Episódios de Flow Podcast

ANITTA - Flow #592

20 de abril de 20261h9min
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Simplesmente a Anitta.

Participantes neste episódio2
I

Igor 3K

HostComediante
A

Anitta

ConvidadoCantora
Assuntos4
  • Internacionalização de instituiçõesColaboração com The Weeknd · Álbum Equilibrium · Impacto da fama
  • O Papel da Fé e EspiritualidadeCandomblé · Autoconhecimento · Religião e fé
  • Mudanças de VidaSaúde mental · Equilíbrio emocional
  • Produção musical e criatividadeColaborações musicais · Processo criativo
Transcrição182 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Salve, salve família! Bem-vindos a mais um Flow, eu sou o Igor. E hoje você vai assistir uma conversa muito maneira com a Anitta, cara. A gente falou de um monte de coisa que tem a ver com esse novo momento dela, esse novo trabalho dela, inclusive. E, cara, a gente falou de macumba, falamos de espiritualidade, falamos de carreira, falamos de voltar às raízes, falamos do momento que ela tá vivendo, falamos o que que vale a pena na vida, no fim das contas. Cara, você não vai...

Putz, você não vai se perdoar se você perder esse papo, tá bom? Então fica aí. Inclusive, ele meio que começa do nada, porque ela chegou, a gente foi conversando, pá, não sei o quê. Senta ali, continua conversando. Os caras, não, tá gravando, tá gravando. Vambora. Então vocês vão ver aí que foi, sei lá. Só assiste, irmão. Uma das coisas que eu senti foi o seguinte, Anitta. Me ajuda aqui.

Tu vem fazendo um movimento de internacionalização, né? Tu lança trabalho com The Weekend, vocês estão trabalhando juntos, você vai abrindo shows dele, né? Isso. É. E esse álbum Equilibrium, ele me lembra, ele me parece, pelos feats que tem, por quem tá junto contigo, como esse álbum soa, ele me parece uma Anitta falando de Brasil, dela mesmo e...

Me parece, por exemplo, tem a Várias Quejas, que é uma música em português que tu coloca em espanhol, a sensação que eu fico é, olha aqui, gringos, digere assim, mas olha, isso aqui é brasileiro. O que é o equilíbrio?

Então, na verdade, esse álbum nasceu da seguinte maneira. Eu estava vindo de processos e situações profissionais que me frustraram um pouco, me deixaram num lugar de vida meio questionando muita coisa, né? Eu abri mão de muita coisa na minha vida por causa da carreira internacional.

E conquistei muita coisa em prol disso também, foi maravilhoso, né? Não é à toa que The Weeknd me convidou para cantar com ele, e muitas outras coisas aconteceram internacionalmente na minha vida. E aí, só que eu não me sentia tão preenchida quanto eu me sinto quando eu estou próximo à minha família, na minha casa.

fazendo show no Brasil, que tem uma energia, e não adianta, é difícil, assim, para... Eu vou dar um exemplo aqui, e eu não sei nem se eu deveria dar esse exemplo, qualquer coisa o Paulo corta.

que é uma pessoa que eu amo muito, que é muito minha amiga, ela é o grande amor da minha vida. Tudo que eu preciso, um conselho, é pra ela que eu ligo, é com ela que eu converso, que é a Xuxa. Porra! Há um tempo atrás, eu tava conversando com... Eu sempre converso com ela sobre a vida. Uma vez eu fui ver o documentário das Paquitas, você viu? Esse documentário das Paquitas é incrível na Globoplay.

E aí elas estão lá falando, em vários episódios, falando sobre como era difícil, como era pesado, como era desumano. Elas vão pontuando em vários episódios tudo de ruim, como era ruim aquilo. Porque elas queriam muito por amar a Xuxa, mas como que era um ambiente ruim, difícil, etc. E aí, lá para o meio, vem um mistério de uma Paquita que sumiu. Ela simplesmente sumiu. Não falou com ninguém.

Não queria aparecer no doc, não queria falar com mais ninguém, ela desapareceu, ela sumiu. E fica-se o mistério, o que será que aconteceu para que essa Paquita, de repente...

quisesse desaparecer sem falar nada com ninguém. E fica esse mistério um tempão na série. E para mim estava óbvio, porque eles já estavam falando há vários episódios como que estava péssimo, como que estava desumano. Não no sentido do trabalho ser ruim, mas era um dia a dia para um adolescente puxado, pesado e tal. A própria Xuxa falando, né?

E aí eu fiquei pensando, mas gente, eles precisam de um outro motivo além de alguma outra coisa que elas já estão... Todos os episódios estão sendo sobre o quanto que isso era exaustivo. Ela não pode ter sumido só por isso? Só não, né? Por esses motivos, sabe? E eu acho que o brasileiro tem muita dificuldade de acreditar que no Brasil é melhor.

Eu acho que a gente tem uma síndrome que vem da colonização, da maneira como nós fomos explorados, roubados, os indígenas foram mortos, os africanos trazidos para o Brasil, os escravizados trazidos tiveram que esconder sua religião, os indígenas tiveram que aprender uma nova religião, enfim.

A forma como tudo foi tão explorado, tratado, tanto como vocês não são ninguém, acabou que a gente ficou com essa herança sanguínea, talvez, de não acreditar que aqui pode ser melhor. É uma dificuldade imensa. Então, as pessoas têm... Para eu voltar para o Brasil, alguma coisa aconteceu. Ela fracassou. Amor!

Deu um Google, deu um chat GPT, fracassar, imagina, meu Deus, se eu fracassar é assim, eu queria fracassar assim pro resto da vida, porque que fracasso maravilhoso, a minha vida pra mim foi vitória atrás de vitória e vitórias que eu nunca imaginei que eu fosse ter na minha vida. É mesmo, porque assim, me parece muita coisa...

Calculada, Anitta. Gente, o número 1 no mundo, a primeira artista da América Latina a ser número 1 do mundo. Foda demais. Mas você, além de você querer, você estava preparada e você tem um exército de fãs que te ajuda. Mas isso é muito, muito, na minha opinião. Uma música com a Madonna, uma música com o Snoop Dogg, com o The Weeknd, com...

O Pharrell produziu, escreveu uma música para mim. É tipo, eu não consigo mensurar. Eu encontrei com o rei junto com o Raoni, com o cacique Raoni, que para mim está em outro lugar. Desculpa, perdão a todo mundo. Para mim, o cacique Raoni está aqui acima de qualquer rei, qualquer coisa. Está o cacique Raoni para mim.

E eu encontrei com o rei junto com o cacique Raoni pra falar da Amazônia. E, tipo, eu não poderia imaginar coisas assim. Isso pra mim tá além da minha... Sabe, a Viola Davis assistiu meu documentário. Eu tava no Grammy falando com a Beyoncé, com... Sabe, a Rihanna me contratou pra fazer propaganda da lingerie dela. Desculpa, isso eu não conseguiria. Eu poderia ter imaginado várias coisas, mas essa quantidade de coisas...

difícil, né? Então... Mas, ó, eu vejo que a tua... Tu tem como referência a Carmen Miranda, pra cacete, né? Carmen Miranda, o que é que é quando... Eu, quando eu... O que é a Carmen Miranda? A Carmen Miranda é uma mulher foda, que levou a cultura do Brasil pra fora de uma maneira eficiente, né? Chamava atenção pra cacete. E é por isso que tu gosta dela? Mas a Carmen Miranda era extremamente esculachada pelo Brasil, perto da morte dela.

Eles falavam super mal dela e depois que ela morreu, ela virou um mártir. O enterro dela foi lotado e todo mundo lá. Mas até então, ela sofria de depressão, de tristeza, porque as manchetes no jornal eram falando que ela se americanizou, que ela era isso, que ela era a escória do país. Era terrível. O brasileiro não valorizou a Carmen Miranda até ela morrer.

Depois que ela morreu, ela virou o máximo. Mas você olha, antes ela era escorraçada pelas pessoas. Ela veio para o Brasil a vez que ela veio cantar, depois dela começar os primeiros trabalhos internacionais. Ela foi vaiada, ela ficou arrasada de ter vindo. E isso, na verdade, eu virei muito fã dela depois que... Eu estou contando como que eu cheguei nesse álbum, né? Mas há três anos, faz três anos que eu comecei a ficar bem doente depois do Covid, minha saúde. Não, é do físico mesmo.

Depois do Covid, meu corpo nunca mais foi o mesmo. E eu comecei a ficar muito doente e um diretor de cinema me deu o livro, a biografia da Carmen Miranda, e falou assim, ó, estou te dando esse livro para você mudar o final da história.

E eu não entendi nada, né? E aí eu fui ler o livro e comecei a ver tantas similaridades no nosso jeito de ser, nas nossas escolhas de vida, nas coisas parecidas que aconteceram na vida. Tinha um momento do livro que eu sabia o que ia acontecer, o que ela ia fazer, só porque é o que eu faria. Entendeu? Ela chegar e falar assim, ah, ela tá lá fora e eles querendo que ela fizesse em espanhol e ela insistindo no português. E aí eles falando...

Aí vinha o cara que trabalhava com ela e falava, mas eles querem português, querem espanhol. Ela falava, mas eles falam português? Não, então fala que eu estou falando espanhol. E ela seguia, sabe? Tipo, é minha cara fazer isso, sabe? É de quando escreveram Thaí para ela, que escreveram numa intenção de ser uma música mais buge, mais cool, mais nariz em pé. E ela queria essa produção do povão.

E ela enganou o cara da última hora, era um médico, ele saiu fora, ela trocou, já estava com a banda toda pronta, vamos embora. Isso é o que eu li no livro, o que estava no livro. Vamos embora, e fez do jeito dela, e deu certo do jeito dela. Então muitas coisas eu comecei a ver as similaridades, até chegando no final do livro e vendo a quantidade de trabalho que ela estava fazendo.

ela foi uma grande estratégia, essa expressão que a gente tem da política da boa vizinhança, isso era um ministério que foi criado da boa vizinhança para que durante a Segunda Guerra os países da América...

tanto do Sul quanto do Norte, se mantessem unidos durante a Segunda Guerra Mundial. E eles precisavam de um nome que representasse toda a latinidade. A latinidade não é só ou Brasil ou países que falam espanhol. Então, eles encontraram a Carmen, que estava fazendo shows na Argentina, no Brasil, e levaram ela para fora para trazer essa ideia de que, ok, a América é uma coisa só.

Porque em tempos... Agora não, né? Agora tem a separação, mas em tempos de necessidade, a galera... A mensagem é tudo, né? Fizeram isso com a Disney, inventaram o Zé Carioca, tinha o outro que era como se fosse o Zé Carioca, mas do México. Enfim, aí tem tudo isso. E assim, quando eu comecei a ver a quantidade de trabalho e como que ela morreu por conta do trabalho, ela teve uma parada cardíaca, um infarto ao vivo no programa de TV.

E eu falei, caraca, cara, isso é a minha cara, pro jeito que eu levo a vida. E eu comecei a internalizar na minha cabeça essa necessidade de mudar, de mudar esse final. E não tô me comparando com ela, não tô dizendo que eu sou igual, que eu sou isso, que eu sou aquilo. Eu me identifiquei, ponto. Quem achar que tem que comparar, bom. Quem não achar, tá tudo bem também.

E eu comecei a mergulhar no autoconhecimento e a buscar outros sentidos para a minha vida. Até então, tu estava fazendo o quê? Procurando ficar mais famosa? Até então, eu estava procurando ter mais números, mais fama, mais dinheiro, mais... E o dinheiro não era nem para eu gastar.

Porque eu doava tudo. Você ia me pedir coisa, eu ia doar para quem está precisando. Ou eu ia gastar em clipe, gastar em mais performances e apresentações. Então, não era nem para eu ficar rica, era só porque eu queria continuar produzindo. Era um vício em trabalhar. E é um vício de atender as expectativas da sociedade. Mas você olha para a internet, é infinita a possibilidade. Os números são infinitos.

Você pode nunca mais parar e você nunca vai alcançar um objetivo, porque não tem fim. Então eu comecei a mergulhar no autoconhecimento e buscar o que é isso, o que vai me satisfazer. Faz quanto tempo, Anitta? Três anos. Três anos, tá. Foi aí que tu foi conhecer, por exemplo, Lúcia Helena Galvão? Isso, exatamente. Mas você já era uma pessoa religiosa antes? Então, religiosa sim. Mas eu não acho que religião... É...

dependendo de como você a segue, eu não acho que ela te leva para o autoconhecimento ainda. Eu acho que as religiões ainda estão muito presas numa coisa de a comunidade, o pertencimento àquele grupo e não ao entendimento de você próprio.

Até no próprio candomblé, que eu sou do candomblé, a gente tem lá no terreiro, muitas vezes, as pessoas estão no terreiro reparando na roupa de ração do outro, quem fez a festa do santo mais caro, quem o ebó foi mais bonito foi o de quem, o irmão comprou qual assentamento para o santo. São coisas de uma pequenez que eu não acredito que é a mensagem do orixá, entende? Eu acredito que a mensagem do orixá é você entender aquela passagem do seu orixá, ou seja...

O que as lendas do meu orixá me ensinam? Tem a lenda de Logum Edé com Oxalá, que fala bastante das maldições que Oxalá deu para Logum Edé por conta do ego, por conta da imaturidade de Logum Edé. Então você vai vendo as lendas e você fala, o que a lenda do meu orixá está querendo me ensinar aqui?

Então, se ele se ferrou por causa dessa coisa egóica, talvez eu tenha que trabalhar aqui o meu ego e tal. Para mim, isso é o orixá. É você olhar, sentar na mesa, ter uma queda. A queda agora fala de, sei lá...

Não sei, uma queda de... De abrir uma queda. A queda é quando você vai jogar o búzios. E tem umas quedas dos caminhos da sua vida. E cada caminho te passa uma história. E aí dentro dessa história, você conhece aquela história e você pensa, qual é a lição que isso está querendo me passar? Então, quanto que isso interferiu na tua vida? Então, antigamente, como que eu ia para o terreiro? Eu ia para o terreiro pensando, bom...

O objetivo da minha vida é tal coisa. Então, eu vou lá pro terreiro e eu vou buscar o que eu tenho que fazer pra chegar no meu objetivo. Bom, bom, bom, bom. Óbvio, com honestidade. E não existe, assim, pra mim, tá? Eu não sei, não tô falando que não existe no mundo, porque eu não conheço a casa de todo mundo, eu conheço a minha. Eu conheço eu.

Meu ser, meu eu. Não é que você vai fazer um trabalho e falar, eu quero não sei o que e eu vou te dar... Não existe isso. Para mim não existe isso. Existe você acalmar a sua mente, existe você agradar a sua cabeça, o seu corpo, e você ir recebendo essa clareza de espírito, de alma que você precisa para alcançar os seus lugares. Isso é o que eu acredito, tá? Então,

Mas eu ia com esse objetivo de tipo, eu quero crescer aqui, quero crescer ali, quero crescer ali. E eu ia com essa mentalidade. Hoje, eu já vou com a mentalidade de tipo, o que é o melhor para mim? O que vai me fazer mais inteira? O que vai fazer eu cumprir a minha missão aqui nesse planeta? Ajudar outras pessoas além de mim mesma, fazer feliz outras pessoas além de mim. Como que eu saio dessa vida?

Um degrau acima do que eu cheguei. Vários degraus acima do que eu cheguei. Ponto. Então, se o meu ensinamento for não estar mais no sucesso, vamos ver o que tem isso a me ensinar. Vamos buscar isso. Então, vamos aprender. Então, hoje eu vou com esse pensamento. Então, eu acho que a religião... Eu sempre fui religiosa. Eu cantei na igreja desde pequenininha. Cantei quase 10 anos na igreja. Minha mãe é muito católica. Meu pai é do candomblé.

Eu continuo rezando Ave Maria, Pai Nosso, eu continuo acreditando. Tem uma gruta de Nossa Senhora que eu construí aqui na minha casa. Eu realmente tenho fé, acredito em Jesus Cristo, em Nossa Senhora, em São Miguel Arcanjo. Em tudo que você falar, eu estou acreditando. No Ganesha, no Buda, na Deusa Tara, tudo que você falar...

Estou acreditando. Tudo que for para o bem. Mas às vezes eu acho que a religião, a comunidade, às vezes vira uma coisa muito mais da cobrança ao outro, julgamento ao outro, do que você olhar para o seu próprio umbigo e...

E evoluir você. Mas isso é um problema do ser humano, no fim das contas, né, Anitta? Isso é o ser humano olhando a doutrina e transformando ela num troço corrupto, entre aspas, né? Que é, por exemplo, dá pra... Isso que você... Tudo que você falou tem em algumas... Na verdade, eu diria em todas as religiões. Todas as que eu fui, eu vi coisas parecidas. Então, eu já fui na igreja evangélica, também tinha lá o cara que ficava falando da roupa do outro, mas ele era adúltero.

Fica, pô, caralho, qual é esse cara? Mas a religião me parece, de uma forma geral, um manual pra tu ser um ser humano legal. A gente que pega isso daí e corrompe, transforma num troço horrível. É que eu acho que a gente tem que adorar a mensagem.

E não o mensageiro. Porque quando a gente se pega no mensageiro, aí a gente está querendo que aquele ser humano, que é humano, que está falando, seja o Deus daquela mensagem. Porém, humanos são seres em constante evolução. Para a gente evoluir, a gente precisa errar, a gente precisa cair. Então você está endeusando e esperando a perfeição de um mensageiro.

que também está no processo de aprendizado dele. E aí vira uma arrogância espiritual, porque só o ego consegue se colocar num lugar superior ao outro e superior à mensagem, né? Então, acho que fica esse lugar meio perdido, onde você está exigindo, esperando do outro uma santidade, um endeusamento para você copiar, que ele não existe. É como se você pensasse assim, bom.

Eu preciso ver que alguém consegue, que aí significa que eu consigo também. Mas aí você está se limitando muito às capacidades do outro, né? Você não está se vendo dentro da sua capacidade. E eu acho que quando eu comecei a buscar essas coisas, eu fui abrindo a minha mente três anos atrás, eu fui para um retiro que me ajudou muito, de muito autoconhecimento.

que me ajudou a me dar ferramentas para me conhecer, entender quais os meus gatilhos. Por que eu fico estressada? Por que eu fico isso? Por que eu trabalho viciosamente? E etc.

Nessa época que tu postou aquela parada no Instagram, que deu uma repercussão ou não? Essa daí tu foi... Ai, eu não lembro, não sei. Eu já fui várias vezes nesse retiro, mais de seis vezes nesses três anos. E eu acho que a gente... O que acontece? No início, foi um caminho que eu acho que muita gente tem, que é, eu tô aqui nesse lugar, aí eu tô procurando evolução, eu vou pro oposto dele.

E hoje eu entendo que não é isso. Se você está morrendo de frio, você não quer morrer de calor. Você vai falar, pô, estou morrendo de frio, alguém me ajuda? O que você quer? Agora eu quero morrer de calor. Não. Você está morrendo de frio, você quer entrar no meio termo entre morrer de frio e morrer de calor. Você quer estar aqui numa temperatura ok. Mas eu acho que o grande problema é isso, a gente achar que a gente está...

nesse lugar e para evoluir a gente tem que ir para o oposto. E isso não existe, você tem que encontrar o meio termo, é o que o Tao fala, né? Não é você ficar indo do 8 para o 80, tem até uma tatuagem do 8 e 80 na perna. E eu sou esse equilíbrio no meio aqui.

Você está nesse equilíbrio agora, né, Alita? Graças a Deus. Com todo respeito. Estou, estou. Porque tu não tava muito. Não tava, nem um pouco, mas não é uma... Mas é uma busca, porque eu posso daqui seis meses cair de novo e não tá mais nesse equilíbrio, entendeu? Você é uns dez anos mais nova que eu. Coisas que você falou aí, pra mim, parecem coisas de pessoas que vão amadurecendo mesmo, entendeu? É... Pessoal...

coisas que você falou aí eu senti também e assim, eu não sou Anitta, entendeu? eu não tava nem na internet, era outra história mas é a questão de enxergar a coisa e me parece que meio que precisa viver tem que viver não adianta alguém te falar você tem que tomar na cara, né? você tem que perceber, você tem que querer você tem que... eu acho que também não é a idade que diz não, não é é você com o seu chamado, com as suas vontades

Porque dá pra tu ter 40 anos e agir igual um moleque de 15. Exatamente, com certeza. E eu acho que isso começou a acender em mim. E eu comecei a não ver mais tanto poder e tanta importância e valor no internacional, em ser a maior ou ser a primeira, tanto assim, sabe? Antes eu tinha essa sina de dizer, eu fui a primeira, eu fiz isso, eu fiz aquilo.

Cara, não sei, porque a gente... Por que tu veio de Honório Gurgel? Não sei, porque a gente quer se sentir especial. Eu não sei, é viciante. Porque tu era jovem? Também.

Eu também. Eu fico pensando nisso. Porque assim, eu, de novo, eu não sou a Anitta, eu não sou o Luciano Huck, eu não sou a Géria. Eu sou conhecidinha, eu não sou famoso. É. E pra mim já é meio estranho, entendeu? Eu fico pensando o Neymar ou você indo no show de cinema. Não dá. Não dá. Tem que ter um cinema na tua casa, né? Um saco, puta que pariu. Às vezes é bom. Vai que você gosta, né? Eu gosto. É. Mas eu vou no cinema também. É, numa boa. Ou vai cheio de segurança.

Não, eu vou na última sessão. Entendi. Entro, assisto, saio, tudo certo. Então, mas imagina o cara que ele não sabia... Aquilo que você estava falando no lance das paquitas. A gente via, as pessoas viam as paquitas, as pessoas na TV, e imaginava como é incrível viver aquilo ali, estar perto da Xuxa e não sei o quê.

mas, na verdade, cara, o tanto que tu trabalha, os caminhos que tu tem que tomar, os sim que tu tem que dizer, que tu queria dizer não, o não que tu tem que dizer, que tu queria dizer sim, e o caminho do meio, no fim das contas, pra não se perder. E eu tô falando isso tudo porque, como isso aconteceu na minha vida, eu já velho, eu já era casado, eu já tinha duas filhas e tal,

eu enxergava de um jeito mais maduro, no sentido de... Eu não posso virar um babaca. Imagina você, super jovem, passando por isso. Imagina eu com... É que eu comecei a namorar a Mariana, eu tinha 19 anos. Então, assim, se eu tivesse ficado famosa com 22, eu acho que ia mudar pouco. Mas se eu não tivesse conhecido a minha esposa com essa idade, e ficasse famosa... Tu ficou famosa quantos anos?

Bom, eu comecei a cantar com 17 para 18. Em meiga e abusada, de que ano? Em meiga e abusada eu tinha 19 anos. Porra! Show dos Poderosos tinha o quê? 21? 20 anos. Porra, aí. Como pode você ficar... Eu fico pensando, eu fico olhando e fico assim... Deus, eu tava dando aula nessa época. Eu tava assim, eu lembro dos clipes, eu lembro do frisson que causou. E eu tava assim, Deus, essas pessoas, nesse caso você, é muito jovem. Muito jovem.

Vai vir agora uma caralhada de dinheiro, uma caralhada de influência, uma caralhada de gente em volta dizendo que é teu amigo. Vai acontecer uma caralhada de coisa e tu não sabe nem o que tu quer.

E isso aconteceu, né? Mas eu acho que foram duas coisas que me ajudaram muito. Primeiro, a minha família, que eu tenho uma família muito firme, muito centrada, muito cabeça, muito pé no chão, muito cabeça boa, muito unida. Eles não valorizam o dinheiro, fama, essas coisas. Eles são muito, tipo, muito tranquilos.

Então, acho que isso foi a primeira coisa que me deu esse poder, essa família com esses princípios. E acho que a religião, o candomblé, mas muito pelo como eu vivia o candomblé, que é o que eu estou falando, eu ler as lendas do meu orixá, ler os caminhos, os conselhos que me eram dados no jogo, na religião, e tentar entender o que aquilo estava querendo me ensinar.

Sabe? Então eu acho que isso fez a diferença pra mim. A religião e a minha família. Entendeu? E aí, quando tu tá... Agora você me falou que agora, cara, eu ia muito... Eu quero ser a número um. Eu quero alcançar os lugares lá. E eu ouvia você falando isso, que tinha a ver com o que eu tava falando. Que era eu que iriam as paradas que eu até consegui, mas eu nem sei se eu queria mesmo. Exato! Porque aí, por exemplo...

É o que eu trago, eu trago muito esse pensamento no meu último documentário, que eu mostro para as pessoas essa dualidade, essa dicotomia que eu estava fazendo entre Anitta e Larissa, que é como se fossem duas pessoas, quando na verdade eu sou uma pessoa só, que se comunica de tal forma publicamente e de outra forma pessoalmente. Ninguém, você não é na câmera do jeito que se é que sua esposa é dentro de casa. Se você for exatamente igual, você...

Não, eu sou muito mais submisso em casa. Gente, mas ninguém é do jeito que é em casa, no trabalho. Você tem a sua persona. Claro, minha mulher me manda botar o lixo na rua. Ninguém me manda botar o lixo na rua, só minha mulher, entendeu?

Gente, você tem sua personalidade profissional, a forma como você age em família, em amigos, é diferente, né? Então, essa separação não existe. Eu trago ela no final do filme como uma solução, a união. Mas eu trago para esse filme essa questão de, tipo assim, cara, eu gosto de viajar sozinha, para o meio do nada, e ficar andando na rua sozinha, louca.

E se eu alcançar mais? Eu não vou conseguir fazer isso. Tipo, outro dia virou uma super notícia. Uma época que eu estava lá fora, virou uma mega notícia. J-Lo anda de voo comercial na Europa. Gente, qual é a notícia disso? Tipo, ela andou de comercial. Ou seja, ela... Você vai parar de poder fazer isso. Para você manter.

Uma agenda, para você manter um padrão de vida, onde você consegue de jato para qualquer lugar do mundo, você tem que estar muito rico. E precisa estar muito rico. Às vezes você não pode parar de trabalhar. Então você é escravo do trabalho. Porque se você parar de trabalhar, você não consegue manter esses luxos da privacidade. Porque privacidade custa muito caro. Aí você não vai ter privacidade em lugar nenhum do mundo. Você vai ter que ser muito rico para sempre. Ou então você vai ter que trabalhar muito para sempre.

Aí, quando eu comecei a fazer essas contas, assim, que foi há três anos, eu comecei a fazer esses raciocínios e eu pensava, caraca, eu não estou nem pensando direito o que eu estou fazendo, hein? Caraca, eu estou só indo e... Eita, meu Deus! Aí, teve uma vez que eu estava num voo e foi cancelado.

E eu tava... Aí eu tive que... Enfim, eu tava de business, tava lá na frente, onde tem menos pessoas, ninguém senta do seu lado e tal. Mas aí o voo foi cancelado, só tinha como ir de econômica. Eu falei, vambora, vambora, vambora, vambora. Só quero ir embora, só preciso chegar, enfim. E aí a menina do meu lado, eu lá atrás, a menina do meu lado fica olhando... Uma gringa, né? Eu acho que eu te conheço de algum lugar. Aí eu...

Sei, de onde você é? Ela é do Marrocos. Aí eu fui para o Marrocos uma vez só, foi bem rapidinho. Fui ali no deserto do Saara, gravei, voltei, foi rápido, menina, não conheço ninguém do Marrocos. Aí ela, não, mas eu moro em Paris. Aí eu, Paris, não sei também, nunca morei em Paris. Aí ela, acho que eu te conheço, não te conheço. Alguma coisa no TikTok, um negócio, e eu estava toda...

Eu falei, eu acho que é do check-in. Eu falei, eu tava com outra roupa no check-in e eu troquei. Você deve ter me visto lá, tá me vendo aqui com outra roupa, achando que já me viu. Aí ela, ah, então deve ser do check-in, falei.

Imagina, aí ela ia começar a falar um monte de coisa, aí ela ia chegar e falar, sabe aquela cantora, Anitta? Ai menina, ela tava lá na econômica, porque virou notícia, a J-Lo viaja de comercial, por que essa notícia, gente? Você é doido, porque você falou, privacidade custa caro. É engraçado que privacidade sai de custar zero, pra custar milhões, né? Porque quando tu não é porra nenhuma, ninguém quer saber de tu, né? Exato.

Exatamente Aí eu fiquei pensando Cara, olha o que eu tô buscando Eu não ia nem poder Entrar nessa econômica agora Pra chegar no lugarzinho que eu quero chegar Porque viram Amor, às vezes eu tava dormindo no avião Vem um flash na minha cara, assim A pessoa não quer saber se você tá dormindo, se você tá comendo Se você tá morrendo, se você tá chorando Porque um ente querido faleceu, não quer saber

Então, tem coisa. Hoje em dia, eu aprendi muito a lidar com isso. Eu só saio de casa quando eu tô afim, disposta a falar com todo mundo, a tirar foto com todo mundo. Mas, imagina isso no mundo inteiro. Ronaldinho Gaúcho. É difícil, cara. Não é fácil. Nunca mata poder fazer merda. Não é uma coisa fácil de lidar. Então, eu comecei a pensar nessas coisas e eu falei, quer saber?

eu vou fazer o que me faz muito feliz. Eu comecei a perceber, aí eu comecei a redescobrir formas de trabalhar. Porque antes eu estava sempre, como eu estava sempre com foco no objetivo, eu estava sempre estressada porque ainda não cheguei no objetivo. Então eu já acordava estressada porque o objetivo ainda não foi alcançado. Dava expor nos outros? É, o tempo inteiro, assim, uma coisa de louco. Podia ter razão? Melhorou, Paulo?

Hoje em dia eles é que ficam pra mim assim... Não fala nada. Hoje em dia eles é que ficam tipo... Ué, eles ficam meio... Entendi. Porque eu já tava sempre estressada buscando o objetivo, então você já acorda insatisfeito porque você não alcançou ainda.

E, cara, é muita pressão. Então, eu redescobri uma forma de trabalhar que é falar, cara, eu gosto muito do que eu faço, então eu vou só fazer. E no que der, deu. Vai dar no que vai dar, tá tudo certo. Se der, deu. Se não der, não deu. Esse álbum era importante ser gravado na tua casa?

Mas ficou, virou mais valioso por isso. Mas não era necessariamente importante, não. Mas a energia de gravar na minha casa foi a melhor do mundo, gente. Eu gravava o meu cachorro no colo. Qual deles? Aí gravava... Ah, às vezes o Plínio, às vezes o Charlie. Aí eu gravava... Só conheço o Timóteo.

É, que ele veio pedir pra vocês tacarem bolinha? Não, ele veio aqui perto de nós, brincou, falou que todo mundo foi embora, gente fina. Ele é louco, esse cachorro. Cara, eu... A energia foi espetacular, porque justamente eu acordava e falava vou gravar uma das músicas ali, ligava aqui, eu mesma me gravo.

Maravilha. Me contaram que tu deita pra cantar. Deito. Eu fiz. Na verdade, eu montei o estúdio de tal forma que eu tô sentadinha. Aí, se alguém tiver demorando pra mudar alguma coisa pra eu gravar, aí eu deito.

Aí fica ali com o cachorro. Então, eu redescobri uma forma de trabalhar que é puro prazer. Que é tipo, ah, eu tô gostando, gente, eu tô alegre. Eu acho que também tem uma coisa, quando a gente é pobre, nasce pobre, e tem que dar um jeito de ter o que comer, sem os pais pagarem a hora que você fizer 18 anos, você fica meio que sem uma permissão de ter prazer ao trabalhar. E sem uma permissão de dizer não pro trabalho. Porque você fica, porra, e se eu vou voltar? E se começar a faltar tudo e eu voltar a ficar pobre?

Ai, meu Deus, e agora? Tem até uma história, a minha vida é cheia de coincidências, cheia de histórias loucas que você fica, caraca, isso é um filme, parece um filme em muitos momentos. Mas teve uma... Eu tinha uma sensação na minha vida de que a qualquer momento eu ia perder tudo. Você estava... Qual música que estava bombando? Não, eu sempre tive essa sensação.

Não, tá, mas em algum momento tu virou Anitta, né? Não, mas essa sensação é Anitta, tá? Aí eu sempre tive a sensação de que eu ia perder tudo, do nada, perder tudo. Eu morando numa casa incrível, tudo certo. Vou perder tudo, vou engravidar sem querer, não vou ter o que comer e vou ter que trabalhar, sei lá, na casa dos outros, sei lá, não sei o que que eu vou fazer, sei lá o quê.

era uma sensação que ficava em mim, uma coisa. E aí eu fui trabalhar isso na terapia, eu faço vários tipos de terapia, eu faço muita constelação familiar, e eu sei que muitos profissionais falam muito mal de constelação familiar, principalmente por conta do criador, por conta das épocas onde foi criada, por conta de várias questões, eu sei todas as questões.

E eu entendo, e quem não é atepto, quem não gosta, quem não curte, eu entendo, constelação não é para todo mundo, e eu respeito a opinião de todo mundo. Para mim, particularmente, foi algo que me salvou de muitos problemas de vida, problemas graves, sérios e muito profundos. Então, para mim...

funcionou muito. Então, estou mandando você de casa ir fazer constelação? Não. Estou mandando você ir buscar o que é? Também não. Estou falando que isso vai mudar a sua vida? Não, não estou falando nada. Estou falando que a minha... Como que eu fiz? Tem gente que tem curiosidade. Ah, qual foi a chave que virou? A minha chave foi essa. Vai ser para você?

Não, é tipo o ayahuasca, tem gente que toma e fala, uau, eu morro de medo, tem pessoas na minha família, a minha tia, irmã da minha mãe, tem esquizofrenia desde os 20 e poucos anos de idade, tem outras questões em outros lados da família também, então eu morro de medo de tomar um negócio desse e nunca mais voltar. Entendi, tá bom, entendi, tá bom. Então, tem gente que foi uma iluminação profunda, vou dizer.

Seu maluco, não faça isso. Eu não, porque isso foi bom pra você. Parabéns, que Deus continue te iluminando. Como é que é a tua constelação familiar? Porque o que eu já vi na internet é um balde com os barquinhos. Tem um que é um dos cavalos. Eu já fiz com cavalos, eu já fiz com...

bonequinhos, já fiz com pessoas, já fiz muitas, mais de, sei lá, nem sei, nesses três anos, talvez mais de 50 sessões de constelação familiar. Mudou a minha vida em milhares de aspectos. Aspectos. Foi muito bom na minha vida.

Não quer dizer que para você vai ser. Eu não estou indicando isso para ninguém. Com certeza, alguém te saca o Danito o tempo inteiro. Não, é o tempo. Você não pode falar de constelação, que é um inferno na vida. É uma coisa de louco. Profissionais, se vocês não gostam, está tudo certo. Eu respeito a opinião de cada um. Está tudo bem. Não é para todos mesmo, está tudo certo. Então, vamos lá. Aí, eu fiz uns trabalhos. E eu descobri, nesse tempo, você vê na constelação. E depois, eu fui falar com a família e tal.

Quando a minha mãe estava grávida de mim, o meu pai perdeu o emprego.

E aí, eu não fui planejada, né? Então, foi quando eles descobriram, e meu pai perdeu o emprego na mesma hora, ficou um desespero, e para minha mãe ficou aquela sensação de, caraca, eu tinha que ter estudado, eu tinha que ter um trabalho, eu tinha que ser independente, eu tinha que trabalhar. E aí, ficou toda aquela questão de, putz, eu não podia estar dependendo agora do meu marido. E isso tudo passa para o bebê. Se você for falar, eu tenho um filme que eu ajudei, uma amiga minha, Ludmilla Dyer, que se chama Eu,

que está na Globoplay, que fala sobre... A gente tem aí pessoas profissionais da neurociência, da gestação. Como é que fala? É obstetra, né? É obstetra. Enfim, que te falam que quando a mãe vai passando pelas coisas, isso passa para o bebê. Então, a minha mãe ficou com todas as pensadas. Ela dizia, eu vim como vim. Vamos trabalhar, vamos ser independentes, vamos fazer, não vamos depender de homem. Parará, parará, parará.

Só que ficou também... Não vamos depender de homem desde você pequenininha? Desde pequena. Com teu pai? Desculpa, eu não sei. Teu pai estava em casa? Eles se separaram quando eu tinha um ano de idade. Mas ele sempre esteve lá com a gente. Então, eu sempre tive isso. Desde pequena, essa coisa. Vamos fazer, vamos produzir. Desde pequena, eu estava produzindo coisa. Fazendo, criando, criando.

E tinha esse medo, porque o que acontece com as nossas mentes, quando nossa mãe engravida, é que estão se formando os nossos neuropeptídeos, nossos neurônios, tudo que tem na gente, nosso DNA. Então, esses medos passam de pais para filhos, de mãe para filho.

E tem umas explicações espirituais também. Tem espiritual, tem científica. Aí você segue o profissional. É porque hoje em dia tem profissional, é uma briga de profissionais que a gente não pode nem mais querer acompanhar um profissional. Porque tem uma pessoa que fala, tem que comer beterraba. Aí o outro, beterraba? Terrível, não coma beterraba. É a pior coisa que você pode comer. Aí o outro, não. Ovo. Agora o ovo. Aí vem o outro, o ovo?

Que absurdo a pessoa tá falando. Aí você fica ferrou, os médicos precisam entrar no...

E aí como a Anitta, os caras enchem o saco. No meu caso, o cara começa a falar assim, meu irmão, vai tomar no seu cu. Por todo respeito. Mas a Anitta não pode. Cara, é porque tu fica assim agora. Eu como ovo ou como beterraba? Porque tem um médico falando que sim, o outro falando que não. Aí você fica, os médicos precisam se dar um consenso, se dar um abraço, gente, agora na internet, meu Deus.

Tá desesperador. Então, assim, médicos, eu respeito todos vocês. Quem odeia, quem ama, eu concordo com todo mundo. Tá tudo certo. Vamos que vamos. É que eu acredito... Só não enche o meu saco. Não é que eu acredito que existe uma...

fórmula pra cada pessoa. Então, se pra você o melhor é ovo, pra você o ovo vai funcionar. Se pra ela é beterraba, vai no médico da beterraba e cada um vai ser feliz no seu lugar. Enfim, então eu tinha esse medo aí, meu... De ficar pobre e grávida sozinha, dependendo dos outros. Pobre e engravidar sem querer. Aí fiz lá minhas terapias, minhas coisas e entendi que isso vinha da gravidez da minha mãe comigo e tal.

E aí eu falei, vamos se livrar desse negócio. Aí comecei a fazer, aí fiz a liberação, vamos liberar, vamos liberar, libera, libera, libera. Ai, maravilha, Jesus. Aí liberei, parei de pensar nisso. Nunca mais me veio esse medo. Porque isso me fazia mais difícil de dizer não para os trabalhos. De não fazer tal convite. E eu falava, ai meu Deus, vai faltar. É um medo de faltar, um medo de voltar a ser pobre, de não ter mais dinheiro para nada. Você fica com aquilo, né?

Aí curei isso e nunca mais esse pensamento veio na minha cabeça, nunca mais. Pois muito que bem, um belo... Aí eu fui, isso eu fui, eu tinha 29 anos, agora eu tô com 33. Aí eu fui fazer meu aniversário de 30 anos e meu número da sorte é 3 porque eu nasci dia 30 do 3 de 93. Então o 3 pra mim é o meu número. O que o 3 significa na numerologia?

Cara, agora eu esqueci, mas é... O 3 é tripé, né? É falar em público, essa coisa da comunidade, essa coisa de levantar muita gente. Eu acho que é isso. Eu ouço todos os meses um áudio da minha numeróloga e eu esqueço qual o significado de cada número. Mas tudo bem. Aí...

eu fiquei procurando um lugar para fazer minha festa de aniversário, que eu adoro comemorar meu aniversário, porque quando eu era pobre eu não tinha dinheiro para fazer uma festa. Então hoje em dia eu quero fazer festa por todas as festas que eu não tive, né? Aí... Certo. Para onde que tu foi nesse teu aniversário aí que tu falou? Esse ano, Ilhas Faroé. Aí, Ilhas Faroé, meu, parece o nome de coisa de videogame, cara. É, foi o máximo. Aí, cara, eu...

uma artista internacional fechou um feat comigo e ia estar no Brasil e combinamos um videoclipe, tinha que ser em São Paulo, eu falei, então a festa eu vou fazer em São Paulo, porque logo depois, lembra, eu tenho que viajar, porque eu não passo a data do meu aniversário aqui, eu passo onde a astrologia me manda. Então eu faço a festa antes pra curtir com minha família e depois eu viajo. Falei, bom, então eu vou ter que fazer a festa em São Paulo.

Aí, em cima da hora, faltando quatro dias para a gravação, a pessoa cancelou comigo, eu perdi aquele dinheiro absurdo, fiquei louca. Enfim, tudo bem, vamos fazer a festa, mudamos o lugar, porque o lugar que eu tinha alugado, enfim, deu uma confusão. Me deram o endereço do lugar novo, beleza, vou fazer aqui a festa. Mandei o convite para o meu pai. Falei, pai, a festa do meu aniversário esse ano vai ser nesse lugar. Aí ele falou.

Minha filha, que loucura. Esse endereço é o endereço do lugar que eu trabalhava quando eu fui mandada embora e sua mãe estava grávida de você. Eu fiquei em choque que, assim, 30 anos depois, eu estava voltando naquele mesmo endereço, ressignificando esse trauma que eu tinha acabado de limpar nas mil terapias lá. Eu achei aquilo tão...

simbólico, achei tão magnífico aquilo, e minha família toda lá. Você sente que isso é um presente? Ah, eu sinto, eu sinto, e eu enxergo coincidência, coincidência não, enxergo milagre em tudo. Tudo pra mim é um milagre, tudo pra mim é uma mensagem, tudo pra mim é uma mensagem positiva pra eu aprender alguma coisa. Pra mim também, mais ou menos, é.

E aí, antigamente, eu tinha um jeito de trabalhar assim, eu tinha que conseguir aquela coisa, sabe? E o internacional eu fazia uma força para ir atrás e conseguir cada coisa. E hoje em dia...

Cara, hoje em dia eu falei, ai, quer saber, vou fazer o que eu tô afim, o que eu tô gostando. Eu comecei a viver os meus shows aqui no Brasil e falar, pô, mas é tão mais legal aqui. Olha como o povo canta. Olha como o povo dança. Você pode ir em qualquer festival do mundo se você não vai encontrar a alegria de um show no Brasil. Você pode perguntar pra qualquer cantor. Eu tava no carnaval aqui? Você tava. Você pode perguntar pra qualquer cantora internacional que você pensar na sua vida.

Todos eles, todos no mundo, vão te dizer que o lugar mais animado, caloroso de fazer show é o Brasil. Não tenha dúvida. Qual foi o melhor show? Qual o melhor público? Todos vão dizer que é o Brasil. E aí, por que que a gente...

Tem que achar que o de fora é o mais legal. Mas assim, você está dizendo isso porque você já chegou lá fora? Sim, com certeza. Com certeza absoluta. Isso é aquilo que você falou. Você tem que viver para você saber. Pessoa que não viveu ainda não vai ter esse entendimento. E tem também essa coisa do Brasil não se enxergar dessa maneira.

E tem essa coisa também disso, de você já ter conquistado. E não é que eu estou desdenhando, não. Lá fora é incrível, é muito legal. É uma superprodução tudo. Porém...

eu comecei a botar na balança os prós e os contras. O que eu tenho que abdicar para ter tal coisa? Acho que eu não estou afim de abdicar. Vou ter que perder os almoços com a minha família? Não estou afim. Vou ter que ficar longe do meu cachorro que eu fico mal arrasada? Não estou afim. E aí, assim surgiu esse álbum. Comecei a fazer ele pensando no Brasil. Pessoal, bye!

O que eu faria agora de música, que agora que eu já conquistei tudo que eu queria, tanto financeiramente, minha família já está segura financeiramente, eu também, quanto profissionalmente, agora que eu já conquistei tudo, o que eu estou a fim de fazer que eu jamais poderia fazer se eu estivesse preocupada com números, com aceitação, com etc, etc, etc? Acho que eu vou fazer um álbum falando sobre tudo isso que eu acredito.

Então o álbum nasceu desse lugar, entendeu? E ele não fala só de Macumba, o álbum não é de Macumba. A gente tem algumas, quatro músicas que tem uma referência, outra. Mas tem uma música que fala de Deus, que é o reggae lá com o ponto de equilíbrio, Deus Existe. Eu falo sobre isso, sobre ficar junto com a minha família, sobre onde que eu vejo Deus, eu vejo Deus na natureza, eu vejo Deus num momento com os meus cachorros, com a minha família, eu botei na música que eu quero estar com os meus cachorros.

Então a música Deus pra mim é isso, é estar com a minha família na praia, com o meu cachorro. Essa paisagem, a árvore nascendo da terra e vem e nasce, aquela árvore imensa, isso é Deus. Aí tem um mantra no final que eu falo de equilíbrio, aí tem um canto de uma deusa hindu, que não tem nada a ver, é budista, tem nada a ver com orixá.

tem coisas que falam de amor, que para mim também o amor é uma religião a ser seguida. Então tem de tudo um pouco. Esse é o lugar do álbum para mim.

Vou te falar o que eu percebo, assim, é a primeira vez que eu tô perto de você, né? Então, a gente nunca conversou antes. Então, eu vou te falar o que eu senti ouvindo o álbum com a percepção da Anitta, artista Anitta, tá bom? Eu ouvi esse álbum, a primeira coisa que eu percebi, que eu prestei atenção, foi quem você chamou pra estar contigo.

e eu vi que tem me parece uma artista que chegou lá fora que está de certa forma não é consolidado eu não sei se isso existe inclusive consolidado um brasileiro consolidado no mercado gringo porque eu acho que me parece que se tu para tu some lá fora sim, até se você é de lá lá tem uma expressão assim lá tem uma expressão que é dead or hot mhm

Ou você tá hot, ou dead, dead, morto, dead, morto. Essa é a expressão, um fulano, dead right now, tá morto, morreu. E a outra é hot, ou você tá hot, ou você tá dead.

Tipo assim, é terrível. É terrível. Não é igual aqui no Brasil, né? Que o artista que fez sucesso mil e mil anos atrás Quanto tempo faz que o Alceu Valença soltou a última música nova dele, tá ligado? Mas tá aí o Alceu Valença. O Alceu Valença é porra, né? Exatamente. Eu, inclusive, escuto todo dia o Alceu Valença. O cara é foda. E o que eu tava dizendo é que assim...

consolidada demais por causa disso que a gente falou, né? Dead ou Hot. Porém, estava alcançando uma parada e, para mim, o passo natural era continuar. Então, The Weeknd, o próximo é o quê? Daqui a pouco vem o Justin Timberlake, já teve a Madonna e por aí vai.

E o que eu vi no Equilibrium é um monte de feat brasileiro, uma vontade de... Você vai no... a gente pode falar que você vai no Saturday Night Live? Sim. Tá, então você vai lá apresentar uma música essencialmente latina, né? Ou seja, não tá abandonando lá fora também, mas olha aqui, ó, Brasil. É, então, é que na verdade, aí o que aconteceu?

Aí eu comecei a não focar. E quando eu digo não focar, não é que eu abandonei e caguei e acho péssimo. Não, eu acho incrível. Eu acho o auge, eu acho tipo, cara, inacreditável o que eu fiz. É bizarro.

porém, tô afim de perder a minha saúde e ir pro hospital direto do aeroporto porque eu tô desidratada de tanto voar? Não, tô afim. Acho melhor eu ficar em casa mesmo, tá de boa. Então, esse é o lugar. Só que aí, quando eu fiz isso, aí eu tava fazendo o álbum, coloquei alguns compositores, a King, por exemplo, é uma compositora do álbum, a Meli também é uma compositora que tava fazendo outras músicas pra mim, eu falei, ai, cara, vocês são incríveis, canta comigo.

Chamei elas pro álbum. Tem pessoas que eu admiro. Ponto de Equilíbrio, minha adolescência inteira ouvindo. A Lued Luna, maravilhosa. Linniker, maravilhosa. Marina Sena. Os garotinhos estavam compondo aqui. E aí eu falei, vamos participar de tal música. Essa é boa pra caralho. Como é o nome dessa? Caso de Amor. Essa é boa pra caralho. É. Os garotinhos estavam aqui. Aí a gente fez junto. Então, foram acontecendo. Aí, no meio do caminho, do nada...

do absoluto nada. O meu agente, eu já sou amiga de algumas pessoas que vão estar no SNL, que tiveram no SNL comigo. E aí, o meu agente me ligou e falou, cara, fechei você no SNL pra lançar seu álbum. Falei, que máximo! Gente, que máximo! Tipo, eu não me matei pra parada acontecer.

Eu tava só curtindo a parada assim, ai que álbum legal em português. Ai, ai eles...

Mas tem o quê? Duas, três músicas em espanhol e tem uma que é em inglês também. Isso, tem a So Much Love que mistura espanhol com inglês. Essa música, na verdade, foi a minha manager que apresentou essa música para mim e eu adorei. A Pinterest também foi ela que apresentou, porque eu sou muito aberta com isso de álbum, eu não sou muito cri-quique, eu tenho que escrever cada letra, cada palavra, zero. Eu gosto de direcionar as pessoas sobre o que eu penso.

e o que eu gostaria de falar sobre. A imagem que eu tinha de Anitta e as coisas só saem. Já compus muito. A Pinterest em português eu escrevi a letra inteira. A Tchocachoc eu escrevi a letra. Vai dar caô eu escrevi. Mas não precisa todas eu escrever, entendeu? Eu não tenho esse apego, não. Eu gosto que a mensagem seja a meditação do final da última música eu escrevi. Eu gosto que tem a ver com o que eu...

acredito. Mas, gente, depois de 10 anos de carreira, como que você vai inovar 100% se você é a única pessoa escrevendo, a única pessoa compondo? Você não tem nem tempo de fazer tudo isso, gente. Imagina, eu não tenho ego nenhum, tem música que eu não fiz absolutamente nada, que quem fez foi o pessoal, óbvio que eu dei a direção, eu tava aqui junto, participando.

Mas eu não criei, não tive o conceito, eu dei palpites. Então, eu não tenho necessidade de me acreditar e me colocar no nome se eu não... Se eu não acho que eu... Uau, arrasei ali, compus. Então, eu não tenho esse ego, não. Por mim, eu quero que as outras pessoas brilhem e tá tudo certo. Então, eu chamei esses feats. E aí, do nada, a Shakira anunciou que vinha cantar aqui no Rio.

E tu mandou um salve dela no WhatsApp? Não, a gente sempre foi amig... É, então, na verdade, a gente sempre foi parceira. A gente já fez algumas coisas juntas na vida pessoal, assim, alguns rolês. Sabe cantar Donde Está Esse Corazão? Eu sei cantar. Eu sei cantar Estou Aqui. Eu não sei. Cadê? Cantei.

Não, não vou cantar. Do seu lado não vou cantar. Mas é verdade, sabe de cor, entendo. Gente, eu não. Mas olha, a gente já tinha feito uns rolês. Não é rolê de loucura, não. Eu fui gravar um clipe com ela, que ela me pediu, dela. E...

Depois a gente fez uns rolês de healing, de essas coisas relaxing, wellness. A gente fez uns rolês wellness juntas, que ela mora em Miami. Vocês moram perto? Moramos bem perto. E aí, a outra vez que ela veio aqui pro Brasil, ela ia usar minha casa aqui pra ensaiar, enfim, somos amigas. E aí quando anunciou que ia ter o show dela aqui no Rio, em Copacabana, a gente falou sobre...

Ela falou, cara, vamos cantar juntas. Eu falei, cara, vamos, tem o meu álbum e eu posso te mandar o álbum e você escolhe a música que você gostar mais. Mas eu acho que essa aqui você vai amar, que era Tchoca Tchoca. Ela falou, cara, que musicão. E foi acontecendo naturalmente com uma pessoa que já era minha amiga. É, para mim, uma grande artista, uma das maiores artistas internacionais do mundo, para mim. Revolucionou a América Latina, as mulheres, enfim, tudo.

Então, você vê que não é algo que eu fiquei igual uma maníaca, louca, buscando, sedenta. Foi uma coisa que foi vindo até mim. Mas e como é que foi no...

envolver. Ali foi outra pegada. Foi outra pegada. Aí é antes desses... Perfeito. Aí é antes dos meus retiros. Já estava em ô... Total. Ali era uma Anitta querendo o topo a qualquer custo. Falei bem ou falei mal, mas falem de mim. Total, né? É qualquer custo não, porque eu sempre tive... Embora eu fosse desesperada, não, ansiosíssima, e sempre, ai, vamos lá, vamos buscar sedenta, eu nunca, eu sempre tive um princípio muito forte.

Tem um limite, né? Não ser um filha da puta, né? Nossa, pra mim, tem os princípios. Eu não posso passar por cima de ninguém, eu não misturo relação com profissão. Então, eu tenho esses princípios bem fortes. Tirando isso, tudo que é legal e de bom caráter, e, meu filho, falem bem ou falem mal, falem de mim. Vamos lá, não quero saber. Sabe, tinha essa...

E você acha que essa foi... Você acha que envolver foi onde você colocou... Ou vocês colocaram mais energia do ponto de vista de marketing? Não. Não? Aconteceu. Teve coisa mais bombástica, não teve? Quer dizer, veja. Quando saiu Bang, eu tava dando aula. Eu lembro a maluquice que foi, porra. Tocava em tudo quanto era lugar. Tocava em lugar que eu achava que não era pra estar tocando.

Tocava em festa de criança de 5 anos, tá ligado? Tocava em tudo quanto era lugar mesmo. Tem uma nitinha, tá gente? Um projeto pra criança, se esses caras queiram saber. Tem que ter, meu. Eu tenho. É, essa sabe ganhar dinheiro, família. Não, mas esse é um projeto que não me dá dinheiro.

nenhum, sabia? Nem um zero. Só me dá mesmo o prazer e a consciência tranquila de saber que eu tenho um projeto bem feito, pensado pra crianças, com a mesma qualidade musical, com mensagens importantes e que eu acredito. Nasceu de tu ver que tu alcançava as crianças?

É, porque eu tava vendo que eu tava alcançando as crianças, mas não com o tipo de música que eu achava que era pra crianças. Nunca imaginei... Bom, perfeito, lindo. Eu acho incrível, porra, eu fico muito feliz, porque me parecia que assim, chegou... Desculpa, Paulo, mas chegou o Paulo e falou assim, puta oportunidade, hein? Não, a gente nunca ganhou um centavo. Gastamos dinheiro pra esse projeto. Foi bem... Se ganhou dinheiro, foi muito pouco. Legal, legal.

Não, o mais legal, Anitta, sinceramente, sem puxar o saco, o mais legal é, porra, tô chegando nas crianças, porra, mas a minha música tá falando outros bagulhos, né? Esse foi o lugar, na verdade. Eu não tava satisfeita.

com o produto meu que as crianças estavam consumindo. Não que tu não queira chegar nas crianças. Para isso, toma esse. Exato. Eu vi que elas gostavam de mim, então eu queria oferecer algo que eu achasse mara para crianças. Então, aí vai dos pais, né? Porque aí o pai também não pode reclamar e falar é, mas olha a música que você faz, meu filho. Amor, tem a Anitinha. Bota o filho para escutar essa Anitta.

É a mesma Anitta com os mesmos produtores musicais, os mesmos compositores, tudo igual. Só mudamos o discurso. Cara, e pra gente ir chegando no final aqui, o Equilibrium, só pra finalizar, eu entendi o ponto de vista, vou dizer, artístico, da onde ele surge da Anitta. Mas ele também cumpre, me parece, um papel na crítica brasileira, lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu em lieu

isso aqui é aquele cara que não tinha conversado com a Anitta antes, tá ouvindo o álbum e fiquei imaginando. Isso aqui me parece uma conversa com a crítica brasileira ou com pessoas... Com os caras que estão ouvindo aqui no Brasil, olha família, olha eu fazendo uma música brasileira e eu vou chamar até...

Porra aí que eu tô me achando um babaca, mas vamos lá. Mais sofisticada que um funk, manja, uma música... Eu sinto esse teu álbum um pouco mais sofisticado, não sei dizer, sabe? É a intenção falar com o crítico, parecer uma artista mais...

Não sei, mas madura, consolidada, do ponto de vista musical mesmo, e não só de ser influente pra caralho, bonita pra caralho, alcançando lugares internacionais. Não, não, não. Olha que eu também sei fazer MPB. Tô trazendo todos os caras da nova MPB pra gravar comigo. Uns caras fodas de música brasileira. Tu pensou nisso ou foi sem querer também? Não fiz o meu álbum pensando em críticos. Eu faço o meu álbum pensando em...

algumas coisas. Primeiro em mim, se eu estou gostando, se eu estou feliz, se eu estou me achando o máximo, se eu estou ouvindo e fazendo ai, eu sou foda, ai, uou! Uou! Segundo em quem mais vai ganhar comigo, ai, porra, os compositores, o povo que está trabalhando junto, o fã, como é que ele vai, se ele ouvir isso, isso vai ajudar ele a pensar um pouco diferente? Você pode reparar que os visuais

eles não têm tanto a ver. Quando você vê os visuais, você acha que é só sobre Macumba o álbum, né? E você ouve o álbum... Mas eu vi dois clipes, foi isso que eu vi de visual. E umas coisas no Instagram. Sim, mas todos os visuais a gente está trazendo uma coisa de... um elemento de orixá ou indígena. A gente está trazendo.

Mas é porque foi a decisão artística visual que eu escolhi. Para combater a intolerância religiosa, acho que esse é um ano de eleição onde muita gente vai ser intolerante, onde isso vai ser muito utilizado para fazer política. E eu não acho que a religião deveria se misturar com isso. Acho que as pessoas deveriam ser livres.

para sentir o que elas querem sentir, para acreditar nas coisas que elas querem acreditar. Então, essa foi uma decisão minha, também de colocar os indígenas no clipe de Tchocatchoca, que eu cito ali, que eu fui encontrar a Vossa Majestade e eu fui com o cacique Raoni para falar de Amazônia. Então, eu quis trazer a causa indígena, a pauta indígena também, porque além de a gente colocar lá no meio do clipe...

um link para a galera fazer as doações para o Instituto do Raoni, que precisa muito de apoio. É uma causa que eu ajudo muito, acho que tem que ter visibilidade. Então, sempre tento colocar artisticamente, de alguma maneira, obviamente, nunca ofensiva, porque quando eu fui convidada para ser madrinha de alguns projetos da...

pessoal da mídia indígena e da ministra, etc. Eles me falaram que eles sentiam falta de que as pessoas deem visibilidade para a causa indígena em questões felizes também. Não só na luta pela...

Pelo espaço, pelo reconhecimento. Pela proteção da mata e da floresta, mas também a celebração da luta, da alegria, das festas. Então, a gente colocou... Quando a gente fez o tratamento de tchoca-tchoca, a gente pensou em choque, o que eu falo, tchoca-tchoca, cuepo com cuepo. Então, a gente pensou em lutas.

E quando me vieram as ideias dos diretores, me veio muito luta de boxe. Eu falei, uma luta de boxe, não sei se é Brasil. Você está pensando em uma luta brasileira? Falei...

Quarupi. Quarupi é uma luta brasileira. Nunca ouvi falar. É aquilo que tem no vídeo. Isso. O Quarupi é um feste... Os caras estão lutando dentro de um círculo. Então, a maior... O tema do meu álbum, na verdade, é Equilíbrio, mas a gente traz nos visuais essa ideia de fé e festa. Que a gente está sempre misturando no Brasil, fé e festa. A gente tem várias celebrações na nossa cultura brasileira que tem a fé e a festa ao mesmo tempo.

E o Quarupi é um festival que acontece no Xingu, eu estava lá esse ano, e eles têm essa luta, fala sobre a morte dos ancestrais, então eles celebram lá a vida daqueles ancestrais, tem os troncos lá no meio da comunidade, eles colocam, eles se pintam lindo e fazem aquela luta entre as diferentes comunidades, os povos, é lindíssimo.

E aí eu coloquei essa luta, que eu acho que é uma luta brasileira, que tem pouca visibilidade, que celebra essa fé e festa, ao mesmo tempo que é o tema dos visuais para mim, a fé e a festa, que são duas coisas que a gente vê como separadas, mas eu vejo como junto, sabe? A gente tem como celebrar a fé.

Então, eu fui colocando nos visuais essa questão tanto religiosa quanto de cultura brasileira, como eu coloquei aí do Quarupo e dos indígenas. Mas o álbum em si, as letras, não são religiosas. Tem uma ou outra que fala de uma referência ou outra, mas a maioria é sobre amor, sobre amor próprio. Então, é essa mistura do álbum que eu quis trazer para a galera refletir. Então, quando eu faço o álbum, eu faço pensando assim...

Como que eu posso outras pessoas se aproveitarem disso além de mim? Então eu faço o álbum para eu me sentir bem, para a minha família gostar, que eu sempre, os clipes estavam prontos, antes eu mostro para eles. Penso, quem mais pode tirar vantagem do meu trabalho? E ponto.

Antes eu pensava em chegar mais longe, mas nunca com os críticos. Engraçado isso. Porque eu sempre, para mim, os críticos para mim é o povão. Eu nunca me liguei com esse negócio de prêmio. Eu sempre vou para os prêmios porque... Nunca. Pergunte ao Paulo. Eu nunca sei nem as categorias que eu estou... Isso é coisa de artista. É verdade.

sabe o cara que teve o Oscar esse ano o Champagne ganhou e ele não foi eu acho muito gangsta o cara que não vai eu vou quando eu tenho a oportunidade de cantar porque aí é uma divulgação muito boa pra sua música você tá ali no tapete vermelho você consegue, quando eu tô lançando coisa na mesma época

Aí é bom, porque você tem muita imprensa, você divulga o seu trabalho, você canta. Mas se eu for te dizer que eu tô preocupadíssima se eu vou ganhar ou perder, meu amor, é indiferente pra mim. Porque pra mim, o prêmio que me dá é o senhorzinho quando eu chego lá, esse ano eu cantei. Meu amor!

Eu cantei no Macapá e veio um senhorzinho que chegou meio dia pra ver meu show. Ele sabia toda a minha discografia. Ele sabia do Funk Generation, o álbum todo. Isso, pra mim, é o prêmio, entendeu? O cara tinha mais de 60 anos. Isso é um prêmio, pra mim, impagável. Então, eu não tô desdenhando dos prêmios. Acho que eles têm o potencial, a importância. Mas eu não faço nada pensando nem em prêmio e nem em críticos.

Porque isso não está dentro do meu potenciado. Não está, não sei. Eu quero influenciar a vida do outro. Quem eu puder aqui apoiar, ajudar. Eu entendi que tu já canta há muito tempo. Você me falou que começou na igreja e tudo. Tu chegou a estudar formalmente música? Então, o meu avô tocava piano, saxofone, sanfona. Ele é da Paraíba, de Guarabira.

Guarabira, eu fui em Guarabira fazer uma palestra esse dia. É, minha mãe também nasceu em Guarabira, na Paraíba. E quando eu comecei a cantar na igreja, e aí ele começou a me ensinar música. Só que ele começou pela partitura, porque ele falou que músico de verdade, músico que se preze, tinha que saber ler partitura, que ele não gostava de quem só sabia ler cifra.

Aí eu comecei a aprender a partitura, então aprendi a escrever as bolinhas no caderninho, dó, ré, mi, fá, aprendi, aí ele ficava, um, dois, três, quatro, aprendi tudo isso. Quando eu aprendi a escrever o colchetezinho, tudo direitinho, vamos lá, fui pegar no piano, primeira aula, dó, ré, mi, acordes, segunda aula, terceira aula ele faleceu.

E aí meu avô faleceu. E eu não tinha... Aí depois, logo quando ele faleceu, eu comecei... Eu fiz estágio, depois eu comecei a cantar. E eu não tive mais... Aí depois eu comecei a ter dinheiro pra pagar um cursinho de música. Paguei, comecei a fazer aula. Só que aí eu comecei a fazer show. Aí eu não tinha mais tempo pra aprender. Aí na pandemia eu voltei a fazer aula com esse piano aqui. Voltei a fazer aula.

Mas aí, quando acabou a pandemia, eu voltei a trabalhar e parei as aulas. Eu pergunto porque eu tava com... Acho que era o Dani, da tua equipe, que tava aqui comigo. E ele falou, pô, Anitta, meu irmão, eu vou estar parado. Sabe quando é abençoado? Porque assim, o exemplo que ele usou, ele...

Tá desafinado isso aí, isso aí é lá sustenido, não sei da onde o caralho. E tá certo. Isso vem de tu viver a música ao longo do tempo, no fim das contas, e muito menos de um... É de viver, porque como eu cantei na igreja, né? E tinha o meu avô, que é músico, músico, e ele era bem chato com isso. Aí eu fui aprendendo com o meu avô. E a banda era muito boa lá da igreja. Então eu fui aprendendo todo domingo, né? Ouvindo e tal, então eu tinha bastante noção.

A Anitta cantou no Olimpo? No Olimpo, muito. Cantei. Muito, muito. A gente deve ter encontrado a Anitta no Olimpo, olha. Cantei e antes de cantar no Olimpo, eu ia pro Olimpo me divertir. Entendi, mas tu ia só de sutiã? Eu ia na sexta-feira, na sexta-feira, na Via Show Digital. Caralho! Que tinha, né? Era sexta, dia Via Show. Via Show não era muito... Era sexta. Então, Via Show não era muito a minha pré, que era longe pra caralho da minha casa. Não, não, não. No Olimpo tinha o dia da Via Show Digital. Ah, é?

É, aí você tá desatualizado. É, tô desatualizado. Era a equipe de som, tinha o dia da Furacão 2000 e tinha o dia da Via Show Digital. Eu gostava mais do dia da Via Show Digital porque a Furacão 2000 só tocava música que era dos artistas que iam fazer os bailes da Furacão de graça. Aí o artista que se negava a fazer os bailes... Esse começo era foda, Anitta? Era.

Era muito difícil, tinha todas essas barganhas. No baile da Furacão 2000, não tocava música dos MCs que se recusavam a fazer os bailes sem ganhar cachê. Aí eu preferi ir pro baile da Dijavê. Nessa época era o Rômulo ou já era a Mãe Loura? Sempre foi o Rômulo. Mas depois não deu merda? Não, a Mãe Loura era da Viajou Digital. Entendi, tá. É quando eles se separaram.

Bom, Anitta, muito obrigado pelo teu tempo. Obrigado por receber a gente aqui na tua casa. Eu que agradeço vocês terem vindo pra cá, gente. Porra, cara, foi muito legal conhecer isso aqui. Música é medicina, música é meu amigo imaginário. Essa aí é um trecho da música do Cansei de Ser Sexy.

Music is my imaginary friend. Se chama Music is my hot, hot sex. A música cansei de ser sex. E esse aqui é um cantinho bem gostosinho. Bem gostosinho, cara. Parabéns pelo que você construiu. Parabéns pelo teu álbum. Por ser quem você é. E aparentemente por ser uma gente fina também. Ai, obrigada. Não, quando desliga a câmera eu sou péssima.

Obrigado, Anitta, valeu. Ó, vocês que assistiram aqui, ó, a gente vai deixar aqui no comentário fixado, como se precisasse, todos os jeitos de você encontrar o álbum novo da Anitta, tá bom? Pra você assistir aí nas principais plataformas, facinho, tá bom? Tu quer falar mais alguma coisa? Eu não, gente, eu acompanho o álbum, tá feito com muito carinho, com muito amor, muito tesão, entusiasmo.

E acho que vocês vão gostar muito. Muita mensagem bonita, gostosa. Os visuais também. Muita quebra de preconceito. É isso, gente. A mensagem é a união de todo mundo. Então, muito obrigado, Anitta. Valeu pela moral. Um beijo pra vocês e a gente se vê depois, tá bom? Tchau.

ANITTA - Flow #592 | Castnews Index — Castnews Index