JOÃO PIRES - Flow #589
O cara que fecha postos de gasolina golpistas no Rio de Janeiro.
- Política no Rio de JaneiroCorrupção entre governadores · Influência do crime organizado · Desafios da segurança pública
- CorrupçãoImpunidade no Brasil · Relação entre políticos e crime · Desafios da democracia brasileira
- Greve dos caminhoneirosCombate à fraude em combustíveis · Corrupção no setor de combustíveis · Impacto da máfia dos combustíveis
- Comunicação BrasileiraImportância da educação na política · Mudança de mentalidade
- Desafios de segurança e controleEstratégias de combate ao crime · Política de segurança no Rio
E se uma música pudesse te levar mais longe? Tá perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto, é viajar com o ritmo da música. Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026. Esse é o Flore.
Salve, salve família, bem-vindos a mais um Flow, eu sou o Igor e hoje eu vou conversar com o João Pires, cara, obrigado por vir aí, que agora, bom, até outro dia ele era secretário da defesa do consumidor da cidade do Rio de Janeiro, né? Puta título longo, cara. É, é grande mesmo. Aí o cara fica tirando... O pessoal abreviava, Procon Carioca. Mas aí secretário do Procon Carioca. É, o pessoal abreviava, mas não é exatamente isso, mas era mais fácil de falar. Tá, entendi, entendi, entendi.
Bom, e aí, cara, eu descobri que tu existia porque eu vi tu fechando uns postos. Tá ligado? Coisa tranquila. É, um troço suave. E eu, sendo carioca, eu ficava vendo assim, caralho, esse moleque é brabão, mané. Olha como é que ele chega no posto. Ele fala que vai testar o bagulho, o maluco fala que não vai, ele fala que vai, testa o bagulho e ainda fecha o posto.
vai durar dois meses. Passei um pouquinho. Deu pra chegar no flow ao longo desses um ano e quatro meses aí como secretário. E aí, cara, tu tem uma história na política interessante também. E eu queria entender, claro, que esse papo de...
A dinâmica de fechar postos de gasolina fraudulentos no Rio de Janeiro é, por si só, interessante. Tá ligado? E tem mais algumas outras coisas interessantes que a gente vai trocar ideia nesse papo aqui. Vamos falar de Banco Master, de STF. Vamos ver o quão ensaboado que tu é.
E, gente, olha só, eu queria também te dizer que você aí que está com a gente e quiser mandar uma mensagem para a gente ouvir aqui no final do programa, fica à vontade. Você pode usar o QR Code que está aqui ou então o link aí na descrição. Vai que ficou faltando falar de alguma coisa ou você quer falar alguma coisa específica para o Joãozão, fica à vontade, manda aí, tá bom? Queria também mandar um abraço aqui para os parceiros de hoje, a ACD G4, que de quem falarei já já, tá bom?
João, cara, então vamos começar por aí, cara. A missão de fechar postos de gasolina surge de onde? Isso é uma demanda tua. Como é que alguém te pediu ajuda? Tu viu que estava tendo sacanagem? Assim, tendo sacanagem tem o quê? Faz quanto tempo tem posto de gasolina aqui de Janeiro?
Não, assim, cara, esse negócio surgiu muito na minha experiência pessoal mesmo. Até virar secretário. Secretário, quando a gente vira secretário, a gente ganha lá o motorista, carro, essas coisas. Mas até então, eu tinha meu carro, dirigia meu carro e era roubado. Então, quando eu viro secretário, eu falo, cara, agora é hora de me vingar. Mas, é claro, obviamente não é só isso. Tem uma coisa ali técnica de responsabilidade que a gente acaba construindo.
E eu fui buscar aprender, porque era um negócio que a gente falava assim, caraca, ninguém faz nada.
Pô, bando de covarde, bando de omisso. Mas a gente sabia que o negócio era perigoso também, que não era só isso. Mas eu falava, pô, ninguém nunca vai fazer nada pra acabar com essa sacanagem. Aí quando eu virei secretário, eu falei, e agora? De quem que eu vou reclamar? Vou reclamar de mim? Não tinha como. Então, ou eu era xingado de omisso, ou alguém ia falar assim, ih, tá ganhando dinheiro do dono de posto, então por isso que não vai fazer nada lá.
Porque eu vivia falando que se tivesse a oportunidade ia fazer. Então eu fui lá e fiz. Passei ali os primeiros meses como secretário aprendendo, porque é um negócio sofisticado pra caramba, você tem que aprender, tem que estudar.
E aí, junto com a minha equipe, a gente treinou e a gente foi a campo, cara. E aprendemos mais ainda tentando. O mais importante dessa história foi saber que o seguinte, cara, a gente tem os nossos valores aqui. A gente não se vende, a gente não aceita conversinha enfiada, a gente nem dá abertura pra isso. E aí foi, deu no que deu. A gente começou a fechar um monte de postos porque a gente já sabia tudo o que acontecia. O cidadão sabe.
Mas quando tu fechou o primeiro, cara, quando tu fechou, foi lá no primeiro posto lá e tu fechou o primeiro posto. Cara, o Rio de Janeiro tem uma dinâmica diferente de São Paulo, por exemplo. Aqui, não é que o PCC tá só dentro da favela, ele não é verdade. A gente acabou de ver aí no carbono oculto aí os caras movimentando o dinheiro pra cacete. Só que não tem uma dinâmica de guerra, tá? Lá no Rio tem algumas facções, joga milícia nesse bolo aí e é a polícia, né?
E a política. E a política. E o próprio espírito carioca, de uma certa forma, que eu queria discutir contigo um pouquinho também. Tem alguma coisa diferente que acontece ali, ou tem algumas teorias aqui. Enfim, cara, é perigoso o que eu quero dizer, tá ligado? Numa cidade que mataram a Marielle, por exemplo, com um tiro pra cacete.
aí vai um cara lá fechar um posto que está fraudando ele tem uma enorme chance de ser do movimento então qual o cálculo que tu faz aí para tu esse é o ponto tem lugar que tu não vai
não é? Assim, não tem lugar que a gente não vai por causa do dono do posto. É mais uma questão logística de não conseguir acessar ou de ser perigoso o acesso mesmo. Tem lugar que é...
O posto tá colado duas ruas pra trás, tem uma boca de fumo. E aí o poder público ali pode causar alguma estranheza, porque assim, se um posto de gasolina tá com problema, a gente chega lá, a gente fecha, a gente tem que notificar, e a galera dá uma resistência, como já apareceu em vários vídeos, a gente chama uma viatura, chama alguém pra conduzir, pra levar pra delegacia. Então imagina se acontece isso num lugar desse. Como é que eu vou chamar a polícia pra ir num posto de gasolina colado na boca de fumo? Então é mais por isso. Agora por...
do dono é A, o dono é B. Aliás, eu nem procuro saber quem é o dono. Porque, primeiro, se eu descubro quem é o dono e não vou, é porque ou eu beneficiei ou eu fiquei com medo. E se eu descubro quem é o dono e vou, eu estou perseguindo porque é o caro que você vai pegar. Então, eu não quero saber quem é o dono do posto. Eu vou. Depois a gente sempre descobre porque vem um monte de enviado e fala, pô, esse posto é do meu amigo, não faz isso, não faz aquilo.
E eu descubro quem é o dono do posto depois. Mas o cálculo que a gente faz é esse. É perigoso para a nossa integridade física a fiscalização?
Beleza, a gente não vai. Mas agora, se o pós-fiscalização, o dono A, o dono B, o dono C, esse tipo de cálculo a gente não faz. Entendi, porra. Porque assim, exatamente, se você está num... Esse posto do teu exemplo, numa situação de... O Rio é uma situação de tensão o tempo inteiro. E eu, assim, veja, eu acho, porque eu saí de lá em 2016.
onde eu morava... Não mudou muito. Então, onde eu tava, não sei o quê, assim, era comum aparecer uns corpinhos ali na rua de cima, entendeu? É aquilo que eu tava te falando mais cedo, os caras roubavam carro, pelo visto, rouba até hoje, dia sim, dia não, na rua que eu morava lá. Um salve pros caras da Silva Morão, ali do Norte Shopping. Então, cara, é...
Numa situação de quase guerra. Quase guerra. O cara está preparado para a guerra. Ele não está na boca de bobeira. Entendeu? Tu vai entrar lá. Tu vai chorar, irmão. Exatamente.
E é melhor não ir. É, e cara, não é só por mim, pô. Tem integridade física de quem trabalha comigo também, da equipe ali. Então, tem coisa, cara, que a gente tem que tomar cuidado. Não pode ser um inconsequente. A gente tem que ter coragem, mas com responsabilidade. Agora, esse bagulho de fechar posto, cara, na posição que tu tava, era um, era o que você... Eram as paradas que tu filmava lá, era pra internet, mas no fim era uma parte do que tu devia estar fazendo. Exatamente.
E eu imagino que essa cadeira que você tava Era uma cadeira complicada Porque qual que é a minha sensação? Eu sou um carioca da Zona Norte Vivi muitos anos da minha vida lá A maior parte da minha vida eu vivi na rua General Belfort Tá ligado? Então é...
Eu tô ligado que se eu estivesse na rua e desse uma merda no meu carro e eu precisasse do mecânico X, eu tava fudido. Aconteceu esse fim de semana que deu uma merda no pneu do meu carro. O maluco tentou me empurrar um pneu que não servia, quer dizer, que não era igual, ele ia ganhar um dinheiro ali, não sei o quê. Quando eu falei pra ele que eu arrumei o pneu e era só ir lá instalar, ele não quis, tá ligado? Então, o que eu quero dizer é, tá todo mundo ali, a sensação que eu tenho é que tá todo mundo ali tentando, porra.
Se dá bem. Nem dá um golpe no outro, é se dá bem. E o se dá bem, às vezes, até com a regra de baixo do braço. Manja? Se valer do regulamento. Se valer do regulamento de alguma maneira. Mesmo que isso seja ruim pra outra pessoa. Não, e foda-se. Nem lembrei que tinha um outro cara ali. Aquele ali é da onde sai o dinheiro. Tinha alguma parada lá que era particularmente interessante de lidar, tirando o posto de gasolina?
Cara, eu quando entrei, eu gostava muito de lidar, por exemplo, com concessionária de água e luz. Por quê? Tem lugares na cidade que flagrantemente a concessionária presta um péssimo serviço de propósito. Você tem lá Light, por exemplo, que presta serviço de energia. Aqui em São Paulo é a Enel, lá é a Light. Também tem Enel em outras cidades do Rio, mas na capital é a Light que presta serviço de energia.
Cara, quando falta luz na Zona Sul, é um tratamento. Eles arrumam gerador, arrumam um monte de coisa pro povo da Zona Sul ficar com luz. Agora, se falta luz em Campo Grande, meu irmão, deixa o povo... Se falta luz na sexta-feira, eles só resolvem na segunda, que é quando tem jornal. Que o povo vai pra rua, bota pneu, bota fogo.
Se não tivesse isso, eu ia resolver. Então eu dei muito esse embate muito forte com eles pra mostrar que a gente tem. Só que a gente tem muita limitação de atuação. Porque é concessão federal de energia. Então os caras têm os melhores advogados do Brasil. Então eles vão empurrando a gente com a barriga mesmo que a gente vá pro embate. Quando a gente chega no nosso limite de atuação, a gente tá fazendo cosquinha nesses caras.
Quem pode bater doído, que é a ANEEL, os órgãos federais, acaba que a gente não vê isso acontecendo muito bem. Então, assim, ele fala, vai, é Procon? Beleza. Até aqui a gente respeita o Procon, daqui pra frente vamos botar na justiça. Então era muito difícil essa atuação. Além disso, a gente... Isso aí é jogar com a regra debaixo do braço.
com a regra de baixo braço, exatamente o que você falou eu também, cara, inaugurei tentei inaugurar ali um debate entre pro concho, dessa coisa de caso de aposta, entendeu? não uma coisa moralista ah, porque é do diabo, porque é feio porque é bonito, é porque a gente tem lá o núcleo de atendimento super endividado cara, o negócio simplesmente explodiu de atendimento do dia pra noite
A gente que vive, que entende pouco, que vê na internet as coisas acontecendo, a gente sabe de onde está vindo isso. A galera está apostando desenfreadamente e tem uma diferença enorme entre negócio de após esportivo e cassino online. Cara, esse negócio entrou na casa das pessoas avassaladoramente.
Um público que antigamente era um público mais classe média, classe média alta, que apostava ali por um hobby, fumar um charuto, um cavalo correr, virou um negócio que a diarista da minha casa, por exemplo, voltava pra casa perdendo o dinheiro que eu paguei pra ela no ônibus ou no motouber.
No tigrinho. Então eu falei, cara, acho que a gente tem que falar sobre esse negócio, porque senão o negócio vai correr solto e as pessoas vão se matar, se suicidar, entrar em depressão, família sendo destruída. Então foram essas duas coisas que a gente mais enfrentou. E o dia a dia ali. Você que tinha a conta atrasada, tá com o nome sujo e que precisava do Procon pra facilitar a tua vida de alguma forma. Tinha essa rotina, mas sem dúvida nenhuma, esse negócio do posto de gasolina foi o que a gente deu mais ênfase e mais prioridade. Vamos falar um pouquinho de Rio de Janeiro então, Joãozão?
O Rio de Janeiro é muito interessante. Como cidade, como estado também. Quantos? Os cinco últimos. Tirando, não, o Cláudio Castro não foi preso ainda. É, foi... Foi caçado, né? Tá inelegível. Ele foi mesmo? Porque ele não tinha renunciado pra não ser? É, então...
Tá nesse embrólio jurídico de que se foi cassado ou não. Na prática, assim, pra população, foi uma cassação. Agora a gente tá discutindo juridiquês. Se é cassação no papel ou não. Mas ele foi cassado. Aí entrou, foi prejudicada a cassação em juízo, porque um dia antes ele renunciou. Igual o Collor. Alguém fala que o Collor renunciou? Não. Todo mundo fala que o Collor só foi um impeachment. Mas pouca gente sabe que o Collor renuncia antes do impeachment se concretizar. A mesma coisa aconteceu com o Cláudio Caixa. Tá bom.
24 horas antes o cara renunciou então você tem aí vamos fazer as contas juntos aqui vamos de trás pra frente Castro Cassado, Witzel que era o governador que o Claudio Castro era vice sofreu impeachment
Pezão preso e afastado. Cabral preso e afastado. Esse é um caso interessantíssimo. Garotinho preso e afastado. Dos eleitos, nenhum passou em colume. De quem ganhou a eleição e foi para o чем, ninguém passou em colume. Garotinho ganhou a eleição e foi afastado. Rosinha ganhou a eleição e foi afastado. Não, são seis. Cabral ganhou a eleição e foi afastado. Pezão ganhou a eleição e foi afastado. Vít чем ganhou a eleição e foi afastado. Castro ganhou a eleição e foi caçado. E aqui tem...
Gente que foi afastada e presa e uns que foram só afastados. Isso é o governo do estado do Rio de Janeiro desde 2000. Nos últimos 26 anos, pelo menos. Ou seja, desde que tu tá vivo.
É, na verdade, eu acho que Garotinho foi eleito governador em 98, no ano que eu nasci. Então você vê, desde que eu nasci, o Rio de Janeiro vive essa coisa bem tranquila. É, eu lembro que os caras eram queridos, cara. Eu lembro de, pra ficar legal, a gente quer o melhor Sérgio Cabral. E ver isso, eu lembro que eu estudei na faculdade, que ele estudou também, os caras expunham isso com... É, porque até o cara ser pintado como bandido... Perfeito, perfeito. A gente não pode olhar o negócio pra trás.
Como se fosse assim, a gente olhou e já sabia tudo que ia acontecer. Não, não é nem esse ponto. O cara era bem avaliado, pô. Exatamente, o cara era bem avaliado, o cara fazia tudo certinho, só que não.
o Sérgio Cabral é muito interessante o cara conseguiu se fosse colocar uma atrás do outro as condenações por que tu acha que isso acontece no Rio de Janeiro? a gente não tem um exemplo parecido com isso, acho que a gente não tem um exemplo nem perto disso em nenhum outro estado do Brasil vamos lá, acho que tem uma soma de fatores ali eu acho que a gente tem uma classe política que se acostumou com isso e aí tem uma perpetuação mesmo em 98 Cabral se não me engano era presidente da LERJ e aí
presidente da Leste eleito. E de 98 até quando Cabral ganha a primeira eleição, ali em 2006, é o mesmo grupo de deputados que estão atuando em conjunto. Então acho que é justamente porque a gente está falando de um período longo de tempo, mas de pouca renovação.
É muito tempo, mas os mesmos políticos trabalhando. E até quando se tem uma renovação, entra o filho do político, ou então a esposa do político. Mas e os novos, cara? E quando chega um cara novo lá, muda de fato alguma parada? O sistema, e o sistema eu tô chamando de sistema, a cultura. A cultura da parada, quando tu chega lá na alerje lá.
Tu não é em meio que empurra. Ou tu se acostuma, ou tu entra no esquema, ou tu é expelido. Eu sou totalmente contra essa tese. É? Então vai. Sou totalmente contra essa tese por uma questão de princípios e valores. Assim, cara, quem é engolido, beleza, cara, tu pode até ser engolido. Ah, não, claro que há exceções, tá? Inclusive, eu posso citar, eu citaria algumas aqui se não parecesse que eu estaria puxando o saco. Mas eu conheço...
Não, também não vou fazer isso pra não parecer que eu tô falando bem de um pra falar mal do outro. Pra não politizar a coisa. Mas eu acho que é o seguinte...
essas pessoas já demonstraram que você tem como entrar lá e passar. Claro que você sofre, você vai sobre a perseguição, vai ser isolado e tudo mais, mas é isso, cara, você, por exemplo, você vai chegar num lugar e tá todo mundo fazendo merda. Aí você fala, não, pô, vou ter que fazer merda pra eles gostarem de mim. Não, não, vou embora.
Não tem problema. Então, mas ir embora é uma coisa, ficar lá sentindo cheiro de merda é outra. Não, então, mas você, a LERD, você ganha uma eleição pra ter um mandato de pelo menos 4 anos se você não for reeleito. Você vai cumprir seu mandato? E se você tiver limitações impostas pela bandidagem, pela vagabundagem, pelo isolamento?
você vai conviver com esses isolamentos, com essas limitações. O que eu não acho é que você pode justificar, se eu não tivesse me enquadrado nessa turma aqui, eu não seria um presidente de comissão, eu não aprovaria um projeto de lei. Não, eu não vou trocar a minha honra por um projeto de lei aprovado. Adoraria aprovar dezenas de projetos de lei que eu acho que são legais para a população. Mas se em troca disso eu tiver que me cagar de merda, eu não vou.
Entendeu? Então acho que é por esse lado. E tem exemplos disso. Aliás, tem exemplos que conseguiram sobreviver. Tem deputado lá com seis mandatos, sete mandatos, que é honesto, que eu conheço. Sei quem é que vai disputar a eleição de novo. Não vou fazer aqui pra não fazer campanha pro cara ou pras pessoas acharem que a gente tá politizando. Mas existe. O problema é que lá são 70. Se você tiver 36 ruins, você já tem a maioria. E a maioria vai vencer todas as votações, que é o que a gente vê lá.
Deputado preso sendo solto. Por que a gente tem toda vez a maioria de gente esquisita? É justamente, se você pegar esses 36, você faz um raio-x.
saíram todos, é o mesmo ovo da serpente. Não deu tempo ainda do Rio de Janeiro vencer isso. Esses caras aí, né? Entendi. Você vê lá os sobrenomes são parecidos. Os caras estão ali há muito tempo. Exatamente. E tem gente que se elegeu falando que ia renovar e ia mudar, mas que na verdade tava assim, pô, ele sempre esteve na antessala da sacanagem. E via a sacanagem acontecer e falava, pô, eu não participo.
Aí ele, na época lá da... Não é que o maluco é honesto pro que ele quer, é que ninguém chamou. Aí ele foi pra eleição, falou assim, tá tudo errado, eles são todos vagabundos. E aí quando ele ganhou a eleição com esse discurso, o que ele fez? Na primeira oportunidade, se agarrou nessa turma. Não, eu falei aquilo só pra ganhar a eleição, eu queria mesmo estar aqui com vocês. E aconteceu. Então, até a renovação que aconteceu na Leste, não foi uma renovação de qualidade, tá? E é claro, o Rio é a figura da assembleia mais podre do Brasil.
Mas a gente não tem essa exclusividade no Rio de Janeiro também. Você tem problema na Assembleia de São Paulo, você tem problema na Assembleia da Bahia. Sem dúvida. Em Santa Catarina, que é tido como referência nisso, você tem problema. Achei o problema da sociedade brasileira. Mas é que no Rio de Janeiro mesmo. Me fala uma parada. Quem é o governador do Rio de Janeiro nesse momento? Ricardo Gouto, presidente do Tribunal de Justiça.
Por que não é o cara da Lerge? Por que não é o cara da Lerge? Porque ele foi preso, acusado, envolvido com crime organizado e caçado, que era o presidente Rodrigo Bacelar. Por que não é o vice? Então.
Posso tentar explicar de maneira mais... O ponto é justamente esse. Para não ir voltar. O ponto é justamente esse. É assim, meu irmão. A cadeia de comando do Estado. Toda linha sucessória foi disputada e por objetivos deles. Quem foi eleito em 2022, a população elegeu uma linha sucessória. Governador, vice-governador, 70 deputados que elegeram um presidente da Leste.
Porra, me dá uma caneta aí, por favor. Pra quem não entende muito bem, que tá assistindo a gente, isso é linha sucessória na prática. Governador. Quando ele tá impedido de exercer o mandato de governador...
exerce o vice-governador. Quando o vice-governador, por algum motivo, também está impedido, quem exerce? O presidente da Assembleia. Aí a gente tinha lá Cláudio Castro, governador, Tiago Pampolha, vice-governador, e Rodrigo Bacelar, presidente da LERJ. E aqui também vou evitar terceira opinião de mais ácidos para não parecer que está politizando. O que aconteceu? Cláudio Castro decidiu que Rodrigo Bacelar, que deveria ser o sucessor dele, e não mais Tiago Pampolha.
que na época brigou por isso, porque queria ser o próximo governador, resistiu ali, mas o Bacelar era o cara mais poderoso do Estado, mais poderoso que até o próprio governador. Por quê? Porque ele tinha de especial. Porque ele tinha de especial que ele basicamente foi a mente brilhante atrás dos esquemas que reelegeram o Claudio Castro. Quem embolou o Ceperge não foi Claudio Castro, foi Rodrigo Bacelar. Quem foi o relator do impeachment do outro governador que deu...
porta aberta pro Claudio Castro virar governador, Rodrigo Bacelar. Então, Bacelar, ele foi o operário da vitória de Claudio Castro, nos dois momentos. Tanto quando ele sai de vice pra governador no lugar do Witzel, quando ele, na cadeira, se reelege. Bacelar era o secretário de governo dele, no governo dele. Só que Bacelar não ganha a vaga de vice, porque eles precisavam do apoio de o Austin Reis.
E colocam ele de Washington Reyes. Puta, esse cara tá há quantos anos? Não sei. E aí o Washington Reyes não podia ser vice-governador à época e se coloca o Thiago Pampolha, que não era do grupo do Bacelar. E o Thiago Pampolha reivindica a sucessão. Quando ele reivindica a sucessão, o Bacelar fala, não, não, não, não, o sucessor sou eu.
E aí eles têm que arrumar um jeito de tirar o Tiago Pampoli da linha sucessória. Porque a gente está falando governador, vice-presidente. O Tiago Pampoli era pedra no sapato do Bacelar. O que eles prometem para o Tiago Pampoli? Uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Botam o Tiago Pampoli no Tribunal de Contas do Estado.
E ele renuncia ao cargo de vice. E algumas outras composições no governo estadual também. Então o próximo seria Bacelar. E de público, todo mundo já falava. O nosso candidato é o Rodrigo Bacelar, a sucessão, o nosso novo governador. Tanto os deputados da base quanto o Cláudio Castro. Bacelar é preso por envolvimento com o Comando Vermelho. Isso, deixa eu te perguntar uma outra coisa.
Cara, como eu tô aqui e, em geral, eu tô falando mais sobre... O meu ponto é, eu não tô prestando muita atenção no que tá acontecendo na política do Rio de Janeiro nesses detalhes aí, entendeu? Eu acabo meio... Claro que eu fico sabendo, mas... É difícil, é confuso mesmo. Não nesses detalhes. Claro. Deixa eu te perguntar uma parada e aí, vamos lá. Qual que era a sensação da galera sobre o Rodrigo Bacelar? Tinha uma sensação de algo esquisito ou só um político muito habilidoso?
Não, assim, cara, todo mundo sabia que ele era um cara da pesada. Tá. Que operava no submundo. Tá. Só que todo mundo tinha muito medo dele. Por quê? O Bacelá sempre foi um cara muito vingativo. Se um prefeito, por exemplo, não rezasse a cartilha dele, ele ligava pro Cláudio Castro e falava tira a verba da saúde desse cara e a verba da infraestrutura. Ele operava nesses moldes. Pegava e falava assim, ah...
ordena aí uma ação da polícia pra ferrar fulano. O cara mandava muito. Bacelar indicou o secretário de polícia civil. Aliás, Bacelar mudou a lei orgânica da polícia civil pro secretário que ele queria indicar poder assumir, porque tinha uma regra que você tinha que ter pelo menos 10 anos como delegado. E o policial que ele queria indicar, antes de ser delegado, era tira, era inspetor. Então ele tinha 10 anos de polícia, mas não 10 anos como delegado. Ele muda a regra só pra poder indicar o cara.
A polícia se veram chefiada por um indicado dele. Então, cara, você tinha muita gente com medo dele. Que ia num palanque, fazia um discurso pra afagar ele, mas que não necessariamente concordava com ele. Mas tinha a tropa do Bacelar. A galera que o cara enriqueceu, encheu de dinheiro e que rezava a cartilha dele. E que era muita gente também. Então eu tô só deixando claro pra não criminalizar todo mundo que um dia já falou bem do Bacelar.
Porque eu conheço gente que falou bem do Bacelar, mas porque tinha medo do cara cortar o dinheiro dele na saúde, por exemplo. E aí
Mas é um cara honesto, que nunca se meteu nos esquemas dele. Então o Bacelar era esse cara, o capo da política fluminense. Era um cara que não tinha muito voto, não tinha muita visibilidade da população, mas que operava a máfia, operava bem a gangue ali. Então ele tinha muito esse respeito. É o cara que era do fio do bigode, que cumpria o que prometia.
pedisse isso, ele falasse que ia te dar, ele ia te dar, independente do que ele tivesse que fazer. Então essa galera gosta um pouco disso. Tô entendendo. De fato. Gosta mesmo. Gosta desse perfil, dessa personalidade. Então isso era Rodrigo Bacelar. E aí o Rodrigo Bacelar, com essa turma toda na mão, se casse for pra ser o próximo governador. A população desconhecia Rodrigo Bacelar até ele ser preso. Ele foi eleito com noventa e poucos mil votos, mas pra governador isso não é...
nada, praticamente. Só que a política combinou, nosso governador vai ser o Bacilar. A gente quer um cara como esse. A gente quer um cara que vai jogar nosso game aqui. A gente quer um dos nossos governador. E aí Bacilar opera fortemente pra tirar Tiago Pampolha da sucessão, é reeleito presidente da Assembleia. Bacilar foi pra campanha de deputado estadual, em vez de fazer só a campanha dele, ele ajudava outros deputados estaduais a se elegerem pra conquistar o voto deles pra presidente.
Bacilar presidente seria quando Cláudio Castro renunciasse o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o
o governador até o fim do mandato agora. E ele renunciaria se o plano tivesse, corresse conforme combinado, ele renunciaria pra ser candidato ao Senado. Ao Senado, exatamente. E aí a gente tem o prazo de desincompatibilização dia 4 de abril. Ele tava planejando até sair dia 4 de abril pra, sei lá, ficar seis meses.
com a vitrine do governo. Dar entrevista como governador, inaugurar obras com prefeitos como governador. Só que no meio disso acontece a prisão dele por envolvimento com o Comando Vermelho, no caso do T.H. Joias. E é importante, o Bacelar é preso pela Polícia Federal, em seguida a Lerge vota pra soltar ele. Sim. E a verdade é a seguinte, cara, praticamente todo mundo, não vou falar todo mundo porque eu não tenho certeza sobre todo mundo, mas praticamente todo mundo que vota nele pra soltar ele é porque tinha um rapo preso com o cara.
As pessoas saíram detonadas, a população saiu odiando muita gente que votou na soltura dele. Mas o cara tinha duas opções, ou eu fico mal com a população, ou o cara destrói minha vida porque ele sabe tudo das sacanagens que eu fiz. E a galera que não tem compromisso com a população fala, eu prefiro rezar a castiga do Bacelar e vou pedir pra soltar. Só que quando o Bacelar é solto...
ele faz um acordo com os deputados. Cara, você tá solto, mas vamos deixar você longe da presidência, fique em casa, escondido, pra não ficar holofote negativo pra Assembleia. Todo mundo olhando pra cá e ficar lembrando que a gente soltou você o tempo todo. Aí Bacelar fica afastado e aí corre o processo no Tribunal Superior Eleitoral, no TSE, da cassação.
Castro, Tiago Pampoli e Bacelar. Castro renuncia 24 horas antes, Tiago Pampoli já tinha renunciado para virar conselheiro do Tribunal de Contas, para abrir a linha sucessória para Bacelar, e Bacelar foi cassado nesse mesmo dia. Bacelar foi, de fato, cassado nos termos mesmo, porque ainda estava no exercício do mandato. Estava só licenciado por conta própria. Ele pediu licença do mandato dele. Então,
Isso que aconteceu no Rio de Janeiro. A gente não tem governador hoje, porque quem ganhou a eleição para comandar o Estado arquitetou esse plano. Não é culpa da população. A população acreditou. E aí, independente se votou por motivo A, motivo B, é democracia, ganha quem tem mais votos. Mas a população não acreditava que ia chegar num momento como esse e todo mundo que ela votou ou está afastado, cassado ou preso. Conseguiu entender mais ou menos? Não, eu entendi.
Entendi, cara, mas eu acho que a população tem culpa sim, meu irmão. Como é que não, caralho? Foram eles que votaram nesses caras aí, meu irmão. A gente, querendo ou não, eu tenho culpa das coisas que... Porque assim, como é que eu... E aqui vamos viajar um pouco. Como é que eu enxergo essa porra? É que se as pessoas enxergassem o Estado como... Não como um concurso de Miss ou como um prêmio pra pessoas que eu gosto...
a gente estava em outro lugar. Então, se você me disser que a gente nunca fez nada para educar as pessoas direito, inclusive a gente fez o contrário disso, ao longo do tempo a gente foi removendo das escolas umas paradas que lidavam com moral e cívica, por exemplo.
E eu não estou nem falando de... Parece algo antiquado e antigo. E é porque eu estou falando de algo que foi extinto quando eu era moleque. Em 2026 ia ter outro nome. Um nome aí de geração Z. O ponto que eu quero trazer é... Eu concordo contigo que não há nenhum esforço para ajudar a gente a votar melhor.
Com certeza, é o contrário. O esforço é pra fazer a gente votar pior. É pra cada vez mais ser um concurso de Miss. A sensação que eu tenho nisso tudo, que eu não acredito nem que vocês, e vocês eu quero dizer políticos, são, porra cara, desculpa, tá? Inteligentes o suficiente pra coordenar...
Algo que acontece do jeito que acontece. É muito mais uma questão de cultura. A parada é assim há muito tempo. Então, o cara sobe no palanque para fazer um discurso que hoje em dia, ainda por cima com as ferramentas das redes sociais, o cara faz um discurso com uma narrativa ideológica.
porque ele sabe que aquilo ajuda ele a ser eleito. Mas quando ele tem que votar uns bagulhos estranhos, quando ele tem que se associar com as paradas que não necessariamente têm um viés ou uma narrativa ideológica, os caras apertam a mão. E não que isso seja um problema. O problema é o cara fazer o teatro...
Pra enrolar o cara que tá votando. Porque no fim é um concurso de missa. Então o cara me pergunta assim, com frequência. O que tu achou do Lula? Ou então, o que tu achou do Bolsonaro? Os caras são gente boa? Óbvio, meu irmão. É o trabalho deles. O trabalho deles é ser gente boa. Ele não precisa saber mais nada. Ele só precisa ser gente boa. E aí tem 50 milhões de votos sendo um mala. Isso, meu irmão. E outra, o cara é... Se você for pegar o grosso mesmo da população...
É só, no máximo, você. No máximo, você também não. Mas pouca gente vai ter votado em um candidato a qualquer coisa, um candidato a deputado federal, sabendo que diabo aquele cara está propondo. Ele vota num cara porque ele odeia o outro. Então, nem é o melhor motivo, tá ligado?
E dentro disso que você está falando, eu acho que eu vivo de dentro e consigo enxergar e eu sempre tentei, beleza eu tenho a mesma opinião que você nesse sentido, mas eu tentei sempre sintetizar, vamos deixar isso aqui mais claro, o que eu acho em democracias mais maduras o político ele presta conta pra quem elege ele então ele sempre vai pensar duas vezes a gente fazer alguma coisa que as pessoas que votaram nele não vai gostar
Ponto principal. O cara que muitas das vezes é eleito com um caminhão de votos, não necessariamente está nessa...
Pegada. Vou dar um exemplo. Se você pega um cara super de direita, que se elegeu com pautas super da direita, se ele sabe que se ele votar errado no determinado assunto ele vai perder a eleição, ele não vai votar. Você pode ter certeza, ele não vai votar. Só que tem muita gente que ganha a eleição não porque o povo votou por conta própria, por vontade própria. O cara enche um prefeito de emenda, é um prefeito de emenda.
Enche um prefeito com alguma coisa, que não necessariamente vira obra, às vezes vira só um enriquecimento, tanto do deputado quanto do prefeito, porque se vira obra, ótimo, beleza, maravilha, ajudou a população de alguma forma. E ele presta conta pra quem? Ele vai prestar conta pra meia dúzia de empresário, que bancou a campanha dele, ele comprou voto, comprou apoio e chegou lá.
E não vai prestar conta pra população. Então, as pessoas têm que pensar o seguinte. Eu tô votando num cara que vai ter medo de eu não gostar do voto dele? Ou eu tô votando num cara que vai bater continência pro Vorcaro, que vai bater continência pro, sei lá, outro... Prestar continência. Prestar continência pra esses caras. Você viu? Não, não. Não sei. Desculpa os militares aí. A galera vai cair em cima de mim. Mas esses caras, eles se elegem?
prestando continência pra essa turma. Perfeito, perfeito. Então você vê, você vai numa democracia mais madura, o cara é cobrado por cada posicionamento dele. Você vai na Dinamarca, o cara perdeu a eleição porque tinha uma compra de um negocinho.
Porque tinha a compra de um negocinho no cartão do cara. Aqui no Brasil, meu irmão, o cara faz, acontece, deita e rola e ganha eleição. Então, o que é o recado que dá para todos os outros políticos? Não vale a pena ser 100% correto. Vou ser só um pouquinho, mas aqui eu vou escapar, aqui eu vou desviar, porque a população tem memória curta. Eu escuto muito isso. Cara, não se preocupe com isso. Não, 15 dias o povo esquece, pode ir.
Vai, aquela tentação já vim. Deixa eu abrir um parênteses rapidinho aqui, João. Porque foi isso que você tá falando. É um troço que eu tava pensando hoje. Hoje, teve uma galera aí que deu ruim pra eles. Inclusive, teve o MC Rian, o Pose e o cara da Choquei. Então, o cara da Choquei, inclusive, veio aqui. E aí, toda vez que os caras vão colocar uma... Esse maluco se fudeu. A foto dele é ele aqui. Mas, quer dizer...
Também tem uma foto do Lula dando um beijo na testa dele. Tá ligado? Eu fico pensando, porque repercute isso, né? O que o Flávio Bolsonaro vai postar sobre esse caso? É uma foto do Lula beijando o cara, né? Meu irmão, eu fico pensando, se eu fosse dar um conselho pro Lula, por exemplo, por que tu fica beijando os caras? Por que tu se associa tão facilmente com esses caras? Aí eu fiquei pensando que ele me responderia. E eu acho que é...
Os caras esquecem mesmo. Então, nesse caso de foto, eu falo que é um negócio meio covarde com político. Por quê, cara? Eu que não sou...
um terço, ou sei lá, um centésimo desses caras, já converso com um monte de gente, falo com um monte de gente. Não, não é conversar. Tô falando, pega o cara que quer se dar um beijinho na testa. Conversar, tirar uma foto, irmão, eu também tiro, né? É que a gente acaba tendo... Cara, o político, ele não tem só que tratar bem. Tem que ser simpático. As pessoas exigem isso um pouco da gente. Pô, o cara foi meio sem sal comigo, sabe?
Tem essa coisa. Então a gente vai no automático, cara. A gente tenta tratar todo mundo da melhor forma possível. E aí depois aparece o cara...
Cara, eu, por exemplo... Tu é desse que segura a criança na passeata? Não, cara, eu vou segurar, porque eu vou tratar a criança como? Eu vou pegar o dedinho da criança e pegar o braço, porra. E não é forçado, sabe? Tem gente que faz aquilo, você vê que o cara não sabe o que tá fazendo. Mas é que eu gosto, cara. Pô, a criança chega... Tu come um pastel com caldo de cana? Não, isso é pavoroso, né? É uma coisa ridícula. Mas essa coisa, cara, quem gosta de gente...
Quem gosta de gente, a pessoa chega e fala assim, porra, Igor, eu te adoro, cara. Tira uma foto comigo aqui, bom, maneiro. Pô, tu fica feliz, cara. Tu tem um pico de dopamina ali. Tu dá um abraço, pega no colo. Então isso, da foto, igual o Luciano Huck. Na época, o pessoal pegava muito no pé do Luciano Huck, que ele tinha...
Toda hora alguém que tinha uma foto com ele se ferrava. Pá, pá, pá. Pegava no pedaço. Fico falando, meu irmão, o cara é o Luciano Huck. Obviamente que... Perfeito. Não quero perdoar qualquer eventual ligação escandalosa. Não, mas, meu irmão, é nem sequer na questão se ele tem culpa ou se ele não tem culpa, não, João. Usando o teu argumento, a tua lógica que é... Porra, tu tá andando ali, meu irmão, vai chegar um cara e falar comigo, eu vou parecer um babaca?
Então tu não quer parecer um babaca nunca. Exatamente. Então, inclusive, precisa se resguardar pra tu não parecer um babaca. Até a gente que a gente sabe que é vagabundo. O cara fala assim, porra, aquele cara ali é... Então, o cara ali é o cara ali. Então, o cara ali é o cara ali. Então, o cara ali é o cara ali.
Pô, eu sei mais ou menos o que é, cara. Aí o cara chega com um sorrisão no rosto pra você, sei lá, é constrangedor você ser babaca com o cara. Porque o...
O cara vai responder as coisas dele lá e tem as coisas dele pra resolver. Mas não sou eu que vou ser babacara em público. Quando eu estrangeiro o cara em público, às vezes eu vou apertar a mão. Opa, valeu, meu camarada. Abraço. Não vou botar o cara dentro da minha sala, não vou ter uma conversa estranha com o cara. Mas isso é um pouco... Cara, é ruim pra gente. A gente se sente mal várias vezes. É um negócio que muita gente não fala, mas a gente se sente mal, porra.
Cara, eu tava jantando com aquele cara. Que merda, cara. Eu vou mudar de profissão. Às vezes dá vontade. Mas é um negócio meio ingrato pra gente. Quando tu se ligou que era assim?
Quando eu entrei, eu achava isso. Eu achava, pô, aquele cara tirou foto, recebeu aquele fulano, pô, que merda. Aí quando eu entrei, que eu vi que como era no dia a dia, você não tem como fugir, foge do teu controle, cara. Realmente foge. O que você não pode é atender uma ligação e o cara falar, pô, faz isso pra mim, e você fala, ah, vou quebrar essa pra você. Quando o cara me liga, por exemplo, meu telefone. Igual já deve acontecer com você, mas tem uns loucos que arrumam teu telefone que, por aqui alguém sem noção, mandou pro outro.
Aí o cara me liga e fala, pô, você foi num posto de gasolina do amigo meu, tem como tu aliviar? Meu camarada, essas coisas a gente não alivia pra ninguém. Se ele tiver sofrido uma injustiça pela minha equipe, ele vai ser reparado pela injustiça. Se ele tiver cometido uma irregularidade, ele vai ser punido pela irregularidade. E a gente tem o nosso setor jurídico, onde você pode apresentar sua defesa, seu recurso e tudo se você acha que está sendo injustiçado. Mas quebrar, aliviar não é comigo. E desligo. Ponto.
Acho que a gente tem que ter nossos condutos pelas nossas atitudes e pelo que a gente fala.
Se você já tiver isso, já é meio que amendado pro Brasil, entendeu? Meio que amendado. Por que que tu acha que lá no... Mas assim, Dino, voltando um pouco pro Rio especificamente, cara, por que que tu acha que estamos nessa situação sinistrona lá? Por que que o Rio me parece ser uma versão da política brasileira, só que assim, meu irmão, só que do zorra total. Só que assim, exageradão, sabe?
É isso que tu falou, seis caras que foram eleitos governador tiveram complicações, né? Vagabundo preso. Coisas horrorosas, assim. Nesse momento a situação tá esquisita. O Rio de Janeiro, cara, ele tem... Isso é um pouco do reflexo do meio que o caos controlado que tem na cidade. A cidade não é um pouco um caos controlado? É, a gente se acostumou com a bagunça.
A gente sabe conviver na bagunça. É isso, assim, eu voltando lá esses dias aí, dirigindo e vendo as coisas, e tu olha, presta atenção, vê inclusive a forma que as pessoas andam na rua, tá ligado? Cara, é um caos controladão. Controladão também não. É um caos com algum nível de controle, né? E a política do Rio reflete... É isso que acontece? Eu acho que são coisas diferentes. Tem o caos...
o caos, a gente estava usando até um termo pejorativo, mas não necessariamente é pejorativo. Acho que o Rio é too much em termos gerais. O Rio funciona de segunda a segunda, você anda na rua, tem bar funcionando, tem tudo. Coisa que você não vê em qualquer lugar. É difícil você ver do jeito. O povo carioca é um povo pra cima, não cumprimentar nessa coisa. E acaba que tem um ecossistema já voltado pra isso. Eu acho que quando a gente vai pra política, eu acho que tem muito uma coisa do seguinte.
As pessoas que ganham a eleição dessa forma, comprando voto, fechando o curral eleitoral, fazendo acordo com o traficante, com o miliciano, pra só ele pedir voto lá, isso não tem como dar certo, Igor. Os caras têm que prestar contas no mandato pra essa turma, cara. Se você tem que prestar conta pro miliciano A, pro miliciano B, pro traficante A, pro traficante B, ou pro empresário A, pro empresário B...
Tem como você fazer um mandato direito? Não, você sempre vai deixar o negócio pra trás. Aí vai depender se vão investigar ou não. Se não investigarem, vai passar batido. Até porque é até ruim a gente já... Ah, é ruim de tudo? Não é nem ruim de tudo ter gente sido presa, não. Pior seria se nem tivesse investigado e não tivesse empreendido ninguém. Não, meu irmão.
Só é gritante, sim. É meio... Chama muita atenção. Pode ter certeza que tem lugar no Brasil que as pessoas roubam mais e fazem mais merda que o Rio de Janeiro. Mas são lugares que a mídia tradicional, a mídia nacional não cobre tanto e que o negócio está passando batido. Porque a ausência de caos não necessariamente é correção. Perfeito. Pode ser só impunidade. Não que eu ache que o Rio é muito bom porque tem gente sendo presa. A gente está vivendo um ótimo momento. Não, repito.
É bom que as pessoas que estão cometendo irregularidade sejam de fato presas. Porque isso a gente só falou de governador. Deputado já foi preso e afastado? Um monte, cara. Um monte. O problema é que o sistema, apesar de ter afastamento e prisão, ele não está mudando. E aí tem uma parcela de culpa da população. O que você chama de sistema?
Sistema, por exemplo, Detran. Você conhece Detran. Você viveu no Rio a vida inteira. Todo mundo sabe como faz o Rio. Já usei os serviços do Detran, se é que você me entende. Todo mundo que vai fazer uma vistoria no Detran sabe que teu carro pode estar em perfeito estado. Se você não deixar uma merra aqui embaixo do tapete do teu carro, teu carro não tem lá o ok da vistoria. Todo mundo sabe que isso acontece. Mudam as pessoas, mas não muda a estrutura do negócio.
Não mexe nas anomalias estruturadas, sistêmicas. Sempre vai ter o amigo pegando o arreguinho. O arreguinho. Aí tem lá, historicamente a gente sabe que tem fulaninho que fecha com vagabundo pra tomar o dinheiro do cara pra polícia não passar naquela rua ou pra fazer isso. Então se a gente não mudar esse sistema como um todo, ele vai continuar produzindo políticos dessa laia, mesmo que com nomes diferentes. Então o cara vai entrar lá e vai falar, pô, a propina do Detran são 20 milhões por mês.
Eu vou mexer nisso? Eu vou acabar com isso? Não, eu vou morder um pedacinho, pô. Porque se tem 20 milhões, se for 1 milhão pra cada um, você já ganhou 20 deputados só no Detran, cara. Você resolveu 20 deputados no Detran. Você precisa resolver mais 16 no seu governo inteiro, cara. Pra ter a maioria. Então, se você não fechar essas torneiras, e aí isso são medidas que você faz, porque o cara lá de baixo vai pensar, pô, se eu agora começar a tomar propina, o meu chefe descobrir, eu vou me ferrar.
Enquanto o negócio disso não acontecer, o cara vai falar, não, pra que eu vou trabalhar correto se o cara do meu lado tá trabalhando errado e tá nadando de braçado? Nada acontece com ele. Acho que o Rio precisa desse choque, um choque sistêmico. E aí não quer dizer que o cara que vai assumir aquele negócio lá vai fazer uma gestão perfeita. Mas se ele só implantar mecanismos...
de controle que faz essa galera se frear um pouco de o certo virar o errado e o errado virar o certo. Eu acho que a gente começa a ter esperança. Se não mexer nisso, vai ser mais uma troca de nome que o Rio de Janeiro vai ter.
Isso é um jeito da gente estancar a sangria agora. É a gente parar de ter governador carioca preso. O governador do estado do Rio preso. Isso é um jeito da gente parar de ter uma situação que a gente está tendo hoje. Mas isso aí, meu irmão...
Eu acho que uma hora o vagabundo vai descobrir um jeito de burlar de novo. O que eu quero dizer? Que só resolve-se mudar a mentalidade. Então, como é que muda a mentalidade? Aí o problema vai ficando cada vez mais lá embaixo. É muito tempo, cara. É muito tempo. Muito tempo.
Mas nunca começa, já que é muito tempo? Não, então, eu acho que é isso. Isso vai ser uma semente que você vai plantar que você vai dificultar. Primeiro, você vai dificultar. Porque é isso. Você vai esperar 40 anos pra aparecer um monte de gente boa e o negócio não acontecer mais, não. Não, mas só vai aparecer gente boa também, cara, se a gente começar a educar os caras, meu irmão. O meu ponto aqui é o seguinte. Enquanto o vagabundo comprar voto, meu irmão, o cara pode até não roubar aí, mas ele tá sendo um... Ele tá lá só...
Ruim de tudo recebendo um salário pra não fazer porra. Igor, ninguém compra voto sem roubar, cara. É verdade. Não tem como. Um deputado ganha muito bem. É verdade. Que ganha 40 mil reais por mês. Eu nunca cheguei a ganhar 40 mil. Meu salário como secretário, sem demagogia, é 20 mil reais por mês. Eu pago minhas contas e faço tudo. Se eu pegar todo o dinheiro que eu juntei nos um ano e quatro meses, vamos supor que eu fosse quatro anos secretário, todo o dinheiro que eu juntei e comprasse tudo de voto, eu não ganhava eleição.
Ia comprar meia dúzia de voto. Nunca farei isso na minha vida e nunca fiz. Pro cara comprar voto do tamanho que ele compra pra ganhar a eleição, tem que roubar, pô. Não tem outra hipótese. A gente tá falando do cara que no dia da eleição bota na rua 5 milhões de reais. Por isso que toda eleição a polícia prende fulano com lista e com dinheiro. Com lista e com dinheiro. No Brasil todo. Só que isso o cara fica agarrado quanto tempo.
Não dá nada. As vezes o cara que sai na delegacia no mesmo dia vai entrar na justiça e recupera o dinheiro. Porque aquela lixinha não era prova suficiente pro dinheiro do cara ficar agarrado. Recupera o dinheiro dele. Dinheiro vivo. Então, eu acho que... Como é que tu fica animado com política ainda, meu irmão? Cara, eu acho que... Eu fico desanimado muitas vezes. Mas é justamente uns puxões de orelha que eu tomo quando eu fico desanimado.
Falo o seguinte... Ah, é? Tu vai ficar desanimado? Então você tá simplesmente falando o seguinte... Eles venceram.
Se tu se desanimar, eles venceram. Tu entregou a chave. Aí eu falo, realmente, eu tenho que buscar a força de algum lugar pra tentar fazer pelo menos um enfrentamento. Disputar esse negócio aí. Porque quando você ganha uma eleição e você é gente boa, não é só uma gente boa entrando na política. É menos um filha da puta entrando também. É menos um cara que é metido com milícia, que é metido com tráfico, que é metido com sacanagem. Então tem esse lado bom também. Então se você eleger um cara...
Que é ruim. Mas que não é vagabundo, você já ganhou alguma coisa. Como é que tu vai eleger esse cara se o filha da puta tá comprando voto pra caralho, meu irmão? Então, aí, é um trabalho... Eu acho que já foi pior, por exemplo. Antes não elegia ninguém. Agora elege... Me aduze. Dez. Vinte.
Eu sou otimista pra isso Eu acho que a política de hoje, apesar da gente ainda estar muito mal Se você olha pra 30 anos atrás A política tá melhor Eu sou um cara otimista Há 30 anos atrás eu nunca seria político Minha mãe não é política Meu pai não é política Eu sou de São Gonçalo, sou da Alcântara Morei metade da minha vida na Alcântara e metade no Coelho Dois bairros completamente pobres
Se você me botasse... A família tá falando a verdade, né, Mano? Os caras de Alcântara falam que moram em Niterói. Exatamente. Se você me bota na política de 30 anos atrás, nem eu acreditaria que seria capaz. Eu acreditei que eu fosse capaz à medida que eu vi mais ou menos o negócio como aconteceu e falei, cara, vou ver como é que é esse negócio aí. Por causa do telefone, rede social. Botei minha cara lá, comecei a falar. E aí tem, de fato, uma parcela da população que compra seu barulho.
Tive 3.421 votos na primeira eleição, fui o oitavo mais votado da cidade, sendo desconhecido, numa eleição que eu arrecadei todo o meu dinheiro numa vaquinha, que foi 20 mil reais, que não dava pra pagar nem o papel da eleição.
Então, isso vai te dando esperança. Eu falo, não, calma aí, cara, eu posso estar desanimado hoje. Mas, cara, não é porque eu não ganhei aquela eleição que deu errado. Não ganhei eleição porque o partido não fez a cadeira. Então, assim, essas coisas vão te animando. Eu hoje, quando eu vejo lá, eu tenho um milhão e duzentos mil seguidores, eu ando na rua, o povo fala, pô, eu gosto de você, você é maneiro, você me faz ter esperança que tem gente certa nesse negócio. Isso dá animação.
Mas a gente precisa se unir como um todo. E tem uma coisa que eu até falei pra você aqui no off, né? Hoje, o que acontece de muito ruim? O cara que é honesto, e ele é de um lado, ele fala mal do cara que é honesto que é de outro lado. Aí ele desanima o cara que é honesto, só que pensa diferente. Mas é que essa é a única narrativa que dá voto. É, mas eu não consigo ser assim, cara. Ah, vou fazer tudo só porque dá voto. Porra, aí o cara não dorme.
Continua aí a tua ideia. Mas o cara não dorme. Mas o que eu quero dizer com isso?
A gente tem que animar a gente boa a entrar na política, sabe, cara? Eu, por exemplo, falo que eu já entrei. Eu tô no meio, né? Apesar de não ter ganhado uma eleição ainda. Eu tô ali. A gente tem que animar, cara. Aí você que pensa diferente de mim, eu vou começar a te massacrar. Aí você fala, pô, eu ganho um salário legal aqui na administração privada.
eu vou entrar pra ficar nessa guerra, tu já pensa duas vezes. Só que é muito maluco que entra. No meu caso, hoje me perguntaram por que eu não entro ou se eu entraria na política. Cara, aí eu respondi que eu entraria se acabasse a minha ferramenta de fazer política, que é o flow. Entendeu? Eu acho que eu faço política aqui. Só que, apesar de não votar, eu... ...
o fato de trocar esse tipo de ideia contigo, tipo, olha o Rio de Janeiro, cara, qual que é do Rio de Janeiro, caralho? Isso aqui, no mínimo, faz um cara que tá ali pensar. E um cara que não tá ali, ver onde é que pode chegar a um lugar que tá meio...
que está sendo gerido por pessoas que não deviam estar gerindo porra nenhuma. Então, o meu jeito é esse. Entrar lá e lidar com as paradas lá, eu acho que eu ia precisar estudar demais. Manja, tu falou para mim que tu começou com 19. Comecei com 19. Então, está com 27 agora, já está aí um tempão. 28, fazendo 28 hoje. 28 hoje, parabéns, cara. Parabéns, parabéns. Eu ia ter que estudar um monte para fazer direito, porque eu não ia querer... Eu sei que parece...
demagogia e puxação do meu próprio saco. Mas eu não ia querer chegar lá e fazer um bagulho... Porque eu sou... Porque eu sou adulto, entendeu? Eu não quero fazer um bagulho que depois minhas filhas vão olhar e falar Caralho, hein, pai, tu é um merda. Mas eu acho que só de você ter esse sentimento dentro de você...
você já não faria merda. Porque você ia chegar num momento que você não sabia alguma coisa e você ia ser humilde e falar, cara, isso aqui eu não sei, vou parar aqui e vou dar uma olhada nisso. Porque é impossível, cara, a gente trata dos temas mais diversos mesmo. Até de concessão de energia, que é um negócio complexo pra caramba, até código penal. Então, você vê assim, cara...
não dá pra saber tudo realmente aí nessas horas você dá um passo atrás e liga pra alguém cara, que você acha que é sério pô, o que você acha disso? Você que estuda esse tema há muito tempo, o que você acha daquilo? é realmente, sabe, aquela coisa do não dá pra saber tudo, vou me reunir dos melhores ao invés de mim, acho que é a maior virtude que um político pode ter inclusive. Eu também acho
Porque mesmo que você estude muito, cara, não dá tempo na vida de saber tudo. Foi aí que o Bolsonaro me eludiu, tá ligado? Quando ele falou que ia fazer um ministério técnico e eu no bão, que não entendia nada de política, eu achava que isso era possível. Primeiro que não é possível, só técnico. Você tem que misturar, você tem que fazer... O político, quando ele ganha a eleição, ele tem que fazer uma decisão assim. O que eu entrego pra política e o que eu não abro mão?
Acho que o cara que manda bem, ele geralmente faz isso. Essa receita de gestões bem avaliadas. Saúde, educação, obra e tal, cara, não dá porque eu não posso correr o risco de alguém vir aqui só pra fazer política. Segurança pública, por exemplo. Acho que o cara não pode entregar segurança pública na mão de um político. Porque eu vou dar um exemplo. Você tem que prender alguém.
Aí o cara lá é político naquele negócio. Aí o cara vai ficar fazendo cálculo político em cima da prisão de alguém? Ou se a prisão vai ser filmada ou espetaculosa demais ou de menos? Não dá pra fazer cálculo político nessa situação. Não dá pra fazer cálculo político na saúde. Não dá pra fazer cálculo político na educação. Mas...
É utopia pensar que você não vai botar político no teu governo. Porque as pessoas te ajudam a você se eleger. Há um monte de gente te ajuda. Um monte de cara lá que é político e faz campanha pra você. O cara não pode participar do teu governo. Mas o caso do Bolsonaro, ele foi atípico, tá? No caso do Bolsonaro, ele que elegeu os outros com uma campanha completamente atípica, assim, fundamentalmente da internet em 2018, tô falando.
Dificilmente vai ser repetir uma eleição de 2018. Não, não, não tem mais. Várias coisas não tem mais na história da humanidade. Então essa é uma delas, não vai ter mais.
E mesmo que ele se eleja sem o apoio daquelas pessoas, no mandato ele precisa da ajuda daquela turma no Congresso. Exatamente esse o ponto. E eu não entendia isso. Não é que eu gostava dele. Não é que eu achava o Bolsonaro. Antes de eu ter o Flow, em 2016, eu tinha um canal de games. Eu fiz um vídeo falando... Segura a onda, porque estava surgindo o papo do mito, tá ligado? E eu fiz um vídeo falando, segura a onda, o maluco tinha deputado há um tempão.
Calma aí, como assim ele é de fora? Entendeu? Numa vibe mais de falar pra minha galera, ó...
Calma, entendeu? Nem tinha, no máximo tinha ele no Super Pop, entendeu? Mas estava surgindo o papo do mito. E eu estou dizendo aqui que eu não estou defendendo o Bolsonaro. O que eu estou dizendo é, uma das coisas que ele falou durante a campanha que me soou legal foi, eu vou montar um ministério técnico. E como eu não manjava o tanto que, não que eu manjo muito, mas eu não entendia nada dessas coisas, eu achei legal.
Quando eu fui começar a entender, conversar com outras pessoas e falar assim, cara, mano, não é legal o Ministério Técnico? O cara fala, cara, olha, teoricamente pode ser legal, mas como é que o cara governa? E aí eu vou entendendo as paradas. Não, e tem caso, o Tarcísio, ele tava lá colocado como um cara técnico. Agora é governador. Agora é governador.
Porque a palavra político demonizou muito. A pessoa virou política, ela já não presta, ela não vale nada. Acho que a gente tem que dar um passo atrás nesse negócio. O cara é político, mas ele tem uma formação. Ele é o cara, o Tarcísio, goste dele ou não, o cara foi lá formado em engenharia, no IME e tal. É uma formação que é pra poucos.
Só quem já estudou pra tentar ir pro negócio desse sabe o quanto que é difícil. O cara entrou pra política e ele já não vale nada. Isso é ruim. Acho que foi um pouco da eleição de 2018. Ninguém prestava. Então quem falasse que todo mundo era vagabundo tava bem na fita. O que eu acho um erro. Porque quando todo mundo é vagabundo, o que o vagabundo acontece com ele?
ele tá igual a todo mundo. É bom pra ele. É, com certeza. E o foda disso tudo, cara, é que a vitória dessa narrativa joga a gente num cenário de todos contra todos numa... por um tempo. Felizmente, a próxima eleição é a última eleição Lula contra algum Bolsonaro. Lula é contra Bolsonaro. Porque por mais que seja o Flávio o candidato...
O Flávio é tipo o Haddad de 2018 com mais chances. Ele é o poste do Bolsonaro, de certa forma. Me parece. Apesar dele ser também um político assim... É que ele é filho, a imagem é muito mais associada do que Haddad e Lula, que não é o mesmo nome. Eleitoralmente isso significa muito. Mas o ponto é, a próxima... O Lula não vem de novo, por exemplo. É a última eleição do Lula, ninguém tem a menor dúvida disso. Então, sei lá, e... O Lula não vem de novo,
dependendo de se rolar a inelegibilidade do Bolsonaro mesmo pra valer é um bom tempo com o principal líder dessa corrente afastado também. Eu acho que mesmo que o Bolsonaro não fique inelegível, com a saída do Lula do jogo
E com o Flávio Bolsonaro se colocando... Ele perde força. É, o eixo de força, eu acho que a gente vai se organizar de uma outra forma. Porque essa construção de liderança, igual esses caras tiveram, gostam ou não, são duas lideranças consolidadas, com base popular. O povo gosta. Perfeito. Não dá para dizer que não. Vou dar o exemplo do Fernando Henrique. O Fernando Henrique foi eleito presidente, foi o único presidente que ganhou duas eleições no primeiro turno.
Mandou bem pra caramba em termos eleitorais Mas não tinha a base popular consolidada O Fernando Henrique é um produto Da elite política e elite intelectual brasileira Que naquele momento Naquele contexto era possível ganhar a eleição Daquela forma Os políticos populares nessa época eram Lula Collor, que tinha apoio do povão O Fernando Henrique era um cara que estava No lugar certo e não era certo Dois anos antes de virar presidente O Fernando Henrique perde a eleição para prefeito de São Paulo Se ele ganha a eleição para prefeito de São Paulo O cara não era presidente da república duas vezes Obrigado
Hoje em dia isso não tem mais. Você vê, o Lula e o Bolsonaro disputam nas mesmas classes. Um ganha mais em uma do que na outra, mas tem pobre que guarda o Lula e pobre que guarda o Bolsonaro. Tem rico que guarda o Lula e rico que guarda o Bolsonaro. Tem classe média que guarda o Lula e classe média que guarda o Bolsonaro. Isso é um fenômeno difícil de acontecer. Deixar o país com duas lideranças tão cristalizadas. Acho que quando esse eixo de força sai um de lado, embaralha o jogo todo.
Porque sai de uma eleição mais de rejeição pra uma eleição mais de aceitação. Quem que eu vou querer? Hoje é quem eu não vou querer.
100% E isso não é o motivo errado pra votar nas coisas? É horrível, cara, é péssimo E aí eu falo isso, cara, de novo não vou politizar pra as pessoas tentarem entender de uma forma mais técnica e mais de razão nessa história É tudo que o cara que tá cagado quer
Pô, a galera não tá gostando muito do meu negócio. Mas o meu adversário também não é muito benquisto. Que bom. Porque se eu tivesse que disputar com um cara que é muito benquisto, eu tava ferrado.
E é um péssimo motivo, cara. Eu não estou votando porque o projeto de combate à violência desse cara é bom. Eu só não quero aquele projeto. A gente nem sabe o que vai ser no dia seguinte. Hoje, se você perguntar pra 90% do público que vota no Lula, por que está votando no Lula? Ou porque não gosta do Bolsonaro? Ou porque nem sabe o porquê.
É um negócio meio confuso. E também é um negócio do outro lado, isso é ruim. Eu acho que por um momento, muita gente votou no Lula porque de fato acreditava em algumas coisas nas primeiras eleições, mas hoje a gente tem um outro motivo do voto. Tanto para um quanto para outro. Concordo contigo, cara. E tu acha que as questões que estão aparecendo, o desenrolar do Banco Master, sobra alguma coisinha para lidar no Rio de Janeiro?
O Banco Mastra já está... O Rio de Janeiro já está dentro do escândalo do Banco Mastra. Sério. O que é o... O nosso fundo de pensão lá que cuida... Quanto que foi mesmo? Um bilhão pelo menos. Só dentro do Rio Previdência. Fora as outras coisinhas. Um bilhão. Quando a gente fala um, parece pouco. Um bilhão em notas de dinheiro não caberia dentro dessa casa.
É uma coisa de louco. Um bilhão é muito dinheiro. É muito dinheiro. Muito dinheiro. São mil milhões. Isso. É uma coisa de doido. Um milhão. Pensa aí você que está aí. Um milhão na sua vida agora mudaria a sua vida? Agora imagina mil milhões. Isso é um bilhão.
parece óbvio, mas é só pra tu ter escala da parada exatamente, então o Rio já tá dentro do escândalo do Banco Master por isso e você vê lá, foi um diretor do Rio Previdência indicado por um partido político que pegou mudou um regulamento só pra poder investir no Banco Master tinha lá um mecanismo de controle pra não se botar dinheiro de fundo de pensão em banco com aquele rating, aquela classificação aí eles mudaram isso só pro Banco Master, porque eles botaram lá o dinheiro no Banco Master o dinheiro no Banco Master
E aconteceu o que aconteceu. Aí entra aquele papo. Pô, o cara fez isso porque ele é uma indicação política? Não, ele fez isso porque ele é safado. Porque um cara que é uma indicação política, que é honesto, ele não faria. Ponto. É isso. O cara lá, o diretor do Rio Previdência... Esse cara, o que aconteceu? Ele caiu? Ele foi preso, tá preso e tá negociando uma delação. Que inclusive tá deixando todo mundo apavorado lá. Porque ele, como é um cara que não é da vida política, que não tem muito trato ali, ele vai querer livrar o dele ali. O que tu acha dessas delações, cara?
Eu acho que elas têm um puta potencial. Porque está todo mundo cagado, de certa forma. Tanto que você não vê muito os caras botando o dedo na ferida. Nem do lado do Lula, nem do lado do Bolsonaro falando demais sobre isso. Acho que, cara, assim, tem um escândalo no Banco Mais, mas está tendo um pacto de proteção.
desse mundo em que tá envolvido nisso. Até a galera honesta que fala, cara, a gente não sabe o que vai dar se a gente se meter nisso. Onde vai respingar? A bomba... A explosão da bomba vai pegar em quem...
eles estão medindo esse impacto menos um, menos o Alessandro Vieira e eu acho que também o Haddad tem falado bem sobre isso, eu acho que são duas figuras aí que tem falado bem tem outro também, o próprio Galípolo também algumas pessoas muito particulares com opinião sobre isso que foram inclusive até dar uma segurada já aconteceu isso com esses caras mas são caras que mantiveram firme ali e
O Banco Mais é a maior representação desse corporativismo. As pessoas se protegem quando estão lá dentro. Mais que a Lava Jato? Então, cara, a Lava Jato, porque eu acho que no escândalo do Banco Mais, você tem poucos motivos pra fazer essa proteção. Acho que na Lava Jato, você vê muito mais excesso. Eu, por exemplo, não tô vendo tanto. Tô entendendo. Tirando a parte do vazamento de conversa pessoal, que eu acho errado, porque desmoraliza e descredibiliza a investigação, porra, aquela coisa do peleleca.
Todo mundo riu, todo mundo deu risada, todo mundo gostou. Mas é um escândalo você ter esse tipo de conversa vazada. Porque imagina, não é o caso do Vorcário que está comprovado. Você lá começa a ser investigado e você é absolvido no final da história. Aí no meio do caminho está todas as conversas com a tua mulher sendo vazadas. O dano reputacional que tu sofreu já foi pro cacete. Mas eu acho que na Lava Jato você teve muito problema mesmo.
A Lava Jato, com todos os lados positivos que ela teve, ela teve muita coisa errada. Eu, por exemplo, acho um erro você ter o cara que prendeu um monte de gente de um lado virar ministro do outro lado. Eu acho isso errado, cara. Se tivesse acontecido com o Lula fazendo isso ou com o Bolsonaro fazendo. Eu acho errado. Eu acho errado que um procurador que estava lá no Ministério Público fazendo o que fez virar político e falar que quem ele prendeu era isso. Errado.
Eu sou a favor, por exemplo, de quarentena pra juiz, promotor, policial, essas coisas, por causa disso, cara. O cara não pode estar com a caneta que prende um adversário político num dia e ser candidato no outro. Acho legítimo. Quer ser candidato? Cumpre a quarentena. Fica um tempo fora do exercício da tua função e depois tu vai lá e ser candidato. Aí a gente vai ver se ele quer de fato ser ou se ele não quer.
Por exemplo, o Moro fez o que fez no cargo de ministro da justiça. Saiu xingando o Flávio Bolsonaro, que era ladrão, que era corrupto, que estava saindo do governo do Jair porque queria proteger o filho. Agora faz um vídeo do lado do filho dizendo que não é o melhor do mundo.
Sabe? Esse cara conduziu a Lava Jato. Então eu acho que a Lava Jato se desmoraliza pelas figuras. Combate à corrupção tem que ser um negócio de Estado, institucional. Eu estou combatendo a corrupção porque é corrupção. Não porque foi o Igor que fez ou que foi o João que fez, porque foi A que fez ou foi B que fez. Então a diferença pra mim do Banco Mastro e Lava Jato está sendo essa. Por enquanto. A gente não sabe até onde isso vai dar.
quando começa a cometer excesso ali excesso aqui, eu não estou vendo isso estou vendo o contrário, estou vendo a investigação sendo conduzida com responsabilidade com seriedade e gente querendo atrapalhar o inverso do que aconteceu na Lava Jato
E... Cara, me fala, então, esse cara que pôs esse um bilhão lá no Banco Master lá, tá pra fazer a delação dele. É, a gente não sabe se vai rolar a delação. Era isso daí que você tinha perguntado, o que eu achava desse negócio de delação, né? Que eu acabei não respondendo. O que eu acho? Eu acho, cara, se não fosse importante era um negócio que não existia. O Instituto da Delação tem sua importância. Só que não pode ser o negócio do seguinte também, vou falar qualquer coisa aqui pra ser solto. Isso.
E a lógica do quanto pior melhor é uma lógica que existe também aqui no Brasil, né? Do ponto de vista... Aperta o cara pra ele... É.
exagerar e é isso que a gente está precisando para dar uma resposta para a sociedade. Acho que é isso. Assim como eu falei que o combate à corrupção tem que ser feito de maneira de Estado, estadista, institucional, com o objetivo de combater a corrupção, a delação tem que ser feita com esse objetivo também, de contribuir com a investigação. A delação não tem que ser pensada previamente para ser boa, para A ou para B.
Ela tem que ser boa pra investigação. Se ela vai aliviar a vida de um, aliviar a vida de outro, é consequência. Entendeu? Se for acontecer dessa forma, eu sou a favor. Agora, se é aquela coisa do seguinte, pô, meu irmão, fala isso aí que eu vou te dar uma moral. Ou então, não fala isso não, que se tu falar isso, a gente não vai nem deixar esse negócio vazar. A delação seletiva. É, que estão tentando botar aí agora. Isso eu só conto.
Se for bater, nem tem, pô. Deixa o cara preso, pô. Pelo menos ele paga pelo que ele fez. Pela merda que ele fez.
Cara, é mesmo. O Brasil é muito divertido, né, cara? Dessas porra aí que acontece. A gente tem que se divertir, porque se for pra chorar, vai chorar muito, vai faltar lágrimas. Vai, infelizmente. Cara, e assim, qual que é a tua pretensão política? Tu quer virar deputado? Deputado estadual. Sou pré-candidato a deputado estadual pelo Rio de Janeiro hoje. Tá.
Não tá amaldiçoada não, cara, essa cadeira? Tá. Eu quero abençoá-la. Não que eu seja divino, mas... Fazendo uma metáfora ali, como eu disse. Tu é brother do Dudu? Sou. Sou bem próximo. Dudu... Não precisa falar por ele, mas assim... Você acha que Dudu vem governador? Vem candidato a governador. Essa cadeira não tá mais amaldiçoada ainda? Não, eu já falei isso pra ele. Ele falou, meu irmão, o que você quer com isso? Ele falou, cara, eu já fui prefeito quatro vezes. Eu sou...
Gosto disso aqui, eu não quero morar em outro lugar, eu realmente gosto de viver aqui. Eu acho que a última contribuição que talvez eu possa dar para o meu estado é sendo governador. Eu tenho aqui um caminho para resolver algumas coisas, já errei muito, já acertei, mas já errei muito, já acumulei muito aprendizado e eu acho que a cadeira de governador do estado do Rio é precisa de alguém justamente com essa bagagem, de alguém que sabe como consertar algumas coisas que estão aí.
e que vai ter coragem de enfrentar certa resistência. Já ouvimos esses papinhos aí um montão de vezes, o cara foi tudo preso, João. Não, cara, assim, se a gente for pensar por esse lado, a gente não vai votar ninguém. Não é isso que eu tô dizendo. É que assim, tu não tem medo de colocar a mão no fogo pra esses caras não, Mano? Não, cara, porque eu não coloco a mão no fogo. É o seguinte, minha relação com o Eduardo começou como?
Eu sou amigo de infância dele? Não. Ele me prometeu alguma coisa em troca do meu apoio pra ele? Não. Nada.
A única coisa que ele fez foi o seguinte... Ele é Vascaíno e tu também. Não, eu sou flamenguista, então nem isso. E olha lá, e olha lá. É. Não tô te entendendo, então. Como é que tu fecha com esses alemão? Não, cara, mas assim, o Eduardo... Como é que foi minha história com o Eduardo? Em 2024, eu sou candidato a vereador na minha cidade, São Gonçalo.
que é a cidade governada hoje pelo grupo político ligado ao governo do Estado mesmo. Galera lá, Cláudio Castro e o sucessor que ele está indicando agora, depois que o Bacelar foi preso. Eu sempre estive na oposição lá denunciando várias irregularidades, vários esquemas que agora estão ganhando muita visibilidade da imprensa. Mas eu, há quatro anos atrás, era um solitário falando quase que sozinho esses negócios. E com o povo do meu lado lá.
Eu tive 4.500 votos numa eleição e perdi a eleição porque pagaram para candidatos do meu partido saírem, não fazerem eleição, não irem para a rua pedir voto, ficar em casa, toma esse dinheiro aí, reforma tua casa, compra um carro, porque o João Pires não pode ganhar eleição.
Essa turma fez isso comigo. Quando isso acontece comigo... O que é isso, cara? Tu não tá sendo meio egocêntrico, não? Não, porque eu era opositor deles. Não era porque eu era lindo e maravilhoso. É porque eu sou opositor a você. Você tem um mecanismo de tirar a minha eleição. Você não pode me deixar inelegível porque você não é um juiz. Você não pode me matar porque você não vai fazer isso.
O que você vai fazer, cara? Vou arrumar um jeito desse cara não ganhar, porque ele vai ser vereador e vai me fiscalizar? Ele vai ser vereador e vai fazer oposição a mim? Vou articular de um jeito que ele vai fazer perder a eleição. No Brasil, o partido tem que somar um número de votos para o cara ser eleito. Qual era a forma que eles encontraram de tirar a minha eleição? Vou comprar a galera do partido, tiro essa galera da eleição.
o partido dele não vai alcançar o número de votos e ele vai perder a eleição. Eu não vou ter ele aqui na Câmara fazendo oposição a mim. Eles fizeram isso e tiveram sucesso. Conseguiram. E aí quando isso acontece comigo, eu fiquei muito triste, muito desanimado. Eu falei, porra, perdi pro sistema mais uma vez. Realmente não vai ter como eu ganhar desse negócio. O Eduardo me liga e fala, cara, achei uma covardia isso que fizeram com você.
Do nada? Do nada. Quer fazer parte do meu governo aqui? Acabei de ganhar a reeleição. Acho que você tem esse perfil combativo e tal. Acho que você se daria bem no PROCON, lá, combatendo essas irregularidades e tudo mais. E falou, cara, isso fica tranquilo. Eu vou te dar carta branca. Não vou ficar te patrulhando vendo o que você vai fazer, não. Se você quiser dar porrada em pôs de gasolina, o que você quiser fazer, você pode fazer.
E eu achei bom. O cara chegou comigo com essa intenção. Maravilhoso. E os um ano e quatro meses que eu fiquei lá secretário do lado dele, nunca me ligou perguntando pra que posto que eu tava indo. Nunca me ligou perguntando se dava pra aliviar pra fulano, pra Beltrano.
Nunca me ligou dizendo, pô, para com isso, cara. Tem me dado dor de cabeça, tem muita gente falando aqui no meu ouvido. Pelo contrário. Quando as pessoas começaram a procurar ele, ó, tem um monte de vagabundo irritado, continua. Então, eu não tenho motivo pra falar do cara. Nesse sentido. A minha experiência com ele é essa. Eu sou um moleque de São Gonçalo, que nunca tinha visto Eduardo Paz na vida, que chegou lá.
por causa desse tipo de relação, dele vendo o meu trabalho. Nunca me prometeu. Então, cara, o que eu posso falar do cara? Eu não tenho motivo. Se ele fizer algo errado, assim como se eu fizer algo errado, ele tem todos os motivos pra falar, porra, acreditei no moleque e me decepcionei. É a mesma coisa, se ele fizer algo que vai desabonar ele e que eu tiver conhecimento, eu vou falar, cara, me decepcionei. Mas a gente tem que confiar nas pessoas.
Você vai ter um amigo que vai te decepcionar, você vai ter alguém na tua família que vai te decepcionar. Na política, então, se você achar que você não vai se decepcionar com ninguém, você não entra.
Sim, total, total, total. E como é que tu vê a política em escala, em uma escala um pouquinho maior, cara? Quando a gente vê... Esse é um ano importante, né? Esse é um ano de eleição presidencial e tal. Tu tá afiliado num partido? Sou do PSD. Tu é do PSD. O PSD é o maior partido do Brasil? Acho que ainda não.
O PL acho que hoje é a maior bancada na Câmara. Quantos prefeitos o PSD tem? Cara, acho que tem mais de 500 prefeitos. É, em número de prefeitos acho que é maior. O PSD é grande pra caralho. É enorme. Tá entre os três, quatro maiores. E ele é reconhecido por ter uns caras políticos mesmo. Né? Político mesmo.
Quando tu olha pro que tá acontecendo no cenário nacional, assim, um pouco maior, cara, qual análise que tu faz aí de como estão se portando os principais atores, cara? Do PSD? Não. Os caras que estão, por exemplo, acabou de sair uma pesquisa da Quest.
falando que provavelmente a gente teria um segundo turno Lula e Flávio e que, segundo essa pesquisa, o Flávio ganharia nesse cenário aí por um pouquinho, tá ligado? Como é que a tua... Como é que tu enxerga isso? Como é que eu enxergo isso, meu irmão? Legal essa foto que os caras tiraram agora, mas sei lá o que mais sai do Banco Master, porque eu acho que tudo vai ser decidido do que sai do Banco Master no fim das contas.
Eu não enxergo dessa forma, não. Eu acho que está cristalizado. Vai ser essa coisa mesmo. Porque, cara, chegou um momento que hoje, se o Lula matar uma criança, vai ter uma galera que vai continuar defendendo o Lula. E se o Flávio Bolsonaro matar uma criança, vai continuar defendendo o Flávio Bolsonaro. Eu sou menos otimista nesse sentido de que as pessoas podem mudar de opinião. Está muito cristalizado. Não tem nenhum nome que vai despontar aí para mexer nessa hegemonia dessas duas figuras. A sociedade quer.
essa coisa do, ah, eu não quero nem Lula nem Bolsonaro, beleza à medida que você não quer o Lula, você quer o Bolsonaro
À medida que você não quer o Bolsonaro, você quer o Lula. Não é essa coisa. Não, eu sou firme, não vou votar nenhum e nenhum outro. Não tem essa firmeza. Hoje eu vi um adesivo no carro. Sabe, eu estou assim. Não votei em ladrão. E aí ladrão estava estilizado como se fosse o Brasil do Lula, sabe? O texto estava estilizado daquele jeito. Não votei em ladrão. Identidade visual do governo federal. Isso. Essa culpa eu não carrego. E aí eu fiquei pensando. Cara, só é verdade isso aí.
assim, só é verdade mesmo isso daí, se esse cara não votou nem no Lula nem no Bolsonaro e tomou cuidado de olhar legal se o cara que ele votou não tinha mesmo nenhum rolo, ou então tem um limite do que é roubar pra esse cara, porque assim
É fácil de achar um vídeo do Bolsonaro, por exemplo, falando de um troço que... Eu vou falar de um troço pequeno intencionalmente, tá? Dele falando do lance lá da moradia funcional, que ele usava o dinheiro pra comer gente, entendeu? Cara, se você olhar legal isso daí, isso tá longe de ser moral, ético, né? E dá pra tu interpretar isso como um desvio.
isso é peculato é um outro nome é um nome de um roubo específico peculato é dinheiro público então
Só, é verdade, se tu não votou, é o Lula, tá bom, aí eu também não consigo defender o Lula, entendeu? Muito estranho todo o processo ali, o cara, no fim, o cara, de fato, ele não é inocentado, de fato, é um processo que se xingue, que é diferente de ser inocentado, tá muito mais próximo do descondenado que os caras usam, entendeu? Então, assim, não votei em ladrão, o que tu quer dizer com isso? É que que... É...
Eu acho bobagem desse cara. Eu também acho. É o tipo de gente que quer ser superior por causa do voto. Eu acho que, cara, eu não sou melhor que ninguém porque eu votei em A e porque fulano votou em B. Não acho isso. Imagina, você tem que sentar num bar e falar ah, você votou em fulano, eu sou melhor do que vocês. Ou então destratar as pessoas, ou então parar de falar. Essa é uma bobagem que tem, cara. Eu acho que, cara, as pessoas que votam no Bolsonaro têm os motivos dela.
E as pessoas que votam no Lula tem o motivo dela. Você vê então, vamos lá. 2014 Dilma ganhou a eleição. Quatro anos depois Bolsonaro ganhou a eleição. Então as mesmas pessoas... Alguém teve que deixar de votar na Dilma pra votar no Bolsonaro.
Pelo menos alguns milhões de pessoas mudaram de voto. Então antes a pessoa prestava, agora ela não presta mais. Cara, não sabe, é uma incoerência. Por isso que eu acho que a gente chegou no nível de doença enorme com esse negócio de voto no Brasil. O voto está sendo decidido de maneira absurda e o trato de um eleitor com outro eleitor está péssimo nesse dia. Motivado por muitos políticos, tá? Tem um discurso assim, é pobre e não pode ser de direita.
Preto não pode ser de direito. Eu acho um erro esse negócio.
Você pode estar preto, pode até não votar num candidato de direita racista. Beleza? Mas todos os caras de direita são racistas? Não são? Ou então o cara cristão não pode votar quem é de esquerda. Então tá bom, o cara cristão não pode estar feliz porque ele era miserável e entrou na minha casa da minha vida, ganhou um bolso família e pra isso é fator determinante pro voto dele. Pro cara que talvez ele nunca precisou de um programa do governo, realmente, ele é cristão e não vai votar no Lula, não vai votar na Dilma.
Mas o voto, ele tem uma série de complexidades pra essa determinação. Entendeu? Então, acho que é um erro você levar pra esse lado. Então, cara, não vou conversar com você não, Igor, porque você já votou em alguém que não gosta e você não mudou de ideia. Bobagem, sabe? É uma pedância. Total, total. Você é foda então, né, cara? Nossa, é legal, você não votou em ladrão. Uau, idiota. Entendeu? É por aí.
Cara, então, aí imagina quando você pensa em pra ser deputado, cara quando tu quer ser deputado, tu tá pensando em resolver uns problemas que a gente tá tendo agora ou tu tá pensando em resolver uns problemas que a gente tem daqui a mó tempão. Por que que eu tô te perguntando isso, Joãozão? Porque eu tenho 28. Isso.
28, meu irmão, tá começando agora. Na verdade, tu já começou há um tempo, tu já tem algum tipo de experiência, tu já passou por algumas eleições, me parece que tu vai querer chegar mais longe, por aí vai. Eu gosto do que eu faço, cara. E aí, puta, eu não sei se eu queria tu... Quem sou eu pra dizer o que tu devia fazer? Mas eu não sei se eu queria tu fazendo...
Não pensando daqui a 50 anos, entendeu? Porque ninguém pensa daqui a 50 anos, tá ligado? Por que a gente vota mal? Lembra que a gente chegou na conclusão, meu irmão, isso daí, isso daí, o problema é lá embaixo, de fato. E quando é que a gente vai começar a resolver? É uns caras novos. Não é o...
Não é, sei lá, aquelas famílias clássicas do Rio de Janeiro. A cidadinha dizer que eu consigo plantar e ver o negócio sendo... Porque assim, você vai se deparar com um desafio, que é... Eu vou fazer um bagulho maneiro que vai ter um efeito pro meu filho e...
E essa porra não me dá voto. Tá ligado? Não é essa aqui que vai fazer o meu eleger. Então se eu quiser me manter eleito, eu tenho que fazer isso e os bagulhos que todo mundo faz pra ser eleito. Tá ligado? Então é um desafio extra, me parece. Fazer um troço. Plantar. Isso é um desafio de fato cultural. Hoje o político não tem esse incentivo. Porque a população não recompensa o cara também.
Mas Igor, o que eu acho assim, cara? Eu acho que as redes sociais te dão esse poder. Vou dar um exemplo. Antes o cara fazia uma obra que rasgava o chão pra botar uma drenagem, aquela obra que ninguém via, ninguém via de fato. Mas hoje se o cara conta a história, vai lá na obra e mostra o antes e o depois, aí vê a chuva chegando e a rua analagando mais, agora as pessoas veem.
Então hoje você consegue mostrar a plantação da semente, coisa que antes era muito difícil. Antes o cara, vou dar um exemplo, o Brizola. As pessoas amaram muito mais o Brizola depois de morto do que vivo. Porque viram o seguinte, realmente, esse negócio de CIEP era bom. A gente deixou o negócio ficar alargado, mas agora a gente vê a diferença. Antes o meu filho tomava banho de piscina, ficava o dia inteiro na escola, mas na época o Brizola perdeu um monte de eleição depois de ter feito CIEP.
Não foi tão visto assim. Mas hoje eu acho que é diferente, entendeu? Acho que hoje a população até tem uma visão um pouco diferente nesse sentido. A população hoje já cobra essas obras estruturantes. Você vai asfaltar uma rua, o cara fala não, não, não, não. Não joga o asfalto aí antes de botar a manilha, antes de botar o ralo, antes de botar a drenagem, porque você vai impermeabilizar a minha rua e vai entrar água na minha casa. Eu acho que está tendo essa virada de chave.
Quer dizer que eu vou viver o melhor momento disso? Acho que ainda não. Estou vivendo ainda o início dessa virada. Mas eu acho que eu vou viver um momento melhor do que eu vivi anteriormente. Deixa eu fazer uma pergunta conceitual, então.
Hoje o cara pode pegar dinheiro de fundo eleitoral para patrocinar post no Instagram, por exemplo? Pode. Pode? Anunciar. Ele não pode anunciar negativo, por exemplo. Eu não posso patrocinar um post te atacando, mas posso patrocinar um post falando bem de mim. O que você acha do fundo eleitoral?
Cara, eu sou a favor do Fundo Eleitoral. Claro, o Fundo é do PSD. Não, não é só por isso. Eu vou dar um exemplo prático mesmo. Eu sou pobre, cara. Eu sou de origem humilde. Não quero nem falar que eu sou pobre, porque hoje eu vivo... Eu tenho uma renda de um rico. Hoje eu tenho uma renda de 5% da população. Porque no Brasil é um país tão pobre que hoje você ganhar um salário... Não estou desempregado porque eu saí para ser candidato, mas eu era secretário e ganhava 20 mil reais por mês.
eu ganho hoje mais do que 99, sei lá, 95% da população, porque a maioria do povo ganha muito mal. Eu acho até ruim falar que eu sou pobre, mas eu sou de uma origem humilde. Se eu dependesse de grana para disputar a eleição, que custa dinheiro, eu não ganharia.
Está dado. Está dado. Porque os caras jogam pesado. Então, acho que o fundo público, ele serve para igualar essa disputa. Qual é o problema do fundo público hoje? É a distribuição. Como assim? Tu pensa o sistema. Tu pensa, por exemplo...
Está dada a regra do jogo, tá? Isso que você está descrevendo é a regra do jogo. Você tem toda a razão. O cara, no fim, acaba sendo necessário a existência disso porque tu não tem nem a influência para chegar no empresário para financiar. Eu nem quero, cara. Não, caso fosse essa a regra do jogo, né? Como a regra do jogo é o financiamento público, isso, no fim das contas, ajuda pessoas como você.
chegarem. O Brasil tinha autorização pra financiamento privado. E a gente pegava a regra, colocava embaixo do braço e eram os grandes filha da puta. Exatamente. Mas tu pensa a regra no sentido de legal, a regra é assim, vamos jogar desse jeito. Mas essa é uma boa regra? A regra você diz que tem que gastar muito pra ganhar a eleição? Regras do Estado.
Sim, talvez sim, talvez sim. Precisa ganhar muito pra ganhar uma eleição. Essa é uma regra dada. É assim, sempre foi assim. Mas, porra, tu pensa...
Eu escreveria um livro com uma tese de como seria melhor, sei lá. Não, eu penso muito. Eu tenho um negócio, essas coisas mais filosóficas da vida. É disso que eu tô falando. Eu penso bastante. É difícil falar disso nas redes, porque é um negócio que as pessoas vão falar que esse cara tá viajando e tal. Mas eu fico lá divagando. Por exemplo, eu acho que esse negócio de gastar muito pra ganhar a eleição é super desfuncional.
É um mecanismo que se criou no Brasil que o cara, por exemplo, você tem que distribuir um milhão de panfletos. E aí você pode falar, eu fiz, por exemplo, já a campanha sem panfleto. E fui bem, só pela internet. Mas, por exemplo, uma eleição para deputados já tem dificuldade.
Porque não é todo mundo que é o Nicolas, não é todo mundo que é a Tabo, nem todo mundo tem que ser, cara. Não é porque o cara é bom que ele tem o talento da rede social. Aí tu imagina, o cara só vai ter esse jeito de fazer campanha, você também vai estar excluindo ali. Então acho que a gente tem que arrumar mecanismos e fazer campanhas mais baratas.
Acho que acabar a compra de votos é um bom caminho. Condenar com mais força a compra de votos. Com certeza. Outra coisa é essa coisa de contratação de cabo eleitoral. A galera vai para uma eleição, a galera que está na máquina...
como a gente diz no jargão político, que está ocupando um cargo público, o cara não está preocupado em fazer um bom serviço. O cara não está preocupado, por exemplo, em fiscalizar a pôr de gasolina. Ele vai pegar as vagas dos quatro, fiscais cinco, dez, quinta, fiscais que ele tem, o que ele vai fazer? Cara, mete cabo eleitoral aí, porque é 50 votos de um, 50 de outro, 50 de outro. Então são várias coisinhas pequenas que a gente tem que ir mudando nesse negócio para a gente...
quebrar esse sistema do gastar muito pra eleição, mas hoje eu sei que o jogo é bruto, eu não vou pedir dinheiro pra um empresário, por mais honesto que o cara seja, a medida que eu tiver o rabo preso virá, não tem jeito e mesmo que não tenha o rabo preso, não vai ter como assim o cara te deu dinheiro? Não, vamos supor você financiou minha campanha, vai ter uma votação lá de isentar o IVA pra serviço de comunicação aí eu vou ter que virar pra você e falar Igor, eu vou votar contra esse negócio o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o
Eu tô falando o seguinte, o único cara que me ajudava a ganhar a eleição, eu não vou ter mais. Então, às vezes, nem rabo preso do cara falar é por corrupção ou não. Eu entendo, eu entendo. O cara vai... Mas é um rabo preso aqui, de qualquer forma. De qualquer forma. Então, assim, eu não quero ter isso pra mim. O que eu acho errado é, por exemplo, eu fiz uma eleição sem um centavo de fundo público. Eu só fui ter fundo público quando eu me viabilizei eleitoralmente. Quando eu mostrei que eu tinha voto. Isso eu já acho um erro.
Porque tem lugar que não tem como acontecer o que aconteceu comigo. Minha cidade, apesar de ser muito pobre e de coronelismo pesado, tem um milhão de habitantes. Então sobra uma parcela da população que ainda vota na opinião. Mas tem lugar que não tem isso, cara. E que o cara, se não tiver uma estruturazinha pra disputar uma eleição, ele tá ferrado. Então ele nunca vai ter acesso a um centavo de dinheiro público. Então acho que a gente tem que tentar mudar um pouco.
E não é simples, tá? Eu também não tenho a solução. Mas acho que é o caminho, é a distribuição. Porque você vê os Estados Unidos, cara. A galera, cara, gasta...
milhões, cem milhões de dólares numa eleição e é tudo limpo, dinheiro por dentro e tal. Um pobre nunca vai disputar uma eleição lá mesmo. Isso eu já acho errado. Acho que todo mundo tem que ter o direito de tentar virar político, alguém que sente a dor do povão ali, que já sofreu com isso, que vai levar essas experiências pra vida pública, mas infelizmente tá um negócio exacerbado. É muito dinheiro. É muito. Sei lá quantas que tá em dez bilhões já?
Todo ano aumenta os bilhões De dois em dois anos aumenta os bilhões Isso aí eu já acho um erro
Se eu fosse o arquiteto, eu trocava esse sistema aí de 10 em 10 anos. Tá ligado? De 10 em 10 anos eu mudava essas regras aí. Que nem meio... Sabe Fórmula 1 que muda de regra de tempo em tempo? Pra mudar a dinâmica do jogo. Porque o que acontece? Toda vez que uma regra fica cristalizada, surgem os seus... Ela se corrompe. Mas isso não quer dizer que ela se corrompe e vagabundo... Então, o que acontece?
quebra a regra deliberadamente e vira putaria. Não, não, não. Ela se corrompe porque é da natureza humana botar a regra embaixo do braço. A essência de ser da regra se perde. Isso. Ela nasceu pra isso, mas ela não tá cumprindo mais aquele objetivo. Então daqui a um tempo eu tenho que trocar a regra pra mudar a dinâmica. Entendeu? Talvez pode ser um caminho zero esse negócio. Vamos ver como é que o jogo funciona sem... Mas aí o cara que tá lá se elegendo há 10 anos desse jeito, ele vai votar contra.
Eu posso falar o seguinte, cara. Eu não dependo de fundo público que a eleição. Mas é aquilo também. Eu não vou negar o fundo público pra o cara que é safado usar. Perfeito. Imagina, por exemplo, se a gente tivesse um cap. No máximo, todo mundo pode gastar um milhão de reais. No máximo. Legal. Como é que tu descobre isso? Pega todo mundo que foi eleito e audita todo mundo. Todos que quebraram essa regra, saem. Então, isso existe. Só que qual é o lance?
Tem um teto de gasto pra cada campanha. É, mas qual o teto? Hoje o teto, por exemplo, pra deputada estadual é 1 milhão e 800 mil. Sabe quem... Até que é. É, mas ninguém ganha eleição gastando menos de 10 milhões. Eu tô ligado. Dinheiro por fora. Eu sei. Como que arruma dinheiro por fora? Roubando. Então você vai... Quando você vai puxando o fio, você vai pra raiz do problema, pô. Porque ninguém tira do bolso, a não ser um cara megalomaníaco, o Trump da vida, Bloomberg, esses caras, que não é o caso do Brasil.
A não ser se o Silvio Santos, por exemplo, decidisse eu vou bancar minha campanha. Mas se ele fosse cumprir as regras, ele não ia poder botar o dinheiro dele todo. Porque ele tem um teto. Tirando esses caras que tem dinheiro pra botar e teriam que cumprir o teto porque não iam querer se manchar, partindo do pressuposto que eles não iam querer, tá? Tô sendo otimista aqui. Essa regra valeria. Mas o cara hoje pega... Você acha que ele declara que ele comprou o voto? Que ele gastou 5 milhões de boca diurna? Ele não declara isso.
Então tá lá, bonitinho, a campanha dele é auditada e tá lá, tudo bonitinho. Mas as malas que rodaram por fora em dinheiro espécie, eu comprei esse voto, comprei nada. É que não é auditado. Cara, pior que o que é por dentro é. Não, mas assim, mas foda-se o que é por dentro. É aquilo, o cara põe embaixo do braço a porra da regra. Não, então, não é a regra. Não, isso é por fora da regra mesmo. O que é dentro da regra funciona bem no Brasil, por incrível que pareça. O problema é o roubo.
É, então, só que se eu for auditar pra ver o que tá dentro da regra, vai, tá dentro da regra. Eu tenho que auditar pra ver o que tá fora. Exatamente. Aí é pré-campanha, não é nem na campanha. É. Não deixa o cara acumular esse tanto. E se o cara for eleito de um jeito escroto, a punição... Cara, eu deixaria. Se sou eu, arquiteto... Essa aqui é a regra, irmão. Dá-lhe.
vagabundo quebrou a regra, 500 caras quebraram a regra, é 500 caras que não vai entrar, meu irmão, se eu sou arquiteto. E aí, esses 500 caras, segundo a minha nova regra, que vai durar 10 anos, é 8 anos é inelegível, foda-se. É ficha suja. E aí faz o quê?
Não sei, mas esses 500 caras não podem entrar. Mas aí vamos voltar pra outra... Excelente solução. Faz o quê? Não sei. É uma solução boa, de fato, porque aí você tá dando incentivos à pessoa não fazer. Cara, não vou fazer porque vai dar merda.
O grande problema do Brasil é que não dá merda. Não dá merda. A gente vai voltar pra raiz da impunidade. E é pra tudo. Pra política, pro dia a dia, pro dia a dia. Cara, a gente escuta, pô. Você vem de baixo. Eu também. Vários amigos nossos que entraram pra vida errada entram contando que, pô, se eu não morrer tá bom. Vou pagar alguma coisinha ali. Vou voltar, enterro uns negócios ali. Melhor do que eu tô vivendo eu vou viver. Perfeito, é.
Não pode ser assim, o cara tem que falar, não, se eu fizer merda, minha vida vai ser pior, porra. Mas enquanto o cara acha que a vida dele vai ser melhor, às vezes eu falo isso, pessoal, e tá lá, tá igual o Bolsonaro, ou então tá igual os caras da direita. Meu irmão, é um princípio basilar da sociedade. O Estado moderno, quando surgiu, surgiu pra isso.
Adam Smith tá falando essa porra há mó tempão. É, mó tempão, cara. O Estado tem que surgir pra que a lei do mais forte não prevaleça. Pro Igor não vir pra dentro da propriedade do João, matar o João e tomar o negócio dele. Porque o João nasceu mais fraco que o Igor. Não é uma razão do João não poder ter direitos. Então o Estado surge pra isso. Então o Igor sabe, cara, não vale a pena eu ir lá pra dentro do negócio do João e tomar dele, só porque eu sou mais forte, porque vai ser pior.
Eu vou ter lá o monopólio da violência estatal acabando com a minha vida. Só que a gente tá voltando pro negócio seguinte, cara. Quanto mais impunidade se tem, vai prevalecendo a lei do mais malandro, a lei do mais forte, a lei do mais rico, quem tem grana, que vai comprar o juiz, que vai comprar o desembargador, que vai comprar o ministro. E o Rio não é a manifestação ultimate dessa lógica?
Do ponto de vista midiático, é. E olha, veja, olha só, cara. Deixa eu te dar um contexto aqui. Eu saí do Rio magoado, tá? Eu saí de lá magoado, meu irmão. Eu não sabia... O último lugar que eu morei foi a Silva Morão, tá ligado? Então, assim, saí de lá magoado. Às vezes que eu voltei pro Rio, depois que minha vida mudou...
Eu fui descobrir, por exemplo, que tem lugares na zona norte do Rio que são maneiros. Não necessariamente na zona norte, mas não só na zona sul e Recreibar. Agora eles estão chamando de sudoeste. É, zona sudoeste. Se separar para ter um pouco de sul e não ser tão oeste.
É, pô, tá aí se misturado com esse epitiba. É igual o pessoal lá... Tá de sacanagem. O pessoal do Rio 2 que fala que mora na Barra e mora em Curicica. Isso. É, esses caras aí. E... Bom, cara, e aí eu fui... E aí agora quando eu volto pra lá, eu vejo que o Rio é um puta de um desperdício. Tá ligado? O Rio, se fosse bem gerido, se a galera ali tivesse... Se tivesse um espírito de corpo em... Cara, vamos não foder o Rio. E eu tô falando de todo mundo.
tá ligado? Vamos não foder o Rio, cara, é... Dava bom, tá ligado? Então eu saí de lá magoado e quando eu volto pra lá eu tenho um pouco de putz, espero que um dia vire essa porra, tá ligado? Porque é... Eu fui... Bom, se tu é do Rio, tu já ouviu falar em Felipe Rett. Claro.
Então, eu tive a oportunidade de estar com o Hatch nesse fim de semana passado. E aí eu fui lá na casa dele, ele não mora na zona, não mora na beira da praia, tá ligado? Ele mora num lugar que eu tava lá na casa dele lá. Ele mora no Catete ainda? E é bonitão, e é fodido, é maneiro. E eu achava que era... É, mas o Catete tá no meio ali, né? Isso, mas assim, mas o lugar que ele mora... Centro e zona sul. Eu falei assim, ô Hatch, por que diabo?
Por que tu mora aqui? Por que tu mora no recreio, na frente da praia? E aí quando eu cheguei na casa dele, que eu olhei, ô caralho, é que é legal, na real. E eu entendi que ele é Adali e tudo mais, tudo mais.
Cara, eu acho que, eu concordo 100% com você, e eu até costumo falar isso, eu acho que o Rio, do ponto de vista natural, de surgimento, beleza natural, de coisas que não dependem da intervenção humana, o Rio é o lugar mais incrível do planeta. Vai dar mosca aí na tua servida. O Rio é o lugar mais incrível do planeta.
Cara, nenhum lugar tem Angra, Cidade do Rio, Cabo Frio, Arraial, Búzios, Serra. Você tem um lugar similar à Toscana a uma hora da praia.
lá na Itália você sai da Toscana pra praia, você demora de trem pelo menos 3 horas, aqui de carro tu demora 1 hora pra subir a serra e chegar em Petrópolis, só o Rio combina esse negócio mas de fato, decisões políticas ao longo do tempo e gestões tornaram o lugar, acho que o principal problema do Rio é a questão da violência, cara o que veio primeiro? O político merda ou o espírito de malandragem? O político merda sem dúvida nenhuma tá bom
Porque senão o Brasil inteiro seria igual. Porque por muito tempo a gente teve uma população de certo forma parecida. Você vê, a população do Rio, que historicamente construiu a cidade do Rio de Janeiro, não é uma população tão diferente que historicamente construiu o Espírito Santo.
Você tem ali uma massa escrava, tanto Rio quanto Salvador e outros lugares do Brasil, uma massa escrava que chega e que constrói ali o Rio, por exemplo, parte a partir de escravos e imigrantes europeus. Tem vários lugares com essa mesma característica de colonização e de povoamento.
não são tão parecidos com o Rio. Mas o Rio tem uma característica que mais nenhuma outra cidade tem, que é o fato de ter sido a capital e ter atraído uns anos pra frente disso que você tá falando, o Rio é um imã de pessoas que estão em situações piores no Brasil, né? Então tem muita gente que tá num lugar que tá uma seca fodida, os caras vão pro Rio. Então tem muita gente no Rio que tá no Rio.
que chega ali no momento que é a capital, que a gente estava conversando antes. Eu acho que sim, mas, por exemplo, São Paulo também sofreu com isso, cara, pra caramba. Mesmo não sendo capital, porque a grana estava aqui, é um lugar sempre que foi mais industrializado que a média do Brasil. Minas Gerais também, quando o ciclo do ouro acontece, mesmo não sendo capital...
Você tem o estado mais importante do império ali, era a região de Minas Gerais, mais importante que Rio, e mais importante que São Paulo. Aí quando vem a economia do café, aí você tem um boom muito de Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, uma parte de São Paulo, outros lugares. E se você pegar, por exemplo, Espírito Santo, tem um caso interessante. Era um lugar que era muito violento, muito desordenado, muita bagunça, e que decidiu enfrentar esse negócio de frente. E resolveu. Quem?
Você teve ali governos, ali não teve um, né? Teve uma sequência. Governo Paulo Artung, governo Casa Grande, de diferentes posicionamentos, mas que mantiveram. Diferentes posicionamentos. Diferentes posicionamentos, mas que, cara, beleza, a gente pode discordar nisso e naquilo outro, mas a gente concorda que lugar nenhum, bairro nenhum pode ser dominado pelo crime, bandido não pode ficar andando de fuzil na rua, criança não tem que ficar saindo de casa e dando de frente com boca de fumo.
Esse negócio aqui é consenso. Você tá falando de quando? Que época? Cara, ali...
A crise do Espírito Santo se dá início do século XXI ali. 2000, 2010. Essas duas décadas principalmente. Década de 2000 e década de 2010. E hoje você vai no Espírito Santo, tem nenhum lugar 100% seguro, mas é outra realidade.
Os índices são muito melhores. Porque você teve ali coisas minimamente sérias acontecendo. Então você fala, cara, é possível. Claro que o Espírito Santo é menor, é um ovo comparado com o Rio de Janeiro. Mas o Rio de Janeiro também não é essa coisa vaciladoramente grande. Você sai de uma ponta à outra do Rio de Janeiro, são seis horas. De Campos até algum outro lugar, seis, oito horas. Mais importante que isso. Tem gente pra caralho, mas não tem gente pra caralho. Nem tem São Paulo. Não, não se compara. São Paulo tem 42 milhões de pessoas.
Não sei dizer, sei que a cidade aqui tem, porra, 12, 14 milhões. Não, 12 não, tem mais, com certeza, eu acho. Mas 42 milhões porque eu sei que é bem parecido com a população da Argentina inteira, São Paulo. É um negócio por aí. O Rio tá 17, 18 milhões de pessoas. Cabiu o Rio inteiro quase só na cidade de São Paulo. É, então, cara, é possível. Eu acho que é totalmente possível. Não tá ruim porque é difícil. Tá ruim porque as pessoas foram...
A gente tá falando de seis governadores presos ou afastados. Presos e barra ou afastados.
Tá esse caos não é à toa. A gente tá falando de um estado onde o presidente da Assembleia está preso porque vazava informação pro Comando Vermelho. A gente tá falando de um estado onde cinco secretários de estado foram presos por envolvimento com crime organizado. Não tem como ser à toa, não é coincidência, gente. Se o cara que tá sentado na cadeira, tá ligando pro bandido falando que é a operação que vai ter...
Eu sou filho de policial militar. Eu não tenho como, eu tenho raiva desse ser humano. Por quê? Eu tô sabendo que esse cara tá avisando pro bandido que meu pai vai entrar no dia seguinte e com não sei qual nível de detalhes, você tá dizendo por onde que meu pai vai entrar. Então não é à toa. Eu acho que se você minimamente não tem isso, dá certo. E tem outros exemplos no Brasil. Santa Catarina é governado pelo PL. É um lugar seguro. Piauí é governado pelo PT. É um lugar seguro.
fazem coisas parecidas na segurança, mas fazem coisas diferentes em outras coisas, mas na segurança, os caras estão fazendo coisas mais ou menos parecidas. Eles são duro com o criminoso, mas também que investem em inteligência, que aí fica um discurso de dicotomia, não pode, tem que investir muito em inteligência, não, tem que ser tiro na cabecinha. Tá bom, gente, é o seguinte, eu preciso parar de matar bandido que troca tiro com polícia pra investir em inteligência?
Eu preciso investir em inteligência pra parar de... partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes
faz os dois. Porque quem tá vendo os dois tá dando certo. E se liga, o que teu pai achou da... Já que ele é policial militar, pelo que eu tô entendendo. O que ele achou da operação lá no Rio de Janeiro, lá no ano passado? Cara, meu pai, assim, ele adorou do ponto de vista técnico, mas o policial tem uma coisa sentimental ali. O cara se vê naquela situação várias vezes, ele fala, porra, aquele cara ficou trocando, me dando tiro várias vezes.
eu quero que aquele cara se foda tem um sentimento natural do cara que a gente não pode tirar isso do policial não tem como tirar isso do policial é justo que ele sinta isso a gente que não é, a gente consegue analisar de forma um pouco mais fria eu analisando de forma um pouco mais fria acho que tecnicamente foi
Boa ali, você vê a polícia, do ponto de vista de missão que ela tinha, que era cumprir mandato de prisão, busca de apreensão e tudo, conseguiu fazer. Quem não trocou tiro com a polícia e se rendeu para ser preso, foi preso. Quem trocou tiro, eu fico triste porque, cara, cinco policiais foram baleados ali, acho que cinco morreram, e eu me coloco no lugar dos familiares dessa turma. Cara, acho que a operação policial, para ter sucesso completo, policial nenhum pode morrer.
Porque a família sabe muito bem como é ver que o pai não voltou pra casa, que o marido não voltou pra casa. Mas eu não passo mão na cabeça de bandido, não acendo vela pra bandido, que ficou lá pra tocar tiro com polícia, não. O que eu acho uma tristeza é você empenhar 2.500 homens, que foi o que empenhou naquela operação, fazer o que foi feito, acho que, de certa forma, com sucesso, e não ocupar aquele lugar.
Se você voltar hoje no Complexo Alemanha da Penha, tem mil fuzis de novo, o baile nesse final de semana vai ter 500 fuzis pra cima, e a população que sofre com isso de fato todos os dias, que é a Dona Maria que chega em casa sexta-feira à noite e vai trabalhar sábado de manhã, ela não tem o direito de dormir, porque o baile é na porra da casa dela.
O seu José, que a filha dele nasceu bonitinha, o vagabundo se esmarca com a cara dela que quer estuprar a filha dele, ou ele tem que sair de lá da favela, que é a casa dele, querendo ou não, ou a filha dele vai ser estuprada. A dona Maria, que não quer ver o filho dela entrando para o crime organizado, está vendo o vagabundo oferecendo um monte de coisa para o filho dela. Não, essa é a dona Joana, a Maria foi a primeira. Enfim, estou dando exemplo aqui para não personificar exatamente, mas é isso que acontece na favela todos os dias.
Porque a gente não pode achar que combater o crime é só o assalto que é importante mais na vida de quem não mora na favela.
Mas, cara, a gente tá falando de pessoas que dormem e acordam submissas a essa turma. Que não vêem esperança mais, porque ela fala, cara, a polícia entra aqui, troca tiro, já tem algum tempo, mas eu quero me ver livre deles. Por isso que rodam pesquisa e falam, ah, 90% dos moradores de favela aprovam a operação. Porque ele quer mostrar pro filho dele, tá vendo? Quando a polícia entra, morre, hein? Não vira vagabundo, não. Mas aí a polícia não ocupa.
É uma vez nos próximos 280 dias o cara vai conviver com aquela realidade do bandido sendo o herói, o bandido ser o cara maneirão, o cara que é a menina dá um molezinho. E é verdade que a cabeça do adolescente é uma cabeça de informação que vai se levar pelos incentivos da facilidade. Quem entende que dificuldade é importante para você formar cara, até o adulto. A criança e o adolescente não foram feitos para isso.
Não foram de fato. E eu acho muito ruim, Igor, um discurso que associa ah não, tal lugar é violento por causa da pobreza.
Você simplesmente tá virando pra todos os pobres que são honestos e falando, vocês são otários, tá? Porque não vale a pena ser pobre honesto. Tá aqui, cara. Você tem uma carteirinha de pobre, você pode ser errado. Eu odeio esse discurso que associa criminalidade à pobreza e à miséria. Senão todo lugar pobre e miserável era violento. E não é o caso. Não é o caso. De fato, não é. Tem lugares no Brasil que são muitos mais miseráveis, por exemplo, que a favela da Maré.
É uma pobreza muito mais exacerbada. E que não são violentos, sinceramente. A violência é composta de vários outros fatores. De mercado consumidor, enfim, de exploração do crime. E está a impunidade, cara. Ninguém impõe um fuzil no peito em qualquer lugar, cara.
Andar com o fuzil cruzado no peito na Austrália, o cara é abatido imediatamente. Aqui a gente ainda acha que tem que conversar com esse cara. Eu não acho isso correto. E ao mesmo tempo eu acho que a saída para isso tudo é investimento em educação, cultura, urbanizar e tudo mais. Mas você tem 46 escolas na Maré.
Você tem, sei lá, 10 clínicas da família, várias ruas asfaltadas, e você tem lá um dos maiores QGs do comando vermelho e do terceiro comando, dentro daquela favela. Então você vê, cara, não é condição única o investimento em saúde e educação.
Eu acho que se a gente não acabar com esse ciclo da impunidade, onde o cara fala, vender uma droga aqui para um molequinho aqui é errado e tal, aí você entra na discussão de legalizar ou não e tudo mais, que eu acho que enquanto esse debate estiver contaminado pelo moralismo, só vai prejudicar todo mundo, todo mundo que sofre com a violência.
Eu acho que tem uma... Sobre isso aí, falando especificamente da maconha, cara, eu acho que tem um aspecto que é... Imagina que ao longo da vida, minha mãe, toda vez que ela ouviu falar de maconha, era na TV um monte de tablete de um prensadão do lado de um monte de munição formando o número da DP e umas pistolas com backdrop da polícia civil. Tá ligado? Aquilo ali vai formando a ideia...
de que é um troço essencialmente mal. Tá ligado? E vai um tempo ainda, eu acho, pra que a sociedade comece a conversar, a debater ideias sobre esse tema no mesmo nível que se debate em sociedades que já passaram por isso. É, eu não consigo entender, por exemplo...
É. A gente acha normal... Você acha que a maconha é a porta de entrada pra outras drogas? Cara, eu acho que tem várias coisas que são porta de entrada pra várias drogas. Se a gente for levar o debate pra esse caminho, a gente tem que condenar tudo. Não tô dizendo aqui que eu acho certo. Também não. Tô dizendo que tem que fumar maconha. É isso. Pelo contrário. Mas eu acho que o debate não é esse. Exatamente. O debate não é esse.
O debate sempre é feito da maneira errada, porque ele leva sempre pro lado moralista. Eu acho que a gente tem que parar muito de levar o moralismo o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o
Não que a moral. A moral é inerente ao ser humano, à sociedade. Ela é constituída a partir de parâmetros morais que a gente cria regras.
A gente decidiu que isso é imoral e naturalmente, de alguma forma, aquilo vai se tornar uma regra que proíbe ou permite. Mas eu acho que a gente tem que levar o negócio mais do ponto de vista prático, cara. Cara, isso aqui ajuda ou não ajuda, isso aqui piora ou melhora. Se a gente começar a caminhar para esse lado, a gente melhora as coisas. Só que as pessoas gostam muito de se sobreviver em cima de problemas que não existem. Vamos criar aqui um pânico na população, eu sou o detentor da solução para aquele pânico.
Cara, quando você vê, nem existe aquela ameaça. Mas o cara ganhou voto, ganhou engajamento, ganhou visibilidade em cima desse negócio. Uma madeira de piroca, uma banheira unissex. Perfeito. O problema do estupro no Brasil é banheira unissex. Onde acontece a maior parte dos estupros e abusos de crianças no Brasil. Em casa. Dentro de casa. Aí eu vou falar que eu vou resolver o problema de estupro e abuso infantil por causa de banheiro. Eu sou contra. Mas não é esse o negócio. Entendeu?
Eu acho que é muito mais por outra coisa do que por... Entendeu? Eu acho que é mais pro cara. Você tem que tomar um cuidado com esse negócio. Eu, por exemplo, eu sempre, moleque, não sei se isso aconteceu com você, a minha mãe entrava comigo no banheiro feminino. Molequinho, com medo. Irmãozão, eu não quero que minha filha entre no banheiro unissex. Do ponto de vista... Assim, se você tá usando o seu cérebro e se o seu argumento é a segurança das crianças, o banheiro unissex é pior.
Tipo, ele tem, por definição, homens e mulheres dentro do banheiro, né? Então, se eu tenho uma filha, eu ia preferir que ela vá num banheiro onde só tem mulheres, se esse é o meu medo, entendeu? E mesma coisa com menino, sei lá. É, com menino a gente acaba tendo menos problemas. Vou dar o meu exemplo. A minha mãe entrava comigo no banheiro feminino. Mãe, quero ir ao banheiro. Era molequinho. É porque sua mãe vai entrar contigo no banheiro masculino. Exatamente.
Porque é perigoso pra ela. Eu acho que pra mulher, em geral, é um negócio perigoso. Você era uma criança, então essas regras são... Cara, ninguém tava nem discutindo essa porra. Tava tudo bem, cara. A gente já sabia resolver, né? Por exemplo, tem um lugar, um restaurante, que não tem hidráulica pra ter dois banheiros.
Cara, tá bom, é outra história. É, porra. Cara, você vê a gente perder um tempo do cacete discutindo esse negócio. Uma madeira de piroca, pelo amor de Deus. Eu nunca vi, porra, uma. Não, não existe, né? Depois passou a existir, que o pessoal fez de sacanagem pra brincar, porra. Então, assim, cara, acho que essas coisas estão muito pairadas nesse negócio. A gente tem que botar o pé no chão e falar, porra, meu irmão, trabalha um pouquinho, em vez de ficar falando desse negócio. Mas tem gente que acredita, né, cara? Se não acreditasse, os caras não falavam.
É, e é foda, porque, ah, cara, essa discussão vai longe pra caralho, né, Joãozão? Porque, por exemplo, se a gente for parar pra pensar quais são os argumentos que se usa, inclusive na mídia, inclusive na mídia mainstream, os caras que são considerados sérios pra tu bater em algumas figuras políticas. Pra quem tá prestando atenção, tu vê algumas movimentações que elas têm muita cara de viés mesmo, onde não, a princípio, ou o viés deveria ser claro ou não deveria ter nenhum.
que é, por exemplo, no Globo. Por exemplo, aqui. Um exemplo, não tô dizendo que é isso, mas um exemplo. Tu vai pra um jornal, pro Estadão, e tu espera ali algum... Ou um viés claro, tu espera honestidade intelectual. Manja? E aí, tu vê o cara que pega... E aqui é outro exemplo. O cara pega o discurso do Bolsonaro lá, falando que, pô, se você tomar vacina aí, não sei se vai virar jacaré, porra. Tá ligado? Cara.
Tu pegar e esticar isso que ele falou pra ele, o Bolsonaro disse que as pessoas que tomarem vacina virarão jacaré. Cara, é um puta de um salto lógico fudido. Tem um monte de coisa pra tu. Eu já perdi a esperança nesse sentido, cara. Acho que aí é como ver com a realidade como ela é.
No mundo, a imprensa tem o seu lado, escolhe o lado. Nos Estados Unidos, todo mundo sabe o que é a BBC. Eu não tenho problema com o cara ao teu lado. O meu problema é bater pelo motivo errado. É, mas aí é o lado. O que faz o cara bater é por causa do lado. Porra, eu tomei esse lado aqui. Nada que o Igor vai falar vai prestar, porque eu não posso. É contraria meu ponto de largada. Meu modelo de negócio. Tipo assim, cara, eu sou contra o que o Igor pensa. Aí, claro, o jornalismo vai conseguir.
eliminar um pouco desse problema a chapa branca não, nada que o Igor vai falar vai prestar e o erro que ele fizer vai aumentar 10 vezes e aí você vai ter o jornalismo profissional que vai ter esse viés mas ele ainda vai ser profissional
Que eu acho que acontece com alguns veículos ali. Mas lá tu nunca vai deixar de ter, cara. É um ser humano atrás daquele negócio, a editoria é feita por um ser humano e que tem a vontade dele, cara. Ô, João, dez anos atrás, quase dez anos atrás, quando tu começou a olhar pra essas paradas, não tinha TikTok? Não. Eu sei que não tinha. Era só Instagram e 100 rios. E era foto. Foto, só foto, texto. É...
Está melhor ou pior hoje com as ferramentas? Porque hoje a gente tem fenômenos como o Nicolas e outros, tá? Que movimentam, que geram muita discussão nas redes sociais, tá ligado? Eles, em alguma medida, o mandato acaba sendo...
acaba alimentando as redes sociais. Mãe, o que eu tô dizendo? Sim. Nesse sentido, tu acha que melhorou ou piorou pra quem tá tentando fazer um bagulho sério? Cara, eu acho que o saldo é positivo. Acho que melhorou. Abriu as portas porque a gente consegue comunicar com as pessoas, chegar na casa das pessoas pelo telefone. Antes você tinha que comprar espaço em jornal e tudo mais. Era um negócio... ...
muito mais restrito você conseguir comunicar o que você fazia de bom. Se você não fosse um lula da vida, que tinha capacidade de juntar 50 mil pessoas num comício, você estava morto, estava lascado. Então, por esse lado foi bom. Acho que como tudo tem lados positivos e lados negativos. Eu acho que os lados negativos desse negócio tem muito menos a ver com a rede social e mais a ver com a população, que acaba se interessando por coisas ali. Cara, hoje eu posto um negócio maneiro, eu estou competindo com choquei,
com um negócio sensacionalista pra cacete, com um influenciador dirigindo um carrão, e a população gosta desse negócio. Aí eu tô competindo com esses caras. Ou então o político tá lá fazendo igual o Janones faz.
gritaram pra chamar atenção às vezes o cara nem tá mal intencionado do ponto de vista, ele quer passar mensagem, mas ele tem que fazer essas coisas eu particularmente tento fazer o mínimo possível porque às vezes a gente acaba tendo que fazer um pouco pra chamar atenção pra mensagem legal que a gente vai passar
Então, acho que o problema está mais na educação da população. Você posta um negócio maneiro, não agrada. Aí é bunda, é biquíni, não sei o que, não sei o que lá. Pô, beleza, é ótimo, mas, cara, também, vê a bunda, vê o biquíni, vê o negócio, vê a piada, vê o engraçadinho, mas se interessa um pouco por política séria também. Não vigra só o negócio. Hoje, você não consome política na internet, você consome entretenimento. Os vídeos do Nicolas são de entretenimento, não são de política.
Ele nunca explicou para ninguém, por exemplo, o que muita gente pergunta para ele nos comentários.
Ele não para, ele fala só o que ele quer e acabou. Então eu acho que esse é o erro. A população quer isso. O algoritmo, você entende melhor do que eu, cara, é o que as pessoas querem. Você vai jogar com as regras do jogo. Isso aqui está entregando, eu vou fazer dessa forma. É a mesma coisa que eu era, eu penso. Então quando a população passar a consumir, antes a população não consumia podcast. Quando a população começou a gostar desse negócio, bombou pra você.
Você foi pioneiro nesse negócio, foi certo. O Nicolas foi pioneiro no jeito dele de fazer comunicação. O Kim foi pioneiro no jeito dele de fazer comunicação. O Cleitinho foi pioneiro no jeito dele de fazer comunicação. E vai abrindo esses caminhos. Então, acho que o saldo é positivo. Agora, os malefícios da história têm mais a ver com a população do que a rede social em si. Então, quer dizer que antes você tinha Sarney, só essa turma dominando tudo estava bom?
Não, eu posso não gostar de A ou de B, mas que bom, pelo menos agora o moleque que veio lá, o moleque que veio do nada, conseguiu vencer nesse negócio. Odeio tudo que ele fala, mas conseguiu. Eu consigo reconhecer isso. Eu acho que a gente deveria reconhecer mais, inclusive. A gente reconhece muito pouco. Vou deixar só na mão dos caciques, só em quem tem dono de rádio.
Eduardo Cunha, Sarney, esse turma que é dona de rádio, que comanda as mídias locais. Eduardo Cunha, hein? Cadê esse cara do Rio também? É do Rio, nossa. Tá em Minas agora, comprando um monte de rádio pra ser candidato a deputado federal por Minas. E a filha dele é deputada federal eleita pelo Rio de Janeiro. A filha do Eduardo Cunha ganhou a eleição pelos republicanos e agora tá no PL. Mas ele não tava enrolado? Ele tava, mas ele botou ela no lugar.
Juntou a grana que ele tinha lá pra eleger e botou nela. Ela tava elegível. Aí aquela história, não, ela não responde pelo CPF do pai. Então tá bom, manda ela abrir mão do apoio financeiro do pai. Aí eu vou acreditar nela. Aí eu vou acreditar que ela quer outra coisa. Esse apoio financeiro vem de onde, mano? Qual que era o salário dele lá? O salário? O cara roubou tudo que podia roubar por sei lá quantos anos. Deve ter dinheiro enterrado até hoje, cara.
O que tu acha desses caras poder... Por exemplo, o que tu acha de um ministro do STF poder empreender? Cara, eu acho que empreender por si... Eu vi até a discussão, talvez foi a Carmen Lúcia que falou um negócio desse sentido. Porque realmente, quase todos os setores da economia podem um dia ter uma ação ocorrendo no STF. Eu acho que a gente não tem que demonizar ninguém ficar rico.
necessariamente. Mas depende do como, né, cara? Tipo assim, eu acho que esse negócio de escritório de advocacia... Não, irmão, tá errado. Assim, você... Se você é um ministro do STF, ninguém foi te buscar. Tá ligado? Você fez o maior esforço do caralho pra ser um ministro do STF, tá? E você ser um ministro do STF, necessariamente...
pessoas vão se aproximar de você porque você é um ministro do STF, né? Então, assim, vai ter um Daniel Vorcaro, vai ter várias coisas. É, mas quando você fala empreender, eu fico pensando assim, se eu virasse ministro do STF e eu quisesse construir uma kitnet pra alugar... Não.
Não. Você acha que não pode? Não. Renuncia. Quer empreender? Renuncia. Não pode. Na minha opinião. Por quê? Porque você é a última instância da justiça do meu país. E você tem que ter zero rabo preso. Mas eu estou construindo kitnet para o lugar. Abre mão. Vende.
bota outro cara. Se o teu filho não pode ter uma empresa de advocacia, tua esposa não pode ter uma empresa, tua esposa não pode ter uma empresa, porque qualquer coisa que tiver, que tenha a ver, se a tua esposa começa a sonegar imposto, ela é a sua esposa, porra. Aí tem os mecanismos lá de suspeição, que eu fico só pensando pra gente não ser radical, ponto.
De um cara que empreende, mas é honesto, entendeu? Não tem essa porra, João. Esse é o ponto. Isso daí, na minha opinião, tá? Você que estuda essa porra aí. Na minha opinião, é...
É só pedir não tirar incentivo de gente boa, entendeu, cara? Porque eu vou dar um exemplo. Mas eu tô falando de ministro do STF, irmão. Tô falando de todo mundo. Não tô falando de... É do ministro do STF. Não pode empreender, porra. Ele tá falando da nata do direito do Brasil, em tese deveria ser. Sim, perfeito. E não é. Não, tô falando em tese, deveria ser. Sei lá, abriu 11 cadeiras e fala, cara, aqui tem que ter as 11 melhores cabeças de entender de direito constitucional do Brasil. O que que tu acha da sabatina?
eu acho que, cara, todo mundo sabe o resultado de quando o negócio vai. Mas, assim, eu fico pensando só nos incentivos, sabe, cara? O cara, pô, estuda a vida inteira, sabe pra cacete, tudo mais. Aí, se o cara vai viver só no salário de ministro, pra ele não é bom. Não, porra, é só não virar ministro. Então, a gente não vai ter. Se a gente for pensar por esse lado, a gente não vai ter. Ou então a gente não vai ter os melhores. Ponto, cara. Se você fosse o melhor constitucionalista do Brasil.
Você ia aceitar. Então você tá me dizendo que tem zero constitucionalista no Brasil e estadista de verdade. Eu acho. Então, fudeu, falhamos como sociedade. Não, acho que não é que falhamos como sociedade. Eu acho que a gente erra nos incentivos, cara. Porque, por exemplo, se você é um cara rico de berço, herança e tal, aí você tem um prédio no centro de São Paulo alugado, que tem várias lojas e tal, tal, tal.
Aí você, cara, construiu aquilo, é a tua herança, você empreende daquilo. Você vive a tua vida bem pra caramba. Mas se você, em momento nenhum, conflitar, você deixar os teus interesses, você tem esse mecanismo, fala, cara, entrou uma ação aqui que pode me beneficiar, eu não vou votar.
eu não vou votar, mas aí que tá mas aí são seres humanos mas aí que tá se o cara não cumprir com isso aí é o limite da ética, da moral se o cara não cumpre com isso, aí ele tá errando o que eu não posso é tirar qualquer incentivo do cara chegar lá partindo do pressuposto que, cara, todo mundo é vagabundo se você não tiver a regra contra vagabundo, isso vai ser cumprido eu acho que não vai ser, você não vai ter gente boa
Sabe? Então, vou dar um exemplo. Você, cara, construiu tua vida inteira, empreendeu honestamente. Eu quero que esse maluco se foda, meu irmão. A lógica tá errada. Tipo, esse cara, ele não é... Ele não tá me salvando. A lógica, na minha cabeça, é a seguinte, cara. Você...
Ah, não é que você tem que fazer o que eu mando porque eu sou população. Não é isso que eu tô dizendo. A lógica é a seguinte, cara, na minha cabeça. Somos o Brasil e o Brasil tem que dar certo. Então, pro Brasil dar certo, eu tenho que... Tá tendo merda lá, tá dando guerra lá, tá fudendo o Estrito de Hormuz, tá dando merda aqui e aí os combustíveis vão ficar mais caros, não vai ter jeito. Então, nós como sociedade, a gente se organiza aqui, todo mundo faz um pouquinho de esforço, gasta um pouquinho de dinheiro.
E dá um subsídio pro diesel não ficar grande pra caralho, que é pro feijão não ficar caro, né? Isso é gerenciado por um cara, por um grupo de pessoas, nesse caso o Estado, o Lula, que vai lá e faz uma propaganda falando como se isso fosse muito foda pra ele poder ganhar voto esse ano, e não é. Na verdade, ele não tá fazendo mais do que obrigação, né? Legal. A ideia de vocês não tão fazendo mais do que obrigação...
se perdeu. Então, o ministro do STF, ele é do tipo de parar numa blitz de policial e mandar todo mundo tomar no cu, tá ligado? Então, essa lógica... Isso é o errado, sabe? Eu entendo com você falando e concordo 100%. Eu só não acho que a gente tem que colocar na largada que ali é uma cadeira que o cara...
Mas nós não estamos na largada, João. Não, eu tô falando o seguinte, sentei na cadeira de ministro. Necessariamente eu tenho que ser corrupto, por exemplo. Eu não acho. Não, não, não. Eu não tenho esses incentivos ali hoje. Eu acho que a galera escolhe por fazer essa caralho. Por exemplo, eu acho que, cara... Qual que é o salário do ministro? É o maior salário da República. É, mas vamos supor que seja 40 mil reais por mês líquido.
É porque os caras não pagam nem a roupa. Ele vai viver 40 mil reais líquidos. Você que é um cara, pra população em geral, que nunca viu 40 mil reais, é de fato algo intangível. Mas o cara que sabe o que deveria saber o ministro do STF, ganha 40 mil reais por dia. Ah, João, pelo amor de Deus, fala a verdade pra mim, cara. Esse cara... Se fosse um advogado na INSS privada... O Toffoli devia estar no STF. Cara...
Não sou eu. Eu tô te falando que não. Porque assim, eu também não sou jurista. Mas eu ainda não conversei com alguém que falou que o Toffoli é foda. Não, mas beleza. Que o Toffoli não seja foda. Vamos pegar um caso hipotético de alguém que seria foda e merecesse estar lá. Esse alguém... Esse caso não é tão hipotético. Tem uns caras lá que merecem estar lá.
Beleza. Não, só pra não personalizar e não gerar uma rejeição imediata só pela persona. Porque pode ter outras merdas que a pessoa faz. É, tu quer ser eleito. Eu não ligo. Não, só pras pessoas entenderem na prática a teoria do negócio. Se eu acho que o cara é foda e merece estar lá, esse cara foda ganharia quanto na advocacia privada? Não é essa a lógica.
Não, eu não tô perguntando de longe. Quanto que você acha que esse cara ganha muito dinheiro? Sim. Muito, porque na divulgação privada o cara ganha muito, muito dinheiro. Tá. Então, primeiro... Como é que esse cara ganha muito dinheiro? Uma das principais... Eu sei disso, tá? Eu já passei por umas situações que eu tenho que lidar com advogado foda, tá? Qual que é... O que que aumenta o ticket desse advogado? O networking dele... É.
mas eu tô levando pro caso hipotético pra gente entender a teoria sem os vícios do Brasil
Então, aí o cara foi lá e construiu uma riqueza ao longo da vida dele, honesta, honesta. Ele não roubou ninguém, só trabalhou certinho. Eu não acho que ele tem que abdicar de toda a riqueza que ele construiu. Ele só tem que entender que à medida que ele virou ministro, ele não vai poder mais construir a riqueza como ele construía antes. Ele não vai construir riqueza, por exemplo, com escritório de advocacia. Se ele, por exemplo, enquanto ele era advogado, comprou uma franquia do Bob's...
compre a franquia do Bobbs. À medida que o Bobbs tiver um julgamento no STF e ele for impactado pelo voto daquele cara, ele tem que dizer, cara, ou eu vou dizer o seguinte, eu não vou votar nessa história porque eu me beneficio dela, ou então vou falar o seguinte, cara,
O Bob está errado, eu vou votar contra. A Carmel Lúcia fez um vídeo disso. Com todo o respeito. Que ela votou contra o pai dela no STF. Tá. Numa ação contra o pai dela. A Carmel Lúcia é um desses exemplos de que eu respeito a Carmel Lúcia pra caralho. Ela não precisa, como é que ela precisasse do meu respeito, mas enfim. O que eu tô dizendo pra tu, cara, é que tu tá então sendo cuidado. Porque lá no começo a gente tava falando de... É...
De uns cuidados que o cara tem que tomar por conta da posição que ele tá e tudo mais. Cara, um ministro do SNF que ele... Por exemplo, o Toffoli, de novo.
O que você acha que fez com que ele se tornasse... Com que ele se declarasse... Não, veja. O que fez com que ele se declarasse impedido? O que tirou ele da relatoria do caso do Banco Master lá? Foi o fato dele ser envolvido? Não. Então, meu irmão...
São seres humanos. A gente tá aqui, então, você tá me falando que eu tô tentando mudar, propor um outro jeito, um outro olhar, que, porra, talvez não seja tão justo assim. Mas, porra, a partir do momento que a gente tem uns caras que eles só são...
que eles só fazem o certo quando, ou o que parece ser o certo, quando tem uma puta de uma pressão popular e essa corte se junta a portas fechadas e todo o resto é portas abertas, tá? O ministro dá dedo pros outros no estádio de futebol, legal? O cara tira foto pra revista, beleza? Mas esse é a portas fechadas. E é assim...
Então faz todos a porta fechada. Prefiro? Não sei. Mas o ponto é a incoerência do bagulho. Isso eu concordo 100% com você. Eu estou mais só focado no seguinte sentido. O problema é justamente o cara ter essas conexões a ponto de justificar ele ficar de quatro.
O Toffoli só teve que fazer isso tudo, porque ele estava de quatro nessa situação. Agora, se ele fosse um cara que, não, eu construí essa riqueza aqui, a partir disso, disso, disso, disso. Não tem nada de errado no que eu fiz. Ele vai ficar de quatro?
Não. Mas só que todos eles estão de rabo preso. Porque a construção da coisa os faz ter rabo preso. Mas o problema é... Tu acredita que o Lula não teve nada a ver com o triplex lá? Nada, nada. O cara foi lá, irmão. Então assim, nada a ver é foda, entendeu? Então assim, o bagulho lá de Atibaia lá... E assim...
Pô, tem o nome do moleque, cara. Tu precisa de muita boa vontade pra acreditar naquela nota lá que a esposa do Alexandre de Moraes solta sobre a grana que ela tava recebendo, o que que aquele valor que ela recebia por mês de quase 3,7 milhões de reais por mês tava cobrindo. E assim, eu nunca vi um contrato...
desse tamanho numa firma dessa, eu com certeza sou ignorante, mas me passa pela cabeça, quanto é então que tinha de vantagem pro Banco Master, porque eu que tenho uma empresa, eu não gosto de rasgar dinheiro, eu invisto em coisas que fazem sentido, então se eu tô investindo nesse escritório, que vale 3.7 milhões pra investir nesse escritório, que diabo de conexão tem?
Essa porra. Cara, isso eu concordo 100% com você e pro povo que tá assistindo a gente ter ideia é o seguinte. A gente tá falando de STF, mas tem outros tribunais. Tem. Tem STJ, tem TRF, tem tribunais de justiça em geral. Cara...
existe uma máquina desses negócios de escritório, de familiar, de juiz, de desembargador, que virou um business, esse negócio. Cara, isso é um mal pra justiça enorme. O que quer dizer, então, se eu contratar um advogado porque ele é bom, não adianta.
Mas se eu contrário a torre de um avogado porque ele é da família, o parente fulano, adianta. Isso é péssimo. Isso é péssimo. E desvirtua o papel da justiça. E a justiça é nossa última instância, cara. A gente tenta resolver administrativamente. A gente tenta resolver... Tu tá falando da última das últimas instâncias. Eu só recorro à justiça, cara.
Porque eu não tive como resolver de outro jeito. Tu tá falando do último lugar que se fala de justiça no país. Que deveria dar um exemplo. Pensa em justiça. Não vê um rosto careca na tua mente? Esse cara tem um escândalo de grana. Não é viés político.
Ah, o Igor acordou agora e quando ele julgou o Bolsonaro e o não sei o que das fake news aqui tem opinião política. Quando a gente tá aqui, agora, no que tá rolando agora é grana. Grana não tem partido. É, então, eu acho que é isso, cara. Acho que tem que acabar com esse negócio. Eu, por exemplo, sou contra. Familiar de ministro, cara. Você é meu filho. Vou dar um exemplo. Se eu vir o governador, não posso nomear minha mãe.
Não posso nomear o meu irmão. Não posso. Isso não devia nem passar pela tua cabeça. Nem passar pela minha cabeça. E minha mãe pode ser a melhor profissional do mundo naquele sentido. Mas é porque, cara... Mãe, desculpa. Por um acaso da história, eu sou o seu filho. Indica aí você alguém que é... Você que é foda? Indica alguém que é o segundo lugar aí. Exatamente. Porque, cara, não dá pra ter o melhor dos mundos sempre. Porque você tem uma regra ali que não pode pra você evitar... Eu...
O maior dos problemas, que é o cara só fazer patrimônio na família. Eu acho que tem que... Essa mesma regra tem que se valer pra família. Cara, você é meu familiar. À medida que você é meu familiar, você não vai poder advogar. Pronto. Ponto. Cara, que merda. Eu sou advogado. Vou perder esse direito, cara. É só você não virar ministro da STF, porra. É um preço.
Ah, o que tu falou. Então, qual seria o incentivo pra ter os melhores lá? A gente já não tem os melhores lá, João. Tá ligado? Os caras já são indicados por motivo político. Eu fico pensando só pra gente não piorar, entendeu, cara? Pra gente não piorar e virar um negócio seguinte aqui. Cara, eu virar ministro?
Deixa essa merda pra... Mas você que tá ouvindo a gente aí, você tem que mandar um e-mail todo dia pros caras lá cobrando, mané. Porque assim, esse maluco aí, o que o Gilmar fez com o Alessandro Vieira, você tinha que tá indignado. Caralho. O cara ameaçou o outro maluco. Assim, teria supostamente ameaçado o outro aí, tá ligado? Então, é... A gente tem que tá olhando esses caras mesmo, porque a ideia de que é eles que mandam, é...
Cara, o que o Gilmar partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes partes
Tá tudo errado. Isso é ruim demais. A população já perdeu a esperança total na justiça. E nesse momento fudeu. Por quê? Como é que tu vai falar? Como é que você vai julgar um ex-presidente que tem apoio de, sei lá, minimamente um terço da população?
envolvido num escândalo financeiro e a galera vai acreditar que tu é honesto. E eu vou acreditar que tu foi isento. Tu tá envolvido num escândalo financeiro. E o pior, tu não me fala que porra é essa. Pode ser que tenha uma explicação. É que a esposa dele soltou lá só. Não convence. Mas me fala aí qual é, irmão. Mesmo que convencesse, cara. Tem coisa que mesmo que convença não é bom. Não faz bem pra sociedade. O que a população vai achar de uma...
esposa de um ministro que advoga pra um cara que a gente viu que não teve a condução mais correta num processo lá. E a gente fala do Vorkaro porque virou um ícone pra esse negócio. É um exemplo fácil. É um exemplo fácil, mas isso é o que acontece todo dia no Brasil. Quanto tempo você escuta que, meu irmão, não faz merda não você, porque você é pobre, você não tem conhecimento, você não tem nada, você vai ter o rigor da lei. Você não é o filho do Ike Batista que atropelou alguém e matou e não dá nada.
Não faça merda. É isso que a gente que vem de baixo escuta todo dia, irmão. Então,
Você pensa 10 vezes a gente fazer uma merda Que sua mãe... Agora o Vorcar é um exemplo disso Personificado Não pelas conexões Porque ele botou dinheiro na história Saiu comprando todo mundo E a gente fala que a república tem um preço Quando a república tem um preço a gente tá falando o seguinte Toda a massa da população que é pobre e ferrada Pra vocês vai funcionar de um jeito E pra eles vai funcionar de outro Isso é o pior incentivo que tem pra sociedade Você desanima qualquer pessoa Joga os caras pra...
Cara, não tem futuro. Pra operar fora da lei. Não tem futuro. O Brasil não tem jeito. Hoje é o maior exemplo desse pensamento que as pessoas têm. O Brasil não tem jeito. Porque a pessoa olha pro que tá acontecendo, não tem como ela pensar outra coisa. É que é muito grande as coisas, por exemplo, se a gente for pensar, qual a diferença entre o Lula e o Bolsonaro? Cara, na minha opinião, a principal diferença é a...
profunda habilidade do PT e do Lula de ser, de lidar com a máquina. Até porque eles estiveram no poder por um tempão do caralho, os caras sabem exatamente o que fazer, ocuparam os lugares que são importantes e fizeram as conexões que tem que fazer. Então, pra mim, essa é a principal diferença.
A maneira como vocês, como os políticos aparelham o Estado, cara, é uma das coisas que mais desanimam a população, porque a gente olha e a solução do problema, meu irmão, estava há 20 anos atrás. A solução do problema hoje é o problema. Aí você fala, nossa, não tem para onde eu ir.
O pior que é, a solução do problema é o problema. E o outro jeito, a gente não quer falar muito. Porque a gente estaria discutindo de coisas não democráticas. É, isso aí. Vamos botar fogo em tudo, vamos mudar, é isso, vamos zerar o game, né? E a população no Brasil, talvez, a solução sair, a emenda sairia até pior que o soneto, nesse caso, dependendo do que saísse dessa história. Mas, cara, o que eu tento trazer para as pessoas, eu entro na política nesse sentido também.
É nesse viés da esperança mesmo, cara. Acho que a gente é uma democracia muito moderna, muito jovem. A gente está muito atrasado. Enquanto estava tendo revolução industrial na Europa, a gente estava cortando árvore. Com certeza. Até menos de 200 anos atrás. A gente está no bicentenário da independência. Tem 200 anos que a gente deixou de ser...
Isso no papel. Mas, de fato, tem menos de 200 anos que tem alguém mandando na gente. Então, acho que a gente, enquanto sociedade, enquanto tomadores de decisão, de reunião, de se reunir, de votar em um, votar em outro, a gente é moderno nesse sentido, sabe, cara? 88 foi agora. Você é de quanto?
eu sou de 85 então cara, 3 anos antes você nasceu no meio de uma ditadura onde as pessoas eram controladas do que falavam do que não falavam, então eu tento trazer um pouco de otimismo para as pessoas, que eu acho que a minha geração talvez, a minha geração, a sua com certeza não, não vai ver
o Brasil ir pra um caminho de esperança ainda. Mas se eu que tô entrando na política agora não acreditar que dá pra fazer diferença, eu vou tocar outra coisa. Perfeito. Por isso que eu te perguntei faz um tempo, tu tá pensando em tapar uns buracos agora ou nos bagulhos de 50 anos? Porque isso faz toda a diferença. Mas dá pra fazer os dois, Digo. Dá pra fazer os dois. Porque eu falo o seguinte... Mas é que não vejo os caras fazendo os bagulhos pra 50 anos com tanta frequência. É aqui e ali. Não tem toda hora um cara fazendo CIEP, entendeu?
Vou dar um exemplo da segurança pública que é importante. Se lá atrás, quando o negócio ainda estava pequeno, todo mundo fosse lá com mão de ferro e parasse, a solução era muito mais fácil que a de agora. Então entra justamente nessa dicotomia. Faz de agora ou faz para 50 anos? Era um negócio que resolvia o problema daquele momento e resolvia o problema de agora. Só que você vai deixando o negócio correr solto, a sacanagem correr solta.
Quando a bomba explode, cara, é muito pior para resolver. Para construir, é difícil.
Mas pra destruir é molinho. E pra reconstruir é o mais difícil de tudo, cara. Você tem que tirar o lixo com um terreno limpinho. Você montar uma casa é maravilhoso. Agora você demolir uma casa, limpar o terreno pra construir outra, é muito mais difícil. Então a gente, muitas das vezes, deixa o caldo entornar pra resolver. Acho que o caso do Banco Master é isso. O caldo tá entornando pra gente pensar numa solução pro STF, por exemplo, da vida. Mas tiveram vários sinaizinhos ao longo do tempo.
que a gente já deveria ter assinado. Deixa que o STF cuida deles mesmo, porque quando a gente tenta olhar pra eles e ficar puto, ameaça e tudo, então deixa que eles cuidem deles. Então, o político tem que parar com essa visão, deixa da merda. Tem coisa mais importante, são 70 deputados estaduais, não tem gente suficiente pra olhar pra tudo?
Entendeu? Tem coisa pra caramba. E não tô falando olhar pra resolver em quatro anos. É pelo menos pra começar a atuar nesse negócio. Eu acho que dá, cara. Eu tô aqui pra isso. A hora que eu olhar e pensar de verdade, de coração, cara, não é isso, eu vou fazer outra coisa, porque...
Eu vim de origem humilde, eu não quero passar dificuldade nunca mais na minha vida. Nunca mais. Não quero viver... Ganhar 5 mil é melhor que muita gente ganha, mas eu não quero viver ganhando 5 mil pro resto da minha vida. Por que só o rico pode sonhar em ser rico? Por que o pobre não pode sonhar em ser rico? Acho que é um negócio que a gente tirou, demonizou, né? Mas aí tu vai virar político e tá pensando em ser rico, porra. Não, eu acho, por exemplo...
Aí tu quer que eu confie em tu, João? Não, você vai confiar em mim que eu vou te falar, mas dá um exemplo. Sabe por quê? O político que quer roubar, ele não fala isso na tua cara.
Eu quero ser rico como? Cara, qual o problema, por exemplo, se um dia, cara, eu montar, comprar um terreninho de 80 mil reais financiado e financiar uma abrinha? Nenhum problema, irmão. Dentro do teu salário, tu fazendo bagulho na moral... O cara que ganha 20 mil reais por mês não financia um terreno de 80 mil?
nos primeiros cinco anos, né, João? Quando tu tiver 30 anos de político, eu já não sei. Porque à medida que tu foi comprando, mesmo que honestamente as tuas paradas e empreendendo e o caralho, tu vai necessariamente fazendo ligações e criando amigos e possivelmente...
vai ser levado a fazer concessões, ainda que sem pensar. É que eu ia chegar lá. Agora, quando o negócio fica incompatível com a minha vida, eu falo, cara, não está sendo tão bom para mim ser político porque eu estou perdendo tesão nesse negócio. E eu estou vendo... Vou sair desse negócio porque eu quero viver de outra forma. Eu vou pegar e vou sair, cara.
Porque se eu parar de ver esperança nesse negócio, eu vou sair. Eu não vou ficar lá por ficar. Porque eu não vou cogitar na minha vida não viver do meu salário como político. Não passa pela minha cabeça. Por quê, cara? E aí tem uma coisa que vai além pra mim de princípios e valores. Que isso pra mim são muito sólidos. Cara, eu não consigo imaginar como que esses caras vivem e dormem. Sabendo que no dia seguinte eles podem ser presos, cara. Pra mim é um negócio muito louco.
Como que esses caras dormem? O advogado desses caras deve ligar pra eles. Eles devem pular, se coçar. Como que vivem assim, meu irmão? Ou não, ou pra eles foda-se. Não, cara. Esses caras não são felizes, Diego. Não tem como. Não, não discordo. Não são. Esses caras não são felizes, cara. É que eles entram no negócio que eles não conseguem mais sair.
Mas eles não são felizes. Eles não conseguem viver outra vida. Eles se acostumam com aquilo. Eles não têm uma base sólida pra aquele negócio. Então eu falo, quando a atividade política for incompatível com o que o meu coração tá sentindo, eu vou pegar e vou sair. Não tem problema nenhum. Se eu viver 20 anos na política e não viver tempo pra caramba, eu vou ter ainda mais quanto tempo de vida pra viver, cara?
tem tempo pra caramba pra viver. Vou ter minha casinha, vou ter minha família, vou ter meu filho. Agora o político, que com o salário de político anda de relógio de 100 mil, de tênis de 20 mil, de poste pra MW, não é na política que ele tá arrumando aquilo. Aí você tem que investigar, tem que averiguar. E aí na minha, a humilde opinião não devia estar ali. Por exemplo, você fala, João Dória.
João Duarte deveria ter sido governador de São Paulo, na minha opinião, não. Por quê? Ele não vai roubar. Por que ele vai roubar? Ele já é rico. Cara, mas, bom, primeiro que isso não credencia ele a ser um bom governador, ser rico. E nem ser honesto. Segundo que isso não credencia ele a ser honesto.
Terceiro que é... Ter dinheiro não faz você não querer ter mais dinheiro. Né? E outra. E aí por aí vai. Então assim, eu... Então só rouba porque é pobre. É, só rouba porque é pobre. Porque o cara quando vota, não, vou votar no Dória que ele não precisa roubar. Então o cara precisava. Ninguém precisa, porra.
Perfeito. Bom, tem mensagem pra gente, Vitão? Antes da gente fazer mensagem, no entanto, deixa eu falar pra vocês. Dos parceiros que estão com a gente aqui hoje, começando pelo G4, cara. O G4, não sei se tu tá ligado, mas o G4 é um... é um grupo, é um...
Na verdade, é uma instituição de ensino que agrupa vários empresários, que é a galera que carrega o Brasil nas costas, de certa forma, e ajuda essa galera a desenvolver e chegar num próximo estágio. O G4 acabou de lançar, ele está lançando, na verdade, uma série documental que é Os Heróis do Brasil. E acabou de sair o primeiro episódio sobre o Barão de Mauá, cara.
Mãos de Barão de Mauá? Mais ou menos. O Barão de Mauá, cara, ele fez uma porrada de coisa incrível. Ele era um empresário brabo. O cara, ele fez a primeira ferrovia. O cara, ele fez algumas coisas tão importantes pro Império que ele movimentava mais dinheiro que o próprio Império. O cara era muito sinistro.
E, pô, tá lá disponível no canal do G4 pra você assistir. E, cara, serve pra você entender um pouco mais sobre como funciona a mente de um cara como esse, tá? E se você quiser... Se você tá pensando em levar o teu negócio pra um próximo patamar, o G4 pode ser um bom lugar pra você fazer isso, porque lá você vai não só estar junto de várias pessoas que pensam e fazem a coisa acontecer, como também vai ter uma galera ali dedicada...
a fazer você prosperar no que você está fazendo, até com técnica mesmo, sabe? Estou falando de estudo, estou falando de aprender a fazer melhor e ser uma pessoa melhor. Para conhecer o G4, tem o QR Code aí, o link na descrição, inclusive para você ir lá assistir esse documentário sobre o Barão de Mauá, que de fato é uma figura bastante interessante da história do Brasil. Um outro parceiro que está com a gente aqui é a ACD, cara.
E a ACD é o seguinte, cara, são eles que fazem o Teleton, que você já viu na TV por vários anos seguidos, tá? E a ACD, o objetivo deles é fazer com que as pessoas tenham uma mobilidade melhor, tá bom? Então pensa em movimento do seu corpo, se tem algum tipo de problema, se algo está te atrapalhando a se movimentar, a ACD provavelmente pode te ajudar, tá bom?
Então, se você conhece alguém que tem algum problema, sei lá, no ombro, na coluna, qualquer coisa assim, o Hospital Ortopédico da ACD pode ajudar. E, cara, está rolando aí uma campanha de doação, porque a ACD, ela vive também, ela ajuda, claro que ela atende pessoas pelo particular e pelo convênio, mas também muita gente pelo SUS. E para a ACD continuar podendo ajudar as pessoas que eles ajudam, eles precisam da tua doação, que tem o QR Code aí e o link na descrição.
pra vocês ajudarem. E assim, você pensa que, ah, cara, não vou mandar 10 reais, 5 reais. Qualquer doação ajuda, cara. Tá bom? Então se você puder ajudar aí, o QR Code tá aqui, o link tá na descrição e vai lá. E pra finalizar, cara, tá de bobeira aí? Entra no grupão do Flow do WhatsApp, porque lá você vai descobrir... Bom...
você vai acabar comprando as paradas maneiras lá com desconto maneiro também então qualquer dica que eu te dou, entra no grupo do Flow dá uma silenciada e toda vez que tu quiser comprar uma parada o que que tu faz? Tu entra lá e pesquisa se já não tem um link com um cupomzinho maneiro pra te ajudar
Tá bom? É bom que a gente não enche o teu saco sem você querer. Então entra no grupo, que o link tá aí na descrição, e silencia ele. Tá bom? Essa é a dica que eu te dou hoje, que isso vai te ajudar aí a economizar dentro da pipoqueira que tu quer comprar. Tá bom? Deixa eu ouvir as mensagens, Vitão. Dá ali.
Júnior Pires mandou uma mensagem pelo Pix. Golaço do Flow, trazer o João e essa pauta da máfia dos combustíveis pra galera. Tem que expor mesmo essa turma que rouba o consumidor. Valeu, Igor. Sucesso, João. Seguimos na luta. Que fofinho. João, é o seguinte. De fato, a gente começa falando desse papo da máfia dos combustíveis, mas a gente foi falar muito mais de Rio de Janeiro e de política de uma forma geral.
Cara, tu consegue me dar uma visão geral de como é que tá? Ou o que que você tem encontrado? Ou o que você encontrou nesse trabalho lidando com postos de combustíveis irregulares? Qual que é o principal golpe que os caras dão? E por aí, o que que tu encontrou?
Enquanto tu fala isso, eu vou deixar. Tá bom. Seguinte, cara, os golpes mais comuns que a gente tem são os golpes da gasolina adulterada, combustível adulterado e o golpe da bomba baixa. Que é quando o cidadão vai abastecer seu carro, ele chega lá no posto de gasolina...
Ele bota o carro no tanque, a gasolina no tanque e no visor tá dando lá que ele abasteceu 50 litros. Quando na prática não entraram 50 litros no carro. Entrou 10% a menos, 20% a menos. Dá essa diferença que o cara paga por um combustível.
que ele não recebeu. Então ele está sendo roubado na prática ali. E o problema disso tudo é que muita gente gosta de chamar isso. Não, é um desvio, é uma fraude. Não chama pelo nome, que é roubo. As pessoas são literalmente roubadas todos os dias em pós-gasolina no Brasil o tempo todo. E no Rio de Janeiro esse negócio tinha saído do controle.
tava uma coisa de ninguém olhar pra isso, obviamente, a máfia não se instala sem a omissão, sem a conivência de um monte de gente, e a gente decidiu entrar nesse negócio pra poder bater de frente. E agora, cara, a gente quer tentar fazer com que esse negócio se expanda pra todo o Rio de Janeiro, pra que a gente possa em todas as cidades, porque o que a gente já começou a perceber...
é que o dono de posto não tem posto em uma cidade só. O cara que é muito rico, que é o mafioso mesmo, ele tem posto em uma cidade, tem posto na outra, ele é sócio de um cara, é sócio de outro cara, e acaba entrando nessa seara de, ah, não está dando para roubar no Rio, vou roubar em outro lugar. Ou então eu estou corrompendo o servidor de um lugar ou do outro porque eu me infiltrei na máquina estatal como um todo. Então a gente tem o objetivo agora de tentar elevar.
o patamar do combate a essa máfia com mais instrumentos, com mais ferramentas pra gente conseguir combater de fato essa sacanagem toda que se instaurou, principalmente no Rio de Janeiro mas é um negócio de todo o Brasil, sem dúvida nenhuma por quê? se liga, e assim
Tu acha que o governo federal tá fazendo um movimento pra dar uma segurada nos preços que vão mudar, principalmente do diesel, né? Vai ter uns caras... É que eu não tô discutindo a validade, ah, se vai ter que pagar essa conta de depo, não é isso. O que eu tô dizendo é, vai ter uns caras que vai ter esse subsídio, de certa forma, que eu tô chamando de subsídio, e vai aumentar o preço. Não tenho a menor dúvida. Porque, cara, tem...
Vários problemas. Tem o problema da bomba baixa, que é o problema que eu mostro em muitos dos meus vídeos, que é o posto roubando o cara lá, que bota o negócio e não entra os 20 litros que o cara tá pagando. E tem o problema do cartel, que é um mercado que em muitos lugares é cartelizado. Qual o problema do cartel? Beleza, cara. A gente que decide qual é o preço, não importa. Pode cair, pode subir, pode descer. A gente vai decidir.
Não tem como numa cidade onde o aluguel num lugar custa tanto e o aluguel num outro lugar custa menos. E é idêntico o preço da gasolina, do etanol, do GNV e do diesel.
Tá. Então, se a gente não combate o cartel, medidas como essa são insuficientes. E é ruim do ponto de vista da população, não vê o benefício da queda do preço, mas tem bilhões de dinheiro público que vão ser investidos nesse negócio pra beneficiar a população e que vão ser jogados no lixo. Então, a gente também combateu... Não, o que jogar no lixo vai virar jato. É. Vai virar...
Dono de posto vai nadar de braçada, porque ele vai comprar um diesel mais barato da distribuidora e não vai ter... O dono de posto safado, correndo o risco de se fuder. É bom deixar claro.
Cara, o cartel, ele é um negócio que hoje a gente tem até um mecanismo muito pior pra combater. A nossa legislação é muito fraca pra combater cartel. Porque a gente meio que vê o cartel como o cara, não, o cara é empresário, ele tem que dar um jeito de aumentar mais o lucro dele. Então ele não tá tão errado assim, igual quando o cara tá roubando na bomba.
Tem meio que uma suavização da imagem do cara do cartel. Que é horrível, pô. Você tá fazendo só concorrência desleal. Se você quiser virar dono de posto do dia pra noite pra trabalhar certo, tu não consegue. Porque tem um cartel ali que só eles podem ter posto. E a população fica na mão desses caras. Esse que é o problema. O cartel gera concorrência desleal. Concorrência desleal gera um mal social enorme.
O cara que tem cartel de bujão de gás. Cara, é um negócio essencial pra tua vida. Se ele cartelizou esse negócio, como é o caso hoje dos traficantes, da milícia fazendo, você não pode mais ter o direito de comprar o gás mais barato. Eles vão dizer qual é o gás que vai comprar. E a mesma coisa acontece quando tem cartel de combustível.
a gente vai falar o quanto você tem que pagar e acabou. Não tem aqui o livre mercado acontecendo. O que a gente tem sempre que tentar que aconteça, ou incentivar que aconteça. Então, esse mecanismo da subvenção do diesel ali, do subsídio do diesel que vai acontecer, onde não tem cartel, o preço vai diminuir. Mas onde tem cartel, as pessoas não vão sentir essa mudança no preço. Boa. Dá-lhe aí, Vitão.
Mateus mandou uma mensagem pelo Pix. Se Dudu se eleger, você vai ser da base do governo. E a oposição, Bacelar, vai ser fortíssima. Você, como deputado, vai apoiar pautas duvidosas pra viabilizar a gestão do governo? Claro que vai, porra. Até hoje, assim, cara, eu respondo por mim. Pelo meu CPF.
Alguém já viu eu apoiando alguma coisa? Eu nunca apoiei nada que eu não pudesse explicar porque eu estou apoiando. Por isso que eu falo, você me perguntou. Tem alguma coisa que a gente não pode falar? Você perguntou mesmo. E você disse que a gente pode falar. Pode falar qualquer coisa. Então, para mim é isso. Eu vou ser cobrado por isso. O dia que eu vou apoiar alguma coisa duvidosa, as pessoas vão ver, vão saber. Não tenho filtro nesse negócio. Não me escondo do problema. Até porque, às vezes, a gente vai apoiar o negócio.
que às vezes a gente vai depois ver que não foi a melhor coisa que a gente fez, e não tem nada a ver por ter sido base de governo ou outra coisa. Então, eu não tenho problema com esse negócio, isso não é dor de cabeça pra mim. Isso geralmente quem fala é quem já não gosta da gente, entendeu? O cara fala, arruma motivo pra colar na gente. Eu posso falar, cara...
O que eu fiz nos meus nove anos aí que eu tô na política tá aí. Me julguem. Tanto que tem gente que não gosta de mim. Que não acha legal o que eu faço. Faz parte, pô. Democracia. Viva. Eba. Mas ninguém vai falar pra mim o seguinte, ó.
Não vou votar em você porque eu peguei você roubando. Não vou votar em você porque você mandou soltar vagabundo criminoso, gente envolvida com milícia. Nunca vai ver minha cara estampada no jornal local por envolvimento em escândalo de corrupção. Não vai ver minha cara estampada porque eu negociei com vagabundo, com traficante. Isso eu posso garantir. Agora, se uma votação ou outra alguém não vai gostar, óbvio que vai ter gente que não vai gostar.
Tem algum político hoje que tem unanimidade da população, todos os votos que deu foram bons? Vai ser eu? Claro que não.
E essa parada de mexer nos postos, eu não sei se tu vai saber essa, porque tu tá no Rio, mas dá pra fazer uma operação semelhante a essa que tu... Essas vistorias que tu faz lá no Rio, aqui em São Paulo também, cara? Cara, dá. Tudo que eu fiz lá, inclusive o seguinte, eu fiz com muito menos instrumentos que outros órgãos têm. Eu tinha aquele galão vermelho de 20 litros e a Proveta que faz a mistura de gasolina com água pra ver o quanto que tem de etanol naquela gasolina.
Coisas completamente simples, que qualquer fiscal que queira fazer pode ter acesso. Órgãos como IPEM, Polícia Civil e Metro tem muito mais instrumento que eu. Por que a máfia cresceu? É porque tem aparelhamento estatal. Tem técnicos maravilhosos no IPEM de São Paulo, tem técnicos maravilhosos no IPEM do Rio, mas quem manda no negócio geralmente é um indicado político.
que foi colocado lá e que atende os interesses de políticos que estão ligados à máfia. Eu não vou aqui ser hipócrita e demagando. Cara, hoje a máfia tá do tamanho que tá porque tem político envolvido no negócio que é a coberta essa gente, que ganha propina, que ganha mesada. Porque pensa aí, o pôs de gasolina, se ele desviar 20% na bomba, que é o negócio que eu encontro toda hora, agora se o cara vender um milhão...
num mês, ele botou 200 mil no bolso sem vender. Sem fazer porra do nada. Do nada, 200 mil. O combustível nem saiu, cara. Não é igual, por exemplo, adulterar a gasolina aumenta a margem de lucro do cara, mas ele ainda tem um custo. Ele compra a gasolina, adultera, compra alguma coisa que ele vai adulterar, tem um custo. O roubo na bomba não tem nada. O único custo que ele tem é o custo de implementar
a fraude na bomba. O cara vai pagar 50 mil pra instalar um chip lá, o engenheiro instalar um chip pra ele. Beleza. Ele recupera aquilo numa semana, cara. Então é muito bom roubar na bomba. Por isso que esse negócio se popularizou entre os donos de postos de ladrão pra cacete. E aí o que o cara faz? Eu e você temos dois postos, um do lado do outro. Aí eu boto um chip lá na minha bomba que começa a fraudar. A minha margem de lucro explode. Eu vou chegar aí, Igor?
Quanto tu quer no teu posto aí? Pô, meu posto vale um milhão, pelo que eu vendo aqui, mensal, meu posto vale pelo menos isso. Toma dois. Por quê? Porque eu roubei tanto, fiz tanto caixa, que eu posso pagar o dobro do teu preço, porque vai valer a pena, e agora eu vou ter dois postos pra roubar, porra.
E eu roubei tanto cliente seu, porque é o seguinte, minha gasolina é 6 reais, a sua é 6 reais. Eu vou botar 5,80, porque eu roubo 20%, a minha gasolina no litro não tá saindo é 5,80, tá saindo é 6 e pouco. Só que o cara tá achando que tá pagando 5,80. Ele tá saindo do teu posto pra ir pro meu. Eu vou te falir, cara. Tu não vai ter opção a não ser vender o teu posto. Pra mim que sou ladrão.
Então, a máfia se orquestrou dessa forma e quem fiscaliza isso fechou os olhos por muito tempo. Ou então a nossa legislação amarrou a gente. Aí eu falei, cara, vamos ver se é isso mesmo, que não dá pra fazer, que não dá pra mexer. A gente fechou, mas infelizmente, por exemplo, muito posto que eu peguei roubando entra na justiça com o pedido, eliminar e reabre.
com roubo flagrante. Eu gravo, eu boto na internet. Tem lá, todo mundo viu, né? Tem milhões de visualizações, todo mundo viu. Você tá aqui porque eu vi esse vídeo. E o cara não tem vergonha de dar uma liminar pro cara.
Você acha isso normal? E o que dá pra tu fazer? Porra nenhuma? Não, a gente recorre, derruba, porque cai em outra pessoa. E aí você vê o negócio de como é que é louco. Tem post que entra na justiça e perde. E tem post que entra na justiça e ganha. E eu faço mais uma coisa nos dois, cara. Não faço nada de diferente. Eu encho um galão de 20 litros. Se entrou 20 litros no galão, tem que ter quanto no visor? 20. Aí tem lá 25. Aí você tá pagando 5 litros a mais a cada abastecimento. Agora eu penso no cidadão que trabalha de Uber.
E que tem gente na Uber, nem todo mundo que é Uber bota gás no carro. Tem gente que não quer, que anda no combustível. Ou moto ou Uber, cara de moto, que não tem gás. O cara de moto é mais fácil de ver. O cara que gasta mil reais por mês de combustível, que não é nada absurdo de uma pessoa gastar. Se o post que ele abaixasse rouba 25% dele por mês, tá roubando 250 reais dele por mês.
desse um cara por ano esse cara tá aí sendo roubado 2.500 com mais 500 3 contos 3 contos por ano do maluco que é moto ou uber com todo o respeito 3 contos as vezes é um décimo terceiro dele com certeza faz toda a diferença na vida do amigo se fosse botar no papel é um décimo terceiro de um cara que não tem
Então, agora tu pensa, quantas pessoas abaixassem no posto daquele cara? Um posto pequeno, cara, Michuruca, não tem menos de 300 clientes fixos ali, cara, que passam por ali, postinho com duas bombas.
Então tu tá falando de 300 caras que estão sendo 3 mil reais por ano roubado. Cara, isso gera muito dinheiro. Que compra político, que compra campanha, que compra policial, que compra investigador, que compra fiscal. Qual foi a minha diferença? Eu não tinha os melhores instrumentos e não tinha o melhor poder, tá?
Tem gente com muito mais poder de fazer e acontecer dentro do posto de gasolina do que eu. Mas eu simplesmente falava, cara, não adianta vir tentar me corromper. Mas aí a gente pergunta, vocês já tentaram te subornar, João? Nunca tentaram.
Porque eles sabem com o que eles estão falando. Tu tá filmando? Como é que o cara vai... Tem isso também, mas, cara, nesse mundo, as pessoas não acham que esses caras são bobs, são profissionais. Ele não chega assim, Igor, toma aqui um dinheiro. Porque se você for honesto, o cara sabe. Meu irmão, vou te dar voz de prisão, tu vai ser preso na hora. Eles vão te testando, cara. Quando esses testes que eles vão fazendo não dão certo, eles te mandam um presente, te mandam uma garrafa de vinho, te mandam uma camisa do time que você torce. E é o que você, que é um agente público, que faz? Devolve, cara.
Pode até não ser crime receber um presente, mas não é ético, não é moral, não é legal. Então eu vou e devolvo. Aí o cara já vê, meu irmão, nem tenta subornar esse cara. Esse cara vai te pegar e vai te dar voz de prisão na hora. Nem tenta. Então muita gente pergunta isso. Já tentaram te subornar? Não. E eu acho que dificilmente vão tentar. Porque a imagem que eu me coloco, as barreiras que eu já imponho, já limitam esse negócio.
E é por isso que eu consegui trabalhar, cara. E obviamente por ter tido carta branca. Talvez fosse um outro prefeito... Quantos postos tu fechou? Cara, eu fechei, sei lá, pelo menos uns 20.
Porque assim, as pessoas até cobram mais da gente. Mas quando eu saio pra rua, eu consigo fechar um no máximo. Porque todo mundo sabe que eu tô na rua e todo mundo desarma a fraude. A fraude, ela é eletrônica. É num botãozinho. Então tem post que eu sei que rouba porque eu...
A gente tem um carrinho adaptado, né? Que você acha que tá abastecendo um carro, mas você tá abastecendo os tanques dele. E aí eu tiro as coletas daquele tanque depois e vejo. Pra eu não ficar rodando imposto que não precisa ir. Então eu mando esse carrinho na frente, tem um relatório. E aí eu vou, fui no primeiro e peguei. Os outros que eu sei que roubam estão desligados. Quanto que tu tem de orçamento pra brincar com isso aí?
Cara, meu orçamento era... A gente assumiu com 3 milhões. E aí tu pode gastar... Se tu quiser, tu gasta 3 milhões de gasolina nesses postos. Não, isso aí é um contrato que eu firmei, que é o seguinte, é um contrato de 50 mil por mês, que vem motorista, carro adaptado e quantos abastecimentos a gente conseguiu fazer. Bem barato. Se você pegar 50 mil...
Se eu tivesse que contratar 10 pessoas de 5 mil, já daria isso. Só que esse carrinho é mais eficiente do que 10 pessoas. Muito melhor. Então o carrinho rodava e me dava um relatório, eu só pegava aquele relatório e dava uma porrada. Aí pegava, roubando. Só que aí naquele dia eu já não conseguia pegar mais, entendeu, cara? Porque todo mundo desligava. O João tá na pista, irmão. O João tá na pista, não pega. Então as pessoas falam, caraca, cara, tem muito pocho roubando ainda.
Eu falo, calma, cara. A gente vai pegar lá, porque como o Procon, eu não consigo atingir a teia.
Vou dar um exemplo pra você. Tem muito posto que eu peguei, que eu, sabe, o carrinho passou em 10 postos. Desses 10, 5 tem o mesmo dono. Se eu sou um cara que tem o poder, por exemplo, de construir uma investigação criminal, que pega o que acontece, eu não precisava ir nos 5, cara.
O cara é fraudador em um, ele não merece ter posto nenhum, cara. Pô, tu é dono de 10 postos, mas tu escolheu pra roubar em um, tu não merece ter licença em posto nenhum. Esse é o meu pensamento. Ninguém botou arma na tua cabeça pra tu roubar, tu escolheu. Então tua punição tem que ter o quê? Você não merece ser dono de posto de gasolina. Aliás, você não pode ter um CNPJ mais no teu nome, porque tu se mostrou que você abre empresa pra roubar os outros.
Então, pra mim isso não pode. Mas infelizmente no Brasil não funciona assim. Eu tenho que ir no posto 1, no posto 2, no posto 3, no posto 4, no posto 5. Até eu chegar no posto 10 do cara, o cara já roubou, já roubou, já roubou, já na dor de braçada. Aí tem, eu já ouvi, tá, de intermediários falaram assim.
Cara, ele tá saindo agora que você entrou nesse negócio. A margem de lucro dele era toda no roubo. Ele vai sair, ele vai pra outro ramo. Ele já fez muito caixa nesse negócio. Não vale a pena pra ele a dor de cabeça de ter posto fechado o tempo todo. Ele vai vender os postos dele e vai pra outro ramo. Porque ele já fez caixa pra caramba. Aí vem o cara e fala assim, vou parar de roubar agora.
Já fiquei rico. Só que a gente não pode pensar assim. O Estado não pode dar esse tipo de incentivo pra esse cara. Então por isso que eu falo hoje. Não tem que falar, ah, usou o cargo pra disputar a eleição. Usou o cargo pra fazer vítima pra disputar a eleição. Não. Eu quero disputar a eleição pra combater ainda mais a máfia.
Não combati a máfia pra me eleger. Eu quero virar deputado pra poder fazer mais. Porque um simples secretário do PROCON tem suas limitações administrativas. Agora a força de um deputado, por exemplo, de dizer o seguinte. Todo mundo que for pego fraudando e for condenado por isso não pode mais abrir CNPJ por pelo menos 10 anos. O cara vai ter um incentivo pior.
Mas como é que tu vai fazer pra punir, pra valer? Porque o juiz, filha da puta... Claro que a gente tem esses problemas. Mas assim, a gente tem que tentar constranger também o juiz. Vamos criar leis, botar uma legislação que deixe o juiz também mais na parede. O deputado estadual não pode botar uma lei que vai aumentar a pena do cara, que eu também sou a favor. Eu acho que esse cara tinha que ser preso, enquadrado como ladrão. Hoje enquadra como fraudador.
fraudador porra nenhuma, o cara tá roubando. Você passa numa rua e pega o telefone do bolso dos outros, você é um ladrão. Você rouba 3 mil reais do cara por ano, você é o quê? Pra mim é ladrão. Tem que enquadrar como isso. A legislação pode ficar mais clara nesse sentido também, mas os deputados federais têm que fazer isso. Eu, no Estado do Rio, vou fazer o seguinte, todo mundo que for pego fazendo isso, não pode ter inscrição estadual mais.
Não vai perder só aquela inscrição. Porque o cara faz conta. Eu vou perder aquela e vou ter outra. Não pode ser mais nenhuma. O cara escolheu roubar. Se valeu de um documento público, de um avará, de uma licença, de um CNPJ, emitido pelo Poder Público, pra roubar a população. Não tem mais que ter direito. Que tipo de dificuldade tu vai encontrar caso eleito, ou quando eleito, pra implementar um bagulho desse, João? Outros deputados. Porque os deputados são donos de posto ladrão.
Mas tem muito, pô. Ou então que são bancados por empresário do ramo. Tem muito, pô. Não é toa, gente. Você acha que se não tivesse... Olha a visibilidade que eu ganhei nesse negócio. A população tá comprando meu barulho pra caramba. Se o cara não tivesse rabo preso com esse negócio, você acha que ele não ia querer tá fazendo a mesma coisa que eu? Tá tendo a mesma visibilidade que eu? As mesmas coisas legais que eu tô tendo?
Ele ia querer, não ia? Por que ele não tá querendo? Porque tem alguma coisa tão legal quanto pra ele. Que é uma grana, que é a propina, que é o suborno, que é ele ganhar dinheiro com isso. Cara, hoje no Rio de Janeiro, eu não posso falar isso porque, cara, eu já não aguento mais tomar processo. Porque os caras também ganham. Hoje em dia você fala a verdade e você é processado e é condenado. Mas todo mundo no Rio sabe quem são os deputados, donos de pós-gasolina, que usam pós-gasolina pra lavar dinheiro, mas não só pra lavar, pra ganhar dinheiro com fraude.
pra lavar dinheiro de criminoso também, de comando vermelho, de milícia e tudo mais. Todo mundo sabe quem eles indicam pra diretoria de IPEM, de órgão de fiscalização, pra polícia, pra DETRAN. E, cara, o negócio não é investigado. Essa máfia não fica desse tamanho se não tem a conivência de um monte de gente, cara. O cara não rouba todo mundo de noite, noite, dia à toa.
A maior dificuldade que eu vou inventar, sem dúvida nenhuma, é resistência política. Mas eu já tô deixando isso claro. Se eu ganhar a eleição, os caras vão ter que conviver comigo. Aí o problema é deles, já não é mais meu. Não posso eu ficar desanimado, eu tô certo, entendeu, cara? Porra, vou ficar desanimado. Eu faço a coisa certa, eu que vou ficar desanimado. Quem tem que ficar desanimado são eles, porra. Concorda comigo? Eu vou ficar bebecinho? Irmão, o problema é seu.
A população vai escolher. Você compra meu barulho, você não compra. A política é isso. Não vou ser eleito a Namarra. Ninguém vai chegar e falar, João, agora você é deputado porque eu quis. Não, a população vai escolher. Boa. A menos que seja amigo do do Bacelar. Dá play aí, gordão, vai. Mudou, era uma...
Fala, rapaziada do Flow. E aí, João, beleza? Cara, eu vou votar em você como deputado estadual, caso você venha a se candidatar. E eu queria dizer que, apesar do seu posicionamento político ser mais voltado para a esquerda, tanto que você apoia o Eduardo Paes, eu estou com você, cara. Só não decepciona a galera que vai votar em você. Eu estou achando que você vai, inclusive, pegar um pessoal aí da direita por conta das suas fiscalizações. Não viram Gabriel Monteiro, hein?
O Gabriel Monteiro, pra começar, era vereador. É, ele foi eleito vereador e caçado lá. Sei exatamente quem é o Gabriel Monteiro. Ele já esteve aqui? Algumas vezes. Teve uma. Na última que ele veio, foi na semana que o Fantástico explanou o bagulho lá. E os meus advogados... E foi num ano complicado pra mim, os advogados. Qual é? Dá um segurado. Eu que cancela o quê, irmão? Manda vir aí.
E o que eu falei pra ele foi, irmão, se tu é culpado, tem que se fuder. Porque é isso. Se você é culpado, tu tem que se fuder. Porque se tu não se fuder, olha que exemplo de merda que a gente tá dando, né? E a gente dá toda hora esse exemplo de merda, né? Então não vira o Gabriel Monteiro. Basicamente essa é a mensagem do amigo aí. Pode ficar tranquilo, cara. Porque assim, eu faço... Tu chegou a conhecer o Gabriel Monteiro?
Cara, já conheci. A gente teve alguns embates. O trabalho dele com a questão lá dos reboques, como é que tu avalia? Cara, tiveram dois... Alguns personagens políticos nesse negócio de reboque, né? Primeiro foi ele, depois uma turma entrou nesse negócio. Eu não tenho conhecimento de que ele entrou nesse negócio pra tomar dinheiro de empresário. Ele entrou mais pra fazer vídeo mesmo, mas eu não tenho conhecimento. Se tiver acontecido...
eu não soube, de que foi o negócio que ele levou lá pra bater nos caras, pra tomar um dinheiro dos caras pra parar de bater, que é muito comum. Eu não entendi. Então, o que se pode questionar do cara é só se ele queria fazer aquilo por... Mídia. Mídia ou por vontade da população. Do meu ponto de vista, hoje só pode falar isso. Do ponto de vista de desonestidade, de corrupção, eu não tenho conhecimento.
Ah, encheu o saco de qualquer máfia, aí eu tô dentro. É. Viu? Encheu o saco da máfia dos reboques aí, eu tô dentro. Eu não tenho conhecimento, eu tenho críticas ao Gabriel Monteiro por outras coisas. Eu tenho que ser honesto, não é porque o cara tá em outro lado político que eu vou inventar mentiras sobre o cara. Desse negócio da máfia dos reboques, nunca me ouvi falar o seguinte, porra nenhuma, ele tá mentindo com os caras, fez aquilo só pra...
É tomar um dinheiro, arrumar um esquema, entrar no esquema junto. Enquanto outras figuras, eu já vi isso acontecer. Tu acha, só entre nós aqui, tem ninguém assistindo a nós, tu acha que ele só se fodeu porque ele mexeu com esses caras? Não. Não? Não.
Não, não foi. Eu vivi o processo ali. Eu tava perto do processo ali. O Gabriel Monteiro errou em vários... Não, não, veja, veja. Não tô falando que ele é inocente. Não é isso que eu tô dizendo. Tô dizendo que... Se ele fosse culpado sem mexer com isso, talvez ele fosse absolvido.
Talvez ninguém nem tivesse falando dessa porra. É isso que eu tô dizendo, tá? Eu acho que não. Eu acho que o Gabriel Monteiro, ele pagou o preço que ele pagou por causa da visibilidade, cara. Entendeu? Quando você fica daquele tamanho, o Gabriel Monteiro tava muito grande, cara. O Gabriel Monteiro tava cotado pra ter 400, 500 mil votos na eleição do Rio, entendeu, cara? O negócio soava assalador. Eu acho que, cara... Derrubaram ele ou ele se derrubou?
Eu acho que ele se derrubou, cara. Eu acho que o Gabriel Monteiro não tava com cabeça ou sei lá, o que for, o caráter firme ali no momento pra viver aquele momento. Porque eu tô vivendo um momento, acho que visibilidade dele, não tem a menor dúvida que ele é muito... tem muito mais visibilidade que eu, mas eu tô vivendo um momento minimamente parecido. Cara...
a visibilidade, ela te dá uns incentivos a você dar umas derrapadas. Se você não tiver firme ali, cara, um apoio familiar até mesmo ali, o negócio fala, cara, se coloca no teu lugar. Você tá famoso, você tá com visibilidade, mas isso aqui não muda, tá? Você tem que continuar seguindo essa cartilha aqui, você tem que ter esses princípios. Acho que o Gabriel Monteiro não, ele sentiu uma coisa, o seguinte, cara, eu tô grandão, eu posso fazer o que quiser.
E fez algumas merdas e pagou o preço. E eu acho que, cara, tinha uma má vontade da classe política com ele.
obviamente, mas que ele cultivou, cara. Sim, ele cultivou. Eu acho que ele chamou muita gente de vagabundo que não era, por exemplo.
muita gente séria que poderia ter comprado um barulho dele caso ele não tivesse feito as merdas que ele fez, porque ele fez merda, cara. Acho que você pode questionar se foi proporcional ou não tudo que ele sofreu. Eu nem entro nessa. Mas ele fez merda. Saiu tudo que saiu aí. Então, eu acho que ele foi plantando, sabe, cara? Cada coisinha ali do que aconteceu com ele. Eu não passo a mão na cabeça do Gabriel Monteiro, não, cara.
Tá bom. Nem eu. O ponto era... Não, não foi a máfia do reboque que derrubou ele. Foram as merdas que ele fez. Eu acho que a máfia do reboque quis atrapalhar a vida dele, mas não tinha a capacidade de fazer... Mas era só ele não ter feito as merdas que ele fez que ele sobreviveria. Exatamente. Perfeito. Tem mais aí, Vitão? Dá-lhe.
O Anderson Rodrigues mandou uma mensagem pelo Pix. Réu de janeiro. Que lugar amaldiçoado sou mineiro. Quando fui aí, todo mundo queria tirar vantagem. Cultura do carioca é o ri ri e levei vantagem. Depois não reclama de todos os governadores presos. É mesmo. É mesmo. E eu, quem tá falando isso, é um carioca nascido e criado na Zona Norte.
É mesmo, porque assim, quando eu saí do Rio e fui morar em Curitiba, eu tinha que dirigir 12 horas, e eu fui o último a sair de casa, que eu tinha que levar meu carro e parar do meu escritório, o meu carro tinha um caô no ar-condicionado, que eu levei numa oficina indicada por um polícia.
E o cara me deu o golpe. Tá ligado? E assim, vou deixar por aqui pra ficar desse tamanho só, tá ligado? Se for conta da história, a gente tem mais um episódio. Puta que pariu, meu irmão. E os polícia do Rio, hein?
Cara, tem um problema estrutural ali na polícia do Rio de Janeiro. Qual polícia? Nas duas. Nas duas. A polícia civil, ela geralmente passa mais ilesa na história. Porque a polícia militar... Por que a polícia militar ficou muito... Porque vai pra rua. Porque vai pra rua e tem muito caso folclórico. Você tem um tropa de Elite 1 e 2 que fala da vida da polícia militar e tal. Então, uma das coisas que eu tava falando hoje pra alguém, que foi pra Sheila Magalhães, da Band News, que...
pro Carioca era um papo sobre viagem e eu tava falando que, cara, eu nunca tinha saído do Rio de Janeiro até quando eu já tava adulto que eu vim pra São Paulo ver um show e eu notei que não era normal tiro de traçante foi então que eu notei que não era terça-feira na vida das pessoas o filme Tropa de Elite Tropa de Elite pra mim era segunda-feira na hora do almoço e aí
Tá ligado? Era aquilo ali. E o mais legal pra mim e pra todos os meus amigos era que o filme era um retrato real da nossa vida, tá ligado? Então, eu tive que sair de lá pra ver que isso não era assim no Brasil todo, tá ligado? Eu acho que tem problema nas duas polícias, tá? E o problema é de cima pra baixo.
O sistema é foda, parceiro. Essa coisa do sistema é foda, parceiro, do Capitão Nascimento, é verdade, cara. Porque você pega ali, hoje, tem uma politização da polícia muito forte, onde políticos mais influentes conseguem determinar quem vai comandar batalhão, quem vai chefiar delegacia. E eu te pergunto, qual o interesse, Igor, eu como político tenho em indicar quem vai ser o comandante de um batalhão?
não deveria ter interesse nisso. Deveria ter o interesse quem? O governador que é cobrado pela população de dar uma resposta ao crime. Então ele tem que falar, cara, o melhor comandante possível tem que ser fulano de tal, porque fulano de tal vai combater o crime organizado e a população vai ficar contente que eu tô combatendo o crime organizado. Aí entra um deputado no meio, dizendo quem tem que ser o comandante ali é fulano.
Pô, mas fulano não é o melhor. Não, não tem problema, fulano vai rezar a minha cartilha. É meu peixe. É meu peixe, vai rezar a minha cartilha. E aí qual o outro? E no final, meu irmão, quem quer rir?
tem que fazer rir. E aí como que começa a história? Aí o vagabundo vai lá, faz um acerto com aquele comandante, intermediado muitas vezes com o político, e aquele político é o único que pode fazer campanha naquele lugar. Isso é o maior exemplo de todos. Eu não acho que quem faz campanha em favela é envolvido com crime. Acho que isso não é verdade, não é a realidade. Mas eu acho, por exemplo, que a favela que é completamente fechada pra um candidato, isso é pra mim um absurdo.
Eu acho que o vagabundo, quando ele tem um interesse tão claro que um político ganha, alguma coisa errada tem. Ninguém fecha a favela só pra um político pedir voto.
A toa. Agora o cara que fala o seguinte, olha só, pra entrar naquele lugar aqui, tem que fazer obra. Aí o cara vai lá e vai... O cara que quer benefício pra comunidade, ele vai deixar o Igor fazer, eu fazer, qualquer um fazer. Não importa quem é o dono da obra. Agora o cara que fala, não, aqui ninguém entra, só fulaninho de tal, esse fulaninho de tal vai ter um compromisso com esse cara. Então a corrupção entremeada na Polícia Civil e na Polícia Militar do Rio de Janeiro, ela tem uma coisa sistêmica.
Hoje o cara que é honesto, que entra na polícia militar, na polícia civil, muitas das vezes ele se vê encurralado. Aquela cena do Matias, onde ele vira de costas e toma um tiro, não é à toa, é um cara que está tentando trabalhar certo e que ele está atrapalhando os negócios de alguém. Isso é muito ruim. Isso não pode acontecer no dia a dia. E hoje você tem um mecanismo de que quem é da parte de cima manda muito na parte de baixo, tem que ter a hierarquia e tudo mais, mas não paga o preço.
dos erros, porque quem julga ele na corrigedoria é o cara que formou na turma com ele. Eu, por exemplo, sou a favor de que a corrigedoria da Polícia Militar e da Polícia Civil seja independente. Pra ela ser justa, tanto com o cara que vem de baixo, que é o praça, que é o soldado, o cabo, o sargento, com o cara que é capitão, major, coronel.
E é interessante sobre todas essas regras, João, não sei o que tu pensa sobre isso, mas eu sou a favor de regras revistas de tempo em tempo. Por quê? Porque essas regras, por exemplo, a formação da corrigedoria, com certeza, tem uma motivação nobre. O cara que fez lá, o cara que pensou e idealizou a por toda...
Com certeza estava pensando num sistema justo. Só que a gente é ser humano. E a gente vai entender as regras e transformá-las. Talvez não numa geração, mas em duas ou três, vai. Então, isso que você está falando aí do cara da corrigedoria ter sido formado com o comandante, é porque a escolha de quem faz parte da corrigedoria...
Por mais que tenha sido... Vamos botar uns oficiais aqui. O oficial, no mínimo, estudou mais. Mas ele é um ser humano. Ai, que caramba. Ficou amigo do outro. E que sente. E que faz laços, né? Então, e se a gente revisse essa regra?
E o diploma não é o atestado de honestidade, como a gente falou mais uma vez. O cara, ele vai... O cara, ele vai ser honesto ou vai andar na linha, cara, por incentivos. A gente não pode esperar a boa vontade da honestidade. O cara tem que falar, cara, se eu fizer essa merda, por exemplo, eu sou corregedor e eu tô vendo uma merda acontecer e não fiz nada quanto aquilo. Eu tenho que ser punido, cara.
Mas aí o cara fala o seguinte, eu vou mexer nesse vespeiro por esse comandante de um deputado. Se eu prender esse comandante, o deputado vai pegar e vai me tirar daqui. Eu vou ser perseguido, vou responder, isso aqui. Aí você vai entrando e vê que o sistema, ele se organiza pra beneficiar os corruptos. Tiveram alguns caras no Rio que tentaram bater de frente. Alguns policiais, civis e federais. Esses caras foram emparedados, cara.
Emparedados por deputados, por governadores, por pessoas que falaram, meu irmão.
não é aqui que você vai botar suas asinhas de fora volta da onde tu veio então se você tem vá de retro satana ou então vai ser pior pra você então eu acho que a esperança é justamente mudar pela política cara e eu acho que vai ser um negócio lento mesmo a gente tem que ter alguém que vai falar o seguinte Igor você é sério, você vai ser premiado comigo você vai ter prestígio
Comigo você vai mandar pra caramba. Não pode, hoje, quem é premiado é o cara que é vagabundo, que pega arrego, que divide o arrego. Porque tu imagina, hoje tem arrego em favela lá, cara, que tem pela... Vou chutar abaixo. Vai. Pra não ser exagerado. 100 mil por semana numa favela grande. Que o cara entrega pro batalhão. Se uma semana ficar com o comandante, outra semana ficar com o deputado, outra semana ficar com outro, já foi bom pra todo mundo.
Todo mundo estourou a merreca maneira, pô. Todo mundo. Todo mundo riu na história do quem quer rir, tem que fazer rir.
Rio legal. Então, você explica porque que hoje muitos lugares que antes eram seguros, que eram bairros, que eram lugares que todo mundo vivia em paz, hoje tá cheio de barricada. Claro que isso não é o único problema, cara. A segurança pública é um negócio complexo pra caramba. Então, mas eu acho que a politização da segurança pública, onde os políticos começaram a dar o rumo da segurança pública de maneira deliberada...
Que prejudicou isso tudo. Segurança pública tem que ter um único objetivo, um único interesse. Reocupar os territórios que hoje são dominados pelo crime organizado e devolver para a sociedade. Como que você devolve para a sociedade? Hoje é a pessoa que passa mal, a ambulância não precisar ficar fazendo zigue-zague e tirando barricada para ela chegar na casa dela. Ela querer dormir na sexta-feira à noite, ela ter esse direito. Porque hoje se a gente quiser ir numa festa, escutar um funk, a gente vai.
Mas quando a gente volta para casa, o funk não está dentro do nosso quarto. A pessoa que mora na comunidade não tem esse direito.
hoje imagina o pavor que eu teria do meu filho nunca passei por isso mas eu tenho um filho, uma filha e ele tem que ficar convivendo diariamente com um fuzil, com boca de fumo na porta da minha casa isso não é digno então acho que hoje o principal desafio do estado é esse, recupera esses territórios o monopólio da violência é do estado
A gente vai ocupar isso aqui. Beleza, pode não ter o esgoto do dia pra noite, que é importante que tenha. Mas não é pra ter o esgoto a céu aberto e o vagabundo na tua porta. Não é porque a gente tem um problema que a gente tem que ter dois. Então vamos resolver esse problema de uma vez por todas? Esse é o interesse da segurança pública.
Não é agradar o deputado A ou o deputado B. Não tem que ser bom pra mim. Eu não vou indicar comandante de batalhão nenhum se eu for deputado, chefe de polícia de delegacia nenhuma. Eu não tenho interesse nesse negócio. Eu tenho influência pra caramba na política hoje. O meu pai trabalha no mesmo batalhão que ele trabalhou a vida inteira. Ou boa parte da vida dele.
Não mudou. Faz a escala dele lá, trabalha, tira os serviços, que lá no Rio tem um regime de serviço extra lá, que é o Proex, que o policial trabalha na folga pra própria polícia. Aqui tem também. Pra própria polícia, né? Pra ele não precisar ficar fazendo bico. Muito foda isso, inclusive. O que tu acha disso? Eu acho bom. Eu acho bom também. Tira o policial da clandestinidade. E dobra o efetivo. É, tira o cara da clandestinidade, né?
Porque antes o cara fazia bico de segurança, ficava correndo risco na rua. Então isso é bom. O meu pai tá lá, tira a escala dele e o máximo de serviço que ele pode tirar, ele tira.
tem influência política pra tirar desse negócio mas nunca exerci essa influência porque eu tenho que dar o exemplo o cara nem entrou na política e já mexeu os pauzinhos pra mexer na condição do pai dele imagina se ele for deputado então eu dou o exemplo já de cara deputado não tem que ter interesse nessas coisas
João, muito obrigado por vir aí, cara. Obrigado pelo teu tempo. A gente devia marcar um outro dia pra gente falar só de light e de sedai. Dá pra... Mais de um dia. Um dia pra light, outro dia pra... Agora não é mais sedai, né, cara? Você tá lá há bastante tempo fora. O Rio fez a concessão e agora você tem três concessionários.
atuando na cidade do Rio. Zona Oeste é Rio Mais Saneamento, que é pior que a cidade, cara, que tudo. A Zona Sudoeste ali é Aiguá Saneamento. E a Zona Norte, Centro, Zona Sul, tá com a Águas do Rio. Teve a privatização da cidade, que inclusive foi um escândalo grande de corrupção lá. O governo ganhou uma grana pra privatizar a cidade. A cidade hoje só é dona da água.
Mas ela vende água para os concessionários, entendeu? E estamos querendo que ela privatize também a água. Agora a cidade não se dona nem mais de água. Maneiro, né? Muita coisa lá. Tipo, um bagulho que a gente precisa meio que para se manter vivo mais do que comida.
Só pode ter se tiver dinheiro. É, só pode ter se tem dinheiro. E, cara, a concessão da distribuição é um negócio que é até discutível. Não tem problema. Mas acho que, cara, quando você bota o seguinte, por exemplo, ser dono de água. Imagina se os Estados Unidos um dia vai cogitar que alguém possa ser o dono da água dele. Se a China vai cogitar isso. Se a Rússia vai cogitar isso. Aí no Brasil ainda tem aquela coisa muito dual, né? Privatiza tudo. Estatiza tudo.
Nos países envolvidos não tem essa. O que é melhor? Ah, é melhor abrir o mercado aqui. Aqui não, cara. Aqui a gente tem que ser dono, porque se tiver uma guerra, imagina a gente não ser dono da nossa água.
a gente, a galera adulta da sala trata assim, aqui fica essa coisa de privatiza tudo pra ter like ou então estatiza tudo pra ter like também é, sem aquele papo que a gente tava falando antes a narrativa porque é a narrativa que arruma voto no fim das contas, né? exatamente obrigado pelo amoral, valeu aí pelo teu tempo obrigado vocês pelo convite e feliz aniversário, cara obrigado presentão tá no flow aqui no meu aniversário essa daqui é a tua câmera? como é que as pessoas te encontram na internet?
no Instagram é arroba João Pires, aí tem um X no final, porque já tem outro João Pires, é João Pires X ali. Faz um negocinho, arruma um dinheiro aí nos caras aí e compra. Cara, pior que é um português esse negócio que o cara usa, né? Mas vou fazer o que com o cara? João Pires X. João Pires X no Instagram. Mas cara, joga João Pires nas redes sociais aí, pode aparecer outros, mas vai ver meu rosto em algum lugar lá, talvez com um pouco mais de cabelo.
É, eu raspei, né? Eu tô carecão agora, mas... Vou deixar pra vocês não. Carecão, Elidio. Vai se fuder, gente. Aí, família, tá aqui no comentário fixado todos os links do João pra você acompanhar lá o trabalho dele, tá? Vale a pena, especialmente, vamos lá, você aí que quer rir, pelo menos, entra lá que ele tá fechando os pós-gasulina lá no Rio.
É pelo menos divertido ver ele brigando com os caras lá e os caras querendo fuder a vida dele. E você aprende a não ser roubado, que a gente ensina os truques lá também. Também, também. Então segue lá. Seja no YouTube, tá aqui no comentário fixado pra te facilitar, tá bom? Aqui na descrição tem o Discord pra você sugerir novos convidados e novos temas. E virar membro, cara. A gente faz conteúdo extra pros membros aí todos os dias, tá? Custa menos de 8 reais. 7,90, né? 7,99.
O que tecnicamente é menos de 8 reais. O que factualmente não dá nem pra comprar uma seda. Tá bom? Então, obrigado pela moral. E a gente se... Ah, calma. Obrigado pela moral. E a gente se vê depois. Mas agora fica aí. Porque vai ter um executive talks com o Luiz Justo, cara. Que é o CEO do Rock World. Manja Rock World. Não. Rock in Rio, Lollapalooza, The Town. Essas paradas todas aí. E o cara faz rodar essas operações.
Rock in Rio. Tu gosta? Tu curte? Cara, eu acho maneiro, mas eu assisto em casa. Eu não gosto dessa coisa de ir, entendeu? Eu gosto de ver os shows. Não é a minha praia. Eu sou um cara mais da pescaria, um cara mais calmo. E vai fechar posto. É um cara calmo, suave. João, obrigado pela moral. Vocês que assistiram, obrigado pela moral também. A gente se vê depois, tá bom? Um beijo pra vocês e tchau.
ACD
Campanha de doaçãoG4 Educação
Série documental sobre o Barão de Mauá