314 - Caso Evelyn Boswell - Parte 2 | EUA
Nesta parte 2 do caso Evelyn Boswell, a investigação deixa de procurar apenas por uma criança desaparecida e passa a desmontar, uma por uma, as versões contadas por Megan. Entre pistas digitais, interrogatórios, provas forenses e julgamento, o caso revela como uma sequência de mentiras tentou esconder uma verdade devastadora.
O Café Crime e Chocolate é um podcast brasileiro que conta casos de crimes reais acontecidos no mundo inteiro com pesquisas detalhadas, narrado com respeito e foco nas vítimas.
Produção: CMB Media
Narração: Tatiana Daignault
Fontes e fotos sobre o caso você encontra aqui
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AVISO: A escolha dos casos a serem contados não refletem preferência ou crítica por qualquer posição política, religião, grupo étnico, clube, organização, empresa ou indivíduo.
Tatiana Deino
Angela
Brylin Frehley
Hunter
Megan Boswell
Melissa Wood
William McLeod
- A investigação e descoberta dos corposMensagens e geolocalização · Última foto de Evelyn · Casinha de boneca · Lata de lixo · Cobertor do Baby Shark · Asfixia mecânica
- Caso Evelyn Boswell - Parte 2Megan e a versão do desaparecimento · Angela · William McLeod · BMW 2007 · Melissa Wood · Comunidade cigana
- O julgamento e sentença de Paris BennettAcusações · Testemunhos · Angela (depoimento) · Hunter (problemas de saúde mental) · Síndrome da morte súbita infantil · Esquizofrenia
- Investigação e prisão de Angela e WilliamBusca em assentamentos romenos · Entrevista de Megan à TV · Prisão em Wilkes, Carolina do Norte · Falso depoimento de Megan · Teste de polígrafo
- Comparação com casos anterioresSemelhanças · Diferenças · Kaylee Anthony
Olá pessoal, eu sou Tatiana Deino e esse é o Café, Creme e Chocolate. Um podcast para quem gosta de ouvir histórias de cremes reais, com um cafezinho na mão, chocolate ao lado e fatos bem apurados. Cada episódio é produzido usando fontes seguras como entrevistas, documentários e arquivos públicos. O objetivo aqui é informar, provocar reflexão e servir de alerta sempre com respeito às vítimas e seus familiares.
Como o programa trata de assuntos delicados e violentos em alguns momentos extremos, sugiro atenção aos gatilhos. Este episódio especial descreve um crime cometido contra uma criança de menos de dois anos. E se casos envolvendo crianças são difíceis demais para você, eu recomendo que não escute esse episódio.
Aos demais ouvintes, eu vou avisar antes de narrar qualquer passagem mais explícita para que cada um possa decidir até onde consegue acompanhar. Essa é a parte 2 desse caso. Então, se você não ouviu a parte 1 ainda, onde eu conto direitinho quem é a família em questão, como eram suas vidas e como o caso teve início, corra ouvi-lo primeiro e depois volte aqui para este. Agora, se você já ouviu...
Passe o café, separe os chocolates e coloque os fones de ouvido, pois agora sim eu vou contar a vocês todo o desenrolar do caso Evelyn Boswell e a busca da sociedade por justiça.
Quando Megan telefonou para o agente especial do TBI, Brylin Frehley, o investigador responsável pelo caso, dizendo que sabia quem estava com a filha, ele rapidamente a chamou para a delegacia, pois era importante que essa conversa fosse filmada e gravada.
Nela, Megan disse que Evelyn estava com sua mãe, Angela, e ela, Megan, desconfiava que Angela e o namorado, um cara chamado William McLeod, estavam fugindo com a bebê para um acampamento cigano na cidade de Mendota, no estado da Virgínia.
Tudo teria começado no final de dezembro, quando numa determinada tarde, ela ligou para a mãe dela perguntando se ela poderia cuidar de Evelyn naquela noite para que ela pudesse trabalhar, e Angela disse que sim. Meghan levou a pequena e também levou um cesto azul cheio de brinquedos, roupinhas e mamadeiras, dizendo que voltaria para pegá-la no dia seguinte.
Só que quando contatou a mãe tentando marcar um horário para buscar a filha, Angela teria lhe dito que não devolveria a Evelyn, enquanto Megan não lhe devolvesse o dinheiro que ela havia roubado na tarde anterior.
Meghan, por sua vez, disse ao investigador que não havia roubado nada, que sua mãe tinha lhe dado um cartão de débito dela com a senha para ela comprar algumas coisas e, talvez por conta do uso de drogas ou bebida, ela havia se esquecido e estava agora acusando sem razão.
Megan teria tentado explicar várias vezes que não tinha roubado dinheiro nenhum, mas mesmo assim Angela teimava e dizia que não devolveria a neta. Os dias foram se passando e para tentar rever a filha, no começo de janeiro Megan foi até a casa dos avós maternos, onde estava Angela, e lhe deu um carro, sim, uma BMW 2007 que ela havia ganhado de presente de Hunter.
Mas mesmo assim, Angela se recusou a devolver Evelyn. Com o passar das semanas, Megan disse que foi ficando com medo do que a mãe poderia fazer com a bebê se ela a irritasse, então parou de tentar forçá-la a devolvê-la.
Ela não disse nada para o pai dela, nem para as autoridades, porque tratava-se da própria mãe dela. Só que agora que a polícia estava envolvida e ao invés de devolver a bebê, a mãe dela tinha fugido da cidade, aí ela estava realmente com medo e por isso decidiu cooperar.
pediu para os policiais, por favor, fazerem de tudo para resgatar Evelyn logo, pois ela temia que a sua mãe poderia fazer algo do tipo vender a filha dela. Afinal de contas, ela era muito bonitinha e era uma criança dócil e sorridente que iria facilmente com qualquer um. Ainda, segundo Megan, sua mãe era desprovida de emoção e apego familiar e certamente faria qualquer coisa em troca de dinheiro.
Ao ouvir isso, imediatamente a polícia montou uma força-tarefa para encontrar Angela e William. E para isso eles precisavam do número da placa do tal BMW.
Puxando o nome de Angela e William, nenhum carro aparecia registrado em nome deles no sistema. Mas investigando mais a fundo, eles descobriram que o tal carro estava em nome da mãe de Hunter, Melissa Wood. E ela nem sabia que o carro havia sido dado ou vendido a alguém. Aquele era um carro que ela havia dado ao filho mais velho dela, mas ainda constava o nome dela no documento.
Como exatamente o carro do irmão de Hunter foi parar nas mãos da mãe de Megan, acusada de ter roubado a neta, os policiais não tinham a mínima ideia. O que eles sabiam era que como o carro não havia sido transferido apropriadamente e Melissa garantia que nunca recebeu dinheiro pelo carro, os policiais conseguiram registrá-lo em um sistema nacional de carros roubados e os policiais não tinham a mínima ideia.
E assim, agentes de polícia rodoviária do país inteiro, assim como câmeras de trânsito, estariam programados para acusar presença do carro mais facilmente do que simplesmente procurando por um casal. Ou seja, era mais fácil achar um carro roubado do que duas pessoas procuradas pela polícia.
Uma varredura em tudo quanto era assentamento romeno da região do norte do Tennessee e da Virginia foi feita e nada foi encontrado. Nem Angela, nem William, nem a BMW e absolutamente nada indicando que alguém ali teria visto a pequena Evelyn.
A busca, inclusive, prejudicou a imagem da comunidade cigana, uma vez que rumores e comentários preconceituosos em torno da cultura começaram a tomar conta de fóruns online sobre o caso.
Enquanto a busca acontecia, Megan deu uma entrevista para a TV local dizendo que já tinha dito à polícia exatamente onde a filha dela estava e com quem e que se eles não a encontrassem logo, ela mesma iria tomar as rédeas do caso e dar um jeito de buscar a menina ela mesma.
Em dois dias, o serviço de inteligência finalmente conseguiu encontrar Angela e William, mas não onde Megan havia dito que eles estariam, e sim no lado oposto do mapa, no condado de Wilkes, na Carolina do Norte. Os dois foram presos por furto de veículo e levados à delegacia por onde passaram horas sendo interrogados. Por fim, ficou claro que Evelyn não estava com eles e nunca esteve.
Segundo Angela, nada que Megan disse era verdade. A história do cartão, de dinheiro, de deixar Evelyn com ela, de uma tal de cesta azul com brinquedos e mamadeiras, nada.
Quanto ao carro, Angela disse que estava um dia comentando com a filha que soube que o irmãozinho pequeno dela, Eric, vinha tendo muitas convulsões e havia sido internado duas vezes. Situações em que Tommy tinha até reclamado com ela, Angela, que ela não aparecia para ver o menino no hospital. Porém, ela não tinha ido porque não tinha carro.
Depois disso, segundo Angela, Megan simplesmente apareceu na casa dela com a BMW. E não, ela não foi sozinha. Ela foi com o Hunter. Sem Evelyn, mas com o Hunter. Os policiais não entenderam muito bem essa de Hunter, que dizia nem estar num relacionamento sério com Megan, ter dado um carro para ela e depois ter dado o mesmo carro para a mãe dela.
E de fato, gente, tinha caroço nesse angu. Mas os policiais entenderam que a prioridade naquele momento era encontrar Evelyn e eles acabaram deixando pra lá. Bom, o carro passou por perícia e nada indicou que uma criança teria estado nele e cães farejadores de cadáver também foram usados, não indicando nada. Angela e o namorado também aceitaram passar por testes de polígrafo e os dois foram aprovados.
Com isso, Megan foi presa, acusada de prestar falso depoimento à polícia e uma fiança de 25 mil dólares foi estipulada. Até porque essa mentira toda dela fez com que muitos recursos fossem empregados em uma busca frenética por três estados, batidas policiais e muitas horas extras dos investigadores. Sem contar o fato de, é claro, ter tirado o foco deles de onde Evelyn poderia realmente estar.
Nos Estados Unidos, uma pessoa pode até se recusar a falar com a polícia. O que ela não pode fazer sem consequência é transformar a própria mentira em ferramenta de investigação. Assim, inventar pistas, fabricar versões e empurrar os agentes para uma direção que ela sabe ser falsa. Porque a partir desse momento, a mentira deixa de ser apenas uma tentativa de se proteger e passa a ser uma forma de obstruir a busca pela verdade.
Mas Megan não parou. Ao ser detida, ela disse aos policiais que estava grávida, mas quando um teste lhe foi ministrado, ele voltou com resultado negativo.
Não ficou claro qual era sua intenção ao mentir, mas especula-se que teria sido uma tentativa de evitar o teste de polígrafo, já que não são ministrados esses tipos de testes ingestantes, ou chamar a atenção de Hunter para que ele voltasse com ela e, quem sabe, pagasse sua fiança, o que não aconteceu.
Hunter, por sua vez, não queria nem ouvir o nome de Megan. E, à medida que os dias iam se passando, mais e mais mensagens negativas eram postadas nas redes sociais de seu novo restaurante. A especulação em torno do possível envolvimento dele no desaparecimento de Evelyn acabou também sendo tanta que ele fechou temporariamente as portas do estabelecimento.
Em sua primeira audiência, Megan tentou pedir uma redução de fiança, mas o juiz negou. E assim, ainda sob custódia pela acusação de falso depoimento, ela foi levada para mais um interrogatório sobre o desaparecimento da própria filha. Esse interrogatório em especial durou mais de seis horas. Em determinado momento, os investigadores trouxeram Tommy para a sala, na esperança de que a presença do pai quebrasse a resistência de Megan.
Tommy implorou para que ela dissesse a verdade. Disse que ela se sentiria melhor, que as coisas poderiam se resolver de alguma forma se ela cooperasse, mas Megan continuava sem oferecer qualquer informação concreta. Nenhuma pista útil, nenhum detalhe que realmente ajudasse a apontar onde Evelyn poderia estar.
Tommy chorou várias vezes. Ele disse que sempre tentou ser um bom pai, pediu desculpas pelas próprias falhas e implorou para que a filha fosse honesta. Mas mesmo diante do desespero dele, Megan não entregou o que os investigadores precisavam ouvir. Só que, àquela altura, o celular dela já estava nas mãos da polícia. E enquanto Megan permanecia em silêncio, os dados começavam a ser analisados.
Mensagens, registros, horários, movimentações, pequenas peças que juntas começavam a formar uma imagem muito diferente daquela que ela vinha tentando sustentar. Megan podia fazer de tudo para manter seus segredos enterrados, mas o que ela parecia não entender é que, naquele momento, o celular dela já tinha começado a falar e as pistas obtidas através dele mudariam completamente o rumo daquela investigação.
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O que os investigadores vinham tentando determinar era o último dia que Evelyn teria sido realmente vista por alguém. Tommy a viu no dia de ação de graças e Megan postou a última foto com a bebê em 18 de dezembro. Porém, analisando o aparelho de celular dela, eles descobriram que aquela foto havia sido na verdade tirada em novembro.
Ela sempre tirou muitas fotos de Evelyn, mas nenhuma foto nova foi feita com o celular depois do dia 12 de dezembro. Uma mensagem de texto que Meghan trocou com uma amiga no dia 11 também acionou bandeiras vermelhas.
Quando a amiga perguntou como estava a Evelyn, Megan respondeu, abre aspas, Oh, she's as men as fuck, fecha aspas. Em português, isso traduz, ah, tá chata pra caralho.
Os investigadores acharam essa forma de se referir a uma filha de um aninho muito rude e no mínimo desprovida de sentimento. Então, tudo isso começou a indicar mais e mais para uma possibilidade ruim.
a possibilidade de que Evelyn poderia não estar mais viva e, nesse caso, a busca por uma bebê possivelmente sequestrada, raptada ou até vendida, acabou sendo substituída para um possível resgate de corpo.
Cães farejadores já haviam sido levados ao trailer que Megan morou, mas nenhuma reação foi notada. Mas, como agora os dados de geolocalização telefônica colocavam Megan entrando e saindo da propriedade do pai e dos avós várias vezes entre os dias 13 e 15 de dezembro, os investigadores resolveram concentrar as atenções naquela data e naquele lugar.
Técnicos forenses determinaram que o celular de Megan não tentou se conectar com o roteador da casa do pai dela, o que indicava que ela não teria ido para o lado das casas apenas em direção ao depósito quando visitava aquela propriedade e aquele depósito já havia sido revistado.
Mas analisando as imagens feitas no dia da busca, eles notaram que um pouco à frente havia uma casinha de boneca construída em madeira logo atrás dele. E essa casinha não havia sido periciada. O lugar precisava urgentemente ser averiguado. E é aqui que eu alerto a ouvintes mais sensíveis que a descrição pode ficar mais gráfica.
No dia 6 de março, investigadores apareceram na propriedade dos Boswells com mais um andado de busca e eles foram direto à casinha. O agente David Gretz foi quem abriu a porta e antes de entrar, ele deu uma boa olhada na situação geral. O cheiro estava horrível e era tanta coisa empilhada de forma desorganizada que ele mal podia colocar os pés para dentro.
Logo de imediato ele notou que a maioria das caixas e objetos estavam cobertos por uma camada grossa de poeira, exceto por uma lata de lixo. Esse simples fator poderia indicar que a lata teria sido colocada lá bem depois dos outros itens. Assim que removeu a tampa da lata, ele avistou um cobertorzinho infantil e o que parecia ser a perninha de uma boneca.
Sendo aquele lugar originalmente uma casinha de boneca, não seria surpresa encontrar brinquedos que um dia pertenceram a Evelyn ou que pertencessem à sua irmãzinha de seis anos que morava ali naquela propriedade com o pai e com a madrasta. A perna estava bem lisa, um pouco brilhante e alaranjada, relembrando mesmo um objeto de plástico.
No entanto, o investigador, experiente que era, não podia se esquecer de que a busca era por um bebê e qualquer evidência encontrada precisava ser preservada adequadamente.
Então, cuidadosamente, ele pegou a lata com uso de luvas e ao trazê-la mais para perto, já sentiu o forte odor inconfundível de decomposição humana. Naquele momento, era preciso seguir os protocolos forenses e parar de manusear os itens do local, deixando a lata onde estava, até que um legista chegasse para confirmar ou não o achado. Mas, em seu coração, o agente já sabia que havia encontrado Evelyn.
Com a lata de lixo sem tampa para fora da casinha, mas ainda sem ter seu conteúdo tocado, uma médica legista foi chamada para acompanhar apropriadamente a retirada do que de fato estava ali. Uma lona especial foi colocada no chão e a lata começou a ser esvaziada. Enrolada em um cobertorzinho do Baby Shark e parcialmente vestida com um macacão de estampa de pinguins, estava Evelyn May Boswell.
Ela havia sido colocada na lata de lixo de cabeça para baixo e a própria legista descreveu a posição de seu corpo como um S inverso, com a cabeça virada para trás e não para frente como seria na posição fetal.
A cabecinha toda de Evelyn estava enrolada com uma grande e longa folha de papel alumínio que estava prensada fortemente contra seu rosto de forma que chegou até a deformá-lo, somado também ao fato de estar de cabeça para baixo.
Seu macacãozinho estava aberto e junto com ela, na lata, estava uma mamadeira, uma fralda suja, alguns pedaços de lixo, bem como um chiclete mascado. Mesmo enquanto o corpo ainda era levado para os exames de necropsia em Nashville e os itens adicionais seguiam para análise em um laboratório forense de Knoxville, as autoridades entenderam que já tinham provas suficientes para avançar contra Megan Boswell.
Ela foi então indiciada pelos crimes de homicídio em primeiro grau e vilipêndio de cadáver e sua fiança foi elevada para 150 mil dólares. Ao ficar sabendo da descoberta, Tommy Boswell entrou em choque. Ele se recusou a falar com a filha por telefone e entrou em uma fase complicada de luto e depressão.
O resultado da necropsia mostrou que a causa da morte de Evelyn foi asfixia mecânica e a maneira homicídio.
Devido ao estado de decomposição, a legista não conseguiu afirmar se a asfixia teria sido causada pelas mãos de alguém, por algum travesseiro, almofada ou pela própria lata de lixo. Visto que, se ela tivesse sido jogada daquela forma ainda com vida, a forma como caiu certamente causaria uma asfixia mecânica por posicionamento.
Não dava para saber exatamente a data de sua morte, mas estimava-se o meio de dezembro. Restava agora saber se Megan havia agido sozinha. DNA de pessoas próximas e familiares começaram a ser colhidos e a única pessoa que não aceitou fornecer a amostra foi Hunter, que contratou um advogado e deixou de cooperar com os investigadores.
Através de si, o representante, ele lamentou a morte da bebê, mas reiterou que nunca havia lhe conhecido pessoalmente.
Eventualmente, quando os testes de laboratório ficaram prontos, seus laudos apontaram para Megan apenas como contribuidora das evidências, ou seja, ou ela teria mesmo agido sozinha ou simplesmente não havia provas concretas ou até mesmo circunstanciais nenhuma apontando para um eventual cúmplice.
Ainda no final de março de 2020, um teste de paternidade comparando o DNA de Evan com o de Ethan Perry também foi feito e ficou comprovado que ele, de fato, não era o pai biológico da BP. Foi então que tudo parou por conta da pandemia de coronavírus.
O julgamento de Megan foi adiado diversas vezes, não só por questão da pandemia, mas também porque a promotoria enfrentava dificuldades em conseguir que Hunter participasse como testemunha devido a problemas de saúde mental por parte dele. Por fim, o julgamento acabou acontecendo em fevereiro de 2025 sem a presença dele mesmo.
Megan enfrentou 19 acusações que incluíam homicídio em primeiro grau, homicídio culposo, abuso infantil agravado, negligência infantil agravada, adulteração de provas, falsa comunicação à polícia, e nesse caso foram 11 contagens, abuso de cadáver e falha em relatar uma morte sob circunstâncias suspeitas, incomuns ou não naturais.
Durante os oito dias de audiência, mais de 29 testemunhas deporam frente ao júri, dentre elas, Tommy Boswell, que chorou muito e relatou em detalhes todas as mentiras que a filha contou no período em que ele ficou à procura da neta.
Ethan Perry, que explicou todo o seu paradeiro deixando claro que não poderia ter tido nenhum envolvimento no desaparecimento e morte de Evelyn, também deu detalhes do relacionamento dele com Meghan. Também participaram três amigas de Meghan, que em lágrimas...
descreveram como haviam sido as últimas interações delas com Evelyn. Inclusive, uma das meninas afirmou ter se encontrado para almoçar com Megan e a bebê no dia 11 de dezembro e disse que Evelyn estava suja, cheirando a urina, mas mesmo assim sorridente e boazinha. Do lado da defesa, depois Gell, a mãe acolhedora de Megan, dizendo que Megan era uma mãe atenciosa para Evelyn e muito carinhosa.
E também a avó de Meghan dizendo que ela era apenas uma criança ainda, com muitos problemas e incapaz de tomar decisões adultas. Um dos depoimentos mais marcantes no julgamento todo foi o de Angela, que assumiu a culpa toda para si, mas não no sentido que Meghan havia de início a implicado.
Angela chorou bastante e disse que ao longo de sua vida ela tinha sido uma péssima mãe. O pior exemplo possível de mãe. Ela disse que era dependente de álcool e drogas ilícitas e por isso nunca estava fisicamente, mentalmente e emocionalmente disponível para a filha.
Ela também disse que criou o Megan num ambiente inseguro, desequilibrado e cheio de maus exemplos, considerando que a filha, se aprendeu a ser mãe com o exemplo dela, não era à toa que teria apresentado esse resultado.
Ela diz também que Meghan sempre foi uma menina boazinha, inteligente e obediente, e ela só precisava de direcionamento mesmo na vida. Se a justiça lhe desse a chance de reconstruir sua vida, ela certamente teria todo o potencial para seguir em frente como uma cidadã de bem sem oferecer perigo à sociedade. Ao fim, Angela olhou para Meghan e disse que a perdoava por tê-la acusado de ter roubado a própria neta.
Esse depoimento de Angela foi o único que fez com que os olhos de Megan lacrimejassem. O mesmo não aconteceu enquanto o pai dela chorava e falava de Evelyn, descrevendo seu olhar genuíno, seu sorrisinho e suas primeiras palavras. Enquanto imagens da necropsia eram exibidas ao júri pelo telão, Megan abaixava a cabeça.
Quando a lata de lixo, o macacãozinho e o cobertor do Baby Shark foi trazido por um dos investigadores para que o júri pudesse ver, Megan deu uma olhada de relance e voltou seu olhar para baixo novamente. O período mais tenso do julgamento foi quando a defesa interrogou a médica legista e perguntou se Evelyn poderia ter falecido por causas naturais, como a síndrome da morte súbita infantil.
E a legista relutou na resposta dizendo que, como o corpo estava em estado avançado de decomposição, ela não poderia afirmar ou negar essa possibilidade. E que isso não mudaria seu laudo, pois, independentemente da forma que poderia ter morrido, a forma que seu pescoço ficou ao ser jogado na lixeira teria alterado o resultado do exame para asfixia por posicionamento.
Ainda durante os interrogatórios da defesa, o advogado de Megan sempre perguntava se tal ocorrido poderia ter sido o resultado de Megan ou Hunter machucando Evelyn, incluindo Hunter rolando sobre Evelyn na cama.
O que ele queria com isso era plantar uma dúvida na cabeça do júri quanto à possível participação de Hunter, tornando impossível a condenação de Megan por unanimidade. Acontece que a promotoria, impossibilitada de trazer Hunter para a audiência, resolveu trazer seu pai, Randy Wood.
Randy depois afirmando que o filho estava há meses internado numa clínica psiquiátrica e não tinha previsão de alta. Segundo ele, Hunter já demonstrava alguns transtornos mentais leves antes, mas depois de ter sido acusado pela comunidade local de ter assassinado uma bebê, ele teve um surto e acabou sendo diagnosticado depois com esquizofrenia.
Embora Hunter tivesse se recusado a fornecer amostras de seu DNA conforme instruído por seu advogado, ele aceitou oferecer suas digitais e nenhuma quantidade significativa e testável de DNA masculino foi encontrada nas evidências do crime contra Evelyn. Nem em suas roupas, no papel alumínio ou no saco e lata de lixo.
No entanto, o DNA de Megan estava por toda parte e suas digitais no papel, no saco de lixo e nas alças da lixeira. Não havia uma digital de Hunter sequer nos itens testados.
O advogado de Megan chegou a perguntar ao pai de Hunter, e também a um perito, se eles estavam cientes de que algumas pessoas diagnosticadas com esquizofrenia acreditavam que cobrir a cabeça de alguém com papel alumínio produzia algum tipo específico de reação. Essa pergunta parecia bem sugestiva e totalmente fora de contexto no julgamento, então o juiz não permitiu que a indagação continuasse.
Ao final das audiências, Megan foi considerada culpada. Aos 24 anos, ela foi sentenciada à prisão perpétua, mas 33 anos a serem cumpridos de forma consecutiva, sem possibilidade de liberdade condicional.
Em seu registro prisional, consta que a data prevista para o término da sentença será 22 de setembro de 2112, ou seja, quando ela tiver 111 anos de idade. Ou seja, na prática, Megan passará o resto de seus dias na prisão.
Até o presente momento, em maio de 2026, Meghan nunca contou o que realmente aconteceu. E talvez justamente por isso, esse caso tenha sido tão comparado ao de Casey Anthony, acusada de assassinar a filha Kaylee na Flórida em 2008, mas absolvida em 2011. Em ambos os casos, muitas pessoas enxergaram pontos em comum.
Duas jovens que se tornaram mães mais jovens ainda, sem maturidade, em contextos familiares instáveis e relacionamentos passageiros, pais biológicos de suas crianças que não foram identificados, namorados que foram.
apontados como pais e, na verdade, não eram. Duas crianças pequenas que dependiam inteiramente das mães. Duas famílias que, de formas diferentes, tentaram ajudar a colher e preencher lacunas, mas acabaram se deparando com jovens que queriam a liberdade e cuidar de suas filhas da forma que elas achavam correto.
Duas mães que, quando suas filhas desapareceram, elas não reagiram como se o mundo tivesse acabado, mas como se a ausência da criança fosse apenas um obstáculo inconveniente no caminho de uma nova fase de vida. Tanto Megan quanto Casey mentiram para os seus pais, mentiram para a polícia, criaram versões falsas, atrasaram investigações e colocaram suspeitas sobre outras pessoas da própria família.
As duas continuaram suas rotinas enquanto suas filhas estavam desaparecidas.
As duas foram acusadas pela opinião pública de tratar as próprias filhas como algo descartável, inconveniente, algo que podia ser removido quando deixava de caber na vida que elas queriam viver. E há ainda um detalhe simbólico aqui, quase impossível de ignorar. Evelyn foi encontrada dentro da pequena casinha de bonecas que havia pertencido à infância de Megan.
E Kaylee foi encontrada em uma área de mata próxima à casa da família dela, num lugar em que ela costumava enterrar seus animaizinhos de estimação. Duas crianças, deixadas em locais que carregavam algum tipo de memória familiar, como se, de maneira fria e distorcida, elas tivessem sido devolvidas a um pedaço do passado de suas mães.
Mas existe uma diferença fundamental entre esses dois casos. Casey Anthony foi absolvida das acusações mais graves e Megan foi condenada. E como sua situação jurídica dificilmente poderia piorar, quem sabe, talvez um dia no silêncio da prisão ela resolva falar. Quem sabe um dia ela decida tirar esse peso do peito.
Quem sabe ela resolva explicar, se é que existe alguma explicação possível, o que a levou a tirar a vida de uma criança linda, indefesa, cheia de energia e descobertas pela frente. Uma criança que tinha o direito absoluto, inegociável e sagrado de viver. Bom, gente, agora eu quero saber o que vocês acharam desse caso.
Vocês acreditam que Megan algum dia vai contar o que realmente aconteceu? Vocês acham que existem aspectos dessa história que ainda não vieram à tona? E principalmente, quantas Evelyn's ainda existem por aí? Invisíveis, entre mentiras, negligência, famílias complicadas, fragmentadas e sinais de alerta que só aparecem óbvios depois que já é tarde demais, né? E aí
Será que não tem muito mais gente por aí percebendo que existe alguma mãe que está numa situação como essas duas estavam? Que ela não está muito ali, presente, de coração, com todas as suas intenções voltadas para a criança. E essa criança está a um passo de se tornar uma Evelyn.
Como sempre, eu quero ouvir a opinião de vocês, mas espero que seja uma opinião com respeito, responsabilidade e cuidado, né? Porque por trás de todo o caso que eu trago aqui, existe, é claro, uma vítima real, uma família real e uma dor que não termina quando o episódio acaba.
A Evelyn, gente, ela tinha menos de dois aninhos. Ela não teve tempo de crescer, de se defender, de contar a sua própria história. Então hoje a gente termina esse episódio fazendo aquilo que Megan nunca fez. Olhando pra Evelyn, não como um problema, não como um obstáculo, não como um segredo, mas como uma criança.
Uma vida inteira que foi interrompida antes mesmo de começar, infelizmente, por aquela pessoa que mais deveria lhe amar. Sua mãe.
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