Episódios de Flow Podcast

ANDREAS KISSER - Flow #585

08 de abril de 20261h36min
0:00 / 1:36:08

Guitarrista do Sepultura.

Participantes neste episódio2
I

Igor 3K

HostComediante
A

Andréas Kisser

ConvidadoGuitarrista
Assuntos5
  • Carreira de Andreas KisserEntrada no Sepultura · Influências musicais · Experiência com Metallica · Impacto da música brasileira
  • Filosofia da MorteEutanásia e direitos · Cuidado paliativo · Conexão familiar através da morte
  • Impacto da PandemiaPerda da esposa · Mudanças na vida pessoal
  • Heavy metal como estilo inclusivoHeavy metal no Brasil · Recepção internacional do Sepultura · Diversidade no heavy metal
  • Tecnologia na Produção MusicalMúsica eletrônica · Uso de IA na música
Transcrição257 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra pra trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990,00 pra CNPJ. Fala até uma concessionária BYD e faça um test drive. Consulte condições em byd.com.br. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

This is the flow. Salve, salve, família. Bem-vindos a mais um Flow. Eu sou o Igor. E hoje eu vou conversar com o André Aschisser, cara. Um dos principais guitarristas do Brasil há muito tempo já, né, cara? Muito tempo. Só é que tu entrou no Sepultura foi em 87, você estava me falando.

Exatamente. Em 87 eu entrei no Sepultura, foi meio no começo do ano, né? E eu comecei a tocar o violão, na verdade, em 81, mais ou menos. Engraçado que eu ganhei um violão na rifa.

Mas eu já tocava com o violão da minha avó, né? Assim, a minha avó, ela veio da Eslovênia, então ela tocava um pouco de música folclórica eslovena, austríaca. Ela sabia uns três ou quatro acordes. Então, pô, eu cresci vendo isso, né? Ela tocar essas músicas, cantar. E com o violão dela foi que eu comecei a aprender os primeiros acordes. Eu cheguei lá na professora Denise, que era vizinha lá da minha avó, no bairro Campestre, em Santo André.

E o meu objetivo era tocar Starway to Heaven, que era aquele objetivo impossível, né? Isso porque ainda não tinha City Iron Mine. Não, putz, não tinha nem Guns N' Roses, né? 81, não, isso aí é 81, 82, é por aí. Mas aí eu comecei a aprender música popular brasileira, os acordes, né? A primeira música que eu lembro de ter tocado mesmo foi a Planeta Água, do Guilherme Arantes.

E sempre que eu voltava, minha avó era sempre a primeira cobaia. Eu sempre mostrava as coisas pra ela. E sempre foi o que me apoiou. O que te encantou ali? Porque, assim, tu tocou... Nessa época, você tava ouvindo o quê? E por que Planeta Água? Porque era fácil? Era uma música por causa dos acordes. Era o que a professora passou. Você vai aprender o Mi maior, o Ré maior, o Sol. Então, essa música tem esses quatro acordes. Então, vamos lá, entendeu?

Aquela coisa da mudança rítmica, pra você ter aquela coisa. Fazer pestana, que é a coisa mais difícil do mundo. Muita gente, na verdade, desiste, por causa que a pestana é realmente difícil. É a primeira vez. Mas depois, obviamente, com a prática, você passa. Mas, cara, em casa sempre teve muita música. Minha mãe tocava um pouco de acordeon, minha avó tocava violão em casa. Nada profissional, mas assim, sempre teve. Meu pai escutava muito Tunique Tinoco, Sérgio Reis.

Minha mãe tinha uma seleção muito eclética de disco. Tinha Clara Nunes, Martinho da Vila, Beth Carvalho, tinha o Help dos Beatles, tinha BG's. Tinha aqueles discos de tema de novela, né? Que aí vem uma porrada de artista. Cara, assim, o Internacional, a primeira vez que eu vi Genesis, por exemplo, foi num disco desses.

de uma seleção de artistas. A primeira vez que eu ouvi o Michael Jackson foi num disco desse. Foi no filme do Batman. Era uma seleção interessante que as novelas traziam. Tinha aquela coisa do internacional e os temas nacionais. Eram dois discos a cada novela que saía.

Então tinha tudo isso em casa. O caminho da escola, por exemplo, era um ônibus fretado para pegar só os alunos da escola. Fazia um caminho que demorava uma hora, desde que eu saía de casa até chegar na escola. E era exatamente uma hora do especial Roberto Carlos na Rádio América. E o motorista deixava todo dia isso.

Então eu vi Roberto Carlos a minha vida inteira indo pra escola. Então, pô, eu tinha muita referência musical. E, pô, Brasil, samba, futebol, sempre fui muito fanático pelo futebol. Um dos primeiros vinis que eu lembro de ter foi o dos hinos do Clube de Futebol Brasileiro. Eu sabia todos, do Grêmio, do Inter, do São Paulo, do Corinthians, do Palmeiras, aqueles do Rio, que são maravilhosos, do Bahia, do Vitória, enfim.

Então, a música sempre teve, apesar do meu fanatismo do futebol, também estava permeado com essa coisa, porque eu gostava de ouvir os hinos, de saber a letra, de diferenciar coisas da estrutura. Enfim, acho que inconscientemente eu já tinha uma conexão com a música.

E em casa sempre teve isso, né? Sempre teve muita música, a gente tava sempre ouvindo alguma coisa. E meu primeiro contato com o rock, cara, foi... O Alice Cooper veio pro Brasil em 1974, né? Então, eu tinha seis anos de idade, eu nasci em 1968, eu tinha seis anos de idade e tava lá com a minha mãe no sofá, lá no Rui de Ramos, em São Bernardo do Campo, onde eu morava, assistindo Fantástico, né? Um domingão, antes de ir pra cama, pra acordar cedo pra escola.

E, cara, ali apareceu uma chamada no Fantástico. Alice Cooper tá vindo pro Brasil. E apareceu um clipe dele, ao vivo, dele com a cobra, pintado, com aquela coisa de fogo, pirotecnia. Eu falei, mano, o que é isso? Aliás, eu nem usava esse termo, mãe. Sim, 6 anos, porra. Eu me impressiono como tu lembra disso, porra. Mãe, porque me marcou. Marcante pra valer. Marcou muito. Mãe, o que é isso, meu?

O que eles estão fazendo, né? Falar, ah, isso aí é rock and roll, sei lá, tipo uma ópera, né? Eles são muito doidos, mas eles são milionários. Aí, por algum motivo, isso fez uma conexão, sabe? De ver aquilo como uma profissão, talvez. Mas totalmente assim, eu tinha seis anos de idade, mano. Mas, de alguma forma, eu nunca esqueci disso, velho. Pra mim, foi um impacto ver o Alice Cooper, assim, sabe? Com aquela idade, com minha mãe do lado. E minha mãe mostrando que aquilo era uma coisa normal.

Sabe que era uma profissão como ser médico, como ser advogado, entendeu? Era uma possibilidade. Talvez isso é uma análise que eu faço, obviamente, posterior. Mas por isso que eu acho que eu nunca esqueci, né? Pelo impacto de ver o Alice Cooper e ver alguma conexão ali, talvez. E essa reação da tua mãe, essa forma de te fazer entender o que era Alice Cooper, não sei se ela era muito comum, pelo que eu leio, da relação dos artistas com a sociedade nessa época. Minha mãe era uma artista.

Minha mãe pintava quadros. Ela dava aula de pintura na década de 70, cara. Imagina. Era uma mulher bem mais à frente. Ela fazia exposições de quadro na praça lá de São Bernardo, no Paço Municipal. Então, pô, eu cresci com isso também. De desenhos, de pintura, de cheiro de tinta, de pincel. Isso tinha muito na minha casa também. Então, ela tinha um espírito artístico, sabe? Acho que...

Porra, se não fosse minha mãe, eu acho que seria muito mais difícil ter seguido uma carreira assim. Porque meu pai queria que eu fosse militar, né? Isso, provavelmente teria virado militar, né? Isso é interessante, porque assim, você está me falando que a tua mãe é artista e pelo que o teu pai esperava ou que ele, sei lá, sonhava pra você, ele era um pouquinho mais quadrado, por assim dizer. É, mas ao mesmo tempo, ele que levou a gente no Rock in Rio.

Meu pai levou eu e minhas irmãs no Rock in Rio. Ficou lá, mano. Largou a gente lá no meio, em 1985. Lá no meio de 60 ou 100 mil pessoas, sei lá quanto de gente tinha. E ele esperou os shows inteiros, tipo, dando rolê, ficando esperando a gente, né? E de tabela viu o Queen, viu Iron Maiden, viu o Whitesnake, viu o Scorpions, o ACDC. Viu, porra, todas aquelas bandas no auge, né? Ele queria mesmo era Tunica e Tinoco.

Por exemplo, no meu primeiro show que eu toquei na escola, lá no Colégio Singular, em Santo André, uma feira de ciências que a gente fez sobre o trash metal. Primeira vez que a gente estava falando de Metallica, de Venom, de Hellhammer, de Slayer. E hoje você vê o Metallica uma das maiores bandas do mundo. Então era um projeto científico, realmente, de mostrar uma vertente que era bem underground, que era só a galera que conhecia mesmo.

E um pretexto pra gente montar um palco na quadra da escola, né? E, porra, a escola montou um palco lá, o singular, e a gente podia apresentar. Eu toquei Judas Priest, toquei Twisted Sister, toquei Venom, tocamos Whitesnake, tocamos Judas Priest, né? E meu pai tava lá. Ele foi lá assistir, dar apoio, né?

Então, ao mesmo tempo que meu pai queria que eu fosse militar, ele não foi, vamos dizer assim, um empecilho. Ele não ficava contra. Eu acho que ele sentia que as coisas eram genuínas, que eu realmente amava aquilo, que eu sempre gostei e amo o que eu faço. Então, acho que ele não teve nem como. E quis participar o máximo que pôde, mesmo sem entender muito o caminho da arte.

É, eu fico pensando... Eu fico pensando no meu pai, por exemplo. O meu pai e a minha mãe, hoje talvez para ele seja um pouco mais fácil de compreender como é que eu pago minhas contas, entendeu? Sim. Mas é...

A gente tá falando, nesse caso, de uma tecnologia... Não é que não existia música nesse tempo que você tá falando, mas no meu caso, estamos falando de uma tecnologia nova, de profissões novas, né? Sem dúvida. E que meu pai jamais imaginou, e minha mãe jamais imaginou também, que eu ia estar fazendo o que eu tô fazendo hoje. Eu também. Sim. No meu caso... Não existia, não existia. Não existia nem a possibilidade. No teu caso existia, mas era um caminho...

Ter sucesso na música era... Velho, assim, ainda na minha época, ali, década de 80 e tudo, era total preconceito, mano. Músico era vagabundo. Era drogado. Era geral toda hora, na rua. Porque era cabeludo, tinha tatuagem. Pô, eu cheguei a ouvir de um tio meu, porque eu era vagabundo, mano. Na minha cara, assim, mano. Pô, você não trabalha. E eu já tava no Sepultura fazendo coisa, enfim.

Então, foi um processo difícil. O estilo de Sepultura não é uma coisa que rola em rádio, não é uma coisa que é tema de novela, você não tem essa estrutura comercial, vamos dizer assim. E isso foi sempre bom, na verdade, porque a gente sempre trilhou o nosso próprio caminho. Foi sempre pegar o facão e abrir o nosso próprio caminho. Ninguém escreveu essa história, a gente escreveu a nossa própria história. É mais difícil? É. Mas é mais livre.

Você tem mais possibilidades de não estar preso a caixas já estereotipadas do que tem que ser o heavy metal, do que tem que ser isso, do que tem que ser aquilo. Sepultura, por todas as dificuldades, aprendeu a criar um próprio estilo e absorver também essa coisa da música brasileira, dos ritmos. Aos poucos a gente foi absorvendo isso. A influência da música brasileira faz parte da Sepultura desde o começo.

Cara, sim, não tão explícita assim, porque eu cresci ouvindo música brasileira, Max e Igor também, aprendendo a tocar esses negócios e tudo. Mas a gente queria fazer uma coisa completamente oposta, a gente era mais radical. Tudo que vem de fora é bom, tudo que é do Brasil é um lixo. Era bem isso, entendeu?

Apesar de ouvir, de saber desse tipo de coisa e gostar, era aquela coisa, você tá fazendo parte do grupo radical, Maiden, Black Sabbath e Venom, Metallica, essas coisas novas que estavam aparecendo, que estavam levando pra coisa mais pesada, mais agressiva. O Thrash Metal alemão, o Creator, Destruction, Sodom. Todas essas bandas que levaram... Nossa, minha mãe não deixava ouvir Creator. Putz.

To Evil. Porra, na capa tinha... Slayer também não podia. Era bem explícito. Eu lembro de ver as costas de um CD do creator. Meu irmão, eu tenho um irmão mais velho. Ele não é filho da minha mãe, ele é filho só do meu pai. Ele é sete anos mais velho. Foi por ele que eu me aprofundei no mundo do metal. Porque a primeira coisa... Pelo menos os caras da minha idade, em geral, quase todos que eu conheço, os metaleiros, o primeiro contato que eles tiveram com metal foi um Iron Maiden.

Eu falei de Kissy Queen, mas eu acho que o Iron Maiden foi a banda de metal mesmo. O Judas e o Iron Maiden, eu posso dizer, que chegaram porque em 79, 80 tinha saído Unleashed in the East, que é um disco ao vivo do Judas, que eu ouvi muito. Tanto é que no meu primeiro show que eu falei que eu toquei com a banda no colégio, eu toquei Diamonds and Rust, que é uma música do Judas Priest ao vivo e etc. Então Judas e Maiden acho que é a porta realmente do metal.

E aí, esse meu irmão, eu comecei a ouvir, eu sabia que ele ouvia e eu achava muita barulheira. O que eu tava ouvindo? Eu tava ouvindo dance antes disso. Meu Deus, cara. É, moleque, tava ouvindo dance. Você foi salvo. Tava ouvindo dance. Mas fita, cassete. Eu passei pela época da disco, né?

de 78, 77, 79 cara, foi terrível, porque você via Kiss o Kiss fazendo música disco I Was Made For Loving You é uma música disco é um hit do Kiss, mas é pure disco, você vê os Stones, né Tattoo You, tem muita coisa disco ali

Mas enfim... Mudou completamente. Eu acabei mudando da água para o vinho, porque um vizinho meu tinha o Brave New World, então isso foi em 2000, alguma coisa assim, e acho que foi 2000. Não, foi 2001, eu lembro exatamente quando eu estava no primeiro ano do ensino médio no Cefete.

E aí eu ouvia aquele disco ali e ele era mais palatável, sabe? Sim. Dava pra tu... Dava pra segurar onde? Pô, tá, eu sou do dance, mas eu tô curtindo isso aqui. Pô, legal, devagarzinho, não sei o que. Aí meu irmão, eu falei pra ele, pô, aí, eu tô ouvindo aqui um disco do Iron Maiden, cara. Um CD do Iron Maiden, maneiro. E ele, meu irmão, tinha caixas e caixas de CD.

Gostava muito. Ele era o cara que ia toda semana na loja de CD, ou coisa assim, e... O que que tem de novo? E aí os caras tocavam as paradas, ele ia pegando, então ele descobria, conhecia muita coisa. Você gostava também de Rush? Cara, então... Yes, Pink Floyd.

menos porque eu fui mais no que ele me apresentou. Sim, sim. Então eu saí do Dance pro Iron Maiden, e aí os quatro primeiros discos que o meu irmão me emprestou foi Angels Cry, do Angra, foi Somewhere Far Beyond, do Blind Guardian, foi Euthanasia, do Megadeth.

E o outro eu não lembro. O outro eu não lembro. Ele não me marcou muito. Mas esses aqui meio que desenharam o meu gosto daqui pra frente um tanto. Eu gosto mais de Megadeth do que de Metallica, por exemplo. Inclusive, quando eu vejo um cara que é assim, eu tenho uns quebra-gelo, né? Então, se o cara tá falando comigo e o cara é carioca...

Eu já, vai, como 90% dos cariocas é Flamengo, eu já chego e faço uma piada de Flamengo, não sei o quê. Se o cara tem um cabelo novo, já fala, aí, Mané, tu gosta de... O que é que tu prefere? Mega Def ou Metallica? Aí, porra, aí já tem ali um papo pra gente trocar, entendeu? Uma vez eu meti um lance pra um cara e o cara falou, não, Mané, eu gosto de Ana Castela. Sensacional.

É, mas essa coisa de preferir um ou outro é muito tradicional, cara. Eu lembro que os meus amigos, falando de ACDC, por exemplo, Bon Scott, O'Brien Johnson. Eu manjo Rush, mas não é... Tipo, eu vi vídeos do baterista do Rush rodando e o caralho, entendeu? Mas...

Eu sempre preferi um blind guard. Sim, sim. Não, assim, são coisas da geração de cada um. Eu acho que o heavy metal é o estilo mais popular do mundo. O Sepultura já foi para mais de 80 países, mano. Inclusive, países com religião e política de formas diferentes, umas mais radicais, outras não, mas que a música e o heavy metal chegam. Inclusive, tem banda no Irã de heavy metal. Nós já tocamos com banda iraniana na Armênia.

Olha a mistura. Aonde o heavy metal leva a gente? Geórgia, Armênia, África do Sul, Marrocos, enfim, Indonésia, que tem uma nação de heavy metal, um dos países mais metal do mundo. Eu achava que era o Japão.

O Japão é, o Japão é mais espadinha, vamos dizer assim. Sim, é verdade. Não é verdade. O Japão gosta mais dessa coisa mais técnica e tudo. Mas a Indonésia é uma coisa mais pesada no sentido metálica, né? Sepultura, enfim. Mas enfim, mostra que...

O fã de heavy metal é bem eclético. Ele é inclusivo também, porque você vê o que tem de banda feminina. O Rob Halford como homossexual, vindo publicamente, assumindo essa posição e não sendo cancelado por isso. Enfim, entre tantas outras, o Derek, um vocalista negro, que também não é comum dentro do thrash, dentro do heavy metal. Enfim, é um estilo... Cara, assim...

É tipo uma MPB, né? Ou um jazz, né? Que você... O rock, vamos dizer assim, que sofre tanta mutação, né? E a gente falando aqui de duas coisas e duas tendências diferentes, mas é tudo a mesma coisa no final, né? Todo mundo vai falar aqui de porra, mano, de bandas em comum como Iron Maiden e talvez fases diferentes, né? Megadeth e tudo. Mas que fazem parte da minha história também. Que é muito melhor que Metallica. Não, aí não. Aí eu não acho.

Você quer falar sobre isso, né? Eu pensei, quando eu tava pensando nisso, eu pensei, porra, eu quero jogar o Andrés nessa fogueira, Mané. Porque ele ainda tá em atividade. Não, eu conheço os caras, porra, pra mim é um privilégio. Fala, porra, sabe, ser amigo. Porra, encontra os caras, dão um abraço, né? Dão uns pega, enfim. Porra, troca uma ideia, né? E, puta, isso pra mim, cara, não tem preço. Eu consigo entender completamente isso aí. Cara, o Rust in Peace, por exemplo, é uma obra-prima, cara. É.

Que era um disco, assim, perfeito. Aquilo, pra mim, é o Megadeth, né? Pô, Rusty... Rusty... Rusty Peace, não. Peace Cells, eu gosto muito. Porque é a época de BH. Quando eu tava lá com Sepultura, sabe? Ouvindo isso. Eu ouvi muito o Peace Cells também. Chris Poland, né? Na guitarra. Puta música espetacular. Minha música favorita desse álbum aí é a última. Black Friday.

É, sensacional. Isso é maluquice. Então, assim... Aquilo ali pra mim é mega déficit. Mas é que, cara, o Metallica pra mim, cara, o Metallica pra mim é como um Black Sabbath, sabe? Eu acho que o Metallica com Ride the Lightning, principalmente, mudou a história da música, mano. Cara, Fate to Black, Cliff Burton, Fight Fire with Fire, For Whom the Belt O's, Call of Cthulhu, cara. Assim...

O Sepultura seguiu muito essa estrutura de montar um álbum. Música porrada, a música tema, que é uma música mais grovada, que dá todo o sentido ao disco, tematicamente, que é Ride the Lightning. Aí você tem uma For Whom the Bell Toes e The Call of Cthulhu, lado A. Lado B, você já abre com uma música esquisita, que é Escape. Enfim, e aí você fecha com uma música porrada. Enfim.

Master of Puppets é meio assim. E o Arise é assim. O Arise a gente montou assim. Tipo Arise, Dead in Burning Cells, Desperate Cry. Aquela coisa instrumental e tudo. Então você vê a influência que vai muito mais além do que o riff e a música em si. Como o Metallica se apresenta, mano. O Metallica é uma aula.

Eu trabalhei com o Metallica, eu toquei com eles, eu fiz o teste lá quando o James queimou o braço e tudo. Uma experiência maravilhosa, cara. Observar o Metallica fazendo é uma aula em todos os aspectos. O Sphere agora de Las Vegas, como eles estão anunciando, a desculpa que eles pediram da confusão de venda de ingresso, a preocupação em melhorar o processo para a próxima fase. Cara, é...

E quando eu toquei com eles lá, quando o James queimou o braço, eles deram chance pra guitarrista que tocava em banda cover do Metallica do Canadá. Não sei aonde. Cara, olha onde os caras vão. E o Metallica tava no Black Album fazendo o turnê com Guns N' Roses em estádios pelos Estados Unidos.

estavam no momento mais alto, e mesmo assim eles deram a chance, pra eles mesmo, sabe, de ouvir uma interpretação e tudo. Eu vim do Brasil, cara. O Phil Rind, do Sacred Reich, que é muito amigo do Jason Neustadt, baixista do Metallica na época,

Ele falou, pô, dá uma chance ao Andréas, ele curte muito Metallica, toca os negócios. Falei, pô, vem aí, a gente vai estar em Denver. Em Colorado, em tal data, não sei o quê. Eu estava no Brasil. Em poucos dias, comprei uma passagem e fui para lá. Fui recebido com uma limusine no aeroporto. Fui direto para a arena onde eles estavam ensaiando.

E lá toquei dois dias com os caras. Fui pra final com outro guitarrista, acabei não pegando, fiquei em segundo lugar. Mas, cara, experiência, puta, uma amizade com Jason Nistet que gerou várias bandas e sons. E até hoje eu tenho contato do Lars, converso com ele e tudo, cara. E o respeito que eles têm pelo Sepultura, sabe? Pela música do Brasil, que eles conheceram mais através do Sepultura, das bandas e etc.

E, cara, é uma relação, assim, ainda de muito respeito e admiração, sabe? Eu ainda sou muito fã de Metallica. Pra mim é sempre muito esquisito estar do lado dos caras, sabe? Apesar de conhecer e trocar uma ideia, pra mim eu sempre sou muito fã, sabe? Entendi. A banda é espetacular, né? Então, aí, Metallica é melhor que Megadeth pra mim.

Bom, eu não consigo discutir com todos esses argumentos aí não, tá bom. Preciso escutar mais Metallica, com menos na extorsão. Pra mim o Cliff Burton, cara, o Cliff Burton é o Mozart, o Beethoven do Thrash Metal, cara. O Master of Puppets é uma obra-prima. Acho que não tem nada que chega perto, não é em relação a Megadeth, é em relação a tudo. Sabe? O Master of Puppets tem que ser colocado junto com, sei lá, os melhores discos do The Who, do Beatles, dos Stones, sabe? Cara, é coisa assim de...

Porra, de uma... Master of Puppets em si é Orion, né? São óperas, né? São umas coisas muito bem formatadas e pensadas nos detalhes e o jeito que ele tocava o baixo, né? É uma pena que ele morreu tão cedo, né, cara? Mas ele deixou uma marca incrível.

É, eu ouvi tudo isso aí, mas eu acho que no meu caso eu fui mesmo enviesado pela escolha do meu irmão. E assim, se eu sempre perguntar, hoje eu vou falar, cara, não, eu gosto mais de um HDF. Mas você me deu boas razões pra eu ouvir. Mas cara, o Ride the Lighting, que eu mencionei aqui como uma virada de página...

O Dave Mustaine faz parte daquilo. Ele escreveu aquilo também. Ele deu uma direção junto com o Hathaway e o Kirk Hammett e tudo. Então, porra, Megadeth faz parte de tudo isso.

Mas, porra, também não precisa... Eu não tô falando que eu não gosto de metal. Sim. Porque não precisa. Dá pra tu gostar dos dois. Mas eu uso os caras porque pra mim é sempre um jeito de abrir um papo ali. E tu mencionou um troço, cara, que é sobre música do Brasil. Vai. Música vindo do Brasil. Metal vindo do Brasil. Sepultura. Como é que isso foi recebido ao longo do tempo? Nos lugares e inclusive pelos outros artistas. Vocês... Música...

Não é comum, né? Não tem outras bandas do tamanho de sepultura brasileiras, né? É, na época, obviamente, não tinha nenhuma banda, né? Exato. Então, foi sempre muito exótico, né? Porque, assim, não tinha internet, não tinha essa coisa de TikTok ou Instagram que você fica mostrando o que você come no café da manhã ou o que você usa pra dormir e o cacete a quatro, sabe? Você tinha uma coisa muito mais fechada. Você vê o disco e a foto que tava no disco.

Ou depois tu ia lá e comprava uma revista pra ler uma entrevista. Exato. E as revistas eram muito burocráticas no sentido de mostrar a imagem oficial da banda, etc. Não tinha uma coisa de backstage, essas coisas que o cara tava fazendo em casa, né? E eram vocês que impunham esse limite? Não.

Não, era da época. Não tinha essa comunicação. Então, quando saiam sepultura lá, ouvia o que estava sendo feito no Brasil por esses moleques, a gente criou uma... A gente precisa conhecer esses caras. Quem são esses caras? Como é que eles são? É alto? É preto? É branco? Enfim, fica uma coisa assim, uma aura de mistério.

Sepultura é fácil pros caras falar também, né? Exato, tem essa, Sepultura. Nos Estados Unidos a gente igualava Sepultura. O que? Sepultura. Sepultura, Sepultura. Então vai por aí, né? E a gente foi aprendendo a lidar com essa surpresa de cada um. Dessa coisa de chegar na Europa e ter lá dois fãs da Alemanha com a bandeira do Brasil e os caras ouvindo o hino nacional brasileiro no toco no carro.

Pra agradar a gente, cara. Umas coisas assim de... Isso em 89, né? E os caras seguiam ônibus, né? Iam em todos os shows ali na região e tudo. Era tipo quase um Grateful Dead, né? Tu tinha 20 e poucos anos. Isso foi em 90. É. Porque eu tô tentando entender aqui, André. Como é que isso mexeu com a tua cabeça? Porque, de fato, é exótico, incomum, fora da curva. E chegar na Alemanha, que é de onde tá... Chegar num lugar que é de onde vinha...

música e radiava a música, porque os espadinha nessa época aí tava saindo dali também, né? Da Alemanha. Tinha uma porrada de espadinha alemão, né? É. O que vem um pouco depois, na verdade, né? É. Tá bom, mas o meu ponto é, tu, novão, numa situação incomum, atípica e vivendo, e sendo rockstar, porra. Como é que tu, como é que isso mexeu contigo, cara?

eu tenho sorte ou privilégio de ter família a família ajudou muito a trazer de volta principalmente a Patrícia quando eu já namorava com ela em 1990 trazer de volta, mas trouxe de volta porque tu foi

Porque você vai, você realmente começa a ter sucesso, as portas começam a se abrir, você começa a fazer uma grana. Onde você vai, as pessoas querem pagar goró, querem te dar coisa, querem te fazer tudo. Então você começa a acreditar nisso, você começa a ter uma expectativa desse tipo de coisa. E quando você volta para casa...

você não tá no seu backstage esperando a sua toalha ou esperando que hora que vai sair a comida pra entrar no palco, tá ligado? Então é um outro ritmo, né? Então, pô, em casa eu tô lá... Tu que vai fazer teu prato. Eu tô trocando a fralda do filho, vou comprar pão na padaria, vou pegar metrô pra não sei aonde. Volta pra essa coisa real. Porque realmente é igual o Pelé falava dele, né? Do Edson e do Pelé.

Fala, pô, o Edson vai morrer um dia, o Pelé vai ser eterno. Porque são duas coisas diferentes. Quando ele tá no... O Pelé é uma outra coisa, é o cara dentro do campo, né? Todo artista dentro do palco e fora dele, ele é muito diferente. Então são duas coisas realmente, são dois ambientes, né? Onde a gente entra numa outra realidade, assim, né? Então se você começa a acreditar muito naquilo e trazer isso pra esse mundo real, vamos dizer assim...

você começa a perder contato com essa realidade. E tu tinha uma galera pra te segurar um ano? Foi. Pra te mandar e comprar um pão. E as coisas aconteceram, parece rápido hoje, mas aconteceram de uma forma gradual. Por exemplo, com Nirvana, foi uma coisa da noite pro dia. Com Mamonas Assassinas, foi uma coisa da noite pro dia. Também, da noite pro dia. Isso realmente é muito nocivo.

Porque você tá num patamar e um, dois meses você tá com sei lá quantos milhões na conta e todo mundo, você não pode sair na rua. Cara, isso realmente... Mas com Sepultura nunca aconteceu assim, porque no Brasil a galera não tava dando muita mínima pra gente, né? A gente teve que fazer um sucesso lá fora pra todo mundo começar a perceber aqui no Brasil. Eu lembro que a gente no Beneath Remains saiu na New Musical Express, aquele importante jornal musical inglês, né?

estavam lá os charts, os 10 mais de vendas na Inglaterra na época. Então estavam lá as bandas da época. Em segundo lugar, Beníder e Meis Sepultura. E em terceiro, New Order. A galera daqui pirou, né? Assim, como assim? Quem são esses caras que estão na frente do New Order? Então a referência do que estava acontecendo começou a vir pra cá. E o Rock in Rio em 91 foi, mano...

justamente a época do Rust in Peace, lá do Megadeth, que os caras estavam no auge, Queensryche, Guns N' Roses, Judas Priest, a gente tocando junto com eles no estádio do Maracanã. Aquilo realmente mostrou sepultura pro Brasil. Passou na Globo, imprensa que a gente fez. Essa banda brasileira tá tocando mais fora do que aqui, mano. E vocês aí, achando, sabe, não estão percebendo muito. Mas o Rock in Rio em 91 foi o que colocou sepultura no Brasil, né?

Mas o que tu achava dessa parada? Você sentia meio contra a cultura quando você via que a galera lá fora gostava e aqui dentro não muito? Mas é que no Brasil a galera estava escutando a música que o Sepultura fazia? Não muito também, né? Não, a galera underground, sim. A galera que estava acompanhando, que ouvia esse tipo de som, sim. Mas era uma galera underground, não era uma coisa ainda mais pra cima. Tanto é que, pô, a Metallica, essa coisa era ainda bem underground.

Não rolava em 89 nessas rádio rock. Rolava outras coisas. Com certeza. Isso foi depois. Quando começou a ficar mais popular e mais aceito. E o Metallica também mudou. Enfim. Mas em algum momento, tu tava mesmo lá em segundo lugar na Inglaterra. E no Brasil, tu era um moleque ali que foi comprar pão. Exato. E é isso que eu tô falando. O que vocês achavam?

Pô, caralho, queria ser conhecido no Brasil. Queria que as pessoas gostassem do Sepultura no Brasil, como gostam no mundo. Se passasse pela cabeça, ô, foda-se, tudo que vem do Brasil é fezes mesmo? Como é que era? Não, eu acho que... Esses eram tudo jovens, pra caralho. Eu acho que tinha um pouco dos dois. Tinha um pouco de foda-se, mas tinha também um pouco de se incomodar com uma certa ignorada, né? Que a mídia fazia e...

Porque a gente tava fazendo uma coisa muito pioneira, né? Que, porra, só depois de Carmen Miranda e Mutantes, pô, sem exagero nenhum, cara. O Sepultura foi a banda que levou a cultura brasileira e até hoje não é considerado parte da cultura brasileira. Sepultura não é chamado pra criança esperança, por exemplo.

com todo respeito à diversidade, mas o Criança e Esperança não é show de entretenimento. É o foco para um assunto muito mais sério, onde a sociedade tem que ser representada por um todo. E a nação metal não se sente representada num momento como esse. Por que não chamar um Angra, um Sepultura, um outro representante do metal que possa trazer a atenção dessa nação metal para que doem, para que participem do negócio? Entendeu?

Ah, não, porque tá Sandy, porque tá Sonza, porque não sei o quê. Cara, é só o ato. O Brasil é isso. E é também o heavy metal. Né? E, cara, assim, por que que eu amo tocar com músicos? Toquei com Ivete Sangalo, toquei com Samuel Rosa recentemente. Toco com a galera, porque é música brasileira.

Música brasileira, o heavy metal faz parte disso, mano. A gente não tem que ter vergonha nenhuma de tocar e ter essa conexão, porque o Brasil é maior do que qualquer gosto musical pessoal, né? Então, porra, assim, o Sepultura tá aqui há 42 anos porque...

absorver os estilos da música brasileira, influenciados por Chico Saenz, influenciados pelo tropicalismo, pelos novos baianos, pelo Raimundos, bandas que influenciaram o Sepultura a trazer mais uma brasilidade para a música.

O Carninhos Brown, o Tim Balada. Tudo isso, mano, está na nossa música. E isso é Brasil. Agora, porque a gente canta em inglês, a gente não é representado como banda brasileira. Isso é um nacionalismo, para mim, burro e limitado. Porque a gente fala das coisas do Brasil. O Bloody Roots é um disco mais brasileiro do Sepultura. É cantado em inglês. Mas a gente fala das coisas do Brasil.

fala da nossa miscigenação, da nossa cultura, da nossa diversidade, de colocar um Carlinhos Brown em uma tribo chavantes junto com heavy metal, de uma maneira natural, sem forçar nenhuma barra, sem forçar uma situação, uma expressão, sem querer podar ou mudar uma coisa, mas agregar as coisas. Por isso que o Roots é tão especial até hoje, porque é um disco muito honesto, ele é um disco, assim, você coloca hoje, parece que foi feito ontem.

Ele é um disco muito vivo. Ele está sempre no presente. Eu gosto da versão que tem o Pavarotti cantando. A gente está comentando isso, cara. Que não é o Pavarotti. Vamos deixar claro, né? Você, que é mais ou menos da minha idade, você baixou no início dos anos 2000 aí, no Emule, no... Sei lá, no Napster não, mas no Emule, no...

Sei lá, no Lime, na época. Lime Wire, sei lá, umas porra assim. O Roots, Bloody Roots, com o Pavarotti cantando. Só que aí eu fui falar contigo assim, porra. Porque até agora eu achava que era... Um cara baixou essa música. Muito tempo depois. Porque na época eu achava que era o Pavarotti cantando. Sim. Muito tempo depois eu parei. Porra, não, isso aqui...

Tá, não. Isso daqui eu acho que alguém baixou, o cara cantou por cima ali, ele imitou alguma coisa e é isso. Mas também não é isso. Cara, é uma banda da Alemanha que se chama JBO.

Como é que eu posso explicar essa banda? É tipo um Mamonas, vamos dizer assim. Eles têm alguns personagens e fazem algumas sátiras. E uma delas é essa. O cara bota uma fantasia meio de sumô, que ele vira um pavarote. E eles fizeram uma versão da Roots, Bloody Roots, do Sepultura, com ele cantando. Que é muito bem feita, na verdade. Parece até a gente tocando, inclusive.

E a gente fez uma vez uma apresentação ao vivo com eles no festival na Alemanha, que nós tocamos juntos, né? E fizemos lá, meio de improviso. Foi muito legal, cara. Ele botou a fantasia dele, entrou de Pavarotti, assim. E fizemos ao vivo, entendeu? Mas eu tenho certeza que muita gente ainda acha que é o Luciano Pavarotti. E tudo bem. Pô, seria uma parceria fantástica.

imagina e funciona né funciona assim ficou uma coisa muito interessante essas junções cara inclusive eu lembro quando eu já te falei antes que eu sou do espadinha então eu lembro quando veio quando saiu o álbum do Angra o Temple of Shadows que tem uma música que tem o Hansi do Blind Guardian cantando com o Angra

E isso pra mim, na época... As bandas que você mais curtia, né? E assim, bandas que se juntavam, que eu curtia e se juntavam. Por exemplo, eu lembro que eu gostava muito de um projeto que... Eu gostava muito de Blind Guardian. Então eu tinha um projeto que era do Ice the Earth com o Hansi. Eu não lembro o nome, mas eles se juntaram e fizeram acho que dois álbuns. Eu me amarrava nessa coisa quando acontecia. Sabe qual é?

A gente quase fez um lance assim com Ratos de Porão, mano. É? É, quando o Derek entrou na banda, um tempo depois ali, a gente ia fazer tipo um split, né? Aqueles discos menorzinhos de vinil, um fazendo versões de música do outro, mas acabou não rolando, infelizmente. Ah, tu curte tocar? Vamos lá, hoje o que tu escuta na tua casa? Ah, cachorro latindo, breque dos carros descendo na rua.

Construção do vizinho, enchendo o... Tu curte se escutar? Cara, assim, a gente acabou de lançar um single novo, de um EP que vai sair agora em abril. São quatro músicas inéditas, com um baterista novo, Grayson Necrutman. E...

Eu tô ouvindo essa música todo dia, cara, porque acabou de sair também, né? Uma coisa de uma referência nova e tudo. Mas eu gosto de me ouvir, sim. Eu gosto de ouvir as coisas antigas e algumas coisas que poderiam ter sido diferentes, mas que são dessa forma e...

E é o que trouxe a gente aqui, né? Musicalmente falando? É, música de qualidade, enfim, um monte de coisa. Mas eu nunca tive essa coisa de querer mudar, sabe? O que a gente achava que não deu certo, a gente melhora pro próximo, né? Tá sempre nessa... Porque é lançar um disco, fazer uma turnê, e cara, a turnê é...

É um processo, mano, que você volta a outro sempre. É? Você vai pra um portal... Quantos turnistas tu já fez, André? Porra. Aí é pergunta difícil, mano. Desde 89? Não, então, é... É foda-se. É só muitas vezes, né? Muitas vezes, pô. E a tua ainda volta diferente? Porra, com certeza. Você tá sempre tendo uma experiência nova, uma...

um contato ou cultural ou de backstage com um artista, sabe? Uma coisa inesperada que aconteça e tudo. Eu acho que é sempre dar espaço e abrir essas possibilidades. O Sepultura é isso, mano. É viver o presente. Viver esse momento de privilégio de você ter como mexer e moldar as coisas.

E é isso, cara. Essa coisa de você ser um pouco destemido. A sepultura é arriscar. A arte, pra mim, é risco. Se você não faz nada que tá meio inseguro, você não vai conseguir mudar nada. Você só vai repetir ou o que você já fez ou repetir algo que outra pessoa.

É, verdade. Nesse sentido, experimentar é sempre, de fato, um risco. Pode vir uns troços fodos e pode vir uns troços meio bife de fígado. Que tem gente que ama e tem gente que odeia. Ou ama ou odeia, na real. Exato, exato. E aí, tu que é fã, porra, cara, não é uma berlinda, tá bom? Mas o que tu achou do disco Saint Anger, do Metallica?

Eu não gosto, mano. Eu acho muito... Aquela bateria que tem nesse álbum. É uma coisa meio forçada, mas eu acho que artisticamente ele é um... Por exemplo, tem dois discos do Metallica que eu acho que são tipo...

uma atitude meio Picasso, meio Andy Warhol. Tá bom, tá. Sabe, uma... Rothko, né? Mike Rothko. Uma coisa de frequência, de uma coisa artística, sem querer explicar nada. Que o Saint Anger é um desse, porque eles estavam passando um processo psicológico, juntos, como banda. O Hetfield. Some kind of monster.

Fala muito bem essa história do Saintenger. E eu acho que o Metallica é isso. Eles são destemidos. Eles sempre estão prontos ao risco. E não tem medo de se expor. Você mostrar um processo daquele. De o Hatfield ter um psicólogo junto com a banda. E os caras gritando na cara um do outro. Aí o Hatfield some um ano. Vai para o rehab. É um processo muito intenso. Muito difícil.

Ter banda e viver desse jeito é muito... Você tem que realmente amar o que você faz. E o Metallica mostra isso. Não tem medo de esconder esse tipo de coisa por um processo meio de marketing ou de outro. Eles são aquilo. E é muito legal ver como eles exploram isso, entre aspas, para o próprio benefício psicológico deles, de passar por esse processo. E o outro disco é o Lulu, que eles fizeram com o Lou Reed.

que aquilo ali, cara, eu consegui ouvir aquele disco uma vez inteiro, uma vez na vida porque ele é dificílimo já ouviu esse disco? Já sabe desse trabalho? Chama Lulu é um disco que o Metallica musicou e fez uma cama musical pra poesias declamadas pelo próprio Lou Reed assim

falando Andy Warhol e Velvet Underground, cara, é um statement artístico espetacular, mano. É tipo o John Cage chegar lá e fazer uma peça em silêncio 4 minutos e 33, não tocar nada. Né? Assim, as pessoas ficam assim, caralho. Então é isso. Eu amo isso, cara. Por que não?

Por que não? Tudo tem que ser comercial, tudo tem que ser perfeito na visão seja lá o que seja a perfeição. Então seja livre. Arrisque-se. Dá essa cutucada em você mesmo. Saia dessa zona de conforto. Zona de conforto é o pior que pode acontecer pra qualquer coisa. Principalmente pro artista. Então, pô, Metallica é uma banda que me inspira demais. Falando de Metallica de novo. Realmente, cara, você perguntou do Santengar, mas o Lulu...

Tenta ouvir ele e tenta seguir o que o Lou Reed tá falando. Que é a história de uma prostituta. Aquela coisa, puta, né? Lou Reed pra cacete, né? Mas, cara, é um desafio aquilo. É um desafio.

é quase um estudo, dá pra dizer? É, é um estúdio de self-awareness. É uma coisa sua. De você testar limites, inclusive, sonoros, de como eles apresentam aquilo e como você absorve aquela história. Então, é um processo espetacular, mano. Não precisa ser explicado. Você tem que sentir aquilo. Então, você tem que ter uma experiência própria com aquilo. E a arte é isso. Você senta ali num banco e vê um quadro e começa a chorar sem saber o porquê, mano.

Isso é arte, né? Isso tá mexendo com algo dentro que tá adormecido e que tá saindo dessa hibernação, né? Pra você perceber e se perceber melhor, né? E como é que é ter a capacidade de falar essa língua por meio das cordinhas da tua guitarra, cara? Eu acho que eu... Eu tenho esse...

Assim, é uma inveja boa, tá? Eu queria muito. Você me perguntou se eu cheguei a tocar antes da gente começar, né? E eu te falei que eu cheguei a tentar deixar o cabelo crescer, andava com guitarra e umas revistas de cifra. Porque eu tive um professor no ensino médio, que era um professor de violão na escola. E eu me matriculei, aí eu comecei a estudar com ele, não sei o que, gostei. Mas eu sempre quis, eu sempre achei maneiro.

O cara que consegue fazer música, sabe? Total, mano. Isso sempre me impressionou. De ver aquela coisa do Alice Cooper, né? Ver os videoclipes do som pop, da TV Cultura. O Mr. Sun.

Tudo na minha época, eu sei que você não vai lembrar disso, mas foram muito importantes, cara. Apesar de ser clipe, muitas vezes dublados, assim, pôde ver, né? Porque a gente não tinha show no Brasil, cara. Não tinha, não vinha pra cá, né? Como eu falei, Queen vem em 81, Kiss em 83, Rock in Rio em 85, e a partir daí começou, né? A ter um fluxo, e hoje o Brasil faz parte desse circuito internacional, né? Mas quando tu vai tocar, quando tu vai compor, caralho, É...

Tu tá tentando falar alguma coisa, eu imagino, por meio da música. E esse processo, ele é duas coisas. Ele também te emociona, tanto quanto emociona potencialmente quem vai ouvir. O que é mais gostoso? É preparar a mensagem, ou seja, compor a música, ou entregar a mensagem num show, gravar um álbum, sei lá.

Puta, no show, o palco é tudo. O resto... Assim, todo o processo de você fazer ensaio, de você estar no estúdio, sabe, de gravar. Eu gosto do estúdio. Você tá criando algo novo e tudo. Mas, cara, música é no palco. É tipo teatro, mano. É um contato direto, entendeu?

Todo esse processo de fazer videoclipe, fazer entrevista. É tudo pra estar no palco. Pra tocar. Pra ter esse privilégio de estar no palco. De ter esse contato vivo com o público. Eu toco Roots toda noite e sempre é uma nova Roots. Por isso que eu só falo Blue Roots. É, pois é. Fico enrolando a língua aqui. E aí, mano, então fica...

uma coisa viva, sabe? Então não é uma coisa que enjoa, é uma coisa que você só vai crescendo com aquilo. E aí vão 40 e tantos anos já. 40 e tantos anos, é. E você falou de escrever, de compor. Eu acho que não é só ter o que dizer. Obviamente você tem que ter uma mensagem. Obviamente tem mesmo que ter uma mensagem. Tem que ter uma mensagem. Senão acontece o quê? Mano, tira o amor, por exemplo, dos Beatles. Acabou.

quantas vezes os caras falam love nas músicas? É o conceito, os caras estão dando uma mensagem, eles estão mandando uma mensagem, sempre, em qualquer música. Se você tem uma letra ou uma intenção instrumental, você está com uma mensagem, tem que ter.

se não é a arte. É a mesma coisa uma poesia, um quadro, ou sei lá, qualquer coisa artística tem uma mensagem. Então tá. Pode ser até difícil de explicar e não ser entendida, mas ela tá lá implícita, tá lá dentro. Então, mais do que você ter uma mensagem, acho que também é ouvir o instrumento.

Por que a gente muda de afinação? Porque a resposta é diferente. Você pode estar fazendo o mesmo acorde, a mesma coisa, mas a afinação vai dar outra frequência. A roots, de novo. Foi a primeira vez que a gente abaixou a afinação, foi lá pra baixo. Cara, a gente nunca ia escrever uma roots se tivesse na afinação normal. Porque ali é... Duas notas, né? A coisa mais simples do mundo, mas tem ritmo e tem intenção. A gente queria ser aquela coisa mântrica, né? De mantra.

sabe aquela coisa de já pega no começo assim né então tudo tem uma intenção a gente não tá fazendo nada aleatoriamente e isso gruda as coisas, porque que uma música vem antes da outra tudo tem um sentido mais amplo de organização então saber ouvir o instrumento também, você toca um negócio aqui caralho, esse riff é do caralho

Tava querendo fazer outra coisa. Aí você vai. E vai por outro caminho, entendeu? E aí, mais uma vez, essa música nova, The Place, que acabou de sair, é um riff que tem quatro anos. Fiz ele quatro anos atrás, sei lá, durante a pandemia lá, não sei o quê. E escrevi ele assim, porque tava com vontade, tava lá com a guitarra brincando. Eu falei, porra, olha que legal essa sequência, não sei o quê. Tá lá, guardado. Aí, quando a gente resolveu fazer esse disco e tudo, fui lá, pô, esse riff de repente funciona. Aí pegando e...

virou a música. Então, não necessariamente você precisa escrever uma coisa com uma intenção de estar em algum lugar. É só uma expressão pura de ter que sair. De você ter que colocar pra fora. Por que você faz terapia?

pra colocar as coisas pra fora, pra falar com você mesmo, pra você lidar com isso, pra você verbalizar, pra você tirar nó, pra você ouvir coisas que só vai ouvir através de um profissional. Nenhum amigo ou nenhuma família vai falar tipo de coisa, ou você vai se sentir à vontade pra falar. Então a música é meio isso, é uma comunicação com o instrumento, com os limites do instrumento.

O Jimmy Hendrix falou que imaginava de fazer coisas na guitarra que ele não conseguia. Imagina, né? E olha o que ele fez. Pois é, né? Caralho. Espetacular.

Caralho. E quando a gente vai para um campo de novas tecnologias, André? Por exemplo, a gente viu o surgimento da música eletrônica, né? Que ali, estou falando de um tempo atrás, então, bateria, eletrônica, não sei o quê. E hoje é perfeitamente possível chegar um cara aqui, senta ali, ele faz uma música inteirinha no computador, ele não toca uma corda.

Não bate um nada e tem uma música inteirinha. Não necessariamente essa música, ela tem menos alma que uma música feita pelo Sepultura. Concorda? Assim, eu acho que tem menos alma no sentido de você colocar tudo num quadrante. De você não ter a imperfeição do ser humano. Tá. O caráter e a característica de cada um tá na imperfeição de cada um. Aí que a gente se encaixa. O quebra-cabeça se encaixa onde? Nas imperfeições, mano.

é ali que a gente se encaixa por isso que a gente tem que respeitar as diferenças são nas diferenças que a gente se une

Não é nesse conceito de raça, ou de nação, ou de fronteira, que a gente vai se isolar e vai ter uma ideia purista de uma nação, enfim, dessa palhaçada que a gente está vendo aí hoje, de imigração e tudo mais. Então, as imperfeições, aquelas são... Cara, eu ouço um disco do Black Sabbath com todas aquelas coisas meio fora do tempo, e você vê um barulho aqui, não sei o quê. Você pega a bateria do Bornham, do Led Zeppelin, né? Só a bateria. Você ouve...

A respiração do cara junto. Mas tá lá, cara. Hoje, todo mundo quer fazer tudo limpinho. Só o sono, não sei o que. Cara, em meia hora você não aguenta mais ouvir aquilo. Então, não tem alma. A alma tá na imperfeição. Não tá na perfeição. Então, você tem que ter essa relação meio de insegurança com a coisa. Porque você não sabe o que vai acontecer. E isso que é lindo.

isso que é lindo, mano, de você lidar com o presente da resposta e lidar com aquela resposta no momento no ato mas não tem uma certa matemática que dá pra você explorar quando você tá fazendo a música, eu tô falando isso porque a sensação que eu tenho tem a ver com o que você tá falando, mas a sensação que eu tenho quando eu escuto um K-pop é matemática, entendeu? o troço é feito

Com cuidado. Escolhido. Foi feito praquilo, exato. Entendeu? E arrasta multidões. Cara, mas eu não aguento escutar isso. Pra mim é tipo... Fica uma coisa extremamente mecânica. E música com IA? O IA pelo menos o cara teve que dar um prompt ali. Mas assim, é muito generalizado. Música com IA.

você tem que ser um pouco mais... A gente tem que ser um pouco mais específico. Por exemplo, o Beatles usou IA pra fazer música. Limpou o vocal do John Lennon, lançou essa música inédita. Foi usado. Sensacional. Mesma coisa. A gente é de uma geração onde a gente gravava... Então você tá falando da IA como ferramenta pra melhorar algo que o humano fez. Sim.

Mas toda tecnologia é isso, né? Às vezes a gente pega a tecnologia e fode ela. A gente faz isso com frequência, na real. Quase todas. Todas. E assim, a gente veio de uma época onde a gente gravava em fita de rolo. Voltava, cortava na gilete, etc. Era uma outra época. Pra mixar o disco era tudo manual. Não tinha essa coisa automatizada. E a gente passou por todo esse processo. Do vinil pra criação do CD.

o CD pra criação do Pro Tools, a edição de vocal e tudo. Cara, não é porque tem o Pro Tools, é que a gente tem que usar tudo o que ele oferece. Pra gravar vocal, por exemplo, o Pro Tools é perfeito, mano. Porque ele é muito rápido em fazer edição, em montar ideias e tudo.

pra fazer edição, né? O Protuz é bom. Mas, cara, você não pode pegar uma bateria e colocar tudo ali porque você mata o músico. Você mata a performance e tudo. Então, você tem que ter um equilíbrio, né? Saber usar a ferramenta. É a mesma coisa, sei lá...

Quando você entra no estúdio, realmente, você tem tudo à disposição. Os livros aqui que você tem. Se você não tem um foco, como é que você vai saber escolher? Não vai. Ali você tem informação, você tem muita educação e tudo, mas você precisa saber o que você quer. Ah, eu preciso saber da gastronomia da cidade de Londres. Ah, eu tenho esse livro. Pum.

Pronto. Aí você tem essa função, você usa essa tecnologia pra um fim específico. E não você é escravo, tem que usar gastronomia de Londres e de Berlim, tem que fazer... Não, é London. Só uma analogia pra ter o foco. Então, aí vem de novo, você tem que ter uma mensagem. O que você tá querendo dizer? Isso faz parte? Vai desviar o foco? Ou vai ajudar no conceito? Então você tem que ter uma coisa bem clara. Tanto é que quando a gente começa um disco novo,

O conceito é o primeiro a vir. Tá lá os meus e-mails, eu faço meus research lá, minhas pesquisas, não sei o que. A sugestão é essa. Próximo disco eu tive essa ideia, quadra, porque tal, veio daqui, quadrível, não sei o que. Beleza? Aí todo mundo lá, beleza. Vou conversar, ok. Aí a gente começa. Quando é que... Geralmente é tu que sugere isso? Sim. Tá. Já rolou dos caras não topar alguma?

Não, porque meus argumentos são muito forna. Meus argumentos são forna. Cara, assim, eu, quando eu tô convencido de uma ideia, eu sei apresentá-la. Eu não vou jogar uma coisa que eu não tenha muito... Sabe? Então, quando... Porque por isso que eu faço um...

trabalho de pesquisa, vou lá leio, faço vejo palestra, enfim, vejo documentário. É muito complexo, é muito complicado de tu me dizer mais ou menos como é que acontece o processo inteiro pra então entrar num estúdio, desde da ideia que surge da tua cabeça até entrar no estúdio porque quando tu fala que tu tá apresentando pros caras e tu tá explicando nossa, eu ia mal ouvir

E se uma música pudesse te levar mais longe? Tá perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto, é viajar com o ritmo da música. Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026.

Ah, mano, então, eu monto um e-mail, tipo como uma tese, vamos dizer assim, né? Que eu quero apresentar. E chega do nada? Ou tu avisou pros carotos? Tô com uma ideia. Não, a gente tá nesse processo de fim de turnê, já sabendo que tem que preparar algo pra gente começar a trabalhar pra um próximo disco e etc. Então, vem já de uma coisa de fechar um ciclo e abrir as possibilidades novas. E aí, porra...

O quadra veio de algoritmo. Coisa do dia a dia. O algoritmo está escolhendo o que você ouve, o que você come, o que você compra, não sei o quê. Aí, números. Achei um livro que chama Quadrivium. Quadrivium fala das quatro artes liberais, da música, da...

da cosmologia, enfim, da matemática e etc. Aí dá lá definições dos números. Um é isso, dois, quatro, a estabilidade, não sei o quê, onde você começa a construir, etc. Então, dali quatro veio o quadra. Quadra, você tem uma coisa delimitada com as regras específicas onde você vai jogar o jogo. É a vida, mano. Vida é o quadro. O Brasil é uma quadra. A Arábia Saudita é outra quadra. Regras específicas onde você vai jogar o jogo.

você respeita certas leis não sabe de onde veio, mas defende e acha que o seu ponto de vista é o único, que o seu Deus é o único que o seu Deus é o melhor e tudo mas lá do outro lado do planeta as pessoas estão com outro ponto de vista igualmente legítimos são vítimas também como nós da nossa própria cultura de tradição, de tradicionalismos de cultura que a gente leva de uma geração pra outra e muitas vezes nem sabe porquê a gente leva de uma geração

E como a gente viaja, a gente vê outros pontos de vista, outras ideias do cosmos, como foi isso criado, budismo, mormon nos Estados Unidos, outras religiões, outros pontos de vista. A gente vê que isso é tudo. Não tem uma coisa... A gente tem que respeitar isso, porque estão falando tudo a mesma coisa.

Estão todos falando a mesma coisa. Então, por que não ter essa... Então, a quadra fala muito disso, de respeitar as diferenças, coisa que a gente falou agora, das imperfeições. Respeitar as diferenças, porque... Cara, olha o que é o Brasil. A culinária, a gastronomia brasileira. Se a gente não tivesse aprendido nada com os italianos ou com os africanos que vieram escravizados para cá, os alemães, poloneses...

Olha a culinária que a gente tem. A gente aprende um do outro. O que a gente ensinou pro mundo, o açaí, a caipirinha, entre outras coisas, entendeu? Vai misturando, porque a gente vai se conhecendo e vê que a fronteira é uma coisa ilusória, né, de visões. A gente tem muito mais a aprender com as tribos, por exemplo, de ver a natureza, de lidar com caça, com como... Cara, pra mim, isso aqui é um absurdo, mano. Com todo respeito ao patrocinador aqui, de comprar água, velho.

Como assim comprar água? O ser humano comprar água. Esse aqui é o planeta do ser humano. Água é fundamental para a vida de qualquer ser vivo. Não é só do ser humano. É de planta, é de animais. E o que faz o ser humano? Polui a água para privatizar uma parte para poder vender de volta para a gente. Assim, não muito tempo atrás, cara, no Rui de Ramos, eu ia lá na Bica pegar água na fábrica. Lá tinha água de graça e livre.

Não muito tempo atrás, década de 70, é isso, cara. E olha, hoje em dia, a gente não vê água potável em lugar nenhum por uma coisa fundamental do ser humano. Para mim, é um absurdo pagar por água. Cara, quanto é 80%, 90% a gente é água? É verdade. A lua muda o nosso humor, as marés e tudo. Como que a gente tem que pagar para beber água, cara? Isso não tem sentido nenhum.

então a gente perde contato com a natureza The Cloud of Unknowing que é o novo EP, fala disso de a gente ficar com várias sabe, tipo o véu que vai colocando na frente de desvio, de foco de você não ter contato direto

com a coisa espiritual, por exemplo. Não precisa de um livro, não precisa de uma parafernália em ouro e prata, ou esculturas que representam imagens e etc., para você ter um contato espiritual. Você tem capacidade direta disso, de você ter a sua própria experiência espiritual sem passar por essa estrutura política que é a religião.

que divide mais do que une. Então, assim, a gente tenta colocar isso na nossa música, porque a gente vê que a gente tem muito mais em comum do que parece. O que mostra, nessa mídia em geral, é que a gente está sempre se odiando, um está batendo no outro, mas não é assim, mano. Não é só assim.

Tem notícia boa acontecendo todos os dias. Basta ter foco. É igual a física quântica. Tudo é possível. Basta você ter foco. Você cria as coisas. Você tem o poder de criar a sua própria história. Estou convencido. Vamos gravar o quadro. Beleza. Então esses são os meus argumentos. Viajei pra caralho agora.

Então assim, quando tem alguma coisa Porra, eu gosto de falar sobre De filosofar, sabe? De botar na mesa De ouvir, e aí inspirar O Derek vem com ideias, vem com um livro Ó, tá falando disso, tá falando daquilo Aí a gente começa a achar nome de música Aí o Paulo, ó Puta, assistiu um filme que falava não sei o que Então a gente começa a agregar, mano E aí você começa a construir algo que tem sentido No sentido de a gente ter Uma mensagem, né? De mostrar que, porra É...

É muito legal você ter um contato, por exemplo, com um cara lá direto num país que tá sofrendo o que tá sofrendo do que ouvir pela mídia. Sim. A gente tem fãs que, porra, né? Se comunica, porra, aqui tá foda, eu já não consegui sair de Dubai porque tal, não sei o quê, sabe? Então a gente tem um certo, vamos dizer assim, privilégio de um contato direto.

está tocando lá no interior da Alemanha, o cara pegou dois trem, veio com uma grana para comprar duas camisetas, conseguiu tomar uma cerveja, você tem um balance. Aí o cara reclama, aqui subiu o ingresso, não sei quantos euros. E não é tanto gossip, tanto aquela coisa de você ficar jogando só notícia ruim na mídia, mas você tem um contato e uma coisa...

com o próprio povo, vamos dizer assim, que tá na rua, que tá no dia a dia, e que sabe o quão difícil é você ir num show de heavy metal e poder comprar esse tipo de coisa. Cara, e o heavy metal, ele tá... Ele não tá na... Já passou o auge do heavy metal, mas as coisas, elas funcionam em ciclos. Sim. Você sente que... Eu sinto, a minha... Me parece que a galera que tá...

Os moleques de 2026 que era pra estar ouvindo metal estão ouvindo música eletrônica, eu acho. Pelo menos os moleques que eu fico assim, pô, esse moleque devia estar ouvindo metal. O meu filho nasceu em 2005, o meu terceiro filho, o Enzo. Enzo, obviamente. Ele não curte muito metal, não, mano. Ele tá fazendo belas artes, tá fazendo produção musical. Nossa, eu pensei que você fosse falar o contrário.

Não, ele tá fazendo beats, coisa de reggaeton e umas coisas totalmente diferentes, assim. Que é do caralho. Ele tá... Inclusive eu dei um lance do Metallica pra ele fazer, pra ele fazer um remix e tudo. Ele fez um lance muito legal, né? Na concepção dele, assim, né? Então, realmente, essa geração tem uma outra...

O outro universo musical que existe hoje em dia. E eu acho que tem a ver com o jeito de fazer música, André. Bom, esse aqui sou eu, cara. Tá olhando. Pô, reggae é muito mais fácil sentar no computador, muito mais confortável, etc. Tu sentar no computador com a Coca e um traquinas e tu fazer ali a música. Do que tu ir lá aprender a tocar guitarra antes de fazer a música. Sim.

Então, o aprendi... Por exemplo, minhas filhas. Uma tá na aula de violão e a outra tá na aula de ukulele lá. Mas a verdade é que é só porque a gente quer colocá-las pra fazer alguma coisa, entendeu? Boa.

O ponto é, pode ser que elas curtam, mas não foi que nem tu. Entendeu? Sim. Então é que tava afim da parada. E como eu já fui professor, eu sei que pra aprender um troço tu precisa querer. Sim, com certeza. Então eu não sei em que medida que isso vai ser eficiente. Tá sendo eficiente, faz alguma coisa aí. Entendeu?

Mas, cara, ao mesmo tempo, você vê uma galera jovem, mano, que na internet você vê muitos, molecada mesmo, tocando Metallica, Sepultura, Megadeth, formando suas bandas.

Recentemente eu toquei lá em Los Angeles em janeiro, agora na feira de música que chama NAMM, The NAMM Show então são lá todos os produtos, instrumentos músicos e etc do business na música e eu faço essa jam com o pessoal do metal pessoal do Megadeth uma galera do Dream Theater sensacional, todo ano eu vou lá e faço parte disso e sempre tem banda de abertura

E, pô, abriu uma banda lá da Flórida, chama Chain Saint. Cara, uma molecada, assim, de 19 anos, 18 anos. Fazer um puta som, cara. Tocaram, inclusive, uma música do Sepultura em homenagem lá. Falou, pô, Andrés, o cara tava usando a camisa amarela e tudo. Cara, uma galera, um vocalista negro também. Muito parecido com um mini Sepulturinha, assim, sabe? E os caras tocando pra cacete, assim, baixista, vocal, guitarra, batera.

Então tá tendo. Tá, lógico que tá. Eu tô falando aquela coisa do foco, né? O metal sempre foi underground, cara. É verdade. É muito difícil você botar isso na mídia, no geral. O máximo que eu lembro, eu, moleque, o máximo que tocou nas coisas que tinha a ver com o metal, que eu lembro que eu festejava, dava vontade de soltar focos. Lembra de Fairytale?

do xamã André Matos cantando na novela mas porra, caralho caralho, xamã na novela é muito foda mas no máximo era Linkin Park, era New Metal no rádio

Então, Sepultura rolou na rádio algumas vezes. Rolou a versão da Orgasmatron, que a gente fez ao vivo, rolou na 89. A versão da Polícia, e a versão da Bullet the Blue Sky do U2. Rolou bastante na rádio. Mas isso aí tocava aqui no Brasil, tocava 89, tocava na Rádio Cidade, lá no Rio. Na Rádio Cidade, sim, com certeza. Mas não tocava na Jovem Pan? Não.

Eu tocava o Linkin Park. Isso aí anos depois também. Também. Dois mil e pouco, né? Exato, exato. Ah, hoje você tem, porra, toca Metallica em estádio de futebol, né? É. É uma música, né? É. Mais popular. Eu fui, inclusive, no último show do Metallica, que foi aqui no Morumbi, eu fui. Fui no show da Iron Maiden também, bom pra caralho.

Pô, é sensacional. O show da Iron Maiden é um teatro. E você vê que tem uma nação, cara. Os caras anunciam show, é sold out em poucos minutos. Tem muita galera metal aqui, mano. Em dois segundos, Metallica, Iron Maiden, Cdc3, Morumbi, lotado. É sensacional. Agora, hoje em dia faz pouca diferença tocar na rádio ou não, né? Hoje... Pra gente nunca fez. Ainda tem isso. Nunca a gente tocou na rádio. Nunca.

A gente nunca dependeu de rádio. Mas e lá fora? Lá fora, College Radio, nos Estados Unidos. Importantíssimo, mano. Principalmente naquela fase, década de 80, começo da década de 90. College Radio era fundamental. O que era o College Radio? É o que diz, é aquele rádio mais local, feita por alunos e não sei o quê, mas que, porra, tinha um alcance...

Da galera que comprava ingresso, que ia em show e que sabia que estavam antenados. Então, cara, quando a gente lançava o Arise, por exemplo, a gente fez muito College Radio. Então, a gente pegava e fazia uma via sacra de entrevista, de não sei o quê. Então, nessa época, eu não sei hoje. Hoje você tem a Sirius, aquela coisa de satélite. Então, parece que é uma outra pegada. Mas, naquela época, a College Radio era muito importante. Entendi.

O BBC, a gente já fez coisas assim, né? Grandes, né? Pontuais, né? Como a rádio que o Valsir, o Chalas tinha, né? E eu tenho agora o Pegadas, junto com o Johan, que fala do heavy metal na 89 e tudo, mas coisas mais... Mas o que você está me dizendo é...

por ser underground e por não ter a cultura de depender de rádio, por exemplo, nunca teve, então tu consegue fazer uma música que tu tá cagando pra rádio. Tem um monte de artista, e existe o radio edit das músicas. Cara, que engraçado que você falou isso, a gente lidou com isso essa semana, mano.

justamente pra tocar numa rádio nos Estados Unidos, porque lá tem uma frase que fala fucking ou fuck alguma coisa. E eles queriam editar o começo e tudo, a gente, puta, não quer editar, não quer tocar, não toca, mano. Porque, velho... 2026, mano, pela aí, né? Não pode falar fucking, porra. Você tem... Tudo que você vê na imprensa, cara, na mídia geral, guerra, bomba, files do não sei o quê, aí o cara vai estar preocupado com um fuck que acontece numa música, mano. Ah, porra, é muita hipocrisia, né? Ah, porra.

Então, porra, não muda. A música é assim. Não quer tocar, não toca, então. Mas isso sim. Os serviços de streaming, de música, eu imagino que eles trouxeram muitas mudanças. E algumas são percebidas como positivas, outras negativas. Mas impacta mais profundamente qualquer coisa o consumo. Então...

O cara que é fã de Sepultura, ele vai entrar num streaming aí e ele vai ouvir. Cara, o fã de Heavy Metal é o fã mais fiel que existe, mano.

Ele não gosta de comprar produto pirata. Não compra produto pirata. Quer comprar o oficial. Quer o vinil oficial. Quer a camiseta oficial com a marquinha. E é produto. Por isso que o Iron Maiden, o Kiss, o próprio Sepultura, tem tanto produto, cara. Porque o fã de heavy metal, ele gosta de colecionar. Eu sou fã de heavy metal. Eu tenho um monte de entulho em casa. De coleção de disco, de camiseta, de caneca. De não sei, um monte de coisa, cara. Porque a gente ama heavy metal, né?

de ter o picture disc, ou ter uma toalha com o Ed do Iron Maiden pra ir pra praia. Coisas assim, né? Porque a gente coleciona esse tipo de coisa. Então, a Sepultura tem a pimenta, tem a cerveja, tem um vinho, tem a caneca, tem o café. Tem vários produtos, assim, que...

que o fã gosta de ter, o fã de heavy metal gosta de colecionar esse tipo de coisa. E é legal porque ele gosta de comprar o produto oficial. Então isso deixa o business forte. O dinheiro vai pra onde tem que ir, não tem um intermediário. Vai pra banda, vai pro empresário, vai pra gravadora, vai pro sistema que mantém isso funcionando. Então o fã de heavy metal, ele é organizado, ele é respeitoso.

ele não tá ali pra ficar azarando a mulher do outro, ou querendo ficar mostrando golpe de jiu-jitsu que aprendeu na semana, tá ligado? Ele quer gritar 666 com Bruce Dixon, mano. E cantar, e curtir, e respeitar. Você vê que, porra, onde a gente vai no mundo, você vê equipes de segurança que trabalham em locais de diferentes estilos, sempre falam do pessoal do Heavy Metal, que é muito mais tranquilo, mano.

Porque é um pessoal organizado, ele gosta da música. A gente gosta da música, de curtir o palco, de ver o avião do Maiden, de ver o avião do Motorhead, de ver o fogo do Keys, o sangue do Gene Simmons. Cara, coisas que a gente viu 500 vezes e vai continuar vendo 500 vezes e amando.

Então, a gente gosta de entrar realmente na história que estão contando, de fazer parte daquilo. Não à toa, muita gente vai até fantasiada, vai com coisas a mais, para entrar no espírito mesmo. E isso é maravilhoso, cara. É muito lindo de ver que o Heavy Metal une uma galera do mundo inteiro. Esses navios que tem os Heavy Metal Crews, por exemplo, 70,000 Tons of Metal, que é um dos principais e o maior. É um cruzeiro.

do mundo inteiro, dentro do navio do mundo inteiro e é muito do caralho isso, porque você tem uma conexão multicultural falando de Iron Maiden, falando de Sepultura falando de Metallica, é uma conexão muito muito foda o ruim é ver você os caras de tanguinha e colete jeans andando

Esse cara é de speedo com colete de couro. É constrangedor. Mas assim, é do caralho, mano. É engraçado, sabe? Deve ser constrangedor. Mas pô, é show pra todo lado, né? São vários palcos e aquela barulha, você vê lá, você tá em Bahamas na sal e o bicho pegando um navio. É do caralho. É sensacional.

Esse tempo todo de carreira, cara, fazendo o que tu ama, falta tu realizar alguma coisa? Que nem tu falou, pô, tu é amigo dos caras que tu é fã. Pode não ser amigo próximo, mas tu tá ali. Ou em algum momento teve mais próximo, caralho. Sim. O que falta? Ué, não sei. Tá em paz? A fome do jovem tá saciada?

Eu não vejo por esse lado, cara. Eu não vejo como uma fome ou como uma ansiedade de matar uma situação. Sabe como matar a fome, por exemplo? Tem que comer. Eu não vejo por esse processo de espaço-tempo. Eu vejo por um processo diferente de viver o dia, mano.

de viver o momento, eu não tenho motivo nenhum de criar muita expectativa, porque isso cria uma ansiedade desnecessária, que eu acho que é o grande mal da nossa época, essa ansiedade, crise de pânico, e ter que lidar com respostas imediatas, WhatsApp, você falar com 380 pessoas todo dia e tem que responder todo mundo, isso não existia antes, mano.

Cara, eu lembro de ter amigo na escola, ter minha família. E, cara, primeira turnê de sepultura, eu ligava pra minha mãe a cada 15 dias, num telefone a cobrar, num orelhão qualquer.

orelhão qualquer, não tinha nem celular. Mãe, tô bem. Fizemos um puta show ontem em Londres e tô comendo, tô dormindo. Te amo. Ok, mano. Você chegou, não sei o que. Cara, isso é uma loucura. E as pessoas não percebem isso. Não percebem que estão numa... Não, a gente acha que melhorou. Num ritmo, assim, que tem que saber tudo, toda hora. E é por isso que você vai no ITU, todo mundo sabe de tudo.

Sabe da política internacional, sabe da medicina, sabe de ciência, sabe do cosmos, sabe do corpo humano, sabe do fundo do mar, sabe de tudo. Porque absorve tudo e quer já falar de uma vez. Não tem tempo de digerir as coisas. Eu acho que essa coisa de fazer meditação, de você parar um pouco, fazer yoga...

fazer terapia, dar um tempo, dar uma respirada, perceber o corpo, você se ouvir um pouco, isso é muito saudável, porque te dá um pouco de espaço, de decisão, de você curtir o momento, porque não tem motivo de correr, a gente não está correndo para lugar nenhum, para que correr?

são quatro programas que você faz na semana. Por que você quer fazer 15, por exemplo? Eu, no meu caso, até você me perguntou antes de a gente começar quanto que eu faço por semana, eu até estou fazendo 15, mas porque eu preciso de uma gordura pra poder ficar doente. Porque se eu ficar doente, para. Então não queremos isso. E como eu nunca tive umas gavetinhas, daí eu vim fazendo umas gavetinhas. Não, entendo, entendo. Isso foi uma analogia de você. Mas eu tendo você e eu concordo. Eu tenho amigos que...

que, na minha opinião, se passam mesmo, entendeu? Eu fico assim, meu irmão, tu já tem tudo. Tu já tem um carro foda aí na garagem, tu já tem uma casa que tem uma academia dentro. Cara, eu perdi dois amigos muito próximos.

que o coração parou. Mesma idade que eu. Amigo que cresceu comigo. Não sei o quê, mas... História de vida, estresse, família, não sei o quê. Álcool and drugs e tudo. Uma hora chega assim e desligou, velho. Sabe, assim...

Por quê? Porque, assim, se mata pelo trabalho, se mata por isso, se mata pra manter a aparência, se mata pra ter uma resposta pro outro. Né? Assim, cara, a conversa é com você, com mais ninguém. Você estando equilibrado, o resto, as frequências, elas se equilibram. Tu cuida disso? Ou pra você...

o cuidar disso é viver sendo honesto. Porque existe... Eu tenho uma atenção especial. Eu vou lá fazer uma terapia. Todo dia de manhã eu falo com Deus, sei lá. Não, eu tenho o meu processo. Eu só não... O que me mata é rotina. É. Mesmo se ela for saudável. Então eu deixo as coisas... O tempo fala comigo. Então tu nem ficou puto quando eu cheguei atrasado aqui, né? Oficialmente, não.

Não, não, não. Mas, assim, é tipo, realmente, ter um respeito a si próprio, de fazer exercício. Essa coisa da meditação é importante. Pilates, pra mim, puta, fundamental, cara. Tu é o cara do Pilates? Pilates é sinistro. Eu amo, amo, cara. Eu faço cinco anos já, seis anos eu faço Pilates, cara, e...

sabe, são desafios que você tem com você mesmo de você ter mais disposição não beber, seis anos que eu não bebo álcool, isso me abriu um outro mundo foi justamente aí o que fez tu parar?

maturidade? Não, assim, como sempre, é sempre um lance traumático, né? E foi num churrasco de família, de, pô, naturalmente tá lá com a família. Cara, não precisa falar, não precisa falar. Eu faço questão de falar, porque, porra, assim, foi uma coisa que foi fundamental na minha vida, né? Então, no churrasco, tava lá como sempre, quando a gente junta, meu cunhado, meu sogro, minha família toda, a Patrícia, etc.

abre um uísque, começa a beber, tudo aquilo, normal. E, mano, tava naqueles dias, talvez, não sei, comecei a falar as verdades que todo mundo tinha que ouvir, né? Aquele jeito, não sei o que. Bebeu um pouco, ficou corajoso. Bebei pra caralho, não sei o que, fiquei louco. Todo mundo ali quase saiu na mão com meu cunhado, mano. Foi uma coisa triste, feia, feia, feia. E aí cada um foi pra um lado e eu fui a pé pra casa, sozinho, né?

Ninguém me aguentava, nem eu tava me aguentando. Aí, pô, tinha 40 minutos, mais ou menos, de caminhada.

lá na Zona Leste, no Tatuapé, onde eu moro, e eu chamo essa minha caminhada de Santiago. Caminhada da Emílio Maletti. Porque, cara, ao mesmo tempo que eu estava alucinado, eu estava muito sóbrio, cara, falando comigo. Parecia duas entidades assim mesmo. Assim, ó.

Velho, você é um imbecil. O álcool tá fazendo as escolhas da sua vida. Tudo que você faz, o álcool é mais importante. Qual lugar que eu vou sair pra jantar hoje? As férias da família, por exemplo. Teve uma vez que eu não fui na Disney com a minha família porque não tinha cerveja lá dentro, velho. Porra, é foda. Cara, sacou? E pra mim era normal.

Falei, pô, eu perdi tempo com as pessoas que eu mais amo por causa de cerveja. Aquilo começou a cair a ficha, assim. Eu falei, quando eu tô num aeroporto, a primeira coisa que eu vou, eu vou no boteco. Entro no avião, peço álcool. Chego no hotel, vou pro boteco. Day off, bebe. Chega no dia do show, tem álcool. Caramba.

fuck, entendeu? Aquilo me deu um negócio e parecia que saiu aquela outra entidade, assim, e nunca mais bebi na minha vida, cara. Nunca mais bebi. Falei pra minha esposa, pros meus filhos, falou, ó, não vou beber mais. Não falei pra sempre, não fiz promessa pra ninguém, porque isso é um trabalho diário. Você não precisa colocar metas. Metas é só uma coisa que vai te dar mais ansiedade.

Você não vai ver a hora de chegar, acabar aquele ano ou dois pra beber. Isso não é resolver nada. Eu não me importo de ter gente do meu lado bebendo. A cachaça do Sepultura, por exemplo, eu nunca experimentei. Mas eu pego o cheiro, sei que a qualidade é boa. Vinho, a galera bebe. Bebo cerveja zero, de vez em quando, que é do caralho. Enfim, cara, isso mudou minha vida. Totalmente. Parei de beber dia 1º de março de 2020.

Duas semanas antes do lockdown mundial, a gente tava pronto pra ir em turnê, né? Tivemos que cancelar a turnê. Ah, daqui três meses volta, daqui três meses volta, e vai, e vai, não sei o quê. Janeiro 2021, diagnóstico de câncer da minha esposa, da Patrícia.

2021 até 2022, em julho, quando ela faleceu. Quimioterapia, cirurgia. Mas ainda bem que tinha a pandemia que eu fiquei em casa. Fiquei do lado dela, passei todo o processo do lado dela e tudo. E tudo sem álcool, mano. Cara, se eu tivesse o álcool como possibilidade em momentos tão frágeis emocionalmente como esses, eu não sei o que teria acontecido, entendeu? Então, assim, foi fundamental. Acho que tudo...

Caralho, na hora certa. Na hora certa, cara. Sabe a frequência? Quando eu tô falando de frequência, de você tá equilibrado com você mesmo e as frequências mudam. Então você fica um pouco mais atento a certas coisas e momentos cruciais de escolha. Ou eu paro agora ou a Patrícia me chutava de casa.

Era aquele momento, mano. Ou eu vou continuar com essa atitude que, pá, mano, nem bebi, vocês foram uma cuzão, sabe? Ou fala, pá, porra, desculpa, eu fui, não só ontem, mas eu tenho sido, né, um idiota, já causei muita coisa pra vocês, etc. Né, esse pensamento que você tem, chega. Já bebi o que tinha que beber, não tem vontade de beber, cara.

Aquilo tá resolvido pra mim. E, cara, eu não fiz promessa, não fiz trabalho, não tomei remédio, não fiz terapia específica, nada. Só entendeu algo. Exato. Caiu uma... Virou uma chave que eu falei, cara, não vou mais ser escravo do álcool. Liberdade. E tô livre. Tô livre dessa merda, cara. Porque o álcool é uma merda.

Eu concordo. Eu não gosto de ficar pregando e tudo, mas a verdade é essa, cara. O álcool não serve pra nada. Pra nada. E ele é estimulado. E a maconha é demonizada. O álcool é estimulado e a maconha é demonizada. Olha onde os parâmetros que estamos, né? A maconha, por exemplo, é a vítima de fake news da história da humanidade. Não é só mentira que falaram sobre a maconha. Que perde memória. Que é porta de entrada pra outras e que não sei o quê.

Porta de entrada pra fazer merda é o álcool, mano. Álcool você vira outro, você quer dirigir, você quer dar porrada, você quer... quer fazer tudo o que você acha que tem que fazer. O argumento da maconha de como porta de entrada é um argumento, na minha opinião, a favor de algum tipo de afrouxamento. Porque em que medida ele é porta de entrada? Só na medida que eu vou na boca e eu quero comprar maconha e tem pó. E tá na entrada. E tá ali.

Não, tô falando sério. Tem pó, tem crack. Porque a maconha em si, ainda por cima, é uma pira diferente de todas elas que a gente tá falando. Mas o problema do Brasil é que a maioria é ignorante em relação às drogas. Então colocam heroína, cocaína, maconha, tudo na mesma bandeja. Como se fosse a mesma coisa.

Aí que está o perigo. Aí você vai numa Suíça ou nos Estados Unidos, por exemplo, onde lá no estado do Colorado ou no Oregon, tudo é legalizado. Cogumelo, drogas mais pesadas. Por quê? Legalidade é controle. É transparência. Legalidade é controle e transparência. Eu não entendo isso, cara. A proibição nunca resolveu nada. O que é a proibição? É só um sistema de controle de poucas pessoas para controlar aquilo. Mais nada.

E aí o que acontece? E não tem imposto. E não tem imposto. Se você compra um produto, por exemplo, como a maconha, nos Estados Unidos hoje, e ela está com algum problema, não é aquilo que você quer, você vai lá e devolve. Isso aqui não está bom. Isso aqui está fora do controle de qualidade do que eu estou esperando desse produto. E pronto. Por quê? Porque tem investimento, tem pesquisa, tem estatística, tem números, tem exemplos a serem seguidos. O Uruguai tem um sistema, os Estados Unidos tem outro.

O Canadá tem outro sistema, que também é legalizado nacionalmente. Aqui no Brasil, a gente tem que achar o nosso. Mas para achar o nosso, a gente precisa conversar, precisa botar ideias na mesa, sem preconceito e com informação real. Onde a gente pode melhorar?

Aqui no Brasil tem muita gente plantando. O cultivo no Brasil está espetacular, mano. De qualidade, de consciência e de distribuição também, né? Porque tem muita gente precisando da maconha medicinal, né? Além da recreacional, né? Que nos Estados Unidos é espetacular. Lá em Denver, eu estava até comentando que tem um restaurante que serve lá vários estilos e tudo. É espetacular, com uma banda de jazz tocando, sabe? Gente de tudo quanto é tipo. Idade legal, obviamente, né? Pra usar.

Mas, enfim, isso faz parte de um processo. Eu participei desse processo de legalização nos Estados Unidos na década de 90, como sepultura. Já participei de discussões através da Normal, que é uma instituição que lutava pela legalização da maconha, e a High Times, que era uma revista, ou é uma revista que fala da erva e tudo, etc.

Então, eu sei que o processo é esse. É o medicinal para mostrar as possibilidades e tirar esse preconceito ou esse medo da erva. E você ter a liberdade de ter ela recreacional. Porque ela faz bem. Ela faz bem, ela é boa. Ela não vai fazer você brigar com ninguém ou ficar agressivo.

Ela nunca matou ninguém. Você não tem overdose de maconha. O máximo que acontece é você dar risada e dormir. E dormir. Mas também não é pra todo mundo. Lógico. Então é médico. Sim. Tem um caminho pra também. Cara, mas tem gente... Só é possível a partir de algum nível de legalização. Mas, velho, tem gente que tem alergia a trigo, velho. Sim, sim. Pronto. E pão, tá aí. Tem gente que não consegue comer pão, mas ele existe. Ele é legal. Pra quem pode.

Para quem não pode, não usa. Por que a gente tem que ser privado disso por poucos exemplos? Eu acho que a gente tem uma necessidade urgente e ela funciona. A Anvisa já está liberando vários medicamentos. Tudo bem que é um processo super burocrático, mas está indo, está em movimento.

É, concordo. Cara, eu não queria tocar muito nesse assunto não, mas a pandemia pra você foi meio mais pesada que... Tua esposa faleceu. Sim. E pelo que eu tô entendendo, eu não sabia que o diagnóstico tinha sido um ano antes só. Um ano e meio, é. Caralho, então foi uma... Eu acompanhei pelas redes sociais, né? Eu via, eu fiquei sabendo quando ela faleceu e tudo.

Fiquei vendo ali o Andrés, caralho, que merda do caralho. E... Que bom que você tava sóbrio, que bom que você pôde estar em casa, estar ali todo o processo com ela, mas como é que tu conseguiu ficar em paz com tudo isso, cara? Demorou?

Ah, assim, eu não sei o que é demorar. Eu participei de todo o processo. Em 2022, eu tive que voltar à turnê, né? As coisas começaram a acontecer, a turnê voltou e etc. Mas eu tive que abandonar a turnê de Sepultura para voltar, porque realmente estava muito sério. E mesmo assim, eu acreditava, mano.

eu tinha certeza que ela ia sair dessa. Eu acreditava até o último momento. É muito doido isso, cara, sabe? Essa coisa da racionalidade, você sabe que não tem jeito, mas qualquer coisinha, qualquer resposta, sabe? É uma esperança, assim, né? Mas, cara, o que me deixou muito frustrado...

Nesse processo todo de você ver a pessoa que você mais ama naquela situação. Foi como cidadão brasileiro, cara. De não saber das coisas. Assim, por que a eutanásia não é possível nessa porra desse país, mano? Quem que tá privando isso de mim? Da minha família? Do meu direito? A Patrícia tava num caso...

clássico de eutanase, consciente, nada mais funcionava, só apertando a morfina, dor e não sei o que, caralho, velho. Assim, por que que não se fala de eutanase? Por que que não se fala de morte nesse país? Por que que eu não tenho esse direito? Eu não sabia que podia levar a Patrícia pra Suíça, por exemplo, pra fazer isso, né? Não sabia que tinha o Hospice, que é um hospital específico de cuidado paliativo pra final de vida, né?

E não sabia da possibilidade do cuidado paliativo. Tinha uma ideia muito limitada do que era o cuidado paliativo. A ideia que eu tinha era que só morreu, só jogar ali, morfina e só pra isso. Não, o cuidado paliativo é muito mais amplo. O cuidado paliativo já deveria ter entrado no diagnóstico. E não só pro paciente em si, mas as pessoas ao lado. Psicólogos.

entre outros, todos os aspectos. E eu fui aprendendo isso através da experiência que eu tive, e a minha família teve com a Patrícia, e o jeito que a Patrícia era. A Patrícia era uma pessoa espetacular, cheia de vida. Ela não tinha filtro, ela falava. Então, ela sempre brincou.

Desde que eu conheci ela, nós ficamos juntos 32 anos. Desde que eu conheci ela, namorando e tudo, ela sempre falava, ó, a hora que eu morrer, não vai esquecer de botar o travesseiro no meu caixão, bota o meu pijama e a minha no pé, que eu não quero passar frio. Eu quero ficar confortável, bota o meu cobertor e tudo. Todo mundo dava risada. E, cara, não era só pra gente íntima da família, não. Se ela estivesse aqui, ela ia falar isso pra você também. Ah, não, quando eu morrer, eu quero ficar confortável e tudo.

Cara, quando ela morreu, velho, todo mundo sabia o que ela queria.

eu percebi que a gente precisa falar de morte. A gente precisa falar esse tipo de coisa com a família, com o amigo, com o avô, com o pai, com o filho. Falar, mano, o que você quer que isso aconteça? Ah, eu quero usar a camisa do São Paulo, eu quero isso, ah, eu quero música, eu quero ser cremado, eu quero ser enterrado. Isso aqui dá pra certa pessoa. Ah, e aquele contrato lá, vamos assinar? Vamos, vamos assinar. Já faz um inventário antes das coisas acontecerem.

Cara, as pessoas não falam sobre isso. Porque não são estimuladas a falar sobre isso. Então, passando por esse processo... A morte é um aspecto que a gente não considera a vida inteira. Pois é, isso é um absurdo. Até que está do nosso lado aqui. Isso é um absurdo. Eu fui perceber isso através disso. Falando, meu, a finitude... A morte tem sido a minha maior professora.

A minha maior professora de ver a vida com mais intensidade, de viver o presente, de ver que o amor é possível de novo. Eu tô amando de novo, eu tô namorando, tô vendo uma outra perspectiva de vida. Porque eu tinha um planejamento com a Patrícia pro resto da vida. Eu pensei que ia ficar com ela pra sempre, neto, cacete, mas não é eu.

Não rolou. 32 anos que eu tenho um agradecimento fantástico por tudo que a gente fez e construiu juntos. Três filhos maravilhosos. E tudo aquilo que ela ainda faz parte da minha vida e vai fazer pro resto da vida. Porque ela tá muito presente em vários momentos e etc.

Mas, cara, eu tô aprendendo um outro mundo, como eu disse, amar de novo, ver uma outra perspectiva, um outro futuro, outras possibilidades. Mesma coisa com Sepultura, isso me influenciou muito também pra ter essa decisão de dar um basta, parar um pouco, sabe? Fechar um ciclo, sair um pouco da ilha, Sepultura, e ver as coisas de longe, né? De uma outra perspectiva e tudo.

então eu criei um movimento Muitrícia pra se falar de morte é uma página no Instagram na verdade que lá eu conheci o pessoal da Morte Sem Tabu que escreve na Folha já a Camila Appel a Cintia Araújo e a Jéssica também o Tom Almeida do Projeto Infinito então eu percebi que tinha muita gente já falando disso, mas tudo muito esperso, muitos especialistas advogado, médico

Eu sou um cidadão, cara. Eu sou músico, sou artista. E me senti muito mal preparado como cidadão brasileiro em relação à informação. E ó, mano, que a Patrícia teve... A gente tem seguro de saúde. Viajei em mais de 80 países. Falo três línguas. Estudei não sei o quê e não sabia de nada. Não sabia de nada. Eu não sabia que podia falar não pro médico, velho.

não sabia que podia falar não para um médico. Não, não quero que faz isso. Não sabia que podia falar isso. A minha ideia era que o médico era uma lei, que não tinha opção, enfim. Mas não se coloca nessa situação, não dá informação para a gente ter poder de decisão.

Você quer que desliga a máquina? Não. Ok, mas onde estamos? Quais as possibilidades? Onde podemos ir? Onde eu posso participar mais disso? Minha família, minha mulher. Isso acontece comigo. Eu também tenho que ter um poder de escolha. Aprendi que tem o testamento vital, que é uma ferramenta que, infelizmente, ainda não é legalizada, mas é uma ferramenta. Inclusive, tem um seriado que chama O Testamento, que fala da...

de uma mulher que está aí em coma, não sei o que, que fez um testamento e não está sendo respeitado. E o testamento vital é isso. Se eu estiver numa situação, sofrer um acidente, não puder falar, não puder fazer nada, eu quero que faça isso. Não quero ser entubado se está acontecendo. Não quero isso. Então você precisa de informação. Para fazer um testamento vital, você tem que sentar com o seu médico e falar, se acontecer isso, o que pode acontecer?

Pode acontecer isso. O que você quer falar? Eu quero essa, não sei o que. Aí você fala com sua família, fala com seu filho.

A morte pode ser um método de conexão entre família. Coisas que você não conversa com um tio ou com seu pai, a morte pode ser um tema que vai reunir ou ter uma possibilidade de reconexão com certos parentes, certos amigos, de falar sobre coisas assim. Então, cara, isso me deu uma outra vida.

Então não foi uma coisa de pensar, foi uma coisa tão que foi acontecendo. E o Patti Fest, que é um festival que eu promovo também junto com a minha família e vários amigos, já vai esse ano também para o quinta edição. A gente pega todo esse festival que a gente faz em São Paulo, com participação de vários artistas, e toda a renda vai para a comunidade compassiva. Lá no Rio de Janeiro, na favela da Rocinha e do Vidigal, onde o professor Alexandre leva o cuidado paliativo lá para dentro. É um trabalho...

fenomenal, maravilhoso. E metade esse ano foi pra aqui na Heliópolis, em São Paulo. E agora tá abrindo também, eles estão indo pra Cidade de Deus, então a urgência...

Desculpa aí a redundância, é urgente. Tem muita gente precisando disso. E muita gente não consegue fazer um raio-x, não consegue pegar um Uber pra ir no hospital, não consegue ter um colchão pra dormir, ou um lugar decente pra ficar. Esse pessoal vai lá, pinta, dá um colchão, escuta a história. Fica lá. Meu, se você vai lá e só pega na mão da pessoa e fica escutando a história da vida da pessoa, cara, isso não tem preço. Isso ajuda, estimula no tratamento.

Ela se sente mais importante, ela se sente mais parte do processo e não só uma vítima.

porque assim, não tem vítima é um processo não tem o guerreiro, não tem uma guerra não é isso, é um processo aconteceu, acontece infelizmente mais do que a gente queria, mas enfim, é ver a morte como vida a vida só tem sentido porque tem fim cara, você pega um livro um fim, se não tem fim entra aí no cinema e não sai nunca mais

Eu gosto de ver as séries que já acabaram, inclusive. Então, já começa no fim, entendeu? Porra, que eu não vou ter que ficar esperando a boa vontade do cara de sair, não sei o que. Cara, eu queria falar também que agora eu faço parte de um grupo fundador do Eu Decido.

que é uma associação civil onde eu faço parte que está lutando pela legalização do suicídio assistido aqui no Brasil, ou morte assistida. Muito inspirada na carta do Antônio Cícero, que foi o poeta que foi lá pra Suíça fazer isso. E aí que está outro absurdo. Por que um brasileiro tem que sair do país pra exercer esse direito lá? E um brasileiro que tem posses. A maioria não tem posses.

E temos condições de fazer isso aqui no Brasil. Então, eu aconselho ou peço que vão lá, eu decido, é no Instagram também. Tem lá todas as informações para quem quiser fazer parte. A gente tem todo o quanto é tipo de pessoas da sociedade lá, filósofos, médicos, advogados, músicos, artistas, poetas e escritores, enfim, jornalistas.

pra gente discutir esse assunto, mano. Passou da hora, sabe? O Uruguai já legalizou a eutanásia. Na Colômbia, também já tem um processo legal onde você pode exercer esse direito. E aqui no Brasil a gente tá patinando, parado. Então, por algum lugar, tem que começar. Então, aí eu decido, é esse lugar. E lá você pode encontrar todas as informações.

André, obrigado por vir aí, cara. Obrigado pelo teu tempo. Eu que agradeço, cara. Obrigado pela moral. Fiquei sabendo hoje que tu mora aqui na região. CL, mano. Então a gente tá próximo. Que bom, fico feliz. Obrigado pelo convite. Porque o arrombado do Rafa mora lá do outro lado da cidade, meu irmão. Aí não vem aqui na minha casa, não? Não.

São Paulo é meio com chuva ainda, impossível. Não tem como, lá do outro lado. Então, obrigado pela moral. Obrigado a vocês. Vocês que estão assistindo a gente aqui, segue o Andrei, a gente vai deixar aqui no comentário fixado. Além dos perfis do Andrei, a gente vai deixar todos esses outros perfis que ele mencionou aqui durante o programa. Então, para alcançar, se você estiver no YouTube, é facinho, com um clique só, está aqui embaixo, tá bom?

No mais, aqui na descrição tem o Discord para você sugerir novos convidados e novos temas. E vira membro também, porque a gente está soltando conteúdo para os meus...

todos os membros todo dia, tá? Quando não, no Discord, aqui no YouTube. Aí faz o que tem que fazer aí. Manda no grupo da família, manda no grupo do... Sei lá, dos petistas, no grupo dos bolsonaristas. Manda pra casa do caralho. Manda pra puta que te pariu aí, com todo respeito. Isso. E aí, comenta pra eu saber que vocês chegaram até aqui. Comenta aí, sepultura, só isso. Tá bom? Sepultura. Sepultura. Tá bom?

Valeu, até a próxima. Andrés, obrigado pela moral. Obrigado a vocês, cara. Parabéns pelo trabalho e prazer estar aqui, cara. Valeu. Foi a primeira vez. Valeu. Obrigado. Valeu, gente. Um abraço. Conforto para o seu dia a dia e atitude para o seu estilo. Encontre o tênis que acompanha o seu passo agora no App Net Shoes. Explore as categorias, garanta as melhores marcas e aproveite. Net Shoes, no seu ritmo. Baixe o app. Tchau.

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