Episódios de Flow Podcast

BACO EXU DO BLUES - Flow #590

16 de abril de 20261h7min
0:00 / 1:07:56

Música e espiritualidade

Participantes neste episódio2
I

Igor 3K

HostComediante
D

Diogo Álvaro Ferreira Moncorvo

ConvidadoMúsico
Assuntos6
  • Música e Espiritualidade
  • Álbum RazosLançamento do álbum · Temas pessoais · Processo de criação
  • Autoconhecimento e TerapiaImportância da terapia · Lidar com traumas · Coragem e paciência
  • O Papel da Fé e EspiritualidadeCandomblé · Intolerância religiosa
  • Sucesso e FamaExperiência de sucesso jovem · Consequências da fama
  • Saúde e Bem-estarImportância da saúde mental · Mudanças de estilo de vida
Transcrição178 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

This is the flow. Salve, salve, família. Bem-vindos a mais um Flow. Eu sou o Igor e hoje eu vou conversar com o Baco Exu do Blues, cara. Eu acho esse nome muito pica. Olá, meu querido. Muito obrigado. Pô, tô bem, você? Como é que você tá? Eu tô bem, cara. Obrigado por vir aí, porra. Me dá a oportunidade de continuar a conversa que a gente tava tendo antes da gente começar. Ok. Né? Vamos nessa. Que isso é importante. Por que que tu fala assim, cara? É pra dar um negócio mais sensual, né, cara? Tá.

Na proximidade, que a galera acabou de abrir a tela assim, olhou pra mim, eu tô tentando cativar eles, não posso trazer pra mim. Entendi, entendi. Mas eu acho que será que tu, porque assim, tu já é um vagabundo, já te escuta pra caralho, irmão. Acho que isso daí não precisa não, acho que tá suave. A gente tava falando aqui antes de começar, cara, que sobre o Razos, que é o teu álbum do final do ano passado, né?

Bom, quando eu olhei eu vi o seguinte, eu vi o lançamento de um álbum no final do ano, um álbum que você vai ouvir se tiver afim de prestar atenção no que tá falando ali, tem coisa pra você prestar atenção no que tá falando, entendeu? E um mês, dois meses depois, esse cara que soltou esse álbum fez o aniversário de 30 anos.

Eu lembro como é que foi fazer 30 anos. Então, foi um momento de eu perceber, por exemplo, que eu estava maduro para olhar para algumas coisas da minha vida, para entender outras e muita insegurança.

Em outras coisas também, né? Que a gente já trocou essa ideia antes também. Tu falou, ah, isso daí é coisa de quem? Porra, eu saí de casa com 18 anos, já sabia o que eu queria. E, caralho, faz sentido. Mas, cara, aí tu falou, o Razus, ele é... Porque eu tava dizendo que eu senti que o disco anterior, que é um nome complexo, que é Quantas Vezes Você Já Foi Amado, sentia uma... Como se fosse um... Outra faceta, manja? Não, é o mesmo cara, mas assim, outra faceta. Uma...

Falando de outra coisa, falando talvez do de fora. No Razos eu sinto um cara falando mais do de dentro. E aí tu falou, cara...

Não necessariamente. Eu acho que ali a diferença é tempo de tratamento. É tempo de terapia, com certeza. Eu acho que tem uma brincadeira aí, né? Que é muito doida, que entre esses dois discos a gente tem um EP chamado Fetiche. Que é... Eu gosto muito de estruturar todas as minhas obras assim, de um jeito.

que eu não vou dar 100% as coisas pras pessoas, mas eu vou falar assim, me entenda. Vamos estar me entendendo aqui de alguma forma. E aí, o Quantas Vezes é um álbum muito pessoal, de fato.

Só que, como é que eu ia fazer as pessoas darem um pulo do quantas vezes até o Haas? Que o Haas já estava em processo de construção também ali, de certa forma, naquele momento. Eu já sabia que eu queria abordar aqueles temas. Eu já sabia que eu queria falar de algum jeito. Eu acho que eu só não estava preparado ainda para falar sobre aqueles temas. Está falando de quando tu fez o... É, o quantas vezes. Tá. Então eu estava...

emocionalmente me preparando. Já tinha até algumas prévias das músicas, mas sabia que eram temas difíceis e eu tinha que estar bem pra conseguir lidar e expor pro mundo. Demorou tu sacar que tu... Quando é que tu saca, cara, que tu tá bem pra falar de temas que são, que pegam em você e que pegaram durante a tua vida, de certa forma, né? Que tu fala abertamente sobre essas questões, mas...

Quando eu não vou me importar com o que o outro vai dizer. Eu acho que é quando eu tenho certeza que eu não vou me importar com o que o outro vai dizer. Quando eu tenho a certeza que é tipo assim, quando tá muito bem conversado com você mesmo, você tem um problema real. Eu não tô falando tipo assim, ai meu Deus do céu, hoje eu acordei. Não, tô falando tipo assim, você tem questões de fato, traumas. Quando você lida com esses traumas de frente,

Você resolve eles. É doloroso. E o que precisa para lidar com eles de frente? Paciência e coragem, né, irmão? É muito mais fácil fugir. É muito mais fácil você pegar um copo de bebida aqui, encher minha cara, usar uma droga maluca, sair para fazer o mal, viver intensamente, fingir que o mundo não tem fim ou que minha vida pode acabar a qualquer momento porque só se vive uma vez. E eu concordo, só se vive uma vez também. Mas a gente tem que entender se a gente está vivendo de fato ou se a gente só está fugindo da vida.

É verdade. Fugir da vida é...

Mas é que eu sinto, cara, que pra tu ter esse tipo de estalo, pra tu começar a prestar atenção nisso, alguma coisa tem que te empurrar. Porque senão... Vamos falar da minha experiência. A minha experiência foi assim. Eu tava aqui listando pra você alguns lugares que eu trabalhei na minha vida e o meu foco era o seguinte. Cara, como é que eu faço pra ter uma qualidade de vida melhor da minha família? Primeiro eu queria, todo millennial.

Quer ter um carro, uma casa e uma família. Todo milênio quer isso, tá? Então eu queria ter um carro, uma casa e uma família. Então eu estava com a minha namorada, que virou a minha esposa. E aí o meu foco era conseguir pagar meu aluguel, a parcela do meu carro, a fraude da minha filha. E eu vivia atrás disso. Eu tenho muito tempo para pensar. Manja? Porra, eu dava aula. Então eu pegava o máximo possível de turmas. E eu substituía todo mundo que precisava de substituição. Eu trabalhava para caralho, porque eu tinha conta para caralho para pagar.

A vida foi andando, as coisas foram mudando, não sei o quê. Antes do flow, acontece uma virada na minha vida que eu começo a não ter mais que me preocupar, porque tem meu carro. Eu não tinha mais... Eu conseguia guardar dinheiro, tá ligado? Não era mais o lance de trabalho para pagar o mês anterior. Cara, quando eu cheguei no ponto de eu ter dinheiro, fudeu um pouco. Porque assim, eu não tinha mais o que perseguir.

tá ligado? O que eu tô te falando é que o meu foco, depois eu fui entender mais maduro que o meu foco tava no lugar errado, tá ligado? E isso parece bonitinho de falar que, ah não, vou ter o propósito, não sei o quê. Cara, eu acho que eu fui entender que, na real, o que eu tô buscando não é grana, não. Eu preciso que no meu caso, que a minha família esteja bem, que a galera que tá perto de mim esteja bem. E isso não necessariamente quer dizer ter um jato ou 15 coberturas por aí.

Não, ok, concordo com você. Mas a busca pelo dinheiro parte da edificação, da família toda também. Eu brinco muito, eu falo muito para as pessoas, um conselho que eu posso dar para elas, e o conselho que eu te daria se eu te conhecesse mais jovem, eu porra nenhuma dando um conselho para os outros.

Que eu falo, cuidado pra não virar muleta invisível de ninguém, irmão. Acho que o maior problema da pessoa que tá em ascensão é quando ela vira muleta invisível de alguém. Que é quando você tá começando a conquistar suas coisas, você tá começando a fazer seu caminho, você tá começando a mudar de vida, né? Só que você não tá estabilizado. E aí você começa a querer mudar a vida de todo mundo ao seu redor. Só que você também não tem certeza que daqui a quatro anos você vai estar do mesmo jeito, correto?

Você concorda que se você escorregar, você está escorregando junto com um bocado de gente? Uma porrada de gente. Eu caí, cai uma porrada de gente nessa analogia. Exatamente. É meio a história do avião que você coloca a primeira máscara em tu. Exatamente. Eu tive que aprender isso também. Você tem que estar preparado para ajudar as pessoas. Não basta só querer ajudar as pessoas. Uma ajuda de...

pouco tempo, porque você não ajuda deixando claro pra aquelas pessoas que você não tá estabelecido ainda. As pessoas te olham como um ponto de confiança. Você tá ganhando na vida. Você tá conquistando essas coisas. Você é a pilastra ali da casa.

E você não quer que as pessoas não te olhem desse jeito Então você não vai falar dessas fraquezas Você não vai contar Tipo assim, pô, tô com medo Será que próximo ano a gente vai conseguir fazer A mesma quantidade de grana que eu tô fazendo Será que próximo mês eu vou ter essa grana Será que eu vou conseguir ajudar minha mãe, meu pai Será que eu vou conseguir ajudar meu primo Será que eu vou conseguir ajudar meu amigo que teve um problema Ah, aquele outro amigo que teve um problema de saúde Muito sério, tô ajudando E por aí vai

E aí, irmão? Esse próximo mês... Mas tu encontra pessoas na tua vida dispostas a conversar sobre as suas próprias fraquezas? Ou isso é mais incomum do que tu gostaria? Cara, eu acho que...

Primeiro, o primeiro lugar a se conversar sobre suas próprias fraquezas é a terapia, que é um lugar seguro. Já começa daí. Eu acho que quando você tem esse lugar seguro, fica mais fácil de você conversar sobre suas fraquezas com o seu ciclo de amigos. E a partir daí...

você consegue ou fazer eles irem à terapia ou ajudar eles de alguma forma para que um dia eles cheguem lá. Mas é um processo. É verdade. É verdade. É. Para mim, essa parte do autoconhecimento... É...

me parece necessariamente precisar de algum nível de maturidade. Não é? Tu tem que ter algum tipo de vivência. Porque me parece, posso estar completamente errado, mas eu não acho que eu estava equipado para pensar as coisas com mais cuidado, com o mesmo refino. Eu até te dei uma provocada aqui antes da gente começar para entender se tu estava na crise dos 30.

Eu acho que a maturidade e as experiências que a gente tem pessoalmente, de forma subjetiva, elas colocam a gente em posições diferentes ao refletir sobre nós mesmos. Então, com 25 anos, eu achava que eu era muito foda, meu irmão.

tá ligado? Então, assim, quando eu olhava pra mim mesmo e eu vivia, eu passei na faculdade mesmo, foda-se você, tá ligado? Eu sou foda. E eu era um merda do caralho, eu só achava que eu era um foda. Então, eu acho que é maturidade viver um pouco e ver, caralho, olha como é o mundo, e aí tu sai de onde tu tava, né? Quando tu sai da casa da tua mãe, porra, o mundo expande, não é? Muda tudo, cara. Então, eu considero que a experiência pessoal...

a lente que cada pessoa usa pra ver a vida, muito foda, muito importante. Concordo. Essa parada do se sentir muito foda jovem é muito normal, né? Acho que adolescente principalmente, acho que a cabeça de adolescente é muito... Eu sou imbatível, nada me para, o mundo é meu, nada acontece com você. Tem uma passagem do Chris Rock que é muito massa, que ele fala sobre...

Como ele, desde cedo, deixa muito claro para os filhos dele que eles não são especiais. Antes de sair de casa, ele vira para a filha e fala assim, pô, então aqui dentro tem uma pessoa que se importa com você, e lá fora ninguém se importa com você. Então viva a partir dessa realidade. Porque querendo ou não, o mundo é assim.

você que tá aí sentado você pode achar que você é o protagonista de uma grande história ou que você é o protagonista de um anime ou que você é o protagonista de uma série mas a real da real da real é que tá todo mundo muito preocupado com a própria vida tá todo mundo ocupado demais em conseguir vencer seus próprios traumas seus próprios medos ah, fulano acha isso ou aquilo de mim

Fulano nem vai lembrar de você amanhã, velho. Fulano não vai falar de você amanhã. Não existe essa parada. O outro tá focado, tá hiper focado no outro. Então pode ficar tranquilo. Não dependa de opinião alheia, porque se você depender de opinião alheia, você vai ficar maluco. Você vai ser a pessoa que vai viver em função dos outros e não vai viver sua vida. Enquanto tá todo mundo vivendo sua vida, apontando o dedo pra você e dando risada.

Como é que foi pra tu, cara? Tu fez sucesso muito jovem, não foi? É, um pouquinho. Em quantos anos? 18. 18 anos tu fez sucesso. É. Tu, olhando pra trás agora com 30, é...

Cara, eu olhando com 30, vai falar, pode falar. Tu era um babaca? Não. Tu ficou um babaca? Eu fiquei, eu fiquei. Eu... Chegou um momento... Chegou um momento específico na minha vida, assim, acho que durou uns um ano e meio, dois aninhos. Porque eu me... Me coloquei numa bolinha, assim, onde as pessoas sempre me davam razão.

Tá. Fudeu. E aí... Moleque novinho? É, é. E aí tudo acontecendo, todo mundo me dando razão. Até que chegou num momento que já estavam umas questões muito absurdas. Eu pensando assim, falando umas merdas assim pra cima. E olhando de volta, falando... Tá meio burro isso aqui, velho. Não tem como todo mundo tá concordando. Sabe quando você faz um desenho, tá vendo que tá feio, mostra pra todo mundo. E todo mundo fala... Ah, que lindo. Você sabe que não é. Eu vou ter que voltar pra Salvador, velho.

Tenho que ficar quieto, rever meus amigos. Aí passei assim... Boa parte da minha equipe, isso é interessante de falar, boa parte da minha equipe é amigo de escola também. Só que aí nessa época tava todo mundo trabalhando tanto.

que mesmo a gente sendo da mesma equipe, quando a gente não tava trabalhando, a gente não conseguia se ver muito, porque tava cada um trabalhando no seu polo ali, se liga. Léo, que tá comigo desde o começo, o cara largou a faculdade, veio, correu atrás do sonho comigo, apostou no sonho comigo. Então, enquanto eu tava aprendendo a ser músico, artista e figura pública, ele tava aprendendo a ser produtor, empresário. Então, tipo assim...

A gente estava junto, mas ao mesmo tempo separado, de certa forma, no sentido de muito ocupado com cada um com sua demanda. É muito engraçado que aí passou um tempo, passou um tempo, passou um tempo, eu encontrei um amigo lá de Salvador, que é meu melhor amigo das antigas, um cara que deixaria a minha vida na mão dele mil vezes, sem pensar duas vezes.

Aí a gente trocando ideia, assim, ele virou, olhou pra minha cara, assim, falando assim, porra, velho, você tá meio babaquinha, né, velho? Eu falei, porra, isso destruiu minha alma, mano. Eu falei, caralho, velho, se ele tá falando é porque eu tô meio babaquinha, que ele é a única, acho que é uma pessoa que...

Entendi. Esse maluco é que eu tô ligado que eu sei que ele... Esse maluco me freou. Não é que os outros não freavam. É porque, tipo assim, é que quando a gente tava falando, muitas vezes a gente já tava tão focado no sucesso, tão focado em conquistar as coisas, que a gente só tava trocando uma ideia de trabalho. Então, no momento que eu parei de falar de trabalho, que eu ouvi falar sobre outras coisas assim, com um brother esporádico que não tinha nada a ver com trabalho, que ele me deu a ideia. Tipo assim, pô, você também é um babaca, hein?

Parei pra analisar a situação toda e falei... E tava mesmo. Tava mesmo. E é importante você ter essa noção. Que, às vezes, você é o babaca da história. É verdade. É importante. Tu consegue dizer uma coisinha só que tu olhou e falou... Porra, isso aqui eu tô sendo babaca. Porque, assim, geralmente é um troço que é... Isso também é um troço que me incomoda. Eu tenho...

Às vezes eu pergunto as coisas pra equipe aqui, e aí dependendo da resposta, especialmente quando a resposta concorda comigo, eu falo, tu tá falando isso aí pra valer mesmo? Se eu fosse aquele cara ali perguntando o teu tá falando essa porra aí mesmo? Porque isso é importante, né? O cara, se tu é bajulado demais, tu não vê nem onde tu tá errando, porra.

Tu não vê quando tu tá falando uma merda gigante, né? Importante a gente saber quando a gente tá falando uma merda gigante. Sim. Né? Mas é importante a autocrítica também, né? Então, com certeza é importante a autocrítica, mas num cara de 20 anos, num cara de 21, 22 anos... Dá, dá, dá demais. Por exemplo, eu já tava percebendo, só não queria admitir pra mim. Pode ser. Eu já sabia que eu tava sendo babaquinha. No fundo, no fundo, no fundo.

Se eu não soubesse, meu amigo ia falar pra mim, ia falar... É verdade. Tá maluco, tá doidão. Que nada, logo eu... Ah...

Tá doido? Não, pô. Não, você sabe. A real é que você sabe. Tudo nessa vida é sobre coragem de encarar os fatos, irmão.

E em que medida essa capacidade de olhar e de, por exemplo, sacar que tu tava sendo um babaquinha, até porque tu saiu de casa muito cedo, fez tudo isso muito cedo, em que medida que isso foi moldando o teu trabalho pra chegar agora nesse último, cara? Esse agora me parece... Cara, quem sou eu pra dizer? Mas é... Parece maduro no sentido... É diferente da música que eu tô acostumado a... Por exemplo, quanto tempo demorou pra ficar pronto, Razzos?

Por muito tempo. Alguns anos. Então, é comum um cara que lança música toda semana, vai? Tá ligado? Então, parece um trabalho maduro nesse sentido, inclusive. Manja? Sim. Tu poderia estar fazendo outra coisa. Tu poderia estar fazendo a música lá do TikTok, por exemplo. É possível com o mesmo nível de profundidade, mas não com o mesmo nível de cuidado. Ok.

Mas essa tua história e essa tua autoconsciência molda o teu trabalho com certeza E eu queria que tu me dissesse um pouquinho de como é que isso acontece Cara, eu acho que Veio principalmente dessa olhada interna mesmo De entender qual é o grande testemunho do Razus

O Anagrama, ele fala justamente sobre isso. A humildade mata o ego. Você precisa ser humilde pra você reconhecer seus erros. Você precisa ser humilde pra entender que nem sempre você tá certo. Você precisa ser humilde pra entender que às vezes você é vilão. Você precisa ser humilde pra entender que, tipo assim, que você só vai conseguir a iluminação real da sua própria vida quando você entender quais foram as feridas que você causou nas outras pessoas e quais foram as feridas que você mesmo se causou.

Existem as feridas que as outras pessoas causaram em você também. Não estou falando que não existe. Mas acho que os dois primeiros processos são esses. Porque as feridas que as outras pessoas causaram em você...

São feridas que vão doer, mas é um problema de outra pessoa. Uma pessoa que te feriu, ela tem as questões dela. Ela teve os motivos pra te ferir. Ela pode nem entender os motivos, mas ela agiu daquela forma por algum motivo. Não acredito que ninguém é 100% maldoso de agir perfeitamente sem estar encobrindo algum trauma, algum déficit de psique.

e chunchar uma pessoa mentalmente assim ou traumatizar uma pessoa, você liga? Eu acredito que, obviamente, existem consequências, existem afastamentos, existem punições, tem que existir. Mas eu não acho que... Mas também a forma como você lida é a única coisa que você controla, é isso que você está dizendo?

A única coisa que eu controlo é como eu lido, como eu ajo. Exatamente. Como você vai... Por exemplo, aqui a gente está dançando, fazendo esse podcast aqui. Eu que sou profissional. Se você pisar no meu pé, eu tenho que saber lidar. Eu tenho que evitar pisar no teu. Porque eu que sou profissional. Então, é a forma como enxerga. O... Múmero Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúdico Rúd

Cara, tu lê pra cacete, né? Me parece. E tem umas referências, por exemplo... Eu não quero que tu explique nada, tá? Eu já entendi que tu não quer explicar... Não, não, não, calma. Eu tô bem. Se tu quiser perguntar, pode perguntar. Tá aqui. Não, é... Isso, boa. Aproveita... Porra, levaram pra lá a minha caneta.

Fui eu que levei? Tá bom. Então, é... Porque, assim, tu escolhe como referência, como título de uma música desse álbum, o Caravaggio. Ok. O Caravaggio é um pintor sensacional, um cara foda. Sim. Mas ele também era um assassino em fuga. Sim, sim, sim. E eu sei que você não escolheu ele à toa. Não. Ah!

É isso. Ele, o desenho... O desenho dele em Davi com a cabeça de Golias, ele retrata exatamente o que eu tô tentando fazer com esse álbum. Alvo, opa aí, maluquece. Que é muito doido. A maioria das pessoas não faziam ideia, né? Ou até hoje não fazem também. O que é que é Davi com a cabeça de Golias? Vamos lá. É um quadro de Caravaggio, que é ele, jovem.

Segurando a cabeça dele velho. E uma espada na mão. Nessa espada do Anagrama Rasos. Que é o nome do disco. Mas o que acontece? Caravaggio quando ele era novo. Ele era meio doidão da cabeça. Ele realmente era um cara das ruas. Loucura, loucura, loucura, loucura. Então ele já tinha assassinado gente. Tinha cabeça premium. Tinha se mudado pra capital. Chegou na capital. Começou o que?

a ir pros bares, conhecer as mulheres da vida, conhecer a jogatina, tudo mais, e vendia os quadros dele na praça. Quem é que adorou os quadros dele? A igreja. Sem ter ideia nenhuma, sem ter ideia nenhuma de que aquelas pessoas que estavam sendo pintadas eram meritrizes, bêbadas, apostadores, mas os rostos ali eram exatamente isso. E aí, ele começa a ficar muito famoso.

ele começa a galgar várias coisas, ele chega até a ser nomeado cavaleiro, se eu não me engano. Isso tudo é meio doido, porque é o que a gente estava conversando no começo, né? Que é você conquista tudo, você tem tudo, você só não tem a única coisa que você quer, que no caso dele era o perdão para voltar para casa. E aí dessa jornada me surge a maior questão de todas que é qual é a maior jornada do ser humano? É se perdoar.

É se perdoar por ter deixado ser ferido e ter deixado ferir também. Então, no momento que você encontra esse perdão de verdade, independente de onde você estiver, você vai voltar para casa. E tem um brilho nessa história muito bonito que é... Até hoje não existe dado histórico para dizer se Caravaggio realmente foi perdoado ou não, se ele conseguiu ou não voltar para casa. Então, vivemos com a dúvida. Poeticamente falando...

Nunca saberemos. É uma boa escolha. E ele manda esse quadro para o para o Papa lá da cidade dele para tentar acabar. E o que vem primeiro? O que vem primeiro é encantamento pela história.

Porque assim, o Caravaggio ele tá presente nesse álbum no título, né? Sim. Primeiro vem a história, primeiro vem o que você quer dizer as coisas elas estão meio entremétricas, essa história você conhece ela de ponta a ponta, né? Ela te inspirou de certa forma em alguma medida pra tu... É o quadro que me inspirou, velho. É porque para pra pensar a beleza disso o cara tá com o instrumento de um crime no amor.

Até ele jovem, que é ele completamente imprudente, ele sem saber direito como é que é a vida, ele só reagindo, ele impulsivamente. E o algoz dele, que é ele mesmo. O ele velho tá pagando pelos crimes dele novo. E isso é a nossa vida. A gente paga pelos nossos crimes a vida toda. A gente paga por tudo que a gente faz. A gente acha que não...

Nesse grande protagonismo ilusório que a gente vive, a gente acha que vai viver a nossa vida e não vai encontrar as consequências no futuro. As consequências sempre chegam. Não importa quanto tempo elas demoram para chegar. Elas chegam. É bíblico. Nem sou católico, mas é bíblico. Ia ser divertido se tu fosse católico com esse nome. É isso. Mas tem uma coisa que me fascina em religião no geral, que é justamente isso. Que é todos os livros sagrados...

todas as histórias moralmente sacras, elas chegam nesse lugar de grande lição de que você vai acabar pagando pelas coisas que você fez, pelas suas grandes consequências. Então, independente de qual religião você segue, é um princípio que se você é religioso, você é doutrinado dentro disso.

De uma forma ou de outra, né? Você tem razão. Sim, é. Você tem razão. Eu espero que ainda tenha. Não dá pra passar mais lá ainda. Também gosto de ler e entender um pouco melhor sobre religiões de uma forma geral, cara.

Mas no meu caso é porque eu tô tentando entender um pouquinho melhor o que tá acontecendo aqui nessa porra, entendeu? O que a gente tá fazendo aqui pra valer. E como eu tenho a sensação que existe um conjunto de regras, ou seja, um mundo espiritual que não tô explorando direito, aí eu gosto de trocar umas ideias sobre isso também. Seu medo é de torcer pro errado e acabar indo pro inferno? Não, não, não, não. Eu acho que tem alguma coisa.

que eu não sei dar um nome legal, entendeu? Por exemplo, eu já troquei ideia com uma entidade que a primeira coisa que eu disse foi cara, eu nem acredito que tu é uma entidade mesmo. Mas aí o que aconteceu foi interessante porque parecia que eu tava conversando com um cara de 300 anos de idade. Que não fala merda, manja.

Eu tô acostumado a falar merda. Mas aí o cara fala uns troços sobre uns temas que, do nada, que eu puxei aqui. E o maluco dá uns conselhos. Nem dá uns conselhos. Ele fala umas experiências. Eu falei, caralho. Isso me chamou a atenção. Aí eu voltei a trocar ideia com o seu Meia Noite umas três ou quatro vezes. Mas é isso que eu tô te falando. Me fascina, mas eu não sei que porra é essa. Assim, me parece que tem...

Me parece que tem, mas eu não sei qual é a melhor maneira de acessar. Eu estou olhando tudo, entendeu? Minha esposa aqui é muito mais chegada. Minha esposa é do Candomblé. Ok. Então eu estou... De vez em quando eu chamo uns caras aqui para trocar ideia sobre tudo.

Os que são pastor, teve um... O último que veio era um sacerdote do Candomblé. Massa demais. Pai de santo, babalorixá. Mas eu sou ignorante, cara. Eu estou tentando ver qual é. Do ponto de vista religioso...

Eu diria que eu tô até... Pra mim, teve um trabalho anterior que é o de quebrar o preconceito incutido pela... Sei lá, pela minha... Por ter crescido num lar cristão, de certa forma. Pela história do seu país. Pela história do meu país. Eu só não queria... Eu não queria jogar isso pra cima de tu. Tá tudo bem, tudo certo.

Mas é justamente isso. Então, assim, pra mim, no começo, era... Isso aí é o diabo. Sim. Tá ligado? Mas isso aí é o diabo meio que tudo que não era...

É o diabo, teoricamente, né? Então, pra mim, tá sendo uma viagem entender melhor como algumas outras coisas, algumas outras correntes funcionam ou pensam. Entendeu? Se interessa? Em religiões? Cara, bastante. Eu, inclusive, acredito que as religiões têm mais em comum do que...

Não é interessante? Ao contrário. Acho que as pessoas ficam procurando muita diferença dentro das religiões, quando elas estão seguindo pra um ponto comum. E... É muito doido isso, que eu tendo a pensar que a ancestralidade é gigante, né? Eu não posso achar que...

Os meus mesmos ancestrais, o mesmo caminho que é me dado vai ser o mesmo caminho que vai ser dado pra você. Perfeito.

E se uma música pudesse te levar mais longe? Tá perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto, é viajar com o ritmo da música. Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026.

Isso você e teu irmão também, meu irmão. Não, isso qualquer pessoa... Nós estamos até um pouco distantes. Agora tu e teu irmão também. Eu acho que cada um tem um caminho próprio. E isso é uma coisa que o Candomblé me ensinou com toda certeza. Primeiro respeitar todos os caminhos. E entender todos os caminhos. Porque todos os caminhos, eles têm seu próprio motivo. Então, assim...

E o Diogo Álvaro Ferreira Moncorvo, conhecido como Bacucho do Blues, sou um homem candomblessista e ponto. Mas como cada qual se identifica o qual fé vai seguir, eu acredito muito que seja o próprio que me manda a pessoa e que ela está certíssima. O importante é ter fé. Uma das coisas que...

que eu não consigo concordar é intolerância. Se você for intolerante, eu vou dar um muro nessa cara. A gente vai resolver dessa forma. Acabou. Não tenho intolerância pra isso. Agora, sobre conversa, sobre conversa, sobre conversa, eu acho que, por exemplo...

Quando a gente fala até sobre religião evangélica, eu penso que a religião evangélica é uma das maiores salvadoras de vida que a gente tem dentro do país. Dar fé para pessoas humildes, dar fé para pessoas pobres é um movimento incrível. Eu admiro esse movimento. Eu não tenho nada contra esse movimento.

Eu tenho contra se você virar pra mim e falar assim, pô, então, eixo é o diabo, eu vou dar um chute no seu ovo, pronto. Mas enquanto você tá fazendo outras pessoas galgarem coisas positivas, conquistar coisas boas, saírem de... saírem de situações complicadas, quando você der esperança pras pessoas, eu tô do seu lado. Não tenho problema nenhum com você, estamos fechados. Você precisar de mim, precisar que eu vá lá nessa igreja, eu vou lá.

Eu concordo, cara. Eu acho que o problema é quando o ser humano pega e instrumentaliza as coisas e transforma em... Merdifica tudo. A gente sabe que a gente tem em tudo quanto é religião os caras safados, né? Tudo quanto é religião tem os caras safados. Em qualquer área, de qualquer situação, de qualquer lugar. Qualquer lugar. Você tem razão.

Mas me conta, tu é candomblessista há muito tempo?

Cara, não. O nome veio primeiro do que a Elion pra mim. Eu pergunto porque você tava me contando, antes da gente começar, que tu era da pá virada quando moleque. Diabrado, de certa forma. Um pouco. Como é que a religião e a maturidade pra trazer um cara mais centrado, mais capaz de escrever o rasos... A religião tem um papel fundamental nisso, eu suponho.

Pô, a religião... Candomblé é uma religião de doutrina, né? Então, tem os cargos, tem as responsabilidades. Tem muita coisa muito massa que eu acho no Candomblé, por exemplo, que é uma religião oral, né? Então, por exemplo, eu só tenho uma responsabilidade com aquilo que eu sei. Tá. Vamos dizer que você seria da religião. Você ser o mais velho não te passa a informação?

você não tem responsabilidade nenhuma sobre aquilo. Você só tem obrigação de respeitar aquilo que você conhece. E isso eu acho muito bonito. Eu também acho que vai ter que fazer mais sentido, né? Exatamente. Você não chega automaticamente e fala assim, agora que eu cheguei aqui, eu tenho que agir de tal, tal, tal, tal jeito. Não. Você vai adquirindo conhecimento aos poucos, as pessoas vão te ensinando conhecimento aos poucos.

Vindo se você está preparado para receber aquele conhecimento. Tem muito conhecimento, tipo assim, tem história de Orixá, né? Que é muito complicada, que é muito mais acima de cargo que eu estou. E aí eu sou louco, curioso para saber. Eu pergunto para a minha mãe de Santos, minha mãe de Santos fala, mas não posso te contar agora. Eu fico tipo, é mesmo?

Pelo equipe, o grandão. Coisa, cara. Exatamente, todos os seus momentos. Você tem que estar preparado para receber aquela responsabilidade. Mas aí também você está perguntando uma coisa específica que eu, ignorante, não seria capaz de perguntar, certo? Não, sim. Obviamente, mas você entende que no meu caso aqui, se existe uma pessoa que é responsável por entender, se eu tenho a responsabilidade para associar aquela informação, a importância disso... Uh-huh.

Porque é tipo assim, imagina se as escolas de uma maneira um pouco parecida. Tipo assim, passasse a informação pra você, mas tendo a certeza que você tá preparado pra dar aquela informação. É tipo, é um sistema griô. Eu não tô nem falando de religião agora, eu tô falando de forma de ensinamento. De fato. Tipo assim, eu fui um cara que me dei muito mal na escola, você liga? Não tô falando coisa super inteligente, mas também não me acho um cara burro.

Mas dentro do esquema escolar eu fui extremamente frustrado. Parei de estudar na sexta série. Uma das diferenças que a gente tava conversando, que você tava falando, ah, não, porque passei na faculdade e aí eu achei que não sei o que, não sei o que, não sei o que. Isso é muito foda. Nunca tive essa oportunidade de conseguir terminar meus estudos. E muito por mim também, óbvio. Mas eu tô falando de tipo assim...

São experiências e experiências, se ligou? Com certeza. É. Mas nem todo mundo também... Isso aqui é foda. Quem tá ouvindo a gente, é importante lembrar que nem eu, nem você, somos parâmetro pra qualquer porra. Não, não. Cada um com a sua história aí, irmão, né? Porque tu parou na sexta série e teve sucesso que tu parar na sexta série. Inclusive, isso me assombrou todos os dias da minha vida até eu ter estabilidade financeira. Porque se eu não conseguisse fazer as coisas do jeito que eu fiz, eu sabia que eu não ia voltar, tipo assim, um pouquinho. Eu ia voltar pra merda, irmão.

Então, no meu caso, foi tipo... Ou vai ou vai. Ou vai ou vai demais. Opa! É. Entendi. Ainda bem que foi, né, cara? Puta que pariu. Graças a Deus mesmo. A gente tava falando de...

de religião e como isso impacta no teu trabalho, hoje você sente que existe uma aceitação maior para o candomblé, por exemplo? Por que eu estou perguntando isso, cara? Porque a gente tem visto mais gente falando... Eu tenho visto, vai? Mas uma outra galera falando mais abertamente sobre isso. Uma galera bem grande. A Anitta apareceu. O Jonga fez o álbum inteiro, basicamente.

Então fala-se mais sobre isso de forma mais... Eu acho que obviamente a gente tem... Está sendo comentado de forma mais aberta, está sendo fomentado, mas os casos que aparecem de intolerância religiosa são muito absurdos. Agora há pouco tempo, atrás aqui em São Paulo, teve o caso do policial que foi armado na escola da filha porque a professora é de arte, fez um negócio de mitologia.

E aí, acho que a filha, o filho desenhou um orixá. Aí o cara foi armado pra escola pra confrontar a galera. E a gente tipo assim, irmão, isso não existe. Galera queimando o terreiro. Ainda. 2026. Comunidade querendo expulsar o terreiro. É, tá tendo um movimento estranho, inclusive, dos bandidos crentes. Tá tendo um movimento estranho mesmo. É sério. Tanta coisa acontecendo, é sério.

É, foda. Mesmo com a galera falando, mesmo com o assunto sendo debatido, como é que pode, né? Que tipo de pensamento tem que passar pela cabeça de um cara pra achar que isso faz alguém ser melhor ou pior? Tem que ser meio burro mesmo. Isso que é verdade. Isso que é verdade. Bom, vamos falar de uma coisa um pouquinho mais feliz? Vamos, vai. Cara, a forma como tu...

pensou e estruturou esse álbum foi bem cuidadoso. Você tava me falando que levou vários anos, né? Quando é que tu entende que tá pronto? Tu é desses perfeccionistas, cara? Tipo, esse álbum podia ter saído um ano e meia atrás? Não. Um ano e meia atrás não, mas a gente abandonou o álbum, né? Não lança. A gente para de mexer nele.

Eu quis parar de mexer nele porque já estava sobrecarregado. De trabalhar falando sobre aquelas coisas muito densas. É um disco bem denso. É um disco bem denso. Então vai para um lugar que é... Eu sabia que as pessoas precisavam escutar aquilo dali. Porque foi um disco que eu fiz na intenção de... De deixar aí como um começo de terapia para as pessoas. Então...

Eu estruturei ele de uma forma que, assim, só se você não tiver coração, você vai ir da primeira até a última música sem sentir um negocinho assim. Falar assim, pô, essa ideia aqui talvez tenha sido pra mim, hein? Talvez essa daqui eu precise conversar um pouco sobre com alguém. Preciso chegar ali no tiozinho Dubai e trocar uma ideia com ele que eu nunca mais vou ver ele na vida. Dar desabafada leve.

E eu fiz muito nesse propósito, de começar autodiálogo. Que foi uma das perguntas que você me fez, né? Quando é que a gente tá pronto pra começar a olhar pra dentro e conversar sobre? Eu acho que a gente precisa de um pequeno gatilho. E aí nesse álbum eu tentei botar vários pequenos gatilhos pras pessoas sentirem isso e começarem a olhar pra dentro.

Tô entendendo. É. A sensação que eu tinha era de uma certa rebeldia meio apaziguada. Mas eu tô entendendo pra onde tu quis ir. Tô entendendo. E de fato, é um trabalho muito denso. Tu trabalha demais, cara?

Bastante. Mas é demais? Demais quer dizer que além da conta. Já trabalhei mais do que trabalho hoje, porque fui entendendo as prioridades da vida, no sentido de... Óbvio, que eu amo meu trabalho, eu vou trabalhar muito, eu tô sempre trabalhando em mais de uma coisa. Meu movimento, eu sempre tô trabalhando em mais de uma coisa. Eu não consigo trabalhar em uma coisa só. Mais de uma coisa, mas sempre música. Não, mas coisa fora música também.

Mas aí qual é a grande parada?

Eu entendo que meu bem-estar tem que estar acima do meu trabalho. Porque eu já quase empacotei por botar o trabalho na frente do meu bem-estar. E se eu não estiver vivo, eu não tenho como trabalhar. Então, se eu amo trabalhar, eu preciso estar vivo. Perfeito. É essa escala que eu faço. Que meu médico me passou há seis anos atrás. Quando eu estava obeso mórbido. Eu tive 160 quilos, né, querido? Caralho, viado. É mesmo? É que faz um tempão que tu está fortinho já, né? Faz um tempo já.

Quanto? 160? É, pô. Caralho, tava gordão, mané. Tava gigante. Entendi. E foi... Não consegui andar um quarteirão, era triste. Mas tu não era gordão porque tu trabalhava demais, tu era gordão porque tu era gordão, pô. Não, pô, era gordão porque eu trabalhava demais. É? Eu trabalhando demais, parei de sair, aí parei de fazer o quê? Ah, tempo. Tamo aqui em São Paulo, que é o mais precioso do que tudo.

Tempo. Você tá trabalhando, você vai parar pra cozinhar? Não, tu vai mandar vir um McDonald's, eu sei lá. Alguma coisa, né? E aí, imagina isso. Anos e anos e anos. Ficou o gordão. Entendi. Caralho, mas aí tu quase morreu de quê? Eu fui andar um quarteirão pra ir na padaria ao quirônico. E aí... Porra, gordão.

E aí, pior que foi exatamente isso, porque tinha um doce específico na padaria. Ah não, gordão. Foi, velho. E aí, sempre tinha gente lá em casa trampando, velho. Então, sempre tinha alguém pra ir na padaria. E aí, um belo dia, eu tava sozinho, à vontade de comer o maldito doce, à vontade de comer o maldito doce. Eu falei assim, pô, é aqui na esquina, vou lá, tranquilo. No terceiro passo, eu tava...

Iperventilando quase. Falei, caramba, tenho que ir no médico. Aí fui no médico, aí ele fez. Então, você tá pré tudo que dá pra ser pré? Ou você não rita agora, ou você... Caralho. Uma cota, vamos nessa? Eu dei uma emagrecida por uma razão semelhante. Eu fui no médico e o meu fígado tava 50% gordura, maluco. Tava quase um foie gras humano, já pensou? Aí foi aí que mudou. Foi em 23. Então, assim, eu tava... Não que eu esteja magro, mas eu... Mas tá caminhando a Passos Lagos pra chegar lá. É.

Mas eu já tive muito pior, cara. Eu cheguei a perder 10, 12 centímetros de circunferência, tá ligado? Muita coisa. Pô, eu uso... Tá começando a ficar apertado. Mas eu uso calça 42, que a última vez que eu usei calça 42 eu era moleque. E como é que foi o processo pra você? Academia, meu irmão. Academia, dieta... Mas você conseguiu... Tipo... Isso daí eu sei. Eu tô perguntando como é que foi o processo mentalmente pra você. Que porra!

Cara, ninguém me pergunta isso. Obrigado. Cara, foi muito complicado.

Primeiro porque eu não vi a razão para fazer isso, a razão prática, tá bom? Primeiro eu pensava assim, por que eu vou para um lugar gastar energia? Eu já acordo meio cansado, eu vou para um lugar gastar energia, sendo que eu podia estar ganhando dinheiro, trabalhando, produzindo, fazendo alguma coisa, não sei o quê. Então primeiro eu tive que sair desse lugar e ir para lá sim mesmo, entendeu? Mesmo achando que era inútil.

E depois eu tive que lutar contra o desconforto. Então, pra mim, eram duas batalhas. Eu não vejo razão em fazer isso aí. Eu poderia só tomar um remédio, poderia só fazer uma bariátrica se eu quisesse emagrecer. Tá ligado? Mas aí é foda, porque se você fizer a bariátrica e não cuidar direito, você explode.

Mas o meu ponto era como é que eu faço para emagrecer do jeito mais prático possível. E eu estava sendo burro, porque o jeito mais prático possível não vai me dar o que eu estava buscando. Está ligado? Eu estava buscando, acima de tudo, ficar vivo, um bem estar. Não sabe o que ia ficar mais bonito? Queria?

Ficar vivo Cara, então ficar mais bonito Falar a verdade Mas é que rola naturalmente Tá ligado? Então assim, quando eu emagreci, que eu comecei a caber Nas calças e nas camisas que eu não cabia Que eu já tinha guardado há anos Com certeza faz uma diferença, mas pra mim, juro por Deus A principal diferença Que fez pra mim foi aguentar a minha filha pulando as minhas costas E a gente poder sair correndo Foi poder remar lá o barquinho que ela gosta Quando a gente vai pra praia E aí

Então é isso que realmente fez a diferença para mim. Do meio do ano passado para cá eu dei uma vacilada porque a vida deu uma apertada. Mas eu preciso voltar a treinar. Não porque eu gosto, porque eu sei que eu tenho. Você não gosta de ir em academia então? Não gosto, mas eu sei que é importante. E você tentou fazer esporte? Cara, eu tentei correr ano passado. Acho um saco também. Corro melhor. Eu sou melhor do que eu achava, mas acho um saco.

Qual o seu jogo favorito? Eu gosto de assistir futebol. Não, sem ser futebol. Mas tu fala de um jogo tipo xadrez, dama, dominó, baralho. Cara, eu gosto de videogame. Eu gosto de jogos de carta, vai? Jogo de carta? Você gosta de raciocínio? Gosto. Por que não faz jiu-jitsu? Por que não? Jiu-jitsu é um xadrezinho? Demais. Tu é do jiu-jitsu?

Estou fazendo um evento de Jiu Jitsu, inclusive. É nada. Essa é uma das coisas que tu tá fazendo além da música, então? Exatamente. Cara, legal. Como é que tu foi parar no Jiu Jitsu? Mental também? Cara, não, eu sempre gostei de treinar. Sempre gostei de treinar luta. Treinar MMA. E aí... Depois que eu voltei pra Salvador, comecei a colar na... Na equipe profissional de lá.

Porque tem alguns lutadores do UFC e tudo mais. Uma parada de ritmo, ritmo, ritmo mesmo.

E aí fui me apaixonando mais. Deixou de ser uma parada só esporte pra entender o mundo. Ver a dedicação dos caras. É bizarro você olhar pra galera assim. Tipo, a forma que a galera se dedica ao sonho. Ao treino, a exaustão física. E tá ali todo dia, dia após dia. Me levou pra uma admiração muito grande, assim. Eu segui como rotina todos os dias. Tô entendendo. Todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias. Seguindo o treino dos caras.

E hoje em dia faz parte do meu estilo de vida. E aí uma das coisas que eu percebi é que... Você já conversou com alguns atletas? Já, já, já. E é muito doido isso. Porque o Brasil é uma mina de ouro de esporte, né? Quando a gente fala sobre todos os esportes... Sim.

um respeito para com esses atletas, vamos dizer dessa forma. Só que na luta eu acho muito mais cruel do que nos outros lugares, porque o lutador ele tá colocando a integridade física dele em risco de uma forma que é tipo assim o mínimo do mínimo do mínimo do respeito você tem que dar pro cara, você ligou? Você não pode ter um evento gigante você não pode ter um evento grande que você não respeita o atleta você não pode, pô tem vários eventos aqui no Brasil que você não pode ter um evento grande

Estou entendendo. Está entendendo? Estou entendendo. Então, o que é que eu fiz? Eu fiz, pô, velho. Está tudo errado. Tem as coisas que não estão legais acontecendo.

Tem o ouro aqui. Que é, nossos atletas são um dos nossos maiores tesouros. Quando a gente fala sobre o Brasil, pô. Esporte e ciência para o mundo, assim, é bizarro. Cultura também, né? Óbvio que da minha parte.

E aí eu pensei, eu preciso fazer... Tu já ganhou um prêmio internacional, não já? Já. Então. Então, juntei isso tudo. Criei um Grand Prix de Jiu-Jitsu sem Kimono. E aí tô pra fazer acontecer. Porra, maneiro. Vai ter cinco seletivas. Uma em cada região. Sul, Sudeste, Centro-Oeste. Eu sei que tu fosse ficar lá em Salvador.

Nordeste e Norte, todas as seletivas remuneradas e uma grande final entre as 10 melhores equipes, as duas melhores de cada região, valendo 190 mil reais.

Como é que tu conseguiu construir isso? Tu arrumou uns parceiros, uns amigos, uns caras fingindo estar juntos? Irmão, sendo brabo, pai. Não duvido não. Sendo brabo. Não duvido não. Eu machuquei meu braço, fiquei sem treinar e comecei a orquestrar. Você falou, quando é que você fez 30 anos? Eu fiz 30 anos, estourei o bíceps, o ligamento do bíceps, tive que fazer cirurgia. Que alegria. Uma semana depois de fazer 30 anos. Excelente, porra.

Porque todo mundo falava isso, né? Ah, não, quando você fizer 30 anos você vai ver que as coisas não são mais as mesmas.

impossível, treino todo dia só a máquina uma semana depois baquinho sem braço por três meses acontece né mas foi muito bom porque o que acontece, quando eu parei um pouco e é importante a gente parar não parar tudo mas as vezes é importante a gente quando a gente tá 100% focado em uma parada a gente dá uma respirada

E lembrar o que a gente sabe fazer. Porque é doido. Você está fazendo isso aqui. Você está fazendo isso aqui há quanto tempo? Vai fazer oito anos. Você está fazendo há oito anos isso aqui. Quantas outras coisas você sabe fazer?

Cara, eu sei fazer outras coisas, mas esse aqui é o melhor que eu sei fazer. Não, ok. Mas você sabe fazer outras coisas. Sim, sim, sei fazer outras coisas. Correto. Qual foi a última vez que você olhou com cuidado para essas outras coisas que você sabe fazer? Cara, eu tenho prestado mais atenção nisso recentemente, para ser totalmente sincero contigo. Não é muito antigo, não. Recente, isso assim, na escala da minha vida, né? Eu tenho 41, então dois anos atrás, para mim é recente.

Então assim, de um tempo pra cá eu tenho pensado que eu queria ir pra praia esse fim de semana por exemplo. Não é comum os caras que trabalham comigo há mais tempo estão ligados que eu fico puto de ter que parar no final do ano tá ligado? Eu tô me forçando a gravar esse episódio aqui pra eu poder um dia ir pra praia, tá ligado? Então esse daqui sou eu tentando mesmo ir por esse caminho que você tá falando Mútuo

que é dar um pouquinho de atenção para as outras coisas que eu sei fazer, que eu gosto, que são importantes também. Tá ligado? Para mim, está sendo importante notar que, cara, eu não estou fazendo isso aqui pela minha família. É importante que a minha família esteja lá em primeiro lugar. Porque senão eu estou mentindo. Porque senão eu estou fazendo isso aqui por isso aqui. Eu acho importante você entender que você é mais de um Igor.

Essa é a coisa mais importante. Pelo menos quando eu olho pra mim, é o que eu me digo. É muito importante entender que eu sou mais de um Diogo. E eu tô falando isso pra você porque eu senti no coração que eu precisava te dizer isso aí. Cara, muito obrigado. Você é mais do que um. Talvez eu estivesse precisando ouvir isso. É isso. Tem mais de um Diogo na tua cabeça?

Rapaz, milhares, né? Eu sou meio maluco, então... Tá ligado? Mas tem isso, tem... Existe o Diogo Empresário, existe o Diogo Músico, existe o Diogo Cinéfalo, existe o Diogo Nerd, existe o Diogo Lutador. Tipo assim, pô, eu comecei a competir.

Estava amarradão para competir. Me machuquei. Eu já estava com o plano de competição desse ano. Tipo, pensando. Você falou parar. Eu disse, pô, velho. Tem uma turnê. Minha turnê já está fechada todas essas datas. Está tudo certo. Então, eu vou me organizar. Tem esse calendário de competição de Jiu-Jitsu aqui. Tem essa competição de boxe aqui que eu estou querendo fazer. Final do ano, eu quero ir para tal, tal, tal, tal lugar. Tinha me preparado tudo.

Então, é assim que eu quero viver minha vida a partir de agora. E quando eu falo isso, é foda que está saindo agora de um jogo super privilegiado.

Mas o que eu tô tentando dizer pra você e pras pessoas é... Nem que seja um dia. Não tô falando muito do seu calendário do ano, mas tipo assim, pô, quero ir pra praia. Que nem você falou. Fala assim, pô, daqui a dois meses eu vou pra praia. Vou colar na praia e não vou me importar com nada. Vou passar o dia na praia. Ou vou comprar aquele livro que eu tava afim de ler. Ou tem uma vozinha na sua cabeça falando de um projeto que...

Você sempre ignora, sempre ignora, sempre ignora, sempre ignora. Não é porque você já tá fazendo uma coisa que você não pode fazer outra coisa. Não somos pessoas de uma via só. São vários caminhos pra uma pessoa. Então, você descubra, velho. Senão a vida perde sentido. Que é outra coisa que você falou também.

Às vezes a gente tá indo, indo, indo, indo, indo, ganhando, ganhando, ganhando, ganhando. Aí as coisas acabam perdendo o sentido, correto? É porque às vezes não é só aquele foco que você tinha que ter. Com certeza. Mas é que, então, no meu caso, é que, cara, tu saiu de casa muito novo, porra. Né? A verdade é que, pô, quando você, com 19 anos, já tava cansado de morar sozinho.

Não, eu tava amarradão, velho. Tava amarradão. Então, cansado, eu quero dizer que tu já tava acostumado. Tava com medo. Tava com medo. Tá legal. Então vai, com 20 anos, tu já tava acostumado a morar sozinho. Eu posso dizer pra você que eu não senti a parada, porque eu tava tão focado em trabalhar, irmão, que eu acho que eu nem tive tempo de reparar, de curtir o fato de estar morando sozinho. Acho que até hoje eu nunca...

Tu tinha tempo pra ter depressão? Tive. Mas enquanto tu tava trabalhando pra caralho? Tive. Tive crise já de depressão bizarra, de ficar três dias dentro do quarto. Eu tô ligado, mas durante essa etapa a gente tá trabalhando pra caralho. Durante essa etapa a gente tá trabalhando pra caralho. Tipo, do nada... Eu escondi... Quando eu me ligava que eu tava indo pra um lugar estranho, eu trabalhava mais.

Isso funciona. É porque cada caso é um caso. No meu caso, eu também fazia isso. Só que chega num momento que é bem assim. Vamos dizer que é. Tô correndo do abismo, tô correndo do abismo, tô correndo do abismo, tô correndo do abismo. Uma hora o abismo é maior que você, irmão. Você vai cair na beira. Ariano, sua sonda. Toma.

Aconteceu comigo. Eu também corri, corri, corri, corri, caí. Não entendi direito o que aconteceu. Aí foi a primeira vez que eu fui em psicólogo, psiquiatra. Acho que psicólogo eu cheguei aí antes. Mas foi a primeira vez que eu, inclusive, tomei remédio mesmo. Porque eu não estava nem entendendo nem o que estava acontecendo. Porque o millennial, o cara de 40, ele ouviu a vida inteira que psicólogo é coisa de maluco, entendeu? Então, para mim, muitas coisas na vida foram assim. Antes de eu ir, eu tenho que quebrar um preconceito, tá ligado?

Mas acho que pra todo mundo Até hoje é meio assim Não tem muito Uma coisa que eu fazia muito Eu mentia muito pra terapeuta no começo da terapia Puta merda Porra, eu falava assim Essa pessoa acha que ela Tá preparada pra ouvir toda a minha vida e tudo mais Aí eu ficava tentando jogar os negócios assim Vamos ver se é bom mesmo Ah Ah E aí Que é isso, você não entende que Uma pessoa Que na realidade Que é isso, você não entende que

É... Falta de fé, de certa forma, de que... Falar as coisas vai resolver as coisas. Parece muito simples quando a gente fala assim. Parece. Falar. Mas quantas vezes você foi falar... Tipo, você pensou um troço e aí quando tu foi falar... Ele suou estranho. Ou pro bem ou pro mal. Muitas vezes acontece comigo. Eu tô pensando numa ideia aqui. Quando eu chego aqui... Aí, família, bora fazer um bagulho aqui assim, assim, assim. Não, hein?

Quando você está falando de um troço que às vezes é complexo, você é capaz de enxergá-lo por outros ângulos. E talvez o papel do psicólogo é te ajudar a enxergar mesmo por outros ângulos.

É, mas... Não, é, mas eu acho que é... Que é que tem duas vias, né? Tem a via do que o terapeuta, ele tá te escutando, ele tá fazendo um raciocínio, e tem a sua visão de quando você sai de uma sessão, né? Tipo assim, você fala, fala, fala, fala, fala, você sai com várias certezas da sessão de terapia. Na próxima sessão, isso acontece muito comigo, pelo menos. Aí eu saio com aquela certeza gigantesca, que a gente foi assim, pô, entendi o mundo. Hoje eu sou um homem novo.

Aí chega na outra sessão, aí tudo desabe. Aí eu fico tipo assim, cara, não tinha entendido nada. Acho que ele ia lá. Nunca te viu falando de isso. É, não tinha entendido nada. Então, é... É autodescoberta. Porque é você se entendendo em tempo real, né?

Em tempo real você tá ali. E quando você para de jogar responsabilidade no terapeuta, que isso é muita gente faz, eu acho. Que é tipo assim, querer que ele dê as respostas, ele faça as coisas e tudo mais. Aí o processo fica mais simples. Porque palavra...

voltando pra minha religião, eu sou ensinado que a palavra é feitiço, né? E aí, quando a gente fala sobre feitiço, as pessoas ficam, ah, meu Deus do céu, não sei o que, não sei o que. Não, é tipo assim, pô, quando sua mãe vira pra você e fala assim, volte bem pra casa, meu filho. Feitiço. Ela tá te botando energia de que você volte bem pra sua casa. Durma bem. Boa noite. Boa noite. Bom dia. Boa tarde. Um.

Vai pra... Puta que te pariu. Exatamente. Então tudo isso demanda energia. Então quando você fala, você tá gerando energia. Acabou. E às vezes a gente foca energia pra tudo, né? A gente não foca energia na nossa própria história. A gente não fala sobre a nossa própria história. Então acho que tem muito um processo de demandar energia pra própria história.

Tô entendendo. Caralho. É, o mundo espiritual, de certa forma, tem tanta coisa que eu não entendo. Eu não tô nem falando de espiritual agora aqui. Tá. O que eu tô tentando dizer é que quando você... Visão. Você é uma pessoa que antes de você realizar as coisas, você idealiza as coisas na sua cabeça? Sim.

Perfeito. É sobre isso que eu estou te dizendo. Se você idealiza as suas metas, seus sonhos, suas vontades, por que você também não idealiza a sua história? Você conta a sua própria história. Você volta e fala sobre as coisas que aconteceram com você. Porque história é radígena. Se você entende o passado, você sabe para onde vai o futuro. Então é entendimento básico, é entendimento simples.

Se você não estudar a sua própria história, como é que você vai saber quais são os seus próximos passos? Você vai ficar dando um passo cego o tempo todo. Então, parece que pode parecer meio esotérico, mas na realidade eu estou falando uma coisa super prática. Faz sentido. E muitas coisas são assim, na verdade. Que nem, por exemplo, entrega na mão de Deus. Entregar na mão de Deus não é necessariamente você ficar aqui parado esperando Deus fazer as coisas.

Todo mundo sabe, né? Você vai a qualquer lugar, qualquer templo, de qualquer coisa, o cara fala, você tem que correr atrás, meu irmão. Deus não vai fazer nada pra você, não.

Mas entrega na mão de Deus tem subentendido uma ideia que a gente já debateu aqui, que é eu controlo...

como eu me sinto, como eu vou agir, como eu vou entender as coisas, certo? Eu consigo estar pronto para as oportunidades. Agora, a oportunidade está ali na vida. Se eu não estiver pronto... O que eu quero dizer é que eu não consigo controlar isso, Baco. Tu conseguia controlar, com certeza, se você ia fazer sucesso?

Você precisava estar pronto e ser o melhor que você podia, colocando pra fora o melhor que você... A tua melhor mensagem, a melhor forma que você imaginava o caralho, mas garantir que a TCA você não podia. Você gosta de Nietzsche? Gosto. Assim falando os aratrustos, a teoria do super-homem, etc. Você acha que ser super-homem é o quê?

Cara, eu não sei. O que você acha? Eu acho que é ser Deus do seu próprio caminho. É você ser uma centelha de Deus. O que é muito doido, porque a gente tá falando de um cara que é extremamente... É. Mas assim, então, esse ser o seu próprio Deus, a centelha do próprio caminho, não é meio que estar pronto...

Isso não é conseguir controlar as variáveis do mundo. Eu tô concordando com você. Exatamente concordando com você. Eu tô falando que justamente isso. Quando a gente olha pra história do Super AMA, a gente tá vendo um cara ateu falando sobre você ser dono dos seus caminhos, você conseguir executar suas coisas de uma forma macro. Só que é justamente isso.

que é um semelhante... Toda história, quando a gente fala assim, somos filhos de Deus, somos semelhantes. Eu acho que parte muito desse lugar. Não é que é tipo assim, somos iguais àquela... A quantidade. É tipo assim, temos a força de escolha que é indo para agora um caminho bíblico de novo, voltando. Eu acho que... Palavras fortes agora.

Mas eu acho que a maior semelhança com Deus que um ser humano pode ter vai ser o livre-arbítrio. E essa é a maior bondade que se foi colocada no nosso caminho. Aí você pode acreditar em qualquer Deus. Mas o fato de você ser dono das suas escolhas te faz um senhor do destino. Então, assim, quando você evoca isso, pra mim é justamente...

De fato, a gente é dono das próprias escolhas, mas se eu não me engano... É...

Vamos lá. Como é que... Se eu não me engano, o Candomblé acredita que a gente vem pra cá com... Tipo, tu escolheu vir pra cá, né? É meio que tu vai lá, escolhe a cabeça numa determinada divindade, que eu não lembro o nome, cara, eu sou ignorante. Posso estar falando um monte de merda. Quem sou eu pra falar isso? Quem sou eu também. Mas o ponto central aqui é o seguinte, é meio que a gente poderia... Um jeito de enxergar isso é que a gente vem pra cá com a missão.

E a gente pode ou não realizar essa missão e a gente vai ter que lidar com isso à medida que a gente vai existindo, fisicamente ou não. E a gente evolui ou não. A gente vem pra cá nessa intenção. Isso quer dizer que a gente tem, me parece que a gente tem o livre-arbítrio, mas a gente meio que veio fazer uma parada. Talvez o Baco tenha vindo o seu Baco.

mas e se fosse para você ser um contador? E se fosse uma pessoa... Você está entendendo? Entendi, estou entendendo. Porque se tem o livre-arbítrio...

Porém, tem um quadro que a gente deveria estar operando dentro, que é meio que, se a gente acredita em Deus e na ordem das coisas, Deus meio que... Deus, eu digo, o todo. Meio que as coisas, elas são... Cada uma no seu lugar. Cara, eu acho o seguinte. Se você se tocar no domingo, eu vou voltar pra parada do Caminho, que é doido, né? Quando a gente fala sobre Exu, principalmente. Exu é encruzilhado. Encruzilhado é Caminho. Caminho é...

A gente pode ir para qualquer lugar. A gente pode tecer qualquer escolha. Nossas escolhas têm consequências. Que é isso. Que as pessoas demonizam o nosso grandiosíssimo por conta disso. Que é... O bom é pago com o bom. O ruim é pago com o ruim.

Acabou aí. Não tem muito pra onde andar. Mas o seu caminho é seu caminho. Você faz seu caminho. Você é responsável pelo seu caminho. Você tem uma fé que pode te conduzir. Você pode... Quando você fala que já está predestinado, eu acho que é bem assim. Você pode consultar a sua ancestralidade. Quando eu falo isso, você não precisa nem de uma religião específica para fazer. Mas eu falo bem assim. Você pode tentar se escutar de forma íntima com você mesmo.

pra acreditar pra qual caminho você deve seguir. Tá entendendo? Tô, faz muito sentido. E total, dá pra analisar isso. Por mais que a gente esteja falando com viés religioso, dá pra analisar e entender isso daqui com viés mais... Até, sei lá, laico. Né? Sim.

Mas é sobre isso, não é que esteja pré-definido. É porque você que... No final, no final, no final, no final, você que vai fazer as escolhas. Se eu fosse pra ser um contador, de fato. Mas assim, porra, eu tomei as piores decisões possíveis. Mas que eu sou uma coisa completamente diferente. Quantas bifurcações teve na tua vida pra tu chegar exatamente onde você tá? Teve bastante? Pra eu chegar aqui onde eu tô? Sim. No teu caso, eu não sei. Porque, de novo, tu começou muito cedo, né? Mas aí entra essa parada.

Suas escolhas Foi o que você decidiu fazer Quantos iguais poderiam não ter o flow? Com certeza

Mas suas escolhas te trouxeram até que você ficar pensando nisso aí, a gente vai Matrix, o cara 4, etc e tal. Exato, e é por isso... Ultimato. Mas quando a gente para pra olhar pra trás, quando a gente para pra olhar pra trás, eu tive 10 anos pra olhar pra trás, além de tu, não é muito interessante todas essas coincidências que trazem a gente até aqui. Até o cara que tá ouvindo a gente, talvez seja um engenheiro, entendeu? Ele poderia ter sido várias outras paradas, às vezes músico.

Às vezes poeta. Mas eu olhando pra trás, cara, se eu não tivesse comprado uma caixa de sapato cheia de carta de médica lá em 2000, eu não tava aqui na internet hoje. Olha que viagem. Tem nada a ver uma coisa com a outra. Tá ligado? Então as escolhas e a maneira como... Se eu tivesse escolhido o B, eu tinha ido parar num lugar completamente diferente. Eu não consigo não ver... Deus. Eu concordo. Mas é isso. Tipo assim...

Você não acha que tem muito de você ter pegado aquela caixa de Magic? Cara, tem muito, mas de certa forma... Não foi formado você antes de você chegar no momento que você tinha que pegar aquela carta de Magic? Foi formado você que tinha que pegar a carta de Magic. É isso que eu estou querendo dizer. Eu estou entendendo. Mas isso é tudo muito doido e muito. Aí a gente vai para 700 mil coisas. Aí fudeu.

Tá. Bom, Baco, cara, obrigado por vir aí, cara. Obrigado pelo teu tempo. Fazia um tempo que a gente não conversava. Uma curiosidade sobre a última vez que a gente trocou ideia. Se não foi 2019, foi 2020. E eu acho aquela thumbnail que ficou naquele episódio muito maneira, porque tu tá com a cara meio assim, ó.

Então deixa eu te perguntar uma parada aqui pra gente finalizar. Fala aí, fala aí. Por que que tu foi no Flow da primeira vez, cara? De quê? Aquela primeira vez, tu lembra a primeira vez que tu foi no Flow? Pô, faz tempo, né? Tu não tava muito afim de estar ali, tá ligado? Boto fé, boto fé. Podia ser minha época, meu baquinho. Entendi. Tá vendo você? Entendi. Opa. Porque, eu falo porque a Thumbnail tu tá assim, com a cara do sósia do Vin Diesel, tá ligado?

Caralho, sósia do Vin Diesel, não sei se que achou, pai. Aí acabou com o baquinho.

Mas eu acho muito foda esse nome que tu escolheu, meu irmão. Baco Exu do Blues é muito foda. Caralho, isso tem poder, tá ligado? Mais legal que o Diogo, com todo respeito. Não, o ruim é que no país que a gente tá, quando bota um Exu no meio, já fica... É verdade, né? A galera já fica com o pé atrás, mas a intenção é essa mesmo. Mas a gente precisa mesmo caminhar pra esse lugar do desconforto, né, cara?

Nesse sentido. É a minha missão maior de vida. Normalizar um troço que deveria ser normal muito tempo atrás, né? Bom, obrigado pela tua presença, cara. Obrigado pela moral. Mais sucesso pra tu. E, porra, se tu... Quando tu for lançar o trabalho desse aí, tu me avisa, a gente troca ideia de novo. Fica bom pra gente ver se... Pra gente entender... Ah, não. A diferença desse pra esse aqui é mais uns anos de terapia só.

Obrigado, cara, pela moral. Bom, para te encontrar nas redes sociais, tem uma galera que está só ouvindo a gente. Sim, eixo do blues. Fácil? Fácil. Se tu não conhece também, está de sacanagem, meu irmão. Está brincando. Tu estava morando embaixo de uma pedra. Bom, deixa eu deixar aqui, se você estiver no YouTube, está tudo aqui no comentário fixado para você encontrar facinho com um clique só, tá bom? Não esquece de virar membro, cara. Custa menos de R$8,00, não é nem para comprar uma seda, tá bom?

E a gente solta conteúdo para os membros todos os dias, quando não, aqui no YouTube, lá no Discord. Fica esperto, tá bom? Não esquece de dar o like, compartilhar, e lá na descrição também tem o Discord para você... indicar novos convidados e novos temas, tá bom? Obrigado e a gente se vê depois. Beijinho. Tchau.

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