OLIVER STUENKEL - Flow #582
Van Gogh da geopolítica
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This is the flow. Salve, salve, família. Bem-vindos a mais um Flow. Eu sou o Igor. Hoje eu vou conversar com o professor Oliver Stunkel pela milésima vez, sei lá. Muito obrigado por vir aí, cara. Obrigado pelo convite. E é sempre bom conversar contigo porque... Bom, duas coisas. Eu saio um pouco triste, na verdade. Eu fico assim, pô, fudeu, acho que vai dar merda mesmo. Mas eu saio mais bem informado, pô.
Pois é. Pra nós, assim, quanto pior o mundo, maior a demanda. Que coisa. A gente e os psicólogos. Esses são os dois grupos que saem ganhando. Mas falando sério. Ah, se você quiser mandar uma mensagem pra gente aqui, cara. Tem o QR Code aqui do LivePix aí na descrição também. Manda aí. Tem uma dúvida em particular ou ficou faltando falar de alguma coisa? Fica à vontade. Cara, o que você acha que... O Trump entrou numa de dizer que ganhou a guerra, né?
É... Acabou aqui e agora eu vou... Sei lá, quem quiser o petróleo aí, o problema é de vocês agora, a minha parte mais difícil já foi, né? Ele tá com um discurso assim que eu li isso daí numa rede social. É... Cara, o que tu acha que passa pela cabeça dele? Porque a guerra tá longe de acabar, não tá?
Eu acho que sim. Agora, só antes disso, é importante lembrar que um dos motivos que levou Trump a atacar o Irã foi a percepção de sucesso da operação militar na Venezuela no dia 3 de janeiro. Que foi, do ponto de vista militar, muito impressionante. Um comando que havia treinado por meses...
construindo o Palácio Presidencial Venezuelano no interior dos Estados Unidos, treinando centenas de vezes aquela operação para tirar o Maduro, sem perder um só soldado americano, aquilo é preciso reconhecer, é algo que nenhum outro país do mundo é capaz de fazer. Morreram uma série de soldados venezuelanos, cubanos, alguns civis também.
E aquilo foi celebrado na Casa Branca. E o Trump realmente pensa sobre isso como um grande legado de transformar a Venezuela num país totalmente aliado e submisso aos Estados Unidos. Que vale lembrar, a Venezuela foi um grande aliado russo-chinês e um dos principais adversários dos Estados Unidos. Aí o Trump vai lá, basicamente sequestra o presidente, traz ele para os Estados Unidos.
e pressiona a vice-presidente, sem se interferir no sistema político, a ser a principal aliada dos Estados Unidos, que precisa ligar para Washington antes de tomar qualquer decisão. Inclusive, recentemente, foi pressionada a trocar o ministro da Defesa. E aí, uma vez que recebeu a aprovação de Washington, ela, de fato, fez essa movimentação. Então, a gente lá tem hoje um chavismo pro-americano que, a curto prazo...
traz uma vantagem estratégica grande aos Estados Unidos. Eu acho que a longo prazo vai ser ruim, porque a retórica, vamos pegar o petróleo da Venezuela, etc., sem ajudar a população venezuelana, que obviamente não vai mudar absolutamente nada, sem ajudar a democratizar.
vai plantar os sementes de um novo Hugo Chaves, que vai, em algum momento, pode ser daqui a três, cinco, dez anos, emergir e dizer, pessoal, eles estão roubando a gente. E meio que está certo. Então, assim, é um longo ciclo Cuba igual. Os Estados Unidos vão repetir o modelo venezuelano em Cuba.
provavelmente sem ação militar, sem um tiro, pressionar Cuba a trocar o presidente, meio que instalar uma pessoa dependente de Washington, e aí Cuba vira um aliado dos Estados Unidos. Isso já aconteceu no passado. Na verdade, quando...
Quando os Estados Unidos expulsaram a Espanha de Cuba em 1899, Cuba nasceu como república totalmente dependente dos Estados Unidos. E aí virou meio que uma ilha de diversão, de férias da elite americana, que ia lá, dominava a população local. E em algum momento, depois de muita instabilidade e presença militar americana...
O Fulquentes e o Batista deu um golpe nos anos 50, com apoio dos Estados Unidos. E aí, durante os anos 50, a Revolução Cubana surgiu com a promessa de expulsar os americanos. A partir dessa experiência de opressão.
Então se o que me parece o cenário mais plausível dos Estados Unidos fizerem agora o mesmo novamente em Cuba é impor um regime que na visão da população não tem legitimidade popular, pode até trazer a curto prazo algumas vantagens porque o sistema político cubano também é totalmente fracassado.
isso em algum momento vai produzir o próximo Fidel Castro, que vai mobilizar a população cubana para expulsar os americanos. Então a gente está vendo esses ciclos. Agora, a curto prazo, a minha expectativa é que o presidente cubano não estará mais no poder.
justamente para as eleições de meu mandato nos Estados Unidos, para que o Trump possa apresentar não só a Venezuela, mas também Cuba como um grande sucesso da política externa dos primeiros dois anos de seu mandato. Agora, impulsionado e incentivado por essa sensação de vitória fácil,
o Trump lançou um ataque contra o Irã, acreditando que seria possível repetir algo desse tipo num país que é muito diferente e que há décadas busca o seu status como grande adversário dos Estados Unidos como sua principal razão de ser. E que tem uma capacidade militar muito superior e que tem 90 milhões de pessoas em um território vasto.
e que não se rendeu. E a expectativa em Washington foi de que o Irã se renderia ao ver milhares e milhares de tropas americanas acumuladas perto do Irã. Eles ficaram genuinamente surpresos porque o regime está totalmente fragilizado.
teve grandes manifestações ao longo dos últimos anos. É um regime cuja ideologia não convence mais a população mais jovem, é muito repressivo. Diferentemente de outros países no Oriente Médio, o Irã não conseguiu articular uma visão sobre o futuro. Por exemplo, a Arábia Saudita.
Apesar de ser um regime totalmente repressivo, autoritário, que, enfim, naquele caso famoso, matou um jornalista que trouxe ele para dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul e o matou porque é um crítico ao regime. Então, eu não estou aqui defendendo a Arábia Saudita, mas ela tem uma visão sobre o futuro, construindo aquelas novas cidades, querendo trazer a Copa do Mundo no futuro. Tudo isso faz parte de um processo de renovação.
de vários países do Oriente Médio, inclusive a Arábia Saudita. O Irã não tem isso. O Supremo Lira tinha 86 anos e em janeiro houve uma grande onda de manifestações e o regime matou dezenas de milhares de pessoas nas ruas. Então, o regime perto do colapso, tipo União Soviética no final dos anos 80.
E aí o Trump achou que é só dar um empurrão final para as pessoas se levantarem novamente e ele poderia participar dessa grande vitória de ter encerrado esse ciclo do Irã ser um grande adversário dos Estados Unidos. Só que o que aconteceu foi que...
ao ser atacado por um inimigo externo, justamente junto com Israel, que são os dois países constantemente demonizados no discurso iraniano. Eu estive no Irã anos atrás, e cada semana tem uma grande manifestação com placas de morte à América, morte à Israel. Então, para eles, foi sonho de consumo. Então, eles conseguiam... Porque o grande líder de 86 anos foi morto no primeiro dia, virou mártire, que estava morrendo de qualquer jeito.
E como isso aconteceu em meio de uma negociação com os Estados Unidos, o regime conseguiu marginalizar os moderados que defendiam uma negociação com os Estados Unidos porque o ataque foi uma prova contundente de que não adianta negociar com os Estados Unidos. Sendo o Kamenê, inclusive, um desses moderados, não é? Como é que a população via o Kamenê? Eu sei que tinha problemas com o regime e tal, mas... E aí E aí
Como líder do Irã, ele poderia ser considerado um cara, por exemplo, mais conservador ou menos conservador? O filho, que agora aparentemente é o sucessor dele, é muito mais radical. Ou seja, no contexto iraniano...
O Hamney, apesar de ter uma retórica bastante radical, não fazia parte da ala mais radical. Inclusive, ele construiu um regime que incluía militares, a guarda revolucionária, mas também civis.
que vários lideravam negociações com os Estados Unidos, que buscavam de alguma forma chegar a impossíveis soluções. E o Raminei também acabou não avançando e não finalizando o programa nuclear ao ponto de ter uma arma nuclear. Então, certamente hoje o regime é muito mais radicalizado. E aí...
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode meio que ser uma salvação de um regime que havia perdido qualquer legitimidade, que fala assim dos conceitos de 79, da revolução, que para um jovem iraniano não quer dizer absolutamente nada. Que vê esses caras velhos lá impondo regras que são terríveis para as mulheres do Irã, etc.
E que agora tem uma nova fonte de legitimidade, que é se defender contra o grande satã, que são os Estados Unidos e Israel. O mesmo aconteceu em 1980, quando a Revolução Iraniana que derrubou o Shah, que era aliado aos Estados Unidos, aconteceu em 79. Aí, em 80, o Saddam Hussein invadiu o Irã, achando que as divisões internas...
permitiriam dar aquele empurrão final para dominar uma parte do Irã. E o mesmo aconteceu que, graças à guerra, os radicais conseguiram se impor e eliminar toda a oposição interna.
E aquela guerra foi sangrenta de vários anos, morreram dezenas de milhares de pessoas. E aquilo foi tipo um mito fundador de que a República Islâmica seria capaz de defender uma civilização antiguíssima, assim, muito orgulhosa, né? Então, por incrível que pareça, o ataque americano e israelense contra o Irã deu ao regime que estava muito fragilizado.
uma nova fonte de legitimidade.
bombardeios contra países, sobretudo desse tamanho que a gente está vendo agora, sempre atingem um monte de gente inocente. Então, se você odiava o regime, você talvez nos primeiros dias ficou feliz com a invasão. Eu moro em Washington e no dia da invasão houve celebrações nas ruas de Washington, porque lá mora uma parte significativa da diáspora iraniana, que achou legal. Ele vai libertar.
o Irã, do mesmo jeito que a diáspora venezuelana, inicialmente, celebrava o ataque de Trump contra o sequestro de Maduro, acreditando que aquilo levaria a uma democratização. Porque existe até uma liderança democraticamente legítima que venceu o pleito que está no exílio nos Estados Unidos. Só que o Trump falou, não quero me meter nisso, eu quero ter ativados.
uma pessoa que eu consigo controlar e o Trump tem uma preferência clara por lidar com líderes autoritários que tem maior manobra e que não se importam a curto prazo tanto com a opinião pública como um líder democraticamente eleito então ao passar do tempo eu encontro com integrantes da diáspora iraniana
todas as semanas, muitos moram no mesmo bairro que eu moro, e aí você via que no com passar dos dias aquele apoio à intervenção diminuía, porque eles chegaram a conhecer alguém que morreu talvez uma escola foi bombardeada, agora bombardearam uma universidade e assim, sem entrar no mérito os americanos vão dizer, mas tinha uma unidade militar dentro da universidade
Mas assim, bombardeiam em massa, eles atingiram 50 mil alvos, 10 mil alvos no país inteiro. Não tem jeito. Você acaba fomentando o nacionalismo.
E mesmo a galera que queria, que ficou feliz com aquilo, agora está se sentindo... Poxa, eles não só estão numa guerra contra o regime, eles estão numa guerra contra a gente. Inclusive porque foram atingidos rifinerias, teve chuva ácida, teve chuva de petróleo durante alguns dias no início da guerra inteira. Ou seja, caía chuva preta. E você via assim, era petróleo caindo. Aquilo pode causar...
Para crianças, impactos de longuíssimo prazo para a saúde é muito impactante para a população. Então essa situação acaba fortalecendo, por enquanto, o regime, que conseguiu substituir um líder de 86 por um cara muito mais jovem, que é muito mais radical, e agora a gente vê uma transformação do regime iraniano de um regime misto.
uma teocracia com alguns integrantes civis, militares e clérigos, para um regime totalmente militar. Então, na verdade, o regime iraniano agora está se transformando num regime parecido com o Paquistão, que é basicamente uma junta militar que comanda o país, que é a guarda revolucionária.
que está tentando construir um novo mito de resistência aos Estados Unidos para legitimar a repressão interna. Então guerras salvam regimes com frequência. Agora, pode ainda ser que caia o regime, porque a gente ainda tem uma série de opções, inclusive, de uma invasão terrestre que prolongaria a guerra, mas também representa uma ameaça ao regime. Então, o Trump esperava uma guerra curta.
meio que uma repetição do modelo venezuelano. E o Irã, de fato, tinha, ao longo dos últimos anos, respondido de maneira muito passiva aos ataques dos Estados Unidos. Chegaram a bombardear instalações militares iranianas no ano passado. E o Irã não respondeu de maneira muito agressiva, meio que, deixa o passar.
Então isso gerou uma expectativa errada por parte dos Estados Unidos e Israel de que o regime não tinha mais capacidade de responder. Essa resposta que o Irã teve naquele primeiro ataque na guerra de 12 dias, quais foram os alvos que eles escolheram? Foi meio para o inglês ver. Eles até anunciaram na mídia, olha, a gente vai lançar alguns mísseis, etc.
aquilo foi uma sinalização interna, você não pode se deixar humilhar também, você não pode deixar um ataque desse sem resposta. Então foi para dentro, mas também para sinalizar os aliados na região, Hezbollah, no Líbano, os Houthis e um grupo de rebeldes no Iêmen, que a gente ainda é atuante, ou seja, não estamos completamente indefesos. Mas não houve, de fato, uma retaliação séria.
Então isso gerou uma expectativa errada sobre o que aconteceria no caso de um ataque mais amplo que teve início no dia 28 de fevereiro. A expectativa era de que o regime iranil ia cair, que se tivesse caído de fato, seria um super sucesso do governo Trump, que acabou também se iludindo um pouco com essa grande mobilização, achando que...
a sociedade iraniana retomaria essas manifestações em grande escala rapidamente. Mas aí a dinâmica de manifestações é assim, teve um monte de gente que perdeu amigos, e aí você subbombardeia os...
protestar novamente sobre o regime é algo que poucos estão dispostos a fazer. E será que a população iraniana não odeia mais os Estados Unidos e Israel do que qualquer regime? A ponto de se unir com quem eles odeiam, de certa forma?
para resistir a... Se fosse outro tipo de... Se fosse algum outro agente removendo o Hamenei, talvez tivesse uma adesão maior da população. Não sei, não sei. Eu estou chutando.
Eu fiz uma viagem mais longa, visitando cidades pequenas no Irã, há uns 10 anos atrás. Não, mais até. Nossa, quase 20. Mas eu mantive desde então contados e também conheço muitos diplomatas iranianos que trabalharam na América Latina e em outros países. E sempre achei a sociedade iraniana...
Muito culta. Ou seja, você consegue em reuniões fechadas ter conversas muito sofisticadas com pessoas criticando o regime. Eu acho que não é um ódio contra os Estados Unidos. Eu lembro, durante essa viagem, tinha uma época que eu saía para correr de manhã em uma cidade menor. Uma camiseta que...
Estados Unidos, não sei, um chapéu da Nike, um boné da Nike, bem evidentemente um estrangeiro e possivelmente um americano. E as pessoas ficaram encantadas, queriam conversar comigo, agradecendo, visitando, etc. Uma diáspora gigante nos Estados Unidos.
Então, assim, a rejeção do regime é muito grande. Provavelmente uma eleição democrática venceria, sei lá, 15%, no máximo, 20%. O problema é que um ataque de um ator externo contra seu país e a retórica dos Estados Unidos, que é muito violenta, tipo, a gente vai acabar com eles.
O secretário de guerra tem uma retórica de videogame. O Trump, em determinado momento, falou a gente afundou um barco cheio de marinheiros iranianos por diversão. Aquilo fomenta o nacionalismo, cara. Não importa o que você ache sobre o seu regime, mas é compreensível que aquilo vai causar uma reação.
de sentir um certo orgulho de querer defender a pátria. Normal isso. Isso acontece muito quando o país está sob ataque externo. Aconteceu na Ucrânia, onde partes da população tinham uma visão mais favorável à Rússia e começaram a ser bombardeados pela Rússia. E se transformaram em nacionalistas ucranianos totalmente antirrussos. Então, você atacar um país, a não ser que seja uma coisa cirúrgica,
matando inocentes. Os Estados Unidos atacaram uma escola, morreram mais de 100 crianças. Aí não tem jeito. Aí as pessoas acabam se unindo e aumenta a taxa de aprovação, pelo menos temporariamente, ao governo atual. Então, e além disso, o Irã tem pensado sobre esse cenário há muito tempo. Eu lembro que durante essa viagem eles levaram a gente para algumas instalações nucleares.
assim, eu nunca entrei, mas eles falavam, aqui, em Natanzi, e você via em todas as montanhas, tinha sistemas antimísseis, tinha cavernas pequenas, se você tentasse ocupar esse espaço, seria um ambiente muito difícil de se conquistar. Também é um país muito montanhoso, etc. Então, eles têm uma hierarquia militar totalmente descentralizada.
Isso quer dizer que todos os cargos têm substitutos, mais de 10 substitutos, e que centros regionais militares podem operar por meses sem contato com a liderança central. Ou seja, você pode matar os cinco generais e todo o sistema militar iraniano continua operando de forma autônoma. Isso explica porque não adianta se matar...
os dez principais líderes do regime. O resto continua operando. Então eles chamam isso de sistema mosaico. Que, na verdade, até vai inspirar outras forças militares ao redor do mundo que estão vendo que o Irã consegue resistir bastante bem a um ataque em grande escala. E mostram que é importante você não centralizar o poder demais, mas ter todo um esquema montado para continuar respondendo a ataques externos. E aí a resposta iraniana é de retaliar atleta.
onde doem mais a economia global, que é fechar o Estreito de Hormuz, por onde passa 25% do petróleo e o gás do mundo, que causa um enorme aumento do preço do petróleo, preço de gás, fertilizantes ficam mais caros, que passam tudo por lá, pressionando os Estados Unidos, porque mesmo os Estados Unidos não comprando muito petróleo que passa por lá...
O preço do petróleo é global. Então, a gasolina está ficando mais cara nos Estados Unidos. E o plano iraniano é causar tanta dor econômica que o Trump precisa recuar. Então, como o plano era uma guerra de três dias, não tem plano B. O Trump está improvisando totalmente. E o discurso de ontem é uma loucura, na verdade. É uma loucura. Por quê? Porque ele...
E aí, para responder a sua pergunta, ele está dizendo que venceu. Na verdade, a falta de um plano e a falta de ter dito, olha, esses são meus objetivos, até ter uma vantagem, porque ele, de fato, pode dizer, olha, ganhei, vou sair. E uma parcela do eleitorado vai acreditar. Mas ele tem um problema, porque ao sair agora, ele abriria mão de uma política de 50 anos.
dos Estados Unidos de garantir o livre fluxo de petróleo pelo Estado de Hormuz. Então, se os Estados Unidos se retirarem agora, o Irã vai ficar controlando aquele estreito, podendo cobrar pedágio.
podendo chantagear países e falar assim, ó, você é amigo dos Estados Unidos? Então, seu barco, infelizmente, não vai passar. Ou eu vou cobrar um pedágio maior. Você quer esse petróleo sem pedágio? Então, talvez você tenha que se afastar dos Estados Unidos. Então, assim, aquilo vai deixar o petróleo mais caro por mês. E o consumidor americano sente isso. Então, assim, o Trump é mestre de construir narrativas.
Mas aquele número que é o preço do petróleo, todo americano vê todos os dias. E os americanos enchem o tanque 50 vezes por ano. É o dobro da quantidade de vezes que o brasileiro vai ao pós-de-gasolina. Então, assim, todo mundo vai de carro o tempo todo. Então, tem muitos americanos que têm o carro financiado, a casa financiada.
Dívida pra caramba. Então você aumenta o preço do petróleo, o cara sente na hora. E causa um problema real. Então, o Trump já não pode mais dizer tchau, tô indo. A gente tem um gráfico aqui que eu queria até mostrar que, para mostrar assim, os Estados Unidos, aqui a gente consegue ver o estreito de Hormuz, por onde passa o petróleo e gás. E a gente vê que a grande maioria vai para a Ásia.
Uma parcela bem pequenininha vai para os Estados Unidos. A Europa também relativamente pequena. Quem realmente é mais impactado do ponto de vista físico é a China, a Índia, Coreia do Sul e vários países. O Japão é muito impactado também. Muito impactado. Eles têm uma escassez física. Então, por exemplo, nas Filipinas...
você hoje tem uma situação em que milhares de voos estão sendo cancelados porque eles não têm acesso ao petróleo que passava por lá. Mas o preço é global. Então, como os Estados Unidos, apesar de não comprar o petróleo que passa por lá...
Os Estados Unidos é um exportador de petróleo. Isso quer dizer que as empresas de petróleo, eles podem comprar agora um preço muito mais alto no mercado global. E eles não vão permitir que o americano tenha acesso a petróleo barato. Ou seja, o preço mesmo nos Estados Unidos está ficando mais caro. Então, Trump agora...
E o Trump tem nenhum controle porque as empresas de petróleo lá não são estatais. Não são estatais e também assim, ao manter o preço baixo, você teria que efetivamente subsidiar o petróleo para o consumidor americano, que seria algo extremamente caro. E já tem uma dívida pública.
Tem uma dívida enorme, as reservas estratégicas não são grandes. O único país que aumentou dramaticamente suas reservas no mês antes da invasão foi a China. E assim, a China está quietinha. E como a gente diz, nunca interrompa seu inimigo enquanto ele estiver cometendo um erro. E a China está lá.
Na verdade, meio que na torcida para que os Estados Unidos se envolvam novamente numa guerra interminável no Oriente Médio que distrai eles da Ásia, onde a China quer se consolidar. Então, assim, eu acho que agora a gente tem dois cenários. Uma é o Trump falar tchau, virem-se aí os europeus. Que, na verdade, assim, a economia americana é menos impactada, mas ainda é muito impactada. Então, se o preço do barril de petróleo vai para 150 dólares,
a economia global entra em recessão. Se isso ocorrer por dois, três meses...
Não tem jeito. Aí você, na verdade, vai ter uma estagflação, que é realmente muito ruim, que é alta inflação e até um crescimento ou zero ou negativo. Que é uma situação parecida com aquilo que a gente viu nos anos 70. E aí você tem queda de taxa de aprovação, instabilidade política e todo o drama que a gente viveu 50 anos atrás, quando a OPEP reduziu artificialmente a oferta.
Então, o problema por Trump, mesmo se retirando agora, é que ele vai apanhar muito nas eleições de meio-mandato em novembro.
Mas hoje de manhã eu falei com um analista político que entende bem a dinâmica na Casa Branca e ele falou, Oliver, o Trump já perdeu as eleições de meu mandato. Então, assim, se ele se retirar agora, nem ele vai conseguir convencer o eleitorado americano que aquilo não foi um erro terrível, porque ele se meteu nessa guerra, custou bilhões de dólares, está saindo e deixou o Irã super empoderado, controlando esse Dior Muz.
reduzindo dramaticamente a influência americana no Oriente Médio, ao ponto de os países do Golfo, que achavam que tinham segurança graças às bases americanas, estarem mais vulneráveis. Dubai, por exemplo, se ferrou totalmente. Era um grande destino de turismo. Eles queriam diversificar a sua economia. E agora vivem sob a sombra de uma ameaça permanente iraniana.
Então é terrível para eles. Eles fizeram uma aposta na parceria com os americanos e se ferraram. O Qatar doou o avião para o Trump. E agora tem sua infraestrutura de exportação de gás decimada. Então isso não é só ruim para os americanos no Oriente Médio. Isso é ruim para a influência americana no mundo inteiro. Porque o Japão, que também depende dos Estados Unidos, vai dizer...
os países do Golfo fizeram uma aposta nos Estados Unidos, se ferraram, e os Estados Unidos estão saindo dizendo tchau, se virem aí. Então, o que vai acontecer se a China ataca o Japão? Será que os Estados Unidos realmente é confiável? Então, isso é o grande problema. O Trump agora tem duas... Eu gosto de dizer assim, o Trump tem a opção segura, que é ruim para ele, que é a retirada.
Ou ele tem uma opção que é de altíssimo risco, que é provavelmente pior ainda do que a primeira opção, mas que tem uma pequena chance de também dar certo que eles, de fato, depois de uma guerra mais longa, efetivamente derrubam o regime. Então, se a...
Se a premissa do Trump é que as eleições de meu mandato estão perdidas, eu vou perder o controle sobre a Câmara dos Deputados, que ia perder de qualquer jeito, porque a inflação dos Estados Unidos é de fato alta, o custo de vida é super alto.
E assim, em geral tem uma rejeção crescente, uma percepção de que ele é meio imprevisível. As pessoas, mesmo eleitores de Trump, estão começando a duvidar de que ele de fato consegue resolver o principal problema que é o autocuço de vida e que agora ele está fazendo o contrário que prometeu porque foi o presidente da paz. Na reta final da eleição, os republicanos...
Chegaram a dizer, se vocês votarem na Câmara, a gente vai entrar em guerra contra o Irã. Votem em mim que eu não vou me meter no Oriente Médio. E agora os Estados Unidos estão em guerra contra o Irã. E é muito difícil vender isso. Mesmo se você ama o Trump, é complicado. Então, assim, por isso, se você me perguntasse hoje, eu acho que assim...
48% que o Trump vai abandonar esse conflito e dizer ganhei. E aceitar uma derrota estratégica. Mas se você agora dizer, ó, gente, eu peço paciência. Eu vou invadir mesmo, eu vou mandar tropas, vou tentar controlar o litoral, que vão morrer muita gente e tal, mas é uma batalha épica, não sei o quê. Você pode talvez comprar um pouco de...
de confiança, na dúvida, então, beleza, vamos andar mais uns seis meses até receber um resultado um pouco melhor nos midterms. E aí, quem sabe, aquilo vai ser uma guerra de vários anos que pode ter um custo enorme, mas teoricamente pode chegar, pode levar a uma queda do regime iraniano. E aí você tem vários cenários terríveis, que é a guerra civil, aquilo que você teve no Afeganistão, no Iraque.
Porque qualquer líder que você coloca lá não vai ter legitimidade nenhuma. Eu cheguei a conhecer alguns meses atrás o filho do ex-Shah do Irã. E assim, um cara péssimo. Fiquei chocado com o cara. Meu Deus do céu. Eu tinha escutado que ele era péssimo, mas por que ele é péssimo? Por quê? Então, ele saiu jovem do Irã em 79. Então ele não conhece mais o país. Ele mora a 10 minutos da minha casa em Washington.
E assim, a revolução aconteceu em 79. Isso é péssimo de matemática, mas isso faz 80, 90, 2000, ou seja, mais de 40, 45 anos. Você está 45 anos fora do seu país, você realmente não conhece mais o seu próprio país. Então ele está lá dizendo, ele fica tweetando durante as manifestações que morre um monte de gente no Irã. Vocês precisam encarar o regime, não sei o que, e se vocês precisarem de mim, eu estou aqui para liderar.
Poxa, se você quer, então vá para o Birã. Derruba o regime lá, lidere. Então, assume nenhum risco o cara. Está lá tweetando nos Estados Unidos. Então, muitos iranianos são tipo, cara, sério. E assim, eu encontrei ele em uma conferência na Alemanha em fevereiro.
E fiquei bastante decepcionado, porque aquilo foi um encontro de lideranças políticas, é um evento pequeno. E ele falou num painel de... E tinha 20 pessoas lá ouvindo. E assim, eram primeiros ministros, e alguns jornalistas e eu.
E o cara não aceitou perguntas, mas aceitou uma pergunta que era uma pergunta meio fake. Era uma ativista iraniana que falou assim, queria saber o que a gente pode fazer para mobilizar a juventude. Cara, eu estava com a mão levantada e queria perguntar, por que o senhor não vai para o Irã agora para mobilizar as manifestações? Se o senhor acredita tanto, não seria o momento de ir, porque senão vai.
Então assim, aí ele perguntou aquela pergunta ridícula. Levantou a bola pra ele contar. E aí os seguranças vieram e tiraram ele da sala enquanto tinha um monte de gente querendo conversar com ele. Achei meio assim, meio autoritário. E também assim, eu acompanho ele um pouco nas redes sociais. Não acho uma pessoa...
E a população, pelo visto... Ele será visto, se for instalado, como do mesmo que Adelce Rodrigues na Venezuela e um possível futuro presidente cubano.
como uma pessoa dependente dos Estados Unidos, sem legitimidade real, que eles colocaram lá. É a mesma coisa dos presidentes do Afeganistão que foram instalados pelos Estados Unidos durante a ocupação de 20 anos. E o momento que os Estados Unidos se retiraram, esses caras fugiram imediatamente. E o Karzai, por exemplo, todo mundo voltou para o exterior.
porque fazia muito tempo que ele morava fora, etc. O Karzai, na verdade, também era descendente de um ex-líder do Afeganistão. Então, eu acho que os jovens iranianos não querem voltar para o passado, pré-revolução. Eles querem para o futuro. Eles querem um regime liderado por alguém que conhece o Irã. Então, assim... Infelizmente, diante dessa situação, que não tem saída fácil, e do risco do Trump...
enxergar uma retirada agora, não como saída honrosa, mas como derrota mesmo, e obviamente a oposição vai dizer, você cometeu um erro terrível, você não se preparou direito, que é tudo verdade. Ele pode acabar caindo nessa cilada de querer avançar militarmente, porque tem todos esses soldados à disposição.
E aí a gente está num patamar difícil. E aí eu acho, hoje, nunca se deve fazer previsões sobre preços de petróleo, essas coisas. Mas eu acho que o mercado ainda não está precificando o risco que aquilo pode representar. E a gente pode realmente chegar numa situação de petróleo a 150 por meses ou até de 200 dólares. E a partir desse momento...
há um risco real de uma recessão global, porque não é só o petróleo que fica mais caro, é tudo que fica mais caro. Tudo, pô. Aqui no Brasil fica mais caro o feijão, pô. Exato, porque qualquer coisa que é transportar, ou seja, tudo, você tem aí um choque de inflação.
o que pouco sabe, mas o Oriente Médio... Calma, Oliver, que o Lula falou que está tranquilo aqui no Brasil. Ele falou agora recentemente, sim. Ele falou, eu fiquei impressionado com a autoconfiança dele. Imagina, chega o barril do petróleo de 150 dólares, meu irmão, tu vai fazer o quê? Então, a gente tem uma correlação muito ampla, uma causalidade, se você tem um forte aumento do petróleo...
Você tem inflação maior, crescimento mais baixo, aprovação menor de quem está no poder. E no ano de eleição. Independentemente de quem é. Porque assim, o eleitor médio, ele não é assim, ah, coitado, né? Surgiu uma crise global e tal. Não. Tipo, foi o mesmo com o Bolsonaro. O Bolsonaro não foi responsável pela pandemia, mas pagou um preço.
Eu acho que é plausível acreditar que talvez sem pandemia o resultado da eleição teria sido outro. Porque teve um impacto super pesado nas eleições. E aí, obviamente, teve também a gestão péssima da pandemia. Mas assim, esse cenário seria péssimo para o governo brasileiro. E é algo que o Brasil não consegue atenuar muito. O Brasil, na verdade, exporta petróleo.
você tem uma chance maior de utilizar os ganhos da Petrobras, quem seja, e também para o governo brasileiro, para ter um processo de redistribuição.
Então o Brasil está numa situação melhor, por exemplo, do que o Chile, o Peru, que importa a energia. Para eles realmente vai ser pior ainda. Só que mesmo assim o petróleo vai ficar mais caro e o governo brasileiro não vai conseguir dar um cheque imediatamente para todos os cidadãos para compensar. E aí você viu nos anos 70...
O presidente Ford perdeu eleições, o Carter perdeu eleições contra o Reagan. Os governos britânicos perderam sempre as eleições. O governo francês perdeu a eleição contra o Mitterrand na época. Ou seja, é muito difícil você se reeleger num momento desse.
Porque também, assim, a expectativa de que o preço do petróleo vai aumentar faz com que empresas acabem assumindo uma postura mais cautelosa que já antecipadamente reduz os investimentos, etc.
Então, assim, a gente está olhando esse cenário. A boa notícia é que aquilo é mais um choque econômico depois da guerra na Ucrânia, depois da pandemia. Então, assim, as empresas já estão começando a se preparar. E, assim, o Brasil tem energia inovável, já busca diversificar parceiros. Então, por exemplo, um insumo-chave para fertilizantes.
A ureia, na verdade, vem do antimédio. E para vários tipos de fertilizante, você precisa ureia como insumo.
Isso cria uma situação em que o preço do fertilizante vai disparar. Se houver um bloqueio de maior duração, isso afeta a safra brasileira. Então, o que o Brasil deve, a princípio, fazer? É ter uma produção própria de fertilizante. Eu venho dizendo isso há muito tempo. Eu imagino. Porque também o Brasil não pode só depender da Rússia, por exemplo. Então, todas as empresas e países agora estão...
para todos os insumos, para todos os mercados de compositores, etc. Estão criando cadeias super resilientes e dizer assim...
Para tal produto que eu estou produzindo, tem 10 insumos que vêm desses 10 países. Então, para cada insumo, você precisa ter um plano B, que sempre vai ser mais caro. Então, assim, tá, então eu estou comprando o Reia do Oriente Médio, preciso achar de outro lugar. E começar a comprar já, porque uma vez que estoura a crise, todo mundo vai correr para o outro cara. Então, você já tem que ser um cliente.
para ter essa diversificação. Então, por exemplo, o Canadá é um grande produtor de fertilizante. E o Brasil ainda não reduziu sua exposição do fertilizante russo, que eu acho que é um erro estratégico. Então, eu acho que assim...
Em meio de tudo isso, nasce uma globalização mais resiliente, mas a curto prazo, este ano, acho que tem um risco real de ser bem turbulento, não só economicamente, mas também politicamente, porque assim...
Quando aumenta o custo de fertilizante, aumenta o custo de alimentação. E aí tem país, cara, assim, Egito, que gasta bilhões e bilhões de dólares para subsidiar a farinha. E tem uma população grande com um monte de gente um pouquinho acima da linha da pobreza. E fortemente subsidiado para comprar a farinha e para sobreviver.
E aí você tem uma explosão do custo da farinha, o governo do Egito não vai dar conta. Vai colapsar, tem uma crise fiscal, vai pedir socorro do fundo monetário, só que assim, o fundo monetário consegue atender, sei lá, cinco, seis países, mas todo mundo pede, a situação complica bastante.
E aí você tem um risco de uma rebelião mesmo. Porque as pessoas com fome, em algum momento, não tem nada a perder. E aí o governo reprime. Só que assim, você está em casa com fome, você vai para a rua em algum momento, você vai para a rua mesmo encarando um alto risco de ser atingido por forças governamentais. Você vai querer... A população vai aumentar a...
A repressão, há um risco maior de instabilidade política em vários países africanos. Se tem países como Paquistão, por exemplo, que importa 80% da sua energia. Filipinas. Cara, o petróleo em grande parte vem de fora. Então assim, você pode ter uma... E isso obviamente é péssimo para o cenário econômico, porque se você tem um colapso da economia nas Filipinas, uma grande mobilização populaire.
Isso tem um impacto em ativo sobre outras economias que fazem comércio, com as Filipinas, etc. E vai um efeito cascata horrível. E, assim, crise fiscal, porque o que os governos fazem, o que o governo brasileiro faria nesse cenário é aumentar muito os gastos públicos para compensar. E, assim, o Brasil até tem uma situação... O Brasil tem bastante capacidade para tentar...
meio que abafar ou reduzir o impacto que isso terá. E assim, ainda estamos agora em abril. Então, a parte quente das eleições só vem daqui a... 2, 3, 4 meses, por aí. Mas assim, o governo brasileiro está torcendo muito para que o Trump não envie tropas terrestres. Porque a partir desse momento, a gente não está falando mais de semanas, a gente está falando de meses, talvez um ano inteiro. E assim, a Guerra do Iraque...
Foi uma coisa de uma década e Afganistão demorou quase duas. Então são guerras de longa duração e o Irã é um adversário muito mais formidável. Agora pode ser que seja uma atuação...
O cenário mais provável, se for uma intervenção terrestre agora, é uma tentativa de ocupar a ilha de Har, que é uma ilha onde tem as rifinarias iranianas no estresse de Hormuz. Só que o petróleo não está lá. Então, é basicamente a logística de exportação. Então, a curto prazo, o Irã...
não pode mais exportar 80% do seu petróleo, mas você ainda consegue, por outros caminhos, alguns outros portos, exportar, mas assim, um baque tremendo ao governo iraniano. Eu acho que o Trump vai tentar utilizar essa ameaça ou essa atuação militar para aumentar sua capacidade de negociar com os iranianos. Ou ele vai mandar...
5, 6 mil soldados para tentar tirar o urânio enriquecido. Que seria uma operação super arriscada. O grande problema disso é você está numa situação difícil. A lógica sempre vai ser a mesma. Uma retirada é ruim, é uma derrota estratégica. Então, na dúvida...
você vai apostar ainda mais. Foi assim a guerra no Vietnã. Todo mundo sabia, depois de um ano, aquilo aí vai dar ruim. Só que ninguém queria assumir a responsabilidade política e dizer aquilo foi um erro terrível. Vamos ver agora, porque cada dia que a gente fica, só vai ficar pior. E você teve vários presidentes que ficaram. Ficaram por quê? Porque não queriam assumir o custo político. O Afeganistão também. Quando o Obama ganhou, em 2008,
Todo mundo do establishment político sabia que aquilo não tinha solução. Que você não consegue consertar, entre aspas, o Afeganistão. Ia morrer um monte de americano, caro pra caramba, um monte de civis afigãos, milhares e milhares, iam morrer nesses embates contra o Talibã. O que Obama fez?
Continua, aumentou o número de soldados. Por quê? Porque é um presidente inexperiente na política externa, não queria fazer o primeiro grande pronunciamento da sua presidência e dizer, então, gente, eu vou assumir que nós perdemos essa guerra. O cara que teve essa coragem foi o Biden. E foi uma saída traumática, não sei se você lembra. Lembro. O cara saiu de lá, assim, uma situação caótica, morreram soldados americanos, mas o cara sumiu.
E a grande pergunta é se o Trump tem essa disposição pra assumir a derrota. E se você conhece o Trump, o Trump nunca vai dizer, cara, foi mal. Tava doidão, perdão. Ele foi no mínimo burro, porque assim, cara, vamos lá.
quem sou eu, ainda mais agora, depois que tudo já transcorreu. Mas, cara, se o principal risco que os Estados Unidos corria era que os caras fechassem os treitos de Hormuz, era tão complicado assim, sei lá...
operar, fazer uma operação lá e começar por lá. Em segundo lugar, os caras não estudaram direito, os Estados Unidos não viram que, porra, esse cara já tá com 86 anos, não é? Óbvio que tem um sucessor, porra. Não sei, parece que os Estados Unidos não prestaram atenção no que eles estavam fazendo. A sensação que eu tenho é que o Trump, ah, como tu disse, foi um facinho lá na Venezuela, dá-lhe aí no Irã também, de qualquer jeito. E aí, não funcionou. É, duas coisas, né? Assim, o...
O Irã, há décadas, apoia grupos que cometem ataques contra alvos americanos, israelenses, contra aliados americanos no Oriente Médio de forma mais ampla. Então, apoia o Hezbollah e vários outros grupos que há anos atacam Israel, por exemplo.
E o Irã, devido ao seu programa nuclear e à falta de transparência, sofre há anos sanções internacionais, não só nos Estados Unidos. Então, um regime bastante isolado e com pouco apoio diplomático, sobretudo no Ocidente. Então, derrubar esse regime...
seria pra qualquer presidente americano um grande legado. E o Trump claramente pensa muito no seu papel na história. Muito. Ele vai botar a cara no Mount Rushmore. Isso. E tipo, um arco do triunfo em Washington, bota seu nome. Assim, a gente tá vivendo nos Estados Unidos uma situação sem precedentes. A assinatura do Trump agora tá na...
nas moedas, no dólar, nas notas de dólar, o principal centro cultural foi... Eles trocaram o nome, adicionaram o nome de Trump. Ele quer mudar o nome do principal aeroporto internacional da cidade de Washington. Aquele papo de tro... Você está falando lá do Roosevelt, que virou o Trump Roosevelt? Não, o Kennedy Center. O Kennedy Center, que é o principal centro cultural. Agora é o Trump Kennedy Center. E aí teve um boicote, porque o...
97% das pessoas da cidade de Washington votaram no Partido Democrata. Então houve um boacote. Ninguém mais apareceu. Toda a orquestra falou, olha, a gente não vai tocar mais. Inclusive agora em junho vai fechar.
supostamente para uma reforma. Mas por que quebraram esse centro? Eu fui com meu filho para ver uma peça de teatro uma semana antes deles mudarem o nome. Então, assim, e ter um atraso na construção de um túnel em Nova York, porque o governo está dizendo assim, a gente só vai liberar a grana se vocês...
Colocaram o nome de Trump no nome desse túnel. Isso está causando um atraso gigante, afeta a economia de Nova Jersey. O prefeito de Nova York deve estar puto para cacete. Claro, assim. Então, assim, isso tem uma coisa...
é um claro sinal de erosão das instituições, porque o Trump se comporta como alguém que está acima das instituições. Porque aquilo não se fazia assim, nenhum presidente na história dos Estados Unidos pressionava
outros a colocarem seu nome nos marcos do país, na infraestrutura. Ou seja, aquilo faz parte de uma obsessão dele de querer se eternizar na memória política americana. Então, essa questão eu acho que explica em parte porque tem essas ideias mirabolantes de anexar a Groenlândia.
Porque, querendo ou não, ele gostaria de ser comparado com os grandes presidentes que aumentaram o território dos Estados Unidos ou que venceram grandes batalhas. É um pouco parecido na Rússia. Os grandes líderes russos são esses que mais agregaram território.
ao império russo. O que, em parte, também explica essa obsessão do Vladimir Putin de ser lembrado com alguém que reconquistou parte do espaço perdido no leste europeu. Então, tem um pouco esse pensamento imperial dos anos... do século XIX.
Mas não é uma desculpa para fazer o que ele está fazendo. Então, aí você perguntou. Então, tudo bem. Então, tem essa situação. Ou seja, eu acho que é importante dizer isso. Criticar a guerra não quer dizer que se apoia o regime iraniano. Sim. Seria fantástico ter...
uma grande revolução e o surgimento de um regime democrático que respeita as mulheres no Irã. É um regime depresível. Agora...
Ataque externo, sobretudo do tipo que ocorreu, com essa retórica, vamos garantir que eles voltem à idade da pedra, onde eles pertencem. O Trump falou isso ontem. Aquilo praticamente garante que o regime que está sendo atacado sobreviva, porque fomenta muito o nacionalismo e o anti-americanismo.
Todo mundo na comunidade estratégica em Washington sabia que ao atacar o Irã, eles tentariam fechar o Estreito de Hormuz. Aquilo é tema no primeiro semestre de qualquer curso de relações internacionais. É tipo na segunda semana da graduação, quando se escute Oriente Médio, você fala disso. Todos os presidentes...
os últimos presidentes ao longo dos últimos anos americanos receberam um relatório pra falar sobre o que aconteceria se a gente for tentar derrubar esse regime. Em todos os relatórios dizem, olha, tem um risco super elevado que eles vão tentar fechar o Estreito de Hormuz, causa uma crise econômica global. Só que assim, o governo Trump é muito diferente de todos os regimes dos governos anteriores, pelo seguinte motivo. O Trump é maluco. Você tem... Bom...
Teve presidentes malucos antes. Mas você nunca teve, ao longo das últimas décadas, um presidente que demitiu em massa o aparato de milhares e milhares de burocratas que fornecem análises técnicas. E eu sei disso porque eu conheço muitos deles, são meus amigos, vizinhos, que trabalhavam para governos...
do Partido Republicano, Democrata, que são pessoas que estão lá na burocracia independentemente de quem é presidente. É o analista X do Departamento de Estado que é maior especialista em... Para te dar um exemplo. Evacuação de cidadão americano.
Tinha, até o início do ano passado, um grupo de pessoas que só pensava nisso. Que é um super complexo. Como você retira cidadãos americanos se estourou uma guerra. Então tinha uma frota só focada nisso. Todo mundo foi demitido. Então quando os Estados Unidos atacaram o Irã, o Irã começou a atacar todos os países do Golfo. E tinha...
mais de 100 mil americanos que precisavam ser evacuados. E os especialistas já não fazem mais parte do governo. Então demorou muito mais. Os países europeus conseguiam tirar os seus cidadãos mais rapidamente do que o Trump. Então você tem uma grande redução de técnicos.
Em vez disso, o Trump encheu a administração com pessoas extremamente leais, que topam qualquer coisa. Porque a experiência dele no primeiro mandato foi de que eu não consegui fazer o que eu queria, porque o que ele chama de deep state, que é o aparato burocrático, não deixava que eu violava determinadas questões. Por exemplo, o Ministério da Justiça nos Estados Unidos, apesar do presidente nomear o secretário da Justiça,
sempre existe uma separação. O presidente não pode pedir ao Ministério da Justiça processar alguém. O Trump faz isso abertamente. Ele diz, vamos processar o fulano. De novo, tem amigos no Ministério da Justiça que falam assim, o Ministério da Justiça está tendo grande dificuldade de recrutar pessoas, porque
Está se perdendo, vamos dizer, tem uma violação sistemática de regras e normas de, por exemplo, do Ministério da Justiça manter uma distância, uma independência da presidência. E é evidente que adversários políticos de Trump estão sendo alvos de investigações. Isso explica porque o Trump tem uma equipe de pessoas pouco qualificadas.
Estão lá e o principal mérito deles é a lealdade total. O secretário, eu ainda digo de defesa, porque eu acho uma coisa meio maluca de mudar o nome do Pentágono de Ministério da Defesa para Ministério da Guerra. E, na verdade, continua tendo os dois nomes. Mas aquela pessoa era um comentarista da Fox News. Que é assim...
Eu também sou comienerista de TV. Eu não seria um bom ministro da defesa. Eu não sou especialista nisso. Então, assim, o cara é ótimo em fazer... O cara é ótimo em falar na TV.
mas ele não é uma pessoa preparada para liderar as maiores forças armadas do mundo. E quando você vê ele na TV, parece que ele está jogando videogame. Ele está dizendo assim, ele inclusive, várias coisas que ele diz, são pedidos que, se forem colocados em prática, são violações graves do direito internacional. Por exemplo, ele fez publicamente um pedido para não fazer prisioneiros.
o que basicamente diz se houver um confronto e o soldado iraniano se rende mata isso, e isso é contra todos os direitos isso é ruim para as tropas e aí vários gêneros, aí você pode falar mas guerra é guerra, foda-se, não isso coloca tropas americanas em perigo também, porque aí
Obviamente, você, num confronto, americanos vão se render em algum momento, o que sempre acontece, eles são sujeitos também ao assassinato ilegal por parte dos iranianos, que pode dizer, os caras estão...
jogando sujo, então a gente vai também fazer. Existem legislações, mesmo em conflito, que os Estados Unidos, pelo menos retoricamente, sempre têm defendido. Sempre houve iluações, né? Claro. As torturas em Abu Ghraib, por exemplo, nas prisões iraquianas, mostram isso. Mas nunca houve, nas últimas décadas, um secretário de defesa dos Estados Unidos que publicamente diz vamos...
violar todas essas regras. E o presidente dizendo assim, teve um barco da marinha iraniana participando de uma simulação de guerra perto de Sri Lanka. E um submarino mandou um torpedo e afundou esse barco com numerosos marinheiros iranianos.
esse barco não estava ativamente envolvido no conflito com os Estados Unidos. Ou seja, o correto teria sido render esse barco, prender todo mundo, aí você tem prisioneiros de guerra, tudo bem. E depois do fim do conflito, você libera essas pessoas.
Então isso tem um impacto muito grande sobre a forma como os iranianos enxergam o conflito. É muito ruim. Quando eu critico isso, alguém fala, mas então você está defendendo o Iranão. Eu estou dizendo assim, isso é do ponto de vista estratégico dos Estados Unidos, é ruim. Porque aumenta, por exemplo, a probabilidade...
de um ataque iraniano assimétrico contra cidadãos americanos na Europa. Então teve, por exemplo, uma ameaça de bomba agora contra um banco americano em Paris. Então você tem esse tipo de retórica, você eleva também o risco para cidadãos americanos, instalações americanas e ataques teoristas dentro dos Estados Unidos. Então por que ele não pensou nisso? Primeiro porque estava tão convencido que a guerra acabaria rapidamente.
que ou não ouviu os alertas, ou foi tão protegido pelos assessores ultra-leais que ninguém teve a coragem de dizer, senhor presidente.
Gostei muito da sua ideia, mas eu preciso avisá-lo que aquilo representa um grande risco que pode afetar profundamente a sua presidência. E reduzir, se tiver uma grande crise, um choque energético, uma crise global, econômica, isso pode afetar as suas chances de implementar projetos legislativos durante os últimos dois anos do seu mandato. Eu acho que o Trump está... Mesmo com presidentes anteriores, é sempre um problema porque ele...
Você tem uma equipe que só tem esses cargos importantes graças a você. Então, ninguém quer se indispor como presidente dos Estados Unidos. Então, tem um assessor que, numa reunião, quando o presidente diz, olha, eu tenho essa grande ideia. O que vocês acham, gente? Ele está super animado. E você levantar a mão para o presidente dos Estados Unidos e falar, olha, você não está errado. Primeiro, é um risco que você seja emitido. Porque o presidente vai ficar chateado. Ele gostou dessa ideia.
Ele é o Trump. Por quê? Porque todos os assessores só eles estão em nenhuma outra administração ocupariam cargos desse. O secretário de defesa...
pós-Trump, ele vai voltar pra TV. Ou seja, ele sabe que ele só está lá graças ao Trump. Então o incentivo dele pra confrontar o presidente é muito pequeno. Então, isso é o grande problema. Tem até... Antigamente tinha um exercício na Casa Branca que se chama Red Teaming, que o presidente...
fez uma proposta de uma atuação específica militar ou econômica, o que for, e aí um grupo de assessores tinha que se preparar para mostrar as fraquezas desse plano. E aí o presidente sentava e tinha metade dos assessores defendendo o plano A e a outra metade criticando esse plano.
E meio que existia o embate entre esses dois grupos. O Trump não faz isso. Ele impõe suas visões e aí ninguém tem a coragem de ir contra. E o vice-presidente é totalmente contra a guerra. Mas ele não quer falar isso publicamente e não teve a força de fazer isso. Agora, o Partido Republicano...
está muito preocupado, obviamente, porque nos Estados Unidos a Câmara dos Deputados se renova a cada dois anos. Os caras estão em campanha permanente. A gente fala mal do Congresso brasileiro, mas isso, na verdade, nos Estados Unidos é uma loucura. O cara sempre busca dinheiro, levanta grana para a próxima eleição. Tem lá gente que está no Congresso há 30 anos que teve que concluir 15 vezes. Então, qualquer coisa que acontecer, eles estão muito preocupados sempre com a sua chance de se eleger. E...
todo mundo no Partido Republicano sabe que a não ser que o regime iraniano caia logo, aquilo vai ser terrível para os republicanos no Congresso. E não vai cair, né? Então, é sempre importante dizer, grande ressalva, a guerra é atleta. atleta.
interestatal, é o cenário menos previsível das relações internacionais. Tem um general da Prússia que certamente disse lá atrás que qualquer plano militar que você faz, que você prepara...
ele enfrenta, a partir do primeiro tiro, um choque com a realidade e geralmente precisa ser ajustado o tempo inteiro. Porque tem tantas vertentes que você precisa levar em consideração e é tão difícil você fazer um planejamento porque você simplesmente não sabe qual o apoio público das Forças Armadas lá, qual é a disposição dos soldados a arriscarem suas próprias vidas.
O Putin invadiu a Ucrânia acreditando que seria uma guerra de três dias. E causou uma onda de nacionalismo na Ucrânia. A Ucrânia conseguiu trazer um monte de apoio militar ocidental. E está lá há quatro anos numa guerra que é muito custosa e que não está ganhando. A Rússia não está ganhando a guerra.
Tanto que agora, aliás, a internet em várias partes da Rússia não está funcionando. Por quê? Porque os ucranianos, isso é muito interessante. Todo mundo agora olha para o Irã.
Então, assim, a Ucrânia está meio que voando embaixo do radar. E ela está agora, diante disso, fazendo ataques que antigamente os Estados Unidos não queriam que a Ucrânia fizesse contra instalações petrolíferas na Rússia. Na semana passada, o Irã atacou instalações petrolíferas russas todos os dias que chegaram temporariamente a reduzir a capacidade de exportação da Rússia em 40%. E tem outra.
Se a sua rede de internet em Moscou está funcionando, os ucranianos podem utilizá-la para localizar lideranças russas na capital e assassiná-las por meio de drones. E a única forma de evitar que o drone...
Saiba onde determinado general está é você desligar a internet. Então, a Rússia atualmente está sob muita pressão também, apesar de ter um ganho econômico grande com o aumento do petróleo, porque ainda é um grande exportador. Então, na média, ainda é uma boa notícia para o Putin. Mas a invasão russa à Ucrânia é um grande exemplo de como...
Países cometem erros estratégicos terríveis, não é só o Trump. Entendi. E a história das guerras com envolvimento americano é cheio de catástrofes. A invasão americana no Iraque foi uma tragédia. Afeganistão foi um grande erro. Vietnã foi terrível. Ou seja, os Estados Unidos perderam todos esses conflitos.
Mas e Israel? Qual o papel de Israel nesse... Isso tem causado muita discussão, obviamente, porque é um tema que polariza muito. A guerra é popular em Israel. Ou seja, por quê? Porque, de fato, o Irã é um regime que não aceita a existência de Israel. Ou seja, é um inimigo... É visto como um inimigo existencial por parte de Israel. Israel não é contra o...
A população curte. Então, vê qualquer tentativa de derrubar o regime de forma positiva. A ponto de salvar politicamente Netanyahu? Bom, o Netanyahu está em guerra há bastante tempo e enquanto estiver em guerra, obviamente as chances dele ser derrubado são muito menores. Então tem uma motivação pessoal, sem dúvida.
Mas, independentemente disso, a maioria da população israelense hoje apoia a guerra contra o Irã. Porque, assim, antes da Revolução, o Israel não tinha esse grande adversário. Ou seja, o Shah não era... Não defendia uma postura... O Irã não financiava os grupos que... Não, isso é mais recente. Então, assim, do ponto de vista estratégico...
É compreensível porque a maioria da população israelense apoiaria, idealmente, um conflito que leva a uma mudança de regime no Irã. Só que...
E assim, esse é sempre o grande drama. Então se eu digo, olha, eu acho que essa guerra é um erro. Aí as pessoas dizem, então você não é a favor de uma mudança de regime. Não, eu acho que seria, de novo, seria ótimo. Mas eu acho que há um grande risco que essa guerra acaba fortalecendo e consolidando o regime. Então...
É público, todo mundo sabe disso, que o primeiro-ministro de Israel vem advogando há anos para um ataque americano contra os Estados Unidos, porque sabe que sozinho Israel não consegue vencer o Irã militarmente.
Então, o Netanyahu fala há muito tempo que o Irã está prestes a ter uma bomba atômica, etc. De fato, Israel não... O Irã não...
não esteve no passado inteiramente transparente em relação ao seu programa nuclear, mas o consenso entre especialistas nos Estados Unidos é que o Irã não estava prestes a ter uma bomba atômica. Não tinha capacidade tecnológica, pelo contrário, o ataque americano no ano passado...
destruiu uma parte considerável do programa nuclear iraniano. E também vale lembrar que Israel possui armas nucleares, não assinou o tratado de não-politeração e também não é transparente em relação ao seu estoque de ogivas nucleares, por exemplo. Ou seja, isso...
eu acho que não quer dizer que foi Israel que convenceu, que é responsável pelo ataque. O presidente americano recebe líderes estrangeiros que pedem coisas o dia inteiro. Você é o país mais poderoso do mundo? Todo mundo que encontra você vai pedir ajuda de alguma forma, seja pedido apoio ao desenvolvimento. Por exemplo, os Estados Unidos financiavam boa parte do sistema de saúde de vários países africanos antes da chegada de Trump.
Então olha esse poder. Então o presidente de Zâmbia que chegava sabia que tinha que se dar bem com... E convencer cada visita que fazia, convencer os americanos a continuar financiando o sistema de saúde daquele país. Aí Trump chegou, cortou. E em vários países isso tem causado grandes impactos negativos. Então assim, o Israel chegar...
em Washington, tem uma operação de lobby para buscar apoio militar é o que muitos países fazem, ou seja, eu não estou aqui defendendo isso, eu não estou dizendo assim, eu apoio o Israel nessa tentativa de convencer os Estados Unidos a entrar na guerra, mas eu não acho que essa narrativa de, ah, na verdade,
Os Estados Unidos estão lutando uma guerra para Israel. O Trump é um ator soberano. Ele é eleito e ele pode decidir o que quiser. Ele pode escutar quem ele quiser. Os países do Golfo inicialmente não queriam que os Estados Unidos entrassem na guerra. Então, eu não acho que seja uma grande teoria da conspiração, etc.
a operação de lobby de Israel é muito sofisticada. Sem dúvida. É muito sofisticado e financiam campanhas de alguns políticos. Mas o sistema americano permite isso. É tudo público. Não é uma coisa assim, vou te passar aqui e tal. Você pode ler na internet quais grupos estão financiando quais candidatos. E o sistema americano...
É assim. Eu acho que um erro que seja assim. Porque se você é muito rico nos Estados Unidos, você pode meio que influenciar candidatos porque o sistema de financiamento das campanhas não é público. Então, os candidatos são altamente dependentes de dinheiro de pessoas extremamente ricas. Então, por exemplo, o J.D. Vance...
só existe politicamente por causa do Peter Thiel que é um bilionário do Vale do Silício, que há anos apoiava as campanhas do vice-presidente dos Estados Unidos isso faz com que ele tenha acesso direto ele pode pegar o telefone e ligar pro vice-presidente e
fazer lobby contra o que ele quiser. É assim, infelizmente. Então, assim, outros países fazem isso também. Quando o Trump impôs as tarifas contra o Brasil, as empresas, exportadores brasileiros se mobilizaram junto com compradores de produtos brasileiros nos Estados Unidos.
para ligar para deputados, para a Casa Branca e dizer, cara, isso é péssimo para vocês, vamos reverter isso. Foi uma operação de lobby. O Brasil, obviamente, não tem nem perto o que Israel tem em Washington. O Brasil não tem grupos que financiam candidatos no Congresso para que tenham uma postura mais pró-Brasil. Não tem isso. Mas o Trump, eu acho que o Trump queria celebrar uma grande vitória, queria entrar na história como o cara que encerrou esse ciclo político no Irã.
E saiu pela culatra, né, meu irmão? E assim, de novo, o histórico de ações militares americanos ao longo das últimas décadas é terrível. Terrível, mesmo sem tropas. Olha a Líbia, Obama... Isso não é só Trump, tá? Obama, quando a Primavera Árabe passou por vários países do Oriente Médio, começou uma guerra civil na Líbia e o Gaddafi...
perdeu o controle sobre algumas cidades e uma das principais cidades da Líbia é Benghazi, caiu nas mãos dos rebeldes e aí ele fez uma série de pronunciamentos muito controversos que ia retomar a cidade e não teria nenhuma misericórdia com os moradores de Benghazi e aí havia pessoas dizendo olha, isso aqui
tem cara de um massacre contra civis, a gente precisa proteger essas pessoas. E no Conselho de Segurança foi aprovada uma resolução para permitir uma intervenção militar da OTAN sem tropas, mas só por cima para bombardear alvos e enfraquecer o regime de Gaddafi. O que aconteceu?
Isso acabou se transformando numa estratégia de monstra de regime. O Gaddafi foi pego pelo Sebeld, foi morto numa situação muito controversa, porque eles basicamente mataram ele na rua onde eles acharam ele. E o país está em guerra civil desde então. É uma catástrofe, assim. Há 15 anos o país está numa situação lamentável.
Que era um país que não vinha mal, né? É, assim, um líder muito controverso, com abusos, etc. E com o passado, inclusive, de ter financiado também grupos teoristas no exterior, etc. Mas é um país coiso. Os Estados Unidos também financiam as paradas às vezes, né? É, assim, os Estados Unidos apoiaram contra a União Soviética e a Novo Canistão, os Mujaheddin, que...
venceram contra os invasores russos, mas depois tomaram conta do país, que depois acabou atacando os Estados Unidos. Ou seja, sim. Se nunca... O efeito de longo prazo, assim, é muitas vezes imprevisível. Então, eu concordo contigo, mas assim...
a probabilidade do Irã se transformar num ator estável a partir da atuação militar americana é muito pequena. E agora todo mundo está pagando o preço. E agora eu queria só mostrar que tem um mapa que eu... O que está acontecendo agora? Então aqui a gente tem o Golfo Pérsico e aí ao lado de onde diz Oman é o estreito de Hormuz. E o Irã ao poder controlar esse estreito atados. E aí atados. E aí
acaba tendo uma enorme influência sobre boa parte das exportações dos Emirados, Catar, que é um dos principais exportadores de gás natural, que, aliás, para os europeus, agora é uma grande dor de cabeça, porque depois da invasão russa à Ucrânia...
eles pararam de comprar gás, em boa medida, gás russo, e começaram a aumentar suas compras de gás justamente do Catar, que agora também não podem mais. Então, uma parte considerável do petróleo da Arábia Saudita também passa por lá.
Agora, se o Irã dizer, olha gente, a gente vai controlar o Estreito de Hormuz por anos, esses países podem construir infraestrutura energética para exportar o petróleo pelo Mar Vermelho.
que fica do outro lado da Arábia Saudita. O problema é que os rebeldes Houthis no Iêmen, a princípio, também têm a capacidade de fechar aquele estreito. Aí no sul, que é ainda menor e ainda mais fácil de fechar do que o estreito de Hormuz. E por lá, isso conecta com o canal de Suez, que conecta o Mar Vermelho ao Mediterrâneo.
25% dos containers de todos os produtos do mundo passam por lá. Então, assim, aquilo pode piorar muito, porque os Houtes são aliados do Irã, e se eles optarem por fechar aquilo também, a economia global para muito rapidamente. Porque daí você tem que passar pela África do Sul. E aí tudo vai ficar mais caro. Mas a gente teve essa situação cinco anos atrás, quando um barco encalhou.
no canal de Suécia, lembra? Lembro. Foi uma merda esse daí, cara. E aumentou os preços muito rapidamente. Então, assim, existe esse risco. Mas, assim, só pra dizer... Meu Deus. A Arábia Saudita já exporta parte do seu petróleo pelo Mar Vermelho. Se eles perceberem... Olha, o Irã tá...
tentando controlar o estudo de Hormuz, a longo prazo a gente vai ter que pedir pagar pedágio, etc. Eles vão aumentar a infraestrutura para poder exportar para o sul. Então, a longo prazo, o Irã não pode fazer isso o tempo todo. Chega o momento em que todo mundo vai dizer tá bom, então a gente vai construir pipelines que vão permitir que a gente exporte para os caminhos.
Mas a curto prazo é uma situação complicada. E, como eu disse, o Trump se meteu agora nessa situação e agora não tem mais saída positiva, por assim dizer. Eu acho que a gente está olhando dois cenários. Uma de retirada, que é um cenário ruim porque você empodera o Irã, que é um ator imprevisível e um regime muito repressivo que se fortaleceu graças à intervenção militar americana.
Ou você tem um cenário de intervenção militar que muito provavelmente...
Produz uma crise ainda maior, mas que tem uma pequena chance dos Estados Unidos se imporem ao ponto de impor um líder pro-americano como é o caso na Venezuela. Uma Delce iraniana. Isso que é o sonho do Trump. Só que isso daí é muito complicado especialmente porque ele não derrubou o regime. Pelo contrário. Entrou um cara ainda mais radical. E já morreram milhares de pessoas.
Se fosse, assim, uma coisa rápida... Assim, no Irã... Na Venezuela, eu vou dizer o seguinte. Mesmo depois desse sequestro... É um pouco humilhante para os venezuelanos o que aconteceu, né? Mas, assim, o Maduro super odiado. O cara, assim, realmente... O país é uma situação lamentável. E não morreu o meu tio que morava lá, né? Então, assim, morreram poucas pessoas. Então, você fazer uma coisa dessa e depois, de alguma forma, facilitar uma abertura política, etc.
Eu acho que poderia ter dado certo. O Chaputau quis fazer isso. Então, assim, se eles tivessem conseguido rapidamente forçar o regime a se render, colocar o Shah lá, tirar ele da casinha dele em Washington, botar ele lá, acho que ainda, pelo menos, tem uma chance.
de ter aí um regime viável. Mas agora, com cada dia que passa, morre mais gente. E assim, o Trump está... E essa é a minha maior preocupação. Você está agora... O Trump abertamente fala em atacar infraestrutura energética não militar. Isso quer dizer... O que é exatamente o que a Rússia está fazendo na Ucrânia. A Rússia na Ucrânia ataca infraestrutura civil energética para que a população passe frio.
para reduzir a moral, a determinação da população iraniana. Isso garante, sim, que os ucranianos vão odiar. E se uma música pudesse te levar mais longe? Está perto de novas histórias, misturando sonhos, culturas e pessoas na energia da latinidade. Com a Latam, você garante sua viagem completa e chega onde todo mundo vai se encontrar. O Rio de Janeiro, Latam Airlines. Bem-vindo a ir mais alto. É viajar com o ritmo da música.
Companhia aérea oficial do Todo Mundo no Rio 2026. A Rússia, para sempre, aquilo é muito traumatizante. Se os Estados Unidos fizerem isso, o Irã já disse abertamente que a gente vai retalhar e atacar não apenas a infraestrutura energética do Golfo.
Mas a gente vai atacar as usinas de dessalinização que são necessárias para abastecer a população em vários países do Golfo com água potável. Porque não tem água potável. Aí, se você ataca essas usinas, você, de repente, tem milhões de pessoas que não têm água. E esse é muito pior do que pessoas que estão sem alimentos. Porque você pode passar uma semana, você sobrevive alguns dias sem alimentos. Sem água.
se cria uma catástrofe humanitária porque as pessoas estão com horas e sobretudo no Oriente Médio. A gente não está falando assim. Se você tem uma situação, talvez um apagão energético e falta de água potável, e aí a situação é outro patamar de crise. Então, por isso, os países do Golfo estão de repente sendo atacados pelo Irã.
Até pedem que os Estados Unidos façam mais contra o Irã, mas, ao mesmo tempo, esses ataques podem causar uma crise infinitamente maior ainda. E, assim, tem a China e a Rússia também que estão olhando isso daí. A China e a Rússia não vão deixar o Irã cair nas mãos dos Estados Unidos, né? É, assim, a postura chinesa é...
É muito cautelosa porque, por um lado, uma boa parte do petróleo que passa pela estrada de Urbuns vai para a China. Então, isso aumenta a curto prazo a inflação também na China. Apesar da China ter diversificado muito a sua estrutura energética, aposta muito... Você tem viajado recentemente para a China? Não, mas eu devo ir para lá esse ano. Vale muito a pena porque você vê que a China aposta, quer se transformar...
num país que depende cada vez mais de energia renovável, enquanto os Estados Unidos estão se transformando num petroestado, que faz uma grande aposta no petróleo. Então, são caminhos muito distintos, muito interessante ver isso. Então, a exposição da China já não é tão grande, tem reservas energéticas bastante grandes, estoques energéticos bastante grandes. E, apesar de... A China jamais falaria isso. Mas a atuação americana no Irã...
sobretudo se vê envio de tropas, faz com que a China possa se consolidar na Ásia e toda a atenção estratégica americana estará por anos no Oriente Médio. E a imagem que o Trump passa é de um parceiro imprevisível. Então você hoje, qualquer país mesmo, pode gostar de Trump, mas a postura natural hoje é você pensar, aposha.
Eu não sei se esse cara vai botar tarifa sobre mim, se ele vai apoiar a oposição na próxima eleição. O Trump agora está interferindo abertamente em eleições. Foi o caso na Argentina, em Honduras. Nomeou agora o que a gente chama de uma espécie de embaixador informal. Darren Beatty, que é um cara que tentou viajar o Brasil e visitar o Bolsonaro na prisão. E aí o Itamaraty acabou não concedendo o visto.
Então, assim, esse tipo de coisa produz uma situação em que os Estados Unidos, mesmo para aliados, é um parceiro menos previsível e você vai querer diversificar. E aí a China...
o cara de bonzinho não vai se meter no Irã nunca. Como é que é aquilo que tu falou aí? Nunca interrompa. Nunca interrompa seu inimigo enquanto estiver cometendo um erro. Ou seja, você lembra de algum pronunciamento do Xi Jinping desde que o Trump chegou na Casa Branca? Ele falou nada. Está quietinho, entendeu? Porque quer dar todo o palco ao Trump.
E acompanham os europeus se afastando dos americanos. Olha a Dinamarca, que é um grande aliado dos Estados Unidos. O Canadá, ambos sendo ameaçados em sua integridade territorial. Sim. E o que eles estão fazendo? O que eles estão fazendo?
Qual a cidade que mais recebe chefes de Estado desde que o Trump chegou na Casa Branca? É Pekin. Não porque as pessoas gostam da China, porque precisam se blindar contra o que o Trump pode falar e ninguém sabe o que ele vai falar. Então, assim, a China vai ficar quietinha, não vai fazer nada. Eu acho que todo esse papo de, ah, agora vai aproveitar para invadir o Taiwan, eu acho que vai...
vai deixar esse conflito acontecer. Você vê na China alguma energia de ataque militar ou de intervenção militar em alguma medida? Porque, apesar de eles terem feito aquele desfile militar, demonstração de um monte de coisa e tal, deve ter algum tipo de ajuda com equipamento no Irã ou em algum outro lugar, não sei. Mas...
A maneira como eles operam, como eles jogam no tabuleiro geopolítico é muito mais influência e grana. Sim, totalmente assim. Ou seja, a influência na América do Sul, por exemplo, da China, passa em grande parte por meio de cooperação comercial.
de investimento direto e de cooperação tecnológica. Então, a influência chinesa... E de compra de produtos brasileiros, etc. E, por exemplo, de fornecimento da tecnologia para 5G, 6G, etc. Então, o plano chinês é integrar a América do Sul no seu ecossistema digital, que é muito mais sutil do que a principal fonte de influência americana que passa muito por cooperação na área de segurança, etc. O que...
o que faz com que a influência chinesa seja menos visível, muitas vezes, para a população do que com os Estados Unidos, onde assinam um pacto de defesa mútua, esse tipo de coisa. Tem uma Força Armada que são cada vez maiores, mas com mais capacidade.
Existe na China uma percepção de que em algum momento é preciso estar preparado para um confronto direto com os Estados Unidos a partir da percepção de que os Estados Unidos não permitirá que a China se consolide como a principal economia do mundo sem em algum momento confrontar a China militarmente.
Já está confrontando de outras maneiras. De outras maneiras, de sanções e de... A própria ação da Venezuela não é um pouco também para atrapalhar a China ali? Tem, assim, certamente tem um elemento da doutrina Monroe de garantir aquilo como um espaço onde os Estados Unidos possam...
se projetar como principal potência, deixando um pouco a China para fora. Tem certamente isso. Também tem um pensamento de controlar as principais fontes de petróleo. Mas eu acho que no caso venezuelano também teve um elemento de política interna, porque...
Realmente isso foi uma ação bastante popular entre o eleitorado de Trump. Mas tem sim esse plano de querer dominar as Américas. E de fato isso é algo que representa um desafio estratégico para a região. Porque...
A América do Sul nunca quer estar do lado de um ou de outro. A ideia sempre é, idealmente, manter amizades. Mas a Venezuela, até pela estrutura, até pelo regime, eu posso estar falando uma grande merda, mas a Venezuela não vendia bastante petróleo para a China? Sim, sim. A China também se queimou muito lá, porque ofereceu, concedeu créditos de grandes proporções e a Venezuela...
Não conseguia mais pagar. Então a China perdeu muito dinheiro na Venezuela. Foi uma aposta bastante errada. Mas de fato, sim. O Trump tirou a Venezuela da órbita estratégica chinesa e russa. Sobretudo. A Rússia vendia bastante equipamento militar aos venezuelanos.
E lá no Irã, dá pra imaginar. Vamos dizer que os Estados Unidos vão pelo caminho B, que tu falou, e coloquem lá o tal do boots on the ground, e as tropas invadam. E, eventualmente, estejam perto de algum tipo de derrubar o regime e controlar o estreito de Hormuz. Sim. Boots, cara, a China e a Rússia...
Iam pular na estamanca. Porque estamos falando dos Estados Unidos controlando o acesso. A gente viu no gráfico que você mostrou que a maior parte do petróleo vai para a Ásia. É os Estados Unidos controlando o fluxo de petróleo para a Ásia. Duvido que a China vai deixar isso. Bom, em primeiro lugar, a Rússia está se beneficiando da guerra porque ela eleva o preço do petróleo. A Rússia é uma grande exportadora.
ao ponto de os Estados Unidos terem aliviado sanções contra petróleo russo agora numa tentativa de diminuir um pouco, de reduzir um pouco essa grande tendência da alta do preço de petróleo. Então, para Putin agora, aquilo é uma boa notícia, porque a situação na Europa pode chegar numa situação... A Europa pode chegar numa situação...
em que por falta de acesso ao gás natural do Oriente Médio, ela precisa voltar a depender da energia russa, que deixou de ser o caso depois da invasão russa à Ucrânia. Então, para a Rússia, aquilo realmente é ótimo, e um conflito prolongado entre os Estados Unidos e o Irã...
Seria uma boa notícia para... A ponto da Rússia mandar umas coisinhas para lá? É, porque a Rússia vai oferecer inteligência.
e já está oferecendo inteligência, o Irã conseguiu atacar uma série de estruturas militares americanas no Golfo, muito provavelmente graças ao fornecimento de inteligência russa. Tem a ver com o sistema de satélite também? Sim, sim. Porque não dá para usar o GPS americano, né? Sim.
E a Rússia tem uma inteligência bastante sofisticada. Isso a Rússia realmente tem. Então, é vantajoso para a Rússia ver os Estados Unidos passando pelas mesmas dificuldades pelas quais a Rússia está passando na Ucrânia. Então, no caso ideal, os Estados Unidos se envolvem militarmente no Irã.
E fica lá da mesma forma que... Fica lá combatendo uma insurgência atrás da outra. Da mesma forma que a União Soviética enfrentou uma insurgência financiada pelos Estados Unidos no Afeganistão. Nos anos 80. E da mesma forma que a Rússia hoje enfrenta uma resistência ucraniana.
totalmente financiada pelos países do Ocidente. Então, é para fazer os Estados Unidos sangrar no Irã, sem dúvida. A China, eu acho que faria isso de forma muito mais sutil. Mas a Rússia, sem dúvida, tem uma parceria militar com o Irã. Lembrando que os drones russos que atacam soldados ucranianos na Ucrânia são de origem iraniano. E agora vem a maior confusão, que é a seguinte.
O Irã utiliza esses drones contra o país do Golfo, inclusive alvos americanos. As únicas forças armadas capazes de combater esses drones iranianos são os ucranianos. Então o Golfo agora está trazendo assessores militares ucranianos para aprenderem como se defender contra os drones iranianos. Então você vai ter a Rússia...
Dando inteligência aos iranianos que atacam o país do Golfo. O Ocidente dá apoio aos ucranianos se defendendo contra os russos e os ucranianos também assessorando o Ocidente cada vez mais sobre como se defender contra drones iranianos.
E o Zelensky, não por acaso, foi o primeiro chefe de Estado a visitar a Árabia Saudita desde o início da guerra. Então, a Rússia está se beneficiando, mas a Ucrânia pode se transformar num grande fornecedor de inteligência e tecnologia militar, porque as forças armadas ucranianas hoje são, junto com os russos e os iranianos, entre os mais sofisticados em guerra de drones.
que é, aliás, uma grande preocupação americana. Eu conversei com um ex-militar americano que esteve por anos no Iraque, na guerra no Iraque.
Ele me disse que uma operação em solo iraniano colocaria as tropas em grande risco porque os Estados Unidos estão tecnologicamente atrás da Ucrânia no que diz respeito à defesa contra drones. Porque a lógica dos drones, na verdade, é econômica. Você joga tantos drones que custam 10 mil dólares por drone e os Estados Unidos manda mísseis caríssimos para bater cada drone.
E simplesmente, em algum momento, acaba o estoque de mísseis porque custam milhões. Eu vi, cara. Segunda-feira, eu conversei aqui com o Farinazo. Ele me mostrou um avião dos Estados Unidos, que eles tinham por volta de 14 aviões desses aí, que foi destruído por um drone. Um avião de 50 milhões de dólares. Exato. Então, os americanos não estão preparados para isso. Então, ele me disse, cara...
vai ser assim se for pra invadir vai ser terrível pros americanos também em parte porque a liderança militar iraniana enxerga esse conflito como
uma luta existencial. Então, assim, não existe... Será que... Ou seja, não existe essa preocupação que o Trump tem. Será que essa guerra afeta a minha chance de vencer a próxima eleição? Será que impacta muito a economia? Os iranianos estão lá com tudo, obviamente. Eu tenho que ter uma mula no fim das contas. Porque me parece o seguinte, ele deu um presente pra todo mundo.
Ele deu um presente pra todo mundo. Que é assim, menos pros caras que estão morrendo lá. Mas veja, o regime corre o risco de sair fortalecido. Os caras da oposição dele têm argumentos pra atrapalhá-lo ali. E o que você acha que ele precisava disso, cara? Trump, que diabo ele foi atacar o Irã? O que tá passando na cabeça dele? Porque...
Era só ele ficar quieto, não era? Era muito mais interessante pro Netanyahu do que pro Trump, porra. O Irã não... O Irã é um adversário estratégico muito sério dos Estados Unidos do Antimed, ou seja...
continua financiando grupos que ameaçam e atacam aliados dos Estados Unidos, como Israel, por exemplo. Ou seja, não é um país... Mas eles já estavam enfraquecidos. Totalmente, muito enfraquecidos militarmente. Mas eu estou dizendo assim, não é assim que... Ah, temos uma ótima relação com o Irã e toda a gente fez. Não é assim, é uma situação tensa. Agora, Trump se elegeu dizendo que a gente precisa se retirar do Oriente Médio.
Então, o que ocorreu é que pessoas perto do presidente, isso pode incluir o primeiro-ministro israelense, sugeriram...
a Trump, que eles estão próximos ao colapso e fazendo uma pequena ação militar, a gente consegue se projetar como os grandes... O Trump conseguirá entrar na história como quem derrubou a República Islâmica. A gente não sabe, mas a gente supõe que um afago ali no ego do Trump...
Pode fazer. Mas aí, de novo, o Netanyahu certamente não esconde a sua tentativa de há anos convencer presidentes americanos a entrarem em guerra contra o Irã. Ou seja, não se trata de algo que...
desconhecido, secreto, etc. Ele achou um presidente a fim de... A responsabilidade do que os Estados Unidos faz é de Trump. Ele assina embaixo. Quem o influenciou, etc. Isso faz parte da política. Agora, isso explica que ele atuou contra a principal narrativa que o elegeu. Que foi...
que o Biden produziu uma grande instabilidade, se Trump se eleger haverá menos conflitos. Então, sim, esse cenário está contratado e ele, isso também explica porque
Trump não preparou a opinião pública americana para essa guerra, da mesma forma que Putin não preparou a opinião pública russa, porque ambos pensaram que seria uma guerra de poucos dias. Rapidinho. Então, assim... E, aliás, tem paralelos muito interessantes que...
nem Trump nem Putin chamam o que está acontecendo nos respectivos países de guerra o Trump chama de excursão ou de operação militar especial e o Putin chama de operação militar especial você não pode chamar a guerra na Ucrânia, na Rússia, como guerra você pode ir preso porque na verdade não se trata de uma guerra porque o Putin faz de tudo para blindar a população e de fato todas as recrutas atados atados
que morrem diariamente na Ucrânia, vem de regiões pobres, são muitas minorias. Então, se você é classe média alta em Moscou... Nada acontece com isso. É, mas assim, você não pode mais... Você não pode mais tirar férias na França, etc. Porque claramente você passa por um processo de...
Eles sabem que não tem mais o mesmo acesso a produtos ocidentais, etc. Mas é a mesma lógica que mostra que grandes potências, que têm o potencial militar, cometem erros com frequência. E aí é interessante notar o seguinte. O Bush filho se elegeu nos anos 2000, prometendo uma política externa mais humilde.
e queria dar ênfase à cooperação com a América Latina. E a primeira viagem do Bush foi ao México. E ele fala um pouco de espanhol, etc. Ou seja, era pessoalmente, genuinamente interessado em América Latina. E acabou invadindo o Afeganistão e o Iraque, depois do 11 de setembro. Obama se elegeu prometendo menos guerra. E acabou interferindo militarmente, apesar de não enviar tropas, mas no Iêmen, na Líbia, derrubou o Gaddafi, aumentou a presença de tropas no Afeganistão.
E o Trump também se elegeu assim e acabou atacando o Irã. E aí existe um debate interessante sobre por que isso acontece. E, obviamente, pode ter um lobby da indústria militar, etc., que constantemente fala sobre a necessidade de aumentar gastos militares, etc. Isso sem dúvida tem. Mas os Estados Unidos também estão protegidos militarmente. Então, vamos supor que aquilo vai se tornar um segundo Vietnã.
o risco do Irã atacar os Estados Unidos é zero. Ou seja, pode ter um ataque teorista, mas não vai haver uma invasão iraniana contra os Estados Unidos. É praticamente impossível invadir os Estados Unidos. Por quê? Ela tem o Atlântico de um lado e o Pacífico do outro. Isso cria uma situação meio perversa em que você pode cometer erros terríveis.
Ou seja, você não paga um preço... Ou seja, se antigamente você invadia um país e se deu mal, esse país não te derrubaria apenas. Eles iam anexar o seu território. Ou seja, havia um risco real de você deixar de existir como país. Ou sua população sofrer, suas cidades serem decimadas. A Alemanha, por exemplo, invadiu a União Soviética. E, em resposta, a União Soviética invadiu a Alemanha.
Os Estados Unidos nunca vão enfrentar esse tipo de desafio porque estão protegidos pela geografia. Então, um dos motivos que explica por que os Estados Unidos se metem nessas guerras é porque, no fundo, o cidadão americano, geralmente, não paga um preço muito grande. E agora vem a pior parte. Antigamente, até no Vietnã pagavam preço alto. Agora, com drones...
não vai ter mais humanos envolvidos nisso. Então, a minha preocupação é que daqui a 10 anos o futuro presidente americano vai de novo se meter, porque quem luta
Vão ser robôs e drones. Então, vocês... E viralizou uma entrevista na semana passada, que agora os Estados Unidos estão de férias, nas férias de Páscoa. Aí eles entrevistaram os jovens na praia da Flórida. E perguntaram assim, o que você acha da morte do Ayatollah? Que tal? Que tem a guerra no Irã? E o Joyce falou, gente, nunca ouviu falar. O que é Ayatollah? O que é Irã? Nunca ouviu falar. Que bizarríssimo. Então, assim, o impacto econômico é notável, mas é muito menor do que...
o impacto econômico sobre a Ásia, sobre a China. Então, a China, as pessoas vão dizer, a China vai atacar, você me perguntou, a China tem planos de dominar? Ela é muito mais vulnerável. A China precisa importar alimentos, por exemplo. Os Estados Unidos é totalmente autônomo no âmbito alimentar, produz o suficiente interno para se alimentar e tem autonomia energética. Então, na pior das hipóteses, vamos supor que o Hormuz está fechado, o Hormuz está fechado.
o preço vai para 200 mil, 200 dólares. Na pior das hipóteses, os Estados Unidos tem petróleo suficiente para manter sua economia. Enquanto na China, você não pode cometer erros estratégicos graves, porque isso pode causar uma fome no seu país. Então tem essa independência que...
A princípio, uma grande vantagem americana, mas que leva presidentes a assumirem riscos desnecessários. Tu acha que num cenário prolongado de guerra, com o petróleo chegando próximo dos 200... Qual é o preço mais alto, historicamente? Rapidinho.
é que você sempre precisa ajustar pela inflação. Ou seja, o preço ainda não alcançou níveis comparáveis com os anos 70. Aí realmente você chegava nessas alturas que levou à escassez. E o nosso grande medo é chegar em níveis comparáveis. É isso. Vamos dizer que chega nisso daí por um período extenso, acaba se arrastando por mais tempo.
que o Trump... Bom, pensando que vai ser o Trump. Tu acha que existe... O Trump é maluco o suficiente para estatizar a empresa de petróleo americana, cara? Não, o que vai acontecer nesse caso é... É que, na verdade, mesmo estatizando, como o preço é global, você, na prática, ainda teria que subsidiar o petróleo. Porque mesmo estatizando, você pode ganhar muito dinheiro vendendo o seu petróleo para fora. Perfeito, mas se eu sou um Estado, eu quero... Claro, no caso de uma... Vamos dizer, num grande confronto, etc.
Mas eu não acho que isso seria o caminho. O que provavelmente acontece é que os bancos centrais, porque isso causa uma inflação tremenda, vão ter que elevar as taxas de juros.
O Trump já sabe, todo mundo sabe que o plano de reduzir a taxa de juros nos Estados Unidos foi totalmente congelado, ou seja, não tem mais condições em função da guerra. Você tem uma inflação, provavelmente uma recessão global. Um aumento da inflação.
E uma derrota histórica do partido republicano nas eleições de meu mandato e um aumento do risco de um impeachment de Trump nos dois anos que lhe restam. Mas aí isso só pode levar a uma remoção dele se os republicanos também perderem a maioria no Senado.
Porque nos Estados Unidos, se o presidente pode sofrer impeachment, mas ele se mantém no poder, ele só precisa sair se o Senado americano também aprova o impeachment. Então, o Trump já foi impeachado duas vezes e não teve impacto sobre ele. Então, assim, aí a gente está numa situação muito ruim. A médio-longo prazo, isso vai acelerar tentativas de países a depender menos de petróleo e mais de energia renovável.
porque você percebe que está associado um risco geopolítico à dependência de energia fóssil. Então, países que têm energia renovável, etanol, ou seja, o que for desse tipo, conseguem se proteger um pouco melhor dessa situação. Mas eu também queria dizer o seguinte.
Como a gente viu aqui agora, o Bush se meteu em guerras assim, Obama, Trump. Então é preciso também não fulanizar e dizer, ah, só o Trump sair do poder e tudo vai estar bem. Assim, existem questões estruturais e duas são importantes. Primeiro, os Estados Unidos tem o que alguns chamam de vício em se envolver em conflitos desse tipo. Como a gente disse, tem uma...
Tem um poder militar tão vasto que nos Estados Unidos tem um ditado que é quando você tem um martelo gigante tudo parece um prego. Qualquer problema você vai lá e manda os militares. É um problema porque se você tem as melhores forças armadas do mundo e um país te incomoda, você sempre de alguma forma vai pensar sobre a opção militar. Enquanto se você é o Brasil...
e você tem um problema com o país, você precisa optar pela negociação. O Brasil, por exemplo, tem uma ótima relação com todos os seus vizinhos. Por quê?
porque não tem a capacidade de invadir e anexar. Não tem. Então precisa envolvê-los e apostar no treinamento técnico dos diplomatas para vencer uma negociação sem o uso da força. Então, tem isso. Eu não tenho esperança. Eu acho que o próximo presidente pós-Trump vai se eleger prometendo.
menos envolvimento militar, como tantos outros, e provavelmente acaba se envolvendo de qualquer jeito. Está certo? Isso está contratado. Mas, além disso, agora a gente está em uma outra situação. Os Estados Unidos, apesar de todos os seus problemas no Vietnã e em outros lugares, tinha lá atrás uma capacidade muito maior de se impor militarmente do que tem hoje. Porque, veja, o Irã pode ter uma boa chance do Irã não só resistir, mas sair atados por aí. E atados por aí.
empoderado desse conflito. Por quê? Porque tem outras grandes potências que vão financiando agora. A Rússia vai apoiar o Irã, etc. Ou seja, com o poder militar mais distribuído no mundo, os Estados Unidos já não conseguem mais vencer facilmente. Numa questão de dias, como era o caso, por exemplo, da guerra contra o Iraque nos anos 90. Não a segunda, mas a primeira. Então...
Num sistema multipolar, você vai ter guerras assim com mais frequência. E eu acho plausível que daqui a 10 anos você tem... A guerra na Ucrânia talvez passou por uma série de cessar-fogos, mas no fundo continua. Você tem várias guerras no Oriente Médio, na África, e talvez uma guerra envolvendo países da Ásia. E aquilo vai ser meio que o novo normal.
Cara, ainda bem que a gente está meio que gozando de uma mesma proteção, de certa forma, que os Estados Unidos. A gente tem aqui... E a gente também não quer se arrumar problema. Qual é a nossa posição, na real, no mundo nessa bagunça aí? A gente, porra, está meio... O Brasil tem uma grande vantagem e as pessoas não percebem isso. Nenhum país do mundo odeia o Brasil. É verdade. E assim, quais outros países não são odiados, pelo menos por alguns?
Se você olha os Estados Unidos, tem um monte de países que tem péssimas relações hoje com os Estados Unidos. Se você olha a China, tem um temor profundo em países como o Japão e Coreia do Sul de possíveis fricções com a China. Índia, tem o Paquistão que possui uma relação terrível, inclusive que levou a um breve conflito no ano passado.
Tem alguns países pequenos que não têm inimigos porque eles não representam a ameaça para ninguém. Ninguém tem uma má relação com Liechtenstein ou com Luxemburgo. Mas o Brasil é um dos poucos países no mundo, que é um país grande, que não tem inimigos. Isso não é só porque o Brasil não tem grandes forças armadas, o Brasil fez uma escolha consciente.
na época do Barão do Rio Branco, no final do século XIX, início do século XX, de que a única forma de evitar que os outros países da América Latina criassem uma aliança anti-Brasil, do jeito que muitos países europeus fizeram contra a Alemanha, ou, na época de Napoleão, contra a França, seria ter uma boa relação e não ameaçar...
os vizinhos. E vejo aqui todas as negociações para resolver disputas territoriais, o Brasil conseguiu resolver, com a única excepção do Paraguai, que iniciou uma guerra contra os seus vizinhos. Isso não foi uma guerra brasileira de expansão territorial. Todos os conflitos territoriais, o Brasil resolveu negociando.
Então, nenhum país hoje da América Latina tem um sentimento popular anti-Brasil profundo de países que temem uma invasão brasileira. Ou temem a dominação econômica brasileira. Na Grécia, por exemplo.
As pessoas têm uma visão muito cética em relação à Alemanha, porque a Alemanha concentra tanto o poder econômico que durante a crise do euro, lá na época, tinha a tensão profunda entre a Grécia e a Alemanha. Nenhum país hoje tem isso. A única coisa que aconteceu alguns anos atrás foi o Evo Morales falando mal do Brasil, quando nacionalizou o petróleo boliviano.
E aí usou tropas para ocupar refinarias da Petrobras. Mas isso não foi uma coisa séria. Se você pergunta a alguém na Bolívia sobre o Brasil, eles não têm uma relação ruim. Então o país tem essa grande vantagem. Não importa quem vai vencer as eleições.
em novembro. E a ressalva é o seguinte. O Flávio Bolsonaro, obviamente, está adotando um discurso muito pró-Estados Unidos. Ele, precisamente, fez isso nos Estados Unidos. Mas ele não vai se afastar da China porque uma parte do eleitorado de Flávio Bolsonaro é o agro. E o agro depende da China. Então, assim, é a mesma coisa com o Bolsonaro. Vai falar mal da China, etc. Se elegeu...
a relação com a China se manteve e inclusive melhorou. Então, vai ter algumas concessões simbólicas, terras raras aqui e ali, mas não um afastamento estratégico. O Brasil está super bem posicionado, não tem inimigos.
tem um consenso pelo multi-alinhamento. Ou seja, até o Lula busca ter uma boa relação com o Trump. O Flávio Bolsonaro, do mesmo jeito que o pai fez, vai viajar para Pequim se ele for o próximo presidente e vai dar ao Xi Jinping uma crianzeta do Flamengo.
e vai participar das reuniões do BRICS. Isso faz parte do jogo. Ele não vai dizer isso durante a campanha. Ele vai prometer romper com os regimes comunistas, do mesmo jeito que o Jair Bolsonaro fez. E o Lula vai falar mal do Trump, possivelmente, durante a campanha, dizer que o Flávio quer entregar o país ao Brasil e tal.
mas isso é uma ótima notícia porque o investidor, quem quer investir no Brasil sabe que o Brasil não vai romper nem com a China, nem com os Estados Unidos nem com os europeus, nem com os indianos, nem com os argentinos olha a relação entre o Lula e o Millet, péssimas, não se falam a relação econômica está ok entendeu? Então acho que o Brasil está bem, única região do mundo aliás, América do Sul que não tem grandes aumentos em gastos de defesa atados atados
Eu até acho isso um pouco problemático. Eu acho que o Brasil agora vai ter que gastar mais, inclusive em tecnologias de drones, esse tipo de coisa, porque daqui a cinco anos, quem vai comprar drones muito sofisticados é o PCC. Entendi. Entendeu? Então, o Brasil precisa ter essa tecnologia, precisa dominar essa tecnologia, porque aquilo é uma...
É uma tecnologia ao qual grupos rebeldes não estatais terão acesso. Eu não sei se você viu vídeos de drones iranianos atacando instalações americanas no Oriente Médio. É uma insanidade. Sim. Ela circula, procura o alvo e entra numa janela para se explodir porque achou o helicóptero que custa 10 milhões de dólares.
Com um drone de, assim, custa nada. Então, assim, a gente chegou numa situação em que drones, no futuro, podem assassinar policiais entrando na casa de um policial pra entrar e matar essa pessoa. Isso pode ser um drone controlado por alguém do crime organizado. Então, o Brasil precisa gastar muito nisso e isso, idealmente, seria uma tecnologia nacional.
Mas assim, não há um cenário plausível de um confronto entre o Brasil, nem com seus vizinhos, nem com a China, nem com os Estados Unidos. Então, o melhor lugar de se estar nesse ambiente é o Brasil. Melhor título de reservista possível, brasileiro. E isso só vai aumentar com o aumento de tensões lá fora. E eu, assim, falo muito com investidores, o Brasil está... Eu não digo isso porque eu estou aqui. É evidente que se você quer investir no lugar previsível,
geopoliticamente falando, América Latina é a melhor opção. Porque a Europa, por exemplo, o próximo presidente da França pode ser anti-União Europeia. É verdade. A situação na Alemanha é muito delicada. Inclusive, eu acho que a Alemanha, Japão, Coreia do Sul vão passar por um processo de obter armas nucleares.
Eu até apoio isso de certa maneira porque a Alemanha agora está apostando numa guarda-chuva francês, europeu. Mas você não sabe quem vai ser o próximo presidente da França que pode dizer, olha, eu não estou mais exposto a proteger os alemães. Da mesma maneira, o Japão precisa avançar nessa discussão. Aqui no Brasil, acho que não tem essa necessidade por enquanto. O Japão, geopoliticamente falando, ele...
Ele é naturalmente mais isolado. Quem que são os principais aliados do Japão? Os Estados Unidos. Ou seja, territorialmente longe pra caralho também, né? É, mas tem uma forte dependência militar dos Estados Unidos.
Está sofrendo muito com o treito de Hormuz fechado, não é, o Japão? Muito. E a primeira ministra do Japão... Ela mandou um kamehameha da França. Macron. Ah, sim. Deu kamehameha no Macron. Macron respondeu kamehameha também. Pois é, isso aí. Mas ela teve que adotar uma postura meio vergonhosa na última reunião com o Trump.
Falando que ele era bonito e, assim, umas coisas um pouco estranhas. Por quê? Porque o Japão tem uma total dependência da proteção militar americana e, constitucionalmente, tem uma restrição em relação à capacidade militar ofensiva, que agora, inclusive, provavelmente será alterada diante da imprevisibilidade de Trump.
Imagina a sua segurança nacional depende de Trump. Cada dia pode tuitar uma situação muito... Quando tu fala assim, fica muito evidente que é um problema. Um problema grave. A gente recebeu um dos principais especialistas de geopolítica japonesa na FGV recentemente. E ele falou assim, para nós não tem plano B.
A gente depende também dos Estados Unidos. A gente enxerga a China que dobra seu orçamento militar toda hora e quer se projetar como principal potência da Ásia, como uma grande ameaça. Se a China em algum momento resolver atacar Taiwan, aquilo para nós seria muito preocupante. A gente não tem condições de se defender sozinhos contra os chineses. E aí, obviamente, é muito evidente que em algum momento alguém vai dizer atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por at
diante da imprevisibilidade americana, o único caminho para nós...
É, de fato, ter um artefato nuclear. Então, eu acho que, se você vai perguntar, ao longo dos próximos 10, 15 anos, eu acho que a chance da Alemanha, Polônia, Japão, Coreia do Sul, ativamente terem ou uma arma atômica, ou chegar no que a gente chama de país de alta latência, que basicamente quer dizer, você tem tudo pronto.
E se houver qualquer sinal de que alguém está te ameaçando, você apenas aperta o botão e meio que junta as peças e meio que já tem tudo pronto. Mas você oficialmente não é um país com uma boa atômica. É isso que eu acho que os alemães vão fazer por motivos históricos. Tanto os alemães quanto os japoneses têm medo de si mesmo.
Os alemães não querem ter poder militar, porque a última vez que a Alemanha se transformou numa grande potência militar, deu ruim, e muito ruim. Então, na verdade, hoje tem grandes investimentos alemães e a Alemanha está se transformando numa potência...
militar e isso gera uma sensação esquisita para muitos alemães porque a grande história de sucesso da Alemanha nos últimos 80 anos foi justamente a partir de uma política totalmente pacifista de um não envolvimento militar da Alemanha em conflitos de Japão igual. Uma que é ao contrário que a AFD vem pregando, né?
É, o AFD, na verdade, tem uma postura anti-americana, mas mais pró-russa. Anti-NOTAN. Anti-OTAN, peraí. É uma postura pró-Trump. O AFD busca minimizar a relevância do período nazista na história alemã. Então tem uma postura.
elementos do AfD são abertamente nazistas. Então, certamente, é um elemento que também explica porque outros países europeus podem se preocupar com o reamarmento alemão, porque não necessariamente será um governo do social-democratas ou do Partido Conselhador, mas pode ser um partido que, pelo menos na sua retórica...
pode chegar a preocupar outros países da região, mas que tem uma proximidade enorme com a Rússia. Interessante. E aí, aliás, o momento mais importante da política alemã ocorrerá no dia 12 de abril, quando tem eleições na Hungria, onde uma pessoa que vem promovendo uma erosão democrática, uma escalada autoritária, busca a sua reeleição.
E tem apoio dos Estados Unidos, da China e da Rússia.
Porque é meio que um Trump da Hungria. E Trump tem uma relação, a tendência é evidente que tem uma relação melhor com líderes ou com ambições autoritárias ou líderes autoritários. Enquanto o opositor é pró-europeu e tem apoio dos outros países da União Europeia. Então a gente vai ter um embate muito interessante entre essas duas vertentes. Em abril. 12 de abril. Está chegando. Daqui a 10 dias.
Então, isso vai definir também um pouco para onde vai a Europa, que, aliás, eu diria Ásia e Europa são as duas regiões que mais vão sofrer agora com essa continuação do conflito no Irã, devido ao alto preço de energia.
com consequências que podem levar ao colapso de alguns governos também. Então a gente precisa prestar atenção nesse cenário, porque se você tem um fortíssimo aumento da inflação, isso pode causar bastante instabilidade também lá. Que sinuca de bico, meu irmão. Porque não dá para tu juntar os amigos. Tipo, o mundo não é assim.
Aí, ó, família, Europa, chega aqui, ó, bora trocar ideia aqui, ó. Porra, esse cara aí, ó, os caras lá no Irã lá, ó, tão atrapalhando nós aí, hein? Não tá deixando passar o petróleo. Vamos juntar todo mundo aqui, vamos dar um sumo, vamos chegar lá na casa desse cara aí, dar umas porradas nele, toma essa porra pra nós. Não dá pra fazer isso. O mundo é complexo, meu irmão. Não dá pra você... Você tem que, às vezes...
como no caso da Europa, estão meio à mercê do que está acontecendo ali. Isso é... Nossa, deve ser uma situação... Não, e o pior é que o Trump... E aquilo mostra como é um processo contínuo de improvisação, porque ele, ao se deparar com...
o Estreito de Hormuz fechado pediu ajuda dos europeus, dizendo que a OTAN deve ajudar os americanos para garantir o livre fluxo de navios no Estreito de Hormuz. Só que os europeus disseram, primeiro, a OTAN é uma aliança defensiva.
E quem iniciou essa guerra são os Estados Unidos. Então a gente não... A aliança não quer dizer que a gente precisa apoiar integrantes dessa aliança em outras guerras. E isso causou bastante fricção na Casa Branca e levou o Trump a dizer ontem que ele ativamente considera sair da OTAN. Que já é, na prática, o fim dessa aliança. Então, é que, vale dizer, a maior aliança militar da história das relações nacionais está basicamente deixando de existir.
Porque nem a Polônia, nem a Estônia, nem a Alemanha podem hoje saber por certo se o Trump defenderia esses países em caso de um ataque russo, por exemplo. Então você tem um rearmamento europeu gigante de todos os aliados americanos, aliás, e tentando comprar o mínimo possível dos Estados Unidos para aumentar a sua autonomia estratégica. Isso, aliás, para o Brasil também é importante porque o armamento americano... E aí E aí
Ele é tão sofisticado, ele é o mais sofisticado ainda do mundo, mas ele precisa de atualizações de software, por exemplo, a cada 15 dias. Então, se você, de repente, rompe com os Estados Unidos...
e eles param de enviar atualizações de software para você, o seu míssel super sofisticado vira um pedaço de aço que não vale nada. Então, para a indústria de defesa dos Estados Unidos, o Trump é uma péssima notícia. Porque a única forma de garantir que países comprem seus armamentos é esse país confiar em você.
Isso mudou. Antigamente não era assim, porque antigamente era mais análogo. Então, os caras te vendiam um avião. E tá vendido. E assim, um avião... Claro que precisa de peças e tudo, mas em última instância você consegue meio que ter uma produção local. Hoje não. Hoje é tão avançado.
que ao comprar um míssel americano, você precisa preservar a sua relação com os Estados Unidos. E se os Estados Unidos rompem com você, você perde, você pode rapidamente ver sua capacidade de defesa afetada. Então, os europeus estão sozinhos e ainda estão gerindo esse choque, mas eu acho que até agora reagiram bem. Eles aprovaram...
aos trancos e barrancos de acordo comercial com o Mercosul. Então tem uma parceria muito ampla agora com a América do Sul. Eles vão fechar parcerias maiores com o Canadá, com a Índia, agora com a Austrália. Então o mundo também está reagindo positivamente. O Lula, eu acho que só apoiou...
a ratificação do acordo com os europeus porque percebeu que o mundo é cada vez mais instável, lembrando que ele por décadas tem sido um protecionista contra acordos comerciais, e agora é a favor porque sabe que no mundo instável você precisa ter parcerias com o mundo inteiro então eu não sou muito tudo isso soa meio preocupante, mas eu não sou tão pessimista assim eu acho que é claro, a curto prazo aquilo dói ativados ativados ativados
Mas qual será a resposta? Que todos os países estabeleçam acordos e alianças para estar melhor preparados para o próximo choque.
Então isso é energia nuclear, energia renovável, do tipo que a gente tem aqui no Brasil. Fechar acordos com mais países para não depender apenas de um fornecedor. Os fornecedores tendem a se reacomodar. Sim, com certeza. O mundo está muito... A globalização é muito resiliente. E assim, veja...
O estreito por onde passa um quinto do petróleo do mundo está fechado efetivamente há um mês. E o preço do petróleo é só R$108,00. Isso é muito pouco. Se alguém tivesse falado, cara, o estreito vai fechar durante um mês, as pessoas teriam ditado, então vai colapsar tudo.
Então as pessoas conseguem já meio que rapidamente achar soluções e se tornar mais autônomos. Ainda falta bastante e é preciso acertar, porque se isso for levado longe demais, qualquer país quer fazer tudo sozinho. E aí realmente a gente volta pra...
para o pior dos cenários, porque daí vira tudo muito caro e ruim. Do ponto de vista comercial, se você não aproveita de vantagens competitivas de outros países...
a economia global vai colapsar, mas a forma de você se manter autônomo não é só para nacionalizar, ou para trazer a produção para dentro do país, mas de você ter muitos parceiros e se um por motivos geopolíticos não consegue mais te fornecer esse bem, você vai para o segundo, para o terceiro.
E eu acho que isso vai funcionar bastante bem. Eu não... Eu acho que a gente não está próximo à Terceira Guerra Mundial. Nada do que está acontecendo sugere que estamos nos aproximando da Terceira Guerra Mundial. Eu acho que é o novo normal. Entendi. E isso, eu acho que para alguns...
A gente viveu iludido numa época que a gente ouvia falar pouco de guerra, mas é que a gente não tinha guerra. Tinha guerra na África, caralho. Mas assim, a última guerra que a gente ouviu falar pra valer já fazia um tempo, né? Aí veio a da Ucrânia, que a gente, caralho, ó, tem guerra. É, eu acho que assim...
Não foi uma ilusão, foi um período muito atípico entre 1990 e 2015, mais ou menos, em que, no fundo, havia uma expectativa em que todas as grandes potências...
conseguiam ter uma relação produtiva e bastante baseada na cooperação e não na rivalidade. Isso mudou só em função da ascensão de outras potências e também...
do fim do consenso interno nos Estados Unidos a favor de um sistema globalizado. E hoje os Estados Unidos são protecionistas ante abertura comercial. Então, a partir dessa mudança, estamos agora numa fase de maior instabilidade. O que sempre foi a história da humanidade. Tensões e geopolíticas permanentes é o que a gente viveu por mais de mil anos. Eu acho só importante
sempre lembrar disso, porque a gente se acostumou tanto a um sistema super funcional em que a gente quer ter um novo celular, então a gente encomenda esse celular, ele chega três dias depois na loja, a gente tira férias no Japão.
e não se preocupa com possíveis interrupções geopolíticas e muita gente aqui no Brasil que quis tirar férias na Ásia ou em Dubai teve que cancelar e fica, nossa, o que está acontecendo isso será o novo normal ou seja, de você ter que adequar a sua vida e às vezes aquele produto que se queria de repente vai ser mais caro não vai chegar, eu acho que isso
faz parte agora e você vai ter maior volatilidade de preço. Porque mesmo o agro brasileiro, contratando todos os especialistas de geopolítica e tornando suas cadeias de suprimento mega resilientes, não vai conseguir se proteger contra tudo. Então, acho que viver com essa instabilidade vai ter que fazer parte do jogo. Mas sempre lembrando que a globalização...
ela se adapta e ela é fundamental para preservar os laços mesmo entre rivais geopolíticos. Então mesmo a China e os Estados Unidos tendo uma relação conflituosa, você tem multinacionais que vão atuar como algodão entre cristais, porque a cooperação tem sido um grande caso de sucesso.
então assim, eu acho que não é pra se desesperar tá bom não se desespere se está planejando uma viagem pro Japão de repente vai ter que esperar uns dias ou vai demorar um pouco pra você voltar entendeu? mas não é vai viver vai viver tem mensagem pra nós aí Vitão? então deixa eu ouvir as mensagens que as pessoas tem pra mandar pra nós é E aí
Guilherme mandou uma mensagem pelo Pix. Oliver, existe paralelo entre a corrida espacial e armamentista da época da Guerra Fria com o momento atual, especialmente considerando a missão lunar e os conflitos geopolíticos? A missão de quê? Sei lá, qual que foi a missão de quê aí no final? Essa vozinha esquisitíssima. O que?
Ah, sim. Bom, eu certamente acho que existe uma corrida tecnológica entre a China e os Estados Unidos. E quem vence essa corrida terá uma vantagem militar enorme. Estamos falando de inteligência artificial, estamos falando de espaço. Exato, exato. E, assim, é evidente que a China vai ter que ter seu próprio sistema de satélites. Que...
A próxima grande guerra serão drones movidos por inteligência artificial que se enfrentam. Como se chama? Qual a palavra para descrever um grande grupo de peixes? Cardume. Cardume de drones se enfrentando. Aquilo está chegando daqui a três, quatro anos.
Pode ser um enxame também. Acho que para um drone talvez seja melhor. Exato. É que em inglês é drone swarm. Isso. Seria isso, exatamente. A gente está muito perto disso. A gente está vivendo uma transformação da guerra que não torna... Aliás, várias pessoas disseram o Brasil agora tem uma nova geração de castas justamente quando castas deixaram de ser importantes. Eu não acho que seja isso. Continua sendo muito relevante.
Não é só drone, porque o drone, por exemplo, você tem uma guerra num país distante, os drones não atravessam o oceano, ou seja, ainda as estruturas militares tradicionais continuam relevantes e a China continuará precisando de uma estrutura tradicional, portava-viões, etc. Mas sim, o domínio de novas tecnologias e também de uma presença espacial é cada vez mais importante.
Porque a partir da corrida armamentista entre a China e os Estados Unidos, o domínio e o controle do espaço será cada vez mais fundamental. Porque esses drones todos também utilizam muitas informações a partir de satélites para funcionar.
E nesse quesito, sim, acho que essas novas missões lunares ocorrem nesse contexto também. Para nós, isso significa que o Brasil, idealmente, deve nunca depender apenas de um padrão tecnológico, seja só americano, seja só chinês, também no âmbito de inteligência artificial.
mas de meio que sempre participar de ambas as esferas tecnológicas para nunca ficar preso numa situação muito dependente que nenhuma das grandes potências do dia. Tu acha que essa posição do Brasil de bom moço pelo mundo, todo mundo gosta da gente, a gente é um país grande...
populoso, que não tem inimigos e tal, igual a gente tava falando aqui mais cedo. Será que essa posição, essa escolha, foi o que deixou a gente fraco? Ou a gente é fraco, portanto a gente toma essa posição? Acho que é uma mistura dos dois, obviamente, ou seja, é... ou...
Apesar de que, mesmo sendo um país não tão rico como os Estados Unidos e a Europa, o Brasil poderia muito bem ter escolhido um caminho de investir pesadamente na sua capacidade militar e buscar dominar, por exemplo, a América do Sul, causando fricção permanente com seus vizinhos. Mas a escolha foi estabelecer uma relação de cooperação com os vizinhos e isso faz parte não só de uma tradição brasileira, mas de uma longa tradição latino-americana.
de apostar no direito internacional, nas regras e normas internacionais para garantir uma convivência pacífica. A América do Sul é uma das poucas regiões livres de bombas atômicas, por exemplo. Então, sem dúvida...
os desafios no âmbito de desenvolvimento econômico também facilitam essa tomada de decisão mas eu acho que também houve uma aposta estratégica de que diante da situação geográfica da América do Sul aquilo seria o melhor caminho e tu acha que tem algum reflexo no nosso atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta atleta at
subdesenvolvimento tecnológico que vem dessa nossa escolha porque veja, a gente acaba meio a gente é dependente da Rússia quando a gente fala de não, eu acho que não porque você por exemplo
A Rússia é um país extremamente... Que tem um sistema... Que gasta muito em sua própria defesa. Ou seja, tem um grande investimento na segurança nacional. Trava guerras de grandes dimensões. Mas é um país tecnologicamente também muito atrasado. Inclusive...
está cada vez mais atrasado tecnologicamente. Entendi. Então, eu sou muito cético em relação a... Vamos investir mais. Parcialmente, isso funciona. Por exemplo, eu acho que o grande investimento nos caças pode possibilitar avanços tecnológicos em outras áreas, inclusive por aplicações não militares. Mas... O Brasil... O Brasil...
conseguiu apostar em outras frentes também graças ao ser um país que não precisa tradicionalmente se preocupar com sua segurança. Então, o Brasil tem o SUS, por exemplo, que outros países que fizeram outras escolhas não têm. Então, assim, eu ainda acho, diante do cenário atual, e sempre preciso dizer que isso pode mudar, e a partir de uma nova situação é preciso adotar uma nova estratégia. E eu, por exemplo, hoje acho que...
O Brasil precisa certamente investir um pouco mais na sua própria defesa diante de um cenário internacional pouco previsível.
que não necessariamente representa uma ameaça direta, mas o mundo inteiro está passando por um processo de modernização militar e de uma mudança de patamar tecnológico, o que torna necessário o Brasil também acompanhar esse processo. Mas os caminhos para o desenvolvimento acho que não passam por ali. Cadê? Taca a próxima aí, Vitão.
Rodrigo mandou uma mensagem pelo Pix. Como vê o crescimento do antissemitismo? Antisionismo é uma forma desse fenômeno? Ação israelense pós 7 do 10 é legítima ou excessiva? Netanyahu é um defensor audaz de Israel ou criminoso de guerra? 8 mil perguntas numa só. É... E aí
Bom, o antissemitismo, obviamente, é um fenômeno que antecede ao 7 de outubro. Então, eu acho que tem muitos fatores que explicam isso. Acaba de sair um novo relatório, aliás, de uma organização chamada Stand With Us, que estuda o antissemitismo no Brasil, em comparação com a Atlas.
Eu não tive a chance de lê-lo ainda, mas acabou de ser publicado. Então isso certamente, eu acho, seria simplista...
dizer assim, ah, o aumento do antissemitismo se deve à atuação militar apenas de Israel em Gaza. Ao mesmo tempo, é sempre preciso ressaltar que criticar a atuação israelense em Gaza, inclusive caracterizá-lo como genocídio, não é um ato de antissemitismo. Ou seja, criticar a política israelense, criticar Netanyahu...
não quer dizer que você não leva automaticamente ao questionamento da existência de Israel ou uma postura antissimita pelo mundo. Então, assunto muito complexo de várias vertentes, sobretudo porque as motivações que levam a posturas antissimitas diferem muito de país em país. Então, a natureza do antissimitismo nos Estados Unidos ou na Alemanha pode ser muito diferente daquele no Brasil. Agora, me parece que...
a política externa israelense corre o risco de acumular muitas vitórias táticas, mas de levar ao crescente isolamento do país a médio e longo prazo.
E o plano de você se impor como país pequeno, uma população pequena contra todos os seus vizinhos e querer garantir sua segurança por meio da dominância militar é uma estratégia muito, muito arriscada. Então, em algum momento, Israel vai ter que estabelecer uma relação amigável com seus vizinhos diretos porque...
Você tem um desequilíbrio demográfico gigante. Então, um país pequeno não pode ser permanentemente o país que domina militarmente a região. E Israel vem, isso não tem nada a ver com antissemitismo, mas Netanyahu e o governo israelense vêm perdendo bastante apoio diplomático.
tanto na Europa, que é uma das suas principais fontes de apoio, mas também nos Estados Unidos. Você tem hoje, tanto a direita quanto a esquerda, no Partido Republicano e no Partido Democrata, vozes que questionam...
o apoio, o amplo apoio praticamente incondicional dos Estados Unidos a Israel. Então, eu acho que o custo de longo prazo que Israel paga pela sua atual estratégia vai ser grande, em parte porque...
O Netanyahu é claramente visto hoje mais alinhado com o Partido Republicano, o que faz com que o apoio a Israel deixou de ser consensual em todo o espectro ideológico americano. Entendido. E você tem...
Isso, além disso, você de fato tem um aumento do antissemitismo nos Estados Unidos à direita, o que é um fenômeno mais recente, que partes da base eleitoral de Trump são não apenas críticos em relação a Netanyahu e o governo israelense, mas têm elementos fortemente antissemitas, como, por exemplo, Nick Fuentes, que é...
uma voz bastante visível à direita nos Estados Unidos que é abertamente antissimita. Então, um fenômeno que certamente não deixará de ser relevante no debate político ao longo dos próximos anos. Dá-lhe.
McLovin mandou uma mensagem pelo Pix. Fala. Oliver, você é a pessoa certa para perguntar isso. PQ trabalha em todas as agências de espionagem. Vê que acredita que a operação para pegar o Maduro só foi fácil. PQ teve propina. Se sim, de uma risadinha. Tá. É...
Eu acho que teve as duas coisas. Isso, aliás, é super interessante porque eu... Assim, brincadeira, a parte das agências de inteligência, Washington é uma cidade muito pequena. Então, a gente dialoga muito com pessoas da CIA ou pessoas que fizeram parte da CIA. E eu recentemente participei de um debate na Al Jazeera, que é um canal árabe que...
no estúdio em Washington e participaram alguns ex-integrantes da CIA. E nessas conversas eu soube que a operação na Venezuela teve um elemento tecnológico sem precedentes porque os Estados Unidos, por meio de ciberataques, conseguiram penetrar o sistema energético venezuelano.
e causaram um blackout em todas as bases militares venezuelanas de forma simultânea, duas horas antes do ataque, assim desativando praticamente toda a capacidade de defesa da Venezuela.
Além disso, também me parece que houve um acordo prévio com a vice-presidente. Mas isso não garante que parte das Forças Armadas contra-atacam quando há, de fato, uma invasão, um bombardeio da capital da Venezuela. Então não é só você fazer um acordo prévio com a Delsi, mas é uma combinação de um ataque cibernético super sofisticado.
que desabilita todo o sistema de eletricidade perto de bases militares venezuelanas, causando uma situação de desorientação dos celulares para onde funcionar. E de um grupo de soldados americanos que realmente fizeram um trabalho, eu estou aqui falando da dimensão militar, bastante impressionante.
O impacto de longo prazo, eu sei que é meio chato sempre repetir isso, há uma grande diferença entre uma vitória tática curto prazo e uma vitória estratégica de longo prazo, porque
A justificativa para essa ação militar também foi meio vaga por causa do Maduro supostamente envolvido no narcotráfico, que é uma justificativa muito estranha que o estabelecimento de inteligência americana em reuniões fechadas diz abertamente que ele foi um...
Terrível presidente, um ditador que teve algum envolvimento, alguma comunicação, provavelmente, com o tráfico de drogas, com alguns cartéis, mas não foi o chefe de um cartel. O cartel do Los Solos não existe. É uma gíria para descrever o envolvimento de partes das Forças Armadas venezuelanas no tráfico de drogas. Mas dizer que o presidente é o chefe de um cartel, simplesmente não...
Só por causa das estrelas dos militares. Isso, nos uniformes. Mas se você ler a acusação formal do governo americano contra Maduro, essa acusação já não aparece. Então isso foi claramente uma narrativa. Certamente não foi sobre democracia. Então...
houve um aumento nítido de desconfiança no establishment militar latino-americano em relação aos Estados Unidos independentemente da orientação ideológica dos seus presidentes. Então, Milley achou ótimo que o Trump derrubou Maduro, vários líderes de direita aplaudiram, mas se você falava se você perguntava
militares argentinos militares de países na América Central, mesmo de presidências de direita houve uma sensação de dizer opa, é a primeira vez na história da América do Sul que tem uma operação militar americana aberta, ou seja não secreta pra derrubar um presidente nunca aconteceu antes atados atados
Já na América Central aconteceu... Mas até o golpe contra o Allende, por exemplo, no Chile, foi um apoio indireto dos Estados Unidos, que também causaram uma greve dos caminhoneiros para levar a queda do Allende. Mas não houve helicópteros americanos chegando para tirar o presidente. Então, qualquer... E assim, eles não vão falar isso abertamente.
porque estão alinhados com o Trump. Mas todas as Forças Armadas da América Latina pensaram e estão considerando formas de se proteger contra situações semelhantes. O presidente do Brasil chegou a falar abertamente disso, que chegou a falar com as Forças Armadas e dizer, eles conseguiriam fazer isso no Brasil também?
E é uma coisa meio séria. Eu acho que causa um precedente muito ruim. Horrível. Muito ruim. Ele chegou a ameaçar um outro cara, não foi? É, o Petro da Colômbia, na verdade. Na verdade, não foi uma ameaça direta, mas acusou o Petro de ser o narcotraficante. E o Petro, de novo, assim, eu não estou defendendo o Maduro, eu acho que o Petro é um precedente muito ruim.
péssimo, assim, é uma pessoa impulsiva é meio que um Trump de esquerda, assim uma coisa, é... assim, eu acho que qualquer um que seja o próximo presidente vai ser melhor do que o Petro mas é importante também lembrar o seguinte assim, essa coisa de sequestrar ou assassinar líderes rompe uma longuíssima tradição que pode atrapalhar negociações lá na frente
Para te dar um exemplo, em 1814, o Napoleão perdeu guerras contra basicamente todas as outras potências europeias.
E aí os governos europeus decidiram levar o Napoleão para uma ilha chamada Elba, no Mediterrâneo. E de lá o cara escapou do exílio, voltou para a França, mobilizou forças armadas e atacou todo mundo de novo. E aí perdeu aquela famosa batalha em Waterloo, na Bélgica, um ano depois, em 1815.
o que os caras fizeram? Levaram ele pra uma ilha ainda mais longe, em Santa Helena, que é entre a África e a América do Sul. Mas não mataram o cara, entendeu? Por quê? Porque ia criar um precedente ruim que dificulta negociações. Porque você precisa poder falar com o outro chefe de Estado. Você precisa poder
o mensageiro, o embaixador que vai te entregar uma mensagem, precisa ter certeza que ele não será assassinado. E um dos motivos pelos quais os iranianos não querem falar com os americanos é porque eles temem que responder ao telefone para falar com os americanos é uma estratégia apenas para facilitar a localização dos negociadores para assassiná-los. Então, eles não entendem o telefone. Não existe nenhuma comunicação.
E o supremo líder do Irã, obviamente, o filho do Ali Raminé, não aparece publicamente e certamente não usa seu celular, porque não quer ser localizado.
Então, assim, você quer negociar, você pode ir assassinando todo mundo do outro lado, porque é evidente que os caras não vão querer negociar com você. Isso foi uma tradição de longuíssimo prazo. Veja que até a União Soviética dos americanos, combatendo os líderes nazistas, eles não mataram na hora, eles levaram...
Eles presos, vários foram julgados e executados depois de um processo. Mas de você constantemente ameaçar...
A equipe de negociação ou de um presidente temer que será sequestrado causa uma profunda desconfiança e, de novo, cria um risco de ataques assimétricos contra embaixadores americanos. Então, o que vem acontecendo agora? Os Estados Unidos mataram o supremo líder.
Mataram várias lideranças iranianas. E assim, o Irã pode chegar a responder matando embaixadores americanos e embaixados ao redor do mundo. Em retaliação. Então essa erosão de normas é muito, muito, muito ruim. É muito preocupante. Porque você teve os avanços para construir confiança. Se basearam sempre na regra básica de que atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por atados por at
os diplomatas e as lideranças políticas, você precisa garantir a integridade física dessas pessoas para manter o diálogo. Então, assim, legal, pegou lá o Maduro.
Mas o impacto a longo prazo é muito, muito ruim. É realmente assim. E, de novo, eu acho o Maduro um terror. Mas a justificativa também meio estranha. Nada mudou na Venezuela para o cidadão venezuelano. A Idelcio Rodrigues é tão autoritária quanto o Maduro.
Não, agora só o Trump manda. Totalmente. Trump manda e eu acho que uma questão de anos até surgir o novo Hugo Chávez. Que vai causar uma revolução. Que vai causar uma revolução, do mesmo jeito que aconteceu em Cuba, na Venezuela.
Então, eu acho que esse é o risco de você querer acumular vitórias fáceis sem querer fazer o trabalho de longo prazo. E o próximo presidente americano, ele pode, sei lá, suspender esse controle da Venezuela, mas não vai, né, cara? Quem é que vai fazer isso? Por que tu vai abrir mão de poder? É que se não vai... Isso é o grande problema, aliás. Eu acho que a próxima presidente, mesmo do Partido Democrata, entrar na Casa Branca...
com o cargo, o executivo americano muito empoderado. Você pode lançar guerra sem aprovação do Congresso, você pode pedir para o Ministério da Justiça perseguir seus opositores, você pode... O nível de corrupção que ocorre hoje nos Estados Unidos, a gente está vendo movimentações financeiras gigantes hoje acontecendo antes de grandes pronunciamentos do presidente americano. Porque sabe que se diz, a guerra está quase acabando.
E alguém, minutos antes, fez uma grande aposta financeira de que o preço do petróleo vai cair. Enfim, é muito evidente que alguém dentro da Casa Branca faz isso, acumula muito dinheiro por meio dessas operações, a partir de um conhecimento que possui sobre o que o Trump vai dizer.
Ou, por exemplo, os Emirados Árabes que fizeram grandes investimentos na empresa de cripto do Trump para garantir que os Estados Unidos compartilhasse chips de última geração para inteligência artificial com os Emirados Árabes, que não foi vetado por governos anteriores, inclusive o governo Biden, porque havia um temor de que a China pegaria essa tecnologia por meio...
dos Emirados Árabes. E aí os Emirados Árabes deram centenas de milhões de dólares investindo nessa empresa cripto de Trump e em troca receberam a permissão, a licença para comprar esses chips.
Então isso é muito... São casos muito evidentes de como potências estrangeiras compram influência política dentro dos Estados Unidos. E assim, o próximo presidente vai reverter tudo isso? Não sei, acho que não. Eu acho que a gente está olhando aí uma continuação de um processo de erosão democrática.
que antecede Trump. E eu acho que alguém como Trump só se elege quando há uma profunda rejeição da elite política, do sistema político como um todo, onde uma parcela do eleitorado americano diz, a coisa está tão ruim.
A gente quer alguém que destrói esse sistema. E foi parte desse discurso que levou Trump de volta ao poder. Mas produz uma situação em que qualquer aliado dos Estados Unidos diz... Os caras elegeram Trump duas vezes. Qualquer coisa, mesmo se o próximo presidente vai para a Alemanha e diz... Não, eu amo a OTAN. Eu estou super comprometido com a defesa da Europa. A Alemanha sabe que...
depois desse cara ou dessa pessoa, dessa mulher, pode ser o novo Trump. O filho do Trump, sei lá. Então, aquilo... Acho que se você rompe essas coisas, demora muitos anos para consertar, para novamente construir uma relação de confiança. Bom, a notícia boa de hoje é que não estamos prestes à terceira guerra mundial ainda. Não, não. Gênio. Inclusive porque, por incrível que pareça,
Mas a relação entre Washington, Moscou e Pequim, por enquanto, não é ruim não. A China não tem a menor, jamais vai entrar do lado. Porque em que momento você chega a ter uma guerra mundial? Fora assim, se os Estados Unidos enviassem tropas para a Ucrânia para combater os russos lá. Só que o Trump abandonou a Ucrânia. E a Rússia vai, obviamente, financiar os iranianos se os Estados Unidos entrarem lá para que a...
os Estados Unidos sangram da pior forma. Mas jamais vão enviar tropas russas para lutar contra os americanos no Irã. E a China está completamente...
afastado disso. Então, se teria que ter um confronto direto entre essas potências. E tem até gente falando... Uma pergunta que eu ouço frequentemente nas redes sociais, quando eu posto vídeo sobre isso, é dizer, pode ser que a gente já está na terceira guerra mundial? E a resposta definitivamente é não. A gente vive, apesar de tudo isso, no melhor momento da humanidade.
A gente nunca esteve, do ponto de vista tecnológico, mas também em relação a...
ao acesso a produtos, ao desenvolvimento econômico, a cooperação internacional. A gente não está vivendo um colapso da cooperação internacional. Os Estados Unidos estão saindo da Organização Mundial de Saúde, mas a cooperação na preparação para a próxima pandemia continua sem os Estados Unidos. Ou seja, é interessante notar que o modelo de Trump não está sendo replicado por outros países. Mesmo se o Flávio se elegeu, o Milley... O Milley é o Trump da Argentina, uma espécie de Trump.
Ele assina um tratado de comercial atrás do outro, apoia o acordo com o Mercosul, é pró-comércio. Então, essa coisa de anticooperação é algo... É coisa do Trump. Mais restrito. E aí, nesse caso, eu acho que o próximo presidente, o sucessor ou a sucessora do Trump...
não vai apostar tanto numa postura protecionista porque eleva a inflação interna. Se você está taxando os seus próprios consumidores. Pois é. Bom, Oliver, muito obrigado por vir aí, cara. Obrigado. Obrigado pelo teu tempo. Obrigado por trocar essa ideia aqui comigo. Sempre um grande prazer. E, bom, se você quiser falar alguma coisa aqui, essa daqui é a tua câmera. Então, como eu disse, apesar de a gente falar bastante de conflito, de guerra, de aumento do...
do preço do petróleo, isso certamente vai causar bastante instabilidade, inclusive aqui no Brasil. Eu acho que quanto mais essa guerra demora...
pior as chances do governo brasileiro de se eleger. Então isso tem um impacto direto. Se você não se importa com geopolítica, mas se importa com política brasileira, é preciso acompanhar a situação da geopolítica. Mas apesar de tudo isso, eu acho que é importante não perder o otimismo e também ter fé.
não só na capacidade de governos de achar soluções, mas também de atores do setor privado. Lembrando que quem superou essa crise bilateral entre os Estados Unidos e o Brasil no ano passado não foram só os diplomatas, foram as empresas brasileiras que se mobilizaram e conjuntamente com as empresas americanas convenceram o Trump a recuar. Então eu acho que...
A gente tem um sistema muito mais resiliente do que parece. Amém. Deus te ouça. Bom, muito obrigado pela moral. Obrigado. Muito obrigado vocês que assistiram também. Espero que vocês tenham curtido. Segue o Oliver. A gente vai deixar aqui as redes sociais dele facinho para você que está assistindo o YouTube aqui no comentário fixado. Só dá um clique que você encontra. E vira membro do Flow, cara. A gente está criando conteúdo exclusivo para os membros.
todos os dias, cara, custar menos de 8 reais pra você virar membro, e isso é menos do que o que é criando? 8 reais é menos do que uma seda, né? É menos que mais o que? É menos que um sanduba do Mac, né? Se bem que no teu caso...
Bom, vira membro do Flow aí, tá bom? Um beijo para vocês, até a próxima. Ah, e vai começar... Fica aí que o Vitão vai mandar todo mundo para o Executiv Talks e para você entender como é que está funcionando uma nova modalidade de lidar com o mercado imobiliário, cara. Eu conversei com a galera da Cizone. Então fica esperto aí que você vai para lá agora automaticamente, tá bom? Um beijo, boa noite, tchau.