SGT NANTES + JORGE LORDELLO - Flow #584
Conversa sobre segurança pública.
- Segurança OperacionalLegislação de abuso de autoridade · Câmeras corporais na polícia · Vizinhança Solidária · Maníaco do Parque · Maníaco de Goiânia
- Investigação PolicialMétodos de investigação · Cenas de crime · Psicologia criminal
- Desafios da PolíciaDificuldades na abordagem policial · Relação com a comunidade
E se uma música pudesse te levar mais longe? Tá perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto, é viajar com o ritmo da música. Companhia Aérea Oficial do Todo Mundo no Rio 2026. Esse é o Flores.
Salve, salve família, bem-vindos a mais um Flow, eu sou o Igor e hoje eu tô seguro. Hoje aqui dentro tá tranquilo, acho que não vai vir ninguém incomodar nós aqui. Olha o tamanho do bigode desse homem aqui. É, rapaziada. E aí, Sargento Nantes, tudo bom, cara? Deu, irmão. Obrigado por vir aí mais uma vez. Eu me agradeço mais uma vez. E aí temos aqui também a presença do Jorge Lordello, obrigado por vir aí, cara. Obrigado pelo convite, sou fã do seu trabalho, sou amigo, parceiro do Sargento Nantes.
Estamos realmente em casa. Sargento Nantes foi uma das primeiras pessoas que gravou com a gente na Operação de Risco. Era da Rota e prendia muita gente. Então era... Você apruma não, João. É isso aí mesmo. Eu não tinha nem rede social. Nem rede social por causa desses caras. Entendi, entendi.
Bom, e aí tu também... Bom, tu é um delegado que ficou 20 e tantos anos na polícia, né? Quase 30 anos, me aposentei. Um apaixonado por crimes e criminologia e estudos. Lancei alguns livros, te trouxe de presente. Que perigo. Um cara apaixonado por crimes.
No bom sentido da palavra. Aí tem esse livro aqui que são casos de pessoas que estavam tendo algum tipo casais, de certa forma, que terminam em alguma morte. Relacionamentos sexuais ou amorosos e que de uma hora pra outra geralmente o homem acaba matando essa mulher e sempre aparece um policial que vai na cena do crime e encontra uma pequena pista.
Porque tem uma coisa interessante de homicídio e de feminicídio, Igor, o policial, quando vai atender, tanto o policial militar como o policial civil, você não conhece a vítima, você não sabe o nome dela, você não sabe o que ela faz, você não sabe nada. E você tem a função de esclarecer um crime que você não sabe absolutamente nada. Você está entrando numa casa pela primeira vez. E cena do crime, você tem que observar com muita acuidade, e às vezes um pequeno detalhe que você viu,
Você começa a puxar aquele fio. E nas histórias, as 14 histórias, no final, aquele primeiro fiapo, eu puxo, puxo, e no final, o leitor fala, caramba, o policial descobriu quem matou aquela mulher. Então é uma coisa muito investigativa de um fã que eu tive, que me incentivou, na época, a ser policial, que foi o Seriados do Columbo, Detetive Columbo. O Detetive Columbo era um cara meio esquisito.
Detetive particular que esclarecia crimes. E eu era garoto, com 14 anos, via aquilo, eu falei, caramba, que legal esse cara, que ele consegue resolver as coisas e pôr um marginal na cadeia. E eu fiquei com aquilo e fui prestar concurso. E acredite se quiser, com 22 anos eu deixei a barba, não sei se o Nantes deixou o bigode, mas pra envelhecer um pouco, porque eu fui assumir um plantão com 22 anos de idade, com cara de garoto.
Entendi. E tu tava vendo quem? Tava vendo Rambo, pra tu virar PM, cara? Rambo, assisti muito, viu, cara? Assisti muito, cresci, assisti no Rambo.
Rambo Predador. Meu pai é policial. Eu lembro que na época tinha um... O doutor vai lembrar bem. Tinha um vídeo, um videocassete que era padrão da Sony. A Sony tinha umas fitas Betamax, acho que era o nome. Vocês sabem disso aí. Não sei, não sei. Depois procura saber. Então tinha as fitas VHS, que era o padrão normal. Era o padrão. E tinha o Betamax, que era um padrão da Sony que não decolou.
E meu pai, eu lembro que ele comprou um videocassete desse, tipo uma locadora que fechou, e comprou uma porrada de filme. Mas a fita que quase acabou de tanta gente assistir era do Rambo, cara. Entendi. Eu adorava. Meu pai é policial também, né? Então ficava vissurado. Tá certo. Gostava do Charles Bronson também, né, cara? É isso aí. Tudo que era filme de guerra, bang bang. O Charles Bronson tinha um bigodão que nem o tio, pô. Tinha, é isso mesmo. Brabo demais.
E ele está falando aqui de chegar lá e tem um crime e que você chega e coisa que você nunca viu e que você não conhece as pessoas, você tem que descobrir o que rolou ali. Essa é mais a parte dele. A tua parte é chegar quando os caras estão vivos. Chegar no calor, muitas vezes, no calor da emoção. Os caras tentando evitar. Você está chegando para evitar. Mas muitas vezes já com o crime ocorrido também.
tentar efetuar a prisão do marginal que cometeu, e se ele resistir, muitas vezes se torna mais um... Porque uma ocorrência de confronto, ela não deixa de ser um crime de homicídio, certo, doutor? Sim, sim. Porém, ela está amparada pela legítima defesa, não excluindo de ilicitude. Mas, muitas vezes, acaba tendo um outro desdobramento também.
e que a gente, algumas vezes, tivemos participação. E aí, posteriormente, tem o esclarecimento da Polícia Civil. Polícia Civil, também Polícia Científica, Polícia Civil vem, libera o local para a Polícia Científica e aí é feita a colheita de provas para análise do...
do delegado da área, geralmente, durante o inquérito, que vai chegar uma solução. Entendi. E aí tu... Mas não é muito comum isso daí? É, assim, um cara que invadiu a casa de alguém, por exemplo, e tu tem que entrar...
Num lugar fechado que está numa casa ou num prédio? Indivíduo em fuga, por exemplo, muitas vezes o cara cometeu um crime, está com um carro roubado, ou cometeu um crime grave, um roubo a banco, enfim. Esse tipo de marginal pode acontecer muitas vezes dele ingressar em residências durante a fuga e tomar as pessoas como refém, por exemplo. Isso aí já aconteceu várias vezes.
E aí, muitas vezes, comete crime contra aquela vítima, inclusive. Diversos crimes, né? Na realidade, só o fato de entrar dentro da resistência, ele já está cometendo um crime. E o policial é autorizado a entrar na casa. O policial é autorizado a entrar na casa, porque tem um flagrante. Em tese, o policial não pode entrar em qualquer lugar sem um mandado de busca. Mas nesse caso, quando antes está falando...
O criminoso correu, entrou numa casa. Você tem que entrar para proteger aquela família. E existem situações que a lei, tentando proteger, atrapalha na opinião de vocês? Na tua eu já sei, na real. A lei atrapalha quando ela coloca filigranas jurídicas para o policial civil e o policial militar trabalhar.
E aqui eu faço um alerta em várias leis que foram construídas em 2019 que lidaram com cadeia de custódia, que lidaram com lei de abuso de autoridade que não existia da forma que é. Porque muita gente fala hoje assim, Igor, a justiça está muito garantista. Mas por que ela está muito garantista? Porque...
Na minha época, a do sargento Nantes, a lei de abuso de autoridade era uma lei lá de trás, que não dava nada. Não dava nada. Só que se o público do Flow entrar na lei de abuso de autoridade de 2019 e ler a lei, amarrou o policial. Só para você ter uma noção, é um absurdo jurídico.
O policial, para algemar alguém, ele tem que ter alguma motivação esclarecida no papel. Na minha época do Nantes, um suspeito, grampo nele, algema para trás, joga no camburão e acabou. Hoje, você pende uma pessoa em flagrante. Prendeu. Você tem que ter uma motivação para algemar.
E o delegado é obrigado a pedir para o policial escrever um tema, por que você algemou? E se você não tiver motivo, você não tem que algemar. Por que eu, se trabalhasse na ativa hoje...
Não sei, o sargento Nantes até queria saber a opinião dele. Eu ia algemar todo mundo. Com risco de ser processado. Por quê? Porque não é porque é uma pessoa que está ali pacata, presa, que eu vou confiar nesse cara. Eu não confio em vagar. Nunca confio em preso. Preso, pra mim, sempre foi algemado pra trás e com as mãos espalmadas para o lado. O policial que algema, o cara na frente aqui...
Corre isso. Corre isso. O cara te avança. Te dá uma gravata com a própria... Se você algemar por trás aqui, aqui, fica fácil para ele passar e te atacar. Entendi. Então o ideal é algemar por trás, apertar, e você espalmar as mãos para fora. Hoje em dia, os policiais não fazem isso com medo da lei de abuso de autoridade. Então é uma filigrana jurídica. Ficou bom para quem? Ficou bom para os advogados.
Para o advogado e para o bandido. E para o bandido. E é bem isso mesmo. Principalmente nos últimos anos que eu trabalhei na polícia, atuando nas prisões, a gente sempre procurava escrever muito bem, fundamentar muito bem no boletim de ocorrência o porquê do ajumamento.
Pedir para que fosse inserido também no boletim de ocorrência da Polícia Civil, para que fosse inserida a fundamentação por que estava o gemado preso. Porque, senão, tínhamos problema. A chance era grande de ter problema. Eu queria lembrar de uma estratégia que a Polícia Militar usava. Isso é meio esquisito.
Se você não fizer isso, você responde um abuso fácil, você responde uma ação. E para o advogado reverter e conseguir inverter toda a situação, conseguir anular as provas, inclusive. Hoje o policial tem que estudar muito, estudar muito as leis que estão em vigor. Tem que ser um jurista policial, porque senão ele tem problemas jurídicos e pode até perder a carreira, inclusive.
Olha, na minha época, não sei se o Nantes pegou isso, mas tinha um crime muito curioso que acabou no Código Penal, que é o crime de vadiagem. O crime de vadiagem é o seguinte, o crime do vadio. Quem que é o vadio? É aquele cara que fica na madrugada sem fazer porra nenhuma. E que a polícia sabe que ele está aprontando, mas não tem o que fazer com ele.
O que a polícia militar fazia e os delegados de plantão aceitavam? Era o chamado detido para averiguação. Você lembra disso, Nantes? A viatura chegava lotada, abria o camburão, descia a 20, tudo algemado.
Aí, delegado, detido pra averiguação. A gente já sabia, porque isso limpava a cidade. Tirava os caras daqueles pontos e trazia. Você punha na delegacia, chamava lá o agente de telecomunicações, que puxava a Capivara, que é o DVC, e a gente ficava puxando o DVC dessa turma. Sempre tinha um procurado. Sempre, sempre, no pagode. Mas tudo bem. E aí, o que o delegado fazia? Tudo bem, procurado, BO, vai pra cadeia. O resto tá lá. Mandava os PMs embora e a gente dava um chá de banco.
Estava aguardando o retorno, né, doutor? Estava aguardando. Ficava lá quatro horas, cinco horas. Meu, seis da manhã. Pode ir embora. Não tinha mais ônibus. Eles voltavam. Isso limpava as ruas. Limpava. Limpava ou não limpava, né? Certeza. Limpava. Hoje, você não pode fazer... Mas tu pegava... Tu precisas pegar os caras de sacanagem? Olha o filho da puta ali. Eu vou pegar aquele filho da puta ali. Não, totalmente profissional.
Porque eu preciso basear a minha opinião se eu acho legal ou se eu acho uma merda. Porque o que acontece? Não sei a idade dos caras que estão falando, não sei o que, não sei nada. Mas eu fico pensando, pô, será que eu ia rodar numa dessas? E pô, eu não faço merda, cara.
Mas tu fica avadiando na rua de madrugada? O que é avadiar? Aí que tá. Não é fazer porra nenhuma, é ficar zoando. Imagina hoje, e você deve entender isso aí, imagina hoje os nóia que anda perambulando pela rua na madrugada querendo só pegar um quintal de uma velhinha fácil pra entrar, zoar, roubar até torneira, enfim. Tumultuar.
Imagina esse... Hoje é os nós, né? Que a gente conhece. É o usuário de droga que fica andando perambulando pela rua. Você pegar esses caras e tirar da rua pra ele parar de dar trabalho pra sociedade, cara. É nesse sentido. E o molequinho que estão sentados ali na praça, quatro amigos, trocando ideia e fumando um baseado?
Aí está... Tá ligado? Então, aí será que... Não, espera aí, vamos lá, vamos lá. Vamos lá. Entendeu? Ele não é o mesmo cara, entende? Mas naquela época não tinha os quatro moleques fumando maconha na praça. Entendi. Não tinha. Não tinha, moleque. Era outro. Nessa época, o cara que era usuário de droga, o cara que usava uma maconha, o cara subia numa laje, o cara ia para o meio do mato, o cara se escondia, o cara se tocava, o cara não fumava no meio da rua.
Se tá vagabundo, tava prendendo o cara andando e vai ficar estourando a pança. Igor, você já viu o programa da Polícia Militar, que é a comunidade solidária dos bairros do WhatsApp? Acho que não, cara. A Polícia Militar tem um trabalho muito interessante que você tem em vários bairros, grupos comunitários de ajuda, de alerta pra polícia. Então, no meu bairro, eu tô inscrito. E lá...
Sabe aquelas veinhas que ficam olhando e veem os malucos e tiram foto? E gente que flagra muitas vezes até crime. E elas postam ali. Esse cara não é do bairro, ele é de longe. Ah, isso é uma parada, isso é uma iniciativa da polícia? É da polícia. Vizinhança Solidária. É Vizinhança Solidária. Claro que eu conheço. Vizinhança Solidária. Inclusive tem uma informação importante. No final do ano passado, e foi sancionada agora no início do ano, eu propus uma lei do Vizinhança Solidária do município de São Paulo.
E o prefeito Ricardo Nunes sancionou agora. E o que tem de importante nisso aí? É integração dos sistemas. Hoje nós temos o SmartSamp, onde nós tivemos a primeira reunião na Frente Parlamentar de Segurança. Trouxemos próximo de uns 40 representantes de Consegue, que se tornarão multiplicadores de, por exemplo, se você tiver uma câmera na sua rua, na sua casa, uma câmera que esteja ligada à internet, nós vamos plugar ela no SmartSamp e no Muralha Paulista também.
Então, ou seja, a ideia é mapear a cidade inteira, deixar a cidade inteira plugada para o vagabundo. Ele não vai conseguir nem sair de casa, porque se o vizinho tiver câmera plugada, ele não vai conseguir cometer crime nos bairros. Ele vai estar em alerta total. Igor, o IDT do para averiguação... Isso tá para rolar?
Isso aí já está rodando. Já está rodando. Projeto de lei aprovado, sancionado. Onde nós noticiamos para o presidente dos Consegues que estiveram presente e vamos fazer reuniões periódicas, mensais, para trazer informação para que os Consegues divulguem nos bairros e a gente começa a estruturar tudo isso aí. Já está em andamento. Legal, legal.
Na época que a gente fazia... Tinha que assinar aí, pode usar a minha, me dá que eu assino. Fecha. Não, Igor, esse detido pra averiguação, tinha uma coisa interessante. O policial, ele conversava com a pessoa. Então, por exemplo, eu trabalhei em Suzano. Aí o policial parou lá, dois caras andando, falou assim, tudo bem, vocês moram onde? Vocês moram aqui em Suzano? Não. Eu sou de Itaquera.
Pô, mas você é de Itaquera? Você tá aqui em zona fazendo o quê? Não, o cara não sabe o que falar. Entendi. Ele não explica. Então, esse cara era o chamado detido pra averiguação. Então, tem uma coisa importante. Você fazia um BO...
E você cadastrava ele. Porque um BO você tem que pôr os dados, põe tudo lá. Na época não tinha celular para você tirar uma foto. Mas você tinha um registro ali. E isso realmente hoje acabou. O Vizinhança Solidária do meu bairro, muita gente posta, olha, esses dois andando de bicicleta aqui. Então era o tipo do caso para o policial abordar. Se o policial eventualmente a pessoa não é dali, vamos para a delegacia, para a averiguação, faz um BO. Porque...
Você tinha uma pressão no vagabundo. Hoje ele só vai ser levado para a delegacia ser preso em flagrante ou mandado de prisão contra ele. E nem assim ele fica, né? E se nós tivéssemos ainda esse recurso, seria muito bom hoje, aliado à tecnologia, você faz uma captura de imagem, captura das características. Então, futuramente, se ocorrer um roubo naquela região, já tendo os dados, até para fazer reconhecimento do local, seria importante.
Só que, infelizmente, como o doutor bem disse, infelizmente, dispositivos que eram interessantes para o trabalho policial hoje vêm cada vez mais sendo suprimidos. Embora nós tivemos avanço recente essa semana aí que foram positivos para a segurança pública. Eu vou dar um exemplo. O Smart Sampa é um super equipamento. Super! Super!
O equipamento, algumas vezes, poucas vezes, ele pode diferenciar. Ele pode te reconhecer, mas não era você. E tem gente que reclama disso e quer acabar com o programa. Exatamente. Quer dizer, você foi reconhecido por um sistema. Esse sistema policial chegou, ele te abordou, mas ele te abordou de que maneira? Por gentileza, qual o seu nome? Seu documento. Conferiu. E o que você não é?
Te mandou embora. Ele não vai te levar pra delegacia porque hoje a polícia militar tem um sistema, que eu não vou dizer qual é, pra contar, que ele já te identifica na hora. Exatamente. Não vai fazer que nem o governador do Rio que mostrou qual era o carro de serviço secreto. Sim!
Igor, tem uma outra polêmica que o Nantes pode até falar melhor. Estão enchendo o saco da prefeitura que tem uma câmera dentro de um UPA ou dentro de uma unidade de saúde e essa câmera é uma câmera de SmartSamp. E se tiver alguém procurado, ela vai identificar. Mas tem um grupo de pessoas que não querem. Não pode ter uma câmera dentro da unidade de saúde. Mas a unidade de saúde eu estou com a minha família. Mas por que isso não pode?
Porque ocorreu casos de reclamações, inclusive foi por parte... Foi até lá na Câmara mesmo, teve fala em plenário que o indivíduo estava deixando de levar o familiar dele porque ele era procurado pela justiça e não estava mais indo na UPA, não estava mais procurando o serviço de saúde. Entende? Só que ele está procurado, em tese era para ele estar preso. Não era nem para ele estar levando mesmo. Era para ele estar preso. Sobre os cuidados do Estado. Sobre os cuidados do Estado, exatamente. Só que existe uma inversão.
Eu pego a exceção, que é o caso de um indivíduo que está procurado pela justiça, eu pego essa exceção e eu prejudico todos os demais. Então, assim, querem tornar a exceção em regra. Toda hora, né? Exatamente. Toda hora. Uma exceção quer acabar com um programa maravilhoso. Já está próximo. O programa tem por volta de um ano e meio. Tem quase 3 mil prisões já.
3 mil procurados e recapturados. Fora as prisões em flagrante delito. Passa de 5 mil. Passa de 5 mil ocorrências. Fora veículos que foram recuperados, que passam no sistema. O sistema é um fenômeno. Então, assim, aliado... É porque, assim, desculpa, eu sei que existe, porque eu escuto na rádio, a gente conversa às vezes e tal, mas o que é? Eu sei que é um sistema de câmeras e essas câmeras, elas ficam em postes específicos? Todo mundo está olhando e sabe que é o Smart Sampo ou é meio escondido? Como é que é?
É assim, em alguns pontos, sim, tem identificação que é do SmartSAMP. Mas é como eu disse, ainda é novo, as pessoas não têm noção que ela pode plugar uma câmera na casa dela. Desde que ela tenha as configurações mínimas, ela pode ser plugada. Essa câmera, através do IP, ela é plugada num software que a prefeitura tem, que é gerenciado. Esse software fica fazendo varredura, exatamente.
A sua empresa, que tem câmeras lá fora, você pluga, você entra no site da prefeitura, tem todas umas regrinhas, como o Nantes falou, e a prefeitura não aceita câmeras de dentro da sua casa. Mas qualquer prédio de São Paulo, qualquer empresa, você tem uma câmera, plugue no SmartSAMP, não paga nada. Exatamente. Se você botar dentro da sua casa, você é um burro também. Peraí, é pra rua, né, guerreiro?
Mas não paga nada. Então é um super sistema e você tem essa tranquilidade. Perto da minha casa, os condomínios estão colocando e plugando essas câmeras e às vezes a pessoa vai lá fazer uma entrega ou vai visitar alguém e está procurado. Exatamente. Essa pessoa vai ser detida. E outra, tem pego procurados do Brasil inteiro. Porque ela está plugada. O que acontece?
Esse software fica fazendo varreduras. Sua face passou pela câmera, ele começa a fazer uma varredura nos bancos de dados de segurança pública. Então, o que acontece? O Banco de Dados Nacional de Mandados de Prisão. Enfim, diversos dados. Está plugada no...
do Estado, é o Muralha Paulista. Está plugado também, faz varredura em diversos bancos de dados onde indivíduos que possam ter mandado de prisão. E ela fez essa varredura, atrelou a imagem e outra, é 98% de acerto.
Então, assim, temos quase 2% de erro. Beleza, mas se for um erro, verificou, não é você, vai embora e está tudo certo. Pensão alimentícia. Porém, 98% de acertão. Tem indivíduo que estava procurado há mais de 10 anos lá no Nordeste por homicídio, por diversos crimes. O cara veio passar aqui no centro de São Paulo, foi detido, foi pego. Era um cara que, se eu não me engano, se não me falha a memória, tem indivíduo que estava há quase 20 anos procurado.
E foi identificado. Então, assim, e se você pegar uma foto anterior, a foto que estava no sistema para nova, não tinha muita coisa a ver. O cara de óculos não tinha nada a ver, o cara de barba já e tal, só que o sistema detectou. Conseguiu fazer o cruzamento de informações e falou, é esse cara. Nantes, eu tive dois amigos meus presos com pensão alimentícia. Com pensão alimentícia também. O cara andando, a câmera captou, a viatura da guarda foi lá.
Quer dizer, realmente, para mim, o que a gente teve de mais felicidade e segurança pública foi essa capacidade hoje em São Paulo. E as cidades estão todo mundo espalhando. E as cidades têm levado. As demais cidades do interior também já estão adotando o mesmo método. E aí, então, não é a mesma coisa, mas também falando de câmera, eu também já sei a opinião do Nantes, mas é claro que você pode comentar.
O que você acha das câmeras que os policiais estão usando? Isso. As chamadas câmeras corporais, a gente tem que analisar onde elas foram criadas. Tudo que tem nos Estados Unidos de 5, 10 anos para trás chega para o Brasil. Eu me recordo quando eu assisti o filme Assédio Sexual. Você lembra aquele filme famoso? Não sei. Com a Demi Moore.
Foi um puta filme. Eu conheço. Teve um puta filme lá na época e aqui nem se falava em assédio moral, e lá já era forte. Então tudo que acontece lá, nos Estados Unidos, em matéria de legislação, tanto civil como criminal, chega aqui.
Eu tenho um grande amigo na polícia de Nova York. Se vocês procurarem até na internet, é um baiano que hoje é naturalizado e ele trabalha na polícia de Nova York, chama Meia Noite. E o Meia Noite, eu converso muito com ele. Caralho, meu irmão, com todo respeito. Quando fala esse nome para você, o que você imagina? Meia Noite. Porra, e vou te falar, um maluco muito estar. Gigante. Ele gigante. Com um terno e uma gravata assim. Tem um chapéu branco.
Um aclice na ponta do nariz, um charuto. Não, meia-noite é fera, cara. É um brasileiro que está lá já há 15 anos. E eu, quando tenho alguma dúvida, eu ligo para o meia-noite. E quando começou as câmeras em São Paulo, eu liguei para o meia-noite. Porque o meia-noite é polícia. É a polícia dos Estados Unidos. E eu falei, está tendo aqui uma polêmica muito grande em relação às câmeras policiais. E ele falou, mas por quê?
Falei, é porque o policial se sente constrangido, que atrapalha o trabalho. Ele falou, espera um pouquinho. Aqui nos Estados Unidos, isso tem mais de 20 anos. E aquilo o policial aceita e a sociedade aceita. Então, tudo que começa, há resistência. Essa resistência com o tempo vai sendo minimizada e depois ela é aceita. Então, isso vem dos Estados Unidos como de outros países. O fator muito positivo é a prova que você faz e depois ela é o que você faz.
para ser apresentada contra um criminoso. E outro detalhe, o Nantes sabe muito bem disso, as pessoas desacatam muito o policial. As pessoas destratam muito o policial. E com a câmera, muita gente se inibe de falar. Inibe. Isso é ponto positivo. Muita gente se inibe. Porque imagina, você começa a desacatar, o policial aciona, quando ele vê a luz estralando, vê que está gravando o cara.
Segura a onda. Ele segura a onda. Isso, de fato, é um fator positivo da câmera. Olha, teve uma ocorrência, Igor... Que viagem. Eu acho que é uma viagem. Efeito psicológico. Teve uma ocorrência que a gente gravou no meu programa, na Operação de Risco. Foi uma ocorrência muito triste. Eu não destrato. Ou por medo ou por respeito. Eu não destrato. Os dois estão ligados. Um batalhão de choque entrou na favela do Paraisópolis. Uma grande operação. Isso foi ano passado.
Então entrou muita gente e eles trocaram tiro com a PM. Então houve troca de tiro, os policiais todos com barricã e um tenente que estava abrigado, abrigado, fazendo disparo de fuzil contra fuzil. E em dado momento, este tenente, ele leva um tiro de fuzil, acho que o sargento ficou sabendo, no antebraço.
esse criminoso que atirou também foi acertado, foi socorrido e não morreu. E a Boricã gravou essa cena. Gravou a cena da pessoa atirando e gravou a cena do tenente sendo atirado. Então nós trouxemos o tenente no meu programa.
A polícia militar me cedeu essas imagens, mostramos, como se fosse um filme. Mas é um filme da vida real. Então a câmera, nessas situações, ela te ajuda a fazer prova contra o criminoso. Entendi, entendi. Então há situações que ela é... Sim, ela tem situações benéficas. O que muitas vezes entra no ponto de vista prático, então...
principalmente meu, é algumas análises que eu faço. Da distorção do uso da câmera. O senhor citou muito bem, foi muito feliz, que foi algo importado, foi algo trazido dos Estados Unidos. Lá nos Estados Unidos, você sabia que é proibido utilizar como prova contra o policial a câmera? As imagens? Não, não sabia. E aí eu explico por quê. Porque, por exemplo, a câmera grava em 60 frames por segundo em 4K.
Eu acredito que chama os lumens dela. A captura de lumens dela, se você pegar uma imagem no celular do ambiente totalmente escuro, você pega na câmera e parece que é de dia. Ou seja, a imagem é distorcida da realidade, do que o olho humano está enxergando. Bem como a situação. Muitas vezes você vai sacar uma latinha dessa.
Eu posso enxergar uma arma, dependendo do nível de estresse que eu esteja, na atuação de onde eu tenha vindo. Você imagina nessa própria troca de tiro que o tenente estava. Ele acabou de ser baleado, ele acabou de tomar um monte de tiro de fuzil, de repente me aparece um cara com um objeto escuro na mão, num ambiente escuro. E esse tenente efetua disparo contra essa pessoa.
E muitas vezes as imagens também... Ah, tu devia ter pensado. É, não. Pô, irmão, o que é isso? É um fuzil? Porque as pessoas justamente, muitas vezes, quando é utilizado no processo, no processo, o que é feito? O desdobramento dos frames, 60 frames por segundo, são 60 fotos. Então o cara pega foto a foto, pra aqui, ó. Nesse exato momento ele deveria ter visto que era uma garrafa de coca, e que não era uma arma.
Tem se utilizado isso processualmente e aí é onde os policiais que estão atuando, o cara começa a ficar amedrontado. Ele fala, porra, mano. Tem uma situação, por exemplo, se eu não me engano, foi em Ribeirão Preto, que o policial tinha tomado um monte de tiro, na sequência tem um indivíduo descendo do carro, o policial efetua disparo nesse cara.
E aí foi feito o desdobramento das imagens, que a gente passou até no Fantástico. E aí foi feito o desdobramento das imagens e começaram a utilizar para falar que o policial não deveria ter atirado naquele segundo indivíduo. Aí você fala, peraí, meu irmão. Você está tomando tiro, sua vida está sob risco, é fração de segundo, você atira ou não atira.
E aí é onde eu acredito que aqui não se deveria utilizar as imagens, até porque a própria Constituição prevê que você não pode constituir prova contra si mesmo. E você está ali constituindo prova. Inclusive existe um estudo americano também, se eu não me engano foi feito pela FBI, que comprova que as imagens geram uma distorção da realidade do que você enxerga no momento de estresse. Já existe esse estudo. Tem um estudo americano sobre isso.
Então, assim, eu acho excelente. Tem trazido benefícios com relação a conjunto probatório para elucidar uma ocorrência, porém também em situações que muitas vezes o policial sob estresse ali na adrenalina agiu, os policiais têm sido... Condenação, eu não me recordo ainda de ter havido, porém, gera todo um desgaste. Você imagina que você é policial, você...
O policial ganha muito bem, né? Aí você tem que responder um tribunal do júri e para começar um advogado vai te cobrar 100 mil reais. O policial sofre. Aí muitas vezes o policial é submetido a uma, duas vezes ao júri, meu irmão. O cara tem que vender a casa. Chega o nerd para mim e fala assim...
Cadê o documento? Aí eu faço assim. Pronto. Exatamente. Toma aqui meu documento. Exatamente. Vou tomar? Agora, a câmera atrapalha uma coisa também importante, é o seguinte. Isso a gente pode falar hoje, nós somos aposentados.
Mas eu tive um caso recente, onde um policial da ativa do Rio de Janeiro me confessou o que ele fez para esclarecer o crime contra o Tim Lopes. Então, imagina a seguinte situação. O Tim Lopes foi fazer um trabalho e ele sumiu. Foram na delegacia do Rio e lá estava um policial civil. E lá tem outras nomenclaturas, é o detetive. E foi atendido por um rapaz que era jovem, chamado Daniel Gomes.
E ele atendeu e ele percebeu a gravidade dos fatos. Ele reuniu um monte de polícia, foi lá para a Vila Cruzeiro, fizeram uma varredura, ouviram um zum zum zum zum e o Lopes sumiu. E na cabeça deles ele podia ter estado em refém. Ok.
E uma pressão da imprensa, da Rede Globo, onde está o Antilopes, e aquilo ficou dias, dias, e estava na mão desse investigador, desse detetive. Bom, ele está lá trabalhando, e isso ele me contou no meu YouTube na cena do crime, ele contou isso, e eu até fiquei preocupado, mas depois ele explicou por que ele contou. Algo que um policial não conta.
e daqui a pouco quero falar o problema da câmera. Ele estava trabalhando no sétimo dia do desaparecimento do Tim Lopes, quando a polícia militar chega com um traficante, que foi pego com droga, pra ser preso. Falou, Daniel, Daniel, como tá aqui, pegamos esse cara aqui em flagrante. Beleza. Ele começa a conversar, se pegaram ele aonde? Vila Cruzeiro. Pô, Vila Cruzeiro ele já lembra do Tim Lopes. Ele chega, ele pega esse rapaz, leva pra uma sala e fala, você é da Vila Cruzeiro? Ele falou, sou. Ele falou, o que aconteceu com o Tim Lopes?
O cara olhou para ele e falou assim, mas por que eu vou falar para você? Eu estou preso, filho. Pô, você está me tirando? Ele falou, não, mas você sabe o que aconteceu com ele? Eu falei, olha, vou ser muito sincero com o senhor. Eu não sei. Mas se eu bater papo com três, quatro pessoas, eu vou descobrir quem é. E aí, olha a situação que está a polícia. Ele, policial com uns 35, 40 anos, ele pegou e falou o seguinte, é o seguinte, se eu te soltar,
Você me fala o que fizeram com ele? O cara falou, eu prometo que eu falo. Porque eu estou em cana. Ele estava em cana no tráfico. E fica preso um tempo. Ele não queria ser preso. E o policial também confiou no semblante dele. Ele tinha um celular velho, deu o celular na mão e falou, olha, você vai lá, você conseguindo alguma coisa, você me liga e joga fora o seu celular. Só que tinha dois policiais militar.
Mas é tudo parceiro, policial diária, é tudo parceiro. Ele chamou os dois PM e falou, olha, o cara pode ser que ele me ajude a resolver o caso do Tim Lopes. Os polícias entenderam, porque era um crime menor pra você resolver um crime maior. Daqui a pouco eu pego esse cara de novo.
E tem até uma justificativa legal quando você faz isso. Você ainda pode, mas infelizmente não é bem interpretado. Não poderia ser bem interpretado se estivesse sendo gravado. Não, mas se estivesse gravado não teria. Estou entendendo. Então o que aconteceu? Esse cara soltou o traficante, que era do comando vermelho. E esse cara falou, meu, eu vou cumprir minha palavra.
Porque no Rio o bicho estrala. Ele falou, eu vou cumprir. Bom, deu 70 horas, toca o telefone do Daniel Gomes. Falou, olha, o negócio é o seguinte. Pega papel aí. Contou tudo o que aconteceu. Ele falou, olha, ele foi tirado da Vila Cruzeiro, foi levado para outro lugar, foi levado ao local onde queimaram ele no forno de micro-ondas e os restos, as cinzas estão em tal lugar. E ele falou, pega a caneta.
Igor, o cara fez um mapa. Falou, você vai subir o morro tal, você vira na terceira árvore. E eu fiz um X. Meu, o Daniel Gomes pega tudo aquilo, junta a polícia, vai e chega nesse lugar como se fosse o mapa do tesouro. E chegando lá, ele encontra debaixo da pedra uma série de cinzas.
Só que nessas cinzas tinha um pequenino pedacinho de uma costela, onde se podia fazer o exame de DNA. E junto tinha um pedacinho da câmera, da microcâmera da Rede Globo que estava com ele. Foi feito o exame de DNA, o que aconteceu? Era o Tim Lopes, ele deu o nome de todos que participaram e todos foram presos.
Por que eu contei essa história? Primeiro, por que o Daniel Gomes me contou essa história? Eu fui para o Rio para ele me contar. Porque ele falou para mim, ele já está com 72 anos na ativa e o crime que ele cometeu está prescrito. Corajoso. Porque eu falei para ele, você está me dando essa exclusividade e você está contando uma história da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Porque ninguém sabia como que esclareceram a morte do Tim Lopes. Foi o Daniel Gomes cometendo, entre aspas, um crime. E o que o sargento falou, e eu só quero complementar isso, o policial antigamente fazia troca.
É verdade, mentira? Troca da cana. Fazia troca da cana. Você tem uma cana pequena, você fala, meu, me entrega a casa bomba, me entrega o traficante. O cara, às vezes, entrega. Às vezes, você pode até confiar e dar no burro. Hoje, com a câmera, acabou a troca.
Então, se você falar pra mim o grande prejuízo, além desse que o Nantes fala, que é uma má interpretação da imagem, essa troca que você vê em todo filme americano que o policial troca, isso acabou com a câmera. Então, você deixa de esclarecer um crime maior de fazer uma troca, porque a câmera, se o policial fizer isso e isso vira tona, é cadeia. Pode perder o cargo.
Mas um prejuízo da câmera, bem nessa linha do que o senhor está falando, nós trabalhamos com muita informação nas ruas.
Muitas vezes, no interior da comunidade, fazendo uma incursão, às vezes tem muita gente de bem dentro das favelas. Sabe disso aí. E às vezes você encontrava a Dona Maria lá, o Dona Maria, eu tomo um café aqui, está cheiroso. Você chegava lá, começava a conversar com ela, a mulher simpatizava, não aguenta mais o traficante na porta de casa. Falava assim,
A casa do lado ali. Então você saía, entrava em mais meia dúzia de casa, para o cara não se ligar que você tinha saído da casa da Dom Amaria, e depois você ia lá e dava o flagrante.
Só que hoje, como é que a Dona Maria, olhando para a câmera, vendo que está gravando ela, ela vai falar? Ela sabendo que o advogado... Porque essas imagens vão ser anexadas no processo. Ela sabendo que o advogado vai ter acesso às câmeras. E até mesmo por proteção a ela, como é que eu vou ter coragem de expor a Dona Maria, mesmo que ela não saiba que ela está falando que pode ser visto pelo advogado do criminoso? Como é que eu, como policial, vou ter coragem de expor uma pessoa dessa?
Eu não vou. Até aquelas mesmas que chegavam na porta da viatura e falavam tá acontecendo um sequestro, os caras estão com a vítima mucosada do lado da minha casa. Até essa vítima, você tem que ter um cuidado, porque isso vai ser anexado nos autos do processo e o advogado de defesa do bandido vai ter acesso. E não duvidando...
dos advogados, mas infelizmente a gente sabe que existem maus profissionais. Quem me garante que o advogado que vai pegar esse caso não entrega essas imagens para o bandido para que a vítima possa sofrer uma retaliação? O denunciante possa sofrer uma retaliação. Então ficou complicadíssimo de trabalhar isso aí. Eu vejo que, embora tenha os pontos positivos, mas ajudou demais o crime. A troca acabou. A troca era uma coisa comum. Era uma coisa assim.
E era algo que ajudava a polícia. E esse cara virava um cagueta. Você pegava uma intimidade. Pô, esse cara foi sério. Esse cara virava um cagueta. Então isso acabou. Isso realmente... E o que é isso aí que você trouxe, cara? Tem aí uns dossiês, uma cabeça? Olha, eu sou assim, um aficionado em entrar dentro de um crime. E eu trouxe aqui... É...
um crime muito chocante, que é o crime que envolve o maníaco do parque.
Que está para sair, você estava me contando aqui. Sim, o maníaco do parque, em tese, em agosto, julho, agosto de 2028, ele tem que ir embora porque ele completa 30 anos. Hoje, a lei fala que você tem que cumprir 40. Só que essa lei foi posterior ao crime dele. Então, no caso dele, é 30. Outro detalhe, Marcola e Marcinho VP estão para sair. Já estão para sair também. Estão quase cumprindo 40 anos. Mas vai fazer diferença, Nath?
Os caras não já mandam a mesma lá de dentro e valiam? É, mas faz. Ah, faz. Porque o cara, muitas vezes, talvez o poder de atuação hoje na facção, as facções estão tão bem estruturadas que talvez eles não... não vai mudar muita coisa no gerenciamento do negócio.
Porém, eles são líderes. Hoje, eles são imagens que fortalecem a facção. Eles geram até esperança nos próximos criminosos que vêm, que estão chegando agora e falam, não, o cara saiu, ele rodou, ficou 40 anos, mas ele saiu e está de boa agora. Então, é complicado. Você demonstra, no ponto de vista meu, uma fraqueza do Estado. Mas por que ele não está ressocializado, não?
30 anos não dá para ressocializar, não? Mas a gente tem outros casos aí que não ficou tão provado que o indivíduo, mesmo com penas tão altas, se ressocializou. E agora a gente está falando do... E a gente está falando do...
O maníaco do parque, que é uma pessoa que matou várias meninas lá no parque do estado, ele está para sair. E aí a gente recebeu uma informação ano passado, que no começo eu não acreditei, que foi informação que ele havia arrancado todos os dentes.
que ele seria um homem desdentado. Eu não acreditei inicialmente, fui confirmar e vi que ele era um homem desdentado. Ele arrancou todos os dentes da boca e qual foi a... Enquanto estava preso. Está preso lá. Então, o que aconteceu? Como é que ele arrancou? Ele usou uma metodologia antiga do pessoal que morava no interior, que não tinha dentista, que você pegar um fio, amarrar no dente e puxar. O dente já estava meio mole, eles puxam.
E ele, de uma hora para a outra, como ele costura a bola, ele tem esse fio, ele arrancou, ele amarrou em dente por dente e foi puxando. E hoje ele é um homem desdentado. É um homem desdentado.
Coisa de maluco, né, cara? Por que tu vai arrancar teus dentes? Então, quando eu recebo... O cara gosta de comer? O cara gosta de comer só a sopa. Só gosta de sopa. Ó, cansei desse cara trazendo bife pra mim. Eu acredito que o doutor tem uma explicação boa pra essa teoria. O criminoso, ele nunca faz nada de graça. Então, veja bem, ele tá com uma esperança que ele vai sair. Ele já declarou que ele se recuperou. E que ele quer sair. E que ele casou na cadeia.
Ele recebeu milhares de cartas, uma mulher do sul do país foi lá e insistiu muito com ele e eles são casados no papel lá na procuração. Ela nunca pôde ter visita íntima, ela tem 60 anos e ele hoje tem 58.
Bom, vamos lá. Você está entendendo o que ele falou? Que ele recebeu milhares de cartas? Milhares. Cara, isso é muita viagem, né? Muita. Milhares. Isso que ele é publicamente brocha, né, meu irmão? Exatamente. Imagina se ele fosse... Mas eu tive um raciocínio, conversando com alguns psicólogos e psiquiatras, eu queria saber a opinião de vocês, para ver se faz sentido a minha conclusão, que pode ser que não tenha nada a ver. Eu trouxe uma foto que é essa aqui.
O que é essa foto? Quando começou as investigações do maníaco do parque e foi encontrado o primeiro e o segundo corpo, o delegado percebeu que havia mordidas nas partes íntimas das mulheres. E aí o delegado queria fazer uma comparação se era o maníaco, porque o maníaco negou no início do crime. E eles fizeram o quê? O delegado pediu para um dentista fazer esses moldes.
da Arcada Dentária do Maníaco do Parque, e fazer uma comparação com as mordidas nos corpos das vítimas, porque todos os corpos das vítimas tinham mordidas. E aí, num dos depoimentos dele, na hora de ser interrogado, ele confessa, eu sou canibal. E aí, o que nós descobrimos? Que ele era broxa.
Ele tinha a chamada fimose tipo 2, ele não conseguia ter ereção. Ele teve uma namorada, uma morena de estatura média, cabelinho até aqui, nem magra, nem gorda, pele bem branquinha e cabelo até... E essa mulher que ele foi apaixonado separa dele. Dizem as más línguas que separou porque ele não tinha ereção. Naquele momento, ele vai morar como a transexual.
E essa transexual, ele mora um ano. Até ele não tinha matado ninguém. Essa transexual, a gente lá na cena do crime conseguimos um depoimento dela. Ela fala, ele foi bom marido, ele era trabalhador, cuidava bem de mim. Aí a pergunta, mas ele tinha algum problema? Tinha, ele não tinha ereção. E eu era ativa com ele. Ela fala isso. Por que terminou o relacionamento? Por causa disso. Porque ela não conseguia ela ter satisfação. Só ele tinha.
Ou seja, ele era broxa. Ele não queria violentar as mulheres. Ele queria matar as mulheres. Com a mão, garganta. Depois de matar, Igor...
ele mordia as partes íntimas e voltava para casa. No dia seguinte, ele pegava a moto, voltava no mesmo local, mordia de novo, voltava para casa. No terceiro dia, ele voltava no local, mordia de novo, até o corpo começar a cheirar. Começou a cheirar, ele para.
Ele estava saciado naquele momento. Passava um período, voltava à vontade de matar. Matar quem? Matar uma mulher com as características da namorada. O laudo psiquiátrico constatou que ele tinha raiva das mulheres. Mas não era de qualquer mulher. Era desse tipo de mulher. Todas são muito parecidas. Que possuíam as características da Aísa. Eu consegui a foto da Sete, coloquei uma de cada lado. Você vê, você fala, meu, que maluquice.
Outro detalhe que o delegado na época perguntou, como é que você escolhia as vítimas sem contar as características físicas? E aqui vai uma dica de segurança para todo mundo que está nos vendo, porque é uma dica de segurança mesmo.
E ele, que é um cara de inteligência para o mal, ele falou o seguinte, eu identificava no metrô uma menina com as características que eu gostava, mas eu só abordava se eu percebesse que o olhar era triste, que ela estava um pouco inclinada para a frente e os ombros para baixo.
Isso denota na leitura corporal que é uma pessoa que está deprimida, que está abatida. E está vulnerável. Está vulnerável. Então ele chegava com uma câmera na mão, falava, nossa, você é uma menina muito bonita de expressão. Você pode ganhar dinheiro. Ele ficava elogiando, elogiando uma menina que estava para baixo. Sim.
E aí ela melhorava o astral, conseguia fazer ela subir na moto. Ela falou, quer tirar umas fotos? Eu faço o book, eu vou atrás de prováveis fotos e depois você me dá um lucrinho. A menina acreditava. Só que ela ia para lá, ele não a violentava e ele fazia o quê? Ele mordia. Bom, conclusão que a gente teve, conversando até com o Dr. Guido Palomba. A conclusão é a seguinte, ele está para sair.
Ele sabe que ele faz isso porque ele é canibal. Canibal tem que matar e comer. Então, a primeira conclusão. Ele arranca todos os dentes porque na cabeça dele, doentia, ele não teria mais o gatilho de matar e comer. Essa é a primeira situação. Só que não para por aí. De uma hora para outra, ele começa a se feminilizar. Dá uma olhada nisso aqui. Dá uma olhada nisso aqui. Recente. Tem um ano.
Ele nunca foi assim. Ele começa a se feminilizar. E o pior que eu vou te mostrar agora.
Nos últimos cinco meses, ele começa a comer compulsivamente. Porque ele manteve o mesmo peso durante 26 anos, Igor. Ele, por sinal, envelheceu muito pouco. Ele manteve o rosto dele muito parecido. Eu, por sinal, trabalhei em cadeia pública. Eu tenho uma teoria que o preso envelhece menos do que nós que estamos trabalhando.
Isso é fato. Ele envelhece menos. Eu peguei fotos de todos os criminosos famosos de quando foram presos e quando saíram. Suzane Stoffen, goleiro Bruno, todos famosos eu peguei na cena do crime. Quando você vê, você fala nossa, mas parece que o tempo não passou pra eles. E no caso dele, por que que ele engorda? E olha como ele tá hoje. Você vai cair duro. Olha como ele tá hoje. Caraca. Olha isso aqui.
Na minha concepção, até queria saber do seu público, se ele fosse para a rua assim, ele não dura uma semana. Se ele for para a rua assim... Ele passa batido. E ele também passar a ser uma mulher, por exemplo, usando roupa feminina... Mas não casou? Bom, está casado na cadeia. A gente não sabe o que vai acontecer com isso aí. Na cadeia você aceita qualquer pessoa. Que pode ser uma estratégia também. Ela ajuda com advogado, ela leva comida. Para ele está tudo em festa.
Agora, quando ele vai sair de lá, o que ele vai fazer? Ninguém sabe. Agora, se ele sai assim, ele não dura. Porque ele toma um cacete na rua e é morto. Se ele sai assim, ninguém vai poder dizer que é o maníaco do parque. Sim.
Então eu acho que na cabeça doentia dele, ele criou toda essa retórica. Ele fala, eu vou sair daqui e viver uma vida nova. E como eu arranquei os meus dentes, eu não vou matar mais ninguém. Só o fato dele ter conseguido arrancar os dentes já indica para a gente alguma coisa, né, cara?
Porra, só o fato de ter... Esse lance dele ter se transformado tanto ao final do ciclo dele na cadeia chama atenção, né? É. Tem que ter uma motivação. Não é de graça isso. Dá para entender um certo receio de morrer e tudo mais, mas é uma transformação acentuada, né? Sim. Arrancar os dentes de tudo, caraca.
Ele possui um retardo mental. Ele não teve nenhum tratamento esse tempo todo. Ele não teve nenhum remédio. E muita gente como ele é solta diariamente após cumprimento de pena.
Então o Brasil solta gente com potencial de matar, que é um verdadeiro absurdo. E de cometer novamente. E uma mente assim, que você vê que ele não... Embora ele é um criminoso, um psicopata, os caras são muito inteligentes. Isso é fato. Não é porque ele é o maníaco do pato que ele é burro. Exatamente. Eu não... Para ele estruturar tudo isso, criar toda... Para enxergar a vítima. Exatamente.
Ele tem o seu ponto de inteligência e de lucidez. Eu tenho uma análise... Os criminosos, de certo modo... O doutor que viveu isso aí mais do que eu ainda, porque trabalhou mais na parte investigativa. Os criminosos, de certo modo, a grande maioria, são pessoas inteligentes. As pessoas cometem crime. Muitas vezes cometem o crime por prazer, que é o caso aqui. Muitas vezes o bandido...
que a gente combate no dia a dia, que é o que eu sempre procurei identificar e ir atrás, ele não está atrás do bem da vítima. Ele está atrás de satisfazer a vontade dele de ver o pavor no olhar da vítima. O tesão dele é ver o pavor. O tesão dele é ver a vítima apavorada, é aterrorizar.
Muitos marginais que se envolvem no mundo do crime, que estão inseridos no mundo do crime, eles não estão mais nem aí porque eles vão levar de vantagem. Muitas vezes é para ver, eles têm... Satisfazer a laciva de ver o medo no olhar da vítima, a expressão da vítima. Então, assim... E a pessoa, quando atinge um nível desse, que eu costumo dizer que muitas vezes é difícil de você recuperar um indivíduo desse.
Pode dar 200 anos de cadeia. Ele sai e ele vai querer satisfazer aquela vontade e aquela lasciva, porque aquilo é prazeroso para ele, é como se fosse uma droga.
E esse indivíduo... Eu acredito nessa teoria que pode ser real, dele tentar segurar o monstro dentro dele, arrancando os dentes. Mas eu também analiso que, pela inteligência dele, ele pode estar tentando enganar os médicos que vão fazer a avaliação para liberar ele. Ele vai falar, não, eu mudei, eu não quero mais, eu não quero mais essa vida, eu não vou fazer mais isso.
Arrancou os dentes que agora, com dentes aleatórios que ele compra, ele pode trocar de dentes também. Exatamente. E aí ele pode, de repente, utilizar de outros mecanismos. Sei lá, de repente ele continua assassina e utiliza de uma faca. Sei lá, não sei. Não sei o que passa dentro dessa cabeça doente dele. Nantes, vocês lembram do Maníaco de Goiânia?
Não sei quem é o maníaco de Goiânia. O maníaco de Goiânia, pra mim, na minha pesquisa, é o maior matador de mulheres do Brasil. Maior matador, 2015. Um rapaz de 28 pra 30 anos, muito bem apessoado. Trabalhava como vigilante armado em Goiânia.
vigilante armado, tinha uma moto dele. A pessoa pra quem tu pediria ajuda, né? Não, não, não. O cara pra... Porque todo mundo pede ajuda. Em dado momento, num determinado dia, esse rapaz pega a moto dele à noite e veio dentro dele uma vontade de matar. Mas não é matar qualquer pessoa. Porque o serial killer, ele não mata qualquer pessoa. Ele tem um foco.
E ele queria matar mulheres magras e jovens. Jovens que eu digo 18, 19, 20, 21, 22. Então ele começou a andar com a moto dele armado no centro de Goiânia, quando ele viu, logo bem cedo, uma menina esperando para pegar um ônibus.
Esperando sozinha. Ele se aproximou com o capacete, com roupa até aqui pra não ser identificado. Tira a arma sem falar absolutamente nada. Deu dois tiros, a menina caiu, ele voltou pra casa e foi dormir. Que viagem da porra, mané. Igor, ele fez isso 55 vezes. Sem nenhum interesse de roubar, sem nenhum interesse sexual, nada.
55 vezes. E a polícia, na época, não conseguia colocar esse cara em cana. Um dia, ele comete um erro. Ele comete um erro. Ele foi identificado e preso. E o mais curioso, quando essas pessoas são presas, e você vai entrevistar, e quando vem a imprensa, eles falam como se estivesse comendo um PF. É. Caralho, meu irmão. Ô, Jorge, o cara que... Esse cara aí...
É difícil para a polícia pegar esse cara porque não tem muita ligação entre as vítimas. Sei lá, elas se parecem fisicamente ou tem características físicas. Às vezes não se parece, só tem algumas características. Porque esses caras são malucos.
Igor, na minha época, é do Sargento Nantes, nós somos policiais raiz que trabalhava sem internet, sem câmera, não tinha nada. Eu fazia boletim de papel, na máquina de escrever. A gente não tinha... A gente não tinha um computador pra fazer pesquisa.
Hoje é tudo interligado. Tem smarts. Na nossa época, imagina, não tinha informação. Não tinha câmera de segurança. E aí eu quero trazer um outro maníaco que eu quero relembrar, que foi o maníaco do Parque Trianon aqui da Avenida Paulista.
O Parque Trianon, o primeiro homem que foi fazer programa no Parque Trianon e inaugurou os programas da Avenida Paulista no Parque Trianon, que tem até hoje, passa com o carro hoje no Parque Trianon, tem homem fazendo programa.
Mas quem que começou com isso? Foi um jovem que sai do interior de São Paulo e vem morar em São Paulo, homossexual. E ele, verificando os jardins que tinha muita riqueza, ele foi passear no parque à noite. Conhece a LRG ou não, Nantes? Conheço não, não sei nem onde que é. Foi passear ali. Tu conhece? Não, sou aqui da Vila Prudente. Sou aqui da Vila Prudente, do Rio, né? Sou do Rio, nem sai de casa, vem pra cá, nem sai de casa. Deixa eu ver teu BPI de tal, a pedir.
Mas, Igor, ele está ali andando no parque. O que aconteceu? Para um carro. Um carro bonito. Com um cara solteiro, meia idade. E faz o quê? Ele faz o quê? A pessoa pergunta. Pô, você não quer fazer um programa? Foi do nada. Ele aceita. O cara levou para a casa dele. Ele faturou um dinheiro e voltou para a casa dele.
Ele falou, pô, eu posso levantar um dinheiro aqui. E ele começou a fazer isso, só que num determinado dia, ele teve vontade de matar esse cliente. Então eles começaram a beber, mas ele bebia menos e o cliente bebia mais na casa dele. Ele amarrou o cliente na cama, ele fazia isso com todos. Matava a facada, depois tomava um banho, fazia um jantar, roubava o cliente e ia embora. Então a polícia começa a verificar pontos de pessoas mortas em casa.
Esse cara, Jorge, ele era um jovem adulto? Ele tinha quantos anos? Ele tinha 23, 24 anos. Entendi. E esse cara, depois de uma série de mortes, aí um delegado fala, espera um pouquinho do DHPP, nós temos um serial killer. Mas a pergunta é, como encontrar numa época que não tinha câmera, não tinha nada? Tecnologia zero. E a vítima estava morta. Velocidade de comunicação.
A única coisa que o delegado fez foi procurar a imprensa e colocar, olha, o maníaco do Parque Trianon. Por sorte da polícia, olha que história fantástica. Um jovem estudante da USP...
sabia que lá tinha virado um pontinho de programa. Foi para lá. Foi para lá e fez um programa com o maníaco do Parque Trianon. Eles trocaram, na época, telefone, mas era telefone fixo. Como ele não voltou lá, o cara passou a ligar para ele e ameaçar. Você não vai vir aqui, eu preciso de dinheiro. E começou a ameaçar, de uma maneira agressiva. Ele falou, porra, não vou nem atender mais esse telefone. Quando ele vê no jornal...
que tinha o maníquo, falou, é esse filho é da mãe. Ele vai, procura o delegado. Por que ele foi? Porque ele era, naquela oportunidade, um homossexual que a família sabia. Então ele não teve medo. E ele quis prestar um apoio pra sociedade, porque ele viu os crimes. Ele foi lá e falou pro doutor, olha, esse cara aqui que vocês estão procurando, eu acho que é o cara que eu fiz programa. E aí o delegado falou, pelo amor de Deus, vamos armar uma casa pra esse cara.
E aí eles combinaram, você vai ligar, numa boa, você marca um encontro no Parque Trianon, vou colocar os policiais ali, a paisana, e ele foi, e o maníaco do Parque Trianon foi preso. Você sabia que a parada gay é na Avenida Paulista por causa disso? A primeira manifestação em favor do público homossexual foi por causa do maníaco do Parque Trianon.
Olha que loucura. Aí ele é preso. Eu consegui, na cena do crime, declarações que ele deu pro delegado, contando o prazer que ele tinha em matar. Prazer em matar. É o que o Nantes falou. É prazer em matar. Não precisa de mais nada. É prazer. E aí, depois de dois anos e meio, ele foi encontrado morto na cela. Aí eu fui investigar. Falei, mataram esse cara. Aí eu fui, fui. Não mataram. Ele, na época, vírus HIV.
Entendi. Lembra? Era uma época nebulosa. Ninguém muito sabia. Tugou alguma doença, morreu. É um dos maníacos famosos, que é o maníaco do Parque Trianon, que inaugurou a prostituição naquela área.
Deixa eu trazer um pouco para o presente, que você falou dele morrer na cela. E recentemente morreu na cela. Ainda não sabemos. Ainda não sabemos direito. Não sabemos. Mas a informação que chegou, eu só queria que tu comentasse para mim, porque eu fui perguntar para o JTPT se era possível um cara se matar dentro de uma cela com uma camisa. Foi a informação que saiu aí. E eu fiquei pensando, como é que esse cara conseguiu se matar com a camisa?
No começo, eu achava até que a polícia tinha... A gente comentou aqui. Eu achava que a polícia tinha chegado e encontrado ele e impedido ele de se matar. Mas aparentemente ele... Ele foi encontrado desacordado. É. E aí, cara, como é que...
Eu sei que vocês não ficam lidando com preso direto, mas histórias dos caras conseguem se matar com facilidade? Eu já vi casos até com caneta. O cara tentar se matar não conseguiu concluir, mas enfiou na jugular e quase veio a óbito, mas ficou cheio de sequelas.
Existe uma possibilidade, existe. Agora a gente tem que entender contexto, enfim. Tem muita coisa. Primeira coisa, eu também fui fazer uma pesquisa porque minha assessoria me manda e fala assim, não, ele está vivo. Vai ter a declaração da PF, a nota da Polícia Federal falando que ele já teve morte cefálica.
Aí, de fato, depois de várias pesquisas, ainda não existe uma declaração oficial da Secretaria de Saúde do Estado de Minas. A gente não sabe para valer. É, falou que... Saiu uma nota ontem à noite da Secretaria de Saúde falando que ele ainda está internado na CTI em estado gravíssimo.
estado gravíssimo, mas não foi declarada, até porque para comprovar a morte cefálica, tem acho que um procedimento, tem uma regra na medicina, que não pode ser só de um médico, tem que ser mais de um para aprovar, e tem alguns testes que tem que ser feitos, e esse teste pode se estender até 48 horas para fazer esse teste.
Então, não sei se já foi feito um teste preliminar, mas a Secretaria de Saúde ontem soltou uma nota falando que não, que ainda não foi declarada a morte cefálica dele, que está em estado grave na UTI em coma profunda. Em tese morte cerebral. Agora, eu sempre trabalhei, Igor, em lugar ruim na polícia, e eu fui, algum tempo, diretor de presídio. Eu sempre trabalhei em lugar ruim.
Tem lugar bom na polícia. Tem lugar bom, áreas boas. Eu estava ali sem periferia. Mas eu gostava. Mas quando eu fui diretor de presídio, você aprende regras que são regras básicas para todo mundo. Então, por exemplo, se você fosse preso, Igor, você perderia a barba. Imediatamente. Cortaria o seu cabelo. O preso não pode ter barba, não pode ter cabelo. Por quê? Porque ele pode esconder e não pode ter barba.
Uma gilete. Sim. Ok? Eu consigo prender uma caneta na minha barba. É, olha lá. É a prova. É a prova. Então, você tem que enquadrar o cara. Não posso ser preso, senão eu vou ficar feio. Vai ficar careca e sem barba, meu irmão. É, e não, né? Outra coisa, você não pode entrar dentro do presídio com um sapato ou tênis que tenha cadarço.
Você não pode ter cinto, você não pode ter nada que dê uma oportunidade de alguém se matar. E quem que se mata na cadeia? É a pessoa que viu que a casa caiu, ele não vai suportar ficar preso. A pessoa fala, meu, eu não quero mais, eu não quero mais viver. E existe realmente pessoas que se matam. Se você der uma oportunidade, o cara inventa.
e ele acaba se batendo. Não é tão fácil, porque cadeia tem que ser algo que você não tenha dificuldade para amarrar. É tudo complexo. No caso dessa pessoa do Banco Master, eu gostaria muito de ver, mas a gente não vai conseguir ver, é as fotos da perícia. Porque é a cena do crime. Você tem que ver a cena. A cena do crime. E vou te dizer mais. Um dos fatos que tem tomado... Suicídio é um crime? Não. Instigar ele sim.
Agora, nós estamos vendo em muitos podcasts as pessoas falando sobre o caso do Tenente Coronel Geraldo Neto e a esposa Gisele, que foi encontrada morta no apartamento. Então você tem. A família dela acredita que ela não se matou e que ela foi vítima de feminicídio. O Tenente Coronel Geraldo Neto alega que ela se matou. Então nós temos aí duas possibilidades. Quem que vai contar a verdade?
É a cena do crime. É a cena do crime. Não esquece. As provas contam. A cena do crime. Por que a cena do crime? Porque, por exemplo, o caso de Isabela Nardone, a polícia científica de São Paulo recriou em 3D tudo o que aconteceu no apartamento com Isabela Nardone. Tudo!
E isso é extremamente sensível, porque um erro você pode invalidar tudo, um erro você pode incriminar um cara que... Um inocente. Um inocente. Sim. Então é tudo muito sensível. E assim, rapidinho, um pequeno parênteses. Existe alguma estatística de quantas pessoas que não deveriam ser presas acabam presas por conta dessas... Ah, é difícil isso, porque você nunca sabe. Tem gente que é absorvida e é culpado.
É verdade. Isso é fato. E tem gente que é inocente e é preto. Mas você não tem como filtrar, porque o que vale é a decisão da justiça. Você não tem como falar... O que vale é a decisão da justiça. É a decisão da justiça. A decisão da justiça, você pode não concordar, mas ela está lá. Então nós temos o tênis coronel, ele tem a versão dele. A menina, a soldado, ela não pode mais falar. Mas a cena do crime conta.
E aí, não sei se vocês se lembram, do caso Pesseguini. Lembra o garotinho? Famoso. Que muita gente acredita, ainda que foi o PCC, ou que não foi o garoto, tem gente que não acredita. Eu tive acesso ao laudo, Igor, quando você vê o laudo feito pela perícia de São Paulo, o laudo é perfeito, cara. Mostrou que foi, que o Marcelinho matou o pai.
o sargento da rota, matou a mãe que era soldada PM, foi na edícula lá atrás, mata a avó e a tiavó. Ele se troca, coloca uma roupa de colégio, pega o carro da mãe e vai assistir aula. Assiste aula, volta de carona. E aí o doutor psiquiatra que fez o caso, eu conversei com ele, ele me falou, a conclusão que eu cheguei é a seguinte, quando o Marcelinho, que tinha problemas psiquiátricos não tratados,
ele entra na sala e vê os pais mortos, ele volta à realidade. Porque ele falava para os amigos que ele era um vingador e que ele queria matar a família inteira. Ele falou várias vezes, mas as pessoas falaram, ele é meio maluquinho. Mas muita gente acreditava que não era possível uma criança de 12 anos fazer tudo isso. Mas quando você pega o laudo...
E o laudo é muito curioso e vai ser feito agora, no caso da Gisele, para que não haja dúvida, pelo seguinte. Eu trouxe essa cabeça aqui para te fazer uma demonstração. A maioria dos suicídios, a pessoa, quando tem uma arma, é mais fácil, porque é muito fácil. Então, o suicida, quando a gente estuda na medicina legal, se a pessoa for destra...
Ela vai dar um tiro com a mão direita. Mas ela vai dar um tiro aonde? Na maioria das vezes, na têmpora direita. Mas dá uma olhadinha. Quando você faz esse movimento com a mão, repara que o movimento diz que o tiro é. O tiro que entra aqui, ele sai no ar. Porque é o movimento natural das mãos. Dificilmente é assim. Você vai encostar. O suicídio é tiro encostado. Você encosta.
A pessoa mira na têmpora dela. Se a pessoa for canhota, ela vai ter na têmpora esquerda. Bom, o que nós sabemos no caso da Gisele? Que o tiro foi encostado na têmpora direita. É claro que pode ser uma simulação feita pelo atirador. Só que se o atirador fez isso, ele tem que ter essa angulatura.
Olha que interessante. No caso do Marcelo Pesseguini, o que o perito fez? O perito tinha a altura do Marcelinho. Então, você imagina, ele está de pé. Ele calculou o orifício de entrada e tinha o orifício de saída. Igor, a perícia verificou onde bateu o projétil. E a perícia pôs a altura dele...
Totalmente, a trajetória bateu lá. Quando bateu o projétil, o projétil levou um micro pedacinho do cérebro. Resgatou aquilo lá, comparou o DNA dele e o perito cravou. Foi suicídio.
Então, no caso do tenente coronel, quem está falando que é suicídio, quem está falando que é simulação de um suicídio, gente, isso aí é tudo achismo. Nós temos que esperar. Nós não estivemos lá para ver. Tem que esperar a prova da perícia, que vai poder dizer com toda característica. Outro fato interessante. Não consignou pólvora na mão dele e nem na mão dela. Qual que é a explicação?
O que também estava de luva. Mas vamos lá. Não, mas é... Vamos lá. Qual que é a explicação? O suicídio é tiro encostado. No tiro encostado, como o revólver esquenta, você acaba tendo aqui uma marca, que eles chamam de um decalque. Quando a arma dispara, Igor, ela solta pólvora, ela solta gases, e esses gases vão para dentro da cabeça.
Se você atirar aqui, os gases vão ficar incrustados na pele. E esses gases vão polvoar aquela situação e você pega na sua mão. Ou pega na sua roupa. Mas o tiro encostado, todos os gases, quando você abre o corpo, a mancha, aquela mancha que fica... A tatuagem interna. A tatuagem interna.
Então, a... Se o Nantes me encostar uma arma aqui no meu peito e der um tiro, ele não vai ficar com a mão... Dificilmente. Dificilmente. Dificilmente. Então, o tiro foi... Não é com essa prova que tu pega ele. Sim. Agora, a perícia vai verificar inicialmente qual é... Pô, foi assim? Isso não existe suicídio assim.
Não existe. Não existe. Assim. Que trabalheiro. Vai morrer. A posição é incômoda. Com a arma você não... Imagina que você coloca a arma aqui. Pra você matar uma pessoa, você tem que dominá-la. Não é simples. Tudo tá em movimento. Marcelo Pesseguini, ele tava sozinho quando ele se matou com a arma do pai. Então ele cai, ele matou, porque ele vivia... Às vezes ele tinha esse plano paralelo, que ele era um vingador. Ele matou a família inteira.
Então, a perícia, quando bem feita, ela é muito bonita no sentido de mostrar a verdade. O caso Isabela Nardone é impressionante, foi feito em 3D. Com as manchas no chão, eles puderam calcular que a menina foi pego em tal altura, remessada no chão, ela bate o cóccix, desmaia, depois vem outra pessoa, aperta ela no pescoço e ela desmaiou. E eles pensaram que ela estava morta. Eles tinham certeza que ela estava morta e não estava.
Aí a conclusão deles é, nós vamos ser presos. Matamos a menina. Aí eles começam a limpar o apartamento que tinha sangue desde a parte do elevador. O pai joga a criança...
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