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SENADOR ALESSANDRO VIEIRA - Flow News #041

23 de abril de 20261h40min
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Relator da CPI do Crime Organizado.

Participantes neste episódio3
I

Igor Moura

HostJornalista
F

Felipe Moura Brasil

Co-hostJornalista
A

Alessandro Vieira

ConvidadoSenador
Assuntos5
  • Crime Organizadomanobras políticas · propostas legislativas · facções criminosas · lavagem de dinheiro · Banco Master · ministros do STF
  • Economia do Crime Organizadohierarquia · atividade econômica ilícita · dominação violenta de território · lavagem de dinheiro
  • Corrupçãocultura de impunidade · corrupção · investigações
  • Relações entre Crime Organizado e Poder Públicofinanciamento ilegal de campanha · conexões com o mercado financeiro
  • Justiça e Economia no Brasildecisões judiciais · corrupção no judiciário
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Salve, salve, família. Bem-vindos a mais um Flow News. Eu sou o Igor. Está aqui comigo também o Felipe Moura Brasil. E aí, Felipe, tudo bom? Salve, salve, Igor. Mal saí daqui e já voltei. Pois é. E tem também hoje com a gente aqui o senador Alessandro Vieira. Muito obrigado por vir aí. Obrigado. Valeu esse passo com vocês.

Cara, tu tá causando aí um... Tá sendo assunto aqui no Flow News várias vezes. Então, vamos chamar aqui o Alessandro pra gente ver se a gente consegue entender o que tá acontecendo aí, o que pode vir da CPI, do crime organizado e tudo mais. Bom, se você quiser participar do papo aí, você pode mandar a tua mensagem pelo LivePix, que tá bem aqui o QR Code, ou então aí na descrição, que a gente toca ele aqui, a gente pode... Já vai que você tem uma pergunta aí, quer participar do programa, fica à vontade, tá bom?

Senador, cara, para começar, o resultado da CPI do crime organizado acaba sendo definido por conta de uma manobra política. A gente vê ali um movimento do governo para alterar quem ia votar e a gente sai de um possível 6x4 a favor para um 6x4 contra.

A primeira coisa de tudo, isso é um movimento, inclusive, previsto, né? Ele não é um movimento tido ilegal, mas você estava esperando esse movimento, cara? Não dessa forma, Igor, porque você tem aí o governo atravessando a rua para pisar na casca de banana. O escândalo do Master, esses problemas com os ministros, esse não é um escândalo do governo, mas o governo se abraça nele.

provavelmente cedendo a pressão dos próprios ministros, ele vai, faz uma atuação direta para esvaziar o quórum. Então, a reunião estava marcada para 9 da manhã, ela é desmarcada, passa para 2 da tarde. 2 da tarde tinha trocado já 3 senadores, um não precisou votar, entraram 2 senadores do PT, que nunca participaram da CPI, não assistiram nada, não leram documento.

mas votaram online contra o relatório, atendendo a orientação do governo. Entendi. Cara, isso daí é uma situação que não deixa um pouco frustrado, cara? Porque eu estava falando aqui ontem com o Felipe, na verdade, sobre o que acontece com esse relatório, né?

E eu estava assim, pô, isso vai para o lixo? E aí ele estava me explicando, ele estava dizendo que ele leu o relatório inteiro. Parte, acho que por volta, sei lá, 10% do relatório está falando sobre ministros do STF e a vasta maioria está falando sobre outras questões, né? Esse trabalho, ele não vai para o lixo completamente.

Não, não. A gente tem que aproveitar a parte de propostas legislativas. Foi também uma escolha do governo não permitir que aprovasse esse pedaço, porque teve a proposta, às vezes não está. Destaca aqui indiciamento de ministro para discutir depois e vamos aprovar o restante do relatório. Porque a gente apontou ali toda a tramitação, como é que funcionam as facções no Brasil, como é que é essa invasão do crime organizado no mercado lícito, porque hoje eles ganham muito mais dinheiro.

no mercado lícito, combustíveis, cigarro, defensivos agrícolas. Eles estão tomando esses mercados dos competidores normais, mas o governo foi taxativo, não. A ordem é enterrar, vamos enterrar inteiro, e foi o que eles fizeram. A gente agora vai destacar as propostas legislativas, por exemplo, para combater a máfia dos combustíveis.

Tinha propostas ali muito efetivas para aumentar a obrigação e as penas para lavagem de dinheiro, que é a base do crime organizado. O cara não comete crime para ficar com dinheiro em casa, ele comete o crime para ter dinheiro, para ter patrimônio e ele só consegue lavando. Hoje a pena é muito baixa.

É uma briga que a gente já vem há bastante tempo E a gente teve o antifacção Votado e aconteceu esse mesmo circuito O Senado aprovou de um jeito que os deputados derrubou As nossas mudanças Sempre focando no combate ao criminoso pobre O brasileiro sabe, o Brasil está acostumado A brigar, a combater, a confrontar Pobre Quando você sobe o andar, aí todo mundo se arma e não aceita Entendi

Senador, qual é o conceito que o senhor tem de crime organizado, que é algo que foi bastante debatido também nesses últimos dias, principalmente depois da apresentação do seu relatório final? Porque muita gente remete o crime organizado exclusivamente a facções criminosas armadas, sejam elas milícias, sejam facções de narcotraficantes. Qual é o seu conceito e onde tem essa interseção com o poder público? O crime organizado é toda atividade estruturada, com hierarquia, que tem objetivo econômico ilícito.

Resumindo, seria isso. E aí ele conecta com as facções por um lado, porque as facções atuam na parte da dominação violenta de território e no comércio de produtos ilegais, como é o caso de armas e drogas, mas ao mesmo tempo ele faz a outra ponta, que é conectar com o pessoal que trabalha no mercado financeiro lavando dinheiro e no mercado, vamos chamar assim, judicial, vendendo apoio, entram na política pelo financiamento ilegal de campanha.

Eles hoje têm... Porque como é atividade econômica, o cara não é assim, não, eu sou traficante porque eu nasci, eu tenho amor, etc. Não, o cara quer ganhar dinheiro e listo. E eles começam a entender cada vez mais que é muito melhor para ele migrar para ramos mais seguros. E o fraude online, por exemplo, rende muito mais dinheiro do que droga, muito mais.

Você fraudar uma licitação na saúde de uma prefeitura de tamanho médio vai lhe render muito mais que o tráfico. E o custo disso, a chance de preso, baixa. De morrer num confronto com a polícia, zero. Então os caras vão migrando nisso e está tudo muito conectado. Quando a gente começou a CPI a gente já tinha essa percepção. O brasileiro, tanto faz se ele está sentado numa cadeira importante em Brasília ou está em casa assistindo a gente, o brasileiro acha que crime organizado é pobre armado de fuzil na favela.

normalmente preto. É isso que ele tem na cabeça dele. Quando você tira essa imagem e coloca o Mauricinho lá, todo engravatado, tomando uísque de 3 milhões em Londres, isso não é crime organizado, isso aí é um investidor brasileiro, a gente mostrou que não é. Então, nesse sentido, a CPI atendeu ao meu principal objetivo, que era fazer essa informação circular com mais intensidade. Claro que no meio do caminho teve bônus, porque apareceram outras coisas tão graves quanto, ou mais graves ainda.

que deram esse retrato para o brasileiro. O brasileiro hoje entendeu. Tem um cara que consegue montar um golpe de bilhões. Por quê? Porque ele comprou apoio político e proteção na justiça. Se não tivesse apoio político, não tivesse proteção na justiça, ele não tinha rodado o golpe dele.

Cara, e esse... Aparecer o Banco Master no meio desse caminho aí abre, expande o trabalho que a CPI tem de um jeito fenomenal, né, cara? E aí eu estava pensando que tem sido alvo de reflexão aqui.

É o seguinte, esse é um escândalo que ele promete pegar em todo mundo, vazar para todo o espectro político, eu quero dizer. E outros poderes, tem gente do STF envolvida no escândalo também. Então, eu fiquei pensando, cara, quem será que está interessado em ver isso resolvido para valer, esclarecido, chegar no final?

Não sei, acho que a polícia, uns caras aqui e ali, entendeu? Porque me parece que todos os movimentos são feitos para, não, deixa para lá, vamos falar de outra coisa. Não era bem assim, não sei o quê. E a Polícia Federal e quem está tentando esclarecer isso acaba meio achatado trabalhando.

contra um monte de frente. Como é que é olhar para uma coisa como essa, desse tamanho, dessa magnitude, com a possibilidade de impacto que o Banco Master tem?

Quando a gente estava no meio disso, acho que faltando umas três semanas, um ministro do Supremo mandou para mim um recado através de um outro senador bem objetivo. Ele disse, olha, avisa para o Alessandro que ele tem que acertar o tiro dele, senão eu vou acertar o meu. E essa lógica do recado, da intimidação, ela é permanente em Brasília. Em outros estados, em outros lugares, mas Brasília é muito forte. Porque tem um sistema que está lá estabelecido há muito tempo, e esse sistema estava lá antes do Lua chegar, estava lá antes do Bolsonaro chegar, e continua estabelecido.

Ele cada vez mais foi perdendo a vergonha. Então, você vai ter sempre os técnicos tentando empurrar o trabalho ali. Vai ser um cara da Receita, vai ser um cara do COAF, um delegado de polícia, um perito, sei lá. E, eventualmente, juiz e promotores vão vir nesse pacote.

Mas conforme a coisa vai crescendo, o sistema vem em cima e fala, não faz, se você fizer, você vai ser perseguido, você vai ser punido. A gente tem gente da Receita Federal que pegou uma tornozeleira porque supostamente consultou um cadastro, que depois se comprovou que não consultou. O ministro Alexandre deu uma canetada dessa num plantão. É assim que roda o negócio lá. Agora, por outro lado, se você sai desse aquário que é Brasil e vai para o oceano que é o Brasil,

No oceano todo mundo quer saber. O cidadão que está escutando a gente aqui, que está acompanhando, ele quer saber. Ele quer entender. Como é que é esse negócio? Então eu passo minha vida trabalhando sério, pagando imposto, e tem esses caras ficando ricos aí em cima? Como? E acho que meu papel é um pouco isso, empurrar essa barra. E quando eu faço esse movimento forte, eu facilito a vida dos caras que estão lá na técnica. Porque a pressão sai um pouco deles e vem para mim, ou vem para outros políticos que estão fazendo esse papel.

Senador, esse recado ao qual o senhor se referiu aconteceu agora, recentemente? Sim, acho que umas quatro semanas atrás.

E ele me fez lembrar um recado ou uma atitude que pareceu um recado que o senhor narrou uma vez numa entrevista sobre o que aconteceu lá na CPI da Lava Toga. Em 2019, o senhor encabeçou aquele movimento, dentro ali daquele movimento muda Senado, que depois se esvaiu um tanto, embora haja alguns senadores ali remanescentes. E o senhor falou que houve um pedido pela lista de assinaturas que veio do gabinete do ministro Dias Toffoli, era isso? Isso mesmo. Toffoli era o presidente do Supremo.

A gente faz o pedido da CPI da TOGA em fevereiro de 2019, quer dizer, eu chego em fevereiro de 2019, eu já peço a CPI da TOGA em fevereiro de 2019. Porque como eu sou delegado de polícia, então convivo com o mundo jurídico, eu já tinha compreensão do problema que a gente tem ali. É um problema sério. Porque quando a cabeça do sistema está enviesada...

Não adianta, você vai trabalhar aqui embaixo e alguma coisa vai lá em cima abafar ou vai perseguir. E naquela época eu me lembro de receber o ajudante de ordens da presidência do Supremo, um militar, um oficial militar, que chegou lá pedindo a lista dos subscritores. E eu passei a lista, evidentemente, ele não tinha interesse no conteúdo. Naquela época a CPI pedia para investigar 10, 12 fatos concretos envolvendo ministros.

E eles conseguiram, na pressão ali, no dia seguinte, já tinha assinador me ligando e disse, pô, Alessandro, eu não sabia exatamente, vou ter que tirar minha assinatura. Mesmo com esse movimento todo, a gente manteve as assinaturas. E por que não teve CPI naquela época? Porque naquela época eu tive um acordão, o Brasil testemunhou, foi tudo filmado, tem ata, tem discurso, tem documento. Um acordão que envolveu o PT, envolveu o Bolsonaro, envolveu aquela turma do Centrão de sempre, para abafar e engavetar. Essa CPI nunca foi declarada como não possível, ela está engavetada até hoje.

E isso ficou muito ostensivo, tinha que resolver a rachadinha do Flávio, o processo da rachadinha do Flávio, tinha que resolver um monte de processos de figuras importantes em Brasília, e tudo isso aconteceu. O Toffoli deu uma canetada com o presidente, ele suspendeu as investigações com base em relatório do Corpo por quase um ano.

E quando você suspende uma investigação por quase um ano, você deu o gás que o bandido precisa para se organizar. Ele se organizou. Uma imensidão de investigações se perdeu. E a coisa, enfim, chegou ao estágio que nós estamos hoje. Dois meses depois, três meses depois, abriu, eu apresento o pedido de impeachment do Toffoli e do Alexandre, em 2019, por conta do famoso inquérito das fake news que está aberto até hoje.

O que é engraçado nisso? A questão da coerência e a conveniência, que são coisas que em Brasília são totalmente antagônicas. Quando eu faço esse pedido, em 19, quem assina comigo é o Randolfe Rodrigues, na época era da rede, hoje é do PT. Hoje a coisa mudou totalmente, hoje o Randolfe é do governo, o governo está aliado dos STF, então não precisa mais apurar nada.

Aquela ferramenta que a gente enxergava que era abusiva, agora ela está legal, porque ela está perseguindo pessoas de que eu não gosto. Só que abuso, ele volta para você um dia. Então, a gente já tinha esse diagnóstico, a coisa só piorou com o tempo, e a gente continua na mesma batalha, sabendo as dificuldades, mas ou o Brasil encara seus problemas ou não vai mudar nunca.

Pois é, mas aí eu fico pensando, cara, esses movimentos, eles acabam no fim chamando atenção para o assunto, mas tu não vê o cara pagando por cometer crimes e tal. E daqui a dois, três meses...

Todo mundo esqueceu. Então, como é que tu não desanima? Porque o que acontece? A sensação que eu tenho é, cara, olha só, trabalhando pra caramba e tal, e aí daqui a pouco começa a vir um monte de força pra impedir que a coisa ande. E aí a gente pode levar essa lógica pra tudo. O Banco Master, por exemplo, enquanto estava se investigando o Banco Master, de repente tu não pode mais investigar algumas coisas. Não pode mais... Agora não pode mais, né? Por que não?

Então, como é que pode continuar tentando? Cara, assim soa uma frase pronta mas é muito assim, não dá pra desistir do Brasil entendeu? Eu entrei na política por conta dessa parada eu era delegado de polícia, tava na minha nunca gostei de política, nunca tinha envolvimento filiação, militância estudantil, nada

Cheguei a ser delegado-geral da minha polícia em Sergipe. E, naturalmente, quando eu cheguei lá, eu fiz o que eu fiz aqui. Eu tenho oportunidade? Vamos fazer certo. Vamos fazer o que faz para o pobre e fazer para o rico. Naquela época, a gente pegou a equipe, que era uma equipe muito vocacionada para combate ao crime organizado.

e colocamos para combater tributário e corrupção. O resultado foi começar a prender gente, prender vereador, prender deputado, prender financiador de campanha. Fui exonerado do cargo, naturalmente, porque o governador não tinha como suportar aquela pressão política, a gente sabia que isso ia acontecer.

E aí eu digo, agora já deu no técnico, vamos mudar de campo de batalha, vamos para a política. E sou eleito ganhando desse governador, inclusive. Chego lá, começo esse mesmo trabalho. Claro que no Senado você tem um mundo de coisa para fazer. A gente um dia está falando educação de manhã, de tarde, está falando tributário. Mas sem perder o eixo, porque essa é uma coisa fundamental no Brasil.

A impunidade, a cultura de poder e impunidade no Brasil é fundamental, porque é por conta dela que você não resolve nada importante. E na hora que aperta, os caras seguram tudo e falam, não, agora não pode. Você pode fazer o discurso bonitinho, você pode fazer até uma coisa aqui legal, mas não passa desse andar, que nesse andar ninguém toca. Eu acho que tem que tocar.

Ou que se você for olhar, no Brasil a gente já fez impeachment de presidente da república, já prendeu o presidente da república, a pessoa teve 50 milhões de votos, está presa. E eu não posso investigar um ministro que tem vida de milionário e anda de carona de jatinho? Claro que posso investigar. Ele não vai gostar, vai resistir e a gente vai fazer esse enfrentamento sempre com um cuidado técnico muito grande. O Felipe quer perguntar um troço, mas eu queria só dizer aqui o seguinte.

Eu queria que continuasse, que as coisas tivessem andado só mais um pouquinho, porque eu ainda não sei por que o escritório da esposa do Alexandre de Moraes ganhava 3,7 milhões de reais por mês. Eu ainda não sei, eu queria muito saber.

Senador, os senhores na mesa da CPI do Crime Organizado, o senhor e o senador Fabiano Contarato, falaram muito das medidas do ministro Alexandre de Moraes contra a divulgação dos RIFs, dos relatórios de inteligência financeira pelo COAF, que controla as atividades financeiras, recebe os relatórios das instituições financeiras, detecta movimentações bancárias atípicas, divulga as listas, etc.

E houve essa ação do Moraes para limitar a divulgação desses riffs nesse momento, durante o escândalo Master. E aí veio a notícia, nesses últimos dias, de que as defesas de milicianos, de outros bandidos barra pesada, estavam usando essa decisão do Alexandre de Moraes para também conseguir se beneficiar. Quer dizer, olha, no meu caso foi utilizado um riff, etc. Então se está decidindo assim...

vai retroagir para beneficiar o réu e aí nós precisamos ser aliviados também, etc. Então vem essa notícia, um desgaste evidentemente para o Moraes. E aí hoje, me parece que foi hoje de manhã que saiu, pelo menos a notícia da decisão, não sei se a decisão foi de ontem.

de que o Moraes decidiu que não, essa nova decisão dele sobre os riffs só vale a partir de agora, não vale para aquilo que está no passado. Quer dizer, ele fez ali um ajuste para evitar todo o desgaste de que criminosos ligados a facções utilizem essa decisão para se aliviar. O senhor analisa isso como uma dessas jurisprudências de ocasião? Como o senhor falou agora, no momento do aperto eles se blindam?

Não, total, não tem dúvida disso. O Alexandre fez essa, o ministro Alexandre Moraes tomou essa decisão, como outras que ele tomou várias vezes, focado em se proteger. E proteger os parceiros dele ali, especialmente Dias Toffoli. É muito claro. E em 19, quando eles fizeram esse movimento, que o pessoal acha que a enquete da fake news foi criada para combater fake news. Ele não foi criado para isso. Ele foi criado para travar as investigações que a Receita estava fazendo de esposas de ministros. Na época era a esposa do Toffoli e a esposa do Gilmar.

A Receita estava fazendo as investigações, foi matéria de uma revista, a revista Cruzoé, e aí o Toffoli inventa o inquérito, escolhe o Alexandre sem sorteio, e o Alexandre na primeira canetada censura a revista e manda perseguir a galera lá da Receita. Desfez o grupo, acabou a investigação. Uma das sugestões que a gente colocou no relatório que não foi aprovado por interferência do governo era justamente resgatar isso, porque quem está na função pública tem que estar submetido a uma fiscalização maior.

O cidadão tem direito de saber, porra, por que esse cara entrou aqui e ficou rico? Perfeito. Ele tem um salário legal, beleza, show, mas ele não ficou rico. Ele não consegue andar de jatinho uma vez por semana. Não tem como. Só os jatinhos que o Alexandre usou em um ano, a estimativa que foi feita pela imprensa é de um custo de um milhão de reais. Como é que paga?

A esposa dele fez mais uma notinha, a doutora Viviane fez várias notas públicas ao longo desse processo, dizendo que isso aqui foi uma compensação, usamos mesmo, porque a gente tinha os relatórios de que eles tinham usado, e foi compensação de honorários meus com máster que a gente usou isso aqui. Só que na nota fiscal e nos pagamentos que recebe não aparece. É mais uma coisa que você falou, tem um monte de coisa ali que ficou no meio do caminho.

A gente vai esperar para ver se a Polícia Federal vai ter a coragem de botar isso no papel. Eles tiveram a coragem de botar no papel o rolo do Toffoli.

Foi o que começou essa confusão toda. Mas eles vão ter coragem de botar no papel o rolo do Alexandre para poder entender aquilo ali. E tem uma trava nisso da Constituição, que é assim, só o Procurador-Geral da República pode apresentar o pedido de investigação, a denúncia, quando for um ministro do Supremo, por crime comum.

E essa trava hoje, ela é muito robusta porque os caras são amigos, são parceiros. O Gonê foi sócio do Gilmar, no empreendimento educacional do Gilmar. Depois vendeu a parte dele para o filho do Gilmar, que hoje é quem aparece como sócio formal. Mas o dono é o Gilmar, todo mundo sabe, no Brasil inteiro, no Brasil e em Portugal. Não pode, mas ele que é o dono.

Então, como é que esse cara vai fazer? Ele vai pedir essa investigação? A gente vai ter acesso a esses dados? Ele não é o dono, se veja. Legalmente falando, não é o dono. O dono é outro cara ali. Então, essas jogadas, esses jeitos... E ainda por cima a gente está falando de pessoas que interpretam a lei. Então, o cara que interpreta a lei, que é o último, ele interpretou assim, está interpretado.

E aí tu tava falando de coragem Aí cara Quando sai, quando termina lá E acaba a votação Da CPI Que tem que começar a vir a reação Dos caras né, que eu vi lá uns tweets

Primeira reação, primeira coisa que eu senti Foi, caraca, isso daqui é meio assustador Tem uma ameaça Claro, que tá ameaçando mesmo E aí a próxima coisa que eu pensei Foi, como será que o Alessandro O que será que o Alessandro tá achando Disso, será que ele tá achando, rapaz Me passei, hein Puta merda, hein Porque isso parece coisa de novato De certa forma, tá entendendo? Coragem de novato, manja O cara que, ah, meu irmão, porra, eu vou Diz, Diz, Diz

pra cima mesmo, não sei o que. E aí, rapaz, passei, tu dá conta. O que que tu sentiu quando tu começou a ver as reações, cara? A primeira percepção é de que eles sentiram o golpe. Eles nunca estiveram tão perto de ser responsabilizados. E aí vai uma coisa, eu sempre brinco, quando o pessoal me encontra na rua, tava agora almoçando no shopping, o pessoal me abordou pra dar parabéns e tal, o pessoal sempre fala esse negócio de coragem. Digo, é coragem ou é loucura, a gente só vai saber no tempo, né?

Mas coragem ou loucura, o fato é que você tem que enfrentar. Eu sei o que eu estou fazendo, o formato adotado tecnicamente está correto. O Gilmar ameaçou primeiro, o Toffoli ameaçou. Depois o Gilmar concretizou, o Gilmar fez um ofício pedindo para o PGR, Paulo Gonê, que foi sócio dele, para me processar por abuso de autoridade, algumas coisas lá. Eu já respondi, não esperei ser intimado, porque esse pessoal usa muito um artifício.

é de formar um processo e deixar numa gaveta. E aí quando você fala, ah, o cara puxa a gaveta e diz, ó, lembra, tem um processo aqui. Não, a gente já cortou isso lá no talo, a gente já foi ao Gone, já levamos a resposta, toda ela baseada na palavra do próprio Gilmar. A gente pegou a jurisprudência do Gilmar, deliberadamente, e mostrou, o que o Gilmar está pedindo para fazer é o que o Gilmar disse que não pode fazer.

Então, qual é o Gilmar que estava olhando? Do Antigo Testamento ou do Novo Testamento? Qual é o Gilmar? Gilmar Chipu. Como é que roda isso aqui? Então, assim, eles sentiram, eles sabem o que fizeram, e os brasileiros cada vez mais sabem também, e cobram reações. Então, o que eu tenho falado é, olha, se não acontecer neste ano, no próximo vai acontecer, porque você vai ter de novo uma janela, como a gente teve lá em 19, uma janela de oportunidade, uma grande renovação do Senado.

chega muita gente que ainda não tem processo, que ainda não foi cooptado pelo sistema. Isso dura seis meses, um ano, não mais que isso. E depois o cara está lá dentro, o sistema bem mastiga o cara, e a maioria não aguenta. E a gente vai ter uma janela de oportunidade para ver se anda. Porque enquanto o crime comum tem a trava do GONET,

do PGR para o crime de responsabilidade não tem. Por isso o indiciamento pelo crime de responsabilidade. Porque é uma coisa que só o Senado pode fazer. Até isso inventaram. Ah, não pode fazer em CPI. A gente fez com o Bolsonaro e fez com o Collor. O Executivo pode e eles não podem, porque são ministros?

Eles inventam a jurisprudência que eles querem. E aí criam aquelas teses. É a democracia, é o institucional, é não sei o quê. Ou a gente enfrenta as coisas e tem uma esperança de mudar o Brasil, ou a gente se acomoda do jeito que está e sabendo que não vai melhorar nada.

O senhor falou aí em manter um processo aberto, que no fundo seria uma forma de constrangimento. Eu cito três episódios aqui, embora sejam de naturezas distintas e obviamente o senhor responde pelo seu. Mas o Gilmar fez uma representação na Procuradoria-Geral da República contra o senador Sérgio Moro por uma piada de brincadeira de prisão de festa junina. Eu, nesse caso, inclusive, fui jornalista que revelou outro vídeo do mesmo evento.

que realmente mostrava que era uma festa junina, ao contrário do corte inicial de 8 segundos que foi divulgado por um militante pró-Lula, que depois, há pouco tempo, veio a confessar que fez isso para se vingar do Sérgio Moro. E naquele novo vídeo que eu divulguei, mostrava a explicação da brincadeira de prisão de festa junina. Mas a partir do corte, o Dilmar fez uma representação na PGR, então comandada pelo Augusto Aras.

por crime de calúnia, se eu não me engano, acusação de venda de sentença, como se a piada fosse sobre fiança, inclusive, que é um instituto jurídico legítimo, ela configurasse uma calúnia e três dias depois, o PGR e Augusto Aras, a sua equipe, fizeram ali uma denúncia contra o senador e esse processo está em andamento até hoje.

Isso aconteceu anos atrás, quer dizer, confirma um pouco do que o senhor está falando. Veio o caso do senhor, depois do relatório final da CPI do crime organizado, essa representação do Gilmar também na PGR, só que agora sob o Paulo Gonê, e agora o caso do Gilmar contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

pela publicação de vídeos satíricos de teatro de fantoches em que um fantoche representa cada ministro. Nesse último caso, que acho que foi mais sentido, do Dias Toffoli e do Gilmar Mendes. E, nesse caso, foi um pedido de inclusão na enquete das fake news, relatado até hoje, há sete anos aberto, pelo próprio Alexandre de Moraes.

isso tudo soa para o senhor como formas de constranger e de fazer com que o político atingido, ou seja, quem for, se for jornalista, se for um cidadão comum, não critique mais, não fale mais, pense dez vezes antes de fazer alguma coisa. E eu pergunto porque o senhor, pelo que já mostrou nessa entrevista e em outras declarações públicas que tem dado, o senhor continua fazendo determinadas críticas. Algo mudou na sua conduta? Como o senhor avalia?

Não, não. Eles usam essa estratégia de intimidação, isso não é novo. Diferentemente do que o Moro fez, a gente está indo para cima para cobrar a resolução rápida. Eu não gosto de gaveta, não gosto de coisa em gaveta, não. Está na mesa do Paulo Gourner, a matéria é simples. Se ele acha que tem que fazer a denúncia, ele faz a denúncia, eu respondo.

Se ele acha que tem que arquivar, ele arquiva. Ficar parado, esperando, com uma espada na cabeça, não é uma coisa inteligente para fazer. Porque é muito estratégico para eles esperar uma oportunidade, esperar um momento. E eu não quero. Quem vai fazer um momento somos nós mesmos, a população, e ali quem está na política.

Essa forma, no caso específico comigo, ela é mais grave ainda, porque a gente está falando não é de uma entrevista, não é de uma fala em rede social ou na festa junina lá do Moro. Eu estava fazendo meu trabalho. Eu estava ali, sentado na cadeira de senador, relatando um processo de CPI e dando meu voto. E o meu voto foi pelas sugestões. Olha, eu sugiro que aprovemos o indiciamento por crime de responsabilidade desses caras aqui. Os fatos estão aqui descritos.

A interpretação dos fatos é minha, é livre, jurídica. Quatro senadores concordaram comigo, seis não concordaram por conta da movimentação do governo. Então, nem sequer indiciamento aconteceu. Como é que você vai transformar isso em abuso de autoridade? Ele sabe que não é. Um defeito que o Gilmar Mendes não tem é ser burro. O ministro Gilmar Mendes é um cara muito inteligente, muito preparado, é um cara que estuda e fala direito em alemão.

Só que ele podia escrever em alemão o pedido dele, que talvez alguém entendesse, porque em português, que foi o que ele teve que fazer, não faz sentido nenhum juridicamente. Nenhum. Não tem como um senador trabalhando, dando um voto, cometer abuso de autoridade. Não tem. Então, assim, ele vai ter cada um... O que eu acho que é importante nesse negócio? Cada um assumir sua responsabilidade. Então, quando a gente joga para o indiciamento ali, cada senador tem que assumir sua responsabilidade.

Quando ele vai, me aciona, eu vou ao Gonei e apresento a resposta, o Gonei vai ter que assumir a responsabilidade dele.

E aí cada um vai assumindo, o povo vai acompanhando e a gente vai melhorando o Brasil. A conta gotas, porque é o jeito, é o jeito, a gente não tem um remédio rápido, mas vai melhorando. O que vai quebrando aquela coisa da impunidade, ah, ninguém pode falar, pode. Na forma certa, nas condições certas, você pode falar o que você quiser.

tendo lastro, você não pode inventar uma coisa, você não pode sair ofendendo a família da pessoa, mas isso não aconteceu. Como você falou, eu quero entender esse contrato do escritório da família do Alexandre com o Banco Master. Que contratação é essa? Você pega os escritórios que trabalham para o Banco Master, efetivamente, com milhares de processos na justiça, e o valor é muito menor.

O que tem aqui de diferente? Nós sabemos. A gente imagina muito bem, a gente tem uma noção. E digo mais, a Polícia Federal sabe com precisão, porque a Polícia Federal recuperou as mensagens do dia da prisão do Vorcaro. No dia da prisão do Vorcaro, o Vorcaro conversa por mensagem várias vezes.

com o telefone celular usado pelo ministro Alexandre Moraes. Esse era o nível de proximidade dele. E a última pergunta é a pergunta bem simbólica. E aí, conseguiu resolver? Conseguiu bloquear? E aí não bloqueou nada e o cara vai preso. Então, tem muita coisa importante. Não dá para... é um elefante. Não dá para botar o elefante embaixo do tapete, não. A gente vai ver que é um elefante embaixo do tapete.

E assim, o que eu falei para o senador Jacques Wagner, que é uma pessoa que tem uma excelente relação, líder do governo e tal, de que vocês estão se abraçando no escândalo e vão pagar um preço grande. Porque você não vai querer que o cidadão comum entenda isso aí. Porque não faz sentido. Então, espera aí. Mas o Congresso acabou de aprovar e o Lula sancionar um projeto de lei que bota a pena para o faccionado que está lá armado na boca de fumo de até 80 anos de cadeia e não pode investigar se o cara ficou milionário fazendo picaretagem?

só porque ele é ministro ou porque outro cara é rico, não entra na cabeça do cidadão. Eles vão pagar um preço muito. Tenho certeza absoluta. Você vai ter uma mudança de quórum no Senado, em grande parte baseada nessa disputa, que é uma disputa moral. Melhor seria para o Brasil que fossem vários fatores. Eu estou escolhendo meu senador porque ele tem um projeto muito legal, porque ele é qualificado e tal, mas não. Na verdade, o cara vai eleger, uma porção dos brasileiros significativos vai eleger com base nesse corte.

Esse cara enfrenta, o Supremo não enfrenta. Isso está posto e as pesquisas mostram com enorme clareza. É, e é até bom, é uma pena, mas é uma etapa que a gente tem que pagar, não tem jeito. A gente precisa passar por isso como sociedade. Democracia é lenta. É, democracia é lenta.

Isso é um registro que o senhor falou que usou decisões do Gilmar Mendes contra essa representação feita por ele na PGR, comandada pelo seu ex-sócio. Várias dessas decisões, nelas o Gilmar cita um artigo da Constituição que justamente defende a imunidade do parlamentar em relação às suas opiniões, votos, etc. Quer dizer, o que o senhor considera que fez ali foi o voto de um senador. O relatório final é um voto, inclusive o senhor vota.

a favor do relatório na hora que abre a votação e, portanto, é inviolável. Exato. Não tem margem de dúvida constitucional. A gente não está discutindo uma questão jurídica, a gente está discutindo uma tentativa de intimidação.

Eles tentaram intimidar nos recados prévios, eles tentaram intimidar com as falas em sessão pública do Supremo, quer dizer, o Gilmar lá falando que se diverte, que gosta muito de ser provocado. Eu não estou provocando ninguém.

que se chamar para dançar, ele dança. Eu não quero dançar, muito menos com Gilmar Mendes. Sinceramente, eu já não sou muito de dançar. Para dançar com Gilmar Mendes, não. Não tenho nenhuma vontade de dançar com Gilmar Mendes. Mas quero o meu trabalho feito certo. Se o meu trabalho é mostrar o que é crime organizado para o Brasil, eu tenho que mostrar as ligações, as conexões. E foi o que a gente fez. O escritório da família do ministro Alexandre anunciou que ia me processar por dano moral porque eu disse que eles receberam dinheiro de facção criminosa do PCC. Eu nunca disse isso.

estão inventando coisa, tanto que não processaram pelo menos até agora, ou eu não tenho conhecimento estou processado, não sei, de repente mas nunca falei isso, o que eu falei é que o mesmo esquema que contratou o escritório da família do ministro Sargento de Moraes está conectado a um esquema que lava dinheiro para o PCC

Essa proximidade, quem dá são os fatos, não são não. Os fatos, e o fato mesmo. Você pode ficar aí fazendo ameaça, narrativa, você vê um ataque coordenado de imagem, você vê os perfis mais vinculados.

ao governo Lula, fazendo um ataque de imagem consistente contra mim, falando um monte de bobagens, um monte de cortina de fumaça, e sem prestar atenção para o óbvio, o Desolê não está falando de fatos. Eu encontrei este fato aqui, tem um contrato, 129 milhões, com esse ministro. Esse ministro fala com o investigado. Esse ministro dá decisões...

complicadas, para a gente poder entender aqui. O Toffoli, do mesmo jeito. O Toffoli, você ainda não conseguiu dimensionar o quanto, mas é uma coisa que vai estar ali de 15, 35 milhões, alguma coisa, num resort, cotas de um resort que ele dizia que não era dono.

Porque até a CPI começar, e começarem as notícias na imprensa, a imprensa teve um papel fundamental, ele não era sócio de nada. Você teve discurso público, onde Alexandre e Toffoli falaram publicamente, mas o magistrado não pode empreender, não pode investir. O que você acha disso, Alessandro? Você acha que o magistrado pode empreender e investir? Não, não, não. É uma escolha. Eu também acho que não. É uma escolha. Você pode comprar cotas, vai na financeira e faz investimento na Bolsa? Claro que você pode.

Mas não é isso que a gente está falando. A gente está falando de um cara que começa a carreira, a única coisa que ele fez na vida foi trabalhar na esfera pública, com salário. O servidor público é muito fácil você ver uma quebra de sigilo. Tem uma entrada e um monte de saída. Um mês inteiro sai dinheiro e uma vez por mês entra dinheiro, que é o salário dele.

Como é que esse cara virou dono de um resort e depois vende cotas desse resort para, coincidentemente, fundos vinculados a um banco de fachada que depois você vê que é uma organização criminosa?

E aí você assume a relatoria desse caso e você dá decisões que são totalmente atípicas. Tem que lembrar, o Toffoli proibiu que a federal fizesse a perícia, mandou custodiar os equipamentos todos com ele, e escolheu os peritos, porque tem isso, a gente foi saber ao longo da CPI, eu sinceramente não sabia. Os ministros têm equipes de estimação. Dizem, olha, o delegado é fulano, os peritos são esses dois aqui, e não coloca isso no sistema, porque a investigação só vai rodar aqui dentro. Então, essas informações são surpreendentes porque são absolutamente ilegais.

Seguisse tudo como o Toffoli queria, a gente ia passar uns 20 anos para ver o conteúdo dos celulares do Borcado. Porque seria impossível. E a demora que ele causou, ou seja, ele deixou bloqueado, arquivado com ele os equipamentos, a cada tempo que esse equipamento está desligado, as camadas de criptografia vão aumentando. Então, fica mais difícil recuperar conteúdo. Isso ele fez.

na cara dura. E depois ele surge o relatório da Federal, apontando os vínculos. Acontece uma reunião administrativa lá do pleno do STF e eles decidem, olha, o Toffoli não é suspeito, mas ele vai devolver a relatoria. Que é um troço que também não tem na lei. Você não pode devolver a relatoria, você não pode escolher, ah, eu sou juiz desse, aquele, não. Quero esse aqui do Felipe, não quero do Igor.

Não é assim que roda. Tem um sorteio e você só sai da função por impedimento ou suspeição. E aí eu fico pensando, se você está limpo, vamos lá, se sou eu, se sou eu, investiga aí, mané. Sou suspeito, investiga aí, pô, se eu estou limpo.

Agora, toda movimentação para não ser investigado ou para eventualmente escapar de uma punição é meio que o batom na cueca, como diria o Boixá. O presidente do Supremo falou isso, quem não deve não teme. Ele já falou em várias entrevistas o ministro Fachin.

E você vê. E por que é importante a movimentação que a gente está fazendo? Porque a gente começa o mês com o pessoal dizendo que não aceita código de ética. Nessa semana, a gente já tem uma proposta completa, detalhada, do Flávio Dino, que ultrapassa o código de ética. Ele quer mudar a lei, indicação, um monte de coisa. Tem uma pegadinha nisso, porque o código de ética, eles aprovam numa sessão administrativa.

E aí a ideia é proibir ministro de pegar carona de jatinho, proibir ministro de receber patrocínio para evento, proibir ministro de fazer viagem para palestra, que ninguém sabe para que é essa palestra, e chegar lá e ter uma degustação de não sei o que, de não sei quantos milhões. Isso eles conseguem fazer na canetada. O projeto do Dino, os projetos do Dino são muito bons, eu concordo com eles todos, mas eles vão levar anos para fazer.

Aí que está a pegadinha. Entendi. E o Fachin foi novamente muito correto em dizer não tem problema nenhum, as duas coisas se complementam. Vamos continuar fazendo o Código de Ética.

que eles são contra, eles já falaram várias vezes que são contra. Michel Alexandre verbalizou a exceção, não precisa de código ético porque nós não temos problemas éticos. Só para fazer um registro de algumas informações aqui, complementares à parte do Toffoli ligada ao Resort Tayhaya, que eu acho importante que as pessoas tenham em mente. O senhor falou de mensagens dos celulares, porque o Toffoli tinha pedido inicialmente para as provas coletadas numa operação, incluindo os celulares, fossem remetidas pela Polícia Federal ao seu gabinete.

Depois foi muito criticado em razão dessa decisão. Aí topou que elas fossem remetidas à PGR, comandada pelo ex-sócio do Jomar, Paulo Gonê, mas escolheu os quatro peritos. E num desses celulares tinha a troca de mensagens do Daniel Vorcaro com o seu cunhado e operador Fabiano Zettel.

em que o Vorcar se dizia, pelo que dá a entender, pressionado para fazer pagamentos para o resort de Tayhaya, que já tinha tido um problema muito grande porque esses pagamentos não teriam entrado, então estava perguntando ao seu operador Fabiano Zettel se ele tinha feito os pagamentos. E ele fala ali dos pagamentos de 35 milhões de reais.

Se eu não me engano é 15, 20, mas dá um total de 35 referido na mensagem do próprio Vorcaro com o Fabiano Zedt. E além do caso envolvendo o Banco Master, você tem um caso lá inicial envolvendo o Bradesco de empréstimo.

E aí o Toffoli se declarou de fato impedido durante dois anos para julgar casos do Banco Bradesco, mas depois passou a julgar e houve, de acordo com as reportagens que saíram na imprensa, alívio, parcelamento dessas dívidas, toda uma certa leniência aparente com essa demora de quitação daquele empréstimo, ao mesmo tempo em que o ministro continuou com essa liberdade de decidir.

eventualmente até a favor do banco, enfim. Aí tem que analisar decisão por decisão. Mas é que tem o Bradesco lá atrás, tem o Banco Master no meio e tem depois a JBS. Quer dizer, um advogado da JBS que faz parte do conglomerado JIF dos irmãos Wesley e Wesley Batista que comprou participações também na administração do resort.

que era feito por três empresas da família Toffoli, em uma das quais a Marit, o Toffoli era sócio oculto e da qual recebia dividendos, como depois acabou tendo de admitir, depois do avanço das investigações. Então, só para clarear. Agora, voltando ao relatório da CPI do crime organizado, que deu muito o que falar, só para eu entender o posicionamento do senhor, que o senhor falou aí... ...

dessa interseção do crime organizado via teia financeira utilizada para lavagem de dinheiro. Principalmente, me parece, se eu ficar à vontade para dissertar, o caso da gestora REAG, que tem ali vários fundos, nos quais estavam, inclusive, o fundo Arlin e o fundo Leal, comandados, controlados pelo Fabiano Zettel, por meio do qual o Arlin foi comprada a participação lá no caso do resort.

Mas esse é o vínculo, pode ter outros elementos, o senhor fica à vontade, mas que o senhor traça com o crime organizado. Porque uma das contestações foi, ah, o que o ministro do STF tem a ver com o crime organizado? E outra contestação foi, ah, CPI do crime organizado, então é a mesma no fundo, não está dentro da temática. Isso foi utilizado nas próprias respostas dos ministros do STF.

Então, assim, existe um debate aí que pode ser feito. O que acontece? Eles têm um argumento contrário a que isso seja inserido no âmbito de uma CPI que trata do crime organizado. Mas pelo fato de o senhor ter feito isso...

Aí eles acusam de abuso de autoridade. Quer dizer, a posição do senhor é, olha, existe um debate aqui, que é feito pelo Senado, votaram o meu relatório, ele foi derrubado, mas daí é considerar abuso de autoridade, aí que já é um outro tipo de abuso. É mais ou menos isso a sua posição? É, porque a gente fez, o que acontece? A gente cria a CPI, né? A CPI tem escopo definido, então ela quer investigar a atuação do crime organizado no Brasil, aí tem uma vírgula, especialmente facções e milícias, mas é crime organizado como um todo.

Ao longo do processo, ele vai encontrando casos que são marcantes na atuação de crime organizado e Banco Master é crime organizado, baseado ali no sistema financeiro e alicerçado em lavagem de dinheiro de corrupção, muito claramente, e eles se conectam a um esquema de lavagem para uma facção específica, a principal facção no Brasil hoje, que é o PCC. Isso tudo vai sendo objeto de deliberações do colegiado.

Não é o relator que inventa da cabeça, vou quebrar aqui o fundo do Igor, não. Eu tenho que fazer um requerimento, esse requerimento tem que ser votado. Então, por exemplo, a quebra da Maridit, do fundo Maridit, foi aprovada por unanimidade. Aí o Gilmar Mendes vai lá e bloqueia. Aí a gente tem a notícia de que, através do fundo Arlim, o Zé Teufariu pagamento de várias autoridades, inclusive políticos, com mandato.

que teria uma ordem de pagamentos, que as mensagens indicariam ordem de pagamentos. Então, a gente pede o compartilhamento dessas informações, elas não são autorizadas. A gente pede a quebra do Arlim.

E aí o Gilmar Mendes de novo, no mesmo processo, na carentada, dizendo que não pode quebrar também o Arlin. Então a gente não chega nisso aleatoriamente, a gente chega numa construção, passo a passo. E para cada um que diz assim, não, mas não pode essa CPI não fazer isso, não tem problema não. Tem um pedido de CPI para o Banco Master, 53 assinaturas, tem um pedido de CPI para investigar Banco Master e Ministros, com 42 assinaturas.

Se for por falta de CPI, não morremos. Então não tem problema. Só que tem uma lógica nas coisas.

Essas pessoas todas que fazem a crítica, aqueles que são parlamentares, que estão em mandato, eles estavam lá também, porque eles não pediram outra coisa. Para não dizer que ninguém pediu outra coisa, o Magno Malta pediu porque ele queria ouvir o Marcola e o Marcinho VP. E o Fernandinho Beramar. Eu, particularmente, acho que não acrescenta grandes coisas, porque são caras que estão presos, condenados a 400 anos de cadeia, eles não vão sentar na cadeira, na CPI e dizer, olha, agora eu vou entregar o jogo.

Não vão. Agora, a conexão disso tudo, como é que roda esse negócio? A gente faz todo o mapeamento. As rotas de entrada de armas e drogas no Brasil estão lá mapeadas, identificadas. Por que o Brasil não enfrenta isso? Porque falta decisão política para colocar primeiro orçamento suficiente.

E, gente, a Receita Federal tem 22 mil cargos vagos, 22 mil. Coaf não tem estrutura própria, e os softwares que eles usam são de uma década passada. Você vai avançando, a BIM só tem 20% do quadro preenchido. Então, é um país que não combate a sério o crime. A gente faz ali essa coisa de estamos aqui combatendo, de vez em quando vai ter uma operação que vai morrer gente lá na favela, e o pessoal vai dizer, olha, está melhorando, estamos combatendo aqui.

Mas por trás disso, vamos falar do Rio de Janeiro, que a gente tentou investigar e não conseguiu, como é que eu vou querer que o cara resolva lá, trocando tiro lá no Morro, se eu tenho o presidente da Assembleia Legislativa identificado pela Federal como líder do braço político do Comando Vermelho?

Então é muito sério, pô. Não resolve assim. Rodrigo Bacelar. Eu tenho um deputado que já foi eleito como faccionado. Quando o TH Joes é eleito, ele já é eleito faccionado. Comando Vermelho já tem processo, já tem condenação. Mesmo assim ganha eleição. E ele tá rodando lá, ele tá fazendo o que ele fazia antes. Ele tá lavando dinheiro, enfim, mobilizando contatos. Esses caras acessam diretamente o governo estadual pra definir o policiamento.

Esses caras discutem, o comandante do batalhão fica ou sai, o delegado da área fica ou sai. Então é uma contaminação muito grande. Isso é que é o crime organizado de verdade. E só um detalhe, senador, ainda tinha o desembargador Macario Jutz vazando informação para esse grupo ligado ao Comando Vermelho e acabou sendo preso. Quer dizer, um braço no judiciário. O desembargador que ficou afastado 20 anos, se eu não estou enganado, acusado de venda de sentença. 17.

E que é absolvido porque não conseguiram julgar a tempo, prescreveu. Porque todo o tribunal se deu por impedido sem poder julgar o rapaz. Então, assim, isso é o Brasil. Então, para a gente foi muito importante, é muito importante, transferir esse recado, transmitir esse recado, esse retrato triste brasileiro. A realidade é essa daqui. Não adianta dizer, olha, vou dar tapa na mesa e agora vai ter tanque na rua. Não vai resolver nada.

Vou subir o morro, vou matar 120 pessoas lá no morro, bandido ou não bandido, tanto faz. 120 pessoas não resolveu nada, porque você vai descer o morro, aqueles 120 são repostos no mesmo dia, porque não falta mão de obra, não teve impacto financeiro relevante para a facção.

Você não fez nada, nada, a não ser política. E expôs policiais. Naquela operação do Rio morreram 5 policiais, 15, 17, ficaram feridos gravemente. Então, tudo errado. A gente faz esse diagnóstico todo, mas ao mesmo tempo, em paralelo, não é um diagnóstico.

Tem esse pedaço, tem esse, tem esse. Esse daqui é muito complicado, que é o do judiciário. A gente tem que entender esse daqui. Porque a gente acha que quando é esse escritório de advocacia aqui, o resultado é água, quando esse daqui é vinha. O que é que tem aqui? Eu não posso, a Constituição não me permite discutir mérito de decisão judicial. O Legislativo não pode discutir conteúdo de decisão. Mas forma, relações, contatos, patrimônio, é claro que eu posso. Ou não posso nada. E aí a gente tem no Brasil uma casta de intocáveis.

Só um parênteses para não perder essa leva, Igor. Qual foi especificamente a decisão ou a omissão do Alexandre de Moraes em relação à tentativa de se investigar esse pessoal do Rio de Janeiro, como o presidente é afastado da LERJ? Porque tem gente que olha o relatório e diz, ah, não falou nada do pessoal da LERJ ligado ao Comando Vermelho, etc. A postura do senhor é que o Moraes impediu o avanço?

O ministro Alexandre Moraes não despachou o pedido da CPI. A CPI fez o pedido para ter a oitívar do TH Joias, e ele simplesmente não despachou. Que é uma das formas também, o cara não nega. Não despacha.

bota na gaveta aqui, CPI tem prazo, ela vai acabar. É a jogada do Gilmar. O Gilmar faz um negócio que eu apelidei de sequestrar uma relatoria. O Gilmar, o fundo marítimo, quando a gente quebra o fundo, é quando eu recebo esse recado do acerta seu tiro, senão eu vou acertar você. A gente quebra o sigilo, unanimidade, pede os dados. Os dois irmãos do Toffoli entram com o pedido de habeas corpus para não serem ouvidos, porque também tinha sido aprovada a oitiva deles.

junto ao ministro relator, que é o André Mendonça. Beleza, o André Mendonça concede a Bias Corpus, não precisam ser ouvidos. A empresa deles não faz isso. A empresa deles entra com a petição junto ao Gilmar. Dizendo, Gilmar, há três anos atrás, tinha um processo que já está arquivado, que era de uma CPI. A gente quer que você decida nesse processo. O Gilmar mata no peito e diz, não tem problema. Está tudo errado, mas eu vou fazer aqui mesmo.

Se dá por prevento com base em inquérito, em processo arquivado. Não existe isso. Não existe.

Agora o sistema montar de uma forma, para quem não conhece, que faz assim, não, mas a decisão da justiça tem que recorrer. Recorremos. Só que o recurso só avança se o Gilmar despachar. Se ele não despachar, não avança. Basta, ele deixa na gavetinha ali. Acabou o prazo da CPI, agora perdeu o objeto.

não vou ter que responder. Ficou dito pelo não dito. E foi o mesmo processo que ele fez pra barrar o Arlin, do Zé pra poder, a gente não ter acesso que no Arlin você teria, supostamente dados de pagamentos pra várias pessoas politicamente expostas. Várias pessoas. Porque era o cara que era o agente pagador do Vorcaro. Era quem fazia e assim as mensagens são muito claras CPMI do INSS recebeu, dizendo, olha, tem uma lista aqui, esse cara já recebeu muito, deixa ele pra trás na lista, vamos pagar primeiro aquele.

Esses dados estão aí, a gente tem que ter publicidade deles. E essa vai ser uma briga, ao longo do ano, muito grande. Para a gente poder ter acesso a esses dados, para que o cidadão fique sabendo. Olha, ninguém está dizendo que o rapaz lá, o deputado fulano, o senador cicrano, é corrupto. Mas ele recebeu esses 10 milhões aqui, ele tem que explicar. Explica aí para o eleitor os 10 milhões que você recebeu. É isso, cara. É só assim, pô, me explica aí.

Aí, por que tem um contrato de 3,7 milhões aí no nome da tua exposta? Com todo o respeito, não estou falando acusando de nada. Eu só preciso entender, porque veja, o que eu acho sobre isso aí, especificamente. Cara, a partir do momento que a sociedade...

olha para a última instância da justiça brasileira e não identifica como alguém nobre ou alguém que deveria estar ali, ou alguém que é honesto, as coisas meio que ficam mais difíceis. Porque, imagina, independente do que eu acho, se o Bolsonaro, por exemplo, devia ou não ser preso.

Eu, que sou um cara comum, eu sou um cidadão comum, tô aqui olhando isso tudo que tá acontecendo e tô pensando, porra, quando eu penso em justiça, a primeira coisa que vem na minha cabeça é a cara do Alexandre de Moraes. Porque ele farmou isso daí, né? Ele, porra, foi pro estádio da dedo pro maluco, né? Ele foi, ele tirou foto lá pro The New Yorker, né? As fotos lá de, porra, Batman. Então, é...

Esse cara fez um julgamento do Bolsonaro, legal. Ali, tu conseguia dizer, ah não, pô, tem isso aqui, tu pode ter imprimido a tua própria opinião política e falar, não, esse cara é um petista, esse cara é, sei lá, ou então, não, fez isso, tá certo, é isso mesmo, pô, tem que acabar com golpista e tal. Aí vem um escândalo de dinheiro, dinheiro não tem, PT.

PSDB, não tem pessoal, dinheiro é dinheiro, meu irmão. E o cara tá enrolado. E aí ele não quer me dizer por que a esposa dele tinha um contrato de 3.7 milhões por mês, né? Sai uma nota lá que, pelo amor de Deus, né? E aí como é que eu vou confiar que o julgamento que esse cara, que aparentemente aqui tá pegando um dinheiro que não devia, que ele não quer me dizer qual é, fez um julgamento justo? De qualquer assunto. Porque se dinheiro, compra.

E assim, eu não estou dizendo que o Bolsonaro é inocente, é culpado, nem nada. Eu estou falando de qualquer decisão. Essa, eu estou usando esse exemplo, porque essa foi uma decisão que parou, todo mundo parou para ver. Agora, qualquer decisão, pô. A base da justiça é credibilidade. A base da justiça é uma democracia. Não há ditadura, não. A base da justiça vai ser a força. Se você não concorda, eu vou te prender. É mais ou menos o que o Gilmar está querendo fazer.

Mas aqui não vivemos na ditadura. Vivemos na democracia. Cheio de defeitos, mas é democracia.

O pior, além desse questionamento do julgamento do Bolsonaro, de outros julgamentos, é o memezinho que você vê circulando agora, que é assim, esses caras contam os votos.

Porque aí você está ferrando a credibilidade da própria eleição. Perfeito. Entendeu? Porra, esses caras contam os votos. E agora, como é que eu faço? Está valendo? O acesso é diferente para quem tem mais dinheiro? Para quem tem o escritório certo? O direito vale ou é só uma conveniência? Eu falo sempre mesmo. Minha filha mais velha vai se formar no que vem em direito. Gosta do direito. É vocacionada. Tem que explicar para ela que a lei vale, mas vale de vez em quando?

Vai ter essa matéria na universidade? Justiça seletiva, como é que funciona? Então, o prejuízo que esses caras causam é muito grande. E assim, por muito tempo, e a gente alertou isso desde lá de 19, a gente continua alertando todo ano. Esse negócio está ruim, está errado, porque é abuso, é excessivo, é ilegal. Não, mas está defendendo a democracia. Todas as atrocidades no mundo, na história, você faz defendendo alguma coisa.

é uma religião, é a democracia, é a cultura ocidental. Quando na vida real você vai olhar e diz, não, tem um interesse pessoal, tem um interesse aqui muito particular, motivado financeiramente ou não, e as decisões são tomadas nesse sentido aqui. Então a gente vai ter, a gente tem um encontro de contas para fazer. Pode não ser agora, mas vai ter um momento de encontro de contas que essa galera vai ter que prestar contas. Vamos dar um spoiler de como é que funciona o Brasil em regra.

No Brasil, para a gente desse nível de poder, o resultado desejável possível é a aposentadoria. É o cara bater lá, dar os três tapinhas e dizer não, está bom para mim, estou me aposentando e os colegas abafarem os casos. É o que a gente vê há muitos anos acontecendo na justiça. Se isso acontecer, já vai ser uma glória.

Porque esses caras nem cogitam autocontenção. Ainda hoje, ontem, tinha ministro falando, não tem por que falar em autocontenção, porque nós não temos problemas aqui. Então, eles estão em delírio. E, por outro lado, ministros como a ministra Carme, o ministro Fachin, falando, nós temos um problema sério aqui, a gente tem que enfrentar esse problema, a população não confia na gente, a gente tem que se explicar, não dá mais para ficar pendurado em jatinho. Quer ir para o jogo do Corinthians? Pega o Latam.

É, vai lá, latã, ou então tira do bolso 200 pau e pega o jatinho, não tem problema. Mas tira do bolso 200 pau, bota lá depois, paguei 200 mil para pegar minha viagem, porque eu queria ver o jogo do Corinthians. Entendeu? E não é assim que está acontecendo no Brasil há bastante tempo. Então tem que dar um freio. Vamos tentar que seja agora, se não for agora, mais adianta a gente chega.

Senador, na primeira manifestação pública do Gilmar Mendes, depois do seu relatório, ele questionou por que o senhor não teria incluído os seus colegas que teriam depois se vinculado às milícias. E essa alegação que ele fez lá, estou citando de cabeça, depois ficou mais truncada ainda numa entrevista, e me parece que foi deliberado, em que ele falou dos seus colegas milicianos, já associando...

de uma maneira mais direta, e aí em seguida falou, é uma hipótese, será que ele tem vínculo, será que ele tem colegas milicianos, ou qualquer coisa nesse sentido. Existe algum episódio ao qual o ministro esteja, de uma maneira subliminar, se referindo, ou o senhor considera uma tentativa deliberada de manchar sua reputação, de intimidar?

É um ataque de reputação. Ele vai mais longe, ele fala, os colegas milicianos, aí faz aquela vírgula, é uma hipótese. Será que ele quer dinheiro do crime organizado para a campanha? Vírgula, é uma hipótese. E uma terceira barbaridade que ele fala lá, vírgula, é uma hipótese. Ele não é criança, é um homem adulto, já idoso, com belíssima formação em direito, ele sabe que está cometendo crime. Ele tem plena convicção. Mas ele acredita que é impune a tudo, ele pode atacar.

Meu Estado, graças a Deus, Sergipe, não tem milícia. Nunca teve notícia de milícia estruturada. A pesquisa que saiu agora mais recente essa semana, avaliando a credibilidade da polícia na população respectiva, coloca Sergipe em terceiro lugar. Mais de 70%, 75% da população acredita na polícia de Sergipe, que é um trabalho muito sério. A gente, graças a Deus, trabalha muito. O Estado é pequeno, isso facilita o nosso trabalho.

Então, nada do que ele fala tem mínimo laxo na realidade. Mas não interessa ter laxo na realidade. Interessa atacar o que na cabeça dele é um inimigo. Que ele quer dançar. Não vai dançar, já falei, não quero dançar. Não vou dançar, Gilmar. Não vou dançar contigo. Mas essa disputa jurídica, faremos. Sem problema nenhum. Tem uma reunião marcada amanhã com a advocacia do Senado, inclusive, para tratar dessas declarações do ministro Gilmar. Preste atenção. Se você, senador Zezinho Guinho,

Não se incomoda? Isso aqui é um cara que está de toga do outro lado da praça, atacando um senador da República por conta de um voto que ele deu. E está atacando, cometendo crime. Primeiro, o abuso de pedir que se investigue, que se processe alguém por conta de um voto. E depois, com esse tipo de ataque e insinuação, o cara está no exterior. Acho que está em época de Gilmar Palusa, né?

Eu acho que é por agora. Ele está dando entrevista em Portugal e falando do Alessandro com esse papo de pode ser que seja miliciano e tal. Não é. Isso não é correto. Não é postura de adulto. Parece que a pressão aumentou e o cara voltou para a quinta série.

Ele acha que vai dar um tapa na mesa e alguém vai tremer. Aqui não vai ter nada disso. Ele vai fazer o processo. Havia pessoas nas redes sociais, inclusive, cobrando do senhor que acione judicialmente Gilmar Mendes, apesar de todo o poder, evidentemente, que ele tem no poder judiciário, mas que reaja pelas vias legais. Quer dizer, o senhor tem uma reunião com a advocacia do Senado, da qual, eventualmente, pode sair uma ação judicial em razão dessas declarações.

Sim, pode sair. Uma coisa que eu tenho é persistência e paciência. Então, eu não preciso sair correndo para processar o Gilmar. Não. O Gilmar pediu para me processar. Hoje a bola está no pé do Paulo Gonê.

Aí o doutor Paulo Goner vai ter que chutar a bola. Ele arquiva o procedimento dizendo, não, não tem razão, isso aqui está errado Gilmar. Ou ele dá andamento, ele pede um inquérito contra mim, ou ele mesmo faz a denúncia contra mim. Para cada passo desses tem uma reação técnica, jurídica, prevista na Constituição. E a gente vai usar cada uma delas.

Então amanhã a gente estabelece parâmetros que eu preciso que o Senado se dê a vergonha. Diz, ó, calma, não gosto do Alessandro, não quero que o Alessandro se eleja de novo, ele dá muito trabalho, beleza, isso é esfera política. Mas permitir que alguém saia ofendendo o senador por conta de um voto, aí, meu irmão. Ainda mais um cara que é o decano do Supremo. Digo de novo, o cara fala alemão.

me xingar em alemão, que daí pelo menos ele não ia entender. Mas dizer que eu sou miliciano, que estou recebendo dinheiro e tal, em português, aí me abre a necessidade de responder. Mas não vou responder no jogo dele. Ele vai responder no que a lei determina. Ao contrário do que ele está fazendo, eu vou fazer o certo. A Constituição me dá os caminhos. Vamos usá-los. Agora, buscando resgatar e tentando transmitir aquilo que eu tenho que transmitir para os colegas. Olha, a gente não tem por que se jogar na lama junto com esses caras.

A não ser você, eventualmente, coleguinha de rabo preso, aí você já está na lama mesmo, não tem o que fazer. Mas os outros, que são a maioria, a maioria não tem processo. Eu vi passar um comentário ali, não, tem muita gente com processo. A maioria não tem processo, não. A maioria, infelizmente, às vezes, ou não tem coragem, ou não tem a qualificação para um enfrentamento desse nível. Porque você vai brigar com esses caras, você tem que se preparar para brigar com os caras. Você não vai brigar com os caras de peito aberto. Vai tomar um atropelo.

Mas a maioria é gente honesta, pô. Só que não conseguem se mobilizar pra enfrentar um sistema que é comandado por gente que não é honesta. E aí tem aqui umas mensagens, tem essa que você tá falando aqui, ó, o cara mandou, vamos ver que vozinha ele escolheu pra falar. Rodrigo Advogado mandou uma mensagem pelo Pix. O grande problema do Brasil é ter senadores com processos no STF e isso forma um cabresto neles para que não façam o que realmente deve ser feito.

Isso que você falou aí, Alessandro, às vezes o cara não tem processo, mas ele está vendo como é que os caras reagem nesse caso contigo, por exemplo. Putz, eu não sei se eu quero essa. Meu negócio, por exemplo, ah, cara, meu negócio eu queria tanto que tivesse um esporte melhor lá no... E aí eu vou trabalhar pelo esporte, isso aqui eu não quero me meter. E aí acaba...

Sei lá, não há a ação. Não é necessariamente porque o cara tem o rabo preso, mas porque é uma briga que está meio perdida. Porque o cara, como você falou, em seis meses o cara meio já sacou qual é. Ou ele vai brigar, ou ele vai ser expelido, porque acontece às vezes você ser eleito e ser expelido, ou ele vai entrar nos conformes da coisa toda ali. E esses conformes podem ser de um jeito... Pode ser por corrupção.

mas pode ser também os conformes do cara, vou fazer o meu que eu não tenho muito o que fazer contra esse sistema inteiro. Por isso que eu brinco, não é necessariamente coragem, às vezes é loucura você enfrentar isso tudo. Mas, nessa semana também, recado, porque tem ministro que gosta de mandar recado pela imprensa, é um negócio esquisito no Brasil. Tem ministro que é fonte de jornalista tal, já sabe quem é o ministro. Sabendo quem é o jornalista, já sabe quem é o ministro.

E aí ele manda o recado dizendo que Alessandro não vai ter mais paz na vida dele.

Não é todo mundo que chega em casa e dorme depois de um recado desse, né? A maior parte dos colegas, tenho certeza, fica naquela. Pô, se eu não vou ter mais paz na minha vida, como é que é isso? Não vou poder chegar em casa? Tem três filhos, tem esposa, como é que faz? Então não é uma coisa simples, trivial. As pessoas às vezes de longe acham tudo muito fácil. Não, é só ganhar a eleição, você vai chegar lá, vai dar dois gritos e resolveu. Não, não, não. É uma batalha constante.

E muito difícil, muito complexa. São muitos interesses. Um volume astronômico de dinheiro. Astronômico de dinheiro. Nenhum incentivo pra você caminhar pela linha certa. Nenhum incentivo. Nenhum, nenhum, nenhum. Eu falo até numa outra esfera aqui, pra mim, por exemplo. Tem muita gente que pergunta, caralho, por que tu entra nessa?

O que que tu, caralho, tu vai chamar o Alessandro Vieira pra falar de STF? Tô tão feliz falando com a Anitta ontem. Porra, meu irmão, tá maluco? E assim, as pessoas realmente, elas não fazem muita ideia do que que é essa parada. Porque quando eu escolho fazer isso aqui, eu escolho, tem um monte de dinheiro que eu não ganho. Pra dizer assim, de uma maneira genérica, né? Sim, claro. Tem um monte de coisa que não acontece quando a gente...

escolhe fazer uma parada que no meu caso eu acho importante eu acho que como nós três aqui da mesa a gente acha que as pessoas tem que saber que diabo que tá que que que que você tem que fazer na sua vida, que que você tem que estudar na sua vida, qual é o patamar que você tem que tá pra ter um contrato de 3.7 milhões de reais por mês sendo um advogado, entendeu? Então a gente precisa saber essa parada

E aí, deixa eu só dar um play aqui numa outra que tem a ver com corrupção também, só pra gente matar aqui as mensagens que os caras mandaram. Senador, eu queria agradecer muito o seu excelente trabalho. Eu estava bem desacreditado no Brasil, né? Porque é escândalo atrás de escândalo, é direita com esquerda, nesse caso, master, e ninguém em prol do Brasil, né? E eu queria saber de você, assim, como que você enxerga a gente saindo desse buraco de corrupção que parece não acabar nunca?

Ele tá meio cansado. Assim, a galera tá meio cansada, né, cara? Do ouro o cara falando meio cansado. A voz do cara tá cansada. Não, cara, no Brasil o buraco tem uma pá embaixo, a pessoa segue cavando. Mas, assim, na minha visão é muito objetivo, não dá pra desistir do Brasil. A gente não pode desistir do Brasil.

Agora, tem uma jornada imensa para fazer, porque você vai ter que ter reformas amplas, porque você só consegue com um quórum mais qualificado do que a gente tem hoje. Hoje você não tem um quórum apto a fazer reformas estruturais de verdade, porque os incentivos são todos negativos, então não faz.

Mas, ao mesmo tempo, você percebe cada vez mais uma mobilização popular. As pessoas estão cada vez assim, cansadas mesmo, todo saco cheio. E você tem a obrigação, pelo menos quem pensa o Brasil de forma mais consistente, você tem a obrigação de tentar mostrar opções e caminhos. Porque senão, de novo, vai ser a opção do cara que fala, olha, me dá um jipe, dois soldados, que eu resolvo isso lá no Supremo. Me dá isso aqui, eu vou resolver, eu vou cortar aqui, eu vou fazer um ministério técnico puro sangue, ninguém vai...

E essas coisas não acontecem na vida real. Então você tem que ter o trabalho, que é muito desgastante, explicar para a galera, olha, não é fácil, você vai ter que sentar ali, é uma democracia, então para qualquer coisa eu preciso de maioria. Para uma coisa boa eu preciso de maioria, para uma coisa ruim eu preciso de maioria. Então a primeira etapa é você ter número suficiente para não permitir passar as coisas ruins. Já estamos ganhando.

Aí você vai avançando nesse quórum, nessa quantidade de gente qualificada, para poder dizer, agora vamos começar a provar coisa boa? Vamos começar a provar coisa boa. Isso é antes de pensar em esquerda e direita, né, Alessandro? Não tem nada a ver com ideológico. Corrupção não é ideológica. Corrupção é ambição, é dinheiro, é impunidade. Ganância. Ganância demais. Você ia dizer, olha, o...

Escolhi servir o povo, a população do meu país, o meu estado, vou viver a vida pública. Mas o salário é X. Você não vai conseguir enriquecer. Ninguém foi lá te buscar, meu irmão. Você pediu pra todo mundo. Pra tu chegar no ministro do Supremo Tribunal Federal, meu irmão, é um... No Fultófoli, é um colezão, meu irmão. O cara tem uma carreira longa pra fazer. E mesmo assim, isso é um troço esquisito lá no Senado. Como eu disse, eu nunca fui da política.

Uma das coisas mais constrangedoras que tem é a parte da sabatina e o beijamão da sabatina. Que é você receber lá autoridades que deveriam ser independentes e vão gabinete por gabinete pra apertar a mão e fazerem, olha, tal, eu me comprometo a... E aí o cara às vezes não faz bem o briefing dele, ele se compromete com um troço que é o contrário do que você pensa, mas ele acha que tá agradando.

muita gente chega lá e diz, vai ter portas abertas eu não demonizo a política meu irmão, não quero porta aberta não, quero só que você faça o seu serviço bem feito se você fizer bem feito, já está massa mas com certeza absoluta você não vai enriquecer vai viver muito bem, muito melhor do que a imensa maioria dos brasileiros os salários são bons salários, mas não fica rico quando o cara fica rico você tem que passar a Receita Federal dar uma olhadinha nele, para dizer, como é que isso aqui aconteceu

Ah, não, mas a esposa dele, sei lá, tem uma consultoria lá de voga. Show de bola. A doutora de voga em quê? Vamos saber aqui? A doutora fez isso daqui? Pô, isso aqui não vale essa grana, não. A doutora fez mais alguma coisa? Não, não fez. Então tem coisa errada. O maridão da doutora fez? Ó, a maridão da doutora talvez tenha feito. E aí você conecta, né? Isso a gente tá falando só quando é muito gritante assim.

for parar pra pensar mesmo, na minha opinião eu acho complicadíssimo um ministro do Supremo Tribunal Federal ter no seu círculo próximo pessoas que empreendem no direito, sabe? Isso é complicadíssimo. Pô, se a minha... Se eu sou um ministro do Supremo Tribunal Federal, a minha esposa advoga, tem uma empresa de um escritor...

de advocacia, é óbvio que vai chegar ali um troço pra se valer dessa proximidade. Pô, não precisa nem ser muito inteligente não, meu irmão. E... Como é que a gente permite um troço desse, faz vista grosso pro troço desse, isso daí é... Não tem como dar certo. É porque assim, a lei, o texto da lei proíbe. A lei proíbe que você seja juiz e você julgue causas onde tá sua esposa como advogada.

O que aconteceu há uns três anos, quatro anos atrás? O Supremo mudou o entendimento. O Supremo disse não, a lei proíbe, mas eu acho que não. Acho excessiva essa proibição, essa palavra. E aí os casos pularam assim para a casa de mais de mil, acho que mil quatrocentos, mil seiscentos casos que têm algum envolvimento de parente de ministro.

Então, assim, não é falha do Legislativo, não, porque a lei disse que não pode. Mas os caras sentaram lá e disseram, não, pode. E a partir daí a coisa estoura. É porque, na verdade, quando se fala isso, o Moraes diz que é fake news, que o Supremo Tribunal Federal nunca decidiu isso, etc. Mas é que, especificamente, o STF decidiu, por maioria de 7 a 4, que os magistrados poderiam julgar clientes dos seus cônjuges.

Só que não quando o cônjuge assina a causa específica. Agora, se o cliente é do escritório do cônjuge, onde o cônjuge atua, seja a esposa, seja o marido do ministro ou da ministra do tribunal superior, de qualquer outro tribunal, seja filho, seja sobrinho e tal.

Se for cliente, mas a pessoa não estiver envolvida no caso específico, aí pode julgar. Então você começa a ter vários caminhos para você dissimular aquela clientela. E no fundo, o escritório de advocacia está capitalizando em cima do chamariz do cargo do patriarca ou da mulher, da família, porque o empresário, e isso já foi confessado por empresário, muitas vezes em off, na imprensa, matéria de jornalismo, ele tem que escolher entre dois escritórios.

Ele fala, olha, eu acho que eu tenho mais chance se eu escolher o escritório da esposa do ministro, do Tribunal Superior, do filho, do sobrinho. Você vê, inclusive, outros advogados, cacai aí, cheio de clientes na Lava Jato, etc., que está reclamando da concorrência, justamente porque há uma procura em razão do vínculo.

E aí eles fingem que isso não é nada demais, quer dizer que é natural, não tem nenhum crime cometido, etc. Mas eu acho que a gente não pode naturalizar isso. Agora, o senhor falou a respeito de sabatinas, eu queria trazer justamente isso, porque estamos às vésperas aí da indicação da sabatina com o Jorge Messias, indicado pelo Lula para assumir a vaga do Luiz Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. Eu resgatei, publiquei no meu canal, vídeos da sabatina do Toffoli.

de 2009, que ficaram fora do ar por 17 anos. O Toffoli, eu assisti às 7 horas de Sabatina, ele prometeu uma série de coisas que... Mas está assistindo no 2X, né? Oi? Está assistindo no 2X, né? Porque deve ser chato pra cacete. É, acho que eu botei ali 1.5. Mas ele falou várias coisas que ele iria fazer, princípios que ele teria, que ele colocaria em prática no Supremo Tribunal Federal, e fez tudo ao contrário.

Tem um caso muito emblemático e viralizou o vídeo que eu fiz de compilado das frases desde naquela sabatina, que ele falou que o Poder Judiciário não age de ofício. E em 2019 ele abriu o inquérito das fake news de ofício e até hoje é relatado pelo Alexandre de Moraes, já vai fazer sete anos. Quer dizer, os indicados fazem um teatro também muitas vezes ali e cai quem quer, obviamente. Então vocês falaram do rabo preso dos senadores e isso interfere evidentemente na aprovação ou não.

Do nome, quer dizer, como é que o senhor encara a indicação do Jorge Messias? Tem a questão acadêmica, mas tem os vínculos políticos. E nesse momento específico, só para deixar aqui a pergunta completa, em que ele não só tem o histórico de atuação junto ao PT, ao lulismo, de ter sido o portador do termo de posse que a Dilma mandou para o Lula.

para evitar que ele fosse preso, o Bessias, porque ela estava gripada, a tese de doutorado que exime a Dilma de responsabilidade sobre a crise econômica, e agora pediu ao X que derrubasse postagens críticas ao PL da misoginia, depois fez um adendo ali, não dos jornalistas não, mas das outras pessoas sim, como se tivesse duas categorias, e a gente vem num cerceamento de liberdade de expressão, de crítica, de imprensa.

Porra, nessa eu fico a mão de mané, porque eu não sou jornalista, mas e aí? Pois é. Também não posso? Você tá... Cuidado. Pois é. Como o senhor avalia? Qual será a sua postura?

A gente vai ter... As sabatinas, ao longo desses anos, são cada vez menos sabatina e mais um teatro apenas para cumprir uma etapa formal burocrática. Eu votei já três ministros. Então, eu votei contra a indicação do ministro Cássio, votei contra a indicação do ministro Dino, votei a favor da indicação do ministro Zanin.

E aí você percebe que são perfis dos dois, Zanin e Dino, homens de esquerda, supostamente, vinculados ao Lula diretamente, politicamente. E o voto contra teve muito essa base do viés político. No caso do Cássio, eu apontei que tinham problemas no currículo dele, ele tinha vinculação na política com figuras.

E respondem a processo e tal. E depois tudo se confirmou. O Cássio e o Viajante já tinham com o dono de Bet. O Dino, por outro lado, não tem notícias de nenhum crime, coisa que o valha, mas o senhor é político. O senhor já deixou a magistratura para ser político. Vai ser político sentado na cadeira. E hoje acho que todo mundo está vendo. A atuação do Dino tem muito a pegada política, que eu acho que não é o bom para o momento.

E vou ter a foto do Zanin, que foi advogado do Lula. Mas por quê? Porque na sabatina e na conversa prévia ficou claro que o Zanin tem uma vinculação com o Lula, mas que nos outros pontos atende o perfil. Vamos ver a sabatina do Messias para a gente entender qual é a categorização que a gente consegue colocar nele. Então, por exemplo, eu não acompanhei essa última petição dele relativa à liberdade de expressão. Eu não tenho esse dado na mão.

E também não acompanhei uma discussão que tem hoje muito presente nas redes que diz respeito ao aborto. Seria uma manifestação dele e tal. Até porque eu estava envolvido nessa outra confusão, eu já estava brigando com o ministro que está na cadeira. Não deu tempo de brigar com o ministro que está querendo sentar na cadeira. Aí a gente vai fazer agora esse levantamento, a gente vai ter essa batina dele, acho que na próxima semana.

com votação a tendência é total de aprovação como sempre é é de 29, hoje é 23 a tendência é de aprovação não tenho dúvida nenhuma porque... sabatina

Era para ser um grande questionamento, onde você ia detalhar. Se você vai para os Estados Unidos, a sabatina dura dois dias, três dias. Você pergunta a intenção do cara, discute o julgamento anterior. No Brasil, não. O cara faz assim, olha, cada um pode perguntar por dez minutos, perguntam cinco de cada vez aí, ou três de cada vez, vai depender. E o cara anota e responde o que ele quiser. O que ele não quiser, ele não responde e tal.

A maioria tem um monte de louvor também. Mas quem quer brigar com um cara que vai ficar sentado na cadeira 30 anos? 30 anos com a cadeira importante, né? E confrontar isso acaba sendo... Não tem incentivo nenhum para você confrontar. Mas no passado se fazia, mesmo com toda essa ressalva. Então, por exemplo, o presidente hoje da comissão, que é o senador Alto Alencar da Bahia, ele sempre conta a história dele votando contra a indicação do Alexandre Moraes.

Ele dizia, olha, tem uma boa relação e tal, mas não vota em ninguém indicado pelo Temer, né? Porque ele é próximo ao PT e tal, ele entendia aquela coisa como golpe, aquele papo todo. Então, no passado, você tinha mais esse tipo de negócio, mas ele foi rebaixando o nível do jogo de um jeito que hoje você... Algumas pessoas vão gravar o seu videozinho para dar satisfação na rede social.

pouca gente manifesta a vota aberta porque tem medo das retaliações mas acredito que ele vai passar eu acho que o grande problema da indicação do Messias não é nenhum defeito ou qualidade pelo menos do que eu tenho visto agora é a idade eu acho que a gente tem que encontrar um caminho de mudança da constituição para aumentar essa idade ou diminuir o tempo de permanência

Porque o cara chega lá muito novo, é como o Gilmar. Você vê, muita coisa que o Gilmar faz é porque ele tem uma percepção de que o Estado é ele, que ele é o tribunal. Ele está lá tem, sei lá, 20 anos, 30 anos. O Fernando Henrique botou ele lá. E ele está lá e vai continuar mais uns 6 anos, 7 anos, não sei. O cara começa a confundir as coisas. Então, é importante, tem dezenas de propostas de emenda à Constituição para resolver isso. Nenhuma avança. Por quê? Porque os ministros não querem.

e aí atravessa a praça pra dar recados, ó, se aprovar um negócio assim a gente vai dizer que é inconstitucional se aprovar assado, ele vai dizer que é inconstitucional então, acho que esse processo que a gente tá agora de muita pressão, talvez vá abrindo a porta pra gente poder avançar em coisas mais positivas, mais concretas ó, limita a idade mais limita a permanência veda essa coisa de parente ficando rico que seria o lado bom da coisa, né?

veda o ministro ficando rico, cria uma corrigidoria nesse negócio, porque eles não têm corrigidoria, eles não têm ouvidoria, eles não estão submetidos ao Conselho Nacional de Justiça, e nessa confusão com o Gilmar, que a gente recorreu ao Gilmar, eu fiz questão que a advocacia do Senado fizesse um recurso diretamente para o Fachin também.

para forçar o Fachin a se manifestar. E ele se manifestou, dizendo o quê? Eu não tenho hierarquia sobre o ministro. Aqui todo mundo é igual. Então, se ele deu a decisão dele, eu tenho que esperar ele liberar aqui para que o colegiado avalie. Eu, como presidente, não posso corrigir a decisão do ministro. Vários fizeram isso no passado. Mas o Fachin entendeu que ele não podia fazer.

O Fachin é mais devagar nesse sentido, né? Ele é mais comedido. É um cara mais tranquilo. Mas acho que, pro momento, talvez seja uma boa solução. Se ele conseguiu... A Rosa Weber, com aquele jeitinho dela, super tranquila, ela conseguiu acabar com um negócio que era as vistas infinitas.

do jeitinho dela. Já tinha, rodou, já tinha passado no Senado uma PEC acabando com isso, e ela lá por dentro costurou e conseguiu sair com a resolução interna proibindo as vistas internas. Hoje tem 90 dias de prazo. Alguns cumprem, outros não, mas já mudou bastante. Então talvez o Fachin consiga também. É o que ele está tentando, com tal código de ética. Ele está tentando, vamos dar uma moralizada nesse negócio que está demais, mas o grupo ali que é liderado por Alexandre Gilmar não aceita.

Só um detalhe, o senhor tem um número na cabeça, porque o Romil Zema, por exemplo, que está com essa bandeira, com essas publicações sucessivas de críticas aos ministros do STF, ele está propondo a partir de 60 anos e até 15 anos de mandato. Seria algo razoável?

Se você vai para a média das cortes europeias, você vai estar ali entre 8 e 12 anos. Normalmente é isso. E eu acho que é um bom tamanho. Mandatos não coincidentes com os do executivo, porque não dá para ter uma vinculação tão umbilical entre executivo e judiciário, porque isso dá problema. É o que acontece com o Banco Central, por exemplo. Exatamente, mesma lógica do Banco Central.

E você tem que talvez limitar um pouco o escopo do Supremo sem deixar de botar uma luz muito forte no STJ, porque o STJ também tem problema para burro. Mas tirar a condição hoje que o Supremo tem de corte criminal e que eles cada vez mais puxam para eles. Então o ideal seria, como vários países é, uma corte constitucional para resolver questões teóricas de alta relevância. Mas no papel é isso, né?

É porque lá acumula também o criminal de quem tem foro privilégico. Então, por exemplo, se o Gilmar conseguir me processar, vai ser no Supremo. Eu sou senador. Estou como senador. Se eu conseguir processar o Gilmar, também é no Supremo. É deles lá. A corte é pelo foro de prerrogativa. Eles foram concentrando poderes com o tempo.

E eles fazem uns macetes pra pegar coisa pra eles também. Depois do Alexandre não tem uma regra. Se ele quiser julgar qualquer um, todo mundo tem foro privilegiado, que eu arrumo aqui sete apertos de mão de alguém. Acabou, acabou. E a gente tem que resgatar essas coisas. Então, assim, essa legislatura dificilmente vai fazer isso. Acho que talvez o Senado até aprovasse novamente alguma coisa, mas dificilmente passaria na Câmara dos Deputados. E pros deputados é mais difícil ainda suportar a pressão.

O senador tem mandato de 8 anos, o senador só são 81 e tal, tem uma importância, um tamanho institucional maior, e os deputados é muito mais difícil aguentar o tranco. Então acho que não passaria nessa legislatura. Mas na próxima legislatura, tanto faz o presidente da República, eu acho que a gente vai ter sim mudanças nisso. Porque acho que está se construindo um clima para dizer olha, já deu, não dá, vamos ter que mexer nisso.

Eu estou dando minha contribuição nesse processo, de mostrar para todo mundo, não dá, já passou de qualquer limite civilizado, vamos ter que parar um pouco.

alguns ministros não vão concordar e aí vamos ver na queda de braço o que acontece e aí cara, a gente tem um você acha que o acabou, teve lá terminou a CPI do crime organizado lá, todo esse movimento que a gente tem conversado até agora e cara pra avançar agora a gente precisa esperar uma delação premiada do Vorcaro, como é que isso anda mais um pouco a gente tem várias coisas acontecendo ali a gente tem no âmbito do legislativo a gente tem um pedido de CPI do Master Dizemos aqui

pelo Senado, que está na mão do ministro Cássio. O ministro Cássio e o Supremo em geral acabou de votar no sentido de que? Prorrogação de CPI não pode, via justiça, no caso da CPMI e do INSS, mas instalação pode.

que foi o que aconteceu na CPI da Covid, por exemplo. Foi instalada porque não foi à justiça. Então, essa bomba está na mão do Cássio. O Cássio está segurando ali, já tem três semanas, sei lá, por aí, e ele não decide. E não aceita também audiência com os senadores. Os senadores estão pedindo audiência com ele para despachar e ele está sem tempo. Essa é uma solução. Você tem a CPI específica para isso. Mas, em paralelo, está rolando o processo de delação do Vorcaro e por uma dessas construções que só o roteirista do Brasil faz,

O ministro relator é o André Mendonça. E o André Mendonça, para chegar lá, ele foi muito sacaneado por essa turma toda.

Para ser sabatinado, o Alcolumbre deixou ele no sol, sei lá, meses. Na hora de rodar ali a votação, tinha ministro pedindo voto contra. Isso tudo pesa um pouco. Ele não tem a vinculação dos eventos, as amizades, dos amores ali que a turma mais antiga tem. Ele é um ministro novo, relativamente novo. Então, talvez, a gente consiga ter com ele uma delação premiada que fale de todos os assuntos, inclusive desse contrato dos 129 milhões e do contrato lá do Tayhaya, para entender esse negócio.

Mesmo sendo a PGR responsável também pela colaboração premiada junto com a Polícia Federal? É outra coisa que está em rolo. Você vê como é que está. O Supremo decidiu já há algum tempo que a delação pode ser feita com a PGR ou com a Polícia Federal. Sendo o ideal que faça com os dois. E nesse processo específico, você tem, por exemplo, delações em andamento. Na CPMI do INSS, no caso do INSS, na MAF da INSS, já teve a primeira delação.

firmada com a Polícia Federal e que está para homologação do ministro André Mendonça e que a PGR já se manifestou contra. Diz não, não, porque não fechou com a gente. A gente não concordou e tal. Então assim, eles têm a decisão que vai moldando conforme o interesse. Hoje vale todo mundo, agora não vale mais. E fica essa queda de braço. Porque o cara que está entregando, acho que é o camisote, se ele faz uma delação minimamente estruturada, vai ter um monte de gente envolvida.

porque essa turma também, a máfia do INSS foi um negócio muito, muito, muito escroto, muito dinheiro vítimas pequenas, pulverizadas sem nenhuma chance de reação sem saber que estavam sendo roubadas e só foram roubadas porque teve todo um conluio ali, baseado em corrupção pra meter a mão nessa grana já vamos ter o termômetro aí, nessa delação do camisote que já está pra homologação eu acho que a do Vorcário demora mais um pouco a do cavoto

e o Vorcaro, pela natureza dele aí falando como policial ele é um 71, né? ele é um estrelanatário então a negociação com ele não vai ser rápida porque ele vai esconder informação ele vai esconder dinheiro, ele vai fazer todo um teatro ali vai fazer promessas fantasiosas ele tá fazendo muita promessa vou devolver 50 bilhões de reais ele não tem 50 bi pra devolver, eu acho ele tem muita grana, mas 50 bi pra devolver ele não tem

50 bilhões, às vezes a galera perde um pouco de escala. O que quer dizer 50 bilhões? 50 bilhões, o cara... Então, tem um caminho da roça aí pra seguir, mas é muita gente já com as informações. Por exemplo, as mensagens de telefone que o Felipe citou. Muita gente tem essas mensagens. Os videozinhos das festas. Muita gente tem os videozinhos.

as informações de como esse gênero circulava, relatórios do COAF, quebras de sigilo, muita gente tem esses dados. Então, para você conseguir abafar isso tudo, vai dar um trabalho gigante. E eu vou estar, e muita gente vai estar no outro lado, e a imprensa principalmente, pressionando no sentido contrário. Eles vão dizer, olha, não vamos deixar abafar. Cadê esse cara? Cadê essa informação? Por que você está fazendo a delação que não fala disso ou não fala daquilo?

Mas é um momento de pressão imensa, especialmente do relator André Mendonça. Esse é o cara mais pressionado hoje do Brasil. Eu estou tranquilo. Eu só tenho um ministro supremo processando. Está massa. O André Mendonça tem uma república inteira ali pressionando ele para que ele não faça ou faça alguma coisa. Pedir a Deus que ilumine para ver se ele faz um caminho bom. Principalmente os coleguinhas.

Agora, senador, o senhor foi acusado também de adotar, com esse relatório final, uma postura eleitoreira, já que estamos em ano eleitoral. O que o senhor responde em relação a isso? E queria saber também, porque muitas vezes o senhor está metido no assunto nacional, lidando com escândalos nacionais, mas as pessoas, principalmente dos outros estados do país, não sabem o que acontece lá em Sergipe. Qual é a situação eleitoral também do senhor?

Acho que a acusação de ser eleitoreiro ela se esvai com os fatos. Os fatos estão ali. Eu relatei fatos. Eu não inventei fatos. E a questão de fazer esse enfrentamento específico de problemas que acontecem com os ministros eu faço desde 19. Então, se é eleitoreiro, eu estou fazendo desde 19. Eu sou o cara que faz a pré-campanha mais longa da história, porque ela vai completar 8 anos.

E era o seu primeiro ano de mandato? Era o meu primeiro mês de mandato. Então, tem uma constância no que eu falo e faço que me protege disso, pelo menos eu entendo. E a população do meu estado, a gente faz pesquisa, majoritariamente o pessoal entende isso. Não, não tem nada de politicagem, porque esse cara sempre fez isso, ele sempre foi assim. Se você der uma chance para ele, ele vai pegar o poderoso como pega o pequeno, ele não vai fazer distinção. Isso está consolidado no meu estado.

Eleitoralmente, enfim, as pesquisas são positivas, são boas. Tem adversário atacando, criticando. Eu fiz um vídeo logo depois desse ataque do Dilma, dando esse beabá, esse roteiro. Vai ter ataque de margem e vai ter gente que ataca porque é adversário local, vai ter gente que ataca porque tem rabo preso e vai ter muita gente atacando, porque na verdade é covarde, mas diz que é corajoso nas redes, para o seu eleitorado, que vai fazer e tal, mas na vida real não faz.

E isso acontece comigo lá. Então, eu tenho adversário que faz esse tipo de ataque. Eu tenho dois adversários específicos. Hoje, o senador Rogério Carvalho, que é do PT, que estava lá, votou contra o relatório. E o ex-deputado André Moura, que estava no Rio de Janeiro, era o principal secretário do Cláudio Castro. Então, isso aí você vê as figuras. Esses caras atacam, dizendo que a política age, que não fez isso e tal.

Você vai ver, os caras só são candidatos porque fizeram acordo na justiça. O André, inclusive, depois de condenado pelo Pleno do Supremo, o cara foi condenado pelo Pleno do Supremo por crimes contra a justiça pública e o Gilmar Mendes deu para ele um acordo na persecução que deixa o cara ser candidato. Esse cara vai brigar com o Supremo? Não vai. O outro, o Rogério, que é do PT, ele tem acho que dois, não sei se são dois, são três acordos, por improbidade, esse não é criminal, é improbidade.

Ele tem os acordos dele, só é candidato porque tem os acordos. Esses caras vão enfrentar isso? Não vão.

Mas eles vão dizer pro eleitor, não vou enfrentar isso porque eu já fiz acordo com os caras. Não, ele vai dizer, você está fazendo politicagem, o Alessandro está mentindo, não é verdade e tal. Essa jogada política, ela dura até a segunda página. É quando você mostra pro eleitor, o problema é esse daqui. Você está vendo. E de novo, são fatos. Vai me processar porque eu estou mostrando um fato. Vai dizer, como é que você está dizendo que eu fui condenado? Você foi, pô.

Tem um processo aqui, é público o processo. Os acordos não são públicos. Os do André, no Supremo, ele fechou dois acordos, três acordos, na verdade, e eles não são públicos. Os ministros concederam o acordo. Então, o cara está livre para ser candidato, mas ninguém sabe como é que foi o acordo, quais são os termos, o quanto ele pagou, ninguém sabe.

E segue o jogo. Então, essa é a dinâmica da política que a gente vê hoje. E vejo muito ataque do governo também. A turma do governo, não sei se é por conta do Sidonio ser o líder hoje da comunicação do governo e ser um cara muito vinculado ao PT da Bahia.

E aí quando você fala Banco Master, você fala na Bahia, sempre tem uma turbulência. E aí também uma coisa que o cara perguntou ali pra gente, ah, não tem ideologia, não tem mesmo não. Na Bahia, o Vorcaro entra junto com o sócio dele, o Augusto Lima, e eles têm relação com o PT, muito forte e tal, mas ao mesmo tempo eles contratam a consultoria com a Semineto, que pagou uns 6 milhões.

O Neto disse que não pode explicar o que era a consultoria. Foi a consultoria que ele deu, foi seis pau. Teve até uma reportagem de jornal dizendo que teve um acordo para não se falar de Banco Master, já que o Jacques Wagner é candidato à reeleição como senador e o ACM Neto, que é ex-prefeito de Salvador, candidato ao governo do Estado. São de partidos distintos, mas teria havido um acordo para não falar desse termo.

Se teve acordo, ninguém me avisou, mas assim, tem um sintoma, né? Quem pediu algumas quebras que chegavam nisso foi esse senador do PT, o Rogério. E ele pediu a retirada dos requerimentos. Então, os requerimentos que chegavam na quebra relativa ao Assemineto, os requerimentos que chegavam nessa coisa do filho do Cássio, que também foi ventilado, o Rogério tirou, ele disse, vamos tirar isso aqui e tal. E também se tirou outros lá vinculados ao pessoal mais do PL da Bahia.

porque não é ideológico, isso é muito importante o eleitor entender, não é ideológico não cai nessa besteira, diz, ah, corrupção é de esquerda corrupção é de direita, não, corrupção está no Brasil chegou com as caravelas não tinha ninguém de esquerda, não tinha bolsonarista nem lulista quando chegou a caravela mas chegou a corrupção

Está fazendo 526 anos hoje. Mesma coisa, entendeu? Então, por favor, concentra na missão aí que é encontrar gente honesta. Se é de esquerda, se é de esquerda, se é de direita, se é de direita, se não acredita em política, se é qualquer um, mas que seja honesto. Não deixa de votar. Essa é outra coisa que nessa eleição vai ser decisiva. As pessoas estão de saco cheio, as pessoas não querem votar.

A expectativa de abstenção é muito alta. Problema da vida aí rodando, combustível, estresse, violência. Então, cara, a última coisa que ela está pensando é em política. Mas tem que arrumar um tempinho para pegar aquela porcaria de lista lá de candidatos e escolher alguém que tenha um fit mínimo e lhe entregue um resultado decente. Que seja honesto e qualificado. A família Bolsonaro apoia algum opositor seu dessa eleição?

eles apoiam lá o atual deputado federal Rodrigo Valadares. O Flávio. O Flávio gravou vídeo dizendo para não votar no Alessandro. Isso aí eu estou até reproduzindo aqui, aproveitando o seu alcance, para dizer que o Flávio Bolsonaro disse para não votar no Alessandro. Ele não disse por quê, mas ele disse para não votar no Alessandro.

Porque esse perfil do cara que é independente, que mostra as coisas, ele incomoda demais o cara que é só fachada. Incomoda demais. O cara que é só fachada, ele vai fazer o papinho dele e vai para casa. Eu não tenho condições de comprar uma mansão que está em três anos. O Flávio teve.

financiado no BRB, com esse presidente que agora está preso aí no esquema do máster. Vou dizer que está alguma ilegalidade? Não, porque eu não sei, não quebrei esse gírio, não estou investigando esse troço, mas eu não consigo fazer isso, comprar uma mansão em Brasília e que está em três anos. O cara conseguiu, parabéns para ele. Se ele explicar isso daí, o brasileiro aprender, está eleito presidente da República, porque aí todo mundo vai comprar uma mansão na beira do lago. Esses caras se incomodam com o meu jeito de trabalhar.

Mas eu não vou mudar. Não tenho jeito para mudar. Fiz 51 agora. Não mudei até agora. Vou mudar agora depois de velho? Não vou. É isso daí mesmo. Acho que a gente tem que falar as coisas que são verdadeiras, sempre tentando ser o mais respeitoso possível, o mais educado possível, mas falando a verdade, mesmo quando ela incomoda. Ou eu vou dizer que estou aqui para... Ah, não. Você está falando que o governo Lula interferiu?

Claro, pô, trocou os senadores que iam votar. Não devia estar ali, pô, só pra você olhar. Você vai dizer o quê? Ó, a primeira vez que eu vejo o Alessandro rindo, né? Não tem a condição. É porque, assim, as narrativas, elas chegam no limite do ridículo, pô. Você vai rir ou vai ficar doido? Eu não pretendo ficar doido, eu prefiro rir um pouco e continuar trabalhando. Essa linha, Alessandro, é... Cara...

Realmente, a gente vê com esse movimento do governo, de movimentar ali e ir para enterrar a CPI, eu pelo menos não vi, aí vocês me corrijam, um movimento, por exemplo, das grandes lideranças da oposição, botando o dedo na ferida, olha aqui o governo enterrando.

A possibilidade de, sei lá, de pegar o ministro da STF ou de qualquer coisa, sabe? Porque me parece, a sensação que eu tenho, é que está todo mundo de rabo preso e era óbvio que os caras não iam fazer isso mesmo. É isso mesmo? Não, a gente teve o contrário. Quando a gente fez a coleta de assinaturas para ter uma CPI específica para apurar a relação dos ministros, porque assim é um remédio jurídico, né? Não, os caras estão dizendo que essa CPI não pode? Vamos fazer uma específica. Matei esse argumento.

Quem é que fez vídeo pra dizer que não podia e tal? O Flávio, o Flávio Bolsonaro. Aí depois ele apanha da militância, aí ele vai e assina, mas depois ele faz, porque alguém avisa pra ele alguma coisa, ele faz um novo vídeo dizendo, ó, assinei, mas tá tudo errado, porque não pode. São esses caras que estão aí.

Entendeu? São esses caras que estão aí e só estão aí por uma questão nossa. Se não tem gente melhor, se a gente vai ter o Lula com 81 anos de idade representando o segmento da esquerda, é porque ninguém conseguiu colocar alguém melhor pra estar ali. Se vai ter o Flávio representando o segmento de idade, ninguém conseguiu. Então a responsabilidade é nossa, brasileiros. Então trabalhar e dar alternativas, acho que é o mínimo que a gente pode fazer.

explicar pras pessoas a realidade, mesmo quando incomoda. Porque hoje, como a política tá cada vez mais polarizada e apaixonada, quando você fala essas verdades, você incomoda pra burro. Então, eu já tenho certeza. Afinal, aqui, na nossa entrevista, vai ser cacete dos dois lados, apanhando na minha rede, nas minhas redes. Certeza, contratado já. Mas o conteúdo passou, a verdade passou. E quando é de verdade, o cara pode reclamar, chorar e tal, mas ele vai chegar em casa, vai botar a cabeça no travesseiro e vai pensar, pô, realmente, os caras não fizeram, não.

Só um último ponto que o senhor falou em alternativa e eu pensei em Davi Alcolumbre. O senhor tem tido ali alguns embates, o senhor faz um discurso que ao mesmo tempo é diplomático, mas ao mesmo tempo cobra ao presidente do Senado determinadas atitudes. O senhor fez isso depois dessa reação do Gilmar Mendes, porque veja que o próprio presidente do STF, pressionado por esse grupo que eu chamo de centrão do STF, Gilmar, Moraes, Toffoli, emitiu uma nota.

contrária ao relatório, mas ao mesmo tempo dizendo que ninguém está acima da lei, etc. Depois saiu notícia do jornal que Gilmar e sua turma não ficaram sequer satisfeitos com a nota que deveria ter sido mais incisiva do Fachin. Agora o Davi Alcolumbre não soltou uma nota mais firme contra essa atitude.

dos ministros do STF, o senhor estava ali cobrando alguma reação, ele simplesmente ofereceu a advocacia do Senado, colocou a sua disposição e do Flávio Bolsonaro também, porque teve uma ação do Moraes ali contra uma postagem que está sendo alegada como suposta calúnia contra o Lula, etc.

Então foi tudo mais ou menos junto. Eu pergunto sobre a possibilidade de mudança do presidente do Senado. O senhor falou de uma próxima legislatura que eventualmente possa ter senadores mais dispostos a um enfrentamento que o senhor defende que seja técnico, objetivo e não de carro de som, de rede social.

Mas como é que fica esse poder? Porque a gente sabe que o Davi Alcolumbre foi quem apadrinhou o Jocildo Gomes, presidente da Amprev, o Fundo de Previdência do Amapá, que fez um aporte de 400 milhões de reais no Master. Ele está sentando em cima de pedidos de impeachment, de pedido de CPI, inclusive sobre o Master. Ele participou dessa articulação do governo para trocar membros da CPI do crime organizado. Ele é muito próximo dessa ala do Supremo Tribunal Federal.

O senhor vislumbra aí uma perspectiva de mudança? Porque essas pessoas têm muito poder, elas atendem ali no Congresso Nacional a muitos interesses.

Em fevereiro de 2027 a gente vai ter eleição no Senado. Funciona assim, é interessante, eu não sabia disso, sinceramente, eu fui eleito senador e não sabia disso. No primeiro dia de trabalho, você chega lá e você elege um presidente. Primeiro dia, não faz outra coisa. Chega lá no primeiro dia, vai ter uma votação, seguramente Davi vai ser candidato à reeleição, ele pode ser candidato à reeleição. Da outra vez que ele tentou, ele não podia, eu fui à justiça e a gente bloqueou essa tentativa de reeleição dele, porque ela seria inconstitucional, mas dessa vez não, ele pode ser candidato.

E vai depender do que o grupo que for eleito para 27 conseguir construir. E aí, por isso, é muito importante uma eleição que seja consciente ou minimamente consciente pelo Brasil afora, para as pessoas entenderem. Tá, eu quero chegar nesse resultado X, qual é o caminho da roça? A primeira coisa importantíssima é você ter um presidente do Senado que não fique sentado nos processos. Pois é. Porque enquanto ficar sentado nos processos, os seus caminhos são muito pequenos. Agora, se ele sai de cima do processo, aí os caminhos se abrem.

Então quer dizer que eleger um outro presidente podemos já tirar 10 ministros? Não, não é isso não. Você vai ter que ter um processo, tem que ter evidência, instrução. O cara tem que ter cometido o crime. Tu não vai tirar ninguém. Eu não gosto daquele ali. Nem tem caminho, instrumento para isso. Não, não tem. Mas essa é uma eleição que é muito impactante para o Brasil que a gente vai ter. A eleição que vai acontecer lá no início de fevereiro de 2027, que é a eleição da presidência das duas casas.

Mas mais importante o Senado, por quê? Porque o Senado é o único que faz esse controle constitucional do Supremo. É o arranjo constitucional que a gente tem. Então, acho que é importante as pessoas atentarem para isso. Essa vai ser uma disputa muito importante. Olha essa mensagem aqui. Rocha mandou uma mensagem pelo Pix. Alessandro, a raiva que você deve provocar no Gilmar, Alexandre e Toffoli, com toda essa calma, me faz muito bem.

É, que bom que alguém gosta. Vamos para uma outra aqui. Ah, isso daí foi só para fazer a gente rir mesmo. Milton mandou uma mensagem pelo Pix. O PGR esta com medo do que pode acontecer a ele. Por isso não fez nada ainda com denúncias contra os ministros. O crime organizado, como a hierarquia que você mencionou, pode o líder ser os ministros ou um. Bom, sei lá. Milton mandou uma mensagem aí. Essa era a mensagem dele.

Não vou dizer que o ministro do Supremo é líder de crime organizado, não é isso. Eventualmente o que a gente está apontando são relações entre figuras do crime organizado e ministro do Supremo. Isso foi apontado no relatório. Olha essa aqui do Walter Lann. E essa é a última mensagem. Walter Lann mandou uma mensagem pelo Pix. O Julian Lemos. Está falando a verdade? Ou é só um aproveitador? Gosto do jeito que ele está se posicionando.

Não estou acompanhando exatamente o que o Julian Lemos está falando. O Julian Lemos era aquele cara que estava no início do bolsonarismo e depois rompeu. Eu não estou acompanhando o que ele está falando. Ele tem dado várias entrevistas falando dos bastidores daquele processo que tem a ver com a CPI da Lava Toga.

Movimento encabeçado pelo senhor, mas ele traz ali os bastidores de como alguém que era aliado da família Bolsonaro e fica contando detalhes do que Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro fizeram pela retirada de assinaturas dos parlamentares. É isso que ele tem falado no tom dele. Tudo isso é público, tudo isso foi objeto de discurso. Então o Major Olímpio, já falecido, falou na tribuna. A Soraya Tronique falou na tribuna. A Juíza Selma falou na tribuna. O Flávio fez discurso, o Eduardo fez discurso contra a CPI da TOGA.

porque eles verbalizavam que podia atrapalhar o governo do pai. Mas na vida real a gente sabia que tinha processo ali em andamento relativo ao Flávio, que era um processo complicado das achadinhas. Esse processo ficou parado um ano, depois ele teve anulações sucessivas de prova, aquela coisa toda. Ninguém nega os fatos, as pessoas negam o formato e acabou, não tem mais. Acho que a última canetada foi do Gilmar, não vou ter certeza absoluta, mas acho que a última canetada que ainda foi o Gilmar, proibindo o Ministério Público de voltar a investigar aquilo ali.

Essa foi a razão de você ter esse acordão naquele momento. Além de um grande desconhecimento. Você vê essa galera que chegou ali com o Bolsonaro, muita gente chegou desconhecendo o sistema. E quando eles colocam o pé ali, eles começam a perceber o tamanho do BO e vão se moldando. E a moldagem que eles fazem, vai para um lado, eles fazem esse acordão com o Supremo.

pro outro lado desse caminho, um ano depois mais ou menos, virou orçamento secreto que é um acordão feito com o centrão toma orçamento e eu tô aqui, você não vai fazer impeachment, não vai me derrubar e tal esse foi o jogo que rodou em Brasília, mas eu não acompanhei como é que o Julian tá falando sobre isso

Bom, senador, muito obrigado pela tua presença, obrigado pelo teu tempo e por ajudar a gente a entender melhor o que está acontecendo aí no Brasil. Felipe, quer falar alguma coisa? Não, só agradecer essa entrevista presencial. O senador está fazendo um papel importante de trazer à tona fatos relevantes sobre pessoas que têm muito poder. Evidentemente, se pode e é legítimo.

discutir os melhores caminhos, os enquadramentos, etc. Agora, a gente tem que olhar com muito cuidado para retaliações, vinganças, para essa confusão entre o Estado e determinadas autoridades. O Estado não são elas, elas não são as instituições, não são a democracia, são ocupantes de cargo num período determinado de tempo.

Então, acho muito importante trazer as nuances que muitas vezes se perdem na manipulação retórica. Então, agradeço imensamente por essa entrevista, Igor. Sempre um prazer. Valeu.

Senador, mais uma vez, obrigado. Quer falar alguma coisa? Não, agradecer para vocês, para quem teve paciência de acompanhar a gente aqui, uma hora e quarenta de conversa. Acho que muita informação é importante e o único caminho que a gente tem no Brasil é esse. Não desistir do Brasil e se informar bem. A partir daí você toma a sua decisão que democracia não é só quando eu gosto do resultado. Democracia é quando todo mundo informado pode votar. Daqui a pouquinho chega a hora de votar. É isso.

Então, muito obrigado por assistir aí também. A gente vai deixar aqui no comentário fixado as redes sociais de quem participou desse programa. Aí na descrição você encontra o Discord para você sugerir novos programas, novos convidados também e virar membro. Custa menos de R$8,00, não dá nem para comprar um isqueiro. Tá bom? Então é isso. Um beijo para vocês e até a próxima. Tchau.

SENADOR ALESSANDRO VIEIRA - Flow News #041 | Castnews Index — Castnews Index