade foi a gravadora do Japão certo? Então nós já começamos com um público determinado que era o fã de speed metal em inglês

Então já existia essa Essa coisa acontecendo Deliciosa Ouvir você falar e saber exatamente o que você está falando Porque o Kiko me contou A história de como foi fazer essa coisa Com Sasha e o caralho Então a gente trilhou Quiser saber o episódio com o Kiko Mas é uma banda Vai lá, fala Boa

Mas é uma banda que trilhou um caminho internacional, porque o heavy metal é um movimento internacional, ele acontece praticamente, ele é uma coisa que sempre foi muito global. Antes da globalização, os fanzines e tal, o heavy metal se espalhava, a gente ficava procurando saber das bandas. É um movimento muito conectado.

E nós começamos, e é um segmento, mas é um segmento que hoje é muito grande. Os festivais de heavy metal na Europa, nos Estados Unidos, a indústria da música pesada, que já nem uso de um termo heavy metal, mas é um pouco. Não se fala tanto heavy metal como a gente fala aqui. Fala metal só, porque são várias variações dentro do metal.

E é uma indústria muito grande e muito bem consolidada, o que permite para nós e outras bandas pertencer. E agora, por que é um Marco Bengers? Porque agora a gente começa também a se mostrar como parte dessa grande indústria aqui no Brasil.

O Bangras consolidou, vamos dizer, toda essa roda que envolve revista, lojas, que parecia um segmento meio underground. Mostra que ele tem muito mais relevância do que parecia. Tem marca de cerveja patrocinando. Então, é uma coisa grandiosa. E o Angra é relevante dentro dessa cena. Quando eu pergunto, você é famoso?

Eu falo, olha, dentro dessa cena, sim, eu tenho uma importância, porque o Angra é muito importante dentro dessa cena, especialmente como expoente de ser uma banda brasileira.

Certo? Só que dentro da cena, as bandas são iguais. Cantam em inglês, cada uma com a sua proposta, etc. Mas permanece sendo uma banda sediada no Brasil, com o nosso escritório no Brasil. A maioria mora no Brasil. Quer dizer, hoje a minoria mora no Brasil. Eu sinto que é uma banda brasileira, porque sempre foi... A base foi aqui, né? E foi esse negócio mais recente, né? Todos os que... Os primeiros 20 anos da banda é Brasil.

Com todas as oportunidades de viajar para fora, de morar fora. Era sempre viajar e voltava. Viajar e voltava. E encarado lá fora como uma banda brasileira. E com todas as dificuldades de ser uma banda brasileira fora, né? E tem os elementos, né?

da música, que é um metal que é totalmente diferente do metal alemão. Lá fora o cara percebe. O Rafa trouxe isso lá no Idos Cry, quando ele é mato e tal, e o Kiko já estava também. Isso deixa mais o brasileiro. É um heavy metal gringo, que é inglês e tal, mas com um monte de influência da música. Tom Jobim, os caras... Feito de uma maneira brasileira mesmo.

Eu vejo como um movimento dos anos 90 da música do rock brasileiro, né? Porque você vai ter não só o Angra Sepultura, porque nos anos 80, eu acho que era um pouco diferente, né? Mas também era moleque ali. Aí você tem Chico Sainz, você vai ter o Raimundos, você vai ter, então, Ramones brasileiro, Raimundos, né? Você vai ter o Chico Sainz, Nação Zumbi, e você vai ter um rock já abrasileirado, querendo mostrar uma coisa mais que você vai ter.

Mas é da Semana de Ate Moderna, né? Que é de antropofágica, né? De tipo, vamos pegar o que tem de fora e vamos deixar de um jeito brasileiro. E como seria esse heavy metal brasileiro? E aí você tem o Sepultura na sua forma, você tem o Angra na sua forma, né? Que são vertentes de heavy metal diversas, mas ainda brasileiro e ainda heavy metal.

E aí você tem o Chico Sainz, vai ter o Raimundos e tantas outras que foram... Isso é um movimento bem nos anos 90, que eu vejo, né? Que os anos 80 foi um pouco mais diferente, mas nos anos 70 você teve novos baianos, quer dizer, tem a guitarra elétrica entrando, né? Então, assim, eu tenho uns movimentos, eu acho que os anos 80 eram um pouco bem mais inglês, né? E outras referências, então, assim, eu acho que a gente faz parte disso, né? Por isso que a gente se sente bem brasileiro.

E não gringo, né? E quando você vai pra fora, o cara olha pra tua cara e fala, esses caras não são daqui, né? Esses caras não são daqui. E aí você entra no palco, o tipo de roupa, como você encara o lance todo de fazer o show, de conversar.

você não é de lá não é de lá então você nunca se sente isso é uma história até meio polêmica hoje em dia acho que eles nem sabem o Dennis Ward foi produtor do Rebirth do Tempo of Shadows a gente estava fazendo

o Temple, né? Não vou citar um nome aqui, mas tem um artista gringo lá e tal, que ele falou, cara, esse cara aqui pra você cantar, uma coisa assim. Eu falei, cara, eu sou muito fã do cara, né? Será que não dá? Ele morava ali perto. Será que não dá pra visitar? Eu sou uma fã. Então, ele falou, cara, o cara, vou te falar que ele não é muito fã de latino, questão do racismo, né? E aí, eu falei, não, eu entendo e tal, acontece mesmo, mas, pô, sou branco, né?

E aí o Dentes para mim falou assim, não, você não é branco. Caralho, eu falei, como assim? Eu lembro disso, eu estava. Você lembra disso aí? Aí ele pegou o braço dele e botou do lado meu assim, falou, eu sou branco. Você não é. Eu falei, porra, caralho. Se comigo está assim, você imagina com quem realmente, né? Eu lembro dele passando, foi uma coisa tipo passando protetor solar. Eu falei, pô, mas nem está no tanto sol e tal. Ele falou assim, não, eu não sou moreno como você.

Aí eu fiquei tão feliz que eu falei, cara, eu sou moreno pra ele. Ganhei meu dia. Só tô querendo contar essa classificação, né? O que você citou? Existe mesmo, né? O cara olha e fala, o cara não é daqui, né? Não é de até estar loido. Então você sente. Essa mistura toda faz a coisa mais interessante ainda, né, cara? De raça, de música, de tudo. Com certeza, porra. É o que faz o Angra ser o Angra. A gente se aceitar como brasileiro, isso desde o começo foi o principal.

Quando a gente começou nos anos 90, e a nossa formação foi nos anos 80, era comum você primeiro aprender a tocar violão, buscar brasileira no violão, aprender a ter aula de violão e tal. Se aquilo começasse a dar certo, você tinha uma motivação a mais para ganhar uma guitarra que era super caro, super difícil, não existia em qualquer lugar. E a informação, por exemplo, sobre como tocar um solo do Van Halen, era muito escassa.

Hoje, a formação das pessoas no mundo inteiro está na internet e vem basicamente dos mesmos lugares. Então, as referências de todos que estão se preparando para tocar são muito semelhantes. E os instrumentos também vêm todos do mesmo lugar. São fabricados na China, os instrumentos de entrada, na maioria das marcas de todo o mundo, vêm do mesmo lugar, das mesmas fábricas.

Ou seja, competitivamente é mais igual. E culturamente também. Na nossa época, eu acredito que o universo musical e o universo do aprendizado da música era muito específico do Brasil. Então, eu vejo que eu e o Kiko a gente tem uma formação muito parecida, inclusive, porque aprendemos a tocar violão.

Tocamos Baden Paul, Toquinho, isso, aquilo, Bossa Nova, João Gilberto, Caetano Veloso, todas essas coisas. Tentava, né? Tentava, é. Tinha como referência dos grandes heróis. Tinha como referência, exato. E esses caras eram os heróis. Eram os heróis. Egberto Desmonte, pra mim, até hoje, é o máximo. Mas isso é um puta diferencial, porque eu acho que todo mundo no Angra...

Tem uma formação muito sólida, né? E o que faz com que a comunicação dentro da banda e tudo fique muito mais fácil, né, cara? A formação mais acadêmica da música também a gente tem, né? De estudo. Isso faz diferença, né, meu? Facilita muito a comunicação. Exato. Então, acho que é isso. E, voltando ao Bangers, foi o show mais importante da minha vida.

Por isso eu me dediquei muito a ele, porque foi de fato o mais importante. Primeiro que esse encontro, esse reúno, é algo que eu já queria fazer há muito tempo. Eu tinha um sonho de fazer o show de 30 anos do Angra, que foi antes da pandemia. A programação era mais ou menos antes da pandemia.

Tudo deu muito errado. O André faleceu, veio a pandemia, me desentendi com o Edu, uma série de coisas impossibilitaram. Passou os 30 anos, foi um caos, o mundo tentando se voltar à forma. E agora, em 2026, quando a gente conseguiu finalmente fazer isso, vai ser uma grande realização.

E não foi só o Angra. Isso que eu falei. Foi uma convergência de situações onde o próprio heavy metal, a estrutura do metal no Brasil, possibilitou.

Entendi. É, mas é muito foda ver vocês todos juntos mesmo, mas porra, eu não consigo não entrar nessa. Agora vocês estão de bem mesmo, né? Sim, sim. Você quer que eu beijo ele agora? Não, não, não. Eu não faria isso com o Edu. Essa é uma questão muito comentada, né? Se foi feito pela grana ou se é de verdade, né?

Isso é interessante, porque eu não pensei nisso em nenhum momento, mas eu já conversei com vocês antes. É interessante ver que tem alguém que pensa isso. Não, mas tem um monte. Você vê os comentários, quando anunciou, né? Ah, tá, não sei o quê, mas... O que é normal, né? As pessoas duvidarem e tal. Agora, a gente tinha motivos para fazer isso antes, de repente, mas, como o Rafa falou, tem...

os astros se alinharam e rolou no momento que tinha que rolar. De verdade, né? Não teve nenhum... É sempre assim, né? Não teve nenhum... Cara, pra mim, pessoalmente, não rolaria se não tivesse tudo redondo. Pode ser um trilhão de dólares. Não vou fazer, cara. Aí chega no palco lá, fica um clima, né? Não precisa, cara. O mais legal é, quando a gente tava lá no palco, olhando o olho do Kiko, feliz, o cara tocando, o Rafa, o Alírio.

O Alírio eu conheço há mil anos, entendeu? Então é isso, né? Tem que ser de verdade, né? Tem que ser uma... O Edu já produziu dois disso mesmo já. Foi, foi. Então a gente... Natural, né? Vai ficando natural assim, né? Tipo, tá... Exatamente. Você tem uma reflexão interna. É isso mesmo que eu quero. Quero ter essa relação de conversar individualmente e tal.

Ainda bem que está todo mundo adulto. Todo mundo mais adulto. Tem um festival que também está oferecendo uma plataforma. Então, o Bangor diz, a gente é headliner, nesse palco desse tamanho, vai dar para ter isso. Aí você fala, vai ficar bonito o negócio. Eu penso muito assim...

no Angra, né? E nos fãs, os que choraram, os que não choraram, mas tem essa... que vem o Angra ou o álbum Rebirth, esses momentos com uma coisa maior do que a gente. A gente é uma coisa praticamente insignificante. Somos o canal, né? Perto do que é o logotipo Angra ou que é o Angra nessa história ou que é aquele álbum pra vida das pessoas. Então se a gente puder estar lá junto pra proporcionar isso, então você faz essas reflexões e fala, não, vai ser legal estar lá. Isso tudo vai... Isso tudo vai ser legal.

Amaciando qualquer outro pensamento que você tenha e a fala vai ser legal. O que veio primeiro, Rafa? O convite ou o reunion?

Não, o convite já veio com essa proposta de reunião. Entendi, entendi. Então o convite veio... Então tu já chegou com essa arma para convencer para os caras a fazerem um troço que tu queria fazer. Não, e que emenda no assunto que é até bom trazer, que é o seguinte. Eu tinha proposto um hiato, um tempo afora. Eu precisava, eu completei um ciclo com o Cycles of Pain. Fizemos um acústico, fizemos uma turnê do Temple of Shadows, que é a celebração de alguns anos de um álbum muito icônico, que é o nosso álbum Temple of Shadows.

Depois, a turnê do nosso último álbum com o Fablione, que é o Cycles of Pain. Foi, assim, um batidão, saindo da pandemia. Voltaram os eventos do Mundo Louco e vamos fazer um on-tongue de eventos. Cara, no meu aniversário, no ano passado, tu tinha me falado que ia fazer um hiato. Não tinha. Tu tinha me dito já que ia rolar.

Não, eu permaneço com o sonho do hiato, tá? Olha, pra que todos saibam. Eu permaneço com o meu sonho do hiato. O hiato é um sonho meu. Eu venho pedindo faz tempo esse hiato. Eu preciso dele, certo? E as coisas vão emendando uma na outra. Desculpa, gente. Não é falácia, não é estratégia de marketing, não. É uma necessidade, enfim.

Mas, óbvio, tudo tem que ter... Tu tinha conseguido o hiato. Tinha conseguido o hiato. Finalmente sair pro hiato, veio essa proposta. A proposta... Os caras tomando o cu logo ali. A proposta de fazer um show de reunião de uma formação apelidada de Nova Era, que é a formação do Rebirth, a formação que tem o Edu...

Quando nós reformamos a banda no ano 2000. O Edu, o Kiko Loureiro, o Felipe, o Aquiles e eu. Então eles fizeram uma proposta pra fazer esse show. E aí começou a conversa de tipo, puta, acabamos de falar que estamos no hiato. Não vamos sair do hiato? A proposta veio um ano atrás. É em setembro. Quando eu, o Felipe e o Aquiles fizeram um...

Uma foto. No Bangers anterior. Aí como não é? Não foi a proposta, começou um namoro. Não, aqui você estava tocando com o hóspede, eu estava lá, estava vendo. Eu não lembro se eu tinha tocado naquele. É verdade, aí essa foto bombou. Exatamente, aí a foto bombou. Até o Rafa comentou brincando. Pô, não estou sabendo dessa reunião. Comentou num post, sei lá. Algo assim. Ali que...

Quando eu voltei pra casa, né? Moro no Guarujá, tava na estrada. O Márcio da Consulada me telefonou. Falou, cara, eu vi essa foto e tal. Caralho, aquilo me bateu muito forte. Pô, vocês três juntos, e o que lá. Esse cara tem o quê? Uns 40 anos? Ah, o Márcio? Não sei, uns 50, né? Não sei, tipo... Aí ele falou, cara... É porque ele que tava na direção do do Bangers na época.

era o chefe ali, dono do festival basicamente, e ele falou, cara puta, me dê um negócio aqui quero te pedir uma permissão posso tentar falar com o Kiki e com o Rafael? pensar em alguma coisa de reunion eu tava na estrada eu falei, caralho, tá, né vamos conversar depois, mas claro, fala com os caras

Então foi ali que começou. Então ficou um ano. Todo mundo trabalhando, né, meu? O Angra tocou pra caralho. A conversa veio pra mim em julho do ano passado. Mais ou menos em julho do ano passado. Telefonei mal, precisamos falar com você e tal. Então é um certo tempo, né? Mas eu acho também que tem tudo isso nosso, mas também tem o mercado em si de shows tem se utilizado dessa artimanha.

De reunions e combinações especiais, de collabs e tal. Não só pra músicas novas, lançamento de single. No heavy metal não tem muito isso, né? Mas no pop tem muito, né? De colaboração, de features e tal, né? Sim, certamente. Direto, né?

Por causa da questão do algoritmo, como funciona nos spotfais e tal, né? Funciona bem. A lógica das redes sociais. É, essa lógica de juntar, fazer as collabs, né? Juntar dois públicos e vai... E aí nos festivais também começa isso. Ou de resgatar...

as bandas mais... teve a turnê do The Police, teve o do Titãs, virou um negócio normal. Até antes desse convite, então é isso por isso que passa pela cabeça de alguém que tem um festival, ele tá pensando no próximo ano, vou contratar uma banda grande, ou posso também bolar alguma coisa especial que só vai acontecer no meu festival.

entendeu? Então isso já de antes, eu lembro de a gente comentou de eu ir pra França e tal, e encontrar pessoas que a gente trabalhava nos anos 90 e aí essas pessoas estão ainda nas suas posições e ainda em posições maiores do que estavam naquela época

de repente chefe de festival, sei o que seja, né? Essas pessoas têm um carinho muito grande pela banda e vai acabar acontecendo delas jogarem essa ideia. Eu sabia que isso ia acontecer porque o mercado meio que tá indo pra esse caminho, entendeu? Porque é difícil uma banda nova, é difícil aparecer uma banda nova, é difícil a própria banda antiga lançar um single novo, todo mundo quer ouvir o passado, né?

A questão do catálogo em si, as pessoas têm muito valor no catálogo das bandas, dos artistas. Você vê os artistas antigos ainda fazendo muita turnê, tô com as músicas antigas. É o que dá certo, né? E tem menos risco, né? A economia, né? A macroeconomia desse music business é isso, cara. Ninguém quer arriscar com a banda nova, com a música nova.

Mano, é saco, não é um saco cantar sempre a mesma música? Não, mas aí no nosso caso, acho que não. Porque aí tem tudo pra mim. Não entendo você, tem artista que não gosta, né? Fala, pô, tal. Cara, eu nunca... Duvido, canta aí Pegasus Fantasy, então. Duvido pra ficar puto. Canta aí, canta aí. Não, calma aí, calma aí. Faça eleva.

O Cosmo no seu coração. Você vai ver o engajamento começar a subir agora. Todo mal. Vai chorar. Agora deu bom, agora deu bom. Não, mas é, cara. Mas é legal. Você veio por uma carta e eu sempre falo por uma carta, né? Porque, cara, o Rolling Stone. Nunca tive esse problema de cantar os clássicos e falar, pô, tô de novo essa música, não. Carry on, né?

terminamos o show com o Carry On eu lembro dois shows do Angra que eu não toquei Carry On a gente não tocou não tocamos a Carry On tipo oito vezes em 35 anos

Eu lembro de dois. Foram testes? Não, de curfew. De problema de curfew, de horário. Se você coloca ela como a última música do show pra fechar apoteoticamente, e aí o cara vem da casa e fala... Acabou o horário. Acabou. E na Europa não tem isso. Acabou, acabou. Então eu lembro de dois momentos assim.

e teve aquele festival da Espanha lá também que a gente entrou não vamos tocar mais que era isso não dá certo o grande lance é você posicionar essa música em momentos diferentes do show, pode terminar ou já toca lá no começo você tá naquela adrenalina do show de novidade do momento, já toca aquela música, mas o Robert Plant é famoso de não cantar Start to Heaven dar causa

Lá pra trás ele negou, né? Não canto mais Start to Heaven. Acho que até hoje não canta, né? Não, ele lá pra trás, anos 80. Eu acho o seguinte, o show não é para os músicos se divertirem. É pro público se divertir. Você tá lá pra entregar um serviço.

Os caras compraram um serviço. Eles querem se encantar, esquecer os problemas. Eles querem entrar naquela fantasia, naquele sonho e depois voltar pra casa. Entendeu? E voltar pros problemas da vida normal. Então a gente vai realmente abrir um portal atemporal. A pessoa não vê o tempo passar num show. Duas, três horas e o tempo passa rápido. É isso que a gente propõe. E memórias, sensações, emoções que ele vai levar. Então não é pra gente se divertir. Então você tem que tocar essa música, você tem que tocar.

Ou muda de banda. Termo técnico é a suspensão da realidade. Mas não é vocês com, sei lá, mais maduros? Porque imagina vocês aí no auge pra caralho, por cima da cocada preta mesmo, bagulho doido. Não vou mais tocar essa porra porque eu sou foda. Nunca passou pela tua cabeça? Sério? Metálica que é a maior banda do estilo. Nesse aspecto. Não pode não tocar Intercedor. Vai tocar. E você começa a envolver muita gente. O show não é só a banda.

Pra você ter uma estrutura grande, você tem um vindo empresário, gravadora, empresa de merce, e tudo, e todos querem um sucesso. Aí até falando, o Edu tava falando, essa coisa que muitas vezes a gente é questionado sobre se é faz por grana ou não, cara, você escolhe o metal e já não é por grana. Todo mundo que faz algo que ama...

Todo mundo que faz algo que ama está o tempo inteiro fazendo concessões. Porque você já está em desvantagem com aquele que só está fazendo por grana muitas outras profissões. É engraçado até ouvir isso, porque o cara escolheu ser artista. Exato. A vida inteira você faz muita coisa só porque você tem o tesão de fazer.

Ou porque você está investindo, você acha que vai colher lá na frente, ou porque, por alguma razão, o sucesso profissional, no nosso caso, não tem a ver com a conta bancária. Entende? Fazer um show. Um show desse é tipo assim, de verdade, o cara que fala que acha que é por grana, ele é um otário. Desculpa.

Essa é a palavra. Não entendeu nada. Ele é um otário que não tem a mínima ideia do que é estar na posição de um músico de metal sul-americano vencendo barreiras em inglês há 35 anos. Longe da Europa pra caralho. Ele é um cara que tá fora. Ele provavelmente fantasia uma vida nossa ou um estereótipo de personalidade que é bem diferente do que nós somos.

É, eu faço uma pequena ideia, porque tem uma galera que... É que na internet a escala de tempo é um pouco diferente. Então, se vocês estão aí há 35 anos, se a gente fosse colocar tudo em escala de internet, eu estou a metade desse tempo, porque só o Flow vai fazer 8 anos, né? Para a internet isso é muito tempo. Sim.

e cara o que você tá falando aí, imagina se eu tivesse buscando só grana também, por que que eu entendo? eu tô falando isso porque eu acho que eu entendo eu não ia tá fazendo Flow News, por exemplo você não ia fazer o Amplifica você fez o Amplifica pro coração, cara é um louco, chegou ali, começou a dançar balé no teu...

Sabia que foi com balé que ele me convenceu? Ah, você dançou um balé? Dancei balé. Eu tava muito ansioso, muito emocionado de estar falando com o Igor. Não foi bem isso, mas tipo... Perfumando, né? Mas no fim, inclusive aproveito então isso aí já pra agradecer, entendeu? Porque foi por paixão que você me ajudou e é com paixão que a gente faz lá, amplifica até hoje e graças a Deus, cara.

Não entendo isso pra caralho, não entendo isso pra caralho. E qual que é o... Na tua opinião, na opinião de vocês, o melhor pagamento é ver o cara chorar mesmo, lá embaixo? Ah, eu acho que sim, cara. Puta, eu acho que sim. Nesse primeiro show mesmo que eu fiz ali, nossa, eu vi... Me vi ali naquelas pessoas também, né? É, você se vê. A gente já foi no show, né?

Eu fui no 1991 lá. Pô, amigo, exato. Entendeu? Já tava, né? Que é diferente, talvez, de outras profissões, né? Faz tudo valer a pena, eu acho, né, cara? Já foi o público ali. Faz sentido. Mas, assim, pra mim, um bom show também é você tocar bem e dar tudo certo no palco, né? Sim, sim. Tipo, tem que tá ali...

Porque senão você faz um bom show, mas você não tem um bom show. Que é fazer um bom show que o cara chora, os caras vibram, mas você sai, pô, errei aquela parte. Pra tu é uma nota 7. É, porque assim, mas se você toca bem, você sente, pô, toquei o meu melhor. Todo mundo, você sente que tem uma energia, porque tem uma energia da banda e tem energia da banda para com o público.

Tem energia do público, tem energia do... Para com o público. Porque às vezes também você pode estar num festival gigante que o público tá lá, um passando, porque tá esperando outra banda maior, né? Você tá tocando naquele mar de gente, mas não é. Todo mundo tá ali pra te ver. Tá de curioso, né? Agora, que não foi o caso do Bangers, porque a gente era a banda headliner ali, principal, né? Então você via que a galera tava lá pra ver a gente, né? Mas quando você faz um show...

próprio, né? Aí você sente que tem essa relação, que todo mundo tá lá, veio pra te ver, conhece as tuas músicas, conhece algumas das músicas e tal. E aí voltando àquele lance de tocar só Carry On ou Rebirth e tal, é que você sabe por mais que você repita a mesma música, é nessa hora que tem essa reação do público maior que aí a...

Faz valer a pena tocar Carry On, tocar Rebirth. E cada vez é diferente, né, bicho? E cada vez é diferente. E renova o público, né? Renova o público. E aí a energia do público, né? Com essas músicas que... Cara, eu escrevi uma música que os caras cantam tudo. A Late Redemption, que tem a parte que... Não, eu recebi uma mensagem ontem de um cara que descobriu o Rebirth.

Agora. Ficou sabendo da reunião e tal. Foi ouvir o Rebirth e tal. Se emocionou pra cá. Falou que é a melhor banda do mundo. E foi no show. Que legal. Que maneiro isso. Acontece isso. Tá cantando pela primeira vez pro cara. O cara tá te vendo ali, né? Então é como se fosse um... O nosso primeiro show também, né? Pra aquela pessoa, né? Então...

Cara, as energias são variadas, né? É um negócio bem... A gente sai... Vamos dizer, cansado do show, não só porque tocou, mas porque tem uma aura mesmo, né? Uma aura que você vê que tem... E emoções, né? E emoções pra caralho. A gente foi uma trajetória...

porque envolveu o campo pessoal pra caramba, né? Nós nos reunimos, voltamos a nos falar então foi assim, cara, a gente tem muita energia tanto no campo da preparação profissional e no campo pessoal de cada um pra reviver isso e ver, a gente sabe o que a gente representa juntos, todos aqui são grandes estrelas, são marcas, são artistas que tem seu próprio público, né?

E a gente tem uma representatividade juntos, coletivos. E a gente sabe disso. Mas viver isso de novo e ver isso acontecer, como o próprio Edu tem falado, existe uma mágica juntos e tal. É muito legal.

Tipo, desculpa, o cara fala que a gente faz isso pro dia, tá bom, não entendeu nada. De verdade, é mesmo, meu. Então tá, o que você faz da vida? Porque eu não tô... Se falar o que ele faz, porque ele faz o bagulho pro dia, ele fica puto. Porque é o seguinte, o mais difícil é você se manter. São 35 anos. Fazer uma música boa não acho que seja o mais difícil.

fazer ela ter um momento de sucesso também não é mais difícil, difícil é se manter porque hoje o Angra acaba competindo consigo, a gente compete com o próprio legado, são várias eras então o cara está comparando a tua nova música

com aquela que emocionou ele quando era adolescente. Então é super difícil. Então mostrar que tudo é o Angra. O Angra é o Angra-verso. É o chamado Angra-verso. Tudo que acontece ao redor é o Angra. Não é só determinada formação, não é só uma fatia. E ele é grande e mostrou ser grande como um headline de um festival no seu conjunto.

no conjunto da obra. Ele é gigantesco no conjunto da obra. E para isso existir, tem que fazer muita concessão. Você não está sempre certo, não é artistão que fala se não for do meu jeito não vai ser. Não é assim. É você o tempo inteiro tentando equilibrar as diferentes vontades, os diferentes interesses e fazendo concessões, muitas vezes cedendo.

pra acontecer as coisas então, sim eu fico não puto, mas firme, né, na minha opinião porque, cara muita, maior parte do tempo você tá cedendo, você não tá só fazendo a sua vontade é, mas você falou um negócio legal também, o lance do Angra Versa eu acho que quanto mais a gente estiver tocando as músicas do Angra, é mais legal, cara claro, isso eu sempre falei isso pra mim é uma mágica isso mostra a importância do Angra

Na vida das pessoas, entendeu? E das músicas. E das músicas. É isso aí. Exatamente. Para mim isso é importante. E sempre falei, inclusive, quando o Edu começou a tocar as músicas dele. Isso foi até parte dessa confusão. Sempre achei legal que todos toquem as músicas do Angra. Que toquem à vontade. Não tem como segurar que as pessoas toquem Beatles.

Entende? Tem que tocar, meu. E eu fico feliz que toquem. Aliás, eu queria que toquem em outras versões. Por isso eu até fiz lá um Toca Angra no Cifra Club, ensinando a tocar no violão de maneira fácil, de maneira intermediária, talvez, pra que as pessoas toquem na rodinha de violão ali, junto com a Hall 6 e a Legião Urbana, que toquem Angra também. Entendeu?

Maneiro, né? Tem que facilitar um pouco. Ah, é que eu sou muito privilegiado, meu irmão. Quando eu vou pra praia e tem alguém tocando, é o Rafa. É verdade. Aliás, temos que voltar. Puta, a gente só trabalha. Tem um tempo que eu não vou lá. E vocês fazem o que pra relaxar? Assim, pra quando vocês não estão trabalhando. Eu sei que o Rafa... Eu sei mais ou menos do que ele gosta, mas eu não sei do que vocês gostam.

Cara, eu gosto de correr pra caramba. Correr? Correr, bicho. Eu gosto. Gosto bastante de lá. A cena lá em Madrid é boa pra correr? Tem uns caras que correm também? É, não. Eu corro geralmente sozinho. A gente correu lá no Japão, né? Agora lá, né? No Japão, é. Mas e fica com a minha filha, com a minha mulher. Uma horinha. Uma horinha. É. Até uma horinha vai. Mas que isso, não. Quem sabe eu entro numa de... Fazer uma meia maratona. Vai fazer um crossfitão, porra. Crossfit.

Correr, correr. O cara dele. Crossfit não morre. Não? Não dá. Qual que é o problema no crossfit? Você tem nenhum problema no crossfit? Não, ele só é meio... É mal visto? Aí tira sarro? É, tira um sarro, mas tem muita gente que não entende direito o que é, pra ser honesto. Sem piada. A galera não sabe direito o que é, aí tira um sarro dele. Tem gente que fala que as pessoas se lesionam à toa e o caralho. E é muito mais pelo...

O cara que é um vacilão, entendeu? O atleta, o praticante. Qualquer coisa você pode se lesionar. É, o que é um vacilão, entendeu? Mas tem também os caras da maromba, de puxar a ferro, fala que é coisa de fresco, entendeu? Crossfit lá, fica batendo cordinha, meu irmão, vai se fuder. Mas o crossfit é uma marca, né?

Sim, é o cross-treino. Não é uma invenção americana isso aí, né? Na realidade é uma mistura de Olimpíada, dos basistas, com treinamento de exército. Treinamento militar. Não é uma mistura disso? Faz um circuito de 50 flexões, 50 barras, não sei o que. Parte da ideia é fazer uma parada que tem a ver com o uso do seu corpo no dia a dia, entendeu? Mas isso é mais calistenia do que cross-fart. Ah, sim, sim.

Que aí é mais antigo, né? Mais antigo um pouco. Então, a gente tá aqui ontem, eu tava conversando com o Paulo Muzi, com o cara que fala das paradas, que teve o evento do Hyrox no domingo, né? Que tem a ver, ou que vem de algum lugar parecido. Mas isso é tudo marca que alguém cria, inventa um negócio que já existe, né? Algum americano falou, vou botar aqui um trademark, um negócio que já existe, né?

É isso, né? Alguém quer vender aí. Mas esse momento é um momento bom pra isso. Esse é um momento bom pra isso. Tem a galera pondo dinheiro nessa porra. Agora os caras tão fazendo... É porque não dá pra falar... Faz um deadlift ali. Faz 100 flexões, levanta, faz uma terra, né? Faz terra, acabou.

calistenia, faz aí. Tu faz alguma coisa? Calistenia. É mesmo? Ih, corre. Tu faz posição de bandeira aí o cara? Não, não, não. Eu sou iniciante, sou iniciante, iniciante. Imagina o Kiko. Não, não, não. Eu já passei. Não, não, não. Eu tô fazendo ali só de leve pra sair as dores de tocar guitarra.

Mas o mínimo de preparo físico todo mundo tem que ter. Tem que ter. Você não está ficando velho, né, meu irmão? Exatamente. Eu faço um treino geriátrico lá. Faço um treino geriátrico. Como é que é um treino geriátrico do meu pai? Meu pai tem 80 anos. Eu chamo de ginástica. Pode inventar um nome aí. Geriatrix. Eu tenho um nome, mas eu não vou falar agora. Geriatrix. Eu tenho um nome já.

Eu quero me aposentar com algumas coisas que não são exatamente tocar aquele violão. Tá. Não que eu queira parar de tocar aquele violão. Tá bom. Mas eu não quero depender disso. Uma marca de fralda. Depois eu conto.

Mas o meu treino é uma ginástica Geriátrica basicamente Eu tenho dor nas costas Mas eu preciso ter condições De fazer um show com uma guitarra Qual que é a principal preocupação? O que vocês precisam treinar No corpo de vocês Que com todo respeito É muito pessoal Cada cantor tem um DNA Cada cantor tem um DNA Cadê a segurança da sua? Por exemplo, eu falei com o Dio Bom dia Bom dia

Ronald James Gil, você deve conhecer. E eu conversei com ele bastante, uma hora e pouco. Ele fazia nada. Fumava pra caramba. Cerveja. Cerveja, durante o show. Se eu fizer isso, não dá, entendeu?

E aí com o tempo eu aprendi que eu tive que começar a treinar aeróbico, né? Pra quem canta correr, né? É muito bom porque ajuda na hora de cantar. Eu tive refluxo, né? Tive um problema sério de refluxo. E contei naquela época que eu vim aqui, que foi bem ruim pra eu ir pra pro canto, né? Então eu tive que parar de comer um monte de coisa, fazer dieta.

Foram anos, né? E, cara, pra descobrir que era o refluxo do meu programa, demorou também. Então, quando eu descobri, comecei a mudar a alimentação. E aí, essa questão do refluxo me deu outras coisas que um dia talvez eu conte com detalhes, né? E que eu tive que fazer uma cirurgia. Ano passado, eu fiz uma cirurgia. Nossa, te fudeu esse refluxo aí, né? É, fudeu muito, só pra fazer ideia. Não, mas atrapalha bastante mesmo. E aí, teve um vídeo numa cantora americana super famosa.

se gravou chorando, a fônica, e falou que não consigo cantar mais, parei minha carreira. Não foi a Celine Dion? Não, uma bem conhecida pop. A Celine Dion não teve um... A Celine Dion teve um problema mais sério.

neural mesmo e a Maria Callas também teve um problema que é de psicossomático coisas que estão na cabeça tem um filme com a Angelina Jolie não sei se é um filme ou uma série é maravilhoso que mostra momentos finais da Maria Callas depois de perder a voz e a frustração e o instrumento está dentro de você o cantor é um atleta a gente tem que cuidar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar

Por isso que eu vejo que cada um é cada um, né? Daí eu comecei a treinar.

e operei e tal, e alimentação, né? Hoje, pô, a gente tá aqui, né? Eu não como o que eu como quando eu não tô em turnê, entendeu? Então é franguinho, uma saladinha, come pouco, pouca quantidade. Qual do refluxo, né? O horário. Porque se come no horário. Tô entendendo. Bateria. Imagina assim, turnê, viajando, você não repousa. Porra!

direito, horário tudo desregrado e tal. Guitarra menos, mas também porque tá no palco. Eu tive muito tendinite. Porra, não teve lá um Gosteine que pelo que eu sei, que ficou em cima do braço e se fudiu? Ah, teve essa história aí. Agora ele tá falando de, não sei se é artrose, alguma coisa no dedo, consegue dobrar os dedos. Entendeu? Isso é coisa de ficar velho? É, artrose é. Barra estilo de vida, às vezes, sei lá. Estilo de vida, né?

Minha avó teve artrose, artrite e tipo... Não tocava guitarra. Ela tinha cheiro de vida. Ela era pianista. Porque ela tinha uma memória muscular de concertista e não ficava aquecendo pra fazer. Tem essa também, que às vezes você vai nos shows e aí você não aquece tanto. Geralmente quando dá uma dor.

Sobe no palco, já vai com tudo Com a adrenalina do show E acho que na hora tudo bem Fazer isso repetidamente Acaba dando as tendinites aqui Pelo Epicondilite e tudo mais O Rafael já teve dor no ombro Porque a guitarra é um instrumento É um instrumento torto

Então você já fica assim, tipo, a gente já é meio assim, né? Já anda meio assim, né? São quantos anos tocando guitarra, né? E fica com aquela coisa, tem uns 6, 7 quilos uma guitarra mais ou menos. Quanto mais tu carrega a guitarra, mais teu cabelo cresce também, né, meu irmão? Ou não, né? Ou ao contrário. Como assim? Ah, porra, pegou a guitarra o cabelo cresce, vira metalheiro, né? Verdade. Mas, Edu, tu falou que tu encontrou o Dio e trocou uma ideia com ele, né? Sim, sim, sim. E de fato, ele era o cara que... Porra.

Não cuidava muito, né? Sim. Não, não precisava. Não era uma coisa que ele tinha a necessidade. Mas é exceção à regra, né? Eu passei a cuidar. Aquela exceção à regra, né? Que explica que você... O Bruce, né? Tipo, é um fenômeno. Ah, mas ele é um atleta, né? Sim, mas assim, eu passei a cuidar quando eu tive o problema. Cuidar de verdade e tal. Porque, cara, quando você é jovem, tinha 20 e poucos anos, eu nem sabia o que era o refluxo.

quando eu tive o refluxo, não sabia o que era. Cara, quando você é jovem, você chega e faz, entendeu? Eu, claro, tive aula de canto, normal, mas não tinha a preocupação, tipo o Kiko falou, você tem que aquecer, senão você vai ter tendinite. Eu nem sabia o que era um problema.

Para mim era normal chegar, fazer um... Um pouquinho para lá e chega arregaçando, entendeu? Chegava lá e... Ah, usa puta aguda e... Meu, no outro dia outro agudo, no outro dia de novo e beleza. Recupera mais rápido. É, você fica... Agora não, agora eu tenho meus... Hoje eu tenho a consciência desse limite, né?

Até onde eu consigo chegar, mas também sei que, cara, uma hora eu tenho que estar aquecendo ali, trazendo a voz. Não dá pra chegar e entra aí. Não consigo mais fazer. Eu tinha 19 e o médico fechou meu braço. Tem de Nietzsche. Eu já tava com 19 e já foi assim, né?

Mas alta performance cobre um preço caro. De ficar treinando. Você falou a palavra... Aqui é todo mundo atleta, né? Dos instrumentos. A gente escolheu o pior estilo em questão de saúde. Exigência que tem o estilo é foda. Eu costumo brincar, né? Ópera é difícil pra caramba. Cantor erudito, cantor da música clássica. Os caras... É difícil, mas o cara canta só aquela voz.

É só aquela voz. A gente canta com drive, canta grave, médio, agudo, agudo com drive, agudo sem drive, com vibrato, sem vibrato, leve. Correndo, correndo, andando. O nosso show é assim. A música anterior.

Puta voz lá em cima, pegando a drive aguda. A próxima é... Porra, é uma montanha russa, né? E isso, pra quem vai ficando mais velho, vai tendo um preço, entendeu? Você tem que estar preparado pra isso. Que aí vem o treino, o descanso, né? O exercício antes do show, tudo. Mas não é como... Na ópera o cara tá lá, né?

E é essa técnica Ele imposta, né? Coloca a voz ali e vai Ele pode ficar parado Não estou desmejando O bagulho é impossível de cantar com o lado O Pavarotti, os seus ídolos Agora, o rock, o metal Nosso, que a gente escolheu Cara, ele é muito variado E o ângel pior ainda Fora que também está a questão da monitoração Que o cara pode estar cantando assim e não está se ouvindo

Que é o que aconteceu. Que acontece mais pra trás. O palco é balonete também. Não, e distorcido, som às vezes ruim. E você tem que, pela experiência, ver o que se virar ali, né? O Angra, você tem o Angra, porque o Angra é isso. O Angra tem música brasileira, com piano, e vai lá... Mas também eu acho que é... Aí na mesma música. Tá, tá, tá... Ah, ah, ah...

Entendeu? É isso. Não é? Então você tá tipo... Porra, mas isso que é maneiro, porra. Pois é. A gente ama isso, mas é difícil pra caralho. Entendeu? Se você não tiver com a saúde legal, você complica, né? É por isso que a gente acha vocês foda. Se fosse mole, era legal. Sim. Mas é porque é difícil mesmo. Mas...

Mas pra todos os instrumentos aqui... Pra treinar pra esses shows aí, cara, tem que ficar treinando, cara. Ah, você já tocava essas... Ah, mas não adianta. Tipo, amanhã tem o show, né? Tem o nosso show amanhã. Tem que treinar, tem hoje à noite aí. Amanhã acordar, tem que treinar. As músicas, né? Então tocar a música no show, que a gente tava falando de novo, de repetir a mesma música, é mais assim, como você treina todo dia pra treinar aquela carry-on, né? Pra carry-on ficar fácil no show.

Tocar no show uma vez, tudo bem. O difícil é assim, vou todo dia durante o mês tocar carry on. Aí eu não faço isso. Eu vou achando outros artifícios de treinar coisas tipo carry on pra ficar legal o meu treino. Conseguir ficar lá duas, três horas treinando coisas tão difíceis quanto ou mais difíceis pra quando eu pegar carry on, que eu já sei tocar.

E mesmo dentro da performance você encontra lugares onde você consegue descansar um pouco ali. Também. Para equilibrar um pouco a energia e tudo o que você está fazendo. E até perguntar, né? Para o Rafa, por exemplo, uma hora ele está com um tappingzinho, som limpo, né? Acabou de vir de um... Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

Geralmente se eu faço uma coisa muito... Minha mão ficou meio tremenda. O mais difícil é... Que o Rafa vai concordar. É você sair da guitarra pro violão no show. É verdade. Isso que eu ia perguntar. O violão é o mais difícil. Você está com a mão tremendo. A mão está tremendo. Ela não tem precisão. Se você está ofegante, aí você vai fazer uma parte...

que é tranquilo ali dedilhado a posição é tudo difícil aí você tem que tocar leve e você já chega tacando e a unha engancha na corda e a gama de técnicas que assim como na voz que eles estavam falando são técnicas diferentes também que se usa na guitarra então você tem que fazer uma preparação das técnicas que envolvem e do repertório basicamente o que eu estava falando você vai tocar carry on dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar

envolve uma série de técnicas. Tem um momento lá que você faz tapping com arpejo, tem isso aqui, tem paletada alternada, tem salto, sei lá. Você tem que treinar essas técnicas individualmente e depois fazer a preparação de repertório. Agora vamos fazer o repertório e juntar tudo. Entendi.

Na voz eu acho que tem um lance também de quando você tem uma técnica vocal sólida, isso acaba te ajudando a sobreviver ao teste do tempo. Então, porra, quando eu era moleque lá, bicho, eu comecei a estudar erudito, quase virei cantor de ópera. Minha voz não era pra esse tipo de ópera que a gente... Era muito leve, então eu ia ter que ir pra Europa, competir com os caras.

que já fazem isso há trocentos mil anos. O professor falou, bicho, usa a técnica para fazer as coisas que você está fazendo. Faz musical, faz as tuas músicas, tudo isso vai te dar uma... Isso vai te dar, inclusive, uma maneira de você pagar as suas contas, porque eu sou professor de canto há mais de 25 anos, cara.

Eu dou aula há muito tempo. Isso também me ajuda. Dar aula também ajuda você a que você tenha ali um conhecimento do seu instrumento. Você melhora dando aula, cara. Você tecnicamente melhora. Você começa a identificar algumas coisas que a pessoa está fazendo e que acaba, pô, se eu fizesse, eu vou me fuder. Então, acho que vai tudo junto, né, cara? Tudo junto.

É tudo junto e misturado, né? Tudo junto e misturado. Por que que tudo junto se escreve separado? Não, não, não. Por que que a calça a gente bota e a gente calça? Pelo amor de Deus. Caralho, qual é, Rafa? Não é problema. Falta 20 anos pra tu ter 80, calma. Não, essa conta aí, calma, já adiantando assim. Ele falou pra mim esses dias, ó, que você é um velho maluco.

ele quer ser tá chegando lá tá conquistando tá no caminho certo o papo do Dio lá que eu queria, uma pergunta técnica na verdade é uma pergunta aqui tecnicamente ele seria

mais foda se ele tivesse tomado mais cuidado ou é mesmo daquele jeito? Será? Eu não sei, que o cara era tão outstanding que o cara...

Não, não, sim, mas se você tem uma... Era tão natural do talento dele que como é que melhora aquilo lá? É o seguinte, não, o Dio era perfeito no que fazia. Estou falando assim, se você for pensar na questão de instrumento, isso é uma opinião, obviamente. Qualquer assunto, cara, que você tem mais informações, que você domina mais, você vai se expressar melhor. Eu acho que a voz também é isso aí. Não, mas o Dio, ele tocava trompete, né?

Ele estudou canto quando era aquele ano? Não, claro, deve ter estudado. A voz era todo lugar. Estou falando que ele não aquecia muito. Ele falou para mim, cara, eu dou uns gritos. Ele falou para mim, dou uns gritos e vejo se a voz está lá. Beleza, está ali. Ele era diferenciado. O Chris Cornell falou isso também. Eu vou me entrevistar falando. Ah, eu dou um... Boto ali a voz. Ah, está saindo. O Ripper Owens também falou que não gosta de aquecer. Ele tem um ponto que ele faz no banheiro ali, aquecendo.

Pra sentir se a voz tá lá. Que é um puta vocal, né? Mas será que não é? Porque o cara tá tocando todo dia. Tá na tour, né? O cara tá vindo. É mais o hábito. Será que quando ele tá fora de turnê, ele continua cantando em casa? Não, acho que não. Então o cara mantém. Pra mim é a mesma coisa. Se eu estiver sempre tocando, seja o que for, em casa, com outro evento, é muito mais fácil entrar num... se preparar pra um show. Eu nem preciso aquecer muito também.

Ah, beleza, eu tô bem, porque eu tava tocando à tarde no quarto do hotel, tava no outro dia com, sabe, sei lá, entendeu? É isso, tem que ver o estilo de vida do cara. Às vezes o Dio fala, eu não conheço muito, mas o cara tá lá de manhã... Tá cantando o tempo inteiro. Não tá falando muito, ele sabe se preservar, já tem um hábito saudável, né? Ah, sim, eu acho que tem isso também. De tá sempre em show, tá sempre marcando show, porque ele sabe que... Ah, tem uma coisa que eu falo que é... Desculpa. Não, não, fala de você tá sempre marcando show, sempre com eventos, porque você sempre tá se preparado.

De certa forma, entendeu? Porque se você parar completamente, aí, cara... E tem um hábito de estar fazendo assim. Os grandes músicos, os caras estão lá. É roda de choro, aí o cara vai na casa do outro. O cara tá sempre tocando, sempre tocando. É o violãozinho no quarto, entendeu? Então, assim, na hora de se preparar pro show, já tá ali. Já tá, né? É só acertos, né?

Mas tem uma coisa que o Edu falou, né? O cantor tem uma desvantagem, porque claro, metade do seu instrumento é a sua guitarra, metade é o seu corpo. A gente, cara, usa o nosso instrumento pra falar, a gente não deixa a laranja em casa, deixa a laranja aí, bicho, vamos aí. Não tem como, entendeu? Então acaba que a gente... O próprio Bruce falou que, o cara perguntou o que é o pior pro cantor ali? Falar. Tem uma entrevista de recente aí. Falar é... Em balada, em festa, todo um barulho, falar alto, né? Falar, ficar falando, ficar falando. Tipo isso.

Tipo o que vocês estão fazendo agora. Foi o que eu falei pro Barão. Tá vendo? Desculpa. Eu só vi porque é você. Vamos só vocês dois. Mas não daria pra eles fazerem isso no dia do show. Seria ruim fazer no dia do show. Amanhã eles ainda vão dormir. Vão descansar a voz. Vão passar o dia. Mas o resto do dia tem que ter a consciência. Você vai à noite num barzinho e ficar falando alto. Porque aqui a gente tá falando na altura normal. O problema é falar alto em um lugar barulhento.

Mas vai dar consciência. Eu mudei muito, né? Quando eu era mais novinho, né? Entrei no Angra. Eu nunca tinha tido problema, então eu não sabia nem o que era ter um problema. Então eu ia pras festas. Acabava o show, lembra? Se eu ia ter, sei lá, um after show lá, eu ia. Falava com todo mundo. Porque no outro dia eu tava... Ficar conversando no camarim com uma galera. É, só que no outro dia eu chegava e cantava pra caralho. Entendeu? Então não tinha essa noção. Nem sabia que dava pra ter. Exato. Um dia...

Me prejudicou. Entendeu? Então, depois disso, com os anos e tal, a maturidade e tal, você vai entendendo que você não pode. Você tem esses limites, né? Cara, eu não posso. Como falou a vocalista do ArtShenemy, a Angela, eu vi uma entrevista dela e falou, cara, eu sou... Às vezes o cara acha que eu sou antissocial da galera, mas é porque eu não posso.

Tem que sair fora. Porque os caras vão, às vezes, né? Acabou o show. Falar uma hora. O vocalista não pode, cara. Tem que ir embora. É meio frescura, mas é que não dá mesmo. Senão o cara se fode, entendeu? É que nem carregar coisa. Eu sou canhoto e toco como destro.

E aí quando eu tive tendência com 19, a primeira coisa que o Hong Xinpai, que era o computurista, que é o cara que me ajudou, é falar, começa a fazer as coisas com a mão direita, cara. Escovar os dentes, abrir porta, carregar coisa. Você tá sobrecarregando um braço só. E isso me ajudou pro resto da vida. Carrego coisa, tento lembrar, né? Porque o hábito...

entendeu? Porque senão o abrir porta, ou chave, ou qualquer coisa dura, é o mesmo movimento da guitarra que é o de dar o band, é o mesmo movimento que vai te acarretar tendinite aqui, né? Epicon de elite e tal, entendeu? Aprendendo isso, eu já começo entendeu? Ou carregar coisa no dia do show ou dar autógrafo, dar autógrafo ser uma fila grande, né? Assim, sei lá, tem cem pessoas

Ficar dando autógrafo antes do show. Cansa? Cansa a mão. Cansa aqui a mão. Aí você vai tocar, tá duro, tá desconfortável. Só precisa ser mais inexperiente pra dar autógrafo antes do show. Não, mas o cara marca. O festival, às vezes tem. Não, a gravadora vem assina a banquinha de merce. Temos 500 álbuns aqui. Assina rapidinho pra gente vender mais caro. O cara tem 200 posters.

clássico. O cara vem aqui, dá uma assinadinha aqui. O cara abre assim e você fica lá. Tudo bem, mas o show depois, agora você fala, não, pode assinar depois do show. Sabe o que eu aprendi com o tempo, maturidade? A falar não. É difícil falar não, né? A gente quer sempre falar assim, né? Faz isso, Rafa. Vamos fazer uma foto, vamos. Vamos não sei o que lá. A gravadora, cara.

Vai lá fazer e assinar 200 pôsteres antes do show, cara, porque pra gravadora é importante. Você fala, hoje eu aprendi e falo, cara, não consigo, senão eu vou prejudicar o show. Não consigo, vamos fazer amanhã. O cara traz 200 CDs pra assinar. Fala, mano, posso assinar cinco? Porque, putz, eu tenho que sair. É, você dá uma solução também. É, eu gosto de estar junto com o fã, né?

Só que às vezes eu não consigo dar o que eu dava quando tinha 20 anos. Lá ele, né? Espero que seja só ele. E dava mesmo. E entregava. Entregava, de verdade. Mas é isso, né? Quando é mais novo, você não tem a referência do problema. É isso que eu quero dizer. Então você faz, entendeu? Não tem concessão. Quer dizer, você faz o que precisa fazer. Hoje, eu já sei, né? Se eu fizer isso, eu vou prejudicar a banda.

Porque se eu cantar mal, vão falar mal da banda. Entendeu? Então, cara, eu preciso ir embora. Não posso ficar. Pô, mas o cara é cuzão. Desculpa. Então é isso. Hoje eu preciso ir embora. Entendeu? Justo. Com alguns anos atrás eu já entendi isso. O vocal é diferente. Não tem como ser igual o Batero, por exemplo. Faz sentido. Faz sentido. Alírio, como é que é viver lá em Madrid, cara?

Cara, é incrível, né? Morar fora do Brasil é do caralho, mas é uma merda. Morar no Brasil é uma merda, mas é do caralho. Não, não é. Eu acho que é o que o Tom Jubim falava na época lá, que morar em Nova York... É bom, mas é ruim. É bom, mas é uma merda. É mais ou menos isso. Qualquer parte que é... Eu sinto muito, muita saudade do Brasil. Mas muita saudade. Saudade dos meus amigos, saudade do país, da convivência, do calor humano que a gente tem aqui, entendeu?

Eu adoro morar lá porque é um país mais seguro, cara. Eu moro na Espanha, que é um país... E isso, porra, estou criando a minha filha agora, ela tem dois anos e meio, né, cara? Então, já nasceu lá e a gente tem uma preocupação genuína para que ela fique um pouco mais segura. Mas eu queria que o nosso país chegasse nesse nível de segurança, de tranquilidade, para que a gente pudesse voltar. A gente nunca descarta voltar para cá, né? É uma coisa que a gente fala periodicamente, assim.

E eu amo, amo morar em Madrid, morar na Europa é legal, porra. Fica ali do lado, Paris tá do lado de Madrid, tá tudo perto ali, entendeu? Coisas que a gente consegue obviamente viabilizar de uma maneira muito mais prática, assim, né? Tem lá uns quartos pra esses caras ficarem na tua casa. Tem, cara, tem, tem. Os caras não convidam, né? Porra, tu não convida ali. Olha, olha, como não, Kiko? Tá louco, meu.

Já foi amei todo mundo. O cara já tem bicho a boca, tá ligado? Já chamou, já chamou. O baron já ficou lá em casa também. Verdade. Madrid. Já chamei, sim. Madrid. Eu vou ficar. Madrid. Talvez eu vou ficar. Come uma paella lá. Mas eu adoro lá. O Madri é legal demais. Vamos lá. Vai dar uma pintada lá? Dá uma pintada lá. Vai pintar. É de caralho, Badrini. Que besteira. Na Espanha é legal. Vinho nacional, bom. Vinho nacional, bom. Azeite nacional. Opa.

Eu sou Leal, eu fui lá no barzinho de Flamenco lá, meu, impressionante. Ah, caralho. Os caras... É? É pra ver a raiz assim, é legal. Ah, caralho. Madrid tem umas coisas muito legais. A certeza é maneira, porra. Não, é demais. Eu não conheço porra nenhuma lá. Eu tive lá uma vez... Você tá convidado, mano. Você tá convidado. Você tá convidado. Tá bom, muito obrigado. Espanha é muito legal, cara. É demais, é demais. Tem muitos lugares legais. País lindo, houve gente fina, assim, saca?

O que não dá pra entender lá que é difícil é o negócio da siesta lá, né? Você tá lá, duas da tarde, fechado para o almoço. Fecha tudo, só abre às quatro. O restaurante gosta de dormir, cara. Outro ritmo, né? E depois fica tudo tarde. Aí os caras vão sair de casa pras um da noite. Tipo, a padaria abre às nove. Um negócio assim, aí meio dia os caras param porque meio dia e meio tem que dormir. Aí volta às cinco. E aí o trabalho tá às sete.

Então tá. Mas assim, é o jeito dele de viver. E funciona, cara. E funciona. Saca? Em agosto, em Madrid, fica vazio. Todo mundo vai embora. E é a hora que eu gosto mais da cidade. Eu falo que a cidade fica toda pra mim. Por que que vai todo mundo embora? Porque eles vão pras praias. Tá calor pra caralho. E a galera vai, todo mundo indo pra praia, né? Então, Madrid fica vazio. É lindo, maravilhoso. Mas também fecha um monte de coisa, cara. E o cara, tipo, fecha a padaria pelo mês inteiro.

É, mas a Finlândia é meio assim também. Mas tem ciência lá também, não? Não, não tem. Mas querem aproveitar o verão mesmo. Porque tem pouco sol, então quando tem, tipo, para. E aí depois trabalha no inverno, né? É meio cigarro e formiga, né? O esquema, né? Mas o europeu tem essa... Busca o equilíbrio da vida mais que o americano. Porque o americano é trabalho, trabalho, trabalho. Isso é verdade. Tipo, quanto mais trabalhar, mais tem que fazer, tem que fazer. É o ritmo meio assim, claro. Mas não necessariamente trabalho eficiente.

Eu acho que o europeu, pelo menos ali, faz o negócio eficiente. E busca porque, ó, vou parar e em agosto eu vou sair de ferma, quando volta também faz o negócio acontecer. Pelo menos ali a referência que eu tenho, né? Das pessoas que eu conheço.

Aquele papo, né, meu irmão? É só o desorganizado que trabalha de sexta, né? Sexta e segunda só trabalha quem é desorganizado. É que a nossa vida é tão diferente disso, né? A minha também, um pouco. Eu não sei... Não me importa muito se é feriado. Os caras mandam pra mim assim... É feriado. É um problema pra tu? Porque pra mim não é. Pra mim é. Sei lá que dia é.

Então faz pouca diferença mesmo. O músico trabalha no feriado, no fim de semana, então a gente tá sempre na contrapartida. E aí quando tá no meio da semana, é ensaio, é ver, mas também não tem aquela coisa do horário 8 da manhã, tá lá, bater ponto e tal. Tem no show, né? Mas aí o show não é de manhã cedo. Tem uma coisa que eu adoro lá na Europa, que os shows começam 7 e meia.

7, meia, 8 horas. E aí você tem muito mais energia pra fazer show. Só que aqui em São Paulo, por exemplo, é difícil. Às vezes você termina... O trabalho é às 7. Até você ir pra casa e chegar no lugar do show, tem muito trânsito, né, cara? São Paulo é incrível. Eu acho que talvez seja uma das cidades mais legais do mundo porque você encontra tudo aqui. Tem o lance do trânsito, mas você encontra tudo. O trânsito tem a ver com... 4 horas da manhã você vai encontrar, porra.

O trânsito tem a ver com uma outra característica mais importante de São Paulo, que na minha opinião, tá? Eu sou sociólogo. Mas é o ritmo daqui, é completamente diferente. Por exemplo, eu sou carioca e a primeira vez que eu vi um garrafo amendo duas horas da manhã foi na primeira vez que eu vim pra São Paulo.

Então eu vi assistir um show do RIM com o meu irmão. Olha só. Finlandês. Finlandês, pois é. Minha filha hoje ouve RIM. Olha só que legal. Pouco. Aliás, um beijo pra ela. Que tava usando a camisa. Tu me mandou no WhatsApp. A filha dele com a minha camisa. Ah, que maneiro. Maneiro pra caralho. A gente foi tomar café no domingo. Mas você sabia que ela ia colocar a camiseta ou não? Não, cara. Caralho, muito legal. Não? Você não sabia. Você forçou ela, né? Hã? Forçou ela. Então aí agora... Não, eu não forço porra. Deu, Jabá?

Rolou, rolou. Até esqueci o que eu tava falando, viado. Trânsito duas horas da manhã em São Paulo. Aqui é São Paulo. São Paulo tem um ritmo completamente diferente do Rio, por exemplo. Que é muito diferente do ritmo lá em Recife. Chega lá em Recife, senta no restaurante, pede um par mediana. E espera, irmão.

Aqui em São Paulo, o cara é outra parada. Rio de Janeiro, sim, também. Então, exato. São Paulo é meio o que o Elir falou. Paulista fobado, Paulista estressado. Aqui é café e cigarro. Café e cigarro. Mas o atendimento em São Paulo é bom pra caralho. Sim, cara. Comparado com outros lugares. Porque o cara entende que ele tá trabalhando e o lance é o trabalho, vamos entregar, porque senão alguém vai substituir o cara.

Eu moro no Guarulhos, tá ligado? Guarujá lá, praia. E lá tem esse clima mais relax. Apesar de ser mais ágil que Salvador, mas ainda é mais relax. São Paulo é mais acelerado. Isso é bom e ruim, né? Você está procurando isso aqui. É um dos melhores lugares do mundo. Você entra nesse frisson também. Eu adoro. A cidade consome um pouco, mas também...

O bom do Guarulho é que é do lado, né? Preciso vir pra São Paulo, uma hora e meia, duas horas, tá aqui. Ah, pertinho assim? É, bem pertinho. Duas horas com trânsito, né? E a cidade é linda, praia, tudo que eu sempre amei, assim. Bike, você falou do que você faz de esporte, acabei não falando, mas eu ando de bike, né? Quase todo dia lá. E é puta, outra vida, né, meu? Você vai...

Tá cansado, estressado. Pô, você vai no mar, né? A gente tem referência, né? Horizonte, né? Horizonte. Horizonte, você não sabe... Quero dizer assim, ah, onde fica o teu lugar? Cara, vai na ponta da praia, tem uma referência. São Paulo é, você não tem um horizonte, né?

É mais confuso. Você como carioca, você se perde zona leste ou oeste? Completamente. Eu também, cara. Eu me perco com muita facilidade. Ontem a gente saiu de São Roque pra vir, pra cá. Teve a galera que saiu junto comigo e chegou uma hora antes, porque eu me perco pra caralho.

Com o ex, com o mapa, com as paradas. E, às vezes eu pergunto assim, aí, tu mora longe? E o cara fala assim, não, moro em tal lugar. Moro na Pompeia, por exemplo. Eu vou ficar, tá bom, mas é que é longe. Eu não faço a menor ideia de onde é essa porra. Entendeu? Eu não quero saber quanto tempo leva pra tu chegar aqui. Só pra, sei lá, que eu tô pensando da gente se encontrar outra vez, tá? Tu me falar, Cotinha, eu faço ideia. Porque é longe. Perto do São Roque, inclusive. Perto não.

vai mais um pouco daqui pra lá é caminho então assim, total, me perco pra caralho de saber leste ou oeste norte e sul, porque no Rio não tem é zona sul e é isso e tem dois turnêuzinhos ou é mar ou é pra cá o que tu ia falar? não, não, só a cursinha da conversa

Ele tá caminhando do velho louco. Não, eu tô pensando pra falar, senão eu vou parecer muito velho louco antecipadamente. Não é, não. Tem 10 anos ainda. Quanto que é a conta? Ele falou que 20 anos, eu vou ser um cara de 80. E olhando aqui, cara, eu vou ter 74. Porque tá chegando nos 80, né? Então 74 tá mais pra 70 que 80. É, foi justo. Então 25 anos. Então falta 26 anos. Ó, que bom.

Se chegar no 80 tá bom Se chegar no 80 55 esse ano 55 esse ano 55 Tá chegando os caras novos no metal Muitos Muitos Peraí então

Muito, esse é excelente. Oficialmente ciano. É? É. Tá chegando uns guitarrista foda. Edu, tá chegando uns vocalista foda? Tá chegando esses caras foda mesmo? As bandas em geral tão sendo foda, Liri Rafa? Tão. Tão. Vamos lá. Voltou não. Lepros é do caralho.

Não, mas brasileiros até. Falando dos brasileiros. Não, fora, como eu disse, é uma indústria gigantesca. O heavy metal é super. É robusto e é o que sustenta. Mas fazendo música como vocês faziam lá em, sei lá, em 2000, sei lá, em 2000. Cara, hoje é mais difícil inovar.

Tá certo? Mas isso é bom ou ruim? É mais difícil inovar Hoje você grava em casa Sobe no Spotify E o acesso é mais rápido Então pipoca Tem um dado lá do Spotify De ter a cada minuto um lançamento no mundo Então hoje tem isso que é mais difícil De você se destacar E até se diferenciar

Mas tem muitas, muitas bandas brasileiras vindo excelentes, assim, excelentes. O Bangers mesmo teve 18 ou 19, não fiz a conta exata, não lembro agora, mas bandas brasileiras, tá? E aí, por exemplo, tem o Sujeira, que é um metalcore da Zona Leste, maravilhoso, abraço a galera do Sujeira. São fenomenais, né? E aí tem o Corsos, que chegou agora com o Jean Paton e com a Jéssica, que são dois grandes guitarristas, vamos dizer, de uma geração mais recente.

Queria mandar um abraço, por exemplo, tem o Ian Gonçalves, ele faz canal, molecão, toca piano pra caramba, canta gutural, canta limpo, um moleque talentosíssimo. Então, assim, tem muitos músicos novos chegando pra renovar a cena, sim. Eu acho que ainda falta um pouco, o Brasil tá mais ligado no contexto...

do heavy metal no mundo, porque a gente recebe as coisas, às vezes, com 5 anos de atraso. A galera está se ligando aqui em coisas que já eram hype, vamos dizer assim, na Europa, no meio metal, 5 anos atrás. Como Sleep Token, Lepros. Esses caras esbarram no Brasil 5 anos depois. Aí o cara demora 5 anos para aprender e ele devolve um metal com 10 anos de defasagem. Eu acho que isso podia ser um pouquinho mais...

o brasileiro poderia estar um pouquinho mais conectado. E já está mudando, porque tem turismo brasileiro indo para o Vaken e os grandes festivais europeus. Então, o fã de metal brasileiro já está percebendo o que é, de fato, a cena mundial.

Vocês escutam coisas também novas? A pergunta que eu quero fazer de verdade é o que vocês acham de quando surge uma parada tipo... Eu não vou lembrar o nome, mas é aqueles dois caras esquisitos, canadenses, de máscara, bolinha. Eu adoro isso aí.

Adoro isso. Como é o nome desse cara? Angine, De Poitrine. Eu adoro aquilo lá. Aquilo lá é algo que realmente é disruptivo. Eles fazem música microtonal ou com influências do microtonalismo que as crianças gostam.

Não é pra se pertencer nem à música instrumental, nem a pertencer exatamente pro gênero metal. Eles fazem uma coisa aqui com influências de gêneros dentro do metal, como o math metal. Mas é... Criançada gosta. Sabe? Então, assim, aquilo é disruptivo. E é algo que eu... Que eu objetivo, assim, em trabalhos do futuro. Que não seja para o estereótipo do fã de heavy metal. Entendeu?

Mas pra isso vocês não já podem fazer, tipo, um projeto que nem o Kiko fez dele sozinho, fazendo o que ele acha e tu também pode fazer? E tu também pode fazer? Sim. Sim, é o que eles fazem, né? É, mas essa banda aí é tipo, vem de um lugar... Os caras são canadenses, né? Eles são canadenses do lado francês, se eu não me engano.

É, que tem muito incentivo do Estado lá, né? Assim como várias bandas falaram no Lepros, aí, o Mechuga e tal, países nórdicos tem muito incentivo do Estado e tem uma tranquilidade das pessoas. Já vejo assim, a tranquilidade do cara que cresce lá, do adolescente, que tá tudo bem.

Escola tá paga, o cara tem casa, tem comida, não sei o quê. Muitas vezes a própria sala de ensaio é do Paga pelo Governo. Na Finlândia as bibliotecas têm estúdio lá com equipamento, você vai lá. Então assim, tá tudo na mão. Então posso experimentar.

posso fazer o que eu quiser. Descobrir que eu sou foda, inclusive. Eu conversei com os caras do Mechuga, por exemplo, que é uma banda, pra quem não conhece, que começa lá, sei lá, dos anos 90, mais ou menos, que foi bem disruptiva no estilo. E os caras, pô, a gente pode fazer o que quiser aqui, porque tá garantido. Acho que o brasileiro, como não tem, não tá nada garantido...

Então, assim, o cara pode ter que mandar uma banda cover, o cara vai tocar no bar, se o cara tiver que pagar as contas, né? O cara vai ter que tocar com um artista que já tá famoso. Então, o cara não dá pra ele ficar experimentando e fazer um som microtonal, não sei das quantas, que já é uma vertente que já existe. O microtonalismo não nasceu, não foram esses caras. Já tem uma escola que a gente não conhece, porque é ignorância musical mesmo, de não estar nesse mundo. Sim, mas existe violão.

Mas esses caras estão vindo desses centros culturais, entendeu? Que tá a galera fazendo esse experimentalismo ou dentro de universidade e tal.

com o Estado ali, né? Tipo, dando esse apoio. No Brasil, eu vejo dessa forma, mais difícil. Por isso que as bandas aqui, elas vão estar menos experimentais, porque talvez elas tenham que tocar o que está rolando. Para sobreviver, né? Para sobreviver, para fazer... E o mesmo cara ali, ele vai dar aula, ele vai tocar numa banda, vai fazer uma banda cover para tocar.

música de sucesso, porque o público quer ver isso, etc. Então a economia da música é que dificulta esse experimentalismo. Porque aí você tem que ser o cara que ou já tem uma...

até mais nos anos 70 lá com Caetano tem uns lá, uns mais experimentais igual o Costa, não sei o que, tinha uns gravadores que que meio que até postavam o próprio, sei lá, Frank Zappa esse cara é meio assim, vamos ver qual é que é, o próprio Angra quando começa no Angels Cry você acha que o cara do Japão ia saber?

Tinha lá as bandas grandes lá, JVC, tava tudo bem. Pô, a gente pode, sei lá, vou pegar 5% aqui do meu caixa e vou botar umas bandas aqui, entendeu? E aí dá uma grana pra esses caras do Brasil que eu achei legal a demo. Foi isso, entendeu? Mas teve que vir de fora, né? Porque já tem uma estrutura, um mercado que funciona dentro desse estilo que não tem no Brasil, infelizmente. Então é bem mais difícil pras bandas ou experimentar.

Pra aí sim criar uma coisa nova, porque dentro dos casos que experimentam nem tudo vai ser legal, né? Até sair alguma coisa tipo esse... Esse cara do Canadá lá, a Poitrine aí, né?

Muito legal. E assim, o legal é que eles conseguirem envelopar de maneira comercial, sabe? E eu gosto disso. É um experimentalismo que não está ali só fechado nas bibliotecas, só fechado nas universidades. É um experimentalismo que tem uma envelopada legal que gera acessibilidade. Isso eu achei legal pra caramba. É divertido assistir.

É mesmo. É divertido assistir. É interessante esse aspecto que tu falou, que a criançada gosta. É por causa da outra coisa, do Papa Machia ali, né? É, as figurinhas. E as músicas tem muito... Você sabe que o microtonalista tinha alguns desenhos, tipo o Barba... Não exatamente o Barba Papa, mas tinha a música de alguns desenhos animados infantis, mudos.

Tem muita coisa de microtonalismo nos diálogos. O tatibitati, que é aquela língua dos crianças antes de aprender a falar, se você vê a animação muda, é tipo... Isso é microtonalismo. Não tem uma escala.

Certo? Se tu já jogou algum jogo no 64 Tu já ouviu isso, né? A professora do Charlie Brown lá, né? É, a professora do Charlie Brown e tal Então, eles Isso é mais natural Pra mente humana Do que a gente pensa A gente educa a mente humana a ouvir as escalas Né? Tem até uma teoria de que todo mundo Nasce com o ouvido absoluto Hum A causa da causa

Todo mundo nasce com a capacidade de distinguir os sons. Mas na época de aprender a linguagem...

O nenê, a criança, ela precisa distinguir. Quando o pai fala que é papá, e a mãe fala que é papinha, com outro timbre, com outro tom, até ele entender que aquilo significa a mesma coisa, ele precisa cancelar dentro do cérebro o timbre, as alturas vocais, as nuances microtonais, melódicas, a fala de cada pessoa, e que a palavra é o importante.

E aí o cérebro anula o entendimento dessas cores, dessas alturas, como a gente distingue a cor, azul é azul, etc. E aí ele cancela isso e passa a entender o som através das palavras. Algumas pessoas acabam não cancelando isso porque estimuladas de pequena, quase escalas, etc.

Porque muitas vezes os ouvidos absolutos vêm de famílias já com uma tradição musical que o cara aprende escala com nome, etc. E ele educa aquilo e não perde. E não perde. Entendi. Então, assim, o microtonalismo parece sofisticado, porque ele é mais complexo em termos de estrutura do que o tonalismo que a gente usa.

Mas ele é mais natural. Então é muito interessante que a criançada goste. Porque tem o... É movimento. E figurinhas ali, monocromáticas. É bolinha. Você já tá imaginando ele daqui a 25 anos. Daqui a pouco, velho. Novo disco, novo álbum. Só ele aqui. Tipo aqueles álbuns do Vinil do Costinha. Só ele. 50 minutos. 50 minutos.

Calma aí. Sim. Enfim. Qual parte que a gente não compreendeu? Não, eu tô brincando. Não, é isso, sabe? A linguagem da natureza, né? Os pássaros, os cantos dos pássaros estão todos ali. Exato, exato. O vento batendo. É bom de assoviar.

Não, mas eu faço parte de um grupo. Eu também. Você faz do Patrick Maia? Não, eu não sei se o Patrick Maia está no que eu estou, mas é que agora está tendo essa moda de grupo de assovio. Então eu quero mandar um salve aqui para o Patrick. Ele vai entender. Boa.

Tá vendo? Você já é um velho doido, bicho Mas eu não tô zoando não, meu irmão Tá chegando lá, hein Eu me esforço essa diferença Eu não invito, eu me dedico Rafael, faz um discurso pra gente aí em Assovio O que você achou do show do Bangers, vai? Em Assovio Eu vou pegar o meu Eu vou pegar o meu celular, vamos competir então

É que eu não sou É você? Tá meio microtonal Tá, tá Mas eu posso assobiar Birit se você quiser Gostaria, mas eu não vou O solo de guitarra

Qual que é o teu assovio? Não, pera aí, agora voltando, falando sério agora. Não tão sério, porque assim, isso aqui é uma pergunta de fã, tá bom? Tá bom. Pra cada um de vocês, qual é a música mais... Eu quero muito saber qual que é a música mais especial. E aqui você entenda como quiser, a mais difícil, a que evoca mais emoções, não sei o que, das que vocês participaram ontem. Ah, isso é interessante.

Acho que é pra cada um de um jeito, né? Com certeza vai ser. Com certeza vai ser. Quem quer começar? Começa tu, Rafa, que é falador pra caralho. Vai. Fala, não é isso. Explica em Assovio. Vai. Por favor. Ou com voz e... Olha! Caralho! Bota dentro do grupo, imediatamente, porra. Tem até um vibrato aqui. É? Aqueles vibrato de velho, né? O cara é virtuoso, hein? Caralho.

Mas é verdade, tem um grupo da galera assoviando Tem muito Vou te botar no meu Agora todos querem o Edu nos grupos de assovio Eu também Mas não tem boleto pra pagar não Não tem boleto pra pagar não Pra ficar criando um grupo de assovio Caralho

Mas sabe o que é o lance? Dá uma falsa impressão, não sei se você sente isso, né? De que você não tem nada o que fazer. Às vezes eu tô ocupado, assim, aí o cara manda, assim, eu ouço a mensagem e o cara só manda, tipo assim, e eles gostam de mandar pra mim uns do Angra, né? Aí ele fala, ah, que legal. Aí faz parecer que a vida é leve. Aí faz parecer, e ela responde.