Episódios de Café Crime e Chocolate

320 - Caso Eric e Kouri Richins - Parte 2 - O “Flop” Final | EUA

20 de junho de 202642min
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Enquanto tentava comover o país lançando um livro infantil sobre o luto, dados do celular de uma viúva e o surgimento de um romance secreto nos bastidores colocaram a perícia forense em uma caçada implacável para derrubar a fachada do crime perfeito. 

O Café Crime e Chocolate é um podcast brasileiro que conta casos de crimes reais acontecidos no mundo inteiro com pesquisas detalhadas, narrado com respeito e foco nas vítimas.

Produção: CMB Media

Narração: Tatiana Daignault

Fontes principais: 

Outras fontes  e fotos sobre o caso você encontra aqui

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AVISO: A escolha dos casos a serem contados não refletem preferência ou crítica por qualquer posição política, religião, grupo étnico, clube, organização, empresa ou indivíduo. ________________________________________________________________

Participantes neste episódio1
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Tatiana Daignault

NarradorJornalista
Assuntos8
  • Morte de Benício XavierVersão de Corey sobre a morte · Versão dos investigadores · Desconfiança da família · Eric Richins
  • Laudo toxicológico e perícia digitalIntoxicação por fentanil · Uso de Seroquel sem receita · Inconsistências na versão de Corey · Movimentação do celular de Corey · Eric Richings
  • Carta de suborno e histórico familiarCarta "passear com cachorro" · Código para suborno e manipulação de testemunhas · Histórico de Lisa Dorden e seguro de vida · Apólices de seguro de vida de Eric · Corey Richins · Lisa Dorton
  • Histórias de punição infantilVeredito de culpabilidade · Pedidos de prisão perpétua dos filhos · Relatos dos filhos sobre Corey · Sentença de prisão perpétua · Corey Richins
  • Comportamento de Corey após a morteFrieza e distanciamento emocional · Tentativa de cremação do corpo · Festa de celebração da compra da mansão · Agressão à cunhada por dinheiro · Corey Richins
  • Prisão preventiva de Macário JúdiceAlegação de romance de ficção · Acusação de manipulação de testemunhas · Decisão do juiz sobre o processo · Renúncia à pena de morte · Lei do Abatedor (Slayer Statute) · Congelamento de ativos de Corey · Corey Richins
  • Romance secreto e plano de riquezaRelacionamento com Josh Crossman · Mensagens de amor e planos futuros · Obsessão de Corey pela riqueza · Josh Crossman
  • Luto infantilPublicação do livro "Are You With Me?" · Comportamento de Corey em entrevistas · Análise do conteúdo do livro · Buscas de Corey no Google · Corey Richins
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TDTatiana Daignault

Olá pessoal, eu sou Tatiana Deino e esse é o Café Crime e Chocolate, um podcast para quem gosta de ouvir histórias de crimes reais com cafezinho na mão, chocolate ao lado e fatos bem apurados. Cada episódio é produzido usando fontes seguras como entrevistas, documentários e arquivos públicos. O objetivo aqui é informar, provocar reflexão e servir de alerta, sempre com respeito às vítimas e seus familiares. Como o programa aborda temas delicados, violentos e às vezes contém efeitos sonoros, escute com cautela.

Dada a natureza de seu conteúdo, esse episódio não é recomendado para menores de 14 anos. O episódio a seguir é a continuação do anterior, o de número 319, então se você chegou aqui agora, volte e ouça primeiro a parte 1, onde eu conto quem eram os envolvidos, falo sobre a rotina que eles viviam e levo vocês, ouvintes, até o momento em que um crime estava prestes a acontecer. Agora, se vocês já ouviram, passem o café, coloquem os fones de ouvido e preparem-se para a continuação da trágica história do casal Regens.

Um amigo de Eric havia recentemente presenteado o casal com um conjunto de canecas de cobre especial para servir um drink chamado Moscow Mule. Então, quando Corey preparou o tal drink e levou até Eric em seu quarto, ele poderia ter pensado que a ocasião era apenas para usar o presente. Eric já estava deitado, mas eles Prendaram e ele tomou a bebida. Dali pra frente, o que aconteceu seria disputado em duas versões: a de Corey e a dos investigadores do estado de Utah.

Segundo Corey, logo após o drink, ela foi para o quarto de um dos filhos, que estava chorando por conta de pesadelos, e acabou adormecendo por lá, deixando seu celular plugado na tomada da mesinha de cabeceira do quarto que dividia com o marido, sem tocá-lo a noite toda. Por volta das 3 horas da madrugada de 4 de março, ela despertou e retornou ao quarto dela. Ao se aconchegar com o marido, sentiu que o corpo dele estava frio demais.

Ela o cobriu, o chacoalhou um pouquinho, mas ele não se mexeu. Então, desesperada, às 3:21 da manhã, ela ligou para o 911. No entanto, 10 minutos depois, quando os paramédicos e a polícia chegaram, eles encontraram Eric caído no chão ao pé da cama. Ele estava completamente frio ao toque, com sangue na boca, e os aparelhos registraram a sistolia total, ou seja, seu coração não apresentava qualquer atividade elétrica já há bastante tempo.

E os socorristas foram categóricos: Eric já estava morto há horas. Mesmo assim, eles usaram o desfibrilador e o massageador automático por cerca de 15 minutos em seu peito, e enquanto isso Corey fazia algumas ligações. A primeira foi para o pai de Eric e a segunda para a irmã dele, Katie, que ficaram absolutamente em choque e se dirigiram no mesmo instante para casa deles. Ao cruzarem os portões da propriedade, o cenário que eles encontraram parecia saído de um pesadelo.

As luzes da ambulância e das viaturas iluminando a madrugada traduziam a gravidade da situação. No interior da residência, os socorristas tentavam desesperadamente manobras de reanimação, mas o corpo de Eric permanecia sem resposta. E às 4:58 da manhã, o óbito foi oficialmente declarado. Enquanto as irmãs de Eric choravam a perda, a atmosfera no local começou a mudar. A dor dilacerante da família Ridgens esbarrou quase que imediatamente em uma estranha mudança de comportamento por parte de Corey.

Enquanto os investigadores colhiam os primeiros depoimentos e pediam para que ela escrevesse o que se lembrava da noite anterior, Corrie mantinha uma postura que as testemunhas e os policiais mais tarde descreveriam como perturbadoramente distante e sem emoção. Não havia o pranto descontrolado que se espera de uma esposa que acaba de perder o companheiro de anos, o pai de seus filhos. Não havia sequer contato visual. Corrie respondia às perguntas olhando para o chão e se balançando para frente e para trás, porém sem lágrimas.

De maneira fria, ela apenas relatou que naquela noite Eric havia consumido uma balinha de cannabis antes de dormir, pois ele sofria de insônia. Para Katie e Amy, que sabiam perfeitamente que o irmão não usava drogas ilícitas e que ele já havia confidenciado o medo real de ser envenenado pela esposa a elas, Aquela encenação gerou uma revolta imediata. E assim, o luto da família, nascido no meio daquela madrugada fria, não veio acompanhado apenas de lágrimas, mas de uma desconfiança feroz.

Eles sabiam, no íntimo, que o que havia acontecido naquele quarto não era uma fatalidade, era o desfecho de uma execução. Agora, se a frieza de Corrie na madrugada chocou a família, O que ela faria nas horas seguintes deixaria os detetives em alerta máximo. As horas que seguiram a morte de Eric não seriam marcadas pelo recolhimento natural do luto, mas sim por uma corrida frenética por dinheiro, controle e eliminação de evidências.

A primeira atitude de Corey, que acendeu um sinal vermelho de alerta monumental para os investigadores e para a família também, foi a sua urgência em dar um destino final ao corpo do marido. Praticamente antes mesmo que a necropsia começasse a analisar os tecidos de Eric, Corrie insistiu de forma agressiva que o corpo dele fosse imediatamente cremado. Para quem estuda crimes de envenenamento, a cremação é o santo grau da impunidade, porque ela destrói completamente qualquer vestígio de substâncias químicas nas vísceras e no sangue.

Se o corpo virasse cinzas, a prova do fentanyl sumiria pra sempre. Então, desconfiadas ali desde o primeiro minuto, as irmãs de Eric agiram rápido e conseguiram intervir legalmente para barrar a cremação, exigindo que o corpo fosse preservado para exames toxicológicos profundos. E foi nessa decisão da família que a futura investigação foi salva. Nessa época, a mãe de Eric já havia falecido, O pai dele morava sozinho na fazenda e as irmãs moravam ali bem próximo com suas respectivas famílias.

Porém, a dor foi tão grande que eles não tinham coragem de deixar o pai a sós lá na fazenda e foram todos dormir com ele na casa, que era bem grande e confortável para todos naquele momento de dor, de choque e de luto mesmo. Katie e Amy tinham filhos da mesma faixa etária dos filhos de Eric, e os primos eram muito próximos. Por isso, eles todos acharam que o normal seria Corey estar a eles naquele momento, mas aparentemente isso não era os planos dela.

Enquanto a família Richings chorava a grande perda, o clima na casa de Corey era o extremo oposto. No dia 5 de março, menos de 36 horas após Eric ter sido declarado morto, Corey deu uma enorme festa de celebração regada a bebida, música e brindes para comemorar o fechamento de seu contrato de compra da tal mansão de mais de 2 milhões de dólares que o marido havia se recusado a pagar. Algumas testemunhas que estavam presentes ali e sabiam que Eric jamais assinaria aquele contrato ficaram boquiabertas.

Na festa, Corrie não parecia uma viúva destruída. Ela estava radiante, sorridente, brindando, bebendo, rindo e comemorando alto com amigos, incluindo Josh Crossman, seu chefe de obra/namorado. O motivo dessa felicidade toda era que naquela mesma tarde, com o corpo do marido ainda em uma gaveta do necrotério, ela convidou um tabelião até a residência e assinou os papéis finais para fechar a compra daquela propriedade megalomaníaca, já que o único homem que a impedia de gastar estava morto e o caminho agora estava aberto para o seu império imobiliário.

Ela só precisava iniciar a obra de reforma para que a imprensa e as atenções imobiliárias se voltassem para ela. E obra demanda dinheiro. Corey tinha pressa em acessar fundos e o ápice do absurdo aconteceu na garagem daquela mesma casa, apenas 2 dias após o crime. Corey sabia que Eric guardava uma quantia massiva de dinheiro em espécie em um cofre chumbado na garagem, um valor estimado mais tarde entre 125 e 165 mil dólares. Sem autorização legal e ignorando completamente que os bens de Eric agora pertenciam a um fundo fiduciário controlado pela irmã dele, Katie, Corey contratou um chaveiro para perfurar e arrombar o cofre do marido.

Quando a irmã de Eric, Amy, descobriu a movimentação e correu para a residência tentando impedir o saque ilegal, o cenário virou uma cena de violência explícita. Confrontada por Amy, que tentava proteger o patrimônio que, por direito, era de seus sobrinhos pequenos, Corey perdeu o controle e partiu para cima da cunhada, agredindo-a violentamente com socos no rosto e empurrões no meio da garagem. A polícia precisou ser acionada para conter a fúria da viúva, resultando em uma queixa formal por agressão física e violência doméstica.

Resultado: o dinheiro foi todinho depositado em uma conta exclusiva para os 3 filhos do falecido. Ao que o corpo de Eric terminou de ser examinado por um instituto médico forense da capital, Salt Lake City, o laudo trouxe um veredito científico avassalador: Eric Richings não havia sofrido um aneurisma nem sido vítima de um ataque cardíaco. A causa de sua morte havia sido uma intoxicação aguda por fentanil. Os exames toxicológicos revelaram que ele havia ingerido oralmente 5 vezes a dose letal da substância.

Além disso, em seu organismo foi encontrado o medicamento Seroquel, um antipsicótico usado como indutor de sono, para o qual Eric não tinha receita, mas Corey sim. A essa altura, pesquisas nos celulares dela e de Eric já haviam sido feitas pela polícia e mostravam inconsistências versão dada pela viúva. Quanto à alegação de que ela havia dormido quase a noite toda longe de seu celular, uma perícia forense digital viria a provar que naquele período em que ela alegava estar dormindo na cama do filho, seu aparelho foi desbloqueado 6 vezes.

E mais do que isso, o GPS do celular registrou que ela, ou um dispositivo associado ao dela, por exemplo um iPad, se movimentou por uma distância de aproximadamente 115 metros dentro de casa nos minutos que antecederam a ligação de emergência. Pois lembrem-se, ela disse que voltou para o quarto às 3 da madrugada, mas só ligou para emergência às 3:21. Esse período de 21 minutos é quando o GPS acusa 115 metros. Uma caminhada de 115 metros corresponde a aproximadamente 174 passos para uma mulher de 1,60m.

Esse valor é calculado com base no comprimento médio do passo feminino, que equivale a cerca de 41,3% de sua altura. Ou seja, a versão de que ela teria se deitado às 3 da manhã, o abraçado, o coberto, o chacoalhado e só então ligado para emergência, ali da cama mesmo, simplesmente não era verdade. Nos meses que se seguiram, enquanto os laboratórios forenses trabalhavam em absoluto sigilo para processar os laudos definitivos de necropsia e toxicologia, uma barreira de silêncio foi erguida na família.

Corey cortou radicalmente os laços com os Richings, isolando-se por completo da família do marido. Para Katie e Amy, a dor da perda do irmão ganhou contornos ainda mais cruéis, pois as tias que antes eram tão presentes na vida dos sobrinhos agora mal conseguiam ver os três, que eram agora mantidos sob o controle rígido e a vigilância constante de Corey. E foi nesse período de total afastamento aparente, calmaria longe dos olhos do clã de Eric, que Corey encontrou o cenário perfeito para arquitetar seu próximo movimento de Relações Públicas.

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TDTatiana Daignault

Exatamente um ano após a tragédia, em março de 2023, Corey Richings ressurgiu sob os holofotes de forma surpreendente. Como autora de um livro infantil sobre o luto intitulado "Are You With Me?" (Você está comigo?). Ela passou a frequentar programas matinais de televisão sorrindo diante das câmeras e explicando às apresentadoras que a obra havia sido criada para ajudar os próprios filhos a processar as emoções do luto. Fora das câmeras, no entanto, seu comportamento causava estranhamento até em algumas pessoas que estavam nos estúdios.

Cory parecia fria, emocionalmente distante, e chegou a comentar que acreditava que Eric pudesse ter morrido de COVID. Mas, enquanto vendia publicamente uma narrativa de superação, afeto e consolo, investigadores e analistas começavam a observar com muito mais atenção cada página daquele mesmo livro. E quando analisamos a obra não apenas como um livro infantil, mas como uma narrativa visual, composta muito mais por desenhos do que por palavras, o contraste psicológico é difícil de ignorar.

Em uma das páginas, um dos meninos aparece bem triste, chorando diante de um bolo de aniversário. Ele pergunta ao pai: "Você está comigo quando eu assopro as velinhas?" E a resposta é: "Sim, estou com você quando cantamos parabéns." Ao lado da criança, a ilustração mostra Eric como um anjo acompanhando aquele momento que deveria ser feliz. Em outra página, o filho pergunta: "Você está comigo quando estou dormindo sozinho, com medo e assustado?" E a imagem mostra um menininho bem triste, com medo.

O pai responde que sim, que permanece ao lado da cama. Mais adiante, o menino pergunta se Eric está presente quando ele também marca um gol e vê ali todos os pais dos amigos torcendo no campo. Menos o seu. Novamente, a resposta é positiva e o desenho mostra o pai anjo comemorando a vitória ao lado dele, logo atrás do gol. Ou seja, o próprio livro reconhece repetidas vezes a dimensão da ausência de Eric. Corrie retrata os filhos chorando, sentindo medo, enfrentando aniversários incompletos, dormindo sozinhos e procurando pelo pai não só nesses momentos relatados aqui, mas em vários outros momentos importantes da infância.

Ela demonstra compreender perfeitamente a falta que Eric faria na vida daquelas crianças e a dor que essa ausência continuaria provocando por muitos anos. Mas parece tentar resolver esse problema com um livro feito às pressas, mal escrito, que ela pretendia usar para ganhar dinheiro. Sim, porque ela contratou uma assessoria de imprensa pesada. Não era à toa que estava lançando o livro em vários canais de televisão. Psicólogos forenses ainda disseram que o livro parecia menos uma ferramenta criada para ajudar as crianças e mais uma tentativa de Corey de conversar consigo mesma.

Como se, por meio daquele pai transformado em anjo, ela buscasse preencher artificialmente o vazio que sabia ter deixado na vida dos meninos. Ou talvez aliviar a própria consciência diante das consequências de seus atos. Não é possível afirmar que o livro represente uma confissão ou uma admissão consciente de culpa, mas é difícil não enxergar nele uma contradição assim inquietante. Corey estava ali dizendo ao mundo que queria ajudar os filhos a aceitar a ausência do pai, enquanto demonstrava saber com uma precisão quase que dolorosa exatamente tudo o que aquela ausência havia roubado deles.

A verdade mesmo é que a arrogância de Corey a fez acreditar que estava acima do bem e do mal. E enquanto ela promovia a presença espiritual do pai para faturar com o livro, dados de seu telefone celular revelavam que sua mente estava habitada por pensamentos muito mais sombrios. Ao periciarem os aparelhos e o histórico de navegação de Corey, As autoridades descobriram que horas após a morte de Eric, ela pegou o iPad do filho e começou a fazer as seguintes buscas no Google: Primeira: A polícia pode me obrigar a fazer um teste de detector de mentiras?

Segunda: Quando o FBI se envolve em um caso? Terceira: Quando os analistas forenses recuperam dados deletados de iPhone? Quarta: se alguém é envenenado, o que aparece no atestado de óbito? Quinta: quanto tempo as companhias de seguro de vida levam para pagar? E a mais chocante de todas, que chega a ser irônica se não fosse trágica: quais são as prisões de luxo para ricos na América? Ou seja, ela já sabia o que estava por vir. Ela sabia que o fentanil seria descoberto e que seu único consolo era torcer para que, se acabasse atrás das grades, que pelo menos fosse em uma cela confortável reservada para a elite.

Pouco após essa aparição de Corrie na TV para promoção do livro, uma denúncia anônima via Facebook alertou os produtores de que a tal escritora enlutada era a principal suspeita de tirar a vida do marido. Esses produtores contataram a polícia E dias depois, a polícia bateu à porta de Corrie com um mandado de prisão. Corrie Richings foi formalmente acusada de homicídio qualificado por ganho pecuniário por meio de envenenamento e foi dentro de uma cela de isolamento do condado de Summit, onde ela, diga-se de passagem, reclamava que seus dentes estavam ficando amarelos por causa da baixa qualidade do café da prisão.

Que o seu desespero a fez cometer o seu maior erro tático. Durante uma varredura surpresa na cela de Corey, agentes penitenciários encontraram escondida uma carta manuscrita de 6 páginas endereçada à sua mãe, Lisa Dorton. E no topo da primeira página, escrito em letras maiúsculas e com exclamações, estava a frase: "passear com cachorro". Entre parênteses, a instrução: "Mas faça as anotações vagas para se lembrar". Esse, gente, era um código entre ela e a mãe indicando suborno e manipulação de testemunhas.

E para ser mais clara, aquela frase "passear com cachorro" significava que a mãe dela deveria ir até o irmão de Corey Ronnie e dizer para ele mentir em julgamento dizendo que Eric era viciado em drogas e já tinha pedido algumas drogas a ele. Os detalhes significava que era para ele contar uma história dizendo que Eric sempre que ia ao México a trabalho para comprar pedras ali para marmoraria acabava também trazendo um pouco de fentanil.

Na carta ela ainda dizia para Ronnie, o seu irmão, Não fantasiar muito essa história e ir direto ao ponto, sem muitos detalhes, para que ele não caísse em contradição. No fim da carta ela ainda dizia: "Eu preciso que ele faça isso, mãe. Me liberte daqui, que depois nós todos daremos um jeito nessas vadias malditas." As vadias, pessoal, eram Katie e Amy, as irmãs de Eric, que a esse ponto, dada a prisão de Corey, já tinham conseguido a guarda provisória dos meninos.

E por que essa guarda importava tanto? Porque os meninos recebiam uma bela quantia mensal deixada naquele fundo fiduciário do pai. Detalhe: depois que Eric morreu, Corey cancelou todos os esportes particulares que eles faziam e os deixou apenas nos que estavam inclusos no programa da escola pública. E para que vocês entendam melhor a dinâmica de relacionamento de Corey com sua mãe, deixa eu contar um pouquinho a vocês sobre Quem era Lisa Dorden?

Lisa não era apenas uma mãe que dava apoio moral e psicológico à filha. Ela e Corey compartilhavam uma dinâmica de extrema cumplicidade, onde os limites da legalidade pareciam frequentemente borrados. E o histórico de Lisa, bom, pessoal, ele é de arrepiar. Anos antes, lá em 2002, Lisa vivenciou uma situação assustadoramente similar à da filha. Lembre-se que eu mencionei na parte 1 desse episódio que ela se separou do pai de Corey, não no papel, mas separação de corpos, e foi viver com uma mulher.

Pois bem, Lisa era a única beneficiária do seguro de vida dessa mulher com quem ela se relacionava, e essa mulher morreu subitamente de uma overdose massiva de oxicodona. Um forte opioide, quase que como um fentanil. Muita coisa não se encaixava naquela morte, tipo o seguro de vida, a policy dele era muito mais alta do que a renda daquela mulher. Ela não tinha vício aparente em opioides, mas mesmo assim, como lá em 2002 o conhecimento da polícia com casos de envenenamento por esse tipo de comprimidos não era como hoje, Nenhuma acusação foi feita, mas agora os detetives sabiam que Corey pelo menos havia crescido sob a influência de uma mulher que entendia muito bem de como funcionavam os bastidores de mortes súbitas e apólices de seguro de vida.

E falando em apólices de seguro, bom, logo após assinar aquele acordo prenupcial no casamento dela com Eric, semanas após a festa, Corey adquiriu 3 apólices de seguro de vida em nome do marido, né, avaliadas em 1,5 milhão de dólares, mas sem o conhecimento dele. E quem ajudou a obter essas apólices? Sua mãe, é claro. Pois bem, ao ser confrontada pela promotoria do caso com essa prova devastadora de obstrução de justiça, que era a carta passear com o cachorro, Corey, que poderia simplesmente ter dito que, sei lá, estava dopada quando escreveu, não sei, psicografando, sei lá, alegar que a carta nem chegou a ser mandada e por isso não poderia ser usada contra ela.

Só que não, gente. Ela alegou algo que sinceramente mostrava o quão delirante sua mente era.

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TDTatiana Daignault

Corrie disse aos policiais e promotores que aquelas páginas, ou aquela carta, era apenas esboços para um romance de ficção que ela, como autora que era agora, estava escrevendo sobre si mesma em uma prisão mexicana. Uma ficção completa Mas muito conveniente, né? Porque ela usava os nomes reais de sua família, os nomes reais de seus advogados e até mencionava os eventos reais de seu próprio caso criminal. Surreal! Escrevendo um livro de ficção no qual as páginas seriam mandadas pouco a pouco para sua mãe, para quê?

Revisar a gramática? Bom, eu não preciso dizer que nesse momento a máscara de Corey caiu por completo, né? A viúva promissora estava agora exposta como uma estrategista encurralada pelas próprias provas que ela mesma insistia em produzir. Com a descoberta dessa carta, a promotoria de Summit County não teve dúvidas. Acusou formalmente Lori Richings de mais um crime: o de manipulação de testemunhas. A defesa dela tentou de tudo quanto era jeito desqualificar essa carta como prova e até pediu a anulação do processo todo ou uma mudança de fórum para Salt Lake City, alegando que a enorme atenção da mídia local impediria um julgamento justo.

A justiça, no entanto, se manteve firme. O juiz Richard Merasek negou todos os pedidos, apontando que Yaha não poderia criar o próprio circo, né, através de suas ações e depois usar isso para fugir do tribunal. Com o avanço do caso, a promotoria então tomou uma decisão crucial em conjunto com as irmãs e outros familiares de Erik. Anunciando que não pediriam a pena de morte para Corey. Para a família Richings, a verdadeira justiça não viria de uma execução rápida no corredor da morte e nem de tirar a vida biológica da mãe dos meninos, mas sim de ver Corey encarar dia após dia a realidade de uma cela fria, bem longe daquelas prisões de luxo com que ela sonhava no Google, que de fato nem existem.

Ainda assim, a cartada final do clã Ridgins contra a ganância de Corey veio através de uma ferramenta jurídica chamada Slayer Statute, ou a Lei do Abatedor. Essa lei estipula um princípio moral básico do direito: que um assassino não pode lucrar de forma alguma com o sangue de sua vítima. A justiça acatou o pedido para congelar e apreender todos os ativos de Corey. Aquela policy de mais de 1 milhão de dólares e o controle da marmoraria, que Corey achou que estavam garantidos com a morte de Eric, também foram bloqueados.

Ela foi impedida de usar qualquer centavo do patrimônio do marido para pagar seus próprios advogados de defesa ou para sustentar seus pequenos luxos na maquininha de lanches da prisão. Resumindo, o dinheiro que ela matou para conseguir tornou-se o mesmo dinheiro que ela jamais poderia tocar ou dar para alguém que não fosse seus filhos. Além disso, a empresa imobiliária que ela tentou erguer sobre mentiras faliu, a mansão de 1.900 metros quadrados apenas em área construída voltou para o banco e depois foi a leilão, e seus 3 filhos foram colocados permanentemente sob a proteção da tia e madrinha Katie.

A quem Corey sempre cultivou um verdadeiro desprezo. E seu julgamento passou a ser um dos mais esperados do país. 3 anos se passaram e no início de 2026, o tribunal do condado de Summit transformou-se no epicentro das atenções dos Estados Unidos. Corey Ridgens, a autora que comoveu o país com um livro sobre luto infantil, estava finalmente sentada no banco dos réus. Entre muitas testemunhas importantes, a promotoria trouxe Robert Joshua Grossman, que revelou ao júri tudo sobre o romance que viveu com Corey antes e pouco depois da morte de Erik.

Entre lágrimas e genuinamente abalado, Josh revelou que o relacionamento dele com Corey começou logo depois que ela o contratou, ao que eles começaram a conversar muito sobre assuntos não relacionados às obras, mas de caráter pessoal. Ela, que dizia ser uma mulher determinada, sonhadora, que queria conquistar um espaço dentro daquela bolha que era a elite de Park City, também sofria calada dentro de um casamento infeliz que ela mesma tentava consertar diariamente por anos, por conta do amor que tinha aos filhos.

Corey dizia ser maltratada por um marido abusivo, que não lhe dava atenção, não lhe procurava intimamente, mas que ao mesmo tempo merecia chances, porque ela não era do tipo de pessoa que simplesmente desistiria da família. Ela preferia viver uma vida triste, limitada, mas não abandonar o barco. Corey também contava a Josh que tinha certeza que Eric a traía e que de fato ele já havia até contado isso a ela uma vez, e ela teria o perdoado.

Mas claro que isso nunca foi comprovado. Depois que um relacionamento sexual secreto começou entre os dois, eles passaram a trocar mensagens intensas de amor mesmo, diariamente. Eles praticamente tinham um relacionamento, relacionamento sério, porém não público. Quer dizer, muitas pessoas que trabalhavam nas obras de Corey percebiam algo ali entre os dois, mas como não tinham contato com Eric, eles não representavam conosco. No dia do Valentine's Day, pela manhã, Corey mandou uma mensagem para Josh dizendo: I miss you.

Wanna be my Valentine? Tô com saudade. Quer ser meu Valentine hoje? Tipo, quer passar o dia de hoje, o Dia dos Namorados, comigo? Josh respondeu o seguinte: Meu coração está sorrindo agora quando essas três palavras vêm de você. I miss you. Tô com saudade. Isso é algo muito especial para mim, diferente de todas as outras vezes que eu já ouvi isso de você. Agora esses sentimentos vêm e despertam sensações diferentes dentro de mim.

O seu amor me lembra o quanto Deus me ama. Ele faz com que eu me lembre de que eu sou filho da minha mãe, sou eu secretamente o homem mais sortudo da face da terra. Isso desperta em mim uma enorme gratidão, admiração e honra. Eu não trocaria o seu amor nem por um milhão, assim, literalmente por nada. Querida, pode ter certeza que eu serei um dos seus Valentine hoje. E você, você será minha Valentine também? Estou escrevendo isso no caminho para Salt Lake, viu?

Sei que você disse que não pode me chamar por vídeo agora, mas tudo bem, não precisa pedir desculpas. Eu gosto tanto das suas mensagens escritas como as lidas em voz alta. Eu vejo beleza, inteligência, raciocínio rápido, delicadeza e autenticidade em tudo que você faz. É como ver um tigre branco em uma floresta cão em vez de apenas se lembrar de ter visto um no zoológico. E eu adoro isso. Logo após a imagem dessa mensagem ter sido exposta ao júri e à plateia em tribunal, Joshua contou que passou a tarde do Valentine's Day com Corey e que em momento algum ela mencionou que havia dado um sanduíche especial ao marido.

Nada relacionado a ele também. Isso significa que enquanto Eric agonizava em casa, tendo até desmaiado por horas, que Corrie estava na cama com Josh. Em outras mensagens, Corrie confessava ao amante o seu ressentimento e sua obsessão pela riqueza. Ela escreveu em uma delas: "Eu queria ser rica como as donas das casas que eu limpava na juventude", se referindo às casas que fazia faxina com a tia. Mas a mensagem que esculpiu seu plano mesmo foi essa dela para ele: eu tenho um sonho maluco.

Você larga seu emprego, eu me divorcio e consigo milhões e milhões. Nós compramos a mansão lá da Midway, moramos na casa de hóspedes que fica bem ao lado, alugamos o casarão maior como um grande centro de eventos, tipo $15.000 por dia, como eles cobram ali mais adiante, perto daquela casa. Talvez $12.000 para que a gente possa ser competitivo. E aí a gente simplesmente administra o centro de eventos como nosso trabalho diário, ficamos juntos todos os dias, criamos nossos filhos, Nós temos ali uma pequena fazenda.

Que acha? Ao ser questionado ali no banco das testemunhas sobre o comportamento de Corey logo após o crime, Josh ficou visivelmente emocionado. Ele relatou que apenas 2 semanas após a morte de Eric, em uma conversa pesada, Corey parecia emocionalmente exausta e tentou desviar o foco de si mesma fazendo uma pergunta bizarra. Ela olhou para ele, que já foi um soldado americano e havia servido anteriormente no Iraque, e perguntou: "Ei, você já matou alguém?

Como foi a sensação?" Agora, olhando para trás, ele percebe que Corrie naquele momento não estava de luto. Ela estava curiosa sobre a mecânica da morte. Josh também disse em lágrimas: que estranhou quando Eric morreu subitamente e que até não quis ver Corey por alguns dias em respeito àquela situação toda. A ele, ela apenas disse que Eric teria morrido de overdose, mas não disse do quê, ou de até COVID. Ela não sabia, pois exames ainda estavam sendo feitos.

Quando descobriu pelos policiais quem era a verdadeira Corey e foi exposto a todas as evidências, Josh sentiu nojo e entrou em depressão. Bom, depois de 22 dias de julgamento, onde um rastro avassalador de evidências e testemunhos de várias outras pessoas, incluindo amigas e até a esposa do ex-sócio de Eric, que sempre viajava com o casal, o júri não teve dúvidas. Corey Richins foi considerada culpada de homicídio qualificado.

E o golpe doloroso no coração da viúva veio na fase de definição de sentença, quando seus próprios filhos escreveram pedidos ao juiz. Filhos estes que se recusaram a chamá-la de mãe. As cartas foram lidas por suas respectivas psicoterapeutas, que nesse caso acompanham cada uma das crianças individualmente durante todo o processo de pré-julgamento e de julgamento, dando a eles a total liberdade de mandar ou não um recado para o juiz pois são consideradas vítimas também do crime.

O filho mais velho, de 13 anos no momento da declaração, escreveu: Eu acho que Corey deveria receber uma sentença de prisão perpétua, porque o que ela fez é muito doentio. Não havia motivo para que isso acontecesse. Isso afetou muitas pessoas, inclusive eu. Acho que o juiz deveria saber que o meu pai era uma boa pessoa. Ele era muito atencioso e gentil e que ajudava qualquer pessoa que precisasse. Ele sempre fazia mais do que era necessário para ajudar os outros.

Sobre o que aconteceu fisicamente comigo, eu estava dormindo uma vez e me levantei para beber água. Comecei a tremer e tive uma convulsão. Quando fomos para o médico, ela não deixou que eles tirassem meu sangue para saber o que aconteceu. Ou seja, eu acho que ela fez comigo o mesmo que fez com meu pai. Eu tenho raiva por ela ter matado ele. Fico triste, tenho raiva de precisar me sentir triste. Corey estava sempre bêbada ou fora de casa.

Eu vivia trancado no meu quarto. Ela ameaçou matar o meu lagarto uma vez só porque a gente não queria assistir uma TV, um programa idiota com ela. Nossos animais nunca recebiam comida nem nem água, e as minhas galinhas morreram depois que meu pai se foi. Meu outro irmão era quem cuidava mais de mim, porque eu ficava trancado no quarto o tempo todo. A Corey, quando eu me trancava, ela nem passava lá para ver, sempre dizia que estava bêbada.

Isso acontecia praticamente todos os dias. Eu comecei a me sentir muito melhor quando eu fui morar em um lugar seguro. Esse lugar seguro que é na casa dos meus tios, Katie e Clint, porque ali Eu já não estava mais com ela. Eu tenho medo que se um dia ela sair da prisão, ela vem atrás de mim, dos meus irmãos e de toda minha família. Eu acho toda hora que ela vai vir nos buscar e vai tentar fazer coisa horrível com a gente, nos machucar.

Fico irritado por precisar ir à terapia e ficar contando a história toda hora do que aconteceu, 55 milhões de vezes. Eu gostaria de não precisar mais ir à terapia e de não ter não tenho que me preocupar com nada depois que esse julgamento termine. Quero que o juiz saiba que eu espero que a Corey receba uma sentença de prisão perpétua. Quero que ele saiba que o meu pai era uma boa pessoa e que eu sinto muita falta dele. Sinto falta do meu pai, mas eu não sinto falta de como a minha vida era antes.

Não sinto falta da Corey. Isso eu posso dizer. O filho do meio escreveu: Corey, eu não quero você fora da cadeia porque eu não vou me sentir seguro se você 'Você nunca pediu desculpas por nada do que fez comigo nem com meus irmãos. Não quero que você machuque mais ninguém.' O mais novo foi ainda mais direto: 'Excelência, por favor, deixe-a para sempre trancada lá.' Corey Richings, aos 35 anos, foi condenado à prisão perpétua sem direito a recurso para condicional, e sua sentença foi proferida no dia 13 de maio de 2020. 2006, data em que Erik Richings completaria 44 anos.

Na era da informação, o crime perfeito se tornou uma ilusão impossibilitada pela persistência dos dados financeiros e digitais. Cory Brock Dorden Richings achou que poderia usar sua inteligência para manipular o luto através de um livro infantil e enganar o mundo inteiro. Mas a ciência forense e o silêncio astuto de Eric antes de partir transformaram a mãe dedicada e a corretora ambiciosa em uma heads mascarada diante do júri.

Eric Richings, ele não conseguiu sobreviver à emboscada dentro de sua própria casa, mas sua busca silenciosa por justiça pelo menos garantiu que a verdade prevalecesse, protegendo o futuro de seus filhos mesmo depois que seu coração parou sabe. E a lição que esse caso deixa para gente é: confie em seus instintos. Uma pessoa que tenta algo terrível uma vez, infelizmente continua tentando. E é isso, pessoal, esse foi o caso de hoje.

Me contem o que vocês acharam da audácia de Corey Richings e da investigação desse caso. E vocês acham que a ganância cegou a capacidade dela de raciocinar ou que ela realmente acreditava que era intocável? Eu espero os comentários de vocês. Agora eu vou indo e volto daqui uns dias com mais um caso criminal para vocês. Enquanto isso, cuidem-se, protejam-se e fiquem bem.

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