Episódios de Flow Podcast

RAFINHA BASTOS - Flow #593

24 de abril de 20261h23min
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Rafinhas Bastos aka Rafi Comedy.

Participantes neste episódio2
R

Rafinha Bastos

HostComediante
I

Igor 3K

Co-hostComediante
Assuntos4
  • Indústria da Comédiamercado de comédia · comédia e internet · humor e crítica social
  • Comunicação Brasileiracultura de atraso · jeitinho brasileiro · malandragem
  • Cultura Digitalpolarização política · consumo de conteúdo · algoritmos e engajamento
  • Mídia e Fofocaindústria de fofoca · fake news · publicidade disfarçada
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Por você que me manda uma mensagem falando como é que você vai pro Brasil e não vem no flow. É verdade, eu mandei essa mensagem. Aí eu me senti na obrigação, né? E estamos aí. Sabe por que eu te mandei aquela mensagem? Eu falei assim, pô, a Finha tá no Brasil, mano, salve nele aí, pô. Aí os caras, pô, já mandamos já e ele falou que... Mentira, não mandou.

Não mandou porque eu mando uma... Chegou número estranho, eu não recebo, irmão. Não tem essa, não. Então, já que tu falou da mensagem que eu te mandei, eu posso mostrar as mensagens que você me mandou, seu viado? Pode, claro, claro. Eu mandei, respondi a mensagem. Manda, manda. Então tá, então vamos mostrar. Você ficou confuso, né? Eu fiquei confuso. Eu fiquei, caralho. Eu mandei pros moleque, não foi? Eu mandei, ô, avalia aí se o Rafinha tá me escaralhando aqui mesmo. Que caralho, mano. Olha só textão, mano. Olha as transcrições.

Eu mandei vários áudios. Vai lá. Mas é longo. Tudo bem, pessoal? É longo. Mas eu quero que você bote todos. Porque tem várias reviravoltas aí.

manda uma mensagem indignada, fala, pô, Rafinha, você vem no Brasil, não me avisa, pô, tem que me avisar pra ir no podcast. Aí eu pensei, pô, beleza, tá bom, vou avisar. Agora tô indo pro Brasil, mandei uma mensagem, falei, Igor, tô indo aí. Aí o Igor responde, ô Rafinha, pô, vamos fazer o seguinte, vamos fazer no mesmo dia da Anitta, que aí o seu vai gravado e o dela vai ouvir, você quer fazer? Aí eu falei, pô, tá bom, achei esquisito, né, mas falei, imagina, Igor, você que manda aí, pô, vamos aí, você quer que eu vá, vou do jeito que você quiser.

Mas também, posso fazer outro dia, se precisar? Ah, tá bom, deixa eu ver aqui, deixa eu ver, graças a alguém. Ah, já sei, vamos vir aqui no outro dia, que aí eu trago o Cauê junto, tem problema?

Você faz o seguinte, Igor, você enfia teu podcast no olho do teu cu, tá bom? Um abraço. Então o cara me manda uma mensagem pedindo pra eu avisar quando eu tô no Brasil porque ele me quer no podcast. Aí ele tenta encontrar um esquema pra mim que é tipo, não, vai gravado, senão traz um reforço pra fazer o podcast. Porra, então não te não convida, caralho. Porra.

O próximo passo era você dizer, ô Rafinha, vamos fazer o seguinte. Porra, eu vou trazer o... Nem vem. Vamos fazer o seguinte, eu vou trazer o Vitor Sarro. Aí eu ligo pra você, a gente fala dois minutos durante o papo com ele. Ou então você pode mandar um vídeo pra aparecer aqui no... No dia que eu fui gravar com o Ramon Dino. Pode ser? Faz o seguinte, Rafinha, nem manda vídeo. Manda um e-mail pra mim aqui no contato. Arroba flow.com.br que eu leio no ar, tá bom? Um abraço.

E pior, eu vou continuar falando aqui porque eu tenho mais o que falar. A mensagem do cara é, o que tu acha de eu ver se o Cauê topa também? Ajuda? Como se eu precisasse de ajuda. Ajuda você, Rafinha, a conseguir se expressar decentemente no português? Eu trazer um Cauê? Por que você não admite o teu, Rafinha? Ô Rafinha, eu não sei o que falar. Então eu vou trazer o Cauê porque ajuda a mim. Porque eu tô precisando de ajuda. Eu não tenho o que dizer e eu tô precisando de ajuda. Então faz isso, não joga a responsabilidade da ajuda em mim.

E eu nem condeno que você tá precisando de ajuda. Já falamos tanto, já discutimos tantas coisas, tantos assuntos só foram abordados, que é o entanto que você tá precisando de um auxílio. É longo. Eu não tenho lugar, até me estaria preocupado. Eu tô animado. Vou trazer mais um aqui pra me ajudar. Agora, só não repassa ajuda nas minhas costas, como se eu tivesse que decidir aqui, como se eu estivesse precisando de uma força, que não é verdade.

eu queria saber se você... Porra, viado, ainda tem mais... Esse e mais um. Não, não, não, tá bom. Acho que chega, né? Acho que chega, né? Tu tava muito puto com o... Não tava, não tava. Eu me empolguei, eu tava sem fazer nada. Eu tava... Eu não costumo nem mandar áudio, mas nesse dia... Não, mas eu achei, eu achei. Não, sinceramente. O cara me liga e fala assim, ô Rafinha, vamos no posto, você tem que me ligar pra ir no podcast. Eu falei, tá bom.

claro, queria vir eu não queria vir, não que não tenho nada pra falar, nada novo pra trazer ia longe pra caralho uma hora e dez aí beleza, não, topo e aí o cara encontrando você vai depois dela e depois traz o Cauê que eu amo o Cauê, mas tipo não, porque aí de repente te ajuda te ajuda não, a tua pergunta era não, calma aí

Calma aí, porque eu não vou deixar passar essa. Você vai dar. Eu realmente disse, ajuda? Ajuda. Você fala aqui, ó. Pera aí. Tá aqui os vários áudios e você fala o seguinte, ó. No dia gravação, não sei o que e tal. O que tu acha de ver se o Cauê topa também? Ajuda? Isso. Ajuda o quê?

Ajuda, porque você é um arrombado que fica me dando desculpinha. Porra, não tenho nada pra falar, porra. Ah, por isso? É. Ah, tudo mais. Então você tem que se expressar, porque desse jeito parece que você tava falando. Você tem razão. Falei igual um orangutano mesmo. Ajuda, falei... Mas eu consigo me expressar. Eu, inclusive, tinha um podcast, eu falava muito. Eu sou conhecido por falar.

Se expressa em duas línguas, inclusive. Eu não mando áudios, mas aí eu me empolguei. Aí depois, realmente, demorou um dia pra responder. Eu falei pra minha mulher. Eu acho que o Igor é capaz de achar que eu tô puto mesmo. Aí você me manda um... É bom que depois... Caralho, parece sério. Mas veio do Rafinha. Então pode ser piada. É verdade. Eu falei, marca aí quando tu quiser.

É, bom, a minha ideia era porra, eu quero trocar, por que eu tô chamando Rafinha? Me interessa, sei lá, eu quero trocar uma ideia com um cara que eu gosto. Que dá view, vai. Vamos dizer a real. Que dá view. Se eu fosse um arrombado, ter um amigo, tem muito amigo pessoal. Eu chamo uns amigos arrombados que não dá tanto view também. E pior é que em você, eu acredito.

o pior que eu realmente faço mas o ponto era, cara, eu queria trocar uma ideia com os amigos, e esses dois amigos que criam conteúdo juntos eu amo o Cauê, nada contra o Cauê que eu amo inclusive ele era pra ele vir, não veio porque transcioso e aí a minha ideia era criar um programa que a gente pudesse falar já atrocidades que a gente quisesse, sem necessariamente ter que falar, porque assim aqui eu não preciso necessariamente ficar contando, ou você não precisa ficar me contando a história da tua vida toda vez eu não preciso

Não é essa a ideia. Inclusive, a gente tava falando aqui antes de um assunto que o Jean falou não, não, não, começa a sair logo ao vivo aí porque isso daí é maneiro da gente trocar ideia. Você lembra? Era o quê? Era sobre se o brasileiro se comunicar... Ah, o brasileiro, o brasileiro é... É um... Ele é um... Ele é bom de dar golpe ou ele é bom... Não, falei bom de dar golpe!

Eu não preciso falar de assunto polêmico. Rafinha estava me falando que o brasileiro é bom de dar golpe. Porra, não era exatamente isso que eu estava falando. A gente estava falando de Daniel Forcaro, cara. É bom de dar golpe, mas não era dele que a gente estava falando. O brasileiro que eu estava falando é o seguinte. Se você comparar, a gente tem uma esperteza, inclusive para a maldade, que outro país não tem.

Te dou um exemplo. Ridículo exemplo que eu vou te dar, mas eu nem sou um criminoso profissional. Mas no dia a dia, eu tenho certas manobras que outros países não têm.

Tipo, dar uma coxetinha pra direita na faixa do ônibus? Não, é nem isso. Vou te falar uma coisa. Eu tava em Atlanta, ficando num albergue faz muito tempo atrás, quando eu não tinha dinheiro suficiente pra pagar um hotel. Não que hoje eu tenha, porque também... Mas aí eu tava num albergue e os caras estavam jogando sinuca. E aí toda vez iam me pedir uma moeda, porque eles precisavam de uma moeda pra jogar um novo jogo de sinuca.

Um novo jogo de sinuca. Porque caía as bolas no negócio da sinuca. Eles tinham que tirar as bolas, botar um negócio novo e tal. E aí abria a caixinha da sinuca. Sinuca é assim, né?

E eu cheguei pros caras e falei, por que você quer o quarter? Aí eu cheguei no jogo e falei assim, vem cá, bota um cone de papel em cada buraco, quando cai ali você tira a bola e você joga o dia inteiro. Eu virei o rei do albergue.

Pá, o brasileiro veio com uma ideia. Nossa, mas... Como é que nunca ninguém tinha pensado? Aí eu pensei assim, pô, os caras são idiotas. Não sou eu que sou brasileiro. Porque eu vi aquele esquema, eu já pensei uma maneira de burlar o sistema, entendeu? Então a gente tá sempre nisso.

Você acha que a gente vai pra esse caminho? Que a gente é realmente muito bom nisso. E eu vou te falar que o Carioca é especialmente bom. Eu acho, falando sério, me parece que é porque, meu irmão, a gente tá fudido desde sempre. Sim. E a gente precisa se virar, ficar vivo de alguma forma. Isso. Tá ligado? E essa palavra bonita, essa escassez, é o que faz a gente ser meio filha da puta no fim das contas.

Concordo, mas não é uma coisa de hoje. Eu acho que é conhecido e internacionalmente conhecido. Você vê o personagem da Disney. Qual é o personagem da Disney brasileira? É o Zé Carioca. Que foi criado em 1950, que é um malandro que dá golpe em todo mundo. É isso, esse é o Zé Carioca. É um pouco a gente, sim. Mas, ao mesmo tempo, no meio dessa maneira de olhar o mundo, a gente encontra formas criativas de resolver problemas. É verdade. A gente consegue conviver realmente com muito pouco.

a gente dá jeito nas coisas o brasileiro tem isso e você vê que a gente é muito articulado então não é só a maldade do golpe que a gente tem mas também acho que tem essa maneira inteligente e criativa de lidar com a vida

Tem, inclusive, eu já estava trocando ideia com um cara que ele é um executivo que cuida de uma empresa em todas as Américas. E ele é brasileiro, então ele cuida dos Estados Unidos também. Não é comum isso. E aí, é uma empresa russa, é da Kaspersky Antivírus. E aí...

Cara, como é que... Por que que escolhe? Por que um brasileiro pra lidar com todo mundo? Ele falou, cara, os brasileiros têm umas características que outros caras, eles não sabem lidar. Por exemplo, aqui a gente marca sete horas...

E chega às 7h15. Chega às 7h20. Tá tranquilo aqui. Todo mundo espera que isso vai acontecer mesmo. A gente tá acostumado a operar numa área cinzinha. Então é tudo mais ou menos aqui. Pô, esse mês eu quase pago o meu cartão de crédito. Tá ligado? Mas é um cinzinha que ele é individual também. Porque esse 15 minutos pra um é 40 pro outro.

É mesmo, é mesmo. Não é uma coisa simples. A nossa, o brasileiro sempre atrasa 15. Não é não. Tem um cara que vai sempre 50. Agora eu te dou um exemplo. Eu moro nos Estados Unidos, faço show lá e os caras são assim, eles são pontuais. Afinal de contas, o show é pra começar às 7 horas da noite, ele começa às 7 horas da noite. Agora tem uma coisa muito louca que é o seguinte. Os caras me marcam um show em Ohio, no estado do Ohio. E o meu show é sexta-feira, 8 horas da noite.

Cara, sexta-feira, 7h45, ninguém veio descobrir se eu tô na cidade, se eu já cheguei, se eu tô a caminho do teatro. Quanto tempo você vai demorar? Ninguém. Os caras têm certeza que você vai chegar às 8h da noite. Eles esquecem que tu é brasileiro. Eles esquecem, exatamente. Eles não percebem que eu sou latino-americano. A gente tem essa folga.

Mas eu acabo chegando. Mas assim, é louco a confiança que eles têm no processo criado por eles mesmos. Então a gente se adapta. Obviamente eu tô lá, não vou tentar botar as minhas regras. Mas é louco. Às vezes eu tô no meio do país pensando... Eu nem sei se vai... Parece que nem vai ter show. Aqui, você sabe muito bem, você vai fazer um evento de empresa.

começa às oito horas da noite, às sete da manhã eles te mandam um Uber pra você chegar às nove e meia, assistir o evento todo. Eles te querem lá, né? Eles te querem lá. Se você vai fazer uma ação de publicidade... Nossa Senhora!

Se você vai fazer um comercial... Essa é a minha câmera aqui? Se você vai fazer um comercial no Brasil... Se você é famoso, ator, rico, não pega a propaganda da Brahma. Porque os caras te fazem chegar sete horas da manhã enquanto a Paola Oliveira tá fazendo cabelo, que demora quatro horas...

O Júlio Rocha tá sentado na cadeira e teve que chegar no mesmo Uber dela, no mesmo carro. Não mandaram um carro. E ele fica sentado 14 horas até fazer um take pra propaganda da Brahma. Eu tenho uma tristeza, cara. Porque os caras não confiam que você vai chegar e fazer. Não confiam. Então eles precisam se cercar.

Mas a gente também não chega, a verdade é que... A gente não chega. A gente também não chega, essa que é a verdade. Mas assim, porra, não chega, não chega. Não chega, não chega. Vai dar certo, dá tudo certo no final. Essa é uma das grandes vantagens, Igor, que eu sinto, que eu, graças a Deus, tenho hoje, por ser um cara relativamente conhecido. E até querido. Eu tenho uma liberdade de chegar atrasado, né?

de não ir aí as pessoas aí as pessoas falam o seguinte não, não, não já me ligam e falam Oi Rafinha, tudo bom? Podemos na quarta-feira eu sei que você é muito ocupado eu não desminto

Porque se eu mudar de ideia, você já tem na sua cabeça que eu sou ocupado. Na verdade, eu não faço porra nenhuma. Mas eu mantenho essa aura do homem ocupado. Não acha? Não é bom isso? Os meus, eles viram pra mim e falam assim, porra, filha da puta, tu acha que teu tempo é mais precioso que o dos outros, né? O seu arrombado. Aí, porra, não é verdade. Não é verdade. Não acho. E isso me ofende.

Não, o meu é. O meu é mais precioso. Mais precioso. Se eu tô lá pra fazer o comercial e os caras... Você vê o cara ali montando toda uma estrutura sete horas da manhã. Era pra eu chegar às duas, eu chego às três. É abusadíssimo. E vou sair nas listas como arrombado. Mas eu não tô nem aí. Aquela uma horinha a mais em casa me deu uma felicidade que nenhum feedback positivo me traz.

Então, pode falar mal, eu vou continuar fazendo as coisas no meu horário. É isso, cara. Ah, o Rafinha abusado? Ah, sou, sou abusado, sim. É isso. Quer ser abusado também? Seja o Rafinha. Não, seja o Rafinha. Vai fazer lá um programa de televisão, uma coisa assim, pra poder chegar atrasado nos negócios. É isso.

Tu não acha que tem um charme em chegar 15 minutos atrasado? Olha, querido, pra mim pode ter. Pro cara que tá carregando a iluminação, talvez não, mas eu acho...

Ninguém chega na hora da festa, não é verdade? É. Estreia de filme, porra. Se o Tiago Lacerda chega antes do público, é chato. Puta, é chato demais. Você tem que chegar ali causando... Não, mas tem gente que prepara. É que a minha questão é o desleixo. Tem gente que o atraso é uma estratégia. Sim, sim. Aí eu já acho palhaçado. Quando o atraso é uma estratégia?

Pô, mas quando tu é a gostosa da sala, tu vai fechar um negócio. Tu chegar atrasado não demonstra que tu tem uma alavanca maior? Você tá me dizendo que, tipo, tem... Tem reuniões que você faz... Eu não. Não, não. Não que você bote a gostosa. Mas você já teve reuniões em que você sente esta pessoa tá aqui apenas pra... Pra alegrar meus olhos?

Porque eu tinha, eu trabalhava com uma... Já trabalhei com executivo. Gostosa, eu quero dizer. Gostosa, minha mulher é gostosa. Gostosa é... Rabo preso. Mulher é gostosa. A gostosa da relação é quem tem maior, é quem... Se você quer alguma coisa de um negócio que a gente tá fazendo, se você quer, e eu não quero tanto, é você que quer, eu sou a gostosa.

É disso que eu tô falando, entendeu? Não, eu tô falando de mulher gostosa. Não, eu não tô. Eu sou casadasco, cuidado, irmão. Tudo bem, mas eu também sou. Mas eu já tive reuniões em que a executiva nem era tão competente, mas ela fechava todos os negócios. Porque eu imagino ela na reunião dos tiozão, que ela já é uma mulher muito bonita, e uma mulher inteligente, que sabe se colocar. Meu irmão.

Porque ela não tá falando com a gente que tá cagando, que a gente tá acostumado a ver gente o tempo inteiro. Pega os tiozão do pavê, executivo, com muita grana, eles se derretem por um leve decotinho. Um botão aberto. Não sou eu que tô plantando isso, eu tô te falando. O fato é, isso abre porta. Principalmente com esses caras babacas. Era pra não ser assim, era pra não ser assim. Mas é, mas sim, concordo. Mas é, não adianta, né, cara?

Agora, por que a gente entrou nessa mesmo? Eu tava falando das gostosas da relação de chegar atrasado. Tipo, eu já vi uns caras que deixam o maluco esperando na antessala ali. Só pra parecer importante? Sim. Ah, entendi. Então, não é tão incomum não, na verdade. Eu tive...

Eu acho que tem... Mas qual reunião que tu foi que tinha uma gostosa? Ah, eu não posso falar, porque a pessoa é conhecida. A pessoa é conhecida. Aí fica sacanagem. Eu tive uma pessoa com quem eu trabalhei que ela realmente era uma mulher muito poderosa, muito bonita, e ela tinha, assim, ela realmente muito inteligente nos negócios e se aproveitava do fato de que ela era uma mulher bonita pra, tipo assim, não só apenas gostosa, bonita, como eu boto o meu clitóris na mesa aqui. Entendi.

E ela fechava mesmo. Poderosa mesmo. É isso, porque os caras se intimidam por uma mulher com atitude que seja uma mulher bonita, que sabe utilizar de seus atributos pra poder chegar onde ela quer. Não é que ela tá tipo assim, não vai transar a contusão pra isso, mas ela sabe que o botãozinho aqui já faz uma mudança total.

Ah, que papo machista. Foda-se. É verdade. O que eu tô falando é verdade. Não sou eu que tô botando a pessoa ali. Tô falando que o tiozão do pavê, ele... Agora você tava falando o negócio de mentir no trabalho, né? É isso. Tem gente que quer criar uma aura sobre si mesmo. Sobre si mesmo. Uma coisa que não existe. Deixa eu contar uma história.

eu trabalhava no Porto Alegre na TV Manchete caralho, tu é velho na época dos Cavaleiros do Zodíaco? não, eu não trabalhava aqui, eu trabalhava lá no Rio Grande do Sul tinha os Cavaleiros do Zodíaco e aí depois lá tinha uma programaçãozinha local, e eu trabalhava de produtor, eu era estagiário isso era 1995 o Giano nem nasci, por que ano você nasceu? 97

97 Puta que pariu 1995, meu irmão Você tinha 20 anos 19, vai Eu tinha 19, 20 anos, exatamente Eu me lembro uma vez, cara Eu tinha um, no nosso programa de televisão Que era um programa de política Tinha ameaça de bomba

pelo menos uma vez por semana tinha uma ameaça de bomba, porque era um cara que era mais radical, a direita, e a gente fazia a produção do programa do cara, e volta e meia virava um terror na produção, porque bomba, bomba, TV Manchete do Rio Grande do Sul.

no último ano da TV Manchete. Não é que tava bombando a TV Manchete, mas tinha. E sempre eu tinha, felizmente, um produtor que era um cara que sabia administrar essas crises. Sempre que tinha ameaça de bomba, ele falava, a gente via ele falando com os caras, negociando e tal, e sempre ele acabava resolvendo o problema.

Certo dia, liga o cara da bomba de novo. Pô, o cara da bomba na terça, ele não costuma... Na terça-feira eu achava que ele tinha o foot, porque é sempre na quarta, mas hoje na terça ele tá querendo a bomba, a bomba, a bomba. E aí quem atendeu, porque quem atende a primeira chamada nunca era o produtor, era alguém da produção. Depois o cara chegava e negociava.

O cara ali, ah, bomba, bomba, bomba. E no meio do papo da bomba, o meu amigo produtor que tava tendo a ligação deu um... É ramal interno disso aqui. Aí caiu a ficha, depois de dois anos de ameaça de bomba, de que o arrombado...

fabricava ameaça de bomba. Ia em outra sala e ligava pra produção e falava tem uma bomba aí. Aí ele chegava não, não, deixa que eu resolvo. E negociava, falava não, não, aqui é o traficante, os caras tudo olhando assim, meu Deus, a bomba, a bomba. E ele não, não, tudo bem, resolvi o problema.

A loucura descarga. Que é isso? De tipo assim, de plantar algo pra parecer importante. Cara, é um absurdo, cara. Esse lance de plantar algo pra parecer importante, cara, tem uma... Eu sei que tu não tá por dentro dessa história. Você me fala, então. Você me conta. Tá.

que é o lance lá da prisão do Pose, do Rian Spee e do Rafael da Choquei. Isso é tudo rapper? Não, o Rafael da Choquei é o ponto que a gente vai falar aqui agora, na real. São essas páginas de fofoca que tem a ver um pouquinho com o que tu tá falando aí. A Choquei é a página? É. O Rafael da Choquei achei que fosse o nome de uma banda. Não, é uma página. Puta, nem isso eu sei. Então eu tô muito atrás nessa história.

Bom, qual que era o envolvimento desse cara? Era, ele recebia um dinheiro supostamente ilícito dos MCs, por exemplo, do MC Rian. E ele fazia postagens na Choquei patrocinadas, falando bem do MC Rian. Falando, não, o cara que tem número pra caralho no Spotify, todo mundo tá ouvindo, tá bombando não sei aonde. Caralho, ele fazia essas postagens aí, né? O ponto aqui é o seguinte, cara. Esse é o crime? Não, então, qual que é?

É porque seria um esquema de lavagem de dinheiro que... É tipo... Não que eu ache legal o que estava acontecendo, mas...

Esse escândalo todo por causa disso? Que é algo que já se faz em rádio há 50 anos? A diferença é que na rádio tu é mais explícito, quer dizer, o jeito, o ponto aqui é o seguinte, justamente chamar a atenção que é mentira, obviamente aquela postagem positiva não era um anúncio, e não dizer que é um anúncio é muito absurdo, mas quando eu vejo essas coisas assim de muita gente, eu meio que sei que é pago.

Pô, quando eu elogio uma música de merda, meu irmão, você naturalmente já pensa, puta, não pode ser verdade isso aqui. Não é o furor da fama que tá fazendo isso aqui. Qualquer pessoa em sua consciência não vai fazer uma postagem elogiando esse ser humano aqui. É, e aí, cara, tem umas postagens que tu vê que...

Elas são, pra eu e você, claramente publicidade inclusive pra marca. Tem pra marca, tem pra pessoas. Tem umas que eu fico até me perguntando qual que é o efeito daquilo. Outro dia eu vi uma que era assim. Empresário é visto em Lamborghini Urus Azul em São Caetano. Essa? Ah, não. Pago, pago. Pagaço. Pagaço. Pago, com certeza.

Vendendo curso. Esse tá vendendo curso. Ou, no mínimo, pra mostrar do grupo da família que ele tá no Lamborghini Ur, sei lá. Isso, isso. Mas o ponto é... Todo mundo pere na bunda da mulher. Alguma coisa assim. Ah, nossa, o Norberto tá muito bem. Ele saiu de limousine no choqueiro. E aí tu imagina o cara que tá num almoço de família no domingo sendo pautado pelas paradas que ele tá achando que é orgânico e, na real...

É uma fama paga. Agora eu te pergunto o seguinte. Por um acaso, você também pode pagar pra falar mal de alguém? Tem esse mercado também? Tipo assim, o MMC do Bozé que você falou com o MC Chabamimo que você falou.

O Xabamimo fala, porra, o teu cara tá roubando o meu mercado. Fala o choqueiro ou criar um escândalo do cara. Dá pra fazer isso? A grande questão é justamente que a gente não tem como auditar isso. Porque não tem... Não tá escrito o que é.

E mais, em se colocando como jornalismo, existe um negócio chamado sigilo da fonte. Ou seja, por lei, o jornalista está blindado. Ele pode dizer, não, eu recebi informações de que o Igor é muito mal visto nos bastidores do flow. Quem te disse? Eu não sou obrigado a dizer. Então você pode inventar absolutamente o que você quer. Muito da indústria de fofoca foi criada com base no sigilo da fonte.

fonte, que era algo que foi feito pra que você não simplesmente entregasse as suas fontes políticas, que te deram informações realmente valiosas e que é usado pela galera da fofoca como uma maneira de se blindar do tipo, eu invento qualquer merda e digo que alguém me contou.

Então, no mínimo, assim, os caras, de novo, os caras estão soltos aí. Teve um habeas corpus que resolveu esse problema. Mas chamar atenção pro fato de que aquela postagem que você tá vendo e que você tá trocando uma ideia sobre, sei lá, o aniversário, o filho de alguém, o carro de alguém, sei lá, o casamento de alguém...

provavelmente foi pago. Você sabe que eu fiz uma... Recentemente eu fiz algo que eu não fazia. Eu nunca tinha feito isso. Eu contratei uma assessoria de imprensa pra trabalhar comigo durante três meses. Eu nunca tinha feito isso. Achava que era um investimento que absolutamente não fazia o menor sentido. Aliás, uma assessoria de imprensa que fez um trabalho muito legal comigo. Conseguiu colocar certas coisas na imprensa, que cumpriu com os nossos objetivos.

Porque chegou num certo momento que eu falei quer saber? Quero limpar um pouco o meio de campo.

aqui, algumas coisas ficaram meio mal explicadas, eu tô fazendo carreira no exterior, tá indo tudo muito bem e ainda eu vou nos lugares e tem certas conversas que já passaram como é que eu faço pra... Não, Rafinha aí fizeram lá um levantamento do que tava sendo dito meu a respeito da imprensa coisa que eu nunca dei muita bola mas que em algum momento eu falei, eu vou precisar fazer isso em algum momento pra tentar entender um pouco essa coisa toda e nessa indústria das matérias e tudo mais E aí

tem lugares que você chega na base do interesse do jornalista, né? Mas tem lugar que você não chega, não tem como. Essa coisa das fofocas, essas coisas pequenas, que parecem pequenas em termos de organização, mas que tem muito acesso...

Cara, ou você entrega, ou parece, parece, né? Posso estar errado. Mas ou você entrega alguma coisa, ou dá alguma coisa, ou você não consegue. Você tem que criar uma relação com esses veículos que é uma coisa meio uma prostituiçãozinha, assim.

Ah, tirei uma foto com fulano Descobri Sabe, quase que Aí você começa a entender por que a pessoa tá tão na imprensa Por que a menina tem rabo preso Com o cara da fofoca É uma indústria Que pra você conseguir sobreviver Eu admiro muito essa turma que consegue viver isso Porque é uma sujeirinha E, cara

O jeito como acontece, ele é perverso também. Porque, cara, o que você está falando aí de que é difícil entrar, na verdade, se você fizer parte da panelinha...

ruim de tudo, elas não falam de tu. Isso já tinha ficado claro anteriormente com a parada... Eu não quero encher o saco dela, mas com a parada da Luísa Sonza, lembra? Que teve um caô de racismo, não sei o quê. Que os caras meio que... Porra, dessa parada...

A nossa galera aqui não fala e tudo mais. Sim, sim, sim. Isso continua, existe isso. Uma blindagem seria isso. Isso, existe uma blindagem que serve como blindagem e serve como catapulta também. Eu dou o exemplo do... Eu não vou esquecer isso, não sei se eu já comentei aqui. Eu já falei tudo aqui, né? Sei lá, se tiver mais de um ano... Não que ele lembre também, não vai lembrar. Foi uma maconha pra cara. Chá da noite dele. Não vai lembrar.

Porque é o seguinte, eu lembro quando teve o escândalo do negócio do racismo no Cossiello. Não vamos esquecer disso. Porque deu a treta com o Cossiello, que era uma frase que ele tinha dito quando tinha 14 anos de idade, que estava no Twitter, que foram desencavar. Felizmente hoje eu acho que essa nossa vida na internet cresceu tanto a ponto de a gente falar não, só um pouquinho, faz 10 anos que o cara disse uma coisa dessa.

A gente já consegue não levar tão... Já consegue entender que as coisas têm o seu devido tempo. A gente vai amadurecendo. Esse negócio de internet vai amadurecendo. A gente vai entendendo e colocando as coisas nos seus devidos lugares. Mas quando deu aquela merda, eu lembro até hoje, que o Bruno Galhaço desceu o cacete no Concielo. Ah, racismo. Obviamente ele tem. Tem a filha que é negra e tudo mais. Dá super pra entender.

E aí foram descobrindo nos tweets do Bruno Galeazzo que ele também falava merda pra caralho. Mas aí você percebe qual foi a diferença de tratamento dos dois, né? Na época o cara devia ser contratado, sei lá, da Globo e tal. O Costiello se explicou durante dez anos a respeito daquele negócio e volta e me ainda vou lá desencavar e falar que o processo andou, não sei o quê.

E no outro dia, a capa da GQ, eu acho que era, se eu não me engano, era Bruno Galhaço, um eterno aprendiz. Como se ele estivesse evoluindo como ser humano. Então, assim, de cara, os caras já te colocam na imprensa, já botam, eles armam, assim, é um campo de força ao teu redor, assim, né? Que é uma proteção que a gente na internet não tem. E digo mais, a gente como comediante é pior ainda.

Porque a gente não se blinda, nós mesmos não nos blindamos pelas coisas que a gente fala. Então assim, você tá lá fazendo pô, você faz uma piada que é descontextualizada, que é puta, isso tudo atenta contra você e não tem ninguém ali

pra poder ter uma conversa franca sobre aquilo. É tudo muito acusatório. Hoje as coisas evoluíram tanto que é muito bom ver essa evolução. Porque, por exemplo, quando eu tive umas tretas na minha carreira, eu só via gente...

batendo. Tudo bem, tá ok. Eu falei, isso aí uma hora vai, esse jogo vai virar. Hoje você pode falar, ou fazer até, inclusive pessoas que estão cometendo crimes, tem gente ali pra falar, não, veja, não é bem assim e tal. Agora é a pós-verdade, meu irmão. É a pós-verdade. É tudo o jeito que tu interpreta um fato. Tu olha pro fato e tu...

transforma ele em outra coisa, bota um laço. Você tem uma turma que te abraça em qualquer uma das tuas interpretações. Basta você escolher. Você olha e fala, ah, não, não, não. Isso aqui não é bem assim. Aí você vai com a turma do não é bem assim. Não, mas só um pouquinho. Isso aqui é um absurdo o que esse cara fez mesmo não sendo um absurdo. Tem a galera que tava descendo o cacete de ontem.

Então você vai. Mas pelo menos tem opção. Você tem pra onde ir. Pô, há 10, 15 anos atrás era tipo assim, ou eu falo mal do cara, ou eu não vou me incomodar também, pelo amor de Deus. Não tinha esse outro lado. Esse outro lado, que inclusive é equivocado também, o lado que passa pano. Porque se criou essa coisa de que o fulano foi cancelado por algo que ele disse, se coloca na mesma caixinha do cara que cometeu um crime e foi pra cadeia. Não é isso.

volta e meia eu falo uma coisa na internet do tipo, um negócio absurdo que eu vejo é, mas você também falou tal coisa só um pouquinho acho que a gente tá começando a colocar as coisas nas suas devidas gavetinhas a gente tá evoluindo e começando a entender a força de cada uma dessas coisas tu observa como funciona redes sociais e o mundo digital lá nos Estados Unidos? sim é parecido olhando o o o o

me parece muito mais desenvolvida. As pessoas sabem lidar. E não é que o brasileiro é mais burro. É só que eles estão usando a mais tempo. O que aconteceu, o que está acontecendo aqui, cara, é algo que a gente já via lá, independente de ser rede social. A rede social tem uma... Ela tem uma característica que é o extremo, né? Você busca um extremo. Ou... ...

Você busca o extremo. Você busca os dois politicamente. A rede social é desenhada pra isso. É desenhada pra extremo. Porque você gera engajamento, você gera comentário. Se você vai no extremo. Tem gente que criou carreiras no extremo. Falando merda pra caralho. Ainda funciona hoje. Funciona. Pessoas que não têm uma carreira, eles não criaram nada. Eles passam o tempo inteiro apontando pro mundo. É isso. A criação do conteúdo dele é metendo o dedo.

politicamente, por exemplo, dos dois lados. Tem a galera da esquerda que é radical, tem a galera da direita que é radical. Então essa divisão de polos já era uma coisa, por exemplo, da política americana, que você tem o partido democrata e o partido republicano.

A internet tem um pouco essa composição. Então lá não é tão incomum você ver essa radicalidade de posições. Entendi. Aqui a internet nos trouxe isso, e isso nos trouxe, a impressão que eu tenho que nos trouxe, você vê, a gente está muito dividido em dois ambientes. E quando você está no meio, você se sente meio sozinho, assim, né? Meio isolado, e parece que você não faz barulho absolutamente nenhum.

Se tu tá tentando usar o cérebro, né? Usando o cérebro, porque assim, se você se você tá de um lado o tempo inteiro ou de outro o tempo inteiro, você não é um ser humano, você é um discurso, né? É. O ser humano, ele olha e fala, concordo com isso, discordo com aquilo. E não tô falando só de politicamente, mas assim, no dia a dia, nas nossas escolhas, você não precisa tá guiado por uma doutrina. Se você é guiado por uma doutrina, você é a doutrina, você não é um ser pensante.

A internet tem um pouco essa característica. Então lá, eu acho que os caras já estão mais acostumados, porque a composição política sempre foi essa, muito polarizada. Você tem um partido que fala, um partido considerado um partido de direita, um outro partido considerado de esquerda. Mesmo o cara de direita mais radical, que seria um Trump, ele tá naquele partido que já era de direita há muito tempo. O cara de esquerda mais radical, que é o Mandani, de Nova York, também é um cara democrata. Então não sai desses dois joguinhos assim, sabe?

Aqui a internet tem essa característica. E é uma pena ver isso. É uma pena. É muito triste ver que a gente vai por esse caminho. Mas a gente tem... Porra, mas você percebeu... Hoje, você tá prestando atenção no que eu tô falando, já? Isso foi muito inteligente.

Porra, eu me impressionei com o que eu falei agora. Isso não... Pô, faz um corte aí, internet, que isso aí é gênio. Porra, mandei muito agora. E falei sério, e também falei e tal. Porra, aí. E falei, parecia que eu tava até sabendo o que eu tava falando. Mas você não sabe. Enquanto eu tava falando, eu tava pensando, porque eu não tinha certeza. E aí eu fui desenvolvendo e falei, não, só um pouquinho. Cheguei num lugar legal aqui.

Eu discordo. Não, eu sabia. Obviamente eu sabia. Mas a internet tem essa coisa, assim, que eu acho muito...

muito complicada, sabe? E tem muita gente que se aproveita desse jogo, né? Na base da mentira, na base do exagero. Então a gente tá vivendo um mundo muito histérico e é triste, cara. É triste isso. Porque você quer... É triste porque a gente, hoje, você pode até falar, eu falava antigamente, né? Não, mas é que...

Depois você desliga o celular, todo mundo é todo mundo. E é verdade. Mas a gente não desliga mais, irmão. Entendeu? Isso aqui é a vida. Não tem a vida. Não tem offline e online. Isso é a vida. Então, assim, outro dia, uma amiga minha falou aquela coisa de Israel, Palestina e tal.

isso me cansou, eu chorei sozinho em casa, isso tudo é complicado e vou desligar. E meio que tá sendo a única escolha, assim, sabe? Porque senão você se contamina. O algoritmo te joga, você não tem como fugir. Eu vejo minha mulher às vezes vendo coisas que ela fala, ai que absurdo, e ela continua vendo que é meio da Atena na padaria, assim, sabe? Que é tipo, puta...

Que absurdo o menino ser atropelado. Mas tá lá, já passou quatro replays da cabeça do menino ser esmagado pelo carro, sabe? Mas fica vendo. É o motoboy que passa, você passa pra ver o cara da moto caído, você quer ver. Então a internet tem isso. Quando você tá passando a coisa aqui, você é pego por estímulos, por gritos, né? Você não para no sussurro, na conversa. Você cai no grito.

E o grito é o quê? Violência, sexo, humor. Eu diria que está um pouco nesse lugar. Então você precisa, de alguma maneira, gritar para poder chamar a atenção. E se você tiver um posicionamento ainda que te traga um público que se identifique contigo, puta, você está feito. Se a gente... Mas assim...

Nos Estados Unidos, existe uma ideia... Eu já vi canais, por exemplo, de 100 mil inscritos, 150 mil inscritos, que jogam RPG. E esses caras não só se sustentam, como eles conseguem fazer um troço foda. Porque como o mercado é mais envolvido, a sociedade está mais acostumada, inclusive, a dar uma merreca todo mês para aquele cara. É uma sociedade que tem mais dinheiro.

O próprio YouTube, por exemplo, tem mais publicidade. O AdSense é maior. Então tem tudo isso. No Brasil, com o mercado menos desenvolvido, a gente tem menos possibilidades de... Por exemplo, não dá para viver na internet. Ou você está mandando bem para caralho, ou você está meio fodido.

velocidade de cruzeiro na internet brasileira é estranho até porque pra você conseguir ganhar dinheiro com monetização você precisa de muita coisa ou você tá usando aquilo pra ganhar dinheiro de outra forma ou você ganha dinheiro daquilo e você precisa ter muito Estados Unidos não é assim um canal de 100 mil inscritos que tenha vídeos que façam 25 mil 30 mil views diários

o cara tem uma graninha. E aí, nesse caso, nesses casos aí, tem outras possibilidades do cara que quer começar a criar conteúdo. Aqui, meu irmão, o que eu mais vejo despontar ou é trend...

Ou é um cara destilando ódio. Tanto pra um lado quanto pro outro, manja? Porque é como dá certo na internet. Trend que você fala, tipo assim, um conteúdo que se repete, o cara vai lá fazer um negócio que todo mundo já tá fazendo. É uma dança, tá ligado? Uma parada assim. Tem nada de errado. O ponto é, que pena que o... O algoritmo humano se atrai por essas coisas. E aí você, como comediante, tu presta atenção em... gatilhos psicológicos das pessoas?

Porra Vim aqui Quatro Minha quarta vez aqui Até que enfim Uma pergunta boa Vai se fuder, cara Porra, quarta vez São 16 horas aqui Brincadeira Não, cara Eu

O comediante, ele tá analisando gatilhos o tempo inteiro. Você só tem uma carreira porque você entende um pouco da psiquê de quem te assiste. Você só consegue conquistar um público se você consegue atrair uma certa identificação. Que não necessariamente tá na concordância, mas uma pessoa que entende o que você tá dizendo.

E consegue ver graça naquilo que você traz pra ele. Tem uma análise psicológica disso tudo. Mas eu não tenho uma... Pô, talvez eu deveria fazer isso de maneira mais organizada. Entender quem é meu público pra poder saber exatamente o que eu posso tirar dele também. Isso não mata o artista?

Mata, mas é uma discussão muito complicada hoje, cara. É muito complicada sobre mercado e arte. É difícil demais, porque eu moro em Nova York, meu irmão, e a comédia lá é um amor pra muita gente. E eu vejo comediantes muito inteligentes, criativos, profissionais, que não tem mercado. Por quê? Porque são artistas.

porque não conseguem pensar mercadologicamente como a gente aqui pensa. O brasileiro, meu irmão, a gente tem uma facilidade, a gente se vende muito bem e a gente domina as ferramentas. Essa nossa...

esse nosso domínio de internet na comédia, meu irmão, eu dou pra dizer que não existe lugar nenhum do mundo. Eu tava conversando com o Ítalo, que é empresário, e ele me falando que, cara, eles mapeiam os teatros e aí conseguem uma etiqueteira onde ele entrega o mapa do teatro, ele consegue controlar a venda de cada um dos assentos e quanto cada um dos assentos custa de patrocínio, de marketing. Nisso ele cria peças e, meu irmão, é um domínio.

domínio que a gente tem que lá fora não se tem tanto. Não se tem tanto. Já ouvi isso antes. Talvez só em altíssimo nível, mas a criatividade nossa, aí volta pro começo da história, a criatividade nossa nos possibilita encontrar avenidas muito legais. Essa coisa que a gente faz...

de postar e, pô, você vê o Albânio, Padilha, o Ventura, os caras, porra, postando o Rabin, o Meirelles, postando vídeos de 20 minutos a cada duas semanas, sabe, catequizando um público com conteúdo, usando a internet a seu favor. Isso, cara, isso é... Isso chega nos Estados Unidos há pouco tempo, meu irmão.

Teve um cara que bombou lá, o Andrew Schultz, que é um comediante que foi a público dizer assim, acabou mainstream pra gente. Tem que botar na internet, não fica salvando piadinha, bota na internet, cria público na internet, não salva a tua criatividade, se expõe. O cara tava falando isso em dois mil e... Porra, dois mil e... Dezesseis, dois mil e quinze.

A gente começou o movimento de stand-up comedy em 2004, botando vídeo no YouTube, que bombou lá o meu vídeo do casamento, bombou um vídeo do Diogo Portugal. Poxa, fazia isso há muito tempo atrás. A gente teve que encontrar soluções para um mainstream que não abraçava a gente.

Depois abraçou, aconselhe que sei e tudo mais. A gente teve que encontrar soluções pra poder fazer aquilo. E isso nos deu uma expertise que não se tem em lugar nenhum do mundo, cara. Não tem. A gente entende muito bem disso. Em vários lugares. Tipo assim, tem todas as críticas possíveis ao Pablo Marçal lá.

Porra, tudo bem. Dependente da corrente, não sei o quê. O domínio que esses caras têm de TikTok, de Instagram, e aí ele vai lá, entrega o conteúdo dele, manda as pessoas botarem seus cortes e ganhar dinheiro em cima do conteúdo dele mesmo. Eu acho uma...

Uma maravilha, cara. Mas assim, é de uma inteligência essa história. É muito foda. A gente tem um domínio muito grande dessa coisa. Até porque nós somos seres sociais, né? O brasileiro é um ser que tá na rede social. A rede social foi criada pra gente, brother. Posso te falar? Olha a grande diferença. Por exemplo, assim, o Big Brother.

Teve uma amiga da minha mulher que foi no Big Brother Americanas. Foi em terceiro lugar de Big Brother Americanas. Ela saiu do programa com 90 mil seguidores.

Big Brother é um programa grande lá. Não tanto quanto aqui, mas é grande lá. Aqui o último colocado do Big Brother não sai com menos de 2 milhões de servidores. Então assim, a gente quer seguir, a gente quer estar ali. A nossa vida funciona muito aqui. Até porque a mídia tradicional é muito careta, muito pouco criativa. E aí aparece também um monte de filada puta pra explorar a falta de profissionalismo.

que existe nesse mercado. E aí começam a surgir essas áreas cinzas que a gente tava falando aqui, de, por exemplo, uma publicidade. Tu não sabe o que é publicidade e tudo mais. O cara foi preso? O meu cara foi preso? Foi mata-sulto. Ah, então amanhã eu vou falar com ele pra botar uma matéria minha. Isso, é possível. Eu choquei.

Ah não, eu acho que a página saiu do ar, então choquei e não dá mas tem mais outras aí Tem muitos EI Tem, tem Tem nome de gente, tem tudo É uma indústria boa essa É, tá funcionando Mas eu te perguntei como é que tu lida com a psicologia das pessoas, porque cara

O jeito que a gente consome conteúdo é completamente voltar... Uma das coisas que eu mais presto atenção na internet é o hábito de consumo das pessoas. Onde que elas estão consumindo as coisas e o que elas estão consumindo. Nesse sentido, para criar conteúdo, entender o que as pessoas querem, ajuda para cacete. Sim, sim. Então...

Não torna ainda mais filha da puta um cara que tá fazendo um troço pra farmar no lado escuro da alma humana? O que seria o lado escuro? Cara, é isso que a gente tá falando. O ódio. O ódio que é... Sei lá. Mentiras, essas porra. Eu concordo contigo. Eu tenho uma...

Eu concordo plenamente, obviamente, você se utilizar dessa histeria pra lucrar. Você tem figuras aqui que nasceram na base disso. Eu acho uma sacanagem. Eu acho que polui esse lugar legal pra caralho que é a internet. Polui.

Traz um sentimento ruim. Alimenta um sentimento ruim. Pô, você tem que ter cuidado com as coisas que meu filho assiste. Eu vejo que os amigos dele gostam desse tipo de conteúdo. Meu filho já não é muito. Ele já sempre foi meio contra Lucas Neto.

na época que tinha, que o cara falava mal dos outros não gostava muito dessas coisas desde aquele momento eu sabia disso, mas eu vejo eu vejo sim, a turma toda eu tenho uma vantagem grande, cara, que eu faço humor então assim se a minha piada é boa ela funciona e eu te fiz feliz tem gente que usa o humor

pra também aumentar essa poluição e aumentar e propagar o ódio. Dá pra fazer isso através da comédia também. Eu fiz uma escolha em um momento da minha vida que era levar uma vida mais leve e não me envolver tanto em tanta coisa. Eu acho que eu me incomodei muito na vida já. E aí chegou num certo momento que eu falei, brother, mas como é que eu sou útil pro cara? Como é que eu sou útil pro cara que me vê?

eu sou o cara que faço ele se divertir. No fundo, no fundo é isso. Obviamente vem de um lugar que às vezes é meio sarcástico, que pode causar um certo incômodo e sempre causa. Hoje eu coloquei um negócio no Instagram que já dividiu um pouco de opinião. Tem muito isso. Mas eu sei que o meu instinto com aquilo ali é só fazer o cara se divertir. Eu posso errar no tom, eu posso tudo, mas eu não quero ser mais uma...

mais uma pecinha nesse tabuleiro do grito ali, sabe? Mas eu tento sobreviver. E quando eu crio conteúdo agora, por exemplo, eu tô criando conteúdo pra fora, eu não sei o que vai pegar. É muito louco isso, porque no Brasil eu tenho um pouco mais de controle, porque as pessoas já sabem o que esperam de mim, sabe?

Então, assim, sabem que o meu conteúdo aqui, às vezes, é um pouco incômodo, que de vez em quando o Rafinha mete os dedos em umas feridas aí que não era pra ele se meter. Então tem um pouco isso, é uma leitura que as pessoas têm de mim, e eu me dei essa liberdade de poder fazer algo pra fora, e eu não sei onde pega.

Não sei onde pega. Então daqui a pouco tem uma piada minha que é sucesso em Milão. É louco isso. Porque aqui a gente é muito fechado, né? Porque nós falamos um idioma que fala a gente Moçambique, Angola e Timor-Leste. Portugal também. Portugal. Esqueci desse detalhe. Mas é isso. A gente fica desse tamanho. E aí quando você vai pra fora, você atinge... É louco isso, cara. Então eu não tenho muito controle. Mas...

E aí vem aquela questão que você fala da arte, da não arte. Tipo assim, eu faço uma piada que todo mundo pode entender e nisso eu talvez não consiga ter um público muito fiel, ou eu acabo me vendendo mais de quem eu sou, como eu sou, e nisso eu tenho menos público.

RAFINHA BASTOS - Flow #593 | Castnews Index — Castnews Index