CEO DO ROCK WORLD - Luis Justo
Esse é nosso quadro chamado Executive Talks, focado no Igor conversar com executivos fodas de grandes empresas pra que ele se torne um CEO melhor. Neste episódio, recebemos Luis Justo, que é CEO do Rock World, a empresa por trás de grandes festivais como Rock in Rio, The Town e Lollapalooza.
- Carreira de Luis JustoTrajetória profissional · Experiência no Rock World · Desafios como CEO
- Gestão e LiderançaHabilidades de liderança · Importância do propósito no trabalho · Desenvolvimento de inner skills
- Programação de eventosDesafios na produção de eventos · Estratégias para o Rock in Rio · Gerenciamento de crises
- Cultura OrganizacionalImportância da cultura · Atração e retenção de talentos · Valores da Rock World
- Gestão de CrisesLições de crises passadas · Oportunidades em momentos difíceis
E se uma música pudesse te levar mais longe? Tá perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto, é viajar com o ritmo da música. Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026.
Você está no teu emprego só para receber um salário? Hoje eu vou conversar com o Luiz Justo, que é CEO do Rock World, Lollapalooza, The Town, Rock in Rio, e a gente vai trocar uma ideia bastante profunda sobre esse aspecto, sobre cultura, sobre como fazer esses eventos funcionarem, sobre a história dele, a trajetória que trouxe ele até esse momento, e você vai ter oportunidade de aprender bastante sobre como lidar com o teu propósito, com o teu trabalho de uma forma geral. Já pega teu caderninho aí e anota que hoje vai ser maneiro.
Luiz, você me falou que você está há 15 anos encabeçando o Rock World. O Rock World é uma empresa que talvez as pessoas não sabem exatamente do que se trata, mas quando a gente fala o que tem embaixo, fica fácil. Lola Paulusa, The Town, Rock in Rio, e você já está há 15 anos fazendo isso. Cara, de quando você começou para agora, a coisa cresceu muito.
quando tu chegou lá, já eram esses três eventos pra começar? cara, não, eu entrei em 2011 e quando o Rock in Rio, que era a única marca tava voltando pro Brasil tava 10 anos sem fazer nada aqui eu tava no de 2001 eu digo que é o último que eu fui porque depois eu trabalhando depois eu trabalhei em outros
Mas 2011 era o lance seguinte, cara, aquela capa da Economist, o Rio, né, o Cristo Redentor decolando e tal, e a galera que tava um tempão fora e tinha saído e não fazia mais no Brasil, porque, cara, né, aquele Brasilzão esquisito e tal, e tava fazendo já desde 2004 Rock in Rio e Lisboa, em 2011 eles falaram, puta, tá na hora de voltar pro Brasil, e foi a hora que decidiram também trazer um CEO. E eu era CEO da Osclin, né, marca de moda, de roupa.
Aí bateu um headhunter lá e rolou, deu aí. E o que tu acha que era, qual que era a característica que você tinha? Você, bom, você tava na Osclin, você me contou também antes da gente começar, que tu começou lá como CEO, tu era CEO da Osclin com 28 anos.
sendo que tu é engenheiro de formação então, beleza, eu entendi que os caras do Rock in Rio na época foram te procurar porque tu tinha um conjunto de habilidades que fazia sentido porque eles estavam procurando só que é um conjunto de habilidades que nasce que tava num cara que não era pra tá ali de certa forma
Tu tava me contando que tu tinha uma banda e tu foi estudar engenharia e aí, de repente, tu era CEO da Oscar. Não é bem assim? Me conta, então, esse comecinho aí, como é que tu chega ali no CEO da Oscar. Porque eu quero entender quais eram as habilidades que os caras do Rock in Rio estavam procurando em você. Boa.
O lance foi o seguinte, como você falou, eu sou engenheiro de formação, aí na época de faculdade, eu sempre tive uma inquietação ali e eu fundei na época empresa júnior da faculdade e tal, sempre numa cabeça de, cara, mão na massa, né, brother? Assim, claro que sala de aula é super importante, bacana, mas já na faculdade tinha aquela angústia de começar a fazer, né? Fazer, fazer. Como é que é esse lance de mercado aí? Como é que é captar cliente? Como é que é...
Você tem um brother ali que você tá prestando serviço, tá na porrada com ele e amanhã você toma um chopp com ele e tá tudo bem. Isso tudo vai forjando ali, cara, e você sabe que você também é CEO de empresa. Cara, tem ali um conjunto ali de comportamental que começou ali na faculdade e tal. Passei um tempo no mercado financeiro e aí eu vi que, puta, eu ia ficar rico e, porra, depressivo muito rápido os dois. Mas cara, mercado financeiro pro engenheiro? Ter engenheiro de quê?
Eu fiz dupla engenharia na época lá, que é civil e produção. E o engenheiro de produção é aquele cara que faz de tudo, de fábrica de farinha, mercado financeiro, construir prédio e tal. A gente acha que entende da porra toda. Mas meu pai, uma das profissões que meu pai queria que eu fosse era engenheiro de produção justamente pela polivalência. Cara, é, porque a engenharia tem um lance que é o seguinte, cara. Primeiro é resolver dor de problema.
E a nossa vida é resolver problema o dia inteiro e tal. E segundo, é de entender, cara, quais são os passos e os processos até chegar, porque todo mundo acha também que, né, cara, é tudo assim, não, meu irmão, para você construir uma parada, é, cara, é isso aqui, é essa peça, o fornecedor, 30 dias para chegar, produção é isso, né, cara, isso aqui entra aqui e tem produção de máquina, tem produção de farinha e tem produção de serviço, de gente. Então, você entende meio que qual é o rolê da metodologia, né?
Só que, e aí começa esse lance dessas ambivalências, né? Pô, o engenheiro que parou lá no Rock in Rio, na moda e tal, eu sempre tive um lance, assim, da criatividade, de, pô, músico, querer tocar e tal, com esse comichão de como é que as coisas funcionam. Então, sabe aquele cara que o brinquedo desmontava antes de brincar para entender tal, que era esse meu lado engenheiro do fazer? Mas sempre teve esse lado da conexão, cara, artística, criativa e tal, que eu curtia.
E aí foi, cara. Aí mercado financeiro, por exemplo, beleza, tem metodologia pra caramba aqui e tal, mas puta, um vazio gigante de, cara, pegar dinheiro pra transformar em mais dinheiro, pra produzir dinheiro, não sei o quê. E aí, cara, o que você tá deixando criativamente pra além disso? Quanto tempo tu ficou nessa? Puta, mercado financeiro foi rápido, não esquentei nem um aninho ali. É mesmo? Rápido tu sacou que não era tua praia.
É, e aí, de novo, ligando nesses pontinhos pra trás, Steve Jobs tem aquela história lá de que você só entende a tua vida e a tua carreira quando você vai ligando.
Eu entendo isso, ali foi um lugar onde talvez, e para que serviu aquela experiência? Além, obviamente, por lá, visão financeira bacana, mas para sacar que, meu irmão, e isso não é bullshitagem não, sem propósito...
Eu vou ser um mau profissional, sabe qual é? Sem aquele tesão de verdade pra se acordar na segunda-feira, meu irmão, moro no Rio, você é carioca, aquele sol lindo e tal, e você tá todo mundo indo pra praia, você tá indo trampar, né? É óbvio que, porra, tem que ter alguma coisa ali que faça sentido, que não seja só ali os boletos e tal.
E ali... Se precisava que fosse mais do que um emprego, é isso que você está dizendo? É, aquela historinha, né, de que quando, porra, tem propósito de verdade, você não está trabalhando. É verdade, mas é verdade mesmo, cara. Não é, não é... E aí foi isso. Ali, puta, não ia ser feliz. Não ia. Aí rolou uma outra história. Isso do novão. Novaço, cara. Ali, cara, o mercado financeiro ainda estava ali no finalzinho da faculdade.
Aí do mercado financeiro, puta, não é essa, rolou uma história que me convidaram, ainda faculdade, mesma história ali, engenharia, empresa júnior. Rolava um negócio lá que era competição de, tipo, gestão de empresa digital. Como é que era isso?
A Praça Waterhouse, empresa de consultoria, auditoria e tal, patrocinava uma parada, que era já um scout, né, pra poder trabalhar lá. Pegava várias universidades no Brasil inteiro, fazia um softwarezinho de que você ficava tomando decisões, todo mundo competindo nas empresas, tomava decisão de estoque, de preço, de não sei o que ali e tal, rolava um software lá e a empresa que performava melhor tinha um campeonatinho e tal.
E aí, eu e um grupinho de amigos, a gente ganhou essa parada, e aí vieram os caras da Praça, pô, não quer vir aqui pra Praça, não sei o que lá, tem um short cut, tem um processo de seleção e tal, mas pô, você ganhou o negócio, você vai e tal. Fui pra lá. Um ano também. Nesse ano ali, cara, eu me lembro até, cara, eu quando pedi pra sair, que aí foi quando eu fui pra Osclin, mas eu já conto, eu conversando com um dos sócios lá, os caras, pô, eu moleque, moleque, assim, vinte e pouquinho. E aí eu pedi demissão, foi quando rolou a história de eu ir pra Osclin.
E aí o cara, pô, mas você tem um futuro brilhante aqui, rapaz, você vai ser sócio daqui a 15 anos e tal. Eu falei, cara, então é justamente por isso que eu estou indo embora, porque assim, eu sei exatamente o que vai acontecer na minha vida, nos próximos que você vai ser o Senior 3CB, e aí tem a promoção para não sei o que e tal. Tu estava afastando o controle da tua vida, então. Pois é, brother, e que é muito louco, né? E aí, de novo, você vai ligando os pontos para trás, você vê isso, aí...
E por que que rolou isso? Um dia, pô, tá aí o terno, gravata, aquela história, né, de praia e tal, pô, tu tinha que sair no centro da cidade do Rio, sol e tal, não, não pode tirar o terno, porque vai que cruza com o cliente, aí mesmo, aí você chega no cliente sumando que nem um pô, Audrey, é. E aí eu fui lá com o meu terninho, não sei o que lá, tal, bater um papo com o Oscar Metzavá, que era o fundador, criador da Osclin.
Pô, cara, uma garagenzinha em São Cristóvão, lá no Rio, pequenininha, não sei o quê. Os caras tinham uma lojinha no Rio e tal. Eu sentei lá de terno em gravato, o cara olhou assim, um alien, né? Esse moleque de 20 anos, de terno, pra fazer uma entrevista e tal. E o Oscar vira pra mim e falou, cara, então, tô contratando, tô precisando de gente aqui pra gestão, tô com esse negócio querendo crescer e tal, não tenho dinheiro pra pagar nada, executivo, não sei nem que cargo seria e tal, mas quer vir pra cá pra ajudar meio que a crescer?
Porque eu tenho uma visão. Aí, meu irmão, eu comecei a achar o cara muito louco, né?
que, pô, a nossa marca aqui tem um lance entre o esportivo e o luxo. E na época era o seguinte, Nike era esportivo-esportivo, luxo lá, Louis Vuitton, Prada e tal, e realmente não tinha ninguém ali no meio fazendo uma coisa que estava entre as duas coisas. E ele falou, pô, tem um lugar no mundo que não tem uma marca dessa, e eu quero que você venha aqui pra gente construir isso no mundo e tal. E eu, meu irmão, caralho, a gente tá na graça, o cara não tem loja nem em São Paulo, mas ganhar o mundo aqui seria ir pra São Paulo e tal.
Mas alguma coisa ali me conectou com aquela loucura, que é essa história de ter um sonho grande. E, porra, na época eu não tinha nem habilidade pra pensar em fazer acontecer aquele sonho grande, mas eu me apaixonei pela ideia. A ideia de... Ele virou teu sonho também. Foi virando, né, cara? Porque também, assim, essa história de achar o propósito ali e tal. Mas foi virando. Não é à toa que, porra, eu fiquei lá 11 anos.
E aí as loucuras iam encavalando, né? Porque foi isso, aos 28 anos de idade... Qual foi a primeira loucura que tu sentiu que, caralho, isso aqui deu certo? Puta, nessa... Primeiro é o seguinte, eu já tava sentado numa loucura que ia dar certo. O Oscar é o seguinte, brother, o que é a Oscar? É um médico que começou a vender casaco de neve em Búzios, que é no litoral do Rio. Meu irmão, e aí eu saí da praia pra trabalhar pra esse cara.
né? Então, é meio um absurdo, né? Mas é o seguinte, puta, o cara com um sonho grande, com aquele brilho no olho de lá, brilho no olho de cá e tal, e pô, meu irmão, nada a perder, moleque, né? Morando em casa, com espaço, e eu me lembro, brother.
e foi no dia, o cara falou assim, vem pra cá, vem pra cá, ele falou, mas tira esse perno aí, eu falei, porra, graças a Deus, e cara, saí no dia seguinte, pedi demissão lá na praia, a história que eu tava falando lá do sócio, quando eu falei isso tudo, cara, quase que caiu uma lágrima assim do sócio, ele olhando a vida inteira dele, ele falou, porra, tu tem razão, eu na tua idade faria a mesma coisa e tal, e saí fora, e aí fui lá pra Washington, e aí na Washington, cara,
que a gente faz essas coisas quando a gente tá jovem, cara? Que é perseguir esse tipo de coisa que é o contrário do que eu e você que somos millennials escutamos dos nossos pais, né, cara? O meu pai, por exemplo, eu fiz escola técnica, eu estudei no Cefete, porque meu pai e minha mãe achavam que eu precisava do ensino técnico e tal. No fim das contas, eu nem concluí, fiz só o médio, entendeu? Porque aquilo no fim não era pra mim. E aí...
eles queriam que eu aí eu fui pra faculdade, me formei e aí eu fiz um concurso, eu virei professor eu fiz um concurso pra prefeitura que me daria uma estabilidade era um salário que não era nem tão alto nem tão baixo eu ia ficar ali legal no início da minha vida passei na prova e não fui porque eu sentia que aquilo o que eu ia fazer depois, tá ligado? eu ia ficar eu ia ser um professor de escola pra sempre eu poderia por outro caminho eu ia ser um professor de escola
seguia uma carreira diferente. Então eu fui para curso inglês, eu fui dar aula na cultura inglesa, porque ali eu pensava, pô, não era muito diferente, mas eu tinha alguns caminhos. Eu podia dar aula, eu podia virar gerente de filial, eu podia ir virar os caras que pensavam no curso, o cara que produzia o material didático. Então eu tinha mais caminhos ali, e me parecia mais interessante, né? Menos monótono. Mas isso é coisa de jovem, não é?
Tem aquela frase que você prefiro morrer de paixão do que morrer de tédio, né? Isso é uma frase de adolescente que não tem filho, não tem nada. Até é óbvio que a vida vai te empurrando para uns lugares de responsabilidade e tal, que você vai ficando com medo, bro. Se você não tem esse comichão mesmo de...
da zona de conforto em algum momento começar a te incomodar e vai correndo por dentro, também não é do dia para a noite, né, cara? Mas tem um negócio que vai te correndo até amanhã onde você fala, meu irmão, tem que fazer sentido. Você falou o negócio do pai, quando eu... É engraçado que foi a mesma frase. Quando eu saí da praz...
E aí eu morava ainda com meus pais e tudo, eu falei, ah, tô saindo, já pedi demissão e vou trabalhar na Oste. Meu pai, porra, meu pai foi a vida inteira, brilhante o cara, mas a vida inteira em empresas públicas e tal, aquele caminho. O caminho seguro. Seguro e tal. E aí ele, porra, quando eu falei, ele, porra, mas você vai largar essa multinacional pra trabalhar com a empresinha de roupa e tal.
Pá, corta 11 anos. Eu como... Aí virei CEO da Washington. Porra, expandimos, abrimos loja em Nova York, Europa. O Washington é fenômeno. Cresceu pra caramba nesse tempo lá e tal. Até que um dia, puta, eu já velho, resolvi sair da Washington. Que aí o papo lá, quando bateu lá o headhunter, a gente tem que voltar lá na pergunta. Tu queria sair da Washington naquele momento?
No fundo, eu queria. Senão, não teria saído. Acho que tem, de novo, a motivação minha e, de novo, não é buchitagem, cara. Não é grana, tem que ter uma parada que faça sentido. E ali estava fazendo muito sentido fazer esse movimento, quando ele rolou.
Mas, quando rolou esse movimento, 11 anos depois, corta, vou lá pro meu pai, eu já casado, fora, pô, pai, só pra você, né, tá acompanhando minha vida aí, eu tô saindo lá da Oscar, limpa aí pro Rock and Haley, porra, você vai largar essa multinacional? Não sei o que, pô, pai, mas é multinacional porque eu tava lá, pai, porra. Então, mas...
É aquela história, né, cara? E eu não sei se tem filhos, se tem filhos. Tenho duas. Então, cara, é óbvio que aí você tem um outro chip, né? Que você começa a olhar e, caralho, a preocupação e não sei o quê. Mas esse equilíbrio, né, cara? E eu tenho, assim, a história do equilíbrio. E o equilíbrio não é pra você viver no equilíbrio. E depois a gente vai falar aí do meu livro também, que ele fala pra cacete dessa história do equilíbrio.
Não é sobre uma coisa nem outra, não é sobre a responsabilidade total de vamos largar tudo o tempo inteiro para viver de luz e de paixão. Mas também não é sobre trabalhar porque aquele boleto vai ser um pouco maior. E você está vendo essa molecada cada vez mais querendo trabalhar pelo propósito mesmo. E os caras que são melhores estão levando mais isso na história antigamente.
querer estagiar ali onde tem o melhor salário, ele está pagando umas 200 pratas e tal. Hoje em dia a galera pede demissão para ganhar metade, se você não está oferecendo ali, dentro do teu propósito como CEO, como founder, se você não está alimentando o propósito do cara ali dentro, meu irmão, o cara vai. Isso é bom ou ruim, Luís? Cara, é bom e ruim, é equilíbrio de novo tudo na vida. Eu acho que é bom porque é o seguinte, eu não quero ninguém ali dentro...
porque, para bater ali o contra-cheque final do mês. Então, essa história de cultura, e, porra, é uma coisa muito forte, acho que talvez nesses meus 20 anos de CEO, eu posso ter dedicado aí uns 20 a 30% da minha vida nessa história de cultura, porque não tem como crescer de outra forma, é você estar trazendo para perto a galera.
da tua galera, né? Que tem esses teus valores, que acredita nessa história e tal. E é importante você reconhecer isso e é importante também, cara, a galera que não tá ali, tá ao vazar. Verdade. Pelos dois motivos, pela tua empresa. A cultura, ela atrai e repele também, né? Mas é isso. E isso é super importante. É bom ter as duas coisas. É bom você atrair, é bom você repelir.
Se aquela minha cultura ali, minha empresa é a empresa que venda, toca sininho o tempo inteiro e tem que triplicar a meta todo dia e tal. Se a minha cultura é essa, cara, eu não quero ninguém que não ache isso do caralho trabalhando ali, porque o cara vai sofrer, o cara não vai bater a meta e vai sofrer e o cara vai sair falando mal e tal. E vice-versa, né, cara? Então...
A gente tem lá, e eu fiz dentro lá da Rock World, um projeto. A gente sempre dizia que tinha um espírito Rock Henry, um jeito. Contratamos um cara, esse cara tem um espírito Rock Henry bacana, que é a tal da cultura. Tu errou muito?
Claro, contratando o cara que tinha o espírito Rock in Rio. Sim, mas era isso. E aí o que acontecia? E por isso que a gente fez até esse processo de formalizar. Às vezes você contratava a galera, porque, pô, entrevista é foda, né, cara? Na entrevista é a melhor versão do amigo e tal, né? É, mas... Às vezes, cara, passou uma semana, duas semanas, e falou, iiii, rapaz, esse cara não tem o espírito Rock in Rio e tal. E vice-versa, né?
Puta, meu irmão, cara. Então a gente fez um processo de meio que formalizar o que é essa cultura.
E aí aquela velha história, né? Isso não podia virar um quadrinho na parede, bonitinho. Ai, nossos valores e sigam aí. Tem quantas cabeças trabalhando na Rock World hoje? Cara, hoje quase 300. Chato. É. Isso fixa, né? Óbvio que, pô, quando você pega período de festival... Aí é maluquice. E aí são os terceirizados e tal. Chega, cara, no Rock in Rio, 28 mil pessoas trabalhando. Obviamente terceirizado e tal, mas é... Mas a pique é à toa de qualquer forma.
A pica e a cultura, brother. Isso aí, é nesse ponto que eu tô. Sabe por quê? Já é difícil você construir e manter a cultura. Difícil quando você não entende que isso é verdadeiro e genuíno. Porque se torna fácil quando você entende que isso é de verdade e traz as pessoas e deixa claro na mesa, cara, que isso aqui é... Nosso negócio é sobre isso.
Mas, quando você fala de terceirizado, tem um carinha que está servindo o hambúrguer do terceirizado lá, e que faz parte da entrega do teu negócio. Como é que você engaja aquele cara lá, que é de uma outra empresa na tua cultura? É um super desafio.
E o lance é esse, assim, acho que um CEO, né, ele tem que entender, cara, que é isso, você é um guardião de mostrar o que é a cultura pra galera que se identifica via e a galera que não foi vazar. Você não vai controlar todas aquelas pessoas no dia a dia, você não sabe o que o cara tá fazendo lá e tal, e o que garante que a galera tá fazendo, o que teoricamente você...
estaria fazendo ou gostaria de fazer é a cultura. Até porque a forma de fazer vai ser diferente, graças a Deus. O lance de diversidade na empresa é real, brother. Eu quero gente que pensa diferente de mim. Com certeza. A galera acha que isso é papinho de um outro. Mas com os mesmos valores. A gente tem que entender que criatividade é um valor inegociável. Então o meu financeiro tem que estar pensando fora da caixa. Mas a forma dele financeiro pensar fora da caixa vai ser completamente diferente da minha.
Então, assim, o CEO tem esse lance de ser mesmo, cara, um promotor, e acho que quanto mais transparente fica isso para a sociedade, desses valores, mais a galera que você quer que esteja lá vai entender e vai querer estar perto de você, e a galera que está aqui falar, minha irmã, isso não é para mim, eu vou embora.
Perfeito. A gente estava falando, vamos voltar um pouquinho no momento que você aceita ir para o Rock Road. Porque tu falou que foi lá um headhunter te buscar. E quando tu chega lá, quando tu chega para trabalhar, na época então, no evento Rock in Rio, a ideia era expandir o Rock in Rio, suponho, trazer para o Brasil aquilo que tu estava falando.
O que que tu encontrou e tu sentiu que o teu conjunto de habilidades era o adequado pra aquilo ali? Isso é uma outra coisa, cara, que eu fico me perguntando, que na verdade eu cheguei à conclusão que é importante, que é...
eu fui contratado para fazer uma palestra, por exemplo, eu, Igor, chego lá, eu faço uma palestra, eu preciso ser honesto comigo mesmo de saber se eu estou entregando um bom trabalho pelo que eu fui contratado. Às vezes eu acho que sim, às vezes eu acho que não, e eu faço questão de deixar claro, inclusive, o meu contrato fala assim, cara, próximo que me chamar, eu vou estar melhor, entendeu? O que eu quero dizer com isso? Tu chegou lá e falou, pô, eu sirvo para isso aqui.
Cara, eu vou te contar uma história que é uma semana antes disso. Tá. Te falei que foi um processo de um headhunter e... bateu lá na minha porta e tal. Cara, comecei até a fazer o processo de seleção meio assim, tava legal na Oscar, em Amarradão e tal. E aí, cara, fiz lá a primeira entrevista com não sei quem, a segunda não sei quem, aqueles processos e tal. E aí fiz uma... entrevista com o Roberto, Roberto Medina, fundador. Puta, gênio, cara.
E aí, cara, foi naquela entrevista que eu voltei pra casa e falei, ih, meu irmão, eu quero estar nesse negócio aí, nessa bagaça aí, eu quero trabalhar aqui e tal. Ali bateu. Mas o que que te conquistou? Cara, a mesma coisa que a Oscar te conquistou. Exatamente. Você vai entender o porquê. Fui pra casa. Porra, aí passa um dia, dois, três, sabe aquele namorado esperando ligar ali, início de namoro, o telefone não toca e tal. Peguei e liguei pra empresa lá de Headhunter, que tava no processo. E eu, porra, e aí, brother?
Como é que tá? Proceda, não liga, não dá retorno. Falei, ó, tem uma boa e uma má notícia. A boa notícia é a seguinte, porra, o processo era gigante, tinha um monte de gente, não sei o que ela tá, e você tá entre os dois finalistas. É você e o cara. A má notícia é que tá mais pro outro cara do que pra você. Aí, meu irmão, cara, no mesmo telefone que eu, pá, desliguei, peguei e liguei pra secretária do Roberto, que tinha marcado o meu almoço, entrevista com ele no processo, Aline, tá até hoje lá, Aline, Aline, Luiz, lembra? Fiz a entrevista com o Roberto, queria marcar.
um almoço com ele, porque tem um negócio que eu não falei pra ele na entrevista, eu queria falar. Joguei, né, brother? Aí ela, tá, peraí, vou ver tal, dá 15 minutos, pode almoçar amanhã?
Falei, posso, amanhã vou ir. Sentei, almoço, cheguei na hora, o Roberto já estava sentado. E aí eu falei, Roberto, pedi desculpa aí para marcar uma história e tal, mas queria te falar o seguinte. Ah, porque eu tinha um inside formation. O cara falou o seguinte, está mais para o outro, porque o outro cara vem de gravadora, de não sei o que, que é meio muito mais parecido e você, cara, moda e tal. Aí eu conheço, fui lá, sentei e falei, olha, Roberto.
Tenho certeza que pode ter alguém mais qualificado, que já fez e tal, mas ninguém quer estar mais nesse lugar do que eu. Só falei isso para ele. Aí ele, ah, entendi. Pô, vamos pedir a comida? Aí ele não falou mais nada e tal. Começamos a conversar e tal. Aí no final do almoço ele virou e falou, ah.
produzir eventos, a gente sabe fazer essa parada. A gente já faz, agora, enfim, eu estou lá há 15, a empresa tem 40, 25 anos. Mas alguém que tem essa vontade de fazer e construir, e a gente tem uma coisa de cultura lá que a gente chama o sonhar e fazer acontecer, que é essa essência mesmo, cara, visão, sonho e tal, mas puta, empreender o negócio para tirar.
É isso que a gente está querendo aqui com a gente, a liderança e tal. Saí do almoço, dia seguinte me liga o Red Hunter e fala, porra, não sei o que tu fez aí, que pauzinho você mexeu aí e tal, mas, cara, a galera quer fechar contigo agora. Então, assim, tem uma questão, claro, de habilidades e tal. Eu falo isso, vou te dar de presente aqui, meu livro aqui, eu falo uma parada aqui.
que é o seguinte, fala-se muito, tem aquelas frases, jargão, a gente contrata pelas hard skills e demite pelas soft skills, que é essa habilidade técnica ali. Que o cara mostra na entrevista. E que você aprende, né? E se você não aprende, você tem gente do time que você bota, cara, pô, eu não preciso ser o cara que sei montar lá o palco e tal, mas eu tenho que saber identificar por que que...
Hard skills, soft skills, a história da relação, né, cara? Como é que você motiva o cara lá? Como é que você traz? Como é que você reconhece a pessoa do... Mas, e aí o que eu falo aqui, entre esse polo aqui, né, do fazer, né, e esse lado da conexão e tal, tem uma história aqui no meio que fala-se pouco, né, e que eu falo aqui que são os inner skills, né, que são as suas habilidades interiores.
Que é aquilo, pode, lógico. E entre o hard skills e o soft skills tem esse inner skills, que é a sua capacidade interna de, porra, correr atrás, a sua capacidade interna de se automotivar quando as coisas não estão bem e sabe que, porra, tem hora que o bicho pega mesmo e como é que você tem essa tua habilidade de se sustentar. Sabe aquele lance lá da máscara, que primeiro em você, porra, como é que se o bicho pega, você vai motivar uma equipe inteira pra enfrentar aquela história se você tá destruído por dentro? Então, pera aí, cara, eu preciso...
Eu tá bem, eu me desafiar, eu entender que aquilo ali, cara, é um momento de crise e que eu tenho certeza que a gente vai superar, porque senão a galera não acredita, né, cara? Você trabalha com internet, você sabe que buchitagem não cola na internet, não cola na liderança, não cola em lugar nenhum. Então, se você realmente não acredita que a gente vai sair dessa, como é que eu vou trazer meu time pra sair dessa, né?
Então esse lance, essas habilidades interiores, e nessa levada que a gente está, de AI, e porra, cada vez mais, a grande habilidade das pessoas vão ser essas suas habilidades interiores. Sua capacidade de auto-motivar, a tua habilidade de não terceirizar teu conhecimento todo para uma ferramenta de tecnologia, e não ter preguiça para substituir, isso tudo é teu, então você não terceiriza.
o teu sucesso, você não terceiriza a tua carreira, e na minha vida inteira, eu acho que esse é uma dessas habilidades, que é um lance de autorresponsabilidade, sabe? Eu posso estar aqui, mas se eu estiver aqui, nessa função puto da minha vida, eu não vou dizer que a culpa é do chefe, a culpa é do mercado, da política, cara, eu estou aqui sentadinho nessa cadeira porque eu quero, senão eu levanto e vou embora. Então, esse senso de autorresponsabilidade,
E é o que você precisa primeiro, a primeira coisa para você poder liderar alguém. E é engraçado, porque isso é até o anti-ego, tem aquele líder do... Não, cara, quanto mais eu entendo e me conheço, mais eu sei que eu dependo das outras pessoas.
porque eu não vou sair de nenhuma parada sozinho, eu não vou construir nada gigantesco sozinho. Então, puta, aquele cara que... Ah, eu sou o cara, eu tenho certeza que eu não sou o cara que construiu a Osclin, eu não sou o cara que transformou o Rock and Hint, não. Eu sou um cara que tinha um conjunto de habilidades, inclusive essas internas, para trazer uma galera junto que acreditava nesse propósito comum, com aqueles valores comuns e tal, para criar algo extraordinário. E é uma função.
Né cara, essa cadeira de CEO, galera, puta, é uma função, bro, olha né, tem o cara do cafezinho, tem o cara do, né, que paga a nota fiscal e tem o cara que tem uma responsabilidade, uma função de cara, juntar a galera, de ter uma cultura, é uma função, bro.
Luiz, bonito isso aí que você falou, mas na verdade, o CEO, na verdade o cara que chega nesse nível, não estou falando que é o teu caso, eu já conheci várias pessoas, várias exceções disso que me parece ser uma regra, tá bom? Chegar nesse nível, CEO, o que tem, em cima do CEO é o dono, é você que manda na parada.
Não é? É você que manda. O Chief Executive Officer. É tu que vai organizar. Manda, eu quero dizer, tu que vai organizar, tu que vai gerenciar, tu que é o maestro da parada, né? O maestro...
Ser um maestro é uma posição que, porra, dá um afago tão gostoso no ego, né? E inclusive, muitas vezes, pra chegar naquela posição, precisa de uma história, uma construção, que elas valorizam o cara que se acha foda. Quero dizer, o ego vai ficando cada vez maior, né?
Você está falando um troço que faz sentido e, assim, na minha pequena, na minha breve experiência nessa cadeira, faz todo sentido mesmo. Mas eu vejo também uns caras que podem até fazer isso aí que a gente está definindo como a função do CEO, mas ele faz em benefício próprio. Manja, ele, eu que fiz, eu que sou a razão para isso aqui. Por mais que não diga com essas palavras...
É isso que se entende. Esse mundo desses executivos, dos executivos como você, CEOs, ele é um mundo, tu diria que ele é um mundo leal? Os executivos se tratam de forma leal? Deixa eu voltar um ponto antes. Por que eu escrevi esse livro?
por acreditar, e você falou que está certo, conheço muita gente no mercado, muitos CEOs, e obviamente cada um está numa jornada diferente. Até por conta da idade faz diferença. E do interior, brother, e do interior. Tem muita gente nesse caminho mesmo, tá? Cara, eu estou aqui, essa é a cadeira, a cadeira para ser disputada, tal. Cara, eu estou há 20 anos como CEO de empresa, falei, virei CEO com 28 na ótica, estou com 48.
Hoje em dia, eu sinto, cara, é o peso de uma mochila lotada de pedra nas costas que você carrega. Então, o glamour que a galera cria é uma função, como também, cara, é uma mochila lotada de pedra. Você precisa, cara, trampar ali como guarda de trânsito. Então, e isso, claro que tem um pouco da minha visão de mundo que eu trago nessa história, mas também teve uma jornada minha que não tem nada a ver com... Não existe ninguém como você e nunca vai existir.
Do produtor de Bohemian Rhapsody. E do diretor de Dia de Treinamento. Deixe a sua luz brilhar. Prepare-se. Você é o melhor de todos os tempos. Existem muitas lendas. Mas existe apenas um.
A gente fala de espiritualidade, não tem nada a ver com religião, mas que é essa história do autoconhecimento. Cara, quanto mais eu vou olhando e entendendo, talvez seja velhice também, né, brother? Estou chegando nos 50. Porra, por que eu escrevi esse livro, cara? Ano passado... É, ano passado...
fazendo três festivais, o bicho pegando e tal, e, porra, eu trabalho fodido, eu tenho um puta tesão de fazer a história. Você fez esse livro aqui, eu suponho, porque algo estava te incomodando. Exatamente, cara, e não me incomodando. Primeiro que foi uma jornada foda de autoconhecimento escrever uma história, porque quando você escreve um livro tem o seguinte, o que você passa nesse processo de autorreflexão?
primeiro você está escrevendo uma história que é relevante para você. Não é uma história, enfim, mas sua jornada de vida, seus aprendizados, os cases, o que você tirou lá quando a Oscar pegou fogo, o que você tirou quando a Lady Gaga cancelou. A Oscar pegou fogo e a Lady Gaga cancelou, tem que me contar. Então é o seguinte, e outras coisas, empresas que a gente admira e tal, mas eu escrevi essas histórias que são relevantes para mim, aí você começa a entrar naquela história seguinte, puta cara, mas será que essa história é relevante para quem vai estar lendo essa parada?
Aí você começa a pensar, puta, mas se eu estou pensando que isso pode não ser relevante para quem está lendo, será que isso é relevante para mim? Então, assim, cara, foi a minha terapia aqui de estar fazendo uma parada e essa continuidade de ir mergulhando, cara, para dentro, de entender. E aí foi aflorando nessa história um propósito genuíno que é onde eu vejo claramente para onde a minha vida de sair da zona de conforto sempre e tal.
tem um propósito muito claro na minha vida agora, que é justamente isso que você está falando, cara. Será que essa é a minha visão? E no topo que é a minha visão, não. É a forma como eu enxergo essa história. Puta, será que não faz sentido para mais gente essa história? Será que não vale a pena mostrar? E eu fiz até essa brincadeira do CEO, o chief, executive, ó. Conectar, equilibrar, orientar. Mas o que é isso? Parece o nome pela saco, mas não é, não. Quando você olhar ali o framework...
Eu acho Chief Executive Officer muito mais pela saco. Verdade. Mas por isso que eu quis dizer o seguinte. De novo, isso aqui é uma função, é uma atribuição, e que, cara, não é só para quem é CEO. Puta, cara, é para o cara que é o empreendedor, é o carinha que, puta, que gerencia uma equipe dentro de uma história e tal. E ele fala o tempo inteiro, que é o que eu fui entendendo, e o livro também tem essa, né? Você começa, aí o meu lado do engenheiro aqui.
a querer colocar uma metodologia, uma forma, uma parada que você só é, né, cara? Eu nunca pensei que, cara, minha forma de liderança é isso, é que tem um framework que eu falo. Aquela coisa que você vai meio autodidata fazendo, para, e aí, de novo, meu lado do engenheiro, podia ser um livro de histórias, mas para o meu lado do engenheiro, eu queria contar a história, mas como é que eu faço isso aqui para virar ali, cara, para alguém ser útil?
E eu falo até no livro, se uma pessoa lê essa aqui, porra, e foi útil, já valeu apenas esse perrengue para fazer.
E aí eu criei ali o tal do framework, não sei o que lá e tal, mas que é muito com a cabeça do seguinte, cara, assim, que aí é o conectar, equilibrar e orientar. A gente tem esses dois ladinhos do cérebro aqui, né, que... Quem escreveu o prefácio foi apenas Mário Sérgio Cortella. Cortellão, grande brother, brabo pra caramba. E essa foto aqui, tu, menos grisalho. É, essa aí, por incrível que pareça, foi uns dois anos atrás. Você vê como é que o bicho vai pegando, né? E a idade vai chegando.
O que que eu fui escrevendo a história e tal, entendendo, e isso foi de novo, entendendo que podia ser uma forma ali de metodologizar a parada.
que é o seguinte, né? Pô, tem e precisa nessa cadeira, e cadeira de novo não é de CEO, é de líder, é de founder, é de, pô, da tua casa, vou liderar aqui. Existe um lugar prático, pragmático de fazer acontecer. Então, cara, pô, tem que ter meta, tem que ter disciplina, tem que ter KPI, tem que ter...
que eu coloquei aí como O, no CEO do orientar, né? Então, você tem um negócio de orientação de negócio pro teu time e tal, cara, tem meta, tem resultado, tem uma porrada de coisa que você tem que fazer pra qualquer negócio andar, tá beleza, tá aqui. Tem um outro lado aqui, que é o conectar. Não adianta você estar aqui, se você não traz o teu time pra essa história aqui, que é o que a gente tava falando do propósito, né, a cultura aqui.
Tem esse lugar aqui que é, cara, como é que você engaja as pessoas para esse negócio, esse resultado aqui. E o líder tem que fazer isso. Não adianta ser só o cara de, ah, vamos lá, vamos engajar, não sei o que lá e tal. E, porra, tu não tá olhando pro resultado. E não adianta você ficar cobrando resultado se as pessoas não engajaram porque não vão entregar. E no meio, que é o tal do E, que é o Equilibrar...
A grande atribuição de um líder é estar gerenciando isso aqui o tempo inteiro, brother. Então, assim, você pergunta para qualquer CEO, você deve ver o mesmo desafio, eu já estava falando isso aqui em off antes de começar, o desafio do curto prazo e do longo prazo.
Se você não está olhando lá para frente o que vai acontecer e tal, você vai quebrar. Mas se você não está cuidando do caixa, entregando esse mês, os patrocínios do flow e tal, você não paga e você vai quebrar. Então você está sempre aqui na corda bamba do curto prazo e do longo prazo. O líder tem que estar na corda bamba do backstage, dos bastidores e do palco.
Porque tem hora que como líder você tem que ser o cara que vai estar lá, vai dar a cara mesmo. Tem uma frase que liderança é um ato público. Então tem hora que não dá para se esconder e você tem que estar lá, mas tem hora que você tem que botar a equipe na frente e você ir para o backstage para mostrar que tem essa galera. Então como é que você equilibra isso? Então tem um monte de paradoxos.
dessas polaridades que tudo está polarizando, ah, eu sou um cara de resultado, ah, eu sou um cara de humano, de conexão e tal, mas eu entendo que tem esse lugar de você equilibrar esses paradoxos, e o mais maneiro do equilíbrio é que você nunca está nele, né, Bruno? Isso você tem coisa para fazer o tempo inteiro, né? Então tem momentos que você está aqui no gás do curto prazo, meu irmão, eu preciso abrir a agenda para olhar para o futuro, tem hora que você está aqui romantizando, meu irmão, esse mês tem que fechar e tal. Então, é...
Conforme eu fui meio que vendo algumas histórias, experiências da vida desses 20 anos e tal, começou, e é muito louco, né, o processo de escrever um livro, que você começa, cara, você se joga no Rio e você não sabe onde você vai parar, né, cara? Eu tô nessa, eu tô querendo escrever um livro há tanto tempo, só que eu acho que eu tenho que viver mais um pouco. Não tem não, cara. Não tem não.
até a frase, o Van Gogh ele falava lá na história do pintar eu não sei pintar e tal, ele diz, cara se você acha que você não sabe pintar pinta, pinta, pinta até essa voz ir embora então assim, faz
Você acha que eu era autor, engenheiro, todo ferrado, fazendo três festivais? Foi mesmo. Comecei e, cara, comecei e aí dava aquelas histórias. Puta, mas será que isso tá chato pra caramba, contando aqui um monte de histórias e tal? Aí de repente começou a fazer, puta, mas pô, isso aqui quer dizer que isso aqui, isso aqui quer dizer tal. E aí criou ali uma história e nasceu o livro, puta.
nunca imaginar um engenheiro trabalhando com moda que tal que é virar autor e cara o negócio arrebentou virou best seller o cacete tal sem nunca ter pensado de cara eu sou um autor eu escrevo pra cacete tal mesmo história de palestra né cara quando você começa a falar pra galera e puta é relevante mesmo isso aqui e tal e você vê um carinha lá puta é bacana eu ia desistir aqui da minha parada e tal
E aí, cara, uma coisa alimentando a outra, né? Aí você falou, pô. E tudo, né, cara? De novo, com disciplina, com treinamento, você vai. Então isso aqui, porra, é... Muito obrigado, cara. Disciplina gigantesca pra botar, né, de pé uma história dessa, mas se faz sentido, você vai, você arruma tempo, você mete a cara. Tem até uma identificatória aqui, cara. Obrigado, obrigado, obrigado. Cara...
Eu queria saber a história da Oscar pegando fogo, mas antes, olha só. Como é que você faz, cara? A empresa, os festivais, quando tem um festival, vai ter o Lollapalooza, vai ter o Rock in Rio.
Esse ano ainda tem dois, são o Rock in Rio e Lisboa em junho e o do Brasil em junho. Tá suave a tua vida. Então, cara, como é que tu faz? Vamos falar aqui do Rock in Rio. O Rock in Rio, ele tem, pra funcionar dentro do previsto aqui, tem um monte de coisa. Então, os shows tem que começar o mais próximo possível do horário, eles tem que terminar o mais próximo possível do horário, se demorar muito, corta aqui, como a gente viu cortando, acho que do...
Não foi do Neo, não. Foi de um outro cara que cortou no último Rock in Rio. E o que eu quero saber é o seguinte. Cara, como é que desenha-se a estratégia de como um evento funciona idealmente e...
Como é que faz para isso não virar um telefone sem fio que aqui na ponta virou o contrário do que era para fazer? Por exemplo, fico pensando, como é que estava na cabeça do Luiz quando os caras cortaram o som de um show de um palco mundo? Tá ligado?
caralho, será que era isso mesmo que o Luiz tinha pedido lá no começo, mané? Será? E eu fico pensando, porque assim, às vezes acontece aqui, de eu pensar um troço, a gente combina aqui uma parada, não sei o quê, e aí quando eu vou ver aqui que passou umas 3, 4 etapas só, lá no Rock in Rio é 50 etapas, né? 3, 4 etapas só já tá um pouco diferente do que a gente queria fazer pra valer no começo, tá ligado? Cara, deve ser uma complexidade.
Você tava falando no começo do lance da cultura, que a cultura não pode ser um quadro que tá na parede.
e parte da resposta está aí primeiro você pensa o seguinte falando de produção de evento outro dia alguém me deu até um quadrinho de uma matéria que tinha saído dizendo o seguinte a produção de evento foi eleita sei lá como em algum artigo de alguma revista como a terceira terceiro trabalho mais estressante do mundo só pede para bombeiro e polícia por quê?
aconteça o que acontecer, no dia 4 de setembro, às 2 da tarde, aquele portão vai abrir. Se você tem uma obra, traz ali um mês, não entrega, não sei o quê, pô, vai lançar um produto, o produto não está pronto, cara, então é o seguinte, ligou ali o timer, de trás para frente, aquilo tem a acontecer. Então, isso faz com que traga para a gente, para a história funcionar e naquela dimensão.
Uma coisa que é muito pouco valorizada e que lá é fundamental, que é o tal do planejamento. Assim, o Rock in Rio, The Town, Lola é todo ano, o Rock in Rio é cada dois anos.
Tem um ano inteiro de planejamento, muito planejamento, muito. Você pega aquelas linhas de projas, é o lado oriental aqui da história. Pô, são três mil e tantas linhas interligadas, se isso aqui é atrasar, isso aqui não dá tal. Planejando, planejando, planejando, planejando. Qual que é o maior de todos? De tamanho, hoje é o Rock in Rio do Rio, porque são sete dias de festival e tal. Puta.
Então, e por que a gente tem que planejar? Porque evento, o nome já diz, né? Evento é eventual, coisas podem acontecer imprevistas e acontecem, obviamente. Mas eu sempre falo para o time o seguinte, a gente tem que planejar tudo aquilo que a gente sabe que pode dar errado para estar com isso resolvido e ter tempo para se dedicar para aquilo que a gente não conseguia planejar. Você não consegue planejar uma chuva, mas você consegue saber tudo o que você pode fazer se chover e o que você não pode fazer se isso acontecer. Você fica pronto. Então,
Por exemplo, quando falei lá de uma crise gigante, quando a Lady Gaga cancelou, porque teve um problema de saúde, ser humano e tal, na véspera de abrir portas, antivéspera, para ser mais preciso.
Porra, cara, assim, a gente tava monitorando a história, não sei o que e tal. Sabia que tinha um risco de acontecer? Tinha um risco, sabia. Ela tinha cancelado uns outros shows antes, por uma questão de saúde crônica que ela tem, mas falou que ia manter Rock in Rio e fazer Rock in Rio, e ia mesmo. Cara, a gente tava montando, sabe aqueles containers e tal, Lady Gaga, bonitão, montando o palco dela e tal. E aí, cara, na madrugada...
pô, ela não pegou, vou tapar, liga, não vai vir, e ela até postou depois lá na rede, no hospital, com soro, ela tem fibromialgia, negócio brabo, cancelou, assim, headliner faltando 48 horas.
E aí, cara, obviamente o time sabia que podia ter essa chance, aí, cara, começa de manhã cedo, eu, puta, chamo o CFO, chamo a menina do ticket na sala, aí a galera falou que encontrou no corredor, eu falei, iiih, rapaz, deu merda. Cara, quando sentou ali, todo mundo, e aí, obviamente, todo mundo já meio que sabia, falou, e aí, rolou? Eu falei, é, cara, a gente agora vai ter que lidar com isso.
Ao mesmo tempo que, obviamente, ninguém quer ter uma parada dessa, sabe quando você vê ali um brilho no olho da galera assim, puta, agora a gente vai ter que mostrar que a gente é foda, sabe? E só podia estar com isso ali, aquele time, com aquela história, porque ninguém, assim, não estudou no domingo e teve prova na segunda, sabe qual é? E aí, todo mundo já tinha feito dever de casa, bonitinho e tal, então é o seguinte, a gente agora tem que estar aqui presente 100% aqui para atuar nessa história com o que a gente tem de melhor.
no improviso daquilo que, cara, não tem um plano B, né? Você não tem aqui o, pô, deixa eu pegar aqui, tirar o U2 da gaveta aqui e botar no lugar e tal. Então ali, nesse caso tinha que ser uma Madonna. É, a gente conseguiu foi, a gente fez uma segunda noite do Maroon 5, mas, meu irmão, mandando avião cargueiro na madrugada para trazer o material deles de Curitiba para virar a noite colocando lá e tal, e fazer a história rodar. E ali, cara, no paralelo, aí vem a história da cultura.
No meio desse perrengue todo, que é o seguinte mesmo, vamos resolver aqui o que precisa resolver, que é botar outro cara aqui em cima e tal. Chega alguém e fala, puta, mas o que a gente vai fazer com os fãs da Lady Gaga que já estão dormindo lá na porta há quatro dias e souber da notícia, o que a gente faz? É um desespero desse, você podia falar, cara, foda-se, né, porra, né, deixa eu cuidar aqui disso.
E a gente, não, cara, é isso mesmo, essa parada do fã, da experiência, a gente só está aqui por causa dessa história de construir. A gente começou numa de pegar ambulância para deixar lá para se alguém passasse mal, arruma psicólogo para a gente dar notícia e ter alguém ali se precisar e tal. Então, quando você vê isso acontecendo e sem você...
Não é o CEO vai determinar e tal. Você vê que a parada está funcionando nos valores, da cultura. E, de novo, está todo mundo preparado para poder enfrentar uma história dessa porque se planejou para apertar a porca, para não ser o que ela está, e não ficar ali na véspera. Então, gerenciar uma história dessa...
E aí, de novo, os dois lados, né? Tem um lado aqui de planejamento pra caramba, caixas pra cacete, de execução e tal, porque senão o negócio desse tamanho não fica de pé. Mas tem um lado aqui da conexão, que é, cara, na hora do improviso ou na hora que o eventual acontece e a decisão aí é freestyle, né, cara? Porque não é, tava aqui no manual.
O que vai fazer isso aqui funcionar da melhor forma possível, que não é necessariamente a que você faria, porque também, cara, você como seu outro tem que saber que, às vezes, você vê a tua equipe fazendo uma parada e fala, puta, eu faria diferente. Mas, tá dentro dos valores e tal, é isso, brother. Porque, assim, o cara tem que ser autoral dentro dos valores dele, daquilo que tá fazendo. Então, claro que, pô, pode ter milhares de coisinhas ali que eu faria diferente, mas se eu...
estou delegando, confio nos teus valores para fazer isso e tal. E o mais importante, a partir do momento que aquela é uma decisão, passa a ser de todo mundo. A gente pode sair em uma sala de reunião, quebrar o pau. Meu irmão, acho que tem que ser vermelho, você acha que tem que ser verde, porque é vermelho, porque é verde, porque é vermelho e tal. Decidimos no vermelho. É vermelho? É vermelho e é o seguinte, se der certo, todo mundo era vermelho, se der errado, todo mundo era vermelho. Não tem aquela de porra, viu? Mas se fosse no verde, não sei o quê.
Porque esse alinhamento por cultura não significa que todo mundo pensar igual ao que foi o que a gente falou aqui. Mas a partir do momento que a história rolou, ou não rolou, é responsabilidade de todo mundo. E isso, de novo, é cultura de, cara, pra poder deixar rolar, pra empoderar as pessoas. Então, esse lance que eu falei da cultura, do sonhar e fazer acontecer, que é a nossa cultura principal, não é o sonhar e fazer acontecer do Roberto ou o meu e tal. Cara, cada um dentro. E eu quero muito que...
a empresa que a gente trabalha seja uma plataforma para cada um ali ter o seu sonhozinho, fazer acontecer, porque senão ele vai pegar o sonho lá de outra empresa para fazer acontecer o sonho dele lá. Então, você tem que estar gerando um ambiente de trabalho onde o cara se sinta, cara, que ele importa de verdade. Porque tem muita gente que...
bota um time e tal, e aí volta pra aquela história da cadeira do CEO Bundão, que puta, eu sou o cara que criou e tal, as pessoas estão numa falta, tava agora o SXSW, acabou de rolar, e cara, um dos principais temas, até de um livro lá da Jennifer Lawrence, sei lá, que lançou, que é o Mathering, Mathering, né?
importar. Cada vez mais a galera tá assim, e aí vem essas crises de solidão, da molecada e tal, porque, cara, a galera não se sente que importa. Você, como o senhor, tem que falar mesmo, tu importa pra cacete aqui mesmo. Sem você, o cara que tá lá varrendo a cidade do rock importa pra cacete, cara, porque não adianta eu contratar a Beyoncé pagando milhões de dólares e tem um porra, um copinho ali no chão e tal, que tá estragando a experiência igual. Então, por que que esse cara...
Qual é a diferença? E aí quando você começa a olhar isso, é uma função em cima de um valor maior, que é o seguinte, todo mundo aqui, e é a nossa missão lá da Rock World, que é proporcionar uma experiência inesquecível pra todo mundo que tá aqui. Pra galera que tá no público, pro artista, pro fornecedor, cara, pô, os nossos fornecedores não tem ali muito limite, o que é equipe, não é, tal, a galera tá ali tomando chopp junto, e quando o fornecedor tem que chegar junto, ele chega junto, porque eu não, pô, tô prestando um serviço, você me paga, invoice e tal, cara, a galera tá fazendo Rock in Rio.
Todo mundo que trabalha lá, minha equipe, fornecedor, segurança e tal, você vira credencial atrás, está escrito eu faço. Porque o Rock in Rio tem aquele eu fui, que todo mundo quer comprar camiseta, eu fui no Rock in Rio e tal. A galera que trabalha, de fato, e eu posso dizer sem humildade nenhuma, a galera tem o orgulho de dizer que ela fez o Rock in Rio. O cara que está fritando hambúrguer fez o Rock in Rio. É tão importante quanto o meu trabalho, o da Beyoncé. Então, quando você consegue chegar nesse lugar...
que as pessoas se sentem importantes, acho que tal do matter, eu acho que esse é o limite máximo que você pode entregar de propósito para as pessoas, entendeu? Aí o cara que está ali fritando hambúrguer, eu não estou fritando hambúrguer, eu estou fazendo rock in Rio.
aquela historinha lá do faxineiro do Kennedy e tal, que o cara ia à lua, o que você está fazendo? Estou levando o homem para a lua. É isso mesmo, o cara que está limpando o banheiro da NASA está levando o homem para a lua. Porque precisa, isso aqui tem que funcionar. Então...
Isso, o livro de novo, é sobre isso, cara. É sobre tirar esse lugar do CEO, o egóico, do não sei o quê, e entender essa parada que a gente está falando aqui, entendeu? Luiz, sensacional conversar contigo, mas tu não vai embora daqui sem me contar a história da Oscar que pegou fogo, cara. Conta essa daí que eu deixo você embora. Essa história, e olha que essa nem deixou os cabelos brancos. Mas a história foi a seguinte...
Puta, isso deve ter sido em 2000 Eu entrei na Tô na rock desde 2011 2007, sei lá Tava em casa, já tinha voltado Lá morava em Ipanema, acho que era em São Cristóvão
E aí me liga o segurança da Oscar e fala, Luiz, podia dar um pulinho aqui, que tem um princípio de incêndio, 10 da noite e tal. Porra, princípio de incêndio, porra, pega o carro e tal. Quando eu saio ali do túnel Rebouças, indo ali para a zona norte e tal, meu irmão, tem tipo um cogumelo de Hiroshima, assim. Eu falei, porra, ou tem dois lugares pegando fogo aqui, ou acabou a Oscar.
Porra, não deu outra. Estaciono lá, a gente tinha uma sede, porra, grande, trabalhava ali dentro, sei lá, uns 500, 600 pessoas. Graças a Deus, foi de noite, não tinha ninguém, só o segurança. Meu irmão, um incêndio que acabou a parada toda, queimou tudo. E na época, assim, hoje em dia é tudo cloud e tal. Era uma época que, porra, tinha os servidores. Porra, será que alguém levou o backup do serviço? Sabe aqueles protocolos que tinha que ninguém fazer?
Eu falei, mas senão a gente não tem nem informação sobre a empresa. Enfim, acabou tudo.
E aí, meu irmão, eu vendo aquela história ali, né, pegando fogo, até numa maluquice dessa eu entrei, os caras isolando a área e tal, eu lembro eu e um segurança entrando dentro pra tentar tirar servidor, não sei o que falar, mas o mínimo a gente amanhã começa desse computadorzinho de algum lugar. E aí, cara, naquela madrugada e dia seguinte, o Oscar tá viajando de férias, em Aspen, esquiando com a família e tal, em paz.
E eu pensando, cara, qual é o dia seguinte de uma empresa dessa? Caralho, será que a gente vai ter que alugar um galpão, um escritório, fecha algumas lojas, porque o processo de desenvolver uma coleção demora, cara, um ano e tal, queimou tudo que a gente estava fazendo, então vai demorar mais, vai desabastecer a loja, será que a gente tem que fechar algumas lojas para não ter o custo fixo e abaste... Enfim, porra, sei lá o que você consegue pensar numa hora dessa.
E aí ligo pro Oscar. Falei, Oscar, sabe, ó, acho que não acabou, mano. Assim, tá. E aí ele, pô, lá. Espero que você tenha guardado um dinheiro aí, irmão. Ele, obviamente, porra, acabei com a esfera dele. O incêndio foi numa quinta, sexta-feira, ele pegou o avião. E no sábado, tá, a gente andando no meio do escombro, irmão. Era assim, cena de guerra, guerra, assim. Ainda aquele fumacinho no canto. Acabou tudo. E no que a gente tava andando, eu falando ali, o plano de crise.
Pô, acho que eu vou fazer isso, tal. O que você acha? Vamos, não vamos, não sei o que e tal.
Uma hora ele abaixa, pega um pedacinho de um tecido de alguma coleção antiga, queimado, ele vira para mim e, porra, ficou lindo isso aqui. Porra, me assurou, né, brother? Porque tem uns caras que quando o bicho pega, vai embora. Moral da história, a gente dali ligou para a nossa equipe de criação e de estilo, no sábado, no meio do Scrum, cara, vem para cá que a gente vai criar uma coleção aqui.
E aí começou. Cara, assim, arqueologia. Eu lembro que os caras já queriam começar a tirar tudo pra acelerar. Imagina, né? Um dia, aquele negócio ia demorar dois anos pra reconstruir tudo. Já tira tudo. Não, não, não. Guarda tudo aí. Arqueologia. Aí começava a pegar saco. Aí tinha, pô, esses ilhosos, né? De zíper, retorcido. Pô, isso aqui vai dar um brinco maneiro. Eu acho que, sei lá, a gente tava ali naquela hora, a gente nem estava tão levando a sério que tava criando a coleção.
Era a nossa reação natural do cara. Ou isso aqui derruba ou isso aqui derruba a gente.
ou a gente vai sair disso aqui mais forte. E aí a gente começou ali a criar a coleção, e aí, brother, qual é o lance de moda? Eu lá como CEO, qualquer uma semana ou duas semanas que você reduza no processo de fazer uma nova coleção, cara, é menos estoque que você precisa, tá? Então, cara, eu queria reduzir três dias, não é possível que é um ano, a gente não consegue tirar uma semaninha, tá? Não, porque tem fornecedor pilotar a roupa, e vir do Japão...
Ali é o seguinte, meu irmão, ou em seis meses, metade do tempo, a gente criava uma coleção nova ou acabou. E aí, cara, a gente criou uma coleção, em seis meses estava desfilando na São Paulo Fashion Week, a gente batizou a coleção de Fênix, né, que é aquela lenda, a gente sempre tem um tema, então o tema era Fênix, as camisetas Fênix, não sei o que, que é a ave que renasce do fogo ainda mais poderosa e tal.
E não só foi uma das coleções que mais vendeu na história da Osclean, mas, sobretudo, é o seguinte, cara. Essa zona de conforto, tem o livro lá daquele do Nassim Taleb, Antifrágil, que fala coisas que se beneficiam com o caos. Ali, cara, a gente, só porque não tinha outra alternativa, joga todos os processos que nunca podia nada, e a gente, em seis meses, pariu uma coleção e se beneficiou de todas as coleções futuras.
de poder ter um novo processo que dentro da zona de conforto a gente nunca ia conseguir reduzir 3, 4, 5 dias. Então, o lance, aí vem os aprendizados, crise, e eu falo muito isso em palestra lá e tal, porque tem coisa que a gente faz junto. Crise, ao mesmo tempo, tem um risco associado gigantesco e sempre necessariamente tem uma oportunidade conjunta.
Até tem um ideograma japonês lá, que a palavra crise em japonês são dois ideogramas juntos, que significa um risco e outra oportunidade. E esses dois juntos formam a palavra crise.
Então, para eles, japoneses, eu acabei de voltar do Japão, mas é uma lição de cultura, de negócio, porque os caras pensam diferente mesmo. E é isso, toda crise necessariamente tem um risco e uma oportunidade associada. Então, eu faço parte de alguns conselhos de empresa, e a galera chama o conselho quando o bicho pega e tal. Primeira coisa que tem quando é crise, você fala, cara, não vamos desperdiçar essa crise. Crise não se desperdiça.
porque necessariamente, nem que seja para aprender, cara, que merda que eu fiz que me levou para esse lugar aqui, que volta que eu tive que dar para não acontecer de novo. E o próprio Roberto, cara, ele fala muito isso numa outra perspectiva. O primeiro Rock in Rio de 85, meu irmão, ele quebrou, assim, high level de ter que entregar um prédio da Artplan e tal. E ele dizia o seguinte, cara, até o final ele falou, cara, eu tenho duas hipóteses, cara, ou isso aqui vai ser custo ou isso aqui vai ser investimento.
Então, se eu apostar, entregar com qualidade até o final, esse rombo inteiro aqui vai servir para alguma coisa ali na frente, do que se eu começar a me negociar comigo mesmo para não entregar aquilo ali e tal. E a mesma história é com crise. Se você olhar exclusivamente pelo lado do risco, é isso, te paralisa e tal. Mas ela é a história que te empurra para fora da zona de conforto que todo mundo senta quando está gostosinho, né, cara? Eu não sei nem lidar com isso, Luiz.
Quando as coisas... Não, calma. Quando as coisas estão suaves... Ah, tá. Você não sabe lidar com não isso, né? Eu não sei... Pra mim é difícil, é estranho quando as coisas estão suaves. Eu fico, cara, eu acho que eu devia estar fazendo alguma coisa. Porque internet, assim, o flow existe há quase oito anos. É caos o tempo inteiro. Entendeu? Caos o tempo inteiro. A gente não sabe direito o que vai... Mas você tem a sabedoria.
de entender que as coisas se beneficiam com o caos. Com certeza. O flow só dá certo porque a gente sabe navegar o caos. A gente rema pouco contra a maré, a gente navega.
Sabe qual é? Então, assim, isso aqui é maluquice. Por que eu estou dizendo isso? Porque o Trump, por exemplo, decide atacar o Irã, eu tenho que fazer um programa aqui, tenho que estar preparado para fazer esse programa, eu respondo a essas paradas aí rápido, né? Mas aí vem de novo esse lance aqui. Você certamente tem uma metodologia, o flow dá certo por quê?
Esse caos tem uma metodologia para navegar no caos, mas tem o lado do propósito, da conexão, do que está rolando aqui no zeitgeist, do tempo que você pega e tal, que também bagunça o teu lado aqui do método. E você é o cara que está equilibrando essa parada o tempo inteiro.
Perfeito. No meu caso aqui, parte do meu trabalho é de fato lidar com entender que o caos não está aqui para me atrapalhar. Ele é o meu combustível, de certa forma.
isso eu tive que entender isso com o passar do tempo porque eu achei que eu conseguia transformar o flow em algo que fosse mais que conseguisse controlar melhor as variáveis sabe mas eu não controlo as variáveis eu controlo estar pronto pra elas mas aí brother, é o que eu falei aqui que é a habilidade do século 21 inner skills
Porque são raras as pessoas que conseguem ter a sabedoria de aceitar as coisas como elas são. De entender que o carro... Isso tudo é interno, cara. Isso aqui você não pega no MBA em Harvard. Isso você não terceiriza. Deixa eu trazer aqui alguém na minha equipe que vai correr risco por mim. Ou deixa eu trazer alguém aqui porque eu sou ansioso e quero controlar tudo. Então vou trazer um cara aqui descontrolado para ser a minha...
Então tem algumas habilidades internas, e que chame do que quiser, de novo autoconhecimento, espiritualidade e tal, mas você sentir dentro de você essa história de porra, eu convivo bem com a falta de controle, mesmo sabendo que ninguém quer.
quando o bicho pega e vem um negócio ruim, ninguém quer enfrentar. Pra você entender que as coisas são como elas são, os ciclos, cara, nenhuma empresa... Pô, a Rock World tem 40... Não como a Rock World, mas a Rock Henry tem 40 anos. Irmão, nesses 40 anos, faz uma retrospectiva de 40 anos de empresa, de Brasil e de negócio, né, cara? De Lady Gaga cancelando a plano cruzado, cortando zero e congelando o dinheiro que você precisava pagar a banda lá na época do Collor e tal.
Como é que uma empresa sobrevive a isso? Sobrevive a isso porque tem uma habilidade interior, nesse caso do Roberto lá atrás navegando, hoje do time que está lá, de entender, por exemplo, isso, cara. Os negócios não vão estar...
o tempo inteiro lá em cima, você vai ter uma vala ali gigantesca, mas não tem aquela história de mal que dure para sempre e nem bem que dure para sempre. Então, estar preparado quando o bicho pega... Porra, a gente... Cara, pandemia, o nosso negócio é... A gente trabalha com aglomeração. O meu negócio é... O que você faz da vida? Eu aglomero, gente. Esse era o nosso negócio quando bateu a pandemia. Então, a gente foi o primeiro a parar e o último a voltar.
E aí, cara, a gente fazia lá os nossos zooms, live, pra manter todo mundo junto e tal. Eu falava direto pro time, não era autoajuda e tal. Falei, não sei como, mas eu tenho certeza que a gente vai sair desse túnel aqui que a gente não tá enxergando e tal, maior do que a gente entrou. Não sei como, mas vai ser. Porque a gente vai navegar nisso. E o que aconteceu?
Porra, paramos, tivemos que adiar duas vezes Rock in Rio Lisboa, uma vez Rock in Rio, cara, zero receita durante dois anos, ah, vamos fazer a live do Rock in Rio e tal, imagina, cara, nosso negócio é experiência, é física, então a gente não navegou ali pra ter um dinheiro ali, porque não entendia como propósito que era ali, então foram dois anos, cara. Agora.
Crise, risco e oportunidade. Risco gigante mesmo. Qual foi a oportunidade? A gente teve dois anos que a gente estava sempre pedalando para fazer o próximo Rocking e tal. Então vamos parar e pensar como é que a gente sai o dobro do tamanho desse negócio. E foi na pandemia, por exemplo, que surgiu o Detal.
A possibilidade da gente parar e, cara, e se a gente fizer um outro evento inspirado no tamanho e dimensão do Rock in Rio, mas com o DNA da cidade de São Paulo para serem produtos diferentes e tal. Então a gente aproveitou aquele momento que a gente nunca teria feito isso se, porra, não tivesse uma pandemia que ficou dois anos sem faturamento e tal. Então, entender, navegar.
como se navega nessa dicotomia do tudo tá bem, tudo tá mal, do controle e da falta de controle, é uma habilidade interna que, cara, esse é o diferencial, porque o resto lá da tarefa, ai, ai, vai pegar, né? Até na relação tá foda, né, cara? A galera, outro dia eu tava vendo, porque a gente lê essa história inteira e tal, né, de, cara, como é que tá o comportamento do jovem e tal.
Cara, uma matéria assustadora, dizendo aqui um dos motivos, o pessoal, por que as pessoas vão no show ou não vão no festival? Cara, o número, não vou chutar aqui, o número muito alto percentual de pessoas dizendo o seguinte, cara, eu não vou a festivais de música porque eu não tenho amigo. Porra, que loucura, bro. O cara não tem com quem ir porque o cara, né, se isolou numa história dessa. Então,
Eu acho que tem uma responsabilidade nossa de entender, cara, que o que vai sobrar e que está sobrando para a gente é essa nossa primeira habilidade de a gente lidar com a gente mesmo. Ansiedade está todo mundo na história da AI e tal. Cara, como é que se lida com essa ansiedade para saber que isso aqui vai ser uma ferramenta que vai te ajudar? Então, é por aí que essa história navega.
Luiz, cara, muito obrigado pelo teu tempo, obrigado pelo papo, sensacional, obrigado pelo livro, e cara, para as pessoas te encontrarem na internet, como é que elas podem fazer? Então, eu tenho o meu LinkedIn, que eu sou bem forte lá, Luiz Justo, Luiz com S, Justo sem S, porque a galera me chama Justus, né?
Luiz Justo, e no Instagram Luiz Underline Justo eu estou até começando a tentar um pouco mais ativo ali e tal, como o propósito está batendo na porta de falar mais sobre isso, estou começando a aquecer as redes acho justo, acho justo passar essa palavra aí, para quem não gosta de ler vai ter lá a historinha não vou esperar sair o livro, não, sai um vídeo no Youtube lá do Luiz
Gente, você que assistiu até aqui, espero que você tenha anotado o que a gente estava falando aqui. Tem um monte de ouro que surge nessa conversa. A gente vai deixar não só o link para as redes sociais do Luiz aqui na descrição, como também um jeito de você comprar o livro dele também. E, bom, obrigado pela moral. Comenta aí o que você achou. Fala aqui qual foi a parte mais interessante dessa conversa. E é isso. A gente se vê na próxima.
Manda isso aqui lá no grupo dos teus caras lá que estão estudando contigo na faculdade. Manda para o teu pai que tem uma empresa. Manda sei lá para quem, tá bom? Obrigado, Luiz. Mais uma vez, obrigado pela moral. Obrigado pela moral você. E até a próxima. Tchau.
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